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Numero do processo: 10880.019113/94-37
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Ementa: RECURSO EX OFFIC/O - Não cabe reexame necessário pelo Conselho de
Contribuintes quando o valor exonerado em processo fiscal, tributo mais multa, é inferior a R$ 500.000,00 na data da decisão singular (Portaria MF n° 333/97).
PASSIVO FICTÍCIO — Constitui hipótese legal de omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigação já paga.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE e FINSOCIAL — DECORRÊNCIA -
Tratando-se de lançamentos reflexivos, a decisão proferida a respeito do lançamento matriz é aplicável ao julgamento das exigências decorrentes, dada a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
PIS - Receita Operacional - Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88
Cancela-se integralmente o lançamento, por caracterizar outra forma de tributação, por encontrar-se cumulativamente incorretos na sua constituição o enquadramento legal, a base de cálculo e a alíquota aplicada.
Recurso ex officio não conhecido. Recurso voluntário provido
parcialmente
Numero da decisão: 105-12.625
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de oficio, e, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para: 1 - IRPJ: excluir da base de cálculo da exigência as parcelas de Cz$ 33.064.670,00, Cz$ 45.269.180,00, Cz$ 190.950.915;00 e Cz$ 67.559.757,00; 2 - Pis Faturamento: excluir integralmente a exigência; 3 - Finsocial Faturamento e IRF: ajustar as exigências ao decidido em relação ao IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Charles Pereira Nunes(relator), Nilton Pêss e Alberto Zouvi (suplente convocado), do seguinte modo: a)quanto ao IRPJ: i) o primeiro mantinha a exigência sobre as parcelas de Cz$ 45.269.180,00 e Cz$ 4.825.614,00 (parte de Cz$ 67.559.757,00); ii) os outros dois mantinham a exigência apenas sobre a parcela de Cz$ 45.269.180,00; b) quanto ao Finsocial Faturamento e IRF: os três ajustavam as exigências aos votos por eles proferidos em relação ao IRPJ. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello.
Nome do relator: Charles pereira Nunes
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Interessada : AVON COSMÉTICOS LTDA. Sessão de : 10 DE NOVEMBRO DE 1998 Acórdão n°. : 105-12.625 RECURSO EX OFFIC/O - Não cabe reexame necessário pelo Conselho de Contribuintes quando o valor exonerado em processo fiscal, tributo mais multa, é inferior a R$ 500.000,00 na data da decisão singular (Portaria MF n° 333/97). PASSIVO FICTÍCIO — Constitui hipótese legal de omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigação já paga. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE e FINSOCIAL — DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamentos reflexivos, a decisão proferida a respeito do lançamento matriz é aplicável ao julgamento das exigências decorrentes, dada a íntima relação de causa e efeito que os vincula. PIS - Receita Operacional - Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88 - Cancela-se integralmente o lançamento, por caracterizar outra forma de tributação, por encontrar-se cumulativamente incorretos na sua constituição o enquadramento legal, a base de cálculo e a aliquota aplicada. Recurso ex officio não conhecido. Recurso voluntário provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos dos recursos de ofício • e voluntário interpostos respectivamente pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em SÃO PAULO — SP e pela empresa AVON COSMÉTICOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de oficio, e, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para: 1 - IRPJ: excluir da base de cálculo da exigência as parcelas de Cz$ 33.064.670,00, Cz$ 45.269.180,00, Cz$ 190.950.915;00 e Cz$ 67.559.757,00; 2 - Pis Faturamento: excluir integralmente a exigência; 3 - Finsocial Faturamento e IRF: ajustar as exigências ao decidido em relação ao IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Charles Pereira 1i4Wes (relator), Nilton Pêss e Alberto Zouvi (suplente convocado), do seguinte modo: anto ao 11312J: i) o MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113/94-37 Acórdão n ° : 105-12.625 primeiro mantinha a exigência sobre as parcelas de Cz$ 45.269.180,00 e Cz$ 4.825.614,00 (parte de Cz$ 67.559.757,00); ii) os outros dois mantinham a exigência apenas sobre a parcela de Cz$ 45.269.180,00; b) quanto ao Finsocial Faturamento e IRF: os três ajustavam as exigências aos votos por eles proferidos em relação ao IRPJ. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello. /VERINALDO H de E DA SILVA PRESID Pfiladç JOSÉ ARLOS PASSUELLO RELATOR - DESIGNADO FORMALIZADO EM: 2 2 ABR 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: VICTOR WOLSZCZAK, Ivo DE LIMA BARBOZA e AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113/94-37 Acórdão n o : 105-12.625 Recurso n°. : 117.000 Recorrentes : DRJ-SÃO PAULO/SP e AVON COSMÉTICOS LTDA. Interessada : AVON COSMÉTICOS LTDA. RELATÓRIO O Delegado da DRJ em SÃO PAULO - SP recorre ex officio da sua decisão em que julgou parcialmente improcedente a ação fiscal levada a efeito contra a empresa AVON COSMÉTICOS LTDA resultando em exoneração de pagamento de tributos e encargos da multa nos valores abaixo, conforme demonstrado às fls. 1.045: Tributo UFIR IRPJ 143.717,46 IRRF 13.206,99 PIS 331,47 FINSOCIAL 406,32 CSSLL 9.581,83 TOTAL 167.244,07 A MULTA foi lançada sobre 50% do tributo devido. O valor total exonerado, somando os tributos e encargos de multa relativos ao lançamento principal e decorrentes, é igual a 250.866,10 UFIR, que corresponde a 167.244,07 x 1,50. Conforme veremos no voto, o valor exonerado, quando convertido para R$, é inferior ao limite de alçada estabelecido na Portaria MF n°333, de 11/12/97. Por outro lado, a empresa também recorre da mesma decisão na parte que lhe foi desfavorável. Os autos de infração de IRPJ - fls. 82/86; IRF — fls. 87/90; PIS/faturamento — fls. 91//93; FINSOCIAUfaturamento - fls. 95/98 e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ O LUCRO - fls. 99/102 foram lavrados em virtude das seguintes irregularidades ocorridas no ano-base de 1988, conforme descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 16/17; 1. Omissão de receita caracterizada por suprimento de caixa sem comprovação da origem e/ou efetividade da entrega do numerário, totalizando $ 248.634.866,00; 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113/94-37 Acórdão n° : 105-12.625 2. Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas e/ou incomprovadas totalizando $ 420.487.557,00, e 3. Custos e despesas operacionais não necessários no valor de $ 995.180.564. A decisão singular, fls.1.032/1.046, julgou improcedentes as infrações 1 (suprimento de caixa ) e 3 ( despesas indedutíveis ) e manteve a exigência 2 ( passivo fictício ). Quanto ao item mantido, os motivos de fato e de direito argüidos nas impugnações de fls. 105/1.031 que continuem sendo questionados no recurso de fls. 1.051/2.290, os aspectos específicos dos lançamentos reflexos, bem como os pontos de discordância, razões e provas apresentadas, assim como os fundamentos da decisão recorrida, serão relatados e examinados diretamente no meu voto juntamente com as contra-razões da PFN., É o relatório. ,P 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113194-37 Acórdão n° : 105-12.625 VOTO VENCIDO Conselheiro CHARLES PEREIRA NUNES, Relator No exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso ex officio, verifica-se a impossibilidade de sua apreciação por este tribunal administrativo tendo em vista que o valor exonerado em primeira instância encontra-se abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n° 333, de 11/12/97, verbis, Art.1° - Os Delegados de Julgamento da Receita Federal recorrerão de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa de valor total ( lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) Parágrafo único. Na hipótese de quantia lançada em UFIR, será convertida em real na data da decisão, para fins de verificação do valor a que alude o "caput" deste artigo. Conforme verificamos no relatório, o valor total exonerado de tributos e encargos de multa foi de 250.866,10 UFIR. Na data da decisão, 1997, a UFIR correspondia a R$ 0,9108, portanto foi exonerado apenas R$ 228.488,84, que é inferior ao limite de alçada. Isto posto voto, no sentido de não conhecer do recurso ex officio. Quanto ao recurso voluntário, dele conheço e passo ao exame do mérito uma vez que inexiste argüição de preliminar. O PASSIVO FICTÍCIO, único item que restou para ser apreciado, é dividido nas três partes seguintes: 1 - ERRO NA SOMA das parcelas constantes da análise da conta 21 211 010 no valor de Cz$ 33.064.670. A citada diferença foi encontrada apenas corrigindo-se a soma no documento de fls. 45 onde está totalizando Cz$ 4.576.614.430 ao invés de Cz$ 4.543.548.760 que seria a soma correta. e 5 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113194-37 Acórdão n o : 105-12.625 Dentre os argumentos apresentados pela defesa visando sustentar o novo demonstrativo de fls. 1.063 por ela apresentado, em contraposição ao de fls. 45 usado pela fiscalização, merece destaque o seguinte: "... cumpre salientar que o demonstrativo de fls. 45 pode ser um documento gerado dentro das dependências da Recorrente, porém, trata-se ou pelo menos se imagina, de um "rascunho" que não pode ser levado a efeito, a ponto de descaracterizar totalmente as operações, que são legítimas, pois, não somente existe sua correta composição, como, também, há o respaldo documental e contábil, necessário e suficiente para que conste este número nas demonstrações financeiras e respectiva Declaração de Rendimentos de 1986.". Realmente, também entendo que a fiscalização precipitou-se ao considerar passivo fictício o simples erro de soma encontrado num papel de trabalho (f1.45) sem verificar se esse erro teria sido levado à Declaração do IRPJ. É verdade que existe uma diferença entre o valor da conta FORNECEDORES declarado pelo contribuinte e o informado na relação de fls. 34/44 ou mesmo no papel de trabalho (fls. 45), mas estar claro que essa diferença não decorre do erro de soma que foi motivo da autuação pois não coincidem os valores das diferenças. Observe-se que a autuação não foi pela efetiva diferença do valor declarado, se assim fosse estaria correta. Na realidade o procedimento fiscal pareceu mais uma defesa da empresa pois ainda que as diferenças coincidissem isso apenas demonstraria a impossibilidade do equívoco caracterizar omissão de receita, já que num mero erro de soma inexistiria o lançamento de obrigação fictícia ou omissão de um pagamento. Ou seja o "fictício/omissão" apareceria apenas em decorrência da soma errada, e não de lançamento contábil. Se a soma eletrônica é feita automaticamente em função dos lançamentos contábeis, é grande a possibilidade de que o erro encontrado pela fiscalização no papel de trabalho não tenha sido levado à contabilidade. Assim sendo, e considerando que somente um registro de obrigação fictícia ou um pagamento não registrado caracterizam a omissão de receita, dou provimento ao recurso neste item. 2- PASSIVO NÃO COMPROVADO no alor de Cz$ 319.863.130,00, relativo à duplicatas das seguintes empresas. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113/94-37 Acórdão n° : 105-12.625 I- Excelsior sk no valor de Cz$ 45.269.180,00, II- Lumiere s/a no valor de Cz$ 250.083.910,00 e III- Fonseca Paes Serv. Ad. e Com. Ext. no valor de Cz$ 24.510.040,00 Para comprovar esse item a impugnante juntou os doc. de fls. 138 / 750 que no entanto foram rejeitados por serem simples notas fiscais que não comprovam os respectivos pagamentos. No recursos são apresentados os comprovantes de pagamentos realizados, nos faço a seguinte análise: I. EXCELSIOR S/A - os doc. de fls. 1.075/1.116 referem-se às compras feitas em dez/88 cujos pagamentos o contribuinte pretende provar, através das AUTORIZAÇÕES DE DÉBITO EM C/CORRENTE no BRADESCO, terem sido realizados em janeiro/89. Ocorre que estas autorizações são documentos gerados pela própria empresa e o carimbo do Bradesco que nelas consta apenas comprova que a correspondência foi recebida pelo banco, mas não comprova que o pagamento foi efetivamente feito em janeiro/89. Nego provimento ao recurso neste item II. LUMIERE ( doc. de fls. 1211 / 2.289) - Os documentos de fls. 1.214 / 1.302 ( duplicatas pagas no Bradesco, ) comprovam que o contribuinte optou por pagar suas obrigações vencidas em 31/12/88 somente em 02/01/88. - Já os Avisos de Vencimento expedidos pelo Banco do Brasil e as Duplicatas de fls. fls. 1303 / 2.125, que foram pagas também em jan/89, referem-se a obrigações adquiridas em dez/88 que efetivamente venceriam em jan/89. - às fls. 2.126 / 2.289 consta apenas documentos relativos a compras efetuadas já em 1989; o que os afasta do litígio pois não poderiam ser passivos em 1988. Valores constantes no VOLUME II (lis. 12112/1.383) Sub-totais 378893 29E0397 16E0369 57252 369236 402966 1tX/4535 265533 1252W 7213105 73520 93420 1145W 396704 196352 3056003 43018 91506 43488 1425488 3( tut 94725 254175 189450 487770 488939 163995 503759 314356 2904E00 139554 904397 343503 171750 345000 73500 961951 126150 148549 3213350 1186569 423254 743830 77298 5610W 4824E2 563412 268035 5241E6 4833133 242985 120240 4443C0 206448 36163 177463 947250 1136700 1045874 4357123 801473 75920 314386 90936 704754 283263 36750D 1=058 644362 4W2819 624934 1717563 774003 190256 79695 37146 87308 893893 465950 4370941 957065 83259 50170 15E0013 61E650 822213 323880 1502432 83040 EC08925 7 -C7f ti MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113/94-37 Acórdão n° : 105-12.625 33522 1227861 15633B TOTAL 39.082.787 Valores constantes no VOLUME III (fls. 1.38411.887) Subtotais 547222 099406 608744 1754996 E8000 174294 179920 363744 69CCO 4466328 168200 3856458 190256 765072 158662 47450 526503 244150 741150 6697917 378450 117459 217550 677843 1465E0 64760 9P3936 70990 164880 1929425 871022 10853)2 55E9E33 252580 384320 34E054 452767 310848 522481 4742287 42705 144248 99645 254190 437133 2214792 77712 761589 86359 4118370 155950 247393 259116 393396 384720 220184 152186 39664 39529 1882335 656964 139234 718836 1055568 576364 259040 1301676 568350 651708 5937660 871470 439779 166376 515543 152186 158010 77712 158662 96798 2638533 1034397 1023200 90664 352377 6176)7 16803D 15120 18590 63280 3383235 52780 550133 73060 563940 231683 221923 294003 243100 495C0 2233110 104720 2296C0 844947 647600 605506 167810 16306 269516 94725 2980732 453420 317324 102333 343185 79590 82446 12E840 1E3986 955210 2624294 793310 149712 323803 233136 194304 6476C0 158662 1593096 14427130 5536320 110720 432503 47450 459796 479224 169376 178090 ee206 95150 2003512 54360 44394 95849 249165 1211012 391798 715598 705884 977876 4445936 97140 96798 94725 1041975 155310 152831 134758 45552 90936 1910025 50380 334340 121893 2794394 297896 501703 1619(X) 32266 244150 4538919 1170190 456559 410 161900 44033 12162% 125250 77712 171270 3893262 162620 547222 1470052 276351 169540 250950 252580 475986 1396E38 5001 739 141401 158662 49465 34350 158662 114500 229000 424203 231894 1542137 404753 150403 E0555 337350 27E800 250340 €31 &.t 444800 324795 2857090 161903 113535 507832 200239 178412 487500 249732 1619Z0 80950 2142030 80950 155424 3143E36 1570430 391798 1683760 2409072 418390 120991 7193E91 164880 54960 210%3 46501 244150 244193 c3750) 161903 80950 1845671 119574 94725 433465 87426 50100 1026446 560114 1479766 780358 4682034 1893711 1389102 1591380 602247 110100 63040 86500 1023X1 135030 9990383 36640 22900 243349 5700Z0 1301676 49257 290385 27555 216897 2748269 250503 58379 472905 518080 1X6864 TOTAL 101.338.388 Valores constantes no VOLUME IV ( fts.1.889 / 2.125) Sub-totais 549405 288075 362E660 81310 971 717 165333 26757 1919319 1032922 8661095 403305 374245 148650 492826 74474 148948 431592 642COD 1664618 4370658 537508 488938 1117110 71236 673504 77712 426495 175353 187543 3927336 199233 217029 52670 359955 1075677 360327 234513 662503 126629 3278233 1035430 564561 87020 148650 1415036 602451 488475 129523 37845 4558988 1625060 145500 19E6752 1188346 56940 89206 79569 328099 593610 0365C61 770433 171614 38933 167170 3292641 60624 776746 240480 2147100 7665734 60E240 147CO3 284944 890450 961972 185055 45468 93514 365733 3575373 1027240 231550 67E35 33060 70400 11 7807 842000 218920 511511 3117123 84461 45468 106797 67998 165138 23340) 119574 17 385350 1345186 8 _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113/94-37 Acórdão n ° : 105-12.625 423550 310648 374340 39-122 41E08 51808 42403 10~ 20378 1408714 83200 21866 206293 219640 30000 168376 97747 37893 55571 920780 54C93 174040 365894 74474 395036 87675 137775 4E6435 1757422 TOTAL 50.551.780 Assim sendo temos como comprovadas as obrigações relativas à LUMIÈRE no valor de Cz$ 190.950.915 correspondente a soma das parcelas de (vol.): 39.062.767 + 101.336.368 + 50.551.780 = 190.950.915 III. FONSECA PAES — Serviços Aduaneiros e de Comércio Exterior — os documentos de fol. 1.197 /1.210 nada comprovam em relação ao passivo registrado no valor de Cz$ 24.510.040,00. 3. PASSIVO FICTÍCIO referente a F. BARCELOS PUBLICIDADES LTDA supostamente pago em 30.12.88 através de AUTORIZAÇÃO PARA DÉBITO EM CONTA CORRENTE NO BRADESCO, conforme doc. de fls. 47 no valor de Cz$ 67.559.757. A citada autorização se refere a 06 (seis) duplicatas, incluindo a de n° 1561 no valor de Cz$ 4.825.614 que já teria sido quitada na tesouraria da empresa também em 30.12.88 ( f1.48-V ). A defesa alega e comprova, através do Aviso de Débito e do Extrato Bancário ( fls. 758/760 ) correspondente, que na realidade o débito em conta autorizado para 30.12.88 somente ocorreu em 02.01.89, dai a razão do passivo. Resta todavia a duplicidade de comprovação de pagamento da duplicata 1561. Segundo a recorrente, o primeiro pagamento não teria ocorrido na data registrada no seu verso, 30.12.88, na realidade teria existido apenas o pagamento constante no extrato bancário, mas nada comprova em relação a isso, assim sendo só me resta entender que, por um equivoco qualquer, efetivamente ocorreram dois pagamentos relativos à mesma duplicata. É isso que nos mostram os documentos. Esse fato caracteriza omissão de receita no valor do pagamento já realizado em 30.12.88. Assim dou provimento parcial a este item para exclui da base de cálculo do tributo o valor de Cz$ 62.734.143 ( 67.559.757 — 4.825.614). 9 11/ À MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113194-37 Acórdão n° : 105-12.625 Terminada a análise do recurso restaram excluídas de tributação as parcelas de: Cz$ 33.064.670,00 (erro de soma) + Cz$ 190.950.915,00 ( Lumière ) + Cz$ 62.734.143,00 ( F. Barcelos ). LANCAMENTOS REFLEXOS Feitas essas considerações passemos a examinar os aspectos específicos de cada lançamento reflexo. CONTRIBUICÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO A decisão singular já cancelou integralmente a exigência IRFONTE e FINSOCIAL Aqui a empresa não agrega qualquer fato ou argumento novo e específico relativos às exigências. Assim sendo, tal como ocorreu no IRPJ, dou provimento parcial ao recurso para afastar as mesmas parcelas ali quantificadas. PIS FATURAMENTO Aqui a tributação reflexa não merece prosperar uma vez que a Câmara, por unanimidade, já vem se pronunciando pelo cancelamento integral do auto de infração do PIS-Receita Operacional pelas seguintes razões: Embora o contribuinte não tenha alegado a inconstitucionalidade dos decretos-lei n°s 2.445/88 e 2.449/88 que instituíram o PIS/RECEITA OPERACIONAL, este fato deve ser considerado tendo em vista que a matéria já foi resolvida pela Resolução do Senado Federal n° 49/95 que suspendeu a execução dos citados DLs, e pela MP 1.175/95, Art.17, inc. VII, e suas republicações, que mandaram cancelar, de ofício, parte do auto de infração. Entendemos que com a suspensão da execução dos citados DLs, a contribuição para o PIS voltou a ser regida pela Lei Complementar n° 07/70, e pelas alterações ocorridas posteriormente, exceto os decretos-lei declarados inconstitucionais, portanto, as empresas prestadoras de serviços, voltaram a ser e,„4-00-70 to MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113194-37 Acórdão n° : 105-12.625 contribuintes do PIS-REPIQUE e as empresas comerciais contribuintes do PIS FATURAMENTO (até o advento de nova legislação). A partir desse entendimento fazíamos a comparação entre a contribuição lançada (Pis Receita operacional) e as modalidades efetivamente incidentes (Pis-Dedução, Pis-Repique e Pis-faturamento) chegando à conclusão que as duas primeiras seriam indevidas e dávamos provimento ao recurso pelos seguintes motivos: 1 - o auto de infração exigia do contribuinte, Prestador de Serviço, o PIS-FATURAMENTO ( na realidade receita operacional) ao invés do PIS-REPIQUE; 2 - com a exclusão dos DLs, a contribuição a que se sujeitaria a empresa, teria como base de cálculo o Imposto de Renda devido ou como se devido fosse no caso de isenção do IR, (PIS repique de valor idêntico ao PIS dedução) e não a receita operacional, como foi utilizado na constituição do crédito. 