Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10240.001400/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.375
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10240.001400/2007-48
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5284888
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-000.375
nome_arquivo_s : Decisao_10240001400200748.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10240001400200748_5284888.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5017554
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176079544320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 244 1 243 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.001400/200748 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.375 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de julho de 2013 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ASSOC. DE ASSIST. TEC. E EXT. RURAL DO EST. DE RONDÔNIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Carlos Henrique de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .0 01 40 0/ 20 07 -4 8 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10240.001400/200748 Resolução nº 2402000.375 S2C4T2 Fl. 245 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 30/10/2006 (fl. 03) para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/01/1999 a 31/12/2000. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 140/170) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Velho – RO, ao analisar o presente caso (fls. 173/176), julgou o lançamento procedente, sob o argumento de que o prazo decadencial para se lançar as contribuições previdenciárias é de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, e que a autuação foi lavrada em estrita observância às normas legais vigentes. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 179/197) argumentando que: (i) os créditos tributários estão decaídos; (ii) na época dos fatos geradores, estava isenta de recolher as contribuições previdenciárias relativas às competências objeto deste processo; e (iii) a penalidade relativa às competências de 01/1999 a 12/2000 deve ser calculada apenas sobre os valores dos segurados empregados não declarados, e não sobre a parte patronal das empresas. Analisando os argumentos apresentados (fls. 231/234), este Conselho determinou a conversão em diligência para que se esclareça se em relação às NFLD’s nº 35.818.2760, 35.818.2778 e 35.818.2786: (i) houve pagamento dos débitos lá discutidos, parcelamento ou confissão de dívida; (ii) qual o objeto de cada uma das NFLD’s; (iii) há decisão irrecorrível proferida nos autos das referidas NFLD’s; e (iv) se sim, qual o teor das decisões. Em resposta à diligência (fls. 241/242), a Delegacia da Receita Federal em Porto Velho informou que já há decisão irrecorrível no na NFLD nº 35.818.2786 (PAF nº 10240.001401/200792), que trata da obrigação principal, reconhecendo a decadência do crédito tributário até a competência 11/2000, com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN; que a NFLD nº 35.818.2778 (PAF nº 10240.001399/200751), que trata da glosa de compensação efetuada pela empresa relativa ao recolhimento indevido do Seguro Acidente de Trabalho SAT, encontrase ainda pendente de julgamento perante este Conselho, e que a NFLD nº 35.818.276 0, que trata das contribuições descontadas dos segurados, já foi quitada pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10240.001400/200748 Resolução nº 2402000.375 S2C4T2 Fl. 246 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando as questões suscitadas no presente processo, observase que existe óbice ao julgamento do recurso apresentado. Isto porque, após o cumprimento da diligência pela autoridade tributária, esta deixou de intimar o contribuinte para que se manifeste sobre o seu resultado. Embora tal providência não tenha sido expressamente determinada na Resolução nº 2402000.129 de Solicitação da Diligência, tem sido entendimento desta Turma a necessidade de tal intimação. Em vista disso, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Recorrente seja intimada para se manifestar, no prazo de 30 dias, sobre o resultado da diligência realizada, após o que este processo deverá retornar a este Conselho para julgamento. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900711/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ACORDO COM DECTF RETIFICADA APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA.
Não configura o instituto da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação), mesmo que acompanhada do respectivo pagamento integral, retifica-a após o início do procedimento da Administração Tributária.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ACORDO COM DECTF RETIFICADA APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Não configura o instituto da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação), mesmo que acompanhada do respectivo pagamento integral, retifica-a após o início do procedimento da Administração Tributária. Recurso Improvido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13971.900711/2008-14
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291296
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.844
nome_arquivo_s : Decisao_13971900711200814.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 13971900711200814_5291296.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5060270
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176090030080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 82 1 81 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.900711/200814 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3301001.844 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente ELECTRO AÇO ALTONA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ACORDO COM DECTF RETIFICADA APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Não configura o instituto da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação), mesmo que acompanhada do respectivo pagamento integral, retificaa após o início do procedimento da Administração Tributária. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 07 11 /2 00 8- 14 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, por meio da qual a contribuinte intenta ver compensados débitos seus, competência 03/2004, com crédito relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, apurados em 30/11/2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, onde, inicialmente, no tópico DOS FATOS, diz que a insuficiência de crédito para compensação se deve a erro no preenchimento da DCTF e da DACON. Nesse sentido: explica que o "valor original do pagamento indevido ou a maior" informado no PER/DCOMP diverge do valor consignado na DCTF e na DACON pois não foi, nestas declarações, retificado; e informa que, no intuito de corrigir tal erro, enviou, em 23/06/2008, DCTF retificadora. No tópico intitulado DO DIREITO, a interessada valese do Principio da Verdade Material para alegar que ao fisco cabia buscar esclarecimentos acerca das inconsistências havidas entre DCTF e DACON e o PER/DCOMIP, bem como de apurar o crédito que o contribuinte efetivamente tinha direito. Defende que em assim não procedendo o fisco não estaria autorizado a indeferir a compensação em questão. Com essas razões pede o cancelamento do Despacho Decisório, o reconhecimento do crédito decorrente do pagamento indevido e que seja homologada a compensação efetuada. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade não homologando as compensações declaradas, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2004 DACON. DCTF. DCOMP. ATOS FORMAIS DO SUJEITO PASSIVO PERANTE O FISCO. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INVALIDA. Através da DACON e da DCTF o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal, não sendo obrigação do fisco realizar quaisquer investigações adicionais em relação a eventuais divergências entre as informações prestadas por meio destas declarações e as consignadas em DCOMP. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.900711/200814 Acórdão n.º 3301001.844 S3C3T1 Fl. 83 3 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada em 08/06/2010 (AR – fl. 25) a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 26 e seguintes, em 24/06/2010, aduzindo, em síntese, que a falha na apresentação da primeira DCTF não pode justificar, nem ocasionar a inexistência de credito liquido e certo no momento da compensação realizada. Isto porque a Receita já se encontrava desde 12/2003 com o numerário, de forma que a incorreção na DCTF não lhe causou qualquer prejuízo. Ademais, na ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade a recorrente já havia corrigido a DCTF, comprovando a existência dos créditos, demonstrando que fazia jus à compensação e que sua realização não causou qualquer prejuízo ao Erário, pois o valor que deixou de recolher em 03/2004 já havia sido recolhido indevidamente em 12/2003. Assim, dizer que só a partir da apresentação da DCTF corrigida que o crédito passou a ser liquido e certo fere o principio da razoabilidade, da verdade material e também configura um excesso de formalismo. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, e analisando a decisão recorrida, no presente caso não há dúvidas de que a contribuinte retificou sua DCTF, porém o fez em data posterior à apresentação da DCOMP, ou seja, a compensação, que como se sabe opera hoje efeitos imediatos, foi formalizada quando ainda não estava juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. A situação verificada no presente processo se assemelha à ao tratamento dado pela jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a denúncia espontânea, que se firmou no sentido de configurar o benefício na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, desde que antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente, senão vejamos: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n.1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula n. 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). 2. Recurso especial não provido. (grifado). (REsp 1210167/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 09/12/2011) Desta forma não há como considerar a presente situação como denúncia espontânea, ensejando o improvimento do recurso. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.900711/200814 Acórdão n.º 3301001.844 S3C3T1 Fl. 84 5 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002964/2007-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção..
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de paletes, cantoneira, isca armadilha com cola e cota de depreciação dos equipamentos arrolados.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.. Recurso Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10925.002964/2007-07
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5287691
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.386
nome_arquivo_s : Decisao_10925002964200707.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10925002964200707_5287691.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de paletes, cantoneira, isca armadilha com cola e cota de depreciação dos equipamentos arrolados. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5046486
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176121487360
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-04T23:00:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-08-04T23:00:17Z; Last-Modified: 2013-08-04T23:00:17Z; dcterms:modified: 2013-08-04T23:00:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:a20c7d38-858e-482e-b8de-280adaa173a4; Last-Save-Date: 2013-08-04T23:00:17Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-08-04T23:00:17Z; meta:save-date: 2013-08-04T23:00:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-08-04T23:00:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-08-04T23:00:17Z; created: 2013-08-04T23:00:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2013-08-04T23:00:17Z; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-08-04T23:00:17Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 7 1 6 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002964/200707 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.386 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria COFINS Recorrente RENAR MAÇÃS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de paletes, cantoneira, isca – armadilha com cola e cota de depreciação dos equipamentos arrolados. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 64 /2 00 7- 07 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuida de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de primeira instância que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito de COFINS relativo ao segundo trimestre de 2005. O deferimento parcial decorre de glosa de parte das aquisições com direito a créditos relativamente a embalagens que foram consideradas como destinadas somente no transporte dos produtos industrializados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A ementa da decisão hostilizada encontra expressa nos termos a seguir: “REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados a venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10925.002964/200707 Acórdão n.º 3403002.386 S3C4T3 Fl. 8 3 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda”. Inicialmente alega a necessidade de diligência com intuito de demonstrar de que as glosas foram equivocadas e a negativa configura cerceamento de defesa. No mérito, primeiramente se refere à exclusão da base de cálculo de apuração dos créditos dos produtos fabricados pelas empresas Imak da Amazônia Fitas para Impressoras Ltda. e Isca Tecnologia Ltda., fabricantes de fita para impressão e pisos com cola para armadilha, respectivamente. Demonstra irresignação também com a exclusão do cálculo dos créditos que deseja tomar relativo às embalagens aplicadas aos produtos industrializados destinadas ao transporte. Diz que se trata de embalagens aplicadas no acondicionamento dos produtos elaborados, no caso tratam de aquisições de pallets e cantoneiras necessárias ao transporte dos produtos vendidos. A glosa decorre de não serem específico de apresentação e não agregarem valor ao produto. O inconformismo que encontra centrado no fato de que esses materiais são utilizados no acondicionamento dos produtos exportados ou vendidos no mercado interno, portanto, no entender do contribuinte, constituem custo de aquisição de insumos, afirma que a exclusão torna o custo dos produtos irreal por significar percentual acentuado dos produtos vendidos. No que tange a prova afirma que indicou às fls. 303 a 305 (eprocesso fls. 311 a 313) as notas fiscais que se referem às aquisições de insumos destinados a compor as embalagens de apresentação com indicação do fornecedor e material fornecido, de modo que, afirma a contribuinte, infundada a alegação do Fisco de que não tenha cuidado de trazer prova. Diz que colecionou fotografias das embalagens que constam às fls. 193 a 196 (eprocesso fls. 199 a 202) capazes de afastarem de vez com presunção da inexistência de comprovação. Por derradeiro debate contra posição do Fisco em excluir os encargos de depreciação do ativo imobilizado do cálculo do crédito a ser descontado do débito decorrente do entendimento de que não teria cuidado de vincular cada bem do ativo imobilizado à atividade na qual seria utilizado, bem como, deixou de fazer uma descrição detalhada e específica destes bens, por meio da qual fosse possível aferir sua efetiva aplicação. Descreve à fl. 498 os equipamentos que a cota de depreciação deixou de ser incluída no cálculo do crédito mês a mês: semireboque – cadu de carroceria, triturador galhos roter 200 e cardam; plataforma traseira; balança precisão marca plena, conj. Portapallets em aço galvanizado a fogo; matl. Instalação portapallets (drive in); carrinho comboio p/bns; carreta agrícola e inversor eletrônico MM420. Diz ainda que alguns dos equipamentos são usados no pomar e outros no transportes das frutas dos pomares até o “packinghouse”. Descreve ainda que balança é utilizada no controle de qualidade na linha de produção. Finalizando seu descontentamento com a decisão recorrida pede o crédito correspondente de embalagens de transporte no montante de R$ 182.282,13, embalagens de Fl. 618DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 apresentação R$ 1.593.843, 07, outros insumos no valor de R$ 14.410,00 e relativo aos encargos de depreciação o total e R$ 3.610,46. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuida de recurso tempestivo e apresenta dos demais pressupostos de admissibilidade, impõe desse modo a conhecer. A controvérsia estabelecida neste caderno se refere às glosas efetuadas pela fiscalização relativa aos créditos tomados sobre: aquisições de embalagens aplicadas no acondicionamento dos produtos elaborados (paletes e cantoneira) e de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. O entendimento em relação a insumos nos casos relativos a crédito das contribuições sociais, PIS e COFINS, não deve ser restritivo, é mais amplo daqueles conceitos trazidos pela IN/SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, com redação dada pela IN/SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003 que dispõe sobre o PIS e a COFINS, bem como, a IN/SRF nº 404/2004 que trata de definição de insumos aplicada à risca pelo Fisco. Como é de conhecimento comum, que no caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). De outro lado o conceito de Custo e Despesas Operacionais utilizados pela legislação do Imposto de Renda se apresenta bem elástecido. O termo “insumo” é abrangente, o que se busca é aplicar o conceito de custo de produção previsto na legislação do Imposto de Renda. Segundo a legislação o custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreende obrigatoriamente o custo de aquisição das matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviço aplicado ou consumido na produção é o que disciplina o art. 290 do RIR/99. Aplicabilidade desse conceito para muitos ecoa de modo elástecido demasiadamente, é que se vê em alguns julgados do STJ. O conceito de insumo segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, ii, DA LEI N. 10637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. (...) Fl. 619DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10925.002964/200707 Acórdão n.º 3403002.386 S3C4T3 Fl. 9 5 3. São ilegais o art. 66, § 5º, I, “a” e “b”, da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 – PIS/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, § 4º, I, “a” e “b”, da Instrução Normativa n. 404/2004 – Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de “insumos” previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de “insumos”, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de “Custo e Despesas Operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda – IR, por que (sic) demasiadamente elas tecidos. 5. São “insumos”, para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendias implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo “insumo” para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. Recurso especial provido” O que se deve ter em conta é o binonimo, consumo no processo industrial, necessidade do gasto estar diretamente relacionada à aferição de receita. Assim, se a reposição de material dáse em decorrência do consumo no processo industrial e se revela necessário para alcançar o objetivo social, em minha ótica, entendo estarem atendido os requisitos básicos para assegurar o direito ao crédito oriundo das aquisições de pessoas jurídicas. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Daí deve ter em conta que insumos são os elementos que proporcionam a existência do produto ou serviços, em sendo assim, podem gerar créditos conforme disciplina o art. 3º, II da Lei nº 10.637/02. Em julgamento recente nessa turma de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, processo número 10280.722272/200965, ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A , assim se posicionou: A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º, II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, como bem apontou a defesa na sua manifestação de inconformidade, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º, § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser Fl. 621DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10925.002964/200707 Acórdão n.º 3403002.386 S3C4T3 Fl. 10 7 aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Assim, examino o caso tomando como norte o custo de produção, entendendo que “insumo” são todos aqueles bens e serviços que viabilizam o processo produtivo e a Fl. 622DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados, cuja ausência obsta a atividade da empresa. A sustentação trazida nesse recurso é de que a glosa afastou do cálculo do crédito a ser tomado referente ao material essencial a produção, bem como, quotas de depreciação de ativo indispensável ao processo industrial. Restou claro pelas razões recursais, o que se está discutindo é a tomada de crédito relativo às aquisições de embalagens aplicadas no acondicionamento dos produtos elaborados e de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Em verdade o que se chamou de embalagens se refere às aquisições de “pallets” e “cantoneiras”. Não houve glosa relativa às aquisições de embalagens de apresentação, caixas de papelão e sacos plásticos (acondicionamento para evitar desidratação da fruta). Aqui cabe decidir se “pallets e canteira” podem ser enquadrado em dispêndios na hipótese para as quais é prevista a possibilidade de crédito nos incisos III a X do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Paletes (pallets) tem função de facilitar movimentação e armazenamento de mercadorias. Tratase de um estrado confeccionado em madeira, metal ou plástico. Tem como objetivo fixação da carga, de modo a otimizar o transporte (movimentação) por meio de empilhadeira e a paleteira. Proporciona redução significativa do custo homem/hora, manutenção do inventário e controle mais eficiente, assim como, rapidez na estocagem e da movimentação da carga, racionalização do espaço físico de armazenagem, etc. Dos fotos colecionados nos autos, as maçãs são condicionadas primeiramente em um saco plástico, depois colocado em caixa de papelão, essas são acasteladas nos paletes e movimentadas da área de produção para estocagem, câmaras frias. Não há dúvida de que os paletes acompanham a mercadoria sem retorno. De modo que, a meu ver é custos inerentes a produção, negar esse fato é contrariar a modernização e a otimização dos recursos técnicos desenvolvidos com o objetivo de reduzir custos e possibilitar concorrência dos produtos brasileiros no exterior, uma vez que boa parte da produção de maçãs nacionais é destinada ao mercado externo. Tendo em conta que a negativa contestada decorre da motivação, de que somente (apenas) as embalagens de apresentação é que geram ao direito ao crédito e afirma que aquisição de paletes e cantoneiras não estão aptas à geração de crédito por ser considerados embalagem de transporte, entendo ao contrário do que restou decidido, tenho que os pallets e cantoneiras estão no rol dos insumos porque estão diretamente relacionados à aferição da receita, por tanto, gera o direito de desconto de créditos na apuração da COFINS. Assim, com essas considerações acolho a irresignação do contribuinte para autorizar o desconto de créditos na apuração da COFINS e do PIS sobre as aquisições de paletes e cantoneiras adquiridas de pessoas jurídicas. No mesmo modo vislumbro o direito de tomar crédito em aquisições de armadilhas com cola, isca, adquiridas da empresa Isca Tecnologia Ltda. utilizadas ainda fase de produção das maçãs se refere a gastos por estar diretamente integrarem o custo de produção. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10925.002964/200707 Acórdão n.º 3403002.386 S3C4T3 Fl. 11 9 No tocante aquisição a fita de impressão adquiridas da empresa /fitas para Impressoras Ltda., por ausência de informação quanto a sua aplicação, deixo de acudir o pleito e manter nessa parte a decisão de piso. Da glosa dos créditos tomados com base no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04. Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral é da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), portanto, diviso de que se trata de imobilizado aplicado diretamente a produção: semireboque – cadu de carroceria, triturador galhos roter 200 e cardam; plataforma traseira; balança precisão marca plena, conj. Portapallets em aço galvanizado a fogo; matl. Instalação portapallets (drive in); carrinho comboio p/bns; carreta agrícola e inversor eletrônico MM420. É evidente de que alguns equipamentos sejam usados no pomar e outros no transporte das frutas dos pomares até o “packinghouse”. A relação dos bens por si só permite constatar que trata de equipamentos destinados a produção, desnecessário longo comentário. Assim, a quota de depreciação calculada sobre o valor histórico dos bens imobilizados encontra assegurada pela legislação pertinente. Impõe, assim, modificar a decisão de recorrida para autorizar a Recorrente o direito da tomada do crédito em relação às quotas de depreciação. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de paletes, cantoneira, isca – armadilha com cola e cota de depreciação dos equipamentos arrolados. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a apuração do crédito complementar e a homologação das compensações declaradas a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do domicílio do contribuinte. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 624DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000421/2009-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Dacon. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que reconheciam a ocorrência da denúncia espontânea. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Dacon. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10166.000421/2009-48
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5293791
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.088
nome_arquivo_s : Decisao_10166000421200948.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10166000421200948_5293791.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que reconheciam a ocorrência da denúncia espontânea. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5077938
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176157138944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.000421/200948 Recurso nº 4 Voluntário Acórdão nº 3801002.088 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON Recorrente CAFÉ DO SÍTIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Dacon. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que reconheciam a ocorrência da denúncia espontânea. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 04 21 /2 00 9- 48 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Contra o contribuinte acima identificado foi formalizada Notificação de Lançamento relativa a cobrança de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do mês de apuração de abril/2008, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$7.131,42. O enquadramento legal do lançamento é o art 7o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1/4) ao lançamento alegando, em síntese, que: Instrução Normativa não é instrumento hábil para imposição da referida multa, sendo totalmente ilegal, visto que a mesma só poderia ser prevista por Lei; apresentou a Declaração em atraso, porém espontaneamente.Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 13 3 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente insurgiuse contra a aplicação de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. De imediato consignase a fundamentação da autoridade tributária: Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) entregue fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). Passase ao exame do diploma legal. O art. 7º da Lei 10.426, de 24 de abril de 2002, estabelece a multa por atraso no Dacon, in verbis: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 14 4 IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. ( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 )(grifouse) Desta forma, no caso em discussão a situação fática subsumese ao disposto no inciso III do art. 7º da Lei 10.426/2002. De sorte que é incontroverso que a interessada não apresentou o Dacon no prazo estabelecido por norma. Em suas razões a recorrente sustentou que no caso em comento é aplicável o instituto da denúncia espontânea. A tese da ocorrência do instituto da denúncia espontânea não merece prosperar nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Em que pese o art. 138 do CTN referir à exclusão da responsabilidade quando da denúncia espontânea, ele deve ser interpretado sistematicamente com outros dispositivos. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 15 5 A propósito, o Código Tributário Nacional (CTN) no art. 113, § 2º e art. 115 dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Destarte, o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, o Dacon, pois este se trata de uma obrigação acessória, nos termos do art. 113, 2º, e 115 do CTN, em que não há qualquer ligação com o fato gerador do tributo, devendo ser adimplida no prazo previsto na legislação. Como visto, o legislador ordinário estabeleceu uma multa para a entrega do Dacon após o prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A atividade da autoridade administrativa é vinculada, não podendo negar vigência a uma lei. Cabe, mais, acrescentar que a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea alcança tãosomente a multa relativa à obrigação principal, não se aplicando aos casos de descumprimento de obrigação acessória. Em casos análogos, a manutenção da multa também foi acolhida em outros julgados administrativos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a exemplo do acórdão abaixo: INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. A entrega de DACON fora do prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal enseja a aplicação de multa, nos termos da Lei nº 10.426/02. (CARF. 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3301001.498, de 26/06/2012, rel. Andréa Medrado Darzé, Processo nº 13227.720142/201064) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 16 6 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também coaduna com as decisões acima reproduzidas, como pode ser visto nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO MULTA MORATÓRIA DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. I — O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é ato puramente formal,sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo, e como obrigação acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 88 da Lei nº 8.981/95. (RESP e 246.960/RS — Rel. Min, PAULO GALLOTTI). TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA MULTA PRECEDENTES. I. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. A responsabilidade acessória autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do C77V. Precedentes." (ERESP n° 246.295/RS e AGRESP n°258.141 — Min. JOSÉ DELGADO). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ENTREGA SERÔDIA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 113 E 138 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL — OCORRÊNCIA — ARTIGO 88 DA LEI n° 8.981/95 — APLICAÇÃ0— DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NOTÓRIA. A entrega intempestiva da declaração de imposto de renda, depois da data limite fixada pela Receita Federal, amplamente divulgada pelos meios de comunicação, constituise em infração formal, que não se confunde com a infração substancial ou material de que trata o art. 138, do Código Tributário Nacional. A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um. (RESP n° 289.688/PR Rel. Min. FRANCIULLI NETTO). Convém citar, ainda, estudo esclarecedor da matéria realizado pelo Dr. Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, nos termos a seguir transcritos: “Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explícita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 17 7 Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL tributo, MULTA penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL tributo. Esta estrutura de débito, a única referida no citado art. 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL multa (penalidade pecuniária) e MULTA inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Pontuese que admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa eliminar a única sanção decorrente desta conduta contrária à lei de regência, pois a entrega da Dacon após o prazo incorreria na denúncia espontânea e afastaria a multa, exceto uma ação fiscal improvável. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Declaração de Voto Com o devido acatamento, ouso divergir do voto do Exmo. Sr. Relator. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há lei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 18 8 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de entregar o DACON dentro de prazo determinado pela lei, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a entrega do DACON em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 19 9 A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a entrega extemporânea do DACON, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da DACON espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 20 10 A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.000421/200948 Acórdão n.º 3801002.088 S3TE01 Fl. 21 11 Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18473.000023/2011-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO INDEVIDA.
Não é absoluta a previsão no contrato social de atividade vedada, para fins de exclusão do Simples. Estando comprovado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, após diligência, que o contribuinte, conforme contratos e notas fiscais, não exerceu a atividade de limpeza, afasta-se a exclusão do regime simplificado.
Numero da decisão: 1103-000.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não é absoluta a previsão no contrato social de atividade vedada, para fins de exclusão do Simples. Estando comprovado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, após diligência, que o contribuinte, conforme contratos e notas fiscais, não exerceu a atividade de limpeza, afasta-se a exclusão do regime simplificado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18473.000023/2011-84
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285125
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1103-000.870
nome_arquivo_s : Decisao_18473000023201184.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 18473000023201184_5285125.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5019878
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176161333248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 122 1 121 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18473.000023/201184 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.870 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria Exclusão do SIMPLES Recorrente SIVATEC SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não é absoluta a previsão no contrato social de atividade vedada, para fins de exclusão do Simples. Estando comprovado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, após diligência, que o contribuinte, conforme contratos e notas fiscais, não exerceu a atividade de limpeza, afastase a exclusão do regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 3. 00 00 23 /2 01 1- 84 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18473.000023/201184 Acórdão n.º 1103000.870 S1C1T3 Fl. 123 2 Relatório O processo trata de exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/02, decorrente do exercício, em tese, de atividade vedada (“prestação de serviços de limpeza, conservação e locação de mãodeobra”), conforme Ato Declaratório Executivo DRF/RJOII nº 15, de 15/03/11 (fl.18), mantido pela 13ª Turma da DRJ – RJ1, nos termos do acórdão nº 12 37.263, de 18/05/11, que recebeu a seguinte ementa (fls.34/36): OBJETIVO SOCIAL. PREVISÃO DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. EXCLUSÃO. Sujeitase à exclusão do Simples a pessoa jurídica cujo exercício de atividade impeditiva à permanência na referida sistemática esteja prevista no contrato social, ressalvada a produção de prova em contrário pela interessada. Para tal decisão, mostrouse relevante o fato de a ação fiscal ter considerado o objeto social do contribuinte e a constatação, na impugnação, de alegações desprovidas de prova. In verbis: “6. Inicialmente, cumpre salientar que, segundo o disposto na cláusula segunda do Contrato Social da empresa, acostado às fls. 09/12, a sociedade tem como objetivo social a prestação de serviços de LIMPEZA em edifícios e manutenção de tratamento de esgotos. 7. Compulsandose os autos, verificase que a edição do ato administrativo de exclusão do Simples foi motivada pelo exercício de atividade impeditiva à opção pelo Simples, relacionada no inciso XII, “f”, do art.9º, da Lei 9.317/96, in verbis: Art.9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII – que realize operações relativas a: f) prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; 8. Em sua impugnação, a interessada apenas argumenta a sua condição de optante pelo Simples Nacional (Anexo IV), a partir de 01/01/2009, bem como o seu enquadramento do CNAE.” Devidamente cientificado em 13/06/11 do acórdão a quo (fl.46), o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 07/07/11 (fl.47), em que afirma não ter executado qualquer serviço de limpeza, conforme atestariam algumas notas fiscais. Em 09/08/12, esta Terceira Turma Ordinária resolveu, por maioria, vencido o I. Cons. Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator), converter o julgamento em diligência para que, em essência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil verificasse “...se nos talonários de notas fiscais relativos ao período de 21/08/2000 a 30/06/2007 consta(m) documento(s) relativo(s) à “prestação de serviço de limpeza, conservação e locação de mãodeobra”. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18473.000023/201184 Acórdão n.