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Numero do processo: 10855.003176/2003-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
DCTF. PAGAMENTO DO TRIBUTO. PROVA
Em não sendo comprovado o pagamento do tributo declarado em DCTF, mantém-se a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2201-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 28/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1998 DCTF. PAGAMENTO DO TRIBUTO. PROVA Em não sendo comprovado o pagamento do tributo declarado em DCTF, mantém-se a exigência fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 DCTF. PAGAMENTO DO TRIBUTO. PROVA Em não sendo comprovado o pagamento do tributo declarado em DCTF, mantémse a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 31 76 /2 00 3- 77 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 83 e seguintes, lavrado em 16/06/2003, exigese do Contribuinte BARCELONA MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. o montante de R$ 1.104,75 de imposto de renda retido na fonte (IRRF), R$ 828,56 de multa de ofício, R$ 1.004,30 de juros de mora e R$ 158,72 de multa isolada, totalizando um crédito tributário de R$ 3.096,33 (atualizado até a data da autuação). A autuação foi originada em Auditoria Interna da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF do Contribuinte, na qual se constatou as seguintes irregularidades: (i) falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata –pagamento não encontrados – R$ 1.104,75 e (ii) recolhimentos efetuados após a data de vencimento do tributo sem pagamento de multa de mora. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 07/07/2003 (AR Postal fl. 94), tendo apresentado Impugnação, de fls. 03 e seguintes, em 06/08/2003, na qual trouxe as seguintes alegações: · A não localização dos pagamentos ocorreu em razão do imposto ter sido recolhido em alguns meses, através de DARFs diversos. · O IRRF relativo ao vencimento de 18/11/1998 teve R$ 65,38 declarado a maior na DCTF. Esse imposto pertence à empresa Hudson Haro de Freitas e Cia e foi pago por essa empresa. Indica DARF. · Quanto à multa de 75% exigida sobre o imposto pago em atraso, há de ser reduzida aos limites previsto no art. 61, §2º da Lei nº 9.430/96, ou seja, 0,33% ao dia até o limite de 20%, vez que o débito foi confessado através de procedimento espontâneo do contribuinte na DCTF, sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício para constituição do crédito tributário e da multa. A 5ª Turma da DRJ/POR, na sessão de 29/06/2012, pelo Acórdão 1438.138, de fls. 106, julgou procedente em parte a Impugnação para afastar a multa de ofício, nos seguintes termos: DCTF. AUDITORIA INTERNA, AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. Não comprovado o recolhimento tempestivo da exigência tributária é de se manter o lançamento. MULTA DE ÓFÍCIO. ENQUADRAMENTO LEGAL. NOVA REDAÇÃO. RETROATIVIDADE. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR, de fls. 119, em 08/10/2012, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fl.s 123 e seguintes, em 30/10/2012, aduzindo que: (i) embora tenha comprovado os pagamentos a Receita Federal, esse órgão ainda não procedeu as suas competentes imputações e (ii) embora o acórdão recorrido tenha determinado o afastamento da multa, ela continua sendo cobrada, conforme DARF encaminhado ao contribuinte. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.003176/200377 Acórdão n.º 2201002.656 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O Contribuinte requer a imputação dos Documentos de Arrecadação da Receita Federal (DARF) acostados aos autos aos créditos tributários declarados na sua Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF). A 5ª Turma da DRJ/RPO não acolheu o pleito do Contribuinte, pois os DARFs apresentados foram recolhidos com indicação do CNPJ de filial do Contribuinte. Observase que o CNPJ (50.333.517/000251) especificado no campo 03 dos DARFs acostados aos autos, é distinto do CNPJ (50.333.517/000170) do Contribuinte. Para fins de controle por parte da Autoridade Fazendária o referido campo é importante para imputação ao pagamento. Ainda que verossímil, o acolhimento do pleito do Contribuinte pela Corte Administrativa importaria em redução do recolhimento dos tributos federais imputados ao CNPJ 50.333.517/000251, sem a consequente apuração se a redução importará em surgimento de crédito declarado e não pago pela filial. Acrescentese que não é objeto do processo administrativo tributário retificar possível erro no preenchimento de DARF, devendo o Contribuinte proceder à retificação através dos meios próprios. Quanto à multa de ofício, o Contribuinte alega que os demonstrativos encaminhados e o DARF continuam cobrando a multa de ofício. A 5ª Turma da DRJ/RPO já decidiu acerca da exclusão da multa de ofício no presente caso, em não havendo recurso necessário para apreciação desse Colegiado, resta definitiva a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, pelo afastamento da multa de ofício. Caso a multa de ofício venha a ser cobrada por meio DARF, cabe ao Contribuinte pugnar pela correta execução do acórdão junto ao órgão da Receita Federal Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722176/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA.
A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados.
CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA.
A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda no mês de seu recebimento.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73.
JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2101-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à multa de ofício lançada e aos juros moratórios para, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar o lançamento da multa de ofício.
(assinatura digital)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinatura digital)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 18/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA. A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda no mês de seu recebimento. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA. A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda no mês de seu recebimento. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 76 /2 00 8- 51 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à multa de ofício lançada e aos juros moratórios para, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar o lançamento da multa de ofício. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 18/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, no qual é cobrado Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2006 (exercícios 2005 a 2007) – efls. 03 a 12. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", decorrentes de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Na impugnação (efls. 34 a 38), o interessado alegou, em síntese, que teria sido induzido a erro escusável pela fonte pagadora pela mencionada Lei Complementar, ressaltando a sua boafé, alegando, ainda, a inclusão das parcelas recebidas de valores a título de 13o. salário e abono de férias. Propugnava pela aplicação do art.108, IV do CTN, combinado com o art. 112 do mesmo diploma, de forma a que fossem excluídos os juros moratórios e multa. Ao examinar o pleito, a 3a. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) decidiu pela procedência parcial da impugnação, por meio do Acórdão n.° 1526.813, de 13 de abril de 2011 (efls. 54 a 56), onde excluiu os montantes oriundos de valores devidos a título de 13o. salário e abono de férias (férias indenizadas) e cuja ementa a seguir se reproduz: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 250 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido e os juros de mora independem da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário (efls. 64 a 91), no qual, em síntese: a) retoma os argumentos trazidos em sede de impugnação quanto à inaplicabilidade de multa e juros de mora ao caso em questão, considerando sua aplicação ilegal quando considerada a boafé do contribuinte, trazendo, ainda a propósito, além de jurisprudência, parecer jurídico do Dr. Marco Aurélio Greco que sustentaria seu entendimento. b) Menciona a edição da Súmula STF 245/02, que considerou como indenizatória parcela, em seu entender, de natureza idêntica, paga aos Magistrados Federais, propugnando agora, ainda, pela não incidência do IR também sobre as parcelas de principal, mencionando também decisões emanadas deste CARF no âmbito dos Processos 10580.725741/200913 e 10580.727597/200950, de idêntico objeto. c) Alega que teria a Receita Federal invadido a competência do STF, declarando a referida Lei Complementar Estadual 80, de 2003, por inconstitucional, ao tributar os valores ali estabelecidos como de natureza indenizatória. d) Aduz que, a partir do disposto no art. 157, I da CRFB, a titularidade dos valores que não foram retidos pertenceria ao Estado da Bahia, inferindo que, após o fato gerador, poderia o Estado da Bahia intervir na gestão desta receita, não cabendo, assim, legitimidade ativa à União para promover a cobrança do mesmo. Cita, a propósito, decisão do STJ que sustentaria este entendimento, bem como cita o mesmo Parecer do Dr. Marco Aurélio Greco. e) Alega violação aos princípios constitucionais da isonomia, unicidade e indivisibilidade, ao art. 150, II da Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 mesma CF, bem como violação ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Alega que o Estado estaria se beneficiando da própria torpeza, violando o princípio da presunção da inocência. f) Anexa, ainda, razões recursais utilizadas em processo de outro sujeito passivo e que deu origem a decisum anterior deste mesmo Colegiado (Acórdão 1528.393), bem como Parecer do Dr. Marco Aurélio Greco. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O Auto de Infração que integra os presentes autos foi lavrado contra a contribuinte em epígrafe, em virtude de ter sido verificada classificação indevida, como isentos/não tributáveis, de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV". De acordo com o relato da Fiscalização, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, por decorrerem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994. Por consequência, estariam sujeitas à incidência do imposto sobre a renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Já foram excluídas do lançamento, pela autoridade julgadora de 1a. instância, as diferenças salariais que tinham como origem (ii) o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, e (ii) abono de férias. Analiso o teor do pleito recursal do contribuinte. a) Quanto aos valores devidos objeto de lançamento não oriundos de multa de ofício ou juros de mora: Inicialmente, entendo que, em linha com a manifestação da autoridade julgadora de 1a. instância, só permanecem em litígio os valores lançados a título de juros de mora e multa de ofício, uma vez que o restante do montante objeto de lançamento, não provido no âmbito da referida impugnação (R$ 88.015,11), tratase de matéria não impugnada, inatacável, assim, a esta altura no âmbito administrativo. Assim, conheço do recurso exclusivamente quanto às matérias supra. Ad argumentandum tantum, todavia, quanto a parcela referente á matéria não conhecida, é de se observar quanto ao argumentado pelo contribuinte, que: a.1) Da Lei Complementar Estadual no 20, de 2003 e da natureza das verbas recebidas. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 251 5 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do imposto sobre a renda de pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a tributos cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Além disso, imprescindível a análise da natureza dessas verbas no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. São, portanto, tributáveis Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, no mês de seu recebimento, consoante art. 12 da Lei no. 7.713, de 22 de dezembro de 1988. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, no seu entender, ao ser estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.777, de 2002, aplicase também aos membros do Ministério Público dos Estados. A questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida por esta mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no já mencionado Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejamos: “ (...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 252 7 E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. a.3) Da legitimidade da União para cobrar o imposto sobre a renda No recurso, a contribuinte alegou ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto sobre a renda na fonte que não foi retido pelo Estado Membro. Nesse tema, de se salientar que o imposto sobre a renda é tributo de competência da União, que não pode delegála a qualquer outro ente, nem mesmo à unidade federada que o retém do seu servidor, na forma de imposto na fonte, e que é ela mesma destinatária do produto dessa arrecadação. E sobre isso o Código Tributário Nacional, no parágrafo único de seu artigo 6°, reafirma que os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Desse modo, compete somente à União legislar sobre o imposto sobre a renda, nos limites estabelecidos pela Constituição. O fato de o produto de parte da sua arrecadação destinarse ao Estado da Bahia não confere a este competência para produzir leis deliberando sobre o tributo, a teor do artigo 7° do Código Tributário Nacional. É também a União o sujeito ativo da obrigação tributária, titular de legitimidade ativa para cobrar o imposto porventura não pago, independentemente de qual seja o destino do produto da arrecadação. Cumpre à fonte pagadora dos rendimentos, no caso, o Ministério Público do Estado da Bahia, somente a incumbência de fazer a retenção do imposto de renda na fonte de seus servidores e demais empregados, o que não o torna sujeito ativo na relação jurídica tributária. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Sobre esse assunto, é de se registrar que esta mesma turma já se manifestou a respeito deste assunto, a teor do voto do Ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014, o qual se adota aqui também como razão de decidir, verbis: Com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Na oportunidade, a Turma Julgadora foi unânime em acolher o voto do Conselheiro relator. Entendese, assim, que o argumento da recorrente carece de procedência. Ainda, da mesma forma, em se tratando de entes federativos distintos, totalmente improcedente a argumentação tentada de que a União estaria se beneficiando de sua própria torpeza, ao arrecadar tributo insculpido em sua competência constitucional, quando nãoretido pelo Estado da Bahia na condição de responsável. a.4) Quanto à quebra de isonomia e de outros princípios constitucionais. No que diz respeito à decisão judicial citada que teria beneficiado os magistrados do Estado do Maranhão, bem como à tributação aplicável aos membros do MPU, verifico que não há nenhuma vinculação destas ao recorrente (que é membro da Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Bahia) e que não se tem, aqui, qualquer decisão judicial proferida consoante o rito previsto no art. 543C, do CPC, o que tornaria sua obediência obrigatória por parte deste Colegiado, com fulcro no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009. Ainda, é de se ressaltar que não cabe a este CARF, na situação sob análise, afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do mesmo Regimento. b) Quanto à multa de ofício e aos juros de mora Passo, assim, a analisar o mérito das matérias conhecidas. b.1) Da multa de ofício Por fim, a recorrente pugna pelo reconhecimento da existência de erro escusável, haja vista ter espelhado, em sua declaração de ajuste anual, as informações prestadas pela fonte pagadora, sem dolo ou máfé. Com efeito, entendese aqui que, ao reproduzir, em sua declaração de ajuste anual, as informações fornecidas pela fonte pagadora, a contribuinte foi induzida a erro, e não agiu com máfé. Além do mais, entendeu que as informações prestadas pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia refletiam os comandos da Lei Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Nessas hipóteses, este Conselho já pacificou o entendimento que o erro escusável do contribuinte autoriza a exclusão da multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 253 9 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de oficio. Destarte, de acordo com a Súmula CARF n° 73, devese excluir a multa de ofício, por ter sido constatado erro escusável. b.2) Dos juros de mora sobre o imposto A cobrança de juros de mora está prevista no caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional, sempre que o crédito tributário não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta. Sendo assim, os juros de mora são devidos, no pagamento em atraso do crédito tributário devido, independentemente da boafé manifestada pelo sujeito passivo. A partir de 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Neste ponto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre a aplicabilidade da taxa Selic no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.° 4, que assim prevê: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, sobre o crédito tributário não pago na data do seu vencimento, são devidos os juros de mora, calculados segundo a taxa Selic, devendo ser mantido o lançamento nesta seara. Conclusão Ante todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso, exclusivamente quanto à multa de ofício e aos juros de mora lançados, para, no mérito, dar provimento em parte ao pleito, para excluir a multa de ofício, em razão de erro escusável. Heitor de Souza Lima Junior – Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11070.720508/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/11/2008
SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO.
A contribuição do Segurado Especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,0 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. COOPERATIVA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pelo segurado especial, as vendas de sua produção rural realizadas a cooperativas constituídas e em funcionamento no país são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis.
A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior.
SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA.
Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as cooperativas, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior.
