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Numero do processo: 11065.721074/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Paulo G. Déroulède, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Raphael Madeira Abad - Redator "ad hoc".
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
RELATÓRIO
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Paulo G. Déroulède, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Raphael Madeira Abad Redator "ad hoc". [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 07 4/ 20 15 -3 0 Fl. 746DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.520 ___________ Conselheiro Raphael Madeira Abad, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Tratase de auto de infração para a cobrança de IPI. Do Relatório da Ação Fiscal, extraise a seguinte descrição, fls. 3931 e seguintes: A fiscalizada tem como objeto social a indústria de pneus para veículos automotivos, tendo sido tributada pelo regime do Lucro Real, relativamente aos anoscalendário 2011 e 2012. (...) 2. Irregularidades na Classificação de Mercadorias Pneus 2.1 Da classificação adotada pelo contribuinte O contribuinte efetuou vendas de pneus de diversos modelos, identificados em sua página na Internet como destinados a “Vans e utilitários” e “Pickup e SUV”, classificados sob o código NCM 4011.20.90, que se refere a pneus “dos tipos utilizados em ônibus e caminhões”. Como será detalhado adiante, a classificação correta dos pneus utilizados em “Vans e Utilitários” é a mesma. Assim, todos os pneus incluídos nessa categoria deverão ser classificados no mesmo código. No entanto, há diferenças de classificação entre os pneus utilizados em Pickup e SUV. Assim, por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, questionamos quais os veículos que utilizam cada uma das configurações de pneus destinados a “Pickups e SUV” que constavam nas Nfe emitidas no período. Em sua resposta, a fiscalizada informou que algumas configurações são usadas para veículos SUV, outras para Pickup e que o modelo Fortrera Comfortred 265/75R16 seria usado para caminhões (tendo informado os modelos Ford F250 e F350). (...) 2.2 Da Classificação Correta Cabe então analisar se a classificação adotada é a correta em relação aos modelos de pneus relacionados. (...) Os itens analisados são pneumáticos novos de borracha para veículo automotor, dessa forma, a sua classificação deve ser realizada na posição 40.11. Definida a posição, passase à determinação do enquadramento em nível de subposições. De acordo com a primeira 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11065.721074/201530 Resolução nº 3302000.714 S3C3T2 Fl. 1.521 3 parte da RGI 6, para efeitos legais, a classificação nas subposições de uma mesma posição é realizada pelos textos dessas subposições e pelas notas de subposições respectivas. As subposições da posição 40.11 são as seguintes: 40.11 Pneumáticos novos, de borracha 4011.10 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.30 Dos tipos utilizados em veículos aéreos 4011.40 Dos tipos utilizados em motocicletas 4011.50 Dos tipos utilizados em bicicletas 4011.6 Outros, com bandas de rodagem em forma de "espinha de peixe" e semelhantes 4011.9 Outros 4011.92 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais 4011.93.00 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a 61cm 4011.94 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro superior a 61cm 4011.99 Outros 4011.99.10 Com seção de largura superior ou igual a 1.143mm (45”), para aros de diâmetro superior ou igual a 1.143mm (45”) 4011.99.90 Outros Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. A própria página da fiscalizada na Internet informa que os modelos de pneu ora em análise destinamse a “Pickup e SUV” e “Vans e utilitários”, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados na Tabela 1 deste Relatório. Considerando que a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus (a posição 8702, suas subposições e respectivos Ex, que abrangem todos os automóveis para dez ou mais pessoas, limitamse a segmentar os veículos em função do volume da cabine, sem atribuir uma terminologia a cada um deles), Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11065.721074/201530 Resolução nº 3302000.714 S3C3T2 Fl. 1.522 4 cabe utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus, portanto pneus para vans não podem ser classificados na TIPI como pneus para ônibus. Adicionalmente, apenas a título de informação complementar (já que legislações subsidiárias não têm a prerrogativa de, por si só, estabelecer critérios para a classificação fiscal de mercadorias que advém de uma convenção internacional, o Sistema Harmonizado), o Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I, classifica ônibus como o veículo de transporte de pessoas com capacidade para mais de vinte passageiros, ainda que, em virtude de adaptações com vista à maior comodidade destes, transporte número menor. Já a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/utilitários é expressa na Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes” indicando expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões. Concluise, portanto, que está equivocada a classificação adotada pelo contribuinte, já que as vans, pickups, utilitários e SUV não são ônibus nem caminhões. Passamos então a analisar as outras classificações possíveis. De pronto, podemos desconsiderar a possibilidade de classificar esses itens nos desdobramentos das subposições 4011.30, 4011.40, 4011.50 e 4011.6, por não se tratar de pneus utilizados em veículos aéreos, motocicletas ou bicicletas, nem se tratar de pneus com bandas de rodagem em forma de espinha de peixe, respectivamente. De igual sorte, podese descartar as subposições (e seus desdobramentos) 4011.92, e 4011.94 e os códigos 4011.93.00 e 4011.99.10 por não se tratar de pneus para uso agrícola, uso em manutenção industrial ou com seção de largura superior a 45 polegadas. 2.2.1 – Da classificação a ser adotada para pneus de Vans (...) 2.2.2 – Da classificação a ser adotada para pneus de Pickup e utilitários (...) 2.2.3 – Da classificação a ser adotada para pneus de SUV (...) 2.2.4 Da classificação a ser adotada para pneus de Caminhões A contribuinte, então, apresentou impugnação administrativa, onde argumentou em síntese, fls. 417 e seguintes: i) Afirma que os produtos "pneumáticos novos de borracha" estão previstos expressamente no texto da Posição 4011 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Não há dúvida, portanto, de que os produtos objeto da autuação se enquadram na referida posição; Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11065.721074/201530 Resolução nº 3302000.714 S3C3T2 Fl. 1.523 5 ii) Explica como ocorre a posição e diz que, de fato, a opção adotada foi a de mencionar expressamente o nome do tipo dos veículos em que os pneus são utilizados, ou seja, "automóveis de passageiros", "caminhões", "ônibus", "veículos aéreos", "motocicletas" e "bicicletas". Portanto, verificase que, para definir a classificação fiscal de um pneu, é essencial que se compreenda a concepção do pneu, ou seja, para que aplicação o pneu foi concebido; iii) Define o significados dos termos "automóveis de passageiros", "caminhões" e "ônibus"; iv) Afirma que os pneus fabricados por ela, que foram objeto da autuação, ora impugnada, são concebidos para veículos de carga com peso bruto total (PBT) superior a 3.500 kg. Por este motivo, tais pneus são concebidos para serem utilizados em caminhões e devem ser classificados na subposição 4011.20; v) Esclarece que o fato de que, por conveniência comercial, os pneus em análise sejam anunciados como utilizados em "pickups", "SUVs", "vans" e "utilitários" não implica, por si só, na descaracterização destes produtos como pneus para caminhões, como tenta fazer a fiscalização; vi) Afirma que a Orientação NBM/DISIT 8a RF nº 278/1996 concluiu que, ainda que os pneus analisados pudessem ser utilizados em utilitários e camionetas, eles deveriam ser classificados de acordo com a sua concepção como pneus para caminhões, mesmo que se tratassem de caminhões leves; vii) Para se determinar a classificação destes pneus, deve ser considerado que os mesmos foram concebidos para veículos de carga com peso bruto total (PBT) superior a 3.500 kg e, por este motivo, devem ser classificados na Subposição 4011.20 destinada a "pneumáticos novos, de borracha; dos tipos utilizados em ônibus (autocarros*) ou caminhões"; viii) Esclarece que juntou laudo técnico para demonstrar que os pneus foram confeccionados para serem utilizados em caminhões, indicando item a item do referido laudo. Sobreveio acórdão da DRJ/Belém, que considerou improcedente a demanda. A ementa é colacionada abaixo, fls. 695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Classificação fiscal. Regras de Interpretação. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Dessa forma, descabe classificar como destinados a ônibus e caminhões pneus produzidos e comercializados para uso em vans e utilitários, SUV’s e pickups, ainda que eventualmente possam ser aplicados nos primeiros. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11065.721074/201530 Resolução nº 3302000.714 S3C3T2 Fl. 1.524 6 A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 712 e seguintes, onde repisou a argumentação da impugnação. É o relatório." Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Com as devidas vênias à ilustre Relatora, os fundamentos a seguir delineados amparam a divergência do voto condutor. Conforme o Termo de Verificação Fiscal: O contribuinte efetuou vendas de pneus de diversos modelos, identificados em sua página na Internet como destinados a “Vans e utilitários” e “Pickup e SUV”, classificados sob o código NCM 4011.20.90, que se refere a pneus “dos tipos utilizados em ônibus e caminhões”. Ressalta a Recorrente que o entendimento da fiscalização se baseou na possibilidade de utilização dos pneus em diversos veículos, sem considerar, o propósito da concepção dos pneus, ou seja, para o que efetivamente eles foram fabricados. Argui ainda que a fiscalização valorizou aspectos comerciais dos pneus, em detrimento dos aspectos técnicos. Destaca a i. Relatora que: O cerne da questão cingese se a classificação é do tipo 40.11.10 pneus utilizados em veículos, 40.11.20 pneus utilizados em ônibus e caminhões ou 40.11.99 outros. A fiscalização afirma que a classificação a ser utilizada deve ser a 40.11.10 e 40.11.99, dependendo do caso, e a Recorrente, por sua vez, entende que a Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11065.721074/201530 Resolução nº 3302000.714 S3C3T2 Fl. 1.525 7 classificação correta é a 40.11.20, pois os pneus que assim foram classificados são utilizados para veículos de carga com peso bruto total superior a 3.500 kg, que são considerados caminhões.(grifei). Assim, em face das características dos produtos arrolados no auto de infração, instaurada a lide sobre a classificação fiscal dos referidos produtos, fazse premente a assistência técnica nos autos, através de laudo pericial, com vistas à escorreita identificação técnica, pressuposto inafastável para possibilitar a classificação fiscal então controversa. Considerando a especificidade dos produtos em questão e tendo em vista que a descrição apresentada pela fiscalização, não é suficiente para a convicção do julgador, com fundamento no art. 18, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, voto pela devolução do presente processo ao órgão de origem para a adoção das seguintes providências pela fiscalização: I – Solicitar perícia/parecer técnico, com vistas a : 1 identificar para cada modelo de pneu acima apresentado, as características técnicas que diferenciam cada um dos tipos, principalmente, porém não exclusivamente, com relação a : a capacidade de passageiros; b) capacidade de carga; c) peso bruto total do veículo; d) tipo de utilização; 2 Identificar quais veículos, pelas características técnicas, acima identificadas foram concebidos exclusiva ou principalmente para ônibus ou caminhões? 3 Indicar se há caminhões no mercado que utilizam esses pneus fabricados pela Recorrente; Caso entenda necessário, a fiscalização poderá também formular quesitos visando à perfeita identificação técnica dos produtos, objeto da presente lide. II Juntar aos autos o Manual de Normas Técnicas da Associação Latino Americana de Pneus e Aros (ALAPA); III) Emitir, após o Laudo/Parecer Técnico, relatório circunstanciando os fatos decorrentes da perícia, com vistas à classificação fiscal dos produtos objeto do laudo pericial. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da perícia, com com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para manifestação, devolver o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964368/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.964368/200973 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.555 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de fevereiro de 2018 Assunto DCOMP Recorrente DISTRIBUIDORA DE PAPEIS SAO NICOLAU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 64 36 8/ 20 09 -7 3 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15374.964368/200973 Resolução nº 1402000.555 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário interposto por DISTRIBUIDORA DE PAPÉIS SÃO NICOLAU LTDA interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro que por unanimidade de votos decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade apresentada pela não apresentação de documentação comprobatória. A presente Declaração de Compensação (DCOMP) não foi homologada por ausência de crédito disponível. A DCOMP foi apresentada informando crédito referente a pagamento a maior de IRPJ referente ao DARF antes arrecadado. A DCOMP não foi homologada, pois o DARF pleiteado teria sido utilizado para quitar débito de código outro. Segundo a Manifestação de Inconformidade houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora. Em seu julgamento a DRJ afirma que a DCTF somente foi retificada posteriormente após a ciência do despacho decisório de não homologação. Para a DRJ o contribuinte deveria ter comprovado a o erro nos termos do art. 147, §1° do CTN. Nessa toada, afirma não terem sido entregues documentos comprobatórios, não sendo adequada a mera entrega da DCTF. Em seu Recurso Voluntário a recorrente reitera que houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora tão somente em relação aos percentuais de recolhimento, oportunidade em que anexou as notas fiscais emitidas no período. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.535, de 22.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 15374.939594/200916, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.535): O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 15374.964368/200973 Resolução nº 1402000.555 S1C4T2 Fl. 4 3 Conforme se depreende do relatório o motivo de ter sido indeferida a manifestação de inconformidade apresentada foi a apresentação de DCTF diminuindo o valor do débito tributário sem a apresentação de comprovação idônea. Nos presentes autos foram juntadas as notas fiscais juntadas com o presente Recurso demonstram que a Recorrente exerceu atividades de comércio submetidas ao percentual de presunção de 8%, e não prestação de serviços submetidas ao percentual de presunção de 32%, o que justificaria a redução do imposto devido apresentado na DCTF. Assim, justificada a retificação da DCTF para menor deve ser reconhecido que o crédito pleiteado não foi utilizado para quitar o referido débito, premissa adotada pela d. DRJ, e, portanto, deve ser reconhecida a compensação pleiteada. No entanto, muito embora reconhecido o direito creditório é necessária sua quantificação pela autoridade competente, nos termos da Súmula 84, ao que necessário seu retorno à unidade de origem.. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 307DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000363/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.296
Decisão: Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Presidente - Luiz Augusto do Couto Chagas
