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Numero do processo: 10920.000653/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/02/2011
CIGARRO ESTRANGEIRO. IMPORTAÇÃO. MULTA FISCAL.
A posse de cigarros estrangeiros sem a comprovação da regular importação sujeita o agente à multa do art. 3º, § único, do Decreto-Lei n.º 399/1968.
Numero da decisão: 3401-013.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
MATEUS SOARES DE OLIVEIRA – Relator
Assinado Digitalmente
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, George da Silva Santos, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-09-18T14:48:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-09-18T14:48:40Z; Last-Modified: 2025-09-18T14:48:40Z; dcterms:modified: 2025-09-18T14:48:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-09-18T14:48:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-09-18T14:48:40Z; meta:save-date: 2025-09-18T14:48:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-09-18T14:48:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-09-18T14:48:40Z; created: 2025-09-18T14:48:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2025-09-18T14:48:40Z; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-09-18T14:48:40Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10920.000653/2011-21 ACÓRDÃO 3401-013.998 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 20 de junho de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ALESANDRO BORDIGNON WEISS E OUTROS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/02/2011 CIGARRO ESTRANGEIRO. IMPORTAÇÃO. MULTA FISCAL. A posse de cigarros estrangeiros sem a comprovação da regular importação sujeita o agente à multa do art. 3º, § único, do Decreto-Lei n.º 399/1968. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA – Relator Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, George da Silva Santos, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso voluntário interposto em face da r. decisão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta pelo contribuinte. A origem deste processo reside na multa decorrente da prestação intempestiva de informação, resultado da infração capitulada no art. 3º, § único do Decreto-lei n.º 399/1968 que Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.998 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.000653/2011-21 2 resultou, dentre as sanções lançadas nos outros AIs., aplicação da prevista no art. 716 do Regulamento Aduaneiro. Como já ocorreu o julgamento do perdimento dos cigarros em instância administrativa - definitiva e única - conforme o Ato Declaratório Executivo n° 077, de 28/04/2011 (fl. 133 - Processo nº 10920-000.651/2011-32), lavrou-se neste Auto de Infração exclusivamente a sanção aplicável sobre a introdução irregular de cigarros no mercado interno, o qual é parte integrante e inseparável deste processo administrativo de n° 10920.000653/2011-21 no valor de R$ 599.640,00. O resultado da decisão recorrida foi unanime no sentido de se manter o lançamento do presente Auto de Infração, com os seguintes destaques: a) Não há que se falar em abatimento dos valores dos bens levados a perdimento da multa prevista neste processo, posto que são infrações e processos distintos e autônomos; b) Sem prejuízo da alegação de não ser proprietário dos veículos, a sanção é aplicável posto que o simples fato de transportar já lhe insere no polo passivo deste feito de forma solidária; Em sede de recurso voluntário, o recorrente aduz que: a) É motorista e estava trabalhando; b) Não concorreu para prática da infração; c) Não é proprietário do veículo; d) Requer o abatimento do valor desta multa do valor arrecadado com os bens levados a perdimento; Eis o relatório. VOTO Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.998 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.000653/2011-21 3 2 DO MÉRITO O objeto do lançamento formulado no Auto de Infração ora capitulado é a multa prevista no art. 3º, § único do Decreto-lei n.º 399/1968 consistente em multa por maço de cigarro introduzido irregularmente no país. Eis a sua redação: Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. Para computar o valor lançado no Auto de Infração deste processo foi aplicada a multa dos R$ 2,00 por maço de cigarro de modo a se chegar ao valor de R$ 599.640,00. Os bens que tiveram o perdimento aplicado no Processo nº 10920-000.651/2011-32 foram: As fls. 135 deste processo de perdimento confirma-se a informação da aplicação desta sanção: Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.998 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.000653/2011-21 4 Com a devida vênia, entende-se que não merece razão o pleito de abatimento formulado pelo recorrente pelo simples motivo de que se trata de infrações de natureza e fundamento legal diversos e, por conseguinte, com sanções diversas. Sendo assim, não merece reparo a decisão recorrida. 3 DO DISPOSITIVO Isto posto, conheço do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA Fl. 236DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 da tempestividade 2 do mérito 3 do dispositivo
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720761/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. DEDUÇÃO. CONDIÇÃO.
Na determinação da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação idônea que atenda aos requisitos legais, sendo necessário comprovar tratar-se de pagamentos relativos a tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS RELATIVOS AO TRATAMENTO DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS MÉDICOS. DESNECESSIDADE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, sendo que tais pagamentos são restritos aos tratamentos médicos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nos termos dos artigos 8º, § 2º, inciso II da Lei nº 9.250/1995 e 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
Numero da decisão: 2301-011.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reestabelecer as glosas referentes à previdência privada, de R$ 13.518,47, ao plano de saúde, de R$ 2.277,31, e aos profissionais Carlos Manuel Furtado, de R$ 3.000,00, e Ricardo Fernando de Oliveira, de R$ 120,00.
Sala de Sessões, em 11 de agosto de 2025.
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Barros de Moura (substituto[a] integral), Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. DEDUÇÃO. CONDIÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação idônea que atenda aos requisitos legais, sendo necessário comprovar tratar-se de pagamentos relativos a tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS RELATIVOS AO TRATAMENTO DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS MÉDICOS. DESNECESSIDADE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, sendo que tais pagamentos são restritos aos tratamentos médicos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nos termos dos artigos 8º, § 2º, inciso II da Lei nº 9.250/1995 e 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
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DEDUÇÃO. CONDIÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação idônea que atenda aos requisitos legais, sendo necessário comprovar tratar-se de pagamentos relativos a tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS RELATIVOS AO TRATAMENTO DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS MÉDICOS. DESNECESSIDADE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano- calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, sendo que tais pagamentos são restritos aos tratamentos médicos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nos termos dos artigos 8º, § 2º, inciso II da Lei nº 9.250/1995 e 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Fl. 156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reestabelecer as glosas referentes à previdência privada, de R$ 13.518,47, ao plano de saúde, de R$ 2.277,31, e aos profissionais Carlos Manuel Furtado, de R$ 3.000,00, e Ricardo Fernando de Oliveira, de R$ 120,00. Sala de Sessões, em 11 de agosto de 2025. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Barros de Moura (substituto[a] integral), Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2008, ano-calendário 2007, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 19.151,66. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 07/11 c/c os Demonstrativos de fls. 12/13, foram constatadas as seguintes infrações: - dedução indevida de previdência privada e Fapi, no valor de R$ 13.518,47, por falta de comprovação; - dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 1.584,60, uma vez que Julia Makrakis Almeida consta como dependente na Declaração de Ajuste Anual do CPF 300.616.447-49, não tendo sido comprovada a guarda judicial; - dedução indevida com despesas de instrução, no valor de R$ 2.480,66, por falta de previsão legal para sua dedução, uma vez que os recibos apresentados se referem à dependente que foi glosada; e Fl. 157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 3 - dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 19.142,74, da seguinte forma: i) o pagamento efetuado ao profissional José Nunes Elvas (R$ 7.200,00) foi glosado por falta de comprovação; ii) os pagamentos efetuados aos profissionais Claudia de Almeida Dutra (R$ 2.640,00) e Josué Felipe Rodrigues Campos (R$ 2.000,00) foram rejeitados porque o usuário dos serviços não é dependente da contribuinte; iii) os pagamentos efetuados aos prestadores Ricardo Fernando de Oliveira (R$ 120,00), Ana Roselia Guilhermina (R$ 200,00) e Carlos Manuel Furtado (R$ 3.000,00) foram glosados porque nos recibos apresentados não constavam o endereço do profissional emitente e o usuário dos serviços; e iiii) os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas Sociedade Ibgeana de Assistência e Seguridade – SIAS (R$ 1.184,16), Unimed-Rio (R$ 2.646,58) e Uniodonto Leste Fluminense (R$ 152,00) foram glosados porque os valores não foram discriminados por beneficiário. Cientificada do lançamento em 15/03/2011 (AR à fl. 36), ingressou a contribuinte, em 29/03/2011, com sua impugnação (fls. 02/03), e respectiva documentação. Em síntese: - no que tange à previdência privada, no valor de R$ 13.518,47, esclarece que se refere à previsão de benefícios básicos para ela, contribuinte, e benefício adicional de pecúlio por morte para sua dependente e beneficiária Julia Makrakis Almeida, com menção à Certidão da Caixa Previdência; - quanto à dedução com dependente, no valor de R$ 1.584,60, afirma que é responsável pelos gastos de sua filha dependente Júlia Makrakis Almeida, com menção à declaração do Instituto Abel, constante do processo; - no que diz respeito à despesa com instrução, no valor de R$ 2.480,66, alega que a dependente Julia Makrakis Almeida é sua filha e registrada como sua dependente previdenciária e para efeitos do Imposto de Renda desde o seu nascimento, com menção a declarações dos anos anteriores já fiscalizadas e acatadas pela Receita Federal, sendo que tal registro também constaria no SIAPE/IBGE, órgão onde trabalha, no plano médico da SIAS, da Unimed, da Uniodonto e na Previdência Complementar da Caixa Previdenciária para recebimento de pecúlio por morte, ressaltando que o registro de nascimento da dependente foi entregue e já faz parte deste processo; - na parte atinente às despesas médicas, no valor de R$ 19.142,74, alega que se referem a gastos próprios e com sua filha Júlia Makrakis Almeida, sendo que os recibos foram complementados, quando possível, informando que alguns recibos / declarações foram emitidos por empresas e não foi possível obter novos documentos em tempo hábil, solicitando novo prazo para tanto ou que este órgão Fl. 158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 4 exija das empresas e dos profissionais a emissão dos recibos nos termos exigidos pelas normas tributárias; - afirma, ainda, que teve declarações anteriores fiscalizadas pela Receita e que não houve ressalvas como as que constam do processo atual; - por fim, relaciona documentos anexos à peça de defesa. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÕES. DEPENDENTES E DESPESA COM INSTRUÇÃO. Tendo em vista que a pessoa informada como dependente já consta em DAA entregue por outro contribuinte e apresentada anteriormente, e observada, ainda, pesquisas aos sistemas da RFB, deve ser mantida a glosa da dependente e, por conseqüência, a despesa com instrução efetuada com a mesma. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas as despesas médicas cujas irregularidades detectadas pela fiscalização foram supridas pelos documentos de prova constantes dos autos, mantendo-se a glosa sobre a parte não comprovada nestes termos. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. As deduções referentes a despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e aos de seus dependentes, se assim informados na Declaração de Ajuste Anual. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Em se tratando de plano de saúde, o aproveitamento integral das mensalidades pagas se subordina à comprovação, por documento hábil, dos beneficiários do plano. DEDUÇÃO.PREVIDÊNCIA OFICIAL E FAPI. Deve ser mantida a glosa de previdência privada e fapi, tendo em vista a ausência de comprovação por documentação hábil. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/11/2014, o sujeito passivo interpôs, em 12/12/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) dedução de dependentes está comprovada pelos documentos anexos ao recurso; b) despesas com instrução estão comprovadas pelos documentos anexos ao recurso; Fl. 159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 5 c) as despesas médicas estão comprovadas pelos documentos anexos ao recurso; d) dedução de contribuição à previdência privada está comprovada nos autos; e) a existência de mesmo dependente na declaração de ambos os genitores não impede o reconhecimento das deduções comprovadas nos autos; f) a relação de dependência está comprovada nos autos; g) as despesas com instrução de dependente estão comprovadas nos autos; h) as despesas médicas estão comprovadas nos autos, identificando o beneficiário dos serviços prestados; i) a dedução de previdência privada está comprovada nos autos. Nas sessões de 14 de setembro de 2023 e de 06 de junho de 2024, o julgamento foi convertido em diligência, com a seguinte justificativa e determinações: a contribuinte apresenta documento emitido pela Caixa Vida e Previdência, que não permite inferir os valores aplicados ao longo do ano, motivo pelo qual deverá ser intimada a esclarecer os aportes realizados pela contribuinte e a natureza do plano de previdência privada. Além disso, a contribuinte deverá ser intimada a apresentar documentos que esclareçam a dependência da filha, para fins de IRPF, nos termos da decisão recorrida, cabendo previamente informar que o simples informe no SIAPE não tem o condão de esclarecer essa informação, e a) quais despesas com a dependente Julia Makraris Almeida constaram nas DIRPFs referentes aos exercícios 2007 e 2008 de seu pai Edison de Faria Almeida, CPF 300.616.447-49; e b) se a dependente Julia Makraris Almeida foi informada apenas na declaração da contribuinte (Solange Makrakis) nas demais DIRPFs, como informado na petição de fl. 118. Cumpridas as diligências, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Diogo Cristian Denny – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço Fl. 160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 6 Em sede de impugnação, o lançamento foi mantido sob a seguinte fundamentação: Dependentes e Despesas com instrução Inicialmente, há que se esclarecer que o a análise do processo cinge-se ao exame da DAA/2008 apresentada pela contribuinte, não fazenda prova a seu favor a alegação de que declarações dos anos anteriores já teriam sido fiscalizadas e acatadas pela Receita Federal. Pois bem. As glosas efetuadas pela fiscalização (R$ 1.584,60 relativos à dedução com dependentes e R$ 2.480,66 referentes a despesas com instrução) ocorreram porque Julia Makrakis Almeida, informada como dependente na Declaração de Ajuste Anual - DAA/2008 apresentada pela contribuinte (fls. 39/40) já constava como dependente na Declaração de Ajuste Anual - DAA do CPF 300.616.447-49, não tendo sido comprovada a guarda judicial. A contribuinte alega, em sua peça de defesa, que a dependente Júlia Makrakis Almeida é sua filha e registrada como sua dependente previdenciária e para efeitos do Imposto de Renda desde o seu nascimento, com menção a declarações dos anos anteriores já fiscalizadas e acatadas pela Receita Federal, sendo que tal registro também constaria no SIAPE/IBGE, órgão onde trabalha, no plano médico da SIAS, da Unimed, da Uniodonto e na Previdência Complementar da Caixa Previdenciária para recebimento de pecúlio por morte, ressaltando que o registro de nascimento da dependente teria sido entregue. Ainda, no que diz respeito à despesa com instrução, afirma que é responsável pelos gastos da referida filha, com menção à declaração do Instituto Abel (fl. 28). A respeito do tema “dedução de dependentes”, faz-se oportuno transcrever, inicialmente, o inciso III, do art. 35, da Lei nº 9.250, de 1995, que assim dispõe: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (grifei) IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 7 VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Por sua vez, no que tange às despesas com instrução e com dependentes, as alíneas “b” e “c”, do inciso II, do art. 8º, da já referida Lei 9.250/95, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.482, de 2007, aplicável ao ano-calendário de 2007, objeto de autuação, estabelecem o que se segue: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: ................................................................................................................... II – das deduções relativas: ................................................................................................................... b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos) para o ano-calendário de 2007; (grifei) c) à quantia de R$ 1.584,60 (mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos) por dependente; (...)” No presente caso, não obstante os argumentos da impugnante e os documentos constantes dos autos, fato é que pesquisas aos sistemas da RFB confirmaram que Julia Makrakis Almeida já constava como dependente na Declaração de Ajuste Anual – DAA/2008 do CPF 300.616.447-49 (Edson de Faria Almeida), a qual foi apresentada anteriormente, portanto, espontaneamente. Ainda, também de pesquisas aos sistemas da RFB constatou-se que o endereço atribuído à Julia Makrakis Almeida (CPF 161.043.997-03) é o mesmo do atribuído a Edson de Faria Almeida, o que poderia indicar que este último é o detentor da guarda da menor. Diante de tal constatação, entendo que caberia à interessada comprovar ser ela a detentora da guarda de Júlia Makrakis Almeida, em sendo o caso, o que não restou provado pelos documentos constantes dos autos. O fato de custear gastos relativos a sua filha não tem o condão de suprir tal exigência. Inclusive, apenas a título de esclarecimento, consta orientação desta Secretaria prevista no “Perguntas e Respostas”, no sentido de que a pessoa qualificada como Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 8 "dependente" pelas leis previdenciárias não tem a mesma qualificação na legislação do imposto de renda, devendo o contribuinte observar o disposto nas leis tributárias, no que concerne às condições para a qualificação de dependência. Assim, concluo que a contribuinte não comprovou fazer jus à dedução com sua filha Julia Makrakis Almeida, anteriormente informada como dependente na DAA/2008 do CPF 300.616.447-49 (Edson de Faria Almeida), devendo se mantida a infração “dedução indevida com dependentes”, no valor de R$ 1.584,60. A mesma conclusão, por conseqüência, cabe ser adotada com relação à infração dedução indevida com despesas de instrução, no valor de R$ 2.480,66. Previdência Privada e Fapi O valor total de R$ 13.518,47 declarado a título de previdência privada, sendo R$ 12.603,25 atribuído à Caixa Previdência Previnnvest e R$ 915,22 concernente ao IBGE (fls. 39/40), foi glosado pela fiscalização por falta de comprovação. A contribuinte alega, em sua peça de defesa, que o referido pagamento se refere à previsão de benefícios básicos para ela, contribuinte, e benefício adicional de pecúlio por morte para sua dependente e beneficiária Júlia Makrakis Almeida, com menção à Certidão da Caixa Previdência, juntada à fl. 14 dos autos. Dispõe o artigo 74 do Regulamento do Imposto de Renda vigente, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/1999: “Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto poderão ser deduzidas (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V) I – as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II – as contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. (grifei) § 1º - A dedução permitida pelo inciso II aplica-se exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no ano- calendário (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º - A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei n.º 9.250, de 1995, art.11). Concomitantemente, o art. 83 do mesmo Diploma Legal preconiza que: “Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): (grifei) Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 9 I- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II- das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente;” (grifei) Inicialmente, tem-se que, de fato, é possível extrair que a contribuinte, na qualidade de titular do Certificado Individual de fl. 14, é a participante do PREVINVEST PGBL, fazendo jus, nesta qualidade, aos benefícios contratados, constando a sua filha como beneficiária apenas do benefício acessório do pecúlio contratado juntamente com o PGBL. Ocorre que o documento juntado à fl. 14 não é hábil a comprovar pagamento de contribuição à previdência privada, pois foi emitido em 02 de janeiro de 2006, período anterior aos gastos que se pretende comprovar. Ainda, e apenas para argumentar, tem-se que do referido documento consta que a contribuição mensal seria de R$ 250,00, o que totalizaria apenas R$ 3.000,00 no ano, importância muito inferior àquela que a interessada declarou e que pretende ver restabelecida. No caso, entendo que deveria ter sido apresentado o Informe de Rendimentos, o Extrato de Pagamento ou qualquer outro documento, expedido pela Caixa Vida e Previdência, com informação do valor de contribuição feito para a previdência privada no ano-base de 2007, o que não ocorreu. No que tange ao valor de R$ 915,22, atribuído ao IBGE na DAA/2008, não consta dos autos documento comprobatório de tal pagamento, devendo sua glosa ser mantida. Note-se que contribuição a título de pecúlio não é dedutível, como, aliás, consta do Informe de fl. 25. Desta forma, concluo por manter integralmente a glosa do valor de R$ 13.518,47. Despesas Médicas Passa a ser analisada a glosa de despesas médicas, no total de R$ 19.142,74. Pois bem. O tema da dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 10 bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifei) Nesse mesmo sentido, o disposto nos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, bem como no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n. º 3.000, de 26 de março de 1999. Por sua vez, o “caput” do artigo 73, do RIR/1999 estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual - DAA, conforme estatui a legislação pertinente citada. Pois bem. Inicialmente, não há que se falar em concessão de novo prazo para apresentação de documentação comprobatória das despesas médicas, uma vez que os §§ 4º e 5º do art.16 do Dec. nº 70.235, de 1972, e alterações, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de apresentada a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 11 No caso, da análise dos elementos constantes dos autos conclui-se pela inocorrência de qualquer uma das hipóteses previstas nas alíneas a, b e c acima transcritas, o que inviabiliza a possibilidade de juntada de novos documentos aos autos, uma vez precluso esse direito. De qualquer forma, é de se destacar que a impugnação foi apresentada em 29/03/2011 e até o julgamento do processo, na sessão de 25 de setembro de 2014, não consta qualquer documentação complementar entregue pela requerente, que, tivesse adotado tal providência, seria objeto de análise, tendo em vista o princípio da verdade material. Ainda, não há como acatar o pedido para que a RFB exija das empresas e dos profissionais a emissão dos recibos nos termos exigidos pelas normas tributárias. Isto porque não cabe a este órgão requisitar documentos com a finalidade de constatar a procedência das informações prestadas pela declarante, uma vez que é dever dos contribuintes em geral instruir a impugnação com os elementos necessários e suficientes à comprovação do direito que pleiteia, observada a legislação de regência da matéria e nos termos dos arts. 15 e inciso III, do 16, do Decreto nº 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Pois bem. No presente caso, é preciso esclarecer, inicialmente, que em fase anterior à lavratura da Notificação de Lançamento foi solicitado à interessada, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2008/986048256608842, a apresentação, entre outros, de comprovantes originais e cópias de despesas médicas, com a identificação do paciente, bem como comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde, com valores discriminados por beneficiário (ver fls. 34/35). Dito isto, resta claro que a fiscalização, desde o início do procedimento administrativo, pretendeu que fossem comprovados, entre outros, os beneficiários dos serviços médicos, condição esta que, por não ter sido cumprida, foi um dos motivos de terem sido efetuadas as glosas, procedimento este devidamente respaldado no transcrito inciso II, do § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95. Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 12 Pois bem. A análise dos recibos emitidos pelos profissionais José Nunes Elvas (fl. 17) e Ana Roselia Guilhermina (fl. 24) levam à conclusão de que, à luz da legislação anteriormente citada, as despesas médicas correspondentes, no valor total de R$ 7.400,00 (R$ 7.200,00 + R$ 200,00, observada a DAA/2008, às fls. 39/40), relativas a gastos para tratamento da contribuinte, são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis, tendo em vista que as irregularidades detectadas pela fiscalização (não apresentação dos documentos e / ou falta de endereço e usuário dos serviços, como narrado na Descrição dos Fatos), restaram supridas, devendo ser afastadas as glosas efetuadas pelo Fisco. Por sua vez, no que tange aos gastos com os profissionais Carlos Manuel Furtado (R$ 3.000,00) e Ricardo Fernando de Oliveira (R$ 120,00), não há como acatá-los, pois embora os recibos apresentados (fls. 18/20 e 23, respectivamente) tenham suprido a ausência do endereço, que foi uma das motivações da glosa, fato é que permaneceram sem identificar o paciente dos serviços, não bastando para tanto, à luz do solicitado pela fiscalização com base na legislação, a simples identificação da pessoa que pagou pelos mesmos. Glosas mantidas. Nesse mesmo sentido, tem-se que os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas Sociedade Ibgeana de Assistência e Seguridade – SIAS (R$ 1.184,16), Unimed-Rio (R$ 2.646,58) e Uniodonto Leste Fluminense (R$ 152,00) foram glosados especificamente porque os valores não foram discriminados por beneficiário. Ocorre que o Informe para Imposto de Renda ano-calendário de 2007, emitido pela Sociedade Ibgeana de Assistência e Seguridade – SIAS (fl. 25), bem como os Comprovantes expedidos pela Unimed-Rio e pela Uniodonto Leste Fluminense (fls. 26 e 27, respectivamente) também não suprem a exigência da fiscalização. No caso, em se tratando de gastos com plano de saúde / assistência médica e odontológica, e consoante motivação da glosa, o aproveitamento integral dos valores pagos se subordina à comprovação de que a contribuinte seria a única beneficiária do plano (sabendo-se que a única dependente declarada não foi acatada, como antes abordado neste Voto), informação esta que não pode ser obtida dos documentos de fls. 25/27, cujo teor é genérico, não contendo a informação discriminada dos beneficiários e valores correspondentes. A destacar que é comum que o valor total pago a um plano de saúde refira-se não apenas ao titular deste, mas também a algum dependente, portanto, igualmente beneficiário no plano, de forma que, se pretendia a interessada deduzir o valor constante dos documentos de fls. 25/27, deveria ter apresentado documento hábil, emitido pelas referidas pessoas jurídicas, atestando ser ela, contribuinte, o titular e única beneficiária dos planos, providência esta que não foi adotada, ressaltando que a fiscalização, desde o início do procedimento fiscal, solicitou tal informação, cujo não atendimento, nos termos do exigido, motivou a glosa, como já exposto. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 13 Assim, não há como deduzir o total de R$ 3.982,74 (R$ 1.184,16 + R$ 2.646,58 + R$ 152,00), mantendo-se as glosas efetuadas pela fiscalização. Por fim, no que diz respeito aos pagamentos efetuados aos profissionais Claudia de Almeida Dutra (R$ 2.640,00) e Josué Felipe Rodrigues Campos (R$ 2.000,00), não há como acatar tais gastos, pois os recibos de fls. 15/17 e 21/22 informam que os serviços médicos correspondentes foram prestados a Julia Makrakis Almeida, cuja condição de dependente não foi acatada neste Voto, como antes abordado. Sabendo-se, como se depreende da legislação antes transcrita, que as despesas médicas ou de hospitalização dedutíveis, restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu próprio tratamento e/ou com seus dependentes, condição esta não comprovada no que tange a Julia Makrakis Almeida, restam mantidas as glosas. Desta forma, do total glosado (R$ 19.142,74) é de se restabelecer R$ 7.400,00 (R$ 7.200,00 + R$ 200,00), rejeitando-se, por conseqüência, R$ 11.742,74 Ao recurso voluntário e na resposta à diligência, a contribuinte apresenta documentos com vistas a reestabelecer as deduções glosadas. Dedução referente à filha Considerando que as DIRPFs do pai da dependente, carreadas aos autos em sede de diligência, demonstram que a filha foi deduzida naquela declaração, assim como respectivas despesas de instrução, bem como que não foi trazida documentação hábil a infirmar as ponderações tecidas ao longo do julgado recorrido, não merecem ser acolhidos os argumentos recursais. Destaco, por oportuno, que simples declarações juntadas pelo Sr. Edson e pela filha não tem o condão de suprir a prova exigida, ainda mais se sopesado que não cabe mais ao Fisco exigir do pai os valores que supostamente deduziu indevidamente, face ao prazo decadencial. Dedução com plano de previdência A resposta ao ofício de fls. 100 e ss. demonstram que a contribuinte aderiu a PGBL e que as contribuições feitas ao longo de 2007 amparam o valor deduzido, devendo, portanto, a dedução ser reestabelecida. Despesa com SIAS – Sociedade Ibgeana de Assistência e Seguridade Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 14 A contribuinte apresentou documento que demonstra o pagamento, para o plano de saúde, de mensalidades de R$1.993,24 e de coparticipação de R$170,07 e plano odontológico de R$114,00 (fl. 123), em benefício próprio, que devem ser reestabelecidas. Despesas com os profissionais Carlos Manuel Furtado e Ricardo Fernando de Oliveira Constato que a motivação para manutenção do lançamento cinge-se à ausência, nos recibos, do beneficiário dos serviços prestados. Da análise da legislação, tenho que a indicação do beneficiário dos serviços só deve ser obrigatória se o paciente for pessoa diversa daquela que efetuou o pagamento das respectivas despesas médicas, porque, do contrário, presume-se que aquele que efetuou o pagamento é o real beneficiário dos serviços médicos. Nesse sentido, confira-se a Solução de Consulta Interna – COSIT nº 23/2013, segundo a qual pode-se presumir que o beneficiário do serviço foi o próprio contribuinte nas hipóteses em que os recibos emitidos pelos respectivos profissionais médicos não indicam ou especificam o beneficiário do serviço, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidade, verbis: Solução de Consulta Interna – COSIT nº 23/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III.” (g.n.). Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.637 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.720761/2011-51 15 Tendo em vista que a única justificativa para a manutenção da autuação fiscal foi a ausência de discriminação do beneficiário nos recibos, devem ser reestabelecidas as despesas com os profissionais Carlos Manuel Furtado (R$ 3.000,00) e Ricardo Fernando de Oliveira (R$ 120,00). Demais despesas Quanto às demais despesas médicas discriminadas na peça recursal, observo que a despesa referente ao médico José Elvas foi reestabelecida pelo julgado recorrido, no limite do valor declarado na DIRPF (não cabendo majorar o valor da dedução, pelas razões constantes daquele julgado) e as demais não devem ser acolhidas por se referirem à filha que, como visto, não pode ser considerada dependente no ano-calendário em referência. Conclusão Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso para reestabelecer as glosas referente à previdência privada, de R$ 13.518,47, com o plano de saúde, de R$ 2.277,31, com os profissionais Carlos Manuel Furtado, de R$ 3.000,00, e Ricardo Fernando de Oliveira, de R$ 120,00. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny Fl. 170DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10480.729383/2015-94
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO REQUERIDA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. APLICAÇÃO AUTOMÁTICA DA SUSPENSÃO E COMPETÊNCIA PARA CADASTRAMENTO PELA UNIDADE DE ORIGEM.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre da própria interposição do recurso voluntário por força do inciso III do art. 151 do CTN e o cadastramento da suspensão e o requerimento de sua adequada anotação devem ser dirigidas a unidade de atendimento do domicílio fiscal do contribuinte, não competindo ao CARF decidir sobre a temática em preliminar de recurso voluntário ou em caráter liminar, assim como também não competia ao colegiado de primeira instância.
REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA.
Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTABILIDADE. PROVA.
Os livros e registros contábeis, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, fazem prova contra a pessoa jurídica a que pertencem, sendo lícito a esta, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos contábeis não correspondem à verdade dos fatos, porém se não o fizer torna-se efetivo o conteúdo escriturado.
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. SUBSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NOS INCISOS I E II DO ARTIGO 22 DA LEI Nº 8.212/1991.
A contribuição devida à seguridade social do empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, contribuição patronal e para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, será devida sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção no mercado interno.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE INAPLICÁVEL.
A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, de modo que inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal.
A contribuição devida para Terceiros, especificamente ao SENAR, pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315 (Lei nº 8.870, art. 25, §1º), será devida sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria no mercado interno e externo.
