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Numero do processo: 11065.724114/2015-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos não acolhidos.
Numero da decisão: 3401-006.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos não acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos não acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 41 14 /2 01 5- 03 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11065.724114/201503 Acórdão n.º 3401006.196 S3C4T1 Fl. 427 2 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela União (Fazenda Nacional) em face do acórdão nº 3401005.228, proferido por esta Turma em sessão realizada em 27 de agosto de 2018, sob minha relatoria. O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. FALTA DE REGULAMENTAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 CTN. ERRO DE FUNDAMENTAÇÃO. O parágrafo único do art. 116 do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, tratase de regra antidissimulação, e prevê a possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária que até o momento não foi editada, não podendo, portanto, ser utilizado como fundamento da decisão. 2. Alega a Embargante que o julgado incorre em OMISSÃO, pois: o presente lançamento foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova de lançamento de IRPJ (PTA 11065.720334/201711), como verdadeiro lançamento reflexo deste imposto, a competência para sua apreciação e julgamento é da 1ª Seção de Julgamento, na forma do art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (a) 4ª Câmara da 2ª Turma da 3ª Seção, em 30 de agosto de 2018, quando, por meio da Resolução nº 3402001.411, no processo nº 11065.720375/201716 , a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, propôs que aquele processo também da VIA ITALIA fosse declinado para a 1ª Seção em razão justamente dessa conexão com os elementos de prova 3. Além disso, aponta a embargante a existência de CONTRADIÇÃO na decisão, pois foi aplicado o VTM, mas: “a fiscalizada importava produtos por encomenda e os revendia diretamente para outra, com identidade e confusão patrimonial entre as partes, com o objetivo único e exclusivo de alcançar o consumidor final. Logo, tratavase de importadora e revendedora. Nunca foi atacadista, pois a referida sociedade empresária já visa o consumidor final”. 4. Isto porque “ninguém compra Ferraris, Masseratis e Lamborghinis no mercado atacadista, e sim, sempre no mercado de varejo”. Pontua ainda a Embargante que a fiscalizada é representante única e exclusiva das marcas italianas de carros de alto luxo no país, razão pela qual não há que se falar em mercado atacadistas nesse segmento e tampouco em aplicação do VTM, visto que os veículos são comercializados diretamente ao consumidor final no Brasil. 5. Os Embargos foram parcialmente admitidos pela presidência da Turma tão somente para apreciação da OMISSÃO apontada e encaminhados para minha relatoria. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11065.724114/201503 Acórdão n.º 3401006.196 S3C4T1 Fl. 428 3 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. Os Embargos apresentam os requisitos de admissibilidade previstos na legislação, e, portanto, deles tomo conhecimento. 7. Em relação à suposta omissão alegada, vejamos o que dispõe o art. 6º do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11065.724114/201503 Acórdão n.º 3401006.196 S3C4T1 Fl. 429 4 8. Percebese que não assiste razão à embargante. 9. Diferentemente do precedente citado, Resolução nº 3402001.411, no processo nº 11065.720375/201716, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, no caso concreto não há como se falar em lançamento reflexo, a uma porque se abstrai do relatório de ação fiscal, colacionado às fls. 14 e seguintes, que os presentes autos de infração se originaram de procedimento fiscal cujo escopo foi analisar os procedimentos da fiscalizada no que tange à apuração do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI em concordância com a legislação correlata em relação aos anoscalendário de 2011 a 2013. 10. Dessa forma, sequer é conclusivo que os autos de infração discutidos nos autos do processo administrativo nº 11065.720334/201711 e os autos de infração discutidos nos presentes autos possuam origem no mesmo procedimento fiscal. 11. A embargante não trouxe quaisquer elementos comprobatórios ou suficientes para demonstrar que se trata de lançamento reflexo. 12. Isto posto, não há como aplicarmos conclusão semelhante aos presentes autos, não se podendo aplicar o prescrito, portanto, no § 4 do art. 6 do RICARF. 13. Devese anotar ainda que os embargos de declaração não são o instrumento adequado para discutir a controvérsia de posições entre as diferentes turmas, devendo a Fazenda Nacional utilizar o recurso adequado caso entenda conveniente e adequado. 14. Nestes termos, voto por conhecer, mas rejeitar os embargos opostos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720072/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A ausência de pagamento antecipado do tributo atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial referente ao lançamento de ofício.
FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO.
O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção.
No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507.
Numero da decisão: 2202-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A ausência de pagamento antecipado do tributo atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial referente ao lançamento de ofício. FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
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FPAS. Recorrente JBS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A ausência de pagamento antecipado do tributo atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial referente ao lançamento de ofício. FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 72 /2 01 3- 28 Fl. 4088DF CARF MF 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de DEBCAD nº 37.365.6726, atinente ao anocalendário 2008, e relativo a contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, destinadas ao Serviço Social da Indústria – SESI (1,5%), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1,0%), e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 531. Conforme o relatório fiscal (fls. 411/421), a autuação se refere às contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. A fiscalização considerou que somente os empregados do setor de abate poderiam ser enquadrados no FPAS 531, sendo que os demais deveriam ser enquadrados no FPAS 507, de acordo com o art. 137 e Anexo II da IN SRP nº 03/05, vigente à época, e tendo em vista que a atividade preponderante da empresa é a industrialização dos insumos adquiridos. Consta do relato fiscal a informação de que o setor de abate é definido como o setor que abarca as seguintes atividades: (i) recepção dos animais; (ii) condução e lavagem; e (iii) atordoamento, sendo que somente os valores referentes a essas atividades poderiam ser lançados com o FPAS 531. Não obstante impugnada (fls. 3691/3744), a exigência foi mantida pela instância de piso (fls. 3855/3860), consoante acórdão cuja ementa se transcreve na sequência: AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, inclusive os relatórios DD Discriminativo do Débito e RL Relatório de Lançamentos, os quais discriminam, por estabelecimento e competência, as bases de cálculo Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.089 3 apuradas, as alíquotas aplicadas, as contribuições exigidas, e os acréscimos legais (multa e juros) devidos. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP´s Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de sua própria elaboração. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuições devidas a Terceiros, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA.CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, inclusive os relatórios DDDiscriminativo do Débito e RL Relatório de Lançamentos, os quais discriminam, por estabelecimento e competência, as bases de cálculo apuradas, as alíquotas aplicadas, as contribuições exigidas, e os acréscimos legais (multa e juros) devidos. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP´s Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de sua própria elaboração. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuições devidas a Terceiros, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua Fl. 4090DF CARF MF 4 compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. Não compete à autoridade julgadora apreciar pedido de restituição e declaração de compensação, tarefas reservadas a outras autoridades administrativas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o artigo 10 do Decreto 7.574/2011. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 7.574/2011. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados lotados no setor de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507. Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.090 5 Tal feito deu ensejo à interposição de recurso voluntário em 27/06/2013 (fls. 3779/3844), no qual foi alegado, conforme síntese efetuada pelo relator da Resolução nº 2402 00.519 (fl. 3858): a) o entendimento da fiscalização de que só o setor de abate pode ser enquadrado no FPAS 531 é incorreto, pois todos os procedimentos realizados até a serragem da carcaça ao meio compõem o setor de abate, devendo ser realizada diligência para determinar até qual procedimento se enquadra no setor de abate; b) o resfriamento e a desossa, procedimentos realizados após o abate, também devem ser qualificados como indústria rudimentar, devendo ser igualmente enquadrados no FPAS 531, eis que não há transformação, nessas fases, de matéria prima em bens de consumo ou produção, que é a definição de indústria que se enquadra no FPAS 507; c) vício do auto de infração, pois este teria sido lavrado contra a matriz incorretamente, uma vez que os fatos são relativos às filiais, não havendo sequer Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) relativo a estas, devendo se considerar que a competência para fiscalizar e cobrar é da DRF competente pela jurisdição de cada filial. d) a decadência relativa à competência 01/2008; e e) caso não seja esse o entendimento, pleiteia o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. À ocasião daquela Resolução, datada de 26/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência para que se procedesse à exata definição das atividades que compõem o setor de abate e qual o critério adotado para essa definição. Realizada tal providência (fls. 3925/3936), e manifestandose o contribuinte sobre o feito (fls. 3948/3957), retornou o processo ao CARF, sendo exarada a Resolução nº 2202000.817 em 07/06/2018 (fls. 3966/3969), determinando fosse intimado o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência. Efetuada a diligência requerida, com posterior nova manifestação do autuado (fls. 3977/4078), os autos retornaram ao Colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 4092DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. O contribuinte alega ter ocorrido a decadência do lançamento cientificado em 31/01/2003 relativamente ao período de apuração jan/08, postulando a aplicação do prazo preconizado no art. 150, § 4º do CTN, pois "não há qualquer acusação de fraude, dolo ou simulação". A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/08/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil então vigente), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. .INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos meus e do original) O STJ, desse modo, se posicionou no sentido de que a atividade objeto de homologação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 150 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), tem por objeto o pagamento antecipado do tributo, ainda que em montante Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.091 7 menor que o devido, e não outro eventual proceder do contribuinte correlacionado com a apuração do fato gerador. A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343/2015). Notese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também vem reiteradamente se pronunciando nesse sentido, conforme evidenciam, ilustrativamente, os acórdãos do Pleno de nº 9900000.227 (p. 09/05/2014) e nº 9900000.278 (p. 01/04/2014). Destaquese que não basta então a inexistência de dolo, fraude, ou similar, como pugna o recorrente, para a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN; é necessário também que tenha havido antecipação de pagamento, o que não ocorreu na espécie. De acordo com o Relatório Fiscal, foram lançadas as contribuições devidas ao SESI (1,5%), SENAI (1,0%), e ao SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. Tais valores não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, e nas GFIP´s foi declarado o código FPAS 531 para estas filiais. Em suma, não houve recolhimento antecipado dessas contribuições no tocante aos períodos de apuração objeto da autuação, quedando improcedente o pleito atinente à decadência. No tocante à aludida nulidade do auto de infração por ter sido lavrado contra a matriz, e não contra cada CNPJ, adoto a fundamentação da vergastada quanto a esse ponto como razões de decidir, por bem abordar a questão: 13. A Impugnante argumenta que outra causa de nulidade do Auto de Infração em epígrafe seria o fato de não ter sido lavrado contra cada CNPJ específico, mas apenas contra a matriz. 13.1 Não assiste, porém, razão à Defendente, como segue: 13.2 A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 15, dispõe, in verbis: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; 13.3 Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física – firma individual – ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. 13.4 No entanto, cumpre distinguir entre a obrigação em si e a responsabilidade. À primeira vista, podem significar sinônimos da mesma realidade fenomênica. Contudo, tal não se mostra efetivo. Em verdade, a teoria das Fl. 4094DF CARF MF 8 obrigações, enquanto relação jurídica, e assim também o é a relação de sujeição tributária, assume uma particularidade dúplice, qual seja, a distinção entre a obrigação e a responsabilidade. 13.5 A obrigação se constitui no vínculo jurídico pelo qual um dos sujeitos deve a outro uma prestação, e ao segundo corresponde o direito de exigir seu adimplemento: é uma relação de puro débito. Já a responsabilidade se constitui em corolário do inadimplemento da prestação obrigacional, ou seja, exsurge secundária e condicionalmente, a partir do momento em que o devedor, obrigado à prestação, não a desempenha. 13.6 Assim, embora pareçam institutos semelhantes, se diferem. Por óbvio, o inadimplemento da obrigação gera a responsabilidade que recai sobre o elemento patrimônio, pertencente ou não ao devedor originário. Dessa forma, tanto a legislação civil como a tributária definem os devedores, isto é, os sujeitos obrigados à prestação que se constitui o objeto da relação jurídica, e, após isto, definem os responsáveis, isto é, pessoas que podem ou não coincidir com a pessoa do devedor originário, daí advindo que a definição de sujeito devedor pode conduzir à definição do responsável, mas não o contrário. 