Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10840.720752/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009.
Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator.
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Numero da decisão: 3401-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo o que foi decidido em juízo, e em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10840.720752/2009-07
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5799244
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-004.243
nome_arquivo_s : Decisao_10840720752200907.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
nome_arquivo_pdf_s : 10840720752200907_5799244.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo o que foi decidido em juízo, e em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada. Rosaldo Trevisan - Presidente. Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
id : 7013826
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735487553536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.928 1 1.927 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720752/200907 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401004.243 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2017 Matéria IPI Imposto sobre Produtos Industrializados Recorrentes FAZENDA NACIONAL COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA LTDA. (RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA.) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ªA da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo o que foi decidido em juízo, e em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 07 52 /2 00 9- 07 Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.929 2 LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, situado às fls. 1.323 a 1.364, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2004, acrescido de multa e juros de mora, de maneira a totalizar o crédito tributário histórico de R$ 43.839.348,04. 2. Segundo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, que integra o auto de infração lavrado, situada às fls. 1325 a 1348, o lançamento de ofício ocorreu: (i) por ter a contribuinte se apropriado indevidamente em sua escrita fiscal de créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas isentas provenientes da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental; bem como (ii) por conta de duplicidade de créditos incidentes sobre o mesmo insumo (embalagens na aquisição e retorno de industrialização de encomendas) recebidos em transferências em virtude de incorporação das empresas IPIRANGA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. e REFRESCOS IPIRANGA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. 3. A contribuinte, cientificada do auto de infração em 09/06/2009 (fls. 1324), apresentou tempestiva impugnação situada às fls. 1372 a 1405, em 07/07/2009 (cf. fls. 1371), na qual argumentou, em síntese, que: (i) decaiu o direito de lavrar o auto de infração para exigir créditos tributários anteriores a 09/06/2004, porque não efetuou o respectivo lançamento no prazo de cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN); (ii) em relação à glosa dos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (concentrado), adquiridos na Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes), o auto improcedente, porque (ii.a) os créditos de IPI ora exigidos estão extintos por força da coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 91.00477834; (ii.b) os dispositivos legais que fundamentam o auto não prevêem a glosa dos créditos relativos à aquisição de insumo isento e a impugnante tem direito a esses créditos em razão do princípio da nãocumulatividade; e (ii.c) a impugnante também tem direito ao crédito relativo à aquisição do concentrado isento por força da disposição expressa do art. 6º do Decretolei n° 1.435, de 16/12/1975; (iii) com relação aos créditos de IPI recebidos em virtude de operação de incorporação, não há respaldo na legislação para o entendimento da autoridade no sentido de que as empresas incorporadas não poderiam ter mantido os créditos de IPI relativos à aquisição das embalagens empregadas na industrialização por encomenda. 4. Em 25/02/2010, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1427.732, considerando Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.930 3 procedente em parte o lançamento para cancelar a glosa dos créditos de IPI sobre operações de retorno ao estabelecimento da contribuinte então impugnante dos produtos industrializados sob encomenda (duplicidade de créditos incidentes sobre o mesmo insumo), com redução do imposto de R$ 18.494.093,15 para R$ 17.536.646,32, e da multa de ofício de R$ 11.474.685,18 para R$ 10.756.600,09, mais os juros regulamentares, nos termos da ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, somente sobre os produtos adquiridos com a isenção concedida aos produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidos por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de administração da Suframa, e empregados como MP, PI e ME na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cancelase a exação para o período em questão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Diante do cancelamento do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.931 4 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 6. A contribuinte, intimada em 15/03/2010 mediante envio postal, em conformidade com aviso de recebimento situado à fl. 1817, interpôs, em 13/04/2010, recurso voluntário, situado às fls. 1818 a 1849, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. 7. Em sessão de 25/04/2012, foi proferida a Resolução CARF nº 3401 000.459, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, convertendo o julgamento em diligência para sobrestálo até a ulterior decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 9. Antes da análise da admissibilidade dos recursos de ofício e voluntário, necessário se enfrentar a questão atinente à competência deste colegiado, tendo em vista a edição da Resolução CARF nº 3401000.459, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que decidiu pelo sobrestamento do presente processo até a ulterior decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.932 5 10. Entendo que os recursos em referência possam ser objeto de apreciação por esta turma julgadora, em decorrência de um primeiro fato superveniente à Resolução: o trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361RJ em 23/02/2017, proferido nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Transcrevese, neste sentido, trecho do despacho de 17/11/2016 de lavra do relator, Ministro Og Fernandes: "Em relação ao art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido pela MP 1.7981/99, e ao art. 16 da Lei n. 7.347/85, com redação dada pela Lei n. 9.494/97, a jurisprudência desta Corte firmou se no sentido de que a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97 de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações (...) No caso, dos autos, a instância ordinária expressamente afirmou que o mandado de segurança foi impetrado em data anterior a vigência da MP n. 2.18035/2001 (eSTJ, fl. 429)" (seleção e grifos nossos). 11. A decisão em referência, como se conclui a partir tanto dos documentos trazidos a conhecimento deste colegiado, bem como por meio do extrato do processo obtido por este Relator no site do Superior Tribunal de Justiça, transitou em julgado em 23/02/2017: Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.933 6 12. O Recurso Especial nº 1.438.361RJ, por seu turno, tem, como recorrente, a contribuinte autuada, como se pode verificar a partir do extrato a seguir recortado: 13. O segundo fato superveniente à decisão foi a decretação, pelo Supremo Tribunal Federal, em 18/08/2017, da extinção da Reclamação nº 7.778, em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.934 7 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publiquese. Brasília, 11 de maio de 2017. Ministro Gilmar Mendes Relator 14. A decisão em referência transitou em julgado em 18/08/2017, como se denota da seguinte certidão: 15. Tais fatos supervenientes devolvem a questão ao conhecimento deste colegiado, uma vez que são prejudiciais ao objeto da Resolução, que se prestou a sobrestar o processo a fim de aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca do mérito, inacessível ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão administrativo, a partir do Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.935 8 reconhecimento judicial da coisa julgada. Devolvemna, no entanto, unicamente para que se reconheça a superveniência da decisão judicial no sentido da aplicação da coisa julgada ao caso presente. 16. Assim, diferente do contexto fático apreciado quando da prolação do Acórdão CARF nº 3401003.750, proferido em sessão de 26/04/2017, de minha relatoria, no qual externamos as razões pelas quais deveriam ser reconhecidos os efeitos da coisa julgada da decisão judicial transitada em julgado e obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que reconheceu o direito de todos os associados ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de empresas situadas na Zona Franca de Manaus, no momento da prolação da presente decisão, a questão restou judicial e definitivamente decidida, o que afasta a jurisdição e a competência deste Conselho. 17. Desta forma, inoportuno e descabido a este Relator ou a este colegiado se pronunciarem a respeito da extensão dos efeitos da coisa julgada, como, aliás, tivemos a oportunidade de fazer, detidamente, no Acórdão CARF nº 3401003.750, e, muito menos, a respeito da matéria de fundo, ou seja, o direito ao creditamento do IPI. Isto porque, conforme já defendemos naquela ocasião, uma vez que se reconheça a prevalência e, logo, a primazia da coisa julgada (matéria que o colegiado tem a obrigação de conhecer previamente, sem jamais deixar de decidir a respeito dela, sob pena de caracterização do non liquet), descabido será o pronunciamento quanto ao mérito. 18. Outro não poderia ser o desfecho do presente caso, sob pena de afronta à separação constitucional do Poder, tendo em vista a necessidade de observância, por parte das instâncias administrativas, do trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361 RJ (Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834), reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados e, portanto, inclusive da contribuinte ora recorrente, bem como a perda de objeto da Reclamação nº 7.778 que tramitou no Supremo Tribunal Federal. 19. Assim, voto no sentido do cumprimento da decisão judicial naquilo que concerne à não aplicação da interpretação da limitação territorial da coisa julgada no caso em análise, devendo a decisão obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que tramitou na 22ª Vara Federal da Subseção do Rio de Janeiro, aproveitar à contribuinte em tela. 20. O recurso de ofício, por sua vez, não preenche os requisitos formais de admissibilidade, como se passa a expor. 21. Verificase que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10840.720752/200907 Acórdão n.º 3401004.243 S3C4T1 Fl. 1.936 9 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 22. Assim, o recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele não conheço. Com base nesses fundamentos, voto por não conhecer o recurso de ofício, e conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001022/2009-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.001022/2009-36
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5823290
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.073
nome_arquivo_s : Decisao_10855001022200936.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10855001022200936_5823290.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
id : 7092927
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735515865088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.001022/200936 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.073 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Recorrente FORNAZIERO MATERIAL PARA CONSTRUÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2009. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não consigna, com precisão, os débitos inscritos em dívida ativa do sujeito passivo optante, que não estejam com exigibilidade suspensa, é nulo, a ele se aplicando os efeitos da Súmula Carf nº 22. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 10 22 /2 00 9- 36 Fl. 333DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 1435.266, proferido pela 9a Turma da DRJ/RPO , no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação do contribuinte, abaixo reproduzido: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO À OPÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. 0 débito perante a Fazenda Pública cuja exigibilidade não esta suspensa impede a opção pelo Simples Naci6nal. 0 crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa nas hipóteses previstas no artigo 151 do C6digo Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Acórdão 'Acordam os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar IMPROCEDENTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional 02.73.74.03, de 01/04/2009. Encaminhese A. Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente recurso é tempestivo e apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço por isso eu o acolho. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde, em síntese, afirma que os débitos estavam com a exigibilidade suspensa não assistindo razão a Fazenda Nacional para indeferir o seu pedido de adesão ao simples. Ocorre que o Termo de Indeferimento da Opção, data venia, não consignou, com precisão, os débitos que a, ora recorrente, possuía sem a exigibilidade suspensa, como se vê no Termo, abaixo reproduzido. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10855.001022/200936 Acórdão n.º 1001000.073 S1C0T1 Fl. 3 3 Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) CNPJ: 47.813.597/000157 NOME EMPRESARIAL: FORNAZIERO MATERIAL PARA CONSTRUCAO LTDA A pessoa jurídica acima identificada incorre, neste momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) que impede(m) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 47.813.597/000157 Débito inscrito em Divida Ativa da União (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. A relação dos débitos não inscritos em Divida Ativa da União está à disposição do contribuinte no endereço eletrônico www receita..fazenda.gov.br, em "Simples Nacional", "Consulta aos débitos junto á RFB". A relação dos débitos inscritos em Divida Ativa da Unido está á disposição do contribuinte no endereço eletrônico www.pgfn.gov.br , em "Serviços", "eCAC". A pessoa jurídica poderá impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação deste Termo. A impugnação deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicilio tributário do contribuinte e protocolizada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Consideras e feita a intimação 15 dias contados da data do registro deste Termo. (Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972, arts. 50 , 15, 17 e 23, § 2°,111, "b"). O CARF já pacificou o entendimento de que o ato declaratório de exclusão do Simples Ncional que, simplesmente, consigna existência de débitos sem os indicar, com precisão, é nulo,nos termos da Súmula CARF nº22, in verbis Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Fl. 335DF CARF MF 4 Tendo em vista que o Termo de Indeferimento incorre no mesmo defeito, e demonstrado que tal imprecisão importou em cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, a ele deve ser estendido os efeitos decorrentes da Súmula nº22. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900162/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014
EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI.
Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010.
Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.900162/2015-18
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805666
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.232
nome_arquivo_s : Decisao_10865900162201518.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865900162201518_5805666.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
id : 7050770
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735530545152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900162/201518 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.232 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2017 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente CONCAP RECUPERAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PNEUS CONCHAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 01 62 /2 01 5- 18 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 3 2 CONCAP RECUPERAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PNEUS CONCHAL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito do IPI. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório, revisor de ofício do despacho anteriormente emitido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, consequentemente, não homologando as compensações declaradas, pelo fato de ter sido constatado, em ação fiscal, que o estabelecimento não se caracterizava como industrial ou a ele equiparado. De acordo com a Fiscalização, pelo fato de as operações de restauração de pneus usados serem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, as operações do Recorrente enquadravamse nas exclusões do conceito de industrialização previstas no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2010 (Lei nº 4.502/1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I), conforme ilustrado pela Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, tendo em vista que o artigo 254, inciso I, alínea “e’, do Regulamento citado determina que deve ser estornado o crédito decorrente das aquisições tributadas pelo IPI que forem empregadas nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo previstas no inciso XI. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante requereu a homologação das compensações, a suspensão da exigibilidade/devolução do numerário e o direito de provar o alegado por todos meios de prova admitidos em direito, alegando o seguinte: a) preliminarmente, a existência de divergência entre a Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, utilizada pela Fiscalização, e as Soluções de Consulta nº 188/2008, 242/2007 e 245/2007, que consideram como industrializadas as operações encomendadas ao contribuinte, na medida que tais atividades não se realizam no âmbito da residência do preparador ou em oficina, conforme o art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002; b) a Administração deveria ter apresentado consulta à Cosit para sanar a divergência de interpretação da norma, por se tratar de ato vinculado, sem o que não se tem por fundamentado o Despacho Decisório, uma vez que a Receita Federal reconhecera que o fato de o serviço em questão ser tributado pelo ISS é irrelevante para determinar a incidência do IPI; c) o Despacho Decisório Revisor fere os princípios constitucionais da segurança jurídica, da irretroatividade tributária e do direito adquirido, pois a primeira Declaração de Compensação apresentada havia sido devidamente fiscalizada e as compensações expressamente homologadas; d) a Fiscalização distorceu a aplicação da legislação, bem como das Soluções de Consulta, ao descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado, a ser renovado ou restaurado, pois, somente se descaracterizaria a industrialização se o interessado estivesse consertando pneus que ainda possuíssem vida útil, como numa borracharia, pois há diferenças técnicas entre pneu recauchutado e, sobretudo, remoldado, conforme classificação na TIPI; d) a sua atividade é de indústria, sendo assim caracterizada na escrituração fiscal e reconhecida pelo Ibama, Cetesb, Coama, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 4 3 Fazenda e pelas diversas bandas de pneus, na medida em que a recapagem altera significativamente o uso do pneu, aperfeiçoandoo para consumo; e) quanto à exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002, afirma que não se enquadra na definição legal de oficina, tanto pela quantidade de empregados, como pelo alto consumo de energia elétrica, conforme documentos que junta. Nos termos do Acórdão nº 14058.695, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no direito de a Administração revisar seus próprios atos, observado o prazo decadencial de cinco anos, e no fato de não se caracterizar como industrialização a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, o que afasta o direito ao ressarcimento nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória exceto a legitimidade do procedimento de revisão de ofício do despacho decisório original , destacandose, ainda, o seguinte: 1. irrelevância do destinatário do produto para a incidência do IPI nos casos de recauchutagem; 2. a regramatriz de incidência tributária do imposto sobre produtos industrializados; 3. o reconhecimento da atividade industrial da recorrente por outros órgãos governamentais; 4. princípio da isonomia: as diferenças técnicas entre o pneu recauchutado e e o remoldado; 5. divergência entre as Soluções de Consulta da RFB: 38/2009, 22/2009, 188/2008. 