Numero da decisão: 2004-000.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Leonam Rocha de Medeiros – Relator
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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APLICAÇÃO AUTOMÁTICA DA SUSPENSÃO E COMPETÊNCIA PARA CADASTRAMENTO PELA UNIDADE DE ORIGEM. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre da própria interposição do recurso voluntário por força do inciso III do art. 151 do CTN e o cadastramento da suspensão e o requerimento de sua adequada anotação devem ser dirigidas a unidade de atendimento do domicílio fiscal do contribuinte, não competindo ao CARF decidir sobre a temática em preliminar de recurso voluntário ou em caráter liminar, assim como também não competia ao colegiado de primeira instância. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. HIPÓTESE DE NULIDADE NÃO CONFIGURADA. Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTABILIDADE. PROVA. Os livros e registros contábeis, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, fazem prova contra a pessoa jurídica a que pertencem, sendo lícito a esta, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos contábeis não correspondem à verdade dos fatos, porém se não o fizer torna-se efetivo o conteúdo escriturado. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. SUBSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NOS INCISOS I E II DO ARTIGO 22 DA LEI Nº 8.212/1991. Fl. 661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 2 A contribuição devida à seguridade social do empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, contribuição patronal e para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, será devida sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção no mercado interno. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE INAPLICÁVEL. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, de modo que inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal. A contribuição devida para Terceiros, especificamente ao SENAR, pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315 (Lei nº 8.870, art. 25, §1º), será devida sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria no mercado interno e externo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Fl. 662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 3 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 615/640), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de primeira instância (e-fls. 588/602), consubstanciada no Acórdão nº 07-38.497 - 6ª Turma da DRJ/FNS, de 16/06/2016, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. SUBSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NOS INCISOS I E II DO ARTIGO 22 DA LEI Nº 8.212/1991. A contribuição devida à seguridade social do empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, será de dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção e de um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INAPLICABILIDADE. A contribuição para o SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregador pessoa jurídica não é alcançada pela imunidade das receitas decorrentes de exportação prevista no artigo 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal de 1988, visto que é contribuição de interesse de categoria profissional e que tal imunidade abarca apenas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTABILIDADE. PROVA. Os livros e registros contábeis, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, fazem prova contra a pessoa jurídica a que pertencem, sendo lícito a esta, Fl. 663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 4 todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos contábeis não correspondem à verdade dos fatos. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O requerimento de diligência que tem como objetivo suprir a omissão do contribuinte na obtenção de provas que a ele competia produzir deve ser indeferido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para fatos geradores ocorridos nas competências destacadas na ementa do acórdão recorrido, com auto de infração juntamente com as peças integrativas e Relatório Fiscal (e-fls. 22/25) devidamente colacionados, tendo o contribuinte sido notificado em 02/10/2015 (e-fl. 29), foi bem sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo com breves adaptações quando necessárias: Trata-se de dois autos de infração lavrados contra a sociedade empresária Ara Empreendimentos Ltda (DEBCADs nº 51.063.829-5 e nº 51.063.830-9). No auto de infração de DEBCAD nº 51.063.829-5 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias substitutivas do empregador, pessoa jurídica, que se dedica à produção rural (artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.870/1994), sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, inclusive para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, relativas às competências 01/2012 a 12/2012, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros. Já no auto de infração de DEBCAD nº 51.063.830-9, que é composto por dois levantamentos, “EP - VENDA DA PRODUCAO MERC EXTERNO” e “VP – VENDA DA PRODUCAO MERC INTERNO”, foram lançadas contribuições para o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção rural própria (artigo 25, §1º, da Lei nº 8.870/1994), relativas às competências 01/2012 a 12/2012, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros. As contribuições exigidas no auto de infração de DEBCAD nº 51.063.829 5 e no levantamento “VP – VENDA DA PRODUCAO MERC INTERNO” do auto de infração de DEBCAD nº 51.063.830-9, foram apuradas, de acordo com a autoridade fiscal, com base em registros contábeis de vendas da produção rural própria para o mercado interno, apurados nas contas do Livro Razão 3.1.1.01.007- 3 e 3.1.1.01.001-0, cujos valores não foram informados pela empresa em suas GFIP’s. As contribuições exigidas no levantamento “EP – VENDA DA PRODUCAO MERC EXTERNO” do auto de infração de DEBCAD nº 51.063.830-9 foram apuradas, de acordo com a autoridade fiscal, com base em registros contábeis de vendas da produção rural própria para o mercado externo, apuradas na conta do Fl. 664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 5 Livro Razão 3.1.1.01.002-7, cujos valores a Autuada estava dispensada de informar em suas GFIP’s. A autoridade lançadora ressalta, no relatório fiscal, que “a isenção das contribuições sobre os valores das exportações da produção própria de que trata o art. 149, parágrafo 2º, inciso I, da CF e alterações introduzidas na EC 33/2001 não se estende à contribuição para outras entidades (SENAR)”. Os valores lançados referentes aos autos de infração de DEBCAD nº 51.063.829-5 e nº 51.063.830-9 correspondiam, na data da consolidação dos débitos (16/09/2015), aos montantes de, respectivamente, R$ 627.860,12 (seiscentos e vinte e sete mil e oitocentos e sessenta reais e doze centavos) e R$ 160.886,62 (cento e sessenta mil e oitocentos e oitenta e seis reais e sessenta e dois centavos). Devido à configuração, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária (artigo 337-A do Código Penal) e de crime contra a Ordem Tributária (artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/1990), a autoridade lançadora registrou que iria emitir representação fiscal para fins penais. Da Impugnação ao lançamento A impugnação (e-fls. 69/83 – Debcad 51.063.829-5; e e-fls. 352/375 – Debcad 51.063.830-9), que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme consta sumariado no relatório da decisão vergastada, pelo que peço vênia para, igualmente, reproduzir com breves adaptações quando necessárias: Irresignada em parte com as autuações, a Autuada apresentou as impugnações de fls. 69 a 83 e 352 a 375, instruídas, respectivamente, com os documentos de fls. 84 a 349 e 376 a 527. Relata que exerce a atividade de compra e venda de imóveis (CNAE 68.10- 2-01) em seu estabelecimento matriz (CNPJ 04.../0001-85) e a atividade de cultivo, produção e comercialização de uva no mercado interno e externo (CNAE 01.32-6-00) no seu estabelecimento filial inscrito no CNPJ sob o número 04..../0002-66. Frisa que, para a atividade própria de comercialização da produção rural, o seu estabelecimento filial “emite notas fiscais próprias de saída (...), submetendo- se as regras de tributação estadual e obrigações acessórias frente ao fisco estadual, a exemplo dos lançamentos contábeis próprios em ‘Sistema de Escrituração Fiscal’”. Diz que nos lançamentos contábeis constantes no “Sistema de Escrituração Fiscal” encontram-se registradas as bases de cálculo corretas das contribuições lançadas. Fl. 665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 6 Afirma que a autoridade lançadora apenas poderia considerar como base de cálculo das contribuições lançadas o produto das vendas da filial, pois apenas nesta se desempenha a atividade submetida a incidência de tais contribuições. Alega que as bases de cálculo adotadas pela autoridade fiscal não retratam a realidade, pois incluem valores não provenientes da atividade rural desenvolvida pela Autuada como a venda de imóveis. Alega que a base de cálculo dimensionada pelo fisco levou em consideração a quantia de R$ 4.001.681,18 a título de venda de imóveis e despesas operacionais. Frisa que o lançamento pela técnica do arbitramento sempre deve ser aplicado com cautela, pois admitida prova em contrário pela própria regra do artigo 148 do CTN. Diz que a base de cálculo correta deve ser verificada pela documentação apresentada juntamente com as impugnações, ou seja, “pelas saídas contabilizadas em seu ‘Sistema de Escrituração Fiscal’”. Aduz que a autoridade lançadora desprezou a imunidade das receitas de exportação prevista no artigo 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Assevera que a contribuição para o SENAR, por ser espécie do gênero contribuição social, não deve incidir sobre as receitas de exportação em razão da imunidade prevista no artigo 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Afirma que a autoridade lançadora desprezou por completo os recolhimentos que efetuou durante o ano de 2012 por meio de Guias da Previdência Social. Alega que tais recolhimentos deveriam ter sido considerados para fins de abatimento/amortização. Requer a realização de diligência para fins de apuração e verificação das repercussões ocasionadas pelos pagamentos já realizados ao longo do exercício de 2012, a título de contribuições sobre a atividade rural. Indica assistente técnico e apresenta quesito. Do Acórdão de Impugnação Na DRJ, primeira instância do contencioso tributário, lavrou-se a decisão a quo cujos fundamentos são pela procedência em parte dos pedidos deduzidos na impugnação, conforme teses sintetizadas na ementa alhures transcrita. Assentou-se que não se contesta as bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias substitutivas do empregador, pessoa jurídica, que se dedica à produção rural (art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.870), lançadas no auto de infração Debcad nº 51.063.829-5 no que se refere as receitas brutas das vendas internas de produção rural. Fl. 666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 7 Lado outro, assentou-se, ainda, que devem ser excluídos das bases de cálculo do Debcad nº 51.063.829-5 (contribuição previdenciária do produtor rural pessoa jurídica) as receitas da “venda de imóveis” (conta nº “3.1.1.01.007-3”) e que, igualmente, devem ser excluídos das bases de cálculo do Debcad nº 51.063.830-9 (SENAR, art. 25, §1º, da Lei nº 8.870) as receitas de igual natureza (receitas da “venda de imóveis”, conta nº “3.1.1.01.007-3”) constantes no levantamento “VP – VENDA DA PRODUCAO MERC INTERNO”. Assentou-se que a conta 3.1.1.01.002-7 se refere a venda da produção rural no mercado externo (Venda Produto Mercado Externo) e que a conta 3.1.1.01.001-0 se refere a venda da produção rural no mercado interno (Venda Produto Mercado Interno), de modo que não estaria provada a utilização delas com outros quaisquer tipos de receitas , não havendo suficiência probatória de lançamentos equivocados. Assentou-se que não se aplica para o SENAR a imunidade do art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, tendo natureza de contribuição de interesse de categoria profissional. Assentou-se, outrossim, que os lançamentos foram sobre bases de cálculo não declaradas em GFIP e que todos os comprovantes de recolhimento declarados foram alocados não havendo outros saldos para apropriação. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reitera termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de anular a decisão de piso por não deferir diligência ou, se superada a tese de nulidade, cancelar o lançamento de ofício lavrado pela autoridade fiscal, cancelando-se ambos os autos de infração (Debcads nsº 51.063.829-5 e 51.063.830-9). Especialmente em sede de preliminar, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sob o argumento de que impugnou em totalidade os lançamentos (Debcads nsº 51.063.829-5 e 51.063.830-9), além de requerer a nulidade da decisão da DRJ por não ter determinado a realização de perícia ou diligência. No mérito, para a totalidade do lançamento, requer que seja cancelado ou alterada a base de cálculo das contribuições arbitradas, de modo a restringir a tributação apenas sobre as saídas contabilizadas em “Sistema de Escrituração Fiscal – SEF”, sem uso de contas contábeis que possam contabilizar outras receitas (recebimentos de inadimplência de faturamentos passados), pois o SEF espelha o faturamento efetivo do período cuja receita é originada exclusivamente da venda/faturamento da produção e comercialização rural do efetivo período. Outrossim, não sendo cancelada a totalidade do lançamento pelos pleitos anteriores, requer que seja decotado do lançamento do SENAR as receitas de exportação em razão da alegada imunidade específica prevista no art. 149, §2º, da Constituição Federal. Fl. 667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 8 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio para este relator. É o que importa relatar. Passo para a fundamentação do voto analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, ao final, consignar o encaminhamento com o registro do dispositivo. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 09/09/2016, e-fl. 612, protocolo recursal em 04/10/2016, e-fl. 614, e despacho de encaminhamento, e-fl. 660), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF nº 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito - Preliminar de suspensão da exigibilidade do crédito tributário O recorrente pretende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado em sua totalidade, pois não se conforma com o capítulo da decisão da DRJ que assenta existir parcela não impugnada e que deve ser exigida de imediato seguindo para execução. Especialmente em sede de preliminar, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sob o argumento de que impugnou os lançamentos e apresentou irresignação contra a totalidade da base de cálculo lançada, de modo a não haver conformação de sua parte com a decisão da DRJ no que assevera existir base de cálculo não impugnada do Debcad nº 51.063.829-5 composta no particular por receitas de vendas no mercado interno (planilha do e-fl. 314) e por valores recolhidos e reconhecidos (planilha do e-fl. 320, no que a DRJ pondera que seria impugnado exclusivamente a diferença entre o valor das contribuições lançadas menos os Fl. 668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 9 recolhimentos indicados e reconhecidos na planilha do e-fl. 320; a parte recolhida seria confessada e, portanto, incontroversa). Sustenta o recorrente que a impugnação foi total para os Debcads nsº 51.063.829-5 (GILRAT/RURAL) e 51.063.830-9 (SENAR). Alega que o pedido é de total improcedência do lançamento notificado. Explica que existem recolhimentos realizados e não alocados (contabilizados) ao longo do exercício (2012 – período autuado), o que impõe um dever de apropriação para afastar qualquer obrigação de pagamento. Busca explicar que não haveria, neste contexto, um lançamento exclusivamente sobre valores não declarados em GFIP, impondo-se o dever de imputar os recolhimentos realizados em GPS e cancelar o lançamento. Inclusive, nesse cenário afirmativo, alega que fez diversos recolhimentos para Outras Entidades conforme GPSs e que deveria ser feito um aprofundamento, via diligência, para apropriar, identificar ou corresponder tais pagamentos aos débitos dos autos de infração fazendo a devida imputação de pagamento. Pondera que houve violação do dever de diligenciar e requisitar informações na origem o que impõe reconhecer a nulidade para retornar os autos e realizar a diligência. Diz que os recolhimentos realizados ao longo do exercício de 2012 totalizam R$ 446.114,55, dos quais R$ 150.157,96, representa recolhimentos evidenciados nas próprias GPSs a título de “outras entidades – terceiros”, o que afastaria o lançamento ao imputar os recolhimentos . Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Explico. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre da própria interposição do recurso voluntário por força do inciso III do art. 151 do CTN e o cadastramento da suspensão e o requerimento de sua adequada anotação devem ser dirigidas a unidade de atendimento do domicílio fiscal do contribuinte, não competindo ao CARF decidir sobre a temática em preliminar de recurso voluntário ou em caráter liminar. O rito do Decreto-Lei nº 70.235, que rege o processo administrativo fiscal, não prevê uma fase de concessão de antecipação de tutela ou de concessão de liminares para evitar risco de dano. Não compete ao CARF, tampouco competia ao colegiado de primeira instância, reconhecer suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Logicamente, compete aos órgãos de julgamento decidir em primeira instância a lide instaurada pela impugnação e em segunda instância o que foi objeto de recurso voluntário. Neste caso, vê-se que, a despeito da conclusão da DRJ, em sede de recurso voluntário, o contribuinte sustenta que impugnou todo o lançamento, logo estaria a matéria ainda em litígio a partir do recurso voluntário interposto, sendo competência da unidade de origem aplicar a suspensão da exigibilidade integral por força da via recursal aviada, com o argumento e pedido deduzidos. Fl. 669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 10 Sendo assim, rejeito a preliminar em comento por não competir ao CARF deferir suspensão de exigibilidade, conquanto reconheça, em obiter dictum, que há o direito à suspensão da exigibilidade, até de forma automática, porém deve ser implementada e discutida junto à autoridade administrativa na origem. - Preliminar de nulidade por não ter sido deferido pedido de diligência ou determinado a realização de perícia Como informado no capítulo anterior, o recorrente sustenta que a impugnação foi total para os Debcads nsº 51.063.829-5 (GILRAT/RURAL) e 51.063.830-9 (SENAR), isto porque haveria recolhimentos realizados e não alocados (contabilizados) ao longo do exercício (2012 – período autuado), o que exigiria um dever de apropriação do que foi recolhido e o reconhecimento de inexistência de débito, por conseguinte, cancelando-se o crédito tributário lançado. Repita-se que o recorrente busca explicar que não haveria, neste contexto, um lançamento exclusivamente sobre valores não declarados em GFIP, impondo-se o dever de imputar os recolhimentos realizados em GPS e cancelar o lançamento. Inclusive, nesse cenário afirmativo, alega que fez diversos recolhimentos para Outras Entidades , conforme GPSs, o que deveria aprofundado em diligência, a fim de apropriar, identificar ou corresponder tais pagamentos aos débitos dos autos de infração com a devida imputação de pagamento e afastamento do lançamento, pois os débitos já estariam recolhidos . Outrossim, repita-se que o recorrente pondera que houve violação do dever de diligenciar e requisitar informações na origem o que impõe reconhecer a nulidade para retornar os autos e realizar a diligência. Diz que os recolhimentos realizados ao longo do exercício de 2012 totalizarem R$446.114,55, dos quais R$150.157,96, representam recolhimentos evidenciados nas próprias GPSs a título de “outras entidades – terceiros”, o que afastaria o lançamento ao imputar os recolhimentos e, pelo encontro de contas, reconhecer não haver dívidas tributárias a tal título. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Ora, conforme a Súmula CARF nº 163, tem-se o entendimento segundo o qual: “O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021).” No caso, em circunstâncias de alegado direito creditório a apropriar, compete ao contribuinte produzir toda a prova acerca do seu aduzido crédito. A alegação não pode ser circunstancial ou meramente retórica, sendo necessário a concatenação, a demonstração efetiva e minuciosa com comprovação documental baseada em escrituração fiscal e contábil sustentável e com suficiência probatória com a cadeia que lastreia o suposto crédito, sendo ônus do sujeito Fl. 670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 11 passivo bem demonstrar o seu direito de crédito, sendo inoportuno o pedido de diligência ou de perícia para buscar atender ônus de prova que lhe compete. A perícia ou diligência caberá, exclusivamente, para solucionar dúvidas ou confirmar fatos; não para substituir ônus probatório da parte. Ademais, sendo a matéria exclusivamente de direito e tendo as partes produzido a prova na forma regulamentar, a perícia ou diligência não é necessária para a tomada de decisão. De mais a mais, no específico caso posto o que se observa em concreto é situação na qual os recolhimentos observados se referem a fatos geradores confessados, inclusive reconhecidos em GFIP, sendo que o lançamento em essência trata dos fatos geradores não reconhecidos e, portanto, não declarados em GFIP (exceto para as vendas ao mercado externo). Não consta suficientemente demonstrado que, por hipótese, o que foi reconhecido e declarado em GFIP tenha tido por eventualidade um pagamento a maior e, assim, haveria uma sobra para obstar o que não foi declarado e evitar o lançamento. O lançamento dos autos se refere a fatos geradores não declarados em GFIP (exceto para as vendas ao mercado externo) e, daí, não recolhidos. O que foi recolhido foi objeto de declaração, sendo situação diversa. Aliás, importante consignar que estes autos não tratam de pedido de restituição para uma eventual hipótese de apropriar um suposto recolhimento a maior e reiterando-se que sequer há a demonstração concatenada do hipotético direito de crédito. Demais disto, se os fatos geradores que se deixou de declarar não o foram porque não se trata efetivamente de base tributável, se não seriam efetivos fatos imponíveis para a tributação, o debate e verificação é matéria objeto do mérito. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício dos autos de infração identificados pelos Debcads nsº 51.063.829-5 (RURAL; e GILRAT) e 51.063.830-9 (SENAR). A base tributável constituída nos lançamentos são fatos geradores não declarados, o que foi constatado pela confrontação da análise das GFIPs e da escrituração contábil da empresa no escopo de analisar o correto recolhimento das contribuições fiscalizadas e lançadas. Houve, outrossim, lançamento sobre base tributável que não era obrigado a declarar (vendas de produção no mercado externo; neste ponto, o lançamento foi exclusivo em relação à Terceiros – SENAR). Consta que no Debcad nº 51.063.829-5 (RURAL; e GILRAT) foram lançadas contribuições sociais previdenciárias substitutivas do empregador, pessoa jurídica, que se dedica à produção rural (art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.870), sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, inclusive para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, relativas às competências 01/2012 a 12/2012, acrescidas de Fl. 671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 12 multa de ofício de 75% e juros de mora SELIC. Isto é, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa jurídica. Consta que no Debcad nº 51.063.830-9 (Terceiros) foram lançadas contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção rural própria (art. 25, §1º, da Lei nº 8.870), relativas às competências 01/2012 a 12/2012, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora SELIC. Isto é, a contribuição ao SENAR. Tem-se informado que no Debcad nº 51.063.829-5 (RURAL e GILRAT) as bases de cálculo foram levantadas por arbitramento a partir de registros contábeis de vendas da produção rural própria para o mercado interno, apurados na conta do Livro Razão 3.1.1.01.001-0, cujos valores não foram informados pela empresa em suas GFIPs. Tem-se o mesmo para o levantamento “VP – VENDA DA PRODUCAO MERC INTERNO” do Debcad nº 51.063.830-9 (SENAR). No Debcad nº 51.063.830-9 (SENAR) as bases de cálculo também foram integralmente levantadas por arbitramento. Dois são os levantamentos, sempre apurados sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção rural própria, quais sejam: “VP – VENDA DA PRODUCAO MERC INTERNO” (comentado acima, relativo às vendas mercado interno) e “EP - VENDA DA PRODUCAO MERC EXTERNO” (relativo às vendas mercado externo). Com relação ao levantamento “EP – VENDA DA PRODUCAO MERC EXTERNO” do Debcad nº 51.063.830-9 (SENAR) as bases de cálculo foram levantadas por arbitramento a partir de registros contábeis de vendas da produção rural própria para o mercado externo, apuradas na conta do Livro Razão 3.1.1.01.002-7, cujos valores o contribuinte estava dispensado de declarar em GFIPs. A autoridade lançadora ressalta, no relatório fiscal, que as contas contábeis deveriam estar refletidas nos recolhimentos e deveriam convergir com o declarado em GFIP, para os casos de declaração obrigatória. O lançamento ocorreu nas hipóteses de divergência. A autoridade lançadora ressalta, ainda, que não ocorre a imunidade para o SENAR em relação as receitas do mercado externo, sendo inaplicável o art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal, com alterações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 33. O contribuinte não se conforma e sustenta tese diametralmente oposta. O recorrente aduz que uma de suas atividades empresariais (apenas de uma Filial, 0002) é dedicada ao cultivo, produção e comercialização no mercado interno e externo/exportação de Uva – CNAE 01.32-6-00, assim estaria submetida ao recolhimento de contribuições para previdência social (Rural - 2,5%), bem como sobre o fator de risco do trabalho (GILRAT – 0,1%) e às destinadas a outras entidades (SENAR – 0,25%), tudo incidente sobre a produção e comercialização da produção rural em mercado interno exclusivamente. Fl. 672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 13 Em especial, o recorrente alega que o lançamento foi por arbitramento e que não se pode utilizar os lançamentos contábeis realizados pela Matriz em balancetes contáveis de verificação, pois envolvem receitas da Matriz e da Filial. Assim, crítica a auditoria. Sustenta que tais lançamentos não poderiam ser entendidos como sendo “Receita exclusiva da produção e comercialização da produção rural” . Alega, ainda, que a base de cálculo correta deve ser verificada pelas saídas e CFOPs contabilizados em seu “Sistema de Escrituração Fiscal – SEF”, o qual deve ser o considerado na decisão final de mérito, e não pelos registros contábeis da matriz e da filial de modo conjunto. Diz, também, que houve apropriação inadvertida de receitas de exercícios passados. Sustenta que foram considerados ingressos de caixa de clientes inadimplentes em exercícios anteriores que passaram para a situação de adimplentes. Alega que essa adimplência não é receita proveniente da produção rural de 2012, pois não reflete receitas da produção rural do referido período (faturamento), mas “saldos a receber” (outras receitas) de adimplemento de inadimplência passada (anterior), o que não leva os valores para a base de cálculo das contribuições devidas em 2012, que é o ano autuado. Sustenta, adicionalmente, que as receitas de exportação não podem compor base de cálculo do SENAR considerando a natureza jurídica que possui. Pelo contexto é preciso fazer a análise pelo crivo do debate sobre o arbitramento a partir da contabilidade avaliando a correção, ou não, das bases de cálculo quando utilizam contas contábeis e confrontam com GFIP no caso da venda no mercado interno; ou quando utilizam a contabilidade no caso de venda ao mercado externo SENAR; enquanto outra análise é a tributação ou não em favor do SENAR a partir das receitas de exportação em razão de discussão sobre a imunidade, ou não, diante da natureza jurídica da contribuição ao SENAR em análise com o art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal. Passo a análise em capítulos. - Bases de cálculo dos levantamentos dos autos de infração a partir d o arbitramento com base na contabilidade O recorrente se insurge contra o lançamento e requer o cancelamento dos autos de infração. Neste capítulo, ele crítica a metodologia de arbitramento utilizada, a qual partiu da escrituração contábil da empresa. Diz que não se pode utilizar a contabilidade, devendo-se focar nos CFOPs da escrituração fiscal para se entender quais as vendas de produção própria no exercício. O recorrente alega que deveria se utilizar exclusivamente o Sistema de Escrituração Fiscal (SEF) e não registros contábeis, pois estes podem distorcer a receita da comercialização da produção própria do período dos fatos geradores (ano de 2012), como teria ocorrido no caso concreto, eis que leva em consideração receitas da matriz e da filial de forma conjunta, além de incluir valores de inadimplência de anos anteriores convertidos em adimplemento no ano Fl. 673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 14 fiscalizado que não devem compor base de cálculo por não serem faturamento do ano auditado, mas receitas de exercícios passados. Pois bem. A despeito dos argumentos do recorrente, não lhe assiste razão. Explico. Veja-se. As bases de cálculo do Debcad nº 51.063.829-5 (RURAL e GILRAT) foram levantadas por arbitramento a partir de registros contábeis de vendas da produção rural própria para o mercado interno, apurados na conta do Livro Razão 3.1.1.01.001-0, cujos valores não foram informados pela empresa em suas GFIPs, enquanto as bases de cálculo do Debcad nº 51.063.830-9 (SENAR) foram levantadas por arbitramento a partir de registros contábeis de vendas da produção rural própria para o mercado externo, apurados nas contas do Livro Razão 3.1.1.01.002-7, cujos valores o contribuinte estava dispensado de declarar em GFIPs. O ponto nefrálgico é que os livros e registros contábeis fazem prova contra a pessoa jurídica a que pertencem, salvo se comprovado erro, o que não consta evidenciado nos autos (CPC, art. 417 e 419; Código Civil, art. 226; Decreto-Lei nº 1.598, art. 9º, §1º; Decreto 7.574, arts. 17 e 26). A fiscalização não criou fatos, apenas analisou os próprios registros contábeis do contribuinte e, apesar de ele teorizar sobre receitas de exercícios passados ou sobre análises de balancetes que levariam em conta dados da matriz, não é isso que se vê nas bases de cálculo mantidas na DRJ. Acertadamente a primeira instância afastou as receitas de vendas de imóveis. No que restou mantido, se verifica receitas do próprio exercício fiscalizado devidamente registradas nas contas contábeis e estes registros, a míngua de comprovação de erro de fato, devem ser considerados pela auditoria fiscal. A fiscalização não tem o dever, tampouco o ônus de se concentrar exclusivamente na escrituração fiscal, com análise exclusiva de CFOPs dos “Sistema de Escrituração Fiscal – SEF”. A auditoria se realiza e procede verificando toda a escrituração contábil, fiscal, societária e previdenciária-tributária para fins de analisar o correto recolhimento das contribuições previdenciárias e de Terceiros. O que se observa nos autos são bases tributáveis plenamente constituídas no que mantido em primeira instância (e-fls. 2/25; e e-fls. 588/602) constando, por regra, fatos geradores não declarados em GFIP por omissão quando era obrigatória a declaração, mas também havendo bases tributáveis nas quais não era obrigada a declaração (vendas ao exterior), embora fosse exigido o recolhimento. A fiscalização, ao fim e ao cabo, constatou os não recolhimentos e a ocorrência dos fatos geradores a partir das análises da contabilidade, sem prejuízo com a confrontação de GFIPs, GPSs e da escrituração fiscal. Houve uma análise ampla, confrontada e sopesada, com as análises pertinentes e corretas. Verificou-se que as GPSs recolhidas estavam associadas ao conteúdo declarado em GFIP, enquanto o lançamento focou no conteúdo não declarado e não recolhido. O lastro do lançamento se identifica nas contas contábeis associadas com a comercialização da produção, não havendo a comprovação por parte do recorrente que as contas contábeis contenham algum erro identificado ou que se refiram a exercícios passados. Fl. 674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 15 Neste cenário, sobre as receitas identificadas na contabilidade e não identificadas nos recolhimentos efetivados no ano de 2012, são devidas as contribuições sociais previdenciárias substitutivas do empregador, pessoa jurídica, que se dedica à produção rural (art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.870), sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, inclusive para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, relativas às competências 01/2012 a 12/2012 (Debcad nº 51.063.829-5 – RURAL e GILRAT), assim como são devidas as contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção rural própria (art. 25, §1º, da Lei nº 8.870), relativas às competências 01/2012 a 12/2012 (Debcad nº 51.063.830-9 – Terceiros/SENAR). Registra-se, outrossim, que em relação às contas contábeis nsº 3.1.1.01.002-7 e 3.1.1.01.001-0, utilizadas pela autoridade fiscal para apurar as bases de cálculo dos lançamentos, o próprio título das referidas contas registrados no livro razão comprovam que se referem, respectivamente, a venda da produção rural no mercado externo (Venda Produto Mercado Externo) e venda da produção rural no mercado interno (Venda Produto Merc. Interno). Cabe ressaltar que o ordenamento jurídico brasileiro, ao tratar da força probante da escrituração contábil, é expresso ao determinar que os l ivros e registros contábeis fazem prova contra a pessoa jurídica a que pertencem, sendo lícito a esta (pessoa jurídica), todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos contábeis não correspondem à verdade dos fatos, o que não se efetivou com suficiência probatória. No caso analisado, observa-se não ter sido apresentada nenhuma prova que demonstre que os registros efetuados nas contas contábeis “3.1.1.01.002-7 – Venda Produto Mercado Externo” e “3.1.1.01.001-0 – Venda Produto Merc. Interno” não se referem, respectivamente, a venda de produção rural no mercado externo e a venda de produção rural no mercado interno; ou que sejam faturamentos de fatos passados já tributados. Como bem anotou a DRJ, observe-se que a documentação colacionada com a impugnação em nenhum momento especificou quais, por hipótese, seriam lançamentos contábeis equivocados escriturados nos registros do Livro Razão nas respectivas contas contábeis utilizadas no procedimento a partir dos trabalhos de verificação da auditoria. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Imunidade, ou não, do contribuinte em relação às contribuições ao SENAR no contexto das receitas de exportação O recorrente se insurge contra o lançamento e requer o cancelamento dele no que computou como base de cálculo do SENAR receitas de exportação de comercialização de produção rural própria. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Explico. Cuida-se de discussão sobre “Imunidade da contribuição ao SENAR sobre as receitas de operações de exportação”. Por outras palavras, trata-se de debate sobre se enquadrar, ou não, Fl. 675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 16 a contribuição ao SENAR na imunidade do inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal que considera não incidir contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Em outro ângulo, a discussão poderia ser deliberada quanto a investigar qual a natureza jurídica da contribuição ao SENAR, pois apenas se for considerada uma contribuição social geral ou uma contribuição de intervenção no domínio econômico é que ocorrerá a imunidade. De início, comenta-se que em 14/10/2024 o Supremo Tribunal Federal (STF) veiculou em seu noticiário na internet, em sua página na world wide web – www, o seguinte1: STF vai decidir se contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural tem natureza social Questão constitucional é tratada em recurso extraordinário que teve repercussão geral reconhecida. 14/10/2024 16:44 O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se a contribuição devida pelo empregador rural ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem caráter social geral ou de interesse de categoria profissional para efeitos de incidência de imunidade tributária. A matéria é objeto do Recurso Extraordinário (RE) 1310691, que teve a repercussão geral reconhecida no Plenário Virtual. Com isso, a tese a ser definida, em data ainda não marcada, deverá ser seguida pelos tribunais do país. Imunidade A Lei 8.212/1991 prevê que a contribuição devida pelo empregador rural ao Senar é de 0,25% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. De acordo com o artigo 149 da Constituição Federal, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidem sobre as receitas decorrentes de exportação. No recurso, uma fabricante de fios de seda questiona decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) que entendeu que a contribuição ao Senar deveria incidir sobre suas receitas de exportação. Para o TRF-4, essa contribuição é de interesse de categoria profissional e, portanto, não está sujeita à imunidade prevista no artigo 149 da Constituição, restrita às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Caráter social No STF, a fabricante argumenta que a contribuição ao Senar financia ações de cunho social, como atividades de formação profissional do trabalhador e do produtor rural. Dessa forma, deve ser classificada como contribuição social geral. 1 https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-vai-decidir-se-contribuicao-ao-servico-nacional-de-aprendizagem-rural-tem-natureza-social/ Fl. 676DF CARF MF Original https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-vai-decidir-se-contribuicao-ao-servico-nacional-de-aprendizagem-rural-tem-natureza-social/ D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 17 Pede, assim, que seja reconhecido o direito de não recolher a contribuição incidente sobre as receitas oriundas da exportação de sua produção. Posicionamento uniforme Ao se manifestar pela repercussão geral do tema, o ministro André Mendonça, relator do recurso, observou que alguns ministros já se posicionaram tanto no sentido de que a contribuição ao Senar é uma contribuição social geral quanto no de que se trata de contribuição no interesse de categoria profissional ou econômica. Por isso, considera necessário abrir o debate para construção, ainda que por maioria, de um posicionamento uniforme, com efeitos vinculantes. O Tema 1320, da Repercussão Geral do STF, foi cadastrado pela Excelsa Corte para assentar tese sobre a “Imunidade da contribuição devida pelo empregador rural ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) incidentes sobre as receitas decorrentes de exportações”, o que ocorrerá a partir da solução de tese nos autos do RE 1.310.691, sob a relatoria da Sua Excelência o Ministro André Mendonça. A repercussão geral foi reconhecida em decisão de 13/09/2024, em Plenário Virtual. Em sua Manifestação, seguida à unanimidade, o Excelentíssimo Ministro André Mendonça consigna: Plenário Virtual MANIFESTAÇÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão prolatado pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL – SENAR. AGROINDÚSTRIA. ARTIGO 22A DA LEI 8.212/91. CONSTITUCIONALIDADE. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR é de interesse de categoria profissional, não estando sujeita à imunidade prevista no artigo 149, § 2º, inciso I, da Lei nº 8.315/91, acrescentado pela EC nº 33/2001, restrita às contribuições sociais e às contribuições de intervenção no domínio econômico.” (e-doc. 41). 2. Os embargos de declaração opostos foram desprovidos (e-doc. 49). 3. No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento na alínea “a“ do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violado o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição da República. 