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Numero do processo: 19515.003938/2003-61
Data da sessão: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § Io -Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -CONTA CONJUNTA - Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Io CC n° 2).
Preliminares rejeitadas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.256
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 238.771,18.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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Numero do processo: 13820.000506/2004-49
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DESPESAS MÉDICAS.
Acolhe-se a comprovação de despesa médica mediante a apresentação apenas de declaração firmada pela pessoa jurídica prestadora do recibo, mormente se não consta do processo a motivação da referida glosa e a empresa foi autuada por omissão de receitas detectada a partir das informações constantes das declarações de rendimentos de pessoas físicas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Acolhese a comprovação de despesa médica mediante a apresentação apenas de declaração firmada pela pessoa jurídica prestadora do recibo, mormente se não consta do processo a motivação da referida glosa e a empresa foi autuada por omissão de receitas detectada a partir das informações constantes das declarações de rendimentos de pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 05 06 /2 00 4- 49 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13820.000506/200449 Acórdão n.º 2102002.301 S2C1T2 Fl. 31 2 Relatório Contra NICOLA GRAVINA foi lavrado Auto de Infração, fls. 27, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 9.587,42, incluindo multa de ofício, juros de mora e restituição indevida a devolver. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.000,00. Frisese que no processo foi juntada apenas a folha de rosto do Auto de Infração, de modo que nos autos não consta a descrição dos fatos apurados pela autoridade fiscal quando do lançamento, tampouco o enquadramento legal, sendo certo que somente é possível a identificação da infração imputada ao contribuinte em razão da impugnação e também da comparação entre os extratos, fls. 13 e 15. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1728.673, de 12/11/2008, fls. 17/20. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/11/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 23, o contribuinte apresentou, em 29/12/2008, recurso voluntário, fls. 25/28, no qual traz as alegações a seguir parcialmente transcritas: 11 O certo é que, o recorrente cumpriu tudo quanto lhe era possível e decorrente da legislação pátria, tanto que exibiu o original da declaração firmada pela empresa "Almar Assistência Médica S/C. Ltda.", declaração essa que restou regularmente juntada na defesa então ofertada, tendo, ainda, afirmado que todos os pagamentos haviam sido efetuados em moeda corrente. 12. Não bastasse isso tudo, foi devidamente esclarecido pelo recorrente que a prestadora de serviços (Almar) não poderia especificar os tipos de serviços médicos realizados, em razão de impedimentos contidos no art. 125 do Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina, aliás, como expressamente escrito naquela declaração. 13. Claro que, jamais e em hipótese alguma, poderá o recorrente ser punido porque pagou as despesas com dinheiro, aliás, moeda circulante e com curso constitucionalmente garantido e forçado em todo o País. É o Relatório. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13820.000506/200449 Acórdão n.º 2102002.301 S2C1T2 Fl. 32 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Dos documentos que compõem o processo se infere que no anocalendário 1999, o contribuinte pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 47.986,86, das quais foi glosada a despesa realizada junto a Almar Assistência Médica S/C Ltda, no valor de de R$ 15.000,00. Contudo, em razão de somente constar nos autos a folha de rosto do Auto de Infração, não é possível identificar a motivação da referida glosa. Do Pedido de Esclarecimento, fls. 05, observase que a autoridade fiscal solicitou a apresentação de comprovantes de despesas médicas, especificando que em relação à despesa realizada junto à Almar Assistência Médica S/C Ltda exigiuse, ainda, comprovantes de pagamentos (extratos bancários, cópia de cheque, etc) e o tipo de serviço médico prestado. Na impugnação, o contribuinte informa que, atendendo ao Pedido de Esclarecimento, apresentou a declaração da prestadora de serviços, fls. 04, esclarecendo que os pagamentos foram realizados em dinheiro. Disse, ainda, que sua justificativa não foi acolhida pela autoridade fiscal, o que culminou com a lavratura do Auto de Infração. Vêse, portanto, que não é possível identificar dos autos porque a autoridade fiscal exigiu a comprovação do pagamento somente em relação à despesa médica realizada junto à Almar Assistência Médica S/C Ltda. Certo é que, considerando tratarse de despesa realizada junto à pessoa jurídica, se dúvida existia no que se refere ao pagamento, caberia a autoridade fiscal diligenciar junto a empresa para confirmar ou não a realização do pagamento, mediante exame da escrita contábil. Esta seria a conduta correta a ser adotada ao caso. E mais, em pesquisas aos sistemas deste CARF verifiquei a existência do Acórdão nº 10196.673, de 17/04/2008, no qual foi julgado recurso de ofício e recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica Almar Assistência Médica S/C Ltda. Do mencionado acórdão inferese que a empresa foi autuada por omissão de receitas, nos anos calendário 1999 a 2002 e que detectouse a receita omitida a partir de informações constantes das declarações de rendimentos de pessoas físicas. Insta dizer que o lançamento foi confirmado nos casos em que as pessoas físicas apresentaram recibos, notas fiscais, etc. Tal conduta adotada pela autoridade fiscal é inapropriada. Não se pode admitir dois entendimentos divergentes para o mesmo fato por parte da autoridade fiscal. Por um lado entende que a despesa não incorreu e que não houve o pagamento das quantias consignadas nos recibos e via de conseqüência procede a glosa na declaração da pessoa física. Por outra banda, considera que houve omissão de receitas por parte da pessoa jurídica, autuandoa. Ou bem se glosa a dedução de despesa médica ou procedese ao lançamento de omissão de receitas. Os dois lançamentos não podem conviver. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13820.000506/200449 Acórdão n.º 2102002.301 S2C1T2 Fl. 33 4 Nestes termos, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 40DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001278/00-40
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS J., CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10650.001278/00-40 Recurso n° 303-128.536 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.115 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADÉLIA BELLODI PRIVATO Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. i Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 2 / ) 1 IF 011 CARLO • ' L : ' I 1 FREITAS B . 1 ' TO—Presidente V4 4,04 JULIO zn l'i4k 1' . GOMES — Re ator EDITADO EM: 16 SE 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de correspondente à reserva legal, ainda que à época dos fato gerador não houvesse sua averbação do registro de imóveis e que não incide ITR sobre a área do imóvel destinada à preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que o acórdão diverge da tese prevalente em outra turma deste Conselho que reconheceu a contrariedade à legislação tributária. Ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF N° 43/1997, que disciplinou a Lei 9.393/96, com a redação dada pela IN/SRF N° 67/97 e ofender o artigo 111 e 114, ambos do CIN. E continua: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. 2 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 3 Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. , • 1 ‘ÉSI 3 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 4 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. 1° § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: 4 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 5 Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fwc e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15" ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de 5 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 6 dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. 111 A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as 6 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 7 nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta,' os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: Á) A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, ITO,sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 7 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 8 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do 1TR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 8 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 9 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SIff n° 43, de 0710511997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1 0 de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3 0 São áreas de utilização limitada: § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lhama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; 9 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 10 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo • sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, all'. ‘ ,11 considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 10 Processo n° 10650.001278/00-40 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.115 Fl. 11 Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o MAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especque as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspond- te à reserva legal e excluído o valor correspondente à área de preservação permanente. \ - Julio C eira Gomes - Relator 11
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Numero do processo: 35183.004286/2007-61
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/01/1997
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. REQUISITOS LEGAIS. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PREENCHIMENTO REQUISITOS LEGAIS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A fiscalização não comprovou efetivamente que a entidade recorrente teria deixado de aplicar o resultado operacional em suas finalidades estatutárias. Verificado que a entidade beneficente atendeu aos requisitos estabelecidos no artigo 14 do Código tributário Nacional, não há que se falar em suspensão da imunidade tributária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.560
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. REQUISITOS LEGAIS. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PREENCHIMENTO REQUISITOS LEGAIS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A fiscalização não comprovou efetivamente que a entidade recorrente teria deixado de aplicar o resultado operacional em suas finalidades estatutárias. Verificado que a entidade beneficente atendeu aos requisitos estabelecidos no artigo 14 do Código tributário Nacional, não há que se falar em suspensão da imunidade tributária. Recurso Voluntário Provido 011 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1! \\i/ ` Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 - Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.473 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1 8 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por u Ini iiade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. N, O! JULIO n :SA ,' VIEIRA GOMES Presiden ) ik,..\413..V DAMIÃO CORD • DE MORAES Relator ' Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente James Marins, OAB/PR n° 17.085. 2 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.474 • Relatório 1. Trata-se de cancelamento da imunidade tributária, prevista no §7°, art. 195 da Carta Magna, da Associação Paranaense de Cultura em face da infração dos incisos I e II, art. 14 do Código Tributário Nacional — CTN a partir da competência 01/1997. 2. Observo ainda, que a entidade em questão, tem a seu favor decisão judicial (processo n° 99.0011440-0) que reconhece e declara "a imunidade tributária da entidade em face do INSS, desde que cumpridos os requisitos legais (art. 14 do CTN e demais normas que se configuram compatíveis com o seu comando).". 2. Segundo consta do relatório fiscal, foram feitos repasses à Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Curitiba e à Instituição Filantrópica Sergius Ederlyi e formalizados contratos com Município de Curitiba, com o Studium Theologicum e com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. 3. A recorrente, por sua vez, insatisfeita, apresentou sua defesa administrativa na forma da petição e documentos acostados às fls. 1100/1252. 