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Numero do processo: 14120.000218/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise.
In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Constatando-se que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 18 /2 00 8- 78 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 199 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 17.696 de lavra da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.134.2490. O crédito sob discussão referese a lançamento para exigência das contribuições dos segurados não arrecadadas nem recolhidas pela empresa. Nos termo do relatório fiscal, fls. 19 e segs., os fatos geradores considerados no lançamento foram os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados repassados aos segurados empregados. Segundo o fisco o pagamento não se amolda a hipótese desonerativa prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que a sua concessão não está de acordo com os ditames da Lei n.º 10.101/2000. Vale a pena transcrever excerto do relatório de trabalho da auditoria fiscal: "Demonstrado que a Verba PLP MENSAL não é paga como distribuição por participação nos lucros e resultados fruto da integração entre capital e trabalho incentivada pela Lei 10.101/2000; considerando o viés salarial da Verba PLP MENSAL calculada com base financeira no "salário reajustado" ou "salário normativo" apurada, creditada, contabilizada, mensalmente, como "premiação" ao trabalhador por sua assiduidade; diante da apropriação mensal dos Custos Diretos dos Serviços Prestados como Abonos Salariais (Conta 92002006), ferindo o princípio da periodicidade semestral (art. 3.º , § 2.º da Lei 10.10112000) e, caracterizado o pagamento ou crédito em desacordo com a Lei 10.101/2000 a Verba PLP MENSAL enquadrase no conceito de salário de contribuição e remuneração previsto no inciso I do art. 28 da Lei no 8.212/91, na redação dada pela Lei no 9.528/97, c/c o inciso I do art. 22, tanto na redação dada pela Lei no 9.528/97 quanto pela redação atual dada pela Lei n.º 9.876/99." Cientificada do lançamento em 07/07/2008, a empresa ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão julgador de primeira instância, que manteve o lançamento na íntegra (ver fls. 121 e segs.). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 132 e segs., no qual, transcreve os argumentos lançados na impugnação, os quais podem ser resumidos nos seguintes itens. a) a assiduidade é um parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da PLR, uma vez que, sendo a recorrente uma empresa concessionária de serviço público, os principais indicadores de resultados são a qualidade e a continuidade da prestação; b) a falta ao serviço de um trabalhador prejudica a performance da empresa, posto que impacta na qualidade no serviço e no custo da execução contratual; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 c) assiduidade é um resultado pretendido pela empresa empregadora, uma vez beneficia os seus usuários e representa incremento nos ganhos de produtividade na prestação dos serviços; d) conforme o texto constitucional a desvinculação da PLR da remuneração é norma auto aplicável, que impede a incidência de contribuições sobre este benefício trabalhista. Cita textos doutrinários que abonariam a sua tese; e) a Convenção Coletiva atende inteiramente as exigências da Lei n.º 10.101/2000, haja vista que contém as regras claras e objetivas que fixam os direitos à participação, além das normas necessários ao acompanhamento pelos empregados do cumprimento do acordado e a periodicidade para revisão do acordo e para o pagamento. f) a Lei da PLR indicou em lista exemplificativa critérios e condições que poderiam ser impostos visando ao pagamento da participação, portanto, não há qualquer vedação para que as partes elejam a assiduidade como parâmetro mestre para aquisição do direito ao benefício; g) a Lei n.º 8.212/1991, na parte relativa à tributação da PLR, deve ser interpretada de forma que não reduza o alcance do desejo do legislador constitucional de excluir a verba do conceito de remuneração; h) para dar força a suas teses, apresenta estudo elaborado pelo ExMinistro do STF, Sidney Sanches, e pelo tributarista Kiyoshi Harada, que reforça a ideia da não incidência de contribuições sobre a PLR; i) o procedimento adotado pela empresa, conforme os preceitos da Convenção Coletiva, está em perfeita consonância com a norma de regência, pois que a redução no absentismo, resultando num aumento da "assiduidade", reflete diretamente no resultado operacional da empresa e num cálculo bastante transparente para os empregados, quanto ao direito à PLR; j) a utilização do lucro como parâmetro seria de difícil acompanhamento pelos próprios empregados, inclusive muitas empresas têm tomado o "resultado" como regra mestra para o pagamento da verba em questão. Cita texto doutrinário que reforça o seu entendimento; k) mesmo que se desconsidere a verba como PLR, não há de prevalecer o lançamento, posto que o STJ tem entendido que o "abono assiduidade" tem natureza indenizatória, sendo insuscetível de incidência de contribuições. Cita decisões do STJ; m) a decisão recorrida despreza a prerrogativa dos entes sindicais de representar a classe em tratativas sobre os seus direitos. Ao final, requer o provimento do recurso, com consequente cancelamento da lavratura. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 200 5 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da eficácia plena do dispositivo constitucional que trata da PLR Não posso concordar com a recorrente quando afirma que a desvinculação da participação nos lucros e resultados é norma constitucional de eficácia plena. Ao defender tal tese, o sujeito passivo, por via oblíqua, defende que as normas previstas na Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais, além de que a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também representaria uma contrariedade Carta Magna. Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O seu art. 1.º dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Essa diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer regramento infraconstitucional que venha a lhe impor determinados Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 condicionamentos, a recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estarseia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. Antes de apreciar as supostas desconformidades das regras acima frente à Constituição Federal, é curial que a priori façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 201 7 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de leis trazidas pela recorrente. Assim, partindose do pressuposto que os dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 que tratam da participação nos lucros e resultados das empresas por seus empregados são constitucionais, vejo que a decisão de primeira instância não merece censura quanto a esse aspecto. Assiduidade como condição para pagamento da PLR A outra questão abordada no recurso referese a utilização da assiduidade dos empregados como condição para que façam jus a participação nos resultados. Iniciemos pela transcrição dos dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho que deu ensejo ao pagamento da verba sob discussão. "44.0 PLR (PRODUTIVIDADE) Fica assegurado aos empregados a percepção dos valores decorrentes a título de prêmio de produtividade de acordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000 que disciplina a matéria, considerando os seguintes critérios: I. A apuração e aquisição do direito será realizada mensalmente e corresponderá a 11% (onze por cento) por mês efetivamente trabalhado sobre o salário normativo do mês, desde que os empregados atenda o seguinte requisito: quem tiver uma primeira falta perderá somente 20% (vinte por cento) sobre o PLR. Na Segunda falta, perderá mais 30% (trinta por cento), e numa terceira falta perderá 100 (cem por cento) do PLR. Ficou acertado também entre as partes laboral e patronal, que o funcionário que vier a faltar ao serviço por questão de nascimento de filhos e/ou falecimento de ascendente ou 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 descendente justificado através certidões não terá perda do PLR do corrente mês. 11. O pagamento observará o valor calculado e acumulado mensalmente e ocorrerá conforme previsto no. art. 3.º , § 2.º, da Lei 10.101, de 19/12/2000, em folha suplementar nos meses de janeiro e julho de 2005, juntamente com a folha de pagamento do mês imediatamente anterior. Parágrafo Único O benefício da presente cláusula não se incorporará ao salário, não refletirá no cômputo da média das horas extras, prêmios, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, além de outras vantagens e também não integrará base de cálculo para efeito previdenciário." Conforme se observa não há qualquer resultado ou meta estipulada na CCT, o que esta dispõe é a possibilidade de se reduzir o valor do benefício em razão do absenteísmo dos funcionários. A recorrente, por sua vez, sustenta que essa condição está em perfeita consonância com a Lei n.º 10.101/2000, posto que as faltas dos empregados gera uma perda de produtividade, que impacta nos resultados do negócio. De acordo com a Lei n.º 8.212/1991, transcrita acima, os valores pagos a título de PLR somente estarão excluídos do saláriodecontribuição caso sejam pagos em obediência à lei específica que no caso é a Lei n.º 10.101/2000. Esta exige que o instrumento de negociação entre patrão e empregados contenha regras claras e objetivas quanto à aferição do direito à percepção do benefício. Eis o que dispõe o § 1.º do art. 2.º: §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Quando analisamos o texto da Convenção Coletiva acima, fica evidente o não atendimento da regra legal citada. Sabese que esta norma menciona critérios e condições que podem ser eleitos no instrumento de negociação, sendo a relação meramente exemplificativa, todavia, o pagamento da PLR deve estar atrelado a algum parâmetro. No caso sob apreciação, verificase que a empresa fica obrigada a pagar a cada empregado o valor correspondente a 11% do seu salário nominal, desde que o empregado não conte com nenhuma falta ao trabalho, podendo este valor ser reduzido em razão do absenteísmo do trabalhador. Na verdade estamos diante de um benefício que não decorre de qualquer meta da empresa, o qual, todavia, pode ser reduzido como punição ao empregado pela falta ao trabalho. De se concluir que, inexistindo na Convenção Coletiva metas corporativas ou individuais a serem alcançadas, o pagamento da verba em questão está em dissonância com a Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 202 9 lei de regência, não se aplicando a isenção prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Observando a jurisprudência do CARF pude encontrar vários decisões que não acolhem a tese da empresa. Vejamos o que disse o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, quando se deparou com situação semelhante: "É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivos de Trabalho (Convenção) referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. A Recorrente argumenta ainda que as metas para a aquisição do direito de receber a PLR estariam inseridas nos acordos coletivos, tais como número de faltas injustificadas ao trabalho, apuração de freqüência e rotatividade. Essa alegação não será acatada, eis que não existe indício da interferência dos resultados indicados nas planilhas no pagamento da PLR, nem há previsão de metas objetivas nos acordos coletivos firmados nos anos 2006, 2007 e 2008. Além disso, os índices de ausências dos trabalhadores (absenteísmo) e da rotatividade, por si só, e desacompanhados de elementos subjacente à meta ou resultado que se pretende comprovar, não atendem os parâmetros do programa de metas delineados no art. 2o da Lei 10.101/2000. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999." (Acórdão n.º 2402 003.680) Não devo acatar também a tese de que a verba poderia ser tratada como "abono assiduidade", a qual estaria fora do campo de tributação para a Seguridade Social. Analisando o § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, dispositivo que traz relação exaustiva dos casos de exclusão de parcelas do saláriodecontribuição, não se verifica qualquer menção ao abono relacionado à frequência ao trabalho. Assim, por falta de previsão legal não se admite que este tipo de abono deixe de sofrer a incidência de contribuições. Quando a Lei (item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28) fala não incidência sobre o abono, faz a ressalva que devem ser excluídos do saláriodecontribuição apenas os abonos expressamente desvinculados do salário, o que não é o caso, haja vista que na espécie o ganho representa o percentual de 11% do salário do empregado para cada mês trabalhado. No mesmo Acórdão do CARF acima mencionado, o Relator também manteve o lançamento na parte relativa ao "abono assiduidade", por vislumbrar a sua natureza salarial. Vejamos as palavras do Conselheiro Ronaldo Macedo: "Diante disso, não têm natureza de indenização as verbas pagas a empregados em razão de acordos trabalhistas (prêmio férias e prêmio assiduidade), que são remuneratórias e, por isso, sobre elas incide a contribuição previdenciária. Isso está em consonância com o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu: “(...) É cediço nesta Corte que as verbas decorrentes de acordos trabalhistas celebrados com os empregados não têm caráter indenizatório, mas, ao reverso, remuneratório, devendo, pois, incidir sobre elas a contribuição previdenciária. Todavia, querendo afastar essa incidência, cabe ao interessado Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 comprovar que tais parcelas são, na realidade, indenizatórias. (...)” (RESP 200400799770, 1a Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 28.08.2006, p. 220). Caminha com o mesmo entendimento, o disposto no art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na medida em que a legislação trabalhista é aplicável subsidiariamente à previdenciária, sempre que não conflitante com a mesma. Nesse passo, dispõe textualmente o art. 457 da CLT, in verbis: Art.457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1° Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g. n.) Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. De tudo exposto, não merecem sucesso os argumentos recursais. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 203 11 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos autos, a contribuinte fora autuada em relação aos pagamentos de PLR, com esteio nas Convenções Coletivas dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande/MS, referente ao período fiscalizado, as quais, em suma, assim prescreviam: “44.0 PLR (PRODUTIVIDADE) Fica assegurado aos empregados a percepção dos valores decorrentes a título de prêmio de produtividade de acordo com a Lei 10.101 de 1911212000 que disciplina a matéria, considerando os seguintes critérios: I. A apuração e aquisição do direito será realizada mensalmente e corresponderá a 11% (onze por cento) por mês efetivamente trabalhado sobre o salário normativo do mês, desde que os empregados atenda o seguinte requisito: quem tiver uma primeira falta perderá somente 20% (vinte por cento) sobre o PLR. Na Segunda falta, perderá mais 30% (trinta por cento), e numa terceira falta perderá 100 (cem por cento) do PLR. Ficou acertado também entre as partes laboral e patronal, que o funcionário que vier a faltar ao serviço por questão de nascimento de filhos e/ou falecimento de ascendente ou descendente justificado através certidões não terá perda do PLR do corrente mês. II. O pagamento observará o valor calculado e acumulado mensalmente e ocorrerá conforme previsto no. art. 3 0, § 20, da Lei 10.101, de 1911212000, em folha suplementar nos meses de janeiro e julho de 2005, juntamente com a folha de pagamento do mês imediatamente anterior. Parágrafo Único O benefício da presente cláusula não se incorporará ao salário, não refletirá no cômputo da média das horas extras, prêmios, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, além de outras vantagens e também não integrará base de cálculo para efeito previdenciário.” Por sua vez, a autoridade fazendária entendeu por bem descaracterizar aludidos pagamentos de PLR, concluindo que a sua vinculação à assiduidade dos empregados afasta a natureza de participação nos lucros, devendo ser admitidos, em verdade, como “Prêmio Assiduidade”, inexistindo qualquer meta a ser alcançada, sobretudo considerando que o cálculo de referida verba se dava mensalmente, baseandose na quantidade de faltas dos funcionários. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Em suma, extraise do voto do ilustre Relator que a manutenção da exigência fiscal sobre os pagamentos das PLR’s fora motivada basicamente em razão de o Programa ter adotado o absenteísmo dos funcionários, se caracterizando como uma verdadeira penalidade, afastandose, assim, da essência dessa verba no sentido da integração entre capital e trabalho. Por outro lado, suscita a contribuinte que a assiduidade é um parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da PLR, uma vez que, sendo a recorrente uma empresa concessionária de serviço público, os principais indicadores de resultados são a qualidade e a continuidade da prestação. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz que a falta ao serviço de um trabalhador prejudica a performance da empresa, posto que impacta na qualidade no serviço e no custo da execução contratual. Conclui que a assiduidade é um resultado pretendido pela empresa empregadora, uma vez beneficia os seus usuários e representa incremento nos ganhos de produtividade na prestação dos serviços. Em que pesem os substanciosos fundamentos de fato e de direito constantes do voto do ilustre Conselheiro Relator, constatase que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, impondo seja afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de PLR. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 204 13 Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida/atribuída pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 2401003.803 S2C4T1 Fl. 205 15 Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, em suma, o ponto de controvérsia repousa na possibilidade de a meta utilizada pelas CCT´s se escorar na assiduidade dos empregados. De um lado, a fiscalização, corroborada pelo nobre Conselheiro relator, entende que aludido parâmetro não encontra sustentáculo na Lei nº 10.101/2001. De outro, no entendimento da maioria da Turma, traduzido neste voto vencedor, é possível adotarse o absenteísmo como lastro da PLR. Aliás, neste ponto, impende fazer uma ressalva, de maneira a esclarecer que o legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. Destarte, a discussão e os parâmetros do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados é objeto de negociação entre as partes interessadas em reuniões específicas, levando em consideração as especificidades de cada seguimento e/ou setor das respectivas empresas e seus funcionários. Em outras palavras, como explicitado alhures, a PLR, na forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, deverá ser negociada entre as partes envolvidas/interessadas, as quais estabelecerão todas as condições para o pagamento do benefício. Não pretendeu o legislador engessar tal verba, para não fugir à sua própria essência, eis que as especificidades das atividades desenvolvidas por cada empresa e respectivos funcionários, ou mesmo por suas entidades de classe, é que deverão ser levadas a efeito nas tratativas de maneira específica. É exatamente o que se verifica no caso vertente, onde as Convenções Coletivas dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande/MS contemplam situações específicas para as empresas de ônibus, estabelecendo o absenteísmo como parâmetro para o pagamento da PLR, que será apurado mensalmente, com reduções dos Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 valores na hipótese de faltas, como muito bem explicitado no voto no ilustre Conselheiro Relator. Ora, tratandose de empresas de ônibus, com mais razão a assiduidade dos funcionários, especialmente motoristas, é determinante ao alcance de lucros ou resultados pretendidos. Havendo faltas de funcionários desse ofício, como exemplo, diminuirão os veículos em trânsito, exigindo o cumprimento de horas extras de outros motoristas ou deslocamentos para cumprir o serviço. Em outra via, o fato de a apuração do valor a ser pago ser mensal, igualmente, não afronta à legislação de regência. Tratase de simples mecanismo de aferição da importância a ser paga, verificada a cada mês, mas apurada ao final do ano para o pagamento em duas parcelas no ano subseqüente. Ou seja, não há se falar em pagamento mensal, mas, sim, de apuração mensal, com percentual predeterminado, estabelecendo o critério da assiduidade para fins de se chegar ao valor a ser destinado a cada funcionário. Como se observa, é um critério claro e objetivo e de fácil entendimento por parte dos funcionários, indo, portanto, ao encontro com os pressupostos exigidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria. Partindo dessas premissas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração em dissonância com as normas que regem a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, para decretar a improcedência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.722365/2010-03
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
JULGAMENTO CONJUNTO.
Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles, nos termos do artigo 55 da Lei nº 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 1801-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte e retificar o decidido no Acórdão nº 1801-002.019, proferido em sessão realizada em 29 de julho de 2014, para declinar a competência do julgamento para a 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles, nos termos do artigo 55 da Lei nº 13.105, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte e retificar o decidido no Acórdão nº 1801002.019, proferido em sessão realizada em 29 de julho de 2014, para declinar a competência do julgamento para a 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 23 65 /2 01 0- 03 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório CONSTRUTORA MARQUISE S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1801002.019, prolatado por este Colegiado na sessão realizada em 29 de julho de 2014, interpõe embargos de declaração (fl. 222) objetivando o aperfeiçoamento daquela decisão.. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar aplicada em razão de terem sido não homologadas as DCOMP de nºs 9102.35802.180705.1.3.023643 e 27970.84214.150705.1.3.020440, de autoria da empresa autuada, nos termos do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, totalizando R$ 814.406,42 (fls. 02/07). Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Cuida, o presente processo, de Auto de Infração para lançamento de multa isolada, no valor de R$ 814.406,42 (FLS. 02/08), cm razão de compensação indevida, apurada pela autoridade fiscal, nas Declarações de Compensação — DCOMP de nºs 27970.84214.150705.1.3.020440 e 09102.35802.180705.1.3.023643, transmitidas pela Interessada. Mediante as DCOMP antes mencionadas, a Interessada compensou débitos de IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativos aos períodos de apuração março/2004, maio/2004, junho/2004 e agosto/2004, com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, havido por sucessão empresarial de PANAGRA DO BRASIL S/A — CNPJ 07.793.813/000125. Essas DCOMP foram "baixadas para tratamento manual" no âmbito do processo administrativo de n° 10380.720383/200828, cujos autos foram juntados, por apensação, aos do processo de n° 10380.901735/200682, que cuida de Pedidos de Restituição formalizados pela empresa sucedida (detentora original do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002). É que a empresa sucedida apresentara, antes de sua cisão parcial, os Pedidos de Restituição — PER de nºs 01759.87076.270903.1.2.049454 (fls. 02/04) e 21886.29988.270903.1.2.047342 (fls. 80/82), postulando a restituição de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. Tendo em vista a evidente imbricação do presente processo com aquele em cujo âmbito se da a apreciação das compensações declaradas pela Interessada, faço, desde o inicio deste Relatório e ao longo do Voto que a ele se seguirá, diversas menções a documentos que se encontram nos autos do processo (de n° 10380.901735/200682) ao qual foi apensado aquele que é atinente às compensações (de n° 10380.720383/200828). Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 4 3 Sempre que lançar mão de tais referências, mencionarei as folhas dos autos do processo de n° 10380.901735/200682 em letras minúsculas ("fls."), para distinguilas das referências às folhas dos presentes autos, que mencionarei sempre em letras maiúsculas ("FLS."). Conforme Despacho Decisório de cópia às FLS. 21, que tomou por fundamentos fáticos e jurídicos a Informação Fiscal de cópia às FLS. 09/20, as compensações declaradas pela Interessada nas DCOMP antes referidas não foram homologadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza — DRF/FOR, em razão do indeferimento do direito creditório de que a Interessada se valeu para extinguir os débitos declarados (saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, apurado pela empresa sucedida, PANAGRA DO BRASIL S/A, CNPJ 07.793.813/000125, no valor de R$ 528.000,00). As razões de fato e de direito expostas na Informação Fiscal de cópia às FLS. 09/20, elaborada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/FOR —Seort/DRF/FOR, foram colhidas no Relatório de Análise Tributária de cópia as FLS. 22/92, da lavra da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal da DRF/FOR —Sapac/DRF/FOR. A partir da leitura do aludido Relatório, bem corno dos autos dos processos (principal e apensado) em cujo âmbito se discute a legitimidade das compensações feitas pela Interessada, podese descrever a formação, em PANAGRA DO BRASIL S/A, e a transposição, para CONSTRUTORA MARQUISE S/A, do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2002, da seguinte forma: Em 30/12/1998, foi celebrado, entre as Empresas BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS S/A, CNPJ 05.719.141/0001 82, e CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO S/A, CNPJ 07.793.813/000125, contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel, cujo descumprimento gerou a imposição de multa contratual, nos termos do parágrafo primeiro da clausula segunda, in verbis: "CLÁUSULAS E CONDIÇÕES: (..) SEGUNDA: Omissis Parágrafo Primeiro: Em caso de descumprimento desta, a Outorgante Promitente Vendedora pagará sobre o valor do preço da venda, semestralmente, a Outorgante Promitente Compradora, 20% de multa em 1999, 15% em 2000, 25% em 2001 e 20% em 2002, valores estes acrescidos ainda, de 1% por mês de juros moratórios". Por ocasião do pagamento da referida multa à empresa CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO S/A, no final dos meses de junho e dezembro de 2002, foi retido o imposto de renda então incidente, no valor total original de R$ Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 5 4 528.000,00, conforme a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF da fonte pagadora (11s. 317). 0 valor então retido compôs o saldo negativo de Imposto de Renda de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO S/A, do anocalendário de 2002, sendo este passível de utilização para compensação com demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Para garantir o reconhecimento dos referidos créditos e evitar a sua prescrição, CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO S/A apresentou Pedidos de Restituição em 27/09/2003, retificados manualmente em 20/09/2006, no valor original total de R$ 528.000,00 (fls. 10 e 88). Com a cisão da empresa CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO S/A (cujo nome empresarial fora alterado para PANAGRA DO BRASIL S/A), detentora do crédito requestado, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 foi transferido para a empresa que absorveu a parte destacada do patrimônio da cindida, qual seja, CONSTRUTORA MARQUISE S/A. Ato continuo, a receptora da parcela cindida passou a utilizar se dos valores em comento, para compensação com débitos de IRPJ, PIS e Cofins, através da apresentação dos PER/DCOMP de nºs 27970.84214.150705.1.3.020440 e 09102.35802.180705.1.3.023643, posteriormente baixados para análise manual por meio do processo administrativo de n°. 10380.720383/200828. O extenso Relatório de Análise Tributaria (FLS. 22/92) concluiu que os saldos negativos de 1RPJ formados na empresa sucedida PANAGRA DO BRASIL S/A, nos anoscalendário 1999 a 2002, originados do 1RRF retido pela empresa BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS S/A, CNPJ 05.719.141/0001 82 (depois denominada BEX INTERNACIONAL S/A), na forma antes descrita, são destituídos de materialidade. Tal conclusão repousa na convicção da autoridade responsável pelo mencionado Relatório de que o negócio imobiliário celebrado entre as duas empresas não teve lugar no mundo fático, constituindo uma simulação que teve por objetivo a geração, em PANAGRA DO BRASIL S/A, de saldos negativos fictícios de IRPJ, posteriormente transpostos, por meio de cisão parcial, para o patrimônio da Interessada no presente processo (CONSTRUTORA MARQUISE S/A). Concluiu ainda o Relatório de Análise Tributária que também não ocorreu de fato a sucessão empresarial por meio da qual os saldos negativos de IRPJ migraram de PANAGRA DO BRASIL S/A para o Ativo da empresa sucessora (CONSTRUTORA MARQUISE S/A), ante a ausência de substância material do patrimônio pretensamente transferido entre as empresas. Cuidou ainda o dito Relatório de qualificar como fraude e conluio a conduta da Interessada consistente em declarar compensações de débitos com base em Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 6 5 direito creditório correspondente aos saldos negativos de 1RPJ simuladamente gerados em PANAGRA DO BRASIL S/A. Assim, o multicitado Relatório, além de ensejar o indeferimento do direito creditório pleiteado nos PER apresentados pela sucedida e a conseqüente nãohomologação das compensações declaradas nas DCOMP transmitidas pela Interessada, motivou também a lavratura do Auto de Infração de FLS. 02/08, para aplicação da multa isolada prevista no artigo 18, § 2", inciso II, da Lei n° 10.833/03, combinado com o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. É o que se depreende da leitura do seguinte trecho da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (FLS. 04): [...]As Declarações de Compensação ora referidas foram analisadas nos autos do processo administrativo n° 10380.720383/200828. Em decisão administrativa proferida em 23/06/2010, às fls. 766/778 do processo 10380.901735/200682, tais compensações NÃO FORAM HOMOLOGADAS, em razão de caracterização de fraude e conluio (Lei n°4.502/64, arts. 72 e 73), correspondendo [à] falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Na Decisão de não homologação, consta que o suposto crédito apontado pelo sujeito passivo inexiste, é fictício, conforme as conclusões reveladas nos atos investigatórios ou de diligência realizados por autoridade competente deste órgão, materializados através do respeitável Relatório de Análise Tributária, de fIs. 209/279, daquele processo, aprovado pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. Diante dos fatos, e em cumprimento ao disposto no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pela lei nº 11.051/04, alterada pela Lei n° 11.488/07 e Medida Provisória n° 472, de 15 de dezembro de 2009, onde se manteve a mesma previsão da multa aplicável, constituise, pelo presente Auto de Infração, a multa isolada regulamentar nos valores abaixo demonstrados, que corresponde à aplicação do percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados que totalizaram R$ 542.937,61. [...]Irresignada com a imposição da multa isolada, a Interessada manejou a Impugnação de FLS. 100/115, esgrimindo os seguintes argumentos de defesa: [...]DAS PRELIMINARES 2.1. Nulidade Erro na Identificação do Sujeito Passivo Senhores Julgadores, o pretenso auto de infração, ora guerreado, está eivado de nulidade em decorrência de erro na identificação do sujeito passivo, como se demonstra a seguir. De acordo com a descrição dos fatos contida no auto, a aplicação da pretensa multa isolada (agravada em dobro) à Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 7 6 Impugnante, decorreu da não homologação, por parte da DRF Fortaleza, de compensações declaradas pela contribuinte em decorrência, nas palavras do AFRFB (fls. 04 do PAF), "de caracterização de fraude e conluio (Lei n° 4.502/64, arts. 72 e 73), correspondendo falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". (destacamos). Entretanto, no corpo deste processo inexiste prova alguma de fraude e conluio alegados. E mais, mesmo que se admita, o que se faz apenas para fins de raciocínio lógico, a ocorrência de tais ilícitos, estes não foram praticados pela Impugnante. Portanto, o sujeito passivo do lançamento de oficio em comento não pode ser a Impugnante. Como descrito na 1nformação Fiscal de lavra do Serviço de Orientação e Análise Tributaria — Seort, da DRFFortaleza, bem como no Relatório de Análise Tributária elaborado pela Seção de Programação, Avaliação e Controle de Atividade Fiscal — Sapac/DRF Fortaleza, o crédito utilizado pela Impugnante nas compensações em comento decorre de saldo negativo do 1RPJ, anocalendário de 2002, apurado pela empresa PANAGRA DO BRASIL S/A, CNPJ (07.793.813/0001 25). Referida empresa foi objeto de cisão parcial, sendo uma parte cindida incorporada ao patrimônio da Impugnante. Senhores Julgadores, alegam os d. Fiscais que o crédito utilizado (saldo negativo do 1RPJ) foi gerado, no ano de 2002, de forma fraudulenta pela PANAGRA DO BRASIL S/A. Ora, se tal fato é verídico, o que os autos não provam, o sujeito passivo do auto de infração em comento deveria ser aquela empresa, nunca a Impugnante. A responsabilidade da sucessora, pelas obrigações tributárias, prevista no art. 132 do Código Tributário Nacional (CTN). diz respeito, exclusivamente, aos tributos gerados pela sucedida, jamais pelos atos ilícitos praticados por esta última. E mais, a parte cindida não é tida como sucessora, pois a empresa que fez a cisão permaneceu existindo. Portanto, o pretenso lançamento de multa agravada é nulo, haja vista que o sujeito passivo é outro que não a Impugnante. A pretensa multa deve ser imposta, se for o caso, àquela que praticou o suposto delito — a empresa cindida, mormente, quando esta continuou ativa após a cisão parcial. A sucessão na responsabilidade tributária está cristalinamente definida no Art. 129, do CTN, in verbis : "Art. 129. 0 disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição h data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data." (destacamos) Como se vê, a responsabilidade tributária da sucessão abrange, exclusivamente, os créditos tributários definitivamente constituídos até a data da cisão. Assim, débitos posteriores à cisão são de responsabilidade exclusiva da empresa cindida. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 8 7 Notese que a cisão foi parcial, o que afasta inclusive a figura da sucessão, pois a empresa cindida permaneceu ativa. O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda — CARF, em suas decisões, tem corroborado com o posicionamento da Impugnante, como se vê nas ementas dos acórdãos abaixo: "AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. CISÃO PARCIAL". A responsabilidade solidária de que cuida o art. 50 do Decreto Lei n° 1.598/77, em virtude de cisão parcial, aplicase a Cofins e somente afeta os fatos geradores anteriores ao evento. Para os débitos posteriores, continua sendo sujeito passivo na condição de contribuinte a empresa cindida parcialmente que continua existindo. A contribuição incide sobre as suas próprias receitas, não cabendo falar em transferência de receitas que permanecem sendo contabilizadas nela." (Acórdão n° 20402.903, sessão de 21.11.07) (destacamos). "PENALIDADE — SUCESSÃO — A incorporadora, como sucessora, é responsável pelos tributos devidos pela incorporada, até a data do ato de incorporação, não respondendo por penalidades aplicadas posteriormente a essa data e decorrentes de infrações anteriormente praticadas pela sucedida (CTN, art. 132). (Acórdão 103 21.046, sessão de 16.10.02) Dessa forma, tendo em vista que a suposta infração – crédito utilizado nas compensações inexistente – foi praticada pela empresa cindida, não pode a incorporadora ser a responsável por tal infração, ainda mais levando em consideração que essa cisão foi parcial e a empresa cindida continua ativa. Se há alguém a ser responsabilizado pela geração do crédito indevido, sem dúvidas, não será a Impugnante, mas sim a empresa cindida, que, insistimos, continua em plena atividade. III — DO MÉRITO Senhores Julgadores, superadas as preliminares, também quanto ao mérito, o pretenso Auto de Infração não há como prosperar, senão vejamos: 3.1. Da improcedência da multa 0 pretenso auto de infração, como vimos, trata da multa prevista no artigo 18, da Lei n° 10.833/03, ou seja, multa isolada, em razão de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito utilizado na compensação. Senhores Julgadores, a Impugnante utilizou na compensação não homologada no PAF 10380.901737/200671, crédito oriundo de saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002, apurado pela empresa PANAGRA DO BRASIL S/A, CNPJ (MF) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 9 8 n° 07.793.813/000125), crédito este que veio fazer parte do patrimônio da Impugnante após processo de cisão parcial da PANAGRA. 0 referido saldo negativo do IRPJ, como constatou a fiscalização, originouse com o pagamento antecipado do IRPJ, através de imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) em operações mercantis realizadas por aquela PANAGRA. Quando da incorporação dos ativos da empresa que surgiu, a partir da cisão parcial da PANAGRA, ativos estes da qual fazia parte o saldo negativo do IRPJ, a Impugnante, contrariamente ao que diz a fiscalização, entendeu, com base nos relatórios de avaliação no processo de cisão, que o referido imposto a recuperar era legal, liquido e certo, portanto, passível para ser utilizado como crédito em compensações de seus débitos junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale dizer que a própria fiscalização, no Relatório de Análise Tributária, confirma que o IRRF, que originou o saldo negativo do IRPJ, foi ou está sendo pago pela empresa retentora do imposto, quando afirma às fls. 61/62 deste PAF: "... como tentativa de extinguir este débito de IRRF. Para tal utilizouse de PER/DCOMP alegando a posse de crédito de IPI." e continuou: "Essa última saída foi a adesão ao parcelamento especial em prazo de 180 meses." Ora, Senhores Julgadores, se o IRRF foi ou está sendo pago pela empresa que fez a retenção, então o saldo negativo do IRPJ é liquido e certo. Portanto, não há razão alguma para se negar a compensação realizada pela Impugnante, seja sob a alegação de legitimidade ou insuficiência, ou pior, seja por alegar falsidade da declaração. Se considerada a nãohomologação, estaremos em frente a um caso tipo [sic] de enriquecimento ilícito por parte do fisco. Estará o fisco recebendo uma antecipação de imposto (IRRF) e não permitindo a utilização dessa antecipação como dedução de outros impostos, como determina a lei. Afinal, o saldo negativo do IRPJ em questão existe. Dai, totalmente indevida a negativa na homologação das compensações declaradas pela Impugnante e, por conseqüência, totalmente improcedente o lançamento da multa isolada ora guerreada. 3.2. Da multa qualificada Mesmo que se admita, apenas por amor à discussão, que há fundamentos para a aplicação da multa prevista no artigo 18, da Lei n° 10.833/03, a sua majoração, prevista no parágrafo segundo daquele artigo, é inaplicável no presente caso, senão vejamos: Na Descrição dos Fatos e do Enquadramento Legal do Auto de Infração ora guerreado, os d. Fiscais, como já dito Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 10 9 anteriormente, alegam que o lançamento de oficio decorreu da nãohomologação das compensações declaradas pela Impugnante, pelo fato de tais declarações estarem, nas palavras dos AFRFB, eivadas de falsidade, pois, alegam, que o crédito (saldo negativo de IRPJ) utilizado para a efetivação das compensações houvera sido gerado de forma fraudulenta. Entretanto, no corpo deste processo não se identifica uma única prova de tal fato. No corpo do processo somente há o relato dos indícios trazidos pelos d. Fiscais, sem que haja sido anexado um único documento que comprovasse, de forma contundente, o ali alegado. O pretenso Auto de Infração teve como enquadramento legal o artigo 18, §2°, da Lei n° 10.833/03, que determina: "Art. 18. 0 lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". (...) §2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do debito indevidamente compensado, no percentual: 1 — previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou II — previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1º, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." (destacamos) Como se vê cristalinamente no texto legal acima, para a eficácia do lançamento de oficio, que originou o Auto de Infração em comento, necessária a efetiva comprovação da falsidade, não bastando a sua simples alegação ou relato de indícios defraude. Percebase que a vinculação da multa qualificada, prevista no §1°, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, mencionada no Inciso 11, do § 2°, do artigo 18, da Lei n° 10.833/03, acima mencionado , está restrita aos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71 a 73, da Lei n° 4.502/64, cujos conteúdos valem ser relembrados: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária": (.)""Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 11 10 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento." "Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Ou seja, resta evidenciado que o elemento dolo é presença obrigatória para caracterização tanto da sonegação, quanto da fraude, como do conluio. E, sendo assim, conseqüentemente, o evidente intuito de fraude a que se refere o artigo 44, da Lei n° 9.430/96 também pressupõe a ocorrência de dolo. No presente caso, analisando os elementos contidos nos autos, não há prova alguma de dolo por parte da impugnante, apenas indícios e presunções indicados no relatório da fiscalização. Reiterase não há uma única prova arrolada pelo fisco que comprove, cabalmente, qualquer ilícito por parte da Impugnante. È notário de quem alega ilícito está obrigado a provar o alegado [sic]. É o ônus da prova. Tratase de norma elementar de Direito, que não necessita de maiores explicações ou comentário. No que se refere ao processo administrativo fiscal, uma das mais claras lições a respeito encontramos na obra doutrinária de Hugo de Brito Machado: "0 desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isso não é, nem poderia ser correto num Estado Democrático de direito. 0 ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, alias, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo administrativo fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador." (Mandado de Segurança em Matéria Tributaria, 5ª Edição, Editora Dialética, São Paulo, 2003, página 272). Se, em matéria tributária, é ilegítima a inversão da prova, também inadmissível, como no caso concreto, o uso exagerado de indícios ou alegações que não estejam suportados em fatos cabalmente demonstrados e comprovados. A fraude, a simulação, o dolo, o conluio, não podem ser presumidos, devem, sempre, ser apurados de forma adequada, e comprovadas, através de documentos, perícias, testemunhas, etc. Inúmeras são as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) que corroboram este posicionamento, conforme se verifica nas ementas abaixo: "MULTA DE OFICIO QUALIFICADA — A aplicação da multa de oficio qualificada para 150% depende da Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 12 11 comprovação, pela Autoridade Lançadora, do evidente intuito de fraude." (Acórdão n° 101 96.104, Sessão de 25 de abril de 2007). "MULTA QUALIFICADA — JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO— EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — O lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64." (Acórdão n° 101 95.522, Sessão de 28 de abril de 2006). O nobre Conselheiro Paulo Roberto Cortez, em seu voto no Acórdão 107 05.223. em sessão de 19/08/1998, sobre prova no processo administrativo nos ensina: "(...) 0 ônus da prova da ocorrência de fatos que levam à ocorrência do fato gerador sempre é da autoridade lançadora. Não é correto, com base em alguns indícios, extrairse a conclusão de determinado fato, imputandose ao contribuinte o dever de provar que não compensou prejuízo fiscal indevidamente. Ao contrário, a autoridade é que tem de provar que o prejuízo foi utilizado de forma irregular. Na ausência dos elementos citados, fica bastante vaga a autuação..." (destacamos) Indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de principio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc.. não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. IV — DO PEDIDO Por todo o exposto, a Impugnante requer que seja acolhida a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, quanto ao mérito, que o auto de infração seja considerado totalmente improcedente. Para concluir o presente Relatório, registro que o Despacho Decisório de copia às FLS. 21 foi objeto de Manifestação de Inconformidade interposta pela Interessada nos autos do processo n° 10380.901735/200682 e que, em Sessão realizada em 18 de novembro de 2011, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza— DRJ/FOR, mediante o Acórdão n°22.272 (fls. 880/916), decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a dita Manifestação de Inconformidade. Embora o inteiro teor do Acórdão de n° 22.272 possa ser consultado às fls. 880/916 dos autos do processo de n° Fl. 247DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 13 12 10380.901735/200682, entendi conveniente à instrução dos presentes autos anexarlhes urna copia do mencionado Acórdão, que pode ser encontrada às FLS. 122/157. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. 0 sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu §2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a certeza e liquidez do direito creditório postulado nas DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir essa matéria no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas da infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. PROVA. Cada ato ilícito contém uma determinada carga de lesão à ordem tributária, de modo que determinadas condutas são tão graves a ponto de, por si sós, imediatamente consubstanciarem o Fl. 248DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 14 13 intuito doloso. Outros procedimentos, de menor poder ofensivo, se analisados individualmente, não caracterizam a ação premeditada, no entanto, podem evidenciar o dolo pela forma como foram executados, de onde emergem os subterfúgios utilizados pelo contribuinte para lesar o Fisco. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Age com dolo — no mínimo, eventual — a pessoa jurídica que transmite DCOMP para extinguir débitos próprios, a despeito dos indícios graves, precisos e concordantes que apontam para a inexistência do direito creditório reclamado, havido por sucessão empresarial. Nesse caso, a Declarante assumiu o risco de produzir o resultado delituoso (compensar débitos próprios com créditos inexistentes), circunstância suficiente para a configuração do dolo. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. RELATÓRIO DE TERCEIRO QUE ATESTA A MATERIALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. INAPTIDÃO PARA AFASTAR A CULPABILIDADE. ineficaz, para atuar como excludente do dolo da pessoa jurídica que transmitiu DCOMPs inquinadas de falsidade, o fato de existir relatório elaborado por terceiro, atestando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado na Declaração. Cientificado dessa decisão em 06/02/2012 (fl. 177), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 178/199, em 05/03/2012, em que expõe fatos que não dizem respeito ao presente processo, verbis: I – FATOS A Recorrente, em 24/05/2010, tomou ciência de Auto de Infração lavrado contra si, no valor de R$ 3.249.457,15 (três milhões, duzentos e quarenta e nove mil, quatrocentos e cinquenta e sete reais e quinze centavos), relativo à Multa Regulamentar. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, o AFRFB assim se posicionou: "Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926. do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo ora autuado apresentou, em 08/06/2005, Declarações de Compensação (DCOMP) recepcionadas com os Fl. 249DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 15 14 nºs 12741.71288.080605.1.3.047604 e 32445.03714.080605.1.3.048056, cujos débitos confessados correspondem a R$ 1.083.152.38 e R$ 1.083.152.39 respectivamente.” [...] Ao apreciar o feito, esta Turma de Julgamento não conheceu do recurso voluntário em decisão que adotou a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 RECURSO. OBJETO. INAPTIDÃO. Não se conhece de recurso que trata de objeto diverso do objeto do processo. O contribuinte interpôs os presentes embargos por entender que o acórdão recorrido deixou de considerar parte do texto do recurso voluntário em que havia a indicação correta do objeto da lide, conforme a seguinte transcrição (fl. 229): Assim, não restam dúvidas que o equívoco da Embargante ao descrever, nos "FATOS" do Recurso Voluntário, dados do auto de infração que originou a lide deste PAF, trazendo elementos de outro auto de infração (objeto do mesmo MPF) não deve prejudicar o conhecimento do Recurso Voluntário, haja vista que nas demais partes dos "FATOS", assim como nos argumentos das "PRELIMINARES", do "MÉRITO" e dos "PEDIDOS", a Embargante sempre se referiu ao objeto do Recurso em questão; O ACÓRDÃO N° 0822.271, DA DRJ/FOR. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade. A razão dos embargos é a alegada omissão desta autoridade julgadora ao não considerar trechos do recurso voluntário não conhecido, nos quais foi citado o número do acórdão lá recorrido, o que seria suficiente para suprir o erro cometido na descrição do objeto da lide. De fato, o número do acórdão recorrido é citado na descrição dos fatos contida no recurso voluntário, o que permite ao julgador, mediante a presente petição do recorrente, conhecer o objeto da lide, desconsiderando a indicação erroneamente realizada. O erro do recorrente é verossímil, considerando que é grande o número de lançamentos Fl. 250DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 16 15 tributários realizados em torno do mesmo procedimento adotado pelo contribuinte, junto a um pequeno grupo de empresas. Acolhendo os embargos e dandolhes o efeito infringente necessário, conheço do recurso voluntário e prossigo na sua análise. Conforme já foi relatado, a lide foi instaurada para combater o auto de infração de fls. 2/7, lavrado para exigir multa regulamentar aplicada em razão de terem sido não homologadas as DCOMP de nºs 9102.35802.180705.1.3.023643 e 27970.84214.150705. 1.3.020440. O objeto do presente processo faz parte de um contexto bem mais abrangente do que a simples não homologação das referidas DCOMP. O relato da Administração Fazendária cita uma série de atos praticados por um grupo de empresas que, em conjunto, seria suficiente para caracterizar fraude e simulação com a finalidade de elidir a tributação. Assim, foram lavrados vários autos de infração contra diversos contribuintes. Todos essses lançamentos estão sendo questionados administrativamente. O primeiro, dos processos acima referidos, a ser apreciado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (proc nº 10380.901733/200693) foi distribuído para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, que adotou a seguinte resolução (Resolução nº 1402000.194, de 8 de maio de 2013): Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para que o recurso seja julgado em conjunto com os demais processos conexos, mencionados na tabela integrante do voto condutor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Assim, aquela Turma atraiu para si a competência de julgar todos os processos correlatos, conforme declinado em relação contida nos autos daquele processos. Consta da referida lista o processo nº 10380.901735/200682, ao qual está apensado o referido processo nº 10380.720383/200828, em que foram não homologadas as já citadas DCOMP de nºs 9102.35802.180705.1.3.023643 e 27970.84214.150705.1.3.020440, dando ensejo à sanção questionada no presente processo. Aquele processo (nº 10380.901735/200682) foi originalmente distribuído para a 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. O relator designado, atento à resolução supracitada, propôs, por despacho, que o processo fosse enviado para a referida 2ª Turma Ordinária, o que foi aprovado pela presidente da Turma e pelo presidente da 4ª Câmara (fl. 1.053 do proc nº 10380.901735/200682). O resultado do julgamento daquele processo é determinante para a correta apreciação da matéria em análise. O artigo 55 da Lei nº 13.105, de 2015, determina que os processos conexos devem ser julgados em conjunto, o mesmo ocorrendo com os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias, mesmo sem conexão entre eles: Art. 55. Reputamse conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1801002.337 S1TE01 Fl. 17 16 § 2o Omissis. § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. Assim, entendo ser necessário o julgamento conjunto do presente processo com o referido processo nº 10380.901735/200682. Considerando, ainda, o que determina o artigo 49, § 7º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, voto por declinar da competência de decidir sobre este recurso voluntário e encaminhar o presente processo para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 252DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 23034.000119/2004-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal - STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da cobrança do salário-educação no Enunciado da Súmula 732 do STF.