3 - na constituição do lançamento sob exame ficavam cumulativamente incorretos: o enquadramento legal, o período de apuração, a base de cálculo, a alíquota aplicada, o vencimento original para cobrança dos acréscimos legais, etc, portanto o mero ajuste à MP implicaria na modificação da natureza da contribuição. Quanto às empresas comerciais tínhamos o pensamento contrário porque entendíamos que a "forma' de tributação ( faturamento para receita operacional) teria mudado muito pouco, somente excluindo receita financeira quando existente, e reduzindo a aliquota, portanto, poderia perfeitamente ser aplicada a Medida Provisória apenas adequando o lançamento ao invés de cancelá-lo totalmente. Ora o Art. 17, Inc. VII da MP, e suas reedições, não faz essa distinção entre empresas comerciais e prestadoras de serviço, então, pelo principio da isonomia, passo a reconhecer que essa distinção é subjetiva e injusta. Em não podendo haver essa distinção subjetiva qual seria então a melhor solução? Entendo que este Tribunal pode resolver a delicada questão interpretando a MP também de forma restritiva mas não discriminatória. Ou seja, considerando que mudou completamente a forma de tributação, a parte do Auto de Infração que não tenha sido cancelado ex officio pela MP, teria que ser cancelada por este Conselho, nada obstando que outro auto de infração fos e lavrado na forma correta, desde que ainda não tenha decaído esse direito ti MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10880.019113194-37 Acórdão n° : 105-12.625 Esse é o procedimento correto. Observe-se que a MP dispõe apenas em relação à parte do Auto de infração que deve ser cancelada. Sobre a outra parte ela silencia, e em conseqüência resulta o seguinte: 1 - se a autuação tiver sido impugnada, os órgãos julgadores estão livres para decidir a respeito, não devendo qualquer obediência à lei nesta parte simplesmente porque nada há para ser obedecido, e 2- se a autuação não foi impugnada, essa parte, não cancelada por força da MP, será cobrada seguindo os trâmites normais, inclusive recurso judicial. Assim sendo, deve ser cancelado integralmente o lançamento relativo ao PIS-RECEITA OPERACIONAL. CONCLUSÃO: Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso ex officio e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1 — IRPJ, IRRF e FINSOCIAL - excluir da tributação as parcelas de: Cz$ 33.064.670,00 (erro de soma) + Cz$ 190.950.915,00 ( Lumière ) + Cz$ 62.734.143,00 ( F. Barcelos ). 2 - PIS — excluir integralmente a exigência. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 1998. j _ 41,1~a E5, • EREIRA NUNES 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N.°. :10880.019113/94-37 ACÓRDÃO N° : 105-12.625 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO JOSÉ CARLOS PASSUELLO, RELATOR DESIGNADO No presente processo, fui designado como Relator para proferir o Voto Vencedor uma vez que em dois itens houve divergência de entendimento sobre a forma de decidir. Quanto à quase totalidade do Voto do Ilustre Conselheiro Dr. Charles Pereira Nunes, concordo integralmente. A divergência, porém, pode ser medida no seguinte quadro sinótico: Matéria com tributação cancelada 33.064.670,0 190.950.915,00 62.734.143,00 conforme o Voto Vencido o Matéria com tributação cancelada 33.064.670,0 45.269.180,0 190.950.915,00 67.559.757,00 conforme Voto Vencedor O o Valores da divergência 45.269.180,0 4.825.614,00 o O primeiro valor, de Cz$ 45.269.180,00 refere-se a parcelas de débitos da empresa Excelsior S/A, e sobre ele, o Ilustre Relator assim se manifestou, no seu voto: *I. EXCELSIOR S/A - os doc. de fls. 1.075/1.116 referem-se às compras feitas em dez/88 cujos pagamentos o contribuinte pretende provar, através das AUTORIZAÇÕES DE DÉBITO EM C/CORRENTE no BRADESCO, terem sido realizados em janeiro/89. Ocorre que estas autorizaçõ s são documentos gerados pela própria empresa e o carimbo d Bradesco que nelas consta apenas comprova que a corres pondê a 01 recebida pelo banco, mas não MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N.°. :10880.019113/94-37 ACÓRDÃO N° : 105-12.625 comprova que o pagamento foi efetivamente feito em janeiro/89. Nego provimento ao recurso neste item Os documentos comentados efetivamente se revestem da forma de autorização para débito em conta corrente indicam claramente terem sido protocolizadas, em sua maioria, em janeiro de 1989 e nelas se indica o vencimento dos títulos, igualmente consignados com datas de 1989. Fica provado, nos autos, que os compromissos inclusos no presente item, tem seus vencimentos em janeiro de 1989. A fiscalização, diante de dificuldades da comprovação dos efetivos pagamentos em janeiro, considerou estarem constando indevidamente no passivo da empresa em 31.12.88. Me encontro entre a presunção, posta pela fiscalização, de que os compromissos foram pagos antecipadamente (vencimentos de janeiro de 89 teriam sido pagos antes de 31.12.88) sem qualquer prova efetiva de tal acontecimento e, da possibilidade de terem sido pagos no vencimento, conforme autorização para débito em conta corrente. É, no meu ver, mais lógico aceitar que os compromissos foram pagos no vencimento ou mesmo após ele e não que tenham sido liquidados antecipadamente, mesmo que nenhuma das duas posições apresente prova concreta. Já, o segundo valor, de Cz$ 4.825.614,00, correspondente a parte do montante de Cz$ 67.559.757,00, está assim referenciado no Voto do Ilustre Relator: '3. PASSIVO FICTÍCIO referente a F. BARCELOS PUBLICIDADES LTDA supostamente pago em 30.1 ;9. revés de AUTORIZAÇÃO PARA DÉBITO EM CONTA r ORR NTE NO BRADESCO, conforme doc. de fls. 47 no valor. - z$ 67.559.757. YNI l'\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N.°. :10880.019113/94-37 ACÓRDÃO N° : 105-12.625 A citada autorização se refere a 06 (seis) duplicatas, incluindo a de n° 1561 no valor de Cz$ 4.825.614 que já teria sido quitada na tesouraria da empresa também em 30.12.88 ( t1.48-V ). A defesa alega e comprova, através do Aviso de Débito e do Extrato Bancário ( t1s. 758/760) correspondente, que na realidade o débito em conta autorizado para 30.12.88 somente ocorreu em 02.01.89, dal a razão do passivo. Resta todavia a duplicidade de comprovação de pagamento da duplicata 1561. Segundo a recorrente, o primeiro pagamento não teria ocorrido na data registrada no seu verso, 30.12.88, na realidade teria existido apenas o pagamento constante no extrato bancário, mas nada comprova em relação a isso, assim sendo só me resta entender que, por um equívoco qualquer, efetivamente ocorreram dois pagamentos relativos à mesma duplicata. É isso que nos mostram os documentos. Esse fato caracteriza omissão de receita no valor do pagamento já realizado em 30.12.88. Assim dou provimento parcial a este item pata exclui da base de cálculo do tributo o valor de Cz$ 62.734.143 ( 67.559.757 — 4.825.614). Terminada a análise do recurso restaram excluídas de tributação as parcelas de: Cz$ 33.064.670,00 (erro de soma) + CzS 190.950.915,00 ( Lumière ) + Cri 62 734.143,00 ( F. Barcelos )." O débito efetivado na conta corrente n° 9750-0 do Banco Bradesco, fls. 759, me parece, ser prova mais robusta do que a simples quitação formalizada no verso de duplicata, que pode ser firmada provisoriamente e sem comprovação de efetiva transferência financeira. Assim, no cotejo de provas, refiro aquela de fls. 759, entendendo ser a sua data a data do efetivo pagamento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N.°. :10880.019113/94-37 ACÓRDÃO N° : 105-12.625 Dessa forma, voto por excluir de tributação as parcelas de Cz$ 45.269.180,00 e Ca 4.825.614,00, além daquelas já consideradas pelo Ilustre Relator, no voto vencido. Sala das Sessões - DF, em 10 de novembro de 1998. Q fr3,/~.4- JOSÉ 11 RLOS PASSUELLO Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1
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Numero do processo: 00006.650120/51-79
Data da sessão: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 1981
Numero da decisão: CSRF/01-00.010
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Cons. Wagner Gonçalves e Urgel Pereira Lopes.
Nome do relator: Fernando Cicero Velloso
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Numero do processo: 16327.002089/2005-19
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF
Período de apuração: 22/12/2000 a 16/01/2001
IOF - CÂMBIO - OPERAÇÕES COM T-BILLS. INCIDÊNCIA
O tipo tributário do IOF-Câmbio não restringe a incidência do imposto à entrega física de moeda estrangeira ou nacional, tampouco exige que haja liquidação de contrato de câmbio. O campo de incidência é mais amplo e alcança as operações em que a entrega da moeda é feita por meio de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado. Inegavelmente, T-Bills são títulos representativos de moeda estrangeira. Sua compra e venda, portanto, configura operação de câmbio, tributada por esse imposto federal. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades).
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-001.863
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento e, ainda, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardozo, que dava provimento parcial quanto à multa. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido de votar. Designado para o redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antônio Lisboa Cardoso participaram do julgamento em substituição aos Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que se declararam impedidos de votar.
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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INCIDÊNCIA O tipo tributário do IOFCâmbio não restringe a incidência do imposto à entrega física de moeda estrangeira ou nacional, tampouco exige que haja liquidação de contrato de câmbio. O campo de incidência é mais amplo e alcança as operações em que a entrega da moeda é feita por meio de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado. Inegavelmente, TBills são títulos representativos de moeda estrangeira. Sua compra e venda, portanto, configura operação de câmbio, tributada por esse imposto federal. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento e, ainda, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardozo, que dava provimento parcial quanto à multa. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido de votar. Designado para o redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antônio Lisboa Cardoso participaram do julgamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 89 /2 00 5- 19 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 em substituição aos Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que se declararam impedidos de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Marcos Tranchesi Ortiz, Júlio César Alves Ramos, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório O presente Recurso Especial de Divergência (fls. 285/330) intentado pelo sujeito passivo é destinado contra o Acórdão de nº 202.18.236 de 15.08.2007, fls. 257/275, em razão de imposição tributária exarada por ausência de recolhimento do IOF face à suposta operação de câmbio representada por aquisição no Brasil e posterior cessão para subsidiária no exterior, de Bilhetes do Tesouro Norte – Americano (T Bills), tendo sido aplicada multa qualificada de 150% por entendimento da existência de simulação. Destaca ser a ora Recorrente sucessora da empresa que realizou ditas operações e ainda que as mesmas, objeto do Auto de Infração, não podem ser consideradas fraudulentas já que todos os procedimentos foram levados a efeito de forma clara, sem intuito de dolo ou fraude e, mesmo assim, a E. Segunda Câmara, do então Segundo Conselho de Contribuintes manteve a autuação com fulcro nos seguintes fundamentos: “IOF – CÂMBIO. As transferências financeiras compreendem os pagamentos e os recebimentos em moeda estrangeira, independentemente da forma de entrega e da natureza das operações. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhece perfeitamente o passivo da incorporada. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Constatado e provado pela fiscalização que a operação realizada frustrou a caracterização do fato gerador do tributo, cabível a aplicação da multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso negado” Mesmo que a concessão de admissibilidade tenha se restringido a incidência do IOF e a responsabilidade tributária pela multa punitiva da empresa sucessora, não sendo admitido o Recurso quanto a imposição da multa qualificada, a Recorrente, mesmo assim, Fl. 649DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 606 3 articula argumentos, também sobre esse último aspecto o que torna necessário examinar quando das razões de decidir. Reedita os fundamentos materiais que, de forma individualizada, serviram de base para a impugnação e recurso voluntário, comparativamente ao acórdão recorrido quanto aos temas que inauguraram o lançamento. Estabelece comparativos analíticos divergentes entre os tópicos do Acórdão recorrido e paradigmas jurisprudenciais, iniciando sobre a incidência ou não do IOF, quando argui que o entendimento adotado pela decisão ora recorrida não se coaduna com a jurisprudência da E. Segunda Turma da CSRF (fl. 292) que em recente julgado, sobre a matéria, assim se posicionou: “IOF – CÂMBIO. AQUISIÇÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA ESTRANGEIRA E POSTERIOR VENDA A EMPRESAS NACIONAIS COM PAGAMENTO EM REAIS. FATO GERADOR. O fato gerador do IOF câmbio é a troca de moedas. Se os títulos custodiados no exterior foram vendidos dentro do país em moeda nacional inexistiu não só o câmbio, mas também o fato gerador do IOF – câmbio.” Registra ainda que o Acórdão 20177.174 (fl. 295) afasta as premissas da decisão recorrida quanto a necessidade de controle do Banco Central do Brasil e a existência de operação de câmbio concluindo que as operações realizadas são válidas e eficazes do ponto de vista do direito civil. Quanto a multa de 150% (fl. 297) alega que tendo a decisão recorrida admitido a existência de frustração da caracterização do fato gerador do IOF tornando cabível a multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, agiu em dissonância com a posição prevalecente desta CSRF e do CARF que considera a multa qualificada como sendo medida excepcional e somente podendo ser aplicada em situações extremas e quando ficar inequivocamente comprovada a existência de dolo na conformidade do V. Acórdão paradigma RP 137285 (fl. 297). Relativamente à extensão da multa à sucessora, transcreve duas decisões que oferecem divergência sob o fundamento de que a multa punitiva não deve ser incluída na responsabilidade tributária do sucessor porque somente responsável pelo tributo. Quanto ao mérito inicia por defender a não incidência do IOF, a partir do argumento de promover importação diversas matérias primas para o desempenho da atividade petroquímica à qual se une a diversas empresas entre as quais as incorporadas OPP Petroquímica S. A e a OPP Polietilenos S.A e que para desonerarse de preços e celebrar acordos de fornecimento de insumos no mercado internacional, mantém subsidiárias no exterior denominadas Lantana Trading Company e PSA Trading AVV. Em razão desse perfil operacional alega a necessidade de recursos através do tempo e, dentre as captações, foi levado a efeito pelas incorporadas aquisição e pagamento no Brasil em moeda brasileira de títulos do tesouro Americano denominados T – Bills. O fruto dessas aquisições foi transferido pelas incorporadas para a Lantana e PSA objetivando a venda dos mesmos no mercado externo recebendo em dólares o resultado da comercialização o que foi efetivado pelo banco responsável pela custódia dos títulos, Crédit Fl. 650DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Lyonnais Uruguay S.A. , sendo assim, atingido o objetivo da necessária capitalização das empresas para a concretização de seus objetivos. Destaca não existir nenhuma etapa da operação de compra, cessão e venda desses títulos que não esteja regularmente documentada e contabilizada. Rebate veementemente o entendimento do Acórdão recorrido quanto a artifício para mascarar uma suposta operação de câmbio isto caracterizado pela ausência de registro da operação no Banco Central do Brasil, configurando a materialização do câmbio ilegítimo, suscetível à tributação do IOF mesmo não ocorrendo troca de moedas,em face da transferência financeira. Transcreve o art. 63, II, do CTN e oferece lição do Prof. Carvalho de Mendonça para definir câmbio como sendo o poder que tem a moeda de um país para adquirir moeda de outro, in verbis: “O dinheiro como mercadoria tem o seu valor, o seu custo e o seu preço; é suscetível de propriedade e posse e constitui um ramo especial de comércio denominado câmbio, onde figura como objeto de especulação”. Com base nesse entendimentos afirma que in casu não ocorreu operação de câmbio por inexistir compra de moeda estrangeira ou oferta de moeda nacional, ao contrário, a Recorrente adquiriu no Brasil, títulos da dívida pública norte – americana efetuando pagamento em reais com depósito numa conta corrente brasileira da empresa detentora dos títulos, tudo caracterizando aquisição de títulos de crédito. Em seguida, continua, a propriedade dos títulos foi transferida para subsidiárias da Recorrente no exterior, que por sua vez, venderam os títulos em dólares a própria instituição financeira que mantinha a custódia dos títulos desde o início da operação, com isto, não ficando caracterizada a entrega de moeda (fl. 305) para receber em troca valores equivalentes e também não efetivou a entrega de documento que represente moeda nacional ou estrangeira, haja vista que T – Bills são títulos representativos da dívida pública norte – americana, com natureza jurídica de títulos de crédito e não títulos que representem moeda nacional ou estrangeira. Oferece lições de Waldirio Bulgarelle, Tulio Ascarelli e Cesare Vivante, in verbis: “A criação ou emissão de um título de crédito – direito corporificado em um documento – gera obrigação a bem dizer objetiva, desde que circule, isto é, seja transferido pelo beneficiário original. É como se o devedor, ao emitir o título, tivesse assumido uma dívida impessoal, obrigado a pagar a quem lhe apresentar o título, portanto, sem titular determinado.” O trabalho sobre título de crédito se elastece abrangendo definições de cartularidade, autonomia e literalidade para concluir que os T Bills pertencem a categoria de títulos de crédito por preencherem as características contidas nessas definições. Exercita pontos de vista de professores de Economia para sustentar que os T Bills e os títulos de crédito em geral correspondem a uma quase – moeda e não uma moeda (fls. 308/309), contrapondose ao Acórdão recorrido ao pontificar que poderiam ser documento que represente moeda nacional ou estrangeira. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 607 5 Lança mão do Acórdão nº 20215948 da relatoria do Consl Marcelo Meyer – Kozlowski para sustentar o afastamento da incidência do IOF in casu que decidiu restar caracterizada a hipótese de incidência desse tributo quando do ingresso no País de moeda estrangeiro ou a remessa de divisas para o exterior restando assim inalcançados os títulos ora em discussão posto que foram adquiridos com pagamento em reais via cheque do Banco Bradesco S. A. e vendidos por empresas controladas em dólar no exterior, inexistindo troca de moedas. Diz que, indiscutivelmente, no presente caso não houve ingresso ou saída de divisas do Brasil, o que seria necessário para a existência da obrigação tributária. Enfrenta as alegações quanto ao controle do Banco Central e conseqüente ilegitimidade de operação de câmbio afirmando que essa ocorrência é de alçada exclusiva do órgão monetário não podendo a Receita Federal se envolver com esse mister isto reconhecido no auto de infração que determinou a expedição de ofício para constatação ou não de eventual averiguação de anormalidade cambial, o que não foi feito. Continua dizendo inadmissível que uma imposição tributária esteja lastreada em suposto ilícito cambial não examinado pelo órgão e autoridades competentes como reverbera o Acórdão nº RP 201121.510, indicado como paradigma, que afasta a tributação de IOF em caso semelhante ao destes autos, in verbis(Fl. 312) “IOF. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA ESTRANGEIRA E POSTERIOR VENDA DELES A EMPRESAS BRASILEIRAS, COM PAGAMENTO EM REAIS, SEM REGISTRO NO BANCO CENTRAL DO BRASIL. ALEGAÇÃO DE ILÍCITO CAMBIAL. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.” Conclui esse tópico dizendose completamente preparada para demonstrar ao BACEN a inocorrência de irregularidade e rechaça fortemente que a Fiscalização fazendária federal detenha competência para regular a atividade cambial.(Fl. 313) Aborda a aplicação de alíquota, meramente para exercitar o debate, caso houvesse operação de câmbio, chamando a baila o Decreto 2.219/97 que aprovou o Regulamento do IOF vigente à época das operações sob comento, para comprovar que a alíquota do imposto seria zero nas transferências financeiras do exterior e para o exterior nos casos em que não houvessem, alíquotas específicas na conformidade da alínea e) do § 2º do art. 14. O Fisco, no entanto, utilizou o disposto no art. 15 do Decreto 2.219/97 para aplicar a alíquota de 25% sobre as operações em apreço entendendo ter havido descumprimento de condições para usufruimento da alíquota zero. Rebate firmemente a ocorrência de operação cambial e, sendo assim, afirma que não haveria nenhuma condição a seguir já que a transferência de titularidade dos TBills deuse mediante simples comunicação ao Credit Lyonnais Uruguay S. A., instituição financeira custodiante. Quanto à multa qualificada levada a efeito, segundo o entendimento do Fisco, em razão de que teria sido frustrado a ocorrência do fato gerador porque à margem do controle do Banco Central, alega a Recorrente que essas constatações não passam de meros indícios que Fl. 652DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 nada comprovam e se não comprovam não podem servir de base para imposição de multa qualificada com base in inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Transcreve o item 11 do Relatório Fiscal, in verbis(item 94 fl.318) “se fosse possível provar a inexistência dos T – Bills, como já aconteceu em outros casos semelhantes examinados pela Receita Federal, ficaria evidente que a operação como um todo é uma fraude. Nos casos aqui relatados, porém, todos os documentos expedidos pelos envolvidos fazem referência, até onde esta Auditoria pôde apurar, a títulos existentes.” Continua afirmando que não houve dolo e nem comprovação inequívoca nesse sentido assim, fica claro que a acusação de prática de simulação fundase apenas na presunção de que as operações teriam tido as características de câmbio atípicas e ilegítimas visando o não pagamento do IOF, o que não restou comprovado, apenas presumido. Destaca que a Recorrente e as empresas que realização as operações, não impediram nem retardaram o fato gerador da obrigação tributária e não modificaram suas características essenciais, ao contrário, tudo se processou com transparência e idoneidade, revestido de contabilização legal. Desenvolve argumentos sobre a desconsideração de ato jurídico, transcrevendo o art. 149 do CTN e exertos dos Acórdãos 0101.857, de 15.05.95 e 10194.340 de 09.09.2003, da relatoria do Cons. Walmir Sandri (fl. 321) para amparar o entendimento de que um negócio jurídico não pode ser desconsiderado como válido apenas porque haveria uma forma pela qual o Fisco entende que deveria ter sido feito. Encerra esse tópico afirmando que o fato de adquirir TBills no País e cede los às suas subsidiárias estrangeiras, que os comercializaram no mercado externo, não representou afronta à legislação vigente o qualquer dano ao Erário, até mesmo porque se por acaso as operações fossem alcançadas pelo IOF na modalidade câmbio, deveria ser aplicada a alíquota zero com base no artigo 14, § 2º, alinea “e”, do Decreto 2.219/97, que regulava a matéria na época. Rebate os argumentos do Fisco para a imposição da multa qualificada alegando também não configurado a existência de fraude o que acarreta a debilidade da imposição que não poderia se louvar no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 por total ausência de intuito fraudulento. Finalmente pleiteia o afastamento das multas em razão da sucessão, na remota hipótese de manutenção da exigência fiscal e da decisão ora recorrida com base no artigo 128 do CTN que reverbera ser somente a lei competente para responsabilizar pelo pagamento de obrigações tributárias, quer na condição de contribuinte quer na de responsável e ainda, referese ao artigo 132 do mesmo CTN para infirmar a imposição de multa à Recorrente como incorporadora uma vez que não responde por ela quando o ato for praticado pela incorporada cujas formalidades de incorporação se deram anteriormente a lavratura do auto de infração. Reitera que é descabida a imposição de multa em razão de supostas infrações praticadas por antecessoras e transcreve decisões deste Conselho e do E. STF. (fls. 327/328). É o relatório. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 608 7 Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Este Recurso Especial de Divergência restringese a enfrentar imposições tributárias relativas a incidência de IOF em operações com Títulos do Tesouro Americano – T Bills; responsabilidade tributária por multa punitiva à empresa sucessora. e, caso admitido por este Colegiado, a aplicação de multa qualificada na hipótese de existência de dolo ou fraude. Nas fls. 452/456 o Despacho nº 202538 reconhecendo a tempestividade do Recurso e a divergência quanto a materialização de operação de câmbio e quanto a responsabilidade de sucessora pela multa punitiva. Relativamente à multa qualificada, em si, entendeu o examinador da admissibilidade não existir nos Acórdãos ofertados coincidência com os fatos, impossibilitando comparação para a dedução de divergência. Com as vênias de estilo, dessinto do Ilustre Presidente da Segunda Câmara de então quanto a não existência de divergência entre o Acórdão recorrido e os paradigmas ofertados, relativamente à multa qualificada. Afirmo isto porque ambos divergentes tratam do objeto divergencial que é a aplicação da multa qualificada, não sendo necessário que o paradigma privilegie a espécie em prejuízo do gênero quando esse mesmo gênero trata com especificidade da ocorrência em relação à matéria. "MULTA QUALIFICADA DE 150% LEI 9430/96, ART. 44, H – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO A hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de evidente intuito fraude em que tenha sido tipificada a ação em um dos institutos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/94, e desde que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente.”(CSRF/0105.481) Fl.. 454 – Despacho de Admissibilidaade). “MULTA QUALIFICADA. A aplicação de multa qualificada decorre de evidente intuito de fraude, o qual deve ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos, bem assim a precisa capitulação da conduta. A mera presunção não autoriza a incidência de multa majorada.”(20180.316) (Fl. 454 Desp. Admissibilidade. De outra banda, para mim, não ficou comprovado nos autos o dolo alegado pelo examinador da admissibilidade, mesmo que com fundamento na decisão recorrida que referese a frustração da caracterização do fato gerador do tributo. Sr. Presidente, submeto ao Colegiado meu posicionamento no sentido de considerar divergentes os paradigmas apresentados pela Recorrente quanto à multa qualificada e, consequentemente, incluir o tema no presente julgamento. Enfrento agora a materialização ou não do fato gerador do Imposto sobre Operações Financeiras em face da aquisição de Títulos da Dívida Pública Americana, conhecidos como TBills. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 A Braskem S. A., ora Recorrente, é incorporadora de OPP PETROQUÍMICA S.A. que adquiriu títulos da Parmalat Participações do Brasil Ltda., antes de ocorrida dita incorporação. Constato na fl. 20 o envio pela Recorrente, de cópia de cheque administrativo emitido pelo Bradesco por ordem de OPP Petroquímica S. A. em favor da Parmalat e, bem como, cópias dos registros contábeis da operação (Razão e Diário) e cópia do Contrato de Compra e Venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos entre OPP e Parmalat e, bem como, cópia da confirmação das operações, expedida pelo Banco Credit Lyonnais e na fl. 30 o envio de cópia da confirmação das operações expedida por esse Banco. Na fl. 33/34 a Recorrente apresenta cópia de solicitação da OPP relativa a transferência de titularidade dos TBills para sua subsidiária Lantana Trading Company; cópia do contrato de compra e venda por meio do qual Lantana vende os TBills ao Banco Credit Lyonnais;cópia da ata de Assembleia Geral Ordinária de 30.04.99 dos acionistas da OPP bem como Ata de Reunião de Conselho de Administração da OPP que identifica a Diretoria da Sociedade à época da operação. Assim, inicialmente, os atos envolvendo as transações dos títulos estão, de fato, com os registros legais indisfarçavelmente materializados, isto reconhecido pela própria Auditoria Fiscal, como mencionado no relatório, in verbis: (item 94 fl. 318)“se fosse possível provar a inexistencia dos T – Bills, como já aconteceu em outros casos semelhantes examinados pela Receita Federal, ficaria evidente que a operação como um todo é uma fraude. Nos casos aqui relatados, porém, todos os documentos expedidos pelos envolvidos fazem referência, até onde esta Auditoria pôde apurar, a títulos existentes.” Vou agora na direção de saber se no cenário que cuidamos aqui, restou caracterizado o ingresso de moeda estrangeira no Brasil ou saída de valores do nosso País para o exterior mesmo que por via de documento que represente moeda nacional ou estrangeira, porque somente por essas vertentes, materializarseá o fato imponível do tributo lançado. Sem dúvidas, para mim, que os atos praticados com a aquisição de títulos americanos no Brasil e sua transferência para subsidiária no exterior não caracterizaram, formalmente, compra e venda de moedas. Senão vejamos: Os atos configurados pela moeda brasileira como propiciadora da aquisição dos títulos e pela moeda americana representando literalmente os valores desses mesmos títulos, não podem ser confundidos com um contrato de compra e venda de moedas, onde as transferências monetárias se caracterizariam explicitamente no conteúdo do texto contratual. No exame dos autos não se constata o ingresso ou saída de divisas do Brasil, assim, as operações com títulos de créditos legais e suas transferências entre empresas de um mesmo grupo empresarial, como in casu, procedendo os titulares com todos os registros possíveis, tornando o negócio jurídico explícito e comprovável ao menor exame, não pode ter o condão de frustrar a ocorrência de fato gerador, caso existisse. De fato, admitirse materialização de câmbio em face da aquisição de títulos públicos e suas transferências para empresas dos mesmos acionistas é violentar os ditames contidos nas leis que regem a matéria ainda mais quando, a moeda estrangeira foi transmitida Fl. 655DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 609 9 no exterior e não para contribuinte do imposto no Brasil, restando claro a ausência de ingresso de valores decorrentes das operações sob comento no caixa da ora Recorrente. Enfrento agora a possibilidade de responsabilização de incorporadora quando o ato de incorporação se deu após o lançamento tributário que se cuida aqui. A decisão recorrida referese ao conhecimento da Recorrente (incorporadora) de todo o passivo da incorporada o que – de fato – é pertinente haja vista que os indispensáveis levantamentos de créditos e débitos para efeito de incorporação foram levados a efeito, no entanto, o lançamento pelo órgão da fiscalização ainda não havia sido realizado e, a incorporadora ora Recorrente, deve ter conhecido das operações com T Bills entendendoas legais e sem necessidade de provisão para efeitos futuros. Portanto o contido no Acórdão recorrido asseverando que a incorporadora “conhece perfeitamente o passivo da incorporada” não informa corretamente o comportamento gerencial no momento da incorporação porque – como já mencionado – naquele momento nenhum lançamento fiscal havia sido feito e as operações com T Bills devem ter sido consideradas legais e normais. E, finalmente, quanto a qualificação da multa imposta a Recorrente, verificarei primeiramente a ocorrência ou não de que a operação realizada frustrou a caracterização do fato gerador do tributo. É necessário para tanto, que fique demonstrada a ilegitimidade e ilicitude dolosa da operação, evidenciando o intuito de fraude.. Sobre esse tópico parto da premissa que, se todos os elementos caracterizadores da operação foram explicitamente formalizados pela Recorrente, isto reconhecido na ação fiscal no item 94 fl. 318 acima transcrito, não tenho como conceber a existência de fraude embutida nos procedimentos objeto deste processo. Com base nesses fundamentos, voto pelo provimento do Recurso por entender inexistente o fato gerador do IOF e, consequentemente, para afastar as multas aplicadas. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado As matérias devolvidas a este Colegiado cingemse à incidência do IOF sobre as operações com TBills, e à responsabilidade da sucessora por multa punitiva referente à infração cometida antes da Sucessão. No tocante à qualificação da multa, muito embora a matéria tenha sido objeto do recurso especial do Sujeito Passivo, esta não logrou seguimento no exame de admissibilidade realizado pelo presidente da câmara recorrida, e confirmado pelo presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em despacho irrecorrível (fls. 589 e 590), proferido em sede de agravo de reexame interposto pelo Sujeito Passivo. Assim, não cabe a este Colegiado manifestarse sobre essa matéria, posto não haver sido ela devolvida à exame nesta instância uniformizadora. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Diante do exposto, divirjo do nobre relator, e rejeito, liminarmente, o conhecimento do recurso no tocante à parte do recurso que não logrou seguimento no reexame de admissibilidade realizado pelo presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em relação às matérias conhecidas, também peço licença ao Insigne Relator para dele divergir, pelas razões a seguir expostas. No tocante à incidência do IOF nas operações com TBills, a matéria foi por mim examinada quando do julgamento do Recurso Especial 236.885, apresentado por Colgate – Palmolive Indústria e Comércio, na Sessão Plenária de 31 de janeiro de 2012. Devido a perfeita similitude da matéria lá examinada com a aqui sob exame, transcrevo, na íntegra, as razões do voto condutor daquele julgamento: A teor do relatado, a matéria devolvida a este Colegiado cinge se a da questão da incidência de IOF câmbio sobre as operações com TBills (compra e venda de títulos da dívida pública norte americana – United States Treasury Bills – TBills) realizadas pela autuada. Segundo a acusação fiscal, essas operações configurariam operações de câmbio atípicas, não usuais, isto é, que teriam por objetivo a troca de moedas, com o propósito, para uns, de prover uma origem para o ingresso de reais em contas bancárias no Brasil, e para outros, de servir de instrumento para mandar dólares para o Exterior. Para melhor compreensão das operações objeto da autuação sob exame, transcrevese excerto do Termo de Encerramento de Fiscalização onde essas operações são descritas analíticamente.. Nas operações com TBills, os partícipes agem articuladamente, realizando sucessivas compras e vendas, de modo a dissimular a natureza cambial dos negócios. 5) Em conseqüência, para uma melhor compreensão de tais negócios, impõese a análise do papel desempenhado por cada empresa interveniente num conjunto, que começa com a compra de TBills junto a um determinado banco no Exterior até a sua revenda a este mesmo banco. 6) Nas operações ora em comento, o banco interveniente é o Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A, que se proclama representante do Crédit Lyonnais New York. Este último aparece como a instituição que, na condição de custodiante, está legalmente habilitada pela legislação norteamericana a transferir a titularidade dos TBills a seus adquirentes, ainda que tal titularidade tenha durado, nos casos em tela, menos que um dia, na verdade uns poucos instantes para cada interessado se é que em algum momento chegou a haver essa transferência no banco norteamericano. 7) Seja como for, o Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A dá a entender estar em condições de encaminhar as mudanças em Nova York. Pelo menos, comunicou em cartas endereçadas a alguns dos ora autuados ter recebido instruções para transferir os TBills nelas identificados da empresa A para a empresa B. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 610 11 8) Além do Crédit Lyonnais, as operações contam com pelo menos mais dois atores: o primeiro negociou os TBills diretamente ou através de uma vinculada sediada no Exterior; o segundo adquirente no Brasil compra os TBills do primeiro e os revende, em geral no mesmo dia (diríamos até que no mesmo instante) diretamente ou através de vinculadas. Nos pólos inicial e final, figura sempre o mesmíssimo Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A. ........................................................................................................ 18) Mais importante, porém, é perceber que os "purchase agreements", referenciados aos TBills, funcionam apenas como um artifício, um instrumento, para realizar o negócio efetivamente desejado e, afinal realizado pelos contratantes: uma operação de câmbio. 19) Nos momentos em que a operação revela a sua verdadeira natureza cambial, aí sim o dinheiro aparece; os mútuos arranjados com vinculada, como forma de esconder a origem do primeiro "purchase agreement" cedem espaço a depósitos bancários, de reais no Brasil, e de dólares, em uma conta no Exterior. 20) O crédito em dólares no Exterior pode ter sido efetuado não diretamente na conta de quem pagou os reais ao primeiro comprador, mas de uma empresa Vinculada que acaba produzindo efeito oposto ao desejado, na medida em que reforça o caráter de conluio para impedir que toda a operação pareça ser o que verdadeiramente é. 21) A aparente perda em dólares observada entre o primeiro e o segundo "purchase agreements" tornase então explicável, como sendo a comissão paga ao banco, por ter efetuado o câmbio. ........................................................................................................ 27) Nos negócios objeto do presente auto de infração, as sucessivas compras de TBills produzem os mesmíssimos efeitos de operações de câmbio, realizadas fora de instituição legalmente habilitada: o primeiro comprador dos TBills formalizava o ingresso no País de contrato representativo de certa quantidade de moeda estrangeira que já estava no Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A. O valor correspondente em reais, base cálculo do imposto do 10F, é depositado na conta bancária da empresa no Brasil pelo adquirente seguinte das TBills. Simultaneamente, a quantia correspondente em dólares tornase disponível para quem efetua a venda ao Crédit Lyonnais. 