4. Depois disso, o Serviço de Contencioso Administrativo emitiu Informativo Fiscal (fl. 1255) solicitando que a entidade beneficiada regularizasse os documentos juntados aos autos, providenciando cópias autenticadas, bem como sua procuração com a assinatura do Presidente sob pena de ter sua defesa considerada inexistente. 5. Após cumprimento da solicitação do Serviço Contencioso, foi prolatada decisão monocrática confirmando procedência do lançamento (fls. 1297/1311), restando, assim, ementada: "CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE TRIBUTA' RIA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO PREENCHIMENTO. SUSPENSÃO. Verificado por meio de Informação Fiscal que a entidade beneficiada não está observando requisito ou condição prevista no art. 14 do Código tributário Nacional, cabível a suspensão da imunidade tributária, nos termos do parágrafo 1 0 do dispositivo legal invocado. INFORMAÇÃO FISCAL PROCEDENTE." 6. Depois de expedida a Decisãó-Notificação n° 14.401.4/0004/2007, foi lavrado o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2007 (fl. 1315). Em seguida, a recorrente foi cientificada para interpor recurso no prazo legal de 30 dias. 7. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, a entidade interpôs recurso voluntário, acompanhado da juntada de novos documentos, aduzindo, em síntese, o seguinte: 3 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 • Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.475 "a) preliminarmente, requer- cznulação do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuiçcies Sociais n° O1/207 haja vista ofensa ao princípio da tipicidade. Isso porque, se a entidade .supostamente infringiu o art. 14, inciso 1 e II do C'TN corno alega o fisco, a autoridade administrativa somente poderia suspender o beneficio sem efeitos retrocztivos e não cancelá-lo com efeitos ex- tune, como o fez. Desta fipr-ma, a pretensão fiscal carece de vicio formal por falta de fundasnen ta çã o legal adequada; b) quanto ao mérito, afirma que decisão judicial transitada em julgado reconheceu sua condição de entidade beneficente de assistência social da asso ciaçao pararzaerzse de cultura, e conseqüente imunidade tributária observados os requisitos do art. 14 CTN; os efeitos dci sentença declarató ria são retroativos; só se justificaria a preterzsao fiscal se r-efererzte a exercícios posteriores ao transito errz julgado, judicial ocorrido em 31 de agosto de 2004; c) ainda na questão de fidrado, entende infundada a infração do art. 14, I e lido CT/V, vez que é "uru entidade que dedica a uma missão de natureza emirzerztenzerzte altruísta. Á educação, saúde e assistência social sa o perseguidos de maneira incontestável, (.)." e que "a APC deve _propiciar às instituições- mantidas os meios necessários pat-a cumprir-em suas finalidades (Estatuto, art. 2°, I), meios dentre os quais se incluem os convênios" (Fl. 1366); • d) em relação ao art. 14, ir do C77n7, a recorrente discorda do auditor e analisa a ques tilo da seguinte forma: "Exigir, assim, que o estatuto da entidade ',reveja expressamente a possibilidade de firmar convênio é o n-zesnao que exigir que o Estatuto preveja a possibilidade de assinar contratos ou participar de licitações, de todo injustificável_ .e4 regra é cz possibilidade de assinar contratos, participar de licitações, firrizar convénios, enfim, participar de todos os atos da vida civil que sua personalidade jurídica admite, sezn a necessidade de o Estatuto assim o prever." (fl. 1373); e) isso porque "não faz sentido, portanto, _pretender-se a desqualificação do r- egirrze de imunidade tributária a que faz jus a recorrente sob o furzdarrzento de que, emn virtude de convênio firmado com o município de Curitiba na área da saúde, teria inobservado seus objetivos institucionais, pelos simples motivo de que um de seus objetivos institucionais é exatamente o atendimento na área da saúde. "; "não havendo espaço para interpretação no sentido de afronta ao artigo 14, 11, do Código Tributário Nacional_ " (/7. 13 79) ; fi deixa claro que os repasses, fundamentados em convênios formais, servem para que cz recorrente desenvolva seus objetivos institucionais diretamente ezn três verter: tes constantes de seu estatuto: saúde, educação e as.sis tência social .". Inclusive afirma que o Conselho nacional de assistência social — CATAS regula a prática de convênios entre entidades beneficentes de assistência; social por meio da Resolução CIVAS J-z° 188, de 20 de outubro de 4 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.476 2005. Assim, "o que impede o Código Tributário Nacional é a utilização do patrimônio e das rendas da entidade para enriquecimento particular, o que em momento algum foi alegado pela Decisão-Notificação, porque essa prática inexiste na APC."." (1415 e 1417) g) assim, "em nenhum momento a fiscalização apontou qualquer irregularidade que demonstre apropriação privada de patrimônio ou recursos da entidade recorrente, pretendendo fazer interpretar hipóteses de aplicação de patrimônio e recursos em seus objetivos institucionais (saúde, educação, assistência, filantropia, etc.) como fossem distribuição irregular de patrimônio ou rendas."; h) nesse sentido, segue-se a mesma idéia quanto às demais convênios celebrados com Studium Theologicum (área da educação), com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba — ISCMC (assistência na área de saúde) e a Instituição Filantrópica Sergius Erdely (assistência social); i) enquanto isso, quanto ao art. 14, Ido CTN, "o primeiro ponto a ser frisado é que o Ato Cancelató rio pretende o "cancelamento" da "isenção" da recorrente a partir do exercício 01/1997; no entanto, em relação ao requisito ora sob análise a redação do Código Tributário Nacional era outra: 1- não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado.", assim "a afronta a referido artigo, portanto, somente poderia ser invocada a partir de 11 de janeiro de 2001.". Desta forma, "mesmo a partir da nova redação do dispositivo, portanto, as atividades da entidade se amoldam perfeitamente aos requisitos exigidos." j) por fim, conclui que no caso concreto não houve aplicação da razoabilidade na atuação administrativa, resultando em flagrante equívoco de fundamentação legal por parte do fisco." 8. Por fim, o Fisco não apresentou contra-razões, sendo encaminhado os autos a este Conselho. É o relatório. 5 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.477 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, tendo em vista que é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. DA QUESTÃO RECURSAL 2. Inicialmente, destaque-se que a própria informação fiscal assevera que a recorrente possui em seu favor decisão judicial transitada em julgado proferida na ação n.° 99.0011440-0, onde foi reconhecida e declarada a imunidade tributária da entidade em face do INSS, desde que cumpridos os requisitos legais previstos no art. 14 do CTN. 3. O dispositivo da sentença restou assim redigido: "Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) nos termos do art. 150, VI 'c' da Constituição Federal de 1988, reconhecer e declarar a imunidade tributária da requerente, Sociedade Paranaense de Cultura, em face da União Federal, desde que cumpridos os requisitos legais (art. 14 do CIN e demais normas que se afiguram compatíveis com o seu comando); b) nos termos do art. 195, §7° da Constituição Federal de 1988, reconhecer e declarar a imunidade tributária da requerente em face do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, desde que cumpridos os requisitos legais (art. 14 do CIN e demais normas que se afiguram compatíveis com o seu comando); (..)" 4. Desta forma, a presente demanda administrativa deve ser analisada sob o prisma do art. 14, c/c art. 9°, do CTN: "Art. 90 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II - cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III - estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; 6 • Processo n° 35183.004286/2007-61 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.478 IV - cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar n°104, de 10.1.2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. § 1° O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2' O disposto na alínea a do inciso IV aplica-se, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos." "Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9" é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II • - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2' Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9" são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. 5. Com efeito, tem razão o contribuinte no que diz respeito ao equivoco formal adotado pelo fisco ao cancelar a imunidade tributária da recorrente, ao invés de suspendê-la. Pois o §1° é claro em asseverar que, na falta de cumprimento do disposto no codex tributário, a autoridade competente poderá suspender a aplicação do beneficio e não cancelá-lo. er"-- 7 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 • Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.479 6. Este procedimento seria suficiente para anular o processo já que, a partir do documento de cientificação do contribuinte (II. 1.093) a fundamentação do fisco é no sentido do cancelamento da imunidade, procedimento viciado pelo vício de forma. 7. E o prejuízo para a recorrente é patente, haja vista que o fisco pretende na verdade aplicar o cancelamento, com efeitos retroativos, a unia situação fática em que se verifica a ocorrência do instituto da imunidade tributária, sujeita tão somente ao regime de suspensão, nos exatos termos do art. 14, da CTNI. 8. Entretanto, creio que o julgamento do mérito poderá aproveitar ao contribuinte, visto que, no meu sentir, os argumentos trazidos pelo fisco não são suficientes para aniquilar o beneficio da recorrente. 9. Assim, com base no art. 59, §3°, do Decreto 70_235/72, passo a analisar o mérito recursal trazido pela recorrente. DO MÉRITO RECURSAIL 10. No presente caso, a informação fiscal estabeleceu como base para infração levantada os incisos I e II, acima citados, ao afirmar que a recorrente deixou de aplicar integralmente seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, pois firmou contratos com o município de Curitiba para a prestação de serviços mediante cessão de mão- de-obra, sem previsão no estatuto da entidade_ 11.Entretanto, tenho dificuldade para acatar o posicionamento do fisco. Isto porque, a forma adotada pela entidade foi o entabulamento de convênios (fls. 804/ a 913) para proporcionar atendimento médico especializado aos usuários do Sistema Único de Saúde — SUS e a docência na área médica. 12.A meu ver o art. 2° dos Estatutos da Entidade permite a realização de quaisquer atividades para a consecução dos seus objetivas: - "Art. 2° Dentre os objetivos colimc2dos pela SPC destacam-se os seguintes: 1—propiciar às instituições mar-atidas os meios necessários para cumprirem as suas finalidades;' (f7. 79) 13. Desta forma, verifica-se prontamente que as finalidades expressas da Entidade Filantrópica no Estatuto de 1995 (vigorou até 17/1 2/2003), deixam em aberto os meios formais necessários para que APC pudesse se utilizar na consecução dos seus objetivos estatutários. Assim, entendo que se pode inferir corno um dos instrumentos cabíveis, o convênio apresentado pela Associação. 14. E a prestação de serviços pela entidade por intermédio dos seus empregados ao Município, a meu ver, não é suficiente para retirar o beneficio da recorrente. Não é a ausência de previsão específica no Estatuto que vai gerar ou não o direito da entidade, até porque nem todas as formas contratuais devem ser obrigatoriamente previstas no Estatuto. 15.Cabe ainda destaque o fato de que a proibição à distribuição de "rendas", não se confunde com a 'não distribuição de lucros ' . Isso porque, segundo o Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra, as instituições imunes podem pagar honorários a 8 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.480 terceiros, haja vista que sua vedação não se encontra na distribuição de seu auferimento. O que a norma impede é a utilização do patrimônio da entidade beneficente para o particular, fato que em momento algum o auditor fiscal demonstrou em sua informação fiscal. 16.Nesse sentido, o período considerado pelo fisco não poderia sequer ser considerado para efeito de cancelamento ou suspensão da imunidade tributária. 17.No caso concreto, conforme ponderado, tenho por certo que a entidade cumpriu com o requisito estabelecido no inciso I do art.. 1 4 do c-r-N, razão pela qual lhe deve ser assegurada a imunidade. 