É devida a contribuição do salário-educação para empresa de engenharia e serviços similares.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente LEME ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da cobrança do salárioeducação no Enunciado da Súmula 732 do STF. É devida a contribuição do salárioeducação para empresa de engenharia e serviços similares. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 01 19 /2 00 4- 22 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 274 2 Relatório Foi emitida Notificação para Recolhimento de Débito NRD n°368/2004, fl.96, contra a empresa supracitada, competências 12/00, 01/01 a 13/01, referente à compensações indevidas e falhas de recolhimentos das contribuições do salárioeducação, administrado à época pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando impugnação requerendo a nulidade da notificação, sob alegação de que a dívida cobrada teria sido compensada, com base em autorização judicial adquirida em Sentença judical concessiva de Mandado de Segurança, na qual foi reconhecido como indevidos os recolhimentos no período de 04/89 a 12/96 garantindo à empresa compensar as verbas recolhidas com as vincendas a partir de 1o de janeiro de 1997, nos moldes disciplinados pela Lei 8.383/91. Com base na Sentença proferida e considerando que não houve o trânsito em julgado da decisão judicial, a empresa considera indevidos os débitos cobrados. Compulsando os autos, o FNDE assevera que a empresa confessa o débito questionado, na medida em que contesta, tão somente, a questão de nulidade da notificação e em momento algum alega que não é devedora. A empresa embasa sua defesa na sentença proferida, ainda em primeiro grau de jurisdição. No entanto, a sentença em que se apega a notificada, não mais lhe serve como embasamento capaz de anular a notificação, como pretende, já que a mesma foi reformada pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região, bem antes da notificação ter sido emitida. A empresa recebeu a NRD no dia 20 de maio de 2004, enquanto a sentença que autorizava a compensação foi proferida no dia 14 de novembro de 2000, e já havia sido reformada por Acórdão proferido pelo TRF 1a Região, no dia 19/09/2001, publicado no DJ, dia 19/02/2002, conforme andamento do site do Tribunal Regional Federal da 1a Região, fl.66. Não havia, à época, como até hoje não há, qualquer decisão judicial que impeça a cobrança, nos moldes em que vem sendo feita. Ademais, mesmo que ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado, a matéria se encontra, inclusive, sumulada pelo Supremo Tribunal Federal o que desimpede o FNDE de continuar a contribuição social que lhe é devida. O FNDE menciona o Enunciado da Súmula 732 do Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da cobrança do salárioeducação. E constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei n"9.424/96. A decisão de primeira instância administrativa do FNDE decidiu pelo indeferimento da impugnação do contribuinte, por intermédio do Ofício nº 595/ 2005/ ÜIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC (fl. 216). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 275 3 O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância do FNDE, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a decisão judicial foi proferida e publicada antes da edição da Lei Complementar nº 104 de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o artigo 170A ao Código Tributário Nacional CTN, impedindo a compensação de tributos antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Em razão disso, a referida alteração legal não se aplica ao caso concreto; a inexigibilidade da contribuição do salárioeducação para as empresas prestadoras de serviço; a reforma da decisão e a anulação da NRD nº 368/2004. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 276 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e será analisado. A Lei 11.457/2007, que dispõe sobre a Administração Tributária Federal, nos termos dos arts. 2º, 3º , 4º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB para administrar os créditos, constituídos ou em constituição, das contribuições sociais relativas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos), aplicando, no que couber, as disposições da lei. O processo administrativo fiscal passa a ser regido pelo Decreto 70.235/72, conforme art. 25 da citada lei. A competência para julgamento de recursos referente às citadas contribuições (Terceiros) passa a ser do 2o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos do art. 29 da Lei 11.457/2007, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com competência para julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 48 da Lei 11.941/2009, e art. 25, inciso II, do Decreto 70.235/72, bem como, Portaria Conjunta PGFN/RFB/PGF/FNDE n° 9, de 11/06/2010 e na Nota CODAC/DICOP n° 05, de 16/06/2010. Consta dos autos que foi emitida Notificação para Recolhimento de Débito NRD n°368/2004, fl.96, contra a empresa supracitada, competências 12/00, 01/01 a 13/01, referente à compensações indevidas e falhas de recolhimento das contribuições do salário educação, administrado à época pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE. Consta da Informação nº 431/2004/SUSME, de 13/05/2004 (fls. 99 dos autos digitalizados): De acordo com o Demonstrativo das BasesdeContribuição, à fl. 51, descrevemos débito das competências 12/99, 13/99, 12/00, 01/01 a 13/01. Esclarecemos que: a) as competências 12 e 13/99, foram recolhidas posteriormente à inspeção, conforme consta no Demonstrativo de Recolhimentos à fl. 10; b) as competências 12/00, 01/01 a 04/01, referemse às compensações parciais indevidas, às fls. 11 e 12, as quais foram incluídas nesta cobrança, conforme Quadro de Lançamento de Débitos à fl. 92; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 277 5 c) levantamos débitos referentes às competências 05/01 a 13/01, tendo em vista que a empresa não comprovou o recolhimento do salário Educação, baseandose na liminar às fls. 21 a 49, processo judicial n° 2000.38.00.0111715 da 14° Vara Federal. Assim sendo, a NRD n°368/2004 se refere as competência 12/2000 a 04/2001 relativas às compensações indevidas e competências 05/2001 a 13/2001 pela falha/falta de recolhimento, conforme Quadro de Lançamento de Débitos do FNDE (fl. 103 dos autos digitalizados). A questão toda se refere a exigibilidade ou não da contribuição do salário educação para as empresas prestadoras de serviço, como posta pela recorrente. O Supremo Tribunal Federal – STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da cobrança do salárioeducação no Enunciado da Súmula 732 do STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei n"9.424/96. Consta do Contrato Social (alteração) que empresa Leme Engenharia Ltda tem por objeto social a prestação de serviços de engenharia (fl. 19). Em consulta ao cadastro do CNPJ: 33.633.561/000187 da empresa Leme Engenharia Ltda, em 21/11/2014, no site da Receita Federal do Brasil – RFB, (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp) constatouse o Código e Descrição da Atividade Econômica principal – CNAE: 71120/00 Serviços de engenharia. A Instrução Normativa – IN/RFB nº 971/2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), anexo I, Tabela I, consta para o CNAE: 71120/00 Serviços de engenharia a vinculação ao FPAS: 507, cuja descrição da atividade é: Serviços de engenharia, inclusive engenharia consultiva prestada na área da Indústria da Construção (art. 577 do DecretoLei nº 5.452, de 1943, gr. 3 CNI). Assim sendo, o enquadramento da empresa Leme Engenharia Ltda é FPAS: 507, CNAE: 71120/00 Serviços de engenharia, inclusive engenharia consultiva prestada na área da Indústria da Construção Civil. O Anexo I da IN/RFB nº 971/2009, Quadro 8 remuneração da mãodeobra empregada no setor industrial, para FPAS: 507 estabelece código para as contribuição de Terceiros (Outras Entidades): 0079, e está distribuído da seguinte forma: FPAS 507 Alíquotas contribuição sobre a remuneração de segurados: Previdência Social:. 20% GILRAT:.......... variável Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 278 6 Código terceiros:... 0079 ou 4163 (se cooperativa) Salárioeducação:.. 2,5% Incra:...................... 0,2% Senai:......................1,0% Sesi:........................1,5% Sebrae:..................0,60% Total Terceiros: .... 5,8% Como demonstrado pelas normas tributária o enquadramento da empresa Leme Engenharia Ltda contempla as contribuições sociais para Terceiros, inclusive a contribuição para o salárioeducação. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, há jurisprudência farta nos Tribunais Federais (TRF1, TRF2, TRF3, TRF4 e TRF5) reconhecendo a constitucionalidade das contribuições do salário educação para as empresas prestadoras de serviços, como exemplo: TRF1: AC 62664220044013801, AC APELAÇÃO CIVEL – 62664220044013801 – Ementa: TRIBUTÁRIO.AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS.ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. RETENÇÃO DO PERCENTUALDE11% PELA EMPRESA CONTRATANTE. AFERIÇÃO INDIRETA LEGITIMIDADE.SALÁRIOEDUCAÇÃO CONSTITUCIONALIDADE. Fonte: eDJF1 DATA:27/11/2013 PAGINA:99. TRF2: AC 200650010036530, AC APELAÇÃO CIVEL – 385621 – Ementa: EMBARGOS À EXECUÇÃO. VALIDADE DA CDA. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.CONSTITUCIONALIDADE.ART. 33, §§3o E 6o DA LEI Nº 8.212/91.CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO: VALIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SAT E SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SESC, SENAC E SEBRAE.PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Fonte: DJU Data::08/10/2007 Página::166/167. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 279 7 TRF3: AC 00048511520044036114, AC APELAÇÃO CÍVEL – 1462571 – Ementa: TRIBUTÁRIO NULIDADE DA SENTENÇA NÃO OCORRÊNCIA PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIOEDUCAÇÃO CONTRIBUIÇÕES AO SESC, SENAC E SEBRAE EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EXIGIBILIDADE CONTRIBUIÇÃO AO INCRA EMPRESAS URBANAS CONSTITUCIONALIDADE PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE. Fonte: eDJF3 Judicial 1 DATA:08/08/2014. TRF4: AC 199970000312962, AC APELAÇÃO CÍVEL – Ementa: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. REQUISITOS DA CDA. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. LEGISLAÇÃO REVOGADA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. 8. As empresas prestadoras de serviços .... Fonte: DJ 23/11/2005 PÁGINA: 846. TRF5: AC 200783080018320, AC Apelação Civel – 473568 – Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA FORMADA DENTRO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONTRIBUIÇÃO AO SAT ESALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADES. 7. As empresas prestadoras de serviços estão incluídas entre as categorias profissionais e econômicas... Fonte: DJE Data::31/05/2012 Página::498. Diante do exposto, concluise que a exigibilidade da contribuição do salário educação para as empresas prestadoras de serviço de construção civil é legal. O contribuinte menciona que a decisão judicial foi proferida e publicada antes da edição da Lei Complementar nº 104 de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o artigo 170A ao Código Tributário Nacional CTN, impedindo a compensação de tributos antes do trânsito em julgado da decisão judicial. As compensações indevidas registradas na NRD n°368/2004 se refere as competência 12/2000 a 04/2001. Como mencionado anteriormente, a sentença judicial em que se apega a recorrente, não mais lhe serve como embasamento capaz de anular a notificação, já que foi reformada pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região. Na época do lançamento fiscal e até o momento atual não há decisão judicial definitiva, assim, não há direito adquirido sobre coisa não definitivamente julgada. A Lei Complementar nº 104, publicada em 11/01/2001, que acrescentou o artigo 170A ao CTN, veda a compensação de valores de tributos antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Na única competência (12/2000) não abrangida pela Lei Complementar nº 104, publicada em 11/01/2001, o lançamento fiscal está respaldado em razão de que não havia Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.000119/200422 Acórdão n.º 2803003.898 S2TE03 Fl. 280 8 direito líquido e certo à compensação de valores, pois não existia decisão definitiva nesse sentido e nem proibição para a cobrança das contribuições. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e §único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, os Fundamentos Legais do Débito, Relatório Fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10950.728041/2013-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/12/2013
Ilegitimidade Passiva. Respondem pela infração a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria, inteligência do artigo 95 do Decreto-lei 37/66.
Divergência entre a mercadoria importada e a descrita na Declaração de Importação - DI. Fraude. Ocorrência.
