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Numero do processo: 10980.010641/2003-91
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2000
SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE.
A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de suspensão de exigibilidade decorrente de antecipação de tutela em ação judicial.
DIREITO DE COMPENSAÇÃO, AÇÃO JUDICIAL, EFEITOS.
A existência de ação judicial, versando sobre direito de compensação, afasta a possibilidade de conhecimento do mérito da mesma matéria em sede administrativa de julgamento,
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
São aplicáveis juros de mora equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.387
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Renata Auxiliadora Marcheti
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2000 SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de suspensão de exigibilidade decorrente de antecipação de tutela em ação judicial. DIREITO DE COMPENSAÇÃO, AÇÃO JUDICIAL, EFEITOS. A existência de ação judicial, versando sobre direito de compensação, afasta a possibilidade de conhecimento do mérito da mesma matéria em sede administrativa de julgamento, JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. São aplicáveis juros de mora equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA . :. 4i gq t '' 0. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ; o TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10980M10641/2003-91 Recurso n" 247.848 Voluntário Acórdão n" 3801-00.387 — 1" Turma Especial Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria PIS Recorrente INEPAR INDUSTRIA E CONSTRUCOES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2000 SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE, ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de suspensão de exigibilidade decorrente de antecipação de tutela em ação judicial. DIREITO DE COMPENSAÇÃO, AÇÃO JUDICIAL, EFEITOS, A existência de ação judicial, versando sobre direito de compensação, afasta a possibilidade de conhecimento do mérito da mesma matéria em sede administrativa de julgamento, JUROS DE MORA, TAXA SELIC. LEGALIDADE. São aplicáveis juros de mora equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso --5 "erap_ G•Na D Ma da otta Cardozo - Presidente 1 --a?&rrat, uxiliadora ircheti - Relatara EDITADO EM: 05/08/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo Jerke Júnior, Renata Auxiliadora Marchetti, Paulo Sérgio Celani (suplente) e Maria Adelaide Carneiro Gonçalves de Aquino(suplente). Ausente, justificadamente, a conselheira Andréia Dantas Lacerda Maneta. Relatório Conforme relatório da DRJ, („.) (...) em decorrência de ação .fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, fbi lavrado o auto de infração de fls. : 180/185, para a formalização do crédito de R$ 40.634,21 de contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, além de encargos legais. 2. A autuação, lavrada e cientificada em 31/10/2003 (fl. 181), ocorreu devido à falta de recolhimento da contribuição para o PIS, relativa aos períodos de apuração de 01/02/2000 a 31/07/2000, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 183/185 e demonstrativo de juros de mora de fl. 180, tendo como fundamento legal. • arts. 2", I, 3", 8", I e 9" da Medida Provisória n" 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n" 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts.. 2 0, I, 3", 8", I, e 9" da Lei n" 9.715, de 1998; arts. 2°c 3" da Lei n" 9718, de 27 de novembro de 1998, Ato Declarató rio da Secretaria da Receita Federal n" 56, de 20 de julho de 2000; e art 1" da Lei Complementar n" 104, de 10 de janeiro de 2001. 3. Tempestivamente, em 28/11/2003, a interessada, por intermédio de representante regularmente habilitado (procuração à 11 219), apresentou a impugnação de fls 201/218, instruída com os ClOCUMelltOS de fls. 220/242, que é sintetizada a seguir 4. Após relato dos . fatos, alega, em questão preliminar a nulidade do feito em face da suspensão de exigibilidade dos débitos lançados, nos termos do art. 151, V, do CTIV, argumentando que os valores estão sendo discutidos em juizo, na Ação Ordinária n" 97.0106876-9, da 17" Vara Federal do Rio de Janeiro, na qual pretende que seja declarada a inexigibilidade da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS com base na Medida Provisória n" 1.212, de 28 de novembro de 1995, e na qual obteve antecipação de tutela, confirmada por sentença, publicada em 25/05/2000, concedendo o direito de compensar créditos de PIS com débitos da mesma contribuição. 5 Observa que, no momento em que foi deferida a antecipação de tutela, não havia impedimento legal para efetuar 2 Processo tf 10980 010641/2003-91 S3-TE01 Acórdão n 3801-00387 El 355 a compensação, não se aplicando ao caso o art. 170-A do CTN, acrescido posteriormente ao ordenamento jurídico, pela Lei Complementar n" 104, de 10 de janeiro de 2001 . Nesse sentido, fundamenta-se nas regras de aplicação da legislação tributária, a teor dos arts, 10.5 e 106 do CTN, 6. Conclui, assim, que, enquanto não houver decisão judicial transitada em julgado, valerá a tutela antecipada, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário e impedindo que o valor seja lançado. 7. Acrescenta que o art. 151, IV, do CTN já era aplicado analogamente à concessão de tutela antecipada, havendo a suspensão de exigibilidade mesmo antes de a Lei Complementar n" 104, de 2001, introduzir o inciso V ao mesmo artigo; e que o art. 201 do CTN determina que o crédito só é passível de inscrição em dívida ativa após esgotado o prazo para pagamento estipulado pela lei ou por decisão final proferida em processo regular, & No mérito, questiona o não-reconhecimento dos créditos compensados, aduzindo que "como já anteriormente mencionado, os créditos ora exigidas .foram objetos de compensação decorrentes de decisão transitada em julgado [sie], e, portanto, encontram-se suspensas, não sendo passíveis de inscrição em dívida ativa" e que, além disso, deve-se considerar a plausibilidade da tese alegada na ação judicial, posto que vigente até a presente data a Lei Complementar n" 7, de 1970, com a qual os valores da contribuição para o PIS devem ser calculados.. 9. Na seqüência, faz breve histórico legislativo da contribuição para o PIS e discorre acerca da impossibilidade de medidas provisórias (Medida Provisória n" 1.212, de 1995, e reedições, convertida na Lei n' 9,715, de 1998) instituírem forma de custeio da seguridade social, tecendo, nesse sentido, considerações sobre violações aos princípios da estrita legalidade, da separação dos poderes, da segurança jurídica e da anterioridade nonagesimal e aos requisitos constitucionais de necessidade de lei complementar, de vincula ção ao princípio da não-cumulatividade e de obrigatoriedade de inovação de hipótese de incidência e de base de cálculo, 10. Em relação aos juros de mora, contesta a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, aduzindo, com base em doutrina, que a referida taxa: não tem caráter indenizatório, próprio dos juros moratórias; promove a majoração do crédito tributário; desatende ao limite de 1% ao mês estabelecido no CTN que tem status de lei complementar,' constitui ofensa ao princípio da legalidade, dado que se delega às autoridades administrativas o estabelecimento de sua composição; é estabelecida pelo próprio credor da obrigação tributária. Adicionalmente, cita e transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — ST..1 3 11. Ao final, sintetiza as razões expostas, requerendo que o auto de infração seja julgado improcedente. 12 Às fly 245/246 foram juntadas cópias de documentos de identificação dos mandatários nomeados pela pessoa jurídica autuada Mantido o lançamento, recorreu o contribuinte, repisando seus argumentos da impugnação, em especial a alegação da impossibilidade de lançamento pela existência de processo judicial e a impossibilidade da cobrança de juros pela SELIC, Requer ainda a apreciação das questões levantadas relativas às compensações efetuadas, Passo ao voto, Voto Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti Relatora Tratam-se os presente autos de débitos relativos à contribuição para o PIS que a interessada pretende extinguir por compensação com créditos da mesma contribuição, em face da Ação Judicial n° 97,0106876-9, proposta por IESA — Internacional de Engenharia S/A (em litisconsóreio com outras empresas). A recorrente alegou a impossibilidade da lavratura do auto de infração, por estar o crédito tributário com a exigibilidade suspensa, cru face de discussão judicial. No que se refere à alegada suspensão da exigibilidade, isso não é fator impeditivo à constituição do crédito tributário pelo lançamento, que é atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, corno disposto no art, 142, parágrafo único, do CTN. Veja-se, para tanto, o teor do art. 141 do CTN: "Art 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade .funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias.. " (Grifou-se), Analisando a possibilidade de lançamento de matéria amparada por medida judicial ou com depósito do montante integral do tributo, o Parecer PGFN/CRIN IV 1,064/1993 conclui o seguinte: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, eX vi do artigo 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional, b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145 do CTN c/c o artigo 7", inciso 1 do Decreto n" 70 235/1972), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar . concedida (artigo 151 do CTN),' 4 Processo n" 10980.010641/2003-91 S3-TECil Acórdão n.° 3801-00387 F1 356 c) preexistindo processo fiscal à liminar concedida, deve aquele seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida." (Grifou-se). Além do mais, tanto é possível o lançamento referente à matéria em discussão na esfera judicial, que assim dispõe o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996: "Art. 63, Não caberá lançamento da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na .forma do inciso IV do artigo 151 da Lei n" 5 172, de 25 de outubro de 1966." (por meio da Medida Provisória n° 2.158-34, de 27 de julho de 2001, tal redação foi alterada, com a inclusão do inciso V do art. 151 do CTN — com a redação da Lei Complementar IV 104, de 2001). Cabe ainda consignar que a autoridade autuante procedeu ao lançamento corno medida de mera formalização de crédito, considerando-o abrangido por suspensão de exigibilidade, conforme consta no campo "intimação" do auto de infração, à fl. 181: "Fica o contribuinte notificado de que poderá, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste auto de infração, impugnar o presente lançamento, nos termos dos arts. .5", 15, 16 e 1 7 do Decreto n" 70.23.5/72, com as alterações introduzidas pelas Leis n" 8.748/93 e n" 9..532/97. O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força da Antecipação de Tutela concedida nos autos do processo n" 97.0106876-9 da 17" Vara Federal do Rio de Janeiro (art, 1.51, inciso V do CTN, alterado pela Lei Complementar 111". 104/2001). Afastada a suspensão de exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável ao sujeito passivo, este deverá (conforme teor e extensão do julgado) recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da dívida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados e a serem convertidos em renda da União." Como se vê, o fato de matéria tributável ser levada ao judiciário não é fator impeditivo à constituição do crédito tributário. Antes pelo contrário, verifica-se que mesmo havendo depósito do montante integral ou concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em outras espécies de ações (art. 151, II, IV e V do CTN), que são fatores de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não é defeso ao fisco, por meio do lançamento de oficio, constituir esse mesmo crédito, cuja exigibilidade (cobrança) fica suspensa enquanto perdurarem aqueles fatores. Apenas a multa de oficio não é cabível, nos casos dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, por expressa determinação do art. 63 da Lei n." 9.4.30, de 1996. E não houve multa aplicada, no caso. Importante ainda mencionar que dos documentos juntados, não restou cristalino que a contribuinte faça parte dos poios da Ação Ordinária 97.0106876-9 que corre perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Aliás, em relação a tal processo, conforme fls. 330 a 341, a apelação das autoras restou prejudicada e foi dado provimento à apelação da União Federal para reconhecer que não havia o que ser restituído. Após tal julgamento o Recurso Extraordinário interposto foi inadmitido. A despeito disso e considerando que este fato não interfere no meu convencimento, se o interessado não é parte da Ação Ordinária n. 97,0106876-9 interposta perante a 17 Vara Federal do Rio de Janeiro não há que ser falado sobre inexigibilidade do crédito tributário. Se é parte da ação, falar em inexigibilidade somente após este julgamento, o que não é o caso. Vejamos. Se o Auto de Infração foi gerado a partir do não reconhecimento dos créditos compensados conforme decisão judicial, ou se essa decisão judicial não acobertava a recorrente, correta a Autuação fiscal que deve subsistir. Restando não-pago o crédito fiscal, ainda que baseado em provimento judicial, presente está a circunstância definida em lei como necessária e suficiente para o lançamento de oficio, atividade vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Aliás, mesmo se, em ação judicial, houver concessão de medida liminar ou tutela antecipada suspendendo a exigibilidade, o lançamento de oficio é um poder/dever da autoridade fiscal, ato de formalização do crédito, ou deve ser levado a termo como medida preventiva contra o perecimento do direito da Fazenda Pública. Nesse sentido, veja-se o Parecer' PGFN/CRIN n° 1.064, de 1° de novembro de 1993 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Afasto, portanto, a preliminar argüida. A respeito das compensações alegadas, é matéria objeto da Ação Judicial n° 97.0106876-9, como confirma a cópia de petição de fls. 66/110, não mais podendo ser discutida em instância administrativa de julgamento. Incide no caso o princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5", XXXV da Constituição Federal de 1988, Não cabe, portanto, o pronunciamento administrativo quanto à alegação de direito de indébito e de compensação de valores de contribuição para o PIS recolhidos com base na Medida Provisória n° 1.212, de 1995. O presente julgamento, portanto, passa a referir-se exclusivamente à regularidade do auto de infração, como instrumento de formalização do crédito. No momento oportuno o crédito objeto do lançamento será ou não judicialmente reconhecido e essa decisão deverá ser observada pela repartição encarregada da cobrança do crédito. 6 Processo n° 10980 010641/2003-91 S3-TE01 Acórdão n " 3801-00.387 Fl. .357 No momento, conforme alínea "b" do Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 3, de 1996, o processo administrativo deve ter prosseguimento no que tange à matéria que não foi objeto da ação judicial. Em relação aos juros de mora cobrados, em percentual equivalente à variação da taxa Selic, em se tratando de tributos e contribuições, há que se observar a Sumula .3 deste CARF que textualmente dispõe: SÚMULA 1\1° .3 do CARF: A partir de I' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Como indicado no auto de inflação, por disposição legal, em consonância com o próprio CTN e com a Sumula acima mencionada deste CARF, foram definidos para cobrança de juros de mora, percentuais equivalentes à taxa referencial Selic, A Súmula deve ser obedecida neste julgamento. Em relação à jurisprudência do Sn cito o já consignado na decisão da DRJ: em face da inexistência de norma legal que lhe confira (às decisões do STA eficácia normativa e pelo caráter inter partes das decisões judiciais, não pode ser estendida administrativamente àqueles que não integraram as respectivas ações. Ademais, é de se ressaltar que as decisões judiciais citadas referem-se ao ,55. 4" do art. 39 da Lei n" 9.2.50, de 26 de dezembro de 1995, instrumento legal que não é .fundamento da presente exigência de juros de mora, mas que disciplina, por outro lado, o direito de compensação ou de restituição de indébito Posto isso, voto por julgar procedente o lançamento em sua integralidade do modo como feito, - • , Ci:Catà Auxiliadora Marcl eti 7
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000346/2007-93
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
A falta de exibição de folhas de pagamento pelo sujeito passivo, faculta ao fisco efetuar a apuração das remunerações dos segurados por outros meios, principalmente pelos valores lançados na contabilidade.
Numero da decisão: 2401-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência para os períodos de 12/1999 a 12/2000; II) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG - Relatório de Representantes Legais; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte A falta de exibição de folhas de pagamento pelo sujeito passivo, faculta ao fisco efetuar a apuração das remunerações dos segurados por outros meios, principalmente pelos valores lançados na contabilidade.