13.7 Muito embora o lançamento seja, ao final, consolidado no estabelecimento matriz, enquanto titular organizacional da empresa, de rigor reconhecer que cada conjunto de informações relativo ao lançamento, como a identificação da base de cálculo, o enquadramento em alíquotas, devem ser devidamente demonstrados de forma segregada, devendo haver a consideração de créditodébito em relação a cada estabelecimento. 13.8 No presente caso, pelas Planilhas Demonstrativas “Setor de Abate” e “SESI/SENAI/SEBRAE” juntadas às fls. fls. 422/3.638, em cotejo com o DD – Discriminativo do Débito (fls. 346/379), e RL – Relatório de Lançamentos (fls. 385/407), integrantes do Auto de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições ao SESI, SENAI e SEBRAE, objeto da autuação em comento. 13.9 Assim, ao contrário do que afirma a Impugnante, foi plenamente respeitada a regra de que cada estabelecimento da empresa, embora não provido de personalidade jurídica distinta, é devedor das contribuições de Terceiros cujos fatos geradores tenha praticado, ainda que o lançamento se consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz. 13.10 No que se refere ao Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 02/03), mais uma vez o Contribuinte faz confusão entre os institutos da obrigação e da responsabilidade. No MPF consta, claramente, que está identificado o Contribuinte/Responsável, no caso, a matriz CNPJ 02.916.265000160. 13.11 Ante todo o exposto, o presente Auto de Infração DEBCAD 37.365.6726 encontrase revestido das formalidades legais, gozando de liquidez e certeza, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, artigo 37 da Lei nº 8212/91, e artigo 142 do CTN, observados os princípios da motivação, verdade material, e da legalidade dos atos administrativos, e propiciando o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. No que diz respeito à questão de fundo, temse que as entidades ou fundos para os quais dada pessoa jurídica deve contribuir estão vinculadas à atividade empresarial por Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.092 9 ela desenvolvida, consoante respectivo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, de acordo com o art. 137 da IN MPS/SRP nº 03/05, vigente à época do lançamento. As alíquotas associadas são identificadas por meio do enquadramento na Tabela de Alíquotas em conformidade com o código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social, enquadramento esse realizado pelo próprio sujeito passivo: Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre §2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os §§ 1° e 2° do art. 581 da CLT. (...) ANEXO II 2.ATIVIDADES SUJEITAS A ENQUADRAMENTOS ESPECÍFICOS 2.1.CONCEITOS PARA ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADES NO CÓDIGO FPAS (...) Indústria. Para fins de recolhimento das contribuições sociais destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, entendese como indústria (FPAS 507) o conjunto de atividades destinadas à transformação de matériasprimas em bens de produção ou de consumo, servindose de técnicas, instrumentos e maquinarias adequados a cada fim. Configura indústria a empresa cuja atividade econômica do setor secundário que engloba as atividades de produção e transformação por oposição ao primário (atividade agrícola) e ao terciário (prestação de serviços). Indústria rudimentar. Para fins de recolhimento das contribuições sociais destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, entendese como indústria rudimentar (FPAS 531) o conjunto de atividades destinadas à produção de bens simples, para industrialização ou consumo, nos quais o processo produtivo é de baixa complexidade. (...) Indústrias relacionadas no art. 2º do Decretolei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970. A relação é exaustiva e se refere a indústrias rudimentares, as quais, por força do dispositivo, contribuem para o Incra e não para o Sesi e Senai. Tratandose de pessoa jurídica classificada como indústria e que empregue no processo produtivo matériaprima ou produto Fl. 4096DF CARF MF 10 oriundo da indústria rudimentar a que se refere o art. 2º do Decretolei nº 1.146, de 1970, serão devidas contribuições de acordo com o FPAS 507 e código de terceiros 0079. 2.2.RELAÇÃO DE ATIVIDADES SUJEITAS A ENQUADRAMENTOS ESPECÍFICOS I INDÚSTRIAS RELACIONADAS NO ART. 2º DO DECRETOLEI Nº 1.146, DE 1970. O dispositivo relaciona indústrias rudimentares destinadas à produção de bens simples, para industrialização ou consumo, para os quais se emprega processo produtivo de baixa complexidade. (...) Os frigoríficos enquadramse no FPAS 507, relativamente aos empregados que trabalham no setor industrial, e no FPAS 531, quanto aos empregados envolvidos diretamente com a matança (indústria rudimentar), conforme discriminativo da Tabela 1 do Anexo II da IN SRP nº 03/05: Vale ressaltar que a IN SRP nº 03/05, no § 3º de seu art. 139, assim regra sobre a fiscalização do enquadramento realizado pelo sujeito passivo: Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3º da Lei nº 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 1º O recolhimento dessas contribuições deve ser efetuado juntamente com as contribuições devidas pelo sujeito passivo à Previdência Social, observados os § § 2º, 6º, 9º e 10. (...) Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.093 11 § 3º Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Conforme já relatado, o contribuinte enquadrou todos os estabelecimentos objeto de autuação como sendo de FPAS 531, o que foi objeto de exame da autoridade fiscal. Porém não é demasiado anotar que o SESI/SENAI enviou o Comunicado SESI/SENAI/SP DJ/GC/00474/2010, comunicando sobre a existência de enquadramento indevido quanto ao código FPAS, em alguns estabelecimentos da empresa. Chegase, então, ao cerne da controvérsia, ou seja, delimitar a abrangência da atividade de abate, dentro da indústria de processamento de carne bovina, realizada pelo frigorífico. Para a fiscalização, o setor de abate compreende tão somente as atividades de (i) recepção de animais, (ii) condução e lavagem e (iii) atordoamento de animais. Após diligência realizada em estabelecimento da empresa (fls. 3925/3936), a autoridade fiscal reiterou seu entendimento, pois: ...após o atordoamento dos animais todas as demais atividades realizadas pela Contribuinte contam com conjunto de métodos de produção industrial, a utilização de maquinários, intensa tecnologia para produção em larga escala. Verdadeira linha de produção industrial. Afastamse por completo de uma atividade rudimentar de baixa complexidade ou de processos artesanais. Além disso, ressaltou que à época do lançamento o contribuinte não informou quais seriam as outras atividades passíveis de serem enquadradas como rudimentares e inclusas no setor de abate. Já o recorrente entende que o setor de abate engloba outras atividades além dessas, quais sejam: (i) a atividade de içar o boi; (ii) cortar a carótida; (iii) rastreamento/tipificação para checar a origem do animal; (iv) a sangria; (v) a esfola; (vi) a atividade de tirar o couro; (vii) evisceração; (viii) separação das vísceras; e (ix) serragem da carcaça ao meio. Para ele, somente com a serragem da carcaça ao meio é que se encerra o setor de abate, iniciandose após essa fase o resfriamento e a desossa. Nesse sentido, e em contraponto às conclusões da diligência fiscal, diante da mesma realidade fática busca enfatizar o que considera uso intensivo de mãodeobra nas atividade posteriores ao atordoamento das reses, conforme manifestação (fls. 3948/3957) da qual se extrai os seguintes excertos exemplificativos: Exemplificativamente, a Manifestante cita a atividade de corte da carótida. Essa atividade é desenvolvida por funcionário apto para tanto, com a ajuda de 2 (duas) facas, sendo 1 (uma) delas com capacidade de perfuração e outra com capacidade de corte. Podese afirmar que todo o trabalho é desenvolvido de forma manual. (...) Fl. 4098DF CARF MF 12 As planilhas acostadas pela própria Autoridade Fiscal às fls. 422 a 3641, formuladas na lavratura do Auto de Infração atestam, de forma inequívoca, a quantidade abundante de mão deobra humana utilizada pela Manifestante nas atividades que compõem o setor de abate, que compreendem: içar o boi, cortar a carótida, rastrear/tipificar para checar a origem do animal, sangria, esfola, atividade de tirar o couro, evisceração, separação das vísceras e serragem da carcaça ao meio. Concluise, deste modo, que as atividades de içar o boi, cortar a carótida, rastrear/tipificar para checar a origem do animal, sangria, esfola, atividade de tirar o couro, evisceração, separação das vísceras e serragem da carcaça ao meio compreendem o setor de abate e são desenvolvidas por meio de mãodeobra humana, com pequeno auxílio de tecnologia, notadamente no que se refere à locomoção de animais dentro do setor, fato que não descaracteriza a baixa complexidade do processo produtivo desenvolvido pela Manifestante. O que se constata então é que diante dos mesmos procedimentos e situações, o autuado defende a existência de indústria rudimentar, "desenvolvida por meio de mãode obra humana, com pequeno auxílio de tecnologia, notadamente no que se refere à locomoção de animais dentro do setor", enquanto a fiscalização verifica "a utilização de maquinário intensa tecnologia para produção em larga escala. Verdadeira linha de produção industrial". Ora, abate é a matança de animais para consumo, sendo difícil conceber que empregados envolvidos em etapas posteriores à morte do animal possam ser abrangidos nos afazeres de indústria rudimentar, visto que a definição das atividades de frigorífico vinculadas a esse FPAS 531 requerem que os empregados estejam "diretamente envolvidos com a matança". Dessa feita, os empregados alocados em setores como "bucharia", "desossa", "rotulagem", "cozimento/enlatamento", "evisceração" e tantas outros presentes nas planilhas disponibilizadas pelo sujeito passivo não se adequam, à evidência, no conceito de funcionários "diretamente envolvidos com a matança". De outra parte, ainda que pareça razoável que os empregados envolvidos em atividades tais como "corte da carótida" e "sangria" estejam abarcados no aludido conceito normativo pois a morte do animal pode ocorrer não no momento no atordoamento, mas somente na etapa posterior da sangria o fato é que nas planilhas colacionadas aos autos às fls. 422/3641 não estão tais pessoas discriminadas de maneira apartada e transparente, de modo a permitir sua eventual exclusão para fins de recálculo da exigência tributária. Nem ao menos, registrese, aponta o recorrente quais lotações lá constantes corresponderiam ou englobariam as atividades em comento. Reiterese que não foi a autoridade lançadora, a seu alvitre, que definiu que apenas os empregados envolvidos diretamente com a matança poderiam ser enquadrados sob o FPAS 507, mas sim a IN SRP nº 03/05, no seu Anexo II, que assim dispôs. Poderia o recorrente, ao menos, ter carreado aos autos estudos acadêmicos, publicações ou mesmo normas/pareceres de órgãos públicos que regulamentam a sua atividade (vg, estudos do Ministério da Agricultura, da Embrapa, etc.) de modo a embasar com maior tecnicidade seus argumentos quanto à abrangência do setor de abate, ou à definição de indústria rudimentar. Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.094 13 Limitouse, contudo, a tecer considerações genéricas sobre tais temas, as quais se revelam insuficientes para a reforma do lançamento. Demandou o recorrente, ainda, o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. Todavia, a informação em diligência que atendeu os termos da Resolução nº 2202000.817 deixou claro a improcedência das alegações pertinentes ao convênio estadual, conforme lá aduzido à guisa de conclusão (fls. 4064/4070): 3.9 Em relação aos fatos geradores do ano 2008, o lançamento fiscal não merece reparos, eis que o Convênio firmado com o SESI, na data de 03/09/2008, somente teve seus efeitos devidas ao SESI, SENAI e SEBRAE, do ano de 2008, por meio de Guia da Previdência Social (GPS). Como não efetuou o recolhimento, foi devidamente autuada por esta fiscalização. 3.10 Subsidiariamente a isso, mesmo que o Convênio alcançasse parte do período de 2008, vêse que o referido acordo somente teria valia em relação aos estabelecimentos 000836;001131; 001727; 002707; 002960; 003509, os quais não foram objeto de lançamento de auto de infração em relação ao ano de 2008. Logo, não se faz necessário discussão sobre o alcance do Convênio. 3.11 É de se dizer, por qualquer lado que se possa avistar, que o lançamento deve ser mantido. Intimada a se manifestar sobre tais esclarecimentos, nada opôs com relação a tal ponto, não levantando discordância (fls. 4076/4078). E, quanto à pretensão de "repasse" dos valores destinados ao INCRA, pagos a maior, a órgãos diversos SESI, SENAI e SEBRAE, vale transcrever o arrazoado vertido pela decisão vergastada quanto à matéria, por não divergir este relator dessas razões (fl. 3370): 17. No presente caso as filiais objeto da autuação classificaramse integralmente no código FPAS 531, quando a classificação correta para os empregados não alocados no setor de abate seria o código FPAS 507, conforme apurado pela Fiscalização e ratificado neste voto. 17.1 No caso concreto, diante dos códigos FPAS envolvidos, temse que no código FPAS 531 a contribuição ao INCRA é feita no percentual de 2,7%, e no código FPAS 507 a contribuição ao INCRA é no percentual de 0,2%. 17.2 No que se refere aos empregados reenquadrados no FPAS 507, de fato houve um recolhimento a maior do INCRA. Neste caso, caberá ao Contribuinte pleitear sua restituição, em processo específico, ou realizar a compensação, consoante as regras previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2002, publicada no Diário Oficial da União em 21/11/2012. 17.3 Observe que as disposições da IN RFB nº 1.300/2012 atendem ao comando contido no art. 89 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Fl. 4100DF CARF MF 14 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) 17.4 Cabe lembrar ainda que, consoante a já citada IN RFB nº 1.300/2012, não compete à autoridade julgadora apreciar pedido de restituição e declaração de compensação, tarefas reservadas a outras autoridades administrativas. Art. 69 . A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Em síntese, então, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900891/2015-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2013
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.522
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 08 91 /2 01 5- 79 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.900891/201579 Acórdão n.º 3401006.522 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005263/2005-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91.