Relator - Marcelo Costa Marques d'Oliveira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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SERVIÇOS TÉCNICOS, ADMINISTRATIVOS E DE CORRETAGEM DE SEGUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 36 3/ 20 08 -1 8 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 11 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instãncia: "Trata o presente processo das Declarações de Compensação abaixo discriminadas, nas quais foi indicado crédito de PIS discutido na Ação Ordinária n° 94.00247095 transitada em julgado. A Ação Ordinária n° 94.00247095, ajuizada em 26/09/1994 pela empresa Banespa S.A. Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161 em litisconsorte com outras, que transitou em julgado em 24/11/2004, autorizando a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título da contribuição ao PIS somente com débitos de PIS, com prescrição qüinqüenal e adotandose na correção monetária os índices oficiais, acrescidos da taxa Selic a partir de janeiro de 1996. A empresa Banespa S.A. Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161 foi incorporada em 30/03/2001 pela empresa Santander S.A. Serviços Técnicos, Administrativos e De Corretagem De Seguros, CNPJ nº 52.312.907/000190. O crédito pleiteado foi utilizado pela própria empresa incorporada Banespa S.A. Corretora de Seguros para a compensação em DCTF dos débitos de PIS de PAs 12/2000 a 03/2001 e posteriormente pela empresa incorporadora Santander S.A. – Serviços Técnicos, Administrativos e De Corretagem De Seguros para a compensação através das DCOMPs discriminadas no 1º parágrafo deste relatório. Apenso ao presente encontrase o processo administrativo n° 13820.000444/200556, que se trata de pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão transitada em julgado da Ação Ordinária n° 94.00247095. Esse pedido foi deferido pela DRF Santo André em despacho datado de 01/09/2005. Também, encontrase apenso o PAF nº 10880.721520/201114 que trata de representação criada para recepcionar os débitos das DCOMP vinculadas ao crédito discutido nos autos em análise. Às fls. 275/279 consta Despacho Decisório do qual extraímos os seguintes excertos: 'Quanto à compensação pretendida pela requerente com tributos diversos, ressaltese que a decisão judicial afastou a compensação com os demais tributos federais, limitandoo à compensação com PIS apenas. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 12 3 A coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, com a plena soberania das decisões judiciais. A decisão judicial representa lei entre as partes e por isso deve ser respeitada. Reconhecido expressamente pelo Poder Judiciário o direito de a contribuinte repetir o seu indébito através de compensação com débitos do próprio PIS, entendese não ser cabível ao órgão administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil alterar tal decisão, fazendoo relativamente a outros tributos ou contribuições que não aquele determinado pelo poder provocado. Mesmo que se argumente que tal restrição não mais deve prosperar, já que a própria Fazenda passou a permitir tais compensações, houve uma ação Judicial cujo decisum é claro, a impossibilidade de compensar o PIS com tributo diferente do próprio PIS. Mesmo que tal determinação tenha sido prolatada com fundamento em lei não mais vigente, não cumpre ao Auditor estender, interpretar, tampouco ignorar o determinado em ação transitada em julgado. O fato de existir vedação legal à época da propositura da ação e atualmente ser legalmente possível a compensação de tributos distintos, não autoriza a Administração a adotar parcialmente a determinação judicial (que foi, inclusive, precisa). Desta forma, resta claro que o crédito apurado só poderá ser utilizado para a compensação dos débitos de PIS. Dando seqüência ao cálculo, utilizouse o Programa CTSJ (fls. 251 a 259), no qual foram cadastrados os débitos de PIS de PAs 12/2000 a 03/2001 que a empresa incorporada Banespa S.A. Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161 pretendeu compensar em DCTF. Posteriormente, vinculouse a estes débitos na modalidade "Compensação com DARF", os saldos de pagamentos efetuados a maior obtidos no Programa CADJUD de fls. 249 e 250, utilizandose na correção monetária os índices utilizados pelo Fisco para a cobrança dos tributos federais. Após as referidas vinculações, verificouse que o crédito tributário apurado de PIS foi suficiente para a extinção dos referidos débitos da empresa incorporada, restando ainda o saldo remanescente de R$ 696.419.14. montante atualizado até 31/12/1995 (fls. 257 a 259) para ser utilizado nas compensações efetuadas com os débitos de PIS nas DCOMPS transmitidas pela empresa Santander S.A. Serviços Técnicos, Administrativos E De Corretagem De Seguros, CNPJ: 52.312.907/000190 discriminadas no 1º parágrafo. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e das questões de direito levantadas, concluo que SEJAM CONVALIDADAS as compensações efetuadas em DCTF pela empresa incorporada Banespa S.A. Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161, relativas aos débitos de PIS de PAs 12/2000 a 03/2001 e em relação às Declarações de Compensação transmitidas pela empresa Santander S.A. Serviços Técnicos, Administrativos E De Corretagem De Seguros, CNPJ: 52.312.907/000190, devidamente discriminadas no 1º parágrafo, concluo que SEJAM HOMOLOGADAS as compensações efetuadas com os débitos de PIS até o limite do crédito reconhecido no valor de RS 696.419.14 (seiscentos e noventa e seis mil e quatrocentos e dezenove reais e quatorze centavos), montante atualizado até 31/12/1995. ressaltandose que desse valor já foram descontadas as compensações efetuadas em DCTF descritas acima e que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS as compensações efetuadas com os demais débitos diversos de PIS. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 13 4 DECISÃO Em face das considerações contidas no despacho supra, com fundamento no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 125/2009, arts. 205, VI, c/c o art. 283, III, e na competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 413/2009, CONVALIDO as compensações efetuadas em DCTF pela empresa incorporada Banespa S.A. Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161, relativas aos débitos de PIS de PAs 12/2000 a 03/2001 e em relação às Declarações de Compensação transmitidas pela empresa Santander S.A. Serviços Técnicos, Administrativos E De Corretagem De Seguros, CNPJ: 52.312.907/000190, devidamente discriminadas no Io parágrafo, HOMOLOGO as compensações efetuadas com os débitos de PIS até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 696.419.14 (seiscentos e noventa e seis mil e quatrocentos e dezenove reais e quatorze centavos), montante atualizado até 31/12/1995, ressaltandose que desse valor já foram descontadas as compensações efetuadas em DCTF descritas acima e NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas com os demais débitos diversos de PIS, com fundamento nos arts. 165 e 170 do CTN e IN RFB n° 900/2008 e alterações.' Cientificada em 19/08/2010 a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 298/339) na qual alega, em síntese: II.1 Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Os débitos relativos às compensações não homologadas deverão permanecer com a exigibilidade suspensa, até a apreciação final dessa manifestação de inconformidade, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96. Desta forma, uma vez que a manifestação de inconformidade enquadrase nas prescrições do artigo 151, inciso III, do CTN, forçoso concluir que os valores compensados não podem ser exigidos da Requerente, enquanto a presente manifestação não for definitivamente julgada. II.2 Da possibilidade de compensar tributos de naturezas diferentes Diferentemente do que restou, consignado na decisão administrativa a Requerente faz juz à homologação das compensações com outros tributos federais, uma vez que, à época da formalização das compensações, a legislação permitia o procedimento adotado pela Requerente. Do cotejo entre a data da distribuição da actio (1994) e a permissão da compensação com outros tributos (1996), depreendese claramente que seria impossível exigir em sua exordial o reconhecimento do direito de compensar o indébito de PIS com outros tributos, além do próprio PIS. Ocorre que essa situação não impede o direito da Requerente de formalizar compensação com outros tributos federais (além do PIS), por meio da via administrativa, valendose da legislação vigente no momento do encontro de contas (i.e., na data da compensação, que no caso em tela ocorreu em setembro e outubro de 2005). Cita decisões judiciais. II.3 Dos Erros Materiais Cometidos Nos Demonstrativos De Cálculos Apresentados pela RFB A Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, conforme consta do Despacho Decisório recorrido, apurou um crédito relativo aos recolhimentos indevidos realizados pela Manifestante a título de PIS em 31/12/1995 de R$ 696.419,14 (...), Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 14 5 enquanto deveria ter apurado para essa mesma data base, um crédito de R$ 1.123.245,27 (...). A verdade material deve, a todo e qualquer momento, ser buscada, afastando sempre o contribuinte de ser prejudicado em qualquer sentido, cabendo assim a apresentação do correto demonstrativo de cálculos, em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado no Processo n° 94.00247095. II. 4 Da Correção dos índices Utilizados em 1991 e em 01/1996 A Receita efetuou a imputação dos pagamentos da data do recolhimento até a data de vencimento do PISrepique e não atualizou os pagamentos realizados a partir de 05/02/1991. Foi verificada também diferença de 4,21% que se refere, à inflação ocorrida no 4º trimestre de 1995. Apesar de não ter havido uma demonstração de como a RFB chegou aos coeficientes utilizados, é perceptível o equívoco cometido pela autoridade administrativa, no sentido de que os índices obtidos não levaram era consideração a variação da UFIR de conversão para os créditos tributários determinada pela legislação, qual seja, 0,8287 (oito milésimos e duzentos e oitenta e sete) vigente em 1º de janeiro de 1996. As divergências entre os coeficientes corretos a serem adotados tornase clara se confrontado o demonstrativo dos índices utilizados pela Manifestante com a coisa julgada material que se formou com o trânsito em julgado do processo judicial correspondente, qual seja, INPC de abril de 1991 a dezembro de 1991 e UFIR a partir de janeiro de 1992 até dezembro de 1995. Outrossim, tal assertiva pode também ser verificada pela análise dos coeficientes aprovados pela Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08 de 27/06/1997, onde a conversão do crédito gerado até o período de 31/12/1995 é atualizada até o valor definido para este índice em 01 de janeiro de 1996 que é de 0,8287. II.5 Da Exclusão do PIS Repique devido nos meses de Junho, Julho e Agosto de 1.994. A Receita Federal considerou aplicável a regra do PIS Repique aos meses de 06/1994, 07/1994 e 08/1994, o que contraria a decisão judicial que determina a inclusão dos pagamentos apenas até o mês de 05/1994, tal como se pode verificar do seguinte trecho da mesma: 'Isto posto, por se encontrarem preenchidos todos os requisitos legais necessários à extinção de créditos mediante compensação, julgo PROCEDENTE o.primeiro pedido formulado, autorizando a compensação do que recolheu indevidamente a título de Programa de Integração Social PIS com base de cálculo e prazo de recolhimento alterados pelos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88 julgados inconstitucionais e, que esta, compensação conforme, requerida se faça com as parcelas vincendas do próprio Programa de Integração Social PIS, devidas conforme às Leis Complementares 7/70 e 17/73, observado o prazo previsto na Lei 9.065/95, observada a prescrição de cinco anos contada da 'data da propositura desta ação e sob inteira responsabilidade do(s) Autor(es) quanto aos valores compensados, sujeitos a ampla conferência pelo Fisco Federal.' II.6 Do Saldo Remanescente dos Créditos da Incorporadora Banespa S.A. Corretora de Seguro decorrente do Processo Judicial n°94.00247095 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 15 6 Além de ser indevida a cobrança relativa à compensação não homologada no processo n° 13820.000444/200556, vinculado ao processo administrativo de verificação das compensações n° 16349.000363/200818, conforme argumento acima esboçado, foi protocolado em 24/11/2009 um pedido de Habilitação de saldo remanescente. Portanto, é de; rigor concluirse que, além de não possuir um saldo devedor referente à compensação não homologada, a Manifestante possui um crédito referente a saldo remanescente a compensar, no valor de R$ 646.472,44 (...), tal como apontado na planilha anexada à presente Manifestação de Inconformidade. O pedido de habilitação n° 18186.006471/200911, em trâmite na Eq. Analise Proc. Trib. Diversos DERATSPO foi deferido em 13/05/2010 e este requer a compensação dos saldos remanescentes de contribuição do PIS que foram apurados na forma que demonstraremos a seguir: II.6.1 Da Aplicação de índice de Atualização Diverso Daquele Determinado pelo Poder Judiciário (índices Mensais X Diários) Conforme se depreende da análise da planilha de saldo de pagamentos, constante às fls. 257 e seguintes do PAF. n° 16349.000363/200818, entende o Fisco que, no período de apuração de 01/1992 a 05/1994, deveria ser aplicado o índice da UFIR Diária. A despeito do entendimento do Fisco Federal, a regra que trata da aplicação da UFIR não faz qualquer referência à sua periodicidade, se mensal ou diária, devendo, portanto ser considerada a sistemática que de fato representa a recomposição real da infração ocorrida no período. O critério utilizado pela Fiscalização para justificar a apuração dos créditos a serem restituídos/compensados com a aplicação da variação da UFIR por coeficientes diários está equivocado, na medida em que tem aplicação apenas para normatizar a regra de atualização do imposto a ser recolhido em atraso. Tendo a decisão judicial reconhecido a aplicação do IPC, INPC e UFIR, incongruente reconhecer que até 12/91 o coeficiente mensal é válido e a partir de 01/92 não é, motivo pelo qual se mostra necessário o reconhecimento do crédito demonstrado. II: 7 Dos índices de Atualização Monetária com a Inclusão dos Expurgos Inflacionários Conforme se depreende da planilha original de cálculo, os índices de correção monetária aplicados para atualização dos créditos foram previstos na NE 08/97 A decisão judicial transitada em julgado no processo judicial n° 94.00247095 houve a discussão expressa acerca da inclusão dos expurgos inflacionários aos coeficientes, que não foi expressamente contemplada na sentença, até porque a época da propositura da ação e da prolação da sentença ainda não havia jurisprudência formada acerca da matéria. Assim, o mérito da discussão já foi objeto de julgamento definitivo pelos Tribunais Superiores, inclusive com Resolução Senatorial, bem como a questão da aplicação de correção monetária plena j á se'encontra pacificada na esfera judicial e administrativa. Como cediço, os Tribunais pátrios reconhecem que a correção monetária no indébito tributário deve ser ampla correspondendo à efetiva perda dó poder aquisitivo da moeda pelo transcurso do tempo em face do fenômeno inflacionário. II. 8 Proporcionalidade dos Valores Devidos de PIS Repique Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 16 7 Em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado no Processo n° 94.00247095, o período do indébito reconhecido corresponde aos, recolhimentos indevidos da contribuição ao PIS realizados a partir de 26/09/1989. Conforme se depreende da análise da planilha da RFB, a apuração do PIS/Repique devido para o ano de 1989 tomou por consideração o Imposto de Renda devido para o ano inteiro. Contudo, considerando o período inicial do indébito reconhecido judicialmente (26/09/1989), entendemos que há que ser considerado proporcionalmente o PIS/Repique devido no ano de 1989. Nesse sentido, nos demonstrativos de cálculo apresentados, para o ano de 1989, foi considerada a proporcionalidade entre o PIS recolhido indevidamente nos termos dos DecretosLei n° 2445/88 e, 2449/88 e o PIS/Repique devido pela LC 07/70, a partir do recolhimento de outubro de 1989. É o relatório." A manifestação de inconformidade foi julgada integralmente improcedente pela DRJ em Belém (PA) e o Acórdão n° 0127.233 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 Ementa: COMPENSAÇÃO/RECONHECIMENTO JUDICIAL A compensação de crédito reconhecido judicialmente deve obedecer aos limites fixados na decisão transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório superior ao apurado pela Administração Tributária. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. Correta a atualização do crédito tributário objeto de compensação, quando apurada em consonância com os índices ordenados em decisão judicial, sendo inaceitáveis os cálculos do contribuinte, desprovidos de demonstração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, sendo que, desta feita, anexou planilhas com os cálculos do crédito de PIS que reputa como corretos. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 17 8 É o relatório. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 18 9 Voto No âmbito do processo judicial n° 94.00247095, o contribuinte BANESPA S/A Corretora de Seguros obteve sentença favorável, reconhecendo créditos de PIS, derivados de pagamentos a maior efetuados nos anos de 1989 a 1994, por força dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e excluídos do ordenamento jurídico pela Resolução do Senado n° 45/95. A decisão autorizou a compensação dos créditos com parcelas vincendas da mesma contribuição, "corrigidos monetariamente pelos índices oficiais, acrescidos de juros Selic, a partir de janeiro de 1996" (fl. 34). A ação foi ajuizada em 26/09/94 e a sentença transitou em julgado em 24/11/04. Citado contribuinte compensou parte do crédito com valores devidos de PIS dos períodos de apuração (PA) 12/2000 a 03/2001. O saldo remanescente foi utilizado pelo contribuinte SANTANDER S/A Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros, que incorporou o contribuinte BANESPA S/A Corretora de Seguros, em 30/03/01, por meio das declarações de compensação listadas no relatório e objetos da contenda em discussão, no montante total de R$ 2.174.131,52. Nas fls. 276 a 280, encontrase o Despacho Decisório, que homologou integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte BANESPA S/A Corretora de Seguros (PAs 12/2000 a 03/2001) e, até o limite de R$ 696.419,14, as promovidas pelo contribuinte SANTANDER S/A Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros. Com relação às compensações efetuadas pela sucessora, também foi ressalvado que o crédito autorizado somente poderia ser utilizado para liquidar prestações de PIS, tal qual o consignado na decisão judicial. Tanto na manifestação de inconformidade, julgada integralmente improcedente, quanto no recurso voluntário, a Recorrente alega que a fiscalização cometeu erros nos cálculos da correção monetária e juros Selic adicionados aos créditos. Destaca que os coeficientes de atualização monetária da Norma de Execução COSIT/COSAR n° 8/97 foram calculados com base nos índices oficiais divulgados dos quais teriam sido expurgados parte dos efeitos inflacionários ocorridos nos anos de 1989 e 1991. Com efeito, segundo os cálculos anexados ao recurso voluntário, os créditos não somente eram suficientes para absorver os débitos liquidados pela empresa sucedida (PAs 12/200 a 03/2001) e os incluídos nas DCOMP discutidas na presente (débito total de R$ 2.174.131,52), como ainda lhe restaria um saldo a compensar de R$ 605.390,19. Também pleiteia i) o direito de compensar os créditos de PIS com quaisquer tributos federais; ii) a exclusão do PISRepique relativo aos meses de junho a agosto de 1994; e iii) que o crédito relativo ao ano de 1989 seja a diferença entre os pagamentos efetuados de setembro a dezembro de 1989 e parcela proporcional (4/12) do PISRepique incidente sobre o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de 1989 a fiscalização comparou com a totalidade do valor do PISRepique. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 19 10 Trago para esta Turma proposta de conversão do presente julgamento em diligência, notadamente em razão de flagrante necessidade de os cálculos da atualização monetária dos créditos serem revisados. E, se os cálculos tiverem de ser refeitos, que resolvamos desde já as outras duas questões (itens "ii" e "iii", mencionados no parágrafo anterior) levantadas pelo contribuinte que também impactaram os cálculos dos créditos Primeiro, tratemos dos expurgos inflacionários. No Despacho Decisório, especificamente na fl. 279, a fiscalização dispõe que adotou para cálculo dos créditos "os índices utilizados pelo Fisco para a cobrança de tributos federais." Nas fls. 247 a 274, constam as planilhas de cálculo adotadas pela fiscalização, em que verificase que coeficientes foram aplicados sobre os créditos, resultando em um saldo a compensar de R$ 696.419,14, atualizado até 31/12/95. Para tanto, foram utilizados os Programas CADJUD e CTSJ, para os quais foram transferidas informações de diversos bancos de dados da Receita Federal do Brasil (RFB). É cediço que nos anos de 1989 a 1991 efeitos inflacionários foram expurgados dos indexadores oficiais de tributos. Não obstante o fato de a decisão judicial ter mencionado, de maneira genérica, que os créditos deveriam ser "corrigidos monetariamente pelos índices oficiais", posteriormente ao ajuizamento (26/09/94) e trânsito em julgado da ação (24/11/04), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concluiu que realmente houvera expurgos inflacionários dos índices oficiais de correção de tributos. Dispôs, inclusive, que correção monetária "é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita". Tal entendimento foi manifestado nas decisões proferidas nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do Antigo CPC Lei n° 5.869/73), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, nos termos do § 2° do art. 62 da Portaria n° 343/15 (RICARF). Transcrevo a ementa do Recurso Especial nº 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010; DJe 30/09/2010): “RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 20 11 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a)substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51);cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4 ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 21 12 do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (g.n.) Em razão da consolidação da matéria no âmbito do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/08. Por intermédio deste ato, a PGFN dispensou a apresentação de contestação, recursos, bem como autorizou a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 22 13 obter declaração de que era devida, como fator de atualização de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561/07, do Conselho da Justiça Federal, aprovada pelo Ministro da Fazenda e que redundou na emissão do Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional nº 10/08. Com efeito, igualmente vinculam este colegiado os citados Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/08 e Ato Declaratório PGFN n° 10/08, conforme alíneas “c” e "d" do inciso II do Anexo II do art. 62 do RICARF. Por fim, registro que o CARF tem reconhecido o direito aos expurgos inflacionários por meio de inúmeras decisões, tais como, as proferidas por meio dos Acórdãos n° 3302003.325 (23/08/16), 9303004.351 (06/10/16) e 3401003.225 (24/08/16). Destaco o Acórdão n° 3301003.002, proferido por esta Turma, com outra composição, em 21/06/16, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1989 a 31/10/1995 RESTITUIÇÃO CUMULADA COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. Estabelece o parágrafo único do artigo 195 do CTN que "os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". Não tendo o contribuinte apresentado a documentação necessária à apuração do crédito alegado, posto que incinerados, não há como se comprovar a certeza e a liquidez do suposto crédito, o que impossibilita a extinção de débito para com a Fazenda Pública mediante compensação (CTN, artigo 170, caput). ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Na atualização monetária de indébitos tributários é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução nº 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal. Recurso ao qual se dá parcial provimento. (g.n.) Com base no acima exposto, proponho que os efeitos inflacionários expurgados dos índices oficiais de correção monetária dos anos de 1989 a 1991 sejam computados nos cálculos dos créditos de PIS. Prossigo, agora passando à proporcionalização do PISRepique relativo ao ano de 1989. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 23 14 De acordo com a sentença judicial, haveria que se apurar pagamentos a maior a partir do mês de setembro de 1989. E tais pagamentos a maior teriam de ser comparados com o PISRepique relativo ao mesmo período. Ocorre que, de acordo com a LC n° 7/70, o PISRepique era calculado à razão de 5% do IRPJ devido, cujo período de apuração era anual. Por este motivo, a fiscalização comparou os recolhimentos dos meses de setembro a dezembro de 1989 com o PISRepique incidente sobre a totalidade do IRPJ devido referente ao ano de 1989. O procedimento foi ratificado pela DRJ. A meu ver, contudo, tem fundamento a alegação da Recorrente. Diante da total impossibilidade de apurarmos um lucro tributável para fins de IRPJ relativo a quatro meses, pareceme absolutamente justo que o PIS indevidamente calculado sobre as receitas daqueles meses seja comparado com 4/12 do PISRepique, para fins de apuração do valor do crédito a compensar relativo ao ano de 1989. Por fim, no tocante `a exclusão do PISRepique dos PAs maio a junho de 1994, entendo que não lhe assiste razão. A Recorrente alegou que o PISRepique refrente àqueles meses não deveriam ser deduzidos dos valores efetivamente pagos, para fins de apuração do crédito, com base no seguinte trecho da decisão judicial prolatada em seu favor: "Isto posto, por se encontrarem preenchidos todos os requisitos legais necessários à extinção de créditos mediante compensação, julgo PROCEDENTE o primeiro pedido formulado, autorizando a compensação do que recolheu indevidamente a título de Programa de Integração Social PIS com base de cálculo e prazo de recolhimento alterados pelos DecretosLeis n°s 2.445/88^e 2.449/88 julgados inconstitucionais e, que esta, compensação conforme, requerida se faça com as parcelas vincendas do próprio Programa de Integração Social PIS, devidas conforme às Leis Complementares 7/70 e 17/73, observado o prazo previsto na Lei 9.065/95, observada a prescrição de cinco anos contada da 'data da propositura desta ação e sob inteira responsabilidade do(s) Autor(es) quanto aos valores compensados, sujeitos a ampla conferência pelo Fisco Federal." (g.n.) A LC n° 7/70 vigorou até a edição da MP n° 1.212/95, que produziu efeitos a partir de 01/10/95. Esta MP, mais tarde, viria a ser convertida na Lei n° 9.715/98. No excerto da decisão judicial acima reproduzido, verificase que o crédito deveria ser apurado ao longo de um período de cinco anos, findo na data em que fora proposta a ação judicial, isto é, de setembro de 1989 até agosto de 1994 (o ajuizamento ocorreu em 26/09/94). Assim sendo, entendo que procedeu corretamente a fiscalização, ao incluir os débitos de PISRepique relativos aos meses de junho a agosto de 1994, não cabendo, portanto, nenhum ajuste desta natureza aos cálculos preparados pela fiscalização. De todo o exposto, proponho que este julgamento seja convertido em diligência, para que os cálculos dos créditos sofram os seguintes ajustes: Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200818 Resolução nº 3301000.296 S3C3T1 Fl. 24 15 a) Cômputo dos expurgos inflacionários, acordo com a Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal. b) Recálculo do PISRepique do ano de 1989, o qual deverá equivaler a 4/12 do PISRepique incidente sobre o valor integral do IRPJ devido para o ano de 1989. Após a conclusão da diligência, deverá ser emitido relatório conclusivo, contendo planilhas de cálculo dos créditos apurados em relação a cada um dos pagamentos indevidos e os índices inflacionários utilizados. À Recorrente deve ser dada ciência do relatório e aberto o prazo legal para manifestação. Ao fim deste prazo, os autos devem retornar ao CARF para a realização do julgamento, momento em que esta turma apreciará todas as questões de mérito e, inclusive, os critérios de cálculo dos créditos tributários. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.937203/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.616
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 37 20 3/ 20 12 -9 1 Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.616 S1C3T1 Fl. 1.075 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S.A., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0255.414, da 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, fazse necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. As estimativas mensais cuja compensação não foi homologada não entram na composição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente A decisão recorrida manteve o despacho decisório da Derat SP, que reconheceu parcialmente o saldo negativo de IRPJ do ano base 2007 e, por conseguinte, homologou também em parte as compensações declaradas pela recorrente. A autoridade administrativa glosou duas parcelas que compunham o saldo negativo do IRPJ, a saber: a) R$ 2.483.243,72 por falta de comprovação de pagamento de imposto no exterior; e b) R$ 2.146.281,16 referentes a estimativa cuja compensação não teria sido homologada. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, arguindo nulidade do despacho decisório, do acórdão recorrido, e da cobrança dos débitos não compensados. No mérito, afirmou que o imposto pago no exterior consiste na retenção de imposto de renda, em decorrência da distribuição de dividendos por Aliança Atlântica Holding B.V. e Portugal Telecom, das quais a recorrente é acionista. Aduziu que a legislação em vigor permite a compensação dos valores do imposto retido por empresas situadas no exterior, em decorrência da distribuição de dividendos. Assim, a Recorrente converteu o montante retido, Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.616 S1C3T1 Fl. 1.076 3 aplicando a taxa de câmbio vigente à época, e deduziu esse valor do IRPJ apurado, conforme autoriza a lei. Quanto à glosa da estimativa compensada, disse a recorrente que o crédito utilizado foi o saldo negativo de IRPJ do ano base 2002, exercício de 2003. O débito se refere à estimativa do mês de novembro de 2007, enquanto o crédito era o valor remanescente do saldo negativo apurado na DIPJ do exercício 2003, que até então não havia sido utilizado. Ressaltou que os valores que originaram o crédito aproveitado na compensação da estimativa de 2007 foram declarados em 2003. Dessa forma, passados mais de cinco anos, por força do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional CTN, não pode mais a Fiscalização questionar as bases declaradas pelo contribuinte, porquanto tais informações teriam sido objeto de homologação tácita, já não comportando qualquer questionamento. Vindo os autos a julgamento, esta Turma, pela Resolução nº 1301000.427, rejeitou as preliminares de nulidade e deliberou sobrestar o feito, até que fosse proferida decisão de mérito do recurso voluntário interposto no processo nº 11610.001436/200313. Com a juntada de cópia do Acórdão nº 1401002.067 (proferido naquele processo), foram os autos remetidos a esta Turma para prosseguir o julgamento. É o relatório. VOTO O exame do presente processo mostra que a solução da controvérsia passa pela verificação de duas situações fáticas que diretamente interferem no direito pleiteado pela recorrente. Cabe, desde logo, referir que foi apresentada a declaração de compensação dcomp nº 15825.41689.200809.1.7.025652, em que a recorrente pleiteava como crédito o valor de R$ 91.512.904,85 a título de saldo negativo de IRPJ do ano base 2007, exercício 2008. A Derat SP, depois de examinar a dcomp, concluiu que, entre os valores que compunham o saldo negativo reivindicado, dois deles restaram sem comprovação e, por isso, foram glosados. Em decorrência dessa glosa, reconheceuse um crédito menor de saldo negativo. O despacho decisório fixou o saldo negativo em R$ 86.883.379,83, e, até esse limite, homologou as compensações declaradas. Especificamente foram glosados os valores de R$ 2.483.243,72 e R$ 2.146.281,16. O primeiro, a título de imposto pago no exterior; o segundo referente a estimativa objeto de compensação não homologada. O problema é retratado no quadro abaixo. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.616 S1C3T1 Fl. 1.077 4 PARCELAS DE COMPOSIÇÃO CRÉDITO PARCELAS NA DCOMP PARCELAS CONFIRMADAS DIFERENÇA IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR 2.483.243,72 0,00 2.483.243,72 RETENÇÕES NA FONTE 23.981.579,92 23.981.579,92 0,00 PAGAMENTOS 714.182.528,87 714.182.528,83 0,04 ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SNPA 2.146.281,16 0,00 2.146.281,16 ESTIMATIVAS PARCELADAS 0,00 0,00 0,00 EST COMPENSADAS C/OUTROS TRIBUTOS 1.214.979,84 1.214.979,74 0,10 TOTAL 744.008.613,51 739.379.088,49 4.629.525,02 CRÉDITO SOLICITADO NA DCOMP 91.512.904,85 CRÉDITO RECONHECIDO PELA DERAT 86.883.379,83 DIFERENÇA 4.629.525,02 Segundo o extrato de fls. 415 a 418, o pagamento do imposto no exterior não foi comprovado; e a estimativa no montante de R$ 2.146.281,16 fora compensada na dcomp nº 17037.09325.271207.1.3.027770, mas a compensação não foi homologada. Tratase, como se vê, de matéria fática a demandar prova. A recorrente tentou fazer a comprovação do pagamento no exterior, mas os documentos não chegaram a ser examinados, ao argumento de que vieram aos autos depois do prazo fixado pelo Decreto nº 70.235/1972. É certo que o § 4º do art. 16 daquele decreto fala em preclusão do direito de apresentar documentos, se o contribuinte não o fizer com a impugnação. Mas é certo também que o CARF, flexibilizando aquela regra, tem admitido em várias decisões documentos apresentados com o recurso. Esta Turma, no Acórdão nº 1301002.781 (Rel. Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza), decidiu neste sentido: RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, § 4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. O Acórdão nº 9101002.781, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é no mesmo sentido. Na linha dessa interpretação, fazse necessário não apenas examinar os documentos que a recorrente juntou ao processo, como também permitir que ela traga aos autos os comprovantes do pagamento do imposto no exterior, que a recorrente afirma ter sido feito. Além disso, para que se possa julgar o cabimento da glosa da estimativa compensada com o saldo negativo de períodos anteriores (R$2.146.281,16), é imprescindível saber se a decisão da dcomp 17037.09325.271207.1.3.027770 já se tornou definitiva no âmbito administrativo. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.616 S1C3T1 Fl. 1.078 5 Por essas razões, voto por converter o julgamento em diligência, devolvendo os autos à unidade de origem para as seguintes providências: a) intimar a recorrente a apresentar os comprovantes de pagamento do imposto de renda no exterior, observando as formalidades exigidas pela legislação em vigor, bem como para comprovar se os lucros e dividendos que deram ensejo a tais pagamentos foram oferecidos à tributação no País, elaborando demonstrativo a partir dos documentos apresentados para conferência do valor do eventual crédito; b) informar se já existe decisão definitiva acerca da compensação formalizada na dcomp nº 17037.09325.271207.1.3.027770. Concluída a diligência, deverá ser elaborado relatório conclusivo, do qual a recorrente será intimada, assegurandolhe o prazo de trinta dias para se manifestar, nos art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da recorrente, os autos devem ser remetidos ao CARF, para prosseguir o julgamento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1078DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904619/2012-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
DIREITO SUPERVENIENTE. RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1003-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon (relator) que lhe negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Redatora Dedignada
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO BENATTI MARCON
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DIREITO SUPERVENIENTE. RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