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ENQUADRAMENTO PELA ATIVIDADE PREPONDERANTE. ATIVIDADE QUE ENGLOBA O MAIOR NÚMERO DE SEGURADOS. A alíquota para a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é fixada com base no enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, em função da sua atividade preponderante, assim entendida aquela que contempla o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. APURAÇÃO FISCAL COM BASE NA ESCRITA CONTÁBIL. POSSIBILIDADE. A falta de exibição de folhas de pagamento pelo sujeito passivo, faculta ao fisco efetuar a apuração das remunerações dos segurados por outros meios, principalmente pelos valores lançados na contabilidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 03 46 /2 00 7- 93 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência para os períodos de 12/1999 a 12/2000; II) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG Relatório de Representantes Legais; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000346/200793 Acórdão n.º 2401002.656 S2C4T1 Fl. 115 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.034.7250, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e para outras entidades e fundos (terceiros). Nos termos do relatório fiscal, fls. 78/79, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais (diretores e autônomos) no período de 12/1999, 01/2000, de 03/2000 a 12/2000, 01/2003 e 02/2003, 05/2003, 12/2003 e 13/2003, 13/2004, 07/2005 e 08/2005, 13/2005, 02/2006 e 04/2006, 11/2006 e 13/2006 para a matriz e 13/2003, 03/2004, 13/2004, 02/2006, 04/2006 e 13/2006 para a filial. Afirma o fisco que o sujeito passivo, embora devidamente intimado a apresentar as folhas de pagamento de 01/1999 a 07/2007, somente disponibilizou aquelas relativas aos anos de 2003 e 2004. Ressaltase que, no período da NFLD, não houve apresentação de GFIP nas competência 13/2005, 02/2006, 04/2006 e 13/2006 e que, nas demais, as GFIP foram declaradas com omissão dos fatos geradores lançados. A Autoridade Fiscal informa também que, nas competências em que não houve apresentação de Folha de Pagamento, os valores foram levantados com base na escrituração contábil, Livros Razão e Diário, e nas competências em que não houve nem apresentação dos Livros nem das Folhas de pagamento, quais sejam, as competências 02/2006, 04/2006 e 13/2006 os valores foram levantados com base nas GFIP apresentadas no período observandose que não houve alteração no quadro de empregados. Cientificada do lançamento em 03/12/2007, a Cooperativa ofertou impugnação, fls. 81/84, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), que declarou procedente o lançamento (ver fls. 93/104), em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2003 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DO SEGURADO E DO EMPREGADOR. REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços durante o mês, conforme estabelecido no artigo 22, incisos I a IV, da Lei n° 8.212/1991, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 bem como recolher as contribuições destinadas aos terceiros, nos termos do disposto no artigo 94 da mesma lei, com as alterações introduzidas pela legislação posterior. ALÍQUOTA DO SAT/RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A fixação da aliquota do seguro de acidente do trabalho válida para todos os estabelecimentos da empresa decorre do enquadramento da atividade preponderante, ou seja, aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. LIVRO RAZÃO. PROVA DOCUMENTAL I IÁI3IL. No processo administrativo fiscal predominam as provas documental, pericial e indiciária, dentre elas os livros contábeis, sendo o Livro Razão documento hábil para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. EMISSÃO OBRIGATÓRIA. O "REPLEG Relatório de Representantes Legais documento de emissão obrigatória que integra a notificação fiscal de lançamento de crédito. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. 0 direito de cobrar os créditos da Seguridade Social prescreve em 10 (dez) anos, não sendo possível, na instância administrativa, afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em plena vigência. LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONAL1DADE DE LEI. ARGUIÇÃO. DESCABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. 0 controle da legalidade e/ou da constitucionalidade de lei é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 107/110, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes as contribuições lançadas para o período de 01/1999 a 12/2002; b) devem ser excluídos do polo passivo os presidentes da entidade, posto que não praticaram qualquer ato de gestão que pudesse qualificálos como corresponsáveis; c) não deve prevalecer a apuração com base em livro contábil, sem que tenham sido analisadas as notas fiscais e recibos; d) a alíquota RAT é 1%, posto que se trata de serviço prestado em escritório; e) não foi considerado o disposto na legislação, a qual determina que, nos casos em que o valor da contribuição não atinge o valor mínimo para pagamento estabelecido pela Administração Tributária, devese acumular o valor para o próximo período. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000346/200793 Acórdão n.º 2401002.656 S2C4T1 Fl. 116 5 Ao final pede o reconhecimento parcial da decadência, a exclusão dos presidentes do polo passivo e a declaração de improcedência do lançamento. É relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000346/200793 Acórdão n.º 2401002.656 S2C4T1 Fl. 117 7 (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Assim, seja pela aplicação do art. 150, § 4.º ou do 173, I, estão decadentes as competências até 12/2000. Para o período posterior (01/2003 a 13/2006), não há o que se falar decadência, independentemente do critério a ser adotado, haja vista que a ciência do lançamento ocorreu em 03/12/2007. Em resumo, deve ser reconhecida a decadência para o período de 12/1999 a 12/2000. Apuração com base na contabilidade Observase no anexo Relatório de Lançamentos, fls. 17/20, que de fato houve apuração de remunerações com base no Livro Razão. Todavia, tal procedimento, conforme disposto no relato do fisco somente ocorreu em face da não apresentação das folhas de pagamento pelo sujeito passivo. Embora este alegue que há incorreções na determinação da base de cálculo, pelo fato de terem sido incluídas valores relativos a pagamentos não relacionados a prestação de serviço, não carreou aos autos qualquer documento que pudesse atestar a veracidade de sua alegação. Observese que houve, na ação fiscal, inclusive a lavratura de Auto de Infração pela falta de colaboração da empresa para com o fisco, a qual deixou de apresentar todos os documentos solicitados, dificultando, dessa forma, o trabalho de auditoria. Assim, não hei de acolher as alegadas falhas na apuração fiscal, uma vez que a recorrente não indicou com precisão quais os valores mereceriam correção e qual a documentação comprovaria os supostos erros. Alíquota RAT Alega a Cooperativa que na apuração a alíquota RAT deveria ter sido fixada em 1%, posto que o grau de risco para trabalho em escritório é leve. Não lhe devo dar razão. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A definição da alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é prevista no art. 22, II, da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. A Relação das Atividades Preponderantes e os Correspondentes Graus de Risco consta do anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. A fiscalização enquadrou a Cooperativa conforme o Código CNAE 52493, correspondente a atividade de COMÉRCIO VAREJISTA DE OUTROS PRODUTOS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE, cujo grau de risco conforme o citado anexo é médio, com alíquota RAT de 2%. Esse enquadramento foi efetuado conforme a atividade declarada pela empresa na inscrição do CNPJ. Analisandose o Estatuto da Cooperativa Regional Agropecuária de Caldas, observase que a seu objetivo principal é vender a produção agrícola dos seus associados nos mercados local, nacional e internacional, funcionando como uma intermediária entre os cooperados e o mercado consumidor. Essa atividade, no período do lançamento tinha enquadramento mais específico no CNAE 51.110, INTERMEDIÁRIOS DO COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS IN NATURA; PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PARA ANIMAIS, cuja alíquota RAT correspondente, conforme o Anexo V do RPS, era também 2%. Nesse sentido, descabe o inconformismo da recorrente quanto à fixação da alíquota RAT em 2%. Contribuição sobre remuneração aos autônomos A alegada omissão no recolhimento da contribuição incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais em razão do valor ser inferior ao mínimo fixado na legislação não pode ser aceita. É que o sujeito passivo não apresentou qualquer prova no sentido de que houve recolhimento conjunto de várias competências, cujos valores da contribuição supostamente não teriam atingido a quantia mínima para recolhimento. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000346/200793 Acórdão n.º 2401002.656 S2C4T1 Fl. 118 9 É notório que nesse ponto recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações sobre a existência recolhimentos de conjunto de competências que não atingiram o valor mínimo, afasto esse argumento. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa da Relação de Representantes Legais, por reconhecer a decadência para o período de 12/1999 a 12/2000 e, no mérito, por negar .provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.015602/2008-79
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS COM ORIGENS COMPROVADAS. Comprovadas as origens dos depósitos bancários, ainda durante a ação fiscal, mediante a identificação dos depositantes, descabe a autuação com fundamento no artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. No mérito, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.525.842,12 e desqualificar a multa de ofício. Vencidos a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA que apenas desqualificava a multa de ofício e os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR que davam provimento em maior extensão, admitindo a exclusão da base de cálculo também dos rendimentos declarados. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazelli, OAB/MG Nº 73.478.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS COM ORIGENS COMPROVADAS. Comprovadas as origens dos depósitos bancários, ainda durante a ação fiscal, mediante a identificação dos depositantes, descabe a autuação com fundamento no artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. No mérito, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.525.842,12 e desqualificar a multa de ofício. Vencidos a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA que apenas desqualificava a multa de ofício e os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR que davam provimento em maior extensão, admitindo a exclusão da base de cálculo também dos rendimentos declarados. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazelli, OAB/MG Nº 73.478. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS COM ORIGENS COMPROVADAS. Comprovadas as origens dos depósitos bancários, ainda durante a ação fiscal, mediante a identificação dos depositantes, descabe a autuação com fundamento no artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. No mérito, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.525.842,12 e desqualificar a multa de ofício. Vencidos a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA que apenas desqualificava a multa de ofício e os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR que davam provimento em maior extensão, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 56 02 /2 00 8- 79 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 admitindo a exclusão da base de cálculo também dos rendimentos declarados. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazelli, OAB/MG Nº 73.478. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt. Relatório JOÃO BOSCO ASSUNÇÃO ESTEVES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELO HORIZONTE/MG (fls. 1054) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 07/14, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 4.392.930,73, acrescido de multa de ofício (qualificada) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 13.095.326,50. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos caracrterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, conforme descrição dos fatos do auto de infração e Termo de Verificação Fiscal anexos. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que um mesmo valor, como, por exemplo, o saldo disponível em moeda corrente na Declaração de 2003/2004 no montante de R$ 185.000,00, depositado seis vezes a cada mês, geraria ao final do exercício uma enorme soma de R$ 13.320.000,00 aparentemente sem origem; que, como pessoas físicas não mantêm organização contábil dos fatos, e não é de se estranhar não ter o contribuinte mantido registro rigoroso dos mesmos, mas o fez a contento quanto às operações de factoring; que quanto ao não acatamento pela fiscalização dos depósitos correspondentes aos honorários recebidos em espécie, não foi levado em consideração que um valor recebido hoje em moeda nacional poderá ser depositado à frente quando possível ou necessário; que os valores creditados nas contas bancárias originam, salvo melhor juízo, de um mesmo numerário que entrou e saiu das contas; que, com o capital próprio disponível, operava em factoring; que sempre trabalhou dentro de suas economias, ou seja, com o capital inicial de R$ 185.000,00, com os rendimentos do próprio factoring, do prólabore, da venda da fazenda e do gado; que no tocante às transferências bancárias da conta 7005 do BANCOOB, não é associado ou correntista do banco; que não é parte dos quadros associados daquela Cooperativa, e que nunca lhe passou pela cabeça que a fiscalização consideraria tal fato como possível de ser interpretado como uma fraude; que se pareceu que o contribuinte afirmou que a conta 7005 no BANCOOB era de sua titularidade, houve um engano, pois o que afirmou foi que "as transferências eram para ele mesmo", que saíram do BANCOOB para si próprio no Banco do Brasil, onde seriam e foram explicadas; que nunca se desmentiu que o BANCOOB transferiu aquelas importâncias para o Banco do Brasil e estava patente quem transferiu ou depositou aqueles valores para crédito na conta no Banco do Brasil, pois todos os nomes constam nos documentos do BANCOOB; que estes valores tratam de pagamentos de operações de factoring Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 3 3 retratadas no seu livro caixa; que teria sido necessário apurar se quem depositou o numerário no BANCOOB para a transferência para o contribuinte é cliente e associado deste banco, sendo claro que é, porque aquele sistema só opera com associado; que em momento algum, foram sonegados documentos, informações ou esclarecimentos; que não houve sequer atraso com as solicitações, tendo sido sempre diligente e solícito; que, assim, não fez nada que pudesse ser confundido com intuito de fraude; que sobre a venda de gado e da fazenda, tudo foi feito em absoluto respeito à lei; que consta no próprio documento fornecido pelo banco do Sr. Lúcio Rogério que os cheques foram pagos em espécie; que com o numerário em sua mão, poderia depositálo onde e como quisesse; que os depósitos não tinham que ser co coincidentes em valor e data; que os valores recebidos em moeda corrente poderiam ser depositados quanto e quando desejasse; que as respostas das empresas intimadas a informar a natureza/fato econômico dos depósitos efetuados em nome do contribuinte foram ignoradas pela fiscalização; que a resposta de Albino Antônio de Moura confirma integralmente a operação de factoring; que não foi considerado o livro caixa apresentado à fiscalização, que discrimina os números dos negócios, inclusive a apuração mensal de resultados; que apresentou livro caixa, extratos, documentos bancários e cópias dos cheques emitidos para saque em sua conta, ou seja, documentos hábeis e idôneos; que os documentos necessários de serem guardados estão anexados no processo; que os saques em espécie, comprovados por cópias dos cheques sacados pelo contribuinte, confirmam a reposição do capital em giro disponível; que o livro caixa confirma todas as operações de factoring e reposição do capital na circulação comercial e ainda apresenta a rentabilidade ao final de cada mês, respaldada pelos hábeis depósitos e cópias de cheques de reposição em circulação do mesmo capital; que as declarações do Sr. Hudson Roberto Vilela e do Sr. Carlos Alberto Marques de Azevedo foram desconsideradas; que nenhuma das conclusões da fiscalização está calcada nas informações disponibilizadas pelo contribuinte e por terceiros; que nada restou caracterizado que justifique o entendimento da fiscalização; que a representação fiscal de fins penais foi feita sem base alguma em face do que constam nos documentos disponibilizados; que, por isto, protesta , pela sua absoluta nulidade do lançamento. A DRJBELO HORIZONTE/MG julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJBELO HORIZONTE/MG ressaltou, inicialmente, a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, que tem previsão legal no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; que o Contribuinte foi regularmente intimado a comprovar as origens dos depósitos bancários e não o fez, justificando a autuação; que não comprovadas as origens dos depósitos bancários, resta configurada a omissão de rendimentos; que aos órgãos julgadores administrativos é defeso deixar de aplicação a mlegislação vigente. Sobre a alegada origem dos depósitos bancários na atividade de fractoring, ressalta que o Contribuinte foi intimado a comprovar as alegadas origens e a declinar os nomes dos depositantes e o motivo dos depósitos, sem que tenha logrado fazêlo; que os elementos apresentados, como o livrocaixa, por exemplo, não faz prova deste fato, pois os livros podem ser preenchidos a qualquer tempo; que algumas empresa intimadas nbão confirmaram a alegada origem. Sobre o BANCOOB não teria sido comprovado pelo Contribuinte que os valores creditados na conta do Banco do Brasil, provenientes do BANCOOB, enquadramse no disposto no § 3º, I, do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tampouco que se tratam de débitos decorrentes da atividade de factoring. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Relativamente à alegada venda de uma fazenda e da venda de gado, não se verifica a necessária coincidência de datas e valores entre os depósitos e as retiradas da empresa L & R Transportes Ltda. e, no caso da venda de gado, as datas das notas fiscais diferem em mais de 15 dias das datas dos depósitos, sendo que, no contrato apresentado reza que os pagamentos seriam feitos no ato da compra e venda; que os cheques emitidos pela referida empresa não foram compensados, mas sacados; que cabe ao contribuinte fazer a vinculação entre as alegadas origens e os depósitos; que vários depósitos elencados pelo Contribinte e que, alegadamente, seriam pagamentos recebidos de terceiros, não foram apresentados elementos que confirmem a alegação. Quanto às declarações de Hudson Roberto Vilela e Carlos Alberto Marques de Azevedo, tais declarações, por si só, não comprovariam as origens dos recursos; que as declarações presumemse verdadeiras apenas em relação aos signatários, não eximinindo os mesmos de comprovarem, perante terceiros, os fatos declarados. Sobre os valores alegadamente recebidos a título de prolabore, os documentos apresentados não comprovariam esse fato. Finalmente, sobre a qualificação da multa de ofício, a DRJ observou que, além da declaração falsa prestada à Fiscalização, o Contribuinte, os depósitos bancários de valores elevados e feitos de forma reiterada” é inerente à vontade de agir do Contribuinte no sentido de sonegar imposto, justificandose a qualificação da multa. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 17/07/2009 (fls. 1077) e, em 17/08/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 1081/1100, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, a alegada origem dos depósitos; que apresentou elementos que confirmam essa alegação; que não se justifica a exigência de coincidência de datas e valores; que documentos apresentados comprovam a movimentação financeira a partir do Banco BANCOOB. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a preliminar de sobrestamento do recurso argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior. Não concordo com a proposta, primeiramente, porque foi o próprio Contribuinte quem apresentou os extratos bancários em resposta a intimação do agente fiscal. Portanto, não houve quebra de sigilo bancários. Mas ainda que assim não fosse, e embora certo de que não sou acompanhado pelos demais membros deste Colegiado, penso que não se aplica o artigo 62A ao presente caso. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 4 5 Como é sabido, o sobrestamento do julgamento de recursos no âmbito do CARF se dá por imposição e nos termos do seu Regimento Interno, cujo artigo 62A reza o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Cumpre às turmas julgadoras do CARF, portanto, verificarem, em cada caso, as situações em que o julgamento deva ser sobrestado, seja por provocação da parte, seja por iniciativa que qualquer dos Conselheiros da Turma. Pois bem, o artigo 62A, acima reproduzido, é claro ao referirse ao sobrestamento do recursos, “sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Ora, a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo CivilCPC cuida dos processos com repercussão geral, e define três situações distintas, veiculadas nos artigos 543A, 543B e 543C, a saber: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal, a existência da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Se a Turma decidir pela existência da repercussão geral por, no mínimo, 4 (quatro) votos, ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o Negada a existência da repercussão geral, a decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 indeferidos liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 6o O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 7o A Súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no Diário Oficial e valerá como acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 5 7 a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Como se vê, o artigo 543A cuida de situação envolvendo recursos extraordinários que chegam ao Supremo Tribunal Federal, e que somente serão conhecidos pela Corte quando a questão constitucional nele versada for reconhecida como de repercussão geral, definida pela existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. O § 2º do mesmo artigo Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 determina que o recorrente deve demonstrar, em preliminar do recurso, a existência da repercussão geral. Já o artigo 543B cuida de situação em que os tribunais de origem selecionam um ou mais recursos representativos da controvérsia e os encaminha ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando o julgamento dos demais recursos até o pronunciamento definitivo da Corte, cabendo ao Supremo Tribunal Federal – STF, nestes casos, negar ou confirmar a existência da repercussão geral. Negada a existência da repercussão geral, os recursos que ficaram sobrestrados nos tribunais consideramse automaticamente não admitidos;. acatada a repercussão geral, estes permanecem sobrestados até julgamento do mérito pelo STF. Um terceira situação está disciplinada no artigo 543C, e assemelhase à situação definida no artigo 543B, porém envolvendo recursos especiais. Cuidase, portanto, vale repisar, de três situações distintas: as duas primeiras envolvendo recursos extraordinários, a última, recurso especial. E mais, em relação às situações tratadas nos artigos 543A e 543B há uma clara distinção, especialmente, quanto ao sobrestamento dos recursos pelos tribunais de origem. No caso tratado no artigo 543A, o reconhecimento da repercussão geral é examinada como condição para a admissibilidade do recurso, pelo STF, não implicando no sobrestamento, pelos tribunais de origem, dos recursos que versem sobre matéria idêntica, o que é evidente, pois, se assim não fosse, o artigo 543A seria inócuo, pois não subiriam recursos relativamente a tais matérias, para terem sua admissibilidade, quanto à repercussão geral, examinada pelo STF. Diferentemente, no caso do 543B, o reconhecimento da repercussão geral pelo STF implica, necessariamente, no sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem até decisão pelo STF. O próprio STF expediu orientações com vistas à padronização de procedimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos do Poder Judiciário, em que deixa clara essa distinção. Vejamos: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS I) Verificase se o RE trata de matéria isolada ou de matéria repetitiva (processos múltiplos). a) Quanto às matérias isoladas, realizase diretamente o juízo de admissibilidade, exigindose, além dos demais requisitos, a presença de preliminar de repercussão geral, sob pena de inadmissibilidade. b) Quanto aos recursos extraordinários múltiplos: b.1) Selecionamse em torno de três recursos extraordinários representativos da controvérsia, com preliminar de repercussão geral e que preencham os demais requisitos para sua admissibilidade, os quais deverão ser remetidos ao STF, mantendose sobrestados todos os demais, inclusive os que forem interpostos a partir de então (§ 1º do art. 543B do CPC). Não há necessidade de prévio juízo de admissibilidade dos recursos que permanecerão sobrestados. b.2) Os recursos extraordinários múltiplos que forem remetidos ao Supremo Tribunal Federal em desacordo com o art. § 1º do art. 543B do CPC, ou seja, em número além do necessário para que o Tribunal tenha conhecimento da controvérsia, serão devolvidos aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 6 9 de Uniformização dos Juizados Especiais, nos termos da Portaria 138/2009 da Presidência do STF. b.3) Se a seleção ainda não foi feita para um assunto específico, mas já houve pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso, é desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, podendo ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o tema. A identificação dessa hipótese se dá pela consulta às matérias com repercussão geral reconhecida, no portal do Supremo Tribunal Federal. II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de 1maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestando se recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminhase o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Notese que o STF distingue as “matérias isoladas” dos “recursos extraordinários múltiplos”, tratados, respectivamente, nos artigos 543A e 543B do CPC, e define procedimentos específicos para cada situação. Pois bem, a questão central para o deslinde da controvérsia ora examinada, no que diz respeito ao CARF, é que o RICARF definiu explicitamente que o sobrestamento do julgamento dos recursos deveriam ocorrer nos casos em que a repercussão geral foi reconhecida pelo STF na sistemática estabelecida no artigo 543B do CPC, e, no caso sob exame, o RE nº 601.314/SP, tido como leading case, foi admitido como se repercussão geral pela “relevância jurídica da questão constitucional”, nos termos do artigo 543A do CPC c/c o artigo323, § 1º do RISTF. Eis a conclusão do voto do Relator, Ministro Ricardo Levandovski: Isto posto, manifestome pela existência da repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do artigo 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º do RISTF. 1 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 Ora, reconhecida como de repercussão geral, ainda que na sistemática do art. 543A do CPC é natural que o julgamento de recursos extraordinários versando matéria idêntica sejam sobrestados no âmbito do próprio STF, até o julgamento do RE 601.314, mas esta decisão não implica no sobrestamento, nos tribunais de origem, dos processos versando matéria idêntica. E, com mais razão ainda, não se justifica o sobrestamento dos processos no âmbito do CARF. Diferentemente, quando a repercussão geral é reconhecida com amparo no artigo 543B, § 1º do CPC, o STF determina o sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem, até decisão do mérito. É o que ocorreu, por exemplo, no RE 614.232, que trata de rendimentos recebidos acumuladamente. Vejamos: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIUO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados, se por regime de caixa ou de competência, vinha sendo considerado por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição dói recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. #. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da uniformidade e da isonomia geográfica. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do artigo 543B, § 1º do CPC. Aqui, o STF determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários versando sobre a mesma matéria, o que não ocorreu, coerentemente, no caso do RE 601.316. Rejeito, portanto, a preliminar de sobrestamento. Superada esta questão, passo ao exame das demais. Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Vale ressaltar, de início, que este tipo de lançamento tem fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 7 11 Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. O Contribuinte alega, de início, que sua movimentação financeira decorre de recursos acumulados ao longo de anos de trabalho. Tal alegação, todavia, sem a comprovação, de forma individualizada das origens dos depósitos bancários, não afasta a presunção de omissão de rendimentos. Se, de fato, como alega, o Contribuinte acumulou riqueza que movimenta nas suas contas bancárias, não deveria ter dificuldade em demonstrar, individualizadamente, as origens dos recursos depositados, mormente tratandose de soma tão considerável de recurso. Além dessa alegação genérica, o Contribuinte aponta algumas origens especificas para os depósitos. Referese à venda de gado, à venda de uma fazenda e ao recebimento de prólabore. Esta questão já foi analisada pela própria autoridade lançadora que não acolheu a alegação por não identificar coincidência de datas e valores entre os depósitos e as alegadas origens. A DRJBELO HORIZONTE/MG, da mesma forma, concluiu pela inexistência de Correspondência entre as alegadas origens e os depósitos. Este relator, compulsando os autos, chega à mesma conclusão: Embora o Contribuinte apresente escritura de compra e venda da Fazenda, Nota Fiscal da venda do gado e escrituração das empresas com o pagamento do prólabore, nem por aproximação é possível vincular estes créditos aos depósitos considerados na autuação. E a Lei é clara: os depósitos devem ser comprovados de forma individualizada. Se o Contribuinte de fato recebeu estes recursos e os depositou em suas contas bancárias, não deveria ter dificuldade em fazer tal vinculação. Sem esta vinculação, não há como acolher as alegadas origens. A autuação observou que alguns depósitos tiveram origem em transferência feitas a partir do Banco Bancoob tendo como remetente o próprio Contribuinte. A autoridade lançadora diligenciou junto ao Bancoob e constatou que o Contribuinte não tinha contas naquela instituição financeira, daí não considerou que tais créditos referemse a transferências entre contas de mesma titularidade. São os créditos relacionados no Termo de Verificação Fiscal e encontramse na planilha Pás fls. 19. Penso que agiu com acerto a autoridade lançadora neste ponto. Não sendo o Contribuinte titular de conta bancária no Bancoob, tais Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 8 13 créditos equivalem a depósitos feitos pelo próprio Contribuinte, cuja origem deveria comprovar, e sem a comprovação, mantémse a presunção de omissão de rendimentos. Estes e outros tantos créditos feitos através do Banco Bancoob são justificados pelo Contribuinte como tendo origem na atividade de factorig, que o Contribuinte não comprova. Se é verdade que exercia essa atividade, não deveria ter dificuldade em fazêlo. A Fiscalização, inclusive, diligenciou intimando alguns dos depositantes e estes negaram ter realizado este tipo de transação com o Contribuinte, conforme detalhadamente relatado no Termo de Verificação Fiscal. Verifico, todavia, que todos ou outros créditos feitos através do Banco Bancoob identificam os valores das transferências, como se pode ver dos documentos de fls. 215 a 441. Tratase de comprovantes de transferência interbancárias nos quais conta a identificação dos remetentes e do Favorecido, este último, o ora Recorrente. Nos primeiros, às fls. 215 a 235, o remetente é o próprio Contribuinte, fato já referido acima. Os documentos de fls. 239 a 336 tratam de transferência feitas por diversas pessoas físicas e jurídicas, e estão relacionados na planilha abaixo, e que totalizam R$ 3.511.153,30; os documentos de fls. 338 a 410 tratam de transferência feitas pela empresa R. Damásio, CNPJ nº 06.845.796/000160, e totalizam R$ 3.909.446,30; os documentos de fls. 412 a 438 tratam de transferência feitas pela empresa LM Comercial e Distribuidora Ltda., com CNPJ nº 70.963.418/000180, e totalizam R$ 776.385,35; e os documentos de fls. 440 a 449 tratam de transferências feitas pela empresa Lagoa Motoparts Ltda., com CNPJ nº 01.572.457/000133, e totalizam R$ 319.857,17 DATA VALOR FLS. 06/01/2004 41.097,53 237 07/01/2004 22.050,00 238 07/01/2004 23.811,00 239 07/01/2004 23.459,00 240 22/01/2004 3.616,00 241 26/01/2004 70.000,00 242 27/01/2004 13.395,00 243 03/02/2004 24.287,90 244 05/02/2004 57.049,00 245 06/02/3004 13.151,00 246 16/02/2004 26.752,24 247 19/02/2004 2.106,51 248 03/03/3004 44.819,00 250 03/03/2004 68.200,00 251 09/03/2004 16.557,00 252 09/03/2004 83.423,00 253 10/03/2004 36.183,46 254 10/03/2004 57.400,00 255 12/03/2004 17.375,00 256 16/03/2004 34.675,00 257 17/03/2004 40.000,00 258 18/03/2004 98.500,50 259 23/03/2004 34.612,00 260 26/03/2004 6.043,95 261 29/03/2004 101.211,00 262 31/03/2004 29.600,00 263 31/03/2004 70.000,00 264 01/04/2004 44.000,00 265 08/04/2004 45.903,30 266 13/04/2004 100.000,00 267 15/04/2004 55.847,36 268 Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 15/04/2004 13.671,59 269 16/04/2004 30.000,00 270 16/04/2004 26.328,41 271 26/04/2004 59.803,27 272 05/05/2004 45.192,48 273 05/05/2004 30.000,00 274 10/05/2004 33.100,00 275 11/05/2004 44.550,00 276 11/05/2004 13.722,00 277 12/05/2004 74.750,00 278 17/05/2004 41.645,09 279 26/05/2004 75.800,00 280 31/05/2004 20.192,00 281 01/06/2004 50.000,00 282 04/06/2004 37.500,00 283 04/06/2004 11.250,00 284 04/06/2004 7.500,00 285 07/06/2004 71.990,00 286 14/06/2004 45.000,00 287 14/06/2004 20.000,00 289 21/06/2004 107.054,00 290 24/06/2004 66.553,60 291 29/06/2004 80.000,00 292 30/06/2004 79.673,11 293 01/07/2004 100.000,00 294 02/07/2004 21.746,39 295 14/07/2004 30.620,94 296 14/07/2004 11.516,00 297 22/07/2004 75.000,00 298 27/07/2004 13.605,00 299 02/08/2004 25.400,00 300 02/08/2004 24.400,00 301 05/08/2004 20.000,00 302 05/08/2004 36.364,59 303 11/08/2004 10.000,00 304 13/08/2004 15.929,25 305 23/08/2004 65.409,00 306 26/08/2004 15.004,00 307 15.09.2004 3.802,00 308 16/09/2004 27.900,00 309 17/09/2004 18.000,00 310 24/09/2004 2.597,54 311 28/09/2004 100.000,00 312 30/09/2004 122.793,00 313 07/10/2004 3.131,00 314 07/10/2004 33.030,69 315 13/10/2004 5.921,00 316 15/10/2004 4.450,00 317 20/10/2004 88.334,65 319 26/10/2004 22.948,77 320 26/10/2004 20.000,00 321 27/10/2004 30.400,00 322 04/11/2004 30.200,00 323 04/11/2004 5.010,00 324 04/11/2004 5.362,00 325 08/11/2004 5.120,00 326 19/11/2004 118.000,00 326 24/11/2004 23.545,43 328 29/11/2004 70.000,00 329 29/11/2004 30.000,00 330 Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.015602/200879 Acórdão n.º 2201002.317 S2C2T1 Fl. 9 15 02/12/2004 2.904,49 331 06/12/2004 70.000,00 332 10/12/2004 60.000,00 333 13/12/2004 41.040,00 334 14/12/2004 7.728,00 335 14/12/2004 22.206,93 336 3.511.153,30 Ora, é inequívoco que todos estes créditos estão com suas origens identificadas, isto é, consta a informação de quem foram os remetentes dos recursos. Portanto, não era o caso de se proceder ao lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Isto, aliás, está dito no próprio artigo 42 da referida lei, no seu parágrafo segundo. Vale dizer, identificadas as origens dos depósitos, caberia à autoridade lançadora apurar se se trata de rendimentos tributáveis ou não e, em caso afirmativo, lançar com base na legislação específica. O que não é possível é, estando os depósitos com suas origens devidamente comprovadas, procederse à autuação com base na presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Concluso, assim, pela exclusão da base de cálculo do lançamento do valor de R$ 8.525.842,12, correspondentes aos depósitos cuja origens restam comprovadas. Finalmente, cumpre analisar a qualificação da multa de ofício. Segundo a descrição dos fatos, a multa foi qualificada “em razão de estar presente evidente intuito de fraude, conforme artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964 e artigo 057, inciso II do RIR 99”, sem nenhuma outra justificativa. Ora, a jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que a simples apuração de omissão de rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14, que tem o seguinte enunciado. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ademais, tratandose de lançamento com base em presunção legal, salvo nos casos de utilização de interpostas pessoas, não vejo como se identificar o chamado evidente intuito de fraude. É que se trata de lançamento com base em presunção, e se a omissão de rendimentos pode ser presumida, o mesmo não se pode dizer do evidente intuito de fraude. Este deve ser comprovado de forma direta. E, no caso, nada foi apresentado que demonstre a conduta dolosa e, de qualquer forma, compulsando os autos, não vislumbro nenhuma evidência de tal conduta. Concluo assim pela desqualificação da multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de sobrestamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.525.842,12 e desqualificar a multa de ofício. Assinatura digital Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 16 Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15586.000743/2005-36
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Benefício Fiscal. Revogação. Empresa Situada Fora da Área da Extinta SUDENE
Não se confundem as áreas da SUDENE e da ADENE, não podendo ser acolhida a alegação de identidade para justificar o deferimento do benefício fiscal a empresa situada ao sul do Estado do Espírito Santo, fora, pois, da área da extinta SUDENE, segundo explícita dicção legal, sendo nulo o laudo lançado em desconsideração ao sujeito ativo, condições que justificam a revogação do benefício fiscal anteriormente concedido, nele fundamentado.
Numero da decisão: 1801-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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REVOGAÇÃO. EMPRESA SITUADA FORA DA ÁREA DA EXTINTA SUDENE Não se confundem as áreas da SUDENE e da ADENE, não podendo ser acolhida a alegação de identidade para justificar o deferimento do benefício fiscal a empresa situada ao sul do Estado do Espírito Santo, fora, pois, da área da extinta SUDENE, segundo explícita dicção legal, sendo nulo o laudo lançado em desconsideração ao sujeito ativo, condições que justificam a revogação do benefício fiscal anteriormente concedido, nele fundamentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 43 /2 00 5- 36 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 8a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências de IRPJ consubstanciadas nos autos. Trata o processo de auto de infração de IRPJ relativo aos anoscalendário 2003 e 2004, no valor total de R$ 343.104,32, constituído, unicamente, de principal e juros moratórios incidentes até a data do efetivo pagamento, decorrente da verificação de utilização indevida de benefício fiscal. O lançamento foi efetuado sem multa de oficio em função do preconizado no inciso II do artigo 155 do CTN (concessão de moratória). Por bem descrever os fatos, aproveitome dos seguintes trechos do relatório da DRJ no Rio de Janeiro: 2 O procedimento de fiscalização se originou do pedido de diligencia formulado pelo SEORT da DRF — VITÓRIA para a verificação quanto à utilização de benefícios fiscais de redução do IRPJ pela empresa. Foi expedido, então, o MPF D 07.2.01.002005000840, no curso do qual foram solicitados vários livros, documentos e informações do interessado. Posteriormente, após a confirmação de que o interessado se utilizava indevidamente de beneficio fiscal, foi emitido o MPF F 07.2.01.002005003547 para lançamento de oficio dos créditos tributários. 3 O lançamento foi efetuado sem multa de oficio em função do preconizado no inciso II do artigo 155 do CTN. 4 Os entendimentos e procedimentos adotados pela Fiscalização estão contidos no Termo de Verificação de Infração de folhas 197 a 207 (Vol 02), que passo a resumir. 5 Em 29/08/2003, o interessado requereu, nos termos do Decreto n° 4.213/2002, o reconhecimento do direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro de exploração, conforme disposto na IN SRF n° 267/2002, originando o processo administrativo n° 13770.000557/200322. 6 O pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ foi instruído com o Laudo Constitutivo n° 0109/2003 (fls. 52 a 55), expedido em 31/03/2003 pela Inventariança Extrajudicial da extinta SUDENE, que atestava que o interessado atendia à seguinte condição onerosa: Modernização de empreendimento industrial na área de atuação da extinta SUDENE. 7 Tendo em vista o Parecer SEORT n° 1229/2003, foi exarado pela Delegada da Receita Federal de Vitória o despacho decisório reconhecendo o direito do interessado à redução do IRPJ pleiteada. 8 No entanto, com a emissão do parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Integração Nacional de n° 1756/2003 (fls. 61 a 63), pôdese verificar que houve mudança de entendimento quanto às áreas consideradas como de atuação da extinta SUDENE, gerando o cancelamento dos laudos constitutivos anteriormente emitidos em favor de empresas situadas em municípios do Espírito Santo não relacionados no art. 1° da Lei n° 9.690/98. 