28) Tratase de operação de câmbio atípica, que envolve a um só tempo dois bancos: um, dentro do país, que não precisa estar informado sobre estar sendo utilizado como um instrumento para a transformação da moeda estrangeira em reais; o segundo, situado fora do Brasil, está evidentemente fora do sistema financeiro nacional, e assim qualquer contribuinte sujeito à lei Fl. 658DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 brasileira está impedido de utilizar os seus serviços para promover a entrada e/ou a saída de moeda no ou do País. Resumindo as operações objeto da autuação, temse que: I Sociedade empresária, sediada no exterior Colgate Palmolive Company é detentora de direito ao recebimento de mútuo antes realizado com sociedade empresária estabelecida no Brasil, que tem o dever de pagar a obrigação objeto desse contrato, o qual foi estabelecido em moeda estrangeira: dólar norteamericano. II A Sociedade empresária brasileira tem disponibilidade em Reais e precisa quitar a dívida em dólares. O procedimento normal seria o de a sociedade empresária brasileira realizar contrato de câmbio com instituição financeira brasileira, entregarlhe reais, e essa instituição financeira, então, se encarregaria de entregar dólares à sociedade empresária no exterior, para com isso quitar a dívida. Todavia, não foi isso o que aconteceu, no caso sob exame. Engendrouse operações casadas de compra e venda (tanto em reais, quanto em dólares) de TBills e de transferência de titularidade de T Bills, com a intervenção de instituição financeira sediada no Uruguai. O procedimento básico consistiu no seguinte: Inicialmente, o banco Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A dizse titular e custodiante de TBills e se uniu a Sociedades empresárias: uma no exterior (Colgate Palmolive Corporation) e duas no Brasil (Parmalat Participações do Brasil Ltda e Colgate Palmolive Indústria e Comércio Ltda.), sendo que: I. O banco uruguaio vende T BILLS (no valor de face de US$ 5.466.180,00, por US$ 5.400.000,00) à Parmalat Participações do Brasil Ltda (em 8 de janeiro de 2001). Vide documento de fls.264 a 266. Nesse mesmo dia, a Parmalat Participações do Brasil Ltda. vende os TBILLS à sociedade empresária Kolynos do Brasil Ltda. antiga denominação de Colgate Palmolive Indústria e Comércio Ltda., pelo preço de compra em dólares norteamericanos convertidos em moeda nacional, pelas taxas praticadas no mercado de taxas flutuantes. Nessa data, a Kolynos pagou à Parmalat R$ 11.186.487,09 referente à conversão dos US$ 5.400.000,00 pertinente aos TBILLS por ela adquiridos. II. Uma vez detentora da titularidade desses TBILLS, a Kolynos do Brasil Ltda. No mesmo dia em que adquiriu a disponibilidade da moeda estrangeira representada pelos Títulos do Tesouro Americano (TBILLS), a transfere para sua matriz americana, a Colgate Palmolive Company, para quitação de contrato de mútuo. Esta companhia americana, nessa mesma data, 8/01/2001, após lhe ser transferida a titularidade dos TBILLS pela Kolynos brasileira, os revende ao Banco uruguaio. Repare que, nesse caso, haveria tributação de operação de câmbio, mas para evitar a formalização do contrato de câmbio é Fl. 659DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 611 13 realizado o seguinte procedimento, em um único dia (8 de janeiro de 2001): (1) O Banco Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A custodiante de T BILLS vende os TBILLS à Parmalat , recebe o dinheiro em moeda estrangeira e fica custodiando o título em da compradora; (2) A Parmalat Participações do Brasil Ltda vende os TBILLS à Kolynos do Brasil Ltda., mediante ordem de alteração de titularidade, dada ao banco custodiante; (3) A Kolynos do Brasil Ltda., nova detentora dos TBILLS, mediante ordem de alteração de titularidade, dada ao banco custodiante, transfere os TBILLS à Colgate Palmolive Company; Com isso, a empresa brasileira quita sua dívida para com a matriz americana. (4) A Colgate Palmolive Company, nova detentora dos TBILLS, os vende ao Banco uruguaio, por US$ 5,375.194,31, cujo valor de face perfaz a quantia de US$ 5.466.180,00. Documento de fls. 289 a 291. Todas essas operações ocorrem simultaneamente: A titularidade dos TBILLS passa do Crédit Lyonnais (Uruguay) S/A., para a Parmalat Participações do Brasil Ltda., permanecendo os títulos sob custódia do banco uruguaio. Ato contínuo, os títulos são vendidos para Kolynos do Brasil Ltda. que passa a ser a nova titular desses Títulos do Tesouro Americano. Em seguida, transfere a titularidade dos TBILLS para a Colgate Palmolive Company, que, no mesmo instante, os transfere para o Banco Uruguaio. Assim, no mesmo dia, a titularidade dos TBILLS deixa o banco Uruguai e passa para uma sociedade brasileira que a transfere para outra, também sediada no Brasil, vai para um companhia dos Estados Unidos e retorna, no mesmo, momento ao banco uruguaio. O resultado Financeiro, também, simultâneo, é o que se segue: O Banco uruguaio transfere título representativo de moeda estrangeira (US$ 5.400.000,00 para a Parmalat Participações do Brasil Ltda., em forma de Títulos do Tesouro Americano, cujo valor de face representa US$ 5.466.180,00. Esses títulos (representativos de moeda estrangeira), no mesmo instante, são vendidos pela Parmalat para a Kolynos do Brasil Ltda antiga denominação de Colgate Palmolive Indústria e Comércio Ltda., por R$ 11.186.487,09. Assim, a Parmalat que detinha disponibilidade em moeda estrangeira a troca por moeda nacional, e a Kolynos que dispunha de moeda nacional a troca com a Parmalat e passa a ser detentora de disponibilidade em moeda estrangeira. Em seguida, transfere essa disponibilidade em moeda estrangeira para a Colgate Palmolive Company, sediada nos Estados Unidos da América, que revende esses títulos ao banco Uruguaio por US$ 5.375.194,31. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 Para melhor visualização das operações acima transcritas, veja se a representação gráfica a seguir. Diversas outras operações foram realizadas com a Construtora Andrade Gutierrez e, também com a Carital Brasil Ltda. no papel da Parmalat Participações do Brasil Ltda., permanecendo os demais atores representando os mesmos papéis que os da operação acima relatada. Identificadas, passo a passo, as operações em que a autuada adquiriu as TBILLS (Títulos representativos de moeda americana) e depois as transferiu para sua matriz sediadas nos Estados Unidos, resta aqui decidir se tais operações sofrem incidência do IOFCâmbio. No Brasil, legalmente, a atribuição para regular o mercado de câmbio e definir quais operações representam troca de moeda estrangeira é do Banco Central do Brasil, autoridade monetária responsável pela proteção das reservas e da moeda nacional. Sendo assim, é do BACEN a competência para dizer se determinada operação envolvendo moeda estrangeira tem natureza de câmbio. Justamente o que ocorreu no caso das operações ora sob exame, onde o BACEN, instado a manifestar se nos autos do Processo judicial nº 000098759.2004.403.6181, julgado na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo – SP, da ação penal movida pelo Ministério Público Federal em face dos Diretores da Parmalat Participações do Brasil Ltda., sobre essas operações, assim pronunciouse (fls. 1279/83 desse processo judicial). [...] b) 0 ingresso de valores decorrentes de operações com Títulos do Tesouro dos Estados Unidos não deve ser informado as autoridades monetárias? Esses títulos (ou respectivos valores)podem ser classificados como "divisas"? Malgrado os chamados TBills (títulos de longo prazo emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos) possuam vinculação com "moeda estrangeira", por apresentarem certeza de liquidez imediata, pronta conversibilidade em dólares por valor muito próximo ao de face, e constituírem reserva de valor, tais títulos não se confundem com moeda eis que não têm as características de unidade de conta e de meio de pagamento. Desse modo, a comercialização desses títulos, entre domiciliados no Brasil, se dá por contrato de compra e venda de papel (títulos) mediante pagamento em reais pelo comprador ao vendedor. O objeto do contrato de câmbio é a moeda estrangeira ou titulo que a represente. Inegavelmente, TBills são títulos representativos de moeda estrangeira. Assim, caso um banco autorizado a operar em câmbio, no Brasil, celebre um contrato de câmbio com pessoa natural ou jurídica também domiciliada no Brasil, por meio do qual o banco compre e a pessoa venda, e a forma de entrega da moeda estrangeira pactuada seja "Títulos e Valores", Fl. 661DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 612 15 especificandose que por "Títulos" entendase TBills, essa operação de câmbio seria legitima, eis que estariam atendidos os requisitos previstos no artigo 1° do Decreto 23.258, de 1933, e no artigo 23, caput, e §2° parte final, da Lei 4.131, de 1962, constituindo, inclusive, a forma pela qual as operações de câmbio são comunicadas A autoridade monetária. Em outras palavras: segundo o sistema adotado no Brasil, as operações cambiais são efetuadas através de estabelecimentos autorizados a operar em câmbio pelo Banco Central. Significa dizer que recursos provenientes do exterior, a favor de domiciliados no Pais, devem ser objeto de uma operação de câmbio representada por um contrato de câmbio e esse contrato deve ser registrado no Sisbacen por força do artigo 37 da Lei 4.595/64 e da Resolução 1.453/88 do Conselho Monetário Nacional. Disso resulta que o estabelecimento autorizado a operar em câmbio se apropria da moeda estrangeira, em nome e por conta do Banco Central, e entrega os reais equivalentes ao favorecido (cliente) no Brasil. 0 conceito ou definição de "divisa" não consta em documento normativo do Banco Central nem do Conselho Monetário Nacional, embora possa ser obtido na melhor doutrina jurídica especializada e na jurisprudência dos tribunais. c) São comuns operações de compra de títulos no exterior, que permanecem custodiados no exterior, e sua venda no mesmo dia, em território nacional, a uma empresa (compradora) que efetua o pagamento em reais? Negócios desse tipo, também chamados de operações "blue chip swap", não eram comuns antes de 1996 e, aparentemente, deixaram de ser interessantes após 1999. Nesse período, em que o real mantinha estreita paridade com o dólar e a taxa de juros interna era muito mais atrativa do que a praticada no mercado internacional, houve a decisão de política econômica em tributar com o IOF os ingressos de capitas estrangeiros no Pais, com o objetivo de tornar necessário que esses capitais permanecessem aplicados no Brasil por período de tempo maior do que o inicialmente desejável pelo aplicador estrangeiro. Evidente que, se a tributação com o IOF reduz o valor de principal aplicado, ha necessidade de maior prazo para que o aplicador aufira o rendimento esperado. Notese que, se o ingresso de recursos no Pais ocorresse mediante a celebração de contrato de câmbio ou pelo mecanismo Fl. 662DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 de transferência internacional em reais (contas CC5) haveria o registro no Sisbacen e estaria caracterizado o momento de ocorrência do fato gerador do imposto com a necessária visibilidade. As chamadas operações "blue chip swap" elidem esse efeito na medida em que o pagamento dos reais é feito no território nacional numa operação entre dois domiciliados no Pais. d) Podese cogitar que operações dessa natureza representam uma simulação de compra e venda de títulos? Caso positivo, o que se pretende com isso? Sonegação de imposto (s), por exemplo? Na medida em que os contratos de compra e venda desses títulos dizem que uma parte alega possuílos e deseja vendêlos e a outra parte alega desejar comprá los, e, portanto, assim ajustados, uma parte os vende e a outra os compra, sem qualquer outra formalidade em termos documentais, seja de registro em centrais de custódia ou, ainda, de comprovação da existência real desses títulos e da necessária demonstração de transferência de titularidade no exterior, parece ser possível cogitar que se trata de simulação, inclusive com o objetivo de burlar a legislação tributária. e) Qualquer outra informação julgada útil. Os artigos 1° e 2° do Decreto 23.258, de 1933, assim dizem: "Art. 1' São consideradas operações de câmbio ilegítimas as realizadas entre bancos, pessoas naturais ou jurídicas, domiciliadas ou estabelecidas no Pais, com quaisquer entidades do exterior, quando tais operações não transitem pelos bancos habilitados a operar em câmbio, mediante prévia autorização da fiscalização bancária a cargo do Banco do Brasil." (atualizese a leitura: pelos bancos autorizados a operar em câmbio pelo Banco Central do Brasil). "Art. 2" São também consideradas operações de câmbio ilegítimas as realizadas em moeda brasileira por entidades domiciliadas no Pais, por conta e ordem de entidades brasileiras ou estrangeiras domiciliadas ou com residentes no exterior." Acrescentese o disposto no artigo 10 do DecretoLei 9.025, de 1946: "É vedada a realização de compensação privada de crédito ou de valores de qualquer natureza, sujeitos os responsáveis as penalidades previstas no Decreto 23.258, de 19 de janeiro de 1933." (sublinhamos) A realização de negócios estruturados de forma a elidir o conhecimento das operações de cambio a eles pertinentes, portanto ao arrepio do sistema cambial adotado no Brasil, como é o caso do esquema conhecido por "blue chip swap", caracterizam as operações cambiais deles decorrentes como Fl. 663DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 613 17 ilegítimas. A vedação à compensação privada de crédito de que trata o DecretoLei 9.025, de 1946, coadunase com o artigo 1.024 do Código Civil de 1916, cuja disposição esta mantida no artigo 380 do Código Civil de 2002: "Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro". Isso se vê pela remissão feita a penalidade prevista no diploma de 1933, que trata do relacionamento entre domiciliados no exterior e no Brasil (vejase, a propósito, os "considerandos" introdutórios do Decreto 23.258, em especial os dois últimos), dai defluindo que o prejuízo a alheio de terceiro se caracteriza por retirar da autoridade monetária a visibilidade e o conhecimento dos fluxos financeiros correspondentes. A motivação para negócios estruturados do tipo aqui tratado pode ser o não pagamento de tributos ou o aproveitamento de eventual ágio ou deságio da taxa entre os mercados de câmbio institucional e não institucional (paralelo ou black) ou, ainda, a necessidade de ocultar ou dissimular a ordem ou a propriedade dos recursos em moeda estrangeira ou em moeda nacional envolvidos no negócio, observado, quanto a este último aspecto, que o crime de lavagem de dinheiro somente foi tipificado com o advento da Lei 9.613, de março de 1998, regulamentada, no que concerne ao Banco Central, pela Circular 2.852, de dezembro do mesmo ano, com inicio de efeitos em 1.3.1999". Ao seu turno, o magistrado, após a transcrição da manifestação do BACEN acrescenta: Ao posicionamento da autoridade monetária acresçase, outrossim, que, nos termos do artigo 65, caput, da Lei 9.069/95 — a qual, entre outras providências, dispôs sobre o Plano Real —, "o ingresso no Pais e a saída do Pais, de moeda nacional e estrangeira serão processados exclusivamente através de transferência bancária, cabendo ao estabelecimento bancário a perfeita identificação do cliente ou do beneficiário" (grifado). Ora, este preceito só vem a reforçar a ilegitimidade das operações de câmbio realizadas por intermédio de blue chip swaps. E conclui no sentido de que tais operações representam operações de câmbio ilegítimas. Fica claro, portanto, que, para o BACEN, as operações de blue chip swap envolvendo TBills, nos moldes em que praticadas no caso concreto, configuram operações de câmbio ilegítimas, na medida em que, tendo por objeto a entrega de reais pactuada por meio do oferecimento de títulos de pronta conversibilidade em dólares, só poderiam ser viabilizadas mediante a confecção do respectivo contrato de câmbio, que, obrigatoriamente, deveria ser registrado no SISBACEN, por força do artigo 37 da Lei n° 4.595/64 e da Resolução no 1.453/88 do CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, vedada, de qualquer forma, a Fl. 664DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 compensação privada de créditos – tal como a realizada entre a PARMALAT PARTICIPAÇÕES LTDA. e as empresas adquirentes dos TBills por ela supostamente negociados. Reforçando minha convicção acerca da ilicitude das operações de blue chip swap examinadas nos presentes autos, aponto, ainda, o fato de que tais operações foram realizadas sem qualquer formalidade em termos documentais, seja de registro em centrais de custodia ou, ainda, de comprovação da existência real dos TBills e da necessária demonstração da transferência de sua titularidade no exterior. Analisando a manifestação do Banco Central do Brasil, corroborada pela da Justiça Federal em São Paulo, concluise, sem maiores esforços que as operações de compra e venda de T BILLS, nos moldes da realizadas nestes autos, caracterizam operações de câmbio ilegítimas. Ou nas palavras do magistrado: transações que tinham por finalidade específica promover a entrada e a troca de moeda estrangeira em território brasileiro, consubstanciando verdadeiras operações privadas de câmbio — que conduz à conclusão da ilicitude. Ressaltese, por oportuno, que algumas das operações com T BILLS realizadas pela Parmalat Participações do Brasil Ltda. tratada na ação penal acima aludida, são exatamente as que aqui se analisam. As demais operações objeto da autuação fiscal sob exame são absolutamente iguais no conteúdo, forma e modus operandi, diferindo, apenas no tocante às partes envolvidas, já que a Parmalat é substituída ora pela Construtora Andrade Gutierrez, ora pela Carital Brasil Ltda. De todo o exposto, dúvida não resta que as operações com T BILLS realizadas pela autuada configuram entrada, troca e saída de título representativo de moeda estrangeira em território brasileiro, caracterizando perfeitamente o tipo tributário previsto no inciso II do art. 63 do Código Tributário Nacional, vazado nos termos seguintes: Lei n° 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: ... II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; ... Notese que o texto legal não restringe a incidência do imposto à entrega física de moeda estrangeira ou nacional, tampouco exige que haja liquidação de contrato de câmbio. O campo de incidência é mais amplo e alcança as operações em que a Fl. 665DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 614 19 entrega da moeda é feita por meio de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado. Posto isso, e considerando que os TBILLS, como afirmado pela autoridade monetária brasileira, o Banco Central do Brasil, que detém a competência exclusiva para determinar quais documentos representam moeda, que, inegavelmente, TBills são títulos representativos de moeda estrangeira, não se pode deixar de reconhecer que as operações com esses títulos estão dentro do campo de incidência do imposto. Aliás, a transcrição da cláusula I do contrato de compra e venda desses TBILLS não deixam margem a dúvida de que se trata de operação de câmbio. I.VENDA E COMPRA 1.1. Sujeito aos termos e condições deste contrato e de acordo com as declarações e garantias estabelecidas abaixo, a COMPRADORA concorda em comprar da VENDEDORA e a VENDEDORA concorda em vender a COMPRADORA, em 08/01/01 ('Data de Fechamento') as TBills identificadas no anexo ao presente, pelo preço de compra em dólares norteamericanos convertidos em moeda nacional, pelas taxas praticadas no mercado de taxas flutuantes, também indicado no referido anexo ("Preço de Compra"). 