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Numero do processo: 10970.000097/2008-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 97 /2 00 8- 01 Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10970.000097/200801 Acórdão n.º 9202004.859 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910967/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.912
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 96 7/ 20 11 -7 7 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.910967/201177 Resolução nº 3402000.912 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.116, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.910967/201177 Resolução nº 3402000.912 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.910967/201177 Resolução nº 3402000.912 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.003618/2002-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS UTILIZADOS NA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS CONSOLIDADOS NO REFIS. COMPETÊNCIA DAS DRJ E DO CARF. Descabe às DRJ e ao CARF apreciar a manifestação de inconformidade que tem por objeto os critérios para atualização dos créditos compensados no Refis. A discussão no tocante à
forma de atualização de débitos e créditos, em procedimento de quitação de débitos consolidados segundo as normas reguladoras do Refis, cabe ao comitê gestor daquele programa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-000.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso por versar sobre matéria que foge à competência deste Conselho, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que o conheciam.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS UTILIZADOS NA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS CONSOLIDADOS NO REFIS. COMPETÊNCIA DAS DRJ E DO CARF. Descabe às DRJ e ao CARF apreciar a manifestação de inconformidade que tem por objeto os critérios para atualização dos créditos compensados no Refis. A discussão no tocante à forma de atualização de débitos e créditos, em procedimento de quitação de débitos consolidados segundo as normas reguladoras do Refis, cabe ao comitê gestor daquele programa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida 8A TURMA - DRJ EM SÃO PAULO I - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS UTILIZADOS NA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS CONSOLIDADOS NO REFIS. COMPETÊNCIA DAS DRJ E DO CARF. Descabe às DRJ e ao CARF apreciar a manifestação de inconformidade que tem por objeto os critérios para atualização dos créditos compensados no Refis. A discussão no tocante à forma de atualização de débitos e créditos, em procedimento de quitação de débitos consolidados segundo as normas reguladoras do Refis, cabe ao comitê gestor daquele programa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso por versar sobre matéria que foge à competência deste Conselho, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que o conheciam. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Relatório FORD FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata-se de manifestação de inconformidade (fls. 392/412) apresentada por FORD CORRETORA DE SEGUROS LTDA. (atual denominação de Ford Factoring Fomento Comercial Ltda., supra qualificada), em face do Despacho Decisório de fls. 379/382. Em 16.10.2002, o interessado protocolizou no Deinf/SPO/CAC o PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – CRÉDITO DE TERCEIROS – de fls. 01, requerendo o reconhecimento de seu direito creditório relativamente a Saldo Negativo de IRPJ dos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, para fins de compensação com débitos de outro contribuinte, consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal – Refis, ou do parcelamento a ele alternativo, de que trata a Lei nº 9.964, de 10.04.2000. O referido Pedido, formulado mediante o formulário previsto no Anexo II da Resolução CG/Refis nº 21, de 08.11.2001, foi assinado pelo interessado, na qualidade de contribuinte cedente do crédito, bem assim pelo contribuinte Natura Cosméticos S.A. – CNPJ 71.673.990/0001-77, este último na qualidade de contribuinte optante (cessionário). O direito creditório pleiteado é o discriminado a seguir (fls. 01): Origem Período de Apuração Valor Atualizado incl. Juros Selic (R$) Valor do Crédito Cedido (R$) IRPJ dez/98 1.672.247,57 313.798,26 IRPJ dez/98 3.653.474,98 3.653.474,98 IRPJ dez/99 1.264.956,32 1.264.956,32 IRPJ dez/00 3.033,28 3.033,28 Após proceder à juntada da cópia do Despacho Decisório prolatado nos autos do processo administrativo nº 13819.001005/2001-76, de interesse da mesma Ford Factoring, o chefe da Deinf/SPO/Diort exarou, em 22.02.2005, o DESPACHO de fls. 297 encaminhando os presentes autos para que fossem tomadas as providências propostas, consoante abaixo reproduzido: “No processo nº 13819.001005/2001-76 consta Despacho Decisório de lavra da Deinf/SPO/Diort datado em 25/09/2002, (fotocópia nas folhas nº 214 a 218) reconhecendo direito creditório advindo de saldo negativo de IRPJ relativo ao AC 98 no montante de R$ 3.783.721,27. O interessado utilizou parte desde DC para compensação de CT próprios, compensação levada a efeito no processo em que se reconheceu o DC e apensos. O saldo remanescente no valor de R$ 3.685.406,17 foi valorizado a data de 01 de março de 2000, consolidação do Refis, conforme orientação contida em mensagem Notes de folhas nº 256 a 260. Esta valorização imputa ao saldo a aplicação da taxa selic no percentual de 26,93 para o período (01/1999 a 03/2000) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 2 3 totalizando R$ 4.677.886,05, permitindo que fossem gerados dois Darf-Siafi nos valores de R$ 3.856.687,09 e R$ 821.198,96, sendo o primeiro destinado a amortização do Programa de Recuperação Fiscal – Refis do qual o contribuinte Natura Cosméticos é optante. Print de telas do sistemas Siafi e do Sinal08, mostram o Darf-Siafi acima citado (folhas nº ) Do acima exposto, proponho seja encaminhado o presente PAF a UA de jurisdição do optante para ciência e demais providências a seu cargo com posterior devolução dos autos para fins de auditoria.” O processo foi encaminhado à DRF/TSR para notificação do contribuinte Natura Cosméticos (fls. 301). Em 20.04.2005, o contribuinte Ford Factoring apresentou a PETIÇÃO de fls. 303/316 alegando, resumidamente, que seu crédito relativo ao Saldo Negativo de IRPJ do AC 98, após compensações com débitos próprios, totalizariam R$ 3.148.428,03, e que os cálculos efetuados pela Deinf/SPO/Diort deveriam ser reparados. Alega, ainda, que não foram analisados os créditos relativos aos anos- calendário de 1999 e 2000, e que a atualização dos créditos deveria ser efetuada até 16.10.2002, data em que foi protocolado o presente processo, nos termos da Resolução CG/Refis nº 21/2001 e da IN SRF nº 21/97. Conforme cópia de Despacho Decisório acostada às fls. 375/378, pertinente ao PA 13819.001005/2001-76, foi aditado o primeiro despacho exarado naqueles autos, tendo o Delegado da Deinf/SPO concluído pela homologação das DCOMP formalizadas naquele processo, bem assim nos processos 16327.004009/2002-17, 16327.003990/2002-65, 16327.000128/2003-81, 16327.004379/2002-54 e 16327.004381/2002-23, com utilização parcial do direito creditório reconhecido referente ao Saldo Negativo do ano-calendário de 1998, e pelo rateio e alocação do direito creditório remanescente, no valor de R$ 3.141.392,17 ao presente processo e ao de número 16327.003663/2002-11, para utilização no âmbito do parcelamento previsto na Lei nº 9.964/00 (fls. 378). À luz de tais elementos, foi prolatado o DESPACHO DECISÓRIO de fls. 379/382, no qual o AFRF parecerista consigna, em sua fundamentação, verbis: “6. Efetivamente, o direito creditório relativo ao Saldo Negativo do IRPJ do Ano-Calendário 1998, no valor de R$ 3.783.721,27, foi apreciado e reconhecido por esta DEINF/SPO/DIORT em decisões proferidas no processo n. 13819.001005/2001-76. O crédito remanescente, após utilização na compensação de débitos próprios, foi quantificado em R$ 3.141.392,17. Deste montante, o interessado cedeu ao optante a importância de R$ 2.347.221,18, cifra correspondente ao valor indicado no requerimento (fls. 01), R$ 3.967.273,24, deflacionado pela taxa de juros SELIC acumulada de 69,02%, no período de janeiro/99 a outubro/2002. 7. O Saldo Negativo de IRPJ do Ano-Calendário 1999, apurado pelo interessado em sua DIPJ/2000/Ficha 13A (fls. 335), totaliza R$ 866.408,44, conforme quadro-resumo abaixo. Calculo do IR s/Lucro Real Apuração Anual (R$) Imposto s/ Luc Real 1.760.552,78 (-) Inc Fiscais 42.829,27 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 4 (-) IRRF 266.540,15 (-) IR Mens Pago 2.317.591,80 IR a Pagar -866.408,44 8. Tendo em vista a comprovação do recolhimento do imposto de renda mensal (fls. 336/338) e a declaração em DIRF do IRRF dedutível do imposto de renda devido pela pessoa jurídica no ano-calendário (fls. 339/361), reconhece-se o direito de crédito no valor de R$ 866.408,44. 9. Por fim, o Saldo Negativo de IRPJ do Ano-Calendário 2000 apurado pelo interessado em sua DIPJ/2001/Ficha 12A (fls. 372) totaliza R$ 2.336,71, correspondente ao IRRF incidente sobre rendimentos financeiros, conforme DIRF entregue pela fonte pagadora (fls. 373/374). Desta forma, reconhece-se o direito de crédito no valor de R$ 2.336,71. 10. Quanto à alocação dos créditos, considera-se a data-base de consolidação dos débitos parcelados, 01/03/2000, por se tratar de opção efetuada a partir de março/2000, conforme disposto no art. 5º, inciso I, (com redação do art. 7º do Decreto n. 3.712/2000) e art. 17 do Decreto n. 3.431/2000. Despiciendo registrar que aos SN IRPJ dos anos-calendários 1998 e 1999 aplica-se a taxa de juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), prevista no § 4º do art. 39 da Lei n. 9.250/95, a partir do mês subseqüente ao de apuração do crédito, conforme AD SRF n. 03/2000. Por sua vez, a utilização do SN IRPJ do ano-calendário 2000 se faz por alocação aos débitos consolidados e atualizados pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de acordo com o disposto no art. 6º, inciso I, do Decreto n. 3.431/2000. Não prospera, pois, a pretensão do interessado em se realizar a compensação na data de formalização deste processo. Concisamente, falta-lhe supedâneo legal.” Ante a fundamentação acima reproduzida, o Chefe da Deinf/DPO/Diort aprovou o Parecer e o Delegado da Deinf/SPO decidiu pelo reconhecimento do direito creditório, correspondente aos Saldos Negativos do IRPJ apurados nos anos- calendários de 1998, 1999 e 2000, cedido a terceiros para utilização no âmbito do parcelamento previsto na Lei nº 9.964/2000, conforme discriminado a seguir (fls. 382): Origem Per Apur Crédito Reconhecido (R$) Crédito Cedido (R$) SN IRPJ 1998 3.141.392,17 2.347.221,18 SN IRPJ 1999 866.408,44 866.408,44 SN IRPJ 2000 2.336,71 2.336,71 Cientificado do Despacho Decisório em 22.06.2005 (AR às fls. 391), o interessado apresentou a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE de fls. 392/412, que foi assinada também pelo contribuinte Natura Cosméticos S/A, onde se alega, em síntese: - inicialmente, que a Natura Cosméticos é diretamente interessada no deslinde do processo administrativo pois, além desta empresa ser igualmente signatária do Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório, o método de atualização do crédito aplicado pela Deinf/SPO implica amortização, em menor proporção, do débito consolidado no Parcelamento Alternativo ao Refis, que deixaria de ter homologada parte da compensação por ela requerida; - que a Ford Corretora e a Natura Cosméticos formalizaram contrato particular tendo como objeto o valor envolvido no referido Pedido de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 3 5 Reconhecimento de Crédito, de forma que a utilização de critérios de atualização discrepantes implicariam em descumprimento das clausulas contratuais referentes aos valores cedidos/adquiridos; - sendo assim, a manifestação de inconformidade há de ser regularmente processada em nome de ambas as interessadas; - quanto ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998, o despacho decisório recorrido não aponta especificamente como foram apuradas as compensações realizadas pela Ford Corretora, apenas mencionando o PA nº 13819.001005/2001-76; - esclarece que a Ford Corretora realizou compensações, até a data da cessão do crédito, no montante de R$ 97.294,92, que foram vinculadas ao referido PA por serem os débitos compensados de natureza diversa do crédito (IRPJ) e por sua efetivação ter ocorrido após outubro de 2002; - a Ford Corretora compensou ainda outros débitos, no valor, até a data da cessão do crédito, de R$ 535.327,18, compensações estas que, por se realizarem entre débitos e créditos de mesma natureza (IRPJ), foram formalizadas mediante entrega à Secretaria da Receita Federal das DCTFs dos anos-calendário de 1999 a 2002, conforme planilha anexada às fls. 440/443; - assim, tendo utilizado o crédito de IRPJ do AC 98, até a data da cessão do crédito, no total de R$ 632.622,11, para compensações de débitos próprios, o saldo do crédito de titularidade da Ford Corretora que poderia ser cedido para terceiro, quando da entrega do Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório, era no exato montante de R$ 3.151.099,16 (valor histórico); - ressalta a impugnante que, embora o valor do crédito determinado pela Deinf/SPO seja suficiente para respaldar a transferência realizada, a apuração equivocada do crédito a ser cedido poderá acarretar em falta de regularidade de compensações então realizadas pela Ford Corretora com débitos próprios; - assim, deve ser reformado o despacho decisório de forma que seja determinado o correto valor histórico do seu crédito, que perfazia R$ 3.151.099,16, a fim de amparar todas as compensações realizadas com créditos próprios; - ademais, certo é que o montante de R$ 2.347.221,18 transferido para a Natura Cosméticos está correto; tal valor corresponde exatamente ao valor indicado no Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório de R$ 3.967.273,24, deflacionado pela taxa SELIC acumulada de 69,02%, no período de janeiro/99 a outubro/2002, conforme consignado na decisão recorrida; - ressalta o interessado que concorda com os valores (originais) dos créditos cedidos, conforme consignado no despacho decisório; - entretanto, não concorda com o método aplicado na atualização dos créditos de saldos negativos de IRPJ dos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000 da Ford Corretora, e à forma de amortização desses créditos no parcelamento alternativo ao Refis, do qual a Natura Cosméticos é optante; - todo o crédito cedido foi atualizado pela Deinf/SPO mediante a aplicação da taxa SELIC até 1º/03/2000, data da consolidação do Parcelamento Alternativo ao Refis pela Natura Cosméticos e, a partir de então, pela TJLP até a data da amortização do débito consolidado; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 6 - entretanto, o método utilizado pela Deinf/SPO não se sustenta, pois não há razão para o crédito cedido pela Ford Corretora ser atualizado apenas até a data 1º/03/2000, como se a sua utilização/compensação tivesse sido realizada neste momento; - segundo o art. 5º, inc. I, do Decreto nº 3.431/2000, o débito consolidado terá como base a data de 1º/03/2000, no caso da Natura Cosméticos que fez sua opção em 12/12/2000; o art. 17 do referido Decreto, por sua vez, trata da forma de amortização do débito consolidado quando dos pagamentos efetuados no âmbito do Refis; - os dispositivos acima, bem como o art. 6º, inc. I, do mesmo Decreto nº 3.431/2000, mencionados pelo parecerista, tratam basicamente da data em que será considerado como consolidados os débitos incluídos no Refis e da forma de amortização do débito consolidado quando dos pagamentos efetuados pelo contribuinte optante; - tais dispositivos não tratam da forma de atualização de créditos adquiridos de terceiros, como pretende a autoridade fiscal; - a Natura Cosméticos apresentou em 16/10/2002 (mais de dois anos após a consolidação do Refis e diversas parcelas já quitadas) o Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório em que a Ford Corretora cede seus créditos de saldo negativo de IRPJ de 1998, 1999 e 2000 para compensação/amortização do saldo existente à época; - tais créditos deveriam ser devidamente atualizados até a data do protocolo do pedido formulado (16/10/2002), oportunidade em que ocorreu a compensação, ainda que sob condição resolutória de sua posterior homologação; isto porque, esta atualização refere-se ao crédito da Ford Corretora até o momento da sua compensação, ocorrida quando da transferência do crédito para a Natura Cosméticos; - o próprio parecerista reconheceu a aplicação da taxa SELIC para atualização dos saldos negativos de IRPJ dos anos-calendário de 1998 e 1999 a partir do mês subseqüente ao de apuração do crédito, conforme Ato Declaratório SRF nº 3/2000; - assim, conforme o § 4º, do art. 39, da Lei nº 9.250/95 e o referido Ato Declaratório, conclui-se que os créditos decorrentes de saldos negativos do IRPJ devem ser atualizados com base na taxa SELIC até o mês anterior ao seu aproveitamento, acrescida de 1% no mês em que o crédito for aproveitado; - segundo o art. 156 do CTN, a compensação extingue o crédito tributário quando realizada, mesmo que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, in casu, o reconhecimento do crédito cedido; - o critério adotado pela autoridade fiscal acabou por reduzir o montante de crédito da Ford Corretora, promovendo sua real desvalorização, pois caso este crédito fosse utilizado para compensação com débitos próprios e não de terceiros, não haveria dúvida de que a atualização aplicada seria a acima descrita, o mesmo ocorrendo caso o crédito fosse objeto de pedido de restituição; - o próprio formulário do Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório (anexo II da Resolução CG/REFIS nº 21/2001) indica que o valor do crédito a ser cedido deve ser considerado como “atualizado, inclusive Juros Selic”; - segundo o art. 5º, da Resolução CG/REFIS nº 21/2001, para o reconhecimento do direito creditório e os demais procedimentos para compensação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 4 7 aplicam-se, no que couber, as disposições da IN SRF nº 21/97, cujo art. 15, por sua vez, trata da compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro; - a IN 21/97 determinava que a compensação entre créditos e débitos seria efetuada pela Administração, tratando-se de pedido formulado espontaneamente pelo contribuinte – como é o caso –, “do ingresso do pedido de ressarcimento em espécie”; - mesma conclusão se extrai das disposições da IN SRF nº 460/2004, especialmente o inciso II do seu art. 51, observando-se que não há que ser falar, no presente caso, da aplicação do inciso V do referido artigo 51; - além disso, o § 8º, do art. 5º, do Decreto nº 3.431/2000, prevê que a pessoa jurídica, durante o período em que estiver incluída no Refis, poderá amortizar o débito consolidado mediante compensação de créditos próprios ou de terceiros, sem prejuízo do pagamento das parcelas mensais; a compensação, portanto, não necessariamente deve ser considerada na data da consolidação do saldo; - o interessado não se opõe à atualização do crédito cedido mediante a aplicação da TJLP no período de 16/10/2002 até a data de amortização do débito consolidado (fevereiro e junho/2005), pois se o débito também é atualizado pelo mesmo critério, não há diferença de valores, se considerássemos a alternativa de se efetuar a amortização em 16/10/2002; - entretanto, não concorda com a redução do montante dos créditos cedidos entre 1º/03/2000 e 16/10/2002, em decorrência da substancial diferença entre a SELIC e a TJLP; - a amortização do débito deve ser entendida como mero procedimento da Administração para homologar a compensação já realizada quando da entrega do Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório; - a compensação não ocorre no momento da sua homologação, nem tampouco quando da consolidação do débito no parcelamento, e, tendo em conta que o Pedido foi apresentado espontaneamente, não há fundamento para ser considerado como procedimento de ofício, e portanto a data a ser considerada para a atualização do crédito é a data do seu protocolo; - por fim, requer a reclamante, após a devida apuração e atualização dos créditos, seja utilizada a diferença apurada, nos termos da legislação do Refis, para amortizar o débito consolidado no Parcelamento Alternativo ao Refis do qual é optante a Natura Cosméticos. - O processo foi devolvido à Deinf/SPO/Diort para que fosse verificada a data do recebimento da manifestação de inconformidade (fls. 445). O órgão preparador restituiu os autos a esta DRJ/SP1 após a juntada do documento de fls. 446, que indica ter ocorrido em 20.07.2005 a protocolização da manifestação. A decisão da DRJ, que indeferiu o pleito, está assim ementada: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO COM DÉBITO CONSOLIDADO NO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL - REFIS. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO (DRJ). Compete às Delegacias de Julgamento apreciar a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 8 manifestação de inconformidade que tem por objeto o montante do direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ, porquanto as normas do Refis não alteraram a competência das DRJ para apreciação de matérias que já lhe eram regimentalmente próprias. A discussão no tocante à forma de atualização de débitos e créditos, bem como à compensação promovida pela Administração, em procedimento de quitação de débitos consolidados segundo as normas reguladoras do Refis, por sua vez, não cabe à DRJ, que não tem competência para apreciar a aplicação das normas específicas que regem o aludido Programa. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MONTANTE RECONHECIDO. Não há que se reparar o despacho decisório que apurou o montante do direito creditório de IRPJ, mormente porque, in casu, referido montante foi obtido a partir de decisão administrativa definitiva proferida em outro processo administrativo e, ainda, o interessado não logrou apresentar novos elementos que demonstrassem que o crédito apurado pela autoridade fiscal está incorreto. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 19/09/2007, fl. 477, e apresentou recurso voluntário em 18/10/2007, fls. 478 e 518, cujos termos finais (conclusão e pedido) a seguir transcreve-se: [...] 80. Desse modo, deveria ser apreciada DRJ/SPO-I a manifestação de inconformidade apresentada, não podendo prevalecer o despacho decisório da DEINF-SP quanto ao método utilizado para atualização de crédito da Recorrente Ford Corretora para amortização do saldo do Parcelamento Alternativo ao REFIS da Recorrente Natura Cosméticos, pois: (a) compete à Delegacia da Receita Federal a aplicação da legislação para apuração, verificação e atualização de crédito de saldo negativo de IRPJ; (b) o crédito da Recorrente Ford Corretora deve ser atualizado até o momento de seu aproveitamento, in casu, 16/10/2002 - data do protocolo do Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório; (c) a legislação que fundamenta o parecer do Sr. Fiscal trata, basicamente, da data em que serão considerados como consolidados os débitos incluídos no Programa REFIS ou no parcelamento a ele alternativo, da forma de amortização do débito consolidado quando dos pagamentos efetuados pelo contribuinte optante, nada dispondo sobre métodos de atualização de créditos adquiridos de terceiros; (d) a partir do disposto no § 4o do art. 39 da Lei n° 9.250/95 e no Ato Declaratório SRF n° 03/2000, conclui-se que os créditos decorrentes de saldos negativos do IRPJ devem ser atualizados a partir do Io de janeiro do ano seguinte ao do fato gerador (in casu, janeiro/1999, janeiro/2000, e janeiro/2001) até o mês em que o valor for aproveitado (in casu, data do Protocolo do Pedido 16/10/2002), sendo que a atualização deverá ser feita com base na taxa SELIC acumulada até o mês anterior ao do aproveitamento acrescida de 1%, orientação seguida pela própria Secretaria da Receita Federal; (e) a compensação extingue o crédito tributário quando realizada (no caso, em 16/10/2002), mesmo que sob condição resolutória de sua ulterior homologação; (f) considerando que o Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório é um requerimento espontaneamente elaborado pelo contribuinte cedente e o optante do Parcelamento alternativo ao REFIS, não há fundamento para ser considerado como Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 5 9 procedimento de ofício, sendo certo que a compensação será efetuada levando-se em conta a data do ingresso do referido pedido (16/10/2002); e (g) a qualquer tempo poderá a optante, enquanto incluída no REFIS ou no parcelamento a ele alternativo, compensar seu saldo consolidado com créditos de terceiros, e não apenas no momento da consolidação do débito. I V - DO PEDIDO 82. Diante de todo o exposto, é a presente para requerer o recebimento e provimento do Recurso Voluntário para: (I) anular o v. acórdão recorrido, reconhecendo-se a competência da DRJ para a apreciação da manifestação de inconformidade no tocante à atualização do crédito de Saldo Negativo de IRPJ da Recorrente Ford Corretora relativo aos anos- calendário 1998, 1999 e 2000 ; determinando-se a remessa dos autos a 8a Turma da DRJ/SPO-I para apreciação integral da Manifestação de Inconformidade e enfrentamento das questões, ou caso se entenda superada a nulidade, julgar o mérito do Recurso Voluntário, para: (II. 1) reconhecendo-se que o crédito decorrente de Saldo Negativo do IRPJ do anos-calendário 1998, 1999 e 2000 da Recorrente Ford Corretora deve ser atualizado, nos termos da legislação aplicável, a partir do Io de janeiro do ano seguinte ao do fato gerador (in casu, janeiro/1999, janeiro/2000 e janeiro/2001) até o mês em que o valor foi aproveitado (in casu, data do Protocolo do Pedido 16/10/2002), sendo que a atualização deverá ser feita com base na taxa SELIC acumulada até o mês anterior ao do aproveitamento acrescida de 1%; e (II.2) em razão da adequada atualização do crédito, nos termos acima definido, seja determinada à Autoridade preparadora a realização dos cálculos da diferença apurada para posterior amortização, nos termos da legislação do REFIS, do débito consolidado da Recorrente Natura Cosméticos do Parcelamento Alternativo ao REFIS do qual é optante. A empresa Natura Cosméticos S/A, adquirente dos créditos da recorrente, também subscreve o recurso voluntário. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 10 Voto Conselheiro Antônio José Praga de Souza - Relator O recurso é tempestivo, preenche as condições de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De inicio, socorro-me do próprio recurso voluntário para delimitar os limites da lide neste Conselho (fl. 492, item 23): “23. Nesse contexto, cumpre esclarecer e destacar que a questão relativa ao valor original do direito creditório (R$ 3.141.392,17) da Recorrente Ford Corretora de Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário 1998, tendo em vista que a decisão definitivamente proferida nos autos do Processo Administrativo n° 13819.001005/2001-76, não é objeto deste Recurso Voluntário. “ (grifos do original) E continua no item seguinte (fl. 493): 24. Importa ressaltar que a questão a ser discutida neste Recurso Voluntário, qual seja, o critério de atualização do crédito relativo ao Saldo Negativo de IRPJ do anos- calendário 1998, 1999 e 2000, é de primordial interesse da Recorrente Ford Corretora, por óbvio, por tratar do reconhecimento integral de seu crédito até a data do protocolo "Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório". Portanto, o litígio está no critério de atualização dos créditos que foram transferidos à Natura com vista a compensação com débitos desta última Refis. O montante do direito creditório da Ford era suficiente para cobrir os valores que foram objeto de transferência à Natura, sendo que eventuais diferenças se, existirem, estão sendo tratadas em outros processos. Pois bem, no tocante a essa matéria, pela análise dos autos entendo que não cabe reparos à decisão da DRJ no que tange ao entendimento de que a forma de atualização de créditos compensados no REFIS não cabe ser apreciado no rito do PAF, seja pelas DRJ, seja por este CARF. Adoto aqui as brilhantes razões de decidir contidas no voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do ilustre julgador Hugo Hashimoto: Cumpre verificar, contudo, se a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) tem competência para apreciar a manifestação de inconformidade, de fls. 392/412, apresentada pelo interessado. Tal manifestação tem por objeto o Despacho Decisório de fls. 379/382, pelo qual o Delegado da Deinf/SPO apreciou o quanto requerido no Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório às fls. 01. Neste pedido, por sua vez, formalizado mediante o formulário aprovado pela Resolução CG/REFIS nº 21/2001, o interessado (Ford Factoring Fomento Comercial Ltda., cuja denominação atual é Ford Corretora de Seguros Ltda.) requer o reconhecimento de Saldos Negativos de IRPJ referentes aos anos- calendário de 1998, 1999 e 2000, os quais cede à Natura Cosméticos S/A (CNPJ 71.673.990/0001-77) para fins de compensação com débitos consolidados para quitação no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal – Refis – ou do parcelamento a ele alternativo, de que trata a Lei nº 9.964/2000. Também assina o Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 6 11 Pedido de fls. 01, bem assim a manifestação de fls. 392/412, o contribuinte Natura Cosméticos, na qualidade de contribuinte optante pelo parcelamento alternativo ao Refis. O Programa de Recuperação Fiscal – Refis – foi instituído pela Lei nº 9.964, de 10.04.2000, e permitiu aos contribuintes optantes a sua regularização perante a União, por meio de um regime especial de consolidação e parcelamento dos seus débitos fiscais. No Refis, o débito consolidado deveria ser pago em parcelas mensais cujo valor seria calculado em função de um percentual da receita bruta do mês imediatamente anterior. A Lei nº 9.964/2000 facultou aos contribuintes, ainda, optarem pelo parcelamento alternativo ao Refis, de até sessenta parcelas mensais, observadas todas as demais regras aplicáveis àquele Programa (art. 12). Estabelece a Lei nº 9.964/2000, verbis (grifei): Art. 2º O ingresso no Refis dar-se-á por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1º. .................... § 7º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: I – compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis; II – a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros, estes declarados à Secretaria da Receita Federal até 31 de outubro de 1999. .................... Art. 9º O Poder Executivo editará as normas regulamentares necessárias à execução do Refis, especialmente em relação: .................... V – às exigências para fins de liquidação na forma prevista nos §§ 7º e 8º do art. 2º. Assim, o Refis previu a quitação de débitos, nos termos do inciso I, do § 7º, do art. 2º, da Lei nº 9.964/2000, por via de compensação de créditos, próprios ou terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito daquele Programa. Permitiu também a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL para o mesmo fim (inciso II). A execução do Refis foi regulamentada pelo Decreto nº 3.431, de 24.04.2000, que dispôs (grifos incluídos): Da Consolidação e Pagamento dos Débitos Art. 5º Os débitos da pessoa jurídica optante serão consolidados tomando por base: (Redação dada pelo Decreto nº 3.712, de 27.12.2000) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 12 I - a data de 1º de março de 2000, nos casos de opção efetuada a partir do mês de março de 2000; (inciso incluído pelo Decreto nº 3.712, de 27.12.2000) II - a data da formalização da opção, nos casos de opção efetuada antes de março de 2000. (inciso incluído pelo Decreto nº 3.712, de 27.12.2000) § 1º A consolidação abrangerá todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, inclusive a atualização monetária à época prevista. .................... § 5º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive os relativos a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, mediante solicitação expressa e irrevogável da pessoa jurídica optante e observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: I - compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do REFIS; II - utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros. § 6º A liquidação referida no parágrafo anterior será efetuada de conformidade com os procedimentos a serem definidos pelo Comitê Gestor e será formalizada dentro do prazo estabelecido no § 3º do artigo anterior, observadas as seguintes condições: I - poderão ser utilizados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, próprios da pessoa jurídica optante, passíveis de compensação na data da opção, na forma da legislação vigente, desde que relativos a período de apuração encerrado até 31 de dezembro de 1999 e devidamente declarados ou informados à SRF até a data da opção, salvo em relação ao período de apuração correspondente ao ano-calendário de 1999, que deverá ser informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ 2000, no prazo estabelecido para sua apresentação; II - na hipótese de compensação de créditos ou de utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculos negativa de terceiros: a) a solicitação deverá ser também assinada pelo responsável pela pessoa jurídica cedente perante o CNPJ, com reconhecimento de firma; b) a cessão somente poderá ser efetuada do detentor originário do direito à pessoa jurídica optante pelo REFIS e será definitiva, ainda que o adquirente seja, por qualquer motivo, excluído do REFIS; c) somente poderão ser utilizados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas passíveis de compensação da pessoa jurídica cedente, na data da opção, na forma da legislação vigente, devidamente declarados ou informados à SRF até 31 de outubro de 1999; III - o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação, sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, das alíquotas de quinze por cento e de oito por cento, respectivamente; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 7 13 IV - para os fins de utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa, nos termos deste Decreto, não se aplica o limite de trinta por cento do lucro líquido ajustado, da cedente ou da cessionária. .................... § 8º A pessoa jurídica, durante o período em que estiver incluída no REFIS, poderá amortizar o débito consolidado mediante compensação de créditos próprios ou de terceiros, sem prejuízo do pagamento das parcelas mensais. .................... Art. 6º O débito consolidado na forma do artigo anterior: I - sujeitar-se-á, a partir da data base da consolidação, a juros correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP, calculada linearmente, na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, vedada a imposição de qualquer outro acréscimo; .................... Art. 24. A SRF, o INSS e a PGFN expedirão, no âmbito de suas respectivas áreas de competência, as instruções complementares necessárias à implementação do disposto neste Decreto. Por seu turno, a compensação de créditos com débito consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, previsto no art. 5º, § 8º, do Decreto nº 3.431/2000, foi objeto da Resolução CG/REFIS nº 21, de 08.11.2001, já mencionada anteriormente (grifei): Art. 1º A compensação de créditos, próprios ou de terceiros, com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo será efetuada de conformidade com esta Resolução. Art. 2º Poderão ser compensados, na forma do art. 1º, os créditos líquidos e certos decorrentes de pagamento indevido ou a maior que o devido de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal (SRF), bem assim os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) passíveis de ressarcimento em espécie. § 1º Não se aplica o disposto neste artigo quando a compensação for de créditos próprios e existir, no âmbito da SRF ou da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), débito não abrangido pelo Refis ou pelo parcelamento a ele alternativo e cuja exigibilidade não esteja suspensa. § 2º Na hipótese do § 1º, será efetuada a compensação de ofício do crédito líquido e certo com o débito existente, observadas as disposições da Instrução Normativa SRF nº 21/97, de 10 de março de 1997, com as alterações posteriores, e da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1, de 16 de dezembro de 1999. § 3º Após a compensação de que trata o art. 2º, eventual saldo a restituir ou a ressarcir poderá ser compensado com o débito consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 14 § 4º Sem prejuízo do disposto no parágrafo único do art. 4º desta Resolução, no caso de créditos de terceiros, a compensação somente poderá ser efetuada com débito consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, não se aplicando o disposto nos §§ 1º, 2º e 3º deste artigo. Art. 3º A compensação será precedida de requerimento, mediante preenchimento do formulário "Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório", constante do Anexo I, para créditos próprios, ou do Anexo II, para créditos de terceiros. Parágrafo único. Na hipótese de créditos de terceiros, primeiro devem ser liquidados, mediante compensação, os débitos existentes em nome do cedente, de obrigação própria ou decorrentes de responsabilidade tributária, e apenas eventual saldo a restituir ou a ressarcir poderá ser utilizado para compensação com o débito do cessionário consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo. Art. 4º Reconhecido o direito creditório, proceder-se-á à compensação, observados os seguintes procedimentos: I - será debitado o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo ou da contribuição respectiva; II - será creditado o montante utilizado para a quitação do débito consolidado à conta Refis da pessoa jurídica optante; III - será informado, no processo de reconhecimento do direito creditório, o valor utilizado na quitação do débito consolidado; IV - na hipótese de crédito próprio, será também informado, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido. Parágrafo único. A compensação com débito consolidado no parcelamento alternativo ao Refis será efetuada na ordem decrescente do prazo de vencimento das prestações. Art. 5º Ao reconhecimento do direito creditório e aos demais procedimentos para compensação na forma desta Resolução aplicam-se, no que couber, as disposições da Instrução Normativa SRF nº 21/97, com as alterações posteriores, e da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1/99. Impende lembrar, inicialmente, que o Refis é essencialmente um regime especial de parcelamento de débitos do contribuinte, e que às Delegacias de Julgamento (DRJ) não compete a apreciação de pedidos de parcelamento ou de manifestações de inconformidade em face de indeferimento de tais pedidos, conforme se depreende a partir da competência das DRJ estabelecida no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (Portaria MF nº 95, de 30.04.2007): Art. 174. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: I – de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II - relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e Fl. 14DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 8 15 III - de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. §1º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a não-homologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. (grifos não são do original) De se observar, ainda, que o Refis é administrado por um Comitê Gestor integrado por representantes da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, bem assim da Receita Federal do Brasil, e é regido por normas específicas ao Programa. Por exemplo, a exclusão da pessoa jurídica do Refis é efetuada mediante ato do Comitê Gestor, em face de proposta formulada por Delegados ou Inspetores da Receita Federal, Procuradores-chefes ou seccionais da PGFN ou Chefes de Divisão ou de Serviço de Arrecadação ou Procuradores-chefes do INSS. Eventual manifestação de inconformidade quanto a referido ato é apreciado, em instância única, pela autoridade competente para propor a exclusão (Resolução CG/REFIS nº 9/2001, c/ redação dada pela Resolução CG/REFIS nº 20/2001). Não há como ignorar, porém, que a matéria do presente processo em nada se identifica com as situações acima comentadas. Não se trata de apreciar indeferimento de parcelamento, e nem tampouco de analisar exclusão do Refis. Ao contrário, consoante relatado, trata-se de compensação de pretenso direito creditório da Ford Corretora com débitos de terceiros, no caso, débitos consolidados no âmbito do parcelamento alternativo ao Refis de titularidade da Natura Cosméticos. A Resolução CG/REFIS nº 21/2001, já reproduzida alhures, que dispõe sobre a compensação pleiteada nestes autos, não prevê expressamente a possibilidade de discussão administrativa e nem a autoridade competente para tal, na hipótese em que o contribuinte discorde da compensação procedida pela Administração ou mesmo se insurja contra o seu indeferimento. Não obstante, o seu art. 5º prevê que “ao reconhecimento do direito creditório e aos demais procedimentos para compensação na forma desta Resolução aplicam-se, no que couber, as disposições da Instrução Normativa SRF nº 21/97, com as alterações posteriores, e da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1/99”. Vale observar que a citada IN SRF nº 21/97 regulava a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, no âmbito da Receita Federal, sendo que o julgamento de eventual manifestação de inconformidade do contribuinte contra o ato que indeferir, parcialmente ou não, o reconhecimento do direito creditório pleiteado encontra-se no rol de competências das Delegacias de Julgamento - DRJ, a teor do inciso III, do art. 174, da Portaria MF nº 95/2007, transcrito acima. Uma análise superficial do caso em tela, portanto, indicaria ser a DRJ o órgão administrativo competente para apreciar o presente processo. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 16 Ocorre que, conforme já exposto, o Refis é regido por normas emanadas de seu Comitê Gestor e, por conseguinte, é a partir das regras estabelecidas na legislação própria ao Programa que se deve buscar a competência para análise dos diversos pleitos havidos em seu âmbito. Por exemplo, consolidou-se na Receita Federal o entendimento de que as DRJ não têm competência para apreciar manifestações de inconformidade contra o indeferimento da utilização de créditos decorrentes de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, próprios ou de terceiros, no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, quando a anulação ou redução de tais créditos resultar exclusivamente da aplicação das normas que regem a execução desse Programa. Ou seja, não há que se cogitar em julgamento na Delegacia de Julgamento para apreciar a aplicação das normas que regem o aludido Programa de Recuperação Fiscal. Tanto é assim que, em 03.10.2003 foi editada a Resolução CG/REFIS nº 31, que assim dispôs (g.n.): O COMITÊ GESTOR DO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL, constituído pela Portaria Interministerial MF/MPAS nº 21, de 31 de janeiro de 2000, no uso da competência estabelecida na Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, e tendo em vista o disposto nos §§ 5º, 6º e 8º do art. 5º do Decreto nº 3.431, de 24 de abril de 2000, no art. 7º do Decreto-lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, no art. 2º da Resolução nº 1, de 2 de fevereiro de 2000, e nos arts. 2º e 5º da Instrução Normativa SRF nº 44, de 25 de abril de 2000, resolve: Art. 1º A manifestação apresentada pela pessoa jurídica contra o indeferimento de pedido de utilização de créditos, próprios ou de terceiros, decorrentes de prejuízos fiscais ou de bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, para liquidação de multas, de mora e de ofício, e dos juros moratórios consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal – Refis ou do parcelamento a ele alternativo será apreciada, em instância única, pelo Delegado da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte detentor do crédito. Parágrafo único Aplica-se o previsto no caput a pedido de compensação de créditos, próprios ou de terceiros. Entretanto, a delegação de competência aos Delegados da Receita Federal estabelecida na Resolução CG/REFIS nº 31/2003, acima transcrita, foi objeto de questionamentos acerca da sua abrangência por englobar, aparentemente, toda a matéria de fato, ainda que não verse, exclusivamente, sobre a aplicação da legislação do Refis. Para esclarecer a questão, o Comitê Gestor do Refis, por meio de sua Secretaria Executiva, emitiu o Parecer nº 17, de 08.03.2004, do qual transcrevo alguns trechos: 3. Preliminarmente, é importante ressaltar que o Comitê Gestor dispõe tão-somente de competência para gerir o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) e o parcelamento a ele alternativo, sendo que tal competência não se confunde com as atribuições institucionais e legais dos órgãos que o integram, notadamente com a competência específica conferida pela lei à SRF para definir o montante do direito creditório decorrente do pagamento a maior ou indevido de determinado tributo ou contribuição por ela administrada, bem como a de se pronunciar sobre a existência, ou não, de determinado montante de Prejuízo Fiscal (PF) ou de Bases de Cálculo Negativa (BCN) da CSLL acumulados nos registros fiscais de quaisquer contribuintes,quando da fiscalização das correspondentes exações, de acordo Fl. 16DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 9 17 com o preconizado pelos arts. 1º, § 1º, 2º, §§ 7 e 8º; e 9º, inciso IV, da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, transcritos abaixo. .................... 4. Como a legislação do Refis não transferiu ao seu Comitê Gestor atribuições legais e institucionais dos órgãos que o compõe, somente a SRF e seus órgãos especializados, na forma do Regimento Interno aprovado pelo Ministério da Fazenda, podem regularmente se pronunciar, em definitivo, sobre o montante de Prejuízos Fiscais (PF) e de Bases de Cálculo Negativas (BCN) da CSLL. Tal atribuição sempre pertenceu a SRF, e permanece com a aludida Secretaria, ainda que a pessoa jurídica tenha ingressado no Refis. 5. Do mesmo modo, apenas a SRF e seus órgãos especializados, na forma do Regimento Interno da SRF, podem definir o montante efetivo do direito creditório decorrente do pagamento indevido ou maior que o devido ou do ressarcimento em espécie, afastada a ingerência de quaisquer outros órgãos, pois somente a ela foi conferida competência legal para essa atividade. .................... 7. Com relação à apreciação das manifestações contra a glosa de créditos decorrentes de Prejuízos Fiscais (PF) ou das Bases de Cálculo Negativa (BCN) da CSLL e dos decorrentes de compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF no âmbito do Refis, a delegação de competência, embora ampla, refere-se, exclusivamente, às questões que tenham como fundamento a aplicação da legislação desse Programa, uma vez que o Comitê Gestor não dispõe de poderes para modificar a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento no que tange à aplicação de normas diversas daquelas que regulamentam o Refis, concernentes à estrutura interna da SRF, conforme definido na Portaria do Ministério da Fazenda. 8. Desse modo, os Delegados da Receita Federal poderão, e deverão, apreciar as manifestações de inconformidade contra a glosa de créditos, seja de utilização de PF ou BCN da CSLL, seja de compensação de tributos, para liquidação com a dívida consolidada no Refis, caso a inconformidade tenha como fundamento a legislação do Refis, em especial: (a) a verificação da observância do prazo definido na legislação específica para protocolo dos pedidos de utilização de créditos; (b) a consignação dos PF e das BCN da CSLL nas declarações de terceiros entregues à SRF até 31 de outubro de 1999; (c) o registro do pedido de utilização de créditos próprios na Declaração Refis entregue até 12 de fevereiro de 2001; (d) a glosa da cessão a terceiros decorrente do art. 3º da Resolução CG/Refis nº 19, de 2001; entre outras que decorram da aplicação dessa legislação. 9. Contudo, na hipótese da glosa dos créditos derivar de constatação pelo Delegado da Receita Federal da inexistência do PF ou da BCN da CSLL, bem como do direito creditório correspondente ao suposto pagamento indevido ou maior que o devido, segundo a sua competência ordinária de agente da SRF, impõe-se o crivo das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, independentemente de seu ulterior aproveitamento, ou não, no Refis, pois, segundo as normas tributárias vigentes, incumbe à SRF fiscalizar o cumprimento da legislação dos tributos e contribuições por ela administrados, abstraída aí qualquer relação com o Refis. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 18 Diante do exposto, conclui-se que: - a delegação de competência para os Delegados da Receita Federal para apreciar as manifestações de inconformidade contra a glosa de créditos decorrentes de Prejuízos Fiscais (PF) e de Bases de Cálculo Negativas (BCN) da CSLL ou de créditos decorrentes de compensação para liquidação de dívidas consolidadas no Refis, refere-se, exclusivamente, aos aspectos relacionados à aplicação de normas do Programa de Recuperação Fiscal (Refis); e, a Resolução CG/Refis n° 31, de 2003, não alterou a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar os aspectos das manifestações de inconformidade contra a glosa de créditos de Prejuízos Fiscais (PF) e de Bases de Cálculo Negativas (BCN) da CSLL ou de compensação de créditos decorrentes da aplicação das normas tributárias vigentes, não relacionadas com o Refis, pois o Comitê Gestor somente dispõe de competência para disciplinar este Programa, preservado o Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria nº 259, de 2001, do Ministério da Fazenda. O Parecer foi aprovado pelos representantes dos membros do Comitê Gestor do Refis e ementado da seguinte forma: Ementa: Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Delegação de Competência. A competência atribuída pela Resolução CG/Refis nº 31, de 2003, aos Delegados da Receita Federal relativa à apreciação de manifestações de inconformidade contra a glosa de créditos decorrentes de Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas da CSLL, bem como de compensação, utilizados na liquidação de débitos consolidados no Refis, abrange, apenas, os aspectos da glosa que tenham derivado de aplicação de norma do Refis, preservada a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciação das matérias que lhes incumbe, nos termos do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado por Portaria do Ministério da Fazenda. Verifica-se, assim, que embora as normas do Refis tenham atribuído aos Delegados da Receita Federal decidir quanto a matérias específicas do programa, restaram inalteradas as competências das DRJ para apreciação de matérias que já lhe eram próprias, consoante previsto no Regimento Interno da Receita Federal. Fica claro, a partir da fundamentação do Parecer, transcrita acima, que a apreciação de manifestação de inconformidade que discute o montante do prejuízo fiscal ou da base de cálculo negativa da CSLL, ou ainda o valor do direito creditório correspondente a pagamento indevido ou maior que o devido, relativamente a tributos e contribuições administrados pela SRF, é de competência exclusiva da DRJ, ainda que a discussão tenha surgido em procedimento previsto nas normas reguladoras do Refis. Nesse diapasão, cumpre anotar que pela manifestação de inconformidade objeto do presente processo o interessado discute, de fato, o montante do direito creditório pleiteado (Saldo Negativo de IRPJ, em valores originais), devendo a questão ser acolhida para julgamento na Delegacia de Julgamento. Realmente, não poderia ser outra a forma de se proceder pois, em tese, a determinação do valor do direito creditório de um contribuinte, tendo havido sua utilização apenas parcial na quitação de débitos consolidados no Refis, poderia ser, num momento posterior, a base para a restituição do saldo remanescente ou ainda a compensação de outros débitos próprios (DCOMP). A apreciação destas questões, não há dúvidas, está prevista na competência regimentalmente estabelecida para as DRJ. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003618/2002-59 Acórdão n.º 1402-00.251 S1-C4T2 Fl. 10 19 Melhor sorte não assiste à recorrente, quanto a outras matérias suscitadas em sua peça impugnatória, porquanto consubstanciam matérias relacionadas à aplicação da legislação do Refis. A discussão aduzida pelo interessado acerca da forma de atualização dos valores, tanto do débito e como do crédito, para fins de amortização do débito consolidado no parcelamento alternativo ao Refis de titularidade de terceiro, constitui matéria que, como exposto acima, se refere à aplicação das normas específicas do Refis (já transcritas anteriormente) e, portanto, não figura na competência da DRJ. Não é competência da DRJ, ainda, apreciar a compensação procedida pela autoridade fiscal com fulcro no § 8º, do art. 5º, do Decreto nº 3.431/2000. Além disso, pelos mesmos motivos, o pleito formulado em nome da Natura Cosméticos S/A, cujo interesse no presente processo origina-se tão-somente por ser detentora do débito que se pretende quitar com o crédito em discussão, não há de ser objeto de pronunciamento da DRJ, que é incompetente para apreciar a matéria em questão. Sendo assim, voto no sentido de conhecer da manifestação de inconformidade apenas na parte em que trata da determinação do valor do direito creditório da Ford Corretora, relativo a Saldos Negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, em seus valores originais. Por outro lado, não há de ser conhecida a impugnação na parte em que versa sobre a atualização dos valores (débitos e créditos), e a correspondente compensação procedida pela Administração, bem assim sobre a manifestação da Natura Cosméticos, por consubstanciarem matérias não inseridas na competência das DRJ. Observo, contudo, que à autoridade preparadora incumbirá encaminhar as matérias não conhecidas, nos termos das normas reguladoras do Refis e do parcelamento a ele alternativo. Diante do exposto,. voto pelo não conhecimento do recurso por versar de matéria que foge a competência deste Conselho. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Fl. 19DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 19515.003120/2006-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA. ART. 67, §8º, DO RICARF
Não é conhecido recurso especial interposto contra acórdão recorrido que não guarda similitude fática com os acórdãos paradigmas, como exigido pelo artigo 67, § 8º, do RICARF atual (Portaria MF nº 343/2015) e pelo RICARF anterior (Portaria MF nº 256/2009).
