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Numero do processo: 10166.726129/2016-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.595
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 29 /2 01 6- 88 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726129/201688 Acórdão n.º 3302006.595 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.639. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726129/201688 Acórdão n.º 3302006.595 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726129/201688 Acórdão n.º 3302006.595 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726129/201688 Acórdão n.º 3302006.595 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10166.726129/201688 Acórdão n.º 3302006.595 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000040/2009-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000040/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.225 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente FÁTIMA GERVASON HALFED Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que davalhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 00 40 /2 00 9- 16 Fl. 288DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$27.203,29, atualizado até novembro de 2008. Foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$42.960,00 A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que apresentou todos os documentos comprobatórios de suas despesas médicas, para os quais afirma atenderem os requisitos legais e que a autoridade fiscal sem qualquer fundamento negou fé aos documentos apresentados. Cita jurisprudência a doutrina para guerrear seu direito. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => no tocante as despesas médicas, deixou claro a DRJ, com respaldo em lei, que quando existe alguma duvida acerca da efetividade da despesa, cabe ao Fisco , por dever legal, tomar cautelas necessárias para preservar o interesse público implícito da defesa correta da apuração do tributo. Com base nisso, para formar a sua convicção, principalmente diante do elevado montante de despesa médica envolvida, solicitou a autoridade fiscal comprovação de pagamento de determinadas despesas. Cabe ressaltar que a despeito da alegação da Impugnante de que o fiscal estaria deixando de dar fé aos recibos médicos, sem fundamento para tal, a presunção de verdade alegada do conteúdo dos recibos pode até ser admitida, no entanto, apenas entre as partes ali consignadas; perante terceiros, contestado o fato ali relatado, cabe ao interessado na sua veracidade o ônus de provar a efetividade de sua ocorrência por meio de outras provas. => através dos extratos bancários apresentados pela Contribuinte, a DRJ teve a cautela e cuidado em analisar todos os recibos e saques feitos na sua conta bancária e buscar fazer uma inferência razoável e ponderada de comprovação de pagamento de despesas. Assim sendo, analisando uma a uma despesa e recibo apresentado, cruzando com os saques conforme extratos bancários, foi verificado que : 1 para os recibos com datas incompletas, não há como efetuar confrontos com os extratos bancários. Se encontram nessa situação os docs de fls. 22 emitidos por Erika de Oliveira Tudesco e 23/25 emitidos por Natália Rettore Leandro. 2 Para aqueles possivelmente emitidos pelo valor global do tratamento, sem informação das datas e valores das parcelas também ficam prejudicados os respectivos confrontos. Se encontram nessa situação aqueles de fls. 26 emitidos por Raquel Soares Neto, 27 emitidos por Daniela Soares Neto, estes ainda datados do ano de 2004, e 28 emitidos por Mary Soares Neto, para o qual ainda, apesar da irregularidade verificada, foi efetuado o confronto levando em conta a data nele informada, 29/12/2003, e mesmo assim não se vislumbrou qualquer operação bancária, nessa data ou na proximidade considerada, no valor de R$960,00 ou superior, que poderia justificálo. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10640.000040/200916 Acórdão n.º 2001001.225 S2C0T1 Fl. 3 3 3 para aqueles de fls. 29/31, emitidos por Catharina Maria de Melo Alves, podese verificar de fato a possibilidade da efetividade dos pagamentos dos valores neles descritos. Assim, dessa verificação é de se notar que apenas para o recibo de fl. 30, emitido em 05/05/2003, no valor de R$1.200,00, observouse haver um cheque descontado nessa mesma data e no valor de R$1.250,00. Embora, o desconto do cheque e o serviço médico prestado tenham ocorrido em cidades diferentes, é de se acatar como comprovada a despesa médica representada pelo citado recibo. => Por fim, é certo que o encargo de comprovar a dedução é da declarante, ela é a autora do pleito, logo, a ela incumbe diligenciar no sentido de obter as provas do fato constitutivo de seu direito (CPC, art.333, I), de modo que fique evidenciado de forma inabalável. Com base nisso, portanto, descabidos os argumentos de exigências abusivas, arbitrárias, e ilegais, e de que o lançamento se perdeu em suposições vagas, subjetivas e aleatórias, e, ainda, feito valer uma tese que restringe, senão impossibilita, a dedução de despesas médicas. Destarte, concluise que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Por outro lado, demonstrando haver desembolso que justificaria a despesa médica é de ser acatada para fins de dedução, no caso, de R$1.200,00. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 290DF CARF MF 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento, além de ter apontado irregularidades em diversos documentos. Vale dizer, dadas as quantias mensais envolvidas, entendeu a DRJ que seria pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. Sendo assim, foi solicitado os extratos bancários, os quais foram analisados cautelosamente pelo colegiado antes de proferir o acórdão a quo. Ou seja, através dos extratos bancários apresentados pela Contribuinte, a DRJ teve a cautela e cuidado em analisar todos os recibos e saques feitos na sua conta bancária e buscar fazer uma inferência razoável e ponderada de comprovação de pagamento de despesas. Assim sendo, analisando uma a uma despesa e recibo apresentado, cruzando com os saques conforme extratos bancários, foi restabelecida despesa médica no total de R$1.200,00. Ademais, registrou a decisão a quo, apenas a título argumentativo, que quando existe alguma duvida acerca da efetividade da despesa, cabe ao Fisco , por dever legal, tomar cautelas necessárias para preservar o interesse público implícito da defesa correta da apuração do tributo. Com base nisso, para formar a sua convicção, principalmente diante do elevado montante de despesa médica envolvida, solicitou a autoridade fiscal comprovação de pagamento de determinadas despesas. Cabe ressaltar que a despeito da alegação da Impugnante de que o fiscal estaria deixando de dar fé aos recibos médicos, sem fundamento para tal, a presunçao de verdade alegada do conteúdo dos recibos pode até ser admitida, no entanto, apenas entre as partes ali consignadas; perante terceiros, contestado o fato ali relatado, cabe ao interessado na sua veracidade o ônus de provar a efetividade de sua ocorrência por meio de outras provas. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10640.000040/200916 Acórdão n.º 2001001.225 S2C0T1 Fl. 4 5 Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 292DF CARF MF 6 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo, que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa de despesas médicas conforme decisão a quo. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.900916/2010-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI. FUMO EM FOLHA.
A partir da Lei nº 10.865/2004, publicada em 01/08/2004, nos termos do artigo 41 o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30% (trinta por cento), razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto pelos comercias atacadista, em respeito ao princípio da não cumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art.165, do RIPI/02.
CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS.
Recurso especial do Procurador parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-008.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer o 360 dia do protocolo do pedido, como o termo inicial da aplicação da Taxa Selic sobre o valor da glosa revertida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI. FUMO EM FOLHA. A partir da Lei nº 10.865/2004, publicada em 01/08/2004, nos termos do artigo 41 o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30% (trinta por cento), razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto pelos comercias atacadista, em respeito ao princípio da não cumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art.165, do RIPI/02. CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS. Recurso especial do Procurador parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 09 16 /2 01 0- 43 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para reconhecer o 360 dia do protocolo do pedido, como o termo inicial da aplicação da Taxa Selic sobre o valor da glosa revertida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 270/320), admitido pelo despacho de fls. 322/327, contra o Acórdão 3102001.769 (fls. 249/257), de 26/02/2013, cuja ementa tem o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO JUNTO A COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. FUMO EM FOLHA. Após vigência da lei nº 10.865/2004, a qual expressamente prevê no art. 41 que o fumo em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40 e 2401.20 da TIPI passar a integrar o campo de incidência do IPI, é devido a apropriação dos créditos do imposto, atendendo assim o princípio da não cumulatividade. O montante do crédito deve observar o estabelecido no art. 165, do RIPI/02. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO. Recurso Voluntário Provido Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso especial da Procuradora estabeleceuse sobre três matérias: a) reconhecimento do direito ao crédito de fumo adquirido de comerciante não contribuinte de IPI e produtores pessoas físicas; b) não incidência da Taxa Selic nos pedidos de ressarcimento; e c) definição do termo inicial para incidência de correção pela taxa Selic. Para a matéria a), apresentou os acórdãos paradigmas nº 3402001.749 e nº 930300.743. Enquanto o acórdão a quo reconheceu o direito ao crédito ficto do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições de fumo à comerciais atacadistas, considerando que a partir da publicação da Lei nº 10.865/2004, tal possibilidade seria plausível, o primeiro paradigma citado vedou expressamente o direito ao crédito em face de fumo adquirido de comerciante atacadista não contribuinte de IPI, ante a inexistência de imposto devido nas operações anteriores. O acórdão recorrido terminou por reconhecer o direito ao ressarcimento de crédito ficto na aquisição de insumos destinados à produção de produtos não tributáveis pelo IPI posição diversa daquela exsurgida no segundo paradigma que vedou o creditamento relacionado a produtos classificados na TIPI como NT. No tocante à matéria b), não incidência da taxa Selic, a Procuradora esgrimiu a divergência com base nos acórdãos nº CSRF/0203.718 e nº 930300.720 que formaram posicionamento no sentido que é incabível a incidência da Taxa SELIC sobre o ressarcimento, pois ressarcimento e restituição/repetição de indébito são institutos diversos e a aplicação da Taxa SELIC deve derivar de previsão expressa de lei e não de aplicação da analogia, contrariando a decisão recorrida que determinou a incidência da taxa SELIC sobre o crédito discutido, a partir do protocolo do pedido, com base em julgado do STJ (REsp nº 1.035.847RS) no regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). Outrossim, alega que a situação de fato do presente processo não se coaduna com o julgado no STJ apontado no aresto recorrido. Por fim, o ponto c), na eventualidade de aos julgadores entenderem pela correção com base na taxa Selic, haveria acórdão paradigma de nº 3802002.338, que diferentemente do acórdão a quo, entendeu que o cálculo para incidência de correção deva ser realizado a partir da data do indeferimento dos créditos e não do seu protocolo. Alternativamente, há ainda o aresto paradigmático nº 3201001.765, que afirma ser a data de contagem inicial da correção aquela em que poderia se apontar a ilegitimidade da resistência do Fisco em atender ao pedido, somente ao final do prazo de 360 dias da data do protocolo do pedido de ressarcimento, por aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007. O recurso foi admitido em relação às seguintes matérias: (i) reconhecimento do direito ao crédito de fumo adquirido de comerciante não contribuinte de IPI e produtores pessoas físicas, e (ii) definição do termo inicial da incidência da Taxa Selic sobre os créditos indevidamente glosados. Em contrarrazões (fls. 337/351), o contribuinte pede a denegação do recurso da Procuradora. É o relatório. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos do despacho de admissibilidade. A presente matéria, em relação ao mesmo contribuinte mas diferente período de apuração, já foi analisada no Acórdão 9303007.913, julgado em 24/01/2019, de relatoria do i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, cujo voto foi acompanhado por todos membros desta E. Turma. Portanto, valermeei de excertos do voto daquele eminente relator para o deslinde da quaestio. 1 Reconhecimento do direito ao crédito de fumo adquirido de comerciante não contribuinte de IPI e produtores pessoas físicas Nos temos do art. 6º do decretolei n.º 400/68, regulamentado pelo art. 165 do RIPI, o imposto relativo a MP, PI e ME quando adquirido de atacadista, para fins do cálculo do crédito de IPI, será observado o percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor descrito na nota do produto, para assim ser aplicada alíquota devida, in verbis: ... Note que a lei estabeleceu uma presunção, pela qual o valor do imposto contido no preço da mercadoria adquirida foi arbitrado pelo legislador. Isso em razão da impossibilidade fática de se apurar o real valor do IPI contido no preço da mercadoria, ou mesmo da verificação da origem das mercadorias adquiridas pelo comerciante. Por outro lado, a probabilidade de ter ocorrido a incidência do IPI nas operações anteriores, por se tratar de produto sujeito ao referido imposto, dá ensejo ao registro do crédito para a preservação do princípio da nãocumulatividade. Uma vez estabelecida a presunção legal, não cabe indagar sobre as razões para sua instituição, deve o julgador aplicar o que foi estabelecido pelo legislador: “O art. 6º, do DecretoLei n.º 400/68 foi regulamentado pelo art. 165 do RIPI/02 (Decreto n." 4.544/02)” A redação do art. 165 acima é cristalina ao prever a possibilidade de creditamento do imposto relativo a MP, PI e ME na aquisição de comerciante atacadista não contribuinte. Dizer o contrário, alegando que não houve pagamento do imposto nas etapas anteriores, é negar a aplicação de norma vigente, aplicável e eficaz. Ademais, entendo que o crédito previsto no art. 165 do RIPI tem caráter de benefício fiscal, destinado a reduzir os impactos sofridos pelos estabelecimentos industriais de pequeno porte, Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 6 5 que necessitam de intermediários para a aquisição dos insumos utilizados para sua atividade industrial, não guardando nenhuma vinculação com o princípio da nãocumulatividade. Assim, a norma que previu o direito ao crédito (art. 6º do Decretolei 400/68) deve ser interpretada de forma literal, sem quaisquer restrições ou dilações não previstas em Lei. Assim, é irrelevante não ter havido cobrança de IPI na entrada do estabelecimento atacadista, sendo necessário, tãosomente, que o produto seja positivamente tributado, sob pena de o resultado do cálculo previsto no art. 6º do DL nº 400/1968 ser igual a zero. No entanto, a partir da Lei nº 10.865/2004, nos termos do artigo 41, as folhas de fumo cru e as folhas do fumo destalado e picado foram incluídos no campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30% (trinta por cento), cuja redação apenas foi alterada em 2007, pela Lei 11.452/2007. Portanto, como as folhas de fumo foram adquiridas de comercias atacadista, não há como afastar o crédito pretendido, sob a argumento de que o comercial atacadista adquiriu o fumo de pessoa física. "Art. 41. Ficam incluídos no campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI tributados à alíquota de 30% (trinta por cento), os produtos relacionados nos códigos 2401.10.20 a 2401.10.30, 2401.10.40 e na subposição 2401.20 da TIPI. §1º A incidência do imposto independe da forma de apresentação, acondicionamento, estado ou peso do produto. §2º Quando a industrialização for realizada por encomenda, o imposto será devido na saída cio produto do estabelecimento que o industrializar e o encomendante responderá solidariamente com o estabelecimento industrial pelo cumprimento da obrigação principal e acréscimos legais. § 3º As disposições deste artigo produzirão efeitos a partir do 1º (Primeiro) decêndio posterior ao 3º (terceiro) mês contado da mesma publicação." Ora, o princípio da nãocumulatividade adotado em nossa Constituição permite ao contribuinte que realize em cada operação uma dedução correspondente ao montante de tributo relativo às operações antecedentes, mesmo que nelas não tenha ocorrido a cobrança do Tributo. Assim, não há empecilho ao creditamento, nos moldes do art. 6º do DL nº 400/1968, em relação às aquisições de comerciante atacadista, independentemente da origem do insumo (produtor rural pessoa física ou jurídica). No presente processo, os créditos de IPI são relativos ao primeiro trimestre de 2006, período em que ainda vigia a redação do art. 41 da Lei 10.865/2004 transcrito no voto acima, antes de sua alteração pela Lei nº 11.452 de 27/02/2007. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 7 6 Pelos argumentos expendidos, voto pela improcedência do recurso especial da Procuradora no tocante a essa matéria. 2 Definição do termo inicial para incidência de correção pela taxa Selic Sobre essa matéria, também já houve posicionamento majoritário recente nesta Turma, em sessão de 19/09/2018, quando utilizouse do voto vencedor do acórdão nº 9303007.411, de relatoria do i. conselheiro Demes Brito como paradigma de recursos repetitivos daquela sessão. Naquela ocasião acompanhei a maioria e por isso aqui me apoio nos argumentos lá expendidos, pelo que peço licença para aqui reproduzilos: Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 8 7 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. ... Dessarte, tendo em vista que houve resistência ilegítima configurada relativamente ao ressarcimento dos créditos, há que se reconhecer o direito à atualização do valor devido, porém somente a partir do 360° dia do pedido. Portanto, é de se dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional quanto à matéria. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para darlhe provimento parcial, reconhecendo o 360° dia a partir do protocolo do pedido como o termo inicial da aplicação da Taxa Selic sobre o valor da glosa revertida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13005.900916/201043 Acórdão n.º 9303008.497 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 420DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720716/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, considera-se cumprida a obrigação, quando o Ato Declaratório Ambiental - ADA foi protocolado junto ao IBAMA antes do início da ação fiscal.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. LANÇAMENTO. SEM CONTESTAÇÃO. LITÍGIO NÃO SE INSTAURA.
O VTN arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT, não foi expressamente contestado no recurso, assim o litígio não se instaurou e os fatos foram presumidos como verdadeiros, deixando de ser controvertido e não podendo mais ser alegados. Mantendo o VTN arbitrado pela fiscalização, confirmado pela decisão do Acórdão proferido pela DRJ.