Aplica-se a pena de perdimento à mercadoria estrangeira chegada ao país com falsa declaração de conteúdo, nos termos do artigo 105, inciso XII, do Decreto-lei 37/66, bem como o artigo 23, inciso IV, do Decreto-lei 1.455/76, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro quando as mercadorias não forem localizadas, ou tenham sido consumidas ou revendidas, nos termos do § 3º, do artigo 23, do Decreto-lei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 12.350/10. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram este julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi. e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/12/2013 Ilegitimidade Passiva. Respondem pela infração a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria, inteligência do artigo 95 do Decretolei 37/66. Divergência entre a mercadoria importada e a descrita na Declaração de Importação DI. Fraude. Ocorrência. Aplicase a pena de perdimento à mercadoria estrangeira chegada ao país com falsa declaração de conteúdo, nos termos do artigo 105, inciso XII, do Decretolei 37/66, bem como o artigo 23, inciso IV, do Decretolei 1.455/76, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro quando as mercadorias não forem localizadas, ou tenham sido consumidas ou revendidas, nos termos do § 3º, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 12.350/10. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram este julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 80 41 /2 01 3- 10 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi. e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Entendeu a fiscalização que a empresa CARDI – CENTRO AVANÇADO DE RADIODIAGNÓSTICO LTDA – EPP, CNPJ nº 05.241.325/000180, cometeu a infração disciplinada pelo artigo 105, inciso XII, do Decretolei 37/66, e artigo 23, inciso IV, do Decretolei 1.455/76, para a qual está prevista a aplicação da pena de perdimento às mercadorias, todavia, em razão da impossibilidade de apreensão, uma vez que as mercadorias não foram encontradas, foi a penalidade convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos termos do artigo 23, § 3º, do Decretolei 1.455/76, conforme consta da “CONCLUSÃO” de fl. 18. O valor da multa aplicada foi de R$ 314.648,16. De acordo com a descrição dos fatos, a fiscalização embasou a autuação nos seguintes fatos e conclusões: · Foram identificadas operações de importação atípicas no porto de Imbituba SC. Mercadorias declaradas como “partes de aparelhos de raio X” vinham sendo importadas por empresas e clínicas médicas de pequeno porte, estabelecidas em diversas partes do território nacional; · Os componentes importados vinham sendo descritos de forma vaga e genérica, sem fazer referência à marca, modelo, fabricante ou número de série; · Uma das exportadoras pesquisadas informa em seu site que a empresa comercializa equipamentos recondicionados, todavia, os licenciamentos solicitados não eram compatíveis com tal situação; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 224 3 · No ano de 2010, foram identificadas 6 (seis) operações desse tipo, todas registradas pelo despachante aduaneiro JOAQUIM ALVES AMORIM, CPF nº 644.124.82804, que também prestava serviços para a empresa CARDI, ora autuada; · Na sequência, diante de tais indícios de irregularidades, 3 (três) cargas com tais características foram retidas pela fiscalização da Receita Federal no porto de Imbituba SC; · Após a fiscalização indeferir o pedido de trânsito aduaneiro da primeira carga, consignada à empresa estabelecida em Curitiba – PR, para o porto seco de Santo André – SP e determinar que o importador deveria proceder ao despacho aduaneiro de importação na Unidade aduaneira de entrada das mercadorias no território nacional, o mesmo solicitou a sua devolução ao exterior, alegando como justificativa “desacordos comerciais entre as partes”; · Tal fato causou estranheza, uma vez que tal decisão implicaria em prejuízo significativo ao importador, em decorrência do valor frete, que se adotada a mesma modalidade de transporte representaria quase 40% (quarenta por cento) do valor dos bens; · Curiosamente, pouco tempo antes, o mesmo importador havia desembaraçado carga semelhante, proveniente do mesmo exportador, também através do porto seco de Santo André – SP; · Coincidentemente, as duas outras cargas que estavam sendo objeto de monitoramento pela fiscalização, essas destinadas a uma clínica localizada em Londrina – PR, também foram objeto de pedido de devolução das mercadorias ao exterior, pelos mesmos motivos; · Para essas 3 (três) cargas, a autoridade aduaneira condicionou a devolução das mercadorias ao exterior à prévia verificação física, com assistência técnica de perito da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 · Para a primeira carga, consignada a importador de Curitiba – PR, foi emitido o Laudo Técnico 34/2010. Tal documento aponta que a carga, em verdade, era composta de 9 (nove) unidades de mamografia e 1 (uma) unidade de raio X, todas usadas, e ainda um tubo de geração de raio X para tomógrafo computadorizado, novo, além de pequenas peças e componentes avulsos, restando caracteriza a falsa declaração de conteúdo. Em sua quase totalidade, os equipamentos se faziam acompanhar por manuais e softwares, e apresentavam a identificação dos respectivos fabricantes, modelos e números de série; · Para as cargas destinadas à empresa localizada em Londrina – PR, foi emitido o Laudo 33/2010, que também apontou falsa declaração de conteúdo; · A empresa CARDI, localizada em Umuarama – PR, utilizandose do mesmo modus operandi, havia realizado 4 (quatro) importações de mercadorias semelhantes, do mesmo exportador, Declarações de Importação – DI nº: 08/15990493; 08/18502490; 08/20256352 e 08/20282469; · Em cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal, a fiscalização compareceu na sua sede com a finalidade de fazer a verificação física das mercadorias importadas, bem como a conferência dos documentos que ampararam tais importações; · O sócio da empresa CARDI apresentou à fiscalização apenas um aparelho tomógrafo, tendo afirmado ter sido esse o único equipamento importado. Questionado sobre as circunstâncias da operação de importação, informou que a empresa foi procurada por empresa localizada em São Paulo, a qual lhe ofereceu o aparelho e tratou de todo o processo de importação, desde o contato com o exportador até a entrega do bem, além do pagamento da operação e dos tributos devidos. Receberam o equipamento completo, não tendo havido, portanto, importação de partes de equipamentos médicos; · Através de Intimação, a fiscalização solicitou à CARDI que apresentasse os documentos instrutivos dos despachos aduaneiros, todavia, a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 225 5 resposta foi negativa, tendo a empresa justificado, em síntese, que não efetuou tais importações, conforme contrato apresentado na oportunidade; · O citado contrato tratase de instrumento particular de compromisso de venda e compra relativo a 1 (um) equipamento completo, tendo como vendedor o Hospital Planet LCC, situado nos EUA, representado no Brasil pela empresa MED LINE EQUIPAMENTOS MÉDICOS HOSPITALARES LTDA., CNPJ nº 02.911.696/000133; · O citado despachante aduaneiro também foi intimado, porém não se manifestou; · Diante do exposto, concluiu a fiscalização pela falsidade das Declarações de Importação registradas pela autuada, por entender que os produtos importados tratavamse de equipamentos médicos diversos, completos e usados; · Entendeu a fiscalização que a fraude observada teria diversas implicações tributárias, conforme descrito à fl. 7, todavia, a autuação restringiuse à “falsa declaração de conteúdo”. Ciente da autuação em 26/12/2013 (fl. 131), a empresa autuada apresentou impugnação e documentos em 22/01/2014 (fls. 133 a 163), cuja tempestividade foi reconhecida pela fiscalização à fl. 170. Alegou que: 1. Em 08/07/2008, compareceu na sede da impugnante DANIEL CESTA PEREIRA, dizendose proprietário/representante da empresa brasileira MED LINE EQUIPAMENTOS MÉDICOS HOSPITALARES LTDA.; 2. Ao solicitar a aquisição do equipamento CT SCANNES GE 2002 HISPEED CT/E foi lhe apresentado o Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra, ora anexado, como se a impugnante estivesse adquirindo o aparelho da empresa estrangeira HOSPITAL PLANET LCC, de MIAMI; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 3. Entendeu estar adquirindo o produto contratado de empresa brasileira que comercializava produtos importados; 4. Após alguns meses, o representante da MED LINE compareceu com vários documentos, dentre eles procurações em favor de suposto despachante; 5. Negada a assinatura de tais documentos, o referido representante alegou serem os documentos necessários para as formalidades de liberação da mercadoria no porto; 6. Jamais imaginou que a empresa MED LINE havia se utilizado de tais documentos para realização de importação ilícita, inclusive de vários equipamentos não contratados; 7. Não queria importar, mas apenas adquirir produto de empresa brasileira que vendia equipamentos hospitalares; 8. Quando recebeu a visita de Auditores Fiscais, em 03/05/2012, ficou claro que a impugnante foi vítima de golpe, pois a MED LINE e seus comparsas se aproveitaram dos documentos por ela assinados; 9. O Fisco, mesmo ciente de que clínicas, aí incluindo a impugnante, foram vítimas dos atos ilegítimos praticados pela MED LINE e Hospital Planet LCC, preferiu responsabilizála, a ter que investigar eficazmente. Ao fazer isso, atribuiu objetivamente responsabilidade às clínicas, no caso, à impugnante; 10. A atribuição de responsabilidade pela infração tributária à impugnante se deu de forma objetiva. A impugnante, ao contrário, foi vítima, a prova disso é a grande quantidade de material importado em seu nome através de procuração indevida; 11. Afirma que a MED LINE, o HOSPITAL PLANET e respectivo despachante aduaneiro venderam os materiais a terceiros desconhecidos; 12. Tudo indica que essas pessoas aproveitaramse da insuficiência de conhecimento das técnicas aduaneiras das clínicas para fraudar processos de importação e enriquecerem ilicitamente; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 226 7 13. O fato do Fisco não ter encontrado a sede da empresa MED LINE revela que ela foi criada com propósito específico de cometer ilícitos tributários; 14. A legislação tributária diz ser pessoal a responsabilidade pelas infrações quando presente o dolo específico do agente mandatário, contra os seus mandantes, é o que se encontra prescrito no artigo 137 do Código Tributário Nacional CTN; 15. O fato de não ser encontrada a empresa demonstra que os mandatários agiram com dolo específico para cometer infração tributária, a revelia da impugnante. Cita doutrina; 16. Não sabia das operações realizadas em seu nome, nem mesmo do conteúdo das declarações de importação, sendo que os resultados foram angariados pelos golpistas. Cita julgado do Tribunal Regional Federal – 4ª Região; 17. Por não ter autorizado importação na forma declarada e estando na condição de vítima de atos ilegítimos de mandatários, não pode responder pela infração tributária; Ao final, requer seja a impugnação recebida, para que, ao final, seja reconhecida a sua ilegitimidade passiva, pois não pode responder por infração cometida por terceiros, sem a sua ciência, na forma do artigo 137 do CTN.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO n° 1661.320, de 10/09/2014, proferida pelos membros da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/12/2013 Falsa declaração na importação. Fraude. Divergência entre a mercadoria importada e sua discriminação na Declaração de Importação DI. Aplicase a pena de perdimento à mercadoria estrangeira chegada ao país com falsa declaração de conteúdo, a teor do disposto pelo artigo 105, inciso XII, do Decretolei 37/66, e artigo 23, inciso IV, do Decretolei 1.455/76, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro quando as mercadorias não forem localizadas, ou tenham sido consumidas ou Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 revendidas, nos termos do § 3º, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 12.350/10. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressaltese que o litígio versa sobre Declaração de ImportaçãoDI com conteúdo falso. Foi declarado o perdimento das mercadorias importadas e não sendo encontradas,foi convertida a penalidade em multa equivalente ao valor aduaneiro, em quantia arbitrada. Rebate a recorrente que não fez as DIs e não autorizou s importações, tampouco sabe do destino das mercadorias ilicitamente importadas. Houve aquisição de CT Scanner GE (tomógrafo), (fl. 196pdfdescrição no recurso voluntário) e que o representante da Med Line Equipamentos Hosp Ltda apresentou instrumento particular de compra e venda como se a recorrente estivesse comprando do Hospital Planet LCC em Miami. Enfim, foi vítima de golpe e que não realizou essas importações, que está sendo acusado. O processo digitalizado foi a mim encaminhado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A Descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is) do Auto de Infração dispõe (fls. 04 a 18pdf): 001 MERCADORIA ESTRANGEIRA FALSA DECLARAÇÃO DE CONTEÚDO ANTECEDENTES Em procedimento de rotina de monitoramento e avaliação do risco aduaneiro de importações, foram identificadas operações atípicas pelo porto de Imbituba.Mercadorias declaradas como "partes de aparelhos de raios X", classificação fiscal NCM 90229090, vinham sendo importadas por empresas e clínicas médicas de pequeno porte, estabelecidas em diversas localidades do território nacional. Aparelhos de raios X para diagnósticos especialmente suas partes e peças de reposição normalmente são importados por subsidiárias das fabricantes sediadas no exterior, sendo revendidos no mercado interno com assistência técnica de instalação e manutenção,sendo improvável que uma clínica de pequeno porte adquira diretamente de exportador não fabricante quantidades expressivas de partes e peças desses equipamentos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 227 9 Além da atipicidade comercial, outros detalhes revelam o caráter inusitado dessas operações: a descrição absolutamente vaga e genérica dos componentes ("detector", "gantry","colimador", "console", etc.) na documentação e nas declarações de importação, sem qualquer referência a marcas, modelos, fabricantes ou números de série. a informação constante no site de uma das empresas declaradas como exportadora (http://www.unitedmedicaltech.com/) de que os equipamentos por ela comercializados são recondicionados, e o fato de que o licenciamento concedido para tais importações não serem compatíveis com essa situação. ......... A Inspetoria da Receita Federal do Brasil no porto de Imbituba passou então a monitorar a chegada de cargas com essas características e reteve três delas para verificações. Em 28/09/2010, o navio HAMMONIA MASSILIA, procedente do porto de San Antonio – Chile, descarregou, no porto de Imbituba, o contêiner FSCU6617560 (de 40 pés, com 15.896 Kg), carga embarcada em Port Everglades, EUA, consignada à Empresa estabelecida em Curitiba. Em 01/10/2010, o importador registrou Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA), pleiteando regime especial aduaneiro suspensivo de tributos para transportar a carga,por via rodoviária, até o Porto Seco alfandegado de Santo André SP, onde a mesma seria submetida a despacho aduaneiro de importação. A concessão do regime de trânsito foi indeferida, sendo o importador cientificado de que deveria proceder ao despacho de importação na unidade aduaneira de entrada da mercadoria no território nacional. Em vez de registrar a Declaração de Importação, no entanto, o importador requereu, em 18/11/2010, a devolução da mercadoria ao exterior. Como justificativa, alegou "desacordos comerciais entre as partes" que o levaram a desistir da compra, tornando a "operação de nacionalização dos bens importados inviável". A alegação para a devolução da mercadoria causou estranheza, pois implicaria prejuízo considerável para as partes. O frete de US$ 6.826,00 representou quase 20% do valor declarado da mercadoria. Se fosse adotada a mesma modalidade de transporte para o retorno, quase 40% do valor dos bens seriam consumidos em transporte, sem considerar oscustos de armazenamento. Além disso, o pagamento já havia sido feito antecipadamente e a continuidade do transporte até a unidade aduaneira de despacho desejada pelo importador já havia sido solicitada. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Esses "desacordos comerciais" não impediram que pouco tempo antes (em 20/08/2010), o mesmo importador tenha concluído negócio idêntico. Naquela data foi desembaraçada, no Porto Seco de Santo AndréSP, Declaração de Importação relativa a importação semelhante, do mesmo exportador. As duas outras cargas que estavam sob monitoramento da Aduana não foram objeto de solicitação de trânsito aduaneiro. Consignadas a um importador diferente (uma clínica estabelecida em Londrina), coincidentemente, também tiveram sua devolução ao exterior solicitada, pelos mesmos motivos. Como tais fatos aumentaram as suspeitas de falsa declaração da mercadoria que entrara no país, a Autoridade Aduaneira condicionou sua devolução à verificação física de seu conteúdo, com assistência técnica de perito da Universidade Federal de Santa Catarina para sua identificação. Abertos os contêineres e as embalagens, constatouse que realmente o conteúdo da carga não era de partes e peças novas, mas de equipamentos completos, recondicionados. O Laudo Técnico 34/2010, anexado ao presente processo, lavrado pelo Prof. Dr. Lauro César Nicolazzi, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, foi apresentado à IRF Imbituba em 25/01/2011. Em síntese o documento registra que o conteúdo daquela carga era composto por 2 (dois) tomógrafos computadorizados, 9 (nove) unidades de mamografia e 1 (uma) unidade de raios X, todas usadas, e ainda de um tubo de geração de raios X para tomógrafo computadorizado, novo, além de pequenas peças e componentes avulsos. Em sua quase totalidade, os equipamentos estão acompanhados dos manuais e softwares e têm identificados seus fabricantes, modelos e números de série, ficando caracterizada, de forma inequívoca, a falsa declaração da mercadoria chegada ao país. Fora apresentado ainda o Laudo 33/2010, de importação referente à Empresa sediada em Londrina, comprovando também idêntica Falsa Declaração de Conteúdo. DOS FATOS A Empresa CARDI CENTRO AVANÇADO DE RADIODIAGNÓSTICO LTDA., através das Declarações de Importação (DIs) nº 08/15990493, 08/18502490, 08/20256352 e 08/20282469 tendo os respectivos valores aduaneiros: R$ 69.500,40; R$ 88.089,60; R$ 71.185,37 e R$ 85.872,79, totalizando R$ 314.648,16 (trezentos e quatorze mil seiscentos e quarenta e oito reais e dezesseis centavos). Utilizandose do mesmo "modus operandi" anteriormente descrito, importou várias mercadorias semelhantes, descritas genericamente como partes de equipamentos médicos,do mesmo Exportador. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 228 11 Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Diligência MPF nº09105002012/00161, comparecemos na sede da Empresa Importadora com a finalidade de apurar os fatos que envolveram a importação, bem como realizar a verificação física das mercadorias importadas e conferência dos documentos que ampararam tais importações,conforme Termo de Diligência em anexo. O sócio proprietário da Empresa, Márcio Moriyoshi Nagazava, nos apresentou apenas um aparelho tomógrafo e afirmou ter sido o único e equipamento importado pela CARDI. Questionado sobre as circunstâncias da operação de importação, informou que a Empresa foi procurada por uma Empresa sediada em São Paulo, a qual lhes ofereceu o produto e tratou de todo processo de importação, desde o contato com o exportador até a entrega da mercadoria, bem como realizou todos os pagamentos da operação e dos tributos devidos. Receberam, portanto, o equipamento COMPLETO, não tendo havido, portanto, importação de partes de equipamentos médicos. Lavrouse o Termo de Intimação Fiscal nº 56/2012, para que a Empresa apresentasse os documentos instrutivos do despacho aduaneiro, a mesma manifestouse em reposta alegando o seguinte: "Anunciamos que as declarações de importação não foram por nós realizadas, conforme contrato anexado, estando alheios aos procedimentos e justificativas, razão pela qual declinamos da apresentação". Apresentou Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de um equipamento completo, tendo como vendedor o Hospital Planet LCC, situado nos EUA e representada no Brasil pela Empresa Medline Equipamentos Médicos Hospitalares Ltda. CNPJ 02.911.696/000133, com as seguintes características: "CT scanner GE 2002 HISPEED CT/E Single Slice, Tube: 2.0 MHU MX 135, 21.000 Slice;Software Level 6.03, Options: Hlical 3D Max, Fast Scan 1.0 Sec, Helical Plus, Power 200mA Max, 1 mm Thickness, Helical 60 Max, 3D, SmartPrep, Dicom 3.0. Intimado em 19/04/2013 através dos Correios, o Despachante Aduaneiro, Joaquim Alves Amorim, não se manifestou. Diante do Exposto e com base nos Laudos Técnicos 33/2010 e 34/2010, realizados a pedido da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Imbituba/SC, que fazemos constar no presente processo como prova, nos termos do artigo 30 do Decreto 70.235/72, pela impossibilidade de realização de verificação física das mercadorias importadas, por não haverem sido localizadas, concluímos pela falsidade na declaração de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 conteúdo das mercadorias importadas, por se tratarem de equipamentos médicos diversos, completos e usados. São várias as implicações tributárias decorrentes da fraude praticada, dentre elas: tributos evadidos devido à subvaloração dos produtos, às páginas 11/14 do Laudo 33/2010 é citada pesquisa de preço desses equipamentos montados; descumprimento de obrigações acessórias – produtos usados só podem adentrar no país com licenciamento de importação; ocultação de sujeito passivo, tendo em conta que os equipamentos não foram encontrados no estabelecimento do Importador; fraude cambial, demonstrada com a apresentação de contrato de compra e venda, pois as importações foram declaradas sem cobertura cambial;inobservância da guarda e ordem dos documentos relativos às transações, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária. (a autuação restringiuse à falsa declaração de conteúdo) ........ Inicialmente, destaco que em sede de recurso voluntário, as alegações foram, basicamente, em torno da ilegitimidade passiva, erro na identificação do sujeito passivo e a não responsabilidade tributária. Em preliminar, que no caso vertente se confunde com o mérito, cumpre analisar, de pronto se a recorrente deve constar como sujeito passivo ou não. No comércio exterior, o art. 94 do Decretolei 37/66 define o que vem a ser infração: constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los. Por sua vez, o artigo 95 do Decretolei 37/66, dispõe: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II [......]; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 229 13 VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006 ) Por conta do inciso IV acima, não resta dúvida que a recorrente concorreu para a prática da infração pois a mesma consta como importadora nas quatro declarações de importação, com falsa declaração de conteúdo, bem como com a indicação do despachante aduaneiro de sua eleição. Ou seja, CARDI CENTRO AVANÇADO DE RADIODIAGNÓSTICO LTDA., importou as mercadorias, através das Declarações de Importação (DIs) nº 08/1599049 3, 08/18502490, 08/20256352 e 08/20282469 tendo os respectivos valores aduaneiros: R$ 69.500,40; R$ 88.089,60; R$ 71.185,37 e R$ 85.872,79, totalizando R$ 314.648,16 (trezentos e quatorze mil seiscentos e quarenta e oito reais e dezesseis centavos), às fls. 23 a 42 (pdf) e todas constam a CARDIO como importador e adquirente das mercadorias. O Art. 104. do Regulamento Aduaneiro/2009 (Decreto de n° 6.759/2009) dispõe: É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; II o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; e III o adquirente de mercadoria entrepostada. As quatro DIDeclarações de Importação referidas acima, foram registradas em seu nome, na modalidade direta, informando a importação de “PARTES E ACESS. P/ APARS. DE RAIOS X / OUTS. RADIAÇÕES, ETC”, classificadas no código (NCM) 9022.90.90, e “PARTES E ACESS. P/ OUTS. MAQS. APARS. INSTRUM. DE ÓPTICA, ETC”, classificadas no código 90.33.00.00, no entanto, em procedimento de diligência, a fiscalização no estabelecimento da mesma, encontrou 1 tomógrafo (sócio da empresa autuada, MÁRCIO MORIYOSHI NAGAZAVA, informou que esse teria sido o único equipamento efetivamente importado). Consta Termo de diligência, à fl. 43 (pdf). Alega a recorrente que teria sido vítima de esquema fraudulento de importação de mercadorias estrangeiras perpetrado pelo HOSPITAL PLANET, localizado em Miami – EUA, pela empresa brasileira MED LINE e por suposto despachante aduaneiro. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 O CTN aplica o princípio da responsabilidade objetiva em seu artigo 136. O artigo 136 do Código Tributário Nacional – CTN descreve sobre a responsabilidade tributária por infração: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O respectivo artigo acima referido aponta a responsabilidade tributária objetiva, que independe da intenção do agente e da natureza ou extensão dos efeitos do ato, dessa forma, suficiente é que sejam verificadas se as circunstâncias materiais que determinam a aplicação da punição estavam presentes, como é o caso. A recorrente insiste em que por insistência da MED LINE assinou diversos documentos, entre esses, procurações em favor do despachante aduaneiro. Enfim, a alegação de que teria sido vítima de golpe não foi demonstrada, nos autos. Em sua defesa, apresentou o Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra, de fls. 143 a 148, firmado entre o HOSPITAL PLANET LCC, localizado em Miami – EUA (vendedor), representado no Brasil pela empresa MED LINE, e a autuada (compradora), tendo como objeto um aparelho tomógrafo denominado CT SCANNER GE 2002 HISPEED CT/E, todavia, tal aparelho não se encontra entre as mercadorias relacionadas nas quatro Declarações de Importação em litígio, caracterizando a infração aplicada. Alegações enveredam em que a recorrente acreditou na MED LINE, e que desconhecia o conteúdo das DI, mas foi ludibriada pelos demais intervenientes, que teriam vendido as mercadorias a terceiros desconhecidos. Tais pessoas teriam se aproveitado de seu conhecimento insuficiente das normas aduaneiras para fraudar processos de importação e enriquecerem ilicitamente. Portanto, são diversas alegações, mas não prova com nenhum documento que pudesse confirmálas. Por fim, alega que a legislação tributária diz ser pessoal a responsabilidade pelas infrações quando presente o dolo específico do agente mandatário, contra os seus mandantes, conforme prescrito no artigo 137 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 230 15 “Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas.” O artigo 137 citado acima arrola situações em que a responsabilidade por infrações é pessoal do agente, não, obviamente, em situação na qual ele atue em seu nome e por sua conta, mas em casos nos quais, embora agindo em nome e por conta de terceiro, a responsabilidade é imputada ao próprio agente ou executor material. O autor responde pelas infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitido por quem de direito. Pelo exposto, a situação de prestar declaração falsa sobre conteúdo de Declaração de Importação é suficiente para comprovar a sujeição passiva, caracterizando a ocorrência da infração que lhe foi atribuída. Passando à penalidade atribuída. Transcrevese trecho do Auto de Infração (fls 3 a 21): Em procedimento de rotina de monitoramento e avaliação do risco aduaneiro de importações, foram identificadas operações atípicas pelo porto de Imbituba. Mercadorias declaradas como "partes de aparelhos de raios X", classificação fiscal NCM 90229090, vinham sendo importadas por empresas e clínicas médicas de pequeno porte, estabelecidas em diversas localidades do território nacional. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Aparelhos de raios X para diagnósticos especialmente suas partes e peças de reposição normalmente são importados por subsidiárias das fabricantes sediadas no exterior, sendo revendidos no mercado interno com assistência técnica de instalação e manutenção, sendo improvável que uma clínica de pequeno porte adquira diretamente de exportador não fabricante quantidades expressivas de partes e peças desses equipamentos. ....... (........) Diante do Exposto e com base nos Laudos Técnicos 33/2010 e 34/2010, realizados a pedido da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Imbituba/SC, que fazemos constar no presente processo como prova, nos termos do artigo 30 do Decreto 70.235/72, pela impossibilidade de realização de verificação física das mercadorias importadas, pornão haverem sido localizadas, concluímos pela falsidade na declaração de conteúdo das mercadorias importadas, por se tratarem de equipamentos médicos diversos, completos e usados. São várias as implicações tributárias decorrentes da fraude praticada, dentre elas: tributos evadidos devido à subvaloração dos produtos, às páginas 11/14 do Laudo 33/2010 é citada pesquisa de preço desses equipamentos montados; descumprimento de obrigações acessórias – produtos usados só podem adentrar no país com licenciamento de importação; ocultação de sujeito passivo, tendo em conta que os equipamentos não foram encontrados no estabelecimento do Importador; fraude cambial, demonstrada com a apresentação de contrato de compra e venda, pois as importações foram declaradas sem cobertura cambial; inobservância da guarda e ordem dos documentos relativos às transações, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária. Em assim sendo, a infração apontada é a do art. 105, inciso XII, do Decreto lei 37/66, e artigo 23, inciso IV, do Decretolei 1.455/76, para a qual está a prevista a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas, no caso, diante da impossibilidade de apreensão, já que elas não foram localizadas, foi aplicada à autuada a multa prevista pelo artigo 23, § 3º, do Decretolei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 12.350/10 (multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação), regulamentado pelo § 1º, do artigo 689, do Regulamento Aduaneiro/2009, regulamentado pelo Decreto 6.759/09. Decretolei 37/66 “Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: I – [.......]; XII estrangeira, chegada ao país com falsa declaração de conteúdo;” Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.728041/201310 Acórdão n.º 3802004.233 S3TE02 Fl. 231 17 Decretolei 1.455/76 “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I – [.......]; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V – [........]. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 )” Decreto 6.759/09 – Regulamento Aduaneiro “Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): I – [.....] § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41).” Enfim, a recorrente apresentou, inclusive, em sua defesa, o Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra, de fls. 143 a 148, firmado entre o HOSPITAL PLANET LCC, localizado em Miami – EUA (vendedor), representado no Brasil pela empresa MED LINE, e a autuada (compradora), tendo como objeto um aparelho tomógrafo denominado CT SCANNER GE 2002 HISPEED CT/E, todavia, tal aparelho não se encontra entre as mercadorias relacionadas nas quatro Declarações de Importação autuadas, configurando, assim, a infração descrita pela fiscalização. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 Dessa forma, é inconteste a ocorrência da tipificação legal apontada pela autuação. Pelo exposto, com base no Relatório Fiscal e a decisão recorrida, o lançamento está lastreado com provas irrefutáveis de prática de fraude na importação. Portanto, a recorrente tem legitimidade passiva e diante dos fatos, negase provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais elementos. É como voto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10715.007652/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 76 52 /2 00 9- 19 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.007652/200919, contra o acórdão nº 0728.357, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 22 de julho de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 95.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 95.000,00 para R$55.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 79/97, expondo que: 1 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 7 6 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 8 7 No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 9 8 Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 10 9 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007652/200919 Acórdão n.º 3801004.903 S3TE01 Fl. 11 10 exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 19/0 2/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001465/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 65 /2 00 9- 61 Fl. 6427DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 03/2004 a 10/2008. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 127/134), alegando, em síntese, que: 1. Argui que a fiscalização compreendeu período distinto daquele constante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. O citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que de todos os autos de infração resultantes da ação fiscal constam relatórios e anexos com valores os mais diversos, ora pelo descumprimento de obrigações principais ora pelo de obrigações acessórias. Afirma que supriu a fiscalização em suas exigências na preparação da folha de pagamento e na entrega de documentos e relatórios complementares, embora todos já constassem de lançamento em sua contabilidade. Também procedeu correção de GFIP, incluindo ali todos os segurados encontrados em sua contabilidade; 3. Alega que a fiscalização não considerou os valores retidos e destacados em suas notas fiscais, e quando o fez, ao invés de apropriálos na obra correta, lançouos em seu CNPJ, o que aumentou o crédito no CNPJ em detrimento dos débitos apurados nos respectivos CEI/Obras. Informa a juntada de cópias de notas fiscais e de GFIP que, juntamente com as folhas de pagamento, permitirão a correta apuração das contribuições em cada um dos CEI e também no CNPJ; 4. Elabora planilha, denominada Anexo I, contemplando os débitos e créditos que entende devidos, inclusive com as retenções sofridas, e conclui que o valor ainda devido Seguridade Social é o de R$10.841,51, importância esta que deveria ser a base para as penalidades legais aplicadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.398 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 531/537) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. Fl. 6428DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001465/200961 Acórdão n.º 2402004.565 S2C4T2 Fl. 3 3 A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 6429DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.398 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 531/537) – em 25/03/2011 (sexta feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 6430DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001465/200961 Acórdão n.º 2402004.565 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 6431DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904908/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF)
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF) Fato Gerador: 25/04/2001 IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904908/200811 Acórdão n.º 210202.047 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 22585.56853.106104.1.3.049167, transmitida eletronicamente em 16 de janeiro de 2004, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904908/200811 Acórdão n.º 210202.047 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ, PIS/PASEP, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721908/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
Ementa:
IPI. CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA IMPROCEDÊNCIA.
Não cabe aplicar o arbitramento de alíquota do IPI pelo valor médio, por falta de previsão legal.
Outrossim, fere-se o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-001.598
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/SP nº 194.504. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/SP nº 194.504. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA IMPROCEDÊNCIA. Não cabe aplicar o arbitramento de alíquota do IPI pelo valor médio, por falta de previsão legal. Outrossim, ferese o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/SP nº 194.504. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 19 08 /2 01 2- 21 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 289 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO contra Acórdão nº 1444.136, de 27 de agosto de 2013, proferido pela 12ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade, considerou improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, foi lavrado o auto de infração às fl. 409/410, em 13/09/2012, para exigir R$ 13.328,19 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 6.345,78 de juros de mora calculados até 31/08/2012 e R$ 33.437,74 de multa regulamentar, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 53.111,71. Segundo a descrição dos fatos, às fls. 411/415, que remete ao termo de verificação de infração às fls. 381/390, o estabelecimento, equiparado a industrial, deu saída a produtos sem o lançamento do imposto. Sendo a fiscalizada um centro de distribuição, tratase da saída no mercado interno de mercadorias de procedência estrangeira para outros estabelecimentos da mesma firma ou estabelecimentos para os quais há caracterização de interdependência, sendo o valor tributável mínimo previsto no RIPI/2010, art. 195, I e II, e sendo o arbitramento do valor tributável previsto no art. 197. Foi feito o arbitramento a partir de informações prestadas na DIPJ (fls. 59/370), pelo lucro bruto e giro de estoque médio (2/3 das mercadorias saídas no próprio mês e 1/3 delas saídas no mês subseqüente), conforme o procedimento minuciosamente narrado nos tópicos 31 a 50 do termo de verificação de infração (fls. 386/389), à compulsação na reprodução integral a seguir: “F LEVANTAMENTOS E AUDITORIAS PARA DETERMINAÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO 31. Inicialmente, analisamos os documentos fiscais e contábeis da empresa e as informações que constam nos sistemas da RFB, referentes ao ano de 2007 e Fl. 666DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 290 3 2008, com o fito de determinar os valores de IPI eventualmente devidos e não recolhidos ou declarados. 32. Assim, levantamos todas as importações realizadas pelo estabelecimento fiscalizado da empresa nos anos em comento, segregamos aquelas que sofrem incidência do IPI na saída e possuem alíquota diferente de zero. Essas importações passaram a ser nosso objeto de trabalho e a que nos referiremos a partir daqui. 33. Da análise dessas importações e verificação da descrição que corresponde ao NCM dessas mercadorias e ainda das descrições constantes nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte, constatamos que não há elementos que permitam identificálos perfeitamente como um produto específico. O Ato Declaratório Normativo da SRF, ADN CST 5, de 04/05/82, define: " . . . o termo produto...indica uma mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver...". 34. Além disso, como se pode observar nas descrições dos códigos NCM, constantes do anexo referido no item 12 acima, tratase de mercadorias que, pela sua natureza, possuem uma diversidade enorme na quantidade e qualidade dos insumos presentes na sua composição, além de outras variáveis importantes na definição de preços, tais como: procedência, origem, data de vencimento, relação de interdependência com o fornecedor entre outros. 35. Por outro lado, nos registros de que trata o Sintegra, apresentados pelo contribuinte, não é possível identificar e segregar, com exatidão e exaustão, nas operações de saída de mercadorias, todas aquelas que deveriam sofrer incidência do IPI, embora podese concluir inequivocamente que houve saídas de bens de origem estrangeira. Tampouco é possível verificar correspondência com os itens das importações descritas no item 32. 36. Pelo exposto nos itens 33 a 35, verificase a impossibilidade de caracterizar, com os elementos disponíveis, a fungibilidade das mercadorias sob análise, fato que exclui a aplicação do inciso I do art. 195 do RIPI na determinação do Valor Tributável Mínimo (item 28 acima). 37. Pela impossibilidade de aplicação do inciso I do art. 195 do RIPI na determinação do Valor Tributável Mínimo, foi expedida a intimação descrita no item 12 com o objetivo de apurar os preços médios mensais de venda ao consumidor, com o fito de buscar a aplicação do Inciso II do art. 195 do RIPI. Ressaltamos mais uma vez que a ação fiscal é em face de estabelecimento da empresa Identificada em epígrafe, que tem como propósito operacional a aquisição de mercadorias no mercado interno e externo, armazenálas e distribuílas a outros Fl. 667DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 291 4 estabelecimentos da mesma empresa ou de outras com relação de interdependência, que atuam exclusivamente no comércio varejista. 38. Como já relatado no item 13 acima, a empresa não logrou êxito em atender ao solicitado e apresentou alegações que corroboram a conclusão deste procedimento fiscal, exarada no item 36, emanada das razões expostas nos itens 33 a 35. 39. Dessa forma, considerando as constatações descritas nos itens anteriores seguindo a sequência determinada pelo RIPI para a obtenção do Valor Tributável, restou à Fiscalização o arbitramento desse valor, como forma de preservação do principio constitucional da igualdade tributária. Não é admissível a determinado contribuinte absterse do pagamento do imposto devido, tendo sido notória e comprovada a ocorrência dos fatos geradores, pelo simples motivo de haver dificuldades na obtenção dos elementos necessários ao lançamento, e é por essa razão, dentre outras, que a lei autoriza o arbitramento. 40. Assim, não há que falarse em arbitramento do fato gerador. As circunstâncias de sua ocorrência, quando desconhecidas, poderão tão somente ser presumidas. A ocorrência do fato gerador é indiscutível, entretanto, o momento de sua ocorrência será presumido, conforme descrito mais adiante. Por outro lado, o arbitramento referese apenas ao conseqüente da norma individual e concreta, enquanto procedimento que busca a apuração da base de cálculo e outros elementos necessários à apuração do tributo devido com a ocorrência do fato gerador. Tal faculdade de arbitrar, lembra Souto Maior Borges, "não se confunde com a pura e simples arbitrariedade, incompatível com os critérios que presidem a atuação dos órgãos da Administração Fazendária.", sendo certo que o sujeito passivo poderá contestar o arbitramento e realizar avaliação contraditória tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito judicial. 41. Para melhor ilustrar, destacamos algumas ementas de julgados administrativos e judiciais a seguir: ARBITRAMENTO (Ac. n° 20206912, de 16/06/94, da 2ª Cam. Do 2° CC – DO de 06/04/95, pg. 4874) Não tendo o contribuinte logrado provar fato concreto para alterar o lançamento, prevalece o critério utilizado no arbitramento, quando afeiçoado à legislação e utilização de critérios razoáveis à vista das condições em que se encontrava a escrituração. BASE DE CÁLCULO VENDAS PARA INTERDEPENDENTE (Ac. 201 64983/88 da 1ª Câmara do 2º CC unânime). O valor tributável mínimo é o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente ou, na sua falta, o custo de Fl. 668DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 292 5 fabricação acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, lucro e demais parcelas adicionadas ao preço da operação. TRIBUTÁRIO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) – VALOR TRIBUTÁVEL ARBITRAMENTO CRITÉRIOS A SEREM ADOTADOS DIFERENÇA EM ESTOQUE DE MATÉRIAPRIMA RAZOABILIDADE. (AC 21877 MG 95.01.218775 Relator: JUIZ OSMAR TOGNOLO Julgamento: 15/12/1998Órgão Julgador: TERCEIRA TURMAPublicação: 09/04/1999 DJ p. l62 Ementa 1. Conquanto previsto no Código Tributário Nacional e no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), o arbitramento, como forma de apuração do valor tributável, em caso de omissão do contribuinte, não significa arbitrariedade, devendo situarse nos limites do razoável. 2. Constatada diferença de matériaprima em estoque, deverá ela ser considerada no cálculo do tributo que, em princípio, teria sido sonegado. 3. Apelação a que se dá provimento. 42. Isto posto, e buscando sempre alcançar no modelo construído a forma mais justa, razoável e próxima dos fatos, recorremos às informações prestadas pelo próprio contribuinte acerca da mensuração de suas operações comerciais. Dessa forma, com o intuito de preservar os preceitos emanados no caput do art. 197, seu parágrafo segundo e inciso I do parágrafo único do art. 196, todos do RIPI, apuramos, a partir das informações prestadas em DIPJ, o lucro bruto (margem bruta) nos períodos de apuração, conforme Planilha (A) anexa. A utilização do lucro bruto deve ser considerada como razoável para a determinação do valor tributável das saídas, visto que o IPI incide sobre o valor total das notas fiscais de saída. 43. Para a determinação do momento de ocorrência dos fatos geradores, apuramos suas importações mês a mês nos períodos sob exame, pressupomos que tais mercadorias, em média, deram saída do estabelecimento segundo o giro de estoque médio, calculado a partir de informações extraídas das DIPJs apresentadas, conforme detalhado na Planilha (B). Assim, encontramos o giro médio de cerca de 45 dias, o que equivale dizer que 2/3 das mercadorias deram saída no próprio mês e 1/3 no mês subseqüente. 44. Ainda em relação à determinação do valor tributável verificamos, dentre as mercadorias de que se trata, a ocorrência de duas formas distintas na Fl. 669DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 293 6 quantificação do imposto, conforme a classificação fiscal NCM atribuída, diferenciadas pela forma de aplicação das alíquotas: • alíquotas "ad valorem", onde o tributo é calculado [sic] na proporcionalidade do valor da mercadoria tributada, ou seja, exprimemse em percentuais aplicados à base de cálculo; • alíquotas específicas, onde o tributo é calculado na proporcionalidade da quantidade da mercadoria tributada, que exprimese como um valor em moeda corrente por unidade de medida padronizada para tal mercadoria. 