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Interessado FAZENDA NACONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DIREITO SUPERVENIENTE. RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente e Redatora Dedignada (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 46 19 /2 01 2- 81 Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação(Per/DComp) nº 12030.91785.250609.1.3.03-4781, em 25.06.2009, e-fls. 03-26, para compensação dos débitos ali informados, utilizando-se do crédito referente ao Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor original de R$ 50.896,79, o qual atualizado de acordo com a taxa Selic acumulada(5,49%) atingiu o montante de R$ 53.691,03, relativo ao ano-calendário de 2008, apurado pelo regime de tributação pelo lucro real na forma de apuração anual. Consta no Despacho Decisório à e-fls. 28-34: [...] Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 50.896,79 Valor na DIPJ: R$ 50.896,81 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 267.186,36 CSLL devida: R$ 216.289,55 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 38.138,55 [ O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, e-fls. 37-44, a qual teve o seguinte Acórdão da 7ª Turma da DRJ/BSB nº 03-86.985, 12 de setembro de 2019, e-fls. 213-218: Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade e reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Constata-se pelo Despacho Decisório, que a divergência está na Retenção na Fonte, sendo o somatório das parcelas declaradas pela Recorrente no valor de R$ 267.186,34 e o somatório das parcelas confirmadas no Despacho Decisório no valor de R$ 254.428,10, resultando na diferença total de R$ 12.758,24. Cita-se a seguir alguns excertos do relatório e voto de 1ª instância, para que se possa elucidar com maior clareza o objeto da lide: [...] Em sua defesa, resumidamente, a contribuinte enfatiza a existência do crédito pleiteado e apresenta documentos no intuito de demonstrar suas alegações. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do indeferimento do seu pleito, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. Voto [...] Retenções na Fonte Para comprovar as retenções de imposto de renda na fonte, a interessada deve utilizar o comprovante anual de retenção ou, alternativamente, cópia do Darf contendo a base de cálculo correspondente ao fornecimento de bens ou prestação de serviços, nos termos dos arts. 942 e 943 do RIR/99 (Decreto nº 300, de 26 de março de 1999) [...] Quanto aos comprovantes a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, deve ser observado o que estabelece as disposições da Instrução Normativa SRF nº 119/2000. [...] Assim, considera-se como retidos na fonte, os valores informados pelas fontes pagadoras, utilizando-se de formulários padronizados, aprovados pela Receita Federal do Brasil, bem como os extratos emitidos pelo sistema SIAFI, concernente aos pagamentos efetuados por órgãos públicos federais. A fim de confirmar as retenções utilizadas na composição do direito creditório em litígio, a Autoridade Tributária confrontou as informações relativas à retenções na fonte declaradas no PER/DCOMP, na DIPJ e no sistema Portal – DIRF, o que resultou na não comprovação de parte das informações prestadas. Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Consulta DIRF Consulta efetuada no sistema DIRF (fls. 211 e 212), via Contágil, realizada em setembro de 2019, confirmou retenções na fonte no valor total de R$ 258.227,88. Como no Despacho Decisório já haviam sido confirmadas retenções na fonte no montante de R$ 254.428,10, por meio deste Acórdão o valor reconhecido é de R$ 3.799,78 (R$ 258.227,88 - R$ 254.428,10). Documentos apresentados Aceitam-se para fins de dedução do IRPJ e da CSLL devidos no ano as retenções na fonte que estejam respaldadas em Informes de Rendimentos e Retenções emitidos pelas fontes pagadoras ou, alternativamente, pelos dados das DIRF. Notas fiscais de emissão própria do prestador do serviço e beneficiário do pagamento cujas informações de retenção de tributos não estão lastreadas na informação oficial da fonte pagadora (comprovante de rendimentos/DIRF) não constituem documentação legal hábil à prova inequívoca da retenção e do seu valor, e muito menos da liquidez e certeza do saldo negativo em cujo cálculo se utilizam tais supostas retenções. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificá-los por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusivamente de seu próprio ato de vontade. Portanto, os documentos apresentados não são hábeis a demonstrar retenções na fonte efetuadas no código de receita 5952 em montante superior ao já reconhecido no Despacho Decisório. Portanto, os documentos apresentados (fls. 51 a 207) não são hábeis a comprovar as retenções na fonte declaradas no PER/DCOMP. Assim, refazendo-se o cálculo da apuração do saldo negativo e considerando que a CSLL devida no período totalizou R$ 216.289,55, conforme informação extraída do Despacho Decisório, temos: Quadro – Novo cálculo – Saldo Negativo de CSLL Portanto, o saldo negativo apurado no exercício de 2009 (01/01/2008 a 31/12/2008) é no montante de R$ 41.938,33, inferior ao valor declarado pela interessada no PER/DCOMP, que foi de R$ 50.896,81. Considerando que no Despacho Decisório já havia sido confirmado saldo negativo no montante de R$ 37.138,35, por meio deste Acórdão o valor reconhecido é de R$ 3.799,78 (R$ 41.938,33 - R$ 38.138,55) Uma vez comprovada nos autos a existência parcial de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, deve ser reconsiderada a decisão proferida pela autoridade administrativa. Conclusão Diante do exposto, VOTO pela procedência em parte da Manifestação de Inconformidade para homologar os débitos declarados nos PER/DCOMP objeto dos autos, até o limite aqui reconhecido, que foi de R$ 3.799,78. Recurso Voluntário A Recorrente apresentou o recurso voluntário, e-fls. 227-235, em 19.11.2019, discorrendo sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, importando mencionar que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: [...] II. DA SÍNTESE DOS FATOS 5. A Recorrente, supra qualificada, apresentou em 25/06/2009, por meio eletrônico, o PER/DCOMP com o demonstrativo de crédito identificado sob o n.º 12030.91785.250609.1.3.03-4781 (fls. 03/26), informando, o saldo negativo de CSLL do ano de 2008, no valor de R$ 50.896,79 (cinquenta mil, oitocentos e noventa e seis reais e setenta e nove centavos). 6. Referido PER/DCOMP teve por base créditos apurados no período compreendido entre 01/01/2008 a 31/12/2008, relativamente a Saldo Negativo de CSLL. 7. Em 05/11/2012 o PER/DCOMP n.º 12030.91785.250609.1.3.03-4781, sofreu Despacho Decisório de n.º de Rastreamento 040203531, o qual reconheceu parcialmente o crédito informado pela Recorrente de modo que apurou o saldo negativo disponível no valor de R$ 38.138,55 (trinta e oito mil, cento e trinta e oito reais e cinquenta e cinco centavos). 8. Ato contínuo, em 12/12/2012 a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese, a existência do crédito pleiteado apresentando documentos que demonstram a liquidez e certeza dos referidos créditos. 9. No dia 22/10/2019, a Recorrente tomou ciência do v. acordão n.º 03-86.985 – da 7ª Turma da DRJ/BSB (Doc. 03), que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, reconhecendo o valor adicional de saldo negativo no importe de R$ 3.799,78 (três mil, setecentos e noventa e nove reais e setenta e oito centavos), totalizando um saldo negativo disponível no montante de R$ 41.938,33 (quarenta e um mil, novecentos e trinta e oito reais e trinta e três centavos), e consequentemente homologando as compensações pleiteadas até o limite do valor reconhecido. 10. Em que pese a cultura e o notório saber dos ilustres componentes da 7ª Turma da DRJ/BSB – Brasília, impõe-se a reforma parcial do v. Acórdão recorrido, pelas razões de fato e de direito aduzidas a seguir. III. DO DIREITO III.1 DO RECONHECIMENTO TOTAL DOS CRÉDITOS DECLARADOS EM DIPJ E NO PER/DCOMP 11. A Recorrente, quando da apresentação do PER/DCOMP – CSLL do período de 01/01/2008 à 31/12/2008, fls. 03 à 34 dos autos, apurou o Saldo Negativo de CSLL no total de R$ 56.697,05 (cinquenta e seis mil, seiscentos e noventa e sete reais e cinco centavos). Porém, a 7ª Turma da DRJ/BSB, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, reconheceu parcialmente o crédito pleiteado e homologou o valor de R$ 12.442,26 (doze mil quatrocentos e quarenta e dois reais e vinte seis centavos). 12. Importante frisar que a Receita Federal do Brasil, no que tange a análise do crédito de saldo negativo de CSLL pleiteado pela Recorrente, considerou parte dos valores que foram efetivamente declarados em DIRF´s pelas fontes pagadoras. 13. Além disso, em que pese o entendimento adotado pela Receita Federal do Brasil, no que tange a sistemática utilizada para reconhecer o valor do crédito em favor da Recorrente, o posicionamento jurisprudencial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) é pacifico, porém, em sentido diverso, ou seja, diante da falta de apresentação dos informes de rendimento pelos tomadores de serviço, o contribuinte prejudicado pela imprecisão dos tomadores, deverá pleitear eventual diferença através da apresentação dos documentos fiscais idôneos, em busca e obediência ao princípio da verdade real. Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 14. Conforme consta nos autos, para demonstrar e comprovar a retenção dos valores informados no PER/DCOMP sob n.º 12030.91785.250609.1.3.03-4781, a Recorrente juntou a relação e a cópia das Notas Fiscais com o efetivo destaque do imposto (fls. 51/207). 15. A possibilidade de comprovar a origem do crédito pleiteado, com base na apresentação de documentos contábeis idôneos, ganhou força frente ao Colegiado do CARF por um simples motivo, se por um lado as empresas prestadoras de Serviços não podem obrigar as Fontes Pagadoras a entregar os Informes de Rendimentos, pois, não possuem poderes inerentes ao fisco, por outro lado, as mesmas não podem ser penalizadas em decorrência dos atos e/ou omissões praticadas por estas empresas, portanto, a apresentação de documentos contábeis idôneos capazes de demonstrar e comprovar o valor Retido pelas Fontes Pagadoras acaba por suprir a falta de entrega do(s) Informe(s) de rendimentos. 16. É o que se pode concluir pela leitura do acórdão do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF – Primeira Seção de Julgamento, publicado no D.O.U. em 08/11/2011, in verbis: Processo nº 10880.015503/9509 Recurso nº 164225 Voluntário Acórdão nº 140200.260 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de setembro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente SEBIL SERVIÇOS ESPECIALIAZADOS DE VIGILÂNCIA INDUSTRIAL E BANCÁRIA LTDA Recorrida 2a. TURMA DRJ SALVADOR/BA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 1989 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não ocorre ofensa ao princípio da ampla defesa quando todos os documentos que comprovam a autuação estão disponibilizados nos autos do processo. IRPJ E OUTROS — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO DE OFICIO — 1) O Imposto de Renda, antes do advento da Lei n.° 8.381, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. 2) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado na fluência do prazo de cinco anos contado a partir da entrega da declaração de rendimentos, improcede a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o tributo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da Súmula nº 11 do Primeiro Conselho de Contribuintes. IRPJ – GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IRRF – FALTA DE COMPROVAÇÃO – O imposto de renda na fonte pode ser comprovado com o informe de rendimentos. Na falta deste documento é aceitável para comprovar o direito creditório do contribuinte documentos contábeis que demonstrem a tributação do valor do rendimento bruto, as notas fiscais de serviço que demonstram a retenção do imposto, bem como que o prestador de serviço recebeu pelo serviço prestado valor líquido do IRRF. No presente caso, o contribuinte não comprovou seu direito creditório. (grifamos/negritamos). Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Recurso Voluntário Desprovido. 17. Sabe-se do excesso de informações e declarações que são prestadas ao Fisco, e também que muitas vezes ocorrem equívocos quando do preenchimento das mesmas - o que pode ter ocorrido, quando os tomadores de serviços da Recorrente (responsáveis tributários, conforme artigo 121 do CTN) tomaram tais providências relativas ao faturamento do ano de 2008, mesmo primando pela retenção e recolhimento do IRPJ determinados em Lei. 18. E, assim, pelas retenções que sofre, sejam quais forem as razões que levam ao Fisco à eventual não confirmação total ou parcial do efetivo recolhimento aos cofres públicos das parcelas de crédito decorrente do IRPJ retido na fonte, a ora Recorrente não pode ser prejudicada. A própria administração, em linha com a legislação que rege a matéria, tem tido essa preocupação, senão vejamos. E cita o Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002 emitido pela Receita Federal do Brasil - DOU de 25.9.2002, o qual trata de apropriação indébita pela fonte pagadora, na hipótese de retenção sem o devido recolhimento do imposto retido. [...] Cita também, em sua defesa, algumas decisões judiciais. [...] 21. Isto posto, em respeito ao princípio da verdade real, frisamos: a Recorrente procedeu aos destaques da retenção do CSLL determinada em Lei, sobre o valor total de suas notas fiscais, aplicando o percentual definido em Lei, recebeu seus créditos líquidos de tais retenções, ofereceu o rendimento à tributação lançando-as em seu Livro Razão e os considerou em suas apurações e em sua DIPJ, registrando tudo em sua contabilidade. Assim, referido crédito decorrente da retenção do CSLL e pagamento, deve ser considerado em sua totalidade, ou seja, no valor total do crédito no montante de R$ 267.186,34 (duzentos e sessenta e sete mil, cento e oitenta e seis reais e trinta e quatro centavos). IV. DA CONCLUSÃO 22. A Recorrente, por meio da relação das retenções e das cópias das notas fiscais, comprovou a retenção e pagamento do CSLL declarado na DIPJ do ano de 2009, no valor original de R$ 267.186,34 (duzentos e sessenta e sete mil, cento e oitenta e seis reais e trinta e quatro centavos). 23. Os débitos informados nos PER/DCOMP´s devem ser integralmente compensados com o crédito declarado em DIPJ do ano de 2009, o qual totalizou um saldo negativo original no valor de R$ 50.896,79 (cinquenta mil, oitocentos e noventa e seis reais e setenta e nove centavos), conforme documentação acostada nos autos. V. DO PEDIDO 24. À vista de todo o exposto, comprovada a origem e a procedência dos créditos declarados em DIPJ do ano de 2009, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, para reformar parcialmente o v. acórdão e ao final: (i) Homologar o valor total original do Saldo negativo de CSLL do ano de 2008, no importe de R$ 50.896,79 (cinquenta mil, oitocentos e noventa e seis reais e setenta e nove centavos), considerando que, conforme o próprio acórdão que já reconheceu o valor de R$ 41.938,33 (quarenta e um mil, novecentos e trinta e oito reais e trinta e três centavos), o presente recurso objetiva o reconhecimento do valor de R$ 8.958,46 (oito mil, novecentos e cinquenta e oito reais e quarenta e seis centavos); (ii) Compensar a totalidade do saldo negativo de CSLL declarado em DIPJ, com os débitos informados nos PER/DCOMP´s n° 12030.91785.250609.1.3.03-4781. Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 É o Relatório Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon, Relator. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Em atendimento ao princípio da congruência(art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972), o presente julgamento tem como base o exame do mérito da existência do crédito relativo ao Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor original de R$ 56.697,05, referente ao ano-calendário de 2008, apurado pelo regime de tributação pelo lucro real na forma de apuração anual. VALOR DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO A DESPACHO DECISÓRIO B DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA – DRJ C DELIMITAÇÃO DA LIDE D=A-C R$ 50.896,79 R$ 38.138,55 R$ 41.938,33 R$ 8.958,46 Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito O sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuição administrados pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, sendo que a compensação será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, Artigo nº 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do Fl. 368DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Do Reconhecimento Total dos Créditos Declarados em DIPJ e no PER/DCOMP O objeto da lide, em sede de Recurso Voluntário, fica restrito ao valor das parcelas não confirmadas referentes às retenções na fonte relativas ao código de receita 5952- CSLL - Retenção de contribuições - pagamentos de PJ a PJ de direito privado. A Recorrente apresentou, em atendimento ao Termo de Intimação da DRF, os comprovantes de rendimentos e retenção na fonte, constantes do processo apenso nº 13850.720142/2012-70, e-fls.330-377, como também apresentou, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, as notas fiscais de prestação de serviços. Conforme constatado pela DRJ, não foi confirmada a totalidade das retenções de IRPJ que a Recorrente alega ter em seu favor no ano-calendário de 2008. E, nas situações as quais o contribuinte não apresenta o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ele se desenquadra do previsto na legislação tributária pertinente ao fato, a qual é reproduzida a seguir por meio dos seguintes artigos do Regulamento do Imposto de Renda – 1999, vigente à época dos fatos: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Art.943. - A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). [...] § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(Grifo nosso) Art. 733. É responsável pela retenção do imposto (Decreto-Lei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, art. 6º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 8º): Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 [...] Parágrafo único. As pessoas jurídicas que retiverem o imposto de que trata este Subtítulo deverão (Decreto-Lei nº 2.394, de 1987, art. 6º, parágrafo único): I - fornecer aos beneficiários comprovante dos rendimentos pagos e do imposto retido na fonte; (Grifo nosso) [...] Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Art.943. - A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). [...] § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(Grifo nosso) Art. 733. É responsável pela retenção do imposto (Decreto-Lei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, art. 6º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 8º): [...] Parágrafo único. As pessoas jurídicas que retiverem o imposto de que trata este Subtítulo deverão (Decreto-Lei nº 2.394, de 1987, art. 6º, parágrafo único): I - fornecer aos beneficiários comprovante dos rendimentos pagos e do imposto retido na fonte; (Grifo nosso) [...] Ressalte-se que conforme o artigo nº 28, da Lei nº 9.430, de 1996, aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas regras vigentes de apuração da base de cálculo e pagamento para o imposto de renda, o que torna perfeitamente pertinente ao caso os artigos do RIR/99 acima transcritos . Art. 28. Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1 o a 3 o , 5 o a 14, 17 a 24-B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Da leitura dos textos normativos citados, verifica-se que para que o contribuinte possa compensar os valores retidos a título de CSLL na Fonte na sua DIPJ, ele tem que estar obrigatoriamente de posse do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. O § 2º, do artigo nº 943, o qual se baseia no art. 55 da Lei 7.450/85, é taxativo, ao deixar claro que a não apresentação do comprovante inviabiliza a compensação pretendida. Por sua vez, o § único, I, do artigo nº 733 implica no dever do beneficiário em exigir o comprovante de rendimentos pagos e do imposto retido na fonte. Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Mesmo na ausência de alguns comprovantes de rendimentos, a DRJ ampliou sua análise tentando validar as retenções na fonte que constassem na DIRF, a fim de se alcançar a verdade dos fatos. Com base nessa análise concluiu que o valor a título de retenção na fonte, em 2008, referente ao código de receita 5952 – CSLL - Retenção de contribuições - pagamentos de PJ a PJ de direito privado (Cofins, Pis/Pasep, CSLL), soma o montante de R$ 258.227,88, valor superior, portanto, ao determinado pelo Despacho Decisório. Sabe-se que o posicionamento atual do CARF é o de que mesmo que o contribuinte não possua o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, mas consiga provar, por outros meios, que efetivamente sofreu as retenções, ele tem o direito de deduzir o IRRF retido e recolhido pelas fontes pagadoras, incidentes sobre as receitas auferidas e oferecidas à tributação. Esse entendimento está claramente expresso na Súmula CARF nº 143 - A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vale a pena reproduzir a ementa do Acórdão nº 9101-005.315 – CSRF / 1ª Turma, de 13 de janeiro de 2021: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2009 DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. O sujeito passivo tem direito de deduzir o IRRF retido e recolhido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do IRPJ apurado ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por outros meios, que efetivamente sofreu as retenções. Afastado o entendimento de que a retenção não pode ser comprovada por outros meios, que não a apresentação do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, os autos devem retornar à turma a quo, para novo julgamento. Inteligência da súmula 143 do CARF. Como constata-se pela ementa do acórdão citado e inteligência da Súmula CARF nº 143, a prova de retenção pode ser feita por outros meios, e não exclusivamente pelo informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. No caso em análise, a Recorrente não comprovou na integralidade as retenções relativas ao código de receita 5952 a que a que foi submetida, no valor de R$ 267.186,34, como também não apresentou outros documentos contábeis e fiscais que pudessem comprovar tais retenções. Para que se pudesse validar os valores na sua integralidade a título de retenção na fonte, a Recorrente deveria apresentar além das notas fiscais de prestação de serviços, outros documentos tais como, razão contábil, diário contábil, planilhas de cálculo, Lalur e mais outros que julgasse necessários. Enfim, documentos dos assentos contábeis e fiscais que demonstrassem com clareza que os valores que foram deduzidos no cálculo da CSLL, foram também oferecidos à tributação. A esse respeito convém reproduzir a Súmula CARF nº 80: Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Frise-se que as provas adicionais mencionadas deveriam ter sido apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade, conforme previsto no artigo nº 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, ressaltando que mesmo que tais provas adicionais fossem apresentadas em sede de Recurso Voluntário, que não foi o caso, ainda assim haveria a necessidade de verificar se se enquadravam em uma ou mais das alíneas do citado parágrafo. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon Voto Vencedor Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada. Com a devida vênia ouso divergir do voto do Ilustre Conselheiro Relator em relação ao início de comprovação de retenção na fonte. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Retenção na Fonte. Súmulas CARF nºs 80 e 143 O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Mudando o que deve ser mudado, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor da contribuição retida na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição. A retenção conjunta, código 5952, refere-se importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica e estão sujeitos à incidência na fonte de CSLL, PIS e Cofins, cujos valores, considerados como antecipações, somente podem ser deduzidos com o que for devido em relação à mesma espécie tributária no encerramento do período de apuração (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 4,65% correspondente ao somatório das alíquotas de 1,0% de CSLL, de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins. O beneficiário é a pessoa jurídica prestadora do serviço e as contribuições são recolhidas de Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 forma centralizada pela fonte pagadora até o último dia útil da semana subsequente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica prestadora dos serviços. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito, conforme as Súmulas CARF nºs 80 e 143, em cuja apuração do saldo negativo foram deduzidas as retenções de tributos, conforme o acervo fático-probatório composto das notas fiscais do ano-calendário de 2008 com retenção de fonte (Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994) de e-fls. 51-207. Direito Superveniente: Súmulas CARF nºs 80 e 143 Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em retenções na fonte. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.570 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.904619/2012-81 Em assim sucedendo voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10805.900944/2018-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2014
AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Não tendo sido apreciados todos os argumentos da Manifestação de Inconformidade, é de se retornar os autos à 1ª Instância para que seja proferida nova decisão, abrangendo de forma completa as alegações da defesa.
Numero da decisão: 1003-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que a DRJ/BHE pronuncie-se sobre o argumento constante na manifestação de inconformidade.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Benatti Marcon Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva(Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO BENATTI MARCON
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2014 AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Não tendo sido apreciados todos os argumentos da Manifestação de Inconformidade, é de se retornar os autos à 1ª Instância para que seja proferida nova decisão, abrangendo de forma completa as alegações da defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que a DRJ/BHE pronuncie-se sobre o argumento constante na manifestação de inconformidade. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva(Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação(Per/DComp) nº 14268.13040.161117.1.7.02-5022, em 16.11.2017, e-fls. 135- 145, para compensação dos débitos informados, e também nos PER/DCOMP nºs 36925.59073.161117.1.7.02-4434, e-fls. 176-179, 17053.30537.161117.1.7.02-0507, e-fls. 188- 191 e 11468.71383.161017.1.7.02-3505, e-fls. 198-203, utilizando-se do crédito referente ao Saldo Negativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor original de R$ 26.861,76, o qual atualizado de acordo com a taxa Selic acumulada(21,20%) atingiu o montante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 09 44 /2 01 8- 12 Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.618 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900944/2018-12 de R$ 32.556,45, relativo ao ano-calendário de 2014, apurado pelo regime de tributação pelo lucro real na forma de apuração anual. Consta no Despacho Decisório à e-fls. 204-211: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CREDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do Saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 26.861,76 Valor na ECF: R$ 26.861,76 Somatório das parcelas de composição do crédito na ECF: R$ 927.804,84 IRPJ devido: R$ 900.943,08 Valor do saldo negativo disponível. (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na ECF) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo ECF e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 18.743,76 [...] O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 14268.13040.161117.1.7.02-5022 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 36925.59073.161117.1.7.02-4434 17053.30537.161117.1.7.02-0507 11468.71383.161017.1.7.02-3505 [...] Base Legal: Art. 168 da Lei no 5.172, de 1966 (CTN). Arts. 1º a 3º; art. 6º, parágrafo 1º e arts. 28 e 30 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB no 1.300, de 2012. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB no 1.300, de 2012. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, e-fls. 05-11, a qual teve o seguinte Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE nº 02-92.347, 03 de abril de 2019, e-fls. 216-219: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para reconhecer direito creditório remanescente no valor de R$ 8.118,00, além do já admitido no despacho decisório, e homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. Constata-se pelo Despacho Decisório, que as parcelas referentes às retenções na fonte, pagamentos e estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores foram integralmente confirmadas, cujo valor total é de R$ 919.686,84, resultando no saldo negativo disponível de R$ 18.743,76. Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.618 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900944/2018-12 Porém a contribuinte considerou o valor de R$ 927.804,84 como somatório das parcelas de composição do crédito na ECF, resultando no valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP de R$ 26.861,76. Essa diferença(R$ 8.118,00) entre o saldo negativo informado pela contribuinte e aquele calculado no Despacho Decisório foi o objeto de Manifestação de Inconformidade, cuja decisão foi favorável à contribuinte conforme constata-se pelo Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, e-fls. 216-219. Segundo a DRJ, “Em pesquisa ao sistema da Receita Federal, Sief-PerDcomp, opção Análise do Crédito - Saldos Negativos - Batimento sob comando do usuário, não foi detectada nenhuma inconsistência e todas as parcelas que compõem o saldo negativo informado na declaração de compensação em litígio foram confirmadas, e estavam em conformidade com o declarado na DIPJ ativa do contribuinte.” O Despacho Decisório foi reformado: REFORMA DO DESPACHO Em consequência do acréscimo de parcelas confirmadas pelo "Sief- PerDcomp - Análise do Crédito - Saldos Negativos - Batimento sob comando do usuário", o despacho decisório deve ser reformado nos termos seguintes: Valor original do saldo negativo informado no PerDcomp com demonstrativo de crédito: R$ 26.861,76. Valor na DIPJ: R$ -26.861,76. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 919.686,84. IRPJ devido: R$ 892.825,08. Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. E a conclusão foi a seguinte: Em face do exposto, voto por julgar procedente a manifestação de inconformidade apresentada para: reconhecer direito creditório remanescente, além do já admitido no despacho decisório, referente a Saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2014, no valor de R$ 8.118,00; homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. Recurso Voluntário A Recorrente apresentou o recurso voluntário, em 20/11/2019, e-fls. 234-261, discorrendo sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, importando mencionar que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz(excertos) que: [...] Inconformada com o teor do aludido despacho decisório, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 4/16) demonstrando que o seu direito creditório é legítimo e corresponde ao valor de R$ 26.861,76 e não a R$ 18.743,76 apresentado em despacho decisório objeto de nossa Manifestação de Inconformidade. Além disso, apresentou esclarecimento em relação a equivoco que teria sido cometido em relação aos débitos instituídos através do processo 10805.900.944/2018-12 entendendo ter sido este provocado pela transmissão do Per/Dcomp Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.618 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900944/2018-12 11468.71383,161017.1.7.02-3505, retificadora da Per/Dcomp 18793.02538.180917.1.3.02-7041, para compensação dos débitos declarando equivocadamente como saldo negativo de IRPJ base2014, quando o correto seria compensação com crédito decorrente de imposto pago a maior. Não nos foi possível efetuar o cancelamento desta Per/Dcomp, em razão de se ter proferido Despacho Decisório, antes que conseguíssemos efetivar seu cancelamento, por esta razão solicitamos em Manifestação de Inconformidade que as autoridades fiscais promovessem seu cancelamento de ofício, por tratar-se de duplicidade de lançamento uma vez que os débitos declarados na Per/Dcomp 18793.02538.180917.1.3.02-7041, retificada pela 11468.71383.161017.1.7.02-3505, foram efetivamente compensados através da Per/Dcomp .11480.16716.161117.1.3,04-9686 relacionado ao Processo de Crédito 10805.901.994/2018-1. As autoridades julgadoras, através do Acórdão 02-92.327 - 2. Turma da DRJ/BHE, homologaram o crédito decorrente do Saldo Negativo do Imposto de Renda Ex 2015 - Base 2014, no valor integra de R$ 26,861,76, consequentemente reconheceram também a homologação das compensações cobradas através dos Processos de débito de números 10805.900.913/2018-53 e 10805.900.943/2018-60, permanecendo a cobrança dos débitos relacionados ao Processo 10805.900.944/2018-12. [...] III - Do Mérito e Reiterado pedido de Cancelamento do Débito por parte das Autoridades Fiscais. Restou comprovado em nossa Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório emitido em 04/04/2018, número de rastreamento 131913990, o valor do imposto de renda devido no Exercício de 2015 - Ano base 2014 no valor de R$ 892,82509. [...] Também restou provado que no ano calendário de 2014, a empresa antecipou o valor de R$ 919.686,94, a título de antecipação por estimativa, o que resultou na confirmação e consequente homologação, através do Acórdão 02-92.347- 28. Turma da DRJ/BHE, do Sado Negativo de Imposto de Renda do ano Calendário de 2014, a compensar no valor de R$ 26.861,76, demonstrado a seguir: [...] O valor correspondente ao item pagamento, totalizando R$ 285.935,11 estão compostos pelos seguintes DARF 's (anexo2): [...] Além deste pagamento, em 17/05/2015, a empresa efetuou indevidamente, o recolhimento de R$ 50.456,61, correspondente a soma dos valores de principal(R$ 46.516,66), multa(R$ 2.609,58) e juros(R$ 1.330,37) através do código 2430, período de apuração 31/12.2014. Num primeiro momento, a empresa considerou este valor como saldo Negativo de Imposto de Renda — Ex. 2015 — Base2014, entretanto, constatou estar equivocada no registro. Entretanto, ao tentar cancelar o Per/Dcomp Per/Dcomp 11468.71383.161017.1.7.02-3505, retificadora da Per/Dcomp 18793.02538.180917.1.3.02-7041, cancelando assim os valores compensados indevidamente a título de Saldo Negativo de imposto de Renda, não foi possível, devido a existência de despacho decisório. Por este motivo, solicitou em sua Manifestação de Inconformidade, o Cancelamento de ofício. O julgador, entretanto, se absteve de analisar a questão e somente mencionou em seu Despacho Decisório, a homologação do Saldo Negativo de Imposto de Renda, previsto em ECF. O valor recolhido em 17/04/2015 através do código 2430, mencionado anteriormente, foi objeto de pedido de compensação, através do Per/Dcomp Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.618 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900944/2018-12 11480.16716.161117.1.3.04-9686 relacionado ao Processo de Crédito 10805.901.994/2018-1, sob o título de imposto recolhido a maior e/ou indevidamente. Desta feita, e à luz do princípio da verdade material, devem ser consideradas por esta C. Turma todas as inúmeras provas carreadas aos autos, seja por oportunidade da manifestação de inconformidade apresentada ou em instrução ao presente recurso voluntário, para que, ao final, seja provido o presente recurso voluntário para, complementando-se o v. acórdão recorrido, reconheça-se também o cancelamento de ofício do Per/Dcomp 11468.71383.161017.1.7.02-3505, retificadora da Per/Dcomp 18793.02538.180917.1.3.02-7041 relacionado aos valores cobrados através do Processo de número 10805.900.944/2018-12, devido a impossibilidade da empresa fazêlo da forma usual em razão de emissão de Despacho Decisório, conforme mencionado anteriormente, Considerando que os valores nele compensados, o foram em realidade compensados a título de valor recolhido a maior elou indevidamente, através do Per/Dcomp. 