242/2007 e 245/2007; 6. a industrialização por encomenda por usuário final. Consultas no âmbito da Fazenda Paulista: 562/2010 e 395/2009; 7. a atividade vinculada no âmbito da RFB e a necessidade de edição de Solução de Divergência; 8. o reconhecimento da RFB que recapagem é industrialização mesmo que encomendada por usuário final: Solução de Consulta Disit/SRRF 08 nº 14/2013; 9. o reconhecimento como indústria de recapagem independente de figurar na Lei Complementar n° 116: Parecer n° 18/2013; 10. homologação expressa do PER/DCOMPs n°s 21075.74956.231209.1.1.018760 e 25529.47001.290811.1.5.019293. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, aplicandoselhe, portanto, o decidido no Acórdão 3201003.217, de 26/10/2017, proferido no julgamento do processo nº 10865.720478/201528, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.217): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressaltase que questão versada na manifestação de inconformidade e decidida no acórdão recorrido não fora repisada neste recurso recaindolhe, portanto, a preclusão, a saber: a legitimidade do procedimento de revisão de ofício que resultou no cancelamento da restituição indevida realizada no Pedido de Ressarcimento o Despacho Decisório do presente processo. De outra banda, matéria não questionada na manifestação de inconformidade e suscitada no recurso voluntário, à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.23572 (PAF), não será enfrentada, a saber, a irrelevância da natureza do encomendante da recapagem, se consumidor final ou usuário, para a incidência do IPI Em que pese a recorrente aduzir novas razões de defesa em sua peça recursal, a matéria cujo contraditório fora instaurado na manifestação de inconformidade cingese tãosomente decidir quanto à adequação ao conceito de industrialização, para fins de tributação de IPI, e o corresponde direito ao crédito de que trata o art. 11 da lei nº 9.779/99, a atividade de recapagem de pneus usados, encomendados por pessoas jurídicas não comerciantes do produto. O ponto de divergência entre Fisco e contribuinte reside na fundamentação legal e em soluções de consulta no âmbito da RFB para afirmar ou infirmar a subsunção da atividade de recapagem de pneus usados ao conceito de industrialização. A legislação em que recai a discórdia é a Lei nº 4.502/1964, regulamentada à época dos fatos pelo Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010: Art.5o Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 6 5 XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. O Fisco que não se fundamenta na Solução de Consulta nº 62 SRRF/6ª Região, pois afirma que os argumentos nela expostos apenas corroboram os seus entende que a atividade exercida pela contribuinte encontrase fora do alcance da incidência do IPI por expressa exclusão do conceito prescrita no art. 3º, parágrafo único, inciso I da Lei nº 4.502/1964, reproduzido no art. 5º, inciso XI do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010. Importa salientar que a fiscalização não afirmou que a atividade não se trata de industrialização, somente que a legislação do IPI não a considera para efeitos de sua tributação. Transcrevo o excerto que dirige o raciocínio da autoridade fiscal: 5 Em tese, se a atividade descrita em “4” se amoldasse puramente ao conceito de industrialização, o contribuinte estaria apto ao pedido de ressarcimento. Ocorre que há exceções à regra, e o contribuinte se enquadra perfeitamente a essas exceções (excludentes do conceito de “industrialização”) existentes na legislação que regulamenta o IPI, como veremos a seguir. 6 A solução de consulta nº 62/2009, da DISIT SRRF/6ª RF, cuja ementa, a seguir copiamos, vem corroborar nosso entendimento (...) A recorrente assevera que sua atividade exercida sobre os pneus usados é uma industrialização assim considerada à luz de toda a legislação do IPI, com supedâneo na Constituição Federal, transitando pelo CTN e Regulamentos e, inclusive, nas Soluções de Consultas da Receita Federal que menciona. No tocante às exclusões previstas nos incisos do art. 5º do RIPI, aduz que a descrição das características da operação preconizada no inciso V a faz permanecer compulsoriamente no campo de incidência do Imposto, pois que somente se aplica se cumulativamente atender ao disposto nas alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 7º do RIPI/2010, o que não é o seu caso. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 7 6 Infrutífera toda a argumentação da recorrente no sentido de incluir sua operação no conceito de industrialização por entender que não atende aos requisitos de exclusão do conceito pertinente à situação descrita no inciso V do art. 5º do RIPI, exclusivamente em relação à segunda parte, que dispõe o local e quem realizará a atividade. A interpretação da recorrente é equivocada. Primeiro, porque parte da premissa errônea de que a recapagem de pneus usados, e as atividades assemelhadas de recuperação ou remoldagem, é operação de industrialização a ser tributada pelo IPI e, segundo, por conceber que é tributada em razão de não reunir duas das condições de exclusão do conceito de industrialização, quais sejam, seu trabalho não é preponderantemente profissional nem realizado em oficina, como entende requerer a literalidade do inciso II do art. 7º do RIPI/2010. A operação de recapagem para encomendante consumidor ou usuário não se enquadra na exclusão do inciso V e o motivo não se deve ao local de realização residência ou oficina nem à inexistência de preponderância de trabalho profissional. Em verdade, o motivo primeiro e suficiente à referida exclusão devese à atividade de recapagem não se constituir um "preparo de produto", expressão que se encontra fora da materialidade do fato gerador do IPI. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa1, preparo é o mesmo que preparação, esta definida como "medida ou ação preliminar para a efetuação de qualquer coisa". Em síntese, a primeira parte do inciso V do art. 5º do RIPI "o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário ..." caracterizase uma atividade preliminar efetuada em qualquer produto constituindose uma etapa antecedente à outra, posterior, que será executada (esta possivelmente tributada pelo IPI). Optou o legislador pela não incidência do IPI nesta etapa antecedente (o preparo), servindose de um inciso/artigo isolado na legislação o V do 5º do RIPI para discipliná la. Não por coincidência, impende analisar a aparição do termo "preparo" na legislação do IPI, em especial no trato das hipóteses de incidência e nãoincidência. Constatase que "preparo" não é utilizado em qualquer das ações/operações consideradas industrialização no RIPI (art. 4º e incisos), mas que exsurge em 05 (cinco) ocorrências do termo no art. 5º que trata de atividades ou situações que estão fora do alcance da incidência, por exclusiva vontade do legislador: nos incisos I, II, III, V e XI (restrita a utilização em partes e peças) do art. 5º do RIPI. Firmado nesses fundamentos entendo que a recapagem de pneus usados encomendada por consumidor ou usuário final, à luz do art. 5º, incisos V do RIPI/2010, não se insere no campo de incidência do IPI. Contudo, e também corretamente aplicado pela fiscalização à situação dos autos, o dispositivo legal que retira a operação praticada pelo contribuinte da incidência do IPI é o inciso XI, do art. 5º do RIPI, em razão de sua especificidade e alcançar mais precisamente a atividade 1 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 2.289. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 8 7 (restauração e o recondicionamento), o produto (pneu usado), a aplicação (destinado ao uso) e o beneficiário da operação (encomendante é terceiro que não comercializa o pneu usado). Neste mesmo sentido tenho por consolidada a posição deste Conselho acerca a exclusão do conceito de industrialização das operações que visam a recuperação de pneus usados por encomenda de consumidor final, não comerciante do produto. Eis os acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECONDICIONAMENTO OU RENOVAÇÃO DE PRODUTOS USADOS. INOCORRÊNCIA. Na caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, o recondicionamento ou a renovação de produtos usados, quando não se destinem à revenda pelo encomendante. INCIDÊNCIA DO IPI. RECAUCHUTAGEM DE PNEUS USADOS SOB ENCOMENDA POR CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. A atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus usados quando efetuada por encomenda direta do proprietário, na condição de consumidor final, não se enquadra na definição de operação de industrialização, o que a exclui do conceito de operação de industrialização e do campo de incidência do IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O estabelecimento não contribuinte do IPI, por não realizar operação de industrialização, não faz jus a crédito do imposto pago na aquisição de insumo tributado aplicado na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102002.240. Processo nº 13609.000614/200345. Sessão de 24/07/2014, decisão unânime. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 9 8 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. (Acórdão 3802002.878. Processo nº 13609.000536/200389. Sessão de 23/04/2014, decisão unânime. Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D´Amorim) Consoante os argumentos ante expostos, percebese inócua a discussão sobre a prevalência de uma solução de consulta sobre outra, vez que as respostas aos consulentes têm fundamentos diferentes, umas com base no inciso V, outras no XI, ambos do art. 5º do RIPI/2010. Ainda em relação às soluções de consultas no âmbito da RFB nenhum efeito é produzido e conferido à recorrente pois não foi a consulente. As consultas no âmbito do fisco Estadual tratam do ICMS, matéria estranha à presente lide e, igualmente, não produz qualquer efeito na esfera dos tributos federais. As discussões atinentes à legislação do ISS que confrontam as materialidades do tributo municipal com as do IPI são periféricas e não resolvem a presente lide. Também despiciendos todos os demais argumentos de discussão para considerar tributadas pelo IPI a atividade realizada pela recorrente, pois assentada alhures os fundamentos para a sua exclusão do conceito de industrialização nos termos do art. 5º, inciso XI do RIPI/2010. Conclusão Por fim, se a recorrente não era contribuinte do IPI na operação, certamente, ela não podia se creditar do valor imposto pago na aquisição de insumos utilizados na atividade de recapagem de pneus usados com base no art. 11 da Lei 9.779/99, que se aplica apenas aos estabelecimento industriais ou equiparados que praticam fatos geradores do IPI, o que não era o seu caso. Por essas razões, acertada a decisão do Fisco em cancelar o ressarcimento do valor pago (...). Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10865.900162/201518 Acórdão n.º 3201003.232 S3C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720150/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 2158-35/2001. COLIGADA NO PERU. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos vinculante e erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.158-35/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais).
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES BRASIL-ARGENTINA E BRASIL-EQUADOR DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE ARENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. NÃO OFENSA.
Não há incompatibilidade entre as Convenções Brasil-Argentina/Brasil-Equador e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito.
TRATADOS INTERNACIONAIS BRASIL-ARGENTINA E BRASIL-EQUADOR.
Os Tratados firmados entre Brasil e Argentina, e entre Brasil e Equador não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por suas controladas naqueles países.
POSTERGAÇÃO. JUROS DE MORA.
Em caso de postergação no recolhimento de tributos, imputa-se o valor originalmente recolhido em tributo, multa e juros, proporcionalmente, conforme determina o art. 6º, § 7º do Decreto-Lei nº 1.598/77 e Parecer Normativo COSIT nº 2/1996. Constatado que o lançamento adotou exatamente o critério previsto nas normas que regem o tema, não há que se falar em incidência de juros sobre juros.
ERRO MATERIAL APURAÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO- CONTROLADA MOÇAMBIQUE
A mera afirmação do contribuinte, sem um conjunto probatório que a sustente, não é capaz de infirmar a presunção de veracidade de sua declaração na DIPJ, devendo ser mantido, portanto, o auto de infração nesse ponto.
Numero da decisão: 1402-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) permitir a dedução do imposto pago em Moçambique, Equador e Argentina; ii) cancelar integralmente a exigência referente aos lucros das coligadas sediadas no Peru e da controlada localizada na Colômbia; e: iii) cancelar a exigência correspondente a noventa e nove por cento (99%) dos lucros apurados pelas controladas em Moçambique. Vencido em primeira votação o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca que dava provimento em maior extensão para cancelar também: i) a tributação dos lucros das controladas localizadas na Argentina e no Equador, no que foi acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella; e ii) a aplicação dos juros de mora na aplicação da postergação. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto Gonçalves Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 2158-35/2001. COLIGADA NO PERU. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos vinculante e erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.158-35/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais). LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES BRASIL-ARGENTINA E BRASIL-EQUADOR DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE ARENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre as Convenções Brasil-Argentina/Brasil-Equador e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. TRATADOS INTERNACIONAIS BRASIL-ARGENTINA E BRASIL-EQUADOR. Os Tratados firmados entre Brasil e Argentina, e entre Brasil e Equador não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por suas controladas naqueles países. POSTERGAÇÃO. JUROS DE MORA. Em caso de postergação no recolhimento de tributos, imputa-se o valor originalmente recolhido em tributo, multa e juros, proporcionalmente, conforme determina o art. 6º, § 7º do Decreto-Lei nº 1.598/77 e Parecer Normativo COSIT nº 2/1996. Constatado que o lançamento adotou exatamente o critério previsto nas normas que regem o tema, não há que se falar em incidência de juros sobre juros. ERRO MATERIAL APURAÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO- CONTROLADA MOÇAMBIQUE A mera afirmação do contribuinte, sem um conjunto probatório que a sustente, não é capaz de infirmar a presunção de veracidade de sua declaração na DIPJ, devendo ser mantido, portanto, o auto de infração nesse ponto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16561.720150/2014-21
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5799342
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.495
nome_arquivo_s : Decisao_16561720150201421.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720150201421_5799342.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) permitir a dedução do imposto pago em Moçambique, Equador e Argentina; ii) cancelar integralmente a exigência referente aos lucros das coligadas sediadas no Peru e da controlada localizada na Colômbia; e: iii) cancelar a exigência correspondente a noventa e nove por cento (99%) dos lucros apurados pelas controladas em Moçambique. Vencido em primeira votação o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca que dava provimento em maior extensão para cancelar também: i) a tributação dos lucros das controladas localizadas na Argentina e no Equador, no que foi acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella; e ii) a aplicação dos juros de mora na aplicação da postergação. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto Gonçalves Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
dt_sessao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
id : 7015290
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735543128064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.191 1 4.190 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720150/201421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.495 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria Lucros auferidos no exterior Recorrente CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 215835/2001. COLIGADA NO PERU. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos vinculante e erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais). LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES BRASILARGENTINA E BRASILEQUADOR DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE ARENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre as Convenções BrasilArgentina/Brasil Equador e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. TRATADOS INTERNACIONAIS BRASILARGENTINA E BRASIL EQUADOR. Os Tratados firmados entre Brasil e Argentina, e entre Brasil e Equador não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por suas controladas naqueles países. POSTERGAÇÃO. JUROS DE MORA. Em caso de postergação no recolhimento de tributos, imputase o valor originalmente recolhido em tributo, multa e juros, proporcionalmente, conforme determina o art. 6º, § 7º do DecretoLei nº 1.598/77 e Parecer Normativo COSIT nº 2/1996. Constatado que o lançamento adotou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 50 /2 01 4- 21 Fl. 4191DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.192 2 exatamente o critério previsto nas normas que regem o tema, não há que se falar em incidência de juros sobre juros. ERRO MATERIAL APURAÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONTROLADA MOÇAMBIQUE A mera afirmação do contribuinte, sem um conjunto probatório que a sustente, não é capaz de infirmar a presunção de veracidade de sua declaração na DIPJ, devendo ser mantido, portanto, o auto de infração nesse ponto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) permitir a dedução do imposto pago em Moçambique, Equador e Argentina; ii) cancelar integralmente a exigência referente aos lucros das coligadas sediadas no Peru e da controlada localizada na Colômbia; e: iii) cancelar a exigência correspondente a noventa e nove por cento (99%) dos lucros apurados pelas controladas em Moçambique. Vencido em primeira votação o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca que dava provimento em maior extensão para cancelar também: i) a tributação dos lucros das controladas localizadas na Argentina e no Equador, no que foi acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella; e ii) a aplicação dos juros de mora na aplicação da postergação. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Declarouse impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto Gonçalves Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Fl. 4192DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.193 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela DRJ do Rio de Janeiro de parcial procedência de impugnação da contribuinte CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORRÊA S.A. ante a lavratura de auto de infração pela ausência do cômputo de lucros auferidos no exterior na base de cálculo de IRPJ e CSLL nos anoscalendários de 200910. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: 1.Da autuação Em síntese, a infração imputada ao sujeito foi a de falta de adição ao lucro real de lucros auferidos no exterior por coligadas e controladas. Os lançamentos de IRPJ e CSLL foram realizados com suspensão da exigibilidade do crédito tributário e sem a incidência de multa de ofício, com o objetivo de prevenir a decadência, tendo em vista sentença favorável no Mandado de Segurança 2003.61.00.0026301 . 2. Dos fundamentos da autuação Os fatos e informações que fundamentaram a autuação foram expostos no termo de fls 3.714/3.750 e, abaixo, resumidamente reproduzidos. 