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Numero do processo: 10380.016068/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO.
AUTUAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. RELEVAÇÃO. POSSIBILIDADE. REQUISITOS PRESENTES. RECONHECIMENTO. MANUTENÇÃO DA ATUAÇÃO PARA FINS DE REINCIDÊNCIA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-001.314
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), reconhecendo a relevação da multa, mas mantendo a infração para fins de reincidência.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO. AUTUAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. RELEVAÇÃO. POSSIBILIDADE. REQUISITOS PRESENTES. RECONHECIMENTO. MANUTENÇÃO DA ATUAÇÃO PARA FINS DE REINCIDÊNCIA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), reconhecendo a relevação da multa, mas mantendo a infração para fins de reincidência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016068/200711 Acórdão n.º 280301.314 S2TE03 Fl. 227 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.124.8892, CFL.38, deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2º e 3º da referida lei, combinado com os artigo 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048, de 06.05.99, com período de apuração do crédito de 01/1998 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 07, o auto de infração, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/12/2007, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, não consta carimbo de recepção na peça impugnativa, de fls. 26, a defesa está acostada, as fls. 26 a 28, acompanhada dos documentos, de fls. 29 a 201. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 203. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE, por intermédio do órgão julgador de primeiro grau, emitiu o Acórdão 1123.876 6ª Turma da DRJ/REC, em 23/09/2008, fls. 206 a 210. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 08/06/2009, AR, fls. 213. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 217, recebido, em 25/06/2009, com razões recursais, as fls. 218 a 221, acompanhado do documento, de fls. 222, as razões recursais estão assim resumidas. • Que a autuada em sua impugnação apresentou toda a documentação tida com faltante, corrigindo a infração; • Que nos termos da legislação de regência artigo 291, § 1º do Decreto 3.048/99 só revogado em 12/01/2009 a empresa preenchia os requisitos para obter a relevação da multa, o que foi pedido, mas não concedido; • Que tendo o contribuinte apresentado todos os documentos exigidos o auto de infração é nulo; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016068/200711 Acórdão n.º 280301.314 S2TE03 Fl. 228 3 • Pede ao final: a) provimento ao recurso; b) reformandose a decisão a quo;c) com o reconhecimento da nulidade da notificação, arquivando se esta por insubsistente. O órgão preparador reconheceu que o Recurso Voluntário é tempestivo, fls. 223 e 225. Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 225. É o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016068/200711 Acórdão n.º 280301.314 S2TE03 Fl. 229 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso foi interposto tempestivamente, em 25/06/2009, conforme, fls. 217, vestibular recursal, com carimbo de recepção e AR, de fls. 213, uma vez que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau, em 08/06/2009. A autoridade preparadora, também, reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 223 e 225. No que tange a alegação de correção da infração a própria autoridade julgadora a quo reconhece tal circunstância ao dizer: Portanto, embora constatado nos autos que todos os documentos norteadores da lavratura foram apresentados, ou seja, os livros Caixa do período (cópias) e as NF mencionadas no Relatório do AI, por ocasião da defesa, não caberia a correção da falta, pois que o dano é irreparável através desta conduta. (grifo meu). A alegação da recorrente de que preenche todos os requisitos para a concessão da relevação encontra guarida na legislação. O parágrafo primeiro, do artigo 291 do Decreto 3.048/99 antes de sua revogação pelo Decreto 6.727, de 12/01/2009 exigia que a empresa autuada preenchesse quatro requisitos simultaneamente para fazer jus a relevação. Tais requisitos eram os seguintes: a) correção da falta dentro do prazo de defesa; b) primariedade ou não reincidência; c) pedido de relevação e d) não haver circunstâncias agravantes. Observase que no presente caso os quatro requisitos estão presentes. • como dito acima a autoridade julgadora a quo reconheceu a correção da falta; • a impugnação foi considerada tempestiva, fls. 203; • consta na impugnação e no recurso o pedido de relevação; • não há nos autos informação quanto a ocorrência de reincidência ou ausência de primariedade; • o Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 16, reconhece a inexistência de agravantes. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016068/200711 Acórdão n.º 280301.314 S2TE03 Fl. 230 5 Verificase da leitura da decisão a quo que a autoridade julgadora enfrentou o tema da relevação, mas afastou a sua aplicação com os argumentos a seguir transcritos. Temse, assim, uma infração em que o dano se concretiza imediatamente com o encerramento da fiscalização, admitindose, apenas, como correção da falta, se, antes do encerramento da ação fiscal, fossem os documentos apresentados, possibilitando que fosse verificada a regularidade da empresa para com as obrigações previdenciárias. Portanto, embora constatado nos autos que todos os documentos norteadores da lavratura foram apresentados, ou seja, os livros Caixa do período (cópias) e as NF mencionadas no Relatório do Al, por ocasião da defesa, não caberia a correção da falta, pois que o dano é irreparável através desta conduta. Conclusão Em conclusão, a simples apresentação de copias dos livros Caixa e das NF não corrige as faltas apontadas pela Autoridade Fiscal, permanecendo configurada a conduta infracional objeto do presente lançamento.(grifos no original). Todavia não compartilho desta opinião, o que a seguir esclareço. A uma, porque o artigo 291, caput, e seu parágrafo primeiro, quando fala em correção da falta, não fala que esta deve ser proveitosa ao fisco. A duas, porque o parágrafo segundo deste dispositivo assim preconizava: § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. Isto é, fica evidente pela redação do dispositivo que a legislação apenas veda a correção da falta no caso de infração relativa à entrega de Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT ou na falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo da contribuição, ou seja, no inadimplemento total ou parcial da obrigação previdenciária. Nenhuma das duas situações supramencionadas e excetuadas no parágrafo segundo do artigo 291 do RPS ocorreram no presente caso, não se aplicando a exceção. Ainda, que reste dúvidas quanto a esta interpretação e a aplicação do dispositivo citado, o artigo 112, II da Lei 5.172/66 vergastaria as que porventura existissem, ao dizer: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016068/200711 Acórdão n.º 280301.314 S2TE03 Fl. 231 6 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (grifo meu). O dispositivo não deixa brechas, havendo dúvidas na aplicação da lei quanto à cominação de infração esta deve ser interpretada a favor do contribuinte. Não havendo proibição da aplicação da relevação ao caso dos autos não pode o julgador da sua interpretação extrair tal proibição, pois estaria julgado in malan partem sistema que a lei veda. A interpretação a contrário senso do artigo 291, § 2º do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 deixa claro inexistir tal vedação. Destarte, com esses argumentos entendo cabível e possível a relevação da multa, haja vista a presença de todos os requisitos exigidos na legislação, antes de sua revogação. Porém, inexiste a nulidade suscitada pelo contribuinte, restando hígida a autuação para a exclusão da primariedade ou consideração de reincidência genérica ou específica. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento, pelas razões e fundamentos expostos, reconhecendo a relevação da multa, mas mantendo a infração para fins de reincidência. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 36296.000233/2003-32
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração . 01/09/1989 a 30/09/1995
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO.
1. Nos termos do art. 89 §§ 1° e 2° da Lei n° 8212/91
e artigo 247 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, somente poderá ser restituída a contribuição para a Seguridade Social, arrecadada pelo INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido.
2. Sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade do artigo 3°, inciso I, da Lei n. 7789/89 e artigo 22, inciso I, da Lei n. 8212/91 e dando direito a compensação dos valores
indevidamente recolhidos.
3. Contribuinte não incluído na decisão judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.540
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DANIEL AYRES KALUME REIS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração . 01/09/1989 a 30/09/1995 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. 1. Nos termos do art. 89 §§ 1° e 2° da Lei n° 8212/91 e artigo 247 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, somente poderá ser restituída a contribuição para a Seguridade Social, arrecadada pelo INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. 2. Sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade do artigo 3°, inciso I, da Lei n. 7789/89 e artigo 22, inciso I, da Lei n. 8212/91 e dando direito a compensação dos valores indevidamente recolhidos. 3. Contribuinte não incluído na decisão judicial. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:59:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:59:03Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:59:03Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:59:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:59:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:59:03Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:59:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:59:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:59:03Z; created: 2009-08-06T20:59:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-06T20:59:03Z; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:59:03Z | Conteúdo => ME - SEGUNDO CONSELHO DE CON I r; F31;011"c CONFERE COM O OFIIGINAL CO2/C06 6 o 6 03 WIs. 85 Uma iagaveaa Mat.. Siam 877862 , , MINISTÉRIO DA FA jT SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 36296.000233/2003-32 Recurso n° 141.393 Voluntário Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Acórdão n° 206-00.540 oreuntooio695:0 :à or‘n RO" Sessão de 11 de março de 2008 Recorrente AUTO PEÇAS PEDROSO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA DE UBERLÂNDIA/MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração . 01/09/1989 a 30/09/1995 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. 1.Nos termos do art. 89 §§ 1° e 2° da Lei n°8212/91 e artigo 247 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, somente poderá ser restituída a contribuição para a Seguridade Social, arrecadada pelo INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. 2. Sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade do artigo 3°, inciso I, da Lei n. 7789/89 e artigo 22, inciso I, da Lei n. 8212/91 e dando direito a compensação dos valores indevidamente recolhidos. 3. Contribuinte não incluído na decisão judicial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. NW - SEGUNDO CONSELHO DE CON ' arn.avrçct Processo n.° 36296.000233/2003-32 CONFERE COM O OFR:GIN.!. CCO2/006 Acórdão n.° 206-00.540 Brasilie, i 6 I 0 6 / 0 fi Fls. 86 &Uns to. 01No:ra S.W.. &opa 877882 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente DANIEL AYRES ICALUME REIS Relator Participaram, anda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira„ Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 36296.000233/2003-32‘.12CO2/C06 Acórdão n.° 206-00.540 8 ODOERCIGOINZIBUINT %. 7 eYg MF • SEGUNDO CONSELHO O Brasília. o e bis Sirva Olvem Relatório Mat.. sais 877852 Trata-se de requerimento de restituição de valores de contribuições sociais, formulado pelo contribuinte Auto Peças Pedroso Ltda., com fundamento em sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade do artigo 3°, inciso I, da Lei n° 7789/89 e artigo 22, inciso I, da Lei n. 8212/91 e dando direito a compensação dos créditos. O pedido de restituição foi negado inicialmente, nos seguintes termos (fl. 44): 3 — A empresa acima identificada, faz pedido de restituição de contribuições, para o período 08/89 a 09/95, alegando que não pode compensar seus créditos por estar com suas atividades paralisadas gr. I). 4 — De acordo com IN 67/2002, de 10/05/2002, em seu art.19, incisos I, II, III e IV, o direito a pleitear a restituição e reembolso e de realizar a compensação de contribuições e de outras importâncias, extingue-se em 5 (cinco) anos." Em 28.10.2003, o contribuinte formulou "pedido de reconsideração" com documentos, que foi igualmente rejeitado, sob os seguintes flutdamentos: "1. Trata-se de requerimento de restituição de contribuições recolhidas à Previdência Social, incidentes sobre retiradas a título de pró-labore, conforme Lei número 7787/89, declarada inconstitucional pelo STF nos termos da Resolução do Senado Federal de número 14/95, e Ação Judicial impetrada pela Associação Comercial e Industrial de Frutal — ACIF — MAS número 1999.38.02.000134-4, ajuizada em 12/01/1999. 2. Mediante análise de documentos constantes do processo, podemos constatar que: 2.1. Os Recibos de folhas 58 e 59 não comprovam que a requerente era associada da ACIF em 12/01/1999, data do ajuizamento da Ação Judicial. 2.2. As empresas optantes pelo regime de tributação do SIMPLES, instituído pela Lei Federal 9.317/96, situação em que se enquadra a requerente, foram excluídas da Sentença de folhas 50 a 55. 2.3. A decisão judicial reconheceu apenas o direito de as empresas efetuarem a COMPENSAÇÃO, mas não determinou a RESTITUIÇÃO dos valores indevidamente recolhidos. 3. Considerando o acima exposto, opinamos pelo INDEFERIMENTO do pedido." 04 MF - SEGUNDO CON.SCUID DE CONTRiEU:t •"r ̂ Processo n.° 36296.000233/2003-32 CONFELE CÁ O CR ali .: CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.540 o 6 os Fls. 88Bresflia. -1 , Mit.:$ai. 877815,2 Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reafirmando todas as suas alegações e juntando Declaração da Associação Comercial e Industrial de Frutal, atestando que a empresa Auto Peças Pedroso Ltda., foi associada da entidade no período de 01/06/1989 a 01/10/1995. Às fls. 82/83, consta despacho da SRP encaminhando os autos para julgamento por este Conselho. É o Relatório. gif , I * • • Processo n.° 36296.000233/2003-32 ME • MC3UNDO CONSELlin oE cioNTR IBUNTE CCO2/036 Acórdão 11.° 206-00.540 CONFERE C.OM ..::5:6;t:/.1. Fls. 89 Braslbe. 1-6 , o& , Of di Obnura thst. Sane errt€2 VOO Conselheiro DANIEL AYRES ICALUME REIS, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame da questão. A restituição de contribuições pagas ou recolhidas indevidamente está prevista no art. 89 e parágrafos, da Lei n. 8212/91. Para melhor esclarecer a questão, transcrevem-se o caput e o § 2°: "Art. 89— Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. §2°- Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c", do parágrafo único do artigo 11 desta lei." Como se verifica da leitura do dispositivo legal acima transcrito, a condição para que seja efetuada a restituição é a configuração do pagamento ou recolhimento indevido. No presente caso concreto, o contribuinte alega que teria direito reconhecido por sentença judicial, para compensar os valores indevidamente recolhidos por força da Lei n° 7789/89. Entretanto, pela análise dos autos, verifica-se que o contribuinte não era filiado a Associação Comercial e Industrial de Frutal à época do ajuizamento da ação judicial. Ainda que superado tal óbice constata-se que a sentença judicial excluiu expressamente da sentença judicial, as empresas optantes pelo regime de tributação SIMPLES, que é o caso da ora Recorrente. Diante disso, não merece prosperar a irresignação do contribuinte. Por tais razões, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de março de 2008 DANIEL AYRES ICALUME REIS Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1 _0036800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10384.000759/2008-44
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/06/2007
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUIÇÃO DECORRENTE DA FOLHA DE PAGAMENTO PARTE PATRONAL E DESCONTADA. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO EM GFIP.