11480.16716.161117.1.3.04-9686 relacionado ao Processo de Crédito 10805.901.99412018-1. Requer que seja o julgamento do presente Recurso Voluntário convertido em diligência, invocando o inciso II, do artigo 61, do Regimento Interno do CARF. Por aplicação analógica ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, apresenta os seguintes quesitos (i) Queira o Sr. Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil analisar o DARF recolhido em 1704/2015 sob o código de arrecadação 2430 e confirmar se o mesmo foi objeto de pedido de compensação através do Per/Dcomp 11480.16716.161117.1.3.04-9686 relacionado ao Processo de Crédito 10805.901.99412018-1, por se tratar de recolhimento indevido e/ou a maior. (ii) Queira o Sr. Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do confirmar se os débitos compensados no Per/Dcomp 11468.71383.161017.1.7.02-3505, retificadora da Per/Dcomp 18793.02538.180917.1.3.02-7041 relacionado aos valores cobrados através do Processo de número 10805.900.944/2018-12, correspondem aos mesmos débitos compensados através do Per/Dcomp 11480.16716.161117.1.3.04-9686 relacionado ao Processo de Crédito 10805.901.99412018-1. (iii) Queira o Sr Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Brasil confirmar que o valor de R$ 50456,61, consta dos registros da Receita Federal do Brasil, sendo este passível de compensação em razão de seu recolhimento ter sido efetuado a maior e/ou indevidamente, bem como que a cobrança em relação a esse direito creditório está sendo realizada em duplicidade através do Processo 10805.901.994/2018-1 e Processo 10805.902.394/2018-68 relacionado ao Processo de crédito 10805.901.994/2018-1. [...] 4. DO PEDIDO. Diante do exposto, a Recorrente requer o integral provimento do presente Recurso Voluntário para, complementando-se o v. acórdão recorrido, cancelar de oficio integralmente, o Per/Dcomp 11468.71383.161017.1.7.02-3505, retificadora da Per/Dcomp 18793.02538.180917.1.3.02-7041 relacionado aos valores cobrados através do Processo de número 10805.900.944/2018-12 em razão da empresa estar impossibilitada de fazê-lo na forma usual e este pedido não ter sido apreciado no Acórdão 02-92.347-28,Turma da DRJ/BHE sobre nossa Manifestação de Inconformidade, objeto deste Recurso Voluntário, a manutenção da decisão proferida neste despacho decisório quanto ao reconhecimento da homologação do Saldo Negativo de Imposto de Renda Ex 2015 - Base 2014, bem como a homologação das compensações realizadas através dos Per/Dcomp's de números 14268.13040.16111717.02-5022, 36925.59073.161117.1.7.02-4434, Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.618 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900944/2018-12 17053.30537.161117.17.02-0507 bem como, o cancelamento do débito relacionados aos Processo n° 10.805.900.91312018-53, 10805.900.943/2018-60. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon, Relator. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Da Análise das Alegações da Recorrente A Recorrente menciona que a DRJ homologou o crédito decorrente do Saldo Negativo do IRPJ, exercício 2015, ano-calendário 2014, no valor integral de R$ 26.861,76, reconhecendo também a homologação das compensações relativas aos processos de débitos nºs 10805.900.913/2018-53 e 10805.900.943/2018-60, porém permanecendo a cobrança do débitos relacionados ao processo nº 10805.900.944/2018-12. Aduz, também, que em 17.05.2015, efetuou indevidamente o recolhimento de R$ 50.456,61, correspondente a soma dos valores de principal(R$ 46.516,66), multa(R$ 2.609,58) e juros(R$ 1.330,37) através do código 2430, período de apuração 31/12/2014, sendo que num primeiro momento, ela considerou este valor como Saldo Negativo de Imposto de Renda, exercício 2015, ano-calendário 2014. Porém, constatou estar equivocada no registro. Entretanto, ao tentar cancelar o Per/Dcomp 11468.71383.161017.1.7.02-3505, retificadora da Per/DComp 18793.02538.180917.1.3.02-7041, cancelando assim os valores compensados indevidamente a título de Saldo Negativo de imposto de Renda, não foi possível, devido a existência de despacho decisório. Por essa razão, solicitou o cancelamento de ofício em sua Manifestação de Inconformidade. No entanto, não houve manifestação por parte da DRJ, em sua decisão, a respeito desta questão. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo o presente processo e o apensado(10805.900896/2018-54) retornarem à DRJ/BHE, para que ela pronuncie-se sobre o argumento constante na manifestação de inconformidade. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.618 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.900944/2018-12 Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.723210/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3402-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhar o presente processo ao órgão competente deste Tribunal pela distribuição de recursos para que então promova a sua livre distribuição dentre os integrantes desta Turma julgadora, nos termos dos §§ 8º e 9º do art. 49 do RICARF. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhar o presente processo ao órgão competente deste Tribunal pela distribuição de recursos para que então promova a sua livre distribuição dentre os integrantes desta Turma julgadora, nos termos dos §§ 8º e 9º do art. 49 do RICARF. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratamse de embargos de declaração apresentados pelo contribuinte (fls. 2.605/2.621, ratificado pela petição de fls. 2.627) contra o acórdão n. 3402004.076 (fls. 2.569/2.592) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 21 0/ 20 14 -4 1 Fl. 2661DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.723210/201441 Resolução nº 3402001.758 S3C4T2 Fl. 2.662 2 Exercício: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI com os acréscimos legais cabíveis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. ART. 124, INCISO I DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 8o DO DECRETOLEI N. 1.736/79 E ART. 28 DO DECRETO 7.212/2010. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES VINCULANTES DOS TRIBUNAIS JUDICIAIS SUPERIORES. O art. 8o do Decretolei n. 1.736/79 que, por sua vez, está fundado no disposto no art. 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010), se contrapõe a precedente vinculante veiculado pelo STJ quando do julgamento do REsp n. 1.101.728/SP, julgado sob o rito de repetitivos, oportunidade em que O citado Tribunal reconheceu que a simples inadimplência fiscal não é, per si, causa de responsabilização em matéria tributária. Tais dispositivos legais também são inconstitucionais, conforme já decidido pelo STF (RE n. 562.276) em caso afetado por repercussão geral. Nesta oportunidade o STF decidiu que apenas lei complementar pode tratar de questão afeta à responsabilidade tributária, nos termos do que prevê o art. 146, inciso III, alínea "b" da Magna Lex. Os dois precedentes citados vinculam este Tribunal Administrativo, exatamente como estabelece o art. 927 do Código de Processo Civil, aqui aplicado subsidiariamente, nos termos do art. 15 do citado Codex, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, incisos I e II, alínea "b" do RICARF. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade do sóciogerente, Sr. Juliano Anderson Galera Cunha. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Relator, e Waldir Navarro, que negaram Fl. 2662DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.723210/201441 Resolução nº 3402001.758 S3C4T2 Fl. 2.663 3 provimento. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Diego Ribeiro. 2. Os embargos de declaração foram parcialmente admitidos pelo r. despacho de fls. 2.642/2.652 nos seguintes termos: (...). CONCLUSÃO Isso posto, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas no que tange ao item 2 vício de omissão pela juntada de novos documentos e provas. Encaminhese ao Conselheiro Redator, Diego Diniz de Ribeiro, para inclusão em pauta de julgamento, visto que o Relator originário não mais integra a Turma que prolatou o acórdão embargado. (...). 3. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 4. Antes de seguir adiante, mister se faz destacar que o Conselheiro signatário da presente resolução foi designado como Redator para o voto vencedor apenas no que tange à exclusão do polo passivo da presente demanda do Sr. Juliano Anderson Galera Cunha, parte esta do julgado que não foi objeto de embargos de declaração. Em verdade, conforme se observa das razões recursais, um dos sujeitos passivos da presente exigência fiscal, a empresa Mastercorp do Brasil Eireli, é que teve seus embargos de declaração parcialmente admitidos. 5. Nesse sentido, o caminho regular para tal recurso é que o mesmo fosse encaminhado ao redator do voto cujo teor foi embargado, i.e., o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Acontece que o douto Conselheiro não mais integra esta Turma Ordinária de julgamento, uma vez que atualmente compõe a Câmara Superior de Recursos Fiscais. 6. Diante deste quadro, o mais adequado para a definição de um Relator para o caso em apreço é o observar o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 49 do RICARF, in verbis: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (...). § 8º Na hipótese de que trata o § 9º, como também no afastamento definitivo de conselheiro, por nomeação para colegiado de competência diversa, ou por não recondução, extinção, perda ou renúncia a mandato, os processos cujo julgamento não tenha se iniciado serão devolvidos ao Cegap para novo sorteio no âmbito da Fl. 2663DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.723210/201441 Resolução nº 3402001.758 S3C4T2 Fl. 2.664 4 respectiva Seção, exceto os relativos a embargos de declaração e a retorno de diligência, que serão sorteados no âmbito da turma. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) §9º Caso o conselheiro seja nomeado para presidente ou vice presidente de Câmara e tenha processos para relatar, deverá devolver os processos para novo sorteio. (...). 7. Assim, em casos como o aqui tratado, há a necessidade de nova distribuição do processo na Turma de julgamento do então Relator do caso, não sendo possível direcionar tal distribuição a um específico julgador deste colegiado, sob pena de ofensa ao princípio do juízo natural e, por conseguinte, de nulidade absoluta de eventual decisão a ser proferida. Dispositivo 8. Diante deste quadro, resolvo converter o julgamento em diligência para encaminhar o presente processo ao órgão competente deste Tribunal pela distribuição de recursos para que então promova a sua livre distribuição dentre os integrantes desta Turma julgadora, nos termos dos §§ 8º e 9º do art. 49 do RICARF. 9. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 2664DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13896.907334/2009-67
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-005.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
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CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 34 /2 00 9- 67 Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Trata-se de recurso especial do sujeito passivo em face do acórdão de Turma Ordinária do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O sujeito passivo apresentou recurso pretendendo questionar as seguintes matérias: (1) “possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ”; e (2) “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”. Em um primeiro momento o recurso especial teve o seguimento negado pelo Presidente de Câmara por meio do despacho. Após agravo do sujeito passivo, interposto exclusivamente quanto à não admissibilidade da primeira matéria acima referida, a Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso especial quanto ao tema ali exposto, em despacho assim fundamentado: [...] O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às seguintes matérias: i) "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ"; e ii) "necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material". A contribuinte interpôs Agravo tão somente em relação à matéria descrita no item "i" acima, ou seja, quanto à POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO DE IRPJ RECOLHIDO A MAIOR APÓS A RETIFICAÇÃO DA DIPJ. Extrai-se, primeiramente, os seguintes fragmentos do exame agravado: [...] Com relação a essa matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”, e que, portanto, teria havido equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32%, e não 8%), no acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1101-000.848, de 2013), ao contrário, tratou-se de existência de débito de estimativa de IRPJ, ao passo que o recolhimento montara [...]. Ou seja, na decisão recorrida tratou-se de alegado erro de direito [erro na aplicação da norma jurídica]; já no acórdão paradigma apontado, de alegado erro de fato [erro na análise dos fatos ocorridos]. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questão de direito, e nunca a questão de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. Fl. 481DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial, nessa matéria, caberia à Recorrente apresentar acórdão paradigma apreciando situação semelhante à abordada na decisão recorrida (mesmo em se tratando de alegado erro de direito, e não de fato...) e decidindo em sentido contrário a ela (...não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP). Argumenta a Agravante que, ao contrário do assinalado no despacho contestado, a divergência jurisprudencial é evidente, relativamente à interpretação da Lei nº 9.784, de 1999, e da Lei nº 9.430, de 1996. Afirma que na situação enfrentada pelo acórdão paradigma nº 1101-00.848 a Autoridade Administrativa não desconstituiu as informações prestadas em DIPJ retificadoras, bem como não desenvolveu qualquer procedimento para tanto, de modo que o crédito com base na DIPJ deve ser aceito e a compensação homologada, em respeito ao Princípio da Verdade Material. Alega que a similaridade do acórdão paradigma é evidente, visto que no caso em exame o acórdão recorrido reconhece expressamente que houve a retificação da DIPJ, sendo este um dos procedimentos exigidos para reconhecimento do indébito, mas alega ausência de outros procedimentos, como retificação da DCTF e a juntada integral da documentação contábil, enquanto o paradigma entendeu que "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF)", e ainda, que diante do indébito apurado com base nas informações em DIPJ, deveria a autoridade preparadora desenvolver procedimento para desconstituir tal realidade, caso contrário deve ser reconhecido o pagamento a maior e, por consequência, deve ser admitida a sua compensação. Nos presentes autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação, por meio da qual indicou crédito decorrente de alegado pagamento a maior ou indevido. Tal indébito teria decorrido do fato de ter utilizado o coeficiente de presunção de 32% (prestação de serviços) ao invés de 8% (industrialização por encomenda). Embora não tenha promovido a retificação da DCTF, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora em data anterior à apresentação da Declaração de Compensação, na qual consignou o valor do tributo que considerava devido. A compensação não foi homologada, haja vista que o valor indicado como crédito já havia sido alocado a um determinado débito. Considerados os termos do seu voto condutor, o acórdão recorrido fincou a negativa de provimento ao recurso voluntário impetrado pela ora Agravante nos seguintes fundamentos: i) tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a apresentação de DIPJ retificadoras não é suficiente para o acolhimento do pedido, sendo necessário que o contribuinte ofereça informações com substância, consistência e devidamente comprovadas; ii) na defesa inaugural (Manifestação de Inconformidade), não foram apresentadas provas capazes de demonstrar que, por realizar industrialização por encomenda, a contribuinte estava sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (e não 32%, como alegou que aplicou), e as que foram carreadas ao processo por meio do recurso voluntário são constituídas por "cópias esparsas de notas fiscais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura"; iii) superadas as dificuldades para identificação dos valores, os montantes retratados nas cópias de notas fiscais trazidas ao processo correspondem a percentuais ínfimos quando comparados com a receita total informada na DIPJ; iv) tratando-se de certeza e liquidez de direito creditório, a comprovação é ônus do contribuinte; e Fl. 482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 v) se a contribuinte alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se à “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento, bem como os livros contábeis ou fiscais que demonstrassem tal fato. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação indicando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, e, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, a compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência de disponibilidade do referido crédito, vez que ele já havia sido alocado a determinado débito da contribuinte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a DIPJ indicava o efetivo valor devido e noticiou a retificação da DCTF. O voto condutor do paradigma em referência assinala inicialmente que, "ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito". Em que pese tal consideração, adiante, o referido voto condutor assinala, verbis: [...] Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir daí, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Imperioso, assim, a demonstração de fatos anteriores à ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. E, neste sentido, a contribuinte junta aos autos cópia da DIPJ referente ao ano-calendário [...]