Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,241)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10907.000912/2003-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior.
MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 3301-002.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior. MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10907.000912/2003-82
conteudo_id_s : 5451176
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.555
nome_arquivo_s : Decisao_10907000912200382.pdf
nome_relator_s : MONICA ELISA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10907000912200382_5451176.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
id : 5887268
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702648913920
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-25T20:51:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-25T20:51:31Z; Last-Modified: 2015-02-25T20:51:31Z; dcterms:modified: 2015-02-25T20:51:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-25T20:51:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-25T20:51:31Z; meta:save-date: 2015-02-25T20:51:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-25T20:51:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-25T20:51:31Z; created: 2015-02-25T20:51:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2015-02-25T20:51:31Z; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-25T20:51:31Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl. 255 1 254 S3-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.000912/2003-82 Recurso nº 125.150 Voluntário Acórdão nº 3301-002.560 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria Pedido de Compensação Cofins Recorrente TCP - TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior. MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Tereza Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Fábia Regina Freitas. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 256 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado, para a formalização do crédito tributário de PIS e Cofins relativos aos períodos de apuração de abril a julho de 2003, cuja compensação, fundada em suposto crédito decorrente de pedido de ressarcimento antes formalizado através do processo administrativo nº 10907.001984/2002-66. As Declarações de Compensação se encontram às fls. 11 e seguintes. No auto de infração, foi lançada multa de 75%. Os autos estão retornando a este Colegiado, após cumprimento de diligência determinada por meio da Resolução nº 200-00.443, em 13.04.2004, proferida pela r. 1ª Turma do Segundo Conselho de Contribuintes. Para resgatar o liame entre a presente decisão e aquela já proferida pelo Egrégio Segundo Conselho, passa-se a transcrever o relatório elaborado pela d. Relatora Adriana Gomes Rêgo Galvão: TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A,devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 140/149, contra o Acórdão nº 4.194, de 31/07/2003, prolatado pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba-PR, fls. 130/137, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de Cofins, fls. 27/33. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl.25, consta que o lançamento decorreu do indeferimento do pedido de compensação objeto do Processo nº 10907.001984/2002-66, sendo lançados na presente autuação os valores da Cofins que foram compensados indevidamente, conforme o art. 90 da MP nº 2.158/2001. Tempestivamente a contribuinte insurge-se contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls., 35/41, onde justifica seus créditos de IRPJ e CSLL que foram considerados inexistentes, traz argumentos para embasar a compensação e pede pela nulidade do lançamento, tendo em vista que o processo de compensação ainda está pendente de decisão administrativa A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR manteve o lançamento, conforme o Acórdão citado, cuja ementa apresenta o seguinte teor; Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2002 a 28/02/2002 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 257 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 28/02/2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, EXTINÇÃO DE CRÉDITO. NÃO OCORRÊNCIA. IMPLEMENTAÇÁO DE CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. A extinção condicional de créditos da Cofins, havida em razão da apresentação de declaração de compensação, deixa de existir em função da implementação de condição resolutória, qual seja, a sua não.-homologação pelo fisco. ainda que pendente de recurso. COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou, por consequência, declarações de compensação, não suspende a exigibilidade de créditos tributários lançados em processo distinto. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 03/9/2003, fl. 138, a contribuinte interpôs recurso voluntário m 01/10/2003, onde, em síntese, reitera os argumentos já aduzidos na impugnação, nos seguintes termos: 1) Firmou contrato de concessão de serviço público - Contrato de Arrendamento de Instalação Portuária com o governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA, devendo remunerar esta, durante o período da concessão em quantia mínima de R$150.000.000,00, devidamente corrigida, porém, por erro, não contabilizou os efeitos passivos ou relacionados ao contrato, bem assim a correção monetária; 2) Assim, quando sanou o erro, foi materializado um prejuízo fiscal nos períodos anteriores entre junho de 1999 d julho de 2002, o que levou à constatação de recolhimentos indevidos de IRPJ e CSLL, razão porque pleiteou a restituição, por meio do Processo nº 10907.001984/2002-66; 3) As alegações da SAORT ao indeferir o pedido foram totalmente descabidas, pois em momento algum trouxe à discussão do procedimento contábil adotado e revisado, atendo- se, tão-somente a distinguir a natureza jurídica dos cotratos ; e 4) O artigo 149 da Lei nº 10.637/2002, regulamentado pelo art. 21 da INSRF n] 210/2002, simplificou os procedimentos de compensação desde que o pedido de restituição ou ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação", ou seja, como a decisão administrativa do "pedido de restituição não se encontra definitiva, pode-se valer do direito de compensar. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 258 4 Por fim, pede a nulidade do lançamento, ou, no mínimo, pela suspensão deste até a decisão final do processo administrativo do Pedido de Restituição nº 10907.001984/2002-66. A Conselheira Relatora, em seu voto, propõe que: Assim, considerando que o recurso voluntário datado de fevereiro de 2004 informa que ainda pende de decisão final o Processo Administrativo nº 10907.001984/2002-66, e ainda que o presente lançamento diz respeito às compensações consideradas indevidas, dada a inexistência dos créditos discutidos no referido processa, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência para que os autos retornem à repartição de origem até que haja o trânsito administrativo do Processo nº 10907.001984/2002-66, quando, então, devem ser remetidos a este Colegiado, juntamente com a decisão administrativa que transitou em julgado. Foi, então, emitida a seguinte decisão: RESOLUÇÃO Nº 201-00.443 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interporsto por TCP - TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ S/A. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da Relatora. É o relatório. Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. A Recorrente pretendeu efetuar compensação de Cofins com créditos de IRPJ e CSLL apurados no bojo do processo administrativo nº10907.001984/2002-66. Sua compensação foi rejeitada, tendo em vista que existia decisão no bojo de tal processo denegatória da existência do crédito. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 259 5 Em cumprimento à diligência solicitada através da Resolução nº201-00.443, a Autoridade Fiscal relata, na fl. 252 haver "transitado em julgado" a decisão que negou provimento ao Pedido de Restituição, ou seja, trata-se de decisão administrativa definitiva. Foram estes os termos da Informação Fiscal, prestada em 15 de agosto de 2012: Informação Fiscal 2. De fls. 03 a 07 já se encontra anexada cópia do Despacho Decisório inicial proferido naquele processo 10907.001984- 2002-66 (já digitalizado). E, de fls. 189 a 237, anexaram-se as demais decisões proferidas no referido processo, inclusive o Despacho Decisório, de 28.06/2010 (fls. 209 a 213), pelo qual se manteve a decisão em relação ao crédito e se consideraram não homologadas as compensações com ele conexas. 2.2. Esta última decisão, conforme se pode comprovar pelos demais documentos (fls. 214 a 237), já transitou em julgado administrativamente. Quanto a esse aspecto, improcede a multa aplicada, visto que não se possui base legal. Se não, vejamos a legislação que rege o tema: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 260 6 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. MP 2158-35 /2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 2 de outubro de 2002 Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitar-se-ão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I – de natureza não-tributária; II – inexistente de fato; III – não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV – baseado em documentação falsa. No caso dos presentes autos, não foi aventada ou apontada qualquer ocorrência de fraude, sonegação ou conluio; condutas previstas nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/64; razão pela qual a Autoridade não lançou a multa então prevista no inciso II, da Lei nº 9.430/96 (150%). Por outro lado, não lhe caberia ter apenado com multa de 75% a diferença apurada pela compensação indevida, pois o legislador, contemporaneamente aos fatos, optou por penalizar a atuação comprovadamente dolosa e, não, a mera petição improcedente. Do exposto, não existe tipicidade para a aplicação de qualquer multa na hipótese dos autos, cujas Declarações de Compensação foram apresentadas entre setembro de 2002 e março de 2003. Por tal razão apenas deve subsistir o lançamento do tributo acompanhado de seus acréscimos legais, como já se decidiu nesta 3ª Seção, conforme precedente: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 261 7 ACÓRDÃO 3401-00.860 em 26/07/2010 MULTA ISOLADA DE 75%. DCOMP SEM DOLO TRANSMITIDA ANTES DA LEI N° 11.196/2005. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2004, 11/02/2005, 28/02/2005. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DOLO NÃO CARACTERIZADO, DCOMP TRANSMITIDA ANTES DE 22/11/2005. ART, 25 DA LEI N° 11.051, DE 30/12/2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. CANCELAMENTO DA PENALIDADE NÃO QUALIFICADA. Nos termos do art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplicava na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento, ficando sem cominação a infração não qualificada para a qual se aplica setenta e cinco por cento. Somente a partir de 22/11/2005, com a publicação da Lei nº 11.196/2005, é que retornou a hipótese da multa isolada no percentual de setenta e cinco por cento, pelo que na situação em que o dolo não restou descaracterizado e a declaração de compensação é anterior àquela data cancela-se a multa isolada de setenta e cinco por cento face à retroatividade benigna. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Publicado no DOU em: 08.02.2011 Convém transcrever, por seu notável didatismo, trecho do voto conduzido pelo e. Relator, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Assim: O art. 18 da Lei n° 10.833/2003, conversão da MP n° 135, publicada em 31/10/2003, foi introduzido em conjunto com o art, 17 da primeira, este último alterando o art, 74 da Lei n° 9.430/96 de modo a determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Esta norma, todavia, só tem eficácia para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, data de publicação da MP n" 135, de 30/10/2003 (na situação em tela a primeira Declaração de Compensação foi apresentada em 29/09/2003). Levando em conta tal confissão de dívida é que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, na sua redação original, dispensou a constituição do crédito tributário, no valor do principal, e passou a determinar o lançamento nos limites (no caput do referido art. 18 é empregada a expressão "limitar-se-á") das penalidades previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96: multa de 75% para a compensação sem dolo, conforme o inc. I desta Lei, ou de 150% para as hipóteses dolosas dos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 262 8 Lei n° 4.502/64, conforme o inc. II do referido art.44. Em seguida a Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Segundo a Lei n° 11.051/2004, ou era aplicada a multa de 150% ou não se aplicava qualquer penalidade, Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art, 74 da Lei nº 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. O art 117 da Lei n° 11196/2005, no que alterou a redação do § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para restabelecer a multa de 75% nas compensações sem dolo, constou da MP nº 252, de 15/ 06/2005, que todavia não foi convertida em lei e por isto só teve eficácia até 13/10/2005. Assim, e apesar do art. 132, II, "d", da Lei a° 11 196/2005, segundo o qual o art. 117 da mesma Lei teria efeitos a partir de 14/10/2005 (imediatamente após o fim da eficácia da MP n" 252/2005), a melhor interpretação recomenda não admitir a retroatividade das penalidades restauradas Daí ser preferível considerar a eficácia do art. 117 em comento a partir de 22/11/2005. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a aplicação de multa. Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003697/2010-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Não logrando a recorrente apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, mantém-se o lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente era efetivamente co-titular da conta de poupança, aberta por seu cônjuge em nome de terceiro, não resta comprovado nos autos que os depósitos questionados a ela pertenciam.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não logrando a recorrente apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, mantém-se o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente era efetivamente co-titular da conta de poupança, aberta por seu cônjuge em nome de terceiro, não resta comprovado nos autos que os depósitos questionados a ela pertenciam. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11516.003697/2010-67
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5431284
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.273
nome_arquivo_s : Decisao_11516003697201067.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11516003697201067_5431284.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5827539
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702654156800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 810 1 809 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.003697/201067 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.273 – 2ª Turma Especial Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente SILVANA CAROLINA ARCHER PEREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não logrando a recorrente apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, mantémse o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente era efetivamente cotitular da conta de poupança, aberta por seu cônjuge em nome de terceiro, não resta comprovado nos autos que os depósitos questionados a ela pertenciam. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 36 97 /2 01 0- 67 Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 440 a 451, que exige da contribuinte o recolhimento de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos anoscalendário de 2005 a 2007. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 442 a 447, e do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 410 a 439, a autuação se deu em razão da constatação de: a) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, conforme planilhas "Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial" dos anoscalendário de 2005 e 2006, fls. 397 a 400, e; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2006 e 2007. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora esclarece que o procedimento fiscal foi instaurado em virtude de ação fiscal procedida na pessoa física do cônjuge da contribuinte (Sr. Içuriti Pereira da Silva). No decorrer dos trabalhos foram apurados omissões de rendimentos do cônjuge que apresentaram reflexos tributários na pessoa da contribuinte, na proporção de 50% (cinquenta por cento) do total dos rendimentos omitidos. Fundamentando a aplicação de tal proporção, a autoridade lançadora mencionou entendimento disposto na Consulta Interna nº 39, de 12 de setembro de 2008, em relação à primeira infração, e da constatação de utilização de interposta na movimentação de recursos em conta corrente mantida em nome da filha do casal, para a segunda infração. Sobre o valor do imposto de renda exigido em face do lançamento da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários sem origem comprovada houve a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, ao argumento de inequívoca tentativa de fraude, qual seja, a utilização de conta corrente bancária em nome de terceiro (a filha menor, Bruna Archer Pereira da Silva) para eximirse do pagamento de tributo de sua responsabilidade. A impugnação apresentada pelo contribuinte, fls. 460 a 501, instruída com os documentos de fls. 502 a 821, encontrase assim sintetizada pela decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – DRJ/FNS, fls. 1706 a 1726: Descreve os passos e soluções encontradas para cada tópico e item do Termo de Verificação Fiscal; solicita maiores avaliações em dados e análises documentais que não foram esclarecedoras na auditoria fiscal, bem como as correções dos valores discriminados aos quais não foram dados as devidas veracidades documentais. 1. DOS FATOS De acordo com o Termo de Encerramento, o levantamento realizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil resultou na caracterização de omissão de rendimentos tendo em vista a suposta variação patrimonial a descoberto, bem como a responsabilidade solidária pela movimentação bancária de terceiros. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 811 3 Ocorre que os fundamentos manifestados pela fiscalização não correspondem com a realidade das operações realizadas, não podendo ser caracterizadas como omissão de receitas, conforme será demonstrado a seguir. 2. DA PRELIMINAR 2.1 Da Tempestividade Da Defesa Administrativa (...). 3. DO MÉRITO 3.1 Dos Acontecimentos Que Antecederam o Auto De Infração Esclarece que é funcionária pública da Câmara Municipal de Florianópolis desde 1981, e também sócia da empresa SBIT, CNPJ nº 04.623.085/000115, com o percentual de 50%. Assevera que nunca teve atuação direta nos assuntos da empresa supramencionada, figurando apenas como sócia quotista. Explica que, somente por intermédio da autoridade fiscal, teve a informação que o Sr. Içuriti (seu esposo) movimentava uma conta poupança em nome da filha do casal, a menor Bruna Archer Pereira da Silva, com elevados e constantes depósitos e saques/transferências, e que os recursos advinham de reservas do casal. Sustenta que não tinha conhecimento da movimentação bancária, tampouco da origem do respectivo recurso e que nunca teve acesso a essa conta. E, ainda, que se encontra separada de fato do Sr. Içuriti desde 2008, e judicialmente desde o acordo celebrado na audiência de conciliação no dia 10/03/2010, nos autos da Ação Cautelar de Separação de Corpos no 023.09.08233226. 3.2 Da Impossibilidade De Caracterização De Acréscimo Patrimonial A Descoberto Explica que a forma de se mensurar o acréscimo patrimonial é pela variação positiva do patrimônio entre duas datas, entre 31/12 de um ano até 31/12 do ano seguinte, e que deve ser respaldado em rendimentos na pessoa física, ou em receita na pessoa jurídica, ou em outras fontes de recursos que o justifique. Bem como, que a prova da situação irregular (acréscimo patrimonial a descoberto) é exclusiva da fiscalização. Questiona o fato da autoridade fiscal, quando do lançamento tributário, ter se pautado na sua declaração de imposto de renda de seu exmarido (Sr. Içuriti Pereira da Silva), bem como, quando do cálculo da variação do patrimônio, ter feito a junção de todos os recursos e dispêndios tanto seu quando de seu exmarido, porquanto nunca apresentou a declaração como seu dependente nem sequer a declarou de forma conjunta. Sustenta que do montante de R$ 730.682,37, apurado como recursos/origens do casal, apenas o valor de R$ 87.241,50 comporta como sendo seus dispêndios, somando os proventos da Câmara Municipal com 50% do aluguel recebido de pessoa física, conforme se observa de sua declaração de imposto de renda. Frisa que nunca teve conhecimento das informações que eram prestadas na sua declaração, uma vez que a confecção do ajuste anual era realizado pelo seu exmarido, Sr. Içuriti, juntamente com seu contador, Sr. Sergio Rubens Cidade, e que, no ano Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 calendário de 2005, somente percebeu o que foi lançado a titulo de proventos advindos da Câmara Municipal de Florianópolis. Informa que os dispêndios realizados no respectivo ano calendário referemse à aquisição de um veículo colocado em seu nome, sendo adquirido por intermédio de seu exmarido para uso dele. Em relação ao anocalendário de 2006, assim como no anterior, seus vencimentos vieram exclusivamente da Câmara Municipal, tendo sido realizado apenas a troca do veículo por outro. Salienta que sua movimentação financeira, que pode ser observada nos extratos bancários, respalda tanto sua argumentação antes exposta quanto a ilegalidade na exigência imposta. Assevera que, até o presente momento, não tinha sequer conhecimento dos valores lançados em sua declaração e que os valores declarados como distribuição de lucros da empresa SBIT nunca lhes foram diretamente disponibilizados. Prossegue, salientando que as correspondências eletrônicas entre os seus advogados e o sócio de fato (Luiz Camisão) do Sr. Içuriti Pereira da Silva, juntamente com a carta do Sr. Luiz Armando Camisão, datada de 06/05/2010, comprovam que os valores relativos às distribuições de lucros da SBIT foram creditados na conta do Sr. Içuriti ou pagos a ele em espécie, sendo totalmente ilegal a exigência de 50% (cinqüenta por cento) da suposta omissão de receita realizada pelo seu exmarido. Assevera que, ainda que se considere forte o indício de omissão de receitas por parte do Sr. Içuriti, o fato de apresentarse casada com ele, na época dos fatos, não pode servir de fato gerador para qualquer obrigação tributária. Cita o §5º do artigo 42 da Lei 9.430/1996, que trata de valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencente à terceiro, para concluir que é descabia exigência para com ela, por não existir fato gerador que respalde o lançamento, uma vez que sequer houve movimentação na sua conta pelo seu ex marido. Reforça seu entendimento de que somente seria possível exigir a tributação de 50% (cinqüenta por cento) dos valores caso a conta de depósito ou de investimento fosse mantida em conjunto. Situação não ocorrida. 3.3 Da Ausência De Fato Gerador Sustenta que as provas juntadas aos autos dizem respeito a valores movimentados pelo exmarido, e que somente restou caracterizado o acréscimo patrimonial porque a autoridade fiscal lançou de forma conjunta não só os seus rendimentos e dispêndios como os de seu exmarido. Reforça que não existem provas nos autos sobre sua disponibilidade econômica quanto aos valores movimentados pelo seu exmarido, Sr. Içuriti Pereira da Silva, portanto, tornase inválido um lançamento sem documentos hábil para tal fim. Prossegue citando doutrina, jurisprudência e Acórdão do Conselho de Contribuintes, no que se refere à disponibilidade econômica ou jurídica que enseja a incidência do IRPF. Novamente, alega que o simples fato da reclamante estar casada em comunhão universal com o Sr. Içuriti, nos anos de 2005 e 2006, não pode caracterizar fato gerador de imposto, pois sequer obteve a disponibilidade Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 812 5 econômica ou jurídica dos respectivos valores supostamente omitidos, como comprovam os documentos juntados aos autos pela autoridade fiscal. Assevera que o acréscimo patrimonial não se encontra no rol taxativo das situações em que a legislação autoriza a realização de presunção para exigência de tributos. Tornandose inválido o lançamento pautado pela presunção, ou seja, sem provas inequívocas de que houve acréscimo patrimonial, gerando a ausência de fato imponível a fundamentar a exigência. Fala sobre os requisitos imprescindíveis para a perfeita validade do lançamento, como tal o fato gerador da obrigação tributária em seus aspectos material, espacial e temporal, que dá causa à nulidade do lançamento. Argüiu o cerceamento de defesa, uma vez que a exigência encontrase respaldada num demonstrativo de variação patrimonial, onde se observam diversos valores que não são do conhecimento da reclamante. Ressalta, novamente, que não se encontra casada com o Sr. Içuriti Pereira da Silva, e que, portanto, não possui a menor condição de responder a respeito do acréscimo patrimonial dele, por absolta falta de conhecimento ou documento hábil para apresentar na defesa. 