9 Tendo em vista que o interessado, estabelecido no município de Serra (ES), não está localizado em área de atuação da extinta SUDENE, em 31/03/2004 foi emitido o novo Parecer SEORT n° 583/2004 (fl. 64). Com base neste parecer, a Delegada de Vitória emitiu um novo despacho decisório, cancelando o despacho anterior, o que implicou no não reconhecimento do direito à redução do IRPJ pleiteado pelo interessado. Ou seja, a concessão do beneficio inicialmente concedido foi anulada. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.000743/200536 Acórdão n.º 1801001.561 S1TE01 Fl. 3 3 10 Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 67 a 75) à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro. 11 Em 11/08/2005, a DRJ/RJO 1 proferiu o Acórdão n° 8.222/2005 (fls. 104 a 111) indeferindo a manifestação de inconformidade, ou seja, mantendo o decidido no despacho decisório com base no Parecer SEORT n° 583/2004 que cancelou o beneficio fiscal pleiteado pelo interessado, desde a data inicial de sua concessão. 12 Em 08/09/2005, o interessado foi cientificado da decisão que indeferiu seu pleito, tornando definitivo, na esfera administrativa, o cancelamento do beneficio de redução do IRPJ (fl. 112). 13 De se notar que a Lei n° 9.690/98, que dispõe sobre os municípios abrangidos pela área da SUDENE, foi taxativa e exaustiva ao incluir, apenas, os municípios do norte do Espírito Santo. Nenhum município ao sul do Rio Doce foi contemplado. 14 Desse modo, para que fosse legitimo o gozo do incentivo, o interessado deveria cumprir o requisito de estar situado ao norte do ES, o que não é o caso do município de Serra. 15 O despacho decisório n° 1229/2003, que inicialmente deferiu o beneficio, não observou os limites legais, ou seja, que o empreendimento estivesse localizado em área da SUDENE. O despacho decisório n° 583/2004 que reviu o beneficio, por ser vinculado (obediente à lei), tem natureza de ato de anulação ou de cancelamento. 16 Não se pode objetar que haveria direito adquirido ante a circunstância de despacho anterior que reconheceu, de forma indevida, o beneficio. É que de ato nulo, praticado em desconformidade com a lei, não nasce direito algum aos supostos beneficiários, de acordo com o preconizado no art. 155 e no § 2° do art. 179 do CTN. 17 O interessado, em resposta a termo de intimação, apresentou os seguintes elementos: demonstrativo do cálculo lucro de exploração, demonstrativo do cálculo do beneficio de redução SUDENE e cópias das folhas dos livros contábeis e fiscais onde constavam estes valores. 18 As parcelas referentes ao beneficio de redução do IRPJ com base no lucro da exploração, indevidamente utilizadas pelo interessado nos anoscalendário 2003 e 2004, foram as seguintes: AnoCalendário 2003 2004 Redução do IRPJ R$ 94.366,00 R$ 199.338,00 19 O auto de infração constante das folhas 208 a 213 foi cientificado ao interessado em 07/11/2005. 20 Em 06/12/2005, ele apresentou a impugnação constante das folhas 226 a 235, nos termos resumidos a seguir. 21 A impugnação visa manifestar o desacordo do interessado, antes isentado por ato da Administração, com prazo de fruição determinado e sob condições onerosas cumpridas, e atualmente, destituída de seus direitos adquiridos, cobrado, de forma retroativa, de créditos legalmente excluídos de seu patrimônio. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 22 E, a partir daí, o interessado se atém a questionar, UNICAMENTE, a invalidade do cancelamento DEFINITIVO da concessão do beneficio que inicialmente lhe havia sido concedido, apresentando argumentos que já haviam sido rebatidos quando de sua manifestação de inconformidade disposta no processo 13770.000557/200322. Em resumo, conclui que: A) Houve nova interpretação sobre o critério espacial da norma instituidora da isenção. Inicialmente a Administração entendeu que o município de Serra estava situado na área da antiga SUDENE. Posteriormente, decidiu que não. B) Mesmo que se considerasse que houve um erro de direito — abrangência espacial do interessado — não seria tal tipo de vicio ensejador de invalidação de ato. C) Não há que se falar em erro de fato quanto ao interessado não cumprir os requisitos para concessão do beneficio, posto que foi amplamente analisada sua localização no município de Serra — ES. D) A revogação de ato concessório de isenção sob prazo certo e condições onerosas não pode operar efeitos sobre quem já teve seu direito declarado, sob pena de ferir mortalmente os princípios da segurança jurídica e do direito adquirido. E) Não tendo partido o erro — de fato ou de direito — do interessado, seu direito adquirido deve ser respeitado, não podendo a Administração imputarlhe penas. Junta texto do professor Ricardo Lobo Torres e solicita a anulação do auto de infração. Apreciando o litígio a 8. ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJOI, proferiu o Acórdão n º 1222.222 (fls. 263/276) e julgou o lançamento procedente. Observou, inicialmente, aquela Turma Julgadora, que as bases de cálculo, a apuração do imposto e os acréscimos legais não teriam sido objeto de impugnação. No mérito, apoiandose em comandos legais e normativos que regem o benefício fiscal em discussão, consignou, em resumo, que o interessado teve seu direito à redução do IRPJ, originalmente concedido "por engano", concessão essa que teria sido cancelada, tanto pela ADENE (através dos seus laudos constitutivos), quanto pela SRFB (através de Despacho Decisório da Delegada de Vitória), pelo fato de seu estabelecimento industrial ser localizado no município de Serra (ES), não situado em Área de atuação da extinta SUDENE, que somente abrangeria os municípios do norte do Estado do Espírito Santo (acima do Rio Doce). Observou que o cancelamento do direito à redução do IRPJ teria sido discutido e decidido administrativamente no processo 13770.000557/200322e que, nessas condições, não caberia à DRJ/RJO 1, neste novo processo, por impedimento legal (Decreto n° 4.213, de 26/04/2002), analisar, novamente, qualquer dos argumentos apresentados no tocante a denegação, que já teria sido definitivamente julgada em instância administrativa através do processo anterior, de seu pedido de redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração. Com base nesses argumentos julgou improcedente a impugnação. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.000743/200536 Acórdão n.º 1801001.561 S1TE01 Fl. 4 5 Notificada da decisão, em 27/02/2009, apresentou a interessada, em 31/03/2009, Recurso Voluntário (fls. 280 a 296) assinado unicamente por Marcelo Martins Altoé, suposto mandatário da empresa recorrente. Em apertada síntese reproduziu suas considerações a respeito da ilegalidade da anulação do ato que concedeu o benefício – revogação de isenção onerosa e por prazo certo, afirmando ser aplicável, ao seu caso, o quanto disposto no artigo 178 do CTN e Súmula 544 do STF. Também apresentou argumentos contra o lançamento de ofício de valores não recolhidos a titulo de IRPJ, em virtude da anterior concessão do benefício, que considera ser ilegal. Considera que os efeitos de uma possível revogação / anulação do benefício fiscal somente poderiam operar efeitos “extunc”, e, ainda, tendo em conta a boafé com que teria agido. Conclui não ser legitimo que a Fazenda possa exigir os pagamentos de que dispensou o contribuinte por despacho da autoridade competente, sem qualquer vicio formal. Colaciona entendimentos doutrinários e jurisprudenciais e, ao final, pede pelo acolhimento do recurso. Verificando a ausência de poderes do mandatário para assinar o recurso voluntário a Agência da Receita Federal em Serra/ES intimou a empresa (fl. 298) a apresentar: (i) o documento de identidade do signatário e, (ii) procuração com outorga de poderes ao signatário do recurso. Em atendimento foram apresentadas: (i ) cópia do documento de identidade de Marcelo Martins Altoé e, (ii) cópia de procuração lavrada por instrumento público com outorga de poderes da Poltex a Silvia Gomes Fernandes Polido Lemos e Mariluce Polido Dias. O órgão preparador consignou, à fl. 304, a falta de comprovação da outorga de poderes ao suposto representante signatário do recurso e remeteu os autos a este Colegiado. Em sessão realizada no dia 22/11/2011 esta 1a. Turma Especial / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF converteu o julgamento, na realização de diligência, para intimar a empresa a apresentar o instrumento de outorga de poderes ao signatário do recurso, Marcelo Martins Altoé, com fulcro no artigo 18, inciso I, do Anexo II do RICARF, com a ratificação do recurso interposto. Em cumprimento a solicitação foi elaborada a intimação 137/2012 (fl. 349 processo digital) pela qual foi cientificada a empresa a apresentar os elementos requeridos. Em 26/03/2012 a empresa apresentou cópia da procuração com outorga de poderes a Marcelo Martins Altoé, bem como cópia da Ata de assembléia de eleição da Diretoria (fls. 352 a 369 processo digital). É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Com efeito, cumpre ressaltar que não houve manifestação da recorrente opondose aos cálculos que envolveram os valores exigidos no auto de infração. A defesa centralizou suas alegações contra o cancelamento do ato que concedeu o benefício de isenção de redução do IRPJ e adicional não restituível, calculado com base no lucro de exploração. De acordo com a Turma Julgadora de 1a. instância, a discussão a respeito de tal ato, de revogação de isenção onerosa e por prazo certo, já teria sido finalizada por decisão administrativa definitiva proferida nos autos do processo 13770.0005557/200322. Nessas condições, a matéria discutida neste processo, já teria sido definitivamente julgada no mencionado processo administrativo, pelo Acórdão n º 8.222 (fls. 104 a 111), prolatado em 11/08/2005 pela 6a. Turma desta Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro. Em que pese o correto posicionamento da Turma Julgadora de 1a. instância, entendo que o recorrente tem o direito de apresentar os argumento de defesa que julgue relevantes para se defender, no qual se inclui, inclusive, o direito de ter apreciadas todas as suas razões de defesa. Assim, no que toca às razões meritórias oferecidas pela defesa, necessário tecer algumas considerações: Da leitura sistemática dos arts. 1o., da MP nº 2.19914/2001, 1o. a 3o., do Decreto nº 4.213/2002, 1o., 2o., 11, 15 e 21, da MP nº 2.156/2001, e 3o., do Decreto nº 4.985/2004, depreendese, por evidente, a impossibilidade de equiparação das áreas da extinta SUDENE e da atual ADENE, para efeito de gozo do benefício fiscal previsto na MP nº 2.199 14/2001. A referida MP, no seu art. 1o., coloca a salvo as demais normas jurídicas regentes da matéria, digase: também aquelas que definem o âmbito de atuação da extinta SUDENE (Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, zona do Estado de Minas Gerais situada no denominado "polígono das secas", Território de Fernando de Noronha e Municípios da região do Vale do Jequitinhonha, no Estado de Minas Gerais, e da região norte do Estado do Espírito Santo) , bem como identifica explicitamente os beneficiários do incentivo, enquanto aqueles setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta SUDENE. Na qualificação do que se considera empreendimento prioritário, para os fins da referida MP, adveio o Decreto nº 4.213/2002, que remeteu expressamente à área de atuação da extinta SUDENE, quando, naquela ocasião, já havia sido criada a ADENE. Assim, se o legislador regulamentar pretendesse a equiparação de âmbitos teria se referido à ADENE, e não teria feito menção reiteradamente à abolida SUDENE. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.000743/200536 Acórdão n.º 1801001.561 S1TE01 Fl. 5 7 Acrescentese, que nem todas as competências antes deferidas à SUDENE foram repassadas à ADENE, de modo que não se verifica mera relação de substituição, como pretendido pela recorrente. É, portanto, lógico, que não se confundem as áreas da SUDENE e da ADENE, não podendo ser acolhida essa alegação de identidade para justificar o deferimento do benefício fiscal a empresas situadas ao sul do Estado do Espírito Santo, fora, pois, da área da extinta SUDENE, segundo explícita dicção legal, sendo nulo o laudo lançado em desconsideração ao sujeito. De igual modo, não pode ser aceito o argumento de que a validade do laudo e o conseqüente direito da empresa ao incentivo fiscal estaria garantida por resposta à consulta formulada à Inventariança Extrajudicial da extinta SUDENE. O opinião sobre a consulta formulada, data de 05.10.2003, ao passo que o laudo constitutivo foi expedido em março de 2003. Por conseguinte, é impossível que a resposta à consulta tenha informado o laudo constitutivo, uma vez que ela apenas veio a existir depois da expedição desse documento. Em outros termos, o laudo, cancelado por ser ilegal, em razão de definir direito a benefício fiscal em favor de empresa situada fora da área de abrangência da antiga SUDENE, não se sustenta na consulta formulada, pois antecedea. O fato envolve, antes de mais nada, de invalidação de laudo constitutivo emitido em descompasso com as determinações legais, sendo esse documento nulo por beneficiar empresa não abrangida pela área de atuação da extinta SUDENE, de sorte que não deverá mais produzir os correspondentes efeitos, pois a isenção será alcançada, não porque tenha sido revogada, mas porque sustentada em ato administrativo nulo. Nesse aspecto, Celso Antonio Bandeira de Mello, consignou: "[...] Dado o princípio da legalidade, fundamentalíssimo para o Direito Administrativo, a Administração não pode conviver com relações jurídicas formadas ilicitamente. Donde, é dever seu recompor a legalidade ferida. Ora, tanto se recompõe a legalidade fulminando um ato viciado, quanto convalidandoo"."Não é repugnante ao Direito Administrativo a hipótese de convalescimento dos atos inválidos", mas a convalidação, fundada nos princípios da segurança jurídica e da boafé, enquanto"suprimento da invalidade de um ato com efeitos retroativos", apenas pode se dar quando"o ato possa ser produzido validamente no presente". Não é o caso. A empresa recorrente não atende ao pressuposto de localização geográfica à expedição do laudos constitutivo do direito ao benefício fiscal, de modo que a repetição do ato não lhe retiraria a ilegalidade de sua expedição. Assim, configurado está o ato nulo, "em que é racionalmente impossível a convalidação, pois, se o mesmo conteúdo (é dizer, o mesmo ato) fosse novamente produzido, seria reproduzida a invalidade anterior" (in, Curso de Direito Administrativo). O documento, inicialmente emitido, foi posteriormente anulado, exatamente porque a empresa não preenchia, desde a origem do pedido, um dos requisitos necessários — a localização. Por este motivo, as condições acessórias previstas em lei passaram a não ser atendidas. Conseqüentemente, o beneficio fiscal foi também cancelado desde a data inicial de sua concessão. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A recorrente gozou de benefício fiscal indevido, deixando de recolher aos cofres públicos valores indispensáveis à prestação dos serviços inerentes ao Estado, com prejuízos imediatos aos cofres e às finalidades públicas. Por tal razão sequer há obrigação da União em ressarcir o contribuinte por qualquer iniciativa sua baseada em investimento financeiro em indústria situada em área fora da abrangência da SUDENE. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10510.000874/92-52
Data da sessão: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRENTE - Pelo principio da decorrência
processual, não sendo aduzidas razões diferenciadas, deve o julgamento do processo principal se aplicar igualmente ao decorrente
Numero da decisão: 102-30.237
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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Numero do processo: 10830.005601/2001-89
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO EM 27/08/2001. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário interpretada pelo Superior Tribunal de Justiça como sendo a homologação tácita do pagamento antecipado a qual verifica-se após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertem-se em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1101-000.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
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PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO EM 27/08/2001. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extingue se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário interpretada pelo Superior Tribunal de Justiça como sendo a homologação tácita do pagamento antecipado a qual verificase após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 56 01 /2 00 1- 89 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório FUNDITUBA INDUSTRIA METALÚRGICA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas de 06/12/2007 que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que em 14/05/2007 não reconheceu o direito creditório reclamado e indeferiu o pedido de restituição. A contribuinte apresentou o pedido de restituição (fl. 01) protocolizado em 27/08/2001 solicitando restituição parcial do saldo negativo do IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário de 1995, no total atualizado até agosto de 2001 de R$176.672,60 (R$155.368,84 de IRPJ e R$21.303,76 de CSLL). A requerente ressaltou em seu pedido, o entendimento de que o prazo de decadência do direito de repetição de indébito referente a pagamentos sujeitos a lançamento por homologação seria de dez anos a contar da data da ocorrência do fato gerador e que as inovações trazidas pela Lei Complementar nº 118/2005, não são aplicáveis às demandas anteriores a sua vigência, conforme se verifica nos autos. O despacho decisório (fls. 41 e 42), parcialmente reproduzido, expôs que: 11. Pelo exposto até o momento, notase um descompasso entre o esposado aqui e o defendido pela requerente, (...). que diferentemente do que ela defende, a regra prevista no art. 168 do CTN não concede 10 anos, tese conhecida como dos "cinco mais cinco", para que se possa pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e da CSLL, mas, sim, 5 anos, sempre contados, como regra, da data da extinção do crédito tributário, independentemente da espécie de lançamento a que está sujeito o tributo objeto da repetição de indébito. 12. Foi para deixar perfeitamente cristalina essa exegese que se introduziu dispositivo legal interpretativo na Lei Complementar n.° 118, de 09 de fevereiro de 2005. Seu art. 3° assim dispõe, in verbis: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §10 do art. 150 da referida Lei”. 13. Destarte, em que pese a posição adotada pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ), argumentada pela interessada como fundamento para afastar a decadência do direito que ora postula, o prazo extintivo em estudo, como regra, iniciase da extinção do crédito tributário e findase com o transcurso do prazo de 5 (anos). 14. Para concluir, busquemos o posicionamento externado pelos Conselhos de Contribuintes através de suas decisões, que, apesar de não se configurarem como normas complementares às leis e decretos tributários, haja vista a ausência de lei que lhes assegure essa condição, segundo exige o art. 100, II, do CTN e conclui o Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 5 4 Parecer Normativo CST n° 390/71, ou seja, não vinculam Administração Pública Tributária Federal, servem como mais uma fonte de argumentação, pois representam a forma como julga o órgão colegiado de segunda instância administrativa. Assim, consultando a sua jurisprudência, vemos duas posições possíveis, como podemos observar a partir das duas recentes ementas abaixo colacionadas: Acórdão n° 10808747 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sessão em 24.02.2006: "SALDO NEGATIVO IRPJ E CSLL COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. 0 saldo negativo do IRPJ e da CSLL, somente podem ser compensados com tributos dentro do prazo legal de 05(cinco) anos de acordo com o inciso 1 do artigo 168 do Código Tributário Nacional. Assim opera a decadência do direito desta compensação/restituição após o decurso do prazo a partir do fato gerador, eis que se trata de tributos autolançados pagos antecipadamente conforme § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. A Lei Complementar n° 118 de 09/02/2005, no artigo 3° deixou claro que a restituição prevista no artigo 168 inciso I do Código Tributário Nacional deve levar em consideração para fins de estabelecer o prazo limite do direito ao pedido, que a extinção do crédito tributário ocorre, no momento do pagamento antecipado. Recurso negado. " Acórdão n° 10195550 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sessão em 25.05.2006: "RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de saldo negativo de IRPJ recolhido como estimativa em 1992, 1993 e 1994 extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do mês seguinte ao fixado para a entrega das respectivas DIRPJ." 15. A partir da simples leitura das ementas acima destacadas, notamos que a primeira vai ao encontro da interpretação aqui esposada, ou seja, o perecimento do direito de reclamar os indébitos advindos de saldo negativo de IRPJ e CSLL ocorre com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados do fim dos respectivos fatos geradores periódicos. 