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Numero do processo: 10880.918156/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/12/2009
CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Resta caracterizada a existência do direito creditório quando se comprova a liquidez e certeza do crédito de pagamento indevido ou maior, indicado pelo contribuinte em declaração de compensação.
Numero da decisão: 1301-006.612
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.606, de 21 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.918150/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL TARANTO MALHEIROS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/12/2009 CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Resta caracterizada a existência do direito creditório quando se comprova a liquidez e certeza do crédito de pagamento indevido ou maior, indicado pelo contribuinte em declaração de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.606, de 21 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.918150/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de restituição/compensação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 81 56 /2 01 5- 29 Fl. 287DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 recolhimento de IRRF. Por bem resumir o litígio peço vênia para reproduzir o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, que não homologou o PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar débito(s) próprio(s) com crédito de IRRF, Código de Receita 0473. A DCOMP em tela, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil - RFB que emitiu o Despacho Decisório em comento, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente. Segundo o Despacho Decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débito regularmente confessado em DCTF. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte, irresignado, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade, sintetizada como segue: Preliminarmente, observando os princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, com a aplicação subsidiária e analógica dos artigos 90, § 10, do Decreto no 70.235/1972 e do artigo 47 do RICARF, a Requerente requer a reunião dos 43 (quarenta e três) processos administrativos conexos em apenas um processo administrativo, para julgamento em conjunto de modo que sejam conjuntamente analisadas as 43 PER/DCOMPs apresentadas pela Requerente para compensar o crédito oriundo dos 10% de recolhimento de IRRF sobre remessas feitas ao exterior para remunerar a prestação internacional de serviços de telecomunicação. Adicionalmente, a Requerente requer seja declarada a irrefutável nulidade do r. despacho decisório ora combatido, uma vez que claramente cerceou e prejudicou o seu direito de defesa ao não lhe dar conhecimento da motivação da não homologação da compensação, sequer apreciando as explicações e documentos anteriormente apresentados pela Requerente para fundamentar a compensação. Por fim, no mérito, considerando que a Requerente recolheu 25% de IRRF nas remessas ao exterior feitas a título de serviço de comunicação internacional, e, segundo a RFB, deveria ser recolhido 15% de IRRF e 10% de CIDE sobre essas operações, a Requerente requer que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para que seja integralmente homologada a compensação pretendida dos 10% de IRRF recolhidos indevidamente pela Requerente. A Requerente pleiteia, ainda, que seja reconhecido que eventuais débitos passíveis de cobrança não podem ser demandados com a incidência de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da sua exigibilidade. Requerente protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, notadamente prova documental e pericial/diligência, bem como pede vênia para juntar o anexo rol de quesitos, protestando, inclusive, pela elaboração de quesitos suplementares. A Decisão de Primeira Instância (Acórdão n. 16-096.664) indeferiu o pleito. Entendeu que o então Impugnante não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento foi indevido. Cientificada da decisão de primeira instância, a Interessada interpôs recurso voluntário, em que alega, em síntese: - o v. acórdão recorrido, ao negar a possibilidade de produção de novas provas pela Recorrente, incorreu em nulidade por cerceamento do seu direito de defesa; Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 - a juntada posterior de documentos destina-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. - A Recorrente, ao longo dos anos calendários de 2009 e 2010, fez diversas remessas ao exterior para pagamento de serviços internacionais de telecomunicação, tendo recolhido o IRRF exigido pela RFB à alíquota de 25% e assumido o correspondente ônus financeiro, por meio da sua inclusão no valor da remessa ("gross up"), nos termos dos artigos 682 e 725 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 ("RIR/99"). - no entender da própria RFB, essas remessas deveriam ter sido tributadas não a 25% de IRRF, mas às alíquotas de 15% de IRRF e de 10% de Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para Apoio à Inovação ("CIDE"), nos termos do artigo 2°, §2°, da Lei n° 10.168/2000, do artigo 3° da Medida Provisória n° 2.159-70/2001 ("MP 2159-70/2001") e do artigo 2° do Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal n° 25/2004 ("ADI 25/2004"). - não há prova maior de que foi recolhido IRRF sobre remessa ao exterior com incidência da CIDE que o comprovante emitido e indicado no PER/DCOMP relacionado a esse processo. - a própria D. Fiscalização autuou a Recorrente exigindo a CIDE a 10% sobre essas mesmas operações, em uma clara demonstração da de que, para o Fisco se trata de remessas para prestação dos serviços de telecomunicações internacionais. - Já existe, nos autos deste processo, uma prova muito mais robusta do que os contratos de câmbio, razão pela qual não seria necessário apresentar qualquer documentação complementar para demonstrar o caráter indevido da cobrança de IRRF, sob pena de se exigir IRRF a 25% e CIDE a 10% sobre as mesmas operações. - Mas, apesar de entender que não se trata de uma prova imprescindível, a Recorrente entende que a apresentação do contrato de câmbio correspondente (vide doc. 4) afastará qualquer dúvida que porventura ainda exista sobre a natureza da remessa e o caráter indevido da cobrança do IRRF. Por isso, requer a juntada deste documento aos autos. - ainda que os argumentos acima não sejam acolhidos, cumpre ressaltar que a falta de homologação da compensação por parte da D. Fiscalização não poderia ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário apontado pelo r. despacho decisório. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Trata-se de recurso voluntário contra Acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 restituição/compensação recolhimento de IRRF - cód. receita n° 0473, PER/DCOMP n° 36062.43686.231014.1.3.04-0058, derivado de um recolhimento em DARF 09/11/2009 no valor total de R$ 606.060,54. Nulidade por cerceamento do seu direito de defesa A Recorrente alega que o acórdão recorrido, ao negar a possibilidade de produção de novas provas pela Recorrente, incorreu em nulidade por cerceamento do seu direito de defesa. Mas, a Decisão recorrida fundamentou seu entendimento, asseverando que não foram cumpridos pelo Recorrente os requisitos previstos no artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Adiantou que não reconhecia nulidade no Despacho decisório. Isto porque o documento decisório permitia que a Recorrente compreendesse a razão pela qual o seu crédito havia sido desconsiderado, conforme se deduz das razões recursais. De fato, o Despacho Decisório deixa claro que o crédito não foi concedido porque o pagamento tinha sido alocado para débito espontaneamente declarado. Logo, tem razão a Primeira Instância de que não há nulidade no Despacho Decisório. Como é a Recorrente que alega que parte do pagamento era indevida, a ela cabe trazer as provas da liquidez de tal crédito. E não houve a anexação destas provas na manifestação de inconformidade apresentada à DRJ. Logo, não há a nulidade apontada pela Recorrente. Do mérito. A decisão de Primeira Instância (Acórdão n. 16-96.658 - 5 a Turma da DRJ/SPO, e-fls. 204 e ss) indeferiu o pleito. Entendeu que o então Impugnante não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento foi indevido. Dispôs a DRJ, deixando claro que a alíquota de IRRF, de 25%, sobre serviços técnicos, pode ser reduzida para 15%, desde que se trate de remessas ao exterior com incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico -CIDE (com alíquota de 10%), nos termos dos artigos 2° e 2°-A da Lei n° 10.168/2000, com as alterações promovidas pelas Leis n° 10.332/2001 e 11.452/2007. Fundamentou a Decisão de Piso que, diante da não apresentação do contrato de câmbio relativo ao DARF indicado no PER/DCOMP n° 36062.43686.231014.1.3.04-0058, não é possível validar o crédito utilizado na compensação declarada. Segundo a decisão recorrida: No que tange ao mérito, o contribuinte alegou que teria recolhido indevidamente o IRRF sobre serviços de telecomunicações prestados por empresas domiciliadas no exterior à alíquota de 25%, quando no entender da própria RFB essas remessas deveriam ter sido tributadas às alíquotas de 15% de IRRF e de 10% de CIDE. De fato, a alíquota aplicável seria de 25%, conforme disposto no artigo 708 do RIR/99, in verbis: "Art. 708. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de vinte e cinco por cento, os rendimentos de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento e do local e data em que a operação tenha sido contratada, os serviços executados ou a assistência prestada (Decreto-Lei n° 1.418, de 3 de setembro de 1975, art. 6°, Lei n° 9.249, de 1995, art. 28 e Lein° 9.779, de 1999, art. 7°). Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 Parágrafo único. A retenção do imposto é obrigatória na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa dos rendimentos (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 100)" (grifei). Essa alíquota, de 25%, pode ser reduzida para 15%, desde que trate-se de remessas ao exterior com incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE (com alíquota de 10%), nos termos dos artigos 2° e 2°- A da Lei n° 10.168/2000, com as alterações promovidas pelas Leis n° 10.332/2001 e 11.452/2007, in verbis: "Art. 2° Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1° Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1 °-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.(Incluído pela Lei n° 11.452, de 2007) § 2° A partir de 1 o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei n° 10.332, de 2001) § 3° A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2 o deste artigo. (Redação da pela Lei n° 10.332, de 2001) § 4 ° A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lein° 10.332, de 2001) § 5° O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador. (Incluído pela Lei n° 10.332, de 2001) § 6° Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade.(Incluído pela Lei n° 12.402, de 2011) Art. 2°-A. Fica reduzida para 15% (quinze por cento), a partir de 1° de janeiro de 2002, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes. (Incluído pela Lein° 10.332, de 2001)" (grifei). Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 Para que reste configurado o pagamento a maior indicado no PER/DCOMP faz- se necessário a comprovação de que a operação vinculada ao DARF indicado corresponda a uma remessa para o exterior, com incidência da CIDE e ônus da retenção por conta do pagador dos rendimentos (artigo 166 do CTN). No caso, a Requerente afirma que a remessa foi efetuada para o pagamento de serviços de telecomunicações prestados por empresas domiciliadas no exterior (Roaming Internacional), o qual, de acordo com o artigo 2° do Ato Declaratório Interpretativo n° 25 de 13 de outubro de 2004, transcrito a seguir, está sujeito à incidência da CIDE e IRRF de 15%. Art. 2°É devido o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, à alíquota de 15%, e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), à alíquota de 10%, sobre o total dos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos às empresas de telecomunicações domiciliadas no exterior, a título de pagamento pela contraprestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no Brasil, ou a chamadas de longa distância nacional, em que haja a utilização de redes de propriedade de empresas congêneres, domiciliadas no exterior. Assim para fins de confirmação da natureza da operação, bem como que a Requerente assumiu o ônus da retenção mediante o reajuste da base de cálculo do IRRF incidente na operação, os autos devem estar instruídos com a cópia do contrato de câmbio da remessa. Neste ponto cumpre observar que a Manifestação de Inconformidade apresentada abrange PER/DCOMPs relacionados a seguir: Fl. 292DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 Não obstante a documentação apresentada resume-se cópia do contrato de câmbio relativo a operações realizadas em 08/09/2009, 18/09/2009, 29/09/2009, 09/04/2010, 20/04/2010 e 29/04/2010. Quanto às demais operações a Requerente limita-se em demonstrar o cálculo do crédito indicado no PER/DCOMP. Assim, diante da não apresentação do contrato de câmbio relativo ao DARF indicado no PER/DCOMP n° 36062.43686.231014.1.3.04-0058, não é possível validar o crédito utilizado na compensação declarada. Do exposto resta claro que, se a remessa foi efetuada para o pagamento de serviços de telecomunicações prestados por empresas domiciliadas no exterior (Roaming Internacional), de acordo com o artigo 2° do Ato Declaratório Interpretativo n° 25 de 13 de outubro de 2004, transcrito a seguir, a operação está sujeita à incidência da CIDE e IRRF de 15%. Art. 2°É devido o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, à alíquota de 15%, e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), à alíquota de 10%, sobre o total dos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos às empresas de telecomunicações domiciliadas no exterior, a título de pagamento pela contraprestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no Brasil, ou a chamadas de longa distância nacional, em que haja a utilização de redes de propriedade de empresas congêneres, domiciliadas no exterior. A Decisão de Primeira Instância condicionou a confirmação da natureza da operação, bem como a confirmação de que a Recorrente assumiu o ônus da retenção mediante o reajuste da base de cálculo do IRRF incidente na operação, à apresentação de cópia do contrato de câmbio da remessa atrelada ao pagamento de R$ 606.060,54 em 09/11/2009. Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 E é justo esta prova que a Recorrente anexa ao seu Recurso Voluntário (e-fls. 274 e ss), cópia abaixo. Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-006.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.918156/2015-29 Desta forma, apresentado o contrato de câmbio relativo ao DARF indicado no PER/DCOMP n° 36062.43686.231014.1.3.04-0058, é possível validar o crédito utilizado na compensação declarada. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento ao recurso, para homologar a compensação no limite do crédito disponível. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Fl. 295DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722802/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Não cabe o acolhimento da arguição nulidade do lançamento quando este preenche todos os requisitos legais e não se verifica nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte devem ser integralmente informados em sua Declaração de Ajuste Anual, cabendo o lançamento da parcela por ele omitida.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