3.4 Da Impossibilidade De Caracterização De Responsabilidade Solidária Alega que, por total desconhecimento, os valores movimentados na conta poupança da menor Bruna não puderam ser identificados e esclarecidos, porém esclarece que a legislação não impõe para a caracterização da responsabilidade solidária apenas o mero vinculo, que nesse caso é o parentesco consangüíneo, mas sim a comprovação do ato praticado que o vincule. Argumenta que a abertura da conta poupança foi realizada pelo exmarido da reclamante, Sr. Içuriti Pereira da Silva, mas que ela não consegue comprovar a referida afirmação, pois a conta foi encerrada em 2008, e que não tinha acesso à conta, não tinha informações sobre saldo, tampouco possuía poderes para a realização de saques ou transferências dos valores. Requer que seja solicitado a CEF da Agência Miramar e Baia Norte o repasse da mencionada informação a respeito da abertura e movimentação da conta corrente para juntada aos autos. Cita trechos do Relatório Fiscal onde comprovam que o próprio Sr. Içuriti realizou as transferências da conta da menor Bruna para a sua conta corrente. Sustenta que as afirmações prestadas pelo exmarido denotam certas incongruências, pois, inicialmente afirma que os valores movimentados em conta corrente seriam todos de titularidade da filha menor Bruna. Depois, declara que até o ano de 2009 formavam uma família regular (marido, esposa e filha) e que os recursos depositados na conta eram fruto da poupança do casal, Içuriti e Silvana. Posteriormente, apresenta “mentiras sobre os valores movimentados em conta poupança e a impossibilidade de apresentação dos comprovantes de origem de tais recursos”. Conclui que deve ser cancelada a exigência com base na responsabilidade solidária por total ausência de comprovação de vinculação direta com os atos praticados. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Destaca outro fato apontado pelo Auditor Fiscal em que seu exmarido alienou um imóvel da filha Bruna por R$ 1.200.000,00, e que apenas R$ 200.000,00 foram efetivamente depositados na conta poupança aberta em nome da menor. Rechaça a afirmação de que teria obtido vantagens da movimentação realizada pelo exmarido pelo simples fato de ter um veículo em seu nome. Diz que nem sabia que parte do valor foi quitado com recursos da conta de poupança em nome da filha Bruna, o que efetivamente sabia era que o pagamento havia sido realizado com os valores advindos da distribuição de lucros da empresa SBIT, os quais sempre foram embolsados pelo exmarido. 3.5 Da Multa Excessiva (75% e 150%) Esclarece que não basta que a penalidade imposta esteja enquadrada em lei, é necessário que seja legítima. Observa que a autoridade fiscal utilizouse de percentuais distintos na exigência da multa, aplicou o montante de 75% (setenta e cinco por cento) para o lançamento pautado no acréscimo patrimonial, e mais, o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) na suposta omissão de rendimentos em razão da responsabilidade solidária. Frisa que inexistem provas acerca do acréscimo patrimonial e de sua vinculação ao fato gerador que impulsionou a responsabilidade solidária. Portanto, com relação ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) deve ser reduzido, uma vez que não ficou comprovado o evidente intuito de fraude. Esclarece que o próprio agente público reconhece que toda movimentação da conta de poupança da filha Bruna foi realizada pelo exmarido, Sr. Içuriti, e se houve máfé na atitude de usar a conta da filha menor foi dele. Faz referência a vários Acórdão do Conselho de Contribuintes no sentido de desqualificar a imposição da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando da ausência de comprovação do intuito de fraude. Assevera que a multa fixada em 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto revestese de todas as características de confisco. Por fim, argui pela inconstitucionalidade da lei que estabeleceu a multa sob o argumento de que fere os princípios da razoabilidade, do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade da lei. 3.6 Da Ilegalidade Da Aplicação Da Taxa Selic Para o Calculo Dos Juros De Mora Alega que os juros de mora cobrados se caracterizam como ilegítimos em razão da aplicação da Taxa SELIC. Sustenta que não há lei instituidora/autorizadora da aplicação da Taxa SELIC para efeitos tributários ou mesmo lei referente à sua metodologia de cálculo. E, ainda, além de lesar o princípio da estrita legalidade tributária, a aplicação da SELIC aos créditos tributários também afronta o princípio da anterioridade, por ser taxa flutuante, manipulada de acordo com os ajustes que o governo pretende fazer na Economia. 4. DO PEDIDO Ante o exposto, REQUER: 1 – o cancelamento integralmente o Auto de Infração, em face: Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 813 7 a) da comprovação da inexistência do acréscimo patrimonial a descoberto, com a ausência de fato gerador a fundamentar tal lançamento; b) da inexistência de vinculação entre o ato e a participação da autuada que configure o fato gerador do tributo; 2 a redução da multa aplicada pelo caráter confiscatório e a ausência de comprovação do intuito de fraude a ensejar a capitulação no percentual de 150%; e 3 a diligência junto a CEF, agências Miramar e Baia Norte, para que se proceda à juntada dos documentos referente à abertura e movimentação da conta corrente em nome da menor Bruna. Examinando o assunto, a DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação apresentada nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS OMITIDOS Os rendimentos comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de cálculo do imposto devido, aplicandose multa de ofício sobre a diferença de imposto apurada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBANDI A CARGO DA CONTRIBUINTE A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em apertada síntese, a decisão de primeira instância não acatou as alegações apresentadas na impugnação no sentido de que não houve comprovação nos autos dos valores depositados na conta corrente mantida em nome da menor Bruna (filha da recorrente), bem como confirmou a existência do acréscimo patrimonial a descoberto diante da inexistência de prova em contrário. Foi mantida também a aplicação da multa de 150% e 75%, incidente sobre o imposto de renda lançado, respectivamente. Cientificada em 15/05/2012, fls. 1729, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/06/2012, fls. 1730 a 1782, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, aduzindo que: não se observa nos extratos bancários em nome da recorrente qualquer movimentação financeira não condizente com as informações outrora prestadas, por se tratar da pura verdade dos fatos; e esse documento deve ser manejado pelo n. relator como imprescindível para a verificação de que não houve, em nenhum momento, qualquer tipo de transferência ou depósitos inconsistentes com os rendimentos percebidos pela recorrente; tal documento sequer foi analisado em primeira instância; como já destacado na defesa inicial, o demonstrativo da evolução patrimonial apresentado pela fiscalização incluiu todos os valores percebidos pelo Sr. Içuriti ao longo dos anos calendários de 2005 e 2006; a recorrente nunca possuiu qualquer conta conjunta com o exmarido, Sr. Içuriti, e tampouco recebeu qualquer depósito em sua conta realizado por ele, sempre se manteve com os rendimentos advindos do seu trabalho na Câmara Municipal de Florianópolis; também não realizou a aquisição do veiculo que está em seu nome e aliás, quanto a essa situação, destaca que sempre soube que a troca por outro veiculo foi feita com as distribuições de lucro da empresa SBIT a qual é sócia quotista, montante esse que nunca teve a disponibilidade financeira, posto que sempre fora depositado diretamente pelo Sr. Camisão na conta do exmarido, Sr. Içuriti; o fato de ter sido intimada para prestar esclarecimentos não legitima a configuração do fato gerador do tributo ora exigido, posto que a recorrente já estava separada Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 814 9 do exmarido, e nunca teve acesso a nada que se refere as transações dele, portanto, pautase o Julgador Singular na exigência de prova negativa; o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, destaca que, para os casos de contas utilizadas indevidamente por terceiros, a exigência seria deste último, ou seja, ainda que tenha ocorrido a interposição de pessoa, quem efetivamente responde pelo crédito é quem possuiu a disponibilidade econômica do respectivo valor, que, no presente caso, como mesmo destacou o fiscal em seu Termo de Encerramento, é o Sr. Içuriti; transcreve ementa da 4ª Turma de DRJ; sendo o Sr. Içuriti o único titular das suas contas correntes, somente para ele devese presumir omissão de rendimentos, sendo ele o único com possibilidades de apresentar qualquer documento hábil sobre suas movimentações ou sua a origem desses valores; tornase imprescindível, pois, a correção de oficio do demonstrativo de apuração da variação patrimonial para excluir da planilha os valores que não foram percebidos pela recorrente, conforme posicionamento das Delegacias de Julgamento, que transcreve em sua petição; em se tratando de tributos da espécie impostos, a definição do sujeito passivo da obrigação tributária, seja o contribuinte, designado como sujeito passivo direto, seja o responsável, também conhecido como sujeito passivo indireto, por não guardar relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, é matéria reservada à lei complementar, por força do art. 146, inc. III, alínea "a", da Constituição Federal; sendo assim, a pessoa física fica alocada no pólo passivo da obrigação tributária objeto do lançamento, e é contemplada em lei como sujeito passivo, quer como contribuinte, quer como responsável, ou não há sujeição passiva, impondose o cancelamento da exigência fiscal; não pode a condição de sujeito passivo decorrer de mera vontade da Administração Tributária, ficando ao sabor do seu arbítrio; a solidariedade não se presume, resultando apenas da lei ou da vontade das partes, de acordo com o disposto no art. 265 do Código Civil; observase do art. 134 do CTN que ele é bem claro ao dispor que a responsabilidade dos pais é nos atos em que intervieram ou pelas omissões de que forem responsáveis, mas, não pode a recorrente ser responsabilizada pela abertura de uma conta poupança realizada pelo Sr. Içuriti em nome da menor Bruna, pois não tinha conhecimento dessa conta até o início da fiscalização; conclui ser totalmente imprudente e ilegal manter uma responsabilidade solidária baseada simplesmente no regime de casamento; a fiscalização não apresentou qualquer documento ou até mesmo indício de que a recorrente tenha realizado a abertura da conta poupança em nome da menor Bruna, ou que tenha realizado movimentações ou saques, portanto, inexistente qualquer comprovação da intervenção desta nos atos supostamente ilícitos do Sr. Içuriti; esclarece que a abertura da conta poupança foi realizada pelo exmarido da recorrente, Sr. Içuriti Pereira da Silva, mas que ela não consegue comprovar a referida afirmação, pois a conta foi encerrada em 2008; Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 não tendo sido acolhido o pedido pela decisão recorrida, sob o fundamento do artigo 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1972, ressalta a recorrente que o próprio fiscal destacou em seu relatório final que as movimentações na conta poupança da menor Bruna deramse somente pelo Sr. Içuriti; questiona a recorrente se não é a titular, tampouco realizou a abertura da conta poupança, como poderia solicitar junto ao banco as informações pertinentes? nesse sentido entende que somente por intermédio de uma diligência realizada pelo Julgador Singular, ou agora, pelo n. Relator poderá, a recorrente, comprovar que não participou da abertura da conta e que, consequentemente, não realizou qualquer depósito, transferência ou saque da respectiva instituição bancária; o que o Julgador Singular impôs à recorrente é a apresentação de uma prova negativa, ou seja, provar que não abriu a conta, que não era responsável pela movimentação, que não transferiu dinheiro para ela, e tampouco que não realizou qualquer saque; o fiscal preferiu tomar como base uma declaração dada de forma unilateral como verdade absoluta (Sr. Içuriti alega que a conta era da economia do casal), sem sequer solicitar ao banco o cartão com as assinaturas das titulares pela conta para averiguação da origem da informação, assim, não pode transferir para esta última o ônus de produzir prova negativa, para beneficiarse da dificuldade, ou mesmo da impossibilidade, da produção dessa prova; no caso, não bastaria a simples declaração do contribuinte, e sim uma análise mais acurada e a comprovação, ou ao menos indícios, de que a recorrente participou dessas transações bancárias em nome da menor Bruna ou que, simplesmente, tenha aberto a conta com seu exmarido, mas, no presente caso, a recorrente desconhecia essa conta e sua vasta movimentação; se acaso houvesse qualquer indício substancial de que a recorrente vem realizando omissão de rendimentos, seria um pouco coerente tal lançamento, mas, ao invés, sem qualquer indício de fraude ou simulação, a recorrente é notificada ao recolhimento de principal e acessório pelo simples fato de ser a mãe da menor Bruna, sem sequer ter qualquer conhecimento e envolvimento na abertura e movimentação da conta mencionada; O entendimento sobre a exigência de prova negativa impossível é veemente repudiado pelo nosso ordenamento jurídico vigente, e objetivamente desrespeita os dispositivos Constitucionais que consagram os Princípios do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa, incisos LV e LIV, ambos do artigo 5o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; apesar da comprovação pelo próprio fisco de que todas as movimentações financeiras realizadas na conta poupança da menor Bruna foram realizadas única e exclusivamente pelo Sr. Içuriti, bem como o valor da venda do imóvel que estava em nome da menor foi depositado quase a integralidade na conta corrente deste ultimo, ainda assim restou mantido o percentual de 150% sobre a exigência imposta à recorrente; destacou o Julgador Singular que, em se tratando de sonegação, esse crime pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, com um propósito deliberado de se subtrair de uma obrigação tributária, ou seja, sempre existe o dolo. Já no caso da fraude, a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido, reduzilo, evitálo ou retardálo; Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 815 11 já restou plenamente explanado e comprovado que a recorrente não apresentou qualquer envolvimento na abertura e movimentação da conta poupança da menor Bruna. Dessa forma, baseouse o fiscal, para impor a multa, e o Julgador Singular, para manter a imposição, de que o regime de comunhão do casamento seria o fato gerador da tributação no percentual de 50% da omissão de rendimentos do exmarido, de forma presuntiva; na remota hipótese de aceitar a tese levantada pelo Julgador Singular de que a recorrente, de forma indireta, obteve vantagens pelo fato de ser casada na época da omissão de rendimentos do exmarido, cabe aqui ressaltar que "sonegação" e "fraude" é crime. E como o lançamento foi baseado na presunção legal de omissão de rendimentos, a sonegação fraude restaram presumidas somente para o exmarido da recorrente, Sr. Içuriti; observase da decisão de primeira instancia que a manutenção da multa no percentual de 150% não foi baseada em provas e indícios, posto que toda a movimentação financeira, como bem informada pelo agente fiscal, foi realizada pelo Sr. Içuriti, tanto a abertura da conta como os depósitos e saques; não restando configurada qualquer sonegação ou fraude por parte da recorrente, e considerando o frágil argumento de que a recorrente era casada, na época dos fatos com o Sr. Içuriti, único titular e responsável por todas as transações na conta poupança da menor Bruna, e que essa situação não configura fato gerador se não houver provas inequívocas do acontecido, é de extremo direito a redução da multa para o percentual de 75%; requer o cancelamento do auto de infração. O patrono da recorrente exerceu o direito de sustentação oral, reiterando e ratificando as razões de defesa anteriormente sintetizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A recorrente primeiramente contesta o lançamento da omissão de rendimentos ao argumento de que inexiste de acréscimo patrimonial a descoberto caso fosse refeita a planilha de apuração com a inclusão somente dos bens e valores por ela percebidos, já que nunca declarou o seu imposto de renda de forma conjunta com o exmarido. Conforme descrito no Auto de Infração, a tributação decorrente da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto se fundamenta, dentre outros, nas disposições expressas nos seguintes comandos legais: arts. 1° a 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, nos arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134, de 1990, a seguir transcritos. Lei n° 7.713, de 1988 : Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (grifei) Lei n° 8.134 de 1990 : Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (grifei). Também a Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 43, assim estabelece: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (grifei). Portanto, a Lei n° 7.713, de 1988 estabeleceu que o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados constitui autêntico fato gerador do imposto de renda e, portanto, sujeito à tributação. Por caracterizar presunção relativa, impõese ao agente público o lançamento de oficio do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Deste modo deve a recorrente evidenciar a origem de recursos que possibilitem cobrir as aplicações apontadas. Conforme mencionou a decisão recorrida, a autoridade lançadora conduziu os trabalhos de forma criteriosa, oportunizando à contribuinte esclarecer, previamente a lavratura Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 816 13 da autuação, as irregularidades apontadas, tendo sido intimada e reintimada por várias vezes a apresentar documentação comprobatória capaz de elucidar os fatos a ela imputados. Também deixou claro a decisão firmada pela instância inicial que, conforme Solução de Consulta Interna n° 39 da Cosit, de 12 de setembro de 2008, a tributação da variação patrimonial aplicável na aquisição de bens comuns ao casal deve ser feita em separado, na proporção de 50% do valor da variação patrimonial para cada cônjuge, caso não tenham apresentado a declaração de ajuste anual em conjunto. No caso concreto, a recorrente não logrou apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto. Limitouse tão somente a apresentar meras alegações de desconhecimento de atos praticados pelo esposo na constância da sociedade conjugal que não têm o condão de afastar a exigência tributária. Salientese que em face das discussões motivadas em face dos argumentos ofertados em sustentação oral exercida pela patrona da recorrente e à vista dos documentos que instruem os presentes autos restou esclarecido que a distribuição proporcional de 50% do rendimento omitido em decorrência da apuração de variação patrimonial a descoberto evidentemente se justifica por estar demonstrado nas planilhas "Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial" dos anoscalendário de 2005 e 2006, fls. 397 a 400, que os dispêndios e as aplicações de capital, então realizados, repercutiram em aumento do patrimônio do casal no período fiscalizado, conforme salientado inclusive pela própria autoridade lançadora às fls. 435 do Termo de Verificação Fiscal. Também restou esclarecido que a pretensão da recorrente para que sejam excluídos os rendimentos do cônjuge da mencionada planilha de apuração da variação patrimonial provoca, na verdade, efeito contrário ao pretendido em face de as aplicações realizadas no período evidenciarem aumento do patrimônio do casal. No que diz respeito ao lançamento da omissão de rendimentos caracterizada pela constatação de depósitos bancários de origem não comprovada, a recorrente contesta a exigência tributária ao argumento de ausência de fato gerador e a impossibilidade de caracterização de responsabilidade solidária. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 416, referidos depósitos bancários foram observados da conta poupança nº 1877.000804715, aberta em nome da filha menor, Bruna Archer Pereira da Silva, menor de idade, na Caixa Econômica Federal, uma vez que seus pais, Içuriti Pereira da Silva e Silvana Carolina Archer Pereira da Silva, são pessoas que se mostraram os titulares de fato da referida conta. De acordo ainda com o item 2.2 do referido Termo de Verificação Fiscal, fls. 427, para chegar a tal conclusão a autoridade lançadora intimou o cônjuge da contribuinte a apresentar os extratos bancários da referida conta de poupança, bem como informasse e comprovasse a existência de eventual cotitularidade e o responsável pela movimentação financeira. Em resposta, o sr. Içurite afirmou a inexistência de cotitularidade, assumindo, contudo, a responsabilidade pela movimentação financeira da citada conta de poupança. Como prova dessa responsabilidade, foi apresentado à fiscalização o documento de fls. 307, no qual a Caixa Econômica Federal declara que a conta pertencente à Bruna Archer Pereira da Silva, única titular, tem sua movimentação financeira efetuada pelo seu pai Sr Içutiti Pereira da Silva. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 De acordo, ainda, com o mesmo Termo de Verificação Fiscal, a informação prestada pelo cônjuge da recorrente (responsável pela movimentação financeira) dá conta de que os créditos registrados nessa conta de poupança adviriam de recursos do casal mas que os comprovantes da origem de tais recursos não estariam disponíveis para apresentação à fiscalização. Depreendese, pois, que para caracterizar a recorrente como cotitular de fato da movimentação registrada na referida conta de poupança de titularidade de sua filha, a fiscalização baseouse, em última análise, nas informações prestadas por seu cônjuge. Por outro lado, compulsandose os autos, verificase que o único elemento de prova de responsabilidade pela movimentação financeira da referida conta de poupança da filha da recorrente é a citada declaração firmada pela Caixa Econômica Federal, fls. 307. Nesse documento, contudo, nenhuma menção expressa foi feita à recorrente nesse sentido. Observese, ainda, que o Termo de Verificação Fiscal, ao destacar o fato de que parte dos recursos depositados nessa conta (R$100.00,00) destinouse à compra de um veículo em nome da recorrente, por si só, não é suficiente para que se configure a efetiva co titularidade da recorrente em relação a essa conta bancária aberta pelo seu cônjuge em nome de sua filha. A respeito do assunto, convém transcrever a Súmula CARF nº 32 contendo o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente constitui efetivamente como cotitular da conta de poupança, aberta pelo seu cônjuge em nome de terceiro, não restou comprovado nos autos que os depósitos questionados pela autoridade lançadora a ela pertenciam. Diante do exposto, há que ser excluída da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e, por via de consequência, deverá ser excluída a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). No que diz respeito à alegação de aplicação da multa de ofício confiscatória e da exigência de juros de mora com base na taxa Selic, observese que a matéria se encontra pacificada no âmbito do julgamento administrativo, uma vez que consolidada nos enunciados das Súmulas CARF abaixo transcritas: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 817 15 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000656/2005-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004
MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF-PAPEL IMUNE. RETROAÇÃO BENIGNA.