16. Já a segunda ementa visualiza uma possibilidade diferente, não em relação ao prazo extintivo, que também é de 5 (cinco) anos, mas do inicio da sua contagem. Para aquela Camara, o termo inicial é o mês seguinte ao fixado para a entrega da respectiva Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ). 17. Mostrase, assim, uma interpretação mais favorável aos sujeitos passivos, que passariam a ter um período a mais, variável em virtude da data final prevista para a entrega da referida declaração, para poder reclamar possíveis indébitos oriundos de saldo negativo. 18. Mas, mesmo que adotássemos essa interpretação, repitase, mais favorável a interessada, ainda assim o direito postulado, restaria sepultado, pois a DIRPJ referente ao anocalendário 1995, exercício 1996, teve prazo de entrega fixado para até 30.04.1996 (pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real), redundando como termo inicial do prazo extintivo qüinqüenal o dia 01.05.1996, e como termo final o dia 30.04.2001. Ou seja, ainda anterior a protocolização do pedido de restituição objeto destes autos, que ocorreu somente em 27.08.2001. Em 14/05/2007, despacho decisório não reconhece o crédito pleiteado e indefere o pedido de restituição. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 6 5 Contra o despacho decisório, cuja ciência foi dada em 18/05/2007, a contribuinte interpôs, em 18/06/2007, manifestação de inconformidade (fls. 45 a 57). Em síntese, a recorrente apresenta argumentos defendendo que a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que resulta num prazo de 10 (dez) anos até a extinção do direito de a contribuinte solicitar a restituição (cinco anos para a homologação tácita e mais cinco anos para o exercício do direito), conforme ratifica a jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. Em 06/12/2007 a 2ª turma da DRJ/CPS não dá provimento à manifestação de inconformidade e mantém o indeferimento da restituição. A turma julgadora fundamenta sua decisão na publicação da Lei Complementar nº 118 de 09 de fevereiro de 2005, uma vez que o parágrafo 3º, de cunho expressamente interpretativo, deixa claro que a extinção dos créditos formalizados por intermédio do lançamento por homologação ocorre com o pagamento antecipado do tributo (fl. 66). Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1° do art. 150 da referida Lei. Face ao exposto, inaceitável o entendimento da reclamante, pois nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, os efeitos da extinção do crédito tributário operamse desde o pagamento antecipado pelo sujeito passivo, inclusive o de iniciar a contagem do prazo qüinqüenal para repetição do indébito. No caso em questão, considerando que o valor passível de restituição e relativo aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário de 1995, o início da contagem ocorreu no último dia útil do mês de março de 1996, no termo do artigo 28 da Lei n.° 8.541, de 1992, e do artigo 56 da Lei n.° 8.981, de 1995, (com redação dada pela Lei n.° 9.065, de 1995) a seguir reproduzidos: "Art. 28. As pessoas jurídicas que optarem pelo disposto no art. 23 desta lei, deverão apurar o imposto na declaração anual do lucro real, e a diferença verificada entre o imposto devido na declaração e o imposto pago referente aos meses do períodobase anual semi: I paga em quota única até a data fixada para entrega da declaração anual quando positiva; II compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração anual se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente". "Art. 56. As pessoas jurídicas deverão apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no ano calendário anterior". Desta forma, constatase que em relação aos saldos credores de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/1995, o prazo decadência/prescrição findouse em 31/03/2001 e, tendo sido o pedido protocolizado em 27/08/2001, já havia ocorrido a decadência do direito de a contribuinte solicitar a restituição do suposto crédito, como ponderou a Delegacia da Receita Federal jurisdicionante. Conclui por fim, que: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 7 6 “Diante do exposto, voto em declarar a decadência do direito de a contribuinte pedir a restituição do saldo credor de IRPJ e CSLL do anocalendário de 1995.” A contribuinte foi cientificada da decisão (fl. 68) em 18/01/2008. Em 14/02/2008 apresenta recurso voluntário (fls. 69 a 83) onde reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Relata que no ano calendário de 1995, apurou ter havido pagamentos a maior relativamente ao IRPJ e a CSLL nos valores originais de R$84.743,79 e R$25.314,63, corrigidos a partir de 1º de janeiro de 1996 com base na SELIC. Destaca que compensou parte dos créditos no ano calendário 2000, restando crédito remanescente de CSLL no valor de R$21.303,76 e de IRPJ no valor de R$155.368,84, totalizando R$176.672,60, na data da interposição do pleito. Discorda do despacho decisório e da decisão da DRJ que indeferiram o pedido formulado sob a alegação de ocorrência de decadência do direito perquirido. Argumenta que na sistemática do lançamento por homologação, disciplinada pelo artigo 150 do CTN, cabe ao sujeito passivo o pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa que irá homologar aquela atividade de antecipação do pagamento, expressa ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos a contar do fato jurídico tributário. Alega que havido um pagamento indevido, que ensejou o pedido de restituição ao direito de pleitear a restituição, por força da interpretação sistemática do artigo 168, inciso I e II do CTN, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da definitiva extinção do crédito tributário. Afirma que inexistindo lei fixando o prazo para homologação do lançamento, considerase que a homologação se dá tacitamente pelo decurso do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do tributo. E só então é que ocorre a extinção do crédito correspondente e que a partir daí se inicia o prazo extintivo do direito à restituição do indébito, ao qual alude o inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional. Observa que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118 publicada em 09 de fevereiro de 2005, estabeleceu que, para efeito de interpretação do já aludido artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do mesmo diploma legal e que à vista do evidente caráter modificativo de tal disposição, o Superior Tribunal de Justiça consolidou a orientação segundo a qual as disposições da Lei Complementar nº 118 somente seriam aplicáveis a ações propostas a partir de sua vigência. Lembra que em situações anteriores à vigência do referido diploma complementar, verificase perfeitamente aplicável o entendimento que concede à contribuinte o prazo de cinco anos para formular o pedido de restituição do tributo indevido ou pago a maior, contados da data da homologação do pagamento antecipado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 8 7 Requer o afastamento da decadência e reconhecimento ao direito à restituição integral dos saldos remanescentes dos valores pagos a maior de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 1995, atualizados monetariamente e acrescidos de juros SELIC. Em 10/04/2013, a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 1ª Região – Divisão de Defesa de Segunda Instância/DIDE 2, através do Memo nº 404/DIDE2/CUMPR/PFN/DF – 1. REGIÃO, encaminha ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cópia de peças processuais referentes ao mandado de segurança nº 2009.34.00.0241810/DF, impetrado pela contribuinte. A sentença proferida pelo MM Juiz Federal da 14ª Vara, Seçao Judiciária do Distrito Federal, concedeu a segurança para ordenar a autoridade impetrada que proceda, no prazo de 90 (noventa) dias, à análise e julgamento do recurso nº 165.504 interposto pela impetrante no processo administrativo nº 10830.005601/200189. Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre crédito decorrente de saldo parcial negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 1995, objeto de pedido de restituição apresentado em 27/08/2001. A autoridade fiscal não reconheceu o direito creditório porque pleiteados depois de decorridos 5 (cinco anos) da data da entrega das declarações de rendimento cuja ementa transcrita a seguir: EMENTA: DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO O direito de pleitear a restituição do saldo negativo do IRPJ e CSLL apurado é de 5 (cinco ) anos contados do fim do respectivo fato gerador sendo o período reclamado o anocalendário de 1995, os termos inicial e final do prazo qüinqüenal são 01.01.1996 e 31.12.2000, respectivamente. PEDIDO INDEFERIDO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Em 06/12/2007 a 2ª turma da DRJ/CPS nega provimento à manifestação de inconformidade e declara a decadência do pedido de reconhecimento do indébito tributário em litígio (fl. 64) fundamentando a decisão na publicação da Lei Complementar nº 118 de 09 de fevereiro de 2005, parágrafo 3º e que em relação aos saldos credores de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/1995, o prazo de decadência/prescrição findouse em 31/03/2001 e, tendo sido o pedido protocolizado em 27/08/2001, já havia ocorrido a decadência do direito de a contribuinte solicitar a restituição do suposto crédito. A ementa se transcreve a seguir: DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO O direito de pleitear o reconhecimento de indébito tributário, para fins de fundamentação do direito à restituição ou à compensação, extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de pagamento indevido. Solicitação indeferida. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 9 8 Inicialmente, é necessário definir a forma da contagem do prazo para que a contribuinte fizesse uso do indébito formado pela apuração do saldo negativo de IRPJ e CSLL no ano 1995. Assim dispõem os artigos 168 e 165 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco anos, contados: I – na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [.....] Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, a contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário. No caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ (ou CSLL) a extinção ocorre pela data do encerramento do período de apuração, quando há o encontro entre os valores antecipados e os valores devidos no regime anual do Lucro Real, ou seja, no último dia do ano calendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 10 9 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (negrejouse) Da mesma forma, a Lei 9.430/96 dispõe sobre a Contribuição Social sobre o Lucro: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 10 a 30, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2° fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Relativamente aos valores de tributos retidos na fonte que também compõem o ajuste de contas a ser realizado em 31/12 do período de apuração, a Lei 9.430/96 dispõe: Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 11 10 contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1° A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6° O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação,.da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7o O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8° O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. A Instrução Normativa SRF nº 93 de 24.12.1997 dispõe que: Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o § 6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no § 3º do art. 2º. § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. § 2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda. § 3º Observado o disposto no § 4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 12 11 d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. § 4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (..) Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei n° 9.430, de 1996. (negrejouse) Observese que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldos negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (negrejouse) Portanto, os saldos negativos de IRPJ e CSLL, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento (in casu, 01/01/1996) podem ser pleiteados seja para restituição, seja para utilização como compensação. Neste sentido, também, é o art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, apenas acresce a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 13 12 Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Ainda, a Instrução Normativa SRF nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, em vigência, repete os dizeres da IN RFB nº 900/2008 que introduziu a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Art. 4 º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; II de apuração trimestral, a partir do mês subsequente ao do trimestre de apuração; e III de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subsequente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações efetuadas convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação e neste momento, iniciase o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. O art. 150 do CTN ainda dispõe que: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” [negrejouse]. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 14 13 O pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação expressa ou tácita, como condição resolutiva confirma a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. O art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, corrobora a interpretação acima: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A tese defendida pela interessada, foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 15 14 ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Passase agora à competência dos órgãos administrativos de julgamento aos quais cumpre, apenas, apreciar a validade dos atos administrativos, mas não das normas gerais e abstratas, que lhes conferem fundamento de validade, editadas pelo Poder Legislativo, no exercício de sua competência precípua. Apenas o Poder Judiciário tem a competência de apreciação da validade formal e material dos preceitos normativos veiculados em normas jurídicas editadas pelo Poder Legislativo. O Decreto nº 70.235/72 prevê a atuação dos órgãos de julgamento administrativo: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 16 15 Por sua vez, o Regimento Interno do CARF determina a observância de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em 27/02/2012, no sítio do Supremo Tribunal Federal na internet, foi declarado o trânsito em julgado da decisão do Recurso Extraordinário n 566.621, já citada, ocorrido em 17/11/2011, e consequentemente a sua reprodução no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispõe o art. 62A do RICARF. Evidenciase, portanto, que a matéria não é infraconstitucional, afastando a aplicação da disposição regimental sobre observância das decisões do Superior Tribunal de Justiça quando cabe a este decidir, em última instância, o tema em questão. O Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição. Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A Lei Complementar nº 118 foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. Na presente lide, está em debate a possibilidade de a contribuinte pleitear restituição em 27/08/2001 de direitos creditórios apurados em 31/12/1995. Ou seja, direitos pleiteados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal admitiu a aplicação da interpretação antes adotada pelo Superior Tribunal de Justiça. No mesmo sentido, citamse os acórdãos 1101.00672 de 14 de março de 2012 e 110100.689 de 16 de março de 2012. Assim, encerrado o mais remoto período de apuração de IRPJ/CSLL em 31/12/1995, a homologação tácita verificase em 31/12/2000, e a partir daí iniciase o decurso do prazo de 5 (cinco) anos para que a contribuinte pleiteie a repetição do indébito (ou o utilize em compensação), evidenciadose tempestivo o pedido formulado em 27/08/2001. Considerando que a contribuinte pede não só o afastamento da decadência do direito de solicitar a restituição, como também o reconhecimento do direito creditório, o presente voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso fazendose necessário o retorno dos autos à origem para que a autoridade administrativa competente prossiga na análise do mérito do crédito invocado pela interessada. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.005601/200189 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 17 16 (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000269/86-65
Data da sessão: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IRPJ - EXERCÍCIOS DE 1983 a 1986 - ARRENDAMENTO MERCANTIL - Glosa da . dedutibilidade das prestações
"Não é de se admitir como sujeito à dedutibilidade nadai contratos de arrendamento mercantil que espelham o fenômeno da concentração, ou seja, maior gravame das parcelas de pagamento nos primeiros
meses de vigência da avença".
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 103-11.543
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Victor Luiz De Salles Freire
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Recorrida : DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE - MG IRPJ - EXERCÍCIOS DE 1983 a 1986 - ARREN DAMENTO MERCANTIL - Glosa da . dedutibili- dade das prestações "Não é de se admitir como sujeito à dedu tibilidade nadai contratos de arrenda 7- mento mercantil que espelham o fenômeno da concentração, ou seja, maior gravame das parcelas de pagamento nos primeiros meses de vigência da avença". Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes au- tos de recurso interposto por CELTRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primei- ro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala Sessões-D em 09 de setembro de 1991. 41111 111,1,41"1"°`-é2 •' 1 , MAC DO . L,EIRA PRESIDENTE 110 VICr i Dz ES FREIRE RELATOR or VISTO EM ZAIii • BO ANDA BRAGA PROCURADOR DA FA- SESSÃO TM: 12S '1991 ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conse- lheiros: MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, DICLER DE ASSUNÇÃO, ILCENIL FRANCO e LUIZ ALBER TO CAVA MACEIRA. Ausente por motivo justificado o Conselheiro AN- TONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA, • ontrivor- SECOS Wt Omino 4$. • S CFMCO ~CO FEDERAL Processo n2 13603/000.269/86-65 Recurso n 2 94.413 Acórdão n 2 103-11.543 Recorrente: CELTRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. RELATÓRIO • Preliminarmente adoto o relatório de fls. 174/176,que resultou na prolação do V. Acórdão n 2 103-08.476, em sessão de 5 de julho de 1988, onde se declarou a nulidade da decisão monocrática de fls. 157/163. Sobrevém então a decisão de fls. 180/191, que confir- ma parcialmente o lançamento tributário remanescente, excluído por - tanto o valor com o qual a parte autuada se conformou, para glosar diversas despesas consideradas a título de arrendamento mercantil em função do fenômeno da concentração, e que, a entender da fiscaliza - ção autuante descaracterizariam a modalidade contratual adotada. No seu novo apelo de fls. 194/197, insurge-se novaMen te a parte recorrente contra o entedimento fiscal, a partir da con - centraçao de 85% das prestaçUs nos doze primeiros meses de vigência dos contratos de arrendamento, reportando-se, para tanto, a entendi- mento do Banco Central do Brasil que admitira expressamente tal con- centração em ofício à Secretaria da Receita Federal. Traz, tambem,de cisão emanada do Juízo da 5 2 Vara da Justiça Federal no estado de Mi nas Gerais, vazada em outra autuação fiscal contra si, e que teria reconhecido a validade da dedução em modalidade contratual nos mes - mos moldeq dos aqui impugnados. É o relatório complementar. Ç:\): • SUMO MUCO 'MINAI. Processo n2 13603/000.269/86-65 2. Acórdão n2 103-11.543 • VOTO • Conselheiro VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, Relator: Conheço do recurso já que ofertado no interregno pro- cessual apropriado. Em mérito, nos casos da espécie, apesar da orientação do Banco Central do Brasil, tenho entendido que o fenômeno da concen tração desnatura o arrendamento mercantil, de sorte que o contribuin te arrendatário não tem direito à dedutibilidade fiscal. Aliás, por sinal, no particular a jurisprudência deste Conselho já se vai cris- . talizando neste sentido. • Por outro lado, a decisão judicial colacionada não' é empecilho para o vertente julgamento já que, como dito, se refere a outro procedimento fiscal. De resto, é decisão de primeira instância, - que necessariamente não transitou em julgado à vista do "ex officio" formulado, de maneira q e, sequer firma precedente. Nego pro imento ao apelo, mantendo a bem fundamentada decisão. Brd s tembro de 1991. VICTOR LUIS DE SA L S FREIRE - RELATOR Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.007266/2002-23
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE.
É nulo o Auto de Infração lavrado o qual exige crédito tributário constituído em outro processo administrativo, inclusive atestado através de diligência demandada pelo CARF.