MPF. INVALIDADE. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO NULO. AGENTE FISCAL SEM AUTORIZAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL VICIADO. INOCORRÊNCIA. PLANO DE SAÚDE E ODONTOLÓGICOS. VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA.
INOCORRÊNCIA. EXAÇÃO SOBRE SALÁRIO. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.315
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 01/06/2007 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUIÇÃO DECORRENTE DA FOLHA DE PAGAMENTO PARTE PATRONAL E DESCONTADA. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. MPF. INVALIDADE. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO NULO. AGENTE FISCAL SEM AUTORIZAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL VICIADO. INOCORRÊNCIA. PLANO DE SAÚDE E ODONTOLÓGICOS. VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. INOCORRÊNCIA. EXAÇÃO SOBRE SALÁRIO. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 215 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 216 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 37.150.8037, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores segurados obrigatórios – empregados, relativamente a patronal e a parte descontada do trabalhador parte pessoal destinada à Previdência Social, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 87 a 91, com período de apuração de 01/1999 a 11/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 128. A NFLD é composta de um levantamento DRA – DESCONTOS RELATÓRIO ANEXO, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DAD, de fls. 04 a 26. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 09/02/2008, AR, de fls. 145. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 07/03/2008, as fls. 147, conforme capa de processo, estando a peça impugnatória, acostadas, as fls. 148 a 160, sendo acompanhada dos documentos, de fls. 161 a 164. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 167 e168. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1123.932 7ª Turma da DRJ/REC, em 29/09/2008, fls. 169 a 175. No qual o lançamento foi considerado procedente em parte, pois foi excluído o período de 01/1999 a 02/2003 em razão da decadência. O crédito foi retificado, conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 176 a 194. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/02/2009, AR, de fls. 196. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, as fls. 197 a 211, sem data de recepção, desacompanhado de qualquer documento, onde alega em síntese. • Que o lançamento é nulo, uma vez que a Portaria 11.371/2007 em seu artigo 15, parágrafo único exige que o AFRFB seja substituído quando o MPF tem sua validade vencida, sendo que no presente caso tal vencimento se deu em 30/12/2007 – MPF 09411904F00, segundo complemento; • Que na emissão do novo MPF 03.3.01.002008000058 não se respeitou o artigo 20, II da portaria, não cabendo mais a Senhora Heleniza da Silva Caetano promover o lançamento por ausência de autorização para tal; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 217 4 • Que o artigo 28, § 9º, alínea “q”, assevera que assistência médica ou odontológica própria ou conveniada com cobertura a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não é hipótese de incidência da contribuição previdenciária, sendo que a interpretação mais adequada é a de que o serviços sejam ofertados a todos, mas não utilizados por todos; • Que não há vedação de que a empresa ofereça tais planos à pessoas que não sejam seus trabalhadores e que por questões sociais a empresa manteve empregados temporariamente fora da folha de pagamento, bem como os que não foram vistos em nenhuma folha, ainda, que sem vínculo empregatício nos planos de saúde e odontológicos, sendo isto mera liberalidade; • Que não sendo vedado que a empresa inclua em seu plano de saúde e odontológico pessoas que não seus empregados, não há que se falar em ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária, pois tais valores não são remuneração decorrente do trabalho, não justificando a exação o fato de haver exempregados ou não empregados no plano; • Que a alegação de existência de empregados não registrados e fora da folha, não se sustentam, pois teve a fiscalização acesso a todas as dependências da empresa e aos livros de inspeção do trabalho, não havendo registros de tais eventos e nada foi identificado em nossa contabilidade, sendo atribuído vinculo empregatício aos beneficiários do plano de saúde por mera presunção, não havendo no relatório fiscal a discriminação dos requisitos de emprego do artigo 3º da CLT em relação aos beneficiários do plano de saúde; • Que só pode haver o arbitramento do artigo 33, § 3º da lei 8.212/91 no caso de recusa ou apresentação de documentos deficientes, o que não ocorreu no caso, pois todos os documentos solicitados e todas as dependências foram franqueadas ao fisco, não passando o lançamento de mera presunção, pois não atende ao princípio da verdade material e ao artigo 142 do CTN, uma vez que parte o fisco de mera presunção e não de prova de existência do fato gerador; • Finalizando pede: a) revisão e cancelamento do acórdão a quo, b) julgando improcedente o Auto de Infração. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, fls. 212. Os autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 213. É o Relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 218 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, as fls. 212, uma vez que não há registro da data de recepção do Recurso. Superado o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. A suposta nulidade decorrente da continuidade da fiscalização pelo mesmo agente fiscal devido à substituição do MPF aparentemente vencido pelo decurso do prazo, em 29/12/2007, não existiu como a seguir se demonstrará. A uma, porque apenas o que se fez foi dar efetividade às novas determinações da Portaria 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a qual no seu artigo 20, inciso II, parágrafos 1º e 2º determinaram o encerramento dos procedimentos fiscais previdenciários, em curso e com ciência já efetivada aos contribuintes, desde que estes não fossem concluídos até 31/12/2007. A duas, porque nesta trilha o citado parágrafo 1º permitiu a emissão de novos MPF’s para a continuidade dos anteriormente emitidos, estando convalidados os atos praticados sob a égide dos anteriores. A três, porque o parágrafo 2º determinou que o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificasse o contribuinte desta continuidade, mas sem determinar a mudança de agente. A quatro, porque a não finalização do procedimento se deu em razão da própria alteração normativa que entrou em vigor na data de sua publicação, valendo até 31/12/2007 as previsões da Portaria 4.066/2007. A cinco, por que a previsão do artigo 15, parágrafo único visa substituir agente que se mostrou inerte no procedimento de inicialização da ação fiscal, o que não é caso dos autos, pois a ação estava em curso e foi interrompida pela nova prescrição normativa, havendo certo lapso temporal para que os sistemas de emissão e controle do MPF fossem ajustados. A seis, porque a agente fiscal iniciante do procedimento quando da alteração normativa passou a ser coadjuvante do procedimento, sendo este supervisionado pela AFRFB Maria das Dores Almeida de Sousa como indica MPF, de fls. 164, juntado pelo contribuinte em sua impugnação. A sete, porque o MPF e mero elemento de controle administrativo do procedimento fiscal não influenciando no resultado deste e menos ainda na caracterização do fato gerador da exação e no não recolhimento regular e tempestivo do tributo devido, assim pensa este órgão julgador, conforme a seguir transcrito, o que, também, é o pensamento do judiciário federal nos termos do artigo 142 da Lei 5.172/66. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 219 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 2002 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA AS HIPÓTESES DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÃO AS ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235, DE 1972, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM NULIDADE POR OUTRAS RAZÕES.PRELIMINAR MANDADO DE. PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. AS NORMAS QUE REGULAMENTAM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DIZEM RESPEITO AO CONTROLE INTERNO DAS ATIVIDADES DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, PORTANTO EVENTUAIS VÍCIOS NA SUA EMISSÃO E EXECUÇÃO NÃO AFETAM A VALIDADE DO LANÇAMENTO, ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. SOMENTE PODE SER CONSIDERADA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, SEM APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE RENDIMENTO POR PRODUTO, A ÁREA DO IMÓVEL RURAL EXPLORADA COM PRODUTOS VEGETAIS EXTRATIVOS, MEDIANTE PLANO DE MANEJO SUSTENTADO APROVADO PELO IBAMA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR AO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ITR, E CUJO CRONOGRAMA ESTEJA SENDO CUMPRIDO PELO CONTRIBUINTE.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF Nº 2). RECURSO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO, AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. Conselho Administrativo Recursos Fiscais; Seção. Julgamento.2; Câmara.2; Turma.Ordinária.2: Proc: 10980.003886/200612 Acórdão:20100512; 220200509. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 220 7 TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) (meus grifos) O artigo 28, § 9º alínea “q” da Lei 8.212/91 é taxativo no sentido de que a cobertura deve ser uniforme aos funcionários e dirigentes e não a oferta, o que são institutos absolutamente distintos. Não entanto, no presente caso não se esta cobrando contribuição previdenciária sobre plano de saúde ou odontológico, mas apenas utilizouse este plano para identificar os trabalhadores não declarados em folha de pagamento e GFIP para exigir a contribuição em decorrência dos salários destes que pode indiretamente incluir tais valores já que a base de cálculo foi estabelecida por aferição indireta. Assiste razão a empresa ao dizer que a lei não veda que esta inclua em seu plano de saúde terceiros que não sejam seus empregados, apesar de que isso não é prática comum e regular no mercado. Entretanto, cabe a empresa provar que as pessoas incluídas no plano não são seus empregados, uma vez que a fiscalização verificou que vários trabalhadores que tiveram seus contratos de trabalho supostamente rescindidos continuam a figurar na relação de beneficiários destes planos e que há divergências entre os valores dos descontos do resumo da folha de pagamento e dos recibos fornecidos pela empresa de plano de saúde. Além do que, a fiscalização provou que a empresa demite os empregados e mantém estes exercendo as funções normais e não os incluem nas folhas de pagamento como são os casos a seguir citados. Em junho/2000 constava da relação dos usuários do plano odontológico o nome de Adriana Medeiros Linhares PIS 1215.370.0770 (coordenadora), e no entanto na folha de pagamento não constava, porque segundo a empresa Ela havia sido demitida em 16/01/2000. Esta empregada possui vínculos empregatícios nos seguintes períodos na empresa fiscalizada: De 01/08/1983 a 28/02/1987; De 01/03/1991 a 16/06/1997; De 01/08/1997 a 16/01/2000; De 01/09/2000 a 13/04/2005, e De 02/01/2006 a Outra pessoa inclusa na mesma relação e que também esta fora da folha de pagamento era a Nad Meneses Sousa, PIS 1003.222.7857, com vínculos empregatícios com a notificada em; De 01/03/1976 a ... (não consta demissão); De 02/01/1985 a 16/06/1997; De 01/08/1997 a 23/10/1998, e De 01/07/2003 a .... Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 221 8 Na relação de dos empregados contribuintes para o plano odontológico no mês de junho/2000, consta os nomes de Adriana Medeiros Linhares com R$ 28,00 (vinte e oito reais) e Nad Meneses Sousa com R$ 42,00 (quarenta e dois reais). Essa última havia sido demitida desde 23/10/1998. Os vínculos empregatícios... ...na empresa fiscalizada, segundo informações do sistema CNIS,... Shirlei: De 01/03/1994 a 26/03/1998; De 02/05/1998 a 08/02/2002, De 01/08/2002 a 12/09/2005. Shirlei é professora de redação e ao examinarmos os diários de classe da referida disciplina em 2002 (8a série " A" , "B" e " C ", constatamos que a rubrica do professor(a)que assinou as aulas nos meses de março a junho/2002 é a mesmo do professor no segundo semestre, e na capa cita o nome da professora Shirlei Marly. Cumpre salientar que nos Livros de Registro de Empregados não há outra empregado com esse nome. Os nomes dos empregados que aderiram a um desses dois plano de saúde e fora da folha de pagamento estão relacionados no Relatório de Lançamentos, anexo desta NFLD. (grifos meus nos períodos) Deixou sedimentado de forma cristalina a fiscalização que a empresa mantém relações empregatícias “às escondidas”, o que justifica o lançamento. O fato de que no livro de inspeção do trabalho não existir a anotação de eventos em relação à manutenção de empregados sem registro, bem como que em sua contabilidade nada foi identificado, não implica necessariamente que tal situação não ocorre, mormente quando o agente fiscal que empreendeu o procedimento fiscalizatório identifica, relaciona e comprova tais ocorrências, como supramencionado. A demonstração dos requisitos da relação empregatícia é irrelevante e despicienda, uma vez que os segurados relatados já eram trabalhadores na condição de empregados e que continuaram a exercer as mesmas funções e atividades, mesmo, que supostamente, sem o vínculo com a empresa e sem a proteção legal. O fato gerador da exação é a remuneração creditada, paga ou devida em decorrência do exercício da atividade pelo trabalhador, nos termos do artigo 195, I, “a” e II da CRFB/88. A utilização da aferição indireta e da técnica do arbitramento para estipulação da base de cálculo está justificada pelo não fornecimento da documentação exigida como registrado pelo agente notificante, como a seguir explicitado. Esclarecemos que quase todas as relações dos usuários para faturamento não estavam entre os documentos fiscais Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.000759/200844 Acórdão n.º 280301.315 S2TE03 Fl. 222 9 apresentados à fiscalização, com exceção, das relações dos meses de junho /2000 e junho/2002 da B&BPSO. No restante dos meses, essa relação dos empregados que contribuíam para o plano odontológica não se encontrava entre a documentação exibida. Como asseverou a recorrente o não fornecimento da documentação solicitada é justificativa para a aferição, como fez o fisco devido à ausência de elementos, tal situação foi amplamente justificada pelo agente lançador. 3.1. 0 lançamento do débito apurado, correspondente aos meses de janeiro/1999 a junho/2007, e foi arbitrado com base no art. 33 da Lei 8.212/91, § 3º e 5º e art. 596, 597, inciso I II e • art. 599 da Instrução Normativa SRP no 03, DE 14 de julho de 2005. Para os empregados temporariamente fora da folha de pagamento, foi atribuído o Ultimo salário visto nas folhas de pagamento. Para os que não foram vistos em nenhuma folha de pagamento foi considerada uma remuneração equivalente a um salário mínimo com base no art. 70 , inciso VII da Constituição Federal, de 5/10/1988. Assim com esses esclarecimentos não há razão para atender aos pleitos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista a falta de lastro fático e jurídico das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.901202/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2010
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO - RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 143.
