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Numero do processo: 16306.000185/2010-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado
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Recorrente FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (INCORPORADO PELO BANCO CITIBANK CNPJ 33.479.023/000180) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1636.107 da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado em Per/Dcomp, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 18 5/ 20 10 -3 8 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16306.000185/201038 Resolução nº 1302000.654 S1C3T2 Fl. 357 2 A legislação prevê que a partir de 01/10/2002, a compensação de débitos junto à RFB passou a depender da apresentação de DCOMP, na qual deve constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. Foi apurado crédito em favor do contribuinte, no mesmo valor reconhecido pela Autoridade Administrativa, razão pela qual mantém se a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No apelo apresentado, o Recorrente reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de conformidade, alegando, em síntese, que houve "a homologação expressa da estimativa de fevereiro de 2003 nos autos do processo administrativo de nº 11831.000350/200361" e que houve o cancelamento da CDA de nº 80.6.06.03438935. Devese ressaltar, ainda, que, em 02 de julho de 2018, em atenção à resolução proferida nos autos do processo de nº 16306.000184/201093, também de responsabilidade deste colegiado, mas sob a relatoria do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, a unidade preparadora encaminhou aqueles autos a este CARF, sugerindo a continuidade do julgamento em face da informação prestada no Relatório Fiscal Despacho em Diligência, do qual se extrai, verbis: [...]Dito isso, passo a análise da situação da parcela – estimativa IRPJ PA Fevereiro de 2003, que compõe o SN de ac 2003, por meio dos PAF abaixo: I) 11831.000.350/200361: Direito creditório SN IRPJ ac 2001. Processo encontrase encerrado e arquivado. Extinto por compensação o débito estimativa IRPJ Fev 2003, com créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, conforme despacho anexado de fls. 404 a 407 (produzido nos autos dos PAF nºs 10880.531.292/200617 e 10880.531.294/200614). No sentido de confirmar esta informação, a leitura do item documentos comprobatórios aponta para a extinção de débitos o débito de IRPJ estimativa 02/2003 (ver cópia de fls. 408 e 424); II) 10880.721.774/201477: Tratase de processo de cobrança que se encontra encerrado. Nele foi recebido controle do crédito tributário 2362 PA Fev/2003, no valor R$ 2.449.164,75. Como consequência do despacho no PAF 11831.000.350/200361 (fls. 404 a 407), a DIORT/DEINF informa à PGFN a possibilidade de excluir os débitos de IRPJ PA Fev/02 da inscrição em dívida ativa da União, visto que entende estar ele liquidado. Cópias foram anexadas a este processo, fls. 425 a 429. O processo de inscrição DAU foi protocolizado sob nº 10880.531.292/200617 e nele se encontra informada a necessidade de retificação da inscrição em Dívida Ativa DAU nº 80.2.06.02210869 (fls 1.421 e 1.422) no sentido de excluir o valor de R$ 2.449.164,75, referente à parcela de Fev/2003; III) 10880.531.292/200617 – Processo de inscrição em Dívida Ativa da União que abarcava a parcela – estimativa IRPJ PA Fev 2003, no valor de R$ 2.449.164,75. Conforme dito acima, nele se encontra informada a necessidade de retificação da inscrição em Dívida Ativa DAU nº 80.2.06.02210869 (fls 1.421 e 1.422); IV) 2006.61.00.0138669 Processo Judicial: Localização atual: TRF. O número original de primeira instância é 001386679.2006.4.03.6100. Da leitura dos Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16306.000185/201038 Resolução nº 1302000.654 S1C3T2 Fl. 358 3 extratos obtidos por meio do site www.trf3.jus.br/ , ainda não ocorreu o trânsito em julgado desta Ação (até a data de 06/06/2018). Em razão do exposto, no que pese a Resolução 1302000.300 do CARF solicite aguardar o trânsito em julgado da Ação Anulatória nº 2006.61.00.0138669 (que, de fato, ainda não ocorreu), decido encaminhar o presente processo à 3ª Câmara/2ª Turma do CARF para que avalie a possibilidade de retomar a análise do crédito tributário aqui discutido, em razão da alteração da situação da parcela questionada para liquidada por compensação (estimativa IRPJ PA Fev 2003, no valor de R$ 2.449.164,75), conforme relatório acima, motivada pelas decisões produzidas nos Processos Administrativos PAF nºs 11831.000.350/200361, 10880.721.774/201477 e 10880.531.292/200617. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do acórdão recorrido em 25/04/2012 (fl. 140), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 25/05/2012 (fl. 142) ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.. Como se denota do acórdão recorrido, a discussão no presente processo refere se ao nãoreconhecimento de parte do SNCSLL referente a fevereiro de 2003, no valor de R$649.185,19. Vejase o que constou daquela decisão: 8.1.1.1. Conforme Despacho Decisório e tabela do subitem 2.6.6., tem se que: (i) foi informado na Ficha 17, linha 38, o montante de R$1.707.736,54 à título de CSLL Mensal Paga por Estimativa (jan = R$1.059.153,95; fev = R$648.582,59), mas somente foi confirmada compensação de R$1.058.551,35 referente a janeiro; e (ii) como a CSLL apurada na linha 36 foi R$623.101,30, restou comprovado um SNCSLL de R$435.450,05, ou seja, não foi reconhecido o montante de R$649.185,19. Contudo, como se depreende da decisão proferida nos autos do PAF nº 11831.000350/200361, houve o reconhecimento do direito creditório, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), após reconhecer a maior parte do direito creditório do contribuinte, se manifestado pela homologação da "compensação dos débitos indicados nas DCOMP objeto da presente análise, até o limite do direito creditório reconhecido, após compensados os débitos objeto de compensação sem processo referidos no subitem 11.7, devendose prosseguir na cobrança dos débitos remanescentes". Por outro lado, a autoridade preparadora, em despacho de diligência acostado aos autos do processo nº 16306.000184/201093, confirmou o reconhecimento do direito creditório e a homologação da referida compensação da estimativa de fevereiro de 2003 no âmbito do PAF. Nº 11831.000350/200361, tendo sido comunicada à PGFN da necessidade de excluir os débitos de IRPJ PA Fev/02 da inscrição em dívida ativa da União, visto que entender que o mesmo Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16306.000185/201038 Resolução nº 1302000.654 S1C3T2 Fl. 359 4 encontrase liquidado e informada a necessidade de retificação da inscrição em Dívida Ativa DAU nº 80.2.06.02210869, controlada no PA nº 10880.531.292/200617. Em que pese o referido despacho não tratar especificamente do presente processo, os fatos e elementos (em especial a decisão proferida nos autos PAF. nº 11831.000350/200361) são idênticos à presente discussão. Contudo, para que não haja dúvidas quanto reconhecimento do direito creditório ora em discussão (SNCSLL referente a fevereiro de 2003) e, principalmente, porque este direito foi reconhecido em outro processo administrativo, entendese que, por prudência, o julgamento deste PAF deve ser convertido em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil confirme, via relatório conclusivo, qual o valor de SNCSLL referente a fevereiro de 2003 foi reconhecido no PAF 11831.000350/200361 e se este valor é suficiente para homologar as compensações apresentadas pelo Recorrente. Após a intimação do contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência, os autos deverão retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722132/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 09/09/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 32 /2 01 4- 10 Fl. 35821DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35822DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.587, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35823DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35824DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35825DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35826DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35827DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35828DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35829DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35830DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35831DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35832DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35833DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35834DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35835DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35836DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35837DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35838DF CARF MF Processo nº 12466.722132/201410 Acórdão n.º 3301005.113 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35839DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.911459/2009-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ.
A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento.
Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 3002-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 59 /2 00 9- 57 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10580.911459/200957 Acórdão n.º 3002000.431 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 37/39) exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 01747.56555.200407.1.3.044868, transmitida em 20 de abril de 2007, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 17.151,68, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Darf código 5856, em 15 de março de 2006, no valor de R$ 74.549,62, relativo ao período de apuração de 28 de fevereiro de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 07 de outubro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o valor do crédito pleiteado é proveniente de serviços de administração de obra, conforme notas fiscais que junta aos autos, os quais estão sujeitos ao regime cumulativo até 31 de dezembro de 2006. A contribuinte informa que não retificou a DCTF e o Dacon referente ao período de apuração do crédito porém, após a constatação do erro (com a ciência do Despacho Decisório) transmitiu as declarações retificadoras, em relação aos períodos de apuração de fevereiro, março e abril de 2006, conforme documentação que anexa." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 27), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório uma vez que juntou todas as notas fiscais, declaração retificadora da DCTF, bem como da Dacon, planilha de apuração da base de cálculo do tributo pleiteado e, por fim, cópia dos pagamentos por regime não cumulativo a fim de reconhecer a totalidade do crédito compensado, com base na Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, por considerar que o contribuinte "na data de apresentação da Dcomp, não havia retificado a DCTF", conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10580.911459/200957 Acórdão n.º 3002000.431 S3C0T2 Fl. 4 3 "COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 43/49) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) o direito subjetivo à compensação, o qual não se pode ser afastada por mero erro formal da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. De inicio, é valido observar que a DRJ deixou de analisar a certeza e liquidez do crédito tributário alegando que "ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp" afirmando que "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida" e, por fim, "que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem.". À primeira vista, entendo que os documentos juntados pelo contribuinte são suficientes à comprovação do direito creditório pleiteado, ou seja, planilha de apuração da base de cálculo do tributo (fls. 29), notas fiscais (obras por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil fls. 30/31) e a DCTF devidamente retificada. Contudo, em razão da retificação da DCTF que só foi feita após o despacho decisório (fls. 07), o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada, entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Do transcrito acima, extraise que a DRJ ao assim proceder, ou seja, deixando de analisar à DCTF retificada, por considerar "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF." prejudicou o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10580.911459/200957 Acórdão n.º 3002000.431 S3C0T2 Fl. 5 4 (impossibilidade de análise de DCTF retificadora), deixou de apreciar o mérito da contenda (existência ou não do crédito tributário). E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, "in verbis": "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por oportuno, é válido mencionar que ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho Decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Outrossim, por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/15, a administração tributária se manifestou favoravelmente quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação e depois do indeferimento do pedido, exarado nos seguintes termos: "RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. (...) Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010." Corroborando com o entendimento acima disposto, conforme Acórdão nº 9303006.266 da CÂMARA SUPERIOR de 25/01/2018, "in verbis": "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).". Sendo assim, uma vez anexada aos autos, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise da DCTF retificadora enviada após a DCOMP, e, por consequência, determinar o retorno dos Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10580.911459/200957 Acórdão n.º 3002000.431 S3C0T2 Fl. 6 5 autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721128/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.498
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 12 8/ 20 14 -2 8 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13888.721128/201428 Resolução nº 3201001.498 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 19726.000427/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.713
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e/ou para que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o status atual da Ação Ordinária nº 2005.51.01.006325-7 e da Execução Fiscal nº 2006.51.01.520905-2, trazendo aos autos cópia da petição inicial e de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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CONSTRUÇÃO CIVIL. Recorrente INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e/ou para que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o status atual da Ação Ordinária nº 2005.51.01.0063257 e da Execução Fiscal nº 2006.51.01.5209052, trazendo aos autos cópia da petição inicial e de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 26 .0 00 42 7/ 20 09 -0 5 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19726.000427/200905 Resolução nº 2402000.713 S2C4T2 Fl. 356 2 RELATÓRIO Tratase o presente caso de Notificação Fiscal referente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, além das contribuições dos segurados. A apuração das contribuições foi realizada com fulcro no instituto da responsabilidade solidária, em virtude da execução de obra de construção civil, pela empresa CAPWORK ENGENHARIA CONSULTORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., conforme relatório fiscal. A contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal e/ou fatura correspondente aos serviços executados, motivo pelo qual houve lançamento das contribuições, conforme informa o referido relatório fiscal. Cientificadas, a contribuinte e a responsável solidária apresentaram as respectivas impugnações. A Delegacia da Receita Previdenciária julgou procedente a exigência fiscal, nos termos da Decisão Notificação nº 17.401.4/893/2004. Cientificadas, apenas a contribuinte apresentou recurso ao antigo Conselho de Recursos da Previdência Social (fs. 168 / 203), reiterando os termos da impugnação apresentada. O recurso voluntário foi considerado deserto (fls. 295). O contribuinte ajuizou Mandado de Segurança requerendo a autorização para interposição do susodito recurso administrativo, (Processo n 2. 2004.51.01.0229520, da 3ªVF/RJ), sendolhe indeferido o seu pedido. Assim foi que o débito objeto do presente processo foi inscrito em dívida ativa da União, tendo sido ajuizada a respectiva Execução Fiscal nº 2006.51.01.5209052, conforme extrato de fls. 317. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19726.000427/200905 Resolução nº 2402000.713 S2C4T2 Fl. 357 3 VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Conforme descrito no relatório supra, o recurso voluntário do contribuinte foi considerado deserto, pelo que o débito objeto do presente PAF foi inscrito em dívida ativa da União, com o ajuizamento da respectiva execução fiscal nº 2006.51.01.5209052. Ocorre que, conforme consta no despacho da PGFN de fls. 334, o contribuinte alegou a ocorrência de decadência/prescrição, razão pela qual requereu a extinção do feito em consonância com a Súmula Vinculante n° 08. Outrossim, às fls. 324 encontrase outro despacho da PGFN no qual consta a expressa informação que os créditos 356831159, 356831370, 356831639, 356832341 356832392 e 356832651„ estão sendo questionados na ação ordinária 2005.51.01.0063257, ajuizada perante a 16 Vara Federal, onde não foi deferida a antecipação de tutela e julgados improcedentes os pedidos em sentença. Às fls. 338, temse despacho da RFB, destacando que: Tratase de NFLDNotificação Fiscal de Lançamento de Débito, em fase de cobrança, para análise de decadência em decorrência da Súmula Vinculante n° 8/2008. (...) Com base nessas informações, é possível afirmar que as competências 05/1997 a 11/1998 e 13/1998 estão decadentes, considerandose o prazo decadencial previsto no art.173, I ou no art.150, § 4" do Código Tributário NacionalCTN. Para a competência 12/1998 não há registros de recolhimentos parciais anteriores a consolidação e a ciência; conforme RADA e tela CCORConsulta ContaCorrente de Estabelecimento, do Sistema de Arrecadação DATAPREV, fato que determina a aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Diante do exposto, quanto a NFLD 35.683.1159, é possível concluir que deve ser reconhecida a decadência para excluir do lançamento o período referente às competências 05/1997 a 11/1998 e 13/1998. Mantémse a competência 12/1998. Na sequência, temse novo despacho da PGFN (fls. 346), informando que, em face do despacho de fls. 309, reconhecendo a decadência parcial do crédito constituído pela NFLD 35.683.1159, encaminhese os presentes autos a DIDAU/SETCOP para que a) proceda a alteração da NFLD 35.683.1159, excluindo as competências decaídas relativas aos períodos 05/1997 a 11/1998 e 13/1998; b) que emita novo demonstrativo de débito para as competências 12/1998; Fl. 357DF CARF MF Processo nº 19726.000427/200905 Resolução nº 2402000.713 S2C4T2 Fl. 358 4 c) após a efetivação das medidas requeridas, retornem os presentes autos à PRFN2 DIGRA/RJ, para fins de providências no âmbito da execução fiscal n° 2006.5101.5209052, em curso na 4ª Vara Federal de Execução Fiscal/RJ. Como se vê, resta claro e inequívoco que o débito objeto do presente PAF é objeto também da Ação Ordinária nº 2005.51.01.0063257 e da Execução Fiscal nº 2006.51.01.5209052, nas quais o contribuinte alegou a decadência do direito de o Fisco constituir o referido débito. Neste contexto, tendo os presentes autos retornado a este Colegiado, já que o contribuinte, nos termos do despacho de fls. 351, em face do Ordenamento Jurídico vigente, obteve o direito de ver ser recebido e julgado pelo órgão julgador de segunda instância seu RECURSO ADMINISTRATIVO SEM DEPOSITO, apresentado tempestivamente em 03/12/2004. Registrese, pela sua importância, que o referido despacho de fls. 351 é o último documento do presente processo até o momento e data de janeiro/2010. Assim, em face do quanto pontuado linhas acima, é possível que o débito objeto em análise já esteja integralmente e definitivamente extinto – ou não – em face do curso das ações judiciais já mencionadas. Neste contexto, o envio dos autos para a Unidade de Origem e/ou para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é medida que se impõe para que esta(s) preste(m) informações atualizadas acerca das ações judiciais destacadas. Conclusão Neste espeque, em homenagem aos princípios da verdade material e da economia processual, voto pela conversão do presente em julgamento para a Unidade de Origem e ou para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para que esta(s) informe(m) o status atual da Ação Ordinária nº 2005.51.01.0063257 e da Execução Fiscal nº 2006.51.01.5209052, trazendo aos autos cópia de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior. Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902943/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 43 /2 01 1- 05 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.902943/201105 Acórdão n.º 3402005.810 S3C4T2 Fl. 0 2 Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de crédito de Cofins cumulativa. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 06042.936, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório e a não homologação da compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo, pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.902943/201105 Acórdão n.º 3402005.810 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.795, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.902926/201160, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.795): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.902943/201105 Acórdão n.º 3402005.810 S3C4T2 Fl. 0 4 Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.902943/201105 Acórdão n.º 3402005.810 S3C4T2 Fl. 0 5 Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902943/201105 Acórdão n.º 3402005.810 S3C4T2 Fl. 0 6 (...) Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.902943/201105 Acórdão n.º 3402005.810 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao con hecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11077.000773/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/09/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
ROUBO DE MERCADORIA. CASO FORTUITO INTERNO.
Devido a lapso manifesto, foi abordado no Acórdão de Recurso Voluntário tópicos referentes à responsabilidade e à Multa de ofício.
Esses assuntos não constam das alegações do Recurso Voluntário. Assim devem ser excluídos.
Numero da decisão: 3302-006.331
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes para excluir do corpo do voto os tópicos " Da responsabilidade" e Multa de ofício. Previsão legal e percentual".