18. O Estatuto, que vige desde 1 8/1 2/2003, declara expressamente a possibilidade de se utilizar o convenio como um dos instrumentos cabíveis para atingir seu objeto social, conforme a seguinte redação em seu art. 3°: "Art. 3° Para atingir os objetivos a que se propõe, a que se propõe, a APC poderá criar estruturas pz-ópriczs au conveniadas nas áreas de educação, cultura, eorrzurzicação social, saúde, editorial, assistência social religiosa_ " (fl..86) 19. Entretanto, em relação no inciso II do art. 14 do CTN, novamente é constatado que as atividades realizadas pela recorrente imantiverarri-se em consonância com o dispositivo legal vez que aplicou os recursos em prol da manutenção dos seus objetivos institucionais. 20. Resta claro no Estatuto da recorrente, que o objetivo institucional converge para atividades nas áreas de educação, pesquisa cientifica, cultura, saúde, prestação de serviços comunitários. Inclusive entidades como Irmandade da Santa Casa de Misericórdia — ISCMC e a Instituição Filantrópica Sergius Erdelyi convergem quanto a mesma área de atuação da recorrente, como por exemplo, atividades de assistência social. 21. Diante disso, cito trecho dos estatutos para a devida consolidação desse entendimento: "ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO P14R4NAEWSE DE CULTURA - APC Art. 2° Dentre os objetivos coliniados pela APC, destacam-se os seguintes: I. manter instituições de ensino s-uperior ern todas as suas modalidades, assim como instituições . de outr-os níveis de ensino; II. propiciar às Unidades Mantidas os. rrzeios necess-ários para cumprirem as suas finalidades; estimular a pesquisa cientifica e a extensão universitária; IV.promover a educação pelos meios de c orrzurzicaçã c> social; V.promover a saúde da população pelo atendimento médico e hospitalar; 9 • Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 • Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.481 VI. contribuir para a elevação dos padrões culturais da sociedade; VII. contribuir para a integração nacional e a solidariedade entre as nações, especialmente no campo educacional, cultural, social, da saúde e da comunicação; VIII. contribuir para o desenvolvimento nacional e regional mediante a prestação de serviços à comunidade." (Fl. 1144) "IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA Art. 2° A irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, como entidade filantrópica e de misericórdia que é, tem como finalidade precípua a prática das 7 (sete) misericórdias Corporais e das 7 (sete) Misericórdias Espirituais constantes do evangelho de S. Mateus (cap. 25, 35 a 40), e poderá praticá-las por intermédio de instituições de assistência social, médico- hospitalares, culturais e de ensino e pesquisa cient(fica." (f1.1163) "ESTATUTO DA IFSE Art. 2° A Instituição Filantrópica Sergius Erdelyi terá por finalidades: a) prestar serviços permanentes nas atividades de assistência social sem qualquer discriminação de clientela; b) promover filantropia nos campos da assistência social, educação e saúde; c) desenvolver serviços sociais e projetos destinados ao atendimento à população carente no meio rural; (.) k) gerir e manter, por todos os meios, os bens de qualquer natureza que lhe sejam doados ou incorporados. 1) colaborar com entidades congêneres governamentais, nacionais estrangeiras, por meio de convênios, quando houver identidade de objetos." 1189) 22. E mais, há previsão nos estatutos das referidas entidades a possibilidade de doações como uma das formas de obtenção de recursos para manutenção de suas atividades precipuas. Desta forma, cito então o artigo 33, inciso II do Estatuto da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, e ainda trecho do Estatuto da Instituição Filantrópica Sergius Erdelyi (art. 2°, alínea "k") em que há menção expressa da gestão e manutenção, por quaisquer meios existentes, das doações feitas a esta instituição para que possa atingir suas finalidades institucionais, in verbis: "Art. 33. O patrimônio da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia é constituído: II. dos legados, doações e aquisições que lhe forem incorporados; 10 Processo n°35183.004286/2007-61 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.560 Fl. 1.482 " (il. 1.169) "Art. 2° A instituição Filantrópica Sergius Erdelyi terá por finalidades: k) gerir e manter, por todos os meios, os bens de qualquer natureza que lhe sejam doados ou incorporados." (t11189) 23. Cabe ainda ressaltar que na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia — ISCMC, a Associação Paranaense de Cultura é considerada uma empresa-irmã, na categoria de membro efetivo, a qual participa do Conselho Geral dessa entidade exercendo função diretiva e administrativa conforme art. 13 do Estatuto. (fl. 1.165 e 1.172) 24. Já na Instituição Filantrópica Sergius Erdelyi, a Associação Paranaense de Cultura foi admitida na qualidade de membro colaborador podendo "indicar membros para composição de cargos diretivos e ou do Conselho Fiscal da Instituição, devidamente aprovados em Assembléia Geral." (fl.1.190) 25. Ainda quanto a Instituição Filantrópica Sergius Erdelyi, compulsando os autos, verifica-se também que no caso de extinção dessa instituição, "após realizados seus direitos e obrigações, o patrimônio e demais bens, serão revertidos para Sociedade Paranaense de Cultura..."(fl.1195) 26. Diante do exposto, é manifesta a vinculação estatutária entre as entidades e, nesse sentido, entendo não haver irregularidade quanto à transferência e aplicação de recursos para manutenção do seu escopo institucional das entidades, tendo em vista previsão estatutária para respaldar tal conduta. 27. Por fim, creio que a notificação não merece prosperar, haja vista os fatos e fundamentos acima apresentados. Notadamente porque a fiscalização não comprovou efetivamente que a entidade recorrente teria deixado de aplicar o resultado operacional em suas finalidades estatutárias. CONCLUSÃO 28. Assim, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 d- n-0 o - ; 49 DAMIÃO CORDEIRO '4, MO' '4' S - Relator % 11
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001908/2002-41
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas
DESAPROPRIAÇÃO - IMPOSTO DE RENDA - NÃOINCIDÊNCIA
- A indenização decorrente de desapropriação tem vocação
compensatória ou reparatória, não se constituindo em acréscimo
patrimonial ou riqueza nova, razão pela qual não se sujeita à
incidência de imposto de renda. As quantias recebidas a título de
indenização não tipificam renda; apenas recuperam o patrimônio
danificado.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9304-00.126
Decisão: ACORDAM os membros da quarta turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar presente julgado
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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As quantias recebidas a título de indenização não tipificam renda; apenas recuperam o patrimônio danificado. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membr e s da quarta tu/ a da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, GAR provimuf to ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar • presente julg. a• c0 CARLOS ALBER O PE FREITAS B • RRETO - Presidente me. MOIS IACOMEL II N "S D • SILVA - Relator Processo n° 10835.001908/2002-41 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.126 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 2,4 SET 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Gonçalo Bonet Allage, Ana Neyle Olímpio Holanda (Substituta convocada), Gustavo Lian Haddad, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente substituto convocado) e Carlos Alberto de Freitas Barreto(Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice-Presidente). Relatório A Sexta Câmara do Primeiro Conselho dos Contribuintes, na sessão do dia 06 de dezembro de 2007, decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de fls. 85/95, apresentando o acórdão com a seguinte ementa: "DESAPROPRIAÇÃO — NÃO-INCIDÊNCIA — Os valores recebidos em decorrência de desapropriações são meras indenizações, não acrescendo ao patrimônio, caracterizando, portanto, hipótese de não incidência do imposto. A incidência do imposto, na espécie, acarretaria indevida redução do valor recebido, ferindo o princípio constitucional da justa indenização." A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão, ingressou com o recurso de fls. 120/125, no qual pugna pelo restabelecimento da prevalência do lançamento. Argumenta a recorrente de que se toda a indenização fosse isenta, não teria o legislador constituinte, no artigo 184, § 5 0, da Constituição Federal, feito referência de que "são isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária." O contribuinte foi intimado para apresentar as contra-razões e manifestou-se às fls. 132/140, pedindo que fosse negado provimento ao recurso. Invocou a seu favor os fundamentos contidos nos acórdãos CSRF/01-04.918, julgado em 12/04/2004 e 102-46.997. É o relatório. 2 Processo n° 10835.001908/2002-41 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.126 Fls. 3 Voto • Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. A desapropriação, prevista no art.5°, XXIV, da Constituição Federal, é um ato coativo do Estado que por necessidade, interesse público, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, expropria o bem privado. Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. Tudo aquilo que não representar ganhos, mas sim transformações de riqueza, não poderá ser objeto de tributação. Hugo de Brito Machado, citado por Roque Antônio Carrazza, em sua obra Imposto sobre a Renda, 1 a . Edição, Ed. Malheiros, 2005, p. 182, assim enfrenta o tema: "Sem o acréscimo patrimonial não há, segundo o código, nem renda, nem proventos. Como se vê, o Código Tributário Nacional estreitou o âmbito do legislador ordinário, que não poderá definir como renda, ou como proventos, algo que não seja, na verdade, um acréscimo patrimonial." Complementando o que disse Hugo de Brito Machado, Roque Antônio Carrazza afirma que: "É o caso das indenizações. Nelas mostra-se de todo ausente este sentido de acréscimo patrimonial; transparece, ao revés, sua vocação meramente compensatória ou reparatória, por perdas sofridas." "Como já se visualiza, a indenização serve para coibir os prejuízos causados, de forma que o equilíbrio patrimonial do credor lesado se restabeleça. O montante da indenização é correlato ao valor do bem lesado: restabelece o equilíbrio rompido pelo causador do dano. Quem indeniza repara — isto é, compensa —prejuízos." "Em resumo, a indenização — tenha a origem que tiver — ressarce danos. As quantias a este título recebidas pela pessoa lesada não tipificam renda; apenas recuperam-lhe o patrimônio danificado — e, nesta medida, positivamente não tem o condão de transformá la em contribuinte do IR." 3 Processo n° 10835.001908/2002-41 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.126 Fls. 4 "Com efeito, como a indenização compensa a injusta perda de direito, tributá-la diminui-lhe o montante, com isso, logicamente reabre-se a lesão que acabara de ser composta. O imposto assim exigido não seria sobre a renda, mas confiscatório, já que acarretaria a expropriação de parte do patrimônio do lesado." Neste sentido, como razões de decidir, louvo-me dos seguintes precedentes do STJ: DESAPROPRIAÇÃO - INDENIZAÇÃO - IMPOSTO DE RENDA - NÃO INCIDENCIA .- A indenização decorrente de desapropriação não apresenta nenhum ganho ou acréscimo de capital e sobre ela não incide o imposto de renda.. recurso provido. (RESP 156772. Rel. Min. Garcia Vieira, j. 10/03/1998) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS MORA TÓRIOS E COMPENSATÓRIOS. CONFRONTO ENTRE A LEI 7.713/88 E O ART. 43 DO CTNMATÉRL4 DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. A análise da conformidade de lei ordinária em face de lei complementar é matéria de natureza constitucional, insuscetível de apreciação em sede de recurso especial. Precedentes da Primeira Turma: AGRESP 591.449/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, 16/02/2004; EAARES 261.925/RJ, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 15/12/2003. 2. Se o CTN dispõe que renda constitui-se em todo acréscimo patrimonial, afirmar-se que a parcela de juros compensatórios e morató rios de indenização percebida em decorrência de desapropriação deve ser incluída na base de cálculo do imposto de renda, é o mesmo que afirmar que a mencionada verba constitui renda, nos moldes exigidos pela Carta Magna, para fins de tributação. Em outras palavras, é aferir a observância do próprio comando esculpido na Lei Maior, tarefa reservada constitucionalmente ao Colendo Supremo Tribunal Federal. 3.Recurso especial não conhecido (RESP 572950 /RS. Rel. Min. LUIZ FUX j. 10/08/2004). 4 Processo n° 10835.001908/2002-41 csRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.126 Fls. 5 Em síntese, destinando-se o valor da indenização a recompor o patrimônio, o prejuízo, ou o bem jurídico ofendido, não há o que se falar em cobrança do imposto de renda, pois tal valor está fora do campo de incidência tributária. ISSO POSTO, nos termos da fundamentação do acórdão, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. Brasília, Sala de sessões, 04 de maio de 2009. Ilikn Moises iacome 1 - I. ilva.