Na ausência do Comprovante de Retenção emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora, o contribuinte pode apresentar outros elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito que corroborem a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Tais documentos retornarão à unidade de origem para a devida verificação visando a homologação ou não do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1201-005.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Viviani Aparecida Bacchmi - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: VIVIANI APARECIDA BACCHMI
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SALDO NEGATIVO - RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 143. Na ausência do Comprovante de Retenção emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora, o contribuinte pode apresentar outros elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito que corroborem a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Tais documentos retornarão à unidade de origem para a devida verificação visando a homologação ou não do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviani Aparecida Bacchmi - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 12 02 /2 01 5- 37 Fl. 1136DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.811 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901202/2015-37 A empresa apresentou pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2010, no valor de 105.280,06. Foram confirmadas, pela RFB, retenções de apenas R$ 73.634,84, ante R$ 106.533,39 que a RHBrasil alega ter sofrido. Ao apresentar manifestação de inconformidade (fls. 02) a empresa alega ter sofrido retenções de IR, devidamente destacadas e descontadas das faturas, além de contabilizadas. Para provar, juntou as notas fiscais. Já a DRJ (e-fls. 140), após digressão sobre a legislação que trata do informe de rendimento como documento probatório das retenções fiscais, reconhece que o CARF pacificou a discussão sobre o tema na Súmula nº 143: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Desta forma, é certo que a ausência de comprovante de rendimentos não impede o aproveitamento da retenção na composição do saldo negativo, desde que o contribuinte consiga comprovar as retenções por outros meios. “No presente caso, o sujeito passivo trouxe aos autos demonstrativo relacionando as notas fiscais com as respectivas retenções. Entendo que apenas este demonstrativo não é suficiente para comprovar as supostas retenções sofridas. Ao meu ver, caberia ao interessado apresentar também as notas fiscais e extratos bancários comprovando os pagamentos destas notas fiscais, o que possibilitaria a averiguação dos valores líquidos já deduzidas as retenções; bem como a contabilidade com a devida escrituração destas operações. Ademais, deveria demonstrar através de documentos contábil-fiscais que os valores das notas fiscais compuseram as receitas oferecidas à tributação, consoante determina o art. 2º, § 4, III da Lei nº 9.430/1996.” Nega o direito à empresa, então. No Recurso Voluntário (e-fls. 155), a Recorrente entende que a autoridade fiscal deveria ter trazido as razões do deferimento exclusivamente parcial, proporcionando ao contribuinte se defender e demonstrar a exigibilidade total dos valores objetos de pedido de restituição. Entende ainda que seria necessária a diligência, devendo a Receita Federal do Brasil apontar contabilmente as informações que indicam a existência apenas parcial do crédito deferido ao contribuinte. Defende ainda que a fonte pagadora deveria ser responsabilizada pelo não recolhimento do tributo. Por fim, anexa documentos: (i) planilha com relação das notas fiscais, onde se demonstra o montante de retenções comprovadas parcialmente ou não confirmadas. Na planilha ainda consta números de lançamentos contábeis das notas fiscais na contabilidade; números dos lançamentos contábeis dos recebimentos líquidos de tributos e contribuições; número da página dos relatórios de cobrança das faturas e número da página dos extratos bancários onde consta cobrança; (ii) relatórios de cobrança de faturas; (iii) extratos de conta corrente do Bradesco; (iv) cópia dos lançamentos no Diário da contabilidade - Escrituração Fl. 1137DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.811 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901202/2015-37 Contábil Digital; (v) cópia das notas fiscais relacionadas na planilha; (vi) informes de rendimentos de clientes para reforço. É o relatório. Voto Conselheiro Viviani Aparecida Bacchmi, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O caso é de compensação parcialmente homologada, em virtude de parte da IRPJ retida na fonte não ter sido comprovada devidamente. A Recorrente tenta comprovar essas retenções, num primeiro momento, juntando notas fiscais com a informação das retenções. Contudo, esse documento, isoladamente, não faz prova do seu crédito, por não demonstrar a certeza e a liquidez dele. A DRJ manifesta-se nesse sentido. Ciente da recusa em aceitar tal documento, em sede de recurso voluntário, a empresa apresenta outros documentos fiscais e contábeis, como extrato de conta, livro diário, para demonstrar que sofreu as retenções. A meu ver, em princípio, os documentos colacionados são hábeis a demonstrar a retenção na fonte que a Recorrente diz ser sofrido, mas é necessário que esses números sejam reavaliados à luz dos novos dados trazidos aos autos. Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Viviani Aparecida Bacchmi Fl. 1138DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.811 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901202/2015-37 Fl. 1139DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904797/2015-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado e tendo sido o procedimento fiscal chancelado pela diligência realizada e à qual a recorrente não se contrapôs, descabe o provimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-006.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações intentadas.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes e Paulo Mateus Ciccone (Presidente.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado e tendo sido o procedimento fiscal chancelado pela diligência realizada e à qual a recorrente não se contrapôs, descabe o provimento do recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações intentadas. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes e Paulo Mateus Ciccone (Presidente.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado e tendo sido o procedimento fiscal chancelado pela diligência realizada e à qual a recorrente não se contrapôs, descabe o provimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações intentadas. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes e Paulo Mateus Ciccone (Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 47 97 /2 01 5- 52 Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 Relatório Retorna o processo supra à apreciação do Colegiado depois de cumprida a diligência determinada pela Resolução nº 1402-000.984, desta Turma Ordinária, sessão de 10/03/2020 (fls. 80/86). Como já relatado na ocasião, está-se diante de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/CTA, sessão de 09 de janeiro de 2017 (fls. 57/62), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora (fls. 3), mantendo a decisão exarada pela DRF/BELO HORIZONTE/MG expressa no Despacho Decisório de 03/07/2015 – nº rastreamento 102743304 (fls. 47) e Anexos (fls. 48), não reconhecendo o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 35615.41789.240314.1.2.04-8465 (fls. 49/51). O DD tem a seguinte formatação com as razões do indeferimento: Cientificada e irresignada, a contribuinte acostou a MI (fls. 3) acima referida, alegando: a) que durante procedimento de auditoria interna foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e pagamentos a menor em outros; para regularizar sua situação fiscal Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, com retificação das DCTFs para declarar os valores apurados durante o procedimento de auditoria interna; b) em relação ao débito de CSLL do 4º trimestre/2011, apurado com base no lucro presumido, informa que retificou a DCTF de dezembro/2011 para ajustar o valor pago do débito de R$ 1.999,10 para R$ 1.039,37, restando o valor de R$ 959,73 como crédito de pagamento a maior; c) entende que referido PER/DCOMP está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e com a IN RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do presente despacho decisório. Submetida à apreciação da 1ª Turma da DRJ/CTA, foi prolatada decisão (fls. 57/62) negando provimento ao pedido e ratificando o DD: “6. A interessada apresenta reclamação contra o despacho decisório proferido, em 03/07/2015, pela DRF/Belo Horizonte, que não reconheceu o direito creditório pleiteado de R$ 959,73 de pagamento indevido ou a maior do débito de CSLL do 4º trimestre/2011. O crédito pleiteado deixou de ser reconhecido em face de o pagamento indicado pela reclamante estar integralmente alocado ao próprio débito de CSLL do período de apuração 31/12/2011, não restando crédito disponível para restituição. 7. Inicialmente cabe destacar que a contribuinte ofereceu o seu resultado à tributação pelo IRPJ e CSLL com base no lucro real anual, mas os resultados auferidos pelas dezenas de Sociedades em Conta de Participação (SCP) das quais era sócia ostensiva foram tributados com base no lucro presumido, conforme autorizado pela Instrução Normativa SRF nº 31, de 29 de março de 2001. Em relação ao ano-calendário de 2011, os débitos trimestrais de IRPJ e CSLL apurados pelas SCP’s foram consolidados nos meses de março, junho, setembro e dezembro das Fichas 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) e 16 (Cálculo da CSLL por Estimativa) da DIPJ 2012, tendo tais débitos sido confessados nas DCTF’s dos meses de março, junho, setembro e dezembro/2011. 8. No caso em análise, verifica-se que na DCTF original de dezembro/2011, apresentada em 22/02/2012, a contribuinte havia confessado um débito de R$ 2.029.662,84 de CSLL com base no lucro presumido no 4º trimestre/2011, cujo valor foi alterado para R$ 1.931.850,62 em 25/08/2014: Fl. 164DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 9. Os créditos vinculados ao débito de R$ 1.931.850,62 devido pelas SCP’s totalizaram R$ 1.574.540,25, todo formado por pagamentos, remanescendo um saldo a pagar de R$ 357.310,37. 10. No sistema SIEF/Web Fiscel verificou-se que, dentre os créditos utilizados na liquidação do débito de R$ 1.931.850,62, o saldo disponível de pagamentos anteriores (R$ 356.507,52) e a compensação declarada em processo anterior (R$ 802,86) foram aproveitados na quitação do saldo devedor de R$ 357.310,37: 11. Embora não conste do detalhamento dos créditos vinculados informados na DCTF nenhuma indicação de utilização do crédito em análise na quitação do débito de CSLL do 4º trimestre/2011, verifica-se que esse crédito, oriundo do pagamento nº 0598255523, acabou integrando o montante de R$ 356.507,52 compensado de ofício na liquidação desse débito, conforme previsto no artigo 3º do Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997. 12. O montante de R$ 356.507,52 de parcelas utilizadas na liquidação do débito corresponde ao saldo disponível (após alocação ao débito confessado na DCTF) dos créditos vinculados ao débito de CSLL (reprodução parcial – destaque acrescido): 13. Portanto, considerando que a parcela de R$ 959,73 do pagamento de R$ 1.999,10 efetuado em 31/01/2012 (pagamento nº 0598255523) integrou o montante de R$ 356.507,52 aproveitado de ofício na liquidação do débito de CSLL do 4º trimestre/2011, e tendo em vista que o artigo 170 do CTN exige crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado pela reclamante mormente Fl. 165DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 considerando que inexiste qualquer indébito a ser reconhecido enquanto o débito não for antes integralmente liquidado. 14. Observe-se, ainda, que os saldos disponíveis de pagamento não utilizados na consolidação do parcelamento foram aproveitados pela contribuinte como direito creditório em outras declarações de compensação. 15. Dessa forma, é de se confirmar a decisão da DRF/Belo Horizonte. Conclusão 16. Isto posto, voto no sentido considerar improcedente a manifestação de inconformidade. 17. É o meu voto”. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, porquanto o crédito pleiteado foi aproveitado de ofício na liquidação do saldo devedor do débito de CSLL, não há como se deferir o pedido de restituição tratado nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando do r. decisum, a contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 68/71) no qual rebateu a decisão da DRF/BELO HORIZONTE/MG e da DRJ/CTA e, no mérito, manteve os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, acrescentando ainda: a) Em uma auditoria interna identificou pagamentos de tributos feitos a maior e outros feito a menor, e procedeu à imediata regularização, quitando os débitos e solicitando a restituição dos valores pagos a maior; b) Desta apuração, vários dos indébitos são provenientes e originários de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais a Recorrente é sócia ostensiva, isto é, a pessoa jurídica que assume direitos e obrigações perante terceiros; c) Em uma dessas SCP’s, “Riacho das Pedras”, apurou-se que na competência de 31.12.2011, após a retificação de sua DCTF, o valor recolhido de CSLL foi maior que o realmente devido, uma vez que recolheu, via DARF, a quantia de R$ 1.999,10, enquanto que o devido era de R$ 1.039,37. Fl. 166DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 d) A denegação do crédito significa invasão no patrimônio da SCP Riacho das Pedras, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela; e) não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF; f) Por fim, requer seja reconhecido o crédito, deferindo-se, via de consequência, a restituição solicitada por meio da PER/DCOMP. Os autos subiram ao CARF para apreciação pelo Colegiado na sessão de 10/03/2020, tendo sua Relatora original, hoje já não compondo o rol de Conselheiros, entendido ser necessária sua conversão em diligência para melhor elucidação de aspectos fáticos que restaram inconclusivos, na forma da Resolução nº 1402-000.984 (fls. 80/86), da qual se falará adiante no voto. Em atendimento à determinação do CARF, a DEVAT/EQREV/REVFAZPJ da DRF/BH/MG, mediante o Despacho nº 344/2021, de 14 de julho de 2021 (fls. 152/153) trouxe as informações requeridas. Cientificada em 14/07/2021 do teor da diligência (fls. 156), a recorrente não se manifestou. É relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 167DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator Já foi atestada antes a tempestividade do RV e os demais pressupostos para sua admissibilidade. A discussão centra-se na tentativa da recorrente de compensar débitos presentes em PER/DCOMP com possível direito creditório de R$ 959,73 que possuiria relativo a pagamento indevido ou a maior do débito de CSLL do 4º trimestre/2011. A Autoridade Tributária da DRF/Belo Horizonte, por meio do despacho decisório eletrônico proferido em 03/07/2015 (fls. 47), nº rastreamento 102743304, não reconheceu o direito creditório pleiteado porquanto o pagamento indicado pela contribuinte foi integralmente alocado ao débito com código de receita 2372 do período de apuração 31/12/2011 Em contraparte o sujeito passivo aduziu que, i) vários dos indébitos são provenientes e originários de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais a Recorrente é sócia ostensiva, isto é, a pessoa jurídica que assume direitos e obrigações perante terceiros; ii) em uma dessas SCP’s, “Riacho das Pedras”, apurou que o valor recolhido de CSLL foi maior que o realmente devido, uma vez que recolheu, via DARF, a quantia de R$ 1.999,10, enquanto que o devido era de R$ 1.039,37; e, iii) a denegação do crédito significa invasão no patrimônio da referida SCP, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. Apreciando o RV, a Relatora original, acompanhado à unanimidade pelo Colegiado, entendeu necessária a conversão do julgamento em diligência, apontando os seguintes argumentos e quesitos (Resolução – fls. 80/86): “2. Cinge-se à questão se é possível a utilização de crédito oriundo de recolhimento a maior de tributo feito por sociedade em conta de participação (SCP), quando este já foi utilizado para quitação de débitos de sua sócia ostensiva. 3. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que, de acordo com os arts. 991 e 993 do Código Civil1, as SCPs são sociedades despersonificadas, cujo objeto social é exercido exclusivamente pelo sócio ostensivo, único obrigado pelas obrigações perante terceiros. 4. No entanto, apesar de não possuírem personalidade jurídica, as SCPs foram equiparadas às pessoas jurídicas para fins da legislação do imposto de renda pelo art. 7º do Decreto-lei nº 2.303/87. Fl. 168DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 5. A tributação das SCPs foi regulamentada pela Instrução Normativa SRF 179/87, que estabeleceu que: a) a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação, compete ao sócio ostensivo; b) a escrituração das operações da SCP poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios da referida sociedade, desde que tais lançamentos sejam demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo. c) Não será incluído na declaração de rendimentos o prejuízo fiscal apurado pela SCP, o qual poderá ser compensado com os lucros da mesma nos 4 (quatro) períodos-base subseqüentes. d) Não é possível realizar a compensação de prejuízos e lucros entre duas ou mais SCP, nem entre estas e o sócio ostensivo. 6. Assim, inconteste que, embora os lucros das SCPs sejam informados e tributados na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo, conforme determina o item 5 da Instrução Normativa 179/87, a compensação de prejuízos fiscais e lucros entre duas ou mais SCP ou entre elas e o sócio ostensivo é vedada. Essa é a mesma determinação prevista no art. 515 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.515.O prejuízo fiscal apurado por Sociedade em Conta de Participação-SCP somente poderá ser compensado com o lucro real decorrente da mesma SCP. Parágrafo único. É vedada a compensação de prejuízos fiscais e lucros entre duas ou mais SCP ou entre estas e o sócio ostensivo. 7. Nesse sentido, os créditos apurados pela referida SCP, só poderão ser aproveitados pela própria, não sendo possível utilizá-los para quitar os débitos da Recorrente, sua sócia ostensiva. 8. Pois bem, a decisão recorrida esclarece que o crédito pleiteado foi “aproveitado de ofício na liquidação do débito de CSLL do 4º trimestre/2011.” 9. Para chegar a essa conclusão, a DRJ/CTA analisou os seguintes documentos: Fichas 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) e 16 (Cálculo da CSLL por Estimativa) da DIPJ 2012 e DCTF’s dos meses de março, junho, setembro e dezembro/2011. 10. No entanto, tais documentos não se encontram acostados ao presente processo, não sendo possível analisar se o montante do crédito da referida SCP, pleiteado pela Recorrente, foi utilizado especificamente para quitar débitos da mesma SCP. Fl. 169DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 11. Caso isso tenha ocorrido, acertada a decisão da DRJ que indeferiu o pleito da Recorrente. Por outro lado, se a alegação da Recorrente, de que tal crédito foi utilizado para quitar débitos de outras SCPs, das quais a Recorrente é sócia ostensiva, então, caberá razão à Recorrente. 12. Por esse motivo, e, diante da falta de anexação de todos os documentos analisados pela turma julgadora aquo a estes autos, voto por converter o julgamento em diligência para que seja indicada a procedência do crédito pleiteado e se ele já foi utilizado para quitação de débitos da mesma SCP. 13. Do resultado desta diligência a Recorrente deverá ser cientificada, oferecendo-lhe a oportunidade de se manifestar acerca do objeto das verificações solicitadas, caso assim o deseje. 14. Por fim, após a realização das verificações solicitadas, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. É como voto”. Cumprindo o determinado, a DEVAT/EQREV/REVFAZPJ da DRF/BH/MG, mediante o Despacho nº 344/2021, de 14 de julho de 2021 (fls. 152/153) trouxe as informações requeridas, conforme abaixo se reproduz, naquilo que é pertinente: “Em atenção ao item 12 da Resolução de fls.80 a 86, prestamos os seguintes esclarecimentos: 1. Na Manifestação de Inconformidade de fls.3 o contribuinte afirma que “durante procedimento de auditoria interna foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e pagamentos a menor em outros e que para regularizar sua situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, com retificação das DCTFs para declarar os valores apurados durante o procedimento de auditoria interna”. 2. Os débitos são informados em DCTF de maneira unificada no CNPJ do sócio ostensivo. Ali o contribuinte informou vinculações parciais de diversos pagamentos e, ao mesmo tempo, saldo a pagar no valor de R$ 356.507,52 (telas de fls.89/90). O sistema SIEF-Fiscel efetuou de forma automática a alocação dos pagamentos disponíveis, realizados na data de vencimento do débito, extinguindo o saldo a pagar, diferentemente da pretensão do contribuinte. 3. De acordo com planilha elaborada pela empresa, juntada no contexto do processo n° 15504.722400/2014-80, que foi formalizado para requerer aceitação de pagamentos realizados em denúncia espontânea, verifica-se que as retificações desse PA correspondem a: Fl. 170DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 4. Na referida planilha, o contribuinte demonstra que teria quitado o saldo a pagar da seguinte forma: 5. Esta afirmativa não corresponde integralmente à realidade dos fatos, uma vez que não constatamos a quitação dos débitos pagos a menor. Conforme telas de fls.91 na 93, em consulta ao parcelamento citado, verificamos que foi parcelado para o 4° Trimestre de 2011 o montante de apenas R$4.197,83, que somado ao valor pago importa no montante de R$20.764,49, pouco mais de 5% do valor que alega ter sido regularizado. 6. Constata-se que o pedido de revisão da consolidação do parcelamento, protocolado por meio do processo n° 15504.727360/2015-43, foi indeferido e os débitos pretendidos não foram incluídos na consolidação, exatamente porque se encontravam quitados (despacho de fls.201 a 204 do referido processo). 7. Dessa forma, inexiste o crédito correspondente àqueles pagamentos que haviam sido parcialmente vinculados na DCTF, visto que foram utilizados para quitação do saldo a pagar declarado pelo sócio ostensivo. Somente apontamentos internos da empresa é que conduzem ao fato de pertencerem os débitos aos demais sócios. 8. Esclarecidos esses pontos, entendemos que pelo fato do problema ter envolvido apenas as SCP, isso deveria ser uma apuração interna do sócio ostensivo com as mesmas, uma vez que os pagamentos foram todos destinados a pagar um único débito, sob responsabilidade de uma única pessoa jurídica, declarados em uma única DCTF. Se existe crédito para algumas SCP e débitos em aberto de outras, que se faça o acerto de contas entre as próprias SCP, pois o sócio ostensivo continua sendo responsável pela dívida integral. 9. Ante o exposto, demonstrado que inexiste o crédito pleiteado pelo contribuinte, devolva-se à EQAUD-RENDA”. Cientificada do procedimento em 14/07/2021 (fls. 156), a recorrente não se manifestou, de forma que a posição da Unidade de Origem trazendo as informações requeridas por este Colegiado se fortaleceram, não sendo despiciendo lembrar que as diligências, embora não vinculem o julgador, são robustas fontes de esclarecimento de dúvidas surgidas no manuseio dos autos, como já decidido no CARF: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário:2004 COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ - RECEITAS FINANCEIRAS - APROPRIAÇÃO - REGIME DE Fl. 171DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-006.262 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904797/2015-52 COMPETÊNCIA - OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DO IRPJ. Confirmado, por meio de diligência fiscal, que as receitas financeiras sobre as quais incidiu o imposto de renda na fonte deduzido foram oferecidas à tributação, não se sustenta a glosa do saldo negativo apurado, ao argumento de que as receitas sobre as quais incidiu a retenção não compuseram integralmente a base de cálculo do período. (Ac. 1301-001.337 – Rel. Valmir Sandri – 27/03/2014). CONCLUSÃO Pelo exposto, à vista da diligência realizada e não rebatida pela recorrente, que sobre a mesma se manteve silente, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no sentido de não reconhecer o direito creditório buscado e não homologar as compensações a ele vinculadas. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 172DF CARF MF Original
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Numero do processo: 23034.042898/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2301-000.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça, com base nos documentos autuados e nas alegações da recorrente, se as relações de alunos indenizados RAI apresentadas pelo contribuinte, ainda que por email, correspondem aos valores da contribuições em cobrança e se atendem às normas do FNDE.