Numero da decisão: 3201-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 921 1 920 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.007266/200223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.472 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo o Auto de Infração lavrado o qual exige crédito tributário constituído em outro processo administrativo, inclusive atestado através de diligência demandada pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 72 66 /2 00 2- 23 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração eletrônico nº 0002804, de 09.05.2002 (fls.52/58), decorrente do processamento de DCTF (Retificadora) referente ao 3o. e 4o. Trimestre de 1997, lavrado contra o estabelecimento filial do contribuinte, pela Delegacia da Receita Federal em Salvador/RJ, em que é exigido para o período de apuração julho até dezembro de 1997 a título de Contribuição para o PIS, Multa de Ofício e Juros de Mora (calculados até 31.05.2002) o total de R$281.662,89, tendo sido cientificado o contribuinte em 11.06.2002 (fls.112). Em 11.07.2002, o contribuinte apresentou impugnação (fls.01/18) alegando sob o título “Nulidades do Auto de Infração”: (a) que tais valores devidos do PIS já haviam sido objeto de lançamento no Auto de Infração FM nº0710700/01444/98 (processo administrativo nº15.374.001.961/9929) lavrado contra o estabelecimento matriz do contribuinte em 30.09.99 ressaltando que a apuração e o recolhimento da contribuição ao PIS eram feitas de forma centralizada pela matrizde acordo com o artigo 15, II da Lei nº9.779/99; (b) que é obrigatória a intervenção de autoridade (servidor público) competente para validade do lançamento pois in caso tratamos de auto de infração eletrônico; (c) que a revisão do lançamento foi efetuada em desconformidade com o artigo 149 do CTN, arts.835 e 841 e incisos do RIR/99 e IN SRF nº94/97, inobservando a necessidade de intimação prévia; (d) que o trabalho de revisão de DCTF evidência supressão do grau de jurisdição pela impossibilidade da fiscalização e/ou revisão de declaração ser efetuada em conjunto com o julgamento da impugnação; (e) que ocorreu a violação ao artigo 3o da Lei nº.9.784/99, inexistência de prévia intimação; (f) que ocorreu ofensa ao artigo 6o, X, do Código de Defesa do Consumidor – Lei nº8.078/90; (g) que ocorreu ilegalidade do lançamento por inobservância do devido processo legal com desrespeito ao artigo 90 da MP nº2.15835/01 uma vez que inexistindo diferença apurada não seria cabível a lavratura de auto de infração. Ademais, alega inobservância da IN 45/98 e IN 126/98, na medida em que não se apurou nenhuma diferença, tratandose tão somente de inconstência do programa de revisão mecânica de DCTF, sendo que apenas os saldos a pagar poderiam ser objeto de verificação fiscal e, inobservância di devido processo legal uma vez que não foi examinado a documentação informada na DCTF e não houve pedido de esclarecimentos. Quanto ao mérito alega que face à declaração de inconstitucionalidade do artigo 18 da Medida Provisória nº 1.212, de 1995, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 1.4170, que tratava da aplicabilidade dos dispositivos dessa norma aos fatos geradores ocorrentes a partir de outubro de 1995, impossibilitouse o cômputo do prazo de 90 dias previstos no artigo 195, § 6º, da Constituição Federal para início da cobrança da exação. Assim, durante o lapso temporal entre a primeira publicação da MP 1.212/95 e todas as outras que a sucederam, até conversão na Lei nº 9.715, Fl. 922DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.007266/200223 Acórdão n.º 3201001.472 S3C2T1 Fl. 922 3 em 1998, há impedimento para a contagem do prazo nonagesimal, período este que inclui o primeiro trimestre de 1997. Por fim, no Pedido requer: O cancelamento do auto de infração, tendo em vista tratarse de duplicidade de lançamento; caso não seja acolhido o pedido anterior, a nulidade do Auto de Infração, pelo fato da revisão de lançamento ter sido efetuada de forma ilegal sem intimação ao contribuinte para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, violando o artigo 149 do CTN, artigos 835, “caput”, §2º, 841 e incisos do RIR/99, bem como a IN no.94/97; caso não seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração impugnado, requer o cancelamento do Auto de Infração em face da declaração de inconstitucionalidade do art.18 da MP nº 1.212/95 (declarada em caráter definitivo pelo STF nos autos da ADIN nº1.417DF), que durante todo o período em que foi reeditada impossibilitou o início da contagem do prazo nonagesimal previsto na Constituição (estando incluído nesse período o 1o e 2o trimestres de 1997 constantes do auto impugnado) por força do disposto no §3o do artigo 1o da Lei de Introdução do Código Civil. Junto à impugnação de fls. (fls.01/18), a interessada apresentou cópias dos seguintes documentos: carteira de identidade, procuração, ata da assembléia geral extraordinária, ata da reunião do Conselho de Administração, auto de infração FM nº0710700/01444/98, envelope endereçado ao contribuinte, auto de infração eletrônico nº. 0002804. Posteriormente, foram juntadas pelo contribuinte, cópias dos seguintes documentos: protocolo do processo 10070.002528/200213, declaração de desistência de ação judicial, quadro demonstrativo de débitos, auto de infração do PIS FM 0710700/01444/98, autorização para débito em conta de prestação de parcelamento, guias DARf´s comprobatórias do pagamento de 6 parcelas do PIS (processo administrativo nº15.374.001.961/9929) relativamente ao benefício concedido pelo artigo 11, da Medida Provisória nº38, de 14/05/2002 e guias DARF correspondentes à diferença da Taxa Selic verificada nas 06 parcelas do recolhimento do PIS. É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJO II no 1321.882, de 16/10/2008, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 O Auto de Infração lavrado na repartição incumbida da administração do imposto, com a utilização de meios eletrônicos, no procedimento de auditoria interna de DCTF, não padece de vícios. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. A falta de intimação prévia ao lançamento não caracteriza mácula aos citados princípios ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. PIS. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. COMPROVAÇÃO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Os limites da discussão judicial, em tema de dispensa no recolhimento de tributos, devem ser criteriosamente observados pelo sujeito passivo, sob pena de lançamento de ofício, com incidência dos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. No caso de pagamentos não localizados, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício, para débitos já declarados em DCTF, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, cancelando o valor de R$ 79.379,04 referente à cobrança da Multa de Ofício. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Insiste o recorrente para converter o julgamento em diligência e determinar a realização de análise por auditor para apurar a duplicidade dos lançamentos de débitos de PIS com aqueles objeto do processo administrativo n° 15374.001.961/9929 lavrado contra o estabelecimento matriz, pois adota o regime centralizado através da matriz. Desse modo, o processo foi baixado em diligência, para que a fiscalização se pronunciasse sobre a duplicidade ou não dos lançamentos de débitos de PIS com aqueles objeto do processo administrativo n° 15374.001.961/9929 lavrado contra o estabelecimento matriz, como alega a recorrente. Assim como, anexar cópia do lançamento do processo referido e outras cópias que julgar necessárias. A resposta da demanda, foi nos seguintes termos: Em razão da decisão desfavorável exarada em 16/10/2008 pela Delegacia da Receita Federal em relação à alegada duplicidade de lançamento (Acórdão no 1321.882 – 5a Turma da DRJ/RJ II), formalizou RECURSO VOLUNTÁRIO ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS –CARF, mantendo a mesma tese de duplicidade originalmente alegada; 4. Em face ao exposto e diante a manutenção do impasse, o referido processo foi convertido em Diligência visando apurar a veracidade dos fatos. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.007266/200223 Acórdão n.º 3201001.472 S3C2T1 Fl. 923 5 Na data de 15/09/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar detalhamento das bases de cálculo do PIS em relação ao período de jul/1997 a dez/1997, visando a comprovação de duplicidade alegada a tal demonstrar nos autos que a receita proveniente do faturamento mensal filial 247 já se encontram inclusa na respectiva base de cálculo; Para tal feito, após os Termos de Intimação de 24/10/2011 e 06/12/2011, apresentou a totalidades das informações e dados esclarecedores, a saber: • Folhas do livro razão relativo às contas de totalização das receitas que compõe a base de cálculo da contribuição em voga no período de jul/97 a dez/97; • Balancetes das contas do razão Receitas Totais e Filiais jul/97 a dez/97; • Demonstrativo de Cálculo da Apuração do Pis e Cofins jul/97 a dez/97 por filial. 7. Na data de 13/02/2012, o contribuinte fez apensar ao presente processo, peça impugnatória complementar, anexada de diversos documentos e informações cruciais para conclusão do mérito em questão: • Peça impugnatória complementar – contendo oito laudas; • Folhas do Processo Administrativo Nº 15374.001.961/9929 • Decisões Proferidas e Processos Análogos Após análise dos documentos, demonstrativos e das folhas dos Livros Razão e Diário exibidos no curso do presente procedimento em relação ao período sob questão, ficou constatado que a tese de duplicidade de lançamento consignada na peça impugnatória apresentada pelo contribuinte em relação ao Auto de Infração no 0002804 – Notificação Eletrônica Processo Administrativo No 10580.007.266/200223 é procedente. ........................ Concorrentemente, o Despacho Decisório relativo ao Processo Nº 11.516.001860/200328 que trata do Auto de Infração Nº 946/98 PIS, exarado pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da DRFBFlorianópolis, ratifica a contundência da alegação apresentada pelo contribuinte, quando propõe o CANCELAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO sob mesma motivação (fls 756 e 757 do presente processo digital). Voto Fl. 925DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de auto de infração eletrônico nº 0002804, de 09.05.2002, decorrente do processamento de DCTF (retificadora) referente ao 3o. e 4o. Trimestre de 1997, lavrado contra o estabelecimento filial do contribuinte, pela Delegacia da Receita Federal em Salvador/RJ, em que é exigido para o período de apuração julho até dezembro de 1997 a título de Contribuição para o PIS, Multa de Ofício e Juros de Mora. O julgamento de primeira instância foi no sentido de excluir a Multa de Ofício, conforme relato. Tendo em vista retorno de diligência, onde resta demonstrada a duplicidade do lançamento de débitos de PIS (deste processo) com aqueles objeto do processo administrativo n° 15374.001.961/9929 lavrado contra o estabelecimento matriz; logo cancela se o auto de infração, tendo em vista àquela ter a mesma motivação, ratificada pela própria fiscalização. Houve, portanto, erro na sujeição passiva, já que o lançamento sobre a filial não procede. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 926DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000509/2007-94
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMPRESAS INAPTAS. GLOSA DE CUSTOS. PROVA.
Verificada a situação de declaração formal de inaptidão ou mesmo outras situações de declaração de inidoneidade previstas na legislação, a lei contempla uma exceção para que não seja aplicada a regra geral do artigo 82, que foi o intentado pela Recorrente sem sucesso. Para infirmar a referida presunção de inidoneidade é preciso que o adquirente dos bens ou o tomador comprove a efetividade da operação através de duas condições cumulativas
postas pela legislação: a) “efetivação do pagamento do preço respectivo” e b) “o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (art. 82 da Lei n 9.430/96).
ATO DECLARATÓRIO. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS.
A natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito ex-tunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram. No caso da pessoa jurídica declarada inexistente de fato, são categoricamente considerados inidôneos os documentos emitidos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, se ela jamais exerceu atividade regular, a teor do que prescreve o art. 43, § 3º, IV, da IN n° 200, de 2002.
FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Tributa-se como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo.
Numero da decisão: 1401-000.536
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMPRESAS INAPTAS. GLOSA DE CUSTOS. PROVA. Verificada a situação de declaração formal de inaptidão ou mesmo outras situações de declaração de inidoneidade previstas na legislação, a lei contempla uma exceção para que não seja aplicada a regra geral do artigo 82, que foi o intentado pela Recorrente sem sucesso. Para infirmar a referida presunção de inidoneidade é preciso que o adquirente dos bens ou o tomador comprove a efetividade da operação através de duas condições cumulativas postas pela legislação: a) “efetivação do pagamento do preço respectivo” e b) “o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (art. 82 da Lei n 9.430/96). ATO DECLARATÓRIO. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS. A natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito ex-tunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram. No caso da pessoa jurídica declarada inexistente de fato, são categoricamente considerados inidôneos os documentos emitidos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, se ela jamais exerceu atividade regular, a teor do que prescreve o art. 43, § 3º, IV, da IN n° 200, de 2002. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributa-se como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo.
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GLOSA DE CUSTOS. PROVA. Verificada a situação de declaração formal de inaptidão ou mesmo outras situações de declaração de inidoneidade previstas na legislação, a lei contempla uma exceção para que não seja aplicada a regra geral do artigo 82, que foi o intentado pela Recorrente sem sucesso. Para infirmar a referida presunção de inidoneidade é preciso que o adquirente dos bens ou o tomador comprove a efetividade da operação através de duas condições cumulativas postas pela legislação: a) “efetivação do pagamento do preço respectivo” e b) “o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (art. 82 da Lei n 9.430/96). ATO DECLARATÓRIO. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS. A natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito extunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram. No caso da pessoa jurídica declarada inexistente de fato, são categoricamente considerados inidôneos os documentos emitidos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, se ela jamais exerceu atividade regular, a teor do que prescreve o art. 43, § 3o, IV, da IN n° 200, de 2002. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir Fl. 925DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 908 2 comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 926DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 909 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1421.608, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Contra empresa acima identificada foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$681.843,69 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$245.463,71, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa de ofício qualificada. A base legal que suportou a imposição tributária, bem assim o lançamento da multa e dos juros achamse descritos nos correspondentes demonstrativos do auto de infração (fls. 539/555). O procedimento fiscal do qual resultou a presente imposição tributária decorreu de outro processo em que a interessada pleiteou ressarcimento de crédito tributário relativo a contribuições devidas ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em que se declarou a inexistência de fato de empresas que figuravam como fornecedoras da autuada. Dessa forma, efetuouse a glosa de créditos relacionados ao PIS e à Cofins, daí resultando reflexos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, objeto do presente processo. A autoridade tributária relacionou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 527/538) empresas fornecedoras consideradas inaptas por inexistência de fato cujos valores registrados como despesa na contabilidade da autuada foram objeto de glosa. Anexas cópias das representações de inaptidão por inexistência de fato (fls. 411/422). Consta de referido termo que houve glosa correspondente a depósitos que a interessada efetuou em contas correntes de terceiras empresas, para pagamento de fornecedores, sob a rubrica de cessão de créditos, em face de que não fora comprovado nexo para justificar a causa que dera origem. Tais valores foram considerados pagamentos efetuados sem comprovação de operação ou causa e capitulados no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), de 1999. Elaborou a autoridade fiscal quadro demonstrativo da base de cálculo para lançamento dos tributos, levando em conta as glosas efetuadas (fl. 535). Os valores glosados, cujo montante é de R$ 2.727.374,77, achamse detalhados no relatório de fls. 523/526, que especifica as importâncias contabilizadas como pagamento e como cessão de crédito. No que diz respeito à multa de ofício, nos casos em que se constatou dedução indevida de custo decorrente de documentos fiscais de empresas consideradas inaptas houve imposição de penalidade qualificada, pela circunstância de que a autoridade tributária entendeu existir intenção dolosa, materializada no evidente Fl. 927DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 910 4 intuito de fraude; quanto às glosas de outros valores não comprovados aplicouse a multa de ofício sem a qualificadora. Apenso aos autos consta o processo de representação fiscal para fins penais, n. 15940.000510/200719. Inconformada, ingressou a contribuinte com as impugnações de fls. 558/574 e fls. 710/726 (para IRPJ e CSLL), em que alega em ambas peças recursais preliminarmente cerceamento de defesa caracterizado pelo fato de os mandados de procedimento fiscal referiremse a ressarcimento de créditos enquanto que no âmbito da imposição tributária, que trata de IRPJ, não fora intimada a manifestarse sobre as alegadas irregularidades. No mérito, argüiu que: a) improcede o lançamento de crédito tributário relativo às deduções referentes às empresas que foram consideradas irregulares, bem assim às deduções relativas às cessões de crédito; b) descabe a glosa dos custos, bem assim a imposição da multa qualificada, em face de que agiu com boafé; c) não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material; d) a declaração de inaptidão das empresas ocorreu em período posterior à ocorrência das operações. Ao final, propugnou pela acolhida de suas alegações. A DRJ, por unanimidade de votos, CANCELOU EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: EMPRESA INAPTA. CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Improcede o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por empresa declarada inapta por inexistência de fato se restar comprovado que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento do preço respectivo e recebeu os bens. EMPRESA INAPTA. CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Incabível tributarse como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros em atendimento a pedido de fornecedores se ausente comprovação de que inexistiu relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros a Fl. 928DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 911 5 cessão de crédito a empresa de fomento mercantil deve estar embasada em contrato público, ou contrato particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos, para que os efeitos operem erga omnes. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, sem contudo suscitar dessa feita preliminar de nulidade. Em seu recurso a Recorrente reforça alguns pontos da sua impugnação, nos seguintes termos: o lançamento não pode prosperar, pois conforme documentos acostado aos autos, restam comprovados a efetividade das operações de compras, bem como o recebimento das mercadorias, o que se pode aferir pelos "tickets de Pesagem", bem como, o pagamento das mesmas. Nesse sentido, o próprio o julgador reconhece expressamente a aquisição das mercadorias constantes nos documentos fiscais: "Por fim há o registro da própria autoridade tributária que afirma ter a contribuinte efetuado as respectivas aquisições (fls. 527,537), conforme segue: 1 A empresa acima identificada adquiriu de fornecedores deste e outros Estados Matérias Primas (couro verde), para ser utilizado no processo de Fabrícação. (...) 