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Numero do processo: 13975.000789/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-005.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida refere-se somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 07 89 /2 00 2- 01 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13975.000789/200201 Acórdão n.º 9303005.421 CSRFT3 Fl. 113 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida referese somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, contra acórdão nº204 03.284, proferido pela 4 Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, a fim de se determinar a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem de pessoas físicas e reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos à recorrente, a partir da data da protocolização do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de ressarcimento de credito presumido do IPI, parcialmente glosado pela DRF de origem no que tange às parcelas relativas às aquisições de pessoas físicas, gastos com energia elétrica e correção monetária dos créditos a serem ressarcidos com base na taxa SELIC. O acórdão recorrido restou assim ementado: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13975.000789/200201 Acórdão n.º 9303005.421 CSRFT3 Fl. 114 3 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem feitas de pessoas físicas. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não caracteriza matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A taxa Selic incide sobre os valores objeto de ressarcimento do crédito presumido do IPI, a partir da data de protocolização do pedido. Recurso Provido em Parte". Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando o seguinte: "não há autorização legal para a incidência da SELIC ás hipóteses de ressarcimento de crédito presumido de IPI, seja a partir da protocolização do pedido, seja a partir de qualquer outro momento como a data na qual é proferido o Despacho Decisório denegando o pleito do contribuinte". Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional maneja seu Recurso com base de que o acórdão recorrido que teria contrariado a lei ( contrariedade aos artigos 1º, caput, 2º e 3º da Lei nº 9.393/96, uma vez que autoriza o ressarcimento de contribuições que não foram recolhidas na etapa produtiva anterior, além de reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores objeto do ressarcimento, contrariando o disposto no §4º, do art. 39, da Lei nº 9.250/96, ao ampliar o seu âmbito de alcance a uma hipótese não prevista em lei). Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, com os seguintes fundamentos: "Antes de adentrar no exame de admissibilidade propriamente dito, é importante frisar que, em razão de expressa determinação do art. 4º da Portaria MF nº 256, de 20092, tal avaliação será realizada nos contornos do antigo do Regimento da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Em primeiro lugar, o recurso foi provido por maioria, quanto ao aproveitamento dos insumos adquiridos de pessoas físicas e à incidência da taxa selic sobre o ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13975.000789/200201 Acórdão n.º 9303005.421 CSRFT3 Fl. 115 4 Ramos, Nayra Bastos Manatta (Relatora) e Henrique Pinheiro Torres. Em segundo, restaram expostos os elementos que, no sentir da recorrente, caracterizariam violação aos artigos 1º, caput, 2º e 3º da Lei nº 9.393/96, quanto ao ressarcimento de contribuições que não foram recolhidas na etapa produtiva anterior; e ao §4º, do art. 39, da Lei nº 9.250/96, quanto a ampliação do seu âmbito de alcance a uma hipótese de incidência da taxa selic não prevista em lei". A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador sobre valores relativos as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagens de pessoas físicas. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas, bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (REsp 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando do seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, os Conselheiros devem delimitar de modo objetivo o termo "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha Relatoria, passo adotar o entendimento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Corroborando este mesmo entendimento, no julgamento do Recurso Especial nº 1.467.934RS (2014/01707525) de Relatoria do Eminente Ministro Sérgio Kukina, restou decidido, que a correção monetária deve ser contada a partir do fim do prazo que a Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13975.000789/200201 Acórdão n.º 9303005.421 CSRFT3 Fl. 116 5 administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ), de forma que não há como acolher o pleito pela correção dos créditos a partir do protocolo do pedido administrativo. Vejamos: "ESPECIAL Nº 1.467.934 RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13975.000789/200201 Acórdão n.º 9303005.421 CSRFT3 Fl. 117 6 Agravo regimental a que se nega provimento. Compulsando os autos, verifico que, de fato o crédito foi obstaculizado pelo Fisco, caracterizandose além de mora administrativa a ilegítima resistência por parte da Administração, é o que se comprova pelo teor do despacho decisório, fls 85: "A análise do presente pedido de ressarcimento limitouse ao exame documental dos elementos constantes do processo e averiguações nos sistemas internos da SRF, firmada nas informações e documentações apresentadas, observado o disposto na Ordem de Serviço DRF/BNU n° 1, de 11.02.99, ficando ressalvado o direito de proceder a exames a posteriori, para verificação da veracidade desses elementos". Portanto, legítimo o direito da Contribuinte ter seu crédito corrigido pela Taxa Selic, mas não nos termos da decisão recorrida, que decidiu desde o protocolo do pedido. Sem embargo, estou submetido ao artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) a qual determina que: "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Ex positis, com fundamento no REsp 1.467.934RS (2014/01707525 e 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ, dou parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13975.000789/200201 Acórdão n.º 9303005.421 CSRFT3 Fl. 118 7 Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.721044/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MATÉRIA PRECLUSA. PERDAS DE CAPITAL. INOCORRÊNCIA DE ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO.
Consolida-se, administrativamente, a matéria em relação a qual houve expressa concordância da Impugnante.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA HOLDING. LAUDO COM BASE NO RESULTADO DA EMPRESA OPERACIONAL COLIGADA.
Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Se a empresa holding detém participação na empresa operacional com base na qual foi elaborado o laudo de avaliação, o resultado dessa última se refletirá naquela na mesma proporção.
ÁGIO. CONTROVÉRSIA RELACIONADA À EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA VERSUS AQUISIÇÃO DE MARCAS REGISTRADAS E FUNDO DE COMÉRCIO. AVALIAÇÃO DA PROVA NO CASO CONCRETO.
Da análise da prova depreende-se que, no caso concreto, não foram adquiridos os bens individualmente ou mesmo o conjunto de bens (fundo de comércio) da sociedade INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A e suas controladas ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA e ELLUS PROPAG LTDA, mas sim as próprias sociedades.
A autoridade fiscal não impugnou os elementos indicados no laudo contábil que apurou a expectativa de rentabilidade futura. Limitou-se a presumir, sem elementos de prova, que a autuada estava adquirindo as marcas registradas e o fundo de comércio. No entanto, quando se examinam os elementos e premissas contidas no laudo verifica-se que os valores indicados por estes e pagos pela recorrente dizem respeito à expectativa de rentabilidade futura e não à aquisição de marcas registradas e o fundo de comércio.
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizando-o com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte,o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplica-se à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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PERDAS DE CAPITAL. INOCORRÊNCIA DE ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO. Consolidase, administrativamente, a matéria em relação a qual houve expressa concordância da Impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA HOLDING. LAUDO COM BASE NO RESULTADO DA EMPRESA OPERACIONAL COLIGADA. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Se a empresa holding detém participação na empresa operacional com base na qual foi elaborado o laudo de avaliação, o resultado dessa última se refletirá naquela na mesma proporção. ÁGIO. CONTROVÉRSIA RELACIONADA À EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA VERSUS AQUISIÇÃO DE MARCAS REGISTRADAS E FUNDO DE COMÉRCIO. AVALIAÇÃO DA PROVA NO CASO CONCRETO. Da análise da prova depreendese que, no caso concreto, não foram adquiridos os bens individualmente ou mesmo o conjunto de bens (fundo de comércio) da sociedade INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A e suas controladas ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA e ELLUS PROPAG LTDA, mas sim as próprias sociedades. A autoridade fiscal não impugnou os elementos indicados no laudo contábil que apurou a expectativa de rentabilidade futura. Limitouse a presumir, sem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 10 44 /2 01 5- 78 Fl. 2611DF CARF MF 2 elementos de prova, que a autuada estava adquirindo as marcas registradas e o fundo de comércio. No entanto, quando se examinam os elementos e premissas contidas no laudo verificase que os valores indicados por estes e pagos pela recorrente dizem respeito à expectativa de rentabilidade futura e não à aquisição de marcas registradas e o fundo de comércio. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizandoo com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte,o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório INBRANDS S/A recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1460.712 da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.573 3 Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 14/04/2015, pela DRF Florianópolis/SC, para constituir o crédito tributário no total de R$ 5.370.498,93, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/70, parte integrante da peça acusatória, conforme abaixo transcrito: 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Tratase de procedimento fiscal instaurado em face de INBRANDS S.A., CNPJ 09.054.385/000144, doravante denominada FISCALIZADA, conforme Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) n° 08190002014029684 (fl. 72), para verificação de obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. Quando da sua constituição, em 30/06/2007, a FISCALIZADA foi denominada ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Transformada em Sociedade Anônima em 30/08/2008, adotou a denominação ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO S.A. A denominação INBRANDS S.A surgiu a partir da Assembléia Geral Extraordinária (AGE) realizada em 25/02/2011 (fls. 305 a 308). Segundo informado em seu site, a FISCALIZADA é a empresa líder na consolidação e gestão de marcas de moda e lifestyle no Brasil, contando com um portfólio de marcas icônicas, líderes em seus respectivos segmentos, como Ellus, Richards, VR, Bobstore e Tommy Hilfiger. Figura 1 Detalhe do site da FISCALIZADA: “Nossas Marcas” Fl. 2613DF CARF MF 4 Nos períodos fiscalizados a empresa estava sujeita ao regime de tributação pelo lucro real por obrigação legal, tendo optado pela apuração anual. No curso do anocalendário 2010 a FISCALIZADA apresentou DIPJ de evento especial (fls. 1085 a 1107) pela incorporação da controlada TREZEME MODAS LTDA, CNPJ 87.769.071/0001 31. Tal providência adviria, em tese, do art. 5° da Lei n° 9.959/2000. No entanto, o referido dispositivo legal excetuou expressamente os casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estivessem sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. No caso em comento, a incorporada TREZEME MODAS era uma subsidiária integral da FISCALIZADA desde, pelo menos, o ano calendário 2009, o que afasta a aplicação do art. 5° da Lei n° 9.959/2000. Portanto, a FISCALIZADA não deveria ter apresentado a DIPJ de evento especial para o período transcorrido naquele ano (1°/01 a 30/04/2010), mas sim para todo o anocalendário 2010. E ainda há outros dois agravantes: (i) a DIPJ do período 1°/01 a 30/04/2010 foi apresentada “zerada”; e (ii) a “segunda DIPJ” do AC 2010 (ND 1570610 fls. 1108 a 1151) teve o dia 1°/04 como termo inicial (ao invés de 1°/05), sobrepondo o mês de abril em relação à “primeira DIPJ” do AC 2010 (ND 1043663 fls. 1085 a 1107). Por meio do item 1.1 do Termo de Intimação Fiscal n° 1 (fl. 93), a FISCALIZADA foi instada a apresentar justificativas acerca dessa constatação, vindo a reconhecer que ambas empresas, incorporada e incorporadora, estavam sob controle societário comum e, embora tenha (indevidamente) apresentado a DIPJ de evento especial, entende não ter acarretado prejuízo ao Fisco (fl. 100). Sendo assim, concluise haver apenas um período de apuração para o AC 2010, que vai de 1° de janeiro a 31 de dezembro. Além da inconsistência recém relatada, logo ao início do procedimento fiscal foram constatadas divergências nos valores do lucro líquido apurado por meio da Escrituração Contábil Digital (ECD) em relação ao informado nas DIPJs e nos Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) até então apresentados, bem como nas bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Assim, a fiscalização tratou de solicitar que fossem verificadas as divergências e retificações necessárias (itens INI.10, INI.11 e INI.12 do Termo de Início de Ação Fiscal fls. 77 e 78). Isso posto, a partir do constante na ECD, nas demonstrações financeiras, nas DIPJs retificadoras (exceto a do AC 2010, que se mostrou imprestável pelas razões acima expostas) e nos demonstrativos de apuração do lucro real apresentados, a FISCALIZADA teria auferido os resultados mostrados na Tabela 1 quando do encerramento dos períodos de apuração abarcados nesta fiscalização. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.574 5 2. ATOS E PROCEDIMENTOS FISCAIS. Em atenção ao que dispõem os §§ 5° e 6° do art. 7° da Portaria RFB n° 1.687/2014, com a redação dada pela Portaria RFB n° 1.949/2014, tratandose de fiscalização realizada por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil em exercício em unidade de região fiscal diversa daquela que jurisdiciona o contribuinte, foi precedentemente expedida a Ordem de Serviço COFIS n° 66, de 13/10/2014 (fls. 73 e 74). Em 16/10/2014 foi emitido o TDPF n° 08190002014029684 (fl. 72) para verificação do IRPJ dos anoscalendário (ACs) 2010, 2011 e 2012. O procedimento foi iniciado em 03/11/2014 com a ciência da FISCALIZADA, por via postal, ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF) fls. 75 a 83. Quanto ao TIAF, a FISCALIZADA solicitou sucessivas prorrogações e apresentou respostas em quatro etapas: 02/12/2014, 19/12/2014, 19/01/2015 e 27/01/2015 (fls. 84 a 92). No curso do procedimento também foram formalizados o Termo de Constatação Fiscal n° 1 e o Termo de Intimação Fiscal n° 1 (fls. 93 a 99), com ciência por via postal em 06/02/2015, para o qual a FISCALIZADA apresentou respostas em 13/03/2015 e 08/04/2015 (fls. 100 a 104). A FISCALIZADA foi orientada a, sempre que possível, encaminhar os documentos e prestar as informações em meio digital. A autenticidade desses dados é assegurada pelos recibos de entrega gerados por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), assinados por seu representante. Em atenção ao itens INI.37 e INI.38 do TIAF (fl. 81) foi indicado CIRO DE OLIVEIRA BRITO, contador, para acompanhar os procedimentos e auxiliar no esclarecimento de dúvidas relacionadas à operação dos sistemas de controle interno, de natureza econômica, financeira, patrimonial e de registros contábeis, bem como para representar a FISCALIZADA na ausência dos administradores legalmente habilitados (fl. 84 e 85). Apresentada a procuração acostada à fl. 86. Os arquivos digitais de lançamentos contábeis, saldos e planos de contas verificados pela fiscalização foram obtidos da Escrituração Contábil Digital apresentada no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Os lançamentos contábeis e/ou Razão das contas de interesse ao Fl. 2615DF CARF MF 6 procedimento fiscal foram visualizados com o aplicativo ContÁgil a partir dos arquivos digitais recém mencionados. Em resposta aos itens INI.39 e INI.40 do TIAF (fl. 81), a FISCALIZADA consignou que não é autora de ação judicial e não formulou processo de consulta perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativa aos tributos e períodos de apuração analisados no presente procedimento (fl. 85). Tendo em vista as infrações constatadas relativas ao IRPJ também configuram, com base nos mesmos elementos de prova, infrações à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), esta considerase incluída no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF. Em face das infrações apuradas, descritas ao longo deste TVF, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ e CSLL (fls. 3 a 17 e fls. 18 a 31, respectivamente), bem como procedidos ajustes dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL discriminados no tópico 7 deste TVF e nos demonstrativos que integram os Autos de Infração. A FISCALIZADA registrava saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 5.825.308,43 relativos ao AC 2009 (dos quais R$ 20.100,00 são não operacionais). Esses saldos foram parcialmente compensados na forma preconizada nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995 e no art. 31 da Lei n° 9.249/1995, conforme demonstrativos que também integram os Autos de Infração. 3. ÁGIO NÃO AMORTIZÁVEL. AJUSTE DO RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE. Nos ACs 2010, 2011 e 2012 a FISCALIZADA amortizou R$ 49.537.172,52 atribuídos a ágio originado em operação de subscrição de ações. A fim de viabilizar a amortização fiscal, fundamentou o ágio em um único fator a rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros e fez a incorporação reversa das suas controladoras direta e indireta. O procedimento fiscal revelou que a amortização do ágio se deu com inobservância dos requisitos previstos na legislação tributária e, por isso, deve ser glosada. As irregularidades verificadas podem ser atribuídas a três causas, independentes entre si, sendo que quaisquer delas, isoladamente, é suficiente para inviabilizar a amortização do ágio procedida pela FISCALIZADA. As causas são as seguintes: i) A suposta rentabilidade futura foi obtida da avaliação de holding não operacional levando em consideração duas empresas operacionais então controladas por essa holding. Todavia, uma dessas empresas (justamente a mais rentável) não foi incorporada nas operações societárias que se sucederam, de forma que a maior parte da alegada rentabilidade futura sequer chegou a integrar diretamente o patrimônio da FISCALIZADA (subtópico 3.5 do TVF). ii) Desvirtuamento do verdadeiro fundamento do ágio. Os valores dos intangíveis (marcas de moda notoriamente Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.575 7 conhecidas) e do fundo de comércio foram convenientemente ignorados pela FISCALIZADA na alocação do ágio, sendo que a legislação fiscal não autoriza a amortização nessa hipótese (subtópico 3.6 do TVF). iii) Utilização de “empresa veículo” visando exclusivamente ao aproveitamento fiscal do ágio. O adquirente, de fato, foi um Fundo de Investimento (subtópico 3.7 do TVF). As irregularidades acima serão abordadas detalhadamente nos subtópicos 3.5, 3.6 e 3.7 do TVF. Antes, porém, é pertinente esclarecer outros pontos acerca das operações que deram origem ao ágio indevidamente amortizado pela FISCALIZADA. 3.1 Aspectos gerais sobre a amortização do ágio decorrente de aquisição de participação societária. A amortização do ágio era matéria tratada nos arts. 385 e 386 do RIR/1999, os quais tinham como base legal o art. 20 do DecretoLei n° 1.598/1977 e os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 , e assim dispunham: Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, § 1°). § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, § 2°): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, § 3°). Fl. 2617DF CARF MF 8 Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n° 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2° do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° .o artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1° O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 1°). § 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 2°): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3° O valor registrado na forma do inciso II (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 3°): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.576 9 inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4° Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 4°). § 5° O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 5°). § 6° O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei n° 9.532, de 1997, art. 8°): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7° Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2° deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei n° 9.718, de 1998, art. 11). Como se vê, a legislação fiscal aplicável aos períodos de apuração sob análise não admitia, como regra, a possibilidade de se deduzir, na apuração do lucro real, a amortização do ágio. O art. 391 do RIR/1999 dispunha que as “contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 [alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo patrimônio líquido]”. Ainda segundo o art. 391, parágrafo único, do RIR/1999, concomitantemente à amortização do ágio na escrituração comercial deveria ser mantido controle no LALUR para efeito de determinação do ganho ou perda de capital quando da alienação ou liquidação do investimento. Vale registrar que as disposições do art. 391 do RIR/1999 só tiveram sentido enquanto a amortização do ágio era feita contabilmente, reduzindo o lucro líquido do exercício. Com o advento das alterações legislativas que visaram harmonizar a contabilidade brasileira aos padrões internacionais não se admite mais a amortização contábil do ágio, que passou a ficar submetido a testes periódicos de recuperabilidade (impairment). Contudo, as alterações na legislação societária não repercutiram no tratamento fiscal do ágio, o qual continuou sendo apurado e amortizado (ou não) de acordo com os critérios e requisitos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, e na Fl. 2619DF CARF MF 10 redação original do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/1977 (bases legais dos antes transcritos arts. 385 e 386 do RIR/1999). Nesse sentido, o art. 65 da Lei n° 12.973/2014 é muito claro ao determinar que as disposições contidas arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 continuam a ser aplicadas às operações de incorporação, fusão e cisão, ocorridas até 31/12/2017, cuja participação societária tenha sido adquirida até 31/12/2014. Dessa forma, o tratamento fiscal do ágio aplicável às operações ocorridas à época do caso sob análise continua sendo definido segundo sua natureza, ou seja: Tratandose de ágio fundamentado no valor de mercado de bens do ativo, esse integra o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (RIR/1999, art. 386, § 1°); Se o fundamento do ágio foi fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas (que não a rentabilidade futura e/ou a mais valia de ativos fixos), ele não está sujeito à amortização (RIR/1999, art. 386, II, parte final); A possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real restringese ao caso previsto no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2°, II, ambos do RIR/1999, qual seja: quando a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio cujo fundamento econômico seja o de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Nesta situação, o ágio pode ser amortizado à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Tal faculdade aplicase, inclusive, na hipótese de a empresa incorporada ser aquela que detinha a propriedade da participação societária, também conhecida como incorporação downstream ou incorporação reversa (RIR/1999, art. 386, § 6°, II). 3.2 Descrição das operações societárias A seguir serão descritas operações societárias realizadas envolvendo várias empresas para atender condições que, supostamente, dariam azo à amortização fiscal de ágio aqui analisada. As operações ocorreram em 2008 e consistiram, basicamente, na associação entre a marca de moda ELLUS, criada por NELSON ALVARENGA FILHO em 1972 , e um fundo de investimentos gerido pela VINCI PARTNERS que congrega recursos de ex sócios do BANCO PACTUAL, notadamente GILBERTO SAYÃO DA SILVA e ANDRÉ SANTOS ESTEVES . As tratativas dessa associação tiveram seu primeiro ato formalizado em 26/07/2007, quando, de um lado, o Fundo de Investimento em Participações PCP (investidor), e de outro, NELSON ALVARENGA FILHO e AMÉRICO FERNANDO RODRIGUES BREIA (então únicos sócios da ELLUS), firmaram o “Acordo de Subscrição e outras avenças” juntado às fls. 1950 a 1975. Já naquela oportunidade haviam as partes planificado uma série de operações societárias que, a toda evidência, Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.577 11 tiveram como principal propósito negocial levar a cabo um planejamento tributário adredemente engendrado. Essas operações estavam previstas, por exemplo, no item “2. Da Estrutura” do “Acordo de Subscrição” (fls. 1952 a 1958). Compreendiam cisão das empresas operacionais originárias, utilização de “empresa veículo” e sua posterior incorporação. A execução das operações é descrita nos subtópicos 3.2.1 a 3.2.6 a seguir. Paralelamente são indicados os pontos do “Acordo de Subscrição” a elas relacionados. 3.2.1 Constituição e formação do capital inicial da FISCALIZADA. A hoje denominada INBRANDS S.A., ora FISCALIZADA, foi constituída em 30/06/2007, originalmente sob a denominação de ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA. O capital social inicial de R$ 10.000,00 encontravase dividido em 10.000 quotas integralizadas em moeda corrente pelos sócios NELSON ALVARENGA FILHO (85%) e AMÉRICO FERNANDO RODRIGUES BREIA (15%) Em 22/01/2008 promoveram a primeira alteração contratual da FISCALIZADA. O capital social foi aumentado de R$ 10.000,00 para R$ 16.008.958,00, com a criação de 15.998.958 novas quotas, as quais foram integralizadas pela então denominada ELLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 43.488.097/000136, mediante a conferência de estabelecimentos industriais e comerciais cujo valor contábil avaliouse em R$ 15.998.957,94 . Essa etapa da reorganização societária estava descrita no item 2.6.(i) do “Acordo de Subscrição”, com as alterações promovidas pelo seu 1º Aditivo (fl. 1982). Os sócios da ELLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA eram os já citados NELSON ALVARENGA FILHO e AMÉRICO FERNANDO RODRIGUES BREIA, também com participações de 85% e 15%, respectivamente. Nesse momento, o quadro societário da FISCALIZADA tinha a composição mostrada na Figura 2. Fl. 2621DF CARF MF 12 3.2.2 Constituição e formação do capital inicial da INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A. Em 31/01/2007 foi constituída a INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 08.720.622/000104, originalmente sob a denominação de EDSP72 PARTICIPAÇÕES S/A e com capital social inicial de R$ 1.000,00, representado por 1.000 ações. No “Acordo de Subscrição”, a então denominada EDSP72 PARTICIPAÇÕES S/A (ou “Holding”) assumia o papel de “veículo utilizado para viabilizar a associação entre as Partes”. As primeiras 1.000 ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES foram subscritas por EDUARDO DUARTE e SIMONE BÜRCK SILVA. Mas, conforme se depreende da lista de presença de acionistas da AGE realizada em 14/11/2007 (fl. 939), foram posteriormente transferidas para ALESSANDRO MONTEIRO MORGADO HORTA e GILBERTO SAYÃO DA SILVA, pessoas que já haviam assumindo funções de direção na INBRANDS PARTICIPAÇÕES em 14/08/2007 e integram o Conselho de Administração da VINCI PARTNERS. Às 10 horas do dia 26/03/2008 foi realizada AGE da INBRANDS PARTICIPAÇÕES. Uma das deliberações consistiu em aprovar o aumento do capital da companhia, de R$ 1.000,00 para R$ 16.409.958,00, com a emissão de 16.408.958 novas ações pelo preço de R$ 1,00 cada. As novas ações foram subscritas por NELSON ALVARENGA FILHO, AMÉRICO FERNANDO RODRIGUES BREIA e ELLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. A integralização se deu mediante conferência da totalidade das quotas representativas do capital social de duas empresas: da FISCALIZADA (à época denominada ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA) e da ELLUS PROPAG LTDA, CNPJ 55.644.363/000151. Para fins de integralização, foi adotado um laudo do valor contábil das quotas do capital da FISCALIZADA e da ELLUS PROPAG, as quais foram avaliadas em R$ 16.008.958,00 e R$ 400.000,00, respectivamente. Essa etapa da reorganização societária estava descrita no “Acordo de Subscrição” como “primeira AGE da ‘Holding’”. Após o aumento de capital da INBRANDS PARTICIPAÇÕES formalizado na AGE realizada às 10 horas do dia 26/03/2008, a Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.578 13 estrutura societária passou a ser a evidenciada na Figura 3 a seguir. Vale notar que um dos cuidados previstos no “Acordo de Subscrição” consistiu em fazer constar que a conferência das quotas da FISCALIZADA e da ELLUS PROPAG ao capital da INBRANDS PARTICIPAÇÕES darseia pelo valor de custo, seja o constante dos livros contábeis da ELLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, seja o das declarações do imposto de renda de NELSON ALVARENGA FILHO e de AMÉRICO FERNANDO RODRIGUES BREIA. Portanto, buscavam evitar (como de fato o fizeram) a tributação que incidiria sobre o ganho de capital na hipótese de as quotas virem a ser conferidas por um valor maior que o de custo. Isso, por si só, dispensaria maior atenção, não fosse o fato de apenas quatro horas mais tarde (às 14 horas do dia 26/03/2008) ter ingressado um novo sócio disposto a pagar mais de R$ 165 milhões de ágio por 50% das ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, como descrito no subtópico 3.2.4 adiante. 3.2.3 Constituição e formação do capital inicial da CRISTALYS PARTICIPAÇÕES S.A. Em 08/06/2007 foi constituída a CRISTALYS PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 08.911.007/000177, doravante designada CRISTALYS, com capital social inicial de R$ 1.000,00, representado por 1.000 ações, subscritas por EDUARDO DUARTE e SIMONE BÜRCK SILVA (mesmas pessoas que haviam constituído a INBRANDS PARTICIPAÇÕES em 31/01/2007). AGE realizada em 23/01/2008 aprovou o aumento do capital da CRISTALYS, de R$ 1.000,00 para R$ 251.000,00, com a emissão de 250.000 novas ações pelo preço de R$ 1,00 cada, as quais foram subscritas pelo Fundo de Investimento em Participações Fl. 2623DF CARF MF 14 PCP, CNPJ 08.621.544/00018235. Cabe anotar que tal valor sequer chegou a transitar pela conta da CRISTALYS. Os R$ 250 mil haviam sido depositados pelo Fundo de Investimentos PCP diretamente na INBRANDS PARTICIPAÇÕES muito antes da realização da AGE da CRISTALYS, mais precisamente em 28/11/2007 (o fato será detalhado no subtópico 3.7.2 do TVF). Em AGE realizada às 10:30 horas do dia 26/03/2008 foi aprovado novo aumento de capital da CRISTALYS, de R$ 251.000,00 para R$ 181.671.000,00, com a emissão de 181.420.000 novas ações pelo preço de R$ 1,00 cada, as quais também foram subscritas pelo Fundo de Investimento em Participações PCP. 3.2.4 Ingresso da CRISTALYS no quadro societário da INBRANDS PARTICIPAÇÕES. Em AGE realizada às 14 horas do dia 26/03/2008 foi aprovada a emissão de 16.409.958 novas ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES pelo preço de R$ 11,07 por ação, perfazendo um total de R$ 181.670.000,00. Desse valor, R$ 16.409.958,00 foram destinados à conta de capital e R$ 165.260.042,00 foram destinados à conta de reserva de capital a título de ágio na subscrição. Essa etapa da reorganização societária estava descrita no “Acordo de Subscrição” como “segunda AGE da ‘Holding’”. E tratavase realmente da segunda assembleia da INBRANDS PARTICIPAÇÕES realizada no mesmo dia (a primeira havia sido realizada às 10 horas e foi descrita no subtópico 3.2.2 deste TVF). O valor da integralização, inicialmente fixado em R$ 162 milhões, sofreu ajustes previstos no 1° Aditivo do “Acordo de Subscrição”. Desde a versão inicial do “Acordo de Subscrição”, de 27/07/2007, já se previa a possibilidade de o investimento ser feito através de uma sociedade detida integralmente pelo Fundo de Investimento em Participações PCP. Então, as 16.409.958 novas ações de emissão da INBRANDS PARTICIPAÇÕES foram subscritas e integralizadas em moeda corrente pela CRISTALYS, tendo os demais acionistas renunciado ao direito de preferência para a subscrição. Vale lembrar que a CRISTALYS havia sido recém capitalizada (às 10:30 horas do mesmo dia, 26/03/2008) pelo Fundo de Investimento PCP. Assim, a CRISTALYS passou a deter 50% das ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, as quais foram subscritas com ágio de R$ 165.260.042,00. O valor registrado pela “investidora” CRISTALYS a título de ágio será detalhado no subtópico 3.3.1 deste TVF. Após a AGE da INBRANDS PARTICIPAÇÕES realizada às 14 horas do dia 26/03/2008, a estrutura societária assumiu a formatação ilustrada na Figura 4. Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.579 15 3.2.5 Aumento de capital da FISCALIZADA pela INBRANDS PARTICIPAÇÕES com a conferência das quotas da ELLUS PROPAG. Transformação da FISCALIZADA de Sociedade Limitada para Sociedade Anônima. Em alteração contratual de 30/08/2008 aprovouse o aumento de capital da FISCALIZADA (então denominada ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA), de R$ 16.008.958,00 para R$ 18.728.958,00, com a criação de 2.720.000 novas quotas com valor de R$ 1,00 cada, subscritas pela INBRANDS PARTICIPAÇÕES e integralizadas mediante a conferência de 399.999 das 400.000 quotas do capital da ELLUS PROPAG. A estrutura societária assumiu a configuração apresentada na Figura 5 a seguir. Fl. 2625DF CARF MF 16 Ainda no dia 30/08/2008, a FISCALIZADA foi transformada de Sociedade Limitada para Sociedade Anônima. As 18.728.958 quotas representativas do seu capital foram então convertidas em igual número de ações. 3.2.6 Incorporação da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES pela FISCALIZADA. A incorporação reversa da INBRANDS PARTICIPAÇÕES e da CRISTALYS foi aprovada na AGE da FISCALIZADA realizada em 31/08/2008, quando esta ainda era denominada ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO S.A. De acordo com o Laudo de Avaliação de fls. 219 a 221, o acervo líquido das incorporadas vertido para a FISCALIZADA somava R$ 214.433.810,52. Essa etapa da operação estava descrita no item 2.1.2 (sic) do “Acordo de Subscrição” celebrado em 27/07/2007, onde se previa a realização do investimento por meio de uma sociedade detida integralmente pelo investidor de fato (ou seja, a CRISTALYS e o Fundo de Investimento em Participações PCP, respectivamente). Ato contínuo, a “sociedade detida integralmente pela ‘Investidora’” seria incorporada ao patrimônio da “Holding” (fls. 1953 e 1954). Como a incorporada INBRANDS PARTICIPAÇÕES detinha 100% das ações da incorporadora, essas ações foram distribuídas aos então acionistas das incorporadas na proporção de suas respectivas participações no capital social das mesmas. Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.580 17 Após as incorporações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES e da CRISTALYS pela FISCALIZADA, a estrutura societária passou a ter a formatação mostrada na Figura 6 a seguir Dentre os ativos vertidos na incorporação de 31/08/2008 estava o ágio contabilizado pela CRISTALYS por ocasião da subscrição de 50% das ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES. Desde então, a FISCALIZADA tem procedido à amortização fiscal do ágio na forma que será descrita adiante, no subtópico 3.4 deste TVF. 3.3 Valor do ágio registrado pela “investidora” CRISTALYS e a possibilidade, em tese, de amortização de ágio oriundo de operação de subscrição. Como visto no subtópico 3.2.4 deste TVF, o ágio sob análise surgiu por ocasião da subscrição de 50% das ações de emissão da INBRANDS PARTICIPAÇÕES pela “investidora” CRISTALYS. Do valor de subscrição, R$ 16.409.958,00 foram destinados à conta de capital e R$ 165.260.042,00 foram destinados à conta de reserva de capital a título de ágio na subscrição. Duas questões merecem atenção antes de se adentrar propriamente nas irregularidades verificadas pela fiscalização: (i) o valor do ágio registrado pela CRISTALYS; e (ii) a possibilidade de amortização fiscal de ágio oriundo de operação de subscrição de ações. 3.3.1 Valor do ágio registrado pela “investidora” CRISTALYS. Tratandose de ágio pago em subscrição de ações, não se deve perder de vista que parte do sobrepreço se reverte em benefício Fl. 2627DF CARF MF 18 do próprio subscritor, na medida em que valoriza ações que já são de sua propriedade. Dito de outra forma: a reserva de ágio constituída na investida gera aumento do seu patrimônio líquido, o qual se reflete nas investidoras, sendo que uma delas é justamente quem subscreveu as ações com ágio. Nesse sentido: ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. [...] (Primeiro Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara. Acórdão n° 10516.774. Sessão de 08/11/2007) A “investidora” CRISTALYS registrou ágio de R$ 82.561.954,26 em sua contabilidade, o que correspondeu (aproximadamente) à metade da reserva de capital a título de ágio na subscrição contabilizada pela investida. Ou seja, observouse a representatividade da participação da CRISTALYS no capital da INBRANDS PARTICIPAÇÕES (50%), tendo a “investidora” reconhecido o ágio da subscrição parte sob a forma de valor de patrimônio líquido da investida, parte sob a forma de ágio propriamente dito. Após a subscrição, o investimento ficou assim registrado pela CRISTALYS: (+) Valor do Patrimônio Líquido da investida Conta INBRANDS PARTICIPAÇÕES S/A. (13076) 120201 006: R$ 99.108.045,74 D (+) Ágio na subscrição Conta INBRANDS PARTICIPAÇÕES S/A. (13265) 120202 003: R$ 82.561.954,26 D (=) Custo de aquisição R$ 181.670.000,00 D Então, especificamente nesse aspecto (valor do ágio) não há reparos a fazer em relação aos procedimento: adotados pela FISCALIZADA. 3.3.2 Possibilidade, em tese, de amortização fiscal de ágio oriundo de operação de subscrição. Outro tema pertinente ao caso é se uma operação de subscrição pode ser considerada “aquisição de participação societária” nos termos da legislação tributária, em especial dos art. 385 e 386 do RIR/1999, quando se cuida do tratamento fiscal aplicável ao ágio. A respeito, assim se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.581 19 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. A operação societária de subscrição de ações equiparase a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7° e 8° da Lei 9.532/1997). Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária (CSRF, 1ª Turma. Acórdão n° 9101001.657. Sessão de 15/05/2013) Então, especificamente nesse aspecto (dedutibilidade do ágio gerado em subscrição de ações) também não há reparos a fazer. 3.4 Procedimentos adotados pela FISCALIZADA e valor do ágio amortizado. Por ocasião da incorporação, a FISCALIZADA constituiu um ativo fiscal diferido de R$ 28.071.064,45 (equivalente a 34% do ágio registrado pela CRISTALYS) na conta “126010004 IMPOSTO DE RENDA DIFERIDO” (Razão às fls. 1914 a 1922) e uma reserva especial de ágio de mesmo valor conta do Patrimônio Líquido “231020105 RESERVAS DE CAPITAL ESPECIAL” (Razão à fl. 1913). Nos dizeres da FISCALIZADA, esse valor corresponderia ao “benefício fiscal recuperável” ao longo de 60 meses. A partir da incorporação, a FISCALIZADA passou a realizar esse ativo fiscal diferido a débito da conta de resultado “534010003 () IMPOSTO DE RENDA DIFERIDO” (Razão às fls. 1914 a 1922). Os lançamentos levaram ao reconhecimento de uma despesa de R$ 467.851,07 ao mês (ou seja, 1/60 avos de R$ 28.071.064,45). Anualizada, a despesa teve o montante de R$ 5.614.212,84. Notese, porém, que o valor não afetou o resultado tributável da FISCALIZADA, haja vista o “ponto de partida” para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL ser o valor do lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL . Essa despesa em particular (lançada na conta de resultado “534010003 () IMPOSTO DE RENDA DIFERIDO”) não diz respeito à amortização do ágio; tratase da realização de um ativo fiscal diferido que a FISCALIZADA entendia fazer jus. E não poderia ser diferente, pois desde o advento das alterações legislativas que visaram harmonizar a contabilidade brasileira aos padrões internacionais não se admite mais a amortização contábil do ágio, o qual passou a ficar submetido a testes periódicos de recuperabilidade (impairment). A realização do ativo fiscal diferido derivado do ágio incorporado da CRISTALYS é mencionada, por exemplo, na nota explicativa n° 12a(i) das Demonstrações Financeiras do AC 2012 (fl. 1590), destacada na Figura 7 a seguir. Fl. 2629DF CARF MF 20 Concomitantemente às alterações da legislação societária estabelecidas pela Lei n° 11.941/2009 foi adotado o Regime Tributário de Transição (RTT), a fim de buscar a neutralidade tributária em relação aos novos métodos e critérios contábeis então aplicáveis. Consequentemente, para fins fiscais, o ágio continuou sendo amortizado (ou não) de acordo com os critérios e requisitos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e na redação original do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/1977 (bases legais dos arts. 385 e 386 do RIR/1999) . Quando amortizável, o registro dessa despesa passaria a ser feito no que a lei denominou “livros ou registros contábeis auxiliares” e objeto de ajustes específicos ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real . No uso da competência legal que lhe foi atribuída, a Secretaria da Receita Federal do Brasil institui o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para escrituração desses registros auxiliares . Dessa forma, o impacto da amortização do ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pela FISCALIZADA se deu por meio de: (i) ajustes atribuídos ao RTT, os quais deveriam ter sido controlados no FCONT; e (ii) exclusões consideradas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. É o que se passa a descrever. Preliminarmente deve ser registrado que logo ao início do procedimento fiscal constataramse divergências entre os FCONTs apresentados pela FISCALIZADA no ambiente do SPED para os ACs 2011 e 2012 e as informações das respectivas DIPJs. Já em relação ao AC 2010, o FCONT sequer havia sido apresentado. Essas discrepâncias (ou mesmo a não apresentação), foram consignadas nos itens INI.6, INI.7 e INI.8 do TIAF (fl. 76). Ainda que (re)apresentados, os FCONTs nada Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.582 21 esclareceram, pelo contrário. Todos seus lançamentos estão transcritos nas fls. 1939 e 1940 (AC 2010), fls. 1941 a 1943 (AC 2011) e fls. 1945 a 1948 (AC 2012); e não há qualquer menção, seja em conta contábil, seja em histórico de lançamento, que os relacione com amortização de ágio. Deliberadamente ou não, a FISCALIZADA não evidenciou a amortização fiscal do ágio nos FCONTs. Aliás, nos FCONTs chegou a ser expurgada a despesa de realização do ativo fiscal diferido oriundo do ágio, lançamento esse que não tem qualquer sentido: despesas ou receitas com IRPJ e CSLL, correntes ou diferidos, são exclusivamente decorrentes dos critérios tributários e não há porque serem ajustados por conta de critérios distintos previstos na legislação societária. Além disso, se a despesa com IRPJ e CSLL diferidos lançada na escrituração despesa ser tributável (e todo ajuste do RTT impacta as bases de cálculo). Como exemplo, na Figura 8 a seguir é mostrado um “resumo” dos ajustes do RTT de acordo com o FCONT retificador do AC 2011 elaborado pela FISCALIZADA . Então, a compreensão dos procedimentos adotados pela FISCALIZADA para a amortização fiscal do ágio só pode ser obtida da análise das DIPJs. Tomese novamente como exemplo o AC 2011. Nesse ano, o total do ajuste do RTT informado pela FISCALIZADA teve valor positivo de R$ 5.210.481,24. Comparando a “Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral” (fls. 1159 e 1160) e a “Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral” da DIPJ (fls. 1161 e 1162), podese decompor o ajuste atribuído ao RTT na forma detalhada pela Tabela 2 a seguir. Fl. 2631DF CARF MF 22 O ajuste do RTT decorrente da “Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais”, no valor de R$ 10.898.178,00 (vide linha 31 em destaque na Tabela 2), foi neutralizado por uma exclusão de mesmo valor na apuração do lucro real identificada como “Provisão para perda ágio Cristalys” (fl. 1825). Assim, especificamente em relação ao ágio, o que restou para fins fiscais foi a inclusão, no âmbito do RTT, de uma despesa de R$ 16.512.390,84 identificada como “Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido” (vide linha 54 em destaque na Tabela 2) e a consequente redução das bases tributáveis. Mutatis mutandis, o mesmo ocorreu no AC 2012. O total do ajuste do RTT informado pela FISCALIZADA teve valor positivo de R$ 4.130.885,01. Com base nas Fichas 06A e 07A da DIPJ (fls. 1218 a 1221), a Tabela 3 evidencia sua composição. O ajuste do RTT decorrente da “Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais”, no valor de R$ 10.898.178,00 (vide linha 31 em destaque na Tabela 3), foi neutralizado por uma exclusão de mesmo valor na apuração do lucro real do AC 2012 identificada como “Provisão para perda ágio Cristalys” (fl. 1884). Mas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram reduzidas em R$ 16.512.390,84 em decorrência da “Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.583 23 Avaliados pelo Patrimônio Líquido” (vide linha 54 em destaque na Tabela 3). E tudo se repetiu no AC 2010, não obstante até a análise da DIPJ ter ficado prejudicada (houve indevida apresentação de 2 DIPJs naquele ano, sendo uma delas “zerada” vide tópico 1 deste TVF). Mas houve a mesma exclusão de R$ 10.898.178,00 a título de “Provisão para perda ágio Cristalys” na apuração do lucro real do AC 2010 (fl. 1769). Os ajustes do RTT de amortização de ágio e de reversão de provisões indicados na “segunda DIPJ” guardaram proporcionalidade com a quantidade de meses do período de apuração considerado (representaram 75% dos ajustes destacados na Tabela 2 e na Tabela 3). Por exemplo: a “Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL” tem o valor de R$ 12.384.293,1059, que corresponde a 8/12 (ou 75%) do ágio amortizado nos ACs 2011 e 2012. O que se tem comum nos três períodos ora fiscalizados é o valor da amortização, de R$ 16.512.390,84 ao ano, correspondente a 20% do total do ágio incorporado da CRISTALYS e guardando relação com o limite legal máximo de dedutibilidade (um sessenta avos para cada mês do período de apuração). Outro dado a ratificar o valor da amortização fiscal é o quanto do ativo fiscal diferido vinha sendo realizado por conta desse benefício: R$ 5.614.212,84 = 34% x R$ 16.512.390,84; onde a alíquota de 34% representa a soma do IRPJ e da CSLL. Concluise que a amortização fiscal do ágio teve o valor de R$ 16.512.390,84 em cada um dos anoscalendário fiscalizados e se refletiu nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio de ajuste atribuído ao RTT e identificado como “Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido”. 3.5 Suposta rentabilidade futura estimada com base em resultados de empresa não incorporada pela FISCALIZADA. Uma das irregularidades que inviabilizam a amortização fiscal do ágio diz respeito ao fato de que a maior parte da suposta rentabilidade futura ter sido fundamentada em resultados de empresa que sequer chegou a ser incorporada pela FISCALIZADA, qual seja, a ELLUS PROPAG. Como visto anteriormente, um dos requisitos legais para a dedutibilidade do ágio é de ele tenha sido fundamentado na rentabilidade do investimento adquirido com base em previsão dos resultados de exercícios futuros. No caso em apreço, o ágio foi gerado quando subscrição de ações de emissão da INBRANDS PARTICIPAÇÕES (vide subtópico 3.2.4 deste TVF). Por meio do item INI.20 do TIAF (fl. 79), solicitouse à FISCALIZADA o documento que comprovasse o(s) fundamento(s) econômico(s) do ágio nessa operação, tal como previsto no RIR/1999, art. 385, § 3°. Em resposta, foi Fl. 2633DF CARF MF 24 apresentado o “Laudo de Avaliação de Negócios Valor de Mercado” acostado às fls. 2019 a 2037. O referido laudo teve por objeto a “avaliação do valor de mercado das ações de emissão da sociedade INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A. e suas controladas ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA [ora FISCALIZADA] e ELLUS PROPAG LTDA” (fl. 2020). O laudo foi emitido em 07/03/2008 e teve como data base 29/02/2008. Por conta dessas datas, vale comentar uma peculiaridade: as quotas do capital da FISCALIZADA e da ELLUS PROPAG somente foram conferidas à INBRANDS PARTICIPAÇÕES em 26/03/2008. Portanto, quando da data base considerada no laudo (29/02/2008), ou mesmo quando da emissão do laudo (07/03/2008), a empresa avaliada ainda não detinha qualquer participação no capital da FISCALIZADA ou da ELLUS PROPAG. Já na introdução (fl. 2022), o laudo fez a consideração de que INBRANDS PARTICIPAÇÕES era uma “sociedade holding sem atividade operacional’ e, assim, os “trabalhos foram desenvolvidos como (sic) base nos dados históricos e projetados destas controladas (ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA. e ELLUS PROPAG LTDA.)” vide Figura 9. Tratandose a empresa avaliada de uma holding sem atividade operacional própria, os únicos ativos aptos a gerarem algum resultado futuro eram as sociedades por ela controladas. Assim, os avaliadores foram buscar nos resultados projetados para as duas empresas “controladas” (ou seja: a FISCALIZADA e a ELLUS PROPAG) a base para estimar o valor da INBRANDS PARTICIPAÇÕES. A metodologia utilizada foi a de fluxo de caixa descontado. Na análise prospectiva dos fluxos de caixa adotouse como ponto de partida os resultados auferidos pela FISCALIZADA e pela ELLUS PROPAG nos anos que antecederam a elaboração do laudo (2005, 2006 e 2007). E, a partir desses dados, foram elaboradas projeções; por exemplo: crescimento da receita Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.584 25 líquida de 8,5% em 2008; 4,6% em 2009; 2,4% em 2010; 1,5% em 2011 e 1,0% em 2012 (vide fl. 2027) Nos anexos V, VI e VII do laudo constam as demonstrações dos resultados dos anos de 2005, 2006 e 2007 das duas controladas. Na Tabela 4 a seguir apresentase uma síntese do lucro líquido desses períodos, a partir da qual podese evidenciar a representatividade de cada uma das controladas na lucratividade da INBRANDS PARTICIPAÇÕES Como podese ver na Tabela 4, ao se considerar os três anos que antecederam a aquisição, a ELLUS PROPAG foi muito mais lucrativa que a FISCALIZADA. Como os resultados futuros assumidos pelo laudo de avaliação foram obtidos de projeções que tiveram como base esses períodos anteriores, é incontroverso que a maior parcela da rentabilidade futura estimada para a holding INBRANDS PARTICIPAÇÕES adveio da ELLUS PROPAG. Os fluxos projetados para os primeiros cinco anos (2008 a 2012) foram descontados para valor presente e a eles acrescido um “valor de perpetuidade”. Assim concluiuse que o valor total de avaliação da INBRANDS PARTICIPAÇÕES seria superior a R$ 182 milhões vide Figura 10. Esses cálculos constam do anexo VIII do laudo de avaliação (fl. 2037). Ocorre que justamente o ativo mais rentável, a ELLUS PROPAG, não foi incorporado pela FISCALIZADA. Isso porque anteriormente às incorporações reversas da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, foi promovido um aumento de capital da FISCALIZADA mediante a conferência das quotas da ELLUS PROPAG (vide subtópico 3.2.5 deste TVF). Assim, a ELLUS PROPAG deixou de ser controlada diretamente pela INBRANDS PARTICIPAÇÕES; consequentemente, esse ativo não integrou o acervo incorporado pela FISCALIZADA em 31/08/2008. Para maior clareza, reproduzse a Figura 5 e a Figura 6, as quais ilustram a organização societária imediatamente antes e Fl. 2635DF CARF MF 26 após as incorporações reversas da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES em 31/08/2008. Se a ELLUS PROPAG não foi incorporada pela FISCALIZADA, não se pode cogitar a amortização fiscal de ágio decorrente de alegada rentabilidade futura daquela empresa. Afinal, não houve absorção de patrimônio, requisito legal para a dedutibilidade do ágio previsto no caput do art. 386 do RIR/1999. Por fim, importa registrar que a ELLUS PROPAG operou como empresa autônoma até 1°/08/2012, data em que foi incorporada por sua então controladora POLAMINSK SP PARTICIPAÇÕES S.A. Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.585 27 3.6 Desvirtuamento do verdadeiro fundamento do ágio. A legislação fiscal então vigente determinava a discriminação do fundamento econômico do ágio em três gêneros, a saber: (i) Valor de mercado de bens do ativo superior ao custo registrado na contabilidade da investida; (ii) Valor de rentabilidade da investida, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; ou (iii) Fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Esse detalhamento não é mera opção; pelo contrário, é obrigação expressamente contida na legislação fiscal. Mas a despeito da previsão legal contida no art. 385, § 2º, do RIR/1999, a “investidora” CRISTALYS deixou de indicar o fundamento do ágio quando do seu lançamento contábil. A escrituração foi feita de forma genérica, na conta contábil “INBRANDS PARTICIPAÇÕES S/A. (13265) 120202003”, sem indicação do fundamento econômico. O razão da referida conta é mostrado na Figura 11. Após a incorporação reversa da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, a FISCALIZADA passou a amortizar os mais de R$ 82,5 milhões de ágio, como se o valor estivesse exclusivamente fundamentado em rentabilidade futura (vide subtópico 3.4 deste TVF). No que ora interessa ao procedimento fiscal, duas espécies de ativos merecem especial atenção: intangíveis (marcas registradas) e fundo de comércio. Eles se revestem de especial importância em razão de a FISCALIZADA ter como atividade fim a gestão de marcas de moda e lifestyle. Quanto ao tratamento tributário, o ágio fundamentado em intangíveis e fundo de comércio não está sujeito a amortização (RIR/1999, art. 386, II, parte final). Nesse caso, o ágio é: (i) considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital em eventual e posterior alienação do investimento ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; ou (ii) deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa (RIR/1999, art. 386, § 3°). Fl. 2637DF CARF MF 28 E, no caso em apreço, é inequívoco que o ágio foi pago em razão de intangíveis (marcas registradas) e fundo de comércio. Senão, vejase. 3.6.1 Fundamentação econômica do ágio Por fundamento ou justificativa econômica que leva ao surgimento de um ágio devese entender o elemento volitivo que faz o investidor adquirir participação societária de uma empresa. O fundamento econômico, assim, não é um simples documento, mas sim a vontade real que fez parte do negócio firmado. Ademais, simplesmente ignorar (quando existentes) outros fundamentos do ágio que não apenas a rentabilidade futura é procedimento contrário à correta técnica contábil. Nesse sentido, cabe mencionar a crítica feita acerca desse procedimento na melhor doutrina. Dizem os professores Iudícibus, Martins, Gelbcke e Santos: Em operações de combinações de negócios, sobretudo em operações de aquisição de controle societário ou de participações societárias significativas no capital de uma empresa, é comum o surgimento de um valor pago a mais sobre o valor de patrimônio líquido contábil da ação ou quota da sociedade investida. Muitas vezes é possível identificar essa “maisvalia” como resultado da diferença entre o valor de mercado de um imobilizado e o seu valor contábil líquido. Por outro lado, mesmo após a alocação das parcelas dessa “mais valia” por diferença entre todos os ativos a seu valor justo e seu valor contábil, bem como também entre todos os passivos também a seu valor justo versus seu valor contábil, remanesce ainda um ativo “residual” que recebe a denominação amplamente aceita de goodwill [...]. Isso é possível considerando, obviamente, que todo esforço tenha sido envidado para alocar o “sobrepreço” a ativos e passivos identificados que tenham dado causa ao seu surgimento na avaliação econômica realizada. Esse procedimento já era requerido no Brasil por força do Decretolei n° 1.598/1977 [base legal do art. 385 do RIR/1999] e da Instrução CVM n° 247/96, com a nova redação dada pela Instrução CVM n° 285/98, mas vinha sendo muitíssimo mal praticado. E o que representa o goodwill? Em verdade, nada mais é do que a expectativa de rentabilidade que alguém pagou para adquirir essa participação societária; um agregado de benefícios econômicos futuros, ou, sintetizando, um conjunto de intangíveis não identificáveis no processo de aquisição (inclusive a sinergia de ativos e a capacidade de gestão de novos administradores) para os quais objetivamente não é possível procederse uma contabilização em separado. Repetimos que os valores que possam ser vinculados a ativos individualizáveis, identificados e com vida própria, mesmo que intangíveis, devem ser segregados do goodwill. (g.n.) Interpretando esses ensinamentos à luz da legislação fiscal e contábil podese concluir que há intangíveis de duas espécies: identificáveis e não identificáveis. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.586 29 Por exemplo: a expectativa de rentabilidade futura, também designada como goodwill, é um intangível NÃO identificável. Essa parcela diz respeito a um conjunto de intangíveis cuja contabilização não pode ser feita em separado e decorre, verbi gratia, da sinergia de ativos e da capacidade de gestão de novos administradores. Por outro lado, há os intangíveis identificáveis. Por exemplo: marcas registradas. Decorre de direitos contratuais que, inclusive, podem ser separados da entidade e transferidos para outra empresa. Assim, embora a expectativa de rentabilidade futura seja algo imaterial, ela não se confunde com os “intangíveis” mencionados na legislação tributária, mais precisamente no art. 385, § 2°, inciso III, do RIR/1999. Aliás, não haveria sentido em o legislador distinguir (como expressamente o fez nos incisos do caput do art. 7° da Lei 9.532/1997) se os ágios decorrentes da rentabilidade futura (NÃO identificável) e de outros intangíveis (identificáveis) tivessem o mesmo tratamento fiscal. Essa distinção, aliás, é muito clara: a possibilidade de amortização fiscal do ágio é adstrita à parcela oriunda dos intangíveis NÃO identificáveis. Tomandose novamente a mais abalizada doutrina contábil, a Figura 12, reproduzida a seguir, ilustra didaticamente a decomposição do ágio a ser observada. Pelo até aqui exposto, concluise que a expectativa de rentabilidade futura (goodwill) corresponde à parcela residual do ágio. Antes dessa, devem ser reconhecidos (obviamente se existentes) a mais valia dos ativos corpóreos e dos ativos intangíveis identificáveis da investida por ocasião da aquisição da participação societária. Fl. 2639DF CARF MF 30 Tal entendimento é corolário de Princípio Fundamental da Contabilidade, o da Prudência. Na redação vigente à época da operação de subscrição de ações, o Princípio da Prudência tinha ênfase quando devessem ser feitas estimativas que envolvessem incertezas de grau variável. Então é pertinente indagar: qual dos ativos intangíveis aqui contrapostos (expectativa de rentabilidade futura versus marcas registradas notoriamente conhecidas no mercado da moda) envolvia maior grau de incerteza na valoração feita pelo Fundo de Investimento PCP por ocasião da aquisição? Podese afirmar categoricamente que as maiores incertezas advinham da expectativa de rentabilidade futura, pois está sujeita às mais diversas contingências. Por isso, a rentabilidade futura deve ser o fundamento residual do ágio dentre os indicados pela legislação tributária. Não se quer dizer com isso que é inviável fundamentar o ágio em rentabilidade futura e, consequentemente, impossibilitar seu aproveitamento fiscal, até porque o ágio pode ter mais de uma justificativa econômica. No entanto, um procedimento escorreito e idôneo requer que a avaliação levada a cabo por ocasião da aquisição discrimine as parcelas do ágio, ao menos, segundo os fundamentos indicados nos incisos I e II do § 2° do art. 385 do RIR/1999. Ou mesmo se afirme que não houve contribuição da parcela “A” e/ou da parcela “B” para formação do ágio (evidentemente sob assunção da responsabilidade legal pela informação). Mas como mencionado alhures, a avaliação apresentada pela FISCALIZADA convenientemente buscou justificar na rentabilidade futura o único fundamento do ágio. E se houve algum outro tipo de avaliação considerada pelo investidor por ocasião da subscrição das ações de emissão da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, essa foi omitida da fiscalização. Outro ponto relevante diz respeito à desnecessidade de a fiscalização definir um valor econômico preciso aos intangíveis e ao fundo de comércio adquiridos e, por dedução, a correspondente parcela do ágio não dedutível. A uma, porque o procedimento fiscal revelou outras causas para a impossibilidade de amortização do ágio que não apenas o fato de a FISCALIZADA ter simplesmente ignorado o valor dos intangíveis e do fundo de comércio. Nesse sentido, vejase os subtópicos 3.5 e 3.7 deste TVF. A duas, porque somente as partes envolvidas na negociação detinham as informações e condições necessárias à devida valoração das diferentes parcelas de ágio por ocasião das aquisições. Não é razoável querer atribuir à fiscalização suprir a omissão da FISCALIZADA que, nessa situação, estaria a se valer da própria torpeza por conta do descumprimento de uma obrigação legal. O ônus da prova da regular contabilização é do contribuinte. Compete à fiscalização o poder/dever de atestar, ou não, a pertinência do documento que identifica o(s) fundamento(s) do ágio. 3.6.2 Marcas registradas e fundo de comércio envolvidos no negócio. Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.587 31 Como aspecto preliminar dessa análise, devese ter em vista que a investida INBRANDS PARTICIPAÇÕES nada mais era que holding não operacional. Então, os ativos que compunham o patrimônio das duas empresas operacionais por ela controlada (a FISCALIZADA e a ELLUS PROPAG) foram determinantes no valor pago pela “investidora” CRISTALYS quando da subscrição de ações. A FISCALIZADA teve sua origem na associação entre a já então notoriamente conhecida marca de moda ELLUS com o Fundo de Investimento em Participações PCP, este gerido pelo Grupo Vinci Partners. Segundo informado no site da FISCALIZADA, àquela época já operavam as marcas “ELLUS” e “2nd FLOOR” vide Figura 13. Umas das condições fundamentais estabelecidas no “Acordo de Subscrição e outras avenças” celebrado entre o investidor de fato (o Fundo de Investimento em Participações PCP) e os então controladores da ELLUS (NELSON ALVARENGA FILHO e AMÉRICO FERNANDO RODRIGUES BREIA) abordava “todas as marcas registradas, logotipos, nomes comerciais, nomes de domínio e denominações societárias relevantes” de propriedade das “Sociedades” (ELLUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e ELLUS PROPAG) vide Figura 14 a seguir. Fl. 2641DF CARF MF 32 Os itens 1.10 e 1.12 do TIF n° 1 (fls. 94 e 95) cuidaram de solicitar a relação de todas as marcas de titularidade da ELLUS PROPAG LTDA e/ou da FISCALIZADA na época da operação de subscrição de ações de emissão da controladora INBRANDS PARTICIPAÇÕES, bem como cópia do Anexo 3.1.7 do “Acordo de Subscrição”, no qual estavam relacionadas as marcas registradas e outros intangíveis dessa natureza. Das respostas apresentadas (fl. 104 e fls. 2009 a 2018), temse que as marcas registradas compreendidas na negociação foram as seguintes: ELLUS, 2nd FLOOR, ELLUS 2nd FLOOR, ELLUS JEANS DELUXE, FLY ELLUS, PARASOL, PLEIN SUD, HARVEST MOON, WISHFUL BOYS, MINI MALL, ROGAN, TRASHIC, FLEX MOVE, TEES ME, COMPAGNIE DE LA MAONTAIGNE E DE LA FOREST. Esses intangíveis estavam contabilizados a custo zero. É que podese constatar nos Laudos de Avaliação das quotas do capital da FISCALIZADA (fls. 961 a 963) e da ELLUS PROPAG (fls. 964 a 966), os quais foram elaborados em 26/03/2008, por ocasião da conferência dessas quotas a título de aumento de capital da INBRANDS PARTICIPAÇÕES (vide subtópico 3.2.2 deste TVF). Em ambos os casos não havia qualquer intangível contabilizado. Uma segunda AGE da INBRANDS PARTICIPAÇÕES foi realizada algumas horas depois, no mesmo dia 26/03/2008, dessa feita para formalizar o ingresso da CRISTALYS no quadro societário da investida mediante a subscrição de ações com ágio. Como o ágio foi fundamentado exclusivamente em suposta rentabilidade futura, a FISCALIZADA quer fazer crer que nenhum valor foi atribuído aos intangíveis no escopo da negociação. Assim, 50% dos direitos sobre marcas de moda notoriamente conhecidas como “ELLUS”, “2nd FLOOR” e “ELLUS JEANS DELUXE” teriam sido graciosamente Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.588 33 transferidos para o Fundo de Investimento em Participações PCP, tal qual seu valor contábil (zero). É despiciendo tecer maiores comentários acerca de a marca ELLUS, por exemplo, ser um intangível de vultoso valor de mercado. Afinal, fatos notórios não dependem de prova. O mesmo ocorreu em relação ao fundo de comércio. Plácido e Silva assim conceitua essa espécie de ativo: O fundo de comércio pode assim ser representado pelo ponto, em que o negócio está estabelecido. Pela popularidade do estabelecimento, o que constitui sua fama, pela condição de negócio instalado, pela freguesia, nome comercial, marcas de fábrica e de comércio, enfim, por todo e qualquer elemento de que disponha o comerciante para desenvolvimento e realização de seus negócios. O negócio instalado, cercado de todas as circunstancias, consequentes de sua instalação e funcionamento resulta na evidencia de um fundo de comércio, que se representa um bem patrimonial do comerciante, pois que possui inegável e indiscutível valor econômico (g.n.). Conforme mencionado no próprio em seu site, em junho de 2007 a FISCALIZADA já contava com 30 lojas próprias e 34 lojas franqueadas em 25 cidades brasileiras (vide Figura 13). E assim como feito em relação às marcas registradas, nenhum valor foi atribuído ao fundo de comércio quando da subscrição de ações, em março de 2008. Apenas a título de exemplificação da relevância dos valores do fundo de comércio no setor em que atua a FISCALIZADA, pode se mencionar outras aquisições por ela efetuadas nos anos subsequentes. Pelo que consta da Nota Explicativa n° 6 das Demonstrações Financeiras do AC 2012 (fls. 1573 a 1585), a mais valia dos fundos de comércio envolvidos nessas operações foi avaliada em R$ 181 milhões, como mostrado na Tabela 5. 