(documento assinado digitalmente)
Joao Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle e Joao Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça, com base nos documentos autuados e nas alegações da recorrente, se as relações de alunos indenizados – RAI apresentadas pelo contribuinte, ainda que por email, correspondem aos valores da contribuições em cobrança e se atendem às normas do FNDE. (documento assinado digitalmente) Joao Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle e Joao Mauricio Vital (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 689/2006, de 18/12/2006, (Debcad nº 49.904.5289), emitida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE do Ministério da Educação, abrangendo o período de 11/1996, 02/1998 a 06/1998, 07/2000 a 12/2000, 07/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 11/2002. A Informação nº 1.367/2006 – SETAD de 19/12/2006 expõe que: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 42 89 8/ 20 06 -0 3 Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 => se trata de apuração especial das deduções de valores devidos a contribuição social do Salário Educação, tributo previsto no art. 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98 e 10.832/03 e pelos Decretos n.ºs 3.142/99 e 4.943/03, referentes ao benefício instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental – SME, programa pelo qual a empresa propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes desses, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n.º 14/96; => o exame em questão visou identificar as deduções realizadas indevidamente, na modalidade “indenização de dependentes”, baseando-se nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação – SIGA desta Autarquia; => o critério do levantamento consistiu em verificar, a partir do 2º semestre de 1996, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, em anexo, se o valor deduzido é equivalente ao número de alunos informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAI; => o número de vagas referenciado no Demonstrativo de Divergências por Estabelecimento reflete a quantidade de alunos beneficiários por mês, sendo que o valor per capita do benefício é de R$ 21,00 por aluno/mês; => o cálculo foi realizado da seguinte forma: Va = Dr – (Id x Vp), onde: (Va) = Valor apurado, (Dr) = Deduções realizadas no mês, (Id) = Indicação de Dependentes no cadastro do FNDE, e (Vp) = Valor per capita de R$ 21,00 aluno/mês; => observados os critérios expostos, considerando que foram apuradas deduções indevidas na contribuição social do Salário Educação, sugere-se a emissão de Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, de acordo com o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento e com os Quadros de Lançamento e de Atualização de Débitos, em anexo. Constam do processo os anexos “Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento – Comparativo entre Deduções Realizadas e Informações dos Alunos Beneficiados na Posição NOTIFICAÇÃO”, “Quadro de Lançamento de Débitos”, contendo por competência, a forma de apuração, origem do débito, estabelecimento e valor do débito originário, e “Quadro de Atualização de Débito”, que discrimina o valor do saldo originário, juros, multa e total do mês. O valor devido originário, conforme o Quadro de Lançamento de Débitos, é de R$19.929,00 que, somado aos devidos acréscimos legais, atinge o montante de R$46.933,64, consolidado em 19/12/2006, conforme consta do Quadro de Atualização de Débito. A empresa foi cientificada da Notificação em 23/12/2006, e apresentou impugnação tempestiva em 08/01/2007, acompanhada de cópias dos seguintes documentos: CAD – Comprovante de Arrecadação Direta Salário Educação referentes às competências 06/2002 e 07/2002 e RAI – Relação de Alunos Indenizados referentes ao 1º Semestre de 1998, 2º Semestre de 2001 e 1º Semestre de 2002, alegando, em síntese, que: => Em referência ao expediente encaminhado por este SETAD, quanto à identificação de deduções realizadas indevidamente, na modalidade "indenização de dependentes", baseando-se nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA , contesta os cálculos/valores apresentados pelos seguintes fatos: Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 => Considerando que no CAD de competência 06/2002 o valor total deduzido no campo 14 foi de R$777,00 (guia anexa) e não R$1.176,00 conforme demonstrado; => Considerando que no CAD de competência 07/2002 o valor total deduzido no campo 14 foi de R$672,00 (guia anexa) e não R$1.071,00 conforme demonstrado; => Considerando que no 1º semestre de 1998, 1º semestre de 2002 e 2° semestre de 2002, foram enviadas pela CDHU, à época, as relações de "Ind. Depend." (relações anexas), e não consideradas no "Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento"; Solicitamos que, diante das justificativas e documentos apresentados, seja reavaliado o demonstrativo de cálculo encaminhado por este SETAD, uma vez que há valores cobrados indevidamente. A DRJ São Paulo, na análise da impugnatória, manifesta o seu entendimento no sentido de que: => Da decadência parcial. A presente notificação abrange fatos geradores ocorridos nas competências 11/1996, 02/1998 a 06/1998, 07/2000 a 12/2000, 07/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 11/2002, tendo sido lavrada em 18/12/2006, data em que se encontrava em vigor o art. 45 da Lei nº 8.212/91, que estabelecia em seu inciso I que o prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Entretanto, em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do STF editou o seguinte enunciado de súmula vinculante, que foi publicado no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, em 20 de junho de 2008 De acordo com o art. 2º da Lei 11.417/06, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá, a partir de sua publicação na imprensa oficial, efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Em consequência, definindo o STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional que trata da decadência em dois artigos principais: o art. 173, inc. I, que estabelece regra geral; e o art. 150, §4°, para os casos de lançamento por homologação: O lançamento por homologação é assim denominado, quando a legislação confere ao sujeito passivo da exação o dever de antecipar o pagamento do tributo devido e ainda, dar cumprimento a todos os deveres instrumentais e formais comunicando tais fatos à autoridade administrativa. Neste caso a autoridade fazendária ao tomar conhecimento da atividade exercida pelo obrigado fará a homologação do lançamento. De outro modo, o lançamento de ofício, também denominado de lançamento direto é aquele efetivado pela autoridade administrativa quando, por força de lei, não cabe a participação do sujeito passivo ou quando este se mantém inerte, embora obrigado a antecipar o pagamento e cumprir os deveres instrumentais a seu cargo. Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 Assim, temos em princípio que as contribuições previdenciárias e de terceiros estariam alcançadas pelo lançamento por homologação, pois o sujeito passivo não depende de qualquer iniciativa da administração tributária para calcular o montante devido e efetuar o seu recolhimento. No entanto, o lançamento das referidas contribuições poderá ser efetivado de ofício, quando o sujeito passivo deixar de cumprir suas atribuições previstas na legislação, como a de antecipar o pagamento do valor por ele devido. Diante da publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal e tendo em vista as peculiaridades que envolvem o lançamento das contribuições previdenciárias, foi editado o Parecer PGFN/CAT 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, que estabelece as regras a serem observadas, quanto ao prazo decadencial dos créditos previdenciários. Via de regra, deverá ser aplicado o prazo decadencial determinado pelo artigo 173, inc. I do Código Tributário Nacional, ou seja, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o sujeito passivo deixa de cumprir suas obrigações, notadamente a de antecipar o pagamento das contribuições devidas. No entanto, havendo antecipação de pagamento de contribuições pelo sujeito passivo, mesmo que parcialmente, aplica-se o prazo decadencial do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, ou seja, 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador. É o que determina a alínea “e” do item 49 do Parecer PGFN/CAT 1617/2008: Conforme se verifica nos autos, o lançamento é decorrente de irregularidades verificadas pelo FNDE nos recolhimentos referentes ao Salário Educação, em face de deduções realizadas indevidamente pela empresa na modalidade “indenização de dependentes”. Desta forma, no presente caso deve ser aplicada a regra do §4º do artigo 150, do Código Tributário Nacional CTN para contagem do prazo decadencial. Nestas condições, há que se reconhecer a decadência do lançamento objeto desta NRD em relação às contribuições devidas nas competências 11/1996, 02/1998 a 06/1998, 07/2000 a 12/2000, 07/2001 a 11/2001, eis que, nos termos do inc. VII, do art. 156 do CTN, este crédito tributário foi extinto pela decadência As contribuições lançadas nas competências 12/2001 e 01/2002 a 11/2002 ficam mantidas, conforme Quadro de Lançamento de Débitos. => Do mérito - Da Glosa das Deduções a Título de Indenização de Dependentes. A presente Notificação para Recolhimento de Débito NRD teve origem na identificação, pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, de deduções realizadas indevidamente pela empresa na modalidade “indenização de dependentes” nos recolhimentos das contribuições ao Salário Educação referentes ao período do 2º semestre de 1996 ao 2º semestre de 2002. O levantamento teve como base as informações constantes do Sistema de Gestão da Arrecadação – SIGA, em virtude do valor deduzido ser divergente daquele equivalente ao número de alunos informado pela empresa na RAI – Relação de Alunos Indenizados, ou por ter a empresa deixado de entregar a RAI. Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 Com base no cruzamento das informações da RAI com as deduções realizadas pela empresa no documento de arrecadação, foi emitido o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, no qual constam os valores das deduções efetuadas pela empresa, o número de vagas correspondente aos valores deduzidos, número de dependentes informados pela empresa ao FNDE, e a diferença em vagas a ser glosada com seu respectivo valor em R$ (Reais), quando o montante deduzido pela empresa correspondeu a mais vagas que as relativas aos dependentes informados. Cumpre observar o disposto na legislação que trata do Salário Educação, bem como das deduções realizadas na modalidade “indenização de dependentes”, vigente à época dos fatos geradores objeto da presente NRD. Em vista destas imposições legais, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE normatizou os procedimentos das empresas optantes do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental – SME. De acordo com a legislação, a modalidade indenização de dependentes permitia que a empresa deduzisse do valor da contribuição ao Salário Educação os reembolsos feitos aos empregados, mediante comprovação semestral de frequência e pagamento das mensalidades de seus dependentes no ensino fundamental em escola privada, cujo valor por vaga corresponde a R$21,00 (vinte e um reais) mensais, equivalente no semestre a R$126,00 (cento e vinte e seis reais). Portanto, o direito à dedução do valor da contribuição ao Salário Educação na modalidade “indenização de dependentes” condiciona-se tanto ao envio das informações ao FNDE, quanto à prova de que os alunos beneficiários preenchiam os requisitos legais. Desse modo, para verificação da regularidade das deduções da contribuição ao Salário Educação na modalidade “indenização de dependentes”, o FNDE cruza as informações dos valores de contribuição deduzidos no documento de arrecadação do salário educação Comprovante de Arrecadação Direta – CAD, com o número de alunos beneficiários informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAI. Nos casos em que não há entrega da RAI, ou em que a RAI entregue não contempla o número de alunos equivalente ao número de vagas deduzido pela empresa no Documento de Arrecadação, a diferença entre as vagas informadas e o valor deduzido é glosada pelo FNDE, que emite o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento e a notificação para constituição do correspondente crédito tributário. No presente caso, as contribuições lançadas, conforme Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento e Quadro de Lançamento de Débitos tiveram origem na verificação pelo FNDE da regularidade das deduções realizadas pela Impugnante na modalidade “indenização de dependentes”, de acordo com as informações do SIGA – SISTEMA DE GESTÃO DA ARRECADAÇÃO, através da comparação do valor deduzido pela empresa no documento de arrecadação com o número de alunos beneficiários informado pela empresa na RAI. A Impugnante alega que houve a cobrança de valores indevidos, vez que de acordo com os Comprovantes de Arrecadação Direta – CAD anexados à impugnação, nas competências 06/2002 e 07/2002, o valor total efetivamente deduzido no campo 14 – Deduções para o SME foi de R$777,00 e R$672,00, respectivamente, e não R$1.176,00 e R$1.071,00 conforme consta do Quadro de Atualização de Débito. Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 De fato, os comprovantes de arrecadação anexados pela Impugnante demonstram a dedução dos valores por ela alegados, no entanto, não são hábeis e suficientes para alterar o lançamento nas referidas competências. Ressalte-se novamente que os valores aqui lançados foram apurados através das informações constantes do sistema informatizado SIGA – SISTEMA DE GESTÃO DA ARRECADAÇÃO e a Impugnante não comprova, através da apresentação de lançamentos contábeis que de fato os únicos valores efetivamente deduzidos do recolhimento da contribuição do salário educação nas competências 06/2002 e 07/2002 são aqueles constantes dos Comprovantes de Arrecadação Direta – CAD anexados à impugnação, não sendo possível, desse modo, ratificar os argumentos apresentados em sua defesa. Alega ainda a Impugnante que foram enviadas, à época, as Relações de Alunos Indenizados – RAI do 1º Semestre de 1998, 1º Semestre de 2002 e 2º Semestre de 2002, anexadas à impugnação, as quais não foram consideradas no Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento. Inicialmente, cabe observar que as relações anexadas referem-se ao 1º Semestre de 1998, 2º Semestre de 2001 e 1º Semestre de 2002. Em relação ao 1º Semestre de 1998, não há que se fazer qualquer análise dos documentos anexados, vez que conforme já demonstrado no presente Acórdão, o referido período foi excluído do lançamento, por estar abrangido pela decadência, nos termos do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. No que se refere às RAI do 2º Semestre de 2001 e 1º Semestre de 2002, verifica- se que a empresa informou nas mesmas 53 e 35 alunos indenizados respectivamente, sendo que no Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento consta que nos referidos períodos foram deduzidos os valores equivalente a 51 e 31 vagas, respectivamente, cabendo observar que em relação ao 2º Semestre de 2001 ficou mantida somente a competência 12/2001, sendo as demais excluídas em virtude da decadência. Contudo, dos documentos juntados pela Impugnante não consta qualquer comprovante de entrega das referidas Relações de Alunos Indenizados – RAI do 2º Semestre de 2001 e 1º Semestre de 2002. Repita-se que, na forma das instruções expedidas pelo FNDE, as informações da empresa para atualização do cadastro dos alunos beneficiários serão encaminhadas nos prazos fixados e de conformidade com as orientações fornecidas pelo FNDE, na modalidade Indenização de Dependentes, por meio eletrônico – www.fnde.gov.br – link captação dos Dados da RAI para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Indenizados – RAI, cujo envio deverá, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao 1º semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2º semestre. Ressalte-se que a simples apresentação das relações de alunos indenizados, conforme efetuado pela Impugnante, desacompanhada de quaisquer protocolo de envio das mesmas por meio eletrônico, não faz prova de que os alunos beneficiários foram informados ao FNDE, através da Relação de Alunos Indenizados – RAI, em atendimento às normas do FNDE. Assim, considerando a legislação acima mencionada, e tendo em vista que o ato administrativo de lançamento goza da presunção de legitimidade, e, ainda, que a empresa não trouxe aos autos documentos hábeis a comprovar que a glosa das deduções não poderia ter sido realizada pelo FNDE, e, também, que o recolhimento das contribuições ao Salário Educação teria sido corretamente efetuado, deve ser mantido o crédito tributário constituído por meio da presente NRD referente às competências 12/2001 e 01/2002 a 11/2002. Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 Da retificação do lançamento - Diante do exposto, o crédito tributário lançado, em razão da exclusão de ofício das competências abrangidas pela decadência, deverá ser retificado, excluindo-se as contribuições lançadas nas competências 11/1996, 02/1998 a 06/1998, 07/2000 a 12/2000, 07/2001 a 11/2001, mantendo-se os valores relativos às competências 12/2001 e 01/2002 a 11/2002. Assim, a DRJ decide por manter parcialmente o crédito tributário no valor de R$11.123,43, consolidado na mesma data do lançamento originário, conforme DADR Discriminativo Analítico de Débito Retificado. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte sustenta que tendo em vista a mencionada indicada a necessidade de apresentação do comprovante de entrega das referidas Relações de Alunos Indenizados, junta comprovações do encaminhamento das RAI's conforme segue: Doe.01 - email datado de 28/01/02 de cboas@cdhu.sp.qov.br encaminhando ao dsme@fnde.qov.br o arquivo "Ofício 070 ARQUIVOS RAI" contendo a relação de beneficiários do 2 o semestre de 2001; Doc.02 - email datado de 29/01/02 da CC do DSME dsme@fnde.qov.br confirmando o recebimento do arquivo "Ofício 070 ARQUIVOS RAI" contendo a relação de beneficiários do 2 o semestre de 2001; Doe.03 - Protocolo de Aviso de Recebimento - AR datado de 14/02/2002 confirmando o recebimento pelo FNDE em 18/02/2002 do arquivo em meio magnético da RAI 2 o semestre 2001. Doe.04 - RAI - Relação de Alunos Indenizados do 2 o semestre de 2011, emitido através da geração das informações cadastradas no sistema do FNDE. Doe.05 - RAI - Relação de Alunos Indenizados do 1 o semestre de 2002, emitido através da geração das informações cadastradas no sistema do FNDE Doe.06 - email datado de 28/01/02 de cboas (Sjcdhu.sp.gov.br encaminhando ao dsme@fnde. gov.br, o arquivo "05216202.txt" contendo a relação de beneficiários do 2° semestre de 2002; Doc.07 - Protocolo de Aviso de Recebimento - AR datado de 28/02/2003 confirmando o recebimento pelo FNDE em 07/03/2003 do arquivo em meio magnético da RAI. Doc.08 - Devolutiva do FNDE "PROCESSAMENTO COM ÊXITO" da RAI - Relação de Alunos Indenizados do 2° semestre de 2002. Doc.09 - RAI - Relação de Alunos Indenizados do 2° semestre de 2002, emitido através da geração das informações cadastradas no sistema do FNDE. Salienta que as RAI - Relação de Alunos Indenizados anexas foram extraídas do sistema de cadastramento do FNDE. Destaca que as documentações anexas comprovam o envio das informações à época, e solicita nova apreciação por essa EQREC/DICAT/DERAT/SP. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 2301-000.992 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.042898/2006-03 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal – Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Considerando a dúvida acerca do efetivo protocolo de envio das relações dos alunos por meio eletrônico, e a análise da prova de que os alunos beneficiários foram informados ao FNDE, através da Relação de Alunos Indenizados – RAI, em atendimento às normas do FNDE, entendo que deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça se os documentos acostados já haviam sido analisados e se fazem efetiva comprovação do atendimento às normas do FNDE para a dedução pleiteada. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Fl. 97DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721940/2010-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-001.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
1.0 = *:*
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NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1110DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1111DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de vale transporte em pecúnia, parte de terceiros. A DecisãoNotificação – fls 1084 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado, com a seguinte ementa: VALETRANSPORTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago, habitualmente, ao empregado, a título de Vale transporte, só não integra o valor do salário de contribuição, para fim de incidência da contribuição previdenciária, se for concedido estritamente de acordo com a legislação pertinente. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • O fato do auxílio transporte ter sido pago em pecúnia não implica na mudança de sua natureza jurídica, sendo impertinente a sua inclusão no salário de contribuição. • O recorrente, à época dos fatos geradores discutidos, estava submetido às disposições normativas de Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília SINDSAÚDE e o Sindicato Brasiliense de Hospitais, Casas de Saúde e Clínicas SBH, registrada junto à DRT/DF/SERET sob o n° 46206013658/200327, conforme prevê o artigo 614 da Consolidação das Leis do Trabalho. Tal Convenção Coletiva de Trabalho, em sua cláusula 31, enunciava que "as empresas poderão pasar o vale transporte e/ou auxílio alimentação/refeição em folha de pasamento desde que especificado em contra cheque, observando a legislação em vigor, não se caracterizando como salário indireto para fins de férias, 13° salário e/ou rescisão de contrato de trabalho". • O Tribunal Superior do Trabalho reconhece o caráter indenizatório de tais verbas. Também pela não incidência de contribuições sociais sobre os valores referentes a auxílio transporte pago em pecúnia, porém apontando fundamento diverso, o Supremo Tribunal Federal se manifestou no Recurso Extraordinário n° 478.41 O/SP, Relator Ministro Eros Grau. • Pugna que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido para reformar a r. decisão proferida na Primeira Instância, julgandose totalmente improcedente o Auto de Infração n° 37.290.8446. Fl. 1112DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 4 4 É o relatório. Fl. 1113DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A matéria já foi examinada por esta Turma no processo 19515.002957/2009 65, de Relatoria do Conselheiro Helton Praia, votação unânime, nesses termos: O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em março de 2010, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 478.410/SP, considerou, por maioria, que a restrição imposta pelo Decreto nº 95.247/87 contraria frontalmente a Constituição Republicana, sendo inquestionável a sua natureza indenizatória, ainda que a referida verba seja paga em dinheiro. O julgamento em questão foi assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE nº 478.410/SP, Relator: Ministro Eros Grau) Fl. 1114DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 6 6 Muito embora o Regimento Interno do presente Conselho (art. 62, parágrafo único) permita o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinados atos normativos tão somente quando esta tenha sido declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, cumpre esclarecer que o acórdão proferido no RE nº 478.410 é resultante de julgamento realizado pelo Plenário da Corte, tendo havido apenas dois votos contrários a esse entendimento, o que não é suficiente para desencadear uma mudança do posicionamento externado. Apesar de não se tratar de assunto com efeitos da repercussão geral, de qualquer sorte, a repercussão já está sinalizada. Em razão da decisão do STF que concluiu pela inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório, o Superior Tribunal de Justiça – STJ reviu sua orientação anterior no sentido de acompanhar o entendimento do STF. São os termos das decisões: Processo RESP 200901216375RESP RECURSO ESPECIAL – 1180562, Relator(a) CASTRO MEIRA , Sigla do órgão STJ, Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/08/2010 RJPTP VOL.:00032 PG:00133 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.VALETRANSPORTE.PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido. Data da Decisão 17/08/2010, Data da Publicação 26/08/2010 .............. Processo AR 200501301278AR AÇÃO RESCISÓRIA – 3394 , Relator(a) HUMBERTO MARTINS , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador PRIMEIRA SEÇÃO , Fonte DJE DATA:22/09/2010 Ementa: AÇÃO RESCISÓRIA – PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –VALE TRANSPORTE– PAGAMENTO EM PECÚNIA– NÃO INCIDÊNCIA – ERRO DE FATO – OCORRÊNCIA – AUXÍLIO CRECHE/BABÁ – ACÓRDÃO RESCINDENDO NÃO CONHECEU DO RECURSO NESSA PARTE. 1. Há erro de fato quando o órgão julgador imagina ou supõe que um fato existiu, sem nunca ter ocorrido, ou quando simplesmente ignora fato existente, não se pronunciando sobre ele. 2. In casu, ocorreu Fl. 1115DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 7 7 erro de fato no acórdão rescindendo, porquanto considerou inexistente um fato efetivamente ocorrido, ou seja, partiu de premissa errônea pois pressupôs a inexistência de desconto das parcelas de seus empregados a titulo de valetransporte,quando é incontroverso nos autos que tal fato ocorrera. 3. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário, consolidou jurisprudência no sentido de que "a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa" (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.3.2010, DJe086 DIVULG 13.5.2010 PUBLIC 14.5.2010). 4. No que tange ao auxíliocreche/babá, esta Corte Superior é incompetente para examinar o feito, uma vez que não cabe ação rescisória com a finalidade de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda, neste ponto específico. Precedentes: AgRg na AR 3.827/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.10.2009; AR 2.622/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 8.9.2008. Ação rescisória parcialmente procedente. Data da Decisão 23/06/2010 , Data da Publicação 22/09/2010 ___________ Destarte, reconheço a improcedência da autuação fiscal em razão da impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o valetransporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1116DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721940/201087 Acórdão n.º 280301.286 S2TE03 Fl. 8 8 Fl. 1117DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1019.08445.LO3E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por OSEAS COIMBRA JUNIOR em 01/03/2012 08:45:41. Documento autenticado digitalmente por OSEAS COIMBRA JUNIOR em 01/03/2012. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 20/03/2012 e OSEAS COIMBRA JUNIOR em 01/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.1019.08445.LO3E Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CD615039FE16B40A49BBD7F33E462B90912ADE1E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10166.721940/2010-87. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13732.000124/2005-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA.
VEÍCULOS AUTOMOTORES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE.
A empresa varejista, comerciante de veículos automotores, não tem
legitimidade para requerer a restituição e a compensação de Indébitos pagos pelo substituto tributário.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002
SOCIEDADE EMPRESÁRIA FABRICANTE DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. IPI. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
no regime de substituição tributária, o IPI não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições sociais, diante da ausência de norma autorizadora.
Numero da decisão: 3803-002.473
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Juliano Eduardo Lirani, que votou pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que se admitisse ao recorrente a possibilidade de comprovar
a satisfação dos requisitos do art. 166 do CTN.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA. VEÍCULOS AUTOMOTORES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. A empresa varejista, comerciante de veículos automotores, não tem legitimidade para requerer a restituição e a compensação de Indébitos pagos pelo substituto tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 SOCIEDADE EMPRESÁRIA FABRICANTE DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. IPI. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. no regime de substituição tributária, o IPI não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições sociais, diante da ausência de norma autorizadora.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Juliano Eduardo Lirani, que votou pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que se admitisse ao recorrente a possibilidade de comprovar a satisfação dos requisitos do art. 166 do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA. VEÍCULOS AUTOMOTORES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. A empresa varejista, comerciante de veículos automotores, não tem legitimidade para requerer a restituição e a compensação de Indébitos pagos pelo substituto tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 SOCIEDADE EMPRESÁRIA FABRICANTE DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. IPI. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. no regime de substituição tributária, o IPI não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições sociais, diante da ausência de norma autorizadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Juliano Eduardo Lirani, que votou pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que se admitisse ao recorrente a possibilidade de comprovar a satisfação dos requisitos do art. 166 do CTN. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório HALEN VEÍCULOS LTDA. formulou o pedido de restituição de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 70.390,05, relativo ao período de apuração compreendido entre 06/2000 a 10/2002 (fl. 01 e anexos de fls. 02 a 41). A DRF/Campos dos Goytacazes/RJ indeferiu o pedido, com base no Despacho Decisório nº 676/2008 às fls. 44 a 46, sob o argumento de que não compete à autoridade administrativa deferir pedido de restituição, fundado na inconstitucionalidade do § 1°, do artigo 3° da Instrução Normativa (IN) SRF nº 54, de 19/05/2000, por não caber à Secretaria da Receita Federal do Brasil declarar a inconstitucionalidade de norma jurídica. Sobreveio reclamação, fls. 49 a 57, por meio da qual o interessado alega, em síntese que: a) O pedido de restituição fundamentase na inconstitucionalidade do § 1°, art. 3° da IN SRF nº 54/2000, que determinava a inclusão do IPI na base de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS; b) O artigo 44 da Medida Provisória nº 199117/2000 estabeleceu para os fabricantes e os importadores de veículos a obrigação de cobrar e recolher antecipadamente, como substitutos tributários, a COFINS e o PIS calculados sobre o preço de venda; c) O preço de venda a que se refere a Medida Provisória é o preço do veículo pago pela concessionária, menos o IPI e o ICMS; d) Não obstante a disposição legal, a Secretaria da Receita Federal, por meio da IN/SRF nº 54/2000, alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS estabelecida em lei, determinando a inclusão do IPI, em afronta aos princípios da legalidade, da hierarquia das leis, da capacidade contributiva e do nãoconfisco, expressos na Carta Magna (CF/88), e, implicitamente, na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999; e) Em que pese estarse à frente do instituto da substituição tributária, a recorrente possui legitimidade para pleitear a restituição, haja vista que a exação fiscal lhe é afeta; f) As pessoas jurídicas fabricantes e importadoras de veículos, na qualidade de contribuintes substitutos, transferem o ônus financeiro do tributo para as concessionárias de veículos, por natureza repercutível, Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13732.000124/200595 Acórdão n.º 380302.472 S3TE03 Fl. 106 3 fato este que está a autorizar a restituição do indébito pelos comerciantes varejistas — e, in casu, à recorrente , a quem, portanto, se transladou o respectivo encargo tributário; A 5º Turma da DRJ/RJOII julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1325.101, de 9 de junho de 2009, fls. 78 a 81, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. A legitimidade para pleitear restituição de indébito tributário decorrente de substituição tributária prevista em lei é do substituto tributário. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. VEÍCULOS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS, segundo o regime de substituição tributária previsto no art. 44 da MP n° 1.99115, de 2000, é o preço de venda do fabricante ou importador, assim considerado o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Solicitação Indeferida Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJOII. O arrazoado de fls. 85 a 93, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, repete os termos de sua Manifestação de Inconformidade, para requerer a procedência in totum do Recurso Voluntário, para o fim de que seja reformado o despacho hostilizado, no intuito de que seja deferido o pedido de restituição do saldo apurado da Cofins, nos exatos termos do pleito. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 85 a 93 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJOII5ª Turma nº 1325.101, de 9 de junho de 2009. Legitimidade para pleitear restituição A propósito da legitimidade ad causam do revendedor varejista de automóveis para pleitear restituição de indébitos por pagamentos pretensamente indevidos, efetuados pelo fabricante de automóveis, em substituição tributária, peço licença ao autor para reproduzir a resposta de consulta sobre o tema que formulei ao Conselheiro Belchior Melo de Sousa, desta 3ª Turma Especial: Nesta matéria, alinhome com o entendimento desenvolvido por um rol de luminares da doutrina. E começo com um seu conterrâneo, Becker, para quem o substituído aquele que realiza o fato jurídico tributário (este é a matriz desenhada pela constituição) – e o Fisco, é excluído desta relação jurídica tributária, e sua relação com o substituto é de natureza privada, não de natureza tributária. Ensina ele: “Não existe qualquer relação jurídica entre substituído e Estado. O substituído não é sujeito passivo da relação jurídica tributária, nem mesmo quando sofre a repercussão jurídica do tributo em virtude do substituto legal tributário exercer o direito de reembolso do tributo ou de sua retenção na fonte. Em todos os casos de substituição legal tributária, mesmo naqueles em que o substituto tem perante o substituído o direito de reembolso do tributo ou de sua retenção na fonte, o único sujeito passivo da relação jurídica tributária (o único cuja prestação jurídica revestese de natureza tributária) é o substituto (nunca o substituído). O substituído não paga ‘ tributo’ ao substituto. A prestação jurídica do substituído que satisfaz o direito (de reembolso ou de retenção na fonte) do substituto, não é de natureza tributária, mas sim de natureza privada.” (Becker, Alfredo Augusto.Teoria Geral do Direito Tributário. 3 ed. São Paulo: Lejus, 1998, p.513) Ao dizer ele que o substituído não paga tributo ao substituto, noutra palavra diz, fazendo coro com Sacha Calmon, Roque Antônio Carraza, que o substituto paga tributo próprio. Os conceitos acima são compartilhados também por Bernardo Ribeiro de Morais, como se vê do seu excerto abaixo: “ o substituto tributário é devedor originário da obrigação tributária, por dívida própria, ocorrendo uma sujeição passiva indireta originária e excepcional, razão pela qual o substituto surge no lugar do contribuinte; o substituto tributário paga dívida própria e não dívida alheia. Por força de lei, o encargo da prestação tributária deixa de ser do contribuinte e fica com o substituto; o substituto tributário não substitui ninguém (a denominação da figura apresentase enganosa). O substituto tributário, na relação jurídica, apenas ocupa o lugar do contribuinte (este nem chega a fazer parte da relação jurídica respectiva), sem o substituir (o substituto tributário aparece, na relação jurídica, como devedor originário e único). Em verdade, a obrigação tributária Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13732.000124/200595 Acórdão n.º 380302.472 S3TE03 Fl. 107 5 já nasce com a pessoa do substituto tributário como devedora (o contribuinte não chega a fazer parte dessa relação jurídica); o conteúdo dos direitos e das obrigações do substituto tributário deve ser avaliado levando se em conta a relação jurídica originária, entre Fazenda Pública e contribuinte. (.......). O substituto passa a ser titular de todos os deveres, tanto materiais como formais, decorrentes da obrigação tributária. Sob o ponto de vista formal, o substituto é o único devedor de um tributo cujo pressuposto envolve fatos atribuídos a outra pessoa.” (Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 2ª ed., 2° vol., pgs. 293 a 296, 1994) Ângelo Braga Netto de Melo (Substituição Tributária no ICMS. Porto Alegre: Nuria Fabris, 2008, p. 193204), adotando o mesmo entendimento, rechaça a possibilidade de o substituído solicitar repetição do indébito. Em face do art. 10 da LC 87/97, que fez esta previsão acima e, erroneamente, ainda o denomina de contribuinte de fato, esse mesmo autor chama de “anômala” esta legitimidade, posto não admitir a existência de relação jurídica tributária envolvendo Estado e substituídos. Na mesma linha de Becker, aduz: “[...] o legislador, de forma específica e direta, criou uma exceção legal, permitindo que estes sejam reembolsados [...] não se realizando o elemento presumido [...] dáse a incidência de outra norma [...] de direito financeiro [...] tendo como sujeito ativo o substituído que estava na posse da mercadoria roubada, ou quebrada.”. No mesmo diapasão, a doutrina de José Eduardo Soares de Melo, ao sustentar que na substituição, num plano préjurídico, o legislador afasta por completo o verdadeiro contribuinte que realiza o fato gerador, prevendo a lei, desde logo, o encargo da obrigação a uma outra pessoa (substituto) que fica compelida a pagar a dívida própria, eis que a norma não contempla a dívida de terceiro (substituto). (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 1997, p.179). Paulo de Barros Carvalho dá essa mesma aula. Ainda nesse compasso, Maria Rita Ferragut, que visualiza na substituição tributária uma relação jurídica tributária unitária, posto existir apenas uma norma individual e concreta a atribuir a responsabilidade ao substituto tributário, e – afirma – “em momento algum o realizador do fato encontrouse vinculado obrigacionalmente com o Fisco, em que pese estar juridicamente compelido a suportar a carga tributária.” O conceito na parte final frase acima é extraído do art. 166 do CTN: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Ao dizer que o substituído está compelido juridicamente a suportar a carga tributária, difere da opinião dos demais acima, apenas no ponto de ver nesse ônus natureza tributária. É majoritária a visão de que o substituído está juridicamente compelido a suportar a carga tributária. Porém, dizer isso, não significa o mesmo que suportar efetivamente a carga tributária. Isso, porque, inafastavelmente, todo tributo Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN 6 repercute. Em algum ponto da cadeia de circulação de bens e serviços, um tomador final arcará com o ônus financeiro (ou econômico, como alguns preferem). Essa é a repercussão financeira/econômica do tributo. A repercussão jurídica, por ela mencionada (tema também explorado por outros. Parti dela apenas para pegar o gancho da frase), é aquela que a própria norma designa o repasse, feito por meio do destaque do imposto na nota fiscal, tal assim o IPI e o ICMS, como também os tributos objetos do regime de substituição tributária, quando a norma usualmente utiliza para a ação nuclear a ser produzida pelo substituto os verbos “cobrar”ou “reter”. [O uso desses verbos criou dificuldades conceituais, quando parte da doutrina encapsulouse na idéia de que o substituto é apenas um “responsável tributário”, como se houvesse na substituição tributária duas normas individuais e concretas: i) uma firmando o contribuinte de jure no pólo passivo: ii) outra mantendo na relação jurídica tributária o contribuinte de facto”]. O conceito acima, de repercussão jurídica, é importante neste contexto, porque: i) ele nasce junto com a técnica (princípio) da nãocumulatividade, que está no desenho constitucional de ambos os impostos citados, cujo modus operandi recebeu, posteriormente, a adesão da Cofins e da contribuição para o PIS (ressalvadas as peculiaridades de cada); ii) porque é ele que abre a porta para que o substituído tenha a chance de repetir o indébito, segundo parte da doutrina. Os que são contra essa chance, firmamno com o argumento de que o art. 166 não pode ser interpretado isoladamente, mas está jungido ao art. 165 e 121 do Codex. Como o substituído não é parte da relação jurídica tributária ele não é o sujeito passivo e não é o contribuinte (ainda que realize o fato jurídico tributário – conforme a matriz constitucional do imposto); contribuinte é somente o de jure, Contribuinte de facto é o que sofre a repercussão financeira/econômica do tributo. Mas, contribuinte de facto o substituído também não é, pois, via de regra, repercute o tributo para o consumidor final. Porém como o substituído é alcançado pelo conceito de repercussão jurídica, por ser sujeito passivo (não nos termos do 121 do CTN) da ação verbal da norma de ser “cobrado”, ser “retido”, na operação que trava com o substituto, vindo ele a provar que assumiu o encargo, serlheá feita a restituição, ao comando do art. 166 do CTN, como está decidindo o STJ. Ainda não li, portanto, não sei se o fundamento de suas decisões é este argumento que ora expus. Enfim, esta Recorrente, Concessionária de veículos, equivocase, tecnicamente, ao pedir a restituição por sofrer a repercussão econômica do tributo. À luz do citado art. 166 do CTN, repito, ela experimenta a repercussão jurídica. Da repercussão econômica ele é sujeito ativo ao transferir para terceiro, no preço final do produto, o ônus financeiro correspondente ao tributo devido pelo substituto, não por ele, e pago pelo próprio substituto. Tributo ele não paga no regime de substituição. O que corresponde ao tributo para ele é custo. A tarefa hercúlea que vai restar para a solicitante, beneficiada com essa decisão, será provar que não repassou o respectivo encargo financeiro nas suas operações de venda, pois segundo o expressou o lente Hugo de Brito Machado não existe critério seguro para aferilo: A nosso ver, tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro são somente aqueles tributos em relação aos quais a própria lei estabeleça dita transferência. Somente em casos assim aplicase a regra do art. 166 do Código Tributário Nacional, pois a natureza a que se reporta tal dispositivo legal só pode ser a jurídica, que é determinada pela lei correspondente, e não por meras circunstâncias econômicas que podem, ou não, estar presentes, sem que se disponha de um critério seguro Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13732.000124/200595 Acórdão n.º 380302.472 S3TE03 Fl. 108 7 para saber quando se deu, e quando não se deu, tal transferência. [grifei] MACHADO, Hugo de brito, apud FREITAS, Leonardo e Silva de Almendra. Da legitimidade do contribuinte substituído para pleitear a restituição do indébito à guisa de ICMS/ST: da inaplicabilidade do art. 166 do CTN. Revista Tributária e de Finanças Públicas, São Paulo, ano 14, n. 68, p. 197, maio/jul. 2006 A cultura jurídica do Conselheiro Belchior, respaldada na extensa bibliografia citada, vai ao encontro da jurisprudência do STJ, plasmada no REsp no 648.288 PE (2004/00445253), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO FINSOCIAL DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF COMPENSAÇÃO EMPRESA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS ILEGITIMIDADE PRECEDENTES. A empresa varejista, comerciante de combustíveis, não tem legitimidade para requerer a compensação de valores indevidamente recolhidos a título de Finsocial, haja vista que quem recolhe a exação é o substituto tributário. Recurso especial conhecido mas improvido. Mérito: indébitos por inclusão do IPI na base de cálculo das contribuições sociais pagas pelas montadoras de veículos automotores O pedido de restituição fundamentase na inconstitucionalidade do § 1°, art. 3° da IN SRF nº 54/2000, que determinava a inclusão do IPI na base de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS. Para o deslinde da questão, impende observar as disposições legais que regulam a matéria, especificamente o art. 43 da Medida Provisória no 2.158, de 24 de agosto de 2001, que reproduziu o art. 44 da MP no 1.99115/00, dispondo: Art. 43. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703 e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. (grifei) Assim, da leitura do dispositivo supracitado, verificase que a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS recolhidas pelos fabricantes e importadores de veículos, no mecanismo da substituição tributária, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, consiste no preço de venda da pessoa jurídica fabricante, sendo que a parcela referente ao IPI, assim como os demais tributos, integra este preço, estando todos embutidos no valor de venda do veículo. A recorrente rechaça o disposto na Instrução Normativa expedida pela SRF nº 054/00, §1º do art. 3º, com a seguinte redação: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN 8 Art. 3º. Para efeito do disposto no artigo anterior, as contribuições serão calculadas com base no preço de venda do fabricante ou importador. § 1º. Considerase o preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação.(grifei) Essa disposição apenas explicitou o já contido no art. 43 da MP nº 2.158 35/01. Com efeito, a observância do comando acima previsto é irrelevante para a determinação da base de cálculo das referidas contribuições, devidas pelos comerciantes varejistas de veículos, uma vez que não colide com as disposições empreendidas pela MP nº 2.15835/01, levandose em conta, precipuamente, o fato de que a parcela correspondente ao IPI sempre integrou o preço de venda do fabricante, sendo destacado apenas para fins de apuração. Ou seja, antes mesmo da edição da referida instrução normativa, a parcela do IPI já estava contemplada no preço de venda determinado pelo fabricante, que consubstancia a base de cálculo estipulada para as referidas exações devidas pelos comerciantes varejistas de veículos, de acordo com o parágrafo único do art. 43 da MP nº 2.15835/01. De outra banda, estabeleceu o art. 3º, § 2º, I, da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, a possibilidade de exclusão do IPI da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, assim dispondo: Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo curso de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenha sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 3º 'omissis' Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13732.000124/200595 Acórdão n.º 380302.472 S3TE03 Fl. 109 9 §4º 'omissis' §5º 'omissis' (grifei) Ocorre que, ao contrário do que alega a recorrente, a hipótese de exclusão do IPI da base de cálculo das contribuição ao PIS e da COFINS, assentada neste dispositivo, destinase tãosomente à pessoa jurídica contribuinte do IPI. Sendo assim, tal isenção em nada lhe aproveita, pois, conforme sublinhado, as referidas contribuições devidas por ela são calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante de veículos, incluindose nele a parcela do IPI devida pelo sujeito passivo da exação, no caso dos autos, o fabricante e o importador de veículos. Por conseguinte, não há falar em ilegalidade do par. 1º do art. 3º da INSRF no 054/00, na medida em que o disposto neste instrumento normativo apenas explicitou o já contido no art. 43 da MP nº 2.15835/01. Acrescentese que, ao indeferir o pleito, a decisão recorrida conformouse à jurisprudência dominante deste Conselho e do STJ, no sentido de ser legítimo o art. 3º, § 1º, da Instrução Normativa – SRF no 54, de 2000, pois, no regime de substituição tributária, o IPI não pode ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins, diante da ausência de norma autorizadora. Confiramse, nesse sentido, os seguintes precedentes: AgRg no REsp 671.079/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell, DJe de 13.11.2009; AgRg no REsp 1.058.330/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.3.2009; REsp 881.370/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.4.2008; REsp 983.277/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 21.11.2007; REsp 953.014/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 17.9.2007; AgRg no REsp 663.487/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 4.6.2007. Impende por fim considerar que a jurisprudência desta Corte Administrativa também já assentou que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo, na linha da Súmula CARF nº 2. Conclusões Com essas considerações e com os próprios fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 2012 Alexandre Kern Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13732.000124/200595 Interessada: HALEN VEÍCULOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.472, de 15 de fevereiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 15 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000569/2010-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 02/01/2005 a 30/11/2008
GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO
DA MULTA.