Numero da decisão: 2301-011.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações preclusas, rejeitar-lhe a preliminar e negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente Convocado) e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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INEXISTÊNCIA. Não cabe o acolhimento da arguição nulidade do lançamento quando este preenche todos os requisitos legais e não se verifica nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte devem ser integralmente informados em sua Declaração de Ajuste Anual, cabendo o lançamento da parcela por ele omitida. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações preclusas, rejeitar-lhe a preliminar e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 28 02 /2 00 9- 91 Fl. 182DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-011.015 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.722802/2009-91 Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente Convocado) e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (e-fls. 148/149): Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF correspondente ao ano calendário de 2005, para exigência de imposto, no valor de R$ 391.486,12, juntamente com multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, às fls. 03/06, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos recebidos da Góes Cohabita Administração, Consultoria e Planejamento S/A - GCACP S/A, empresa da qual o autuado é sócio, no montante de R$ 1.443.892,10. A omissão restou caracterizada pelo fato da empresa ter realizado pagamentos de despesas pessoais em favor do autuado, bem como, efetuado créditos bancários em conta corrente de sua titularidade. No relatório de encerramento de ação fiscal, às fls. 131/133, ficou consignado que: a) o contribuinte foi intimado a justificar a origem dos recursos financeiros depositados em suas contas bancárias, tendo respondido que parte dos depósitos tiveram como origem contrato de mútuo firmado com a GCACP S/A; b) a referida empresa, no curso de diligência fiscal, esclareceu que contabilizava pagamentos efetuados em nome do fiscalizado na conta 1.2.2.01 – créditos com pessoas ligadas, subgrupo 1.2.2.01.003 – Joaci Fonseca de Góes Filho, em contrapartida às disponibilidades bancárias da empresa. Tratava-se de adiantamentos a serem restituídos posteriormente, inclusive por ocasião da distribuição de dividendos; c) na análise dos registros contábeis, verificou-se que “a Empresa efetuou pagamentos diversos em nome da pessoa física do sócio-administrador tais como: pagamentos dos cartões de crédito Visa, Itaucard, Dines Club, Mastercard, assinatura de TV fechada SKY, compras em supermercados, compras em farmácias, compras de combustíveis, pagamentos de sistema de segurança, pagamentos à VITALMED, pagamentos a serviços de terceiros, pagamentos de contas de luz, gás e telefone, pagamentos a empresas de viagens e turismo, pagamentos de consórcio de veículos, pagamentos de compras diversas como escadas, mercadorias e serviços de animais (ração e produtos veterinários), adiantamentos e pagamentos diversos a terceiros pessoas físicas, transferências de numerários para a conta corrente do sócio, pagamentos da reforma do apartamento do Edf. Paulo Nunes – situado na Av. Princesa Leopoldina nº 185 e domicílio fiscal do Contribuinte, pagamentos de mensalidades do Yatch Club da Bahia, pagamentos vultosos feitos a Israel Mendonça referentes ao mesmo apartamento do Edf. Paulo Nunes, pagamentos de INSS e salários de empregados, pagamento de condomínio do Edf. Paulo Nunes, etc.”, tendo tais fatos sido confirmados pela empresa, em resposta à intimação fiscal; d) o contribuinte declarou como sendo nulos os rendimentos tributáveis, tributados exclusivamente na fonte, isentos e não tributáveis. Tal fato indicaria que toda renda consumida pelo contribuinte teria sido paga pela empresa; e) os resultados operacionais apurados pela empresa foram de prejuízos acumulados, conforme balanço patrimonial e demonstração do resultado escriturados no Livro Diário nº 55, portanto, não se poderia falar em distribuição de lucros e dividendos; Fl. 183DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-011.015 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.722802/2009-91 f) o lançamento teve como base de cálculo os valores correspondentes às despesas pagas e créditos efetuados em favor do autuado, que foram extraídos do Livro Razão nº 1, do ano de 2005. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 135/142, na qual alegou, em síntese, que: a) autoridade lançadora ignorou a existência do contrato de mútuo firmado entre o autuado e a empresa da qual é sócio. A existência do referido contrato foi informada à Receita Federal desde a entrega da declaração de rendimentos relativa ao ano base 2005; b) o impugnante não auferiu rendimentos tributáveis, mas sim contraiu dívida junto à empresa da qual é sócio, que não está sujeita à incidência do imposto de renda. Assim, o lançamento seria nulo por ter como fundamento a Lei nº 7.713, de 1988, a Lei nº 8.134, de 1990, e a Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, que disciplinam a tributação dos rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoa física; c) a autoridade fiscal não poderia desconsiderar o negócio jurídico de forma implícita, sem expedir um ato competente a declarar sua ilegitimidade, conforme previsto no art. 114, parágrafo único, do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar 104, de 2001, procedimento este que ainda carecia de regulamentação expressa por lei ordinária; d) a autoridade fiscal não esclareceu qual seria a natureza jurídica dos rendimentos auferidos pelo autuado, cerceando seu direito de defesa, na medida em que a identificação do regime jurídico tributário a ser aplicado depende desta informação. Por exemplo, não se enquadrou os rendimentos omitidos como pró-labore, juros sobre capital próprio, lucros ou dividendos, valores recebidos a título de mútuo, dentre outros negócios jurídicos passíveis de serem celebrados entre o sócio e a sociedade. A Impugnação foi julgada Improcedente pela 3ª Turma da DRJ/SDR em decisão assim ementada (e-fls. 147/151): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos recebidos mediante o pagamento de despesas pessoais e créditos bancários realizados pela pessoa jurídica em favor de sócio. Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/03/2013 (e-fls. 180), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 16/04/2013 (e-fls. 154/164) no qual, em apertada síntese: - Reitera a alegação de nulidade do Auto de Infração pela ausência de fundamentação legal e violação ao princípio do devido processo legal e à garantia da ampla defesa, haja vista que o lançamento ocorreu sem que o auditor informasse o motivo pelo qual desconsiderou a existência do contrato de mútuo apresentado durante o procedimento fiscal. - Sustenta que os julgadores de piso, ao apreciarem a impugnação, buscaram convalidar o Auto de Infração guerreado, aduzindo fatos novos que supostamente teriam o condão de demonstrar a prática de ato simulado. Defende que essa tentativa de convalidação de ato nulo esbarra na Teoria dos Motivos Determinantes, que vincula a validade do ato administrativo aos seus motivos expressos. - Expõe que a DRJ/SDR acrescentou à autuação um enquadramento legal que não consta do Auto de Infração, precisamente porque passou a sustentar que o lançamento se amparou no art. 149, VII, do CTN, que autorizaria constituir o crédito tributário sempre que se Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-011.015 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.722802/2009-91 comprovasse ter o sujeito passivo agido com simulação. Entende que, pelo fato desse dispositivo legal não ter sido arrolado na ficha de enquadramento legal do Auto de Infração combatido, houve nítida afronta ao devido processo legal e preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do lançamento. - No mérito, insurge-se contra os questionamentos da primeira instância referentes ao contrato de mútuo firmado com a empresa da qual era sócio e defende não ser possível a autoridade fiscal desconsiderar atos jurídicos perfeitos, pois o Código Tributário Nacional, precisamente no parágrafo único do seu art. 116, apenas permite essa desconsideração caso sejam observados os procedimentos estabelecidos em lei ordinária, que até o momento não foi editada. Aponta desacerto do acórdão recorrido ao afirmar que o Auto de Infração não estaria arrimado no art. 116, parágrafo único, do CTN, mas sim no seu art. 149, VII, pois, além de o Auto de Infração não indicar nenhum dos dois dispositivos, o art. 149, VII, do CTN não pode se sobrepor a um dispositivo legal superveniente. - Discorre sobre o caráter confiscatório da multa aplicada. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, deve ser parcialmente conhecido. Impõe-se observar, preliminarmente, que o lançamento foi constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram devidamente identificados no Auto de Infração e no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal que o integra, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Os elementos que deram origem à autuação foram claramente apontados pela autoridade fiscal e o interessado ingressou com defesa demonstrando ter pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada, não merecendo ser acolhida a alegação de cerceamento de seu direito de defesa. De acordo com o Auto de Infração (e-fls. 05), a omissão em litígio foi apurada por ter o contribuinte, sócio da Góes Cohabita Administração, Consultoria e Planejamento Ltda – GCACP S/A, deixado de declarar os rendimentos recebidos da empresa na forma de pagamentos de despesas pessoais em seu favor e de créditos bancários feitos em conta corrente de sua titularidade. As razões pelas quais o auditor desconsiderou o contrato de mútuo apresentado pelo contribuinte foram apontadas de forma clara no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal integrante do Auto de Infração (e-fls. 131/133), ao contrário do que consta do Recurso Voluntário. Como exposto nos itens 06 a 13 do referido relatório, a fiscalização realizou diligência junto à empresa GCACP com o objetivo de verificar as informações prestadas pelo contribuinte sobre a natureza dos valores depositados em suas contas bancárias. Diante dos esclarecimentos e documentos fornecidos pela empresa, a autoridade fiscal concluiu pela tributação dos valores correspondentes às despesas pagas e aos créditos efetuados em favor do contribuinte, seu sócio-administrador. Não se observa, portanto, nenhuma omissão quanto à motivação e a fundamentação legal do lançamento. Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-011.015 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.722802/2009-91 Também não assiste razão ao recorrente quanto à alegação de que o acordão de primeira instância teria acrescentado o art. 149, VII, do Código Tributário Nacional - CTN ao enquadramento legal do Auto de Infração, o que representaria afronta ao devido processo legal e preterição do seu direito de defesa. Entendo que a validade do presente lançamento prescinde da indicação do referido dispositivo, pois, uma vez identificada, no curso do processo administrativo, a artificial celebração do contrato de mútuo e de seus aditamentos, a devida classificação dos rendimentos auferidos revela-se como medida obrigatória e necessária. Tendo constatado a conduta dolosa do contribuinte praticada com o intuito de reduzir indevidamente o valor do tributo devido, a fiscalização atuou nos exatos termos do art. 149, VII, do CTN, inexistindo qualquer irregularidade nesse procedimento. Equivoca-se, ainda, o interessado ao entender que não seria possível a aplicação do art. 149, VII, do CTN por este ser anterior à inclusão, pela Lei Complementar nº 104/2001, do parágrafo único do art. 116 do mesmo diploma legal. O art. 149, VII, do CTN prevê a realização do lançamento de ofício sempre que restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não havendo qualquer conflito com o disposto no art. 116, parágrafo único, do CTN. É nesse sentido o Acórdão nº 9202-010.322, de 16/12/2021, proferido pela 2ª Turma da CSRF, cuja ementa encontra- se abaixo reproduzida: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. ATO ILÍCITO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. APLICAÇÃO DO ART. 149, VII DO CTN. O parágrafo único do art. 116 do CTN é norma de eficácia limitada que só produzirá efeitos a partir da edição de respectiva lei ordinária instituidora dos procedimentos aplicáveis ao caso. Entretanto, independente desta regulamentação, o art. 149, VII do CTN prevê o dever de realização de lançamento de ofício sempre que restar devidamente comprovado que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. No que concerne às alegações sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de conhecê-las por não terem sido suscitadas na Impugnação, operando-se a preclusão da matéria. De acordo com o art. 16 do Decreto 70.235/72, a Impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não sendo permitido que o contribuinte inove em seu Recurso Voluntário para incluir questões diversas daquelas anteriormente ventiladas. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-011.015 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.722802/2009-91 Fl. 187DF CARF MF Original
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Numero do processo: 19515.004008/2010-53
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES.
Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o salário-de-contribuição
para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança da Taxa Selic de sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.809
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança da Taxa Selic de sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado.
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Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Pagamentos efetuados a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação integram o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança da Taxa Selic de sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 08 /2 01 0- 53 Fl. 250DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 251 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 251DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 252 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.230.5644/2010 lavrado contra a empresa em epígrafe, onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, III e parágrafo 22 do Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 141) a empresa deixou de prestar informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. O Relatório Fiscal de fl. 141 informa que por intermédio da análise dos extratos bancários foram identificados valores debitados, tendo como histórico o pagamento de salários. Intimado a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que titulo eram pagos e quem eram os beneficiários, o contribuinte informou que se tratava de transferências aos sócios, sem detalhar a que titulo eram pagos e sem a identificação dos beneficiários e respectivos valores, alegando não estarem na base de dados; Intimada novamente a esclarecer se as "transferências" foram pagas para remunerar o trabalho ou para distribuição de lucros, a empresa esclareceu que os pagamentos eram a titulo de distribuição de lucros, sem o devido esclarecimento e comprovação à autoridade fiscal. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Inconformada com o lançamento fiscal a empresa apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a conexão dos processos 19515.003968/201004, 19515.003971/201010, 19515.003964/201018, 19515.003961/201084, 19515.004008/201053, todos decorrentes do processo 19515.003687/201043 (IRPJ e seus reflexos); apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização no limite de suas possibilidades. Assim, a autuação pele ser nula. Os lucros distribuídos pela Recorrente aos seus sócios observaram estritamente as prescrições legais conforme exposto na impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo n° 19515.003961/201084, respaldado nas demonstrações contábeis ali acostadas Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado do Exercício levantados em 31 de dezembro de 2006; Fl. 252DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 253 4 a decisão recorrida parece não ter alcançado que os elementos contidos no Balanço Patrimonial e na Demonstração de Resultado do Exercício Social correspondem ao extrato de todos os fatos econômico/financeiros levados a efeito da escrituração contábil. Sintetizam todos os atos e fatos contábeis ocorrido em um determinado período de apuração ou exercício social; equivocouse ao afirmar que o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício Social, não são instrumentos legais para comprovar o montante do lucro efetivo da sociedade; registrese que o lucro contábil é o parâmetro necessário para se apurar se o lucro distribuído aos sócios ultrapassou o lucro apurado no exercício social em que foi atribuído aos respectivos beneficiários, ressaltandose, conforme já exposto, que nada obsta a sua inobservância se as demonstrações contábeis indicarem a existência de reserva de lucros de exercícios anteriores; nada há de estranho o fato de a empresa não possuir funcionários quando os serviços são prestados por seus técnicos/sócios devidamente habilitados; nada impede que os sócios abdiquem do seu direito ao prólabore privilegiando a distribuição de lucros, que são isentos de tributação do imposto de renda pessoa física. Portanto, é absurda a pretensão de considerar que os valores que excederem o lucro presumido sejam remuneração do trabalho prestado pelos sócios; ratifica o pleito no sentido de que seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa fiscal; se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa Selic; por fim, protesta por produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 254 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal, fl. 141, que o lançamento fiscal se deu em razão da empresa não prestar os esclarecimentos sobre a existência de valores com históricos de pagamento de salário debitados nos extratos de conta bancária. Intimada novamente a esclarecer as transferências aos sócios, a empresa apenas informou que se tratava de distribuição de lucros sem detalhar a que título eram pagos e sem identificar os beneficiários e os valores de cada transferência por não estarem na base de cálculo. INFORMAÇÕES CADASTRAIS Deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras, contábeis e os esclarecimentos necessários a fiscalização constitui infração à Lei 8.212/91, art. 32, III, com redação da MP 449/2008. Art. 32. A empresa é também obrigada a: III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Ademais, a empresa é obrigada a demonstrar os lançamentos contábeis que efetuou e os documentos que lhes serviram de base, não sendo lícito alegar que não possuía tais documentos. O Código Tributário Nacional CTN, no artigo 113, dispõe que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 254DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 255 6 A empresa não prestou os esclarecimentos sobre a existência de valores com históricos de pagamento de salário debitados nos extratos de conta bancária. Apenas alegou ser transferência aos sócios de distribuição de lucros sem detalhar a que título eram pagos e sem identificar os beneficiários e os valores de cada transferência. Destarte, a empresa deixou de fornecer todas as informações financeiras, contábeis, necessárias a fiscalização, o que constitui infração à Lei 8.212/91, art. 32, III, com redação da MP 449/2008. O contribuinte não comprova nos autos os argumentos trazidos no recurso voluntário. Apenas alega que apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização no limite de suas possibilidades. Entretanto, a argumentação sem prova não é capaz de desconstituir o lançamento fiscal. A empresa não apresentou escrituração contábil que comprovasse o lucro contábil apurado. Os valores pagos acima do limite legal foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a título de prólabore. As remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no art. 33, 3 e 6 , diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio e que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa; não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestaram serviços; bem como, o contribuinte não prestou todas as informações e documentos solicitados para que a fiscalização pudesse comprovar a existência efetiva de lucros a serem distribuídos. Assevera a decisão recorrida que a apresentação de demonstrativo de resultado e balanço patrimonial do exercício de 2006 não tem o condão de comprovar o montante do lucro efetivo. São meros demonstrativos do resultado