3.7 Aquisição (subscrição de ações) realizada por Fundo de Investimento por meio de “empresa veículo”. Tratase agora da utilização de “empresa veículo” exclusivamente com vistas ao aproveitamento fiscal de ágio originado em aquisição que teve um Fundo de Investimento como adquirente de fato. Para melhor compreensão da ilicitude do planejamento tributário posto em prática com o uso de “empresa veículo” faz Fl. 2643DF CARF MF 34 se necessário abordar preliminarmente a ratio legis da hipótese autorizativa de amortização do ágio. 3.7.1 Requisitos e motivação legal da hipótese autorizativa para amortização fiscal do ágio fundamentado em rentabilidade futura. Segundo a legislação tributária, o ágio pago na aquisição de investimentos com fundamento na expectativa de exercícios futuros tem a natureza de uma despesa ou custo que contribuirá para a formação do resultado de mais de um exercício social. Não é por outra razão que a Instrução Normativa SRF n° 11/1999, ao disciplinar a contabilização fiscal do ágio a que se refere o artigo 7° da Lei n° 9.532/1995 (base legal do art. 386 do RIR/1999), dispõe que, no caso de o fundamento econômico para a aquisição do investimento acima do valor patrimonial ter sido a expectativa de rentabilidade futura, o ágio amortizável deveria ser contabilizado no ativo diferido. Confirase: Art. 1° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: (...) II Valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. Essa circunstância fornece a chave para que se entenda a finalidade da lei ao estabelecer a regra do artigo 7° da Lei n° 9.532/1997, bem como quais os requisitos materiais para a sua aplicação. É também importante para entender por que se exige que tais reorganizações societárias tenham substância econômica e propósito negocial. Os requisitos são basicamente dois: a) O pagamento de algum ágio na aquisição de participação societária em virtude da expectativa de resultados futuros; b) A reunião, numa só entidade, do patrimônio que pagou o ágio e daquele que vai gerar os resultados futuros, de modo que a despesa paga na obtenção desse potencial de resultados futuros possa ser diretamente confrontada com esses resultados. Interessa, por ora, o segundo requisito. Percebase que é somente a partir da incorporação que os lucros advindos da rentabilidade que motivaram ao ágio passam a ser tributados na investidora. Antes disso há, apenas, uma receita de equivalência patrimonial, que não é tributável. Por isso, o essencial é que o patrimônio que pagou pelo ágio e o patrimônio que presumivelmente vai gerar os lucros justificadores desse pagamento estejam reunidos numa mesma Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.589 35 entidade (indiferentemente se foi uma incorporação da controlada pela controladora, ou viceversa). Sem que se observe essa conjunção, não é permitida a dedução da despesa de amortização. Vejase o que leciona Ricardo Mariz de Oliveira acerca dos art. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997: A norma legal contida no artigo 7° e 8° foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. (... ) Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7° e 8° não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei n. 1.598, que continua a viger e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7° e 8° da Lei n° 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (... ) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7°, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Fl. 2645DF CARF MF 36 Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8°, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7°. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7° e 8°, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto nas leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7°) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8°), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.590 37 Portanto, sem que se opere a reunião do patrimônio de quem pagou de fato o ágio com o patrimônio de quem se espera lucros que justifiquem aquele ágio, não se atenderão nem os motivos nem as finalidades levadas em conta pelo do legislador para autorizar, excepcionalmente, a amortização do ágio. 3.7.2 Aquisição de participação societária por Fundo de Investimento com o emprego de “empresa veículo”. Impossibilidade de amortização do ágio. Umas das peculiaridades da aquisição sob análise reside no fato de o adquirente de fato ser o Fundo de Investimento em Participações PCP, gerido pelo Grupo Vinci Partners. Este fato, por si só, inviabiliza a amortização fiscal do ágio. E por duas razões muito simples: 1ª) Os rendimentos auferidos pelas carteiras dos Fundos de Investimento são isentos do Imposto de Renda (o IR incide apenas sobre o rendimento auferido pelos quotistas, por ocasião do resgate das quotas); 2ª) Fundos de Investimento têm natureza jurídica de condomínio. Não são pessoas jurídicas em sentido estrito. Assim, não têm como absorver o patrimônio de uma empresa (ou terem seu patrimônio absorvido por uma empresa) em virtude de incorporação, fusão ou cisão, requisito para amortização fiscal do ágio. Em suma, a amortização fiscal do ágio não é um benefício de que possam se locupletar Fundos de Investimento e, indiretamente, seus quotistas. Querse dizer que os administradores e quotistas almejavam auferir os bônus de deter o investimento por meio de um Fundo (ou seja, ter os rendimentos auferidos pela carteira do Fundo de Investimento isentos de Imposto de Renda), mas sem se sujeitar ao ônus de não poder amortizar o ágio na forma como procederam. Diante desses óbices, pôsse em prática todo o planejamento tributário até aqui descrito, inclusive com o emprego da “empresa veículo” CRISTALYS. Não fosse assim, o valor investido na INBRANDS PARTICIPAÇÕES deveria apenas compor o custo das quotas do Fundo de Investimento em Participações PCP, independentemente de tratarse de ágio, qualquer que tenha sido seu fundamento. Por conseguinte, não haveria como amortizálo. Marco Aurélio Greco, ao comentar sobre operações preocupantes no âmbito do Direito Tributário, menciona as operações estruturadas em sequência (step transactions), em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. “Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada Fl. 2647DF CARF MF 38 realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto”. Cada uma das etapas foi previamente acordada entre as partes (o Fundo de Investimento PCP e os então controladores da ELLUS), do que resultou na sequência de operações descritas no item “2. DA ESTRUTURA” do “Acordo de Subscrição” e seu Aditivo (fls. 1950 a 1993). Essas operações foram efetivamente levadas a cabo e, no que mais interessa ao procedimento fiscal, estão descritas no subtópico 3.2 deste TVF. Algumas delas, por serem completamente desprovidas de algum propósito negocial que não apenas suas implicações tributárias, merecem destaque. Por exemplo: a) A integralização de ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES com a conferência de quotas de duas empresas (a FISCALIZADA e a ELLUS PROPAG LTDA) pelos respectivos valores contábeis. Nesse primeiro momento, os ativos foram avaliados sem qualquer mais valia. Mas quase concomitantemente (no mesmo dia, quatro horas depois), houve a subscrição da mesma quantidade de ações de emissão da INBRANDS PARTICIPAÇÕES por um novo sócio que pagou, em dinheiro, mais de R$ 165 milhões de ágio. b) A inexistência de qualquer empreendimento por parte da CRISTALYS. A Demonstração de Resultado do AC 2008 (fl. 2046) e o Livro Razão dos ACs 2007 e 2008 (fls. 2042 a 2045) da CRISTALYS evidenciam que a empresa não teve qualquer outra atividade senão a “aquisição” de investimento na INBRANDS PARTICIPAÇÕES. A única receita proveu de equivalência patrimonial e suas despesas cingiramse a “serviços contábeis prestados pela Special Accounting e pagos pela Inbrands, referente aos meses de março, abril, maio, junho e julho”, no valor de R$ 2.075,00; e à “constituição de provisão p/perdas em investimentos Inbrands”, no valor de R$ 54.490.889,81. c) O suposto primeiro aumento de capital, de R$ 250 mil, sequer chegou a transitar pela conta da CRISTALYS. O valor foi depositado pelo Fundo de Investimento PCP diretamente em favor da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, conforme informado pela FISCALIZADA (fl. 103) na resposta ao item 1.14 do TIF n° 1 (fl. 95) e comprovantes juntados às fls. 2047 e 2048. De se notar que esse depósito foi realizado em 28/11/2007, quando ainda vigia a CPMF, mas muito antes da realização da Assembleia da CRISTALYS que deliberou sobre o aumento de capital (o que se deu somente em 23/01/2008) . d) O segundo aumento de capital da CRISTALYS, de R$ 181,420 milhões, que foi integralizado em espécie pelo Fundo de Investimento PCP e imediatamente repassado à INBRANDS PARTICIPAÇÕES em razão da subscrição de ações com ágio. As Assembleias que trataram do aumento de capital e da subscrição de ações foram realizadas no mesmo dia 26/03/2008: a da CRISTALYS às 10:30 horas e a da INBRANDS PARTICIPAÇÕES às 14 horas (vide subtópicos 3.2.3 e 3.2.4). Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.591 39 e) As falsas justificativas para a incorporação da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES pela FISCALIZADA. Conforme item 2 do Protocolo e Justificação de Incorporação (fl. 214), a incorporação teria ocorrido em razão da não concretização de outros negócios que ensejassem o ingresso de novos players do mercado de atuação da FISCALIZADA na estrutura societária, de forma que a estrutura havia “se mostrado injustificadamente custosa, sendo administrativa e gerencialmente mais eficiente e recomendável” as incorporações aqui descritas. Embora altivas, essas justificativas não se mantêm diante da verdade fática, até porque a CRISTALYS já tinha destino certo (incorporação e consequente extinção) ao ser constituída. Nesse sentido, basta verificar o item 2.1.2 (sic) do “Acordo de Subscrição” celebrado em 27/07/2007, onde se previa a realização do investimento por meio de uma sociedade detida integralmente pelo investidor de fato (ou seja, o Fundo de Investimento em Participações PCP), a qual seria logo após incorporada ao patrimônio da “Holding” (fls. 1953 e 1954). É notório tratarse de operações conflitantes com um dos requisitos essenciais do que se denomina planejamento tributário lícito, qual seja, de que tenham alguma finalidade econômica que não apenas a redução de tributos. Nesse sentido há reiteradas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Como exemplo: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tãosomente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios (Acórdão 1301001.220, sessão de 09/05/2013, processo 10880.721826/201081). PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, devese considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas (Acórdão 1402001.141, sessão de 08/08/2012, processo 16327.001725/201052). Ainda que superadas as questões decorrentes da natureza jurídica do Fundo de Investimento PCP, o emprego de “empresa veículo”, independentemente de quem seja o investidor de fato, faz com que não ocorra a necessária reunião dos patrimônios deste e do investimento adquirido. E conforme descrito no subtópico 3.7.1, essa reunião de patrimônios é um dos requisitos legais indispensáveis para amortização fiscal do ágio. Nesse sentido: Fl. 2649DF CARF MF 40 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original (Acórdão 1101000.899, sessão de 11/06/2013, processo 19515.005924/200977) (Acórdão 1101 000.942, sessão de 11/09/2013, processo 10980.722071/2012 76). AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado (Acórdão 1103000.960, sessão de 06/11/2013, processo 10970.720351/201188). 3.8 Providências fiscais decorrentes da indevida amortização do ágio pela FISCALIZADA. Sendo indevida amortização do ágio pago na subscrição de ações da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, procedese à glosa das respectivas exclusões efetuadas pela FISCALIZADA no âmbito do RTT. • AC 2010: R$ 16.512.390,84; • AC 2011: R$ 16.512.390,84; e • AC 2012: R$ 16.512.390,84. Disposições legais infringidas: ✓ RIR/1999, art. 250, I; arts. 385, §§ 2° e 3°; art. 386, caput e § 3°, e art. 391; ✓ DecretoLei n° 1.598/1977, art. 6°, § 3°; art. 20, §§ 2° e 3°, e art. 25, com redação dada pelo DecretoLei n° 1.730/1979; ✓ Lei n° 9.532/1997, art. 7°; ✓ Lei n° 11.941/2009, arts. 15, 16, 17 e 21; ✓ Lei n° 7.689/1988, art. 2°, com a redação dada pela Lei n° 8.034/1990; Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.592 41 ✓ Lei n° 8.981/1995, art. 57, com a redação dada pela Lei n° 9.065/1995; e ✓ Lei n° 9.430/1996, art. 28. 4. BAIXA DE INVESTIMENTO INDEVIDA. PERDA DE CAPITAL INEXISTENTE. INOCORRÊNCIA DA ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DO INVESTIMENTO NA SOCIEDADE CONTROLADA LUMINOSIDADE. (matéria não impugnada) Cuidase aqui da baixa de investimento em sociedade controlada indevidamente contabilizada pela FISCALIZADA no AC 2011 em decorrência da pretensão de alienação, operação essa que sequer chegou a ser realizada. O investimento em questão é a participação no capital social da LUMINOSIDADE MARKETING E PRODUÇÕES S.A., CNPJ 03.257.237/000140, doravante designada LUMINOSIDADE. Tratase de empresa que atua no segmento de prestação de serviços e tem como principal objetivo a organização da semana de moda brasileira SÃO PAULO FASHION WEEK SPFW e da FASHION RIO. Conforme consta da Nota Explicativa n° 14(a) das Demonstrações Financeiras da FISCALIZADA relativas ao AC 2008 (fl. 1298), em 14/08/2008, sua então controlada INBRANDS EVENTOS PARTICIPAÇÕES S.A. (“EVENTOS”) adquiriu 75% do capital social da LUMINOSIDADE, tendo pago o valor de R$ 29,909 milhões e apurado ágio nessa operação no montante inicial de R$ 32,002 milhões vide Figura 15. Em 28/02/2009 ocorreu a incorporação reversa da EVENTOS pela LUMINOSIDADE, de forma que a FISCALIZADA passou a deter o controle direto de 75% do capital da LUMINOSIDADE (Figura 16). De se notar que o valor do ágio foi alterado, de R$ 32,002 milhões para R$ 30,435 milhões (Figura 17). Fl. 2651DF CARF MF 42 Segundo informado pela Administração da FISCALIZADA nas Demonstrações Financeiras do AC 2011 (fl. 1421), em Reunião de Diretoria realizada no dia 20/12/2011 foi aprovada a alienação do investimento detido diretamente na LUMINOSIDADE. A finalização da negociação estava então prevista para ocorrer até o final de 2012, sendo que o investimento foi classificado e contabilizado, em 31/12/2011, como um grupo de ativos mantido para venda. Ainda conforme a mensagem da Administração, a descontinuidade de duas operações então detidas pela FISCALIZADA (LUMINOSIDADE e ISAPAC) tiveram um impacto negativo de R$ 28,3 milhões no resultado contábil do AC 2011 (Figura 18). Ainda acerca da descontinuidade das operações LUMINOSIDADE e ISAPAC, temse: (i) a Nota Explicativa n° Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.593 43 3(m), dando conta de que a baixa do investimento e classificação desses ativos como “mantidos para venda” observava o pronunciamento técnico CPC 31 (Figura 19); e (ii) a Nota Explicativa n° 32 (Figura 20), discriminando as perdas diretamente atribuíveis à FISCALIZADA relativas à LUMINOSIDADE (R$ 25,958 milhões) e à ISAPAC (R$ 2,349 milhões), ambas extraídas das Demonstrações Financeiras do AC 2011. Em relação à descontinuidade da LUMINOSIDADE, a baixa do investimento foi registrada na conta de resultado “531010005 LUCRO DO EXERCÍCIO DE OPERAÇÕES DESCONTI” (Razão à fl. 1923). Não obstante a imprecisão das designações empregadas nas contas contábeis e no histórico dos lançamentos, é certo que reduziram o resultado contábil da FISCALIZADA no AC 2011 em R$ 26.212.128,30 . Esses lançamentos contábeis estão transcritos na Tabela 6. Fl. 2653DF CARF MF 44 Sem adentrar no mérito da correção dos lançamentos contábeis registrados pela FISCALIZADA ainda no AC 2011 em relação à baixa do investimento na LUMINOSIDADE (ou seja, se estão ou não de acordo com o pronunciamento técnico CPC 31), é inequívoco que eles não poderiam ter afetado as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL daquele período de apuração. Isso porque a operação não havia se realizado, era uma mera intenção da Administração. E a legislação fiscal só admite a baixa do valor contábil do investimento quando da sua efetiva alienação ou liquidação (RIR/1999, arts. 418, 426 e 427). Face ao impacto desses lançamentos, que reduziram o resultado contábil do AC 2011 em R$ 26.212.128,30 , a FISCALIZADA deveria concomitantemente ter procedido ao ajuste determinado pelo RTT, qual seja: o estorno, por meio do FCONT, das despesas cujos lançamentos são mostrados na Tabela 6. Tudo conforme art. 17, II, da Lei n° 11.941/2009 e Instrução Normativa RFB n° 949/2009. No entanto, tal ajuste não foi providenciado (os ajustes do RTT relativos ao AC 2011 já foram mostrados na Tabela 2 do subtópico 3.4). Todas as informações até aqui expostas foram levadas à apreciação da FISCALIZADA por meio do Termo de Constatação Fiscal de fls. 97 e 98. Da mesma forma, o item 1.2 TI, n° 1 (fl. 93) abordou especificamente o assunto: 1.2. Tendo em vista o Termo de Constatação Fiscal n° 1 a) Informar se o prejuízo contabilizado no AC 2011 na conta de resultado “531010005 LUCRO DO EXERCÍCIO DE OPERAÇÕES DESCONTI”, no valor de R$ 26.212.128,30, se deve à “operação descontinuada” LUMINOSIDADE (informação subscrita pelo responsável legal, digitalizada em formato PDF). b) Informar se o prejuízo contabilizado no AC 2011 em razão da “operação descontinuada” LUMINOSIDADE afetou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL daquele período. Em sendo procedente a constatação, indicar a base legal para a dedução dessa despesa (informação subscrita pelo responsável legal, digitalizada em formato PDF). c) Caso a constatação não seja procedente, indicar claramente os ajustes considerados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a fim de neutralizar a dedução da despesa em tela (informação subscrita pelo responsável legal, digitalizada em formato PDF). d) Apresentar outras informações que a fiscalizada considere pertinente em relação aos aspectos fiscais dessa operação Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.594 45 (informação subscrita pelo responsável legal, digitalizada em formato PDF). Na resposta acostada às fls. 100 a 102, a FISCALIZADA não deixa dúvidas acerca da procedência da constatação e reconhece que “[...] por equívoco, o valor de R$ 26.212.128,30 foi deduzido da base de cálculo do IRPJ e CSLL do ano calendário 2011” Pelo até aqui exposto, poderseia cogitar de ter ocorrido apenas a antecipação de uma despesa que, naquelas circunstâncias, ainda era indedutível para fins fiscais. Afinal, a perspectiva preliminar da Administração da FISCALIZADA era de que alienação da LUMINOSIDADE fosse concluída até o final de 2012 (vide Figura 18). No entanto, em Reunião de Diretoria realizada em 07/12/2012, foi deliberada e aprovada a não implementação da alienação do investimento detido pela FISCALIZADA na LUMINOSIDADE (Figura 22). Portanto, não houve a efetiva alienação do investimento na LUMINOSIDADE, seja no AC 2011 (quando deduzida a baixa na contabilidade), seja nos anos subsequentes. Registrese que até setembro de 2014 (pelo menos) a FISCALIZADA ainda detinha os 75% do capital da LUMINOSIDADE, conforme consta da Nota Explicativa n° 2.4 das Demonstrações Financeiras relativas ao 3o trimestre de 2014 (Figura 23). Fl. 2655DF CARF MF 46 Por todo o exposto neste tópico 4 do TVF, procedese a inclusão do valor indevidamente deduzido à guisa da baixa de investimento na LUMINOSIDADE nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. • AC 2011: R$ 26.212.128,30. Disposições legais infringidas: ✓ RIR/1999, arts. 247, 248, 418 e 426; ✓ DecretoLei n° 1.598/1977, art. 6°, caput e § 1°, e arts. 31 e 33; ✓ Lei n° 11.941/2009, arts. 15, 16, 17 e 21; ✓ Lei n° 7.689/1988, art. 2°, com a redação dada pela Lei n° 8.034/1990; Lei n° 8.981/1995, art. 57, com a redação dada pela Lei n° 9.065/1995; e ✓ Lei n° 9.430/1996, art. 28. 5. PENALIDADE APLICÁVEL. Nos casos de lançamento de ofício, as multas estão previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Aplicase multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Isto posto, aplicase multa de 75% do IRPJ e CSLL ora constituídos de ofício. 6. RESUMO DAS INFRAÇÕES E RESULTADOS APURADOS APÓS A AÇÃO FISCAL. Na Tabela 7 é apresentado um resumo das infrações apuradas nesta ação fiscal. Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.595 47 O lucro real/prejuízo fiscal e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL após o procedimento fiscal são demonstrados na Tabela 8. 7. SALDOS DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. Em decorrência das novas bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas neste procedimento fiscal, inclusive mediante a compensação de saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de período anterior (AC 2009) na forma autorizada pelos arts. 509 e 510 do RIR/1999 e art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995, esses saldos foram retificados conforme demonstrativos integrantes dos Autos de Infração (fls. 14 a 16 e fls. 28 a 30). Ainda sobre esse assunto, incumbe registrar que, durante o procedimento fiscal, foi detectada incorreção no preenchimento da DIPJ do AC 2011 no tocante ao prejuízo não operacional apurado pela FISCALIZADA naquele período. Por resultado não operacional entendese o decorrente da alienação de bens do ativo permanente (RIR/1999, art. 511, § 1°). No AC 2011 a FISCALIZADA contabilizou a baixa de investimentos na conta de resultado sintética “531010 DESPESAS NÃO OPERACIONAIS” (Razão à fl. 1924), que teve o valor de R$ 28.567.074,17. No entanto, a linha 70 da “Ficha 06A Demonstração do Resultado” da DIPJ do AC 2011 (fl. 1160), onde deveria constar o valor contábil dos bens e direitos alienados, está “zerada”, ao passo que dela deveria constar os R$ 28.567.074,17 antes mencionados. Esse dado tem relação direta com a infração abordada no tópico 4, que tem natureza não operacional. Tal correção não implica o reconhecimento de um prejuízo maior do que o declarado pela FISCALIZADA no AC 2011, mas tão somente a realocação de parte do resultado (prejuízo) de operacional para não operacional. A alocação do resultado não operacional tem repercussão na possibilidade de compensação em períodos subsequentes, pois os prejuízos não operacionais só podem ser compensados com os lucros da Fl. 2657DF CARF MF 48 mesma natureza (RIR/1999, art. 511, caput). Por isso, a necessidade de informar o correto prejuízo não operacional originalmente apurado pela FISCALIZADA e, partir desse, computar as infrações da mesma natureza. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Encerrase, nesta data, a ação fiscal em face de INBRANDS S.A., CNPJ 09.054.385/000144, relativa ao IRPJ dos ACs 2010, 2011 e 2012, conforme Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal n° 08190002014029684. Fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional efetuar novos exames em relação aos períodos de apuração analisados na superveniência de fatos que o justifiquem. À FISCALIZADA será fornecida uma via deste Termo de Verificação Fiscal assinado digitalmente e impresso a partir do aplicativo eprocesso. Todos documentos referidos neste Termo constam do processo eletrônico n° 11516.721044/201578, podendo o contribuinte ter vista ou obter cópia dos autos na unidade da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição. E, para constar e produzir seus efeitos legais, lavrase este Termo de Verificação Fiscal assinado digitalmente pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, o qual é parte integrante dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL A ciência do contribuinte será consignada em Termo específico. Das razões de impugnação Cientificada dos lançamentos, por via postal, em 17/04/2015 (cópia de AR de fls. 2067), por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (cf. instrumentos de mandato e de substabelecimento de fls. 2181), a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 2071/2107, em 19/05/2015, alegando em sua defesa as razões de fato e de direito abaixo reproduzidas. Afirma a tempestividade da impugnação apresentada, haja vista que a ciência se deu em 17/04/2015 (sextafeira). Requer que as razões de defesa, apresentadas relativamente ao lançamento de IRPJ, sejam consideradas também na apreciação do lançamento da CSLL, uma vez que ambos foram constituídos no âmbito do mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, e se encontram ora juntados ao mesmo processo. Passa a expor as operações que tiveram a validade, para efeitos fiscais, questionada pela fiscalização: 3.3. O ágio objeto de questionamento pelos AI decorreu do ingresso do Fundo de Investimento em Participações PCP (“FIP PCP”) no mercado brasileiro de moda, por meio da aquisição de 50% de participação nas empresas do grupo da IMPUGNANTE, forte atuante nesse mercado desde a década de 1970. Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.596 49 3.4. O FIP PCP, gerido à época pelo UBS Pactual Gestora de Investimentos Alternativos Ltda., celebrou Acordo de Subscrição e Outras Avenças (“ACORDO”) com os sócios controladores da IMPUGNANTE e de Ellus Propag Ltda. (“PROPAG”). A IMPUGNANTE e PROPAG serão denominadas, em conjunto, “GRUPO ELLUS”. 3.5. Por meio desse acordo, foi ajustada a aquisição da participação pelo FIP PCP no GRUPO ELLUS, que se concluiu por meio da prática dos atos descritos a seguir: (i) Inbrands Participações S.A. (“INBRANDS PARTICIPAÇÕES”), holding constituída com o objetivo de reunir as participações no GRUPO ELLUS, passou a deter a totalidade das cotas representativas da IMPUGNANTE e da PROPAG, por meio de aumento de capital no valor de R$ 16.408.958,00, com a conferência das cotas da IMPUGNANTE e da PROPAG, avaliadas com base no seu valor de patrimônio líquido contábil (“PLC”). (ii) o FIP PCP subscreveu 250.000 ações ordinárias de Cristalys Participações S.A. (“CRISTALYS”) no valor de R$ 250.000,00; (iii) CRISTALYS teve seu capital aumentado em R$ 181.420.000,00, com a emissão de 181.420.000 ações ordinárias, totalmente subscritas e integralizadas pelo FIP PCP, passando a CRISTALYS a ter capital de R$ 181.670.000,00; (iv) INBRANDS PARTICIPAÇÕES aprovou a emissão de 16.409.958 novas ações ordinárias, correspondentes a 50% do seu capital, pelo valor de R$ 181.670.000,00, subscritas e integralizadas por CRISTALYS, sendo que R$ 16.409.958,00 foram registrados na conta de capital, enquanto R$ 165.260.042,00 foram registrados na conta de reserva de ágio pela INBRANDS PARTICIPAÇÕES; (v) o ágio descrito no item anterior foi fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, lastreada em laudo de avaliação elaborado com base no método do fluxo de caixa descontado da investida por auditores independentes (“LAUDO”); (vi) na CRISTALYS, o ágio foi contabilizado pelo valor de R$ 82.561.954,26, sendo o restante reconhecido como equivalência patrimonial em INBRANDS PARTICIPAÇÕES; (vii) a IMPUGNANTE teve aumento de capital integralmente subscrito pela INBRANDS PARTICIPAÇÕES por meio da conferência da totalidade de suas ações de titularidade de PROPAG, de modo que a IMPUGNANTE passou a deter 399.999 cotas de PROPAG, equivalentes a 99,99% de seu capital; (viii) a IMPUGNANTE incorporou os acervos líquidos de CRISTALYS e INBRANDS PARTICIPAÇÕES, inclusive o ágio registrado na contabilidade de CRISTALYS, decorrente da Fl. 2659DF CARF MF 50 aquisição da participação de 50% em INBRANDS PARTICIPAÇÕES; (ix) A partir do anocalendário de 2010, a IMPUGNANTE passou a amortizar fiscalmente o ágio registrado em sua contabilidade, à razão de 1/60 avos por mês. Com base em trechos do Termo de Verificação Fiscal ressalta que não terem sido contestados (i) a regularidade do valor do ágio registrado na contabilidade da CRISTALYS, e (ii) a dedutibilidade do ágio, quando a aquisição da participação societária é realizada por meio de subscrição de ações. No mérito, destaca o caráter parcial da impugnação, tendo concordado com a infração relativa à perda decorrente da baixa do investimento em Luminosidade Marketing e Produções S.A., no valor de R$ 26.212.128,30, ocorrida anocalendário de 2011, uma vez que o investimento, de fato, não foi alienado naquele exercício. Informa que procederia aos ajustes devidos nos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. No que se refere às operações que deram origem ao ágio, objeto de questionamento pela fiscalização, destaca que seriam decorrentes da associação de empresas pertencentes a grupos econômicos distintos, não tendo sido configurado como “ágio interno” ou “ágio em si mesmo”. Passa a discorrer historicamente sobre os preceitos normativos que instituíram e regularam a dedutibilidade do ágio pago na aquisição de investimentos, desde a Lei nº 6.404, de 1976; do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977; dos arts. 391 e 426, II do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/99; dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997; art. 6º, III, da Instrução CVM nº 319, de 1999; e art. 1º, II da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1999. Afirma que todos os procedimentos previstos na legislação teriam sido observados, pelo que deveria ser reconhecido o direito à amortização do ágio. Ressalta que o ágio em discussão teve como objetivo a aquisição de 50% de participação na sociedade INBRANDS PARTICIPAÇÕES, empresa que foi incorporada pela IMPUGNANTE, que também incorporou, no mesmo ato, a CRISTALYS, que registrava o ágio decorrente da operação. Segundo o art. 386, caput, do RIR, para que seja admitida a amortização do ágio na incorporação, a pessoa jurídica deve absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio. Nas palavras da defesa: 6.4. Notase que, diferentemente do que alega o TVF, tanto a pessoa jurídica investidora (CRISTALYS) quanto a investida (INBRANDS PARTICIPAÇÕES) foram incorporadas pela IMPUGNANTE, que, por conta disso, absorveu, em seu PLC, o ágio pago pela CRISTALYS como um ativo diferido amortizável; ou seja, o requisito previsto pelo art. 386, caput, do RIR foi devidamente cumprido. Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.597 51 6.5. De fato, o LAUDO avaliou a rentabilidade futura da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, e não da IMPUGNANTE ou da PROPAG. O método utilizado pelo LAUDO consistiu na simulação do fluxo de caixa descontado, com projeção do resultado da INBRANDS PARTICIPAÇÕES para os 5 anos subsequentes Sendo a INBRANDS PARTICIPAÇÕES uma holding, a avaliação pode muito bem ter levado em conta, para o cálculo de sua rentabilidade futura, o futuro recebimento de dividendos das empresas operacionais de que é controladora, ou então outros motivos quaisquer. Entretanto, não se pode perder de vista que a rentabilidade avaliada é a de INBRANDS PARTICIPAÇÕES, e não de PROPAG ou da própria IMPUGNANTE. 