45. Nesse sentido, parte das mercadorias enquadramse nas classificações NCM cujas notas complementares dispõe: Nota Complementar (NC)da TIPI NC (171) Nos termos do disposto na alínea " b " do §2º do art. 1º da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, com suas posteriores alterações, as saídas dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial dos produtos classificados no Código 1704.90.10, ficam sujeitas ao imposto de nove centavos por quilograma do produto. Nota Complementar (NC) da TIPI NC (181) Nos termos do disposto na alínea " b " do §22 do art. 1º da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, com suas posteriores alterações, as saídas dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial dos produtos classificados nas subposições 1806.31, 1806.32 e 1806.90 (exceto "Ex 01"), acondicionados em embalagens para consumo inferior a dois quilogramas, ficam sujeitas ao imposto de nove centavos por quilograma do produto. 46. Dessa forma, subdividimos as apurações em dois blocos distintos: • apuração dos tributos a partir das importações de mercadorias tributadas com alíquotas "ad valorem", onde a aplicação das premissas descritas no item 42, implicam a aplicação de alíquotas " ad valorem" médias mensais nas saídas, resultando em tributo a recolher igual a diferença entre calculado na saída (débitos) e na entrada (créditos) • apuração dos tributos a partir das importações de mercadorias tributadas com alíquotas específicas, fato que não implica tributo a recolher visto que as quantidades de produtos entrados e saídos ao longo do período se equivalem, resultando em valores iguais na entrada e na saída (nove centavos por quilo, conforme Notas Complementares acima). 47. Devese atentar que mesmo não havendo apuração de tributo a pagar na saída, nas situações de aplicação de alíquota específica, haverá a incidência da multa de ofício por falta de destaque de IPI, explicitada no item 30, que será Fl. 670DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 294 7 apurada na mesma forma da apuração das multas de ofício aplicadas nas mercadorias sujeitas à alíquotas "ad valorem". 48. Desse modo, para determinar o valor dos tributos devidos na saída de mercadorias sujeitas a alíquotas " ad valorem ", apuramos as importações pertinentes, base de cálculo e valor do IPI vinculado e calculamos as alíquotas médias mensais do IPI (Planilha I). Em seguida, aplicamos essas alíquotas médias mensais " ad valorem " sobre o valor total de saída presumida no mês, conforme item 43, cujo resultado é equivalente ao mesmo valor de débito de IPI, se calculado utilizandose diferentes alíquotas para cada mercadoria e NCM, conforme demonstrado matematicamente no anexo "Demonstração da Equivalência do Cálculo do IPI". Para isso elaboramos a Planilha (III). 49. Como já vimos no item 46, as mercadorias sujeitas às alíquotas específicas não resultam em tributo a pagar, porem apuramos o valor que deveria ter sido destacado pelo contribuinte na saída, pois serve de base de cálculo da multa de ofício de que trata o item 30. Para tal, foi elaborada a Planilha (IV). 50. Abaixo detalhamos as Planilhas (III) e (IV), onde consolidamos todos os elementos necessários ao lançamento, conforme apuração exaustivamente descrita anteriormente, onde resumidamente apontamos mensalmente: (1) Base de Cálculo do IPI vinculado, extraído do Siscomex Importação; (2) Fator da Margem Bruta, calculado conforme Planilha (A), com informações extraídas das DIPJs; (3) Valor Tributável das Mercadorias Entradas no Mês, decorrente da multiplicação (1) x (2); (4) Giro Médio do Estoque, calculado conforme Planilha (B), com informações extraídas das DIPJs; (5) Saída do Estabelecimento das Mercadorias Entradas no Mês, obtido pelo rateio decorrente do giro médio do estoque conforme frações definidas no item 43; (6) Alíquota Média Mensal do IPI, calculada conforme Planilha (I) (para as alíquotas "ad valorem"); (7) Débito do IPI: para as alíquotas " ad valorem" obtido pela aplicação da alíquota média mensal sobre o valor de saída das mercadorias entradas no estabelecimento no mesmo mês. Para as alíquotas específicas, obtida pela aplicação do giro de estoque sobre o IPI vinculado pago no mês (4) X (9); (8) Saída do Estabelecimento do Saldo das Mercadorias entradas no mês anterior, obtido pelo rateio decorrente do giro médio do estoque conforme frações definidas no item 43; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 295 8 (9) Alíquota Média Mensal do IPI das Mercadorias Entradas no Mês anterior, calculada conforme Planilha (I) (para as alíquotas "ad valorem"); (10) Débito do IPI, obtido pela aplicação da alíquota media mensal do mês anterior aplicada sobre o valor das mercadorias saídas do estabelecimento que entraram no mês anterior (8) x (9). Para as alíquotas específicas, obtida pela aplicação do giro de estoque sobre o IPI vinculado pago no mês anterior (4) x (9); (11) Débito Total do IPI no Mês, obtido pela soma (7) + (10); (12) Valor do IPI Vinculado Pago (Créditos no Mês), extraídos do Siscomex Importação; (13) Valor do IPI Lançamento no Mês, obtido pela subtração (11) (12) para alíquotas "ad valorem" e zero para alíquotas específicas; (14) Multa de Ofício (falta de destaque do IPI), calculada pelo produto (11) x 75%, conforme estipulado no item 30”. A multa de ofício por falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na nota fiscal de saída tem supedâneo no RIPI/2010, art. 569, caput. Na peça impositiva a multa de ofício, referida como regulamentar às fls. 409 e 413, foi aplicada de forma isolada, conforme o demonstrativo às fls. 407 e 408. Regularmente cientificado da peça acusativa em 14/09/2012 por meio de procurador, apresentou o sujeito passivo a impugnação às fls. 423/447 (sem data de protocolo indicada), subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados nos instrumentos de mandato às fls. 450 e 451, e recepcionada pelo órgão preparador. Argumentação aduzida: 1) Preliminarmente, com a ciência do auto de infração em setembro de 2012, ocorreu a decadência para os valores devidos no período de fevereiro a agosto de 2007, sendo o IPI sujeito ao lançamento por homologação e o prazo de cinco anos fixado pelo CTN, art. 150, § 4º; 2) No mérito, com base em farta doutrina e jurisprudência, não há incidência do imposto nas saídas de mercadorias importadas do estabelecimento industrial, pois inexiste operação de industrialização entre o desembaraço aduaneiro e as saídas no mercado interno, sendo improcedente a exigência fiscal, que deve ser cancelada; 3) Ainda que fosse mantida a exigência fiscal, há erro no cálculo da multa de 75% sobre o total do débito, sem a consideração dos créditos (IPI vinculado à importação), sendo a multa correta calculada na planilha inserta à fl. 444 (item 69) no montante de R$ 9.996,14; Fl. 672DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 296 9 4) A metodologia para a apuração do IPI, com a adoção de do valor médio dos produtos, é equivocada, tendo sido contrariadas as disposições do RIPI/2010, art. 195, I, e o Parecer Normativo CST nº 44/81 e o Ato Declaratório CST nº 52/82; houve utilização de alíquota média mensal, em desacordo com o RIPI/2010, art. 189; a autoridade fiscal presumiu os momentos das importações dos produtos; 5) É indevida a exigência de taxa Selic calculada sobre multa de ofício. Por fim, requer que a impugnação seja recebida e acolhida integralmente, com o cancelamento total da exigência fiscal e arquivamento do processo administrativo.” A DRJ, por unanimidade, negou provimento à impugnação para manter integralmente o lançamento objeto da presente lide, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 SAÍDAS NO MERCADO INTERNO DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. É equiparado a industrial o estabelecimento, ainda que varejista, que der saída no mercado interno a produtos de procedência estrangeira, sendo devido o imposto não lançado nas notas fiscais. SAÍDAS NO MERCADO INTERNO DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Na impossibilidade de aferição do valor tributável mínimo, sendo omissa e insuficiente a documentação fiscal expedida pelo sujeito passivo, há previsão legal para o arbitramento do valor tributável nas operações de saída no mercado interno de produtos de procedência estrangeira. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Ainda que haja créditos do imposto a ser considerados, incide a multa de ofício sobre o montante integral do imposto não lançado nas notas fiscais de saída: é a multa de ofício proporcional ao imposto não lançado com cobertura de créditos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 673DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 297 10 Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de falta de antecipação de pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do referido acórdão em 30 de setembro de 2013, a Companhia Brasileira de Distribuição apresentou recurso voluntário em 30 de outubro de 2013, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 30 de setembro de 2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 30 de outubro de 2013. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que o cerne da lide envolve a lavratura de Auto de Infração com a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa regulamentar, relativo a vendas efetuadas de mercadorias importadas no período de 2007 a 2008. Em respeito às alegações trazidas pela recorrente, passo a discorrêlas a seguir. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 298 11 Quanto à alegação de decadência do Direito à Constituição do Crédito Tributário, relativamente ao período de fevereiro a agosto de 2007, aduz a recorrente que: · O Auto de Infração, que efetivou o lançamento, foi lavrado em 14.9.2012 – após o decurso do prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência dos fatos geradores atinentes aos meses de competência fevereiro a agosto de 2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; · O IPI é imposto cujo lançamento se dá por homologação, portanto, sujeito à regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN; · Contudo a SDRJ entende que, para aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, seria indispensável ao contribuinte adotar medidas preparatórias, inclusive com o pagamento; · Ocorre que não se pode olvidar que a recorrente, conforme restará demonstrado não é contribuinte do IPI nas operações de saída de suas mercadorias e, por esse motivo, não procedeu ao lançamento e tampouco realizou o recolhimento do imposto nos termos supostamente devido; · Para fins de contagem do prazo decadencial, o termo inicial disposto no art. 173 do CTN para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente é aplicado para os casos em que haja dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Continuando, especificamente à alegação de nulidade do lançamento, traz a recorrente que: · O auditor fiscal deixou de adotar a regra ditada pelo inciso I, do art. 195, do RIPI, para aferição do valor mínimo tributável arbitrando de formas abstrata e díspar o valor médio dos produtos autuados, agindo, inclusive, contrariamente ao disposto no Parecer normativo CST 44/81, bem como no Ato Declaratório CST nº 05/82; · Uma vez que a legislação define que valor tributável mínimo para efeito do cálculo do IPI se dará mediante a obtenção do preço médio corrente no mercado atacadista da praça do remetente de cada produto, não há dúvidas quanto ao equívoco do levantamento efetuado pela fiscalização para determinação do crédito tributário Fl. 675DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 299 12 consubstanciado e indevidamente exigido do estabelecimento da recorrente por meio da lavratura da autuação e tela; · No presente caso, foi utilizada para esse cômputo, a margem bruta que é a margem de venda no varejo, nos períodos de apuração fiscalizados, margem esta estranha às operações realizadas pelo estabelecimento de fato autuado; · Não é o estabelecimento autuado quem realiza operações de venda no varejo; o estabelecimento da recorrente realiza a distribuição das mercadorias, a qual se dá por meio de operações de venda no atacado entre empresas do mesmo grupo econômico e de transferências; · A recorrente por atuar no comércio varejista de mercadorias em geral, trabalha com uma gama de produtos e cada produto possui classificação específica de acordo com a TIPI; · Possui alíquota específica a qual deve ser aplicada para determinação do imposto supostamente devido, qualquer que seja a modalidade de lançamento adotada; · A aplicação de alíquota média sobre um grupo genérico de produtos distorce o quantum supostamente devido pela recorrente; · Para demonstrar essa distorção, elabora a recorrente quadro: · Conforme ditado pelos arts. 142 e 148 do CTN, a fiscalização pode apenas e em casos específicos em que fique constatada a impossibilidade de apurar o valor do bem ou produto, arbitrar o Fl. 676DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 300 13 valor ou preço, isto é, base de cálculo do imposto, não lhe sendo jamais autorizado a arbitrar as alíquotas aplicáveis; · Tal arbitramento somente poderia ter sido realizada diante de efetiva recusa de atendimento á fiscalização e no caso em que, concomitantemente, não houvesse outros meios para apuração das bases de cálculo; · A documentação apresentada em resposta aos Termos de Fiscalização relacionava as saídas no seu estabelecimento, de mercadorias de origem estrangeira de importação direta, de importação por empresa controladora, controlada ou coligada ou adquirida no mercado nacional, indicando os diversos dados para cada item das respectivas notas fiscais – datas de saídas – o que não justifica a adoção desse critério temporal para suposta incidência do aludido imposto. Quanto ao mérito, em síntese, traz a recorrente que: · O IPI, instituído pela Lei 4.502/64 e regulamentado pelo Decreto 7.212/2010 incide sobre os produtos industrializados nacionais e estrangeiros; · De acordo com o art. 153 da CF/88, a hipótese de incidência do IPI reside no fato de alguém dar saída a produtos industrializados, mediante a celebração de um negócio jurídico de transferência de posse ou propriedade – contrato de compra e venda; · Conforme incisos do art. 46 do CTN, o IPI tem como fato gerador, alternativamente: (i) o desembaraço aduaneiro de produtos industrializados de procedência estrangeira; (ii) a saída de produtos industrializados de estabelecimento de importador, de industrial, de comerciante ou de arrematante e (iii) a sua arrematação de produtos industrializados, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão; · Não faz sentido equiparar o contribuinte industrial referido no inciso II do art. 51 do CTN, ao comerciante que, tendo importado determinada mercadoria sujeita ao IPI a transfira ou revenda para Fl. 677DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 301 14 pessoa que não seja estabelecimento industrial – como ocorre exatamente o caso da recorrente; · Os estabelecimentos comerciante não exercem qualquer atividade industrial, nem mesmo praticam qualquer ato relacionado ao processo de industrialização; · Apenas transferiu ou revendeu os produtos importados, não sendo legítima sua equiparação a estabelecimento industrial de pessoas que não tem qualquer papel no processo produtivo. Ademais, relativamente à sustentação de insubsistência dos valores exigidos à título de multa de ofício, bem como à aplicação da Selic sobre a multa de ofício, insurge a recorrente que: · A multa de ofício de 75% foi calculada de forma totalmente equivocada – qual seja, sobre o montante total do débito, e não sobre o valor do imposto que efetivamente deixou de ser recolhido; · Caso devida a multa, esta seria de R$ 45.840,86, e não R$ 145.245,35; · Ainda que se entenda que a multa aplicada tenha por objetivo penalizar a infração cometida pelo contribuinte pela simples interrupção da cadeia produtiva, a recorrente é um Centro de Distribuição integrante de uma rede varejista que, por sua vez, não é contribuinte do IPI nas operações subsequentes; · Não ser aplicável a Selic sobre Multa de Ofício, por, entre outros, afrontar o disposto no art. 161 do CTN, colacionando no final de seu recurso alguns julgados. Cessadas as descrições de cada questão, a priori, passo a analisar a preliminar de nulidade do lançamento, considerando que o auditor fiscal arbitrou, além do valor médio dos produtos, a alíquota do referido tributo, atribuindo “alíquota média” sobre um grupo genérico de produtos. Sendo assim, depreendendose da análise dos autos, cabe trazer que, em relação à essa questão, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção apreciou idêntica Fl. 678DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 302 15 questão ao recepcionar o Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional – sendo emitido o Acórdão 3201001.753 com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2009 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO. VALOR TRIBUTÁVEL. CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA MENSAL. IMPROCEDÊNCIA. Arbitrar alíquotas pelo valor médio é agir sem qualquer suporte legal. Quebrase, de forma irreparável, o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal. Não cabe arbitramento quando todos os elementos da relação jurídicotributária são conhecidos, o que ocorreu no caso presente. Recurso de Ofício Negado” O que, por conseguinte, expresso minha concordância com o entendimento esposado por aquela turma – pedindo licença para transcrever o voto do ilustre Conselheiro Winderley Moraes Pereira (destaques meus): “O Auto de Infração que originou o processo em discussão, teve origem em auditoria de IPI, onde a autoridade fiscal concluiu pela exigência do IPI, em razão da transferência de mercadorias importadas pela Recorrente para suas filiais, amparada no art. 195, incisos I e II, do RIPI 2010, que trata do preço mínimo a ser considerado nas revendas de mercadorias a atacadistas. Em razão da dificuldade em trabalhar com a grande quantidade de produtos (2.325) a Fiscalização decidiu por arbitrar a alíquota aplicada às mercadorias, utilizando para tanto, o critério de alíquota média de todos os produtos importados. O julgamento da primeira instância decidiu pela irregularidade do procedimento adotado para exigência do crédito tributário, por entender que não existe amparo legal para o procedimento adotado. A posição da turma de piso foi detalhada no voto condutor do acórdão, do qual extraio o trecho abaixo. "Em sua fala no TVF o autuante asseverou que o procedimento seguido estaria albergado pelo caput do art.197 do RIPI/2010: "Art.197.Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem Fl. 679DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 303 16 omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 192 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 148, e Lei no 4.502, de 1964, art. 17)." Diante do texto legal supra e dos procedimentos seguidos na auditoria, houve arbitramento para determinação do imposto a ser exigido. A questão é saber se tal medida foi levada a termo em sintonia com a lei. Vejamos. A norma em comento autoriza o arbitramento do valor tributável ou de qualquer dos seus elementos. E o que isso significa? Significa dizer que podemos formatar a base de cálculo ou qualquer dos elementos que a compõem segundo critérios definidos pela legislação. Essa é única interpretação possível. A lei autoriza presumir segundo parâmetros eleitos pelo legislador apenas a plataforma formadora da base de cálculo, e nada mais. Não há interpretação extensiva, nem analógica possíveis. Podemos buscar preços médios, o valor do Imposto de Importação, elementos formadores de custo, despesas aduaneiras, margem de lucro normalmente observada etc. Porém seria, no caso do arbitramento, agir fora da legalidade ao se buscar valores presumidos atrelados à ocorrência do fato gerador, à natureza da obrigação tributária e à alíquota aplicável na operação posta em verificação fiscal. Os parágrafos 1º e 2º do art.197 do RIPI/2010, com redação que repete aquela presente nos RIPIs 98 e 2002, corrobora o acima dito: " §1º Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2º Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 196. Art. 196.Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 304 17 I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado." Como se vê, não há grau de liberdade para o Fisco em se tratando de parâmetros para realização do procedimento de arbitramento. As variáveis estão postas e abrangem exclusivamente elementos formadores da base de cálculo, inexistindo previsão para arbitramento da alíquota incidente." A cálculo utilizado no lançamento, explicitado no Auto de infração, aplicou o arbitramento para cálculo das alíquotas incidentes nas operações sujeitas ao IPI, o que ao meu sentir, não possui embasamento legal. A análise bem fundamentada da legislação aplicada ao caso, realizada pela autoridade de piso, não deixa dúvida quanto à falta de amparo legal no procedimento adotado de arbitramento das alíquotas do IPI, não existindo reparo a ser feito na decisão recorrida. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira” Vêse que a técnica de arbitramento deve ser feita com cautela, sendo de extrema importância que o auditor fiscal observe as normas legais, sob pena de se impor ao contribuinte um gravame irreal, capaz de macular todo o ato da autoridade fazendária. Não há como ignorar que o arbitramento de uma alíquota média sem respeitar a individualidade de cada produto não deve prosperar. Eis o que traz Carraza e Bottello em artigo publicado conjuntamente, intitulado “IPI, Seletividade e Alteração de Alíquotas” – sobre a necessidade da motivação do ato administrativo que vier a alterar alíquota do IPI, concluindo que tal motivação há que se fundar no princípio da seletividade, sob pena de injuridicidade. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 305 18 Ademais, é de se respeitar o teor do art. 153, § 3º, inciso I, da CF/88, que diz que o IPI “será seletivo, em função da essencialidade do produto”. O legislador, bem como os leitores e aplicadores do direito, inclusive a autoridade que constitui o lançamento de tributos, não devem ignorar o princípio da seletividade. O que, por conseguinte, a apuração dos tributos com aplicação de alíquotas médias fere, de forma irretratável, esse princípio, gerando ainda insegurança jurídica ao contribuinte que observa as alíquotas específicas de cada produto nos eventos que precedem sua atividade. É de se ater também que, caso acolhêssemos a aplicação da alíquota média, estaríamos desrespeitando as normas legais que trazem alíquotas diferenciadas para cada produto, considerando, inclusive sua essencialidade, prejudicando até mesmo o contribuinte mais zeloso que, por sua vez, aplicou devidamente a alíquota do tributo específica de cada produto. Dessa forma, tornase inevitável o acolhimento dessa preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material (substancial). O que, por conseguinte, voto, no caso vertente, por dar provimento ao recurso voluntário. Quanto às demais questões trazidas no recurso voluntário, apenas acrescento que a apreciação dessas restaram prejudicadas, considerando o acolhimento da preliminar de nulidade por arbitramento de alíquota do IPI em produtos diversos. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 682DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 19515.721908/201221 Acórdão n.º 3202001.598 S3C2T2 Fl. 306 19 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.726424/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2010
COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES OBJETIVOS. ALCANCE.
Segundo a teoria processual, a delimitação da lide circunscreve-se ao pedido formulado na petição inicial, sendo que a decisão judicial proferida deve a ele se vincular, limitando-se objetivamente os efeitos da coisa julgada ao que consta do dispositivo da sentença.
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITAS OPERACIONAIS. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA.
Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, faturamento continua correspondendo a receita bruta, a teor do art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91, assim entendida o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Bernardo Leite e vencida a Conselheira Angela Sartori
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RECONHECIMENTO. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os parágrafos 1º e 2º do art. 62A, do RICARF, que previam o sobrestamento dos recursos administrativos sempre que igual medida fosse determinada pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Poder Judiciário, nos moldes do art. 543B do Código de Processo Civil, foram revogados pela Portaria MF nº 545/2013, de 18/11/2013, não mais havendo respaldo regimental para adoção de tal providência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2010 COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES OBJETIVOS. ALCANCE. Segundo a teoria processual, a delimitação da lide circunscrevese ao pedido formulado na petição inicial, sendo que a decisão judicial proferida deve a ele se vincular, limitandose objetivamente os efeitos da coisa julgada ao que consta do dispositivo da sentença. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITAS OPERACIONAIS. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, faturamento continua correspondendo a receita bruta, a teor do art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91, assim entendida o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 64 24 /2 01 2- 91Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Bernardo Leite e vencida a Conselheira Angela Sartori Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de restituição/compensação de COFINS, período fevereiro/1999 a julho/2010, decorrente de pagamento a maior em face do indevido alargamento de base de cálculo promovido pela Lei nº 9.718/98. Em seu pedido inicial o contribuinte esclareceu que o pleito se fundamentava em título judicial transitado em julgado na Ação Rescisória AR2007.01.000007962/MG (Processo originário MS 1999.38.00.0171247), tramitada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que lhe garantiria a apuração da contribuição em epígrafe sobre o faturamento, tal como definido pela LC 70/91. A DRF Belo Horizonte/MG, após examinar as decisões judiciais proferidas no mandado de segurança e ação rescisória respectivos, fundada no Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, deferiu em parte o pedido formulado, aduzindo que a contribuição devida “pelas instituições financeiras, segundo as decisões judiciais sobre a matéria e a jurisprudência do STF, é a receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as receitas não operacionais e as demais exclusões previstas na legislação de regência, vale dizer, as que constam dos parágrafos 2º, 4º, 6º e 8º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, além daquelas admitidas para o PIS, nos termos do §5º desse mesmo artigo, combinado com o art. 1º e incisos da Lei nº 9.701/98”. Em manifestação de inconformidade o contribuinte apontou ofensa à coisa julgada, questionando a aplicação do Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, e, por consequência, a nulidade do despacho decisório, por pretender rediscutir questão já decidida pelo Poder Judiciário, consistente no conceito de faturamernto à luz da Lei nº 9.718/98. No mérito, sustentou que faturamento engloba apenas os atos passíveis de documentação através de emissão de “fatura”, como a venda de mercadorias e a prestação de serviços, não alcançando as operações de crédito, que são viabilizadas por intermédio de outros intrumentos, citando doutrina e jurisprudência; que não há que se fazer qualquer distinção do conceito de Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 11 3 faturamento em relação à diversidade de ramos de atividade econômica; que é improcedente a pretensão da Administração Tributária de equiparar a receita operacional ao faturamento, citando doutrina; que a matéria encontrase com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 609.096; que são incongruentes os contornos dos termos faturamento e receita bruta atribuídos pela RFB; que, nos termos da IN SRF 247/02, receitas da prestação de serviços são apenas aquelas do Grupo de Contas 7.1.7; que as operações realizadas com recurso próprios, por não se qualificarem como intermediação financeira, não deveriam ser tributadas; que, abstraídas as discussões de natureza meritória, haveria equívocos de ordem material cometidos pela autoridade administrativa na apuração do direito creditório; e, por fim e dentre outros pedidos, requereu que, mantido despacho decisório, fosse reconhecido o direito à recomposição da apuração do IRPJ/CSLL, porquanto, à época da habilitação do crédito perante a RFB, registrou o direito creditório altercado como receita tributada. A DRJ Belo Horizonte/MG, acolhendo em parte a argumentação do contribuinte, concernente apenas ao cômputo de pagamentos efetuados e não considerados no cálculo, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade mediante decisão assim ementada: “DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS. Em relação à matéria levada ao Poder Judiciário, cujo processo transitou em julgado, é soberana a decisão judicial, que deve ser prontamente observada pela Administração Pública Federal. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõese da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas advindas de intermediações financeiras. ALEGAÇÕES. PROVAS. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem.” Especificamente quanto às incorreções materiais do cálculo, a decisão a quo consignou que não seria possível considerar depósitos judiciais ainda não convertidos em renda da União, bem assim, quanto à inclusão a título de faturamento das rubricas 7.1.9.30.00.6.1 (Recuperação de encargos e despesas) e 7.1.9.99.00.91 (Outras rendas operacionais), que não houve prova do registro de valores não relacionados à sua atividadefim. Em recurso voluntário, após historiar as ações judiciais correspondentes e fixar premissas delas extraídas, o contribuinte defendeu o desacerto da conclusão levada a efeito, tanto pela DRF Belo Horizonte/MG, quanto pela DRJ Belo Horizonte/MG, sendo indevido o recurso ao Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, pois a questão já se esgotou perante o Poder Judiciário; que o reconhecimento do direito creditório está assentado na coisa julgada formada na Ação Rescisória nº 2007.01.00.0007962; que a decisão transitada em julgado limitou o alcance da Cofins à receita bruta advinda da compra e venda de mercadorias e serviços e da prestação de serviços de qualquer natureza; que há precedente específico do CARF acerca de matéria assemelhada, no caso, o acórdão 3402001.714; e, que a MP 627/13 Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 trouxe um novel conceito de receita bruta, definindoa como todas as receitas advindas da atividade ou objeto social da pessoa jurídica, de modo que, “contrario sensu”, antes deste diploma, o faturamento abrangia apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Na seqüência recursal, com alguma variação, foram repisados os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, com ênfase nos vícios materiais de cálculo, onde foi ressaltado que, nada obstante a inexistência de conversão em renda dos depósitos judiciais, a sua postulação fora formalizada perante o Poder Judiciário, configurando manifestação irrevogável e irretratável, de modo que deveriam ser considerados nos cálculos aviados, e, quanto à exclusão das rubricas 7.1.9.30.00.6.1 (Recuperação de encargos e despesas) e 7.1.9.99.00.91 (Outras rendas operacionais), que foram juntadas cópias dos balancetes que demonstram que tais valores foram, sim, considerados para fins de incidência da contribuição pela autoridade administrativa, exemplificando tal situação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Nesse átimo, abro um parêntese para anotar a minha perplexidade diante de casos como o destes autos, onde o CARF é acionado para decidir qual a “interpretação” correta, por assim dizer, o alcance, os efeitos e as conseqüências de decisões proferidas pelo Poder Judiciário, já recobertas pelo manto da coisa julgada, o que, em última análise, significa definir a forma de aplicação da norma individual e concreta. Sob o meu ponto de vista, esta atribuição pertence ao órgão prolator do ato decisório judicial, em verdadeira “interpretação autêntica”, sendo o juízo singular ou colegiado, o órgão ou agente público, lato sensu, mais qualificado, com mais condições, para esclarecer o seu conteúdo. Neste passo, a execução administrativa desta decisão judicial deveria se limitar à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, como órgão executor; a Procuradoria da Fazenda Nacional, como representante judicial da União; o contribuinte, como interessado; e, a autoridade judicial, como orientadora do cumprimento do que lá decidido – logicamente, sem intervenção das instâncias administrativas de julgamento –, mostrandose descabida a fase contenciosa administrativa para se discutir como esta norma individual e concreta, consubstanciada na decisão judicial, deva ser executada. Soa, para mim, como se a decisão judicial estivesse sendo submetida ao crivo de uma decisão administrativa, que é expedida por órgão ou agente público que não detém jurisdição, strictu sensu, em plena subversão da ordem estabelecida pelo nosso sistema jurídico. Diante deste quadro, a leitura que faço da súmula CARF nº 1 é que a opção pela via judicial, a qualquer tempo, antes ou após o lançamento, afasta qualquer possibilidade Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 12 5 de julgamento administrativo acerca do mesmo assunto, ainda que o lançamento se refira a cumprimento administrativo de decisão judicial já transitada em julgado. Nesta hipótese, acaso entenda o contribuinte que a decisão judicial não está sendo executada ou cumprida em sua devida forma pela Administração Tributária, deve buscar o socorro diretamente junto à autoridade judicial que exarou o provimento e não se amparar no procedimento contencioso administrativo para atingir tal desiderato. Entendo eu que, nestes casos, o recurso administrativo não deveria sequer ser conhecido, devido à desistência/renúncia à discussão administrativa manifestada anteriormente, por ocasião da dedução da lide perante o Poder Judiciário. No entanto, sei que esta posição é isolada e não encontra eco nesta casa julgadora, por, aparentemente – friso –, vilipendiar o contraditório e a ampla defesa mediante a restrição à discussão administrativa, valendo esse intróito como simples averbação de pensamento. Prosseguindo o julgamento, preambularmente, tendo em conta haver pedido expresso a este respeito, examino o sobrestamento do julgamento com fulcro no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, alterada pela Portaria MF nº 586/10, tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral no RE 609.096, pelo e. Supremo Tribunal Federal. Pois bem, reconheço que o dispositivo apontado, no momento do protocolo do recurso voluntário, encontravase em vigor e, de fato, impunha a adoção do sobrestamento vindicado, todavia, posteriormente, aludidos parágrafos foram extirpados do art. 62A, pela Portaria MF nº 545/2013, de 18/11/2013 (DOU 20/11/20103), verbis: “O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Assim, restando intacto apenas o caput do dispositivo, hodiernamente, não mais vige a pretendida providência e, por conseqüência, não há como atender o pedido vestibular. Suplantada a questão inicial, prossigo. O ponto central a ser deslindado nesta oportunidade referese, inicialmente, ao alcance da coisa julgada consubstanciada na Ação Rescisória 2007.01.00.0007962, e, por conseqüência, a definição do conceito de faturamento, à luz da inconstitucionalidade, reconhecida em aludida ação, do teor do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Como regra, necessária a reprodução das principais partes das decisões judiciais exaradas no curso desta ação judicial, principiando pela coleção do pedido principal na petição inicial da ação rescisória, verbis: “(...) (b) a procedência da presente ação para rescindir o acórdão proferido pela Terceira Turma do TRF/1ª Região, nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0171247/MG, apenas no tocante à parte que declarou constitucional o alargamento da base de cálculo da COFINS determinado pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98; e, via de conseqüência, (c) seja proferido novo julgamento para declarar a inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento da COFINS incidente sobre “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", tal como estatuído no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, reconhecendose, in casu, sua inconstitucionalidade, na esteira dos julgados do STF proferidos nos Recursos Extraordinários nº 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084; e, desta forma, que seja determinado à Autoridade Coatora que se abstenha de lançar, cobrar ou impeça a compensação na forma da lei, dos valores devidos ou recolhidos a maior, a título de COFINS sobre montantes que não representam seu efetivo faturamento, acatando os recolhimentos da mencionada exação realizados por parte da Autora, sem considerar receitas outras não enquadradas na definição da LC nº 70/91, até que seja editada nova lei compatível com o Texto Constitucional; (...)” (destaques no original) O aresto rescisório ostenta a seguinte parte dispositiva: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido rescisório formulado pela autora para desconstituir o acórdão proferido na AMS nº 1999.38.00.017124 7/MG (fls. 305/312), tão só no que diz respeito ao art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Em conseqüência e rejulgando a causa, NEGO PROVIMENTO À APELAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL E À REMESSA OFICIAL.” (...)” (destaques no original) Sua ementa está vazada nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO, LEI 9.718/98, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. I. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar vários Recursos Extraordinários, dentre eles os RREEs ns. 357.950/RS, 358.273/RS, 346.084/PR e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que dava novo conceito ao termo faturamento, ampliando indevidamente a base de cálculo da COFINS, abrangendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil porventura adotada para as receitas. II. Prevalece, portanto, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, o definido na LC n. 70/91, que considera faturamento somente a Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 13 7 receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. III. Pedido rescisório que se julga procedente. IV. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, na ação principal, não provida.” Esta decisão foi alvo de embargo de declaração, manobrado pela Fazenda Nacional com vistas a esclarecer ponto atinente à natureza jurídica da autora e da sua repercussão tributária ante a decisão proferida. Os aclaratórios foram rejeitados ao fundamento que a matéria não fora objeto de questionamento nos autos, todavia, restou consignado o seguinte: “De qualquer forma, declarada pelo STF a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF, até mesmo as instituições financeiras dela se beneficiam, pois, embora se sujeitando às disposições contidas nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as receitas financeiras inerentes às suas atividades – intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros (art. 17, Lei 4595/64) – se enquadram no conceito de faturamento e como tal definidas na base de cálculo do PIS e da COFINS.” Como se verifica das decisões transcritas, o conceito de faturamento restou fixado como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza, conforme conceituado pela LC 70/91. Esta inferência é decorrência lógica da inconstitucionalidade de faturamento como totalidade das receitas auferidas, o que faz remanescer apenas a disposição do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que proclama ser o faturamento correspondente a receita bruta, o que, isoladamente, pouco diz. Neste ponto, exigível a integração da legislação para buscar o significado de receita bruta, o que se encontra no art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91, até então regente da Cofins, que a preceituava como o resultado das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Contudo, não se pode inferir de maneira insofismável que tal decisão tenha rechaçado que esta acepção de faturamento equivalha ao resultado da atividade operacional exercida, como prega o recorrente. A primeira razão reside no fato que, mesmo não acolhido, a decisão exarada no julgamento de embargo de declaração externou esse entendimento do colegiado, acentuando que, para as instituições financeiras, a intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, a teor do art. 17 da Lei nº 4.595/64, enquadrarseia como faturamento. O segundo motivo é a conclusão estampada nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, citados pela decisão rescisória e que, mesmo declarando a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, estabeleceram, na linha da jurisprudência do e. STF, que as expressões “faturamento” e “receita bruta”, a par de Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 sinônimas, açambarcariam o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial, como se extrai do seguinte excerto do voto condutor do RE 390.840, de lavra do eminente Min. Marco Aurélio: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (sublinhado) Como não bastasse, em oportunidades posteriores, o próprio Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido que a expressão “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços” corresponderia à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, como registrado nos Recursos Extraordinários nºs 371.258/SP e 400.479/RJ, mormente este último, que trata de pessoa jurídica do ramo financeiro, cuja seguinte passagem reproduzo: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Merece remissão, também, recente manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF acerca do tema ora debatido (Acórdão 9303002.994, de 03/06/2014), que, em caso assemelhado, consignou corresponder o faturamento à receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica, cuja ementa encontrase vazada nos seguintes termos: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.” (destacado) Diante deste contexto, a exclusão do faturamento das demais receitas advindas das atividades componentes do objeto social da pessoa jurídica, em especial as denominadas “receitas financeiras”, só pode ocorrer se houver decisão expressa neste sentido, Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 14 9 em obediência aos arts. 460 e 469 do Código de Processo Civil, como restou consignado no REsp 1.446.420/RS: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. LIMITES DA COISA JULGADA EM PROCESSO ONDE FOI DISCUTIDO O CONCEITO DE FATURAMENTO PARA AS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS, NA FORMA DO ART. 3º, §1º DA LEI N. 9.718/98. TRIBUTOS CORRESPONDENTES AO FATURAMENTO PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: ‘É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia’. 2. Para a verificação dos limites da coisa julgada nas ações onde se discutiu o alargamento do conceito de faturamento estabelecido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 para as contribuições ao PIS e COFINS é preciso cotejar o pedido efetuado na inicial e o comando final dado na sentença ou no acórdão transitado em julgado. 3. Se a sentença ou acórdão transitados em julgado dão provimento ao pedido do contribuinte e não fazem qualquer ressalva a respeito, é de se interpretar que o pedido feito na inicial tenha sido de todo atendido, desimportando o posterior posicionamento da jurisprudência dos tribunais no que diz respeito às receitas financeiras e às receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, se houve quanto a estas rubricas pedido expresso feito na inicial. 4. Se não houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas financeiras e às receitas provenientes de aluguel, é de se presumir que não haja coisa julgada quanto ao ponto, pois, consoante o art. 293, do CPC, os pedidos são interpretados restritivamente. 5. No presente caso, a Corte de Origem estabeleceu o pressuposto fático de que houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas provenientes de aluguel, tendo sido dado provimento ao pedido, sem qualquer ressalva. 6. Partindose desse fato, a consequência lógica é a de que houve coisa julgada a favor do contribuinte abrangendo as receitas provenientes de aluguel, não podendo o Fisco cobrar as exações de PIS e COFINS sobre tais receitas, ainda que a jurisprudência posterior a permita. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” (destaques no original) Para melhor esclarecer o raciocínio indutor do acórdão prolatado, transcrevo parte do voto condutor: “Não são poucos os recursos especiais que chegam a esta Casa discutindo os limites das ações já transitadas em julgado onde se Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 discutiu o alargamento do conceito de faturamento estabelecido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 para as contribuições ao PIS e COFINS. Ocorre que em quase todas essas ações as sentenças e os acórdãos transitados em julgado acolhem a alegação de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal e sustentam restringirse o conceito de faturamento àquele adotado pelo STF nos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, sessão de 9/11/2005, e que culminou no julgamento em repercussão geral do RE n. 585.235/MG, em 10/09/2008, (‘receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza) sem discriminar explicitamente, para o caso concreto, quais as receitas da empresa em questão que se compreendem no bojo do julgado. O tema se tornou mais dificultoso à medida em que o próprio STF, posteriormente, no julgamento do RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 03.10.2006) e do RE n. 400.4798/RJ (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 10.10.2006) afirmou que o conceito compreende ‘a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’, abrangendo, indubitavelmente, as receitas financeiras e as receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, o que estimulou o Fisco Federal a cobrar tais diferenças, inclusive com base na jurisprudência do próprio STJ sumulada no enunciado n. 423 (a este respeito ver: AgRg no Ag n. 1.420.729/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 27.03.2012; REsp. n. 1.210.655 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. p/acórdão Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 26.04.2011; AgRg no REsp. n. 1.238.892 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 03.05.2012). Nessa toada, a compreensão do que transitado em julgado em cada processo passa pelo cotejo a ser realizado entre o pedido efetuado na inicial e o comando final dado na sentença ou no acórdão transitado em julgado. Se a sentença ou acórdão transitados em julgado dão provimento ao pedido do contribuinte e não fazem qualquer ressalva a respeito, é de se interpretar que o pedido feito na inicial tenha sido de todo atendido, desimportando o posterior posicionamento do STF no que diz respeito às receitas financeiras e às receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, se houve quanto a estas rubricas pedido expresso feito na inicial. Se não houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas financeiras e às receitas provenientes de aluguel, é de se presumir que não haja coisa julgada quanto ao ponto, pois, consoante o art. 293, do CPC, os pedidos são interpretados restritivamente.” (destaques no original) Ante estas proposições, infiro que não seja possível falar em ofensa à coisa julgada, haja vista que o seu alcance, na decisão prolatada na ação rescisória, não tem a dimensão que o recorrente pretende imprimirlhe, parecendome que não foi garantida a limitação do faturamento, no caso destes autos, à tributação da rubrica contábil 7.1.7.00.009 – Rendas de Prestação de Serviços, o que implica reconhecer que a decisão administrativa de Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 15 11 primeiro grau não se mostra teratológica e tampouco tendente a subverter o que decidido na esfera judicial. Como acentuado pelo julgado sob vergasta, sob a égide da Lei Complementar nº 70/91, faturamento correspondia à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendida como a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica, na esteira de reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS. INCIDÊNCIA. RES SPERATA . CONTRATOS DE DEREITO DE RESERVA DE ÁREA COMERCIAL PARA INSTALAÇÃO DE LOJA. RECEITAS QUE INTEGRAM O FATURAMENTO EMPRESARIAL. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Esta Corte tem entendido que as receitas decorrentes de atividade de comercialização, administração, incorporação, permuta, locação de bens imóveis sujeitamse à incidência da COFINS, por integrarem esses valores o faturamento da empresa, compreendido como o resultado econômico da atividade empresarial exercida. 2. Nos termos do art. 2º da Lei Complementar n. 70/91 ‘a contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza’ (grifo nosso) 3. Com efeito, tendo a Corte de origem entendido, com base no contexto fático dos autos que a receita auferida dos contratos de res sperata possui natureza decorrente da atividade empresarial e se subsume à determinação prevista no art. 2º da Lei Complementar n. 70/91, entendimento diverso demandaria a análise do contexto fático dos autos, impossível nesta Corte ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido.” (AgRgAGREsp 367.055/RJ) (grifado) “TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PIS E COFINS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. As ações ajuizadas, a partir de 09 de junho de 2005, para a repetição do indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação têm o respectivo prazo prescricional de cinco anos contados do pagamento antecipado (CTN, art. 150, § 1º). A Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incidem sobre as receitas provenientes de locação de bens imóveis, aplicandose, por analogia, a Súmula nº 423 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental interposto pela União provido e agravo regimental interposto por Rowan Consultoria e Planejamento Ltda. desprovido.” (AgRgREsp 1.232.330/PR) Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA NA RECEITA PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ENCONTRA EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO DA 1A. SEÇÃO DESTE STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM 10% DO VALOR DA CAUSA. ART. 20, § 4o. DO CPC. MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA ADMINISTRADORA VALENTE HYCZY LTDA. DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que a receita proveniente da locação de imóveis próprios sujeitase à incidência do PIS e da COFINS (Súmula 423/STJ). 2. Outrossim, é pacífica a jurisprudência de que não é possível a modificação dos critérios de fixação dos valores relativos aos honorários advocatícios, visto que estes normalmente derivam da ponderação de aspectos fáticos, insuscetíveis de reapreciação em sede de Recurso Especial, por incidência do enunciado 7 da Súmula desta Corte, salvo quando resultarem em valores flagrantemente irrisórios ou manifestamente exorbitantes, o que não se verifica na hipótese destes autos. 3. Agravo Regimental desprovido.” (AgRgREsp 1.318.183/PR) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. INCLUSÃO DAS RECEITAS OBTIDAS COM A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS EM SUAS BASES DE CÁLCULO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 929.521/SP E SÚMULA 423/STJ. 1. A Primeira Seção, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), estabeleceu que as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis caracterizamse como faturamento, razão pela qual integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedente: Recurso representativo da controvérsia: 1ª. Seção, Edcl no REsp. 929.521/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 12.05.2010. 