Numero da decisão: 2202-005.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área declarada como sendo de preservação permanente. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10218.720724/2007-66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, considerase cumprida a obrigação, quando o Ato Declaratório Ambiental ADA foi protocolado junto ao IBAMA antes do início da ação fiscal. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. LANÇAMENTO. SEM CONTESTAÇÃO. LITÍGIO NÃO SE INSTAURA. O VTN arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT, não foi expressamente contestado no recurso, assim o litígio não se instaurou e os fatos foram presumidos como verdadeiros, deixando de ser controvertido e não podendo mais ser alegados. Mantendo o VTN arbitrado pela fiscalização, confirmado pela decisão do Acórdão proferido pela DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área declarada como sendo de preservação permanente. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10218.720724/2007 66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 07 16 /2 00 7- 10 Fl. 89DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson. Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.144, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10218.720724/200766, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, acrescido da multa e dos juros de mora, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Esperança, com área total de 8886,2 ha, cadastrado na RFB com o NIRF n° 5.896.7885 e localizado no município de São Félix do Xingu PA. Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, observa que se trata de processo referente ao auto de infração em que se exige o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, relativo ao imóvel denominado Fazenda Esperança, com área total de 8886,2 ha, cadastrado na RFB com o NIRF n° 5.896.7885 e localizado no município de São Félix do Xingu PA. Regularmente intimado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando que: Discorda do procedimento fiscal, pois apresentou no momento oportuno a documentação do INCRA e o ADA, comprovando a área de preservação permanente declarada. Em relação ao valor do imóvel, não há qualquer tentativa ou interesse em subavaliálo, pois o valor declarado é superior ao seu valor de compra e será utilizado para apurar o ganho de capital, em caso de alienação. Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário questionado e a extinção do presente processo administrativo. A Impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, sendo mantido o credito tributário exigido. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ apreciou lançamento e a impugnação, proferindo a decisão por meio do Acórdão considerando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10218.720716/200710 Acórdão n.º 2202005.148 S2C2T2 Fl. 3 3 Do Recurso Voluntário O contribuinte devidamente intimado do Acórdão referente à decisão proferida pela DRJ apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ apresentando as seguintes alegações: Do Ato Declaratório Ambiental ADA O Recorrente afirmou que não entregou o ADA intempestivamente em 06/04/2004, que a declaração entregue nesta data (06/04/2004), tratavase de declaração retificadora da original entregue anteriormente. Continuou alegando que a apresentação anual do ADA passou a ser obrigatória apenas a partir do exercício 2007, com base na Instrução Normativa Ibama n°. 96, de 30/03/06, como já havia apresentado o ADA em 12/07/2002 que não sofrera qualquer alteração em sua área não tributável, portanto, não estava obrigado a apresentálo novamente em 2003. Fundamentando os seus argumentos também na IN/SRF n° 256, de 11/12/2002, artigo 9°, § 4°, inciso I e II. Da Obrigação Tributária Principal e Acessória Em relação a obrigação acessória, o Recorrente alegou da violação ao artigo 113, §2° do CTN, que conforme mencionado, a Receita Federal extrapolou seu poder regulamentar ao exigir, por meio de sucessivas instruções normativas, a expedição do ato. Isso porque, instituiu obrigação tributária acessória, violando o parágrafo 2° do artigo 113 do Código Tributário Nacional CTN, o qual dispõe que esse tipo de obrigação decorre de lei e não de ato administrativo. O recorrente apresentou ao longo do seu recurso, além da legislação correlata, jurisprudências proferidas pelo STF. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que: Face ao exposto, requer: A reforma integral da decisão ora recorrida, com conseqüente extinção do presente Processo Administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.144, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10218.720724/200766, paradigma deste julgamento. Fl. 91DF CARF MF 4 Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.144, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, com adaptações conforme descrito a seguir. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ato Declaratório Ambiental ADA e Área de Preservação Permanente APP Dos documentos apresentados pelo Recorrente, verificase que houve a entrega de um Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado em 06/04/2004. Todavia, a DRJ ao apreciar os documentos apresentados na impugnação, não o acatou, pois verificou que o ADA foi apresentado intempestivamente. De acordo com o entendimento dos Julgadores da DRJ, o ADA com informações sobre as áreas sujeitas à exclusão da base tributável do ITR/2003, deveria ser protocolado no IBAMA até o dia 31/03/2004, mas foi entregue em 06/04/2004, portanto intempestivo. Por outro lado, o Recorrente afirmou que não entregou o ADA intempestivamente, que a declaração entregue naquela data (06/04/2004), tratavase de declaração retificadora da original entregue anteriormente. Diante disso, percebese que a controvérsia se instalou a partir do momento que o contribuinte se insurgiu contra a decisão da DRJ que não acatou o ADA. Assim, para o deslinde da controvérsia, passouse a analisar a questão do prazo de entrega do ADA para efeito de exclusão da base tributável do ITR/2003 da área de preservação permanente. No tocante ao prazo de entrega, entendo que o ADA deve ser acatado, para efeito de exclusão da base tributável do ITR/2003, da área de preservação permanente, mesmo que protocolado intempestivamente junto ao IBAMA (06/04/2004), mas antes do início da ação fiscal (24/07/2007, fls. 08). Fato esse que pode ser verificado pelo confronto entre o ADA apresentado e o Termo de Intimação Fiscal. Neste aspecto, para corroborar o nosso entendimento sobre a possibilidade de acatar o ADA, tendo como condição temporal o seu protocolo no IBAMA até o início da ação fiscal, apresento uma parte do voto do Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior proferido no Acórdão nº 9202003.620 de 04 de março de 2015, do qual compartilho a sua decisão e adoto nas minhas razões de decidir: De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine as áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia. não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10218.720716/200710 Acórdão n.º 2202005.148 S2C2T2 Fl. 4 5 Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 170 da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA. não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim especifico de permitir a redução da base de calculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA. para o fim especifico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior à data da ocorrência do fato gerador, no caso que ora se trata. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim especifico da redução da base de cálculo do ITR. não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 170 da Lei a8 6.398/81. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 170 da Lei n.° 6.398/81. Fl. 93DF CARF MF 6 Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, L que deve o aplicador recorrer â analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose â analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 170 da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir pratícabilidade á apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base cálculo do ITR. submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi medem legis d/spositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. A guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbís: "Art. 18. Â retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10218.720716/200710 Acórdão n.º 2202005.148 S2C2T2 Fl. 5 7 No presente caso, verificase que assiste razão ao contribuinte, pois o ADA foi protocolado junto ao IBAMA em 06/04/2004, após o prazo regulamentar, mas antes do início da ação fiscal, a qual ocorreu em 24/07/2007, fls. 08, conforme Termo de Intimação Fiscal e o respectivo AR. Portanto, fica demonstrado que o contribuinte cumpriu a obrigação de apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para todos os seus efeitos. Diante do exposto, entendo que o Recorrente faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR da área de 800,0 ha correspondente à preservação permanente APP, declarada na sua DIAT/ITR, bem como o cancelamento da glosa registrado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. Do Valor da Terra Nua VTN De acordo com o Acórdão proferido pela DRJ, foi mantido o valor da terra nua VTN arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT. Contudo, o contribuinte, no seu recurso, não se posicionou sobre o arbitramento do VTN e nem apresentou defesa contestando o lançamento decorrente destes valores. Dessa forma, entendo que a matéria não foi expressamente contestada e assim, o litígio não se instaurou em relação ao VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Neste caso, os fatos foram presumidos como verdadeiros (VTN arbitrado com base no SIPT), deixando de ser controvertido e não podendo mais ser alegado, nos termos dos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifo nosso) Deste modo, entendo que deve ser mantido o valor da terra nua VTN arbitrado pela autoridade fiscal e confirmado pela decisão do Acórdão proferido pela DRJ. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área declarada como área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 95DF CARF MF 8 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002599/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO.
Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DIAT/ITR.
LEI. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.
A jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas de mérito não vinculam o julgamento na esfera administrativa. Pois o dever de observância obrigatória se refere a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia.
Numero da decisão: 2202-005.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10320.002562/2006-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DIAT/ITR. LEI. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas de mérito não vinculam o julgamento na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 25 99 /2 00 6- 51 Fl. 136DF CARF MF 2 esfera administrativa. Pois o dever de observância obrigatória se refere a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10320.002562/200622, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10320.002562/200622, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, acrescido da multa e dos juros de mora, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Cecilia, com área total de 8.550,0 ha, cadastrado na RFB com o NIRF n° 5.436.2725 e localizado no município de Turiaçu MA. Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, observase que se trata de processo referente ao auto de infração no qual se exige o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Santa Cecilia”, localizado no município de Turiaçu MA, NIRF 5.436.2725, com área total de 8.550,0 ha. Regularmente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação alegando que: a) a área se encontra situada na Amazônia legal; b) que a desconsideração da área de preservação permanente fere o dispositivo do Código Florestal; c) que o ADA passou a ser obrigatório apenas a partir da edição da Medida Provisória n° 2.166 67, de 24/08/2001; d) que já apresentou o ADA ao IBAMA e e) que é incabível a exigência da multa de ofício de 75%. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10320.002599/200651 Acórdão n.º 2202005.139 S2C2T2 Fl. 3 3 A Impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ apreciou lançamento e a impugnação, proferindo a decisão por meio do Acórdão considerando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário exigido. Do Recurso Voluntário A contribuinte devidamente intimada do Acórdão referente à decisão proferida pela DRJ, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, apresentando as seguintes alegações: Confusão Entre os Institutos de Direito Ambiental Preliminarmente, a empresa alegou que houve confusão entre a distinção dos institutos de direito ambiental que definem a área de preservação permanente e a área de reserva legal. Para esclarecer que houve equívoco, apresentou fundamentos legais contidos nos incisos II e III, do § 2°, do art. 1°, da lei n° 4.771/65, explicando o seu entendimento sobre os conceitos destes institutos e também enfatizando a diferença entre eles, frisando que a área de reserva legal excetuase da área de preservação permanente. Feita essas considerações, cumpre estabelecer que a área excluída da tributação está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender. Diante disso, é se concluir que o próprio nome, reserva legal, já induz que parcela da propriedade do contribuinte está afetada por uma destinação legal. Do contrário, só se poderia exigir condutas no sentido da preservação dessas áreas após o Ato Declaratório do Ibama, o que seria temerário a ordem jurídica ambiental. A Recorrente continuou alegando que não pode o Direito Tributário, nos termos do art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel. Afirmou que não se pode exigir que o contribuinte comprove algo que a própria lei já diz que o é. Que exigir do contribuinte que ele porte um documento declaratório para que faça jus à isenção do imposto é um despropósito, pois a própria lei já cuidou de afetar parcela do seu patrimônio como de interesse ambiental. Exclusão da Base de Cálculo Reserva Legal Amazônia Legal No mérito, a Recorrente afirmou que a área objeto da tributação pelo imposto Territorial Rural está circunscrita a área denominada Amazônia Legal, não há o que ser questionado nesse sentido. Por este motivo, contestou a obrigatoriedade de apresentação do ADA alegando que dentro dos diversos meandros burocráticos existentes em nosso país, ainda se tem exigido, equivocadamente digase, o indigitado Ato Declaratório Ambiental ADA, a fim de que o contribuinte possa excluir da base de calculo do ITR as áreas de reserva legal. Fl. 138DF CARF MF 4 A Recorrente entendeu que nada mais absurdo, é de cristalina elucidação que as áreas da recorrente estão inseridas no contexto da Amazônia Legal, sendo portanto, lícito à contribuinte excluir da tributação 80% da área total do imóvel de sua propriedade. Para sustentar sua contestação, invoca o § 1°, inciso II, do art. 10, da Lei n.° 9.393/96 e também os art. 1° e 16, inciso I, da Lei n.° 4.771/1965. A empresa argumentou também que o AuditorFiscal no auto de infração, e os Julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão proferida, com esse entendimento, presumiram se tratar de declaração fraudulenta do contribuinte, quando excluiu da base de cálculo do Imposto Territorial Rural parcela do seu patrimônio a titulo de reserva legal. A recorrente, com o objetivo de corroborar os seus argumentos, apresentou, ao longo do seu recurso, além da legislação correlata, jurisprudências do TRF e do STJ. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que: Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a recorrente seja acolhido o presente recurso a fim de seja cancelado o débito fiscal reclamado, assim como a multa aplicada consectariamente. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10320.002562/200622, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, com adaptações conforme descrito a seguir. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Preliminarmente, a empresa alegou que houve confusão no que diz respeito ao entendimento das definições de direito ambiental em relação à área de preservação permanente e à área de reserva legal, afirmando que a área para a qual pleiteia exclusão da base tributável do ITR "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender.", por isso, apresentou argumentos para justificar que no seu imóvel existe uma área de reserva legal e não área de preservação permanente como foi declarada na sua DIAT/ITR. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10320.002599/200651 Acórdão n.º 2202005.139 S2C2T2 Fl. 4 5 Continuou alegando que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...)" e também, em relação a área de reserva legal, que "não se pode exigir que o contribuinte comprove algo que a própria lei já diz que o é.". Analisando a preliminar suscitada pela Recorrente, notase que os motivos alegados se referem à questão de mérito, assim, neste caso, os argumentos aqui apresentados serão devidamente apreciados no decorrer do voto, quando da análise do mérito, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. Da Controvérsia Para o deslinde da questão contida nos presentes autos exige que se decida sobre a comprovação legal e formal da existência da área de preservação permanente APP e da área de reserva legal ARL bem como da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, antes do início da ação fiscal, para efeito de exclusão das referidas áreas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. No caso da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal, para efeito da sua caracterização, cabe observar o contido nos art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e do art.16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) da Lei nº 4.771/65. No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração, previstos no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, com a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de proteção ambiental, como APP e ARL, quando atendidos os requisitos exigidos na referida lei. Área de Preservação Permanente APP Fl. 140DF CARF MF 6 A empresa alegou que houve equívoco no entendimento das definições entre a área de preservação permanente e a área de reserva legal, reconhecendo que na sua propriedade não existe uma área de preservação permanente e sim uma área de reserva legal, com a seguinte afirmação: "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender." Dessa forma, o fato de a contribuinte reconhecer que no seu imóvel não existe área de preservação permanente, impedea de excluir da base de cálculo do ITR, área nestas condições. Diante do exposto, tendo em vista o reconhecimento por parte da contribuinte que no seu imóvel não existe uma área de preservação permanente, entendo que a Recorrente não faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR da área correspondente à preservação permanente. Da Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) No seu recurso, a empresa declarou que houve equívoco no entendimento das definições entre à área de preservação permanente e à área de reserva legal, reconhecendo que na sua propriedade não existe área de preservação permanente e sim área de reserva legal, com a seguinte afirmação: "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender." Alegou ainda que pelo fato de seu imóvel está em uma área denominada Amazônia Legal estaria excluído da tributação do ITR: "sendo portanto, lícito à contribuinte excluir da tributação 80% da área total do imóvel de sua propriedade." decorrente da reserva legal existente no referido imóvel, embasando seus argumentos no § 1°, inciso II, do art. 10, da Lei n.° 9.393/96 e nos art. 1° e 16, inciso I, da Lei n.° 4.771/1965. No tocante ao argumento da Recorrente de que 80% da área total do seu imóvel estaria excluído da tributação pelo fato de estar localizado na Amazônia Legal, não merece acolhida, pois a Lei n.° 4.771/1965, Código Florestal, estabeleceu condições e obrigações para efeito de caracterização e proteção das florestas e demais formas de vegetação que compõem o meio ambiente, enquanto que, por outro lado, a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996, art. 10, inciso II, estabeleceu como estas áreas estariam excluídas da base de incidência do ITR. Dessa forma, para efeito do reconhecimento como área de proteção ambiental e também para exclusão da base tributável do ITR, fazse necessário cumprir requisitos legais para tal reconhecimento, como averbação da área de reserva legal e a entrega do Ato Declaratório Ambiental que teve a sua obrigatoriedade instituída pelo § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382/2002. Assim, no caso da Área de Reserva Legal, para efeito de sua caracterização, cabe observar o contido nos § 4º e § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, que determina, além da exigência do interesse ecológico, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10320.002599/200651 Acórdão n.º 2202005.139 S2C2T2 Fl. 5 7 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). (grifei). § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). (grifei). Além disso, para efeito de desoneração do ITR da área correspondente à reserva legal, de que trata o disposto na alínea 'a', no inciso II, no §1º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96, cabe observar que a área de reserva legal deve estar averbada antes de ocorrência do fato do gerador do ITR, conforme determina o disposto no §1º, do art. 12 do Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002. Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Isto posto, notase que a averbação no registro público da área de reserva legal é condição sine qua non para se obter a redução do ITR, nos termos estabelecidos pelas Leis nº 4.771/65 e nº 9.393/96 e pelo Decreto n° 4.382/2002. Entretanto, nem na impugnação e nem no recurso voluntário, a contribuinte não logrou êxito em comprovar de que houve averbação da reserva legal antes do lançamento do tributo, por isso os argumentos apresentados pela Recorrente não merecem prosperar. Assim sendo, rejeito os argumentos HTM Engenharia de Projetos Ltda de que 80% do seu imóvel estaria excluído da base tributável do ITR, apenas por fazer parte da Amazônia Legal. Das Definições e o Alcance dos Institutos do Direito Ambiental A Recorrente alegou que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...):" Fl. 142DF CARF MF 8 Entretanto, a recorrente apresentou suas alegações, mas não apontou qual foi o instituto que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado nos termos do art. 110 do CTN. Por isso, tal questionamento, da forma como apresentado, sem apontar qual foi a alteração promovida pela lei, fica caracterizado como uma argumentação genérica. Contudo, observando a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996 que "Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências." percebese que não há qualquer alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, como previsto no referido art. 110 do CTN. Além disso, se a Recorrente ao afirmar que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...):" pretendia questionar o ato legal em si, neste caso, poderia estar diante de pretensa alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Dessa forma, se fosse o caso de possível alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade, não cabe examinar tal alegação, pois extrapola os limites da competência do julgador administrativo, uma vez que a instância administrativa está adstrita à aplicação da lei, enquanto que fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Até porque, não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão somente dar aplicação aos comandos legais e que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o . O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (NR) Assim sendo, rejeito o argumento da recorrente de que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado o disposto do art. 110 do CTN. Contudo, deixo de examinar a alegação, caso tivesse a intenção de questionar possível ilegalidade ou inconstitucionalidade Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10320.002599/200651 Acórdão n.º 2202005.139 S2C2T2 Fl. 6 9 do ato, por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Da Jurisprudência Em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, no caso das jurisprudências, cabe tão somente ao conselheiro do CARF, o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Assim, entendo que a jurisprudência trazidos aos autos pela recorrente não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Em relação ao argumento de que "o Auditor Fiscal no auto de infração, e os Julgadores Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão proferida, com esse entendimento, presumiram se tratar de declaração fraudulenta do contribuinte, quando excluiu da base de cálculo do Imposto Territorial Rural parcela do seu patrimônio a titulo de reserva legal.", entendo que este argumento não procede, uma vez que o julgador explicou que a multa de ofício foi aplicada no percentual mínimo de 75%, porque não houve intuito de fraude. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720144/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. EMPRESA DECLARADA INIDÔNEA POSTERIORMENTE AOS FATOS APURADOS. EFEITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES E/OU DO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Em princípio, o adquirente de boa fé está protegido da declaração de inaptidão de seus fornecedores, quando ocorrida após a operação, não podendo os documentos fiscais emitidos serem automaticamente considerados inidôneos com base no Ato Declaratório que declarou a inaptidão da empresa fornecedora. Não obstante, se detectada a existência de outros indícios de que, ao tempo das operações retratadas nas notas fiscais emitidas, a empresa fornecedora era inexistente de fato ou que não apresentação condições operacionais para o fornecimento dos produtos vendidos, e/ou ainda, quando não comprovado o efetivo recebimento das mercadorias e/ou o efetivo pagamento pelo adquirente, possam as respectivas operações considerarem-se não comprovadas e, portanto, não surtirem efeitos fiscais.
