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Numero do processo: 10880.030473/95-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.929
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
1.0 = *:*
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Numero do processo: 18471.001224/2004-90
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3803-002.485
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2012 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente processo de auto de infração (fls. 52 a 57) em que se exige parcela da Contribuição para o PIS decorrente da constatação de divergência entre os valores declarados e os apurados pela Fiscalização, bem como da apuração de omissão de receitas. Consta do Termo de Verificação (fls. 50 a 51), que foram apurados recolhimentos a menor da contribuição, em razão da omissão de receitas, tanto da contribuição devida na sistemática da cumulatividade (março, abril, maio, setembro e novembro de 1999, março de 2000 e abril e agosto de 2001), quanto da decorrente da não cumulatividade (março de 2003). Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 64 a 81) e contestou, em conjunto, os lançamentos de ofício relativos ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e ao PIS, todos decorrentes da apuração de omissão de receitas e de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados (verificações obrigatórias), alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) em relação ao lançamento referente ao mês de março de 1999, informara indevidamente na DCTF valor menor que o devido, o qual contemplaria a dedução de parte de valor recolhido a maior no mês de fevereiro de 1999, fato esse que não ensejaria efeito lesivo ao Fisco, em razão do que se solicitava retificação das DCTFs, com base no art. 170 do CTN e no art. 66 da Lei n° 8.383/1991; b) em relação ao mês de abrilde 1999, informara indevidamente na DCTF valor menor que o devido, o qual contemplaria a dedução do saldo residual do pagamento a maior efetuado para a competência de fevereiro de 1999, resultando em pagamento a menor, cujo recolhimento foi efetuado em 28/05/2004, o que o isentaria da multa de oficio devida sobre esses valores; c) em relação aos meses em que não houve contestação expressa, requereu a compensação dos valores lançados, com o favorecimento da redução da multa de oficio em 50%, com os créditos legítimos, cuja comprovação constaria dos anexos B1 a B6 (fls. 115 a 151). A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou o lançamento procedente (fls. 320 a 324), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/09/1999, 30/11/1999, 31/03/2000, 30/04/2001, 31/08/2001, 31/03/2003 DCTF DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO A apresentação de DCTF após iniciado o procedimento fiscal não tem o condão de revigorar a espontaneidade do contribuinte, nos termos dos artigos 138 do CTN e 7° do Decreto n° 70.235/72. COMPENSAÇÃO COMPETÊNCIA Não compete às DRJ manifestarse acerca de pedidos de compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2012 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18471.001224/200490 Acórdão n.º 380302.485 S3TE03 Fl. 384 3 Lançamento Procedente Registrou o relator a quo que, pelo fato de ter havido contestação expressa somente em relação aos meses de março e abril de 1999, considerarseiam definitivamente constituídas as demais parcelas do auto de infração não impugnadas. Não satisfeito, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 329 a 337) e requer a declaração de inexistência dos valores devidos a título de PIS nos meses de março e abril de 1999, alegando que os respectivos débitos tributário haviam sido por ele compensados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Restringese a controvérsia em grau de recurso às parcelas do lançamento de ofício relativas aos fatos geradores ocorridos em março e abril de 1999. Conforme consta do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) presente à fl. 1, a fiscalização havia sido determinada para se executar procedimento fiscal relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). No Termo de Verificação, a autoridade autuante registrou que a ação fiscal foi iniciada, originalmente, para se verificar a correta apuração da base de cálculo e o consequente lançamento do imposto de renda (fl. 50). Ao contestar o auto de infração relativo à contribuição para o PIS (fls. 64 a 81), o então Impugnante fez a sua defesa de forma global, referindose aos lançamentos do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS. Consta da peça impugnatória que, em face da necessária impugnação da parcela do lançamento do IRPJ relativa à omissão de receitas (saldo credor de caixa e receitas financeiras), ficaria, “automaticamente eliminada a base de cálculo (Omissão de Receita), utilizada pela Fiscalização para o lançamento das cobranças acima”, estas relativas à Cofins e ao PIS (fl. 69). Da mesma forma conduziu o contribuinte a sua defesa no que tange às parcelas dos autos de infração decorrentes das diferenças apuradas entre os valores declarados e os escriturados, contestando, simultaneamente, os mesmos fatos que ensejaram o lançamento de ofício do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS (fls. 70 a 77). Constatase, portanto, que as verificações fiscais levadas a efeito abrangiam os mesmos fatos contábeis e fiscais que impactavam a apuração dos quatro tributos, dentre os quais, o IRPJ. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2012 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Considerando que, nos termos do art. 2º, IV, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinandome da competência para seu julgamento, determinandose seu encaminhamento à 1ª Seção deste Conselho para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2012 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18471.001224/200490 Acórdão n.º 380302.485 S3TE03 Fl. 385 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 18471.001224/200490 Interessada: MAGISTRA PARTICIPAÇÕES S/A (EDP ENERGIAS DO BRASIL S/A) Encaminhemse os presentes autos à SESEJ/1ª Seção, tendo em vista que o presente processo referese a matéria da competência daquela Seção, nos termos do Acórdão no 380302.485, de 15 de fevereiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção. Brasília DF, em 15 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2012 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000886/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Oct 26 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO.
Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial.
Não comprovado o adequado gerenciamento pelo contribuinte dos riscos ocupacionais em razão das condições ambientais do trabalho é devido o adicional de que trata o art. 57 da Lei 8.213/1991.
Numero da decisão: 2301-007.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Não comprovado o adequado gerenciamento pelo contribuinte dos riscos ocupacionais em razão das condições ambientais do trabalho é devido o adicional de que trata o art. 57 da Lei 8.213/1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Não comprovado o adequado gerenciamento pelo contribuinte dos riscos ocupacionais em razão das condições ambientais do trabalho é devido o adicional de que trata o art. 57 da Lei 8.213/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 08 86 /2 00 7- 10 Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 Relatório Tratam-se de Recursos Voluntários (e-fls. 333/347) interpostos pelo Contribuinte FRIGOSEF - FRIGORÍFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA e os responsáveis solidários ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA IR – ME e FRIGORIFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA, contra a decisão da 7ª Turma da DRJ/CPS (e-fls. 252/295), que julgou procedente o lançamento da Notificação de Lançamento Debcad n o 37.895.886-5 (e-fls. 04/39), conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ARBITRADAS E RESPECTIVAS CONTRIBUIÇÕES ADICIONAIS DE RAT PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL APÓS 25 ANOS. Arbitramento. Constatadas omissões ou diferenças de contribuições declaradas em GFIP, cabe o arbitramento (§§ 21 e 30 do art. 33 da Lei 8.212/1991). Aposentadoria especial. Não comprovado o adequado gerenciamento pelo contribuinte dos riscos ocupacionais em razão das condições ambientais do trabalho é devido o adicional de que trata o art. 57 da Lei 8.213/1991. "Grupo econômico de fato", Constatada a existência, impõe-se a responsabilização tributária por solidariedade, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, cujo dispositivo está em consonância com os incisos I e II do art. 124 do CTN. Não obstante a falta de apresentação dos livros contábeis e respectivos documentos fiscais, foram documentalmente identificadas operações que evidenciam a prática de atos típicos de "grupos econômicos", inclusive com a caracterização de "confusão patrimonial", assim como foi identificada, também, a existência de "controlador" do "grupo econômico'. Entretanto, por não terem sido contatadas ou evidenciadas efetivas relações entre uma das empresas consideradas integrantes do "grupo econômico' e as demais, decide-se pela sua exclusão do "grupo', mantidas todas as demais. Lançamento Procedente O lançamento refere-se à cobrança de contribuições previdenciárias arbitradas, em face da constatação de omissões ou divergências de fatos geradores em GFIP e respectivas contribuições correspondentes ao adicional de RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) para financiamento da aposentadoria especial após 25 anos, lançadas pela não comprovação do adequado gerenciamento pelo contribuinte dos riscos ocupacionais em razão das condições ambientais do trabalho; assim como cobrança de contribuições, previdenciárias arbitradas, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais (autônomos), indicados no anexo de fls. 24/29 e planilha de fis. 84/85. Na Notificação de Lançamento foram utilizados os seguintes códigos de levantamento, referentes ao período de 01/2004 a 02/2006: Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 AF - Para casos de ausência de remuneração ou de remuneração menor declarada em GFIP; CA1 - Contribuição Adicional para Aposentadoria Especial incidente sobre remuneração aferida; AU1 - Remuneração aferida para contribuinte individual (autônomo advogado). De acordo com o Relatório Fiscal de e-fls. 24/69, a auditoria fiscal configurou a existência de um grupo econômico de fato, estabelecendo-se a responsabilidade solidária entre as seguintes empresas: EMPRESA CNPJ FRIGOVALPA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CARNE LTDA 60.213.154/0001-93 FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA 05.644.477/0001-23 ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR - ME 06.067.485/0001-17 TÂNIA PEREIRA LOPES - ME 107.138.768/0001-75 MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA - ME 07.198.040/0001-39 A empresa notificada e as demais solidárias apresentaram impugnações tempestivas de e-fls.128/195. A 7 a Turma da DRJ/CPS, julgou o lançamento procedente, excluindo, porém, do pólo passivo da NFLD, a empresa FRIGOVALPA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CARNES LTDA, sob a alegação de que não restaram evidenciados nos autos os elementos caracterizadores da constituição de grupo econômico de fato entre esse frigorífico e as demais empresas. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/02/2008 (e-fl.321), o contribuinte FRIGOSEF - FRIGORÍFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA interpôs em 24/03/2008 recurso voluntário (e-fls. 333/337), no qual alega em síntese: - desnecessidade de efetuar depósito recursal; - que os julgadores deixaram de considerar que a incidência do adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativa, ou seja, sociedades rurais sem fins lucrativos - que por ser sociedade limitada com fins lucrativos, o adicional para aposentadoria especial já é devidamente indenizado e recolhido com base na remuneração do adicional de insalubridade, pago aos empregados pela exposição a agentes nocivos; - que o valor a ser recolhido incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida pela cooperativa de trabalho; Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 - que a Recorrente não teria como emitir nota de cooperativa de trabalho por enquadrar-se como sociedade Ltda, o que torna impossível a aplicação dessa regra sob pena de violação do princípio da legalidade; - que o adicional para aposentadoria especial, já foi computado quando do calculo do salário do empregado acrescido do adicional de insalubridade; - que onerar a recorrente com novo recolhimento seria violar o principio do direito tributário do "NE bis in indem"; - que o julgador de primeira instância cometeu equívocos ao aplicar a IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007 por ser posterior ao fato gerador, ferindo o princípio da reatroatividade; - que não foi observada a hierarquia das leis pois as disposições da Lei 6404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n ° 3, levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico; - ilegalidade da decisão de piso pelo embasamento da formação de grupo econômico em norma reguladora trabalhista, uma vez que a presente discussão versa sobre débitos tidos como fiscais; - qualifica de equivocada a interpretação do art. 30, IX, da Lei 8112/91 c/c art. 124 do CTN e c/c art. 50 C.C, uma vez que o art. 124 do CTN trata de solidariedade e não de formação de grupo econômico, exigindo alguns requisitos para aplicação da solidariedade; - que a decisão de piso apresenta embasamento em instrução normativa para configuração do grupo econômico, sendo que o art. 124 do CTN determina que deve ser por lei; - lista algumas contradições que, no seu entendimento, ocorreram no Relatório Fiscal; - que jamais manteve qualquer relação comercial com as citadas empresas, até mesmo pela sua inatividade quando do inicio das atividades das empresas relacionadas pela fiscalização. As empresas consideradas integrantes do Grupo Econômico e solidárias pelo débito, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR, apresentaram recurso tempestivo (e-fls. 339/347), alegando, em síntese, desnecessidade de efetuar o depósito prévio e inexistência de formação de grupo econômico. Não apresentaram recurso os responsáveis solidários TÂNIA PEREIRA LOPES – ME e MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA – ME. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora. Conhecimento O recursos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, assim, deles tomo conhecimento. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito Verifica-se, dos autos, que somente a autuada FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS, e as empresas consideradas como integrantes do Grupo Econômico, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME, apresentaram recursos, sendo que as três insurgiram-se contra a caracterização do Grupo Econômico, motivo pelo qual, no que se refere a essa matéria, seus recursos serão analisados em conjunto. Com relação ao recurso apresentado pela FRIGOSEF, cumpre observar que a recorrente insurgiu-se apenas contra o levantamento CA1 (adicional RAT 25 anos) e a caracterização do grupo econômico, não impugnando os demais levantamentos (AF e AU1). Grupo Econômico Este colegiado já apreciou essa questão no processo 17546.000881/2007-89, referente à NFLD 35.895.887-3, lavrada nesse mesmo procedimento fiscal. A turma, em decisão unânime considerou que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas. Considerando que os recursos voluntários do presente processo são os mesmos apresentados naquela ocasião, adoto, como razões de decidir, os fundamentos do acórdão 2301002.747, tendo em vista que tratou de forma pormenorizada de todas as alegações suscitadas pelos recorrentes. Quanto ao questionamento de a empresa notificada e as duas empresas solidárias que apresentaram recursos não participarem de grupo econômico, passa-se, agora, à análise dos fatos trazidos aos autos. O Relatório Fiscal, no item "Caracterização do Grupo Econômico de Fato", bem como toda a documentação contida nos autos, trazem as seguintes informações relevantes: O Sr José Luiz Nogueira é sócio da Frigosef e da empresa Frigorífico Campos de São Jose