2. Quanto à COFINS foi editada, por esta Corte, a Súmula 423, que assim dispõe: ‘a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis’. 3. ‘[S]e no agravo regimental a parte insiste apenas na tese de mérito já consolidada no julgamento submetido à sistemática do art. 543C do CPC, é certo que o recurso não lhe trará nenhum proveito do ponto de vista prático, pois, em tal hipótese, já se sabe previamente a solução que será dada ao caso pelo colegiado" (Questão de Ordem no AgRg no REsp 1.025.220/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, julgada em 25/3/2009). 4. Agravo regimental não provido, com aplicação de multa no percentual de 1% (um por cento) do valor da causa, com espeque no artigo 557, § 2º, do CPC.” (AgRgREsp 1.346.884/RS) Imperioso notar que sobre as receitas de locação de bens móveis e imóveis pendia discussão semelhante à que ora se desdobra, pois se defendia que tais verbas não sofreriam a incidência da Cofins por não se originarem da venda de mercadorias e não caracterizar tal atividade como prestação de serviços, mostrandose conveniente apresentar o Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 16 13 posicionamento manifestado no REsp 929.521/SP, julgado sob a sistemática do recurso repetitivo, previsto no art. 543C do Código de Processo Civil: “Subjaz a controvérsia atinente à incidência de COFINS sobre as receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis. A jurisprudência consolidada nas Turmas de Direito Público é no sentido de que a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que integram o faturamento, entendido como o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial. Nesse diapasão, confiramse as ementas dos seguintes julgados desta Corte: (...) Destarte, ‘a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição’ (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). Outrossim, impende destacar que a conjugação dos entendimentos perfilhados pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG e 346.0846/PR (inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, o que importou na definição de faturamento mensal/receita bruta como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa, dada pela Lei Complementar 70/91) e do Recurso Extraordinário nº 116.121/SP (inconstitucionalidade da incidência do ISS sobre o contrato de locação de bem móvel, por não configurar prestação de serviços) não conduz à superação da aludida jurisprudência do STJ. É que: ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa.” (destacado) Sua ementa está assim redigida: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 17 15 08/2008. Proposição de verbete sumular.” (destaques no original) Como se extrai do julgado em destaque, mesmo a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não afetou a jurisprudência dominante do STJ, consoante a qual faturamento e receita bruta são expressões equivalentes, “uma vez que o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”, segundo o aresto. Outrossim, o suposto “novo” conceito de faturamento veiculado pela Medida Provisória nº 627/2013 em nada prejudica a exegese até então defendida, pois, a meu juízo, não representou inovação alguma da noção de faturamento ou receita bruta, mas apenas fezse incluir na legislação algo já sacramentado na jurisprudência dos tribunais superiores, como adrede demonstrado. De outra banda, para fazer frente ao RE 396.514 AgRAgRSegundo/PR acostado pelo recorrente, que afastou a incidência da Cofins sobre a locação de bens, com respaldo na ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, remeto a dois julgados do Supremo Tribunal Federal, um deles já arrolado linhas atrás, que decidiram de modo diverso, também analisando a incidência deste tributo sobre operações de locação de bens: “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal entende que as receitas decorrentes de locação de imóveis integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins. 2. Agravo regimental desprovido. (AI 799.578 AgR, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Segunda Turma, julgado em 19/04/2011, DJe158 DIVULG 1708 2011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256804 PP00576)” (destacado) “RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27102006 PP 00059 EMENT VOL0225304 PP00722)” (destacado) Como se vê, a matéria está longe de ser pacífica, pelo contrário, a controvérsia parece ser própria da sua essência, o que, acredito, só deve ser sanado com o julgamento de mérito do recurso extraordinário submetido à repercussão geral (RE 609.096), até lá, infelizmente, persistirá a insegurança jurídica. Em síntese, por compartilhar da mesma compreensão das autoridades administrativas recorridas acerca da situação dos autos, bem como, da noção de faturamento e receita bruta, a partir da leitura dos textos legais, das decisões judiciais proferidas e da jurisprudência coligida, reputo improcedentes os argumentos em contrário deduzidos pelo recorrente. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 No tocante à suposta incongruência entre o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007 e as disposições da IN SRF 247/02, não a vislumbro, muito menos que aquele ato opinativo tenha pretendido alterar este último ato normativo. Grosso modo, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007 assentou que as receitas classificadas como operacionais pelo COSIF devem compor o faturamento das instituições financeiras, independente da inconstitucionalidade proclamada da Lei nº 9.718/98, ao passo que faturamento compreende a receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida aquela oriunda do exercício das atividades empresariais da entidade. Nesta senda, oportuna a remissão ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, aprovado pela Circular BACEN nº 1.273, de 29/12/1987, que, em seu “Capítulo: Normas Básicas – 1” “Seção: Receitas e Despesas – 17”, traz noções básicas do conjunto de receitas e despesas das pessoas jurídicas do ramo financeiro, valendo descrever as seguintes: “1. Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. 2. As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto às despesas correspondem as despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. 3. As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. 4. As despesas operacionais decorrem de gastos relacionados às atividades típicas e habituais da instituição. 5. As receitas não operacionais provêm de remunerações eventuais, não relacionadas com as operações típicas da instituição. 6. Os gastos não relacionados às atividades típicas e habituais da instituição constituem despesas não operacionais.” (grifado) Segundo aludido plano de contas, as receitas operacionais compreendem as remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, isto é, referemse às atividades típicas, regulares e habituais das instituições financeiras, o que vem ao encontro do conceito de faturamento desenvolvido no Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007. Já a IN SRF 247/02, para apuração do PIS/Pasep e Cofins das instituições financeiras, albergou as contas dos grupos contábeis 7 e 8, Contas de Resultados Credoras e Contas de Resultados Devedoras, respectivamente; ou seja, contas representativas justamente de receitas e despesas, de modo que se alinha ao raciocínio vetor do sobredito parecer, sendo o único senão a esta afirmação, o fato de a instrução normativa inserir, no cálculo daqueles tributos, as receitas não operacionais, o que, no entanto, não foi levado a efeito pelas instâncias recorridas, que não as consideraram no apuração do indébito. Outrossim, nos termos do Anexo I da IN SRF 247/02, o Subgrupo 7.1.7.00.009 – Rendas de Prestação de Serviços é apenas uma das espécies ou, melhor dizendo, uma das divisões do Grupo 7.1.0.00.008 – Receitas Operacionais, que, porém, a ele não se restringe, uma vez que há outros subgrupos que compõe o universo das receitas operacionais, como por exemplo, Subrupo 7.1.1.00.001 – Rendas de Operações de Crédito, Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 18 17 Subgrupo 7.1.2.00.004 – Rendas de Arrendamento Mercantil, Subgrupo 7.1.5.00.003 – Rendas de Títulos e Valores Mobiliários, dentre outras. Quanto à consideração, como receitas operacionais, das rubricas 7.1.9.30.00.6.1 (Recuperação de encargos e despesas) e 7.1.9.99.00.9.1 (Outras Rendas Operacionais), onde o recorrente alega que a decisão recorrida se esquivou de julgar escudada na falta de prova, acredito que houve um equívoco de interpretação das colocações do decisório, uma vez que a autoridade administrativa julgadora de piso ressaltou, isto sim, que não havia prova de lançamentos nestas contas que não correspondessem a receitas operacionais, senão vejase: “No entanto, não é possível considerar a exclusão de valores da base de cálculo da Cofins e refazer o cálculo do crédito, porque o contribuinte não traz aos autos quaisquer documentos que comprovem o auferimento de tais receitas nos períodos abrangidos pelos pedidos de compensação, ou seja, não apresenta os registros contábeis com a descrição precisa dos lançamentos e nem os balancetes que permitam identificar os valores contabilizados. (...) Ressaltese que não cabe aos órgãos judicantes diligenciar em favor do interessado, tentando obter as provas que a esse, e a ninguém mais, caberia apresentar. O prazo regulamentar foi oferecido ao contribuinte para que pudesse instruir sua defesa com os documentos comprobatórios, os quais seriam devidamente apreciados pela autoridade julgadora. Somente assim poderiam ser acatados os argumentos da empresa de que há valores, mesmo registrados como receitas operacionais, que não são decorrentes da sua atividadefim e que, por tal motivo, devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins, gerando crédito passível de compensação.” (destacado) O contexto da argumentação permite dessumir que não se questionou a ausência de prova do cômputo dos valores registrados nas subcontas como receitas operacionais, mas sim, a inexistência de prova de que em tais rubricas contábeis haveria lançamentos que não corresponderiam a receitas dessa natureza, o que é distinto. Concernente à qualificação de tais contas como receitas operacionais, fazse alusão à descrição de sua finalidade, constante do plano de contas (COSIF): “Título: RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS 7.1.9.30.006 Função: Registrar a recuperação de encargos e despesas, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Esta conta requer os seguintes subtítulos de uso interno: Ressarcimentos de despesas de telefone Ressarcimentos de despesas de telex Ressarcimentos de despesas de portes e telegramas Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Recuperação de despesas de depósito Recuperação de Multas da Compensação Base Normativa: (Circ 1273)” (destacado) “Título: OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.00 9 Função: Registrar as rendas operacionais que constituam receita efetiva da instituição, no período, para cuja escrituração não exista conta específica, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados por contas de resultado de natureza devedora, decorrentes do registro da variação cambial incidente sobre operações passivas com cláusula de reajuste cambial, devendo a instituição manter o controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza. Base Normativa: (Circ 1273; CtaCirc 3105)” (destacado) Consoante o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, aprovado pela Circular BACEN nº 1.273, de 29/12/1987, a rubrica 7.1.9.30.00.6.1 (Recuperação de encargos e despesas), pertence ao subgrupo 7.1.9.00.005 (Outras Receitas Operacionais), enquanto a rubrica 7.1.9.99.00.9.1 (Outras Rendas Operacionais), corresponde ao subgrupo de mesmo código, ambas pertencentes ao Grupo 7.1 (Receitas Operacionais), representativo das contas de resultado credoras. Demais disso, é inverídica a afirmação que a decisão recorrida tenha limitado o conceito de faturamento, como equivalente de receita operacional, às operações de intermediação financeira, como faz crer o recorrente, e faço esta afirmação com espeque nas seguintes passagens do voto condutor: “Portanto, no âmbito tributário, desde a LC nº 70, de 1991, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. As receitas operacionais são aquelas desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica. No caso das instituições financeiras, as receitas operacionais são as receitas de serviços decorrentes das operações de intermediação financeira, e de outros serviços bancários ou financeiros. No mesmo sentido, acrescentese que a legislação fiscal fixou, a exemplo dos artigos 40, 41 e 43, da Lei nº 4.506, de 1964, e art. 11, do Decretolei nº 1.598, de 1977, que o lucro operacional da pessoa jurídica é o resultado das atividades normais da empresa, ou seja, as que constituem seu objeto. Se assim é, o conceito operacional está vinculado ao conceito de atividade normal, típica da empresa, consoante estabelecida em seus estatutos. Portanto, a receita operacional, de onde se extrai o lucro operacional, decorre necessariamente das atividades típicas da empresa. Nesse sentido, os ingressos decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras constituem receitas operacionais, sujeitas à tributação da Cofins. (...) Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.726424/201291 Acórdão n.º 3401002.873 S3C4T1 Fl. 19 19 Portanto, este é o alcance da decisão judicial proferida nos autos da Ação Rescisória ajuizada pelo contribuinte, que afastou o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998: as receitas não operacionais estão fora da base de cálculo da Cofins, pois não integram o seu faturamento; mas as operacionais fazem parte do faturamento, e, consequentemente, compõem a base de cálculo da contribuição. Na situação específica das instituições bancárias, a base de cálculo deve abranger não só serviços remunerados por tarifas, mas também as intermediações financeiras e outros serviços bancários, como por exemplo, financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, etc. Afinal, tratase de serviço típico, previsto no objeto social (receita operacional) e oferecido aos clientes.” (destacado) Portanto, ambas as contas açambarcam operações representativas de receitas, que, segundo a própria IN SRF 247/02, refletindo as normas contábeis do COSIF, qualificam se como de natureza operacional. Todavia, em que pese tal circunstância, tenho que aludidas verbas são representativas de receitas residuais, como, aliás, descreve o próprio COSIF, quando esclarece a sua natureza e cataloga, exemplificativamente, os componentes do grupo (ressarcimento diversos e recuperação de custos), de maneira que não é possível classificálas, para fins de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, como faturamento, na acepção até aqui defendida, consistente no somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas, razão pela qual entendo assistir razão ao contribuinte neste ponto. Respeitante à desconsideração dos depósitos judiciais ainda não convertidos em renda da União na apuração do indébito, infiro que andou bem a decisão reclamada. Dessarte, o fato de haver pedido expresso, irrevogável e irretratável de efetivação de conversão de depósito em renda, depósito esse digase realizado no bojo de outra ação judicial que não aquela debatida neste julgamento1, não tem o condão de extinguir o crédito tributário, como preceitua o Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 156, VI do mesmo diploma legal, apenas a efetiva conversão do depósito em renda deflagra a extinção do crédito tributário, não se prestando a tal desiderato apenas o pedido para adoção de tal providência, motivo suficiente, para que não seja, ainda, computado como indébito, por não se confundir, para este escopo, depósito judicial com pagamento. Também deve ser profligada a alegação que as operações ativas realizadas com recursos próprios estariam resguardadas da incidência da Cofins, por não decorrerem de intermediação financeira, pois, como bem pontuado pela decisão em revista, a utilização de 1 O depósito judicial em comento realizouse no MS 2003.38.00.0508672, ainda pendente de julgamento no STF, segundo o recorrente, onde se discute a contitucionalidade do art. 18 da Lei nº 10.684/03, que elevou a alíquota da Cofins, para as pessoa jurídicas listadas no art. 3º, §§ 6º e 8º da Lei nº 9.718/98, de 3% (três por cento) para 4% (quatro por cento). Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 recursos da própria pessoa jurídica é inerente à definição de instituição financeira insculpida no art. 17 da Lei nº 4.595/64, verbis: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” (destacado) Daí que as receitas originárias das operações com recursos próprios também se qualificam como de natureza operacional e, nessa condição, são componentes do faturamento e sujeitas à exação. Por derradeiro, pertinente ao último pedido subsidiário do recorrente, consistente na reversão dos efeitos tributários decorrentes do crédito tributário, não é possível manifestação deste colegiado acerca de direito abstrato, direito “em tese”, porquanto ainda não exercido pelo titular. A manifestação, qualquer que seja, neste estágio equivaleria a equiparar o julgamento administrativo à solução de consulta, também prevista no Decreto nº 70.235/72, o que não se compagina com a atribuição regimentalmente definida para o CARF. Demais disso, ainda que possível a expressão de posicionamento, também por previsão regimental, não competiria à quaisquer das turmas julgadoras da 3ª SEJUL/CARF a sua exposição, mas sim às turmas integrantes da 1ª SEJUL/CARF, razão pela qual tal pleito não deve ser conhecido. Em face de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as contas 7.1.9.00.005 (Outras Receitas Operacionais) e 7.1.9.99.00.9.1 (Outras Rendas Operacionais) da base de apuração da COFINS. Robson José Bayerl Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/02/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13746.000381/2003-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. CONTAGEM.
Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para a autoridade da RFB homologar a compensação declarada conta-se da data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora.
COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO PRINCIPAL.
A compensação de crédito tributário reconhecida por decisão judicial transitada em julgado só pode ser efetuada administrativamente se o contribuinte comprovar, no âmbito do processo administrativo, a homologação da desistência do título judicial quanto ao principal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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PRAZO. CONTAGEM. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para a autoridade da RFB homologar a compensação declarada contase da data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO PRINCIPAL. A compensação de crédito tributário reconhecida por decisão judicial transitada em julgado só pode ser efetuada administrativamente se o contribuinte comprovar, no âmbito do processo administrativo, a homologação da desistência do título judicial quanto ao principal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 03 81 /2 00 3- 14 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 327 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 328 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição de PIS e não homologou as compensações declaradas, ao argumento de que a requerente não comprovou a homologação da desistência da execução do título judicial, bem como não habilitou na DRF o crédito reconhecido judicialmente. Não resignada, a requerente alegou que, em 2003, pedira restituição de PIS pago indevidamente, na forma dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988 e ambos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em decorrência desse pleito, foram efetuadas, no período de março de 2006 a setembro de 2007, compensações tendo por objeto o crédito pleiteado. Passados mais de oito anos do protocolo do pedido de restituição, a autoridade administrativa indeferiu o pedido, com base em fundamentação contraditória. Além disso, a autoridade ignorou a existência de título judicial, afirmando a ausência de liquidez e certeza do crédito. Nesse contexto, deixou de apreciar fundamentadamente o pedido de restituição do contribuinte. Quanto às declarações de compensação, a decisão administrativa foi proferida depois de decorridos cinco anos de sua apresentação, quando o direito da Fazenda já havia sido alcançado pela decadência prevista no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/1996. Por essa razão, os débitos já não podem ser exigidos. Por outro lado, a autoridade administrativa, para indeferir o direito creditório, teria se pautado em normas infralegais, que estabeleceram requisitos formais sem respaldo em lei. Com esses fundamentos, pugnou pelo deferimento da restituição e pela homologação das compensações declaradas. A DRJ em Campo Grande (MS) indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRECATÓRIOS. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPATIBILIDADE. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 329 4 É incompatível a compensação de indébito tributário por meio de Dcomp com a execução judicial do mesmo crédito, na sistemática do precatório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual alega, em síntese: a recorrente efetuou exclusivamente compensação administrativa com amparo em decisão judicial, quando obteve provimento liminar que amparava o procedimento, antes mesmo do transito em julgado da Ação Judicial 93.00635913; o procedimento administrativo de compensação prosseguiu administrativamente para que a recorrente se valesse da inclusão em seu crédito dos expurgos inflacionários, não utilizados anteriormente, conforme precedentes de jurisprudência consolidada no STJ; deve ser reconhecida a homologação tácita dos lançamentos anteriores a 28/11/2011, especialmente da PERDCOMP transmitida em 19/06/2006, já que a mesma, embora retificada, não aumentou débito compensado ou incluiu novo débito, apenas corrigindo inexatidões materiais; Da análise detida das certidões, andamentos e peças processuais, bem como os demais documentos apresentados pelo contribuinte, depreendese pela inexistência de título executivo passível de renuncia a sua execução resultando na impossibilidade de pedido de habilitação de crédito judicial, vez que não operado o transito em julgado da ação.; deve prevalecer a busca pela verdade real como forma de atingir o Estado Democrático de Direito e o interesse público, e a realidade real demonstrada é que não houve concomitância de compensação administrativa e execução de título executivo judicial, fato que coloca por terra a fundamentação do Acórdão guerreado.; Por fim, requereu: a. O reconhecimento o da prescrição do crédito tributário lançado pela apresentação da DCOMP 08213.75138.190906.1.3.04 5630, cuja retificação não alterou o débito compensado; b. seja reconhecido o direito creditório do recorrente, com a inclusão dos expurgos inflacionários e homologadas as compensações vinculadas a esse processo. c. Caso assim não entenda este Colegiado, seja anulado o acórdão guerreado por fundamentação inconsistente e afastada da verdade real, sendo convertido o feito em diligência.. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 330 5 É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 331 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme certidão de objeto e pé de fls. 136/138, o contribuinte obteve em juízo a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o direito de compensar os valores pagos indevidamente nos períodos comprovados nos autos judiciais. O contribuinte apresentou administrativamente Pedido de Restituição tendo como motivo “Restituição de diferenças apuradas em função de metodologia de cálculo diferente da que foi aplicada em Processo Judicial de Restituição de PIS.”. Posteriormente apresentou Declarações de Compensação vinculadas a esses crédito. A Delegacia de origem ao analisar o pedido de restituição, cumulado com declaração de compensação, indeferiu o pleito do contribuinte, não homologando as compensações vinculadas, em face de descumprimento de exigência normativa, tais como a homologação judicial da desistência da execução do título judicial ou da renúncia ao direito de executálo e a habilitação de crédito em processo administrativo. Preliminarmente, quanto a alegação de homologação tácita da DCOMP 08213.75138.190906.1.3.04 5630, transmitida em 19/06/2006, entendo que não assiste razão à recorrente. Apesar da ciência do despacho decisório, que não homologou as compensações ter sido em 28/11/2011, a referida Declaração de Compensação foi retificada pela DCOMP 33800.07747.290710.1.7.040212, transmitida em 29/07/2010. Conforme o disposto nos arts. 44, § 2º, e 91 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos: Art. 44. [...]. [...]. § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. [...]. Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 332 7 A conclusão lógica que se extrai dos efeitos decorrentes do ato de retificação é que, uma vez que a declaração retificadora atenda as prescrições da legislação de regência, esta substitui integralmente o documento retificado, retirando dele todo e qualquer atributo antes conferido pelas normas tributárias pertinentes. Assim, admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para a autoridade da RFB homologar a compensação declarada contase da data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Isto posto, analisandose o mérito, verifica se que o sujeito passivo possui um título executivo judicial autorizando a repetição de indébito tributário e compensação do crédito respectivo e pleiteia administrativamente a Restituição de diferenças apuradas em função de metodologia de cálculo diferente da que foi aplicada em Processo Judicial de Restituição de PIS e a compensação deste crédito com débitos de tributos administrados pela RFB. Tais consectários seriam decorrentes dos expurgos inflacionários incidentes sobre o principal reconhecido judicialmente. A recorrente argumenta que a jurisprudência pátria reconheceu o direito dos contribuintes a correção monetária plena nos processos de repetição de indébito, incluídos diversos índices inflacionários expurgados no período de 1987 a 1992. Essa matéria já havia sido abordada no recurso apresentado na ação judicial conforme relatório da Apelação Civil no qual as autoras requerem que na atualização monetária do indébito sejam incluídos os expurgos inflacionários. O TRF2, ao apreciar a ação judicial em sede de recurso, deu parcial provimento aos recursos das autoras para reconhecer o seu direito à compensação nos termos do art.66 da Lei nº 8383/91, deixando consignado o Relator da Apelação Civil no seu voto nos seguintes termos: Por outro lado, estabeleceu o § 3º do art. 66 da Lei n° 8383/91 que "a compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.". Portanto, no que concerne à correção monetária, deve obedecer àquela prevista na lei (UFIR), e, antes de sua. criação, o mesmo critério utilizado pela Fazenda Pública para a correção dos seus créditos, sendo esta a jurisprudência prevalente neste Tribunal. Desta forma, são indevidos os expurgos inflacionários. Concluise, desta forma, que a sentença definitiva em ação judicial produz os efeitos nos estritos termos em que foi passada, assim sendo, não há como acolher a solicitação da Recorrente de aplicar expurgos inflacionários pleiteados, tendo em vista que a decisão judicial considerouos indevidos. No mais, a compensação de crédito tributário reconhecida por decisão judicial transitada em julgado só pode ser efetuada administrativamente se o contribuinte comprovar, no âmbito do processo administrativo, a homologação da desistência do título judicial quanto ao principal. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13746.000381/200314 Acórdão n.º 3801005.250 S3TE01 Fl. 333 8 Isto se faz necessário até para evitar o enriquecimento ilícito e resguardar a Fazenda Nacional de eventuais prejuízos decorrentes do bis in idem,, caso a efetiva devolução do indébito ocorra mediante autorização judicial em ação de execução por quantia certa contra a Fazenda Nacional, nos termos dos arts. 730 e 731 do CPC, por intermédio de precatório. Ante o exposto, voto por não negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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