JUROS SOBRE A MULTA SELIC. LEGALIDADE.
É legal a exigência de juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF 108)
Numero da decisão: 1302-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. EMPRESA DECLARADA INIDÔNEA POSTERIORMENTE AOS FATOS APURADOS. EFEITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES E/OU DO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Em princípio, o adquirente de boa fé está protegido da declaração de inaptidão de seus fornecedores, quando ocorrida após a operação, não podendo os documentos fiscais emitidos serem automaticamente considerados inidôneos com base no Ato Declaratório que declarou a inaptidão da empresa fornecedora. Não obstante, se detectada a existência de outros indícios de que, ao tempo das operações retratadas nas notas fiscais emitidas, a empresa fornecedora era inexistente de fato ou que não apresentação condições operacionais para o fornecimento dos produtos vendidos, e/ou ainda, quando não comprovado o efetivo recebimento das mercadorias e/ou o efetivo pagamento pelo adquirente, possam as respectivas operações consideraremse não comprovadas e, portanto, não surtirem efeitos fiscais. JUROS SOBRE A MULTA SELIC. LEGALIDADE. É legal a exigência de juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF 108) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 44 /2 01 6- 94 Fl. 13908DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.909 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. Fl. 13909DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.910 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0274.691, proferido em 19/09/2017, pela 10ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve os lançamento de IRPJ e CSLL, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 Não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, nos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços não comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo. O lançamento efetuado decorre da glosa de custos relacionados à aquisições de insumos, nos anos de 2011 e 2012, junto aos fornecedores FIRMOPLAST, DOXIPLAS e IPETEC, cujos pagamentos a fiscalização entendeu não terem sido comprovados pelo sujeito passivo, concluindo por considerálos "desnecessários a atividade operacional da empresa", conforme conclusão extraída do Termo de Verificação Fiscal, verbis: [...] Conforme registrado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº04, lavrado em 19/092016, estamos CONSTATANDO a falta de comprovação da efetividade dos pagamentos realizados em 2011 e em 2012 para os fornecedores FIRMOPLAST COM. IMP. EXP. THERM. (CNPJ 11.747.386/00116), DOXIPLAS COM. IMP. E EXP. PLAST (CNPJ. 11.338.240/000121) e IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA (CNPJ nº 13.523.960/000188), presumindose que esses dispêndios não confirmaram a extinção da sua obrigação comercial, conforme registrado na contabilidade. A falta desses meios probatórios, com a indicação de quais cheques foram utilizados para o pagamento de suas obrigações comerciais, compromete a validade de suas declarações, tornando esses registros e as operações a eles vinculados, como desnecessários à atividade operacional da empresa, nos termos do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999: […] Apesar de contestado pelo contribuinte, suas justificativas não foram suficientes para esclarecer a falta de comprovação dos pagamentos realizados, uma vez que não foram apresentados documentação hábil e idônea para fundamentar os argumentos expendidos, a não ser os próprios registros contábeis. [...] Fl. 13910DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.911 4 Constatada a indedutibilidade das despesas incorridas com os fornecedores FIRMOPLAST, IPETEC e DOXIPLAS, tornandoas desnecessárias (por presunção) à atividade operacional do sujeito passivo, estaremos efetuando o seu levantamento para fins de ajuste na base de cálculo do IRPJ e CSLL. [...] Cientificada da decisão de primeiro grau em 28/09/2017 (Termo de Ciência, fls. 533), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 641/682), em 30/10/2017 (Termo de Solicitação de Juntada, fls. 534), no qual alega, em síntese: Preliminarmente a) a nulidade do lançamento, por cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista a utilização de documentos, pela fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal, que não foram apresentados à recorrente, assim descritos: (i) dossiê encaminhado pelo Serviço de Programação da Delegacia (item 1 do Termo de Verificação Fiscal); (ii) documentos coletados no curso da operação da Polícia Federal denominada “Lava Rápido”, que visou a averiguação de irregularidades financeiras junto ao grupo econômico ligado ao Sr. Antonio Honorato Bergamo (item 2 do Termo de Verificação Fiscal) e (iii) Ofícios GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP nº 0005/2016, de 26/02/2016, GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP nº 0006/2016, de 26/02/2016, GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP nº 0016, de 25/04/2016, e Ofício GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP nº 0023/2016, de 25/05/2016 (subitens III, VII e XI do item 30 repetido do Termo de Verificação Fiscal); b) que não pode prosperar o entendimento do acórdão recorrido de que tais documentos somente serviram à instauração do procedimento fiscal, não tendo fundamentado à exigência; c) que a fiscalização presumiu, com base nos documentos citados, que a recorrente estaria envolvida em supostas operações fraudulentas realizadas pelo grupo econômico ligado ao Sr. Antonio Honorato Bergamo, fato sequer comprovado com a lavratura do auto de infração; d) que o lançamento é nulo, por cerceamento ao direito de defesa, pois foi efetuado praticamente com base nas informações parciais prestadas pelas Instituições Financeiras Itau e Santander, que jamais deveriam fundamentar a peça punitiva, pois: i) com relação à informação prestada pelo Banco Itau, quanto a inexistência de contas da empresa FIRMOPLAST, nos anos de 2011 e 2012, esta seria irrelevante, na medida em que a recorrente somente efetuou transferências bancárias para aquele fornecedor no início de 2010, sendo que os demais pagamentos foram efetuados mediante troca de cheques próprios e de terceiros e compensações de créditos e débitos existentes entre as empresas da Recorrente; ii) quanto à informação prestada pelo Banco Itaú, concernente à conta nº 021623 ag. 0771, que seria de uma pessoa física e não do fornecedor IPETEC, a recorrente fez transferências para esta conta apenas em 07/2012, sendo que não poderia ter informações sobre a destinação dos recursos, não disponível aos emitentes dos cheques; Fl. 13911DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.912 5 iii) que com relação aos fornecedores DOXAPLAS e DOXAPLAS RESINAS, tratamse de duas empresas com CNPJ distintos, sendo que o Ofício enviado pela fiscalização mencionou apenas a segunda (CNPJ/MF nº 15.181.048/000121), que operou somente no ano de 2012, razão pela qual o Banco Santander informou não ter encontrado informações sobre a conta informada no referido Ofício, sendo que o correto seria ter sido expedido Ofício para obtenção de informações da DOXAPLAS (CNPJ 11.388.240/000121) e, ainda, o Ofício sequer mencionou a agência e conta corretamente, quais sejam, agência 1.752 e conta corrente 000130028126. Que a empresa DOXAPLAS foi o fornecedor da recorrente no ano 2011, sendo que os pagamentos efetuados a este fornecedor foram realizados por meio da conta 7.01182397 da agência 1.252 do Banco Real, que em razão da fusão com o Santander, passou a ser respectivamente 130026760 e 4.252; e) que o lançamento é nulo, uma vez que a fiscalização foi parcial na medida em que: i) utilizou sua escrita fiscal para glosar as despesas incorridas com as aquisições de mercadorias, mas não a utilizou para comprovar que houve a contrapartida de produção/saída das mercadorias que entraram em seu estabelecimento, o que demonstraria, a real operação da recorrente e, portanto, na necessidade da despesa incorrida com as referidas aquisições; ii) que a fiscalização apegouse tão somente à suposta ausência de comprovação dos pagamentos realizados, desconsiderando a escrituração fiscal da recorrente, que foi utilizada para a glosa ora mencionada; iii) que a autoridade fiscal pode constatar por meio da escrita fiscal da recorrente todas as operações realizadas, mediante a verificação de seus livros fiscais (Entradas e MOD 03) e contábeis (Diário e Razão) e documentos (notas fiscais, recibos de transporte, indicação de condutor e cadastros SINTEGRA e CNPJ), pelos quais restaram comprovadas todas as entradas realizadas no estabelecimento da recorrente; f) que é nulo o acórdão recorrido por alterar o fundamento do lançamento, ao reputar que a escrituração contábil e fiscal da recorrente não estaria amparada em documentação hábil, fato não apontado pela autoridade fiscal que, inclusive utilizou a escrituração contábil para efetuar as glosas; Mérito g) que as operações foram inequivocamente realizadas, mediante: i) A regularidade fiscal dos fornecedores citados nos autos, por meio de consulta ao SINTEGRA (Cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo) bem como ao CNPJ (Secretaria da Receita Federal do Brasil) emitidos à época dos fatos e entregues à fiscalização; ii) Cópias das notas fiscais de aquisição das mercadorias; Fl. 13912DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.913 6 iii) Cópias dos recibos de transporte, identificando a placa do veículo e o nome e documento de seu condutor; iv) Cópias do Livro Razão, contendo os lançamentos contábeis representativos da totalidade das compras escrituradas na EFD, bem como dos lançamentos das liquidações (pagamentos) correspondentes; v) A regularidade fiscal na escrituração fiscal das compras realizadas das matérias primas adquiridas; vi) Livros fiscais de Registro de Entradas; vii) Livro Registro de Controle de Produção e Estoque; h) que os referidos documentos comprovam que as operações realizadas efetivamente ocorreram e estiveram sempre amparadas pela documentação comercial e fiscal normalmente exigida nesse tipo de operação, não podendo lhe ser imputada qualquer responsabilidade em razão do Fisco considerar inidôneos os documentos fiscais emitidos pelas empresas FIRMOPLAST, DOXAPLAS e IPETEC; i) que já havia carreado aos autos, a título exemplificativo, cópias de cheques que comprovavam parte das despesas incorridas com as aquisições das mercadorias, mas aproveita o ensejo para carrear aos autos um volume maior de cópias de cheques e extratos que comprovam que os valores foram efetivamente debitados e o preço pago; j) que tanto está de boafé que a própria fiscalização, como visto, comprovou, por meio de Termo de Constatação Fiscal que seu estabelecimento é (i) existente, (ii) operacional, (iii) que adquire insumos e outras mercadorias relacionadas a adquiridas junto aos fornecedores considerados inidôneos; (iv) que mantém controle de estoque e da linha de produção e; (v) possui máquinas e equipamentos para a realização do seu objeto social etc. k) que se tivesse agido de máfé, o Fisco teria lhe imputado a multa qualificada, o que não ocorreu no presente caso; l) que as despesas são necessárias e usuais, devidamente escrituradas e as mercadorias foram utilizadas na sua atividade produtiva ; m) que só tomou conhecimento da declaração de irregularidade fiscal dos fornecedores quando da autuação, sendo que a declaração de inaptidão é de responsabilidade exclusiva do Fisco, não podendo ser aplicadas retroativamente; n) que a empresa FIRMOPLAST, embora o TVF informe que a mesma foi declarada inexistente de fato, o seu CNPJ permanece como regular e ativo; o) que a empresa IPETEC somente foi declarada Inapta em 11/05/2017, sendo que o lançamento se reporta aos anos de 2011 e 2012; p) que as empresas DOXAPLAS e DOXAPLAS RESINAS, ambas as empresas citadas no Termo de Verificação Fiscal tiveram seus CNPJs baixados por requerimento do contribuinte e não do Fisco e posteriormente às operações realizadas com a recorrente; Fl. 13913DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.914 7 q) que a aplicação retroativa efetuada pelo Fisco esvaziou qualquer possibilidade de salvaguarda que a recorrente poderia ter, visto que ao verificar a situação fiscal do seu fornecedor no CNPJ e no SINTEGRA à época das operações, os cadastros estavam plenamente habilitados, tanto que foram emitidas notas fiscais eletrônicas; r) que é ilegal a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Ao final requer, verbis: Ante o exposto, requer a RECORRENTE que sejam acolhidas as preliminares relativas ao lançamento fiscal, declarando sua nulidade material. Caso assim não se entenda, o que se diz em homenagem ao princípio da eventualidade, devese decretar a nulidade da decisão de primeira instância, por violação ao artigo 146 do CTN e artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, devendo retornar o Processo Administrativo em epígrafe para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de forma que novo acórdão seja proferido. Caso as preliminares suscitadas não sejam acolhidas – afirmação esta feita apenas em amor ao debate – requerse a reforma integral do v. acórdão recorrido, cancelandose integralmente o lançamento tributário guerreado, em virtude da comprovação incontestável da boafé da RECORRENTE lastreada na comprovação das operações de aquisição de mercadorias, as quais ensejaram as despesas glosadas nos anos de 2011 e 2012, bem como na impossibilidade do Fisco empregar efeito retroativo à presunção de inidoneidade dos fornecedores. Por fim, há de se excluir a incidência de juros sobre a multa, tendo em vista a inexistência de previsão legal para tanto, o que já está espelhado em jurisprudência administrativa consolidada. Na sessão de julgamento de 17 de agosto de 2018, este colegiado houver por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1302000.633, verbis: Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, determinandose o retorno dos autos a unidade da RFB responsável pelo lançamento, para que seja designada autoridade fiscal para: a) que junte aos autos cópia da Representação Fiscal de Inaptidão da empresa FIRMOPLAST COM. IMP. E EXP. DE THERMOPLÁSTICOS LTDA CNPJ. 10.460.372/000154, e respectivo Ato Declaratório que tenha determinado sua baixa dos cadastros do CNPJ, se expedido; b) que junte aos autos o histórico da situação cadastral das empresas fornecedoras, mencionadas no TVF (FIRMOPLAST COM. IMP. E EXP. DE THERMOPLÁSTICOS LTDA CNPJ. 10.460.372/000154, DOXAPLAS COM. DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA CNPJ 15.181.046/000121; DOXAPLAS COM. IMP. E EXP. DE PLASTICOS LTDA CNPJ 11.338.240/000121, e IPETEC IND. PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA CNPJ. 13.523.960/000188) perante o CNPJ e Sintegra, cujas notas fiscais foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, seja nos períodos fiscalizados (2011 e 2012), seja após eles, no caso de ter havido registro retroativo de irregularidade fiscal ou inaptidão pelos fiscos federal e/ou estadual; Fl. 13914DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.915 8 c) juntar aos autos cópias das DIPJ e DCTF da contribuinte, ora recorrente, relativas aos anoscalendário 2011 e 2012; c) que intime a contribuinte, ora recorrente: c.1) a juntar aos autos: cópias dos registros contábeis (Livros Diário e Razão) nas quais estão registradas as operações de aquisição e de quitação das compras junto aos fornecedores (partidas e contrapartidas), cópias dos Balanços Patrimoniais e Demonstrações de Resultado do Exercício dos anoscalendário 2011 e 2012; cópias do Livro de Controle de Produção e Estoque (mod. 03); cópias do Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, dos anoscalendário 2011 e 2012; e cópias das notas fiscais relativas às despesas/custos objeto da glosa. c.2) apresentar planilha vinculando os pagamentos registrados na sua escrituração contábil às respectivas notas fiscais (objeto da glosa pela fiscalização), identificando em relação a cada uma delas, a forma de quitação feita ao fornecedor, inclusive identificando e vinculando a cada uma delas os meios utilizados para quitação (transferências bancárias, cheques emitidos, cheques de terceiros, etc). Os documentos coletados devem ser anexados aos autos de forma ordenada e com a perfeita identificação de cada tipo de documento. Ao final, a autoridade fiscal deve elaborar relatório conclusivo, identificando os elementos carreados aos autos, do qual deve ser dada ciência à contribuinte para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. Concluídas as providências, o processo deve retornar a este relator para prosseguimento do julgamento. A autoridade fiscal encarregada das diligências junto aos autos o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 9466/9472), mediante o qual descreve os procedimentos adotados na diligência e a documentação acostada aos autos, concluindo, verbis: Diante do exposto, concluímos nossa instrução processual destacando: 1) Foram anexados ao processo n° 10932.720.144/201 694 todos os documentos fiscais solicitados pelo Órgão Julgador, com exceção da planilha requisitada no ítem "c.2"; 2) A efetividade dos pagamentos realizados aos fornecedores FIRMOPLAST, IPETEC e DOXAPLAS não foram (sic) comprovados com documentação hábil e idônea, apesar do contribuinte ter sido insistentemente intimado para esta finalidade; 3) A declaração da inatividade dos fornecedores FIRMOPLAST (16/10/2018) e IPETEC (13/12/2017), por terem sido considerados "Inexistentes de Fato", mesmo após a constituição do crédito tributário, demonstram a incapacidade operacional destas empresas em produzir as mercadorias que foram adquiridas e Fl. 13915DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.916 9 registradas na escrita fiscal e contábil da PLASTER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA. Diante do exposto e atendendo à determinação resolutiva do CARF n° 1302 000.633, estamos intimando o contribuinte para, caso entenda necessário e conveniente, se manifestar a respeito das conclusões elaboradas na presente diligência fiscal. Cientificada do termo de encerramento da diligência, a interessada apresentou manifestação (fls. 13900/13907), na qual traz, em síntese, as seguintes observações e alegações: a) que, em que pese o curto prazo concedido para levantamento das informações, a afirmação de que a efetividade dos pagamentos não foi comprovada com documentação hábil e idônea não possui o mínimo lastro fático e jurídico para ser acolhida, somente podendo decorrer da ausência de qualquer análise das mais de oito mil páginas de documentos juntados no exíguo prazo de um dia entre a juntada dos documentos e a manifestação da autoridade fiscal; b) que uma simples análise dos documentos de fls. 3792/4528 do processo já demonstram a existência de centenas de documentos contendo boletos bancários associados às notas fiscais objeto de glosa pela autoridade fiscal e seus respectivos comprovantes de pagamento, além de outros documentos já apresentados (fls. 386/410, 416/439, 542/638) e dos esclarecimentos efetuados no curso do processo; c) que o entendimento da autoridade fiscal de que a declaração de inatividade dos fornecedores Firmoplast (16/10/2018) e IPETEC (13/12/2017) demonstrariam a incapacidade operacional destas empresas em produzir as mercadorias que foram adquiridas e registradas na escrita fiscal e contábil da Plaster não encontra amparo na realidade fática ou jurídica; d) que em nenhum dos casos a declaração de inaptidão retroage às datas das operações objeto do auto de infração, realizadas entre 2011 e 2012. o que já tornaria insubsistente o auto de infração, conforme a jurisprudência que cita; e) que não se encontra devidamente demonstrada qualquer negligência da recorrente em relação aos seus procedimentos e controles internos para verificar a idoneidade de seus fornecedores, cujas notas fiscais foram emitidas na forma da lei e juntadas ao presente processo; f) que possui estabelecimento físico, estrutura, mão de obra e faturamento compatíveis com o volume de operações contabilizados, o que se encontra em equilíbrio com o referido custo operacional, fato que ficou corroborado e registrado no próprio trabalho fiscal; g) que esses fatos são comprovados também mediante os registros contábeis juntados (Livros Razão e Diário), assim como o Livro de Controle de Produção e Estoque, cuja regularidade foi constatada ás fls. 226/227 e que são inteiramente compatíveis entre si e com as informações e comprovantes de pagamento apresentadas; h) que fatos posteriores às datas das operações e até mesmo ao início do procedimento fiscal não podem ser utilizados para desconsiderar todo o conjunto probatório que demonstra a efetividade das operações e a boafé da recorrente, inclusive porque a própria Fl. 13916DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.917 10 autoridade fiscal teria reconhecido que o recebimento dos bens está comprovado, o que demonstra a contradição do auto de infração e sua consequente insubsistência; i) que é fato incontroverso, que havia estoque na empresa, utilizado para produção, comercialização, que geraram saídas de mercadorias. j) que, se a autoridade fiscal considerou os livros contábeis da empresa como legítimos, não teria fundamento para desconsiderar as despesas realizadas e a existência de estoque; k) que há ampla prova no processo sobre as operações realizadas em seus livros fiscais (Entradas e MOD 03) e contábeis (Diário e Razão) e documentos (notas fiscais, recibos de transporte, indicação de condutor e cadastros SINTEGRA e CNPJ), além dos comprovantes de pagamentos juntados e reconhecimento da aptidão dos fornecedores à época das operações; l) que , pelos documentos presentes no processo resta firme e consistente que as operações realizadas pela Plaster possuem adequado suporte documental, de modo que não merece prosperar o auto de infração que aduziu ausência de comprovação dos pagamentos realizados. É o relatório. Fl. 13917DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.918 11 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. Preliminares A recorrente alinha em seu recursos diversas alegações de nulidade da autuação. A primeira alegação de nulidade se refere à existência de cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista a utilização de documentos, pela fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal, que não foram apresentados à recorrente. Entendo que a alegação foi bem analisada e corretamente rejeitada no acórdão recorrido, pelo que transcrevo e adoto seus fundamentos para, também, rejeitála, verbis: Em sua defesa, requer a impugnante, preliminarmente, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Argumenta que o TVF cita e se fundamenta em documentos aos quais não teve acesso em nenhum estágio da fiscalização. Questiona ainda a requisição de informações a instituições financeiras sem observância do Decreto 3.724, de 2001. Ocorre que os documentos mencionados pela defesa – dossiês e documentos produzidos no âmbito de operação da Polícia Federal – tão somente motivaram o início do procedimento fiscal, por conterem indícios de utilização de notas ficais inidôneas por parte da fiscalizada. Introdutoriamente referidos no TVF, tais elementos não fundamentaram as exigências fiscais. Em verdade, como relatado, a falta de comprovação da efetividade dos pagamentos registrados na contabilidade da empresa constituiu o fundamento de fato para o lançamento. Ademais, do exame dos autos, observase que, no curso da ação fiscal, diversas intimações foram expedidas para a fiscalizada, dandolhe oportunidade para que apresentasse os documentos que confirmassem valores lançados em sua escrituração contábil e prestasse os esclarecimentos devidos. Foram lavrados ainda Termos de Constatação Fiscal, com descrição minuciosa dos fatos apurados no decorrer da auditoria, dos quais a empresa foi cientificada, com abertura de prazo para produção de provas. Assim, embora o procedimento de fiscalização tenha caráter essencialmente inquisitorial, mesmo naquela fase, não se observa qualquer cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Acrescentese que, ao contrário do que afirma a defesa, as requisições de informações cadastrais feitas às instituições financeiras foram juntadas aos autos, conforme fls. 179 a 196, e, portanto, restaram devidamente franqueadas à impugnante. De outro lado, assinalese que tais requisições estão autorizadas pelo artigo 12 da Lei Complementar 73, de 2001, in verbis: Fl. 13918DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.919 12 [...] Acrescento apenas, com relação aos ofícios encaminhados às instituições bancárias para confirmação da existência e titularidade das contas bancárias para as quais a recorrente teria efetuado transferências em pagamentos aos fornecedores, que os documentos constam dos autos e a recorrente foi intimada a se manifestar acerca de seu conteúdo, inclusive durante o procedimento fiscal, de sorte que não existiu qualquer prejuízo a sua defesa. Quanto ao mérito das informações prestadas pelas instituições financeiras serem parciais, segundo alega a recorrente, entendo que não seria causa de nulidade, mas questão de mérito a ser examinada em momento oportuno. Na sequência, a recorrente alega que o lançamento é nulo, uma vez que a fiscalização foi parcial na medida em que teria utilizado sua escrita fiscal para glosar as despesas incorridas com as aquisições de mercadorias, mas não a utilizou para comprovar que houve a contrapartida de produção/saída das mercadorias que entraram em seu estabelecimento, o que demonstraria, a real operação da recorrente e, portanto, na necessidade da despesa incorrida com as referidas aquisições. Também não enxergo nulidade no procedimento fiscal quanto ao ponto alegado. Tratase, mais uma vez de argumento de mérito, que não enseja a nulidade do lançamento; no máximo, se acolhido o argumento, poderia caracterizar a insuficiente demonstração da infração. Por fim, a recorrente alega, como preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por alterar o fundamento do lançamento, ao reputar que a escrituração contábil e fiscal da recorrente não estaria amparada em documentação hábil, fato não apontado pela autoridade fiscal que, inclusive utilizou a escrituração contábil para efetuar as glosas. Mais uma vez, carece de razão a recorrente. O acórdão recorrido, examinando o conjunto probatório trazido aos autos, considerou que o recorrente "não se desincumbiu do ônus de efetivamente comprovar os pagamentos em questão", acentuando que, "Para tanto, não basta a escrituração dos montantes na contabilidade da empresa, uma vez que a escrituração somente faz prova em favor do sujeito passivo se estiver lastreada em documentação hábil, conforme preceitua o artigo 9º do DecretoLei nº 1.598, de 1977". Este foi exatamente o fundamento do lançamento. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão guerreado. Mérito Nas suas razões de mérito, a recorrente alega que todas as operações estariam comprovadas por documentação hábil e idônea e que tanto as aquisições quanto os pagamentos encontramse devidamente registrados em seus livros contábeis e fiscais, devidamente apresentados à fiscalização. Sustenta que os referidos documentos comprovam que as operações realizadas efetivamente ocorreram e estiveram sempre amparadas pela documentação Fl. 13919DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.920 13 comercial e fiscal normalmente exigida nesse tipo de operação, não podendo lhe ser imputada qualquer responsabilidade em razão do Fisco considerar inidôneos os documentos fiscais emitidos pelas empresas FIRMOPLAST, DOXAPLAS e IPETEC e, que só tomou conhecimento da declaração de irregularidade fiscal dos fornecedores quando da autuação, sendo que a declaração de inaptidão é de responsabilidade exclusiva do Fisco, não podendo ser aplicadas retroativamente. Alega que já havia carreado aos autos, na impugnação, a título exemplificativo, cópias de cheques que comprovavam parte das despesas incorridas com as aquisições das mercadorias, mas aproveita o ensejo para carrear aos autos um volume maior de cópias de cheques e extratos que comprovam que os valores foram efetivamente debitados e o preço pago. Reafirma sua boafé, uma vez que a própria fiscalização comprovou, por meio de Termo de Constatação Fiscal que seu estabelecimento é (i) existente, (ii) operacional, (iii) que adquire insumos e outras mercadorias relacionadas a adquiridas junto aos fornecedores considerados inidôneos; (iv) que mantém controle de estoque e da linha de produção e; (v) possui máquinas e equipamentos para a realização do seu objeto social etc. E, que se tivesse agido de máfé, o Fisco teria lhe imputado a multa qualificada, o que não ocorreu no presente caso; Defende que as despesas são necessárias e usuais, devidamente escrituradas e as mercadorias foram utilizadas na sua atividade produtiva. Ao analisar inicialmente os elementos dos autos, entendi que o processo carecia de melhor instrução com vistas a elucidação das matérias em litígio, sendo o julgamento convertido em diligência, conforme relatado. A autoridade fiscal encarregada das diligências juntou aos autos os elementos solicitados, destacando apenas a ausência de apresentação por parte da interessada da planilha solicitada por este colegiado no item c.2 da Resolução1, e concluiu que: · A efetividade dos pagamentos realizados aos fornecedores FIRMOPLAST, IPETEC e DOXAPLAS não foram (sic) comprovados com documentação hábil e idônea, apesar do contribuinte ter sido insistentemente intimado para esta finalidade; e · A declaração da inatividade dos fornecedores FIRMOPLAST (16/10/2018) e IPETEC (13/12/2017), por terem sido considerados "Inexistentes de Fato", mesmo após a constituição do crédito tributário, demonstram a incapacidade operacional destas empresas em produzir as mercadorias que foram adquiridas e registradas na escrita fiscal e contábil da PLASTER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA. A recorrente, intimada do termo de encerramento da diligência, apresentou manifestação na qual refuta as conclusões da autoridade fiscal quanto à falta de comprovação da efetividade dos pagamentos, que estaria comprovada pela farta documentação acostada aos 1 c.2) apresentar planilha vinculando os pagamentos registrados na sua escrituração contábil às respectivas notas fiscais (objeto da glosa pela fiscalização), identificando em relação a cada uma delas, a forma de quitação feita ao fornecedor, inclusive identificando e vinculando a cada uma delas os meios utilizados para quitação (transferências bancárias, cheques emitidos, cheques de terceiros, etc). Fl. 13920DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.921 14 autos, creditando tal conclusão ao açodamento no encerramento da diligência, ao que atribui a falta de exame dos documentos anexados. Reafirma, sua condição de adquirente de boafé, ressaltando que a declaração de inaptidão dos fornecedores não pode retroagir à data dos fatos apurados e reitera que a efetividade das operações estão devidamente comprovadas pelos elementos dos autos. Cumpridas as diligências, cabe analisar os elementos dos autos com vistas à conclusão quanto à idoneidade ou não dos custos glosadas. Antes, porém, de adentrar às particularidades envolvendo cada um dos fornecedores e respectivas aquisições, impõese fazer alguma considerações em caráter geral, em face das alegações da recorrente com esse mesmo alcance. Primeiro, a recorrente sustenta sua boafé que estaria evidenciada no fato de a própria fiscalização, ter atestado que: seu estabelecimento é existente, estar em operação, adquirir insumos e outras mercadorias relacionadas às adquiridas junto aos fornecedores considerados inidôneos; que mantém controle de estoque e da linha de produção e; que possui máquinas e equipamentos para a realização do seu objeto social. Quanto à existência real da interessada e à sua efetiva operacionalidade relacionadas à compra e venda dos produtos da mesma natureza dos que foram glosados não há qualquer acusação por parte da fiscalização. O que a autoridade fiscal aponta é o registro de alguns custos cuja aquisição efetiva, pelos indícios que aponta, não foram comprovados, daí sua glosa. Sobre a afirmação de que já havia carreado aos autos, a título exemplificativo, cópias de cheques que comprovavam parte das despesas incorridas com as aquisições das mercadorias e que teria aproveitado o recurso voluntário para carrear aos autos um volume maior de cópias de cheques e extratos que comprovam que os valores foram efetivamente debitados e o preço pago, cabem duas observações. As cópias de cheques emitidos no mês de julho de 2012, todos com valor inferiores à R$ 5.000,002, juntadas às fls. 385/440, sem indicação dos beneficiários, não permitem sua vinculação para pagamento de quaisquer um dos fornecedores que tiveram o custo referente suas fiscais de venda glosados. Ao contrário do que afirma, não há qualquer extrato juntado aos autos com a impugnação, assim como não foram trazidos novos elementos junto com o recurso voluntário. No que tange à alegação de que declaração de inaptidão dos fornecedores mencionados (Firmoplast e Ipetec) não poderem retroagir seus efeitos à data das operações, cumpre destacar que: 1. De fato, em princípio, o adquirente de boa fé está protegido da declaração de inaptidão de seus fornecedores, quando ocorrida após a operação, não podendo os documentos fiscais emitidos serem automaticamente considerados inidôneos com base no Ato Declaratório que declarou a inaptidão da empresa fornecedora; 2 São várias cópias de cheques emitidos nos valores individuais de R$ 4.893,12 ou R$ 4.939,96. Fl. 13921DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.922 15 2. Não obstante, se detectada a existência de outros indícios de que, ao tempo das operações retratadas nas notas fiscais emitidas, a empresa fornecedora era inexistente de fato ou que não apresentação condições operacionais para o fornecimento dos produtos vendidos, e/ou ainda, quando não comprovado o efetivo recebimento das mercadorias e/ou o efetivo pagamento pelo adquirente, podem as respectivas operações consideraremse não comprovadas e, portanto, não surtirem efeitos fiscais. Assentadas tais premissas, cumpre analisar as glosas efetuadas em face da cada fornecedor. Fornecedor: Firmoplast A autoridade fiscal apontou no TVF (fls. 224/226) a existência de Representação Fiscal para fins de baixa do CNPJ da empresa Firmoplast (fls. 763/768), na qual são apontados diversos indícios da inexistência de