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 08/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ROUBO DE MERCADORIA. CASO FORTUITO INTERNO. Devido a lapso manifesto, foi abordado no Acórdão de Recurso Voluntário tópicos referentes à responsabilidade e à Multa de ofício. Esses assuntos não constam das alegações do Recurso Voluntário. Assim devem ser excluídos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11077.000773/200612 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302006.331 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria ROUBO DE MERCADORIA Embargante ALL AMERICA LATINA LOGISTICA INTERMODAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ROUBO DE MERCADORIA. CASO FORTUITO INTERNO. Devido a lapso manifesto, foi abordado no Acórdão de Recurso Voluntário tópicos referentes à responsabilidade e à Multa de ofício. Esses assuntos não constam das alegações do Recurso Voluntário. Assim devem ser excluídos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes para excluir do corpo do voto os tópicos " Da responsabilidade" e Multa de ofício. Previsão legal e percentual". (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 00 07 73 /2 00 6- 12 Fl. 300DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/12/2016, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 15.000,00. Na data de 06/09/2006, foi concedido o regime especial de Trânsito Aduaneiro, tendo como origem a unidade local de São Borja, Recinto Alfandegado Centro Unificado de Fronteira São Borja/Santo Tomé Mercovia/SA e por destino São Paulo a EADI Santo André Terminal de Cargas Ltda, tendo como beneficiário do regime a ALL América Latina Logistica Intermodal S.A. Foi registrada para tanto a Declaração de Trânsito Aduaneiro tipo MICDTA de n° 06/03295126, desembaraçada automaticamente pelo sistema em 06/09/2006 (canal verde). Estão relacionados no corpo do Auto de Infração (folhas 25 do processo digital) dados do transporte e os documentos que instruíram a declaração de trânsito aduaneiro n°. 06/03295126, do tipo MICDTA. Na data de 08/09/2006, a companhia beneficiária/transportadora registrou na Delegacia de Policia de Miracatu/SP boletim de ocorrência de roubo da carga e do veiculo transportador (composto pelo caminhão/trator e semireboque, placas AJS8534 e AII4546, respectivamente). O boletim de ocorrência em referência foi registrado sob o n° 965/2006 (folhas 17 a 19 do processo digital). A partir do histórico do boletim de ocorrência, constatase a localização do caminhão/trator (placa AJS8534), porém o semireboque (placa AII4546), o qual continha as mercadorias acima relacionadas, não foi localizado. Tal ocorrência encontra previsão legal nos termos do art. 107, inciso II do DecretoLei n°. 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pela Lei n°. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, abaixo transcrito: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) II de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), por contêiner ou veiculo contendo mercadoria, inclusive a granel, no regime de trânsito aduaneiro, que não seja localizado;" Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 07/12/2006 (fls. 24), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/01/2007, de folhas 35 à 53, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11077.000773/200612 Acórdão n.º 3302006.331 S3C3T2 Fl. 3 3 Breve histórico da ação fiscal; A arguição de improcedência da multa lançada; A arguição do caráter confiscatório da multa de ofício. Em síntese, pleiteia a improcedência da ação fiscal e alternativamente devido ao princípio da eventualidade, espera a Autuada, que, no mínimo, a penalidade seja atenuada. Protestou na oportunidade pela juntada do Contrato firmado entre a lmpugnante e a empresa Duty Sistema de Gerenciamento de Riscos S/A. Em 19 de março de 2010, através do Acórdão n° 0719.266, a 2a. Turma da DRJ de Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, MANTENDO o crédito tributário exigido. Para tanto, invocou o Ato Declaratório Interpretativo n° 12, de 31 de março de 2004, para qual o furto ou o roubo não caracterizam caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. Assevera ainda que hipotético roubo não é escusa, uma vez que uma das obrigações básicas do oficio remunerado do transportador é a segurança das mercadorias a ele entregues para transporte, o que pressupõe entregar a mercadoria no local de destino. Invoca também o artigo 602 do Regulamento Aduaneiro. Quanto ao princípio do nãoconfisco, leciona o Acórdão que é uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 26/04/2010 (folhas 95), via Aviso de Recebimento. Em 21/05/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 97 a 113. Após o relato dos fatos, alega que o 595 do Decreto n° 4.543/2002 exclui a responsabilidade do transportador, uma vez que estão presentes nesta hipótese todos os elementos característicos de casos como de força maior. Para tanto usa a definição de DE PLÁCIDO E SILVA e MARIA HELENA DINIZ de caso fortuito e de força maior. Aduz que a subtração de mercadorias decorrente de assalto à mão armada (roubo) — como no caso presente — contém os elementos caracterizadores das hipóteses de casos de força maior, ou seja, a IRRESISTIBILIDADE e INSUPERABILIDADE, razão pela qual deve ser excluída a responsabilidade da ora Recorrente. Por derradeiro, observa que não houve, em momento algum, imprudência, negligência, tampouco imperícia por parte do motorista da ora Recorrente, abordado pelos criminosos. Fl. 302DF CARF MF 4 Conclui, portanto, que não há espaço para cogitarse da responsabilidade da Recorrente em relação ao roubo da carga transportada. Argui ainda o caráter confiscatório da multa de ofício. Em síntese, pleiteia acolher o presente Recurso Voluntário e darlhe provimento, para o fim de julgar improcedente o Auto de Infração, determinando o cancelamento da penalidade de multa nele lançada. Em 9 de novembro de 2011, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, procedeu Solicitação de Diligência através da Resolução nº 3102000.190. Na oportunidade, VOTOU A TURMA POR CONVERTER o julgamento em diligência para que o transportador fosse intimado a apresentar todos os documentos e registros contábeis e comerciais relacionados com o fato alegado. Asseverouse, na ocasião, que qualquer documento ou registro poderia prestarse a tal finalidade, e que a intimação deveria ser precedida do encaminhamento do processo à autoridade lançadora para ela acrescentar novos elementos de prova ao processo. Em 23 de maio de 2018, através do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302005.480, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF negaram provimento ao Recurso Voluntário. A empresa ALL AMERICA LATINA LOGISTICA INTERMODAL S/A foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, via Aviso de Recebimento, em 11/07/2018 (folhas 288). Em 16/07/2018, a empresa ALL AMERICA LATINA LOGISTICA INTERMODAL S/A ingressou com Embargos de Declaração (folhas 290), argumentando que a decisão passa a abordar assuntos que não são objeto dos autos. Em 24/08/2018, Despacho de Admissibilidade admitiu parcialmente os embargos de interpostos pelo contribuinte, apenas para que seja saneado o lapso manifesto apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 24 de agosto de 2018, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para que seja saneado o lapso manifesto apontado. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11077.000773/200612 Acórdão n.º 3302006.331 S3C3T2 Fl. 4 5 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302005.480 da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 23 de maio de 2018. A empresa ALL AMERICA LATINA LOGISTICA INTERMODAL S/A foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, via Aviso de Recebimento, em 11/07/2018 (folhas 288). Em 16/07/2018, a empresa ALL AMERICA LATINA LOGISTICA INTERMODAL S/A ingressou com Embargos de Declaração (folhas 289 e 290), argumentando que a decisão passa a abordar assuntos que não são objeto dos autos. O recurso é tempestivo. 3. DA OMISSÃO. É alegado às folhas 03 dos Embargos de Declaração: No primeiro tópico, o acórdão discorre sobre a responsabilidade da empresa “Fontes e Campos Comércio e Importação” transferida para seus sócios, pessoas estranhas ao processo. Afirma que a ação fiscal se pauta em “informação prestada pelo próprio exportador às autoridades portuguesas”, sendo apontada pela “ocorrência de uma fraude através de utilização de notas de débito para a cobrança apartada dos valores de certificados, transportes e seguros”. Todavia, a Embargante, em momento nenhum, menciona a empresa Fontes e Campos Comércio e Importação e seus sócios, até porque não são partes do processo. Além disso, não há qualquer discussão quanto à responsabilidade dos sócios à luz dos arts. 121 e 135 do CTN, o que demonstra que há nítido erro material no acórdão proferido. Em nota de rodapé da fl. 06, consta a informação de que o extravio da carga teria ocorrido no trajeto rodoviário entre o recinto alfandegado do Operador Portuário Usiminas e o recinto alfandegado da autuada. No caso dos autos, o sinistro ocorreu entre o trajeto de São Borja/RS até Santo André/SP, pela rota BR285 / RS135 / BR153 / BR476 / BR116 / SP055 / SP150. Mais um erro material a ser sanado. Quanto ao tópico da multa, o d. Relator trata equivocadamente da aplicabilidade da multa de 75% prevista no inc. I da art. 44 da Lei n° 9.430/96. Acontece que, conforme se infere do Auto de Infração, a multa ora combatida está disposta no art. 107, inc. II do DecretoLei n° 37/66 (redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03)2, no valor fixo de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Em outros termos, o acórdão está julgando multa por falta de pagamento/declaração, enquanto a situação fática versa sobre multa de R$ 15.000,00 por fato distinto (localização do semi reboque contendo as mercadorias importadas em regimede trânsito aduaneiro). Fl. 304DF CARF MF 6 Podese afirmar, portanto, que o acórdão incorreu em patente erro material, vez que discorreu sobre situações de fato e de direito alheios à presente autuação. Os fatos relatados encontram perfeita sintonia com os assuntos tratados pelo Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302005.480 da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, datado de 23 de maio de 2018. A falta merece saneamento. 4. DO DEFERIMENTO Absolutamente corretas e precisas as observações feitas pelo embargante. Na leitura do VOTO fica evidente que o Relator adentrou em assunto não veiculado no Recurso Voluntário – responsabilidade dos sócios – e em outro momento em assunto que sequer guarda relação com a legislação aplicável – multa de ofício. Portanto, por esses motivos – ausência de alegação no Recurso Voluntário e inaplicabilidade da legislação invocada devem ser extraídos do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302005.480 os seguintes tópicos: ü Da responsabilidade; e ü Multa de ofício. Previsão legal e percentual. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração interpostos pela empresa ALL AMERICA LATINA LOGISTICA INTERMODAL S/A sem efeitos infringentes para excluir do corpo do VOTO os tópicos “ Da responsabilidade” e “Multa de ofício. Previsão legal e percentual”. Jorge Lima Abud. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11077.000773/200612 Acórdão n.º 3302006.331 S3C3T2 Fl. 5 7 Fl. 306DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720585/2015-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 85 /2 01 5- 20 Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 3201003.081, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negou provimento, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE INEXISTENTE A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A escolha do auto de infração ou da notificação de lançamento é definida nos termos dos art. 10 ou 11 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de Infração não se presta às exigências tributárias somente quando acompanhadas de cominação de penalidades. Higidez do Auto de Infração que afasta sua nulidade à luz dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. EFEITO DA CONCOMITÂNCIA Não há previsão legal dentre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal e Regimento Interno do CARF para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, para aguardar trânsito em julgado de decisão em ação judicial que verse sobre as matérias objeto da autuação. Efeito que decorre da natureza da concomitância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 4 3 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. IGUALDADE DE OBJETO. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 01. Decorre da concomitância a não apreciação de qualquer matéria versada no julgamento administrativo que se encontra no bojo do objeto da ação judicial. JUROS DE MORA. CABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SÚMULA CARF Nº 5 A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios calculados até a data do efetivo pagamento, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, pois ausente depósito do montante integral. Aplicação da Súmula CARF nº 05. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando contradição quanto a definitiva da decisão judicial referente à Cofins e omissões relativas aos fundamentos do sobrestamento do processo administrativo e ao erro na apuração da base de cálculo da autuação. Em Despacho às fls. 1115 a 1119, os Embargos de Declaração foram rejeitados em caráter definitivo. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O entendimento da Turma Julgadora nos presentes autos mostrouse equivocado, uma vez que, a despeito da decisão judicial favorável ao Recorrente, reconhecendo que sobre as receitas financeiras não incide as contribuições ao PIS e à COFINS, houve por bem manter a autuação sob a alegação de concomitância de matérias; Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 5 4 · Referido entendimento ofende flagrantemente as disposições contidas na ação transitada em julgado, pois rediscute matéria já afastada pelo Poder Judiciário, o que não pode ser admitido por esta C. Câmara Superior; · Ainda que esta E. CSRF não aplique o quanto decidido de modo definitivo pelo Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.71.00.0195070, o que se admite apenas a título argumentativo, a recorrente, demonstrou que, ao menos, deverá ser sobrestado o julgamento do presente processo administrativo, até que seja proferida decisão judicial de mérito definitiva pelo STF, no RE nº 609.096/RS. Em Despacho às fls. 1246 a 1250, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Insatisfeito com a negativa de seguimento do recurso, o sujeito passivo interpôs Agravo, enfatizando a demonstração da divergência jurisprudencial, e, enfim, requerendo o seguimento de seu recurso. Em Despacho às fls. 1332 a 1340, o agravo foi acolhido e dado seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “aplicação da decisão judicial transitada em julgado relativa ao caso concreto” e “sobrestamento do Processo Administrativo – pendência da análise da matéria pelo STF – repercussão geral”. Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Quanto à decisão judicial, não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados, como quer fazer crer a recorrente, uma vez que os mesmos tratam de situação diversa, na qual há indubitavelmente a coisa julgada; · Quanto ao sobrestamento, os parágrafos 1º e 2º do art. 62A da Portaria MF 545/2013 foram revogados; sendo assim, verificase que as situações confrontadas no acórdão recorrido e nos paradigmas Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 6 5 invocados não se assemelham o que acarreta a inadmissibilidade do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, vez que foi comprovada a divergência necessária, nos termos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho de agravo. Eis a análise minuciosa feita pelo exconselheiro Júlio César Alves Ramos e atestada pela nobre Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Adriana Gomes Rêgo (Grifos meus): “[...] Tratase de agravo interposto tempestivamente em 08 de março de 2018 contra despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 02 de março de 2018 (fl. 1.258). Em face do Acórdão nº 3201003.081, que negou provimento ao recurso voluntário, o sujeito passivo interpôs recurso especial ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de fls. 1.246/1.250. Dispõe o art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e alterado pelas Portarias MF nº 152, de 3 de maio de 2016, e 329, de 4 de junho de 2017: [...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 7 6 sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento negou seguimento ao recurso especial no qual se pretendia levar ao escrutínio da Câmara Superior as matérias: 1 Aplicação da decisão judicial transitada em julgado relativa ao caso concreto; 2 Sobrestamento do Processo Administrativo – pendência da análise da matéria pelo STF (repercussão geral) A respeito da primeira, se disse no despacho agravado: A recorrente alega divergência jurisprudencial quanto à necessidade de aplicação da decisão judicial transitada em julgado relativa ao caso concreto – Mandado de Segurança nº 2005.71.00.0195070. Apresenta, como legislação que teria sido interpretada de forma divergente, os artigos 156, inciso X, do CTN, 15, 342 e 1.013 do CPC e Súmula CARF nº 01. A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido. Para comprovar o dissídio alegado, a recorrente apresenta, como paradigmas, os Acórdãos 3402004.674 e 3402003.971, que possuem as seguintes ementas, transcritas na parte que interessam ao presente exame: Acórdão 3402004.674 COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A concomitância pressupõe a coexistência de dois processos, um judicial e outro administrativo, para que caracterize a renúncia à impugnação e recurso administrativo. Na hipótese de encerramento do processo judicial, com trânsito em julgado favorável ao contribuinte, cabe ao Colegiado aplicar o teor da decisão ao caso. Acórdão 3402003.971 FATO SUPERVENIENTE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A informação sobre trânsito em julgado da decisão proferida em ação judicial, sendo fato superveniente no processo administrativo, pode ser Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 8 7 trazida pela Recorrente por simples petição para julgamento, devendo a mesma ser apreciada por este Conselho, conforme determinam os artigos 342 e 1.013 do Código de Processo Civil. Confrontando as decisões apresentadas, não se consta(sic) o dissídio alegado, tendo em vista as distintas situações apreciadas nos processos, que resultaram em decisões distintas. Enquanto os paradigmas apreciaram uma situação em que a matéria foi decidida definitivamente pelo poder judiciário, com trânsito em julgado incontestável, a situação apreciada nos presentes autos referese a um caso ainda pendente de julgamento definitivo pelo STF, conforme a recorrente reconhece em sua peça recursal, quando requer o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo até que seja proferida decisão judicial de mérito definitiva pelo STF, no RE nº 609.096/RS. Tal fato foi assim destacado no voto condutor do acórdão recorrido: “Quanto à incidência do PIS, as certidões e demais peças processuais informam a continuidade do julgamento do Recurso Extraordinário nº 609.096 /RS no qual permanece a discussão acerca da sua base de cálculo, em especial a inclusão ou não das receitas financeiras das instituições financeiras.” Com essas considerações, entendo não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial em relação a este tema. No agravo, a defesa sustenta haver sim similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido na medida em que neste " o E. CARF decidiu não ter capacidade para aplicar ao presente caso acórdão do poder judiciário transitado em julgado, somente podendo a Autoridade Administrativa assim fazêlo", ao passo que os paradigmas afirmam exatamente o contrário, isto é, a necessidade de aplicação, pelo CARF, da decisão que venha a se tornar definitiva no curso do processo administrativo. Assiste razão ao agravante, o que se comprova, inicialmente, pela transcrição integral do voto da decisão recorrida acerca da matéria. Ali se afirmou: A concomitância entre processos administrativo e judicial quanto ao PIS e à Cofins Decorre da natureza da concomitância entre processos administrativo Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 9 8 e judicial que versam sobre o mesmo objeto que descabe a Colegiado do CARF apreciar matéria tratada em ação judicial; tampouco poderá conhecer da exoneração da Cofins ainda que existente acórdão transitado em julgado em sede de Tribunal Federal, pois a propositura de ação judicial com o mesmo objeto importa renúncia a qualquer decisão administrativa. Nesse sentido, é o enunciado da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ademais, repisase que acaso haja, ou quando houver, o trânsito em julgado de acórdão em Tribunal Federal que exonere a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras da recorrente impende sua observância obrigatória à competente autoridade administrativa, ou seja, impõese àquela a obrigatoriedade da execução do acórdão, e não aos Conselheiros do CARF. De se atentar que desfecho de lide judicial com seu trânsito em julgado em relação a matéria tributária não põe fim à concomitância, vez que subsistirá em seus efeitos. Permanece o julgador impedido de se pronunciar sobre a mesma matéria apreciada e decidida definitivamente pelo Órgão que detém prerrogativa exclusiva em matéria constitucional. Assim, a coisa julgada no Poder Judiciário deverá sempre prevalecer, sem qualquer possibilidade de alteração ou redução no âmbito administrativo, razão pela qual, ante o princípio da jurisdição una, deve a discussão ser encerrada neste processo, sem qualquer manifestação deste Colegiado acerca da Cofins. Quanto à incidência do PIS, as certidões e demais peças processuais informam a continuidade do julgamento do Recurso Extraordinário nº 609.096 /RS no qual permanece a discussão acerca da sua base de cálculo, Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 10 9 em especial a inclusão ou não das receitas financeiras das instituições financeiras. Assim, há de se observar o enunciado da Súmula CARF nº 1 transcrita acima que prescreve a impossibilidade de pronunciamento por Colegiado quanto ao objeto de matéria sob apreciação do Poder Judiciário, quer acerca do PIS ou da Cofins. Essa patente inconclusividade do voto acerca do reconhecimento ou não da existência de trânsito em julgado, motivou a apresentação de embargos em que se pretendeu ver o ponto devidamente aclarado, ressaltandose aí, o reconhecimento por parte do Relator, no relatório da decisão objeto de recurso, da existência nos autos de certidão de objeto e pé que comprova o trânsito em julgado quanto à COFINS. Apontouse, portanto, contradição entre esse reconhecimento e a afirmação, no voto, de que ambos os créditos estariam com exigibilidade suspensa. A alegação foi assim enfrentada e rejeitada no despacho do Presidente da Câmara que não admitiu os embargos: 1 Contradição Sustenta a autuada que a decisão proferida no MS nº 2005.71.00.0195070 "deve ser reconhecida e cumprida pela Administração Tributária, sem espaço para questionamentos e subjetividade." Afirma também que calculou as contribuições para o PIS e a Cofins nos termos autorizados por decisão judicial proferida no MS, conforme teria admitido a própria Fiscalização. Comenta que o relatório da decisão embargada assinala a apresentação da Certidão de Objeto e Pé concernente ao MS nº 2005.71.00.0195070, que atestaria expressamente a ocorrência do trânsito em julgado da decisão judicial, reconhecendo a impossibilidade da incidência da Cofins sobre receitas financeiras. A despeito dessa constatação, no entanto, conforme argumenta a suplicante, o Ilustre Relator concluiu de forma contraditória que "os créditos sub judice continuam com a exigibilidade suspensa até decisões finais das ações judiciais." Uma leitura atenta do voto condutor, no entanto, evidencia a fragilidade do argumento exposto pela recorrente. No trecho de fls. 1.054 a 1.055 do voto Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 11 10 percebese que o Colegiado não somente conheceu integralmente a alegação de trânsito em julgado da decisão judicial, como a enfrentou de modo categórico, para chegar a uma conclusão suficientemente lúcida e consistente. Em síntese, ao observar a concomitância dos processos administrativo e judicial, a Turma Julgadora deu por encerrada a discussão sem manifestação acerca da Cofins, em obediência à Súmula nº 1 do CARF. Frisouse também que, caso haja, ou quando houver, o trânsito em julgado de acórdão em Tribunal Federal que exonere a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras da recorrente, o cumprimento da ordem judicial cabe ou caberá à autoridade administrativa encarregada de executála, e não aos Conselheiros do CARF. Mais ainda, quanto à incidência do PIS, entendeu o Relator que as certidões e demais peças processuais evidenciavam a continuidade da discussão judicial sobre a base de cálculo. No desfecho da análise dessa questão, concluiuse pela impossibilidade de pronunciamento do Colegiado quanto ao objeto de matéria sob apreciação do Poder Judiciário, quer acerca do PIS ou da Cofins. Não se materializa, portanto, a contradição alegada pela contribuinte. A transcrição do voto proferido, no entanto, não permite concordar com a afirmação acima quanto ao enfrentamento "categórico" do tema. Bem longe disso, a presença da expressão "caso haja, ou quando houver", não permite aferir com precisão se o colegiado reconhece ou não que houve o trânsito em julgado, ao menos no tocante à COFINS. Nesses termos, a rejeição dos embargos sem o esclarecimento do efetivo posicionamento do colegiado quanto a existir ou não trânsito em julgado da decisão exige que se dê seguimento ao recurso especial, sob a premissa de que, para ele, colegiado, haja ou não o trânsito durante o transcurso do processo administrativo, a decisão judicial somente pode ser aplicada pela Autoridade administrativa responsável por sua execução unidade preparadora que é exatamente o oposto do que entenderam os colegiados que prolataram os acórdãos paradigma. Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 12 11 Propõese, por isso, o acolhimento do agravo quanto a essa primeira matéria. A segunda matéria constante do recurso foi assim tratada no despacho de exame de admissibilidade (negritei): Do sobrestamento do processo administrativo – pendência da análise da matéria pelo STF (repercussão geral) A recorrente alega divergência jurisprudencial quanto ao sobrestamento do Processo Administrativo, devido a pendência da análise da matéria pelo STF. Apresenta, como legislação que teria sido interpretada de forma divergente, os artigos 15 e 313, inciso V, “a”, do CPC. A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido. Para comprovar a divergência em relação à matéria em tela foram apresentados os paradigmas 10514.270 e 10708.101, cujas ementas transcrevemos na parte que interessam ao presente exame: (...) Ainda que os acórdãos paradigmas apresentados tenham decidido pelo sobrestamento dos processos, tais decisões foram prolatadas nos anos de 2003 e 2005, quando ainda não vigorava a Portaria MF 545/2013, que afasta a necessidade de sobrestamento pelos membros do CARF. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, com a manifestação do i. Conselheiro relator acerca da questão: “O presente processo administrativo não poderá ter seu julgamento sobrestado para que aguarde o fim da lide judicial, e ainda que possível fosse, inócuo seria, uma vez que a solução do conflito é prerrogativa atinente ao Poder Judiciário, em razão do princípio da unicidade da jurisdição. O desfecho da ação judicial na esfera tributária federal darseá pela execução nos estritos termos do decisum, na unidade de origem de jurisdição administrativa da recorrente. Assim, constatada a identidade entre o objeto do presente processo e a matéria submetida pelo recorrente à apreciação do Poder Judiciário, incabível o sobrestamento, devido ao fato de que o crédito tributário objeto do lançamento não será cobrado, enquanto não findar, na esfera judicial, a Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 13 12 discussão da matéria nele tratada. Cumpre também esclarecer que, desde o início da vigência da Portaria MF nº545, de 2013, os membros do CARF, não estão mais obrigados a sobrestar o julgamento de recursos, de ofício ou voluntário, cujos temas eventualmente sejam objeto de repercussão geral ou recurso repetitivo pendente de decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso.” Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial não foi comprovada. No agravo, repisase que em nenhum momento a defesa postulou a aplicação de norma regimental acerca de sobrestamento, mas da legislação expressamente reconhecida pelo próprio despacho agravado. Também releva ressaltar que no presente caso não se está analisando a possibilidade de sobrestamento que existiu no regimento do CARF entre 2010 e 2013, visto que ela tratava da pendência de julgamento de tese em repercussão geral, ou recurso repetitivo, e não de julgamento de processo judicial do próprio recorrente versando a mesma matéria do processo administrativo. Para este último caso nunca houve o reconhecimento regimental da possibilidade de sobrestamento do feito, ainda que a não liquidação do julgado administrativo até o trânsito em julgado daquela decisão tivesse o mesmo efeito. Por isso, também sobre essa matéria, tornase imperioso rever o despacho de exame de admissibilidade e admitir o recurso especial, aqui sob pena de incorrerse em reformatio in pejus. É que o motivo que poderia ter sido aduzido para negar seu seguimento seria que os paradigmas não cuidaram do confronto entre processo judicial e processo administrativo, como no presente caso, mas sim de dois processos administrativos, sendo que a própria existência de um deles depende totalmente do outro. E essa foi a razão em ambos alegada para que não houvesse o pronunciamento do CARF no processo dependente, visto que, diferente do outro caso, nada obstaria a liquidação do julgado administrativo que nele se viesse a proferir. Aqui, ao contrário, o motivo apontado no voto recorrido é a plena possibilidade do prosseguimento do feito administrativo mesmo na Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 14 13 pendência de decisão em processo judicial do mesmo sujeito passivo e sobre a mesma matéria (concomitância) em face do princípio da unicidade de jurisdição, que impõe a aplicação, na instância administrativa, do que vier a ser decidido pelo Poder Judiciário. Notese que ele, inclusive, se fundamenta em decisão recente da CSRF que manteve tal entendimento enfrentando paradigma que aplicou o sobrestamento, também com base no art. 265 do CPC, a discussão entre processo judicial e administrativo. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "aplicação da decisão judicial transitada em julgado relativa ao caso concreto"; e "sobrestamento do Processo Administrativo – pendência da análise da matéria pelo STF (repercussão geral)" Com a devida vênia ao despacho anterior, vêse que o despacho de agravo enfrentou as contradições levantadas pelo sujeito passivo em Embargos de Declaração, considerando que, quanto à matéria: · Observância a decisão transitada em julgado, traz que “a rejeição dos embargos sem o esclarecimento do efetivo posicionamento do colegiado quanto a existir ou não trânsito em julgado da decisão exige que se dê seguimento ao recurso especial, sob a premissa de que, para ele, colegiado, haja ou não o trânsito durante o transcurso do processo administrativo, a decisão judicial somente pode ser aplicada pela Autoridade administrativa responsável por sua execução unidade preparadora que é exatamente o oposto do que entenderam os colegiados que prolataram os acórdãos paradigma.” Ora, na decisão recorrida, o colegiado a quo entendeu que se houver decisão transitada em julgado, esta ainda que configure norma individual e concreta, somente poderia ser observada pelo responsável pela execução do crédito, e não pela turam julgadora. Enquanto os acórdãos paradigmas trazem que: Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 15 14 ü A decisão transitada em julgado, mesmo sendo de caráter superveniente, deve ser observada e aplicada pelo órgão julgador, vez que não se trata mais de não conhecimento da defesa por renúncia à instância administrativa, mas sim de aplicação da coisa julgada existente favorável ao contribuinte; ü A informação sobre o trânsito em julgado da decisão proferida em ação judicial, sendo fato superveniente no processo administrativo, pode ser trazida por simples petição para julgamento, devendo a mesma ser apreciada por este Conselho, conforme determinam os arts. 342 e 1031 do Código de Processo Civil. E, tendo a recorrente demonstrado que inexiste crédito tributário, já que extinto por decisão judicial transitada em julgado, deve ser cancelada a cobrança nos termos do art. 156, inciso X do CTN. · Sobrestamento: Foi esclarecido que, no caso concreto, não se está analisando a possibilidade de sobrestamento que existiu no regimento do CARF entre 2010 e 2013, visto que ela tratava da pendência de julgamento de tese em repercussão geral, ou recurso repetitivo, e não de julgamento de processo judicial do próprio recorrente versando a mesma matéria do processo administrativo. Para este último caso nunca houve o reconhecimento regimental da possibilidade de sobrestamento do feito, ainda que a não liquidação do julgado administrativo até o trânsito em julgado daquela decisão tivesse o mesmo efeito. Por isso, concordo com o despacho de agravo, vez que se torna necessário conhecer o Recurso Especial, sob pena de incorrerse em reformatio in pejus. Ademais, a decisão recorrida se direcionou “pelo prosseguimento do feito administrativo mesmo na pendência de decisão em processo judicial do mesmo sujeito passivo e sobre a mesma matéria (concomitância) em face do princípio da unicidade de jurisdição, que Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 16 15 impõe a aplicação, na instância administrativa, do que vier a ser decidido pelo Poder Judiciário.” Restou a decisão equivocada. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo das suas conclusões quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte. O recurso é tempestivo, mas não deve ser conhecido por não ter cumprido com o requisito atinente à comprovação do dissídio jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 18 17 Entendo que o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido por não haver semelhança fática entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigmas da divergência. Tal fato ocorre para as duas matérias admitidas em sede de agravo. Passemos a analisálas separadamente. Matéria 1: Aplicação da decisão judicial transitada em julgado relativa ao caso concreto. No seu recurso especial o contribuinte defende que deve ser aplicada pelo CARF o que teria sido decidido definitivamente a seu favor no Mandado de Segurança nº 2005.71.00.0195070. Nessa ação judicial discutese a possibilidade de incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas financeiras com base no art. 3º da Lei 9.718/98. Alega em apertada síntese, que houve o trânsito em julgado favorável relativo à Cofins, tendo em vista que a Fazenda Nacional deixou de recorrer ao STF quanto a esta matéria. Alega também que houve decisão definitiva favorável em relação ao PIS, tendo em vista que a Fazenda Nacional, em seu recurso extraordinário, não abordou as regras de incidência tributária contidas na Lei nº 9.718/98. Destaquei o trecho acima, o qual foi retirado do próprio recurso especial do contribuinte, no qual ele reconhece que referido processo ainda não teve o seu trânsito em julgado definitivamente, pois pende de julgamento do recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional. Então é fato que estamos diante de um processo judicial, cujo trânsito em julgado, definitivamente não ocorreu. Pode de fato ter ocorrido do contribuinte ter obtido êxito formal em parte ou em todo o processo, mas evidentemente que o processo não transitou em julgado. O contribuinte apresentou como acórdãos paradigmas de divergência em relação a essa matéria, os Acórdãos 3402004.674 e 3402003.971, que possuem as seguintes ementas: Acórdão 3402004.674 COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A concomitância pressupõe a coexistência de dois processos, um judicial e outro administrativo, para que caracterize a renúncia à impugnação e recurso administrativo. Na hipótese de encerramento do processo judicial, com trânsito em julgado Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 19 18 favorável ao contribuinte, cabe ao Colegiado aplicar o teor da decisão ao caso. Acórdão 3402003.971 FATO SUPERVENIENTE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A informação sobre trânsito em julgado da decisão proferida em ação judicial, sendo fato superveniente no processo administrativo, pode ser trazida