Há retroação benigna da penalidade prevista no art. 1o da Lei no 11.945/2009 aos casos de falta de entrega de DIF-Papel Imune sancionados com base no art. 57 da Medida Provisória no 2.158-35/2001, em sua redação original.
Numero da decisão: 3403-003.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIF-Papel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF-PAPEL IMUNE. RETROAÇÃO BENIGNA. Há retroação benigna da penalidade prevista no art. 1o da Lei no 11.945/2009 aos casos de falta de entrega de DIF-Papel Imune sancionados com base no art. 57 da Medida Provisória no 2.158-35/2001, em sua redação original.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.000656/2005-73
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436564
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.585
nome_arquivo_s : Decisao_19515000656200573.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 19515000656200573_5436564.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIF-Papel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
id : 5844372
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702661496832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 802 1 801 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000656/200573 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.585 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Matéria AIDIFPAPEL IMUNE Recorrente OBRA MISSIONÁRIA ALFA ÔMEGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIFPAPEL IMUNE. RETROAÇÃO BENIGNA. Há retroação benigna da penalidade prevista no art. 1o da Lei no 11.945/2009 aos casos de falta de entrega de DIFPapel Imune sancionados com base no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001, em sua redação original. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIFPapel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 56 /2 00 5- 73 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 07/03/2005 (fls. 51 a 53, com ciência na mesma data fl. 51)1 para exigência de multa no valor de R$ 700.000,00, pela não entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), em relação ao 3o e ao 4o trimestres de 2002, aos quatro trimestres de 2003 e ao 1o e ao 2o trimestres de 2004. Em 15/02/2005, a recorrente foi intimada (fl. 7) a regularizar a sua situação fiscal em relação à entrega da DIFPapel Imune, de que trata a Instrução NormativaIN SRF no 71/2001 (alterada pela IN SRF no 101/2001), relativa aos referidos trimestres. Em resposta, informou estar desobrigada da apresentação, por não ser fabricante, distribuidor, importador, empresa jornalística ou editora/gráfica (pessoas descritas no art. 1o da IN SRF no 71/2001), mas organização religiosa. Às fls. 33 a 41, constam cópias extraídas do processo administrativo no 13811.000445/200267, no qual a recorrente requer o registro especial para o consumo de papel imune, tendo a empresa feito os requerimentos como “OBRA MISSIONÁRIA ALFA OMEGA, legalmente constituída para produção e impressão de folhetos, revistas e livros, oficina própria” (fls. 34 e 36). No formulário de fl. 37, /38, a recorrente assinala que é “GP Gráfica impressor de livros, jornais e periódicos, que recebe papel adquirido com imunidade tributária”. A empresa foi, assim, inscrita no Registro Especial de Gráfica (cf. Ato Declaratório Executivo no 1.422, de 15/07/2002, emitido pela Delegacia da RF de Fiscalização em São Paulo fl. 39). No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 42 a 48, narra a fiscalização que: (a) em seu estatuto, tratase a recorrente de “uma instituição de natureza religiosa, sem fins lucrativos, tendo como objetivo divulgar o puro evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo através (sic) da venda de folhetos, livros, calendários, cursos bíblicos, fitas cassetes e CD, programa de rádio, televisão e telefone (disk mensagem)”; (b) a empresa se enquadrou como gráfica para obter o registro especial, mas não se considerou como tal na hora de cumprir a obrigação acessória de entregar a DIFPapel Imune; (c) a qualificação de gráfica, na IN de regência, é atribuída a qualquer pessoa que imprima em papel imune, independente de essa ser sua principal atividade econômica; e (d) a empresa obteve o Registro Especial, e, portanto, está obrigada a cumprir a obrigação acessória. Na impugnação de fls. 56 a 60 (com protocolo de 07/04/2005), a instituição sustenta que: (a) é uma organização religiosa, e o único objetivo com o papel imune é redução de custos em folhetos e livretos evangelísticos ou de estudo bíblico, e não comercialização; (b) os diretores nada recebem da entidade; (c) a receita e o patrimônio são constituídos de contribuições, donativos e anuidades, integralmente aplicados nos fins sociais da missão; (d) sempre apresentou suas declarações de Imposto de Renda de forma cristalina, e a não entrega da DIF se deve a informação obtida de seu escritório de contabilidade (que afirmou ter recebido a informação da IOB); (e) os fornecedores passaram a exigir que a “Obra” obtivesse o registro como gráfica, sem o que não poderiam continuar a fornecer o produto; (f) não houve máfé ao não entregar as declarações; e (g) o valor da multa supera inclusive os impostos (que, no caso, são indevidos por força de imunidade art. 150, VI “b” da CF/1988) e a própria 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 803DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 803 3 movimentação das operações da missão. Anexa à impugnação cópias de declarações de Imposto de Renda (DIPJ fls. 95 a 146), cópias das declarações referentes ao papel imune, entregues em 30/03/2005 (fls. 147 a 224) e exemplos do material impresso (fls. 225 a 234). Em 06/11/2008 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 239 a 245), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) a instituição não contesta a situação fática que deu ensejo ao lançamento a falta de entrega das declarações; (b) é entendimento pacífico daquele colegiado (e de diversas DISIT Divisões de Tributação) que a obrigatoriedade de entrega de DIFPapel Imune decorre do simples fato de o sujeito estar inscrito no Registro Especial de que trata o art. 1o da IN SRF no 71/2001; (c) a aplicação da multa decorre do art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001; (d) a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva (cf. art. 136 do CTN); e (e) a cobrança é de multa, e não de impostos, e o colegiado administrativo não detém competência para exame de constitucionalidade. Cientificada da decisão da DRJ em 19/03/2009 (cf. AR de fl. 254), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 09/04/2009 (fls. 256 a 267), tecendo considerações sobre a imunidade de impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, e sobre a imunidade de impostos a templos de qualquer culto, e reiterando a argumentação exposta na impugnação, destacando ainda que a penalidade acarretará o fechamento da empresa, por irregularidade formal, sem qualquer prejuízo para o fisco, e que as DIF foram entregues, ainda que após a autuação. Por fim, informa que não houve sequer detalhamento da base de cálculo da multa na autuação, e reapresenta a documentação já anexada na impugnação, acrescentando ainda cópias dos livros “O verdadeiro consolo” e “Procure salvar quem está sendo arrastado para a morte”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe destacar que não há controvérsia em relação a fatos. As discussões se restringem à leitura jurídica de tais fatos. É incontroverso que a empresa possui “Registro Especial de Gráfica”. Isso brota de sua própria demanda e do teor do Ato Declaratório de Concessão (fl. 39): Fl. 804DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 Também não há contencioso sobre o fato de a empresa ser entidade religiosa (e de caráter não lucrativo), com a consequente imunidade de impostos, ou sobre haver previsão de imunidade para livros, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Não há ainda dúvida levantada sobre tal imunidade de impostos se aplicar à recorrente. Também está claro que não houve máfé (o que acaba sendo irrelevante diante da responsabilidade objetiva prevista no art. 136 do CTN). O que se está a discutir no presente processo, no entanto, não se refere a impostos, ou a multa por falta de seu recolhimento. Tratam os autos, sim, de falta de cumprimento de uma obrigação acessória (dever instrumental) de entregar declaração, no caso a DIFPapel Imune. A obrigação de apresentar a DIF (e a consequência da nãoapresentação) estão claramente estabelecidas na IN SRF no 71/2001, vigente à época: “Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei Nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 134, de 08 de fevereiro de 2002) (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da Fl. 805DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 804 5 penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001.” E a penalidade aplicada foi exatamente a então prevista no art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001 (conforme se externa no enquadramento legal da autuação fl. 52): Também no TVF se afirma que a capitulação legal da infração é no inciso I do art. 57 (fl. 47): O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001 apresentava, à época, a seguinte redação (com destaque para o inciso I): “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (...)” (grifo nosso) (o art. 16 da Lei no 9.779/1999 dispões que “compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável) Analisando os demonstrativos anexos à autuação, percebese que as bases adotadas foram as seguintes (fls. 48 a 50): Fl. 806DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Observando a tabela, percebese que as bases são exatamente o resultado da multiplicação de R$ 5.000,00 pelo número de meses completados entre a data em que deveria ser entregue cada DIF (data de referência) e a data da autuação (07/03/2005). Assim, por exemplo, a penalidade para a DIF a ser entregue em 30/07/2004 equivale a R$ 5.000,00 multiplicado por 7 (meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004, e janeiro e fevereiro de 2005), resultando nos R$ 35.000,00 que estão relacionados na autuação. E vejase a informação final do TVF (fl. 46): Com o texto, buscava o fisco esclarecer que se a instituição continuasse a não entregar as declarações, novas autuações poderiam ser lavradas para períodos subsequentes a março de 2005 (acrescendo mais R$ 5.000,00 em cada multa, por mês). Essas autuações complementares foram afastadas pela recorrente ao apresentar as DIF ainda em 30/03/2005. Mas o lançamento presente na autuação remanesceu. Um mês depois do julgamento pela DRJ, surge a Medida Provisória no 451/2008, posteriormente convertida na Lei no 11.945/2009. Tal lei cria penalidade mais específica (e mais branda) para o caso, dispondo em seus arts. 1o e 2o (ambos vigentes a partir de 16/12/2008, cf. art. 33, IV, “a” da lei): Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 805 7 (...) § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Art. 2o O Registro Especial de que trata o art. 1o desta Lei poderá ser cancelado, a qualquer tempo, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil se, após a sua concessão, ocorrer uma das seguintes hipóteses:(Produção de efeitos). I desatendimento dos requisitos que condicionaram a sua concessão; II situação irregular da pessoa jurídica perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; III atividade econômica declarada para efeito da concessão do Registro Especial divergente da informada perante o CNPJ ou daquela regularmente exercida pela pessoa jurídica; (...)” (grifo nosso) Passou, assim, a haver penalidade específica para o caso, e que pode retroagir tendo em vista o comando do art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional: “a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 A alteração legislativa de ordem legal ocasionou a revogação da IN SRF no 71/2001, tendo a Instrução Normativa revogadora (IN RFB no 976/2009), em seu art. 12, reproduzido as penalidades constantes nos arts. 1o e 2o da Lei no 11.945/2009. Quanto ao fato de ser benigna a retroação, no caso em análise, não há dúvidas, visto que a penalidade prevista no inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, de R$ 2.500,00 ou R$ 5.000,00 (não se tem nos autos a informação conclusiva sobre ser a recorrente “micro ou pequena empresa”), não é por mêscalendário, mas por DIF não apresentada. Como no caso em análise o fisco apurou a falta de 8 DIFPapel Imune, a cada uma delas deve ser aplicada a penalidade de R$ 5.000,00 ou R$ 2.500,00, dependendo do porte da empresa, a ser verificado pela unidade preparadora quando da implementação/liquidação deste julgado. E a soma das oito penalidades de R$ 5.000,00 ou de R$ 2.500,00 é certamente inferior aos R$ 700.000,00 lançados. Adicionese que não se aplica ao caso o disposto no inciso I do art. 1o da Lei no 11.945/2009 (por não ter o fisco sequer examinado as DIF apresentadas em 30/03/2005 no presente processo, o que poderia ser oportunamente feito em procedimento posterior, dentro dos prazos previstos na legislação), nem a redução prevista no § 5o do art. 1o da mesma lei (porque a apresentação extemporânea da DIF ocorreu após procedimento de ofício, resultante na autuação). Cabe ainda salientar que a base legal explícita da autuação (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001) foi alterada por duas vezes (sempre tratando genericamente de obrigações acessórias): inicialmente pela Lei no 12.766/2012 (art. 8o), e depois pela Lei no 12.873/2013 (art. 57). Mas pela especificidade, prevalecem, no caso, as penalidades previstas na Lei no 11.945/2009 (que tratam objetivamente de papel imune). Assim, deve ser aplicado ao caso retroativamente o inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada DIF não apresentada, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Por mais que se reconheça a nobre atividade da recorrente, e a ausência de máfé na falta de entrega da DIFPapel Imune, este julgador deve cumprir de forma imparcial o disposto na legislação, da mesma forma como agiu o juiz honesto, de toga, na mensagem de fl. 226, divulgada pela recorrente: Fl. 809DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 806 9 Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIFPapel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Rosaldo Trevisan Fl. 810DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920821/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.920821/2008-59
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442441
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.269
nome_arquivo_s : Decisao_15374920821200859.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 15374920821200859_5442441.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Adriana Gomes Rêgo Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5863838
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702666739712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 79 1 78 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.920821/200859 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.269 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de março de 2015 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 20 82 1/ 20 08 -5 9 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 80 2 Relatório Sirvome do relatório constante da decisão de primeiro grau para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte. Versa o presente processo sobre o PER/DCOMP 13219.61366.010405.1.2.02 1126 (fl. 02/04), por meio da qual a interessada pleiteia restituição de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício 2000 data do evento 28/04/2000 da sucedida Sul América Agro Pastoril do Nordeste CNPJ 07.469.406/000167. De acordo com o Despacho Decisório n° 783769570 emitido em 26/08/2008 (fl. 07), foi indeferido o pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP anteriormente relacionado, tendo em vista que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, uma vez que não há Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. CNPJ do detentor do crédito: 07.469.406/000167; Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 54.115,59. Cientificada do referido Despacho em 02/09/2008 (fl. 06), apresentou a interessada, em 02/10/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 09/10, juntamente com os documentos de fl. 11/49, na qual alega em síntese que: • Inicialmente esclarece que, em 01/04/2005, apresentou PER/DCOMP modelo 1.6 objetivando ver reconhecido o seu direito de ter restituído o valor de R$ 54.115,59 relativo a crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado pela sua incorporadora Sul América Agro Pastoril do Nordeste no período compreendido entre 01/01/2000 a 28/04/2000 (data da sua incorporação pela requerente); • A DERAT, ao analisar o PER/DCOMP, não homologou as compensações pleiteadas sob a alegação de que "... não foi possível confirmar a apuração do crédito, uma vez que não há Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com apuração de saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP ..."; • Contudo, verificase que o saldo em questão está devidamente informado na DIPJ entregue pela Incorporada a época da incorporação (vide linha 18 da ficha 13 da DIPJ 2000/2000 em anexo doc. 3 e documentos da incorporação doc. 4); • Com efeito, como na versão 1.6 da PER/DCOMP utilizada não havia campo para consignar nesses casos o exercício, a requerente, além de fazer constar a ocorrência da incorporação no campo "situação especial", informou o saldo negativo como decorrente do período compreendido entre 01/01/2000 e 28/04/2000 e na data do evento 28/04/2000; • Requer reforma do Despacho Decisório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 81 3 Foram juntados aos autos Relatórios do Sistema CNPJ / Consulta / RFB (fl. 51/52) e do Sistema IRPJ / IRPJCONS/ Consulta / RFB (fl. 53). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1231.352, de 17 de junho de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de crédito que pretende ter restituído. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 64/69, por meio do qual sustenta: que o fundamento esposado no ato decisório recorrido não pode prosperar, pois à época, como evidencia a sua denominação estampada nos próprios atos que deliberam a incorporação (Sul América Santa Cruz Seguros S.A.), ela era uma empresa seguradora e, conforme exige a letra "a" do artigo 36 do DecretoLei n° 73/66 c/c artigo 10 da Circular SUSEP n° 260/2004, era obrigada, no prazo máximo de trinta dias, a submeter à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) pedido de autorização para a incorporação de outra sociedade; que, como determina o artigo 5° da mencionada Circular SUSEP nº 260/2004, somente após a homologação pela SUSEP é que ela poderia solicitar arquivamento dos documentos relativos à incorporação na Junta Comercial; que, pelo que se depreende da Carta SUSEP/DECON/GAB 289/2001 ora anexada (doc. 1), o pedido de autorização protocolado em 23.05.2000 foi deferido pela SUSEP em 22.02.2001 e, em 08.03.2001, pelo n° de protocolo 002001/033.9159, (fls. de protocolo na Junta anexada à manifestação de inconformidade), ou seja, dentro do prazo de 30 dias exigido pela letra “a”, inciso II, do artigo 32 da Lei n° 8.934/94, ela arquivou os citados atos na JUCERJA; que, a teor do mencionado dispositivo legal, os efeitos do arquivamento retroagiram à data da realização das assembléias que deliberam a incorporação (28.04.2000); que, atendidas todas as exigências legais no que se refere à incorporação, não pode ser a ela imputada a responsabilidade por demora na baixa do CNPJ da empresa incorporada, face as inúmeras exigências realizadas pela RFB, ou ainda, ausência de registro nos sistemas desse órgão de DIPJ regularmente entregue. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 82 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES indica para o encontro de contas crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao exercício 2000, apurado pela sucedida SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), unidade administrativa que primeiro analisou a compensação requerida pela contribuinte, a indeferiu por não localizar Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) com apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP (Despacho Decisório – eletrônico – fls. 07). Apresentada Manifestação de Inconformidade, a Turma Julgadora de primeira instância também indeferiu o pedido ali veiculado, servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: i) não restou comprovada nos autos a incorporação, por parte da Recorrente, da pessoa jurídica SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE; ii) não foi possível atestar o registro da extinção, por incorporação, da empresa SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE na Junta Comercial; iii) a pessoa jurídica SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE encontrase “baixada”, por motivo de INAPTIDÃO, tendo como data da situação 31 de dezembro de 2008; iv) embora reste comprovada a entrega, por parte da pessoa jurídica incorporada, da DIPJ/2000, período de 01/01/2000 a 28/04/2000, uma vez que não restou comprovada à Receita Federal a ocorrência do evento de incorporação, referida declaração não foi aceita (conclusão extraída a partir da ausência de registro de recepção nos controles internos da Receita Federal); v) competia à SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE adotar todas as providências junto aos órgãos competentes, inclusive no que diz respeito à baixa de inscrição no CNPJ; e vi) a requerente (SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES) não possui legitimidade para pleitear restituição de tributo pago a maior pela pessoa jurídica SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE. Por entender necessária a complementação de informações, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem, sem adentrar ao mérito dos fundamentos da decisão exarada em primeira instância, emita Parecer acerca da liquidez e certeza do direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação tributária. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 83 5 Solicitase que a contribuinte seja cientificada do Parecer ora requerido, para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000660/2001-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA.
Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção.
Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
Numero da decisão: 3402-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13052.000660/2001-16
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5433117
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.631
nome_arquivo_s : Decisao_13052000660200116.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13052000660200116_5433117.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
id : 5830807
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702668836864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.657 1 1.656 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000660/200116 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.631 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA MINUANO DE ALIMENTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 06 60 /2 00 1- 16 Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13052.000660/200116 Acórdão n.º 3402002.631 S3C4T2 Fl. 1.658 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.1650/1652) opostos pela Fazenda Nacional, por suposta contradição no v. Acórdão nº 3402002.377, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 1642/1648, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de minha relatoria que, em sessão de 24/04/2014, fez constar da súmula do julgamento que, por unanimidade de votos, acolheuse os embargos, no sentido de anular a decisão embargada, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE CONTEÚDO DO VOTO, SÚMULA DO ACÓRDÃO E EMENTA. CONTRADIÇÃO INVENCÍVEL. ANULAÇÃO DO JULGAMENTO ANTERIOR. Constatada contradição invencível entre o conteúdo material do voto condutor do julgado e respectiva ementa, e o conteúdo expresso no resultado do julgamento contido na súmula do Acórdão, e mostrandose impossível sanearse contradição mediante embargos, deve se anulada a decisão anterior para que outra seja novamente proferida, cabendo imprimir efeitos infringentes aos embargos de declaração. Embargos acolhidos. Entende a Embargante que a decisão embargada (consignada no Acórdão 3402002.377) contém contradição no texto proferido, quando determinou a anulação de acórdão diverso (acórdão nº 20180.386) da decisão efetivamente embargada (3402001.119). Esta determinação supostamente equivocada está consignada na parte dispositiva do Acórdão 3402002.377, às fls. 06, e, fls. 1647 (n.e) dos autos. Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam conhecido e providos os embargos, para o fim de que seja sanada a contradição arguida. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O presente Embargos preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, de fato, há uma contradição de erro formal no acórdão, quando consignou: “Ante o exposto, face às fundamentações acima expostas, conheço e acolho os Embargos Declaratórios, para anular o v. Acórdão nº 20180.386 exarado pelo 2ª Turma da 4º Câmara do CARF, devendo ser proferida nova decisão após o transcurso do prazo legal de recursos pelas partes interessadas, quando deverão os autos retomarem o curso do devido processo legal”, quando na verdade, houve apenas erro formal na digitação quanto ao número do Acórdão a ser anulado. Assim, verificase que de fato assiste razão o contribuinte em embargar o citado acórdão visto que o resultado de julgamento contém erro de digitação quanto ao número do Acórdão a ser anulado. Constatase de fato, que o Acórdão que restara anulado pela decisão aqui embargada, efetivamente tratase daquele numerado como 3402001.119, de modo que estáse diante de mero erro material na redação da decisão, devendo ser acolhido os embargos para saneamento do vício. Em face do exposto, voto em acolher e dar provimento aos embargos de declaração, para retificar a parte dispositiva do acórdão, que ficará redigida nos seguintes termos: Ante o exposto, face às fundamentações acima expostas, conheço e acolho os Embargos Declaratórios, para anular o v. Acórdão nº 3402001.119 exarado pela 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF, devendo ser proferida nova decisão após o transcurso do prazo legal de recursos pelas partes interessadas, quando deverão os autos retomarem o curso do devido processo legal. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13052.000660/200116 Acórdão n.º 3402002.631 S3C4T2 Fl. 1.659 5 Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907773/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/03/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.907773/2012-41
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429112
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.775
nome_arquivo_s : Decisao_10830907773201241.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10830907773201241_5429112.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5823124
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702691905536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.907773/201241 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.775 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente TRANSPORTADORA RODO IMPORT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 77 73 /2 01 2- 41 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001375/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1984
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
É de se negar o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para caracterização da existência do indébito no referido exercício e, ainda, não restem caracterizados como isentos os rendimentos recebidos.
Numero da decisão: 2101-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1984 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. É de se negar o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para caracterização da existência do indébito no referido exercício e, ainda, não restem caracterizados como isentos os rendimentos recebidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13706.001375/2002-61
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432178
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2101-002.635
nome_arquivo_s : Decisao_13706001375200261.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 13706001375200261_5432178.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5828579
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702697148416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 344 1 343 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.001375/200261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.635 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente NELSON ARANHA PINTO DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1984 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. É de se negar o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para caracterização da existência do indébito no referido exercício e, ainda, não restem caracterizados como isentos os rendimentos recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 13 75 /2 00 2- 61 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 334/340) interposto em 18 de julho de 2013 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (efls. 325/331), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade de efls. 316/321, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte relativamente a imposto de renda retido na fonte no anocalendário de 1983. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1983 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Ainda que se conclua pela isenção da verba recebida por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, deve ser negado o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para que se conclua que o contribuinte pagou imposto em valor superior ao devido no anocalendário em que foram auferidos os rendimentos, verificação que deve ser realizada mediante retificação dos valores informados na declaração de ajuste anual do exercício em questão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” (efl. 325). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 334/340), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para reconhecer o direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ que rejeitou a manifestação de inconformidade do contribuinte apresentada em face de despacho decisório que negou a restituição de IRPF incidente sobre verba recebida no anocalendário de 1983 da IBM Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., tendo o contribuinte alegado que a importância fora paga em razão de sua adesão a Programa de Incentivo a Demissão Voluntária, não se submetendo, portanto, à incidência do imposto de renda, consoante estabelecido na IN SRF n.º 165, de 1998. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 13706.001375/200261 Acórdão n.º 2101002.635 S2C1T1 Fl. 345 3 Inferese dos autos que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) entendeu que os elementos dos autos não seriam suficientes para a realização do cálculo do saldo do imposto a restituir em favor do contribuinte, não permitindo sequer a aferição da existência de eventual montante a ser devolvido. Entendeu, ainda, que não seria razoável que se entendesse como dever da Administração Tributária a manutenção indefinida em seus arquivos das informações de todos os contribuintes, consignando, por fim, que o contribuinte não teria se desincumbido do ônus de comprovar os valores. Como se verifica dos autos, a própria DRJ reconheceu que os documentos juntados aos autos comprovavam a adesão do contribuinte ao Programa de Demissão Voluntária da IBM, tendo recebido a verba denominada “Gratificação Especial por Tempo de Serviço”. Neste sentido, os documentos acostados nas efls. 160/161 e, posteriormente, nas e fls. 298 e seguintes, notadamente o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, comprovam as retenções realizadas pela empregadora em função da adesão ao PDV. Caso não houvesse comprovação das retenções do Imposto sobre a Renda realizadas pela empregadora, o que de fato ocorreu nestes autos, eventual cobrança das diferenças dos valores não recolhidos deveria ser realizada diretamente da IBM, já que esta assumiu tal responsabilidade, nos termos do próprio Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho. Considerando, portanto, que no presente caso é incontestável a retenção dos valores pela empregadora no contexto do PDV, sendo cabível, portanto, a restituição dos valores ao contribuinte, de rigor que haja a reforma do acórdão proferido pela instância julgadora. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia à posição do Conselheiro Relator, ouso divergir no que diz respeito à suficiência da comprovação de adesão ao PDV, acompanhada da comprovação da existência de retenção de valores, a fim de que se possa dar provimento ao recurso, reconhecendose, assim, o direito à restituição do contribuinte no caso em questão. Inicialmente, em linha com o entendimento já esposado pela autoridade julgadora de 1a. instância, também entendo que a necessária caracterização de existência de indébito, dando azo, assim, à restituição pleiteada, só poderia ser feita no âmbito da declaração de ajuste, considerada aqui a ocorrência do fato gerador em 31/12 do ano do recebimento Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 4 (1983), o que não ocorreu no caso em questão. Ressalto, a propósito, que, ainda que se tratasse de verba isenta recebida, poderia a fonte retida não ser passível de restituição quando do ajuste anual, o que poderia ocorrer, por exemplo, caso o contribuinte tivesse auferido rendimentos tributáveis de outra(s) fonte(s) pagadora(s) no mesmo anocalendário não sujeitos à antecipação, fazendo com que os valores antecipados fossem utilizados para quitação do montante tributável oriundo destes rendimentos, apurado quando do ajuste. Quanto ao ônus da prova, não vejo reparo ao posicionamento delineado pela autoridade de 1a. instância de incumbir, aqui, ao autuado, visto que constitutivo de seu direito. Ainda, como fundamento adicional, com a devida vênia agora a pressuposto constante da decisão da autoridade julgadora de 1a. instância, entendo que dependeria o provimento do recurso, ainda, da efetiva caracterização da aplicabilidade da isenção do Imposto de Renda às verbas recebidas, o que, entendo, poder se afastar, aqui, considerandose a nítida denominação da rubrica de “Gratificação Especial por Tempo de Serviço”, paga, note se, anteriormente à isenção estabelecida pelo art. 14 da Lei no 9.468, de 10 de julho de 1997, se tratando, aqui, em meu entendimento, o valor recebido de “indenização especial”, sujeita à incidência do imposto de renda. Tal entendimento encontra detalhamento e respaldo, inclusive, na jurisprudência pacificada do STJ acerca do tema, abaixo reproduzida, que é expressa em remeter a hipótese de não incidência de gratificações desta natureza à isenção de recursos a título de PDV estabelecida com fulcro no art. 39, inciso XIX do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), dispositivo este que reproduz o art. 14 da Lei no 9.468, de 1997, e que, repitase, trata de isenção inexistente à época do recebimento pelo autuado no caso sob análise. (...) No entanto, no atinente especificamente à incidência do desconto do IR sobre verbas auferidas, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho do recorrido, a título de “indenização especial” (gratificações, gratificações por liberalidade e por tempo de serviço), in casu, nominadas de “Indenização – Incentivo ao Desligamento” e “Indenização – Renúncia às Estabilidades”, rendome à posição da egrégia 1ª Turma, que decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A EMPREGADO, POR OCASIÃO DA RESCISÃO DO CONTRATO, A TÍTULO ESPONTÂNEO, EM RECONHECIMENTO A RELEVANTES SERVIÇOS PRESTADOS AO EMPREGADOR. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. DISTINÇÃO ENTRE INDENIZAÇÃO POR DANOS AO PATRIMÔNIO MATERIAL E AO PATRIMÔNIO IMATERIAL. 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os “acréscimos patrimoniais”, assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 2. Indenização é a prestação destinada a reparar ou recompensar o dano causado a um bem jurídico por ato ou omissão ilícita. Os bens jurídicos lesados podem ser (a) de natureza patrimonial (= integrantes do patrimônio material) ou (b) de natureza nãopatrimonial (= integrantes do patrimônio Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 13706.001375/200261 Acórdão n.º 2101002.635 S2C1T1 Fl. 346 5 imaterial ou moral), e, em qualquer das hipóteses, quando não recompostos in natura, obrigam o causador do dano a uma prestação substitutiva em dinheiro. 3. Não tem natureza indenizatória, sob esse aspecto, o pagamento correspondente a uma prestação que, originalmente (= independentemente da ocorrência de lesão), era devida em dinheiro, pois, em tal caso, há simples adimplemento in natura da obrigação. Igualmente, não tem natureza indenizatória o pagamento em dinheiro que não tenha como pressuposto a existência de um dano causado por ato ilícito. 4. O pagamento de indenização pode ou não acarretar acréscimo patrimonial, dependendo da natureza do bem jurídico a que se refere. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (= dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização (a) ultrapassar o valor do dano material verificado (= dano emergente), ou (b) se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (= lucro cessante), ou (c) se referir a dano causado a bem do patrimônio imaterial (= dano que não importou redução do patrimônio material). 5. A indenização que acarreta acréscimo patrimonial configura fato gerador do imposto de renda e, como tal, ficará sujeita a tributação, a não ser que o crédito tributário esteja excluído por isenção legal, como é o caso das hipóteses dos incisos XVI , XVII , XIX , XX e XXIII do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto 3.000, de 31.03.99 (g.n.). 6. No caso, o pagamento feito pelo empregador a seu empregado, a título de gratificação, em reconhecimento por relevantes serviços prestados à empresa, não tem natureza indenizatória. E, mesmo que tivesse, estaria sujeito à tributação do imposto de renda, já que (a) importou acréscimo patrimonial e (b) não está beneficiado por isenção. A lei isenta de imposto de renda "a indenização (...) por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho" (art. 39 do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99). 7. Recurso especial provido. (REsp 637623/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/06/05) No mesmo sentido e do mesmo Relator: REsp nº 652373/RJ, DJ de 01/07/2005; REsp nº 775701/SP, DJ de 07/11/2005. Na mesma linha são os precedentes da 1ª Seção: EREsps nºs 770078/SP, DJ de 11/09/06; 742773/SP, DJ de 04/09/06; 775701/SP, DJ de 01/08/06; AgRg nos EREsp nº 758417/SP, DJ de 01/08/06; EAG nº 687462/SP, DJ de 04/09/06, dentre outros. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 6 Por tais razões, conheço do agravo para prover o recurso especial (art. 544, § 3º, do CPC) para que incida o IR, apenas e tãosomente, sobre as verbas auferidas, por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, a título de “indenização especial” (gratificações, gratificações por liberalidade e por tempo de serviço (g.n.)), o que, no caso dos autos, representa as “Indenização – Incentivo ao Desligamento” e “Indenização – Renúncia às Estabilidades”. (STJ, Ag 967028, DJ de 14/02/2008, Rel. Min. José Delgado). Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013648/2006-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõe-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do período de 2001, com retorno dos autos à Turma recorrida para análise das demais questões do recurso voluntário relativas ao período.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõe-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10680.013648/2006-91
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429279
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.574
nome_arquivo_s : Decisao_10680013648200691.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680013648200691_5429279.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do período de 2001, com retorno dos autos à Turma recorrida para análise das demais questões do recurso voluntário relativas ao período. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
id : 5824597
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702700294144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 900 1 899 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.013648/200691 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.574 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria ITR DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGRO INDUSTRIAL BELA VISTA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõese a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do período de 2001, com retorno dos autos à Turma recorrida para análise das demais questões do recurso voluntário relativas ao período. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 36 48 /2 00 6- 91 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório AGRO INDUSTRIAL BELA VISTA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/12/2006 (AR fl. 143), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação aos exercícios de 2001 e 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Bela Vista”, localizado no município de Sarzedo/MG, inscrita na RFB sob nº 35787686, conforme peça inaugural do feito, às fls. 128/138, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 22.299/2007, às fls. 302/327, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 13/05/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.548, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de apelo de oficio quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 9202003.574 CSRFT2 Fl. 901 3 Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei n° 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 40 do CTN). Recurso de Oficio no conhecido. Argüição de decadência do recurso voluntário acolhida.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 369/383, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs CSRF/01 03.103, 10246.355, dentre outros, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, o que afastaria a pretensa decadência acolhida pela Turma recorrida. No caso dos autos, para os fatos geradores ocorridos em 2001, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2002, fazendo com o que o início do prazo decadencial fosse conduzido para 1o de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31.12.2006. Como a ciência do lançamento aconteceu em 21.12.2006, não houve lançamento a destempo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220200.422/2010, às fls. 386/388. Ato contínuo, encaminhado o processo para ciência da contribuinte do resultado do julgamento e Recurso Especial da Fazenda Nacional, a autuada opôs Embargos de Declaração, de fls. 401/403, suscitando omissão quanto as demais alegações da então Fl. 902DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 recorrente, especialmente quanto aos juros Selic e multa, tendo obtido êxito em sua empreitada, relativamente ao acolhimento de seus Embargos, nos termos do Acórdão n° 2202001.519, saneando a omissão incorrida, mas mantendo a decisão anteriormente proferida. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos nºs CSRF/0103.103, 10246.355, dentre outros, ora adotado como paradigma, e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja levado a efeito o prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Em defesa de seu pleito, sustenta que inexistindo autolançamento do autuado, com a respectiva antecipação de pagamento, não há o que se homologar, razão pela qual deve se adotar os preceitos do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins da contagem do prazo decadencial, o que se aplica no presente caso, não se cogitando na decadência acolhida pelo Acórdão recorrido. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito do ilustre Conselheiro relator, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Destarte, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, após passar a ser tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação, com a edição da Lei n° 9.393/1996, limitouse a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, adotando a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de Fl. 903DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 9202003.574 CSRFT2 Fl. 902 5 recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 904DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento para tais tributos, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. No caso vertente, inexiste nos autos comprovantes de recolhimentos, ainda que parciais, relativos aos fatos geradores do Imposto Territorial Rural ora lançado. Aliás, ao contrário, a ilustre autoridade lançadora deixou bem claro no Termo de Verificação Fiscal, de fl. 135, que a contribuinte, em que pese declarar e apurar saldo de imposto de R$ 10,00, deixou de recolhêlo no tempo oportuno, senão vejamos: “[...] Constatase da análise das Declarações do ITR DITR, exercícios 2001 e 2002 (fls. 22 a 29), e de dados da SRF (fls. 30 a 53) que, apesar de declarar imposto devido em ambos os exercícios de R$ 10,00, não consta o recolhimento desse valor (código de receita 1070) até 1°/1/2006, data em que, se tivesse havido o pagamento do imposto calculado na DITR 2001, este encontrarseia homologado tacitamente, em conformidade com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Não tendo havido o recolhimento do imposto devido no prazo do lançamento por homologação, o crédito tributário correspondente somente decairá em 1°/1/2007, de acordo com a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Verificase que o contribuinte veio a recolher o imposto calculado nas DITRs 2001 e 2002 (fls. 49 a ) somente em 31/1/2006, após a recepção do Termo de Início da Ação Fiscal e após o prazo do lançamento por homologação. [...]” Na esteira dessas considerações, não se vislumbrando a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 9202003.574 CSRFT2 Fl. 903 7 Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 21/12/2006, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, às fls. 143, a exigência fiscal não se encontra fulminada pela decadência, eis que ocorrido o fato gerador em 01/01/2001, a contagem do prazo decadencial iniciase em 01/01/2002, com encerramento em 31/12/2006, impondo a manutenção do feito, na forma pleiteada pela recorrente. Em tempo, mister determinar o retorno do processo para Turma recorrida, uma vez que a análise das demais questões de mérito, notadamente quanto às áreas de reserva legal e preservação permanente, se restringiu ao exercício 2002, em face do acolhimento da decadência para 2001, ora reformado, devendo haver o exame das demais alegações suscitadas, exclusivamente, para este último exercício. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, determinando o retorno dos autos para a Turma recorrida para análise das demais questões de mérito e/ou outras aventadas pela contribuinte somente em relação ao exercício 2001, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 906DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724668/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSAO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1301-001.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSAO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 12448.724668/2011-37
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448263
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.720
nome_arquivo_s : Decisao_12448724668201137.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 12448724668201137_5448263.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5879559
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702704488448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.724668/201137 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.720 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente NEWWAY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSAO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 46 68 /2 01 1- 37 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Depreendese pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, referente ao anocalendário 2007, acrescidos de multa de ofício de 75% e demais encargos de juros moratórios. De acordo com o Termo de Verificação (fls. 51/56), apurou a Fiscalização que no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2007, a recorrente optou pela tributação pelo lucro presumido, sendo que a ação fiscal teve como objetivo verificar a movimentação financeira incompatível com a receita informada, isto é, a receita bruta informada na declaração na DIPJ foi de R$ 146.171,90, no anocalendário de 2007, bem inferior à movimentação financeira constante nos Demonstrativos mensais de recolhimento de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, declaradas pelas instituições financeiras. Segundo apontouse, em 08/03/2010, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, Livro Caixa ou Diário e Razão (Lucro Presumido) e extratos bancários das contas correntes, contas de poupança e aplicações financeiras do período de 01/01/2007 a 31/12/2007, sendo que em 18/05/2010 foi reiterada a intimação ao contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal n°1, e o contribuinte, em 01/06/2010, o contribuinte apresentou os extratos bancários da conta 054855 da agência 6091 do Banco Itaú, apenas dos meses de janeiro e fevereiro de 2007, e informou que, tendo em vista a mudança de endereço da empresa em 2008, não fora possível localizar o restante da documentação solicitada. Em 15/06/2010, a Fiscalização promoveu nova intimação ao contribuinte, que não apresentou resposta e, em 16/07/2010 a Fiscalização compareceu ao endereço sede da empresa e reiterou a intimação do contribuinte para que apresentasse o restante da documentação, sendo dada ciência pessoal ao sócio Sr. Vicente Paulo Gomes Sampaio Neves, tendo o contribuinte esclarecido, conforme resposta do dia 28/07/2010, que, apesar de inúmeras buscas, não fora possível localizar os livros contábeis da empresa, bem como outros elementos da escrituração contábil/fiscal da empresa e os extratos bancários solicitados por conta de anterior mudança de endereço da empresa. Registouse então, que foram expedidas as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, em 30/08/2010, ao Banco Itaú, tendo a entidade bancária enviado os extratos em 21.10.2010, sendo solicitado à empresa que informasse e comprovasse, por documentação hábil e idônea, a origem de cada item de lançamento bancário a crédito nas contas correntes. O contribuinte em 19.11.2010 informou que os lançamentos a crédito na conta corrente 054855 do Banco Itaú tinha como origem a própria atividade da empresa, Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12448.724668/201137 Acórdão n.º 1301001.720 S1C3T1 Fl. 3 3 reiterando a informação de não ter logrado êxito em localizar a escrituração contábil da empresa, haja vista mudança de endereço da empresa em 2008. Justificou os lançamentos a crédito na conta corrente 236583 do Banco Itaú nos valores de R$ 45.000,00, em 02.01.2007, e R$ 35.000,00, em 09.07.2007, como referentes a transferências da conta 054855 do Banco Itaú, de mesma titularidade, sendo, portanto excluídas da base de cálculo. A fiscalização lavrou Termo de Constatação Fiscal, enviado ao contribuinte por via postal, com aviso de recebimento, onde ficou consignado que o contribuinte não logrou êxito até aquela data em apresentar a documentação solicitada (escrituração contábil). O contribuinte informou no 1º e 2º trimestres da DIPJ 2008 a alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto, enquanto que no 3º e 4º trimestres informou a alíquota de 16%. O objeto social da empresa constante no Contrato Social e nas alterações seguintes prevê ambas as atividades, prestação de serviços em geral e comercialização de mercadorias. Pelo fato de o contribuinte não ter apresentado quaisquer documentos no curso da ação fiscal, foram aplicadas, no lançamento do crédito tributário, as alíquotas informadas pelo contribuinte em sua DIPJ 2008. No caso de prestação de serviços, como a receita bruta anual ultrapassou R$ 120.000,00, a alíquota utilizada para determinação da base de cálculo do imposto foi de 32%, conforme art. 519, § 1 e seguintes do RIR/99. Em face da não apresentação da escrituração contábil, efetuouse o arbitramento de seus lucros, com base nas informações disponibilizadas pela Instituição Financeira. Segundo a fiscalização, a falta de escrituração e os valores depositados corroboram a tese de omissão de receita, pois o total de depósitos apurados foi superior à receita declarada, tendo sido lavrado auto de infração, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, destacando que na totalização dos créditos bancários foram excluídos os empréstimos obtidos, transferências de uma conta para outra de mesma titularidade, créditos referentes à redução de saldo devedor, havendo débito em igual valor, cheques sustados, estornos de lançamentos, baixa automática de poupança e as devoluções/estorno de cheques depositados, conforme identificação do contribuinte. Os depósitos/créditos bancários, lançados como receita omitida, estão listados com discriminação individualizada de banco, agência, conta, data, histórico e valor no Extrato consolidado dos créditos anexo I do auto de infração (fls. 57/59). Destacouse que, relativamente à receita bruta declarada na DIPJ/2008 – AC 2007), verificase que foi lavrado auto de infração, com fundamento no art. 532 do RIR/1999, já que, quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Anotouse que pelos demonstrativos dos autos de infração lavrados, que na apuração dos tributos devidos foram efetuadas a compensação de valores dos tributos declarados. Devidamente cientificado, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 192/215), alegando, em síntese, que teria havido quebra do sigilo bancário, o que seria um direito erigido constitucionalmente, sem a devida determinação judicial e que a Lei Complementar n° 105/2001 seria inconstitucional, eis que estabelecesse a quebra de sigilo Fl. 526DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 bancário mediante autorização judicial, ainda assim, tal regra somente valeria no caso de apuração de crimes fiscais, e não em caso de processos administrativos visando apurar créditos tributários em favor da Fazenda Pública. Aduziu que as disposições do Decreto 3.724/01, o qual regulamentou a referida LC 105/2001, tornam os contribuintes extremamente vulneráveis diante da condição assegurada em lei, que outorga aos agentes públicos, sob a forma de procedimento fiscalizatório, a possibilidade de examinar os registros de movimentações financeiras e que outro argumento válido contra a quebra do sigilo bancário diretamente pelo Fisco, é o fato de que a decisão permissiva da quebra se daria por uma das partes interessadas na suposta investigação. Quanto ao mérito, alegou que a fiscalização ignorou a sua afirmação de que a origem dos valores referese a recebimento de vendas para órgãos públicos, a ponto de sequer intimála a apresentar as notas fiscais correspondentes e que mesmo não sendo intimada, por diversas vezes informou à fiscalização que havia localizado as notas fiscais e que estas estavam à disposição, entretanto, esta argumentara que as notas, desacompanhadas da escrituração, não tinham serventia. Defendeuse ainda, que a Fiscalização deixou de considerar os históricos estampados nos próprios extratos bancários, que indicam recebimentos de órgãos públicos e que as notas fiscais anexadas comprovam que os valores recebidos se referem a vendas efetuadas a órgãos públicos. Sustentando que a busca pela verdade material deve sempre nortear o trabalho das autoridades fiscais, por força do mandamento contido no art. 142 do CTN e que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 não pode ser aplicada independentemente dos fatos constatados durante o procedimento fiscal; que uma vez comprovada a origem dos créditos, deve então a autoridade fiscal submeterse ao comando do § 2º do art. 42 da Lei 9.430/96. Para a recorrente, a Fiscalização jamais poderia ignorar as informações que estavam ao seu alcance, e sim, com base nelas, se aprofundar na investigação, com fins de apurar eventual omissão de receita direta, ainda mais que tinha conhecimento de que os créditos bancários se referiam a recebimentos de vendas para órgãos públicos e que, não menos absurda seria a consideração das TEDs identificadas como depósitos sem comprovação da origem, uma vez que no próprio extrato dos Bancos vem a discriminação do remetente (órgão público pagador), ou seja, a comprovação da origem dos recursos, decorrentes de pagamento de vendas realizadas. Defendeu que os valores discriminados no Anexo I do Termo de Verificação da lavra da auditora autuante que foram objeto de tributação referemse a recebimento de vendas (com a devida emissão das notas fiscais) no anocalendário 2007. Portanto, se eventualmente tivessem que ser tributados, jamais poderia ser da forma como foi, inclusive nos períodos (meses e trimestres) eleitos pela fiscalização como de ocorrência do fato gerador, sendo que as notas fiscais e o demonstrativo da relação entre as notas fiscais e os depósitos indicam de forma clara a que notas fiscais os créditos se referem. A 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 437 a 452, julgou o lançamento procedente, ficando assim ementado o aresto: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 527DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12448.724668/201137 Acórdão n.º 1301001.720 S1C3T1 Fl. 4 5 Anocalendário: 2007 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Publicada uma lei, pressupõese que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, que cuida do controle a posteriori, não pode deixar de ser aplicada estando em vigor. Ademais, ressaltase que as autoridades administrativas, incluídas as que ulgam litígios fiscais, não têm competência, nos termos do disposto no art. 26ª do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade de lei, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. ARBITRAMENTO. LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. Uma vez que o interessado, mesmo intimado, não apresentou os livros contábeis e fiscais, cabível o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO. Não cumpridas as formalidades legais no contexto do lucro presumido, tendo em vista a não apresentação dos livros e documentos da escrituração contábil, impõese arbitramento do resultado da pessoa jurídica. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Programa de Integração Social Pis Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social Cofins. CSLL/PIS/COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo as matérias fáticas que ensejaram o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte colhem os autos de infração lavrados por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal existente entre eles. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido [...] Devidamente cientificada (fl. 472), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 475 em diante), reiterando seus argumentos e pugnando pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12448.724668/201137 Acórdão n.º 1301001.720 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito acima, a contribuinte foi autuada pela omissão de receitas no anocalendário 2007, apuradas, as ditas omissões, mediante presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, eis que foram verificados depósitos bancários, cuja origem, intimado a fazêlo, a contribuinte não teria comprovado. Considerando que a recorrente não apresentou sua escrituração, foi efetivado o arbitramento do lucro, com base na receita bruta conhecida, bem como obtidos os extratos bancários, ante a inércia do contribuinte, mediante requisição direta à instituição financeira. A recorrente escora suas razões em dois argumentos básicos, primeiramente teria havido quebra do seu sigilo bancário pelo expediente adotado de requisitarse diretamente ao Banco os seus extratos, em segundo lugar, o fisco teria considerado de origem não comprovada depósitos que teriam sido realizados por entes públicos. Cuidando do primeiro item, consistente na alegada quebra ilegal do seu sigilo bancário o fato de a Fiscalização ter obtido seus extratos bancários, que fundamentaram a autuação de omissão de receitas, por meio da solicitação feita diretamente aos Bancos, mediante as ditas “RMF”. Acerca desta questão quando ainda vigiam as disposições regimentais dos §§ 1º e 2º, do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF, era mister o sobrestamento do feito até que sobreviesse decisão definitiva, do Supremo Tribunal Federal, em âmbito de Repercussão Geral, no RE representativo da controvérsia (RE 601314). Todavia, a determinação regimental de sobrestamento foi suprimida, de sorte que a questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, abusividade e outras acepções tratadas pela contribuinte, precisam ser enfrentadas tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedandose a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02. Dito isso, conquanto seja eloquente e bem articuladas as razões trazidas pelos recorrentes, pouco resta senão reconhecer que o expediente das chamadas RMF, encontram suporte no ordenamento jurídico. Quanto ao procedimento adotado pela Fiscalização no caso concreto, a decisão recorrida cuidou de elaborar um histórico dos eventos e os fundamentos legais que autorizaram o Fisco a valerse do expediente de requisitar as informações diretamente às instituições financeiras, de sorte que entendo acertada a conclusão ao proclamar que a Fl. 530DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 recorrente, de fato, não apresentou os extratos bancários solicitados, caracterizando assim, inegável embaraço à fiscalização, situação que deu ensejo e suporte fático, para as RMF. Sendo assim, legítima a obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, valendose das requisições diretamente às instituições financeiras, de sorte que não subsistem as alegações preliminares da recorrente quanto ao tópico em questão. Já em relação ao arbitramento, como bem reconheceu a decisão recorrida, o próprio recorrente reconhece que não dispõe da escrituração contábil da empresa, a revelar, nos termos do art. 530, inciso III, do RIR/1999, que subsiste irretorquível sua efetivação (arbitramento), eis que a contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Quanto ao mérito, consistente na apurada omissão de receitas, apurou a Fiscalização depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada pelo recorrente, o qual argumenta, em síntese, que a fiscalização ignorou sua afirmação de que a origem dos valores se referia a recebimento de vendas para órgãos públicos, conforme consignado nos históricos estampados nos próprios extratos bancários e que as TEDs identificadas como “depósitos sem comprovação da origem”, estampariam o remetente (órgão público pagador). O argumento da contribuinte, contudo, não empolga. Digo isso, dada a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual, presumese receita omitida, os valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Sendo assim, para além de alegar tratarse de “identificadas as fontes pagadoras” cumpria à contribuinte demonstrar o fidedigno liame documental que assim traduzisse, comprovando ainda, que tais depósitos ou não eram tributáveis, ou tributados foram. Convém registrar ainda, que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugerem os recorrentes, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumprialhes afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12448.724668/201137 Acórdão n.º 1301001.720 S1C3T1 Fl. 6 9 Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Por fim, apurou a Fiscalização, que os lançamentos a crédito na conta corrente 236583 do Banco Itaú nos valores de R$ 45.000,00, em 02.01.2007, e R$ 35.000,00, em 09.07.2007, como referentes a transferências da conta 054855 do Banco Itaú, de mesma titularidade, tendo, portanto já foram excluídos do valor tributável. Na totalização dos créditos bancários foram também excluídos os empréstimos obtidos, as transferências de uma conta para outra de mesma titularidade, os créditos referentes à redução de saldo devedor, havendo débito em igual valor, os cheques sustados, os estornos de lançamentos, a baixa automática de poupança e as devoluções/estorno de cheques depositados, conforme identificação do interessado. Sendo assim, demonstrada a prevalência do fato que desencadeou a presunção legal, de rigor Negarse provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721619/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO.
Tendo em vista o deferimento do PERC, com a consequente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração.
REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO.
Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano-calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entende-se que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte.
REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC.
Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entende-se o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade.
DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN nº 166/1999.