fato daquela empresa, da qual colhemse: a) indício de que as sócias indicadas nos atos constitutivos da empresa, tanto à época dos fatos, quanto por ocasião de diligência realizada em 2013 e que deu azo à representação, seriam interpostas pessoas do real proprietário, Sr. Antônio Honorato Bérgamo; b) o imóvel locado em nome da empresa Firmoplast em 12/2010 foi intermediado pela cooperativa de algodão sediada em Atibaia/SP, de propriedade do Sr. Antonio Honorato Bérgamo, sendo este e sua cooperativa responsáveis pela locação em nome da Formoplast; c) em diligência no endereço cadastral da empresa constatouse que outra empresa (QUATRIPLASTIC INJEÇÃO DE PEÇAS TÉCNICAS LTDA) ocupa a parte da frente do imóvel em que a Firmoplast estaria estabelecida. O gerente/diretor da empresa QUATRIPLASTIC, Sr. Gilberto CIMA, declarou que ocupa o imóvel desde 1997 e que nunca viu nunca presenciou a entrada e saída de clientes, mercadorias nem funcionários nas dependências alugadas pela Firmoplast; que apenas uma funcionária aparecia por lá uma vez por semana para atender telefonemas e apanhar as correspondências que eventualmente o vizinho guardava; que há cerca de dois anos nem mesmo esta funcionária aparece mais por lá e que o local encontrase abandonado; que jamais presenciou atividade fabril nem de estocagem de mercadorias no local; c) na operação LavaRápido, deflagrada pela Polícia Federal Especializada no combate a crimes financeiros em São Paulo (DELEFIN), em 10/2012, foi preso o Sr. Antonio Honorato Bérgamo, considerado suspeito de, entre outros crimes, usar dezenas de empresas de fachada para gerar créditos tributários indevidos, entre as quais a Firmoplast sendo que os autos do inquérito policial possuem fartas evidências que demonstram que ele era o dono de fato da empresa, oculto por interpostas pessoas; d) na análise do arquivo de notas fiscais eletrônicas emitidas no período de 10/09/2011 a 10/09/2012, num total R$188,58 milhões, apurouse que cerca de 99,5% das entradas da Firmoplast tiveram como origem ela própria (matriz para matriz, operações de compra) ou empresas do grupo Bérgamo, sendo que a empresa não é importadora de bens, que seria uma das hipóteses para emissão de nota fiscal para si própria; e) que a empresa não recolheu nenhum tributo federal no período de 03/2011 a 03/2012 e nas duas únicas DCTFs entregues no período entre 09/2011 a 09/2012, a empresa Fl. 13922DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.923 16 Firmoplast ou não declara débito algum apurado ou o faz em valores ínfimos, como se estivesse inativa, como se não faturasse ou emitisse nota de venda; f) no ano de 2011 não consta informações da Firmoplast no sistema DIRF, onde seriam apontados os pagamentos para pessoas físicas e jurídicas, entre eles seus funcionários e prestadores de serviços; a empresa não entrega GFIP e não declara nenhum funcionário. g) mais discrepante ainda é a movimentação bancária da Firmoplast no período analisado, quando esperavase algo em torno de R$ 180 milhões de entradas e saídas de sua conta, em 2011, mas observando dados da DIMOF Declaração de Informações Sobre Movimentação Financeira daquele ano, verificase que o total de créditos alcança R$ 248 mil e de débitos R$ 220 mil, menos de 1 % do movimento que esperado em face do faturamento. Em que pese a representação fiscal acima tenha sido lavrada em 09/10/2013, somente em 16/10/2018 foi expedido o Ato Declaratório Executivo (fls.770), declarando a empresa Firmoplast inapta no cadastro do CNPJ e declarando inidôneos os documentos emitido pelo contribuinte a partir da data de publicação do ADE. Ainda com relação aos indícios de que a empresa Firmoplast não teria atividade efetiva, a fiscalização informa no TVF que enviou ofício ao Banco Itaú para confirmar a titularidade da conta n° 023071, Agência 0010, para a qual a contribuinte informara ter depositado recursos à este fornecedor tendo a instituição financeira informado que "após pesquisas realizadas através do CNPJ informado, não localizamos contas para o período de 2011 e 2012". Ante os fatos até então apurados, a fiscalização intimou a contribuinte a se manifestar sobre os indícios acima apontados e a comprovar a realização dos pagamentos que teriam sido feitos à empresa Termoplast, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 03, sendo reiterado no Termo de Intimação Fiscal nº 03 quanto à necessidade de confirmar/comprovar/apresentar os pagamentos em relação aos desembolsos realizados pela PLASTER para a FIRMOPLAST, utilizandose do sistema do Banco Itaú, ou mesmo efetuando diretamente ao fornecedor (em carteira), ou por outra modalidade admitida em lei, a legitimidade/validade desses valores com a finalidade de se comprovar a efetividade dos atos negociais praticados com a FIRMOPLAST (vide TVF fls. 208/211). A contribuinte respondeu estas intimações em 29/04/2016, conforme consta do TVF (fls. 211 e sgs), do qual se extrai: 1) Com respeito ao relacionamento PLASTER x FIRMOPLAST: a) Nossa empresa, atuante no mercado de matériasprimas e insumos para o segmento de plásticos, tivemos operações que atingiram os montantes de R$ 8,3 milhões e R$ 23,7 milhões de vendas em 2010 e 2011, respectivamente, e R$ 12,6 milhões, R$ 93,9 milhões e R$ 9,5 milhões, de compras em 2010, 2011 e 2012. b) Em nosso período inicial, como é prática de nossa empresa, em cautela, emitimos os comprovantes de regularidade tributária da FIRMOPLAST, disponíveis a nosso alcance, quais sejam, a pesquisa no cadastro SINTEGRA e no cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que se mostraram regulares. Fl. 13923DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.924 17 c) Como se pode observar pelos volumes acima, iniciamos com operações menores em 2010, totalizando um saldo líquido de R$ 4,3 milhões de compras, sendo que neste período inicial alguns poucos pagamentos foram liquidados através de transferências bancárias. d) Posteriormente, já no final de 2010 até 2012, os pagamentos foram realizados em carteira, em cheques próprios e de terceiros recebidos de clientes, às vezes à vista, em outras vezes na forma de prédatadas. e) Esta pratica é comum no mercado e amplamente utilizado, especialmente porque naquela época havia a cobrança de taxa bancária pelo valor do cheque emitido, o que acarretava custos adicionais à nossa atividade operacional. f) Salientamos, que esta prática de liquidação financeira é bastante utilizada no mercado, sendo que, tanto nossos fornecedores quanto nossos clientes pagavam com cheques prédatados que eram repassados para as devidas liquidações das respectivas operações comerciais. 2) Com relação à situação cadastral da FIRMOPLAST: a) Assim como citado no item 1b acima, nossa empresa sempre se preocupou com a regularidade cadastral e tributária de seus clientes e fornecedores, e dessa forma, periodicamente constatou a regularidade da FIRMOPLAST mediante a consulta no cadastro do CNPJ e SINTEGRA. b) Ressaltese que, ainda hoje a condição da FIRMOPLAST no cadastro federal do CNPJ consta como "ATIVA", transparecendo, ao nosso ver, a sua regularidade, sendo estranho a sua consideração como "inexistente de fato", especialmente à época do nosso relacionamento comercial. c) No âmbito estadual, a pesquisa no cadastro do SINTEGRA, a FIRMOPLAST está na condição de "NÃO HABILITADO", com data de situação cadastral vigentes de forma retroativa à 29/03/2010, ou seja, atingindo o período em que recebemos mercadorias. d) Ocorre, porém, que esta declaração de inabilitação foi registrada no cadastro do SINTEGRA de forma extemporânea, portanto, inaplicável em nossas operações que se revestiram de "boafé" e consubstanciadas pelas consultas realizadas à época da realização das operações. e) Ainda, em termos operacionais, informamos que as compras eram realizadas através de programações de pedidos feitos em função de nossa demanda, sendo que este relacionamento comercial era realizado com em todos os nossos parceiros, através de contatos telefônicos e visitas periódicas realizadas pelo representante da FIRMOPLAST. f) Informamos, ainda que, todas as nossas compras foram realizadas com foco em nossa segurança comercial, ou seja, eventuais liquidações só foram efetivadas após o recebimento efetivo das mercadorias, além do seu controle de qualidade. g) Ou seja, durante o período em que tivemos operações com a FIRMOPLAST, mantivemos nosso procedimento padrão que adotamos para todos os nossos fornecedores, tanto no aspecto tributário, cadastral, financeiro e de qualidade do produto. Fl. 13924DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.925 18 3) Nada temos a comentar ou manifestar à citada operação "Lava Rápido" em sua Intimação Fiscal n° 03, ocorrida em outubro de 2012, uma vez que no momento de sua realização não mantínhamos contato com a FIRMOPLAST. 4) Por fim, apresentamos para sua apreciação algumas considerações acerca deste procedimento fiscal: a) Declaramos a regularidade das operações em questão, relativas às aquisições dos insumos, devidamente comprovadas pelas: a.1 Notas Fiscais de Compras emitidas por empresa em situação regular conforme atesta os "print.s" da época das transações do cadastro da Receita Federal (CNPJ) e estadual (SINTEGRA); a.2 Total compatibilidade das mercadorias declaradas nas notas fiscais, de natureza plenamente condizente com os produtos comercializados pela PLASTER; a.3 Identificação dos veículos e condutores que transportaram os produtos; a.4 Aplicação no processo produtivo conforme Livro Fiscal Modelo 03 Controle de Estoque e Produção; b) Rogamos, ainda, a adoção, em cautela, das orientações emanadas pelo Poder Judiciário acerca de procedimentos em face de contribuinte indicado como destinatário de documento eventualmente considerado irregular de forma extemporânea, senão vejamos: b.1) O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado em 14/04/2010, nos autos do Recurso Especial 1.148.444, processado pela sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu, confirmando diversos precedentes daquela corte, que: "a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora "efetivamente realizado"), uma vez caracterizada legitima o aproveitamento dos créditos do ICMS" e que não incide, à espécie, o artigo 136 do Código Tributário Nacional" b.2 Percebese que os procedimentos administrativos carecem de alinhamento ao entendimento do Supremo Tribunal de Justiça, que decidiu que o contribuinte que comprovar a realização das operações não deverá ser apenado em razão de consideração extemporâneo de inidoneidade de documento. b.3 Assim, pedimos considerar nossa boafé, comprovada pela disponibilização de todos documentos comprobatórios da efetiva realização do negócio jurídico. b.4 Repetimos, apresentamos, nossa escrita fiscal, contábil, notas fiscais, livro fiscal comprobatório da utilização no processo (modelo 3), identificação do motorista, do condutor. b.5 Com relação aos pagamentos, declaramos nossa incapacidade de rastreamento financeiro dos recursos entregues aos nossos fornecedores, inacessíveis em virtude por sigilo protegido legalmente. b.6 Por derradeiro, apenas para ilustrar a jurisprudência, de proteção aos compradores em situação análogas, citamos o texto acerca da Súmula 509 do STJ, abaixo: Fl. 13925DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.926 19 O tema foi sumulado, ganhando o número 509 de súmula do STJ. Eis o teor do texto aprovado pela Corte Superior: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda". Portanto, a prova da compra e venda, corroborada com documentação por exemplo idônea que prova o pagamento das operações acobertadas pelas notas fiscais, posteriormente consideradas inidôneas pelo fisco, é necessária para que os creditamentos do ICMS estejam de acordo com o teor da Súmula 509 do STJ. [...] Os argumentos apresentados nesta resposta pela contribuinte foram reiterados ao longo da fiscalização e também na fase litigiosa instaurada a partir da impugnação. Não obstante os seus argumentos quanto às cautelas que teriam sido adotadas quanto à situação fiscal dos fornecedores por ocasião da compra das mercadorias e da afirmação de que restou comprovado o transporte e o ingresso das mercadorias em seus estoques, o que se tem de comprovação de fato é a emissão das notas fiscais pela empresa Termoplast. Nas notas fiscais anexadas às fls. 1530/3153 por solicitação na diligência, não constam no campo próprio, no corpo delas, os dados dos transportadores e tampouco dos veículos utilizados, havendo apenas, na sequência destas a aposição de carimbos contendo os campos: Nome, RG e Placa Veículo, que se supõe seriam os responsáveis por tal transporte. No que tange ao efetivo ingresso nos estoques, não é possível identificar por meio dos registros constantes dos Livros Modelo 03 Controle de Estoque e Produção (fls. 7675/9465, que só foram anexados ao autos por determinação na Resolução de diligências, quaisquer referências diretas às aquisições dos ditos produtos, posto que os lançamentos não fazem qualquer referência ao nome ou CNPJ dos fornecedores. Assim, o que poderia comprovar a efetividade das operações com a empresa Firmoplast seria a apresentação dos comprovantes de pagamentos que teriam sido realizados, quaisquer que fossem os meios utilizados. Na diligência determinada na Resolução nº 1302000.633, foi solicitado que o contribuinte fosse intimado a apresentar planilha vinculando os pagamentos registrados na sua escrituração contábil às respectivas notas fiscais (objeto da glosa pela fiscalização), identificando em relação a cada uma delas, a forma de quitação feita ao fornecedor, inclusive identificando e vinculando a cada uma delas os meios utilizados para quitação. Em resposta à intimação da fiscalização, a contribuinte anexou aos autos planilhas do livro Razão da conta Caixa na qual destaca "em amarelo" todos os pagamentos registrados naquela conta para o fornecedor Firmoplast. Não faz qualquer vinculação aos recursos ingressados na conta Caixa, seja oriundo de suas próprias contas bancárias, seja de recebimentos de clientes. Nenhum dos pagamentos que teriam sido efetuados à referida empresa foi realizado por intermédio do sistema bancário. Também não apresenta recibos de quitação das faturas correspondentes por parte do fornecedor. Fl. 13926DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.927 20 Nos esclarecimentos prestados à fiscalização durante o procedimento fiscal a contribuinte afirmou que no final de 2010 até 2012, os pagamentos foram realizados em carteira, em cheques próprios e de terceiros recebidos de clientes, às vezes à vista, em outras vezes na forma de prédatadas. Sustentou que esta pratica seria comum no mercado e amplamente utilizado, especialmente porque naquela época havia a cobrança de taxa bancária pelo valor do cheque emitido, o que acarretava custos adicionais à nossa atividade operacional. Assim, esta prática de liquidação financeira seria bastante utilizada no mercado e, tanto seus fornecedores quanto seus clientes pagavam/recebiam com cheques prédatados que eram repassados para as liquidações das respectivas operações comerciais. Examinando as planilhas do Livro Razão trazidas pela recorrente verificase, p. ex., no mês de janeiro de 2011 que todo o saldo existente em 31 de janeiro daquele ano foi formado pelo ingresso de recursos que seriam decorrentes da emissão de cheques da própria empresa que, descontados alguns poucos pagamentos a outros fornecedores em menor monta e as saídas para depósitos bancários, apura um saldo inicial, antes da quitação das notas fiscais da Termoplast de R$ 2.716.769,56 (fls. 1129) e, após o registro da quitação de 21 notas fiscais, num montante total de R$ 2.450.361,27, um saldo de R$ 266.408,29 (fls. 1130). Não se vislumbra qualquer registro de recebimento de clientes na conta Caixa (seja em dinheiro ou em cheques prédatados). Portanto, todos os pagamentos teriam saido diretamente das contas da recorrente, seja por meio de saques em cheques para suprimento em dinheiro do Caixa, seja pelo repasse dos próprios cheques emitidos ao fornecedor. Além de completamente atípico, dado o montante dos valores pagos, os registros contábeis infirmam a alegação da recorrente quanto aos supostos custos bancários para a emissão de cheques, posto que sendo os pagamentos realizados (ainda no exemplo do mês de janeiro de 2011) numa mesma data, bastaria ser emitido um único cheque para a quitação dos 21 títulos. Também não se confirma a tese de repasse de cheques recebidos de clientes. A tônica dos registros de ingressos e saídas na conta Caixa e da quitação das notas fiscais da Firmoplast se repete de forma invariável ao longo dos meses (vide pagamentos registrados para a Firmoplast nos meses de março/2011 fls. 1140; maio/2011 fls. 1151/1153; junho/2011 fls. 1156/1157; julho/2011 fls. 1162/1163; 09/2011 fls 1172 (neste mês há o registro de quitação de dezenas de notas fiscais no montante de R$ 12.893.437,79, todos na mesma data);10/2011 fls. 1175/1180; 11/2011 fls. 1185; 12/2011 fls; 1189 (neste mês há o registro de quitação de dezenas de notas fiscais no montante de R$ 12.885.002,17, todos na mesma data); 01/2012 fls. 1193/1195; 02/2012 fls. 1197/1198; 03/2012 fls. 1207/1208). Ora diante dos expressivos valores (cifras milionárias) que teriam sido quitados sempre com cheques emitidos pela recorrente é inconcebível que não tenha