4 Conclusão Fiscal Diante das verificações efetuadas e justificativas acima apresentadas e tudo o mais que do processo consta, não restou dúvidas que a empresa Vitapelli Ltda., adquiriu em Dezembro de 2002 (sic), matérias primas (couro verde) de empresas inexistentes de fato,... (grifouse)" ; o artigo 82, parágrafo único da Lei 9.430/96, é claro ao excepcionar a aplicação dos casos de inidoneidade de documentos fiscais quando o adquirente comprovar o pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias; é imprescindível a publicação do ato administrativo para que o mesmo possa projetar os efeitos jurídicos pretendidos, atingindo, dessa forma, terceiros. Sem publicação, o único efeito que o ato administrativo pode produzir é "interna corporis"; Em relação à tributação do pagamento sem causa, alega que “(...) partindo se do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda, a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido a quem bem lhes aprouver” ; Acrescenta que a única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de 'cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase ai o negócio jurídico perfeito e acabado; Salienta ainda, a esse mesmo respeito que pela natureza da obrigação não havia impedimento algum para que o credor pudesse ceder livremente seu crédito a quem melhor aproveitasse, sendo certo afirmar que não tem a devedora, ora Fl. 929DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 912 6 recorrente, como impedir, questionar ou mesmos exigir comprovação da relação negociai entre o cedente e o cessionário, como equivocadamente concluiu o julgado ora recorrido; com relação aos pagamentos efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring), o julgador ressalta a necessidade da contratação por instrumento público ou particular, revestidos das formalidades do art. 654, § 1º do Código Civil. Alega que o único terceiro interessado nessa relação jurídica é a própria recorrente, que foi devidamente notificada da cessão de crédito pelo faturizado ou pelo faturizador, conforme previsto no artigo 290 do Código Civil, efetuará o pagamento à quem de direito. Nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/recorrente. Portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedor (cedentefaturizado) e faturizador (cessionário), porque, aqueles, não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora Recorrente. É o relatório. Fl. 930DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 913 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração do IRPJ e da CSLL oriundos da glosa de valores lançados como custo, relativos a documentos considerados inidôneos. A glosa de custos lastreiase na inidoneidade de notas fiscais de compras de insumos registradas na contabilidade da empresa autuada, proveniente de diversos fornecedores com os quais ela teria supostamente transacionado, referentes a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato e operações de cessão de crédito desamparadas da relação jurídica correspondente. Segundo muito bem destacado pela Decisão de piso, a imposição tributária baseiase em três situações de fato muito bem distintas: a) pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados pelos fornecedores, cedentes, cuja relação negocial entre cedente e cessionário não fora comprovada; b) pagamentos a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato, e, c) pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados por empresas declaradas inaptas por inexistência de fato. As situações relacionadas sob itens "b" e "c" foram agrupadas em uma só rubrica e lançadas com multa qualificada. A DRJ, cancelou o item c) acima, motivo pelo qual as alegações do Contribuinte em seu Recurso, quanto a esta matéria não serão aqui abordados, pois não faz mais parte da lide. O procedimento fiscal esta amparado nos art. 81 e 82 da Lei n£ 9.430, de 27/12/1999: "Ari. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (■■■) Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.(destaquei) Fl. 931DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 914 8 Disse que não foi integralmente baseado nos referidos artigos, pois como se verifica pela própria cabeça do art. 82 acima negritado, há que se distinguir ai duas espécies de hipóteses de declaração de inidoneidade. A declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ do emitente é uma das hipóteses de inidoneidade de documentos enumerada taxativamente na legislação, mas não a única. Como já se destacou, o próprio dispositivo legal que institui a hipótese de inidoneidade de documento em decorrência da declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ do emitente, também faz referência, expressamente, que as demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação não produzirão efeitos tributários em favor de terceiros interessados. Reafirmese, a propósito, a regra fundamental de que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente. Quem raciocina diferente adentra na chamada “falácia do falso antecedente”. ”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque existem outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (declaração de inaptidão, por exemplo) > (implica) “q” (não produção de efeitos tributários em favor de terceiros). Isso não que dizer que se negarmos “p” (antecedente) estaremos negando necessariamente a existência de “q”. Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como se vê, na hipótese que se cuida, tratase, isso sim, de inidoneidade de documentos decorrente de regular processo de declaração de inaptidão — inexistência de fato de inscrição no CNPJ de determinado pretenso fornecedor e supletivamente de inidoneidade, cabalmente aferida pelos agentes fiscais em proficiente auditoria com emprego de procedimentos próprios de fiscalização, tal como exaustivamente circunstanciado nos tópicos apropriados do "Relatório Fiscal" , logo a seguir. Conquanto o Ato Declaratório não tenha sido expedido, o conjunto probatório materializado pelo autuante é suficiente para concluir a inexistência da referida empresa. No caso que se cuida, utilizouse mesmo da prova indiciária por meio de uma presunção simples ou hominis, presunção relativa que se admite prova em contrário, que de fato não aconteceu. No caso vertente, há a ilação extraída de um fato conhecido (conjunto de indícios coligidos quanto às empresas fornecedoras) para ser alcançado o fato desconhecido (emissão de notas fiscais inidôneas pelas empresas fornecedoras), que leva necessariamente a indedutibilidade de custos. A Recorrente se apega em boa parte de sua defesa afirmando que a presunção relativa levantada pelo autuante de inexistência de fato não pode ser contraposta à demonstração da efetividade das operações atestadas pelas papeletas de pesagem apresentadas por ela, ex vi parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96. A DRJ apontou o porquê, dando oportunidade para que a Recorrente em sede recursal pudesse trazer aos autos novos documentos que efetivamente infirmassem as conclusões chegadas pelo fiscal: Fl. 932DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 915 9 Acerca da glosa dos valores lançados como custo de produção, oriundos de documentos fiscais cujas empresas foram consideradas inexistentes pela fiscalização, no que diz respeito à alegada efetividade das operações atestadas pelas papeletas de pesagem apresentadas pela contribuinte, há que se observar que elas por si sós não são suficientes para amparar sua pretensão haja vista que os documentos fiscais respectivos foram tidos como inidôneos em decorrência de as empresas terem sido consideradas inaptas por inexistência de fato, conforme dá conta o conjunto probatório acostado aos autos, notadamente as representações fiscais de empresa inapta (fls. 411/422) que deflagraram os respectivos processos de inaptidão. Verificase que as empresas Comercial de Alimentos Santa Gertudes Ltda. e Frigorífico Paulicéia Ltda. jamais existiram nos endereços declarados à administração tributária nos períodos relativos ao lançamento tributário. Acresçase existir contra o Frigorífico Paulicéia representação fiscal por crime contra a ordem tributária realizada pela Fazenda do Estado de São Paulo. Mas, isso ainda não é tudo. O artigo 82 é bastante claro ao indicar que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Verificada essa situação de declaração formal de inaptidão ou mesmo outras situações de declaração de inidoneidade previstas na legislação, a lei contempla uma exceção para que não seja aplicada a regra geral do artigo 82, que foi o intentado pela Recorrente. Bastaria então que o adquirente dos bens ou o tomador comprove a efetividade da operação através de duas condições cumulativas postas pela legislação: a) “efetivação do pagamento do preço respectivo” e b) “o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (art. 82 da Lei n 9.430/96) Ora essa exceção, que é um abrandamento da regra geral precisa ser satisfeita por duas condições, como já se disse, cumulativas. Não basta a satisfação de uma única condição (prova do recebimento), mas das duas (efetivação do pagamento do preço respectivo e prova do recebimento). Nesse ponto, cabe destacar que no contexto dos autos causa estranheza o fato de diversos fornecedores estarem na mesma situação, ou seja, declarados inaptos. Entretanto, em tese poderseia até mitigar o rigor da norma e aceitar apenas uma das condições a depender do contexto na qual estivesse inserida uma determinada prova, porém como já se viu no parágrafo anterior esse não é o caso e nem isso aproveitaria à Recorrente. É que a prova do recebimento por ela intentada é imperfeita, pois se utilizou não de documentos produzidos por terceiros, como deveria ser o caso (conhecimento de transporte, por exemplo), mas de documentos já maculados pelas declarações de inexistência ou inaptidão (papeletas de pesagem). Ora, se estamos a dizer que as notas fiscais são inidôneas o que dirá dessas papeletas de pesagem produzidas interna corporis por essas empresas a que se imputa a pecha de inexistentes de fato? Tanto é assim que a DRJ já aplicou esse abrandamento para determinadas aquisições, quando as duas condições foram atendidas, cancelando parte do lançamento: No que diz respeito às aquisições das empresas declaradas inaptas que tiveram pagamentos efetuados diretamente nas contas de depósitos, da documentação acostada aos autos verificase a existência de documentos fiscais que apresentam carimbo de fiscalização fronteiriça estadual, comprovantes de depósitos bancários Fl. 933DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 916 10 efetuados a favor das supostas fornecedoras em valores idênticos ao das notas fiscais correspondentes, bem assim papeletas de pesagens. Alega a Recorrente para provar a efetiva aquisição de determinadas mercadorias, que há registro da própria autoridade tributária que afirma ter a contribuinte efetuado as respectivas aquisições (fls. 527,537), conforme segue: 1 A empresa acima identificada adquiriu de fornecedores deste e outros Estados Matérias Primas (couro verde), para ser utilizado no processo de Fabricação. (...) 4 Conclusão Fiscal: Diante das verificações efetuadas e justificativas acima apresentadas e tudo o mais que do processo consta, não restou dúvidas que a empresa Vitapelli Ltda., adquiriu em Dezembro de 2002 (sic), matérias primas (couro verde) de empresas inexistentes de fato. Ora, não se pode aqui enaltecer uma determinada sentença em detrimento de todo um contexto. Há aqui uma nítida ênfase exagerada no aspecto secundário do verbo adquirir em detrimento de seu aspecto primário. Nesse ponto é curial se fazer uma digressão a respeito de certas nuances da linguagem que podem levar a confusões conceituais. O filósofo da Linguagem John R. Searle, em seu Clássico livro “Expressão e Significado” , tratou desse assunto que não passou despercebido à sua argúcia: “Há uma distinção, bem conhecida em filosofia da linguagem, entre o que uma sentença ou expressão significa e o que um falante quer significar quando emite essa sentença ou expressão. O interesse da distinção deriva não do fato relativamente trivial de que o falante pode ignorar o significado da sentença ou expressão, mas do fato de que, mesmo quando o falante tem competência lingüística perfeita, o significado literal da sentença ou da expressão pode não coincidir com o significado da emissão do falante. (...)Às vezes, quando alguém se refere a um objeto, esse alguém está de posse de todo um rol de aspectos sob os quais, ou em virtude dos quais, poder terse referido ao objeto; escolhe porém referirse ao objeto sob um aspecto. Normalmente, o aspecto selecionado será tal que o falante supõe que habilitará o ouvinte a selecionar o mesmo objeto. Em tais casos, como nos casos de atos de fala indiretos, quer se dizer o que se diz, mas também algo mais. Nesses casos, qualquer aspecto serve, contanto que habilite o ouvinte a selecionar o objeto. (Pode ser inclusive algo que tanto o falante como o ouvinte acreditem ser falso do objeto. Assim, alguém diz “o assassino de Smith”, mas quer dizer também aquele homem lá, Jones, o acusado do crime, a pessoa que está sendo agora interrogada pelo promotor público, a que está se comportando tão estranhamente, e assim por diante. Nesses casos, se o aspecto que se seleciona para fazer referência ao objeto não funcionar, podese recorrer a algum outro. (...) O aspecto secundário é qualquer aspecto que o falante expresse numa descrição definida (ou outra expressão) e seja tal que o falante o emita como uma tentativa de garantir a referência ao objeto que satisfação seu aspecto primário, mas que o falante não pretenda que faça parte das condições de verdade do enunciado que tenta fazer. Dessa explicação, seguese que a cada aspecto secundário deve corresponder a um aspecto primário. Todo uso referencial tem um aspecto primário subjacente. Nesse diapasão e forte em Searle, data máxima vênia, ousamos discordar do entendimento da Recorrente e também do julgador de primeira instância em seu voto, na medida em que se enfatiza um aspecto secundário do enunciado (“adquiriu”), em detrimento de Fl. 934DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 917 11 seu aspecto primário: a condição daquele objeto adquirido ser fruto de uma empresa inexistente de fato, o que desfaz obviamente a força da “aquisição”. A DRJ nesse caso apenas reforçou com esse mesmo argumento equivocado através de um argumento subsidiário que não fez desmoronar a sua conclusão final. No caso que se cuida, onde essa aquisição efetivamente ocorreu, a DRJ, como já se colocou retro já deu provimento e de forma correta. Insurgese ainda a Recorrente contra os efeitos temporais do Ato Declaratório. Segundo ela, seus efeitos aplicarseiam somente após a edição do Ato Declaratório. Não prospera tal alegação. A esse respeito a princípio cabe enfatizar que a natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito extunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram, como é o caso da inexistência de fato dos estabelecimentos em comento. Por último, mas não menos importante, é que especificamente o caso da pessoa jurídica declarada inexistente de fato, são categoricamente considerados inidôneos os documentos emitidos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, se ela jamais exerceu atividade regular, a teor do que prescreve o art. 43, § 3o, IV, da IN n° 200, de 2002: Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. (...) § 3o. O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: " i) IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; O art. 37, II do diploma antes referido, que trata da inexistência de fato, teve sua redação aperfeiçoada com o advento do art. 41 da Instrução Normativa (IN) RFB n° 748, de 28/06/2007, art. 41, a saber: Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: III não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; Ou seja a conseqüência direta de a empresa ser considerada inexistente de fato é tornar inidôneos os documentos por ela emitidos, que não produzirão efeitos tributários em favor de terceiro interessado desde a paralisação das atividades ou desde sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade, a teor do que preceitua o art. 48, caput e § 3o, II, da norma antes referida a seguir descritos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. Fl. 935DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 918 12 (...) § 3o O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: (...) II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e Como já se colocou retro, conquanto o Ato Declaratório não tenha sido expedido, o conjunto probatório materializado pelo autuante (fls. 411/422) é suficiente para concluir a inexistência de ambas as empresas. Por fim, para espancar qualquer dúvida reproduzo abaixo colocação pertinente feita pela DRJ: Ademais, se restasse qualquer dúvida, ela foi espancada de vez com a alteração cadastral efetivada que registra o estado de inapta por inexistência de fato, com efeitos a partir de 27/08/2003 para Frigorífico Paulicéia Ltda. e a partir de 25/06/2001 para Comercial de Alimentos Santa Gertudes Ltda., conforme fichas de consulta, neste ato anexadas sob fls. 870/871, vol. V. Portanto, nego provimento a este item. Da cessão de créditos (pagamentos sem causas) Cabe aqui destaca que tal infração não se confunde com a situação em que a DRJ deu provimento, qual seja: glosa de custos caracterizada por operações de cessão de créditos em que as empresas declaradas inaptas (cedentes) indicaram terceiros para recebimento dos valores constantes das notas fiscais (cessionários). No caso a DRJ concluiu categoricamente que “não consta dos autos comprovação de que os pagamentos não têm lastro negocial para justificálos, razão por que entendo que deva ser afastada a imposição tributária”. Passemos a analisar agora a parte do lançamento tributário que teve como substrato a glosa relativa a pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou causa. A esse respeito argúi a Recorrente que “(...) partindose do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda, a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido a quem bem lhes aprouver” . Acrescenta que a única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de 'cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase ai o negócio jurídico perfeito e acabado; Ora, na impede a que a devedora, no caso a Recorrente, faça pagamentos a terceiros por dívida mantida com fornecedores, segundo afirma. Entretanto, é indispensável para seu resguardo e para contrapor isso a terceiros (Fisco) a comprovação da relação jurídica caracterizadora da obrigação que o fornecedor mantém com o terceiro beneficiário, sob pena de se caracterizar, como de fato ocorreu, a hipótese de pagamento sem causa. Infelizmente esse é um ônus seu que não logrou desincumbirse a contento. Fl. 936DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 140100.536 S1C4T1 Fl. 919 13 Sem embargos disso, o que se verifica nos autos foi as infrutíferas tentativas da autoridade fiscal em obter dos cessionários, ou seja das pessoas a que a Recorrente fez pagamentos por dívida com seus fornecedores (cedentes), informações que pudessem caracterizar os aludidos negócios jurídicos. O que se colheu das diligências infruntíferas se contrapondo, assim, às alegações da Recorrente forma: inexistência de relação comercial em um caso, ausência de resposta em outros etc. Apenas como argumento subsidiário, acrescentese que no que tange às cessões de crédito efetuadas junto a empresas de fomento mercantil (factoring) a situação é ainda mais desfavorável à Recorrente, uma vez que para ter eficácia perante terceiros, nos termos do art. 288 do Código Civil, referido preceptivo lega comanda que sejam celebradas por instrumento público ou, no caso de instrumento particular, deverão conter os elementos referidos no art. 654, § 1º daquele diploma legal, a saber: Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § l2 O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. Ademais, como muito bem colocou a decisão de piso: (...) para que os efeitos de tais transações transcendam as partes contratantes, operem erga omnes e sejam oponíveis a terceiros, é condição indispensável sejam lançados no Registro de Títulos e Documentos, a teor do que prescreve a Lei de Registros de Títulos e Documentos. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 937DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 14/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 10/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 16366.002398/2007-94
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA. INCLUSÃO.
As variações cambiais ativas são consideradas receitas financeiras fazendo parte da base de cálculo da COFINS, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833/2003.
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA.
BASE DE CALCULO. CRÉDITOS.
1NSUMOS.
No cálculo do PIS nãocumulativo
o sujeito passivo somente poderá
descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim
entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na
produção ou fabricação de bens e na compra de matériaprima,
bem como
despesas. Não inclusão das despesas com comissões, com material de
embalagem e com a contratação de serviço para estufamento de containeres.
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA.
COMPROVAÇÃO DE
UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO.
Gastos efetuados com combustíveis necessitam da prova de sua utilização no
processo produtivo, para configurar insumos na produção ou fabricação de
bens. Prova realizada, possibilidade do reconhecimento do direito creditório.
COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO
MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO
LEGAL.
Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS
e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção
monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de
ressarcimento.
Recurso voluntário provido em parte para acatar os créditos fundados na
aquisição de combustíveis utilizados no transporte de matéria prima.
