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Numero do processo: 16327.900666/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2005
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2005
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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(sucessora por incorporação de ABN AMRO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 66 /2 01 0- 05 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16327.900666/201005 Acórdão n.º 3401004.198 S3C4T1 Fl. 3 2 Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando compensar débitos declarados com suposto crédito oriundo de pagamento a maior de 63 COFINS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débitos da requerente, não restando saldo a ser utilizado. Irresignado com o indeferimento de seu pedido, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alega, em síntese que: (a) não havia considerado na base de cálculo da contribuição as regras do Decreto nº 5.164/2004, revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, que em seu artigo 1º reduziu a zero as alíquotas da contribuição sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas a incidência nãocumulativa; (b) face ao alegado no item anterior, procedeu aos ajustes na base de cálculo das contribuições, evidenciando assim o recolhimento a maior; (c) os valores na DIPJ estão corretos, acordes com a nova apuração; (d) olvidouse de proceder à retificação na DCTF, solicitando que esta seja retificada de ofício. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindose que as receitas contabilizadas como “Rendas de Garantias Prestadas” não se caracterizam como receitas financeiras, sujeitas a redução à zero das alíquotas, nos termos do Decreto nº 5.164/2004, e não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apurada pelo contribuinte, indeferindo a solicitação do interessado, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário onde essencialmente reitera a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.900666/201005 Acórdão n.º 3401004.198 S3C4T1 Fl. 4 3 junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.187, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.900662/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.187): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, visando a compensar débitos nele declarados, com créditos oriundos de pagamentos a maior de contribuições sociais nãocumulativas. A ora recorrente, impugnou o não reconhecimento o direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por não haver considerado nas bases de cálculo os ditames do art. 1º, do Decreto n° 5.164/04, que reduziu à zero a alíquota das contribuições sociais nãocumulativas, incidentes sobre receitas financeiras, conforme planilha (doc n° 4) apontando a conta COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) e cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida que os valores contabilizados como “Rendas de Garantias Prestadas” não poderiam ser considerados receitas financeiras, pelas empresas prestadoras de serviços de administração de cartões de créditos, mas sim receitas provenientes da prestação de serviços. Destaca a recorrente, somente agora em recurso voluntário, que o crédito pleiteado é oriundo da reclassificação de valores das contas COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) para 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), informação inserida na planilha (doc n° 4), apresentada junto com a impugnação, porém, não constando a conta 7.1.1.05.006, destino da reclassificação contábil alegada, na cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5), também, apresentada junto com a impugnação. Pois bem, entendo, sejam RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS ou RENDAS DE EMPRÉSTIMOS, as receitas em discussão fazem parte do objeto social da recorrente, empresa administradora de cartões de créditos, em razão disso, não enquadrandose como receita financeira e não fazendo jus à redução à zero das alíquotas ou à exclusão das bases de cálculo das contribuições sociais. Seguindo a mesma linha de abordagem da decisão recorrida, cujo voto condutor promoveu minuciosa analise da conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), segundo o Cosif, a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.900666/201005 Acórdão n.º 3401004.198 S3C4T1 Fl. 5 4 EMPRÉSTIMOS), que faz parte do subgrupo 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito, o qual pertence ao grupo 7.1.0.00.008 Receitas Operacionais, tem como função “Registrar as rendas de empréstimos, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Base Normativa: (Circular BCB 1273)”. Notar que a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), a qual alegase ter sido reclassificados os valores originalmente registrados na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), vinculase diretamente ao objeto social da recorrente, ambas, fazendo parte do bojo das suas receitas operacionais, subagrupadas em rendas de operações de crédito e outras receitas operacionais, respectivamente, constituindo receitas decorrentes do exercício da atividade empresarial das administradoras de cartões de crédito, que não se confundem com as oriundas de remuneração do capital nas operações financeiras. A incidência das contribuições sociais sobre as RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS foi mantida, por entender a decisão recorrida que, sendo cobrado do cliente da ora recorrente determinada importância, em contrapartida pela fiança/aval prestado, estaria caracterizada prestação de serviço próprio das administradoras de cartões de crédito. Ainda que seja feita uma divisão das receitas provenientes da atividade desempenhada pela recorrente, entre a prestação de fiança/aval e à concessão de empréstimos correlatos, ambas atividades, sujeitamse à incidência das contribuições sociais, mesmo que, na segunda hipótese, possa ser considerada uma atividade financeira, exclusivamente sujeita ao IOF, para fins de não ser tributável pelo ISS. Portanto, ainda que reclassificadas as rendas de empréstimos para a subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF), estamos nitidamente diante de receitas provenientes de operações de crédito, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da recorrente, que não se confundem com as receitas de remuneração do capital em operações financeiras dissociadas do objeto social da empresa. Ressaltase que essas operações são consideradas autônomas e possuem regras próprias de contabilização no Cosif. As rendas das garantias prestadas são contabilizadas na subconta 7.1.9.70.004 (sujeita ao ISS), e as rendas de empréstimos são lançadas na subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF). Determinante no presente caso, se da contabilização na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) o resultado foi a inclusão das receitas de empréstimos, fato timidamente ressaltado pela interessada e somente agora em recurso voluntário, é certo que deveria haver a demonstração destas ocorrências, acompanhada da documentação comprobatória pertinente, o que não foi o caso, nem no momento Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.900666/201005 Acórdão n.º 3401004.198 S3C4T1 Fl. 6 5 oportuno da manifestação de inconformidade (art. 16, do PAF), nem agora em recurso voluntário, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, ainda mais, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Por certo, a conta de RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS, abarca prestação de serviços tributáveis pelas contribuições sociais nãocumulativas, em discussão, incidência demonstrada pela fiscalização, mantida pela decisão recorrida e ora convalidada, pelos mesmos fundamentos, não havendo, por parte do interessado, demonstração adequada, apenas, simples planilha apresentada (doc n° 4), além da inexistência de documento de prova no sentido da inclusão de RENDAS DE EMPRÉSTIMOS nesta conta, cabendo ao contribuinte segregar e provar a possível natureza distinta de tais receitas, não constando nem mesmo a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS) na cópia da página do balancete mensal, onde estariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o não reconhecendo do direito creditório pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724410/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento a Dra. Susy Gomes Hoffmann, OAB/SP 103.145.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento a Dra. Susy Gomes Hoffmann, OAB/SP 103.145. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação nº 33716.08214.201008.1.3.043774, de crédito de Pagamento Indevido a Maior de COFINS no regime nãocumulativo, no valor de R$ 12.336.008,99, relativo a DARF recolhido para o período de apuração de junho de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 41 0/ 20 09 -1 5 Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 15374.724410/200915 Resolução nº 3402001.101 S3C4T2 Fl. 3 2 O despacho decisório (fl. 1.553 e ss.) reconheceu como pagamento a maior a importância de R$ 7.285.950,12, homologando a compensação até o limite reconhecido, nos seguintes termos: a) entendeu que diversos itens identificados como passíveis de creditamento não dariam direito a crédito, de acordo com a legislação de regência do IPI. b) quanto aos créditos decorrentes de despesas financeiras (rubrica Outras Operações com Direito de Crédito) e perdas nas operações de swap (rubrica Outros Créditos a Descontar) foram glosados, pois as planilhas e as memórias de cálculo apresentam valores consolidados e não detalham a base de cálculo por contrato de empréstimo, por subcrédito, assim como os valores da taxa de juros de referência são peculiares a cada contrato bem como da taxa de risco e spread diferirem dentro de um mesmo contrato; c) quanto às debêntures, apesar da possibilidade de dedução dos supostos créditos conforme a Solução de Consulta SRRF8ª DISIT nº 183 de 26 de julho de 2005, não foram apresentados os detalhamentos do montante da emissão com as suas reduções (leilões das debêntures) e as adições ocorridas na conta de controle, impossibilitando a verificação da base de cálculo e dos juros apurados pelo regime de competência; O Contribuinte apresentou tempestiva manifestação de inconformidade, na qual alega: a) O conceito de insumo não é mais vinculado simplesmente ao desgaste/contato com o produto em fabricação, passando a se relacionar à sua aplicação no processo produtivo do contribuinte, em razão das diferenças existentes entre a metodologia da nãocumulatividade aplicada ao IPI daquela aplicada ao PIS e à COFINS; b) Apresenta diversos laudos técnicos, inclusive laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, que atestam a pertinência de diversos dos insumos glosados ao processo produtivo. c) Para o exercício da sua atividade empresarial, a contribuinte celebrou diversos contratos de empréstimo/financiamento com entidades públicas e privadas, bem como outras avencas contratuais para as quais possui obrigação de pagamentos de juros remuneratórios sobre o capital negociado, permitindose a dedução como despesa financeira do faturamento. As despesas financeiras foram glosadas com o fundamento de que as planilhas e as memórias de cálculo possuem apenas valores consolidados e não detalham a base de cálculo por contrato de empréstimo, por subcrédito, assim como os valores da taxa de juros, taxa de risco e spread, etc.. No entanto, a glosa para as despesas financeiras não prevalece, pois sobejamente comprovadas as despesas por meio dos documentos apresentados, tais como contratos de empréstimos/financiamento, contratos de câmbio e documentos de emissão de debêntures, de onde se pode, portanto, identificar os critérios de taxa de juros, spred e taxa de risco aplicados. Não pode prevalecer a argumentação fiscal de que as planilhas apresentadas não detalham a base de cálculo por contrato de empréstimo, por subcrédito, assim como os valores da taxa de juros, taxa de risco e spread; d) No tocante às debêntures e alegação de que não foram apresentados os detalhamentos do montante da emissão e dos juros incorridos, também não deve prevalecer. . Do ponto de vista contábil, a debênture representa um passivo da empresa com o debenturista. Por sua vez, as remunerações produzidas pelo título são despesas financeiras e, como visto, os juros remuneratórios pagos pela pessoa jurídica poderão ser descontados do seu faturamento; Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 15374.724410/200915 Resolução nº 3402001.101 S3C4T2 Fl. 4 3 e) O Auditor Fiscal glosou igualmente as despesas relativas a prejuízos registrados com operações swap, verificadas no mês de junho de 2004, conforme previa o artigo 84 da Lei nº 10.833/03, vigente à época do fato gerador. Vale acrescentar que os contratos de hedge celebrados com cobertura swap, visam resguardar a pessoa jurídica das oscilações do mercado financeiro em relação a obrigações futuras em moedas estrangeiras. Assim, estão intimamente ligados à sua atividade operacional, tendose em vista a atuação da contribuinte no mercado externo como exportadora de aço e também na importação; A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, reiterando as razões adotadas no despacho decisório. Irresignada, a Recorrente apresentou extenso Recurso Voluntário, no qual reitera as razões de sua manifestação de inconformidade, apresentando todos os processos produtivos da empresa e conectando, um a um, os insumos ao resultado apresentado nos Laudos Técnicos Descritivos. É o relatório, em síntese. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecida. A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia não se subsumirem a regra acima descrita. Neste contexto foram glosados diversos itens que nos termos da Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004 não se enquadram ao conceito de insumo. Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo admitido por este Colegiado, por maioria de sua atual composição, e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Todavia, a Resolução não é o locus adequado para tais considerações de ordem meritória, razão pela qual não irei me alongar nesse ponto. Por isso, é salutar que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, devem ser analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 15374.724410/200915 Resolução nº 3402001.101 S3C4T2 Fl. 5 4 empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Para tal mister, a fiscalização deverá se basear nos Laudos Técnicos Descritivos de fls. 1.8022.426, bem como nos demais dados acerca do processo produtivo presentes no processo. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá ser acompanhado de uma planilha que segregue os bens considerados pela Recorrente sob os seguintes critérios: I) Pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; II) Vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); III) Contato direto com o produto em fabricação; IV) Agregação ao produto final; Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 2463DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.001088/2010-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/01/2005, 30/04/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 28/02/2007, 30/04/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/10/2007
PROVA EMPRESTADA. INFORMAÇÃO FORNECIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE
No presente caso, o Fisco Federal obteve apenas informações sobre supostas fraudes cometidas pela Contribuinte com base em informações coletadas pelo Ministério Público Estadual, a partir das informações iniciou-se o procedimento de fiscalização, preservados os princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório.
Os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decreto-lei nº 5.844, de 1943 e artigo 2º do Decreto-lei nº 1.718, de 1979.
Numero da decisão: 9303-005.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INFORMAÇÃO FORNECIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE No presente caso, o Fisco Federal obteve apenas informações sobre supostas fraudes cometidas pela Contribuinte com base em informações coletadas pelo Ministério Público Estadual, a partir das informações iniciouse o procedimento de fiscalização, preservados os princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório. Os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decretolei nº 5.844, de 1943 e artigo 2º do Decretolei nº 1.718, de 1979. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 10 88 /2 01 0- 01 Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.162 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº3801001.869, proferido pela 1º Turma Especial Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/01/2005, 30/04/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 28/02/2007, 30/04/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/10/2007 PIS. COFINS. PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que, sob as regras deste último, não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.163 3 Escrituração da contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE Cabe à contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das aquisições de mercadorias, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, é de se concluir, aliado a outras evidências, que as supostas aquisições não foram efetivamente recebidas/adquiridas. Assim, correto o procedimento fiscal em glosar de créditos da não cumulatividade, relativos às citadas aquisições, contabilizadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is) e ao Termo de Verificação Fiscal, verificase que as autuações se deram em razão da constatação da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins, que ocorreu devido a glosa de créditos da não cumulatividade aproveitados pela contribuinte, nos períodos fiscalizados. Foram glosados os créditos relativos as aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda, que não foram efetivamente recebidas/adquiridas pela interessada. Relata a Autoridade Fiscal que a empresa autuada logrou proveito de esquema fraudulento engendrado pela empresa Tozzo e Cia Ltda, ao utilizar se de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas por esta empresa. Assim descreve .a motivação da ação fiscal e como o tal esquema era realizado: Por meio do Oficio n° 0180901217192000001( fls. 167), de 16 de outubro de 2009, a D. Juiza Substituta Dra. Lizandra Pinto de Souza disponibilizou para a Receita Federal do Brasil os dados obtidos quando da busca e apreensão na empresa Tozzo & Cia Ltda os quais se encontravam sob custódia da ForçaTarefa do Ministério Público de Santa Catarina. Da mesma forma foram encaminhados cópia da decisão de busca e apreensão (dos autos n° 018.09.0187900, dos termos de apreensão e exibição e do pedido de compartilhamento de dados(fls. 169/182/199/218). O Ministério Público de Santa Catarina descreveu para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009,na cidade de Chapecó (SC), quando grupo de Força Tarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina apoiados pelos órgãos de segurança (Policias Civil, Militar e Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.164 4 Rodoviária Federal), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos a chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Os documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários. O esquema fraudulento de vendas operavase da seguinte forma: Parte das mercadorias vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda eram entregues por motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, a destinatários que não desejavam receber nota fiscal (com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscal, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos como é o caso do SIMPLES). Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de um documento paralelo denominado de "Pedido ATZO". Por outro lado. para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para destinatários que não correspondiam aos verdadeiros adquirentes/recebedores das mercadorias. Tais notas fiscais eram denominadas pelos envolvidos de "Nota Referente", pois correspondia (ou se "referiam') a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiase a um "Pedido ATZO". Sendo assim, as vendas sem nota fiscal (Pedido ATZO) geravam uma nota fiscal ideologicamente falsa (Nota Referente) contendo um destinatário. A fim de manter o controle financeiro do esquema fraudulento, a Tozzo & Cia Ltda, simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via Caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. O esquema fraudulento acima mencionado pode ser comprovado pela leitura dos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC por pessoas ligadas (funcionários e prestadores de serviço) a empresa Tozzo & Cia Ltda, conforme excertos dos autos do processo judicial n° 018.09.0217192. (Fls. 238 a 258). Ainda nesta senda, o Ministério Público de SC, por meio do Oficio 942/09/CIE/MP, (fls. 165), encaminhou à Receita Federal do Brasil cópia do oficio n° 3708/09 do Instituto de Criminalística, (fls. 168), contendo informações apreendidas durante a operação realizada no dia 17 de setembro de 2009 na cidade de Chapecó. Da análise dos documentos recebidos, constatouse que a empresa PROGRESSO logrou proveito do esquema fraudulento já multicitado, visto que aquela (PROGRESSO) foi beneficiária de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.165 5 A conclusão de que a empresa PROGRESSO se beneficiou do esquema acima relatado, qual seja, a de receber notas fiscais graciosas (notas referentes) é o fato de que o relatório resultante do exame em mídia de armazenamento computacional, e que está adunado às fls. 0319 a 339, discrimina a existência de vendas da empresa Tozzo & Cia que tiveram desconto de 0,01 % (parâmetro apontado nos depoimentos acima citados) e que apresentavam como adquirente (destinatário) da mercadoria a empresa PROGRESSO. Em relação ao procedimento fiscal, relata a Autoridade Fiscal:Ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 09203002010001615 (fls. 124) foi efetuada diligência junto à empresa PROGRESSO a fim de obter em meio magnético os seguintes elementos: arquivos de registros contábeis; notas fiscais de entrada; livro registro de entradas relativos ao período de 2004 até 2008. O contribuinte atendeu o requestado de forma regular, conforme documento a fls. 128 a 164. Constatada utilização de notas fiscais "graciosas", propôsse inicio de ação fiscal a fim de verificar as irregularidades na apuração de recolhimento de tributos administrados peia Receita Federal do Brasil. Identificadas pela fiscalização as notas fiscais que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada (as com destaque do desconto de 0,01%), a mesma foi regularmente intimada para comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas (fls. 029 a 073). Em resposta, a empresa afirmou que não tinha como comprovar documentalmente a efetiva quitação das operações representadas por estas notas. Diz a Autoridade Fiscal que essa alegação da empresa confirma os indícios apurados durante a operação de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. E conclui que, em sendo assim, a empresa "não logrou êxito na comprovação da efetiva aquisição/recebimento das mercadorias supostamente vendidas pela Tozzo e Cia Ltda." que foram listadas no anexo ao termo fiscal. Em relação ao motivo do agravamento da multa de oficio, diz: A fiscalizada utilizouse de notas fiscais cujo destinatário foi simulado pelo emitente afim de beneficiarse do creditamento dos tributos inerentes à operação, bem como para aumentar o custo dos bens vendidos, reduzindo desta forma o lucro liquido que serve de base de cálculo do imposto de renda e para a contribuição social, bem como do PIS e da COFINS a pagar. (neste caso por meio do aproveitamento de créditos indevidos)". Inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo que se digne em determinar a reforma necessária do acórdão recorrido, a fim de se declarar a nulidade do lançamento com o seu conseqüente cancelamento. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte aponta como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/0105.978 e 340101.794 (Prova emprestada). Em seguida, Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.166 6 o Recurso teve seguimento parcial, especialmente quanto a possibilidade ou não de utilização de prova emprestada tributária. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto a possibilidade ou não de utilização de prova emprestada tributária. Com efeito, o Ministério Público de Santa Catarina descreveu para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009, na cidade de Chapecó ( SC), quando grupo de forçatarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina apoiados pelos órgãos de segurança (Policias Civil, Militar e Rodoviária Federal), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos a chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Os documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários. Ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 09203002010001615 (fls. 124) foi efetuada diligência junto à empresa PROGRESSO a fim de obter em meio magnético os seguintes elementos: arquivos de registros contábeis; notas fiscais de entrada; livro registro de entradas relativos ao período de 2004 até 2008. O contribuinte atendeu o requestado de forma regular, conforme documento a fls. 128 a 164. Constatada utilização de notas fiscais "graciosas", propôsse o inicio de ação fiscal a fim de verificar as irregularidades na apuração de recolhimento de tributos administrados peia Receita Federal do Brasil. Identificadas pela fiscalização as notas fiscais que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada (as com destaque do desconto de 0,01%), a mesma foi regularmente intimada para comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas A Contribuinte devidamente cientificada, lavrouse auto de infração após a constatação da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins, que ocorreu devido a glosa de créditos da não cumulatividade aproveitados pela Contribuinte, nos períodos fiscalizados. Foram glosados os créditos relativos as aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda, que não foram efetivamente recebidas/adquiridas pela interessada. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.167 7 Sem maiores digressões, quanto a divergência posta a esta E. Câmara Superior, sobre a utilização de prova emprestada no processo tributário, tanto o Superior Tribunal de Justiça STJ, quanto o Supremo Tribunal Federal STT, entendem ser plenamente validas, desde que seja exercido o direito ao contraditório e ampla defesa. Nesta direção, o próprio Código de Processo Civil, tornou usual a prova emprestada, conforme preceitua o art. 372: “O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório”. No caso em espécie, chama atenção a construção dos argumentos expendidos no voto vencido, apesar de ser vencido, merece ressalvas e reparos. Transcrevo fragmentos do voto vencido. In verbis: "Vejase, por conseguinte, que para se preservar incólume o princípio do contraditório, é indispensável que a parte do segundo processo tenha participado em contraditório do processo em que se produziu a prova que se visa aproveitar para fundamentar o direito pretendido. Em outras palavras, é essencial que a parte contra a qual a prova será utilizada tenha sido parte do processo onde a prova foi produzida. No caso sob análise, temse que o Recorrente não participou do processo original, no qual foram produzidas as provas emprestadas. Inexistiu o contraditório. Vejase que o agente fiscal assumiu como fato oponível ao Recorrente toda uma cadeia de provas, depoimentos e investigações havidas em processo de terceiro, estranho à Recorrente. Ao assim proceder, deixou de assegurar a participação da Recorrente na atividade probatória destinada à formação do convencimento do julgador. E, o que é mais grave: toda a autuação fiscal foi embasada tão somente nas provas emprestadas de processo de terceiro. A documentação contábil e fiscal da Recorrente foi totalmente desconsiderada, e o agente fiscal não empenhou esforços para demonstrar, especificamente e particularmente no que tange à Recorrente, de que esta, de fato, era copartícipe da fraude deflagrada no processo investigatório envolvendo a empresa Tozzo & Cia. Ltda. Quanto assertiva da Relatora do voto vencido de que: "A documentação contábil e fiscal da Recorrente foi totalmente desconsiderada, e o agente fiscal não empenhou esforços para demonstrar, especificamente e particularmente no que tange à Recorrente". Se faz necessário, corrigir este argumento baseado em falsa premissa, consta junto aos autos, fls.122/2007, todas as notas e documentos que comprovam a fraude perpetuada. Ora, o fisco deveria considerar notas inidôneas? Já se demonstra uma contradição do voto vencido, assim como, argumentos da Contribuinte, que sustentam que não houve ampla defesa, considerando que a prova Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.168 8 emprestada violou o devido processo legal, princípio do contraditório e do direito à ampla defesa. Prossegue: [...] "Entendo não ser necessário, aqui, enveredar na discussão em torno da deficiência do depoimento testemunhal como meio probatório no âmbito tributário. Até porque, a prova testemunhal pode ser deveras importante para certificar determinados acontecimentos. Porém, embasar um auto de infração em prova testemunhal emprestada de processo em que a Recorrente sequer foi intimada como parte interessada, e mais, em situação que poderia ser solucionada pela análise de documentos financeiros e provas periciais, pode ser mesmo temerário, além de não coadunar com o devido processo legal". De fato, há uma impropriedade desvirtuada em tal conclusão, o Auto de Infração não foi motivado por testemunhas, todo procedimento, foi amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 09203002010001615. Todo contraditório, ampla defesa, procedimento de instauração de fiscalização, tudo foi ampara na estrita legalidade do devido processo legal, não há o que se falar em ilegalidade ou nulidade de prova emprestas. Sem reparos a decisão recorrida. No que tange o argumento de que a prova emprestada foi colhida sem o devido processo legal, não coaduna com a realidade dos fatos, a operação conjunta com o Ministério Público e demais autoridades, foram arquitetadas dos ditames de lei. Em nenhum momento, do modo açodado a Fazenda Nacional solicitaria documentos, e com base em informações de uma operação, lavraria um auto de infração com fundamento de dados fornecidos por terceiros. Houve comprovadamente, um procedimento legal, a Autoridade Fiscal, por meio do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 09203002010001615, requisitou informações acerca da contabilidade e escrita fiscal da Contribuinte, o que em via reflexa, proporcionou total ampla defesa. Para validar minha convicção de que não houve qualquer ilegalidade quanto ao lançamento, verifico ás fls.212, junto ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAFIS/DRF/JOASC N° 141/2010, o seguinte: "No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base no que dispõem os arts. 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 c/c art. 11 da Lei 8.218/1991, INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias contados do recebimento desta Intimação, os documentos a seguir especificados, todos referentes ao período de janeiro/2004 a dezembro/2008: 1. Arquivos de Registros Contábeis, em meio magnético, na forma prevista no item 4.1 do Anexo Único do ADE COFIS n° 15, de 23/10/2001, validados pelo programa SINCO ARQUIVOS CONTÁBEIS; 2. Notas Fiscais de Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.169 9 Entrada, em meio magnético, formatadas e validadas pelo programa SINCO NOTAS FISCAIS, respeitando o disposto no Ato Declaratório Exeçutivo Cofis n° 15 de 23 de outubro de 2001; 3. Notas Fiscais de Entrada, em meio magnético, no formato SINTEGRA; 4. Arquivos eletrônicos pontendo a imagem de impressão". Portanto, não há o que se invalidar ou anular o auto de infração, com o fundamento de que não houve ampla defesa. Quanto a utilização de prova emprestada em matéria tributaria, o Superior Tribunal de Justiça STJ, nos autos do REsp nº 81.094 MG (1995/00631385) entendeu que não há qualquer ilegalidade no lançamento efetuado, ainda mais se a autuação realizada pelo Fisco Federal obedeceu às formalidades legais, dando direito de ampla defesa ao contribuinte. In verbis: "TRIBUTÁRIO. IR. LANÇAMENTO. AUXÍLIO E PROVA EMPRESTADA. ART. 199, DO CTN. 1. Todos os órgãos da Administração Federal, Estadual, Municipal e Autárquica estão obrigados à prestação mútua de assistência e cooperação na fiscalização dos tributos respectivos. 2. No lançamento do Imposto de Renda pode o Fisco Federal valerse de documentos, informações, laudos, autos de infração etc..., levados a efeito pela fiscalização estadual. 3. Cabe à autora provar os fatos constitutivos de seu direito alegados na inicial, que poderão ser contestados pelo réu em juízo. 4. Apelo improvido" (fl. 164). Aponta divergência jurisprudencial com acórdão proferido pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, em que foi adotado o entendimento de não ser válido o auto de infração lavrado pelo Fisco Federal, relativo ao imposto de renda, baseado em prova emprestada de lançamento efetuado pelo Fisco Estadual. Cingese a controvérsia à possibilidade do Fisco Federal constituir o crédito tributário, pelo auto de infração, a título de Imposto de Renda, tendo como suporte lançamento efetuado pelo Fisco Estadual. O artigo 199 do Código Tributário Nacional prevê a mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, in verbis : Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Como se vê, a lei preconiza a assistência mútua entre as entidades tributantes e estabelece que a utilização de informações e o aproveitamento Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.170 10 de atos de fiscalização entre as pessoas jurídicas de direito público deva ser realizado através de lei ou de convênio. Tal requisito se manifesta por meio do artigo 658 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto nº 85.450/80 atualmente art. 936 do Decreto nº 3.000/99 que dispunha: "Art. 658. São obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições deste Regulamento e permitindo aos fiscais de tributos federais colher quaisquer elementos necessários à repartição, todos os órgãos da Administração Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista (Decretolei nº 5.844/43, artigo 125, e Decretolei nº 1.718/79, artigo 2º)". Com pequenas alterações redacionais, a regra foi mantida no RIR ora em vigor, que assim preconiza: "Art. 936. Todos os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhes forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições deste Decreto e permitindo aos Auditores Fiscais da Receita Federal colher quaisquer elementos necessários à repartição (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 125, e Decretolei nº 1.718, de 1979, art. 2º)". Assim, não há qualquer ilegalidade no lançamento efetuado, ainda mais se a autuação realizada pelo Fisco Federal obedeceu às formalidades legais, dando direito de ampla defesa ao contribuinte. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à prova emprestada coligida mediante a garantia do contraditório (RTJ 559/265). No caso, a faculdade de cooperação entre os fiscos federal, estadual e municipal não resultou em prejuízo da autonomia dos respectivos lançamentos fiscais, pois efetivada em face da legislação do imposto de renda e sua disciplina. Destaco ainda que o artigo 7º do Código Tributário Nacional fixa a indelegabilidade da competência tributária, vez que esta é atribuição constitucional. Admite o dispositivo, entretanto, que as funções de arrecadar e fiscalizar tributos sejam transferidas de uma pessoa de Direito Público para outra. O tributarista Hugo de Brito Machado, depois de acentuar que o dispositivo estava em harmonia com o disposto no § 3º do art. 18 da CF de 1946, assim escreve: "Tal ressalva, a rigor, tem a finalidade de afastar qualquer dúvida sobre a possibilidade de atribuição, pelo titular da competência tributária, de funções da Administração Tributária. Delegando as funções de arrecadar e fiscalizar tributos, não estará o ente público delegando competência tributária, mas simples funções administrativas" (Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. I, Ed. Atlas S/A, S. Paulo, 2003, p. 154). Conclui se, portanto, que tal dispositivo não é óbice para a utilização da prova emprestada, ou seja, elementos coligidos pelo Fisco Estadual utilizados pelo Fisco Federal. Cabe ao contribuinte, no momento apropriado, no processo administrativo fiscal, apresentar a sua defesa, com os devidos Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.171 11 esclarecimentos sobre os fatos. Assim, estarão sendo preservados os princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório. Ademais, não há dúvidas de que os entes estatais devem organizarse para otimizar a fiscalização tributária no intuito de aprimorar a arrecadação. A utilidade do dispositivo do Código Tributário Nacional é inquestionável, pois representa simplificação da atuação fiscalizatória, evitando repetição de diligências, economia de recursos e tempo. Ante o exposto, conheço apenas em parte do recurso especial e, neste particular, negolhe provimento". Neste sentido, as informações fornecidas pelo Ministério Público Catarinense transferidas para o fisco, foram no sentido de noticiar as supostas fraudes, com essas informações, a Fazenda Nacional de modo legal iniciou o procedimento fiscalizatório. Até porque os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decretolei nº 5.844, de 1943 e artigo 2º do Decretolei nº 1.718, de 1979. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.172 12 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Considerando que essa Conselheira havia pedido vista para melhor analisar os autos do processo, peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes Brito para apresentar meu entendimento acerca da lide posta em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Recordase que a autuação acusou a falta de recolhimento do PIS e da Cofins pelo sujeito passivo, eis que a autoridade fiscal havia glosado os créditos das contribuições aproveitados pelo sujeito passivo. Vêse que foram glosados os créditos relativos as aquisições de mercadorias de empresa “terceira” Tozzo e Cia Ltda, sendo presumido, para tanto, que o sujeito passivo autuado logrou proveito de esquema fraudulento engendrado por terceiro – “Tozzo e Cia Ltda, ao utilizarse de notas fiscais supostamente graciosas. Cabe lembrar que a motivação da autuação foi decorrente de Oficio n° 0180901217192000001 expondo a disponibilização para a Receita Federal do Brasil de dados obtidos de busca e apreensão na empresa Tozzo & Cia Ltda, os quais se encontravam sob custódia da Força Tarefa do Ministério Público de Santa Catarina. Ademais, insurjo que o Ministério Público de Santa Catarina descreveu ainda para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009, na cidade de Chapecó (SC), quando grupo de Força Tarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina apoiados pelos órgãos de segurança (Policias Civil, Militar e Rodoviária Federal), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos a chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Após essas breves considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide – qual seja, sobre a possibilidade ou não de utilização de prova emprestada para esse caso. Depreendendose da análise dos autos, vêse que a autoridade fiscal traz como motivação para a lavratura do auto de infração os documentos originários dos autos Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.173 13 018.09.0187900 – que AINDA tramita perante a 2ª Vara Criminal da Comarca de Chapecó – especialmente depoimentos colhidos na fase de inquérito policial. Cabe trazer somente com esses documentos que se pode presumir que o sujeito passivo se envolveu espontaneamente na operação supostamente “fraudulenta”, MAS também poderseia EXTRAIR que TAIS DOCUMENTOS não eram de conhecimento do sujeito passivo até a lavratura do auto de infração e envolve conduta de terceiro. Tal como “implora” o sujeito passivo. Inegável ainda que os documentos considerados como suportes ao auto de infração foram produzidos em fase de inquérito policial. E, nessa fase, é de se lembrar aos operadores de direito que não é, a rigor, oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa nessa fase. Ventiladas essas considerações, pela análise dos autos, tenho que resta claro para essa Conselheira que as informações fornecidas pelo Ministério Público Catarinense transferidas ao fisco, não serviram somente para noticiar as supostas fraudes e iniciar o procedimento fiscalizatório, mas para tratálas como “verdadeiras”, eis que todas as documentações contábeis e fiscais fornecidas pelo sujeito passivo foram desconsideradas e não analisadas. Inegável, assim, que não ocorreu o respeito ao contraditório e à ampla defesa, que também merece o sujeito passivo. Lembrando que nem havia sido objeto de investigação. Ademais, toda a prova colhida no procedimento investigatório foi fornecida a autoridade fiscal com base somente em declarações e depoimentos prestados, e não provas documentais. Lembrando que o processo penal se encontra em tramitação no judiciário e envolve terceiro, e não o sujeito passivo. Como pode ter havido o contraditório nesse caso se os documentos de investigação não envolviam o sujeito passivo? Com a devida vênia ao relator, entendo que o fisco não poderia “de pronto” e de forma “definitiva” considerar as notas emitidas como inidôneas, sem nem ao menos, analisar as documentações contábeis e fiscais fornecidas pelo sujeito passivo. Com efeito, constatase que o sujeito passivo foi condenado, sem ter sido oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa e ainda com documentações decorrentes de investigação NÃO ENVOLVENDO propriamente o sujeito passivo, MAS SIM terceiro. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.174 14 Sendo assim, entendo que não há como se admitir a prova emprestada nesse caso, eis que tais “provas” ENVOLVEM diretamente terceiro, e não o sujeito passivo. E ainda, em todas as fases em que o sujeito passivo obteve a oportunidade de demonstrar documentos que atestavam o crédito ora combatido nesse processo administrativo, foi “ignorado” por nem terem sidos os documentos analisados. Cabe ainda recordar o art. 372 do Código de Processo Civil: “Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.” Tal dispositivo reforça a importância de se observar o contraditório para que o juiz possa admitir a utilização de prova produzida em outro processo. Não é demais trazer que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais posiciona que a utilização em um processo administrativo federal, de prova produzida em outro processo, é aceita até como homenagem à economia processual, ao não se repetir atos e procedimentos. NO ENTANTO, entende que o emprego dessa prova emprestada deve respeitar algumas condições, conforme consignado em ementa (Grifos meus): “Acórdão 3402004.290: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE. Conceituase prova emprestada como aquela prova produzida no âmbito de outra relação jurídica processual, sendo apresentada para formar a convicção do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar. Tal forma de prova é tradicionalmente aceita âmbito do processo administrativo. Contudo, para resguardar os direitos fundamentais dos contribuintes, somente é admitida a prova emprestada para basear auto de infração se cumpridos dois requisitos de admissibilidade cumulativamente, quais sejam: i) que a prova tenha sido originalmente produzida sob o crivo do contraditório; e i) que o sujeito passivo da obrigação tributária, cujos interesses são postos em análise pela prova emprestada no processo administrativo, tenha participado do referido contraditório original, ou seja, seja do parte no processo do qual a prova foi transladada. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.175 15 Ora, no caso vertente, resta claro que a “prova” emprestada não foi produzida sob o crivo do contraditório, eis que foram construídas em processo de investigação e fica por óbvio mais evidente que a “prova” emprestada não envolvia diretamente o sujeito passivo, mas sim terceiro. O que, por conseguinte, cabe afastar a admissão da prova emprestada no presente processo. Vêse ainda que, em outro julgado, destacouse a impossibilidade de utilização direta da conclusão da prova emprestada em outro processo, devendo servir somente para fins de instrução, conforme consignado em ementa abaixo: “Acórdão 3301003.630: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. CONCLUSÕES OBTIDAS DO PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE SUA DEMONSTRAÇÃO PARA EFEITO DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. Com relação ao uso de provas emprestadas para instrução do lançamento fiscal, o que se admite é o uso de documentos e provas colhidos em outro regular procedimento fiscal, e não o empréstimo, unicamente, das conclusões daquele procedimento. Dessa forma, ainda que os autos tivessem sido instruídos com as provas citadas, haveria a fiscalização que analisálas e demonstrar a caracterização das irregularidades que determinou o cometimento da infração e consequente imposição da penalidade lançada.” Ora, no caso em comento, é de se perceber que a autoridade fiscal não somente instruiu os autos com as informações da prova emprestada, mas as considerou como “verdadeira”. Eis que não analisaram os documentos fornecidos pelo sujeito passivo que, a seu ver, atestavam a liquidez do crédito glosado. Nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99, temse que a administração pública deverá observar, dentre outros, os princípios da ampla defesa e contraditório. O que, nesse caso, não ocorreu. É de se insurgir ainda as lições do Prof. Nelson Nery (in Princípios do Processo Civil na Constituição Federal) que prova emprestada é “aquela que, embora produzida em outro processo, se pretende produza efeitos no processo em questão. Sua Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 9303005.845 CSRFT3 Fl. 1.176 16 validade como documento e meio de prova, desde que reconhecida sua existência por sentença transitada em julgado, é admitida pelo sistema brasileiro”. O ilustre professor enfatiza que sua validade deve ser reconhecida por sentença transitada em julgado. Recordo que o caso vertente trata de “prova” envolvendo terceiro e que ainda tramita no judiciário. Além do posicionamento desse Conselho, é de se frisar ainda o entendimento do STF pela rejeição da prova emprestada quando não há observância do contraditório e da ampla defesa (Grifos meus): “A prova emprestada utilizada sem o devido contraditório, encartada nos acórdãos que deram origem à condenação do extraditando na Itália, no afã de agravar a sua situação jurídica, é vedada pelo art. 5º, LV e LVI, da Constituição, na medida em que, além de estar a matéria abrangida pela preclusão, isto importaria verdadeira utilização de prova emprestada sem a observância do contraditório, traduzindose em prova ilícita". (STF, Rcl n. 11243, Rel. Min. Gilmar Mendes, 08.06.2011, Tribunal Pleno). Em vista de todo o exposto e forte nessas argumentações, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000568/2009-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 05 68 /2 00 9- 91 Fl. 143DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, bem como as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, não recolhidas em época própria, tendo sido o débito lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta para regularização da obra referente à construção civil sob responsabilidade de pessoa física, conforme Art. 33, § 4 o da Lei N° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Após o devido processo legal, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acórdão nº 2301003.011, da lavra da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/08/2009 AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% SEM QUE ESTA SEJA A MULTA MAIS FAVORÁVEL. O CTN impede a aplicação retroativa de multa mais gravosa para o contribuinte. A multa de 75% para infrações relativas às contribuições previdenciárias só pode ser aplicada a fatos geradores anteriores à edição da MP 449 se restar concluído que representa a penalização mais benéfica, mediante a apresentação de análise comparativa de multas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19311.000568/200991 Acórdão n.º 9202006.162 CSRFT2 Fl. 144 3 No entendimento da Fazenda Nacional, o acórdão se equivocou ao aplicar a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Defende que para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é Fl. 145DF CARF MF 4 aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19311.000568/200991 Acórdão n.º 9202006.162 CSRFT2 Fl. 145 5 competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 147DF CARF MF 6 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 148DF CARF MF Processo nº 19311.000568/200991 Acórdão n.º 9202006.162 CSRFT2 Fl. 146 7 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 149DF CARF MF 8 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 19311.000568/200991 Acórdão n.º 9202006.162 CSRFT2 Fl. 147 9 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910401/2006-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO –CSLL Ano calendário:2003
COMPENSAÇÃO EM DCOMP.