final da escrituração de cada exercício e somente pelo exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa. O contribuinte alega de maneira genérica que os lucros distribuídos aos sócios observaram as prescrições legais conforme demonstrados no processo administrativo n° 19515.003961/201084, respaldado nas demonstrações contábeis ali acostadas Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado do Exercício levantados em 31 de dezembro de 2006. Todavia, os argumentos foram apreciados pela decisão recorrida que os rejeitou por falta de prova. A mera argumentação genérica sem a comprovação dos fatos não é suficiente para a desconstituição do lançamento fiscal. Os esclarecimentos e documentos devem ser apresentados, juntamente com a escrituração fiscal, para que a fiscalização possa cotejar as informações a fim de apurar a realidade dos fatos. Sem a prova dos fatos, não se pode referendar que os valores pagos aos sócios sejam relativos à distribuição de lucros, como quer o contribuinte. A indicação da existência de reserva de lucros de exercícios anteriores, também, deve estar demonstrada na escrituração contábil da empresa. Do mesmo modo, nada Fl. 255DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 256 7 impede que os sócios abdiquem do prólabore privilegiando a distribuição de lucros, entretanto, devem ser demonstrados na escrituração contábil, para a conferência da fiscalização. Quando o contribuinte não fornece as informações que possibilitem à autoridade lançadora a apuração da correta base de cálculo do tributo, a mesma deverá ser arbitrada, nos termos dos parágrafos 3 e 6 , do artigo 33, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A empresa não demonstrou que tais verbas se referem à remuneração de capital. Haverá incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores distribuídos quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, nos termos do art. 201, §5o, inciso II do Decreto 3.048/99. A demonstração deve se der pela escrituração contábil da empresa. A decisão recorrida menciona a desnecessidade de conexão em razão das autuações se referirem a matérias de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas de Contribuições Previdenciárias, de Multas em Geral e de Imposto de Renda Retido na Fonte. As autuações relativas às contribuições sociais previdenciárias previstas na Lei 8.212/91 são as constantes dos processos: 19515.003968/201004, 19515.003971/201010, 19515.003964/201018, 19515.004008/201053. De outra forma, o processo n 19515.003961/201084 se refere à multa de ofício de 75% e juros de mora isolados, devidos por falta de retenção e recolhimento de IRRF incidente sobre a mesma remuneração paga aos sócios a título de prólabore. Como se pode notar o processo nº 19515.003961/201084 se refere a IRRF, não foi distribuído a esta Turma de julgamento e não será julgado por se tratar de matéria desafeta a contribuições sociais previdenciárias estabelecidas na Lei 8.212/91. Os demais processos mencionados nos autos relativos às contribuições previdenciárias serão analisados. Desse modo, não há necessidade de vinculação entre o processo nº 19515.003961/201084 (IRRF) com os demais relativos às contribuições previdenciárias, pois há independência material e processual nos lançamentos fiscais. Destarte, não procede ao pedido de conexão entre os processos em razão de serem processos administrativos independentes e autônomos. Relata a decisão recorrida que o contribuinte não possui empregado, a prestação de serviços da empresa era realizada pelos sócios e que há previsão no contrato social para retirada mensal de prólabore. Constatada a falta do recolhimento das contribuições sobre a remuneração paga aos sócios da empresa, a título de prólabore, correto o lançamento fiscal relativos à contribuição previdenciária devida pela empresa, nos termos do art. 22, inciso III, da lei 8.212/91. É devida a contribuição social pela empresa ou entidade equiparada sobre rendimentos do trabalho, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, no caso os sócios, nos termos do art. 195 da CF/88. Fl. 256DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.004008/201053 Acórdão n.º 2803002.809 S2TE03 Fl. 257 8 Não há previsão legal para a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios durante o processo administrativo. É devida e legal a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. O contribuinte protesta por produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Todavia, até o julgamento não houve apresentação de quaisquer documentos e petições. Do mesmo modo, indeferese o pedido de diligência/perícia por entender desnecessário e estar sem a formulação dos quesitos, nos termos do art. 16, inciso IV, c/c §1°, do Decreto n° 70.235/72. A multa é de valor fixo. Não houve a correção da falta. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, a Instrução para o Contribuinte – IPC; e demais informações constantes dos autos, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 257DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09280.WQE8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/11/2013 17:06:00. Documento autenticado digitalmente por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/11/2013. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.1019.09280.WQE8 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: DC535114CA87C53B6749D29831D791A30AE03F46 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.004008/2010-53. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10480.003267/2003-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
Ementa. RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. INEXISTÊNCIA DE OBJEÇÃO INFUNDADA DA ADMINISTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexistindo previsão legal para o abono de juros a valores postulados em ressarcimento, somente se tornam eles cabíveis quando a Administração opõe-se injustificadamente ao seu deferimento, ainda que com base em Ato Normativo que se venha a declarar contrário ao ordenamento legal, consoante decisão do e. STJ proferida no rito do art. 543-C do CPC. Não havendo tal
oposição, incabível acrescer ao valor postulado qualquer outra parcela, por absoluta falta de previsão legal.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: NANCI GAMA
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materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa. RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. INEXISTÊNCIA DE OBJEÇÃO INFUNDADA DA ADMINISTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo previsão legal para o abono de juros a valores postulados em ressarcimento, somente se tornam eles cabíveis quando a Administração opõe-se injustificadamente ao seu deferimento, ainda que com base em Ato Normativo que se venha a declarar contrário ao ordenamento legal, consoante decisão do e. STJ proferida no rito do art. 543-C do CPC. Não havendo tal oposição, incabível acrescer ao valor postulado qualquer outra parcela, por absoluta falta de previsão legal. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. INEXISTÊNCIA DE OBJEÇÃO INFUNDADA DA ADMINISTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo previsão legal para o abono de juros a valores postulados em ressarcimento, somente se tornam eles cabíveis quando a Administração opõese injustificadamente ao seu deferimento, ainda que com base em Ato Normativo que se venha a declarar contrário ao ordenamento legal, consoante decisão do e. STJ proferida no rito do art. 543C do CPC. Não havendo tal oposição, incabível acrescer ao valor postulado qualquer outra parcela, por absoluta falta de previsão legal. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Fl. 0DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 15 e seguintes do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, em face ao acórdão de n.º 29300.087, o qual, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário para entender que não cabe a incidência da taxa Selic, desde a data da entrada do insumo no estabelecimento do contribuinte, dos créditos escriturados de IPI que foram objeto do pedido de ressarcimento in casu, conforme ementa a seguir: “RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso negado.” Inconformado com a decisão supra ementada, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência, aduzindo, em síntese, que acórdãos paradigmas teriam manifestado o entendimento de que, nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, a taxa Selic incide sobre o ressarcimento, eis que este seria uma espécie do gênero restituição. Em despacho de fls. 191, o i. presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admitiu o recurso especial do contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 194/199, repisando as razões aduzidas no acórdão recorrido, requerendo, dessa forma, a sua manutenção. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, eis que tempestivo e, a meu ver, preenche os requisitos de admissibilidade. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.003267/200316 Acórdão n.º 930301.676 CSRFT3 Fl. 202 3 A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se é cabível, no ressarcimento, a aplicação da taxa Selic ao crédito presumido de IPI desde a entrada dos insumos empregados na produção dos produtos exportados, cabendo, ainda, definir se é cabível ou não realizar uma distinção entre “ressarcimento” e “restituição” para fins de aplicação do disposto no artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 que, por sua vez, dispõe: “Art. 39. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifou se) Aludida matéria já foi objeto de diversos julgados prolatados por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual peço venia para transcrever como meu, o voto proferido pela ilustre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do recurso nº 201125.339, conforme abaixo segue: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos1. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. 2 No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse sentido, vejamse precedentes jurisprudenciais reconhecendo a aplicação da taxa SELIC.3 Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. De outra frente, poderseia invocar que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, não seria apropriada em razão de não ser especificamente taxa de atualização monetária. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. 1 REsp. 667308/ SC; REsp. 412.710∕SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJU 08∕09∕2003. REsp 416.776∕RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJU 16∕02∕2004 e REsp 541.505∕PR, Rel. Min. José Delgado, DJU 20.10.2003, e REsp 412.710∕SC. 2 Vejase os acórdãos 20302.719/96, 20208.583/96, 20208.594/96 e 20302.719/97. 3 A matéria já foi objeto de vários julgados dos Conselhos de Contribuintes, (ACÓRDÃO 20213.920, sessão de 09/07/2002; ACÓRDÃO 20177.484 , sessão de 16/02/2004, incluindo CSRF ( CSRF/0201.732, sessão de 13 de setembro de 2004; e CSRF/020.762, DOU de 06/08/99; Acórdão nº CSRF/020.708, de 04/06/98), reconhecendo, tratandose de restituição de crédito de IPI, o direito à atualização do crédito pela taxa SELIC. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Há de se lembrar que o crédito presumido, quando aproveitado a maior ou indevidamente, também é pago com o acréscimo da SELIC. Observo inexistir texto legal específico conceituando a taxa SELIC. Podese dizer que a taxa SELIC é por sua composição, híbrida, tendo em vista que comporta juros e atualização monetária.4 Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, a “atualização/juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Também deve ser considerado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, que preceitua que, a partir de 1º de janeiro de 1996, em lugar da UFIR, a compensação ou restituição de tributos deve ser acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ora, na repetição do indébito, consoante o disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN, os juros moratórios são devidos apenas a partir do trânsito em julgado da decisão que a determinar. Logo, inferese que tal incidência não se faz a título de juros moratórios, pois estes estão vedados pelo Código Tributário Nacional nesse mesmo parágrafo único do art. 167. Por outro lado, as Instruções Normativas da Receita Federal indicam ser a taxa SELIC adotada como referencial de juros moratórios, verdadeiro substitutivo da correção monetária. Mas, se a inflação, mesmo oficial, ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. Em verdade, o que ocorre é a substituição de um indexador por outro, de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O mesmo, de resto, sucede quando credor o Fisco, com a atualização de seus créditos mediante uma taxa de supostos juros moratórios correspondentes à taxa referencial SELIC.5 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa Selic reflete a melhor opção.” Dessa forma, o fato de o contribuinte ter requerido, em seu pedido de ressarcimento, a atualização monetária, pela Selic, dos seus créditos escriturais de IPI, desde a data da entrada dos insumos, faz com que as razões da Recorrente sejam, a meu ver, 4 Algumas Resoluções antigas do Banco Central, como as de n°s. 2.672/96, 1.693/90 e 1.124/86, permitem inferir que essa taxa corresponde àquela média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação SELIC para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Outrossim, inexiste definição legal quanto à composição dessa mesma taxa. Como corresponde ela aos rendimentos dos títulos federais, deve albergar conjuntamente os juros remuneratórios do capital empregado na aquisição desses títulos e, ainda, a correção monetária, que, a despeito de suprimida relativamente às demonstrações financeiras, para fins de apuração do imposto de renda (art. 4º da Lei nº 9.249/95), continua presente na economia nacional e é reconhecida através da publicação de vários índices oficiais ou oficiosos. Aliás, não é por outra razão que essa taxa varia mensalmente. Embora o livre jogo do mercado financeiro possa influir nessa variação, o componente relativo à inflação mensal é nela indescartável. 5 Também devese levar em consideração que o próprio Banco Central do Brasil, que apura a taxa SELIC, reconheceu em sua Circular nº 2.672/96, ao regulamentar Linha Especial de Assistência Financeira do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), ser a taxa SELIC diferenciada dos juros. Tanto assim que cobra encargos financeiros capitalizados diariamente e exigíveis trimestralmente à taxa equivalente à taxa média ajustada de todas as operações registradas no SELIC, acrescida de juros. Portanto, distinguemse os juros dessa última taxa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.003267/200316 Acórdão n.º 930301.676 CSRFT3 Fl. 203 5 parcialmente procedentes, tendo em vista que o STJ, no julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, entendeu que a atualização dos créditos escriturados de IPI deve ser realizada “desde o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento, pela UFIR e, após janeiro de 1996, pela SELIC”. Considerando que, nos termos do artigo 62A6 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões proferidas pelo STJ, mister se faz que o reconhecimento da incidência da taxa Selic seja dado apenas para atualizar monetariamente os créditos de IPI desde o momento do protocolo do pedido de ressarcimento até a data em que o crédito vier, de fato, a ser ressarcido. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI apenas a partir do momento em que o pedido de ressarcimento foi protocolado. Nanci Gama 6 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, RedatorDesignado Conselheiro Júlio César Alves Ramos, RedatorDesignado Incumbiume o sr. Presidente do CARF da redação do acórdão, dado que o colegiado divergiu do entendimento esposado pela i. relatora em seu voto. E apesar de a e. relatora ter invocado o art. 62A do Regimento Interno para conceder o abono de juros a partir do protocolo do pedido, a Turma, por qualidade, o considerou inaplicável in casu. E isso porque a decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça, consoante citação da própria relatora (REsp 1.035.847), que os membros deste Conselho estamos forçados a reproduzir por força do comando regimental mencionado, os considerou cabíveis quando o indeferimento do valor postulado em ressarcimento se mostra injustificado. Nesse sentido, vale aqui citar a ementa do julgamento dos embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional naquele recurso no qual foi reafirmado o entendimento, : Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (ARTIGO 543C, DO CPC) (PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.). ERRO MATERIAL. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. MANIFESTO INTUITO INFRINGENTE. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MULTA POR EMBARGOS PROCRASTINATÓRIOS. ARTIGO 538 C/C 557, § 2º, DO CPC. APLICAÇÃO. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do artigo 535, do CPC. 2. A pretensão de revisão do julgado, em manifesta pretensão infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos, quando o aresto recorrido assentou que: "1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.003267/200316 Acórdão n.º 930301.676 CSRFT3 Fl. 204 7 EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008)." 3. A Fazenda Nacional, nos presentes embargos de declaração, suscitou preliminar no sentido de que o acórdão embargado não teria atentado para a novel jurisprudência do STF, firmada por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 353.657/PR e 370.682/SC, que concluiu pela ausência de direito ao creditamento de IPI quando da aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero e pela não tributação, cujo consectário lógico seria o afastamento do direito à correção monetária. 4. Nada obstante, em sede de embargos de declaração manejados na instância ordinária, bem como no âmbito do recurso especial eleito como representativo de controvérsia, a Fazenda Nacional, pugnando pela ausência de previsão legal de correção monetária de créditos escriturais, assinalou que "a questão versa sobre o reconhecimento do direito do contribuinte à correção monetária de crédito escritural de IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero e que o contribuinte não pôde compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, ao realizar a compensação do referido crédito com outros tributos nos termos do art. 11, da Lei 9.779/99". 