º 1103000.870 S1C1T3 Fl. 124 3 O voto vencedor restou assim vazado: “Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator designado. Em que pese a detida análise do processo por parte do Relator, a realização de uma diligência pode melhor contribuir para a solução da controvérsia, mormente diante de elementos acostados pelo recorrente. Vejamos. De acordo com Informação Fiscal (fls.02/04), o contribuinte optou pelo Simples em 21/08/2000, tendo sido excluído em 30/06/2007 em razão de “em tese” ter exercido no período atividade vedante, no caso “Serviços de Limpeza em Edifícios e Manutenção de Tratamento de Esgotos”, conforme descrito em seu Contrato Social. No Ato Declaratório nº 15, de 15/03/2011, consta como situação excludente o seguinte evento (fl.18): “prestação de serviço de limpeza, conservação e locação de mãodeobra”. Assim, aparentemente, levandose em conta o seu contrato social, o contribuinte teria prestado algum(uns) daqueles serviços taxativamente descritos no Ato Declaratório nº15/2011. Em sua manifestação de inconformidade, afirma o contribuinte que, de acordo com alterações no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ (fl.25), ao optar pelo Simples Nacional, teria sido enquadrado na atividade nº 37.02.09/00 (“atividade relacionada a esgoto, exceto gestão de redes”). Nos termos do acórdão nº 1237.263, proferido pela 13ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) (fls.34/36), admitiuse a produção de prova por parte do contribuinte, no sentido de que não exercera atividade impeditiva à opção pelo Simples, tese que parece ter sido acolhida pelo Relator em segunda instância. Assim dispôs o respectivo voto condutor da decisão recorrida: “(...) No caso concreto, a atividade impeditiva à opção pelo Simples encontrase prevista no objeto social da pessoa jurídica, constituindo, assim, presunção relativa de seu exercício. 11. Logo, cabe à empresa o ônus da prova de que tal atividade nunca fora exercida, ônus processual do qual a mesma não se desincumbiu” Com o recurso voluntário (fl.47), a seu turno, o contribuinte parece acostar aos autos exatamente o que a decisão a quo lhe exigiu. A intenção, ao menos é o que se depreende do recurso voluntário, foi anexar “algumas” notas como meio de comprovar que não desempenhou serviços de limpeza, desde o início de sua atividade empresarial. In verbis: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18473.000023/201184 Acórdão n.º 1103000.870 S1C1T3 Fl. 125 4 “(...) Quanto o direito a atividade Limpeza no contrato social não fazemos este serviço como pode ser verificado em nossas notas desde o começo da empresa e quanto ao esta no contrato social estamos fazendo alteração no mesmo para retirada da palavra Limpeza. II Mérito: Estamos mandando algumas notas para que sejam anexadas ao processo para verificação que não fazemos serviços de limpeza em edifícios e quanto ao contrato social enviaremos assim que sair da Junta Comercial um cópia autenticada do mesmo” Foram as seguintes as notas fiscais anexadas, relativas ao período analisado, todas com a descrição de “Assessoria de supervisão técnica de operação da ETE”: n º 2154 → emitida em 01/03/07; n º 2071 → emitida em 01/01/07; n º 2040 → emitida em 01/12/06; n º 1701 → emitida em 01/03/06; n º 1616 → emitida em 12/01/06; n º 1587 → emitida em 01/12/05; n º 1387 → emitida em 01/06/05; n º 1279 → emitida em 01/03/05; n º 1185 → emitida em 01/12/04; n º 1135 → emitida em 01/11/04; n º 0388 → emitida em 01/04/03; n º 0277 → emitida em 01/01/03; n º 0228 → emitida em 01/11/02; n º 0161 → emitida em 02/09/02. É verdade, como posto pelo Relator, que “A contribuinte, teve oportunidade de provar com uma quantidade significativa de notas fiscais ou outra prova qualquer, que não prestara serviços de limpeza”. Mas também não se pode descartar o intuito do recorrente de se limitar a apresentar uma amostragem das notas fiscais emitidas, o que apenas pode ser confirmado à luz dos talonários.” A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II, após analisar “...os Contratos de Prestação de Serviço apresentados e talonários de Notas Fiscais de nº 1 a 2325, abrangendo o período de 04/2002 a 06/2007” (fl.80), concluiu: “Não foram encontradas nos Contratos verificados e Notas Fiscais acima aludidas atividades relativas a prestação de serviço de limpeza, conservação e locação de mãodeobra”. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18473.000023/201184 Acórdão n.º 1103000.870 S1C1T3 Fl. 126 5 Cientificado do resultado da diligência em 04/01/13 (fl.120), o contribuinte não aditou o recurso voluntário, tendo o processo sido encaminhado ao CARF em 21/02/13 (fl.121) para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Descritas no relatório as razões de fato e de direito, e tomandose como parâmetro também a decisão de primeira instância, cumpre verificar, se o contribuinte concretamente exerceu a atividade de limpeza, motivo que levou o Fisco federal a excluílo do regime simplificado (SIMPLES), confirmado pelo acórdão recorrido. Após realização de diligência, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, à vista dos talonários originais das notas fiscais nº 1 a 2.325, atestou que “Não foram encontradas nos Contratos verificados e Notas Fiscais acima aludidas atividades relativas a prestação de serviço de limpeza, conservação e locação de mãodeobra”, no período de 04/2002 a 06/2007. Apesar de na diligência se ter requerido a verificação das notas fiscais emitidas entre 21/08/00 e 30/06/07, ou seja, no período compreendido entre a data de opção e a de exclusão, notase que a apreciação da fiscalização deuse a partir da primeira nota fiscal emitida, em abril de 2002, não tendo sido apontado qualquer indício de que o contribuinte tenha anteriormente prestado serviços de limpeza. De acordo com os contratos anexados (fls.99/111), os serviços prestados relacionaramse basicamente a “Assistência Técnica da Estação de Tratamento de Esgoto” e “Assistência Técnica Sanitária”, incluindo visitas semanais de avaliação das condições operacionais do sistema; coleta, acondicionamento e encaminhamento a laboratório credenciado de amostras para a realização de análises; supervisão e informação quanto à frequência de retirada de lodo em excesso; assessoria em assuntos concernentes a tratamento de esgoto; fornecimento de eletricista para efetuar a manutenção ou reparo elétrico e de mecânico para retirada e instalação de bombas e motores na estação de tratamento de esgoto. Não se desconhece que no contrato de fl.106, celebrado com o Condomínio Residencial Araguaia, consta, como serviço de responsabilidade do contribuinte, a “Supervisão e informação à CONTRATANTE, sobre a freqüência para [...] limpeza das caixas de gordura e caixas de sabão”, e, no contrato celebrado com o Condomínio Parque da Passarinhosa (fl.110), o “Acompanhamento dos processos de manutenção e/ou limpeza dos sistemas”. Entretanto, como previsto em tais instrumentos, tratouse, salvo prova em contrário, de uma espécie de consultoria a respeito da periodicidade da limpeza das caixas de gordura e sabão, bem como de acompanhamento dos processos de limpeza; não propriamente da execução de serviços de limpeza pelo contribuinte. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18473.000023/201184 Acórdão n.º 1103000.870 S1C1T3 Fl. 127 6 Tal assertiva é corroborada pelos itens 2 de tais contratos, em que se estabeleceu que caberia ao contribuinte contratar os serviços de caminhão tipo limpafossa para a remoção do excesso de lodo e limpeza das caixas de gordura e sabão, quando necessário. Ou seja, não era o contribuinte quem prestava os serviços de limpeza, mas quem os contratava. Assim, comprovado que o contribuinte não executou a atividade considerada como vedada, qual seja, serviços de limpeza, conforme fixado na decisão de primeira instância, não subsiste a exclusão do SIMPLES efetivada pelo ADE DRF/RJOII nº 15/2011. Na linha do que já se decidiu neste CARF, a comprovação (v.g., por meio de notas fiscais) de que o contribuinte efetivamente não exerceu atividade vedada prevalece sobre a sua previsão no contrato social. A título exemplificativo, podem ser mencionadas as seguintes decisões: EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. O fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. (1ª SJ, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 140200.146, de 06/04/10, Rel. Cons. Antonio José Praga de Souza) “[...] SIMPLES. PRESENÇA DE ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO EM CONTRÁRIO. A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada [...]” (3ºCC, 2ª Câmara, acórdão nº 302 39.613, de 20/06/08, Rel. Cons. Ricardo Paulo Rosa) Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.001792/00-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1988, 1989, 1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos rejeitados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10140.001792/00-44
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5303990
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.144
nome_arquivo_s : Decisao_101400017920044.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 101400017920044_5303990.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5149926
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176179159040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 660 1 659 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.001792/0044 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.144 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria PASEP Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO INSTITUTO DE APOIO AO PLANEJAMENTOS DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL FIPLAN ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1988, 1989, 1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 17 92 /0 0- 44 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10140.001792/0044 Acórdão n.º 3402002.144 S3C4T2 Fl. 661 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (fls. 655/658) interpostos pela d. PGFN, por suposta omissão no v. Acórdão nº 3402001.957, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 640/653 constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) de minha relatoria que, em sessão de 27/11/12, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interporto pelo sujeito passivo, para aplicar os expurgos e afastar a compensação de ofício, no cálculo relativo aos créditos restituiendos objeto do processo, aos seguintes fundamentos sintetizados nas seguintes ementa, súmula e conclusão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990 Ementa: CÁLCULOS ININTELIGÍVEIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o procedimento de liquidação de créditos lavrado por autoridade competente, com observância aos ditames legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu o seu direito de defesa, tanto que questiona especificamente matéria emergentes dos próprios métodos de cálculo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO DE CRED́ITOS. IDENTIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM ABERTO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de pedido de restituição de indébito tributário, não pode a autoridade administrativa, à pretexto de efetivar verificações no montante dos cred́itos de titularidade do sujeito passivo, proceder a compensação de ofício e com isso, acabar por efetivar a constituição e, ao mesmo tempo, a própria execução forçada e arrecadação do crédito tributário, se já houver decorrido o prazo decadencial. DECISAÕ ADMINISTRATIVA ANTERIOR. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. OMISSAÕ. CORREÇÃ̃O MONETÁRIA PLENA. CABIMENTO. Não tendo sido debatido, na decisão anterior na qual se baseia os cred́itos restituiendos, sobre a incidência dos expurgos inflacionários, cabível a aplicação da correção monetária plena, nos termos do entendimento sufragado nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 543C, do CPC), nos termos do art. 62A, do RICARF. Incidência dos expurgos sobre o indeb́ito tributário, nos seguintes índices: (a) a ORTN de 1964 a fevereiro/86; (b) a OTN de março/86 a dezembro/88; (c) pelo IPC, nos períodos de janeiro e fevereiro/1989 e março/1990 a fevereiro/1991; (d) o INPC de março a novembro/1991; (e) o IPCA série especial em dezembro/1991; (f) a UFIR de janeiro/1992 a dezembro/1995; (g) a Taxa SELIC a partir de janeiro/1996 (ERESP 912.359/MG, 1a Seção, DJ de 03.1 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep 2.07). Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar os expurgos e afastar a compensação de ofício, nos termos do voto do Relator. (...). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Entende a ora embargante que, considerando que da análise do pedido inicial formulado pelo contribuinte “em sua planilha de cálculos (fls. 7/8) não aplicou EXPURGOS INFLACIONÁRIOS, havendo menção apenas aos juros selic. Não há também qualquer menção na petição, onde formulou o pedido inicial da restituição, não cabendo agora haver uma INOVAÇÃO DA LIDE, para se beneficiar”, acabou por concluir que se estaria proferindo julgamento extra petita, deferindose mais do que teria sido pleiteado pelo contribuinte em seu pleito. Por não ter havido qualquer menção aos limites do pedido com relação aos expurgos inflacionários, teria se caracterizada a omissão que autorizaria a oposição e provimento dos declaratórios para sanear a omissão. É o relatório. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10140.001792/0044 Acórdão n.º 3402002.144 S3C4T2 Fl. 662 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos. Entendo que a omissão apontada pela Embargante não se materializou no caso concreto, pois que restou claro pela decisão embargada, que foi a partir do indeferimento do crédito inicialmente pleiteado pelo contribuinte, em virtude de diversos fatores, dentre os quais os expurgos, é que se instaurou o contencioso tributário. A atenta análise do Relatório da decisão embargada permitirá concluir que tratase de pedido de restituição de PASEP, que inicialmente fora indeferida pela Delegacia de origem ante à decadência, posteriormente afastada, e após, instaurandose demanda em tornado direito ou não de se proceder à correção da base de cálculo da exação, o processo chegou a ser julgado pela Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho Federal de Contribuintes, que reconheceu não haver decadência e que não se deveria corrigir a base de cálculo. Retornando os autos à origem, ao se proceder aos cálculos de liquidação do direito em questão, passou a surgir divergências em seus montantes, em decorrência da forma de cálculo empregada pela Administração, que aplicou seus índices e sistemas internos, além de proceder de ofício compensações entre períodos em que o contribuinte apurara créditos, com aqueles em que apurara débitos, sem, porém, que tivesse havido lançamento tributário correspondente dentro do prazo decadencial. Foi por conta destas divergências que se instaurou litígio em torno destas duas questões, que, portanto, muito ao contrário de terem sido inovadas apenas na decisão embargada, foram objeto de discussão suscitada pelo sujeito passivo desde o momento em que lhe foram apresentados os cálculos. Inclusive, recordese que o mesmo alinhou preliminar afirmando serem “ininteligíveis” os cálculos, sempre os questionando, mas pleiteando, positivamente, a adição dos expurgos. Vejamos trecho a decisão embargada: “Adentrando no mérito posto no recurso, verificase que versam estes autos de pedido de restituição promovido pelo contribuinte, visando a devolução dos valores indevidamente recolhidos a título da Contribuição ao PASEP, tendo sido vinculados pedidos de compensação com os respectivos créditos. Já tendo sido reconhecidos tanto o direito ao indébito quando à inexistência de correção monetária da base de cálculo do tributo, com base na Lei Complementar nº 8, de 1970, por decisões do extinto Segundo Conselho Federal de Contribuintes, os autos voltaram à origem, perante a Autoridade executora, para que houvesse a execução dos julgados, no que dizia respeito ao ´quantum debeatur´ e, consequentemente, quanto à efetivação do direito ao indébito e respectivas compensações. Porém, remanescem vivas insatisfações quando aos cálculos, as quais trazem o feito novamente ao Conselho, agora para julgar, fundamentalmente, a metodologia de cálculo, mais Fl. 665DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 especificamente no que diz respeito a possibilidade ou não de se proceder à compensação de ofício de débitos em aberto nos períodos em que se apura os créditos restituiendos, e quanto a incidência ou não dos expurgos inflacionários sobre os créditos apurados. (...) No que diz respeito a parte da discussão em que a Recorrente pretende ver inseridos nos cálculos de atualização dos créditos fiscais a que faz jus, os expurgos inflacionários, tenho que a querela se inicia por se avaliar se a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes abordou essa matéria, pelo que incidiria, na espécie, a “coisa julgada administrativa”. Compulsando referidas decisões, no entanto, não se vislumbra que a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, quando do julgamento do Recurso Voluntário nº 119.114 (Acórdão 20175.784, Rel. Cons. Serafim Fernandes Corrêa), neste Processo, tenha feito quaisquer abordagens com relação à incidência ou não, dos expurgos inflacionários. Terseia tratado desse assunto, seria, em tese, defeso deliberar do assunto. No entanto, como este tema da incidência de expurgos inflacionários apenas está sendo debatido após as decisões do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, já com relação a apuração do quantum debeatur, é indispensável tratar do tema dos expurgos inflacionários.” Com efeito, não vislumbro a omissão apontada, não havendo, definitivamente, julgamento “extra petita”, ou mesmo a existência de quaisquer outras das hipóteses que pudessem permitir a oposição dos embargos de declaração. E aqui nem sequer se discute o aspecto que a matéria “correção monetária plena”, é considerada de “Ordem Pública”, segundo já decidido pelas Cortes Superiores. E nem se discute, também, que há recurso repetitivo determinando a incidência dos expurgos aplicados pela decisão, o que, por si só, já deveriam ser suficientes para inibir a conclusão pela omissão ou mesmo pela inovação veiculadas nos Embargos de Declaração. No caso, houve discussão em torno dos expurgos e pedido para sua inclusão, desde o momento em que se passou a liquidar o indébito, quando o sujeito passivo passou a discordar do montante apurado pela administração. O que se vê, portanto, é que a Embargante está buscando rediscutir o mérito em sede de Embargos de Declaração, o que em regra não é possível, apenas em caso em que tenha havido erro material, o que não se mostra ter ocorrido no caso em concreto. Assim, não havendo omissão, tampouco obscuridade, contradição ou erro material, não há como acolher os Embargos de Declaração, ainda mais com efeitos modificativos, como – embora não requerido sugere a Embargante pelas falhas que aponta ter havido no julgamento, as quais, repitase, não restaram materializadas. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 666DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10140.001792/0044 Acórdão n.º 3402002.144 S3C4T2 Fl. 663 7 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720651/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO.