pela Recorrente por simples petição para julgamento, devendo a mesma ser apreciada por este Conselho, conforme determinam os artigos 342 e 1.013 do Código de Processo Civil. Somente da análise de suas ementas constatase que as situações fáticas são diferentes. No recorrido temos um processo judicial, no qual pende o julgamento pelo STF de recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional. Nos acórdãos paradigmas houve trânsito em julgado definitivo dos processos judiciais correspondentes. Para que fique mais claro este fato, em relação aos acórdãos paradigmas, transcrevo abaixo trecho do voto no acórdão paradigma 3402004674: Acórdão 3402004.674 (...) No presente caso, o que havia era uma processo administrativo em curso, e um processo judicial encerrado, com trânsito em julgado favorável ao contribuinte. Portanto, não se trata de hipótese de não conhecimento da Impugnação por renúncia à instância administrativa, mas sim de aplicação da coisa julgada existente favorável ao contribuinte de resto já plenamente reconhecida nos autos pela decisão a quo. É o que se verifica na ementa do julgado: (...) Desse modo, voto no sentido de dar Provimento Integral ao Recurso Voluntário para exonerar a multa de 100% do valor aduaneiro, com fundamento na coisa julgada decorrente do Mandado de Segurança nº nº 0009363 31.2012.4.02.5001. (...) É de se perguntar se as decisões de fato são divergentes? Jamais o colegiado paradigmático ao julgar o presente processo, poderia se basear na informação de que o processo judicial estaria encerrado. Evidente que para o presente caso não. Da mesma forma transcrevo trechos do voto vencedor no acórdão paradigma 3402003971: Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 20 19 Acórdão 3402003.971 (...) Pelo Mandado de Segurança n 97.0059132, a Contribuinte postulava, em síntese, o direito de calcular e recolher a contribuição'ao PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos no período entre 01/07/97 e até (noventa) dias da data da publicação da EC 17/97 (meses de competência julho/97 a fevereiro/98), de acordo com a Lei Complementar 7/70. Ocorre que, depois de todo o rito processual destacado linhas acima, em 24/06/2016 transitou em julgado o acórdão proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, dando provimento ao recurso extraordinário (RE) interposto pela ora Recorrente no Mandado de Segurança n 97.0059132. O RE fora autuado no STF sob o n. 848.353/SP e ao julgamento foi atribuída a seguinte ementa: (...) Notase novamente que não paira qualquer dúvida de que houve o encerramento do processo judicial. Portanto, caracterizado que os acórdãos paradigmas debruçaramse sobre matérias fáticas bem diferentes em relação ao acórdão recorrido, voto pelo não conhecimento do recurso especial em relação a esta matéria. Matéria 2) Sobrestamento do processo administrativo pendência da análise da matéria pelo STF (repercussão geral) No caso, o contribuinte pede em seu recurso especial, que o presente processo administrativo seja sobrestado até decisão judicial definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS. O acórdão recorrido decidiu esta matéria com base nos seguintes trechos do voto do relator: (...) O presente processo administrativo não poderá ter seu julgamento sobrestado para que aguarde o fim da lide judicial, e ainda que possível fosse, inócuo seria, uma vez que a solução do conflito é prerrogativa atinente ao Poder Judiciário, em razão do princípio da unicidade da jurisdição. O desfecho da ação judicial na esfera tributária federal darseá pela execução nos estritos termos do decisum, na unidade de origem de jurisdição administrativa da recorrente. Assim, constatada a identidade entre o objeto do presente processo e a matéria submetida pelo recorrente à apreciação do Poder Judiciário, incabível o sobrestamento, devido ao fato de que o crédito tributário objeto do lançamento não Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 21 20 será cobrado, enquanto não findar, na esfera judicial, a discussão da matéria nele tratada. (...) Para demonstrar a divergência jurisprudencial administrativa, o recorrente apresentou os acórdãos paradigmas 10514.270 e 10708101, os quais passo a analisálos de forma individualizada: Acórdão nº 10514.270 EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO SOBRESTAMENTO DA APRECIAÇÃO DO LITÍGIO Com fundamento no inciso IV, do artigo 265, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, suspendese o processo, quando a apreciação do mérito do litígio depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. Julgamento suspenso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos pela 3' TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em FLORIANÓPOLIS/SC e TEKA TECELAGEM KUEHNRICH S/A ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do litígio, até a prolação de uma nova decisão, pela instância inferior no Processo n° 13971.000401/0006, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Observase que neste paradigma não houve decisão de sobrestamento do processo administrativo para que se aguarde decisão a ser proferida em um processo judicial. A turma julgadora entendeu que não seria possível realizar o julgamento enquanto não proferida outra decisão administrativa que estava pendente. Vejamos agora trecho do voto condutor do referido acórdão. (...) Conforme relatado, a matéria tratada nos presentes autos guarda estreita relação com o lançamento efetuado no anocalendário anterior (1995), objeto do Processo n° 13971.00040110006, no qual foram arroladas infrações (excesso de retiradas de dirigentes e realização do lucro inflacionário acumulado), que reduziram o montante do prejuízo fiscal declarado pela Contribuinte, no período. Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 22 21 Além de naquele processo haver sido identificado saldo de lucro inflacionário diferido de períodos anteriores (inexistente, para a Contribuinte), objeto de adição na determinação dos resultados fiscais da empresa, tanto em 1995, como em 1996, os fatos arrolados na autuação determinaram a retificação do saldo de prejuízos fiscais a serem compensados em períodos subseqüentes, o que motivou a glosa àquele título levada a efeito no lançamento sob apreciação. Assim, a análise da procedência da acusação fiscal tratada nestes autos, se acha totalmente vinculada à confirmação da ocorrência dos fatos descritos no auto de infração anterior; tal circunstância levou a que a Contribuinte, mais de uma vez, requeresse a reunião dos dois processos, para apreciação conjunta dos fatos neles constantes. (...) Da análise do que foi decidio e do contexto informado no voto, não resta dúvida de que não há nenhum ponto de semelhança com os fatos discutidos no acórdão recorrido. No paradigma a matéria a ser julgada dependia do saldo de prejuízo acumulado no período anterior, a qual estava pendente de julgamento em outro processo administrativo. E, como vimos, no acórdão recorrido o pedido é de sobrestamento do processo administrativo com o processo judicial. Ficou claro também, no voto do acórdão recorrido, é que, em razão da concomitância declarada, será aplicada ao presente processo o que, por fim, for decidido no âmbito do Poder Judiciário. Acórdão nº 10708101 Ementa: PAF — NORMAS PROCESSUAIS — IRPJ/CSLUPIS/COFINS — JULGAMENTO CONJUNTO — INDEPENDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS — NULIDADE — Nos termos do art. 9°, c.c.seu § 1°, lançamentos derivados de negativa a pleito de restituição/compensação de IPI, são autônomos em relação ao lançamento de imposto de renda, devendo, pois, ser preparados e julgados isoladamente, pelo que é nula a decisão proferida em um único processo versando sobre todos os lançamentos. PAF NORMAS PROCESSUAIS — RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — QUESTÃO PREJUDICIAL — SOBRESTAMENTO DO FEITO — O julgamento de lançamentos de oficio derivados de negativa a pleito de restituição/compensação, por dependeram da solução que a final venha se dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução dada ao direito creditório controvertido, Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRASCOLA LTDA. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 23 22 ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de Primeira Instância, para que outra seja proferida em boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Agora, transcrevo abaixo trechos do voto do relator desse acórdão paradigma: (...) Conforme se verifica pela análise do caso, a contribuinte foi autuada em virtude de ter efetuado compensações de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, vinculados a créditos objetos de pedidos de restituição e ressarcimento de IPI que, todavia, foram indeferidos pelo órgão administrativo. Contra tais decisões que indeferiram o direito creditório, a contribuinte apresentou impugnações, ainda em curso na primeira instância administrativa, consoante se depreende das telas de extrato, relativas aos mencionados processos obtidas no site www.comprot.fazenda.qov.br. Vêse, pois, que relativamente aos débitos em questão, não existe litígio, porquanto o verdadeiro litígio esta sendo debatido na manifestação de inconformidade da recorrente nos processos que indeferiram os créditos de IPI postulado (....) (...) Ora, a análise da insuficiência ou não dos pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS versados neste processo, é questão que depende, primeiramente, da análise acerca da existência dos créditos de IPI que, por ora, estão sendo discutidos, nos correspectivos processos administrativos na primeira instância. Dai afirmarse que a discussão acerca da existência do crédito nos Pedidos de Restituição/Ressarcimento prejudica a discussão acerca da procedência ou improcedência das compensações efetuadas com base no crédito versado naqueles. Em face de todo o exposto, voto por anular o v. Acórdão da E. 1° Turma da DRJ/CAMPINAS/SP, para que: (i) os lançamentos sejam apartados, visando a formação de distintos processos; (ii) feito o preparo dos distintos processos, que novo julgamento seja realizado; e, por fim, (iii) em razão da referida questão prejudicial, que a remessa dos novos processos formados ao Conselho seja feita contemporaneamente à remessa, ao Colegiado Superior, dos processos formados em razão das manifestações de conformidade feitas pelo contribuinte. Ora, da mesma forma que o paradigma anterior, nem existe processo judicial em discussão, nem do próprio contribuinte e nem em repercussão geral. Não é possível crer, ante a indiscutível inexistência de semelhança fática entre o acórdão recorrido e os indicaddos como paradigmas, que os colegiados paradigmáticos tomariam decisão, no presente processo, Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 16327.720585/201520 Acórdão n.º 9303007.543 CSRFT3 Fl. 24 23 em sentido contrário à que tomou o acórdão recorrido. Definitivamente, não houve comprovação da divergência jurisprudencial a justificar o conhecimento do recurso especial apresentado pelo contribuinte, também nesta matéria. Diante de todo o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1401DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001378/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPF. FATO GERADOR ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA.
As omissões de rendimentos são tributadas pelo imposto de renda pessoa física, em fato gerador que se verifica ao final do respectivo ano-calendário, sendo esse o parâmetro para contagem do prazo decadencial, seja nos casos regidos pelo art. 150, § 4º do CTN, seja nos regidos pelo art. 173, I do CTN.
RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES MANTIDAS NO EXTERIOR. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. GANHO DE CAPITAL.
Os rendimentos decorrentes de investimentos mantidos no exterior, conforme entendimento da própria administração tributária, devem sujeitar-se à incidência do imposto de renda como ganho de capital, não prosperando autuação que assim não procedeu, bem como a respectiva multa isolada vinculada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTA MANTIDA NO EXTERIOR À MARGEM DO CONHECIMENTO DAS AUTORIDADES FISCAIS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Cabe a qualificação da multa de ofício quando o contribuinte aufere rendimentos que são omitidos mediante a utilização de conta bancária mantida no exterior, à margem do conhecimento das autoridades fiscais.