A imunidade não alcança a receita decorrente de comercialização de produção rural, por Segurado Especial com empresa constituída e em funcionamento no País, a qual é considerada como receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto rural.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.635
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento quanto à contribuição previdenciária devida pela cooperativa, na condição de sub-rogada, ao adquirir produto rural de produtor rural pessoa física. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pelo provimento do recurso. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. A contribuição do Segurado Especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,0 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. COOPERATIVA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pelo segurado especial, as vendas de sua produção rural realizadas a cooperativas constituídas e em funcionamento no país são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis. A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior. SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as cooperativas, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 05 08 /2 01 3- 43 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 342 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A imunidade não alcança a receita decorrente de comercialização de produção rural, por Segurado Especial com empresa constituída e em funcionamento no País, a qual é considerada como receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto rural. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento quanto à contribuição previdenciária devida pela cooperativa, na condição de subrogada, ao adquirir produto rural de produtor rural pessoa física. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pelo provimento do recurso. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 343 3 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.036.8042, consolidado em 18/03/2013, em face da COOPERATIVA AGRICOLA MISTA GENERAL OSÓRIO LTDA, no valor de R$ 13.643.781,87 (treze milhões, seiscentos e quarenta e três mil, setecentos e oitenta e um reais, e oitenta e sete centavos), referente: às contribuições previdenciárias da empresa, na alíquota de 2,0%, incidente sobre a receita bruta oriunda da comercialização de produção rural, adquirida de pessoas físicas ou segurados especiais e 0,1% para o financiamento das prestações por acidente de trabalho, no período de 01/2009 a 12/2011. Tratase, também do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.036.8050, consolidado em 18/03/2013 em face da COOPERATIVA AGRICOLA MISTA GENERAL OSÓRIO LTDA., no valor de R$1.299.407,80 (hum milhão, duzentos e noventa e nove mil, quatrocentos e sete reais e oitenta centavos), referente a Contribuição social devida aos chamados Terceiros (SENAR), incidentes sobre a comercialização da produção rural própria da pessoa jurídica no período de 01/2009 a 12/2011. Segundo relatório fiscal, a entidade ora Recorrente comercializou produção rural adquirida de terceiros, pessoas físicas e segurados especiais, sem, contudo, efetuar os recolhimentos incidentes sobre essas operações, sob o arrimo de uma suposta interpretação de inexigibilidade do FUNRURAL e do SENAR. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS entendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico àquele sobre o qual verse o processo administrativo, importa a renúncia à instância administrativa, com a conseqüente definitividade do crédito tributário. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Descabe, por prescindível, a realização de diligência ou perícia, já que todos os valores lançados foram objeto de depósito judicial. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 344 4 É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SESCOOP. A contribuição para o SESCOOP incide sobre a remuneração paga, por cooperativa, a seus empregados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial do valor integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) ofensa a coisa julgada, afirmando não haver relação jurídica entre o tributo insculpido no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91 e a cooperativa, e sustentou que a ação declaratória oposta perante a Justiça Federal afastou a incidência do FUNRURAL, matéria idêntica a da autuação em fustigo, sendo descabida a contribuição previdenciária para o produtor rural pessoa física. b) que os atos cooperados, diferente dos atos cooperativos, não fazem parte da materialidade do tributo em tela, uma vez que, no primeiro ato, a cooperativa apenas recebe a produção que os cooperados livremente entregam, e que no segundo ato a cooperativa adquire a produção de não cooperados, hipótese que se subsome ao critério material da norma, porém não ocorrida. c) que o art. 25, da Lei 8.212/91, não definiu a hipótese de incidência do contribuição previdenciária, não podendo ensejar a cobrança do tributo, e Fl. 344DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 345 5 que, por conta disso, faz jus a crédito tributário, pois realizou pagamentos indevidos à luz do citado dispositivo legal; d) que, nos termos da lei, a compensação dos créditos do FUNRURAL – afastados da relação jurídica, através de decisão judicial transitada em julgado – é perfeitamente válida e possível, lhe sendo dispensado informala nas GFIPs; e) que a exportação da produção rural é ato imune a tributação, afastando a incidência da contribuição previdenciária em destaque, consubstanciando erro grosseiro da Autuação; f) afirmou ser possível compensar os créditos antes do trânsito em julgado da ação judicial, à medida que seus créditos se originaram antes da entrada em vigor do art. 170A, do Codex Tributário, devendo ser aplicada a lei vigente na época do recolhimento indevido ou a maior; g) que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos membros da diretoria, a título de ajuda de custo, por se tratarem de verba de natureza jurídica indenizatória. h) afirmou que, em relação as informações omissas nas GFIPs, a multa aplicada é incabível, tendo em vista que depositava correspondente ao montante integral do tributo, ensejando a nulidade do auto de infração, i) e, por derradeiro, que as multas aplicadas consubstanciam bis in idem, uma vez que a Medida Provisória nº449/08 limitou a aplicação das multas pelo INSS em 20%, mais benigna e, portanto, aplicável ao caso. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 346 6 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Da renúncia parcial a esfera administrativa Consta nos autos a proposição pela autuada de ação declaratória de inexistência de relação jurídica, questionando a constitucionalidade do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, e, consequentemente, requerendo o afastamento da exigência da exação fiscal, bem como a compensação dos valores pagos indevidamente. Tendo em vista que a autuada sustenta, no recurso administrativo em análise, identidade da matéria proposta judicialmente com a norma insculpida no art. 25, I e II da Lei 8.212/91, restase configurada, portanto, hipótese de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, a teor do disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 347 7 O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. No caso dos autos, impende destacar que a autuada logrou parcial êxito na demanda proposta, em que a decisão, transitada em julgado, julgou ser inconstitucional a exigência de contribuição previdenciária sobre a receita bruta, oriunda de produção rural, estendendo seus efeitos a norma insculpida no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91, porém não acolheu o pleito referente a compensação, nos termos da ementa abaixo colacionada. AgRg no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 537.623 RS (2003/0085549 ) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA GENERAL OSÓRIO EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO REGIMENTAL CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 25 DA LEI N. 8.212/91 COMPATIBILIDADE COM O ART. 138 DA LEI N. 8.213/91 PREQUESTIONAMENTO AUSÊNCIA COMPENSAÇÃO COOPERATIVA ILEGITIMIDADE. 1. No agravo regimental, afirmase que não foi analisada que a contribuição prevista no art. 25, da Lei n. 8.212/91, com suas modificações posteriores, é incompatível com o art. 138, da Lei n. 8.213/91, que extinguiu todas as contribuições destinadas ao FUNRURAL. 2. Com efeito, observase que a questão federal relativa ao art. 138 da Lei n. 8.213/91 não foi devidamente prequestionada no Tribunal de origem, pois foi ela somente ventilada nos embargos de declaração ali opostos, que foram acolhidos em parte para fins de prequestionamento. 3. Dessa forma, a suposta violação do art. 138 da Lei n. 8.213/91 foi ventilada pelo Tribunal de origem apenas para fins de prequestionamento, sem a existência de qualquer juízo de valor sobre ela. Incidência da Súmula 211/STJ. 4. Oportuno consignar que esta Corte não considera suficiente, para fins de prequestionamento, que a matéria tenha sido suscitada pelas partes, mas sim que a respeito tenha havido debate no acórdão recorrido. Se, ao apreciar os embargos de declaração, o Tribunal de origem apenas declarou que pronunciouse sobre toda a questão, não houve o suprimento da exigência do prequestionamento. 5. A jurisprudência desta Corte posicionase no sentido de que a cooperativa, ou seja, a agravante, não possui legitimidade para pleitear a repetição ou compensação da contribuição do FUNRURAL, indevidamente recolhida, podendo somente discutir sua legalidade ou constitucionalidade. Agravo regimental improvido. (grifos nossos) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 348 8 Assim, se a parte apresentou a matéria, na sua impugnação e no recurso voluntário, já conhecida em ação judicial, deve ser declarada a renúncia ao contencioso administrativo, que deve ficar limitada, evidentemente, à matéria que lhes forem idênticas. Por essa razão é que considero renunciado o recurso administrativo, tão somente quanto a discussão acerca da incidência da norma retrocitada sobre as operações realizadas entre a cooperativa e cooperados, utilizada como fundamento legal do lançamento fiscal em querela, e, da mesma forma, prejudicado o questionamento acerca da compensação. Das exportações Quando da apresentação de sua impugnação, a ora Recorrente pleiteou o reconhecimento da impossibilidade de incidência de tributos sobre as receitas decorrentes das exportações de produtos rurais destinados à exportação com base na imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 da Constituição Federal, que dispõe: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Não obteve, todavia, a Recorrente, em primeira instância, julgamento procedente do seu pedido, visto que, no entender da decisão recorrida, o benefício previsto no dispositivo constitucional em comento seria restrito apenas àquelas exportações realizadas diretamente pelo cooperado, conforme se depreende do artigo 245 da Instrução Normativa nº 03/05, que estabelece: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capitulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso Ido ,§ 2° do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n°33, de 11 de dezembro de 2001. § 1° Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no Pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Os Julgadores de piso entenderam não restar comprovado nos autos do presente processo, a realização de atos cooperativos, tendo em vista que a exportação dos Fl. 348DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 349 9 produtos rurais comercializados pela Recorrente teria se dado em momento posterior a entrega da produção rural pelos cooperados – que consiste em operação própria – ausente, portanto o suporte fático ensejador da imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 do Diploma Maior. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer, pois a referida exação afronta não só uma série de princípios normativos referentes aos limites dos poderes de atuação da Administração Pública, como também vai de encontro à própria inteligência consagrada pelo dispositivo constitucional em comento, que é a de viabilizar a comercialização da produção rural pátria no exterior e possibilitar, consequentemente, a afirmação do Brasil como potência econômica no competitivo cenário da economia globalizada, assim como o preceito constitucional disposto no artigo 146, III, "c", de que o ato cooperativo deve receber adequado tratamento tributário e, no artigo 174, § 2º , em que restou ditada que a lei apoiará e incentivará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Outrossim, a autuação em fustigo efetuou lançamento sobre fato imponível não existente, ao considerar a entrega da produção rural pelo cooperado a cooperativa uma operação distinta da exportação. Vêse, claramente, que foi violado o conceito legal de ato cooperado, previsto no artigo 79 e seu parágrafo único, da Lei 5.764/71, in verbis: Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". Podese dizer, insofismavelmente, que o ato cooperativo é o suposto jurídico, ausente de lucro e de intermediação, que realiza a organização cooperativa em cumprimento de um fim preponderantemente econômico e de utilidade social. Tal conceituação se coaduna com o recebimento da produção rural pela cooperativa, com o fim precípuo de negociála no mercado externo, proporcionando lucros e benefícios ao cooperado. É de sabença acadêmica, que também faz parte das funções das cooperativas atuar no mercado, eliminando intermediários e obtendo, em razão disto, maiores vantagens patrimoniais aos cooperados. Desta maneira, costumase dividir os atos praticados pelas cooperativas em cooperativos e nãocooperativos. O ato cooperativo vem disciplinado no art. 79 da Lei 5.764/71 e são aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para consecução dos objetivos sociais da cooperativa. Sob esse prisma, convém trazer ao lume a doutrina do Mestre Fábio Ulhoa Coelho, bastante elucidativa nesse ponto, conforme se observa pelas seguintes transcrições: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 350 10 “A colaboração entre os sócios para todos alcançarem mais facilmente a satisfação de sua necessidade individual é a marca distintiva da cooperativa. Nas sociedades de qualquer tipo, os sócios combinam seus esforços num objetivo comum. Assim também na cooperativa; nesse tipo, contudo, o objetivo é a facilitação do atendimento às necessidades individuais dos sócios. A motivação dos cooperativados é a de organizar uma sociedade em torno do mecanismo típico do mutualismo. O modelo cooperativista é marcado pela dispensa ou variabilidade de capital, pelo ingresso livre e voluntário, pelo concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo, pela administração democrática, pela distribuição de despesas e resultados proporcionalmente às operações do sócio, pela despatrimonialização relativa das cotas1.” Outrossim, o art. 83, do mesmo diploma legal, dispõe sobre o ato cooperado concernente a tradição da produção do cooperado e cooperativa: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. Nessa toada, se a intenção do legislador constitucional era desonerar as exportações, fazendo com que o preço do produto brasileiro seja competitivo no mercado internacional, a interpretação dada pela Receita Previdenciária entendendo como ato de comércio a entrega do produto rural à cooperativa, esquecendose que estas são uma longa manus do produtor rural quando efetiva a exportação, acabou por fazer permanecer onerada a exportação dos produtos rurícolas brasileiros. Como o dispositivo constitucional mencionado supra não faz qualquer distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nele prevista, isto é, não diferencia a exportação direta daquela realizada por intermédio de cooperativa, não cabe à Administração Pública determinar que apenas as operações de exportações realizadas diretamente com adquirente domiciliado no exterior é que são aptas ao gozo do referido favor constitucional, pois ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir). Tal premissa hermenêutica, oriunda dos clássicos brocardos latinos, pode, inclusive, ser traduzida, no contexto contemporâneo do Estado Democrático de Direito, como uma forma de manifestação do Princípio da Legalidade, o qual, no âmbito do Direito Administrativo, determina a completa submissão da Administração Pública ao que está legalmente positivado. A Administração Pública deve, portanto, tãosomente primar pela obediência e pelo cumprimento dos dispositivos legais. “Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa o cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes e obsequiosos cumpridores das disposições 1 Fábio Ulhoa Coelho, cit., pp. 466 e ss. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 351 11 gerais fixadas pelo Poder Legislativo, pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro”. (MELLO, 1999) Bem assim, para usar a terminologia de Robert Alexy, o Princípio da Legalidade atua como mandado de otimização da atividade administrativa e, no que pertine às questões tributárias, implica que “qualquer das pessoas políticas de direito constitucional interno somente poderá instituir tributos, isto é, descrever a regra matriz de incidência ou aumentar os existentes, majorando a base de cálculo ou a alíquota, mediante expedição de lei (CARVALHO, 2005), sendo este, inclusive, o teor do artigo 150, inciso I da Constituição Federal, que dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Portanto, se não há qualquer distinção feita por significante normativo competente no sentido de estabelecer o alcance da expressão “exportação” encontrada no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, de forma a determinar o tipo de atividade exportadora abrangido pela imunidade tributária nele prevista, não cabe à administração pública, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade, restringir o referido favor constitucional apenas às exportações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, tributando aquelas que se realizarem por intermédio de cooperativas. Todavia, apesar de tão óbvio e claro preceito, a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio de sua Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, em seu artigo 245, estabeleceu que, em relação às atividades rurais e agroindustriais, a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do artigo 149 da Constituição Federal seria restrita às exportações realizadas diretamente entre o produtor e o comprador externo, excluído as operações feitas pelas cooperativas em nome dos cooperados. Tal situação, todavia, não só afronta uma série de princípios expressamente consagrados pelo Diploma Maior no escopo de proteger o contribuinte de exações indevidas, como também, por tabela, acaba por deturpar gravemente o próprio conceito de tributo consagrado pelo nosso ordenamento jurídico e por descaracterizar a atuação da Administração Pública, a qual, conforme já afirmado, deve ser guiada unicamente pelo que está expressamente previsto em lei. Destarte, está o contribuinte, munido de um verdadeiro estatuto de proteção contra as eventuais arbitrariedades indevidas que possam, equivocadamente, vir a ser contra ele cometidas, como é o caso da edição da referida instrução normativa a partir da errônea interpretação do teor I do §2º do artigo 149 do Diploma Magno. Dentre esses preceitos, está o já citado artigo 150, inciso I da Carta Magna o qual veda, expressamente, aos entes que compõe a federação a exigência ou aumento de tributos sem que haja a devida correspondência legal. Tal dispositivo, faceta tributária do Princípio da Legalidade característico do Estado Democrático de Direito, repercute de maneira significativa no conceito de tributo Fl. 351DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 352 12 consagrado pelo nosso ordenamento jurídico e elencado no artigo 3º do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (Grifo meu) Da leitura do referido artigo, fica clara origem exclusivamente legal do tributo, ou seja, só será tributo aquilo que for expressamente determinado pelo respectivo diploma legislativo, cabendo a este, por sua vez, não apenas a mera instituição da exação fiscal, mas também, “a definição da hipótese ou hipóteses em que o mesmo será devido, vale dizer, da hipótese de incidência, dos sujeitos da obrigação correspondente, e ainda da indicação precisa dos elementos necessários ao conhecimento do valor a ser pago, vale dizer, da base de cálculo e da alíquota, bem como do prazo respectivo.” (MACHADO, 1998) Ora, conforme já anteriormente afirmado, inexiste dispositivo legal estabelecendo a distinção acerca tipo de atividade exportadora abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal. Dessa forma, não pode a administração pública determinar que apenas aquelas realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são imunes à incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de quaisquer argumentos no sentido de justificar a tributação das exportações realizadas por intermédio de cooperativas. Ademais, considerando o Princípio da Legalidade, é descabido o argumento de que a edição da referida instrução normativa se deu no escopo de determinar o meio correto de interpretação da imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, pois, embora tenha a instrução o objetivo de prescrever a maneira pela qual a administração pública conduzirá a execução dos seus serviços, não pode esta premissa servir de base indireta para a instituição de um tributo, vez que este só pode ser instituído a partir da edição de um expresso dispositivo legal. O entendimento de que a imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição deve ser aplicado, também, às exportações realizadas por intermédio de cooperativas em razão de não haver distinção acerca do tipo de operação por ela abrangido. No escopo de corroborar este entendimento, destacamse as seguintes ementas, de julgados em sentido semelhante: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO AGRAVO DE INSTRUMENTO EM FACE DA DECISÃO QUE DEFERIU LIMINAR PARA DETERMINAR A NÃO SUJEIÇÃO DAS IMPETRANTES AOS EFEITOS DA RESTRIÇÃO IMPOSTA PELO ARTIGO 245, PARÁGRAFOS 1º E 2º DA IN MPS/SRP Nº 3 ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO IMUNES DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – NORMA INFRACONSTITUCIONAL QUE PRETENDE DESABRIGAR DA Fl. 352DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 353 13 IMUNIDADE O RESULTADO DA EXPORTAÇÃO INTERMEDIADA POR "TRADING COMPANIES" AGRAVO DE INSTRUMENTO IMPROVIDO. (...) 2.O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal assim que as contribuições sociais "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação". 3. O objetivo do constituinte é desonerar das contribuições as receitas oriundas de operações de exportação; a Carta Magna não distinguiu entre as exportações diretas (operação entre o produtor local e o adquirente alienígena, sediado no estrangeiro) e as exportações indiretas (operações "triangulares", envolvendo o produtor local, uma empresa exportadora intermediária e o adquirente alienígena situado noutro país). 4. Dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 5. Não parece adequada a distinção feita na Instrução Normativa nº 03/2005, em seu art. 245, § 2º, de modo a desabrigar da imunidade o resultado da exportação intermediada por "trading companies", uma vez que norma infralegal não pode ir além do texto legal, menos ainda do texto constitucional. 6. Na verdade tudo indica que o § 2º do art. 149 da Constituição Federal intenta imunizar a receita adquirida quando houver específica operação de exportação; isso é o que mais importa, e não quem seja o contratante que está na "outra ponta" do negócio.7. Preliminar de incompetência absoluta do Juízo a quo rejeitada e, no mérito, agravo de instrumento improvido. (AGTR 257656/SP. Rel. Des. Fed. Johonsom Di Salvo. Julgado em 31.08.2006. DJU de 31.08.2006, p.256.) (Grifos meus) EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 354 14 contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22 112013 PUBLIC 25112013) Vêse, portanto, que não há razão para afirmar que apenas as operações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são aptas a gozar do favor constitucional supracitado, uma vez que se a cooperativas não provar a efetiva exportação das mercadorias por ela adquiridas dos produtores que a procuraram no escopo de ter sua produção levada ao mercado externo, ficará sujeita, normalmente, à incidência dos respectivos tributos. Nesse diapasão, diante não só desse fato, mas também da total ausência no ordenamento jurídico pátrio de qualquer dispositivo legal apto ao estabelecimento do tipo de exportação atingido pelo disposto no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, em obediência e respeito ao Princípio da Legalidade, não há que se falar na impossibilidade não gozarem as exportações realizadas por intermédio de cooperativa da imunidade prevista no referido dispositivo constitucional, razão pela qual é, neste ponto, improcedente o lançamento pelo Fisco realizado. Das contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR Em seu recurso, a recorrente alegou que não existe fundamento legal, tanto Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 355 15 na Lei nº 8.315/91 e Lei nº 10.256/01, que determine a responsabilidade pela retenção e consequente recolhimento da contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), sendo, portanto, improcedente o lançamento fiscal. Destarte, não se deve perder de vista as disposições previstas na Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, que determina a imposição da empresa adquirente de produção rural, inclusive cooperativa, pela retenção e recolhimento das contribuições que tenham como base imponível a receita. Art. 184. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a responsabilidade pelo recolhimento: § 5º A responsabilidade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou da cooperativa prevalece quando a comercialização envolver produção rural de pessoa física ou de segurado especial, qualquer que seja a quantidade, independentemente de ter sido realizada diretamente com o produtor ou com o intermediário, pessoa física, exceto no caso previsto no inciso I do caput. § 7º O desconto da contribuição legalmente autorizado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou pela cooperativa, a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando ela diretamente responsável pela importância que eventualmente deixar de descontar ou que tiver descontado em desacordo com as normas vigentes. Nessa toada, tendo em vista que o art. 3º, da Lei nº 10.256/01, preconiza a incidência do tributo em tela sobre a receita bruta, oriunda da comercialização de produção rural, não há o que se falar em ausência de fundamento legal para atribuir a recorrente a responsabilidade pelos recolhimentos. Destarte, esse entendimento se coaduna com o julgamento do ARE 672.948 SC, Min. Cármen Lúcia, amplamente reproduzido pelos Tribunais Pátrios Federais: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (FUNRURAL) E SENAR. RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. LEGITIMIDADE ATIVA: PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. 1. O empregador rural, pessoa jurídica, não se equipara ao empregador rural pessoa física para fins de incidência tributária. 2. A extinção da contribuição ao FUNRURAL não afasta a exação prevista na Lei 8.870/94, devida pelas empresas produtoras rurais pessoas jurídicas, sobre a comercialização da produção. Precedentes do STJ. 3. In casu, a pessoa jurídica (produtora rural/empresa agropastoril) é responsável tributário pelo recolhimento da contribuição para o FUNRURAL sobre a comercialização do produto agrícola. 4. A contribuição para o SENAR é devida pelo produtor rural no ato da comercialização de sua produção, porque se trata de contribuição social geral, desnecessária, portanto, sua instituição por lei complementar (Precedente: STF, ARE 672.948SC, Min. Cármen Lúcia, publicação em 26/09/2012). 5. Apelação da União e remessa oficial providas para, reformando a sentença, denegar a segurança. (AMS 446324620104013800, JUIZ FEDERAL ALEXANDRE BUCK MEDRADO SAMPAIO (CONV.), TRF1 OITAVA TURMA, eDJF1 DATA:04/07/2014 PAGINA:417.) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 356 16 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRO LABORE. INCRA. SENAR. PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE. EXIGIBILIDADE. 1. Embora declarada inconstitucional a expressão "administradores, autônomos e avulsos" contida no art. 3º, I, da Lei 7.787/89 e no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91, a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração deles foi regularizada com edição da Lei Complementar nº 84/96 e da Lei nº 9.786/99. 2. Como o débito cobrado diz respeito à competência de 2009, é legítima sua exigibilidade, não se falando em inconstitucionalidade, uma vez que, a partir das alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 20/98, a matéria disciplinada naquela lei complementar se tornou passível de regulação pela lei ordinária. 3. Por não se destinar ao custeio da Seguridade Social, a Contribuição para o INCRA, caracterizada como CIDE, subsistiu ilesa às disposições das Leis nºs 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, permanecendo exigível até os dias de hoje, inclusive das empresas urbanas. 4. A alteração promovida pela Lei nº 10.256/01 no caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi suficiente para sanar a inconstitucionalidade da legislação precedente que impedia a cobrança das contribuições previstas no referido artigo. Portanto, exigível a contribuição para o SENAR, da empresa adquirente de produção rural, na qualidade de responsável tributária pelo recolhimento das referidas exações, a partir da plena vigência da última norma. 5. Apelação não provida. (AC 00009828620134058308, Desembargador Federal Manoel Erhardt, TRF5 Primeira Turma, DJE Data::03/07/2014 Página::50.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS PELA FAZENDA NACIONAL, PELO SENAR E PELA AUTORA. PRAZO PRESCRICIONAL DA PRETENSÃO ANULATÓRIA DO LANÇAMENTO FISCAL. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO PARCIAL DOS EMBARGOS. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. NÃO CABIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. 1. Configurada a omissão no acórdão quanto ao prazo prescricional aplicável ao pleito de nulidade dos lançamentos efetuados contra a autora, na condição de substituta tributária, a título da contribuição previdenciária prevista no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91 e no art. 6º da Lei 9.528/97 (SENAR). 2. Levandose em conta que o direito de anular o ato de lançamento tributário deve ser exercido pelo contribuinte no prazo qüinqüenal previsto no Decreto nº 20.910/32, impõese o acolhimento, em parte, dos embargos opostos pela Autora e pela Fazenda Nacional, para reconhecer a nulidade dos lançamentos efetuados contra a demandante relativos à contribuição previdenciária prevista no art. 25, I e II da Lei 8.212/91 e no art. 6º da Lei 9.528/97 (SENAR), apenas em relação aos créditos cujo prazo decorrido entre a data de notificação do lançamento e o ajuizamento da ação não seja superior a cinco anos. 3. As demais alegações trazidas nos embargos da Autora, da Fazenda Nacional e do SENAR não configuram qualquer contradição ou omissão no julgado. Os fundamentos constantes do acórdão estão claros e devidamente explicitados, não deixando quaisquer dúvidas quanto às razões que levaram esta eg. Turma a entender da maneira ali expressa, de modo a frisar que não existe lei em sentido formal que preveja a substituição tributária do adquirente da produção rural no tocante ao recolhimento da contribuição destinada ao SENAR, prevista no art. 6º da Lei 9.528/97. 4. O juiz não é obrigado a refutar um a um os argumentos levantados pela parte. Cabe ao julgador fundamentar devidamente o seu decisum, esboçando as razões que o levaram a concluir pela procedência ou improcedência do pedido. 5. O mero propósito de prequestionamento da matéria, por si só, não acarreta a admissibilidade dos embargos declaratórios se o acórdão não padece de qualquer omissão, obscuridade ou contradição. 6. Embargos de declaração da Fazenda Nacional e da Autora parcialmente providos. Embargos do SENAR Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 357 17 rejeitados. (APELREEX 0005573502010405800003, Desembargador Federal Francisco Wildo, TRF5 Segunda Turma, DJE Data::17/11/2011 Página::354.) Ato contínuo, em relação as questões referentes à imunidade tributária, conforme se depreende do artigo 111, inciso I do Código Tributário Nacional, a interpretação dos dispositivos legais deve ser feita de maneira restritiva, pois o fundamento das imunidades é a preservação dos valores que a Constituição julgou por relevantes, não sendo permitida, portanto, a presunção de palavras ou expressões outras que não aquelas contidas no texto constitucional, pois ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir). Destarte, a partir desta premissa hermenêutica, a qual deve ser seguida por este Conselho de Contribuintes, a imunidade ora em comento não pode ser ampliada de forma a abarcar as verbas destinadas ao SENAR, pois o referido favor constitucional destinase, exclusivamente, às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, conforme se depreende do §2.º, inciso I, do artigo 149 da Constituição Federal a seguir transcrito: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Grifo meu) Destarte, não pode o referido favor constitucional ser interpretado ampliativamente de forma a abranger as contribuições relativas ao SENAR, em razão destas possuírem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, as quais não constituem objeto de incidência da imunidade prevista no §2º, inciso primeiro do artigo 149 do Diploma Maior. É este, inclusive, o entendimento do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, conforme se depreende do julgado abaixo colacionado: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA AGRAVO RETIDO NÃO REITERADO NA APELAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. CONTRIBUIÇÃO IMUNIDADE, ARTIGO 149 § 2º, I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS E DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE NÃO RECONHECIDA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS. CPMF IMUNIDADE NÃO ALCANÇA AS OPERAÇÕES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 22 A DA LEI 8.212/91 APLICAÇÃO DA REGRA IMUNIZANTE [...] III E clara a norma constitucional ao prever que sobre receitas decorrentes da exportação não incidirão as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o "caput" do artigo149. IV Quanto à contribuição ao SENAR, tratase de contribuição de interesse das categorias profissionais, que foi prevista no artigo 62, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 358 18 da Constituição Federal de 1988, sem prejuízo das atribuições dos demais órgãos públicos que atuam na área, sendo a contribuição que lhe é destinada instituída pela Lei nº.8.315, de 23 de dezembro de 1991, com o objetivo de executar as políticas de ensino da formação profissional rural e à promoção social do trabalhador rural, não possuindo, pois, natureza previdenciária, custeando entidades, de direito público ou privado, que fiscalizam e regulam o exercício de certas atividades profissionais ou econômicas, não fazendo parte, pois, das" contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico "a que se refere o dispositivo da imunidade. Portanto, não está abrangida pela imunidade. [...] (TRF 3ª Região, AMS 303879, Relator Juiz Federal Convocado Souza Ribeiro, DJF3 em 23/09/08) Da mesma maneira, também decidiu, recentemente, o Tribunal Regional Federal da Quinta Região: ADMINISTRATIVO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. EMPRESA AGRO INDUSTRIAL. EXPORTAÇÕES. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA. NATUREZA JURÍDICA DE CONTRIBUIÇÃO PARA ENTIDADE DO CHAMADO SISTEMA "S". NÃO ABRANGÊNCIA DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CF/88. I A imunidade prevista no parágrafo 2º, inciso I, do artigo 149 da CF/88 relativamente as receitas decorrentes da exportação, destinase exclusivamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, não podendo ser estendida a todas as contribuições elencadas no "caput" do referido dispositivo (artigo 149). Na hipótese, a contribuição para o SENAR, que tem natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, incide sobre as receitas de exportação. II "O simples cotejo do texto da cabeça do art. 149 da CF/88 com o de seu parágrafo 2.º, inciso I, deixa evidente que a imunidade conferida por este às receitas decorrentes da exportação não atinge as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como é o caso daquela destinada ao financiamento do SENAR, pois este último dispositivo apenas faz referência as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, ao contrário daquele, que se refere, além de a estas, também, às contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômica."(AC 467921 PE, DJe 18/11/2010, relator Des. Federal Emiliano Zapata Leitão (convocado)) III Apelação improvida. (TRF 5, AC 516045, Rel.: Desembargadora MARGARIDA CANTARELLI, Órgão Julgador: QUARTA TURMA, Julgado em:19/04/2011, DJe: 28/04/2011) Bem assim, conforme depreende claramente do texto constitucional, a imunidade prevista no artigo 149 do Diploma Maior é restrita às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico, não sendo possível interpretálo extensivamente de forma abranger as receitas decorrentes de exportação. Nesse diapasão, consignado que a sociedade cooperativa é responsável pela arrecadação, mediante desconto, e pelo recolhimento das contribuições do produtor rural pessoa física contribuinte individual e do produtor rural pessoa física – segurado especial incidentes sobre a comercialização da produção, quando adquirir ou comercializar o produto rural recebido em consignação, independentemente dessas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, devese manter incólume a decisão de piso. Conclusão Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 359 19 Ante todo o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, para, no mérito, DALHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento fiscal os créditos que tiveram como base as exportações realizadas pela cooperativa, em nome dos cooperados – objeto do DEBCAD nº 51.036.8042, contudo, negar provimento ao DEBCAD n° 51.036.805 0. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2015. Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 360 20 Voto Vencedor DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo a subsunção do caso concreto tratado nos presentes autos à hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §2º do art. 149 da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001. De fato, a Emenda Constitucional nº 33/2001 introduziu no ordenamento jurídico um novo regramento de imunidade visando a diminuir a carga tributária incidente sobre receitas decorrentes de exportações, mediante a inclusão do §2º ao art. 149 da Constituição Federal. Constituição Federal Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42/2003) O dispositivo constitucional acima transcrito é de clareza solar ao estatuir que somente as receitas decorrentes da operação de exportação encontrarseão a salvo da tributação. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 361 21 Noutros dizeres, a fruição do benefício fiscal em tela não contempla as operações no mercado interno, ainda que essas se realizem com o objetivo específico de ulterior comercialização da produção rural com o mercado externo. Ser “decorrente de” significa ser “consequência de”, “ter ocorrido em razão de”, “que teve origem em”, consoante deflui da etimologia e da semântica do vocábulo exposta no Priberam Dicionário da Língua Portuguesa, e não “visando a” ou ”destinada a“, como assim quer fazer crer a semântica aprendida pelo Recorrente. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa http://www.priberam.pt/dlpo/decorrente de∙cor∙ren∙te (latim decurrens, entis, particípio presente de decurro, eredescer a correr, ir, percorrer) adjectivo de dois géneros 1. Que decorre. 2. Que passa (ex.: tempo decorrente). 3. Que é consequência de; que teve origem em (ex.: isto é decorrente do que aconteceu ontem). 4. [Botânica] Dizse da folha cujo pedúnculo está pegado ao longo da haste em quase todo o seu comprimento. Assim, uma coisa é a “receita decorrente de exportação”, outra coisa bem diversa é a comercialização, pelo Segurado Especial, de produtos rurais com cooperativa constituída e em funcionamento no País, mesmo que eventualmente visando à exportação. No primeiro caso, encontrase garantido que a exportação já ocorreu. A venda para o exterior já se encontra consolidada. A exportação é fato consumado. Dessa operação de exportação de produto rural resultou uma receita, a qual é imune à tributação previdenciária. Operouse definitivamente o objetivo da lei: diminuir a carga tributária sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais. No segundo caso, há a realização de uma mera comercialização de produção rural com pessoa jurídica sediada e em funcionamento no país. Inexiste qualquer operação de exportação e nada garante que tal produção rural será efetivamente comercializada com adquirente domiciliado no exterior ou que, eventualmente, venha a ser vendida no mercado interno. Dessarte, ao estatuir hipótese de imunidade às receitas “decorrentes de exportação” o Legislador Constituinte Derivado estabeleceu, efetivamente, um discrimen entre as operações realizadas diretamente com empresas adquirentes domiciliadas no exterior e as operações realizadas com empresas adquirentes domiciliadas e em funcionamento no País. Tal discernimento encontrase positivado expressamente no art. 241 da IN nº 03/2005, o qual prevê, dentre outras modalidades, que o fato gerador contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 362 22 especial realizada diretamente com adquirente domiciliado no exterior, hipótese em que se configura a exportação da produção rural, assim como a cooperativa, operação esta que se qualifica como operação interna, a teor do art. 245 da mesma Instrução Normativa em foco. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 241. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização: (Redação dada pela IN SRP nº 20/2007) I da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado especial realizada diretamente com: (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) a) adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado o disposto no art. 245; b) consumidor pessoa física, no varejo; c) adquirente pessoa física, nãoprodutor rural, para venda no varejo a consumidor pessoa física; d) outro produtor rural pessoa física; e) outro segurado especial; f) empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Cumpre relembrar que o art. 111 do CTN impõe exegese restritiva a toda e qualquer norma tributária que implique renuncia fiscal. Nessa perspectiva, para que o ingresso de numerário mantenhase imune à tributação é imperioso e indispensável que a operação de origem seja a própria operação de exportação, isto é, que o adquirente seja domiciliado no exterior, assim como prevê a alínea ‘a’ do inciso I do art. 241 da IN nº 03/2005. A tal conclusão também convergiu o entendimento do Ministério da Previdência Social ao editar a Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cujo art. 245 excluiu da hipótese de imunidade ora em comento as receitas decorrentes de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País, por reconhecêla como receita proveniente do comércio interno e não de exportação. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. §1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. §2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 363 23 Ora, a restrição em voga dimana diretamente da CF/88, a qual concede a imunidade tributária tão somente às “receitas decorrentes de exportação” e não às operações de comercialização destinadas a exportação. Dessarte, pelo prisma oclusivo interposto pelo art. 111 do CTN, há que se concluir que apenas as receitas geradas pela operação propriamente dita de exportação, mas não pelas operações anteriores, é que estariam acobertadas pelo favor fiscal em pauta. O ato normativo ministerial increpado não introduziu qualquer inovação à ordem jurídica vigente, mas explicitou, tão somente, o conteúdo e as condições de contorno da norma constitucional em rodeio, nada mais. Repisese que a hipótese constitucional de não incidência tributária, configurandose como norma de exceção, não pode ter seu alcance ampliado para além dos limites que o Legislador Constituinte honrou em consignar, em sua literalidade, na Carta Constitucional. No caso em estudo, o Relatório Fiscal a fls. 101/104 nos informa que as obrigações tributárias objeto do presente lançamento decorrem de fatos geradores consubstanciados na própria aquisição da produção rural do segurado especial pela cooperativa Autuada, na condição de adquirente. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao Autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à Parte Adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor. No caso dos autos, a Fiscalização comprovou, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade e domínio do próprio Recorrente, que a cooperativa efetivamente adquiriu a produção rural de segurados especiais, mediante operação interna. Em contrapartida, o Autuado alega tratarse de ato cooperativo, e que a produção rural que lhe foi entregue destinavase à exportação. Lei nº 5.764 de 16 de dezembro de 1971 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Todavia, no curso da instrução processual, não logrou o Recorrente comprovar o Direito por si alegado. Ora, tratandose a situação concreta aqui em debate de expressivo caso de exceção à regra geral de tributação, o adimplemento das condições e dos requisitos necessários ao devido e indubitável enquadramento na hipótese de renúncia fiscal em apreço deve ser comprovado pelo Interessado, sob pena de agrilhoamento à regra geral. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 364 24 Nessa esteira, registrese que o Recorrente não logrou produzir qualquer prova de que os segurados especiais de quem havia recolhido a produção rural ora em debate eram, formalmente, associados à cooperativa Autuada, nos termos da Lei nº 5.764/71. Lei nº 5.764 de 16 de dezembro de 1971 Art. 3º Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 14. A sociedade cooperativa constituise por deliberação da Assembleia Geral dos fundadores, constantes da respectiva ata ou por instrumento público. Art. 15. O ato constitutivo, sob pena de nulidade, deverá declarar: I a denominação da entidade, sede e objeto de funcionamento; II o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e residência dos associados, fundadores que o assinaram, bem como o valor e número da quotaparte de cada um; III aprovação do estatuto da sociedade; IV o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos associados eleitos para os órgãos de administração fiscalização e outros. Art. 16. O ato constitutivo da sociedade e os estatutos, quando não transcritos naquele, serão assinados pelos fundadores. Art. 22. A sociedade cooperativa deverá possuir os seguintes livros: I de Matrícula; II de Atas das Assembleias Gerais; III de Atas dos Órgãos de Administração; IV de Atas do Conselho Fiscal; V de Presença dos Associados nas Assembleias Gerais; VI outros, fiscais e contábeis, obrigatórios. Parágrafo único. É facultada a adoção de livros de folhas soltas ou fichas. Art. 23. No Livro de Matrícula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando; I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Além disso, inexiste nos autos qualquer indício de prova material de que a produção rural objeto do lançamento em foco houvese, de fato, por exportada pela cooperativa autuada para adquirente domiciliado no exterior. Cordão não quer dizer pescoço !!! A mera tradição de produção rural por segurado especial para uma cooperativa não implica, necessária e inequivocamente, ato cooperativo, tampouco exportação do produto rural entregue. Inexistem provas nos autos de que o Contribuinte em questão e as operações em realce se subsumem ao regime jurídico instaurado pela Lei nº 5.764/71, não havendo que se Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 365 25 falar, portanto, ao meu sentir, de ato cooperativo, mas de mera operação de compra e venda de produtos rurais, por cooperativa, de produtores rurais – segurados especiais. Assim, a responsabilidade tributária da cooperativa pelo recolhimento da contribuição social a cargo do Segurado Especial, incidente sobre a comercialização da sua produção rural, encontrase prevista taxativamente no inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933/2009). Portanto, por incidirem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de comercialização da produção rural realizada com cooperativas domiciliadas no país, deveria esta ter informado os dados conformadores das operações comerciais em voga nas GFIP correspondentes, conforme orientações assentadas no Manual da GFIP, consoante se vos segue: MANUAL DA GFIP 2.12 COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO Informar o valor da comercialização da produção realizada no mês de competência. 2.12.2 Pessoa Física Este campo deve ser preenchido: a) pela empresa adquirente, inclusive a agroindústria, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, quando adquirirem a produção do produtor rural pessoa física ou do segurado especial, independentemente de as operações terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, em relação ao valor da comercialização da produção adquirida ou consignada; (...) A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, quando adquirirem a produção do produtor rural pessoa física ou do segurado especial, devem prestar esta informação na mesma GFIP/SEFIP em que estão relacionados os trabalhadores da empresa, com o código FPAS da atividade econômica principal, quando for o caso. Não deve ser elaborada GFIP/SEFIP com código FPAS 744. O SEFIP gera automaticamente um documento de arrecadação da Previdência Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 366 26 GPS distinto para os recolhimentos incidentes sobre a comercialização da produção. 6.5 – ADQUIRENTE E CONSIGNATÁRIO DE PRODUÇÃO RURAL A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, na condição de subrogadas nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições a que se refere o artigo 25 da Lei n° 8.212/91, e são responsáveis também pela informação em GFIP/SEFIP da receita da comercialização da produção no campo Comercialização da Produção – Pessoa Física. Esta informação pode ser prestada na mesma GFIP/SEFIP em que forem informados os trabalhadores regulares da empresa. Em suma, o Recorrente alega tratarse de ato cooperativo e que o produto rural adquirido foi exportado. Todavia, não produziu nos autos qualquer prova material, tampouco indícios de que os produtores rurais em questão eram, de fato e de Direito, seus associados, nos termos da lei nº 5.764/71, muito menos de que a produção rural adquirida foi, efetivamente, comercializada com adquirente domiciliado no exterior. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio Também não procede a alegação de que as contribuições sociais em tela houveramse por declaradas inconstitucionais pelo STF. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 367 27 Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. No caso dos autos, todos os fatos geradores objeto do presente lançamento ocorreram já sob a égide da Lei nº 10.256/2001. Merece ser enaltecido que as contribuições sociais exigidas mediante os vertentes Autos de Infração têm por fundamento jurídico de validade o art. 25, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, a qual, até o presente momento, não foi ainda vitimada de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Aditese, também, que a obrigação instrumental da empresa adquirente de produção rural de produtor rural pessoa física ou de segurado especial de recolher as contribuições sociais de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 encontrase expressamente assentada no inciso III do art. 30 desse mesmo Pergaminho Legal, o qual também se mantém hígido no ordenamento jurídico pátrio. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933/2009). (grifos nossos) Não se deve olvidar, igualmente, que a Contribuição social destinada ao SENAR houvese por instituída pelo art. 3º da Lei nº 8.315/91. A lei 9.528/97, mediante seu art. 6º, modificou o regramento legal da contribuição em apreço, passando a instituir, a contar de sua vigência, a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 368 28 referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Posteriormente, em julho de 2001 foi promulgada a Lei nº 10.256/2001 a qual, por dispor de forma diversa, revogou tacitamente a norma explicitada no parágrafo anterior, fazendo criar, a contar da data de sua publicação, a contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Não se deslembre que o parágrafo quinto do art. 33 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu presunção absoluta de desconto, pelo adquirente, das contribuições sociais devidas pelo produtor rural pessoa física, incidentes sobre a comercialização da produção rural, não sendo lícito ao Obrigado alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 2302003.635 S2C3T2 Fl. 369 29 CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, pugnamos por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, em razão de o Recorrente não ter logrado demonstrar que os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária apurados pela Fiscalização se subsumiam à hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 15/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001930/2010-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, por unanimidade. Ausente o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO - Presidente substituto no exercício da Presidência.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: Não se aplica
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ME Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, por unanimidade. Ausente o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. (assinado digitalmente) EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Presidente substituto no exercício da Presidência. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 01 93 0/ 20 10 -8 9 Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.287 2 RELATÓRIO Lançamento O presente processo administrativo foi originado por autos de infração (fls. 5113) lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IPI e contribuição previdenciária patronal devidos nos regimes do Simples Federal e do Simples Nacional e relativos aos anos calendário de 2006 e 2007. De acordo com o relatório fiscal de fls. 114140: (i) Omissão de receitas O procedimento de fiscalização instaurado contra a recorrente decorreu do resultado de fiscalizações realizadas contra as pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio (CPF nº 998.070.84687) e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge (CPF nº 038.143.98602), as quais foram iniciadas em razão de movimentação financeira incompatível (R$2.173.794,00 e R$2.424.794,00, respectivamente, no anocalendário de 2005) e omissão na entrega de DIRPF. Mediante consulta ao CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais da DATAPREV, foi verificado que Elcimar teve vínculo empregatício com Indústria de Móveis Rufato e com a Premilar CL Móveis Ltda., ao passo que Áurea teve vínculo empregatício com Lelia Comercial Ltda. – ME. Em 24/03/2008 as pessoas físicas foram cientificadas do termo de início de ação fiscal, por meio do qual foram solicitados, entre outros documentos, os extratos bancários; Em 15/04/2008 foi expedida RMF – requisição de informações sobre movimentação financeira destinada ao Banco do Brasil envolvendo as referidas pessoas físicas. O Banco do Brasil apresentou (i) instrumento público por meio do qual Lélia Aparecida Ferreira Rufato (CPF nº 381.966.16668) foi constituída procuradora de Elcimar e Áurea, com poderes para movimentar suas contas bancárias; (ii) fichas cadastrais indicando o seguinte: Elcimar Ocupação principal Industriaria Natureza da ocupação Empregado em empresa do setor privado Cargo Marceneiro Renda R$ 600,00 Empregador Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge Referências Célio Rufato, Supermercado Paro Ltda. e INSS Outorgados Fernanda Rufato Pereira Chumbinho e Lélia Aparecida Ferreira Rufato Áurea Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.288 3 Ocupação principal Industriaria Natureza da ocupação Empregado em empresa do setor privado Cargo Serviços gerais Renda R$ 1.200,00 Empregador Lélia Aparecida Ferreira Rufato Referências Supermercado Parto Ltda. e Leley Móveis Ind. E Com. Ltda. Outorgados Lélia Aparecida Ferreira Rufato Elcimar e Áurea foram intimados a comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias no anocalendário de 2005, mas, após a dilação do prazo inicial e diversas reintimações, as pessoas físicas informaram, em 20/10/2008, que, em virtude da complexidade da movimentação bancária, não conseguiram reunir a documentação, situação em que a Fiscalização estendeu o prazo até 20/12/2008. Foi ampliado o objeto da fiscalização e, em 1º/12/2008, as pessoas físicas foram intimadas a comprovar a origem dos recursos movimentados nos anos de 2005 a 2007. Esse termo de intimação foi reiterado duas vezes. Foram feitas novas solicitações por meio de RMF ao Banco do Brasil, o qual informou que: (i) as contas correntes eram frequentemente movimentadas pela procuradora Lélia Rufato; (ii) nos boletos gerados a partir das contas bancárias mantidas por Elcimar, constavam do campo instruções os nomes Rodmix Cobranças e Fredlar Cobranças; e (iii) nos boletos gerados a partir das contas bancárias mantidas por Áurea, constavam do campo instruções os nomes Rufato Cobranças e Movelaria Cobranças. Foram realizadas as seguintes diligências com base na movimentação bancária, as quais corroboram a conclusão de que as contas das pessoas físicas eram utilizadas para movimentar recursos de pessoas jurídicas: (i) Antonio Carpovicz Filho declarou que desconhece cheques emitidos por Áurea e Elcimar nos valores de R$7.684,00 e R$14.120,00 e dos quais foi favorecido, mas prestou diversos serviços de transporte à Indústria de Móveis Rufato; (ii) a Distribuidora de Vidros Muriaé Ltda. informou que manteve relação comercial com a Premilar CL Móveis Ltda. e recebeu cheque emitido por Áurea no valor de R$6.027,00 como parte de pagamento de duplicatas emitidas pela empresa; e (iii) a Reinaldo de Mello & Cia Ltda. afirmou que recebeu cheques emitidos por Áurea como pagamento de venda de equipamento à Indústria de Móveis Rufato; e (iv) a Lambertex Indústria e Comércio Ltda. declarou que o cheque de R$16.640,91 foi recebido em pagamento de venda efetuada à Indústria de Móveis Rufato. Lélia Rufato foi intimada a se manifestar sobre sua relação com Elcimar e Áurea. Em 29/05/2009 Elcimar e Áurea protocolaram respostas (i) apresentando planilha demonstrando a origem dos recursos movimentados em suas contas correntes no ano de 2005 e Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.289 4 a documentação comprobatória e afirmando que (ii) não encontraram os documentos relativos aos anos de 2006 e 2007; (ii) os recursos movimentados pertencem a terceiros, razão pela qual não foi apresentada DIRPF; e (iii) cederam sua conta para que empresas de conhecidos movimentassem valores. Foram apresentados planilhas e documentos complementares em 04/09/2009 e 17/09/2009 por Elcimar e Áurea. As planilhas apresentadas indicam a origem dos valores depositados/creditados nas contas de Elcimar e Áurea como sendo provenientes da recorrente e das outras quatro pessoas jurídicas mencionadas na representação fiscal. Tais empresas pertencem à “família Rufato”, localizamse no Município de RodeiroMG e desenvolvem atividades de indústria e comércio de móveis de madeira: Com base nas informações apresentadas pelas pessoas físicas, foi elaborado o demonstrativo denominado “origem dos créditos”, indicando os recursos pertencentes a cada pessoa jurídica. Passo seguinte, foram iniciados procedimentos de fiscalização contra as pessoas jurídicas, em 29/10/2009, tendo sido a recorrente intimada a apresentar toda a documentação contábil e fiscal, incluindo Livros Diário e Razão, Inventário, Registro de Entradas e Saídas, notas fiscais de entradas e saídas, contrato social e alterações e extratos das contas correntes, entre outros. Não tendo sido apresentados os documentos solicitados, foi expedida requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF) ao Banco do Brasil. Com base nos extratos bancários fornecidos pela instituição financeira, foi expedido termo de intimação para a contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, relacionados em anexo do termo. A contribuinte informou não possuir livro razão, pois, por ser optante pelo Simples, estava obrigada à escrituração de livro caixa. Em 19/03/2010 foram apresentadas notas fiscais de saída, planilhas e livros diário. Apenas em 15/04/2007 foram apresentadas as planilhas de movimentação financeira e documentos relativos a empréstimo obtido junto ao sócio. Sociedade Quadro societário Indústria de Móveis Rufato Célio Rufato e Lélia Rufato Rodmix Mauro Pereira e Fernanda Rufato Pereira Chumbinho Movelaria Rufato Célio Rufato e Lélia Rufato Recorrente Hélio Rufato e Emiliane Rufato Premilar Sebastião de Oliveira e Cleber Teixeira (Frederico Rufato retirouse em 31/10/2007) Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.290 5 Verificouse que os valores movimentados na conta corrente da pessoa jurídica foram devidamente registrados na contabilidade, inclusive os empréstimos, conforme os livros diários. Por outro lado, foi concluído que parte da movimentação bancária nas contas correntes de Elcimar e Áurea pertence, na realidade, à contribuinte, o que foi confirmado pela própria pessoa jurídica ao escriturar a movimentação financeira das pessoas físicas após o início do procedimento fiscal. Essa retificação ocorreu em 03/06/2009, após o início de procedimento fiscal contra as pessoas físicas, em 24/03/2008 (a ação fiscal contra a contribuinte teve início em 29/10/2009), de modo que não houve denúncia espontânea da infração. Com fundamento no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, o autuante afirmou que “deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades dos procedimentos de ofício”. Essa retificação foi feita para aumentar a receita bruta declarada, mas, ainda assim, foram informados valores bastante inferiores àqueles apurados pela Fiscalização. Dessa forma, os depósitos realizados nas contas correntes das pessoas físicas serão considerados receitas omitidas pela contribuinte. Sendo a receita omitida adicionada à receita declarada, constatouse que a contribuinte extrapolou o limite de receita bruta para opção pelo Simples no ano de 2005: Anocalendário Receita bruta declarada Receita bruta omitida Receita bruta total 2005 R$ 1.166.078,90 R$ 458.447,67 R$ 1.624.526,57 Dessa forma, foi feita representação para a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 1º de janeiro de 2006, o que ocorreu por meio do ADE nº 44/2010; Após a exclusão, a contribuinte foi intimada a optar por outra forma de tributação para o ano de 2006. Em 28/05/2010, por discordar da exclusão, informou que não faria a opção. A contribuinte também não apresentou sua escrituração fiscal, solicitada pela autoridade fiscal para a apuração dos tributos conforme o lucro real trimestral. É necessário aplicar o regime do lucro real porque a opção pelo lucro presumido, conforme o art. 516, §4º do RIR/99, se dá mediante pagamento da primeira quota ou quota única do imposto devido no primeiro período de apuração de cada anocalendário, o que não foi realizado pela contribuinte. Sendo obrigatório apurar o lucro real, e não tendo sido apresentada a escrituração fiscal pela contribuinte, foi realizado o arbitramento, com fundamento no art. 530, III do RIR/99, para o anocalendário de 2006. Foi aplicado o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida no Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.291 6 período de apuração, acrescido de 20%, conforme os arts. 532 e 519 do RIR/99. Foi considerada receita bruta a receita declarada somada à receita omitida (receitas operacionais). Já em relação aos anoscalendário de 2005 e 2007 foi mantida a opção pelo Simples, tendo sido lançadas, apenas, as diferenças de tributos devidos nesse regime em razão da adição, à receita bruta informada pela recorrente, das receitas omitidas. (ii) Multa qualificada O procedimento adotado pela contribuinte, que utilizou contas correntes abertas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) para movimentar seus recursos e, consequentemente, não submetêlos à tributação, caracteriza intenção fraudulenta de omitir receitas e diminuir o resultado tributável, ensejando qualificação da multa (150%). Manter e movimentar conta bancária em nome de interposta pessoa, utilizandoa com o propósito de omitir receita, é conduta que se subsume perfeitamente à figura típica da sonegação. Transcreve precedentes dos Conselhos de Contribuintes nesse sentido. (iii) Suprimento de numerário A contribuinte foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e a efetiva entrega do numerário pelo sócio à pessoa jurídica (valores extraídos dos balancetes transcritos no livro diário). A contribuinte não apresentou documentos comprovando a efetividade do mútuo e argumentou que a entrega dos recursos ocorreu “em dinheiro”, apresentando simples recibos assinados pelos sócios. Essa ausência de comprovação autoriza a aplicação da presunção de omissão de receitas estabelecida pelo art. 282 do RIR/99: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Impugnação Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.292 7 A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 346362 alegando, em suma, o que segue: Foi solicitado aos auditores fiscais prazo complementar para impugnação porque juntamente com a contribuinte foram excluídas do Simples e autuadas outras quatro empresas pertencentes à família, de modo que a procuradora deveria preparar 9 complexas e extensas defesas. Isso porque foi necessário copilar cerca de 100.000 documentos para a comprovação dos créditos e depósitos considerados omissão de receita pela Fiscalização. Requer, desta forma, o direito de entregar as provas e alegações complementares de fato e de direito em outro momento. Foi realizada denúncia espontânea anteriormente à intimação. Em nenhum momento, no período de março de 2008 a novembro de 2009, a empresa recebeu intimações ou solicitações de informações sobre a movimentação bancária. Foram movimentados valores nas contas de terceiros, mas tais receitas foram contabilizadas e documentadas por nota fiscal, ou seja, não houve intenção de lesar o Fisco. Não poderia ter sido realizado o arbitramento do lucro, pois a contribuinte possuía o livro diário devidamente escriturado. Todos os termos de intimação foram atendidos, exceto o último, que obrigava a empresa a entregar declaração optando por outro regime de tributação, pois, à época, a contribuinte sequer conhecia os motivos da sua exclusão do Simples. Em hipótese nenhuma podemos admitir a existência de nexo causal entre a ação fiscal iniciada contra as pessoas físicas em março de 2008 e a situação da impugnante. A lavratura dos autos de infração deveria ter ocorrido apenas após o julgamento definitivo da manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples. Quanto às receitas consideradas omitidas, (i) o autuante não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais emitidas e na contabilidade e nas declarações fiscais; (ii) embora essas situações tenham sido informadas nas planilhas, não foram excluídos os cheques depositados e devolvidos duas vezes; (iii) não foi verificado que havia recebimentos decorrentes de notas fiscais emitidas no ano anterior e já submetidas à tributação; (iv) vários valores depositados nas contas referemse a receitas de outras empresas da família. Conforme o art. 142 do CTN, doutrina e precedentes dos extintos Conselhos de Contribuintes, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não podendo a Fiscalização, “em completo arbítrio, exigir quaisquer tributos sem o devido processo investigatório, propiciando ao contribuinte o direito à ampla defesa e ao contraditório”. Expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que obstar o exercício desse direito. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.293 8 Atribuir efeitos retroativos à exclusão é ilegal. Relatório de recepção de impugnações recebidas via Correios Em 27/08/2010 a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (“SACAT”) da DRFJFA registrou, às fls. 364368, o seguinte: O setor de protocolo da DRF recebeu, em 06/08/2010, 10 envelopes plásticos (modelo exclusivo dos Correios), postados no dia 04/08/2010 na Agência dos Correios do BH Shopping e cujo remetente é a Sra. Adriana de Fátima Moreira; É possível verificar que as correspondências são relativas a impugnações a lançamentos de ofício realizados pela Seção de Fiscalização – SAFIS; Conforme informações prestadas por auditores fiscais da SAFIS, a Sra. Adriana de Fátima Moreira foi cientificada pessoalmente, em 05/07/2010, de atos de exclusão do Simples e de 10 autos de infração relativos às empresas Fredlar Industrial de Móveis Ltda. ME, Indústria de Móveis Rufato Ltda., Premilar CL Móveis Ltda., Rodmix Móveis Ltda. – ME e Movelaria Rufato Ltda. – ME; Dos 10 envelopes, 2 vieram sem conteúdo (vazios), sendo que um dos avisos de recebimento não continha declaração de conteúdo e, no outro, foi indicado “impugnação Rodmix”. Quanto aos 8 documentos efetivamente recebidos, foi verificado trataremse de impugnações de Movelaria Rufato Ltda. – ME, Indústria de Móveis Rufato Ltda. – ME, Rodmix Móveis Ltda. – ME, Fredlar Industrial de Móveis Ltda. – ME e Premilar Ltda.; Embora as contribuintes façam menção a documentos anexados à impugnação, não foram, na verdade, apresentados quaisquer documentos; Para solucionar essa situação, e tendo em vista que não foram indicados os números dos processos nas impugnações, foi juntada uma via de cada impugnação aos processos. Impugnação complementar para juntada de documentos No dia 1º/09/2010 a contribuinte protocolou nova manifestação (fls. 379) para a juntada dos seguintes documentos: 10 caixas contendo planilha de créditos, especificação de todos os créditos movimentados nas contas correntes objeto desta impugnação, documentos comprobatórios da origem dos créditos, planilhas Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.294 9 demonstrativas de que não houve omissão de receita, e todos os demais documentos comprobatórios das alegações efetuadas na referida impugnação. Tais caixas contém também a origem de recursos recebidos pelos sócios, que deram origem aos empréstimos efetuados à empresa, cuja fiscalização considerou como receita bruta omitida. Conforme a Nota da DRFJuiz de Fora de fls. 408, tais documentos foram acostados ao processo administrativo 10640.001929/201054. Acórdão da DRJ Em 29 de junho de 2011 os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJJuiz de Fora decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação (fls. 1.120 1.228), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas, para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, esses valores serão considerados como omissão de receita. O suprimento de numerário efetuado por sócio, caracteriza omissão de receita por presunção legal do tipo juris tantum. Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar a prova da origem e da efetiva entrega dos valores. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.295 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do resultado do julgamento em 18/07/2011 (fls. 1.237). Recurso Voluntário Em 16/08/2011 a contribuinte protocolou Recurso Voluntário (fls. 1.2391.262), no qual reitera os termos da impugnação e aduz o que segue. (i) Preliminar – Quebra de sigilo bancário sem ordem judicial Cita precedentes do STF e do STJ sobre a necessidade de intervenção judicial para a quebra do sigilo bancário; e Conclui que o auto de infração é nulo de pleno direito por ter sido lavrado com base em prova ilícita. (ii) Desenquadramento do Simples Foram prestados à Fiscalização todos os esclarecimentos devidos e solicitados, tendo sido provado por meio dos documentos juntados aos autos que foi indevida sua exclusão, pois não houve excesso de receita; O direito à ampla defesa restou cerceado, pois primeiro a contribuinte foi penalizada com a exclusão do Simples para somente depois ser a ela oportunizada a defesa; e Expedir ato declaratório para exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que tornála ineficiente, afrontando o §3º do art. 15 da Lei nº 9.317/96 c/c Decreto nº 70.235/72 e a Lei nº 9.784/99. (iii) Denúncia espontânea Conforme demonstrado na impugnação, o contribuinte, antes de receber qualquer comunicação dos fiscais, fez uma conferência em sua contabilidade e percebeu que havia valores a serem contabilizados. Após a contabilização, foi realizada a denúncia espontânea desses valores; e A empresa apenas foi intimada em novembro de 2009, de modo que os atos praticados antes dessa data enquadramse no art. 138 do CTN. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.296 11 (iv) Inversão do ônus da prova Tendo sido apresentados pela contribuinte documentos visando a comprovar os depósitos e créditos, cabe ao Fisco demonstrar que os valores não foram incluídos na contabilidade; e Cita precedentes dos extintos Conselhos de Contribuintes. (v) Caráter confiscatório da multa Se a multa é fixada em valor excessivo, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida, tal penalidade assume caráter confiscatório e se desvia da sua finalidade, o que ocorreu no caso em tela, pois foi aplicada multa em porcentagem muito alta; e O STJ já estabeleceu como patamar máximo para multas o percentual de 20%. Sobrestamento do processo Em 08/08/2012, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento resolveu, por unanimidade de votos, sobrestar o processo com fundamento no art. 62A do Anexo II do RICARF e no parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012, pois uma das matérias em discussão diz respeito à quebra do sigilo bancário sem ordem judicial (fls. 1.2781.285). No dia 09/04/2014, data em que a relatora original, Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, não mais integrava este Conselho, o presente processo foi distribuído para a minha relatoria. VOTO Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Competência deste Relator para julgar o presente processo Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.297 12 Conforme relatado, este processo foi originalmente distribuído para a relatoria da Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que, quando pertencia à 2ª Turma Ordinária desta 1ª Câmara, determinou o sobrestamento nos termos do art. 62A do Anexo II do RICARF e no parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012 por haver discussão quanto à quebra do sigilo bancário. Após a saída da Conselheira Albertina Silva Santos de Lima deste Conselho, o processo foi devolvido à 1ª Câmara e, em seguida, distribuído para minha Relatoria. Entendo correto o procedimento adotado após a saída da antiga Relatora, pois, nos termos do §9º do art. 49 do Anexo II do RICARF, deve ocorrer, nesses casos, a devolução do processo à Câmara, que realizará o livre sorteio aos Conselheiros na próxima reunião: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. § 9° Na hipótese de não recondução, perda ou renúncia a mandato, os processos deverão ser devolvidos no prazo de até 10 (dez) dias, e serão sorteados na reunião que se seguir à devolução. Conforme se verá adiante, porém, o julgamento do presente processo depende da análise do resultado do julgamento realizado por outro Colegiado quanto à procedência da exclusão da recorrente do Simples. Vejamos. Julgamento de processo conexo por outro Colegiado No despacho de encaminhamento de fls.1.2181.219, a DRFJuiz de Fora consignou terem sido formalizados quatorze processos administrativos contra as pessoas jurídicas (i) Premilar CL Móveis Ltda., (ii) Indústria de Móveis Rufato Ltda., (iii) Fredlar Industrial de Móveis Ltda. (recorrente), (iv) Rodmix Móveis Ltda. e (v) Movelaria Rufato Ltda., sendo que quatro desses processos dizem respeito à exclusão das pessoas jurídicas “i” a “iv” do Simples e os outros processos se referem a autos de infração lavrados contra as cinco contribuintes. Em suma, a autoridade fiscal constatou que tais pessoas jurídicas movimentaram parcela considerável de suas receitas em contas bancárias mantidas por pessoas interpostas e não submeteram tais valores à tributação. Diante dessa constatação, a autoridade fiscal verificou que as empresas “i” a “iv” extrapolaram o limite de receita bruta estabelecido pela legislação em vigor, razão pela qual (a) elaborou representação fiscal para a exclusão de tais empresas do Simples com efeitos a partir Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.298 13 do anocalendário subsequente àquele em que houve excesso de receita e (b) lavrou autuações fiscais para a exigência de (b.1) IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e contribuição previdenciária patronal calculados conforme o regime simplificado de tributação sobre as receitas omitidas nos anos em que a exclusão do Simples não produziu efeitos (2005 e, ou, 2007) e (b.2) de IRPJ, CSLL, COFIS e PIS devidos em decorrência da exclusão do Simples (anos de 2006 e, ou, 2007). Verificase, assim, terem sido formalizados três processos administrativos por pessoa jurídica (um para exclusão e dois para lavratura de autos de infração) em relação a cada pessoa jurídica, exceto para a Movelaria Rufato Ltda., que não foi excluída do Simples. Especificamente quanto à Fredlar (recorrente), os processos decorrentes da lavratura de autuações fiscais foram distribuídos para minha relatoria em 09/04/2014 (após a saída da relatora original, pertencente a outra Turma da 1ª Câmara, deste Conselho). De outra sorte, o processo nº 10640.000998/201041, originado pela representação fiscal para exclusão do Simples, foi distribuído em 18/10/2013 para a relatoria do Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, da 1ª Turma Especial desta 1ª Seção de Julgamento, conforme informações disponíveis no sítio deste Conselho. Ainda conforme as movimentações processuais informadas no sítio do CARF, o processo foi julgado pelo referido Colegiado em 05/11/2013. Não consta do site, porém, informação quanto ao resultado do julgamento, tampouco foi formalizado, até a presente data, o acórdão proferido. Igualmente não localizei, ao consultar o link “calendário” da página deste Conselho, a ata da reunião realizada pela 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento no mês de novembro de 2013. Entendo que o resultado do julgamento em questão é imprescindível ao deslinde da presente controvérsia, pois a decisão proferida pelos Ilustres Conselheiros daquele Colegiado quanto à possibilidade de a recorrente ser excluída do Simples no anocalendário de 2006 pode gerar reflexos sobre os créditos tributários controlados nestes autos, relacionados às infrações de interposição de pessoas e consequente omissão de receitas imputadas à contribuinte no processo nº 10640.000998/201041. Sendo assim, concluo pela necessidade de o presente processo ser remetido à Secretaria desta Câmara, para que informe, nestes autos, o resultado do julgamento do processo nº 10640.000998/201041, realizado em 05/11/2013 pela 1ª Turma Especial. Conclusão Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001930/201089 Resolução nº 1103000.178 S1C1T3 Fl. 1.299 14 Pelas razões acima expostas, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Secretaria da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho: a) Verifique o resultado do julgamento do recurso voluntário interposto no processo nº 10640.000998/201041, realizado em 05/11/2013 pela 1ª Turma Especial; b) Junte a estes autos cópia do acórdão proferido naqueles autos; e c) Devolva os autos a este Relator para julgamento. Sala das Sessões, em 25 de março de 2015. (assinado digitalmente) Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.721453/2011-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do ônus da prova, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir.
Observe-se que a autoridade fazendária não tem como saber ou afirmar se a movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte, que detém as informações.
LESÃO A DIREITO CONSTITUCIONAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Não cabe ao CARF o controle de constitucionalidade, seja em sua modalidade difusa ou concentrada, como disposto no art. 62 de seu Regimento Interno e entendimento cristalizado na Sùmula nº 2.
Numero da decisão: 1803-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso.
(Assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Arthur José André Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES, FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do ônus da prova, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir. Observe-se que a autoridade fazendária não tem como saber ou afirmar se a movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte, que detém as informações. LESÃO A DIREITO CONSTITUCIONAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não cabe ao CARF o controle de constitucionalidade, seja em sua modalidade difusa ou concentrada, como disposto no art. 62 de seu Regimento Interno e entendimento cristalizado na Sùmula nº 2.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do ônus da prova, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir. Observese que a autoridade fazendária não tem como saber ou afirmar se a movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte, que detém as informações. LESÃO A DIREITO CONSTITUCIONAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não cabe ao CARF o controle de constitucionalidade, seja em sua modalidade difusa ou concentrada, como disposto no art. 62 de seu Regimento Interno e entendimento cristalizado na Sùmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 14 53 /2 01 1- 55 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 (Assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES, FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MAKENA AGROPECUARIA LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com a peça introdutória (fl. 56 a 81) a fiscalização lavrou auto de infração para exigir os recolhimentos do SIMPLES relativos ao período de 01/01/07 a 30/06/2007, com devidos acréscirmos legais. Segue os principais pontos consignados pela fiscalização: “Instaurado o procedimento de fiscalização, autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal de número 06109002010003752, a empresa a empresa foi intimada a apresentar, através da lavratura em 06/09/2010 do Termo de Início do Procedimento Fiscal, os livros contábeis referentes à apuração do período, bem como os extratos que deram origem à movimentação financeira no ano de 2007. Em resposta ao referido termo o contribuinte apresentou os extratos bancários contendo os depósitos originários da movimentação financeira. Lavrouse portanto, em 17/12/2010, o Termo de Intimação n° 01 para comprovação das origens dos recursos creditados nas contas bancárias (conforme detalhamento apresentado em planilhas anexas ao Termo de Intimação), excluídos da relação de depósitos as entradas de recursos caracterizadas por empréstimos diversos, estornos, cheques e transferências devolvidas. Em resposta datada de 12 de abril de 2011 a pessoa jurídica não apresentou documentação comprobatória das origens dos diversos créditos, alegando basicamente que a movimentação bancária se mostrou maior do que as vendas declaradas em função de várias operações de empréstimos, Fl. 597DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10675.721453/201155 Acórdão n.º 1803002.496 S1TE03 Fl. 3 3 transferências entre contas de mesma titularidade, financiamentos e descontos de cheques. (...) Assim, como resultado da auditoria dos depósitos bancários, restou caracterizada a omissão de receitas no 1º Semestre de 2007, em virtude de insuficiência de declaração sob a sistemática do SIMPLES, resultando no montante omitido igual a R$ 1.290.368,78, conforme detalhamento apresentado na planilha intitulada DEMONSTRATIVO DE OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS, podendose observar que foram excluídos dos montantes de créditos não comprovados, além das receitas originalmente declaradas, os débitos descritos nos extratos como devoluções de cheques depositados ou descontados referentes a recursos anteriormente creditados (detalhamento apresentado na planilha "DEVOLUÇÕES"). Todas planilhas retrocitadas é parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal” 3. O acórdão de primeira instância (ff. 521 a 531) referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE –SIMPLES. Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de receita, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 4. Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 a) preliminarmente que é inconteste o cerceamento de defesa na demanda presente, tendo em vista que as imputações lançadas nos autos de infração que compõem este processo administrativo não compreendem informações válidas que permitam ao contribuinte ou seus defensores identificar os reais fatos envolvidos e pelos quais responde; b) alega que não teve acesso aos fundamentos legais que justificariam a cobrança e o lançamento de débitos, o que deixa clara a não possibilidade de se defender plenamente sobre os fatos autuados; c) no mérito, alega que não houve qualquer omissão de receita no cenário apresentado, que é jurisprudencialmente pacífico que não basta a ocorrência de depósitos bancários para que se presuma a constituição de renda tributável, sendo estritamente necessária a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, de modo que verificamos explícitos sinais de acréscimo patrimonial; d) sustenta que não se pode considerar todos os créditos bancários vistos na conta bancária do contribuinte como receita omitida, sem ao menos analisar se estes são inerentes ao ramo de atividade da empresa e a sua movimentação financeira interna e costumeira; e) que a multa aplicada é de natureza confiscatória, que a Constituição Federal prevê a impossibilidade de se utilizar o tributos e seus acessórios (multas) como confisco, assim, deve ser anulada face a violação aos princípios da proporcionalidades, da razoabilidade, e do nãoconfisco; f) por fim, que seja reformada a decisão pelo reconhecimento da nulidade dos lançamentos consubstanciados nos autos de infração com o provimento do presente recurso. 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório Voto Conselheiro Arthur José André Neto DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, bem como preenche todos os requisitos de admissibilidade. Sendo assim, conheço do recurso e passo à análise do mérito. DO CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente, considera que os autos de infração não explicam claramente os procedimentos de apuração dos créditos lançados e pede a nulidade de todos os lançamentos Fl. 599DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10675.721453/201155 Acórdão n.º 1803002.496 S1TE03 Fl. 4 5 tendo em vista que se encontram em desacordo com as formalidades essenciais prescritas aos atos administrativos. Ainda nesse sentido argumenta que a recorrente não teve acesso aos fundamentos legais que justificariam a cobrança e o lançamento dos débitos. O art. 59 do Decreto nº 70.235/72 elenca as hipóteses de nulidade dos atos administrativos e determina que serão nulos (i) os atos e termos que forem lavrados por pessoa incompetente e os (ii) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Equivocase o recorrente ao afirmar que não teve acesso à fundamentação legal do lançamento, bem como à descrição dos procedimentos fiscalizatórios. Em primeiro lugar porque consta de forma clara no Termo de Verificação Fiscal (fls. 56/57) os motivos que levaram à fiscalização a consolidar o crédito tributário. Em segundo, porque no auto de infração (fls. 02/55) estão elencados os fundamentos legais de cada cobrança, além de dispositivos que fundamentam a aplicação da multa aplicada, dispositivos esses combatidos nas razões recursais do contribuinte. Não se vislumbra nos autos em análise nenhuma das hipóteses de nulidade supramencionadas, quando da lavratura do presente auto de infração, haja vista que o auto foi lavrado por autoridade fiscal competente para tal ato e durante todo o processo administrativo, foi oportunizado o exercício do direito de defesa do contribuinte sem qualquer embaraço. Diante disso, tendo em vista que o auto de infração está em consonância com preceitos legais e viabiliza o exercício pleno do direito de defesa da empresa não há o que se falar em nulidade do auto de infração. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO Ainda segundo a recorrente, não houve omissão de receita e a presunção de omissão de receita estampada no artigo 42 da Lei 9.430/96 é ilegal. A simples existência de depósitos bancários não é suficiente para presumir qualquer tipo de omissão. Defendese a recorrente dizendo que, durante a fiscalização, explicou a origem dos depósitos realizados, sendo que em nenhum dos casos houve omissão de receita. Entende que não basta a ocorrência de depósitos bancários para que se presuma a constituição de renda tributável, sendo estritamente necessária a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, de modo que verificados explícitos sinais de acréscimo patrimonial. No entanto, a ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos mesmos pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do dever de provar, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir. A presunção em comento foi consagrada no art. 42, da Lei 9.430/96, que possui a seguinte redação: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." (grifei) Observese que o dispositivo acima transcrito tratase de uma presunção juris tantum, cabendo ao contribuinte demonstrar a origem dos recursos utilizados, o que não foi feito no caso dos autos. O art. 18 da Lei 9.317/96 determina que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que a empresa esteja obrigada a apresentar. Ora, com a devida venia, a contribuinte teve a oportunidade de demonstrar as origens dos depósitos, contudo, quedouse inerte, na medida em que, de forma genérica falou das diversas possibilidades. Observese que a autoridade Fazendária não tem como saber ou afirmar se a movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte. O único que, de fato, conhece a origem dos depósitos é o contribuinte, sendo assim, sobre ele deve recair o peso de provar que os depósitos não se tratam de auferimento de receita. A matéria trazida à baila em outras oportunidades já foi discutida nesta Corte Administrativa, sendo o seu entendimento explicitado no julgado abaixo colacionado: “OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996, bem assim as receitas escrituradas no livro Caixa e não oferecidas à tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. (Processo 15956.000397/200964, Acórdão 1301001.459, 3º Câmara / 1º Turma Ordinária, Sessão de 08/04/2014). Ademais, ao contrário do que argumenta a recorrente, não é necessária a comprovação da utilização desta verba como renda consumida. Nesse sentido, este Conselho editou a Súmula CARF nº 26, in verbis: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Fl. 601DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10675.721453/201155 Acórdão n.º 1803002.496 S1TE03 Fl. 5 7 Dessa forma, por não ter comprovado a origem dos depósitos, entendo que razão não assiste à recorrente. DA MULTA APLICADA Por fim, resta tecer algumas considerações quanto à multa aplicada. Para a recorrente, a aplicação de multa nos patamares adotados pela fiscalização tem nítido caráter confiscatório, podendo impedir, inclusive, o exercício da atividade econômica levando a impugnante à insolvência. A fiscalização aplicou a penalidade à recorrente da seguinte forma: Fatos geradores Dispositivos legais Percentual 22/01/2007 a 14/06/2007 Art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 c/c art 19 da Lei nº 9.317/96 75% A partir de 15/06/2007 Art. 44, I, da Lei 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 c/c art. 19 da Lei 9.317/96 75% O art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 prevê a aplicação da denominada multa “exofficio”, no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. A penalidade é aplicada quando a fiscalização, no exercício da atividade de fiscalização dos rendimentos sujeitos à tributação, identifica circunstância fática que resulte em falta de pagamento ou insuficiência no recolhimento do tributo devido. Dessa feita, identificada a omissão de receita pela fiscalização correta a aplicação da penalidade em comento. Quanto a alegação de confisco da multa aplicada, cabe ressaltar que tal princípio entende que não pode ser admissível que a alíquota de um imposto seja tão elevada a ponto de se tornar insuportável pelo contribuinte, ensejando atentado ao seu direito de propriedade. A vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988 em seu art. 150, inciso IV é dirigida ao legislador e não ao agente público que possui o dever de aplicar a legislação em vigor. Assim, entendese que multa é devida, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas por normativo não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não cabe a este conselho apreciar constitucionalidade das normas aplicadas pelo poder público aos seus contribuintes, com fundamento na Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CONCLUSÃO Fl. 602DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos acima delineados. É como voto. (assinatura digital) Arthur José André Neto Relator Fl. 603DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722253/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/03/2010, 17/03/2010, 23/03/2010, 06/04/2010, 29/04/2010, 05/05/2010, 14/05/2010, 17/05/2010, 20/05/2010, 21/05/2010, 31/05/2010, 10/06/2010, 21/06/2010, 24/06/2010, 13/07/2010, 20/07/2010, 22/07/2010, 04/08/2010, 06/08/2010, 03/09/2010, 05/10/2010, 03/11/2010, 30/11/2010, 17/12/2010, 21/12/2010, 13/01/2011, 08/02/2011, 15/02/2011, 25/02/2011, 01/03/2011, 23/03/2011, 06/04/2011, 07/04/2011, 04/05/2011, 06/05/2011, 10/05/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 14/06/2011, 28/06/2011, 01/07/2011, 05/07/2011, 12/07/2011, 20/07/2011, 21/07/2011, 03/08/2011, 04/08/2011, 24/08/2011, 25/08/2011, 30/08/2011, 01/09/2011, 05/09/2011, 12/09/2011, 19/09/2011, 05/10/2011, 14/10/2011, 20/10/2011, 24/10/2011, 31/10/2011, 03/11/2011, 10/11/2011, 01/12/2011, 09/12/2011, 14/12/2011, 19/12/2011, 21/12/2011, 23/12/2011, 29/12/2011, 09/01/2012, 10/01/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir de questionar administrativamente a matéria litigada no recurso voluntário apresentado.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-002.602