Numero da decisão: 3102-001.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por maioria de votos, em dar provimento parcial para acatar os créditos fundados na aquisição de combustíveis utilizados no transporte de matéria-prima. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, relator, que também afastava a incidência da contribuição sobre variações cambiais e acolhia a aplicação da taxa Selic, a partir da data do pedido e Luciano Pontes de Maya Gomes que acompanhava o relator, pelas conclusões, no que se refere à incidência da Taxa Selic. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA. INCLUSÃO. As variações cambiais ativas são consideradas receitas financeiras fazendo parte da base de cálculo da COFINS, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833/2003. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. 1NSUMOS. No cálculo do PIS nãocumulativo o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na compra de matériaprima, bem como despesas. Não inclusão das despesas com comissões, com material de embalagem e com a contratação de serviço para estufamento de containeres. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Gastos efetuados com combustíveis necessitam da prova de sua utilização no processo produtivo, para configurar insumos na produção ou fabricação de bens. Prova realizada, possibilidade do reconhecimento do direito creditório. COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Recurso voluntário provido em parte para acatar os créditos fundados na aquisição de combustíveis utilizados no transporte de matéria prima.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA. INCLUSÃO. As variações cambiais ativas são consideradas receitas financeiras fazendo parte da base de cálculo da COFINS, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833/2003. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. 1NSUMOS. No cálculo do PIS nãocumulativo o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na compra de matériaprima, bem como despesas. Não inclusão das despesas com comissões, com material de embalagem e com a contratação de serviço para estufamento de containeres. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Gastos efetuados com combustíveis necessitam da prova de sua utilização no processo produtivo, para configurar insumos na produção ou fabricação de bens. Prova realizada, possibilidade do reconhecimento do direito creditório. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Recurso voluntário provido em parte para acatar os créditos fundados na aquisição de combustíveis utilizados no transporte de matéria prima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por maioria de votos, em dar provimento parcial para acatar os créditos fundados na aquisição de combustíveis utilizados no transporte de matériaprima. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, relator, que também afastava a incidência da contribuição sobre variações cambiais e acolhia a aplicação da taxa Selic, a partir da data do pedido e Luciano Pontes de Maya Gomes que acompanhava o relator, pelas conclusões, no que se refere à incidência da Taxa Selic. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Voto vencedor EDITADO EM: 13/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 0621.349 da 3ª Turma da DRJ/CTA, que deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, para excluir da composição da receita bruta total os valores relativos às vendas de bens do ativo imobilizado, mantendo as glosas explicitadas no despacho decisório. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata a presente lide do pedido de ressarcimento de fls. 02/04, transmitido pela via eletrônica em 08/05/2007, em que se indica como direito creditório o ressarcimento da contribuição ao PIS Fl. 515DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16366.002398/200794 Acórdão n.º 3102001.400 S3C1T2 Fl. 232 3 não cumulativa exportação, relativo ao 1º trimestre de 2007, no montante de R$ 172.178,79. Analisando os documentos trazidos aos autos, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Londrina (Safis/DRF/LON) emitiu o Termo de Informação Fiscal de fls. 188/195, opinando pelo reconhecimento parcial do direito creditório no montante de R$ 165.159,64. Às fls. 198/293, constam declarações de compensação, apresentadas pela via eletrônica entre 10/05/2007 e 31/07/2007, fazendo menção ao pedido de ressarcimento de fls. 02/04, como origem de seu direito creditório. Com base na precitada informação fiscal, a Delegacia da Receita Federal em Londrina emitiu, às fls. 304/307, o Parecer/Saort/DRF/LON n.° 531/2007, e o respectivo Despacho Decisório de fl. 308, com as seguintes decisões: (a) reconhecer parcialmente o direito creditório da interessada no montante de 165.159,64, como saldo dos créditos de PIS, relativos ao 1º trimestre de 2007, a ser utilizado em compensações efetuadas pela própria empresa, após o que restaria um crédito contra a Fazenda Nacional de R$ 75.504,40; (b) homologar as compensações efetuadas por meio das Dcomp de fls. 198/293. As fls. 322/324, encontramse a Intimação n." 1213/2007 e a Notificação nº 105/2007, ambas emitidas pela Saort/DRF/LON, no sentido de comunicar a interessada do Parecer e Despacho Decisório antes mencionados, bem como intimála a informar se houve utilização do crédito na compensação de débitos, após o que farseia verificação da regularidade fiscal perante a RFB, PGFN e INSS, e, havendo débitos fiscais, o valor do ressarcimento seria utilizado para quitálos, mediante compensação em procedimento de oficio. Desses documentos (fls. 304/308 e 322/324), a interessada foi cientificada em 04/12/2007, conforme consta A fl. 330, Em 18/12/2007, a interessada protocolizou o documento de fls. 331/333, com o qual não autoriza a RFB a proceder a compensações de oficio e requer a expedição de ordem de pagamento do crédito reconhecido neste processo. Por meio de procuradores (mandato A fl. 343), a interessada apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 336/342, protocolizada em 03/01/2008, a seguir sintetizada. Após resumir os fatos que levaram à emissão do despacho decisório, a interessada manifesta sua inconformidade em relação A parcela não reconhecida do direito creditório. Assim, no item "Quanto a inclusão de receitas originariamente não consideradas pelo contribuinte", contesta a inclusão de receita nãooperacional de venda de bem do ativo imobilizado no critério de proporcionalidade, uma vez que não integraria a base de cálculo do PIS; por sua vez, quanto à verificação do percentual relativo às receitas de exportação em relação à sua Fl. 516DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 receita bruta total, alega ser incorreta a classificação como receitas meramente financeiras das receitas advindas de operações de SWAP/BMF e de variação cambial ativa, posto que originárias de exportação, citando a propósito o art. 21, I, da IN SRF n.° 600, de 2005; alternativamente, quanto às receitas tidas como financeiras, requer que: "sejam as mesmas consideradas para efeito de ressarcimento/compensação, por decorrer de custos, despesas e encargos vinculados as vendas efetuadas com alíquota zero, diante da própria consideração feita no termo de informação fiscal de que a partir de 02/08/2004 as alíquotas das contribuições para o PIS e Cofins incidentes sobre receitas financeiras foram reduzidas a 0 (zero) pelo Decreto n.° 5.164/2004", mencionando a propósito o art. 21, II, da IN SRF nº 600, de 2005; após tais considerações, afirma: "Diante destes fundamentos, pelo critério da proporcionalidade, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para incluir as receitas financeiras suscitadas, decorrentes de operações de BMF/WAP e de variação cambial ativa, nas RECEITAS DE EXPORTAÇÃO, por serem originárias de operação de exportação, devendo, portanto serem consideradas como custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior"; ao fim desse item, caso não seja esse o entendimento do órgão julgador, faz o seguinte pedido: ““requer seja considerado o critério originário adotado pela requerente, de não considerar estas receitas financeiras, inclusive aquelas decorrentes de descontos obtidos, juros recebidos, renda sobre aplicação financeira e venda do imobilizado, uma vez que sequer formulado fundamentação capaz pela autoridade recorrida, para acobertar sua inclusão.". No tópico "das despesas com comissões", citando o art. 3º, II, da Lei n.° 10.637, de 2002, diz que da análise desse dispositivo, ao contrário do entendimento do fisco, a comissão que teria pago a outra pessoa jurídica sobre a compra de couro bovino, utilizado como insumo em seu processo produtivo, seria, portanto, custo/despesa que dá direito a crédito. Por sua vez, no subitem "Das despesas com combustível", tendo por base o mesmo dispositivo legal (art. 3º, II, da Lei n.° 10.637, de 2002), sustenta que também não merece prosperar o entendimento do fisco de desconsiderar as despesas com combustível como custo/despesa que dá direito a crédito do PIS, isso mesmo depois de ter esclarecido que o combustível é utilizado em caminhão próprio, no transporte da matériaprima (couros in natura) até a indústria onde se inicia a primeira etapa de industrialização'; portanto, assevera que as despesas com combustível dão direito a crédito, por se enquadrar no referido texto legal. Já, no item "Das despesas com material de embalagem", afirma que os `paletes de madeira' seriam essenciais para acomodação e proteção para transporte de couro 'wet blue', fazendo parte do final da 3ª etapa do processo de produção, ou seja, tais custos/despesas estariam intrinsecamente ligados ao processo de produção/exportação, requerendo, assim, a reforma da decisão recorrida, para que se considere os créditos decorrentes das aquisições dos citados itens. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16366.002398/200794 Acórdão n.º 3102001.400 S3C1T2 Fl. 233 5 Por seu turno, no subitem "Das despesas com exportação", mencionando os serviços de "estufamento de containeres", contesta o posicionamento do fisco de não lhe conceder o direito ao crédito de PIS; diz que tais serviços estariam diretamente ligados A armazenagem, já que tratarseiam de forma eficaz de se acondicionar a mercadoria dentro dos containeres para armazenagem e embarque. Sob os títulos "Quanto à consolidação dos valores", em razão dos argumentos antes referidos, impugna a consolidação dos valores feitos pela decisão recorrida, em detrimento ao cálculo originariamente apresentado por ela, propugna pela reforma da parte glosada. Por fim, em face do alegado, requer a reforma da decisão recorrida, reconhecendose a legitimidade da totalidade do direito creditório pleiteado no pedido de ressarcimento formulado; agrega, ainda "no intuito de minimizar os prejuízos até então suportados pela Requerente", que ao crédito a ser ressarcido sejam acrescidos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, calculados a partir da data do protocolo até a data do respectivo ressarcimento/compensação. Às fl. 345, consta oficio da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Londrina, encaminhando cópia de antecipação de tutela nos autos da Ação Ordinária nº 2008.70.01.0004908, para que: "seja creditado, na conta corrente mencionada pela parte autora (Conta Corrente n.° 35491, agência 3407X do Banco do Brasil), o valor já reconhecido como devido, no prazo concedido judicialmente de 10 dias, contadas da intimação, que ocorreu em 31/01/08". Às fl. 373, consta o Comunicado de Restituição, emitido pela Saort/DRF/Londrina, com o seguinte texto: "Por meio do presente comunicamos que, em 21/02/2008, foi restituído o valor de R$ 75.504,41, referente ao pedido de ressarcimento de crédito de PIS do 1º trimestre de 2007, por meio de crédito na conta informada no processo em referência.”:; à fl. 374, consta o aviso de recebimento desse comunicado em 27/02/2008. Após analisar a manifestação de inconformidade em razão da não homologação da declaração de compensação e ser observada a informação fiscal, decidiu a 3ª Turma da DRJ/CTA, pelo provimento parcial da manifestação nos termos da conclusão de voto abaixo: Em face do exposto, VOTO por dar parcial provimento à manifestação de inconformidade, no sentido de excluir da composição da receita bruta total (demonstrativo de fl. 190 verso) os valores relativos as vendas de bens do ativo imobilizado, e por manter as glosas explicitadas no despacho decisório, sendo que sobre o valor de ressarcimento não cabe a incidência de juros de mora com base na taxa Selic. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1. Do pedido de ressarcimento de PIS – Exportação no valor de R$ 172.178,79, foi reconhecido o direito creditório de R$ 165.159,64, vindo a DRJ ao apreciar a manifestação de inconformidade, manter parcialmente o despacho decisório. 2. No mérito reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, para que: a) as receitas financeiras decorrentes da variação cambial ativa e de operações de BMF/SAWP não componham a receita bruta para fins de cálculo da proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculadas às receitas de exportação; b) para inclusão com despesas aquelas com comissões, combustível; material de embalagem e serviço para estufamento de containeres; Ao final requer a recorrente o reconhecimento do direito creditório dos valores anteriormente glosados, com atualização pela taxa selic. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado a recorrente visa o reconhecimento total do pedido de ressarcimento de crédito de PIS exportação, vez que do crédito pretendido de R$ 172.178,79(cento e setenta e dois mil, cento e setenta e oito reais e setenta e nove centavos) foi reconhecido o valor de R$ 165.159,64(cento e sessenta e cinco mil, cento e cinquenta e nove reais e sessenta e quatro centavos), por não terem sido considerados valores relativos a custos/despesas que segundo a decisão recorrida não dão direito ao crédito de PIS. Da inclusão de receitas – Variação cambial ativa e de operações de BMF/SAWP Inicialmente argumenta a recorrente que as receitas financeiras decorrentes da variação cambial ativa não integram montante da receita bruta para fins de cálculo do proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação. A legislação sobre o PIS, disciplina no art. 1º, caput e § 1º e 2º da lei nº 10.637/2002 que: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como foto gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16366.002398/200794 Acórdão n.º 3102001.400 S3C1T2 Fl. 234 7 pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. A norma acima é clara ao demonstrar que o cálculo das contribuições para o PIS será realizado com base no faturamento, o qual corresponde à receita bruta da pessoa jurídica decorrente de todas as receitas auferidas “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Assim, resta discutir se a receita decorrente de variação cambial e aquelas decorrentes de operações BMF/Swap integram a receita bruta da pessoa jurídica quando decorrente da exportação. A partir da vigência da Emenda Constitucional nº 33/2001 o art. 149 § 2º passou a ter a seguinte redação: § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; A norma acima levou a redação do art. 5º lei nº 10.673/2002, ao estabelecer em seu inciso primeiro que a receita decorrente da operação de mercadorias para o exterior não é hipótese de incidência do PIS e da COFINS. Ora, apesar do art. 9º da lei nº 9.718/98 estabelecer que variações monetárias serão consideradas para hipóteses de incidência do PIS e da COFINS, no caso em liça as receitas financeiras foram auferidas através da venda de mercadorias para o exterior, razão pela qual não há com incidir o PIS e COFINS. Sobre o tema o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo no seguinte sentido: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DE RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. PRECEDENTES. DECISÃO RECORRIDA EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Hipótese que se restringe ao recolhimento de contribuições sociais incidentes sobre receitas financeiras oriundas de variações cambiais positivas ocasionadas pela desvalorização da moeda nacional diante de moedas estrangeiras. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 2. As Turmas que compõe a Primeira Seção do STJ já manifestaram entendimento de que não incide tributação de PIS e COFINS sobre variações cambiais positivas, decorrentes das receitas de exportação de mercadorias, em face de a hipótese estar também atingida pela imunidade do artigo 149, § 2º, I, da CF/88, consistindo, da mesma forma, em incentivo às exportações. 3. Não se justifica a suposta violação do princípio de reserva de plenário (artigo 97, CF/88), verbis: "Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público", porquanto inexistiu declaração de inconstitucionalidade de lei a ensejar a aplicação do referido dispositivo constitucional. 4. Não compete ao STJ analisar em sede especial, ainda que para fins prequestionamento, eventual violação de preceito constitucional, função da alçada do Supremo Tribunal Federal. Precedente: AgRg nos EAg 1069198/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe 18/02/2010; EDcl no AgRg no Ag 1073337/SP, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 14/12/2009. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1104269/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010) RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃOINCIDÊNCIA. REGRAS DE ISENÇÃO E DE IMUNIDADE. 1. A isenção da contribuição ao PIS e da Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei nº 10.637/2002, também alcança a variação cambial positiva destes valores. 2. O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. 3. Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambias positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16366.002398/200794 Acórdão n.º 3102001.400 S3C1T2 Fl. 235 9 4. Precedentes da Segunda Turma. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1059041/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 04/09/2008) Já a receitas decorrentes de Swap, são apenas receitas financeiras, decorrentes de operações que visam a troca de resultados financeiros, com liquidações em datas futuras, portanto não alcançam os benefícios concedidos as receitas decorrente de exportação. Da inclusão das despesas com comissões, das despesas com material de embalagem e das despesas referente a contratação de serviço para estufamento de containeres; Busca a recorrente o crédito decorrente das comissões pagas quando da aquisição do couro bovino, sob o argumento de que seria insumo de produção, das despesas com material de embalagem ao afirmar que os “paletes de madeira” integram a 3ª etapa do processo produtivo, pois são indispensáveis a “acomodação e proteção para transporte do couro wet blue”, e das despesas com o estufamento de containeres, serviço que seria indispensável para armazenagem e embarque. O legislador ao tratar da contribuição para o PIS nãocumulativo, incidente sobre o faturamento, ao dispor sobre insumo, estabelece no inciso II do art. 3ª da Lei nº 10.637/2002, que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Percebese que a norma define que o insumo, seja ele relativo a bens ou serviços, deve ser utilizado na prestação e na produção ou fabricação, assim percebese que as despesas como comissão, são totalmente desvinculadas do processo produtivo, não se não se enquadrando no conceito de insumo. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Quanto a embalagem, a própria recorrente demonstra que a mesma é necessária para o transporte final do produto já industrializado, não sendo utilizada na produção do couro, não ensejando assim o reconhecimento ao crédito, o mesmo se aplica aos serviços referente à estufamento de containeres Das despesas com combustível Neste ponto a recorrente tenta demonstrar que combustível utilizado, daria direito a crédito, pois seria utilizado no transportes do couro innatura(matéria prima) até a indústria, para o início do processo de industrialização. Já a decisão recorrida afastou o crédito com os combustíveis ao afirmar que “não sã matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem(ou outro bem) que sofram alteração em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. ... No caso, os gasto com combustíveis caracterizamse, meramente, como despesas operacionais, que não têm previsão legal para serem descontados como créditos do PIS. Ora, o combustível quando, efetivamente comprovada sua utilização, no processo produtivo, como no transporte de produtos semielaborados até ao estabelecimento para o beneficiamento, deve ser observado com insumo nos termos da norma já citada. No caso dos autos, a contribuinte, atendendo a intimação fiscal, afirma que o combustível registrado em seu livro razão foi adquirido para utilização em caminhão próprio para o transporte do couro innatura até a fábrica, assim há como reconhecer o direito ao crédito. Da utilização da Taxa Selic Ao final de suas razões busca a recorrente que à incidência da SELIC a partir da data que realizou o pedido de ressarcimento. Quanto ao tema o § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, disciplina que: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Acontece que o art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, proíbe expressamente a correção pleiteia, in verbis: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não obstante a norma acima, negar o pedido de atualização o crédito pretendido, e reconhecido pela própria fazenda, ensejaria enriquecimento sem causa da União, principalmente pelo fato da pretensão resistida percorrer diversos anos até o deferimento, como no presente caso. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16366.002398/200794 Acórdão n.º 3102001.400 S3C1T2 Fl. 236 11 Sob este prisma o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 1.035.847 submetido ao regime do art. 543C, representativo de controvérsia, reconheceu que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI enseja a incidência de correção monetária, decisão essa que transitou em julgado em 10/03/2010. Assim, deve prevalecer o mesmo entendimento a caso em tela, aplicandose o disposto no art. 62A do regulamento do CARF, sendo portanto devida a correção monetária dos créditos pretendidos que foram deferidos, a atualizados a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário, para deferir o ressarcimento do PIS ao excluir o crédito presumido do IPI da base de cálculo e reconhecer o direito a atualização dos créditos pretendidos a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Diante do exposto conheço do recurso para dar parcial provimento e reconhecer que as receitas financeiras auferidas da variação cambial ativa não componham a receita bruta para fins de cálculo da proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculadas às receitas de exportação, reconhecendo o direito a atualização dos créditos pretendidos a partir do protocolo dos pedidos administrativos; Sala de sessões 26 de janeiro de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento em relação a inclusão na base de cálculo da COFINS não cumulativa, das receitas referentes a variação cambial ativa e o entendimento quanto a correção monetária dos créditos da contribuição. O art. 1º da Lei nº 10.833/03 é categórico ao estabelecer que a contribuição para a COFINS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito)." As receitas referentes a variação cambial ativa decorrem de um ganho financeiro obtido com contratos em moeda estrangeira, que devido a valoração ou desvalorização, beneficiam a empresa contratante. Por se tratar de ganho financeiro, são incluídas na rubrica das receitas financeiras. Diante da base de cálculo da COFINS não cumulativa que se compõe de todo as receitas auferidas. Não há como excluir as receitas financeiras que, sem dúvida, compõe a base de cálculo da COFINS. Quanto à correção monetária e aplicação da taxa Selic aos créditos do PIS e COFINS no regime não cumulativo. A legislação expressamente veda a correção monetária e Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16366.002398/200794 Acórdão n.º 3102001.400 S3C1T2 Fl. 237 13 aplicação de juros sobre os créditos objeto do pedido de ressarcimento, conforme previsto no art. 13 e no art. 15 da Lei nº 10.833/2003. “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. .... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; IV nos arts. 7o e 8o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a inclusão das receitas obtidas com a variação cambial na base de cálculo da contribuição e quanto a possibilidade de correção dos créditos. Winderley Morais Pereira Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 13/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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