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Numero do processo: 13629.000102/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Constatado que o sujeito passivo presta serviços que impedem a opção pelo Regime do Simples, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, inclusive com obrigação assumida em contrato, de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica, deve ser excluído do Simples, desde o início de sua adesão.
Numero da decisão: 1402-000.681
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Constatado que o sujeito passivo presta serviços que impedem a opção pelo Regime do Simples, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, inclusive com obrigação assumida em contrato, de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica, deve ser excluído do Simples, desde o início de sua adesão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.000102/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.681 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de agosto de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente POWER TEST COMISSIONAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Constatado que o sujeito passivo presta serviços que impedem a opção pelo Regime do Simples, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, inclusive com obrigação assumida em contrato, de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica, deve ser excluído do Simples, desde o início de sua adesão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão da Turma Julgadora que indeferiu manifestação de inconformidade relativa a pedido de cancelamento de exclusão do Regime do Simples federal, em razão de exercício de atividade vedada. As ementas proferidas pela Turma Julgadora são as seguintes: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, pois essa atividade é exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão do Simples das pessoas jurídicas surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9° desta Lei; CONSTITUCIONALIDADE. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis federais compete exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário. A decisão de primeira instância foi dada em 12.06.2009 e o recurso voluntário foi apresentado em 13.07.2009. A recorrente discorda da decisão de primeira instância por entender que suas razões e fundamentos não se coadunam com a legislação vigente, a melhor doutrina e porque contrariaria a maioria das decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela esfera judicial. Afirma que para executar suas atividades não tem necessidade de que seus serviços sejam realizados por pessoal técnico qualificado, conforme se verificaria dos documentos e informações prestados pela Cenibra, Acesita e CREA, que reforçaria que não necessita nem mesmo de ART’s. Salienta que as atividades de prestação de serviços de aferição, calibração e testes de relés de proteção elétrica de alimentadores e motores de 13.800, 4.160 e 480 V, não estão sujeitas à habilitação profissional legalmente exigida, não estando obrigada à inscrição no CREA e muito menos os serviços prestados estão obrigados ao registro de ANOTAÇÕES DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA (ART) junto ao referido Conselho, conforme se depreenderia das certidões juntadas aos autos. Afirma que não está obrigada a cumprir a Resolução na qual se fundamenta a decisão de primeiro grau, pois, todos somente estão obrigados a cumprir somente o que está previsto em lei. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 3 3 Faz referência à Lei Federal nº 5.194/66, art. 33 e art. 7º. Transcreve o art. 7º, para concluir que a atividade de engenharia tem como objetivo maior a criação científica, e que a lei não menciona TÉCNICO DE GRAU MÉDIO, sendo este de criação da Resolução, sem força de lei. Destaca que para exercer suas atividades não há a necessidade da presença em seus quadros funcionais ou diretivos de nenhum profissional habilitado, ou seja, nenhum engenheiro, bastando a presença de pessoas técnicas e práticas. Aduz que o registro no CREA somente é exigido quando tiverem como base preponderante, atividade específica, reservada exclusivamente aos profissionais de engenharia, arquitetura ou agronomia. Acrescenta que não consta em seu contrato social a prestação de serviços de engenharia elétrica, e que a atividade não envolve a criação ou execução de projetos de engenharia, pois o que efetivamente faz, é testes elétricos e aferições em equipamentos e instrumentos de medição e proteção de seus clientes, usando apenas instrumentos de testes. Cita como exemplo, a aferição de uma instalação de motor elétrico. Afirma que a atividade não se confunde com a de engenharia industrial, aplicada na criação de motores e peças utilizadas, posteriormente, pelas empresas de reparação, sendo que estas apenas utilizam de técnica especializada para recomposição de sistemas já criados. Salienta que a atividade exercida não está vedada por lei, e tampouco na IN 355/2003, art. 20, XII, e que a autoridade julgadora utilizou da nomenclatura “assemelhado” para desenquadrála do Simples, fazendo uma interpretação extensiva e analógica, proibida pelo art. 108 do CTN, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN Cita o acórdão 30236086, de 11.05.2004, recurso 12158, que permitiu que uma oficina de manutenção de aparelhos eletroeletrônicos, permanecesse no Simples, por entender que suas atividades não poderiam ser assemelhadas às funções de um engenheiro. Cita também a Solução de Consulta nº 38/2003, da SRRF10. Também discorda da retroação da exclusão desse Regime a datas anteriores à do Ato Declaratório de exclusão, porque violaria o princípio constitucional determinado pelo CTN (cita os arts. 107 a 112 e 104). Menciona que os TRF vem concedendo às empresas excluídas do Simples, o direito de não recolher a diferença de tributos que deixou de pagar até à data de sua exclusão, e que deve ser aplicado o princípio geral de ciência dos atos, no qual os efeitos somente se iniciam a partir da notificação do contribuinte, como forma de garantir a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, e que ademais, a partir dessa ciência, poderá o contribuinte recorrer da decisão de exclusão, e a procedência de suas alegações ensejar seu retorno ao programa. Acrescenta que não se pode aceitar que a atividade de prestação de serviços de aferição, calibração e teste de relés de proteção elétrica de alimentadores e motores de 13.800, 4.160 e 480 V, seja considerada como atividade vedada, somente durante um determinado período, devendo ser considerado também que a lei atual, por ser mais benéfica, Fl. 304DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 4 4 deve retroagir para atingir todos os contribuintes que foram indevidamente excluídos do Simples. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O Ato Declaratório de Exclusão do Simples, foi fundamentado no art. 9º XIII, da Lei 9.317/96, com efeitos, a partir de 04.01.2002 (início das atividades). Com a manifestação de inconformidade a contribuinte juntou certidão do CREAMG, de 19.04.2007, onde é certificado que não consta em seus arquivos, registro de anotações de responsabilidade técnica ART’s em nome da interessada. A Turma Julgadora concluiu que para a execução das atividades da interessada, é necessário que haja pessoas com conhecimento técnico específico auferido em curso de formação técnica ou de nível superior ou médio de exercícios regulamentados terá a inerente capacitação legal e profissional para a desincumbência do objeto social da interessada. Afirmou que no sítio da Receita Federal na internet, encontramse entre as atividades vedadas, as seguintes: “manutenção de máquinas, aparelhos e equipamentos de sistemas eletrônicos dedicados a automação industrial e controle do processo produtivo”, e “manutenção e reparação de aparelhos e instrumentos de medida, testes e controle – exceto equipamentos para controle de processos industriais”. Transcreveu o caput do art. 27 da Lei 5.194/66, letra “f”, parte da Resolução 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, para concluir que as atividades de manutenção em equipamentos elétricos e eletrônicos, equipamentos eletrônicos em geral, sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico, gêneros no qual se inclui, a espécie “testes elétricos e aferição em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, são atividades típicas de engenheiros e técnicos, cujas profissões dependem de habilitação profissional legalmente exigida. Concordo com os argumentos da Turma Julgadora acima mencionados. Embora haja nos autos pontos a favor da empresa, que lhe favorecem, há também pontos que lhe desfavorecem. Os que lhe favorecem são os seguintes: a) Verificase por meio de cópia de certidão, expedida em 17.04.2007, pelo CREAMG, a pedido da chefe da SACAT, que não consta nos arquivos daquele órgão, o registro de anotações de responsabilidade técnica ART’s em nome da empresa POWER TEST COMISSIONAMENTO LTDA. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 5 5 b) Também consta correspondência da CENIBRA (fls. 248/249) dirigida à Delegacia da Receita Federal, que esclarece que em relação ao contrato firmado com a POWER e a CENIBRA, mencionado, não contempla serviços em que há exigência da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART. c) Integra os autos, correspondência da ACESITA, dirigida à SACAT, que em relação ao contrato celebrado com a POWER, que a contratada deverá fornecer à ACESITA, quando for o caso a ART, mas que o objeto do contrato é a manutenção básica e aferição de 277 relés eletromecânicos de proteção do sistema de distribuição em energia elétrica em alta tensão da usina e para a execução desse objeto, entende não ser necessária a ART junto ao CREA. Todavia, há os aspectos abaixo que lhe desfavorecem: a) Contrato com a Cegelec, de fls. 62/64, de 20.06.2004, que tem como objeto: comissionamento de equipamentos e sistemas elétricos e baixa tensão atendendo às normas brasileiras em sua última revisão, e como valor: R$ 340.000,00. Nesse contrato consta como obrigações do fornecedor (cláusula 3ª): emitir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Na nota 2 da cláusula 2ª, consta a informação de que no valor citado na cláusula 2.1, está incluído o valor referente ao acordo do Sindicato SITTICOMM da cidade de Duque de Caxias; b) Verifiquese a assinatura do Termo Aditivo da Power Test no Contrato celebrado com o Consórcio Mairengineering – Ivaí, de 05.12.2005: Assinatura do sócio sob o carimbo “Eng. Álvaro A. Siqueira, CREA: 40.119/0 Power Test Ltda”; c) Verifiquese também no Contrato celebrado com Tome Engenharia e Transportes Ltda, de 26.09.2005: Assina o contrato, o Engenheiro Álvares Antunes de Siqueira (sócio da autuada); d) Verifiquese a resposta à pergunta 5e formulada pela autoridade fiscal: 5e) Informar a quem incumbe a tarefa de orientar e supervisionar os funcionários na realização de suas tarefas R A orientação sobre como o serviço deverá ser executado é feita primeiramente pelo sócio da empresa que fez a leitura do contrato identificando as especificações dos testes e aferições e os locais onde se encontram os equipamentos a serem testados. A partir de então é determinado se há a necessidade de supervisão no local ou apenas o trabalho de auxiliares. e) o sócio da empresa é engenheiro, e entre os funcionários contratados há auxiliares, técnicos e supervisores. Além dos argumentos da Turma Julgadora, com os quais concordo, adicionalmente, destaco a celebração de contrato com a Cegelec acima mencionado, em que é obrigação do fornecedor, no caso, a recorrente, a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica; a assinatura de parte dos contratos pelo sócio da autuada, na condição de engenheiro, registrado no CREA; o fato da necessidade do sócio da empresa fazer a leitura do contrato identificando as especificações dos testes e aferições, a análise da necessidade de supervisão, conforme resposta dada à autoridade fiscal. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 6 6 O conjunto desses elementos nos levam a concluir que a recorrente efetivamente presta serviços que impedem a opção pelo regime do Simples, nos termos do art. 9º XIII, da Lei 9.317/96. Desse dispositivo legal extraise que não podem optar pelo Simples, os engenheiros, entre outros, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, o que não significa que profissões de nível médio não possam depender também de habilitação profissional legalmente exigida. Em relação à discussão sobre os efeitos da exclusão do Simples, estes devem se dar a partir da ocorrência da situação excludente, que no caso, se deu desde o início das atividades da empresa, conforme art. 15, II, da Lei 9.317/96, na redação dada pela MP 2.158/352001 e posteriormente pela Lei 1.196/2005, não havendo base legal para que os efeitos ocorram somente a partir da notificação da exclusão ao sujeito passivo. Quanto às decisões administrativas e judiciais, citadas no recurso, ainda na hipótese de que tratassem da mesma matéria, as mesmas não têm efeito vinculante para este colegiado. Quanto a eventuais alterações posteriores da legislação que não mais vede o ingresso no Simples, não foi citado nenhum dispositivo legal que permitisse a aplicação da nova lei a fatos geradores anteriores à sua vigência. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 307DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.948536/2009-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 96 1 95 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.948536/200983 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3002000.003 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 22 de fevereiro de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente WROBEL CONSTRUTORA SA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Em 10.08.2006 o recorrente transmitiu Declaração de Compensação DCOMP, objetivando a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido de COFINS não cumulativa referente ao mês de maio/2005, com débito da mesma contribuição relativo ao mês de junho/2006. (fls. 03 a 07) Em 11.08.2009 foi emitido Despacho Decisório informando que o pagamento declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 48 53 6/ 20 09 -8 3 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15374.948536/200983 Resolução nº 3002000.003 S3C0T2 Fl. 97 2 PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindose, por conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em comento. (fl. 09) Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 20.08.2009, o contribuinte apresentou, em 17.09.2009, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) Equivocouse ao preencher a DCTF do 1º semestre de 2005, informando débito de COFINS (código 5856) no valor de R$17.661,74, quando o correto seria não informar nenhum valor, pois o valor do tributo devido nessa competência foi compensado integralmente com créditos de insumos, conforme informações constantes da DACON relativa ao mesmo período de apuração; b) Constatado o equívoco, entregou, em 17.09.2009, DCTF retificadora com exclusão do débito de COFINS da competência 05/2005, evidenciando dessa forma, aos sistemas da RFB, a existência do crédito decorrente do pagamento indevido; c) O pagamento indevido de COFINS, relativo a competência 05/2005 deve ser considerado para a quitação do débito de COFINS referente ao mês de junho/2006, nos termos da DCOMP apresentada. d) Anexou cópia: do Despacho Decisório, da DCTF retificadora; das fichas 13 (maio/2005) e 17B da DACON do 2º trimestre de 2005, e de documentos de identificação e legitimidade; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR, em sessão de 28.04.2014, por meio do Acórdão nº 0829.480, considerou improcedente a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A autoridade julgadora de primeira instância consignou em seu voto que: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15374.948536/200983 Resolução nº 3002000.003 S3C0T2 Fl. 98 3 "...os débitos declarados em DCTF constituem confissão de dívida, por isso dispensam inclusive lançamento de ofício, para fins de inscrição na Dívida Ativa, quando necessário." "...prevalece o que foi confessado pela DCTF Ativa na data do Despacho Decisório, descabendo o valor informado pela última DCTF Retificadora, por motivo de esta haver sido transmitida após a ciência do Despacho Decisório." "...o Interessado... não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar o direito alegado." Nos termos da decisão proferida pela DRJ/FOR, o contribuinte não logrou comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário utilizado na compensação, vez que deixou de anexar documentos probantes do direito creditório pleiteado. Alegaram também os representantes do fisco, que a ciência do conteúdo do Despacho Decisório instaurou procedimento fiscal para a cobrança do referido débito, excluindo a espontaneidade do Sujeito Passivo em relação aos atos envolvidos com as infrações verificadas. O acórdão combatido aduz que