3.1. Pede “que o presente Recurso Extraordinário seja recebido, conhecido e provido, para, reformando o acórdão recorrido: a) Assegurar o direito líquido e certo das Recorrentes de não recolherem a contribuição ao SENAR, incidente sobre as receitas oriundas da exportação de sua produção, prevista no artigo 22A, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 (alterada pela Lei nº 10.256/2001), face à imunidade, prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, introduzida pela Emenda Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 18 Constitucional nº 33/2001; e, em consequência b) Declarar e reconhecer que foram indevidos os recolhimentos da contribuição prevista no artigo 22A, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, ao SENAR, incidente sobre as receitas oriundas de exportação, assegurando o direito das Recorrentes de compensarem, após o trânsito em julgado da decisão, os valores da contribuição pagos a maior, com contribuições vincendas com a mesma destinação, com relação ao indébito recolhido antes da utilização do eSocial, e com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal para o período posterior à utilização do eSocial, em respeito ao disposto no artigo 26-A da Lei nº 11.457/2007, incluído pela Lei nº 13.670/2018, acrescidos de SELIC, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995, sem quaisquer restrições administrativas, oriundas de atos infralegais, até que se esgotem os créditos por ela detidos. Alternativa e sucessivamente, caso este Egrégio Supremo Tribunal entenda pela impossibilidade de exame do pedido para declarar com indevidos os recolhimentos realizados nos últimos cinco anos, requerido na alínea ‘b’ supra, tendo em vista que o acórdão recorrido não assegurou o próprio direito creditório pleiteado pelas Recorrentes, requerem que seja determinado o retorno dos autos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região para que o apelo das Recorrentes seja analisado neste aspecto” (e-doc. 51, p. 18- 19). 4. Em contrarrazões, a União argumenta que, “a depender da interpretação a ser dada pelo Supremo Tribunal Federal no que se refere à natureza jurídica da contribuição ao SENAR, as receitas decorrentes de exportação estarão ou não submetidas à imunidade prevista no art. 149, §2º, I, da CF. Nesse contexto, conforme informações fornecidas pelo SENAR, a partir da análise de dados de exportação, disponíveis no Portal do Ministério da Agricultura, a perda de arrecadação, caso haja o reconhecimento da imunidade das receitas de exportação, será na ordem de 54%” (e-doc. 134, p. 3). 4.1. Ressalta que “há divergência de entendimento entre os Ministros desta Colenda Corte, acerca da natureza jurídica da contribuição em comento, o que reforça a necessária afetação do presente tema para aprofundamento e debate na Corte, a fim de se definir, com segurança jurídica, qual a natureza jurídica da contribuição ao SENAR e seu corolário sobre receitas imunes” (e-doc. 134, p. 4). 4.2. Pede “seja o processo submetido à sistemática da repercussão geral, como leading case, em atenção aos artigos 1036 e seguintes do CPC, c/c o artigo 323 do Regimento Interno do STF, para reconhecer a natureza constitucional do debate e a existência de repercussão geral, com posterior julgamento do seu mérito” (e- doc. 134, p. 7). 5. O processo foi devolvido para a 1ª Turma do Tribunal de origem em razão do Tema nº 801 do ementário da Repercussão Geral, que manteve o acórdão recorrido, nos termos da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE DISTINÇÃO. TEMA 801 DO STF. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. A discussão da presente Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 19 demanda é a inexigibilidade da contribuição ao SENAR incidente sobre as receitas oriundas da exportação de sua produção, prevista no artigo 22 -A, § 5º, da Lei nº 8.212/91, face à imunidade prevista no artigo 149 da CRFB, introduzida pela EC n° 33/2001. Logo, a matéria é diversa daquela tratada no Tema 801 do STF. ‘Distinguishing’ realizado.” (e-doc. 101). 6. Encaminhei os autos à Procuradoria-Geral da República que manifestou-se pelo desprovimento do recurso extraordinário (e-doc. 148). É o relatório. Passo à manifestação. 7. O recurso extraordinário deve ser conhecido. Inicialmente, porque atendidos os requisitos de admissibilidade, com a apresentação da preliminar de repercussão geral devidamente fundamentada, tendo a parte recorrente deduzido seu pleito com base na alínea “a” do permissivo constitucional, por suposto vilipêndio ao art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição da República. 8. A controvérsia a ser examinada neste processo não é nova para este Pretório Excelso, relativa à contribuição devida pelo empregador rural ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), sob uma alíquota de 0,25% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, conforme previsão do art. 22-A, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: “Art. 22-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (...) § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).” 9. A respeito dessa contribuição, manifestou-se o Supremo Tribunal Federal, primeiramente, no Tema nº 801 do ementário da Repercussão Geral, quando julgada constitucional a exação prescrita no art. 2º da Lei nº 8.540, de 1992. Confira-se a ementa daquele leading case: “EMENTA: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Direito tributário. Contribuição ao SENAR. Sistema S. Artigo 240 da CF. Alcance. Natureza jurídica de contribuição social geral. Artigo 149 da CF. Contribuinte empregador rural pessoa física. Base de cálculo. Substituição. Receita bruta da comercialização da produção. Artigo 2º da Lei nº 8.540/91, art. 6º da Lei nº 9.528/97 e art. 3º da Lei nº 10.256/01. Constitucionalidade. Critérios da finalidade e da referibilidade atendidos. Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 20 1. A contribuição ao SENAR, embora tenha pontos de conexão com os interesses da categoria econômica respectiva e com a seguridade social, em especial com a assistência social, está intrinsecamente voltada para uma contribuição social geral. Precedente: RE nº 138.284/CE, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 28/8/92. 2. O art. 240 da Constituição Federal não implica proibição de mudança das regras matrizes dos tributos destinados às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Preservada a destinação (Sistema S), fica plenamente atendido um dos aspectos do peculiar critério de controle de constitucionalidade dessas contribuições, que é a pertinência entre o destino efetivo do produto arrecadado e a finalidade da tributação. 3. Foi fixada a seguinte tese para o Tema nº 801: ‘É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01’. 4. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento.” (RE nº 816.830-RG/SC, Tema RG nº 801, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, j. 17/12/2022, p. 24/04/2023). 10. Mais recentemente, esta Corte Maior estabeleceu outro importante precedente quanto à constitucionalidade da contribuição ao Senar, nos moldes constantes do art. 25, incs. I e II, e § 1º, da Lei nº 8.870, de 1994, tomando como referência a Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Cabe destacar: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO CONSTITUCIONAL. TEMA 651 DA REPERCUSSÃO GERAL. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. ANTES DA EC 20/1998, A CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIA O FATURAMENTO COMO UMA DAS BASES DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR PARA A SEGURIDADE SOCIAL, MAS NÃO A RECEITA. ART. 25, I e II, DA LEI 8.870/1994, REDAÇÃO ANTERIOR À EC 20/1998. BASE DE CÁLCULO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 25, I e II, DA LEI 8.870/1994, DADA PELA 10.256/2001. BASE DE CÁLCULO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO; E CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. ART. 25, PARÁGRAFO 1º, DA LEI 8.870/1994, INCLUSIVE NA REDAÇÃO DADA PELA 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Trata-se de Recurso Extraordinário interposto pela UNIÃO, no qual sustenta a compatibilidade com o art. 195, I, da CARTA MAGNA, na redação anterior à EC 20/1998, da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural, produtor rural pessoa jurídica; e da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, ambas previstas no artigo 25, incisos I e II, e parágrafo primeiro, da Lei 8.870/1994. Fl. 680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 21 2. É pacífica a jurisprudência desta CORTE no sentido de que as contribuições sociais podem ser instituídas por lei ordinária, desde que se insiram nas hipóteses do artigo 195 da Constituição Federal. É imprescindível lei complementar somente para a criação de nova fonte de custeio não prevista constitucionalmente. 3. Antes da EC 20/1998, a Constituição Federal previa o faturamento como uma das bases de cálculo da contribuição do empregador para a seguridade social, mas não a receita. Dessa forma, em relação ao período anterior à EC 20/1998, é inconstitucional o art. 25, I e II da Lei 8.870/1994, que estabelecia como base de cálculo a receita bruta proveniente da comercialização da produção do produtor rural pessoa jurídica. Ressalva, no ponto, do entendimento do redator para o acórdão. 4. A EC 20/1998 passou a prever com uma das bases de cálculo da contribuição do empregador para a seguridade social, além do faturamento, também a receita. Assim, é constitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.870/1994, na redação dada pela Lei 10.256 /2001. 5. É prescindível o regramento por meio de lei complementar, pelo que não se vislumbra contrariedade ao art. 195, I, b, e § 4º, com a remissão feita ao art. 154, I, ambos da CF. Esta CORTE já reconheceu que, quando há autorização constitucional para a instituição da contribuição, inexiste violação aos artigos 154, I e 195, § 4º, da Carta da República. 6. O art. 195, § 4º, com a remissão feita ao art. 154, I, ambos da CF, vedam a cumulatividade e o bis in idem, quando da criação de novos impostos ou contribuições sociais. No presente caso, não se trata de nova fonte de custeio para a seguridade social, uma vez que está assentada no art. 195, I, da CARTA MAGNA, na redação da EC 20/1998. 7. Ainda que assim não fosse, a vedação constitucional impede a criação de imposto ou contribuição social novos com fato gerador ou base de cálculo próprios de imposto ou contribuição social já existentes, não sendo vedada, porém, a criação de uma contribuição social prevista no texto constitucional com fato gerador ou base de cálculo idênticos aos de imposto já existente. 8. Do mesmo modo, o princípio da não cumulatividade dos novos tributos alude tão somente àquela cumulatividade que resulta da tributação de operações em cadeia, decorrente da sobreposição de incidências, não se referindo tal proibição à cumulação de dois tributos já previstos na Constituição, incidentes sobre o mesmo fato gerador. 9. Em síntese, tanto a contribuição prevista no 25, I e II, da Lei 8.870/1994, na redação da Lei 10.256/2001, devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, como a COFINS, já estavam autorizadas pela Constituição Federal, respectivamente pelos artigos 195, I, da CF, na redação posterior à EC 20/1998, e 56 do ADCT. Esse último preceito, que expressamente recepcionou o FINSOCIAL, veio a ser substituído Fl. 681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 22 pela COFINS. Não há portanto, bis in idem não autorizado pela Constituição Federal. 10. Por mais forte razão, o parágrafo 1º do art. 25 da Lei 8.870/1994, que destina contribuição para o SENAR, compatibiliza-se com a Constituição Federal, que, no ponto, expressamente autoriza a superposição tributária sobre fatos geradores idênticos. inclusive na redação conferida pela Lei nº 10.256 /2001. 11. Em acréscimo, o art. 62 do ADCT remete a legislação do SENAR aos mesmos aos moldes do regramento das demais entidades de serviço social e formação profissional. A contribuição para o SENAR não se submete aos ditames do art. 195, § 4º, com a remissão ao art. 154, I, da Constituição, uma vez que seu fundamento de validade reside no art. 149 da CF, e não no art. 195 da CF, razão pela qual inaplicáveis as vedações previstas naqueles dispositivos constitucionais. 12. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Tema 651, fixada a seguinte tese de repercussão geral: ‘I - É inconstitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.870/1994, na redação anterior à Emenda Constitucional nº 20/1998; II - É constitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.870/1994, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001; III - É constitucional a contribuição social destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), de que trata o art. 25, § 1º, da Lei nº 8.870/1994, inclusive na redação conferida pela Lei nº 10.256/2001’.” (RE nº 700.922-RG/RS, Tema RG nº 651, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ Ac. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, j. 15/03/2023, p. 16/05/2023). 11. É certo que essas assentadas muito contribuíram para o entendimento do tributo em questão, de modo a balizar, ainda que em obiter dictum, alguns parâmetros importantes, como a referibilidade, finalidade, base de cálculo, forma de instituição, entre outros. 12. O que sobressai, neste e noutros feitos pendentes de apreciação definitiva pelos eminentes membros desta Suprema Corte, é a compreensão sobre a espécie da contribuição ao Senar em face da regra de imunidade das contribuições sociais e de contribuições de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportações, conforme o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição da República, incluído a partir da Emenda nº 33, de 2001: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem Fl. 682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 23 prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.“ (destaques acrescidos). 13. Ainda que alguns Ministros tenham externado posicionamento expresso quanto à qualidade de contribuição social geral ou contribuição no interesse de categoria profissional ou econômica, entendo necessário instaurar o debate entre os membros deste Excelso Pretório para construção, ainda que pela maioria, de um posicionamento uniforme, com efeitos vinculantes, tendo em vista a pacificação social. 14. Apenas para citar alguns exemplos, está suspenso o julgamento do ARE nº 1.369.122-AgR-segundo-ED/SP, na Primeira Turma, de relatoria do e. Min. Flávio Dino, e do qual consta uma divergência aberta pelo e. Min. Cristiano Zanin. Cito o também suspenso julgamento dos embargos de divergência no RE nº 1.363.005/SP, distribuído ao e. Min. Nunes Marques e já destacado pelo e. Min. Alexandre Moraes. 14.1. Neste último, entendo que, embora fôssemos todos apreciar os embargos de divergência, não estaríamos a resguardar a mesma segurança jurídica do que sob a sistemática da repercussão geral, cujo desiderato é a prolação de uma tese vinculante, e, ainda que permita, mais amplamente, o debate com a sociedade, em razão da publicidade, da intervenção de amicus curiae e até de uma possível decisão de suspensão provisória de feitos semelhantes. 15. A questão jurídica é de relevância notória, como pontuei, a respeito da caracterização da contribuição para efeito da incidência da imunidade sobre exportações. Os processos, sobre o mesmo tema, avolumam-se nos gabinetes desta Suprema Corte. Informações trazidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária indicam impacto de 54% na arrecadação, em valor próximo de um bilhão de reais. Enfim, tudo a sobejamente demonstrar o preenchimento dos requisitos da repercussão geral, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição da República e do art. 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil. 16. Ante o exposto, manifesto-me no sentido de reconhecer a repercussão geral da seguinte questão constitucional: saber se a contribuição ao Senar, prevista no art. 22-A, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, é contribuição social geral ou contribuição de interesse de categoria profissional para efeitos da incidência, ou não, da imunidade de receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2º, inc. I, CRFB). É a manifestação. Ministro ANDRÉ MENDONÇA Relator Fl. 683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 24 Vê-se, portanto, que o assunto é controvertido e instigante. Ainda assim, a temática não é nova neste Conselho e já foi objeto de minha análise em relatoria própria em julgamento outro, ocasião em que compreendi que a contribuição ao SENAR possui natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação que só abrange as contribuições sociais (gerais) e as contribuições destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros (trading companies). Ora, a contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) devida pelo produtor rural pessoa jurídica tem fundamento no § 1º do art. 25 da Lei nº 8.870, acrescentado pela Lei nº 10.256, de 2001, que determina que o produtor rural pessoa jurídica deve contribuir para o SENAR com o adicional de 0,25% da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria, sendo certo que foi instituída com a finalidade específica de custear atividades em benefício dos trabalhadores rurais. Pode-se extrair da Lei nº 8.315, de 1991, que criou o SENAR, que a contribuição em questão é paga por integrantes de um grupo específico, sendo revertido em benefício deste grupo, restando patente a sua conformação à hipótese de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Para afastar quaisquer dúvidas acerca da natureza desta contribuição, é de se registrar o que consta em informativo intitulado “Conhecendo o SENAR”, disponibilizado pelo próprio SENAR, na Internet, no endereço eletrônico www.senar.org.br: (...) Criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, e regulamentado pelo Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, o SENAR tem o objetivo de organizar, administrar e executar, em todo o território nacional, a Formação Profissional Rural (FPR) e a Promoção Social (PS) de jovens e adultos, homens e mulheres que exerçam atividades no meio rural. Começou a atuar, de fato, em 1993. (...) Para o custeio das ações, o SENAR tem como fonte de recurso a contribuição mensal compulsória recolhida por produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, e tem caráter corporativo, de interesse de categoria profissional e econômica. A natureza jurídica da contribuição do SENAR é distinta da contribuição previdenciária (FUNRURAL) e, embora, por razões operacionais, tenha seu recolhimento efetuado na mesma Guia da Previdência Social – GPS, difere-se desta em sua destinação e objetivo. A contribuição ao SENAR é de 0,2% para produtor rural pessoa física e 0,25% para produtor rural pessoa jurídica sobre a receita bruta oriunda da produção agropecuária paga pelos produtores rurais... Fl. 684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 25 (...) Logo, é de ser reconhecida se tratar de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas. De mais a mais, as referidas razões de decidir, estão em sintonia com os precedentes deste Egrégio Conselho, veja-se: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE INAPLICÁVEL. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, de modo que inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição. (Acórdão CARF 9202-011.521, Rel. Cons. Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. (Acórdão CARF 9202-006.510, Relatora Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz) No mesmo sentido: Acórdão CARF 9202-006.595 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (Acórdão CARF 9202-007.578, Relatora Conselheira Elaine C. M. e S. Vieira) Fl. 685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 26 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. (Acórdão CARF 9202-008.161, Relator Conselheiro Maurício Nogueira Righetti) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2002 SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. É devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Acórdão CARF 2202-003.907, Relator Conselheiro Martin da Silva Gesto) Adicionalmente, em sessão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), datada de 26/09/2023, no Processo nº 11634.720186/2017-33 (Acórdão CARF nº 9202-011.015), foi decidido que a natureza jurídica do SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas. Referida decisão manteve, pelos seus próprios fundamentos, o Acórdão 2202-008.409, cuja decisão foi unânime, decorrente de sessão de julgamento de 14/07/2021, cuja ementa sintetiza: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de Fl. 686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 27 interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros (trading companies), não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Neste prisma, a contribuição ao SENAR possui natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas . A uma, porque a mencionada contribuição possui a mesma estrutura normativa das relativas ao SENAI e ao SESC/SENAC, sendo essas dotadas de reconhecida natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, conforme entendimentos do STF (a exemplo do AI nº 610.247). A duas, porque as categorias econômicas de contribuintes ligados ao SENAR inegavelmente se beneficiam de forma direta do tributo, havendo competente organização corporativa por meio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), sendo seu objetivo proporcionar desenvolvimento à atuação do produtor rural, por isso exigida de contribuintes vinculados ao específico setor beneficiado e a arrecadação é, assim, destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Pretender uma categorização como contribuição social geral, sob argumento, como por vezes exposto, que têm finalidade de educação e que essa é competência do Estado, não me parece trazer luzes concretas a definição da natureza jurídica da contribuição destinada ao SENAR . É que, em relação a educação, qualquer categoria profissional ou econômica possui parcela de interesse refletido em atividades educacionais. O ponto aqui é observar que a contribuição ao SENAR, no ponto em que promove atividades educacionais, o faz com escopo muito específico voltado à categoria econômica específica de produtores rurais no contexto da atividade econômica do agro e toda a categoria econômica se beneficia diretamente da contribuição. É a forma de estimular e desenvolver o agronegócio no país. Não se cuida de promover exclusivamente um benefício ao trabalhador rural, mas de “preparar todo o agro” para bem desenvolver sua importante função para o país. Logo, como não se pode olvidar que a natureza tributária das contribuições é determinada por sua finalidade, tem-se nítida a natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias econômicas e profissionais. Novamente, os próprios serviços oferecidos pelo SENAR alcançam diretamente toda a categoria profissional e econômica do agro brasileiro, sendo reconhecidamente revertida em Fl. 687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 28 favor do setor de produção rural e não exclusivamente ao trabalhador do campo. Ademais, o próprio trabalhador rural, por vezes, desempenha ele próprio atividade de agro com fins de categoria econômica quando desenvolve atividade equiparado ao empregador rural, empregando outros iguais ao desenvolver atividade organizada com fins econômicos. Por isso, trata-se de contribuição corporativo-econômica, ligada a atividade econômica do agro, administrada por entidade privada desvinculada da Administração Pública e não se pode esquecer que a entidade é vinculada à rede sindical dos produtores rurais, dentro da estrutura do CNA, distanciando-se, portanto, das contribuições sociais gerais. Veja-se que o SENAR está compreendido no escopo dos serviços autônomos criados para atuarem junto a categorias profissionais e econômicas, tais como, SESC, SENAC, SESI, SENAI, SEST e SENAT. Logo, com natureza de contribuição corporativa, isto é, enquadrando-se como contribuição de interesse de categoria econômica, não se aplica o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição, não sendo contemplada com imunidade, sendo as receitas de exportação base de cálculo da contribuição ao SENAR, destarte correto o lançamento neste particular. O que poderia ser considerado e refletido é ser desejável não se exportar tributos; a própria reforma tributária pretende fixar nova premissa jurídica para que a tributação sobre o consumo ocorra exclusivamente no destino. Todavia, por ausência de base legal, como a contribuição ao SENAR tem natureza de contribuição de interesse de categoria econômica ou profissional, então tem-se a sua incidência sobre as receitas de exportações. Lembre-se, ademais, que a contribuição ao SENAR não é tributo sobre o consumo, sendo um trib uto parafiscal com a finalidade específica de promover o bom desenvolvimento do agro brasileiro. Destarte, enquanto não houver uma específica norma que afaste a sua incidência sobre as receitas de exportações, ocorrerá a tributação. Observe-se, outrossim, que após proposta inicial da lavra de Sua Excelência Ministro Dias Toffoli para a Ementa do RE 816.830 (Leading Case do Tema 801 da Repercussão Geral do STF), na qual se definia a contribuição destinada ao SENAR como contribuição social geral (conforme publicação de ementa em 24/04/2023), sobreveio nova decisão do STF, por força de embargos de declaração, tendo em 11/09/2023 se encerrado o julgamento (Ata de Julgamento Publicada, DJE Divulgado em 18/09/2023) e sido excluído da Ementa qualquer definição obiter dictum específica da visão de Sua Excelência Ministro Dias Toffoli quanto a eventual natureza jurídica de contribuição social geral para a contribuição destinada ao SENAR. A decisão se deu nestes termos: Decisão: (ED-segundos) O Tribunal, por unanimidade, acolheu em parte os embargos de declaração opostos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e os embargos de declaração opostos pela União para que a ementa do acórdão embargado passe a ter a seguinte redação: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. Direito tributário. Contribuição ao SENAR. Sistema S. Artigo 240 da CF. Alcance. Contribuinte empregador rural pessoa física. Base de cálculo. Fl. 688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 29 Substituição. Receita bruta da comercialização da produção. Artigo 2º da Lei nº 8.540/91, art. 6º da Lei nº 9.528/97 e art. 3º da Lei nº 10.256/01. Constitucionalidade. Critérios da finalidade e da referibilidade atendidos. 1. O art. 240 da Constituição Federal não implica proibição de mudança das regras matrizes dos tributos destinados às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Preservada a destinação (Sistema S), fica plenamente atendido um dos aspectos do peculiar critério de controle de constitucionalidade dessas contribuições, que é a pertinência entre o destino efetivo do produto arrecadado e a finalidade da tributação. 2. Foi fixada a seguinte tese para o Tema nº 801: 'É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01'. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento.", tudo nos termos do voto do Relator. Plenário, Sessão Virtual de 1.9.2023 a 11.9.2023. A Ementa anterior no item 1 continha originariamente o texto “1. A contribuição ao SENAR, embora tenha pontos de conexão com os interesses da categoria econômica respectiva e com a seguridade social, em especial com a assistência social, está intrinsecamente voltada para uma contribuição social geral. Precedente: RE nº 138.284/CE, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 28/8/92”. O precedente citado não era vinculante, tão pouco reflete a posição da atual composição do STF, ademais Suas Excelências os Ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes se manifestavam no sentido diverso por entenderem e adiantarem que a contribuição destinada ao SENAR é corporativa, isto é, contribuição de interesse de categoria econômica ou profissional. No mais, Sua Excelência o Ministro Edson Fachin acompanhava o Ministro Toffoli, porém registrando se cuidar de obiter dictum, enquanto isso os demais Ministros não se manifestaram sobre a natureza jurídica em espécie. Logo, no máximo, poderia se “cogitar” de um empate quanto a natureza jurídica discutida, porém à míngua de solução definitiva pela Excelsa Corte, tenho firmado, conforme motivação alhures, que se cuida de contribuição de interesse de categoria econômica ou profissional que visa promover o ambiente do agro brasileiro. Aliás, a título de uniformização aos contribuintes, inclusive para fins de segurança jurídica e de equilíbrio concorrencial, com o mesmo tratamento para todos, considerando que essa natureza jurídica vem sendo divulgada pela Administração Tributária há muito tempo e vem sendo majoritária neste Conselho, inclusive com base em análise legislativa vigente e, dentro do controle de legalidade exercido motivadamente neste voto, compreendo como correta a decisão recorrida no que se refere a este capítulo. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Fl. 689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2004-000.253 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.729383/2015-94 30 Em apreciação racional com base na legislação tributária e processual, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, não há, portanto, motivos que justif iquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. Neste sentido, em resumo, conheço do recurso voluntário, rejeito a preliminar de pedido ao CARF para expressamente deferir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, entendo não necessário a realização de diligência, competindo a prova ao contribuinte, e, no mérito, nego-lhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, rejeito as preliminares e NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 690DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 17227.728633/2023-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2019, 2020
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente são declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quando a exigência fiscal se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e sendo ofertado prazo para que possa ser contraditado, não há que se falar em cerceamento do exercício da defesa. A verificação de erro na base de cálculo do lançamento, se houver, não é caso de nulidade e sim de retificação dos valores apurados.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por “origem” deve-se entender a natureza jurídica do depósito, de forma a permitir aferir se realmente se trata ou não de receita tributável. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS OU NÃO COMPROVADAS. GLOSA.
São indedutíveis na determinação do lucro real as despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, bem como aquelas não comprovadas por meio de documentação contábil/fiscal hábil e idônea.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes, representantes ou controladores de pessoas jurídicas de direito privado, prevista no art. 135, III, do CTN, não se confunde com a responsabilidade do sócio.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS.
O conjunto probatório robusto da conduta típica minuciosamente descrita no lançamento tributário (Relatório Fiscal) praticada pelo sujeito passivo e demais envolvidos que revele evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, tais como, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, atos artificiosos, dentre outros, implica a majoração da multa de ofício. A negativa de apresentar os documentos e prestar os esclarecimentos satisfatórios exigidos pela fiscalização implica seu agravamento.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração da CSLL, do PIS e da COFINS, uma vez que tais lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-007.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e do apontado como responsável solidário.
Assinado Digitalmente
Daniel Ribeiro Silva – Relator
Assinado Digitalmente
Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2019, 2020 NULIDADE. INOCORRÊNCIA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente são declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quando a exigência fiscal se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e sendo ofertado prazo para que possa ser contraditado, não há que se falar em cerceamento do exercício da defesa. A verificação de erro na base de cálculo do lançamento, se houver, não é caso de nulidade e sim de retificação dos valores apurados. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por “origem” deve-se entender a natureza jurídica do depósito, de forma a permitir aferir se realmente se trata ou não de receita tributável. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DESPESAS INDEDUTÍVEIS OU NÃO COMPROVADAS. GLOSA. São indedutíveis na determinação do lucro real as despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, bem como aquelas não comprovadas por meio de documentação contábil/fiscal hábil e idônea. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes, representantes ou controladores de pessoas jurídicas de direito privado, prevista no art. 135, III, do CTN, não se confunde com a responsabilidade do sócio. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. O conjunto probatório robusto da conduta típica minuciosamente descrita no lançamento tributário (Relatório Fiscal) praticada pelo sujeito passivo e demais envolvidos que revele evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, tais como, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, atos artificiosos, dentre outros, implica a majoração da multa de ofício. A negativa de apresentar os documentos e prestar os esclarecimentos satisfatórios exigidos pela fiscalização implica seu agravamento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração da CSLL, do PIS e da COFINS, uma vez que tais lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
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INOCORRÊNCIA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente são declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quando a exigência fiscal se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e sendo ofertado prazo para que possa ser contraditado, não há que se falar em cerceamento do exercício da defesa. A verificação de erro na base de cálculo do lançamento, se houver, não é caso de nulidade e sim de retificação dos valores apurados. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por “origem” deve-se entender a natureza jurídica do depósito, de forma a permitir aferir se realmente se trata ou não de receita tributável. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DESPESAS INDEDUTÍVEIS OU NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Fl. 19112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 2 São indedutíveis na determinação do lucro real as despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, bem como aquelas não comprovadas por meio de documentação contábil/fiscal hábil e idônea. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes, representantes ou controladores de pessoas jurídicas de direito privado, prevista no art. 135, III, do CTN, não se confunde com a responsabilidade do sócio. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. O conjunto probatório robusto da conduta típica minuciosamente descrita no lançamento tributário (Relatório Fiscal) praticada pelo sujeito passivo e demais envolvidos que revele evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, tais como, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, atos artificiosos, dentre outros, implica a majoração da multa de ofício. A negativa de apresentar os documentos e prestar os esclarecimentos satisfatórios exigidos pela fiscalização implica seu agravamento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração da CSLL, do PIS e da COFINS, uma vez que tais lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e do apontado como responsável solidário. Fl. 19113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 3 Assinado Digitalmente Daniel Ribeiro Silva – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. RELATÓRIO Tratam-se de Recursos Voluntários interpostos em face do Acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 05, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração lavrado com o objetivo de constituir crédito tributário referente a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anos- calendário de 2019 e 2020, no valor histórico de R$ 158.028.292,03. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, tanto o contribuinte como o responsável solidário apresentaram Impugnação (fls. 7.845/7.870 e fls. 7.765/7.768). Tendo em vista o esmero com que sintetizadas as alegações pelo Relator do Acórdão, transcreve-se a seguir as razões tecidas pela defesa: DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE 89. Cientificado em 18/12/2023, o Contribuinte apresentou Impugnação em 17/01/2024, e-fls. 7845 a 7870. 90. Em preliminar, alega nulidade dos lançamentos sob o argumento de que a Autoridade não teria sido clara em determinar os fatos autuados, e aponta que no Anexo V existem, tanto as despesas que foram aceitas como dedutíveis, quanto aquelas que foram reputadas como indedutíveis, e que: No relatório da atuação, o auditor-fiscal não se dignou a pormenorizar, uma a uma, quais despesas estavam sendo aceitas e quais estavam sendo glosadas. 91. Ainda em preliminar, mas já adentrando no mérito, afirma que as Despesas referentes ao processo que envolve o Banco Econômico, no montante de R$ Fl. 19114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 4 10.314.491,83; e as Variações cambiais Passivas, no montante de R$ 5.256.733,20, foram adicionadas à apuração do Lucro Real em 2019, e traz à cola: … 92. Relativamente ao ano 2020, afirma: Além disso, é preciso destacar que, no ano de 2020, as variações cambiais passivas não afetaram o resultado da Impugnante (e, portanto, não reduziram a base de cálculo do IRPJ/CSLL) e a Impugnante faz anexar o Razão da conta contábil que registrou essa movimentação (doc. 04). 93. No tocante aos depósitos considerados de origem não comprovada aduz: Nos Capítulos III.B.4 e III.B.5 desta Impugnação, os depósitos bancários que foram autuados estão devidamente identificados quanto à sua origem (quem os depositou) e à causa econômica e jurídica que lhe conferiu suporte, de modo que restará comprovada a ausência do pressuposto de fato (falta de comprovação da origem) que permitiria aplicar o art. 42, da Lei nº 9.430/1996. 94. Afirma que atuava, principalmente, como “gestora de recursos, pois recebia em sua conta bancária valores que pertenciam a terceiros (seus clientes) e realizava pagamentos por conta e ordem desses terceiros. Logo, os valores que eram recebidos pela Impugnante não serviam para arcar com suas próprias despesas, eles eram utilizados para quitar dívidas de interesse desses terceiros, conforme a orientação que recebia deles”. 95. Em outras situações: “[...] financiava o seu cliente (o terceiro), provendo o recurso necessário para quitar a dívida dele (do terceiro), passando, então, a ser credora do seu cliente. Assim, no futuro, quando tal cliente lhe remetesse recursos para serem gerenciados, aquele valor anteriormente adiantado (que serviu para financiar a quitação da dívida do terceiro) era usado primeiramente para liquidar o empréstimo concedido e somente o saldo restante ficava à disposição do cliente para quitar suas dívidas. 96. Assim resume a atividade da empresa: a) A Impugnante recebia recursos de diversas empresas brasileiras e era responsável por operacionalizar o pagamento de dívidas que eram o interesse da própria empresa que lhe remeteu os valores; b) O saldo de recursos recebidos de determinada empresa que ainda não havia sido utilizado para quitar dívidas daquele remetente era utilizado pela Impugnante para quitar dívida de outras empresas, passando a Impugnante a financiar aquele terceiro que ainda não havia lhe remetido recursos; c) A Impugnante também tomava empréstimos perante a Docas International Ltd e utilizava esses recursos para financiar a quitação de dívidas dos terceiros que Fl. 19115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 5 que, em determinado período, ainda não havia lhe enviado recursos para gerenciar. 