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ARCELORMITTAL BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/03/2010, 17/03/2010, 23/03/2010, 06/04/2010, 29/04/2010, 05/05/2010, 14/05/2010, 17/05/2010, 20/05/2010, 21/05/2010, 31/05/2010, 10/06/2010, 21/06/2010, 24/06/2010, 13/07/2010, 20/07/2010, 22/07/2010, 04/08/2010, 06/08/2010, 03/09/2010, 05/10/2010, 03/11/2010, 30/11/2010, 17/12/2010, 21/12/2010, 13/01/2011, 08/02/2011, 15/02/2011, 25/02/2011, 01/03/2011, 23/03/2011, 06/04/2011, 07/04/2011, 04/05/2011, 06/05/2011, 10/05/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 14/06/2011, 28/06/2011, 01/07/2011, 05/07/2011, 12/07/2011, 20/07/2011, 21/07/2011, 03/08/2011, 04/08/2011, 24/08/2011, 25/08/2011, 30/08/2011, 01/09/2011, 05/09/2011, 12/09/2011, 19/09/2011, 05/10/2011, 14/10/2011, 20/10/2011, 24/10/2011, 31/10/2011, 03/11/2011, 10/11/2011, 01/12/2011, 09/12/2011, 14/12/2011, 19/12/2011, 21/12/2011, 23/12/2011, 29/12/2011, 09/01/2012, 10/01/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir de questionar administrativamente a matéria litigada no recurso voluntário apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 22 53 /2 01 3- 72 Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.273 2 Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório ArcelorMittal Brasil S.A. teve lavrado contra si os autos de infração de fls. 4 a 12 e 54 a 62 e anexos, para determinação e exigência de crédito tributário referente às contribuições sociais incidentes na importação, no valor total de R$ 22.810.577,41, decorrentes da inclusão ex officio na base de cálculo do valor dos gastos com o serviço de descarga associado ao transporte internacional, que deixou de ser adicionado no campo próprio das respectivas declarações de importação. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 105 a 110, em procedimento fiscal de revisão aduaneira, previsto no Livro V, Título I, Capítulo IV do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – RA/2002, tendente a verificar a inclusão, no valor aduaneiro dos produtos importados sob as declarações de importação nºs (ano/DI/adição) 10/03245104/001, 10/04313081/001, 10/04696690/001, 10/04696827/001, 10/04696924/001, 10/05473341/001, 10/06925548/001, 10/07315433/001, 10/0791866 9/001, 10/08058485/001, 10/08356265/001, 10/08356370/001, 10/08356443/001, 10/08413463/001, 10/08421075/001, 10/08939791/001, 10/09712014/001, 10/1032463 4/001, 10/10586965/001, 10/10587120/001, 10/11737282/001, 10/12289070/001, 10/12289704/001, 10/12289976/001, 10/12290125/001, 10/12410546/001, 10/1330094 9/001, 10/13502134/001, 10/13502681/001, 10/13502860/001, 10/13502967/001, 10/15407066/001, 10/15407236/001, 10/17507998/001, 10/17508110/001, 10/1936802 2/001, 10/19368227/001, 10/19395569/001, 10/21362133/001, 10/22583257/001, 10/22583389/001, 10/22584628/001, 10/22585705/001, 10/22771932/001, 11/0077743 3/001, 11/02394744/001, 11/02394973/001, 11/02896790/001, 11/02896863/001, 11/03615922/001, 11/03824670/001, 11/05252894/001, 11/06252421/001, 11/0634922 0/001, 11/08108352/001, 11/08108468/001, 11/08266730/001, 11/08470574/001, 11/08470787/001, 11/08781324/001, 11/08781952/001, 11/10351978/001, 11/1035243 5/001, 11/10932156/001, 11/11822052/001, 11/12095022/001, 11/12308107/001, 11/12308212/001, 11/12816447/001, 11/12816749/001, 11/13419913/001, 11/1349218 1/001, 11/14431852/001, 11/14431992/001, 11/14527434/001, 11/15944624/001, 11/15944918/001, 11/15945701/001, 11/16005133/001, 11/16297754/001, 11/1650183 1/001, 11/16687285/001, 11/17117040/001, 11/17647171/001, 11/18874848/001, 11/19484750/001, 11/19900303/001, 11/20099937/001, 11/20100072/001, 11/2056567 9/001, 11/20565903/001, 11/20803820/001, 11/21408305/001, 11/22818140/001, 11/23365360/001, 11/23365530/001, 11/23668940/001, 11/23669068/001, 11/2394435 2/001, 11/24148010/001, 11/24148177/001, 11/24307070/001, 11/24307178/001, 11/24594215/001, 12/00475234/001 e 12/00562471/001, dos acréscimos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), art. 8°, §§ 1° e 2°, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, constatouse que o autuado importou, sob condição de venda FOB (14 DIs) e CFR ( 92 DIs), os produtos carvão (hulha betuminosa) e antracito, classificados na Tarifa Externa Comum pelos códigos NCM 2701.12.00 e 2701.11.00, ambos com alíquota zero para o Imposto de Importação II, não tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e alíquotas ad valorem, vigentes na data de registro das DIs, de 7,60% para a COFINS Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.274 3 Importação e de 1,65% para o PISImportação, segundo o art. 4°, inc. I, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O procedimento fiscal constatou que, nessas importações, nenhum valor foi informado no campo “Acréscimos” da ficha Valor Aduaneiro das Declarações de Importação, campo destinado a outros acréscimos ao valor de transação que integram o valor aduaneiro (exceto seguro e frete que possuem campos específicos), entre eles, os montantes despendidos com o descarregamento das mercadorias importadas, de acordo com o Manual de Despacho de Importação. Constatouse assim que não houve inclusão dos gastos com o serviço de descarga associado ao transporte internacional no valor aduaneiro dos produtos importados. Em impugnação de fls. 259 a 283, o autuado argui, em sede de preliminar, a impertinência da solução de consulta anexada aos autos de infração e, no mérito, em resumo feito pelo próprio impugnante, alegou que: I. O valor referente à descarga e transporte terrestre (posterior ao desembaraço) não compõe o valor aduaneiro, frente a uma especificidade do Terminal do Porto de Praia Mole em Vitória/ES, que não possui capacidade de armazenamento dos produtos siderúrgicos. Estes valores compreendem operações que se dão após o desembaraço aduaneiro e, portanto, fogem do conceito de valor aduaneiro e da própria base de cálculo do PIS e da COFINS Importação; II. Ainda que assim não fosse, ao exigir o acréscimo dos valores acima mencionados na base de cálculo do PIS e da COFINS, a Receita Alfandegária acaba por exigir a inclusão de valores constantes no contrato com a empresa Vale referente ao transporte terrestre da mercadoria (transporte que ocorre inclusive fora do terminal portuário), exigência que não consta do texto legal e que já sofre a tributação pelo PIS e COFINS faturamento. III. Todas as declarações de importação que são objeto de exigência fiscal foram desembaraçadas sem qualquer ressalva por parte da administração tributária, o que implica homologação expressa do pagamento efetuado. Não há espaço, portanto, para rever tal lançamento, salvo se fundamentada em alguma das hipóteses do art. 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, o que não foi feito pela fiscalização no momento da lavratura do Auto de Infração. A 23ª Turma da DRJ/SP1 julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 1653.042, de 27 de novembro de 2013 (fls. 1.024 a 1.052), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 01/03/2010 Não inclusão no valor aduaneiro para fins de incidência do PIS/COFINS importação de gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas. O que de fato pautou a ação fiscal não foi uma Solução de Consulta, mas sim um rol de dispositivos legais. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.275 4 O legislador não se valeu das expressões “porto de origem” e “porto de destino”. Valeuse apenas da expressão “porto” para se referir a ambos e assim se referiu aos gastos relativos a carga, descarga e manuseio os serviços prestados tanto em um quanto no outro. O procedimento da revisão aduaneira faculta à fiscalização examinar a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 23ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 1.063 a 1.088, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a argumentação oferecida na impugnação, insistindo: 1. A descarga constitui fato posterior à chegada aos locais alfandegados previstos na norma em discussão. 2. Os valores autuados e mencionados no Relatório Fiscal como "gastos relativos à descarga", compreendem operação mais complexa que é o serviço realizado pela empresa VALE S/A envolvendo a descarga totalmente mecanizada do produto importado sobre correias transportadoras que levam o produto até pátio de estocagem da empresa, localizado a sete quilômetros do Porto de Vitória, local não alfandegado, de conformidade com autorização de descarga direta concedida pela Alfândega do Porto de Vitória. 3. Neste sistema, as correias transportadoras são alimentadas gradativamente pelo descarregador/caçamba via moega, sendo que a operação somente é processada depois de autorizado o prévio registro da Declaração de Importação na modalidade antecipado, com posterior desembaraço após apresentação do laudo de medição da quantidade descarregada feito por perito designado pela autoridade aduaneira. 4. Os dois serviços acima mencionados ocorrem após o desembaraço e não têm qualquer ligação com ele, portanto, não integram o conceito de valor aduaneiro. Definitivamente os valores autuados encontramse além do conceito de valor aduaneiro definido pela legislação aduaneira. 5. Os valores autuados já são tributados internamente pela empresa prestadora dos serviços por meio do PIS e COFINS faturamento, assim, não faz sentido onerar a despesa interna duplamente, uma tributando pelo PIS/COFINSINTERNO e a outra fazendo com que esta mesma despesa integre a base de cálculo do PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. 6. Ainda que assim não fosse, ao realizar o desembaraço aduaneiro sem qualquer ressalva, como foi feito no presente caso, a autoridade administrativa expressamente homologa o procedimento realizado pelo contribuinte, nos termos do caput do art. 150 do CTN. 7. Ainda, ao mudar seu critério jurídico (posto que nunca exigiu que tais parcelas integrassem a base de cálculo do PIS/COFINS IMPORTAÇÃO) a Fiscalização somente poderia exigir tal inclusão para fatos geradores futuros (art. 146, CTN). Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.276 5 8. Desde já a Recorrente pede a juntada posterior do termo de declaração que poderá comprovar adicionalmente que os valores incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS Importação, referemse também a operação de transporte terrestre interno realizado por meio de correias transportadoras até 7 km de distância do porto. Caso não consiga a juntada, pede que os autos sejam baixados em diligência para tal apuração. 9. Inova a impugnação ao requerer que, na eventualidade de se entender que tais gastos sejam passíveis de tributação, a retificação dos cálculos das contribuições exigidas com atenção à vigente redação do art. 7o da Lei nº 10.865, de 2004 c/c Instrução Normativa RFB nº 1.401, de 9 de outubro de 2013, tendo em vista que foi utilizada fórmula legal constante na Instrução Normativa RFB nº 572, de 22 de novembro de 2005 (com amparo na antiga redação da Lei nº 10.865, de 2004), a qual incluía o ICMS e o valor das próprias contribuições, acréscimo declarado inconstitucional pelo STF. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional contrarrazou o recurso (fls. 1.146 a 1.164) Na sessão de julgamentos de 27 de maio de 2014, este Colegiado resolveu converter o julgamento do recurso em diligência e baixar o processo para a Autoridade Autuante, para que se adotassem as seguintes providências, nos termos da Resolução nº 3403 000.553:: Dar ciência à recorrente da Resolução nº 000.553; Intima a recorrente a segregar os custos atinentes a descarga do navio e manuseio e transporte das mercadorias incorridos dentro do Terminal de Praia Mole e fora dele; Apurarse as contribuições incidentes sobre bases de cálculo que incluem, exclusivamente, os custos atinentes a descarga, manuseio e transporte de mercadorias incorridos dentro do Terminal de Praia Mole; a) Elaborarse relatório circunstanciado dos cálculos efetuados; b) Intimar a recorrente do relatório produzido, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação, e; c) Devolver o processo para esta 3ªTO/4ªC/3ªS/CARF, para prosseguimento. A Alfândega do Porto de Vitória – ES expediu, em 21/07/2014, o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 349/20141, fls. 1.179 e 1.180. e Nº 350/20141, fls. 1.181 e 1.182, dirigidos à recorrente e à Vale S/A operadora do Terminal de Praia Mole, respondidas pelos expedientes de fls. 1.219 a 1.240 e 1.196 a 1.212, respectivamente. A recorrente fez um breve relato dos fatos insistindo que “a fiscalização desprezou alguns pontos principais da discussão, dentre eles o de que o serviço de transporte terrestre que teve o seu valor incluído na base de cálculo do PIS e COFINS compreende o transporte da mercadoria por meio de correias transportadoras até uma distância de 7 km depois do porto, se encerrando após (i) o desembaraço e (ii) para fora do recinto alfandegário, em área particular da Recorrente”. Informou ainda que não dispunha de informações necessárias para elaboração do relatório solicitado e que somente a VALE S.A., prestadora do Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.277 6 serviço de descarga, poderia fazêlo. Ponderou ainda que não encontrou a Nota Coana/Cotac/Divad nº 11/2000 citada na Resolução e pede ao CARF sua anexação ao processo. A VALE S.A., por sua vez, afirma que o serviço de descarga que presta à ARCELORMITTAL é realizado integralmente dentro do recinto alfandegado, e esclarece que no momento em que as mercadorias transcendem o recinto alfandegado, o transporte dos produtos é realizado por equipamentos da própria ARCELORMITTAL até aos pátios da empresa. Anexou à sua resposta: o ADE nº 131, de 01/07/2002, que deferiu o Alfandegamento do Terminal de Carvão do Porto de Praia Mole, local onde o serviço é prestado, com especificação detalhada das áreas alfandegadas; um documento intitulado “Overview do Terminal de Praia Mole” com ilustração dos seus equipamentos (correias transportadoras) utilizadas no serviço prestado à ARCELORMITTAL; e diversas fotos aéreas da instalação portuária e dos pátios pertencentes à empresa tomadora do serviço, com indicação do local em que se dá a transferência entre seus equipamentos. Esclareceu ainda que sua cliente tem a opção de estocar, se necessário, a mercadoria importada nos pátios de carvão da VALE, para posterior recirculação aos seus próprios pátios. Afirma por fim que esta opção é raramente utilizada por ser mais onerosa do que a descarga direta, através de correias transportadoras. Com base nessas informações, a Equipe de Fiscalização Aduaneira – EFA 2 da ALF/VIT elaborou o Relatório de Diligência Fiscal das fls. 1.246 a 1.248, apresentando as seguintes conclusões: Todas as DIs foram desembaraçadas após a conclusão do serviço de descarga, manuseio e transporte das mercadorias importadas. A planilha às fls. 1241 a 1244, consolida as informações do ANEXO I – Listagem de DIs, às fls. 111 a 121, e do ANEXO V – Notas Fiscais de Serviço de Descarga, às fls. 161 a 241, demonstra, incontestavelmente, que o serviço de descarga, manuseio e transporte é concluído sempre antes do desembaraço da DIs. Portanto, o argumento recorrente da defesa que gastos com o serviço de descarga não deveriam ser incluídos no valor aduaneiro, por incorrerem após o desembaraço das DIs, não prospera. O serviço de descarga, manuseio e transporte prestado pela VALE S.A. é realizado integralmente dentro do Porto de Praia Mole. Portanto, os valores adicionados à base de cálculo do PIS/COFINS importação, referemse exclusivamente aos custos atinentes à descarga do navio, manuseio e transporte das mercadorias incorridos dentro do Terminal de Praia Mole. O ADE nº 131, de 01/07/2002, às fls. 1245, define os limites da instalação portuária de uso privativo misto, localizada em Praia Mole, que é constituída de: píer de carvão (14.600 m2), área de estocagem de carvão e outros granéis sólidos (351.000 m2) e armazém de fertilizantes (3.840 m2). A VALE S.A. afirma que todos os seus equipamentos utilizados no serviço de descarga, manuseio e transporte, prestado à ARCELORMITTAL, estão localizados dentro da instalação portuária definida no ADE nº 131, e que na divisa entre a área alfandegada, que pertence à VALE, e a área particular, não alfandegada, onde estão localizados os pátios da ARCELORMITTAL, a mercadoria é transferida para os equipamentos de sua cliente (obviamente os Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.278 7 valores cobrados pela VALE não incluem esse último trecho). Assim, também não prospera a alegação da defesa que os valores adicionados à base de cálculo do PIS/COFINS importação incluiriam também o transporte terrestre fora do Porto de Praia Mole. Intimado dessas conclusões (fls. 1.249 e 1.250), Arcelor Mittal Brasil S/A comunica sua desistência do recurso, requer sua homologação, mantendose suspensa a exigibilidade dos débitos que diz incluir em programa de parcelamento, até a efetiva quitação do montante devido. Após referida quitação, requer seja determinada a extinção do crédito tributário ora lançado com o consequente arquivamento do processo administrativo vinculado. Por fim, requer que a ALF/VITES seja oficiada a fim de que esta seja ordenada a imediatamente desembaraçar as Dl's objeto da presente autuação. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Conforme relatado, a recorrente expressamente desistiu do recurso. De destacar que o § 3° do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, no caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Com essas considerações, voto por que se declare a definitividade da exigência consubstanciada no Auto de Infração das fls. 3 a 103 e não se conheça do recurso voluntário. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015 Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.722253/201372 Acórdão n.º 3402002.602 S3C4T2 Fl. 1.279 8 Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006680/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 66 80 /2 00 7- 86 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento tributário de 28/07/2005. O recurso voluntário foi interposto em 27/02/2009, fls. 256, contra decisão de primeira instância que julgou o lançamento procedente em parte, com ciência em 27/01/2009, fls. 254. Segue transcrição da ementa e de trechos do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPEDIMENTO DA AUTORIDADE. NULIDADE. O ato de efetuar Representação Fiscal para Fins Penais consubstancia o cumprimento de uma obrigação funcional cuja omissão é tipificada como contravenção, não configurando nenhuma das hipóteses de impedimento previstas no art. 18 da n° 9.784/1999. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR.EFEITOS DA NULIDADE. VALIDADE DAS PROVAS. A nulidade de qualquer ato afeta somente os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência, não maculando os atos regularmente praticados que o antecederam, portanto, são válidas as provas obtidas de forma lícita no curso dos procedimentos fiscal anterior. TERMOS E ATOS. CIÊNCIA POR VIA POSTAL.MOTIVAÇÃO. Não há ordem de preferência entre as formas de ciência pessoal e por via postal, não cabendo, por isso, exigirse, quando a Administração opta pela via postal, declaração de motivo pelo qual o mesmo não foi entregue pessoalmente. ... Esclarece o Relatório Fiscal que a empresa notificada teve a sua isenção cassada pela Previdência Social a partir de 01/01/2001, conforme Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais e respectivo oficio de comunicação —em anexo. Portanto, o período fiscalizado dividese em: 01/01/1998 a 31/12/2000, COM1SENÇAO; e a partir de 01/01/2001, SEM ISENÇÃO. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação, ressaltando nulidades por vícios formal e material. É o Relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.006680/200786 Acórdão n.º 2402004.574 S2C4T2 Fl. 279 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Pressupostos de admissibilidade Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, conforme as datas relatadas e o despacho às fls. 268, o recurso é intempestivo: Cientificado do referido Acórdão em 27/01/2009, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 238, o interessado apresentou Recurso Voluntário em 27/01/2009, intempestivamente, juntado a este às fls. 240 a 242. Por tudo, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13007.000231/2003-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO.
Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Trata-se de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS e Cofins. Nos termos do art. 111 do CTN interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas relatora, Maria Teresa Martinez Lopes e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Anderson Trautmann Cardoso, OAB/RS 50393.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Trata-se de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS e Cofins. Nos termos do art. 111 do CTN interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas relatora, Maria Teresa Martinez Lopes e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Anderson Trautmann Cardoso, OAB/RS 50393. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Tratase de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS e Cofins. Nos termos do art. 111 do CTN interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas – relatora, Maria Teresa Martinez Lopes e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Anderson Trautmann Cardoso, OAB/RS 50393. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 7. 00 02 31 /2 00 3- 56 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 577 2 Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 578 3 Relatório Tratase, na origem, de Declaração de Compensação de créditos de PIS não cumulativo apurados no período compreendido entre janeiro e junho de 2003 com débito de COFINS, no valor de R$ 2.724.059,24 (dois milhões, setecentos e vinte e quatro mil, cinquenta e nove reais e vinte e quatro centavos). (fls. 01/03) Examinando a mencionada declaração, a Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, com base em Relatório de Atividade Fiscal proferido pela SEORT de fls. 183/186, concluiu por homologar parcialmente a compensação realizada pelo contribuinte (fl. 230). Deixou de acolher integralmente a compensação porquanto o contribuinte, no período de janeiro a junho de 2003, deixou de incluir na base de cálculo do PIS o valor referente ao crédito presumido de IPI, contrariando o determinado pelo art. 1° da Lei n° 10.637/2002. Outra razão levantada pela Fiscalização foi o fato de o contribuinte haver pretendido a compensação, em uma única DCOMP do saldo dos créditos correspondentes a mais de um trimestre. No entender da Fiscalização esse procedimento contrariava a legislação, razão pela qual não homologou a compensação nessa parte. Em face dessa decisão, a ora recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade. Alegando, em síntese, o seguinte: 1 a fiscalização teria considerado apenas os créditos de PIS provenientes de exportação apurados no primeiro trimestre de 2003; 2 a IN SRF n ° 291/2003, que vigorava no momento da entrega das declarações em questão, não conteria qualquer vedação à utilização em única DCOMP do saldo de créditos de dois trimestres. 3 – O crédito presumido de IPI não é receita e, portanto, não deve integrar a base de cálculo da contribuição devida a titulo de PIS nãocumulativo. Analisando os fundamentos trazidos pela recorrente, a Eg. DRJ de Porto Alegre, por meio de aresto de fls 452/454, concluiu por prover parcialmente a defesa da Recorrente e afastou a exigência no sentido de que a DCOMP não poderia compreender saldo credor relativo a mais de um trimestre. A ementa do acórdão a quo é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 NULIDADE MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSÍVEL Presente a possibilidade de decisão do mérito Fl. 584DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 579 4 em favor do sujeito passivo, não deve ser declarada a nulidade de ato com preterição do direito de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – ORIGEM DO CRÉDITO MAIS DE UM TRIMESTRE Inexistindo limitação expressa na legislação tributária, no momento da entrega da DCOMP, determinando que a origem dos créditos deva estar adstrita a um único trimestre de apuração, não há empecilho para a homologação do encontro de contas declarado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃOCUMULATIVO Sob a égide das Leis 10.637/2002, os valores relativos ao Crédito Presumido de IPI integram a base de cálculo do PIS nãocumulativo até a extinção do benefício. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls. 483/500), insurgindose, essencialmente, contra a manutenção do valor correspondente ao crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS. É o relatório. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 580 5 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A controvérsia trazida pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário diz respeito à possibilidade de inserção, na base de cálculo da Contribuição para o PIS, dos valores atinentes ao crédito presumido de IPI. Inicio a análise da matéria posta nesses autos examinando a natureza do benefício fiscal atinente ao crédito presumido do IPI. Tratase de benefício fiscal que, como bem defendeu a recorrente, tem como principal objetivo o de anular ou, quando menos, minimizar os custos dos produtos nacionais destinados à exportação, possibilitando a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros exportados, dentro da premissa básica da diretriz política do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos (EM no. 120/95 – MP 948/95, convertida na Lei n. 9.363/1996). Tratase de um benefício que, nas palavras do Recorrente, é instrumentalizado por meio de um crédito presumido de IPI, um crédito escritural incentivado do IPI, a ser escriturado e compensado com débitos deste imposto, também lançados na escrita fiscal. O produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores por ele devidos a título de IPI. Tomada a premissa inicial, passase à análise da legislação atinente à Contribuição para o PIS: A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, estabelece: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) Fl. 586DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 581 6 III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (...) A incidência da contribuição pressupõe o auferimento de receita e esta, como é cediço, pressupõe um ingresso no patrimônio o que, a meu ver, não se verifica no caso concreto. A respeito do tema, importante trazer à colação os apontamentos feitos pelo professor Leandro Paulsen, na obra "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", editora Livraria do Advogado, 9ª edição, páginas 471∕472, nos comentários ao art. 195, inciso I, alínea "b", da CF∕88, in verbis: " Ressarcimento ou recuperação de custos tributários e de outras despesas. Nem todo ingresso ou lançamento contábil a crédito constitui receita, que, para ser tributada, deve evidenciar riqueza reveladora de capacidade contributiva. Não pode o Fisco exigir contribuição sobre o simples ressarcimento por tributo pago indevidamente ou sobre o creditamento que visa a compensar custos tributários. (...) "Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial... Fl. 587DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 582 7 (...) Enquanto há reconhecimento expresso da administração tributária para não incidência das contribuições da COFINS e do PIS 'sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente' (ADISRF nº 25∕2003), equivocase no entendimento de que os valores ressarcidos a título de crédito presumido são passíveis de tributação, pela falsa premissa de estarem abrangidos pelo conceito de receita, pois se caracterizam, também, recuperação de custos." (MINATEL, José Antônio, Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação, MP, 2005, p. 218∕219, 222, 224 e 259)" No caso dos autos é precisamente isso que ocorre: O contribuinte exportador suporta todas as incidências tributárias ao longo da cadeia produtiva até a efetiva exportação de seu produto. Após, utilizandose do benefício fiscal em tela, ele recupera o custo anteriormente sustentado. E essa sistemática visa apenas a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, em prol do interesse público de fomento às exportações. Nessa medida, tratandose de incentivo que visa, ao fim e ao cabo, a anulação de despesas incorridas, não pode tal incentivo ser equiparado a receita para fins de incidência do PIS. Para dirimir qualquer dúvida a respeito dessa interpretação, o Eg. STJ, por sua vasta e pacífica jurisprudência, concluiu no mesmo sentido de excluir da base de cálculo do PIS o valor atinente ao crédito presumido de IPI. É o que se infere das seguintes ementas: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "É pacífico o entendimento do STJ sobre a não incidência de COFINS∕PIS tanto sobre o crédito presumido do IPI quanto sobre os insumos empregados na industrialização de produtos exportados" (REsp 1.130.033∕SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1163994∕PR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01∕12∕2011, DJe 19∕12∕2011) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI (LEI N. 9.363∕96). IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte firmou seu entendimento no sentido de que as exações relativas ao PIS e à Cofins Fl. 588DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 583 8 não incidem sobre os valores correspondentes ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n. 9.363∕96. 2. Precedentes: REsp 1130033∕SC, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16.12.2009; AgRg no REsp 1059829∕SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 4.11.2008; REsp 807.130∕SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008; e REsp 1025833∕RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17.11.2008. 3. Ademais, "ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições" (REsp 807.130∕SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1075961∕RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07∕10∕2010, DJe 25∕10∕2010) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI DECORRENTE DE EXPORTAÇÕES. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REGRAS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A pretensão da contribuinte – de que a amortização da dívida da Fazenda Pública seja realizada primeiro sobre os juros e, somente depois, sobre o principal do crédito, mediante compensação – não está amparada pelo art. 354 do CC e não existe previsão de que esse dispositivo possa, no caso, ser aplicado subsidiariamente. 2. É pacífico o entendimento do STJ sobre a não incidência de COFINS∕PIS tanto sobre o crédito presumido do IPI quanto sobre os insumos empregados na industrialização de produtos exportados. Precedentes. 3. Recursos especiais não providos. (REsp 1130033∕SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03∕12∕2009, DJe 16∕12∕2009) TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363∕96 E 10.276∕2001 – NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita Fl. 589DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 584 9 bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718∕98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF∕1988 (na redação anterior à EC 20∕98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20∕98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718∕98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70∕91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtor exportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. (REsp 807130∕SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17∕06∕2008, DJe 21∕10∕2008) Fl. 590DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 585 10 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de prover o recurso da contribuinte para determinar que seja afastado da base de cálculo da Contribuição para o PIS o valor atinente ao crédito presumido de IPI. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 591DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 586 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Tratase da inclusão ou não do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da Cofins nãocumulativas. Esta matéria é muito polêmica no âmbito do direito tributário e na esfera de julgamento administrativo. Compreendo os argumentos expostos pela relatora, porém tenho entendimento diverso, ou seja, que há a incidência do PIS e da Cofins sobre os valores recebidos a título de crédito presumido do IPI. Como no presente processo a discussão é específica ao PIS, nos ateremos a análise da legislação relativa a esta contribuição. Lei nº 10.637/2002: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo Fl. 592DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 587 12 custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (...) De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, o PIS incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, com exceção das exclusões previstas na própria lei. Considerando que não há nenhuma exclusão específica relativa ao crédito presumido do IPI, a única hipótese de não incidência seria a consideração de que estes ingressos de recursos não teriam a denominação de receita. Entendo que o crédito presumido de IPI tem a característica de receita, assim entendida no sentido amplo estabelecido pela lei, pois o vocábulo receita, sem qualquer tipo de especificação, corresponde a todo ingresso que se integra positivamente ao patrimônio de uma entidade, provocando um aumento no seu ativo sem um correspondente aumento no passivo, o que é justamente o caso do crédito presumido do IPI de que trata o presente processo. Peço vênia para me socorrer também nos valiosos ensinamentos do eminente Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537, in verbis: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13007.000231/200356 Acórdão n.º 3301002.395 S3C3T1 Fl. 588 13 crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... (...) Também não concordo com o argumento de que embora receita, estaria excluída da base de cálculo do PIS e da Cofins por tratarse de receitas decorrentes de exportação e portanto imunes à tributação. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; A imunidade tributária expressa no art. 5º da Lei 10.267/2002, acima transcrito, é para receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. Não é possível entender que o crédito presumido do IPI decorre propriamente de uma operação de exportação. Ele é um benefício fiscal instituído por lei que pode ser revogado a qualquer momento, dependendo exclusivamente da vontade legislativa. Não há aí nenhuma obrigação de cunho constitucional decorrente de imunidade tributária. São recursos do Poder Público que visam ressarcir operações internas, nas quais incidiram o PIS e a Cofins. Além do mais, nos termos do art. 111 do CTN, há que se interpretar literalmente a legislação tributária, quando se trata de exclusão do crédito tributário, não podendo ser usado qualquer tipo de analogia no intuito de estabelecer um sentido adicional ao texto da lei. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.011485/99-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1988 a 30/11/1991
PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR.
Foram considerados os pedidos de restituição apresentados a partir de 21/01/1989.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA.