Não comprovada a existência de direito creditório vedase
ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1401-000.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro
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Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Recurso negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10880.910401/200669 Acórdão n.º 140100.540 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário manejado pelo contribuinte, por bem retratar a situação ora analisada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Em 31/07/2003 (f1.01), a contribuinte transmitiu DCOMP (fls.01/05), objetivando o aproveitamento da CSLL pago a maior (cód.2372), referente ao recolhimento efetuado em 30/06/2003 (f1.03), no valor de R$ 4.262,08 (referente ao PA de 31/03/2003), para compensação de débitos diversos (protocolo formador de processo de 05/10/2006). Em 14/02/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.06 — n° 745568056) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP. A não homologação das compensações deuse pelo motivo expostos a seguir: 1) Inexistência de saldo credor para a compensação em DCOMP, tendo em vista que os créditos informados na declaração já foram integralmente consumidos para a quitação de débitos da contribuinte. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 27/02/2008 (fl. 09) e dela recorreu a esta DRJ em 13/03/2008 (fls. 11). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. 1)Houve recolhimentos por DARF de R$ 84.847,60 e débitos no valor de R$ 78.500,06 declarados em DCTF retificadora enviada em 22/07/2004, tendo, portanto, direito creditório de R$ 6.347,54, o qual foi compensado em DCOMP;2)Requer provimento da presente manifestação de inconformidade. Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo por não homologar a compensação, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Compensação não Homologada Irresignado, interpôs o contribuinte o recurso ora analisado, reiterando os argumentos apresentados. É o relatório Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10880.910401/200669 Acórdão n.º 140100.540 S1C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Conforme já mencionado, a não homologação das compensações deuse pela inexistência de saldo credor para a compensação em DCOMP, tendo em vista que os créditos informados na declaração já foram integralmente consumidos para a quitação de débitos da contribuinte. A Recorrente, por sua vez alegou na manifestação de inconformidade que teria havido recolhimentos por DARF de R$ 84.847,60 e débitos no valor de R$ 78.500,06, tendo, portanto, direito creditório de R$ 6.347,54. Quanto a esta questão, a manifestante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito creditório, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (art.170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de oficio pela autoridade fiscal. No recurso voluntário interposto a Recorrente inova a discussão e sustenta que no 1° trimestre de 2003 houve apuração da CSLL de SCP no valor de R$ 13.881,04 3 parcelas de R$ 4.627,01 que foram pagas em 4 parcelas de R$ 918,00 e mais 4 parcelas de R$ 4.139,04 valores esses declarados nas páginas 50, 51 e 52 da DCTF do 2° trim/2003 recibo 29.02.17.75 .de 14/08/2003. Além de inovar a discussão a Recorrente mais uma vez se absteve de demonstrar a composição e o recolhimento do referido crédito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Relator Maurício Pereira Faro Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000068/2005-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
Numero da decisão: 9202-006.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 341 1 340 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10932.000068/200544 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.086 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2017 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON ROBERTO FERRARETO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 68 /2 00 5- 44 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 342 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280101.439, prolatado pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de março de 2011 (efls. 246 a 250). Ali, por unanimidade de votos, deu se parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. MULTAS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam à relações de natureza tributária (Súmula CARF nº 51). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso voluntário provido em parte. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada a 75%, nos termos do voto da Relatora. Enviados os autos á Fazenda Nacional em 14/06/2011 (efl. 252) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra aquela, sua Procuradoria apresenta, em 17/06/2011 (e fl. 254), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 343 3 Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 256 a 274). O recurso foi regularmente admitido pelos despachos de efls. 284/285, dizendo respeito exclusivamente à redução do agravamento da multa ao percentual de 75%. Quanto à matéria, alegase divergência em relação ao decidido, em 15/06/2005, no Acórdão 10808.356, de lavra da 8a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como ao decidido pela 1a. Câmara do referido 1o. Conselho, agora no Acórdão 10196.875, prolatado em 14 de agosto de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10808.356 PAF NULIDADES – Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. PAF – ABUSO DE PODER – No procedimento não restou comprovada a prática de qualquer ato processual com excesso, por isto não prospera o alegado “abuso de poder”. A ausência reiterada de respostas às intimações do fisco justificou o agravamento do percentual da multa aplicada.IRPJ – LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATO BANCÁRIO – POSSIBILIDADE LEGAL – O entendimento expresso na Súmula 182, do TFR, publicada no DJ de 70/10/1985, baseado em julgados publicados entre 1981 e 1984, e no Decretolei n.º 2.471, de 01/09/88, foi superado após a edição das Leis nº 7.713 de 1988 e 8.021 de 1990. Esta,em seu art. 6º, autorizou a constituição do crédito tributário com base nos extratos bancários, quando o procedimento estivesse revestido de certeza. A Lei nº 9.430/1996 avançou ao admitir, nesses casos, o lançamento com base nas presunções, invertendo o ônus da prova. IRPJ – ARBITRAMENTO DO LUCRO – FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO – O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. PROVA ILÍCITA – UTILIZAÇÃO DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – A própria confissão da Recorrente sobre os atos por ela praticados torna sem efeito qualquer alegação de prova ilícita. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 344 4 MULTA DE OFÍCIO – Nos lançamentos decorrentes de auditoria fiscal cabe a aplicação de multa de ofício. Havendo descumprimento de intimação fiscal, correto o agravamento do coeficiente aplicado, nos termos da letra ‘a’ do § 2º. do artigo 44 da Lei 9430/1996. LANÇAMENTOS REFLEXOS – decisão sobre o processo matriz, faz coisa julgada para o decorrente. Recurso negado. Decisão: por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acórdão 10196.875 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA – Nos tributos cujo lançamento, conforme legislação específica, seja por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data de ocorrência do fato gerador, exceto quando se tratar de dolo, fraude, ou simulação, o que desloca o termo para o previsto no art. 173 do CTN. SIGILO BANCÁRIO ILEGALIDADE Prescinde de autorização judicial e não caracteriza ilegalidade a obtenção de informações financeiras a partir de requisição feita na forma prevista na legislação, mediante Requisição de Movimentação Financeira motivada pela indispensabilidade do exame, representada pelo não atendimento a intimação para exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, e para o fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade. MULTA QUALIFICADA A mudança de endereço de funcionamento sem alteração no cadastro junto à Receita Federal e o não atendimento à intimação para apresentação de livros e extratos bancários, associados à constatação, alcançada a partir de informações obtidas de instituições financeiras, de que a empresa prestou informação falsa de que estava inativa, caracterizam atitude dolosa do contribuinte tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, justificando a penalidade qualificada. MULTA AGRAVADA O não atendimento às intimações para apresentar documentos e justificar origem dos depósitos tipifica a hipótese de agravamento da penalidade.Recurso Voluntário Negado. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 345 5 Decisão: por unanimidade de votos: 1)REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência,esta em face da ocorrência de fraude,e de quebra de sigilo bancário. 2)No mérito,NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) Ressalta, inicialmente, a inegável divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos. Enquanto o acórdão recorrido entende que o não atendimento das intimações fiscais pelo contribuinte não justifica o agravamento da multa em 50%, os acórdãos paradigmas advogam que tal inércia, por si só, implica o incremento da multa. Entende a recorrente que o não atendimento das intimações fiscais pelo contribuinte justifica, por si só, o agravamento da multa aplicada, nos termos do artigo 44, § 2o, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pois deixa inequívoco o intuito do sujeito passivo de impedir e/ou retardar os trabalhos fiscais; b) Menciona, inicialmente, que a legislação põe â disposição da Fiscalização uma serie de instrumentos para que se possa chegar â verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável. Assim, em casos como os dos autos, a Fiscalização possui diversas alternativas para descobrir os montantes tidos por não pagos. Pode ela, por exemplo, emitir intimações para que o contribuinte apresente extratos bancários, como pode buscar tais informações diretamente junto às instituições financeiras. Caso a Fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente do contribuinte e, para tanto, expeça as intimações pertinentes, não pode o contribuinte se furtar a cumprilas, sob pena de sanção legal expressamente prevista; c) Rejeita o entendimento da Relatora, segundo o qual é possível o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, por considerar que a atitude do contribuinte não atrapalhou os trabalhos fiscais. A prosperar tal entendimento, todo o trabalho da Fiscalização Tributária estaria aniquilado, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes. Portanto, nos presentes autos, temse corno incontroverso que, embora regularmente intimado, o contribuinte não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante de tal inércia, evidente se mostra o intuito do contribuinte de impedir e/ou retardar os trabalhos da Fiscalização. Requer, assim o provimento do presente Recurso Especial, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa aplicada nos termos do § 2o., art. 44, da Lei no 9.430, de 1996. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 24/09/2012 (efl. 288), o contribuinte apresentou: a) em 08/10/12 (efl. 290), contrarrazões de efls. 290 a 295, onde alega que: a.1) Insurgese inicialmente contra o principal da autuação, argumentando que o mero fato de algum contribuinte haver efetuado depósitos em banco não é, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis. A pessoa física não tem nenhuma obrigação de manter escrituração de seu numerário, daí a dificuldade de juntada dos comprovantes de depósitos, cuja origem pode ser a mais variada, como empréstimo recebido, Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 346 6 devolução de empréstimo concedido, transferência bancaria, aplicação financeira, resgate de aplicação e inúmeras outras operações. Cita Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes que sustentaria tal entendimento. Entende que, no tocante à pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada na experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimento; o encargo probatório é totalmente transferido para contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida; a.2) Quanto à multa, entende que o não atendimento das intimações fiscais pelo contribuinte não justifica a majoração da multa aplicada em 50%, sendo certo que o acórdão proferido, na qual reduziu a multa aplicada a 75%, está cabalmente correto, vez que a simples inércia do contribuinte em apresentar os documentos exigidos pelo Fisco, não caracteriza fraude, nem tão pouco prejudica o processo administrativo, ou seja, não poderá ser considerado valido a aplicação da multa de 50% pelo descumprimento do exigido. Caso o contribuinte apresentasse os depósitos bancários, convertese o ônus da mesma totalmente ao contribuinte que se vê obrigado a prestar informações, muitas vezes sigilosas e descabidas, prejudicando a si mesmo. Nesta esteira, não pode o Fisco obrigar o contribuinte a apresentar extratos ou quaisquer comprovantes de origem dos recursos. Cabe exclusivamente ao agente fiscal realizar as "investigações que achar necessários a fim de buscar a verdade real" Assim, requer que seja negado seguimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, a fim de que seja mantido a redução da multa aplicada a 75%. b) Houve, ainda, na mesma data de 08/10/12 (efl. 297) interposição de Recurso Especial pelo Contribuinte de efls. 297 a 306 e anexos, que teve sua admissibilidade negada, na forma de despachos de efls. 321 a 325. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 347 7 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Faço notar que, em que pese o contribuinte ter pugnado pelo não seguimento do recurso em seu pedido deduzido em sede de contrarrazões, não trouxe ali nenhuma argumentação quanto ao nãoconhecimento do pleito fazendário. Passo, assim, à análise de mérito da matéria admitida em litígio, que se limita ao agravamento da multa ao percentual de 112,5%, não havendo que se falar, a esta altura, em litígio quanto ao principal objeto de lançamento, visto ter sido negado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Em análise, o art. 44, § 2o., inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, em sua redação vigente à época do lançamento, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 348 8 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo, com a devida vênia a posicionamentos diversos (que vinculam a caracterização do agravamento à existência ou não de possibilidade de obtenção pela Fiscalização dos elementos de interesse objeto de intimação e/ou à existência de prejuízo à referida Fiscalização), que a correta aplicação do dispositivo acima é no sentido de que sempre que restar comprovado o nãoatendimento de intimações por parte do contribuinte, uma vez realizadas as citadas intimações consoante o permissivo legal para tal, de se aplicar a multa agravada de 112,5%. Entendo que a intenção do legislador, ao editar o referido dispositivo, foi o de reforçar o poder da autoridade fiscalizadora, no sentido de evitar que intimações sejam simplesmente "ignoradas", violandose, assim, o dever de colaboração do contribuinte para com o Fisco, sem que tal fato conduzisse a sanção. Em meu entendimento, independe a referida sanção do fato da Fiscalização, anteriormente ou posteriormente à prática da conduta expressamente descrita no dispositivo acima (no caso, em seu §2o., I , não prestar esclarecimentos no prazo marcado pela intimação), ter acesso aos elementos de interesse, seja por meios próprios, através de instrumentos alternativos instituídos pelo legislador tributário (tais como o RMF), seja por posterior entrega voluntária do contribuinte. Ou seja, entendo que uma vez caracterizada, no curso da ação fiscal, a conduta prevista pelo dispositivo, de não prestação de esclarecimentos no prazo hábil, de se aplicar a penalidade. Assim, portanto, alinhome à interpretação propugnada pela recorrente e pelos paradigmas colacionados aos autos. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10932.000068/200544 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 349 9 Enxergo mesmo, no dispositivo tributário em comento, semelhanças com a formulação comumente empregada pelo legislador penal para a definição de tipos omissivos próprios, onde a prática da conduta (por definição, necessariamente volitiva) leva imediatamente à cominação de sanção, de forma que também é de se admitir, in casu, o afastamento da aplicação da referida penalidade tributária, caso se vislumbre ocorrência de motivo de força maior (com o consequente afastamento da conduta), afastandose, nesta hipótese, a caracterização de omissão na prestação de esclarecimentos dentro do prazo. Feita tal digressão, verifico, através da correta descrição constante Relatório às efls. 131/132 e, ainda, ao compulsar os autos, que, no caso em questão, ficou devidamente caracterizada a não prestação de informações por parte do autuado, sem que se possa cogitar de força maior. Aqui, o autuado notadamente quedou inerte quanto ao fornecimento de quaisquer esclarecimentos ou justificativas para o não atendimento dos termos de efls. 05, 115 a 118 e 120 a 123, caracterizada, desta forma, a prática da conduta determinada pelo art. 44, §2o., I, da Lei no. 9.430, de 1996. Assim, de se manter o agravamento da multa no patamar de 112,5%. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 349DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.000514/2010-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A adesão a parcelamento caracteriza desistência, configurando-se a renúncia por parte do sujeito passivo, inclusive na hipótese de já haver ocorrido decisão que lhe tenha sido favorável, razão pela qual declara-se definitivo o crédito tributário objeto do lançamento.
Numero da decisão: 9202-006.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo, caracterizada pelo parcelamento do débito lançado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo, caracterizada pelo parcelamento do débito lançado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PARCELAMENTO. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A adesão a parcelamento caracteriza desistência, configurandose a renúncia por parte do sujeito passivo, inclusive na hipótese de já haver ocorrido decisão que lhe tenha sido favorável, razão pela qual declarase definitivo o crédito tributário objeto do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo, caracterizada pelo parcelamento do débito lançado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 14 /2 01 0- 27 Fl. 386DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13864.000512/201038 37.291.7162 (AI 34) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000509/201014 37.311.3722 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000513/201082 37.311.3730 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000511/201093 37.311.3749 (AI 69) Obrig. Acessória Agravo 13864.000510/201049 37.311.3757 (AI 38) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000508/201070 37.311.3765 (AI 22) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000534/201006 37.311.3773 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000525/201015 37.311.3781 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000536/201097 37.311.3790 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000519/201050 37.311.3803 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000522/201073 37.311.3811 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000520/201084 37.311.3820 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000518/201013 37.311.3838 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000517/201061 37.316.8195 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000528/201041 37.316.8209 (Emp. e SAT) Obrig. Principal REsp não admitido 13864.000527/201004 37.316.8217 (Seg.) Obrig. Principal Liquidado 13864.000526/201051 37.316.8225 (Terceiros) Obrig. Principal Liquidado 13864.000523/201018 37.316.8233 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000521/201029 37.316.8241 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000524/201062 37.316.8250 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000516/201016 37.316.8268 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000515/201071 37.316.8276 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13864.000514/201027 Acórdão n.º 9202006.308 CSRFT2 Fl. 387 3 13864.000514/201027 37.316.8284 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000535/201042 37.318.2872 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.316.8284, referente às Contribuições Sociais devidas pela empresa, no período de 01/2007 a 04/2007, incidentes sobre remunerações de empregados e contribuintes individuais transportadores a serviço da autuada, destinadas à outras entidades (FNDE, SENAC, SESC, SEBRAE e INCRA). Ademais, são exigidas contribuições destinadas ao SEST e SENAT, incidentes sobre os valores pagos aos transportadores, também contratados pela empresa incorporada, conforme se infere do Relatório Fiscal. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.455 (efls. 243 a 252), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se Fl. 388DF CARF MF 4 mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.118 do processo principal) e, em 06/09/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 253 a 258 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.121 do processo principal). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 09/09/2016 (efls. 259 a 263). Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 14/10/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 268), a Contribuinte, em 31/10/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 271 a 286 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 270), contendo os seguintes argumentos: Da negativa de seguimento do Recurso Especial por falta de comprovação de requisito de admissibilidade ainda que, no despacho do exame de admissibilidade, se tenha entendido pelo seguimento do recurso especial “quanto às multas aplicadas no que se refere à obrigação principal, pois, supostamente, haveria similitude das situações fáticas do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, fato é que, além de a recorrente não ter apontado analiticamente a divergência entre o acórdão paradigma e recorrido, a Contribuinte, ao fazer essa análise, não identificou similitude fática entre os casos; quanto à questão da multa aplicada por infrações decorrentes de descumprimento de obrigação principal, o acórdão paradigma não se presta a confirmar a divergência jurisprudencial pretendida pela recorrente; a Contribuinte, ao analisar com profundidade o acórdão trazido como paradigma pela recorrente, constatou que as informações e situações fáticas presentes no referido acórdão são totalmente diversas do que ocorre no presente caso; no acórdão paradigma nº 240100.120, verificase que houve o lançamento da multa prevista no artigo 35, da Lei 8.212, de 1991, sem as alterações promovidas pela MP 449, e o contribuinte pretendia a sua limitação ao percentual de 20%, tendo em vista a nova disposição trazida pela citada MP; no entanto, não é possível confirmar se houve o lançamento apenas da multa de mora, referente à obrigação principal, ou se também houve o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, como aconteceu no presente caso; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13864.000514/201027 Acórdão n.º 9202006.308 CSRFT2 Fl. 388 5 assim, podese entender que o entendimento exarado no acórdão dito paradigma, de que, para a verificação da multa mais benéfica ao contribuinte, deveria se comparar a multa de ofício do artigo 35A, da Lei 8.212, de 1991, à multa de mora, prevista na legislação anterior, levou em consideração que, inexistindo lançamento de obrigação acessória, seria aplicável a multa de ofício, que representaria a cumulação da multa de mora com a multa por descumprimento de obrigação acessória, sem configurar qualquer bis in idem; por outro lado, no presente caso, se está diante de aplicação de multa decorrente, tãosomente, do suposto descumprimento de obrigação principal, já que, a multa por descumprimento de obrigação acessória, está sendo discutida em autos distintos processo administrativo nº 13864.000509/201014 e, por isso, é patente que qualquer comparação da multa aplicada com a multa de ofício, prevista no artigo 35A, da Lei 8.212, de 1998, implicaria em exigir em duplicidade a multa por descumprimento de obrigação acessória; portanto, o dito paradigma não possui qualquer correspondência com o presente caso e, por isso, não poderia ser utilizado para a admissão do Recurso Especial da Fazenda Nacional; em vista do exposto, embora o recurso especial interposto tenha sido admitido, é de rigor que seja revista a presença do requisito de admissibilidade, no que tange à necessária constatação de que o acórdão recorrido tenha dado interpretação à lei tributária diversa daquela dada por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, já que manifestamente ausente qualquer correspondência com o presente caso. Do Mérito a multa de mora aplicada na autuação foi de 24% do valor do imposto supostamente devido, percentual que pode aumentar gradativamente ao longo do tempo; contudo, com o advento da MP nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que alterou diversos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, dentre eles, o artigo 35, ficou previsto, para as contribuições previdenciárias em atraso, o acréscimo de juros e multa de mora nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996; dessa forma, haja vista que a legislação posterior previu multa de mora em patamar mais benéfico à Contribuinte e se tratando das mesmas espécies de multas, é de rigor que a multa de mora aplicada nos presentes autos se limite ao percentual de 20%, permanecendo, assim, o entendimento disposto no acórdão recorrido; justificase a redução da penalidade pela alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, segundo a qual a lei nova será aplicada a ato ou fato pretérito, ainda não definitivamente julgado, “quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”; isso porque, caso a multa de mora aplicada na presente autuação (inicialmente a 24%) seja mantida nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, o seu percentual aumentará na medida em que o procedimento fiscal se desenvolva no tempo, podendo chegar a 100% do valor do imposto supostamente devido, no caso de eventual ajuizamento de Execução Fiscal; Fl. 390DF CARF MF 6 assim, mesmo que se considere o percentual de 24% aplicado ab initio ao lançamento, já se estará excedendo o percentual limite de 20% de multa de mora atualmente previsto em lei (artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996), fazendo incidir, in casu, a previsão da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional; ainda, no que tange ao argumento da recorrente de que a multa que veio a substituir àquela prevista no artigo 35, da Lei 8.212, de 1991, antes das alterações promovidas pela MP 449, seria a multa de ofício, mister destacar que, no caso em tela, os fatos geradores se referem ao anocalendário de 2007 e, portanto, são anteriores à edição da MP 449, de 2008, ou seja, à época dos fatos, não existia a previsão legal da aplicação de multa de ofício em decorrência da falta de pagamento do tributo, mas apenas a multa de mora; nesse passo, absurdo é o entendimento quanto à possibilidade de comparação da multa de ofício, prevista apenas a partir de 2008, com multa de espécie totalmente distinta; ora, são incomparáveis a multa prevista no artigo 35A com àquela prevista no artigo 35, vez que a primeira, introduzida pela MP 449, decorre do lançamento de ofício; enquanto a do artigo 35, vigente à época dos fatos geradores, visava a penalizar o contribuinte em mora; observase, portanto, que não se pode admitir a comparação da multa de mora com multa de ofício, conforme pretendeu a recorrente, em razão da impossibilidade de se comparar penalidades referentes a infrações distintas; e, ainda que se entenda pela possibilidade de comparação de multas de natureza distintas, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não socorre os argumentos da recorrente; no entendimento da recorrente, caso a multa de mora, constituída no lançamento, a depender da fase processual, fosse majorada a um patamar superior ao percentual de 75%, previsto no artigo 35A, da Lei 8.212, de 1991, a nova disposição da MP 449, qual seja, aquela que previu a multa decorrente de lançamento de ofício, deveria retroagir para “beneficiar” a Contribuinte; entretanto, admitirse a possibilidade de conversão da multa de mora em multa de ofício de 75%, implica em patente violação à regra contida no art. 146 do CNT; ou seja, é um completo absurdo querer comparar a multa de ofício do artigo 35A, da Lei 8.212, de1991, com a multa de mora prevista na Lei 8.212, de 1991, anteriormente às alterações promovidas pela MP 449, não só por serem multas de naturezas distintas, mas porque eventual substituição de uma pela outra dependeria de um novo lançamento, em observância ao princípio da confiança e da segurança jurídica. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13864.000514/201027 Acórdão n.º 9202006.308 CSRFT2 Fl. 389 7 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A exigência diz respeito ao Auto de Infração Debcad 37.316.8284, referente às contribuições sociais devidas pela empresa, no período de 01/2007 a 04/2007, incidentes sobre remunerações de empregados e contribuintes individuais transportadores a serviço da autuada, destinadas à outras entidades (FNDE, SENAC, SESC, SEBRAE e INCRA). Ademais, são exigidas contribuições destinadas ao SEST e SENAT incidentes sobre os valores pagos aos transportadores, também contratados pela empresa incorporada, conforme se infere do Relatório Fiscal (fls. 34 a 38). Preliminarmente, há que ser considerado o "Requerimento de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo", pendente de juntada, em que a Contribuinte noticia a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT, de que trata a Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 2017. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabelece: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente." (grifei) Destarte, o pedido de parcelamento configura desistência e importa a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, ainda que já tenha ocorrido decisão favorável ao Contribuinte. Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista o § 3º, do artigo 78, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 392DF CARF MF 8 Fl. 393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720595/2015-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Inaplicável ao caso o art. 20-A da Lei nº 9.430/96 eis que, pelo texto legal, o dispositivo abranger apenas fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2012.
PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
Numero da decisão: 1402-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ilegalidade da IN SRF/243/2002 e excluir os valores de frete e seguro na apuração do preço praticado. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Inaplicável ao caso o art. 20A da Lei nº 9.430/96 eis que, pelo texto legal, o dispositivo abranger apenas fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 95 /2 01 5- 16 Fl. 1270DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ilegalidade da IN SRF/243/2002 e excluir os valores de frete e seguro na apuração do preço praticado. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira– Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.271 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto por NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. em face de decisão proferida pela DRJ de Campo Grande que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo em parte crédito decorrente de ajustes de preço de transferência relativos ao anocalendário 2010. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementandoo com o que entender necessário: A pessoa jurídica acima qualificada teve contra si lavrado o auto de infração (AI e demonstrativos às fls. 729 a 735) relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) do anocalendário 2010. As infrações foram assim descritas (fl. 730): “Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, em função de divergência na metodologia aplicada para determinação dos Preços Praticado e Parâmetro” e “Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, em razão da divergência das quantidades consumidas consideradas nos cálculos dos valores do ajuste”. Esse lançamento resultou em R$ 29.665.456,13 de imposto, R$ 22.249.092,10 de multa proporcional de ofício (75%) e R$ 11.453.832,61 de juros de mora calculados até fevereiro de 2015, totalizando R$ 63.368.380,84. Foi também lavrado o auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 737 a 742), do mesmo período de apuração, com o mesmo fundamento. O total do crédito tributário lançado foi de R$ 86.180.997,95. A descrição do procedimento efetuado e, bem assim, da infração e o seu enquadramento legal encontramse nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 744 a 763. A ciência quanto aos lançamentos ocorreu, de forma pessoal (por intermédio de gerente), em 26 de fevereiro de 2015, conforme assinatura aposta no campo próprio do termo de ciência e de encerramento do procedimento fiscal (fls. 768 e769). Em 27 de março de 2015, foi protocolada a impugnação (fls. 772 a 807 – Anexos às fls. 808 a 1.128), firmada por procuradores, na qual foi aduzido, em apertada síntese, que: a) o procedimento adotado está em conformidade com o artigo 18 , inciso II, alínea “d”, item 1, da Lei nº 9.430/1996; b) a fórmula de cálculo do PRL60 introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/02 teve sua estrutura modificada no caso de bens aplicados à produção; Fl. 1272DF CARF MF 4 c) o que há, aplicandose o contido na citada IN é uma majoração de tributo sem base legal; d) “... a IN SRF Nº 243/02 introduz uma lógica de cálculo redundante que, em muitos casos (como no presente), gera ajuste independentemente do preço praticado pelo contribuinte. Isto é, mesmo se adotado o preço parâmetro da IN 243/02 na importação dos insumos, a aplicação do PRL 60 da IN 243/02 gera ajustes tributáveis”, conforme foi demonstrado por exemplo prático; e) é ilegal a IN SRF Nº 243/2002: não pode haver a majoração de tributo por instrução normativa; f) as Medidas Provisórias 478/2009 e 563/2012, esta última convertida na Lei nº 12.715/2012, reconhecem expressamente a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002; g) o CARF tem reconhecido a ilegalidade do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 no que dispõe sobre a interpretação do método PRL60, por estar em desacordo com o preceito da Lei nº 9.430/1996; h) a fiscalização realizou todas as comparações com base no valor CIF+II dos produtos importados, e não com base no seu valor FOB, o que resultou em ajuste maior que o efetuado pela impugnante; i) somente se sujeitam a ajustes de preços de transferência os custos que podem ser manipulados, os valores de frete e seguros pagos a terceiros não devem estar sujeitos às regras de preço de transferência; j) na hipótese de se considerar como válida a IN SRF nº 243/2002, devem prevalecer os ajustes com base no método PVL, sem prejuízo da utilização do método PIC para os produtos relacionados no item “V.1.”, no período de vigência da MP nº 478/2009; k) os juros sobre o principal lançado não podem ser calculados pela taxa Selic; l) não há a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A conclusão contida na impugnação é a seguinte: (i) relativamente ao cálculo do método PRL 60, a aplicação das regras de preços de transferência realizada pela Requerente está em perfeita conformidade à legislação, isto é, ao artigo 18 da Lei 9.430/96. Já a IN 243/02, enquanto norma regulamentar secundária, jamais poderia alterar o critério legal de apuração do método PRL de modo a tornar mais onerosos seus ajustes tributáveis, razão pela qual sua aplicação deve ser afastada, cancelandose os créditos tributados exigidos em decorrência deste item da autuação; (ii) somente se sujeitam a ajustes de preços de transferência os custos que podem ser eventualmente manipulados por partes relacionadas, sendo que o preço praticado a ser utilizado para comparação com o preço parâmetro deve ser o preço FOB, e não o CIF, utilizado pelas autoridades fiscais. Dessa forma, quaisquer lançamentos recorrentes da aplicação do método PRL com base no preço CIF devem ser integralmente cancelados; (iii) também na hipótese de a IN 243/02 ser considerada uma norma válida, o que somente se admite para fins de argumentação, a Requerente protesta pela eventual possibilidade de realizar os ajustes com base no método PVL para determinação dos ajustes de preços de transferência no período de vigência da MP 478/09; e (iv) por fim, ainda que não obstante todos os argumentos de fato e de direito acima não sejam acolhidos, o que, novamente, se admite a título meramente argumentativo, a Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.272 5 Requerente requer seja cancelada a aplicação de juros com base na taxa Selic sobre o principal e sobre a multa. Ao final, são requeridos o acolhimento da impugnação e o seu total provimento. Há o protesto pela juntada de outros documentos e o apelo ao princípio da verdade material. Se determinado o cálculo pelo método PVL, informa que possui todos os documentos pertinentes. Ainda, se desconsiderada a utilização do PRL60 com base nos dispositivos da Lei nº 9.430/1996, que se considerem métodos alternativos, com a juntada de documentos inclusive após diligência. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser juntadas à impugnação e o pedido de diligência ou de perícia só é deferido quando estas forem necessárias. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. OBSERVÂNCIA PELO AGENTE FISCAL. O auditorfiscal da Receita Federal do Brasil deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CUSTOS NA IMPORTAÇÃO E TRIBUTOS ADUANEIROS. Os preços do frete, seguro e os tributos aduaneiros integram o custo, para a determinação do preço parâmetro segundo o PRL e para comporem o preço de aquisição para fins da comparação a ser efetuada entre eles. MÉTODO UTILIZADO NA FISCALIZAÇÃO. O Fisco é livre para escolher o método de cálculo do preço de transferência de matéria prima entre empresas do mesmo grupo. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A taxa Selic foi utilizada por estar prevista expressamente na legislação anterior aos fatos geradores ocorridos. Fl. 1274DF CARF MF 6 CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresenta então o presente recurso voluntário em que alega inicialmente a ilegalidade da IN 243/02 visàvis a Lei 9.430/96, principalmente no que toca à fórmula utilizada para o cálculo do valor dedutível, o que violaria inclusive o art. 97 do CTN. As fórmulas previstas na Lei são autoaplicáveis, as fórmulas previstas na IN 243/2002 consistiriam em ato discricionário, não pautado em lei. Afirma ainda que a própria edição da MP 478/09 e, posteriormente, da MP 563/12, convertida na Lei 12.715/12 confirmariam a ilegalidade da IN 243/02. Alega de forma subsidiária a aplicação do preço FOB, deduzindose frete, seguros e tributos de importação, nos casos em que contratas com terceiros não vinculados. Subsidiariamente, alega a possibilidade de fazer prova quanto ao método mais favorável a qualquer tempo, diferentemente do que dispôs o art. 20A introduzido pela MP 563/12, convertida na Lei 12.715/12, que limitou a possibilidade Subsidiariamente, alega a aplicação do método PVL introduzido e vigente enquanto perdurou a MP 478/09, ou seja, entre janeiro e junho de 2010, que utilizou metodologia idêntica àquela prevista na IN 243/02, mas com percentual de 35%. Subsidiariamente, alega a impossibilidade de ajuste em decorrência do art. 6 do tratado para evitar a dupla tributação entre Brasil e Japão, a menos que se comprove a existência de condições de favorecimento. Alega, por fim, a impossibilidade de incidência do juros sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.273 7 Voto Vencido 1. Admissibilidade: O Recurso é tempestivo e assinado por patronos com procuração nos autos. 2. No mérito: 2.1. Da inclusão frete, seguro e tributos aduaneiros (CIF+II): Caso prevaleça o método utilizado pela fiscalização, ainda assim seus cálculos deverão ser retificados. Isto porque foi utilizado como base o método CIF + II, ou seja, incluindo na base o valor do frete, seguro e tributos sobre a importação, em que pese sua contratação com terceiros. Ocorre que tal método não se coaduna com a natureza antielisiva das regras de preço de transferência, pois a contratação com terceiros impede eventual manipulação de preços objetivando a transferência de base tributável, estando fora, portanto, do objetivo da norma! Sua inclusão não teria outro objetivo que apenas o aumento do preçoparâmetro e diminuição da parcela dedutível. No escólio das lições de Gerd Rothmnn, é importante notar que: o “preçoparâmetro” é um preço hipotético, apurado com base na forma estabelecida, taxativamente, pela Lei n. 9.430/96. Não se confunde, pois, como o preço efetivamente pago pelo importador (“preço praticado”). Assim, as deduções do preço médio de venda, para se chegar ao preço líquido de venda, são, exclusivamente, as previstas na lei (...) Como não entram no cálculo do hipotético “preçoparâmetro”, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade “FOB”), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no “preçoparâmetro”, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível. Neste contexto, cabe apenas uma observação: se, na modalidade FOB, o transporte e o seguro são contratados com empresa coligada da matriz fornecedora da mercadoria, os respectivos valores pagos estão sujeitos à observância da legislação de preços de transferência. (Gerd Willi Rothmann Preços de transferência método do preço de revenda menos lucro: base CIF (+ II) ou FOB. A margem de lucro (20% ou 60%) em processos de embalagem e beneficiamento. RDDT 165, junho de 2009, p.5455.) Fl. 1276DF CARF MF 8 Na mesma linha as lições de Santos e Fajersztajn : Ademais, a esta altura da exposição, ressaltamos novamente que as regras de preços de transferência têm a finalidade de coibir a manipulação de preços em operações entre pessoas jurídicas brasileiras e suas partes consideradas relacionadas no exterior. Ora, no mais das vezes, os serviços de frete e seguro são prestados por terceiros não vinculados ao importador brasileiro e, logo, não são passíveis de manipulação. Assim, na medida em que somente se sujeitam a ajustes de preços de transferência os custos que podem ser manipulados, os valores de frete e seguros pagos a terceiros não devem estar sujeitos às regras de preço de transferência e, portanto, devem ser integralmente dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL devidos pelo importador. Realmente, esses valores escapam ao controle exatamente porque são encargos pagos a terceiros, e não ao exportador cujo preço está sujeito à comparação, e somente interessa limitar a dedutibilidade de valores que, integrados aos preços, representem transferência indireta de lucros à pessoa vinculada (ou a país com tributação favorecida). Nada disso está em cogitação quando o importador no Brasil incorre em despesas com frete e seguro com pessoas não vinculadas. Controlar tais operações está fora do escopo das regras de preços de transferência. Idêntico raciocínio se aplica aos tributos aduaneiros, que são devidos à própria União Federal. Não faz sentido controlar tributos cuja incidência e quantificação decorrem de lei e são devidos ao Estado. (SANTOS, Ramon Tomazela – FAJERSZTAJN, Bruno. Preços de transferência. Frete, seguro e tributos devidos na importação e o método PRL. Revista de Direito Tributário Atual RDTA, São Paulo: Dialética, n. 29, p. 8493, 2013.) Nesse sentido também caminho a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscal (CSRF) nos autos do processo administrativo n. 16327.000966/200274 (acórdão n. 910101166), relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. A autoridade administrativa, ao efetuar o lançamento, está vinculada à Instrução Normativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO — A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4°, § 4°, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. Transcrevo excerto do voto da Conselheira Karem por sua clareza: Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preçoparâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no preço parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente irreparável entendimento que caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.274 9 E mais recentemente o entendimento foi mantido nos autos do Processo nº 16327.001448/200600, Acórdão nº 9101002.940, relatoria do Conselheiro Luís Flávio Neto: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. FRETE SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Legitimidade da não inclusão de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, pagos a pessoas não vinculadas, para a composição do preço praticado a ser comparado com o preço parâmetro conforme o método PRL. Embora a decisão tenha sido proferida quando estava em vigência a IN 38/97, a verdade é que a mudança legislativa posterior não foi capaz de alterar a racionalidade por detrás das regras de preço de transferência. Vejamos a clara exposição do Conselheiro Luís Flávio: Ocorre que o lançamento tributário em questão desconsidera o binômio essencial prescrito pela Lei n. 9.430/96: i) operações realizadas com pessoas vinculadas e operações internacionais envolvidas. Para o frete e o seguro, foram contratadas empresas sem vínculos com o contribuinte, o que inviabiliza, por si, o preenchimento do binômio essencial de incidência da Lei n. 9.430/96. Os tributos sobre a importação são devidos à União e aos Estados, que obviamente não são estrangeiros e nem são vinculados ao contribuinte. Esse segundo fundamento para o cancelamento do auto de infração, portanto, decorre do princípio da legalidade em sua acepção mais explícita, que impede que se estenda a sanção normativa da Lei n. 9.430/96 ao frete, seguro e tributos incorridos pelo contribuinte, pois nenhuma dessas situações preenche o binômio prescrito como essencial pelo legislador, qual seja, (i) operação com partes vinculadas (ii) residentes em outros países. A própria exposição de motivos da Medida Provisória 563/12, posteriormente convertida na Lei 12.715/12, afirma que na aplicação das normas não devem ser considerados montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira. Bem notam o objetivo meramente esclarecedor do §6, do art. 18 da Lei 9.430/96, Tomazela e Fajersztajn quando afirmam que: Em verdade, a razão de ser do parágrafo 6º do art. 18 da Lei n. 9.430/96 reside no fato de que a importação pode ser realizada sob o regime CIF, no qual o exportador (vendedor) fica responsável pelas despesas com transporte e seguro. Por isso, a redação do dispositivo apenas esclarece a possibilidade de dedução dos custos relativos a frete e seguro, “cujo ônus tenha sido do importador”, ou seja, nos casos em que a importação tenha sido realizada na modalidade FOB. Tanto é assim que para os tributos incidentes na importação, que consubstanciam sempre ônus do importador, não há qualquer ressalva relativa ao ônus do tributo. (SANTOS, Ramon Tomazela – FAJERSZTAJN, Bruno. Preços de transferência. Frete, seguro e tributos devidos na importação e o método PRL. Revista de Direito Tributário Atual RDTA, São Paulo: Dialética, n. 29, p. 8493, 2013.) Tal posicionamento é importante, porque independente da norma em vigor, não há alteração no fato de que tais valores não são suscetíveis de eventuais Fl. 1278DF CARF MF 10 manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira. E se isso é verdade, e entendo que seja, tais valores devem ser excluídos na apuração do preço parâmetro. 2.2. Da ilegalidade da IN243: As normas de preço de transferência foram introduzidas no direito nacional pela Lei 9.430/96, segundo Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano como norma antielisiva específica, para evitar a manipulação artificial de resultados por intermédio de operações internacionais celebradas por partes relacionadas, permitindo que a tributação de empresas transnacionais se dê em conformidade com a sua capacidade contributiva. Essa mesma linha de pensamento foi adotada pelo Conselheiro Luís Flávio Neto em declaração de voto nos autos do Processo Administrativo n. 16561.720068/201154, Acórdão n.º 9101.002.323: A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A norma, pois, deve ser interpretada e aplicada buscando garantir a tributação adequada de uma operação entre partes vinculadas que poderia, em hipótese, ser realizada fora dos padrões do mercado. Seu objetivo não é aumentar a arrecadação artificialmente, mas garantir a arrecadação nos liames da lei. A polêmica aqui enfrentada é a dissonância que existe a Lei 9.430/96 e a IN 243/02, relativa à bens aplicados à produção, na medida em que esta utiliza critérios de proporcionalidade e isolamento do preço líquido de venda. A mera comparação entre os dispositivos já revela que a IN acabou ultrapassando seus limites normativos, vejamos: Art. 18, II, “d”, 1 da Lei 9.430/96 Art. 12, §11, IN 243/02 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.275 11 hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. O efeito da alteração teve alto impacto na fórmula, como bem apontou o Conselheiro Luís Flávio Neto, peço vênia pela longa transcrição: O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VA à valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: Fl. 1280DF CARF MF 12 quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. Para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio: A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução: positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõe se que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.276 13 L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR =100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, Fl. 1282DF CARF MF 14 conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos restringir o resultado almejado pelo legislador.” O efeito prático recebeu inúmeras críticas da doutrina especializada, por todos, as lições de Schoueri: O próprio Poder Judiciário já tem afastado a aplicação da IN 243 ante sua afronta à legalidade tributária: TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN Nº 243/2002. ILEGALIDADE. RECURSO PROVIDO. Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro" (art. 18 da Lei nº 9.430/1996). À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.277 15 incluindo a de nº 243/2002, que extrapolou o poder regulamentar que lhe é imanente, daí se avistando ofensa ao princípio da reserva da lei formal. Necessidade de se garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei nº 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN nº 243/2002. Recurso provido. (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AMS APELAÇÃO CÍVEL 316016 003404852.2007.4.03.6100, Rel. JUIZ CONVOCADO ROBERTO JEUKEN, julgado em 19/08/2010, eDJF3 Judicial 1 DATA:13/09/2010 PÁGINA: 257) Por último oportuna se faz transcrição da ementa de julgado proferido também pelo TRF 3 no mesmo sentido, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ILEGITIMIDADE DA AUTORIDADE COATORA INDEVIDAMENTE SUBSTITUÍDA, APÓS AS INFORMAÇÕES DA AUTORIDADE CORRETA. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO, NO CASO DOS AUTOS. MAJORAÇÃO DO IR E DA CSL POR FORÇA DA MODIFICAÇÃO DA FORMA DE CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA UTILIZADO EM OPERAÇÕES COM PESSOAS VINCULADAS NO EXTERIOR, CONSOANTE REGULAMENTAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA DA SRF 243/02. AFRONTA À PREVISÃO LEGAL RECONHECIDA. (TRF 3ª Região,APELAÇÃO CÍVEL Nº 002820225.2005.4.03.6100/SP Nessa perspectiva, muito embora os respeitáveis entendimentos contrários, voto pela ilegalidade da IN 243/02 dado que ultrapassados os limites normativos. 2.3. Métodos alternativos: Alega subsidiariamente o contribuinte que caso prevaleça o entendimento da fiscalização, quanto ao meio como o cálculo deve ser realizado, deve ser realizada nova comparação entre o método PRL como calculado pela fiscalização e os demais métodos de PT. Tal entendimento vai conciliase com a lógica estabelecida pelo legislador na Lei 9.430/96. Aqui cabem alguns comentários quanto à racionalidade do art. 20A introduzido pela Lei 12.715/12, que embasa o art. 40 da atual IN 1.312/12 abaixo colacionado: Art. 40. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos Capítulos II e III será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte Fl. 1284DF CARF MF 16 uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. § 1º A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. § 2º A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos Capítulos II e III, quando o sujeito passivo, depois de decorrido o prazo de que trata o caput: I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. § 3º A apresentação de novo cálculo de acordo com outro método, conforme o caput, não afasta a aplicação de multa de ofício sobre eventual diferença de imposto de renda ou de CSLL apurados. § 4º A opção de que trata o caput será efetuada na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário das operações sujeitas ao controle de preços de transferência. Referido dispositivo traz uma limitação à possibilidade de o contribuinte alterar o método que deve ser escolhido para o anocalendário em sua totalidade, evitando que o contribuinte realize cálculos sucessivos durante o ano, alterando o método cada vez que a matemática demonstrar que a alteração do método permite dedução maior. De outro lado, introduz um procedimento que deve ser seguido nos casos em que o método ou algum de seus critérios de cálculo seja desqualificado pela fiscalização! Importante lembrar que as normas de caráter procedimental têm aplicação imediata. O racional por trás deste entendimento acabou sendo recepcionado no art. 14 do Código de Processo Civil/15: A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Assim, a meu ver deve ser aplicada ao caso concreto. Oras, no caso, a fiscalização claramente desqualificou o método de cálculo adotado pelo contribuinte, de outra forma não haveria suposto imposto devido. Assim, desqualificado o cálculo, deveria a fiscalização proceder a intimação do contribuinte para que este apresentasse novo cálculo. O próprio §2º estabelece as hipóteses em que a fiscalização poderá realizar o cálculo e o §3, do art. 40, estabelece a incidência da multa de ofício. Poderia o legislador ter optado pelo método inquisitório, tendo deixado nas mãos do fisco a escolha do método e recálculo, mas optou por uma aproximação cooperativa, incitando a participação do contribuinte nesse processo. Nessa linha, não poderia a fiscalização realizar o recálculo de ofício, sob o risco de ofensa ao art. 40 da IN 1.312/12 e, consequentemente, ao art. 20A da lei 9.430/96, (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012). Nessa toada, desqualificado o cálculo do contribuinte, devem ser dada nova oportunidade para que este, excepcionadas as hipóteses no §2 do art. 40, apresente o cálculo Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.278 17 que lhe é mais favorável, o que não se verificou no caso concreto. Assim, prevalecendo o entendimento do fisco, entendo que o processo deve descer em diligência para que seja dada a oportunidade de a Recorrente apresentar os cálculos em consonância com o procedimento previsto na lei 9.430/96 e regulamentado no art. 40 da IN 1.312/12. 2.4 Aplicação do Tratado BrasilJapão: Em relação a aplicação do Tratado BrasilJapão, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não pr evêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferênci a se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os suscitados acordos internacionais. ( Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz por oportuna: COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: Aplicam se os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patr imônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções , e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os Fl. 1286DF CARF MF 18 preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length. Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. 2.5 Juros sobre a multa de ofício: A CSRF em linha com o que tem decidido o Superior Tribunal de Justiça tem decidido pela incidência de juros sobre a multa de ofício (Processo administrativo 16327.720442/201194, Recurso nº Especial do Contribuinte, Acórdão nº 9101003.004 1ª Turma): JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. No mesmo julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. 3. Conclusão: Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário sob o entendimento (i) da ilegalidade da IN 243, (ii) da indevida inclusão CIF+II no preço praticado, (iii) e a inobservância do prescrito no art.40 da IN1312 que possui eficácia retroativa mínima de modo que deveria ter ocorrido intimação contribuinte. É como voto Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.279 19 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Apresento minhas homenagens ao fundamentado voto do Conselheiro relator mas dele, respeitosamente, ouso divergir no que se refere à suposta ilegalidade da IN/SRF/243/2002, a inclusão dos valores de frete e seguro na apuração do preço praticado e a aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430 ao caso em tela. Quanto ao método PRL, o normativo em questão regulamentou o art. 18, da Lei nº 9.430/96 de forma a evitar distorções na apuração tendo como parâmetro principal o fato de que a operação a ser objeto de avaliação é a importação do insumo. Sob esse prisma, a sistemática de apuração deve ter como base uma fórmula com escopo na apuração do preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. O entendimento do sujeito passivo parte de uma leitura equivocada do inciso II do mencionado art. 18 abaixo transcrito (destaques acrescidos): II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Na redação do item 1, a utilização da contração gramatical da preposição ("de") com o artigo ("o") implica dizer que o valor agregado deve ser diminuído na apuração do preço parâmetro da mesma forma que os descontos, impostos e comissões; e não da margem de lucro como quer ver o sujeito passivo. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente sobre o preço de revenda após deduzidos os valores mencionados Admitese que a redação do dispositivo não foi das mais felizes. Nesse sentido, vale transcrever as observações da PGFN com base em voto pelo I. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: Fl. 1288DF CARF MF 20 “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 [...] Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” . (grifos nossos) Assim, antes mesmo de se adentrar na proporcionalidade trazida pela IN/SRF 243/2010 já se pode definir como equivocada a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18, da Lei nº 9.430/96. 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.280 21 Por outro lado, na ótica até aqui exposta o ajuste obtido ainda merece aprimoramento. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Daí porque se justifica a aplicação da proporcionalidade regulamentada na IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12 que, além de deixar claro que não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No que se refere à ilegalidade da IN SRF 243/2010, o estudo da PGFN traz um comparativo com a revogada IN SRF nº 32/2001 para concluir que as opções interpretativas do art. 18 da Lei nº 9.430/96 conduzem à necessidade de regulamentação interpretativa mais específica sem que isso possa implicar em violação ao texto legal: [...] Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Fl. 1290DF CARF MF 22 Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. [...] Alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa. O legislador pode muito bem reformular o texto legal apenas para não deixar dúvidas sobre a interpretação mais adequada de uma dada norma. Isso, de maneira nenhuma, significa que se deva interpretar o texto pretérito a contrário senso. No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.281 23 ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a questão já está consolidada em todas as turmas ordinárias bem como na CSRF como são exemplos os Acórdãos 9101002.514 e 9101002.317, em julgamentos recentes, Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jursprudencial determinada por Tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). Para corroborar os argumentos de que a IN SRF 243/2002 não traz qualquer ilegalidade ou aumento de carga tributária, trago, pelo caráter didádico, os exemplos contidos em forma de Anexos ao Acórdão 9101002.514: Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Fl. 1292DF CARF MF 24 Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.282 25 (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%* VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLV) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito Fl. 1294DF CARF MF 26 passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 Interp. do Contrib. Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLVVA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLVML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV) 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.283 27 PParam = PLVMLVA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI → PP – ML, conforme art. 12, § 11, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI → PP, conforme art. 12, § 11, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI → PP 60%* PartBI → PP (3C) PParam = 40%* PartBI → PP, onde: PartBI → PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI → PP = %PartBI> PP*PLV, onde: %PartBI> PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI> PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 Fl. 1296DF CARF MF 28 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat –40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16682.720595/201516 Acórdão n.º 1402002.760 S1C4T2 Fl. 1.284 29 Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI> PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 1298DF CARF MF 30 Em relação à adequação do método de apuração dos ajustes de preços de transferência, esclareçase de imediato que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização dos métodos adotados pela recorrente. A apuração feita pelo método PIC não foi questionada. Nas situações em que a empresa utilizou o PRL o Fisco também não questionou a escolha do método mas sim a sistemática de apuração. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Não há que se falar na aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430/96 ao caso presente, eis que o texto legal é literal em estabelecer a aplicabilidade a partir do anocalendário de 2012. Do exposto , voto por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 1299DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720421/2015-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS COM RECURSOS DE TERCEIRO. CONTRATO DE MÚTUO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Considera-se contribuinte, para fins de tributação do ganho de capital na alienação de ações, a pessoa jurídica que fornecera os recursos para adquirir as mesmas ações, se não for comprovada efetiva existência do contrato de mútuo.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO E CONLUIO
Para que se possa aplicar multa de ofício qualificada de 150%, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO NA AUTUAÇÃO DE IRPJ. MESMO SUPORTE FÁTICO.
Em autuação fiscal, no qual restou comprovada a incidência de ganho de capital sobre o imposto de renda pessoa jurídica dando causa aos lançamentos de ofício de IRPJ, devem se aproveitados os valores pagos a título de ganho de capital pessoas físicas efetuados pelo contribuinte apurados com base no mesmo suporte fático.
Numero da decisão: 1301-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Em primeira votação, por voto de qualidade, negar provimento em relação ao mérito da exigência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% e permitir a dedução do imposto recolhido pelas pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Ângelo Abrantes Nunes e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. Em relação à primeira votação, com base no disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF, manteve-se o voto proferido na sessão do dia 16 de agosto de 2017 pelo Conselheiro Flávio Franco Corrêa por negar provimento ao recurso, uma vez que esse deixou compor o presente colegiado e foi substituído nesta sessão pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Júnior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ATO SIMULADO Recorrente HF PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS COM RECURSOS DE TERCEIRO. CONTRATO DE MÚTUO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase contribuinte, para fins de tributação do ganho de capital na alienação de ações, a pessoa jurídica que fornecera os recursos para adquirir as mesmas ações, se não for comprovada efetiva existência do contrato de mútuo. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO E CONLUIO Para que se possa aplicar multa de ofício qualificada de 150%, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO NA AUTUAÇÃO DE IRPJ. MESMO SUPORTE FÁTICO. Em autuação fiscal, no qual restou comprovada a incidência de ganho de capital sobre o imposto de renda pessoa jurídica dando causa aos lançamentos de ofício de IRPJ, devem se aproveitados os valores pagos a título de ganho de capital pessoas físicas efetuados pelo contribuinte apurados com base no mesmo suporte fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 21 /2 01 5- 89 Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.448 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Em primeira votação, por voto de qualidade, negar provimento em relação ao mérito da exigência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% e permitir a dedução do imposto recolhido pelas pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Ângelo Abrantes Nunes e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. Em relação à primeira votação, com base no disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF, mantevese o voto proferido na sessão do dia 16 de agosto de 2017 pelo Conselheiro Flávio Franco Corrêa por negar provimento ao recurso, uma vez que esse deixou compor o presente colegiado e foi substituído nesta sessão pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Júnior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.449 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0654.656, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, na sessão de 9 de maio de 2016, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ – e lançamentos reflexos, às fls. 416, lavrados para exigir de HF PARTICIPAÇÕES LTDA, pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real, crédito tributário de R$ 21.590.806,66, relativos ao IRPJ e de R$ 8.599.426,69 relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, incluídos em ambos os casos juros de mora calculados até agosto de 2015, além de multa de ofício qualificada (150%), cf. quadros demonstrativos às fls. 2324, reproduzidos abaixo, em virtude de haver contabilizado de modo incorreto o ganho de capital apurado na alienação de bens do ativo permanente, reduzindo, assim, o lucro sujeito à tributação no anocalendário de 2010. 2. Segundo o Relatório Fiscal de Verificação da Infração – RFVI – às fls. 17 26: a) a contribuinte reduziu, no anocalendário de 2010, sua participação societária em HORTIGIL HORTIFRUTI S/A, CNPJ 31.487.473/000199, pessoa jurídica da qual detinha tinha 100% do capital subscrito e integralizado no total de R$ 1.686.596,00; b) na ocasião, cf. Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 09/09/2010, às fls. 457460, a autuada renunciou ao direito de preferência para subscrição de novas ações que aumentariam o capital da investida, abrindo caminho para que seus próprios acionistas subscrevessem as 297.635 ações emitidas; c) a despeito da renúncia antes referida, o ônus da integralização desse aumento de capital foi assumido pela pessoa jurídica HF PARTICIPAÇÕES LTDA – à conta e ordem dos acionistas subscritores – cf. Item 3 da referida ata da assembléia, à fl. 460 dos autos; Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.450 4 d) o recurso dos acionistas investidores proveio de contratos de mútuos celebrados com a fiscalizada exatamente no mesmo dia da subscrição; tais contratos, contudo, nunca foram, apresentados à Fiscalização, nem amortizados pelos mutuários; e) posteriormente, em 28/09/2010, ocorreu uma segunda redução da participação societária, em razão da emissão de 452.192 novas ações integralizadas inteiramente por HF GOVERNANÇA S/A, CNPJ 12.225.635/000176, depois de a fiscalizada novamente renunciar ao direito de preferência; f) “Ocorre que, em 28/09/2010, conforme mostra a Ata da AGE (Doc.43), a Hortigil Hortifruti S/A já apresenta um novo acionista que não figurava em 09/09/2010: HF Governança S/A. Isto foi possível porque, nessa mesma data, TODAS as ações subscritas em 09/09/2010 foram transferidas das pessoas físicas para a HF Governança S/A”; g) depois de todas essas operações estarem consumadas, HF GOVERNANÇA S/A sociedade empresária criada por FIP BRASIL DE GOVERNANÇA CORPORATIVA, CNPJ 08.909.578/000177, passa a deter 30% das ações da Hortigil Hortifruti S/A; h) a operação de transferência de parte do controle de HORTIGIL HORTIFRUTI S/A, da fiscalizada para FIP BRASIL GOVERNANÇA CORPORATIVA envolvendo as pessoas jurídicas antes mencionadas, começou a se materializar de fato em 30 de agosto de 2010, data anterior à formalização dos negócios jurídicos referidos, cf. se depreende da leitura do Ofício do Ministério Público Federal perante o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) referente ao Ato de Concentração 08012.010112/201021, às fls. 531533, reproduzido abaixo; 3. Segundo a Autoridade Fiscal a quo foi celebrado um Contrato de Investimento entre FIP BRASIL DE GOVERNANÇA CORPORATIVA, HF PARTICIPAÇÕES S/A e HORTIGIL HORTIFRUTI S/A, juntado às fls. 678721, Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.451 5 no qual as pessoas físicas titulares do capital da investida, são denominadas “acionistas originais”, apesar de, naquele momento, não fazerem parte do quadro societário da sociedade cujo controle estava sendo modificado. 4. Nesse contrato – continua – os ditos acionistas originários se obrigam a transferir todas as ações que viriam a ser subscritas, para a FIP Brasil, cf. cláusulas 2.1 b e 2.1 do contrato e estipula como condição precedente de financiamento a aquisição daquelas ações pela FIP Brasil, cf. cláusula 5.1.1. Referida integralização, porém, foi efetuada pela própria HF Participações S/A. Por esse motivo – conclui – as múltiplas etapas referidas visavam tãosomente a transferência de 30% do controle de HORTIGIL HORTIFRUTI S/A para FIP BRASIL GOVERNANÇA CORPORATIVA, com a redução do montante a ser pago a título de ganho de capital. Afirma a Autoridade Fiscal a quo: (..) Com esse artifício, a HF PARTICIPAÇÕES S/A promove a apuração de ganho de capital mais benéfica visto que nas pessoas físicas (seus acionistas) a alíquota é de 15% (...) e nas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração pelo lucro real (...) é considerada receita financeira e causa aumento do valor tributável ou redução do prejuízo a ser compensado. 5. Acrescenta – escudado em respeitável doutrina – que se trata de planejamento tributário abusivo e que, sintomaticamente, a fiscalizada não declarou, em DCTF, a existência de débitos de imposto sobre operações financeiras (IOF) no anocalendário de 2010, tributo que seria de sua responsabilidade na condição de mutuante. Houve, pois, um “descasamento” entre a vontade declarada nos atos formais averiguados e a situação material observada, com o intuito de “ocultar a ocorrência do fato gerador tributário”. 6. Teria havido, pois, sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa que justificavam a qualificação do valor da multa imposta, nos termos do art. 44, I, §1° da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, aos fatos descritos. Representação Fiscal para Fins Penais 7. Dado que as condutas das contribuintes configurariam, em tese, crimes contra a ordem tributária foram formalizadas representações fiscais para fins penais, nos termos do art. 1º do Decreto n° 2.730, de 10 de agosto de 1998; matéria objeto do Processo Administrativo n° 15586.720.429/201545. Ciência do Lançamento 8. Devidamente cientificada em 08/09/2015, cf. cópia de Aviso de Recebimento – AR à fl. 856, a contribuinte apresentou impugnação em 07/10/2015, juntada às fls. 858921, subscrita por representante com poderes para representála, cf. procuração e documentos societários às fls. 926944. Acompanharam a peça impugnatória os documentos às fls. 9221.065, Impugnação 9. Depois de expor o contexto fático da autuação, a contribuinte alega que a admissão das pessoas físicas referidas pela Fiscalização no quadro acionário da HORTIGIL teve como propósito viabilizar o investimento feito na companhia por HF GOVERNANÇA S/A, dado que se tratou de exigência dos investidores. Ademais, as referidas vendas das ações pelas pessoas físicas não poderiam ser afastadas pelo Fisco, posto que se configuram como elisão fiscal regular. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.452 6 10. Destaca, em primeiro lugar, que o quadro de acionistas da impugnante não é o que consta na ata da AGOE realizada em 13/07/2010, à fl 101, em seguida, esclarece que o controle da sociedade empresária HORTIGIL era exercido, inicialmente, por três famílias: Lopes, Fachetti e Hertel, cf. registro de ações às fls. 361399 do feito, entretanto, com o crescimento da entidade, o modelo societário foi alterado por meio da criação da HF PARTICIPAÇÕES S/A que funcionava como “estrutura de convergência dos interesses das pessoas físicas” e que controlava diretamente 100% das ações da primeira. 11. Segundo a impugnante, dada a estrutura societária concreta da entidade, o controle da HORTIGIL nunca deixou de ser exercido por pessoas físicas, por essa razão e ainda em virtude do Contrato de Investimento, às fls. 678857, que regeu a modificação do seu controle, a aquisição das ações da pessoa jurídica pelas pessoas físicas, seguida de sua venda para a HF GOVERNANÇA S/A, não configurou artifício para redução de carga tributária, mas necessidade objetiva para a realização do negócio. 12. Com efeito, era o “único meio jurídico capaz de manter as pessoas físicas contratualmente vinculadas ao controle da Hortigil e à participação delas no negócio, bem como de compensálas financeiramente por esta vinculação”, porque – sustenta – o contrato seria, nesse caso, oponível também a elas, na condição de partes do negócio. 13. Em síntese. alega: (...) como as pessoas físicas pertenciam a núcleos familiares distintos, cujos interesses eram exercidos na Hortigil por meio de diferentes holdings familiares, era essencial para a HF Governança S/A a elaboração de um instrumento contratual capaz de impedir que os interesses individuais prejudicassem o investimento. Portanto, a sua concretização dependia da certeza pela investidora de que as pessoas físicas cumpririam cada uma das obrigações pactuadas no "Contrato de Investimento". 