6.6. Da mesma forma, o fato de INBRANDS PARTICIPAÇÕES ser uma holding não faz com que o ágio pago por sua aquisição seja vinculado ao valor de mercado dos ativos (participações societárias) nela concentrados. É o entendimento de L. E. SCHOUERI: “E dizer, o argumento segundo o qual a rentabilidade futura não poderia ser aventada como fundamentação para o ágio pago na aquisição de investimento em empresa holding não procede. Não há qualquer tipo de limitação legal, nem infralegal, que determine de per se qual é a natureza do ágio pago na aquisição de participação societária de uma holding. Na verdade, a expectativa de lucro do negócio da holding pode ser medida indiretamente, ou seja, tendo em vista a expectativa de lucros a serem distribuídos pela empresa na qual essa detém investimento. Os lucros auferidos pela investida serão distribuídos à holding investidora que, por sua vez, os redistribuirá aos seus investidores.” 6.7. Ademais, não há qualquer previsão na legislação que dispõe sobre a amortização do ágio por rentabilidade futura que exija que os ativos da investida presentes no momento da aquisição da participação com ágio se mantenham inalterados até a sua incorporação, como pretendem os AI. 6.8. Embora não tenha sido objeto de questionamento pelos AI, cumpre esclarecer que a incorporação, na forma como realizada pela IMPUGNANTE, possibilita o aproveitamento do ágio, ainda que a incorporadora fosse a controlada indireta da CRISTALYS, que registrava o ágio em seu PLC. 6.9. Nesse sentido, transcrevase o seguinte trecho do voto do Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES que, neste aspecto, foi acompanhado por unanimidade pelos demais Conselheiros no Acórdão n° 10516.774, do antigo 1º Conselho de Contribuintes: “Mas o legislador não parou o incentivo no caso em que a investidora absorva o patrimônio de sua investida adquirida com ágio, foi além, autorizou também que se uma terceira pessoa incorpore a empresa que detinha tal participação e que tenha Fl. 2661DF CARF MF 52 absorvido patrimônio da investida, ela, a incorporadora poderá continuar a amortizar o ágio ou deverá continuar a amortizar o deságio, ou iniciar obviamente se a questão temporal não houver sido implementada. Entendo que se o legislador autorizou a primeira investidora, aquela que adquiriu a participação com ágio, a que amortizasse o ágio se absorvesse o patrimônio da investida, não determinou que o investimento com ágio ficasse em uma empresa diferente daquela que absorveu o patrimônio, pelo contrário, deu isso como condição. Assim se uma terceira pessoa incorpora a investidora que tenha absorvido patrimônio de sua investida, adquirida com ágio, poderá amortizar o ágio e deverá amortizar o ágio. O legislador não determinou uma sequência de operações como na análise feita pelos autores do lançamento. No caso em lide a operação em relação ao ágio na aquisição de ações foi feita dentro dos estritos ditames da lei, pois, baseado em estudos que previram a capacidade de produção de lucro, a Futura adquiriu a participação acima do valor patrimonial, a razão do ágio foi justificada pela capacidade do conglomerado controlado pela CNM de produzir lucro futuro com o negócio de pão de queijo. Ao contrário do que disse a fiscalização, a legislação não veda a continuidade do registro da amortização quando uma terceira empresa incorpora tanto sua controladora como a controladora da controladora. Por outro lado, a legislação admite claramente que a amortização pode ser feita quando a investidora for uma das empresas incorporadas (...).” (Grifouse.) 6.10. Por outro lado, é importante frisar que a opção, estritamente gerencial, de manter a PROPAG como virtual subsidiária integral da IMPUGNANTE não trouxe nenhuma vantagem fiscal à IMPUGNANTE. Na realidade, a extinção da PROPAG traria consequências negociais ao GRUPO ELLUS não desejáveis à época da realização da operação, como a transferência dos registros das marcas detidas pela PROPAG no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (“INPI”) e a alteração da estrutura de faturamento e relacionamento com o cliente até então adotada pelo grupo. 6.11. Em outras palavras, o simples fato de PROPAG não ter sido incorporada pela IMPUGNANTE, mas ter sido mantida ativa, por razões comerciais, não poderia determinar o tratamento da amortização do ágio legitimamente constituído na aquisição de INBRANDS PARTICIPAÇÕES. 6.12. Além disso, a estrutura escolhida pela IMPUGNANTE atendeu à lógica da possibilidade de amortização do ágio nas hipóteses do art. 386 do RIR; qual seja, a união do ágio gerado na aquisição do investimento e a geração das receitas objeto do ágio pago. Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.598 53 6.13. No caso, a IMPUGNANTE e a PROPAG concentravam a expectativa de rentabilidade futura que gerou o ágio pago pela CRISTALYS. No entanto, até o momento da incorporação, o ágio, registrado no PLC de CRISTALYS, encontravase dissociado dos resultados futuros pelos quais foi pago, não havendo possibilidade de sua amortização fiscal, com fundamento no art. 7º da Lei n° 9.532/97. 6.14. Essa situação é modificada no momento em que a IMPUGNANTE incorpora as suas controladoras (direta e indireta), trazendo para si o ágio gerado na expectativa de seus resultados futuros. 6.15. Nesse momento, verificase a união do ágio com os investimentos que lhe deram fundamento, respeitandose a autorização para a amortização do ágio pela IMPUGNANTE. 6.16. O raciocínio desenvolvido pelo TVF, além de não ter nenhum fundamento legal, leva à conclusão absurda de que, em aquisições de participação em sociedade que tem investimento em outras sociedades, o ágio por rentabilidade futura só poderia ser amortizado para fins fiscais mediante a incorporação de todas as controladas diretas e indiretas dessa sociedade. Passa a questionar a acusação fiscal de que o fundamento econômico do ágio pago, ao menos em parte, não seria a rentabilidade futura, mas seria decorrente de ativos intangíveis e fundo de comércio não contabilizados. Professa que não haveria uma hierarquia ou ordem a ser observada entre os fundamentos econômicos para o ágio pago – (i) valor de mercado de bens do ativo; (ii) valor da rentabilidade futura, com base em previsão de resultados nos exercícios futuros; e (iii) fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. De forma que, o ágio por rentabilidade futura do investimento não se enquadraria necessariamente como uma “parcela residual” das outras duas possibilidades. Ao contrário, os três fundamentos seriam causas diferentes (e não excludentes) para o reconhecimento da existência de um “sobrepreço”, de modo que o contribuinte não haveria obrigação de justificar o ágio primeiramente pela diferença entre os valores de mercado e contábil dos ativos, depois pela existência de fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas, para, tãosomente diante de um não enquadramento, analisar sob o aspecto da rentabilidade futura. Prossegue em sua defesa: 7.5. Nessa esteira, o contribuinte, para reconhecimento do ágio por rentabilidade futura, deve, baseandose no princípio contábil da realidade e no princípio constitucional da legalidade, apresentar demonstrações que devem ser arquivadas como comprovantes da escrituração, a que a IMPUGNANTE corretamente procedeu no presente caso. Fl. 2663DF CARF MF 54 7.6. Importante destacar que, embora o contribuinte se valha de laudo elaborado por expert, a lei vigente à época não o exigia, bastando uma demonstração contemporânea para justificar o reconhecimento do ágio em rentabilidade futura, conforme entendimento do CARF abaixo transcrito: “ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço” (Acórdão n° 1102001.018, Relator JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, de 12.02.2014. Grifouse.) 7.7. Ainda que fosse adotada a teoria do fisco de que o art. 20 do DL n° 1.598/77 estabelecia uma ordem a ser seguida pelo contribuinte, pelo princípio da verdade material, o ágio ora analisado deveria ser registrado como fundamentado em rentabilidade futura, conforme entendimento decorrente da análise do expert, por meio da aplicação do método de fluxo de caixa descontado. Exigir que a IMPUGNANTE injustificadamente fundamente seu ágio de maneira que não corresponda à realidade fere o ordenamento jurídico e as normas contábeis. 7.8. Convém mencionar, ainda, que, em momento algum, o auditor questiona o laudo de avaliação que embasou a fundamentação do ágio, atendose em questionar a inexistência de fundamentação na contabilização do ágio e apontar fundamentações distintas para o sobrepreço pago pela empresa. Diante disso, três esclarecimentos merecem destaque: (i) o laudo foi elaborado por perito competente aplicando métodos objetivos e fundamentados para constatação da rentabilidade futura; (ii) o método adotado e objetivamente demonstrado no laudo para constatação da rentabilidade futura jamais foi questionado pelo fiscal autuante; e (iii) as normas contábeis impõem a observância da realidade. Ora, se o laudo contemporâneo, devidamente elaborado, conclui pela fundamentação do ágio por rentabilidade futura, não pode o fisco obstar o direito da IMPUGNANTE em amortizálo, visto que todos os requisitos legais foram perfeitamente atendidos. 7.9. O CARF, inclusive, manifestouse em recente decisão no sentido de que a autoridade fiscal não pode contestar a fundamentação do ágio sem apresentar provas e, tampouco, sem questionar o laudo elaborado por perito, como se extrai do trecho do voto do Relator MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA: “Em resumo, a autoridade fiscal não impugnou os elementos indicados no laudo contábil que apurou a expectativa de rentabilidade futura. Limitouse a presumir, sem elementos de prova, que a autuada estava adquirindo a carteira de clientes e o fundo de comércio. No entanto, quando se examinam os elementos e premissas contidas no laudo verificase que os Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.599 55 valores indicados por estes e pagos pela empresa autuada dizem respeito à expectativa de rentabilidade futura e não à aquisição de carteira de clientes ou fundo de comércio”. (Acórdão n° 1402001.925, de 03.03.2015.) 7.10. Tal entendimento decorre da constatação extraída da íntegra do Acórdão acima, de que “não foram adquiridos os bens individualmente ou mesmo o conjunto de bens (fundo de comércio) das sociedades (...), mas sim as próprias sociedades”, o que justifica a fundamentação do ágio por rentabilidade futura, conforme constatado no laudo não impugnado pelo fisco. 7.11. No Acórdão n°1301001.637, de 28.08.2014, o Relator LUIS TADEU MATOSINHO MACHADO, em julgamento unânime, reconhece que cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura, como demonstramos: “Não se trata, no caso, de inferir que o fundamento do ágio seja outro motivo econômico; tratase sim de ônus probatório do sujeito passivo com vistas a possibilitar a futura amortização do ágio pelo fundamento alegado. Assim, não cabe ao Fisco investigar quais os motivos que levaram o contribuinte a efetuar o pagamento de uma mais valia pela participação societária adquirida, mas sim de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo, para fruição do benefício fiscal estabelecido. Dito de outra forma. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas cabe ao contribuinte comprovar que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento” (Grifouse.) 7.12. Percebese, portanto, que a IMPUGNANTE cumpriu os requisitos legais que autorizam a amortização do ágio, demonstrando por meio de documentação hábil, idônea e contemporânea à operação, que a mais valia paga por ela decorria de fundamentada expectativa em rentabilidade futura. 7.13. A doutrina também se posiciona no sentido de que, quando a intenção da empresa é de adquirir um negócio, e não ativos isolados, a aquisição, em verdade, firmase pela expectativa por ganhos futuros. JIMIR DONIAK JR., ao analisar a amortização do ágio frente às Leis n°s. 11.638/07 e 11.941/09, por exemplo, entende que, nesses casos, “o fundamento econômico da perspectiva de rentabilidade futura parece mesmo ser o que ampara a maior parte das operações realizada” e acrescenta: “Isso não significa que em tais operações não estivesse eventualmente presente, concomitantemente, a diferença entre os valores contábil e de mercado dos bens da sociedade investida. Como observado, é possível que tal situação também tenha ocorrido. Essa diferença entre os valores dos bens, porém, não impossibilita o fato de o ágio, em sua integralidade, ter como justificativa real (com base na realidade) a perspectiva de rentabilidade futura. Um fundamento não exclui necessariamente o outro” (Grifouse.) Fl. 2665DF CARF MF 56 7.14. Outros doutrinadores adotam o mesmo posicionamento: “(...), em nosso entendimento, a legislação tributária confere um tratamento específico a todo ágio cujo fundamento decorra de avaliação da empresa adquirida pelo método da expectativa de rentabilidade futura, não importando qual o elemento do ativo que justifica aquela expectativa, seja ele individualizável ou não. Ou seja, a expectativa de rentabilidade futura nada mais seria que uma forma de mensurar o valor de um ativo, tangível ou intangível, mas sem individualizálo”. 7.15. Nessa esteira, ainda que houvesse concomitância de fundamentos para o ágio pago na operação ora analisada, pela primazia da realidade e consubstanciada em laudo técnico elaborado com métodos não questionados pela autoridade fiscal, claramente enquadrase como ágio por rentabilidade futura, visto que não ocorreu uma aquisição de ativos, intangíveis ou tangíveis, mas a aquisição de uma sociedade em sua unicidade, com aspirações de ganhos futuros projetados pelo expert. Forçoso, portanto, o reconhecimento de que o ágio decorreu efetivamente da expectativa de rentabilidade futura. 7.16. Quanto ao comentário do TVF no sentido de que o laudo foi elaborado dias antes da contribuição da IMPUGNANTE e da PROPAG ao seu capital, absolutamente irrelevante para a análise do ágio apurado, tendo em vista que a prática desses atos já era prevista no ACORDO. 7.17. De fato, o próprio laudo, ao descrever a avaliação dos resultados com base na análise dos dados financeiros da INBRANDS PARTICIPAÇÕES e de suas controladas, afirma que “os investimentos realizados e o planejamento estratégico adotado para o empreendimento encontramse ainda em fase de implantação” (fl. 5 do laudo). 7.18. Pelo exposto, a IMPUGNANTE faz jus à amortização do ágio por rentabilidade futura, visto que os requisitos legais foram corretamente atendidos em consonância com a legislação aplicável e o entendimento da jurisprudência administrativa. Quanto ao propósito negocial da operação, reafirma que o ágio amortizado pela IMPUGNANTE, se refere ao “sobrepreço” pago pela CRISTALYS na aquisição de 50% de participação em INBRANDS PARTICIPAÇÕES. Em suas palavras: 8.2. A CRISTALYS teve o seu capital aumentado pelo FIP PCP e, em seguida, realizou o investimento em INBRANDS PARTICIPAÇÕES, sendo o ágio ora discutido gerado por ocasião dessa aquisição. 8.3. Não obstante, o TVF alega que o FIP PCP seria o “adquirente de fato” da participação em INBRANDS PARTICIPAÇÕES, desconsiderando, portanto, o fato de que foi CRISTALYS que efetuou a subscrição e a integralização do aumento de capital de INBRANDS PARTICIPAÇÕES que resultou na contabilização do ágio. (...) Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.600 57 8.4. Percebese, assim, que, no entendimento do fiscal autuante, a criação de CRISTALYS teria como único propósito a obtenção de vantagem de caráter fiscal, possibilitando a contabilização do ágio e sua posterior amortização por meio da incorporação da suposta “empresaveículo”. 8.5. Como se demonstrará a seguir, é absolutamente desprovida de fundamento a acusação fiscal, uma vez que a constituição de CRISTALYS era, de fato, a única forma pela qual o FIP PCP poderia adquirir a participação, indiretamente, das empresas operacionais do GRUPO ELLUS (a IMPUGNANTE e a PROPAG). 8.6. Como bem observado pela fiscalização, o FIP PCP é um Fundo de Investimento em Participações, condomínio fechado com regulamentação própria que lhe impõe restrições societárias específicas. A Instrução CVM n° 391, de 16.07.2003, é a norma que estabelece os limites para a atuação dos FIPs. Vale transcrever o art. 2º da Instrução CVM n° 391/03, em que se especificam os instrumentos de investimento elegíveis aos FIPs: “Art. 2°. O Fundo de Investimento em Participações (fundo), constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração” (Grifouse). 8.7. Notase, assim, que os FIPs não podem, de acordo com a legislação societária, investir em cotas de sociedades de responsabilidade limitada, devendo realizar os seus investimentos por meio de sociedades anônimas (abertas ou fechadas). 8.8. Nesse sentido, para que o FIP PCP pudesse efetivamente participar do capital de quaisquer sociedades, anônimas ou por responsabilidade limitada, era necessário constituir uma companhia que lhe permitisse concentrar os investimentos no novo mercado em que pretendia ingressar. A companhia utilizada pelo FIP PCP foi a CRISTALYS. 8.9 A necessidade imposta pela legislação societária que regulamenta os FIPs, portanto, foi o principal fundamento para a opção pela estrutura implementada na aquisição da participação em INBRANDS PARTICIPAÇÕES, afastandose, com isso, a acusação do TVF, no sentido de que a operação não teria propósito negocial. 8.10. Vale notar que o CARF já decidiu que a fiscalização não pode exigir que o contribuinte adote a alternativa mais onerosa do ponto de vista tributário: Fl. 2667DF CARF MF 58 “GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEVIDA. SIMULAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar oevento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97” (Acórdão n° 1302001.150, Relator ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR, em 07.08.2013, unânime. Grifouse.) 8.11. De fato, analisouse no precedente acima operação muito semelhante à realizada pela IMPUGNANTE. A referida operação trazida como exemplo envolveu (i) o aumento de capital no valor de R$ 1.060.529.999,00, de holding no Brasil (“BERTOLINO”) por sociedade domiciliada no exterior (“1700480 ONTARIO”), que tinha interesse em adquirir o investimento; (ii) a subsequente aquisição de cotas da empresa operacional (“Multiplan”), com ágio pago pela holding; e (iii) a incorporação de BERTOLINO pela Multiplan, com o posterior aproveitamento de ágio. 8.12. Ao versar sobre a alegação de falta de propósito negocial feita pela fiscalização, o Relator ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR foi veemente no sentido de que: “Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, ‘falta de propósito negocial’, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. (...) (...) Da simples leitura do TVF, notase que a autoridade fiscal nega em verdade o permissivo legal criado pelos art. 7° e 8º da Lei 9.532/97, ou seja, estamos diante de uma situação em que foi efetivamente pago o ágio (não se trata de planejamento com base no art. 36 da Lei 10.637/02), no qual um investidor estrangeiro (1700480 ONTARIO INC) aporta capital em uma empresa (BERTOLINO), a qual adquire ações de outra empresa com ágio (MTE) e, a seguir, esta incorpora aquela. Da mesma forma, não estamos diante do planejamento de transferência de ágio externo (aquele decorrente do processo de privatização, em que o investidor se utiliza de empresa veículo para transferir o ágio que pagou no leilão de privatização para a empresa operacional adquirida). Tratase aqui de aplicação Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.601 59 direta do disposto nos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas caminho mais oneroso.” (Grifouse.) 8.13. Da mesma forma, em 08.11.2007, no Acórdão n° 105 16774, o antigo 1º Conselho de Contribuintes validou o aproveitamento fiscal de ágio gerado a partir da realização do seguinte conjunto de operações, também muito semelhante ao caso da IMPUGNANTE: (i) aquisição, por intermédio de uma holding, de outra sociedade holding detentora do capital de sociedade operacional responsável pela geração dos lucros; e (ii) posterior incorporação das sociedades holdings (controladoras direta e indireta) pela sociedade operacional. A única diferença entre as hipóteses em confronto irrelevante está em que, no caso dos AI, ambas as empresas (a IMPUGNANTE e a ELLUS PROPAG) eram operacionais. “ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu.” (Relator ROBERTO BEKIERMAN. Grifouse.) 8.14. Notese, pois, que não se está diante do típico caso de utilização de empresaveículo, em que a pessoa jurídica investidora, após constituir o ágio, o transfere a um veículo com o único propósito de possibilitar o seu aproveitamento por meio da subsequente incorporação desse veículo. Não é esse o caso da IMPUGNANTE, uma vez que não houve qualquer transferência do ágio pago na aquisição de INBRANDS PARTICIPAÇÕES. Não restam dúvidas de que o ágio foi legitimamente pago pela CRISTALYS, e não pelo FIP PCP, diferentemente do que entende o TVF. 8.1.5. Daí o CARF se manifestar no sentido de que, verificada a existência de pagamento e sendo a operação realizada entre Fl. 2669DF CARF MF 60 grupos econômicos distintos, critérios em nenhum momento questionados pelos AI, a própria utilização da expressão “empresa veículo” é incorreta: “1. No presente caso, consideradas as características do negócio realizado, é indevida a utilização da expressão ‘empresa veículo’, como reforço da argumentação de ocorrência de planejamento tributário; 2. a controladora da fiscalizada (Camargo Correa S.A. – CCSA) realmente pagou pela aquisição das empresas Gabyl, Gaby2 e Gaby3 com ágio, sendo tal ágio determinado por meio de relatórios de rentabilidade futura elaborado pelo banco Goldman Sachs, tendo ocorrido, inclusive, um ligeiro desconto no valor pago; 3. por serem grupos econômicos distintos, a CCSA teria o máximo empenho em pagar o menor valor possível, e não ao contrário, como é feito em ‘criação de ágio’ entre empresas do mesmo grupo econômico” (Acórdão n° 130200.834, Relator WILSON FERNANDES GUIMARÃES, de 14.03.2012. Grifou se.) 8.16. O TVF cita dois acórdãos genéricos sobre “empresa veículo” para sustentar que, ainda que não se considere o FIP PCP como a “adquirente de fato” de INBRANDS PARTICIPAÇÕES, a estrutura criada pela IMPUGNANTE não teria resultado na reunião do patrimônio que pagou o ágio com aquele responsável pela geração da rentabilidade futura: (...) 8.17. A princípio, cabe destacar que a jurisprudência citada pelo TVF cuida de estruturas relativas à transferência do ágio, que, como vimos acima, não se aplicam ao caso da IMPUGNANTE. 8.18. Além disso, não é procedente a alegação de que, na operação realizada pela IMPUGNANTE, não teria havido a união dos patrimônios do adquirente com ágio e da rentabilidade futura. 8.19. Isto porque, enquanto nos casos envolvendo empresa veículo, a empresa investidora, responsável pelo pagamento do ágio, subsiste, mesmo após a incorporação, pois esse ágio é transferido a um veículo com o único propósito de possibilitar o seu aproveitamento, na operação em questão a própria adquirente (CRISTALYS) foi incorporada pe1a IMPUGNANTE, desaparecendo o registro contábil do ágio. 8.20. A possibilidade de amortização do referido ágio passa a ser, nesse caso, a única vantagem fiscal que adviria do pagamento do ágio; ou seja, não se justifica o receio das autoridades fiscais de que, como ocorre nos casos em que há “empresaveículo”, o ágio, além de gerar a possibilidade de amortização pela incorporadora, reduziria o ganho de capital na alienação do investimento pela adquirente original, que não foi incorporada. Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.602 61 8.21. Cumprese, com isso, o requisito estabelecido pela doutrina e pela legislação, e mencionado pelo TVF, de que os patrimônios da adquirente da participação com ágio e da investida, que traz consigo o potencial de geração de lucros futuros, sejam reunidos para que se permita a amortização fiscal do ágio. 8.22. No entanto, ainda que se estivesse diante do caso típico de transferência de ágio a empresaveículo, tais reestruturações societárias foram expressamente aceitas e disciplinadas de forma genérica pela CVM como forma de o contribuinte usufruir do benefício fiscal concedido pela Lei n° 9.532/97. Importante destacar o seguinte trecho da Nota Explicativa da CVM à Instrução n° 349/01: “Por outro lado, a criação da empresa veículo e a transferência, para esta, do investimento original e, também, do ágio permitiram que, através desse modelo de incorporação, houvesse a possibilidade do seu aproveitamento fiscal, fazendo surgir, contabilmente, uma espécie de crédito tributário fundamentado na diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social, em virtude da possibilidade da amortização desse ágio. Portanto, esse benefício fiscal é a única parcela do ágio que poderá ser aproveitada na controlada e que tem substância econômica. Essa é também a parcela do ágio que a CVM vem entendendo, conforme estabelecido na Instrução CVM nº 319, que pode ser capitalizada em proveito exclusivo do controlador. E, portanto, somente essa parcela com substância econômica que pode ser considerada um ativo e que poderia vir a ser capitalizada”. 8.23. A referida Nota Explicativa detalhou os procedimentos que deveriam ser observados pelas companhias abertas nas restruturações previstas pela Lei n° 9.532/97, com ênfase para as incorporações precedidas da criação e veículos, tendo atribuído valor específico à economia fiscal que, nas incorporações inversas, o controlador transfere à controlada. Ou seja, reconhece os efeitos fiscais nos casos de incorporação de empresas veículo. 8 24 Podese assim afirmar que o próprio Poder Executivo, por uma de suas autarquias (a CVM) reconhece, expressamente, que o registro do ágio por uma pessoa jurídica, inclusive um veículo criado após a aquisição dos investimentos de terceiros, com a subsequente incorporação da empresa investidora é apta a gerar a dedutibilidade do ágio nos termos dos arts. 1° e 8° da Lei n° 9.532/97, independentemente da existência de motivação negocial. 8.25. Deve ser ressaltado também que a utilização da CRISTALYS foi motivada por outros fatores, dentre os quais a readequação da estrutura patrimonial da IMPUGNANTE e a consequente melhoria de sua capacidade financeira. Como se sabe, nos termos das Instruções da CVM n° 319, de 03.12.1999, e n° 349/01, nas incorporações inversas, a parcela do ágio Fl. 2671DF CARF MF 62 suscetível de ser aproveitada em termos fiscais é tratada como um ativo da incorporadora, cuja contrapartida é registrada em uma conta de patrimônio líquido (a reserva a que se refere o art. 6º da Instrução CVM n° 319/99). Assim, a incorporação de CRISTALYS pela IMPUGNANTE importou no aumento do valor de seu patrimônio líquido e na sua melhoria de suas condições de endividamento, fato essencial a uma empresa operacional como a IMPUGNANTE. 8.26. Ou seja, a forma como efetuado o negócio implicou o aumento do valor do PLC da IMPUGNANTE (conforme previsto pelas Instruções CVM n°s 319/99 e 349/01), o que incrementou sua capacidade de endividamento. Com isso, fica ainda mais evidente que o aproveitamento fiscal do ágio não foi a única motivação para a utilização de CRISTALYS. 8.27. De resto, ao analisar estruturas semelhantes àquela do caso concreto, o posicionamento firmado pelo CARF é no sentido de que os requisitos suficientes para a dedução de despesas com amortização de ágio são: (i) o efetivo pagamento do custo de aquisição, no que se inclui o da parcela responsável pelo registro do ágio; (ii) a realização de operações originais entre partes não ligadas; e (iii) a demonstração da lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. 8.28. Este foi o entendimento adotado pelo CARF no Acórdão n° 140200.802 . Os trechos do voto do Conselheiro Relator ANTÔNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA, resumem bem o entendimento predominante do CARF: “Pois bem, entendo que a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura de ágio, com fulcro no art. 7º, inciso III, da Lei n° 9.532, de 1997, deve atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. No presente caso, essas premissas básicas foram cumpridas. Não há dúvida que o Banco Santander Hispano efetivamente desembolsou os 9,457 Bilhões de Reais da operação. De igual forma inexiste qualquer ligação entre o grupo Santander e os alienantes, especialmente na operação principal (compra das ações da União). Também não repousa qualquer questionamento quanto ao fato de que o Banespa sofreu detalhada avaliação, refletida em suas demonstrações contábeis antes do leilão estatal.” Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.603 63 (Acórdão n° 1402000.802, julgado em 21.10.2011.) 8.29. Por outro lado, em muitas decisões o CARF já afirmou que os arts. 1º e 8º da Lei n° 9.532/97 dispensam motivação, por serem normas indutoras do comportamento do contribuinte. Vejase, por exemplo, o voto vencedor do Acórdão n° 1301 000.711, de 19.10.2011: “Na verdade, neste e noutros casos, a lei fiscal induz o comportamento, ou seja, interfere na própria vontade do contribuinte. A vontade, o impulso que leva a prática da ação é eminentemente fiscal. Realmente, não há qualquer abusividade ou ilicitude no caso de o contribuinte realizar determinado negócio jurídico motivado por vantagens fiscais instituídas pela legislação. O que é ilícito, por ser abusivo, seria a causa do negócio jurídico ser a vantagem fiscal. Não há ilícito no fato de a motivação ser fiscal. Este é o ponto fundamental, pois causa e motivo são coisas distintas. A causa é de natureza objetiva, enquanto que o motivo é subjetivo. O motivo constitui a causa impulsiva, a causa final. MOREIRA ALVES resume bem a questão, quando ensina que: ‘a causa de um negócio jurídico difere dos motivos que levaram as partes a realizálo. Com efeito, a causa se determina objetivamente (é a função econômicosocial que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico); já o motivo se apura subjetivamente (diz respeito aos fatos que induzem as partes a realizar o negócio jurídico). No contrato de compra e venda, a causa é a permuta entre a coisa e o preço (essa é a função econômicofiscal que lhe atribui o direito objetivo; essa é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam os vendedores e quaisquer que sejam os compradores); os motivos podem ser infinitos (assim, por exemplo, alguém pode comprar uma coisa para presentear com ela um amigo). (...) A distinção entre causa e motivo é importante porque, em regra, a ordem jurídica não leva em consideração o último’. Assim, a título de síntese, enquanto a causa é a função típica de determinado negócio jurídico, o motivo é a razão metajurídica que levou a pessoa à realização do mesmo, que só influenciará na órbita jurídica se esta motivação for ilícita (art. 166 do CCv)”. 8.30. Por fim, o TVF se utiliza do conceito de step transactions para reforçar a suposta falta de propósito negocial nos atos praticados na aquisição do ágio e na incorporação de CRISTALYS e INBRANDS PARTICIPAÇÕES, o que, como se viu acima, não condiz com a realidade de uma operação absolutamente lícita e com propósitos econômicos bastante claros. (...) Fl. 2673DF CARF MF 64 8.32. Não é segredo que o FIP PCP planejava, já em 2007, se associar ao GRUPO ELLUS, como se verifica da leitura do ACORDO. De fato, todos os atos praticados pela IMPUGNANTE foram devidamente publicados e aprovados pelos órgãos da Administração Pública competentes. Portanto, muitos dos fatos mencionados pelo TVF, como o curto espaço de tempo para a prática dos atos e falta de atividade operacional da CRISTALYS, por exemplo, não têm qualquer relevância para fins tributários. 8.33. Nesse sentido, vejamos como se sustentam as alegações fiscais descritas acima em face da motivação para a sua prática, já abordada no curso da defesa: a) A contribuição de bens e direitos ao capital de pessoas jurídicas pode ser feita de acordo com o valor de custo contábil ou o valor constante das declarações do imposto de renda (a custo, portanto), ou então por seu valor de mercado, como determina o art. 23 da Lei n° 9.249, de 26.12.1995. Além disso, as cotas integralizadas foram objeto de avaliação por perito especializado, e o laudo de avaliação consta da ata de aumento de capital da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, como determina o art. 8º da LSA. O fato de os sócios da IMPUGNANTE e de PROPAG terem optado por contribuir tais ações a valor de mercado não tem qualquer efeito tributário. b) Não há nada de inovador nas sociedades holdings, previstas na legislação brasileira desde a LSA, em seu art. 2º, § 3ºo, que define que “a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades”; e que “ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais”. Portanto, nada de surpreendente no fato de que a CRISTALYS não era empresa operacional. c) Como explicado na seção 3, acima, o valor relativo ao primeiro aumento de capital da CRISTALYS, no valor de R$ 250.000,00, não transitou por seu capital pelo simples fato de que CRISTALYS havia firmado com INBRANDS PARTICIPAÇÕES um AFAC, de modo que esse valor foi depositado diretamente à conta de INBRANDS PARTICIPAÇÕES pelo FIP PCP, por conta e ordem de CRISTALYS, a fim de que a transferência de recursos relativos ao AFAC fosse realizada. d) É preciso entender que a celeridade com que os atos societários foram elaborados e os contratos celebrados é inteiramente neutra em termos fiscais. Tivessem as operações societárias ocorrido em um único dia ou ao longo de dez anos, os efeitos fiscais seriam rigorosamente os mesmos. e) Não se demonstrou, nesse ponto, a suposta irregularidade da justificativa para a incorporação de CRISTALYS e INBRANDS PARTICIPAÇÕES, tendo em vista que, de fato, para a estrutura planejada, sua incorporação era conveniente do ponto de vista societário. 