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000263/2007-41
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 12/12/2007
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
NULIDADE
A constatação de prejuízo é condição para a decretação de nulidade.
Numero da decisão: 2403-001.768
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 12/12/2007 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. NULIDADE A constatação de prejuízo é condição para a decretação de nulidade.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. NULIDADE A constatação de prejuízo é condição para a decretação de nulidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 63 /2 00 7- 41 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhaes Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 2403001.768 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0618.499, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração no 37.128.8932, identificado no COMPROT sob o nO 12268.000263/200741, lavrado contra ESPAÇO AUTOMÓVEIS LTDA., acima identificada, em razão da omissão de fatos geradores de contribuição previdencidria nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social — GFIPs — referentes às remunerações pagas a segurados que lhe prestaram serviços nas competências de maio de 2004 a dezembro de 2006. 2. As contribuições se referem aos pagamentos de salário por meio de crédito, modalidade Premium Card, administrados pela empresa Incentive House S.A., e também de pagamentos lançados na conta n° 353039 (condução e locomoção), conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, fls. 2. 3. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada multa no valor de R$ 176.147,13 (cento e setenta e seis mil, cento e quarenta e sete reais e treze centavos), consolidado em 12 de dezembro de 2007, observando o valor mínimo previsto na legislação, devidamente atualizado pela Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007, em função do número de segurados da empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal da Multa Aplicada, fls. 3, e demonstrado em planilha anexa, fls. 8/35, a qual contém as bases de cálculo da contribuição, discriminando os segurados beneficiados. 4. A fundamentação legal da infração está descrita no item DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, assim com a multa aplicada está fundamentada na forma do item DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e graduada conforme o item DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA, todos da folha de rosto do Auto de Infração, fls. 1. 5. De acordo com o despacho de fls. 89, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, cadastrada sob o n° 12268.000066/200811. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidades do procedimento — da conclusão da fiscalização após a extrapolação do prazo indicado no mandado de procedimento fiscal – MPF. · Nulidade: da incompletude do relatório fiscal. · 0 Sr. Fiscal deveria ter elaborado demonstrativo, competência por competência, demonstrando o valor que deixou de ser declarado em GFIP, o número de empregados em cada qual e o fator multiplicador em função do número de segurados. Se disso não se desincumbiu, para fins de conferência por parte do contribuinte, temse que outra saída não há que não a decretação de nulidade. · Multa. · Cumulação de penalidades. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 2403001.768 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE – MPF A recorrente afirma que a conclusão da fiscalização ocorreu após o prazo indicado no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Pelas razões abaixo expostas, entendo que não cabe razão à recorrente. A Portaria RFB n° 4.066, de 2 de maio de 2007 estabelece que a prorrogação do MPF pode ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligencia. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 72, inciso VIII. A recorrente tomou ciência do MPFF n° 09418908F00, pessoalmente, em 31 de agosto de 2007, fls. 27, no qual consta o código de acesso que permite a verificação da exatidão das informações e as eventuais prorrogações efetuadas, a serem efetuadas no sitio informado (http://www.receita.fazenda.gov.br), bem como consta no MPF o nome, endereço e telefone do Chefe de Equipe de Fiscalização. À folha 41 encontramos o "DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO DE MPF — AUDITORIA PREVIDENCIARIA",que informa que houve duas prorrogações, a primeira até 27 de novembro de 2007 e a segunda até 20 de dezembro de 2007. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Segundo o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, folhas 85 e 86, a ação fiscal foi encerrada em 14/12/2007, portanto, na vigência do MPF. Registro por fim que o MPF é um ato administrativo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte. NULIDADE – INCOMPLETUDE DO RELATÓRIO FISCAL Recorrente requer a nulidade por entender que falhou o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa que deveria demonstrar, objetivamente, como chegou ao valor de R$ 176.147,13. Entendo que para a decretação da nulidade o prejuízo deve ser demonstrado, que a recorrente entendeu a autuação e que, portanto, não cabe razão à recorrente. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, folha 3, especifica a forma de cálculo da multa e indica as planilhas as bases de cálculo e o número de segurados considerado. PELA INFRAÇÃO AO ARTIGO 32, INCISO IV PARÁGRAFO 50 DA LEI 8.212/91, BEM COMO AO ARTIGO 284, II DO DECRETO 3.048/99,A EMPRESA FOI AUTUADA RECEBENDO MULTA NO VALOR DE R$ 176.147,13 (Cento e setenta seis mil, cento e quarenta e sete reais e treze centavos). A MULTA APLICADA FOI CALCULADA A BASE DE 100% DO VALOR MÍNIMO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO(atualizado pela portaria MPS/GM 142 de 11/04/2007) POR UM FATOR EM FUNÇÃO DO NUMERO DE SEGURADOSDA EMPRESA, CONFORME DEMONSTRADO EM PLANILHA ANEXA, ESTA PLANILHA CONTÉM TAMBÉM AS BASES DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO, DISCRIMINANDO OS SEGURADOS BENEFICIADOS. A “PLANILHA DE CALCULO DA MULTA APLICADA”, folha 8, apresenta a multa aplicada por competência e apresenta o valor total de R$ 176.147,13. CUMULAÇÃO DE PENALIDADE A recorrente questiona a cumulação de penalidade. Entendo que a referência é quanto a uma autuação pelo descumprimento da obrigação principal e outra pelo descumprimento da obrigação acessória. Tal procedimento era o especificado na legislação e, portanto, entendo que o Fisco agiu conforme a lei. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000263/200741 Acórdão n.º 2403001.768 S2C4T3 Fl. 5 7 Considero o procedimento correto. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13133.000044/2002-46
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, DO CTN.
Deve ser aplicada retroativamente a Medida Provisória n° 351/2007. convertida na Lei n° 11.488/07, que alterou o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 e excluiu das hipóteses de aplicação de multa de oficio isolada, recolhimento do tributo após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora, por ser norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106,
inciso II, "a", do Código Tributário Nacional.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.848
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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Carlos Alberto Fr Barreto - PA; is -nte ..41111111V--- • .to.aiw: a e Y anzaillir-7417r CSRF-T3 11. I Is MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 13133.000044/2002-46 Recurso n° 224.651 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.848 — 3' Turma Sessão de 02 de fevereiro de 2010 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA; RECOLI IIMENTO DO TRIBUTO SEM RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORÍFICO QUIRINOPOLIS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, DO CTN. Deve ser aplicada retroativamente a Medida Provisória n° 351/2007. convertida na Lei n° 11.488/07, que alterou o disposto no art. 44 da Lei n" 9.430/96 e excluiu das hipóteses de aplicação de multa de oficio isolada, recolhimento do tributo após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora, por ser norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso II, "a", do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa P8ssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, por intermédio de seu procurador, corn amparo no antigo Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais - RICSRF, recorreu a Camara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, contra decisão majoritária da extinta Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual cancelou o lançamento de multa de oficio isolada por recolhimento de tributo em atraso sem recolhimento de multa de mora, decorrente de auditoria interna de DCTF, por entender descabido o lançamento de oficio na hipótese de declaração exata prestada pelo contribuinte em DCTF. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas razões do presente Recurso Especial, sustenta que o julgado deve ser reformado por ter contrariado o art. 43 e o art. 44 da Lei n° 9.430/96, entendendo ter havido inexatidão e omissão na declaração do contribuinte no que concerne aos juros e à multa de mora. O então Presidente daquela extinta Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes considerou cumpridos os requisitos de admissibilidade recursal e admitiu o presente apelo especial interposto pela PFN no despacho n.° 203-149. As fls. 109/112, o contribuinte apresentou intempestivamente contra-razões ao Recurso Especial interposto pela douta PFN. Subiram, pois, os autos a esta Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — CSRF para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator Preliminarmente cumpre ressaltar que, a despeito da plena vigência do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o qual suprimiu a previsão de recurso especial privativo do Procurador da Fazenda Nacional em caso de contrariedade à lei ou evidencia de prova, entendo que os recursos já interpostos pela PFN com fulcro no inciso I, do art. 7° do antigo Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria/MF n° 147, de 25 de junho de 2007, devem ter seu juizo de admissibilidade realizado corn fundamento na norma processual vigente A. época da prolação da decisão recorrida. A aplicação imediata da lei processual superveniente aos processos em curso comporta exceções em matéria recursal, pois o direito à recorribilidade nasce para o titular no momento em que é prolatada a decisão e, portanto, aplica-se a regra vigente àquela época, sob pena de ofensa ao direito adquirido processual. 2 Processo IV 13133.000044/2002-46 CSRF-T3 Acórdão ri.° 9303-00.848 119 Conforme leciona Bernardo Pimentel l , processualista que na humilde opinião deste Conselheiro está hoje entre os melhores do pais, "se ao tempo da prolação a decisão judicial era impugnável mediante algum recurso processual, o legitimado que recorreu tem o direito de receber a respectiva prestação jurisdicional, ainda que a espécie recursal utilizada tenha sido eliminada do sistema recursal, em virtude de lei superveniente." Diante do exposto, o recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento e passo A sua análise. Ainda que por outros fundamentos, entendo deva ser mantida a decisão recorrida. Vejamos. Consoante relato supra, o litígio se restringe A aplicação de multa dc oficio isolada, em percentual de 75%, em razão de o tributo apurado ter sido recolhido após o prazo de vencimento sem o acréscimo da multa de mora, nos termos do § 1°, inciso II. do art. 44. da Lei n° 9.430/96, vejamos: Lei n" 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes ¡milk's, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - c/c se/emita e cinco por cento, nos casos de MO de pagamenio ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória de .falia dc declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguiu/e; § 1 0 As mullas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o imposto, quando não houver .sido cmteriormente pogo; 11 — isoladamente, quando O impost() houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de muha de mora;" (Grifei) No entanto, primeiramente, com a edição da Medida Provisória n° 303. de 29 de junho de 2006, o art. 44 da Lei n° 9.430/96 foi alterado, nestes termos: Art. 18. 0 art. -14 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte reclação: "Art. 44. Nos casos de Iowan/cm° de oficio, serão cplicadas as seguintes multas: I SOUZA, Bernardo Pimentel. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2009.p. 138. I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de iributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falki de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: na fbrina do art. 8o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; na fbrina do art. 2° destct Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, Fio caso de pessoa jurídica. ,sç 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do cupid será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, imkpendentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. sç 2° Os percentuais de multa a que se referent o inciso Ido caput e o § 1°, serão aumentados de include, no casos de não atendimento pelo sujello passivo, no prazo marcado, c/c intimação para: - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. '(NR) Conforme se depreende da leitura do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e da sua alteração pela MP n° 303/06, a hipótese de aplicação da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) em caso de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória foi excluída daquele rol. Apesar da referida Medida Provisória ter perdido sua vigência por não ter sido convertida em lei, importante ressaltar que a MP n.° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, manteve a alteração introduzida pela MP 303/06, permanecendo excluída das hipóteses de aplicação de multa isolada, a falta de recolhimento de multa de mora quando houver pagamento após o vencimento. Art. -14. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Reclacão dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de impost() ou contribuição nos casos de falta c/c pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ('Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) 4 Processo n" 13133.000044/2002-46 AcOR47io n.° 9303-00.848 CSRF-T3 11 120 c-f_J a) na fiirina cio art. 8' da Lei n" 7.713, de 22 de deLembro c/c 1988, que deixar de ser aincia que não lenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) b) na fornia do art. 2 desta Lei, que deixar de ser efentado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de calcitic) negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no cmo-calenckirio correspondente, no car° de pessoa jurklica. (Jncluida pela Lei 11.488, de 2007) § 1" 0 percentual cie cie que !mkt o inciso I do caput des/c artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 11 4.502, c/c 30 de 1101'001'0 de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação (hula pela Lei n°11.488. de 2007) I - (revogado); (Redução dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II - (revogado); (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) III - (revogado); ('Redação dada pet(' Lei 11 ° 11.488, de 2007) IV - (revogado); (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) V - (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei V 11.488, de 2007) § 2' Os percentuais cie niulta a que se referem o inciso I dc) caput e o § deste artigo serão aumentados de include, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, 110 praw 11101'CL1010, de intimação para: (Redação dadct peht Lei n° 11.488, (le 2007) I - prestar esclarecimentos; (Renumerado da alinea "a", peht Lei 11" 11.488, de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que trctlani os ails. . 11 a 13 du Lei no 8.218, cie 29 de agog() cie 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova reclação pela Lei n° 11.488, de 2007) 1/1 - apresentar a documentação técnica de que trata o ail. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", coin nova rechtção pela Lei 11° 11.488, de 2007) § 3' Aplicam-se ás multas de que trata este artigo as reduções previstm tic) art. 6" da Lei n° 8.218, de 29 c/c agosto (le 1991, e no art. 60 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicani-se, inclusive, aos contribuintes que derem alma a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente cie qualquer incentivo ou beneficio Por se tratar de norma que exclui penal idade, deve ser aplicada aos processos no definitivamente julgados, nos termos do disposto no art. 106, inciso 11, "a - do CTN. retroagindo bene fi camente, vejamos: Art. 106. A lei aplica-se a am on pretérito: 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade et infração dos dispositivos interpretados; 11 - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em Jaha de pagamento de tributo; c) quando lhe confine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 6
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Numero do processo: 11075.720011/2009-07
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/01/2009
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁ-LOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA
A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.983
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/01/2009 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁ-LOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.720011/200907 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803001.983 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente CONSTRUTORA TERRAVISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/01/2009 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁLOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 00 11 /2 00 9- 07 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11075.720011/200907 Acórdão n.º 2803001.983 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11075.720011/200907 Acórdão n.º 2803001.983 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, pela falta de apresentação dos livros Diário, Razão e Caixa dos exercícios 2004 a agosto de 2008. O r. acórdão – fls 33 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · A excessiva quantidade de documentos declaratórios a que o contribuinte está sujeito, consubstanciadas nas obrigações acessórias, aumentam o custo das empresas, dificultam a aplicação da legislação tributária e resultam em mais complexidade do sistema tributário brasileiro, o que denota, indiscutivelmente, incompatibilidade com o princípio da eficiência. · Especificamente no caso em tela, o que ocorreu, foi que anualmente após o encerramento dos balanços os livros mencionados são gerados em folhas avulsas, e posteriormente como obrigatoriamente, são levados a Junta Comercial do Estado. E, alguns desses livros ainda encontramse em tramites para sua legalização e autenticação, validando assim todos os lançamentos contábeis realizados. Ocorreu que durante o processo fiscalizatório, a solicitação de tais livros ficou prejudicada pelos motivos ora expostos, condição aliás levada ao conhecimento do agente fiscal, pois lhe haviam sido entregue todos os documentos correspondentes ao pagamento de empregados e recolhimento das contribuições sociais. · Foram elaboradas as folhas de pagamentos mensais das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, foram lançados mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa · Em virtude de que os documentos entregues, preenchiam necessidades fiscais para os levantamentos de possíveis créditos previdenciários, constatouse então, a não necessidade de apresentar os livros solicitados. Ocorre neste caso, que não houve fato gerador, daí a improbidade de tributar. Assim, constatase que, tanto quanto para o surgimento da obrigação principal, fazse necessária a previsão de um fato, ama situação sobre a qual a norma incida e dê origem à obrigação acessória, o que mais uma vez convém ressaltarse, não ocorreu. · Requer o recebimento do presente recurso com o cancelamento do auto lavrado. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11075.720011/200907 Acórdão n.º 2803001.983 S2TE03 Fl. 5 4 É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11075.720011/200907 Acórdão n.º 2803001.983 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A legislação previdenciária, em especial a lei 8212/91 art. 33 c/c arts. 232 e 233 do decreto 3048/99, determina a obrigatoriedade de apresentação todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, uma vez não apresentados, cabe a lavratura do respectivo auto de infração. Transcrevemos os §§ 2º e 3º do art 33 da lei 8212/91 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.grifamos § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Está caracterizada a regular intimação, através de Termo de Início de Ação Fiscal para apresentação dos livros Caixa, Diário e Razão. A infração se caracteriza pela não entrega de quaisquer dos documentos requeridos ou sua apresentação sem as formalidades ou registros obrigatórios, basta um documento entregue em desacordo, ou não entregue, para que se justifique a autuação. Em seu arrazoado, a recorrente não se desvencilha da necessidade de apresentação dos documentos retro, além de não trazer nenhuma prova capaz de afastar os fundamentos da autuação. A mera alegação de que a falta de apresentação dos livros não prejudicou o lançamento, não afasta a responsabilidade do contribuinte em oferecêlos à fiscalização, a qual tem o direito legal de exigilos para a conferência do que ali consta. Uma vez que a empresa não apresentou todos os documentos adrede citados, temos a procedência da autuação. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11075.720011/200907 Acórdão n.º 2803001.983 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19814.000285/2006-36
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/03/2006
EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIAS. FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA.
Na exportação de mercadorias defeituosa e importação em substituição, atendida os requisitos da Portaria MF n° 150/82 afasta a incidência de tributos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/03/2006 EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIAS. FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA. Na exportação de mercadorias defeituosa e importação em substituição, atendida os requisitos da Portaria MF n° 150/82 afasta a incidência de tributos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2006 EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIAS. FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA. Na exportação de mercadorias defeituosa e importação em substituição, atendida os requisitos da Portaria MF n° 150/82 afasta a incidência de tributos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 02 85 /2 00 6- 36 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuidase o Recurso Voluntário manifestado contra o acórdão que julgou procedente lançamento apontado em auto de infração referente a Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS. A motivação do lançamento decorreu do entendimento da fiscalização de que a Portaria MF n° 150/82 trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Assevera a inexistência de laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma prevista pela Portaria MF n° 150/82, capaz de comprovar a imprestabilidade da mercadoria objeto de importação em substituição àquelas exportadas. Afere também que teria sido importado equipamento distinto daqueles exportados para substituição em razão de defeito. Em sendo assim, trancrevese o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos fatos: “Relatório. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, em ato de conferência aduaneira a que se refere o artigo 504 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 e, à vista do que determina a Portaria MF n° 150/82, entende a fiscalização que o Importador não faz jus aos direitos pleiteados, para importação dos bens objetos da DI de n° 06/04831603, registrada em 27/04/2006, fls. 83/94, sem a incidência do Imposto de o e Imposto sobre Produtos Industrializados, na forma do disposto no artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, pelas razões a seguir (neste Processo estão sendo cobrado o PIS/COFINS na Importação): O importador submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos nos R.E.s de fls. 31/41, fundamentando sua petição inicial na Portaria MF n° 150/82, modificada pelas Portarias MF n's 326/83 e 240/86. Destacou a fiscalização que a Portaria MF n° 150/82, trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Analisando os autos, não consta laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma da Portaria MF n° 150/82, que comprove a imprestabilidade da mercadoria substituída. Embora o interessado tenha especificado, no Campo 25, dos REs (RE n° 05/17103221 a 11) — Observações do Exportador as DI de Nacionalização, na análise das referidas DI, fls. 61/74, podemos observar que não foram importados os Amplificadores destacados nos REs, nem tampouco placas ali descritas. Consta ainda no campo 25 dos REs em destaque LI n° 05/19365973 — "DE ACORDO COM LAUDO TÉCNICO Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000285/200636 Acórdão n.º 3403001.850 S3C4T3 Fl. 12 3 EMITIDO PELA SGS, O AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA DE 40 w, CUJO PART NUMBER TTF1580A, NÃO É MAIS FABRICADO E SERÁ SUBSTITUÍDO PELO PART NUMBER CLF1772F, QUE APRESENTA A MESMA FORMA, FUNCIONALIDADE E AJUSTE”. Entretanto, constatou a fiscalização que não existe nenhum LAUDO TÉCNICO emitido pela SGS. As folhas 107 e seguintes do presente processo encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77996/2005, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01 (um) amplificador de potência 40w 800mhz, Part Number TTF1580A e 01 (um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o amplificador de potência Part Number TTF1580A e o amplificador P/N CLF 1772F", e que "de acordo com os resultados de inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TTF1580A e o amplificador PN CLF 1772F". As L.I.s foram deferidas sem a apresentação do necessário laudo técnico, portanto, contrários ao que determina a Portaria MF n° 150/82. Segundo entendimento da fiscalização, na alteração do Part Number da mercadoria, principalmente tratando de bens de informática e telecomunicações, tais como: placas, disco rígido, amplificador de potência, o novo bem traz consigo inovações tecnológicas, face à rapidez nas evoluções tecnológica dessa área, tanto em software quanto em hardware, impondo uma depreciação acelerada tendo em vista da sua obsolescência. Equipamentos importados em substituição com novo Part Number, vem com tecnologia atualizada, mais avançada, ou também poderão vir bem recondicionados ou manufaturados, como material, impossível de ser analisado no ato do desembaraço, visto não dispormos do País, de Laboratórios de Análise que possa detectar defeitos em componentes eletrônicos de placas, discos rígidos e outros bens da área de informática e telecomunicações. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitido pela SUS com a alegação de que: "O amplificador de potência 40w 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A e por isso, está sendo substituído pelo Part Number CLF1772F", de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82, mercadoria idêntica. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Quanto ao contrato, entende a fiscalização que entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício de não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL). Isso porque, tratase de Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores e, conserto definido do módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento". Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. Em sua Petição inicial, o Interessado "REQUEREU A CONCESSÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA, com fundamento no artigo 402, parágrafo primeiro do Regulamento, Aprovado pelo Decreto 4543/2002 c/c Portaria MF 675/1994, para conserto, reparo ou restauração dos referidos equipamentos, o que lhe foi concedido Através da Petição, protocolada em 04/05/2006, fls.82, a interessada solicita a "REIMPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS OBJETOS DA D.I. n° 06/04831600, SEM INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS" fundamentando seu pedido na Portaria 150/82, modificada pelas Portarias MF 326/83 e 240/86. A D.I. “06/04831603, de 27/04/2006, juntada às fls. 83/94, não identifica detalhadamente (Descrição Detalhada da mercadoria) com Part Number e Número de Série dos AMPLIFICADORES DE POTÊNCIA DE 40W, importados SEM INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS”, seja pela Portaria MF 150/82 ou pelo que determina o artigo 74, inciso II e 409 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 Os dispositivos legais citados tratam somente de exportação temporária, em nenhum momento fala de substituição de mercadorias nos termos da Portaria MF n° 150/82. Por fim, cabe destacar que, conforme citado pela fiscalização, em recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo n° 10831.008937/200355, ficou constatado, através de documentos da própria empresa, "Packing List" com valor FOB das mercadorias, encontrados no interior dos respectivos volumes", trazendo com isso, valores muito superiores aos declarados nas importações, cujas mercadorias, naquele momento estavam sendo despachadas em regime de exportação temporária para conserto, levando a fiscalização a detectar fortes indícios de subfaturamento nas importações, conforme demonstrado às fls. 04/05 do Auto de Infração. Entre outros, conforme fls. 03 do Auto de Infração, encontravase no Packing List, o preço do Amplificador de Potência de 40W, no valor de US$ 15.473,00. (negritei) Em vista disso, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 01 a 26, para a cobrança da COFINS e PIS na importação e multas de ofício. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000285/200636 Acórdão n.º 3403001.850 S3C4T3 Fl. 13 5 Ciente do Auto e Infração, em 12/07/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 204/215, onde em síntese alegou: o procedimento adotado pela Impugnante na exportação para substituição dos equipamentos insertos nas DIs foi analisado pela fiscalização aduaneira, concluindo erroneamente que a Impugnante não faz jus ao benefício consistente no não recolhimento das contribuições do PIS e à COFINS, ante os seguintes argumentos: (i) ausência de laudo técnico a amparar as exportações para substituição; (ii) que o contrato de garantia celebrado entre a Impugnante e o fabricante dos equipamentos sujeitos a reparo não ampara a substituição de 10 peças e equipamentos sem a incidência de tributos; (iii) que a mera alteração de Part Number dos equipamentos implica na inovação tecnológica dos mesmos; e (iv) diferença de valores entre os equipamentos objeto da presente autuação fiscal e outros importados anteriormente pela Impugnante; forçoso concluir que o conjunto da autuação levada a efeito, não se sustenta, possivelmente pela especificidade da matéria em comento. É o que se passa a demonstrar; todos os requisitos previstos na Portaria MF n° 150/82, foram cumpridos, o que torna insubsistente e sem nenhum proveito econômico para a Impugnante qualquer tentativa de promover a cobrança dos impostos incidentes na reposição de tais equipamentos; alega a fiscalização que as exportações para substituição procedidas pela Impugnante foram feitas sem o respaldo de laudo técnico, exigido pela Portaria MF n° 150/82; a Impugnante apresentou laudo técnico, elaborado pela empresa SGS do Brasil Ltda. Multinacional de renome mundial, presente em mais de 136 países e de idoneidade incontestável; referido laudo, denominado Relatório e Inspeção, teve por objetivo apresentar o resultado da inspeção realizada pela empresa nos equipamentos defeituosos embarcados para substituição ser promovida pela Motorola Inc., com o fito de identificar defeitos ou imprestabilidade ao fim a que se destina, concluindose que "a partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam." (Doc. 02) grifou; o laudo técnico foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX.. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma (fls.208); o laudo técnico emitido pela empresa SGS do Brasil Ltda., no qual atesta a imprestabilidade dos equipamentos remetidos para Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 substituição mediante exportação prevista na Portaria MF n° 150/82 faz parte integrante do referido processo de exportação para substituição; a Portaria n° 150/82, não exige descrição detalhada da mercadoria, Part Number e número de série, país de origem, etc.; ainda que assim não fosse, é certo que os equipamentos exportados pela Impugnante para substituição tiveram suas descrições detalhadas no referido laudo, o que torna inconteste a possibilidade da fiscalização aduaneira identificar os equipamentos imprestáveis para uso e sujeitos à substituição; além do laudo, a Impugnante requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos; isso porque, alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição tiveram alterado o número de seu Part Number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos, (Doc. 03); a alteração de Part Number não traz qualquer inovação funcional e tecnológica nos equipamentos, que mantém a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos; a Portaria que disciplina a exportação de equipamentos para substituição foi publicada no ano de 1982, época em que a tecnologia era incipiente; a Impugnante possui com a empresa fabricante dos equipamentos substituídos Motorola Inc. contrato de garantia o que torna sem sentido, em termos comerciais, que a fabricante incremente a tecnologia de equipamentos suportados por garantia sem a cobrança de qualquer contraprestação; os equipamentos defeituosos foram substituídos por outros de mesma capacidade e função; para justificar o alegado subfaturamento, pautase na existência de um "packing list" cujo valor declarado é superior àqueles declarados nas importações ora analisadas. Tais argumentos, todavia, são desprovidos de qualquer fundamento fático e legal, (cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes); o método de valoração aduaneira adotado pela Impugnante, cumulado com o acordo comercial estabelecido entre as partes pressupõe que a empresa autuada deverá considerar o preço efetivamente praticado na importação dos equipamentos e não aquele relacionado no referido "packing list", o que afasta integralmente o alegado subfaturamento e das mercadorias; não se pode deixar de mencionar que a Impugnante, até os dias atuais, á a única empresa que opera com referida tecnologia no Brasil, o que a coloca na condição de empresa importadora de grande quantidade dos equipamentos objeto da inspeção aduaneira e autuação fiscal aqui combatida. (Doc. 05); Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000285/200636 Acórdão n.º 3403001.850 S3C4T3 Fl. 14 7 a fiscalização aduaneira não possui sequer parâmetros de comparação dos preços praticados pela Impugnante com outras empresas do ramo de telecomunicações a amparar qualquer alegação de subfaturamento; nos casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia não há prazo estipulado para a exportação das mercadorias imprestáveis ao fim a que se destinam, razão pela qual, à vista do contrato de garantia dos equipamentos importados, o direito da Impugnante à exportação para substituição daqueles imprestáveis para uso, se, cobertura cambial, está garantido pela Portaria MF n° 150/82; requer o cancelamento das cobranças intentadas, com o conseqüente arquivamento dos autos deste contencioso administrativo. É o Relatório”. Na fase recursal acrescentou o inconformismo em relação à exigência juros incidente sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impondo desse modo o conhecimento. Os fatos motivadores da autuação referese ao descumprimento das normas estipuladas pela Portaria do Ministério da Fazenda de número 150/82. Menciona inexistência do laudo técnico expedido por Instituição idônea que pudesse comprovar diversos requisitos necessários a exportação e importação dos equipamentos em substituição aos defeituosos e invalidade do CONTRATO OU PROGRAMA DE GARANTIA ESTENDIDOS Programa de Manutenção de Módulos PósGarantia, é o que se vê do relatório fiscal: “imprestabilidade da mercadoria substituída, onde se destaca: descrição detalhada da mercadoria, com respectivo P/N e N/S, Fabricante, País de Origem, Data de Fabricação, Prazo de Vida Útil, assim como, a descrição detalhada do defeito ou motivo de sua imprestabilidade para o fim a que se destina. Ademais, embora o interessado tenha especificado no Campo 25 da RE n° 05/1710322001 a 011, OBSERVAÇÕES DO EXPORTADOR: DI DE NACIONALIZAÇÃO 98/02611352, no presente processo não vislumbramos a existência de tal documento e sim, as D.I.s n 01/02958518 registrada em 23/03/2001 e DI nr 98/02033553, registrada em 06/03/1998 conforme comprovam os documentos de fls. 35 a 49 presente processo "Às folhas 81/86 do presente processo, encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77 996/2005F, emitido Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01(um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number TTF1580A e um amplificador de potência 40W 800 MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o 010 amplificador de potência P/N TTF1580A e o amplificador P/N CLF1772F , e que de acordo com os resultados da inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TIF1580A e o amplificador P/N CLF1772F" Ainda informamos que em destaque no Campo 25 Observações/Exportador da RE 05/1710221 a 11, encontrase em destaque, LI n° 05/19365973 "DE ACORDO COM LAUDO TÉCNICO EMITIDO PELA SGS, O AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA DE 40W, CUJO PART MUMBER TTF1580A, NÃO É MAIS FABRICADO E SERÁ SUSBTITUIDO PELO PAR NUMBER CLF1772F, QUE APRESENTA A MESMA FORMA, FUNCIONALIDADE E AJUSTE" Ora, em auditoria fiscal constatamos que na realidade não existe nenhum LAUDO TÉCNICO EMIDITO PELA SGS, e sim, um SIMPLES RELATÓRIO DE ISNPECAO IS 77 996/2005 F, onde a empresa emitente do referido documento se baseou em documentação fornecida pela MOTOROLA, destacando no item 5. como RESULTADOS DE INSPEÇÃO: 5.1 ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre :cad. P/N TTF1580A e o amplificador P/N CLF1772F. Outro ponto destacado no auto de infração se refere: CONTRATO OU PROGRAMA DE GARANTIA ESTENDIDO Programa de Manutenção de Módulos PósGarantia Entendo, s.m.j., que tal contrato entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício da não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL), senão vejamos: a) Tratase de um Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores; Conserto definido do Módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento b) relacionado ao Sistema de Alimentação de energia CC, dentre eles: amplificadores, dupliexadores, circuladores,...; c) O que é fornecido Todos os módulos de substituição fornecidos terão um novo número de série. Notase que não se fala em novo Part Number ,cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor”. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000285/200636 Acórdão n.º 3403001.850 S3C4T3 Fl. 15 9 Afirma a decisão de chão que os requisitos autorizativos de importação de bens defeituosos sem incidência da tributação encontra fixado pela Portaria MF n° 150/82, segundo se lê do voto, veio estabelecer as condições obrigatórias para a fruição do benefício da não incidência tributária. Consubstanciando os fundamentos do voto, transcreveu as condições impostas pela Portaria MF. 150/82: "Fica autorizada a reposição de mercadoria importada que se revele, após o seu despacho aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, por mercadoria idêntica, em igual quantidade e valor. 2. A autorização condicionase à observância dos seguintes requisitos e condições: a) a operação deve realizarse mediante a emissão, pela CACEX, de guia de exportação vinculada à guia de importação, sem cobertura cambial; b) o defeito ou imprestabilidade da mercadoria deve ser comprovado mediante laudo técnico, fornecido por instituição idônea (redação dada pela Portaria MF n° 240/86); c) restituição ao exterior da mercadoria defeituosa ou imprestável previamente ao despacho aduaneiro da equivalente destinada à reposição. 