14. Com base nessas premissas, a peça impugnatória alega que os procedimentos adotados – subscrição/integralização das ações emitidas em 09/09/2010, seguida de alienação para a HF GOVERNANÇA S/A – representaram uma espécie retorno às origens da companhia, com o qual se buscou criar “o liame jurídico necessário para que a investidora pudesse impor e exigir o cumprimento das obrigações contratuais pelas pessoas físicas”. 15. Sobre as operações afirma, em breve resumo, que um investidor externo – FIP BRASIL DE GOVERNANÇA CORPORATIVA – dispôsse a fazer um aporte de R$ 85 milhões na HORTIGIL, com a condição de que as pessoas físicas detentoras do know how daquele nicho de mercado permanecessem a ela vinculados. Refere, então, diversas cláusulas do Contrato de Investimento estipuladas com o propósito de garantir tal preservação. Segundo os representantes da impugnante: (...) embora o aludido contrato visasse, precipuamente, disciplinar a relação entre a Impugnante (como controladora da Hortigil) e a HF Governança S/A (como investidora), havia a inarredável necessidade de amarrar as pessoas físicas ao instrumento contratual da negociação, como forma de atribuirlhe a devida força coercitiva e executiva. Isso porque, não pairam dúvidas, se mostrava indispensável disciplinar a relação das pessoas físicas com a nova investidora, uma vez que, repitase, eram elas que exerciam o controle indireto da Hortigil por meio da sociedade ora Impugnante. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.453 7 16. A análise dos acordos celebrados – assevera – demonstra que a exigência de que as pessoas físicas que estavam à frente do negócio ali permanecessem por prazo suficiente para que o investimento não fosse perdido, formulada pela investidora externa, era justificado, afinal: (...) havia o grande receio por parte da HF Governança S/A de que, com a saída das pessoas físicas que controlavam indiretamente a Hortigil, a Companhia não mais fosse conduzida conforme o know how adquirido por estes acionistas ao longo de quase 3 (três) décadas. Foi por essa razão, isto é, para que permanecessem ligadas ao controle da Hortigil e continuassem empregando todo o seu interesse e conhecimento na expansão do negócio, que a investidora exigiu a admissão das pessoas físicas como acionistas diretos da Companhia: para que figurassem como PARTES nos contratos da operação, como alienantes e não meros anuentes, amarrandoas aos instrumentos contratuais do investimento de forma inquestionável. 17. Razões de natureza comercial e econômica, portanto, e não apenas tributárias, respaldavam a demanda de trazer as pessoas físicas dos acionistas originários para o quadro acionário da HORTIGIL. 18. Além do mais, o Contrato de Investimento implicou restrições ao direito patrimonial daqueles acionistas, posto que eles próprios – e seus sucessores – ficariam impedidos de exercer atividade similar a da HORTIGIL pelo prazo de 5 anos contados da assinatura do contrato, em razão da existência de cláusula de não concorrência incluída nos termos do art. 1.147, caput e parágrafo único, do Código Civil, veiculado pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Por esse motivo, os acionistas precisariam ser compensados pelo sacrifício que viriam a sofrer. 19. O fundamento da exigência no caso concreto – esclarece a impugnante – residia no fato de que o maior patrimônio de uma sociedade empresária é o know how do negócio; o sucesso de um investimento, portanto, depende das pessoas que o conduzem. Em alguns casos – como no da HORTIGIL – a importância desses empreendedores era crucial, por isso, além de exigir a não competição, o investidor externo exigiu o envolvimento direto dos acionistas originais, por meio de vínculos mais sólidos que meras cláusulas contratuais. Nesse sentido, afirma: (...) para poder obrigar as pessoas físicas, acionistas indiretos, com a força necessária diante das circunstâncias, o investidor não poderia se fiar numa mera promessa (ainda que escrita) que não fosse bilateral, sinalagmática, proporcional. Se exige, além da manutenção do controle e do comprometimento, a não concorrência feita por praticamente qualquer meio ou modo, o que demanda um pagamento por isso. 20. O modo encontrado para impor a obrigação de não concorrência às pessoas físicas e ainda viabilizar a referida compensação financeira – conclui a peça impugnatória – foi fazêlas subscrever e adquirir as 297.635 ações emitidas pela HORTIGIL, e, em seguida, vendêlas para a HF GOVERNANÇA S/A pelo valor pactuado no Contrato de Investimento. Por esse motivo – arremata –a premissa adotada pela Fiscalização de que as operações em tela teriam servido apenas para fazer com que as participações societárias da impugnante mudassem de mãos não se sustenta. 21. Não teria havido, tampouco, simulação, nem se pretendeu reduzir a carga tributária da impugnante. Com efeito, o Contrato de Investimento demonstra que o único propósito para a subscrição e integralização das ações emitidas em 09/09/2010 foi o de vincular as pessoas físicas às obrigações estabelecidas no instrumento Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.454 8 contratual, possibilitando que o investimento se consumasse e que elas fossem recompensadas financeiramente. Licitude das operações e inexistência de simulação 22. Argumenta que distinções entre os conceitos de elisão e de sonegação fiscais ensejam controvérsias, especialmente depois da introdução no ordenamento jurídico brasileiro da norma antielisiva, veiculada pelo parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional – CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 23. Destaca que o art. 14 da Medida Provisória nº 66, de 2002, não foi positivado na Lei n° 10.637/02, por esse motivo, não há no ordenamento jurídico dispositivo capaz de afastar como ilícito atípico os atos ou negócios jurídicos praticados com o objetivo de reduzir a carga tributária, quando não violem as demais regras legais, ainda que sejam contrários a determinados vetores do ordenamento jurídico, porque, verbatim: (...) prevalece no Brasil o ambiente da legalidade, segundo o qual o contribuinte é livre para a prática de atos ou negócios jurídicos permitidos ou não vedados pela lei, inclusive com vistas à redução da carga tributária. Por essa razão, doutrinadores de escol defendem que a norma geral antielisiva nada mais fez do que explicitar a regra positivada no art. 149, VII, do CTN, que já permitiria às autoridades fiscais desconsiderem os atos ou negócios jurídicos praticados com simulação, isto é, de forma ilícita, com o objetivo de ocultar a ocorrência do fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Assim, a norma antielisiva seria, pura e simplesmente, uma norma antievasiva. 24. De acordo com a impugnante, há uma premissa fundamental para a análise de operações de planejamento tributário: apenas os atos ou negócios jurídicos praticados com dolo, fraude ou simulação podem ser desconsiderados pela Fiscalização, nos termos do art. 149, VII, do CTN. 25. A norma antielisiva – argumenta – trata da dissimulação do fato gerador, indicando que o legislador decidiu reprimir os atos ilícitos praticados pelos contribuintes e não os legítimos planejamentos tributários; por esse motivo, a jurisprudência do CARF sobre o assunto evoluiu para levar em conta três critérios para apurar a ausência de fraude: (a) licitude dos meios utilizados; (b) momento da ocorrência do fato gerador; e (c) inexistência de simulação. 26. Em relação ao último requisito, por seu turno, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprecia os seguintes elementos: (a) a existência de propósito negocial; (b) a adequada publicidade dada aos atos ou negócios jurídicos praticados; (c) a motivação para a eventual proximidade de datas entre os fatos sucessivos; (d) a presença de razões adequadas para que as operações tenham sido realizadas dentro de um mesmo grupo econômico; (e) a necessidade de simular os fatos; e, por fim, (f) se depois das operações discutidas, a situação jurídica voltou ao que era originalmente. 27. Continuando nessa linha argumentativa, a impugnante sustenta que, se há coerência entre as formas de direito privado adotadas e os negócios jurídicos realizados, não cabe ao Fisco desconsiderar o ato ou negócio jurídico do qual resulte redução do tributo. 28. Insiste que, no caso em tela, tratase de elisão fiscal, haja vista que todos os atos praticados foram lícitos, antecederam a ocorrência do fato gerador, refletiram a real vontade das partes e tiveram propósitos de ordem comercial e econômica. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.455 9 29. Em tais circunstâncias, caberia à Fazenda Pública demonstrar que a contribuinte agiu com o intuito doloso, valendose de uma situação não verdadeira (simulação) ou fazendo parecer inexistente uma situação real (dissimulação), para tanto, deveriam as Autoridades Fiscais comprovar a falsidade de um ou mais elementos das relações jurídicas negociais. 30. Repisa que um dos requisitos para que a transação comercial se consumasse era precisamente que os chamados “sócios originais” subscrevessem e integralizassem 297.635 ações ordinárias da HORTIGIL – que equivaliam a 15% do capital social da entidade – e, ademais, que transferissem para HF GOVERNANÇA S/A aquelas ações pelo valor de R$ 35.000.000,00, na data do fechamento do negócio, obedecidas as demais cláusulas ajustadas. 31. Referidas cláusulas contratuais demonstrariam – segundo a impugnante – que o fechamento da negociação ocorreria no futuro, depois que os prérequisitos estabelecidos pelo contrato preliminar – nos termos dos arts. 462 a 466 do Código Civil – fossem observados. 32. E assim, de fato, ocorreu, em 28/09/2010, as pessoas físicas referidas transferiram suas ações para a HF GOVERNANÇA S/A, cf. documentos às fls. 407 456 dos autos, em troca do preço ajustado para a venda, concluindo, desse modo, a negociação. 33. Em seguida, contesta a Fiscalização nos seguintes termos: (...) Somase a isso o fato de que a Autoridade lançadora não demonstrou, nem por indícios, que a elevada quantia [R$ 35 milhões] recebida pelas pessoas físicas foi posteriormente repassada para a Impugnante, como forma de desfazer a suposta simulação praticada ou neutralizar os seus efeitos indesejados. Aliás, o i. Auditor Fiscal nem sequer contestou o fato de que o pagamento das 297.635 ações "transferidas" para a HF Governança S/A foi feito diretamente para as pessoas físicas; ao contrário, juntou aos autos as declarações de imposto de renda de cada uma delas, revelando que elas apuraram e pagaram o ganho de capital decorrente da alienação das ações (fls. 534/669 do PTA). 34. Nessas circunstâncias – argumenta – se o objetivo da impugnante era vender sua participação acionária na HORTIGIL, valendose de operação simulada, deveria haver artifícios para que se revertesse a simulação e, assim, para que os valores pagos pela HF GOVERNANÇA S/A diretamente às pessoas físicas retornassem para a companhia; afinal, se simulação houvesse, a interessada não abriria mão da quantia auferida, que supostamente deixou de ser tributada. 35. Aduz a impugnante: O que se nota, na verdade, é que as operações realizadas em 09/09/2010 (subscrição e integralização das ações pelas pessoas físicas) e em 28/09/2010 (venda das ações pelas pessoas físicas) geraram novas ações que foram vendidas por quem deveria vendêlas e, com isso, os R$ 35.000.000.00 foram destinados a quem deveria efetivamente recebelos pela venda das ações (aliás, por todos os motivos já expostos anteriormente). Com isso, concluise que nunca houve a transferência de ações de titularidade da Impugnante. tal como equivocadamente deduziu a Fiscalização. 36. O Contrato de Investimento – insiste – tinha por objetivo o investimento de R$ 50 milhões de HF GOVERNANÇA S/A na HORTIGIL combinado com o pagamento dos R$ 35 milhões às pessoas físicas, em razão da aquisição da Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.456 10 propriedade das ações pelo investidor em condições nas quais as pessoas físicas continuassem vinculadas ao negócio da companhia e, além disso, ficassem impedidas de exercer atividade concorrente. Não teria havido, pois, falsidade em relação aos elementos essenciais dos atos ou negócios jurídicos praticados, logo não se poderia falar em objetivos simulados, em especial, porque foi dada ampla publicidade a todos os negócios referidos. Falta de apresentação dos contratos – Ausência de Recolhimento do IOF 37. A disciplina dos contratos de mútuo estatuída pelos arts. 586 a 592 do Código Civil, não proíbe que pessoas jurídicas emprestem recursos financeiros a seus sócios. Nessas circunstâncias, afirma a impugnante: A realização de atos ou negócios jurídicos entre eles (empresa e seus sócios) não pode simplesmente ser taxada (sic) de indevida ou de ilegal. 38. No caso concreto – acrescenta – como os sócios não dispunham dos recursos necessários para honrar a integralização das ações emitidas em 09/09/2010 (R$ 2.856.696,00) e a impugnante, sim, “nada mais natural” que as partes celebrassem entre si um contrato de mútuo que permitisse concretizar o investimento na HORTIGIL, afora outras vantagens logísticas do procedimento adotado. 39. Como, no caso em tela, não há prova de falsidade dos mútuos celebrados entre a Impugnante e as pessoas físicas, o fato de os contratos de mútuo não terem sido oportunamente apresentados ou de não terem sido pagos: (...) não quer dizer que os empréstimos destinados às integralizações não existiram, especialmente quando se leva em consideração que o Direito admite a figura dos contratos tácitos e que os contratos foram empregados a favor das pessoas físicas mutuarias e devidamente contabilizados pela impugnante. 40. Ao contrário – acrescenta – há provas diversas de que os recursos foram transferidos e empregados para os fins colimados pelos contratantes. 41. Não haveria, além do mais, interesse em simular esses mútuos, porque, considerando a estrutura societária da impugnante – conforme diagrama à fl. 900, reproduzido abaixo – seu controle direto era exercido por holdings pertencentes a pessoas físicas, desse modo, bastaria realizar sucessivas reduções de capital nessas sociedades, começando pela HF PARTICIPAÇÕES, para que as ações dessa na HORTIGIL fossem entregues às pessoas físicas a título de devolução de participação nas sociedades referidas. A devolução de ações da HORTIGIL para as pessoas físicas por expressa disposição do art. 22 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, poderia ser realizada pelo valor de mercado, não sujeita, à tributação a título de ganho de capital. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.457 11 42. Traz ao feito, respeitável jurisprudência. 43. Sobre a materialidade dos instrumentos contratuais empregados para a celebração do mútuo, acrescenta: (...) devido à grande (e surpreendente) relevância que foi dada pela Fiscalização aos instrumentos contratuais dos mútuos (priorizando a forma sobre a substância), malgrado os valores emprestados tivessem sido devidamente contabilizados pela Impugnante (priorizando a substância sobre a forma), ela, após o recebimento dos Autos de Infração, buscou exaustivamente estes contratos, tendo os localizado em seus arquivos. Assim, em atenção ao princípio da verdade material, promove a sua juntada aos autos (doc. n° 13), certa de que eles poderão ajudar no esclarecimento dos fatos. 44. Tabela, à fl. 903, reproduzida abaixo resume os valores emprestados. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.458 12 45. Chama atenção para o fato de que os mutuários autorizaram que os valores emprestados fossem empregados para liquidar a integralização das ações da HORTIGIL – cf. cláusula 1.2 do contrato. Ademais, a entrega dos recursos diretamente à sociedade empresária argúi – não desqualifica o negócio jurídico realizado. 46. Quanto à ausência de pagamentos, destaca que o prazo estabelecido pelos contratos de mútuo: 5 anos – cf. cláusula 3.1 – invalida a tese da Autoridade Fiscal a quo de que esse seria um elemento a indicar a falsidade do negócio jurídico em tela. 47. Aduz que os documentos objeto da discussão foram registrados perante os órgãos e autoridades pertinentes, em especial o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – fato esse de conhecimento da Autoridade Fiscal. 48. Justifica em seguida a contratação dos serviços de RGB Consultoria para selecionar o melhor investidor e condições do negócio, com o argumento de que se trata de negócio comum, corriqueiro e lícito. Anterioridade ao fato gerador. 49. Alega a impugnante que as operações objeto da lide antecederam à ocorrência do fato gerador, cuja materialização se deu com a venda das ações pelas pessoas físicas para a investidora, assim, não é possível sustentar que os atos e negócios jurídicos foram praticados com o objetivo de afastar a ocorrência do fato gerador, haja vista que tanto a contratação do mútuo, quanto à subscrição e integralização das ações emitidas pela HORTIGIL, ocorreram em 09/09/2010, data anterior à alienação para a investidora, promovida em 28/09/2010. 50. Assim – conclui – a venda das ações não poderia ter sido desconsiderada, ainda que o objetivo dessa operação fosse gerar economia tributária para a Impugnante. Multa de ofício 51. A Medida Provisória n° 685 de 22/07/2015 criou a obrigação de os contribuintes declararem à Secretaria da Receita Federal do Brasil até 30 de Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.459 13 setembro de cada ano, o conjunto de operações realizadas no anocalendário anterior que envolva atos ou negócios jurídicos que acarretem supressão, redução ou diferimento de tributo. 52. Referida MP permite que os contribuintes dêem conhecimento ao Fisco dos atos que impliquem redução de tributo, inclusive os negócios jurídicos indiretos, pouco usuais ou as situações mencionadas por ato normativo da RFB. 53. A regra é que os contribuintes demonstrem a razão de ser dos atos e negócios jurídicos praticados e, em contrapartida, se beneficiem da possibilidade de, mesmo em caso de discordância por parte do Fisco, recolherem os tributos acrescidos apenas dos juros de mora. Entende a contribuinte que, nessas circunstâncias, nem mesmo a multa de ofício (de 75%) deveria ser aplicada, caso a RFB não concordasse com as operações praticadas. Argumenta que o caso em tela não poderia ser qualificado de "planejamento tributário agressivo", logo, não haveria sentido em se manter as sanções, seja de 150%, seja de 75%, haja vista que “mesmo condutas teoricamente mais capazes de dano e mais reprováveis” tornaram se isentas de penalidade 54. Dado que não houve fraude, cuja demonstração caberia ao Fisco prover, não seria cabível igualmente a qualificação da multa, posto que o agravamento da sanção não poderia ser deixado à “mercê da subjetividade ou da discricionariedade das autoridades fiscais”. 55. Traz ao feito, em seu favor, abundante e respeitável jurisprudência administrativa. Compensação dos valores tributados nas pessoas físicas a título de Imposto de Renda 56. Alega, ainda, que é dever da Fazenda Pública excluir do montante exigido os valores recolhidos pelas pessoas físicas, discriminada na tabela à fl. 918 dos autos. 57. Traz ao feito, jurisprudência administrativa a respeito da questão. 58. Conclui, pedido que seja dado provimento à impugnação com o conseqüente cancelamento dos Autos de Infração e sucessivamente: o cancelamento da multa qualificada; a redução da multa qualificada para o percentual de 75%, ou a compensação dos valores pagos indevidamente pelas pessoas físicas a título de imposto de renda. 59. É o que importa relatar. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0654.656, pela 1ª Turma da DRJ/CTA, julgando improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ATO SIMULADO. Comprovada a simulação, cabe à fazenda pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para fins fiscais, não sendo necessária a prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.460 14 NORMA GERAL ANTIELISIVA. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional tem por escopo criar uma possibilidade de descaracterizar negócios lícitos a fim de submetêlos à tributação. Portanto, o disposto no artigo não inclui atos e negócios jurídicos viciados, em função da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que sempre puderam ser desconsiderados, tendo em vista o que dispõe o art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA, CARENTE DE REGULAMENTAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE APLICAÇÃO DA NORMA. Estando as situações de simulação ou dissimulação, realizadas com fraude, regidas pelo artigo 149, VII, do CTN, e não pelo artigo 116, par. único, não pode prosperar a pretensão de ver nulificado o procedimento fiscal, com base na suposta aplicação desse ultimo dispositivo, quando isso não ocorreu. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Após ser intimada, a empresa autuada apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresentam argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Primeira Votação O cerne da controvérsia reside na verificação de suposta ausência de tributação de ganho de suposto ganho de capital auferido pela recorrente no anocalendário de 2010, decorrente da venda de ações da Hortigil Hortifruti S/A, companhia da qual detinha 100% do capital subscrito e integralizado. No entender da fiscalização, a empresa autuada praticou simulação, materializado na realização de planejamento tributário abusivo que teve por único objetivo Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.461 15 ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Confirase os termos do "Relatório Fiscal de Verificação de Infração", transcritos a seguir: “No caso em tela, percebese facilmente que subscrição das ações da Hortigil Hortifruti S/A em 09/09/2010 para as pessoas físicas (pessoas ligadas à HF Participações S/A), com a renúncia do direito de preferência da HF Participações S/A tem como único propósito buscar tributação mais favorecida. Na verdade, o negocio jurídico nem ao menos encontra lastro documental satisfatório ou suficiente, haja visto que as ações não foram integralizadas pelos subscritores sob alegação de que a HF Participações S/A o faria, a conta dos subscritores, por conta de um contrato de mútuo pactuado. Todavia, os contratos de mútuo não se encontram materializados e formalizados em contrato, haja vista que não foram apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, e tampouco a suposta obrigação parcialmente ou totalmente quitadas pelos mutuários. Outra evidência que consolida o nosso entendimento é que a HF Participações S/A não declarou em DCTF no ano de 2010 (Doc. 60), nenhum valor a título de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), imposto que seria de sua responsabilidade. Fica evidenciado, por todo o exposto, que a subscrição de ações em 09/09/2010, nunca pretendeu admitir novos acionistas pessoas físicas na Hortigil Hortifruti S/A, mas tão somente fazer com que as participações societárias mudassem de dono conforme o Contrato de Investimento de 30/08/2010. Há portanto o descasamento entre a vontade aparente, aquela manifestada nos atos formais e exteriores, e a vontade real, aquela que se exsurge da comparação entre a situação inicial e a final obtida. Toda a sequência dos atos praticados tem o intuito de apenas ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Desta forma, não pode ser oponível ao fisco uma operação que objetivou e efetivamente resultou na redução da carga tributária, e na qual, de fato quem subscreveu e efetuou a transferência das ações para a HF Governança S/A (FIP Brasil) foi a HF Participações S/A, configurando portanto, planejamento tributário abusivo.” Por outro lado, a recorrente sustenta a legitimidade dos atos de subscrição/integralização e posterior venda das ações pelas pessoas físicas, vez que foram realizados de acordo com o instrumento contratual celebrado, aduzindo que embora a recorrente tenha apresentado todos os instrumentos relativos à negociação (contratos, atas de assembleias, acordo de acionistas, etc), no curso da investigação, a Autoridade Lançadora se agarrou exclusivamente a aspectos formais dos atos praticados, sem sequer indagar ao contribuinte as razões que motivaram a adoção das formas utilizadas, afastandose, desse modo, da verdade material. Pontua que, ao contrário do que afirmado pela fiscalização, o caso em apreço não é de simulação e sim, de elisão fiscal, posto que todas as operações foram concretizadas por quem deveria concretizálas e geraram direitos e obrigações a quem deveriam gerar, pois foi demonstrado que o "Contrato de Investimento" celebrado em 30/08/2010, não teve o escopo de formalizar a prática de atos inexistentes ou divergentes da vontade real perseguida pelas partes envolvidas (atos simulados), e sim, dar total publicidade e transparência a cada uma das operações necessárias à concretização do negócio jurídico pretendido e ultimado, entre elas a venda das ações da Companhia pelas pessoas físicas. Por fim, acusa que a decisão recorrida alterou o critério jurídico adotado para os lançamentos em questão. Pontua que se antes, dizia a fiscalização que os atos foram simulados em virtude da "ausência de lastro documental satisfatório ou suficiente" para comprovar a efetividade dos mútuos, agora, quando do julgamento, passouse a dizer que "o Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.462 16 negócio é simulado se não há motivo para sua realização, ou se ele for incompatível com o núcleo do negócio adotado, além de haver inadequação entre o motivo real e o motivo aparente". Ou seja, na ótica da recorrente, se antes não havia o interesse (vontade real) de admitir as pessoas físicas no quadro acionário da Hortigil, agora, considerando que a recorrente expôs os motivos para essa admissão, a DRJ diz ser ela desnecessária para o negócio jurídico concretizado. Pois bem. Delimitada, sinteticamente, a lide, passase a análise dos fatos e argumentos apresentados: Da subscrição, integralização e venda das ações da Hortigil pelas pessoas físicas. Razões estratégicas, comercial e econômica (extra tributárias) Entendo razoável a argumentação trazida pela recorrente, no sentido de demonstrar a presença de propósito negocial, em face da necessidade de se manter as pessoas físicas contratualmente vinculadas ao controle da Hortigil. Partindo do pressuposto de que o controle da Hortigil sempre foi exercido pelas pessoas físicas que a fundaram, pertencentes a núcleos familiares distintos e cujos interesses na Companhia eram exercidos por meio de diferentes holdings familiares, pontuou a recorrente que seria imprescindível para a HF Governança S/A a elaboração de um instrumento contratual que fosse capaz de impedir que os interesses individuais dessas pessoas prejudicassem o investimento, o que de fato ocorreu quando foi firmado, em 30/08/2010, o "Contrato de Investimento" preliminar e, em 28/09/2010, o "Contrato de Acionistas". Da análise do "Contrato de Investimento", vêse que ele trouxe como condição precedente para a realização do aporte a subscrição e integralização, pelas pessoas físicas, das 297.635 novas ações emitidas pela Hortigil em 09/09/2010, representativas de 15% (quinze) por cento do capital social direto da Companhia. E estabeleceu, também, a obrigação de as pessoas físicas enviarem para a HF Governança S/A, a documentação comprobatória da subscrição e integralização das ditas ações, para que ela tivesse a certeza de que a condição foi cumprida. Noutros termos, a conclusão do investimento dependia do cumprimento desta condição precedente. Vejase, nesse sentido, o que dispuseram os itens 5.1.1 e 5.1.2 do contrato: “V. CONDIÇÕES PRECEDENTES. 5.1. São condições precedentes para a aquisição das Ações dos Acionistas Originais e subscrição das Novas Ações Ordinária, e cumprimento das demais disposições deste Contrato, e deverão ter sido devidamente cumpridas até a Data do Fechamento, as providências listadas abaixo (“Condições Precedentes”): 5.1.1 Subscrição e integralização, pelos Acionistas Originais, de 297.635 (duzentas e noventa e sete mil, seiscentas e trinta e cinco) ações ordinárias, representativas de 15% (quinze por cento) do capital social de HORTIFRUTI; 5.1.2 Envio de documentação comprobatória da subscrição e integralização das Ações dos Acionistas Originais pelos Acionistas Originais para o FIP BRASIL.” Portanto, impõese o reconhecimento de razões relevantes, de natureza estratégica, comercial e econômica, para que as pessoas físicas fossem diretamente trazidas para o quadro acionário da Hortigil: fazer com que elas figurassem nos contratos como Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.463 17 PARTES e não meros anuentes, obrigandoas de forma definitiva e garantindo à HF Governança S/A que elas continuariam participando e depositando o seu interesse no negócio da Companhia. Ora, se o sucesso da empresa e a sua futura expansão estavam diretamente ligados ao conhecimento das pessoas físicas, não se pode negar que a realização do investimento dependia da certeza pela investidora de que essas pessoas, direta ou indiretamente, não se desligariam do negócio. Embora incomum, entendo razoável sustentar que a investidora, com essas exigências, quis minimizar seus riscos, garantindo que os controladores permaneceriam nessa situação e com montantes investidos que assegurassem, mais do que controle, o interesse e a participação diuturnas no negócio. Assim, merece reparos a decisão recorrida ao ratificar alegação fiscal de que subscrição de ações em 09/09/2010, nunca pretendeu admitir novos acionistas pessoas físicas na Hortigil Hortifruti S/A. Penso que o "Contrato de Investimento" e o "Contrato de Acionistas" demonstram que a emissão das ações em 09/09/2010 tinha a finalidade de propiciar a entrada da nova investidora na Hortigil, o que, por questões estratégicas, comerciais e econômicas, demandava que a subscrição e integralização fossem feitas pelas pessoas físicas. Da Inexistência de simulação capaz de motivar a desconsideração do negócio jurídico praticado. Como se viu, a presente lide tem como ponto central a controvérsia consistente na subscrição e integralização pelas pessoas físicas das ações emitidas pela Hortigil em 09/09/2010, bem como a sua posterior venda para a HF Governança S/A em 28/09/2010. Tanto a fiscalização como a própria decisão recorrida identificaram nessas operações a prática de simulação, aduzindo as seguintes razões: (a) as ocorrências que resultaram na subscrição das ações pelas pessoas físicas e na sua posterior venda para a HF Governança S/A foram previamente pactuadas pelas partes, isto é, antes mesmo da efetiva transferência das ações. Ou seja, as tratativas para a realização das operações foram precedentes à subscrição feita em 09/09/2010, demonstrando que esta apenas foi parte da aquisição de 30% das ações da Hortigil pela HF Governança S/A, junto à própria Recorrente; e, (b) a integralização das ações emitidas em 09/09/2010 foi feita com recursos da Recorrente, por conta e ordem das pessoas físicas que fizeram a subscrição, em razão de contratos de mútuo celebrados entre elas. Todavia, tais contratos não existiriam na realidade, pois não foram apresentados pela Recorrente e também não foram adimplidos pelos mutuários, inexistindo, ademais, o pagamento de IOF sobre as quantias mutuadas. Com as devidas vênias ao trabalho desenvolvido pela fiscalização e aos fundamentos trazidos pela DRJ no acórdão recorrido, penso diferente, motivado pelo entendimento de que as razões acima arroladas não representam irregularidade ou motivo para a cobrança de tributos. Com referência à acusação de simulação, para que seja identificada no caso em apreço, há de se verificar se há ou não casamento entre a vontade aparente (manifestada nos instrumentos formais) e a vontade real (refletida nas operações praticas), assim como na compatibilidade entre a causa e a substância das operações executadas. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.464 18 Alinhome ao entendimento de que um ato ou negócio jurídico apenas poderá ser considerado simulado ou dissimulado, quando a Fazenda Pública demonstrar a inexistência dos seus elementos essenciais (sujeitos, objeto e causa), isto é, quando comprovar que o contribuinte efetivamente agiu como o intuito de enganar sobre a existência de uma situação não verdadeira (simulação) ou sobre a inexistência de uma situação real (dissimulação). Portanto, apenas se forem falsos um ou mais elementos que conformam a estrutura da relação jurídica negocial, haverá a sua nulidade. No caso vertente, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, penso haver efetividade e licitude nas operações realizadas. Conforme se viu, no dia 30/08/2010, a recorrente (enquanto controladora direta da Hortigil) e as pessoas físicas (enquanto controladoras indiretas da Hortigil), celebraram "Contrato de Investimento" com a HF Participações S/A, que teve por objetivo a realização, por parte desta última, de um investimento de R$ 85.000.000,00 na Hortigil. Por meio desse contrato, então, as partes envolvidas na negociação acordaram seus direitos e obrigações. Os principais propósitos do referido instrumento contratual foram: i) vincular as pessoas físicas às cláusulas que restringiam a alienação das ações da Hortigil e impediam o exercício de atividade similar à da Companhia; e, ii) compensar financeiramente as pessoas físicas pelas restrições aos seus direitos. As razões que considerei razoáveis para o estabelecimento dessas cláusulas, consistem no impedimento que essas pessoas se afastassem e perdessem o interesse pelo negócio desempenhado pela Companhia, além de impedir que também utilizassem o seu Know how de forma concorrente. Para que os propósitos contratuais fossem cumpridos, o item 5.1.1 (cláusula v) do aludido instrumento, estabeleceu, como condição precedente para a concretização do investimento, que as preditas pessoas físicas subscrevessem e integralizassem 297.635 ações ordinárias da Hortigil, representativas de 15% do seu capital social, como também previu (itens 6.1.1 e 6.1.4), a obrigatoriedade de, na data do fechamento, estas pessoas físicas assinarem o Livro de Transferência de Ações da Hortigil, transferindo para a HF Governança a totalidade das suas ações, mediante o pagamento do preço ajustado, ocasião em que restaria concluída a operação de aquisição das ações das pessoas físicas pela investidora. As cláusulas contratuais citadas demonstram que o fechamento da negociação ocorreria no futuro, após cumprimento de condições precedentes. Diante disso, em 30/08/2010, as partes celebraram um contrato preliminar, em conformidade com o que prevêem os artigos 462 a 466 do Código Civil. Entendo que o fato em tela é corroborado pela circunstância de que, em 28/09/2010, as pessoas físicas transferiram as ações para a HF Governança S/A (fls. 407/456 do PTA) e receberam desta o preço ajustado para a venda, concluindo a negociação. Assim, penso que não restam dúvidas quanto à materialidade das operações de subscrição e integralização das ações da Hortigil pelas pessoas físicas; de alienação dessas ações para a HF Governança e de recebimento do respectivo preço de venda pelas pessoas físicas. Não vejo nenhuma ilegalidade ou ilicitude na celebração de um contrato preliminar que tenha como propósito a aquisição de um bem futuro, como é o caso das ações que foram subscritas e integralizadas pelas pessoas físicas e posteriormente alienadas para a investidora. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.465 19 Por assim, penso ainda que o simples fato de as ações terem sido subscritas pelas pessoas físicas e integralizadas com recurso da recorrente por conta e ordem daquelas não desnatura o fato concreto de que quem efetivamente adquiriu e vendeu essas ações para a HF Governança foram as pessoas físicas. E a confirmação dessa assertiva decorre do fato de que foram elas que receberam da investidora os R$ 35.000.000,00 relativos à venda das ações e pagaram, por conseguinte, o imposto de renda apurado sobre o ganho de capital (fls. 1010/1024). Acrescentese que a Autoridade Lançadora não demonstrou, nem por indícios, que a elevada quantia recebida pelas pessoas físicas foi posteriormente repassada para a recorrente, como forma de desfazer a suposta simulação praticada ou neutralizar os seus efeitos indesejados. Aliás, neste particular, percebase que a fiscalização não se contrapôs ao fato de que o pagamento das 297.635 ações "transferidas" para a HF Governança foi feito diretamente para as pessoas físicas; ao contrário, juntou aos autos as declarações de imposto de renda de cada uma delas, revelando que apuraram e pagaram o ganho de capital decorrente da mencionada alienação. Assim, concluo que inexiste transferência de ações de titularidade da recorrente, bem assim a prática de simulação, não havendo que se falar em falsidade em relação aos elementos essenciais dos atos ou negócios praticados, muito menos que o "Contrato de Investimento" foi celebrado com o objetivo de simular uma operação inexistente ou dissimular uma operação real. Com referência ao fato constatado pela fiscalização de que as ações subscritas pelas pessoas físicas foram integralizadas com recursos da recorrente, por conta e ordem daquelas, em razão de contratos de mútuo celebrados, sem que, no entanto, fossem apresentados os respectivos contratos e comprovantes de quitação, somandose ainda a inexistência de recolhimento de IOF por parte da recorrente (mutuante), vale aqui uma consideração a respeito. Além do mútuo se encontrar disciplinado no Código Civil, inexiste qualquer dispositivo legal que proíba uma empresa emprestar recursos financeiros aos seus sócios. A realização de atos ou negócios jurídicos entre eles não pode simplesmente ser tachado de indevida ou de ilegal, ainda mais, se a empresa em questão é um ponto de concentração de interesses comuns de grupos que se associam, como era no caso da recorrente, que concentrava todos os investimentos comuns dos três grupos familiares. Por assim, não se pode concluir que o fato de as ações terem sido integralizadas com recurso da recorrente, por conta dos mútuos realizados, desnatura a real natureza da operação praticada, qual seja, subscrição e integralização das ações pelas pessoas físicas. Pressupondo que elas não dispunham de recursos necessários à integralização das ações emitidas em 09/09/2010, na cifra de R$ 2.856.696,00, mas a recorrente possuía, entendo como razoável, nestas circunstâncias, que ela os emprestasse. Também não vejo relevância jurídica o fato de os contratos não terem sido apresentados ou pagos até o momento da investigação fiscal. Ora, isso não significa que os referidos contratos inexistem, especialmente quando se leva em consideração que o Direito admite até mesmo a figura dos contratos tácitos e que os mútuos foram efetivamente empregados a favor das pessoas físicas mutuárias e devidamente contabilizadas pela recorrente (fls. 1026/1032). Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.466 20 Acrescentese a este fato que a própria Ata da AGE realizada em 09/09/2010 (fls. 457467 do PTA) menciona que a integralização das ações pela recorrente estava sendo feita por conta e ordem das pessoas físicas, o que demonstra a publicidade e transparência a respeito da origem dos recursos utilizados para a integralização do capital, o que não se coaduna com a alegação de fraude ou simulação. Assim, devem ser rejeitadas as considerações sobre a alegada existência de simulação, impondose a conclusão de que as operações praticadas são lícitas, reais e resultaram do regular cumprimento da legislação em vigor. Da multa qualificada Diante da improcedência dos lançamentos tributários de IRPJ e CSLL, entendo desnecessário analisar a aplicação da multa qualificada. Segunda Votação Vencido em primeira votação, impõese analisar a preliminar suscitada, e demais aspectos abordados no recurso voluntário. Da preliminar de alteração do critério jurídico dos lançamentos e os fundamentos da impugnação apresentada Alega a recorrente que a DRJ alterou o critério jurídico adotado para os lançamentos, sustentando que o Auditor Fiscal se apegou exclusivamente aos aspectos formais dos atos jurídicos praticados, e a DRJ/CTA atribuiu total relevância ao princípio da verdade material e à aplicação da substância sobre a forma. Os fundamentos jurídicos da autuação encontramse descritos no TVF, da seguinte forma: Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.467 21 Da leitura do TVF percebese que a autoridade fiscal acusa que o procedimento realizado pela recorrente é artificioso, e que os contratos de mútuo vieram a corroborar a acusação, pois revelariam a ausência de capacidade financeira para efetivar a operação por parte das pessoas físicas. Portanto, a prática de simulação encontrase devidamente explicada e detalhada na acusação fiscal, representada pelo trecho do TVF acima reproduzido, o que é compatível com o quanto decidido pela DRJ, que apresentou as razões pelas quais concorda com o lançamento fiscal. O fato de o julgador ter apresentado maiores detalhes sobre a "essência da simulação", não implica numa inovação aos fundamentos jurídicos, pois possui liberdade para fundamentar sua convicção, desde que se atenha aos fatos "denunciados" e à tipificação da conduta. Assim, não havendo alteração nestes elementos do lançamento, isto é, não havendo nova acusação que não constava da peça inaugural, não há que se falar em alteração de critério jurídico pela autoridade julgadora, decorrente do mero detalhamento dos fundamentos de sua decisão. Rejeitase, assim, a preliminar alegada. Da redução da multa qualificada Quanto ao tópico, alega a recorrente que ao aplicar a multa de ofício no percentual de 150%, a Autoridade Fiscal se ancorou exclusivamente na pretensa existência de simulação, sem sequer expor as razões pelas quais, na sua compreensão, a recorrente teria agido, de forma consciente, para incorrer nas ações ou omissões ilícitas caracterizadoras da fraude ou da sonegação. De fato, para aplicar a multa qualificada, a fiscalização baseouse unicamente no artigo §1º, do art, 44, da Lei 9.430/96, sem fazer menção a qual das hipóteses da Lei 4.502/1964 a autuação fiscal esteve baseada. Confirase, nesse sentido, trecho do TVF sobre a qualificação da multa de ofício: Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.468 22 Assim, vêse que os agentes fiscais aplicaram a multa de ofício qualificada de 150%, sob o entendimento de que restou caracterizada a intenção simulatória da recorrente, através da subscrição de ações a pessoas físicas ligadas e posterior transferência das mesmas à HF Governança S/A com intuito de reduzir a tributação sobre o ganho de capital resultante do ágio na venda de ações, revelando, na visão da fiscalização, deliberada intenção de ocultar o conhecimento por parte do fisco dos fatos geradores efetivamente ocorridos. Ocorre que o mencionado §1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 não faz menção à simulação, estabelecendo tãosomente a exasperação da multa de ofício "nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, (...). Logo, para adequadamente ser aplicada a multa de 150%, seria imprescindível a identificação da conduta praticada pelo contribuinte: se sonegação, fraude ou conluio; e como isso não ocorreu, não há como subsistir a aplicação da multa qualificada ao caso, por carecer de suporte material. Por outro lado, para que se possa cogitar da duplicação da multa de ofício, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. Ora, não basta a intenção de reduzir a tributação, sendo necessário ainda, a comprovação de que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que contrarie uma norma imperativa, praticando, assim, um ato típico. No caso vertente, não se verifica norma imperativa tenha sido contrariada. Na verdade, o que se vê é a prática de condutas expressamente permitidas, seja pela legislação comercial, seja societária, que possa levar a exasperação da multa. A irregularidade apontada (simulação), jamais poderia ser motivo para qualificar a multa de ofício, diante da ausência da conduta dolosa (intenção + prática de atos ilícitos). Por fim, vale dizer que as operações realizadas pelo recorrente foram dotadas de publicada, bem como divergência de interpretação acerca da validade do planejamento tributário não caracteriza hipótese de fraude, dolo ou conluio, e por isso não constitui motivo para aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.469 23 No CARF, há precedentes que adotaram fundamentos semelhantes ao aqui sustentados: (...) Ora, se as operações realizadas pela recorrente, todas elas, foram dotadas da máxima carga de publicidade; se as operações praticadas resultaram informações ao FISCO de sua ocorrência; se as operações foram realizadas com base em doutrina e jurisprudência que lhe atestam a validade e eficácia; se os atos praticados pelo contribuinte não foram simulados (aqui entendido como simulação absoluta); se por fim, os atos societários praticados, isoladamente considerados, são válidos daí a afirmação da recorrente de que em verdade praticara negócio jurídico indireto , não vejo como manterse a multa qualificada. Isso em razão da própria aplicação do artigo 112 do CTN, ou porque, sobretudo, dos autos do processo não vejo como extrairse das condutas praticadas pela recorrente a presença de dolo específico como vontade de agir, pressuposto da aplicação, penso, da multa qualificada (...) (Acórdão nº 10708.837, proferido pelo Conselheiro Natanael Martins) Com estes fundamentos, entendo que a multa qualificada deve ser reduzida ao percentual de 75%. Da necessidade de dedução dos valores tributados nas pessoas físicas a título de Imposto de Renda Pondera a recorrente seja deduzido do montante do imposto e do adicional calculados o valor do tributo que já havia sido pago pelas pessoas físicas, na cifra de R$ 4.821.405,56. O referido valor foi pago em razão do ganho de capital decorrente da alienação das ações. Sustenta que ser dever da Fazenda Pública proceder à citada exclusão, pois a cobrança de valores já pagos é inaceitável e resulta no enriquecimento ilícito da União Federal, e atenta contra o princípio da moralidade administrativa e contra o próprio Estado de Direito. Aduz que a operação realizada é uma só: a venda de participação societária a um investidor; e que as pessoas físicas não só declararam como pagaram o imposto decorrente do ganho de capital. Pois bem. Primeiro ponto a consignar é que não se trata de compensação tributária, e sim, de necessidade de requalificação dos pagamentos efetuados pelas pessoas físicas em razão da própria desconsideração, para fins fiscais, dos atos e negócios jurídicos praticados. Tratandose de desconsiderar operações e requalificar o ganho de capital declarado e pago pelas pessoas físicas para atribuílo à recorrente, devese, então, penso, que o mesmo tratamento deve ser dispensado aos pagamentos efetuados sobre esse mesmo ganho de capital. Com efeito, neste contexto, não se podem utilizar medidas diferentes para endereçar atos jurídicos decorrentes de um mesmo suporte fático, conferindo diferentes tratamentos, para fins fiscais, ao ganho de capital decorrente da venda das ações da Hortigil e aos recolhimentos tributários calculados sobre esse mesmo ganho. Tratase de uma questão de coerência interna do lançamento: se a titularidade do ganho de capital pelas pessoas físicas foi alterada, o mesmo deve ser feito em relação aos pagamentos efetuados. Portanto, como o ganho de capital auferido foi atribuído à recorrente, então, os recolhimentos a título de IRPF incidente sobre esse mesmo ganho de capital também devem ser requalificados, já que o suporte fático é exatamente o mesmo. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.470 24 Nesse sentido, citase os seguintes precedentes do CARF: RECURSO DE OFÍCIO. PAGAMENTO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO NA AUTUAÇÃO DE IRPJ. MESMO SUPORTE FÁTICO. Em autuação fiscal, no qual restou comprovada a incidência de ganho de capital sobre o imposto de renda pessoa jurídica dando causa aos lançamentos de ofício de IRPJ, devem se aproveitados os valores pagos a título de ganho de capital pessoa física efetuados pelo contribuinte apurados com base no mesmo suporte fático. (CARF. Ac. 1103001.149, 1ª Câmara, 3ª Turma Ordinária. Rel. Cons. André Mendes de Moura. J. 26.11.14). (...) INEFICÁCIA PERANTE O FISCO. NEGÓCIO JURÍDICO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DESPROPOSITADA. FALTA DE SUBSTÂNCIA. Negócios jurídicos celebrados, apesar de válidos entre as partes, não necessariamente mostramse aptos a serem oponíveis ao Fisco. Tais atos encontramse submetidos à análise de ordem preliminar, para se verificar sua eficácia, antes mesmo de se apreciar outras questões, como ocorrência de dolo, simulação ou mesmo a ocorrência de vícios. E, nos autos, restou demonstrado, e maneira exaustiva, que as organizações societárias empreendidas pelo grupo econômico não repercutem na esfera tributária. A utilização de empresa fictícia mostrouse completamente descontextualizada, com o objetivo único de permitir a transferência da tributação do ganho de capital da pessoa jurídica para os sócios pessoa física, razão pela qual foi desconsiderada, de maneira acertada, pela autoridade tributária. VALORES PAGOS DE GANHO DE CAPITAL PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA. Valores pagos a título de imposto de renda pessoa física referente ao ganho de capital apurado pelos sócios da empresa devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício. (...) (CARF. Ac. 1103001.016, 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Rel. Cons. André Mendes de Moura. J. 13.03.14) A mesma posição é adotada pelo CARF na situação inversa, na qual os pagamentos foram realizados pela pessoa jurídica, mas os rendimentos tributados foram atribuídos pela fiscalização à pessoa física, caso em que também ficou decidido que os valores recolhidos pela pessoa jurídica devem ser abatidos do imposto de renda cobrado da pessoa física: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICA São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA Quando os rendimentos da pessoa física sujeitaremse tão somente ao regime de tributação na declaração de ajuste anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, por caracterizarse lançamento por homologação, o prazo decadencial tem início em 31 de dezembro do anocalendário, tendo o Fisco cinco anos, a partir dessa data, para realizar o lançamento de ofício. (...) APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.471 25 rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Recurso provido parcialmente. (CC Ac. 10614.244, 6ª Câmara. Rel. Cons. José Ribamar Barros Penha. J. 20.10.14). Como se nota, há o claro entendimento por este Conselho, no sentido de que, ocorrendo a realocação da titularidade dos rendimentos ou ganhos da pessoa física para pessoa jurídica, os pagamentos efetuados pela pessoa física devem ser deduzidos dos valores lançados de ofício contra a pessoa jurídica, ou viceversa, na situação oposta. Com efeito, conclusão contrária representaria uma violação ao princípios constitucionais da moralidade administrativa e da razoabilidade, entre outros, produzindo como resultado o enriquecimento ilícito do Fisco. Por estas razões, entendo que os valores pagos de ganho de capital pelas pessoas físicas devem ser deduzidos na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício. Conclusão Assim, diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para afastar as exigências reclamadas nos autos de infração aqui tratados. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator designado. A despeito de reconhecer o brilhantismo do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Relator, peço licença para dele divergir quanto ao mérito, embora esteja de acordo no que tange à preliminar de nulidade da decisão recorrida; à desqualificação da multa; e à dedução dos valores pagos a título de Imposto de Renda pelas pessoas físicas. A controvérsia gira em torno da definição do verdadeiro contribuinte do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, apurado na alienação de 297.635 ações da Hortigil Hortifruti S.A. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.472 26 A Fiscalização sustenta que o verdadeiro contribuinte é a recorrente e, por isso, contra ela lançou o crédito tributário. Esta, no entanto, insiste na tese de que as vendas que geraram ganhos de capital foram feitas, individualmente, por dezesseis pessoas físicas distintas que, dias antes, passaram a deter as 297.635 ações da Hortigil. Cada pessoa física teria providenciado o recolhimento do imposto incidente sobre o ganho de capital apurado na venda de suas respectivas ações. A recorrente, outrossim, afirma que a participação direta das pessoas físicas no negócio se fez por imposição do investidor, preocupado em assegurar que permanecessem administrando a empresa as pessoas que tinham conhecimento e experiência daquele ramo de negócio, e que, afinal, eram as responsáveis pelo sucesso econômico da Hortigil. Tendo em mira esse desiderato, era essa a única fórmula capaz de prendêlas à administração da Hortigil, impedindo que viessem, no futuro, a fazer concorrência à empresa. A participação direta das pessoas físicas (controladoras da recorrente e indiretamente também da Hortigil) visava a objetivos eminentemente negociais e "extratributários". A autoridade administrativa, entretanto, assim não entendeu. Considerou que o propósito perseguido era unicamente tributário, ou seja, reduzir o imposto sobre o ganho capital. Para tanto, mediante negócio jurídico simulado, foram transferidas para os sócios da recorrente as ações que haviam de ser vendidas ao investidor FIP Brasil de Governança Corporativa. Nesse embate, penso que a razão está com o Fisco. A pretensão da recorrente, especificamente quanto ao mérito, deve ser indeferida pelos fundamentos que abaixo passo a expor. Não procede a afirmação de que o ingresso das pessoas físicas no quadro societário da Hortigil era a única forma de vincular a permanência delas na administração do negócio. Concordo com a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN quando, nas contrarrazões, invocando o princípio do pacta sunt servanda, afirma que a força vinculante dos contratos atinge com a mesma eficácia os intervenientes anuentes e as demais partes. Portanto, no caso concreto, as pessoas físicas não precisariam figurar como vendedoras para se verem impedidas de fazer concorrência à Hortigil, e tampouco para serem obrigadas a permanecer à frente do negócio cujo knowhow era delas e não do comprador. Por outro lado, do ponto de vista econômico, não tinha mesmo sentido a preocupação de que os sócios da recorrente pudessem fazer concorrência à Hortigil. Isso porque, mesmo após a compra das ações pela FIP Brasil, permaneceu a recorrente (e por conseguinte as dezesseis pessoas físicas) como controladora da Hortigil, com 70% de seu capital. Era remota, como se vê, a hipótese de concorrência. Quanto a vincular as pessoas físicas, a fim de obrigálas a permanecer por determinado período à frente do negócio, tratase de efeito jurídico que poderia ser obtido por força de um contrato atípico. Porém, qualquer que seja o contrato, a força desse tipo de obrigação nunca é absoluta, já que no ordenamento jurídico pátrio, ninguém pode ser constrangido a prestar Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.473 27 qualquer tipo de serviço, nem mesmo o serviço militar... Se não é possível constranger uma pessoa a prestar atividade em favor do Estado, tampouco em favor de um particular. Nenhuma daquelas dezesseis pessoas poderia ser coagida a permanecer administrando a Hortigil. O máximo que se admite é uma sanção de cunho pecuniário, tal como indenização ou ressarcimento, para a hipótese de violação de cláusula contratual que estabeleça obrigação de fazer. Isso, entretanto, poderia ser previsto em qualquer contrato, inclusive em contrato atípico, como bem observou a PFN. A recorrente afirma que todas as pessoas físicas deveriam ser mantidas no negócio, pois elas é que detinham o knowhow necessário ao exercício da respectiva atividade econômica. A alegação é frágil. Eram dezesseis sócios. É impossível que a administração da empresa coubesse a todos eles em conjunto. É improvável que as decisões gerenciais e as estratégias de mercado fossem concebidas e gerenciadas pelas dezesseis pessoas ao mesmo tempo. Sob o ponto de vista do investidor, a permanência à frente do negócio só se mostrava indispensável para aqueles que efetivamente administravam a empresa, nunca para todos os sócios. Os que não eram gerentes, nem administradores poderiam deixar a qualquer momento o quadro social da recorrente, sem nenhum prejuízo para o investidor, FIP Brasil. Além disso, a suposta "vantagem" conferida aos sócios não levou em conta a eventual participação que cada uma tinha, ou pudesse ter, na gerência da Hortigil, mas tão somente a participação que tinham no capital da empresa. As situações são inconfundíveis: uma coisa é ser gerente, outra é ser sócio. Foi dito também pela recorrente que havia de ser encontrada uma forma de compensar os sócios pelas restrições que haviam de sofrer. E, tanto as restrições, quanto a vantagem só poderiam ser estabelecidas por força de contrato bilateral, sinalagmático e proporcional. A permanência das pessoas físicas à frente do negócio poderia ser ajustada em contrato atípico. Ademais, a "vantagem" deveria ser proporcional ao encargo (permanência na gerência da empresa). Na prática, entretanto, se houve alguma "vantagem", ela foi proporcional à participação no capital social, que nada tem a ver com a administração do negócio. Frisese, por oportuno, que a FIP Brasil, que teria interesse na permanência dos sócios, não lhes pagou ou concedeu qualquer tipo de vantagem, benefício ou prêmio. O valor pago pelas ações, tanto na primeira, quanto na segundo emissão, foi o mesmo, ou seja, R$ 117,59 por ação. Em outras palavras, no primeiro caso, as ações foram adquiridas diretamente dos sócios; no segundo, houve integralização de capital subscrito. Nos dois casos, porém, o valor unitário das ações foi o mesmo. Em resumo, o investidor, que supostamente teria o interesse na permanência das pessoas físicas à frente do negócio, não lhes pagou um centavo a mais a título de compensação ou prêmio. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.474 28 Um ponto a que a recorrente deu especial destaque diz respeito à liberdade de contratar e à legitimidade de realizar planejamento tributário. De fato, não há o que discutir quanto a essa matéria. O ordenamento jurídico assegura a liberdade contratual e a liberdade de contratar. Assegura o direito de livre organização da atividade econômica. Isso, entretanto, não pode ser confundido com licença para simular negócios jurídicos, nem para criar situações artificiais que possam repercutir na esfera de terceiros, inclusive na relação tributária. Mas foi exatamente o que ocorreu no caso em exame. Pela negociação entabulada entre a HF Participações e FIB Brasil, esta deveria adquirir parte das ações da primeira. Tal operação geraria ganho de capital tributável. Porém, a tributação desse ganho é menos gravosa na pessoa física. Eis a razão pela qual pareceu às partes conveniente que os sócios da recorrente (pessoas físicas) subscrevessem aumento de capital na Hortigil, para posterior integralização. Todavia, a integralização do capital subscrito foi efetivamente realizada pela recorrente, com recursos próprios. As pessoas físicas não dispunham de recursos suficientes ou, por alguma razão, não quiseram aplicar recursos no negócio. Mas era necessário, para fugir da tributação mais gravosa, que o negócio fosse feito pela pessoas físicas. Então, com astúcia e de forma artificial, criouse um contrato de mútuo para cada sócio, em valor proporcional à respectiva participação no capital da recorrente. Observese que os recursos para a integralização do capital subscrito vieram diretamente de HF Participações. Os documentos que comprovariam a existência dos contratos de mútuo não foram exibidos à Fiscalização, quando solicitados. Isso fica claro no relatório de verificação elaborada pela autoridade lançadora: No caso em tela, percebese facilmente que subscrição das ações da Hortigil Hortifruti S/A em 09/09/2010 para as pessoas físicas (pessoas ligadas à HF Participações S/A), com a renúncia do direito de preferência da HF Participações S/A tem como único propósito buscar tributação mais favorecida. Na verdade, o negócio jurídico nem ao menos encontra lastro documental satisfatório ou suficiente, haja visto que as ações não foram integralizadas pelos subscritores sob alegação de que a HF Participações S/A o faria, a conta dos subscritores, por conta de um contrato de mútuo pactuado.Todavia, os contratos de mútuo não se encontram materializados e formalizados em contrato, haja vista que não foram apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, e tampouco a suposta obrigação parcialmente ou totalmente quitada pelos mutuários. Outra evidência que consolida o nosso entendimento é que a HF Participações S/A não declarou em DCTF no ano de 2010 (Doc.60), nenhum valor a título de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), imposto que seria de sua responsabilidade no papel de suposta mutuante. Fica evidenciado, por todo o exposto, que a subscrição de ações em 09/09/2010, nunca pretendeu admitir novos acionistas pessoas físicas na Hortigil Hortifruti S/A, mas tão somente fazer com que as participações societárias mudassem de dono conforme o Contrato de Investimento de 30/08/2010. Há portanto o descasamento entre a vontade aparente, aquela manifestada nos atos formais e exteriores, e a vontade real, aquela que se exsurge da comparação entre a situação inicial e a final obtida. Toda a sequência dos atos praticados tem o intuito de apenas ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Desta forma, não pode ser oponível ao Fisco uma operação que objetivou e efetivamente resultou na redução da carga tributária, e na qual, de fato quem Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.475 29 subscreveu e efetuou a transferência das ações para a HF GOVERNANÇA S/A (FIP Brasil) foi a HF Participações S/A, configurando portanto, planejamento tributário abusivo. (fls. 22 e 23) A PFN, nas contrarrazões, sustenta semelhante entendimento. Ao fim e ao cabo, o que se verifica é que, uma vez decidida a alienação, as partes entabularam os contratos na forma que representasse o menor ônus fiscal, ainda que para tanto tivessem que, no campo das formalidades, fazer constar no polo vendedor pessoas físicas que, na realidade não eram os verdadeiros detentores e alienantes da participação negociada, cuja intenção não era, naquele momento, integrar o quadro social como acionistas diretos. A intenção era apenas concretizar a alienação de parte da HORTIGIL esquivandose do custo fiscal correspondente. Não houve qualquer razão para a complexa operação, que não a intenção de minimizar a incidência fiscal sobre o ganho de capital na alienação de parte das ações da HORTIGIL. (fl. 1.411) Os recursos utilizados na integralização do aumento de capital pertenciam à recorrente, que tenta explicar o fato pela existência de contratos de mútuo com os sócios. Os instrumentos contratuais, entretanto, não foram apresentados durante o procedimento de fiscalizatório. Vieram aos autos apenas com a impugnação (fls. 1.033 a 1.065). Ocorre que todos os contratos são particulares, e nenhum deles foi registrado ou tem firma reconhecida. É certo que de tais providências não depende a eficácia do contrato para as partes. Entretanto, são essenciais para que o documento possa ser oposto a terceiro. Nesse sentido, o art. 221 do Código Civil: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Quanto à data do documento, dispõe o art. 409 do atual Código de Processo Civil: Art. 409. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Parágrafo único. Em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: I no dia em que foi registrado; II desde a morte de algum dos signatários; III a partir da impossibilidade física que sobreveio a qualquer dos signatários; IV da sua apresentação em repartição pública ou em juízo; V do ato ou do fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da formação do documento. Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 15586.720421/201589 Acórdão n.º 1301002.607 S1C3T1 Fl. 1.476 30 Os contratos de fls. 1.033 a 1.065 não comprovam a efetiva existência dos mútuos. Além do mais, não existe prova de que os valores foram devolvidos pelos mutuários, nem prova de declaração e pagamento do imposto sobre operações de crédito. Todos esses fatos, enfim, são indícios eloquentes da inexistência dos contratos de mútuo. Ora, se não existe o mútuo, as pessoas físicas não podem figurar no polo passivo da obrigação tributária relativamente ao ganho de capital. Certo é que as ações foram adquiridas com recursos da recorrente. Portanto, para fins tributários, é a recorrente que deve ser tida como alienante das ações e, por isso, sujeito passivo da obrigação relativa ao Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso no que tange à tributação do ganho de capital, acompanhando o ilustre Conselheiro Relator nos demais pontos. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000060/2008-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003,2004,2005
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000060/200872 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.181 – 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2017 Matéria INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Recorrente CUMMINS BRASIL LIMITADA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003,2004,2005 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 60 /2 00 8- 72 Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16561.000060/200872 Acórdão n.º 9101003.181 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial pretendendo o reconhecimento da inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, em que se compreendeu que a análise dos paradigmas evidenciou que a recorrente logrou demonstrar o dissídio jurisprudencial, apresentando julgados nos quais, ao contrário do acórdão recorrido, afastouse a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): Por meio do acórdão 9101002.349, de 14/06/2016, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16561.000060/200872 Acórdão n.º 9101003.181 CSRFT1 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16561.000060/200872 Acórdão n.º 9101003.181 CSRFT1 Fl. 5 4 Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o exConselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16561.000060/200872 Acórdão n.º 9101003.181 CSRFT1 Fl. 6 5 obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16561.000060/200872 Acórdão n.º 9101003.181 CSRFT1 Fl. 7 6 CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, como se vê, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável aos débitos de que aqui se trata, aí Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16561.000060/200872 Acórdão n.º 9101003.181 CSRFT1 Fl. 8 7 incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendose a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1157DF CARF MF
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