8.34. A irrefutável existência de propósito negocial na aquisição de INBRANDS PARTICIPAÇÕES e na sua posterior incorporação pela IMPUGNANTE demonstra o direito Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.604 65 à dedutibilidade da amortização do ágio a partir de sua incorporação, visto não se tratar a CRISTALYS de empresa veículo, nos termos da doutrina e da jurisprudência administrativa. Por fim, questiona a impugnante a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, (i) por falta de fundamento legal, (ii) devido à natureza remuneratória da Selic, (iii) aos preceitos do Parágrafo único do art. 16 do Decretolei nº 2.323, de 1987 (com a redação que lhe foi dada pelo art. 6º do Decretolei n.° 2.331, de 1987), haja vista que a multa de mora e de ofício possuem natureza punitiva conforme entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça; e (iv) porque o art. 59 da Lei 8.383, de.1991, e o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, referemse exclusivamente aos tributos e contribuições, e não à multa de ofício. Colaciona jurisprudência do CARF a referendar a sua interpretação. Vale reproduzir a síntese das matérias impugnadas relacionadas a título de conclusão: 10. CONCLUSÕES 10.1. Diante do exposto acima, concluise que: (i) o ágio gerado pela aquisição de 50% de INBRANDS PARTICIPAÇÕES decorreu da união de dois grupos empresariais distintos, não havendo que se falar em “ágio interno”; (ii) os requisitos para a amortização, previstos pelo art. 386 do RIR, foram devidamente cumpridos, tendo em vista que, tanto a empresa que pagou o ágio (CRISTALYS), quanto a empresa objeto do ágio por rentabilidade futura (INBRANDS PARTICIPAÇÕES), foram incorporadas pela IMPUGNANTE, controlada de INBRANDS PARTICIPAÇÕES; (iii) o ágio teve por base a expectativa de rentabilidade futura de INBRANDS PARTICIPAÇÕES, sendo defeso à autoridade fiscal desconsiderar as premissas adotadas pelos especialistas no LAUDO e pretender atribuir esse ágio a intangíveis ou fundo de comércio, ainda mais quando a sua legitimidade não é objeto de questionamento pelos AI; (iv) a constituição de CRISTALYS teve por fundamento a implementação do ingresso do FIP PCP no GRUPO ELLUS, tendo em vista a limitação societária à aquisição de cotas de sociedades limitadas por FIPs; (v) não há que se falar em interposição de empresaveículo, uma vez que não houve transferência de ágio, que decorreu da negociação entre partes não relacionadas; (vi) todas as operações questionadas pelos AI tiveram propósito negocial claro, não havendo que se falar na realização de step Fl. 2675DF CARF MF 66 transactions com o objetivo exclusivo de obtenção de economia fiscal. (vii) não há fundamento legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício. Requer a Impugnante que sejam julgados totalmente improcedentes os lançamentos, com a consequente extinção o crédito tributário deles decorrente, ou, alternativamente, que seja cancelada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em 19/06/2015, a autoridade preparadora atestou a tempestividade da impugnação e encaminhou o processo a julgamento (fls. 2241), tendo sido distribuído à DRJ Ribeirão Preto/SP, em 10/07/2015, e a esta Relatora, em 11/09/2015. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 05/07/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem fls. 2.416), apresentando em 04/08/2016, o recurso voluntário de fls. 2.418 e seguintes (Termo de Solicitação de Juntada fls. 2.516), onde reproduz, basicamente, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento, acrescentando que: Não devem ser apreciadas pelo CARF as alegações da DECISÃO em relação à metodologia do LAUDO por configurarem inovação em relação às alegações fiscais no TVF; Ainda que não prevaleçam as razões descritas acima, deve ser cancelado o crédito tributário relativo à CSLL porque não há norma que determine a adição de despesas com amortização de ágio (e dos ativos diferidos dele decorrentes) á sua base de cálculo; Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Amortização fiscal do ágio A justificativa da Fiscalização para não aceitar a dedução das despesas com ágio estão contidas no item 3 do Termo de Verificação Fiscal (doc. de fls. 36 e seguintes), verbis: i) A suposta rentabilidade futura foi obtida da avaliação de holding não operacional levando em consideração duas empresas operacionais então controladas por essa holding. Todavia, uma dessas empresas (justamente a mais rentável) não foi incorporada nas operações societárias que se sucederam, de forma que a maior parte da alegada rentabilidade futura sequer Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.605 67 chegou a integrar diretamente o patrimônio da FISCALIZADA (subtópico 3.5 do TVF). ii) Desvirtuamento do verdadeiro fundamento do ágio. Os valores dos intangíveis (marcas de moda notoriamente conhecidas) e do fundo de comércio foram convenientemente ignorados pela FISCALIZADA na alocação do ágio, sendo que a legislação fiscal não autoriza a amortização nessa hipótese (subtópico 3.6 do TVF). iii) Utilização de “empresa veículo” visando exclusivamente ao aproveitamento fiscal do ágio. O adquirente de fato foi um Fundo de Investimento (subtópico 3.7 do TVF). Suposta rentabilidade futura estimada com base em resultados de empresa não incorporada pela Fiscalizada Segundo a Fiscalização, uma das irregularidades que inviabilizam a amortização fiscal do ágio diz respeito ao fato de que a maior parte da suposta rentabilidade futura ter sido fundamentada em resultados de empresa que sequer chegou a ser incorporada pela Fiscalizada, qual seja, a ELLUS PROPAG. Assim, a autoridade fiscal detalha essa irregularidade: 3.5 Suposta rentabilidade futura estimada com base em resultados de empresa não incorporada pela FISCALIZADA. Uma das irregularidades que inviabilizam a amortização fiscal do ágio diz respeito ao fato de que a maior parte da suposta rentabilidade futura ter sido fundamentada em resultados de empresa que sequer chegou a ser incorporada pela FISCALIZADA, qual seja, a ELLUS PROPAG. Como visto anteriormente, um dos requisitos legais para a dedutibilidade do ágio é de ele tenha sido fundamentado na rentabilidade do investimento adquirido com base em previsão dos resultados de exercícios futuros. No caso em apreço, o ágio foi gerado quando subscrição de ações de emissão da INBRANDS PARTICIPAÇÕES (vide subtópico 3.2.4 deste TVF). Por meio do item INI.20 do TIAF (fl. 79), solicitouse à FISCALIZADA o documento que comprovasse o(s) fundamento(s) econômico(s) do ágio nessa operação, tal como previsto no RIR/1999, art. 385, § 3°. Em resposta, foi apresentado o “Laudo de Avaliação de Negócios Valor de Mercado” acostado às fls. 2019 a 2037. O referido laudo teve por objeto a “avaliação do valor de mercado das ações de emissão da sociedade INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A. e suas controladas ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA [ora FISCALIZADA] e ELLUS PROPAG LTDA” (fl. 2020). O laudo foi emitido em 07/03/2008 e teve como data base 29/02/2008. Por conta dessas datas, vale comentar uma peculiaridade: as quotas do capital da FISCALIZADA e da Fl. 2677DF CARF MF 68 ELLUS PROPAG somente foram conferidas à INBRANDS PARTICIPAÇÕES em 26/03/2008. Portanto, quando da data base considerada no laudo (29/02/2008), ou mesmo quando da emissão do laudo (07/03/2008), a empresa avaliada ainda não detinha qualquer participação no capital da FISCALIZADA ou da ELLUS PROPAG. Já na introdução (fl. 2022), o laudo fez a consideração de que INBRANDS PARTICIPAÇÕES era uma “sociedade holding sem atividade operacional’ e, assim, os “trabalhos foram desenvolvidos como (sic) base nos dados históricos e projetados destas controladas (ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA. e ELLUS PROPAG LTDA.)” vide Figura 9. Tratandose a empresa avaliada de uma holding sem atividade operacional própria, os únicos ativos aptos a gerarem algum resultado futuro eram as sociedades por ela controladas. Assim, os avaliadores foram buscar nos resultados projetados para as duas empresas “controladas” (ou seja: a FISCALIZADA e a ELLUS PROPAG) a base para estimar o valor da INBRANDS PARTICIPAÇÕES. A metodologia utilizada foi a de fluxo de caixa descontado. Na análise prospectiva dos fluxos de caixa adotouse como ponto de partida os resultados auferidos pela FISCALIZADA e pela ELLUS PROPAG nos anos que antecederam a elaboração do laudo (2005, 2006 e 2007). E, a partir desses dados, foram elaboradas projeções; por exemplo: crescimento da receita líquida de 8,5% em 2008; 4,6% em 2009; 2,4% em 2010; 1,5% em 2011 e 1,0% em 2012 (vide fl. 2027) Nos anexos V, VI e VII do laudo constam as demonstrações dos resultados dos anos de 2005, 2006 e 2007 das duas controladas. Na Tabela 4 a seguir apresentase uma síntese do lucro líquido desses períodos, a partir da qual podese evidenciar a representatividade de cada uma das controladas na lucratividade da INBRANDS PARTICIPAÇÕES. Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.606 69 Como podese ver na Tabela 4, ao se considerar os três anos que antecederam a aquisição, a ELLUS PROPAG foi muito mais lucrativa que a FISCALIZADA. Como os resultados futuros assumidos pelo laudo de avaliação foram obtidos de projeções que tiveram como base esses períodos anteriores, é incontroverso que a maior parcela da rentabilidade futura estimada para a holding INBRANDS PARTICIPAÇÕES adveio da ELLUS PROPAG. Os fluxos projetados para os primeiros cinco anos (2008 a 2012) foram descontados para valor presente e a eles acrescido um “valor de perpetuidade”. Assim concluiuse que o valor total de avaliação da INBRANDS PARTICIPAÇÕES seria superior a R$ 182 milhões vide Figura 10. Esses cálculos constam do anexo VIII do laudo de avaliação (fl. 2037). Ocorre que justamente o ativo mais rentável, a ELLUS PROPAG, não foi incorporado pela FISCALIZADA. Isso porque anteriormente às incorporações reversas da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, foi promovido um aumento de capital da FISCALIZADA mediante a conferência das quotas da ELLUS PROPAG (vide subtópico 3.2.5 deste TVF). Assim, a ELLUS PROPAG deixou de ser controlada diretamente pela INBRANDS PARTICIPAÇÕES; consequentemente, esse ativo não integrou o acervo incorporado pela FISCALIZADA em 31/08/2008. Para maior clareza, reproduzse a Figura 5 e a Figura 6, as quais ilustram a organização societária imediatamente antes e após as incorporações reversas da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES em 31/08/2008. Fl. 2679DF CARF MF 70 Se a ELLUS PROPAG não foi incorporada pela FISCALIZADA, não se pode cogitar a amortização fiscal de ágio decorrente de alegada rentabilidade futura daquela empresa. Afinal, não houve absorção de patrimônio, requisito legal para a dedutibilidade do ágio previsto no caput do art. 386 do RIR/1999. Por fim, importa registrar que a ELLUS PROPAG operou como empresa autônoma até 1°/08/2012, data em que foi incorporada por sua então controladora POLAMINSK SP PARTICIPAÇÕES S.A. No mesmo sentido a decisão recorrida apresentou a seguinte conclusão: Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.607 71 Concluise, assim, ser incabível deduzir fiscalmente a amortização do ágio, quando o investimento que fundamentou o seu pagamento não é extinto no patrimônio do investidor, mediante a operação de incorporação entre real investidor e empresas investidas. De um lado, porque, com a incorporação da Cristalys, não houve a extinção do investimento no patrimônio do real investidor (FIP PCP); e de outro, porque, com a incorporação da controladora (INBRANDS) por uma das controladas (Ellus do Brasil), parte do investimento objeto de alienação e de avaliação (Ellus Propag) persistiu no patrimônio da incorporadora. Nesse caso, não se pode admitir a dedutibilidade fiscal da amortização de um ágio pago na aquisição da Ellus do Brasil e da Ellus Propag, com fundamento na rentabilidade futura dos investimentos, se não implementada a condição de extinção do investimento em operações de fusão, cisão ou incorporação entre investidora (FIP PCFP) e investidas (Ellus do Brasil e Ellus Propag). In casu, apesar dos protestos da defesa, o ágio por rentabilidade futura só poderia ser amortizado, para fins fiscais, mediante a confusão patrimonial e extinção dos investimentos, objeto de avaliação e aquisição pelo FIP PCP, quais sejam, as participações na Ellus do Brasil e na Ellus Propag, o que não ocorreu. Registrese que não pode a defesa querer que se admita que a avaliação do investimento adquirido na holding (INBRANDS) se faça com base no valor de mercado de suas controladas (Ellus do Brasil e Ellus Propag), e depois, para fins de amortização fiscal do ágio, pretender que a operação de incorporação envolva apenas uma das empresas adquiridas (Ellus do Brasil). Por sua vez, a recorrente traz no recurso voluntário a seguinte explicação para a irregularidade apontada pela Fiscalização: Fl. 2681DF CARF MF 72 (...) Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.608 73 Fl. 2683DF CARF MF 74 A justificativa da Fiscalização para não aceitar a dedução das despesas com ágio voltouse para o laudo de avaliação da INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A, incorporada pela autuada. De acordo com o Fisco, tendo em vista que a maior parte das atividades que geraram as expectativas de lucros futuros seriam desenvolvidas pela ELLUS PROPAG LTDA (empresa não incorporada pela recorrente e da qual a INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A detinha 100% das ações) não haveria como imputálas à INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A, pois o conjunto de fatores de produção lhe seriam estranhos. Vêse portanto que, com base no TVF e na decisão recorrida, restou como questão impeditiva para a dedução o fato de que os resultados que serviriam de base para o cálculo da rentabilidade futura da INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A pertenceriam à ELLUS PROPAG LTDA. A meu ver, o posicionamento do Fisco – e da decisão recorrida – só teria fundamento se não existisse qualquer vínculo entre a INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A e a ELLUS PROPAG LTDA. Dito de outra forma, um incremento de rentabilidade na ELLUS PROPAG LTDA não poderia ter qualquer impacto na INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A. Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.609 75 Ora, se a INBRANDS PARTICIPAÇÕES S.A. detém 100% da participação acionária na ELLUS PROPAG LTDA, os resultados dessa última se refletirão naquela na mesma proporção. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Portanto, afasto essa irregularidade apontada pela Fiscalização. Desvirtuamento do verdadeiro fundamento do ágio Sustenta a Fiscalização no item 3.6 do TVF que: A legislação fiscal então vigente determinava a discriminação do fundamento econômico do ágio em três gêneros, a saber: (i) Valor de mercado de bens do ativo superior ao custo registrado na contabilidade da investida; (ii) Valor de rentabilidade da investida, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; ou (iii) Fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Esse detalhamento não é mera opção; pelo contrário, é obrigação expressamente contida na legislação fiscal. Mas a despeito da previsão legal contida no art. 385, § 2º, do RIR/1999, a “investidora” CRISTALYS deixou de indicar o fundamento do ágio quando do seu lançamento contábil. A escrituração foi feita de forma genérica, na conta contábil “INBRANDS PARTICIPAÇÕES S/A. (13265) 120202003”, sem indicação do fundamento econômico. O razão da referida conta é mostrado na Figura 11. Após a incorporação reversa da CRISTALYS e da INBRANDS PARTICIPAÇÕES, a FISCALIZADA passou a amortizar os mais de R$ 82,5 milhões de ágio, como se o valor estivesse exclusivamente fundamentado em rentabilidade futura (vide subtópico 3.4 deste TVF). No que ora interessa ao procedimento fiscal, duas espécies de ativos merecem especial atenção: intangíveis (marcas Fl. 2685DF CARF MF 76 registradas) e fundo de comércio. Eles se revestem de especial importância em razão de a FISCALIZADA ter como atividade fim a gestão de marcas de moda e lifestyle. Quanto ao tratamento tributário, o ágio fundamentado em intangíveis e fundo de comércio não está sujeito a amortização (RIR/1999, art. 386, II, parte final). Nesse caso, o ágio é: (i) considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital em eventual e posterior alienação do investimento ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; ou (ii) deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa (RIR/1999, art. 386, § 3º). E, no caso em apreço, é inequívoco que o ágio foi pago em razão de intangíveis (marcas registradas) e fundo de comércio. A decisão de piso confirma a acusação fiscal de que o ágio foi pago em razão de intangíveis (marcas registradas) e fundo de comércio, nos seguintes termos: In casu, às fls. 1950/1975, foi juntado o Acordo de Subscrição e Outras Avenças, celebrado em 26/07/2007, entre FIP PCP, na qualidade de investidora, Nelson Alvarenga Filho e Américo Fernando Rodrigues Breia, na qualidade de sócios da Ellus IC e da Ellus Propag (intervenientes anuentes), no qual constou o seguinte preâmbulo: CONSIDERANDO QUE, a Investidora deseja realizar investimentos no mercado brasileiro de comércio atacadista e varejista, importação, exportação e fabricação de artigos de vestuário e acessórios, e, para tanto, tem interesse em se associar a empresários que já possuam marcas, fundo de comércio e reputação já estabelecida consolidados no referido mercado; Vejase aqui que o interesse declarado e explícito dos investidores sempre foram as marcas, o fundo de comércio e a reputação do negócio de titularidade de Nelson Alvarenga Filho e Américo Fernando Rodrigues Breia na Ellus IC e na Ellus Propag. Em cláusula própria do referido acordo (3.1.17) foi feita referência expressa aos Ativos Intangíveis – Marcas Registradas, nos seguintes termos, verbis: As sociedades são proprietárias ou têm direito de uso (nesse caso conforme indicados nos Anexos 3.1.17A) sobre todas as marcas registradas, logotipos, nomes de domínio e denominações societárias relevantes para a condução de seus respectivos negócios, as quais se encontram devidamente registradas perante os órgãos competentes, notadamente o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, e estão relacionadas no Anexo 3.1.17. As sociedades são proprietárias dos respectivos códigos fontes ou possuem todas as licenças referentes aos softwares que utilizam. A condução dos negócios das Sociedades não viola quaisquer direitos de propriedade intelectual de terceiros. Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.610 77 No Anexo 3.1.17 Marcas (fls. 2010/2018) foram discriminados os registros e os pedidos de registros de marcas da Ellus IC. Nos atos societários das empresas do Grupo Ellus, confirmase que o “licenciamento de marcas de indústria e comércio” integrava expressamente as atividades a serem desenvolvidas, por exemplo, pela Ellus do Brasil, conforme definição do objeto social, verbis: Depreendese do art. 923 do RIR/99, com base legal no at. 9º, § 1º, do Decretolei n° 1.598, de 1977, que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definido em preceitos legais. Ao pagar e escriturar ágio sob fundamento em rentabilidade futura, é da contribuinte o ônus de comprovar que, pelo menos em alguma parcela, o pagamento se deu pela finalidade apontada, principalmente diante do fato incontroverso de que as marcas e elementos integrantes do fundo de comércio foram a principal motivação para a celebração do negócio. A recorrente, por sua vez, entende que o ágio teve por base a expectativa de rentabilidade futura de INBRANDS PARTICIPAÇOES, sendo defeso à autoridade fiscal desconsiderar as premissas adotadas pelos especialistas no Laudo e pretender atribuir esse ágio a intangíveis ou fundo de comércio, ainda mais quando a sua legitimidade não é objeto de questionamento pelos autos. Apóia a sua tese em vários julgados do CARF que sustenta esse racional. Pois bem, não se discute no caso dos autos a grandeza dos valores e sim o fundamento/razão/causa que ensejou os pagamentos relacionados à sociedade INBRANDS PARTICIPAÇÕES e de suas controladas ELLUS DO BRASIL CONFECÇÕES E COMÉRCIO LTDA E ELLUS PROPAG LTDA no valor de R$ 182.751.726,00, conforme laudo de avaliação de fls. 2019/2037. Fl. 2687DF CARF MF 78 A autoridade fiscal concluiu que o valor indicado no referido laudo corresponde a intangíveis (marcas registradas) e ao fundo de comércio e não a expectativa de rentabilidade futura. Nesse cenário, imprescindível que se avalie o laudo como um todo, extraindo dele sua real essência. O Laudo contém os seguintes indicativos e premissas para se chegar ao valor total da sociedade: Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.611 79 Fl. 2689DF CARF MF 80 Os números, no que diz respeito à INBRANDS PARTICIPAÇÕES S/A, encontramse às fls. 2.037 (ANEXO VIII), sendo que no que diz respeito a demonstração de Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.612 81 resultado contém os seguintes valores, que ao meu sentir representam expectativa de resultado futuro, já que elaborados em fevereiro de 2008 com projeções até 2012, “in verbis”: As causas acima analisadas, cujos valores atribuídos foram elaborados prevendo expectativa de resultados futuros, estão a demonstrar que a importância paga não estava a remunerar a aquisição de marcas registradas ou fundo de comércio, como entendeu a autoridade fiscal, mas sim expectativa de rentabilidade futura, sendo o ágio, nestas condições, passíveis de amortização, conforme previsto no artigo 20, § 2º, b, do DecretoLei 1.598, de 1977, combinado com os artigos 7º, III e 8º, b, da Lei nº 9.532, de 1997: DecretoLei nº 1.598 de 1977. Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição (...), e o valor de que trata o número I. ... § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: Fl. 2691DF CARF MF 82 a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (Ver art. 7º, I da Lei 9.532); b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (amortizável – art. 7º, III, Lei 9.532); c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. (não amortizável – art. 7º, II, Lei 9.532) Lei 9.532, de 1997. .... Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio, cujo fundamento seja o de que trata a alínea a do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea c do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta de ativo permanente, não sujeita à amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea b do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração Em resumo, a autoridade fiscal não impugnou os elementos indicados no laudo contábil que apurou a expectativa de rentabilidade futura. Limitouse a presumir, sem elementos de prova, que a autuada estava adquirindo os intangíveis (marcas registradas) e o fundo de comércio. No entanto, quando se examinam os elementos e premissas contidas no laudo verificase que os valores indicados por estes e pagos pela recorrente dizem respeito à expectativa de rentabilidade futura e não à aquisição de marcas registradas e fundo de comércio. Assim, assiste razão ao sujeito passivo que o ágio foi pago com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros da investida. Utilização de “empresa veículo” Segundo entende a Fiscalização, uma das peculiaridades da aquisição sob análise reside no fato de o adquirente de fato ser o Fundo de Investimento em Participações, gerido pelo Grupo Vinci Partners. Esse fato por si só, segundo a autoridade fiscal, inviabiliza a amortização ágio. E apresenta duas razões para isso: 1ª) Os rendimentos auferidos pelas carteiras dos Fundos de Investimento são isentos do Imposto de Renda (o IR incide apenas sobre o rendimento auferido pelos quotistas, por ocasião do resgate das quotas); Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.613 83 2ª) Fundos de Investimento têm natureza jurídica de condomínio. Não são pessoas jurídicas em sentido estrito. Assim, não têm como absorver o patrimônio de uma empresa (ou terem seu patrimônio absorvido por uma empresa) em virtude de incorporação, fusão ou cisão, requisito para amortização fiscal do ágio. E acrescenta: Em suma, a amortização fiscal do ágio não é um benefício de que possam se locupletar Fundos de Investimento e, indiretamente, seus quotistas. Querse dizer que os administradores e quotistas almejavam auferir os bônus de deter o investimento por meio de um Fundo (ou seja, ter os rendimentos auferidos pela carteira do Fundo de Investimento isentos de Imposto de Renda), mas sem se sujeitar ao ônus de não poder amortizar o ágio na forma como procederam. Diante desses óbices, pôsse em prática todo o planejamento tributário até aqui descrito, inclusive com o emprego da “empresa veículo” CRISTALYS. Não fosse assim, o valor investido na INBRANDS PARTICIPAÇÕES deveria apenas compor o custo das quotas do Fundo de Investimento em Participações PCP, independentemente de tratarse de ágio, qualquer que tenha sido seu fundamento. Por conseguinte, não haveria como amortizálo. A decisão recorrida, por sua vez, define assim a presença da empresa Cristalys no aproveitamento do ágio pago pelo Fundo de Investimento em Participações PCP na aquisição do investimento: Fl. 2693DF CARF MF 84 A recorrente se defende com a argumentação de que os FIPs não podem, de acordo com a lei brasileira, investir em cotas de responsabilidade limitada, devendo realizar os seus investimento por meio de sociedade anônimas (abertas ou fechadas). Nesse sentido, para que o FIF PCP pudesse efetivamente participar do capital de quaisquer sociedades, anônimas ou por responsabilidade limitada, era necessário constituir uma companhia que lhe permitisse concentrar os investimentos no novo mercado em que pretendia ingressar. A companhia utilizada pelo FIP PCP foi a CRISTALYS. A necessidade imposta pela legislação societária que rege o funcionamento dos FIPs, portanto, foi o principal fundamento para a opção pela estrutura implementada na aquisição da participação em INBRANDS PARTICIPAÇÕES, afastandose, com isso, a acusação do TVF, no sentido de que a operação não teria propósito negocial. Em contraponto ao argumento da decisão de piso de que o investimento poderia ter sido feito diretamente pelo FIP PCP em INBRANDS PARTICIPAÇÕES, que foi a holding utilizada pelos vendedores para concentrar os investimento no GRUPO ELLUS, assim se posiciona a recorrente: Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 11516.721044/201578 Acórdão n.º 1201001.897 S1C2T1 Fl. 2.614 85 Acrescenta ainda o sujeito passivo em sua defesa que a utilização da CRISTALYS ainda teve as seguintes motivações extratributárias: Eis, então, o que me parece o ponto central da discussão: a legitimidade, ou não, da utilização da empresa CRISTALYS, tida pelo Fisco e pela Turma Julgadora em primeira instância como "empresa veículo', ou seja, pessoa jurídica criada artificialmente com o único propósito de criar as condições exigidas pela lei para a amortização fiscal do ágio. A posição desta Turma, a qual me alinho, é no sentido de que o uso de "empresa veículo", por si só, é insuficiente para desqualificar a via adotada pela interessada, a qual, ressalto, não é vedada pela legislação. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 2695DF CARF MF 86 Fl. 2696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008058/2003-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/1998 a 31/12/1998
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9303-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/1998 a 31/12/1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/1998 a 31/12/1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 80 58 /2 00 3- 10 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10980.008058/200310 Acórdão n.º 9303004.727 CSRFT3 Fl. 218 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 340300.437, proferido pela 4º Câmara/3º Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir o lançamento do fato gerador relativo ao mês de maio de 1998, em razão da decadência. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Cuidase, na espécie, de auto de infração eletrônico emitido para cobrança de valores a título de PIS/Pasep, períodos de apuração abril/1998 a dezembro/1998, cuja motivação seria a não localização dos pagamentos informados em DCTF ("Pgto. não localizado"). O crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de fls. 31/40, decorre da constatação da ausência dos pagamentos dos créditos tributários referentes ao PIS, no período de 17/04/1998 a 31/12/1998, sendo a notificação do lançamento efetivada em 21/07/2003 (fl. 115). O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/1998 a 31/12/1998 PIS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA VINCULANTE N° 8. Editada a súmula vinculante n° 8 pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, consoante a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo aplicável à Fazenda para providenciar a constituição do crédito tributário passa a ser 05 (cinco) cinco anos, nos moldes do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10980.008058/200310 Acórdão n.º 9303004.727 CSRFT3 Fl. 219 3 A aplicação dos juros moratórios à taxa1 selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar aventada onerosidade destes consectarios ou aspectos atinentes à sua ilegalidade ou inconstitucionalidade de sua incidência como fator de atualização de créditos tributários federais. Recurso Provido em Parte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: Ao julgar o recurso voluntário, o Órgão a quo declarou ter havido a decadência do direito de constituir o crédito do mês de maio de 1998, sob o entendimento de que a presente hipótese sofre a incidência, não do art. 173,1, mas do art. 150, §4°, ambos do CTN. De acordo com a tese vencedora, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, incide o art. 150, §4°, independentemente da existência ou não do prévio pagamento pelo contribuinte. A conclusão estampada no aresto em foco, quanto à decadência, merece reforma. Ao declarar a decadência do direito ao lançamento da Fazenda Pública, com apoio na aplicação do disposto no art. 150, §4° do CTN, o acórdão recorrido colide frontalmente com a jurisprudência consolidada no âmbito da Câmara Superior do CARF, notadamente no que tange à aplicabilidade do art. 173, I, do CTN, ante a falta de recolhimento antecipado. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 910100.460, da 1º Turma da CSRF e 0203.331, da 2º Turma da CSRF. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 179/181. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. fls.196/205, pugna pelo improvimento do recurso, requerendo que seja mantido o acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10980.008058/200310 Acórdão n.º 9303004.727 CSRFT3 Fl. 220 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Compulsando os autos, verifico que a Autoridade Lançadora lavrou auto de infração eletrônico emitido para cobrança de valores a título de PIS/Pasep, referente aos períodos de apuração abril/1998 a dezembro/1998, cuja motivação seria a não localização dos pagamentos informados em DCTF ("Pgto. não localizado"). Sendo a notificação do lançamento efetivada em 21/07/2003 (fl. 115). Por outro lado, a 4º Câmara da 3º Turma de Julgamento decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir o lançamento do fato gerador relativo ao mês de maio de 1998, em razão da decadência. Nada obstante, a turma a quo, entendeu que ainda que não tenha havido recolhimento no período e nada obstante a vinculação de um pagamento inexistente, a Fazenda Nacional tinha plenas condições de certificar esta situação em prazo hábil para a exigência dos valores devidos, eis que dispunha de todos os elementos necessários a tal providência, o que, e ressalvado melhor juízo, na hipótese estampada nestes autos, atrai a aplicação do art. 150, § 4 o do CTN. Com efeito, a questão do prazo para a Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Contudo, houve posicionamentos no sentido de que a referida contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, passou a ser adotado o prazo limite de cinco anos estabelecido no Código Tributário Nacional CTN. Portanto, afasto a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, e passo a decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, se da data de ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Destarte, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Neste passo, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10980.008058/200310 Acórdão n.º 9303004.727 CSRFT3 Fl. 221 5 sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para reforçar aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, no caso em espécie, colaciono o paradigma julgado por esta turma, na sessão de 10 de dezembro de 2015, o qual, versa sobre o prazo decadencial para Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a contribuição: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Decadência para constituir crédito tributário. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o programa de integração social PIS é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento ou quando houver dolo fraude ou simulação. A declaração do tributo, para efeitos legais, não equivale a pagamento.(Processo nº 16327.002657/200310). Recurso Especial do Procurador Provido Além disso, não consta nos autos antecipação de pagamento, portanto, aplicase a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. No que tange, o prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, como é o caso do PIS, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10980.008058/200310 Acórdão n.º 9303004.727 CSRFT3 Fl. 222 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10980.008058/200310 Acórdão n.º 9303004.727 CSRFT3 Fl. 223 7 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso da Fazenda Nacional. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904834/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.018