Numero da decisão: 2202-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração referente à omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, bem como a multa isolada por falta de recolhimento de carnê-leão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente ELIZABETH RODRIGUES GRINSZPAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 IRPF. FATO GERADOR ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. As omissões de rendimentos são tributadas pelo imposto de renda pessoa física, em fato gerador que se verifica ao final do respectivo anocalendário, sendo esse o parâmetro para contagem do prazo decadencial, seja nos casos regidos pelo art. 150, § 4º do CTN, seja nos regidos pelo art. 173, I do CTN. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES MANTIDAS NO EXTERIOR. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. GANHO DE CAPITAL. Os rendimentos decorrentes de investimentos mantidos no exterior, conforme entendimento da própria administração tributária, devem sujeitarse à incidência do imposto de renda como ganho de capital, não prosperando autuação que assim não procedeu, bem como a respectiva multa isolada vinculada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTA MANTIDA NO EXTERIOR À MARGEM DO CONHECIMENTO DAS AUTORIDADES FISCAIS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 78 /2 00 7- 24 Fl. 664DF CARF MF 2 Cabe a qualificação da multa de ofício quando o contribuinte aufere rendimentos que são omitidos mediante a utilização de conta bancária mantida no exterior, à margem do conhecimento das autoridades fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração referente à omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, bem como a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJOII, que julgou procedente em parte lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos exercícios 2002 e 2003, face à apuração das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada; b) omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior; c) multas isoladas por falta de recolhimentos do IRPF devido a título de carnêleão. A decisão de piso assim resumiu (fls. 596/598) os termos da impugnação de fls. 482 e ss: 1) descreve em sua peça defensoria todo o trâmite desenvolvido durante o procedimento fiscal, bem como as infrações que foram apuradas; 2) alega a decadência de todo o lançamento, ou seja, de todas as infrações tributárias apontadas nos autos, de acordo com os seus argumentos de fls. 296 a 303; 3) alega a data de ciência do lançamento e a regra contida no parágrafo 4° do art. 150 do CTN. Não restou configurada fraude para que fosse utilizada a regra do art. 173, I, do CTN. O IRPF é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, devendo ser aplicada a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° e 156, inciso V, ambos do CTN; 4) não haveria permissão para que o Fisco pudesse desbordar os limites da presunção para os casos de depósito bancário de origem não comprovada, de modo a configurar fraude e com isso exasperar a multa ou agravar o prazo decadencial. Diz Fl. 665DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Acórdão n.º 2202004.865 S2C2T2 Fl. 665 3 que teria decaído, inclusive, o fato gerador ocorrido em 30 de abril de 2001, com base de cálculo de R$ 189.637,47, ainda que se utilize qualquer método da contagem do prazo, ou seja, o que determina o art. 150 ou o art. 173,1, do CTN; 5) a comunicação de conta corrente no exterior deve ser feita ao Banco Central, respeitando a legislação aplicável e Circular Bacen n° 3.181, então a motivação para a qualificação da multa também não encontra eco na legislação relativa à tutela do sistema financeiro nacional; 6) quanto à infração de rendimentos recebidos de fontes no exterior aduz que o Fisco estaria equivocado, pois o regime de tributação seria o de ganhos de capital, conforme art. 24 da MP 2.15835/2001 e IN SRF n° 208/02. Portanto, a apuração estaria incorreta quanto à natureza do rendimento, alíquota e base de cálculo; 7) no que diz respeito ao depósito de outubro de 2002, cujo valor atribuído ao impugnante foi de R$ 433.705,46, o mesmo deve ser excluído da tributação, tendo em vista que de acordo com a documentação juntada aos autos e com lastro no que foi fornecido pelo fiscalizado, tal depósito foi perfeita e inteiramente identificado pela fiscalização. O total do depósito no valor de R$ 867.410,92 foi resultado de pagamento de ação judicial decorrente da empresa Itabuna, constituindo valores recebidos em nome da empresa Paris Ltda., incorporadora da empresa Itabuna; 8) a contribuinte e seu cônjuge eram sócios das duas empresas citadas. Entende que o Fiscal teria que ter tributado tais rendimentos na empresa incorporadora e não na pessoa física do impugnante, pois apesar do recurso ter sido efetuado em sua conta bancária, o rendimento pertence à pessoa jurídica; 9) diz que o Juiz de Direito determinou que a quantia fosse depositada na conta do impugnante ou da empresa. Tal situação estaria prevista no parágrafo 5°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96; 10)a vasta documentação juntada aos autos, bem como o que foi descrito à fl. 312 e 313, comprovaria os argumentos do sujeito passivo; 11) a título de argumentação, ainda que tais valores fossem atribuíveis à pessoa física da sócia, o lançamento estaria incorreto, urna vez que o rendimento se trataria de ganho de capital e não sujeito à tabela progressiva. De acordo com a sua declaração de bens e os valores lançados referentes às empresas Paris e Itabuna, o valor de R$ 433.705,46 representaria uma restituição de antecipação do capital social, mediante entrega de direitos do ativo da empresa, avaliados pelo valor de mercado. Como o patrimônio valia R$ 296.400,00, passando para R$ 100.000,00 e o contribuinte recebeu mais R$ 433.705,46, seu ganho de capital teria sido de R$ 237.305,46, devendo incidir a alíquota de 15%; 12) no entanto, segundo o disposto na IN SRF n° 84/01, tal ganho de capital não está sujeito à incidência tributária. Assim, o lançamento do depósito de R$ 433.705,46 deve ser declarado improcedente; 13) quanto aos demais depósitos, os mesmos são suportados pelos rendimentos declarados pelo sujeito passivo; l4) contesta a aplicação da multa isolada e cita a IN SRF n° 118/02. Os rendimentos recebidos de pessoa jurídica não estariam sujeitos ao carnêleão e os rendimentos recebidos de pessoa física alcançaram o montante de R$ tributação na forma de recolhimento não obrigatório. Quanto ao valor de R$ 4.491,73, como já mencionado anteriormente, caso houvesse sido auferido pelo contribuinte, seria Fl. 666DF CARF MF 4 tributado como ganho de capital. Então, a fiscalização agiu incorretamente em tal apuração; (...) A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 590 e ss), pois excluídas as multas isoladas, salvo a importância de R$ 526,38 referente a jan/02. O recurso voluntário foi interposto em 07/04/2009 (fls. 487 e ss), tendo sido então renovados, em linhas gerais, os termos da impugnação. Em 19/02/2013 foi o processo sobrestado pela Resolução nº 2202000.440 nos termos do art. 2º do § 3º da Portaria CARF nº 01/12. Com a superveniente revogação dessa pela Portaria CARF nº 545/13, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que concerne à prejudicial de decadência, há que serem feitas alguns esclarecimentos prévios. O IRPF se trata de tributo de incidência anual, perfectibilizandose seu fato gerador ao final de cada anocalendário, salvo os casos de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva. Assim sendo, os rendimentos provenientes de fonte do exterior, em geral, estão sujeitos as recolhimentos mensais obrigatórios a antecipação do carnêleão, mas são de todo modo levados a ajuste na declaração anual. De sua parte, embora conste no lançamento como fato gerador da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não comprovada a data de 30/04/2001, se trata apenas de imputação dos dados respectivos no sistema de lançamento, pois todos os cálculos são realizados somandose tal omissão de rendimentos com as demais apuradas, e considerandose o fato gerador do IRPF relativo a tais omissões de rendimentos como sendo os respectivos anoscalendário de 2001 e 2002. Obedecese, desse modo, rigorosamente aos preceitos do CTN e da legislação ordinária do tributo em comento. Cientificada a recorrente da autuação em 19/10/2007, constatase não haver falar em decadência para todas as omissões de rendimentos apuradas para o anocalendário 2002 com base em depósitos bancários, sejam estes vinculadas a contas no Brasil, seja a contas no estrangeiro. A propósito desse gênero de omissão, aliás, cumpre lembrar o teor da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de Fl. 667DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Acórdão n.º 2202004.865 S2C2T2 Fl. 666 5 rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão apurada necessariamente mediante procedimento de ofício, submetese ela ao prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, do que se conclui, dados os fatos geradores de tal multa serem no caso atinentes ao anocalendário 2002, ser também aqui impertinente a alegação de decadência, a priori. Por seu turno, a decadência do lançamento referente à omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários apurada em 30/04/2001 está vinculada à conta mantida no exterior, e atrelada à qualificação da multa de ofício, devendo ser postergada sua apreciação quando do enfrentamento do mérito desse ponto. Também a decadência da infração atinente aos rendimentos decorrentes de aplicações efetuadas em moeda estrangeira, percebidos em 31/01/2002, carece de exame da matéria de fundo, o que se passa a efetuar na sequência. Principiando pela infração de omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, vale situar o contexto em virtude do qual a fiscalização teve conhecimento da conta à qual estão aqueles vinculados (fl. 454): (...) Já a conta bancária situada no território americano corresponde a movimentada no banco Delta (“Delta Bank”) encaminhada a esta fiscalização, com extensão da quebra do sigilo fiscal, pelo ofício n° 26/2005 da justiça federal, 2° Vara Federal Criminal de Curitiba, da seção judiciária do Paraná, com base em decreto de quebra do sigilo bancário sobre contas relacionadas ao ofício 002/04/FI`/CC5/NY mantidas no Delta Bank em Nova York, USA, promovida pela promotoria distrital de Nova York devidamente chancelada pelo consulado brasileiro. 1 A referida conta situada no Delta Bank, tem denominação “Tequinha”, n° 506869, em nome conjunto da fiscalizada e seu cônjuge (Moshe Grinszpan), relacionando ainda como beneficiários da conta os filhos do casal (Stephane Rodrigues Grinszpan, Andrea Grinszpan e Katia Grinszpan). A ficha cadastral identificadora da conta, aparece assinada em 18/08/2000, e identifica os números dos passaportes, da fiscalizada (275270) e sua cônjuge (557950). Ainda na ficha cadastral, podemos identificar as assinaturas de ambos titulares e os dados cadastrais da construtora Paris, de propriedade da fiscalizado e seu esposo. Todos estes dados foram encaminhados pelo banco em conjunto com cópia, autenticada pela entidade consular brasileira, de toda movimentação da referida conta “Tequinha" desde sua abertura em 2000, até o seu encerramento. . Pois bem, com relação a essa conta foi verificada a percepção de rendimentos de aplicações financeiras. Sobre o tema, giza o art. 24 da MP nº 2.15835/01: Art.24.O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de Fl. 668DF CARF MF 6 propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. §1oO disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie. §2oNa hipótese de alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, o imposto será apurado na declaração de ajuste. §3oA base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da aplicação financeira. §4oPara os fins do disposto neste artigo, o valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, corresponderá à sua quantidade convertida em dólar dos Estados Unidos e, em seguida, para Reais, mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. §5oNa hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou do direito, convertida para Reais mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. Ainda que a norma em comento não especifique qual o tratamento a ser dado para os rendimentos de aplicações detidas em moeda estrangeira, referindose mais claramente ao resgate e liquidação desses investimentos, é certo que a RFB vem considerando suas disposições aplicáveis aos rendimentos daqueles. A IN SRF nº 208/02 versa em seu art. 14, citado na peça recursal, mais propriamente sobre a liquidação e o resgate de investimentos no exterior, em compasso com o diploma legal supra transcrito, mas os rendimentos decorrentes de tais investimentos foram abordados pela IN SRF nº 118/00, que no parágrafo único de seu art. 4º regra: Art. 4º Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos da América, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação, convertida em reais mediante a utilização da cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. Parágrafo único. Os rendimentos produzidos por aplicações financeiras em moeda estrangeira, ainda que decorrentes de Fl. 669DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Acórdão n.