Ltda, sucessora do Frigorífico Mantiqueira. A empresa FRIGOSEF foi aberta com um capital social de R$ 950,00, para fazer funcionar um frigorífico que nasceu falido, diante de um arrendamento de R$ 15.000,00 Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 e aquisição de matéria-prima paga normalmente à vista , e somente a conta de energia elétrica deveria consumir todo o capital investido no primeiro mês de funcionamento. O Sr: Andre Luiz Nogueira, sócio-gerente da FRIGOSEF desde 20/03/98 e do Frigorífico Campos de São Jose, assina documento pelas 2 empresas, como verificado no processo de beneficio de Hélio Soares de Lima (FRIGOSEF) e Processo Trabalhista nr. 82/2005 de Francisco das Chagas (FRIGOSEF) e recibos de férias, rescisões, cheques e outros pelo Frigorífico Mantiqueira Ltda. Verificou-se, ainda, nos locais desses estabelecimentos, que o Sr. André Luiz Nogueira faz a verificação da falta de carnes bovinas e suínas, que somente o Frigorífico Campos de São Jose fornece. O Sr. André Luiz Nogueira Júnior é empregado do Frigorífico Campos de São José Ltda, e o Sr. André Luiz Nogueira assina documentos da empresa André Luiz Nogueira Junior ME Portanto, constata-se que as empresas citadas têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades vinculadas e complementares, evidenciando-se, a partir do exame de seu quadro societário, uma estreita ligação entre todas elas. É importante destacar que essas participações societárias, no ensinamento de Verçosa (2006, p. 262/266), [..] podem ter o caráter de mero investimento e até mesmo ser acidentais, como ocorre nas hipóteses em que uma sociedade credora recebe ações ou quotas de outra sociedade devedora como resultado de um acordo. Mas tais participações podem compor um quadro mais amplo e profundo. [..] Do ponto de vista jurídico, a união de sociedades fundada em relações de controle baseadas em participações de capital apresenta-se sob a forma de dois tipos de grupos: (t) de direito ou (ii) de fato. Os primeiros organizam-se formalmente por meio da celebração de um contrato denominado convenção de grupo. Os segundos são aqueles assim considerados em vista do puro e simples fato da existência de uma ou mais sociedades que, individualmente ou em conjunto, pode(m) determinar os destinos das sociedades que abaixo dela(s) s coloca(m) na cadeia de comando. (g.n.). De todo o conjunto probatório examinado, o meu convencimento caminha na direção da existência de inúmeros elementos indicativos de um poder de controle de certo modo centralizado, ou, pelo menos, harmonizado com os interesses comuns das empresas. É patente, no caso em tela, a configuração de empresas atuando com objetivos correlatos, constatando-se várias operações a demonstrar, no mínimo, uma coordenação entre as empresas; fato reforçado em razão de que, basicamente, as mesmas pessoas exercem, direta ou indiretamente, a administração dos negócios do grupo. Cumpre observar que não é o mero fato da relação de parentesco que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas , no caso específico sob exame, a forma peculiar como estão dispostos, societariamente, o controlador principal (Sr. André Luiz Nogueira), e as outras empresas citadas pela fiscalização. Vale esclarecer que o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindo-se também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerando-se a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902-2001- 083-15-00-0-RO 922352/2002-RO-9) Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas, indicadas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelas obrigações previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30, IX, da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. As recorrentes alegam que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior, ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6.404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Contudo, a responsabilidade solidária pelo débito foi fundamentada no artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 e no art. 222, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, normas legais que devem ser observadas pela autoridade fiscal, tendo em vista sua atividade vinculante. E a menção da IN 03/2005 pela autoridade julgadora não se trata de retroação da norma, conforme entenderam de forma equivocada as recorrentes, uma vez que o referido normativo legal é de 2005 e, portanto, se encontrava em vigor quando da lavratura do AI, e o julgador apenas citou, para reforçar sua argumentação e se contrapor aos argumentos das recorrentes, o artigo com redação vigente à época da emissão do Acórdão recorrido, o que não invalida a decisão combatida. A IN 03/05 foi trazida pela autoridade julgadora por ser o normativo vigente quando da emissão do Acórdão, e a IN 20/2007, que deu nova redação ao inciso I, do citado artigo 179, do referido normativo legal, apenas acrescentou a expressão “conforme previsto no inciso IX do art.30, da Lei 8.212 de 1991” Assim, a IN 03/05, em sua redação original e vigente quando da lavratura do AI, já estabelecia, no inciso I, do seu art. 179, que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, são responsáveis solidárias, entre si, pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal. Nesse sentido, não merece reparos o Acórdão recorrido. Importa citar que a questão em debate também foi analisada por outras turmas deste conselho, que também consideraram caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas. A exemplo podemos citar os acórdãos 2401-01.982, 2403-00.269, 2402-002.910, 2803-01.444, 2201-006.303. Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 Adicional de Aposentadoria Especial Na NFLD foram lançadas contribuições previdenciárias correspondentes ao adicional de RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) para financiamento da aposentadoria especial após 25 anos, lançada pela não comprovação do adequado gerenciamento pelo contribuinte dos riscos ocupacionais em razão das condições ambientais do trabalho, tendo como salários-de-contribuição os valores declarados em GFIP. A autuada não contesta as bases apuradas, mas alega que a incidência do adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativa e que o adicional para aposentadoria especial já é devidamente indenizado e recolhido com base na remuneração do adicional de insalubridade, pago aos empregados pela exposição a agentes nocivos. As empresas consideradas como integrantes do Grupo Econômico, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME não questionam em seus recursos o adicional de aposentadoria especial apurado na presente NFLD. As alegações do recorrente já foram devidamente enfrentadas por esta turma quando do julgamento do processo 17546.000881/2007-89, referente à NFLD 35.895.887-3, que em decisão unânime considerou procedente o lançamento do adicional de aposentadoria especial. Adoto-o como meus os fundamentos do já citado acórdão 2301002.747, pois refletem o posicionamento por mim adotado e nego provimento ao recurso do autuado. A notificada alega que os julgadores deixaram de considerar que a incidência do adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativa, ou seja, sociedades rurais sem fins lucrativos, e que, no caso da recorrente, o adicional para aposentadoria especial já é devidamente indenizado e recolhido com base na remuneração do adicional de insalubridade, pago aos empregados pela exposição a agentes nocivos. Afirma que o valor a ser recolhido incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida pela cooperativa de trabalho, situação que não ocorre no presente caso, tendo em vista que a Recorrente não teria como emitir nota de cooperativa de trabalho por enquadrar-se como sociedade Ltda, o que torna impossível a aplicação dessa regra sob pena de violação do princípio da legalidade. Contudo, a contribuição lançada por meio da presente NFLD é aquela destinada a financiar as aposentadorias especiais de que trata o art. 57 da Lei n.° 8.213/91, e a alíquota aplicada encontra amparo no §6o do referido dispositivo legal. Nesse sentido, é totalmente desprovido de fundamento legal a afirmação de que o adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativas. Conforme o citado art. 57, a aposentadoria especial será devida ao segurado que trabalhar sujeito a condições que prejudiquem a sua saúde ou integridade física durante os prazos estipulados em lei e tal benefício será financiado por todas as empresas que expuserem seus trabalhadores a agentes nocivos, sejam elas cooperativas ou não. O § 6o , do art. 57, da Lei 8.213/91, estabelece que: §6ºO benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-007.936 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000886/2007-10 aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) Assim, como a própria notificada reconhece que possui empregados trabalhando em ambientes insalubres, já que concede o adicional insalubridade, e como não apresentou os documentos relacionados a riscos ambientais do trabalho a que está obrigada, por lei, a elaborar, para comprovar se houve a neutralização desses agentes nocivos, ela deverá recolher o adicional de que trata a lei 8.213/91 para o financiamento da aposentadoria especial desses funcionários. Portanto, o agente fiscal, cuja atividade é vinculada às disposições legais, ao constatar a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial, agiu em conformidade com os ditames da lei, lançando os valores relativos ao adicional de seis por cento sobre a remuneração paga aos empregados expostos. Conclusão Diante do exposto, voto negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35950.001036/2007-31
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1992 a 30/11/1992
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SOLIDARIEDADE. ERRO DE FUNDAMENTAÇÃO.