sido identificado pela recorrente um único cheque que tenha sido utilizado para o pagamento ao fornecedor Firmoplast. Conforme analisado no início deste voto, sobre as razões de mérito trazidas pela recorrente, as cópias de cheques emitidos no mês de julho de 2012, todos com valor inferiores à R$ 5.000,00, (fls. 385/440), não tem qualquer indicação dos beneficiários, não permitem sua vinculação para pagamento de quaisquer um dos fornecedores que tiveram o Fl. 13927DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.928 21 custo referente suas fiscais de venda glosados, além de espelharem valores ínfimos em face dos supostos pagamentos realizados ao fornecedor. Notese que, conforme se constata dos livros Razão de 2011 (fls. 4536/5677 e de 2012 (fls. 5678/7661) a empresa movimentava diversas contas bancárias nos períodos fiscalizados, por meio das quais realizava pagamentos a fornecedores e recebimentos de clientes, caução, cobrança e desconto de títulos, como, por ex, nos bancos: Bradesco (Razão 2011 fls. 4580/4632 4870), Real (fls. 4632/4645) Fibra (fls. 4645/4662 4855/4868 4880/4886), Itaú (fls. 4662/4727 4815/4834), ABC Brasil (fls. 4727/4737 4859/4860 4898/4925), Industrial do Brasil (fls. 4727/4741 4870/4880), Daycoval (fls. 4741/4755 4789/4791 4795/4805 4886/4893), Caixa Econômica Federal (fls. 4755/4761 4905), Santander (fls. 4761/4785 4805/4815 4844/4855 4893/4898), Paraná Banco (fls. 4785/4789), Safra (fls. 4791/4792 4905/4906), Sofisa (fls. 4793), Indusval & Partens (fls. 4793/4794 4906/4907), Industrial do Brasil (fls. 4834/4844). Isto para citar apenas as contas movimentadas em 2011. No ano de 2012 o rol de contas e transações bancárias é igualmente extenso, conforme registros no livro Razão (fls. 5935/6433). É completamente descabida a alegação da recorrente, diante do complexo relacionamento como sistema bancário espelhado na intensa movimentação financeira registrada nestas contas, que os pagamentos realizados à empresa Firmoplast ao longo dos anos de 2011 e 2012, que superaram a 103 milhões de reais, tenham sido todos realizados sem qualquer registro ou utilização do sistema bancário, pois segundo alega, foram todos efetuados em carteira. Ainda que assim o fosse, mediante o pagamento em cheques próprios (ou mesmo de terceiros), algum registro teria de existir, ao menos para fazer a vinculação a pelo menos uma parte destes pagamentos. No entanto, a recorrente nada trouxe nesse sentido. Todos este quadro, aliado à ausência de movimentação bancária nos anos de 2011 e 2012, em nome da empresa Firmoplast, mencionada pela fiscalização, denota a ausência do efetivo pagamento pelas mercadorias descritas nos documentos fiscais emitidos pelo referido fornecedor. Ante ao exposto e, diante dos inúmeros indícios, todos convergentes no sentido da inexistência de fato da empresa Firmoplast e da falta da efetiva comprovação dos pagamentos registrados na conta Caixa, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte e mantenho a glosa dos custos relacionadas ao fornecedor Firmoplast. Fornecedor: Doxaplas Com relação a este fornecedor, a fiscalização intimou a recorrente a apresentar a comprovação dos pagamentos realizados em face das notas fiscais emitidas pelas empresas Doxaplas Comércio de Resinas Plásticas e Doxaplas Com. Imp. E Exp. Plast. Ltda. Diante dos elementos e informações prestadas pela fiscalizada lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 03 (TVF fls. 208 dos autos) informando a existência de indícios de que a empresa Doxaplas não seria inexistente de fato uma vez que não possuía movimentação financeira Fl. 13928DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.929 22 compatível com os valores que foram transferidos (repassados) pela Plaster, e instando a fiscalizada a se manifestar, verbis: [...] XIV) A mesma presunção se aplicaria aos pagamentos realizados ao fornecedor DOXIPLAS COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA CNPJ 11.338.240/000121, cujos pagamentos foram realizados através de boletos bancários do Banco Santander, uma vez que a beneficiária dos recursos não dispunha em 2011 de uma movimentação financeira compatível com os valores que foram transferidos (repassados). Diante do exposto, fica o representante legal do sujeito passivo intimado a, no prazo improrrogável de 10 (dez) dias úteis, providenciar esclarecimentos a respeito das presunções estabelecidas nos itens XI, XII, XIII, XIV e XV, sob pena de abdicarse ao seu direito, assegurado constitucionalmente; à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Em 29/09/2016, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 04, conforme relatado no TVF (fls. 215/216 dos autos), do qual se extrai, verbis: [...] 30) Em 29/09/2016, lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 04, com a confirmação dos seguintes fatos: I) O contribuinte argumentou a efetividade e a legitimidade das aquisições de insumos junto aos fornecedores FIRMOPLAST COM. IMP. EXP THERM. (CNPJ 11.747.386/000116), IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA (CNPJ 13.523.960/000188), DOXIPLAS (sic) COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121) e DOXIPLAS (sic) COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDACNPJ 11.338.240/000121, através da apresentação das respectivas Notas Fiscais de Compras, recepcionadas pela Portaria, o que comprovaria a entrada física das matériasprimas em seu estabelecimento industrial; a identificação dós veículos que transportaram as respectivas mercadorias, juntamente com a identificação do seu condutor; a aplicação dos insumos no processo produtivo, conforme atesta o seu Livro Modelo 03 (de Controle dos Estoques e da Produção) e as pesquisas cadastrais, que indicavam que estas empresas estavam ativas à época das aquisições, tanto no SINTEGRA (Cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo) quanto no CNPJ (Secretaria da Receita Federal); [...] X) Os Fornecedores DOXIPLAS (sic) COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121) e DOXIPLAS (sic) COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDA CNPJ 11.338.240/000121), utilizariam a contacorrente n° 0000070182397 do Banco ABN AMRO BANK, Agência 1752 (HADDOCK LOBO) para receber suas vendas a prazo; XI) Através do Ofício GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP n° 0023/2016, de 25/05/2016, solicitamos à Instituição Financeira Santander do Brasil, Agência 1752 (Haddock Lobo), que confirmasse a titularidade da conta n° n° 0000070182397, em nome de DOXIPLAS (sic) COMERCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121); Fl. 13929DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.930 23 XII) Em resposta datada de 08/06/2016, o Banco Santander esclareceu que "após exaustivas pesquisas em nosso sistema, informamos que não localizamos qualquer informação referente à conta corrente n° 000007018239"; XIII) Como resultado do Ofício, constatamos que não se comprovou a efetividade dos pagamentos realizados em 2011 e em 2012 para DOXIPLAS (sic) COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA e/ou DOXIPLAS (sic) COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDA, pela inexistência da conta objeto das transferências eletrônicas, além de não serem apresentados outros meios de provas que legitimassem a liquidação dos saldos devedores mensais, em carteira, a não ser a confirmação dos próprios lançamentos contábeis; Em síntese, estamos CONSTATANDO a falta de comprovação da efetividade dos pagamentos realizados em 2011 e em 2012 para os fornecedores: FIRMOPLAST COM. IMP. EXP THERM. (CNPJ 11.747.386/000116), IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA (CNPJ 13.523.960/000188), DOXIPLAS (sic) COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121) e DOXIPLAS (sic) COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDA (CNPJ 11.338.240/000121), presumindose que esses dispêndios foram desnecessários à atividade operacional do contribuinte, nos termos do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999: Diante do exposto, fica o representante legal do sujeito passivo intimado a, no prazo improrrogável de 10 (dez) dias úteis, providenciar os esclarecimentos a respeito das presunções estabelecidas nos itens V, IX e XIII, sob pena de abdicarse ao seu direito, assegurado constitucionalmente, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Em resposta recorrente reafirmou, diante dos elementos e informações já fornecidos à fiscalização, a efetividade e legitimidade das aquisições de insumos. A autoridade fiscal trouxe a seguinte conclusão sobre as irregularidades apuradas quanto a este fornecedor (TVF fls. 228/230), verbis: 4º) DAS IRREGULARIDADES APURADAS A) A falta de comprovação da efetividade dos pagamentos realizados Ao ser intimado para comprovar a efetividade dos pagamentos realizados aos seus fornecedores, em razão das aquisições efetuadas, os esclarecimentos se tornaram insuficientes ou inadequados para alguns deles: [...] 2) do fornecedor DOXIPLAS (sic) Nos anos de 2010 e 2011, foram realizados fornecimento de insumos através da empresa DOXAPLAS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PLÁSTICOS LTDA CNPJ 11.388.240/000121. No ano de 2012, o fornecimento foi realizado pela DOXAPLAS COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA CNPJ 15.181.046/000121. Entre as Notas Fiscais de Compras, entregues em 08/09/2015, identifieamos algumas transferências eletrônicas realizadas em setembro de 2010, para a conta Fl. 13930DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.931 24 corrente n° "0000070182397", Agência 1252, do Banco ABN AMRO REAL S.A., atual Banco SANTANDER DO BRASIL S/A. Os Fornecedores DOXIPLAS COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121) e DOXIPLAS COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDA (CNPJ 11.338.240/000121), utilizariam a contacorrente n° "0000070182397" do Banco ABN AMRO BANK, Agência 1752 (HADDOCK LOBO) para receber suas vendas a prazo; Através do Ofício GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP n° 0023/2016, de 25/05/2016, solicitamos à Instituição Financeira Santander do Brasil, Agência 1752 (Haddock Lobo), que confirmasse a titularidade da conta n° n° 0000070182397, em nome de DOXIPLAS COMERCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121); Em resposta datada de 08/06/2016, o Banco Santander esclareceu que "após exaustivas pesquisas em nosso sistema, informamos que não localizamos qualquer informação referente à conta corrente n° 000007018239"; Como resultado do Ofício, constatamos que não se comprovou a efetividade dos pagamentos realizados em 2011 para DOXIPLAS COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDA, pela inexistência da conta objeto das transferências eletrônicas, além de não serem apresentados outros meios de provas que legitimassem a liquidação dos saldos devedores mensais, em carteira, a não ser a confirmação dos próprios lançamentos contábeis; Ao ser questionado, explicitamente, sobre a forma de pagamento efetuado à DOXIPLAS, e a sua liquidação material, o contribuinte, apesar de regularmente intimado em diversas oportunidades (22/07/2015, 24/08/2015, 12/02/2016 e 29/09/2016), não apresentou documentos, ou outras evidências, que permitissem confirmar a extinção da sua obrigação comercial, conforme registrado em sua contabilidade. A falta desses meios probatórios, com a indicação de quais cheques foram utilizados para o pagamento de suas obrigações comerciais, compromete a validade de suas declarações, tornando esses registros e as operações a eles vinculados, como desnecessários à atividade operacional da empresa. Em seu recurso voluntário a recorrente alega, com relação aos fornecedores DOXAPLAS e DOXAPLAS RESINAS, que tratamse de duas empresas com CNPJ distintos, sendo que o Ofício enviado pela fiscalização mencionou apenas a segunda (CNPJ/MF nº 15.181.048/000121), que operou somente até o ano de 2012, razão pela qual o Banco Santander informou não ter encontrado informações sobre a conta informada no referido Ofício, sendo que o correto seria ter sido expedido Ofício para obtenção de informações da DOXAPLAS (CNPJ 11.388.240/000121) e, ainda, o Ofício sequer mencionou a agência e conta corretamente, quais sejam, agência 1.752 e conta corrente 000130028126. Que a empresa DOXAPLAS foi a fornecedora da recorrente no ano 2011, sendo que os pagamentos efetuados a este fornecedor foram realizados por meio da conta 7.01182397 da agência 1.252 do Banco Real, que em razão da fusão com o Santander, passou a ser respectivamente 130026760 e 4.252. A recorrente cita também a regularidade cadastral das referidas empresas fornecedoras, seja por ocasião das operações, seja no momento do lançamento. Fl. 13931DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.932 25 Na diligência fiscal a autoridade preparadora juntou aos autos os históricos cadastrais da empresas DOXAPLAS COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA CNPJ 15.181.046/000121 (fls. 774/778) e DOXAPLAS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PLÁSTICOS LTDA CNPJ 11.388.240/000121 (fls. 779/780), nas quais se verifica que as empresas foram extintas por encerramento e liquidação voluntária. Também foram anexadas pela recorrente as notas fiscais emitidas por estas empresas, acompanhadas, a maior parte delas, de boletos emitidos pelo Banco Santander e comprovantes de operações bancárias de pagamentos (Banco Itau internet banking) fls. 3792/4528). Por outro lado, é possível identificar lançamentos no Livro Diário de 2011 na conta bancária do Banco Itaú em que se encontram registrados diversos pagamentos de duplicatas da empresa Doxaplas Com. Imp e Exp. ee Plásticos Ltda, coerentes com os comprovantes de quitação juntados aos autos (vide, à guisa de exemplo, as quitações contabilizadas no mês de janeiro de 2011: fls. 30, 34, 39, 48, 52, 57,61,68, 74, 85, 91, 92, 99, 105, 124 do Livro Diário entre as fls. 9501 a 9595 dos autos). Examinando os elementos trazidos na diligência e os demais elementos dos autos entendo que, uma vez que a acusação fiscal se sustenta unicamente na falta de comprovação dos pagamento efetuados pela aquisição das mercadorias e que restaram comprovados, senão todos os pagamentos ao menos grande parte deles, a glosa deve ser cancelada. Não há, neste ponto, acusação fiscal quanto à inexistência de fato da empresa Doxaplas, nem tampouco a declaração de inaptidão, mesmo à posteriori. O fato de não ter sido confirmada pelo Banco Santander a existência da conta que seria de titularidade da empresa Doxaplas, mormente com a possibilidade de equívoco na sua indicação no ofício, conforme apontado pela recorrente, não é suficiente para desqualificar as operações e muito menos a existência real da empresa fornecedora. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto, para cancelar a glosa dos custos de aquisição da empresa Doxaplas. Fornecedor: Ipetec A apuração fiscal neste ponto foi iniciada com a solicitação de esclarecimentos quanto aos pagamentos realizados para a empresa Ipetec em julho de 2012, conforme relatado no TVF (fls. 207/208), verbis: [...] 24) Em 26/11/2015, a empresa entregou as Notas Fiscais de Compras, da empresa FIRMOPLAST COM IMP EXP THERM; 25) Em 07/01/2016, intimamos o contribuinte a justificar, os seguintes pagamentos, efetuados através de seu caixa (Conta Contábil 111010100001), como contrapartida de fornecedores (Conta Contábil 211010100001): Data Histórico Valor 04/07/2012 n/pagto ref. Duplies 153 à 170 Ipetec R$ 2.147.886,79 Fl. 13932DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.933 26 05/07/2012 n/pagto ref. Duplies 171 à 174 Ipetec R$ 514.552,48 11/07/2012 n/pagto ref. Duplies 202 à 220 Ipetec R$ 2.444.124,28 12/07/2012 n/pagto ref. Duplies n° 221 Ipetec R$ 128.638,12 26) Em 14/01/2016, a empresa esclareceu que em relação aos pagamentos realizados para a empresa IPECTEC Industria Paulista de Embalagem Técnicas Ltda CNPJ 13.523.960/000188, contabilizados através das contas: D 211010100001 Fornecedores Nacionais C 111010100001 Caixa a) Cabe elucidar que, sempre que iniciadas relações comerciais com fornecedores, até se estabelecer uma confiabilidade creditícia, é comum serem exigidos pagamentos antecipados; b) Dessa forma, com a Ipetec não foi diferente, cujos fornecimentos se iniciaram em julho de 2012 perdurando até setembro de 2012, totalizando aproximadamente 24,2 milhões; c) O lançamento questionado em sua intimação, referese à inicial do fornecimento Ipetec, com um adiantamento de 5,2 milhões, que para efeitos contábeis foram considerados e conciliados nas duplicatas mencionadas; d) A Ipetec, à ocasião, informa ser detentora da conta bancária 02162 3, junto à agência bancária 0771 Parque Novo Mundo do Banco Itaú Unibanco, para liquidação financeira das operações iniciadas em julho2012; e) Foram realizadas algumas operações de depósitos e transferências bancárias para esta instituição, não sendo objeto de nossa preocupação, já que os fornecimentos prosperaram normalmente; f) Os pagamentos foram realizados em carteira, com cheques próprios e de terceiros recebidos de clientes, algumas vezes de forma antecipada, às vezes à vista, em outras vezes na forma de prédatados; g) Esta prática é comum no mercado e amplamente utilizado, especialmente porque naquela época havia a cobrança de taxa bancária pelo valor do cheque emitido, o que acarretava custos adicionais à nossa atividade operacional; h) Salientamos, que esta prática de liquidação financeira é bastante utilizada no mercado, sendo que, tanto nossos fornecedores quanto nossos clientes pagavam com cheques prédatados que eram repassados para as devidas liquidações das respectivas operações comerciais. i) A forma contábil encontrada para o registro dos lançamentos deste procedimento foi através da utilização da conta caixa, já que os cheques eram emitidos previamente e posteriormente entregues em lotes para fazer frente àqueles compromissos, inclusive fornecedores. j) Ou seja, quando da emissão dos cheques não sabíamos a quem era destinados/beneficiários pois iam para a tesouraria que fazia o controle dos valores globais e consequentemente controle do saldo bancário à medida que utilizamos. 27) Foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 03, com ciência em 12/02/2016, onde se apurou os seguintes fatos: Fl. 13933DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.934 27 XIM) A mesma presunção se aplicaria aos pagamentos realizados ao fornecedor IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA CNPJ 13.523.960/000188, realizados através de transferências ao Banco Itaú, Agência 7130, Conta corrente n° 07215, uma vez que a beneficiária dos recursos não dispunha em 2012 de uma movimentação financeira compatível com os valores que foram transferidos (repassados). [...] Diante do exposto, fica o representante legal do sujeito passivo intimado a, no prazo improrrogável de 10 (dez) dias úteis, providenciar esclarecimentos a respeito das presunções estabelecidas nos itens XI, XII, XIII, XIV e XV, sob pena de abdicarse ao seu direito, assegurado constitucionalmente; à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. [...] 28) Em 21/03/2016, lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 03, onde reiteramos ao contribuinte a necessidade de confirmar/comprovar/apresentar os pagamentos: [...] II) Em relação aos desembolsos realizados pela PLASTER para a IPETEC, utilizandose do sistema do Banco Itaú, ou mesmo efetuando diretamente ao fornecedor (em carteira), ou por outra modalidade admitida em lei, a legitimidade/validade desses valores, com a finalidade de se comprovar a efetividade dos atos negociais praticados com a IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA. CNPJ 13.523.960/000188: [...] Na sequência do TVF, a autoridade fiscal relata a lavratura do Termo de Constatação Fiscal nº 04 (fls. 214), verbis: 30) Em 29/09/2016, lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 04, com a confirmação dos seguintes fatos: [...] I) O contribuinte argumentou a efetividade e a legitimidade das aquisições de insumos junto aos fornecedores FIRMOPLAST COM. IMP. EXP THERM. (CNPJ 11.747.386/000116), IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA (CNPJ 13.523.960/000188), DOXIPLAS COMÉRCIO DE RESINAS PLÁSTICAS LTDA (CNPJ 15.181.046/000121) e DOXIPLAS COM. IMP. E EXP. PLAST. LTDACNPJ 11.338.240/000121, através da apresentação das respectivas Notas Fiscais de Compras, recepcionadas pela Portaria, o que comprovaria a entrada física das matériasprimas em seu estabelecimento industrial; a identificação dós veículos que transportaram as respectivas mercadorias, juntamente com a identificação do seu condutor; a aplicação dos insumos no processo produtivo, conforme atesta o seu Livro Modelo 03 (de Controle dos Estoques e da Produção) e as pesquisas cadastrais, que indicavam que estas empresas estavam ativas à época das aquisições, tanto no SINTEGRA (Cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo) quanto no CNPJ (Secretaria da Receita Federal); Fl. 13934DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.935 28 [...] VI) O Fornecedor IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA CNPJ 13.523.960/000188, conforme resposta enviada em 29/01/2016, atendendo ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 07/01/2016, recebeu transferências eletrônicas no mês de julho de 2012, na conta n° 021623, Agência 0771, do Banco Itaú, a título de adiantamento; VII) Através do Ofício GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP n° 0006/2016, de 26/02/2016, solicitamos à Instituição Financeira Itaú Unibanco, Agência 0771 (Parque Novo Mundo), que confirmasse a titularidade da conta n° 021623, em nome de IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA CNPJ 13.523.960/000188; VIII) Em resposta datada de 03/03/2016, o Banco Itaú esclareceu que "após pesquisas aos setores competentes desta Instituição, foram localizados os seguintes documentos: Ficha Cadastral da conta n° 0771/021623, em nome de uma pessoa física: IZEQUIEL GUILHERME FIGUEIREDO (CPF 062.437.354 19)"; IX) Como resultado do Ofício, constatamos que não se comprovou a efetividade dos pagamentos realizados em 2012 para a IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA, pela conta ser da titularidade de uma pessoa física, além de não serem apresentados outros meios de provas que legitimassem a liquidação dos saldos devedores mensais, em carteira, a não ser a confirmação dos próprios lançamentos contábeis; [...] Diante do exposto, fica o representante legal do sujeito passivo intimado a, no prazo improrrogável de 10 (dez) dias úteis, providenciar os esclarecimentos a respeito das presunções estabelecidas nos itens V, IX e XIII, sob pena de abdicarse ao seu direito, assegurado constitucionalmente, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Em resposta recorrente reafirmou, diante dos elementos e informações já fornecidos à fiscalização, a efetividade e legitimidade das aquisições de insumos. A autoridade fiscal trouxe a seguinte conclusão sobre as irregularidades apuradas quanto a este fornecedor (TVF fls. 228/230), verbis: A) A falta de comprovação da efetividade dos pagamentos realizados Ao ser intimado para comprovar a efetividade dos pagamentos realizados aos seus fornecedores, em razão das aquisições efetuadas, os esclarecimentos se tornaram insuficientes ou inadequados para alguns deles: [...] 3) do fornecedor IPETEC: O fornecedor IPETEC IND. PAULISTA BEM. TEC LTDA (CNPJ 13.523.960/000188) abasteceu a Plaster com matériasprimas em 2012, cujos fornecimentos se iniciaram em julho de 2012 perdurando até setembro de 2012. Fl. 13935DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.936 29 Os pagamentos eram realizados em carteira, com cheques próprios e de terceiros recebidos de clientes, algumas vezes de forma antecipada, às vezes à vista, em outras vezes na forma de prédatados Salientamos, que esta prática de liquidação financeira foi bastante utilizada no mercado, sendo que, tanto nossos fornecedores quanto nossos clientes pagavam com cheques prédatados que eram repassados para as devidas liquidações das respectivas operações comerciais. A forma contábil encontrada para o registro dos lançamentos deste procedimento foi através da utilização da conta caixa, já que os cheques eram emitidos previamente e posteriormente entregues em lotes para fazer frente àqueles compromissos, inclusive fornecedores. Ou seja, quando da emissão dos cheques não sabíamos a quem era destinados/beneficiários pois iam para a tesouraria que fazia o controle dos valores globais e consequentemente controle do saldo bancário à medida que utilizamos. Conforme resposta enviada em 14/01/2016, atendendo ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 07/01/2016, o Fornecedor IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA CNPJ 13.523.960/000188, recebeu transferências eletrônicas no mês de julho de 2012, na conta n° 021623, Agência 0771, do Banco Itaú, a título de adiantamento. Através do Ofício GAB/SEFIS/DRF/SBC/SP n° 0006/2016, de 26/02/2016, solicitamos à Instituição Financeira Itaú Unibanco, Agência 0771 (Parque Novo Mundo), que confirmasse a titularidade da conta n° 021623, em nome de IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDACNPJ 13.523.960/000188; Em resposta datada de 03/03/2016, o Banco Itaú esclareceu que "após pesquisas aos setores competentes desta Instituição, foram localizados os seguintes documentos: Ficha Cadastral da conta n° 0771/021623, em nome de uma pessoa física: IZEQUIEL GUILHERME FIGUEIREDO (CPF 062.437.35419)"; Como resultado do Ofício, constatamos que não se comprovou a efetividade dos pagamentos realizados em 2012 para a IPETEC INDÚSTRIA PAULISTA DE EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA, pela conta ser da titularidade de uma pessoa física, além de não serem apresentados outros meios de provas que legitimassem a liquidação dos saldos devedores mensais, em carteira, a não ser a confirmação dos próprios lançamentos contábeis. Ao ser questionado, explicitamente, sobre a forma de pagamento efetuado à IPETEC, e a sua liquidação material, o contribuinte, apesar de regularmente intimado em diversas oportunidades (22/07/2015, 24/08/2015, 07/01/2016, 12/02/2016, 21/03/2016 e 29/09/2016), não apresentou documentos, ou outras evidências, que permitissem confirmar a extinção da sua obrigação comercial, conforme registrado em sua contabilidade. A falta desses meios probatórios, com a indicação de quais cheques foram utilizados para o pagamento de suas obrigações comerciais, compromete a validade de suas declarações, tornando esses registros e as operações a eles vinculados, como desnecessários à atividade operacional da empresa. [...] Fl. 13936DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.937 30 Em seu recurso voluntário a recorrente alega, quanto à informação prestada pelo Banco Itaú, concernente à conta nº 021623 ag. 0771, que seria de uma pessoa física e não da fornecedora IPETEC, que fez transferências para esta conta apenas em 07/2012, sendo que não poderia ter informações sobre a destinação dos recursos, não disponível aos emitentes dos cheques. Em cumprimento à diligência determinada por este colegiado, a autoridade preparadora juntou aos autos consulta ao cadastro do CNPJ (fls. 771) no qual consta que a empresa IPETEC foi baixa por inaptidão em 13/12/2017 e anexado o Ato Declaratório Executivo (fls. 772) por meio do qual declara a baixada a inscrição do CNPJ da referida empresa em razão de impossibilidade em localizar a empresa e seu representante legal nos respectivos endereços constantes nos cadastros da Receita Federal do Brasil, e considera inidôneo os documentos fiscais por ela emitidos a partir da data da publicação do ADE. Em sua manifestação sobre a diligência afirma que o entendimento da autoridade fiscal de que a declaração de inatividade da IPETEC (13/12/2017) demonstraria a incapacidade operacional destas empresas em produzir as mercadorias que foram adquiridas e registradas na escrita fiscal e contábil da Plaster não encontra amparo na realidade fática ou jurídica, pois a declaração de inaptidão retroage às datas das operações objeto do auto de infração, realizadas entre 2011 e 2012. Sustenta que não se encontra devidamente demonstrada qualquer negligência da recorrente em relação aos seus procedimentos e controles internos para verificar a idoneidade de seus fornecedores, cujas notas fiscais foram emitidas na forma da lei e juntadas ao presente processo. Na diligência determinada na Resolução nº 1302000.633, foi solicitado, ainda, que o contribuinte fosse intimado a apresentar planilha vinculando os pagamentos registrados na sua escrituração contábil às respectivas notas fiscais (objeto da glosa pela fiscalização), identificando em relação a cada uma delas, a forma de quitação feita ao fornecedor, inclusive identificando e vinculando a cada uma delas os meios utilizados para quitação. Em resposta à intimação da fiscalização, a contribuinte anexou aos autos planilhas do livro Razão da conta Caixa (fls. 1315/1468) na qual destaca "em laranja" todos os pagamentos registrados naquela conta para o fornecedor IPETEC. Não faz qualquer vinculação aos recursos ingressados na conta Caixa, seja oriundo de suas próprias contas bancárias, seja de recebimentos de clientes. Nenhum dos pagamentos que teriam sido efetuados à referida empresa foi realizado por intermédio do sistema bancário. Também não apresenta recibos de quitação das faturas correspondentes por parte do fornecedor. Com relação à comprovação dos pagamentos podese aplicar aqui, na íntegra o raciocínio apresentado por ocasião da análise das glosas dos custos relativos à aquisição da empresa Firmoplast. A recorrente não apresenta nenhum documento vinculando os pagamentos aos cheques que alega ter emitido, tampouco apresenta recibos de depósitos ou transferências ou mesmo recibos de quitação da empresa fornecedora. Dada a magnitude dos valores faturados (mais de 40 milhões de Reais) no espaço de cinco meses em 2012, revelase pouco Fl. 13937DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.938 31 crível a realização de pagamentos de tal monta à margem do sistema bancário, largamente utilizado pela recorrente em suas operações com os clientes e outros fornecedores, conforme anteriormente demonstrado. Depõe ainda contra a recorrente o fato de que o único dado concreto por ela informado quanto à realização dos pagamento, qual seja, a conta bancária na qual teria efetuado o aporte inicial de mais de R$ 5 milhões, a título de adiantamento inicial para o fornecedor, não é de titularidade da empresa IPETEC, mas sim de um pessoa física sem ligação com esta, conforme informação prestada pelo Banco Itaú. Ora, a recorrente destaca seu cuidado ao iniciar suas relações comerciais, mas alega ter feito um depósito milionário em conta bancária que teria sido indicada pelo fornecedor, como primeiro aporte para fornecimento de mercadorias, e nem sequer se preocupou ou se deu conta de que o beneficiário, titular da conta, não era a empresa fornecedora, mas sim uma pessoa física. Até se poderia argumentar que não é incomum as empresas, em face de problemas financeiro junto a instituições financeiras ou em face de bloqueios judiciais direcionarem movimentações de sua titularidade para pessoas ligadas, geralmente sócios. Mas, perguntase: que empresa faria um adiantamento milionário a um fornecedor com quem está iniciando uma relação comercial em nome de uma pessoa física, sem sequer se preocupar se a conta destinatária do recurso está vinculada ao fornecedor ou, ao menos, se assegurar de documentos que possam demonstrar tal quitação. Pois o relato da recorrente denota que seu cuidado seria apenas quanto à checagem da situação cadastral do fornecedor, com total despreocupação quanto ao risco de não recebimento das mercadorias pagas de forma adiantada. No que tange ao efetivo ingresso nos estoques, como já assinalado, não é possível identificar por meio dos registros constantes dos Livros Modelo 03 Controle de Estoque e Produção (fls. 7675/9465, que só foram anexados ao autos por determinação na Resolução de diligências, quaisquer referências diretas às aquisições dos ditos produtos, posto que os lançamentos não fazem qualquer referência ao nome ou CNPJ dos fornecedores. Em que pese a afirmação da recorrente de que restou comprovado o transporte e o ingresso das mercadorias em seus estoques, o que se tem de comprovação de fato é a emissão das notas fiscais pela empresa Termoplast. Nas notas fiscais anexadas às fls. 3154/3791 por solicitação na diligência, não constam no campo próprio no corpo delas não constam os dados dos transportadores e tampouco dos veículos utilizados, havendo apenas, na sequência destas a aposição de carimbos contendo os campos: Nome, RG e Placa Veículo, que se supõe seriam os responsáveis por tal transporte. É bem verdade que a fiscalização não trouxe aos autos outros elementos que indicassem a falta de existência ou operacionalidade da empresa IPETEC, como apontado no caso da empresa Firmoplast, e que tampouco a inaptidão declarada tenha o condão de retroagir seus efeitos à data dos fatos ocorridos, como bem alega a recorrente. Fl. 13938DF CARF MF Processo nº 10932.720144/201694 Acórdão n.º 1302003.558 S1C3T2 Fl. 13.939 32 Porém, entendo que, considerando o próprio histórico da empresa com relação ao registro das aquisições da empresa Firmoplast, em período imediatamente anterior3, e a fragilidade dos argumentos quanto à forma de realização dos supostos pagamentos registrados em favor da Ipetec, desprovidos de um mínimo de comprovação, entendo que a glosa deve ser mantida. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. Por oportuno registro que o fato da autoridade fiscal não ter qualificado a multa de ofício, não invalida as glosas efetuadas, conforme alega a recorrente, posto que esta se sustenta essencialmente na falta de comprovação da efetividade das aquisições das mercadorias, ante ao conjunto de indícios apontados no TVF. Por fim, quanto a alegação de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício lançada, aplicase a Súmula CARF nº 108, verbis: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa dos custos relacionados às aquisições de mercadorias da empresa Doxaplas. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 3 As operações com a empresa Termoplast foram registradas janeiro de 2011 a abril de 2012, e as operações com a empresa Ipetec cobre o período de julho a dezembro de 2012. Fl. 13939DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917541/2009-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/01/2007
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO.