Conforme Súmula CARF nº 91, Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3201-005.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a matéria decidida no voto (prescrição declarada), a Unidade Preparadora prossiga na análise do pleito.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Conforme Súmula CARF nº 91, “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a matéria decidida no voto (prescrição declarada), a Unidade Preparadora prossiga na análise do pleito. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 13-21.174, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (RJ), que assim relatou o feito: 1 Trata o presente processo do pedido de restituição acostado à inicial, relativo a valores que teriam sido recolhidos indevidamente pela interessada a titulo da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Pasep, referente aos períodos de apuração de julho de 1998 a setembro de 1998 (PA 07/98 a 09/98), no montante de R$ 17.226,87 (atualizado pela taxa SELIC, conforme planilha de fls. 02/04). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 52 63 /2 00 5- 95 Fl. 123DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005263/2005-95 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba (DRF/Curitiba/PR) exarou o Despacho Decisório de fls. 21/22, indeferindo o pedido, com fundamento nos artigos 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), e considerado o disposto no Ato Declaratório SRF n° 96/99, ao entendimento de que já se encontrava prescrito o direito restituição, relativo aos pagamentos efetuados entre 31/08/1998 e 15/10/1998, com cópias acostadas As fls. 06, 07 e 09, e para os quais a existência de indébito se pretende ver reconhecida. 3 Cientificada da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 04/08/2005, consoante se observa no Aviso de Recebimento (AR) de fl. 24, a contribuinte, irresignada, apresentou, em 31/08/2005, a Manifestação de Inconformidade de fls. 26/31, alegando, em síntese, que: a) da leitura do conteúdo do Ato Declaratório SRF n° 96/99, denota-se claramente que a contagem do prazo prescricional inicia-se na data da extinção do crédito tributário, equivocando-se a autoridade julgadora, porque confunde a data da extinção com a data do lançamento realizado pela requerente; b) a data da extinção do crédito tributário é determinada pelo comando do art. 150 do CTN, e, portanto, os valores objeto do pedido de restituição, que se referem a pagamentos realizados entre 31/08/1998 e 15/10/1998, são todos passíveis de restituição, pois não foram atingidos pela prescrição, como afirmou a autoridade julgadora; c) os tributos recolhidos em 31/08/1998, relativos ao mês de julho de 1998, que é o mais antigo, de acordo com o § 4°, do art. 150, do CTN, foi considerado extinto em 31/08/2003, e, assim, a prescrição do direito à restituição somente se dará em 31/08/2008; d) esta matéria já está pacificada nos tribunais pátrios e a conclusão é que devem ser somados os cinco anos contados da data do lançamento até a homologação tácita, caso não haja a expressa, e mais os cinco anos até a prescrição, sendo este o posicionamento do STJ (EDRESP 419757/SP); e) os valores objeto do presente pedido de restituição foram calculados e pagos indevidamente, porque se referem a outras receitas da requerente, nos meses de julho, agosto e setembro de 1998; f) deve ser observado que a Lei n° 9.718/98 só entrou em vigor em relação ao artigo 3° (nova base de cálculo) no mês de fevereiro de 1999, e, portanto, os valores recolhidos a titulo de outras receitas, relativamente a meses anteriores a fevereiro de 1999, são indevidos e devem ser restituidos à requerente; g) A vista do exposto, e demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer-se seja acolhida a manifestação de inconformidade, para acolher integralmente o pedido de restituição formulado pela requerente. 4 À fl. 32-verso, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 340, de 22/0212008, que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo II, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTBA) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ02), o presente processo foi encaminhado a esta D1U/RJ02, para julgamento. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 PIS/Pasep. INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADENCIA. Fl. 124DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005263/2005-95 O pagamento antecipado extingue o crédito referente aos tributos lançados por homologação e marca o inicio do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de suposto indébito tributário. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, Relatora. O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo relato dos fatos, a questão controvertida diz respeito exclusivamente à decadência / prescrição do direito do contribuinte reaver os valores pagos indevidamente. Não há qualquer discussão acerca da legitimidade do crédito postulado. Pois bem. O Pedido de Restituição foi apresentado em 08/06/2005 e se refere a valores recolhidos entre julho de 1998 e setembro 1998. A matéria é sumulada por este CARF, de aplicação obrigatória: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 9900-000.728, de 29/08/2012; Acórdão nº 9900-000.459, de 29/08/2012; Acórdão nº 9900-000.767, de 29/08/2012; Acórdão nº 1801-000.970, de 11/04/2012; Acórdão nº 9303-01.985, de 12/06/2012; Acórdão nº 1801-001.485, de 11/06/2013; Acórdão nº 9101-001.522, de 21/11/2012; Acórdão nº 9101-001.654, de 14/05/2013; Acórdão nº 3102-001.844, de 21/05/2013; Acórdão nº 2401-003.108, de 16/07/2013; Acórdão nº 1102-000.915, de 07/08/2013 O pedido foi apresentado anteriormente à 9 de julho de 2005 (em 8 de julho de 2005), conforme fl. 2 dos autos, legitimando o direito à restituição de valores recolhidos nos 10 anos anteriores (1996). Assim, os recolhimentos realizados no ano de 1998 não estão prescritos (ou dacaídos). Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição declarada e determinar o exame do direito creditório postulado pelo contribuinte pela Autoridade de origem. É como voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 125DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005263/2005-95 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.901365/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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CSLL. Recorrente LOJAS INSINUANTE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .9 01 36 5/ 20 09 -4 6 Fl. 170DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1301-000.705 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.901365/2009-46 Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata-se da manifestação de inconformidade de fls. 1/4, que contesta o Despacho Decisório n° de Rastreamento 850171565, emitido em 27/10/2009 (fl. 8), que não homologou a compensação pleiteada, em razão de a análise do crédito original informado, e das características do DARF discriminado no PER/DCOMP 34249.28396.290607.1.3.04-4335 (fls. 15/19), terem demonstrado que o pagamento localizado foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, e determinou a cobrança do saldo devedor confessado e indevidamente compensado. O contribuinte tomou conhecimento do despacho decisório e, tempestivamente, conforme despacho de fl. 24, apresentou a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) o crédito utilizado no PER/DCOMP tem como origem o pagamento indevido de CSLL, relativo à competência de setembro de 2006, em razão de que nesse mês a CSLL devida foi de R$275.748,10 (Ficha 16 da DIPJ 2007), no entanto, o contribuinte efetuou o recolhimento de R$389.160,74, o que gerou um crédito de CSLL, paga indevidamente, de R$113.412,64; b) apesar do recolhimento da estimativa de CSLL, relativa ao mês de setembro, a maior, a DCTF correspondente foi equivocadamente preenchida pelo valor total do DARF, fato que o contribuinte corrige com o envio de DCTF retificadora em 04/12/2009 (fl. 7), sendo que o referido equívoco motivou a emissão do presente despacho decisório, não homologando a compensação declarada; c) dada a comprovação de que ocorreu um equívoco no preenchimento da DCTF, e que o crédito utilizado no PER/DCOMP em tela realmente existe, é lícito ao contribuinte efetuar a compensação pleiteada, uma vez que situação diversa implicaria em enriquecimento sem causa do Estado; O contribuinte cita, ainda, acórdão do 1° Conselho de Contribuintes que segundo ele corrobora o seu entendimento da matéria, e pede que seja acolhida a sua manifestação de inconformidade e que seja reconhecida a DCTF retificadora. A decisão da autoridade de primeira instância julgou procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVAS. Fl. 171DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1301-000.705 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.901365/2009-46 Na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, considera-se inexistente o direito creditório alegado pelo contribuinte, indeferindo-se o pedido de compensação a ele vinculado. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Considerando que o débito foi reduzido apenas em DCTF retificadora apresentada em momento posterior à ciência do Despacho Decisório, há que haver comprovação contábil do seu valor, sob pena de manutenção da cobrança. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1301-000.705 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.901365/2009-46 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild - Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos O contribuinte é tributado pelo Lucro Real Anual com recolhimento mensal de IRPJ e CSLL por estimativa, apurado com determinação das bases de cálculo com base em balanço/balancete de suspensão/redução. No caso presente, efetuou pagamentos de CSLL estimativa (código de receita 2484) correspondentes aos meses de março, abril, maio, setembro e outubro de 2006, nos valores coincidentes com aqueles declarados nas DCTF dos referidos meses, tendo sido tais valores corretamente alocados aos débitos declarados nas DCTF. Na sua manifestação de inconformidade o contribuinte alega que efetuou, por engano, pagamento a maior da CSLL estimativa correspondente ao mês de setembro de 2006, pois o valor correto seria aquele declarado na DIPJ2007, tendo apresentado a retificadora da DCTF. De acordo com os autos, o contribuinte, só apresentou a retificação da DCTF, referente ao mês de setembro de 2006, em 04/12/2009, após a ciência do Despacho Decisório guerreado, motivo pelo qual não poderia ser acatada, de acordo com a decisão de primeira instancia, a sua alegação de que o valor devido da CSLL por estimativa do mês de setembro de 2006 é menor do que o constante na DCTF original. Vejamos a cronologia dos fatos: Pedido de Compensação: 29/06/2007 (fl. 15) Despacho Decisório: 27/10/2009 (fl. 08) DCTF retificadora: 04/12/2009 (fl. 06) De fato, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato ", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Alegou o contribuinte que retificou sua DCTF, adequando aos valores que pretende compensar. De observar, no entanto, que a retificação da DCTF foi efetivada após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Dessa forma, não há como ser acolhida como prova de existência do direito, muito menos de sua liquidez e certeza, vez que a norma contida no §1º, do art. 147, do CTN, prevê que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir Fl. 173DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1301-000.705 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.901365/2009-46 ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A desconstituição do crédito confessado não depende apenas da apresentação de DCTF retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve extinção indevida ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendo-se necessário, notadamente, que demonstre a extinção do crédito tributário ou de parcela dele foi efetivamente indevida O contribuinte, por sua vez, limitou-se a apresentar documentos que alegadamente atestam o erro cometido em sede de recurso voluntário, o que merecem análise conforme permitivo do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015. Por essas razões, entendo que os autos não se encontram em condições de julgamento, devendo ser baixados em diligência a fim de que a autoridade fiscal designada para sua realização: (i) analise os documentos acostados aos autos em sede de recurso voluntário de forma a averiguar a legitimidade do crédito tributário pleiteado; (v) ao final, elabore Relatório de Diligência 1 com as informações ora solicitadas. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, o Recorrente deve ser cientificados do resultado da diligência, abrindo- se prazo de 30 dias para que, querendo, manifestem-se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3 o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722712/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Relatório
O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 04-35.254 - 1ª Turma da DRJ/CGE, fls. 189 a 204.
Trata de autuação referente a Imposto Territorial Rural e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância.
Contra a interessada acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 02 a 14, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2007 e 2008, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 554.010,30, relativo ao imóvel rural denominado Matrícula 1.677, com área de 538,3 ha, NIRF 3.697.152-9, localizado no município de Araranguá/SC.
Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área ocupada com benfeitorias e a área efetivamente utilizada para plantação de produtos vegetais, bem como deixou de comprovar o valor da terra nua declarado, motivo pelo qual as informações não foram aceitas.
O VTN foi alterado tendo como base o valor constante do Sistema de Preços de Terra SIPT, previsto para o município de localização do imóvel, nos termos do art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996.
