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Numero do processo: 10865.002606/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/03/2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA.
Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, o prazo para o fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN.
MULTA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A
da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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DECADÊNCIA. Tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, o prazo para o fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN. MULTA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS INCORRETOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), à empresa que tenha deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10865.002606/200829 Acórdão n.º 240202.194 S2C4T2 Fl. 263 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 08/08/2008, para exigir multa no valor de R$ 363.918,10, por ter a empresa deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/06/2003 a 31/03/2008. A multa aplicada corresponde a prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.2121/91, que previa a penalidade administrativa correspondente à multa de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 20/193) pleiteando a relevação integral da multa, haja vista que procedeu com a regularização nos termos previstos no art. 291, § 1º, do Decreto nº 3.048/99. Considerando que supostamente houve a regularização das pendências pela Recorrente, a d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP (fls. 196) determinou a remessa dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira para que fizesse um exame da regularização realizada pelo contribuinte e aplicasse a penalidade mais benéfica, diante das mudanças trazidas pela MP nº 449/08 quanto às penalidades relativas aos débitos para com a seguridade social. Tendo em conta a redação atual trazida pelo art. 32A da Lei nº 8.212/91, a DRF/Limeira recalculou a multa aplicada para que fosse considerado o montante de R$ 27.000,00 (fls. 197/199). Também houve manifestação no sentido de que nem todas as incorreções da GFIP haviam sido regularizadas. Irresignada, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 203/205) reiterando o pedido de cancelamento total da multa, ou, ainda, sua redução em 75%, conforme artigo 32A, § 2º, II, da Lei 8.212/91. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto –SP, ao analisar o processo (fls. 207/209), julgou o lançamento parcialmente procedente, sob os argumentos de que (i) a Recorrente efetuou a correção apenas das competências 08/2006, 09/2006, 10/2006, 07/2007, 09/2007 e 10/2007; (ii) somente o saneamento integral, em cada competência, da infração ensejadora da autuação, é considerado como correção da falta para fins de relevação da multa aplicada; (iii) a alteração trazida pela MP 449/08 importaria na aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, a qual não pode ser cumulada com outra penalidade decorrente do descumprimento de obrigação acessória; (iv) o cotejo das duas penalidades aplicadas, em conjunto, deverá se realizar com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que se destina a punir ambas as infrações a que decorre do descumprimento da obrigação principal e também a resultante do descumprimento da obrigação acessória; e (v) não cabe a redução da multa em 75% prevista no artigo 32A, § 2°, II, da Lei nº 8.212/91, posto tratarse de multa aplicada na sistemática da legislação anterior, a qual não previa este benefício. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 213/255) alegando que: (i) houve cerceamento de defesa, pois supostamente não teria havido a descrição precisa da infração cometida; (ii) ocorreu a decadência dos períodos de 06/2003 a 08/2003; (iii) os sócios não realizaram qualquer infração tributária que justificasse a sua indicação no relatório CORESP; (iv) são passíveis de inscrição no SIMPLES as atividades de comércio e prestação de serviços; (v) existe duplicidade de exigência tributária, não tendo sido consideradas as contribuições recolhidas através de DARF de forma unificada prevista na Lei nº 9.317/96 para abater do montante devido na presente autuação; (vi) inexiste impedimento legal para a contratação na modalidade de cessão de mãodeobra quanto aos aspectos da pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade, nem para a sua inclusão no SIMPLES, mas sim apenas para as atividades classificadas como locação de mãodeobra; (vii) com ou sem a inscrição no PAT os valores pagos a título de alimentação in natura não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária; (viii) a aplicação de multa de 25% sobre o valor do débito ofende os princípios constitucionais do nãoconfisco e da capacidade contributiva; (ix) em caso de dúvida, seguindo o art. 112 do CTN, a lei tributária se interpreta de forma mais favorável ao contribuinte. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10865.002606/200829 Acórdão n.º 240202.194 S2C4T2 Fl. 264 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado em 08/08/2008, para exigir multa no valor de R$ 363.918,10, por ter a empresa deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/06/2003 a 31/03/2008. Como exposto nos fatos, o recurso da Recorrente trata das seguintes questões: (i) cerceamento de defesa, pois supostamente não teria havido a descrição precisa da infração cometida; (ii) os sócios não realizaram qualquer infração tributária que justificasse a sua indicação no relatório CORESP; (iii) são passíveis de inscrição no SIMPLES as atividades de comércio e prestação de serviços; (iv) existe duplicidade de exigência tributária, não tendo sido consideradas as contribuições recolhidas através de DARF de forma unificada prevista na Lei nº 9.317/96 para abater do montante devido na presente autuação; (v) inexiste impedimento legal para a contratação na modalidade de cessão de mãodeobra quanto aos aspectos da pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade, nem para a sua inclusão no SIMPLES, mas sim apenas para as atividades classificadas como locação de mãodeobra; (vi) com ou sem a inscrição no PAT, os valores pagos a título de alimentação in natura não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária; e (vii) a aplicação de multa de 25% sobre o valor do débito ofende os princípios constitucionais do nãoconfisco e da capacidade contributiva. Vêse, pois, que os argumentos trazidos pela Recorrente se referem à matéria de mérito, à exigência de contribuições previdenciárias que estariam sendo cobradas através da autuação. Ocorre que a presente autuação trata do descumprimento de obrigação acessória, a qual não só foi confessada pela Recorrente quando procedeu com a regularização parcial da sua infração, como já foi discutida oportunamente em demanda específica, motivo pelo qual deixo de apreciar tais argumentos, pois se referem à outra autuação, lavrada contra a empresa para a exigência dos valores relativos à contribuição previdenciária. Passo a analisar as alegações referentes à (i) decadência dos períodos de 06/2003 a 08/2003; e (ii) retroatividade da lei tributária quando preveja multa mais favorável ao contribuinte. Primeiramente, em relação à alegação de que ocorreu a decadência dos períodos de 06/2003 a 08/2003, vale destacar que a presente autuação versa sobre descumprimento de obrigação acessória, não havendo que se falar na aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. O prazo decadencial para a constituição de multa pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao contrário das obrigações principais onde ocorre o pagamento parcial, Fl. 273DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 é contado conforme o art. 173, inc. I, do CTN, conforme entendimento pacífico deste CARF, in verbis: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO. Consiste em infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de informar mensalmente ao INSS por intermédio da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. MULTA RELEVAÇÃO REQUISITOS. A multa só poderá ser relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. O descumprimento de qualquer dos requisitos impede que o contribuinte faça jus ao benefício. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas ás contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. (...) (Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20601878 do Processo 10945003749200787. Julgado em 05/02/2009). Assim, considerando que o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória foi realizado antes de transcorrido o prazo de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (01/01/2004), não há que se falar em decadência. Quanto ao pedido de aplicação retroativa da nova multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, tenho que deve ser dado provimento, uma vez que a multa por ter a empresa deixado de apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias foi alterada pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), sendo imperiosa a aplicação do art. 106, I, ‘c’ do CTN. A mesma sorte não merece o pedido de aplicação retroativa do art. 32A, § 2º, II, da Lei nº 8.212/91. Isso porque, o art. 106, II, ‘c’ do CTN somente é aplicável às multas, o que não é o caso do art. 32A, § 2º, II, da Lei nº 8.212/91, que prevê apenas a redução da multa ao contribuinte que sanar a irregularidade tempestivamente. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando a retificação da multa imposta para que Fl. 274DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10865.002606/200829 Acórdão n.º 240202.194 S2C4T2 Fl. 265 7 observe o disposto no art. 32A trazido pela MP nº 449/08 (Lei nº 11.941/09), conforme realizado através da diligência constante das fls. 197/199. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 275DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10480.007716/00-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1995
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO SERVIDOR PÚBLICO. CPSS. APOSENTADORIA OU PENSÃO. PROVENTOS DECORRENTES DE CRÉDITOS ANTERIORES A 20/05/2004.
A Contribuição Previdenciária do Servidor Público não incide sobre a parcela de aposentadoria ou pensão recebidos em cumprimento de decisão judicial decorrente de crédito originado em data anterior a 20/05/2004, desde que o servidor já se encontrasse aposentado antes dessa data.