As compensações dos débitos com período de apuração de 01/04/1999 a 31/12/2000 estão homologadas tacitamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente)
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Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. Foram considerados os pedidos de restituição apresentados a partir de 21/01/1989. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. As compensações dos débitos com período de apuração de 01/04/1999 a 31/12/2000 estão homologadas tacitamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente) . AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 14 85 /9 9- 22 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 526 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA): Tratase de Manifestação de Inconformidade do interessado contra o Despacho Decisório nº1.548, de 25 de novembro de 2011, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, fl.347/353, que deferiu parcialmente o pedido de restituição de crédito no valor de R$12.420,82, fl.56, decorrente do direito deferido na decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n° 199933000010018, impetrado pela contribuinte contra o Delegado da Receita Federal em Salvador (petição inicial às fls. 27/43), no período de setembro/1988 a novembro/1991, conforme demonstrativos de fls. 45/47 e 54/56, recolhido no código de receita 3885 – Programa de Integração Social PIS Receita Operacional (fls. 19/20), homologando parcialmente a compensação vinculada. Segundo o Despacho Decisório, no tocante à ação judicial referida, cujo trânsito em julgado do acórdão do STJ delimitou em definitivo o direito do contribuinte e após análise dos documentos trazidos pela interessada na apuração do direito creditório, fl.148, verificouse que a contribuinte fazia jus ao crédito no valor de R$ 4.260,05, em 1º de janeiro de 1996. Tal valor foi cadastrado no Sistema SAPO, por meio do qual foi feito o encontro de contras entre créditos e débitos, que, por seu turno, foram também cadastrados, restando saldos de débitos nos valores discriminados por período no extrato do Sistema SAPO, cuja compensação não foi homologada por insuficiência de crédito. Na análise do direito pleiteado, a DRF/Salvador considerou que: O acórdão que julgou o Recurso Especial fixou o prazo prescricional de cinco anos a contar da homologação do lançamento, estando assim prescritas as parcelas recolhidas anteriormente a 21/01/1989; Os recolhimentos referentes ao períodobase de 01/1992 e aos períodos posteriores a este, foram realizados por meio de depósitos judiciais (cópias anexas), vinculados ao processo judicial n° 92.09336, cujo objeto igualmente tratou do recolhimento do PIS nos moldes da legislação anterior aos Decretoslei n°s 2.445 e 2.449/1988, como destacado na sentença de fls. 46 a 51, e por isso não foram tratados no processo administrativo, pois é matéria submetida ao efeito da coisa julgada, em 08/02/1993; Sistemática de apuração a ser adotada considera que o contribuinte se sujeitava ao PIS/Repique, uma vez que desenvolvia atividade de prestação de serviços, na forma da mencionada Lei Complementar n° 07/70, utilizavam como base de cálculo o Imposto de Renda devido ou como se devido fosse, apurado em conformidade com a opção de tributação do contribuinte, exceto adicional, com as deduções permitidas pela legislação; Eram contribuintes do PIS/Dedução as pessoas jurídicas com Imposto de Renda devido e as que gozassem de isenção total ou parcial do IR, a título de incentivos fiscais. Eram contribuintes do PIS/Repique, além de contribuir também com a modalidade PISDedução, as instituições financeiras, as sociedades seguradoras e as empresas cujas atividades preponderantes fossem prestação de serviços. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 527 3 No período tratado no Pedido, o tributo era devido nos moldes do aludido PIS/RepiqueDedução, sendo o valor a restituir exatamente a eventual diferença positiva entre o valor pago e o efetivamente devido (na forma RepiqueDedução); No que toca à atualização do crédito, o que se verifica é que, também quanto a este período (anterior a 1°/01/1996), a Receita Federal do Brasil e a Justiça Federal aplicam idêntica sistemática, porquanto utilizamos, para a elaboração do demonstrativo anexo a este Despacho, o "Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal", disponível no sítio do TRF da 1ª Região. Os índices aplicáveis à correção do indébito até dezembro/1995, no Manual, seguem a orientação da jurisprudência do referido Tribunal. A partir daí, adotase a taxa SELIC, de acordo com o já destacado o que se deu por meio da utilização do Sistema SAPO, mantido pela RFB; Alguns DARF não integraram os cálculos tendo em vista que: A) Jul/88, Ago/88, Set/88, Out/88 (fls. 151 e 152) tendo em vista a data de recolhimento, a repetição dos valores referentes a esses períodos estaria prescrita; B) Jan/96 e Fev/96 (fl. 154, 155 e 167) os códigos de recolhimento (8205 e 8002) correspondem ao pagamento do PISRepique/Dedução previsto na LC n° 07/70 e mantido pela 1.212/95 até Fev/96, portanto, descabe repetição em relação a esses recolhimentos; C) Mar/96 a Dez/96 (fls. 155 a 158) o código de recolhimento (8109) corresponde ao pagamento do PISFaturamento previsto na LC n° 07/70 (a modalidade PISRepique/Dedução foi extinta em Fev/96), não havendo que se falar em recolhimentos com base nos Decretosleis inconstitucionais, quanto aos aludidos períodos; D) Jan/94 a Dez/94 (fls. 159 a 164) guias de depósitos em juízo, vinculados ao processo n° 929336, ou seja, processo judicial diferente do que trata o presente processo administrativo; E) Out/92 a Set/95 (fls. 154, 168 a 182) guias de depósitos em juízo, vinculados ao processo n° 929336, ou seja, processo judicial diferente do que trata o presente processo administrativo; F) Abr/89 (fl. 203) não consta autenticação bancária; Deixa de adotar a Súmula n° 15 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF nas apurações relativas ao PIS por se tratar, neste processo, de recolhimentos devidos na modalidade PISRepique/Dedução e não na modalidade PISFaturamento, conforme já referido acima; Cientificada do despacho decisório, em 16/12/2010, fl.367, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/01/2011 alegando que: O débito objeto da compensação ficara com a exigibilidade suspensa até o julgamento final do processo, nos termos do inciso III, §11, do art.151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, em razão da manifestação de inconformidade; Ajuizou ação judicial com o objetivo de reaver os valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o PIS, na conformidade dos Decretos leis nº2.445 e 2.449, ambos de 1988, já declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Ação foi tombada sob o n° 99.10018 e tramitou na 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado da Bahia; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 528 4 A decisão proferida pelo juízo monocrático em 03/03/1999 foi concedida parcialmente a segurança requerida para reconhecer o direito da impetrante em compensar os valores recolhidos a maior, relativos ao PIS, que foram exigidos de acordo com a sistemática dos DecretosLeis nº2.445/88 com tributos vencidos e vincendos da mesma espécie, bem como determinar ao impetrado que se abstenha de praticar qualquer ato tendente a obstruir a referida compensação, ressalvada sua legítima função de fiscalização, devendo incidir correção monetária plena, com a inclusão dos expurgos inflacionários, nos termos da Súmula n°41, do egrégio TRF, a partir das datas dos efetivos recolhimentos e com juros moratórios de1% ao mês, a partir da citação; Os autos foram remetidos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em decorrência de Recursos de Apelação interpostos pela União e pela ora Impugnante. A turma negou provimento as apelações deu parcial provimento à remessa oficial. Por existir latente omissão na sentença, a Empresa Planta Construtora LTDA interpôs Embargos de Declaração, que foram devidamente acolhidos. A União interpôs recurso especial remetendo os autos para o STJ, que fixou que estão, no caso, prescritas as parcelas recolhidas até janeiro de 1989; Em nenhum momento o direito de compensação fora abalado, eliminado, equivocado, nem tampouco revogado, estando explicitamente na decisão do STJ o direito líquido e certo para compensação das parcelas pagas indevidamente referente ao PIS, com parcelas vencidas ou vincendas de outros tributos; A Decisão transitou em julgado em 19 de setembro de 2005, revestindo pela coisa julgada o direito creditório do Contribuinte; Diante da existência de sentença de mérito proferida em 1999, reconhecendo o direito à compensação dos valores indevidamente pagos a título de PIS, por força da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2449/88, pelo Plenário do STF, a Impugnante deu inicio à compensação. O encontro de contas foi formalizado no processo administrativo em questão, no bojo do qual foram protocolados mês a mês, os Pedidos de Compensação; Analisando o despacho decisório temse que, preliminarmente, somente constam as compensações do período de abril/99 a dezembro de 2000, quedandose omissa em relação às compensações do período de janeiro a agosto de 2001; TABELA I Mês Base Valor compensado Data do Protocolo 04/1999 466,64 15/05/1999 05/1999 241,79 15/06/1999 06/1999 364,62 15/07/1999 07/1999 919,61 13/08/1999 08/1999 678,38 15/09/1999 09/1999 383,97 15/10/1999 10/1999 846,88 12/11/1999 11/1999 641,36 15/12/1999 12/1999 934,99 14/01/2000 01/2000 481,83 15/02/2000 02/2000 495,70 15/03/2000 03/2000 548,23 14/04/2000 04/2000 1.013,19 15/05/2000 05/2000 579,75 15/06/2000 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 529 5 Mês Base Valor compensado Data do Protocolo 06/2000 349,48 14/07/2000 07/2000 548,77 15/08/2000 08/2000 1.319,63 15/09/2000 09/2000 668,42 13/10/2000 11/2000 666,33 15/12/2000 12/2000 461,73 15/01/2001 01/2001 595,63 15/02/2001 02/2001 444,15 15/03/2001 03/2001 954,16 12/04/2001 04/2001 389,80 15/05/2001 05/2001 762,67 15/06/2001 06/2001 771,12 13/07/2001 07/2001 783,80 15/08/2001 08/2001 565,29 14/09/2001 Todas as compensações efetuadas, e não apenas parte, estão homologadas tacitamente, por força do decurso do prazo de cinco anos, conforme dispõe o art. 74, § 5º da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.833/2003, consoante fundamentação que transcreve; Tomando como base a legislação que regia o processo administrativo da época ou até mesmo a novel legislação, verificase que o prazo que o Fisco tem para homologar a compensação é de cinco anos, contados da data da formalização do pedido. O Código Tributário Nacional traz a compensação no art. 156 como causa de extinção do crédito tributário; Em 2003, com a entrada em vigor da Lei 10.833, o artigo 74 da Lei 9.430 foi mais uma vez alterado para inserir no § 5º a expressa previsão da homologação pelo decurso do prazo de cinco anos contados da data do protocolo da declaração de compensação, sendo que nº§5º, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003), e no §4º, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo (incluído pela Lei n" 10.637, de 2002); Assim, desde 2002, os Pedido de Compensação já haviam sido convertidos em Declaração de Compensação automaticamente pela lei; No momento em que o Despacho Decisório n°1.548 fora exarado (25 de novembro de 2010), todas as compensações realizadas já estavam homologadas tacitamente. A própria Receita Federal corrobora o prazo de cinco anos contados da data de protocolização do pedido, conforme seguem acórdãos que transcreve; Encerrase quaisquer tentativa de anular e não homologar o crédito que pertence a Empresa Planta Construtora, que cumpre fielmente com todas as suas obrigações tributárias e possui direito inequívoco em homologar todos seus créditos pertinentes a este processo. Às fls.457/460 constam despachos de encaminhamento do processo para juntada de documento ao SEORT e posterior envio a DRJ/Salvador para análise da manifestação de inconformidade e informação de que o Despacho Decisório nº1.548/2010 (fls.39/45, volume 2) teve ciência pela interessada em 16/10/2010 (AR Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 530 6 de fl.59, 2ª parte do Vol.02), e que a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada constam da carta cobrança (fl.123, 2ª parte do vol.02). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) deu provimento parcial à manifestação de inconformidade do contribuinte sob a seguinte ementa: AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EFEITOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Os pedidos de compensação de créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado não foram convertidos em declaração de compensação, não estando, portanto, sujeitos à homologação tácita, e a Manifestação de Inconformidade porventura apresentada não suspende a exigibilidade do crédito tributário. O contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário onde repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 531 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A contribuinte não contesta a apuração pela DRF/Salvador do montante do crédito a que fazia jus e que fora reconhecido judicialmente, vindo em seu Recurso Voluntário argüir que o direito de compensação não foi questionado na decisão judicial, uma vez que em seu entender constava explicitamente na decisão do STJ o direito líquido e certo para compensação das parcelas pagas indevidamente referentes ao PIS, por força da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2449/88, pelo Plenário do STF, com parcelas vencidas ou vincendas de outros tributos. A DRF/Salvador considerou que, embora ainda não transitado em julgado o acórdão do TRF no MS 1999.33.00.0010018/BA, datado de 12/02/2003, a empresa se encontrava amparada judicialmente a promover a compensação do PIS recolhido a maior com base nos decretosleis. Após o Despacho da autoridade responsável, ocorreu o trânsito em julgado do acórdão do STJ, em 19/09/2005, delimitando, em definitivo, o direito do contribuinte. 1. Prazo para Pleitear a Restituição: No Recurso Voluntário, a recorrente alega que ingressou com o Mandado de Segurança Nº 19993300010018 no ano de 1999 e este reconheceu seu direito à compensação dos créditos. Alega também, que, com base em tal decisão apresentou pedidos de compensação de créditos indeferidos pelo juízo de primeira instância. Na análise do direito pleiteado, a DRF/Salvador considerou que o acórdão que julgou o Recurso Especial fixou o prazo prescricional de cinco anos a contar da homologação do lançamento, estando assim prescritas as parcelas recolhidas anteriormente a 21/01/1989. Considerando que a data do primeiro pedido de restituição apresentado pelo contribuinte foi 15/05/1999 inferese que desde o início, os critérios para análise da prescrição do direito de pleitear a restituição foram benéficos para o contribuinte. Caso fosse considerado o prazo de 10 anos da data do fato gerador do tributo pago a maior ou indevidamente, teríamos que considerar prescritos os pedidos de restituição apresentados até 15/05/1989. Portanto, ao considerar no encontro de contas entre débitos e créditos as parcelas recolhidas posteriormente a 21/01/1989, a DRF/Salvador beneficiou o contribuinte. 2. Homologação Tácita: Em relação à decisão que transitou em julgado em 19/09/2005, restou revestido pela coisa julgada seu direito creditório e diante da existência de sentença de mérito Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 532 8 proferida em 1999, o direito à compensação dos valores indevidamente pagos a título de PIS, discordando pois do não reconhecimento da homologação tácita das compensações e da omissão do despacho relativamente às compensações do período de janeiro a agosto de 2001, posto que o despacho somente se refere às compensações de abril de 1999 a dezembro de 2000. Entretanto, apesar de ainda não haver o trânsito em julgado da ação no MS nº. 1999.33.00.0010018/BA, de 12/02/2003, encontravase a empresa amparada judicialmente a promover a compensação do PIS recolhido a maior com base nos decretosleis, e, sendo a ação anterior à Lei Complementar nº104, de 2001, Verificase que a questão controversa é a aplicabilidade do art. 170A do CTN ao caso em foco, ou seja, a possibilidade de compensação de crédito tributário antes do trânsito em julgado da decisão judicial; A questão já foi resolvida pelo STJ no RESP 1.164.452 que foi julgado sob o regime do art. 543C do CPC, que recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ REsp 1.164.452 (2009/02107136) 1ª S. Rel. Min. Teori Albino Zavascki DJe 02.09.2010) Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidos pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 533 9 A Ação Judicial nº 2000.61.00.0341266 foi ajuizada no ano 2000, antes da inclusão do art. 170A ao CTN, que ocorreu com a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001. Desse modo, o art. 170A do CTN, não se aplica ao presente caso. Assim, quanto a alegação de que as compensações dos débitos com o crédito vinculado ao presente processo, reconhecido judicialmente no mandado de segurança nº nºº1999.33.00.0010018/BA, foram homologadas pelo decurso do prazo, quando já transcorrera o prazo previsto no art. 74, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, verificase que assiste razão ao recorrente. 3. Pedidos de Compensação de débitos de PIS de Janeiro a Dezembro de 2001: Quanto a alegada omissão no despacho decisório dos débitos informados nos Pedidos de Compensação, mas não considerados na análise, verificase que de fato, assiste razão à interessada. Foi feito o encontro de contas entre o crédito e os débitos. Contudo, apenas os débitos relativos ao PIS indicados para compensação constantes dos Pedidos de compensação anexados pela interessada (nos períodos de abril/1999, a dezembro/2000), foram levados para o encontro de contas, não tendo o despacho decisório mencionado os débitos relativos aos períodos de janeiro/2001 a agosto/2001. Deste modo, os débitos dos períodos de apuração de 2001 não foram cadastrados no PROFISC e tampouco foram considerados. O contribuinte apresentou os Pedidos de Compensação dos débitos dos períodos base de abril/1999 a agosto/2001, vinculados ao crédito referenciado no presente processo administrativo. A primeira data de pedido de restituição é 15/05/1999. No Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) havia a orientação para que fosse formalizado novo processo, e posterior envio para DRF de origem para apreciação pela autoridade ad quem dos períodos ainda não considerados. Em pesquisa aos sistemas de cadastramento de processos, não há nenhum processo do contribuinte cadastrado após a publicação do acórdão da DRJ, tudo indicando que isso não foi feito. Da mesma maneira como foi disposto no Acórdão recorrido, neste voto, serão tratadas somente as compensações e suas homologações, dos débitos de 1999 e 2000. Quanto aos demais débitos, constantes do anobase de 2001, verificase que, novamente, cabe o desentranhamento dos pedidos de compensação a estes pertinentes para formalização de novo processo para que seja apreciado pela DRF de origem, que jurisdiciona o detentor do crédito, uma vez que a homologação de declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo à RFB será promovida pelo titular da DRF, que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. Ainda, considerando que nenhuma decisão poderá desbordar da matéria discutida nas instâncias inferiores, sob pena da ocorrência da supressão de instância, encaminhese o processo a DRF de origem para que seja feita apreciação dos Pedidos de Compensação relativos aos períodos base de 2001. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.011485/9922 Acórdão n.º 3301002.545 S3C3T1 Fl. 534 10 Conclusão: 1) Em relação ao prazo para pleitear a restituição, a DRF/Salvador considerou os pedidos de restituição feitos a partir de 21/01/1989, com interpretação benéfica para o contribuinte, não restando nada a acrescentar; 2) Em relação à homologação tácita, defiro o direito creditório e homologo as compensações relativas aos débitos dos anos de 1999 e 2000, por decurso do prazo de análise. 3) Quanto aos pedidos de compensação dos débitos dos períodosbase de janeiro a agosto de 2001, verificase que cabe o desentranhamento destes documentos para a formalização de novo processo, e posterior envio para Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação pela autoridade ad quem. Assim, voto pelo provimento do recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 534DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14120.000073/2010-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Alexandre Naoki Nishioka.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 73 /2 01 0- 20 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14120.000073/201020 Acórdão n.º 9202003.568 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, e recolher a contribuição arrecadada à Previdência Social. MULTA DE MORA E JUROS APLICADOS A multa de mora encontra amparo legal nos artigos 35, vigente até 11/2008, e 35A, após 12/2008, ambos da Lei 8.212/91, e os juros aplicados no artigo 34 do mesmo diploma legal. Como as contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devese observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, até 11/2008, que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em manter a multa que foi aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Damião Cordeiro de Moraes. Como esclarecimento, o litígio em questão versa sobre a forma de aplicação da retroatividade da legislação, como determina o Art. 106, do Código Tributário Nacional (CTN), no caso de multa de ofício em lançamento por descumprimento de obrigação tributária principal. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há decisões divergentes da decisão recorrida, que aplicam a forma de cálculo de maneira correta, comparando as penalidades da antiga legislação com a penalidade que o contribuinte pode sofrer atualmente. Por fim, solicita o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. O contribuinte apresentou – apesar de devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14120.000073/201020 Acórdão n.º 9202003.568 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a questão sobre a forma de aplicação de aplicação da multa, nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita. Ocorre que o acórdão recorrido não comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, as penalidades que poderiam sofrer os sujeitos passivos. Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa Fl. 219DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Antes da alteração legislativa os sujeitos passivos – em caso de descumprimentos de obrigações acessória e principal – eram punidos com duas multas de ofício, a referente ao descumprimento da obrigação acessória (IV, Art. 32, na antiga redação da Lei 8.212/1991) e a referente ao descumprimento da obrigação principal (II e III, Art. 38, na antiga redação da Lei 8.212/1991). Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (ANTIGA REDAÇÃO) ... Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14120.000073/201020 Acórdão n.º 9202003.568 CSRFT2 Fl. 5 7 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (ANTIGA REDAÇÃO) Atualmente, após a edição da MP 449/2008, os sujeitos passivos – em caso de descumprimentos de obrigações acessória e principal – são punidos pelo determinado no Art. 35A, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Verificase que com a mudança da legislação descumprimentos de obrigações acessória e principal acarretam a penalidade em uma multa de ofício. Assim, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual – que possui padrão único de 75 % (setenta e cinco por cento) – pode ser mais benéfico para a recorrente, em comparação as multas de ofício aplicadas antes da alteração legislativa. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, a decisão a quo deveria ter comparado as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento), com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento). CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da PGFN, nos termos solicitados, conforme o voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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