uma vez instaurado o litígio, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, devem ser apresentadas as provas documentais do direito alegado, nos termos do art. 16, §4º do DeL 70.235/72, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Aduz ainda a DRJ/FOR que embora a DACON tenha sido instituída, pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido da COFINS e da contribuição ao PIS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Por fim, conclui pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade por não ter sido demonstrada a certeza e liquidez do direito creditório do manifestante, requisito indispensável para que o seu pleito fosse acatado. O contribuinte tomou ciência dessa decisão em 23.10.2014 por meio de correspondência registrada, (fl. 50), tendo protocolado o presente Recurso Voluntário em 19.11.2014. Em suas razões de recuso, o sujeito passivo ratifica as razões da manifestação de inconformidade, invocando em sua defesa o princípio da verdade material, segundo o qual devem prevalecer, no presente caso, as informações prestadas na DACON, enquanto instrumento hábil para a demonstração e controle de todas as operações que influenciam na apuração do valor devido a título de COFINS e contribuição ao PIS. Em fase recursal, o contribuinte anexou documentos de identificação e legitimidade dos recorrentes, razão contábil da conta COFINS a recuperar, bem como nova cópia da mesma DACON juntada por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Processo nº 15374.948536/200983 Resolução nº 3002000.003 S3C0T2 Fl. 99 4 Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. No caso em análise, o contribuinte confessou, em sua Manifestação de Inconformidade, ter cometido equívoco no preenchimento da DCTF do 1º semestre de 2005 enviada originalmente, onde informou como valor devido a título de COFINS referente ao mês de maio/2005 o montante de R$17.661,74, quando o correto seria não ter informado saldo devedor desta contribuição para tal mês, haja vista que os débitos do período foram totalmente compensados com créditos oriundos da aquisição de insumos. Para comprovar sua alegação, o contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, cópia das fichas 13 e 17B da DACON relativa ao mesmo período, transmitida em 27.09.2005, ou seja, dentro do prazo regulamentar de envio e anterior a qualquer procedimento por parte do fisco em relação à declaração de compensação em tela. A DACON carreada aos autos evidencia que o crédito utilizado na compensação em apreço, advém de saldo credor de meses anteriores. A autoridade julgadora de primeira instância não determinou análise da veracidade dos dados constantes da DACON, limitandose apenas a informar, na única passagem do voto que faz menção a tal demonstrativo, que ...embora o citado demonstrativo haja sido instituído pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das Contribuições ao PIS e COFINS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Ao afirmar que a DACON foi instituída para fins de que o sujeito passivo mantenha o controle de todas as operações que influenciem na apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, poderia a DRJ, consoante ao disposto no art. 29 do DEL 70.235/72, ter determinado diligências a fim de certificar a exatidão dos dados constantes de tal demonstrativo, em especial a existência do saldo credor de meses anteriores, utilizado pelo contribuinte no período de apuração em discussão nestes autos. A recorrente, por seu turno, já em fase recursal, anexou ao PAF: a) cópias do razão contábil das contas "Cofins a Recuperar Não Cumulativo", "Cofins a Recuperar (Pg. a maior)" e "Cofins Cód. 5856 Não Cumulativo"; b) cópia da DACON relativa ao trimestre anterior àquele a que se referem os fatos, indicando que o crédito utilizado na compensação dos débitos relativos ao mês de 05/2005 advinha, na verdade, de transferência de saldo credor do ano anterior; c) nova cópia da mesma DACON apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, evidenciando que tal demonstrativo permaneceu sem alterações durante todo o período da lide. Assim, tendo em vista: a) a falta de verificação, pela autoridade fiscal e pelo julgador de primeira instância, dos créditos de períodos anteriores constantes da DACON apresentada como prova pelo contribuinte em momento oportuno; b) os documentos apresentados pelo recorrente em seu último ato neste processo, que reforçam o contido na DACON em comento, mas ainda não são suficientes, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito utilizado; c) O princípio da verdade material, que deve orientar as ações do Fl. 99DF CARF MF Processo nº 15374.948536/200983 Resolução nº 3002000.003 S3C0T2 Fl. 100 5 julgador administrativo no sentido buscar a decisão que melhor se coaduna à realidade dos fatos, não merece prosperar a alegação de que deve prevalecer o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF original, em detrimento da apuração detalhada e controlada pela DACON e dos outros elementos constantes dos autos. Diante de todo o exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem: a) Intime o contribuinte à apresentação de documentos hábeis e idôneos, que possam comprovar a certeza e liquidez do crédito escritural de COFINS, declarado nas DACONs apresentadas nestes autos, inclusive no que diz respeito ao crédito remanescente do ano de 2004, elaborando parecer conclusivo sobre sua existência, ou não; b) Intime o contribuinte quanto ao teor do relatório da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, retornando, por fim, os autos ao CARF para julgamento. Diego Weis Junior Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003851/2003-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001,2002
RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
Numero da decisão: 9101-003.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14751.000133/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Cláudio S. Ricca Della Torre, OAB-SP 268024, escritório Baia, Vilhena, Della Torre, Lopes Advogados.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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score : 1.0
Numero do processo: 19311.720307/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire-Presidente
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire-Presidente Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-09T13:23:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-04-09T13:23:54Z; Last-Modified: 2018-04-09T13:23:54Z; dcterms:modified: 2018-04-09T13:23:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:95861edc-104c-4c83-831f-dfd9205f9951; Last-Save-Date: 2018-04-09T13:23:54Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-04-09T13:23:54Z; meta:save-date: 2018-04-09T13:23:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-04-09T13:23:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-04-09T13:23:54Z; created: 2018-04-09T13:23:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2018-04-09T13:23:54Z; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-04-09T13:23:54Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 71.359 1 71.358 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720307/201530 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.315 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de março de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BARCELONA COMERCIO VAREJISTA E ATACADISTA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock FreirePresidente Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, relativos à modalidade não cumulativa, de períodos de apuração compreendidos entre RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 30 7/ 20 15 -3 0 Fl. 71359DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.360 2 dezembro de 2011 a dezembro de 2013, lavrados em 04/12/2015, na Delegacia da Receita Federal em JundiaíSP, no montante de R$ 56.333.413,25, conforme a descrição abaixo: Contribuição para o PIS/PASEP, com o crédito tributário no valor total de R$ 10.018.220,89, sendo R$ 4.910.229,55 de principal (Contribuição), R$ 1.425.319,15 de juros de mora, calculado até dezembro de 2015, e R$ 3.682.672,19 de multa de ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal; Cofins, com o crédito tributário no valor total de R$ 46.315.192,36, sendo R$ 22.698.513,27 de principal (Contribuição), R$ 6.592.794,11 de juros de mora, calculados até dezembro de 2015, e R$ 46.315.192,36 de multa de ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal. Em conformidade com o disposto nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 1.221 a 1.407, o procedimento fiscal foi realizado com base no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – MPF/TDPF nº 0819000/02255/2014 e com a utilização das informações constante do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, bem como com outros documentos contábeis e fiscais da contribuinte. A constituição dos créditos tributários, conforme consta do § 8º do mencionado TVF, deuse em virtude da constatação dos seguintes procedimentos contrários a legislação: a) Desconto de créditos sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero das contribuições (queijos e papel higiênico); b) Desconto de créditos sobre aquisição de produto monofásico (álcool de uso doméstico); c) Desconto de créditos sobre aquisição para consumo próprio de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, gás para refrigeração, equipamentos de proteção individual e de segurança; d) Desconto de créditos sobre dispêndios com tarifas de cartão de crédito, depreciação de ativos, ICMSSubstituição Tributária, fretes entre centro de distribuição (CD) e outros estabelecimentos do fiscalizado ou para transporte de imobilizado, armazenagem de produtos importados e despesas aduaneiras; e) Desconto de créditos sobre “Serviços Utilizados como Insumos”, informados nas linhas 03 das fichas 06A e 16A do Dacon de março/2011, tais como manutenção de máquinas e equipamentos e serviços de logística executados por mão de obra temporária; f) Desconto de créditos sobre “Aluguel de Máquinas e Equipamentos”, informados nas linhas 06 das fichas 06A e 16A dos Dacon; g) Constatouse também que, nos períodos de apuração de abril/2012 a novembro/2012 e abril/2013 a dezembro/2013, o contribuinte declarou nos respectivos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Dacon (fichas 06A e 16A, linhas 01. Bens para Revenda) bases de cálculo dos créditos do PIS e da Cofins sobre mercadorias adquiridas para revenda em valores superiores às compras geradoras de créditos efetivamente ocorridas e escrituradas pelo próprio fiscalizado. Fl. 71360DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.361 3 h) A Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições, referente aos períodos de apuração de janeiro/2013 a dezembro/2013, foi transmitida via Sped, mas com os campos de valores preenchidos com zero. Notese, em relação ao item “h”, que houve o lançamento de multas regulamentares, cujo auto de infração a elas relativos está sendo tratado no processo administrativo nº 19311.720308/201584. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 23/12/2015, por meio de seu Domicílio Tributário Eletrônico, e apresentou, em 22/01/2016, impugnação, cujo conteúdo é resumido a seguir. Impugnação Primeiramente, após um breve relato dos fatos, a interessada pugna pela nulidade do lançamento e pelo não acolhimento das acusações realizadas pela autoridade a quo. Em relação a preliminar afirma que o lançamento é nulo, “tendo em vista a glosa de crédito de PIS e COFINS, sobretudo no que concerne à acusação imputada no item “g” acima mencionado (a qual representa pelo menos 80 % do total de créditos glosados), foi realizada com base em critérios adotados por parte da D. Fiscalização para quantificação dos registos de compras que não puderam ser recompostos pela impugnante – o que, como consequência, tornou impossível a contestação e o pleno exercício de direito de defesa por meio desta peça impugnatória , haja vista os demonstrativos que poderiam permitir o conhecimento dos critérios adotados para fundamento do lançamento tributário NÃO foram acostados aos autos (por exemplo: quais Notas Fiscais? Valores? Período? Base de Informação: SPEDcontábil ou ECFICMS?).” A seguir, a interessada detalha as suas razões de inconformismo com os lançamentos tributários. (Para facilicar o resumo, as argumentações apresentadas pela contribuinte foram dispostas abaixo em tópicos idênticos aos apresentados na impugnação). II.1 PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL – CERCEAMENTO DE DEFESA A contribuinte sustenta a nulidade do lançamento tributário argumentando, em resumo, que os demonstrativos elaborados pela fiscalização não evidenciam os critérios adotados pela fiscalização para a quantificação das exigências tributárias. Alega que a fiscalização descumpriu o art. 142 do Código Tributário Nacional, na medida em que deixou de demonstrar de forma analítica e adequada os créditos tributários lançados. Diz que as únicas glosas para as quais foram realizadas demonstrações detalhadas foram as relativas aos itens “a” e “b” do § 8º do TVF, que tratam dos produtos sujeitos à alíquota zero e monofásicos, mas que mesmo assim ela foi parcial, tendo em vista que foram demonstradas tãosomente as informações concernentes às bases de cálculo de compras e os respectivos créditos glosados. Reclama do item “g” do parágrafo 8º do TVF, o qual representa mais de 80 % do total de créditos glosados, dizendo que não foi elaborado qualquer demonstrativo de evidenciação dos critérios de quantificação das exações tributárias e, em relação a essa glosa, diz “Não custa repetir: não há nada nos autos, absolutamente nada, que indique quais Notas Fiscais de aquisições de bens para revenda foram computadas nos trabalhos fiscais para se apurar as ‘compras para revenda com direito a crédito confirmadas na escrituração do contribuinte’? Ou quais Notas Fiscais não foram consideradas? De quais fornecedores? De Fl. 71361DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.362 4 qual(is) períodos(s)? Valores? E de qual(is) fonte(s): SPEDContábil ou EFDICMS?”. Sustenta que as glosas foram efetivadas de forma absolutamente abstrata e genérica, afrontando o seu direito de defesa constitucionalmente garantido. Reproduz posicionamentos doutrinários e acórdãos administrativos e judiciais para a sustentar a nulidade do lançamento. III. – MÉRITO No mérito, primeiramente, a interessada diz que os seus argumentos serão apresentados “em tese”, uma vez que (conforme afirma) não é possível contestar os critérios de apuração das bases de cálculo, simplesmente por que eles não existem, e que, para facilitar a compreensão e entendimento da impugnação, as referências aos itens “A” a “H” devem ser interpretadas como os itens do parágrafo 8º do TVF. III.1 – ITENS ‘A’ – CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES (QUEIJOS E PAPEL HIGIÊNICO) E “B” – DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO (ÁLCOOL DE USO DOMÉSTICO) Nesse tópico a alegação inicial é a de que existem notas fiscais, constantes do demonstrativo “Detalhamento das Glosas de Créditos de PIS/Cofins sobre compras para Revenda”, relativas à aquisição de queijos, que não estão (ou estavam, à época das compras) desoneradas das contribuições. Argumenta que a alíquota zero para o “queijo do reino” somente passou a vigorar a partir de junho de 2012, consoante art. 2º da Lei nº 12.655, de 2012, e Solução de Consulta nº 65, de 05 de junho de 2012, da Disit 06. Diz que a fiscalização glosou, indevidamente, os créditos sobre as compras de referido produto antes da alteração legislativa mencionada, conforme se verifica no exemplo colacionado no corpo da impugnação e, também, pela relação das notas fiscais de compra do “queijo do reino”, constante do “Doc 03”. Sustenta, também, que a alíquota zero, prevista pelo artigo 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004, não se aplica aos queijos dos tipos “3 queijos”, “Gouda”, Gruyere”, “Brie”, “Fondue” e “Gorgonzola”, bem como aos produzidos a partir do leite de búfula. Quanto aos primeiros, diz que a simples leitura do inciso da lei esclarece a questão, pois os tipos de queijos acima mencionados não estão expressamente citados no rol de queijos que estavam sujeitos à alíquota zero. Diz que a fiscalização glosou, indevidamente, os créditos sobre as compras dos queijos dos tipos “3 queijos”, “Gouda”, Gruyere”, “Brie”, “Fondue” e “Gorgonzola”, conforme se verifica no exemplo colacionado no corpo da impugnação e, também, pela relação das notas fiscais de compras, constante do “Doc 04”. Já quanto aos queijos produzidos a partir do leite de búfula, alega que, no seu entendimento, baseado em outras legislações infraconstitucionais, eles não estão sujeitos à aplicação da alíquota zero. Diz que na legislação técnica do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) entendese por “leite”, sem qualquer outra especificação, o produto oriundo de vacas e que o leite derivado de outros animais deve obrigatoriamente ser acompanhado de indicação expressa da espécie de animal que lhe deu origem. Sustenta, assim, que as aquisições de queijos derivados do leite de cabra e de búfula concedem o direito ao crédito das contribuições e que a revenda desses produtos, de mesma forma, deve ser tributada. Nesse sentido, diz que a fiscalização glosou, indevidamente, os créditos sobre as Fl. 71362DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.363 5 compras de referidos produtos, consoante relação das notas fiscais de compra constante do “Doc 04”. Por fim, alega que não cabe a fiscalização “apenas glosar os créditos da Impugnante, sem ao menos investigar o tratamento que foi aplicado pela mesma no momento da sua revenda aos consumidores, especialmente se tal informação lhe foi disponibilizada.”