Numero da decisão: 9101-002.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. A declaração por escrito, dos conselheiros fazendários, manifestando-se pelo não impedimento e suas razões, será anexada aos autos. Por maioria de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA. ART. 67, §8º, DO RICARF Não é conhecido recurso especial interposto contra acórdão recorrido que não guarda similitude fática com os acórdãos paradigmas, como exigido pelo artigo 67, § 8º, do RICARF atual (Portaria MF nº 343/2015) e pelo RICARF anterior (Portaria MF nº 256/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. A declaração por escrito, dos conselheiros fazendários, manifestandose pelo não impedimento e suas razões, será anexada aos autos. Por maioria de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 20 /2 00 6- 91 Fl. 701DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 701 2 Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 618/636, contra o Acórdão nº 120100.587, proferido pela 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício interposto pela DRJ em São Paulo/SPOI e, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., incorporada por BANCO CITIBANK S.A., para exonerar a exigência de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, do anocalendário 2002. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. DECISÃO DA DRJ QUE EXTINGUIU A EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA EM RAZÃO DE COMPENSAÇÕES. Não cabe a aplicação de multa isolada sobre estimativas quitadas mediante compensação reconhecida em procedimento próprio, ainda que não declaradas em DCTF. Recurso de ofício conhecido e não provido. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA QUANDO O CONTRIBUINTE APURA SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NO FIM DO ANO CALENDÁRIO APÓS O AJUSTE. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa apura saldo negativo de IRPJ e CSLL em sua escrita fiscal ao final do exercício. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO As redações do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 e do artigo 161 do CTN permitem inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio, mas apenas o tributo. Sem previsão legal, não pode a multa de ofício ser corrigida pelos juros Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 702DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 702 3 Anocalendário: 2002 Considerando que a CSLL foi cobrada pela fiscalização sob os mesmos fundamentos, os fundamentos trazidos quanto ao IRPJ são aplicados à CSLL. Recurso voluntário conhecido e provido. O processo foi encaminhado à PGFN em 24/10/2011, como demonstra o despacho de encaminhamento à fl. 617 do volume 3 digitalizado. De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 23/11/2011. Em 25/11/2011 a PFN aviou o Recurso Especial de efls. 618/636, como comprova o despacho de encaminhamento à efl. 637, afirmando que o Acórdão nº 1201 00.587 diverge de outros julgados do CARF e/ou do Conselho de Contribuintes, relativamente às seguintes questões: (i) possibilidade de exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, quando o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do ano calendário. Para este tema indicou, como paradigmas, o Acórdão nº 180200.205 e o Acórdão nº 10806.571, que veicularam as seguintes ementas sobre a questão: Acórdão nº 180200.205 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Acórdão nº 10806.571 IRPJ ESTIMATIVA FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA DENÚNCIA ESPONTÂNEA EM FACE DO PREJUÍZO INOCORRÊNCIA O art. 44, I, § 1°, IV, da Lei 9430/96 prevê expressamente a hipótese de incidência da multa isolada quando a empresa, sujeita ao recolhimento por estimativa, deixar de fazêlo, ainda que tenha ao final do período base anual apurado prejuízo. Portanto, a apuração de prejuízo ou a entrega da Declaração com prejuízo não corresponde à denúncia espontânea do art. 138 do CTN, que estabelece a Fl. 703DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 703 4 exclusão da responsabilidade da infração se esta for denunciada com o recolhimento do tributo, o que não ocorreu. (ii) incidência de juros moratórios, calculados à taxa SELIC, sobre a multa aplicada em lançamento de ofício. Para este tema indicou como paradigmas o Acórdão nº CSRF/910100.539, e o Acórdão nº CSRF/0400.651, que tem as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/910100.539 Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Acórdão nº CSRF/0400.651 JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Aduz, no mérito, que as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real anual ficam obrigadas, pelo art. 2º da Lei nº 9.430/96, ao pagamento do IRPJ e da CSLL, apurados mensalmente com base na estimativa e, em caso de inadimplemento dessa obrigação tributária, a mesma Lei estipulou, no artigo 44, § 1º, inciso IV, a multa de ofício exigida isoladamente. Observa que o legislador usou a expressão "ainda", significando que a multa isolada é exigida tanto na hipótese de apuração de lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, como no caso da apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, não restringindo a aplicação da multa ao lançamento efetuado antes do término do anocalendário. Afirma que a multa isolada prevista no artigo 44, par. 1º, inciso IV da Lei nº. 9.430, de 1996 atual art. 44, II, b, da mesma Lei, na redação dada pela Lei n.º11.488/07 decorreria do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mês calendário, independentemente de se apurar ou não resultado anual tributável, sendo cabível mesmo após o encerramento do anocalendário e nada teria a ver com a multa devida pela falta de recolhimento do tributo apurado com base no lucro real anual ou trimestral. Aponta que a câmara a quo criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, o que não pode ser admitido, impondose, por conseguinte, a reforma do julgado. Quanto ao tema da incidência de juros sobre a multa advoga que não se pode dar interpretação literal do dispositivo legal art. 61, da Lei nº 9.430/96, por duas razões: (i) não haveria respaldo legal para uma interpretação supostamente literal do art. 61 da Lei nº Fl. 704DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 704 5 9.430, de 1996, limitadora da incidência de juros de mora ao valor de tributos e contribuições ao mesmo tempo que exclua a sua incidência sobre a multa de ofício, manobra essa que suprime indevidamente a expressão "decorrente de tributos e contribuições". E afirma que [...] literal por literal, é de prevalecer a interpretação que considera a incidência de juros moratórios sobre os tributos e quantias decorrentes, a exemplo da multa de ofício. (Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições...); (ii) lembrar das finalidades da lei para alcançar a efetiva compreensão do comando legal. Assim, uma interpretação pautada na finalidade do dispositivo legal ressaltaria sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, sendo necessário dizer que as multas encerram em si duas finalidades precípuas uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte transgressor, bem como os demais contribuintes, serão compelidos a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Ressalta que, não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa por sua mora e, por ocasião de posterior lançamento, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, aquele todo composto do tributo e da multa de mora, devido pelo contribuinte. A partir do lançamento, a tributo e multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação, não havendo possibilidade para a segregação das formas de correção desse montante total. Colaciona jurisprudência judicial e administrativa favorável à sua tese. Invoca a Súmula CARF nº 4, que dispõe sobre juros Selic, lembrando sua observância obrigatória pelo julgador. Pede, ao final, pelo conhecimento e o provimento do recurso de forma a reformar o acórdão recorrido, restaurando a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas e para manter a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. Pelo despacho de efls. 641/647, o Recurso Especial da PFN foi admitido pelo Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Cientificada, a interessada apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (e fls. 659/686). Aduz, preliminarmente, que não deve ser conhecido o REsp da PFN, porque o primeiro paradigma indicado para o primeiro tema trataria de situação fática e de legislação diversa daquelas analisadas pelo recorrido. E, também, porque a recorrente não teria indicado, no REsp, os pontos divergentes entre os paradigmas e o recorrido. No mérito defende ser impossível a exigência de multa isolada, aplicada após o final do anocalendário, quando não foi apurado imposto ou contribuição a pagar, mormente no seu caso, em que apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 39.000.212,42 e saldo negativo de CSLL de R$ 1.965.880,40. Afirma que a DRJ em São Paulo/SPOI já havia assentado entendimento nesse sentido, quando decidiu exonerar as exigências de IRPJ e de CSLL apurados pela auditoria fiscal como devidos no final do período de apuração, considerando ser desnecessária a discussão a respeito da incidência da multa isolada além da multa incidente sobre o tributo devido ao final do período em função das estimativas não recolhidas. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 705 6 Aponta que o inciso IV, § 1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos geradores autuados, sujeitava o contribuinte ao pagamento da multa isolada pela ausência de recolhimentos de estimativa de IRPJ e CSLL, de um provável tributo que viesse a ser devido ao final do anocalendário. Cita jurisprudência administrativa. Deduz que o não cabimento da multa isolada após o final do período de apuração ficou mais evidente com a alteração legislativa perpetrada no art. 44, da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/07, que introduziu penalidade nova, anteriormente não prevista na redação original, e que não pode retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos antes de sua vigência. No que toca ao juros sobre multa, afirma que, diante da exoneração feita pela DRJ em São Paulo/SPOI, não ofereceu qualquer argumento de defesa, no recurso voluntário, a respeito da matéria, lembrando que o relator do voto condutor do acórdão recorrido, somente teria se manifestado a respeito do tema, a título de opinião pessoal, ressalvando que a apreciação da matéria restou prejudicada diante do cancelamento integral do auto de infração. Entende que na hipótese de que se conheça e se dê provimento ao apelo da PFN, devem os autos retornar ao colegiado a quo, para que este se pronuncie sobre os demais argumentos de defesa deduzidos no Recurso Voluntário, que não foram apreciados diante da exoneração das exigências, e que se referem às seguintes questões: (i) operouse, com a superveniência da Lei nº 11.488/07, verdadeira introdução de penalidade nova anteriormente não prevista, e que, portanto, não pode retroagir para alcançar fatos ocorridos antes do início de sua vigência; (ii) que sequer ocorreu o recolhimento a menor indicado pela fiscalização já que todos os valores apontados foram de fato pagos mediante compensação; (iii) quanto à estimativa de IRPJ do mês de novembro/2002, a necessidade de, quando menos, sobrestar o presente feito até o julgamento final do processo nº 10880.939473/200931, em que se discute a homologação do pagamento mediante compensação daquela estimativa, tendo em vista a relação de prejudicialidade e dependência entre os processos, ou de se suspender a multa isolada até o julgamento final daquele processo; (iv) a confirmação da compensação das estimativas de CSLL dos meses de janeiro, maio, junho e julho/2002. Ao final pede pelo não conhecimento e não provimento do apelo da PFN, ou, em caso de acolhimento, sejam os autos remetidos ao colegiado a quo para que se manifeste a respeito das matérias não apreciadas. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 706 7 Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora 1 Preliminarmente. 1.1 ARGUIÇÃO DE IMPEDIMENTO Em razão da arguição de impedimento aduzida pelo patrono da contribuinte por ocasião da sustentação oral ocorrida na sessão de julgamento realizada no dia 20 de janeiro de 2017, ao argumento de que nós, Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, estaríamos impedidos de atuar no presente julgamento, fazse necessário juntarse aos autos a presente manifestação, nos termos do art. 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, haja vista que não reconheço tal impedimento. A argüição foi motivada pela publicação da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015, cujo art. 5º prevê um Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista Tributário da Receita Federal do Brasil, nos seguintes termos: Art. 5o Ficam instituídos o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. § 1o O Programa de que trata o caput será gerido pelo Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, nos termos a serem definidos em ato do Poder Executivo federal. § 2o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será definido pelo Índice de Eficiência Institucional, mensurado por meio de indicadores de desempenho e metas estabelecidos nos objetivos ou no planejamento estratégico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Ato do Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil será editado até 1o de março de 2017, o qual estabelecerá a forma de gestão do programa e a metodologia para a mensuração da produtividade global da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fixará o Índice de Eficiência Institucional. § 4o A base de cálculo do valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será Fl. 707DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 707 8 composta pelo valor total arrecadado pelas seguintes fontes integrantes do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975: I arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o art. 4o da Lei no 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5o do art. 29 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. § 5o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira a ser distribuído aos beneficiários do Programa corresponde à multiplicação da base de cálculo do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira pelo Índice de Eficiência Institucional. § 6o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira não poderá ultrapassar o valor da base de cálculo de que trata o § 4o. Em apertada síntese, foi alegado que, em decorrência do §4º do supracitado artigo prever que o bônus possui como base de cálculo, além do produto da alienação de bens objeto de pena de perdimento, o valor da arrecadação das multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e aquelas exigidas em virtude do descumprimento de obrigações acessórias, e considerando que o CARF é o órgão competente para o julgamento de recursos versando sobre as multas que servirão como base de cálculo para o bônus, os resultados dos seus julgamentos deveriam repercutir no valor a ser pago aos AuditoresFiscais e AnalistasTributários, o que caracterizaria interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, fato que, por sua vez, impediria os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional de atuarem no julgamento de recursos, nos termos do art. 42 do Anexo II do RICARF, ora colacionado: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 708 9 § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ocorre que tal dispositivo só tem aplicação para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, consoante o disposto no seu §1º. E, consoante a doutrina processual civil, as hipóteses de impedimento são objetivas, definidas a partir da presunção absoluta de parcialidade do julgador, de modo que se a hipótese não está prevista no diploma regulador do processo, não é possível constituíla a partir de uma interpretação extensiva da norma. De toda a sorte, há uma razão para a hipótese regimental não alcançar os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Essa diferença de tratamento reside nas conseqüências advindas da não observância ao próprio dispositivo. É que, para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, nos termos do art. 45, inciso I, do Anexo II do RICARF, configurado o impedimento, se o Conselheiro argüido assim não se reconhecer, fica caracterizada hipótese de descumprimento ao Regimento Interno, configurando hipótese de perda de mandato. No entanto, para os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, o descumprimento acarreta ato de improbidade administrativa, nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, punível com a demissão, nos termos do art. 132 da Lei nº 8.112, de 1990. Nesse sentido, o Presidente do CARF, no âmbito da atribuições de exarar atos administrativos complementares ao Regimento Interno, nos termos do art. 3º, incisos IV, XI e §2º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do RICARF, editou a Portaria CARF nº 1, de 2017, ora transcrita: O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos IV, XI e § 2º do art. 3º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face de questionamentos suscitados por Conselheiros Fl. 709DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 709 10 representantes da Fazenda Nacional diante do disposto no art. 5º da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2016, DECLARA: Art. 1º A hipótese de impedimento prevista no inciso II do art. 42 do Anexo II do RICARF aplicase exclusivamente aos conselheiros da representação dos contribuintes dada a especificidade de que trata o § 1º do mesmo dispositivo. § 1º O interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, ocorre nos casos em que o conselheiro da representação dos contribuintes, em relação ao interessado ou empresa do mesmo grupo econômico: I preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil; ou II perceba remuneração, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º Eventual enquadramento de conselheiro da representação da Fazenda Nacional nos casos de que trata este artigo tipificaria improbidade administrativa nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 02 de junho de 1992. Art. 2º Há impedimento do conselheiro da representação da Fazenda Nacional: I na hipótese em que tenha atuado como autoridade lançadora, ou praticado ato decisório monocrático, nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF; II quando o interesse for presumido pelo vínculo de parentesco ou de afinidade, nos termos do inciso III do mesmo artigo; e III na qualidade de relator, quando tiver atuado na condição de relator ou redator em decisão anterior. Art. 3º Esta Portaria será publicada no Boletim de Serviço do CARF. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Com efeito, o Regimento anterior ao atual, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo em que advogados podiam atuar como Conselheiros representantes dos Contribuintes, concomitantemente com a prática da advocacia, já dispunha: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; III como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV participado do julgamento em primeira instância. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 710 11 Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e II atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento. Ou seja, mesmo quando o Regimento não obrigava os representantes dos Contribuintes a se licenciar da Ordem dos Advogados do Brasil, o dispositivo já era direcionado aos Conselheiros representantes dos Contribuintes. Situação diferente ocorria em Regimentos anteriores, em que a redação do dispositivo que tratava do impedimento trazia em seu bojo, a título de parágrafo, uma complementação ao caput, usando a expressão “considerase também”. A título exemplificativo, transcrevese o que constava da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007: Art. 15. O conselheiro estará impedido de participar do julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III cônjuge, companheiro ou parentes, consangüíneos ou afins, até o terceiro grau, como parte, , ou como advogado da parte. § 1º Para os efeitos deste artigo, considerase também existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro: I percebe ou percebeu remuneração do recorrente, de advogado, de sociedade de advogados, de consultoria ou assessoria que lhe preste assistência jurídica e/ou contábil, em caráter eventual ou permanente, qualquer que seja a razão ou o título da percepção, no período que medeia o início da ação fiscal e a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; II figure como representante ou mandatário, legal ou convencional, em ação judicial que tenha por fundamento ou pedido, no todo ou em parte, a mesma matéria que seja objeto do recurso em julgamento. § 2º O conselheiro representante da Fazenda Nacional estará impedido de atuar como relator em recurso no Conselho de Contribuintes quando tiver atuado como relator em instância inferior. (Negritamos) É importante destacar, ainda, que ao Processo Administrativo Fiscal aplicase o Decreto nº 70.235, de 1972 e, somente em caráter subsidiário, a Lei nº 9.784, de 1999, cujo art. 69 traz disposição expressa nesse sentido: "Os processos administrativos específicos Fl. 711DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 711 12 continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." E o Decreto nº 70.235, de 1972, remete ao Regimento Interno do CARF, a disciplina do seu julgamento, nos termos do art. 37, verbis: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Todavia, ainda que se entenda ser possível interpretação diversa aquela conferida por meio da Portaria CARF nº1, de 2017, é oportuno esclarecer que o bônus de eficiência, tal como regulamentado por meio da Portaria RFB nº 31, de 18 de janeiro de 2017, ainda que precariamente, posto que será submetido ao Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, somente será devido se a Secretaria da Receita Federal do Brasil atingir as metas constantes do Anexo II. Para tanto, será necessário que os indicadores de 1 a 8, que não são atrelados à arrecadação, sejam positivos. Consoante a fórmula trazida no §2º do art. 2º, a arrecadação somente influenciará o fator de multiplicação F (Indicador 9), o qual, por sua vez, será multiplicado pela somatório de todos os demais indicadores, de onde se conclui que, se a soma não for positiva, ou, em outras palavras, se os demais indicadores de eficiência e produtividade não foram atingidos, o indicador representativo da arrecadação será multiplicado por “zero”, resultando, por conseguinte, em um bônus igual a zero. Entretanto, ainda que todos esses argumentos até então aduzidos estivessem superados, considerase oportuno registrar que, na condição de julgadora representante da Fazenda Nacional, entendo não estar impedida porque sempre me vi julgando de acordo com o melhor direito, pautado na imparcialidade que a própria condição de julgador me impõe. Nesse sentido, e com a devida vênia aos que aduziram o tal impedimento, entendo ser necessário colocar e analisar os cenários possíveis decorrentes da presente problemática. Pois bem, para levantamento desses cenários possíveis, devemos considerar que: (a) a multa lançada pode ser (i) indevida ou (ii) devida e (b) no julgamento, essa multa pode ser (i) mantida ou (ii) cancelada. Dessa forma, por análise combinatória, concluo que os cenários possíveis são: I. multa indevida mantida; II. multa indevida cancelada; III. multa devida mantida; e IV. multa devida cancelada. A seguir, analiso em separado cada um desses quatro possíveis cenários. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 712 13 O primeiro cenário, de multa indevida mantida, é justamente aquele que aparentemente tem apelo. Poderseia pensar que o conselheiro julgaria como devida uma multa indevida para aumentar a base de cálculo do bônus e, assim, aumentar sua parcela no bônus futuramente devido. Entretanto, esse pensamento é equivocado porque não considera dois pontos essenciais: a verdadeira natureza do julgamento administrativo, uma revisão de legalidade do lançamento, que é facultativa e sujeita à palavra final do Poder Judiciário; e que a base de cálculo do bônus de eficiência não é a multa mantida administrativamente, mas sim a multa efetivamente devida, aceita, conformada e recolhida. Na verdade, todo crédito tributário mantido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, antes de ser recolhido, pode ser questionado no Poder Judiciário, em ação própria ou em sede de embargos à execução. E o Poder Judiciário é que tem a palavra final, é ele quem diz se a multa era efetivamente devida ou indevida. A palavra do Poder Judiciário é superior ao julgamento administrativo, podendo reformálo e, inclusive, dentro das regras legais e regimentais, vincular todos os julgamentos administrativos futuros. Nesse caso, se o Poder Judiciário efetivamente decidir que uma multa mantida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal era indevida, não haverá qualquer possibilidade de seu valor influenciar a base de cálculo do bônus de eficiência. Ao contrário, essa situação ensejaria ônus da sucumbência. E o mais importante, esse diálogo com o Poder Judiciário sinaliza o critério a ser utilizado administrativamente em situações equivalentes. Portanto, como a multa administrativamente mantida e considerada indevida pelo Poder Judiciário não é a multa efetivamente recolhida, fica aqui afastada para esse primeiro cenário, a alegação de interesse indireto e, consequentemente, de impedimento do conselheiro fazendário. Passamos agora à análise do segundo cenário, de multa indevida cancelada. Ora, uma multa indevida e cancelada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, por óbvio não aumentaria a base de cálculo do Bônus de Produtividade, o que afasta também nesse cenário qualquer possibilidade de impedimento. O terceiro cenário, de multa devida mantida, é o que a sociedade espera da atuação do Estado, das autoridades tributárias e de todos os julgadores administrativos, sejam eles representantes da Fazenda Nacional, sejam eles representantes dos contribuintes: a aplicação correta da legislação. Todavia, nessa situação, para o caso de o sujeito passivo entender que a multa seria por acaso indevida, caberia a discussão junto ao Poder Judiciário, o que torna aqui aplicáveis todas as explicações já apresentadas para o primeiro cenário. Portanto, também não se pode alegar que, nesse cenário, falarseia de parcialidade e consequentemente de impedimento. Por fim, o quarto cenário, de multa devida cancelada, é o cenário que toda a sociedade quer evitar. Uma multa que pudesse ser considerada devida pelo Poder Judiciário, em face da legislação, e que fosse, entretanto, cancelada no âmbito administrativo caracteriza Fl. 713DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 713 14 crédito tributário teoricamente devido, porém definitivamente perdido, porque, nesse caso, a decisão administrativa (ainda que equivocada) é definitiva, por não ter a União legitimidade para recorrer ao Poder Judiciário contra decisão administrativa, salvo que seja provada máfé, por corrupção. Esse cenário, sim, é desencorajado pelo bônus de eficiência. Mas esse cenário é ilegal, além de não interessar à sociedade e, consequentemente, ao Estado, aos bons contribuintes ou até mesmo aos conselheiros. Na verdade, esse cenário somente interessaria ao sonegador e àqueles que viessem a lucrar com a sonegação perpetrada. Aliás, situações relacionadas a esse cenário foram apontadas pelo que se depreende do que foi publicado na imprensa ao longo dos anos de 2015 e 2016 na chamada operação "Zelotes". Ora, não se pode dizer que um mecanismo que inibe o erro e a corrupção venha a ser motivo de impedimento de atuação do conselheiro. Portanto, afastase aqui, para esse cenário, também, a possibilidade de impedimento. Enfim, para todos os cenários possíveis: a multa é devida ou indevida em face da legislação e não da vontade do conselheiro; e independentemente de sua vontade, nenhuma multa que o interessado considere indevida será recolhida sem que a ele seja assegurada a possibilidade de discussão junto ao Poder Judiciário. Pelo que se encontra exposto acima, resta claro que não há interesse do conselheiro, seja direto ou indireto, na multa por ele julgada. Confirmando a conclusão acima, cabe olhar mais uma vez para o passado e perquirir como aqueles que nos antecederam analisaram a situação sobre a qual agora nos debruçamos. Isso porque a presente situação é ontologicamente idêntica àquela que vigeu por mais de uma década nos Conselhos de Contribuintes, entre o início de 1989 e meados de 1999, quando a remuneração dos então AuditoresFiscais do Tesouro Nacional era composta pela RAV Remuneração Adicional Variável. A RAV, instituída pela Lei n° 7.711, de 1988, era calculada sobre o produto da arrecadação de multas em função da eficiência individual e plural da atividade fiscal. O valor dessa RAV foi limitado, inicialmente, ao valor do soldo do Almirante de Esquadra e, posteriormente, a 8 (oito) vezes o valor máximo do vencimento do AuditorFiscal e o valor da RAV devida aos conselheiros era o valor médio devido aos demais AuditoresFiscais. Ora, em tudo a RAV se assemelhava ao atual Bônus de Eficiência: a base era a mesma (produto de multas arrecadadas); o critério era o mesmo (eficiência da atividade fiscal); Fl. 714DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 714 15 os limites eram equivalentes, valores máximos de soldos ou vencimentos (atualmente o limite é o vencimento de Ministro do Supremo Tribunal Federal); e o Regimento Interno vigente à época tinha dispositivo de impedimento equivalente. Entretanto, durante todo o período da RAV, nunca foi sequer apontado um caso concreto de parcialidade por interesse direto ou indireto, nem discutido o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, em função dessa remuneração. No entendimento deste conselheiro, a inexistência desse questionamento se deve ao fato de os que nos antecederam terem feito a análise de cenários aqui apresentados e visualizado a inocorrência de interesse direto ou indireto dos conselheiros na multa em julgamento. Mais do que isso, não há registro, durante esse período, de aumento de multas indevidas mantidas administrativamente. Portanto, a história confirma a análise aqui realizada e corrobora a inexistência de qualquer interesse direto ou indireto do conselheiro fazendário na multa em julgamento. Aliás, se fosse possível inferir tal interesse, caberia arguir impedimento em qualquer julgamento acerca de exigências de crédito tributário promovido por funcionários públicos, quer em sede de processo administrativo ou judicial, vez que os tributos arrecadados são a principal fonte de recursos a assegurar a remuneração dos servidores públicos. Ainda, a título de reforço, cumpre fazer referência a outros tribunais administrativos que, em 22 Estados Membros da Federação, também remuneram seus agentes com base na eficiência da fiscalização e arrecadação tributárias, sem que isso implique impedimento para o julgamento administrativo dos lançamentos de ofício. Nesse sentido, convém trazer à tona o modelo do Estado de Pernambuco, onde se tem um Tribunal Administrativo autônomo, composto por julgadores concursados especificamente para tal fim, ou seja, sequer há paridade nos termos do CARF e, a despeito disso, não há diferença entre AuditorFiscal e Julgador, pois ambos os cargos recebem, entre outros valores, um bônus de 30% da arrecadação de multas (dividido por todos os auditores e julgadores, incluindo aposentadorias e pensões). Por esses motivos não me declaro impedida. 1.2 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL Tendo em vista que a interessada, em sede de Contrarrazões, afirma que o Recurso Especial da PFN não deve ser admitido por inobservância dos requisitos regimentais, inicio por apreciar a sua admissibilidade. O processo foi encaminhado à PGFN em 24/10/2011, segundafeira (despacho de encaminhamento à efl. 617). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 23/11/2011 (quartafeira). Em 25/11/2011 foi interposto o Recurso Especial, conforme despacho de encaminhamento à efl. 637. O recurso é, pois, tempestivo, à luz do prazo de 15 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 715 16 dias estabelecido pelo art. 68 do Anexo II do RICARF então vigente, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. A interessada afirma que a situação fática e a legislação de regência tratadas no primeiro acórdão indicado como paradigma Acórdão nº 180200.205 para a primeira matéria divergente possibilidade de exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, quando o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do anocalendário são distintas daquelas analisadas pelo acórdão recorrido. Vejamos, uma vez mais, o que constou da ementa do Acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. DECISÃO DA DRJ QUE EXTINGUIU A EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA EM RAZÃO DE COMPENSAÇÕES. Não cabe a aplicação de multa isolada sobre estimativas quitadas mediante compensação reconhecida em procedimento próprio, ainda que não declaradas em DCTF. Recurso de ofício conhecido e não provido. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA QUANDO O CONTRIBUINTE APURA SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NO FIM DO ANO CALENDÁRIO APÓS O AJUSTE. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa apura saldo negativo de IRPJ e CSLL em sua escrita fiscal ao final do exercício. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO As redações do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 e do artigo 161 do CTN permitem inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio, mas apenas o tributo. Sem previsão legal, não pode a multa de ofício ser corrigida pelos juros Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 Considerando que a CSLL foi cobrada pela fiscalização sob os mesmos fundamentos, os fundamentos trazidos quanto ao IRPJ são aplicados à CSLL. Já, o paradigma questionado Acórdão nº 180200.205, veiculou a seguinte ementa: Acórdão nº 180200.205 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 716DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 716 17 Anocalendário: 2002 [...] MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Cotejando ambos os julgados, vejo que o paradigma tratou de auto de infração lavrado para exigência de IRPJ em virtude de o sujeito passivo ter declarado, em DCTF, valores de estimativas de IRPJ menores do que aqueles informados na DIPJ, ocasionando recolhimento a menor de estimativas de IRPJ, assim como falta de recolhimento de IRPJ devido ao final do período de apuração. Foi exigida a multa isolada pelo recolhimento a menor das estimativas, IRPJ devido sobre o ajuste e multa de ofício pela falta de recolhimento do IRPJ devido ao final do período, acrescidos de juros. No Recurso Voluntário, o sujeito passivo admitiu os erros mas solicitou a compensação de prejuízos fiscais, além de alegar a impossibilidade de cumulação de multa isolada e de multa de ofício, por serem calculadas sobre uma mesma base. No voto vencido, o relator consignou que o contribuinte não logrou comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DIPJ que não apresentou os prejuízos fiscais compensáveis, mas que, no caso, não seria cabível a penalidade isolada por esta ter a mesma base de cálculo da multa de ofício exigida sobre o tributo devido ao final do período. Entretanto, o voto vencedor assentou que, com a nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488/07, a penalidade isolada e a de ofício passaram a ser distintas, e que o novo dispositivo prevê que a penalidade isolada seja aplicada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ao final do período de apuração. Portanto, as situações fáticas apreciadas pelo referido paradigma e pelo recorrido são muito semelhantes, assim como a legislação tributária interpretada é a mesma. Ademais, ainda que o primeiro paradigma não demonstrasse a divergência, esta restou comprovada no cotejo entre o recorrido e o segundo paradigma, razão pela qual a matéria divergente deve ser apreciada no mérito. Discordo da interessada quanto ao segundo argumento para não conhecimento do Recurso Especial. A recorrente apontou suficientemente no REsp, os trechos dos votos proferidos nos acórdãos indicados como paradigmas que divergem do voto proferido no acórdão recorrido. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PFN. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 717 18 É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida venia ao voto da Ilustre Conselheira Relatora, por quem tenho enorme admiração, divirjo quanto ao conhecimento do recurso especial. O presente processo originouse pela lavratura de autos de infração nos quais efetuouse a "glosa das deduções a título de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa" (trecho do auto de infração) e das estimativas de CSLL, quanto ao anocalendário de 2002. Ademais, foi imposta multa isolada sobre estimativas dos meses de janeiro, maio, junho, julho e novembro de 2002 relativamente ao IRPJ e quanto aos meses de janeiro, maio, junho e novembro de 2002 relativamente à CSLL (fls. 236/249). O Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descreve as infrações da forma seguinte (fls. 232/235): ANOCALENDÁRIO DE 12002 CSLL E IRPJ 1) CSLL Estimativa (...) foram informadas compensações dos valores a recolher de CSLL Estimativa; restaram diferenças entre valores informados em DIPJ e DCTF; essas diferenças não foram recolhidas, nem há informação em DCTF de que foram compensadas, conforme segue. (...) Haverá cobrança de multa isolada sobre esses valores. (...) Enquadramento Legal: Art. 44, §1°, inciso IV, da Lei no 9.430/96. (...) 2) IRPJ Estimativa foram informadas compensações dos valores a recolher de IRPJ Estimativa; Fl. 718DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 718 19 restaram diferenças entre valores informados em DIPJ e DCTF; essas diferenças não foram recolhidas, nem há informação em DCTF de que foram compensadas, conforme segue. (...) Haverá cobrança de multa isolada sobre esses valores. (...) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou a impugnação procedente em parte (fls. 471/481). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ Anocalendário: 2002 IRPJ E CSLL. AJUSTE DO PERÍODO. Não cabe o lançamento de IRPJ e CSLL no ajuste do período decorrente de dedução indevida de estimativas se o montante das estimativas não pagas for inferior ao saldo negativo apurado na DIPJ. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA VALORES INFORMADOS NA DIPJ NÃO PAGOS E NEM DECLARADOS EM DCTF. TRIBUTAÇÃO. Sobre as estimativas informadas na DIPJ que não foram quitadas nem declarados em DCTF, cabe a aplicação da multa isolada, reduzida para 50%, todavia, em virtude da edição da Lei n° 11.488/2007. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO DECLARADAS EM DCTF. Não cabe a aplicação de multa isolada sobre estimativas quitadas mediante compensação reconhecida em procedimento próprio, ainda que não declaradas em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Fl. 719DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 719 20 Destaco trecho do acórdão tratando dos créditos exonerados pela DRJ, isto é, todas as estimativas mensais de IRPJ e CSLL e as multas correspondentes às estimativas de janeiro, maio, junho e julho de 2002 quanto ao IRPJ: 15. A alegada compensação das estimativas de IRPJ apuradas já foi objeto de análise de DCOMP pela autoridade administrativa da RFI3, nos autos do processo n° 10880.939.473/200931, em que foi proferida decisão a respeito da composição do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, compensado por meio do PER/DCOMP nº 24920.98467.281208.1.7.023020. 16. Na aludida Dcomp, foi confirmada a compensação de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 com a integralidade das estimativas de janeiro, maio, junho e julho de 2002, mas não foi confirmada, contudo, a compensação da estimativa relativa a novembro de 2002 (lis. 465/467), no valor de R$ 717.423,72, que á superior à base da multa isolada aplicada no presente lançamento de IRPJ para o mês em questão, de R$ 165.828,44 (11. 234). 17. Tendo em vista a confirmação da compensação das estimativas de IRPJ relativas a janeiro, maio, junho e julho de 2002, há que se considerar tais obrigações devidamente cumpridas, não sendo aplicável a multa isolada sobre tais estimativas, tampouco o lançamento de tributo apurado no ajuste decorrente de seu suposto inadimplemento. 18. Assim, relativamente As estimativas do anocalendário de 2002, mostrase devida a multa isolada calculada sobre a diferença da estimativa de nov/12 entre DIPJ 2003 e DCTF, de R$ 165.828,44. (...) 26. Com efeito, embora tenha a contribuinte apurado bases positivas de IRPJ c de CSLL no anocalendário de 2003, em virtude das deduções legais utilizadas, de Imposto de Renda Retido na Fonte e estimativas quitadas, remanesceramlhe créditos de tributos em montantes superiores As estimativas não recolhidas. 27. Ou seja, ainda que a contribuinte não tivesse descontado as estimativas não pagas tal como detectadas pela fiscalização, do IR c da CSLL a pagar no final do AC 2002, não teria apurado tributos a pagar. A conseqüência seria apenas a apuração de saldos negativos de IRPJ c de CSLL em valores inferiores ao apurados na DIPJ 2003. 28. Na hipótese ora enfrentada, a circunstância de os saldos negativos apurados no ajuste do período serem superiores As estimativas não recolhidas ou declaradas a figurase suficiente para afastar a exigência de IRPJ e CSLL a pagar ao final do período de 2002, sendo desnecessária a discussão acerca da possibilidade de se exigir multa isolada além da multa incidente Fl. 720DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 720 21 sobre o tributo devido ao final do período em função do não pagamento das estimativas. Nesse contexto, foi proferido o acórdão recorrido, que negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. DECISÃO DA DRJ QUE EXTINGUIU A EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA EM RAZÃO DE COMPENSAÇÕES. Não cabe a aplicação de multa isolada sobre estimativas quitadas mediante compensação reconhecida em procedimento próprio, ainda que não declaradas em DCTF. Recurso de ofício conhecido e não provido. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA QUANDO O CONTRIBUINTE APURA SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NO FIM DO ANO CALENDÁRIO APÓS O AJUSTE. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa apura saldo negativo de IRPJ e CSLL em sua escrita fiscal ao final do exercício. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO As redações do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 e do artigo 161 do CTN permitem inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio, mas apenas o tributo. Sem previsão legal, não pode a multa de ofício ser corrigida pelos juros Selic. Destaco trechos do voto do relator, Conselheiro Rafael Correia Fuso, tratando de ambos os recursos: Quanto ao Recurso de Ofício, entendo que a decisão da DRJ não merece reparos. (...) Nestes termos, constatase que a decisão da DRJ deve ser mantida quanto à impossibilidade da cobrança do IRPJ e da CSLL quanto aos meses de janeiro, maio, junho e julho de 2002, visto que o valor devido de tributos referentes ao valor não recolhido nos referidos meses que deixaram de ser pagos após o ajuste, na verdade, foram devidamente recolhidos com as compensações realizadas pelo contribuinte, utilizandose do saldo negativo do IRPJ de 2001. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 721 22 Com isso, se as compensações foram devidamente homologados, houve a extinção do crédito tributário pela compensação, não podendo se falar em ausência de recolhimento de IRPJ e CSLL dos meses de janeiro, maio, junho e julho de 2002. Quanto ao Recurso Voluntário, a despeito do Recorrente ter solicitado o sobrestamento desse processo até que seja definitivamente julgado o processo n° 10880.939473/200931, entendo pela impossibilidade de acolher tal pleito por ausência de previsão legal. (...) Primeiramente, cumpre destacar que artigo 44 da Lei n° 9.430/96 descreve que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade essa que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Em relação à exigência do IRPJ e da CSLL de novembro de 2002, entendo que tais exigência não se sustentam pelo fato de que não pagar a estimativa quando se apura saldo negativo ou prejuízo fiscal é hipótese, no meu entender, de não aplicação da multa isolada. Não vislumbro razoabilidade, proporcionalidade e coerência em exigir o pagamento de multa isolada de um contribuinte que teve no final do ano calendário, após o ajuste, saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Seria o mesmo que impor uma penalidade em razão de uma obrigação de recolhimento, que de fato não seria necessária, visto que o devedor, na verdade, seria credor do fisco, pois apurou saldo negativo de tributos no fim do anocalendário. (...) No caso em questão, a ausência de recolhimento do IRPJ e da CSLL nos meses de 01/2002, 05/2002, 06/2002, 07/2002 e 11/2002, não trouxe nenhum prejuízo ao fisco federal, muito menos resultou em ausência de pagamento dos tributos, considerando o fato de que tais recolhimentos mensais, seja por um percentual da receita bruta, seja pela sistemática de balancete mensal, são antecipações. Os temas em debate no acórdão recorrido, portanto, foram (a) a impossibilidade de exigência de estimativas e respectivas multas diante da comprovação de compensação (IRPJ, quanto aos meses de janeiro, maio, junho e julho de 2002); (b) impossibilidade de suspensão do processo por falta de previsão legal; e (c) impossibilidade de exigência de multas quanto às estimativas mensais, na hipótese de apuração de saldo negativo ou prejuízo fiscal. A Recorrente apresenta 2 (dois) acórdãos paradigmas, quais sejam, 1802 00205 e 10806571. Trago à colação trecho do voto do relator do primeiro paradigma (1802 00205) descrevendo os fatos em discussão: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 722 23 O recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. De plano, importante ressaltar que o ora Recorrente reconhece a existência de divergências entre os valores declarados na DIPJ e DCTF com os valores efetivamente recolhidos. A controvérsia reside na possibilidade ou não da compensação de prejuízos fiscais supostamente existentes. A DRJ, em sua decisão, considerou a inexistência de provas hábeis a comprovar a existência de prejuízo a ser compensado, utilizando como base para cálculo do imposto devido o próprio valor de lucro real declarado na DIPJ, qual seja R$ 135.169,39. Considerando tal valor e os efetivamente recolhidos por estimativa mensal, terseia o valor de imposto devido R$ 46.384,61. Insurgese a ora Recorrente sob o argumento da possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais, apesar da existência de erro de fato no preenchimento. Ocorre, porém, que não há nos autos qualquer prova hábil a demonstrar a existência de prejuízos a serem compensados. Analisando os autos, verificase que não foram juntadas as declarações dos anos anteriores, de forma a demonstrar inequivocamente a existência concreta de prejuízos a serem compensados. Ademais, apenas em sede recursal junta cópia do LALUR que, em seu sentir, seria suficiente a dar suporte às suas alegações. Na verdade, em que pese sua veemente argumentação, a contribuinte não apresentou, ao longo de todo o trâmite do presente processo administrativo, qualquer elemento que justificasse contabilmente o suposto erro cometido e os lançamentos realizados no LALUR. O relator deste paradigma foi vencido, por entender pelo afastamento da multa sobre estimativas, para dar provimento parcial ao recurso voluntário. De toda sorte, deixou clara a situação dos autos em seu voto, isto é, " não há nos autos qualquer prova hábil a demonstrar a existência de prejuízos a serem compensados " O voto vencedor, de lavra do exConselheiro Leonardo Lobo de Almeida, no entanto, decidiu que: Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Notase que, a despeito do tratamento da mesma norma (que rege a imposição de multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas), o primeiro acórdão paradigma (nº 180200205) tem situação completamente distinta da tratada pelo acórdão Fl. 723DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 723 24 recorrido. Isto porque analisa recurso voluntário da contribuinte não acolhido inclusive porque "não há nos autos qualquer prova hábil a demonstrar a existência de prejuízos a serem compensados." Diante disso, não há similitude fática do primeiro acórdão paradigma (nº 180200205) com o caso dos autos, pois o acórdão recorrido afasta a exigência das estimativas mensais diante do efetivo prejuízo, como também pela existência de compensações devidamente homologadas (IRPJ nos meses de janeiro, maio, junho e julho de 2002), enquanto o acórdão paradigma menciona a falta de prova de "prejuízos a serem compensados." O segundo acórdão paradigma mencionado em razões de recurso especial (nº 10806.571) trata da seguinte situação de fato, conforme voto do relator: Os primeiros argumentos do contribuinte recorrente giram em tomo de que o fisco não teria prejuízo, com a falta de recolhimentos por estimativa e pelo atraso na entrega da DCTF, uma vez que os tributos (IRPJ e CSL) não seriam devidos e que a regularização da declaração sanou qualquer vício. (...) Não se pode admitir a alegação de que estarseia exigindo do contribuinte tributo indevidamente; ora, poderia a empresa ter levantado balancetes ou balanços de suspensão para interrupção dos recolhimentos por estimativa, sem qualquer penalidade (Lei 8981/95): (...) Por outro lado, não se pode falar em denúncia espontânea, que está assim prevista no CTN: (...) Como se vê, a denúncia espontânea pressupõe o cumprimento da obrigação que permaneceu em aberto no momento próprio, o que não ocorreu neste caso; seria denúncia espontânea se o contribuinte tivesse efetuado os recolhimentos de estimativa acrescidos de juros, em cumprimento à parte final do caput acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Como o contribuinte não recolheu, ainda que intempestivamente, os valores a título de estimativa, é inadmissível o tratamento de denúncia espontânea. A entrega da Declaração de Imposto de Renda representa outra obrigação, acessória, qual seja de prestar informações contábeis dá pessoa jurídica; isso é diferente de recolher tributo ORN e CSL).) Quanto à alegação de que a penalidade possui característica punitiva, é absolutamente verdadeira; seu objetivo é punir o contribuinte inadimplente. Contudo, isso não macula de inconstitucionalidade a norma que institui a exigência ou o ato que a cumpre. Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no Fl. 724DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 724 25 sistema jurídico de modo válido. O fato tratado por este acórdão, portanto, é de mera falta de pagamento de estimativa mensal, pleiteando a contribuinte a aplicação do artigo 138, do Código Tributário Nacional, para reconhecimento de suposta denúncia espontânea. Assim, concluo pela falta de divergência na interpretação da lei federal com relação ao segundo paradigma (nº 10806.571) Por tais razões, não conheço do recurso especial da Procuradoria, com fundamento no artigo 67, §1º e § 8º, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015) e no artigo 67, §6º, do RICARF anterior (Portaria MF nº . Acrescento que o recurso especial não merece conhecimento, ainda, diante da falta de demonstração analítica da divergência, como exigido pelo Regimento Interno do CARF. À ocasião da interposição do recurso especial (25/11/2011), vigia o RICARF anterior (Portaria MF nº 256/2009), exigindo a demonstração analítica da divergência, conforme sei artigo 67, §6º: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Em sentido similar, prevê o atual Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. O recurso especial da Procuradoria deveria tratar da demonstração analítica da divergência, mesmo que o fizesse de forma sintética, confrontando os principais pontos do acórdão recorrido e paradigmas. No caso dos autos, não se verifica esta demonstração em razões do recurso especial. Pondero que em respeito à verdade material e ao formalismo moderado, são usualmente admitidos recursos que não cumpram rigorosamente a exigência de demonstração analítica dos pontos de divergência. De toda forma, exigese a demonstração da divergência pela recorrente em suas razões, mesmo que tal divergência seja demonstrada de forma resumida. Afinal, não cabe aos julgadores inferir qual seria a distinção entre os acórdãos Fl. 725DF CARF MF Processo nº 19515.003120/200691 Acórdão n.º 9101002.537 CSRFT1 Fl. 725 26 recorrido e paradigma, sendo imprescindível a demonstração da divergência pela parte recorrente . Por oportuno, esclareço que o voto majoritário da Turma entendeu preenchido o requisito da demonstração analítica da divergência, embora tenha a Turma entendido pelo não conhecimento do recurso diante da falta de similitude e divergência na interpretação da lei tributária entre os acórdãos paradigmas e recorrido. Ressalvo meu entendimento pessoal pelo não conhecimento por ambas as causas acima referidas. Por tais razões, não conheço do recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 726DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.720839/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/11/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.386
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/11/2008 REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 08 39 /2 01 1- 66 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.720839/201166 Acórdão n.º 3401003.386 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 25/11/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08032.697. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (25/11/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10711.720839/201166 Acórdão n.º 3401003.386 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.720839/201166 Acórdão n.º 3401003.386 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10711.720839/201166 Acórdão n.º 3401003.386 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002073/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
FASE PRÉ-OPERACIONAL RECEITAS FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO. IRPJ.
As receitas financeiras geradas por empreendimentos em fase pré-operacional são registradas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas, havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas, e só depois disso, se remanescer crédito, o respectivo valor deve ser oferecido à tributação do IRPJ.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 FASE PRÉ-OPERACIONAL RECEITAS FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO. IRPJ. As receitas financeiras geradas por empreendimentos em fase pré-operacional são registradas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas, havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas, e só depois disso, se remanescer crédito, o respectivo valor deve ser oferecido à tributação do IRPJ. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.460 1 1.459 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002073/200730 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.204 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente NOVA TRANSPORTADORA DO NORDESTE S/A NTN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 FASE PRÉOPERACIONAL RECEITAS FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO. IRPJ. As receitas financeiras geradas por empreendimentos em fase préoperacional são registradas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas, havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré operacionais diferidas, e só depois disso, se remanescer crédito, o respectivo valor deve ser oferecido à tributação do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 73 /2 00 7- 30 Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.461 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.462 3 Relatório Tratase de recurso interposto por NOVA TRANSPORTADORA DO NORDESTE S/A NTN, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 52.334 (fls. 645 a 676) da 3ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que negou provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário constituído contra a recorrente. A infração colhida no lançamento foi a omissão de receitas financeiras, caracterizada pela falta de informação nas DIPJs de 2004/2003 e 2005/2004 de ganhos auferidos em aplicações financeiras e de variações cambiais ativas. A autuada impugnou o lançamento, alegando que, em 2003 e 2004, se encontrava ainda em fase préoperacional e que, nos respectivos períodos, as receitas financeiras foram suplantadas pelas despesas financeiras, as quais foram ignoradas integralmente pela Fiscalização. A 3ª Turma da DRJ RJ1, no Acórdão nº 24.755 (fls. 580 a 593), negou provimento à impugnação, fundada na falta de comprovação da existência e da dedutibilidade das despesas financeiras. Por força de recurso voluntário, os autos vieram ao CARF, que no Acórdão nº 1302000.475 (fl. 580 a 593), da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, anulou a decisão da DRJ RJ1, ao argumento de que o órgão julgador de primeira instância teria deixado de apreciar argumentos que eram o "eixo central da defesa", e assim teria provocado "supressão de instância" e, em consequência, violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Entendeu a 2ª Turma Ordinária que, em situações como essa, o órgão julgador de segunda instância pode, independentemente de provocação pelo recorrente, anular o ato administrativo. Assim foi feito. E, de ofício, o CARF anulou a decisão da DRJ, determinando que uma nova fosse proferida. A DRJ RJ1 proferiu nova decisão, na qual, mais uma vez, negou provimento à impugnação. A decisão foi materializada no Acórdão nº 52.334 (fls. 645 a 678), cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. As alegações desprovidas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO. Indeferese o pedido para a realização de perícia, formulado sem a observância dos requisitos estabelecidos na lei de Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.463 4 regência, ainda mais quando concernente a provas que a lei determina sejam apresentadas com a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003. 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Mantémse o lançamento se não elidida a imputação de que as receitas auferidas não foram oferecidas à tributação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003. 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Inexistindo matéria específica, de fato ou de direito a ser examinada, aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamentomatriz em face da relação de causa e efeito entre ambos. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso (fls. 689 a 707), no qual, preliminarmente arguiu a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, já que a DRJ ignorou o princípio da busca da verdade material, ao indeferir a prova que visava demonstrar as despesas financeiras. No mérito, afirmou que foram observadas as normas contábeis. O agente fiscal é que não teria atentado para a circunstância de que a recorrente, à época dos fatos, se achava em fase préoperacional. Disse que o registro contábil das receitas financeiras atendeu o princípio do confronto de despesas e receitas, nos respectivos períodos, em observância ao regime de competência. No entanto, a aplicação do regime de competência, no presente caso, se processa de forma específica, tendo em vista tratarse de receitas e despesas pertinentes ao período préoperacional. De acordo com orientações emanadas das autoridades fiscais, o contribuinte que se achasse em fase préoperacional teria de oferecer à tributação o resultado positivo do confronto entre receitas financeiras e despesas de mesma natureza. No caso da recorrente, entretanto, as despesas financeiras teriam superado as receitas, nada remanescendo que fosse passível de tributação. Assim, contesta ter havido omissão de receitas, porquanto os valores que serviram de base à autuação foram extraídos das fichas das DIPJs, destinadas à apuração do PIS e da Cofins. Afirmou, por outro lado, que a DRJ desconsiderou as despesas financeiras, sob o argumento de que não haviam sido comprovados nem a existência, nem os requisitos de dedutibilidade para fins de inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aduziu que as despesas financeiras do período objeto da autuação compõemse basicamente de juros e Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.464 5 comissões decorrentes de empréstimos e financiamentos firmados com diversas instituições financeiras. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência do lançamento; e, subsidiariamente, caso essa pretensão não seja acolhida, que se determine a realização de diligência ou perícia. Vindo os autos a julgamento, esta 1ª Turma Ordinária decidiu, conforme Resolução nº 1301000.213 (fls. 825 a 831), pela realização de diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) informar se o Imposto de Renda incidente na fonte sobre as receitas financeiras submetidas à tributação pela autoridade fiscal foi considerado na apuração do valor devido; b) confirmar se a recorrente, nos anos de 2003 e 2004, se encontrava em fase préoperacional; c) apurar, com base nos assentamentos contábeis, o resultado financeiro líquido, nos anos de 2003 e 2004; e d) informar se a totalidade do resultado referido no item anterior derivou de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento que, à época dos fatos, se encontrava em andamento, devendo ser feita a segregação, em caso negativo. A diligência foi realizada e as conclusões da autoridade fiscal se encontram na Informação Fiscal de fls. 1.451 a 1.453. Estas são as respostas às indagações feitas no pedido de diligência: a) o Imposto de Renda retido na fonte, relativo aos anos de 2003 e 2004, não foi considerado na apuração do valor devido; b) dos documentos contábeis e das DIPJs apresentadas, dos anos de 2003 e 2004, não há referência a receitas operacionais, assim com base nesses e em outros documentos apresentados, concluiu a autoridade fiscal que a contribuinte se encontrava em fase pré operacional; c) a contribuinte apresentou demonstrativos de apuração do resultado financeiro líquido dos anos de 2003 e 2004 compatíveis com os informados nos documentos contábeis apresentados; d) a contribuinte informou que todos os componentes do resultado financeiro de 2003 e 2004 estão ligados aos ativos utilizados no empreendimento da empresa, não havendo nos documentos apresentados indícios em contrário. Com essas informações, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.465 6 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de recorribilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Omissão de receitas O ilícito tributário descrito no auto de infração (fls. 230 a 243) e no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 227 e 229) é a omissão de receitas financeiras, compreendendo ganhos em aplicações financeiras e variações cambiais ativas. Tanto o termo de constatação, quanto o auto de infração se referem à omissão de receita, sem fazer qualquer menção às despesas financeiras ou à fase préoperacional em que se encontrava a recorrente ao tempo dos fatos, ou seja, nos anos de 2003 e 2004. Entretanto, como ficou demonstrado no relatório de diligência (fls. 1.451 a 1.453), a recorrente se encontrava em fase préoperacional, e essa circunstância interfere não apenas no delineamento do fato gerador, como também no valor do tributo devido. Afeta o an debeatur e o quantum debeatur. Segundo as regras contábeis vigentes ao tempo dos fatos colhidos no lançamento, os eventuais resultados auferidos, na fase préoperacional, eram utilizados para reduzir o ativo diferido, formado por aplicações de recursos em despesas que iriam contribuir para a formação do resultado de mais de um exercício social, conforme dispunha à época o inciso V, do art. 179, da Lei nº 6.404/1976, na redação anterior à Lei nº 11.638/2007. Depois de absorver o ativo diferido, se remanescesse algum saldo credor, este comporia o lucro do período. O Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, à luz das normas legais e dos princípios contábeis, orientava no mesmo sentido: Não só a correção monetária dessa fase faz parte do Ativo Diferido, como também qualquer resultado eventual obtido com uso de ativos, sendo utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento. Por exemplo, se a empresa aplica seus recursos financeiros ainda não utilizados e obtém receitas financeiras (ou de variações monetárias), deve considerar essas receitas como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio Diferido; se suplantálas, deve deduzilas das outras despesas préoperacionais. De qualquer forma, tais receitas devem estar em conta específica à parte, classificada como redução das despesas préoperacionais. (...) É importante lembrar novamente que, quando se fala em préoperação, pode se ter o caso de a empresa inteira ou de apenas uma parte sua estar nessa condição. Se houver a montagem de uma nova fábrica, tratase de tudo o que for a ela relativo (despesas, encargos financeiros etc.) da mesma forma. (Sérgio de Iudícibus e outros. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.466 7 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 3ª ed. São Paulo: Atlas. 1990, pp. 313 e 314) Importante que se diga que a apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tem como ponto de partida o lucro líquido do período, ou seja, o resultado apurado com observância das disposições das leis comerciais, conforme dispõe o § 1º, do art. 37, da Lei nº 8.981/1995. Partindo, pois, do lucro líquido (lucro contábil), a legislação tributária impõe a realização de ajustes, determinando que sejam adicionados alguns valores e excluídos outros, conforme critérios que atendem estritamente a interesses de ordem fiscal e tributária. Daí se conclui que, na fase préoperacional, pelas regras e princípios da contabilidade, as receitas financeiras, que tenham origem em recursos destinados ao empreendido em préoperação, devem ser contabilizadas como dedução de despesas financeiras préoperacionais e, se remanescer crédito, deve este deduzir as demais despesas diferidas. Portanto, para que, na apuração do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, o procedimento se distanciasse desse padrão estabelecido pela lei comercial e pelos princípios contábeis, haveria de existir previsão expressa em lei para que se realizassem ajustes por adição. No silêncio da lei tributária, prevalece a apuração do lucro segundo as regras da contabilidade. A Receita Federal já se posicionou sobre o assunto na Solução de Divergência Cosit nº 32/2008, em cuja ementa se lê: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. O Fisco, como se percebe, abraçou o entendimento segundo o qual não se pode fazer incidir IRPJ e CSLL sobre receita financeira préoperacional, sem antes deduzilas das despesas financeiras préoperacionais e, posteriormente, das despesas diferidas. Esse mesmo entendimento é amplamente majoritário na Primeira Seção de Julgamento do CARF, inclusive com manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9101001.052. Por essas razões se pode concluir indevida a incidência de IRPJ e CSLL diretamente sobre as receitas financeiras préoperacionais, sem a dedução das despesas de mesma natureza, como se a receita, em si mesma, fosse a própria expressão do lucro tributável. Despesas financeiras O lançamento contra o qual a recorrente se insurge não considerou, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, as despesas financeiras préoperacionais. Por sua vez, o voto que conduziu a decisão de primeira instância deu destaque ao fato de que a contribuinte, na impugnação, deixou de apresentar as provas da existência e da dedutibilidade de tais despesas. Eis o que disse a DRJ: Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.467 8 45 O ônus da prova da despesa, quer seja esta préoperacional ou operacional, quer de apuração isolada ou conjunta, deve ser suportado por quem alega que nela incorreu, ainda mais sequer informadas em DIPJ. 46 As despesas dedutíveis, além de escrituradas, devem estar lastreadas em documentos hábeis, que a mera juntada de balancetes não supre. 47 Todavia, os balancetes trazidos pelo interessado não foram instruídos com as provas dos fatos contábeis que veiculam, além de não conterem assinatura (do responsável e/ou contabilista) nem prova de transcrição no Livro Diário e no LALUR, como determina a legislação de regência. (g.n.) O órgão julgador de primeira instância, como se vê, enfatizou a falta de comprovação das despesas financeiras. Não parece, todavia, ter sido esse o motivo que levou a Fiscalização a desconsiderar aquelas despesas. A leitura do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, bem como a leitura da descrição contida no corpo do auto de infração mostram que, em nenhum momento, a autoridade lançadora mencionou a falta de prova da existência ou das condições de dedutibilidade das despesas financeiras. Ademais, ao longo do procedimento de fiscalização, nenhuma intimação específica visando à comprovação das despesas financeiras foi feita, muito embora a contribuinte tenha afirmado expressamente que, no ano de 2004, o "resultado financeiro obtido no período foi despesas" (fl. 134). No Termo de Início de Fiscalização (fl. 132), solicitouse à fiscalizada, ora recorrente, que apresentasse a composição, com cópia do livro Razão, do valor de R$ 30.183.744,83, informado na linha 45 da Ficha 45A da DIPJ do ano base 2004, como despesas préoperacionais, subgrupo ativo diferido. Não há notícia nos autos de que a contribuinte tenha deixado de atender a essa intimação, nem de que as despesas préoperacionais restaram incomprovadas. A propósito das despesas préoperacionais, contabilizadas no ativo diferido, constatase, ao examinar a DIPJ do ano base 2004, que o saldo final dessas despesas em 2003 era de R$ 8.494.001,13 e em 2004, R$ 30.183.744,83 (fls. 125 e 1.358). Esses montantes de despesas préoperacionais, contabilizados no ativo diferido em 2003 e 2004, já seriam suficientes, por si sós, para absorver toda a receita financeira préoperacional de 2003 e 2004, respectivamente R$ 4.305.643,39 e R$ 2.139.337,83, com o que não restaria crédito tributário a ser exigido por meio de auto de infração, uma vez que as receitas financeiras préoperacionais são suscetíveis de tributação apenas depois de absorver toda a despesa financeira préoperacional e, depois disso, a despesa diferida. Sublinhese, por fim, que a falta de comprovação das despesas financeiras e dos requisitos para dedutibilidade não chegou a se constituir em preocupação para a autoridade fiscal, que em nenhum momento cogitou desse fato. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 18471.002073/200730 Acórdão n.º 1301002.204 S1C3T1 Fl. 1.468 9 No mais, não se glosam despesas por falta de comprovação, sem antes intimar o sujeito passivo a demonstrar a veracidade dos números por ele informados na declaração. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento, considerando insubsistente a totalidade do crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Fl. 1468DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.908439/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 39 /2 01 1- 19 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/01/2010 a 31/03/2010. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.018, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908439/201119 Acórdão n.º 3401003.361 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.910492/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.667
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 92 /2 01 2- 93 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.910492/201293 Acórdão n.º 3302003.667 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.546. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.910492/201293 Acórdão n.º 3302003.667 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910492/201293 Acórdão n.º 3302003.667 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004427/2007-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002, 2003, 2004
FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL.