5. Conseqüentemente, a preliminar ventilada pela embargante, além de destoar das razões esposadas nos embargos de declaração e no recurso especial fazendários (donde se poderia inferir aparente litigância de máfé), constitui inovação argumentativa, vedada na instância extraordinária, notadamente em virtude do inarredável requisito do prequestionamento e tendo em vista o óbice inserto na Súmula 7/STJ. 6. Embargos de declaração rejeitados, com a condenação da embargante ao pagamento de 1% (um por cento) a título de multa, pelo seu caráter procrastinatório (artigo 538, parágrafo único, do CPC), em face da impugnação de questão meritória, esta submetida ao rito do artigo 543C, do CPC (mutatis mutandis, Questão de Ordem no REsp 1.025.220/RS, apreciada pela Primeira Seção aplicação de multa artigo 557, § 2º do CPC). (EDcl no REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Assim, não basta que tenha havido um certo lapso temporal entre a formulação do pedido e o seu deferimento final. É imprescindível que o retardo tenha decorrido de uma oposição administrativa contrária à lei, ainda que eventualmente embasada em ato normativo. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 No presente caso está consignado no extensíssimo termo de informação fiscal elaborado pela autoridade admibistrativa incumbida de sua verificação que o contribuinte, a par de outrso erros de escrituração, promovia a “correção” monetária dos valores registrados a crédito desde a data do registro escritural, nisso consistindo uma parte da redução do valor postulado em ressarcimento. agosto do mesmo ano vinculou dois pedidos de compensação. Destarte, que pretende a contribuinte é ver “corrigido” o seu crédito escritural desde que o lançou em sua escrita fiscal e até a data do seu pedido administrativo. De se conferir o seu pedido (fl. 159): DO PEDIDO Diante o exposto, a ora Requerente espera que Vossa Senhoria se digne de julgar totalmente PROCEDENTE a manifestação de inconformidade, com vistas a reconhecer o direito da mesma em ver incluído sobre o crédito do IPI a taxa SELIC, por completa previsão legal. Que não existe tal possibilidade já o disseram os tribunais superiores em reiteradas decisões. Desse modo, entendo eu, apenas se pode pretender aplicar o entendimento esposado pelo ministro Fux se se considerar que a “demora” na apreciação de seu pedido inicial corresponda à “oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade” de que fala s. Exa. em seu voto. A meu sentir, no entanto, com essa expressão referese o sr. Ministro aos casos em que há instrução normativa da SRF ou reiterada decisão administrativa que impede o exercício do direito previsto em lei, direito esse que somente vem a ser assegurado após o recurso ao Poder Judiciário. Como procurei deixar claro, não houve oposição quanto a parcela prevista em lei. Houve, sim, denegação de uma parcela – “correção monetária de crédito escritural” – que não tem previsão legal, fato já incontroversamente decidido pelos tribunais pátrios. E sobre outras que sequer foram contestadas. Fora isso, o que resta é a discussão sobre a possibilidade de acréscimo de juros sobre valores objeto de pedidos de ressarcimento, ainda que nenhuma objeção ilegal por parte da Administração haja. Entendo que não existe tal possibilidade. Sobre o tema já tive oportunidade de me expressar em diversas ocasiões, permitindome replicar aqui aquelas considerações, basicamente as mesmas expendidas pelo julgador de primeira instância: É que não há lei que preveja o cômputo de juros em adição a valores postulados em ressarcimento. Esta adição, como se sabe, está autorizada apenas nos casos de restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. Nos ressarcimentos nada foi pago indevidamente ou a maior. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.003267/200316 Acórdão n.º 930301.676 CSRFT3 Fl. 205 9 Também, a meu ver, incabível a tese de que tal adição visa apenas à correção ou atualização monetária para garantir o poder de compra do montante a ressarcir, dispensando lei autorizativa. É que, entendo, não se pode confundir a aplicação da taxa de juros selic com a figura da correção ou atualização monetária, pois aquela é autêntica taxa de juros, que incorpora, além da expectativa de inflação, efetiva remuneração, de vez que aplicada, em sua origem, à remuneração dos títulos da dívida pública e apenas trazida ao mundo tributário por força, originalmente, da lei 9.250/95. Assim sendo, não se pode admitir a tese de que sua aplicação independa de existência de norma legal, ao sabor do entendimento doutrinário pacificado de que “a correção monetária não constitui plus” mas apenas reposição do anterior poder aquisitivo do crédito. A taxa selic é, sim, plus e plus bastante alto, por sinal, como, aliás, reconhecem os mesmos contribuintes quando se trata de pagála nos recolhimentos em atraso... Ocorre que sendo uma remuneração, que embute, mas extrapola, o que se poderia chamar de “correção” monetária, a aplicação de juros ao ressarcimento constituiria, ao contrário, enriquecimento do sujeito passivo, que nada pagou indevidamente. Não é ele, portanto, credor da União, seja tributário, seja não tributário. Ademais, sabemos todos que o instituto da correção monetária, criado à época da ditadura militar, tinha por escopo preservar o valor de determinado crédito compensandoo pela inflação passada. Por outro lado, como taxa de juros prefixada que é, e disso não há dúvidas, o que a Selic embute é uma expectativa de inflação; ou seja, é a inflação que se espera que ocorrerá, não a que tenha eventualmente ocorrido e que se mede por um dos muitos índices disponíveis: IPC, INPC, IPCA etc. Como tal, pode se confirmar ou não. Pois bem, após o plano real não tem sido incomum que se registrem deflações (o que nem por isso fez a Selic negativa). Será que os que advogam a incidência de correção monetária pretenderão, nesse caso, reduzir o montante a ressarcir? Ou, por coerência, considerarão que há enriquecimento sem causa do postulante ao ressarcimento? Claro que a lei poderia deferir a incidência de juros nesses casos. Não o fez, porém. E não o tendo feito, não cabe ao intérprete fazêlo, ainda que a título de analogia ou de eqüidade Com base nessas considerações, decidiu o colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso interposto. E este é o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Redator Designado Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 05/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.002022/2010-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO.
É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, com base nos dados a ela disponíveis, cabendo à empresa o
ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS.
Em decorrência dos artigos. 2 e 3 da Lei 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Considera-se salário de contribuição a remuneração auferida pelo segurado empregado em decorrência de sua atividade, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS.
Os pagamentos de verbas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão integram o salário de contribuição e sobre estes valores incidem as contribuições sociais, nos termos do art. 28 e 9 da Lei 8.212/91.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O pedido de perícia deve ser apreciado levando-se em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita nos autos. Caso contrário, deve ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.804
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, com base nos dados a ela disponíveis, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos. 2 e 3 da Lei 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Considera-se salário de contribuição a remuneração auferida pelo segurado empregado em decorrência de sua atividade, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS. Os pagamentos de verbas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão integram o salário de contribuição e sobre estes valores incidem as contribuições sociais, nos termos do art. 28 e 9 da Lei 8.212/91. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levando-se em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita nos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, com base nos dados a ela disponíveis, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos. 2 e 3 da Lei 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Considerase salário de contribuição a remuneração auferida pelo segurado empregado em decorrência de sua atividade, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS. Os pagamentos de verbas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão integram o salário de contribuição e sobre estes valores incidem as contribuições sociais, nos termos do art. 28 e 9 da Lei 8.212/91. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita nos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 22 /2 01 0- 12 Fl. 266DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 267 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 267DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 268 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração Debcad n 37.162.9578/2010, lançado contra a empresa em epígrafe, referente às contribuições sociais devidas a Terceiros/Outras Entidades, apuradas sobre as remunerações dos segurados empregados, decorrentes de fatos geradores não declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) e não recolhidos a época própria, período 01/2005 a 12/2005. Os fatos geradores consistem em remunerações pagas, devidas ou creditadas, extraídos do exame da contabilidade, Livro Diário n 5, Livro Razão e da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ exercício de 2006, ano calendário 2005, declarados a titulo de Ordenados, Salários, Gratif. e outras Remun. a Empregados (Ficha 05A Despesas Operacionais, linha 02). A empresa foi intimada diversas vezes para prestar esclarecimentos sobre: a) os valores declarados; b) apresentar composição dos valores contidos na DIPJ "retificadora", a titulo de Prestação de Serviços por Pessoa Física sem Vinculo Empregatício (ficha 05A Despesas Operacionais, linha 03) e c) discriminação das respectivas contas contábeis. A empresa não prestou os esclarecimentos, nem apresentou Folhas de Pagamento de segurados empregados e contribuintes individuais. Também, não prestou esclarecimentos sobre os lançamentos efetuados nas contas: a) "autônomos" (conta n 33.120.001), b) Adicional Noturno, 13 Salário, Férias, Gratificações, ValeTransporte e Adiantamento Salarial; c) "Pagamento de Serviço Temporário" (conta n 33.180.039); d) "Assistência médica e hospitalar" (conta n 33.140.003); e) conta n 33.120.011 "Participação de Lucros". Outros documentos não foram apresentados, como: conta n 33.120.001 Autônomos conta n 33.120.002 13 Salário conta n 33.120.003 Férias conta n 33.120.004 Adicional Noturno conta n 33.120.007 Gratificações conta n 33.120.011 Participação de Lucros conta n 33.140.001 – Valetransporte conta n 33.140.002 – Vale refeição conta n 33.140.003 Assist, médica e hospitalar conta n 33.150.002 Serviços Pessoa Física conta n 33.180.001 Aluguel de imóveis conta n 33.180.011 Refeição Conta n 33.180.019 Viagens e estadias conta n 33.180.022 comissões/vendas conta n 33.180.039 Serviços Mão de Obra conta n 33.180.042 Despesas Diversas conta n 21.620.001 Marcus Abdo Hadade conta n 21.620.002 Alexandre Abdo Hadade conta n 21.910.002 13 Salário conta n 11.310.001 Salarial conta n 11.310.002 13 Salário; conta 33.180.039 – “pgto. serv. Temp”. Diante dos fatos, as contribuições previdenciárias foram apuradas por aferição indireta. Os valores foram arbitrados com base nos livros: Livro Diário n 5 e Livro Razão, sobre os fatos geradores: Fl. 268DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 269 4 a) REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS: conta n 33.120.004 "Adicional Noturno" conta n 33.120.003 "Férias" conta n 11.310.001 "Salarial"; conta n 21.910.002 "13 Salário"; conta n 33.120.001 "Autônomos"; conta n 33.120.002 "13 Salário"; contas: 33.140.002 "Valerefeição" e 33.180.011 "Refeição" em desacordo com a Lei n 6.321/76; conta 33.140.001 "Vale transporte" em desacordo com a Lei n 7.418/85; conta 33.140.003 "Assistência Médica e Hospitalar" pelo motivo de não se incluir na hipótese de não incidência, prevista no art. 28, I. 9 , q : da Lei n 8.212/91; b) REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (AUTÔNOMOS): conta n 33.120.001 "autônomos" a titulo de "pagamento serviço prestado" conta n 33.180.039 "servs. mão de obra" a titulo de "pagamento serviço temp."; conta n 33.180.042 "despesas diversas" a titulo de "pagamento serviço prestado"; conta n 33.180.022 "comissões" a titulo de "pagamento de comissão". Não foram incluídos no levantamento os pagamentos contabilizados em nome de pessoa física identificada, tendo a empresa apresentado Nota Fiscal emitida por pessoa jurídica. c) REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (SÓCIOS DA EMPRESA): conta n 33.120.001 "autônomos" a titulo de "pagamento a Marcus Abdo Hadade" e "pagamento Alexandre Abdo Hadade", sendo os valores creditados nas contas dos sócios da empresa (contas n s 21.620.001 e 21.620.002) contas n 33.180.019 e n 33.180.011 "despesas com viagens e estadias" e "despesas com refeição", sendo os valores creditados nas contas dos sócios da empresa (contas n s 21.620.001 e 21.620.002); conta n 21.910.002 "13 Salário" a titulo de "pagamento 13 salário Marcus Abdo e Alexandre Abdo"; conta n 33.120.011 "participação de lucros" a titulo de "pagamento part. Lucros Marcus / Alexandre"; conta n 33.180.019 "viagens e estadias" a titulo de "pagamento de despesas com viagens Marcus Abdo; conta n 33.180.001 "alugueis de imóveis" a titulo de "pagamento de aluguel Ale/Marcus"; conta n 33.180.042 "despesas diversas" a titulo de "despesas diversas Marcus Abdo"; conta n 33.120.001 "autônomos" a titulo de "diferença PróLabore". Constam anexos aos autos Demonstrativo das remunerações de segurados empregados apuradas com base em Livro Diário Demonstrativo da base de cálculo ref. Alimentação (Contas n s 33.140.002 Vale Refeição e 33.180.011 Refeição) Demonstrativo da base de cálculo ref. Transporte (Contas n s 33.140.001 Vale Transporte) Demonstrativo da base de cálculo ref. Assistência Médica (Conta n 33.140.003 Assist. médica e hospitalar) Demonstrativo das remunerações de segurados contribuintes individuais (autônomos) com base em Livro Diário Demonstrativo das remunerações de segurados contribuintes individuais (sócios) apuradas com base em Livro Diário. Foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. DA DECISÃO Fl. 269DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 270 5 O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: houve violação aos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório; a decisão recorrida é nula por violação ao princípio da ampla defesa, pois mesmo admitindo a inversão do ônus da prova no presente caso, impediu a produção de prova pericial e testemunhal (depoimento dos sócios das prestadoras de serviços pessoas jurídicas) necessária para comprovar a inexistência de vínculo empregatício ou de prestação de serviços entre pessoas físicas e a recorrente; os pagamentos efetuados à época foram realizados em favor de pessoas jurídicas que emitiram notas fiscais de prestação de serviços, juntadas aos autos, e recolhiam as contribuições previdenciárias de seus empregados. Não existe empregado registrado em nome da empresa. Não houve autorização para conversão do julgamento em diligência nem autorização de produção de prova pericial, o que torna nula a decisão por violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório; a contribuinte não possuía qualquer dever no recolhimento de contribuição previdenciária, pois não possuía empregados; é nula a autuação em razão da falta de motivação fática e legal que justifique a exigibilidade do suposto crédito tributário, inclusive porque a autoridade fiscal não agiu com a diligência, prudência e profundidade que deveriam nortear sua atuação, valendose de presunção em ofensa ao princípio da legalidade, para concluir equivocadamente que a recorrente teria omitido informações e documentos ao fisco, em manifesta afronta à busca da verdade material; a capitulação legal da autuação é indevida. A MP 222 e Decreto 5.026 já estão revogados, portanto, inaplicáveis, e não bastantes à devida fundamentação da cobrança. Também o art. 148 do CTN que é dispositivo genérico e não apto para a fundamentação do lançamento fiscal. a fundamentação específica (art. 33, parágrafos 3o e 6o da Lei nº 8.212/91 e arts. 231, 234 e 235 do Decreto 3.048/99) a decadência parcial das competências anteriores a julho de 2005; não ocorreu o fato gerador, pois há ausência de empregados e contribuintes individuais (autônomos). Não contratou empregados no início de suas atividades e os serviços eram executados por pessoas jurídicas terceirizadas. A remuneração dos empregados das empresas terceirizadas era incluída no custo da prestação dos serviços, daí a menção equivocada a pagamentos a título de décimo terceiro salário, adicional noturno, férias e outros semelhantes, erroneamente registrados na contabilidade; se não há empregados, não há pagamento de alimentação, transporte e assistência médica nem pagamento de despesas com contribuintes individuais; Fl. 270DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 271 6 o arbitramento foi indevido. A RAIS foi declarada negativa e o livro de registro de empregados demonstra a inexistência de vínculo no ano de 2005; as folhas de pagamento dos segurados e as guias de recolhimento de contribuições previdenciárias simplesmente não existiam, vez que a recorrente não possuía empregados, por isso não foram apresentadas; não incide contribuições previdenciárias sobre distribuição de dividendos pagos aos sócios; se não há contribuições previdenciárias, em razão da inexistência de empregados e contribuintes individuais, também, não há multa a ser aplicada, tampouco sua agravação; por fim, requer a anulação do auto de infração, caso contrário, seja deferido o pedido de perícia/diligência, e requer sustentação oral. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 272 7 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. DO RELATÓRIO FISCAL DO LANÇAMENTO Consta do Relatório Fiscal, período 01/2005 a 12/2005, dentre outras informações: a) os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram arbitrados e apurados com base no Livro Diário n° 5, Livro Razão e DIPJ/2006, relativos ao ano calendário de 2005, considerando que a empresa, apesar de intimada, deixou de apresentar a documentação comprobatória correspondente a diversos lançamentos registrados na contabilidade e deixou de prestar esclarecimentos. Foram detectados nas contas contábeis valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme consta dos autos; b) com remuneração de empregados foram considerados os valores a título de vale refeição sem inscrição no programa PAT; a título de vale transporte em desacordo com a Lei 7.418/85; a título de assistência médica e hospitalar, considerando que o benefício não se inclui no art. 28, inciso I, parágrafo 9o, alínea “q” da Lei 8.212/91 (cobertura de todos os empregados e dirigentes); c) como remuneração de contribuintes individuais os valores a título de pagamento de serviços prestados, serviços temporários, comissões. O fisco ressalta que os valores comprovados pela empresa como pessoa jurídica não constam do levantamento fiscal; d) como remuneração de contribuintes individuais (sócios da empresa), sem a devida comprovação, os valores a título de pagamento a Marcus Abdo Hadade e Alexandre Abdo Hadade, despesas com viagens, estadias e refeição, pagamento de 13o salário a Marcus Abdo e Alexandre Abdo, pagamento participação nos lucros a Marcus/Alexandre, pagamento de aluguel a Ale/Marcus, despesas diversas, diferença de prólabore. e) os valores declarados em GFIP não foram incluídos no lançamento fiscal; f) as cópias do Livro Diário n° 5, não registrados no órgão competente, constam dos autos; g) foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Consta da decisão de primeira instância: Fl. 272DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 273 8 a) não há período decadente, pois o contribuinte não efetuou qualquer recolhimento referente às contribuições sociais devidas sobre referidas remunerações. Assim, tratase de lançamento de ofício e se aplica a regra do art. 173, I, do CTN; b) a fiscalização constatou nos documentos contábeis valores pagos a pessoas físicas e o contribuinte não prestou os esclarecimentos nem apresentou documentos; c) os documentos juntados pela impugnante, relacionados na planilha que denomina planilha identificadora de notas fiscais de prestação de serviços executados por pessoas jurídicas com a qual pretendeu vincular notas/faturas a serviços prestados por pessoas jurídicas não comprovam que os pagamentos não foram efetuados a pessoas físicas, por serviços prestados à impugnante e pagos em pecúnia como demonstram os informes bancários; d) o livro de registro de empregados e a Rais negativa relativa ao ano 2005 demonstraram apenas a ausência de empregados com registro. Esses documentos trabalhistas são elementos subsidiários ao trabalho da fiscalização em matéria previdenciária, ou seja, por si só não se prestam a desconstituir o lançamento fiscal; e) a impugnante não trouxe aos autos nenhum elemento comprobatório de suas alegações, apenas juntou documentos alegando que a fiscalização se confundiu com a nomenclatura utilizada pela impugnante para realização dos pagamentos registrados em seus livros Razão e Diário 5 (ano 2005), que a autoridade fiscal não atentou que a atividade da empresa era toda terceirizada e, que o lançamento se trata de presunção. Entretanto, não vislumbrou a ocorrência de erro de fato no lançamento; f) quanto à aferição, a decisão recorrida menciona que ao descumprir o dever legal de fornecer a documentação solicitada e necessária por deixar de informar e prestar esclarecimentos de interesse da fiscalização e, por deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos, o contribuinte deu razão à inversão do ônus da prova. A aferição indireta tem amparo do art. 148 do CTN e parágrafos 3 e 6o do art. 33 da Lei 8.212/91; g) quanto às alegações sobre os documentos juntados aos autos temos que são insuficientes para comprovação do alegado visto que não atendem sequer ao que fora pedido pela fiscalização à época da autuação; h) a base de cálculo está fundamentada no art. 195, inciso I da CF/88, art. 28, inciso I da Lei 8.212/91 e suas exceções, em especial, o art. 28, § 9o, alíneas “c”, “f”, ‘j”, “m” e “q” da Lei 8.212/91; i) com relação aos levantamentos referentes ao fornecimento de alimentação transporte e assistência Médica, verificase que a empresa não apresentou qualquer documento que ampare suas alegações, diante das evidências do pagamento em pecúnia da alimentação e transporte e, da falta de comprovação de que os valores pagos com despesas médicas, a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; j) a empresa não comprovou que os valores se referiam a distribuição de lucros a sócios; Fl. 273DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 274 9 l) a multa agravada em cinqüenta por cento, nas competências em que o lançamento de ofício é o mais benéfico para a empresa (jan a abril/2005) se deu porque a empresa não atendeu a diversos pedidos de esclarecimentos. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Não há que se falar em decadência das competências anteriores a julho de 2005 em lançamento de ofício e sem recolhimento prévio, onde se aplica a regra do art. 173, inciso I do CTN. O lançamento fiscal se refere ao período de 01/2005 a 12/2005. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 14/07/2010. Assim, a competência 01/2005 a contar de 01/01/2006 estaria decadente somente a partir de 01/01/2011. Em decorrência dos artigos. 2 e 3 da Lei 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiros/Outras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. Como se pode notar do relatório fiscal e da decisão recorrida que os argumentos do contribuinte foram analisados, contudo, não houve a comprovação nos autos do alegado pelo contribuinte. Argumentações genéricas sem precisar o levantamento fiscal e as planilhas demonstrativas e de cálculo apresentadas pela fiscalização não são suficientes para a desconstituição do crédito fiscal. Os fatos geradores, as bases de cálculo, as planilhas demonstrativas com base no livro diário e razão de 2005, contendo a conta, valor histórico, o relatório fiscal, identificando os valores registrados para os empregados e contribuintes individuais constam dos autos. Diante do caso concreto, por não ter o contribuinte disponibilizado a documentação relativa ao livro diário e razão de 2005 e os esclarecimentos à fiscalização, como também, não ter contabilizados os valores pagos a empregados e contribuintes individuais na contabilidade, na forma estabelecida em lei, a fiscalização arbitrou os valores das contribuições sociais, nos termos do art. 33, § 3º e 6o da Lei 8.212/91. Destarte, não houve violação aos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, como quer o contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA E PROVA TESTEMUNHAL Não há necessidade de perícia e prova testemunhal, pois os relatos da fiscalização constam dos autos. O contribuinte não esclareceu os questionamentos do fisco nem apresentou a documentação solicitada. As notas fiscais apresentadas foram analisadas pelo fisco que informou que os valores comprovados pelo contribuinte como sendo de pessoa jurídica (notas fiscais) não foram lançados. Assim sendo, não há motivos para anulação do lançamento fiscal e da decisão recorrida, pois estão demonstradas e fundamentadas as razões do lançamento. O recorrente não apresentou documentos que justificassem a correção do lançamento fiscal. Não houve cerceamento de defesa, pois o pedido de produção de prova pericial não cumpriu os requisitos necessários pelo requerente. O devido processo legal tributário, disciplinado pelo Decreto 70.235/72, disciplina o momento de produção de provas e Fl. 274DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 275 10 requerimento de perícia. Todos os elementos de prova devem ser apresentados na impugnação, sob pena de preclusão, nos termos do art. 16, § 4o do Decreto 70.235/72. Os quesitos formulados pelo contribuinte questionando se a contabilidade de 2005 cumpriu os requisitos legais, se contem alguma imprecisão quanto à remuneração de funcionários, e se é possível constatar a ausência de documentos contábeis obrigatórios, estão respondidos pela fiscalização. O fisco informa no relatório fiscal que livro diário não estava registrado no órgão competente, os valores não foram lançados conforme previsão legal e os documentos solicitados pelo fisco não foram apresentados, nem esclarecidos os questionamentos. Ademais, não há necessidade de perícia para constatar valores que estão demonstrados em planilhas, no relatório fiscal, no Discriminativo de Débito – DD, e no Relatório de Lançamentos – RL. O contribuinte poderia ter apontado quais valores que estão lançados incorretamente por intermédio destes relatórios, mas não o fez. Apenas mencionou que haveria erros no lançamento de maneira genérica sem especificar quais eram. Nestes termos, indefiro o pedido de perícia e de prova testemunhal (depoimento dos sócios das prestadoras de serviços pessoas jurídicas). Diferentemente do registrado no livro diário e razão de 2005, o contribuinte alega que não possui empregados registrados em nome da empresa, entretanto, não traz prova aos autos. Não há cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois o lançamento contém todas as informações necessárias ao seu perfeito entendimento. Todos os detalhes estão nos relatórios constantes dos autos, quais sejam: Instruções para o Contribuinte — IPC, Discriminativo do Debito — DD, Relatório de Lançamentos — RL, Fundamentos Legais do Débito — FLD, Relatório Fiscal — REFISC e diversas planilhas descritivas dos levantamentos. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. Não há que se falar em falta de motivação fática e legal que justifique a exigibilidade do crédito tributário. A autoridade fiscal agiu com a diligência, prudência e profundidade que deveriam nortear sua atuação, intimando o contribuinte para esclarecer e apresentar documentos. Dessa forma, não há ofensa ao princípio da legalidade, nem afronta à busca da verdade material. A verdade material estaria plena com a apresentação dos documentos e com os esclarecimentos prestados pelo contribuinte. A fundamentação legal encontrase nos autos, com apanhado cronológico da legislação vigente durante o período da autuação fiscal, assim não há que se falar em capitulação legal indevida. A revogação da MP 222 e Decreto 5.026 se deu em substituição a outra legislação posterior mencionada no relatório de fundamentos legais do débito, não tendo efeito de desconstituir o lançamento fiscal. O art. 148 do CTN e art. 33, parágrafos 3o e 6o da Lei 8.212/91 e arts. 231, 234 e 235 do Decreto 3.048/99 servem de fundamentação legal do lançamento e estão corretos. Fl. 275DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 276 11 A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O contribuinte não faz prova de que não possuía empregados, nem contribuintes individuais e que os serviços eram executados por pessoas jurídicas terceirizadas no início de suas atividades. Do mesmo modo, não prova que a remuneração dos empregados das empresas terceirizadas era incluída no custo da prestação dos serviços, nem prova a menção equivocada a pagamentos a título de décimo terceiro salário, adicional noturno, férias e outros semelhantes, erroneamente registrados na contabilidade. O contribuinte não demonstra o erro nem apresenta a contabilidade corrigida e formalizada. Do mesmo, não comprova que não possui empregados, que não há pagamento de alimentação, transporte e assistência médica nem pagamento de despesas com contribuintes individuais. Apesar de asseverar que a RAIS foi declarada negativa e o livro de registro de empregados demonstra a inexistência de vínculo no ano de 2005, o arbitramento feito pela fiscalização com base no livro diário e razão de 2005 que demonstram movimentos de pagamentos a empregados e contribuintes individuais, não esclarecidos nem comprovada a inexistência por parte do contribuinte. O contribuinte não demonstra que os valores pagos aos sócios se referiam à distribuição de dividendos pagos aos sócios. A agravação da multa se deu em razão do não esclarecimento e documentos não apresentados pelo contribuinte. Anunciado o julgamento do recurso voluntário em sessão pelo Presidente de Turma, é direito do contribuinte, se desejar, fazer sustentação oral logo após a leitura do relatório do processo, nos termos do art. 58, inciso II, da Portaria nº 256, de 22/06/2009 (Regimento Interno do CARF). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fl. 276DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002022/201012 Acórdão n.º 2803002.804 S2TE03 Fl. 277 12 Helton Carlos Praia de Lima Fl. 277DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.1019.09001.LKGR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/11/2013 17:01:00. Documento autenticado digitalmente por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/11/2013. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 21/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.1019.09001.LKGR Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1ABBB10387C91BB62F5A68F4D6A0631E40B490F8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.002022/2010-12. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11080.738764/2018-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/10/2014
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FATO GERADOR. DECISÃO CONCESSIVA DO CRÉDITO REVISADA POSTERIORMENTE À TRANSMISSÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Considera-se como fato gerador da multa isolada, exigida por força de débito cuja compensação não foi homologada, a data de transmissão da respectiva PER/DCOMP. Havendo decisão emanada da Autoridade Administrativa, ao tempo em que transmitida a PER/DCOMP, que reconhecia o direito ao crédito utilizado na respectiva compensação, não se pode admitir a imposição de multa isolada em decorrência da mudança de entendimento superveniente a respeito da existência do mesmo.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. ADI 4905
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1301-006.674
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.651, de 21 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 11080.735125/2018-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL TARANTO MALHEIROS
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/10/2014 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FATO GERADOR. DECISÃO CONCESSIVA DO CRÉDITO REVISADA POSTERIORMENTE À TRANSMISSÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Considera-se como fato gerador da multa isolada, exigida por força de débito cuja compensação não foi homologada, a data de transmissão da respectiva PER/DCOMP. Havendo decisão emanada da Autoridade Administrativa, ao tempo em que transmitida a PER/DCOMP, que reconhecia o direito ao crédito utilizado na respectiva compensação, não se pode admitir a imposição de multa isolada em decorrência da mudança de entendimento superveniente a respeito da existência do mesmo. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. ADI 4905 É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.651, de 21 de setembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 11080.735125/2018-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 87 64 /2 01 8- 82 Fl. 141DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.674 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.738764/2018-82 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento. A exigência é referente ao Lançamento de Multa Isolada por compensação não homologada em decorrência da não confirmação do crédito indicado no PER/DCOMP. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/10/2014 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECISÃO MANTIDA PELA DRJ. MULTA ISOLADA MANTIDA. Cabível a manutenção da multa isolada aplicável em decorrência da não homologação de compensação, quando o despacho decisório é mantido pela DRJ. A decisão de Primeira Instância (Acórdão n. 16-96.766) indeferiu o pleito. Entendeu que o então Impugnante não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento foi indevido. Cientificada da decisão de primeira instância, a Interessada interpôs recurso voluntário em que repete seus argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Em 20/06/2023 transitou em julgado o acórdão proferido no RE nº 796.939, no qual restou fixada a seguinte tese: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Na ADIn nº 4.095, que versava sobre o mesmo assunto, o trânsito em julgado já havia sido certificado pelo STF no dia 26.05.2023, atestando ser inconstitucional a multa aplicada quando não homologada a compensação requerida pelo contribuinte na esfera administrativa, prevista no § 17, art. 74, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 142DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.674 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.738764/2018-82 Por oportuno, adiante-se que não homologou a DCOMP n° PER/DCOMP n° 36062.43686.231014.1.3.04-0058, instruiu o processo n° 10880.918150/2015- 51, foi reformado nesta mesma sessão do CARF. Ou seja, as razões das quais se originou o presente lançamento, foram reformadas, reconhecendo-se o crédito pleiteado. Desta forma, aquela decisão deve se refletir na decisão do presente processo (se a lei que instituiu a multa não tivesse sedo declarada inconstitucional pelo STF), no sentido de que, ao se reformar a não homologação da DCOMP em comento, manteve incabível a aplicação da multa isolada correspondente. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Fl. 143DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.737598/2018-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 25/04/2013, 16/05/2013
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INCERTO E ILÍQUIDO. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO.
Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea b, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada.
Numero da decisão: 3301-013.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/04/2013, 16/05/2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INCERTO E ILÍQUIDO. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO. Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea b, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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(HAZTEC TECNOLOGIA E PLANEJAMENTO AMBIENTAL S.A.) IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/04/2013, 16/05/2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INCERTO E ILÍQUIDO. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO. Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação de Lançamento da Multa Isolada por Compensação não Homologada (NLMIC) às fls. 02/03. Intimada do lançamento, a recorrente impugnou-o, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 75 98 /2 01 8- 05 Fl. 465DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737598/2018-05 Notificada do lançamento, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: decadência; impossibilidade do lançamento antes da decisão definitiva no processo de crédito; inconstitucionalidade e ilegalidade da multa; concomitância com multa moratória. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou-a improcedente, afastando a decadência, não reconheceu a inconstitucionalidade da exação nem sua duplicidade com a multa de mora, nos termos do Acórdão nº 14-103.978, desprovido de ementa por força do disposto na Portaria RFB nª 2.724, de 2017. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, requerendo a sua reforma, alegando: I) em preliminar: I.1) a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, defendendo a contagem do prazo quinquenal, nos termos do § 5º do art. 74, da Lei nº .9.430/96; e, II.2) a nulidade do lançamento, sob a alegação de não foram atendidos dos requisitos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN); e, II) no mérito: II.1) a inconstitucionalidade e ilegalidade da multa isolada, sob o entendimento de que sua exigência viola direitos e garantias constitucionais, como o direito de petição previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a” da Constituição Federal de 1988 (CF/88), bem como os arts. 116 e 170 do CTN e o art. 74, caput, da Lei nº 9.430/96; e, II.2) a impossibilidade de concomitância da multa isolada com a multa moratória, pelo fato de não ser licita a aplicação de penalidade por conduta que não está alcançada pelo tipo de infração descrita no comando legal que a prevê e por outro lado não pode ser imposta, tendo em vista que o processo das Dcomp que a originou ainda não tem decisão administrativa definitiva. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF; assim, dele conheço. Ressaltamos que, embora o recurso tenha sido interposto depois dos 30 (trinta) dias previstos no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, por força do disposto na Portaria RFB nº 543, de 20/03/2020, deve ser considerado tempestivo. No entanto, em face do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b”, do RICARF, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, com repercussão geral, não conheço das matérias suscitadas no recurso voluntário, adotando, para o presente caso, a decisão deste Excelso Pretório. No julgamento do referido RE, o STJ reconheceu a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa isolada, em discussão, nos termos da seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796.939/RS – MULTA ISOLADA/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de Fl. 466DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737598/2018-05 homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca a compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Por sua vez, o art. 62 do RICARF, assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 467DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737598/2018-05 Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. (documento assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 468DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000766/2005-26
Turma: Quarta Turma Especial
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
EXERCÍCIO: 2003
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - PNUD - NATUREZA - São tributáveis os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço do PNUD, Agência Especializada da ONU, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de oficio, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 194-00.139
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF EXERCÍCIO: 2003 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - PNUD - NATUREZA - São tributáveis os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço do PNUD, Agência Especializada da ONU, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de oficio, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido.
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Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n" Sessão de Recorrente Recorrida CCOlrr94 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA TURMA ESPECIAL 18471.000766/2005-26 160.ül2 Voluntário IRPF - Ex(s): 2003 194-00.139 02 de fevereiro de 2009 ANTONIO CARLOS OROFINO SOUTO 33 TURMNDRJ-RIO DE JANEIRO/RJ 11 ASSUNTO:IMPOSTOSOBREARENDADEPESSOAFíSICA - IRPF EXERCÍCIO: 2003 RENDIMENTOSRECEBIDOSDE ORGANISMOSINTEIU,ACIONAIS- PNUD - NATUREZA- São tributáveis os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço do PNUD, Agência Especializada da ONU, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÀOE MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÀNCIA- Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de oficio, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL aó recurso, para excluir da exigência a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso. . C::JJ JÚLIO CEZAR ~ÉCA FURTADO - P;esidente em exercício rp,\C.'-C~ AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE - Relatora EDITADO EM: , o ,. \1 ,,0'.1 ! ú . 1.1; LVlu Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Renato Coelho Borel1i (Suplente convocado), Margareth Valentini (Suplente convocada) e Júlio Cezar da Fonseca Furtado (presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. 2 . - Processo n" 18471.000766/2005-26 Acórdão n.Q 194-00.139 Relatório AUTUAÇÃO CCOlfT94 Fls. 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 20 a 27, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 34.352,87, acrescido de multa de oficio e juros de mora, bem como de multa de oficio exigida isoladamente por falta de recolhimento de camê- leão. A autuação decorre de tributação de rendimentos recebidos da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá, em virtude ele trabalho assalariado com vinculo empregatício, de valores recebidos de pessoa jurídica situada no exterior, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, bem como da constatação de falta de recolhimento do imposto devido a título de camê-leão. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 34 a 42), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 67 e 68), que: "4. Concorda com o lançamento no que se refere aos rendimentos recebidos da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá, relativamente ao ano-calendário 2002, e afirma que a impugnação fica cingida a contestar os valores cobrados e oriundos dos salários recebidos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD. 5. O Organismo Internacional é o verdadeiro responsável pelo pagamento do imposto cobrado, dado que caberia à fonte pagadora reter na fonte o imposto de renda, antes de efetivar o pagamento ao trabalhador. 6. Na pior das hipóteses, deveria ser excluida a cobrança de penalidades, juros e correção monetária, por força do parágrafo único do art. ilO do CTN, haja vista que teria agido de acordo com os atos administrativos baixados pelas autoridades fazendárias. 7. Cita O art. 5", parágrafo 2~ da Constituição Federal, para afirmar que as leis brasileiras não podem contrariar o disposto nos tratados ali convenções internacionais. Cita o art. 98, do CTN, para concluir pela prevalência dos tratados ali convenções internacionais sobre a legislação brasileira, ficando vedado ao legislador ordinário desobediência às sllas disposições. 8. Cita o artigo fi, seção I8, da Convenção sobre Privilégios e Imllnidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784/5 O, bem como o art. 6" da 19° seção, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações ) Unidas, promulgada pelo Decreto n° 32.288/63, que entende aplicável a seu caso em particular. 9. Alega que o "Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica ", promulgado pelo Decreto n° 59.308/1966, não estabelece distinções entre os diversos servidores do organismo internacional, abrangendo servidores tanto estrangeiros como nacionais. 1O. Para corroborar o entendimento de que se encontra amparado pela isenção do imposto de renda incidente sobre a remuneração que recebeu do PNUD, transcreve, às fls. 34/38, trechos da sentença n° 94/2001-B, proferida quando da apreciação dos Embargos à Execução nos autos do processo judicial n° 99.9405-8. em 05/02/2001, Seção Judiciária de Brasília-DF. 11. Alega que as orientações emanadas nos Pareceres da COSIT, bem como nas "Perguntas e Respostas" publicadas, são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes da prestação de serviço com recrutamento local - remunerado por tarefa ou por hora - são tributados pelo IR. 12. Justifica-se no sentido de afirmar que está slu.eito à jornada de trabalho e recebe remuneração mensal, e não por hora trabalhada. Entende restar evidente que se aplica, aos rendimentos em foco, a isenção prevista no art. 22 do RIR/99. Cita acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho de Contribuintes para justificar o seu entendimento. 13. Por fim. requer seja declarada a insubsistência do auto de infração, com a subseqiiente inexigibilidade do auto de infração. " ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJlRio de Janeiro/RJ II julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1RPF Exercício: «EXERCÍCIO" MATÉRIA NÃO IlvfPUGNADA. Considera-se não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda expressamente, bem como aquela que não tenha sido conte~tada pelo impugnante. FUNCIONARIOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ISENÇÃO. Nem todos os funcionários da ONU fazem jus à isenção, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que necessitam de privilégios semelhantes aos dos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. A determinação das categorias de funcionários beneficiados com os privilégios cabe ao Secretário Geral da ONU, a ser submetida à Assembléia Geral, devendo haver comunicação periódica dos nomes dos jitncionários beneficiados aos Governos dos membros. Lançamento Procedente" 4 Processo n" 18471.000766/2005-26 Acórdão n.o 194-00.139 RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCOlfT94 Fls. 3 Cientificado da decisão de primeira instãncia em 09/06/2007 (fls. 77), o contribuinte apresentou, em 25/06/2007, o Recurso de fls. 78 a 91, argumentando, em sintese, que os rendimentos recebidos do PNUD são isentos, consoante legislação e jurisprudência que cita. Pondera que: • é funcionário de organismo internacional, do qual o Brasil participa, havendo previsão no artigo 22, inciso II do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIRl1999, quanto à isenção dos rendimentos percebidos; • da interpretação da norma legal citada, pode-se afirmar que não houve distinção quanto a ser o rendimento do trabalho assalariado ou não, com ou sem vinculo empregatício; • as orientações constantes dos manuais Perguntas e Respostas da Receita Federal (perguntas noS172, IRPF/l995 e 133, IRPF/2002) também endossam esse entendimento; • A Câmara Superior de Recursos Fiscais também entende que o artigo V, seção 18, letra "b', da Convenção promulgada pelo Decreto nO59.308/66, determina que os funcionários da ONU estão isentos de qualquer imposto sobre as remunerações pagas pela organização (Acórdão CSRF/OI-04.131); • a motivação do acórdão recorrido - a isenção de impostos ocorre sobre salários e emolumentos recebidos por funcionários nomeados da ONU, concluindo que a isenção atinge o funcionário brasileiro pertencente ao quadro efetivo do organismo internacional - são frutos de mera interpretação de parte da legislação internacional que rege a matéria; • no caso, está comprovado o exercício permanente junto ao órgão internacional, bem como o vinculo empregaticio, eis que cumpriu jornada regular de trabalho, assina folha de ponto, está subordinado à hierarquia do organismo, somente pode gozar férias por periodo autorizado pela chefia; • o inciso lI, do artigo 22 do RIRl1999, não faz distinção entre servidores nacionais e estrangeiros; • os pareceres normativos nOs717, de 1979, e 03, de 1996, não atribuem aos funcionários do organismo internacional a conotação restritiva contida na decisão recorrida; • o fato de o organismo internacional não ter encaminhado a "lista" dos funcionários, obrigação do Secretário Geral da ONU, não interfere na situação tributária aqui discutida; • a exigência feita pela Receita Federal de que o contribuinte seja funcionário não encontra respaldo na legislação; • a lei se reporta a servidor, termo que tem uma abrangência maior, gênero do qual funcionário é espécie. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 92, que também trata do envio dos autos a este Conselho de Contribuintes. 5 É o Relatório. 6 Processo n" 18471.000766/2005-26 Acórdão n.o 194.00.139 Voto eco 1rr94 Fls. 4 Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora o recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, diferentemente da tese do recorrente, os rendimentos recebidos em decorrência de contrato firmado com Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), não estão albergados pela isenção pretendida, mas, ao contrário, têm a natureza de rendimentos tributáveis. A conclusão acima decorre de uma análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, brilhantemente conduzida pela Conselheira Maria Helena Colta Cardozo, em voto no Acórdão nO104-22074, de 6 de dezembro de 2006, entre outros, que peço a permissão para reproduzir: "O artigo 5" da Lei nU. 4.506, de 1964, reproduzido no artigo 22 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto n~ 3.000, de 1999, assim determina: "Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; 11- Sen;dores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e UI deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no pais." (grifei) Quanto aos incisos 1 e 111, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso 11, este menciona genericamente os "servidores de organismos internacionais ", nada esclarecendo sobre o seu domicilio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em foco faz cair por terra tal interpretação, quando e-- 7 determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso 11 seio contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, n<io haveria qualquer sentido em determinar-se que IIIn cidad<io brasileiro, domiciliado no Pais, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso 11, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também n<ioabrange os domiciliados no Brasil. Fica assim demonstrado que o art. 5" da Lei n'~ 4.506, de 1964, acima transcrito, n<io contempla a situaç<io do contribuinte - brasileiro residente no Brasil -, conforme endereço por ele mesmo fornecido na impugnaç<io (fls. 76). Ainda que o dispositivo legal ora anaHsado pudesse ser aplicado a um nacional residente no País - o que se admite apenas para argumentar- ele é claro ao remeter a isenç<io concedida a servidores de organismos internacionais ao respectivo tratado ou convênio. E nem poderia ser diferente, já que, conforme o art. 98 do Código Tributário Nacional, "os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislaç<io tributária interna, e ser<io observados pela que lhes sobrevenha ", portanto as Convenções que regulam a matéria poderiam efetivamente dispor de modo diverso da legislaç<io pátria. Nesse passo, torna-se imprescindível o exame das avenças que regulam a matéria, a começar pelo "Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organizaç<io das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica ", promulgado pelo Decreto n°. 59.308, de 23/09/1966, que assimprevé: "ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades i. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazé-Io, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres. bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito á Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) com respeito ás Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Priviiégios e Imunidades das Agências Especializadas'; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'." No caso em apreço, tratando-se de rendimentos pagos pela Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO, que constitui uma Especializada da Organização das Nações Unidas - ONU, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades, conforme comando do artigo V I.b, acima, devem seguir os ditames da "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas ". Esta, por sua vez, foi promulgada pelo Decreto n". 52.288, de 24/07/1963, e assim prevê: "ARTIGO 1" Definições e Extensão 8 Processo n" 18471.000766/2005-26 Ac6rdão n." 194-00.139 l' Seção Nesta Convenção (...) II - As palavras 'agências especi~lizadas' significam: (...) c) a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; (...) ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18' Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-las aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecímento aos Governos acima mencíonados. 