2.1 Em conferência à tributação dos lucros auferidos no exterior nos anos 2009 e 2010, a fiscalização chegou aos valores abaixo discriminados, que já consideram a compensação de prejuízos na forma do § 2º do art 4º da IN 231/2002: Nome da Investida Participação informada (%) Lucros a tributar – 2009 (R$) Lucros a tributar – 2010 (R$) Camargo Corrêa Moçambique LTDA 100% 1.206.812,45 13.228.774,66 Camargo Corrêa SA – Sucursal Argentina 100% 0 7.123.321,28 Camargo Corrêa SA – Sucursal Colômbia 100% 30.173.399,09 42.180.991,55 Camargo Corrêa Ecuador SA Ingenieria e Construciones 99,97% 7.418.778,41 2.838.463,61 Construtora Sur SA 33,33% 138.165,49 1.160.757,25 Intersur Concesiones SA Peru 33,33 1.511.424,40 2.379.747,06 TOTAL 40.448.579,84 68.912.055,41 2.2 Nas declarações de rendimentos referentes aos anos de 2009 e 2010 a interessada adicionou, para fins de cálculo das bases tributáveis de IRPJ e CSLL, respectivamente, a título de “lucros disponibilizados no exterior”, os valores de R$ 13.858.279,80 e R$ 42.849.203,36, conforme abaixo: Investida AC 2009 AC 2010 Sucursal Colômbia 9.716.700,00 42.849.203,36 Constructora Sur 4.141.579,80 0 TOTAL 13.858.279,80 42.849.203,36 Fl. 4193DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.194 4 2.3 Diante das divergências entre os resultados da interessada e os apurados pela fiscalização, foi formalizada a intimação nº 02, que solicitou a demonstração dos valores informados em DIPJ e a apresentação do LALUR. Ainda com o propósito de esclarecer as referidas divergências, foi formalizado o Termo de Intimação nº 08, que solicitou a correlação entre os lucros auferidos no exterior tributados nos anos de 2009 e 2010 e os anos em que foram efetivamente apurados pelas investidas. Em resposta datada de 28/11/2014 a interessada esclareceu que: O valor de R$ 9.716.700,00, tributado no ano de 2009, referese a lucros apurados em 2007 pela Construções e Comércio Camargo Corrêa SA – Colômbia; O valor de R$ 4.141.579,80, também tributado pela interessada em 2009, referese a lucros apurados em 2007 pela Constructora Sur do Peru; O valor de R$ 42.849.213,35, tributado pela interessada em 2010, referese a lucros auferidos pela Construções e Comércio Camargo Corrêa SA – Colômbia nos anos de 2007, 2008 e 2009, conforme demonstrado às fls 1801/1802 e abaixo indicado: Ano Valores em Reais 2007 1.161.455,91 2008 8.825.354,18 2009 32.862.403,26 TOTAL 42.849.213,35 2.4 Das informações acima foi possível depreender que os lucros tributados pela interessada em um ano determinado se referem a lucros apurados em anos anteriores. Diante de tal constatação, a interessada foi mais uma vez intimada (Termo de Intimação 6) a correlacionar os valores tributados a título de “lucros auferidos no exterior” no ano calendário 2011 e os anos em que tais lucros foram efetivamente auferidos pelas investidas; 2.5 Em resposta datada de 05/09/2014 (fls 1630/1631) a interessada respondeu que do total de R$ 63.932.671,07, por ela tributado no ano de 2011 a título de Lucros auferidos no exterior, R$ 28.148.676,21 teria como referência lucros apurados em 2010 pela Sucursal Colômbia. O remanescente seria referente a lucros apurados no próprio ano de 2011; 2.6 Conforme artigo 25 da Lei 9.249/95 e art 74 da MP 2,15835, os lucros apurados no exterior por controlada ou coligada devem ser tributados no Brasil na data do balanço em que tiverem sido apurados. Tal norma não foi seguida pela interessada, que tributava seus lucros na data em que eram efetivamente disponibilizados pela investida; 2.7 O procedimento de tributar os lucros auferidos no exterior conforme efetivamente disponibilizados gerou recolhimento a menor de IRPJ e CSLL. No cálculo dos montantes recolhidos a menor foram descontados os tributos pagos em anos posteriores, sendo cobradas apenas as diferenças imputáveis à postergação. Nos itens 2.9 a 2.14 , a seguir, foram discriminados os valores a tributar referentes a 2009 e 2010 ; 2.8 Conforme autorização contida no art 26 da Lei 9.249/1995, no cálculo dos valores lançados foi considerada a compensação do imposto de renda incidente no exterior, sobre os lucros computados no lucro real, até o limite do imposto incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros. Sobre o tema, fez registro a autoridade autuante (item 6.3, fls 3.730) de que: Fl. 4194DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.195 5 § NA DIPJ do ano de 2009 a interessada não se beneficiou de quaisquer valores a título de “imposto sobre lucros pago no exterior”. Na DIPJ do ano de 2010, se beneficiou, para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL, de R$ 10.585.263,60 e R$ 3.598.944,65, respectivamente; § Intimada (Termo de Intimação nº 02), a interessada apresentou, em 10/03/2014, documentos considerados hábeis a comprovar as deduções realizadas em DIPJ. Apresentou, ainda, (fls 1.271/1.272) planilha explicativa dos valores deduzidos, conforme resumo abaixo: Ano de apuração do Lucro /pgto do imposto compensado em 2010 Lucro Tributado em 2010 conforme DIPJ Compensação – IRPJ conforme DIPJ Compensação CSLL conforme DIPJ 2007 1.161.455,91 163.324,23 0 2008 8.825.354,18 2.206.338,55 794.281,88 2009 32.862.403,26 8.215.600,81 2.804.662,77 TOTAL 42.849.213,35 10.585.263,60 3.598.944,65 Mais uma vez intimada, a fim de verificar a possível existência de saldo de imposto pago no exterior ainda passível de compensação no Brasil, a interessada respondeu (fls 1803/1804) que: “Seguem cópias dos comprovantes de pagamentos de imposto no exterior relativos ao ano calendário de 2010. Informamos ainda que, dos R$ 42.849.213,35 de lucros oferecidos à tributação no ano de 2010, foram deduzidos R$ 10.585.263,60 (impostos pagos na Colômbia nos anos de 2007, 2008 e 2009) e os valores pagos na Colômbia em 2010, foram utilizados em anos posteriores. A empresa não possui valores de imposto pago no exterior em anos calendários anteriores ainda pendentes de compensação com o imposto de renda apurado no Brasil.” 2.9 Em relação a 2009 os valores recolhidos a menor, objeto de lançamento de ofício, foram calculados conforme a seguir: Nome da Investida (col 01) Lucros a tributar – 2009 (R$) (col 02) Lucros de 2009 tributados em 2010 (col 03) Lucros de 2009 a serem tributados neste procedimen to de ofício (col 04) Camargo Corrêa Moçambique LTDA 1.206.812,45 0,00 1.206.812,45 Camargo Corrêa SA – Sucursal Argentina 0,00 0,00 0,00 Camargo Corrêa SA – Sucursal Colômbia 30.173.399,09 32.862.403,26 0,00 Fl. 4195DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.196 6 Camargo Corrêa Ecuador SA Ingenieria e Construciones 7.418.778,41 0,00 7.418.778,41 Construtora Sur SA 138.165,49 0,00 138.165,49 Intersur Concesiones SA Peru 1.511.424,40 0,00 1.511.424,40 TOTAL 10.275.180,75 2.13 Sobre os lucros apontados na coluna 04 da tabela acima foram calculados os tributos considerados devidos. Especificamente no que diz respeito à Sucursal Colômbia, foram ainda calculadas as diferenças devidas em função da postergação dos lucros que deveriam ter sido reconhecidos e tributados em 2010, mas o foram em 2011; 2.14 Os cálculos da postergação foram explicitados às fls 3.747 e 3.748 e foram efetivados conforme procedimentos determinados pela legislação aplicável à espécie: art 6º de DL 1.598 de 26/12/1977 e Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/1996 3. Da impugnação Cientificada da autuação em 22/12/2014 (fls 3.756), a interessada interpôs, em 20/01/2015, a impugnação de fls 3.758, na qual alega a seu favor, em síntese, que: 3.1 Impossibilidade de tributação das coligadas no Peru (empresas CSur e Inter sur) A ADI 2.588 tinha como objetivo a declaração de inconstitucionalidade do regime tributário previsto no art 74, caput e parágrafo único da MP 2.158/2001; O julgamento foi concluído em 10/04/2013, ocasião em que o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art 74 da referida MP em relação às empresas nacionais coligadas às pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam paraísos fiscais.; Por se tratar de declaração de inconstitucionalidade em sede de controle concentrado, referida declaração possui efeito erga omnes e vinculante, conforme preceitua o art 102, § 2º da CF/88; A impugnante não detem o controle da Csur e da Intersur e o Peru não é caracterizado como paraíso Fiscal. Tais empresas são apenas coligadas, com a participação de apenas 33,33 % das investidas. 3.2 Impossibilidade de tributação dos lucros auferidos no Equador e na Argentina em face do art 7º do Tratado para evitar dupla tributação Devem ser observados os Tratados firmados entre o Brasil, de um lado, e Argentina e Equador de outro. Tais Tratados objetivam evitar dupla tributação; Nos termos do artigo 98 do Código Tributário Nacional, as disposições contidas em tratados e convenções internacionais prevalecem sobre a legislação interna, ainda que esta lhes seja posterior. Também o art 997 do RIR 99 reconhece a prevalência dos tratados internacionais sobre as legislações internas Fl. 4196DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.197 7 De acordo com o artigo VII da Convenção estabelecida entre o Brasil e a Argentina para evitar a dupla tributação, os lucros de empresa de um Estado (Argentina) só são tributáveis nesse Estado (Argentina), a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado (Brasil) por meio de um estabelecimento ai situado; Previsões semelhantes existem na Convenção firmada entre o Brasil e o Equador, também destinada a evitar a dupla tributação pelo Imposto sobre a Renda; Tratase de norma de competência exclusiva, que autoriza o poder de tributar os lucros das empresas de um Estado contratante privativamente a este Estado (no caso, a Argentina e o Equador), com a conseqüente vedação do poder de tributar do Estado de domicílio da sociedade investidora; O art 7º dos Tratados para evitar a dupla tributação afasta a aplicação do art 74 da MP 2.158 35/01, o que impede o fisco de tributar os lucros auferidos por investidas domiciliadas na Argentina ou Equador; Este foi o entendimento adotado pelo STJ no acórdão relativo ao Recurso Especial 1.325.709/RJ. Seguindo a orientação emanada do STJ, também o CARF tem reconhecido a prevalência dos tratados sobre as disposições contidas no art 74 da MP 2.15834; Os tratados para evitar a dupla tributação se aplicam não só ao IRPJ, mas também à CSLL. 3.3 Impossibilidade de tributação dos lucros auferidos pela CCC Argentina em face dos artigos 10 e 23 dos Tratados contra dupla tributação Também os arts 10 e 23 dos Tratados que seguem o modelo de acordo tributário sobre a renda e o capital da OCDE impedem a tributação, no Brasil, dos lucros auferidos pela investida na Argentina. O referido artigo 23 estabelece que os dividendos distribuídos pela sociedade Argentina detidas em mais de 10% por sociedade domiciliada no Brasil deverão ser isentos de tributação no Brasil; Logo, no caso presente, em que a investida é subsidiária integral da empresa brasileira, os dividendos dela provenientes sempre estarão isentos de tributação o Brasil; O art 10 do Tratado entre Brasil e Argentina consagra regra de competência cumulativa do país de domicílio da controlada (Argentina) e do país de domicílio da controladora; Embora a tributação de dividendos seja, no caso, competência do Brasil, estão isentos os dividendos que obedecerem restrições impostas pelo art 23, nº 02 do Tratado. Tal conclusão foi adotado pelo acórdão do Carf nº 1102001.247, proferido em 25/11/2014; 3.4 Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre os lucros distribuídos pela CCCColômbia Em observância à decisão judicial proferida no Mandado de Segurança 2003.61.00.0026301, recolheu o IRPJ e a CSLL sobre os lucros apurados pela CCCColômbia (em 2010), quando estes lucros lhe foram efetivamente distribuídos. A fiscalização, porém, só reconheceu parcialmente tais valores; Fl. 4197DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.198 8 Foi corretamente deduzido dos lucros a tributar em 2010, a parcela de R$ 28.148.676,21, pois em relação a este valor houve apenas postergação de pagamento de tributos; Porém, além desta, houve duas outras distribuições de lucros deliberadas nos anos de 2012 e 2013, relativas a lucros apurados em 2010, que foram desconsideradas pela fiscalização. A impugnante também recebeu e tributou, no Brasil, dividendos da CCCColômbia, relativos: à reunião do Conselho de Administração de 27/03/2012 em que foi deliberada a distribuição de lucros para a impugnante de COP$ 3.309.930.752,00; à reunião do Conselho de Administração de 03/10/2013 em que foi deliberada a distribuição de lucros para a impugnante de COP$ 3.800.000.000,00 nos anos de 2011, 2012 e 2013 foram tributados a integralidade dos lucros apurados em 2010 pela investida colombiana, mas a autoridade autuante só considerou, para fins do cálculo da postergação, os valores de 2011; 3.5 Erro na apuração da base de cálculo da CC Moçambique a interessada possui 99% de participação da referida empresa e não 100%, conforme considerado nos cálculos que embasaram a autuação; 3.6 Compensação do tributo pago no exterior não foram considerados, no cálculo dos valores devidos no Brasil, os tributos pagos na Colômbia (doc 10), em Moçambique (doc 11), no Equador (doc 12) e na Argentina (doc 13); a compensação dos tributos pagos no país de domicílio da investida está prevista no art 26 da Lei 9.249/95 e no art 14 da IN SRF 213/02; em relação à CCC Colômbia, embora tenha sido informado à fiscalização que o tributo recolhido no exterior em relação a 2010 teria sido compensado nos anos posteriores, esclarece a impugnante que tal compensação se deu no momento da distribuição dos referidos lucros, em observância à decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança 2003.6100.00.0026301. Porém, se o auto de infração antecipou a tributação de tais lucros para o período de sua apuração, deveria ter compensado o tributo recolhido no exterior naquele ano, no caso, em 2010. 3.7 Impossibilidade de aplicação as Selic no cálculo da postergação de pagamentos. A impugnante, ao abrigo da sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança 2003.6100.00.0026301, não está sujeita ao regime de tributação imposto pelo art 74 da MP 2.158 2001. Por esta razão, tributa os lucros de suas investidas quando distribuídos e não quando apurados; Ao lançar o valor correspondente aos juros de mora devidos entre a data da apuração dos tributos e a data de seu recolhimento, a fiscalização tratouos como “diferença de tributo” e aplicou sobre a referida diferença a selic; Foi, então, violado o art 6º, § 7ºdo DL 1598/77, já que o auto de infração aplicou juros sobre juros e o dispositivo em referência autoriza a cobrança de juros até a data do pagamento; Fl. 4198DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.199 9 O auto de infração também incorre em nulidade uma vez que a parcela devida a título de juros de mora da CSLL recolhida em períodos posteriores foram objeto do lançamento do IRPJ e não da CSLL, como deveria. 3.8 Postergação de CSLL: Cobrança feita equivocadamente no AI referente ao IRPJ os valores da CSLL que teriam deixado de ser recolhidos em função da postergação de pagamento desta contribuição foram lançados equivocadamente no auto de infração referente ao IRPJ. Ao apreciar a impugnação oposta pela recorrente a DRJ entendeu que lhe assistia razão reconhecendo (i) a postergação do pagamento do IRPJ e CSLL realizado em 2013 sobre lucros apurados pela CCCCColômbia, no valor de R$ 2.178.435,41; (ii) de ofício, erro material no valor lançado a título de postergação de IRPJ para o ano de 2009, considerando o valor correto de R$39.841,18; (iii) a necessidade de exclusão dos valores de R$14.342,83 e R$281.965,23, relativos ao cálculo da CSLL postergada, os quais foram equivocadamente lançados no auto de infração do IRPJ. A decisão restou ao final assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE OBJETOS. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NO EXTERIOR. As receitas que decorrem de participação acionária de investida no exterior devem ser tributadas no Brasil ainda que não tenha ocorrido a efetiva distribuição de lucros. A existência de Tratado Internacional com o país de localização da investida não ilide a incidência da norma que consta do art 74 da MP 2.15834/01 (e suas reedições). SELIC. INDEXAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por expressa determinação legal, a Selic incide sobre a totalidade do crédito tributário constituído. CSLL. LANÇAMENTOS CONEXOS. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Sucumbente quanto as matérias acima indicadas a CCC interpõe o presente Recurso Voluntário argüindo em suma as seguintes questões: i) impossibilidade de tributação dos lucros auferidos pelas coligadas domiciliadas no Peru, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade pelo STF no julgamento da ADI 2588; Fl. 4199DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.200 10 ii) impossibilidade de tributação dos lucros auferidos por empresas domiciliadas no Equador e na Argentina em face da prevalência do tratado contra dupla tributação; iii) postergação de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre lucros apurados em 2010 pela CCCColômbia, cujo pagamento foi realizado em 2012; iv) apuração incorreta da base tributável da CCMoçambique, já que não considerou a participação de 99%; v) ausência de compensação dos tributos pagos em Moçambique, na Colômbia, no Equador e na Argentina, nos termos dos arts.26 da Lei n.9249/1995 e 14 da IN/SRF n.213/2002; vi) aplicação da SELIC sobre o valor dos juros relativos à postergação de pagamento cobrados com relação à CCCCColômbia. Em contrarazões a PGFN sustentou preliminarmente que a Fazenda Nacional restou sucumbente em parte significativa do auto lavrado na medida em que exonerado parcela do crédito tributário lançado referente ao cálculo da postergação dos lucros apurados em 2010 pela CCCCColômbia e tributados em 2012 e 2013, bem como, de erro material no cálculo do IRPJ; o que deveria ter sido objeto de Recurso de Ofício. Ainda em sede preliminar sustenta que presente concomitância de discussão judicial nos autos de Mandado de Segurança n.200361000026301, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 3ªRegião, ao que suscita a presença de prejudicialidade entre as discussões judicial e administrativa sendo imperativo a aplicação da Súmula CARF n.1 subsistindo para julgamento apenas aquelas questões não coincidentes a discussão judicial: existência de tratados internacionais com países sede das investidas e erros materiais na apuração do crédito tributário e legalidade da aplicação da taxa SELIC para indexar crédito tributário. No mérito sustenta que o STF entendeu pela constitucionalidade do art.74 da MP2158 ressalvando apenas às coligadas residentes em países sem tributação favorecida não tendo a recorrente se desincumbido do ônus de provar que "sua participação societária nas empresas peruanas caracterizaria tão somente uma coligação." (f.4155) Quanto à (im)possibilidade de tributação dos lucros auferidos na Argentina e Equador sustenta que o Tratado contra Dupla Tributação deve observar as normas CFCs de modo que o 74 é norma posterior derrogatória. Sustenta ainda a inaplicabilidade dos tratados à CSLL sob o argumento de que porventura admitida aplicação dos Tratados contemplariam apenas o IRPJ. É o relatório. Fl. 4200DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.201 11 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso é tempestivo e assinado por patronos habilitados. 2. PRELIMINARMENTE: 2.1. Do Recurso de Ofício: Considerando que a decisão recorrida exonerou o contribuinte de crédito em valor superior ao limite de alçada, fixado pela Portaria MF n.03, de 03/01/2008, a DRJ deveria ter empreendido a oposição de Recurso de Ofício. No entanto, prejuízo algum há na medida em que o próprio termo indica que o recurso é de ofício, assim, estando previsto no Processo Administrativo Fiscal (PAF) regulado pelo Decreto n.70.235/1972: art.34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: (...) §2º Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Em contrarazões a PGFN preliminarmente indicou a falta da autoridade de primeira instância indicando com hialina clareza a sucumbência da Fazenda Nacional. Pondera que "fazse mister o retorno dos autos à DRJ de origem, para que seja cumprida a formalidade em questão". Muito embora este signatário entenda que a apreciação possa se realizar ex officio como o próprio nome do instrumento recursal está a evidenciar temse por imperativo que seja dado ciência ao contribuinte, no caso recorrido, de que a matéria será reapreciada facultandolhe oportunidade de trazer suas razões pela manutenção da decisão no que lhe atende. Oportuno consignar que, a despeito de previsão expressa no PAF para intimação do contribuinte para contrarazões no Recurso de Ofício, o Manual do Conselheiro CARF (versão 1.0) prevê como medida que impede o julgamento a "falta de ciência às partes para contrarrazões"(p.35) sendo, assim, medida de bom alvitre atender ao pedido da PGFN a fim de que a autoridade julgadora proceda a providência de mister, salvo se o contribuinte abdicar de seu direito de contrarazões ao Recurso de Ofício afigurandose, assim, apto para julgamento o presente feito. Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.202 12 Superada a questão preliminar ante a manifestação do patrono da contribuinte que não vislumbra prejuízo algum ao devido processo legal passase a analisar cada uma das questões suscitadas: 2.2. Da concomitância de instâncias: Ainda em sede preliminar temse que a contribuinte judicializou parcela da discussão trazida em sede de impugnação. Em 19/02/2003, a contribuinte ingressou com mandado de segurança protocolado na Subseção Judiciária de São Paulo sob o nº 200361000026301, requerendo, em síntese, que fosse deferida liminar para afastar o pagamento do IRPJ e da CSLL calculados na forma do art. 74, da Medida Provisória 2.15835/ 01, sobre os lucros auferidos no exterior pela sociedade Camargo Correa Construções, em razão da inconstitucionalidade regime de tributação imposto pelo art 74 da MP 2.1582001. Vêse que a ação judicial atinge diretamente as questões aqui sob análise. Sob esse prisma, falece competência ao Órgão julgador administrativo para manifestarse sobre matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Considerando a simultaneidade da discussão judicial empreendida e a prejudicialidade daquela em função dessa remanescem passíveis de apreciação perante esta instância administrativa apenas as seguintes questões: (i) aplicação da MP a coligada sediada no Peru, país que não é "paraíso fiscal"; (ii) tributação de lucros no exterior de controladas sediadas na Argentina ante existência de tratados internacionais com país sede das investidas, (iii) erros materiais na apuração do crédito tributário nas controladas da Colômbia e Moçambique e (iv) legalidade da aplicação da taxa SELIC para indexar crédito tributário. 3. DO MÉRITO: 3.1. Das Controladas fora de paraíso fiscal Pugna a Recorrente pelo cancelamento das exigências fiscais de IRPJ e de CSLL lançadas com relação às empresas CSUR e INTERSUR, localizadas no Peru, por força da decisão proferida pelo E. Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI n. 2.588, concluída no dia 10 de abril de 2013. Naquele julgamento consignouse expressamente a “Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização”. Fl. 4202DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.203 13 A Instrução Normativa n. 1.037 que “relaciona países ou dependências com tributação favorecida e regimes fiscais privilegiados” não inclui em seu rol o Peru. Por força expressa do que prevê o art. 102, §2, da Constituição Federal, acerca do efeito vinculante das decisões proferidas em sede de controle de constitucionalidade, aliado ao previsto no art.927, I do Novo Código de Processo Civil e art.62 do RICARF temse por evidente que este Eg. CARF se encontra vinculado a observar a decisão proferida em sede da ADI 2588. Assim sendo, é mister que esse Conselho cancele a autuação quanto aos lucros auferidos pelas coligadas domiciliadas no Peru, até que ocorra sua efetiva distribuição. 3.2 Observância dos tratados internacionais com países sede das investidas Argentina e Equador: Isto posto, passamos a analisar as alegações recursais quanto à aplicação dos tratados internacionais, e, no caso, especificamente, da Convenção BrasilArgentina destinada a evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em matéria do imposto sobre a renda, promulgada pelo Decreto n° 87.976, de 22 de dezembro de 1982 e da Convenção BrasilEquador, promulgada pelo Decreto nº 95.717/1988. Relativamente à prevalência dos tratados internacionais sobre a legislação tributária interna, peço vênia para transcrever o seguinte excerto de voto proferido pela ilustre Conselheira Sandra Faroni no acórdão no 10195.476, na sessão de 26 de abril de 2006: “Como é sabido, a antinomia das normas se resolve pela aplicação dos critérios da hierarquia, da cronologia e da especialidade. A questão, no presente caso, envolve matéria doutrinariamente discutida, relacionada à prevalência dos tratados internacionais sobre as normas internas. Não obstante haja ainda muita divergência sobre existência ou não de hierarquia entre tratados e legislação interna, o Supremo Tribunal Federal, com o julgado RE 80.004/SE, decidiu no sentido da inexistência de hierarquia e da possibilidade de lei interna posterior incompatível com o tratado ser validamente aplicada. Não obstante a crítica que a decisão mereceu por parte dos internacionalistas, que defendem que quando o Brasil não tem mais interesse no tratado deve denunciálo e não unilateralmente aprovar uma lei modificando o conteúdo do tratado, essa tese prevalece na jurisprudência da Corte Suprema. Embora o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, o fato é que não se discutiu, naquela Corte, o art. 98 do CTN, que tem status de lei complementar, portanto de hierarquia superior à lei ordinária (O julgado que consagrou o entendimento de inexistência de hierarquia RE 80.004/SE tratava da Lei Uniforme sobre Letras de Câmbio e Notas Promissórias). Assim, ainda que se considere não ter, o tratado internacional, primazia hierárquica sobre a lei interna, em se tratando de norma tributária, essa primazia decorreria do art. 98 do CTN. Esse é o entendimento predominante na doutrina. E para aqueles que consideram que o art. 98 do CTN não pode estabelecer essa hierarquia, a questão vai se resolver pelo critério da especialidade, posto que o tratado, geralmente, é especial em relação à lei interna. Ricardo Lobo Torres5 ensina: ‘É particularidade do Direito Tributário brasileiro reconhecer a prevalência do tratado internacional sobre a legislação nacional. Diz o art. 98 do CTN que 'os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha'. Observese que não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado. Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.204 14 Essa característica do Direito Tributário brasileiro não se estende a outros ramos do Direito, nem mesmo ao Financeiro, pois o Supremo Tribunal Federal não generalizou a tese do primado do Direito Internacional; admitiu, pelo contrário, que a norma internacional sobre letras de câmbio e noras promissórias, incorporada à legislação interna, fosse revogada por lei ordinária posterior” (Torres, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário, 9a edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2002, pg. 45). . Assente, portanto, a prevalência dos tratados internacionais, transcrevese a seguir os artigos da Convenção firmada entre o Brasil e a Argentina considerados relevantes para o deslinde da questão, quais sejam os artigos 7o, 10, e 23: “ARTIGO VII Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente à medida em que sejam atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva das disposições do parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento permanente, os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades idênticas ou similares em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. ARTIGO X Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga e de acordo com a legislação desse Estado. 3. O disposto nos parágrafos 1 e 2 não se aplicam se o beneficiário dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver, no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, um estabelecimento permanente ou uma base fixa a que estiver efetivamente ligada à participação geradora dos dividendos. Nesse caso, serão aplicáveis as disposições dos Artigos VII ou XIV, conforme o caso. 4. O termo "dividendos", usado no presente Artigo, designa os rendimentos provenientes de ações, ações ou direitos de fruição, ações de empresas mineradoras, partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado Contratante em que a sociedade que os distribuir seja residente. Fl. 4204DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.205 15 5. Quando uma sociedade residente da Argentina tiver um estabelecimento permanente no Brasil, esse estabelecimento permanente poderá aí estar sujeito a um imposto retido na fonte de acordo com a legislação brasileira. 6. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante receber lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto à medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou à medida em que a participação geradora dos dividendos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento permanente ou a uma base fixa situados nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros distribuídos consistirem total ou parcialmente de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação 1. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Argentina, o Brasil, ressalvado o disposto no parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago na Argentina. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina. 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que sejam tributáveis na Argentina de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no Brasil. 3. Quando um residente da Argentina receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis no Brasil, a Argentina isentará de imposto esses rendimentos, a menos que sejam considerados provenientes da Argentina.” Colacionamos ainda os mesmos dispositivos da Convenção BrasilEquador: ARTIGO VII Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva do disposto no parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares em condições idênticas ou similares e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo fato de este comprar simplesmente bens ou mercadorias para a empresa. Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.206 16 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente em outros Artigos da presente Convenção, o disposto nesses Artigos não será afetado pelo disposto no presente Artigo. ARTIGO X Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e de acordo com a legislação desse Estado, mas se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% do montante bruto dos dividendos. O presente parágrafo não afetará a tributação da sociedade com relação aos lucros que derem origem aos dividendos pagos. 3. O disposto nos parágrafos 1 e 2 não se aplica se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos um estabelecimento permanente e a participação em relação a qual os dividendos são pagos esteja efetivamente ligada a esse estabelecimento permanente. Neste caso, aplicase o disposto no Artigo VII. 4. O termo dividendo, usando neste Artigo, designa os rendimentos provenientes de ações, ações ou direitos de fruição, ações de empresas mineradoras, partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado Contratante em que a sociedade que os distribuir seja residente. 5. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, esse estabelecimento poderá estar sujeito a um imposto retido na fonte de acordo com a legislação desse outro Estado Contratante. Todavia, esse imposto não poderá exceder 15% do montante bruto dos lucros desse estabelecimento permanente, calculado após a dedução do imposto de renda de sociedades referente a esses lucros. 6. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante receber lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto à medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou à medida em que a participação geradora dos dividendos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento permanente ou a uma instalação fixa situados nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistirem total ou parcialmente de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. ARTIGO XXIII Métodos para evitar dupla tributação 1. Quando um residente de um Estado Contratante receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção,são tributáveis no outro Estado Contratante, o primeiro Estado Contratante, ressalvado o disposto nos parágrafos 2 e 3, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago no outro Estado Contratante. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis no outro Estado Contratante. 2. Os dividendos pagos por sociedade residente de um Estado Contratante a uma sociedade residente do outro Estado Contratante detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Fl. 4206DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.207 17 Contratante de acordo com as disposições da presente Convenção, serão isentos de imposto no outro Estado Contratante. 3. Para a dedução indicada no parágrafo 1, o imposto sobre os dividendos não compreendidos no parágrafo 2 deste Artigo, sobre os juros mencionados no parágrafo 2 do Artigo XI, e sobre os "royalties" mencionados no parágrafo 2b do Artigo XII será sempre considerado como tendo sido pago à alíquota de 25%. Inicialmente, é importante notar que a redação dos dispositivos é em sua essência a mesma, de sorte que as razões adotadas para uma das companhias deve ser a mesma adotada para a outra. Isso exposto, cumprenos esclarecer que o apelo ao art. 10 das Convenções em autuações envolvendo coligadas e controladas revela uma prática equivocada da fiscalização que constantemente tenta contornar o conteúdo das Convenções Internacionais para Evitar a Dupla Tributação, restringindo seu alcance. Isto porque a redação do art. 10 referese a dividendos pagos, e aqui nos reportamos a excelente análise realizada pelo Conselheiro Luís Flávio Neto nos autos do Processo nº 16682.720429/201277, acórdão º 9101002.332. Embora ali esteja em análise a Convenção BrasilHolanda, as conclusões são plenamente aplicáveis ao caso em espécie, motivo pelo qual nos permitimos transcrever excerto daquele voto: O contexto intrínseco compreende o próprio signo linguístico sob interpretação ou outros presentes no texto do tratado, no preâmbulo, nos anexos, bem como em qualquer acordo ou instrumento celebrado pelas partes relativos ao tratado ou em conexão com a sua conclusão. A sua investigação, além de instintiva, decorre de prescrição expressa no art. 31 (1) e (2) da CVDT. A análise gramatical do trecho do art. 10 (1) do acordo BrasilPaíses Baixos, na oração “Os dividendos pagos por uma sociedade (...)”, evidencia o emprego do sujeito paciente (da passiva) “ dividendos” acompanhado do particípio “pago”. Importante ressaltar que o particípio consiste em uma forma nominal do verbo que expressa o resultado do “fato verbal”, isto é, indica uma ação já realizada, já finalizada, sobre o objeto da oração que ele qualifica, in casu, “os dividendos”. O termo “pago”, assim, atua como um reforço incisivo para delimitar a aplicação do dispositivo àquelas situação em que o rendimento por ele tutelado (“dividendos”) tenham sido efetivamente “pagos”. Sob a perspectiva sintática, o termo “dividendo”, empregado na cláusula sob exame, encontrase qualificado como “pago”, o que impõe, necessariamente, que esta ação (pagar) já tenha sido concretizada (pela “sociedade”, agente da passiva na oração). (...) Os Comentários à CMOCDE, editados pelo Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, podem ser equiparados à doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes nações, a qual, conforme albergada pelo art. 31 (3) “c” da CVDT cumulado com o art. 38 (1) “c” do Corte Internacional de Justiça. A obrigatoriedade de sua observância se dá nesses termos. De todo modo, desde a sua versão de 1977, os Comentários à CMOCDE apresentam as seguintes disposições quanto à interpretação do art. 10 dividendos), especialmente quanto aos termos “dividendos pagos”, in verbis: “7. Por este motivo, o parágrafo 1 simplesmente estabelece que dividendos poderão ser tributados no Estado de residência do beneficiário. O termo “pago” apresenta significado bastante amplo, já que o conceito de pagamento significa o cumprimento da obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da maneira exigida por contrato ou pelo costume.” O termo “pago”, conforme essa evidência do contexto extrínseco secundário dos acordos de bitributação, abrange apenas situações em que há efetivo “cumprimento da obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da maneira exigida por contrato ou pelo costume”. Desse modo, ainda que se possa atribuir maior ou menor importância aos Comentários à CMOCDE Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.208 18 existentes à época em que o acordo BrasilPaíses Baixos foi celebrado, é contundente constatar que o parágrafo 7o dos Comentários ao art. 10o da CMOCDE, acima transcrito, converge com as demais evidências analisadas neste voto: para que os “dividendos” sejam considerados “pagos”, exigese a efetiva transferência de titularidade dos recursos da sociedade ao acionista. Percebase que embora a redação das Convenções não seja a mesma, a essência é a mesma, motivo pelo qual emprestamos a Convenção BrasilArgentina às conclusões apresentadas pelo Conselheiro Luis Flávio Neto à Convenção BrasilHolanda. Colacionamos ainda brilhante lição de Sérgio André Rocha que esclarece a controvérsia. Quernos parecer que o artigo 10 somente terá um papel no presente debate caso se conclua que o artigo 74 da MP 2.158 se trate de uma regra de tributação de dividendos fictos, como sustenta Taísa Maciel ao afirmar que ‘o Brasil adota a teoria do dividendo fictício (fictive dividend approach), de forma que o artigo 10 dos tratados veda a aplicação da norma interna’. Do contrário, em não se entendendo tratar o artigo 74 da MP 2.158 da tributa~]ao de dividendos fictícios – como nos parece ser o caso, cremos que o artigo 10 seria inaplicável à presente situação. Tudo o que este dispositivo faz é tratar das hipóteses em que é legítima a tributação de dividendos pelos Estados contratantes. Parece ser consequência lógica afirmar que, se dividendos fictos não se tratar, não há razão para se argumentar que o artigo 10 das Convenções seria óbice à aplicação do mencionado artigo 74. (ROCHA, Sérgio André; Tributação de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior. 2ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2016, p. 79) Referida conclusão é reforçada ainda pela lição do saudoso Professor Alberto Xavier: “A principal crítica que deve ser dirigida a este entendimento está em que a lei interna que fundamento a tributação (o art. 25 da Lei 9.249/95, para o qual remete o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01) não permite a referida construção, eis que alude aà adição ao lucro da pessoa jurídica brasileira dos próprios lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, independentemente de serem pagos ou creditados. A ficção de disponibilização mais não significa que a determinação do momento temporal que esse cômputo se deve verificar, não tendo o condão de alterar o objeto da tributação. (XAVIER, Alberto. Direito tributário internacional do Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 417418) Repudiase aqui interpretação que busca limitar o alcance do art. 7, concedendolhe escopo subjetivo, qual seja, proteção do nãoresidente. Schoueri bem explica o alcance do art. 7: O raciocínio assim desenvolvido peca, entretanto, ao não perceber que não é verdade que o artigo 7º se limita a proteger do imposto brasileiro as empresas sediadas no exterior. O escopo do artigo 7º não é subjetivo (as empresas), mas objetivo (os lucros das empresas). Assim, é falso o dilema que examina quem assume o ônus do imposto: a limitação do artigo 7º alcança os lucros de uma empresa de um Estado Contratante. Pouco interessa, in casu, indagar quem suporta o encargo. Seja a empresa estrangeira, seja a nacional, o que importa é que nem uma nem outra estão sujeitas ao imposto brasileiro calculado sobre o lucro da empresa localizada no exterior. Nos termos do referido artigo 7º, portanto, estão fora da jurisdição brasileira os lucros auferidos por uma empresa situada em outro Estado Contratante. Resta ver, daí, qual o alcance objetivo da legislação brasileira. Noutras palavras, cabe examinar se a legislação brasileira alcança lucros de uma empresa brasileira, ou lucros de uma empresa estrangeira. Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.209 19 (SCHOUERI, Luís Eduardo. Lucros no Exterior e Acordos de Bitributação: Reflexões sobre a Solução de Consulta Interna nº 18/2013. Revista Dialética de Direito Tributário, n. 219, São Paulo, dezembro de 2013, p. 74). Embora se utilize o parágrafo 14 do comentário ao art. 7, constante na versão de 22/07/2010 da Convenção Modelo: 14. The purpose of paragraph 1 is to limit the right of one Contracting State to tax the business profits of enterprises of the other Contracting State. The paragraph does not limit the right of a Contracting State to tax its own residents under controlled foreign companies provisions found in its domestic law even though such tax imposed on these residents may be computed by reference to the part of the profits of an enterprise that is resident of the other Contracting State that is attributable to these residents’ participation in that enterprise. Tax so levied by a State on its own residents does not reduce the profits of the enterprise of the other State and may not, therefore, be said to have been levied on such profits (see also paragraph 23 of the Commentary on Article 1 and paragraphs 37 to 39 of the Commentary on Article 10). 14. O propósito do § 1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontrados em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros (ver também § 23 dos Comentários ao art. 1º e §§ 37 a 39 dos Comentários ao art. 10). Tal comentário deve ser lido com temperamentos, verificando o contexto em que foi emitido. Qual seja, buscando combater o abuso na utilização de tratados. Tal assertiva pode inclusive ser comprovada pela remissão do comentário 14 ao art. 7, ao comentário 23 ao art. 1, onde afirmase que outra forma de combater o uso abusivo de tratados seria ser a leitura dos percebase inclusive a referência aos comentários ao art. 1, onde se trata do uso abusivo de tratados seria através de normas CFC. Se isso é verdade, e entendemos que sim, seria mais um motivo para afastar a tributação em respeito a Convenção. Cabe ainda mencionarmos que por muito tempo a doutrina vem sustentando que referido permissivo só valeria para normas CFC “reais”, ou sejam, as que buscam o combate ao abuso, restritas a rendas passivas e a países de baixa ou nenhuma tributação. Para Sérgio André Rocha: Com efeito, independentemente de serem qualificadas como CFC, ou não, as regras brasileiras certamente não foram consideradas como típicas regras CFC pelos referidos Comentários. De fato, como já ressaltamos, a maioria dos países membros da OCDE não pode incluir em suas legislações regras com o alcance da regra brasileira – ver item 3.6. , uma vez que as mesmas seriam contrárias às liberdades fundamentais da União Europeia. Dessa maneira, é claro que os Comentários da OCDE e da ONU não tinham como paradigma modelos como o brasileiro. Este fato é ressaltado no Relatório da Ação 3 do Projeto BEPS, onde se demonstrou grande preocupação com os limites para a adoção de ‘regimes CFC pelos países da União Europeia. (ROCHA, Sérgio André; Tributação de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior. 2ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2016, p. 79) Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.210 20 Lembramos, por fim, que o E. STJ nos autos do RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE. NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL. NÃO PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. IRPJ E CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO 72.542/73), A DINAMARCA (DECRETO 75.106/74) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO 85.051/80). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS. ART. 74, CAPUT DA MP 2.15735/2001. DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGURANÇA, EM PARTE. 