A utilização incorreta da fundamentação legal, gera a nulidade do processo, por vício formal.
Processo Anulado
Numero da decisão: 206-00.229
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em anular a NFLD. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou por dar provimento ao recurso.
Nome do relator: DANIEL AYRES KALUME REIS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1992 a 30/11/1992 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SOLIDARIEDADE. ERRO DE FUNDAMENTAÇÃO. A utilização incorreta da fundamentação legal, gera a nulidade do processo, por vício formal. Processo Anulado
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Brasilia, A9- Fls. 176 Suma AÇa Okvera MINISTÉRIO DA—FAZENEthaç.8m52 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES gtt SEXTA CÂMARA Processo n° 35950.001036/2007-31 Recurso n° 144.278 Voluntário ntfint?"5de Co.‘ .v) Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA sorsioc°"tr°i4a`liffig2"- ?"bnC.-1 Acórdão n° 206-00.229 1 wigbes Sessão de 22 de novembro de 2007 Recorrente DM CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA DE CURITIBA-PR Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1992 a 30/11/1992 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁR1A. SOLIDARIEDADE. ERRO DE FUNDAMENTAÇÃO. A utilização incorreta da fimdamentação legal, gera a nulidade do processo, por vicio formal. Processo Anulado. ICY Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. e b, Processo n.• 35950.001036/2007-31 ME. SEGUNDO CON zirr i.140 DE CONTRIBUINTES ccovt.,06 Acórdão n.° 206-00.229 CONFERE COM O OE:GINAL Brasília. 99-1/4 OS Fls. 177 Stima Olivera • 8 7.. ACORDAM os Membros a, • • • z I. CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em anular a NFLD. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou por dar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente galt DANIEL AYRES ICALUME REIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, deusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.• 35950.001036/2007-31 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.229 Fls. 178MI'- SEGUNDO et:J.:RIMO DE CONTR:BUINTES CONFERE COMO ON•NAL Brasília, g fn 0.6 Relatório Sarna amaCot: Sapa 877882 Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada contra a empresa DM Construtora de Obras Ltda. e Espaço Verde Engenharia Civil e Paisagismo Ltda., com base no instituto da responsabilidade solidariedade, decorrente da não comprovação do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social, com base no instituto da aferição indireta, incidentes sobre o contrato de subempreitada de construção civil. Ressalte-se que a presente NFLD substitui a NFLD n. 35.682.720-8, que foi julgada nula, conforme acórdão da extinta 4' Câmara de Julgamento do Egrégio Conselho de Recursos da Previdência Social, n.1262/2005. O débito foi apurado nas competências 08/92 a 09/92. Por tais razões foi imputada a obrigação de recolher ao INSS débito no montante de R$ 10.670,66 (dez mil seiscentos e setenta reais e sessenta e seis centavos). A Tomadora de Serviços, ora Recorrente, apresentou impugnação, às fls. 54/69 dos autos. A Prestadora de Serviços foi regularmente intimada por edital, mas não apresentou defesa (fl. 72). Às fls. 74/91 foi proferida Decisão — Notificação julgando procedente o lançamento fiscal para declarar o contribuinte devedor da importância de R$ 10.670,66 (dez mil seiscentos e setenta reais e sessenta e seis centavos). Transcreve-se a ementa da decisão: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCI4R14S. DECADÊNCIA. PRAZO. NORMA GERAL. LEI ESPECIAL. INTERRUPÇÃO. EFEITO NA SOLIDARIEDADE. NULIDADE DE LANÇAMENTO, ViCIO FORMAL. TERMO INICIAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGALIDADE. REPASSE. BENEFiCIO DE ORDEM RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INCOMPATIBILIDADE. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. CONTRATANTE. DOCUMENTOS HÁBEIS. AFERIÇÃO INDIRETA. FUNDAMENTOS. DUPLA TRIBUTAÇÃO. MULTA DE MORA. SUCESSORA. RESPONSABILIDADE. 1. Lei ordinária federal pode fixar prazo decadencial, por ser impertinente às matérias de normas gerais, por expressa autorização do 4° do artigo 150 do CTN, sendo fixado em 10 anos o prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos, ao teor do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, norma especial e vigente, o que afasta a incidência do prazo de 5 anos contido no CTIV. 2. O Direito Tributário admite a interrupção do prazo decadencial, ao teor do artigo 173, inciso II, do CTN e artigo 45, inciso II, da Lei n° 8.212/91, sendo que a interrupção da decadência contra um dos sujeitos passivos atinge os demais, nos termos do artigo 125, inciso III, do CT1V. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CON7R;BUINTES Processo n.• 35950.001036/2007-31 CONFERE COMO OR nG;NAL CCO2/036 Acórdão n.• 206-00.229 BrasRia. (g P. a», Es. 179 Sarna Alam 12a: 8778132 3. A nulidade de lançamento por vicio •• • • - • s o inciso lido artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo qual o prazo decadencial de 10 anos para apurar e constituir os créditos da Seguridade Social é interrompido, tendo como termo inicial a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. 4. O contratante responde solidariamente com o construtor, qualquer que seja a forma de contrataçã o, mesmo no repasse para execução parcial ou total da obra, pelas contribuições previdenciárias decorrentes da execução de contratos de construção civil, sendo instituto incompatível com o beneficio de ordem ou a responsabilidade subsidiária, cuja previsão legal consta do inciso VI do artigo 30 da Lei n° 8.212/91, c/c o artigo 124, inciso II e parágrafo único, do CITV, e art. 42 e § 2° do ROCCS. 5. A empresa contratante da obra, para elidir sua responsabilidade solidária, deve comprovar o recolhimento prévio das contribuições devidas quando da quitação da nota fiscal ou da fatura correspondente aos serviços executados, para tanto deve exigir da empresa executora a cópia da guia de recolhimento quitada, a qual deve ser distinta para cada contratante, sendo legalmente autorizada a retenção para garantia do cumprimento dessa obrigação e o direito regressivo contra o executor, ao teor do inciso VI do artigo 30 da Lei n° 8.212/91, e artigo 42 e § 1° do ROCCS, aprovado pelo Decreto n° 356/91, com a redação do Decreto n e 612/92. 6. A recusa, sonegação ou apresentação deficiente de documentos exigidos para a elisão da responsabilidade solidária torna imperiosa a apuração da contribuição devida por meio de aferição indireta do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, com a inscrição de oficio da importáncia reputada como devida, cabendo ao sujeito passivo o ónus da prova em contrário. Artigos 33, § 3°, da Lei n.°8.212/91. 7. O lançamento lavrado em nome do responsável e do contribuinte, em face do instituto da solidariedade, os quais podem comprovar o cumprimento da obrigação, afasta a possibilidade de dupla tributação, pois o pagamento efetuado por uma das obrigadas aproveita à outra e eventual comprovação de recolhimento indevido é passível de restituição, com o valor devidamente atualizado, nos termos do artigo 30, inciso VI, e 89 da Lei n° 8.212/981, c/c o artigo 125 e parágrafo único do artigo 124 do CI.N. 8. O artigo 132 do Cl?'! impõe à empresa sucessora, resultante de fusão, transformação ou incorporação de outra, a responsabilidade pelos créditos tributários devidos até a data do ato, incluindo-se os acréscimos legais, tais como as multas de mora. LANÇAMENTO PROCEDENTE.." Intimada por edital para recorrer, a Prestadora de Serviços não se manifestou, fl. 96. • Processo n.• 35950.001036/2007-31 MF - SEGtri= UE 22. OS Cr 57 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.229 Brasile. ------ Fls. 180 &ima Alves Oirvara Mat: SePIP 877062 A empresa Tomadora dos Serviços interpôs Recurso tempestivo acompanhado do comprovante de recolhimento do depósito prévio (fls. 102/128). Alega em síntese, a existência de decadência e a inexistência de solidariedade entre o construtor e a subempreiteira. Foram apresentadas contra-razões às fls. 146/154. Em 20.12.2006 os presentes autos foram levados para julgamento pela extinta 4a Câmara de Julgamento do Egrégio Conselho de Recursos da Previdência Social, pelo então Relator, o Ilustríssimo Conselheiro dos Constribuintes, Dr. Rogério de Lellis Pinto, que entendeu por converter o julgameno em diligência, conforme a fundamentação abaixo (fls. 155/157): "Recurso tempestivo, substituído o depósito recursal pelo arrolamento de bens por força de liminar, e considerando assim estar presente todos os requisitos para sua admissibilidade, passo à sua análise. Com efeito, o CRPS, especialmente por meio desta Egrégia CAI, em se tratando de responsabilidade solidária, tem demonstrado, em reiteradas oportunidades, sensível preocupação para se evitar a lavratura e a subsistência de 02 NFLDs sobre o mesmo fato gerador, o que, por óbvio, configurar-se-ia em bis in idem. Nesse