Numero da decisão: 2402-010.619
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado) e Renata Toratti Cassini. Ausente o conselheiro Márcio Augusto Sekeff Sallem, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: Ana Claudia Borges de Oliveira
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CPSS. APOSENTADORIA OU PENSÃO. PROVENTOS DECORRENTES DE CRÉDITOS ANTERIORES A 20/05/2004. A Contribuição Previdenciária do Servidor Público não incide sobre a parcela de aposentadoria ou pensão recebidos em cumprimento de decisão judicial decorrente de crédito originado em data anterior a 20/05/2004, desde que o servidor já se encontrasse aposentado antes dessa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado) e Renata Toratti Cassini. Ausente o conselheiro Márcio Augusto Sekeff Sallem, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face da Decisão (fls. 113 a 116) que indeferiu o pedido de restituição e manteve o desconto da Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor – PSS realizado na liquidação do Precatório Judicial recebido pelo recorrente, nos termos da ementa abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 77 16 /0 0- 55 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.619 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.007716/00-55 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1995 Ementa: A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. Solicitação Indeferida O contribuinte foi cientificado da decisão em 10/10/2002 (fl. 118) e apresentou recurso voluntário em 05/11/2002 (fls. 120 a 135) sustentando: a) a determinação era de desconto apenas do imposto de renda, mas não da contribuição para o plano de seguridade social (CPSS); b) indevido o desconto de contribuição para o PSS e; c) o pagamento foi feito quando já estava aposentado. Após os autos serem encaminhados ao CARF, foi instaurado Conflito de Competência entre a Primeira e Segunda, cujo teor decisório segue abaixo transcrito na íntegra (fls. 159 e 160): Trata-se de conflito de competência instaurado entre a Primeira e a Segunda Seções de Julgamento deste Conselho, relativamente a pedido de restituição da Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor – CPSS. O litígio foi analisado inicialmente pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, ocasião em que por meio do Despacho nº 2402.024, de 02/04/2012 (fls. 152 a 155), a Presidência da Turma declinou competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. De acordo com o mencionado despacho, a competência para julgamento das contribuições previdenciárias, atribuída pelo art. 3º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015), referir-se-ia às contribuições destinadas ao RGPS – Regime Geral de Previdência Social e às contribuições instituídas a título de substituição. Assim, entendeu a Presidência da Turma que a competência para julgamento das Contribuições para o Plano de Seguridade Social do Servidor – CPSS, destinadas ao Regime Próprio da Previdência Social – RPPS, estaria incluída na competência residual atribuída à Primeira Seção no âmbito do CARF, nos termos do art. 2º, inciso VII, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Por sua vez, ao apreciar a questão através do despacho de fls. 156 a 158, a Primeira Seção entendeu que a competência para julgamento das Contribuições para o Plano de Seguridade Social do Servidor – CPSS estaria incluída na competência da Segunda Seção. Afirmou que a competência residual que lhe fora atribuída pelo art. 2º, inciso VII, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, não alcançaria os tributos incluídos na competência das demais Seções, caso das contribuições previdenciárias para o Regime Próprio da Previdência Social. Veja o seguinte excerto do referido despacho: O art. 3º, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, ao atribuir a competência de julgamento das contribuições previdenciárias à Segunda Seção, não faz qualquer distinção entre as contribuições previdenciárias ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, destinada aos trabalhadores em geral, e as contribuições previdenciárias ao Regime Próprio da Previdência Social (RPPS), destinada aos servidores da União. Assim, apesar dos diferentes regimes, ambas as contribuições têm natureza previdenciária e, por este motivo, estão incluídas na competência da Segunda Seção. Com razão a Primeira Seção. A atribuição de competência para julgamento das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 3º, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno do CARF, é concedida independentemente do regime a que sejam destinadas referidas contribuições. Dessa forma, sejam elas destinadas ao Regime Geral da Previdência Social – RGPS ou ao Regime Próprio da Previdência Social - RPPS, a competência para julgamento das contribuições previdenciárias é da Segunda Seção. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.619 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.007716/00-55 Diante do exposto e no uso da competência de que trata o art. 20, inciso IX, c/c § 7º do artigo 6º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, decido o presente conflito de competência no sentido de que o pleito seja julgado pela Segunda Seção de Julgamento. Definido o colegiado competente para o julgamento do recurso, movimente-se o processo para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, por estar preventa em face do litígio. assinado digitalmente ADRIANA GOMES RÊGO Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais O recorrente sustenta a não incidência de Contribuição ao Plano de Seguridade Social do Servidor (CPSS) sobre valores relativos em precatório judicial; que apesar do pleito judicial ter sido ajuizado quando ainda estava na ativa, quando o pagamento do precatório foi realizado estava aposentado. O art. 16-A da Lei nº 10.887, de 18/06/2004, determina que a contribuição do Plano de Seguridade do Servidor Público (PSS), decorrente de valores pagos em cumprimento de decisão judicial, ainda que derivada de homologação de acordo, será retida na fonte, no momento do pagamento ao beneficiário ou seu representante legal, pela instituição financeira responsável pelo pagamento, por intermédio da quitação da guia de recolhimento remetida pelo setor de precatórios do Tribunal respectivo, no caso de pagamento de precatório ou requisição de pequeno valor, ou pela fonte pagadora, no caso de implantação de rubrica específica em folha, mediante a aplicação da alíquota de 11% (onze por cento) sobre o valor pago. A Instrução Normativa RFB nº 1.332/2013, ao regulamentar a Lei nº 10.887/2004, assim determina a não incidência da CPSS sobre valores relativos a parcela de aposentadoria ou pensão recebidos em cumprimento de decisão judicial, decorrentes de créditos originados em data anterior a 20 de maio de 2004 – art. 9º, § 4º 1 . 1 Art. 9º Na hipótese de valores pagos a servidor ativo ou aposentado ou a pensionista em cumprimento de decisão judicial, ainda que derivada de homologação de acordo, serão observados os seguintes procedimentos: I - nos pagamentos feitos por intermédio de precatório ou requisição de pequeno valor, a instituição financeira reterá o valor correspondente à contribuição devida, com base no valor informado pelo juízo da execução, e efetuará o recolhimento do valor retido nos mesmos prazos estabelecidos no § 2º do art. 7º; II - no caso de implantação de rubrica específica em folha com incidência de CPSS, a fonte pagadora reterá o valor correspondente à contribuição do servidor no momento do crédito e efetuará o recolhimento nos prazos previstos no § 2º do art. 7º. (...) Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.619 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.007716/00-55 Deflui dos preceitos normativos que a CPSS não incide quando o montante recebido for proveniente de aposentadoria ou pensão que deveria ter sido paga em período anterior a 20/05/2004. Por outro lado, caso a verba seja devida por período em que ainda não estava aposentado, mesmo que antes de 20/05/2004, deve ser descontada a CPSS. No caso, o recorrente impetrou, em 24/02/1994, o Mandado de Segurança nº 94.00007817-7 contra o Reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, requerendo a declaração incidental da inconstitucionalidade das Medidas Provisórias nos 382 e 409, bem como lhe fosse assegurado o direito de perceber como remuneração, vencimentos ou proventos de aposentadoria, tendo como único teto a soma dos valores percebidos como remuneração em espécie, a qualquer titulo, pelos Ministros de Estado, por membros do Congresso Nacional e Ministros do Supremo Tribunal Federal (fis. 45 a 64). A sentença judicial foi prolatada em 20/03/1995 (fls. 21 a 25), complementada pelo julgamento dos embargos de declaração em 17/05/1995 (fls. 26 e 27). O acórdão proferido pelo TRF5 é de 14/11/1995 (fls. 28) e, em 18/12/1995, foi determinada a expedição da carta de sentença (fls. 30). Em maio de 1996, o recorrente apresentou memória dos cálculos (fls. 32 a 36), que foram homologados em 17/04/1997 (fls. 37). A execução provisória do julgado foi iniciada em 27/11/1997 (fls. 15 a 16). O pagamento do Precatório nº 23360 ocorreu em 13/01/2000 (fl. 2), do valor bruto de R$ 34.830,78 foram descontados R$ 3.831,39 a título de PSS e R$ 8.344,8 a título de IRPF, resultando no valor líquido de R$ 22.654,51 (fl. 3). Consta na planilha de cálculos que as diferenças pleiteadas referem-se ao período de janeiro de 1994 a janeiro de 1995, ou seja, momento anterior à aposentadoria do recorrente (fls. 71). A Portaria de Concessão da Aposentadoria do recorrente foi publicada em 21/03/1997 (fls. 11) e, em que pese ser anterior ao recebimento do precatório, o histórico do andamento processual e o teor das peças anexadas neste processo administrativo, demonstram que os valores executados se referem aos rendimentos recebidos antes da aposentadoria. Além disso, consta no Ofício n° 100/00-GR do Ministério da Educação (fls. 6 a 8) que “na folha de pagamento do Sr. José Maria Gomes Brandão, na condição de Inativo, não são efetuados os descontos de PSS, com base na Lei n.