97. Apresenta planilha em Excel, que segundo a Impugnante: [...] demonstra a sua operação em relação aos depósitos que foram autuados, onde é possível (a)identificar a entrada dos recursos vindo dos terceiros (valores a serem gerenciados), individualizada por cada empresa que remeteu recursos à Impugnante, e a destinação que lhes foi dada, com indicação da despesa do terceiro (o próprio remete ou outra empresa) que foi paga (doc. 05), sendo certo que para cada operação foi juntado o respectivo documento que comprova a utilização dos recursos (doc. 06). 98. A título de exemplo traz [...] sobre o depósito no valor de R$ 2.706.189,80 que foram recebidos em 15/01/2019 pela Impugnante. Na planilha em Excel referida acima, consta a identificação de quem foi o remetente (no caso específico, a WOTAN REALTY) e a destinação da sua integralidade para financiar a quitação de dívidas de outros clientes (no caso específico, IVESA e SKY) da Impugnante: ... 32. O mesmo exercício pode ser feito com um segundo exemplo retirado da referida planilha em Excel, que diz respeito ao depósito de R$ 1.862.000,00. Trata- se de empréstimo recebido da Docas International que foi utilizado pela Impugnante para financiar a quitação de dívidas de três clientes seus (SKY, DOCAS-BR e IVESA): ... 99. Seguindo essa linha argumentativa: 33. Toda a operação da Impugnante está devidamente demonstrada na sua escrituração contábil e fiscal, pois (a) os valores recebidos de terceiros eram contabilizados como uma obrigação a cumprir perante a empresa que lhe remeteu os recursos (lançamento em conta do passivo) até que fossem utilizados efetivamente para quitar uma dívida dessa empresa; e (b) os valores que a Impugnante utilizava para financiar seus clientes, no sentido de lhes emprestar recursos que, em determinado período, ainda não havia recebido para serem gerenciados e para quitar dívida dessa empresa, fazia com que ela assumisse uma posição credora desse terceiro (lançamento em conta do Ativo). 100. A Impugnante repisa: [...] Fl. 19116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 6 os valores depositados em suas contas bancárias eram efetivamente de terceiros e eram utilizados para quitar dívidas de terceiros (nunca eram utilizados em benefício própria da Impugnante). 101. Em novo sentido, argumenta que, uma vez demonstrado que os recursos pertencem a terceiros, se deve aplicar o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/19966, competindo à Autoridade Fiscal “ir até aqueles terceiros e verificado se os valores correspondentes foram ou não oferecidos à tributação, ao invés de imputar tais montantes como receitas tributáveis da Impugnante.” 102. E assim complementa: 39. Por exemplo, se o auditor-fiscal tivesse observado o §5º citado acima, teria ele identificado que os depósitos, durante o ano de 2019, feitos pela SKY, cujo valor total soma R$ 50.872.315,91, representam, principalmente, rendimentos que a SKY auferiu na alienação de um de seus ativos (o investimento na empresa GPC Participações S.A. – CNPJ) e que havia sido contabilizado pela própria SKY como receita. 40. O mesmo exercício pode ser feito quanto à Marina Bela Vista Ltda. (CNPJ 05.507.258/0001-00) na conta bancária da Impugnante, cuja soma total foi de R$ 306.474,92, representam o aluguel que é recebido pela MARINA (e por ela contabilizado), sendo transferido para a Impugnante apenas para que essa possa exercer seu papel de gestora de recursos da própria MARINA. [...] 41. O mesmo exemplo acima se aplica aos depósitos feitos, durante o ano de 2019, pela IVESA (CNPJ 28.500.320/0001-20) na conta bancária da Impugnante, que somam o total de R$ 11.962.045,90. Trata-se de aluguéis recebidos pela IVESA e que eram repassados à Impugnante para essa atuasse como gestora dos recursos daquela primeira: [...] 42. Aliás, a operação com a IVESA não passou desapercebida pela Receita Federal, visto que, simultaneamente à fiscalização da Impugnante, fiscalizou a própria IVESA, requerendo que a empresa esclarecesse se ofereceu ou não à tributação os valores correspondentes a aluguéis recebidos em 2019 e 2020 (doc. 07): [...] 43. Ora, se os recursos foram contabilizados e tributados pela IVESA, não cabe à autoridade fiscal reputá-los como receita da Impugnante. De fato, o auditor-fiscal deveria, seguindo aquilo que está determinado pelo 5º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, ter verificado se a própria IVESA (e não a Impugnante que era apenas gestora dos recursos) havia oferecido à tributação os valores em questão. 44. Aliás, manter a cobrança de IRPJ/CSLL e PIS/COFINS da Impugnante, em relação aos valores da IVESA destacados acima e que foram oferecidos à tributação por aquela empresa, representaria uma dupla tributação sobre a mesma riqueza. Fl. 19117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 7 103. Também afirma que apresentou toda a documentação (contratos de câmbio referentes à tomada de empréstimos, pela Impugnante, perante a Docas International, e contratos de mútuo que foram celebrados entre a Impugnante e Docas) E que não há quaisquer controvérsias sobre a existência desses documentos neste processo. 104. Entretanto, reclama, a Autoridade Fiscal não considerou a documentação suficiente sob a justificativa de que não havia previsão de juros nos contratos (art. 591 do Código Civil), que a Impugnante não teria capacidade financeira para quitar o empréstimo e que esta não existe de fato, posto não ter capacidade operacional, estar com as atividades paralisadas e não ser localizada no endereço informado no CNPJ. 105. Se contrapõe às conclusões fiscais em relação ao empréstimo internacional perante a Docas International Ltd., porque a operação em análise foi registrada perante o Banco Central do Brasil como um empréstimo, feito contrato de câmbio respectivo sob essa classificação e assinado contrato entre as empresas (vide doc.06). 106. Acrescenta: 52. Destaque-se, ainda, que a Docas International Ltd. tem participação societária direta na Impugnante (conforme demonstra o organograma abaixo), de modo que não haveria qualquer sentido que se considerassem os valores remetidos pela acionista como receita tributável da investida (Impugnante), pois esses valores poderiam – tal como efetivamente foram – enviados a título de empréstimos – ou mesmo a título de aumento de capital social. 107. Ilustra: ... 108. Sobre a motivação da Fiscalização que não acatou as provas apresentadas, defende que: • O art. 591, do Código Civil, prevê que se presumem devidos juros no contrato de mútuo financeiro. Ocorre que essa presunção legal se aplica apenas na hipótese em que o contrato celebrado entre as partes não trata expressamente desse assunto. As partes têm, claro, a liberdade contratual de estabelecer que não incidirão juros sobre o mútuo. • O Fiscal alegou que a Impugnante não teria capacidade financeira para quitar os juros. Ora, conforme demonstrado nos Capítulos anteriores, os empréstimos eram tomados pela Impugnante para financiar seus clientes, no sentido de adiantamento de recursos para quitar a dívida desses clientes. Portanto, se os recursos eram tomados perante a Docas International para financiar os clientes da Impugnante, seriam tais clientes, claro, fonte (a origem) dos recursos que liquidariam os empréstimos anteriormente tomados. Fl. 19118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 8 • O auditor-fiscal alega que a Impugnante inexistiria de fato, tendo sido, inclusive, declarado a inaptidão dela em processo próprio. Ora, o processo em questão foi aberto em 2023, com visita feita nas dependências da Impugnante neste ano. Por outro lado, os autos de infração se referem a fatos ocorridos em 2019 e 2020. Logo, não podem as supostas irregularidades encontradas pela autoridade fiscal em 2023 indicar que os empréstimos tomados em 2019 e 2020 não teriam a natureza jurídica efetiva de mútuo financeiro. Além disso, a Impugnante está recorrendo em processo próprio (na via administrativa – proc. 13113.219181/2023-15- e judicial – processos 5105911- 38.2023.4.02.5101 e 5090814-95.2023.4.02.5101.) a ilegalidade da declaração de inaptidão que foi feita. 109. Insiste: 57. A planilha em Excel (doc. 05) citada no Capítulo III.A. 2 demonstra a operação da Impugnante, relacionando os depósitos que foram autuados, descriminando a sua origem (quem foi que depositou os valores, individualizadamente por cada empresa), sendo certo que, para cada operação, foi juntado o respectivo documento que comprova a utilização dos recursos em favor da empresa depositante ou de outras empresas que se financiavam com aquele montante para depois fazer a restituição (doc. 06). 58. Esses documentos atendem, de modo claro e definitivo, à exigência do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, de que sejam identificados a origem dos depósitos bancários e a causa econômica e jurídica que são subjacentes à operação. 59. Na referida planilha, que identifica cada um dos 723 depósitos que foram autuados pela autoridade fiscal, é possível identificar quem enviou recursos para a Impugnante, a utilização desses recursos em favor do próprio depositante ou de outras empresas clientes da Impugnante, ficado evidenciado que nunca (repita-se, nunca) esses valores eram utilizados em benefício da própria Impugnante. 110. Requer que seja determinada diligência e apresenta os seguintes quesitos: (i) O valor referente às despesas que envolve o Banco Econômico, no montante de R$ 10.314.491,83; e as Variações cambiais Passivas, no montante de R$ 5.256.733,20, foram adicionadas à apuração do Lucro Real e base de cálculo CSLL em 2019 ? (ii) Os depósitos considerados de origem não comprovada pertencem a terceiros? 111. Ultrapassadas as razões de defesa, a Impugnante se reporta ao saldo de prejuízo fiscal e base negativa de anos anteriores não compensados na autuação, e que no final de 2018 perfaziam, respectivamente, R$ 9.340.997,56 e 9.336.354,04. 112. Contra a multa qualificada as razões de defesa consistem na própria inconformidade com o mérito, e que a “simples discordância das autoridades fiscais em relação ao modus operandi da Impugnante como gestora de recursos Fl. 19119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 9 de terceiros (assessoria em backoffice) não permite dizer que o Impugnante agiu com dolo. Uma interpretação da legislação diferente da interpretação da autoridade fiscal não é dolo.”. 113. Que não houve dissimulação, estando todas as operações registradas em sua contabilidade e expostas na movimentação bancária. 114. Por fim: 80. A Lei nº 14.689/23 reduziu de maneira significativa o percentual de multas tributárias federais, como também passou a prever, expressamente que a multa qualificada de 150% não poderá ser aplicada quando “não restar configurada, individualizada e comprovada a conduta dolosa a que se referem os arts. 71, 72 e 73 da Lei N° 4.502, de 30 de novembro de 1964”:[...] 82. Não houve nenhuma comprovação de que a conduta da Impugnante foi fraudulenta (causou sonegação), como também a fiscalização não individualizou qual teria sido a prática realizada pela Impugnante, ou pelos corresponsáveis, de modo que a multa qualificada deve ser afastada. 115. Ao final, requer subsidiariamente a aplicação do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 14.689/23, que reduziu a multa qualificada para 100%, salvo no caso de reincidência, situação que não foi apontada pela Fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL 118. Em 17/01/2024 o Responsável Solidário, Sr. NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE, CPF no041.747.715-53, apresentou Impugnação, e-fls. 7755 a 7768. 119. Em sua argumentação afirma que era o controlador final da Alberta, dado que tinha 100% das ações da Docas Investimentos LTDA., que, por sua vez, detinha diretamente 99,99% do capital social da Alberta e 0,01% indiretamente, por meio da Docas International LTDA, mas que isso não o torna sócio administrador da Autuada. 120. Que o administrador nomeado no Contrato Social é o Sr. Cosme Eduardo Costa dos Santos - CPF n£'895.480.437-34. 121. Que, “ele (Impugnante) era efetivamente o controlador final, indiretamente, da Alberta e nada mais natural que, ao fim e ao cabo, alguns valores fossem destinados a seu favor”; que “foi beneficiário de alguns recursos oriundos da Alberta, porque era ele, efetivamente, o controlador final da empresa. Esse fato, porém, não o atraia para o cargo de efetivo administrador. Esse cargo era exercido por quem, no dia a dia empresarial, representava a empresa”. 122. Argumenta: Fl. 19120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 10 123. Aduz que se “tais irregularidades fossem efetivamente verdadeiras, deveria a autoridade fiscal ter autuado o Impugnante, diretamente na pessoa física, por ter recebido rendimentos e não os ter declarado, ou deveria o auditor-fiscal glosar as dedutibilidades, nas empresas (Alberta, SKY, IVESA e CINP), por considerar que seriam despesas pessoais e não despesas operacionais. 124. Nessa linha, prossegue: 125. Como segunda razão de defesa, reclama da incompatibilidade da responsabilização simultânea da empresa e do sócio administrador, que, nos termos do art. 135 responde pessoalmente pela obrigação. 126. Que: 127. Cita a Súmula 430 do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. 128. Considera que no Relatório Fiscal não foi apontado qualquer conduta sua que tenha dado azo à responsabilidade “para além da mera falta de recolhimento de tributo perpetrada pela pessoa jurídica”, que “representassem o exercício das funções de administrador com excesso de poderes em relação ao que previa o contrato social da Alberta ou que representassem efetiva infração à lei ou ao contrato social”. Fl. 19121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 11 129. Explica: a expressão “infração à lei” tem aplicação apenas na hipótese em que o administrador fraudou documentos, simulou operações ou praticou outros atos ilícitos que geraram a falta de recolhimento do tributo. 130. Em suas palavras: 131. Reafirma que o Auditor não indicou qualquer infração à lei, ao estatuto ou atitude com excesso de poderes, tendo se referido “apenas” à suposta sonegação (falta de pagamento de imposto), 132. Cita jurisprudência do STJ e administrativa do CARF. 133. Com esses argumentos pede sua exclusão do polo passivo do crédito tributário constituído. Posteriormente, a 1ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 05, proferiu o Acórdão n.º 105-013.064 (fl. 18.976/19.032) abaixo ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2019, 2020 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente são declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quando a exigência fiscal se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e sendo ofertado prazo para que possa ser contraditado, não há que se falar em cerceamento do exercício da defesa. A verificação de erro na base de cálculo do lançamento, se houver, não é caso de nulidade e sim de retificação dos valores apurados. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. A realização de diligências dar-se-á quando a autoridade julgadora entendê- las necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis. É incabível a realização de perícia e diligência, na medida em que a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada Fl. 19122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 12 transfere o ônus da prova ao contribuinte, não podendo ser atribuído ao Fisco o encargo de obtenção de informações/provas/esclarecimentos visando à comprovação da origem dos recursos tributados. SUSTENTAÇÃO ORAL DAS RAZÕES DE DEFESA. Não há, no âmbito da legislação que cuida do processo administrativo fiscal, regulamentação para a realização de sustentação oral das razões de defesa em sessão de julgamento administrativo de primeira instância. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2019, 2020 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por “origem” deve-se entender a natureza jurídica do depósito, de forma a permitir aferir se realmente se trata ou não de receita tributável. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DESPESAS INDEDUTÍVEIS OU NÃO COMPROVADAS. GLOSA. São indedutíveis na determinação do lucro real as despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, bem como aquelas não comprovadas por meio de documentação contábil/fiscal hábil e idônea. GLOSA DE DESPESAS. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. Comprovada a adição ao Lucro Real da despesa glosada, o valor não deve compor a base de cálculo do lançamento. PREJUÍZO FISCAL DE ANOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. O prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores pode ser compensado com o lucro fiscal até o limite de 30% (trinta por cento) deste. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2019, 2020 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a atuação como gestor da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, Fl. 19123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 13 infração de lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes, representantes ou controladores de pessoas jurídicas de direito privado, prevista no art. 135, III, do CTN, não se confunde com a responsabilidade do sócio. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2019, 2020 CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele, mutatis mutandis, prevalecer na apreciação destes, não presentes arguições específicas. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2019, 2020 MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. O conjunto probatório robusto da conduta típica minuciosamente descrita no lançamento tributário (Relatório Fiscal) praticada pelo sujeito passivo e demais envolvidos que revele evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, tais como, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, atos artificiosos, dentre outros, implica a majoração da multa de ofício. A negativa de apresentar os documentos e prestar os esclarecimentos satisfatórios exigidos pela fiscalização implica seu agravamento. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido em parte. Inicialmente, a DRJ afastou a preliminar de nulidade sob o fundamento de que a alegação de "deficiência de fundamentação" não se sustenta, pois a fundamentação legal dos lançamentos está devidamente indicada nos Autos de Infração e no Relatório Fiscal. Ademais, a nulidade no âmbito do PAF se restringe a atos praticados por pessoa incompetente ou decisões com cerceamento de defesa, o que não se aplica ao Auto de Infração lavrado por Auditores-Fiscais competentes, contendo a descrição dos fatos, a base legal, os cálculos e as provas, com a devida notificação e oportunidade de defesa ao contribuinte. No tocante ao mérito, decidiu o que segue. Com relação à infração de glosa de despesas, a DRJ rejeitou a alegação preliminar do contribuinte de que haveria falta de clareza na identificação das despesas não aceitas (glosadas) apresentadas no Anexo V. O julgador argumentou que as despesas questionadas estavam, de fato, claramente especificadas para os anos de 2019 e 2020. Para fundamentar essa decisão, o voto detalhou as despesas glosadas em cada período. Em 2019, foram mencionadas a Provisão para Perdas Contingentes e as Variações Fl. 19124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 14 Cambiais Passivas, com referências precisas às páginas do Relatório Fiscal e aos registros contábeis do contribuinte. Em ambos os anos, também foram citadas diversas despesas não comprovadas documentalmente. O julgador destacou que o Anexo V continha tanto a lista das despesas certificadas quanto os registros contábeis relevantes, como o Razão das Contas, que permitiam identificar as despesas em disputa. O julgador concluiu que, diante da identificação detalhada das despesas e do conhecimento que a empresa tem de sua própria contabilidade, a alegação de falta de clareza não procedia. A DRJ ainda analisou os questionamentos específicos do contribuinte sobre a Provisão para Perdas Contingentes e as Variações Cambiais Passivas. Em relação a 2019, esclareceu que, embora essas despesas tenham sido adicionadas ao Lucro Real pelo contribuinte, a fiscalização considerou o lucro antes dessas adições, não as incluindo na base de cálculo do lançamento. Quanto a 2020, a prova apresentada pelo contribuinte foi considerada insuficiente, e o julgador constatou que nenhuma variação cambial passiva foi, de fato, glosada naquele ano. Como o contribuinte não contestou os valores das demais despesas não aceitas, a DRJ manteve a validade dos Autos de Infração. Com relação à infração omissão de receitas por presunção legal, a DRJ rejeitou a defesa do contribuinte, que alegou que os R$ 179.476.334,20 creditados em suas contas bancárias pertenciam a terceiros para quem prestava serviços de gestão e incluíam um empréstimo de R$ 63.889.152,52 da Docas International Ltd. O contribuinte, alegando ser backoffice, gestor de recursos e financiador, não apresentou contratos de prestação de serviços nem comprovou qualquer receita auferida dessas atividades, limitando-se a descrever sua atuação empresarial. Questionado sobre a ausência de contratos de backoffice nos anos de 2019 e 2020, o contribuinte informou que as relações eram, em sua maioria, com empresas do mesmo grupo econômico. O julgador aplicou o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, para presumir a omissão de receita e destacou que o ônus da prova recai sobre o contribuinte para esclarecer a natureza dos depósitos. Ao analisar um depósito de R$ 2.706.189,80 da WOTAN REALTY, o julgador verificou que, apesar da alegação de que o recurso seria para quitar dívidas de terceiros (IVESA e SKY), a documentação apresentada indicava que a maior parte do valor (R$ 2.660.000,00) foi transferida para a conta da SKY, com a ALBERTA BKO figurando como depositante, não comprovando a destinação alegada. A DRJ também refutou o argumento de que a responsabilidade de tributar seria dos terceiros depositantes, invocando o Princípio da Entidade e a Súmula CARF nº 32, que estabelecem que depósitos pertencem ao titular da conta, salvo prova robusta em contrário. O julgador citou o RE 855.649/RS do STF, que validou a constitucionalidade da tributação de depósitos não comprovados. Diante da ausência de comprovação da origem dos vultosos créditos em suas contas, a DRJ considerou procedente a autuação por omissão de receitas, sendo inaplicável o §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que exigiria a comprovação da origem dos recursos. Fl. 19125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 15 Com relação à compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, a DRJ entendeu assistir razão à Impugnante quando afirma que na apuração do montante devido, não se levou em conta valores acumulados em períodos anteriores a título de Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL, bem como registou que não obstante a divergência do LALUR com o SAPLI, devem ser aproveitados os saldos insertos no LALUR e reclamados pelo Impugnante. Com relação à multa qualificada, a DRJ entendeu por mantê-la, tendo em vista a falta de esclarecimentos do contribuinte sobre suas receitas e a origem dos fundos, evidenciando o intuito de fraudar o fisco, bem como sustentou que a referida multa se encontra devidamente prevista na legislação. Por fim, no que se refere à responsabilidade solidária do Sr. Nelson Tanure, esta restou mantida pela DRJ, sob o argumento de que restou evidenciado o seu controle sobre a ALBERTA BKO através da estrutura societária e sua ligação com outras empresas envolvidas nas transações financeiras irregulares. O julgador fundamentou que, como controlador, Nelson Tanure tinha deveres sociais de informação, obediência às normas e observância da lei, e que a quebra desses deveres, especialmente ao permitir a falta de registro contábil de receitas e o direcionamento de recursos da empresa para seu próprio benefício sem causa justificável, configurou atos contrários à lei e ao estatuto social, justificando sua responsabilização solidária conforme o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 19.079/19.109), em que reitera os argumentos tecidos na defesa, sendo necessário evidenciar os seguintes argumentos: a) Pontua que a decisão da DRJ interpretou erroneamente os exemplos apresentados, pois a movimentação financeira demonstrada – o recebimento e imediato direcionamento dos recursos a terceiros – evidência justamente que os valores não constituíam receita própria, mas sim recursos de terceiros utilizados para pagar suas contas ou para serem emprestados a outros clientes, caracterizando a atividade de gestão de recursos; b) Que toda a sua operação está devidamente registrada em sua escrituração contábil e fiscal, onde os valores recebidos eram contabilizados como obrigações até sua efetiva utilização, e os valores utilizados para financiar clientes eram registrados como créditos a receber, sendo o alto volume dessas contas no passivo e no ativo um indicativo de que os recursos pertenciam a terceiros; c) Que a DRJ deveria ter aplicado a regra prevista no § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que determina à autoridade fiscal imputar os valores/depósitos identificados como receita/rendimento ao terceiro depositante, a fim de verificar sua tributabilidade por este. Como exemplo, cita os depósitos Fl. 19126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 16 efetuados pela SKY em 2019, no valor de R$ 50.872.315,91, que representariam receita da própria SKY proveniente da alienação de um ativo e que já teria sido contabilizada por ela, argumentando que a observância desse dispositivo legal demonstraria a incorreção da autuação contra a Recorrente; d) Que o acórdão da DRJ não analisou os documentos referentes aos empréstimos tomados perante a Docas International Ltd., omitindo qualquer menção sobre se tais documentos seriam suficientes para comprovar a origem dos valores depositados em sua conta e, consequentemente, para afastar a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, que fundamentou a presunção de omissão de receitas; e) Que a fiscalização considerou indedutíveis diversas despesas, como provisão para processo envolvendo o Banco Econômico, perdão de dívida da SKY, impairment, IOF, variações cambiais passivas e outras, adicionando-as à base de cálculo do IRPJ/CSLL; f) Que as despesas com provisão e variação cambial já haviam sido adicionadas por eles na apuração do IRPJ/CSLL de 2019, configurando dupla tributação. g) Que, embora a DRJ tenha reconhecido essa adição, buscou uma justificativa incompreensível para não considerar indevida a nova cobrança no auto de infração, rejeitando a alegação de que a metodologia de cálculo da fiscalização reverteria o efeito da adição. Quanto a 2020, argumenta que as variações cambiais passivas não afetaram o resultado e anexou o Razão da conta contábil, observando que a DRJ não contestou esse ponto, mas indeferiu o pleito sob o argumento de que não houve glosa de variação cambial passiva naquele ano, o que para o contribuinte não invalida o fato de que não houve impacto no resultado tributável; h) Por fim, sustenta que no caso de não ser cancelada a multa de ofício de 150%, deve ser aplicada a nova redação da Lei nº 14.689/23 ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que exige a indicação específica da conduta do contribuinte caracterizada como sonegação, fraude ou conluio, praticada com dolo, para a aplicação da multa qualificada, e que no presente caso não houve comprovação de conduta fraudulenta ou individualização da prática realizada, devendo a multa qualificada ser afastada. Subsidiariamente, requer a aplicação do artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 14.689/23, que estabelece o percentual de 100% para a multa qualificada como regra geral, reservando os 150% apenas para casos de reincidência, o que não foi apontado pela fiscalização. Fl. 19127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 17 Por fim, salienta-se que o Sr. Nelson também apresentou Recurso Voluntário (fls. 19.052/19.071), em que basicamente reitera os argumentos tecidos na defesa. É o relatório do essencial. VOTO Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. Os recursos voluntários do contribuinte e responsável são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. No mais, da análise dos autos é fácil constatar que os Recursos Voluntários apresentados, constituem-se basicamente em reprodução das impugnações, cujos argumentos foram detalhadamente apreciados pelo julgador a quo. Cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023): Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. § 1º O relator deverá formalizar o acórdão no prazo de quinze dias, contado da movimentação dos autos para essa atividade. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta. Fl. 19128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 18 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, na parte que se aplica: 134. As impugnações aqui relatadas são tempestivas e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), por isso, delas passo a tomar conhecimento. 135. Antes de iniciarmos o julgamento em questão, cumpre esclarecer que os acórdãos das instâncias administrativas superiores, bem como decisões judiciais e posicionamentos doutrinários, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, visto que não constituem normas complementares da legislação tributária (PN COSIT n.º 23/2013), não vinculando a administração àquela interpretação, tampouco expressam o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo vedada a extensão de seus efeitos às partes não integrantes do processo administrativo. Vejase também o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, que se presta a bem elucidar o tema: Entenda-se aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela, objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 136. Ademais, a vinculação da Receita Federal do Brasil – RFB encontra-se regulada pelo art. 19-A da Lei nº 10.522/20227. DA PRELIMINAR DE NULIDADE 137. O Impugnante alega nulidade dos lançamentos “por deficiência de fundamentação”. 138. Sem razão a defesa. O fundamento legal dos lançamentos encontra-se plenamente indicado nos Autos de Infração e no Relatório Fiscal. 139. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF as hipóteses de nulidade dos atos praticados são as previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 19129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 19 140. Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa é cogitado em face de despachos e decisões, e o auto de infração, ato administrativo que é, somente tem sua nulidade declarada em caso de lavratura por pessoa incompetente. 141. A leitura dos Autos de Infração e Relatório Fiscal nos oferece a descrição dos fatos, a fundamentação legal, os demonstrativos de cálculo e os elementos probatórios que ampararam os lançamentos devidamente lavrados por Auditores- Fiscais da Receita Federal do Brasil, autoridades competentes para a prática dos atos. O Contribuinte e o Responsável Solidário foram cientificados na forma da lei, sendo-lhes facultada defesa no prazo legal. Logo, os argumentos supra não devem prosperar. DO MÉRITO Infração: glosa de despesas 142. Ainda em sede de preliminar o Impugnante apresenta argumentos que atacam o mérito da exigência constituída, na medida em que a chamada “deficiência de fundamentação” vem no sentido de faltar clareza na identificação das despesas glosadas no arquivo que compõe o ANEXO V, e-fls. 590 a 946. 143. Ocorre que as despesas glosadas estão claramente indicadas: 143.1. Em 2019, as despesas glosadas correspondem: (i) Provisão para perdas contingentes, que, segundo o Relatório Fiscal, estão contabilizadas na Escrituração Contábil Fiscal e na Demonstração do Resultado do Exercício _ DRE em “outras despesas operacionais” no montante de R$ 10.314.491,83, a título de “provisão para perdas contingentes”, Livro Razão, e-fl. 418. (ii) Variações Cambiais Passivas, no valor de R$ 5.256.733,20, também glosadas como consequência da não comprovação dos mútuos correspondentes, Livro Razão, e-fl. 774. (iii) Despesas não certificadas documentalmente, assim consideradas: . Condomínio . Assistência médica . Serviços de terceiros (PJ e PF) . Despesas com veículos . Aluguéis de imóveis. consta no Relatório Fiscal: “Apesar do que declarou o Sr. Osiel, não há despesas de aluguel contabilizadas em 2019, e em 2020 não há detalhes do endereço da locação”, e-fl. 75. 143.2. Em 2020 (i) Perdão da dívida da SKY Investiments LTDA, CNPJ 11.044.486/0001-86, contabilizada como “outras despesas operacionais”, no valor de R$ 10.807.897,49 a título de “perdão de dívida”. (ii) “Perdas Estimadas Fl. 19130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 20 Decorrentes de Teste de Recuperabilidade (Impairment)”, declaradas na ECF foram declaradas em 2020 despesas de R$ 19.547.174,42: (iii) Despesas com IOF (iv) Despesas com variações cambiais passivas (v) Despesas não certificadas documentalmente, que incluem: . Condomínio . Assistência médica . Serviços de terceiros (PJ e PF) . Despesas com veículos . Aluguéis de imóveis 144. Nos subtópicos 3.2.1. Glosas de despesas em 2019 e 3.2.2. Glosas de despesas em 2020 o Relatório Fiscal remete ao ANEXO V onde estão listadas as despesas certificadas. 145. Com efeito, no ANEXO V encontra-se a referida lista (DESPESAS CERTIFICADAS NA AUDITORIA 2019, e-fls. 590 a 618), bem como o Razão das Contas “161 - DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS” AC 2019, a partir da e-fl. 654; e a partir da e-fl. 777 o Razão das Contas: “58299 - OUTRAS DESPESAS”, “471 - DESPESAS C/VEÍCULOS”, “57103 - DESPESAS BANCÁRIAS”, “57114 - DESPESAS C/ IOF ”, “485 - OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS”. 146. Do ANEXO V e à vista do Extrato ECF 2019, e-fls. 6577 a 6579, se extraem as seguintes informações: 147. Também no ANEXO V além da referida lista (DESPESAS CERTIFICADAS NA AUDITORIA 2020), encontra-se o Razão da Conta , “269 - CONTAS DE RESULTADOS - CUSTOS E DESPESAS” AC 2020, a partir da e-fl. 795, e a partir da e-fl. 931 o Razão das Contas: “365 - DESPESAS LEGAIS E JUDICIAIS”, “374 - DESPESAS BANCÁRIAS”, “679 - REEMBOLSO DE DESPESAS”, “1322 - OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS”. 148. Do ANEXO V e à vista do Extrato ECF 2020, e-fls. 6580 a 6582, se extraem as seguintes informações: Fl. 19131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 21 149. Não cabe a alegação de deficiência de fundamentação das glosas promovidas pela Fiscalização, na medida em que as despesas estão claramente identificadas, e da própria escrituração contábil a Empresa tem total domínio. 150. Portanto, encontrando-se indicadas as despesas glosadas, caberia à Impugnante, em sendo o caso, questionar, demonstrar e comprovar eventuais equívocos nos valores glosados. 151. A Impugnante, contudo, apenas apresentou questionamentos sobre as despesas com variações cambiais passivas e provisão para perdas contingentes, alegando, em relação ao AC 2019, que foram adicionadas ao Lucro Real, não cabendo nova adição, e em relação a 2020, que as variações cambiais passivas não teriam afetado o resultado, conforme Razão da conta contábil que apresenta. 152. Com efeito, na apuração do Lucro Real do AC 2019 o Contribuinte adicionou as despesas com "provisão para perdas contingentes” e “variações cambiais passivas”, conforme se verifica no Extrato ECF 2019 às e-fls. 6577 a 6579: 153. Contudo, como se lê na ECF acima colada, a Autoridade Fiscal tomou, para efeito de apuração do resultado fiscal, o prejuízo apurado pelo Impugnante antes das referidas adições, ou seja, R$ 25.767.754,33, de sorte que ao tempo em que aponta as referidas despesas como indedutíveis, não as inclui na base de cálculo do lançamento, porquanto espontaneamente adicionadas. É salutar demonstrar: Por conseguinte, conquanto procedente a alegação da adição espontânea, improcedente a Impugnação neste ponto, posto que o valor não compõe a base de cálculo do lançamento. Fl. 19132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 22 154. No tocante às Variações Cambiais Passivas, que, segundo o Impugnante, não teriam afetado os resultados em 2020, vale observar, primeiro, que o Razão da conta contábil juntado pela defesa no doc.04, não se tratando de razão com contrapartida, e não acompanhado de outros elementos da contabilidade, não se presta para o provar o que pretende a defesa. Por outro lado, não constam nos autos quaisquer elementos para comprovar que o resultado dos quatro trimestres de 2020 teriam sido afetados por essa despesa. 155. Outrossim, chama a atenção o fato de, considerados os valores constantes na escrituração que serviu de base para o lançamento, a soma das despesas com IOF, condomínio, aluguel, assistência médica, serviços de terceiros, com o registro de perdas com a SKY e contingências (Impairment), superar o montante glosado. 156. Logo, fica evidenciado que não houve glosa de variação cambial passiva em 2020; ademais, vale reiterar, não se encontra nos demonstrativos contábeis juntados aos autos registros de variação cambial passiva deduzida no AC 2020. 157. Assim, a insurgência do Contribuinte contra a tributação de variações cambiais passivas em 2020 não tem efeito prático, posto que não foi incluído no lançamento nenhum valor a título dessa despesa neste período. 158. À exceção da alegação genérica de deficiência de fundamentação nas glosas, da reclamação pela desconsideração das adições efetuadas em 2019 e da não dedução de despesa com variação cambial passiva em 2020, o Impugnante não se insurge contra os valores glosados, não aponta quaisquer divergências nas despesas apuradas pela Fiscalização. Dito isto, não há reparos a fazer nos Autos de Infração. Infração: omissão de receitas por presunção legal 159. Em sua defesa o Contribuinte reitera seus protestos no sentido de que os recursos recebidos pertencem a terceiros a quem presta serviços de gestão. Alega também que parte dos recursos são empréstimos tomados perante a Docas International Ltd., cujo valor total é R$ 63.889.152,52. O valor de R$ 179.476.334,20, seriam “Recursos que teriam sido recebidos de diversas empresas brasileiras”. 160. Alega exercer atividade de backoffice, de “gestora de recursos” de terceiros, e de financiamento, cujos recursos obtinha através dos empréstimos que contraia. 161. No entanto, não aponta qualquer receita auferida pela execução dos serviços que alega prestar, assim como não aponta qualquer receita financeira decorrente dos ditos “financiamentos”. 162. Também não apresenta Contratos de Prestação de Serviços, limitando-se descrever situações fáticas que entende demonstram sua “atividade empresarial”. 163. A contabilidade da pessoa jurídica faz prova a seu favor quando amparada em documentos competentes para sustentar os registros escriturados. Não consta Fl. 19133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 23 nos autos nem apresentou a Impugnante prova das receitas auferidas para fazer face às despesas declaradas. 164. Intimada a apresentar os contratos relativos ao serviço prestado, a empresa fiscalizada respondeu que “não há contratos, por escrito, de backoffice firmados nos anos fiscalizados (2019 e 2020), dado que a relação da Requerente a título de backoffice, quando existente, ocorre em sua grande parte com empresas que integram seu grupo econômico.”. 165. Relevante relembrarmos o art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: [...] 166. Como se vê, o que é tributado é o valor creditado em conta bancária cujo beneficiário não comprove, por documentação hábil e idônea, a sua origem, de modo a permitir a correta avaliação do cumprimento das normas específicas de tributação em razão da natureza do numerário. 167. A presunção legal se dirige aos ingressos imotivados em conta bancária, não perquirindo o destino a eles dado; o que está sendo tributado não é a movimentação financeira, mas o valor do qual o contribuinte foi o beneficiário e não aclarou de onde e por qual motivo o recebeu. 168. Parece evidente que o espírito da norma é evitar que o titular da movimentação financeira, que é quem teria a maior facilidade de indicar a fonte dos recursos, deixasse para o Fisco toda a tarefa de identificar a origem e a natureza dos créditos em suas contas bancárias. 169. Assim, a lei inverteu o ônus da prova, atribuindo ao titular da conta bancária o dever de aclarar a origem dos valores, de forma a evidenciar a natureza tributária de tais valores. 