1.2. A COMPRADORA deverá, sujeita no cumprimento de todas as condições estabelecidas neste contrato, incluindo as contidas no anexo presente, comprar TBills da VENDEDORA pelo Preço de Compra, na Data de Fechamento, devendo o pagamento ser efetuado mediante cheque administrativo ou Doc a favor da VENDEDORA. A VENDEDORA através de carta de transferência, deverá transferir as T.Bills à COMPRADORA na data da liquidação pelo preço de venda indicado no anexo. De outro lado, nos termos do art. 1118 do CTN, a definição legal do fato gerador deve ser interpretada abstraindose a validade jurídica dos atos efetivamente praticados (Princípio da pecúnia non olet), a natureza de seu objeto ou de seus efeitos, bem como os efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Desta feita, não faz sentido discutirse aqui os motivos e as conseqüências dos fatos efetivamente ocorridos nas operações suso mencionadas. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresenta pelo Sujeito Passivo. Diante do exposto, não merece reparo o acórdão recorrido que manteve à incidência do IOF sobre as operações realizadas com TBills. Em relação à responsabilidade da sucessora por multa punitiva referente à infração cometida antes da Sucessão, melhor sorte não assiste à reclamante, conforme demonstrarseá linhas abaixo. 1 Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 Nessa matéria já tive oportunidade de manifestarme na Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Julgamento do recurso nº RD/201125.478 que tinham por recorrentes a PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL e SADIA S.A.. Nesse julgamento o Colegiado decidiu que o sucessor responde pela multa de natureza fiscal, já que o direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades),. Esse entendimento foi muito bem defendido pelo ilustre conselheiro Marcus Vinícius Néder de Lima, no julgamento do Recurso que deu origem ao Acórdão 202.11845, e, em virtude da similitude com a questão aqui tratada, com os agradecimentos de praxe, peço licença para transcrever e adotar excertos do desse acórdão como minhas razões de decidir: Cuidase, também, da responsabilidade tributária da recorrente e sucessora por multas fiscais integrantes do passivo da empresa incorporada EUCATEX MADEIRA LTDA., por sua vez incorporadora da empresa EUCATEX FLORESTAL LTDA, cujo recolhimento de PIS está a se exigir neste processo. Pleiteia, a recorrente, a elisão das referidas penalidades, sob o argumento que o artigo 132 do Código Tributário Nacional referese tão somente à responsabilidade pelos tributos, sem mencionar os consectários. O tema responsabilidade tributária é tratado no Capítulo V do Código Tributário Nacional e a responsabilidade por sucessão, mais especificamente, na Seção II desse mesmo capítulo. A Seção traz, inicialmente, a regra geral, em seu artigo 129, que direciona a responsabilidade tributária aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos. Ressaltese, nesse passo, que o legislador, ao se referir à locução créditos tributários, cuja acepção técnica é bem definida em nosso ordenamento jurídico, não se reporta apenas ao tributo, alcança também a multa aplicada ao infrator da norma tributária. Corrobora tal entendimento o fato de o artigo 134, que regula as diversas hipóteses de responsabilidade de terceiros, ressalvar, em seu parágrafo único, que as pessoas ali indicadas só respondem pelas multas de caráter moratório. Por argumento a contrário senso, podese inferir que o legislador, ao restringir a aplicação de multa moratória apenas para os casos ali elencados, manteve a regra geral prevista no artigo 129 para as demais hipóteses de responsabilidade por infração. No dizer de Carlos Maximiliano: "(.. ) quando a norma se refere à hipótese determinada, sob a forma de proposição normativa; e, em geral, quando estatui de matreira restritiva, limita claramente só a certo casos sua disposição, ou se inclui no campo do direito excepcional. Então se presume que, se uma hipótese é regulada de certa maneira, solução oposta caberá à hipótese contrária.”2 Assim, em que pese a responsabilidade por incorporação de empresa, prevista no artigo 132, fazer referência tãosomente a tributos, sem mencionar penalidade, a interpretação desse 2 Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19i1, pág. 297. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 615 21 dispositivo, a meu ver, deve ser feita sem se abstrair do contexto em que ele está inserido no Código. Estamos diante de ilícito de natureza fiscal, não se confundindo com o ilícito penal, este sim de índole personalíssima e, por conseqüência, não passa da pessoa do infrator. Para Zelmo Denari, "o ilícito penal é inconfundível com o fiscal. Em sua formação, o que mais conta é o elemento subjetivo que enucleia a noção de culpabilidade. Por isso a maior preocupação daquele que interpreta ou julga o fato delituoso é justamente conhecer a personalidade do infrator, aferindo a intensidade da sua culpa. Tão representativo é o componente intencional na formação do ilícito penal que jamais se discutiu sobre o caráter personalíssimo da sanção que lhe corresponde. Ora, nada disso imporia na configuração do ilícito fiscal. A começar que, para fixação da responsabilidade são desprezados todos os critérios subjetivos da conduta. Essa objetivação da responsabilidade foi acolhida pelo artigo 136 do Código Tributário Nacional, ao dispor que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato''. Ademais, quem pratica o ilícito fiscal, na generalidade dos casos, é pessoa jurídica de direito privado e não pessoa física. Esta circunstância afasta, de pronto, todo o propósito de dosar a gravidade do ilícito fiscal em função da personalidade do agente. De resto, o ilícito fiscal costuma traduzir simples descumprimento de um dever administrativo relacionado com as atividades empresariais do contribuinte. Nada tem a ver com o ilícito penal. Do mesmo modo, nada tem a ver entre si as respectivas sanções: “a multa fiscal é somente uma punição de índole patrimonial que impõe um sofrimento econômico, jamais libertário, ao contribuinte."3 Além disso, a possibilidade de elisão da penalidade por mera alteração na estrutura societária da empresa é elemento indutor da prática de fraudes fiscais. José Eduardo Soares de Melo sustenta, nesse sentido, que: "O direito dos contribuintes às mudanças societárias tão pode servir de instrumento a liberação de quaisquer ônus, fiscais (inclusive penalidade), pois seria muito simples efetuar negócios, com o objetivo de acarretar o desaparecimento dos devedores originários, de quem nada se pode exigir.”4 Nesse diapasão, a ilustre Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão no Recurso Especial n° 3 Sucessão Tributária: Aspectos Críticos Justiça Tributária, 1° Congresso Intenacional de Direito Tributário, 1998, 868/869. 4 Curso de Direito Tributário, ed. Dialética, 1997, 1° ed., pág. 187. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 22 32967 RS, DJ de 20 de março de 2000, assim se pronunciou sobre essa matéria, in verbis: "(...) Contudo, mesmo doutrinariamente, na atualidade, sinaliza se para prevalência da tese de que a responsabilidade dos sucessores estendese às multas, sejam elas moratórias ou punitivas, pelo fato de integrarem elas o passivo da empresa sucedida, conforme entendimento do Dr. Luiz Alberto Gurgel de Faria, em "Código Tributário Nacional Comentado", Editora Revista dos Tribunais: “A não ser assim, muitas fraudes poderiam existir simplesmente para alterar a estrutura jurídica das empresas, fundindoas, transformandoas ou realizando incorporações para afastar aplicação de penalidades (..) a posição mais moderna se inclina para a continuidade das multas (já aplicadas) por ocasião da sucessão da empresa. (Obra citada, pág. 527)." Os antigos Conselhos de Contribuintes têm, reiteradamente, abraçado tal interpretação, como se pode constatar pela análise do teor dos acórdãos 10806753 e 108 06754, da 8° Câmara do 1° Conselho, 202 12468, 20212469 e 2021470 , da 2° Câmara do 2° Conselho. Esse entendimento encontra ressonância no STJ, conforme se pode ver das ementas abaixo transcritas. Ementa RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTARIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS.RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DO AUTOS. 1. A empresa recorrida interpôs agravo de instrumento com a finalidade de suspender a exigibilidade dos autos de infração lavrados contra a empresa a qual sucedeu. Alegou a ausência responsabilidade pelo pagamento das multas e, também, decadência dos referidos créditos. 0 Tribunal a quo acolheu o primeiro argumento,julgando prejudicado o segundo. 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem divida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dividas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 12 do art. 113 do CTN). 4. Tendo em vista que a alegação de decadência não foi analisada em razão do acolhimento da nãoresponsabilidade tributária da empresa recorrida, determinase o retorno do autos para que seja analisado o fundament° tido por prejudicado. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002089/200519 Acórdão n.º 9303001.863 CSRFT3 Fl. 616 23 5. Recurso especial provido em parte.(REsp 1017186 / SC RECURSO ESPECIAL 2007/03039743, Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125), Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento 11/03/2008) AÇÃO ANULATÓRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECRETO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PODER REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. I "Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter mora tório ou punitivo; é ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento" (REsp ii 592.007/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 22/03/2004). Diante do exposto, não consigo vislumbrar qualquer possibilidade de excluir a responsabilidade da reclamante pela obrigação tributária ora em exame. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 670DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 14052.001346/92-16
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 108-00.030
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, peto voto de qualidade rejeitar a preliminar de decadência argüida, vencidos os Conselheiros Adelmo Martins Silva (Relator), Paulo Irvin de Carvalho Vianna e Mário Junqueira Franco Júnior, que a acolhiam, e, no mérito, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, na forma do voto do
relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Renata Gonçalves Pantoja e Luiz Alberto Cava
Maceira.
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RECURSO N°. MATÉRIA . .RECORRENTE RECORRIDA SESSÃO DE :14052-001.346/92-16 :104.593 :IRPJ - EX: DE 1987 :DISBREL- DISTRIBUIDORA DE BALANÇAS E REFRIGERAÇÃO LTDA. : DRFem Brasília - DF. : 13 de setembro de,1993 RESOLUÇÃO N°108.;00.030 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DISBREL - DISTRIBUIDORADE BALANÇAS E REFRIGERAÇÃO LTDA. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, peto voto de qualidade rejeitar a preliminar de decadência argüida, vencidos os Conselheiros Adelmo Martins Silva (Relator), Paulo Irvin de Carvalho Vianna e Mário Junqueira Franco Júnior, que a acolhiam, e, no mérito, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, na forma do voto do relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos PassueUo.Ausentes justificadamente, os Conselheiros Renata Gonçalves Pantoja e Luiz Alberto Cava Maceira. JOS' N LOS PASS~ RE TOR-OESIGNADO ~ MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONfRIBUINTES 2 PROCESSO NR. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 FORMALIZADO EM: O3 DEZ 1996 ~,-~ - a Conselheira: SANDRA MARIA DIAS irosRENATA GONÇALVES Participou, ainda, do presente julgamento, NUNES. Ausentes, justificadamente,os PANTOJA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 RECURSO N°.:104.593 RECORRENTE: DISBREL - DISTRIBUIDORA DE BALANÇAS E REFRIGERAÇÃO LTDA. RELATÓRIO 3 DISBREL - DISTRIBUIDORA DE BALANÇAS E REFRIGERAÇÃO LTOA., já qualificada nos autos., recorre a este Egrégio Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Brasília, Distrito Federal, da qual tomou ciência em 16 de outubro de 1992. Conforme consta do auto de infração (fls. 2 e 3), a exigência fiscal em discussão decorreria de: "1. - OMISSÃO DE RECEITA 1 - PASSIVO FICTíCIO Omissão de receita operacional, caracterizada pela não comprovação de uma parte das obrigações escrituradas na conta Fornecedores, conforme abaixo relacionadas: valor declarado valor comprovado diferença a tributar Cz$ 930.332,00 Cz$ 648.671,63 Cz$ 281.660,37 CAPITULAÇÃO LEGAL: artigos 154, 157, parágrafo 10. 179, 180 e 387, inciso 11, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nr. 85.450/80. ANO-BASE 1986 - EXERC. FINANC. 1987 Cz$ 281.660,00 2 - FINANCIAMENTO NÃO COMPROVADO Omissão de receita operacional, caracterizada pela não comprovação de uma parte do financiamento a curto prazo escriturado no ano-base de 1986: MINIsTÉRIo DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 valor declarado valor comprovado diferença a tributar Cz$ 337.343,00 Cz$175.132,00 Cz$ 162.210,00 4 • • CAPITULAÇÃO LEGAL: artigos 154, 180, 181, 387, inciso 11, todos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nr. 85.450/80. ANO-BASE 1986 - EXERC. FINANC. 1987 Cz$ 162.210,00 2 - DESPESA/CUSTO INEXISTENTE .2- DESPESAS NÃO COMPROVADAS Glosa de despesas operacionais, tendo em vista a não comprovação por parte da empresa fiscalizada, com documentação hábil e idônea, das despesas escrituradas no ano-base de 1986, conforme o solicitado no termo de 13/02/92. CAPITULAÇÃO LEGAL: artigos 154, 157, 191, 387, inciso 11, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nr. 85.450/80. ANO-BASE 1986 - EXERC. FINANC. 1987 Cz$ 825.124,00." Na impugnação, relata a contribuinte que, relativamente à alegada falta de comprovação de despesas, ocorreu que "ao invés de contabilizar as despesas de IMPOSTOS na Demonstração de Receita Líquida a Autuada através do responsável pela contabilidade efetuou tais lançamentos como Despesas Operacionais, sem entretanto alterar o resultado do exercício", No seu entender, é indevida a glosa em questão, porque só o Conselho Regional de Contabilidade, e não a Receita Federal, teria competência para legislar sobre normas de contabilidade. Argumenta ainda que ocorreu a prescrição (sic) prevista no artigo 173 do Código Tributário Nacional, visto que só foi notificada a apresentar documentos do ano-base de 1986 em 13 de fevereiro de 1992. MINIsTÉRIo DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 •• • PROCESSO NR 14052..001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR lOS..oo.030 A r. decisão recorrida indeferiu a impugnação, para manter o auto de infração. Sustenta a digna autoridade a quo a tese de que a decadência do direito da Fazenda Nacional, na espécie, ocorreria em 30 de abril de 1992, isto é, . cinco anos após a notificação do lançamento primitivo, efetivada no ato da entrega da declaração de rendimentos (30/04/87). Como a contribuinte recebeu o auto de infração em 25 de março de 1992, o lançamento estaria dentro do lapso qüinqüenal. No que concerne à glosa de despesas operacionais, alega aquela autoridade julgadora que "não foram apresentados os documentos necessários à sua comprovação". Acrescenta, finalmente, que "a interessada não contestou o passivo fictício". o recurso trouxe os argumentos que tento reproduzir nas linhas que seguem: a) preliminarmente, fica reiterada a assertiva de que ocorreu na espécie a prescrição (sic) do crédito tributário, eis que recente jurisprudência dos tribunais tem entendido que o prazo prescricional (sic) tem início tão logo finda o período-base; b) apesar de os impostos pagos não terem sido contabilizados na "Demonstração da Receita Líquida", e sim na conta "Despesas Operacionais", o que de resto não altera o resultado, deixou a recorrente de apresentar na fase impugnatória as correspondentes guias de pagamento, as quais, juntadas nesta oportunidade, somam Cz$ 825.124,00 e eliminam inteiramente a glosa; MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR 108-00.030 6 c) quanto ao saldo da conta Fornecedores (Cz$ 930.332,00), apresenta a recorrente "os comprovantes contábeis que justificam plenamente a referida conta, possibilitando, assim, seja inteiramente desconsiderado esse item e desconstituído os valores do Imposto lançado e as suas respectivas repercussões"; d)com referência à conta Financiamentos a Curto Prazo, a recorrente à época devia ao Banco do Brasil Cz$185.000,00 a título de empréstimo e Cz$ 152.343,00 correspondentes a saldo devedor por desconto de duplicatas, quantias estas que, somadas, perfaziam os Cz$337.343,OO lançados na aludida conta e cujos comprovantes são agora apresentados. A final, pede a recorrente seja dado provimento ao recurso, que veio instruído com os documentos de fls. 42a 170. MINIsTÉRIo DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 14052..001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 VOTO VENCIDO CONSELHEIRO, ADELMO MARTINS SILVA, RELATOR 7 O recurso é tempestivo, preenchendo também os demais requisitos de admissibilidade. Por isso, dele tomo conhecimento. " A recorrente argüiu preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em discussão. A análise dessa questão parece demandar, antes, uma tomada de posição relativamente à modalidade de lançamento adotada pela legislação do Imposto de Renda - Pessoa Jurídica. Não me convencem, data venia, os argumentos usados para sustentar a ,tese de que esse lançamento seja por declaração. De início, tal modo de ver conduz a duas conclusões que me parecem exdrúxulas, se não absurdas. A primeira delas é a de que, em face do artigo 147, parágrafo 10., do Código Tributário Nacional, ficaria vedada a retificação da declaração por iniciativa do sujeito passivo, para reduzir ou excluir tributo. Ocorre que o artigo 21 do Decreto-'Iei nr. 1.967, de 23 de novembro de 1982, permite a retificação, sem conflitar com aquele dispositivo da lei complementar. MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 8 PROCESSO NR 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR 108-00.030 A segunda, diz respeito à possibilidade que abriria de o sujeito passivo impugnar o crédito tributário espontaneamente declarado. Vale dizer, expressamente confessado. E, pior, imediatamente após a entrega da declaração. Não menos séria é a questão do título extrajudicial, visto ser ele indispensável para habilitar a Fazenda Pública Federal a promover a execução da dívida do sujeito passivo. Em seu artigo 585, dispõe o Código de Processo Civil que são títulos executivos extrajudiciais: "VI - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, Estado, Distrito Federal, Território e Município, correspondentes aos créditos inscritos na forma da lei." (destaque da transcrição). Por sua vez, estabelece o Decreto-lei nr. 147, de 3 de fevereiro de 1967: "Art. 22 - Dentro de trinta dias da data em que se tornarem findos os processos administrativos, pelo transcurso do prazo fixado para o recolhimento do débito para com a União, as repartições públicas competentes, sob pena de responsabilidade dos seus dirigentes, são obrigadas a encaminhá-los à Procuradoria da Fazenda Nacional da respectiva unidade federativa, para efeito de inscrição e cobrança judicial das dívidas deles originadas." (destaques da transcrição). Todos sabemos que, para a formalização de créditos tributários da União pelo Fisco, trata-se de lançamento por declaração ou de lançamento de oficio, só existe um procedimento administrativo. É o estabelecido pelo Decreto nr. 70.235, de 6 de março de 1972, que assim dispõe em seu artigo 10.: "Art. 10. - Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal." MINIsTÉRIo DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 9 Não há dúvida, creio eu, de que é da rigorosa observância desse ritual legalmente instituído que resulta, nesses casos, presunção de certeza e liquidez tratada no artigo 30. da Lei nr. 6.830, de 22 de setembro de 1980, verbis: "Art. 30.