° 9.630 de 23.04.98, artigo 1º, parágrafo único.” Melhor sorte não assiste ao recorrente, já que a não incidência de CPSS pressupõe que os valores recebidos devem ser provenientes de aposentadoria ou pensão pagos em período anterior a 20/05/2004, o que não ocorreu no caso. Nesse mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO SERVIDOR PÚBLICO. APOSENTADORIA OU PENSÃO. PROVENTOS DECORRENTES DE CRÉDITOS ANTERIORES A 20/05/2004. § 4º Não incide CPSS sobre valores relativos a parcela de aposentadoria ou pensão recebidos em cumprimento de decisão judicial, decorrentes de créditos originados em data anterior a 20 de maio de 2004. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.619 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.007716/00-55 A Contribuição Previdenciária do Servidor Público não incide sobre a parcela de aposentadoria ou pensão recebidos em cumprimento de decisão judicial decorrente de crédito originado em data anterior a 20/05/2004, desde que o servidor já se encontrasse aposentado antes dessa data. (Acórdão nº 2402-007.303, sessão de 04/06/2019). RENDIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PLANO DE SEGURIDADE DO SERVIDOR FEDERAL. INDEFERIMENTO RESTITUIÇÃO. Incide CPSS sobre valores relativos a diferença salarial, recebidos em cumprimento de decisão judicial, decorrentes de créditos originados em data anterior a 20 de maio de 2004, quando o servidor se encontrava regularmente em atividade laboral. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. ART. 150, §6º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E 97, VI DO CTN A interpretação invocada pelo Recorrente pressupõe a instituição de isenção por meio de Instrução Normativa, o que não é possível em face do disposto nos artigos 150, §6º da CF e 97 ,VI, do CTN, os quais determinam que as isenções só podem ser instituídas por lei. (Acórdão nº 2202-003.479, sessão de 12/07/2016) Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10935.001760/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.430
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de restituição, protocolado em 03/05/2007, relativo a pagamento indevido do PIS sobre “outras receitas” e “receitas financeiras”, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Alega o contribuinte que nos períodos de 07/2005 a 12/2005 recolheu indevidamente a quantia de R$ 179.380,42 a título de PIS, pois foi tributado pelo regime cumulativo, sob a vigência do art. 3º, § 1º , da Lei nº 9.718/98, incluindo na base de cálculo além do faturamento, as receitas financeiras, receitas de variação cambial ativa e a recuperação de despesas relacionada ao crédito presumido de IPI. Além disso, no processo nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 01 76 0/ 20 07 -2 1 Fl. 394DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.14425.25RH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001760/200721 Resolução nº 3403000.430 S3C4T3 Fl. 3 2 10935.004536/200449 foi lançado de ofício a contribuição sobre “outras receitas” e “variações cambiais ativas”, totalizando a exigência R$ 24.900,04. Todos esses débitos foram extintos por meio de compensações efetuadas durante os anos de 2005 e 2006, fato que o obrigou a apresentar o pedido de restituição daquelas quantias em formulário de papel, pois o programa PER/DECOMP não processa pedidos de restituição cujos débitos tenham sido extintos por declaração de compensação. A autoridade administrativa indeferiu o pedido, sob o argumento de que a decisão do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º , da Lei nº 9.718/98 foi proferida em caráter incidental e não beneficia a recorrente. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que a decisão do STF quanto à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo é definitiva e que o Decreto nº 2.346/97 autoriza os órgãos administrativos de julgamento a aplicarem a decisão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 aos demais casos concretos. Por meio do Acórdão nº 0627.582, de 28 de julho de 2010 a 3ª Turma da DRJ – Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o principal argumento de que a decisão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não atende aos requisitos do Decreto nº 2.346/97, e, portanto, não pode ser aplicada aos demais contribuintes. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional e que o plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou essa inconstitucionalidade em caráter definitivo. Existindo decisão definitiva do STF, ainda que proferida no controle difuso, os arts. 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97 autorizam a autoridade administrativa a decidir de acordo com o que preceitua o STF. Disse que recolheu indevidamente a contribuição por ter incluído em sua base de cálculo receitas financeiras, variações cambiais ativas, ressarcimento do crédito presumido de IPI e outras receitas distintas do faturamento, as quais, segundo a decisão do STF, não poderiam ter sofrido a incidência tributária. Requereu a reforma da decisão recorrida e o deferimento da restituição pleiteada. Por meio da Resolução nº 3403000.274 este colegiado converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse demonstrada a data exata em que foram apresentadas as declarações de compensação eletrônicas que não puderam ser processadas em face dos débitos terem sido extintos por compensação. Os autos retornaram com os documentos de fls. 396/452. Entretanto, durante os debates na assentada de janeiro de 2013 surgiu dúvida quanto à homologação ou não das compensações dos valores quitados pelo contribuinte nos meses de julho a dezembro de 2005 e do auto de infração objeto do processo nº 10935.004536/200449. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Fl. 395DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.14425.25RH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001760/200721 Resolução nº 3403000.430 S3C4T3 Fl. 4 3 Considerando a dúvida suscitada acerca da homologação ou não dos valores que teriam sido quitados pelo contribuinte mediante compensação, relativos aos fatos geradores ocorridos nos períodos de julho a dezembro de 2005 e do auto de infração de PIS objeto do processo nº 10935.004536/200449, é necessária a realização de diligência a fim de que a autoridade administrativa informe conclusivamente: 1) Se foram homologadas as declarações de compensação relacionadas no demonstrativo de fl. 13, por meio das quais o contribuinte pretendeu quitar os débitos dos períodos de julho a dezembro de 2005, ou se foram objeto de glosa em outros processos; 2) Se foi homologada a declaração de compensação de fl. 268 na qual foi incluída o débito do auto de infração do processo nº 10935.004536/2004 49, ou se foi objeto de glosa em outro processo; 3) Caso essas compensações não tenham sido homologadas, informar a situação do débito, ou seja, se está em cobrança, se está suspenso em virtude de recurso ou se foi quitado. Caso tenham sido objeto de recurso, deverá ser juntada aos autos a decisão administrativa definitiva. Atendidas essas solicitações os autos deverão retornar a este colegiado para prosseguimento. Antonio Carlos Atulim Fl. 396DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.14425.25RH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO CARLOS ATULIM em 24/03/2013 15:36:34. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO CARLOS ATULIM em 24/03/2013. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 24/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 27/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0121.14425.25RH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 302D65C647F02F208E133C8CD6EE17CA2485CC0D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.001760/2007-21. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720605/2008-67
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
COMPETÊNCIA. RAZÃO DA MATÉRIA.
A competência da 1ª Sessão do CARF não esta afeita a processar e julgar processos cujo crédito não seja de IRPJ e CSLL.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 1103-000.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 COMPETÊNCIA. RAZÃO DA MATÉRIA. A competência da 1ª Sessão do CARF não esta afeita a processar e julgar processos cujo crédito não seja de IRPJ e CSLL. Recurso não conhecido.