170. Nesse sentido, o Impugnante junta a esse processo planilha em Excel que, segundo ele, “demonstra a sua operação em relação aos depósitos que foram autuados, onde é possível (a) identificar a entrada dos recursos vindo dos terceiros (valores a serem gerenciados), individualizada por cada empresa que Fl. 19134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 24 remeteu recursos à Impugnante, e a destinação que lhes foi dada, com indicação da despesa do terceiro (o próprio remetente ou outra empresa) que foi paga (doc. 05)”. A esta planilha relaciona o doc. 06 (PDF), que contém os documentos oferecidos pela defesa para comprovar a utilização dos recursos. 171. A título de exemplo, tomemos a mesma movimentação escolhida na Impugnação, relativa ao depósito no valor de R$ 2.706.189,80 em 15/01/2019, recebido da empresa WOTAN REALTY. Alega que esse recurso foi destinado a financiar a quitação de dívidas da IVESA e da SKY, que chama de “clientes”. Consultando a planilha, se verifica: 172. Consultado o PDF 44, relacionado a essa movimentação do dia 15/01/2019, pelo Contribuinte, se verifica que afora R$ 360.000,00 que teriam retornado para a depositante na mesma data, os demais documentos se referem a pagamentos em que a ALBERTA BKO figura como tomadora/compradora/depositante. O maior valor transacionado, R$ 2.660.000,00, foi transferido para conta corrente bancária da SKY. 173. Ou seja, a “prova” não confirma o alegado. 174. Em outras palavras, hialina a compreensão de que a identificação do depositante não desobriga o contribuinte de comprovar a natureza dos rendimentos, para que possa o Agente Fiscal aplicar as normas de tributação específicas. Bem como, o fato de parte dos depósitos ser aplicada em prol de terceiros, em eventos órfãos de motivação devidamente documentada não elide a presunção. A inversão legal do ônus da prova, instituída na Lei, implica dizer que ao Contribuinte compete demonstrar e comprovar o valor e a natureza das receitas auferidas. Se não, vejamos. O Decreto 9.580/2018 (RIR) assim dispõe: Art. 971. As pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, ficam obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda no exercício de suas funções, hipótese em que as declarações serão tomadas por termo e assinadas pelo declarante ( Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 197 ; e Decreto-Lei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º) . Fl. 19135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 25 Art. 972. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximir-se de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou os esclarecimentos solicitados pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda ( Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 123 ; Decreto-Lei nº 1.718, de 1979, art. 2º ; e Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 197 ). 175. Neste sentido, não comprovada a origem, assim compreendida a operação que justifique os depósitos, o crédito em conta assume feição de rendimento disponível, incidindo sobre este a regra geral que é a incidência tributária. 176. Em linha argumentativa complementar, o Impugnante considera aplicável a regra prevista no §5º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, ainda sob o teto da insistente tese de que os depósitos objeto da autuação pertencem – juridicamente – a terceiros. Sugere que à Autoridade Fiscal competiria imputar os valores/depósitos identificados como receita/rendimento do terceiro que realizou o depósito bancário, verificando junto a estes se se trata de receita tributável e se efetivamente foi oferecida à tributação. 177. Cita exemplificadamente que R$ 50.872.315,91 representariam, principalmente, rendimentos que a SKY auferiu na alienação de um de seus ativos (o investimento na empresa GPC Participações S.A. – CNPJ) e que havia sido contabilizado pela própria SKY como receita. Ocorre que haja ou não a SKY auferido a dita receita, o fato não afasta a tributação dos ingressos de recursos na conta corrente da ALBERTA BKO. Para clarear esse raciocínio serve o Princípio Contábil da Entidade, segundo o qual, o patrimônio empresarial não se confunde com o patrimônio particular dos seus sócios; de sorte que contraria esse princípio o pagamento de despesas pessoais dos sócios, com dinheiro da conta jurídica, sem que haja relação com a atividade exercida na empresa, por exemplo: Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. (Resolução CFC n.º 750/93)9 178. Aliás, é de relevo lembrar um perdão de dívida de R$ 10.807.897,49 com o que a Impugnante beneficiou a referida empresa. Especificamente sobre as operações com a SKY, é salutar transcrever do Relatório Fiscal: Os contratos relativos às contas correntes foram solicitados ao contribuinte no Termo de Início de Fiscalização. Foi solicitado prazo adicional para o atendimento, concedido, mas os documentos não foram entregues. O contribuinte foi reintimado a apresentá-los no Termo de Reintimação nº 02, mas se manteve inerte. Fl. 19136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 26 179. Por óbvio, o valor depositado em conta bancária do beneficiário passa a integrar o patrimônio deste, salvo contrato ou documento que o valha demonstrando tratar-se de operação em que não há a transmissão da disponibilidade financeira. O Impugnante reforça a tese fiscal na medida em que afirma: (g.n.) 56. Tal como demonstrado nos Capítulos III.B.1, III.B.2 e III.B.3, esses depósitos se referem a valores de terceiros (clientes) que eram repassados à Impugnante para que ela pudesse fazer a gestão desses recursos em favor do terceiro depositante (seu cliente), havendo situações, inclusive, que a Impugnante utilizava os recursos recebidos por determinada empresa para financiar a quitação de despesas de outras empresas (também seus clientes), contabilizando um crédito a receber perante tais terceiros. 180. Mais uma vez deve ser repisado: na presunção legal o ônus da prova é do Contribuinte, que, se fosse o caso, deveria trazer valor a valor que pertencesse a quem, devidamente comprovado por documento hábil. Conforme afirma o próprio Impugnante, na sua conta corrente bancária ingressam recursos de diversas pessoas jurídicas, que são aplicados em pagamentos vários, segundo afirma, por conta de terceiros diversos, e, conforme se verifica, inclusive na planilha que apresentou junto à defesa, utilizados em despesas dela mesma, e aplicados em transferências injustificadas e desamparadas de documentação para outras pessoas jurídicas. Vale também retrucar que a Impugnante ainda afirma que a movimentação comporta atividade de financiamento, com recursos utilizados em pagamentos por conta do financiado; no que sequer indica as receitas decorrentes dessa atividade, na mesma esteira que não indica quaisquer receitas auferidas; ressaltando-se que capta recursos em operações de mútuo e contabiliza despesas, sem que haja lastro de suporte. 181. A Súmula CARF n. 32, dispõe: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. 182. Adicionalmente, deve ser alertado que o pedido do Impugnante para que seja determinada a “realização de diligência para que, mediante ofício ou outro instrumento formal, a autoridade fiscal verifique com o clientes da Impugnante se os valores autuados (que, repita-se, se referem a 723 depósitos) efetivamente pertencem a eles”, contraria a presunção legal, na medida em que em si contém a reversão do ônus da prova, ou seja, pretende que seja a autoridade fiscal a fazer a prova que a lei atribui competir ao contribuinte. 183. O STF no Recurso Extraordinário n. 855.649/RS assim se manifestou Fl. 19137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 27 EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. LEI 9.430/1996, ART. 42. CONSTITUCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. [...] 5. Para se furtar da obrigação de pagar o tributo e impedir que o Fisco procedesse ao lançamento tributário, bastaria que o contribuinte fizesse mera alegação de que os depósitos efetuados em sua conta corrente pertencem a terceiros, sem se desincumbir do ônus de comprovar a veracidade de sua declaração. Isso impediria a tributação de rendas auferidas, cuja origem não foi comprovada, na contramão de todo o sistema tributário nacional, em violação, ainda, aos princípios da igualdade e da isonomia. 6. A omissão de receita resulta na dificuldade de o Fisco auferir a origem dos depósitos efetuados na conta corrente do contribuinte, bem como o valor exato das receitas/rendimentos tributáveis, o que também justifica atribuir o ônus da prova ao correntista omisso. Dessa forma, é constitucional a tributação de todas as receitas depositadas em conta, cuja origem não foi comprovada pelo titular. 184. Outrossim, não se desincumbindo de comprovar o alegado, inaplicável o §5º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1996 Porquanto tudo fundamentado, procedente o lançamento nessa parte. DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA CSLL (...) DA MULTA QUALIFICADA 191. A defesa contra a multa de ofício qualificada aplicada no percentual de 150% alega que os fatos não correspondem à hipótese legal, posto que “foram exaustivamente declarados ao Fisco, quer seja por meio das declarações acessórias entregues à Receita Federal, quer seja pelo fornecimento de todos os documentos e esclarecimentos pormenorizados, e não pode haver fraude tributária onde todos os fatos foram devidamente expostos à luz”, quais sejam, nas palavras do próprio Impugnante: • “A Impugnante recebia recursos de diversas empresas brasileiras e era responsável por operacionalizar o pagamento de dívidas que eram o interesse da própria empresa que lhe remeteu os valores”; • “O saldo de recursos recebidos de determinada empresa que ainda não havia sido utilizado para quitar dívidas daquele remetente era utilizado pela Impugnante para quitar dívida de outras empresas, passando a Impugnante a financiar aquele terceiro que ainda não havia lhe remetido recursos”; • “A Impugnante também tomava empréstimos perante a Docas International Ltd e utilizava esses recursos para financiar a quitação de dívidas dos terceiros que que, em determinado período, ainda não havia lhe enviado recursos para gerenciar”; Fl. 19138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 28 • “A atividade da Impugnante consistia em atuar como gestora de recursos de terceiros, é evidente que em sua contabilidade os valores que recebia e repassa deveria constar como “créditos a receber perante seus clientes” e “obrigação a cumprir perante seus clientes”, pois os recursos envolvidos nas operações (e que transitavam por sua conta bancária) pertenciam a terceiros, não constituindo receita da própria Impugnante”. 192. Entende que houve “simples discordância” das autoridades fiscais em relação ao modus operandi da Impugnante como gestora de recursos de terceiros (assessoria em backoffice). 193. Sugere aplicáveis as seguintes Súmulas CARF, abaixo in verbis, com grifo nosso: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 194. No presente litígio, a Autoridade Fiscal detalhadamente demonstrou o modus operandi de uma empresa que não apresentou qualquer esclarecimento quanto às receitas auferidas, quanto à natureza dos recursos que transitaram em sua conta corrente bancária, quanto a fonte dos recursos para fazer frente aos empréstimos contraídos e despesas pagas. Notadamente evidenciado o intuito de fraudar o fisco e sonegar tributos em prejuízo da Fazenda Pública. 195. Ainda sobre a multa aplicada, o Impugnante pede a redução da multa para 75%, argumentando que com a redação dada pela Lei nº 14.689/23 a multa qualificada de 150% somente pode ser aplicada quando restar configurada, individualizada e comprovada a conduta dolosa a que se referem os arts. 71, 72 e 73 da Lei N° 4.502, de 30 de novembro de 1964, hipóteses que considera incomprovadas nos autos. Cita o art. 44, §1º-C, da Lei nº 9.430/1996. 196. Subsidiariamente requer a aplicação do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 14.689/23, que reduziu a multa qualificada para 100% (inciso VI), salvo no caso de reincidência (inciso VII), situação que não foi apontada pela Fiscalização. 197. Vejamos o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 14.689/23: (g.n.) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 19139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 29 [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. [...] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; [...] 198. Agora, vejamos o fundamento legal da multa proporcional aplicada no Auto de Infração: 199. Agora a descrição dos fatos no Relatório Fiscal: No Termo de Início de Fiscalização (TIF) solicitamos que o contribuinte listasse as empresas nas quais exerceria o controle e nas que possuiria participação no capital social, detalhando as relações e as atividades da holding nessas empresas. Em face do esclarecimento prestado, solicitamos no Termo de Intimação nº 01 que a empresa nos fornecesse cópias de todos os contratos referentes à prestação de serviços de backoffice, vigentes no período fiscalizado. A empresa não respondeu ao questionamento. Após ser reintimada, afirmou que “não há contratos, por escrito, de backoffice firmados nos anos fiscalizados (2019 e 2020), dado que a relação da Requerente a título de backoffice, quando existente, ocorre em sua grande parte com empresas que integram seu grupo econômico.” [...] Visando conseguir os documentos ainda não entregues, no Termo de Reintimação nº 02 o contribuinte foi novamente demandado a apresentá-los, sem sucesso. Segundo o inciso VII do art. 3º' do Decreto nº 3.724/2001, c/c inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/1996, o embaraço à fiscalização consubstanciado na abstenção em fornecer informações sobre movimentação financeira nos habilita ao acesso aos Fl. 19140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 30 registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras. [...] Mas para verificar a tangência com outros fatos fiscalizados, solicitamos ao contribuinte no Termo de Intimação nº 01 que fornecesse cópia da petição inicial e das decisões de mérito que integraram a ação judicial citada. Somente nos foram fornecidas a petição inicial da ação de conhecimento e uma petição ao Juiz do feito para que fosse expedido mandado de penhora e avaliação, visto que o devedor não havia cumprido com a obrigação mesmo após a decisão em seu desfavor. As decisões de mérito não foram fornecidas. O contribuinte foi reintimado no Termo de Reintimação nº 01 a fornecer as decisões de mérito, mas também não houve o atendimento da demanda. Dessa forma ficamos impedidos de verificar a regularidade e a exatidão dos valores lançados a título de provisão para perdas. [...] O contribuinte foi intimado no Termo de Intimação nº 06 a comprovar documentalmente algumas despesas, mas não respondeu à intimação. [...] Adicionalmente, vemos que a compra de ações da GAFISA foi contabilizada como “outras despesas operacionais” em 2019. Intimado a informar a causa dessa contabilização, o contribuinte não se pronunciou. [...] [...] Na contabilidade do contribuinte os valores repassados à SKY em 2019 estão contabilizados na conta “SKY Investimentos LTDA - Conta Corrente”, e descritos nos históricos dos lançamentos como “transferências”, sem maior detalhamento. Em 2020 os valores repassados estão contabilizados na mesma conta, e descritos nos históricos dos lançamentos ora como “transferências”, ora como “mútuos entre empresas ligadas”. Os contratos relativos às contas correntes foram solicitados ao contribuinte no Termo de Início de Fiscalização. Foi solicitado prazo adicional para o atendimento, concedido, mas os documentos não foram entregues. O contribuinte foi reintimado a apresentá-los no Termo de Reintimação nº 02, mas se manteve inerte. 200. Corretamente aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) com fulcro no art. 44, § 1º, inciso VI, e § 2º da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 8º da Lei nº 14.689/23. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fl. 19141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 31 201. Quanto à responsabilidade solidária do Sr. Nelson Tanure, em resumo, diz o Impugnante que o art. 135 CTN não autoriza a sua responsabilização solidária a uma, porque não seria sócio administrador da autuada, e sim seu controlador, a duas, porque não houve dissolução irregular, a três, porque não teria praticado qualquer ato contrário à lei ou ao estatuto social, a quatro porque o art. 135 tem por objetivo proteger a empresa contra abuso do sócio, e não o fisco, a cinco, porque o pagamento de despesas pessoais suas pela empresa é irregularidade a ser imputada ao administrador da empresa, no caso, Sr. Cosme Eduardo, e não a ele, Impugnante, a seis, porque sendo controlador é natural ser beneficiário de recursos advindos da empresa, a sete, porque o dispositivo não autoriza a responsabilidade solidária, ou seja, simultânea, por ser pessoal, a oito, porque a Fiscalização não procedeu ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido sobre os rendimentos que auferiu, a nove, porque os recursos a ele destinados deveriam configurar despesas indedutíveis para a pessoa jurídica, a dez, porque o simples inadimplemento não gera responsabilização do sócio (Súmula 430 STJ), a onze, porque para responsabilização é preciso uma infração à lei, como fraude, evasão fiscal, sonegação, conluio, simulação, lavagem de dinheiro e ocultação de bens, que tenha dado causa ao não recolhimento. 202. Sobre a responsabilidade do controlador, é pertinente trazer a definição dada pela Lei nº 6.404/1976: (g.n) Art. 116. Entende-se por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. 203. Destacam-se como deveres sociais do sócio administrador e do acionista controlador o dever de informação, de obediência ao contrato ou estatuto social, de observância da lei. A quebra de algum destes deveres sociais pode apontar para a caracterização da responsabilidade tributária daqueles que determinam, consentem ou executam atividades no intuito de fraudar a lei ou o contrato social, desviando o cumprimento das obrigações tributárias, para proveito próprio ou de terceiros. 204. Controla a sociedade aquele que detém o poder de comandá-la, escolhendo os administradores e definindo as linhas básicas de sua atuação, eis que o poder continua sendo exercido, de forma indireta, diante da dependência em que se colocam os administradores perante o titular do poder de controle. Com efeito, Fl. 19142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 32 no exercício indireto, o verdadeiro poder emana não daqueles que detêm os cargos de direção, mas do controlador individual ou grupo que permanece atrás dos diretores, determinando-lhes a política a ser seguida pela empresa. E em sendo único o controlador, se tem o chamado controle totalitário. 205. O controlador que detêm o poder de administrar e comandar as diretrizes da atividade empresarial, se o exerce para a prática de atos ilícitos, eivados de má-fé, serão os responsáveis para o adimplemento fiscal. Nesse sentido o Acórdão CARF 1401-006.190 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 11 de abril de 2022: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART.135.CTN. Os diretores, gerentes ou representantes, de fato, da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 206. O controle exercido pelo Sr. Nelson Tanure junto à ALBERTA BKO fica evidenciado no organograma aqui já reproduzido onde está evidenciado que este detém 100% da DOCAS INVESTIMENTOS LTDA, que por sua vez detém 100% da DOCAS INT. LTD. e 99,99% da ALBERTA BKO (Impugnante), a qual tem ainda por sócia a mesma DOCAS INT. LTD. no percentual de 0,01%. 207. A relação do Sr. Nelson Tanure com as demais empresas associadas às transações financeiras oficiosas da ALBERTA BKO está descrita no Relatório Fiscal nos seguintes termos: - o Sr. Nelson Tanure é sócio controlador, com 100% de participação, da Sequip Participações Ltda, empresa detentora de 68% de participação da VEROLME (IVESA), sendo sua controladora; - o Sr. Nelson Tanure recebeu da VEROLME (IVESA) recursos para pagamentos de pensão alimentícia em todos os meses de 2019 e 2020, os quais vieram transferidos de contas correntes da Alberta BKO, da Sequip Participações e da Milos Participações para uma conta corrente da Verolme, e daí foram direcionados para os pagamentos de sua responsabilidade; - o Sr. Nelson Tanure é “beneficiário final” na ficha cadastral da ALBERTA BKO junto ao Banco Máxima, ou seja, a pessoa física que exerce o comando de fato sobre as atividades da pessoa jurídica, segundo define a Circular nº 3.978/2020 do Banco Central do Brasil; - a SKY Investiments Ltda, tinha em 21 de dezembro de 2020 como única sócia a Golden Park International S/A, CNPJ 17.717.895/0001- 82, cujo procurador e administrador da era o Sr. Cosme Eduardo Costa dos Santos, CPF 895.480.437-34, que também é o representante legal e administrador da Alberta BKO, atuando como executante das determinações do verdadeiro gestor da empresa, Sr. Nelson Tanure; Fl. 19143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 33 - a Milos Participações Ltda, CNPJ 29.984.261/0001-7, tem por sócios a Industria Verolme S.A., com 99,9% do capital social (empresa controlada indiretamente pelo Sr. Nelson Tanure), e a Sequip Participações Ltda, com 0,01% (cujo sócio controlador com 100% é o Sr. Nelson Tanure); - o administrador da Milos, o Sr. José Gomez Fernandez, CPF 026.836.527-04, recebeu rendimentos tributáveis da Milos Participações, da Indústria Verolme e da SV Engenharia, empresa esta que tem como único sócio a Sequip Participações Ltda (cujo sócio controlador com 100% é o Sr. Nelson Tanure); - o Sr. Nelson Tanure é o único sócio e administrador da CINP Consultoria de Investimentos Ltda, CNPJ 07.803.611/0001-17, cujo único cliente é a SKY Investiments Ltda, havendo desta recebido, a título de “adiantamento”, até o final de 2020 o montante de R$ 71.109.814,40, os quais a fornecedora os recursos, a SKY, contabilizava como provisão para perdas, encerrada em 2020. 208. E assim: a uma, o art. 135, inciso III do CTN contempla o controlador, dado o seu poder de administrar e comandar as diretrizes da atividade empresarial; a duas, caracteriza dissolução irregular, a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente (Superior Tribunal de Justiça, Súmula 435); a três, são atos contrários à lei e ao estatuto social das empresas a falta de registro contábil das receitas auferidas e o direcionamento de recursos da pessoa jurídica para seu sócio ou controlador sem causa que o justifique; a quatro porque o art. 135 tem por objetivo proteger a Fazenda Pública das ações ilícitas de seus dirigentes, contrárias à função social da empresa e em prejuízo ao erário; a cinco, porque em sendo o controlador beneficiário de recursos graciosamente cedidos pela empresa, não enquadrados como dividendos, e resultantes de vantagem tributária indevida, se estabelece a condição para que responda solidariamente pelos tributos sonegados; a seis, porque o natural é a pessoa jurídica entregar aos sócios, na forma lei e observado o contrato social ou estatuto, os dividendos decorrentes dos resultados positivos (lucros) por ela obtidos em razão do exercício de sua atividade empresarial, e não simplesmente transferir valores aleatoriamente a eles ou a seu controlador; a sete, porque o termo responsabilidade pessoal inscrito no art. 135 do CTN significa que se trata de uma exceção à regra da irresponsabilidade dos sócios pelo pagamento das dívidas contraídas em nome da empresa; Fl. 19144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 34 não se confundindo com a responsabilidade por substituição contida no art. 128 e prevista no art. 134 do mesmo diploma legal; a oito, porque o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido sobre os rendimentos auferidos pelo beneficiário dos pagamentos efetuados pela empresa não é condição para a constituição do crédito tributário devido pela pessoa jurídica; a nove, porque não há que se falar em despesas indedutíveis se os valores transferidos para terceiros não afetaram o lucro real apurado pela pessoa jurídica; a dez, porque a omissão de receita não configura simples inadimplemento, logo, inaplicável a Súmula 430 STJ; a onze, porque, conforme os fatos relatados e comprovados, o não recolhimento dos tributos decorreu de omissão de receitas e glosa de despesas indedutíveis e não comprovadas, que constituem infração à lei tributária, no caso, mediante sonegação fiscal, com emprego de fraude, em que a pessoa jurídica descumpre as normas contábeis, fiscais e societárias, em benefício do seu controlador, e de forma a impedir a Fazenda Pública de conhecer as receitas auferidas. Impugnação rejeitada. Responsabilidade Solidária mantida. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. 209. A defesa requer seja determinada diligência para a autoridade fiscal: a) Atestar que as despesas com provisão para perdas contingentes no montante de R$ 10.314.491,83; e as variações cambiais passivas, no montante de R$ 5.256.733,20 foram efetivamente adicionados no LALUR, AC 2019; b) Atestar que os depósitos relativos aos valores pertencem a terceiros; c) Verificar junto aos clientes da Impugnante se os valores autuados efetivamente pertencem a eles, “de modo a permitir que essa. D. Delegacia de Julgamento possa identificar que não são receita/rendimentos da Impugnante”; 210. O procedimento de diligência ou perícia, está previsto no Decreto nº 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 211. Logo, uma diligência objetiva, única e tão somente, dirimir eventual dúvida com relação às provas anteriormente carreadas ao processo; sendo prescindível quanto a elementos já comprovados nos autos. 212. Outrossim, não se presta para suprimir o encargo que cabe ao sujeito passivo quanto à formação da instrução probatória que lhe compete, notadamente para Fl. 19145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 35 afastar a presunção legal cuja hipótese se encontra devidamente demonstrada nos autos. 213. Assim, no que tange à adição das perdas contingentes no montante de R$ 10.314.491,83 e das variações cambiais passivas, no montante de R$ 5.256.733,20, AC 2019, a diligência se mostra desnecessária, vez que não compõem a base de cálculo do lançamento. 214. Outrossim, no tocante às provas que o Impugnante pretende sejam carreadas aos autos via diligência para afastar a presunção legal, vale lembrar que causam espécie à norma, posto que esta atribui ao sujeito passivo – NÃO à Autoridade Fiscal – o ônus de comprovar a natureza e a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente. Pedido indeferido. Pois bem, entendo que a decisão da DRJ foi irretocável. Por sua vez, em sede recursal o solidário nada inova, tal qual a contribuinte que basicamente reitera suas razões de impugnação e tenta insistir no argumento de que a DRJ não havia analisado as provas e entendido ou enfrentado os argumentos. São alegações que apenas demonstram a irresignação dos Recorrentes com a decisão mas que não se coadunam com a realidade. A DRJ enfrentou todos os argumentos de impugnação repetidos em sede recursal. Em relação à preliminar de nulidade foi clara ao demonstrar seu entendimento de que, não se encontravam nos autos nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do RPAF, conclusão com a qual concordo. Em relação à glosa de despesas a DRJ enfrentou todos os argumentos, detalhou o trabalho fiscal e justificou, de forma clara, o motivo de tais glosas, sejam por previsão expressa de indedutibilidade seja por ausência de documentação hábil para sua comprovação. Outrossim, demonstrou que para algumas das despesas, em que pese a autoridade fiscal tenha defendido como indedutíveis, ele tomou como base o resultado fiscal, que já levava em consideração as adições voluntárias. Assim, sem efeito direto no valor autuado. O mesmo em relação à variação cambial passiva que foi devidamente enfrentada pela DRJ. Assim, concordo com a conclusão a que chegou: 158. À exceção da alegação genérica de deficiência de fundamentação nas glosas, da reclamação pela desconsideração das adições efetuadas em 2019 e da não dedução de despesa com variação cambial passiva em 2020, o Impugnante não se Fl. 19146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 36 insurge contra os valores glosados, não aponta quaisquer divergências nas despesas apuradas pela Fiscalização. Dito isto, não há reparos a fazer nos Autos de Infração. Quanto à infração de omissão de receitas por presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/96) os Recorrentes permanecem com a absurda e fantasiosa tese de que a Recorrente exerceria a atividade de backoffice e de gestão de recursos de terceiros. Ora, como uma empresa que sequer possui tal objeto social, realiza tais atividades e recebe empréstimos e recursos de empresas, que chegam a ordem de mais de R$ 243 milhões de reais sem qualquer contrato ou instrumento legal que justificassem tais atividades? É absolutamente desarrazoado. O argumento de que grande parte dos recursos giravam entre empresas do mesmo grupo é verdade, e a autoridade fiscal comprovou de forma muito adequada que tudo girava em torno do verdadeiro sócio e operador de tais transações, o Sr. Nelson Tanure (responsável solidário). São recursos que ingressam ora por empréstimos para a recorrente, que posteriormente seguiam como empréstimos para outras empresas de seu domínio para depois serem perdoados. São recursos que ingressam de empresas de terceiros ou do mesmo grupo e pagam despesas na Recorrente ou para terceiros sem qualquer justificativa mínima ou fundamento da sua causa. Trata-se de aplicação direta da norma insculpida no art. 42 da Lei 9.430/96! A alegação de que deveria ter sido aplicado o §5º do referido dispositivo igualmente não se sustenta, o mesmo apenas seria aplicável se houvesse comprovação hábil da causa que originou o ingresso de recursos na Recorrente. Essa é a lógica da presunção, se assim não fosse, efetuar práticas sonegatórias e com o objetivo de pulverizar as receitas omitidas seria ainda mais fácil, bastando colocar uma empresa no meio das operações, em nome de um “testa de ferro”, dar passagem aos recursos para depois alegar que os recursos não eram seus, e não mais haver tempo para que a autoridade fiscal possa constituir o crédito tributário. O dispositivo legal é claro ao estabelecer as hipóteses de aplicação da referida presunção quando o recurso que ingresse na conta do contribuinte não tiver origem ou causa identificada. No presente caso, mesmo com todo esforço e criatividade argumentativa, e em que pese a excelente representação processual, o contribuinte não logra êxito em comprovar com o mínimo de razoabilidade a razão de tais recursos terem ingressado no patrimônio da Recorrente. Que eles de forma direta ou indireta acabaram por beneficiar o Sr. Nelson Tanure, efetivo dono e administrador da Recorrente, não existem dúvidas, mas diante da inexistência de causa jurídica a aplicação da presunção legal é imperativa. Fl. 19147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 37 Assim, absolutamente correta a decisão recorrida. Quanto à multa qualificada o seu percentual de 150% (aplicação ou não da retroatividade benigna), a DRJ foi absolutamente acertada e a Recorrente não dialoga com os seus fundamentos e permanece insistindo que a multa qualificada aplicada foi de 150%, o que não é verdade. As razões da qualificação, ao meu ver, são incontestes. Cito apenas algumas das constatações da autoridade fiscal: a) “A Recorrente recebia recursos de diversas empresas brasileiras e era responsável por operacionalizar o pagamento de dívidas que eram de interesse da própria empresa que lhe remeteu os valores”; b) “O saldo de recursos recebidos de determinada empresa que ainda não havia sido utilizado para quitar dívidas daquele remetente era utilizado pela Recorrente para quitar dívida de outras empresas, passando a Recorrente a financiar aquele terceiro que ainda não havia lhe remetido recursos”; c) “A Recorrente também tomava empréstimos perante a Docas International Ltd e utilizava esses recursos para financiar a quitação de dívidas dos terceiros que, em determinado período, ainda não havia lhe enviado recursos para supostamente gerenciar”; d) “Se a atividade da Recorrente consistia em atuar como gestora de recursos de terceiros, é evidente que em sua contabilidade os valores que recebia e repassa deveria constar como “créditos a receber perante seus clientes” e “obrigação a cumprir perante seus clientes”, pois os recursos envolvidos nas operações (e que transitavam por sua conta bancária) pertenciam a terceiros, não constituindo receita da própria Impugnante”. Por sua vez, a alegação da contribuinte de que houve “simples discordância” das autoridades fiscais em relação ao modus operandi da Recorrente como gestora de recursos de terceiros (assessoria em backoffice) beira ao absurdo. A autoridade fiscal conseguiu demonstrar de maneira muito evidente que a Recorrente era um instrumento ativo para contribuir com a prática sonegatória de um grande grupo econômico, agindo de forma consciente e dolosa sob mando do seu operador, o Sr. Nelson Tanure, é evidente. Tal qual a sua participação ativa enviando recursos e comandando a operação, como ficou evidenciado das provas e até de depoimentos tomados no procedimento fiscal. Assim, a multa qualificada é absolutamente acertada. Fl. 19148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 38 Ocorre que, a mesma foi aplicada no percentual de 100% e não de 150% como alegado pela Recorrente, não havendo o que se falar em aplicação da retroatividade benigna em função da Lei 14.689/23. O que ocorreu, e muito bem explicado pela DRJ, é que a autoridade fiscal aplicou a multa qualificada de 100% e o seu agravamento em 50% por embaraço à fiscalização. Isto está claro no TVF e no fundamento legal e foi explicado de forma didática pela DRJ. Entretanto, a Recorrente não se insurge contra o agravamento e permanece insistindo que o percentual da multa qualificada aplicada foi de 150%, o que não corresponde à realidade. Assim, tendo a recorrente se insurgido, tão somente à aplicação de multa qualificada de 150%, o que não ocorreu, não há nem o que se enfrentar quanto ao agravamento. Quanto à responsabilização solidária, vale citar os tópicos 206 a 208 da decisão recorrida, que resumem os fatos do TVF, para mim é mais do que suficiente para concluir por sua manutenção: 206. O controle exercido pelo Sr. Nelson Tanure junto à ALBERTA BKO fica evidenciado no organograma aqui já reproduzido onde está evidenciado que este detém 100% da DOCAS INVESTIMENTOS LTDA, que por sua vez detém 100% da DOCAS INT. LTD. e 99,99% da ALBERTA BKO (Impugnante), a qual tem ainda por sócia a mesma DOCAS INT. LTD. no percentual de 0,01%. 207. A relação do Sr. Nelson Tanure com as demais empresas associadas às transações financeiras oficiosas da ALBERTA BKO está descrita no Relatório Fiscal nos seguintes termos: - o Sr. Nelson Tanure é sócio controlador, com 100% de participação, da Sequip Participações Ltda, empresa detentora de 68% de participação da VEROLME (IVESA), sendo sua controladora; - o Sr. Nelson Tanure recebeu da VEROLME (IVESA) recursos para pagamentos de pensão alimentícia em todos os meses de 2019 e 2020, os quais vieram transferidos de contas correntes da Alberta BKO, da Sequip Participações e da Milos Participações para uma conta corrente da Verolme, e daí foram direcionados para os pagamentos de sua responsabilidade; - o Sr. Nelson Tanure é “beneficiário final” na ficha cadastral da ALBERTA BKO junto ao Banco Máxima, ou seja, a pessoa física que exerce o comando de fato sobre as atividades da pessoa jurídica, segundo define a Circular nº 3.978/2020 do Banco Central do Brasil; - a SKY Investiments Ltda, tinha em 21 de dezembro de 2020 como única sócia a Golden Park International S/A, CNPJ 17.717.895/0001- 82, cujo procurador e administrador da era o Sr. Cosme Eduardo Costa dos Santos, CPF 895.480.437-34, que também é o representante legal e administrador da Alberta BKO, atuando Fl. 19149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 39 como executante das determinações do verdadeiro gestor da empresa, Sr. Nelson Tanure; - a Milos Participações Ltda, CNPJ 29.984.261/0001-7, tem por sócios a Industria Verolme S.A., com 99,9% do capital social (empresa controlada indiretamente pelo Sr. Nelson Tanure), e a Sequip Participações Ltda, com 0,01% (cujo sócio controlador com 100% é o Sr. Nelson Tanure); - o administrador da Milos, o Sr. José Gomez Fernandez, CPF 026.836.527-04, recebeu rendimentos tributáveis da Milos Participações, da Indústria Verolme e da SV Engenharia, empresa esta que tem como único sócio a Sequip Participações Ltda (cujo sócio controlador com 100% é o Sr. Nelson Tanure); - o Sr. Nelson Tanure é o único sócio e administrador da CINP Consultoria de Investimentos Ltda, CNPJ 07.803.611/0001-17, cujo único cliente é a SKY Investiments Ltda, havendo desta recebido, a título de “adiantamento”, até o final de 2020 o montante de R$ 71.109.814,40, os quais a fornecedora os recursos, a SKY, contabilizava como provisão para perdas, encerrada em 2020. 208. E assim: a uma, o art. 135, inciso III do CTN contempla o controlador, dado o seu poder de administrar e comandar as diretrizes da atividade empresarial; a duas, caracteriza dissolução irregular, a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente (Superior Tribunal de Justiça, Súmula 435); a três, são atos contrários à lei e ao estatuto social das empresas a falta de registro contábil das receitas auferidas e o direcionamento de recursos da pessoa jurídica para seu sócio ou controlador sem causa que o justifique; a quatro porque o art. 135 tem por objetivo proteger a Fazenda Pública das ações ilícitas de seus dirigentes, contrárias à função social da empresa e em prejuízo ao erário; a cinco, porque em sendo o controlador beneficiário de recursos graciosamente cedidos pela empresa, não enquadrados como dividendos, e resultantes de vantagem tributária indevida, se estabelece a condição para que responda solidariamente pelos tributos sonegados; a seis, porque o natural é a pessoa jurídica entregar aos sócios, na forma lei e observado o contrato social ou estatuto, os dividendos decorrentes dos resultados positivos (lucros) por ela obtidos em razão do exercício de sua atividade empresarial, e não simplesmente transferir valores aleatoriamente a eles ou a seu controlador; a sete, porque o termo responsabilidade pessoal inscrito no art. 135 do CTN significa que se trata de uma exceção à regra da irresponsabilidade Fl. 19150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.578 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.728633/2023-29 40 dos sócios pelo pagamento das dívidas contraídas em nome da empresa; não se confundindo com a responsabilidade por substituição contida no art. 128 e prevista no art. 134 do mesmo diploma legal; a oito, porque o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido sobre os rendimentos auferidos pelo beneficiário dos pagamentos efetuados pela empresa não é condição para a constituição do crédito tributário devido pela pessoa jurídica; a nove, porque não há que se falar em despesas indedutíveis se os valores transferidos para terceiros não afetaram o lucro real apurado pela pessoa jurídica; a dez, porque a omissão de receita não configura simples inadimplemento, logo, inaplicável a Súmula 430 STJ; a onze, porque, conforme os fatos relatados e comprovados, o não recolhimento dos tributos decorreu de omissão de receitas e glosa de despesas indedutíveis e não comprovadas, que constituem infração à lei tributária, no caso, mediante sonegação fiscal, com emprego de fraude, em que a pessoa jurídica descumpre as normas contábeis, fiscais e societárias, em benefício do seu controlador, e de forma a impedir a Fazenda Pública de conhecer as receitas auferidas. Para mim, é o que basta para decidir quanto a este ponto. Em relação ao pedido de diligência, igualmente deve ser indeferido, não existem razões para seu deferimento para os fins pleiteados pelo Recorrente e entendo que o processos encontra-se apto a julgamento. Desta feita, nos termos da faculdade garantida pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023), adoto a decisão da DRJ como razão de decidir, acrescidas das razões aqui expostas, e voto no sentido de negar provimento aos Recursos Voluntários do contribuinte e do responsável solidário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 19151DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720019/2018-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO REGIME ESPECIAL.