Conforme art. 6°, § 2°, da Lei n° 8.134, art. 76, § 2°, do RIR/99 e art. 51, § 2°, da IN n° 15/2001, o contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação idônea.
MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA
A apresentação de documentação inidônea , denota ter o autuado agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração, o que demonstra o dolo e caracteriza o evidente intuito de fraude, dando ensejo à aplicação da multa de 150%.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA
A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devia a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Dr. Fábio Brun Goldschmidt que dava provimento parcial para excluir a multa isolada do carnê-leão.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 6°, § 2°, da Lei n° 8.134, art. 76, § 2°, do RIR/99 e art. 51, § 2°, da IN n° 15/2001, o contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação idônea. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA A apresentação de documentação inidônea , denota ter o autuado agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração, o que demonstra o dolo e caracteriza o evidente intuito de fraude, dando ensejo à aplicação da multa de 150%. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devia a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13830.720651/2011-50
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5295081
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.354
nome_arquivo_s : Decisao_13830720651201150.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13830720651201150_5295081.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Dr. Fábio Brun Goldschmidt que dava provimento parcial para excluir a multa isolada do carnê-leão. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5089444
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176182304768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.720651/201150 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.354 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria IRPF Recorrente IARA MIEKO HORIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 6°, § 2°, da Lei n° 8.134, art. 76, § 2°, do RIR/99 e art. 51, § 2°, da IN n° 15/2001, o contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação idônea. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA A apresentação de documentação inidônea , denota ter o autuado agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração, o que demonstra o dolo e caracteriza o evidente intuito de fraude, dando ensejo à aplicação da multa de 150%. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devia a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 06 51 /2 01 1- 50 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Dr. Fábio Brun Goldschmidt que dava provimento parcial para excluir a multa isolada do carnêleão. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, IARA MIEKO HORIO, foi lavrado Auto de Infração (fls. 635/661), referente aos anos calendário de 2007 e 2008, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 949.272,08, sendo R$ 311.146,09 de imposto, R$ 74.415,40 de juros de mora, R$ 407.852,73 de multa de ofício, além de R$ 155.857,86 a título de multa isolada. No Relatório Fiscal de fls. 610/634, consta que os trabalhos foram iniciados em 10/03/2010, quando foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luis Cláudio Prehl Gambali, matrícula n° 881094, por intermédio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar os Livros Caixa relativos aos anos calendário de 2007 e 2008, acompanhados da documentação hábil e idônea utilizada para escrituração das receitas e despesas da atividade (titular de Cartório), conforme previsto nos arts. 75 e 76 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n°3.000/99). Em atendimento ao termo inicial, a contribuinte encaminhou à Receita Federal, por via postal, uma caixa contendo diversas cópias de documentos, dentre os quais cópias dos Livros "Registro Diário" dos anos calendário de 2007 e 2008, como sendo os livros caixa da atividade da contribuinte (titular de Cartório), onde estão escrituradas as receitas e despesas, bem como diversas cópias de documentos que ampararam os lançamentos escriturados, relativos às despesas. Todavia, tais documentos foram apresentados desacompanhados de quaisquer esclarecimentos. Em 16/06/2010, foi lavrado Termo de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal, através do qual comunicamos que, a partir de 08/06/2010, a fiscalização teve alterado o Auditor Fiscal responsável pelos trabalhos, e o respectivo supervisor, sendo que a partir desta data o responsável pela execução deste procedimento fiscal passou a ser o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, WILSON FERNANDO DE CARVALHO GARCIA, matrícula 4022, e o Supervisor passou a ser o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Rudnei Aparecido da Silva, matrícula 3427, da Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaríliaSP. Após uma primeira análise dos Livros Caixa (Registro Diário), em 18/08/2010, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, por intermédio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar diversos elementos, documentos e esclarecimentos, nos seguintes termos: 01 Analisando os livros "Registro Diário" dos anos calendário de 2007 e 2008, apresentados por cópia, como sendo os livros caixa da atividade da fiscalizada (titular de Cartório), onde estão escrituradas as receitas e despesas, as quais foram lançadas os seus totais nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física da fiscalizada, verificamos que as despesas escrituradas estão numeradas por número de documento (DOC.N0). Sendo assim, selecionamos diversos destes lançamentos de despesas para verificação da documentação que deu origem a tais lançamentos, os quais Fl. 753DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 relacionamos a seguir, e que deverão ser apresentados os DOCUMENTOS ORIGINAIS (não serão aceitas cópias): Ano calendário 2007: Documentos originais de despesas a serem apresentados: DOC. N°s 002, 003, 004, 016, 021, 022, 023, 025, 028, 029, 042, 046, 047, 048, 049, 050, 051, 055, 056, 077, 078, 079, 080, 081, 082, 088, 089,096, 102, 107, 110, 111, 112, 113, 117, 118, 130, 133, 134, 135, 139, 140, 141, 142, 143, 153, 154, 155, 158, 166, 167, 168, 170, 171, 172,185, 186, 187, 194, 195, 196, 197, 198, 200, 205, 208, 209, 210, 220, 226, 228, 229, 230, 231, 235, 236, 248, 249, 250, 252, 253, 254, 257, 258, 270, 278, 279, 281, 283, 284, 285, 290, 291, 293, 303, 308, 309, 310, 311, 312, 314, 315, 318, 319, 325, 330, 341, 342, 343 e 344. Ano calendário 2008: Documentos originais de despesas a serem apresentados: DOC. N°s 001, 002, 007, 008, 015, 016, 025, 026, 027, 030, 031, 032, 033, 034, 035, 036, 041, 042, 055, 059, 060, 061, 062, 065, 075, 076, 090, 091, 093, 094, 095, 096, 103, 104, 108, 115, 118, 119, 120, 121, 124, 128, 129, 142, 148, 149, 150, 151, 156, 157, 158, 167, 171, 173, 174, 175, 176, 181, 182, 195, 196, 197, 200, 201, 202, 203, 212, 213, 218, 226, 227, 229, 230, 231, 232, 240, 241, 242, 247, 253, 254, 256, 257, 258, 259, 267, 268, 273, 284, 285, 286, 287, 288, 294, 295, 303, 309, 310, 311, 312, 315, 316, 326, 327, 332, 343, 344, 345 e 346. 02 Em relação às despesas com pagamentos às pessoas jurídicas e físicas abaixo relacionadas, além dos documentos originais já citados no item anterior, deverá apresentar os seguintes. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 4 5 Observação: no caso de pagamentos efetuados com cartão de crédito, apresentar os comprovantes e faturas correspondentes. No caso de pagamentos com boletos ou de outra forma, apresentar documentação comprobatória. 03 Em relação às despesas com "ALUGUEL DO PRÉDIO", referente pagamentos à HIROSHI YAMADA, CPF 334.480.35815, deverá apresentar os seguintes documentos/elementos Contratos de Aluguel vigentes nos anos de 2007 e 2008; Certidão de Matricida do Imóvel atualizada; Justificar o fato do imóvel onde está instalado o Cartório de Registro de Imóveis e Anexos (rua Irmã Gomes, 320) estar declarado em suas declarações do Imposto de Renda como sendo de sua propriedade, e ao mesmo tempo constar despesas com pagamentos de aluguel referente ao mesmo imóvel; No caso do imóvel onde fica o Cartório citado ser utilizado em condomínio, discriminar as áreas respectivas (comerciais, residenciais, e utilizadas pelo Cartório), e quanto pertence a cada condômino; 04 — Apresentar relação de todas as impressoras, máquinas copiadoras e outros equipamentos destinados à impressão, juntamente com as Notas Fiscais de aquisição, que foram utilizadas nos anos calendário de 2007 e 2008, e com as quais efetuou despesas com compras de cartuchos ou fitas de impressão. Em resposta ao termo lavrado, em 03/09/2010 a contribuinte apresentou seus esclarecimentos, juntamente com a documentação correspondente, da seguinte forma: 1) ÁUREA MATUDA ME (MATUDA INFORMÁTICA). a) Apresentou as Notas Fiscais respectivas, um contrato de prestação de serviços e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b) As Notas Fiscais apresentadas, de emissão de Áurea Matuda ME, CNPJ 05.050.931/000118, totalizaram o valor R$ 79.327,00 no anocalendário de 2007, e R$ 99.492,00 no anocalendário de 2008, sendo que diversas das notas tem valores individuais de R$ 4.900,00, R$ 6.900,00, R$ 7.900,00, R$ 8.900,00, dentre outros valores expressivos, e mesmo assim a contribuinte não apresentou quaisquer comprovantes de pagamentos, tais como cheques, boletos bancários, ou comprovantes de cartão de crédito, para comprovar o efetivo pagamento das despesas, afirmando que tais valores foram efetuados todos em dinheiro; c) Ainda analisando os valores que constam das notas fiscais apresentadas, verificouse que tais valores não estão em consonância com os estipulados no contrato de prestação de serviços apresentado, sendo em valores bem superiores a este; Fl. 755DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 d) Verificando o contrato apresentado, observou se que não consta reconhecimento de firma, autenticação, ou qualquer outro elemento que comprove de maneira irrefutável a data de sua constituição, e verificou se que o objeto do contrato é por demais genérico em relação aos valores estipulados. Ressalta a autoridade fiscal que um contrato de tal valor normalmente é cercado de mais cautelas, com descrição pormenorizada dos serviços a serem oferecidos, descrição dos softwares ofertados, bem como a forma de pagamento e dos reajustes estipulados; e) Para fins de comparação deste contrato e respectivas notas fiscais apresentadas (Áurea Matuda ME), cita a autoridade fiscal os contratos firmados junto à SIPLAN Comércio Indústria e Serviços de Informática Ltda, CNPJ 52.430.782/000100, e SIPLAN Sistemas de Informatização S/C Ltda, CNPJ 96.497.292/000199. Estes descrevem detalhadamente os serviços, direitos e obrigações, apresentam algumas assinaturas com firmas reconhecidas em Cartório, tem como comprovantes de pagamentos boletos bancários, e guardam relação coma atividade do Cartório de titularidade da contribuinte, e portanto necessárias para percepção das receitas e à manutenção das atividades desenvolvidas, razão pela qual seus documentos foram considerados hábeis para comprovar as despesas do livro caixa respectivas; f) Ademais, ressaltouse que os valores não são razoáveis, em comparação com a atividade do Cartório em questão e suas receitas, sendo tão desproporcionais em relação às suas receitas que seria muito mais vantajoso, para a titular do Cartório, contratar um profissional de informática do que pagar este serviço a terceiros; g) Da relação das notas fiscais acima, observouse ainda que as de n° 441, de 06/08/2007, no valor de R$ 20,00; n°450, de 27/11/2008, no valor de R$ 600,00; e n°473, de 05/06/2008, no valor de R$ 50,00, referemse a bens de capital, ou material permanente, que não podem ser consideradas como despesas do livro caixa, e por este motivo também foram glosadas; h) Assim, diante da falta de comprovação efetiva dos pagamentos, não apresentação de contratos considerados como válidos e hábeis a comprovar as despesas e sua essencialidade para percepção das receitas ou a manutenção da atividade do Cartório, e falta de razoabilidade ou valores exagerados em relação às receitas da atividade, e ainda algumas aquisições de bens permanentes, concluiu a autoridade fiscal que tais despesas não podem ser aceitas como dedutíveis, razão pela qual foram glosadas. 2 AGIS EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA: a Apresentou a Nota Fiscal n° 12048, no valor de R$ 17.448,20, de 30/11/2007, e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b Os produtos especificados na Nota Fiscal em tela, são "15 Cartuchos HP Laser Jet 1300, 18 Cartuchos HP C3180 Ali, 17 Fitas Impressoras Epson FX1180, Fl. 756DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 5 7 17 Fitas Impressoras LX300, e 16 Fitas Impressoras Epson FX2190" ; c Para averiguar a idoneidade do documento apresentado, intimou se a fornecedora (AGIS EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 68.993.641/000128) a apresentar cópia da Nota Fiscal de saída respectiva, bem como apresentar outras com emissão à contribuinte, sendo que em resposta a fornecedora citada informou o seguinte: "Declaramos que a contribuinte Iara Mieko Horio, CPF 031.988.63872, titular do Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Paraguaçu PaulistaSP, CNPJ 51.500.700/000186, não consta em nosso cadastro de clientes, portanto, não foram emitidas Notas Fiscais de venda nos anos alendário de 2007 e 2008. Segue espelhos referente à numeração de Nota Fiscal solicitada n°12048). emitida pela Agis, através de processamento eletrônico. ": d – Destaoue se ainda que os tipos datilográficos da Nota Fiscal apresentada, numa análise visual, são idênticos a diversas notas apresentadas, de suposta emissão da empresa PROJETECH (abaixo mencionada), conforme pode se exemplificar pela análise das notas n°1904, 1905 e 1906, de emissão da PROJETCH, e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", também coincidem nas notas citadas; e – Por essas razões, concluiu a autoridade fiscal que tal Nota Fiscal apresentada pela contribuinte não é verdadeira, ou seja, é inidônea, e, portanto, foi glosada, além de a respectiva Nota Fiscal ter sido retida (devolvida uma cópia autenticada), por se tratar de documento comprobatório da infração e constituir se de elemento indispensável à prova do ilícito que foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, de acordo com o disposto no art. 915, §1°, do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99); f – Ademais, em decorrência das glosas efetuadas (utilização de documentos considerados inidôneos), foram lançadas com multa qualificada de 150% (art.44, I, e § 1°, da Lei n°9.430/96), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art. 72 da Lei n°4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal modificando ou excluindo as suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido. 3 COMPUMICRO MICROS E PERIFÉRICOS LTDA: a Intimada a apresentar os comprovantes de pagamento (cópias de cheques e extratos bancários correspondentes), ou documentos equivalentes, a contribuinte apresentou as Notas Fiscais n° 72759, no valor de R$ 15.435,90, de 31/01/2007, e n° 72760, no valor de R$ 15.320,92, de 28/02/2007, e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro). Fl. 757DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 b Os produtos especificados nas Notas Fiscais em tela são cartuchos e fitas para impressoras; c Para averiguar a idoneidade dos documentos apresentados, a autoridade fiscal buscou intimar por via postal a fornecedora a apresentar cópia das Notas Fiscais de saída respectiva, bem como apresentar outras com emissão à contribuinte, no entanto, correspondência foi devolvida pelos Correios por "ser desconhecido" o seu destinatário; d Consultando os sistemas da Receita Federal, verificou se a existência do processo n° 15954.000094/200619, de INAPTIDÃO do CNPJ da fornecedora em questão, e analisando tal processo a autoridade fiscal constatou que a referida pessoa jurídica foi