º 2202004.865 S2C2T2 Fl. 667 7 rendimentos auferidos originariamente em reais, serão considerados rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. E o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 8/03 acrescenta: Art. 1º O crédito de rendimentos relativos a aplicação financeira, inclusive depósito remunerado, realizada em moeda estrangeira por pessoa física residente no Brasil, implica a apuração de ganho de capital tributável, desde que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário. Ao analisar o conjunto de normas em questão, o órgão fazendário exarou a Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 2013, da qual se colhe o seguinte trecho de ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Aplicação em moeda estrangeira no exterior. Rendimentos auferidos originariamente em Reais. Tributação do Ganho de Capital. Liquidação. Resgate. Crédito de rendimentos. A tributação da variação cambial só ocorre no momento da liquidação ou resgate (parcial ou total) da aplicação financeira, ou seja, no momento em que qualquer montante do capital investido tenha sido movimentado pelo beneficiário. Sobre o valor dos juros creditados, desde que este valor seja passível de saque pelo beneficiário, incide o imposto sobre a renda sobre o ganho de capital, sendo o custo de aquisição igual a zero. Os juros decorrentes da aplicação com rendimentos auferidos originariamente em reais, quando não sacados, configuram, para fins do disposto no art. 24 da MP nº2.15835, de 2001, uma nova aplicação e são considerados rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, sendo o custo de aquisição o próprio valor reaplicado. (...) Resta hialino que a própria RFB vem considerado, por meio de seus atos e interpretações normativas, que os rendimentos de aplicações financeiras devem ter o tratamento de ganho de capital, emitindo inclusive orientações acerca da apuração da base de cálculo do imposto de renda nessas situações. E, não havendo sido o auto de infração, no particular, lavrado em conformidade com tais prescrições harmônicas e consentâneas com o texto legal concluise que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, bem como a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão, dela decorrente, e única da espécie que restou mantida no julgamento de piso. Noutro giro, no que toca à omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários, expliquese que a autuação teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Desde o início da vigência desse preceito, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Fl. 670DF CARF MF 8 Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada essa omissão. A lei tem como pressuposto lógico o fato de que o titular de uma corrente bancária tem, ou deve ter, conhecimento das movimentações dos recursos que por ela transitam, por ser de seu precípuo interesse econômico. Nesse contexto, intimado dado contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos. A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. Na espécie, intimada a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos das contas de sua titularidade mantidas no Banco Rural e não apresentando resposta que assim os justificasse, com respeito aos depósitos referidos nas fls. 456 e ss do Relatório Fiscal, foi efetuado o correspondente lançamento de ofício. Relativamente ao depósito no valor de R$ 867.410,92 efetuado em conta de sua titularidade conjunta com o cônjuge, no dia 02/10/2002, foi identificado ser decorrente de ação judicial que beneficiava empresa da qual a autuada era sócia quotista, a Itabuna Empreendimentos Imobiliários (fls. 282 e ss), depois incorporada pela Paris Ltda. (fls. 317 e ss), sendo ambas as empresas de titularidade da contribuinte e seu cônjuge. Não se constituindo tal montante em lucros ou dividendos, e não revelada a causa jurídica subjacente à transferência desses valores para os sócios, também foi tributada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vale anotar que não basta a identificação do depositante, pois é necessário que esta venha acompanhada de esclarecimento acerca da operação, se tributável ou não, e,no primeiro caso, que tal esclarecimento permita o enquadramento claro, de modo a afastar a presunção legal. Alegar ser suficiente o apontamento do depositante, e que caberia a fiscalização "aprofundar" daí a investigação, é, com a devida vênia, procurar inverter o ônus de prova ao completo arrepio da lei. Em suma: mera identificação do depositante não se confunde com comprovação de origem. Por seu turno, a pretensa vinculação da quantia em evidência à "restituição de participação no capital social" o que, no prisma do recurso, atrairia a sua tributação como ganho de capital cai por terra, dado inexistirem registros contábeis e societários a comprovar tal adução. Nessa linha queda também como de todo despropositada a menção ao § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 no particular, pois o fato é que os valores devidos à empresa foram repassados à autuada em definitivo sem qualquer justificativa, e sem registro contábil, Fl. 671DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Acórdão n.º 2202004.865 S2C2T2 Fl. 668 9 constituindose, para os fins da lei em comento, em rendimentos daquele, carentes de qualquer origem comprovada. Aplicável, no caso, os termos da Súmula CARF nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. E, com referência ao depósito realizado em 04/04/2001 na sua conta no exterior mantida no Delta Bank, não restando comprovada sua origem sob quaisquer argumentos, de rigor manter o lançamento correspondente. Já no atinente ao agravamento na realidade, qualificação da multa de ofício, ela foi efetuada relativamente ao supra mencionado depósito no Delta Bank, e aos rendimentos recebidos de aplicação financeira vinculados a essa conta no exterior, a qual, como visto, restou cancelada em conformidade com este voto. Ora, por força do inciso III, c/c o inciso I do § 2º ,do art. 153 da CF, o imposto de renda regese pelo princípio da universalidade, cuja materialização na legislação ordinária encontrase no § 4º do art. 3º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Na espécie, não se está diante de simples omissão de rendimentos, mas sim de omissão veiculada mediante o artifício da utilização de conta mantida no exterior totalmente à margem do conhecimento das autoridades fazendárias, o qual só foi possível no contexto já exposto de quebra de sigilo fiscal por via judicial. Tal proceder evidencia o deliberado intento de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias decorrentes de tais rendimentos, caracterizandose a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, restando portanto solidamente amparada a qualificação da multa levada a efeito. Nessa esteira, e por oportuno, pois já enfrentada a questão de mérito prejudicial, temse a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN para fins de verificação da decadência no que tange às infrações relacionadas com os depósitos e aplicações no exterior, dada a qualificação imputada. Destarte concluise que, considerando a ciência do auto ter ocorrido em 19/10/2007, inexiste respaldo para falar em decadência, pois os fatos geradores dizem respeito ao IRPF dos anoscalendário 2001 e 2002. Fl. 672DF CARF MF 10 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a infração referente à omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, bem como a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 673DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.723428/2017-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Faz jus a isenção, a partir da data do reconhecimento obtido em Decisão Judicial, a partir de 09/2013.
Numero da decisão: 2002-000.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para para excluir da exigência os rendimentos recebidos a partir de 09/2013. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ISENÇÃO. Faz jus a isenção, a partir da data do reconhecimento obtido em Decisão Judicial, a partir de 09/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para para excluir da exigência os rendimentos recebidos a partir de 09/2013. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 34 28 /2 01 7- 01 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10845.723428/201701 Acórdão n.º 2002000.560 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 78/79) contra decisão de primeira instância (fls. 67/70), que julgou por maioria de votos, improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação à notificação de lançamento de fls. 1116, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao anocalendário de 2013, em que foi reduzido o imposto a restituir de R$ 11.949,06 para R$ 517,88. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na notificação de lançamento, foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$ 99.605,15, declarados pela contribuinte como isentos e/ou não tributáveis por motivo de moléstia grave, tendo como fonte pagadora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP). Conforme documentos apresentados e consultas ao site do TJ/SP, a fiscalização verificou que foi concedido, por meio de sentença judicial em 2015, o benefício da aposentadoria por invalidez a partir de 02/09/2013. No entanto, a natureza dos rendimentos recebidos em 2013 é de trabalho assalariado, conforme consta em DIRF entregue pela fonte pagadora, não havendo, portanto, previsão legal para isenção de tais rendimentos. Na impugnação (fl. 0210), a contribuinte alega que é portadora de moléstia grave (espondilite anquilosante), conforme laudo pericial emitido por ente municipal, bem como encontrase aposentada por invalidez. Junta cópia do laudo médico, da sentença judicial que concedeu a aposentadoria por invalidez e da publicação do ato de concessão da aposentadoria. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 21/12/2017 (fl. 74); Recurso Voluntário protocolado em 22/01/2018 (fl. 78), assinado pela própria contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10845.723428/201701 Acórdão n.º 2002000.560 S2C0T2 Fl. 4 3 Responde a recorrente nestes autos, pela seguinte infração: a) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. O v. Acórdão, fincou entendimento que o laudo médico pericial que serviu de base para a concessão de aposentadoria da contribuinte em sede de processo judicial, contraria frontalmente o laudo apresentado pela contribuinte à fl. 3, ao afirmar que em 2015 (segundo a decisão do magistrado) a contribuinte não apresentava doenças incluídas no art. 186 da Lei nº 8.112/90 (artigo este em que consta a espondiloartrose anquilosante). Assim sendo, julgou pela improcedência da impugnação. Irresignada, a recorrente maneja recurso próprio, lançando matéria preliminar e combatendo o mérito. A preliminar lançada pela recorrente confundese com o mérito e com ele será julgado. Pois bem, a recorrente ajuizou Ação contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, onde afirma ser portador a de doenças incapacitantes desde meados de 2012, em razão do agravo dessas doenças encontrase com saúde muito debilitada o que a impossibilita de exercer suas atividades atuais. Solicitou em 5 de Março de 2013, a aposentadoria por invalidez, mas sete meses após o reconhecimento de sua incapacidade laborativa, foralhe deferido apenas licença saúde. Informou que o pedido de licença saúde expirou e não foi renovado. Diz que o MM Juízo, que o Laudo Médico acostado aos autos é bastante claro ao constatar que a autora apresenta incapacidade total e permanente. Entretanto, afirma o auxiliar do juízo que: “Essas doenças não estão incluídas entre as doenças classificadas no art. 186 da Lei Federal nº 8.112, de 11/12/1990”. Diante do que o MM Juízo expôs, o mesmo julgou procedente em parte, o pedido formulado para reconhecer à autora o direito a aposentadoria por invalidez a partir de 02/09/2013, com proventos parciais ao tempo de contribuição. Quando do reexame necessário, o TJ mantém a r. decisão de origem recorrida. Diz a r. decisão da DRJ que: (segundo a decisão do magistrado), que a contribuinte não apresentava doenças incluídas no art. 186 da Lei nº 8.112/90 (artigo este em que consta a espondiloartrose anquilosante). Com todo o respeito, a r. decisão está equivocada, pois esta Lei cuida do Regime Jurídico dos Servidores, sendo certo que o art. 186, cuida da aposentadoria e dos benefícios. Entende este relator, tendo como estribo o decidido no Poder Judiciário, que o benefício da aposentadoria por invalidez, começou a valer a partir de 09/2013, assim sendo, o Recurso Voluntário é conhecido e no mérito, assiste parcial razão à recorrente, para isentála do IR à partir da data reconhecida em Decisão Judicial. Registro, por relevante, que há laudo médico oficial dando conta da doença da contribuinte (fl.25). Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10845.723428/201701 Acórdão n.º 2002000.560 S2C0T2 Fl. 5 4 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