19' Seção Os funcionários das agências especializadas: a) Serão imunes a processo legal quanto às palavras falada ou escritas e à todos os atos por eles executados na sua qualidade oficial; b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas; c) serão imunes, assim como seus conJuges e parentes dependentes, restrições de imigração e de registro de estrangeiros; d) terão quanto às facilidades de câmbio, privilégios idênticos aos concedidos aos funcionários de categoria comparável das missões diplomâticas; e) terão, bem como ~eus cônjuges e parentes dependentes, em época de crises internacionais, facílidades de repatriação idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; f) terão direito de importar, com isenção de díreitos, seus móveis e objetos, quando assumirem pela primeira vez o seu posto no país em apreço." (grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários das Agências Especializadas da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua familia; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de t7 CCOlrr94 Fls. 5 9 categoria comparável de missões diplomáticas; facilidades de repatriação idênticas às dos fimcionários de categoria comparável das missões diplomáticas, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no pais interessado. Embora a Convenção em tela utilize a expressão genêrica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilêgios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente 110 Brasil e aql/i recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no Pais, beneficios tais como facilidades imigratórias e de registro de estrallgeiros, privilêgios cambiais, facilidades de repatriação e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira illstalação 110 Pais. Assim, fica claro que as vantagens e isenções - inclusive do imposto sobre salários e emolumentos - relacionadas no artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de fimcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo 6", 18" Seção, que a seguir se recorda: "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18. Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-las aos Governos de todos os paises partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acimâ mencionados. '7 A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funciollário a que se refere o artigo 6" da Convenção das Agências Especializadas da ONU - e que no inciso lI, do art. 5~ da Lei n°. 4.506, de 1964, é chamado de servidor - é O fl/llcionário internaciollal, integrante dos quadros da Agência Especializada da ONU com viIIcuia estatl/tário, e não apenas cOlltratllal. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo 6" da Convenção das Agências Especializadas da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. No que tange à isenção de impostos, especificamente, recorde-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU assim estatui: "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS ( ...) 19. Seção Os funcionários das agências especializadas: (...) ,~ I 10 Processo n' 18471.000766/2005-26 Acórdão n.o 194-00.139 b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas;" (grifei) Nesse passo, observa-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, firmada em Londres em 13/02/1946 e promulgada pelo Decreto n°.27.784, de 16/02/1950, é orientada pelas mesmas diretrizes, a saber: a isenção de impostos encontra-se inserida em um corvunto de beneficios e privilégios reservados apenas às categorias de fimcionários determinadas pelo Secretário Geral, aprovadas em Assembléia Gêral e ClVOS nomes dos respectivos integrantes serão comunicados aos Governos dos Membros. Confira- se: "ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral detenninará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercicio de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cónjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades ri! CCOliT94 Fls. 6 ~/ I 11 concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos." (grifei) Assim, conclui-se que o artigo 6" da Convençtio sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, bem como o artigo V da Convençtio sobre Privilégios e imunidades das Nações Unidas, embora ntio abordem expressamente a questtio da residência, harmonizam-se perfeitamente com o inciso 11, do art. 5", da Lei n~ 4.506, de 1964 (transcrito no inicio deste voto), já que ambas as Convenções inserem a isençtio do imposto de renda em um conjunto de vantagens que somente se compatibiliza com beneficiários ntio residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses três comandos legais (o dispositivo da Lei n". 4.506, de 1964, e os artigos das duas Convenções), conclui-se que os servidores/fill1cionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é peifeitamente cabivel a tributaçtio de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concesstio de facilidades imigratárias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriaçtio e de importaçtio de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalaçtio no Brasil. Afinal, esses funcionários integram categorias de staff dentro do Organismo Internacional, que tem a sua sede no exterior, dai a justificativa para esse tratamento diferenciado. Nesse mesmo sentido registraram G, £. do Nascimento e Silva e Hildebrando Accioly, no seu Manual de Direito Internacional Público (I5a Ediçtio, Stio Paulo: Saraiva, 2002, pp.216/2I7): "O Secretariado é (...) o órgão adrrunistrativo, por exceléncia, da Organização das Nações Unidas. Tem uma sede permanente, que se acha estabelecida em Nova Iorque. Compreende um Secretário-Geral, que o dirige e é auxiliado por pessoal numeroso, o qual deve ser escolhido dentro do mais amplo critério geográfico possível. O Secretário-Geral é eleito pela Assembléia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. O pessoal do Secretariado é nomeado pelo Secretário-Geral, de acordo com regras estabelecidas pela Assembléia. Como funcionários internacionais, o Secretário-Geral e os demais componentes do Secretariado são responsáveis somente perante a Organização e gozam de certas imunidades." (grifei) £ ainda Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (I la ediçtio, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. ( ...) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de prívilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário geral, secretários-adjuntos, diretores- gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades." (grifei) . 12 Processo n" 18471.000766/2005-26 Acórdão n.o 194-00.139 Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrtltados, não há qualquer fundamento legal, jilosójico ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU (ou no artigo V da Convenção da ONU), muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benejicios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este - e somente este - a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação - á margem da legislação - de uma categoria de jimcionários das Agências Especializadas da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber, os "técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda ", o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: "ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos 'verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas; c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária; f) no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufrram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a irimnidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trãmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização." CCOlrr94 Fls. 7 13 Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta - e nem poderia constar - da relação de beneficios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Quanto à Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, a restrição é ainda maior, concedendo-se aos peritos apenas o privilégio do laissez-passer, especifico para as situações de trânsito: "ARTIGO 8° Laissez-Passer ( ...) 28' Seção Os pedidos de visto, nos casos em que são necessários, de funcionários das agências especializadas que possuam Laissez-Passer das Nações Unidas, quando acompanhados de um certificado de que viajam a negócio de uma agência especializada, serão despachados com a possivel rapidez. Outrossim, a essas pessoas se concederão facilidades para viagem rápida. 29' Seção Facilidades semelhantes às especificadas na 28' Seção serão concedidas aos peritos e a outras pessoas que, embora não possuam Laissez-Passer das Nações Unidas, tem um certificado que atesta estarem viajando a negócios de unIa agência especializada. 30' Seção Os diretores executivos, os assistentes dos diretores executivos, os diretores de departamentos e outros funcionários de categoria não inferior à de chefe de departamento das agências especializadas, que viajam com Laissez-Passer das Nações Unidas a negócios das agências especializadas, terão facilidades de viagem idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas." (grifei) Constata-se, assim, a e;nstenCiG de um quadro de jimcionários internacionais estatutários da ONU e de suas Agências Especializadas, que goza de um conjunto de beneficios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vinculo contratual permanente, não é albergada por esses beneficios. Tal constatação é referendada pela melhor doutrina, aqui novamente representada por Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (lI" edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729); "Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto juridico era próprio. Surgia 14 Processo n' 18471.000766/2005-26 Acórdão n.o 194-00.139 assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (...) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini-los como sendo os individuos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (...) A admissão dos funcionários. internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (...) o funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a titulo permanente, que é revista após 5 anos. (...) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (...) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (...) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (...) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários-adjuntos, diretores- gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias CCOlff94 Fls. 8 :;:... 15 serão comunicados periodicamente aos governos membros', Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercicio de suas funções oficiais'; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão suj eitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; f) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no pais interessado' . Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecretários- gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. " (grifeI) No trecho abaixo, ainda recorrendo a.Celso D. de Albuquerque Mello, verifica-se a peifeita distinção entre os fimcionários internacionais e os técnicos a serviço da ONU e de suas Agências Especializadas. no que tange aos privilégios e imunidades: "Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozanl dos seguintes privilégios c imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais'; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções' ; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondéncia em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de cãmbio; f) quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos".(grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada. não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos - funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo - como identifica o conjunto de beneficios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre solários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos <T serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. (.,.) Quanto às orientações emanadas da Secretaria da Receita Federal, trazidas à colação pela defesa, o acórdão recorrido bem ressalvou que não são aplicáveis ao contribuinte, já que este não é funcionário estatutário de Organismo Internacional, mas sim técnico a serviço com vínculo contratual. De toda a sorte, torna-se inócua a discussão acerca de tais orientações, uma vez que os atos citados já foram há muito superados. Com efeito, à época de ocorrência do fato gerador, conforme bem esclarece o acórdão de primeira instância, a orientaçiio fornecida pela Instrução Normativa SRF n°. 73. de 1998, reiterada em sua essência na Instrução Normativa SRF n°. 208. de 2002, que a sucedeu, era bem clara, a saber: "Art. 22. Os rendimentos percebidos de organismos internacionais situados no Brasil ou no exterior, por residentes no Brasil, estão sujeitos 16 Processo n° 18471.00076612005-26 Acórdão n.o 194-00.139 à tributação na forma do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) e na Declaração de Ajuste Anual. . S I° Estão isentos os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - ALADI, situadas no Brasil, por funcionários aqui residentes, desde que seus nomes sejam relacionados e informados à Secretaria da Receita Federal por tais organismos, como integrantes das categorias por elas especificadas. S 2° A informação de que trata o S 10 será prestada conforme o modelo constante do Anexo IV e deverá conter o nome do organismo internacional, a relação dos funcíonários abrangidos pela isenção e respectivos CPF. S 3° A informação de que trata este artigo deverá ser enviada até o último dia útil do mês de fevereiro do ano-calendário subseqüente ao do pagamento dos rendimentos à Divisão de Declarantes Domiciliados no Exterior - DIDEX, da Superintendência Regional da Receita Federal da I' Região Fiscal." Ressalte-se que, 110 caso em apreço, sendo contratual o vínculo do colltribuillte com a UNESCO, e encolltrando-se ele fora do alcance da Convenção que rege os privilégios e imunidades - como consta c/aram elite do citado Colltrato de Serviço - obviamente que o seu nome jamais poderia figurar de evelltual lista de ocupantes de categorias cOlltempladas pela isenção, já que estas são providas por funcionários estatutários, como estabelece a legislação de regência e reitera a mellzor doutrina. A mesma orientação vem sendo exarada pelo menos desde o ano 2000, por meio da publicação "Pergulltas e Respostas ", cujo texto da edição relativa ao exerCÍcio 2000, ano-calendário de 1999 (praticamente idêlltico à do exerCÍcio de 2005, ano-calendário de 2004, constante do acórdào recorrido), a seguir se transcreve: "132. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, da ONU? Os rendimentos do funcionário do PNUD, da ONU, têm o seguinte tratamento: 1- funcionário estrangeiro Sobre os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, bem como os produzidos no exterior, não incide o imposto de renda brasileiro. É contribuinte do imposto de renda brasileiro, na condição de não- residente no Brasil, quanto aos rendimentos que tenham sido produzidos no Pais, tais como remuneração por serviços aqui prestados e por aplicação de capital em imóveis no Pais, pagos ou creditados por f! CCOlrr94 Fls. 9 17 qualquer pessoa fisica e/ou juridica, quer sejam estas residentes no Brasil ou não; se residentes, estão sujeitos à tributação exclusiva à alíquota de 15% ou 25%, conforme O caso. Se receber de fonte brasileira rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracteriza-se a condição de residente. 2 - funcionário brasileiro pertencente ao quadro do PNUD Os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, não se sujeitam ao imposto de renda brasileiro, desde que o nome do funcionário conste da relação entregue à SRF na forma do anexo IV da IN SRF n°. 73/98. Quaisquer outros rendimentos percebidos, quer sejam pagos ou creditados por fontes nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior, sujeitam-se à tributação. 3 - Pessoa física não pertencente ao quadro efetivo Os rendimentos de técnico que presta serviço a esses organismos, sem vínculo empregaticio, são tributados consoante disponha a legislação brasileira, quer seja residente no Brasil ou não. Atenção: (...) Para que os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - Aladi, situadas no Brasil, recebidos por funcionários aqui residentes, sejam considerados isentos, é necessário que seus nomes sejam relacionados e informados à SRF por tais organismos, como integrantes de suas categorias por elas especificadas. (...) 133. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da ONU? Os rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas estão sujeitos ao mesmo tratamento tributário determinado para os servidores do PNUD. São Agências Especializadas da ONU: (...) - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura - Unesco - Decreto n°. 63.151, de 1968 (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - Unesco." No que tange à jurisprudência ljudicial e administrativa) argüida pelo contribuinte, esta também já se encontra superada, em face das mais recentes decisões proferidas, citando-se como exemplo as seguintes ementas: .\)1 18 Processo n' 18471.000766/2005-26 Acórdão n.o 194-00.139 "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO AÇÃO ORDINÁRIA IRPF - VERBAS PAGAS A CONSULTOR (TÉCNICO) DO PNUD/ONU (PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS) CARÁTER TRIBUTÁVEL ISENÇÃO (CONVENÇÃO DE VIENA): INAPLICABILIDADE - APELAÇÃO NÃO PROVIDA. I - CTN (art. 108, ~2°; e art. il I, I e lI): não se dispensa tributo ao sabor de equidade; e legislação que disponba sobre isenção reclama interpretação literal. 2 - Ainda que oriunda de atividade de relevãncia social manifesta, é tributável, à llÚngua de lei expressa noutro sentido, a remuneração paga em face da prestação de serviço de consultoria (técnico a serviço), decorrente de acordo de cooperação técnica entre a ONUIPNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o governo brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Cooperação. 3 - Não se estende - consoante confessa o próprio PNUD - aos consultores a isenção tributária prevista na Convenção de Viena, destinada aos 'funcionários' (em sentido restrito) do corpo diplomático. 