1. Afastase a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora recorridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte. 2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusividade, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Apelação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg no AREsp. 113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012. 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.211 21 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicionálos ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.158 35/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.15835/01) a qual objetivou regular; com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. 10. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput da MP 2.15835/2001, deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. Caso este não seja o entendimento desta r. Turma, afastamento da tributação por força do art. 7 das referidas Convenções, em caso se entenda que estamos sim diante da tributação de dividendos fictos, no caso em análise o resultado prático é o mesmo. Isto porque o art. 23 das referidas convenções isenta tais rendimentos. Tal posicionamento foi adotado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.729239/201111, acórdão nº 1102001.247, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, assim ementado: LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP 215835/2001. TRATADO BRASIL ARGENTINA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. A contribuição social sobre o lucro, apesar de guardar semelhança com o imposto de renda, possui base de cálculo própria, bem como destinação distinta, e não se encontra abrangida pela Convenção BrasilArgentina. Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido em parte. Nos termos do art. 23 da Convenção BrasilArgentina, são isentos de tributação no Brasil os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, desde que, de acordo com as disposições da própria Convenção, sejam tributáveis na Argentina. LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADA AVALIADA PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Nos termos da regulamentação editada pela Receita Federal, mesmo na vigência do art. 74 da Medida Provisória 215835/2001, no caso de investimento no exterior avaliado pelo custo de aquisição, os lucros devem ser reconhecidos pela investidora no Brasil somente quando disponibilizados mediante pagamento ou crédito, nos moldes previstos pela Lei nº 9.532/97. LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 215835/2001. COLIGADAS NA BOLÍVIA E PARAGUAI. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.212 22 O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.158 35/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais). IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR Pode ser compensado com o imposto de renda e a contribuição social devidas no país, em razão dos lucros auferidos no exterior, o imposto efetivamente pago no exterior sobre aqueles lucros, observados os limites legais. Pelo exposto, entendemos que não merece guarida o auto de infração no tocante a tributação das controladas da recorrente localizadas na Argentina e no Equador, sob ameaça de afronta direta ao previsto nos Decretos nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982 (Convenção BrasilArgentina), e nº 95.717/1988 (Convenção BrasilEquador), seja pelo disposto em seu art. 7, seja pelo disposto na combinação dos arts. 10 e 23. 3.1.4 Aplicação dos Tratados à CSLL Durante anos perdurou nos Tribunais brasileiros a discussão imposta pela Receita Federal de que os Tratados contra bitributação sobre a renda não tinham aplicação à CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) por tratarse de espécie tributária diversa enquanto que a doutrina defendia, com razão, que as Convenções são aplicáveis aos tributos incidentes sobre a renda, independentemente de sua denominação (nomen juris). A Lei nº 13.202/2015, resultante da conversão da Medida Provisória nº 685/2015[1], trouxe dispositivo equiparando a CSLL ao IRPJ, para fins das Convenções firmadas pelo Brasil para evitar a bitributação em relação aos impostos sobre a renda. O artigo 11 da referida Lei assim dispõe: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do DecretoLei no 5.844, de 23 de setembro de 1943. O dispositivo em comento tem natureza expressamente interpretativa ao que aplicável, portanto, a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN. 3.2. Erros materiais na apuração do crédito tributário controlada Moçambique: Alega o contribuinte que houve erro na apuração da base de cálculo em relação a sua controlada em Moçambique, haja vista sua participação ser de 99%, e não os 100% utilizados pela d. Fiscalização. De sua parte afirma a Procuradoria que: Novamente, no entanto, não parece assistir razão à empresa, já que, nos termos do que colocado no voto condutor da decisão ora atacada, o contribuinte informa em DIPJ’s referentes aos anos de 2009 e 2010 que sua participação na investida em Moçambique é de 100%. E embora alegue erro no preenchimento de tal informação, não traz aos autos documentos capazes de demonstrar tal equívoco. Sendo assim, mais uma vez se faz necessária a manutenção do lançamento Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.213 23 O contribuinte, traz aos autos informação que contrapõese à posição sustentada pela Procuradoria o que corrobora com sua declaração na DIPJ, devendo ser excluído, portanto, o crédito tributário nesse ponto. Em relação à compensação dos tributos pagos no exterior, entendemos que assiste razão ao contribuinte. A Receita Federal do Brasil possui condições de verificar durante a fiscalização se e quando houve compensação dos tributos pagos no exterior, não se podendo desincumbir da adequada apuração da base de cálculo do tributo devido, conforme art. 142 do CTN. 3.3.Do recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre lucros distribuídos pela CCCCColômbia: Em relação aos lucros apurados pela CCCCColômbia, verificase divergência quanto a imputação do valor de R$ 5.785.815,58 declarados em DIPJ no ano calendário de 2012, linha 43, como se fosse da sociedade CCC Ingeneria &Construcciones não merece subsistir; o que evidenciado pelo documento n.3 acostado presente recurso que atesta que a ora recorrente detém apenas um por cento de participação na referida empresa que apurou apenas R$55.317,00 de lucro líquido neste ano. Da análise dos documentos constatase que assiste razão a recorrente quando afirma que tal valor referese exclusivamente a lucros distribuídos pela CCCCColômbia, sobretudo, diante do fato de ter juntado livro razão do período em que demonstra analiticamente a composição do valor, referenciado inclusive, por contratos de câmbio. Não assiste razão a D. PGFN quando clama que seja mantido entendimento proferido pela r. DRJ sob o argumento de eventual preclusão tomandose em conta as provas “tempestivamente juntadas”. Esse E. Conselho já se manifestou anteriormente, e entendo de forma bastante razoável, que provas juntadas posteriormente sejam acolhidas: PRECLUSÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL RATEIO DE CUSTOS. Em que pese o princípio do formalismo moderado que informa o processo administrativo fiscal, não é razoável, depois da impugnação, a reabertura de oportunidade ao sujeito passivo para trazer a prova quando, sem qualquer justificativa aceitável, ele deixou de fazêlo em duas oportunidades anteriores (no curso da fiscalização e com a impugnação). Contudo, se aspectos específicos da prova a ser produzida demonstram que ela não se realizaria mediante a apresentação de planilhas e demonstrativos, e se os documentos trazidos posteriormente são suficientes a formação da convicção do julgador, não demandando diligências, o sopesamento dos princípios da verdade material, do formalismo moderado e do princípio finalístico do processo justificam o acolhimento das provas. (CSRF, Acórdão n. 9101002.114, Relator Valmir Sandri) Não é crível que uma companhia em que a Recorrente detém participação mínima de 1% gere dúvidas quanto a imputação dos lucros. Por essa razão, entendo merecer guarida o argumento da Recorrente, excluindo tais valores, reformando o r. Acórdão da DRJ nessa parte acolhendo, assim, os argumentos expendidos pela recorrente ante documentação trazida aos autos. Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.214 24 3.4 Legalidade da aplicação da taxa SELIC: A impugnante, ao abrigo da sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança 2003.6100.00.0026301, não está sujeita ao regime de tributação imposto pelo art 74 da MP 2.1582001. Por esta razão, tributa os lucros de suas investidas quando distribuídos e não quando apurados. A fiscalização ao lançar o valor correspondente aos juros de mora devidos entre a data da apuração dos tributos e a data de seu recolhimento, a fiscalização tratouos como “diferença de tributo” e aplicou sobre a referida diferença a SELIC; o que viola o art 6º, § 7ºdo DL 1598/77, já que o auto de infração aplicou juros sobre juros e o dispositivo em referência autoriza a cobrança de juros até a data do pagamento. O auto de infração também incorre em nulidade uma vez que a parcela devida a título de juros de mora da CSLL recolhida em períodos posteriores foram objeto do lançamento do IRPJ e não da CSLL, como deveria. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário provendoo parcialmente para: 4.1) excluir os lucros das coligadas sediadas no Peru, por força do julgamento proferido na ADI 2588 que fixou entendimento pela inconstitucionalidade do art.74 para coligadas fora de paraíso fiscal; 4.2) excluir os lucros das controladas localizadas na Argentina e Equador, por força do art. 7, do Tratado para Evitar a Dupla Tributação assinado entre Brasil e esses países; 4.3) excluir da tributação das controladas de Moçambique na medida em que a contribuinte se desincumbiu do ônus de provar que não detém 100% do capital social da sociedade empresária; 4.4) cancelar o auto no que respeita a tributação dos lucros da controlada localizada na Colômbia na medida em que o montante de R$5.785.815,58 declarados pela recorrente na DIPJ anocalendário 2012 se refere exclusivamente a lucros distribuídos pela CCCCColômbia; 4.5) excluir a aplicação da SELIC sobre juros na postergação do pagamento. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.215 25 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado Em que pesem os brilhantes argumentos do i. Conselheiro Relator, ouso discordar de suas conclusões quanto à tributação da parcela de lucros da Recorrente auferida por meio de suas controladas localizadas na Argentina e no Peru. Para a Recorrente, a Fiscalização não poderia ter incluído na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os resultados auferidos por intermédio suas controladas localizadas na Argentina e no Peru. Segundo seu entendimento, o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, violaria o art. 7º do Tratado BrasilArgentina e do Tratado BrasilEquador, firmado para evitar a dupla tributação da renda. Desse modo, ao aplicar o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a Fiscalização estaria tributando os lucros da controlada na, e não os lucros da Recorrente – residente no Brasil. Entende, a Recorrente, portanto, que seria competência exclusiva da Argentina/Equador tributar os lucros auferidos em suas controladas localizadas na Argentina e no Peru, nos termos previstos no art. 7º do tratados em questão. Pois bem, passo a analisar o tema. O tema não é novo neste colegiado. Na sessão de 04 de outubro de 2016, por meio do acórdão 1402002.321, de minha relatoria, em situação praticamente idêntica (o tratado em questão fora firmado com a Áustria), decidiuse por negar provimento ao recurso voluntário. A tributação em bases universais das pessoas jurídicas residentes no Brasil possui seu fundamento legal no artigo 25 da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Depois de inúmeras controvérsias legislativas1, pacificouse o entendimento de que esse dispositivo somente permitiria a tributação após os mencionados lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serem disponibilizados à pessoa jurídica situada no Brasil. 1 Tais controvérsias surgiram com a transformação do conteúdo que constava na própria Lei nº 9.249/95, na IN/SRF nº 38/96 e na Lei nº 9.532/97, e já tinha como pano de fundo a tentativa de se tributar os lucros auferidos no exterior pelas Controlled Foreign Corporations – CFC – mediante o princípio da ransparência fiscal. Cf. Luís Eduardo Schoueri, “Imposto de Renda e os Lucros Auferidos no Exterior”. In: Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. Vol 7. São Paulo: Dialética, 2003, pp. 303 a 313. Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.216 26 Com o advento da Medida Provisória nº 2.15835/01 duas significativas mudanças foram introduzidas: (i) no artigo 21 introduziuse tal tributação à CSLL2; (ii) no artigo 74, determinouse que a disponibilização se dará antes e independentemente de qualquer distribuição no caso de lucros auferidos por empresas controladas e coligadas da pessoa jurídica brasileira. Vejase: Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 1996, e o art. 1oda Lei no 9.532, de 1997. [...] Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. A despeito das críticas sobre sua amplitude, atingindo também as empresas coligadas em descompasso com o padrão internacional, além de lucros auferidos em países sem tributação favorecida e rendas ativas, é importante ressaltar que esse artigo 74 vai ao encontro das regras instituídas em inúmeros países em sintonia com o fenômeno da transparência fiscal internacional3. A rigor, tratase de normas antielisivas específicas que tem como escopo evitar o diferimento da tributação dos lucros de empresas qualificadas como controlled foreign corporations CFC. Fazse necessário, portanto, analisar a sistemática adotada em tais dispositivos legais. Nesse sentido, é de se observar que a lei não teria eficácia se quisesse tributar diretamente os lucros de uma empresa não residente. Isso porque não há conexão (residência ou fonte) capaz de dar efetividade à jurisdição tributária brasileira. O que a lei faz é tributar uma renda ficta da própria pessoa jurídica brasileira (a empresa residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa residente e, sopesando o fato de que esta possui participação societária em outra empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade da renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa no exterior. A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de renda é uma decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso, o Supremo Tribunal Federal STF, à luz dos princípios constitucionais envolvidos (igualdade, capacidade contributiva, etc.). E, como é de amplo conhecimento, o artigo 74 foi apreciado pelo STF, na ADI nº 2.588, restando decidida sua inconstitucionalidade apenas nos casos que tratam de lucros auferidos por coligadas não situadas em países com tributação favorecida. Não nos cabe aqui questionar a exatidão dessa decisão, mas, apenas, reconhecer sua aplicabilidade. Nem se pode estranhar essa forma de tributação. Afinal, em várias situações a legislação do imposto de renda tributa algo que não é necessariamente renda. Basta ver as 2 Na verdade, esse dispositivo foi originalmente editado no artigo 19 da MP nº 1.8566/99 e, depois, sendo reeditado, até que ficou definitivamente positivado no artigo 21 da MP nº 2.15835/01. 3 Cf. João Francisco Bianco. Transparência Fiscal Internacional. São Paulo: Dialética, 2007, pp. 15 a 39. Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.217 27 margens predeterminadas do controle dos preços de transferência. Aliás, as próprias adições e exclusões ao lucro líquido, que o legislador arbitrariamente elege para se chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro real é muito mais uma ficção do que uma renda ideal. Há de se ressaltar que o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo patrimonial definido numa amplitude global. Isso significa que se considera renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. A bem da verdade, nem mesmo o lucro líquido contábil pode se enquadrar exatamente no conceito financeiro de renda da teoria do acréscimo patrimonial que inspirou os elaboradores do Código Tributário Nacional CTN na positivação do seu artigo 434. E não há nenhuma ofensa aos artigos 7 dos acordos destinados a evitar a dupla tributação quando se adota essa forma de incidência tributária. Vejase o típico conteúdo desses dispositivos, conforme as ConvençõesModelo adotadas pela OCDE e pela ONU, nos termos reproduzidos para o vernáculo pelo acordo celebrado entre o Brasil e a Argentina e o Brasil e o Equador: Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exerce suas atividades na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. Ora, a parte desses dispositivos que diz que “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” não pode ser entendida de maneira desvinculada da parte seguinte: “a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado”. Tratase da forma que as ConvençõesModelo escolheram para dizer que o país da fonte só pode tributar o lucro do seu não residente se este exercer atividade neste país por intermédio de um estabelecimento permanente. Isso porque é possível que uma atividade seja exercida sem um grau de conexão tal com o país da fonte que seja capaz de qualificálo no escopo do conceito de estabelecimento permanente contido nos artigos 5º daquelas mesmas ConvençõesModelo. Ainda assim, existe a conexão e o país da fonte poderia querer exercer sua jurisdição no sentido de tributar os correspondentes lucros. A regra daqueles dispositivos impede, então, que o país da fonte exerça essa jurisdição. Por outro lado, como bem frisado pela PGFN em contrarrazões e sustentações orais sobre o tema, os tratados firmados para evitar bitributação se tratam de regras de competência negativa, ou seja, os tratados servem para não tributar um não residente, e jamais não tributar um residente! Por essas mesmas razões, não há porque se procurar nos tratados dispositivo que autorize determinado país a tributar seu residente, já que os mesmos somente se prestam a impossibilitar a tributação de um não residente, e nas hipóteses em que forem firmados pelos Estados Contratantes. 4 Cf. Ricardo Marozzi Gregorio. Preços de Transferência: Arm's Length e Praticabilidade. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 245. Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.218 28 Há de se salientar, novamente, que a tributação da empresa brasileira, nos termos do art. 74 Medida Provisória nº 2.15835/01, não diminui o resultado da empresa situada no exterior, uma vez que jamais se refletirá nas demonstrações contábeis e financeiras do não residente no Brasil. Nesse mesmo sentido, em relação ao art. 7º das ConvençõesModelo, a OCDE é taxativa ao afirmar que normas CFC como a prevista no art. 74 Medida Provisória nº 2.15835/01 não ofendem os tratados firmados, pois a tributação incidiria sobre o residente, e não sobre não residente. Segundo a PGFN, os mais recentes posicionamentos da OCDE orientam, inclusive, que normas CFC não se apliquem somente a casos de abuso de tratado, mas que possuam hipóteses de incidência objetivas. Corroborando o entendimento firmado até aqui, o i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, no acórdão 9101002.330, assevera que o “entendimento pela não aplicação do art. 7º às normas CFC, embora objeto de alguma controvérsia, é corrente e aceito na doutrina internacional5 e nacional e pela jurisprudência de diversos países. A doutrina nacional, referindose à norma CFC brasileira, também tem posições no sentido da não afetação dos tratados, e.g., Marco Aurélio Greco, conforme se transcreve abaixo: Para Marco Aurélio Greco, uma vez que o referido artigo 74 estabelece a tributação de uma variação positiva de patrimônio da empresa brasileira, não haveria base para se falar em bloqueio da tributação prevista neste dispositivo em função da aplicação do art. 7º das convenções internacionais assinadas pelo Brasil, já que, em nenhum momento, se estaria tributando lucros da empresa residente no outro país. Em sua visão, mesmo nos casos em que determinada convenção prevê a isenção dos dividendos pagos para residentes e domiciliados no Brasil, não estaria afastada a tributação do art. 74, uma vez que, como dito acima, seu entendimento é no sentido de que esta regra prevê a tributação de um acréscimo patrimonial ocorrido no Brasil e não do resultado ainda não distribuído pela empresa brasileira”.6 Em relação à tese de que a redação utilizada no art. 7 das Convenções sobre Dupla Tributação existiria justamente para impedir sistemática de tributação como a do art. 74 da MP 2.15835/2001, por outros fundamentos também discordo de tal exegese. Basta analisar a cronologia das normas em questão para se verificar a impossibilidade de tal raciocínio. A redação do artigo 7 das convenções destinadas a evitar a dupla tributação foi elaborado para se impedir que sejam tributados na fonte receitas (“lucros” – profits) remetidas ao país de residência, sem que haja uma presença efetiva da empresa no outro país, a não ser que o rendimento seja abrangido nos outros itens específicos do tratado. Logo, se houver um estabelecimento permanente (no que se remete ao art. 5º dessas convenções, que define os critérios para este fim), ou houver uma subsidiária ou controlada, os lucros também podem ser tributados pelo país em que eles são gerados. 