. Veja-se que a Relatora do acórdão recorrido não fez reparos à informação desta declaração, inclusive valendo-se de seus dados para afirmar o reconhecimento parcial do indébito, mas nesta parte restando vencida. Assim, está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: [...] Esta é a interpretação que se extrai deste dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: [...] Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Fl. 483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: [...] Dessa forma, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: [...] Todavia, o descumprimento daquela obrigação não pode ensejar, como penalidade, o perecimento do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: [...] Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Assim, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a "erro de direito" ou a "erro de fato" como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Em apertada síntese, temos o seguinte: a) nos presentes autos, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na aplicação de percentuais de presunção, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que não foi homologada por se entender que, no caso, não houve comprovação do erro alegado; e b) no caso do paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na apuração de estimativa, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que foi homologada por se entender que, "diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada .... não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado" (nos exatos termos do voto condutor correspondente, "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada". Identifica-se, portanto, similitude entre os fatos apreciados pelos acórdãos comparados, eis que, em ambos, analisou-se a situação em que o contribuinte, constatando erro na apuração do tributo devido, mesmo sem retificar a DCTF, altera primeiramente a DIPJ e, em momento posterior, apresenta Declaração de Compensação. No que diz respeito às decisões veiculadas pelos referidos acórdãos, entretanto, extrai-se sem maiores esforços um conflito interpretativo, visto que, enquanto o acórdão recorrido entende que, tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de documentação comprobatória, para o acórdão paradigma nº 1101- 000.848, presente a divergência entre a DIPJ e a DCTF, instrumentos declaratórios que Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 se encontravam na base de dados da Receita Federal, cabia à autoridade administrativa que primeiro analisou a Declaração de Compensação questionar tal fato para fins de definição acerca da informação que deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ". A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que questiona a admissibilidade do recurso especial, transcrevendo trechos do despacho do Presidente de Câmara que não reconheceu como caracterizada a divergência jurisprudencial entendendo trata-se de situações fáticas distintas. Aduz, ainda, que o recurso não merece seguimento haja vista que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base em fundamentos autônomos que não foram, em sua totalidade, abordados em sede de recurso especial. Questiona também o mérito do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese os judiciosos argumentos da ilustre relatora, Conselheira Livia De Carli Germano, ouso discordar de seu voto quanto ao conhecimento do Recurso Especial. Em seu Apelo, o Contribuinte pretendeu trazer à discussão deste colegiado a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ, tendo o Despacho de Admissibilidade não admitido o recurso, tendo sido posteriormente reformado em sede de Agravo. Relativamente à matéria “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”, o recurso não foi admitido no Despacho de Admissibilidade, não tendo o Contribuinte se insurgido contra tal decisão. No aresto recorrido (Acórdão nº 1402-002.537), assim consta em seu voto condutor: No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”. [...]. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. [...]. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Já no paradigma colacionado pela Recorrente, o voto condutor consigna o contexto da discussão travada naqueles autos: Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração do débito de estimativa de IRPJ em janeiro/2007 e, por consequência, o recolhimento a maior arguido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cabe observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito. [...]. [...]. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Analisando ambos os julgados, inicialmente conclui-se, de fato, que ambos discutem matéria idêntica: a possibilidade, ou não, de caracterização de indébito decorrente de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ com a consignação do valor que, a seu ver, seria o real débito do tributo. Se analisado sob essa circunstância, poder-se-ia identificar divergência entre os referidos acórdãos, contudo, as conclusões distintas devem-se ao fato de estarem sendo analisadas circunstâncias fáticas com contextos fáticos significativamente distintos: enquanto no acórdão recorrido a recorrente alega que sua atividade, seu objeto social, e sua real operação empresarial seria de “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento” (sujeita à determinação da base de cálculo do lucro presumido mediante utilização de coeficiente de presunção de 8%), e não “prestação de serviços” (cujo coeficiente para apuração do lucro presumido seria de 32%), o acórdão paradigma analisou contexto em que, pela simples analise da DIPJ Retificadora, chegar-se-ia à conclusão de que restaria confirmado o recolhimento a maior. Veja-se que, no acórdão paradigma, consta em seu voto condutor que “as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, tratava-se de simples erro de fato cometido no preenchimento da DIPJ, não envolvendo questões probatórias, no entender daquele colegiado demandasse qualquer esforço adicional. Já no acórdão recorrido o relator entendeu que haveria de ter comprovação das atividades desenvolvidas pelo contribuinte para se demonstrar que, efetivamente, sua atividade era a de industrialização de encomenda, apta, portanto, a atrair a aplicação do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Confira-se: Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e ue, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, [...] Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõem-se de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegar-se à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 - Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. [destaques da decisão recorrida] Em relação à confrontação dessas duas decisões, assim consta no Despacho em Agravo: Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há, no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a “erro de direito” ou a “erro de fato” como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Com a devida vênia, entendo que razão assistia ao decidido no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial: a comprovação de erro de fato de que trata o acórdão paradigma é significativamente diferente de comprovação de erro de direito. Observa-se, de início, que o acórdão paradigma — nesse ponto concordando com o acórdão recorrido — afirma que, “ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito”. Contudo, naquele caso específico, com suas peculiaridades fáticas, o acórdão paradigma decidiu diferentemente do que afirmara, como segue: “Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada.” Ou seja, no caso específico do acórdão paradigma, como se tratou de um alegado “erro de fato” facilmente comprovável com a só apresentação de DIPJ, demonstrando a apuração das bases de cálculo mensais, o entendimento foi pelo provimento do recurso voluntário interposto para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Já na situação do acórdão recorrido, tratando-se de um suposto “erro de direito”, que dependeria da comprovação da atividade exercida pela empresa - se “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, ou “prestação de serviços” - não seria possível prever como decidiria aquele acórdão paradigma, ou seja, se este se contentaria, tão somente, com a mera mudança do preenchimento de linha relativa ao percentual de presunção na DIPJ para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, não é possível afirmar que o paradigma reformaria o acórdão recorrido. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso Especial somente é cabível se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste E. Conselho. No caso concreto, contudo, não há como se afirmar que haja uma divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado pelo Contribuinte, uma vez que os fatos tratados em cada um dos julgados possuem distinções significativas. Desse modo, tratando-se de situações fáticas distintas, envolvendo, inclusive, nuances jurídicas próprias, as decisões em sentido contrário nos acórdãos recorrido e paradigma não decorrem de divergência de interpretação de lei, condição prévia a ensejar a uniformização de entendimento por meio do Recurso Especial de divergência. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.624 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907334/2009-67 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10940.002722/2005-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
IRPJ. RECOLHIMENTO A MENOR. QUITAÇÃO E PARCELAMENTO NÃO COMPROVADOS.
Inexistindo nos autos a comprovação do pagamento e de adesão a parcelamento dos tributos recolhidos a menor, o lançamento deve ser mantido.
DCTF RETIFICADORA E DCOMP TRANSMITIDAS APÓS A LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite retificação da DCTF após o inicio do procedimento fiscal, assim como nesta instância administrativa não poderão ser analisadas declarações de compensação transmitidas para extinguir o crédito objeto do auto de infração em debate.
PIS. CSLL. COFINS. RECOLHIMENTO A MENOR. QUITAÇÃO E PARCELAMENTO NÃO COMPROVADOS.
Inexistindo nos autos a comprovação do pagamento e de adesão a parcelamento dos tributos recolhidos a menor, o lançamento deve ser mantido.
DCTF RETIFICADORA E DCOMP TRANSMITIDAS APÓS A LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite retificação da DCTF após o inicio do procedimento fiscal, assim como nesta instância administrativa não poderão ser analisadas declarações de compensação transmitidas para extinguir o crédito objeto do auto de infração em debate.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
A partir do julgamento do Tema 110 do STF, vedou-se o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, não se admitindo a inclusão de receitas não operacionais na base tributável destas contribuições.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
A partir do julgamento do Tema 110 do STF, vedou-se o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, não se admitindo a inclusão de receitas não operacionais na base tributável destas contribuições.
null
Numero da decisão: 1302-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a exclusão das receitas financeiras, variações monetárias passivas (cred.) e variações monetárias ativas da base de cálculo de PIS e COFINS, nos termos do relatório e voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fabiana Okchstein Kelbert Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: FABIANA OKCHSTEIN KELBERT
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RECOLHIMENTO A MENOR. QUITAÇÃO E PARCELAMENTO NÃO COMPROVADOS. Inexistindo nos autos a comprovação do pagamento e de adesão a parcelamento dos tributos recolhidos a menor, o lançamento deve ser mantido. DCTF RETIFICADORA E DCOMP TRANSMITIDAS APÓS A LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite retificação da DCTF após o inicio do procedimento fiscal, assim como nesta instância administrativa não poderão ser analisadas declarações de compensação transmitidas para extinguir o crédito objeto do auto de infração em debate. PIS. CSLL. COFINS. RECOLHIMENTO A MENOR. QUITAÇÃO E PARCELAMENTO NÃO COMPROVADOS. Inexistindo nos autos a comprovação do pagamento e de adesão a parcelamento dos tributos recolhidos a menor, o lançamento deve ser mantido. DCTF RETIFICADORA E DCOMP TRANSMITIDAS APÓS A LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite retificação da DCTF após o inicio do procedimento fiscal, assim como nesta instância administrativa não poderão ser analisadas declarações de compensação transmitidas para extinguir o crédito objeto do auto de infração em debate. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir do julgamento do Tema 110 do STF, vedou-se o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, não se admitindo a inclusão de receitas não operacionais na base tributável destas contribuições. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 27 22 /2 00 5- 55 Fl. 1694DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir do julgamento do Tema 110 do STF, vedou-se o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, não se admitindo a inclusão de receitas não operacionais na base tributável destas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a exclusão das receitas financeiras, variações monetárias passivas (cred.) e variações monetárias ativas da base de cálculo de PIS e COFINS, nos termos do relatório e voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 12-19.334 proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJI, que julgou procedentes os lançamentos relativos ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Na origem, tem-se Autos de Infração lavrados em 05/12/2005 (e-fls. 1.258-1327), para a exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$1.596.188,90, de PIS, no valor de R$ 43.525,93, de CSLL, no valor de R$ 607.043,80, e de COFINS, no valor de R$ 200.889,60, acrescidos de multa de 75% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$ 5.500.709,68. O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado falta ou insuficiência de recolhimento. A partir dos Livros e demais documentos apresentados pela contribuinte, a fiscalização apurou diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em relação ao IRPJ e à CSLL apurou-se diferença positiva entre o IRPJ apurado (soma no trimestre) e o IRPJ declarado (DCTF). De acordo com a fiscalização, as diferenças de IRPJ consistem basicamente em falta de tributação sobre as demais receitas operacionais e não operacionais. Fl. 1695DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 Quanto a PIS e COFINS, constatou-se receita contabilizada indevidamente como estorno de despesa de variação monetária, reclassificada pela fiscalização como receita de variação cambial. Também foram consideradas exclusões do faturamento admitidas na apuração da base de cálculo, que corresponde ao grupo IPI, devolução vendas mercado interno e receitas de exportação da planilha faturamento e exclusões mensais de 01/2000 a 12/2004. Em sua impugnação (e-fls. 1366-1392), a contribuinte traz os seguintes pontos, ora sintetizados: - Diferenças a maior apontadas pela autoridade fiscal no 4º Trimestre de 2004 para todos os tributos, em razão de não terem sido considerados os valores informados na DIPJ e já tributados; - Adição das variações monetárias passivas nos meses 11 e 12/2001 na receita tributável, quando, obviamente, tais valores deveriam ser excluídos da base de cálculo dos tributos; - Violação ao art. 149 da CF/88, ao impor a tributação de receitas decorrentes de exportação na base de cálculo da CSSL; - Inconstitucionalidade da inclusão de receitas não operacionais na base de cálculo do PIS e da COFINS, que é o caso das receitas monetárias ativas, diante do recente julgamento do STF sobre o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições; - Ilegalidade e inconstitucionalidade da multa aplicada, que atinge o montante absurdo e impagável de R$ 1.835.735,6 3, valor exacerbado, desproporcional e que viola diversos princípios constitucionais tributários. Com a impugnação, juntou-se apenas a DIPJ 2005 (e-fls. 1404-1417). O acórdão recorrido (e-fls. 1419-1421) enfrentou de forma sintética e pontual os argumentos da contribuinte, e assentou o quanto segue: Nos Autos de Infração, na descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização descreve a execução do procedimento fiscal e detalha como foram apuradas as diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A fiscalização ressalva que o interessado, intimado a se pronunciar sobre as planilhas demonstrativas, não se manifestou. Em sede de impugnação, o interessado alega que, ao apurar as diferenças do 4° trimestre de 2004, a fiscalização desprezou valores confessados em DIPJ e quitados. A alegação do interessado não prospera. Senão vejamos. A Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não constitui confissão de dívida. Conforme registrado pela fiscalização, na planilha de fls. 1.321/1.323, no campo observação, alguns débitos da DIPJ não foram declarados em DCTF nem, tampouco, recolhidos. Fl. 1696DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 Dentre os débitos não declarados em DCTF e não recolhidos, encontram-se as diferenças do 4° trimestre de 2004. As diferenças não foram declaradas em DCTF (fls. 1.247/1.248) e os pagamentos não constam das consultas efetuadas pela fiscalização. O interessado não comprova a quitação. O interessado alega, ainda, que a fiscalização se equivocou ao adicionar valores de variação monetária passiva na apuração da base de cálculo. Não houve, no entanto, equívoco. Nos Autos de Infração, na descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização, ao detalhar como foram apuradas as diferenças, em relação à variação monetária passiva, registra: receita contabilizada indevidamente como estorno de despesa de variação monetária, reclassificada por esta fiscalização, para fins tributários, como receita de variação cambial. O fato de, nos Demonstrativos de fls. 1.334/1.353, em alguns meses, os débitos declarados serem maiores que os apurados pela fiscalização não implica reconhecimento de direito creditório. Ademais, a compensação deve ser feita na forma da legislação vigente. A eventual existência de crédito não impede o lançamento. Não houve, como alega o interessado, violação do art. 149 da CF. O inciso I, inserto no § 2° pela EC n° 33/2001, se aplica àquelas contribuições sociais que têm por fato gerador a receita proveniente de exportação, o que não é o caso da CSLL. A CSLL não tem como fato gerador o auferimento de receita, mas o auferimento de lucro. Receita e lucro não se confundem, sendo bases de incidência de contribuições diversas, com disciplinas legais independentes. Em relação à alegação de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, cabe observar que não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Os valores apurados pela fiscalização não foram elididos pelo interessado. A falta/insuficiência de recolhimento de tributo enseja lançamento de oficio. Nos lançamentos de oficio, é devida a multa de oficio. A multa de oficio lançada (75%) tem amparo legal. Como já visto, não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. Pelo exposto, deve ser mantido o lançamento (IRPJ, no valor de R$1.596.188,90, PIS, no valor de R$43.525,93, CSLL, no valor de R$607.043,80, e Cofins, no valor de R$200.889,60, acrescidos de multa de 75% e de juros de mora), por não ter sido apresentada prova capaz de refutar as diferenças expostas no trabalho fiscal. É o meu voto. No recurso voluntário (e-fls. 1450-1486), a recorrente reitera ipsis litteris os argumentos da impugnação, aos quais acresceu, em suma, que haveria quitado a quase totalidade dos débitos objeto do auto de infração por meio de compensação com crédito presumido de IPI e com crédito do IPI alíquota zero, reconhecido em ação judicial. Afirma que a autoridade fiscal não teria tomado esses valores em consideração, e que somente poderia glosar diferenças após a análise das compensações. Discorre sobre o art. 170 do CTN, cita jurisprudência do STJ e defende a regularidade das compensações efetuadas. Alega que há valores cobrados em duplicidade, pois já teriam sido lançados tempos atrás e que Fl. 1697DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 foram objeto de parcelamento da MP 303/2006, no qual teriam sido incluídos diversos débitos constantes no auto de infração. Pede a reforma da decisão recorrida e para que “o processo seja baixado em diligência, afim de que o Fisco possa efetuar o recálculo dos valores efetivamente devidos pela empresa, se é que eles existem.” Com o recurso voluntário, acostou DCTF retificadora (e-fls.1487-1657), PER/DCOMP (e-fls. 1523-1551) e cópias de sentença e acórdão do mandado de segurança nº 99.9012692-5, onde consta como impetrante Laércio Francisco Pupo Paz e Cia. É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora. I. Da admissibilidade do recurso O recorrente teve ciência do acórdão recorrido por meio de aviso de recebimento assinado em 16/06/2008 (e-fl. 1446) e o recurso voluntário foi protocolado na data 08/07/2008 (e-fl. 1450), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. A matéria vertida no recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme art. 2º e 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, porquanto tempestivo e por preencher os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário e passo a analisar o seu mérito. II – Do mérito a) Da decisão mantida Conforme relatado, o recurso voluntário a reproduziu em identidade de termos os argumentos expendidos na impugnação, à exceção das novas alegações que serão analisadas em tópico próprio. Dessa forma, à exceção do ponto relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e na parte em que não foram acrescidos novos elementos jurídicos, valho-me da previsão contida no § 3º do art. 57 da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: Fl. 1698DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) [Grifo nosso] Desse modo, e tendo em vista que estou de acordo com as conclusões lançadas na decisão recorrida, com base na disposição regimental supra citada e valho-me das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão: Nos Autos de Infração, na descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização descreve a execução do procedimento fiscal e detalha como foram apuradas as diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A fiscalização ressalva que o interessado, intimado a se pronunciar sobre as planilhas demonstrativas, não se manifestou. Em sede de impugnação, o interessado alega que, ao apurar as diferenças do 4° trimestre de 2004, a fiscalização desprezou valores confessados em DIPJ e quitados. A alegação do interessado não prospera. Senão vejamos. A Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não constitui confissão de dívida. Conforme registrado pela fiscalização, na planilha de fls. 1.321/1.323, no campo observação, alguns débitos da DIPJ não foram declarados em DCTF nem, tampouco, recolhidos. Dentre os débitos não declarados em DCTF e não recolhidos, encontram-se as diferenças do 4° trimestre de 2004. As diferenças não foram declaradas em DCTF (fls. 1.247/1.248) e os pagamentos não constam das consultas efetuadas pela fiscalização. O interessado não comprova a quitação. O interessado alega, ainda, que a fiscalização se equivocou ao adicionar valores de variação monetária passiva na apuração da base de cálculo. Não houve, no entanto, equívoco. Nos Autos de Infração, na descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização, ao detalhar como foram apuradas as diferenças, em relação à variação monetária passiva, registra: receita contabilizada indevidamente como estorno de despesa de variação monetária, reclassificada por esta fiscalização, para fins tributários, como receita de variação cambial. O fato de, nos Demonstrativos de fls. 1.334/1.353, em alguns meses, os débitos declarados serem maiores que os apurados pela fiscalização não implica reconhecimento de direito creditório. Ademais, a compensação deve ser feita na forma da legislação vigente. A eventual existência de crédito não impede o lançamento. Fl. 1699DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 Não houve, como alega o interessado, violação do art. 149 da CF. O inciso I, inserto no § 2° pela EC n° 33/2001, se aplica àquelas contribuições sociais que têm por fato gerador a receita proveniente de exportação, o que não é o caso da CSLL. A CSLL não tem como fato gerador o auferimento de receita, mas o auferimento de lucro. Receita e lucro não se confundem, sendo bases de incidência de contribuições diversas, com disciplinas legais independentes. (...) Os valores apurados pela fiscalização não foram elididos pelo interessado. A falta/insuficiência de recolhimento de tributo enseja lançamento de oficio. Nos lançamentos de oficio, é devida a multa de oficio. A multa de oficio lançada (75%) tem amparo legal. Como já visto, não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. Em complemento, destaco que ao CARF é vedado analisar alegação de violação à Constituição, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desse modo, quanto aos pontos indicados, tenho que a decisão de piso deve ser mantida. b) Do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS: impossibilidade de inclusão de receitas não operacionais na base tributável No ponto, a recorrente reitera os argumentos da impugnação, no sentido da inconstitucionalidade da inclusão de receitas não operacionais na base de cálculo do PIS e da COFINS, por força do quanto decidido pelo STF, e que se aplicaria ao caso concreto, em que se incluiu na base de cálculo das referidas contribuições as receitas financeiras. Com razão a recorrente, como passo a esclarecer. Os autos de infração de PIS (e-fls. 1272-1292) e de COFINS (e-fls. 1293-1313) expressamente assentaram a inclusão de receitas financeiras na base tributável das contribuições, como se infere: Fl. 1700DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 A descrição em relação à COFINS é exatamente a mesma, razão pela qual deixo de reproduzi-la. Como se observa, os autos de infração expressamente assentam que a diferença a menor apurada no recolhimento de PIS e COFINS diz respeito às receitas financeiras, equivocadamente denominadas de “demais receitas operacionais”. Por ocasião do julgamento do RE nº 585.234/RS, objeto do tema 110 de repercussão geral, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. §1º do art. 3º da Lei e fixou que a noção de faturamento que se coaduna com o art. 195, I da CF tem o estrito significado de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (o que já fora decidido em diversos precedentes anteriores), a teor da reprodução abaixo: Desse modo, tenho que se revela indevida a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo destas contribuições, pois não se identificam com vendas de mercadorias ou prestação de serviços, e importam em indevido alargamento da sua base, nos termos do quanto decidido pelo STF. Nesse sentido, colaciono o seguinte julgado deste CARF: Numero do processo: 10580.004534/2007-60 Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 GMT-03:00 2018 Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 GMT-03:00 2018 Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2002 a 30/03/2003, 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a Fl. 1701DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005 RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ. ART. 62A DO RICARF. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235- QO-RG, Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral. PRESCRIÇÃO. TESE DOS 5+5. DECADÊNCIA O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 Numero da decisão: 3001-000.446 Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE Por fim, destaco a obrigatoriedade de atendimento ao quanto decidido pelo STF no julgamento do Tema 110 mencionado, em razão do que determina o art. 62, § 1º, II, “b” do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II - que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desse modo, dou provimento no ponto, para determinar a exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo de PIS e COFINS. c) Das alegações de extinção do crédito tributário por meio de compensações com créditos de IPI pagamento e por adesão a parcelamento A teor do que se relatou, a recorrente informa no recurso voluntário que haveria valores compensados e parcelados e que “o lançamento fiscal decorre de equivocado entendimento por parte do Fisco, já que os débitos que se pretendem a cobrança na sua grande maioria já foram integralmente compensados seja com o crédito presumido do IPI, seja como crédito do IPI alíquota zero, este reconhecido através da ação judicial no 99.9012692-5.” Assim, após análise dos argumentos e documentos acostados ao recurso, constatei que: a) Não há nos autos qualquer documento que comprove a adesão ao alegado parcelamento da MP 303/2006; b) A recorrente apresentou às e-fls. 1487-1657 DCTF retificadora, transmitida após a lavratura do auto de infração, como se observa: Fl. 1702DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 c) Há PER/DCOMP transmitido em 10/04/2006, após a lavratura do auto de infração, onde consta aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos do período fiscalizado e objeto do auto de infração (e-fls. 1552-1570); d) As decisões judiciais apresentadas pela recorrente tem como impetrante pessoa jurídica diversa, de modo que o quanto ali decidido não se aplica ao caso concreto. Fixadas essas premissas, depreendo que não assiste qualquer razão à recorrente, seja pela falta de comprovação da quitação dos débitos e de adesão a parcelamento, seja pela impossibilidade de se considerar nesse grau recursal as declarações de compensação transmitidas após a lavratura do auto de infração. Também descabe a conversão do feito em diligência, porquanto a verificação de eventual extinção de débitos objeto dos autos de infração será considerada pela autoridade fiscal encarregada da execução da decisão aqui proferida. Além disso, a DCTF retificadora posterior à lavratura do auto de infração não produz qualquer efeito, nos termos expresso pela IN SRF nº 255/2002 (vigente à época) no seu art. 9º, § 2º, II: Fl. 1703DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-005.707 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.002722/2005-55 Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: II - em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Desse modo, nenhuma razão assiste à recorrente no ponto, que não foi capaz de comprovar a extinção do crédito tributário cobrado nos autos de infração. Assim, o recurso não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO para determinar a exclusão das receitas financeiras, variações monetárias passivas (cred.) e variações monetárias ativas da base de cálculo de PIS e COFINS. (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert Fl. 1704DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904977/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.649
Decisão: Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal aprecie a alegação da recorrente quanto à necessidade de exclusão do custo de aquisição da base de cálculo relativa à venda de veículos automotores usados.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal aprecie a alegação da recorrente quanto à necessidade de exclusão do custo de aquisição da base de cálculo relativa à venda de veículos automotores usados. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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(assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de retorno de diligência, por ser sintético, transcrevese o relatório da resolução nº 3803000.532, relator Jorge Victor Rodrigues, fls.179/1841: A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. 1 Todas as páginas, referenciadas no acórdão, correspondem ao eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 97 7/ 20 11 -1 3 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 3 2 Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/201140, 10280.904439/201129, 10280.904424/2011 61, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/2011 06, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/2011 62, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/2011 72, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/2011 15, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 4 3 Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento (sic) este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 5 4 Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 6 5 aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 7 6 o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Trata se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente. · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 8 7 Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Conforme exposto anteriormente, o presente processo é um retorno de diligência, onde o relator reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no transcorrer do seu voto. Ele converteu o feito em diligência para, trechos in verbis, fls. 189: Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. A Recorrente foi intimada para apresentar o livro diário geral e o livro razão. Após a elaboração da informação fiscal, ela também foi intimada a manifestarse e assim o fez. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Das alegações da Recorrente após a informação fiscal A Recorrente manifestouse após o relatório de informação fiscal, onde alegou que, in verbis, fls. 290 e seguintes: (...) Isso porque, por um lapso, a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório. A questão é bastante simples, eis que para determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda deve ser extraído o valor pago pela aquisição do referido veículo, ou seja, apenas a diferença entre o valor de venda para o valor da aquisição é que deve compor a receita tributável. Isso tudo em conformidade com o disposto no art. 10, parágrafos 4o e 5° da IN SRF n. 247/02. Dessa forma, conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doC. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco, mas sim a diferença entre o valor da venda do veículo e seu custo de aquisição. Em outras palavras, deve ser incluído na base de cálculo, o lucro obtido pela empresa com a venda do veículo. No relatório de diligência, a fiscalização considerou o valor total das vendas (R$ 42.890,20). No entanto, como se vê nos documentos anexos, apenas uma dentre as 4 vendas de veículos gerou ganho à empresa, no valor de R$ 12.890,20, sendo este o correto montante a ser incluído na base de cálculo, atendendo não só a IN 247, mas também o art. 5o da Lei n. 9716/98. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3302000.649 S3C3T2 Fl. 10 9 (...) As alegações apresentadas pela Recorrente, assim como o resultado da diligência, são robustos, logo, não há segurança, diante do caso, para proferir o melhor julgamento possível, senão mediante a realização de uma nova diligência a fim de verificar as alegações da Recorrente, presentes em fls. 290/292. 3. Conclusão Diante disso, converto, novamente, o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a autoridade preparadora aprecie as alegações da recorrente às fls. 290 a 292 e verifique: i) a base de cálculo dos veículos para revenda. Após intimese a Recorrente para manifestarse a respeito do resultado da nova diligência em 30 dias. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 331DF CARF MF
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