4 - O Decreto nO. 27.784/50 estipula dúplex tratamento tributário àqueles que prestem serviços a organismo internacional ou em proj eto de cooperação técnica, conforme sejam 'funcionários' (no amplo sentido) ou, noutro caso, simples 'peritos' (consultores), não sendo aos segundos (situação da autora) assegurada isenção qualquer de renda. 5 - Inaplicável o Decreto 52.288/63 (restrito à Agência Internacional de Energia Atõmica e às Agências Especializadas que enumera, não se incluindo o PNUD). 6 - Apelação não provida. 7 - Peças liberadas pelo Relator, em 05/06/2006, para publicação do acórdão." (Acórdão 2002.34.00.027370-4/DF, 7' Turma do TRF da l' Região, DJ de 16/06/2006, p. 46) "IRPF - PNUD - ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Recurso especial provido" (Acórdão CSRF/04-00.060, de 21/06/2005, da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) Confirmando o entendimento esposado no presente voto, merece destaque o Parecer n". 8, de 24/06/2005, exarado pela Advocacia Geral da União e aprovado pelo Sr. Presidente da República (DOU de 23/08/2005), a respeito de contribuições previdenciárias supostamente CCOliT94 Fls. 10 -t- I 19 devidas por organismos internacionais. O citado ato. dentre outros fundamentos, cita as conclusões de parecer do Ministério das Relações Exteriores, elaborado a pedido do PNUD. A seguir serão transcritos trechos do Parecer da AGU deveras elucidativos, já que externam o entendimento daquele órgão acerca da natureza juridica dos organismos internacionais e de suas relações com os técnicos contratados no Brasil: "1. O Ministério das Relações Exteriores - MRE solicitou a esta Advocacia- Geral da União a análise da obrigação imposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS à Agência Brasileira de CooperaçãofMRE e outros órgãos públicos federais referente à prestação mensal de informações sobre os valores pagos aos consultores técnicos contratados por organismos internacionais no ãmbito de acordos de cooperação técnica internacional, bem como das eventuais repercussões desses pagamentos em relação ao recolhimento de contribuições previdenciárias por parte dos mesmos, com o objetivo de conferir ao assunto tratamento uniforme em todo o Governo Federal. (...) 4. O Ministério das Relações Exteriores ainda encaminhou a esta Advocacia-Geral da União parecer jurídico encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, programa da Organização das Nações Unidas - ONU responsável por parte das contratações de consultores destinados ao desempenho de atividades técnicas no ãmbito dos acordos de cooperação internacional em análise. As conclusões do citado parecer são as seguintes: (...) Se o pagamento for efetuado pelo .PNUD, à semelhança do que ocorre com a SRF, quem é obrigado a recolher o tributo, por conta própria, é o consultor técnico, porque além de não ser exigivel de outrem o cumprimento da obrigação tributária (nem do PNUD, nem do órgão público), desconhecemos qualquer tipo de exoneração (imunidade, isenção, alíquota zero, etc.) que o exima de contribuir. Nessa medida o consultor técnico, na qualidade de contribuinte individual, só estará protegido pelos beneficios do RGPS se devidamente inscrito e se recolher, por conta própria, a contribuição social incidente nos pagamentos recebidos de organismo oficial internacional. (...) A fim de fazer com que o Consultor Técnico recolha os valores por eles devidos, pode ser inserida, ainda, disposição no contrato com o consultor técnico, de forma a deixar claro que este não está isento da contribuição social incidente nos pagamentos efetuados por organismos oficiais internacionais e que deve, portanto, inscrever-se no RGPS e contribuir para fazer jus aos beneficios da previdência. Suas contribuições devem ser recolhidas por conta própria, na esteira do que já vem adotando a SRF no qne tange ao Imposto de Renda da pessoa fisica, bem como o que adota o próprio INSS, no caso de serviços prestados a missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeiras." (grifei) ~. .-i, 20 Processo nO 18471.00076612005-26 Acórdão n,o 194-00.139 De todo o exposto, conclui-se que os rendimentos objeto da autuação não são isentos de Imposto de Renda, seja pelo art. 5° da Lei n~ 4.506, de 1964, seja pelas Convenções Internacionais que regem a matéria, seja pelas instruções emanadas da Secretaria da Receita Federal, seja pelo Parecer n°. 8, de 24/06/2005, da Advocacia Geral da União _ AGU" eco Irr94 Fls. 11 Diante do exposto, a decisão recorrida não merece reparos, eis que o contribuinte, no ano-calendário 2002, era contratado do PNUD (fls. 13 e 14), não podendo ser considerado funcionário beneficiário da isenção invocada. No tocante a jurisprudências citadas, cumpre registrar que essas não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado e, como se pode ver do acórdão acima transcrito, estajá se encontra superada. Por fim, no tocante à multa isolada por falta de recolhimento do camê-Ieão, consoante jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, essa não é devida concomitantemente com a multa de oficio. "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA- MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso m, do 9 1°, do art. 44, da Lei n°. 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e lI, do art. 44, da Lei nO9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado." (Acórdão CSRF/OI-04.987, de 15/0612004) Ante ao exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a multa isolada do camê-Ieão (artigo 44, S 1°, inciso m, da Lei n° 9.430, de 1996), exigida concomitantemente com a multa de otlcio. ~~~,re-S-- AMARYLLES REIN~LDI E HENRIQUES RESENDE 21 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008340/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte devem ser integralmente informados em sua Declaração de Ajuste Anual, cabendo o lançamento da parcela por ele omitida.
IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 855.091/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 855.091/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento de Recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2301-010.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir os juros da base de cálculo.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte devem ser integralmente informados em sua Declaração de Ajuste Anual, cabendo o lançamento da parcela por ele omitida. IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 855.091/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. A decisão definitiva de mérito no RE nº 855.091/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento de Recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir os juros da base de cálculo. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e João Mauricio Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 83 40 /2 00 7- 37 Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.984 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.008340/2007-37 Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 06/09) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (e-fls. 30/33), no qual se apurou: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista no valor de R$ 287.023,47. De acordo com a Complementação da Descrição dos Fatos, a infração refere-se a rendimentos recebidos em ação trabalhista ajuizada contra o Unibanco, tendo sido apurada conforme documentação apresentada pelo contribuinte (e-fls. 07). A Impugnação (e-fls. 02/04) foi julgada Improcedente pela 4ª Turma da DRJ/POA em decisão assim ementada (e-fls. 73/76): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL ACUMULADAMENTE O rendimento tributável bruto é o efetivamente recebido através do Alvará mais o imposto retido na fonte, deduzidas as parcelas de rendimentos considerados não tributáveis. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, isto é, entre os rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e não-tributáveis. Cientificado do acórdão de primeira instância em 10/06/2010 (e-fls. 79), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 09/07/2010 (e-fls. 80/86) contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Aduz que o montante não tributado pela Justiça do Trabalho representa o valor de R$ 349.000,03, sendo composto por verbas como FGTS, aviso e férias indenizadas, bem como outras importâncias de natureza indenizatória, sendo incabível a colação dessas rubricas no rol dos rendimentos tributáveis. - Requer seja considerado para fins de dedução do imposto de renda o recibo de honorários no valor de R$ 1.300,00 emitido por Guindani & Viegas Peritos pela confecção de cálculos no processo trabalhista. Reconhece que o mesmo não foi informado na Declaração de Ajuste Anual em exame. - Aponta como fato novo a ser apreciado, conforme jurisprudência recente à época do Recurso, a isenção do imposto de renda sobre os juros moratórios acumulados pagos na reclamatória trabalhista em razão do atraso do devedor. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.984 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.008340/2007-37 O contribuinte alega, inicialmente, que recebeu o montante de R$ 349.000,03 a título de verbas de natureza indenizatória em decorrência da ação trabalhista ajuizada contra o Unibanco, tais como FGTS, aviso prévio, férias e outras importâncias. Verifica-se, contudo, que não há nos autos nenhum documento extraído do referido processo que demonstre o alegado. Na Certidão de Cálculos emitida pela Justiça do Trabalho (e-fls. 42) há apenas a discriminação do valor de FGTS pago na demanda, o qual foi corretamente considerado isento pela autoridade lançadora, como se depreende do Demonstrativo de Apuração das Verbas Tributáveis por ela elaborado (e-fls. 34). Não merece reparos o trabalho fiscal nesse ponto. De fato, não podem ser classificados como isentos os rendimentos decorrentes de ação judicial cujas parcelas não se encontram devidamente especificadas na sentença. Cumpre ressaltar que as hipóteses de isenção e não incidência do imposto de renda da pessoa física estão expressamente previstas no art. 39 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), vigente à época dos fatos, e que a legislação tributária sobre outorga de isenção deve ser interpretada de forma literal, conforme determina o art. 111 do Código Tributário Nacional. Importante mencionar, ainda, que a tributação independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção, nos termos do art. 43, §1º, do mesmo diploma legal. Quanto à dedução dos honorários periciais de R$ 1.300,00, também não merece reparos a decisão recorrida. O valor pleiteado não foi informado na Declaração de Ajuste Anual em exame (e-fls. 32), como reconhece o próprio contribuinte, motivo pelo qual não foi considerado no lançamento e no julgamento de primeira instância. Apenas os honorários declarados de R$ 42.291,47 e de R$ 169.165,86 foram deduzidos da base de cálculo do imposto apurado pela autoridade fiscal (e-fls. 34). Sobre o assunto, cabe reproduzir a orientação constante da última publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física divulgada pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para o exercício 2023: 436 — Honorários advocatícios e despesas judiciais podem ser diminuídos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial? Os honorários advocatícios e as despesas judiciais podem ser diminuídos dos rendimentos tributáveis, desde que não sejam ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma. Da mesma maneira, os gastos efetuados anteriormente ao recebimento dos rendimentos podem ser diminuídos quando do recebimento dos rendimentos. Os honorários advocatícios e as despesas judiciais pagos pelo contribuinte devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, isto é, entre os rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e não tributáveis. O contribuinte deve informar como rendimento tributável o valor recebido, já diminuído do valor pago ao advogado, independentemente do modelo utilizado (opção pelo desconto simplificado ou opção por utilizar as deduções legais). Na Declaração de Ajuste Anual, deve-se preencher a ficha Pagamentos Efetuados, informando o nome, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e o valor pago ao beneficiário do pagamento (ex: advogado). Por outro lado, assiste razão ao interessado quanto à tributação dos juros de mora recebidos na ação trabalhista. Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.984 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.008340/2007-37 De acordo com a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 855.091/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 808), não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função, sendo esse o caso dos autos. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/15 - Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe parcial provimento para excluir da omissão de rendimentos a parcela correspondente aos juros de mora recebidos na ação trabalhista. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 104DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10480.012756/2002-70
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela
taxa Selic.
Recurso negado.
Numero da decisão: 293-00.079
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao
recurso, para indeferir a atualização monetária ao valor do ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Luis Guilherme Queiroz Vivacqua e Andréia santas Lacerda Moneta.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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DRJ-SALVADOR - BA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, para indeferir atualização monetária ao valor do ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Luis Gui e Queiroz qua e Andréia santas Lacerda Moneta. Presidente I 1., ---1..77%;./tifc77.7.77--- NI - , ...,... ....— Nc.,...i...) CONFE,::!..-: COM 0 ORiG:NAL Processo n° 10480.012756/2002-70 Acórdão n.° 293-00.079 CCO2/'T93 Fls. 172 Relatório Trata-se de recurso (fls. 161 a 168) interposto pelo interessado, acima qualificado, contra o Acórdão n2 15-14.442, de 4 de dezembro de 2007, da DRJ-SDR, fls. 150 a 155, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incabível atualização monetciria ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento, por ausência de previsão legal. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada Após síntese dos fatos relacionados, o recorrente invoca o art. 108, inc. I, da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional — CTN, para que se aplique analogicamente a Lei n2 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e a Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e se adicione juros calculados pela taxa Se lic ao valor do ressarcimento de créditos de IPI já autorizado. Lembra a vinculação A lei da administração Pública, consoante o art. 37 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CRFB/88. Cita doutrina de Sérgio Feltrin Corrêa e de Oliveira Ascenção. Conclui, reiterando os termos de sua Manifestação de Inconformidade e suplicando reforma da decisão da DRJ-SDR para o efeito de se fazer incidir juros A taxa Se lic sobre o valor do ressarcimento de créditos d PI já deferido. Modo sintético, é o relatóri MF-SEGUNDO CONSELHO DE GC1rITs;SUIN1 CONFERE COM O ORIGNAL Brasflia, _Q25.../ 002 / 0 .9 MarHde Cud Oveira Mat SI.lpe 91350 2 •4 Processo n° 10480.012756/2002-70 Acórdão n.° 293-00.079 ...... ....... ..... ........ ...... O Oik .. • farasilia, / o o9 CCO2/T93 Fis. 173 Marfide Ctuulo de Oliveira Mat. Slope 91650 Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 161 a 168 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-SDR n2 15-14.442. Inicialmente, é sempre conveniente frisar que a taxa Selic não se confunde com os indices de preço, indicadores da inflação. A taxa Selic não é mera correção monetária. Ainda, deve-se sempre ter em conta que ao ressarcimento não se aplica o mesmo tratamento próprio da restituição ou compensação. Não se constituindo em mera correção monetária, mas de um plus quando comparada aos indices de inflação, referida taxa somente poderia ser aplicada aos valores a ressarcir se houvesse lei especifica que o autorizasse. E certo que a partir do momento em que o contribuinte ingressa com o pedido de ressarcimento o mais justo é que fosse o valor corrigido monetariamente, até a data da efetiva disponibilização dos recursos ao requerente. Afinal, entre a data do pedido e a do ressarcimento o valor pode ficar defasado, sendo corroído pela inflação do período. Dai ser admissivel a correção monetária no interregno : Todavia, desde 01/01/96, não se tem qualquer índice inflacionário que possa ser aplicado aos valores em tela. A taxa Selic, representando juros, e não mera atualização monetária, é aplicável somente na repetição de indébito de pagamentos indevidos ou a maior, inconfundíveis com a hipótese de ressarcimento. Dai a impossibilidade de sua aplicação no caso ora em exame. Por oportuno, ressalto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, embora tenha julgados contrários, já decidiu outrora no sentido de inaplicabilidade não só de juros, mas de também de correção monetária, aos créditos do IPI. Observe-se: Número do Recurso: 201-111325 Turma: SEGUNDA TURMA Número do Processo: 10120.001391/97-28 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IPI Recorrente: REFRESCOS BANDEIRANTES IND. E COM LTDA Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 24/01/2005 09:30:00 Relator(a): Josefa Maria Coelho Marques Acórdão: CSRF/02-01.772 Decisão: NPQ - NEGADO PROVIMENTO PELO VOTO DE QUALIDADE Ementa: IPL CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Gustavo Kelly Alencar (Suplente convocado), Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva e Leonardo de Andrade Couto que deram provimento ao recurso." Em face do exposto, voto por que se negue provii nto ao recurso. das Sessões, em 21 de novembro de 2008. ALEXANDRE KERN 3
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