Numero da decisão: 1102-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Tendo em vista o deferimento do PERC, com a consequente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO. Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano-calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entende-se que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte. REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC. Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entende-se o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade. DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN nº 166/1999.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.721619/2011-70
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448456
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.298
nome_arquivo_s : Decisao_16327721619201170.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16327721619201170_5448456.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5883686
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702711828480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721619/201170 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.298 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2015 Matéria FINOR. IRPJ. Recorrente BV FINANCEIRA SA DE CRÉDITO FINANCE. E INVEST. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PERC. PRAZO. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE MARCO INICIAL. O PERC é, em essência, uma medida processual. À falta de determinação legal expressa, aplicase a regra do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Não se observando marco inicial para a contagem do prazo pela falta de Extrato de Emissão ou outro documento que cientifique a Contribuinte do indeferimento de sua opção impossível identificar a intempestividade. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO. Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entendese que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte. REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC. Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entendese o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade. DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 19 /2 01 1- 70 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 3 2 O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN nº 166/1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Tendo em vista o deferimento do PERC, com a consequente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Em apertada síntese, a Contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ apurado ao FINOR. Indeferindo o pedido, a Administração pública lavrou auto de infração para cobrar a parcela que deixou de ser paga quando o contribuinte destinou os recursos ao fundo de investimento. O presente processo reúne o processo de julgamento do PERC, no qual a Contribuinte deseja rever a decisão de seu indeferimento e o processo de contestação do Auto de Infração, pelo qual a Recorrente defende a nulidade do Auto de Infração e, subsidiariamente, a inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros sobre a multa. Enfim, pleiteia o deferimento do investimento no FINOR e o cancelamento do Auto de Infração. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 4 3 Importante salientar, portanto, que no decorrer deste relatório, farei referência a três processos, o principal e dois apensados (fls. 48, 49 e 300). Com o objetivo de facilitar a compreensão, segue tabela abaixo com o objeto de cada processo: Processo n° Objeto 16327.720997/201136 Apenso Processo instaurado para auditoria da DIPJ 2007 AC 2006. A fiscalização constatou que parte do IRPJ devido pela Contribuinte no anocalendário 2006 foi destinada ao Fundo de Investimentos do Nordeste – FINOR. Todavia, a opção não foi reconhecida, em decorrência de supostas pendências fiscais. 16327.721619/201170 Principal Considerando que a Contribuinte não fez o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), foi lavrado auto de infração para exigência de IRPJ no montante de R$ 9.262.897,58, outrora destinado ao FINOR. Contribuinte intimada em 25/11/2011. 16327.720153/201276 Apenso Ciente do AI para exigência de IRPJ, a Contribuinte protocolou impugnação ao auto de infração e aproveitou para protocolar o PERC, ambos em 27/12/2011. O PERC protocolado deu origem ao processo nº 16327.720153/201276. Pois bem. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 336/375) interposto contra Acórdão nº 1648.418 (fls. 302/326) proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ/SP1), na sessão de 11 de Julho de 2013, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação protocolada em 27/12/2011 (fls. 51/87 e anexos fls. 88/296). Em suma, o auto de infração sob análise decorreu da instauração do processo de auditoria da DIPJ 2007, que recebeu o nº 16327.720997/201136. Nesse processo, a fiscalização alega que parte do IRPJ devido pela Contribuinte no anocalendário 2006 foi destinada ao Fundo de Investimentos do Nordeste – FINOR. O Sr. AFRF chegou a essa conclusão a partir do DARF recolhido em 30/03/2007 com o código 9344 e com a opção feita na DIPJ 2007 (Ficha 27), em 28/06/2007. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 5 4 Todavia, a opção não foi reconhecida em decorrência de supostas pendências fiscais da empresa junto ao INSS e outras, objeto do processo nº 16327.001505/2007231. A despeito do indeferimento, segundo o Sr. AFRF, a empresa não fez o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), o que gerou o “transito em julgado” desse processo. Com o “trânsito em julgado”, foi lavrado auto de infração para exigência de IRPJ no montante de R$ 9.262.897,58, o qual chegou ao conhecimento da Contribuinte em 25/11/2011 (fl. 3). Este é o objeto do processo nº 16327.721619/201170. Ciente do AI para exigência de IRPJ, a Contribuinte protocolou impugnação ao auto de infração (fls. 51) e aproveitou para protocolar o PERC, ambos em 27/12/2011. O PERC protocolado deu origem ao processo nº 16327.720153/201276. O PERC foi indeferido pela DEINF/SPO/DIORT em 22/08/2012, sob os seguintes fundamentos: i) intempestividade, pois o termo final era o dia 30/09/2009; ii) a contribuinte não comprovou a regularidade fiscal na data da entrega da DIPJ (28/06/2007); e iii) foi entregue DIPJ 2007 retificadora após 31/12/2007 (transmitidas em 14/08/2008 e 29/04/20112) com alteração no valor relativo ao fundo de investimento regional, a teor do disposto no Ato Declaratório Normativo CST n° 26/85 e na Nota SRF/COSAR n° 131/2001. Em 09/10/2012, a Contribuinte se contrapôs a essa decisão, protocolando manifestação de inconformidade. Nessa mesma data, o processo do PERC, qual seja, 16327.720153/201276, foi apensado a este processo (nº 16327.721619/201170) que tem por objeto o AI para exigência de IRPJ. A DRJ julgou ao mesmo tempo o processo do PERC e do AI IRPJ. O Acórdão n° 1648.418, proferido na sessão de 11 de Julho de 2013, assim foi ementado (fls. 302/326): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 INCENTIVO FISCAL. FINOR. PERC. PRAZO. 1 Essa informação foi extraída do relatório feito pela DRJ à fl. 307: “Sustenta que os créditos tributários referentes ao processo n° 16327.001505/200723 estavam com a exigibilidade suspensa por liminar concedida nos autos do mandado de segurança n° 2001.61.00.0149165, posteriormente confirmada pela sentença e pelo acórdão proferido pelo TRF/3a Região (fls. 141 a 159)”. 2 “Nesta última retificadora, houve alteração no valor do incentivo fiscal declarado, de R$9.385.721,74 para R$9.186.923,91”. Extraí essa informação do relatório feito pela DRJ à fl. 310. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 6 5 O pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais PERC deve ser efetuado até o dia 30 de setembro do terceiro ano subsequente ao anocalendário a que corresponder a opção. INCENTIVO FISCAL. FINOR. PERC. DIPJ RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO. A pessoa jurídica que apresentar DIPJ retificadora após o encerramento do exercício não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais se alterar o valor ou fundo de investimento da opção exercida na declaração entregue dentro do exercício de competência. INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. LANÇAMENTO. Não sendo reconhecido o direito de usufruir o incentivo fiscal, o valor recolhido em DARF específico é considerado aplicação de recursos próprios da pessoa jurídica investidora, sendo exigível o valor do imposto de renda correspondente. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Em caso de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa Selic, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 7 6 PERC. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROTESTO GENÉRICO. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descritos os fatos e apontadas às infrações que motivaram o lançamento fiscal, e tendo o sujeito passivo demonstrado pleno conhecimento das infrações ao impugnar o lançamento, não se verifica a nulidade por cerceamento do direito de defesa, tampouco infração ao disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A manifestação de inconformidade e a impugnação foram consideradas tempestivas (fl. 313). Quanto às demais questões, assim foram fundamentadas: DO PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO RELATIVO AO AUTO DE INFRAÇÃO ATÉ O JULGAMENTO DEFINITIVO DO PROCESSO REFERENTE AO PERC “Esse pleito não pode ser atendido por falta de previsão legal para tal procedimento. O Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual” – fl. 313. DO PERC DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO PERC “No que tange ao prazo para apresentação do PERC, o diploma legal que trata dos fundos relacionados ao incentivo fiscal em comento é o Decretolei nº 1.376/74 [§5º], com a redação dada pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.752/79” – fl. 315. (...) “Os prazos para a extinção de direitos, previstos em todo o ordenamento jurídico, decorrem da necessidade de salvaguardar a segurança das relações jurídicas. Assim, se a pessoa jurídica não recebeu o extrato ou o recebeu sem as opções efetuadas, ou ainda, com irregularidades ou divergências entre os valores declarados e aqueles constantes do respectivo extrato, deve buscar a preservação de seu direito, atentando para o prazo legalmente estipulado para tanto, e adotando, antes de seu decurso, as providências necessárias para a consecução do fim almejado.” – fl. 315. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 8 7 (...) “Pelo diploma legal transcrito, a contribuinte teria até 30/09/2009 para apresentar o seu pedido e diligenciar acerca do incentivo fiscal ao qual entende fazer jus” fl. 315. DA SITUAÇÃO FISCAL NO MOMENTO DA OPÇÃO “Entretanto, tais certidões não comprovam a regularidade fiscal da contribuinte na data da entrega da DIPJ (28/06/2007), visto que, nessa data, já estavam vencidas” – fl. 317. DA ENTREGA DE DIPJ RETIFICADORA APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO “A respeito da questão, cumpre observar o disposto no Ato Declaratório Normativo CST nº 26, de 18 de novembro de 1985” – fl. 317. (...) Confirmando o entendimento acima, a NOTA SRF/COSAR nº 131, de 15 de agosto de 2001” – fl. 318. (...) “Portanto, não há dúvida de que a entrega de DIPJ retificadora após o encerramento do exercício com alteração do valor destinado ao fundo de investimento regional tem por consequência o indeferimento do direito à fruição do incentivo fiscal” – fl. 318. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS “Portanto, há que ser indeferido o protesto genérico da requerente pela produção de provas em momento posterior ao da entrega da manifestação de inconformidade” – fl. 320 DAS CONCLUSÕES RELATIVAS AO PERC “Ante o exposto, concluise que a contribuinte em epígrafe não faz jus ao incentivo fiscal relativo ao FINOR no ano calendário de 2006, devendo ser julgada a manifestação de inconformidade” – fl. 320. DO AUTO DE INFRAÇÃO DA NULIDADE “No auto de infração, a fiscalização informa que os fatos que culminaram no lançamento de ofício, encontramse detalhados no processo administrativo apenso nº 16327.720997/201136, ao qual a contribuinte teve acesso, visto que transcreve, no parágrafo 101 da impugnação, trecho do relatório de auditoria de fls. 03 do processo apenso. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 9 8 Referido relatório de auditoria e o demonstrativo que o acompanha (fls. 03 e 04 do processo apenso) descreve detalhadamente o procedimento adotado pela administração tributária que levou à conclusão da necessidade de lançamento de oficio. Além disso, consta do processo apenso cópia integral da Norma de Execução CODAC n° 01/2011, que normatiza procedimentos de cobrança de valores do IRPJ destinados a maior aos Fundos de Investimentos Regionais. Há que se ressaltar que a impugnação contesta a autuação de forma minuciosa, com farto arrazoado que traz as razões pelas quais entende ser indevida a autuação, demonstrando ter pleno conhecimento e compreensão da infração que lhe foi imputada. Portanto, no caso em comento, não se verifica deficiência na descrição dos fatos tampouco cerceamento do direito de defesa, não devendo ser acolhida a alegação de nulidade” – fl. 321. DO MÉRITO “Face ao não reconhecimento do incentivo fiscal, o DARF recolhido em 30/03/2007 com código de receita específico do FINOR não foi admitido como imposto, mas como aplicação de recursos próprios da contribuinte, conforme previsão contida no art. 601, §6º, do RIR/99. Em decorrência desse fato, foi constatado recolhimento a menor de IRPJ no montante de R$ 9.262.897,58, na auditoria interna relativa à revisão da DIPJ 2007 (fls. 3 do processo apenso nº 16327.720997/201136). Verificada a falta de atendimento às condições para o gozo do incentivo fiscal, a aplicação no fundo continua a existir, pois a opção é irretratável, de acordo com o art. 601, §5º, do RIR/99. Todavia, sua fonte deixa de ser a parcela do imposto renunciada pela União e, necessariamente, passa a ser recurso da própria pessoa jurídica investidora no projeto” fl. 322. DA MULTA DE OFÍCIO “A dispensa da multa de ofício com base no art. 63 da Lei n° 9.430/96 é totalmente inaplicável no presente caso, visto que esse dispositivo dispensa o lançamento da multa de ofício somente nas hipóteses de suspensão da exigibilidade previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN, não contemplando a hipótese do inciso III desse artigo. Além disso, o §1° do referido artigo estabelece que ele se aplica somente aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício.” fl. 323. (...) “No caso, verificouse a falta de pagamento de IRPJ, em razão do não reconhecimento do direito ao incentivo fiscal. Assim, aplicável a multa de ofício no percentual de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96” – fl. 323. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 10 9 DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO “A partir das disposições legais acima [art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430/96], tendo em conta que, em que pese a interpretação contrária pretendida pela defesa, a multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento” – fl. 324. DAS CONCLUSÕES RELATIVAS AO AUTO DE INFRAÇÃO “Ante o exposto, concluise que a impugnação deve ser julgada improcedente, mantendose integralmente o lançamento” fl. 325. Em suma, a quanto ao PERC e ao auto de infração, o acórdão da DRJ foi no sentido de: “a) indeferir o pedido de sobrestamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva no processo administrativo nº 16327.7230153/201276; b) julgar improcedente a manifestação de inconformidade contida no processo administrativo apenso nº 16327.7230153/201276; e c) julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado” – fl. 325. A Recorrente tomou ciência da decisão no dia 25/07/2013 (fl. 329) e, nesse caminho, protocolou Recurso Voluntário em 23/08/2013 (fls. 336/375 e anexos 376/411). Seus pedidos foram: “Diante de todo exposto, requerse seja o presente recurso integralmente provido, diante do evidente direito da Recorrente ao gozo do Incentivo Fiscal pleiteado em sua Opção, reformandose o Acórdão recorrido, para deferir o PERC e determinar a emissão da OEIF, cancelandose, consequentemente, o AI. Subsidiariamente, requer, ao menos, sejam cancelados a multa de ofício e os juros de mora. Por fim, protestase pela produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente prova documental suplementar.” – fl. 375. As razões apresentadas no Recurso Voluntário para fundamentar estes pedidos são as seguintes: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO “Todavia, o vício de motivação do AI apontado pela Recorrente não pode ser superado pela apresentação de defesa da Recorrente. O fato de a Recorrente ter apresentado suas razões de mérito, não desonera a D. Autoridade Fiscal de fundamentar Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 11 10 devidamente seus atos, conforme disposto no art. 142, do CTN.” – fl. 343. (...) “In casu, verificase que a D. Autoridade Fiscal não verificou nenhuma das hipóteses [art. 4º, §§6º e 7º da Lei nº 9.532/97] acima em sua inspeção fiscal. Diversamente, o Sr. Fiscal autuante não logrou demonstrar pendência fiscal alguma quando imponível à Recorrente relativamente ao momento de sua Opção (i.e., anocalendário de 2006 / DIPJ/2007), bem como não está a cobrar apenas parte eventualmente considerada excessiva de destinação ao FINOR, mas sim lançou o valor integral destinado a título de Incentivo Fiscal. Disso decorre que não há concreta materialidade na presente autuação, i.e., não há a certeza da infração que, supostamente, lastrearia o AI. Sendo assim, o lançamento está eivado de nulidade, de acordo com o art. 142, do CTN, eis que ausente uma das hipóteses da regra matriz de incidência tributária (i.e., materialidade)” fl. 345. (...) “Assim, não havendo qualquer hipótese de incidência tributária concretizada, não há que se falar em tributo devido, ante ausência da materialidade da regra matriz. Aliás, vejase que esse vício jamais poderia ser sanado, uma vez que trata de vício material” 345. TEMPESTIVIDADE DA PERC “Da simples leitura do referido dispositivo legal, acima reproduzido [artigo 15, §5º, do DecretoLei n° 1.376/74], ao contrário do quanto alegado pela D. DRJ/SP1, verificase que o prazo ali mencionado é destinado à Administração Fiscal e aos gestores dos fundos de investimentos. Ou seja, o prazo de 30 de setembro do segundo ano subsequente ao anocalendário a que corresponder a opção é para que aqueles, órgãos revertam ao respectivo fundo os valores de ordens de emissão procurados pelos contribuintes que optaram pelo Incentivo Fiscal. Jamais, contudo, aquele termo referese ao prazo que os contribuintes possuiriam para apresentar competente PERC” – fl. 348. (...) “Não se pode considerar a aplicabilidade do art. 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74 à apresentação do PERC, até porque este dispositivo concerne à hipótese em que a ordem de emissão do certificado for homologada pela Receita Federal, porém não resgatada pelo beneficiado. Ora, homologado e não resgatado, não quer dizer não homologado ou indeferido, de sorte que a regra para aquela situação não pode ser aplicada para esta situação. Contra o não reconhecimento do direito ao Incentivo Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 12 11 Fiscal, cabe uma medida processual, que é justamente o PERC.” – fl. 349. (...) “Nesse sentido, a jurisprudência pátria há muito tempo entende que, ante a ausência de norma legal que estabeleça prazo para apresentação do PERC aplicase, então, por analogia, o mesmo prazo previsto para os pedidos de restituição, nos termos do artigo 168, do Código Tributário Nacional” – fl. 349. DA NÃO PRECLUSÃO DA DEFESA PELA FALTA DE APRESENTAÇÃO DO PERC “Nesse sentido, aliás, já se pronunciou este E. CARF, asseverando que não há que se falar em preclusão do direito de defesa do contribuinte, no caso de não apresentação de PERC, sendo que aquele deverá ser feito quando da apresentação da competente impugnação – o que ocorreu in casu” – fl. 351. DO MÉRITO Da regularidade fiscal na opção “Compulsando, o Processo Administrativo n° 16327.720997/201136 a que faz menção o AI, verificase que o motivo pelo qual a D. Autoridade Fiscal não reconhece a Opção eleita pela Recorrente referese ao fato de ter apurado duas supostas pendências fiscais (fls. 18/19), as quais foram detectadas em 15/11/2008 e 04/12/2008, conforme demonstram os extratos copiados abaixo” – fl. 352. (...) “Entretanto, D. Julgadores, não se pode olvidar que o momento correto para a análise da situação de regularidade do contribuinte é o da Opção pelo Incentivo Fiscal, que se consubstancia com a entrega da DIPJ ou pagamento do DARF.” – fl. 353. (...) “Em vista disso, inclusive, este E. CARF colocou uma pá de cal nessa discussão, editando a Súmula nº 37” – fl. 354. (...) “Portanto, ao contrário do quanto alegado pela D. DRJ/SP1, é inconteste que, no presente caso, nos termos da legislação de regência, a Opção foi exercida com o recolhimento do DARF específico, em 30/03/2007 e não da apresentação da DIPJ Original, em 28/06/2007, que, por sua vez, apenas consignou a destinação ao FINOR anteriormente efetivada” – fl. 356. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 13 12 (...) “Deveras, seja à época do recolhimento do DARF específico (30/03/2007), seja à época da transmissão da DIPJ Original (29/06/2007), a Recorrente encontravase em situação plenamente regular perante à RFB, conforme comprovam as Certidões de Regularidade Fiscal, já acostadas aos autos e juntadas novamente (Doc. 04), (...)” – fl. 358. (...) “Ora, é inconteste que tais Certidões são suficientes à comprovação da regularidade fiscal exigida no artigo 60 da Lei nº 9.069/95! A corroborar a sua higidez, vejase que, aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a Certidão Conjunta Positiva com efeito de Negativa é meio hábil de prova, conforme se depreende do art. 1º do Decreto nº 6.106/07 e do artigo da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº03/07, ambos com a mesma redação, in verbis (...)” – fl. 358. (...) “Já para os débitos previdenciários, a própria Lei nº 8.212/91 dispõe que a Certidão Negativa é documento hábil a comprovar a regularidade fiscal, (...)” – fl. 359. DA ENTREGA DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS Da inovação promovida pela DRJ “Ou seja, a D. Autoridade Fiscal, ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente nos autos do Procedimento Administrativo n° 16327.7230153/201276 (processo em que se discutia o PERC), apesar de alegar intempestividade do PERC, trouxe aos autos uma nova alegação para embasar o indeferimento do Incentivo Fiscal, qual seja, a DIPJ Retificadora, transmitida em 29/04/2011, de per se, anularia o direito da Recorrente ao Incentivo Fiscal” – fl. 361. Da não aplicação do Ato Declaratório 26/1985 e da Nota COSAR 131/2001 “Esclarecendo os termos das citadas normas [Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e da Nota SRF/COSAR nº 131/2001], vêse que ambas visam impedir que os contribuintes exerçam Opção por incentivos Fiscais via DIPJ, original ou retificadora, entregue fora da competência do exercício correspondente” – fl. 364. “Definitivamente, em nenhuma dessas situações se encaixa o presente caso; a uma, porque a Recorrente não formalizou sua Opção em DIPJ, mas em DARF específico e, a duas, porque sua Opção foi devidamente manifestada no exercício de 2007, ou Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 14 13 seja, dentro da competência na qual está inserido o Incentivo Fiscal pugnado.” – fl. 365. (...) “Portanto, a apresentação da DIPJ Retificadora em nenhuma hipótese poderia ensejar o indeferimento do Incentivo Fiscal, notadamente porque não houve uma nova Opção ou sequer um acréscimo de seu va1or, mas mera correção da apuração do IRPJ devido no anocalendário de 2006, que resultou em um irrisório decréscimo do valor destinado ao FINOR” fl. 368. (...) “Outrossim, a Recorrente chama a atenção dos Ilustres Julgadores para o fato de que a vedação perpetrada pela D. DRJ/SP1 não conta com amparo em base legal. Muito pelo contrário, não há lei que disponha sobre a impossibilidade de retificação de DIPJ quando há Opção pelo Incentivo Fiscal, fazendo com que os contribuintes percam seu direito ao benefício” – fl. 368. Do multa de ofício “Com efeito, a dúvida estaria na abrangência do art. 63 da Lei n° 9.430/196, pois, apesar de o caput indicar a apenas os incisos IV e V do art. 151 do CTN, não se pode olvidar que sua aplicabilidade estendese também às demais causas de suspensão da exigibilidade, tal como entende este E. CARF. Logo, resta claro não há que se falar no cabimento de multa de ofício, uma vez não há débito com a sua exigibilidade ativa” fl. 371. DoS juros de mora sobre a multa de ofício “Isto porque a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada carece de base legal, já que o §3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado” – fl. 372. (...) “Ademais, corroborando o entendimento acima, o §único do artigo 43, da Lei nº 9.430/96, prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente” – fl. 372. (...) “Ademais, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verificase que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo” fl. 373. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 15 14 (...) “Vêse que a confusão enfrentada está na inclusão da expressão “penalidade pecuniária” no §1º. Contudo, essa expressão nada mais é do que a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória, que se converte em obrigação principal nos termos do §3º. Jamais, portanto, essa expressão poderia ser interpretada como penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago” – fl. 374. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator. I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do 2º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado habilitado por meio de procuração outorgada por dois diretores da pessoa jurídica recorrente, nos termos dos atos constitutivos (fls. 92/95, 106/108, 116 e 375). Quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 10ª Turma da DRJ/SP1 em 11/07/2013 (fl. 302) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 25/07/2013, uma quintafeira (fl. 329), e o recurso foi interposto em 23/08/2013 (fl. 336), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/70, afinal o dies ad quem era 26/08/2013. Nesse caminho, recebo o recurso. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são: PERC 1. O PERC foi protocolado tempestivamente? 2. Entendendo pela tempestividade do PERC, 2.1 Quando a Contribuinte fez a opção ao FINOR? Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 16 15 2.2 Há nos autos prova da regularidade fiscal da Contribuinte na data da opção ao FINOR? 2.3 A apresentação de DIPJ Retificadora tem o condão de impedir a opção pelo investimento no FINOR? 3. Caso não tenha ocorrido inovação por parte da DRJ, qual o efeito do envio de DIPJs retificadoras na opção ao FINOR? AUTO DE INFRAÇÃO Mantido o capítulo do r. Acórdão da DRJ referente ao PERC: 4. Eventual ausência de “uma das hipóteses da regra matriz de incidência tributária” é causa de nulidade do auto de infração ou diz respeito ao mérito? 5. Há fundamento legal para a aplicação da multa de 75%, em decorrência do lançamento de ofício? 6. Há fundamento legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício? III. O FINOR Convém, inicialmente, fazer uma breve explicação da natureza do Fundo de Investimentos do Nordeste (FINOR) e do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Conforme estabelecem o art. 592 e seguintes do RIR/99, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real poderão optar pela aplicação de parcela do IRPJ devido em determinados fundos de investimento, tal como no caso o FINOR, deduzindose tais valores do montante total do imposto devido. Recebendo (ou exatamente pela não emissão) o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, o contribuinte poderá questionar aos valores ali descritos, bem como as infrações imputadas, através do protocolo de um Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Aproveitando lição do site da Receita Federal, vêse que: “O protocolo do Perc deverá ser preenchido à vista do contribuinte e encaminhado, juntamente com os demais documentos apresentados, ao setor competente para abertura de Processo Administrativo (Assunto e Código: “INCENTIVOS FISCAIS IRPJ 20215.0”) com posterior envio ao setor responsável pela análise de Perc nas DRF, Demac, Derat ou Deinf jurisdicionante.”3 Observase que o PERC é a “petição inicial” do respectivo processo administrativo, pela qual a Contribuinte deverá apontar as provas e alegações que desejar para ver reformada a decisão da Fazenda Pública quanto ao incentivo fiscal. 3 http://www.receita.fazenda.gov.br/GuiaContribuinte/PERC.htm; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 17 16 Assim, analisando o PERC, caso seja deferido, haverá emissão de uma Ordem de Emissão Adicional – OEA. Caso seja indeferido, deverá a Contribuinte ser intimada para que se defenda, apresentando novas alegações e provas, caso queira. Deste ponto em diante, assemelhase a qualquer outro processo administrativofiscal, sendo analisado primeiro pela DRJ e depois, em caso de Recurso de Ofício ou Recurso Voluntário, como no presente, pelo CARF. Tendo estabelecido as premissas básicas, retomase ao processo. IV. O PERC IV.1. PRELIMINAR INTEMPESTIVIDADE Considerando as premissas supra estabelecidas, entendemos que o PERC é um ato processual de defesa do interesse da Contribuinte. Pois bem, no presente litígio o PERC foi protocolado em 27/12/2011 (fl. 132), constituindo o processo de nº 16327.720153/201276, apensado neste em 09/10/2012 (fl. 300). Neste processo apenso, a DIORT decidiu que o PERC era intempestivo com base no art. 1º, §5º do DecretoLei nº 1.752/794. Apresentada Impugnação, o Acórdão DRJ/SP1 nº 1648.418, ora recorrido, também entendeu que este PERC era intempestivo, desta vez fundamentando com base no próprio art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376/74 (fl. 315). No Recurso Voluntário, a Contribuinte explica que esta norma não se aplica ao caso concreto, posto que trata de situações em que a Administração Pública concede o benefício, mas a contribuinte não se apresenta para assumir as cotas do Fundo de Investimento. Neste caso, foilhe negado o direito a tal benefício, conclui. Efetivamente, neste aspecto, assiste razão à contribuinte. Não deve ser aplicada a regra do DecretoLei nº 1.376, posto que não detém relação com o caso em tela. Neste sentido, diversos julgamentos da CSRF, como o Acórdão CSFR nº 9101001.412, de 17/07/2012, que afirmou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA –IRPJ Exercício: 1994 PERC. PRAZO. APRESENTAÇÃO. ARTIGO 15 DO DECRETO N° 70.235/72. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE A DATA DA CIÊNCIA DO EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS. O PERC é medida processual contra o indeferimento da opção do contribuinte pelo incentivo fiscal. Como tal, regese, o respectivo prazo, pelo artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. Não constando dos autos informação sobre a data da ciência de tal 4 Fl. 399 do Processo 16327.720153/201276. Na prática, este dispositivo altera o art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376/74. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 18 17 indeferimento, não há como se concluir pela intempestividade do PERC. No voto, explicou: “Com efeito, o artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74 dispõe sobre a hipótese em que o contribuinte (pessoa jurídica) que optou pelo incentivo fiscal não procurarem pelos valores das ordens de emissão, de sorte que estes retornarão para os Fundos de Investimento. Não se cuida, pois, de indeferimento do respectivo pedido. Contra este cabe uma medida própria, de defesa, que é o PERC. Obviamente, meio de defesa que é, imprescindível que haja contra o quê o contribuinte deve defenderse. Na hipótese, o indeferimento da sua opção. Este, inequivocamente, mais propriamente a ciência por parte do contribuinte do indeferimento, devese considerar o termo inicial para a apresentação, por parte do contribuinte, do PERC. Pois bem, neste sentido, não se pode considerar a aplicabilidade do artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74. (...) Contra o não reconhecimento do direito, cabe uma medida processual, que é justamente o PERC. Não havendo regra própria, e cuidandose de uma medida processual, mais acertada a incidência, conforme decidido no acórdão impugnado [pela Fazenda Nacional], do artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. (...) Como, nos autos, não se tem comprovação de quando ocorrera a ciência do contribuinte por meio de AR, não se tem como considerar como intempestivo o PERC apresentado.” No mesmo sentido, ver Acórdão CSRF nº 910100.353, de 26/08/2009: PERC. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Se o legislador estabeleceu que compete à Receita Federal expedir extrato à pessoa jurídica optante pelo incentivo, quando tal fato não ocorre, não se pode aplicar o prazo de que trata o § 5° do art. 15° do DecretoLei n° 1.376, de 1974. Na ausência de disposição legal específica, por analogia, aplicase o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, salvo se Administração Tributária não tiver concedido prazo maior, contandose o prazo de 30 dias, a partir da ciência da decisão que denega a emissão do certificado. Quando não há essa ciência, devese tomar como tempestivo o PERC. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 19 18 Citando o art. 3º do DecretoLei nº 1.752/795, o supracitado acórdão entende que é ônus da fazenda pública informar a contribuinte quanto à sua decisão dos incentivos fiscais através de um extrato. Conclui: “Mas a discussão não é quanto ao prazo para pleitear algum direito e sim um prazo para manifestar sua discordância quanto à negativa da Administração Tributária à emissão de certificados de incentivos fiscais, como bem coloca a ementa do acórdão recorrido. E, se estamos tratando de prazo para manifestar uma discordância a um ato da Administração Tributária, a regra é processual, e o gênero mais próximo, aplicandose a analogia, seria utilizar a regra de apresentação de manifestação de inconformidade ou impugnação de que trata o Decreto n° 70.235/72, art. 15, ou seja, 30 dias contados da data da ciência da decisão que negou a emissão do certificado de incentivo. A decisão que nega a emissão dos certificados, na verdade, ocorre quando a então Secretaria da Receita Federal emite o Extrato. Assim, a data para a empresa se insurgir com o ato da Administração Tributária seria 30 dias da ciência dessa decisão, salvo, é claro, se a Administração Tributária tiver estabelecido prazo maior, pois, neste caso, em razão da especificidade da orientação, e como é emanada em benefício do sujeito passivo, tal data é que deve prevalecer. Ocorre que não consta dos autos qualquer informação quanto à data de ciência da empresa optante do extrato de que trata o art. 3° do DecretoLei n° 1.752, de 1979, ou de qualquer outro documento que comunique ao contribuinte o indeferimento de seu pedido ao benefício fiscal.” Ainda outro acórdão CSRF, nº 9101001155, de 03/08/2011: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. 5 Que afirma: “ Art 3º A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada exercício, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento e na EMBRAER.” Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 20 19 Ainda, conforme o acórdão CARF nº 1102000.771, de 04/07/2012, esta mesma turma já decidiu neste sentido: PERC. NORMA PROCESSUAIS. PRAZO. O PERC tem natureza de recurso administrativo contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos, e deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da ciência das alterações promovidas pela autoridade administrativa, consubstanciadas no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido. Enquanto não decidido recursos administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. Pois bem, sigo o mesmo entendimento: não é aplicável, no caso em tela, a regra do art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376 para a contagem do prazo de apresentação do PERC. Tendo em vista que a Contribuinte fez o pedido de incentivo fiscal na DIPJ 2007, cabia à Administração Pública, conforme art. 3º do DecretoLei nº 1.752/79, emitir extrato para a Pessoa Jurídica optante do investimento, informando os valores considerados como imposto e aqueles aceitos como investimentos. A partir deste momento, caso discorde, a Contribuinte terá direito de pedir reconsideração, a este pedido dáse o nome de PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Assim, observase que, sendo procedimento para contestar decisão da Administração Pública, é necessário antes que haja dita decisão, para somente então começar a correr o prazo. À falta de prazo determinado em lei, seguimos novamente os acórdãos citados, aplicando o art. 15, do Decreto nº 70.235/72, garantindo assim um prazo de 30 dias contados da data da ciência do extrato – ou de qualquer outra decisão que negue o pedido do benefício. Compulsando os autos, não se encontra dito extrato. Pelo contrário, notase carta do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), na qual há informação de que “a última emissão de cotas do FINOR liberada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB ocorreu em 27/01/2011, referente ao exercício de 2007, anocalendário 2006” (fl. 13). Na mesma carta, a instituição financeira informava à Contribuinte, inclusive, que haviam sido emitidas cotas em seu nome referentes ao exercício 2007 (fl. 15). Analisando o processo administrativofiscal nº 16327.720997/201136 (apensado aos presentes autos – fls. 48/49), que trata da auditoria na qual fundamentouse o Auto de Infração contestado neste presente processo, tampouco ali se apresenta data fiável de intimação da Contribuinte. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 21 20 É possível identificar um AR (fl. 5 daquele processo) destinado à BV Financeira. Acontece que não é possível identificar a data nele constante – apesar de ser deduzível tratarse de alguma data anterior a 01/01/2010. Tampouco há referência ao documento nele contido. Considerando ainda que o relatório final, que entende pelo lançamento do Auto de Infração (fl. 3 daquele processo), faz referência à NE Codac nº 01, de 11 de janeiro de 2011, e que as Consultas (fls. 6 e seguintes daquele processo) são datadas de 07/02/2011, certo que aquele AR não representa intimação à contribuinte de decisão de indeferimento do benefício fiscal, pois, reiterese, tratarse de alguma data anterior a 01/01/2010. Assim, não se observou nenhuma data anterior a 25/11/20116, uma sexta feira, em que a contribuinte restasse intimada do indeferimento da opção pelo investimento. Considerando ainda que o PERC foi protocolado em 27/12/2011, uma terçafeira, tempestivo o PERC. IV.2. MÉRITO Afastada a preliminar, quanto ao PERC, passase ao mérito desta parte do litígio. A decisão da autoridade julgadora da DIORT, que faz a primeira análise do PERC, entende pelo indeferimento do Pedido com base em três fundamentos: a) Intempestividade – art. 1º, §5º, do DecretoLei nº 1.752/79; b) A contribuinte não apresenta provas de que estava quite com os tributos e contribuições federais ao tempo da opção – Art. 60 da Lei nº 9.069/95; c) Apresentação de DIPJ Retificadora, após o fim do exercício de competência, alterando o valor da opção de investimento em Fundo de Incentivo – Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Quanto ao primeiro, foi analisado no tópico acima, posto tratarse de questão preliminar. Passase agora ao segundo ponto. IV.2.1. DA REGULARIDADE FISCAL DA CONTRIBUINTE Apresentado o PERC, a DIORT entendeu, no processo administrativofiscal nº 16327.7230153/201276, que tal pleito deveria ser indeferido porque a contribuinte não comprovou a sua regularidade fiscal no momento da opção, qual seja, a DIPJ. A contribuinte, discordando desta decisão, apresenta Manifestação de Inconformidade na qual explica que o momento da análise da situação de regularidade é o da Opção pelo Incentivo Fiscal, o qual se configura, em seu entendimento, ou na entrega da DIPJ ou no pagamento do DARF. No caso, explica que referese ao anocalendário de 2006, e somente este período pode ser analisado. 6 Data em que foi intimada da lavratura do Auto de Infração, fl. 3. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 22 21 Apresenta diversos julgados neste sentido, os quais apontam o momento da apresentação da DIPJ (ou equivalente) como o da Opção. Por fim, fundamenta que Certidões são documentos hábeis para provar a regularidade fiscal. Por fim, cita súmula CARF nº 37. A DRJ então decide que confirma a aplicabilidade da Súmula CARF nº 37, ressalvando, entretanto, que o momento de prova da regularidade é a DIPJ, o que aconteceu em 28/06/2007 (fls. 316/317). Assim, observando as Certidões apresentadas pela contribuinte, registra que elas não abarcam o período da apresentação da DIPJ, concluindo que a Contribuinte não comprovou a regularidade fiscal no momento da opção. Tendo em vista tal acórdão, apresenta a Contribuinte, no Recurso Voluntário, explicando que, conforme o processo administrativofiscal nº 16327.720997/201136, a Autoridade Fiscal não reconhece a Opção feita pela Recorrente com base em supostas pendências fiscais detectadas em 15/11/2008 e 04/12/2008, apresentando imagens das páginas 18 e 19 daquele processo. Explica, entretanto, que a análise da regularidade deve se ater ao momento da Opção pelo Incentivo Fiscal, o que se consubstancia na entrega da DIPJ ou no pagamento do DARF, conforme seu entendimento. Conclui que o indeferimento do Incentivo Fiscal depende da comprovação de pendências no momento da Opção, o que o Sr. Fiscal não teria feito. Neste sentido, não tendo fundamentado em provas o indeferimento da Opção inicial, o Auto de Infração que nele se baseia deveria ter sido anulado. Ademais, explica que o momento da Opção, no caso concreto, foi em 30/03/2007, quando fez o Recolhimento do DARF específico. A DIPJ, no caso, teria sido apenas uma confirmação da destinação ao FINOR já efetivada anteriormente. IV.2.1.1. DO MOMENTO DA ANÁLISE DA REGULARIDADE O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou súmula sobre o tema, citada inclusive pela própria Recorrente: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não restam dúvidas – o que sequer é questão litigiosa – que não pode o benefício ser indeferido com base em irregularidade fiscal posterior. Entretanto, o ponto fulcral é definir se o exame da regularidade deve se ater somente ao dia específico da apresentação da DIPJ, ou se outras datas também. Neste sentido, impende analisar alguns dos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da súmula: No acórdão nº 19800080, de 09/12/2008, a ementa afirma: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 23 22 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Neste acórdão, o Conselho entendeu no sentido de que a prova da regularidade (ou irregularidade) deveria ser feita com relação ao momento da opção, e não naquele a análise do PERC. Entendeu, ademais, que o momento da opção é aquele da entrega da DIPJ. No acórdão nº 195.00110, de 10/12/2008, a ementa ficou assim: Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do benefício, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Interessantíssimo o acórdão. Novamente entendeu o CARF que a data da opção é aquela da entrega da Declaração. Por outro lado, aponta ainda que é possível a comprovação da regularidade dos débitos que deram causa ao indeferimento em qualquer momento do processo, ou seja, em data posterior à entrega do PERC – e logo, também posterior à opção. Indica, portanto, que a questão não é tanto a regularidade no dia da entrega, mas sim garantir que a Contribuinte venha a quitar seus débitos (ou provar a inexigibilidade deles). Por fim, e de grande relevo, afirma também que, caso a Administração Tributária não comprove irregularidade fiscal no momento da opção pelo benefício, então o PERC deve ser deferido. Seguindo em frente, observase o voto que fundamenta o acórdão nº 108 09808, de 19/12/2008: “Ora, conforme aduzido pelo próprio Recorrente, a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida quanto ao período relacionado à opção, que, no presente caso, deveria ser de 1995 ou, no máximo de 1996, ano de entrega da declaração de rendimentos.” Analisando o texto da súmula com a visão exposta neste voto, resta plausível compreender que a Súmula CARF nº 37, ao afirmar a prova “deve se ater ao período a que se referir a Declaração”, referese não apenas ao dia exato da Declaração em si, mas também ao anocalendário sobre o qual trata a declaração de rendimentos. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 24 23 Este voto, portanto, permite que a Contribuinte comprove a regularidade em momento anterior àquele da opção, propriamente dito. Portanto, deixa claro que o investimento no Fundo deve ser visto como um benefício, o que efetivamente é, e não um estorvo para a Contribuinte. Neste mesmo sentido, outro acórdão paradigma da Súmula CARF nº 37, a decisão de nº 10709202, de 18/10/2007, o qual afirma no voto: “No caso de que se cuida, junto com PERC, a contribuinte trouxe à colação duas Certidões Positiva com efeito de Negativa fornecidas, uma pela SRF (fl. 17) e outra pela PGFN (fl. 18 e 18v), ambas dentro do prazo de validade. Portanto, a necessária prova da quitação de tributos e contribuições federais foi efetuada pela contribuinte. E não poderia a autoridade administrativa negar validade às certidões negativas, ou, em face da demora na análise do pedido, exigir nova quitação de tributos com validade na data do Despacho Decisório, ou ainda, indeferir o PERC em face da existência de débitos posteriores à data de protocolo do pedido. Isso traria insegurança jurídica, ficando o contribuinte à mercê da administração, que poderia indeferir o pleito assim que verificasse a falta de pagamento de qualquer parcela de tributo ou contribuição. (...) Primeiramente, entendo que a exigência de quitação dos tributos e contribuições está vinculada ao momento em que o contribuinte faz a opção pelo incentivo, portanto, a data da entrega da declaração de rendimentos. De fato, se o benefício fiscal está condicionado à prova da quitação dos tributos e contribuições, só se pode entender que essa prova deve ser produzida no momento da opção. Por outro lado, o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício fiscal, mas sim condicionar o deferimento do incentivo à quitação do débito. Assim, mesmo na existência de débitos por ocasião da opção pelo incentivo, não haverá óbice ao deferimento do pleito, se o contribuinte comprovar a sua regularidade fiscal em relação a esses débitos, em qualquer fase do processo.” De grande valia este acórdão, posto que analisa o sentido do benefício: incentivar a contribuinte a investir nos fundos. Como tal, a burocracia excessiva acaba atrapalhando o propósito final, que é captar recursos para investimentos nas regiões especificadas e oferecer um benefício às Contribuintes. Comprovando a Contribuinte quitação dos tributos, em qualquer momento – mesmo que a quitação tenha ocorrido após a opção – então o pedido deve ser deferido. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 25 24 Ademais, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 – que exige a quitação dos tributos e contribuições federais para a concessão do benefício – não se refere especificamente a nenhum momento específico. Assim, se é adequado exigir que a Contribuinte, para ter um benefício, esteja quite com suas obrigações (tributárias), não há previsão expressa em lei ou jurisprudência estabelecida que limite a comprovação da regularidade pela contribuinte, à data da apresentação da DIPJ. Pelo contrário, assiste razão à Recorrente quando afirma que a opção pelo investimento pode ser feita tanto pela apresentação de DIPJ quanto pelo pagamento de DARF específico. Esta é a regra do art. 601 do Decreto 3000 de 1999 (RIR): Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei n º 9.532, de 1997, art. 4º7). § 1 º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei n º 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): Equivocase a DRJ, portanto, quando afirma que a opção é feita somente na apresentação da DIPJ. E, neste ponto, merece reforma a Decisão recorrida. Em verdade, considerando tratarse de benefício – o que significa algo favorável à Contribuinte –, entendo que o “período a que se referir a Declaração” ou então o “momento da opção” é noção vaga, podendo referirse tanto ao momento da apresentação da DIPJ ou ao momento pagamento do DARF – conforme teses esposadas pela DRJ e pela Recorrente – quanto também ao anocalendário ou ainda momento posterior. Frisase, apresentando certidões de regularidade em momento posterior, a contribuinte deixa claro que não tem nenhum ônus perante a Fazenda Nacional, o que retroage 7 Importante anotar que este artigo 4º da Lei nº 9.532/97 foi revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001. Entretanto, com base no art. 100 Código Tributário Nacional, o decreto, e mesmo o ato normativo expedido por autoridade administrativa, têm validade como norma tributária. Assim, o Decreto 3000/99 (RIR) tem competência para tratar desta matéria, especialmente considerando tratarse de mera obrigação acessória, que não causa ônus ao contribuinte, pelo contrário, regulalhe o acesso a um benefício. Não havendo prejuízo, resta o artigo do RIR/99 válido. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 26 25 para o período da opção, que se deu no pagamento do DARF específico, em 30/03/2007 (fl. 17, do apenso nº 16327.720997/2011 36). Assim, a norma estará efetivamente alcançando seu objetivo, que é captar recursos para o fundo e, ao mesmo tempo, incentivará as Contribuintes a quitar suas pendências tributárias. O que veda a Súmula, enfim, é a exigência, pela Administração Pública, que a contribuinte comprove regularidade posteriormente. Em suma, tratandose de benefício fiscal, a compreensão deve ser favorável à contribuinte, aceitandose como comprovação de regularidade, tanto a apresentação da DIPJ, do pagamento do DARF ou mesmo referente a 31/12/2006 – o final do anocalendário, e que prova que não tinha dependências referentes ao período da apuração do IRPJ. IV.2.1.2. DAS PROVAS APRESENTADAS Tendo estabelecido os momentos em relação aos quais se aceitará prova da regularidade, convém analisar ainda o que significa prova de regularidade fiscal. A DIORT fundamenta o indeferimento do PERC no art. 60, da Lei nº 9.069/97, o qual afirma, in litteris: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Portanto, a concessão ou reconhecimento do benefício fiscal depende da comprovação, pela contribuinte, de quitação de tributos e contribuições fiscais. A DRJ reafirma a mesma fundamentação legal, acrescentando o art. 47, I, “a” da lei nº 8.212/91, que também exige Certidão Negativa de Débitos para a concessão de benefícios. A contribuinte, em seu Recurso, explana que, conforme art. 1º do Decreto 6.106/07 e art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03/07, bem como no art. 47 da lei 8.212/91, são suficientes para comprovar a Regularidade Fiscal as certidões emitidas pela Receita Federal/PGFN, Previdência Social e FTGS. Tendo em vista a redação das leis colacionadas, parece ter razão o entendimento da contribuinte. Resta saber, neste ponto, se a contribuinte comprova regularidade em algum momento dentre aqueles estabelecidos acima. Para tanto, consignamos antes a lição apresentada no acórdão nº 10323546, de 14/08/2008, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37. Se acórdão afirma, no voto: “A análise do favor fiscal caminhou em sentido diverso da jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração (e não na data do pedido de revisão ou do despacho administrativo ou em outro qualquer). (...) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 27 26 Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava regular em 1998; por outro lado, também não há prova em contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova. É cediço que a SRF orienta a apresentação da prova da regularidade relativamente à data do pedido, assim como no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos.” Este acórdão traz lição no sentido de determinar a distribuição dos ônus de prova. Entendese que, tendo a Administração Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à Contribuinte a possibilidade de comprovar que os débitos não existiam, ou não eram exigíveis. Entretanto, caso nenhuma das duas partes consiga comprovar nada, então a presunção é que deve ser aceito o pleito da Contribuinte. Compulsando os autos do processo nº 16327.720997/201136, no qual realizouse auditoria que fundamenta o presente litígio, observase que a Autoridade Lançadora não logrou apresentar nenhuma prova de irregularidades da Contribuinte ao tempo da opção pelo investimento. Apontou apenas, à fl. 15, haver as seguintes ocorrências: · CNPJ C/ PROCESSO FISCAL SIST. PROFISC · CONTR. COM PENDÊNCIAS JUNTO AO INSS À fl. 18, explica que o processo fiscal é de nº 16327001505/200723, com data inicial da situação em 06/09/2007 e processamento em 15/11/2008. Já à fl. 19, esclarece que as pendências junto ao INSS decorrem de Declaração Retificadora entregue em 31/12/2007, com processamento em 14/12/2008. Tampouco fundamentou a DIORT, no processo 16372.720153/201276, sua decisão em nenhuma prova de irregularidade, mas tão somente em falta de prova de regularidade. Assim, considerando os acórdãos que servem de embasamento para a Súmula, é possível afirmar que o indeferimento inicial do incentivo pressupõe prova de que a Contribuinte estava irregular no momento da opção – o que não foi feito. Considerando ainda que, no decorrer o PERC a contribuinte pode comprovar a sua regularidade (mesmo que obtida em momento posterior), analisamos o Recurso Voluntário detidamente. A Recorrente junta no Recurso Voluntário Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa emitida pela Receita Federal/PGFN em 29/05/2007 e validade até 25/11/2007 (fl. 409)8, bem como Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa, emitida 8 Foi conferida a originalidade da certidão no site da Receita Federal em 14/10/2014. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 28 27 pela Previdência Social em 12/02/2007 e com validade até 11/08/2007 (fl. 410)9 e ainda Certificação de Regularidade do FTGS, perante a Caixa Econômica Federal válida entre 31/07/2013 e 29/08/2013 (fl. 411)10. Ademais, no decorrer da elaboração deste voto, averiguamos a regularidade da contribuinte diretamente no Site da Receita Federal/PGFN, sendo emitida Certidão Positiva com efeitos de Negativa, com validade até 14/02/2015. Observando o site da Previdência Social, foi emitida Certidão Positiva com efeitos de Negativa em 27/08/2014 e tem validade até 23/02/2015. Já em consulta ao site da CAIXA Federal, observouse Certidão de Regularidade com relação ao FGTS, com validade até 04/11/2014. Enfim, observase ainda que já tinha apresentado, em sede de Impugnação, Certidão Positiva com efeito de negativa de tributos federais da BV emitida em 10/11/2006 e válida até 09/05/2007 (fl. 137); Certidão Negativa de debito previdenciário da BV emitida em 21/08/2006 e válida até 17/02/2007 (fl. 138) e Certidão de Regularidade do FGTS emitida em 12/12/2011 e válida até 10/01/2012 (fl. 139). Portanto, seja em decorrência de prova de regularidade em 31/12/2006 – data final do período de apuração do tributo –, de prova de regularidade ao tempo da apresentação da DIPJ, seja em função de regularidade no momento desta análise do PERC, impende entender que a Contribuinte está regular com a Fazenda Nacional, não sendo adequado indeferir o seu PERC por este argumento. Por fim, consignase que a Contribuinte registrou, na DIPJ 2007, sua opção pelo incentivo do FINOR – Ficha 17 – “Aplicações em Incentivos Fiscais” (fl. 36). IV.2.2. DA APRESENTAÇÃO DE DIPJ RETIFICADORA Em sede de Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte insurgese contra o terceiro ponto. Alega que a opção pelo investimento foi realizada no momento do Recolhimento do DARF específico e a confirmou no momento da entrega da DIPJ original. Explica que a DIPJ 2007 retificadora, apresentada em 29/04/2011 não gera nova Opção ao incentivo Fiscal, nem tampouco aumenta o valor desta, em verdade reduzindo o valor do incentivo optado, concluindo: “Portanto, inconteste que não houve alteração do percentual de IRPJ destinado (i.e. 12%) e tampouco do fundo de investimento (i.e. FINOR), pelo que se verifica que não houve, in casu, nova Opção com a entrega da DIPJ Retificadora, sendo inaplicável as disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e da 9 Foi conferida a originalidade da certidão no site da Previdência Social em 14/10/2014. Registrase que a contribuinte emitiu 61 Certidões desde 25/02/1997. Em teste aleatório, a maioria foi Certidão Negativa de Débito. 10 Foi conferida a originalidade da certificação no site da Caixa Econômica Federal em 14/10/2014. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 29 28 Nota SRF/COSAR nº 131/2001.” – fl. 426 do processo 16327.7230153/201276. A DRJ, por sua vez, reconhecendo que a contribuinte apresentou DIPJ Retificadora, mantém a decisão da DIORT com base nos mesmos fundamentos. Argumenta a Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, que a DRJ equivocouse ao cumular a declaração de intempestividade do PERC com a aceitação do argumento da DIORT, no processo administrativofiscal nº 16327.7230153/201276, no sentido de ser improcedente o PERC pela apresentação de DIPJ retificadora. Em seu entendimento, a DRJ inovou o fundamento do Auto de Infração, de sorte a indeferir o pleito da ora Recorrente. Após apresentar este fundamento, que seria causa de nulidade do acórdão recorrido, reafirma o quanto afirmado na Manifestação de Inconformidade: que formalizou a opção no momento em que Recolheu o DARF específico, posteriormente confirmada pela DIPJ; que é inaplicável Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Inicialmente, afastase alegação de que a DRJ inovou na fundamentação do Auto de Infração. Em verdade, o acórdão julga ao mesmo tempo o PERC e o Auto de Infração, em decorrência do apensamento dos processos. O mesmo fazemos neste acórdão do CARF. Portanto, ainda que não conste do Auto de Infração, o presente tópico foi aventado na Decisão da DIORT. Ademais, a própria Contribuinte apresentou, em sua Manifestação de Inconformidade, contestação ao indeferimento do PERC com base nesta infração. Destarte, repetese, não há inovação da DRJ, mas apenas enfrentamento de todos os pontos controvertidos. Tendo definido esta “preliminar”, passase à análise do fundamento apresentado pela DIORT: o incentivo não deve ser deferido em decorrência da apresentação de DIPJ Retificadora em 29/04/2011 que, ademais, alterou o valor destinado ao FINOR. Tal fato vai de encontro ao Ato Declaratório (Normativo) CST nº 26/1985 e a Nota SRF/Cosar nº 131/2001. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu sobre o tema no acórdão nº 9101001.438, de 19/07/2012, que ficou assim ementado: DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REGRAS ATUAIS. EFEITOS. A partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora têm a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997. No voto, explica a sua fundamentação: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 30 29 “Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber se é possível as empresas obterem a Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais na situação em que a pessoa jurídica beneficiada apresentou a declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência. O acórdão recorrido posicionase no sentido de que é possível, já que entende que, a partir da IN nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1º, §2º, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Não há dúvidas de que o Ato interpretativo, (Nota SRF/Cosar nº 131/2001), informou que somente seriam acatadas aplicações em incentivos provenientes de declaração retificadores entregues depois de encerrado o exercício referido se, cumulativamente, a declaração original fosse entregue dentro do exercício e não houvesse retificação que alterasse o valor da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício. Por outro lado, o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995, vincula a concessão do reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, tãosomente, à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. A bem da verdade, apenas nas normas interpretativas consta a proibição do gozo do incentivo quando há declaração retificadora fora do prazo. Ora, tem toda a razão a Recorrente quando invoca o artigo 1º da IN nº 166, de 1999, que autorizou retificar todas as informações contidas na declaração originária. E o §1º estendeu a autorização aos anos calendários anteriores. Os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres da própria norma normativa, teria a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 1997. (...) Ora, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais temse solidificado no sentido de que não se pode desconhecer os princípios da verdade material, do formalismo moderado e da razoabilidade da sanção, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Nesta linha de raciocínio não há razões aparentes para não aceitar que a declaração retificadora substitui a original em todos os seus efeitos. (...) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 1102001.298 S1‐C1T2 Fl. 31 30 Assim sendo e provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora.” Pedindo vênia pela longa transcrição, esta era necessária posto que o acórdão e votos citados aplicamse integralmente ao ponto ora em julgamento: há discussão, por parte da Fazenda Nacional/DIORT, alegando aplicabilidade da Nota SRF/Cosar nº 131/2001, pela qual a apresentação de DIPJ retificadora após o fim do exercício, especialmente se modificar o valor do investimento, é suficiente para que o benefício seja indeferido. A CSRF, fundamentando em Lei, bem como em IN e ainda em princípios do processo administrativo, afasta tal entendimento. Considerando por um lado que a empresa (tanto no caso do acórdão da CSRF quanto no presente processo) apresentou DIPJ original no prazo e com a opção pelo investimento, que não há prejuízo na apresentação de DIPJ retificadora. Assim, seguindo a decisão da CSRF, neste processo entendo pelo afastamento deste ponto, reconhecendo a procedência do PERC. Temse por prejudicada a análise do Auto de Infração; já que o benefício deve ser concedido à contribuinte, não há mais crédito a ser constituído. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário com consequente cancelamento do Auto de Infração lavrado. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