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado no Pedido de Restituição já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do presente pleito. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte protestou por não ter sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito e requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 83 4/ 20 11 -1 2 Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10530.904834/201112 Resolução nº 3201001.018 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse, a partir do confronto das informações declaradas e prestadas pelo contribuinte, na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando o seguinte: a) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, sendo descabida a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário; b) o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material, encontrandose a contabilidade lastreada em documentação idônea; c) o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei nº 9.716/1998, fato esse que se comprova pela planilha de cálculo juntada ao recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; d) o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/1998, em sede de repercussão geral, devendose observar o teor do art. 26A do Decreto 70.235/72 e o art. 62A do RICARF; e) a Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998. Ao final, pugna o Recorrente pelo provimento do recurso voluntário para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.004, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 10530.903807/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.004): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10530.904834/201112 Resolução nº 3201001.018 S3C2T1 Fl. 4 3 "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10530.904834/201112 Resolução nº 3201001.018 S3C2T1 Fl. 5 4 Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10530.904834/201112 Resolução nº 3201001.018 S3C2T1 Fl. 6 5 Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801 000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10530.904834/201112 Resolução nº 3201001.018 S3C2T1 Fl. 7 6 Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, Balancete e livro Razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, consignando os resultados apurados em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900854/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.886
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.461, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 08 54 /2 01 2- 70 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10665.900854/201270 Acórdão n.º 3301003.886 S3C3T1 Fl. 3 2 fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10665.900854/201270 Acórdão n.º 3301003.886 S3C3T1 Fl. 4 3 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10665.900854/201270 Acórdão n.º 3301003.886 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901599/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.948
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 99 /2 01 2- 97 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.580, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903138/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.411
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 38 /2 01 2- 83 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.674, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.001015/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo.
SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Na utilização de interposição de pessoa o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurando-se, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada.
SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA.
Estando devidamente comprovado nos autos que um terceiro esteve com poderes à frente dos negócios da Empresa, cabível a sua inclusão como Responsável Solidário pelo crédito tributário devido.
MULTA QUALIFICADA.
Nos casos de Lançamento de Ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude.
ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL.
Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade da Autuação formalizada através de Lançamento de Ofício.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS.
A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios.
DECISÕES JUDICIAIS.
A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios.
POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS.
A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal.
DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN.
Nas Exações em que há prova de fraude, dolo ou simulação, conta-se o prazo decadencial conforme o disposto pelo art. 173, I, do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL).
Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes.
Numero da decisão: 1201-001.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado "ad hoc"
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIZ PAULO JORGE GOMES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA. Estando devidamente comprovado nos autos que um terceiro esteve com poderes à frente dos negócios da Empresa, cabível a sua inclusão como Responsável Solidário pelo crédito tributário devido. MULTA QUALIFICADA. Nos casos de Lançamento de Ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 10 15 /2 01 0- 66 Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 3 2 Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade da Autuação formalizada através de Lançamento de Ofício. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. Nas Exações em que há prova de fraude, dolo ou simulação, contase o prazo decadencial conforme o disposto pelo art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado "ad hoc" Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0824.734 3ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedentes as exigências fiscais, pois reconheceu a decadência de parte do lançamento em relação a todo ano calendário de 2003 e aos meses de março a setembro de 2004 para IRPJ e CSLL e aos meses de janeiro a setembro para PIS e COFINS. Transcrevo abaixo partes do Relatório do Acórdão Recorrido, que bem descreve os fatos ocorridos no feito: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 3292/3359, além do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 3360/3370, Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389, e do Termo de Encerramento, fls. 3390, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, totalizando R$ 95.515.831,92, incluindo encargos legais, relativos aos anos calendário de 2003, 2004, 2005, 2006, conforme discriminação seguinte: As infrações apuradas, relatadas e capituladas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que constaram dos citados Autos, fls. 3292/3359, bem como detalhadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 3360/3370, Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389, achamse expostas, em síntese, conforme indicado a seguir: Descrição dos Fatos Relatados nos Autos, IRPJ/Reflexos, fls. 3292/3359: IRPJ: Procedeuse ao arbitramento do lucro por motivo de o Contribuinte, não obstante notificado a apresentar os Livros e os Documentos da sua Escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação Anexos, fls. 3/10, haver deixado de fazêlo. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: Valor apurado com base na movimentação financeira do Contribuinte, a partir dos extratos bancários, conforme Termo de Constatação, fls. 373/375, 3371/3389, parte integrante do Auto de Infração. Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 5 4 Reflexos (PIS, COFINS, CSLL): Lançamentos decorrentes da fiscalização do IRPJ, na qual foram apuradas as infrações PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, COFINS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, o que ocasionou, por conseguinte, insuficiência na base de cálculo dessas contribuições. Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 3360/3370: O Escritório de Pesquisa e Investigação da 3a Região, ESPEI, emitiu Relatório que tratou de sonegação fiscal e previdenciária por parte de grupos de Empresas do ramo de Frigoríficos, bem como de Empresas correlatas, atacadistas e varejistas de carne bovina, estabelecidas no Maranhão e no Pará. O Relatório listou o grupo de Empresas envolvido nas operações, citou nominalmente os Sócios de cada uma, bem com forneceu diversas informações sobre suas operações. No caso da fiscalização que se aprecia, no grupo de propriedade de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incluise, dentre outras, a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA CNPJ 05.470.371/000150, que passou a ser posteriormente SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONT. LTDA., conforme será visto no curso deste relato. As investigações revelaram ainda que os Frigoríficos envolvidos na operação utilizavam Empresas fictícias, constituídas em nome de Sócios "laranjas", simulando contratos de arrendamentos com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente as responsabilidades fiscais e as previdenciárias para essas Empresas de fachada, ficando os Frigoríficos, assim, livres de quaisquer obrigações com a Receita Federal e com a Previdência Social. Foram constatadas também diferenças entre os valores movimentados no Sistema Bancário (movimentação financeira) e os valores declarados a título de receita bruta pelas diversas Empresas ligadas aos grupos envolvidos, que atingiram um montante superior a R$ 4,1 (quatro bilhões e cem milhões de reais) nos últimos cinco anos. Foram emitidos diversos Mandados Judiciais de busca e apreensão, em vários Estados, abrangendo as sedes das principais Empresas investigadas, as residências dos Sócios proprietários e alguns Escritórios de contabilidade. Em decorrência houve várias prisões temporárias das principais pessoas envolvidas nas fraudes. A Empresa fiscalizada foi constituída em dezembro de 2002, conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão, com a Razão Social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujos Sócios fundadores são: MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, Responsável pela gerência da Sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao Contrato Social, arquivada na JUCEMA, n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao Contrato Social, na qual foi admitido o Sócio PETERGIBSON DE CAVALHO, CPF 278.942.82200, residente e Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 6 5 domiciliado à rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo SP, que adquiriu por compra as cotas da Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada, pagando pelas citadas cotas o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na Alteração Contratual. Nesta mesma ocasião, a Razão Social passa a ser SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta Alteração as atividades da Empresa continuaram as mesmas, visto não haver qualquer menção na citada Alteração sobre modificação do objeto da Sociedade, e o endereço passou a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Mesmo endereço do Sócio entrante. Ao tomar conhecimento do Relatório da ESPEI, a Delegacia de Imperatriz verificou que o endereço SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA. era em São Bernardo do Campo SP e por meio do MEMO/Nufis/DRF/IMP 14/2008, de 13/06/2008, remeteu o Relatório para o Chefe da DIFIS/SRRF3 ª RF/FOR/CE. Este, por sua vez, por meio do MEMO SRRF 088/2008/SRRF03/DIFIS, de 25/06/2008, encaminhou cópia do Relatório para o Chefe da SRRF 08/DIFIS, que o remeteu para a DRF/São Bernardo do Campo, conforme MEMO DIFIS/EFI2/ 0803/ 105/2008, de 31/10/2008. Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o Relatório foi devolvido à RF033 ªRF/Difis, tendo em visto, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antônio Balint, matrícula 877.334, ficou constatado que à rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, residia a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer Empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo Auditor Fiscal consultou o CNIS e confirmou ser lá mesmo a residência da referida senhora. De posse dessas informações, o Chefe da SRRF03/Difis devolveu todo o material à Delegacia de Imperatriz, que emitiu o MPF 03.2.02.002009000487, junho de 2009, para fiscalização das compras, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, e da movimentação financeira de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Diante disso, em 05/06/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos Sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, à rua Afonso de Albuquerque, 109 Jardim do Lago, São Bernardo do Campo – SP, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, à rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz MA. O Termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo, em 29/06/2009, foi emitido o Edital/DRF/IMP/NUFIS 40, cientificando o Contribuinte do Termo de Início de Fiscalização. Mesmo assim, no dia 01/07/2009, o Termo de Início de Fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, BR 222, KM 1 Jardim de Alá, Açailândia. No dia 07/07/2009, em atendimento ao Edital ou ao Termo de Início, o Senhor Petergibson de Carvalho enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para os documentos requeridos no Termo de Início. O Pedido foi deferido em 10/07/2009. O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o Pedido de Prorrogação, foi postado em São Paulo e nele constou o endereço da rua Afonso Albuquerque, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 7 6 Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do Contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tomado conhecimento do Termo de Início de Fiscalização, se pelo Edital ou se por conta do envio para o FRISAMA, BR 222, KM 1, Jardim de Alá Açailândia MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da Empresa, BR 222, KM 7 Parque das Nações, Açailândia MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30/07/2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12/08/2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez constou no envelope o endereço Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o Contribuinte, em 14/09/2009 foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 Banco Bradesco, enviado em 25/09 por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 Banco Rural , enviado em 23/09, também por aviso de recebimento; e 03.2.02002009000380 Banco do Brasil, remetido em 25/09/2009, por aviso de recebimento. No dia 02/10/2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo 14, do Delegado da Receita Federal em Imperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL – SERVIÇO DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., por inexistir de fato, Processo 10325.001227/200918. Em 12/11/2009 o Senhor Petergibson voltou a remeter à Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP, novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização. Em 22/03/2010, foi enviado outro Termo de Intimação Fiscal, por meio de aviso de recebimento, à SINFACOL Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, à rua Afonso de Albuquerque, 109 São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro Termo de Intimação Fiscal foi emitido em 29/03/2010 e enviado, desta vez, à BR 222, KM 5, e também à BR 222, KM 1, Açailândia MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29/03/2010, foi enviado o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão, e o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos Atos Constitutivos e as possíveis Alterações Contratuais da SINFACOL Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em Ofício de 05/04/2010, remeteu os documentos arquivados naquela Instituição. Em 30/09/2009, o Banco Rural S.A., em atendimento à RMF, enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30/10/2009, e o Banco Bradesco, em 05/11 e 14/12/2009. Analisouse a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitiuse em 05/05/2010 Termo de Intimação Fiscal, pedindo para o Contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 8 7 Termo de Intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Foise pessoalmente a um dos endereços da Empresa, em Açailândia, BR 222, KM 5, e por motivo de haver sido informada de que lá não funcionava tal Empresa, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação, fls. 3366. No local o atendimento foi feito pelo Sr. Thiago Dias Silva CPF 000.748.73121, que disse ser Assistente Administrativo da DISTRIBUIDORA DE CARNES EQUATORIAL LTDA CNPJ 07.880.840/000216, tendo apresentado cópia do registro no CNPJ, e informou desconhecer a Empresa Fiscalizada, como também os Sócios dela, e que ali funcionava uma Filial da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda., desde 14/03/2006, cujos Sócios eram os senhores REINALDO NUNES CABRAL, residente em Belém do Pará, e Francisco Neves, residente em Imperatriz. Não soube, entretanto, informar o número do CPF de nenhum deles, nem o nome completo do Senhor Francisco Neves. Foi informado também que as instalações pertenciam à FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDESTE MARANHENSE LTDA., que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial. Solicitouse cópia do Contrato de arrendamento, que não foi apresentado, sob a justificativa de que estava arquivado na Matriz e, caso fosse necessário, que se requisitasse por escrito, que o atendimento seria feito. Foi dito ainda que a Empresa era administrada pelo Senhor Pablo Leal Parente, CPF 813.945.94100, Gerente Administrativo, que estava viajando a serviço, e que o Contador da Empresa era o Senhor JOÃO APARECIDO PEDROSO, residente em Imperatriz, mas que se encontrava também em viagem de serviço e que somente retornaria na segunda feira. Foi fornecido, entretanto, o número do telefone celular do Contador. Por telefone, foi feito o contato com o Contador e solicitado seu comparecimento à Receita Federal para esclarecimento de algumas dúvidas. Entretanto, deimediato, foi prestada a informação de que a Empresa Fiscalizada tinha sido desativada desde 2006, que possuía um parcelamento na Receita Federal, mas que havia perdido o contato com os antigos Sócios, e que o Senhor PETERGIBSON DE CARVALHO havia se mudado para São Paulo, por motivos de saúde. No endereço visitado, ainda houve contato com o Porteiro da Empresa, o Senhor José Caíres Ramos, CPF 238.587.96387, a quem se perguntou se conhecia os Sócios da SINFACOL, os Senhores PETERGIBSON DE CARVALHO e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO. Quanto ao primeiro, foi dito que o conhecia por haver trabalhado na Empresa, mas que há uns 6 (seis) meses havia falecido. Quando ao segundo, não sabia de quem se tratava. Quanto aos parcelamentos na Receita Federal informados pelo Senhor João Aparecido Pedroso, foram pesquisados os sistemas da Receita Federal e constatada a existência de parcelamentos de pequenos valores comparativamente à movimentação financeira do Contribuinte no período de 2003 a 2006, havendo constado que os pagamentos estavam sendo feitos em dia. Diante disso, e por haver sido entendida infrutífera qualquer tentativa de localizar o Contribuinte, foi emitido o EDITAL/DRF/IMP/MA/NUFIS 13, de 05/05/2010, para que fosse dada ciência do Termo de Intimação Fiscal. Fl. 3623DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 9 8 Quando da análise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A., cópias das Procurações passadas pela Empresa Fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, o que motivou a elaboração em 05/05/2010 do Termo de Solicitação de informação endereçado ao Banco, em que foi pedida a remessa de tais Procurações, uma vez que o próprio Banco falava da existência de Procurações. Em 22/06/2010, atendendo ao Termo de Solicitação citado, o Bradesco enviou cópias de certidões do Cartório do 3o Ofício Extrajudicial, as quais mencionavam a existência de Procurações passadas pelo Senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO para DENISE GORDIANO DE SOUZA, CLEOVANES ARAÚJO FERNANDES, JOSÉ ALBERTO NUNES BRITO, CRAYCIELE CRISTIAN CALDEIRA, WILKER LEÃO PEREIRA. A Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz, por meio do Ofício 878/2007CART/ DPF.B/ITZ/MA, enviou à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão 158/2007SECVA (...), apreendido no imóvel localizado à Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Alá, Açailândia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao se analisar o material, foi constatada numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a observação de que "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo" . Assinado pele Gerente Industrial Aldo N.Teixeira. Logo abaixo, constava observação à mão: “OBS. O contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: João Paulo Ferreira Cardoso CI 243.59822 SS Paulo CPF 673.183.55368.” Rubricado por Antonio Durão CRC/ MG21323 S/MA CPF 087.886.26687. Foi também encontrada cópia do Contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica AJU 018/02 , entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., no qual constava como Representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda. o Diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal Contrato, entretanto, não estava assinado por nenhuma das partes. Ainda constava do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a Senhora Lilian Frota Ximenes, CPF 393.502.66334, transferir para o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Dívida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avenças, firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, à rua Ana Bilhar, 601, Aldeota/Fortaleza CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza." Diante disso, foi expedido o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Ofício de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente à operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/13/2010 à Companhia Energética do Maranhão CEMAR, solicitando cópia de possíveis Contratos firmados com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Em atendimento ao Ofício/Nufis/DRF/IMP 12/2010, por intermédio de correspondência de 12/05/2010, o Cartório Miranda Bezerra Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza, enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21/05/2001, e informou que, pela escritura de 1°/11/2007, do 1° Ofício da Comarca Vinculada de Fl. 3624DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 10 9 Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, prénotada em 12.03.2008, n° 111.355, a Proprietária vendeu o imóvel desta matrícula a VÍTOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado à Rua Godofredo Viana, 960, Centro, Imperatriz MA, por R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais), importância essa que a Vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Dívida da Empresa Mercantil São José S.A Comércio e Indústria, assinado entre a Vendedora e a Anuente em 31/08/2006, tendo a Anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à Rodovia BR 222, S/N Parque das Nações, Açailândia/MA CNPJ 05.470.371/000150, recebido do Comprador a importância de R$ 750.000,00. VÍTOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme Declaração de Imposto de Renda deste último, ano calendário 2003, exercício de 2004. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, CPF 120.803.73234, nos termos do art. 124 da Lei 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), e art. 207, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda 1999 (RIR/1999). Ficou o Sujeito Passivo solidário supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que tratou o Auto de Infração lavrado relativamente ao IRPJ e reflexos, na data de 22/07/2010, contra o Sujeito Passivo referido, cujas cópias foram entregues juntamente com o Termo. E, para surtir os efeitos legais, foi lavrado o Termo de que se trata em 4 (quatro) vias de igual teor e forma, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo Sujeito Passivo solidário ou seu Representante Legal, que no ato recebeu uma das vias. Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389: O Escritório de Pesquisa e Investigação na 3a Região, ESPEI, emitiu Relatório que tratou de sonegação fiscal e previdenciária por parte de grupos de Empresas do ramo de Frigoríficos, bem como de Empresas correlatas, atacadistas e varejistas de carne bovina, estabelecidas no Maranhão e no Pará. O Relatório listou o grupo de Empresas envolvido nas operações, citou nominalmente os Sócios de cada uma, bem com forneceu diversas informações sobre suas operações. No caso da fiscalização que se aprecia, no grupo de propriedade de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incluise, dentre outras, a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA CNPJ 05.470.371/000150, que passou a ser posteriormente SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONT. LTDA, conforme será visto no curso deste relato. As investigações revelaram ainda que os Frigoríficos envolvidos na operação utilizavam Empresas fictícias, constituídas em nome de Sócios "laranjas", simulando contratos de arrendamentos com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente as responsabilidades fiscais e as previdenciárias para essas Empresas de fachada, ficando os Frigoríficos, assim, livres de quaisquer obrigações com a Receita Federal e com a Previdência Social. Foram constatadas também diferenças entre os valores movimentados no Sistema Bancário (movimentação financeira) e os valores declarados a título de Fl. 3625DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 11 10 receita bruta pelas diversas Empresas ligadas aos grupos envolvidos, que atingiram um montante superior a R$ 4,1 (quatro bilhões e cem milhões de reais) nos últimos cinco anos. Foram emitidos diversos Mandados Judiciais de busca e apreensão, em vários Estados, abrangendo as sedes das principais Empresas investigadas, as residências dos Sócios proprietários e alguns Escritórios de contabilidade. Em decorrência houve várias prisões temporárias das principais pessoas envolvidas nas fraudes. A Empresa fiscalizada foi constituída em dezembro de 2002, conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão, com a Razão Social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujo Capital Social inicial foi de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dividido igualmente entre os Sócios fundadores MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, Responsável pela gerência da Sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao Contrato Social, arquivada na JUCEMA, n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao Contrato Social, na qual foi admitido o Sócio PETERGIBSON DE CAVALHO, CPF 278.942.82200, residente e domiciliado à rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo SP, que adquiriu por compra as cotas da Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada, pagando pelas citadas cotas o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na Alteração Contratual. Nesta mesma ocasião, a Razão Social passa a ser SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta Alteração as atividades da Empresa continuaram as mesmas, visto não haver qualquer menção na citada Alteração sobre modificação do objeto da Sociedade, e o endereço passou a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Mesmo endereço do Sócio entrante. Ao tomar conhecimento do Relatório da ESPEI, a Delegacia de Imperatriz verificou que o endereço SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA. era em São Bernardo do Campo SP e por meio do MEMO/Nufis/DRF/IMP 14/2008, de 13/06/2008, remeteu o Relatório para o Chefe da DIFIS/SRRF3 ª RF/FOR/CE. Este, por sua vez, por meio do MEMO SRRF 088/2008/ SRRF03/DIFIS, de 25/06/2008, encaminhou cópia do Relatório para o Chefe da SRRF 08/DIFIS, que o remeteu para a DRF/São Bernardo do Campo, conforme MEMO DIFIS/EFI2/ 0803/ 105/2008, de 31/10/2008. Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o Relatório foi devolvido à RF033 ªRF/Difis, tendo em vista, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antônio Balint, matrícula 877.334, ficou constatado que à rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, reside a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer Empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo Auditor Fiscal consultou o CNIS e confirmou que lá é mesmo a residência da referida senhora. De posse dessas informações, o Chefe da SRRF03/Difis devolveu todo o material à Delegacia de Imperatriz, que emitiu o MPF 03.2.02.002009000487, junho Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 12 11 de 2009, para fiscalização das compras, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, e da movimentação financeira de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Diante disso, em 05/06/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos Sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, à rua Afonso de Albuquerque, 109 Jardim do Lago, São Bernardo do Campo – SP, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, à rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz MA. O Termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo, em 29/06/2009, foi emitido o Edital/DRF/IMP/NUFIS 40, cientificando o Contribuinte do Termo de Início de Fiscalização. Mesmo assim, no dia 01/07/2009, o Termo de Início de Fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, BR 222, KM 1 Jardim de Alá, Açailândia. No dia 07/07/2009, em atendimento ao Edital ou ao Termo de Início, o Senhor Petergibson de Carvalho enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para os documentos requeridos no Termo de Início. O Pedido foi deferido em 10/07/2009. O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o Pedido de Prorrogação, foi postado em São Paulo e nele constou o endereço da rua Afonso Albuquerque, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do Contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tomado conhecimento do Termo de Início de Fiscalização, se pelo Edital ou se por conta do envio para o FRISAMA, BR 222, KM 1, Jardim de Alá Açailândia MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da Empresa, BR 222, KM 7 Parque das Nações, Açailândia MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30/07/2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12/08/2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez no envelope o endereço é Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o Contribuinte, em 14/09/2009 foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 Banco Bradesco, enviado em 25/09 por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 Banco Rural , enviado em 23/09, também por aviso de recebimento; e 03.2.02002009000380 Banco do Brasil, remetido em 25/09/2009, por aviso de recebimento. No dia 02/10/2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo 14, do Delegado da Receita Federal em Imperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL – SERVIÇO DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., por inexistir de fato, Processo 10325.001227/200918. Fl. 3627DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 13 12 Em 12/11/2009 o Senhor Petergibson voltou a remeter à Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP, novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização. Em 22/03/2010, foi enviado outro Termo de Intimação Fiscal, por meio de aviso de recebimento, à SINFACOL Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, à rua Afonso de Albuquerque, 109 São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro Termo de Intimação Fiscal foi emitido em 29/03/2010 e enviado, desta vez, à BR 222, KM 5, e também à BR 222, KM 1, Açailândia MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29/03/2010, foi enviado o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão, e o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos Atos Constitutivos e as possíveis Alterações Contratuais da SINFACOL Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em Ofício de 05/04/2010, remeteu os documentos arquivados naquela Instituição. Em 30 /09/2009, o Banco Rural S.A., em atendimento à RMF, enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30/10/2009, e o Banco Bradesco, em 05/11 e 14/12/2009. Analisouse a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitiuse em 05/05/2010 Termo de Intimação Fiscal, pedindo para o Contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao Termo de Intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Foise pessoalmente a um dos endereços da Empresa, em Açailândia, BR 222, KM 5, e por motivo de haver sido informada de que lá não funcionava tal Empresa, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação, fls. 3376. No local o atendimento foi feito pelo Sr. Thiago Dias Silva CPF 000.748.73121, que disse ser Assistente Administrativo da DISTRIBUIDORA DE CARNES EQUATORIAL LTDA CNPJ 07.880.840/000216, tendo apresentado cópia do registro no CNPJ, e informou desconhecer a Empresa Fiscalizada, como também os Sócios dela, e que ali funcionava uma Filial da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda, desde 14/03/2006, cujos Sócios eram os senhores REINALDO NUNES CABRAL, residente em Belém do Pará, e Francisco Neves, residente em Imperatriz. Não soube, entretanto, informar o número do CPF de nenhum deles, nem o nome completo do Senhor Francisco Neves. Foi informado também que as instalações pertenciam à FRISAMA FRIGORIFICO DO SUDESTE MARANHENSE LTDA, que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial. Solicitouse cópia do Contrato de arrendamento, que não foi apresentado, sob a justificativa de que estava arquivado na Matriz e, caso fosse necessário, que se requisitasse por escrito, que o atendimento seria feito. Foi dito ainda que a Empresa era administrada pelo Senhor Pablo Leal Parente, CPF 813.945.94100, Gerente Administrativo, que estava viajando a serviço, e que o Contador da Empresa era o Senhor JOÃO APARECIDO PEDROSO, Fl. 3628DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 14 13 residente em Imperatriz, mas que se encontrava também em viagem de serviço e que somente retornaria na segundafeira. Foi fornecido, entretanto, o número do telefone celular do Contador. Por telefone, foi feito o contato com o Contador e solicitado seu comparecimento à Receita Federal para esclarecimento de algumas dúvidas. Entretanto, de imediato, foi prestada a informação de que a Empresa Fiscalizada tinha sido desativada desde 2006, que possuía um parcelamento na Receita Federal, mas que havia perdido o contato com os antigos Sócios, e que o Senhor PETERGIBSON DE CARVALHO havia se mudado para São Paulo, por motivos de saúde. No endereço visitado, ainda houve contato com o Porteiro da Empresa, o Senhor José Caíres Ramos, CPF 238.587.96387, a quem se perguntou se conhecia os Sócios da SINFACOL, os Senhores PETERGIBSON DE CARVALHO e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO. Quanto ao primeiro, foi dito que o conhecia por haver trabalhado na Empresa, mas que há uns 6 (seis) meses havia falecido. Quando ao segundo, não sabia de quem se tratava. Quanto aos parcelamentos existentes na Receita Federal, informados pelo senhor Joao Aparecido Pedroso, pesquisamos os sistemas da Receita Federal e constatamos a existência de parcelamentos de pequenos valores comparativamente A movimentação financeira do contribuinte no período de 2003 a 2006, cujos 110 pagamentos estão sento feitos em dia. Diante disso, e por entendermos infrutífera qualquer tentativa de localizar o contribuinte foi emitido o EDITAUDRF/IMP/MA/NUFIS N° 13, de 5 de maio de 2010, para dar ciência do termo de intimação fiscal. Quando da análise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A, cópias das procurações passadas pela empresa fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, sendo assim fizemos, em 5 de maio de, 2010, termo de solicitação de informação endereçado ao banco, pedindo a remessa de tais procurações, uma vez que o próprio banco fala da existência de procurações. Em 22 de junho de 2010, atendendo ao termo de solicitação acima, o Bradesco nos enviou cópias de certidões do Cartório do 3° Oficio Extrajudicial, as quais mencionam a existência de procurações passadas pelo senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, para DENISE GORDIANO DE SOUZA, CLEOVANES ARAUJO FERNANDES, JOSE ALBERTO NUNES BRITO, CRAYCIELE CRISTIAN CALDEIRA, WILKER LEÃO PEREIRA. A Delegacia de Policia Federal em Imperatriz, por meio do Oficio 878/2007 CART/DPF.B/ITZ/MA, enviou A Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão n° 158/2007SECVA (...), apreendido no imóvel localizado na Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Ala. Açailandia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao analisarmos o material, constatamos numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a seguinte observação: "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo" . Assinado pele gerente industrial Aldo N.Teixeira. Logo abaixo, uma observação à mão diz: " OBS. 0 contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: Joao Paulo Ferreira Cardoso — Cl 243.59822 — SS Paulo — CPF 673.183.55368." Fl. 3629DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 15 14 Rubricado por Antonio Durão — CRC/MG21323 S/MA CPF 087.886.26687' Foi também encontrada cópia do contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica — AJU 018/02 , entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda, no qual consta como representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda o diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal contrato, entretanto, não está assinado por nenhuma das partes. Ainda consta do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a senhora Lilian Frota Ximenes — CPF 393.502.66334, transferir para o senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Divida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avencas firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, na Rua Ana Bilhar, n° 601, Aldeota, Fortaleza — CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a . Zona de Fortaleza." Diante disso, foi expedido o OFICIO/Nufis/DRF/IMP/n° 12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Oficio de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente A operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFICIO/Nufis/DRF/IMP/ no 13/2010, A Companhia Energética do Maranhao — CEMAR, solicitando cópia de possíveis contratos firmado com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Em atendimento ao Oficio/Nufis/DRF/IMP n° 12/2010, por intermédio de correspondência de 12 de maio de 2010, o Cartório Miranda Bezerra — Registro de Imóveis da 46 Zona de Fortaleza , nos enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21 de maio de 2001, e nos informou que pela escritura de 1° de novembro de 2007, do 1° Oficio da Comarca Vinculada de Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, prenotada em 12.03.2008 sob o n° 111.355, a proprietária vendeu o imóvel desta matricula a VITOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado na Rua Godofredo Viana, 960, Centro, Imperatriz — MA, por R$750.000,00 (setecentos e cinqüenta mil reais), importância essa que a vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão,Remissão Parcial e Assunção de Divida da empresa Mercantil sac) José S.A — Comércio e Indústria, assinado entre a vendedora e a anuente em 31 de agosto de 2006, tendo a anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA. Com sede na Rodovia BR 222, S/N — Parque das Nações, Açailândia/MA — CNPJ 05.470.371/000150, recebido do comprador a importância de R$750.000,00. VITOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme consta da declaração de imposto de renda deste Ultimo, no anocalendário de 2003, exercício de 2004. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, CPF 120.803.73234, nos termos do art. 124 da Lei n2 5.172, de 1966 (C6digo Tributário Nacional) e art. 207, parágrafo inciso III do RIR/99. Ficou o Sujeito Passivo solidário supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que tratou o Auto de Infração lavrado relativamente ao IRPJ e reflexos, na data de 22/07/2010, contra o Sujeito Passivo referido, cujas cópias foram entregues juntamente com o Termo. Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 16 15 E, para surtir os efeitos legais, foi lavrado o Termo de que se trata em 4 (quatro) vias de igual teor e forma, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo Sujeito Passivo solidário ou seu Representante Legal, que no ato recebeu uma das vias. Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389: O Escritório de Pesquisa e Investigação na 3a Região, ESPEI, emitiu Relatório que tratou de sonegação fiscal e previdenciária por parte de grupos de Empresas do ramo de Frigoríficos, bem como de Empresas correlatas, atacadistas e varejistas de carne bovina, estabelecidas no Maranhão e no Pará. O Relatório listou o grupo de Empresas envolvido nas operações, citou nominalmente os Sócios de cada uma, bem com forneceu diversas informações sobre suas operações. No caso da fiscalização que se aprecia, no grupo de propriedade de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incluise, dentre outras, a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA CNPJ 05.470.371/000150, que passou a ser posteriormente SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONT. LTDA, conforme será visto no curso deste relato. As investigações revelaram ainda que os Frigoríficos envolvidos na operação utilizavam Empresas fictícias, constituídas em nome de Sócios "laranjas", simulando contratos de arrendamentos com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente as responsabilidades fiscais e as previdenciárias para essas Empresas de fachada, ficando os Frigoríficos, assim, livres de quaisquer obrigações com a Receita Federal e com a Previdência Social. Foram constatadas também diferenças entre os valores movimentados no Sistema Bancário (movimentação financeira) e os valores declarados a título de receita bruta pelas diversas Empresas ligadas aos grupos envolvidos, que atingiram um montante superior a R$ 4,1 (quatro bilhões e cem milhões de reais) nos últimos cinco anos. Foram emitidos diversos Mandados Judiciais de busca e apreensão, em vários Estados, abrangendo as sedes das principais Empresas investigadas, as residências dos Sócios proprietários e alguns Escritórios de contabilidade. Em decorrência houve várias prisões temporárias das principais pessoas envolvidas nas fraudes. A Empresa fiscalizada foi constituída em dezembro de 2002, conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão, com a Razão Social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujo Capital Social inicial foi de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dividido igualmente entre os Sócios fundadores MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, Responsável pela gerência da Sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao Contrato Social, arquivada na JUCEMA, n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao Contrato Social, na qual foi admitido o Sócio PETERGIBSON DE CAVALHO, CPF 278.942.82200, residente e domiciliado à rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo SP, que Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 17 16 adquiriu por compra as cotas da Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada, pagando pelas citadas cotas o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na Alteração Contratual. Nesta mesma ocasião, a Razão Social passa a ser SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta Alteração as atividades da Empresa continuaram as mesmas, visto não haver qualquer menção na citada Alteração sobre modificação do objeto da Sociedade, e o endereço passou a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Mesmo endereço do Sócio entrante. Ao tomar conhecimento do Relatório da ESPEI, a Delegacia de Imperatriz verificou que o endereço SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA. era em São Bernardo do Campo SP e por meio do MEMO/Nufis/DRF/IMP 14/2008, de 13/06/2008, remeteu o Relatório para o Chefe da DIFIS/SRRF3ª RF/FOR/CE. Este, por sua vez, por meio do MEMO SRRF 088/2008/SRRF03/DIFIS, de 25/06/2008, encaminhou cópia do Relatório para o Chefe da SRRF 08/DIFIS, que o remeteu para a DRF/São Bernardo do Campo, conforme MEMO DIFIS/EFI2/ 0803/ 105/2008, de 31/10/2008. Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o Relatório foi devolvido à RF033ªRF/Difis, tendo em vista, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antônio Balint, matrícula 877.334, ficou constatado que à rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, reside a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer Empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo AuditorFiscal consultou o CNIS e confirmou que lá é mesmo a residência da referida senhora. De posse dessas informações, o Chefe da SRRF03/Difis devolveu todo o material à Delegacia de Imperatriz, que emitiu o MPF 03.2.02.002009000487, junho de 2009, para fiscalização das compras, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, e da movimentação financeira de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Diante disso, em 05/06/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos Sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, à rua Afonso de Albuquerque, 109 Jardim do Lago, São Bernardo do Campo – SP, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, à rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz MA. O Termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo, em 29/06/2009, foi emitido o Edital/DRF/IMP/NUFIS 40, cientificando o Contribuinte do Termo de Início de Fiscalização. Mesmo assim, no dia 01/07/2009, o Termo de Início de Fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, BR 222, KM 1 Jardim de Alá, Açailândia. No dia 07/07/2009, em atendimento ao Edital ou ao Termo de Início, o Senhor Petergibson de Carvalho enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para os documentos requeridos no Termo de Início. O Pedido foi deferido em 10/07/2009. Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 18 17 O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o Pedido de Prorrogação, foi postado em São Paulo e nele constou o endereço da rua Afonso Albuquerque, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do Contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tomado conhecimento do Termo de Início de Fiscalização, se pelo Edital ou se por conta do envio para o FRISAMA, BR 222, KM 1, Jardim de Alá Açailândia MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da Empresa, BR 222, KM 7 Parque das Nações, Açailândia MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30/07/2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12/08/2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez no envelope o endereço é Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o Contribuinte, em 14/09/2009 foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 Banco Bradesco, enviado em 25/09 por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 Banco Rural , enviado em 23/09, também por aviso de recebimento; e 03.2.02002009000380 Banco do Brasil, remetido em 25/09/2009, por aviso de recebimento. No dia 02/10/2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo 14, do Delegado da Receita Federal em Imperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL – SERVIÇO DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., por inexistir de fato, Processo 10325.001227/200918. Em 12/11/2009 o Senhor Petergibson voltou a remeter à Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP, novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização. Em 22/03/2010, foi enviado outro Termo de Intimação Fiscal, por meio de aviso de recebimento, à SINFACOL Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, à rua Afonso de Albuquerque, 109 São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro Termo de Intimação Fiscal foi emitido em 29/03/2010 e enviado, desta vez, à BR 222, KM 5, e também à BR 222, KM 1, Açailândia MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29/03/2010, foi enviado o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão, e o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos Atos Constitutivos e as possíveis Alterações Contratuais da SINFACOL Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em Ofício de 05/04/2010, remeteu os documentos arquivados naquela Instituição. Em 30 /09/2009, o Banco Rural S.A., em atendimento à RMF, enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30/10/2009, e o Banco Bradesco, em 05/11 e 14/12/2009. Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 19 18 Analisouse a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitiuse em 05/05/2010 Termo de Intimação Fiscal, pedindo para o Contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao Termo de Intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Foise pessoalmente a um dos endereços da Empresa, em Açailândia, BR 222, KM 5, e por motivo de haver sido informada de que lá não funcionava tal Empresa, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação, fls. 3376. No local o atendimento foi feito pelo Sr. Thiago Dias Silva CPF 000.748.73121, que disse ser Assistente Administrativo da DISTRIBUIDORA DE CARNES EQUATORIAL LTDA CNPJ 07.880.840/000216, tendo apresentado cópia do registro no CNPJ, e informou desconhecer a Empresa Fiscalizada, como também os Sócios dela, e que ali funcionava uma Filial da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda, desde 14/03/2006, cujos Sócios eram os senhores REINALDO NUNES CABRAL, residente em Belém do Pará, e Francisco Neves, residente em Imperatriz. Não soube, entretanto, informar o número do CPF de nenhum deles, nem o nome completo do Senhor Francisco Neves. Foi informado também que as instalações pertenciam à FRISAMA FRIGORIFICO DO SUDESTE MARANHENSE LTDA, que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial. Solicitouse cópia do Contrato de arrendamento, que não foi apresentado, sob a justificativa de que estava arquivado na Matriz e, caso fosse necessário, que se requisitasse por escrito, que o atendimento seria feito. Foi dito ainda que a Empresa era administrada pelo Senhor Pablo Leal Parente, CPF 813.945.94100, Gerente Administrativo, que estava viajando a serviço, e que o Contador da Empresa era o Senhor JOÃO APARECIDO PEDROSO, residente em Imperatriz, mas que se encontrava também em viagem de serviço e que somente retornaria na segunda feira. Foi fornecido, entretanto, o número do telefone celular do Contador. Por telefone, foi feito o contato com o Contador e solicitado seu comparecimento à Receita Federal para esclarecimento de algumas dúvidas. Entretanto, de imediato, foi prestada a informação de que a Empresa Fiscalizada tinha sido desativada desde 2006, que possuía um parcelamento na Receita Federal, mas que havia perdido o contato com os antigos Sócios, e que o Senhor PETERGIBSON DE CARVALHO havia se mudado para São Paulo, por motivos de saúde. No endereço visitado, ainda houve contato com o Porteiro da Empresa, o Senhor José Caíres Ramos, CPF 238.587.96387, a quem se perguntou se conhecia os Sócios da SINFACOL, os Senhores PETERGIBSON DE CARVALHO e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO. Quanto ao primeiro, foi dito que o conhecia por haver trabalhado na Empresa, mas que há uns 6 (seis) meses havia falecido. Quando ao segundo, não sabia de quem se tratava. Quanto aos parcelamentos na Receita Federal informados pelo Senhor João Aparecido Pedroso, foram pesquisados os sistemas da Receita Federal e constatada a existência de parcelamentos de pequenos valores comparativamente à movimentação financeira do Contribuinte no período de 2003 a 2006, havendo constado que os pagamentos estavam sendo feitos em dia. Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 20 19 Diante disso, e por haver sido entendida infrutífera qualquer tentativa de localizar o Contribuinte, foi emitido o EDITAL/DRF/IMP/MA/NUFIS 13, de 05/05/2010, para que fosse dada ciência do Termo de Intimação Fiscal. Quando da análise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A., cópias das procurações passadas pela Empresa Fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, o que motivou a elaboração em 05/05/2010 do Termo de Solicitação de informação endereçado ao Banco, em foi pedida a remessa de tais Procurações, uma vez que o próprio Banco falava da existência de Procurações. Em 22/06/2010, atendendo ao Termo de Solicitação citado, o Bradesco enviou cópias de certidões do Cartório do 3o Ofício Extrajudicial, as quais mencionavam a existência de Procurações passadas pelo Senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO para DENISE GORDIANO DE SOUZA, CLEOVANES ARAÚJO FERNANDES, JOSÉ ALBERTO NUNES BRITO, CRAYCIELE CRISTIAN CALDEIRA, WILKER LEÃO PEREIRA. A Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz, por meio do Ofício 878/2007CART/ DPF.B/ITZ/MA, enviou à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão 158/2007SECVA (...), apreendido no imóvel localizado à Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Alá, Açailândia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao se analisar o material, foi constatada numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a observação de que "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo" . Assinado pele Gerente Industrial Aldo N.Teixeira. Logo abaixo, constava observação à mão: “OBS. O contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: João Paulo Ferreira Cardoso CI 243.59822 SS Paulo CPF 673.183.55368.” Rubricado por Antonio Durão CRC/ MG21323 S/MA CPF 087.886.26687. Foi também encontrada cópia do Contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica AJU 018/02, entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., no qual constava como Representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda. o Diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal Contrato, entretanto, não estava assinado por nenhuma das partes. Ainda constava do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a Senhora Lilian Frota Ximenes, CPF 393.502.66334, transferir para o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial em Assunção de Dívida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avenças, firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, à rua Ana Bilhar, 601, Aldeota/Fortaleza CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza." Diante disso, foi expedido o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Ofício de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente à operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/13/2010 à Companhia Energética do Maranhão CEMAR, solicitando cópia de possíveis Contratos firmados com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 21 20 Em atendimento ao Ofício/Nufis/DRF/IMP 12/2010, por intermédio de correspondência de 12/05/2010, o Cartório Miranda Bezerra Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza, enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21/05/2001, e informou que, pelaescritura de 1°/11/2007, do 1° Ofício da Comarca Vinculada de Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, pré notada em 12.03.2008, n° 111.355, a Proprietária vendeu o imóvel desta matrícula a VÍTOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado à Rua Godofredo Viana, 960, Centro, Imperatriz MA, por R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais), importância essa que a Vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Dívida da Empresa Mercantil São José S.A Comércio e Indústria, assinado entre a Vendedora e a Anuente em 31/08/2006, tendo a Anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à Rodovia BR 222, S/N Parque das Nações, Açailândia/MA CNPJ 05.470.371/000150, recebido do Comprador a importância de R$ 750.000,00. VÍTOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme Declaração de Imposto de Renda deste último, ano calendário 2003, exercício de 2004. Em consulta à base do CPF, verificouse que Vítor dos Santos Logrado é filho de Kátia Santos Logrado, e esta, mulher de Roberto Luiz da Silva Logrado, conforme se pôde verificar por meio de DOI Relatórios Gerenciais. Foram analisadas as Declarações de Imposto de Renda do Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, do período de 2001 a 2008, e em nenhuma delas foi declarada a existência de créditos a receber da Fiscalizada. Em 2001, o Senhor ROBERTO LUIZ declarou ter a receber créditos de FRISAMA FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA., CNPJ 01.829.493/000130, no montante de R$ 1.000.000,00. Em 2002, tal crédito aumentou para R$ 1.600.000,00. Em 2003, passou a ser R$ 1.900.000,00. Em 2004, o crédito voltou a ser de R$ 1.600.000,00, sendo que desta vez o Devedor que era o FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA, passou a ser FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA CNPJ 41.374.455/000154, crédito esse que se manteve pelos anos seguintes. A Empresa foi constituída em dezembro de 2002, com um Capital Social de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dividido em parte iguais entre os Sócios, e iniciou suas atividades empresariais a partir de julho de 2003, de acordo com a movimentação bancária. Pelos extratos bancários, a Empresa movimentou, de 2003 a 2006, aproximadamente, R$ 430.000.000,00 (quatrocentos e trinta milhões de reais), e informou à Receita Federal receitas na ordem de R$ 167.000.000,00 (cento e sessenta e sete milhões de reais), da seguinte forma: Os Sócios da Empresa João Paulo Ferreira Cardoso, CPF 673.183.55368, e Maria de Fátima Bezerra dos Santos, CPF 673.183.12391, inscreveramse no CPF, ambos, em 01 de agosto de 2002. Segundo a base do CPF, os dois são analfabetos, de acordo com observação no Título de Eleitor. Fl. 3636DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 22 21 Foi observado ainda que as Declarações dos dois Sócios passaram a ser feitas na mesma época, e enviadas pelo mesmo endereço eletrônico, diferenciando apenas em segundos a hora de remessa de uma para outra, conforme a seguir discriminado: As Declarações do Imposto de Renda dos Sócios apresentaram muitas coincidências e lançaram suspeitas sobre a veracidade dos dados nelas registrados. É muito estranho uma pessoa se registrar na base do CPF somente aos 46 e 35 anos de idade, uma vez que o registro de ambos os Sócios ocorreu em agosto de 2002, tendo JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO nascido em 21/12/1956, e MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, em 01/03/1967. Por outro lado, chamou também a atenção o fato de se constituir uma Empresa para exploração de abate e frigorificação de bovino para consumo interno, exportação e importação frigorífica, com um Capital Social tão pequeno, quando investimento neste ramo deve ser muito alto por conta de instalações, bem como do próprio espaço físico, uma vez que a área abrangida e construída é ampla, conforme fotos tiradas do local. Além da necessidade de se dispor de tecnologia especifica, tais como câmaras frigoríficas, caminhões frigoríficos, balanças, equipamentos para abate, assim como de uma ampla equipe de apoio, tanto na parte administrativa, como na parte de produção, com um Capital Social tão pequeno. Por outro lado, há também o aspecto comercial. Se a Empresa está propondo se a abater e estocar em suas câmaras o gado abatido, uma de suas obrigações até a entrega dos produtos aos terceiros, compradores e locadores no caso de prestação de serviços mesmo tendo firmado Contrato de Prestação de Serviços de abate de gado bovino, como fez com a FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA CNPJ 41.374.455/000154 para utilização de seu complexo industrial à BR 222, Km 6, Açailândia, MA, pagando a esta o valor de R$ 20,00 (vinte reais) por cabeça de gado abatido, ainda assim há a necessidade de um bom capital para se explorar o ramo. O Contrato Social não é específico, pois não ficou esclarecido se o abate será de bovinos próprios ou de terceiros. Entretanto, em ambos os casos haveria a necessidade de transporte dos produtos da Empresa até seus consumidores ou aos terceiros contratantes, e o aluguel ou a aquisição de equipamentos específicos, como caminhões frigoríficos, seria imprescindível, tornando praticamente impossível se fazer frente a tais despesas com apenas R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para uma estrutura tão pesada, principalmente levandose em consideração que os Sócios da Empresa não militam na área com conhecimento do ramo, nem com prestígio próprio para ter crédito no meio bancário e comercial, visto que nas suas Declarações de Imposto de Renda, os dois vivem da exploração agropecuária, possuidores de umas poucas cabeças de gado, o que não daria para um abate tão fabuloso, e também por serem seus rendimentos pequenos e provenientes apenas da agricultura. Portanto, sem qualquer conhecimento do mercado e condições de conceder garantias pessoais aos terceiros envolvidos, ou seja, aos clientes. Fl. 3637DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 23 22 Em toda a questão, é mais estranho ainda o fato de se vender quotas de uma Empresa, que no período de 2003 a 2006 teve uma movimentação financeira em torno de R$ 430.000.000,00 (quatrocentos e trinta mil reais), por míseros R$ 10.000,00 (dez mil reais), como fez a Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, ao transferir sua participação no Capital da Empresa para PETERGIBSON DE CARVALHO, conforme a 2ª Alteração do Contrato Social, de 28/02/2007. Conforme se pôde constatar por meio dos Contratos Sociais analisados a partir do Relatório da ESPEI, observouse o seguinte: 1) Em maio de 1992 foi constituído o FRIGOESTE FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, cuja sede se localizava à rua São Francisco, 1115 Açailândia com registro no CNPJ n° 41.374.455/000154, tendo como Sócios Fundadores ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e IDENOR GONÇALVES OS SANTOS. Em agosto de 1994, houve alteração da Razão Social e o FRIGOESTE passou a se denominar FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA., com endereço à Rodovia BR 222, km 5. Ao longo dos anos, depois de várias Alterações Contratuais, o FRISAMA passou a ter o seu quadro societário composto por ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e ROGÉRIO DA SILVA LOGRADO, com sede à Rodovia BR 222 km 1, Jardim de Alá Açailândia MA. Frisese, entretanto, que na região há apenas um frigorífico, havendo somente confusão quanto ao quilômetro da localização, fato constatado quando da visita ao local na tentativa de entregar Termo de Intimação Fiscal à Empresa objeto da Fiscalização. 2) Em 16/10/1985 foi arquivado na JUCEMA o Contrato Social da COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA, tendo sido cadastrada no CNPJ n° 10.257.962/000184, com endereço à Rua São Francisco, 1115 Centro Açailândia MA, e como fundadores IDENOR GONÇALVES DOS SANTOS e HERMES TORRES DA SILVA. Em 1989 retirouse da Sociedade HERMES TORRES DA SILVA e entrou MARLI SILVA DOS SANTOS, e a Sociedade passa a ser CONSTRUTORA AÇAILÂNDIA. Em 1990 retiraramse da Sociedade IDENOR GONÇALVES DOS SANTOS e MARLI SILVA DOS SANTOS e ingressaram em seu lugar ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e sua mulher KÁTIA SANTOS LOGRADO e a Empresa passa a se chamar CONSTRUTORA ENGEL LTDA. Em 1993 retirouse da Sociedade ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e entrou CLÁUDIO FERREIRA DOS SANTOS. Ainda em 1993 a Empresa mudouse para a Rua Duque de Caxias, 1007, na mesma cidade de Açailândia. Em 1995 os Sócios saíram da Sociedade e transferiram suas cotas para ANTONIO MARCOS DA SILVA e WANDERLEY DA SILVA SANTOS e a Sociedade transformouse em FRIGORÍFICO AÇAILÂNDIA LTDA., que teve como finalidade o comércio de carnes, derivados e subprodutos. Em 1996 a sede da Empresa foi transferida para a Rodovia BR 222, s/n – km 6 – Parque das Nações, Açailândia MA e passou a explorar o ramo de abate e frigorificação de bovino para consumo interno, exportação e importação, comercialização de carnes, derivados e subprodutos frigoríficos, fabricação e comercialização de sabões. A partir de 1999 o entra e sai de Sócios passou a ser uma constante. E de acordo com o cadastro do CNPJ, a Empresa continuou ativa à Rodovia BR 222, km 6, Açailândia MA, sob o nome de fantasia de FRIMASA. 