Cientificada do lançamento, por via postal, em 01/10/2012, conforme AR de fl. 15, a contribuinte por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnação, aduzindo, as seguintes razões de defesa:
Aplicação de alíquota a maior de ITR em razão da indevida desconsideração da área efetivamente utilizada com produtos vegetais;
Vício de inexistência de devido processo legal para arbitramento da base de cálculo;
Ilegalidade da presunção da base de cálculo;
Efeito confiscatório da sanção administrativa;
As atividades empresariais objeto do estatuto social, concentra-se na exploração vegetal, como produção e comercialização de insumos vegetais, extração de lenha e carvão vegetal bem como reflorestamento;
A propriedade rural é explorada em sua maior porção com extração de turfa espécie de produto vegetal originado de depósito de material orgânico decomposto, além de plantação de eucalipto, para tanto apresenta laudo técnico e notas fiscais nos autos;
Consta nos autos provas de que exerce atividade agrícola no imóvel rural, utilizando mais de 80% da área de extensão de terra;
Há ilegalidade na sistemática adotada no que se refere à publicidade das informações repassadas pelos municípios através do sistema de preços SIPT, uma vez que só o usuário devidamente habilitado tem acesso a tais informações, segundo consta na Portaria SRF/447, sem que o cidadão possa constatar ou fiscalizar sua regularidade, além do que as normas infralegais extrapolam a competência do Poder Executivo, visto que adentram a função do Poder Legislativo;
Ao fazer o levantamento do VTN, mediante convênio estipulado nas normas infralegais, os municípios não obedeceram aos critérios na norma legal, descontando o valor de mercado, as construções, benfeitorias e plantações, conforme previsto no inciso I do art. 10 da Lei nº 9.393/96, ou seja, o VTN foi apurado de forma genérica;
A multa aplicada é totalmente absurda, descabida, uma vez que não houve atitude dolosa e má-fé, portanto, deve ser reduzida proporcionalmente ao ilícito cometido, no que cita doutrina e jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do STF e STJ;
Requer juntada de documentos, perícia a fim de que sejam comprovados os dados declarados e cancelamento do débito fiscal. Consta às fls. 140 a 149, nova impugnação apresentada em 10 de maio de 2013, onde a interessada ratifica as alegações originariamente apresentadas em 31/10/2012.
Instruem os autos os documentos de fls. 76 a 135, 152 a 158, representados por Procuração, Matrícula do imóvel, Ata de Assembleia Geral, Plantas, Fotos, entre outros.
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 04-35.254 - 1ª Turma da DRJ/CGE, fls. 189 a 204. Trata de autuação referente a Imposto Territorial Rural e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Contra a interessada acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 02 a 14, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2007 e 2008, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 554.010,30, relativo ao imóvel rural denominado Matrícula 1.677, com área de 538,3 ha, NIRF 3.697.152-9, localizado no município de Araranguá/SC. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área ocupada com benfeitorias e a área efetivamente utilizada para plantação de produtos vegetais, bem como deixou de comprovar o valor da terra nua declarado, motivo pelo qual as informações não foram aceitas. O VTN foi alterado tendo como base o valor constante do Sistema de Preços de Terra SIPT, previsto para o município de localização do imóvel, nos termos do art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificada do lançamento, por via postal, em 01/10/2012, conforme AR de fl. 15, a contribuinte por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnação, aduzindo, as seguintes razões de defesa: Aplicação de alíquota a maior de ITR em razão da indevida desconsideração da área efetivamente utilizada com produtos vegetais; Vício de inexistência de devido processo legal para arbitramento da base de cálculo; Ilegalidade da presunção da base de cálculo; Efeito confiscatório da sanção administrativa; As atividades empresariais objeto do estatuto social, concentra-se na exploração vegetal, como produção e comercialização de insumos vegetais, extração de lenha e carvão vegetal bem como reflorestamento; A propriedade rural é explorada em sua maior porção com extração de turfa espécie de produto vegetal originado de depósito de material orgânico decomposto, além de plantação de eucalipto, para tanto apresenta laudo técnico e notas fiscais nos autos; Consta nos autos provas de que exerce atividade agrícola no imóvel rural, utilizando mais de 80% da área de extensão de terra; Há ilegalidade na sistemática adotada no que se refere à publicidade das informações repassadas pelos municípios através do sistema de preços SIPT, uma vez que só o usuário devidamente habilitado tem acesso a tais informações, segundo consta na Portaria SRF/447, sem que o cidadão possa constatar ou fiscalizar sua regularidade, além do que as normas infralegais extrapolam a competência do Poder Executivo, visto que adentram a função do Poder Legislativo; Ao fazer o levantamento do VTN, mediante convênio estipulado nas normas infralegais, os municípios não obedeceram aos critérios na norma legal, descontando o valor de mercado, as construções, benfeitorias e plantações, conforme previsto no inciso I do art. 10 da Lei nº 9.393/96, ou seja, o VTN foi apurado de forma genérica; A multa aplicada é totalmente absurda, descabida, uma vez que não houve atitude dolosa e má-fé, portanto, deve ser reduzida proporcionalmente ao ilícito cometido, no que cita doutrina e jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do STF e STJ; Requer juntada de documentos, perícia a fim de que sejam comprovados os dados declarados e cancelamento do débito fiscal. Consta às fls. 140 a 149, nova impugnação apresentada em 10 de maio de 2013, onde a interessada ratifica as alegações originariamente apresentadas em 31/10/2012. Instruem os autos os documentos de fls. 76 a 135, 152 a 158, representados por Procuração, Matrícula do imóvel, Ata de Assembleia Geral, Plantas, Fotos, entre outros.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 04- 35.254 - 1ª Turma da DRJ/CGE, fls. 189 a 204. Trata de autuação referente a Imposto Territorial Rural e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Contra a interessada acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 02 a 14, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2007 e 2008, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 71 2/ 20 12 -3 1 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11516.722712/2012-31 Resolução nº 2201-000.372 S2-C2T1 Fl. 2 2 acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 554.010,30, relativo ao imóvel rural denominado “Matrícula 1.677”, com área de 538,3 ha, NIRF 3.697.152-9, localizado no município de Araranguá/SC. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área ocupada com benfeitorias e a área efetivamente utilizada para plantação de produtos vegetais, bem como deixou de comprovar o valor da terra nua declarado, motivo pelo qual as informações não foram aceitas. O VTN foi alterado tendo como base o valor constante do Sistema de Preços de Terra – SIPT, previsto para o município de localização do imóvel, nos termos do art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificada do lançamento, por via postal, em 01/10/2012, conforme AR de fl. 15, a contribuinte por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnação, aduzindo, as seguintes razões de defesa: Aplicação de alíquota a maior de ITR em razão da indevida desconsideração da área efetivamente utilizada com produtos vegetais; Vício de inexistência de devido processo legal para arbitramento da base de cálculo; Ilegalidade da presunção da base de cálculo; Efeito confiscatório da sanção administrativa; As atividades empresariais objeto do estatuto social, concentra-se na exploração vegetal, como produção e comercialização de insumos vegetais, extração de lenha e carvão vegetal bem como reflorestamento; A propriedade rural é explorada em sua maior porção com extração de turfa – espécie de produto vegetal originado de depósito de material orgânico decomposto, além de plantação de eucalipto, para tanto apresenta laudo técnico e notas fiscais nos autos; Consta nos autos provas de que exerce atividade agrícola no imóvel rural, utilizando mais de 80% da área de extensão de terra; Há ilegalidade na sistemática adotada no que se refere à publicidade das informações repassadas pelos municípios através do sistema de preços – SIPT, uma vez que só o usuário devidamente habilitado tem acesso a tais informações, segundo consta na Portaria SRF/447, sem que o cidadão possa constatar ou fiscalizar sua regularidade, além do que as normas infralegais extrapolam a competência do Poder Executivo, visto que adentram a função do Poder Legislativo; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11516.722712/2012-31 Resolução nº 2201-000.372 S2-C2T1 Fl. 3 3 Ao fazer o levantamento do VTN, mediante convênio estipulado nas normas infralegais, os municípios não obedeceram aos critérios na norma legal, descontando o valor de mercado, as construções, benfeitorias e plantações, conforme previsto no inciso I do art. 10 da Lei nº 9.393/96, ou seja, o VTN foi apurado de forma genérica; A multa aplicada é totalmente absurda, descabida, uma vez que não houve atitude dolosa e má-fé, portanto, deve ser reduzida proporcionalmente ao ilícito cometido, no que cita doutrina e jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, do STF e STJ; Requer juntada de documentos, perícia a fim de que sejam comprovados os dados declarados e cancelamento do débito fiscal. Consta às fls. 140 a 149, nova impugnação apresentada em 10 de maio de 2013, onde a interessada ratifica as alegações originariamente apresentadas em 31/10/2012. Instruem os autos os documentos de fls. 76 a 135, 152 a 158, representados por Procuração, Matrícula do imóvel, Ata de Assembleia Geral, Plantas, Fotos, entre outros. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância acordou por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2007 e 2008 RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA. POSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. ADA. DESNECESSIDADE. EXCLUSÃO BASE DE CÁLCULO. Para exclusão de áreas da incidência do ITR é necessário, à exceção da reserva legal, além de outros requisitos, que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio no prazo previsto na IN 76, de 31 de outubro de 2005. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. PROVA INEFICAZ. A apresentação de Memorial Descritivo, plantas e mapas não excluem a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao Ibama. Tais documentos comprovam a existência física das áreas de preservação permanente e outras porventura existentes no imóvel, porém o contribuinte não se beneficia da redução do ITR, sem o ADA, embora ele esteja preservando o meio ambiente. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11516.722712/2012-31 Resolução nº 2201-000.372 S2-C2T1 Fl. 4 4 Incabível restabelecer a área de produtos vegetais quando não restar comprovada mediante documentação idônea a ocorrência de erro no preenchimento da declaração correspondente. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ALTERAÇÃO. CABIMENTO. Impossibilidade de ser acatada mudança no grau de utilização, quando não houver a comprovação das áreas suscitadas como de exclusão da tributação. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE ALTERAÇÃO. Para a alteração do valor da autuação, é possível apenas na impugnação ou no recurso de ofício, com a apresentação de prova que alterem os valores originalmente lançados. MULTA E JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDÊNCIA. É vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A inexatidão na Declaração do ITR é fundamento para a incidência de multa de ofício. A inadimplência no pagamento do tributo implica em incidência de juros de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Resolução - necessidade de comprovação da área de produtos vegetais. Na expectativa de comprovar a área de eucaliptos, a contribuinte em sua impugnação original, mencionou que apresentou notas fiscais de comercialização e outros elementos, no entanto, não encontramos as referidas notas e elementos nos autos deste processo, conforme o termo inicial de solicitação de juntada às fls. 39: TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA Solicito a juntada dos documentos seguintes ao processo supracitado: l DOCUMENTOS DIVERSOS - OUTROS Título: Complemento à Impugnação Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11516.722712/2012-31 Resolução nº 2201-000.372 S2-C2T1 Fl. 5 5 l DOCUMENTOS DIVERSOS - OUTROS Título: Relação de Documentos Anexados l DOCUMENTOS DIVERSOS - OUTROS Título: Planta de Detalhe Cadastral Matrícula 1677 e ART l DOCUMENTOS DIVERSOS - OUTROS Título: Matrícula do Imóvel 1677 l DOCUMENTOS DIVERSOS - OUTROS Título: Planta Localização Reserva Legal Matr 1677 e ART l DOCUMENTOS DIVERSOS - OUTROS Título: Notas Fiscais de Venda de Turfa e Eucalipto DATA DE EMISSÃO: 24/05/2013 11:31:55 por RAFAEL HARTMANN GOMES. Após a referida juntada inicial de elementos por ocasião da impugnação, é solicitada à DRJ através de RAZÕES COMPLEMENTARES (fls. 140 a 149), a juntada de novos elementos.. Ao analisarmos no processo os elementos supostamente apresentados, de acordo com o ROL DE ELEMENTOS (fls. 150), verificamos que não constam os itens 03 e 04, conforme a relação a seguir: RAZÕES COMPLEMENTARES, ROL DE DOCUMENTOS (fls. 150) Doc. 01 - Planta de detalhe cadastral - matrícula 1.677; Doc. 02 - Matrícula do imóvel 1.677; Doc. 03 - Planta de Localização da Reserva Legal da Matrícula 1.677, Memorial; Doc. 04 - Notas fiscais de venda de turfa e de eucalipto dos anos de 2007, 2008 e 2009 - por amostragem. Na Informação referente à Juntada de Documentos (fls. 163), o servidor responsável menciona a impossibilidade técnica da digitalização: Caros responsáveis pela equipe SUTRI/CEGEP-G08-ITR, Informo que, ao efetuar solicitação de juntada de documentos ao presente processo, em consonância com a Nota e-Processo nº 015/2011, a peça denominada “Planta de Detalhe Cadastral” não foi digitalizada, devido à impossibilidade técnica para tal, e encontra-se arquivada nesta agência (ARF Araranguá/SC). Em sua sustentação oral perante este Conselho, o patrono da contribuinte informou que devido à impossibilidade da digitalização de certos elementos, com também da grande quantidade das notas fiscais, o órgão de origem optou por não anexar os referidos elementos a este processo digital. Por conta disso e diante dos argumentos e questionamentos da recorrente, para o essencial convencimento do julgador e, por consequência, para o deslinde do feito, proponho o retorno deste processo à unidade de origem, a fim de que sejam anexados os documentos Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11516.722712/2012-31 Resolução nº 2201-000.372 S2-C2T1 Fl. 6 6 faltantes ou, persistindo a impossibilidade de juntada no e-processo, que os mesmos sejam sintetizados em relatório circunstanciado que aponte o tipo de documento e suas características principais, de forma a permitir a formação da convicção deste Colegiado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900012/2012-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-008.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de pagamento indevido ou a maior, relativo a créditos originários de pagamento COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 12 /2 01 2- 45 Fl. 101DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, afirmando em resumo que os valores contabilizados como ICMS não comporiam o faturamento para fins de base de cálculo de PIS/Cofins. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, ao considerar inexistente o direito creditório pois seria incabível a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Confins. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, tendo como principal argumento da defesa a afirmação de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3302-003.553, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma haver dissídio em face do acórdão paradigma nº 3201-004.124, fundamentando que o STF, em sede de repercussão geral, decidiu que o ICMS não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins . O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, analisou o recurso especial de divergência da contribuinte e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.956, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.900011/2012-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.956): Fl. 102DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Mérito Inicialmente, afasto a possibilidade de sobrestamento aventada no recurso voluntário, por falta de previsão regimental, pois entendo que a revogação da previsão de sobrestamento impede sua realização. Em seguida, entendo não ser vinculante a decisão do STF esgrimida pela recorrente, por não ter ocorrido trânsito em julgado formal, haja vista estar-se ainda aguardando apreciação de embargos de declaração no RE 574.706/PR. Assim, busco a aplicação da legislação conforme às razões de decidir da decisão a quo, que, por sua vez, adotou o entendimento do voto do relator do acórdão nº 3302- 003.520. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) III - os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.991-18, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verifica-se no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citam-se o artigo 12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decreto-lei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 103DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1º A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III - tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos não-cumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos não-cumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matérias-primas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, Fl. 104DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindo-o apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcreve-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressalta-se que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele Fl. 105DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídico- tributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídico-tributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico-tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da Fl. 106DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS : ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, deve-se prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303-003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcreve-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Fl. 107DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 Dessarte, considero improcedente o recurso especial de divergência da contribuinte, para manter a decisão recorrida. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo.” (...) 1 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 1 Deixou-se de transcrever a Declaração de Voto por não representar o entendimento que prevaleceu no julgamento. Íntegra desta declaração pode ser obtida junto ao processo paradigma. Fl. 108DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.957 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900012/2012-45 Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900937/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO.