- A Dívida Ativa regularmente inscrita gozada presunção de certeza e liquidez." (destaque da transcrição). Vê-se, sem grande esforço, que a chancela aposta no recibo de entrega pelo servidor que recebeu, no balcão, a declaração de rendimentos está longe de atender a tantos requisitos legais. Em especial aqueles que dizem respeito à plena defesa da contribuinte. Que se dirá, então, das declarações recebidas pela rede bancária, cujos recibos não levam sequer uma rubrica de servidor público? Outrossim, parece claro que a prestação pelo contribuinte ou pelo terceiro, de informações indispensáveis à efetivação do lançamento não basta, por si, para caracterizar o lançamento por declaração. Sobretudo quando se lê com atenção o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Não é, igualmente, o nome do documento -RECIBO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO - que determina a natureza jurídica do procedimento adotado. Resumindo, parece-me difícil negar que a legislação do Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, apesar de exigir o preenchimento da declaração anual, atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Exatamente como está escrito no artigo 150 do Código Tributário Nacional. O lançamento é, pois, por homologação. MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 10 Esta, aliás, é a opinião de boa parte dos doutrinadores pátrios maiores, dentre os quais Paulo de Barros Carvalho: "'O IPI, o ICM, o IR (atualmente, nos três regimes- jurídica, física e fonte) são tributos cujo lançamento é feito por homologação."(Curso de Direito Tributário, 1a. ed., Saraiva, pág. 254 - destaque do original). Assim, tudo se encaixa. No caso de erro comprovado, a declaração pode ser retificada por • iniciativa do sujeito passivo, antes de homologado o lançamento ou de iniciado o procedimento de ofício. 'Oserros nela contidos e apuráveis pelo seu exame devem ser corrigidos, de ofício, pela autoridade administrativa competente. Até agora, nada de novo. Também este entendimento já foi externado antes pelo saudoso Aliomar Baleeiro, nos termos seguintes: "Parece-nos que os parágrafos 10. e 20. do art. 147 são aplicáveis aos casos de lançamentos por homologação, antes desta ou de sua denegação." (Direito Tributário Brasileiro - 1Da.ed.. Forense, pág. 512). Cabe lembrar ainda que se o lançamento é por homologação, desaparece a estranha figura da impugnação imediata à simples entrega da declaração. A homologação é expressa, como exigida pelo artigo 150, caput, do Código Tributário Nacional. 'Ou tácita, como prevê o parágrafo 40. desse mesmo artigo. Se o Fisco entende insuficientes os pagamentos efetuados, constitui o crédito tributário, mediante lançamento de oficio, observado, é claro, o rito legalmente estabelecido. MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DECONTRlBUINTES 11 PROCESSO NR 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR 108-00.030 Neste Conselho, o assunto modalidade do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica já foi objeto de debate. O Acórdão nr. 103-12.195, de 29 de abril de 1992, por exemplo, está assim ementado: "IRPJ - PERíODO-BASEDE 1984 • HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO - Com o advento do D.L. nr. 1.967/82, o direito de a Fazenda Pública iniciar a revisão do lançamento extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O relator designado para redigir o voto vencedor na apreciação desse recurso, Conselheiro LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, atual Coordenador do - Sistema de Fiscalização, assevera naquela judiciosa peça: "Isto porque, apesar de o formulário de Recibo de Entrega de Declaração e Notificação de Lançamento, aprovado anualmente pela Receita Federal, possuir tal denominação, desde o advento do Decreto-lei nr. 1.967/82, o imposto devido pelas pessoas jurídicas passou a submeter-se à modalidade de lançamento por homologação." Pergunta-se: neste cenário de lançamento por homologação, que papel desempenha o RECIBO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO? ~.• A meu ver, ele prova o cumprimento de uma obrigação tributária acessória. A obrigação de apresentar a declaração de rendimentos. Nada mais que isto. Dito recibo não se confunde com notificação de lançamento. Não apenas porque ausentes elementos essenciais desse documento público, mas, MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 12 PROCESSO NR 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR 108-00.030 principalmente, pela inexistência do lançamento a que a notificação estaria necessariamente vinculada. A verdade é que, juridicamente, o recibo de entrega de declaração não representa ato ou procedimento administrativo que confira exigibilidade ao crédito tributário declarado. Pergunta-se, agora: não é exigível o crédito tributário apenas declarado pelo contribuinte? Ora, dotar de exigibilidade os créditos tributários apenas declarados • pelos contribuintes foi, exatamente, o que fez o Decreto-Iei nr. 2.124, de 13 de junho de 1984, verbis: "Art. 50. - . Parágrafo 10. - O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Parágrafo 20. - Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no parágrafo 20. do artigo 70. do Decreto-lei nr. 2.065, de 26 de outubro de 1983." Assim, os créditos tributários declarados pelos contribuintes são exigíveis ex vi legis, não porque esteja escrito no recibo de entrega da declaração que ele é também notificação de lançamento. MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINfES PROCESSO NR.. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR.. 108-00.030 Feitas estas considerações, volto ao caso sub judice. 13 Aqui, a hipótese de incidência realizou-se no último momento do dia 31 de dezembro de 1986. O primeiro momento do dia 10. de janeiro de 1987 marca, pois, o início do quinquênio decadencial, que se findou no último momento do dia 31 de dezembro de 1991. A lavratura do auto de infração em 25 de março de 1992, deu-se, portanto, a destempo. Por estas razões, acolhi a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Federal constituir o crédito tributário discutido. Vencido nessa preliminar, cabe-me, segundo dispõe o nosso Regimentolntemo, o pronunciamento sobre o mérito do recurso. Ocorre que, como relatei, vieram com o recurso os documentos de fls. 42 a 170. É pacífica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em casos que tais, seja convertido o julgamento em diligência, para que a repartição de origem se pronuncie conclusivamente sobre a prova juntada na fase recursal. Isto posto, voto de acordo com essa posição aqui firmada. , Sala das Sessões - . em 13 de setembro de 1993 •~ MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 14052-001.346/92-16 RESOLUÇÃO NR 108-00.030 VOTO VENCEDOR Do Conselheiro, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator-Designado 14 Por decisão de maioria, ficou rejeitada a preliminar de decadência levantada pela recorrente, vencido o E. Relator. Dr. Adelmo Martins Silva. A divergência está centrada na caracterização da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda de pessoa jurídica, se ele pode ser classificado como "por declaração", ou "por homologação". A divergência volta a ser discutida neste Colegiado, que tem trilhado a corrente majoritária de classificar tal lançamento como sendo "por declaração", como em tantos julgamentos assim ficou decidido. o embasamento do lançamento na declaração de rendimentos e os demais pressupostos estão configurados na abundante jurisprudência deste Colegiado, da qual menciono, exemplificativamente, cujos argumentos acolho, os Acórdãos nr. 101-86.775, de 517/94; nr. 104-8.974, de 9.12.91; nr. 105-4.143, de 11.10.90 e nr. 106- 4.102, de 10.12.91. No caso, a declaração de rendimentos, relativa ao exercício de 1987, foi apresentada em 30.04.87 (fls. 09) e o lançamento do imposto por auto de infração foi levado à ciência do contribuinte em 25.03.92 (fls. 03). Se por homologação fosse o lançamento, o prazo decadencial fluiria a partir de 31.12.86 (ocorrência do fato gerador), esgotando-se no dia 31.12.91. Como, entendido por declaração, a contagem se inicia no dia 30.04.87, data da entrega da MINIsTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONI'RIBUINTES 15 PROCESSO NR. 14052~1.346/92-16 RESOLUÇÃO NR. 108-00.030 declaração de rendimentos e se venceria no dia 30.04.92. Tendo o lançamento por auto de infração sido notificado ao contribuinte no dia 25.03.92, antes portanto de 30.04.92, não há que se falar em decadência. Assim fundamento o voto divergente, aotinal vencedor, pelo não acolhimento da preliminar de decadência, relativamente ao exercício de 1987. • '. JOSÉ CARLOS mbrode 1993 I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015
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Numero do processo: 15504.726886/2012-63
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1402-002.969
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer e acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes para reformar a decisão embargada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Soua Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer e acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes para reformar a decisão embargada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 68 86 /2 01 2- 63 Fl. 4806DF CARF MF 2 Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Soua Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 4807DF CARF MF Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402002.969 S1C4T2 Fl. 4.807 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em face de decisão exarada na sessão plenária de 24 de março de 2015 por esta Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara da Primeira Seção que julgou recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, Banco Semear S/A, decidindo, mediante Acórdão nº 1402001.948, dar provimento parcial ao pedido da recorrente, afastando a aplicação da multa isolada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 DESCONSIDERAÇÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM EMPRESA CONTROLADA. POSSIBILIDADE. Revestese de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de ações praticadas pelo contribuinte visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, uma vez que o contribuinte se valeu de empresa controlada, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade, para criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais e para omitir receitas. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações, da efetividade, da normalidade e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de Fl. 4808DF CARF MF 4 estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Ademais, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. O dispositivo do Acórdão está assim redigido: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. Os ED são tempestivos (ciência em 30/07/2015 – fls. 4792 e protocolização dos embargos em 04/08/2015 – fls. 4798) e já foram objeto de análise prévia e admitidos, conforme Despacho de Admissibilidade (fls. 4799/4804). Nos embargos manejados, a embargante batese contra decisão presente no Acórdão nº 140201.948, especificamente naquilo que excluiu a aplicação da multa isolada, sob entendimento do voto condutor de que (fls. 4780/4788): “Como visto, o cerne da questão consiste em perquirir se é legítima, ou não a aplicação concomitante da multa de ofício prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, atual art. 44, § 1º, da mesma Lei, com a multa isolada de que trata o art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, ambos da mesma Lei. A decisão recorrida manteve a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento por estimativa do IRPJ e CSLL, sobre as diferenças apuradas de ofício pela fiscalização. Encontrase consolidado na maioria das câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação conjunta sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, com aquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa (art. 44, § 1°, IV) prevista para aplicação isoladamente do tributo Fl. 4809DF CARF MF Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402002.969 S1C4T2 Fl. 4.808 5 Ora, da simples leitura do entendimento aplicado, se vê que a impossibilidade de se aplicar multa de oficio com multa isolada sobre mesma base de cálculo é matéria pacificada nesta Corte. Isto porque, cediço que o interesse do Estado é arrecadar o tributo que lhe é devido, não punir indevidamente os administrados. Frisese: não podem ser aplicadas duas penalidades pecuniárias sobre a mesma base para lançamento. Isto porque, em atenção ao principio da estrita legalidade, norteador da Administração Pública, a Autoridade Fiscal somente pode fazer ou deixar de fazer aquilo que estiver expressamente previsto na legislação. Sendo assim, ausente qualquer previsão legal no sentido de permitir a cumulatividade de multas, impossível a referida concomitância, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração, em evidente detrimento do principio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. O disposto no inciso IV, § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação vigente à época dos fatos estabelecia sanção que deveria ser aplicada na hipótese do sujeito passivo não promover o recolhimento mensal das antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social. Para que incida, a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Examinandose o conteúdo prescritivo dos textos legais acima transcritos, resta evidente que o caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no § 1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre o mesmo ato infracional, qual seja o não pagamento ou o pagamento a menor do tributo devido. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. Deste modo, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada, porquanto estarseía aplicando duas penalidades para ilícitos materialmente ligados, de forma que um (falta de recolhimento do imposto anual devido no ajuste) é conseqüência natural do outro (falta de recolhimento dos valores Fl. 4810DF CARF MF 6 estimados devidos mensalmente), e não são verificáveis de forma concomitante em sua realidade fática. (...) No presente caso a fiscalização aplicou a multa de lançamento de oficio, isoladamente, por entender que houve a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os quais já incide multa de lançamento de ofício. A autoridade fiscal lançadora reconstituiu o lucro líquido contábil em cada períodobase, com os ajustes correspondentes aos valores incluídos no auto de infração, e apurou o valor do IRPJ e da CSLL que deveriam ter sido pago em cada mês, com a aplicação da multa de lançamento de ofício isolada. Como se vê, foi aplicada a multa isolada sobre os valores que deixaram de ser antecipados durante o anocalendário a título de estimativa e também da multa normal de lançamento de ofício, sobre os valores considerados ainda devidos. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, do § 1°, autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, concluise que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. A legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento do imposto por estimativa ou por balanço de suspensão/redução. (...) No caso, tem razão o recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de Fl. 4811DF CARF MF Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402002.969 S1C4T2 Fl. 4.809 7 lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Ademais, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que também assiste razão ao recorrente, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. (...) Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a Fl. 4812DF CARF MF 8 base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do ano calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro líquido, efetivamente, devidos nos períodos. Logo, embora o recorrente não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o anoscalendário questionado, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Assim sendo, é de se excluir da exigência as multas isoladas aplicadas de forma concomitante com a multa de ofício”. Todavia, no entendimento da embargante (fls. 4795), o Relator e o Colegiado teriam analisado a multa isolada “sob o enfoque do art. 44, IV, § 1º da Lei nº 9.430/1996, que, à época dos fatos geradores, já havia sido alterado pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007)”, e que a tipificação legal adotada pelo Fisco foi o “art. 44, II, b, da Lei nº 9.430/1996, norma já vigente em 2008, período dos fatos geradores abrangidos pelo presente lançamento”. Para prosseguir a embargante: “logo, verificase obscuridade no acórdão embargado, porquanto parte de premissa equivocada para solução do litígio quando o analisa à luz de norma diversa à incidente ao caso em apreço”. Compulsando os autos, vejo que razão assiste à embargante quando aponta a divergência do entendimento esposado no aresto embargado e a legislação então vigente, resultando na obscuridade suscitada. Nesse sentido a conclusão da admissão prévia (fls. 4804): “Por decorrência, constatada a obscuridade, o colegiado deve se pronunciar sobre a matéria, implicando a necessidade de admissão dos embargos em relação à exclusão dos lançamentos de multa isolada”. É o relatório. Fl. 4813DF CARF MF Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402002.969 S1C4T2 Fl. 4.810 9 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Como relatado, os embargos já foram alvo de admissão prévia. Do mesmo modo, como expressamente relatado, enquanto o voto condutor, para afastar a aplicação da multa isolada, assumiu que “assiste razão ao recorrente, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário”, a embargante pontua que a tipificação legal adotada pelo Fisco foi o “art. 44, II, b, da Lei nº 9.430/1996, norma já vigente em 2008, período dos fatos geradores abrangidos pelo presente lançamento”. De fato, razão assiste à embargante. A partir de janeiro de 2008, por força da vigência da MP nº 351, de 22/01/20071, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, os dispositivos que tratam da matéria já estavam consolidados na forma alertada pela embargante. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) 1 Art. 20. Ficam revogados os arts. 69 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, 45 e 46 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 21. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de janeiro de 2007; 186o da Independência e 119o da República. publicado no DOU de 22.1.2007 Edição extra Fl. 4814DF CARF MF 10 Registrese, essa nova redação NÃO TROUXE uma NOVA penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a Fl. 4815DF CARF MF Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402002.969 S1C4T2 Fl. 4.811 11 garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Muito a propósito, a consolidação da legislação neste Colegiado, expressa na Súmula CARF nº 105, mais ainda mostra o quadro, ao definir ser inaplicável a concomitância para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2007. De outro lado, sobre os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2008, a matéria restou pacificada, inclusive na CSRF, como mostra, exemplificativamente, a recente decisão abaixo reproduzida (Ac. 9101003.307 1ª Turma Sessão de 17/01/2018 Relatora Adriana Gomes Rêgo): MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do anocalendário. No caso em apreço, aplicase a Súmula CARF nº 105 apenas para períodos anteriores à publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007. Pelo exposto, e com essas ponderações, considero sanadas as omissões suscitadas, de modo que, conheço dos Embargos de Declaração para sanar a obscuridade apontada e, com efeitos infringentes, DARLHE PROVIMENTO para alterar a decisão embargada e restabelecer a incidência do lançamento de multa isolada. É como voto. Brasília (DF), 13 de março de 2018. Fl. 4816DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 4817DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003966/2006-22
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
O frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção gera créditos e, por sua vez, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim.
REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO
O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial nº 993.164/ MG).