5 Ver e.g., LANG, Michael. “CFC Regulations and Double Taxation Treaties”. Bulletin for International Fiscal Documentation. Vol 57:2, pp. 5158 (2003). 6 GRECO, Marco Aurélio; ROCHA, Sergio Andre. Tributação Direta: Imposto sobre a Renda. In: UCKMAR, Victor et al. Manual de Direito Tributário Internacional. São Paulo: Dialética:2012, p. 407 408. Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.219 29 Nesse sentido, novamente valhome dos valorosos argumentos do i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão traçados no bojo do acórdão 9101002.330: importa ressaltar que à época da proposta de redação do art. 7 (no início do século passado e depois na década de 1940 modelos do México e Londres), não existiam normas CFC, tendo essas surgido somente na década de 1960, originalmente nos EUA. Portanto, cai por terra o argumento de que a redação do art. 7 dos acordos destinados a evitar a dupla tributação teria como objetivo impedir a aplicação das normas CFC. Também não se pode, portanto, querer atribuir à expressão “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” o sentido restritivo de impedir que um determinado país adote normas de transparência fiscal internacional. Esse, inclusive, é o entendimento esposado pela OCDE nos comentários de sua ConvençãoModelo. Nesse sentido, vide os seguintes excertos, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafo 23 dos comentários ao artigo 1º: 23. A utilização de “companhias de base” [“base companies”, em inglês] também pode ser tratada através de normas sobre sociedades controladas no exterior [“Controlled Foreign Corporations/CFC”, em inglês]. Um número significativo de países membros e não membros tem adotado tal legislação. Conquanto o desenho desse tipo de legislação varie consideravelmente de país para país, um traço comum dessas regras, agora internacionalmente reconhecidas como um instrumento legítimo para proteger a base tributária local, é que elas resultam na tributação, por um Estado Contratante, de seus residentes relativamente à renda proveniente de sua participação em certas entidades estrangeiras. Argumentouse algumas vezes, com base em certa interpretação de dispositivos da Convenção tais como o artigo 7º, parágrafo 1º, e o artigo 10, parágrafo 5º, que esse traço comum da legislação sobre sociedades controladas no exterior estaria em conflito com tais dispositivos. Pelos motivos expostos nos parágrafos 14 dos comentários ao artigo 7º e 37 dos comentários ao artigo 10, esta interpretação não está de acordo com o texto dos dispositivos. A interpretação também não se sustenta quando os dispositivos são lidos em seu contexto. Portanto, muito embora alguns países tenham considerado útil esclarecer expressamente, em suas convenções, que a legislação das sociedades controladas no exterior não está em conflito com a Convenção, tal esclarecimento não se faz necessário. Reconhecese que a legislação das sociedades controladas no exterior estruturada dessa forma não é contrária aos dispositivos da Convenção. Parágrafo 14 dos comentários ao artigo 7º: 14. O propósito do parágrafo 1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontrados em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se pode dizer, Fl. 4219DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.220 30 portanto, que teve por objeto tais lucros (ver também o parágrafo 23 dos comentários ao artigo 1º e parágrafos 37 a 39 dos comentários ao artigo 10). Outrossim, o recente relatório final divulgado no âmbito da Ação 3 do projeto Base Erosion and Profit Shifting BEPS, conduzido pela OCDE sob determinação de todos os países pertencentes ao chamado G20, tratou como renda "atribuída aos acionistas" (attributed to shareholders) a parcela tributada no país que impõe a norma CFC. Nesse sentido, embora alguns países já o façam, tendo em vista que algumas normas CFC só se aplicam a certos tipos de renda, recomenda que as regras de CFC incluam uma definição de rendimento de Companhias Controladas no Exterior e estabeleça uma lista não exaustiva de abordagens ou combinação de abordagens que as regras de CFC poderiam utilizar para tal definição7. Portanto, não se trata de tributar a renda da CFC, mas, sim, uma parcela atribuída na renda do acionista. Por outro lado, também não se pode compreender a sistemática adotada pela lei brasileira como se estivesse tributando uma espécie de "dividendos presumidos". Primeiro, porque o dividendo é um conceito bem delineado no âmbito da legislação societária. Assim, não basta a mera deliberação dos sócios para que todo o lucro auferido num determinado período se converta em dividendos. Como se sabe, há diversas situações em que os lucros devem ser destinados, por determinação legal ou estatutária, a pessoas distintas dos sócios. Então, não se pode garantir que todo o lucro deve ser dividido segundo as participações societárias. Segundo, porque quando o dividendo é, de fato, distribuído, seguindo o método de alívio da bitributação jurídica utilizado pela maioria dos países, deve se dar o crédito do imposto retido pelo país da fonte. Porém, a legislação brasileira não faz exatamente isso. Como não houve, de fato, a distribuição do dividendo, não há imposto retido na fonte. Então, o que se possibilita é a compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente. Vejam bem, não se trata de alívio da bitributação jurídica, mas, sim, da bitributação econômica através da compensação de parcelas do imposto apurado pela empresa residente (a brasileira), segundo os complicados critérios estabelecidos no artigo 14 da IN/SRF nº 213/028. E percebam que existe até a possibilidade de compensar aquele imposto do exterior com a CSLL devida pela empresa brasileira (artigo 15 da mesma IN)9. Vejase: COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COM O IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NO BRASIL Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. 7 Conforme OECD/G20 Base Erosion and Profit Shifting Project 2015 Final Reports, pp 13 e 14. Disponível em: < https://www.oecd.org/ctp/bepsreports2015executivesummaries.pdf>. Acesso em 10 de maio de 2017. Eis o texto em sua originalidade: “Definition of income – Although some countries’ existing CFC rules treat all the income of a CFC as “CFC income” that is attributed to shareholders in the parent jurisdiction, many CFC rules only apply to certain types of income. The report recommends that CFC rules include a definition of CFC income, and it sets out a nonexhaustive list of approaches or combination of approaches that CFC rules could use for such a definition”. 8 Interpretação administrativa para os artigos 26 da Lei nº 9.249/95, 16, § 2º, da Lei nº 9.430/96, e 1º, § 4º, da Lei nº 9.532/97. 9 Cuja base legal é o artigo 21, § único, da MP nº 2.15835. Fl. 4220DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.221 31 § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, poderá haver consolidação dos tributos pagos, observado o disposto no § 2º do art. 3º e § 5º do art. 4º. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.222 32 sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1º de janeiro do ano subsequente ao da compensação. § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subsequentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anoscalendário subsequentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. § 18. Na hipótese de lucro real positivo, mas, em valor inferior ao total dos lucros, rendimentos e ganhos de capital nele computados, o tributo passível de compensação será determinado de conformidade com o disposto no § 17, tendo por base a diferença entre aquele total e o lucro real correspondente. § 19. Caso o tributo pago no exterior seja inferior ao valor determinado na forma dos §§ 17 e 18, somente o valor pago poderá ser compensado. § 20. Em cada anocalendário, a parcela do tributo que for compensada com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, ou com a CSLL, na hipótese do art. 15, deverá ser baixada da respectiva folha de controle no Lalur. COMPENSAÇÃO COM A CSLL DEVIDA NO BRASIL Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.223 33 com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Terceiro, porque não há na legislação nada que garanta que se houver uma efetiva distribuição de dividendos a posteriori, estes deixarão de ser tributados, tanto pelo país da fonte, quanto pelo Brasil. Ademais, inexiste qualquer previsão acerca dos efeitos daquela tributação sobre os “dividendos presumidos” em face da eventual tributação dos dividendos efetivamente distribuídos. É verdade que os parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10 deixam aberta a possibilidade de uma determinada legislação CFC tratar ou não os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Apesar disso, o conteúdo desses parágrafos é claro quanto à chance de haver problemas na efetivação de benefícios concedidos no âmbito do acordo no caso de a legislação CFC tratar os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Vejase tais comentários, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10: 38. A aplicação de tal legislação ou regras [de acordo com o parágrafo precedente, tratase da legislação CFC ou de regras com efeitos similares] pode, porém, complicar a aplicação do artigo 23. Se a renda [da CFC] fosse atribuída ao contribuinte, cada item dessa renda teria que ser tratada na conformidade das provisões relevantes da Convenção (lucros de empresas, juros, royalties). Se é tratada como um dividendo presumido, então, ele é claramente derivado da companhia de base [a CFC], constituindo renda do país daquela companhia. Mesmo assim, não está claro se a renda deve ser tratada como um dividendo (artigo 10) ou como rendimentos não expressamente mencionados (artigo 21). Sob algumas dessas legislações ou regras, a renda tributável é tratada como um dividendo, com o resultado de que uma isenção concedida por uma convenção, por exemplo, uma isenção de uma filial, seja também estendida ao contribuinte. É questionável se a Convenção requer que isso seja feito. Se o país de residência considera que esse não é o caso, pode se alegado que ele está obstruindo a normal operação da isenção de uma filial mediante tributação do dividendo (na forma de "dividendo presumido") antecipadamente. 39. Aonde os dividendos são realmente distribuídos pela companhia de base [a CFC], as provisões da convenção bilateral têm que ser normalmente aplicadas porque há renda de dividendos dentro do escopo da convenção. Assim, o país da companhia de base pode submeter o dividendo a uma tributação na fonte. O país da residência do controlador aplicará os métodos normais de eliminação da bitributação (isto é, o método do crédito ou da isenção). Isso implica que o tributo retido deve ser creditado no país de residência do controlador, mesmo que o lucro distribuído (o dividendo) tenha sido tributado anos antes no âmbito da legislação CFC ou outras regras com efeitos similares. No entanto, a obrigação de dar o crédito nesse caso permanece questionável. Geralmente tal dividendo é isento da tributação (uma vez que ele já foi tributado no âmbito daquela legislação ou regras) e poderia ser arguido que não há base para o crédito do tributo retido. Por outro lado, o propósito do tratado seria frustrado se esse crédito pudesse ser evitado via simples antecipação da tributação pela oposição da citada legislação. O princípio geral estabelecido acima sugere que o crédito deveria ser concedido mesmo que os detalhes possam depender de tecnicalidades da Fl. 4223DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.224 34 citada legislação ou regras e do sistema de crédito dos tributos no exterior contra os tributos domésticos (por exemplo, tempo decorrido desde a tributação dos "dividendos presumidos"). Porém, os contribuintes que tenham recorrido a arranjos artificiais estão assumindo riscos que não estão completamente sob a salvaguarda das autoridades tributárias. Nada obstante a existência dessa possibilidade, como já se disse, não parece que a lei brasileira tenha seguido esse difícil caminho. Registrese, contudo, que a matéria sofrerá profundas alterações para os fatos geradores futuros por obra do conteúdo introduzido pela Lei nº 12.973/14. No caso presente, a jurisdição brasileira não tem conexão com o lucro produzido pela empresa argentina e pela empresa equatoriana. A nossa lei não pode alcançar esta última sem que algum critério de conexão se estabeleça. Portanto, o que a nossa lei faz é tributar a nossa empresa, residente, pelo natural critério da residência. Apenas o cálculo da renda tributada nesta empresa, conforme determinado pela lei interna, é que é baseado nos lucros apurados pela empresa no exterior. A compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente, para alívio da bitributação econômica, é mera liberalidade da lei interna. Assim como, se existisse (ou vier a existir) determinação para a não tributação dos dividendos efetivamente distribuídos a posteriori, esta seria (ou será) também outra liberalidade (uma vez que já havia sido concedido o alívio anterior). Tal entendimento, sublinhese, é o mesmo adotado pela RFB oficialmente em por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 08 de agosto de 2013, cuja ementa recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS COLIGADAS OU CONTROLADAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR A aplicação do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação. Dispositivos Legais: art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts 25 e 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e Artigo 7 da ConvençãoModelo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Convém transcrever as conclusões de tal ato: 34. Em face do exposto, concluise que a aplicação do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação pelas seguintes razões: 34.1. a norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros; 34.2. o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e Fl. 4224DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.225 35 34.3. a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado. De igual forma, recentemente o próprio CARF vem adotando tal entendimento, chamando atenção a decisão prolatada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 04 de maio de 2016 (Acórdão 9101002.330), em brilhante voto vencedor do i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão em que são rebatidos todos os argumentos usualmente utilizados pelos que defendem tese contrária à exposta no presente voto. Portanto, não assiste razão à Recorrente. Inexiste ofensa ao Acordo Brasil Argentina e ao Acordo BrasilEquador, seja pelo artigo 7, seja pelo artigo 23, parágrafo 4 (o qual isenta os dividendos tributáveis na Argentina/Equador recebidos por residentes brasileiros). No que atine à tributação da equivalência patrimonial, a decisão recorrida, baseandose no art. 7º, § 1°, da IN 213/02, confirmou a exigência de IRPJ e CSLL supostamente aplicada sobre o valor da equivalência patrimonial apurado no investimento mantido na controlada argentina e na controlada equatoriana. Convém transcrever as normas do Regulamento do Imposto de Renda que norteiam o tema: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): [...] Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). [...] Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 1º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, parágrafo único, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 2º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto nesta Subseção, sem prejuízo do disposto no art. 394 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). Fl. 4225DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.226 36 Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] § 9º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 5º e 6º (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). [...] Conforme se observa, a Lei nº 9.249, de 1995, em relação ao resultado das avaliações de investimento no exterior pelo método da equivalência patrimonial, manteve o tratamento tributário previsto para os resultados de investimentos no Brasil, ou seja, não devem compor a apuração do lucro real. Coadunome com a posição externada pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão nº 110100.365, no qual conclui que se deve interpretar o enunciado da IN que determina a inclusão do resultado positivo de equivalência patrimonial em investimentos no exterior na apuração do lucro líquido em conjunto com o art. 25, § 6º, da Lei nº 9.249, de 1995, ou seja, incluise tal resultado na apuração do lucro apurado em balanço, mas mantémse sua exclusão, se positivo, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Há de se salientar, contudo, que o próprio art. 25 da Lei nº 9.249, de 199510, determina que os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na 10 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; Fl. 4226DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.227 37 apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas (§ 1º), sendo que os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real, sendo que os rendimentos e ganhos de capital serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real (§ 2º, II). Portanto, em que pese no valor do MEP, em tese, poder estar englobado outros valores que não o lucro, bastase mera apuração aritmética para que a apuração da base de cálculo seja adequada aos ditames dos §§ 1º, 2º e 3º, do art. 25 da Lei nº 9.249/1995, tal qual realizado no lançamento. Portanto, na presente exigência, o valor objeto da autuação é exatamente o valor do lucro consolidado em sua controlada na Argentina e em sua controlada não Equador, não havendo que se falar em tributação do valor obtido via método da equivalência patrimonial. Desse modo, impõese a manutenção integral da exigência referente à tributação, no Brasil, da parcela de lucros a que a Recorrente fez jus com base no resultado apurado por suas controladas situadas na Argentina e no Equador. No que diz respeito à suposta aplicação de juros sobre juros, equivocase a Recorrente e, com a devida vênia, também o i. Relator sobre o fato. O que ocorreu, em realidade, foi o habitual cálculo de postergação de tributos, imputandose o valor originalmente recolhido em período posterior ao vencimento do tributo (principal) em tributo, multa e juros, proporcionalmente, conforme determina o art. 6º, § 7º do DecretoLei nº 1.598/77, procedimento detalhadamente examinado no Parecer Normativo COSIT nº 2/1996 e corretamente aplicado pela autoridade fiscal autuante. Ainda em relação ao tema, a alegação da Recorrente acolhida pelo i. Relator de que “o auto de infração também incorre em nulidade uma vez que a parcela devida a título de juros de mora da CSLL recolhida em períodos posteriores foram objeto do lançamento do IRPJ e não da CSLL, como deveria”, não faz sentido. Em primeiro lugar porque não seria caso de nulidade do lançamento, mas sim de cancelamento da parcela da exigência que estivesse incorreta. Ademais, como a autoridade fiscal estava imputando a parcela de imposto pago no exterior a ser deduzida do IRPJ devido no Brasil, e, considerandose que após a distribuição do valor pago no exterior entre IRPJ, multa de mora e juros a serem apropriados em razão da postergação, não restou saldo de imposto recolhido no exterior a ser deduzido da CSLL (nos termos do art. 15 da IN SRF nº 213/2002), mas sim IRPJ ainda devido, não há que se falar em necessidade de lançamento de parcela de juros de CSLL, conforme afirmado no voto do Relator. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Fl. 4227DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201421 Acórdão n.º 1402002.495 S1C4T2 Fl. 4.228 38 Assim sendo, voto também por negar provimento ao recurso em relação à suposta cobrança indevida de juros relativos à postergação. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 4228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001743/2010-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.056
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.001743/2010-65
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829543
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.056
nome_arquivo_s : Decisao_11020001743201065.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11020001743201065_5829543.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7112882
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735584022528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.001743/201065 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.056 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 43 /2 01 0- 65 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.629, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 4 3 Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 8 7 processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 9 8 sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; [...] Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 10 9 Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 11 10 presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001743/201065 Acórdão n.º 9303006.056 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002624/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2003, 2004
ERRO MATERIAL
Devem ser acolhidos os embargos inominados para sanar erro material apontado.