O saldo credor do IPI apurado ao final do trimestre deve se manter na escrita fiscal nos períodos de apuração do imposto posteriores ao de referência até aquele imediatamente anterior ao da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento.
Numero da decisão: 3302-007.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente)
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. O saldo credor do IPI apurado ao final do trimestre deve se manter na escrita fiscal nos períodos de apuração do imposto posteriores ao de referência até aquele imediatamente anterior ao da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato, o relatório do acórdão da DRJ/POA nº 10-48.677, da 3ª Turma, proferido na sessão de 29 de janeiro de 2014: Trata-se de manifestação de inconformidade ante o Despacho Decisório DRF/MRA/SAORT nº 2011/702, de 7 de novembro de 2011, exarado pelo Delegado da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 09 37 /2 01 1- 13 Fl. 374DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.404 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900937/2011-13 Receita Federal do Brasil em Marília/SP, das fls. 31 a 36, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº 27867.82997.201107.1.1.018179, no valor de R$ 2.305.405,42, relativo ao 2º trimestre de 2007, transmitido em 20/11/2007, haja vista a inexistência de direito creditório, uma vez que a interessada não preencheu a “Ficha Pedidos de Ressarcimento Transmitidos no PA Corrente”, quando deveria ter prestado a informação de que havia transmitido no mesmo mês, pedido de ressarcimento de valor ainda não estornado no Livro Registro de Apuração do IPI, e não homologou a compensação do débito declarado na Declaração de Compensação (DCOMP) nº 41835.72259.281107.1.3.016089, àquele vinculada. A interessada tomou ciência da decisão em 8 de junho de 2012 (AR à fl. 47), protocolizando em 10 de julho de 2012 (fl. 48), tempestivamente, sua inconformidade, firmada por advogados credenciados pelo documento da fl. 92, cujas razões, expendidas nas fls. 52 a 90, são sintetizadas a seguir. Diz que apesar da verificação manual dos PER/DCOMP exigir que a administração tributária analise os documentos por ordem cronológica de apuração (trimestres), tal ordem não foi atendida, o que resultou em indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação. Alega que se a administração tributária tivesse observado o conteúdo do art. 147 e dos §§ 2º e 3º do art. 150 do CTN e o art. 252 do RIR, apesar de indeferido parcialmente os pedidos de ressarcimento, deveria homologar a integralidade das compensações, uma vez que o valor do crédito reconhecido é superior ao montante dos débitos compensados. Nesse viés refuta que se alegue que este processo se refere somente ao pedido de ressarcimento objeto do PER 27867.82997.201107.1.1.018179 e declaração de compensação objeto da DCOMP nº 41835.72259.281107.1.3.016089, vez que a autoridade preparadora verificou conjuntamente os PER/DCOMP, bem como o r. despacho motivou sua decisão e apreciou a matéria sob a perspectiva conjunta de todos os pedidos de ressarcimento e declarações de compensação que enumera. Aduz que desse modo, considerando que a totalidade do reconhecimento do crédito passível de ressarcimento é superior ao montante dos débitos objeto de compensação, o despacho decisório insta ser reformado para seja homologada a integralidade das compensações. Registra que somente houve indeferimento do pedido de ressarcimento devido ao não preenchimento no PER/DCOMP da “Ficha Pedidos de Ressarcimento Transmitidos no PA Corrente”, ou seja por mero erro de declaração, o que, por si só, não é justa causa para negar o pedido. Isso porque deveria a auditoria fiscal ter revisto de ofício as declarações da manifestante, nos termos dos arts. 147, § 2º, 149 e 150, §§ 2º e 3º, do CTN, e em atenção ao que dispõe a Lei nº 9.784, de 1999. Ademais, reprisa, que se a análise dos PER/DCOMP pela autoridade fiscal seguisse a ordem cronológica de apuração (trimentre anterior e, na sequência, trimestre posterior), com revisão de ofício das declarações, especialmente com preenchimento da “Ficha Pedidos de Ressarcimento Transmitidos no PA Corrente” e ajustes do estorno já realizado, os pedidos de ressarcimento seriam integralmente deferidos com homologação da correspondente compensação, conforme ilustra. Afirma que a indigitada ficha somente deve ser preenchida se a origem do crédito for do mesmo trimestre de outro PER/DCOMP já transmitido, isto porque afetará o crédito do trimestre correspondente, sendo nulo e improcedente o despacho decisório por se pautar em obrigação indevida e ilegítima. Aduz que o entendimento adotado pela administração tributária de que a ficha em tela deve ser preenchida dentre o mês que está sendo transmitido o pedido de ressarcimento para que haja diminuição do crédito reconhecido anteriormente na apuração do saldo a ressarcir de outro trimestre, leva a entender, por conseguinte, que há acumulação de saldos, o que acompanha o raciocínio do art. 195 do RIPI, de 2002. Entendendo-se que há cumulação de saldos, a verificação manual dos PER/DCOMP somente será correta se analisados os documentos por ordem cronológica de apuração, uma vez que, dentro desta ótica, haverá transferência de saldo Fl. 375DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.404 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900937/2011-13 de um período anterior para o posterior. Afirma que essa foi a sistemática em que se pautou a decisão recorrida. Prossegue afirmando que com isso, a composição do cálculo do crédito passível de ressarcimento deve observar o estorno já realizado (do crédito do pedido de ressarcimento anterior deverá ser deduzido o resultado da diminuição do estorno realizado e daquele que deveria ser realizado), bem como o crédito anteriormente reconhecido (conforme fez a decisão impugnada), tudo em ordem cronológica, como demonstra. Aduz que mesmo dentro da sistemática adotada pela fiscalização, infere-se que a totalidade do crédito passível de ressarcimento é superior ao montante das compensações declaradas, levando à reforma do r. despacho decisório para homologação dessas e o reconhecimento integral do crédito. Alega que a decisão combatida foi proferida com preterição do direito de defesa, vez que não permitiu a retificação dos PER/DCOMP. Prossegue, alegando, que da análise do despacho decisório não foi possível extrair a verificação por autoridade administrativa nos termos do art. 142 do CTN, o que levaria à constatação da legitimidade do crédito e da compensação declarada. Diz que a decisão deveria observar o princípio da primazia da realidade dos fatos. Afirma que apesar destas circunstâncias, tais procedimentos não foram observados pela decisão, pelo que deve ser decretada sua nulidade e improcedência. Prossegue afirmando que não pretende se eximir do cumprimento de suas obrigações, sejam elas principais ou acessórias, mas não pode concordar com a exigência que extrapola os limites do razoável, pois a simples discussão sobre cumprimento de normas acessórias, quanto à exata forma de seu cumprimento, não implica em pagamento de tributo em dobro e indeferimento de ressarcimento, sob pena de confisco, cuja vedação, inclusive alcançando as penalidades, é preceito constitucional. Ao final requer o reconhecimento da manifestação de inconformidade, com suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado, dando-lhe provimento para o fim de reconhecer a legitimidade e integralidade dos créditos e a homologação da compensação. Requer, ainda, a realização de diligência ou perícia, cujo quesito básico será esclarecer sobre a existência de crédito e erro no preenchimento do PER/DCOMP. É o relatório. A decisão da DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade reformando o despacho decisório, reconhecendo o em parte o direito creditório pleiteado pela recorrente, recebendo o acórdão recorrido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. O saldo credor do IPI apurado ao final do trimestre deve se manter na escrita fiscal nos períodos de apuração do imposto posteriores ao de referência até aquele imediatamente anterior ao da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 376DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.404 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900937/2011-13 Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a minha relatoria. É o relatório. Voto José Renato Pereira de Deus – Relator O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma motivo pelo qual passa a ser analisado. I – Pedido de diligência para explicitação de compensação de ofício A recorrente inaugura a parte de direito de seu recurso voluntário alegando que, antes da apreciação do mérito, haveria a necessidade de baixar o processo em diligência para se elucidar a compensação de ofício de seu crédito, levada a efeito pela autoridade fiscal. Pois bem. Entendo descabido tal requerimento, não havendo como ser atendido o pleito da recorrente. Ressalta-se que a compensação de ofício não é objeto do presente processo, não havendo em que se falar em análise da mesma. É de inteligência de todos aqueles que promovem pedidos de ressarcimento, restituição e a conseqüente compensação, que as normas que regem a matéria prevêem expressamente o dever de a autoridade fiscal verificar a existência de débito em nome do requerente perante a SRF e da PGFN. Estabelece o art. 73 da Lei 9.430/1996: Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. Quando do protocolo do pedido da recorrente, estava em vigor a IN 900/2008, que em sua Seção VII DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO, observava: SEÇÃO VII DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO Art. 49. A autoridade competente da RFB, antes de proceder à restituição e ao ressarcimento de tributo, deverá verificar a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da RFB e da PGFN. § 1º Verificada a existência de débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitá-lo, mediante compensação em procedimento de ofício. Fl. 377DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.404 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900937/2011-13 § 2º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. § 4º Havendo concordância do sujeito passivo, expressa ou tácita, quanto à compensação, esta será efetuada. § 5º O crédito em favor do sujeito passivo que remanescer do procedimento de ofício de que trata o § 4º ser-lhe-á restituído ou ressarcido. § 6º Quando se tratar de pessoa jurídica, a verificação da existência de débito deverá ser efetuada em relação a todos os seus estabelecimentos, inclusive obras de construção civil. § 7º O disposto no caput não se aplica ao reembolso. Como podemos ver a compensação de ofício tem fundamento legal e deve ser realizada, nos casos previstos nas normas acima transcritas, pela autoridade fiscal, não havendo desta forma motivos que justifiquem a realização de diligência. Cumpre esclarecer que em que pese a compensação de ofício não ser objeto do presente processo, a recorrente relatou que foi intimada de sua realização, fazendo uso inclusive de seu direito de defesa, contudo não teve o recurso atendido. Destarte, indefere-se o pedido diligência. II – Nulidades – Instrução Processual incompleta e cerceamento de defesa Para a recorrente o acórdão recorrido deveria ser considerado nulo pois segundo seu entendimento, não lhe teria sido oportunizada a possibilidade de manifestação a respeito de um demonstrativo de apuração de saldo credor ressarcível juntado pelo Julgador da DRJ, não utilizando-se de provas ou documentos constantes nos autos para a motivação de sua decisão, apontando suposta deficiência também ao despacho decisório. Entretanto, razão alguma assiste às alegações tecidas pela recorrente. Todos os apontamentos feitos pela autoridade fiscal no despacho decisório, bem como aqueles formulados na decisão recorrida, foram devidamente fundamentados, alicerçados em robusto trabalho que levou às decisões de não homologação dos pedidos formulados pela recorrente. Não se encontra nos apontamentos feitos pela recorrente quaisquer das nulidades previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais todos os dados, num primeiro momento para a feitura do despacho decisório e, mais tarde, para a prolação da decisão recorrida, constam do caderno processual, ao contrário do que quer fazer crer a recorrente. Vale ressaltar ainda que não há qualquer alteração de critério perpetrada pela autoridade julgadora, em relação ao que outrora fora decidido no despacho decisório. Como se Fl. 378DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.404 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900937/2011-13 pode observar, o julgador a quo concordou em parte com as alegações trazidas pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, julgando ser desnecessária, para se chegar às informações necessárias para o ressarcimento e homologação das compensações, a apresentação da Ficha Pedidos de Ressarcimento Transmitidos no PA Corrente. Das análises promovidas pela autoridade julgadora, verifica-se que todas as informações foram extraídas do mesmo sistema utilizado para a confecção do despacho decisório, sem adição de qualquer outro documento que não tenha sido do conhecimento da recorrente. Destaca-se a Informação Fiscal de fls. 25 a 30 do processo. Promovida a análise do caso, visualizou e comprovou a DRJ a diferença dos valores pleiteados, garantindo à recorrente parte daquelas negados anteriormente, por entender haver um equívoco no cálculo anterior. Vale ressaltar que tal procedimento não vai de encontro com o que determina a legislação pertinente, na verdade referida revisão é prevista pelo próprio Código Tributário Nacional em seu art. 149. Quanto a alegação de violação de princípios constitucionais que lhe garantiriam o direito de defesa, em que pese entender não ter ocorrido qualquer tipo de violação aos mesmos, a matéria constitucional foge da competência desse Conselho, por força da Súmula CARF nº 02. Desta feita, afastam-se as nulidades argüidas pela recorrente. III – Legitimidade do crédito e não-cumulatividade do IPI Para a recorrente o não atendimento de seu pleito infringiria o princípio da não- cumulatividade do IPI, defendendo em seguida a legitimidade de seu crédito frente ao que disciplina a Lei nº 9.779/99. Entretanto, não há razão para sua irresignação. Por tudo o que se pode apurar dos documentos juntados ao processo, em momento algum é discutida a legitimidade do crédito pleiteado pela recorrente, muito menos estar-se-ia a impedir a observância da não-cumulatividade do IPI. A demanda consiste na verificação da existência do crédito, se devidamente lançado na escrita fiscal da recorrente, além de se promover o quantum que eventualmente deverá ser ressarcido e compensado. As informações colhidas do sistema da RFB, bem como dos documentos acostados aos autos demonstram não haver em sua totalidade o crédito pleiteado pela recorrente. Desta forma, não se trata da existência do direito e sim de seu quantum, que verificado ser diverso daquele pretendido pela contribuinte, deve ser negado mantendo-se a decisão recorrida. Não obstante o até aqui discutido, entendo que, assim como já decidido no acórdão recorrido que o exame do pedido de ressarcimento deve obedecer a ordem cronológica dos períodos de apuração e não a ordem de transmissão dos PER/Dcomps, ainda mais quando Fl. 379DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.404 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900937/2011-13 transmitidos na mesma data. No mesmo sentido, concordar que na análise pela autoridade administrativa poderia ter sido suprida de ofício a ausência de informações na Ficha Pedidos de Ressarcimento Transmitidos no PA Corrente. Entretanto, não há nos autos elementos que deem respaldo aos requerimentos da recorrente. Como já dito em parágrafos acima, para a confecção da decisão recorrida buscou- se base na verificação eletrônica do PER/DCOMP, sendo certo que a fundamentação restringiu- se aos documentos juntados na instrução do processo e aos registros existentes nos sistemas da RFB. Cotejadas todas as informações, chegou-se à conclusão da existência de somente parte dos valores pleiteados pela recorrente, não havendo razão para a alteração da decisão recorrida. IV - Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.725353/2011-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008