3) Em 01/01/1999, o FRISAMA Frigorífico do Sudoeste Maranhense Ltda., firmou Contrato de Locação do Imóvel situado à BR 222, km 5, que na realidade são Fl. 3638DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 24 23 as instalações industriais do Frigorífico, com o Frigorífico Açailândia Ltda., pelo período de 01/01/1999 a 31/12/2002, recebendo de aluguel R$ 20.000,00 (vinte mil reais) mensais. 4) Em 15/05/1997, foi constituído o FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA, CNPJ 01.829.493/000130, com endereço à Rodovia BR 222, s/n km 5, Parque das Nações Açailândia MA, tendo como Sócios Fundadores RAIMUNDO NONATO DOS SANTOS LOPES e ANTÔNIO MARCOS DA SILVA, este último, antigo Sócio do FRIGORÍFICO AÇAILÂNDIA., com Capital Social de R$ 2.000,00. Ainda em 1997, foi criada uma Filial à rua Perdigão Sampaio, 793 Antônio Bezerra Fortaleza CE. Em 1998, saiu da Sociedade ANTÔNIO MARCOS DA SILVA e entrou HILDEBRANDO SANTOS CABRAL. Em 2000, retirouse da Sociedade HILDEBRANDO SANTOS CABRAL e entrou novamente ANTÔNIO MARCOS DA SILVA. Em 2001 a Filial de Fortaleza foi transferida para a rua Meton de Alencar, 1604 Centro. Em 2001, saiu da Sociedade RAIMUNDO NONATO DOS SANTOS LOPES e entrou JOSÉ FRANCISCO DA SILVA, que saiu em 2002, dando vez a PATRÍCIA MIRANDA CARDOSO. Em 2003, a Empresa teve sua Razão Social mudada para DISTRIBUIDORA PARAENSE DE ALIMENTOS LTDA., e passou a funcionar à Avenida Central, s/n Vila Cruzeiro do Sul Itupiranga PA. 5) Nem no Contrato Social nem nas Alterações posteriores, constou o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO como Sócio da Empresa. Entretanto, constou no Livro 046, folha 111, do Cartório do 1o Oficio, Comarca de Açailândia, Estado do Maranhão Procuração passada pelo FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA. representado no ato da Procuração por um de seus SÓCIOS, SR. ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal informação constou nos arquivos do Banco Bradesco S.A. 6) Em dezembro de 2002, foi constituída a Empresa INDUSTRIAL, COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com endereço à Rodovia BR 222, km 7, Parque da Nações AçailândiaPA, com Capital Social de R$ 20.000,00, tendo como Sócios Fundadores MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, com atuação principal no ramo de abate e frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica. Em 2003, a Empresa se mudou para a Rodovia BR 222, km 5 Parque da Nações Açailândia MA. Em 2007, saiu da Sociedade MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS e entrou PETERGIBSON DE CARVALHO e a Sociedade passou a denominarse SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONTABILIDADE LTDA., com novo endereço, à rua Afonso Albuquerque, 109 Centro São Bernardo do Campo SP. Em 01/05/2003, o FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA. contratou com a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA. a prestação de serviço de abate de gado bovino a ser realizado no complexo industrial do FRISAMA, à BR 222, km 5 Parque da Nações AçailândiaMA, por prazo indeterminado, ao custo de R$ 20,00 por cabeça de gado abatido. Pelo exposto, verificouse que foram constituídas diversas Empresas para exploração da atividade frigorífica num único endereço com constante rodízio de Fl. 3639DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 25 24 Sócios que passaram de uma Empresa e vice versa várias vezes. Assim também se observou a constante alteração de endereço e até mesmo alteração das atividades empresariais de forma bem radical. Empresa do ramo de frigorífico passou a atuar como prestadora de serviços contábeis. Observouse ainda que as Sociedades foram todas formadas por pessoas analfabetas, com pouco poder aquisitivo para a exploração da atividade de frigorificação, conforme Declarações de Imposto de Renda anexas. Portanto, considerando que foram inúteis as várias tentativas de se localizar o Contribuinte para que apresentasse Livros e Documentos necessários à Fiscalização, e considerando que o mesmo tinha pleno conhecimento da Fiscalização, uma vez que solicitou prorrogação de prazo por escrito para apresentação de Livros e Documentos, prorrogação concedida e mesmo assim jamais remeteu à Fiscalização qualquer Documento de sua Contabilidade, restou ao Autuante apenas a opção de arbitrar o lucro de suas atividades por meio dos extratos bancários, bem como considerar toda sua movimentação financeira para efeitos de cálculo do PIS e da COFINS, com multa qualificada, tendo em vista haver o Contribuinte infringido o art. 2°, inciso I, da Lei 8.137, de 27/12/1990, a seguir transcrito “Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre Rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo"; Tendo ainda em vista que no curso da Fiscalização, dado o envolvimento de inúmeras Empresas em tal operação, tendo havido evidências que apontaram o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO como sendo efetivamente Sócio da Empresa, foi lavrado em nome deste o TERMO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, documento anexo, fls. 3360/3370. Cientificada do lançamento, a Requerente apresentou impugnação buscando provimento de seu recurso para: (i) anular o termo de sujeição passiva solidária do Impugnante, tendo em vista que não estaria consubstanciado nos autos a presença dos pressupostos normativos materiais prescritos pelos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, dc art. 207, parágrafo único, Ill, do RIR199; ultrapassada esta, requer seja reformado o auto de infração para: (ii) excluir a parcela do crédito tributário já atingido pela decadência, já que em agosto de 2010 a Fiscalização já não mais dispunha do direito de lançar o crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, pois, nos precisos termos do citado art. 173, I, do CTN, em janeiro de 2010 o direito havia decaído; (iii) determinar a exclusão dos valores pertinentes aos tributos declarados em DCTF ou em instrumentos formais de parcelamento, subtraindoos da base de cálculo eleita pela Fiscalização; e (iv) afastar a multa qualificada, quer por não poder ultrapassar a pessoa do infrator e atingir o Impugnante, quer em face da ausência dos requisitos necessários para aplicação da penalidade, nos moldes da Súmula 01 do CARF. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente em parte, conforme o acórdão colacionado no preâmbulo. Interpuseram Recursos Voluntários: o solidário Roberto Luiz da Silva Logrado (fls. 3540) onde reclama: 1erro de identificação do sujeito passivo, lançamento contra empresa extinta de fato; 2 inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário; 3 ilegalidade Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 26 25 da lavratura e manutenção pela decisão recorrida do termo de sujeição passiva solidária em face do recorrente; 4 decadência dos créditos referentes ao período de outubro de 2004 a julho de 2005; 5 impossibilidade de lavratura de auto de infração quando os créditos tributários foram noticiados nas declarações entregues ao fisco, constituição por "auto lançamento"; 6 não aplicabilidade da multa agravada; 7 não incidência de juros de mora sobre multa de oficio. Adotadas as providências, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Considerando a renúncia do relator originário, Luiz Paulo Jorge Gomes, após a decisão prolatada por essa Eg. Turma, fui designado redator "ad hoc" nos termos da Portaria CARF 107/2016. O arquivo do acórdão do presente caso, relatado e julgado, encontravase disponível em "caixa de trabalho da Turma", em sua integralidade, razão pela qual ora reproduzo: O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da nulidade – quebra de sigilo bancário. Quanto à alegada quebra de sigilo fiscal, deve ser analisada a possibilidade de o Fisco Federal solicitar informações sobre a movimentação bancária de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida em 24/02/2016 pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), define a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, Fl. 3641DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 27 26 vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Desse modo, é possível afirmar que as requisições feitas pela fiscalização diretamente às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária do Recorrente durante o período fiscalizado, possuem respaldo constitucional e servem de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. No caso em apreço a solicitação de informações bancárias pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Assim, considerando que todas as determinações, precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar nº 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da defendente foram, e estão sendo adotadas, no curso do presente procedimento, há que se considerar perfeitamente lícita e respaldada na lei a utilização dos extratos bancários na apuração do crédito tributário. Ademais, em relação as outras arguições de natureza constitucional, destaca se o conteúdo da súmula CARF nº 2, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Decadência. A Recorrente argüi a decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento de ofício do IRPJ, CSLL e Cofins, em relação aos fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2006, e do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2006. A questão é resolvida pela súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Afastase, portanto, a decadência. Inconstitucionalidade De acordo com a Súmula CARF nº 2, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária À autoridade julgadora, aliás, é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. JUROS COBRADOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 28 27 Por fim, no que refere aos juros de mora sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Fl. 3643DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 29 28 Ante o exposto, CONHEÇO dos Recursos Voluntários e de Ofício e VOTO por NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli conselheiro redator "ad hoc" Fl. 3644DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720093/2008-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação de parte da área não foi realizada de forma tempestiva.
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado, mas houve comunicação prévia a órgão ambiental estadual competente, anteriormente ao início da ação fiscal. Assim, possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR
Numero da decisão: 9202-005.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da ARL - Área de Reserva Legal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação de parte da área não foi realizada de forma tempestiva. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado, mas houve comunicação prévia a órgão ambiental estadual competente, anteriormente ao início da ação fiscal. Assim, possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da ARL Área de Reserva Legal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 93 /2 00 8- 66 Fl. 215DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, interposto pelo contribuinte acima identificado, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão nº 2801003.041, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de utilização limitada/reserva legal que forem averbadas à matrícula do imóvel rural até o início do procedimento fiscal. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 216 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, no prazo regulamentar, alegando que os acórdãos paradigmas nºs 30238.743 e 30239.244 exigem a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste junto ao órgão ambiental competente, para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de utilização limitada e de reserva legal. Os paradigmas foram assim ementados: Acórdão paradigma nº 30238.743: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. AREA DE RESERVA LEGAL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para que seja reconhecida a isenção das áreas de preservação permanente declaradas na DITR. Acórdão paradigma nº 30239.244: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL. Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também,necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. Recurso voluntário negado Cientificado o Contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões, pleiteando o indeferimento do Recurso uma vez que, ainda que intempestivamente, cumpriu os requisitos legais atendendo ao escopo legal para a manutenção da isenção. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Neste mesmo sentido, essa E. CSRF já se manifestou no acórdão 9202 005.124, razão pela qual adoto o posicionamento ali expresso. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: (...) Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: (...) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 217 5 que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Fl. 219DF CARF MF 6 Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora quanto aos requisitos para exclusão de áreas da base de cálculo do ITR, ouso discordar. a) Quanto à área de Reserva Legal: Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento, muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 218 7 à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Fl. 221DF CARF MF 8 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" Quanto à necessidade de apresentação ou protocolização do ADA também abranger a área de Reserva Legal, ressalto que entendo que a averbação da Reserva Legal, pública e de natureza constitutiva, na forma acima defendida, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação. No caso em questão como muito bem observado pelo Colegiado a quo, consoante Certidão de efls. 100 e ss., a averbação de 50% da área total, correspondente a Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 219 9 1.800 ha, conforme registrado no julgamento de 1º instância, ocorreu em 1992. Entretanto, outros 30% (perfazendo 1.080,7 ha.) e que então somados àqueles 1.800 ha. perfariam o total declarado de 2.880,7 ha., só foram averbados em 19/06/2006, assim, posteriormente ao fato gerador em questão ocorrido em 01/01/2006. Decorre de tal violação a conclusão pela correção da glosa efetuada pela autoridade fiscal quanto a estes 1.080,7 ha. adicionais, devendose, assim, dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria. b) Quanto à área de preservação permanente: Em que pese defender este Conselheiro a necessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão de áreas de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR até o início da ação fiscal, faço notar que, conforme muito bem relatado pelo Acórdão recorrido, "também foi carreado aos autos, à fl. 86, a Autorização de Exploração em Floresta Plantada expedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA/PA, datada de 01/10/2007, com a consignação da área de reserva legal de 2.880,7 ha e da área de preservação permanente de 85,5 há, ratificando as informações comunicadas previamente pelo contribuinte àquele órgão quando da formalização da solicitação de exploração das terras em questão". Nestes termos, também entendo, em linha com o recorrido, como comprovada a comunicação a órgão de fiscalização ambiental competente anterior ao início do procedimento fiscal (este último ocorrido em 16/09/2008, consoante efl. 11), devendo assim ser permitida a exclusão de 85,5 ha. a título de preservação permanente, na forma declarada pelo autuado, concluindose assim aqui, quanto a esta área de preservação permanente, pela negativa de provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, a partir do entendimento acima esposado, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reformandose o Acórdão recorrido para restabelecer a glosa de 1.080,7 ha. dos 2.880,7 declarados a título de Reserva Legal. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.000264/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2007
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social.
Numero da decisão: 2201-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo que dava provimento parcial para excluir a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2007 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo que dava provimento parcial para excluir a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 02 64 /2 01 0- 11 Fl. 302DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas, por subrogação, pelo adquirente de produto rural comercializado por produtor pessoa física, retida e não declarada em GFIP. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 62.358,52, representado pelo valor principal (R$ 30.436,53), juros (R$9.094,58) e multa de ofício (R$ 22.827,52), em valores consolidados em julho de 2010. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas por subrogação no período de fevereiro a setembro de 2007, ocorreu em 26 de julho de 2010, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 60. Em 18 de agosto de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento. Em 25 de março de 2011, a 7ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1433030 (fls. 238), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls.239): Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais — AIOP —Debcad n.° 37.277.6183, de 15/07/2010 e com cientificação do sujeito passivo em 26/07/2010, referente a contribuições à Seguridade Social retidas e não recolhidas, parte patronal (2,0%) e da alíquota para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT (0,1%), incidentes sobre a receita bruta na comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, por subrogação, calculadas sobre os valores de aquisição bovinos, contribuições essas não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP ou declaradas a menor, relativas ao período de 02/2007 a 09/2007 (não contínuo), no montante de R$ 62.358,52 (sessenta e dois mil, trezentos e cinquenta e oito reais e cinquenta e dois centavos). Segundo o Relatório Fiscal RF, os valores exigidos foram apurados com base nos seguintes documentos: Livros Diário e Razão n°09, 10 e 11; Livros de Registro de Entradas n.° 09, 10 e 11; Notas Fiscais. Informa ainda o RF que, face ao disposto no art. 106, II, "c" do CTN, para a aplicação da multa procedeuse à comparação entre as penalidades da legislação posterior e anterior à Lei 11.941/09, de 27/05/2009, tendo sido aplicada a legislação atual Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 303 3 por ser mais benéfica ao contribuinte a multa através dela calculada. Tendo em vista o não repasse das contribuições sociais dos produtores rurais pessoas físicas arrecadadas pela autuada mediante desconto sobre o valor da compra de bovinos efetuado nas notas fiscais, o que configura, em tese, ilícito tipificado no art. 168A, § 1.0, I do Código Penal (apropriação indébita), será feita comunicação à autoridade competente para a proposição de eventual ação penal pelo Ministério Público Federal. Impugnação Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 60/77, alegando, em síntese: Da ilegalidade da exigência do Funrural à luz da lei Sob este título, a defendente traz extensa argumentação, na qual, citando vários autores e jurisprudências, busca comprovar a ilegalidade e a inconstitucionalidade da cobrança do tributo em análise, ao qual ela denomina de "novo Funrural", focando seus argumentos, basicamente, no seguintes pontos: inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre o faturamento ou receita bruta da comercialização da produção do produtor rural pessoa física instituída pela Lei 8.540/92, que alterou o art. 25 da Lei 8.212/91; ilegalidade, pois a Lei 8.212/91 não definiu o fato gerador, apenas a alíquota e a base de cálculo, tendo sido o fato gerador definido pela Instrução Normativa INSS/DC n.° 60 de 30 de outubro de 2001, ou seja, essa IN ultrapassou os limites da lei. Da substituição tributária do subrogado Segundo a autuada, o fisco não levou em consideração a não retenção de valores (a falta de destaque da contribuição no corpo do documento fiscal) e, não tendo sido objetos de retenção pelo produtor rural, cai por terra a inculpação de que houve falta de declaração ou declaração inexata e falta de pagamento das contribuições. Apresenta trechos de dois acórdãos do TRF da 4.' Região que confirmam que o produtor rural e o pescador pessoa física são os verdadeiros contribuintes e, não fazendo esses a retenção em seu documento fiscal, nada deve o subrogado, no caso o frigorífico, pois, na subrogação, o adquirente recolhe o tributo em nome do produtor. Do cerceamento de defesa Afirma o contribuinte ter sido configurado o cerceamento de defesa pela conduta do fisco federal ao prosseguir com a fiscalização de outras contribuições sociais, mantendo toda a documentação em seu poder, dificultando a juntada completa de Fl. 304DF CARF MF 4 documentos na defesa, o que fulminou seu direito de produzir prova. Da exorbitância da multa Nesse tópico, a empresa teoriza sobre as sanções, aduzindo que devem ser observados, em sua aplicação, os princípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito, tece considerações sobre a carga tributária no país e termina alegando que deve ser reduzido o percentual de 75% da multa do presente AIOP, por padecer de ilegalidade tal exigência. Do pedido e da conclusão Finalmente, anexando os documentos de fls. 78/229, a impugnante: requer nova abertura de prazo para posterior juntadas de documentos, caso se entenda conveniente; protesta por todas as provas admitidas em direito; requer a anulação do presente auto de infração, já que se encontra eivado de vícios insanáveis, inclusive do cerceamento de defesa; conclui e crê ser suficiente a argumentação expendida para fins de decretação da improcedência do feito fiscal. Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 13 de maio de 2011, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 10 de junho de 2011, recurso voluntário, do qual constam as alegações que serão apreciadas no voto. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a analisálo na ordem de suas alegações. Preliminarmente, o Recorrente tece considerações sobre os requisitos do lançamento tributário e menciona a finalidade das sanções tributárias e assevera ser a garantia constitucional do devido processo legal aplicável ao processo administrativo. Não obstante tais considerações, não há nenhuma questão preliminar apontada no voluntário. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 304 5 O PORQUÊ DE NÃO SE PODER EXIGIR O FUNRURAL DE PESSOA JURÍDICA URBANA Passando ao mérito, os argumentos recursais mencionam que o lançamento tributário deve ser pautado pelos requisitos legais atinentes, não restando discricionariedade à Autoridade Fiscal na constituição do crédito tributário. Na sequência, argui (fls 255): "16 Porque, por meio do artigo 195, seus incisos e parágrafos, a Constituição Federal, ao tratar das con buições destinadas ao custeio da Seguridade Social, estabeleceu um âmbito de incidência. (...) 18 A Constituição Federal foi expressa, no 58' do artigo 195, ao determinar que a contribuição para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre os resultados da comercialização da produção, será a fonte de custeio para aqueles que exploram a atividade rural em regime de economia familiar. 19 No entanto, quanto ao empregador rural, pessoa física, que explora atividade rural com auxílio de empregados, a Constituição Federal não se manifestou da mesma forma. 20 Diante deste "vácuo", editouse a Lei n.° 8.212/91, que ampliou a base de cálculo do segurado especial previsto no 58° do artigo 195 da Constituição Federal, para o empregador rural pessoa fisica: (...) 21 É exatamente nesta ampliação que os contribuintes sujeitos à base de cálculo resultado da comercialização de sua produção, que reside a ilegalidade (inconstitucionalidade ). 22 Isto porque, a Lei 8.212/91 quis fazer equiparar o "produtor rural" (pessoa física) com o produtor rural segurado especial, que exerce sua atividade em regime de economia familiar, sem o auxílio de empregados permanentes, de que trata o § 8° do art. 195, da Constituição Federal. 22 Isto porque, a Lei 8.212/91 quis fazer equiparar o "produtor rural" (pessoa física) com o produtor rural segurado especial, que exerce sua atividade em regime de economia familiar, sem o auxílio de empregados permanentes, de que trata o § 8° do art. 195, da Constituição Federal. 23 Todavia, constatase que a contribuição destinada à Seguridade Social devida pelo segurado produtor rural pessoa física, incidente sobre a comerciali7ação de produtos, não possui parâmetro no art. 195 da CF, porque, apesar de semelhante ao segurado especial (descrito no parágrafo 8°), este contrata terceiros, o que leva a concluir que tal contribuição consubstanciase em nova fonte de custeio, Fl. 306DF CARF MF 6 consoante previsto pelo § 4° do art. 195, que exige lei complementar para a sua instituição. 24 Ou seja, o que o legislador ordinário fez em verdade, foi criar uma nova fonte de custeio da seguridade social, cujo contribuinte era o empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural, instituído por meio de uma simples lei ordinária, contrariando o disposto no §4° do artigo 195, da Constituição Federal. 25 Neste sentido, decidiu o Ministro Marco Aurélio no RE 363.852/MG, no que foi acompanhado pela maioria do Plenário do Supremo Tribunal Federal: (...) 26 Por fim, como se denota do voto também foi reconhecida a ilegalidade (inconstitucionalidade) do artigo 30, inciso IV da Lei n° 8.212/91, desobrigando o peticionário da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a 'receita bruta proveniente da comercialização da produção rural' de empregadores, pessoas naturais. 27 Sendo assim para que não paire duvidas, novamente delineia se a ementa em que o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela ilegalidade dessa referida contribuição indevidamente estabelecida, ora exigida, deliberando portanto no Recurso Extraordinário nº RE 363.852/MG 28 Por tal prisma é forçoso concluir, pelo afastamento da exigência constante nos arts. 25 da Lei n° 8.212/91, em razão dos seguintes preceitos; ofensa ao Princípio da Igualdade, inexistência de Lei Complementar definindo o tributo e duplicidade do recolhimento. 29 E por todo o exposto, faz se concluir que as Leis n's. 8.540/92 e n. 9.528/97 são ineficazes e inválidas frente aos textos da Constituição Originária acima analisada, por esse motivo, é imérita essa exigência fiscal." Da leitura dos argumentos acima, verificase que a insurgência do Recorrente contra a exação se funda, na essência, na falta de supedâneo constitucional da norma tributária ensejadora do lançamento em discussão. Tal argumento, segundo o Recorrente, encontra eco em decisões do Supremo Tribunal Federal. Porém, em recente sessão, ocorrida em 30 de março de 2017, o Pleno do STF em julgamento do mérito do RE 718874, de relatoria do Ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida, tomou a decisão abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional Fl. 307DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 305 7 formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017. Assim, forçosa a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, que em seu artigo 62, preceitua: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...)" Recordemos o fundamento legal do crédito em discussão. Voltemos ao relatório fiscal (fls. 82): 2.1 Por intermédio do presente Auto de Infração o sujeito passivo está sendo notificado a recolher o montante de R$ 62.358,52 (sessenta e dois mil; trezentos .e cinquenta e oito reais e cinqüenta e dois centavos), referente as contribuições da comercialização de produção rural com subrogação retidas dos produtores rurais, devidas nos termos do art. 25 ' da Lei n° 8.212191, com redação dada pela Lei 10.256/01, do período de 02, 03, 04, 06, 08 e 0912007 (...) 2.4 A subrogação_ citada no subitem 2.1 ,está respaldado no que dispõe . , o inciso IV do artigo 30, da Lei n° 8.212191, com a redação das Leis n°s 8.540192 e' 9.528197, "verbis" (...)" Fl. 308DF CARF MF 8 Assentados, com base na decisão do STF, quanto a constitucionalidade da Lei nº 8.212/91 especialmente no que tange às disposições sobre a contribuição do produtor rural pessoa física, na redação dada pela Lei nº 10.256/01 quanto mais ao se recordar a determinação regimental deste Conselho Administrativo para que se aplique no processo administrativo as decisões judiciais pertinentes, despiciendo maiores considerações sobre o tema. Recurso voluntário negado nesta parte. DA INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Argui a Recorrente (fls. 264), nulidade do auto de infração quanto à sanção aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória. Alega que tal imposição legal decorre de instrução normativa, o que fere o princípio da estrita legalidade tributária. Alega ainda ausência dos elementos essenciais no auto de infração. Não assiste razão ao Recorrente. O auto de infração se encontra devidamente apoiado na legislação de regência (Lei 8.212/91), e dele constam em especial de seu relatório fiscal todos os elementos necessários para a perfeita compreensão da conduta ensejadora da sanção tributária, permitindo, assim, a ampla defesa pelo contribuinte Comprovase a afirmação acima com a simples leitura das disposições descritivas da conduta constante do relatório fiscal anexo ao auto de infração, além da constatação do seguinte trecho (fls. 54), onde são explicitados todos os relatórios complementares que acrescem informações com o fito de permitir a compreensão do ilícito, sua fundamentação e quantificação, além de como proceder para a regularização do débito. 3. DISPOSIÇÕES GERAIS 3.1 — Integram o Auto de Infraçãoos seguintes relatórios: 3.1.1 "IPC — Instruçõés para w . Contribuinte" : _ relatório dos procedimentos atinentes à regularização do débito junto a Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil e informações de interesse do contribuinte; 31.2 '`DD Discriminativo do Débito" — relatório discrimina por estabelecimento, competência _e levantamento, as bases de • cálculo, as rubricas, as ' alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, e retidos, as deduções permitidas, as diferençasexistentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado; ; 3.1.3 "FLD Fundamentos Legais do Débito" informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores; 3.1.4 "VÍNCULOS Relação. de Vínculos" — relatório lista todas as; _ , pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração previdencíária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, Fl. 309DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 306 9 representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; 3.1.5 "RL \ Relatório de Lançamentos" — relatório relaciona os, lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias,, sobre a natureza ou fonte. documental; ." Do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. DA EFICÁCIA DA LEGISLAÇÃO POSTERIOR PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE Argui o Recorrente, após discorrer longamente sobre a natureza das sanções tributárias, sua finalidade, princípio da razoabilidade e não confisco, pela aplicação da sanção mais benéfica, em face do advento da Lei 11.941/09 , combinado com as disposições do artigo 106 do CTN. Porém, mister apontar que tal cotejamento já foi realizado pela Autoridade Lançadora. Vejamos o que consta das folhas 54 do relatório fiscal: 3.2 'Face o disposto na alínea "c" do, inciso 11 do art . "106 do CTN na, aplicação da multa,,procedemos a comparação entre ' as penalidade da legislação .posterior e anterior a Lei n° 11.941 dé 2710512009, diante disso foi aplicada a legislação atual para fato pretérito por ser a multa mais benéfica. Valor da multa pela legislação da ' época = R$ 26.386,96, pela legislação atual = R$ 22.827,41" Pelo apontado, e pelo acerto da decisão da autoridade lançadora, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 310DF CARF MF 10 Fl. 311DF CARF MF
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