. Nesse sentido, reclama em relaçao à glosa de créditos sobre à aquisição de álcool e papel higiênico, dizendo que os seus sistemas estão parametrizados para tributar à alíquota de 9,25 % os produtos para os quais foram gerados créditos (conforme se verifica nos relatórios analíticos de vendas Doc. 5 e nas cópias de telas do seu sistema de gestão contábilfiscal Doc. 6). Argumenta, caso sejam mantidas as glosas de créditos (dos itens A e B), que deve ser determinada a exclusão das receitas de vendas desses produtos da base de cálculo das contribuições. III.2 – DA SUJEIÇÃO DA IMPUGNANTE AO REGIME NÃOCUMULATIVO DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS E O SEU DIREITO AO REGISTRO DE CRÉDITO SOBRE INSUMOS E ATIVO IMOBILIZADO A interessada sustenta que o setor de comércio, assim como os setores industrial (de fabricação de produtos) e de prestação de serviços, também pode se aproveitar dos créditos sobre a aquisição de insumos. Argumenta que a expressão disposta nos incisos II, artigos 3º, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 (“bens e serviços utilizados, utilizdos como insumo na prestação e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda”) engloba os três setores da economia e que o termo produção neles contido tem um significado amplo, “podendo até mesmo ser classificado como gênero que contém as espécies industrialização, comercialização, prestação de serviços e a produção agropecuária”. Diz que, como do ponto de vista econômico o referido termo (produção) abrange todos os setores da economia, na esfera jurídicotributária ele deve, da mesma forma, albergar tudo que for produzido pelos setores sujeitos à sistemática não cumulativa. Argumenta que a Receita Federal não tem competência para limitar (por meio de Instruções Normativas) o direito ao desconto do crédito sobre à aquisição de insumos somente às empresas industriais e prestadoras de serviço e que o CARF compartilha do seu entendimento (consoante parte de Acórdão reproduzido na impugnação). Por fim, pugna para que seja dada eficácia ao § 12º, art. 195, da Consituição Federal de 1988, aos incisos II acima mencionados e ao princípio da isonomia, de forma a aplicar a sistemática da não cumulatividade de forma plena, em igualdade de direitos com os demais contribuintes sujeitos ao mesmo regime. III.2.1 – DO PROCESSO DE PRODUTIVO PRATICADO PELA IMPUGNANTE, DE FORMA SECUNDÁRIA, NA CONSECUÇÃO DA ATIVIDADE COMERCIAL Em complemento ao tópico anterior, a interessada ressalta que, embora seja qualificada como empresa comercial, desenvolve, de forma secundária, a transformação de alimentos. Sustenta, também, que realiza processos de industrialização, em conformidade com o art. 46 do CTN, nos setores de: açougue e peixaria; rotisseria; padaria e cozinha; e armazenagem. III.2.2 – OS INSUMOS ENSEJADORES DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NA ATIVIDADE COMERCIAL Neste tópico reafirma o entendimento acima exposto, de que inexiste motivo para a discriminação perpetrada pela fiscalização, e traz, também, uma pequena introdução, Fl. 71363DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.364 6 com base em posições doutrinárias, sobre o conceito de insumo. Diz que o “termo é usualmente empregado para designar tudo aquilo que é consumido em um dado processo. Abarca, pois os diversos fatores de produção, tais como matériasprimas, produtos intermediários, energia elétrica, arrendamentos, etc.” e que “a fixação do conceito de insumo deve levar em consideração as realidades peculiares de cada ramo de atividade, seja ele comercial, industrial ou de serviços.” Notese que nos subtópicos a seguir a interessada parte do pressuposto constante do tópico “III.2” acima, ou seja, ela se baseia no entendimento de que o termo “produção” deve ser entendido de forma ampla, abarcando todos os setores da economia, e que ela, como empresa comercial, tem o direito ao crédito sobre a aquisição de insumos (incisos II, artigos 3º, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003). Nesse sentido, observa se que os Acórdãos reproduzidos na impugnação, concernentes ao direito de crédito sobre insumo, são todos de produção em sentido estrito (produção industrial) e/ou de prestação de serviços, e não de atividades comerciais. III.2.2.1 – ITEM ‘C’ – LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO, ÓLEO DIESEL, GÁS PARA REFRIGERAÇÃO E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E DE SEGURANÇA III.2.2.1.1 GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO: Defende que o GLP, que é utilizado nas empilhadeiras e demais máquinas e equipamentos que movimentam as mercadorias no estoque, é essencial na atividade (comercial) desenvolvida pela empresa, uma vez que otimiza o custo e o tempo gasto, facilitando a organização e garantindo maior eficiência. III.2.2.1.2 ÓLEO DIESEL: Argumenta que os geradores movidos à óleo diesel são imprescindíveis para empresa, pois, nas interrupções no fornecimento de energia elétrica, eles são a única forma de manter suas atividades e vendas. III..2.1.3 GÁS PARA REFRIGERAÇÃO: Diz que o pleno funcionamento dos refrigeradores é essencial para manter resfriados ou congelados os produtos comercializados e que, portanto, o gás para refrigeração é essencial para manutenção de suas atividades. Acrescenta que “O direito ao crédito acerca das despesas com Gás para Refrigeração tornase ainda mais claro ao considerarmos que essa despesa ocorre em processo de industrialização realizado pela Impugnante em determinados setores de seu estabelecimento comercial – supermercado (ex: açougue, peixaria, setor de armazenagem, etc.).” III.2.2.1.4 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E DE SEGURANÇA (‘EPI’S’) Argumenta que o fornecimento dos EPIs é uma obrigação legal e não se constitui em uma mera liberalidade do empregador, pois este é responsável pela segurança e integridade física do trabalhador no desenvolvimento das atividades laborativas. Sustenta que os EPIs são indispensáveis a toda atividade empresarial em que existe o exercício laboral. Argumenta, também, consoante Recurso Voluntário nº 369.519 (CARF), que “o termo Fl. 71364DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.365 7 ‘insumo’ não se limita ao conceito previsto pela legislação do IPI, devendo alcançar todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ.” (Grifos nos originais) III.2.2.2 – ITEM ‘D’ – LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS COM TARIFAS DE CARTÃO DE CRÉDITO, DEPRECIAÇÃO DE ATIVOS, FRETES ENTRE CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO (CD) E OUTROS ESTABELECIMENTOS DO FISCALIZADO OU PARA TRANSPORTE DE IMOBILIZADO III.2.2.2.1 DISPÊNDIOS COM TARIFAS DE CARTÃO DE CRÉDITO: Argumenta que, nos dias atuais, a aceitação dos cartões de crédito e de débito nos recebimento das vendas efetuadas pelos estabelecimentos varejistas/atacadistas é requisito essencial para o bom desempenho das atividades comerciais, mormente quando se sabe que mais da metade do faturamento do comércio é obtido por meio destas formas eletrônicas de pagamento. Sustenta, assim, que as taxas pagas às empresas de cartões devem ser consideradas como insumo e, por conseqüência, devem gerar crédito. III.2.2.2.2 – FRETES ENTRE CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO (CD) E OUTROS ESTABELECIMENTOS DO FISCALIZADO OU PARA TRANSPORTE DE IMOBILIZADO Contesta o entendimento da fiscalização e diz que ele contraria o espírito da norma, uma vez que restringe indevidamente as hipóteses de creditamento e interfere, inclusive, na forma de organização dos negócios dos contribuintes. Diz que os centros de distribuição são fundamentais em sua atividade, pois trazem eficiência econômica, uma vez que concentram o estoque de milhares de mercadorias distintas em poucos estabelecimentos. Diz que a interpretação isolada e restritiva do inciso IX, art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, é equivocada e não leva em conta a vontade do legislador. Argumenta que a expressão “na operação de venda”, contida em referido inciso (armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda) revela a intenção do legislador de permitir a apropriação de créditos sobre todas as etapas da operação de venda. Com essa interpretação sustenta que mencionado inciso abrange: na armazenagem os custos com os centros de distribuição; e no frete os custos relativos às aquisições de mercadoria e às transferências de produtos destinados à venda para outros estabelecimentos da empresa. Acrescenta, com base em Acórdão do CARF, que o direito ao crédito sobre os custos com frete no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da empresa também é garantido pelo incisos II, artigos 3º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, posto que se caracterizam como insumo das atividades desenvolvidas pela empresa. Por último, sustenta que as despesas com frete para a transferência de bens do ativo imobilizado, em razão de sua essencialidade para a consecução de suas atividades, também devem ser consideradas como insumo, sobretudo em relação aos setores que praticam atividade industrial (padaria, rotisseria, confeitaria, açougue, peixaria, frios, cafeteria, lanchonete e restaurante). III.2.2.2.3 – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO: Fl. 71365DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.366 8 Diz que possui o direito ao crédito sobre os valores de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, incorporados ao ativo imobilizado, sejam elas/eles da área comercial ou dos setores de “produção” de itens destinados à venda (tais como padaria, rotisseria, confeitaria e etc). Argumenta que o que fundamenta o direito ao crédito é o fato de eles serem essenciais e imprescindíveis à consecução de suas atividades, comerciais e de produção. III.2.2.3 – ITEM ‘E’ – CRÉDITOS SOBRE ‘SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS’, INFORMADOS NAS LINHAS 03 DAS FICHAS 06A E 16A DO DACON DE MARÇO/2011, TAIS COMO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE LOGÍSTICA EXECUTADOS POR MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA; III.2.2.3.1 – SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Sustenta que os serviços de manutenção, em máquinas e equipamentos, são necessários (essenciais) para que os bens sejam regularmente utilizados e que por isso “desde que contratados junto a pessoas jurídicas, devem ser considerados ‘insumos’ e, portanto, passíveis de crédito de PIS e Cofins, com base no inciso II do art. 3º das Lei nºs 10.637/02 e 10.833/03”. Diz que o direito ao crédito alberga, também, as peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica, desde que essas não integrem o ativo imobilizado da empresa. No tocante às empilhadeiras, argumenta, primeiramente, que a RFB já proferiu o entendimento de que elas devem ser consideradas máquinas e aparelhos, fato que viabiliza o direito aos créditos (das contribuições) relativos às respectivas despesas de manutenção. Sustenta, também, relativamente às despesas de manutenção de empilhadeiras utilizadas nos Centros de Distribuição, que o direito ao crédito está garantido no inciso IX, art. 3º, da Lei 10.833/03, que prevê a possibilidade de apropriação de créditos sobre as despesas com armazenagem. III.2.2.3.2 – SERVIÇOS DE LOGÍSTICA EXECUTADOS POR MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA Sustenta que os serviços de terceirização de mãodeobra, contratados para suprir as necessidades transitórias de substituição de pessoal ou acréscimo de serviços, são essenciais para a realização de suas vendas e por esse motivo as despesas a eles relativas concedem o direito ao crédito das contribuições não cumulativas. Argumenta, também, que o direito ao referido crédito ganhou força com as recentes decisões do STJ no sentido de que “as contribuições devem incidir sobre o valor integral cobrado pelas empresas de locação mãodeobra (e não apenas sobre a taxa de administração)”. Entende que se “houve tributação pela contratada, a Impugnante (empresa contratante) tem o direito de crédito nos exatos valores do preço do serviço.” Pede, com base no seu entendimento do conceito de “produção” e na Solução de Consulta nº 377/03, que seja reconhecido o direito ao crédito sobre todas as despesas incorridas com a contratação de mãodeobra temporária. Subsidiariamente, caso não seja aceito o seu entendimento, pede que, ao menos, seja reconhecido o direito ao crédito em Fl. 71366DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.367 9 relação aos setores que exercem (de forma secundária) processos de industrialização (padarias, rotisseries, peixaria e setor de frios). III.3 – CONCEITO DE CUSTO DE AQUISIÇÃO PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Defende, com base em posições doutrinárias, que o custo de aquisição de bens e mercadorias para revenda, para fins de apropriação dos créditos não cumulativos previstos nos inciso I, art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, deve ser entendido como “todo e qualquer dispêndio incorrido com decorrência direta e indissociável do processo de aquisição de mercadorias.” Diz que a própria Receita Federal já expressou, na Solução de Consulta nº 116, de 2007, da Disit 01, que o apuração do crédito deve levar em consideração o valor de aquisição das mercadorias destinadas a revenda e que esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 289 do Decreto nº 3.000/99, pelo qual é estabelecido que o custo de aquisição, “além do valor geralmente destacado em documento fiscal, compreende, ainda, o valor do transporte e seguro pagos até o estabelecimento do contribuinte, bem como os tributos devidos na aquisição ou importação e os gastos com desembaraço aduaneiro, desde que não recuperáveis através de créditos na escrita fiscal.” Acrescenta que o seu entendimento é suportado pelos princípios contábeis geralmente aceitos e praticados no Brasil e que ele também se aplica aos bens do ativo imobilizado, conforme se verifica no CPC 27 – Ativo Imobilizado. III.3.1 – ITEM ‘D’ – CRÉDITO DE PIS E COFINS SOBRE ICMSST Defende que a sistemática de substituição tributária aplicada ao ICMS (ICMS ST) faz com que o tributo assuma um caráter de imposto não recuperável e, consequentemente, integre o custo de aquisição da mercadoria e enseje o direito ao crédito de PIS/Cofins. Sustenta, também, que se deve aplicar, por analogia, ao ICMSST o disposto na Solução de Consulta nº 5, de 2011 – Disit 07, pela qual se considera o IPI relativo à aquisição de bens para revenda como não recuperável que se constitui como um custo do revendedor que deve ser computado no cálculo das contribuições não cumulativas. Acrescenta que a Solução de Consulta nº 60/12 da SRRF04/Disit, relativa à composição do lucro real para fins de apuração do IRPJ/CSLL, externa, de forma cristalina, o posicionamento de que o valor relativo ao ICMSST deve compor o custo de aquisição das mercadorias, em face de ser para o adquirente (substituído) um imposto não recuperável. III.3.2 – ITEM ‘D’ – GLOSA DOS CRÉDITOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS E DESPESAS ADUANEIRAS Sustenta que os dispêndios relativos às despesas aduaneiras são todos incorridos em território nacional, em razão do desembaraço e da armazenagem das mercadorias importadas. Nesse sentido contesta a fundamentação utilizada pela fiscalização para a efetivação das glosas (Solução de Consulta nº 313/11 da Disit08) e diz que já existem diversas manifestações da Receita Federal admitindo o direito ao crédito sobre os dispêndios Fl. 71367DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.368 10 incorridos na contratação de frete na aquisição dentro do território nacional. Cita a Solução de Consulta nº 74/2009 da 6ª Região Fiscal. Acrescenta que já demonstrou, em tópicos anteriores, que os gastos com desembaraço aduaneiro e com quaisquer outros custos diretamente atribuíveis à aquisição das mercadorias integram o custo de aquisição. Nessa direção cita o item 11 do CPC nº 16 e diz que ele é de observância obrigatória. Por último, argumenta que o CARF já se manifestou de forma favorável ao creditamento sobre despesas aduaneiras e de armazenagem de produtos importados, consoante extratos de decisões reproduzidas na peça de impugnação. III.4 – ITEM ‘F’ – GLOSA DOS CRÉDITOS REFERENTES AO ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Argumenta que as pessoas jurídicas sujeitas à não cumulatividade das contribuições podem apropriarse de créditos sobre os dispêndios com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, consoante o disposto nos artigos 3ºs, incisos IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Diz que a única restrição é a constante do § 3º, art. 31, da Lei nº 10.865, de 2004, mas que atendeu a todos os requisitos legais, sendo, portanto, indevidas as glosas desses créditos. III.5 – ITEM ‘G’ – DA IMPRÓPRIA APURAÇÃO NAS BASES DE CÁLCULO DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA – TRABALHO FISCAL BASEADO EM OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS INCORRETAS Nesse tópico a interessada manifestase especificamente contra o item “g” do parágrafo 8º do TVF, alegando que o trabalho realizado pela fiscalização demonstrase equivocado e que não resta outra alternativa que não seja a decretação de sua improcedência. Nesse sentido, enfatiza, novamente, a falta de apresentação, nos autos, dos demonstrativos de apuração das exigências tributárias, o fato de não ter conseguido recompor os critérios adotados pela fiscalização e as dúvidas a respeito da fonte de informações utilizada para o trabalho fiscal: se escrituação contábil (SPEDContábil) ou se escrituração fiscal (EFDICMS). Argumenta, também, que a apuração das diferenças nas bases de compras de mercadorias para revenda não levou em consideração as retificações de Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Social) entregues pela interessada, em atendimento a intimação da fiscalização. Sustenta que o efeito da desconsideração dos Dacon retificadores é nefasto, posto que acarretou a apuração de diferenças absurdas, que totalizaram mais de R$ 755 milhões. Relata que foi intimada, consoante Termo de Intimação Fiscal nº 0011, de 05/10/2015, a transmitir Dacon retificadores dos períodos de apuração de abril a dezembro de 2012, contendo valores compatíveis com aqueles escriturados na contabilidade e na Escrituração Fiscal Digital – EFD – contribuições, principalmente na parte relativa aos valores informados nas linhas 01 Bens para Revenda das fichas 06A e 16A, na linha 14 Crédito Remanescente da ficha 14 e na linha 24 – Crédito Remanescente da ficha 24. Relata, também, que realizou a entrega dos documentos retificadores dentro dos prazos estipulados pela fiscalização (Doc. 07). Fl. 71368DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.369 11 Adicionalmente, para o fim de evidenciar a legitimidade dos créditos (de PIS e Cofins) apropriados mensalmente no período de abril a novembro de 2012 e abril a dezembro de 2013, juntou ao processo cópia dos Razões das contas # 2103010002 “PIS a Recolher” e # 210301003 “Cofins a Recolher”, os quais contêm a movimentação do ano de 2012 (Doc. 08), e das contas # 213102 “PIS a Recolher” e # 213103 “Cofins a Recolher”, relativos à movimentação de 2013 (Doc. 09). III.6 – PRESUNÇÃO INDEVIDA DE QUE OS CRÉDITOS DE PIS E COFINS DE DEZEMBRO DE 2013, NOS VALORES DE R$ 174.633,49 E R$ 804.372,43, CORRESPONDIAM A DEPRECIAÇÃO DE ATIVOS Quanto a esse tópico argumenta que os valores de PIS, R$ 174.633,49, e Cofins, R$ 804.372,43, do mês de dezembro de 2013, constantes do demonstrativo “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS e Cofins”, e indicados como sendo relativos a créditos extemporâneos sobre depreciação, foram, na verdade, calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, para os quais existe disposição legal expressa para a tomada de crédito, consoante artigo 3º, inciso VII, e 15, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. Nessa direção, alega que a conclusão da fiscalização foi pautada em mera presunção, sem qualquer fundamento legal de que se tratavam de créditos tomados sobre a depreciação de bens do ativo imobilizado. Para comprovação de sua argumentação juntou ao processo o “Doc. 10” (relatório analítico de amortização de benfeitorias). Ainda, de forma aditiva, defende a possibilidade de se realizar a tomada de créditos de forma extemporânea. Diz que, além de a fiscalização não ter argüido nada a respeito da matéria, é fato, consoante posicionamento reiterado do CARF, que a apropriação de créditos extemporâneos, sem a devida retificação das respectivas declarações acessórias, não é procedimento vedado. III.7 – ERROS NA DETERMINAÇÃO DAS BASES DE CRÉDITO CONSOLIDADAS NO DEMONSTRATIVO ‘CONSOLIDAÇÃO DAS GLOSAS DE CRÉDITOS DE PIS E DA COFINS Nesse tópico, a contribuinte lista algumas inconsistências, abaixo relacionadas, constantes do demonstrativo “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS e Cofins”. A primeira diz respeito à “glosa de créditos sobre armazenagem – importação” do mês de janeiro de 2011, para o qual houve glosa de créditos de Cofins, no valor de R$ 149.257,26, não havendo, entretanto, glosa nos créditos de PIS. A segunda relacionase à “glosa de créditos sobre armazenagem – importação” do mês de abril de 2011, para o qual houve glosa de créditos de PIS, no valor de R$ 25.057,52, sem qualquer glosa nos créditos da Cofins. E a terceira está ligada ao mês de abril de 2012, para o qual houve “glosa créditos do PIS sobre serviços contratados” e “glosa de créditos do PIS sobre tarifas de cartões de crédito” em valores idênticos (R$ 32.962,91). III.8 – DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 71369DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.370 12 Nesse derradeiro tópico a interessada insurgese contra a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício. Defende que referida cobrança deve ser afastada posto que afronta: (i) o art. 161 do CTN; o princípio da legalidade, previsto na Constituição Federal (art. 5º, inciso II), e no CTN (art. 97); e o art. 2º, inciso I, da Lei nº 9.784, de 1999. Acrescenta, também, que já existe decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (cuja ementa transcreve na peça impugnatória) no sentido da ilegalidade da mencionada incidência. IV – PEDIDO Em vista do exposto, a contribuinte pede o acolhimento da impugnação apresentada, para o fim de cancelar as exigências fiscais contestadas, bem como as respectivos acréscimos legais. Análise Inicial do Contencioso Administrativo Após o estabelecimento do contencioso administrativo, esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJCuritiba) procedeu uma análise prévia da legislação e dos documentos juntados ao processo e devolveu os autos à unidade de origem para esclarecer, e/ou corrigir, 5 (cinco) pontos relativos à argumentação/documentação apresentada pela interessada, conforme se verifica na parte do despacho de diligência (apensado às fls. 67.154 a 67.158) que segue reproduzida abaixo. Analisandose a legislação de regência da matéria, bem como os documentos juntados ao processo, constatase, em relação aos equívocos e/ou incosistências apontados nos itens de (A) a (E), que: (a) Aplicação indevida de alíquota zero para o “Queijo do Reino”. Aparentemente o “Doc. 3” (fls. 1.538 a 1.539) demonstra que houve a glosa de créditos relativos à aquisição do mencionado tipo de queijo, o qual somente passou a estar sujeito à alíquota zero, a partir de 31/05/2012, com a entrada em vigor da Lei 12.655, de 2012, que alterou o art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004; (b) Aplicação indevida de alíquota zero para os queijos dos tipos “3 queijos”, “Gouda”, Gruyere”, “Brie”, “Fondue” e “Gorgonzola”. Aparentemente o “Doc. 4” (fls. 1.540 a 1.599) demonstra que houve a glosa de créditos relativos à aquisição dos mencionados tipos de queijo, os quais nunca estiveram sujeitos à alíquota zero, conforme se verifica pela leitura do inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores); (c) Glosa indevida de créditos em relação ao aluguel de máquinas e equipamentos. De fato, a fiscalização, consoante § 7º do TVF e os demonstrativos “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS” e “Consolidação das Glosas de Créditos de Cofins”, procedeu a glosa de créditos sobre alugueis de máquinas e equipamentos. A legislação citada pela interessada (artigos 3ºs, incisos IV, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003) permite a apropriação do mencionado tipo de crédito desde que: (i) os alugueis sejam pagos a pessoa jurídica; (ii) os prédios, máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa; (iii) e os mencionados bens não tenham integrado o patrimônio da empresa, consoante § 3º, art. 31, da Lei nº 10.865, de Fl. 71370DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.371 13 2004. Como não é possível, somente com os elementos (documentos) constantes do processo verificar se foram atendidas todas as condições legais para que a empresa possa realizar o creditamento, podese dizer, a primeira vista, que a glosa foi realizada de forma indevida; (d) Glosa indevida de PIS e de Cofins do mês de dezembro de 2013, nos valores de R$ 174.633,49 e de R$ 804.372,43, constantes do demonstrativo “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS e Cofins”. Aparentemente o “Doc. 10” (fls. 66.989 a 67.145) demonstra que os valores de crédito de PIS (no montante de R$ 174.633,49) e de Cofins (no montante de R$ 804.372,43) foram calculados sobre amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, para os quais existe disposição legal expressa para a tomada de crédito, consoante artigo 3º, inciso VII, e 15, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. Notase, contudo, que os créditos apontados no documento são relativos aos meses de abril a dezembro e que inexiste referência ao ano, sendo impossível dizer que se tratam de créditos (calculados sobre amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros) de abril a dezembro do ano de 2013. Nesse sentido, portanto, considerando que o procedimento fiscal referese a período que compreende os meses de abril a dezembro de 2013 e que, no entendimento da autoridade tributária, os créditos devem ser alocados aos meses de ocorrência dos respectivos fatos geradores, poderseia, mediante a comprovação do atendimento de todas as condições legais, reconhecer, de acordo com o mês de ocorrência dos dispêndios, o direito ao crédito. (e) Erro na determinação das bases de créditos consolidadas nos demonstrativos “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS” e “Consolidação das Glosas de Créditos da Cofins”. De fato, verificase que existem as inconsistências alegadas pela interessada, demonstrandose que a fiscalização pode ter cometido erros quando da elaboração dos demonstrativos em relação às rubricas e meses citados. Assim, diante dos fatos acima relatados e considerando: que o procedimento fiscal teve como base a escrituração contábil digital da contribuinte; que a análise realizada pela autoridade a quo referese a um período de 3 (três) anos de atividade de um hipermercado com diversas filiais espalhadas pelo país, com uma enorme quantidade de lançamentos e documentos contábeis; que a fiscalização, em decorrência dos dois itens precedentes, juntou ao processo somente planilhas que resumem o trabalho fiscal realizado; que a interessada, seguindo o mesmo modo de operação utilizado pela fiscalização, juntou ao processo unicamente planilhas, desacompanhadas de qualquer documentação contábil ou fiscal, com extrações e detalhamentos específicos relativos aos pontos de discordância; Fl. 71371DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.372 14 Proponho o retorno do processo a unidade de origem para que a escrituração digital da contribuinte seja analisada de forma a considerar as alegações dos itens (A) a (E) e as constatações dos itens (a) a (e) e, se for o caso, para que se efetue o recálculo dos créditos da não cumulatividade e da insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS e Cofins). Proponho, também, que a autoridade a quo elabore relatório fiscal de conclusão dos trabalhos, com análise e justificativa para cada um dos itens acima especificados ((A) a (E)), e que seja procedida a ciência à contribuinte de referido documento fiscal, bem como de todos os relatórios e planilhas utilizados/ confeccionados, com abertura de prazo 30 (trinta) dias para a apresentação de aditamento à impugnação já apresentada. Resultado da Diligência Em atendimento à solicitação da DRJ, a autoridade a quo apreciou os 5 (cinco) pontos destacados no despacho de diligência e revisou os procedimentos fiscais a eles relativos, bem como os DACON, a Escrituração Digital ECD e a Escrituração Fiscal Digital – EFD contribuições, externando o entendimento de que: se deve conceder razão à contribuinte no tocante aos itens (a) a (c), devendo as respectivas glosas serem canceladas em conformidade com o Arquivo Não Paginável – “Demonstrativo Anexo ao Relatório de Diligência Fiscal”. não se deve conceder razão à interessada em relação ao item (d) do despacho de diligência. Argumenta que “o crédito das contribuições sobre os encargos de depreciação de bens do ativo fixo, inclusive quando se trata de imóveis ou suas benfeitorias, é permitido somente ao produtor ou ao fabricante, conforme se depreende da leitura do artigo 35 da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26 de dezembro de 2005.”. Acrescenta que a Solução de Consulta nº 23, de 31 de julho de 2012, da Disit 2ª RF, advoga nesse sentido; e que se deve conceder razão parcial à contribuinte no tocante ao item (e). Explica, primeiramente, em relação às glosas de créditos sobre armazenagemimportação, que na época da fiscalização deveria ter ocorrido: (i) no mês de janeiro de 2011 a glosa de créditos de PIS no valor de R$ 32.404,54; (ii) e no mês de abril de 2011 a glosa de créditos de Cofins no valor de R$ 115.416,47. Diz, também, que esses valores não foram alimentados na planilha de cálculo do lançamento, mas que agora eles estão sendo considerados (ou seja, agora na realização da diligência estão sendo glosados valores que deveriam ter sido glosados na fiscalização). Em relação às glosas de PIS no mês de abril de 2012, relativas às rubricas “créditos sobre serviços contratados” e “créditos sobre tarifas de cartões de crédito”, realizadas em valores idênticos (R$ 32.961,92), afirma que a primeira, de fato, foi realizada em duplicidade e deve ser cancelada. Aditamento à Impugnação A sucessora por incorporação (Sendas Distribuidora S/A) da contribuinte autuada foi cientificada da diligência efetuada pela fiscalização, bem como de todos os documentos a ela relacionados, em 11/07/2016, tendo apresentado, em 09/08/2016, aditamento à impugnação, cujo conteúdo é resumido a seguir. Fl. 71372DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.373 15 A incorporadora alega, primeiramente, a tempestividade do documento apresentado e realiza um breve relato dos fatos. Depois passa a tecer considerações em relação ao itens não acolhidos pela fiscalização: item “d” (amortizações de gastos com edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros) e item “e” (inclusão de novas glosas na realização da diligência). Em relação ao primeiro item (“d”), sustenta que os dispositivos legais, constantes das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que concedem o direito ao crédito sobre as amortizações de gastos com edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros não estabelecem qualquer exigência de que os bens sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Diz, também, que a fiscalização confundiuse em relação à natureza das despesas realizadas, pois tratouas como sendo encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, para as quais existe a referida exigência. Argumenta que os incisos que tratam do direito almejado são idênticos aos que tratam da apropriação de créditos sobre aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, ou seja, exigem, unicamente, que os bens sejam utilizados nas atividades da empresa. Acrescenta que existe dispositivo específico que deve ser aplicado aos dispêndios em análise (em detrimento da norma geral – depreciação de bens do ativo imobilizado), e que os documentos apensados aos autos (Doc. 10) comprovam a impropriedade das glosas efetivadas pela fiscalização. No tocante ao segundo item (“e”), sustenta a impossibilidade de se constituir créditos tributários na diligência fiscal. Diz que o lançamento das glosas somente poderia ser realizado por meio da lavratura de novo auto de infração e que, em relação ao período de apuração de janeiro de 2011, teria decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, previsto no art. 149 do CTN. Diz, também, que existe um equívoco no Relatório de Diligência Fiscal, posto que a glosa de Cofins foi acrescentada (nos demonstrativos anexos à diligência) em outubro de 2011 ao invés de abril do mesmo ano. Na sequência, a interessada sustenta que a fiscalização cometeu dois erros na realização da diligência. O primeiro seria relativo à duplicidade (item “e” da diligência) na glosa de “créditos do PIS sobre serviços contratados” e de “créditos do PIS sobre tarifas de cartões de créditos”, no valor de R$ 32.962,91, no período de apuração de abril de 2012. Diz que, apesar de a fiscalização ter reconhecido a existência da duplicidade, não houve o cancelamento no “Demonstrativo Anexo ao Relatório da Diligência Fiscal – Glosa de Créditos do PIS Recalculadas na Diligência Fiscal”. E o outro seria referente a diferenças no Demonstrativo Anexo ao Relatório de Diligência Fiscal. Diz que o valor total de glosa de créditos de PIS, nos meses de abril a junho do ano de 2011, constantes do relatório “Glosa de Créditos do PIS Recalculadas na Diligência Fiscal” e do relatório “Detalhamento das Diferenças de PIS Devidas Recalculadas na Diligência Fiscal” são divergentes. Diz, também, que a diferença total perfaz o valor de R$ 8.865,16, a qual está sendo exigida no mês de dezembro de 2011. Em outro tópico a incorporadora retoma a argumentação relativa aos créditos decorrentes da aquisição de bens para revenda (item “g” do § 8º do TVF). Sustenta, novamente, que os autos de infração deveriam ser anulados, por ocorrência de cerceamento de direito de defesa, uma vez que a fiscalização deixou de explicitar os critérios de apuração dos valores exigidos. Diz que na época da impugnação, em virtude de regras impostas pela Receita Federal, não conseguiu juntar ao processo os documentos que entendia necessários Fl. 71373DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.374 16 para a comprovação dos fatos alegados. Diz, também, que agora, em face de alterações nos procedimentos administrativos, está juntado aos autos relatórios, convertidos para o formato Excel, que demonstram analiticamente a legitimidade dos créditos (de PIS e Cofins) relativos aos bens adquiridos para revenda. Em razão do exposto, reitera os argumentos da impugnação e requer o cancelamento integral dos lançamentos tributários. Ato contínuo, a DRJCURITIBA(PR) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados na impugnação. PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos e contribuições, bem como respectivos períodos de apuração, apontados no termo de inicio de fiscalização. EXAME POSTERIOR. INCORREÇÕES. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. ERRO. SANEAMENTO. Os erros apuráveis na análise do contencioso, que não se configuram como causas de nulidade, devem ser sanados quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Fl. 71374DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.375 17 PRODUTOS NÃO SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. CANCELAMENTO DE GLOSA. Tendo sido identificado, em diligência efetuada pela autoridade a quo, que determinados produtos não estavam sujeitos à aplicação de alíquota zero, devese cancelar as glosas efetuadas, relativas aos respectivos custos de aquisição. TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJOS. A alíquota zero é aplicada a todas as variedades de queijos especificadas na legislação, independentemente da origem animal (vaca, búfula, cabra e etc) utilizada para suas fabricações. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ROL EXAUSTIVO. O conceito e o alcance da não cumulatividade encontramse inteiramente determinados na legislação, em elenco exaustivo e pré determinado, não sendo todo e qualquer custo, despesa ou dispêndio, ainda que necessário à atividade econômica exercida pelo contribuinte, que pode gerar o direito ao crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES. Para ter direito ao crédito não cumulativo sobre os dispêndios de armazenagem de mercadoria e de frete estes serviços devem ter sidos contratados de pessoa jurídica domiciliada no país, estar vinculados a operação de venda e ter o ônus suportado pelo contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATIVO IMOBILIZADO. CONDIÇÕES. O crédito não cumulativo da contribuição calculado sobre encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando estes são adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Fl. 71375DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.376 18 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. CONDIÇÕES. O desconto de créditos não cumulativos das contribuições (PIS e Cofins) relativos aos bens adquiridos para revenda restringese às aquisições realizadas no mercado nacional. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUEIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CANCELAMENTO DE GLOSA. Devem ser canceladas as glosas relativas a gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos que, em conformidade com a constatação procedida em diligência efetuada pela autoridade a quo, tenham sido utilizados nas atividades da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ATENDIMENTO AO REGIME DA COMPETÊNCIA CONTÁBIL. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. O aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições não cumulativas, do PIS/Pasep e da Cofins, deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nas competências (períodos de apuração) relativas aos fatos que lhes deram causa, havendo a necessidade de se realizar a entrega dos respectivos Dacon e DCTF retificadores. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRODUTOS NÃO SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. CANCELAMENTO DE GLOSA. Tendo sido identificado, em diligência efetuada pela autoridade a quo, que determinados produtos não estavam sujeitos à aplicação de alíquota zero, devese cancelar as glosas efetuadas, relativas aos respectivos custos de aquisição. TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJOS. A alíquota zero é aplicada a todas as variedades de queijos especificadas na legislação, independentemente do tipo de leite (vaca, búfula, cabra e etc) utilizado para suas fabricações. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam Fl. 71376DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.377 19 aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ROL EXAUSTIVO. O conceito e o alcance da não cumulatividade encontramse inteiramente determinados na legislação, em elenco exaustivo e pré determinado, não sendo todo e qualquer custo, despesa ou dispêndio, ainda que necessário à atividade econômica exercida pelo contribuinte, que pode gerar o direito ao crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES. Para ter direito ao crédito não cumulativo sobre os disêndios de armazenagem de mercadoria e de frete estes serviços devem ter sidos contratados de pessoa jurídica domiciliada no país, estar vinculados a operação de venda e ter o ônus suportado pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATIVO IMOBILIZADO. CONDIÇÕES. O crédito não cumulativo da contribuição calculado sobre encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando estes são adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. CONDIÇÕES. O desconto de créditos não cumulativos das contribuições (PIS e Cofins) relativos aos bens adquiridos para revenda restringese às aquisições realizadas no mercado nacional. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUEIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CANCELAMENTO DE GLOSA. Devem ser canceladas as glosas relativas a gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos que, em conformidade com a constatação Fl. 71377DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.378 20 procedida em diligência efetuada pela autoridade a quo, tenham sido utilizados nas atividades da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ATENDIMENTO AO REGIME DA COMPETÊNCIA CONTÁBIL. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. O aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições não cumulativas, do PIS/Pasep e da Cofins, deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nas competências (períodos de apuração) relativas aos fatos que lhes deram causa, havendo a necessidade de se realizar a entrega dos respectivos Dacon e DCTF retificadores. Impugnação Procedente em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em sede preliminar, repisou os mesmos argumentos da impugnação quanto a nulidade do lançamento “tendo em vista que a glosa de créditos de PIS e COFINS, sobretudo no que concerne à acusação imputada no item “g” acima mencionado (a qual representa pelo menos 80 % do total de créditos glosados), foi realizada com base em critérios adotados por parte da D. Fiscalização para quantificação dos registros de compras que não puderam ser recompostos pela impugnante – o que, como consequência, tornou impossível a contestação e o pleno exercício de direito de defesa por meio desta peça impugnatória , haja vista os demonstrativos que poderiam permitir o conhecimento dos critérios adotados para fundamento do lançamento tributário NÃO foram acostados aos autos (por exemplo: quais Notas Fiscais? Valores? Período? Base de Informação: SPEDcontábil ou ECFICMS?).” Afirma, ainda, em sede preliminar, que o procedimento anterior não se aplica apenas ao item “g” do parágrafo 8 do TVF, para as demais glosas procedidas pela fiscalização também não há nenhuma evidência ou indicação das informações utilizadas, não possuindo nenhuma evidência ou indicação das informações utilizadas para a quantificação das bases de cálculo dos créditos glosados. Conclui que as glosas dos créditos de PIS e COFINS operadas pela Autoridade Tributária foram fundamentadas de forma absolutamente abstrata e genérica, com inequívoco e inafastável cerceamento de direito de defesa. Em conseqüência, pugnou pela nulidade integral do lançamento. No mérito, abordou os seguintes temas: a) Que queijo de cabra e búfla não são sujeitos a alíquota zero, pois compra os produtos com incidência de PIS e COFINS e os revende também com incidência, por isso, devem ser canceladas as glosas efetuadas; b) Pugna pelo direito de se creditar sobre a aquisições de insumos e ativo imobilizado, pois, segundo seu entendimento, a correta interpretação do inciso II, do art.3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, quando menciona como crédito “os bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda”, deve ser dada uma interpretação mais ampla ao conceito de “produção” pois foi intenção do legislador a inclusão nesse conceito o ramo do comércio e, por conseguinte, os respectivos Fl. 71378DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.379 21 insumos. Sob esse argumento solicitou a reconsideração do crédito quanto aos seguintes itens: aquisição de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, gás para refrigeração, equipamentos de proteção individual e de segurança, dispêndios com tarifas de cartão de crédito, depreciação de ativos, fretes entre centros de distribuição e outros estabelecimentos da Recorrente ou para transporte de bens do ativo imobilizado, serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e serviços de logística executados por empresa de logística; c) Cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre o ICMS Substituição; d) Glosas de créditos sobre a armazenagem de produtos e despesas aduaneiras; e) Inexistência de erro na apuração das base de cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre bens adquiridos para revenda; e f) Créditos calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiro, sob fundamento do art, 3º, inciso II, da Lei nº10.833/03; e g) Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Resolução O presente processo trata de auto de infração de PIS e COFINS não cumulativos decorrente de glosas de créditos. Irresignado com o acórdão proferido pela DRJ que deu provimento parcial à sua impugnação, o Contribuinte pediu a reforma do acórdão, relativos aos seguinte pontos: a) Que queijo de cabra e búfla não são sujeitos a alíquota zero, pois compra os produtos com incidência de PIS e COFINS e os revende também com incidência, por isso, devem ser canceladas as glosas efetuadas; b) Pugna pelo direito de se creditar sobre a aquisições de insumos e ativo imobilizado, pois, segundo seu entendimento, a correta interpretação do inciso II, do art.3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, quando menciona como crédito “os bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda”, deve ser dada uma interpretação mais ampla ao conceito de “produção” pois foi intenção do legislador a inclusão nesse conceito o ramo do comércio e, por conseguinte, os respectivos insumos. Sob esse argumento solicitou a reconsideração do crédito quanto aos seguintes itens: aquisição de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, gás para refrigeração, equipamentos de proteção individual e de segurança, dispêndios com tarifas de cartão de crédito, depreciação de ativos, fretes entre centros de distribuição e outros estabelecimentos da Recorrente ou para transporte de bens do ativo imobilizado, serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e serviços de logística executados por empresa de logística; c) Cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre o ICMS Substituição; d) Glosas de créditos sobre a armazenagem de produtos e despesas aduaneiras; Fl. 71379DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.380 22 e) Inexistência de erro na apuração das base de cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre bens adquiridos para revenda; f) Créditos calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiro, sob fundamento do art, 3º, inciso II, da Lei nº10.833/03; e g) Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Compulsando os autos, constatase que a infração mais relevante apurada, correspondente a aproximadamente 80% do total lançado, foi a do item “e”. A infração trata de erro na apuração dos créditos sobre bens adquiridos para revenda que, segundo a Fiscalização, encontravamse com valores inflados em vários meses durante o período autuado. Quanto a forma de apuração da referida infração, a Autoridade Tributária assim esclareceu no Termo de Verificação Fiscal (TVF), in verbis: (...)Entretanto, na análise da Escrituração Contábil Digital (contas contábeis 1103080004 e 113305 – Pis a Recuperar, 1103080005 e 113306 – Cofins a Recuperar, 4101010002 e 321200 – Compras), da Escrituração Fiscal Digital EFD – ICMS, da Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições e dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, a fiscalização constatou os seguintes procedimentos adotados pelo contribuinte na apuração do PIS e da Cofins, que estão em desacordo com a legislação que rege a matéria: (...) g) Constatouse também que, nos períodos de apuração de abril/2012 a nov/2012 e abril/2013 a dezembro/2013, o contribuinte declarou nos respectivos Demonstrativos de Apuraçõa das Constribuições –DACON (fichas 06A e 16A, linhas 01. Bens para Revenda) bases de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS sobre mercadorias adquiridas para revenda em valores superiores às compras geradoras de créditos efetivamente ocorridas e escrituradas pelo próprio fiscalizado. (...) As bases de cálculo das glosas ora regularizadas estão detalhadas no demonstrativo anexo a este relatório, cabendo ressaltar que foram discriminadas pelo próprio contribuinte ao longo da ação fiscal, em atendimento aos Termos de Intimações nº0004 e 007 (apresentação dos mapas de apuração de PIS e COFINS) , e confirmadas nos correspondentes Dacon e na Escrituração Contábil Digital (ECD). (negritos nossos) Embora o Auditor tenha consignado no TVF que as informações prestadas pelo contribuinte sobre a rubrica de compras para revenda foram confirmadas na Dacon e nas Fl. 71380DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.315 S3C4T2 Fl. 71.381 23 escriturações Contábil Digital e Fiscal, apenas a primeira foi juntada aos autos, não constando no processo nada a respeito dos comprovantes da Escriturações Digitais que confirmem os valores apurados e utilizados para elaboração das planilhas sintéticas em que se basearam as glosas operadas no lançamento fiscal. Assim, a fim de realizar as análises das argumentações da Reclamante suscitadas quanto a referida infração e em homenagem ao princípio da verdade material, necessitase que sejam juntados aos autos os demonstrativos extraídos da Escrituração Contábil Digital (ECD) e Escrituração Fiscal Digital (EFD) comprobatórios dos valores reais de aquisição de compras para revenda. Nesse sentido, proponho a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos as planilhas com os dados fiscais extraídos do Sistema de Escrituração Digital (EFDICMS), com totalizações mensais, de analítica (Data de Entrada, CFOP, Nº Nota Fiscal, Fornecedor, Descrição do Produto, NCM, Base PIS/COFINS), que demonstrem os valores reais de compras para revenda ao longo do período fiscalizado, bem como juntar planilha resumo de totais mensais apurados; b) Juntar aos autos as planilhas com os dados contábeis extraídos do Sistema de Escrituração Contábil Digital (ECD), com totalizações mensais, que demonstrem os valores reais de compras para revenda ao longo do período fiscalizado, bem como juntar planilha resumo de totais mensais apurados; e c) elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à Recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 71381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002928/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório.
COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 3201-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 28 /2 00 7- 35 Fl. 689DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 0720.000 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (fls. 334 e seguintes). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social —PIS, não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos no DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 — Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei n° 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.094 3 utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribiiinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de hen. eficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. • • Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 30 da Lei n° 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incl indo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem pa e do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IN, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juizo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4°) e como embalagem de transporte (art. 6°); e faz referência a uma Fl. 691DF CARF MF 4 decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa dos créditos vinculados a aquisição de PALANQUES DE EUCALIPTO e POTE MIEL IMPLAVEL, defendendo que aqueles são empregados no concerto de bins, utilizados no transporte das frutas dos produtos, e estes no acondicionamento do mel produzido em seus pomares, consistindo, portanto, de insumos consumidos no processo produtivo. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e "packinghouse". Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cuias abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d'agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no "packinghouse": também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de "prateleira gigante" (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 1611212004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.095 5 frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os fçutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a urna safra de qualidade. No "packinghouse" ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso "na Lei n.° 10.833/2003, no seu art. 3 0, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa". A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta n° 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. É o relatório. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 693DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIV1DADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 380 e seguintes, reiterando os argumentos da Impugnação no que diz respeito às glosas mantidas, formulando os seguintes pedidos: (i) Portanto merece reforma o Acórdão recorrido para incluir na base de cálculo do PIS as embalagens de transporte no valor de R$ 96.811,30. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.096 7 (ii) Diante disso faz se necessário reformar a decisão para incluir na base de cálculo dos créditos da contribuição para o PIS os valores referentes às aquisições de embalagens, que foram glosados indevidamente da base de cálculo, no valor de R$ 772.603,90. (iii ) Portanto, merece reforma o Acórdão atacado também neste aspecto, para que sejam incluídos na base de cálculo do crédito do PIS não cumulativo, os insumos supracitados [palanques de eucalipto e pote para mel] no valor de R$ 6.520,65. (iv) Como se vê, todos os bens glosados são utilizados no cultivo dos frutos e na industrialização da maçã, ou seja, fazem parte da linha de produção da Recorrente. Diante do exposto, deve ser reformado o Acórdão recorrido para incluir na base de cálculo os encargos de depreciação indeferi os do ativo imobilizado que totalizam RS 6.419,36. Os autos foram remetidos a este CARF para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Armando. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.342: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já Fl. 695DF CARF MF 8 que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Deve ainda a autoridade preparadora comprovar nos autos a data da intimação da decisão proferida pela DRJ, para fins de comprovação da tempestividade do recurso interposto. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 193 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. A Fiscalização apresentou a Informação Fiscal de fls. 592 e seguintes, apenas listando os bens que, a seu juízo integram ou não o processo produtivo da Requerente, sem, contudo, "Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens ", como fora requerido em Resolução. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.097 9 Intimado do resultado da Diligência, o Contribuinte alegou, em síntese, que os itens glosados pela Fiscalização integram o seu processo produtivo e, portanto, dão direito à crédito do PIS não cumulativo (fls. 637 e seguintes), detalhando seu processo prudutivo Os autos, então, retornaram ao CARF e, tendo em vista que o D. Relator originário não mais compõe este colegiado, foram a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário A matéria em debate cingese à definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Ademias, em recentíssimo julgado do Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de aplicação obrigatória por esta Corte Administrativa, foi chancelado exatamente o critério da essencialidade e relevância dos bens ao processo produtivo para fins de autorização ao creditamento, critério este já há muito aplicado por esta Turma Julgadora, conforme amplamente divulgado pela mídia especializada (acórdão ainda pendente de formalização). Citase por todas, a seguinte matéria veiculada pelo Jornal Valor Econômico de 23/02/2018: Contribuinte vence no STJ disputa sobre créditos de Cofins Os contribuintes venceram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a disputa bilionária sobre o que pode ser considerado insumo para a obtenção de créditos de PIS e Cofins. Em recurso repetitivo, a 1ª Seção afastou, por maioria de votos, a interpretação restritiva adotada pela Receita Federal. Para os ministros, devese levar em consideração a importância essencialidade e relevância do insumo para a atividade do empresário. Como o uso de créditos pode reduzir o valor das contribuições, o tema é de grande relevância para os contribuintes e a Fazenda Nacional. Em termos financeiros, o processo (REsp nº 1221170) é um dos maiores em tramitação no STJ. O impacto divulgado Fl. 697DF CARF MF 10 inicialmente era de R$ 50 bilhões representaria a perda na arrecadação anual, divulgada em 2015. Com a "posição intermediária" adotada pelos ministros, porém, a União conseguiu reduzir o prejuízo. Para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), não há vencedores ou perdedores. "O STJ não restringiu o conceito de insumos, mas também não o alargou demais", afirma o procurador Péricles Sousa, coordenador da atuação da Fazenda Nacional no STJ. "Agora, os conceitos de essencialidade e relevância terão de ser examinados caso a caso." Contribuintes e a PGFN concordam, porém, em um ponto: a decisão do STJ pode incentivar a reforma do PIS/Cofins um dos 15 itens da agenda legislativa "prioritária" anunciada pelo governo federal. "O julgamento é importante para fazer com que o legislador se movimente para criar uma legislação de aplicação mais simples, tanto para os contribuintes quanto para a Receita Federal", diz o advogado Flávio Carvalho, do escritório Schneider, Pugliese Advogados, que defende a empresa do caso analisado pelos ministros, a Anhambi Alimentos, fabricante de ração animal. "Foi uma grande vitória para os contribuintes." No julgamento, iniciado em 2015, prevaleceu o voto da ministra Regina Helena Costa. Para ela, os critérios para se identificar insumos seriam a essencialidade e a relevância, e não os estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004 que foram afastadas pelos ministros da 1ª Seção, seguindo entendimento da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). As normas consideram como insumos, na fabricação ou produção de bens destinados à venda, as matériasprimas, materiais de embalagens e produtos intermediários e outros bens que sofram alterações no processo, mas não estejam incluídos no ativo imobilizado. E para a prestação de serviço, são somente os bens aplicados ou consumidos na atividade. O voto da ministra foi praticamente na mesma linha do proferido pelo ministro Mauro Campbell, que tinha estabelecido como critérios a essencialidade e a pertinência. Após o voto de Regina Helena Costa, Campbell reconsiderou o seu voto para alterar os critérios e seguir os estabelecidos por ela. Para a advogada Mariana Zechin Rosauro, sócia do escritório Andrade Advogados, o julgamento não põe fim às discussões. Será necessária, acrescenta, a verificação caso a caso da essencialidade ou relevância dos insumos utilizados no processo produtivo. "Isso evidencia a necessidade premente de modificações na legislação que simplifiquem toda a sistemática de apuração do PIS e da Cofins." Matéria obtida mediante acesso ao site http://www.valor.com.br/legislacao/5341287/contribuintevence nostjdisputasobrecreditosdecofins, em 23 de fevereiro de 2018. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.098 11 Especificamente quanto ao Recorrente, essa mesma Turma Julgadora já se manifestou em reiteradas oportunidades, sempre para reconhecer o direito ao crédito sobre os bens diretamente empregados no processo produtivo. Pois bem. Passase a analisar cada um dos itens objeto de Recurso Voluntário. PRELIMINARMENTE DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DAS PROVAS APRESENTADAS E INDEVIDO INDEFERIMENTO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA — CERCEAMENTO DE DEFESA Nesse aspecto, atenhome ao que foi consignado pelo Relator originário do feito quando da solicitação de diligência fiscal, que torno parte integrante das presentes razões de decidir: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.342: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. Fl. 699DF CARF MF 12 A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Pelo exposto, entendo que a questão restou superada com a diligência ordenada por este CARF, que determinou a análise da documentação apresentada, bem como a realização de demais verificações acerca dos itens glosados a fim de verificar o correto emprego dos itens no processo produtivo da Recorrente. Quanto ao mérito, consoante razões recursais, a matéria deve ser analisada sob os seguintes tópicos: MATERIAL DE EMBALAGEM A DRJ, ao analisar o feito no que tange aos créditos oriundos da aquisição de embalagens pela Recorrente, atevese à distinção entre embalagens de transporte e embalagem de apresentação, conforme entendimento aplicável ao crédito de IPI. Não obstante, ao final, houve por bem manter integralmente a glosa efetuada pela Fiscalização sob o fundamento de que, ainda que se possa acatar os créditos relativos ao material de embalagem de apresentação, a contribuinte não teria logrado comprovar tal finalidade: Ocorre, porém, que como acima se viu, apenas as embalagens de apresentação é que geram o direito ao crédito, que faz com que não se possa acatar como aptas à geração de créditos as aquisições de pallets e cantoneiras, pois consistem claramente de embalagens de transporte, tanto que como tais foram informados pela contribuinte na listagem "item 03 (Embalagens de Transporte)". Do mesmo modo, não há como se aceitar que os materiais discriminados na listagem "Item 03 (Embalagens de Apresentação)", consistam de embalagens de apresentação ou materiais nelas empregados. De se ver. Primeiro, em relação às várias operações de aquisição de "rótulo e etiquetas" e "caixa, bandejas, diversos", não bastasse o fato de tais materiais não constarem como adquiridos para Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.099 13 industrialização (códigos CFOP 1.556 e 1.949), também não há mais nada que possibilite a identificação específica de suas destinações. Da mesma forma, em relação às demais aquisições (CFOP 1101 e 2110) —tais como, plástico bolha, diversos tipos de caixas (descritas como TAMPA REFRAI, FUNDO MERCADO INTERNO, TAMPA REATAR EXPORTAÇÃO, FUNDO RE'NAR, TAMPA NATURA), fita adesiva, selos, sacolas, bandejas, fita pet, etc. na impossibilidade da identificação específica de suas destinações, não há como definir qual delas poderia eventualmente gerar direito a crédito, por consistirem de embalagem de apresentação ou materiais nela empregados. No caso específico das caixas, mencionese que a contribuinte apresentou a autoridade fiscal algumas fotos de vários tipos de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas listadas como embalagens de apresentação — essas fotos se encontram no documento denominado "item 06" onde a contribuinte descreve o processo produtivo da empresa; e, em sede de defesa, juntou cópias de várias das notas fiscais lá listadas. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. É que, apesar de as fotos 01 e 02 evidenciarem que as caixas que lá aparecem se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Assim, não há como reconhecer o direito pleiteado pela contribuinte. Como o creditamento relativo a embalagens não se estende a toda e qualquer embalagem, tornase imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das embalagens em relação às quais é pleiteado o crédito. Destarte o ônus de comprovar a natureza das embalagens e de identificar de forma individualizada quais aquisições estão associadas a quais embalagens é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de pretensos insumos, sem que a natureza destas operações e a identificação do insumos adquiridos sejam definidas/produzidas. Como mencionado anteriormente, a matéria em exame nos presentes autos já foi exaustivamente discutida por esta Turma Julgadora, com cerca de uma dezena de processos envolvendo o mesmo contribuinte e os mesmos itens de glosa. Desse modo, por compreender exatamente o tópico ora abordado, utilizo como razão de decidir o seguinte trecho do Acórdão n.º 3201001.689, de relatoria do então Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, por mim reiterado no acórdão nº 3201002.249, de 19 de julho de 2016: Fl. 701DF CARF MF 14 O conceito de embalagem, segundo o Ministério do Meio Ambiente é: A embalagem é essencial para a proteção dos produtos durante a sua etapa de distribuição, armazenamento, comercialização, manuseio e consumo. (...) Cabe à embalagem proporcionar segurança no manuseio do produto, manutenção de suas propriedades e informações legais sobre sua composição e validade, e mesmo rastreabilidade do lote de produção. Em certos casos cabe ainda à embalagem estender o prazo de vida dos produtos, evitando o seu desperdício. Lembramos, inclusive, que a legislação local de ICMS, usualmente mais restritiva que a legislação federal, entende que tais produtos dão direito a crédito, classificandoos como material auxiliar. Neste sentido é o que abstraímos da Instrução Normativa nº 45/98, Título I, Capítulo V, seção 2.0, item 2.1.2, neste sentido: 2.1.2 Não se incluem entre as mercadorias usadas ou consumidas no estabelecimento: a)as matérias primas e os materiais secundários, assim entendidas as mercadorias que se destinem a ser transformadas em constituintes do objeto central da produção, integrandose, agregandose ou incorporandose ao produto final por meio de qualquer processo, inclusive aquelas utilizadas na embalagem ou acondicionamento de mercadorias; (...) Ademais, a própria RFB permite o amplo e geral crédito sobre as compras de embalagem, entendoas como insumos, como vemos na IN 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.100 15 desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) (...) (grifo nosso) Assim, descabe qualquer outro debate sobre o tema. Assim, entendo que assiste razão à Recorrente no que tange ao reconhecimento do direito ao crédito sobre a aquisição de itens de embalagem, sejam estas destinadas ao transporte ou à apresentação, ressaltando que a legislação de regência da COFINS não traz qualquer distinção entre estas. DEMAIS INSUMOS Sob o item "demais insumos" a Recorrente questiona apenas os seguintes itens: Aduz o contribuinte: Esses produtos (potes para mel e palanques de eucalipto) foram equivocadamente glosados da base de cálculo da contribuição para o PIS, conforme o anexo I do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Os palanques são utilizados no conserto de bins os quais transportam os produtos e os potes são utilizados no acondicionamento de mel. Na descrição do processo produtivo dos pomares (fl. 181) a Recorrente informou que além de polinizarem os pomares, as abelhas produzem mel para comercialização, tornando o setor de apicultura autossuficiente financeiramente. Os produtos glosados, elencados acima, são insumos consumidos durante processo produtivo e, por isso, são integrantes do produto vendido. O acórdão da DRJ não trouxe análise específica quanto a estes itens. Todavia, pelo descritivo acima apresentado, e sendo possível discernir a natureza e a utilidade do item " pote para mel pelo próprio senso comum. É de se reconhecer que tal item deve ser admitido como insumo essencial do processo produtivo da Recorrente, ainda que em caráter de atividade secundária (comercialização de mel). Quanto ao "palanque de eucalipto", alegadamente utilizado no "conserto de bins", não se verifica nos autos a exata descrição de tal bem. De igual modo, como dito, também a Autoridade Lançadora, em sua diligência, deixou de informar a razão pela qual entendeu que tais itens estaria fora do processo produtivo. Fl. 703DF CARF MF 16 Não obstante, a partir das informações prestadas na Manifestação à Diligência pelo Contribuinte, na qual descreve todo o seu processo produtivo, podese concluir que "bins" são caixas de madeira utilizadas para o acondicionamento das maçãs. São estas as informações extraídas da referida manifestação: Já a madeira bruta é usada na reforma de bins que acondicionam as maçãs no interior empresa, garantindo, assim, maçãs sem batidas ou deformadas no momento da venda. As frutas, após colhidas dos pomares, chegam ao “packing house”. O deslocamento e armazenagem dos produtos dentro da empresa são de responsabilidade dos bens listados acima. Durante todo o processo de produção do fruto, as maçãs são transportadas por todo o parque. Para