declarada INAPTA POR INEXISTÊNCIA DE FATO pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto SP, desde 01/12/2004, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 004, de 13 de fevereiro de 2007, publicado no DOU, seção I, de 15/02/2007, e portanto todos os documentos emitidos pela citada pessoa jurídica, a partir de 01/12/2004, foram considerados inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros. Assim, não poderiam ter sido utilizados para deduzir a base de cálculo do IRPF ou justificar qualquer dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme Instrução Normativa RFB n°568/2005, art. 48, e Instrução Normativa RFB n°748/2007, art.48, vigentes à época dos fatos. e – Destaque se ainda que os tipos datilográficos das Notas Fiscais n° 72759 e 72760, da COMPUMICRO, já identificadas como não verdadeiras, numa análise visual, são idênticos a diversas notas apresentadas, de suposta emissão da empresa PROJETECH (abaixo indicada), conforme pode se exemplificar pela análise das notas n° 1559, 1560 e 1561, e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", também coincidem nas notas citadas. As mesmas coincidências são encontradas na nota fiscal de n° 5026 de SILVANIA DE JESUS ME (abaixo), bem como também são iguais aos tipos datilográficos dos recibos de Uelton Carvalho Silva, Uelton Carlos S. Souza e Uelton Carlos de Suxa (abaixo indicados); g Também pode se destacar que as notas fiscais estão em numeração seguidas, mas com datas de emissão com 28 dias de diferença, fato este que, em conjunto com os demais descritos, indiciam a inidoneidade de tais documentos fiscais; h – Sendo assim, concluiu a autoridade fiscal que tais Notas Fiscai apresentadas pela contribuinte são inidôneas, e portanto tais despesas foram sendo GLOSADAS, sendo que as respectivas Notas Fiscais foram retidas (devolvida uma cópia autenticada), por se tratarem de documentos comprobatórios da infração, e constituíremse de elementos indispensáveis à prova do ilícito que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, de acordo Fl. 758DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 6 9 com o disposto no art. 915, § 1o, do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99); i As diferenças apuradas, em decorrência das glosas efetuadas, devido à utilização de documentos considerados inidôneos, foram lançadas com multa qualificada de 150% (art. 44, I, e § 1°, da Lei n°9.430/96), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art. 72 da Lei n°4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal modificando ou excluindo as suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido. 4 SILVANIA DE JESUS ME (INFORMÁTICA FORTE COMPUTADORES): a Intimada a apresentar os comprovantes de pagamento (cópias de cheques e extratos bancários correspondentes), ou documentos equivalentes, apresentou as Notas Fiscais n° 5026, no valor de R$ 14.595,06, de 30/03/2007, e n° 5027, no valor de R$ 12.930,44, de 27/04/2007, e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b Os produtos especificados nas Notas Fiscais em tela, conforme cópias anexas, são cartuchos e fitas para impressoras; c Para averiguar a idoneidade dos documentos apresentados, buscouse intimar, por duas vezes, a fornecedora (SILVANIA DE JESUS ME, CNPJ 03.112.250/000101), a apresentar cópia das Notas Fiscais de saída respectiva, bem como apresentar outras com emissão à contribuinte, sendo que as correspondências foram devolvidas pelos Correios por não ter encontrado a destinatária ou por não existir o número indicado; d Consultando os sistemas da Receita Federal, constatou se que a empresa em questão (SILVANIA DE JESUS ME, CNPJ 03.112.250/000101) é empresa individual e não apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano calendário de 2007, sendo que constam nos sistemas que a última declaração apresentada foi a do ano calendário de 2005, e mesmo assim, esta foi apresentada como INATIVA. e – Destaque se ainda que os tipos datilográficos encontrados nas Notas Fiscais n° 5026 de SILVANIA DE JESUS ME, nas de n° 72759 e 72760, da COMPUMICRO (acima apontadas), e das notas n° 1559, 1560 e 1561, de suposta emissão da empresa PROJETECH (abaixo apontadas), inativa desde 2006, numa análise visual, são idênticos e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", coincidem nas notas citadas. Observese também que são iguais aos tipos datilográficos dos recibos de Uelon Carvalho Silva, Uelton Carlos S. Souza e Uelton Carlos de Suxa (abaixo indicados), fatos estes que, em conjunto com os demais descritos, indiciam a inidoneidade de tais documentos fiscais; Fl. 759DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 h Diante desse quadro, concluiu a autoridade fiscal que tais Notas Fiscais apresentadas pela contribuinte não são verdadeiras, sendo consideradas inidôneas, e portanto tais despesas foram GLOSADAS, e as respectivas Notas Fiscais foram retidas (devolvida uma cópia autenticada), por se tratarem de documentos comprobatórios da infração, constituírem se elementos indispensáveis à prova do ilícito que foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, de acordo com o disposto no art. 915/7§1°, do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99); i As diferenças apuradas, em decorrência das glosas efetuadas, devido à utilização de documentos considerados inidôneos, foram lançadas com multa qualificada de 150% (art. 44, I, e § 1°, da Lei n° 9.430/96,), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art.72 da Lei n° 4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal modificando ou excluindo as suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido. 5 PROJETECH COMERCIAL INFORMÁTICA LTDA EPP: a Intimada a apresentar os comprovantes de pagamento (cópias de cheques e extratos bancários correspondentes), ou documentos equivalentes, a contribuinte apresentou diversas Notas Fiscais e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b Os produtos especificados nas Notas Fiscais em tela, conforme cópias anexas, são cartuchos e fitas para impressoras; c Para averiguar a idoneidade dos documentos apresentados, intimamos por via postal a fornecedora (PROJETECH COMERCIAL INFORMÁTICA LTDA EPP, CNPJ 07.331.983/000198), a apresentar cópia das Notas Fiscais de saída respectivas, bem como apresentar outras com emissão à contribuinte, no entanto, não se obteve qualquer resposta. A autoridade fiscal entrou ainda em contato telefônico com o Sr. Jaime Ramos, o qual recebeu a intimação em questão dos Correios, no entanto o mesmo informou não conhecer a PROJETECH COMERCIAL INFORMÁTICA LTDA EPP. d – Destacou se ainda que os tipos datilográficos da Nota Fiscal n° 12048, da AGIS Equip. e Serv. de Informática Ltda (acima indicada), já identificada como na verdadeira, numa análise visual, são idênticos a diversas notas apresentadas, de supost emissão da empresa PROJETECH, conforme pode se exemplificar pela análise das notas n° 1904, 1905 e 1906, e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", também coincidem nas notas citadas; e As mesmas coincidências são encontradas em diversas outras notas, tais como as de n° 1559, 1560, 1561 e 1562 da PROJETCH, nas de n° 5026 de SILVANIA DE JESUS ME (acima indicada), e nas de n° 72759 e 72760 da COMPUMICRO (acima indicadas); Fl. 760DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 7 11 f Também pode se destacar que diversas notas fiscais estão em numeração seguidas, mas com datas de emissão em torno de trinta dias de diferença, e ainda algumas outras, em que as numerações estão fora da seqüência, comparando com as datas de emissão, fatos estes que, em conjunto com os demais descritos, indiciam a inidoneidade de tais documentos fiscais; g Consultando os sistemas da Receita Federal, constatouse que a empresa em questão (PROJETECH COMERCIAL INFORMÁTICA LTDA EPP, CNPJ 07.331.983/000198), está INATIVA desde o ano calendário de 2006; h Diante do quanto visto, a autoridade fiscal concluiu que tais Notas Fiscais não são verdadeiras, sendo consideradas inidôneas, e portanto tais despesas foram GLOSADAS por esta fiscalização, e as respectivas Notas Fiscais retidas (devolvida uma cópi autenticada), por se tratarem de documentos comprobatórios da infração, e constituírem se de elementos indispensáveis à prova do ilícito que foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, de acordo com o disposto no art. 915, § 1°, do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99); i As diferenças apuradas, em decorrência das glosas efetuadas, devido a utilização de documentos considerados inidôneos, foram lançadas com multa qualificada de 150% (art.44, inciso I, e §1°, da Lei n°9.430/96, com a redação da Medida Provisória n°351/2007, art.14, e Lei n° 11.488/2007, art.14), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art.72 da Lei n°4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da ^ ^ .o tributária principal modificando ou excluindo as suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido; 6 ROSÂNGELA ALVES MOLINA ME (MOLIPEL): a Intimada a apresentar os comprovantes de pagamento (cópias de cheques e extratos bancários correspondentes), ou documentos equivalentes, bem como o comprovantes de transporte dos produtos adquiridos, a contribuinte apresentou Notas Fiscais e informou que os pagamentos, foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b Os produtos especificados nas Notas Fiscais em tela, conforme cópias anexas, são materiais de escritório em geral; c Para averiguarmos a idoneidade dos documentos apresentados, a fornecedora foi intimada a apresentar cópia das Notas Fiscais de saída respectivas, documentos referente aos pagamentos efetuados pela contribuinte, bem como os Conhecimentos de Transporte, ou documentação equivalente, referente a forma de envio das mercadorias até o estabelecimento da compradora; d A primeira intimação enviada a fornecedora citada foi devolvida pelos Correios por "ausência" da contribuinte. Em Fl. 761DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 28/01/2011, foi lavrada outra intimação, endereçada ao Sr. José Roberto Vieira Molina, cônjuge da Sra. Rosangela Alves Molina, empresária individual, tendo em vista que, conforme constava da declaração do IRPF da mesma, esta já havia falecido; e Em resposta, o Sr. José Roberto Vieira Molina, inventariante da falecida, enviou somente cópias das notas fiscais solicitadas, várias ilegíveis, não apresentando os demais documentos que pudessem atestar a veracidade de tais vendas de materiais de escritório, tais como documentos referente aos pagamentos e documentação relativa ao transporte das mercadorias; f Nas notas fiscais apresentadas, vários campos não foram preenchidos, tais como informações sobre o frete, o transportador, os dados do veículo utilizado no transporte, o peso e quantidade de volumes transportados, dentre outros; g Analisando os produtos discriminados nas notas fiscais, concluiuse que não poderiam ser transportados simplesmente no porta malas de um carro comum, e sim demandariam a utilização de um veículo apropriado, haja vista a quantidade de produtos e seu peso respectivo, e que a fornecedora tem domicílio na cidade de ItápolisSP, e, portanto, 230 Km de distância, aproximadamente. Exemplo: em várias notas constam, além de outras mercadorias, caixas de papel sulfite (papel A4 ou papel ofício 2), e cada caixa pesa em média 23 kg, e constam diversas notas fiscais contendo até 20 caixas de papel sulfite, o que daria um total de 460 kg, e considerando que cada caixa ocupa um espaço considerável, concluiu se que a não informação nas notas fiscais dos dados do transporte tem como razão o fato de que não houve a comercialização dos produtos em questão, ou seja, ocorreu o que conhecemos como emissão de "Nota Fiscal de Favor"; h Para embasar ainda mais a conclusão acima, cita a autoridade fiscal o consumo de papel sulfite (papel A4 ou papel ofício 2), que constam das citadas notas: nos anos de 2007 e 2008 constam nas notas fornecidas pela empresa ROSÂNGELA ALVES MOLINA ME, a aquisição de 381 caixas de papel sulfite, e considerando que cada caixa contém 10 pacotes de papel, e que cada pacote contém 500 folhas, chegou se a um assustador número de 1.905.000 (um milhão, novecentos e cinco mil) folhas de papel sulfite. Continuando o exercício de matemática, no período de 24 meses, e considerando que o Cartório, cuja a contribuinte é titular, funciona somente de segunda a sexta feira, ou seja, em média 22 dias por mês, chegouse a um resultado de aproximadamente 79.300 folhas por mês, ou 3.600 por dia, o que, para um Cartório localizado na cidade do porte de Paraguaçu Paulista é absurdamente demais, isto porque nem citouse os demais itens que podem ser conferidos nas notas fiscais anexas, tais como um número elevadíssimo de pastas, blocos de recibos, canetas, carimbos, dentre outros, e que se fossem auditados um a um, concluiria se que a atividade da cartorária de fato deveria ser de "loja de materiais para escritório e papelaria"; Fl. 762DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 8 13 i – Analisando ainda os valores das receitas declaradas à Receita Federal pela fornecedora, em diversos meses, é bem menor que os valores das notas analisadas, o que reforça a conclusão da não veracidade das informações contidas nas notas fiscais em questão; – Ressalta a autoridade fiscal que não afirma a ausência de qualquer consumo de materiais de escritório ou papelaria pelo Cartório, tanto é que também foram apresentadas diversas outras notas fiscais de compras de tais materiais, em valores e quantidades também expressivos, mas não tanto como da citada fornecedora acima, como é o caso das compras efetuadas junto à empresa "O ALUNO LIVRARIA E PAPELARIA" (Carlos Antonio Teixeira Tupã ME, CNPJ 48.370.944/0001/87), da cidade de TupãSP, que dista de Paraguaçu Paulista em cerca de 70 km, e estas despesas foram aceitas normalmente como despesas de livro Caixa; k Diante do exposto, conclui a autoridade fiscal que tais Notas Fiscais emitidas "de favor" e apresentadas pela contribuinte não são verdadeiras, sendo consideradas inidôneas, e portanto tais despesas foram GLOSADAS, e as respectivas Notas Fiscais foram retidas (devolvida uma cópia autenticada), por tratarse de documentos comprobatórios da infração, e constituírem se de elementos indispensáveis à prova do ilícito que foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, de acordo com o disposto no art. 915, § 1°, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); l As diferenças apuradas, em decorrência das glosas efetuadas, devido à utilização de documentos considerados inidôneos, foram lançadas com multa qualificada de 150% (art. 44, I, e §1°, da Lei n°9.430/96), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art. 72 da Lei n°4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal modificando ou excluindo as suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido. 7 PAULO HENRIQUE DE MORAIS FRANCAME (VASSOURAS FRANCANA IND. E COM.DE MATERIAIS P/ LIMPEZA): a Intimada a apresentar as Notas Fiscais e os comprovantes de pagamento (cópias de cheques e extratos bancários correspondentes), ou documentos equivalentes, a contribuinte apresentou documento tipo "pedido", no valor de R$ 215,00, de 25/05/2007, e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b Consultando os sistemas da Receita Federal, constatou a autoridade fiscal que a empresa em questão (PAULO HENRIQUE DE MORAIS FRANCA, CNPJ 00.865.267/000141), está BAIXADA desde o ano calendário de 2000; c Diante do exposto, concluiu se que o documento apresentado não se presta a comprovar tal despesa, sendo considerado inidôneo, e portanto a despesa foi GLOSADA, e o respectivo documento foi retido (devolvida uma cópia autenticada), por se tratar de documento comprobatório da infração, e constituir Fl. 763DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 elemento indispensável à prova do ilícito que foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais; d As diferenças apuradas, em decorrência das glosas efetuadas, devido a utilização de documentos considerados inidôneos, foram lançadas neste auto de infração com multa qualificada de 150% (art. 44, I, e § 1°, da Lei n°9.430/96), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art.72 