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Numero do processo: 10920.002938/2008-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.370
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Assunto COFINS Recorrente ABI BELEM & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Cuida o presente Recurso Voluntário interposto por ABI BELEM & CIA LTDA. ver modificada o v. Acórdão que manteve o indeferimento de restituição/compensação de saldo credor de contribuições sociais para a COFINS/PIS decorrentes da apuração relativa ao segundo trimestre de 2007 – abril, maio e junho. Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.21351.YIIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.002938/200800 Despacho n.º 3403000.370 S3C4T3 Fl. 2 2 Sustenta a Recorrente que neste trimestre o saldo credor da contribuição decorre do ingresso das aquisições serem maior que a base de cálculo das saídas, gerando saldo credor. A controvérsia encontra resumidas as seguintes questões: 1) Aproveitamento de créditos de bens adquiridos de pessoa física; 2) Aproveitamento de créditos de transferência entre estabelecimentos; 3) Aproveitamento de créditos decorrentes de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. Não se discute interpretação do texto legal da legislação disciplinadora, mas sim, o modo pelo qual se apura o crédito e o débito. Assevera a Interessada que houve equivoco por parte do auditor fiscal encarregado de verificar a certeza e a liquidez do crédito. Diz textualmente que não manteve crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas, aproveitamento de créditos de transferência entre estabelecimentos e aproveitamento de créditos decorrentes de compra de produtos sujeito à alíquota zero. De modo que, a celeuma centra nestes pontos. Há demonstrativos, tanto da fiscalização quanto do contribuinte, revelando o modo pelo qual foram apurados os débitos em relação às receitas de saídas e os créditos decorrentes de ingressos de mercadorias e outros insumos relacionados com a atividade empresarial. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento e passo a examinar. A matéria trazida a exame centra em: a) Aproveitamento de créditos de bens adquiridos de pessoa física; b) Aproveitamento de créditos de transferência entre estabelecimentos; c) Aproveitamento de créditos decorrentes de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. Aduz a Recorrente que não tomou crédito e tampouco aproveitou créditos de bens adquiridos de pessoa física, transferência entre estabelecimentos e oriundo de compra de produtos sujeitos à alíquota zero, monofásicos e substituição tributária. A decisão enfatiza ausência de prova, sustenta tratarse de alegações desprovidas de veracidade e na sistemática das contribuições nãocumulativas por disposição legal expressa é vedado tomar créditos relativos aos itens acima mencionados, independemente das vendas serem ou não tributadas. Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.21351.YIIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.002938/200800 Despacho n.º 3403000.370 S3C4T3 Fl. 3 3 Examinei o DEMONSTRATIVO elaborados pelo Sr. Auditor fiscal, de onde se extraí da leitura de que se tratam de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, transferências entre estabelecimentos e compra de produtos sujeitos à alíquota zero, monofásicos e substituição tributária. Esse mesmo procedimento também foi elaborado pelo contribuinte demonstrando o contrário, (onde vislumbra exclusão da base de cálculo a) Aproveitamento de créditos de bens adquiridos de pessoa física; b) Aproveitamento de créditos de transferência entre estabelecimentos; c) Aproveitamento de créditos decorrentes de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. Em razão da divergência entre os demonstrativos, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que seja verificada a exatidão dos dados consignados pela recorrente: 1) adição à base de cálculo das receitas (saídas), assim como das entradas os valores das transferências entre estabelecimentos; 2) exclusão das receitas (saídas) dos produtos sujeitos a alíquota zero e os produtos monofásicos e substituição tributária; 3) exclusão (estorno) no calculo das entradas das aquisições de produtos incluídos na sistemática monofásica; Exclusão (estorno) dos valores relativamente de bens adquiridos para revenda de pessoas físicas. É como voto. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.21351.YIIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DOMINGOS DE SA FILHO em 11/09/2012 18:35:13. Documento autenticado digitalmente por DOMINGOS DE SA FILHO em 11/09/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 01/10/2012 e DOMINGOS DE SA FILHO em 11/09/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.21351.YIIS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7541D20EE3AAFD37BDE1EE4A84DED56890036B04 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.002938/2008-00. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10530.002244/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.176
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso Voluntário Provido.
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 23/07/2007, para exigir multa no valor de R$ 1.195,13, por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo (fretista), destinadas ao SEST/SENAT incidentes sobre o salário de contribuição referente ao valor do frete, no período de 01/01/1997 a 30/09/1998. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 51/52) requerendo a total improcedência do lançamento, pois estaria decaído o direito do Fisco de constituir o crédito devido a título de multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 57/59) julgou o lançamento procedente, entendendo que o prazo de decadência seria de 10 anos. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 62/71) repetindo seus argumentos. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10530.002244/200777 Acórdão n.º 240202.176 S2C4T2 Fl. 75 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando a situação fática dos autos e os fundamentos apresentados nas defesas administrativas, verificase que é infundada a obrigação tributária constituída através da presente demanda, por ter sido na sua integralidade alcançada pela decadência. Nesse sentido, cabe ressaltar que o presente lançamento foi constituído em 23/07/2007 para exigir multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias ocorridas no período compreendido entre 01/1997 a 09/1998. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Sendo assim, aplicandose as regras decadenciais previstas no CTN – seja aquela contida no art. 150, § 4º, ou aquela prevista no art. 173, inc. I, do CTN –, deve ser reconhecida, de ofício, a extinção dos créditos tributários exigidos na presente demanda, por estarem decaídos. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, reconhecendo a extinção dos créditos tributários pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.001708/2006-18
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.313
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CINEMARK BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Marcos Transchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Alberga este processo lançamento de PIS/Pasep, período de apuração fevereiro/1999 a julho/2004, referente a diferenças apuradas, segundo a fiscalização, nas contas do subgrupo 342 (receitas financeiras) e 343 (variações monetárias e cambiais), esclarecendo que o contribuinte adotou o regime de competência para o reconhecimento das receitas e que, no período não cumulativo, os créditos apropriados pelo contribuinte foram admitidos na apuração, aludindo, ainda, que a diferença de variação cambial do 1º trimestre/99 foi diferida em 48 parcelas no valor de R$ 194.622,00, conforme Deliberação CVM nº 294/99. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/03/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001708/200618 Resolução n.º 340300.313 S3C4T3 Fl. 2 2 Em impugnação o contribuinte sustentou a decadência do lançamento para o período fevereiro/1999 a agosto/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; que a variação cambial passiva é despesa e não receita, motivo pelo qual o acréscimo no valor mensal, em 48 parcelas, de R$ 194.622,00 mostrase indevido, pois reflete o diferimento da variação passiva e não ativa; que houve deficiência na motivação do auto de infração quanto às receitas abrigadas na rubrica “outras receitas operacionais”, vez que não demonstrado seu levantamento, o que ocasionou cerceamento no direito de defesa; que os valores por ele apresentados e tomados pelas autoridades fiscais como base do trabalho já incluíam as receitas financeiras e de variação monetária e cambial, pelo que, ao adicionálas novamente no cálculo a fiscalização promoveu cobrança dobrada sobre tais valores; que há um erro de cálculo no mês de dezembro/2002; e, que, para o período 2003 e 2004, adotou o regime de caixa, como comprova as DIPJs anexadas. A DRJ São PauloI/SP julgou o lançamento parcialmente procedente, onde rechaçou a preliminar de nulidade por vício de motivação e acatou a alegação de decadência para o período fevereiro/1999 a julho/2001. No mérito, para o período agosto/2001 a novembro/2002, afastou a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, com base no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, mantendo, como faturamento, apenas a receita de venda e prestação de serviços. Para o período de dezembro/2002 a julho/2004, sob o regime da não cumulatividade, excluiu as parcelas de R$ 194.622,00 correspondentes ao diferimento da variação cambial do 1º trimestre/99; afirmou a correção do cálculo do tributo no mês de dezembro/2002; esclareceu que não havia duplicidade na apuração da contribuição, pois a fiscalização tomou os valores dos subgrupos 342 e 343 e promoveu o abatimento das quantias já acrescentadas pelo contribuinte na planilhabase de apuração; fixou que o regime de competência, adotado pela fiscalização, estava correta, haja vista que, mesmo constando da DIPJ a apuração pelo regime de caixa, a simples apresentação de planilhas não seria prova suficiente da aplicação do regime de caixa; ao final, refez os cálculos dos valores mantidos e exonerados. Em recurso voluntário o contribuinte insistiu que há duplicidade de inclusão de valores no cálculo do tributo; que há inconsistência na autuação quando, adotando o regime de competência, tomou por base os valores constantes dos balancetes que ensejaram as DIPJs, porém, desconsiderou o fato que estas mesmas declarações retratam a opção pelo regime de caixa; que é ilegítima a cobrança de PIS/Pasep sobre as variações monetárias passivas, consubstanciadas na conta 34301002; que está incorreta a apuração do mês de dezembro/2002; e, que há vício na motivação do auto, o que refletiria sua nulidade. É o breve relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Pelo que se extrai dos autos e dos documentos a ele colecionados, a principal diferença apurada se vincula à adoção do regime de escrituração das receitas, nos termos do que dispõe o art. 30 da MP 2.15835/2001. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/03/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001708/200618 Resolução n.º 340300.313 S3C4T3 Fl. 3 3 Para a fiscalização, o regime adotado é o de competência, porque este é o método dos balancetes apresentados, enquanto para o contribuinte, o regime é o de caixa, como se demonstra pelas DIPJs apresentadas para os exercícios 2004/2005 (fls. 883 e 884), bem assim, pela planilha de apuração do PIS/Pasep de fl. 882. A Delegacia de Julgamento, por seu turno, em que pese admitir a possibilidade de tal regime de escrituração pelo recorrente, profliga sua argumentação pelo motivo de não vir acompanhado de outros documentos contábeis que embasassem o sustentado. Ora, como pontuado pelo recorrente, se a fiscalização tomou como base os balancetes que originaram as DIPJs, logicamente, deveria verificar a situação do regime de caixa refletido naquelas declarações. Demais disso, a sua apresentação na data aprazada, bem assim, a elaboração de planilha de apuração do tributo considerando as receitas de variações cambiais liquidadas no mês, receitas estas consideradas pela fiscalização no levantamento das diferenças, milita em favor do recorrente como princípio de prova. Deste modo, considerando o grau de dúvida que paira sobre a situação, o que, a meu sentir, impede o julgamento no estado em que se encontra o processo, em homenagem ao princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja providenciado o seguinte: I. Certificar junto à contabilidade do contribuinte o efetivo regime de escrituração adotado, nos termos do art. 30 da MP 2.15835/2001, fazendo as considerações que julgar pertinentes; II. Se, uma vez confirmada a adoção do regime de caixa, persistem as diferenças lançadas a partir dos subgrupos 342 e 343; III. Informar se, de fato, houve cômputo em duplicidade de receitas financeiras e variações monetárias e cambiais, à luz das planilhas preenchidas pelo contribuinte (fls. 609/612), Termo de Verificação Fiscal (fls. 693) e planilhas elaboradas (fls. 882/912); IV. Manifestarse sobre a alegação de erro de cálculo na apuração do tributo no mês de dezembro/2002; V. Elaborar relatório circunstanciado da situação encontrada, dos exames realizados e das conclusões da diligência; VI. Franquear prazo ao contribuinte para que se manifeste a respeito das verificações procedidas. Findos os procedimentos, devolvamse estes autos para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/03/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907141/2009-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.301
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11543.004668/2004-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CAFÉ. GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS.
Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito de COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3301-011.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CAFÉ. GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito de COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte.
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GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito de COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos relativos ao Cofins não cumulativo associados a operações de exportação, referentes ao período de abril a junho de 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 46 68 /2 00 4- 47 Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls.130, com base no Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 038/2012 em fls. 85/129, decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e “homologar as Declarações de Compensação constantes da PER/DCOMP nº 01818.82559.290307.1.3.099077 das fls.01 e 20 do presente processo, até o limite do crédito reconhecido no trimestre.” No Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 038/2012 consta consignado, em resumo, que: • Diversas empresas exportadoras e revendedores de café lançaram mão de um esquema disseminado por todo o país, que consiste na interposição fraudulenta de pseudo atacadistas para dissimular vendas de café de produtor rural/maquinista (pessoa física) para empresas exportadoras e indústrias, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/COFINS. O esquema gerou créditos ilícitos às exportadoras de 9,25% sobre o valor das compras; • Para apurar as irregularidades cometidas no mercado de café foi deflagrada a operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; • Em 01/06/2010, deflagrou-se a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais; • o modus operandi em torno do mercado cafeeiro foi idealizado com a conivência e participação das grandes exportadoras, que, de fato, foram as maiores beneficiadas; • para comprovar a existência do esquema de venda de notas fiscais, os AFRFB ouviram vários agentes da cadeia de produção e comercialização de café, mais especificamente, produtores rurais, corretores, maquinistas e titulares ou sócios das pseudo pessoas jurídicas; • as empresas pseudo atacadistas de café foram sendo criadas ou reativadas para atender a demanda crescente por nota fiscal. Tudo para conveniência do esquema e com consentimento de seus operadores: compradoras (atacadistas, exportadoras e indústrias), pseudo atacadistas, maquinistas e corretores; • a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas. A imensa maioria dessas pessoas jurídicas encontrava-se OMISSA na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, INATIVA. Dessas, 10(dez) constavam como domicílio fiscal a cidade de Colatina-ES e movimentaram aproximadamente R$ 1,3 bilhões, que representam 43% (quarenta e três por cento) da movimentação financeira do período; 19(dezenove), ou seja, 53% (cinquenta e três por cento) foram constituídas a partir do ano de 2002, com movimentação financeira expressiva e crescente a partir de 2003; • ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 • a existência das pseudo empresas e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras, conforme detectado no curso das diligências e fiscalizações; • o esquema beneficiou a todos que se encontram no polo passivo da relação tributária: (a) adquirente se apropriou de créditos fictos; (b) pseudo atacadistas ganharam com a venda da nota fiscal; e (c) corretores/corretoras ganharam comissão na corretagem. O único perdedor foi o Erário Público; • foram ouvidas mais de uma centena de pessoas envolvidas no esquema. Quase à unanimidade, os corretores, na grande maioria com mais de 10 anos de atuação no mercado capixaba, delinearam o modus operandi da cadeia de comercialização do café, especialmente após as modificações legislativas das contribuições do PIS e da COFINS. Asseveraram que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudo atacadistas de café; • as autoridades fiscais compareceram em diligência nos endereços das supostas empresas atacadistas de café e, em pese a vultosa movimentação financeira, foram encontradas apenas pequenas salas de acomodações acanhadas, inclusive com juntadas de fotos dessas instalações; • não foram localizados qualquer armazém, nenhum quadro de funcionários, nenhuma estrutura logística indispensável para o funcionamento de uma empresa Atacadista de Café, como as tradicionais empresas situadas em Colatina, Linhares e grande Vitória/ ES; • o foco das investigações foi averiguar se as supostas pessoas jurídicas atuavam efetivamente como empresas comerciais atacadistas de café. O resultado apontou tratar-se de um esquema que consiste na utilização de pseudo empresas atacadistas para simular transações de compra e venda de café para empresas comerciais exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade às operações; • são vendas de café do produtor rural/maquinista (pessoas físicas) diretamente para a comercial exportadora e indústria, mas com a interposição fraudulenta de uma pseudo atacadista para dissimular a verdadeira operação; • a fiscalização resume os fatos apurados e depoimentos colhidos junto a diversos fornecedores da BRACOF com processo de inaptidão já concluídos pela Receita Federal do Brasil, por diversos motivos, sendo o principal deles a inexistência de fato; • os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudo empresas atacadistas usadas para guiar o café vendido. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo no momento da retirada do café surgiam nomes desconhecidos de empresas, onde se sobressaem a Colúmbia, Do Grão, L & L, Acádia, V. Munaldi ME, J. C. Bins – Cafeeira Colatina, Nova Brasília, Agrosanto, Roma entre outras, que foram utilizadas como destinatárias no preenchimento da nota fiscal do produtor; • sem exceção, os depoimentos dos produtores, das mais diversas localidades do ES, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 supostas empresas totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; • a título informativo, a BRACOF realizou compras de café, no período analisado, na monta de R$ 4.619.350,00, sendo que deste valor apenas em torno de R$ 1.439.840,00 foram adquiridos de produtores rurais pessoas físicas; • o dilema enfrentado pelas empresas exportadoras é que suas compras de produtor rural só lhe permitem a constituição de crédito presumido, sendo que este crédito, óbvio, não é passível de ressarcimento ou compensação. Seu objetivo é exclusivamente diminuir a carga tributária nas operações de venda no mercado interno, que são tributadas à alíquota de 9,25%( Pis e Cofins). Já as receitas de exportação não incide Pis e Cofins, portanto não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido; • ficou evidenciado, diante dos fatos relatados e dos diversos depoimentos acostados ao presente parecer que a MC Kinlay efetuou aquisições de café de inúmeras pessoas jurídicas pseudo atacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas – Pis (1,65%) e Cofins (7,6%); • as empresas DANÚBIO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA, CNPJ 39.618.624/000102, COIPEX COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 02.604.256/000133, e ARACÊ MERCANTIL LTDA, CNPJ 05.417.695/000125, aparecem como fornecedoras da Bracof, mas não fogem à regra: muitas vendas e declarações de INATIVAS, OMISSAS ou com valores muito abaixo do volume financeiro mostrado pelas notas fiscais em poder da requerente; • em conclusão, ficou evidenciado, diante dos fatos relatados e dos diversos depoimentos acostados que a Bracof efetuou aquisições de café das referidas pessoas jurídicas pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de crédito integrais da COFINS; • em função disso foram glosados os créditos da COFINS relativos às aquisições provenientes das empresas COIPEX, ARACÊ MERCANTIL e DANÚBIO. Essas glosas provocaram, por consequência, uma redução proporcional nos créditos relacionados com as despesas de armazenagem e frete. • estas glosas provocaram a formação de novos saldos de créditos da COFINS. Parte destes créditos foram utilizados para compensação da COFINS não cumulativa apurada mensalmente no trimestre; • ao final, restou ao requerente um direito creditório a título da COFINS não cumulativa no mercado externo, no valor de R$ 19.497,90 para utilização em compensação/ressarcimento. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 27/03/2012 (fl.131) e apresentou, em 26/04/2012, Manifestação de Inconformidade (fls. 133 e ss.), onde alega, em síntese que: • a decisão prolatada pela autoridade fiscal deverá ser reformada, uma vez que além de não haver provas irrefutáveis, é totalmente descabido que a empresa Recorrente tenha atuado de modo dissimulado, adquirindo produtos de pessoas jurídicas irregulares à luz do ordenamento jurídico; Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 • para fundamentar a sua conclusão pela participação da empresa recorrente na fraude, o parecer da DRF Vitória traz depoimentos de produtores rurais e de corretores de café colhidos à época das operações Tempo de Colheita e Broca, tomando emprestado, portanto, supostos elementos de prova que devem ser descartados com relação à contribuinte. Isso porque, nenhuma nova diligência foi feita no intuito de avaliar especificamente a situação da empresa e a correção das suas DCOMPs e PERs, que são justamente o único e exclusivo objeto deste processo; • por força do art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional, compete exclusivamente à autoridade fiscal comprovar a existência de fraude, dolo ou simulação que justificou o lançamento do tributo. E, no caso sob análise, a autoridade fiscal não traz nenhuma prova do efetivo envolvimento da empresa com as pessoas jurídicas que alcunhou de pseudo atacadistas, mas apenas reutiliza generalizações sobre o funcionamento do mercado cafeeiro, colhidas ao longo das investigações das Operações Tempo de Colheita e Broca; • no caso em exame, verifica-se a inexistência de qualquer prova robusta e inequívoca, existindo nos autos, apenas, meras alegações e conjecturas difusas. Além disso, não de pode esquecer que pessoas podem simplesmente depor mal informadas, nervosas, apreensivas, temerosas, desconfortáveis com a exposição das suas limitações intelectuais ou com o que foge à sua rotina, ou manifestando outros tantos traços da condição humana; • não se verifica aptidão das provas testemunhas juntadas aos autos pelo fisco, para comprovação daquilo que alega. Desse modo, os depoimentos trazidos são insuficientes, fazendo-se necessário outros elementos comprobatórios da pretensão da administração; • a grande maioria dos fornecedores mencionada no citado parecer não possuem qualquer relação comercial com a Recorrente, especificamente no que diz respeito ao período fiscalizado, ou seja, 2º trimestre de 2004; • importante salientar, que a pessoa jurídica não teve conhecimento acerca das informações que embasaram o parecer, mormente em relação aos depoimentos colhidos, posto que em momento algum foi convocada a participar de qualquer procedimento administrativo alusivo às pessoas físicas e jurídicas ali citadas; • é imperioso consignar, nesse particular, que o dispositivo constitucional em análise irradiou as garantias nele contidas para o plano da legislação infraconstitucional. Tanto é que a Lei nº 9.784/99, regulamentadora do procedimento administrativo do âmbito federal, preceitua que a administração pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, o que não foi observado no casos dos autos; • as exposições constantes do mencionado Parecer não imputam qualquer atividade irregular desenvolvida pela Recorrente, tampouco comprovam que as Confirmações de Negócio utilizadas para a exposição estão vinculadas às operações desenvolvidas pela recorrente. Na realidade, o que a fiscalização traz em seu Parecer é a descrição de um panorama geral que permeia o mercado cafeeiro, mas sem demonstrar efetivamente a ligação da contribuinte com os fatos descritos; • a inserção do nome do produtor nas confirmações de negócio se traduz pela necessidade apenas de uma referência no que tange à região em que o café é produzido, bem como a normal qualidade que o produto adquire. Se um café é Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 produzido em uma fazenda de uma região fria, ele terá uma determinada qualidade, se é produzido em região mais quente, ou mais seca, uma outra qualidade; • vale mencionar ainda que, especialmente no mercado de exportação, além da comercialização do café comum, existe também, como exemplo, venda de cafés de origem única, variedade e blends, com exigência pelo mercado de uma alta qualidade do produto; • a recorrente realizou aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas domiciliadas no País para posterior revenda e, com isso, auferiu licitamente os créditos de Cofins não cumulativos. Ademais, deve ser considerado, ainda, o que dispõe o parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Tal preceito é reproduzido no artigo 217 do Decreto 3.000/99RIR, que dispõe que diante da comprovação do pagamento acordado e do recebimento das mercadorias, a operação presume-se de boa-fé; • ademais, há que se destacar, ainda, que uma das empresas considerada como pseudo atacadistas foi baixada voluntariamente, após as operações de compra e venda estarem concretizadas, ou seja, em 09/09/2004, o que demonstra que estava com situação regular quando da ocorrência das transações; • outrossim, ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias no período, o que não é verdade, a contribuinte não poderia jamais ser prejudicada por fatos de terceiros que não causou; • a análise do caso concreto demonstra que há efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Recorrente, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos; • certo é que o Parecer, ao sugerir a glosa parcial dos créditos de COFINS apurados pela recorrente ao longo do 2º trimestre de 2004, está desconsiderando não só a boa-fé, como também a realidade dos fatos amparada nos lançamentos contábeis (aquisições e saídas). A contabilidade é meio de prova hábil e idôneo, não sendo possível desconsiderá-la em razão da supressão da essência em relação à exigência de formalidades, estas, inclusive, sequer imputáveis à requerente; • não resta outra conclusão senão a de que deve prevalecer o direito ao crédito integral da contribuição para o PIS e a COFINS amparada em lançamentos contábeis, identificáveis com base em aquisições, com data e valores, em razão da prevalência da sua essência sobre a forma. A 17ª Turma da DRJ/RJ1, acórdão n° 12-55.016, negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. Em recurso voluntário, a empresa sustenta: Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 - O reconhecimento do direito ao crédito em face da boa-fé e aplicação do art. 82, paragrafo único, da Lei 9.430/96. - A indevida utilização de presunções ao longo das Operações Broca e “Tempo de Colheita” para a comprovação da existência de fraude. - Devido processo legal, contraditório, ampla defesa, violação ao art. 5°, LIV e LV da CF, art. 2°, X; art, 3°, LII e art. 30 da Lei n° 9.784/1999. - A impossibilidade de extensão dos efeitos dos atos praticados no âmbito criminal na esfera das Operações Broca e “Tempo de Colheita”. - O método subtrativo indireto, a contabilidade como prova idônea em favor da recorrente - substância sobre a forma. - Os depoimentos como único meio de prova. Ao final, requer o provimento do recurso e a homologação total das compensações. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Conforme relatado, as glosas dos créditos básicos de Cofins tiveram como fundamento a simulação de operações de compra de café de produtores rurais (pessoas físicas), mediante a utilização de pessoas jurídicas fictícias e/ou criadas com o fim específico de simular as compras como se fossem destas, com vistas a gerar créditos artificialmente da contribuição. Do exame do Parecer, e-fls. 85/129, verifica-se que as operações simuladas foram provadas por meio de documentos, depoimentos e declarações das pessoas físicas e jurídicas que participaram do esquema fraudulento. A fiscalização demonstrou que as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais, em valores elevados, não tinham capacidade financeira nem espaços físicos que permitissem tais operações, sendo que a maioria delas eram inativas perante a Receita Federal. As notas fiscais, a documentação contábil, os depoimentos, todo o material anexado aos autos comprova a operação simulada na compra do café, ou seja, foram colocadas fraudulentamente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do café, as empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de Cofins em sua integralidade. Fl. 444DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 Os elementos utilizados para construção do quadro fáctico geral das glosas decorrem de provas colacionadas a partir das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, e operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Então, sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas, houve a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados pela Recorrente. Nos termos da legislação pertinente (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, §§ 10º e 11; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 5º e 6º e Lei 10.925/2004, art. 8º), a empresa tem direito ao respectivo crédito presumido, vez que o café destinado à revenda é beneficiado, padronizado, preparado e separado por densidade dos grãos com redução dos tipos da classificação e posteriormente vendido para o mercado interno e externo. Por conseguinte, foi necessária e obrigatória a recomposição dos saldos dos créditos decorrentes das compensações fiscalizadas, em razão da dedução indevida de créditos pautados em notas fiscais fraudadas. Glosas de créditos de aquisições feitas junto à pessoa jurídica inativa, omissão ou sem receita declarada (Coipex, Aracê e Danúbio) (i) O reconhecimento do direito ao crédito em face da boa-fé e aplicação do art. 