Numero da decisão: 2401-005.118
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para, sanando o erro material apontado, determinar a exclusão da base de cálculo do valor de R$ 6.114.836,10 em 2003, e R$ 7.441.283,07 em 2004.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2003, 2004 ERRO MATERIAL Devem ser acolhidos os embargos inominados para sanar erro material apontado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.002624/2007-74
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5792015
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-005.118
nome_arquivo_s : Decisao_19515002624200774.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002624200774_5792015.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para, sanando o erro material apontado, determinar a exclusão da base de cálculo do valor de R$ 6.114.836,10 em 2003, e R$ 7.441.283,07 em 2004. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6991766
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735589265408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002624/200774 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.118 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL. Interessado LUCIO BOLONHA FUNARO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2003, 2004 ERRO MATERIAL Devem ser acolhidos os embargos inominados para sanar erro material apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 24 /2 00 7- 74 Fl. 2269DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhêlos, com efeitos infringentes, para, sanando o erro material apontado, determinar a exclusão da base de cálculo do valor de R$ 6.114.836,10 em 2003, e R$ 7.441.283,07 em 2004. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401005.118 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos inominados opostos Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, em face da decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.627 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 14 de março de 2017 (fls. 2.228/2.243) que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO A autoridade fiscal autuante fundamentou o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 razão porque não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. PRESUNÇÃO DE RENDA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Restando comprovada pelo contribuinte a origem de parte dos valores depositados em conta bancária, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Fl. 2271DF CARF MF 4 A embargante pleiteia a correção de inexatidão material no Acórdão, tendo em vista que a decisão embargada teria determinado a exclusão de valores já descontados por ocasião da autuação. Em despacho do dia 14 de junho de 2017 (2.258/2.260), os embargos de declaração foram admitidos, tendo sido o processo devolvido para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401005.118 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito A Embargante requer a correção do erro material apontado, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento da decisão proferida por este Conselho. Da análise dos presentes autos, constatase que após a diligência realizada (fls. 2.193/2.199), este colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 6.911.785,07 no anocalendário 2003 e R$ 9.269.032,17 no anocalendário 2004, conforme indicado no relatório da diligência fiscal. No entanto, conforme se verifica das tabelas de fls. 2.198/2.199, nos valores excluídos da base de cálculo tributável existem parcelas já consideradas e descontadas na autuação, quais sejam, R$ 796.948,97 no anocalendário 2003, e de R$ 1.827.749,10 no ano calendário 2004. Assim, devem ser considerados como comprovados o montante de R$ 6.911.785,07 R$ 796.948,97, em 2003 e o montante de R$ 9.269.032,17 R$ 1.827.749,10, em 2004. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER DOS EMBARGOS com efeitos infringentes E DAR PROVIMENTO aos Embargos Inominados para sanar a inconsistência material do julgado e determinar a exclusão da base de cálculo o valor de R$ 6.114.836,10 em 2003, e R$ 7.441.283,07 em 2004. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 2273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720132/2016-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão.
Para conhecimento do Recurso Voluntário faz-se necessário os pressupostos de admissibilidades.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão. Para conhecimento do Recurso Voluntário faz-se necessário os pressupostos de admissibilidades. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10725.720132/2016-13
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5827856
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.166
nome_arquivo_s : Decisao_10725720132201613.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10725720132201613_5827856.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7107013
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735592411136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 87 1 86 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.720132/201613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.166 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente CELSO PINHEIRO FERREIRA DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão. Para conhecimento do Recurso Voluntário fazse necessário os pressupostos de admissibilidades. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 32 /2 01 6- 13 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.270,00, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: Na peça fiscal foi imputada ao contribuinte a infração dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 22.800,00. Para a perfeita compreensão das glosas das deduções de despesas médicas efetuadas, devemos considerar os seguintes dispositivos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10725.720132/201613 Acórdão n.º 2001000.166 S2C0T1 Fl. 88 3 documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; DecretoLei nº 5.844/1943: “Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. (...) § 3º Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração de ajuste, está sempre limitado a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número de CPF ou CNPJ de quem os recebe e com a informação do tratamento e do paciente, ou seja, incumbe ao Fl. 89DF CARF MF 4 contribuinte o ônus de provar o preenchimento do suporte fático que autoriza a dedução, mediante a apresentação de documentos idôneos, a fim de comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o efetivo pagamento das despesas incorridas por tratamento próprio ou de seus dependentes, cabendo esclarecer que a dedutibilidade das despesas da base de cálculo do imposto de renda está vinculada aos dispositivos legais e normativos que tratam da matéria, aplicados de forma objetiva. (...) Pois bem, considerando que o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, e que a falta de comprovação foi o que deu origem a presente cobrança e que nada foi trazido aos autos a fim de comprovar o desembolso dos valores pagos a título de despesas médicas, temos que não merece reparo o feito fiscal. Por todo exposto, VOTO julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado na notificação de lançamento. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 6.270,00, referente à glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, ao tomar conhecimento da decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta um documento de encaminhamento de comprovantes, em que anexa cópias de comprovação de despesas médicas. Pode se observar que o documento foi protocolado e juntado ao processo como se Recurso Voluntário fosse, como segue: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10725.720132/201613 Acórdão n.º 2001000.166 S2C0T1 Fl. 89 5 Fl. 91DF CARF MF 6 Ocorre que a juntada dos documentos pelo Contribuinte não foi acompanhada por Recurso Voluntário, conforme procedimento regular, restando o processo sem apresentação das considerações e argumentações que o Recorrente entende justificável ao seu procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator A inexistência de Recurso Voluntário não permite que se avance no julgamento da lide por um pressuposto básico de admissibilidade que é a motivação objeto da contestação à decisão do acórdão da DRJ. O recurso deve preencher todos os pressupostos processuais para ser conhecido. Quando não os preenche, não será conhecido, em obediência ao sistema recursal do processo, fazendose fator importante no exercício do direito na lide. Reformar decisão para afastar possível engano no julgamento que reflita injustiça corresponde a uma ação muito delicada e, especialmente por isso, o trâmite processual deve se devidamente observado. A motivação para recorrer é item fundamental para a admissão do recurso. A parte que recorre deve sempre motivar, ou seja, dar suas razões para interpor o recurso, seja pelo seu inconformismo, seja por discordar de algum ponto técnico na decisão. Nesse sentido não basta a Recorrente anexar provas sem dizer do contraditório ao que foi decidido no julgamento de primeiro grau administrativo. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário pela falta de cumprimento de pressuposto básico de admissibilidade que justifique inclusive a divergência de valores entre o lançado e o valor total da documentação agora acostada ao processo. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.725124/2014-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10845.725124/2014-27
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5810965
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1001-000.061
nome_arquivo_s : Decisao_10845725124201427.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10845725124201427_5810965.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7072407
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735594508288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.725124/201427 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.061 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de outubro de 2017 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente MARITIMA TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO:MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. PERÍODO: 01/04/2010 a 30/04/2010 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 51 24 /2 01 4- 27 Fl. 36DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da DCTF, do mês de abril de 2010, no valor de R$789,23 (com redução, pela entrega espontânea da Declaração). A DCTF do mês de março de 2010 foi entregue em 17/09/2014, quando o prazo para entrega da referida declaração expirara em 22/06/2010. O contribuinte apresentou a impugnação do lançamento, tempestivamente, tendo a DRJ julgado improcedentes os argumentos, consoante o relatório, abaixo transcrito: A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo... Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. O recorrente alega, em sua defesa, que foi excluído do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigado a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que, a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10845.725124/201427 Acórdão n.º 1001000.061 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples o recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. Adicionalmente, no presente RV, o recorrente menciona o acórdão número 1803002.256, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que excluí multa por atraso na entrega da DCTF pela denúncia espontânea por parte da empresa, alegando ainda o artigo 138, do Código Tributário Nacional. O assunto já foi objeto de súmula por este egrégio Conselho, súmula n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002531/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.638
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10840.002531/2005-11
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805381
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.638
nome_arquivo_s : Decisao_10840002531200511.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840002531200511_5805381.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7045414
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735595556864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.002531/200511 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.638 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BAZAN S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 25 31 /2 00 5- 11 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10840.002531/200511 Acórdão n.º 9303005.638 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.278, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para, na parte que interessa ao presente julgamento: · reconhecer o direito de crédito sobre as despesas com o transporte de funcionários; · reconhecer o direito de crédito sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes para o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao reconhecimento do direito de crédito sobre os itens relacionados acima. Em síntese, argumenta a Recorrente que tais bens/serviços não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, não fazendo jus, portanto, ao creditamento das contribuições. Mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentados pelo sujeito passivo, requerendo o não provimento do recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial apontando divergência quanto à possibilidade de aproveitar o crédito presumido da agroindústria em pedidos de restituição e compensação. Todavia, mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Em agosto de 2017 foi juntado aos autos Memorando e Termo de Desistência. Nesse último, o contribuinte reclama da não inclusão de parte dos débitos do presente processo na consolidação do parcelamento da Lei 12.996/14, conforme pedido apresentado em 18/06/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.631, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10840.000403/200533, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10840.002531/200511 Acórdão n.º 9303005.638 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.631): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Recordo apenas que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional traz discussão acerca da constituição ou não de crédito sobre gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes." Do Mérito "(...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre despesas com serviços de transporte de funcionários utilizados no corte da canadeaçúcar e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. 1 Deixouse de transcrever o voto da relatora do paradigma, que defendia o direito ao creditamento dos bens/serviços objeto do recurso, pois esse entendimento foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Transcrevese, como mencionado, apenas o entendimento que prevaleceu. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10840.002531/200511 Acórdão n.º 9303005.638 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10840.002531/200511 Acórdão n.º 9303005.638 CSRFT3 Fl. 6 5 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as despesas com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes não foram utilizadas diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar, mais especificamente com o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar e no transporte de pessoas (trabalhadores rurais) entre a sede da empresa e a lavoura. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados diretamente no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10840.002531/200511 Acórdão n.º 9303005.638 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.720092/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014
Ementa
RETENÇÕES NA FONTE CONFIRMADAS. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Constatado erro no preenchimento da declaração, tendo sido comprovado que a contribuinte sofreu retenções na fonte, ela faz jus ao cômputo desse valor na apuração dos tributos devidos no ajuste anual.
MULTA QUALIFICADA. Não restando justificada tampouco comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude da contribuinte, a multa deve ser cancelada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135, III, CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente esta conduta. O sócio-gerente ou diretor deve ter praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária
Numero da decisão: 1301-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 Ementa RETENÇÕES NA FONTE CONFIRMADAS. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Constatado erro no preenchimento da declaração, tendo sido comprovado que a contribuinte sofreu retenções na fonte, ela faz jus ao cômputo desse valor na apuração dos tributos devidos no ajuste anual. MULTA QUALIFICADA. Não restando justificada tampouco comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude da contribuinte, a multa deve ser cancelada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135, III, CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente esta conduta. O sócio-gerente ou diretor deve ter praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16062.720092/2016-29
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805449
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.655
nome_arquivo_s : Decisao_16062720092201629.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16062720092201629_5805449.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
id : 7047663
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735598702592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 717 1 716 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16062.720092/201629 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1301002.655 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Penalidades/Multa isolada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AVIBRAS INDUSTRIA AEROESPACIAL S A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013, 2014 Ementa RETENÇÕES NA FONTE CONFIRMADAS. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Constatado erro no preenchimento da declaração, tendo sido comprovado que a contribuinte sofreu retenções na fonte, ela faz jus ao cômputo desse valor na apuração dos tributos devidos no ajuste anual. MULTA QUALIFICADA. Não restando justificada tampouco comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude da contribuinte, a multa deve ser cancelada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135, III, CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente esta conduta. O sóciogerente ou diretor deve ter praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 00 92 /2 01 6- 29 Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 718 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 40.865.762,34 e R$ 15.629.822,74 respectivamente, relativos a fato geradores ocorridos nos anoscalendário 2013 e 2014. A infração inclui a multa proporcional de 150%, multa isolada e juros de mora. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 3ª Turma da DRJ/FNS (fls. 682/703): Do “Relatório de Lançamento IRPJ e CSLL Ajuste Anual”, fls. 2539, extraemse os seguintes trechos relevantes: Falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. • Conforme a ECF (ANEXO I), DIPJ (ANEXO II) e DCTF (ANEXO V) do contribuinte verificamos que o mesmo apurou valores devidos de IRPJ (2362) e CSLL (2484) referentes à estimativa prevista na Lei 9.430/96, Art.2º, e NÃO efetuou os recolhimentos; [...] • A falta de recolhimento sujeitou a aplicação da multa prevista na Lei 9.430/96, art.44, II, b, uma vez NÃO recolhidos; [...] • Tal multa foi lavrada no processo 16062720.027/201601, através do RPF 08.1.20.00201600016, o qual se encontra impugnado, no valor de R$ 26.939.103,74 (ANEXO III). Independente da multa isolada (já constituída e impugnada) o contribuinte utilizou os valores NÃO RECOLHIDOS de estimativa para compensar no ajuste anual; o Com base nas declarações de ajuste para o anocalendário 2013 e 2014 reconstruímos as declarações com base nos pagamentos efetuados (ANEXO VII – cálculos completos); IRPJ ajuste (anocalendário 2013) [...] • O valor de estimativa apurado, referente a Dez/13, NÃO foi recolhido, nem declarado em DCTF, sujeitando o contribuinte a multa isolada prevista na Lei Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 719 3 9.430/96, Art.44, II, b, não lançada no auto de infração anterior, que apenas contemplou os valores declarados em DCTF; [...] • Verificamos que o contribuinte considerou recolhimentos INEXISTENTE de IRPJ de R$ 358.101,18, conforme os sistemas da RFB (ANEXO IV); • Portanto lançamos a diferença do IRPJ não declarada em DCTF (R$ 358.101,18), com sua respectiva multa de oficio, e a multa isolada referente ao não recolhimento da estimativa mensal de Dez/13 (R$ 1.508.643,26); CSLL ajuste (anocalendário 2013) • Os mesmos fatos narrados acima para o IRPJ ocorreram para a CSLL, conforme a reconstrução das declarações apresentadas; [...] • Os valores de CSLL estimativa, referentes a Dez/13, NÃO foram declarados em DCTF, nem recolhidos, sujeitando o contribuinte a aplicação da multa isolada (Lei 9.430/96, Art.44, II, b); [...] • No ajuste o contribuinte utilizou pagamento NÃO localizado nos sistemas da RFB (ANEXO IV) para reduzir o valor a pagar, como ainda declarou a menor o valor do ajuste em DCTF, gerando discrepância entre a DIPJ (R$ 1.202.253,44 declarado pelo contribuinte e R$ 1.339.089,86 ajustado) e a DCTF (R$ 966.226,46); • Portanto lançamos a diferença não declarada em DCTF do ajuste de CSLL (R$ 372.863,40), com sua respectiva multa de oficio, e a multa isolada, referente a Dez/13, devido ao não recolhimento da estimativa (R$ 483.113,23); IRPJ ajuste (anocalendário 2014) • No anocalendário de 2014 o contribuinte declarou corretamente em DCTF os valores de estimativa, porém NÃO RECOLHEU quaisquer valores (ANEXO IV), fora do parcelamento; [...] • No entanto nas informações prestadas na ECF, ajustou o valor a pagar de IRPJ com estes recolhimentos não efetuados; [...] • Lançamos o valor devido no ajuste anual do IRPJ no valor de R$ 14.433.695,63, com a devida multa de oficio; CSLL ajuste (anocalendário 2014) • Assim como ocorreu para o IRPJ o contribuinte declarou os valores de CSLL de estimativa sem recolher qualquer valor; [...] Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 720 4 • No entanto se aproveitou no ajuste anual de tais valores NÃO recolhidos, conforme sua ECF; [...] • Lançamos os valores de ajuste anual de CSLL, no valor de R$ 5.310.529,93, e sua devida multa de oficio; Lançamento por revisão de declaração. • O lançamento dos tributos, baseado exclusivamente nas informações do contribuinte (MALHA PJ), se enquadra como revisão interna de declaração (DIPJ e ECF), sendo desnecessária a emissão de TDPF, conforme a Portaria RFB 1.687/2014, Art.10, IV; [...] Qualificação da multa de oficio • Conforme o previsto na Lei 9.430/96, Art.44, § 1º, quando existirem os pressupostos de fraude previsto na Lei 4.502/64, será aplicada a multa dobrada; • No presente caso o contribuinte agiu de maneira dolosa, pois: o Informou no ajuste anual recolhimentos de estimativa (IRPJ e CSLL) que sabia não ter efetuado (pois os informou como saldo a pagar em DCTF); o Novamente confessou a falta de recolhimento na sua tentativa de parcelamento, vedada pela Lei 10.522/2002, Art.14, portanto ILEGAL (Despacho de indeferimento dos parcelamentos, ANEXO VI); o Tanto as entregas da DCTF, assim como os pedidos de parcelamento, precedem a entrega da ECF em mais de um ano; • Não podendo alegar a falta de dolo, pois: o Efetuou TODAS as declarações sem qualquer intervenção da RFB; o Confessou os débitos, bem como o NÃO recolhimento; o Aproveitou de brecha no sistema da RFB para efetuar parcelamento ilegal, não podendo alegar desconhecimento da Lei que vedava o parcelamento de tais débitos; • Portanto suas ações denotam a vontade de evitar o pagamento do ajuste anual do IRPJ e CSLL, nos termos acima, denotando o interesse de fraudar o fisco através da redução do montante devido, no “melhor caso” a ação seria de retardar o pagamento dos tributos para quando fosse efetuada a verificação; Crime contra a ordem tributária • Conforme o acima exposto, o contribuinte com sua conduta que tentou reduzir os tributos devidos no ajuste anual de IRPJ e CSLL, inserindo elementos inexatos (estimativa recolhida) na ECF, prestando informação falsa (pagamentos inexistentes); [...] Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 721 5 • Portanto lavrado o auto de infração deverá ser efetuada a representação fiscal para fins penais, conforme o acima disposto; o Vale ressaltar que TODOS os documentos que irão instruir a fins penais, foram elaborados pelo contribuinte; Ilegalidade dos parcelamentos efetuados. • Conforme consta no ANEXO VI os parcelamentos requeridos pelo contribuinte das estimativas de IRPJ e CSLL são ilegais, nos termos da Lei 10.522/2002, Art.14; • Sendo ilegais tais parcelamentos foram anulados, conforme previsto na Lei 9.784/99, Art.53 e 54; o Os pagamentos nele efetuados seguem o mesmo vicio devendo ser solicitada a restituição/compensação nos termos das normas em vigor; Solidariedade dos diretores e acionistas • Uma vez que verificada a utilização de fraude (informações falsas na ECF e DIPJ) para deixar de recolher os valores de IRPJ e CSLL relativos ao ajuste anual, os responsáveis pela pessoa jurídica, e pelo pagamento dos tributos, são pessoalmente responsáveis nos termos do CTN, Art.135; [...] • No presente caso, de acordo com as atas constantes na JUCESP, a responsabilidade recai sobre os diretores e João Brasil Carvalho Leite, acionista controlador • Nos termos da Lei 6.404/76 (Lei das S.A), Art.116, João Brasil Carvalho Leite, é considerado o acionista controlador da AVIBRAS AEROESPACIAL, conforme os fatos narrados no parecer PGFN 1.351/2013 abaixo, e conforme as próprias informações da AVIBRAS no balanço publicado e registrado na JUCESP (ANEXO VIII), pois controla 94,7% da pessoa jurídica; [...] • Conforme a Lei 6.404/76, Art.117, acionista controlador é responsável pelos danos causados pelos seus atos de abuso de poder; [...] • Como João Brasil de Carvalho Leite é o acionista controlador, cabe a ele aprovar as contas na assembleiageral, nos termos da Lei 6.404/76, Art.132, I e II, nas quais constam que NÃO existiam valores recolhidos de IRPJ e CSLL estimativa (ANEXO VIII) [...] Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 722 6 • Portanto em seu balanço aprovado NÃO consta o recolhimento dos valores de estimativa que deveriam consta no item “outros” de reconciliação, mas constam valores para serem recuperados; • Tais valores de impostos NÃO recolhidos que deixam de aparecer na contabilidade inflam os valores de ativo e passivo, distorcendo o resultado da pessoa jurídica e lucros dele proveniente; o Portanto, na condição de maior acionista, se beneficia dos resultados da pessoa jurídica na medida que aumenta o valor das ações, e consequentemente sua participação, tal comprovação é feita pela destinação dos supostos lucros para reserva de capital; • Vale lembrar que a pessoa jurídica AVIBRAS, normalmente, NÃO recolhe os valores de IRRF (imposto de renda retido na fonte), e CPS (contribuição previdenciária do segurado) ambos enquadrados como crime contra a ordem tributária (Lei 8.137/90, Art.2o, II e CP, Art.168A), mas mesmo assim apura lucro contábil; • Portanto de posse de todas estas informações é necessário afirmar que o acionista controlador tinha conhecimento das contas da AVIBRAS e da falta de recolhimento das estimativas utilizadas no ajuste anual do IRPJ e CSLL, sendo responsável pelos tributos devidos, nos termos da CTN, Art.135, III, devido a infração a Lei 6.404/76, Art.117, §1o, g; Resumo da autuação • Os valores calculados do lançamento se encontram no ANEXO VII, considerando apenas os tributos e multa de oficio, foi calculado em R$ 53,18 Milhões, conforme tabela abaixo: Devidamente cientificada dos lançamentos em 13/04/2016 (fls. 467), a contribuinte apresentou em 10/05/2016 a impugnação de fls. 474499, com as seguintes alegações: a) Em sede de preliminar, requereu a declaração da nulidade dos lançamentos, diante da manifesta precariedade de sua motivação e falta de investigação suficiente dos fatos que ensejaram a formalização das presentes exigências; b) Em relação à exigência de multa isolada (IRPJ e CSLL) sobre a suposta ausência de pagamento da estimativa em dezembro de 2013, afirmou que não houve estimativa não paga no aludido mês, tendo havido apenas o ajuste final do período, o qual teria sido corretamente declarado pela contribuinte; c) Em relação às diferenças de IRPJ e CSLL supostamente devidas ao final do anocalendário de 2013, afirmou ter havido um mero erro de preenchimento da DIPJ, cometido pela contribuinte. Afirmou que na Linha 17 da Ficha 12 A (Cálculo Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 723 7 do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), deveria ter indicado o valor de R$ 589.134,88 de retenções de IRRF sofridas pela impugnante. No entanto, por equívoco, teria declarado na citada linha apenas o valor de R$ 231.033,70. O valor remanescente de R$ 358.101,18, também relativo a retenção de IRRF sofrida pela contribuinte, teria sido indevidamente informado na Linha 21 (Imposto de Renda Pago por Estimativa). Para comprovar suas alegações, apresentou a Ficha 57 da DIPJ 2014 e DIRF referente ao anocalendário de 2013 (Docs. 5, 6 e 7). Afirmou que a mesma lógica se aplica à CSLL; d) Em relação às diferenças de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2014, a impugnante reconheceu como devidos os valores de R$ 13.253.836,84 a título de IRPJ e R$ 4.520.318,78 a título de CSLL, assim como a multa de ofício de 75% (com a redução legal) e juros incidentes. Questionou a qualificação da multa de ofício (tratado no item “e”, adiante) bem como uma parcela dos créditos tributários constituídos pelo Fisco. Neste sentido, afirmou que o Fisco considerou apenas o montante de R$ 65.622,53 como IRRF do período, sendo que o total das retenções no anocalendário de 2014 teria sido de R$ 1.337.758,10 (Docs. 8, 9 e 10). Assim, considera que deve ser deduzido do montante lançado a título de IRPJ o valor de R$ 1.272.135,57. Afirmou que a mesma lógica se aplica à CSLL; e) Questionou a qualificação da multa de ofício, afirmando que apurou corretamente os valores de estimativas devidas, declarandoos em suas DCTFs mensais, fato este que possibilitou o próprio trabalho de fiscalização (dispensando até mesmo a emissão de TDPF). Assim sendo, considera evidente a ausência de dolo, razão pela qual se revela incabível a qualificação da multa pretendida pelo Fisco. Invocou em sua defesa o art. 112 do CTN, bem como diversos precedentes administrativos (fls. 491). Rechaçou, por fim, a alegação do Fisco de que a contribuinte “normalmente não recolhe os valores de IRRF e CPS, ambos enquadrados como crime contra a ordem tributária”. No seu entender, tal alegação, além de falsa, não possui nenhuma relação com os fatos ora analisados; f) Questionou a atribuição de responsabilidade solidária aos seu principal acionista e diretores, afirmando que o art. 135, III do CTN não dá suporte à pretensão fiscal. Neste sentido, mencionou a Súmula 430 e precedentes do STJ (fls. 495496), bem como alguns precedentes administrativos (fls. 496497). Às fls. 497 498, apresentou argumentos sob o prisma individual, referentes às pessoas físicas solidariamente responsabilizadas pelo Fisco; g) Questionou a aplicação dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício. O crédito tributário não impugnado pela contribuinte, referente ao ano calendário de 2014, foi transferido para o processo nº 13884721.195/201644. Pesquisa realizada no sistema eprocesso, em 01/08/2016, revela que o processo nº 16062.720027/201601 atualmente se encontra na 4ª Turma da DRJ Recife, aguardando julgamento. O citado processo trata do lançamento da multa por falta de recolhimento das estimativas, conforme previsto pela Lei 9.430/96, art.44, II, b. Devidamente cientificados dos lançamentos em 19/04/2016 (fls. 470472), os responsáveis solidários apresentaram em 12/05/2016 a impugnação conjunta de fls. 627636, com as mesmas alegações apresentadas pela contribuinte principal. Todos os impugnantes declararam que não estão questionando judicialmente a matéria discutida nos presentes autos. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 724 8 A 3ª Turma da DRJ/FNS prolatou o Acórdão n° 07039.060, o qual julgou procedente em parte a impugnação apresentada em acórdão cuja ementa passo a transcrever: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013, 2014 RETENÇÕES NA FONTE CONFIRMADAS. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Uma vez comprovado que a contribuinte sofreu retenções na fonte, ela faz jus ao cômputo desse valor na apuração dos tributos devidos no ajuste anual, ainda que tenha preenchido incorretamente as linhas relativas às retenções nas correspondentes fichas da DIPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013, 2014 RETENÇÕES NA FONTE CONFIRMADAS. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Uma vez comprovado que a contribuinte sofreu retenções na fonte, ela faz jus ao cômputo desse valor na apuração dos tributos devidos no ajuste anual, ainda que tenha preenchido incorretamente as linhas relativas às retenções nas correspondentes fichas da DIPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013, 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CANCELAMENTO. A aplicação da penalidade qualificada requer que, à conduta da Fiscalizada, esteja associada alguma das condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Se a Fiscalização não demonstra, de maneira explícita uma eventual conduta dolosa por parte da Fiscalizada, não pode prevalecer a multa qualificada. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135 DO CTN. O artigo 135 do CTN só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador ou sócio for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador ou sócio não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. JUROS SOBRE MULTA DE. OFICIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º da Lei 9.430/96. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 725 9 Cientificado do acórdão prolatado pela DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário para contestar a parte não provida na referida decisão. Subiram os autos a este Colegiado para apreciação do Recurso de Ofício. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso de Ofício atende os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário 2013 e 2014 relacionado falta de recolhimento do IRPJ e de CSLL sobre a base de cálculo mensal estimada. A fiscalização verificou, com base na sua ECF (Anexo I), DIPJ (Anexo II) e DCTF (Anexo V), que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento dos valores devidos de o IRPJ e a CSLL por estimativa. Assim como não houve recolhimento, foi cobrada a multa de ofício qualificada e a multa isolada sobre o valor da estimativa mensal não recolhida. Passemos à análise do mérito individualmente para cada período da autuação (2013 e 2014). ANOCALENDÁRIO 2013 Conforme visto, a fiscalização verificou que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento dos valores devidos de o IRPJ e a CSLL por estimativa. Assim como não houve recolhimento, foi cobrado a multa isolada. Esse racional foi baseado no art. 2º da Lei nº 9.430/96, que diz que a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real pode optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada. Adicionalmente, identificou supostas diferenças de IRPJ e CSLL a pagar ao final do anocalendário de 2013. Em face disso, a contribuinte afirmou ter havido um mero erro de preenchimento da DIPJ na Linha 17 da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), alegando, em sede de impugnação, que o valor correto a ser indicado no tocante as retenções de IRRF seria de R$ 589.134,88. Todavia, por equívoco, acabou por declarar na referida linha 17 apenas o valor de R$ 231.033,70. O valor remanescente de R$ 358.101,18, também relativo a retenção Fl. 725DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 726 10 de IRRF, teria sido indevidamente informado na Linha 21 (Imposto de Renda Pago por Estimativa). Para comprovar suas alegações, apresentou a Ficha 57 da DIPJ 2014 e DIRF referente ao anocalendário de 2013 (Docs. 5, 6 e 7). Idêntico raciocínio seria aplicável à CSLL. Tal alegação foi analisada pela decisão da DRJ, a qual entendeu ser verossímil, constatando que a contribuinte declarou as retenções de IRRF no montante de R$ 591.606,80, valor um pouco superior aos alegados R$ 589.134,88, conforme Ficha 57 da DIPJ, (fls. 537539). Tal resultado pode ser verificado por meio do demonstrativo de fls. 543, o qual mostra a abertura de impostos retidos (DIPJ/2013), a saber: A decisão confirmou a exatidão destes valores por meio de consulta ao sistema DIRF (Código 1708), conforme extrato a seguir: Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 727 11 Ademais, a decisão destacou que o rendimento bruto informado na Ficha 57 da DIPJ referente às fontes pagadoras responsáveis por estas retenções foi inferior a R$ 40.000.000,00, enquanto que o total das receitas do anocalendário de 2013 foi superior a R$ 300.000.000,00. Conseqüentemente, é razoável admitir que tais rendimentos tenham sido regularmente oferecidos à tributação. Tal situação se estende a CSLL também, a DRJ ao analisar a ficha 17 da DIPJ da contribuinte, relativa ao anocalendário de 2013 (fls. 535), observouse que na linha 78 da referida ficha foi informado o valor de R$ 1.339.089,86 como total da CSLL apurada pela contribuinte. Todavia, verificou que a contribuinte declarou na linha 94 da citada Ficha o valor de R$ 966.226,46 de CSLL a pagar, referente ao mesmo período. A diferença entre o valor apurado e o valor indicado como devido equivale a R$ 372.863,40, que foi justamente o valor exigido pelo Fisco no presente processo. Desse modo, constatouse que a contribuinte declarou as retenções de CSLL no montante de R$ 374.267,54, valor um pouco superior aos alegados R$ 372.863,40, conforme parte final da Ficha 57 da DIPJ (fls. 537/539) já foi reproduzida acima. Tal resultado pode ser observado igualmente por meio do demonstrativo de fls. 543 já citado, o qual mostra a abertura de impostos retidos (DIPJ/2013) e confirmado por meio de consulta ao sistema DIRF, conforme extratos que se seguem: Fl. 727DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 728 12 Diante o exposto, revelase improcedente a exigência da multa isolada decorrente da falta de pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL, pois não houve a ausência de pagamento da estimativa relativa ao no mês de dezembro de 2013. Mantenho, portanto, a decisão da DRJ neste ponto, devendo ser cancelada a autuação no que tange ao anocalendário 2013. ANOCALENDÁRIO 2014 Com relação a este período a contribuinte impugnou parte do lançamento referente ao anocalendário de 2014, reconhecendo como devidos os valores de R$ 13.253.836,84 a título de IRPJ e R$ 4.520.318,78 a título de CSLL, assim como a multa de ofício de 75% (com a redução legal) e juros incidentes. A parcela não reconhecida pela contribuinte diz respeito a multa de ofício qualificada aplicada sobre os débitos objeto da autuação, bem a parcela referente as retenções de IRRF e CSLL sofridas neste anocalendário que foram desconsideradas pela fiscalização. Com efeito, a contribuinte destaca que a fiscalização considerou apenas o calendário de 2014 teria sido de R$ 1.337.758,10 (Docs. 8, 9 e 10). Assim, considera que deve ser deduzido do montante lançado a título de IRPJ o valor de R$ 1.272.135,57. Afirmou que a mesma lógica se aplica à CSLL. Nesse mister, a decisão trouxe à baila quadros extraídos do Relatório de Lançamento IRPJ e CSLL ajuste anual (fls. 3031), que demonstram que o Fisco considerou apenas os montantes de R$ 65.622,53 e R$ 46.431,69, respectivamente a título de IRRF e CSLL retida na fonte, referentes ao anocalendário de 2014. Confirase: Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 729 13 No entanto, a decisão verificou que o relatório de abertura dos impostos retidos– anocalendário 2014, fls. 544, indica que os valores efetivamente retidos a título de IRRF e CSLL em 2014 foram, respectivamente, de R$ 1.337.758,10 e de R$ 886.164,93, senão vejamos: Tais valores foram confirmados mediante consulta ao sistema DIRF, conforme extratos a seguir: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 730 14 Dessa forma, empregando a mesma situação fática ocorrida em 2013 se admite que os rendimentos correspondente às retenções havidas no anocalendário de 2014 tenham sido regularmente oferecidos à tributação. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, uma vez confirmadas as retenções na fonte nos montantes alegados pela impugnante, de R$ 1.272.135,57 a título de IRPJ (R$ 1.337.758,10 R$ 65.622,53) e de R$ 839.733,24 a título de CSLL (R$ 886.164,93 R$ 46.431,69), há também que se cancelar integralmente as exigências remanescentes no presente processo, referentes ao anocalendário 2014. Entendo, portanto, que a autuação não deve subsistir igualmente nesse período. MULTA QUALIFICADA Em função das infrações cometidas, a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/64. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 731 15 Todavia, a contribuinte entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta., pois apurou corretamente os valores de estimativas devidas, declarandoos em suas DCTFs mensais. Por sua vez, a decisão da DRJ afastou a possibilidade de sonegação fraude ou conluio, pois tais práticas pressupõe dolo, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64, não podendo presumir que o contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso. Concordo com a decisão, pois ainda que sua intenção fosse em obter ganhos e economia com sua conduta, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Entendo, contudo, que não restou caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação pelo contribuinte à medida que não há prova ou elementos contundentes trazidos pelo agente fiscal que evidenciasse a prática dolosa em seus atos praticados Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício não restou justificada tampouco comprovada, devendo ser mantida a decisão da DRJ, cancelando a qualificação da multa de ofício. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O TVF imputou a resposbilidade aos diretores e acionistas da empresa,, vinculadoos ao cumprimento da obrigação tributária imposta, sob o manto do artigo 135 do CTN. Por sua vez, a contriuinte questionou ta atribuição de responsabilidade solidária aos seu principal acionista e diretores, afirmando que o art. 135, III do CTN não dá suporte à pretensão fiscal. Neste sentido, mencionou a Súmula 430 e precedentes do STJ (fls. 495496), bem como alguns precedentes administrativos (fls. 496497). Às fls. 497498, apresentou argumentos sob o prisma individual, referentes às pessoas físicas solidariamente responsabilizadas pelo Fisco. Segundo o citado dispositivo legal, somente pode ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. A decisão não vislumbrou nenhuma hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN, o qual pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. Isso porque , para efeito de atribuição da responsabilidade contida no citado artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 732 16 No caso em questão, o simples inadimplemento das obrigações tributárias pela pessoa jurídica não e capaz de atrair a incidência do art. 135 do CTN e atribuir a responsabilidade solidária dos diretores e do sócio majoritária da contribuinte. Corroborando este entendimento, temse decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.101.728/SP sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) Diante o exposto, entendo por manter a decisão da DRJ, devendo ser excluída a responsabilidade de todas as pessoas citadas, pois não restou justificada e comprovada a responsabilidade tributária, conforme os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso de ofício para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 732DF CARF MF Processo nº 16062.720092/201629 Acórdão n.º 1301002.655 S1C3T1 Fl. 733 17 Fl. 733DF CARF MF
score : 1.0