Numero da decisão: 3802-001.681
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
Nome do relator: Relatorf
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção gera créditos e, por sua vez, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial nº 993.164/ MG). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 39 66 /2 00 6- 22 Fl. 734DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, inerente a pedido de ressarcimento de créditos da COFINS pelo regime nãocumulativo referente ao terceiro trimestre de 2006. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou, em 30/05/2008, recurso voluntário (fls. 523/), onde requer seja homologado o crédito do PIS relativo às aquisições de pessoas físicas, às despesas comprovadas pelos documentos anexos aos autos, e aos fretes pelo envio de mercadorias para o porto a partir dos estabelecimentos localizados o interior. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10909.003966/200622 Acórdão n.º 3802001.681 S3TE02 Fl. 733 3 Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator, inerente ao processo nº 10909.000587/200842, e que foi adotado como razões de decidir nos demais processos da interessada julgados na mesma sessão de 19/03/2013: "Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, e não havendo qualquer nulidade, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante decisão: Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço da presente manifestação de inconformidade. 1. Dos limites do litígio: Como visto no relatório acima, a contribuinte contesta as glosas dos créditos de Cofins relativos às aquisições de pessoas físicas, bem como relativo aos fretes de envio das mercadorias para o porto a partir dos estabelecimentos localizados no interior. Delimitado o litígio, a análise se restringirá, portanto, à análise dos argumentos da contribuinte em relação à glosas contestadas. 2. Da Manifestação de Inconformidade: 2.1. Créditos relativos às aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas: Como no relatório deste acórdão se viu, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas, fazendoo por meio de alegações tendentes à demonstração de que não se justifica, juridicamente, a diferença de tratamento entre aquisições realizadas de pessoas jurídicas e aquisições realizadas de pessoas físicas. Entende que a norma que prevê tal distinção conformase como "não isonômica" e, na prática, transforma o regime nãocumulativo em cumulativo. Defende, assim, o reconhecimento do direito ao crédito da Cofins relativo às aquisições de toras de pinus junto a pessoas físicas. Todavia, não podem ser aqui acatadas as alegações da contribuinte. É que independentemente do juízo que se faça acerca da alegada quebra de isonomia que teria sido promovida pela norma referenciada pela autoridade fiscal, verdade é que a impossibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens e serviços junto a pessoas físicas está firmada de modo expresso e literal em norma legal vigente, o parágrafo 3º do artigo 3º da lei nº 10.833/2003. Em tal dispositivo é que consta o comando segundo o qual apenas as aquisições efetuadas junto a pessoas jurídicas dão direito a crédito: Art 3º [...] § 3º O direito de crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 736DF CARF MF 4 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (g.n.) Diante deste quadro, onde se percebe que a vedação contestada pela contribuinte está expressa em disposição literal de lei regularmente vigente, nada pode fazer este juízo administrativo que não seja reafirmar sua incompetência para apreciar a alegação da contribuinte. É que como a única forma de acatar as razões da contribuinte seria por via do expurgo da norma legal acima transcrita (o que representaria afirmar sua ilegalidade ou inconstitucionalidade) e como as instâncias administrativas não têm competência para apreciar questões que versem sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente vigentes, não há como haver qualquer manifestação deste juízo, pois isto representaria uma clara extrapolação de suas atribuições legais. No sentido desta limitação de competência dos agentes públicos tem se firmado tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de nº 10607.303, de 05/06/95: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas. Complementarmente, temse, a nível de orientação administrativa, o Parecer Normativo CST nº 329/70, que assim dispõe: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Assim, como a Lei nº 10.833/2003 está vigente, não pode este juízo Afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência. Quanto à jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte, ela em nada a ajuda. É que tais precedentes referemse a outra figura jurídicotributária, o crédito presumido do IPI, que tem regras próprias que não podem ser estendidas, por analogia, ao regime de apuração da Cofins. Nada há aqui, portanto, que demande reparos no despacho decisório da DRF/Itajaí/SC. 2.2. Créditos relativos às despesas de frete realizado entre estabelecimentos do sujeito passivo: Continuando suas contestações, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos vinculados às despesas de frete nas operações de venda. Apesar de no título desta parte de sua manifestação de inconformidade fazer referência também a despesas de armazenagem, Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10909.003966/200622 Acórdão n.º 3802001.681 S3TE02 Fl. 734 5 todas as suas alegações dirigemse às despesas com fretes. Abordarse á, assim, tal questão. Pois bem, em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte insurgese contra as glosas de suas despesas com frete, fazendo uma descrição de seu modus operandi, que, como no relatório deste acórdão se viu, está calcado na afirmação de que os fretes relativos às transferências de bens estariam associados ao transporte destes bens para um armazém, localizado perto do porto de embarque para exterior, no qual seriam feitas as compartimentações finais destinadas à exportação. Assim, entende que tais operações comporiam as operações de venda e, como tal, poderiam gerar créditos relativos à Cofins. Para que bem se analise a questão, importa que se tenha em conta, antes de mais nada, a evolução legal relativa ao creditamento de valores relativos a fretes pagos pela pessoa jurídica contribuinte da Cofins no regime nãocumulativo, o que será feito a seguir com base numa visão retrospectiva que envolve, conjuntamente, o PIS e a Cofins. A Lei nº 10.637/2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, em seus incisos I e II do art. 3º, com a nova redação dada ao inciso II pelo art. 25, da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e pelos §§ 1º e 3º do referido art. 3º, assim estabelecem: Art.3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º desta Lei sobre o valor: I – dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II – dos itens mencionados nos incisos III a V do caput, incorridos no mês; III – dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV – dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II – aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III – aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] Tais disposições foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865/2004, abaixo transcrito. Contudo, verificase que não Fl. 738DF CARF MF 6 modificou no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda: Art. 37. Os arts. 1º, 2º, 3º, 5º, 5ºA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3º ........................................................................................... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) no § 1º do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mão de obra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. [...] Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) o legislador além de permitir crédito calculado sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passouse a admitir também o aproveitamento de crédito da Cofins calculado sobre o valor dos gastos efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3º caput e inciso IX, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] O art. 15 da citada Lei nº 10.833/2003, estendeu o comando previsto no dispositivo acima transcrito, também, às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, o direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda, conforme se depreende da transcrição a seguir: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10909.003966/200622 Acórdão n.º 3802001.681 S3TE02 Fl. 735 7 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º , incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º , e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Cabe ressaltar que a referida Lei nº 10.833/2003, em seu art. 93, estabeleceu expressamente, que os seus arts. 3º, inciso IX, e 15, que permitem a geração de créditos das contribuições sobre o valor do frete, na operação de venda, têm efeitos somente para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004, in verbis: Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; [...] Pois bem, feito este histórico, inferese que a legislação expressamente permite o creditamento de valores relativos a despesas com frete de mercadorias em três hipóteses. A primeira, estabelecida no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, referese ao caso de bens adquiridos para revenda, onde o frete referente à aquisição de mercadoria pode ser somado ao custo da mercadoria. A segunda hipótese é a de se entender a despesa com frete como um bem ou serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003). A terceira hipótese é a do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, que se refere ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Analisando as hipóteses previstas na legislação, concluise que, no caso de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, o pagamento de frete poderá ser creditado da base de cálculo da contribuição nãocumulativa quando se enquadrar em uma das três hipóteses acima relacionadas. Como no caso concreto que aqui se tem o transporte entre filiais somente ocorre quando o processo de industrialização (beneficiamento) das madeiras já finalizou e as mercadorias estão prontas para serem comercializadas, excluemse as duas primeiras hipóteses de creditamento das despesas com frete de mercadorias. Resta, então, a terceira possibilidade – o custo do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em interpretação literal da legislação, verificase que somente dará direito ao crédito o frete contratado relacionado a uma operação de venda. O mero deslocamento de mercadorias (prontas para a venda) de estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor, onde ocorrerá a efetiva venda, não integra a “operação de venda”. Tratase tãosomente de transporte interno de mercadoria acabada e não de despesas com fretes utilizados na operação de transporte na venda de mercadoria ao cliente adquirente. Assim, no caso concreto que se analisa, se a venda das mercadorias transportadas ocorrer na filial armazém, não pode esse frete ser entendido como frete na operação de venda. Fl. 740DF CARF MF 8 A contribuinte, em sua defesa, ao descrever seu modus operandi se limita a alegar que faz jus aos créditos correspondentes aos custos com fretes na operação de venda uma vez que se tratam de “frete de mercadorias para a exportação”, as quais são armazenadas próximas ao porto de embarque, onde se dá a tradição. Em certo momento da manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que “[...] de modo a armazenar as mercadorias que fabrica próximas ao local de sua tradição por ocasião da venda”, dando a entender que transporta as mercadorias (prontas para serem exportadas) para o armazém e, a partir desta filial é que as mercadorias serão vendidas. Dentro deste quadro, à contribuinte caberia provar que as mercadorias transportadas entre estabelecimentos da mesma empresa estão vinculadas a uma venda já efetuada pelo estabelecimento remetente. Apenas a comprovação de que as exportações se deram por conta e ordem do estabelecimento industrial remetente, e não do estabelecimento destinatário (armazém), é que dariam o direito de creditamento. Dentro deste quadro, temse como correta a glosa promovida pela DRF/Itajaí/SC. 3. Conclusão: Assim, em face das considerações expostas, manifestome no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. É como voto. Tendo em vista o que dos autos consta, a lide administrativa limitase a definir: (i) se o transporte entre filiais gera crédito da Cofins NãoCumulativa e (ii) se há direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física. A primeira questão posta em discussão é somente a possibilidade ou não de se tomar crédito dos fretes entre estabelecimentos da Recorrente para fins de formação de lotes para exportação. A norma de referência é o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, assim expresso: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10909.003966/200622 Acórdão n.º 3802001.681 S3TE02 Fl. 736 9 Sobre este tema já se manifestou a Coordenação de Tributação na Solução de Divergência n° 11, datada de 27/09/2007, que está assim ementada: COFINS Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. A decisão, portanto, se fundamentou no entendimento de que o frete contratado não corresponde, no presente caso, nem a insumo, nem a frete na operação de venda. Pelo que se pode defluir do excerto acima não há nada a substanciar a decisão senão o simples fato de se apontar que o frete entre filiais não integra o conceito de insumo nem o de frete na operação de vendas, sem qualquer efetiva explicação acerca do entendimento, de modo que essa afirmação é meramente afirmativa e não é tautológica, não corresponde a um argumento, não servindo àquilo que está obrigado o poder público. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade. O que estamos a averiguar é se o frete entre estabelecimentos para formar lotes de madeiras para comercialização pode ser considerado como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou se pode ser tomado como parte da armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Entendo que em qualquer óptica que se examine o frete, tem a contribuinte direito ao crédito referente ao custo que suportou. Inicialmente, não posso concordar com o posicionamento apresentado na solução de consulta de que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes que pode gerar crédito. Do mesmo modo que o frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção geram créditos, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim. No primeiro caso, inclusive, nem há uma disposição legal específica que preveja apuração de crédito em relação a tais despesas. Decorre de uma interpretação lógica da própria operação que o tem como um custo de aquisição. No presente caso, uma interpretação razoável implica em têlo como custo de comercialização, sem o qual o processo não pode ser completado. Fl. 742DF CARF MF 10 Além disso, as transferências de mercadorias para o Porto ou centro de distribuição para formar os lotes não têm outro propósito senão a operação de venda, a aproximação das mercadorias aos consumidores finais ou simplesmente para viabilizar a exportação. O legislador ao utilizarse da expressão ‘operação de venda’ ao invés de ‘venda’ propriamente dita, teria objetivado esta intenção, qual seja, conferir crédito de PIS e COFINS sobre o frete para transporte de mercadorias sempre que este transporte estiver relacionado à atividade de venda. Outro ponto importante que corrobora esse raciocínio está no inciso IX, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003, que trata, também, dos referidos créditos em relação aos valores incorridos com armazenagem. Ora, não faria nenhum sentido, ou nenhum aplicabilidade prática, caso esta armazenagem fosse aquela relacionada com a venda de mercadoria ao consumidor final, uma vez que a mercadoria vendida normalmente deixa a loja varejista para ser entregue diretamente ao cliente, e não para ser inicialmente depositada em algum armazém, para apenas em seguida ser entregue ao cliente. Em outras palavras, o legislador, ao conferir o direito aos referidos créditos em relação às despesas com armazenagem, na operação de venda, teve a intenção de abranger as hipóteses em que as mercadorias são armazenadas em centros de distribuição ou como no presente caso, no Porto, e, de lá, são encaminhadas a lojas varejistas ou são exportadas, pois toda essa operação (armazenagem em centro de distribuição, transferência a loja varejista, e venda e entrega ao cliente ou exportação) está inserida no contexto da ‘operação de venda’ especialmente nos casos aonde a transferência é necessária, não meramente voluptuária. No presente processo, como há de se compreender, terseia a mesma despesa de frete sobre venda se a consolidação da carga fosse realizada na área portuária, não sendo possível desclassificar o crédito em função da forma de organização de sua atividade comercial, principalmente quando esta escolha se dá por necessidade operacional e é a única viável existente, considerando a sabida precariedade dos portos nacionais. Assim, não sendo reconhecido como frete sobre a ‘operação de venda’ deveríamos reconhecêlo como custo de armazenagem. Esse sentido seguiu a recente decisão (de 22/08/2012) da E. Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.215.773 – RS que admitiu o crédito do custo do frete na transferência de veículos para as concessionárias, cuja ementa é a seguinte: RECURSO ESPECIAL. VALOR DO PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS PELA CONCESSIONÁRIA PARA REVENDA. DESCONTOS DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. EXEGESE DOS ARTIGOS 2º, 3º, INCISOS I E IX, E 15, INCISO II, DA LEI N. 10.833/2003. – Na apuração do valor do PIS/COFINS, permitese o desconto de créditos calculados em relação ao frete também quando o veículo é adquirido da fábrica e transportado para a concessionária – adquirente – com o propósito de ser posteriormente revendido. Recurso especial parcialmente provido. Ressalto, nesse caso, trecho do referido acórdão, assim expresso pelo Ministro Asfor Rocha, cujos destaques são por mim realizados: Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10909.003966/200622 Acórdão n.º 3802001.681 S3TE02 Fl. 737 11 Ora, seguindo a literalidade dos dispositivos acima, mais especificamente do art. 3º, incisos I e IX, não se pode restringir a possibilidade de desconto ao caso em que a venda ao consumidor é realizada antes do transporte do bem para a concessionária. Na minha compreensão, a leitura dos dispositivos deve ser feita assim: “frete na operação de venda (inciso IX), em relação a bens adquiridos para revenda (inciso IX c/c o inciso I)”. Esse texto, sem dúvida, permite o desconto envolvendo o frete também quando o veículo é transportado para a concessionária com o propósito de revenda. É o que diz a lei em relação à Cofins e ao PIS/Pasep. Esse entendimento fica ainda mais fortalecido quando se observa que a lei permite, expressamente, nos mesmos dispositivos, o desconto de créditos calculados em relação a “armazenagem de mercadoria” no tocante a “bens adquiridos para revenda”. Ou seja, o armazenamento destinase à revenda de bens ao consumidor. Destaco, ainda, com relação ao mesmo julgamento o voto do Ministro Teori Albino Zavascki, assim expresso: O EXMO. SR. MINISTRO: Sr. Presidente, não há como desvincular o inciso IX do inciso I do art. 3º, até porque o inciso IX remete expressamente ao inciso I. Ou seja, estamos tratando de uma operação de revenda, de bens adquiridos para revenda. Na operação de revenda, o que se chama operação de venda é complexa porque supõe um fazer anterior, uma operação anterior. É uma operação complexa nesse sentido, porque é dupla. Em se tratando especificamente de revenda de automóveis, se limitarmos a frete aquilo que sucede depois da aquisição pelo revendedor, praticamente tornaríamos letra morta o dispositivo, porque o frete, no geral, é no transporte do fabricante para o revendedor É exatamente o que ocorreria aqui se mantivéssemos a proibição confirmada pela decisão da DRJ. A Lei tornarseia letra morta. No mais, e somente para introduzir mais um ponto favorável à tese aqui esposada, tenho que, no contexto do inciso II, esse frete é complementarmente insumo de produção. O inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833 expressa que são passíveis de crédito os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Diz, portanto, que os insumos necessários utilizados no processo de formação dos produtos destinados a venda são passíveis de crédito. Os insumos no contexto do regime de apuração da contribuição nãocumulativa da COFINS devem ser considerados como todos os fatores necessários ao desempenho das atividades empresariais, seja na produção, comercialização de bens ou prestação de serviços. Fl. 744DF CARF MF 12 Implica, antes de mais nada, em entender os insumos inseridos no processo de complexão dos produtos que se pretende vender, parte do processo produtivo. E há de se compreender o processo como complexo de bens e serviços empregados do início ao fim do processo de produção e venda, mesmo porque não se excluem os insumos referentes à venda por mera interpretação extensiva e porque ninguém, salvo o varejista, vende uma madeira, mas se vendem lotes de madeiras, formar o lote é etapa necessária ao aprimoramento do produto que nada mais é que o próprio lote. Quando a legislação pretendeu excluir créditos deste tipo o fez expressamente, conforme pode se defluir em referência expressa à vedação de crédito em relação a uma modalidade de comissão de venda prevista no artigo 2º da Lei nº 10.485/2002 paga pelo fabricante ou importador aos concessionários na venda direta de determinados tipos de automóveis. Em face dessa exclusão expressa de insumos de venda, poderseia concluir a contrario sensu que os demais insumos de venda geram direito a crédito de PIS e de COFINS. E repito, no caso, formar lote é também insumo de produção porque o que se vende é o lote. A segunda questão posta em discussão é se há direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física. O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial (REsp nº 993.164/ MG). Assim outro caminho não há senão o de que seja restabelecida a inclusão na base de cálculo dos créditos presumidos do IPI, do valor dos insumos adquiridos dos produtores rurais, pessoas físicas nãocontribuintes das mencionadas Contribuições. Outro ponto importante ainda que merece destaque é o fato da edição do Ato Declaratório nº 14, publicado no DOU de 22/12/2011, no qual a Procuradoria da Fazenda Nacional está dispensada de recorrer em processos que envolvam a matéria posta aqui em litígio: A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, (...) no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do artigo 5º do Decreto nº 2.346, de 10 e outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2116/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistia outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do artigo 1º da Lei n. 9.363/1996” Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10909.003966/200622 Acórdão n.º 3802001.681 S3TE02 Fl. 738 13 Por todo o aqui exposto, voto pelo CONHECIMENTO e pelo PROVIMENTO ao presente recurso para reconhecer o direito do recorrente no que concerne ao reconhecimento do direito ao crédito da Cofins NãoCumulativa na hipótese de transporte entre filiais e ao direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física." Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003755/2003-74
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2000
Ementa: Incentivo Fiscal - Aplicação do Imposto de Renda em Investimentos Regionais - PERC - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos da Decreto n° 70,235/72 (Súmula CARF N" 37),
Numero da decisão: 1892-000.615
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Ausente justificadamente o conselheiro João Francisco Bianco„
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Ausente justificadamente o conselheiro João Francisco Bianco„ • 17 SET 2n1ÇK EDITADO EM. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, e Alfredo Henrique Rebello Brandão. Relatório Por economia processual e bem sintetizar a lide, adoto o Relatório da decisão recorrida (1167/68) que abaixo transcrevo: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário 2000, exercício 2001, protocolado em 17111/2003 pelo contribuinte acima identificado (lis I) Confirme dados constantes da ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais ria Declaração de 41bl-inações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIRI (fl 16), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINAM Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, confbrine se verifica na consulta de. fis. 46, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido em razão de irregularidades . fiscais do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal — SRE e a Procuradotia Geral da Fazenda Nacional - PGFN, além de se encontrar inscrito no CADIN Conforme apontado no Despacho Decisório de fls. 54 a 57, essas irregularidades consistiam em i) Débito em cobrança (Contacorpf) de IRRE (fls. 48); ii) Inscrição em dívida ativa da União referente ao processo n° 13820.000070/96-81 (fls. 50), iii) Inscrição no CAD1N (lis 53) Em .face das irregularidades acima apontadas, foi indeferido o PERC com base no art. 60 ria Lei n 09 069/95 e no art 60, II, da Lei n° 10.522/2002. Em 05/04/2006, o contribuinte protocolou a manifestação de inconformidade de lis. 59 a 64, alegando que preenche todos os requisitos de inérito para ler direito ao incentivo . fiscal e que o indeferimento teve por base somente o fato de o manifestante não estar em situação de regularidade fiscal no momento de análise do PERC Acrescenta que, à época, tinha pendências junto à PGFN, que estavam sendo resolvidas O manifestante argumenta que o art. 60 da Lei n° 9.069/95 dispõe que é necessária a regularidade fiscal para que o contribuinte possa gozar de qualquer beneficio ou incentivo . fiscal. Contudo, a lei não estabelece prazo especifico ou limite para tal ato ser realizado, pois o legislador quis proteger o direito que o contribuinte detém, podendo gozá-lo quando regularizar É o relatório, Processo n' I 6327.003755/2003-74 Si T E02 Acórciiio n° 1802-00.615 F I 128 sua situação fiscal e cumprir, assim, a disposição legal em comento, Tendo em vista que o PERC foi indeferido somente por falta de regularidade fiscal momentânea e passageira, situação que já está sendo resolvida, requer o manifestante ser intimado a apresentar sua regularidade fiscal, num prazo de 30 dias, antes do julgamento deste recurso, para que possa comprovar sua atual fase de regularidade fiscal. Requer também que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente, reformando-se o despacho decisório, para que seja deferido o PERC e liberada a Ordem de Enli . 5 são Adicional de Incentivos Fiscais — OEA, O interessado foi cientificado da decisão de primeira instância prolatada no Acórdão IV 16-14,791, de 17/09/2007, com Aviso de Recebimento (AR), fi,72, em 03/10/2007, e, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes em .31/10/2007, (fis,93/101) As razões de inconformidade na peça recursal são, no essencial, as mesmas apontadas em sua impugnação, constantes do Relatório acima transcrito. Afirma a Recorrente que, quando do protocolo do pedido, estava com situação regular, conforme as certidões que ora são anexadas.. Destaca que o indeferimento embasado no artigo 60 da Lei n.° 9,069,03, ocorreu em março de 2006 ou seja, em momento posterior ao da opção pelo beneficio ocorrida no ano calendário de 2000 quando da entrega da MN /2001 e do pagamento do imposto sob o código de arrecadação apropriado, motivo pelo qual qualquer exigência de comprovação da regularidade fiscal posterior a esse momento carece de plausibilidade. Repisa que não há prova que a Recorrente estava com pendências fiscais no momento da opção feita na sua declaração de rendimentos e no recolhimento do imposto (condições exigidas pela legislação para o exercício da opção), pois, todos os pretensos débitos de responsabilidade da Requerente apontados nas decisões proferidas nestes autos, são todos muito posteriores à opção do beneficio .fiscal Para reforçar seus argumentos o recorrente traz à colação vários acórdãos proferidos por diferentes colegiados desse Conselho Administrativo, antigo Conselho de Contribuintes. Após o breve relato dos fatos apontados na mencionada impugnação, a Recorrente, ao final requer que se dê provimento ao recurso para reformar o Acórdão recorrido tomando improcedente o despacho decisório que indeferiu o PERC. 3 Voto Conselheira Relatora, Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70135/72. Assim, dele conheço. Trata-se, corno visto, de Recurso Voluntário interposto em face da decisão que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — PERC, sob o fundamento de que o sujeito passivo não comprovou sua regularidade fiscal quando da análise da matéria. Ou seja, na data de expedição do Despacho Decisório, o contribuinte se encontrava em situação irregular perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGEN,a Secretaria da Receita Federal do Brasil- RFB, e no CADIN, o que motivou o indeferimento do PERC. No essencial a Recorrente alega que, a situação de sua regularidade fiscal deveria ter sido verificada no momento da opção pelo incentivo fiscal, sendo certo que em tal momento, o Fisco não fez nenhuma prova da suposta irregularidade junto aos Órgãos Administrativos. O indeferimento do pedido teve por fundamento legal o disposto no art. 60 da Lei n" 9..069/95, que dá amparo ao § único do art.614 do RIR/99, a seguir transcrito: Lei ii" 9 069/95 "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições adniiiihtrados pela Secretaria da Receita Federal .fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuiçães.federais, Não há dúvida que a Lei n° 9.069/95 faz restrições para os casos de contribuinte com débito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Quanto ao momento da regularidade fiscal, a matéria encontra-se sumulada no âmbito desse Conselho Administrativo Fiscais — CARF, vejamos: Para .fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de compromção de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n" 70.235/72 (Súmula CARP.' N" 37J Consta do Despacho Decisório da Deinf/SPO, emitido em 09/03/2006, E. 56, o seguinte: A aludida consulta indica que o interessado está: - inscrito no Cadin 0'1.53); - em situação irregular junto à PGFN (fl. 50), -e com a CND mais recentemente emitida pela SRF vencida desde 21/10/2005 e irregular junto a este órgão 0148); - impedindo-o 4 PI ocesso n" 16327.003755/2003-74 Acórdão n." 1802-00.615 SI-TE02 Fl. 129 de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais-, com o que fica materializada a vedação prevista na legislação (Grifei) Verificando-se os débitos acima, constata-se, a existência de débito, àfl ..48, relativo a 1RRF, com vencimento em 1993 e, à .1150, débito inscrito na PGFN em 17/03/1998, relativo ao Processo n" 10805-219291/98-00. As demais irregularidades, (fi,50 e 53) reportam-se aos anos de 2004, 2005 e 2006. Corno se vê no ano calendário de 2000 havia pendências fiscais junto à Receita Federal e PGFN, relativas a 1993 e 1998 (débito, à 11.48, relativo a IRRF, com vencimento em 1993 e, à 11.50, débito inscrito na PGFN em 17/03/1998). Por outro lado, consta dos autos (ff.103/104), certidão positiva com efeito de negativa, expedida pela PGFN, em 26/11/2002 e certidão positiva com efeito de negativa, 11.105, expedida em 26/11/2002 e 11106, expedida em 13/01/2004, pela Secretaria da Receita Federal, conforme mencionado acima, o que significa dizer que em 2002, houve prova de regularidade fiscal, junto a Receita Federal e PGFN, no período referente à Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo (ano calendário de 2000), por se tratar de período anterior à expedição das aludidas certidões negativas. Na esfera administrativa tributária, dispõe a Instrução Normativa SEF n" .267, de 23/12/2002: .1rt1.2=1, Nos casos em que .for necessária concessão ou reconhecimento expressos pelos órgãos ou entidade da Administração Pública Federal das incentivos ou benqfícios fiscais de que trata esta Instrução Normativa, se, ão exigidas as Certidões Negativas de Débitos relativamente aos tributos e C011ii ibuições federais Assim, há de se aplicar o enunciado da Súmula CARF N" 37, acima descrita, tendo em vista haver o Recorrente trazido aos autos documento que comprova a satisfação da exigência mediante a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), expedida posteriormente ao ano calendário da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo (ano calendário de 2000). Diante do exposto, VOTO no sentido de que seja DEFERIDO o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, fi. 02, e por conseqüência DAR provimento ao recurso. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 16327.003755/2003-74 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do ait 81, § 30, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial ri' 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 17 de setembro de 2010. Maria Coro de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 13971.003026/2003-25
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
É vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que comprovadamente se dedique à construção de imóveis.