isso, usamse carrinhos, para empilhálas. Os bins, as caixas, os armários, as bancadas são usados para acondicionar em seu interior as frutas, facilitando e organizando o transporte das mesmas. A armazenagem e o transporte correto do produto garantem a integridade física das maçãs e por consequência promovem a fruta aos potenciais consumidores. Ademais, há foto dos "bins" na fl. 677 dos autos, acompanhado da seguinte descrição: Bins: Responsáveis pelo armazenamento das frutas dentro do packing house. Tem como objetivo garantir a integridade física da maçã. Logo, sendo certo que os "bins" são efetivamente utilizados no processo produtivo, no acondicionamento das maçãs produzidas, também os itens empregados na sua manutenção, tal como o "palanque de eucalipto", também deve ser considerado essencial e relevante ao processo produtivo. QUANTO AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO: Por fim, quanto às glosas relativas aos encargos de depreciação do Ativo Imobilizado cumpre, efetivamente, o exame da aplicação dos itens no processo produtivo da Recorrente. Nesse sentido, temse que a Fiscalização, em resposta à Diligência, limitouse a apresentar duas listagens, uma relativa aos "lista dos bens e itens do ativo imobilizado debatidos e que são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa" e, a segunda, correspondente aos "bens e itens do ativo imobilizado não utilizados como insumos e especificamos a sua efetiva utilização". A despeito de expressa determinação, em sede de Diligência requerida por esta Turma, para que a Autoridade Lançadora "nos casos em que entender não o sejam Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.101 17 [utilizados diretamente no setor produtivo], especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens", não foi apresentada qualquer justificativa. Pois bem, inicialmente, quanto aos itens do ativo imobilizado que admitidos pela Fiscalização como utilizados diretamente no setor produtivo, temse: ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO: • Disjuntor; • Exaustor industrial; • Medidor de diâmetro de fruta; • Motobomba; • Motor trifásico; • Separador magnético; • Navalhas para máquina picador; • Máquina classificadora; • Aparelho pulverizador; • Motosserra; • Panela isotérmica; • Pulmipur com campana; • Pulverizador; • Pulverizador jacto; • Escadas de ferro; • Adubadeira; • Centrífuga radial motorizada; • Hidroejetor; • Torneira de corte rápido; • Máquina semiautomática; • Refratômetro; • Decantador em aço inox; • Desoperculadora; • Distribuidor de calcário. Estes, por expressa admissão fiscal, constituemse bens essenciais e relevantes ao processo produtivo, desse modo, entendo devem ser revertidas as glosas respectivas. Fl. 705DF CARF MF 18 Numa segunda listagem, foram apresentados os itens do ativo imobilizado que a Fiscalização entendeu não serem utilizados no processo produtivo (fls. 596/599), que, diante da sua extensão, deixa de ser transcrita no presente voto. Passase a analisar, então, aqueles itens objeto do Recurso Voluntário. Inicialmente há que se destacar que, muito embora, em sede de acórdão, tenha sido abordada a questão relativa ao direito ao crédito sobre bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004, não há questionamento por parte do contribuinte em sede de Recurso Voluntário nesse aspecto. No que tange aos itens do Ativo Imobilizado, defende a Recorrente especificamente o direito ao crédito sobre a aquisição dos seguintes itens: A inserção de tais itens no setor produtivo foi assim fundamentada pela Recorrente: Todas as fases do processo produtivo foram descritas na manifestação de inconformidade, vejase: a) Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, na adubação do solo e na aplicação de defensivos usados para controle de praga,s e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção de frutos. Também foram glosadas caixas para apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixas d'água e Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.102 19 poços artesianos usados para a irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no "packinghouse": elmbém foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais bens são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigorificas para armazenagem de Bins com fruta sendo uma espécie de "prateleira gigante" (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. Já em sua Manifestação ao resultado da diligência, na qual foi apresentada a listagem supra apresentada, a Recorrente discorre acerca de cada um dos itens glosados. Relativamente aos itens objeto do Recurso Voluntário (em negrito), temse: Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fitossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. O Fisco, ao analisar os bens do ativo imobilizado relacionados aos pomares, julgou que alguns não estariam relacionados com a produção, são eles: ・ Arado; ・ Coveador duplo com adubadeira; ・ Grade niveladora leve; ・ Máquina enxertia; ・ Perfurador de solo; ・ Pulverizador; ・ Transportador Florestal; ・ Roçadeira; ・ Triturador de galhos; Fl. 707DF CARF MF 20 ・ Semeadeira e; ・ Adubadeira de cova para plantio. No entanto, a classificação efetuada pelo Fisco não procede, pois esses bens são usados diretamente na produção de maçãs, como passará a demonstrar a seguir a utilização de cada máquina no processo produtivo da empresa. O Arado é utilizado na preparação do solo. Sem o arado e a devida preparação do solo, a qualidade do fruto estaria comprometida e assim, não satisfaria os seus consumidores. Após a preparação, o solo é nivelado, marcado (Grade niveladora leve), perfurado (Perfurador de solo e Coveador com adubadeira) e adubado (Adubadeira de cova para plantio). Quando o solo estiver totalmente preparado é realizado o plantio dos pomares (Máquina Enxertia e Semeadeira). Após crescerem os frutos, é utilizado o pulverizador para aplicar defensivos nas maçãs e a roçadeira para limpeza dos pomares. Após a limpeza, o Transportador florestal recolhe os galhos derrubados dos pomares e os leva até o triturador de galhos, permanecendo assim, pomares totalmente limpos e preservados. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção de frutos. O Fisco também não considerou ativos imobilizados utilizados no transporte das frutas nos pomares. ・ Escada; ・ Plataforma traseira; ・ Torre montada sem carro; ・ Carreta agrícola; ・ Empilhadeira agrícola; ・ Semireboque; ・ Reboque; ・ Banca; ・ Carrinho plataforma base madeira e; ・ Carrinho plataforma. Para a colheita e o transporte das maçãs nos pomares são utilizados os bens acima listados. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10925.002928/200735 Acórdão n.º 3201003.443 S3C2T1 Fl. 1.103 21 Sem utilização da escada, do reboque, do carrinho plataforma, seria impossível transportar as frutas, considerando a grande quantidade de maçãs colhidas por dia, dos pomares ao packing house. (...) 14 O Fisco não considerou também, ativos imobilizados utilizados no transporte e no armazenamento das frutas dentro do packing house. ・ Bins; ・ Carro hidráulico; ・ Portapalete; ・ Caixas plásticas; ・ Carrinho Comboio e; ・ Armário. As frutas, após colhidas dos pomares, chegam ao “packing house”. O deslocamento e armazenagem dos produtos dentro da empresa são de responsabilidade dos bens listados acima. Durante todo o processo de produção do fruto, as maçãs são transportadas por todo o parque. Para isso, usamse carrinhos, para empilhálas. Os bins, as caixas, os armários, as bancadas são usados para acondicionar em seu interior as frutas, facilitando e organizando o transporte das mesmas. A armazenagem e o transporte correto do produto garantem a integridade física das maçãs e por consequência promovem a fruta aos potenciais consumidores. Para melhor esclarecer, a Recorrente junta fotografias dos referidos bens (Doc. 03). Quanto ao item "CÂMARA", demonstra a contribuinte que "As maçãs são armazenadas em câmaras de armazenamento", de "extrema importância no processo produtivo, pois controlam temperatura, umidade, teores de oxigênio e gás carbônico dentro das câmaras, possibilitando assim, um maior período de armazenamento da fruta." Entendo que a justificativa apresentada pelo contribuinte, por meio da sua Manifestação de Diligência, tais itens devem ser admitidos como relevantes e/ou essenciais ao processo produtivo da Recorrente. Fl. 709DF CARF MF 22 Relativamente ao item "TRATOR", a Contribuinte defendeu em seu próprio Recurso Voluntário se tratar de item utilizado no "transporte , na adubação do solo e na aplicação de defensivos usados para controle de pragas de desenvolvimento de frutos". Sem grandes digressões, é também pelo senso comum que se conclui a essencialidade de um trator ao processo agroindustrial da Recorrente, gerando, portanto, direito ao crédito. Quanto ao item "MOTOSSERRA", verificase pela fl. 594 do relatório de diligência, que a própria fiscalização entendeu que este integra o processo produtivo. Desse modo, devese admitir o seu crédito. Quanto ao itens "INVERSOR" e "MULTÍMETRO" o afirma que sua aplicação ao processo produtivo ocorre no "packinghouse", sendo peças empregadas na classificadora de frutas. Acrescento a descrição trazida pelo Relatório de Diligência: Inversor eletrônico: equipamento responsável por converter a frequência em equipamentos eletrônicos; Multímetro: utilizado para medição de tensão e corrente; Desse modo, entendo comprovada a utilização de tais itens no processo produtivo e, portanto, autorizado o crédito correspondente. Por fim, quanto ao item "APARADOR DE GRAMA", notase que tal item não foi incluído pela Fiscalização em qualquer listagem apresentadas na diligência(itens utilizados ou não utilizados no setor produtivo), não obstante tenha sido objeto de glosa no lançamento original, e também não foi objeto de insurgência específica pela Recorrente. Desse modo, entendo inexistir lide acerca de tal item, devendo ser mantida a glosa correspondente. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as glosas relativas à (i) totalidade dos itens de embalagem insumo ; (ii) do item "pote para mel implavel", CFOP 1.101, NF 062027, palanque de eucalipeto insumo ; e (iii) dos itens do ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004, descritos acima, excluindose, apenas, apenas, o item "APARADOR DE GRAMA" (créditos por depreciação). Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 710DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003166/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE O PAGAMENTO ANTECIPADO DE TRIBUTOS.
Não há previsão legal específica para a incidência da taxa Selic sobre o pagamento antecipado de tributos, fora do procedimento e prazo regular de adimplemento.
Numero da decisão: 3201-003.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Não há previsão legal específica para a incidência da taxa Selic sobre o pagamento antecipado de tributos, fora do procedimento e prazo regular de adimplemento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 31 66 /2 00 9- 57 Fl. 872DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls 800 em face de decisão da DRJ/MG de fls. 789 que decidiu por não conhecer a impugnação de fls. 340, restando mantido o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de IPI de fls. 6 e seguintes, por recolhimento insuficiente do tributo. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, exposto a seguir: "Em análise o auto de infração de fls. 06/09, e seus anexos [fls. 10/14], lavrado para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 98.779,47, da Multa de Ofício [75%] de R$ 74.084,56 e dos Juros de Mora de R$ 46.719,75 [calculados até 27/02/2009], totalizando R$ 219.583,78 de crédito tributário exigido. Amparado no MPFF nº 04.1.01.002008002127 [fl. 03] foi lavrado e cientificado em 15/01/2009 [AR fl. 19] o Termo de Início de Fiscalização de fls. 16/18. Decorreu a autuação, segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do respectivo auto de infração do NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR DO IPI LANÇADO, consoante Termo de Verificação anexo. Da análise do TERMO DE VERIFICAÇÃO [fls. 330/336], se extrai, em síntese: [...]Conforme determina a Lei n° 11.033/04, a regra geral do período de apuração do IPI incidente nas saídas dos produtos dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial, passa a ser: I de 1° de janeiro de 2004 a 30 de setembro de 2004: quinzenal; e II a partir de 1° de outubro de 2004: mensal. [...]a) CRÉDITOS DO IPI. Ficou constatado da análise das Notas Fiscais referentes As aquisições (Janeiro, Abril e Dezembro de 2005), cotejadas com a relação de insumos apresentada pelo contribuinte, fls. 23/28, que tais aquisições são compatíveis com a industrialização efetuada por ele. Conferiramse tanto o lançamento das Notas Fiscais com créditos do IPI no Livro Registro de Entradas (fls. 56 a 170), como totalização mensal dos créditos de IPI lançados no Livro Registro de Entradas com o Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI. Observouse, no entanto, que o RAIPI adotou a apuração quinzenal do IPI, ademais de apresentar totalizações diferentes do Livro Registro de Entradas. Uma vez que este último teve sua escrituração cotejada com as Notas Fiscais de créditos de IPI, apresentandose em conformidade com os créditos ali destacados, consideramos em nossa apuração os créditos fiscais de IPI levantados nos documentos de fls. 56 a 170, cujas totalizações mensais estão resumidas na coluna "Créditos" da planilha "Apuração do IPI" de fls. 362. b) DÉBITOS DO IPI os débitos do estabelecimento foram analisados a partir da escrituração fiscal apresentada pelo Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19647.003166/200957 Acórdão n.º 3201003.475 S3C2T1 Fl. 873 3 contribuinte Livro Registro de Saídas e Livro RAIPI referente ao mencionado período. O contribuinte industrializa principalmente preparações capilares (classificação fiscal 3305.10.00 e 3305.90.00) e preparações para manicuras e pedicuros (classificação fiscal 3304.30.00) conforme fls. 19/22. [...] Verificouse que os produtos consignados nas Notas fiscais de saída analisadas foram corretamente classificados e aplicadas as aliquotas de IPI correspondentes. Os débitos de IPI destacados nas Notas Fiscais analisadas foram corretamente lançadas no Livro Registro de Saídas de fls. 171 a 324. Por outro lado, as totalizações mensais estão em desacordo com o RAIPI, motivo pelo qual consideramos na presente fiscalização os débitos de IPI presentes nos Livro Registro de Saídas, cujas totalizações foram transpostas para a coluna "Débitos" da planilha 'Apuração do IPI" de fls. 363. C) DO SALDO DEVEDOR A apuração do imposto foi realizada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento para abatimento do valor devido pelos produtos dele saídos mês a mês. Na Planilha de fls. 36, temos, então, a coluna "Saldo devedor" como o resultado dessa apuração, constituindo os valores lançados no presente auto, de acordo com as laudas 08 e 09. Cabe ressaltar que o contribuinte apresentou valores de IPI em DCTF para o 2° semestre de 2005, ademais de realizar pagamentos com lastro nos valores declarados. Não consideramos, no entanto, os valores declarados e/ou recolhidos uma vez que o contribuinte procedeu, no caso, forma de apuração quinzenal do imposto, quando deveria fazêlo mensalmente. A ciência do lançamento ocorreu em 18/03/2009 [fl. 7]. Inconformada apresentou a autuada, em 15/04/2009, a IMPUGNAÇÃO de fls. 340/345 [inicialmente formalizada no processo nº 19647.004781/200981, a este juntado, cf. termo de fls. 766], na qual, em síntese: ó alega que ao apurar o imposto quinzenalmente a empresa o recolheu antes do prazo previsto na legislação, ou seja, antecipou os recolhimentos, conforme DARFs anexos, uma vez que considerou o prazo para recolhimento do imposto dentro do próprio mês da ocorrência do fato gerador, antecipando o cumprimento da obrigação tributária principal; ó acrescenta que os valores pagos antecipadamente são passíveis de atualização pela taxa Selic; ó requer, ao final, a improcedência da autuação ou, sucessivamente, que seja determinada a Fl. 874DF CARF MF 4 compensação dos valores do IPI já recolhidos devidamente atualizados pela taxa Selic. Em síntese, é o relatório. A Ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal proferido pela DRJ, foi assim publicada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2005 a 31/12/2005 PAGAMENTO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA É ilegítimo o lançamento de ofício para constituição dos débitos comprovadamente pagos antes de iniciado o procedimento fiscal, cabendo, no entanto, ser mantido o lançamento daqueles que não foram pagos nem confessados via DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPROCEDÊNCIA A previsão legal para a atualização monetária ou a incidência de juros equivalentes à taxa Selic diz respeito somente aos casos de compensação ou restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior, o que não se configurou no caso concreto, uma vez que antecipação de pagamento não se confunde com o pagamento indevido a que se refere o art. 165 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria não contestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 19647.003166/200957 Acórdão n.º 3201003.475 S3C2T1 Fl. 874 5 Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. O tempestivo Recurso Voluntário contém matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme fls. 840 a 863 e decisão de primeira instância, verificase que há parcelamentos e que estes não são objeto do Recurso Voluntário, assim como foram reconhecidos os pagamentos quinzenais. O que subiu para análise deste Conselho foi alegação da incidência da taxa Selic sobre esses pagamentos antecipados, contudo, tal alegação não merece provimento em razão de ausência de previsão legal específica para tanto, fora do procedimento e prazo regular de adimplemento. Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja negado. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 876DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004010/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO.
A hipótese que enseja a oposição de embargos restringe-se à constatação de contradição interna entre a decisão embargada e seus próprios fundamentos, devendo ser os embargos rejeitados quando a contradição é apontada entre os fundamentos da decisão embargada e outras peças do processo.