Apresentar GFIP é dever legal, sendo passível de autuação fiscal o contribuinte que descumprir a lei.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei nº 8.212/91.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
CIÊNCIA DO CRÉDITO FISCAL. DOMICÍLIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE.
Indefere-se
o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em
nome do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto n.° 70.235, de 1972, art. 23, § 4º , com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.196/2005.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.281
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, mantida a decisão de primeira instância administrativa. Ausência Momentânea Conselheiro Gustavo Vettorato.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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FATOS GERADORES Recorrente ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL CENTENÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/01/2005 a 30/11/2008 GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Apresentar GFIP é dever legal, sendo passível de autuação fiscal o contribuinte que descumprir a lei. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n º 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CIÊNCIA DO CRÉDITO FISCAL. DOMICÍLIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. Indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto n.° 70.235, de 1972, art. 23, § 4º , com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.196/2005. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantida a decisão de primeira instância administrativa. Ausência Momentânea Conselheiro Gustavo Vettorato. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.000569/201039 Acórdão n.º 280301.281 S2TE03 Fl. 110 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.000569/201039 Acórdão n.º 280301.281 S2TE03 Fl. 111 3 Relatório DO LANÇAMENTO O Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA n° 37.234.8572, de 04/03/2010, foi lavrado por ter sido constatado que a autuada apresentou GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, competências 01/2005 a 11/2008, com informações incorretas ou omissas, conforme relatado nos Relatórios Fiscais da Infração e de Aplicação da Multa, o que constitui infração ao art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, e redação da Medida Provisória MP n° 449, de 04.12.08, transformada na Lei 11.941/2009. Deixaram de ser informados em GFIP os valores pagos em decorrência de serviços prestados à autuada por cooperativas de trabalho médico e odontológico (de 01/2005 a 11/2007, 02 a 07/2008 e 09 a 11/2008) e os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais (de 09 a 11/2008). Foi aplicada a multa com fundamento no art. 32A, "caput", inciso I e § 3°, da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009 e em respeito ao disposto no art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN. Junta cópia de contratos firmados e notas fiscais/faturas emitidas pelas prestadoras de serviço, por amostragem. Foram emitidas Representações Fiscais para Fins Penais pela ocorrência, em tese, dos ilícitos de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita previdenciária. Foi aplicada a multa mais benéfica em decorrência da edição da Medida Provisória MP 449/2008, transformada posteriormente na Lei 11.941/2009 e do contido no art. 106, inciso II, "c", do CTN, para as competências até 11/2008. Apresenta planilhas comparativas anexas. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 10/12/2009, fl. 23 dos autos em meio papel, inconformado o contribuinte apresentou impugnação, fls. 53 a 61. O órgão de primeira instância administrativa fiscal julgou o lançamento procedente em parte, fls. 86 a 92, excluindo do valor da multa aplicada a competência 09/2008. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 06/09/2010, fl. 96, inconformado interpôs recurso voluntário em 07/10/2010, fls. 93 a 104, alegando em síntese: a decadência do período 01/2005 a 03/2005; para todo o período do Auto Infração, o limite de 20% previsto no artigo 61 da Lei 9.430/96 deve prevalecer sobre qualquer outra previsão legal; por fim, requer que todas as notificações e intimações sejam realizadas exclusivamente em nome do patrono do Impetrante, DR. OCTAVIO TEIXEIRA BRILHANTE USTRA, OAB/SP N2 196.524. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.000569/201039 Acórdão n.º 280301.281 S2TE03 Fl. 112 4 É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.000569/201039 Acórdão n.º 280301.281 S2TE03 Fl. 113 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 108, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Quanto à decadência do período 01/2005 a 03/2005, alegada pelo contribuinte, a mesma não merece prosperar. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em concreto, tratase de lançamento de ofício por intermédio de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. O contribuinte apresentou GFIP com informações incorretas ou omissas. Deixou de informar em GFIP os valores pagos em decorrência de serviços prestados à autuada por cooperativas de trabalho médico e odontológico (de 01/2005 a 11/2007, 02 a 07/2008 e 09 a 11/2008) e os valores pagos a Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.000569/201039 Acórdão n.º 280301.281 S2TE03 Fl. 114 6 segurados empregados e contribuintes individuais (de 09 a 11/2008). Destarte, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Para a autuação fiscal relativa as competências 01/2005 a 11/2008, não há que se falar em decadência, pois o contribuinte foi cientificado da autuação em 10/12/2009, fl. 23. Para a competência mais remota (01/2005) a contar de 01 de janeiro de 2006 só fluiria o prazo decadencial em 01/01/2011. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Foi aplicada a multa, corretamente, com fundamento no art. 32A, "caput", inciso I e § 3°, da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009 e em respeito ao disposto no art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN (retroatividade benigna). Assim, não pode ser aplicado o limite de 20% previsto no artigo 61 da Lei 9.430/96 para todo o período da autuação, como quer o contribuir, pois se refere a multa de acréscimo moratório para débitos não pagos no prazo previsto pela legislação (multa moratória). A autuação fiscal se refere a multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória. São multas distintas, inclusive com dispositivos legais diferentes. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV docaputdo art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto n.° 70.235, de 1972, art. 23, § 4º , com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.196/2005. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso, mantida a decisão de primeira instância administrativa. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.000569/201039 Acórdão n.º 280301.281 S2TE03 Fl. 115 7 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10711.726252/2012-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração lavrado por servidor competente, disponibilizado o direito de defesa e com a devida previsão legal para todos os valores lançados.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3003-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares de nulidade no auto de infração e prescrição intercorrente, acolhendo a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração lavrado por servidor competente, disponibilizado o direito de defesa e com a devida previsão legal para todos os valores lançados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
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NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração lavrado por servidor competente, disponibilizado o direito de defesa e com a devida previsão legal para todos os valores lançados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares de nulidade no auto de infração e prescrição intercorrente, acolhendo a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni. Relatório Trata o presente processo de auto de infração com exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 62 52 /2 01 2- 41 Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 Devidamente cientificada, a interessada trouxe na impugnação como alegações entender não ter descumprido prazo uma vez estarem suspensos até 01/04/2009, não ter agido com dolo ou má-fé, e pleiteou o chamamento do consignatário e agente desconsolidador US GLOBAL LOGÍSTICA DO BRASIL LTDA. ao polo passivo do correspondente processo, pugnando, ao final, pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação nos termos do Acórdão juntado aos autos. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega, preliminar de prescrição intercorrente, nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido e ilegitimidade passiva da recorrente. É o Relatório. Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração, no valor de R$ 5.000,00, para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. (Grifado) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 02/14), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 130.805.207.595.939, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Master (MBL) CE 130.805.201.953.809, conforme explicitado no trecho colacionado abaixo: Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: [...] d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 No caso, como a prestação de informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas em 04/11/2008, às 20:50:17h, (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos/SP, ocorrida no dia 31/10/2008, às 20:06:00h, caracterizando a conduta infracionária em apreço. Apresentadas essas breves considerações, passa-se a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Sobre eventual nulidade no auto de infração, o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente, no caso o auditor fiscal do porto alfandegado de escala da embarcação que transportou a carga. Apesar de proceder a informação da recorrente, suscitada apenas em sede recursal, de que a referida Escala e Manifesto guardam relação com a embarcação CAP MORETON – 9408774 e não com a embarcação MARUBA CRISTINA conforme consta na autuação, tal incorreção não resultou em prejuízo para o sujeito passivo e a descrição dos fatos, a capitulação legal e as provas juntadas ao processo, conforme já abordado acima, permitem a correta compreensão da acusação que lhe é imposta, não se verificando qualquer preterição ao direito de defesa da recorrente relativa à autuação. A atividade administrativa é vinculada e obrigatória nos termos do art. 142 do CTN e havia previsão legal para todos os valores lançados razão pela qual não vislumbro qualquer nulidade no auto de infração. Quanto a alegação de que o lapso temporal entre a impugnação e o seu julgamento acarretaria eventual prescrição intercorrente, não assiste razão ao recorrente. A demora excessiva por conta da administração pública na prática dos atos processuais, inclusive para proferir decisões, poderia, em tese, suscitar a ocorrência da prescrição intercorrente. Entretanto, a jurisprudência é pacífica quanto a inexistência desse instituto no âmbito do processo administrativo fiscal: RECURSO ESPECIAL - PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - PROCESSO ADMINISTRATIVO. 1. O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN só se inicia com a apreciação, em definitivo, do recurso administrativo (art.151, inciso III, do CTN). Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 3. Recurso especial conhecido e não provido .(STJ,REsp 1197885 /SC, DJe 22/09/2010) (grifou-se) Esse também é o entendimento da Primeira Seção do e. STJ, que, no julgamento do Recurso Especial nº 1.113.959/RJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos, na relatoria do Ministro Luiz Fux, assim decidiu: "(...) o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica" (REsp 1.113.959/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2010). Apesar da natureza aduaneira, de controle do comércio exterior, da infração constante no presente processo, o Decreto-Lei n. 37/66 prevê que a sua apuração se dará mediante processo fiscal: TÍTULO V - Processo Fiscal CAPÍTULO I - Disposições Gerais Art.118 - A infração será apurada mediante processo fiscal, que terá por base a representação ou auto lavrado pelo Agente Fiscal do Imposto Aduaneiro ou Guarda Aduaneiro, observadas, quanto a este, as restrições do regulamento. Parágrafo único. O regulamento definirá os casos em que o processo fiscal terá por base a representação. Na mesma linha vai o Regulamento Aduaneiro, Decreto n. 6.759/2009, no seu Art. 768, reiterando a aplicação do processo administrativo fiscal ao caso: TÍTULO II - DO PROCESSO FISCAL CAPÍTULO I - DO PROCESSO DE DETERMINAÇÃO E EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Art.768.A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972 (Decreto-Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, art. 2º; e Lei nº 10.336, de 2001, art. 13, parágrafo único). §1º O disposto no caput aplica-se inclusive à multa referida no § 1º do art. 689. §2º O procedimento referido no § 2º do art. 570 poderá ser aplicado ainda a outros casos, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Quanto a alegação de enquadramento na Lei nº 9.873/99 a própria norma traz dispositivo expresso afastando tal possibilidade, em seu art. 5º: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Ao excepcionar “processos e procedimentos de natureza tributária”, a referida Lei remete diretamente ao Decreto nº 70.235/72, que rege o PAF – Processo Administrativo Fiscal, norma jurídica que trata dos “processos de natureza tributária” em âmbito federal e demais procedimentos submetidos ao seu rito processual, abrangendo o contencioso administrativo de competência desse Conselho, inclusive a infração constante no presente processo, consoante legislação retro colacionada, razão pela qual entendo que não se aplica ao caso. De qualquer forma esta matéria foi consolidada no CARF sob a Súmula nº 11 conforme Enunciado: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo-fiscal. Ressalvo ainda que o crédito em discussão não está definitivamente constituído e encontra-se com a exigibilidade suspensa, visto que o seu recurso voluntário está sendo apreciado, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Destarte, existindo recurso administrativo pendente de julgamento, não corre o prazo prescricional. Essa Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 inclusive é a ratio decidendi (tese jurídica) constante na maioria dos precedentes da Súmula Vinculante CARF nº 11. Deste modo, entendo pela aplicação ao caso do enunciado da referida súmula que, como se sabe, é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em relação à preliminar de nulidade do acórdão recorrido, alega a recorrente que a decisão recorrida abarca relatório e argumentos absolutamente estranhos ao caso concreto e, especialmente, a argumentação impugnativa do administrado. De fato, o acórdão recorrido não abordou a ilegitimidade passiva da recorrente, especialmente a alegação de que não poderia ser penalizado em substituição do representado US GLOBAL LOGÍSTICA DO BRASIL LTDA, que consta como Agente Desconsolidador e Consignatário do CE. Mercante Genérico n° 130.805.201.953.809, que, a principio, são questões de fato relevantes para o julgamento, bem como tratou de questões que não foram matéria de defesa alegadas pela recorrente. Nota-se, portanto, que há uma clara dissonância entre a conduta autuada, o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Assim, verifica-se que o acórdão recorrido, além de ter tratado de situação não relacionada à presente contenda, deixou de discorrer sobre tópicos específicos constantes da impugnação apresentada. Sendo assim, não resta dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Ou seja, verifica-se que a DRJ, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto e da referida documentação anexada aos autos. No meu entender, portanto, a decisão recorrida reveste-se de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59 São nulos: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, pela nulidade acatada é despiciendo analisar os demais pontos de defesa.. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de, rejeitar as preliminares de nulidade no auto de infração e prescrição intercorrente, acolhendo a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 116DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-002.291 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726252/2012-41 Fl. 117DF CARF MF Original
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