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/1996 Sustenta que não há provas robustas da fraude imputada, bem como fora demonstrada a efetiva comprovação do pagamento de valor acordado para a aquisição das mercadorias e a entrega no seu estabelecimento. A respeito da ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato, que é o caso das noteiras, a IN n° 748/2007, no art. 34, prescrevia: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: III - inexistente de fato; ou Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I - não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; II - não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I - deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 445DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 II - deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III - utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV - utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considera-se terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicar-se-á em relação aos documentos emitidos: I - a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II - na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e De acordo com os dispositivos supracitados, para os créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição delas. Por sua vez, dispõe o art. 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A empresa invoca a aplicação do dispositivo supracitado, por considerar que as operações de aquisição dos insumos efetivamente ocorreram (com o pagamento do preço de mercado) e os bens ingressaram no seu estabelecimento, o que lhe garantiria a manutenção dos créditos integrais. Assim, sustenta que comprovado o pagamento a preço de mercado e o recebimento do produto, está demonstrada a sua boa-fé. Todavia, não há que se cogitar a aplicação do parágrafo único, do art. 82 da Lei nº 9.430/96, tendo em vista a comprovação da fraude. Entendo pelos elementos dos autos, que a Recorrente tinha conhecimento de que as empresas das quais adquiriu o café, funcionavam apenas de fachada e emitiram notas fiscais falsas. Logo, demonstrado que a contribuinte mantinha relações comerciais com empresas de fachada, para fins de geração de créditos inexistentes, há que se desconsiderar a alegada boa-fé. Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 (ii) Indevida utilização de presunções ao longo das Operações Broca e “Tempo de Colheita” para a comprovação da existência de fraude Defende que não há nenhum prova consistente e idônea que aponte para a participação da Recorrente na fraude, a glosa estaria fundamentada apenas em indícios e presunções. Entretanto, não houve presunção. Explico. Como já dito, as notas fiscais, a documentação contábil, os depoimentos anexados ao processo comprovam a operação simulada na compra do café, ou seja, foram colocadas fraudulentamente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do café, as empresas atacadistas (noteiros) que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de COFINS. Por conseguinte, foram glosados os créditos de COFINS relativos às aquisições provenientes das empresas Danúbio, Coipex e Aracê. Verifica-se que esses fornecedores da Recorrente: (a) não tinham estrutura logística para a função de empresa atacadista: instalações minúsculas, nenhum armazém e nenhum funcionário. Tal verificação se deu em diligência de auditores fiscais; (b) os depoimentos dos produtores rurais obtidos durante a operação “tempo de colheita” demonstram que eles desconheciam as pseudo-empresas atacadistas usadas para guiar o café vendido. Negociavam com pessoas conhecidas, os corretores. Mas no ato da retirada do café “aparecia” o “fornecedor” pessoa jurídica, a pseudo-atacadista. Os depoimentos de e-fls. 107 e seguintes, inclusive de corretores, mostram a articulação do esquema. Ademais, a DRJ resumiu de forma precisa pontos que aclaram o contexto: Conforme relatado no Parecer Conclusivo, no período auditado, segundo trimestre de 2004, as empresas Danúbio Comércio e Exportação de Café e Cereais Ltda, CNPJ 39.618.624/0001-02, COIPEX Comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 02.604.256/000133, e ARACÊ Mercantil Ltda, CNPJ 05.417.695/000125, aparecem como fornecedoras da Bracof, e seguem a regra seguidas pelas empresas de que tratam as operações Tempo de Colheira e Broca, ou seja, muitas vendas e declarações de INATIVAS, OMISSAS ou com valores muito abaixo do volume financeiro mostrado pelas notas fiscais em poder da requerente. Aliás, podemos salientar que a Aracê Mercantil Ltda, com data de abertura 29/11/2002, não apresenta declaração desde o ano-calendário 2003. Já, a empresa Coipex, baixada em 09/09/2004, apresentou declaração de inativa nos anos-calendário 2003 e 2004. (...) Em depoimentos prestados durante a operação tempo de Colheita, diversos produtores rurais confirmam que as ‘pseudo empresas’ que constam nas notas fiscais de venda não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Depoimentos prestados por diversos corretores rurais confirmam as afirmações dos produtores rurais, e registram que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudo atacadistas de café. Revelam, ainda, a “resistência” por parte das reais empresas compradoras de café (atacadistas, exportadores e indústrias) em adquirir café diretamente do produtor rural. Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 Também constam diversos depoimentos de sócios e administradores das empresas “fornecedoras”, obtidos durante as operações Tempo de Colheita e Broca, citados no Parecer Fiscal, que esclarecem o modus operandi das empresas envolvidas e confirmam os indícios, inclusive o de participação dos compradores na fraude. Resta evidenciado, ainda, que tais empresas eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados. Em outros depoimentos afirmam que nunca foram atacadistas, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, mas que as empresas foram criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. (iii) Devido processo legal, contraditório, ampla defesa, violação ao art. 5°, LIV e LV da CF, art. 2°, X; art, 3°, LII e art. 30 da Lei n° 9.784/1999 Sustenta a nulidade do processo administrativo, em virtude de não lhe ter sido dada a oportunidade de influir na coleta dos depoimentos dos produtores, dos corretores de café etc. Ocorre que a coleta dos depoimentos de terceiros, demais provas e informações diversas, sem intimação prévia do contribuinte, não implica em ilegalidade, isso porque o contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte ou com a oferta da manifestação de inconformidade. Ademais, a glosa está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas estampadas no Parecer, pois a narração é clara, o que permitiu ao contribuinte identificar seu fundamento. Por outro lado, também não vislumbro nulidade na decisão de piso, visto que a mesma analisou os argumentos tecidos na defesa e os contrapôs com a prova dos autos. Então, ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. (iv) Impossibilidade de extensão dos efeitos dos atos praticados no âmbito criminal na esfera das operações Tempo de Colheita e Broca Deve ser afastado o pleito de impossibilidade de utilização dos elementos colacionados nessas Operações na esfera tributária, isso porque como já dito acima, a autoridade fiscal reproduziu no Parecer, documentos e depoimentos diversos para comprovação do esquema, fotos, trechos de conversas, que comprovam a ciência e a participação da Recorrente no esquema de fraude do café. Tal fraude tem inexorável reflexo tributário, já que as aquisições de pessoas jurídicas por parte da Recorrente em nome das comprovadas empresas de fachada foram usadas para dissimular as reais aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), por isso, acertadamente, foram glosados os créditos integrais de COFINS (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; pois o correto é a apropriação dos créditos presumidos de percentual de 35% do crédito básico. Método subtrativo indireto, contabilidade como prova idônea em favor da recorrente - substância sobre a forma Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.048 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.004668/2004-47 Neste tópico, tece considerações sobre a diferença entre a não-cumulatividade do ICMS/IPI e da COFINS para defender seu crédito, já que pagou o preço do café e o recebeu em seus estabelecimentos. E que a contabilidade é o meio apropriado para a comprovação das entradas e saídas. Como já tratado acima, descabe qualquer direito creditório diante de entradas simuladas com notas fraudadas. Depoimentos como único meio de prova Houve a manifestação sobre a suficiência da prova nos tópicos anteriores. Tem-se que os depoimentos são apenas parte do conjunto que permite a afirmação de participação da Recorrente no esquema fraudulento. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.916011/2009-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.378