RECURSO ESPECIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. PARCELAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer de recurso especial quando a discussão devolvida não implicar em qualquer utilidade para o recorrente.
Hipótese em que a tese recorrida encontra-se prejudicada em razão da manutenção do lançamento por outros fundamentos e ainda pelo fato do Contribuinte ter apresentado requerimento de desistência parcial do recurso em cumprimento às formalidades do Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783/2017.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante - Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere-se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte.
Hipótese em que, para contribuições previdenciárias, deve-se admitir como pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Reconhecida preliminar de decadência do crédito tributário constituído, desnecessário se torna a análise das demais matérias recursais.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF nº 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-007.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à decadência e à PLR que não se refere aos motoristas e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento para reconhecer a decadência até a competência 11/2006.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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FALTA DE INTERESSE RECURSAL. PARCELAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso especial quando a discussão devolvida não implicar em qualquer utilidade para o recorrente. Hipótese em que a tese recorrida encontrase prejudicada em razão da manutenção do lançamento por outros fundamentos e ainda pelo fato do Contribuinte ter apresentado requerimento de desistência parcial do recurso em cumprimento às formalidades do Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783/2017. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. SÚMULA CARF 99. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. Hipótese em que, para contribuições previdenciárias, devese admitir como pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Reconhecida preliminar de decadência do crédito tributário constituído, desnecessário se torna a análise das demais matérias recursais. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 53 53 /2 01 1- 83 Fl. 2848DF CARF MF 2 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF nº 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à decadência e à PLR que não se refere aos motoristas e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em darlhe provimento para reconhecer a decadência até a competência 11/2006. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Patrícia da Silva. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para a cobrança de créditos referente às contribuições devidas por terceiros e não recolhidas nos prazos legais durante o período de 01/2006 a 12/2008. A motivação do lançamento foi o pagamento de valores aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados em desacordo com as regras da lei nº 10.101/00 e em razão da contratação de seguro de vida em grupo. A mesma ação fiscal deu origem aos seguintes processos: 1) 15504725.349/201115: referente ao AIOP nº 37.317.166 8 (cota patronal). Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 3 3 2) 15504725.353/201183: referente AIOP nº 37.334.8568 / 37.317.1676 (terceiros – processo ora julgado). 3) 15504725.354/201128: referente AIOP nº 51.008.4303 / 51.008.4311 (PLR Administradores não empregados) 4) 15504725357/201161: referente ao AIOA nº 51.008.4320 (CFL – 78) e AIOA nº 51.008.4338 (CFL – 30). Nos termos do relatório fiscal de efls 33 e seguintes, as infrações foram assim caracterizadas: 2. O presente relatório é parte integrante do processo administrativofiscal COMPROT NO 15504725.353/201183, que engloba os seguintes AutosdeInfração relacionados a contribuições devidas pela empresa para Outras Entidades e Fundo (INCRA, SEBRAE e FNDE), no período de 01/2006 a 13/2008. TIPO DEBCAD DESCRIÇÃO AIOP 37.334.8568 INCRA e SEBRAE (de 03/2006 a 12/2006, de 01/2008 a 12/2008) e FNDE ( de 01/2008 a 12/2008) AIOP 37.317.1676 FNDE (de 03/2006 a 12/2006) C) FATOS GERADORES DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS 6. Os Créditos Previdenciários descritos no presente relatório incluem diversos levantamentos que correspondem a diferenças entre as contribuições devidas e as efetivamente recolhidas encontradas nos fatos geradores a seguir identificados: • Pagamentos a empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/00) • Pagamentos a motoristas pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/00); • Contratação de Seguro de Vida em Grupo para empregados sem previsão em acordo ou convenção Coletiva de Trabalho. ... D1)PAGAMENTOS A EMPREGADOS PELA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM LEI ESPECÍFICA (LEI 10.101/00) PERÍODO: DE 03/2006 A 07/2006 E 09/2006 – LEVANTAMENTOS PE1 E PM1, FPAS: 507. ... 87. Do exposto, esta fiscalização concluiu, de forma inequívoca, que o Programa implementado pela auditada para a Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados do exercício de 2005, paga em 2006, não seguiu rigorosamente o Fl. 2850DF CARF MF 4 preconizado na Lei 10.101/00 e tampouco o acordado com os sindicatos dos trabalhadores, em face do que se segue : a. Ausência de acordo entre empresas e empregados previamente ao início do exercício findo o qual a empresa pretendeu dividir os lucros com os seus empregados; b. Inexistência de controles relativos aos critérios de participação no Programa, controles esses determinados na cláusula 7.1 do acordo; c. Inexistência de Comissão para Acompanhamento e Divulgação dos Resultados composta por representantes das empresas e representantes dos empregados, contrariando a determinação do acordo celebrado com os sindicatos dos trabalhadores; d. Inexistência de regras claras e objetivas em relação às metas específicas citadas no acordo e sem que houvesse a negociação entre chefia e empregados para o estabelecimento dessas metas, negociação que foi determinada em Acordo; e. Inexistência de mecanismos de aferição mensal dos resultados acordados, o que contraria o estabelecido no acordo celebrado e também o disposto no § 1° do art. 2° da Lei 10.101/00; f. Falta de clareza dos Valores a Distribuir a título de Participação nos Lucros ou Resultados, principalmente, no caso das metas não serem 100% alcançadas; g. Adoção de fórmula de cálculo não explicitada no acordo e privilégios aos gerentes com o uso do “múltiplo 3” sem que esse multiplicador tenha sido acordado claramente com os sindicatos dos trabalhadores. ... D3) CONTRATAÇÃO DE SEGURO DE VIDA EM GRUPO PARA EMPREGADOS SEM PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO PERÍODO: DE 01/2008 A 12/2008 – LEVANTAMENTOS SM, SM1, SM2, SV, SV1 E SV2, FPAS: 507. ... 124.Ocorre que a auditada NÃO fez constar o seguro de vida em grupo em seus Acordos Coletivos de Trabalho, vigentes em 2008, e celebrados com os Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem de Belo Horizonte, de Sete lagoas e de Pirapora (doc. anexos). 125.Concluise que a empresa, ao deixar de prever em seus acordos ou convenções coletivas de trabalho o pagamento do prêmio de seguro de vida em grupo, contraria disposição legal, não atendendo o objetivo buscado pelo legislador na hipótese de exclusão estabelecida no inciso XXV, do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por meio do acórdão nº 2301003.255, deu provimento parcial ao recurso voluntário para, afastando as Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 4 5 preliminares e demais discussões relativas à decadência, à representação fiscal para fins penais e à responsabilidade solidária, julgar improcedente a incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de seguro de vida, determinando ainda que, até 11/2008, seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao Contribuinte. O lançamento foi mantido em relação às verbas pagas a empregados, motoristas e gerentes a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre pagamento de verbas que a empresa não considerou como sendo base de cálculo da contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. SEGURO DE VIDA EM GRUPO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao seguro de vida em grupo, contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 12/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de Fl. 2852DF CARF MF 6 obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Contra decisão a Fazenda Nacional, citando como paradigmas os acórdãos 2401002.453 e 240100120, interpôs Recurso Especial visando rediscutir o critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado. Na mesma oportunidade, foi apresentado recurso especial contra parte da decisão que lhe foi desfavorável, ocasião onde foram suscitados os seguintes pontos: 1) Decadência pela ocorrência de pagamento parcial, nos termos do art. 150, §4º do CTN (acórdãos paradigmas 9202003.335 e 9202003.323), 2) Da desnecessidade de celebração do acordo com o Sindicato antes no início do exercício relativo à PLR, bastando que sua assinatura ocorra antes da data do pagamento (acórdão paradigma nº 9202002.485 e 9202002.484), 3) Rol exemplificado dos requisitos previstos no art. 2º da Lei nº 10.101/00 como critérios para fixação das metas (acórdão paradigma 20600.640 e 2401003.117), 4) Possibilidade de estabelecer a assiduidade como critério objetivo e claro (acórdão paradigma 2401003.803), e 5) Possibilidade de pagamento de PLR aos motorista em valor fixo, desde que ligado a critérios objetivos (acórdão paradigma 2301002.859). O recurso especial do contribuinte foi admitido parcialmente, tendose negado seguimento à discussão acerca da ‘possibilidade de pagamento de PLR aos motoristas em valor fixo, desde que ligado a critérios objetivos’ – quinta divergência. Contrarrazões da Fazenda Nacional juntada às fls. 2.753/2.762. Inicialmente, defende a União o não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática no que se refere à tese da decadência, já que o acórdão recorrido teria entendido pela ocorrência de apropriação indébita, atraindo a regra do art. 173, I do CTN. No que se refere à PLR defende que o recurso não tem interesse/utilidade, na medida em que não é suficiente para refutar todas Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 5 7 as infrações imputadas à recorrente, notadamente as imputações relativas ao descumprimento pela empresa dos termos fixados nos respectivos acordos. Em tempo, o Contribuinte faz juntar ao processo petição de fls. 2.768/2.769 por meio da qual requer a desistência parcial do recurso no que se refere exclusivamente aos valores pagos a título de participação nos lucros aos motoristas (PPLR – Levantamento MO1 – PART MOTORISTAS 2008). É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Diante da relação de causa e efeito, inicio o julgamento pela apreciação do recurso interposto pelo Contribuinte. Do recurso do contribuinte Do conhecimento: Conforme exposto e nos termos do despacho de admissibilidade, o recurso interposto pelo Contribuinte foi admitido em relação as seguintes matérias: 1) Decadência pela ocorrência de pagamento parcial, nos termos do art. 150, §4º do CTN (acórdãos paradigmas 9202003.335 e 9202003.323), 2) Da desnecessidade de celebração do acordo com o Sindicato antes no início do exercício relativo à PLR, bastando que sua assinatura ocorra antes da data do pagamento (acórdão paradigma nº 9202002.485 e 9202002.484), 3) Rol exemplificado dos requisitos previstos no art. 2º da Lei nº 10.101/00 como critérios para fixação das metas (acórdão paradigma 20600.640 e 2401003.117), 4) Possibilidade de estabelecer a assiduidade como critério objetivo e claro (acórdão paradigma 2401003.803). Antes de analisarmos o mérito, considerando as alegações da peça de contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, se faz necessário tecer comentários acerca do conhecimento do recurso. Suscita a Fazenda Nacional haver impedimento para se conhecer do recurso no que tange a tese da decadência e ainda sobre o aspecto relacionado à possibilidade de adoção do critério da assiduidade como critério objetivo do plano. Fl. 2854DF CARF MF 8 No que tange a decadência, sustenta o contribuinte haver nos autos comprovação de pagamento parcial de contribuições previdenciárias, pagamento que atrairia a aplicação do art. 150, §4º do CTN, levandose a declaração da decadência parcial do lançamento em relação às competências anteriores a novembro de 2006. Neste cenário estria totalmente extinto o Debcad nº 37.317.1676 (FNDE – 03 a 07 e 09/2006) e parcialmente extinto o Debcad nº 37.334.8568 (INCRA e SEBRAE – 03 a 07 e 09/2006). Para sustentar a divergência o Contribuinte cita como paradigmas os acórdãos 9202003.335 e 9202003.323. Ambos os acórdãos trazem o entendimento de que para fins de contagem do prazo decadência do art. 150, §4º do CTN, “caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se refira a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. Referido entendimento diverge daquele apresentado pelo acórdão recorrido, o qual reproduzindo a tese adotada pela Delegacia de Julgamento afastou a decadência sob a alegação de ser impossível existir pagamento sobre verba cuja incidência não era admitida pelo próprio Contribuinte: Ainda em preliminar, reitera que ocorreu a decadência parcial do direito de lançar, por força do CTN, art. 150, §4º. No entanto, conforme bem entenderam as autoridades julgadoras de primeira instância, o caso presente se refere a contribuição incidente sobre verba que a recorrente não considerava como base de cálculo da contribuição social, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: ... O AI foi consolidado em 28/11/2011, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 30/11/2011. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito, pois, para as competências compreendidas entre 03/2006 a 12/2008, iniciase a contagem do prazo em 01/01/2007, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Portanto, a partir da competência 03/2006, o Fisco se encontra ainda no direito de cobrar a contribuição devida lançada. Ocorre que, para Fazenda Nacional o acórdão recorrido ainda estaria fundamentado na caracterização da ocorrência da prática do ilícito de apropriação indébita. Neste cenário estaríamos diante de divergência fática que impedida o cotejo analítico entre as decisões recorrida e paradigmas. Argumenta a União: Ocorre que o acórdão recorrido, não obstante tenha sedimentado seu entendimento no sentido de que " o caso presente se refere a contribuição incidente sobre verba que a recorrente não considerava como base de cálculo da Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 6 9 contribuição social, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo", suscetível de apreciação, também trouxe em suas razões alegação de que haveria apropriação indébita na hipótese dos autos. Muito embora tal alegação seja passível de discussão, fato é que não foi objeto de Embargos de Declaração, constando como razões de decidir do colegiado e não mais sujeita a alterações por preclusão. Nesse contexto, resta caracterizada a ausência de identidade fática das situações objeto de análise, uma vez que os acórdãos paradigmas não abordam hipótese de definição do termo inicial do prazo de decadência quando constatada apropriação indébita. Entretanto, mesmo após uma leitura mais detida do inteiro teor do acórdão recorrido, da decisão da Delegacia de Julgamento, e dos termos do Relatório Fiscal, não é possível depreender qualquer linha argumentativa sobre este enfoque. Inexiste nos autos a caracterização ou imputação da ocorrência do tipo penal de apropriação indébita. Temos uma discussão acerca da propriedade e necessidade da lavratura de auto de representação fiscal para fins penais, mas nem mesmo para este fim foi imputada a referida conduta de apropriação indébita. A representação fiscal para fins penais, nos termos do item 144 do Relatório Fiscal, se deu pela prática em tese do crime contra a Seguridade Social previsto no art. 1º, inciso I da Lei nº 8.137/90: omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias. Assim, quanto a este ponto não merece reparo o despacho de admissibilidade. Ainda defende a União o não conhecimento do recuso no que tange a divergência relacionada a “possibilidade de adoção do critério da assiduidade como critério objetivo do plano”. Segundo a recorrida, considerando que tal critério se aplica ao plano relativo ao pagamento de verbas aos motoristas (Levantamento MO1) e considerando o não seguimento da parte do recurso onde o contribuinte discutia a possibilidade de pagamento do PLR em valores fixos, teríamos uma decisão definitiva de mérito acerca da incidência da contribuição previdenciárias sobre tal verba, situação que afasta o interesse recursal na medida em que eventual procedência do recurso não alteraria o resultado final do julgamento. E neste ponto, com razão a Fazenda Nacional. Observamos que a discussão acerca da adoção do critério de assiduidade como impedimento para caracterização do plano de PLR é discussão presente apenas no plano de participação ofertado aos motoristas. Consta do relatório fiscal, itens 97 a 106, que referido plano tinha como parâmetros o pagamento de valor fixo aos segurados pagos de forma proporcional aos dias trabalhados. Para este lançamento o acórdão recorrido, de fato, desconsiderou o plano sob os dois enfoques: parcela fixa e assiduidade. Como o recurso do contribuinte não foi conhecido no que tange a divergência acerca da possibilidade de classificação de parcelas fixas como critério objeto, já se tem uma decisão transitada em julgado em relação a esta rubrica. Fl. 2856DF CARF MF 10 Acrescentase a argumentação acima o fato de, ultrapassados os prazos para recurso e realizadas os respectivos despachos de admissibilidade, o Contribuinte ter apresentado, em 20 de setembro de 2017, petição de fls. 2.768/2.769 por meio do qual comunica a inclusão de parte do débito ora discutido no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) instituído pela Medida Provisória nº 783/2017. Consta da referida petição renúncia expressa, exatamente, acerca da discussão da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos motoristas a título de participação nos lucros e resultados. Neste cenário, seja pela ausência de interesse recursal seja pela renúncia do contribuinte, deixo de conhecer do recurso no que tange a “possibilidade de estabelecer a assiduidade como critério objetivo e claro”. Do mérito: Ultrapassado o conhecimento, passamos ao mérito das discussões devolvidas a este Colegiado. 1) Decadência No que tange ao reconhecimento da decadência, lembramos que o lançamento referese a cobrança de contribuições devidas pela empresa para outras entidades e fundo (INCRA, SEBRAE e FNDE) que de acordo com o relatório fiscal decorrente de classificação de verbas pagas a titulo de PLR e seguro de vida, como salário indireto haja vista o descumprimento das exigências da Lei nº 10.101/00. O lançamento compreende as competências de 03/2006 a 12/2006 e 01/2008 a 12/2008. Contribuinte foi intimado em 28.11.2011 (fls. 100). Discutese por meio do presente recurso se haveria nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, do tributo cobrado. Tal discussão é relevante na medida em que, após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de para aqueles tributos classificados na modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 7 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 2858DF CARF MF 12 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Destacase que tendo o REsp nº 973.733/SC sido julgado sob a sistemática do Recurso Repetitivo deve este Conselho, por força do art. 62, §2º do seu Regimento Interno, reproduzir tal entendimento em seus julgados. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar como termo inicial da decadência a data da ocorrência do fato gerador se faz necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 8 13 sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Este é exatamente o caso dos autos. Temos exigência de contribuições decorrentes do pagamento de verbas classificadas pela fiscalização como remuneração haja vista o descumprimento das exigências previstas no art. 28, §9º da lei nº 8.212/91, ou seja, lançamentos cujo objeto é cobrança da Contribuição Social incidente sobre pagamentos de salários tidos como indiretos. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Devese entender por 'mesmo fato gerador' as hipóteses de incidência que possuem identidade entre os critérios que compõem a respectiva regra matriz de incidência, ou seja, tributo previsto no mesmo dispositivo legal com coincidência de sujeito passivo e base de cálculo, ainda que esta última não tenha sido quantificada corretamente. Ora, conforme apurado ao longo do processo, no período fiscalizado o Contribuinte efetuou pagamentos no mesmo período apurado e em razão do mesmo fato gerador discutido no lançamento, qual seja, contribuições reflexas incidentes sobre a folha de pagamento, fato que pode ser comprovado a partir da própria natureza da verba e ainda pela afirmação feita pelo fiscal quando da lavratura do auto de infração – fls. 33 e seguintes: 6. Os Créditos Previdenciários descritos no presente relatório incluem diversos levantamentos que correspondem a diferenças entre as contribuições devidas e as efetivamente recolhidas encontradas nos fatos geradores a seguir identificados: • Pagamentos a empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/00) • Pagamentos a motoristas pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/00); • Contratação de Seguro de Vida em Grupo para empregados sem previsão em acordo ou convenção Coletiva de Trabalho. ... Portanto, entendo estar caracterizado pagamento para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN devendo ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência de 11/2006. Neste cenário, havendo a caracterização da decadência nos termos acima fixado, tornase desnecessária a apreciação das demais teses recursais devolvidas a este Colegiado. Isso porque, como apontado, o lançamento compreende as competências de 03/2006 a 12/2006 e 01/2008 a 12/2008, tendo o relatório fiscal especificado as competências por rubrica: Fl. 2860DF CARF MF 14 A) Pagamentos a empregados pela participação nos lucros ou resultados em desacordo com lei específica (Lei 10.101/00) – Período de 03/2006 a 07/2006 e 09/2006 – LEVANTAMENTOS PE1 E PM1, FPAS: 507 B) Pagamentos a motoristas pela participação nos lucros ou resultados em desacordo com lei específica (Lei 10.101/00) – Período de 09/2008 – levantamentos MO1, FPAS: 507 C) Contratação de seguro de vida em grupo para empregados sem previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho Período de 01/2008 a 12/2008 – Levantamentos SM, SM1, SM2, SV, SV1 E SV2, FPAS: 507. Ora, considerando que as rubricas relativas ao item B e C envolvem lançamento de obrigação principal relativo, respectivamente, à PLR paga aos motoristas (debito parcelado) e às verbas de seguro de vida em grupo (débito cancelado pelo acórdão recorrido) que não estão mais em litígio, as demais matérias recursais se referem exclusivamente a parte do débito já extinto por decurso de tempo nos termos do art. 156, inciso V do Código Tributário. Diante de todo o exposto voto por conhecer em parte do recurso especial interposto pelo contribuinte para, na parte conhecida, reconhecer a decadência do crédito tributário até a competência 11/2006, decisão que torna desnecessária a análise das demais questões recursais. Do recurso da União: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, reiterando o respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Vale destacar que parte do crédito tributário relativo a obrigação principal foi mantida, especificadamente no tange a parcela objeto de parcelamento. Nestas circunstâncias, não há óbices ao julgamento do presente recurso. E no que tange a controvérsia relacionada às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 9 15 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991 regra já adotada pelo fiscal quando do lançamento do débito. Fl. 2862DF CARF MF 16 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.000: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 10 17 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 2864DF CARF MF 18 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Referido entendimento, que reflete as explicações da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, foi recentemente ratificado com edição da Súmula CARF nº 119 com o seguinte teor: SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, quando da execução do julgado deverá ser observada a necessidade de adequação da multa haja vista a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 e Súmula CARF nº 119, destacando que a mesma ação fiscal ainda deu origem a outros três processos administrativos: 15504725.349/201115 – AIOP Debcad 37.317.1668: Pagamento a Empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica (Lei 10.101/00); Pagamento a Administradores não empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados; Concessão de Seguro de Vida em Grupo a empregados sem previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho até 13/2008 parte empresa – solidariedade. 15504725.354/201128 – AIOP Debcad 51.008.4303 Pagamento a Empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica (Lei 10.101/00); Pagamento a Administradores não empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados ano 2009 parte empresa solidariedade e Debcad 51.008.4311 Pagamento a Empregados pela Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/00) ano 2009 parte Outras Entidades. 15504725.357/201161 (Debcads 51.008.4338 e 51.008.4320): AI 30 e AI 78 Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 15504.725353/201183 Acórdão n.º 9202007.928 CSRFT2 Fl. 11 19 Diante do exposto dou provimento ao recurso nos termos da Súmula CARF nº 119. Conclusão: Diante de todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso do contribuinte, para na parte conhecida reconhecer a decadência até a competência 11/2006, restando prejudicada a análise das demais questões recursais, e dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar a aplicação do critério da retroatividade benigna nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, ratificada pela Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2866DF CARF MF
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Numero do processo: 16048.720171/2017-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/05/2014
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O fisco tem 5 anos para se pronunciar sobre compensação entabulada pelo sujeito passivo, contados da data de sua efetivação e comunicação à Fazenda, sob pena de homologação tácita.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social.
HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF
Numero da decisão: 2301-006.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a decadência e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha, Virgílio Cansino Gil e Wilderson Botto que rejeitaram a glosa de terço de férias. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa Relator
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O fisco tem 5 anos para se pronunciar sobre compensação entabulada pelo sujeito passivo, contados da data de sua efetivação e comunicação à Fazenda, sob pena de homologação tácita. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social. HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a decadência e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha, Virgílio Cansino Gil e Wilderson Botto que rejeitaram a glosa de terço de férias. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 72 01 71 /2 01 7- 07 Fl. 4556DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.169 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.720171/2017-07 Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado Relatório Trata-se de manifestação de inconformidade, interposta pelo município acima identificado, contra decisão de não homologação de compensação, exarada por meio do Despacho Decisório de fls. 215/222 dos autos. Referida decisão ressalta que a municipalidade efetuou compensações nas Guias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Ressalta o fisco, ainda que, as GFIP das compensações em tela: a) de 01/2011 a 13/2011, 10/2012 a 02/2013 foram transmitidas em setembro/2013; b) de 08/2013 a 05/2014, transmitidas entre setembro/2013 a junho/2014. A fiscalização entendeu caduco o direito à compensação dos créditos de 02/1998 a 09/2004, realizadas em setembro/2013, porque transcorrido o prazo quinquenal para fazê-lo, fixado no art. 168 do CTN. Também, rejeitou a compensação nas demais competências, porque: I - os créditos são oriundos de rubricas passíveis de incidência de contribuição social (1/3 de férias, horas extras e diferença de RAT); II - a documentação apresentada para comprovar a origem dos créditos não identifica, competência por competência, a composição individualizada dos montantes compensados; III - as competências 02/1998 a 12/2009 foram objetos de parcelamento, sendo reincluídas pelo sujeito passivo, indevidamente, nas GFIP 01/2011 a 08/2013. Cientificada da decisão denegatória, em 20/7/2017 (cf. fl. 224), a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade supracitada, em 21/08/2017, ocasião em que argumenta, em síntese: a - o direito de a Fazenda Pública constituir crédito, em relação aos valores compensados entre 01/2010 e 01/2012, caducou em janeiro/2017, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN; b - as compensações das competências 10/2012 a 02/2013 e 08/2013 a 05/2014 referem-se a contribuições sociais incidentes sobre adicional de horas extras e 1/3 de férias, já assentadas pela jurisprudência como não integrantes do salário de contribuição. Diz individualizá-las nos documentos de fls. 73/79, 80/152 e 189/210, atestando que foram lastreadas no recolhimento sobre as rubricas retrocitadas. Fl. 4557DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.169 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.720171/2017-07 c - irrelevância de parcelamentos como causa de não homologação da compensação, porque relativos à multa regulamentar de AI lavrado em 27/5/2011 e do débito 42.617.559-0, por diferenças de recolhimento a menor dos valores declarados em GFIP das competências 09/2003 a 01/2007. Às efls. 3018/3023 a DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Às efls. 3028/3041 o contribuinte apresentou recurso reiterando todos os argumentos contidos na sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Decadência Acerca da alegada decadência, o fisco fez o seguinte esclarecimento: “Nas GFIP 01/2011 a 13/2011, re-ratificadas nos arquivos GFIP/SEFIP enviados a partir de 16 a 20/09/2013, nas quais compensou valores que se referiram aos períodos passados: 09/1998 a 09/2004, que já se encontravam decadentes e pacificados em procedimentos fiscais anteriores (vide tela do Cadastro de Fiscalização de Empresas (CFE) c/c telas dos créditos em cobrança na PGFN. Fls. 158/187);” Entendo que neste ponto, não assiste razão a recorrente, tendo a decisão de primeira instância enfrentado detalhadamente a da ocorrência de decadência. Portanto, exclusivamente no que se refere à apreciação da decadência, nos termos em que faculta o art. 57, § 3º do RICARF, como não houve apresentação de novas razões de defesa perante a segunda instância, transcrevo a decisão de primeira instância e proponho a sua confirmação e adoção de suas razões de decidir: “DA ALEGADA DECADÊNCIA PARA O FISCO A manifestante acusa estar caduco o direito de o fisco rever parte da compensação por ela entabulada, porque envolve competências já fulminadas pela decadência (01/2010 a 01/2012). Ocorre que as referidas compensações - apesar de envolverem as citadas competências - só foram entabuladas pela municipalidade entre setembro/2013 e maio/2014, datas em que os atos compensatórios dos supostos créditos foram formalmente comunicados à RFB, por meio das entregas das respectivas GFIP, consoante fls. 3/6 dos autos. Como o objeto de discussão é a compensação e a data mais remota, na qual ela foi efetivada e comunicada pela empresa ao Fisco, foi setembro/2013, é este o marco inicial do quinquenio legal para a fiscalização se pronunciar sobre a referida compensação, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN. Por evidente que o fisco não poderia fazê-lo antes, porque inexistiam as referidas compensações. E, dado que o pronunciamento fiscal sobre a matéria se deu em 20/7/2017, data da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação, ora recorrido, não há que se falar em violação do referido comando legal para o pronunciamento da Fazenda sobre a compensação em questão. Fl. 4558DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.169 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.720171/2017-07 De sorte que, não encontra lastro a irresignação do sujeito passivo na arguição de decadência do ato fiscal denegatório.” Mérito No que tange ao terço de férias, cumprecitar oResp 1230957/RS, julgado como recurso representativo de controvérsia, que deve ser reproduzida pelos conselheiros, posto que definitiva no âmbito do STJ, pelo qual decidiu-se que não incidiria contribuiçãoprevidenciáriasobreo terço de férias, conforme tem sido decidido neste CARF: “TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada.” (Acórdão nº 2402-006.660, de 03/10/2018) Ademais, acerca do REsp 1230957/RS, há de se salientar que o Recurso Extraordinário interposto pela PGFN se encontrava sobrestado somente até o julgamento do RE 593068 (tema 163 da Repercussão Geral), nos seguintes termos: “Como o tema que ora se discute, apesar de similar ao RE 593068/SC, não é idêntico, pois, enquanto naquele o sujeito passivo está submetido a regime próprio de previdência social, no caso em tela é integrante do regime geral de previdência social, o feito foi admitido com fulcro no art. 543-A, § 2º, do CPC e encaminhado ao Supremo. Analisando o feito, o então relator, Min. Luiz Fux entendendo que a questão discutida na espécie seria idêntica à tratada no citado RE 593068 RG/SC, determinou, nos termos do art. 328, parágrafo único do RISTF, a devolução dos autos a esta Corte para fins de sobrestamento até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal. Assim, diante da decisão do STF no sentido de que o tema versado nos presentes autos é uníssono com o tratado no RE 593068 RG/SC, cuja matéria teve repercussão geral reconhecida, determino o sobrestamento do presente recurso extraordinário até o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do mérito aludido feito, nos termos do artigo 328-A do RISTF.” Ocorre que, em 11/10/2018, o STF concluiu pela não incidência de contribuições previdenciárias nas parcelas discutidas no RE 593068 (tema 163 da Repercussão Geral), proferindo a seguinte decisão de julgamento, com ata de julgamento publicada em 22/10/2018: “Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 163 da repercussão geral, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para determinar a restituição das parcelas não prescritas, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli (Presidente), Marco Aurélio e Gilmar Mendes. Em seguida, por maioria, fixou-se a seguinte tese: “Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como ‘terço de férias’, ‘serviços extraordinários’, ‘adicional noturno’ e ‘adicional de insalubridade’”, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não votou o Ministro Alexandre de Moraes, sucessor do Ministro Teori Zavascki. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.10.2018.” Fl. 4559DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.169 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.720171/2017-07 Portanto, quanto ao terço de férias entendo que assiste razão ao recorrente, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias. Quanto às horas extras não assiste razão à recorrente e cumprecitar o REsp 1358281/SP, julgado como recurso representativo de controvérsia, que deve ser reproduzida pelos conselheiros, posto que definitiva no âmbito do STJ, pelo qual decidiu-se que incidiria contribuiçãoprevidenciáriasobreesta parcela, conforme tem sido decidido neste CARF: “HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF.” (Acórdão nº 2202-003.771, de 04/04/2017) Ante ao exposto, voto no sentido de Conhecer do Recurso rejeitar a decadência e no mérito DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer o direito creditório referente ao terço de férias (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Conselheiro Cleber Ferreira Nunes leite – Relator Designado Divirjo do ilustre relator, exclusivamente sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias, tendo em vista decisão do STJ, em recurso repetitivo, ainda não transitado em julgado. De fato, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), consolidou o entendimento da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. A vinculação ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos, contudo, demanda decisão definitiva de mérito (Regimento Interno do CARF, art. 62). O REsp 1.230.957 não transitou em julgado, por ter sido sobrestado devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo por paradigma o RE n° 593.068/SC, a tratar da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade (Tema 163/STF). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal é objeto de repercussão geral no RE n° 1.072.485/PR, pendente de julgamento (Tema 985/STF). Fl. 4560DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.169 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.720171/2017-07 Portanto, o terço constitucional integra a base de cálculo das contribuições, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 214, §4º, DO DECRETO nº 3048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do STJ acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto 3048/99 quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. (...) Acórdão 9202006.464, de 30 de janeiro de 2018. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 4561DF CARF MF
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