Numero da decisão: 1301-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. A hipótese que enseja a oposição de embargos restringe-se à constatação de contradição interna entre a decisão embargada e seus próprios fundamentos, devendo ser os embargos rejeitados quando a contradição é apontada entre os fundamentos da decisão embargada e outras peças do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
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INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. A hipótese que enseja a oposição de embargos restringese à constatação de contradição interna entre a decisão embargada e seus próprios fundamentos, devendo ser os embargos rejeitados quando a contradição é apontada entre os fundamentos da decisão embargada e outras peças do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 10 /2 00 3- 01 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 19515.004010/200301 Acórdão n.º 1301002.826 S1C3T1 Fl. 548 2 Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 522 a 524) opostos pela Fazenda Nacional, em face do acórdão de recurso voluntário nº 110100.173 (fls. 507 a 519) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, na sessão de julgamento realizada em 26 de agosto de 2009. No referido julgado o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos: "(i) DAR provimento ao recurso quanto à matéria "remuneração de debêntures", nos termos do voto condutor do conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, tendo em vista que os demais conselheiros da turma acompanharam o relator pelas conclusões, e DAR provimento PARCIAL ao recurso quanto a matéria "apropriação antecipada de despesas com propaganda", bem como para excluir a exigência da multa de ofício isolada, em face da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 dada pela MP 303/96, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Acórdão ficou assim ementado: "IRPJ. ANTECIPAÇÃO DE DESPESA. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. A antecipação de despesa financeira relativa a remuneração de debêntures resulta em postergação do pagamento do IRPJ. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO PENALIDADE APLICÁVEL A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, custo, despesa ou lucro, quando resultar postergação do pagamento do imposto, constitui fundamento para o lançamento da multa de mora acompanhada da exigência dos juros correspondentes, sendo incabível a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o tributo após o recolhimento espontâneo por parte do contribuinte. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional opôs, com fundamento no art. 65, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, embargos de declaração em que alega que o voto vencedor revela contradição, quando consigna que, quanto às despesas financeiras de debêntures, o lançamento deveria ter se fundamentado na postergação de imposto, pois a autuação decorre justamente da insuficiência no recolhimento do imposto postergado. Com o objetivo de demonstrar a contradição apontada, transcreveu nos embargos os seguintes excertos do voto condutor e do Termo de Verificação Fiscal: VOTO CONDUTOR "Com efeito, eventual antecipação de despesas decorrentes de inobservância do regime de competência, já suficientemente abordado no voto vencido, somente constitui fundamento para o lançamento tributário quando dela resultar postergação de pagamento do tributo para período de apuração posterior àquele que seria devido, conforme dispõe o art. 273, do RIR/99, adiante transcrito: (...) Fl. 548DF CARF MF Processo nº 19515.004010/200301 Acórdão n.º 1301002.826 S1C3T1 Fl. 549 3 A infração que deveria ter sido objeto do lançamento seria a postergação de pagamento. Isso posto, acompanho o relator pela sua conclusão, muito embora o faça com base em fundamento diverso, conforme exposto neste voto." TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL "Efetuamos o recalculo do Lucro Real do Contribuinte dos anos calendários de 1998 a 2002, considerando o ajuste dos itens acima descritos, e também das despesas de anúncio, tratada a seguir, no subitem 1.2, e detalhamos, nos Anexos 3 e 4, os efeitos tributários da postergação de IRPJ e CSLL e da redução indevida do Lucro Liquido, cujos valores estão resumidos nos subitem 1.3 c 1.4." Aduziu ainda a Fazenda Nacional que nos subitens 1.3 e 1.4 do termo de verificação fiscal estão detalhadas a postergação de imposto e a redução indevida do lucro, bem assim, os Anexos 1 a 4 demonstram a insuficiência do pagamento de imposto postergado em decorrência da antecipação não só das despesas de propaganda, como também das despesas financeiras. Em juízo de admissibilidade sumária, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção, constatou que a contradição havia sido objetivamente apontada pela embargante, e admitiu os embargos por meio do seguinte despacho: "A situação de contradição está apontada objetivamente. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional. No voto embargado consigna que, quanto remuneração de despesas o lançamento deveria ter se fundamento na postergação de pagamento de imposto, Contudo, no tocante às debêntures, a autuação se fundamentou na antecipação de despesas financeiras, que, tal como a antecipação de despesas de propaganda, também objeto do lançamento, ocasionou a postergação do pagamento do IRPJ e CSLL. Assim, em relação às despesas financeiras de debêntures, o lançamento deveria ter se fundamentado em postergação de imposto, pois a autuação decorre justamente da insuficiência no recolhimento de imposto postergado. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos." É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional através do despacho de 28/11/2011 (fls. 530), tendo o Procurador sido cientificado do Acórdão nº 1101 00.173, na sextafeira dia 30/12/2011. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 19515.004010/200301 Acórdão n.º 1301002.826 S1C3T1 Fl. 550 4 Considerando que os embargos foram opostos em 06/01/2012 (fls. 522 a 524), dentro do prazo de 5 dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, tenhoos por tempestivos. Nos embargos opostos, a Fazenda Nacional aponta a existência de contradição entre a fundamentação do voto condutor do acórdão, ao afastar a exigência relativa à infração indicada como antecipação de despesas financeiras de juros e participações em debêntures, e a forma com que foi realizada a autuação fiscal. Para o relator do voto vencedor a autuação na parte relativa à remuneração de debêntures é improcedente porque a infração que deveria ter sido objeto do lançamento seria a postergação de pagamento. Por outro lado, a embargante afirma que a infração relativa à remuneração de debêntures se fundamentou na antecipação de despesas financeiras e, tal como a antecipação de despesas de propaganda, também objeto do lançamento, ocasionou a postergação do pagamento do IRPJ e CSLL. Assiste razão à embargante quando afirma que a infração referente á remuneração de debêntures também ocasionou a postergação do pagamento do IRPJ e CSLL. Nos anexos 3 e 4 do Termo de Verificação Fiscal, onde são feitas as apurações dos valores dos impostos postergados, é possível constatar que os cálculos foram realizados com a inclusão não somente das despesas com propaganda mas também das despesas com remuneração de debêntures. Entretanto, esse não foi o entendimento da Turma Julgadora, pois ao afirmar no voto condutor do acórdão que a infração que deveria ter sido objeto do lançamento é a postergação de pagamento, a decisão parte da premissa equivocada de que a autuação não considerou os efeitos da postergação do imposto. O art. 65 do Regimento Interno do CARF, ao tratar das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A hipótese que enseja a oposição de embargos de declaração restringese à constatação de contradição entre a decisão e seus próprios fundamentos, ou seja, tratase de contradição interna, e não entre os fundamentos da decisão e outras peças do processo. No caso, inexiste contradição entre a decisão e seus fundamentos, resta claro que a Turma julgadora decidiu afastar a infração relativa à antecipação de receitas com remuneração de debêntures por entender que a infração que deveria ter sido objeto do lançamento seria a postergação de pagamento. Inexiste contradição em referida afirmação pois, de fato, a infração de antecipação de despesas pode ter como efeito a postergação do imposto devido. Ao alegar a existência de contradição entre o acórdão embargado e a forma com que o lançamento foi efetuado, a intenção da embargante é confrontar os fundamentos do acórdão embargado com outra peça processual, no caso, o auto de infração, e rediscutir a matéria já decidida. Dessa forma, os embargos opostos pela Fazenda Nacional devem ser rejeitados. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 19515.004010/200301 Acórdão n.º 1301002.826 S1C3T1 Fl. 551 5 (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.676151/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2005
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2005 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 51 /2 00 9- 75 Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de PIS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de PIS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de PIS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10880.676151/200975 Acórdão n.º 3401004.092 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 674DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720119/2012-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Numero da decisão: 9101-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 19 /2 01 2- 29 Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivamente interposto pelo sujeito passivo a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), com fulcro no art. 64, inciso II (Anexo II), do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF) aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 1302001.420, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de julgamento de 4 de junho de 2014, e que foi integralmente admitido pela presidência da mesma Câmara. Referido acórdão está assim ementado: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/02. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/02 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/00. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. CUSTO DO INSUMO IMPORTADO. FRETE. SEGURO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. No método PRL60, o ajuste consiste na comparação entre o preçoparâmetro e o custo de aquisição do insumo importado. O primeiro, calculado a partir do preço de revenda do produto final, contém em sua composição todas as parcelas de custo não expressamente excluídas, em especial frete, seguros e o imposto de importação. Em assim sendo, o custo de aquisição do insumo importado igualmente deve incluir tais parcelas, de tal forma a permitir a comparação de grandezas equivalentes, neutralizando seu efeito final no ajuste. Aplicação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Em seu Recurso Especial, o sujeito passivo argumentou, em síntese: a) que a introdução, na fórmula prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, do percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e da participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, como fatores determinantes da margem de lucro e do preçoparâmetro altera, substancialmente, os critérios Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 4 3 de cálculo previstos no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, e maculam de ilegalidade a metodologia prevista na referida Instrução Normativa; e b) que resta comprovado que a nova sistemática de cálculo do ajuste de preço de transferência trazido com a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, alterou a base de cálculo do IRPJ, majorandoo, o que viola o princípio da estrita legalidade tributária; e c) que, ao determinar a comparação do preço praticado com preço parâmetro distante da realidade de mercado, o art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ignorou, solenemente, o princípio “arm’s lenght”, de modo que, por mais esse motivo, devem ser cancelados os autos de infração. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional, oportunamente, apresentou Contrarrazões, requerendo seja negado provimento ao Recurso Especial do contribuinte, mantendose incólume o julgado recorrido. É o Relatório. Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à suposta ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. Procedo, inicialmente, ao reexame dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Para caracterizar a divergência jurisprudencial apta à admissão do Recurso Especial, o sujeito passivo apontou os seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão paradigma nº 1301001.262, de 2013: CONTROLE DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CÁLCULO DO PREÇOPARÂMETRO. MÉTODO PRL60. PREVISÃO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da Instrução Normativa é interpretativa do dispositivo legal, subordinandose a ele, sendolhe vedado inovar para estabelecer obrigação tributária. Acórdão paradigma nº 130200.915, de 2012: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL 60% IN SRF 243/02 – ILEGALIDADE A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60% do preço). As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. Considero comprovado o correspondente dissenso jurisprudencial na interpretação da legislação tributária com relação ao primeiro acórdão paradigma (Acórdão nº 1301001.262, de 2013), pelo que conheço do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto ao segundo acórdão paradigma (Acórdão nº 130200.915, de 2012), não o admito, porque expedido pela mesma turma de câmara prolatora da decisão recorrida (Acórdão nº 1302001.420, de 2014), não se prestando, pois, como paradigma para fins de Recurso Especial de divergência entre câmaras e turmas que compõem o CARF. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 6 5 Observo, por oportuno, que ambos os acórdãos paradigmas (1301001.262, de 2013, e 130200.915, de 2012) foram reformados, nessa parte, por esta turma da CSRF, por meio dos Acórdãos CSRF nºs 9101003.023, de 9 de agosto de 2017, e 9101002.417, de 17 de agosto de 2016, respectivamente. Passo ao mérito. Ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 1) O PRL60 e a Lei nº 9.430, de 1996 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face da Lei nº 9.430, de 1996, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430, de 1996, acerca do PRL60. Isso porque, para verificarmos a existência, ou não, de violação da Lei nº 9.430, de 1996, pela IN SRF nº 243, de 2002, é necessário que antes determinemos exatamente o que aquela Lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...]; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir encontrase a representação matemática dessas duas interpretações: Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 7 6 (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA (3B) PParam = 40%*PLV – VA onde: • PParam é o preço parâmetro do bem importado junto a pessoa vinculada residente no exterior • PLV é o preço líquido de venda de um determinado produto produzido no Brasil, em cuja fabricação foi empregado o bem importado. • VA é o valor agregado no país. A equação (3A) representa a interpretação defendida pelo sujeito passivo para o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto a equação (3B) representa a interpretação da Fazenda Nacional para a mesma norma. A demonstração matemática das equações (3A) e (3B) encontrase, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto. No anexo 3 demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pelo sujeito passivo (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pela Fazenda Nacional (3B). A interpretação (3A), advogada pela Recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38, de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113, de 2000, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B), sustentada pela Fazenda Nacional, é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Argumento Linguístico Para melhor compreendermos o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, sob o ponto de vista meramente linguístico é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preço parâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 8 7 I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. [...]. O cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959, de 2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Reconheçase inicialmente que o texto legal em sua nova redação, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela Recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro. Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro. Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 9 8 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País”, contida no texto legal, deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. Argumento LógicoEconômico Mas se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pelo sujeito passivo só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual pode ser definido como sendo o preço presumivelmente praticado na importação de um bem acaso essa operação seja realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preço parâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado produto produzido no Brasil a pessoa não vinculada, produto, esse, em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado. Em outras palavras, no preço de venda do produto produzido no país logicamente estará incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é economicamente lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60 é necessário que, do preço de venda do produto produzido no Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 10 9 país sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como representado na equação (3B). Ocorre que no cálculo do preço parâmetro PRL60 defendido pelo sujeito passivo o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido no país, é a ele adicionado, conforme demonstra a equação (3A). Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógica econômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430, de 1996, é aquela sustentada pela Fazenda Nacional, e representada matematicamente pela equação (3B), e não aquela defendida pelo sujeito passivo e representada matematicamente pela equação (3A). 2) Da Legalidade da IN SRF 243, de 2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a Recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, devendo, portanto, ser declarada ilegal. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243, de 2002: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. [...]. § 10. O método de que trata a alínea “b” do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 11 10 agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preçoparâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme dito anteriormente, a questão da legalidade, ou não, do art. 12 da IN SRF 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 somente pode ser apropriadamente examinada tomandose por base a correta interpretação desta última norma, qual seja, aquela matematicamente representada na já referida equação (3B). Isso posto, em primeiro lugar, cabe destacar que o cálculo do preço parâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243, de 2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 corretamente interpretado, conforme demonstrado no anexo 6. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 12 11 (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243, de 2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Portanto, ainda que seja verdadeira a afirmação da Recorrente segundo a qual a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, é falsa a conclusão de que os ajustes ao lucro líquido resultantes da IN são superiores àqueles resultantes da Lei, pois, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6, tais ajustes são sempre iguais ou inferiores. Por fim, poderseia alegar que o posterior advento da Medida Provisória nº 478, de 2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715, de 2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, demonstrariam a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478, de 2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715, de 2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional. Do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 13 12 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 14 13 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação “Correta” (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 15 14 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação “Correta” O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da “correta” interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%*VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação “correta” da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 16 15 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação “Correta” O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (5A), e a interpretação “correta” sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que, nos cenários D e E, a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430, de 1996 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLV ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430, de 1996 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 17 16 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 18 17 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243, de 2002 (1C) PParam = PartBI®PP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243, de 2002. (2C) ML = 60%* PartBI®PP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243, de 2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI®PP 60%*PartBI®PP (3C) PParam = 40%* PartBI®PP, onde: PartBI®PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243, de 2002, ou seja: (4C) PartBI®PP = %PartBI>PP*PLV, onde: %PartBI>PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243, de 2002, ou seja: (5C) %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 19 18 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243, de 2002 vs. “Correta” Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da “correta” interpretação do 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243, de 2002 (7C), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação “correta” da Lei nº 9.430, de 1996 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 20 19 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243, de 2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243, de 2002, e a aplicação do mesmo método segundo a “correta” interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243, de 2002 – Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI>PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430, de 1996 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 16561.720119/201229 Acórdão n.º 9101003.373 CSRFT1 Fl. 21 20 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 2072DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.659059/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, adoto como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Belo Horizonte (acórdão n. 0260.0281 fls. 140/144), o que passo a fazer nos seguintes termos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 42039458 emitido eletronicamente em 03/01/2013, referente ao PER/DCOMP nº 16885.41167.230812.1.3.043199. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 05 9/ 20 12 -4 6 Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10880.659059/201246 Resolução nº 3402001.316 S3C4T2 Fl. 557 2 discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$50.969,62, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 22/04/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 22/01/2013, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 06/02/2013, tendo, em síntese, alegado o seguinte: · a empresa importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), fica reduzida a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10880.659059/201246 Resolução nº 3402001.316 S3C4T2 Fl. 558 3 d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. 2. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente pelo acórdão já citado, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 148/156, oportunidade em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato que provou as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. 4. É o relatório. Resolução 5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10880.659059/201246 Resolução nº 3402001.316 S3C4T2 Fl. 559 4 o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 559DF CARF MF
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