da Lei n°4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal modificando ou excluindo as suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido. 8 Uelon Carvalho Silva (doc. 139), Uelton Carlos S. Souza (doc. 205) e Uelton Carlos de Souxa (doc. 270). Obs.: doc. de 2007: a Intimada a apresentar as Notas Fiscais e os comprovantes de pagamento (cópias de cheques e extratos bancários correspondentes), ou documentos equivalentes, a contribuinte apresentou somente três documentos "RECIBO", nos valores de R$ 8.150,00, de 31/05/2007, R$ 5.080,00, de 02/08/2007, e R$ 5.120,00, de 17/10/2007 e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro); b Analisando os documentos apresentados, constatou se que, além de serviços, constam também aquisições de materiais e livros cartorários, o que demandariam a emissão de notas fiscais, e não somente recibos; c Da análise pode se verificar que os três recibos contém a mesma assinatura, no entanto, os nomes dos emitentes, estranhamente variam, sendo utilizados os seguintes nomes: Uelon Carvalho Silva (doc. 139), Uelton Carlos S. Souza (doc. 205) e Uelton Carlos de Souxa (doc. 270). Estranhamente, os CPF's também são diferentes nos recibos, bem como os endereços do emitente, que embora a rua seja a mesma (Rua Aimorés), a cidade em um recibo é Bauru e em outro recibo é Ribeirão Preto; d Consultando os sistemas da Receita Federal, constatou se que os CPF's que constam dos recibos não são números válidos; e Diante do exposto, concluiu se que tais RECIBOS não são verdadeiros, sendo considerados inidôneos, e portanto tais despesas foram GLOSADAS e os respectivas documentos foram retidos (devolvida uma cópia autenticada), por se tratar de documentos comprobatórios da infração, e constituírem elementos indispensáveis à prova do ilícito que foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, de acordo com o disposto no art. 915, §1°, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); As diferenças apuradas, em decorrência das glosas efetuadas, devido à utilização de documentos considerados inidôneos, foram lançadas neste auto de infração com multa qualificada de 150% (art. 44, I, e § 1°, da Lei n°9.430/96), tendo em vista que tal procedimento caracteriza a FRAUDE, prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/64, constituindo ação dolosa tendente a impedir ou retardar, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal modificando ou excluindo as suas características Fl. 764DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 9 15 essenciais, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido. 9 WILSON GREGÓRIO CPF 067.955.26852 ARRENDAMENTO DE VEÍCULO: As despesas referente ao arrendamento de veículo do Sr. Wilson Gregório, CPF 067.955.26852, foram GLOSADAS, tendo em vista tratar se de arrendamento de veículo, despesas estas indedutíveis, conforme disposto no art. 75, parágrafo único, I, do RIR/99 (Decreto n°3.000/99): 10 AQUISIÇÃO DE BENS DE CAPITAL: As despesas com Móveis Romera, Aldemar Andrade e Carlos de Souza Bernardes ME tratam da aquisição de materiais permanentes ou bens de capital e foram GLOSADAS, por se tratarem de bens que não são consumíveis, ou seja, cuja vida útil ultrapassa o período de um exercício, conforme disposto no art. 75, do RIR/99 (Decreto n°3.000/99), e Parecer Normativo CST n ° 60, de 20 de junho de 1978 11 – AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE CONSUMO DESPESAS COM SUPERMERCADOS: A contribuinte incluiu no Livro Caixa despesas com "material de consumo", referente às aquisições junto ao Supermercado Coroados Ltda e Supermercado Comprecenter Ltda ME, da cidade de Paraguaçu Paulista, que em 2007 e 2008 totalizaram em R$ 76.443,39. Analisando detalhadamente as notas fiscais apresentadas, tanto na descrição dos produtos adquiridos, como na absurda quantidade de cada item, a autoridade fiscal teve a impressão de que se tratava de uma atividade de comércio de produtos para limpeza, dado ao grande volume de produtos desta natureza adquiridos pela contribuinte. As compras efetuadas junto aos supermercados citados estão detalhadas em demonstrativo anexo ao Auto de Infração, onde estão discriminadas as notas fiscais, bem como os produtos e quantidades respectivas. Apenas a título de exemplo, foram: 290 vassouras, 3.376 rolos de papel higiênico, 920 sabonetes, 1.770 caixas de sabão em pó, 3.390 pedras de sabão, 1.479 flanelas e panos, 4.273 limpadores, 822 “limpa alumínio, 1.170 esponjas e palhas de aço, 2.421 detergentes, 1.631 desinfetantes, 580 ceras e 1.290 águas sanitárias. As quantidades dos produtos, dada a sua total desproporcionalidade em relação à atividade da cartorária, não se justifica, sendo totalmente abusiva e exagerada, e pela sua magnitude, considerou se como não necessárias à percepção das receitas ou à manutenção da fonte produtora, conforme disciplinado no art.75, III, do RIR/99, e portanto tais despesas foram GLOSADAS. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Todas as despesas citadas nos itens anteriores foram lançadas nos períodos em que foram escrituradas nos livros caixa. Em decorrência das glosas efetuadas, também foram lançadas as multas isoladas de 50%, calculadas sobre os valores do imposto de renda mensal (carnê leão) não recolhidos, conforme disposto no art. 8o da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, inciso II, "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. Lavrado o Auto de Infração, a contribuinte apresentou a defesa de fls. 679/693, na qual alega que: Regularmente, durante o ano calendário 2007, efetuou a escrituração do livro caixa, com receitas de R$ 922.925,59 e despesas de R$ 838.207,10. Para o ano calendário 2008, as receitas seriam de R$ 939.464,23 e as despesas no valor de R$ 864.617,53. Tudo mediante documentos hábeis e cujas despesas seriam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Contesta, assim, a glosa das despesas no valor de R$ 578.177,06 para 2007 e a glosa das despesas no valor de R$ 555.263,27 para 2008. Afirma que seria certo que os fornecedores, receberam o preço, escrituraram as saídas (vendas), pagaram os tributos federais, estaduais e municipais, empresas estas passíveis de fiscalização e constatação fiscal, em seus livros fiscais; Contesta a glosa de despesas com aluguel de veículo por WILSON GREGÓRIO e consignadas no livro caixa, pois, refeririam se a despesas com locação veículo que ficaria à disposição da contribuinte para efetuar diariamente as diligências de notificações extrajudiciais e notificações de apontamentos de títulos a protestos, na cidade de Paraguaçu Paulista, cidade de Borá, cidade de Lutécia, e cidade de Oscar Bressane, por intermédio de contrato de locação, sendo tudo pago em moeda corrente do país, sendo que, o WILSON GREGÓRIO teria incluído em sua declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, nos respectivos anos calendário, os valores recebidos de pessoa física, como rendimentos tributáveis, passíveis de fiscalização; Quanto à empresa ÁUREA MATUDA ME, cujas despesas foram escrituradas a título de aquisição de programas de computador e assistência técnica de informática, afirma que houve contratação mensal e os pagamentos foram feitos pelas notas fiscais de prestação de serviços; No que se refere ao fornecimento de bens e mercadorias pela PROJETECH, afirma referir se a aquisição de mercadorias e serviços, que teriam sido adquiridas através de notas fiscais, e consignadas no livro caixa, para cumprir a finalidade e funcionamento e desempenho da serventia, bem como, do bem estar dos empregados, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora de serviços, sendo que, a empresa fornecedora das mercadoria e serviços teria escriturado as saídas das referidas mercadorias e serviços, efetuado os pagamentos dos tributos federais, estaduais e municipais; Fl. 766DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 10 17 Também contesta a glosa a título de bens de capital permanente e os valores pagos à Agis, à COMPUMICRO, ao fornecedor PAULO HENRIQUE DE MORAIS FRANCA – ME e ao fornecedor UELON/UELTON, pois a aquisição dos bens discriminados teria sido feita por intermédio de notas fiscais e documentos hábeis, sendo que, os pagamentos foram efetuados aos fornecedores de mercadorias e serviços, conforme comprovam as notas fiscais e recibos, regularmente escrituradas no livro caixa, para cumprir a finalidade e funcionamento e desempenho da serventia, bem como do bem estar dos empregados e beneficiários dos serviços. Ademais, os fornecedores teriam escriturado as saídas das mercadorias e serviços em seus respectivos livros fiscais, além de terem efetuado o pagamentos dos tributos federais, estaduais e municipais, passíveis de constatação e fiscalização; Ademais, as despesas com aquisição de mercadorias, bens e serviços teriam sido escrituradas nos livros caixas e registros diários, bem como, as notas fiscais, faturas, recibos e demais documentos seriam documentos hábeis e idôneos, escriturados como receitas e despesas da atividade da contribuinte, nos termos do Artigos 75 e 76 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99). Acrescenta que tais despesas seriam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; Aduz a inconstitucionalidade e a ilegalidade da Taxa Selic; Quanto às multas, afirma ser incabível a aplicação da multa de 75% e 150%, pois as despesas glosadas e consignadas no livro Caixa teriam sido glosadas indevidamente. Assim, não teria havido fraude ou sonegação. Ademais, a multa assume caráter de abuso do poder fiscal, posto que manifestamente confiscatória. Acrescenta que não haveria prova material da existência de fraude fiscal ou sonegação fiscal A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 6°, § 2°, da Lei n° 8.134, art. 76, § 2°, do RIR/99 e art. 51, § 2°, da IN n° 15/2001, o contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação idônea. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 GLOSA DE DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. Somente poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto os dispêndios realizados por contribuinte não assalariado comprovadamente pagos, indispensáveis à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Sobre o imposto apurado pelo ajuste anual incide a multa de ofício pelo seu não recolhimento. Art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO. Cabível a aplicação da multa isolada nos casos em que há a obrigatoriedade do recolhimento mensal do imposto, conforme dispõe o artigo 44 e § 1º, III, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original e artigo 44, II, a, da mesma Lei, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa plenamente ajustada à infração cometida pelo contribuinte atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não havendo que se falar em confisco. Art. 150, IV, da CF. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.º 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 e Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o contribuinte, interpões recurso voluntário reiterando as razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos. que regularmente efetuou a escrituração do livro caixa, e que as despesas estão efetivamente comprovadas através de documentação hábil e idônea, no valor de R$576.177,06 para o ano calendário 2007 e de R$ 555.263,27 para o ano calendário 2008; que os juros de mora deveriam ser os equivalentes a taxa selic; que a multa exigida isoladamente (carnê leão) que seria indevida visto ter sido aplicada de modo cumulativo com a multa de ofício; É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Livro Caixa Ao apreciar os argumentos do recorrente assim se pronunciou a autoridade recorrida: Assim, para que uma despesa possa ser considerada como de custeio e, portanto, dedutível, devem ser respeitados os quatro requisitos cumulativos indispensáveis para isto: a) deve estar relacionada com a atividade exercida; b) deve ser efetivamente realizada no decurso do ano calendário correspondente ao exercício da declaração; c) deve ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; d) deve estar escriturada em Livro Caixa e comprovada com documentação idônea. Resta claro que a lei vigente, ao especificar expressamente que as despesas dedutíveis devem ter estrita conexão com a manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos sujeitos à incidência de imposto e, ao condicionar essas deduções à escrituração no Livro Caixa e à comprovação mediante documentação idônea, objetiva vedar a utilização de critérios subjetivos para o cálculo do tributo devido e, em consequência, afastar qualquer possibilidade de liberalidade ou poder discricionário na dedução. Para se verificar se as despesas são realmente necessárias, ou seja, se elas efetivamente têm alguma relação com a atividade desenvolvida pelo contribuinte, devem ser observados os critérios de normalidade, usualidade, necessidade e pertinência. Em suma, são consideradas despesas passíveis de escrituração no Livro Caixa, para efeitos de dedução, apenas aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que suportadas pela pessoa física e comprovados os desembolsos. Como exemplos corriqueiros de despesa de custeio dedutíveis temos os valores pagos a título de aluguel, água, luz, telefone, Fl. 769DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 condomínio (vinculados ao local onde se exerce a atividade profissional), despesas com material de expediente ou de consumo e despesas com empregados, quando vinculadas ao contrato de trabalho. Ressaltese, ainda, que a dedutibilidade das despesas escrituradas em Livro Caixa está condicionada à sua comprovação, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, que permita identificar o adquirente ou o beneficiário, o valor, a data da operação e contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados para que possam ser enquadrados como necessários e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. No relativo a regularidade da inscrição no ano de 2007 assim se manifesta a DRJ, ao qual por não identificar qualquer falha, utilizo como razão de votar: A contribuinte alega que, regularmente, durante o ano calendário 2007, efetuou a escrituração do livro caixa, com receitas de R$ 922.925,59 e despesas de R$ 838.207,10. Para o ano calendário 2008, as receitas seriam de R$ 939.464,23 e as despesas no valor de R$ 864.617,53. Tudo mediante documentos hábeis e cujas despesas seriam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Contesta, assim, a glosa das despesas no valor de R$ 578.177,06 para 2007 e a glosa das despesas no valor de R$ 555.263,27 para 2008. Afirma que seria certo que os fornecedores, receberam o preço, escrituraram as saídas (vendas), pagaram os tributos federais, estaduais e municipais, empresas estas passíveis de fiscalização e constatação fiscal, em seus livros fiscais. Todavia, não é isso que se extrai dos autos. Com efeito, o Relatório Fiscal de fls. 610/634 é repleto de fatos ensejadores de cada uma das glosas procedidas pela autoridade fiscal e isso se reflete na defesa da contribuinte que, apesar de extensa, é parca em argumentos que efetivamente contraponham se ao zeloso trabalho da autoridade fiscal. Observe se que os trabalhos do procedimento fiscal foram iniciados em 10/03/2010, culminando com a lavratura do Auto de Infração em 11/04/2011 (fls. 638), ou seja, durante mais de um ano a autoridade fiscal diligenciou no sentido de obter a verdade dos fatos e, com isso, auditar com propriedade as despesas incluídas em Livro Caixa pela contribuinte. ...... Especificamente quanto à glosa de despesas com aluguel de veículo por WILSON GREGÓRIO e consignadas no livro caixa, afirma que se referem a despesas com locação veículo que ficaria à disposição da contribuinte para efetuar diariamente as diligências de notificações extrajudiciais e notificações de apontamentos de títulos a protestos, na cidade de Paraguaçu Paulista, cidade de Borá, cidade de Lutécia, e cidade de Oscar Bressane. Acrescenta que tudo teria sido pago em moeda corrente do país, sendo que, o WILSON GREGÓRIO teria incluído em sua declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, Fl. 770DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 12 21 nos respectivos anos calendário, os valores recebidos de pessoa física, como rendimentos tributáveis, passíveis de fiscalização. Todavia, as despesas referentes a arrendamento são indedutíveis, conforme disposto no art. 75, parágrafo único, I, do RIR/99 (Decreto n°3.000/99), ...... Contesta ainda a contribuinte a glosa das despesas com ÁUREA MATUDA –ME. Aduz a contribuinte que tais despesas foram escrituradas a título de aquisição de programas de computador e assistência técnica de informática e que houve contratação mensal e os pagamentos foram feitos pelas notas fiscais de prestação de serviços. Todavia, a autoridade fiscal apurou que as Notas Fiscais apresentadas, no valor total de R$ 79.327,00 para o ano calendário de 2007 e de R$ 99.492,00 para o ano calendário de 2008, não são não encontram se respaldas por comprovantes de pagamentos, tais como cheques, boletos bancários, ou comprovantes de cartão de crédito, como tais valores não estão em consonância com os estipulados no contrato de prestação de serviços apresentado, sendo em valores bem superiores a este. Ademais, no contrato apresentado não consta reconhecimento de firma, autenticação, ou qualquer outro elemento que comprove de maneira irrefutável a data de sua constituição, além de seu objeto ser por demais genérico em relação aos valores estipulados. A própria autoridade fiscal, para fins de comparação deste contrato e respectivas notas fiscais apresentadas (Áurea Matuda ME), cita os contratos firmados junto à SIPLAN Comércio Indústria e Serviços de Informática Ltda, CNPJ 52.430.782/000100, e SIPLAN Sistemas de Informatização S/C Ltda, CNPJ 96.497.292/000199. Estes descrevem detalhadamente os serviços, direitos e obrigações, apresentam algumas assinaturas com firmas reconhecidas em Cartório, tem como comprovantes de pagamentos boletos bancários, e guardam relação coma atividade do Cartório de titularidade da contribuinte, e portanto necessárias para percepção das receitas e à manutenção das atividades desenvolvidas, razão pela qual seus documentos foram considerados hábeis para comprovar as despesas do livro caixa respectivas. Isso sem falar que os valores não são razoáveis em comparação com a atividade do Cartório em questão e suas receitas, sendo tão desproporcionais em relação às suas receitas. Ademais, as notas de n° 441, de 06/08/2007, no valor de R$ 20,00; n°450, de 27/11/2008, no valor de R$ 600,00; e n°473, de 05/06/2008, no valor de R$ 50,00, referem se a bens de capital, ou material permanente, que não podem ser consideradas como despesas do livro caixa, e por este motivo também foram Fl. 771DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 glosadas. A contribuinte irresigna se ainda com a glosa referete à PROJETECH. Afirma que tais despesas decorrem da aquisição de mercadorias e serviços para cumprir a finalidade e funcionamento e desempenho da serventia, bem como, do bem estar dos empregados, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora de serviços, sendo que, a empresa fornecedora das mercadoria e serviços teria escriturado as saídas das referidas mercadorias e serviços, efetuado os pagamentos dos tributos federais, estaduais e municipais. Todavia, não é isso que se extrai dos autos. Conforme relata a autoridade fiscal, os produtos especificados nas Notas Fiscais são cartuchos e fitas para impressoras. Intimada, a fornecedora, não se obteve qualquer resposta. A autoridade fiscal entrou então em contato telefônico com o Sr. Jaime Ramos, o qual recebeu a intimação em questão dos Correios, no entanto o mesmo informou não conhecer a PROJETECH COMERCIAL INFORMÁTICA LTDA EPP, o que por si só já coloca em dúvida a veracidade das despesas declaradas. Acrescente se ainda que os tipos datilográficos da Nota Fiscal n° 12048, da AGIS Equip. e Serv. de Informática Ltda, numa análise visual, são idênticos a diversas notas apresentadas, de suposta emissão da empresa PROJETECH, conforme podese exemplificar pela análise das notas n° 1904, 1905 e 1906, e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", também coincidem nas notas citadas. As mesmas coincidências são encontradas em diversas outras notas, tais como as de n° 1559, 1560, 1561 e 1562 da PROJETCH, nas de n° 5026 de SILVANIA DE JESUS ME, e nas de n° 72759 e 72760 da COMPUMICRO. Outrossim, diversas notas fiscais estão em numeração seguidas, mas com datas de emissão em torno de trinta dias de diferença, e ainda algumas outras, em que as numerações estão fora da seqüência, comparando com as datas de emissão, fatos estes que, em conjunto com os demais descritos, indiciam a inidoneidade de tais documentos fiscais. Isso sem falar que a autoridade fiscal constatou, em consulta aos sistemas da Receita Federal, que a empresa em questão está INATIVA desde o anocalendário de 2006. A contribuinte segue em sua defesa contestando a glosa a título de bens de capital permanente e os valores pagos à Agis, à COMPUMICRO, ao fornecedor PAULO HENRIQUE DE MORAIS FRANCA – ME e ao fornecedor UELON/UELTON, pois a aquisição dos bens discriminados teria sido feita por intermédio de notas fiscais e documentos hábeis, sendo que, os pagamentos foram efetuados aos fornecedores de mercadorias e serviços, conforme comprovam as notas fiscais e recibos, regularmente escrituradas no livro caixa, para cumprir a finalidade e funcionamento e desempenho da serventia, bem como do bem estar dos empregados e beneficiários dos serviços. Ademais, os fornecedores teriam Fl. 772DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 13 23 escriturado as saídas das mercadorias e serviços em seus respectivos livros fiscais, além de terem efetuado o pagamentos dos tributos federais, estaduais e municipais, passíveis de constatação e fiscalização. Quanto à Agis, a contribuinte apresentou a Nota Fiscal n° 12048, no valor de R$ 17.448,20, de 30/11/2007, e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro). Os produtos especificados na Nota Fiscal em tela, são "15 Cartuchos HPLaser Jet 1300, 18 Cartuchos HP C3180 Ali, 17 Fitas Impressoras Epson FX1180,17 Fitas Impressoras LX300, e 16 Fitas Impressoras Epson FX2190". Intimada a esclarecer a idoneidade do documento apresentado, a fornecedora assim respondeu: "Declaramos que a contribuinte Iara Mieko Horio, CPF 031.988.63872, titular do Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Paraguaçu PaulistaSP, CNPJ 51.500.700/000186, não consta em nosso cadastro de clientes, portanto, não foram emitidas Notas Fiscais de venda nos anos calendário de 2007 e 2008. Segue espelhos referente à numeração de Nota Fiscal solicitada n°12048). emitida pela Agis, através de processamento eletrônico. ". Portanto, causa espécie a contribuinte, além de ter apresentado documento inidônea, ainda insistir na dedutibilidade da despesa, a despeito da peremptória afirmação da fornecedora. Como se viu, ademais, os tipos datilográficos da Nota Fiscal apresentada, numa análise visual, são idênticos a diversas notas apresentadas, de suposta emissão da empresa PROJETECH, conforme pode se exemplificar pela análise das notas n°1904, 1905 e 1906, de emissão da PROJETCH, e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", também coincidem nas notas citadas. Por essas razões, mostra se indefensável a idoneidade do documento ou a dedutibilidade da despesa. Quanto à Compumicro, a contribuinte apresentou as Notas Fiscais n° 72759, no valor de R$ 15.435,90, de 31/01/2007, e n° 72760, no valor de R$ 15.320,92, de 28/02/2007, e informou que os pagamentos foram feitos todos em moeda corrente (dinheiro). Os produtos especificados nas Notas Fiscais em tela são também cartuchos e fitas para impressoras. Intimada a fornecedora, a correspondência foi devolvida pelos Correios por "ser desconhecido" o seu destinatário. Consultando os sistemas da Receita Federal, verificou a autoridade fiscal a existência do processo n° 15954.000094/200619, De INAPTIDÃO do CNPJ da fornecedora em questão, e analisando tal processo a autoridade fiscal constatou que a referida pessoa jurídica foi declarada INAPTA POR INEXISTÊNCIA DE FATO pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, Desde 01/12/2004, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 004, de 13 de fevereiro de 2007, publicado no DOU, seção I, de 15/02/2007, e portanto Fl. 773DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 todos os documentos emitidos pela citada pessoa jurídica, a partir de 01/12/2004, foram considerados inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros. Assim, não poderiam ter sido utilizados para deduzir a base de cálculo do IRPF ou justificar qualquer dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme Instrução Normativa RFB n°568/2005, art. 48, e Instrução Normativa RFB n°748/2007, art.48, vigentes à época dos fatos. Outrossim, repete se que os tipos datilográficos das Notas Fiscais n° 72759 e 72760, da COMPUMICRO, numa análise visual, são idênticos a diversas notas apresentadas, de suposta emissão da empresa PROJETECH, conforme podese exemplificar pela análise das notas n° 1559, 1560 e 1561, e inclusive alguns itens que ficaram indevidamente em branco, tais como "Natureza da Operação" e "CFOP", também coincidem nas notas citadas. As mesmas coincidências são encontradas na nota fiscal de n° 5026 de SILVANIA DE JESUS ME, bem como também são iguais aos tipos datilográficos dos recibos de Uelton Carvalho Silva, Uelton Carlos S. Souza e Uelton Carlos de Suxa. Também deve se destacar que as notas fiscais estão em numeração seguidas, mas com datas de emissão com 28 dias de diferença, fato este que, em conjunto com os demais descritos, indiciam a inidoneidade de tais documentos fiscais. Por essas razões, mostra se igualmente indefensável a idoneidade dos documentos ou a dedutibilidade da despesa. Quanto às despesas com Paulo Henrique de Morais Franca – ME (Vassouras Francana – Ind. e Com. de Materiais para Limpeza, consultando os sistemas da Receita Federal, constatou a autoridade fiscal que a empresa em questão (PAULO HENRIQUE DE MORAIS FRANCA, CNPJ 00.865.267/000141), está BAIXADA desde o ano calendário de 2000, razão pela qual o documento apresentado não se presta a comprovar tal despesa, sendo considerado inidôneo. Por fim, quanto às despesas com Uelon Carvalho Silva, Uelton Carlos S. Souza e Uelton Carlos de Souxa, a contribuinte apresentou recibos contendo a mesma assinatura para emitentes diferentes (Uelon Carvalho Silva, Uelton Carlos S. Souza e Uelton Carlos de Souxa), cujos números de CPF's, ademais, eram todos inválidos. Sendo assim, os documentos apresentados não merecem fé qualquer, devendo a glosa ser mantida. Portanto, as afirmações da contribuinte que as despesas com Agis, COMPUMICRO, PAULO HENRIQUE DE MORAIS FRANCA – ME e UELON/UELTON estariam respaldadas por documentos hábeis, são completamente fantasiosas. Aduz a contribuinte, por fim, que as despesas com aquisição de mercadorias, bens e serviços teriam sido escrituradas nos livros caixas e registros diários, bem como, as notas fiscais, faturas, recibos e demais documentos seriam documentos hábeis e idôneos, escriturados como receitas e despesas da atividade da contribuinte, nos termos do Artigos 75 e 76 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° Fl. 774DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 14 25 3.000/99). Acrescenta que tais despesas seriam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Quanto à aquisição de bens de capital, em especial as despesas com Móveis Romera, Aldemar Andrade e Carlos de Souza Bernardes ME, restou consignado pela própria autoridade fiscal que tratam da aquisição de materiais permanentes ou bens de capital, razão pela qual a glosa merece ser mantida, tratandose de bens que não são consumíveis, ou seja, cuja vida útil ultrapassa o período de um exercício, conforme disposto no art. 75, do RIR/99 (Decreto n°3.000/99), e Parecer Normativo CST n ° 60, de 20 de junho de 1978. No que tange à aquisição de material de consumo, a contribuinte incluiu no Livro Caixa despesas com Supermercado Coroados Ltda e Supermercado Comprecenter Ltda ME, da cidade de Paraguaçu Paulista, que em 2007 e 2008 totalizaram em R$ 76.443,39. Analisando detalhadamente as notas fiscais apresentadas, tanto na descrição dos produtos adquiridos, como na absurda quantidade de cada item, a autoridade fiscal teve a impressão de que se tratava de uma atividade de comércio de produtos para limpeza, dado ao grande volume de produtos desta natureza adquiridos pela contribuinte. Realmente não é outra a impressão deste julgador. Com efeito, as compras efetuadas junto aos supermercados citados estão detalhadas em demonstrativo anexo ao Auto de Infração, onde estão discriminadas as notas fiscais, bem como os produtos e quantidades respectivas. Apenas a título de exemplo, foram: 290 vassouras, 3.376 rolos de papel higiênico, 920 sabonetes, 1.770 caixas de sabão em pó, 3.390 pedras de sabão, 1.479 flanelas e panos, 4.273 limpadores, 822 “limpa alumínio, 1.170 esponjas e palhas de aço, 2.421 detergentes, 1.631 desinfetantes, 580 ceras e 1.290 águas sanitárias. As quantidades dos produtos, dada a sua total desproporcionalidade em relação à atividade da cartorária, não se justifica, sendo totalmente abusiva e exagerada, e pela sua magnitude, considera se como não necessárias à percepção das receitas ou à manutenção da fonte produtora, conforme disciplinado no art.75, III, do RIR/99, e, portanto, a glosa deve ser integralmente mantida É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; Fl. 775DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Uma vez que não foram apresentados quaisquer outros documentos robustos para respaldas as alegações do recorrente, não há como acolher o pleito. Recordese que os documentos apresentados pelo recorrente, falham por não atender todos os requisitos indispensáveis para que sejam válidos. Nesse momento cabe recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: “Allegatio et non probattio, quasi non allegatio” que significa que “quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse”. Ou seja, não basta questionar graciosamente o lançamento do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. Da Multa Isolada A Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, instituindo a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. O Art. 44 passou a ter, então, a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 776DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 15 27 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Como se vê, diferentemente do que se tinha antes, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 passou a prever as duas penalidade: a primeira, de 75%, no caso de falta de pagamento ou pagamento a menor de imposto; a segunda, de 50%, pela falta de pagamento do carnêleão. Assim, a ressalva antes existente à aplicação simultânea das duas penalidades deixou de existir. Aliás, a questão nunca foi a impossibilidade jurídica de incidência concomitante de duas penalidades, mas a falta de previsão legal de incidência das duas multas, calculadas sobre a mesma base. Pois bem, a Lei nº 11.488, de 2007, criou esta previsão legal. Assim, em conclusão, entendo devida a multa isolada, para os anos calendário de 2007 e 2008, independentemente da aplicação da multa pela falta de recolhimento do imposto devido quando do ajuste anual. Da qualificação da multa A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Como motivações para manutenção da multa qualificada cabe destacar: Especificamente quanto à tipificação da fraude, há uma vastidão de condutas que justificam a qualificação da multa. Vejamos, resumidamente, os fatos dos quais são extraídas as condutas dolosas da contribuinte. O primeiro a ser apontado é a declaração da fornecedora AGIS EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, que refuta a nota apresentada pela contribuinte e afirma que a contribuinte não consta em seu cadastro de clientes e, “portanto, não foram emitidas Notas Fiscais de venda nos anos calendário de 2007 e 2008”. Isso sem falar no fato constatado pela autoridade fiscal de que notas fiscais de fornecedores diferentes comungam de idênticos tipos datilográficos. Tal conclusão é confirmada mesmo em perfunctória análise visual e, portanto, faz prova suficiente do dolo da contribuinte. Outrossim, não podemos deixar de consignar que a contribuinte apresentou notas emitidas por empresas que se encontravam em situação de “inaptidão por inexistência de fato”, “inativas” e “baixadas”, além de ter apresentado notas de empresas cujos valores das receitas declaradas à Receita Federal, em diversos meses, era bem menor que os valores das notas analisadas. Atente se ainda aos recibos contendo a mesma assinatura para emitentes diferentes (Uelon Carvalho Silva, Uelton Carlos S. Souza e Uelton Carlos de Souxa), cujos números de CPF's, ademais, eram todos inválidos. Por fim, o dolo da contribuinte é extraído absurda quantidade de produtos para limpeza que a contribuinte declarou ter adquirido com a única intenção de reduzir a base de cálculo do tributo devido. Apenas a título de exemplo, foram: 290 vassouras, 3.376 rolos de papel higiênico, 920 sabonetes, 1.770 caixas de sabão em pó, 3.390 pedras de sabão, 1.479 flanelas e panos, 4.273 limpadores, 822 “limpa alumínio, 1.170 esponjas e palhas de aço, 2.421 detergentes, 1.631 desinfetantes, 580 ceras e 1.290 águas sanitárias. ................. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.720651/201150 Acórdão n.º 2202002.354 S2C2T2 Fl. 16 29 Diante do exposto, voto por negar provimento a recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 779DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10980.913406/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3803-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10980.913406/2009-68