2.1 A guia de exportação e de importação vinculadas somente será fornecidas pela CACEX à vista do laudo técnico referido e da 4ª via da declaração de importação que comprove a importação respectiva." Em relação à existência do laudo técnico não há dúvida alguma de que existe e teria sido apresentado a CACEX para fornecimento da declaração de importação, tanto é verdade que há registro na descrição do auto de infração quanto a sua existência, apesar da insatisfação demonstrada em relação ao conteúdo. A exigência contida na letra “b” da Portaria MF 150/82 se refere obrigatoriedade da apresentação do laudo, parecer esse emitido pela empresa SGS do Brasil S/A, relação ao qual não se estabeleceu qualquer rusga quanto à idoneidade da instituição, portanto, aparentemente restou cumprido à risca a determinação da Portaria supra mencionada. O fato de o fisco entender que o mesmo deveria ter sido elaborado contemplando certos detalhe configura entendimento subjetivo e pessoal desautorizado caracterizar descumprimento de requisito essencial previsto em norma administrativa. Se os elementos apontados no laudo não guardam estreita relação com a realidade é diferente de exigência por parte do fisco que gostaria de ver a descrição em conformidade com sua ótica. Os elementos vinculados à imprestabilidade da mercadoria substituída, fabricante, pais de origem, data de fabricação, prazo de vida útil, e, a descrição detalhada do defeito ou motivo, se imprescindíveis cabia a ele na qualidade de autoridade fiscal solicitar a contribuinte informações complementares, mesmo posterior à importação dos Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 equipamentos, em que pese o laudo ter sido aceito pelo Òrgão emissor da autorização de exportação e importação. Uma das condições para se obter autorização era da apresentação do laudo ao Órgão encarregado da expedição da declaração de importação, quando apresentado, sem qualquer restrição foram emitidas os documentos necessários à efetivação da troca dos produtos sem incidência dos impostos e contribuições pertinentes a importações. O segundo motivo capaz de justificar e manter o lançamento encontra fulcrado no CONTRATO OU PROGRAMA DE GARANTIA ESTENDIDO Programa de Manutenção de Módulos PósGarantia. A Autoridade Fiscal autuante desconsiderou o contrato de garantia estendida sob a parda razão de ser exclusivo com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos (Motorola USA), prorrogável ano a ano com novos valores, concerto definido do módulo. Ao contrapor a esse argumento, assevera a Interessada que o defeito nos equipamentos não foram constatado após o despacho aduaneiro de importação, apto a justificar a impossibilidade de sua remessa ao exterior a titulo de exportação temporária para substituição. Diz que a exceção encontra no item 3 da Portaria 150/82, que assegura esse direito no momento que os mesmos vierem apresentar defeitos: “3.2. Excetuamse da exigibilidade do atendimento dos prazos fixados neste item, a critério exclusivo da CACEX, os casos de reposição de mercadorias Comprovadamente amparada em contrato de garantia”. De fato a interpretação do conteúdo do item 3.2 retromencionado, impõe concluir no sentido de que, quando se tratar de casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia não há prazo estipulado para a exportação das mercadorias imprestáveis para os fins que foram adquiridos. Se ao disciplinar internamente as condições permitidas à exportação dos produtos defeituosos excetuou os casos comprovadamente amparado em contrato de garantia, cuja autoridade de decidir foi autorgado a CACEX, ao emitir o documento fundamental ao processo de substituição afastou à presunção destacada no julgamento de piso que estranhou a substituição motivada por defeito sete anos após importação: “... o que chama a atenção é o fato de que as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro de exportação para substituição dos bens descritos nos R.E.s foram importadas através de D.I. registradas em 1998/2001 (número das D.I. destacados no RE), ou seja, a interessada solicita a substituição de mercadorias importadas há mais de 7 (sete) anos, o que já de pronto, devemos destacar, não deveria ter sido atendida tal solicitação, ou seja, reexportar mercadoria nos termos da Portaria n° 150/82”. Os documentos colecionados com o auto de infração dão notícia que a importação ocorreu em 2006, isso é, no mesmo ano da lavratura do auto de infração. Portanto, tenho como certo que o processo de exportação dos produtos defeituosos e importação de novos equipamentos foram realizados em conformidade com o que dispõe a Portaria 150/82. Assim sendo, voto no sentido de conhecer e dar provimento para cancelar o lançamento. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000285/200636 Acórdão n.º 3403001.850 S3C4T3 Fl. 16 11 É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13864.000247/2006-10
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE.
A denúncia espontânea somente se caracteriza quando apresentada antes de qualquer procedimento fiscal e quando acompanhada do pagamento do tributo acrescido dos juros de mora. A recuperação da espontaneidade em razão da inoperância da autoridade fiscal somente se dá quando restar perfeitamente evidenciado que houve prazo maior que sessenta dias dentre os atos escritos praticados pela autoridade fiscal que indiquem o prosseguimento dos trabalhos.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS.
Na constância da sociedade conjugal a tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns deve ser de 50% para cada um dos cônjuges. Está é a regra de caráter geral. A opção pela tributação em conjunto é do contribuinte. No lançamento de ofício, a autoridade fiscal deve seguir a regra geral, somente sendo possível a exigência do tributo total em um dos cônjuges se for para manter a opção já formulada pelo contribuinte.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso 1, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996).
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE OFÍCIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir a exigência do imposto incidente sobre o ganho de capital para R$ 8.250,00, cancelar a multa isolada do carnê-leão e, no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cancelá-la no ano-calendário 2001 e reduzi-la para R$ 51.000,00 no ano-calendário 2002.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 04/12/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A denúncia espontânea somente se caracteriza quando apresentada antes de qualquer procedimento fiscal e quando acompanhada do pagamento do tributo acrescido dos juros de mora. A recuperação da espontaneidade em razão da inoperância da autoridade fiscal somente se dá quando restar perfeitamente evidenciado que houve prazo maior que sessenta dias dentre os atos escritos praticados pela autoridade fiscal que indiquem o prosseguimento dos trabalhos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal a tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns deve ser de 50% para cada um dos cônjuges. Está é a regra de caráter geral. A opção pela tributação em conjunto é do contribuinte. No lançamento de ofício, a autoridade fiscal deve seguir a regra geral, somente sendo possível a exigência do tributo total em um dos cônjuges se for para manter a opção já formulada pelo contribuinte. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso 1, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir a exigência do imposto incidente sobre o ganho de capital para R$ 8.250,00, cancelar a multa isolada do carnê-leão e, no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cancelá-la no ano-calendário 2001 e reduzi-la para R$ 51.000,00 no ano-calendário 2002. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 04/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A denúncia espontânea somente se caracteriza quando apresentada antes de qualquer procedimento fiscal e quando acompanhada do pagamento do tributo acrescido dos juros de mora. A recuperação da espontaneidade em razão da inoperância da autoridade fiscal somente se dá quando restar perfeitamente evidenciado que houve prazo maior que sessenta dias dentre os atos escritos praticados pela autoridade fiscal que indiquem o prosseguimento dos trabalhos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal a tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns deve ser de 50% para cada um dos cônjuges. Está é a regra de caráter geral. A opção pela tributação em conjunto é do contribuinte. No lançamento de ofício, a autoridade fiscal deve seguir a regra geral, somente sendo possível a exigência do tributo total em um dos cônjuges se for para manter a opção já formulada pelo contribuinte. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 47 /2 00 6- 10 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 687 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso 1, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir a exigência do imposto incidente sobre o ganho de capital para R$ 8.250,00, cancelar a multa isolada do carnêleão e, no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cancelála no anocalendário 2001 e reduzila para R$ 51.000,00 no anocalendário 2002. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 04/12/2012 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 688 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra WILSON ARICE foi lavrado Auto de Infração, fls. 455/473, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 e 2002, exercícios 2002 e 2003, no valor total de R$ 166.789,18, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2006. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, fls. 448/454, foram: 001 – omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas; 002 – omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas; 003 – falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital; 004 – omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e 005 – falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 481/513, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%, conforme Acórdão DRJ/BEL nº 0113.773, de 28/04/2009, fls. 565/595. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 08/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 579, o contribuinte apresentou, em 08/07/2009, recurso voluntário, fls. 582/634, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da entrega da declaração retificadora de imposto de renda sob a égide da espontaneidade – O contribuinte apresentou Declarações de Ajuste Anual (DAA) retificadoras, exercícios 2002 e 2003, em 19/12/2005. Ocorre que há de se considerar que houve um lapso temporal maior de sessenta dias sem que houvesse qualquer ato escrito por parte da autoridade fiscal a indicar o prosseguimento dos trabalhos da fiscalização. Tal lapso ocorreu entre o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, fls. 380, ciência em 28/03/2006, fls. 381 e o Termo de Intimação Fiscal, fls. 385, ciência em 13/07/2006, fls. 386. Há que ser decretada, portanto, a espontaneidade das DAA retificadoras. A decisão recorrida menciona a existência de reenvio do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002 e envio do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 003. Contudo, compulsando os autos, verificase a inexistência dos supostos termos, constando apenas os avisos de recebimentos (AR), que foram assinados por pessoas estranhas para o contribuinte, sendo óbvio que o contribuinte jamais tomou ciência de quaisquer dos mencionados Termos. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 689 4 As DAA retificadoras foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal, posto que os créditos tributários decorrentes das mesmas estão parcelados, evidenciandose a dupla tributação, no Auto de Infração e nas DAA retificadoras, por tratarse dos mesmos fatos geradores. Omissão de rendimentos de aluguéis e falta de recolhimento de imposto sobre ganho de capital – Em razão das DAA retificadoras devem ser canceladas as infrações e as multas exigidas no lançamento. Ganho de capital – Metade dos valores referentes ao ganho de capital deve ser computado para a esposa do contribuinte, posto que são casados pelo regime de comunhão de bens e a mesma apresentou DAA em separado. Depósitos bancários – Impossibilidade de constituição de crédito tributário consubstanciado em depósitos bancários, sem que seja comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a referida omissão. Comprovação da origem – A comprovação da origem dos valores depositados na contacorrente do contribuinte já foi realizada através de farta prova documental. Os valores depositados na conta bancária do recorrente tratamse de rendimentos auferidos com a locação de imóveis pertencentes ao contribuinte e sua esposa, razão pelo qual tais valores recebidos devem ser tributados pela metade para cada cônjuge, nos termos artigo 6°, inciso II, do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999. Da multa isolada – A jurisprudência se faz clara no sentido de se reconhecer a improcedência da cobrança simultânea da multa isolada e da multa de ofício normal. Da multa de ofício – O percentual de 75% não obedece aos princípios constitucionais da nãoconfiscatoriedade e da capacidade contributiva. Da taxa Selic – A cobrança dos juros de mora calculados com base na taxa Selic é inconstitucional e ilegal. É o Relatório. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 690 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, devese examinar a alegação da defesa de espontaneidade do contribuinte no que tange à apresentação das Declarações de Ajuste Anual (DAA) retificadoras, relativas aos anoscalendário 2001 e 2002, exercícios 2002 e 2003, apresentadas em 19/12/2005. Para a análise da questão devese observar o que estabelece o art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 7o do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcritos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de Fiscalização, relacionados com a infração. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura dos textos legais acima transcritos depreendese que os atos referidos nos incisos I e II do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, que iniciam o procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo restabelecese no 61º dia. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 691 6 Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa e juros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de ofício. No presente caso, a ciência ao Termo de Início de Fiscalização, fls. 04, se deu mediante Aviso de Recebimento (AR), fls. 05, em 17/06/2005, portanto, antes de o contribuinte apresentar as DAA retificadoras. Contudo, o contribuinte afirma que transcorreram mais de sessenta dias entre as datas das ciências do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, fls. 380, (28/03/2006) e o Termo de Intimação Fiscal, fls. 385, (13/07/2006). Ocorre que o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, fls. 380, foi cientificado ao contribuinte em 06/04/2006, conforme AR, fls. 383. Observe se que o AR, fls. 381, que também se refere ao Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, foi devolvido ao remetente, razão porque o mencionado Termo foi reenviado ao contribuinte. Consta ainda dos autos AR, fls. 384, referente ao Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 003, recepcionado em 18/05/2006. É bem verdade, que o referido Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 003, não consta dos autos, mas o AR, fls. 384, que faz menção ao referido Termo é prova inconteste de sua existência, sendo certo que não podem prosperar as alegações do recorrente de que não tenha sido cientificado dos Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nºs 002 e 003, posto que ambos foram remetidos para o domicílio fiscal do contribuinte e lá recepcionados, sendo irrelevante, nos termos do disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a alegação do recorrente de que não conhece as pessoas que assinaram os AR, posto que, conforme já mencionado, os Termos foram devidamente encaminhados por via postal para o endereço do contribuinte e lá recepcionados, conforme faz prova os AR, fls. 383 e 384. Logo, podese afirmar que entre a data do início do procedimento fiscal e a data da ciência do Auto de Infração sucederamse vários Termos, sendo certo que entre um termo e outro não transcorreram mais de sessenta dias, de modo que não houve a alegada recuperação da espontaneidade. E mais, conforme posto no art. 138 do CTN a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração quando acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Entretanto, não existe nos autos provas de que durante o procedimento fiscal o contribuinte tenha recolhido os valores exigidos no Auto de Infração, muito pelo contrário, o contribuinte afirma que parcelou o débito relativo às DAA retificadores, sendo certo que, conforme documentos, fls. 679/689, tais créditos tributários foram inscritos na Dívida Ativa da União em 01/02/2007 e somente depois foram parcelados. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 692 7 Nestes termos, não pode prosperar a alegação de espontaneidade suscitada pela defesa e, em assim sendo, conseqüentemente, não pode ser acolhido o pedido do contribuinte para exclusão das infrações de omissão de rendimentos de aluguéis e de falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganho de capital e das correspondentes multas. No que se refere à infração de falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganho de capital, o contribuinte afirma que metade destes valores deveria ser computada para sua esposa, posto que são casados pelo regime de comunhão de bens e que a mesma apresentou DAA em separado. A tributação de rendimentos na constância da sociedade conjugal é tratada nos arts. 6º, 7º e 8º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), in verbis: Art.6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, §5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art.7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. §1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. §2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. §3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Declaração em Conjunto Art.8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou Fl. 713DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 693 8 inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. §1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. §2º Os bens, inclusive os gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, deverão ser relacionados na declaração de bens do cônjuge declarante. §3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge. (grifei) Os dispositivos acima transcritos estabelecem uma regra de caráter geral, qual seja: cada cônjuge terá que tributar 100% de seus rendimentos próprios e 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns e uma regra opcional que possibilita a tributação de 100% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns em nome de um dos cônjuges. Contudo, tal opção é do contribuinte. No lançamento de ofício, a autoridade fiscal deve seguir a regra geral, somente sendo possível a exigência do tributo total em um dos cônjuges se for para manter a opção já formulada pelo contribuinte. Assim, comprovado que os imóveis alienados são de propriedade de ambos os cônjuges, conforme escrituras, fls. 300/307 e 308/309, e considerando que o casal apresentou no anocalendário em que ocorreu a venda (2002) DAA em separado, fls. 393/395, a autoridade fiscal deveria imputar a infração de falta de recolhimento do imposto incidente sobre o ganho de capital apurado na alienação dos imóveis a ambos os cônjuges, na proporção de 50%. Deve, portanto, ser reduzido o imposto de renda incidente sobre ganho de capital em 50%, que passa de R$ 16.500,00 para R$ 8.250,00. No que tange à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o contribuinte defende a impossibilidade de constituição de crédito tributário consubstanciado em depósitos bancários, sem que seja comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a referida omissão. Vejase que o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, sendo certo que ficou determinado que se considere como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há, portanto, a exigência de que seja demonstrado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a referida omissão. Aliás, este é o entendimento exarado na Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem não comprovada. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Fl. 714DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 694 9 Contudo, em observância ao controle da legalidade do lançamento, tarefa que incumbe às instâncias administrativas de julgamento, devese apontar que, quando da apuração da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a autoridade fiscal deixou de observar o disposto no parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 19961. Do referido dispositivo inferese que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$ 80.000,00, no ano calendário. Tal entendimento já foi inclusive matéria de súmula deste CARF: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) No presente caso, do Demonstrativo de Créditos não Comprovados, fls. 442, vêse que para os anoscalendário 2001 e 2002, as totalidades dos créditos levados à tributação atingiram os montantes de R$ 22.783,10 e R$ 72.419,75, respectivamente, sendo certo que para o anocalendário 2001 todos os créditos levados à tributação são inferiores a R$ 12.000,00 e para o anocalendário 2002, somente o depósito de R$ 51.000,00, realizado em 12/03/2002, é maior que R$ 12.000,00. Desta forma, devese cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada relativa ao anocalendário 2001 e quanto ao anocalendário 2002 permanece na lide apenas o depósito, no valor de R$ 51.000,00. Para comprovar o referido depósito, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativo, fls. 663, indicando como principal fonte de recurso para fazer frente ao referido depósito a devolução de empréstimo concedido a Roberto de Godoy Júnior. Para comprovar o mútuo, o contribuinte apresenta cópias do contrato de mútuo e de dois recibos, fls. 375 e 377. Segundo os referidos documentos o contribuinte emprestou a quantia de R$ 50.000,00, em 06/02/2002 e recebeu a devolução de R$ 48.763,74 em 11/03/2002. Ocorre que durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi instado a comprovar a efetividade da entrega dos valores envolvidos nos contratos de mútuos, conforme 1 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...)II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 715DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 695 10 Termos de Intimação, fls. 385/386 e 389/390, sendo certo que ambos os Termos não foram atendidos pelo contribuinte, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 449. Ora, a apresentação do contrato e dos recibos, sem a devida comprovação da transferência dos valores envolvidos na transação, seja quando da concessão do empréstimo ou por ocasião da devolução não pode ser acolhida como comprovação da origem do depósito no valor de R$ 51.000,00. Ainda no que concerne à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a defesa alega que os valores depositados na conta bancária do recorrente tratamse de rendimentos auferidos com a locação de imóveis pertencentes ao contribuinte e sua esposa, razão pela qual tais quantias devem ser tributadas pela metade para cada cônjuge, nos termos artigo 6°, inciso II, do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999. Neste aspecto cumpre esclarecer que durante o procedimento fiscal restou comprovado que vários depósitos efetivados na contacorrente do contribuinte tinham origem em recebimento de aluguéis e desta forma tais quantias foram excluídas da tributação calcada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e, conseqüentemente, a diferença detectada quanto aos rendimentos de aluguéis foram levados à tributação como omissão de rendimentos de aluguéis na proporção de 50%. Contudo, o depósito remanescente no valor de R$ 51.000,00 não teve sua origem comprovada, de modo que não pode prosperar a tese do contribuinte de que o crédito decorrente de tal rendimento seja tributado na proporção de 50%, mormente quando a titularidade da referida conta pertence apenas ao contribuinte. Nestes termos, devese manter a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no que se refere ao depósito de R$ 51.000,00, no anocalendário 2002. O contribuinte traz ainda em seu recurso a alegação de que a jurisprudência se faz clara no sentido de se reconhecer a improcedência da cobrança simultânea da multa isolada e da multa de ofício normal. Sobre tal matéria, ao longo dos anos em que estive trabalhando na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza e mais recentemente depois aqui neste CARF, tenho me mantido junto à corrente minoritária de que seria possível a exigência concomitante da multa proporcional e da multa isolada. Ocorre que, lendo um Acórdão da relatoria do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, me convenci de que, de fato, é incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Nessa conformidade, peço vênia, para transcrever trecho do voto do Conselheiro Nelson Mallmann, Acórdão nº 10421.762, de 27/07/2006, que me fez mudar de opinião: Quanto ao lançamento da multa de lançamento de oficio exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se Fl. 716DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 696 11 faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos de pessoas físicas (carnêleão), mensalmente, apurados e informados na Declaração de Ajuste Anual, porém, não recolhidos, cujos valores foram lançados de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n°. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 717DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 697 12 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o "carnêleão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de oficio deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (muita de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. No presente caso, a autoridade fiscal apurou a infração de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas e sobre este mesmo fato fez incidir as duas multas, quais sejam: a multa de ofício proporcional ou normal e a multa de ofício isolada, o que é incabível, por expressa determinação legal. Importante destacar que embora a autoridade fiscal também tenha feito incidir a multa isolada sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas, já declarados pelo contribuinte, observase que sobre tais quantias (R$ 500,00 por mês, durante o anocalendário 2001 e R$ 600,00 por mês, durante o anocalendário 2002, não incidiria carnêleão, dado que o limite de isenção para os anoscalendário 2001 e 2002 eram de R$ 900,00 e R$ 1.058,00, respectivamente. Assim, devese cancelar a exigência da multa de ofício isolada. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 2102002.372 S2C1T2 Fl. 698 13 Já quanto à multa de ofício proporcional, o recorrente afirma que o percentual de 75% não obedece aos princípios constitucionais da nãoconfiscatoriedade e da capacidade contributiva. Nesse aspecto, vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa aos princípios constitucionais, mantendose a multa de ofício proporcional, no percentual de 75%. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir a exigência do imposto incidente sobre o ganho de capital para R$ 8.250,00, cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 2001, reduzir a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no anocalendário 2002, para R$ 51.000,00 e cancelar a multa isolada. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 719DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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