Não há interesse processual, porque nos presentes autos já foi declarada a invalidade/nulidade do lançamento em relação à recorrente (que é a pessoa jurídica extinta). Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser dado provimento a recurso especial que, sendo provido, não ensejará qualquer proveito ao recorrente.
Numero da decisão: 9101-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, nos termos do voto relator, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. Não há interesse processual, porque nos presentes autos já foi declarada a invalidade/nulidade do lançamento em relação à recorrente (que é a pessoa jurídica extinta). Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser dado provimento a recurso especial que, sendo provido, não ensejará qualquer proveito ao recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, nos termos do voto relator, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 27 /2 00 7- 90 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 3 2 Adriana Gomes Rêgo – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao não conhecimento de seu recurso voluntário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1302001.395, de 07/05/2014, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do recurso voluntário da contribuinte acima identificada. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO EM NOME DE PESSOA JURÍDICA JÁ EXTINTA. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS IDENTIFICADOS E CIENTIFICADOS NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento feito em nome de pessoa jurídica já então extinta por liquidação voluntária, se as pessoas físicas relacionadas pelo Fisco como responsáveis tributários foram identificadas nos autos de infração e nos Termos de Responsabilidade lavrados, e receberam intimação, por seu procurador, para pagar ou impugnar. Embora o lançamento não subsista no que toca à pessoa jurídica extinta, persiste quanto aos responsáveis tributários, a quem incumbiria, se assim entendessem, impugnar em nome próprio o lançamento em todos os seus aspectos. IMPUGNAÇÃO EM NOME DE PESSOA JURÍDICA EXTINTA. PROCURAÇÃO OUTORGADA POR PESSOA JURÍDICA JÁ EXTINTA. NULIDADE DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO QUE DELA CONHECEU. É nulo o acórdão de primeira instância que considerou instaurado o litígio ao conhecer de peça impugnatória apresentada em nome de pessoa jurídica há muito extinta por liquidação voluntária, subscrita por advogados que dela teriam recebido poderes mediante instrumento de procuração lavrado posteriormente à extinção. RECURSO VOLUNTÁRIO EM NOME DE PESSOA JURÍDICA EXTINTA. PROCURAÇÃO OUTORGADA POR PESSOA JURÍDICA JÁ EXTINTA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 4 3 Recurso voluntário apresentado em nome de pessoa jurídica há muito extinta por liquidação voluntária, subscrito por advogados que dela teriam recebido poderes mediante instrumento de procuração lavrado posteriormente à extinção é ato nulo, e não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. No recurso especial, a contribuinte alega que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente ao não conhecimento de seu recurso voluntário. Para o processamento do recurso especial, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o AI ora combatido foi lavrado em face da Recorrente, sociedade extinta, que se dedicava às atividades constantes do seu objeto social, conforme comprovam os inclusos documentos societários, por suposta falta de recolhimento de IRPJ, IRRF, CSLL, COFINS e PIS, em virtude de suposta movimentação financeira no exterior à revelia do sistema financeiro, nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003; além de apregoar a caracterização de omissão de receitas, concluiu, a D. Fiscalização, que as operações foram realizadas com intuito de fraude, razão pela qual aplicou a multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96; a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação, demonstrando os motivos de fato e de direito pelos quais o lançamento não deveria prosperar, a qual foi julgada improcedente, ensejando a interposição de Recurso Voluntário; levado a julgamento, a C 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste E. CARF decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário; ocorre que, no quanto desfavorável à Recorrente, o entendimento exarado no v. aresto recorrido diverge de acórdãos lavrados por este E. CARF em situações análogas (no conjunto "Acórdãos Paradigmas"), viabilizando a interposição do presente apelo; DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO POR CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES com relação ao erro na identificação do sujeito passivo em autuação lavrada contra pessoa jurídica extinta, diferentemente do que ocorreu no presente feito, este Conselho conheceu do recurso apresentado por empresa extinta e reconheceu a improcedência de autuação similar à presente, entendendo que é nula a autuação recaída sobre pessoa jurídica já extinta por regular liquidação, conforme consignado no v. acórdão n° 9101001.298, de lavra da C. 1ª Turma da CSRF, que deu provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, ("1º Acórdão Paradigma" Doc. 03), e do v. acórdão n° 1401000.786, de lavra da C 1ª Turma Fl. 763DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 5 4 Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que negou provimento a Recurso de Ofício, ("2º Acórdão Paradigma" Doc. 04), cujas ementas seguem reproduzidas abaixo: "ILEGITIMIDADE PASSIVA PESSOA JURÍDICA EXTINTA LANÇAMENTO NULO. E nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração." (Ac. n° 9101 001.298, de 26/01/2011, Relator(a): Karem Jureidini Dias) "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano calendário: 2003 . ILEGITIMIDADE PASSIVA LANÇAMENTO NULO. É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária, ocorrida e comunicada SRF antes da lavratura do auto de infração." (Ac. 1401000.786, de 08/05/2012, Relator(a): Fernando Luiz Gomes De Mattos) DOS DISSÍDIOS JURISPRUDENCIAIS PELA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO o v. acórdão recorrido não conheceu do Recurso Voluntário apresentado, sob o fundamento de serem nulos os atos processuais praticados por pessoa jurídica regularmente extinta, abstendose de reconhecer a nulidade do lançamento em face de pessoa jurídica regularmente extinta; entretanto, este C. Conselho já manifestou posicionamento divergente, consubstanciado nos Acórdãos Paradigmas, nos quais conheceu das defesas apresentadas e manifestou o entendimento de que é nulo o lançamento realizado em face de pessoa jurídica extinta; tanto no presente caso, como nos Acórdãos Paradigmas, a controvérsia cingese à nulidade do lançamento realizado contra pessoa jurídica já extinta por liquidação voluntário quando de sua lavratura, por erro na identificação do sujeito passivo; apesar da similitude fática, nos Acórdãos Paradigmas foram aplicadas interpretações divergentes daquela adotada no presente caso, notadamente no que concerne ao conhecimento dos recursos apresentados pela pessoa jurídica extinta e o reconhecimento da nulidade decorrente de erro na identificação do sujeito passivo; resta claro o dissídio jurisprudencial quanto à ilegitimidade passiva da Recorrente, o que autoriza a interposição do presente apelo, devendo ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja reconhecida a inelegibilidade da Recorrente como sujeito passivo dos pretensos débitos ora exigidos; DO MÉRITO: DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO superada a demonstração do cumprimento dos requisitos de admissibilidade do presente Recurso e a necessidade de seu conhecimento, passase a discorrer sobre o mérito da questão; Fl. 764DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 6 5 DA INSUBSISTÊNCIA DOS LANÇAMENTOS POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO: PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR LIQUIDAÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AI tendo em vista que a baixa do CNPJ e o cancelamento da inscrição no CCM ocorreram antes da lavratura do AI em referência, a Recorrente sustentou ser descabida a imputação de qualquer responsabilidade por eventual débito após sua baixa, já que sociedade não mais possui personalidade jurídica, tampouco se afigura sujeito passivo para fins fiscais; a pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, e não é possível promover lançamento (i.e., formalização da relação jurídico tributária) contra si após sua liquidação, pois inexistente no mundo jurídico; neste diapasão, não poderia a D. Autoridade Fiscal formular os lançamentos, nos termos do art. 142 do CTN, em face da Recorrente, visto que no momento da lavratura já se afigurava pessoa jurídica extinta, tendo subsistido somente até o final da sua liquidação; evidentemente, a dissolução da sociedade (como in casu) não se assemelha à situação de incorporação de sociedades, pois enquanto nesta hipótese existe a responsabilidade automática por sucessão nos termos do art. 133 e 134 do CTN, na dissolução existem requisitos legais que devem ser explorados para formular o lançamento, tal como saber se foi regular a liquidação; desse modo, são nulos os lançamentos em debate, eis que foi formalizado em face de pessoa jurídica extinta por dissolução regular, sendo que o CNPJ foi baixado antes dos lançamentos. E nítido que o AI em debate afronta o disposto no art. 121 do CTN, mormente porque não se está diante de situação em que haveria sucessão automática por terceiro; resta indubitável a impossibilidade de se promover o lançamento de crédito tributário em face de sociedade regularmente extinta, na espécie, da Recorrente, por inexistir no mundo jurídico no átimo da autuação ora combatida; mostrase evidente o equívoco cometido pela D. Autoridade Lançadora na eleição do sujeito passivo da relação jurídicotributária ora guerreada, aspecto este que demonstra a nulidade do presente lançamento; DA DECADÊNCIA PARCIAL OPERADA ATÉ 11/2002, NOS TERMOS DO ART. 150, §4º, DO CTN salientese que a decadência é matéria de ordem pública, devendo ser conhecida e julgada de ofício, mesmo na hipótese de não conhecimento do RV, como ocorrido in casu; no v. acórdão de 1ª instância, a D. Autoridade Julgadora asseverou que, em vista da ocorrência de fraude, não teria ocorrido a decadência do direito do Fisco em lançar os créditos tributários apurados no ano de 2001 e no período de janeiro a novembro de 2002, pois se aplicaria ao caso as disposições contidas no artigo 173 do Código Tributário Nacional; Fl. 765DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 7 6 tal alegação, todavia, não pode prosperar, pois não houve a comprovação da existência de fraude, razão pela qual, ao presente caso, se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional; ora, meras presunções não têm o condão de desfazer negócios jurídicos. Mais que isso, reportagens de jornais não são meios hábeis a comprovar que de fato a Recorrente incorrera em qualquer tipo de ilícito seja fiscal ou penal; aliás, nos termos do artigo 5º da Constituição Federal, ninguém será considerado culpado, até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; somente após decisão judicial definitiva transitada em julgado é que a Recorrente poderia ter sido considerada praticante de ato fraudulento, razão pela qual não poderiam as D. Autoridade Fiscal e Julgadora presumir que, em razão de investigações e de matérias de jornal, a Recorrente seria culpada da prática de atos ilícitos; assim sendo, os créditos tributários apurados no ano de 2001 e no período de janeiro a novembro de 2002 estão decaídos, tendo em vista que a ciência do Auto de Infração se deu em 28/12/2007; ressaltese, ainda, que com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/9.1, por meio da edição da Súmula Vinculante n° 8, pelo E. Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial de todas as contribuições sociais e previdenciárias passou a ser regido pelo Código Tributário Nacional; SUBSIDIARIAMENTE: DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN na remota hipótese de não se reconhecer ocorrida a decadência com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN, o que se admite apenas ad argumentandum, e se entenda aplicável ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN, ainda assim deve ser reconhecida a decadência de parcela da autuação; com efeito, leiase "exercício seguinte", o momento posterior ao período de apuração do tributo, pois, a partir dele, caso não haja o recolhimento, resta configurada a mora do contribuinte, podendo o Fisco efetuar sua cobrança por meio de lançamento; neste passo, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos do IRPJ e da CSL apurados trimestralmente pelo regime do lucro presumido, seria o trimestre subseqüente ao da ocorrência de seus fatos geradores; contandose o prazo de 05 (cinco) anos, o prazo decadencial relativo ao 1º trimestre de 2001, teria ocorrido no dia 1° de abril de 2006. Ou seja, os fatos geradores ocorridos de janeiro de 2001 até o 3º trimestre de 2002 estão decaídos mesmo aplicandose o artigo 173 do CTN; já a apuração das contribuições ao PIS e à COFINS é mensal, razão pela qual o "exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponderia ao mês subseqüente ao da ocorrência dos seus fatos geradores e não ao ano seguinte, como entendeu a D. Autoridade Julgadora; Fl. 766DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 8 7 o IRRF, por sua vez, possui fatos geradores diários e semanais, sendo certo que o exercício seguinte seria o dia ou a semana subseqüente ao de sua ocorrência; diante de todo exposto, verificase que todos os créditos tributários apurados no ano de 2001 estão decaídos por qualquer ângulo que se analise a questão, sendo que para o IRPJ e a CSL estão decaídos os créditos apurados até o 3º trimestre de 2002; nos casos do PIS e da COFINS estão decaídos os créditos tributários apurados até o mês de outubro de 2002 e, no caso do IRRF, todos os apurados até a segunda semana do mês de dezembro de 2002 ou até o dia 26 de dezembro de 2002, haja vista que a Recorrente foi cientificada do auto de infração no dia 28 de dezembro de 2007; ainda, em se tratando a decadência matéria de ordem pública, é cabível sua revisão pela Receita Federal, de modo a excluir, ex officio, do lançamento os débitos que foram por ela alcançados (ementas transcritas); DA IMPROCEDÊNCIA DA IMPOSIÇÃO DE MULTA AGRAVADA conforme entendimento sustentado pela D. Autoridade Fiscal, a Recorrente teria, fraudulentamente, realizado movimentações financeiras no exterior à revelia do sistema financeiro nacional; nesse sentido, acresce sobrelevar que o suposto dolo da Recorrente deveria ter sido comprovado pela D. Autoridade Fiscal, a qual se cingiu meramente a alegálo; a D. Autoridade Fiscal deveria ter provado, no mínimo, que tais operações foram efetivamente realizadas pela Recorrente exclusivamente com o fito de furtarse ao recolhimento de imposto; a D. Autoridade Fiscal não logrou provar, adequadamente, a ocorrência do substrato jurídico (simulação) que ensejou a lavratura do Auto de Infração, não bastando, para tanto, fundarse em meras suposições ou afirmações isoladas de que as operações praticadas seriam fraudulentas; dessa forma, calcandose na inabalável constatação de que não houve prova da intenção dolosa da Recorrente na prática da suposta operação para fins de omitir a ocorrência do fato imponível, mister se faz a declaração da nulidade do Auto de Infração; de mais a mais, ainda que não decretada a nulidade do Auto de Infração, o que se admite ad argumentandum diante da ausência da prova apta a comprovar a ocorrência da simulação, impõese, ao menos, o afastamento da multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), haja vista a falta de comprovação do dolo do contribuinte, conforme entendimento do C. CARF (Ac. 180300.346 ementa transcrita); tendo em vista que não foi comprovado que a Recorrente praticou ato fraudulento, tampouco teve a intenção de praticálo, não há que se falar em multa qualificada; DO PEDIDO em vista de todo o exposto, estando comprovado o cabimento do presente Recurso Especial, requerse seja conhecido, a fim de darlhe provimento, a fim de reformar o Fl. 767DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 9 8 v. acórdão recorrido, para que seja reconhecida a decadência parcial, bem como seja integralmente cancelada a autuação; subsidiariamente, impõese o afastamento da multa agravada de 150%, face à inexistência de comprovação de dolo apto à caracterizar uma conduta fraudulenta por parte da Recorrente. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 27/05/2015, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Tratase da mesma matéria analisada nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. Os acórdãos paradigmas conheceram dos recursos interpostos em nome das pessoas jurídicas extintas e, no mérito, reconheceram a nulidade dos lançamentos por erro na identificação do sujeito passivo. O acórdão recorrido, por seu turno, não conheceu do recurso interposto pela pessoa jurídica extinta e, ainda, anulou a decisão de primeiro grau que conhecera da impugnação, considerando válido o lançamento, unicamente, em face dos responsáveis solidários indicados e cientificados na autuação. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Em 05/06/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 09/06/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: a decisão recorrida não merece reparos, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos; os atos iniciais de intimação e o lançamento indicaram como contribuinte uma pessoa jurídica extinta – a empresa Major Comercial e Serviço Ltda.; nessa mesma oportunidade, com amparo nos artigos 124, inciso I, 135, inciso III, e 137, inciso I, do CTN, o lançamento atribuiu responsabilidade pessoal pelo Crédito Tributário objeto desta ação fiscal aos Senhores Cássio Carlos Pereira e Renato Cid de Andrade, como únicos sócios da empresa fiscalizada; a questão que se coloca é saber se a presente ação fiscal está viciada por completo em sua origem, por terem os atos de intimação e o lançamento indicado como contribuinte uma pessoa jurídica extinta; conforme bem salientado no acórdão recorrido, a ciência do lançamento e dos Termos não foi feita à pessoa jurídica (nem poderia, posto que já há muito extinta), mas ao procurador que recebeu poderes para tanto das pessoas físicas mencionadas (procurações às fls. 424 e 426); Fl. 768DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 10 9 desse modo, o lançamento é perfeitamente válido no que toca aos responsáveis tributários Srs. Cássio Carlos Pereira e Renato Cid Andrade, muito embora não o seja em relação à pessoa jurídica extinta Major Comercial e Serviços Ltda.; ora, se as intimações foram recebidas e respondidas pelos responsáveis (co devedores) qual seria, então, o prejuízo para estes na hipótese de manutenção do lançamento? no Acórdão nº 10180.915, o Conselheiro Urgel Pereira Lopes analisou controvérsia semelhante (transcrição contida nas contrarrazões); é válida a parte do lançamento que atribuiu responsabilidade tributária aos sócios Srs. Cássio Carlos Pereira e Renato Cid Andrade; segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, aplicáveis à hipótese, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que “não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo" (Acórdão CSRF/0202.301); diante do que dispõem os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, depreendese como necessária para a validade do lançamento a “qualificação do autuado”, de uma forma tal que não resulte em prejuízo à ampla defesa deste; na hipótese, não houve, pois, prejuízo à ampla defesa. Prejuízo existiria se, por exemplo, os referidos sócios não tivessem sido intimados da autuação na fase inicial do processo; a jurisprudência dessa eg. Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; portanto, não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; neste contexto, patente a necessidade da manutenção da parte do lançamento que indicou os sócios como codevedores. É o relatório. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Vencido Voto Vencido no conhecimento Voto Vencedor no mérito Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS, COFINS, e IR/Fonte) sobre fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2001, 2002 e 2003. A autuação fiscal se deu no contexto das apurações relacionadas ao caso que ficou conhecido como Beacon Hill – movimentações financeiras no exterior, por meio de contas CC5, à revelia do sistema financeiro nacional, apuradas pela Justiça Federal e pelo Ministério Público Federal. Por ocasião da auditoria fiscal, o cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal se apresentava como cancelado por encerramento voluntário em 26/03/2002. Diante disso, as intimações foram dirigidas ao sócio pessoa física Sr. Renato Cid de Andrade, mas não foi apresentada a escrituração comercial, nem o Livro Caixa. Em razão das infrações apuradas, somadas ao fato de a pessoa jurídica ter sido encerrada por liquidação voluntária, o Fisco imputou responsabilidade tributária aos Srs. Cássio Carlos Pereira e Renato Cid de Andrade, em consonância com os artigos 124, inciso I, 135, inciso III, e 137, inciso I, do CTN, com a lavratura dos Termos de Responsabilidade Tributária. A ciência do lançamento e dos Termos não foi feita à pessoa jurídica (porque se tratava de PJ extinta), mas ao procurador que recebeu poderes para tanto das pessoas físicas mencionadas. A ciência dos lançamentos e dos Termos de Responsabilidade Tributária se deu em 28/12/2007. Foi cientificado pessoalmente o Sr. Albertino Duarte, que era procurador dos responsáveis acima referidos, ou seja, do Sr. Cássio Carlos Pereira e do Sr. Renato Cid de Andrade. Houve apresentação de impugnação em nome da pessoa jurídica Major Comercial e Serviços Ltda., que foi subscrita por advogados por ela constituídos. A decisão de primeira instância administrativa examinou argumentos relativos à decadência, à inexistência de conduta dolosa, e à multa qualificada, e manteve o lançamento. Essa mesma decisão considerou ainda a responsabilidade tributária dos sócios como "matéria não impugnada", e determinou que fossem aplicadas aos responsáveis as medidas do art. 21 do Decreto nº 70.235/1972 (revelia). Fl. 770DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 12 11 Novamente foi apresentada outra peça de defesa (recurso voluntário) em nome da pessoa jurídica Major Comercial e Serviços Ltda., também subscrita por advogados constituídos pela PJ extinta. O recurso voluntário abordou as mesmas razões da impugnação, relativas à decadência, à inexistência de conduta dolosa, e à multa qualificada. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF exarou o Acórdão nº 1302001.395 (acórdão ora recorrido), entendendo que não podia tomar conhecimento do referido recurso, porque "recurso voluntário apresentado em nome de pessoa jurídica há muito extinta por liquidação voluntária, subscrito por advogados que dela teriam recebido poderes mediante instrumento de procuração lavrado posteriormente à extinção é ato nulo, e não deve ser conhecido." Essa decisão também declarou nula a decisão de primeira instância, entendendo que peça impugnatória apresentada em nome de pessoa jurídica extinta não instaura litígio e, por isso, não deveria ter sido conhecida pela Delegacia de Julgamento. É importante deixar claro que a nulidade declarada pelo acórdão recorrido não implicou em devolução do processo à Delegacia de Julgamento, para que uma nova decisão de primeira instância fosse proferida. No entendimento do acórdão recorrido, aquela decisão de primeira instância foi nula justamente porque não deveria ter apreciado a impugnação da PJ extinta (única peça de defesa apresentada). A conclusão, portanto, foi no sentido de que não houve instauração de litígio no presente processo, já que os responsáveis tributários foram considerados revéis desde a decisão de primeira instância administrativa. Outro aspecto bastante relevante é que o voto que orientou o acórdão recorrido considerou o lançamento perfeitamente válido no que toca aos responsáveis tributários, Srs. Cássio Carlos Pereira e Renato Cid Andrade (revéis no processo), mas não em relação à pessoa jurídica extinta Major Comercial e Serviços Ltda., exatamente por se tratar de uma PJ extinta. De acordo com a própria ementa do acórdão recorrido, "embora o lançamento não subsista no que toca à pessoa jurídica extinta, persiste quanto aos responsáveis tributários, a quem incumbiria, se assim entendessem, impugnar em nome próprio o lançamento em todos os seus aspectos." O que a recorrente busca em seu recurso especial é o conhecimento de seu recuso voluntário. O recurso especial sob exame foi apresentado novamente pela pessoa jurídica extinta, e essa peça processual, então, traz no exame de sua própria admissibilidade a mesma questão que abrange o mérito do referido recurso, ou seja, se peça de defesa (seja impugnação, recurso voluntário ou recurso especial) apresentada por PJ extinta deve ou não ser conhecida. Essa questão em torno da admissibilidade das peças de defesa é o próprio mérito do recurso especial. Admitir o conhecimento do recurso especial, nesse caso, significa admitir também o conhecimento das peças de defesa anteriores. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 13 12 É relevante perceber que o julgamento dessa questão sobre a admissibilidade do recurso especial (que também foi apresentado pela PJ extinta) já esgotaria o seu próprio mérito. Mas há ainda um outro aspecto atinente à admissibilidade do recurso especial que precisa ser melhor examinado. É que os paradigmas apresentados trazem situação em que o recurso especial da PJ extinta foi examinado para fins de cancelamento do lançamento em relação à própria PJ. No primeiro paradigma, nem mesmo houve imputação de responsabilidade a terceiros, e a PJ ocupava sozinha o polo passivo, suportando a exigência do tributo, conforme indica a transcrição abaixo: Acórdão paradigma nº 9101001.298 ILEGITIMIDADE PASSIVA. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. LANÇAMENTO NULO. É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração. [...] VOTO [...] O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva, por entender que, nos termos da responsabilidade prevista no Código Tributário Nacional, a empresa dissolvida deve continuar como responsável pelo crédito tributário até que ocorra a decadência do direito de o fisco proceder ao lançamento. De outro lado, no Recurso resta evidente que quando da lavratura do auto de infração não existia mais aquela pessoa jurídica, tampouco pertencia vigente a sua inscrição no CNPJ. Após a extinção, aquela que antes era pessoa jurídica deixa de existir como tal no ordenamento jurídico, sendo impossível a uma não entidade responder por qualquer obrigação tributária. No caso de extinção da pessoa jurídica, se possível for o lançamento, ele deve considerar a realidade fática ao tempo no fato (tempo do fato gerador), mas reportarse ao responsável, mencionando e motivando aquele que se torne sujeito passivo possível da obrigação tributária, inclusive nos casos de sucessão. Esclareço que não é objeto de controvérsia que o auto de infração foi lavrado contra pessoa jurídica extinta. Com a extinção da personalidade jurídica, não há como se exigir obrigações da sociedade extinta. Sobre o tema, a legislação tributária tem previsão específica, tanto no Código Tributário Nacional quanto no Regulamento do Imposto sobre a Renda: [...] No presente caso, tendo sido a extinção da pessoa jurídica devidamente registrada na Junta Comercial com a posterior entrega da Fl. 772DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 14 13 Declaração de Rendimentos relativa à extinção, a autoridade fiscal deveria ter identificado como sujeito passivo da obrigação posteriormente constituída os sócios responsáveis, nos termos do artigo 121 c/c artigo 134, IV, do Código Tributário Nacional, desde que (i) motivasse a situação que ensejou a sucessão; (ii) identificasse como sujeito passivo o(s) sócio(s) responsável(is); e (iii) esclarecesse que se trata de responsabilidade, identificando além do motivo e a previsão legal. Efetuar lançamento contra pessoa jurídica extinta configura erro de identificação de sujeito passivo. O erro de identificação do sujeito passivo impõe o cancelamento do auto de infração. Nesse sentido é a jurisprudência do Conselho Administrativo, inclusive desta Câmara Superior de Recursos Fiscais: [...] Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. (grifos acrescidos) A situação examinada no segundo paradigma não é diferente da acima mencionada, eis que não houve uma correta imputação de responsabilidade a terceiros, e a PJ extinta também continuava suportando a exigência do tributo, de modo que o conhecimento do recurso (no caso, recurso de ofício) foi justamente para cancelar o lançamento em relação à pessoa jurídica: Acórdão paradigma nº 140100.786 ILEGITIMIDADE PASSIVA. LANÇAMENTO NULO. É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária, ocorrida e comunicada SRF antes da lavratura do auto de infração. [...] VOTO [...] O acórdão recorrido apontou, com grande precisão, o equívoco cometido pelas autoridades lançadoras na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Transcrevo a seguir alguns excertos extraídos do acórdão recorrido, fls. 878 e seguintes: [...] Em síntese: o presente lançamento efetivamente encontrase eivado de nulidade, uma vez que as autoridades lançadoras incluíram no pólo passivo do lançamento uma pessoa jurídica extinta. Vale dizer que a pessoa jurídica em questão foi extinta por liquidação voluntária, ocorrida e comunicada SRF antes da lavratura do auto de infração. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 15 14 Além disso, conforme bem evidenciado pelo voto condutor do acórdão recorrido, não consta dos autos qualquer termo para a responsabilização do sócio administrador NiIdo Goulart Rosa pelo crédito tributário, assim como para o também sócio administrador Marcelo Batista Morais. Por fim, no Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 001, fls. 196/197, não houve descrição de quaisquer ocorrências de fatos ilícitos, ação ou omissão porventura cometidos pelo falecido sócio Marcos Antônio Bolotti a ensejar a responsabilidade solidária de terceiros (herdeiros). Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso de ofício. (grifos acrescidos) O acórdão recorrido, diferentemente dos paradigmas, examina uma situação em que foi imputada responsabilidade tributária a terceiros, no caso, aos sócios administradores da PJ extinta. Sob essa ótica, em razão das diferenças na composição do polo passivo, não há paralelo entre as decisões cotejadas, o que já prejudica a caracterização da divergência. Além disso, é importante destacar que o acórdão recorrido declarou a invalidade (nulidade) do lançamento em relação à PJ extinta, e nessa perspectiva nem mesmo há divergência, e sim convergência entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido. Como já mencionado, no caso dos paradigmas, o recurso especial da PJ extinta foi conhecido para fins de cancelar o lançamento em relação a ela, e isso já foi feito nos presentes autos pelo acórdão recorrido, de modo que não há sentido em conhecer do recurso especial da PJ. Não há divergência, e também não há interesse processual, porque nos presentes autos já foi declarada a invalidade/nulidade do lançamento em relação à recorrente (que é a pessoa jurídica extinta). Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecido o recurso especial que, sendo provido, não ensejará qualquer proveito ao recorrente. A apreciação das razões da defesa só atenderia ao interesse dos responsáveis tributários, mas estes não impugnaram o lançamento, e são considerados revéis desde a decisão de primeira instância administrativa. Desse modo, tanto pela ausência de divergência, quanto pela falta de interesse processual, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da pessoa jurídica. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão recorrido, diferentemente dos paradigmas, examina uma situação em que foi imputada responsabilidade tributária Fl. 774DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 16 15 a terceiros, no caso, aos sócios administradores da PJ extinta. Sob essa ótica, em razão das diferenças na composição do polo passivo, não há paralelo entre as decisões cotejadas, o que já prejudica a caracterização da divergência. Além disso, o acórdão recorrido declarou a invalidade/nulidade do lançamento em relação à PJ extinta, e nessa perspectiva nem mesmo há divergência, mas sim convergência entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. No caso dos paradigmas, o recurso especial da PJ extinta foi conhecido para fins de cancelar o lançamento em relação a ela, mas isso já foi feito nos presentes autos pelo acórdão recorrido, de modo que não há sentido em conhecer do recurso especial da PJ. Não há divergência, e também não há interesse processual, porque nos presentes autos já foi declarada a invalidade/nulidade do lançamento em relação à recorrente (que é a pessoa jurídica extinta). Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecido o recurso especial que, sendo provido, não ensejará qualquer proveito ao recorrente. A falta de interesse processual inviabiliza o processamento do recurso. O entendimento do colegiado foi no sentido de conhecer do recurso especial, no que fiquei vencido, pois a turma: 1) entendeu que os paradigmas eram hábeis a comprovar a divergência; e 2) entendeu que ausência de interesse processual é discussão de mérito e não de conhecimento. Uma vez estando vencido quanto a considerar ausência de interesse processual como questão de conhecimento, no mérito, trago como razão de decidir para negar provimento ao recurso exatamente a mesma questão de ausência de interesse processual, nos seguintes termos: o acórdão recorrido já declarou a invalidade (nulidade) do lançamento em relação à PJ extinta; não há interesse processual, porque nos presentes autos já foi declarada a invalidade/nulidade do lançamento em relação à recorrente (que é a pessoa jurídica extinta); os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser dado provimento a recurso especial que, sendo provido, não ensejará qualquer proveito ao recorrente; a apreciação das razões da defesa só atenderia ao interesse dos responsáveis tributários, mas estes não impugnaram o lançamento, e são considerados revéis desde a decisão de primeira instância administrativa. Desse modo, vencido quanto ao conhecimento, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da pessoa jurídica, pela falta de interesse processual. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 19515.004427/200790 Acórdão n.º 9101002.765 CSRFT1 Fl. 17 16 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Voto Vencedor Voto Vencedor no conhecimento Conselheira Adriana Gomes Rêgo – Redatora designada. Ouso divergir do ilustre relator apenas quanto ao conhecimento, porque, embora nos paradigmas o lançamento não tenha sido efetuado, também em nome dos sócios solidários, como ocorreu no acórdão recorrido, o fato é que nos paradigmas os colegiados conheceram um recurso voluntário interposto por pessoa jurídica extinta e, em face desse, cancelaram a exigência, enquanto que no recorrido, o colegiado não conheceu do recurso voluntário interposto por pessoa jurídica extinta. Como o pleito da recorrente é a aplicação do entendimento da decisão paradigma ao seu caso concreto e, como em tese, esse entendimento implicaria conhecer para cancelar a exigência, entendo ser possível, ainda sem adentrar no mérito, é claro, aplicar em tese a decisão paradigma ao caso concreto, motivo pelo qual conheço do presente recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906542/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.543
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.906542/201202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.543 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 42 /2 01 2- 02 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.787. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10875.906542/201202 Acórdão n.º 3302003.543 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 180DF CARF MF
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