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5287373
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.269
nome_arquivo_s : Decisao_10980913406200968.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10980913406200968_5287373.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5042685
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176192790528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 338 1 337 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.913406/200968 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.269 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria PER/DCOMP IRPJ Recorrente GRECA DISTRIBUIDORA DE ASFALTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 34 06 /2 00 9- 68 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 12534.06762.280406.1.3.040033 (fls. 026030), relativa à compensação do débito de R$ 12.077,55 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) no mês de março/2006, com utilização do direito creditório de R$ 11.792,18 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 24/02/2006, da estimativa de IRPJ de janeiro/2006 (R$ 373.374,62). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 11/05/2006 (fl. 002), não homologou a compensação declarada em 28/04/2006 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 18/05/2009 (fl. 004), a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 009015, instruída com os documentos de fls. 016024, cujo teor é sintetizado a seguir:: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; d) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subsequentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 3803004.269 S3TE03 Fl. 339 3 quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; e) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; f) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 322/327, onde ataca a decisão de primeiro grau. Ato seguido, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de litígio referente ao indeferimento do pedido de compensação de crédito de IRPJ. Assim, a matéria deste contencioso é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso II do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); Ainda vale ainda citar o art. 7 º, § 1º da Portaria nº 256/2009: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária §1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Deste modo, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o voto. Sala das sessões, 26 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721920/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007
OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO. MÚTUO ANTERIOR AO ANO DE 1999. IOF. NÃO INCIDÊNCIA.
Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja instituição financeira não incide o IOF que seria devido nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998.
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Acompanharam o julgamento as advogadas Ariene Amaral, OAB/DF 20.928 e Bárbara Romani, OAB/DF 11.399-E.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 21/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO. MÚTUO ANTERIOR AO ANO DE 1999. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja instituição financeira não incide o IOF que seria devido nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998. Recurso de Ofício Improvido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13603.721920/2010-06
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5294633
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.943
nome_arquivo_s : Decisao_13603721920201006.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 13603721920201006_5294633.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Acompanharam o julgamento as advogadas Ariene Amaral, OAB/DF 20.928 e Bárbara Romani, OAB/DF 11.399-E. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. EDITADO EM: 21/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5085491
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176194887680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 255 1 254 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.721920/201006 Recurso nº 3.301 De Ofício Acórdão nº 3301001.943 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria IOF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EXELVIA HOLDING LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO. MÚTUO ANTERIOR AO ANO DE 1999. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja instituição financeira não incide o IOF que seria devido nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Acompanharam o julgamento as advogadas Ariene Amaral, OAB/DF 20.928 e Bárbara Romani, OAB/DF 11.399E. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 21/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 19 20 /2 01 0- 06 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório O presente litígio decorre do fato de a Lei nº 9.779, de 1999, que estendeu a incidência de IOF ao mútuo entre pessoas jurídicas em geral, haver sido publicada posteriormente à data de formalização do contrato em comento, ainda que o prazo para pagamento do valor mutuado tenha sido prorrogado já na vigência da Lei nº 9.779, de 1999. Tratase de questão atinente às normas de aplicação da legislação tributária no seu aspecto temporal. O Código Tributário Nacional dispõe a esse respeito no artigo 116. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável. Por sua vez, o art. 144 dispõe: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) Cuidase, por conseguinte, de examinar a hipótese de incidência da obrigação e confrontála com a situação aqui examinada, para fins de aferição cronológica do fato gerador, em relação ao momento de instituição da exigência. A decisão recorrida julgou improcedente a exigência, por considerar que o IOF somente seria devido, nos termos do art. 13, da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO. MÚTUO ANTERIOR AO ANO DE 1999. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja instituição financeira não incide o IOF que seria devido nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998. Impugnação Procedente Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13603.721920/201006 Acórdão n.º 3301001.943 S3C3T1 Fl. 256 3 Crédito Tributário Exonerado. Na sessão do dia 17/01/2012, a colenda 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, declinou da competência para a Terceira Seção de Julgamento, em conformidade com o Acórdão nº 130200.808, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 COMPETÊNCIA RECURSAL. O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso de ofício é tempestivo e encontrase revestido das demais condições de admissibilidade, inclusive quanto ao valor de alçada das DRJ, devendo o mesmo ser conhecido. A questão discutida no presente processo diz respeito à hipótese de incidência referida é o artigo 13, da Lei nº 9.779, de 1999, assim redigido. Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência de IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. (grifouse) Assim, constitui fato gerador do IOF na situação em tela, nos termos do inciso I do artigo 63 do CTN, "a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado" e, a teor do disposto no parágrafo primeiro transcrito, considerase ocorrido "na data da concessão do crédito". Como se pode depreender do exame dos dispositivos legais acima transcritos, os elementos essenciais para a existência do tributo em questão encontramse definidos na legislação, sendo que o fato ou evento descrito na legislação tributária como necessário à existência do tributo, no tocante às operações em causa, é a entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 interessado, e que o elemento temporal que constitui o fato gerador, determinando o instante em que surge a obrigação, é aquele em que é disponibilizado, ao mutuário, o valor contratado. Quando a legislação utiliza a expressão "colocar à disposição do interessado", deixa claro que os recursos pactuados sejam colocados ao alcance do interessado, podendo este utilizálos quando lhe for conveniente. O valor do crédito foi disponibilizado à mutuária quando não havia incidência do IOF, tendo sido objeto de contrato celebrado entre as partes. Ressaltese que a legislação não restringe a ocorrência do fato gerador do IOF à efetiva entrega do valor do crédito, prevendo também a sua incidência com a disponibilização deste à mutuária. Portanto, uma vez que o artigo 13 da Lei nº 9.779, de 1999, acima transcrito, somente alcança os fatos ocorridos a partir de primeiro de janeiro de 1999, e tendo o fato acima descrito ocorrido anteriormente a essa data, não houve o surgimento da obrigação tributária. Vejase, por oportuno, o que dispõe o § 5º do art. 7º do Decreto nº 2.219, de 1997: (...) § 5° Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. (grifei) Assim, ainda que se adote entendimento de que houve prorrogação ou renovação da operação de crédito, em não havendo tributação anterior a ser complementada nem alíquota em vigor na data da operação inicial, não há falarse na exigência por ocasião da prorrogação ou renovação. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.906422/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO.
A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados.
Numero da decisão: 3403-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13884.906422/2009-81
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301835
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.457
nome_arquivo_s : Decisao_13884906422200981.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13884906422200981_5301835.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5130771
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176196984832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 190 1 189 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.906422/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.457 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria DCOMPELETRÔNICO Recorrente PARKER HANNIFIN IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo “ab initio”. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 64 22 /2 00 9- 81 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre DCOMP (fls. 75 a 781) transmitida em 14/07/2005, solicitando a compensação de débito de Contribuição para o PIS/Pasep (referente a jun/2005, no valor de R$ 721,43) com crédito da mesma contribuição, derivado de “pagamento indevido ou a maior” em 15/04/2005, no valor de R$ 721,43 (DARF em valor total de R$ 307.479,58). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 8 (emitido em 09/06/2009, acusase que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) a DCTF transmitida continha valor equivocado do débito (R$ 307.479,58 ao invés de R$ 301.047,15), originando um saldo a compensar de R$ 6.432,43; e (b) na DACON o valor estava correto, tendo a DCTF sido retificada em junho de 2009 (fl. 7), antes mesmo da notificação do despacho decisório. Em 21/06/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 86 a 90), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório, concluindose que “a DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF”, e que “a declaração em DACON não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data de apresentação da DCOMP”. Cientificada da decisão de piso em 12/07/2012 (AR à fl. 94), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 98 a 110), em 10/08/2012 (cf. atestado à fl. 186), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, e propugna: (a) pela nulidade da decisão de primeira instância, por inobservância ao princípio da verdade material, afrontando o contraditório e a ampla defesa; (b) pela improcedência do único argumento utilizado na decisão, visto que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, conforme atesta a Instrução Normativa no RFB 903/2008 (art. 11, § 1o), vigente à época da retificação efetuada.; e (c) que a mesma Instrução Normativa (art. 11, § 2o, III) somente exclui os efeitos de retificação efetuada após a intimação de início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente processo. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13884.906422/200981 Acórdão n.º 3403002.457 S3C4T3 Fl. 191 3 Resta inequívoco, no presente processo, logo de início, que a DCTF retificadora foi transmitida antes da ciência (em verdade, antes até da própria emissão) do despacho decisório eletrônico denegatório da compensação. E quando foi registrada a DCTF retificadora, vigente estava a Instrução Normativa no RFB 903/2008, que contém os comandos a seguir transcritos: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...)” (grifos nossos) Apesar de a Instrução Normativa (IN) no RFB 903/2008 já ter sido revogada pela IN RFB no 974/2009, por sua vez revogada pela IN no RFB 1.110/2013 (atualmente vigente), os comandos referentes à retificação de DCTF aqui reproduzidos não sofreram modificações. Aliás, eles remontam à IN SRF no 255/2002, tendo sido reproduzidos em todas as IN subseqüentes que tratam da matéria (IN SRF no 482/2004; IN SRF no 583/2005; IN SRF no 695/2006; IN RFB no 786/2007, ...). Não se vê, assim, motivo para que se tenha atribuído efeito diverso à DCTF retificadora na decisão de primeira instância. Em relação ao despacho decisório eletrônico, a desconsideração da DCTF retificadora é até compreensível procedimentalmente (embora inadmissível juridicamente), pois o sistema informatizado, em suas operações automatizadas, tomou em conta um dado desatualizado (provavelmente por retardo na captura de dados ou na emissão do próprio despacho). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, o julgador de primeira instância tem um papel especial, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado na DCTF original com o pago, ignorando a existência de retificação efetuada tempestivamente, dentro das regras estabelecidas pelo próprio Fisco. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação, seja pela autoridade lançadora, seja pelo julgador a quo. Aliás, nesse sentido tem decidido esta turma unanimemente2, inclusive em outros casos do mesmo sujeito passivo. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, possibilitando à autoridade fiscal competente reexaminar o pleito objeto do presente processo, considerandose a DCTF vigente no momento da prolação do (eventual) novo despacho decisório. Rosaldo Trevisan 2 Acórdãos n. 3403002.223 a 229, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 04/06/2013. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