Correto o lançamento fundado na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, aplicável às empresas optantes do Simples Nacional, nos termos do art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Estabelecida a presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo a ele produzir provas hábeis e irrefutáveis da não-ocorrência da infração.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
IRPJ. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE.SUMULA CARF Nº 14.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96 (com redação da Lei nº 14.689/2023, c/c Súmula nº 14 do CARF), a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 100% (cento por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, sobretudo considerando a apuração de simples omissão de receitas.
NORMAS GERAIS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATO LESIVO À LEGISLAÇÃO E/OU ESTATUTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. NÃO DEMONSTRAÇÃO/COMPROVAÇÃO.
Não constatados/demonstrados de maneira clara, precisa e individualizada os elementos necessários à atribuição da responsabilidade solidária a terceiros, notadamente interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e/ou conduta contrária à legislação ou estatuto da empresa, torna-se defeso a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito tributário ao sócio da autuada, com esteio nos artigos 124, inciso I, e 135, do CTN, impondo sejam afastadas as imputações fiscais neste sentido.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1101-001.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do Relator, para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Ricardo Luiz Ramme e Deoclídes da Silva e a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar de 75%.
Assinado Digitalmente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Junior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Efigênio de Freitas Junior (Presidente).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO REGIME ESPECIAL. Correto o lançamento fundado na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, aplicável às empresas optantes do Simples Nacional, nos termos do art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Estabelecida a presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo a ele produzir provas hábeis e irrefutáveis da não-ocorrência da infração. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 IRPJ. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE.SUMULA CARF Nº 14. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96 (com redação da Lei nº 14.689/2023, c/c Súmula nº 14 do CARF), a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 100% (cento por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, sobretudo considerando a apuração de simples omissão de receitas. Fl. 545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 2 NORMAS GERAIS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATO LESIVO À LEGISLAÇÃO E/OU ESTATUTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. NÃO DEMONSTRAÇÃO/COMPROVAÇÃO. Não constatados/demonstrados de maneira clara, precisa e individualizada os elementos necessários à atribuição da responsabilidade solidária a terceiros, notadamente interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e/ou conduta contrária à legislação ou estatuto da empresa, torna-se defeso a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito tributário ao sócio da autuada, com esteio nos artigos 124, inciso I, e 135, do CTN, impondo sejam afastadas as imputações fiscais neste sentido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do Relator, para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Ricardo Luiz Ramme e Deoclídes da Silva e a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar de 75%. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Efigênio de Freitas Junior (Presidente). RELATÓRIO DELUCI INDUSTRIA DE CONFECCOES LTDA - ME, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrados Autos de Infração, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP, ICMS e IPI, atinentes à tributação do SIMPLES NACIONAL, decorrentes da constatação de omissão de receitas caracterizada pela movimentação bancária de origem não comprovada, com aplicação de multa qualificada de 150%, e atribuição de responsabilidade solidária aos sócios, em relação aos anos-calendário 2013, 2014 e 2015, conforme peça inaugural do feito, às e-fls. 252/296, Termos de Verificação Fiscal, de e-fls. 235/251, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, a contribuinte e os responsáveis solidários foram cientificados dos Autos de Infração, e interpuseram impugnações, de e-fls. 316/338 (RICARDO LUIZ RAMME), 344/352 (DEOCLIDES DA SILVA), e 383/399 (DELUCI), as quais foram julgadas procedentes em parte pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 06-64.584, de 30 de outubro de 2018, de e-fls. 410/423, com a seguinte ementa: Fl. 547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 4 “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO REGIME ESPECIAL. Correto o lançamento fundado na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, aplicável às empresas optantes do Simples Nacional, nos termos do art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Estabelecida a presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo a ele produzir provas hábeis e irrefutáveis da não-ocorrência da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 NULIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIO NA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. É incabível a argüição de nulidade processual na hipótese em que os atos administrativos estejam revestido de suas formalidades essenciais e em estrita consonância com as normas tributárias de regência, bem assim observado que o sujeito passivo obteve a ciência de seus termos e assegurado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa mediante interposição de impugnação, cujos termos incluíram questões vertentes ao mérito da controvérsia e evidenciaram sua absoluta cognição quanto aos aspectos motivadores e das razões concludentes para determinação do lançamento do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É cabível a multa qualificada quando a autoridade fiscal comprova de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pelo contribuinte o sócio-administrador e procurador com poderes de gerência, por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo ser excluída a responsabilidade no período em que ele não atuava como sócio administrador. Impugnação Procedente em Parte Fl. 548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 5 Crédito Tributário Mantido” Irresignados, os contribuintes, autuada e solidários, interpuseram Recursos Voluntários, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE RICARDO LUIZ RAMME E DEOCLÍDES DA SILVA, e-fls. 430/465 e 469/504: Os responsáveis solidários, tal qual na defesa inaugural, apresentaram recursos voluntários suscitando as mesmas questões de fato e de direito, basicamente se insurgindo contra a imputação da responsabilidade solidária pelo crédito tributário. Com mais especificidade, contrapõem-se a corresponsabilidade/solidariedade atribuída aos sócios, sob o argumento de inexistir qualquer comprovação material dos fatos alegados, não se prestando para tanto a simples menção ao dispositivo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, sobretudo por não se cogitar em prática de atos com excesso de poder, com conduta contrária à lei ou estatuto da empresa, o que, inclusive, seria capaz de determinar a decretação da nulidade do lançamento fiscal, pela ausência de motivação. Alega ser indevida a aplicação da multa de ofício sobre a exigência fiscal sob análise, tendo em vista que o lançamento fora promovido com base na escrita fiscal da contribuinte, especialmente diante das retificações promovidas antes do início da ação fiscal. No que tange à multa qualificada aplicada, defende que a Fiscalização não se deu ao trabalho de identificar, taxativamente, além de comprovar, a conduta da Recorrente nas situações descritas pelos dispositivos legais utilizados para fundamentação do Auto de Infração, não havendo se falar em aludida penalidade, mesmo porque não se comprovou o evidente intuito doloso ou mesmo a ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio por parte da autuada, capaz de justificar referida imputação, ao contrário do assentado no Termo de Verificação Fiscal, na esteira da jurisprudência transcrita na peça recursal, mormente considerando a constatação de simples omissão de receitas. Opõem-se, ainda, à aplicabilidade de juros moratórios sobre a multa de ofício, em face da ausência de fundamentação legal para tanto. RECURSO VOLUNTÁRIO DELUCCI INDÚSTRIA E CONFECÇÕES – e-fls. 507/540: Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do lançamento por ausência de intimação válida do início do procedimento fiscal, não se prestando a simples intimação via edital, notadamente quando não se tem conhecimento do número do MPF e respectivo código de rastreio. No mérito, repisa as alegações da defesa inaugural, no sentido da comprovação da origem da movimentação bancária ora tributada, ao contrário do sustentado pela autoridade fazendária, em total contrariedade ao princípio da verdade material. Fl. 549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 6 Sustenta que diante dos equívocos incorridos pela contribuinte na manutenção e transmissão de sua escrita fiscal (o que vinha sendo corrigido), a autoridade fiscal acabou por concluir pela omissão de receitas com base em notas fiscais supostamente não escrituradas e movimentação bancária de origem não comprovada, olvidando-se, porém, que todas as notas fiscais adotadas no lançamento foram devidamente informadas no SPED, não havendo se falar em receita não escriturada, além de desconsiderar que os depósitos bancários tributados são de titularidade de terceiros ou mesmo se referem a empréstimos, razão da ausência de contabilização. Assevera que a recorrente verificou os equívocos existentes em sua contabilidade antes do início do procedimento fiscal, razão pela qual foram retificados os valores declarados como receita, a fim de se apurar o correto resultado dos exercícios fiscalizados, o que demonstra ainda mais a inexistência da suposta omissão de receitas, tampouco intuito sonegatório. Relativamente à multa de ofício, penalidade qualificada e juros moratórios sobre a multa de ofício, reitera as alegações dos responsáveis solidários no sentido da não aplicabilidade. Por fim, requerem o conhecimento e provimento dos Recursos Voluntários, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados, rechaçando totalmente a exigência fiscal. É o relatório. VOTO Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por serem tempestivos, conheço dos recursos voluntários e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, em face da contribuinte foram lavrados os presentes lançamentos, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP, ICMS e IPI, atinentes à tributação do SIMPLES NACIONAL, decorrentes da constatação de omissão de receitas caracterizada pela movimentação bancária de origem não comprovada, com aplicação de multa qualificada de 150%, e atribuição de responsabilidade solidária aos sócios, em relação aos anos-calendário 2013, 2014 e 2015, conforme peça inaugural do feito, às e-fls. 252/296, Termos de Verificação Fiscal, de e-fls. 235/251, e demais documentos que instruem o processo. Inconformados com a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a contribuinte e os responsáveis solidários interpuseram impugnações, as quais foram julgadas procedentes em parte pelo Acórdão recorrido, somente limitando a responsabilidade do sócio Deoclídes da Silva e, posteriormente, recursos voluntários a este Tribunal, escorando sua Fl. 550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 7 pretensão nas razões de fato e de direito que passamos a contemplar, o que faremos de maneira conjunta, por se fixarem em matérias basicamente idênticas, com algumas exceções que explicitaremos. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Em sede de preliminar, reiteram os contribuintes solidários as alegações da defesa inaugural, pretendendo, em síntese, seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito tributário, sobretudo quanto à imputação da responsabilidade solidária aos sócios, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando os lançamentos em meras presunções. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelos contribuintes, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, em sua formalidade, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhes deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, Termo de Verificação Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportou, ou melhor, os fatos geradores dos tributos ora lançados e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas fazendários, bem como dos demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte em seu recurso voluntário não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontra-se maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Fl. 551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 8 Por sua vez, relativamente ao mérito da imputação da responsabilidade solidária, trataremos no tópico específico adiante. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, MPF E RESPECTIVO CÓDIGO DE RASTREIO Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do lançamento por ausência de intimação válida do início do procedimento fiscal, não se prestando a simples intimação via edital, notadamente quando não se tem conhecimento do número do MPF e respectivo código de rastreio. Não obstante o esforço argumentativo da contribuinte, mais uma vez, sua pretensão não merece acolhimento. Destarte, tal qual no tópico anterior, aludidas razões representam reiteração do alegado na defesa inaugural, que fora devidamente analisada pelo julgador de primeira instância, o que nos conduz a transcrever parte do decisum nos seguintes termos: “[...] 5. Na peça de defesa, a impugnante, preliminarmente, pede nulidade do auto de infração por ausência de intimação do início do procedimento fiscal, bem como sua ciência do número do correspondente Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF-F) e o devido código de acesso no sítio eletrônico da RFB. 6. As alegações são improcedentes. 7. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: [...] 8. Nesses termos, somente os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa implicariam nulidade do lançamento. Verifica-se, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal - servidor competente para efetuar o lançamento -, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos por ele emitidos. Tampouco houve preterição do direito de defesa. O trabalho de auditoria foi instaurado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal (lavrado em 19/04/2017), consubstanciado no TDPF — Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal n° 0910600-2017-00061-0, cuja ciência ocorreu em 16/05/2017, conforme AR de fl.05. Portanto, descabida a alegação de que não houve ciência do termo de início da fiscalização muito menos de ausência de número do TDPF — Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. Fl. 552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 9 9. Pelo exposto, tem-se que a autoridade lançadora agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria, não tendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. [...]” (grifamos) Como se observa, ao contrário do sustentado na peça recursal, a autuada fora devidamente intimada do Termo de Início de Ação Fiscal, mediante AR, de e-fl. 04, recebido em 16/05/2017, não havendo se falar em qualquer irregularidade no procedimento fiscal. Ademais, na esteira dos preceitos inscritos na Súmula CARF nº 09, é válida a cientificação no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Assim, tendo a fiscalização enviado a intimação para o domicílio fiscal da autuada, com a devida cientificação comprovada via AR, impõe-se a rejeição da nulidade arguida. DO MÉRITO No mérito, pretende os contribuintes a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve integralmente a exigência fiscal consubstanciada pelo lançamento, repisando as alegações da defesa inaugural, no sentido da comprovação da origem da movimentação bancária ora tributada, ao contrário do sustentado pela autoridade fazendária, em total contrariedade ao princípio da verdade material. Sustenta que diante dos equívocos incorridos pela contribuinte na manutenção e transmissão de sua escrita fiscal (o que vinha sendo corrigido), a autoridade fiscal acabou por concluir pela omissão de receitas com base em notas fiscais supostamente não escrituradas e movimentação bancária de origem não comprovada, olvidando-se, porém, que todas as notas fiscais adotadas no lançamento foram devidamente informadas no SPED, não havendo se falar em receita não escriturada, além de desconsiderar que os depósitos bancários tributados são de titularidade de terceiros ou mesmo se referem a empréstimos, razão da ausência de contabilização. Assevera que a recorrente verificou os equívocos existentes em sua contabilidade antes do início do procedimento fiscal, razão pela qual foram retificados os valores declarados como receita, a fim de se apurar o correto resultado dos exercícios fiscalizados, o que demonstra ainda mais a inexistência da suposta omissão de receitas, tampouco intuito sonegatório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido, no mérito, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido pelos seus próprios fundamentos. Aliás, constata-se que a contribuinte simplesmente reiterou as razões da impugnação, sem qualquer eventual prova e/ou contraprova apresentada nesta oportunidade, razão pela qual peço vênia para transcrever, novamente, excerto do Acórdão recorrido e adotar como razões de decidir, com fulcro no artigo 114, § 12º, do Regimento Interno do CARF, tendo em vista ter se debruçado com muita propriedade sobre a controvérsia posta em debate, senão vejamos: Fl. 553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 10 “[...] Receitas de vendas não escrituradas 10. No mérito, após discorrer sobre princípios da legalidade e da verdade material, alega que, antes mesmo do início da fiscalização, a Impugnante vinha realizando uma revisão da apuração de seus resultados nos períodos fiscalizados e constatou a existência de alguns equívocos em sua escrita fiscal que precisaram ser retificados, conforme consta no auto em comento. Alega que o Fisco verificou supostas receitas não escrituradas (notas fiscais de vendas não declaradas e depósitos ou investimentos em instituição financeira com origem não comprovada nos exercícios fiscalizados, razão pela qual lançou os valores em face da Impugnante sob o fundamento de suposta omissão de receitas. E, no entanto, em relação às supostas notas fiscais de vendas não declaradas todas as informações relativas às notas fiscais da Impugnante foram devidamente registradas no SPED, não havendo que se falar em receitas não escrituradas. 11. As alegações são improcedentes. 12. Conforme relatório fiscal, as receitas declaradas no PGDAS, as quais foram retificadas em 24/02/2016 (Ac 2013) e 04/05/2017 (AC 2014 e 2015), antes do início da ação fiscal (16/05/2017), foram reconhecidas e consideradas pela fiscalização. Comparando-se os valores constantes das tabelas do TVEPF, às fls. 241 e 247, de fato, os novos valores de receita declarados e retificados pelo contribuinte foram considerados pela fiscalização. No entanto, para os períodos de apuração 05/2005 e 12/2005 houve lançamento da diferença encontrada entre os valores de receita de vendas obtidos no Sped e os valores declarados para o Simples Nacional, conforme tabela resumo abaixo. 13. Assim, correto o lançamento das receitas não escrituradas (notas fiscais de vendas não declaradas) como omissão de receitas realizado pela fiscalização. Depósitos bancários de origem não comprovada 14. Com relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, alega a impugnante que tais valores se tratam de receitas pertencentes à terceiros, bem como de devolução de empréstimos, razão pela qual não foram contabilizados para fins de apuração da receita bruta da Impugnante, não havendo que se falar em omissão de receitas. 15. As alegações também são improcedentes. 16. Conforme relatório fiscal, considerando que a empresa devidamente intimada e re-intimada não comprovou a origem dos recursos depositados em contas bancárias de sua titularidade, a fiscalização procedeu ao lançamento dos valores como omissão de receitas. Ressalte-se que a fiscalização identificou no Fl. 554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 11 decorrer da ação fiscal alguns créditos nas contas bancárias do contribuinte, tais como empréstimos, TED (mesma titularidade) e liberação de crédito, cujos valores foram devidamente excluídos da base de cálculo, conforme tabela constante do relatório fiscal à fl.245. Segue abaixo planilha de cálculo elaborada pela fiscalização: 17.A exigência teve como fundamento a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, aplicável às pessoas jurídicas optantes do Simples Nacional, conforme artigo 34 da LC nº 123/2006: [...] 18. A partir da entrada em vigor desta lei, estabeleceu-se uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Ou seja, quando o sujeito passivo não oferece a comprovação da origem dos recursos que transitaram em contas mantidas em seu nome, incorre na presunção legal de omissão de rendimentos que toma por base os depósitos bancários de origem não comprovada. 19. Em regra, para caracterizar a ocorrência do fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Porém, nas situações em que a lei presume a Fl. 555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 12 ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. 20. E nesse sentido determina o Código de Processo Civil nos artigos 373 e 374, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: [...] 21. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio justamente dispensar o Fisco de despender esforços em investigações aprofundadas para produzir a prova do nexo de causalidade entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta ao Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, torna-se juridicamente válida a imputação de omissão de receitas. 22. No presente caso, a empresa foi intimada e reintimada a comprovar, mediante apresentação de documentos hábeis, a origem e o destino dos recursos depositados nas contas bancárias de sua titularidade (Banco do Brasil S/A, HSBC Bank Brasil S/A e Banco Cooperativo Sicredi) que superaram as receitas apuradas junto ao SPED - nota fiscal eletrônica. Entretanto, a empresa não atendeu às intimações. 23. Assim, a Fazenda Pública cumpriu o ônus a ela atribuído, de identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar a contribuinte a se manifestar acerca de tais créditos. No entanto, a interessada não logrou afastar a presunção e, portanto, regular é o lançamento. 24. Em sua impugnação, a impugnante, em síntese, alega que a totalidade dos valores ingressados nas contas- correntes de sua titularidade não corresponde a renda auferida pela impugnante, mas sim a receitas pertencentes a terceiros, bem como devolução de empréstimos, razão pela qual não foram contabilizados para fins de apuração da receita bruta, não havendo que se falar em omissão de receitas. 25. Sobre tais argumentos, embora exista a possibilidade aventada pela requerente de que a totalidade dos valores ingressados na conta corrente do impugnante não corresponda à renda auferida pela impugnante mas sim renda de terceiros, caberia somente à contribuinte fazer a comprovação da origem desses ingressos em suas contas, a fim de afastar a presunção legal de que depósitos sem origem comprovada caracterizam omissão de receitas. 26. Cabe ao contribuinte sob fiscalização, quando regularmente intimado, apresentar documentação hábil e idônea que comprove, caso a caso, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente, ou de investimento. 27. Vale lembrar que as empresas optantes do regime especial são obrigadas a escriturar o Livro Caixa, onde deve constar toda sua movimentação Fl. 556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 13 financeira, emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviços e manter em boa ordem e guarda todos os documentos que fundamentaram a apuração do imposto e que serviram de base para a escrituração do Livro Caixa, conforme art. 26, I e II e § 2º da Lei Complementar 123/2006). Deste modo, os valores creditados em favor da empresa deveriam ter sido contabilizados em seu Livro Caixa e este apresentado à fiscalização, conforme solicitado no Termo de Início de fiscalização e TIF nº 258/2017. 28. Apesar das oportunidades, tanto na fase de fiscalização quanto na fase de impugnação, não tendo o contribuinte comprovado a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, após sucessivas intimações, a fiscalização procedeu ao lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que trata da presunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada, aplicável também às empresas optantes do Simples Nacional, nos termos regulados pelo art. 34 da LC nº 123/2006. 29. Portanto, em que pese as argumentações da contribuinte, é importante esclarecer que estando elas desacompanhadas de documentos comprobatórios, tornam-se improcedentes. [...]” Observe-se, que a contribuinte em seu recurso voluntário não apresentou novos documentos e/ou razões capazes de rechaçar o entendimento do julgador recorrido, se limitando a fazer referência aos documentos colacionados aos autos na impugnação, além de suscitar a improcedência do Acórdão recorrido, de onde restou claro que a documentação referenciada, isoladamente, não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal. A discussão trazida à colação pela recorrente repousa essencialmente em matéria de prova, cabendo à contribuinte demonstrar que os recursos que transitaram em suas contas bancárias seriam de terceiros ou mesmo decorrentes de empréstimos, o que não logrou demonstrar, ou seja, não obteve êxito em rechaçar a presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, impondo seja mantida a exigência fiscal, no mérito, em sua plenitude. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS RICARDO LUIZ RAMME E DEOCLÍDES DA SILVA Contrapõe-se a corresponsabilidade/solidariedade atribuída aos sócios elencados nos autos, sob o argumento de inexistir qualquer comprovação material dos fatos alegados, não se prestando para tanto a simples menção ao dispositivo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, sobretudo por não se cogitar em prática de atos com excesso de poder, com conduta contrária à lei ou estatuto da empresa. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela autoridade lançadora, ratificadas pelo julgador de primeira instância, os fundamentos adotados para fins de responsabilização dos sócios pela exigência fiscal não são capazes de atrair as hipóteses permissivas de aludida corresponsabilidade, como passaremos a demonstrar. Fl. 557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 14 Destarte, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a solidariedade tributária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador dos respectivos tributos, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124, 128, 134 e 135, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 - Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único - O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 - São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único - A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 - Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Fl. 558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 15 Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Com mais especificidade, na hipótese dos autos, a autoridade lançadora entendeu por bem atribuir a responsabilidade solidária aos Srs. RICARDO LUIZ RAMME E DEOCLÍDES DA SILVA, com esteio no artigo 135, inciso III, do Códex Tributário, acima transcrito, simplesmente os qualificando e fazendo referência à norma adotada para este fim no anexo “Demonstrativo de Responsáveis Tributários”, senão vejamos: “[...] [...]” Contemplados os dispositivos legais que regulamentam a matéria e as razões da fiscalização, convém explicitar, ainda, que os precedentes deste Colegiado, ao proceder a subsunção dos fatos à norma, especialmente diante da farta doutrina e jurisprudência sobre a matéria, fixou entendimento no sentido de que não basta a fiscalização imputar a corresponsabilidade à terceiros a partir de razões superficiais/rasas, sem conquanto adentrar com a profundidade que o caso exige, nas condutas praticadas pelos pretensos solidários, de maneira a comprovar que, de fato, interferiram na situação que constitua o fato gerador do tributo ou mesmo praticaram atos contra o estatuto da empresa e/ou a legislação de regência. Fl. 559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 16 Com efeito, relativamente a responsabilização inscrita no artigo 135, inciso III, do CTN, o entendimento firmado neste Colegiado é no sentido de que não basta informar que os sócios responsabilizados faziam parte do quadro societário à época da ocorrência dos fatos geradores, impondo à fiscalização proceder a devida individualização da conduta infracional dos mesmos, de forma a atrair os efeitos pretendidos. Mais precisamente, ao pretender imputar a responsabilidade tributária solidária aos sócios da empresa autuada, com arrimo no artigo 135, inciso III, do CTN, impõe-se à autoridade lançadora individualizar a conduta lesiva ao contrato social ou à legislação de regência, de cada sócio corresponsabilizado, não bastando simplesmente aduzir que fazem e/ou faziam parte do quadro societário da empresa autuada e elencar os fatos adotados para fins da constituição do próprio crédito tributário, ou seja, o mérito da autuação fiscal. Neste sentido, convém trazer à baila excerto da ementa e do voto exarados nos autos do processo nº 19515.003959/2007-18, da lavra do ilustre Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, o qual contempla com muita propriedade o tema sob análise, senão vejamos: “ “EMENTA: [...] RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 124, I e 135, III do CTN. CONDUTA DO ADMINISTRADOR. REQUISITOS. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado - resumidamente sócio-gerente -, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN), não se confunde com a responsabilidade do sócio. Afinal, não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a conduta, a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. É necessário, portanto, a existência de nexo causal entre a conduta praticada e o respectivo resultado prejudicial ao Fisco. Com efeito, o administrador, ainda que de fato, que praticar alguma dessas condutas, com reflexo tributário, deverá figurar como sujeito passivo solidário. Quanto ao art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as “pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. No âmbito do STJ prevalece o posicionamento nº sentido de que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. Nesse sentido, continua o STJ, “feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação”. O que significa dizer, a nosso ver corretamente, que Fl. 560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 17 somente o interesse econômico não legitima a atribuição de responsabilidade tributária ao terceiro. O que atrai essa responsabilidade solidária (124, I) é a participação do terceiro, ele não apenas sugere ao contribuinte o caminho a ser trilhado para burlar o Fisco, vai além, tem participação influente no procedimento de atribuir ao fato ocorrido no mundo concreto uma roupagem diversa da hipótese descrita na lei, com vistas a alterar as características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento; o interesse econômico nessa hipótese também pode existir, mas não é primordial, o que importa é a conduta do terceiro, tal qual na responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Enquadra-se nessa hipótese o terceiro que utiliza interposta pessoa com vistas a ocultar do Fisco o verdadeiro administrador da pessoa jurídica, bem como irregularidades fiscais. [...] Voto [...] 53. Pois bem. Acerca da responsabilidade tributária, o art. 135 do CTN estabelece que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, os sócios, no caso de liquidação de pessoas (inciso I c/c inciso VII do art. 134), bem como os dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A jurisprudência do STJ acrescentou ainda outra hipótese de responsabilização solidária, a dissolução irregular de sociedade, conforme dispõe a Súmula STJ 435: “presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente”. Tal hipótese é um desdobramento de infração à lei. 54. Embora o CTN estabeleça que a responsabilidade prevista no art. 135, III seja de caráter pessoal – entenda-se, exclusiva do sócio-gerente – o que desperta controvérsia, entendemos tratar-se de responsabilidade solidária, pois se o art. 128 do CTN exige lei expressa para atribuir responsabilidade a terceiro, de igual modo a exclusão da responsabilidade do contribuinte deve estar prevista em lei. Outro ponto a reforçar esse posicionamento é a própria súmula 4306 do STJ, que ao tratar especificamente da matéria enuncia responsabilidade solidária do sócio- gerente e não responsabilidade pessoal. 55. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado – resumidamente sócio-gerente – não se confunde com a responsabilidade do sócio. Afinal, não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a conduta, a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos que resultaram em Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 18 descumprimento de obrigação tributária. É necessário, portanto, a existência de nexo causal entre a conduta praticada e o respectivo resultado prejudicial ao Fisco. Com efeito, o administrador, ainda que de fato, que praticar alguma dessas condutas, com reflexo tributário, deverá figurar como sujeito passivo solidário. 56. Nesse sentido já se manifestou o STF: O pressuposto de fato ou hipótese de incidência da norma de responsabilidade, no art. 135, III, do CTN, é a prática de atos, por quem esteja na gestão ou representação da sociedade, com excesso de poder ou a infração à lei, contrato social ou estatutos e que tenham implicado, se não o surgimento, ao menos o inadimplemento de obrigações tributarias. [...] A regra matriz de responsabilidade do art. 135, III, do CTN responsabiliza aquele que esteja na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica. Daí a jurisprudência nº sentido de que apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito – má gestão ou representação por prática de atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos – e a consequência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. (Trecho do voto do RE 562276, Relator(a): ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe- 09-02-2011, p. 431, 432) 57.Na mesma linha o STJ: [...] 4. Segundo o disposto no art. 135, III, do CTN, os sócios somente podem ser responsabilizados pelas dívidas tributárias da empresa quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. Precedentes. (REsp 640.155/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/04/2007, DJ 24/05/2007, p. 311) (Grifo nosso) [...] O quotista, sem função de gerência não responde por dívida contraída pela sociedade de responsabilidade limitada. Seus bens não podem ser penhorados em processo de execução fiscal movida contra a pessoa jurídica (CTN, ART. 134 - DEC. 3.708/19, ART. 2.). (REsp 27.234/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/12/1993, DJ 21/02/1994, p. 2126) (Grifo nosso) [...] A prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato só induz a responsabilidade de quem tenha administrado a sociedade por quotas de responsabilidade limitada, no caso, os sócios gerentes, não se expandindo aos meros quotistas. Não sendo o tema objeto de recurso pela decisão Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 19 atacada, ausente, pois, o prequestionamento, que é pressuposto específico de admissibilidade do recurso especial. Recurso especial improvido. (REsp 330.232/MG, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/04/2003, DJ 30/06/2003, p. 178). (Grifo nosso) [...]” (Acordão nº 1101-001.299 – Sessão de 13/05/2024) Estabelecidas as premissas básicas para fins de atribuição da responsabilidade solidária, com fundamento no artigo 135, inciso III, do Códex Tributário, impõe-se analisar se no caso contrato a fiscalização se desincumbiu do ônus de comprovar que as condutas dos sócios, de fato e de direito, possuem condições de atrair os efeitos do instituto tributário em comento. E, como se observa dos autos, relativamente às pessoas físicas RICARDO LUIZ RAMME E DEOCLÍDES DA SILVA, a fiscalização imputou a responsabilidade pelo crédito tributário, com esteio no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, em suma, em razão de serem sócios da empresa no período da autuação e, em tese, ter praticado atos ilícitos. No entanto, além de não individualizar a conduta de cada sócio, igualmente, não logrou a fiscalização comprovar os atos ilegais lesivos ao estatuto da empresa ou mesmo às normas legais. A própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu que a imputação da responsabilidade solidária aos sócios, no caso, fora superficial, mas que as demais razões da autuação se prestariam a amparar a pretensão fiscal, senão vejamos: “[...] Impugnação dos sócios Ricardo Luiz Ramme e Deoclides da Silva 39. Os impugnantes alegam que o ato administrativo não apresenta descrição completa da situação fática determinante para a imputação da responsabilidade, muito menos a indicação do enquadramento legal específico que fundamente a motivação da imputação da responsabilidade tributária, uma vez que refere-se de forma genérica ao art. 135, do CTN, sem indicar especificamente quais de seus incisos estão sendo aplicados na atribuição da responsabilidade solidária. 40. As alegações são improcedentes. 41. No caso em tela, no termo fiscal pertinente à responsabilização tributária, no que diz respeito ao enquadramento legal, consta indicação ao artigo 135, especificamente ao inciso III, da Lei nº 5.172/1966. Ou seja, no demonstrativo de responsabilidade existe o enquadramento legal no artigo 135, com indicação específica de qual de seus incisos estão sendo aplicados, a saber o inciso III. As informações contidas no auto de infração, ainda que suscintas, foram suficientes para o contribuinte compreender o motivo da imputação de responsabilidade. Em sua impugnação, o contribuinte, inclusive, protesta Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 20 claramente contra a imputação de responsabilidade pelo artigo 135, inciso III. Os interessados entenderam perfeitamente a fundamentação constante no auto de infração, inclusive contestaram-na. A observância plena dos pressupostos normativos inerentes ao objeto da presente controvérsia viabilizou aos impugnantes o conhecimento da motivação jurídica ligada à imputação da responsabilidade, permitindo a interposição da impugnação que visa refutar o mérito da controvérsia. Desse modo, evidencia-se sua absoluta cognição quanto à congruência dos aspectos que nortearam as inferências contidas na respectiva decisão administrativa, assim, avigorando a inexistência de qualquer embaraço ao exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa e, em última análise, do princípio constitucional do devido processo legal. 42. Portanto, o conteúdo da fundamentação contida no auto de infração não trouxe nenhum prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. 43. Os impugnantes alegam também que a autoridade fiscal em nenhum momento aponta objetivamente quais foram os atos dolosos praticados pelos impugnantes com infração à lei ou ao contrato social e muito menos comprova a prática de qualquer ato praticado com excesso de poderes que pudessem caracterizar os requisitos trazidos pelo artigo 135, III, do CTN, para responsabilizá- los pessoalmente pelo lançamento tributário. 44. No entanto, os argumentos também não merecem prosperar. 45. Conforme consignado no Demonstrativo de Responsáveis Tributários que compõe o auto de infração, foi atribuída responsabilidade a Ricardo Luiz Ramme e Deoclides da Silva na condição de sócios e administradores da sociedade empresária, em razão de atos praticados com infração de lei. No que diz respeito ao enquadramento legal, foi feita referência ao artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966, nos seguintes termos: "o contribuinte esteve a frente da empresa por todo o período da presente ação fiscal. Sócio administrador e responsável" e "o contribuinte esteve no período (11/12/2013 a 02/07/2015) como sócio administrador da empresa, conforme consta nos dados cadastrais do CNPJ", respectivamente. No relatório fiscal, parte integrante do auto de infração, no que diz respeito à motivação da responsabilização do sócio administrador consta a manifesta intenção dolosa do sujeito passivo e dos seus sócios em ocultar da autoridade o valores do Simples Nacional que deveria pagar e o conjunto de fatos levantados no procedimento fiscal conduz a conclusão de que o dolo esteve presente na conduta adotada pela empresa e seus sócios administradores em ocultar depósitos bancários e não declarar parte das receitas oriundas de suas atividades comerciais de forma reiterada em três anos- calendário consecutivos. 46. Ressalte-se que a prática reiterada da infração ao longo de três anos consecutivos, entre outros motivos, serviu ainda como fundamento para qualificação da multa de ofício, inclusive com repercussão penal do ilícito tributário praticado, nos termos definidos pela Portaria RFB nº 2.439, de 21 de Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 21 dezembro de 2010, que estabelece regras próprias para a formalização e tramitação do processo competente. Também é fato inconteste que os impugnantes não comprovaram a origem dos depósitos bancários e que a escrituração não foi apresentada pela empresa autuada em atendimento à intimação fiscal. Desta forma, permanece inalterado o conjunto probatório formado pelos elementos evidenciados no lançamento fiscal, fato que justifica a responsabilização tributária de Ricardo Luiz Ramme e a Deoclides da Silva a teor das disposições contidas no inciso III do art. 135 do CTN, pela prática de ato ilícito, na condição de sócios-administradores da empresa autuada, que resultou em dano ao erário. 47. No entanto, com relação à responsabilidade imputada a Deoclides da Silva, configurado como sócio-administrador somente no período entre 11/12/2013 a 02/07/2015, entendo que para o período em que ele não estava como sócio-administrador da empresa, a saber, de janeiro/2013 a outubro/2013 e de agosto/2015 a dezembro/2015, a responsabilidade deve ser excluída. [...]” Destarte, da simples leitura do Termo de Verificação Fiscal, constata-se que a autoridade lançadora, ao atribuir a responsabilidade solidária aos Srs. RICARDO LUIZ RAMME E DEOCLÍDES DA SILVA, assim o fez de maneira absolutamente genérica, sem dissertar uma linha sequer sobre tais imputações precisamente, mas tão somente inscrevendo o dispositivo legal na folha de rosto do anexo atinente aos solidários, o que, como vimos, não é demais para atrair os efeitos de referida corresponsabilização. No mais, o fiscal autuante, bem como o julgador recorrido, simplesmente pretendem vincular, de forma rasa, a conduta dos sócios à apuração fiscal, trazendo à baila questões meritórias da própria exigência fiscal, razões que, igualmente (isoladamente), não se prestam ao fim pretendido. Na esteira desse entendimento, não restando demonstrada de forma individualizada o ato lesivo à legislação, contrato social, ou com excesso de poderes, com a devida comprovação do nexo causal entre a conduta e o dano ao erário, não há como prevalecer a responsabilidade pessoal dos sócios RICARDO LUIZ RAMME E DEOCLÍDES DA SILVA. DA MULTA QUALIFICADA Por sua vez, relativamente à multa qualificada aplicada, defende que a Fiscalização não se deu ao trabalho de identificar, taxativamente, além de comprovar, a conduta da Recorrente nas situações descritas pelos dispositivos legais utilizados para fundamentação do Auto de Infração, não havendo se falar em aludida penalidade, mesmo porque não se comprovou o evidente intuito doloso ou mesmo a ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio por parte da autuada, capaz de justificar referida imputação, ao contrário do assentado no Termo de Verificação Fiscal, na esteira da jurisprudência transcrita na peça recursal, mormente considerando a constatação de simples omissão de receitas. Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 22 Em que pesem os substanciosos fundamentos de fato de direito lançados pela autoridade fiscal, corroborados pelo Acórdão recorrido, o inconformismo da contribuinte, contudo, tem o condão de prosperar. Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, assim estabelecem: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõe-se à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador e às autoridades julgadoras de que o delito efetivamente fora praticado. Fl. 566DF CARF MF Original http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1964/4502.htm http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1964/4502.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 23 Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré-determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontra-se sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108-07.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 102-45.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendo-se a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108-07.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Na hipótese dos autos, ao qualificar a multa ao patamar de 150%, com imputação, portanto, de crime fiscal cometido pela contribuinte, no nobre fiscal autuante adotou como fundamento as seguintes razões: Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 24 [...]” No caso dos autos, inobstante o esforço do fiscal autuante, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Com efeito, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente a sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150% (atualmente 100%), não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta do autuada, de omissão de receitas, apresentando escrituração contábil com receitas inferiores, ao contrário do que pretende fazer crer a fiscalização. Destarte, consoante demonstrado no excerto do TVF Fiscal acima transcrito, o fundamento fulcral da fiscalização ao aplicar a multa qualificada de 150% se fixa na manutenção reiterada de operações à margem da tributação, o que, em verdade, se caracteriza como simples Omissão de Receitas, fazendo incidir precisamente o disposto na Súmula CARF nº 14, de observância obrigatória, com o seguinte enunciado: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.’ Não bastasse isso, in casu, constata-se que os fatos geradores estavam informados nos outros documentos contábeis da contribuinte, o que não impediu em momento algum de a fiscalização deter conhecimento pleno por ocasião da condução de simples ação fiscal. Mais a mais, a contribuinte, antes mesmo do início da fiscalização, promoveu algumas retificações na escrituração procurando demonstrar a realidade de suas receitas, o que não tem o condão de rechaçar o lançamento, eis que não caracterizada a denúncia espontânea, mas se presta a afastar a qualificação da multa. Mais a mais, este Egrégio Colegiado vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada do contribuinte, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 25 Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo n° 12571.000050/200786 – Acórdão n° 9202-01.742 – 2ª Turma – Sessão de 27/09/2011) Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pelo autuado. No caso vertente, em que pese os argumentos da fiscalização, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter a contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mesmo porque o fiscal autuante arrimou sua tese simplesmente na conduta reiterada do autuada em omitir receitas, fundamentos insuficientes para a qualificação da multa, como acima delineado. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Opõem-se, ainda, à aplicabilidade de juros moratórios sobre a multa de ofício, em face da ausência de fundamentação legal para tanto. Sem razão a contribuinte! Isto porque, afora posicionamento pessoal dos julgadores deste Tribunal, aludida matéria encontra-se com entendimento sedimentado na Súmula CARF nº 108, com o seguinte Enunciado: “Súmula CARF nº 108 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).” Assim, tratando-se de jurisprudência consolidada em enunciado de Súmula, impõe- se à observância obrigatória pelos integrantes deste Tribunal, o que rechaça de pronto a pretensão da contribuinte. DA ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Fl. 569DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 26 Destarte, relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pelo contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa e juros ora exigidos encontrarem respaldo na legislação de regência, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 1.634/2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 27 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 123, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho.” Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Neste sentido, no mérito, não se cogita em improcedência do procedimento fiscal, tendo em vista que as autoridades fazendárias pretéritas agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. No que tange a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. A propósito da matéria, aliás, o Supremo Tribunal Federal exarou decisão, em sede de Repercussão Geral, nos autos do Agravo de Instrumento nº 791292/PE, firmando entendimento que, de fato, o Acórdão deve ser devidamente fundamentado, mas sem determinar, no entanto, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Assim, afora a responsabilidade solidária e a multa qualificada, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.777 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10945.720019/2018-05 28 para constituição do crédito tributário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO PARCIAL, somente para afastar a corresponsabilização dos sócios Ricardo Luiz Ramme e Deoclídes Da Silva, bem como rechaçar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a a 75%, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 572DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 19555.727728/2023-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2021 a 30/09/2022
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo a autuação demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. LANÇAMENTO ADEQUADO AO CONTROLE DE LEGALIDADE.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
STJ. TEMA REPETITIVO Nº 346.