Numero da decisão: 1402-000.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ATIVIDADE VEDADA. CONSTRUÇÃO CIVIL. É vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que comprovadamente se dedique à construção de imóveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. EDITADO EM: 14/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vice-Presidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Diniz Raposo Silva e Sergio Luiz Bezerra Presta. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 2 Relatório Construtora Daclande Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Florianópolis/SC, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata-se de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, por motivo de exercício de atividade econômica vedada (ligada a construção de imóveis), conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 18, de 02 de junho de 2005, nos artigos 9º, incisos V e §4º, da Lei nº 9.317/1996, e 20, incisos V e §3º, da Instrução Normativa SRF nº 355/2003. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (fls. 51/52) e manifestação de inconformidade (fls. 53/54). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, ao analisar Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, considerou-a improcedente. Fundamenta sua decisão, alegando que não foram levantadas questões de fato e sim de direito. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 53/54), a Interessada aduz que tem como atividade principal a extração e britamento de pedras e de outros materiais para construção. Diz que 80% do faturamento total da empresa é de venda de produtos de construção civil (areia, brita, pedras brutas, cimento e paralelepípedos) e que só a partir de janeiro de 2004 é que fez obras de pavimentação de ruas para prefeituras. Por fim, alega que “a empresa que faz construção de imóveis é a empresa da família Construção Civil M G Ltda inscrita no CNPJ sob nº 06.145.928/0001-40”, que não é optante pelo SIMPLES. É o relatório. A DRJ proferiu em 24/04/2009 o Acórdão nº 15.833 (fls. 74-75), que traz a seguinte ementa: “EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. CONSTRUÇÃO CIVIL. A pessoa jurídica que exerça atividade compreendida na definição legal de construção de imóveis está impedida de optar pelo Simples.” Em cumprimento às determinações contidas naquele acórdão, a DRF/Blumenau-SC constatou haver sido a empresa baixada em 29/06/2007, razão pela qual efetuou o desfazimento daquela baixa junto aos sistemas da Receita Federal do Brasil (fls. 78- 79). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13971.003026/2003-25 Acórdão n.º 1402-00.172 S1-C4T2 Fl. 91 3 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 03/07/2009 (A.R. de fl. 86), a recorrente interpôs recurso voluntário em 31/07/2009 (fl. 87) onde alega, tão-somente, que “a empresa foi baixada, legalmente, em 29/06/2007 pelo motivo EXTINÇÃO – TRATAMENTO DIFERENCIADO DADO AS ME E EPP, e não pelos motivos alegados no acórdão.”, e que “tinha como atividade principal a extração e britamento de pedras e de materiais para construção em geral” É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, pois, tomo conhecimento. No presente processo é discutida a possibilidade de permanência da recorrente no SIMPLES, tendo em vista que a autoridade fiscal, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) de fls. 49, a excluíra por exercício de atividade econômica supostamente vedada, enquadrada no inciso V e §4º do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. Com efeito, o comando legal supra mencionado determinava expressamente que as empresas que se dedicassem a execução de obras de construção civil não poderiam ingressar no citado sistema: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V - que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4º Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) Constam dos autos diversos contratos com a Prefeitura Municipal de Rio dos Cedros/SC que apontam para o exercício, pela recorrente, da atividade vedada prevista acima, senão vejamos: contrato nº 10/2000 (fls. 05-07) – construção de uma ponte em concreto armado classe TB-45; nº 15/2000 (fls. 08-11) – reforma da Fundação Hospitalar de Rio dos Cedros; nº 19/2000 (fls. 12-14) – construção de uma escola ... . Conforme fazem provas as correspondentes notas de empenho e notas fiscais de fls. 15-43, tais serviços foram efetivamente executados pela empresa ora recorrente, não deixando dúvidas quanto à subsunção dos fatos apresentados nos autos à norma restritiva acima transcrita. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 4 Quanto ao argumento de que a empresa teria sido baixada legalmente em 29/06/2007, é de se esclarecer que àquela época já havia sido declarada a sua exclusão do Simples (vide Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 18, de 02/06/2005, fl. 49) e que o correspondente processo – este que ora se analisa – ainda não havia sido concluído. Por conseguinte, é indevida a baixa da empresa nesses casos, inobstante o seu motivo. O desfazimento da baixa, nessas circunstâncias, constitui-se em hígido e necessário ato de ofício da administração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2010. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 00009.250508/09-78
Data da sessão: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 1985
Numero da decisão: CSRF/02-00.004
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, devolver os autos à Câmara recorrida para que, preliminarmente, o seu Presidente se digne manifestar-se sobre a admissibilidade do recurso especial de divergência apresentado pelo sujeito passivo, ao ensejo das contra-razões de folhas 298/301.
Nome do relator: Haroldo Braga Lobo
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Numero do processo: 10855.000487/97-48
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 202-00.319
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso Sessão Recorrente : Recorrida : 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 05 de dezembro de 2001 INDÚSTRIAS TÊXTEIS BARBERO S/A DRJ em Campinas - SP RESOLUÇÃO N° 202-00.319 ••••",. "'",. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: INDÚSTRIAS TÊXTEIS BARBERO S/A. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. , m 05 de dezembro de 2001 clIcf7cesa 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso Recorrente : 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 INDÚSTRIAS TÊXTEIS BARBERO S/A RELATÓRIO Adoto, por bem descrever a matéria tratada neste processo, o relatório constante da Decisão de fls. 139 a 154: "Trata-se de Auto de Infração (fls. 58/91), lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo àfalta de recolhimento da Contribuiçãopara o Programa de Integração Social - PIS, no período de janeiro/88 a março/88, julho/88, outubro/88 a dezembro/94, maio/96 e junho/96, tendo o autuante assim descrito as irregularidades apuradas, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, àsfls. 92/93: '1 -MANDADO DE SEGURANÇA (AMS-89.0005432-5) Em 20ljev/89, a fiscalizada impetrou o Mandado de Segurança em referência, constante do Processo Administrativo nO 10855.000314/89-10, contestando a constitucionalidade do Decreto-:Lei2.445/88, quando obteve liminar do Juízo Federal da 2r Vara, em São Paulo, para impedir a autoridade impetrada de praticar qualquer ato tendente a exigir o pagamento desta contribuição, inclusive com impedimento de autuação, ficando, entretanto, a liminar condicionada à prestação de caução idônea, real ou fidejussória, ou, depósito administrativo em dinheiro, inclusive dasprestações vincendas. Esta empresa apresentou a Carta de Fiança nO02-13863/89, expedida pelo Banco Financeiro e Industrial de Investimento S.A., para garantia de até NCz$7.271,64, correspondentes à 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 diferença de valores decorrentes do PIS, somente para os meses de AGOSTO e SETEMBRO de 1988. Referida ação encontra-se encerrada, com trânsito em julgado, conforme certidão expedida pelo Cartório da 2r VaraFederal em São Paulo. 2. MEDIDA CAUTELAR 95.0902217-9 Distribuída junto à 2a Vara Federal, em Sorocaba, em 13/06/95, objetivando a suspensão da exigibilidade do PIS, com base nos Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, e oferecendo depósitos judiciais em garantia da suspensão da exigibilidade, até decisãofinal de mérito. Em sentença proferida em 16/08/95, a ação foi julgada procedente, permanecendo a obrigatoriedade da empresa em depositar mensalmente nos autos, com base na Lei Complementar 7/70, ENQUANTO PERDURAR A AÇÃO PRINCIPAL. Os autos subiram ao TRF, tendo sido confirmada em parte a sentença de primeira instância, alterada na parte referente à verba honorária, com trânsito em julgado ocorrido em 03/09/96. É o que se infere da Certidão emitida pelo Cartório da 2a Vara Federal em Sorocaba, datada de 30 de janeiro de 1997 (cópia às fls. 45 desteprocesso). 3. DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS EFETUADOS A fiscalizada efetuou depósitos judiciais somente para os meses dejaneiro de 1995 até abril de 1996, conforme cópias das guiasjuntadas nesteprocesso administrativo, que tempor objeto o auto de infração lavrado para este período, o qual encontra-se com sua EXIGIBILIDADE SUSPENSA, nos termos dos art. 151, 11do CTN, até decisão final da AÇÃO CAUTELAR 95.0902217-9, podendo ser convertida em renda da União, se suficiente para extinguir o crédito constituído, nos termos do art. 156, VIdo CTN, após análise da PSFN 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 4. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS Este estabelecimento efetuou pagamento do PIS, referente aos seguintes fatos geradores: janeiro a dezembro de 1987, agosto de 1998 (considerado no auto de suspensão, tendo em vista a Carta de Fiança citada no item 1 acima), maio e junho de 1996. 5. DA DISPENSA DE RECOLHIMENTOS Pelo disposto no artigo 11 do Decreto-Lei nO2.445/88, este estabelecimento está dispensado dos recolhimentos das contribuições ao PIS, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de abril, maio ejunho de 1988. 6. Pelo exposto, e considerando as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional, e visando prevenir a jurisdição, nos termos do art. 9° do Decreto 70.235/72, com as alterações do art. r da Lei nO 8.748/93, lavrei o presente auto de infração para constituir o crédito da Fazenda Nacional, relativo às contribuições sociais mensais devidas ao PIS - Programa de Integração Social, com base na legislação em vigor. ' Inconformada com o procedimento fiscal, a interessada interpôs impugnação tempestiva, às fls. 96/124, onde, em síntese e fundamentalmente, alega que: 1. preliminarmente, nos termos do art. 173, 1, do CTN, o direito de realizar a constituição do crédito referente ao período de janeiro/88 a fevereiro/92 já resta irremediavelmente decaído. O art. 10 do DL 2.052/83 trata apenas de prescrição. Ademais, decadência e prescrição são matérias reservadas pela Constituição à Lei Complementar, não podendo ser regulada por Decreto-Lei; 2. no mérito: 4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso MINISTÉRIO DA FAZENDA 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 • não pode, sob o pretexto de que os DL 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais e suspensa sua eficácia pelo Senado Federal, exigir-se a diferença de alíquota de 0,65% (quefoi a recolhida) para 0,75%,porque a Resolução nO49 somente tem efeito ex nunc, ou seja, afeta as relações a partir de sua publicação, não tendo o condão de retroagir para suspender a eficácia em relação a situações pretéritas. Não se pode olvidar que já existe, em relação ao período indicado, o ato jurídico perfeito referente à obrigação tributária que nasceu dentro da validade de norma posteriormente declarada inconstitucional interpartes e com efeitos suspensos por l?esolução do Senado Federal. Além disso, quando da obtenção do faturamento, todos os valores necessários àformação de preço levaram em consideração a alíquota de 0,65% e não de 0,75%, de forma que exigir a diferença é basicamente impor exigência sobre o lucro ou sobre o patrimônio. Portanto, o presente auto de infração deve ser totalmente recalculadopela alíquota de 0,65%; • a multa não é devida, porque a conduta foi lícita, uma vez que a obrigação tributária nasceu em decorrência do fato previsto nos citados Decretos-Leis e com base neles foram aPUrados os valores, muito embora não se tenha por constituído o crédito tributário;, • segundo o art. 6° da LC 7/70, ofato gerador do PIS, no seu aspecto temporal, ocorre no próprio mês, todavia, sua base de cálculo será o faturamento de seis meses atrás. Como o AF1N não considerou tal disposição, deve opresente auto de infração ser devidamente corrigido. Cita jurisprudência administrativa; • é incabível a aplicação da TR até o mês de julho de 1991, pois decorre da Lei 8.218/91, com vigência a partir do mês de agosto de 1991. Mesmo após agosto/91 é incabível tal aplicação, pois, dada a natureza da TR, a União estaria cobrando variação monetária, além de estar sendo remunerada por uma faixa de lucro própria de 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 estabelecimentos bancários, cuja atividade não é por ela exercida. Ademais, a União não pode deixar de observar a disposição contida no Decreto 22.626/33 e adotar taxa de juros sabidamente superior à legal. Por fim, a própria ConstituiçãoFederal de 1988, no artigo 192, 9 3°, prescreve que a exigência dejuros nãopode ultrapassar 12%a.a." • não se pode admitir que a Ufir, índice de correção monetária, possa incidir sobre juros. O anatocismo é proibido pelo Decreto 22.626/33 e também pela Súmula 121 do Supremo TribunalFederal. ,; A autoridade julgadora de primeira instância administrativa julgou procedente o lançamento firmado, por intermédio da Decisão DRJ/CPS nO0271712000, assim ementada: "Assunto: Contribuiçãopara o PISlPasep Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1988, 01/07/1988 a 31/07/1988, 01/10/1988 a 31/12/1994, 01/05/1996 a 30/06/1996 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de dez anos a partir da data fixada para o seu recolhimento. - LC 7/70. BASE DE CÁLCULO. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. VIGÊNCIA. Com a Resolução 49/95 do Senado Federal, no período abrangido pelos DL 2.445/88 e 2.449/88 o PIS deve ser recolhido segundo a LC 7/70 e alterações da legislação superveniente. O art. 6° da LC 7/70 veicula norma sobre prazo de recolhimento e não regra especial sobre base de cálculo retroativa da referida contribuição. TRD. JUROS DE MORA. Subtrai-se da cobrança da TRD, como juros de mora, o valor referente ao período compreendido entre 4çle fevereiro a 29 de julho de 1991. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Inconformada com a decisão proferida, a interessada recorre a este Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 161 a 179), alegando, em apertada síntese: a) a desobrigação do depósito recursal de 30%, em razão de liminar deferida em autos de ação cautelar inominada proposta; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso 10855.000487/97-48 202-00.319 113.736 b) a decadência qüinqüenal a ser aplicada ao lançamento; c) que deve ser aplicada a alíquota de 0,65% à exigência reclamada; e d) a aplicação do art. 6° da LC nO07170 (semestralidade). É o relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: Recurso 10855.000487/97-48 202-00.319 . 113.736 , f. t I, I VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Como relatado, a discussão nestes autos versa a respeito do lançamento de crédito tributário de PIS contra a recorrente, que, por sua vez, requer, entre outras alegações, a aplicação do artigo 6° da Lei Complementar nO07170 "... com critério ou elemento de base de cálculo e não como critério de vencimento ..." (semestralidade). Abstendo-me, neste momento, de apreciar as questões preliminares argüidas, mas assim o fazendo com o intuito de melhor instruir a presente lide, voto no sentido de converter este julgamento em diligência à repartição de origem para que: a) aplique aos valores recolhidos a título de PIS pela recorrente o artigo 6° da LC nO07170, nos exatos termos do já decidido por este Conselho de Contribuintes nos Acórdãos nOs201-74.815 e 202-128.15, ou seja, no sentido de que o PIS, na forma da legislação citada, tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o faturamento de seis meses atrás; e, b) em seguida, manifeste-se sobre a possível suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, para a liquidação dos débitos para com o próprio PIS, nas respectivas datas de vencimento, referentes aos períodos de apuração de que trata este processo, bem como proceda, de imediato, o bloqueio dos créditos confirmados até o montante necessário para quitar os débitos aqui em exame, total ou parcialmente. Findas essas apurações, seja oferecido oportunidade à recorrente de se manifestar sobre os resultados da diligência, antes do retomo dos autos a esta Câmara. 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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