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI relativo ao 2º trimestre de 2007, no montante de R$ 170.680,80, que foi requerido por meio do PER/DECOMP 15123.23801.260508.1.1.011330, transmitido em 26/052008, cumulado com as demais declarações de compensação anexadas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 19/05/2010 (fl. 45) foi reconhecido o crédito no valor de R$ 169.387,30 e homologadas parcialmente as compensações dos débitos, conforme quadro demonstrativo de fl. 44. O motivo indicado para o deferimento parcial do crédito foi que o saldo credor passível de ressarcimento foi inferior ao pleiteado, em virtude de débitos apurados em procedimento fiscal. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) em demonstrativo elaborado por um AuditorFiscal durante fiscalização do IPI Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.916007/200918 Resolução nº 3403000.378 S3C4T3 Fl. 2 2 ficou comprovado que o saldo credor em abril de 2007 era de R$ 1.003.263,32, muito superior aos R$ 170.680,80 pleiteados no PER/DECOMP; 2) os débitos apurados no auto de infração objeto do processo nº 10380.720906/201051 poderiam ter sido abatidos do saldo credor total, que está registrado no livro de IPI e não da parcela alocada ao pedido de ressarcimento; 3) equivocadamente o sistema considerou como crédito passível de compensação apenas R$ 169.387,30, por acreditar que a totalidade dos créditos da empresa era o valor que foi solicitado no PER/DECOMP; 4) o despacho decisório é nulo porque foi realizado por sistema eletrônico sem o acompanhamento de um AuditorFiscal, o que o torna falho, inconsistente e obscuro, com embasamento em presunções; 5) foram violados os princípios da verdade material, razoabilidade, proporcionalidade e legalidade; 6) requereu a realização de perícia e sustentação oral. Por meio do Acórdão nº 22.207, de 28 de junho de 2011, a 3ª Turma da DRJ Belém, indeferiu a manifestação de inconformidade. A DRJ considerou que não houve nulidade do despacho porque ele foi baseado nas informações prestadas pelo próprio contribuinte no PER/DECOMP. Além disso, o despacho é composto de um documento impresso enviado pelos Correios no qual consta o motivo da decisão, além de informações complementares sobre a análise do crédito disponíveis para consulta por parte do contribuinte na página da Receita Federal na internet. Quanto ao direito creditório propriamente dito, a DRJ decidiu que não procede a alegação de que o contribuinte tinha o saldos credores que constam dos demonstrativos anexados à manifestação de inconformidade, pois daqueles valores deveriam ser estornados os valores dos pedidos de ressarcimento formulados pelo contribuinte. Além disso, a fiscalização apurou falta de lançamento do imposto o que provocou a majoração dos débitos e a redução do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em questão. O ônus da prova do direito de crédito cabe ao contribuinte. Foram rejeitados os pedidos de perícia e de sustentação oral. Ficou decido que foram observados todos os princípios tidos pelo contribuinte como violados. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 01/02/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/03/2012. Alegou que fora fiscalizado e autuado por ter utilizado alíquotas erradas em suas operações, o que resultou na apuração de débitos listados no auto de infração objeto do processo nº 10380.720906/201051, no montante de R$ 45.417,49. Diante da apuração desses débitos, o crédito pleiteado no presente pedido de compensação não foi reconhecido, ou seja, a Receita Federal abateu do crédito alocado para esta compensação os débitos apurados na citada autuação, e, por isso, homologou parcialmente a compensação do tributo até o limite do crédito por ela considerado. O fisco não tem o direito de incluir os débitos apurados na autuação neste pedido de compensação. O fisco poderia ter compensado os débitos do auto de infração com o saldo credor existente dos demais pedidos de compensação, conforme planilha que integra o corpo do recurso (fl. 94). Atacou as razões de decidir da decisão recorrida, sustentando que o crédito passível de ressarcimento é suficiente para liquidar as compensações declaradas. Disse que cabe à Receita Federal compensar os créditos com os débitos apresentados no PER/DECOMP, sem, contudo, incluir novos débitos alheios ao pedido, salvo quando restar saldo credor. E no caso concreto, restou saldo credor dos pedidos de ressarcimento anteriores, sendo obrigação da fiscalização fazer a compensação de ofício. Alegou que diante do auto de infração de IPI, apresentou declaração de compensação para liquidar esse débito, que deverá ser apreciada. A apresentação de declaração de compensação para liquidar os débitos lançados no auto de infração torna este recurso voluntário apto a ser julgado procedente, para reformar a decisão de primeira instância e homologar o PER/DECOMP em sua totalidade. Reafirmou que houve violação do princípio da Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.916007/200918 Resolução nº 3403000.378 S3C4T3 Fl. 3 3 verdade material, pois os débitos ora exigidos foram criados por mera presunção. Requereu perícia e sustentação oral. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O despacho decisório homologou em parte as compensações, sob a justificativa de que o ressarcimento pleiteado foi insuficiente para amortizar os débitos indicados para compensação, em virtude da autoridade administrativa ter abatido débitos apurados em procedimento fiscal. Por outro lado, o contribuinte alegou que foi feita uma reconstituição da escrita fiscal no processo nº 10380.720906/201051, que culminou na lavratura de um auto de infração de IPI, o qual teria sido liquidado por meio da apresentação do PER/DECOMP nº 31617.45150.220410.1.3.018762, cujo recibo de entrega foi anexado ao recurso voluntário. Aparentemente o contribuinte extinguiu o débito do auto de infração em 22/04/2010, ou seja, antes da expedição do despacho decisório de homologação parcial das compensações (19/05/2010). Verificase, ainda, que o voto condutor do Acórdão da DRJ – Belém fez menção a uma informação fiscal que não está anexada a este processo, pois “estaria disponível para consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal”. No caso, apenas com o que está anexado aos autos, não é possível saber se os débitos apurados pela fiscalização discriminados no demonstrativo de análise do crédito estão relacionados com os débitos supostamente apurados no processo nº 10380.720906/201051. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade administrativa: 1) junte a este processo a informação fiscal “que estaria disponível para consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal”, mencionada no voto condutor do Acórdão da DRJ Belém; 2) informe qual o objeto do processo nº 10380.720906/20105, juntando cópias de suas principais peças, inclusive o demonstrativo da reconstituição da escrita fiscal, se houver, esclarecendo, ainda, se na reconstituição de escrita eventualmente existente a fiscalização levou em consideração (ou não) os estornos relativos aos pedidos de ressarcimento; 3) informe se o processo nº 10380.720906/20105 foi impugnado, assim como sua situação atual; 4) informe se os débitos eventualmente lançados no processo nº 10380.720906/20105 são os mesmos débitos que foram abatidos do valor pleiteado a título de ressarcimento de IPI neste processo (PER/DECOMP 15123.23801.260508.1.1.011330); Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.916007/200918 Resolução nº 3403000.378 S3C4T3 Fl. 4 4 5) o contribuinte tem o hábito de a cada trimestre pleitear apenas uma parte do saldo credor e transferir a outra parte para o período seguinte. Decorre daí um acúmulo no saldo credor do livro modelo 8. Em face desse acúmulo existe a possibilidade do auto de infração objeto do processo nº 10380.720.906/20105 versar somente sobre a multa de ofício, pois o IPI eventualmente não lançado nas notas fiscais contaria com cobertura do saldo credor. Verificada esta hipótese, solicitase que a autoridade administrativa informe conclusivamente se os débitos de IPI apurados e abatidos do saldo credor do livro no momento da reconstituição da escrita foram os mesmos que posteriormente foram abatidos do pedido de ressarcimento da análise do PER/DECOMP. Em suma: os débitos apurados foram descontados em duplicidade?; 6) informe se o PER/DECOMP 31617.45150.220410.1.3.018762, cuja cópia do recibo de entrega foi anexada com o recurso voluntário, incluiu os débitos que teriam sido lançados no processo nº 10380.720906/20105, bem como a data de sua transmissão e a situação dessa compensação (se foi homologada ou não, ou se ainda está pendente de apreciação por parte da autoridade administrativa); Solicitase que as informações acima sejam prestadas de forma conclusiva, que venham acompanhadas da documentação hábil a comproválas e que o contribuinte seja intimado do que for constatado para que, querendo, se manifeste no prazo de dez dias (art. 44 da Lei nº 9.784/99). Após o esgotamento do referido prazo, os autos deverão retornar ao colegiado para que se prossiga no julgamento. Antonio Carlos Atulim Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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