Nos termos do art. 170-A do CTN, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido.
Numero da decisão: 2101-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos relativos à multa de ofício, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento.
Sala de Sessões, em 12 de agosto de 2025.
Assinado Digitalmente
Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ROBERTO JUNQUEIRA DE ALVARENGA NETO
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INOCORRÊNCIA. Tendo a autuação demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. LANÇAMENTO ADEQUADO AO CONTROLE DE LEGALIDADE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. STJ. TEMA REPETITIVO Nº 346. Nos termos do art. 170-A do CTN, 'é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial', Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.240 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19555.727728/2023-39 2 vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos relativos à multa de ofício, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento. Sala de Sessões, em 12 de agosto de 2025. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE SERRINHA contra o Acórdão nº 101-028.621 da 13ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 01 (DRJ01), que julgou improcedente sua Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O litígio originou-se de auditoria fiscal realizada no MUNICÍPIO DE SERRINHA referente às compensações efetuadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) nos períodos de 01/10/2021 a 30/09/2022, resultando em um crédito tributário no valor de R$ 14.737.953,25. Conforme consta nos autos, o Fisco intimou o contribuinte para comprovar as compensações declaradas, tendo recebido resposta. Na sequência, foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal, que não foi atendido pelo contribuinte. Após análise da documentação Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.240 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19555.727728/2023-39 3 disponível, a fiscalização lavrou auto de infração por considerar indevidas as compensações efetuadas. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Município alegou, em síntese: 1. Nulidade do processo por cerceamento de defesa, requerendo encontro de contas; 2. Descumprimento de decisão judicial, caracterizando crime de desobediência; 3. Incompetência do STJ para decidir sobre demandas repetitivas, questionando a inservibilidade da Nota PGFN nº 115/2017; 4. Abuso de poder e desvio de finalidade pela Receita Federal; 5. Equívoco cometido pela auditoria com glosa indevida da compensação; 6. Desnecessidade de retificação das GFIPs para efetuar compensação; 7. Legalidade da compensação efetuada com base em recolhimento indevido sobre verbas indenizatórias; 8. Inexistência de contribuições previdenciárias sobre diversas verbas, citando múltiplas decisões judiciais como precedentes; 9. Improcedência da apuração do grau de risco por meio do CNAE preponderante; 10. Impossibilidade de aplicação da multa isolada de 150% por não restar devidamente comprovado evidente intuito de fraude. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por unanimidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, fundamentando sua decisão na ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, bem como na falta de comprovação dos pagamentos das rubricas aos funcionários e dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, que seriam requisitos para a compensação pretendida. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Inconformado, o Município apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Relator 1. Admissibilidade Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.240 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19555.727728/2023-39 4 O Recurso Voluntário é tempestivo, porém não atende integralmente aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Os argumentos relativos à multa de ofício aplicada não merecem conhecimento, pois se trata de matéria estranha à lide. Cumpre esclarecer que a multa de ofício é objeto do PTA nº 19555.731651/2023-00. Portanto, o recurso deve ser conhecido parcialmente, não se conhecendo dos argumentos relativos à multa de ofício por se tratar de matéria estranha à lide. 2. Preliminares 2.1. Da decisão judicial favorável O recorrente argumenta que possui decisão judicial favorável no processo nº 1005278-95.2017.4.01.3300, que tramitou perante a 2ª Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Feira de Santana-BA, a qual reconheceu a não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre determinadas verbas, como aviso-prévio indenizado, importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença ou auxílio acidente, entre outras. Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS, com arrimo no art. 487, inciso I, do CPC, para excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias (cota patronal de 20%) as verbas aviso-prévio indenizado, importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença ou auxílio acidente, salário-família, gratificação sobre o exercício de cargo de direção ou comissionado para os servidores públicos efetivos, licença prêmio não convertida em pecúnia, auxílio-alimentação pago em pecúnia, quebra de caixa, auxílio casamento, auxílio moradia, vale cultura. Declaro ainda o direito do requerente de promover, após o trânsito em julgado da presente sentença, a compensação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a citada verba nos últimos cinco anos, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, respeitadas as normas relativas à compensação. (grifou-se) Contudo, esta decisão judicial, embora tenha reconhecido o direito material à não incidência tributária sobre determinadas verbas, condicionou expressamente o direito à compensação ao trânsito em julgado da sentença, o que não ocorreu, conforme se verifica nos autos (o processo encontra-se em fase recursal perante a 13ª Turma do TRF da 1ª Região). Além disso, mesmo com decisão judicial favorável transitada em julgado, a legislação tributária estabelece procedimento próprio para a realização de compensações, conforme disposto no CTN, na Lei nº 9.430/1996 e pela Instrução Normativa RFB n° 2.055/2021, incluindo a necessidade de prévia retificação das GFIPs em que a obrigação foi declarada, o que não foi observado pelo contribuinte. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.240 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19555.727728/2023-39 5 Portanto, embora exista decisão judicial parcialmente favorável ao recorrente, esta não autoriza, nas circunstâncias atuais, a realização de compensações diretas nas GFIPs sem observância do procedimento legal aplicável. Não acolho, portanto, a preliminar. 2.2. Nulidade do auto de infração por imprecisão da capitulação legal O recorrente alega nulidade do auto de infração por imprecisão da capitulação legal, o que teria acarretado cerceamento de defesa. Sustenta que a fiscalização teria se limitado a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação, sem correlacionar os dispositivos com a matéria supostamente transgredida. Ao analisar o auto de infração, verifico que foram indicados os fundamentos legais que embasaram a autuação, com descrição suficiente da conduta imputada ao contribuinte: realização de compensações indevidas nas GFIPs sem a devida comprovação e sem observância do procedimento legal. A descrição dos fatos e o enquadramento legal permitiram ao contribuinte compreender a acusação e exercer plenamente seu direito de defesa, tanto que apresentou manifestação de inconformidade extensa e bem fundamentada, abordando todos os pontos da autuação fiscal. Nesse sentido, não se vislumbra qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa, requisito essencial para a declaração de nulidade, conforme o princípio pas de nullité sans grief. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que eventuais vícios formais no lançamento só ensejam nulidade quando comprovadamente cercearem o direito de defesa do contribuinte, o que não ocorreu no presente caso. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade por imprecisão da capitulação legal. 3. Mérito O cerne da controvérsia reside na legitimidade das compensações realizadas pelo Município de Serrinha nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP), referentes às contribuições previdenciárias sobre verbas que entende possuírem natureza indenizatória e/ou transitória. Inicialmente, é imperioso destacar que o Código Tributário Nacional estabelece, em seu artigo 170-A, que “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Este dispositivo legal, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, estabelece uma limitação inequívoca ao direito de compensação, condicionando seu exercício ao trânsito em julgado da decisão judicial que reconheça o crédito tributário. Sobre este ponto, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a questão ao fixar tese no Tema Repetitivo nº 346: Fl. 149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.240 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19555.727728/2023-39 6 "Nos termos do art. 170-A do CTN, 'é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial', vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido." No caso em análise, o contribuinte realizou compensações com base em créditos que são objeto de discussão judicial (processo nº 1005278-95.2017.4.01.3300), sem aguardar o trânsito em julgado da respectiva decisão. Inclusive, a própria sentença proferida naqueles autos condicionou expressamente o direito à compensação ao trânsito em julgado, ao dispor que “declaro ainda o direito do requerente de promover, após o trânsito em julgado da presente sentença, a compensação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a citada verba nos últimos cinco anos”. Portanto, as compensações realizadas pelo contribuinte, antes do trânsito em julgado da decisão judicial, contrariam expressamente o disposto no artigo 170-A do CTN, a jurisprudência consolidada do STJ sobre o tema e a própria decisão judicial. Ademais, vale notar que a recorrente tampouco cumpriu com sua obrigação de retificar as declarações anteriores, como prevê o art. 11 da IN nº 2.055/2021. Dessa forma, por qualquer ótica, a compensação promovida pela recorrente é indevida, sendo correta a glosa dos créditos promovida pela Receita Federal do Brasil, atuando no fiel cumprimento da sua atividade plenamente vinculada. Portanto, também não procede a alegação da recorrente de abuso do poder discricionário. Por fim, quanto à aplicação da Taxa SELIC como índice de juros sobre o débito tributário, este Conselho possui entendimento consolidado sobre o tema, consubstanciado nas Súmulas CARF nº 4 e 108: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, a aplicação da Taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios está em consonância com a jurisprudência administrativa deste Conselho e com a legislação tributária aplicável, não havendo fundamento para seu afastamento no presente caso. 4. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo dos argumentos relativos à multa de ofício por se tratar de matéria estranha à lide. Na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento. Fl. 150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.240 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19555.727728/2023-39 7 Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto Fl. 151DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15771.721506/2013-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2012, 26/12/2012
CONCOMITÂNCIA. DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITO.
A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo implica renúncia à discussão administrativa da parte coincidente do objeto.
Numero da decisão: 3001-003.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo de questões levadas ao judiciário, configurando concomitância, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.565, de 28 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10831.720082/2019-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LUIZ CARLOS DE BARROS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/12/2012, 26/12/2012 CONCOMITÂNCIA. DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITO. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo implica renúncia à discussão administrativa da parte coincidente do objeto.
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DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITO. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo implica renúncia à discussão administrativa da parte coincidente do objeto. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo de questões levadas ao judiciário, configurando concomitância, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001- 003.565, de 28 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10831.720082/2019-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.585 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15771.721506/2013-25 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou-a Improcedente, relativo ao II, IPI, PIS e COFINS incidentes sobre a importação realizada pelo contribuinte. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Através do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM a Recorrente teve ciência do acórdão supramencionado, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB. Posteriormente, aviou o presente remédio recursivo, com suas razões. Eis em síntese apertada o relato dos fatos. Passo ao voto. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento parcial, somente porque a Recorrente aviou quesitos recursivos no administrativo que guardam igualdade com a inicial do processo judicial. DIREITO Do crédito com a exigibilidade suspensa e respectivo cancelamento Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.585 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15771.721506/2013-25 3 Neste quesito alega que o lançamento fiscal já foi realizado, evitando a decadência e, por isso mesmo não há razão para que o feito do presente contencioso administrativo permaneça tramitando, cujo qual levará, em caso de condenação, a inclusão do nome do contribuinte ao CADIN e outras restrições. Sustenta ainda que, com antecipação da tutela e o depósito judicial, as partes estão garantidas. Traz doutrina a respeito. Por fim, observa a Recorrente que o princípio da segurança jurídica visa isolar o objeto de interesse das partes (decisão judicial) enquanto durar a lide, garantindo a estabilidade da relação jurídica, devendo permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário em comento. Sem razão a Recorrente, uma vez que o lançamento tributário tem como uma de suas finalidades prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. E, o lançamento tributário é o ato pelo qual a autoridade administrativa fixa o valor do crédito tributário, e sua realização dentro do prazo decadencial preserva o direito da Fazenda Pública de exigir o pagamento do tributo. Entretanto, o lançamento tributário pura e simplesmente só teria sido constituído os valores se não houvesse recurso administrativo. Mas, como houve recurso, há de ser julgado, podendo ser mantido o valor originário ou não. Não se olvide da Segurança Jurídica que o lançamento proporciona, tanto para a Fazenda Pública quanto para o contribuinte, ao estabelecer claramente o valor e a exigibilidade do crédito tributário, através do devido processo legal, como ocorreu. Veja a Recorrente, que o lançamento foi posto um valor, cujo qual parte dele foi removido do lançamento, por julgamento administrativo. Ademais, ao percorrer os procedimentos processuais administrativo, quando transitado em julgado, ainda assim irá para liquidação de sentença, junto a RFB, cuja qual estará impedida de qualquer apontamento em cadastro de mau pagador até que decisão judicial seja definitiva. Assim, improcede a insurgência recursiva. Da nulidade da decisão administrativa por ausência de renúncia às instâncias administrativas Alega a não concomitância, nos seguintes termos: (...) No entanto, a exclusão da via administrativa não pode ser tomada em termos absolutos, considerando apenas os efeitos finais das demandas, ou seja, a decisão do mérito. Há que se verificar os efeitos da renúncia no caso concreto, bem como a inexistência de prejuízo às partes litigantes. Vejamos. Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.585 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15771.721506/2013-25 4 Conforme dito acima, a Recorrente ajuizou ação mandamental onde inclusive foram efetuados depósitos judiciais, devendo, portanto, permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no artigo 151, do CTN. E ainda, mesmo com a suspensão da exigibilidade, o auto de infração foi lavrado para não se consumar o prazo decadencial do Fisco, entretanto, o termo de suspensão do processo constou no próprio corpo da autuação. Assim, com a apresentação da impugnação esperava-se que o processo administrativo ficasse suspenso até o trânsito em julgado da ação judicial, uma vez que a presente autuação está fadada à extinção. Entretanto, equivocadamente, esta postura não foi adotada pelo Ilmo. Julgador, o qual simplesmente desconsiderou a defesa apresentada pela Recorrente sob o fundamento de concomitância entre processos. Ora, se o Fisco não pode sofrer os efeitos da decadência, sendo aceitável a prática de lançamento de débitos com exigibilidade suspensa, por igual raciocínio, ao contribuinte, nesta situação específica, não lhe pode ser negado a via administrativa. (...) Disto resulta que a presente decisão cerceou o direito de defesa da ora Recorrente, bem como lhe imputará consequências por demais gravosas, como: a inscrição do débito (sub judice) em dívida ativa, inclusão de gravame no CADIN, posterior execução fiscal, constrição de bens, etc. (...) Entende a Recorrente que a finalização do procedimento administrativo, sem julgamento de mérito, também é nulo por ferir frontalmente os princípios do contraditório e da ampla defesa expressamente previsto na Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 5º, inciso LV, dispõe: Enfim, discorre sua tese, cuja qual, sinteticamente, alega que está sendo tolhido de exercer sua defesa e que o tramitar processual administrativo, sem julgamento de mérito é nulo por ferir o contraditório e a ampla defesa. Não tem razão, a uma porque não está sendo tolhido seu direito de defender-se e, a duas, não compete a esse Colegiado discutir se deve ou não entrar no mérito da questão, pois as decisões dos conselheiros são vinculadas às súmulas da Corte, onde, uma delas define que há renúncia do processo administrativo, quando há a procura ao pálio judicial, com as mesmas partes e objeto. Sem razão a Recorrente. Imunidade tributária Deixo de apreciar a matéria recursiva, muito embora ela tenha sido aviada em sede de impugnação e na presente peça recursiva, cotejando as cópias que tratam do MS nº 0000779-60.2014.403.6105, como dito pela DRJ, ‘... especialmente a correspondente inicial, as questões tratadas no presente processo administrativo Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.585 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15771.721506/2013-25 5 que dizem respeito à sujeição da entidade ao IPI, II, Cofins e PIS na importação efetuada coincidem com aquelas levadas ao exame do Poder Judiciário na demanda acima’. Não conheço dessa matéria. Diante do exposto, conheço parcialmente da peça recursiva, não conhecendo de questões levadas ao Judiciário configurando concomitância e, no mérito, nego-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo de questões levadas ao judiciário, configurando concomitância, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Fl. 213DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10297.006719/2009-76
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/08/2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Súmula CARF nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DE AUDITOR FISCAL NÃO REALIZADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A manutenção do mesmo auditor fiscal não é causa a nulidade do MPF nem do procedimento fiscalizatório. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
Numero da decisão: 2004-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Leonam Rocha de Medeiros – Relator
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1999 a 30/08/2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DE AUDITOR FISCAL NÃO REALIZADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A manutenção do mesmo auditor fiscal não é causa a nulidade do MPF nem do procedimento fiscalizatório. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DE AUDITOR FISCAL NÃO REALIZADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A manutenção do mesmo auditor fiscal não é causa a nulidade do MPF nem do procedimento fiscalizatório. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Fl. 276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 254/267), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de primeira instância (e-fls. 228/248), consubstanciada no Acórdão nº 07-37.432 - 5ª Turma da DRJ/FNS, de 12/06/2015, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, a contribuição será atualizada monetariamente, nos períodos em que a legislação assim determinar, a contar da data do pagamento ou recolhimento até a data da efetiva restituição ou compensação, utilizando-se os mesmos critérios aplicáveis à cobrança da própria contribuição em atraso, na forma da legislação de regência. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição é acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia [SELIC], acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1999 a 30/08/2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. A ação fiscal foi resguardada por Mandados de Procedimento Fiscal – MPF válidos, devidamente cientificados ao contribuinte, não havendo que se falar em nulidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 3 Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para fatos geradores ocorridos nas competências destacadas na ementa do acórdão recorrido, com auto de infração (Debcad 35.525.910-9) juntamente com as peças integrativas e Relatório Fiscal (e-fls. 86/93) devidamente colacionados, tendo o contribuinte sido notificado em 20/12/2002 (e-fl. 99), foi bem sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo com breves adaptações quando necessárias: Trata-se de Notificação fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD nº 35.525.910-9, fl. 021 e anexos, de 20/12/2002 (vide AR de fl. 99), por meio da qual se exige do contribuinte a importância de R$ 123.453,69 (cento e vinte e três mil e quatrocentos e cinquenta e três reais e sessenta e nove centavos), consolidada em 07/12/2002 (principal, acrescido de multa e juros), onde foram lançadas contribuições devidas à Seguridade Social, a seguir discriminadas: a) correspondentes à parte da empresa (20%), incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas nas competências 11/1999, 12/1999, 13º/1999, 02/2000 a 05/2000, 13/2000, 05/2001 a 12/2001, 13/2001, 01/2002 a 08/2002 (levantamento FOLHA/FÉRIAS/RESCISÕES); b) as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apuradas nas competências 11/1999, 12/1999, 13º/1999, 02/2000 a 05/2000, 13/2000, 05/2001 a 12/2001, 13/2001, 01/2002 a 08/2002 (levantamento FOLHA/FÉRIAS/RESCISÕES); c) as contribuições destinadas as Terceiras Entidades (Salário Educação/FNDE, Incra, SENAI, SESI e SEBRAE), apuradas nas competências 11/1999, 12/1999, 13º/1999, 02/2000 a 05/2000, 13/2000, 05/2001 a 12/2001, 13/2001, 01/2002 a 08/2002 (levantamento FOLHA/FÉRIAS/RESCISÕES); d) percentual de 11% incidente sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, apurado nas competências 04/2001 a 12/2001, 01/2002 a 08/2002 (levantamento RET – RETENÇÃO SERV. DE VIGILÂNCIA); e) o adicional do RAT para financiamento da aposentadoria especial de 25 anos incidente sobre a remuneração dos segurados empregados (levantamento APO – Aposentadoria Especial 25 anos), apurado nas competências 04/1999 a 06/1999, 11/1999, 12/1999, 02/2000 a 04/2000, 08/2000 12/2000, 01/2001, 04/2001, 05/2001 a 12/2001, 01/2002 a 08/2002; f) DAL – Diferenças de Acréscimos legais, apurados nas competências 01/2002, 07/2002 e 08/2002. Fl. 278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 4 De acordo com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (REFISC), fls. 86-93, a partir da competência 03/2000, a empresa notificada procedeu a compensação de contribuições recolhidas indevidamente, atualizadas monetariamente até a competência 02/2000, com amparo no Mandado de Segurança Individual nº 99.4857-3, ajuizado na 3ª Vara da Justiça Federal do Paraná, que reconheceu o direito a compensação, a partir de 02/2000, das contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, incidentes sobre os valores pagos a título de pró labore no período de 10/1999 a 08/1994, julgado inconstitucional pela ADI nº 1102, de 16/10/19951. Analisada a planilha de atualização dos valores apresentada pela empresa para justificar a compensação, a fiscalização apurou que no cálculo não foi observado o disposto no §6º do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 (a atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição). De acordo com a autoridade lançadora, com base nos cálculos extraídos do Sistema de Acréscimos Legais – SAL, do sistema informatizado do INSS, demonstrado no Relatório de Atualização de Restituições, o saldo a compensar atualizado pela taxa Selic até a competência 03/2000, totaliza o valor de R$ 21.606,27. Esclarece, ainda, que para fins de apurar os créditos compensáveis “a partir de 03/2000, passamos a aplicar juros correspondentes à taxa Selic, em cumprimento à determinação OS Conjunta INSS DAF nº 51, de 28/06/1996. Do saldo inicial a compensar (em reais), deduzimos o valor compensado naquele mês e aplicamos sobre o saldo restante a Taxa Selic daquele mês”. Por meio da tabela demonstrativa das compensações efetuadas no ano de 2000 e 2001, elaborada com base no montante do crédito tributário de titularidade do contribuinte (R$ 21.606,27), a autoridade fiscal apurou quando ocorreu o exaurimento do crédito do contribuinte, a seguir compilada: 1 ADI 1102. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL: EXPRESSÕES "EMPRESÁRIOS" E "AUTÔNOMOS" CONTIDAS NO INC. I DO ART. 22 DA LEI N. 8.212/91. PEDIDO PREJUDICADO QUANTO AS EXPRESSÕES "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" CONTIDAS NO INC. I DO ART. 3. DA LEI N. 7.787/89. 1. O inciso I do art. 22 da Lei n. 8.212, de 25.07.91, derrogou o inciso I do art. 3. da Lei n. 7.787, de 30.06.89, porque regulou inteiramente a mesma matéria (art. 2., par. 1., da Lei de Introdução ao Cód. Civil). Malgrado esta revogação, o Senado Federal suspendeu a execução das expressões "avulsos, autônomos e administradores" contidas no inc. I do art. 3. da Lei n. 7.787, pela Resolução n. 15, de 19.04.95 (DOU 28.04.95), tendo em vista a decisão desta Corte no RE n. 177.296-4. 2. A contribuição previdenciária incidente sobre a "folha de salários" (CF, art. 195, I) não alcança os "autônomos" e "administradores", sem vínculo empregatício; entretanto, poderiam ser alcançados por contribuição criada por lei complementar (CF, arts. 195, par. 4., e 154, I). Precedentes. 3. Ressalva do Relator que, invocando política judicial de conveniência, concedia efeito prospectivo ou "ex-nunc" a decisão, a partir da concessão da liminar. 4. Ação direta conhecida e julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade das expressões "empresários" e "autônomos" contidas no inciso I do art. 22 da Lei n. 8.212, de 25.07.91. (ADI 1102, Relator MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 05-10- 1995, DJ 17-11-1995 PP-39205 EMENT VOL-01809-05 PP-01004). Fl. 279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 5 De acordo com a tabela supra, na competência 05/2001, a empresa tinha um saldo a compensar de R$ 285,71. A partir desta competência foram desconsideradas quaisquer outras compensações identificadas na planilha elaborada pelo contribuinte, e lançadas a contribuições que deixaram de ser recolhidas por força da compensação. As bases de cálculo que compõem o lançamento foram apuradas com base nas informações prestadas pela empresa em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, a seguir relacionadas: a) as remunerações pagas aos segurados empregados discriminadas nas folhas de pagamento, recibos de férias e rescisões de contrato de trabalho, conforme levantamento N – folha/férias/Rescisões; b) as remunerações pagas aos segurados empregados que prestam serviços de vigilância na sede da empresa, em relação aos quais a contratante é responsável pela retenção e recolhimento, em nome da contratada, de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura ou do recibo de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra; c) a remuneração paga aos segurados empregados com efetiva exposição, de modo habitual, não ocasional nem intermitente a agentes nocivos nos estabelecimentos da empresa, que fazem jus a aposentadoria especial com 25 anos de exposição permanente. Da Impugnação ao lançamento e da realização de diligência A impugnação (e-fls. 101/109), que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme consta sumariado no relatório da decisão vergastada, a qual também relata a realização de diligência, pelo que peço vênia para, igualmente, reproduzir com breves adaptações quando necessárias: Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 6 A notificada apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 101 109, na qual faz breve resumo dos fatos que ensejaram os lançamentos e apresenta suas razões de defesa, em síntese relatadas: 1. Alega, inicialmente, a nulidade da NFLD, em razão de medidas abusivas adotadas pela Autoridade fiscal. 1.1 Como primeira nulidade, aponta o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 00019503 – código de acesso nº 53598916, expedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), previa inicialmente o período de apuração compreendido entre fevereiro/2001 a junho/2001, todavia o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, firmado em 09/12/2002, indica com período fiscalizado o de 04/1999 a 08/2002. 1.1.1 Relata que referido MPF foi complementado uma única vez para alterar o período de apuração para fevereiro de 2001 a julho/2002. 1.1.2 Diz que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), expedido em 05/07/2002, menciona o período de 02/2001 a 03/2002, e, posteriormente, houve a expedição de novo Termo em 05/12/2002, tão somente para exigir 04 documentos, com menção ao período de 02/2001 a 08/2002. 1.1.3 Em virtude desses fatos, defende que houve o descumprimento da autorização contida no MPF, caracterizando manifesta irregularidade, que vicia a validade do procedimento fiscal. 1.2 Também argui em preliminar que não houve recusa por parte do contribuinte em assinar a autuação, conforme registrado pelo Auditor-Fiscal, mas sim abuso de autoridade por parte desta, que ficou impaciente pelo fato do representante legal não se encontrar na empresa no momento da entrega da autuação. 2. No mérito, aduz que não procede a alegação de que a planilha de atualização de valores deveria guardar conformidade com o que dispõe o §6º do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. 2.1 Defende que a planilha de apuração do crédito entregue a fiscalização está em consonância com a decisão judicial (processo nº 99.4584-3), que prevê a correção monetária considerando o expurgo do Plano Collor I (44,80%), o que resultaria em montante de crédito a compensar suficiente para a quitação dos valores constantes da NFLD, conforme excertos que transcreve. 2.2 Explica que é equivocado o entendimento da fiscalização, de que a planilha apresentada pelo contribuinte estava corrigida monetariamente até 02/2002, competência na qual foi concedida a permissão judicial para a compensação dos valores, pois na verdade tal planilha estava atualizada somente até junho de 1999. Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 7 2.3 Diz que procedeu a atualização da referida planilha até 02/2000, com estrita observância a decisão judicial, demonstrando que a exigência contida na NFLD é descabida e que possui saldo credor suficiente para cobrir os créditos lançados. 3. Ao final, conclui: Isto posto REQUER se digne a declara a NULIDADE da NFLD em virtude de IRREGULARIDADE E OMISSÃO cometidas pela autoridade fiscal, tanto relativamente a período não autorizado pelo correspondente MPF, como pelo procedimento arbitrário na forma de ciência ao sujeito passivo. No mérito, determinar a revisão da apuração procedida pela fiscalização, com vistas a levar em conta a determinação judicial que corrige o crédito considerando os expurgos do Plano Collor I, para proceder a devida compensação dos valores envolvidas nesta ação e afinal julgar improcedente a NFLD, para cancelar a exigência fiscal dela constante. A requerente protesta, por todos os meios de provas em direito admitidos, pela juntada de elementos no curso da apreciação da presente defesa. A impugnação foi instruída pelos documentos de fls. 109 a 134, que se constituem em atos de constituição e de representação legal, e cópias de peças judiciais. DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA O Serviço de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional de Seguridade Social/Gerência Executiva de Belém, então competente para a análise da impugnação administrativa apresentada no processo de constituição do crédito tributário de natureza previdenciária, elaborou o despacho de fls. 140- 146, datado de 13/02/2004, para os seguintes fins: 8. Diante do exposto, solicita-se que seja revista a planilha elaborada às fls. 87, a fim de que se inclua a aplicação da taxa Selic para os meses a partir de março de 2000 até o fim da compensação, bem como seja observada a aplicação da regra de juros simples sobre os montantes a serem atualizados. O mesmo despacho registra, para fins de abordagem na decisão a ser proferida no momento oportuno, que deverá ser reconhecida a existência de vício insanável (conforme fundamentado nos itens 9 a 14 do próprio despacho): 15. Assim, constata-se a existência de vício insanável, consubstanciado na lavratura do débito de período não abarcado pelo MPF, conforme acima analisado, revelando a inobservância de atributos necessários para a validade do lançamento, o que enseja a Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 8 declaração de nulidade da parcela do lançamento relativa às competências não abarcadas pelo MPF, com sua consequente exclusão da NFLD em foco. 16. Após cumprida a diligência solicitada nos tópicos 01 a 08, deve tal fato ser observado por ocasião do julgamento do processo em epígrafe, fazendo-se constar da Decisão-Notificação a necessidade de realização de novo procedimento fiscal, no qual sejam previstos e observados novos prazos no período de apuração constante do MPF, possibilitando o lançamento relativo às competências não abarcadas pelo MPF referente à NFLD em tela. O processo foi encaminhado à Fiscalização, a qual, por meio do despacho de fls. 149-152, solicitou o pronunciamento da Procuradoria do Instituto Nacional do Seguro Social acerca dos seguintes pontos: 1. Houve o trânsito em julgado da sentença que permite a compensação? A decisão de segundo grau prolatada em 16/04/2002 que confirma a decisão de primeiro grau em 28/02/2000 é declaratória ou constitutiva, ou seja, ela ratifica/reconhece/declara o direito de compensação a partir de 28/02/2000 (ou, ainda, a partir do recolhimento indevido) ou, de outro modo, assegura ao contribuinte o direito de compensação somente a partir da data de sua expedição (16/04/2002). Se a concessão da medida for tão somente a partir da decisão de 2º grau e, considerando a sua manutenção, haveria prejuízos aos cofres previdenciários a execução do direito declarado a partir da decisão do juízo monocrático? 2. O procedimento fiscal deve ser retificado no tocante ao cálculo dos acréscimos determinados pelo sistema informatizado do INSS? 3. O expurgo de 44,80% na competência 04/1990 deixou de ser observado? Sendo afirmativa, de que modo seria o cálculo? 4. É procedente a afirmação de que foram utilizados, erroneamente, a regra de juros compostos ao invés de juros simples na planilha, anexada às fls. 87 dos autos, a despeito de os mesmos terem sido obtidos pelo próprio sistema fornecido pelo Instituto, conforme item seis do despacho de fls. 139. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou em 17/09/2012, nos seguintes termos (fl. 174): Em face da solicitação de fls. 147/150, ratificada às fls. 158, passamos a responder o questionário constante à fl. 149, com base nos documentos anexados a estes autos: 01. A decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 199.39.00.004857-3 foi reformada parcialmente pelo acórdão proferido pelo TRF/1ª Região, já transitado em julgado. Registre-se que não foi concedida medida liminar autorizando a compensação antes do trânsito em julgado da decisão (súmula 212 do STJ). Assim, a compensação somente pode ocorrer com o trânsito em julgado da decisão. 02. Esta Procuradoria não tem competência para se manifestar sobre cálculos. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 9 03. Deverão ser aplicados os índices oficiais, com exceção do mês de abril/90. Neste mês, deverá ser utilizado o índice de 44,80%. 04. Esta Procuradoria não tem competência para se manifestar sobre matéria de cálculos. Ato subsequente e, fixada a competência do Serviço de Fiscalização – SEFIS, para revisar de ofício créditos tributários lançados (fls. 175-179), foi emitido o despacho de fls. 183-193 (em atendimento ao pedido de diligência de fls. 140- 146), no qual foi procedida a revisão do crédito tributário do contribuinte, em face dos índices legais, com apontamentos para o efeito sobre o lançamento e esclarecimentos sobre o procedimento adotado pela fiscalização e pela autoridade revisora. Intimado da diligência, fl. 202, o sujeito passivo não se manifestou. Do Acórdão de Impugnação Na DRJ, primeira instância do contencioso tributário, lavrou-se a decisão a quo cujos fundamentos são pela improcedência dos pedidos deduzidos na impugnação, conforme teses sintetizadas na ementa alhures transcrita. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo mantém debate sobre a nulidade do lançamento em razão da temática do vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Em apertada síntese, alega, inclusive, que a DRJ, apesar de não acatar a nulidade, traz elementos adicionais que robustecem a tese impugnatória da nulidade por vício no MPF. Aduz ser “Inegável, pois, que os vícios provados e reconhecidos no acórdão recorrido, consistentes em prorrogação extemporânea de MPF extinto um mês antes da emissão do MPF-Complementar, com manutenção do mesmo auditor-fiscal, e lançamento sobre competências não previstas em nenhum dos MPFs, constituem nulidades absolutas, não meras irregularidades como entendeu o acórdão recorrido. A legalidade violada, portanto, deve ser restaurada, por meio da anulação do lançamento viciado.” Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio para este relator. É o que importa relatar. Passo para a fundamentação do voto analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, ao final, consignar o encaminhamento com o registro do dispositivo. Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 10 VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 03/03/2016, e-fl. 253, protocolo recursal em 30/03/2016, e-fl. 254), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia remanescente pretendida pelo recorrente é sobre a nulidade, ou não, do lançamento de ofício em razão de vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Seus argumentos delineados são sobre isso. O sujeito passivo não mais traz outras temáticas específicas para revisão após a decisão da DRJ. Por outro lado, reforça a tese de nulidade do MPF, a qual teria sido robustecida pelos argumentos expedidos na decisão de piso. A recorrente alega que sofreu lançamento descabido, por vício de competência e forma, uma vez que ausente MPF válido, já que "prorrogado" depois de vencido e para o mesmo auditor fiscal. Diz ser impossível completar ato com competência esgotada. Ademais, as competências lançadas não estavam autorizadas pelo MPF. Sustenta que a DRJ reconhece os fatos, mas não procede com a nulidade porque seriam “meras irregularidades”, o que não deve ser aceito como argumento válido, motivo pelo qual do recurso voluntário. Argumenta, ainda, que, no mínimo, deveria ter sido substituído o auditor-fiscal, conforme jurisprudência. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente. A despeito das argumentações, a vinculante Súmula CARF nº 171 assenta que: Súmula CARF nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). De fato, eventuais omissões ou incorreções, afligindo o MPF, não contaminam automaticamente a autuação pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 11 no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento de ofício, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN. Com relação a alegação de não substituição do auditor fiscal, que seria exigido, inclusive, por força de entendimento jurisprudencial, entendo, outrossim, não assistir razão ao recorrente. A autoridade da administração tributária é competente para lavrar auto de infração e proceder ao lançamento, sendo as designações e os MPF meros instrumentos de controle administrativo interno que não viciam, nem anulam lançamentos, por quem tem o dever de exigir a tributação federal em caso de verificar a ocorrência dos fatos geradores. O agente fiscal está autorizado, e não só, tem o dever de lançar tributos não referidos expressamente no MPF. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal dizem respeito exclusivamente ao controle interno das atividades da Receita Federal, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento de ofício. A manutenção do mesmo auditor fiscal não é causa a nulidade do MPF nem do procedimento fiscalizatório. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de que houve modificações no Mandado de Procedimento Fiscal, sem efetuar a substituição do Auditor-Fiscal, quando não se observa qualquer efetivo prejuízo à defesa, sendo a verificação realizada dentro dos parâmetros da legislação tributária, no escopo de competência da autoridade administrativa indicada, cumprindo o disposto no art. 142 do CTN, em ato próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor-Fiscal. Aliás, em relação a um certo limite de análise pelas competências que estariam limitadas em um Mandado de Procedimento Fiscal, caso outras competências tenham sido observadas, tem-se entendimento jurisprudencial contrário a tese da recorrente no sentido de que, até sem MPF, poderia ocorrer a verificação e a autuação no caso de descumprimento. É o que se extrai do Acórdão CARF nº 9303-008.567, que assenta em sua ementa: “O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento.” Logo, alegar que certos períodos não poderiam ser contemplados, que certas competências não poderiam ser lançadas e exigidas, não socorre ao recorrente. De mais a mais, quanto a genérica retomada da impugnação em seus termos, tem- se que a decisão de primeira instância se mantém em seus efetivos fundamentos, tendo no mérito Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.270 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10297.006719/2009-76 12 mantido o lançamento, não havendo outras impugnações específicas no recurso voluntário que pudessem desconstituir o lançamento e a decisão vergastada. Sendo assim, sem razão o recorrente. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Em apreciação racional com base na legislação tributária e processual, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. Neste sentido, em resumo, conheço do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 287DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11516.721187/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. EXCLUSÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
Numero da decisão: 2301-011.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Marcelle Rezende Cota – Relatora
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andre Barros de Moura (substituto[a] integral), Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: MARCELLE REZENDE COTA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. EXCLUSÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 2 Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota – Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andre Barros de Moura (substituto[a] integral), Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o Recorrente acima identificado, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos à cooperativa de trabalho na área da saúde, além da multa por descumprimento de obrigação acessória, no período de 01/01/2007 a 31/12/2008. O Relatório Fiscal, e-fls. 167/174, informa, em síntese, que: Este relatório é integrante do Auto de Infração referente às contribuições devidas a Seguridade Social Urbana, correspondente a Contribuição Empresarial (patronal) a taxa de 15%, sobre os pagamentos efetuados pelos serviços prestados por Cooperativas de trabalho na área médica e odontológica. DEBCAD n° 37.359.894-7 O lançamento neste debcad tem como Fato Gerador de Contribuição Previdenciária os pagamentos efetuados para as cooperativas UNIMED e ODONTOLÓGICA sobre NFS registradas na contabilidade através das contas 42.111.001-Convênio com Unimed e 42.111.005 - Convênio C/cooperativa Odontológica. A empresa apesar de informar em GFIP valores pagos às cooperativas de trabalho não os fazia corretamente; aplicava procedimento não estabelecido em contrato. A previsão contratual conforme teor do contrato estabelecido com a empresa ELOS e cooperativa UNIMED é o de contrato por Custo Operacional. Isto significa que os serviços prestados por cooperados através da cooperativa UNIMED são remunerados apenas pelos serviços executados e os preços acordados são os definidos na tabela AMB vigentes a época da utilização dos mesmos. Fl. 1200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 3 Neste caso, a contribuição previdenciária a taxa de 15% tem como base de cálculo o valor integral da NFS identificado no relatório DD-Discriminativo do Débito pelo Levantamento CM-Cooperativa Médica (Unimed). A respeito da cooperativa "Codonto Erechim Soc. Coop. De Prest. De Serv. Odontol. Ltda", especializada na atividade de odontologia cujo contrato é a prestação de serviços odontológicos a contribuição previdenciária de 15% de responsabilidade da ELOS, tem como base de cálculo 60% do valor total da NFS, identificado no relatório DD- Discriminativo do Débito pelo lançamento CO- Cooperativa Odontológica (Erechim). DEBCAD n° 37.359.893-9 Destinado para o AIOA - Auto de Infração de Obrigação Acessória tem por finalidade demonstrar a inobservância da legislação por parte da entidade sob ação fiscal quanto ao cumprimento da emissão da declaração da GFIP - Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. No procedimento fiscal constatou-se que a empresa não declarou em GFIP's - Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, no período de 01/2007 a 12/2008, o valor total das NFS deixando de recolher para a Previdência Social as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores não declarados em GFIP. Após apresentação da impugnação pelo autuado (e-fls. 547/550), foi demandada diligência nos seguintes termos: Em razão dos argumentos apresentados pela interessada, que do valor bruto dos lançamentos contábeis de faturamento devem ser excluídos os itens que não constituem fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme pode-se constatar por intermédio das amostras de notas fiscais e faturas anexadas às fls. 275 a 302, proponho conversão do julgamento em diligência para o cumprimento das seguintes demandas: - Rever todos os lançamentos à luz dos argumentos acima e dos documentos comprobatórios apresentados pela impugnante, principalmente em relação aos itens discriminados nas faturas e notas fiscais que serão disponibilizados em diligência, comparando-os com as bases de cálculos retiradas da contabilidade. - Na hipótese de serem identificados lançamentos indevidos, decorrentes de eventuais bases de cálculo incorretas, sejam elaboradas tabelas de ajustes do tipo DE – PARA por levantamento; por competência e por rubricas correspondentes, com a finalidade de recálculo dos créditos previdenciários e de terceiros. - Em havendo a necessidade de alterar os valores dos lançamentos, constituidores do Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD no 37.359.894-7, que seja ajustado o valor do Auto de Infração de Obrigação Acessória no 37.359.893-9, também em função da quantidade de segurados, que a interessada alega ter sido erroneamente majorada. Fl. 1201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 4 Em resposta (e-fls. 1.013/1.015), a autoridade informa o que segue: 6. Concluindo Face à documentação apresentada e mantido o entendimento que o contrato é por custo operacional, a omissão da cláusula que prevê o fornecimento dos materiais e equipamentos, inclusão à base tributável excluída indevidamente de faturas outras Unimeds o débito fica ratificado originalmente. Caso a DRJ/CGE entenda que os relatórios analíticos e guias de atendimento incluso por amostragem no anexo Doc. 04, supre as exigências previstas nos itens 3.1, 3.2 e 3.3, já citadas, o débito deverá ser retificado conforme planilha – I. O Impugnante devidamente cientificado do resultado da diligência, apresenta Manifestação em 20/02/2015 (e-fls. 1.020/1.025), anunciando a existência de decisão de inconstitucionalidade, em julgamento de repercussão geral pelo STF e reforçando suas alegações proferidas na sua Impugnação. Diante das alegações colacionadas, a 3ª TURMA da DRJ em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação, exonerando parte do crédito tributário constituído, conforme Ementa abaixo transcrita (e-fls. 1.071/1.103): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não possuindo competência para afastar normas mediante apreciação de sua validade ou constitucionalidade. DECISÃO DEFINITIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE PUBLICAÇÃO. A publicação dos pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo Secretário-Geral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas. Fl. 1202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 5 PAGAMENTO DE SERVIÇOS PRESTADOS COM INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.359.894-7. A contratante de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho é obrigada a recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 22, inciso IV, da Lei 8212/91, na redação da Lei 9876/99. Nos contratos coletivos por custo operacional, celebrados com empresa, onde a cooperativa médica e a contratante estipulam, de comum acordo, uma tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, a base de cálculo da contribuição social previdenciária será o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. Não havendo, na nota fiscal, discriminação de valor não pertencente a serviços, a base de cálculo é a integralidade do referido documento. AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÁLCULO DO VALOR DA MULTA. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 37.359.893-9. Constitui infração à legislação a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. Aplica-se a legislação de regência, consoante o artigo 144 do CTN, quando a penalidade prevista na lei em vigor não é mais favorável ao contribuinte, de acordo com a alínea “c” do inciso II do art. 106 do mesmo Código. Inconformado com a referida decisão, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e- fls. 1.115/1.131), afirmando que a fundamentação legal para o lançamento fiscal (inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91) foi julgado inconstitucional, por unanimidade, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Traz todo o contexto fático e histórico da decisão de inconstitucionalidade do STF, bem como as posições da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda. Aduz que a multa de obrigação acessória deve acompanhar o principal, não sendo cabível sua manutenção. Por fim, o Recorrente pugna seja julgado totalmente improcedente os presentes Autos de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 6 VOTO Conselheira Marcelle Rezende Cota, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, uma vez tempestivo e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. MÉRITO Cooperativas de Trabalho Apurou-se crédito tributário relacionado à prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. Desnecessária maiores elucidações a propósito da matéria, uma vez que a Suprema Corte considerou inconstitucional o dispositivo legal que embasou o lançamento, senão vejamos: Em sessão do STF realizada no dia 23/04/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. Eis a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a Fl. 1204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 7 contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (grifo nosso) Em 18/12/2014, ao apreciar os Embargos de Declaração interpostos pela União no RE nº 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Por fim, o RE nº 595.838/SP transitou em julgado em 09/3/2015. Diante desse contexto fático, o artigo 99 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 22 de dezembro de 2023, assim estabelece: Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento da contribuição previdenciária foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Dito isto, afastado o fundamento jurídico que sustentava a obrigação principal, torna-se improcedente o correlato crédito tributário apurado no presente lançamento. Relativamente a multa pelo descumprimento de obrigação acessória (CFL 68), impõe-se à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, devendo acompanhar a sorte do principal. Sendo assim, resta prejudicada a análise das demais razões do recurso. Conclusão Pelas razões acima expostas, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota Fl. 1205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.625 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721187/2012-37 8 Fl. 1206DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723208/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO QUANTO À APRESENTAÇÃO DA DITR. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA INEXISTÊNCIA DE IMÓVEL RURAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, pelo qual se busca verificar a efetiva ocorrência do fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos cometidos pelos contribuintes. Restando comprovado que, no perímetro que delimita o imóvel que deu ensejo à cobrança do ITR, há inviabilidade de qualquer exploração agropecuária, extrativa vegetal, floresta ou agroindustrial (art. 4ª, inciso I, da Lei nº 8.629/1993), restando, portanto, descaracterizada a área como imóvel rural, mesmo que o proprietário do imóvel tenha apresentado, de forma indevida, a DITR, não cabe a exigência do referido tributo.
Numero da decisão: 2402-013.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano – Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Duarte Firmino – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Júnior, João Ricardo Fahrion Nüske, Marcus Gaudenzi de Faria, Francisco Ibiapino Luz e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano.
Nome do relator: LUCIANA VILARDI VIEIRA DE SOUZA MIFANO
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO QUANTO À APRESENTAÇÃO DA DITR. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA INEXISTÊNCIA DE IMÓVEL RURAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, pelo qual se busca verificar a efetiva ocorrência do fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos cometidos pelos contribuintes. Restando comprovado que, no perímetro que delimita o imóvel que deu ensejo à cobrança do ITR, há inviabilidade de qualquer exploração agropecuária, extrativa vegetal, floresta ou agroindustrial (art. 4ª, inciso I, da Lei nº 8.629/1993), restando, portanto, descaracterizada a área como imóvel rural, mesmo que o proprietário do imóvel tenha apresentado, de forma indevida, a DITR, não cabe a exigência do referido tributo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano – Relatora Assinado Digitalmente Fl. 743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 2 Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Júnior, João Ricardo Fahrion Nüske, Marcus Gaudenzi de Faria, Francisco Ibiapino Luz e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano. RELATÓRIO Trata-se de autuação fiscal, mediante a qual se constituiu o crédito tributário de ITR, do exercício de 2010, relativo ao imóvel Fazenda São Carlos, em razão de a ora Recorrente não ter comprovado a área de descanso e o valor da terra nua (VTN) – este, por meio de Laudo de Avalição, conforme estabelecido pela norma NBR 14.653-3 da ABNT – declarados em sua DITR. Neste contexto, além da glosa da área de descanso, a d. Fiscalização entendeu por bem arbitrar o VTN, conforme Sistema de Preços de Terra (SIPT), apurando-se a diferença de R$ 515.933,55 a título de ITR, devido no ano de 2010, além dos juros e multa moratória devidos. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou Impugnação, alegando que: (i) o imóvel fiscalizado, sobre o qual incorreu o lançamento em questão, teria sido recebido em dação em pagamento, nunca tendo sido exercida qualquer atividade rural; (ii) a fim de cumprir as exigências impostas pela d. Fiscalização, solicitou a elaboração de Laudo de Avaliação, no qual foi constatado que, diferentemente do que consta na matrícula, na área identificada como do referido imóvel “constata-se a total impossibilidade de qualquer atividade rural nesses limites, pois aí já se encontram núcleos residenciais, condomínios populares, ginásio de esportes do município, firmas e indústrias de médio porte, bairros de periferia nas duas margens da rodovia e tantas outras construções cuja descrição não se fazem necessárias uma vez que esgotadas todas a tentativas, com seu possível aproveitamento como área rural. A única parte que não está habitada é a encontrada por serra por questões de inacessibilidade.” Assim, alega ter sofrido fraude, apenas constatada em razão do início da fiscalização, quando da solicitação de Laudo Técnico, que – ao invés de discorrer sobre a área do suposto imóvel rural, suas características, infraestrutura e potencial produtivo e avaliação – aferiu tratar-se de área urbana, devidamente ocupada por construções, serviços e atividades econômicas, cuja posse e propriedade seriam, inclusive, pertencentes a demais pessoas físicas ou jurídicas, razão pela qual seria indevida a cobrança em questão, seja em razão de inexistência de Fl. 744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 3 imóvel rural, seja pelo fato de a Recorrente não ser proprietária, possuidora ou, tampouco, detentora do seu domínio útil. Embora apresentada Impugnação, foi certificada a revelia da Recorrente, dando ensejo à inscrição do débito em dívida ativa. Em decorrência, foi apresentado o “Requerimento de Revisão e Extinção da Dívida Ativa”, em razão da Impugnação apresentada (fls. 358/360). Em despacho de fls. 453 foi reconhecida a tempestividade da Impugnação apresentada pela Recorrida e assim determinado o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa, com o respectivo encaminhamento dos autos à DRJ para o julgamento da referida defesa. Ato contínuo foi proferida decisão pela DRJ (Acórdão nº 03-073.002), que entendeu pela improcedência da Impugnação, sob o fundamento de que, “embora possa haver indícios de irregularidade no negócio efetuado entre o impugnante e o transmitente do imóvel, como consta no Laudo de Avaliação às fls. 304/319, com ART de fls. 340/341”, “os documentos acostados aos autos, por si sós, não autorizam a que se reconheça que o imóvel não existe, que o imóvel esteja localizado em área urbana ou que o contribuinte tenha perdido a propriedade, para efeitos de apuração do ITR, do exercício de 2010, fazendo-se necessário comprovar nos autos que tenha sido providenciada o necessário cancelamento ou retificação do registro do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos dos artigos 212 e 213 da Lei nº 6.015, de 31.12.1973 (Lei de Registros Públicos)”. Quanto à Área de Preservação Permanente – APP, apontada no Laudo Pericial (570,0 ha), embora não tenha sido o motivo da autuação, mas passível de análise nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, deixou a DRJ de reconhecê-la, sob a alegação de que não se teria apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA. Ainda, quanto ao VTN, entendeu a DRJ que o valor declarado estaria subavaliado e que a Recorrente não teria apresentado prova em contrário, motivo pelo qual a d. Fiscalização não poderia deixar de proceder ao seu arbitramento, conforme SIPT, que representaria o valor mínimo para o município de localização do imóvel. Nestes termos, julgou improcedente a impugnação apresentada, levando a Recorrente a apresentar Recurso Voluntário, reiterando as razões que já expostas e informando que, dada a certificação de que a matrícula do imóvel foi forjada, foi procedida a renúncia da propriedade (R-10-5737 / certidão de fls. 520/527). Remetidos os presentes autos a este Conselho, esta Turma proferiu a Resolução nº 2402-000.784, nos seguintes termos: “Da necessidade diligência Há elementos nos autos que indiciam a inexistência do imóvel com as características rurais declaradas pela contribuinte e que tal área, ao menos em parte, faz parte da zona urbana do município de Barreiras-BA. Fl. 745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 4 A recorrente alega, ainda, que recebeu o r. imóvel em dação em pagamento por dívida, mas que em razão de existirem diversas pessoas que possuem títulos de propriedade da mesma região em que se situa imóvel (sobreposição), entende que foi vítima de fraude e, por isso, renunciou à propriedade do bem. Assim, a fim de esclarecer todos esses fatos, com fulcro no disposto no art. 18 do decreto 70.235/72, VOTO POR CONVERTER A PRESENTE VOTAÇÃO EM DILIGÊNCIA, para que a auditoria realize os seguintes procedimentos: 1) Intimar a fiscalizada a apresentar os documentos originais de sua propriedade sobre o referido imóvel, bem como outras informações que a auditoria julgar necessárias; 2) Intimar a Prefeitura Municipal de Barreiras-BA a esclarecer se o referido imóvel faz parte de sua zona urbana ou rural e desde quando (como era ao tempo do fato gerador? há ou havia alguma área do imóvel enquadrada como rural ao tempo do fato gerador?). 3) Consolidar em Informação Fiscal sobre todas essas questões, sempre com o objetivo de subsidiar a decisão a ser exarada por este Conselho. 4) Intimar novamente a recorrente, concedendo-lhe 30 dias de prazo para, querendo, manifestar-se sobre as conclusões e esclarecimentos da auditoria; 5) Após isso, retornem os autos à apreciação deste Conselho.” Em atenção, a Recorrente apresentou: (i) as Declarações do ITR e comprovantes de pagamento do tributo relativos aos anos de 2014 a 2016; (ii) Cadastro de Imóveis Rurais – CAFIR; (iii) Certidão Positiva com efeitos de Negativa especificamente do imóvel; (iv) Certidão da cadeia sucessória do imóvel “Fazenda São Carlos”; (v) Escritura de Renúncia de Propriedade do Imóvel “Fazenda São Carlos”; e (vi) Matrícula do imóvel “Fazenda São Carlos” atualizada. Da mesma forma, intimado da Resolução proferida por esta Turma, o Município de Barreiras se manifestou às fls. 719, informando que no ano de 2010, a que se refere o lançamento fiscal, “o imóvel denominado Fazenda São Carlos, conforme cópia da matrícula sob nº R-9-5737, de 04 de fevereiro de 2014 anexa ao processo supramencionado, estava compreendida na quase totalidade no perímetro urbano do Município de Barreiras.” Em razão da documentação e informações apresentadas, vieram aos autos a “Informação Fiscal Sefis/DRF/FSA/RFB, de 23 de março de 2020”, constante às fls. 722/723 em que o d. Auditor-Fiscal da RFB concluiu que “existem indícios de fraude da documentação de registro da Fazenda São Carlos e que, caso o imóvel rural exista de fato, ele teria grande parte de sua área dentro do perímetro urbano do município de Barreiras.” Com manifestação final da Recorrente, no sentido de que, na diligência efetuada, teria sido comprovada a fraude na documentação da Fazenda São Carlos e que o imóvel que deu ensejo à autuação não é rural (ou pelo menos quase que a totalidade dele), restaria insubsistente Fl. 746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 5 a exigência do ITR em questão. Encerrou-se o procedimento, com o retorno dos presentes autos a este Conselho para o julgamento do Recurso Voluntário. Este é o relatório. VOTO Conselheira Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Relatora O presente recurso atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele conheço e passo a apreciá-lo. Conforme consta dos fatos acima narrados, trata-se de retorno dos autos de diligência solicitada por esta Turma, a fim de aferir a efetiva existência do imóvel Fazenda São Carlos e respectivas características rurais declaradas pela Recorrente. Embora a autuação fiscal decorra da glosa da área de descanso declarada e do VTN arbitrado pela d. Fiscalização, a defesa da Recorrente baseia-se em suposta fraude da documentação da Fazenda São Carlos, recebida originalmente em dação em pagamento e posteriormente transmitida em razão de transações societárias. Em razão da Fiscalização iniciada, a Recorrente contratou perícia técnica, cujo laudo constatou que a poligonal do imóvel rural Fazenda São Carlos, conforme matrícula R-95737, estava compreendida quase que em sua totalidade no perímetro urbano do Município de Barreiras. De fato, conforme informações e fotos constantes no laudo técnico de avaliação, verifica-se que na área da suposta Fazenda São Carlos há aeroporto, núcleos residenciais, condomínios populares, ginásios de esporte do município, empresas e indústrias de médio porte, bairros de periferia e tantas outras construções. As fotos constantes às fls. 640 a 648 não deixam dúvidas. Inclusive, conforme narrado nos fatos acima, na diligência requerida houve a confirmação pelo próprio Município de Barreiras de que a área da suposta Fazenda São Carlos, à época do período autuado, já estava compreendida em seu perímetro urbano. E, em razão das informações e documentos, o próprio d. Auditor Fiscal concluiu que há fortes indícios de que o documento de registro da suposta Fazenda São Carlos – em que se pautou a Recorrente para a elaboração das DITR e inclusive recolhimento do respectivo tributo – foi fraudado, já que grande parte de sua área estava dentro do perímetro urbano no Município de Barreiras. Assim, não obstante a Recorrente ter apresentado DITR e até mesmo recolhido o respectivo imposto desde a incorporação do suposto imóvel ao seu patrimônio, em razão de transações societárias, verifica-se evidente erro de fato em que foi induzida em razão do documento de registro da suposta área. Fl. 747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 6 Nestas hipóteses de evidente erro de fato na declaração pelo contribuinte, uma vez apresentada documentação apta a comprovar o equívoco, impõe-se a sua análise, a fim de que, sendo o caso, proceda-se à revisão do lançamento, conforme já manifestado inclusive por esta Turma. Senão, vejamos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por consequência, ao processo. DITR. ERRO DE PREENCHIMENTO. FATO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte, nos termos do art. 333 do CPC, deve juntar aos autos elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. (...) (Acórdão nº 2402-011.430) Na hipótese sob análise, verifica-se a ausência de materialidade para a incidência do ITR, prevista no art. 29, do Código Tributário Nacional, pois ficou evidenciado que sequer há imóvel rural, quanto mais o exercício de sua propriedade, domínio útil ou posse. Este Conselho já se manifestou no sentido de que, independentemente da apresentação de DITR pelo contribuinte, constatado que a área do imóvel não se qualifica como rural, não há que se falar em exigência de ITR. Neste sentido: Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2009 (...) RECURSO DE OFÍCIO. IMÓVEL URBANO. Recurso de ofício de decisão que reconheceu a incidência do Imposto Territorial e Predial Urbano - IPTU, restando, portanto, caracterizado como imóvel urbano, mesmo que o proprietário do imóvel tenha apresentado, de forma indevida, a DITR de modo que é indevido o ITR. (Acórdão nº 2201-005.975 – Processo nº 10680.720965/2013-97 – g.n.) Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Fl. 748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 7 Exercício: 2007 (...) RECURSO DE OFÍCIO. IMÓVEL URBANO. Recurso de ofício de decisão que reconheceu a incidência do Imposto Territorial e Predial Urbano - IPTU, restando, portanto, caracterizado como imóvel urbano, mesmo que o proprietário do imóvel tenha apresentado, de forma indevida, a DITR de modo que é indevido o ITR. (Acórdão nº 2201-005.977 – Processo nº 10680.726844/2011-97 – g.n.) Especificamente quanto à eventual fraude na matrícula do imóvel, destaca-se entendimento já firmado pelo Poder Judiciário: “DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. FRAUDE. COBRANÇA INDEVIDA. VERDADE MATERIAL. INSISTÊNCIA NA COBRANÇA DO TRIBUTO. BOA- FÉ E RAZOABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEVIDOS. SENTENÇA MANTIDA. 1 - O aspecto material da regra de incidência tributária é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana de Município. 2 - Há muitos indícios de que a matrícula do imóvel que originou o débito tributário foi fraudada e que o autor não é proprietário do imóvel rural. 3 - Não há nos autos sequer a comprovação de que o imóvel existe fisicamente, admitindo a União que o lançamento foi efetuado com fundamento exclusivo nas declarações efetuadas pelo autor. 4 - A administração tributária tem o dever de apurar a verdade material dos fatos, a fim de garantir uma cobrança justa, com base na realidade, ainda que tais fatos sejam desfavoráveis à Fazenda Pública. 5 - O sujeito passivo deve ser cobrado apenas nos exatos termos da lei tributária, na realidade de como se deu o fato gerador. 6 - O contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título (art. 31 do CTN) e não aquele de apresenta a declaração do imposto. 7 - Uma vez comprovada a fraude no registro do imóvel, desaparece a base material para a cobrança, em face da inexistência de relação jurídica que ampare a pretensão da União, se impondo a inexigibilidade do tributo. 8 - Portanto, não há como se afastar a condenação da União em honorários advocatícios. 9 - Recurso de apelação desprovido. Fl. 749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.010 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.723208/2014-70 8 (TRF/3ª Região – Apelação Cível nº 5010619-57.2019.4.03.6000 – Desembargadora Federal Consuelo Yoshida – Dje 14/09/20231) Tal como na decisão acima transcrita, no caso sob análise, não obstante a DITR apresentada pela Recorrente, há provas suficientes para sustentar a ilegitimidade da matrícula do imóvel rural Fazenda São Carlos, pois restou comprovado, no perímetro que delimita a área do suposto imóvel, a inviabilidade de qualquer exploração agropecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial (art. 4º, inciso I, da Lei nº 8.629/1993). Ao contrário, foi constatada a presença de aeroporto, núcleos residenciais, condomínios populares, ginásios de esporte do município, empresas e indústrias de médio porte, bairros de periferia e tantas outras construções, ou seja, a inserção de tal área no perímetro urbano, como afirmado pelo próprio Município de Barreiras e reconhecido pelo d. Auditor Fiscal. Embora não haja interferência direta no lançamento fiscal, por ter sido realizado posteriormente ao exercício lançado, a boa-fé da Recorrente quanto à alegação de fraude na matrícula do imóvel resta evidenciada pela renúncia à propriedade – comprovada pela “Escritura de Renúncia de Propriedade”, constante às fls. 620 – de imóvel que supostamente teria valor de R$ 6.014.925,00, conforme apuração da d. Fiscalização. Diante do exposto, entendo pela insubsistência da exigência de ITR sobre o suposto imóvel denominado Fazenda São Carlos, razão pela qual dou provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência fiscal em questão. Assinado Digitalmente Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano 1 Fraude decorrente da Operação Lacraia que foi deflagrada pela Polícia Federal – semelhante à hipótese narrada nos presentes autos – em que se forjava registros e títulos de propriedades rurais que posteriormente eram usados para obtenção de empréstimos e financiamentos bancários. Fl. 750DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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