O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR IPI Recorrente CLICHERLUX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CLICHÊS E MATRIZES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/01/2007 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO. O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 75 41 /2 00 9- 04 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 178 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 25653.15837.310108.1.3.047994 (fl. 23/28), transmitido em 31/01/2008, cujo crédito teria origem em recolhimento do IPI efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 21), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada desse despacho, a contribuinte apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 04/08), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, por Acórdão (fl. 66/68) que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/01/2007 RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, nem comprovado O direito ao ressarcimento, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa O ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 179 3 Cientificada dessa decisão, a ora recorrente apresentou Recurso Voluntário (fl. 73/93), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando em sua defesa alegações sobre a localização do Darf nos sistemas da Receita Federal, sobre a opção pelo recurso, sobre a escrituração de créditos extemporâneos e sobre os institutos do ressarcimento e da restituição. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com o objetivo de melhor circunscrever a lide a ser decidida no presente julgamento, entendo ser oportuno esclarecer, por um lado, que a principal alegação da contribuinte, desde a peça recursal inaugural, para a existência do crédito de IPI pretendido foi o pagamento indevidamente realizado, por não terse considerado, à época da escrituração, um crédito extemporâneo e, por outro, que os fundamentos do Acórdão recorrido para indeferir a Manifestação de Inconformidade foram a escrituração equivocada de supostos créditos extemporâneos e, de qualquer forma, a não comprovação da liquidez e certeza desses créditos. Dito isso, de pronto, afirmese que as alegações trazidas em sede de Voluntário sobre a localização do documento de arrecadação nos sistemas informatizados da Receita Federal e sobre a opção da contribuinte pela apresentação de Manifestação de Inconformidade não têm o condão de infirmar as conclusões exaradas no Acórdão recorrido, pois essas conclusões, como mencionado, não foram embasadas naquelas matérias. Com efeito, os pontos fundamentais a serem analisados para a solução da lide dos autos se referem ao direito e forma de escrituração de créditos extemporâneos e ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Quanto à primeira matéria a ser enfrentada, temos que o princípio da não cumulatividade está disposto no art. 153 da Constituição Federal, in verbis: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I omissis ......................................................................................................... Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 180 4 IV produtos industrializados; ......................................................................................................... §1º Omissis ......................................................................................................... § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) ......................................................................................................... (grifo nosso) O Código Tributário Nacional também trata da não cumulatividade do IPI no seu art. 49, como segue: Art. 49 O imposto é nãocumulativo dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Recorrendose ao regramento contido no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vigente à época dos fatos, Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, percebese a consonância desse ao ditame constitucional: Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 181 5 § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. (grifo nosso) Ainda, por oportuno, reproduzse o disposto no art. 371 daquele Regulamento: Art. 371. A escrituração dos livros fiscais será feita a tinta, no prazo de cinco dias, contados da data do documento a ser escriturado ou da ocorrência do fato gerador, ressalvados aqueles a cuja escrituração forem atribuídos prazos especiais. § 1º A escrituração será encerrada periodicamente, nos prazos estipulados, somandose as colunas, quando for o caso. § 2º Quando não houver período previsto, encerrarseá a escrituração no último dia de cada mês. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 182 6 § 3º Será permitida a escrituração por sistema mecanizado, mediante prévia autorização do Fisco Estadual, bem assim por processamento eletrônico de dados observado o disposto no art. 317. (grifo nosso) Assim, evidenciase a existência de toda uma legislação própria para o IPI, a qual cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Dessa forma, a escrituração dos créditos do IPI devem ser efetuados por ocasião da efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com base em documento que lhes confira legitimidade. Ademais, deverá ser observado o prazo máximo de 5 dias para a escrituração desses documentos fiscais, contados a partir dessa entrada, ou seja, a escrituração fiscal não poderá ficar atrasada por mais de 5 dias. Entretanto, há casos em que o sujeito passivo deixa de efetuar o lançamento do crédito no prazo regularmente estabelecido, ou seja, ele deixa de escriturar no Livro de Apuração do IPI, por um lapso qualquer, notas fiscais, que poderiam gerar crédito, no período em que os insumos entraram efetivamente no estabelecimento industrial. Por este lapso cometido pelo contribuinte e pela limitação temporal imposta pela legislação à escrita fiscal, surge o chamado "crédito extemporâneo". A jurisprudência administrativa, tanto quanto a judicial, tem manifestado o entendimento uníssono no sentido de ser perfeitamente possível a utilização extemporânea de créditos de IPI, podendo tais créditos não escriturados na época própria serem aproveitados em até 5 anos, contados da data de entrada dos insumos no estabelecimento industrial, desde que acompanhados dos documentos fiscais que lhes confira legitimidade e apropriados pelos valores nominais, isto é, não haja qualquer tipo de correção. Como amostra dessa jurisprudência administrativa, reproduzse parte da Solução de Consulta Cosit nº 74, de 2017: "15. No que tange à indagação relativa ao crédito extemporâneo, assim entendido aquele que não é escriturado no momento da entrada da mercadoria no estabelecimento do adquirente, comungo no entendimento, ainda hoje adequado, da Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT n° 49, de 2001, o qual adapto livremente, com a devida vênia do seu autor, a este parecer: "A IN SRF nº 33, de 1999, trata da apuração e utilização do crédito do IPI, tendo em vista o que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e os artigos 256 e 257 do Decreto nº 7.212, de 2010, atual Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI. Observo que não consta dos comandos de regência em alusão qualquer óbice ao aproveitamento do crédito do imposto Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 183 7 escriturado de modo extemporâneo. O aproveitamento do crédito extemporâneo está consagrada, mutatis mutandis, na orientação do Parecer Normativo CST n° 515, de 1971, itens 5 e 6. Segundo a sua locução, é admitido o aproveitamento do crédito extemporâneo do IPI nas condições abaixo: a) desde que o crédito não esteja prescrito; b) respeitado o prazo prescricional de cinco anos, consoante o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932; c) o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos no estabelecimento industrial, acompanhados da respectiva nota fiscal; e d) o exercício desse direito está subordinado às exigências regulamentares, bem como às previstas em atos administrativos pertinentes. Saliento que, sobre os créditos extemporâneos, não incidem juros por absoluta falta de previsão legal, razão pela qual devem ser escriturados os exatos valores destacados nas notas fiscais de aquisição." 16. Portanto, a resposta à terceira indagação da interessada (se poderá aproveitarse do crédito extemporâneo) é positiva." Do todo o exposto até aqui, constatase que o contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, contudo, tais créditos extemporâneos devem ser lançados no Livro de Apuração do IPI no período de apuração em que se constatou a ocorrência do lapso cometido anteriormente. Ou seja, é possível o aproveitamento de créditos extemporâneos, mas é vedada sua escrituração retroativa. Exemplifiquese para clarificar a situação: Consideremos um contribuinte que, em janeiro de 2019, percebeu que, por um erro qualquer, deixou de se creditar de insumos recebidos no seu estabelecimento industrial em outubro de 2015. Nessa situação, ele poderá escriturar tais créditos extemporâneos a partir de janeiro de 2019, tendo como limite a prescrição qüinqüenal, porém, ele não poderá refazer a escrituração de outubro de 2015 ou de qualquer outro período para se apropriar do crédito não lançado anteriormente. É de suma importância frisarse que a falta de escrituração de um crédito, no momento oportuno, não acarreta um pagamento indevido ou a maior do IPI, tendo em vista que o saldo a pagar do tributo naquele período de apuração foi resultado da escrituração do próprio contribuinte. Assim, é absolutamente insofismável a impossibilidade de subsunção do fato ora analisado à hipótese de restituição, porque, por um lado, a Fazenda Pública não deu causa à escrituração acrônica do contribuinte e, por outro, por expressa disposição legal, é vedado o lançamento retroativo no livro de apuração do tributo. No caso concreto dos autos, da própria narrativa recursal, verificase que o sujeito passivo refez sua escrituração retroativamente, quando percebeu a falta do lançamento de supostos créditos no momento apropriado (fl. 74): Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 184 8 "A escrituração da Manifestante apresentava debito de IPI em dezembro de 2006 no montante de R$ 22.703,71 valor recolhido originados a partir de créditos do imposto aproveitados no valor de R$ 3.940,10 e saídas tributadas de R$ 26.193,81. Contudo, após criteriosa análise dos documentos fiscais relativos às aquisições de insumos destinados à industrialização dos produtos do contribuinte, bem como seus respectivos registros nas obrigações acessórias correspondentes identificou se créditos de IPI não aproveitados na escrita fiscal decorrentes de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem geradores de crédito nos termos da legislação tributária regente. (...) O valor do crédito extemporâneo lançado na escrita fiscal do Contribuinte no mês de dezembro de 2006 soma R$ 23.375,04. Onde antes havia um débito de IPI de R$ 22.703,71, com o lançamento do crédito extemporâneo, esse débito deixou de existir, passando a remanescer um saldo credor, configurando o recolhimento indevido efetuado." (grifo nosso) Logo, resta inconteste que o aproveitamento dos créditos extemporâneos ocorreu de forma retroativa, procedimento vedado pela legislação de regência. Dessa forma, não há como negar que inexiste o direito de crédito pleiteado pela contribuinte nessa restituição. Assim, se mostra correta a decisão tomada pela primeira instância. Embora a questão analisada anteriormente seja suficiente para a negativa do pleito recursal, o voto condutor do Acórdão recorrido também fundamentou sua decisão na falta de comprovação dos supostos créditos extemporâneos, isto é, não foram carreadas aos autos as provas de que as entradas consideradas seriam geradoras de crédito, em conformidade com o disciplinado pela legislação do IPI. De fato, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 185 9 Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10830.917541/200904 Acórdão n.º 3002000.687 S3C0T2 Fl. 186 10 Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No caso concreto ora analisado, a comprovação da existência de créditos extemporâneos somente poderia ter sido comprovada com a apresentação das notas fiscais, que demonstrassem que tais aquisições estariam aptas a gerar créditos na sistemática de apuração do IPI, e deveria ter sido comprovado, ainda, que esses supostos créditos não teriam sido apropriados anteriormente. Comprovações que não foram realizadas. Por fim, quanto à alegação recursal de que o deferimento de seu pedido de ressarcimento em outro processo comprovaria o crédito pleiteado a ser restituído no presente processo, também não merece prosperar. Ressaltese que os institutos do ressarcimento e da restituição são diferentes, assim como o crédito supostamente sujeito à restituição e aquele sujeito ao ressarcimento são diversos. Em decorrência disso, a comprovação de cada um dos créditos deve ser realizada pelo contribuinte em cada procedimento específico. Ademais, o julgador está livre para analisar as provas produzidas na formação de sua convicção. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901684/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 16 84 /2 01 4- 93 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10675.901684/201493 Acórdão n.º 1201002.742 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.025, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 216,06 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10675.901684/201493 Acórdão n.º 1201002.742 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10675.901684/201493 Acórdão n.º 1201002.742 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912613/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.794
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 13 /2 01 2- 11 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito inicialmente um resumo dos fatos. Em preliminar, discorre acerca da nulidade do Despacho Decisório, enfatizando a ausência de fundamentação, o desvio de finalidade e o prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal, tendo destacado que deve ser possibilitado ao manifestante a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material. Sustenta ainda a inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade e tece considerações acerca da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e sobre a limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional (CTN). Ao final, requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório em comento, com todos os seus consectários, inclusive cancelamento de qualquer cobrança que possa advir do citado despacho.. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02055.325. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.789, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912606/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.789): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O contribuinte tece considerações acerca da nulidade do despacho decisório pelos motivos circunstanciados na manifestação de inconformidade. Primeiramente cumpre observar que, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a manifestação de inconformidade e o recurso obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Decreto nº 70.235, de 1972, prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que esse direito é exercido. Também não há exigência legal de intimação do contribuinte previamente à expedição do Despacho Decisório. É importante ressaltar que no referido despacho foi anotado que a fundamentação para o indeferimento do pedido de compensação reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme consta do quadro – “utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”. O enquadramento legal também foi devidamente especificado, contendo as normas do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pertinentes às regras de restituição e compensação de tributos. Portanto, estando presentes os elementos que fundamentam o Despacho Decisório, não há que se cogitar de cerceamento do seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Nulidade da decisão recorrida. O recorrente alega que a decisão recorrida carece de fundamentação, pois resumiuse a negar provimentos à manifestação de inconformidade em virtude de falta de comprovação pelo sujeito passivo de seu direito creditório. Pela alegação feita no recurso voluntário, resta evidente que houve a ratio decidendi no acórdão recorrido, qual seja: a falta de provas do direito creditório, pois o onus probandi, nos casos de pedido de restituição, é do sujeito passivo. Neste norte, não vejo motivos para que seja declarada a nulidade da decisão, pois a fundamentação foi clara e objetiva, de forma que afasto a nulidade suscitada. Restituição/Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 6 5 referente ao período de apuração 30/11/2007. Afirma, outrossim, que o ônus da prova cabe ao fisco e não ao sujeito passivo, uma vez que o processo administrativo pautase pela verdade material. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, duas são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 7 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 8 7 provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 9 8 Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de restituição/ compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Multa de Mora. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 10 9 Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.912613/201211 Acórdão n.º 3302006.794 S3C3T2 Fl. 11 10 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Por todo exposto, voto em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906458/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE.
O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste.
REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão-somente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 64 58 /2 01 2- 96 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de Declaração de Compensação, por meio da qual o contribuinte pretende compensar pagamento indevido ou a maior de Simples (código de receita 6106) com débitos vencidos ou vincendos. A DComp que declara a compensação foi apresentada em 2010. Segundo as informações prestadas nessa declaração, o pagamento a maior ou indevido teria ocorrido em 2004 e o PER/DComp formalizando o crédito do contribuinte perante a Fazenda Nacional teria sido apresentado tempestivamente em 2005. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação porque, na data da transmissão da DComp já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação e a data da transmissão. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, em síntese, alega que (i) apresentou tempestivamente o PER/DComp por meio do qual formalizou o crédito e compensou parcialmente com débitos; (ii) como o saldo não lhe foi restituído, teria direito a usálo, ainda que em 2010; (iii) ainda que não se homologue a compensação, há de se reconhecer a prescrição dos débitos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Em seu entendimento, não é possível homologar compensações efetuadas após extinto o direito de pleitear a restituição do pagamento indevido ou a maior, nos termos do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional. Em relação à alegação do contribuinte de que teria transmitido PER/DComp formalizando o crédito dentro do prazo prescricional, a DRJ argumentou que o primeiro PER/DComp transmitido pelo contribuinte não tinha natureza de "Pedido de Compensação", mas de "Declaração de Compensação". Assim, o crédito agora sob exame somente teria sido objeto de Pedido de Restituição em 2010. Quanto ao pedido do contribuinte para que se reconheça a prescrição dos débitos indevidamente compensados, a DRJ argumentou que a apresentação de DCTF em 2008 constituiu os créditos tributários. E a apresentação da DComp, ora submetida ao contencioso fiscal no rito do Decreto nº 70.235/72, suspenderia o prazo prescricional. Inconformado com o indeferimento de seus pedidos, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reitera as razões da Manifestação de Inconformidade. Resumidamente, era o que havia a relatar. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.293, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10580.906454/2012 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.293): À partida, neste voto, é preciso delinear a questão à qual cinge se o presente feito. Está sob análise tãosomente a homologação da compensação declarada pelo contribuinte em 2010. Não integra a presente lide o exame da liquidez e certeza do crédito formalizado no PER/DComp apresentado pelo contribuinte em 2005. E, no que diz respeito à compensação declarada, tenho que a decisão a quo deve ser reformada, conforme passo a expor. Inicialmente, impende destacar que o Despacho Decisório da DRF baseou a decisão de não homologar a declaração de compensação exclusivamente na extinção do direito a utilizar o crédito em função do exaurimento do prazo prescricional quinquenal. A DRF não trouxe nenhuma análise de que não houvesse o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido. Destarte, o ponto central a ser analisado é se, em 2010, havia sido extinto o direito do contribuinte de efetuar a compensação de débitos com o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido em 2004 e formalizado em 2005. O direito à repetição de indébito, no caso de pagamento indevido ou a maior, é previsto no artigo 165 do CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 5 4 na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O exercício do direito à repetição do indébito tem limitação temporal determinada pelo artigo 168 do CTN nos seguintes termos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Para fins de contagem do prazo quinquenal, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 determinou que, no caso de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, o termo a quo das hipóteses previstas no artigo 168, I, do CTN seria o momento do pagamento antecipado. A mudança do critério jurídico por meio da LC nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 6 5 verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso em tela, o PER com a formalização do crédito foi transmitido em 2005 e, portanto, era tempestivo, de acordo com a norma aplicável. É mister destacar, no entanto, que o prazo do artigo 168 do CTN referese ao Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso (PER). Não se deve confundir com a Declaração de Compensação (DComp). Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 7 6 A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme artigo 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; O prazo quiquenal de que trata o artigo 168 do CTN não se refere à compensação. Mas, é preciso que o PER tenha sido formalizado antes desse prazo. Essa é a inteligência do artigo 34, § 10, da IN RFB nº 900/2008, que era vigente no momento em que foi transmitida a DComp ora sob análise: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Então, no momento da transmissão da DComp, 2010, não havia sido extinto o direito de utilizar o crédito formalizado tempestivamente (2005) para efetuar a compensação pleiteada. Mas, há que se observar a parte final do dispositivo, que requer a observação das condições postas no parágrafo 5º do mesmo dispositivo. O parágrafo 5º mencionado diz: § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Como dito anteriormente, o crédito que foi formalizado no PER original (transmitido em 2005) não se encontra sob exame neste Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 8 7 feito. Mas, a homologação da compensação somente pode darse no limite das forças do crédito reconhecido naquele PER. A DRJ menciona que o crédito utilizado na DComp em comento não foi formalizado no PER transmitido em 2005. Mas, não há nenhum elemento probatório nos autos que permita chegar a essa conclusão. Ademais, descaberia o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito formalizado em 2005 pelas autoridades julgadores, como se pode depreender da lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) De outra banda, é possível à autoridade administrativa na Delegacia da Receita Federal do Brasil efetuar a revisão de Despacho Decisório que não tenha homologado a compensação declarada, nos termos do nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Nestes termos, afastada a incidência da prescrição, que foi o motivo alegado pela autoridade administrativa no Despacho Decisório que não homologou a compensação, a DRF pode Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906458/201296 Acórdão n.º 1401003.297 S1C4T1 Fl. 9 8 proceder à revisão deste Despacho e homologar a compensação, no limite das forças do crédito formalizado tempestivamente. Conclusão. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 57DF CARF MF
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