passo, tem sido comum, nos processos julgados por esta CAJ em se tratando do instituto da solidariedade, a determinação de diligência no sentido de que à fiscalização informe, se o prestador do serviço já foi submetido a alguma espécie de fiscalização total (com contabilidade), ou mesmo se há lançamentos referentes ao mesmo período considerado no tomador, se aderiu a parcelamentos especiais, e se tem CND de baixa já emitida. Tal procedimento, ao meu ver, não se traduz em exagero de cautela, muito pelo contrário, é extremamente necessário, pois permite ao julgador aferir efetivamente se há a existência de uma obrigação inadimplida ou não, na medida em que se não persiste um dever para com o fisco, logicamente não há que se responsabilizar a pessoa dita solidária por essa obrigação Ante o aposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o AFPS responda às indagações acima, e, após tais diligências, em observância ao contraditório e à ampla defesa, seja intimado o Recorrente de seu resultado, dando-lhe prazo de 10 dias para, caso queira, se manifestar." Os autos foram baixados para o Serviço de Fiscalização, visando o cumprimento da diligência solicitada. À fl. 160 dos autos, consta o resultado da diligência, in verbis: "1. Em atenção à solicitação de folhas 156 informamos o que segue: a) Foram analisadas as informações disponíveis, relativas ao devedor solidário, prestador de serviços, não se constatando a ocorrência de ação fiscal com exame de contabilidade ou que os créditos, referentes à prestação de serviços tributada na notificação em referindo tenham sido objeto de lançamento anterior. • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.' 35950.001036/2007-31 CONFERE COM O ORIGINAL &adie. 9,9— es,;, CCO2/C06 Acórdão ti.• 206-00.229 Fls. 181 0 I Som 'soei. Mal: Sapo 877882 b) De acordo com os documentos pesquisados no sistema de informática do INSS/SRP (PLENOS), a empresa em questãonão aderiu aparcelamentos especiais. c) Não existe CND de baixa para a empresa no sistema INSS/SRP. Conforme consulta ao CONSET — Consulta Dados do Estabelecimento. a situação da prestadora de serviços junto ao INSS/SRP é normal." A empresa Tomada de Serviços, ora Recorrente, foi regularmente intimada e apresentou manifestação (fls. 163/172), alegando o seguinte: (i) que a fiscalização teria deixado de examinar os registros contábeis da subempreitada dos serviços prestados à Recorrente, omitindo-se, assim, na sua competência fiscalizadora; (11) que a inexistência de parcelamento não seria importante, tendo em vista que inexiste débito; (iii) que a declaração de normalidade da empresa prestadora de serviços perante o INSS/SRF, afastaria qualquer possibilidade da empresa prestadora não ser submetida à fiscalização direta e periódica, bem como deixa claro que não existe qualquer débito ou pendência que possa levar à solidariedade da Recorrente; (iv) que existiria deficiência no processo que o tomaria nulo, em especial a ausência de exame documental e contábil da empresa prestadora de serviços; e (v) reafirma todos os fundamentos do Recurso Voluntário. A empresa prestadora de serviços, por está localizada em lugar incerto, foi intimada por meio do Edital n. 15, constante à fl. 173 dos autos. É o Relatório. . " Processo n.• 35950.001036/2007-31 CCO2/036 Acórdão n.• 206-00.229 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 182 CONFERE COM O CR; G NAL Brasília, 9- i 4 • Silaba obreira Voto Ata: Sisos 8T7862 Conselheiro DANIEL AYRES 'CALUNIE REIS, Relator DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Inicialmente, devem ser tecidas considerações quanto a natureza das contribuições sociais. Para tanto, será transcrita a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que firmou entendimento no sentido de considerar as contribuições sociais como de natureza tributária. Veja-se. "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7.689/88. Não é inconstitucional a instituição da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, cuja natureza é tributária. (.). VOTO Sendo, pois, a contribuição instituída pela Lei 7.689/88 verdadeiramente contribuição social destinada ao financiamento da seguridade social, com base no inciso Ido artigo 195 da Carta Magna, segue-se a questão de saber se essa contribuição te, ou não, natureza tributária em face dos textos constitucionais em vigor. Perante a Constituição de 1988, não tenho dúvida em manifestar-me afirmativamente." (Recurso Extraordinário n. 146.733, Relator Ministro Moreira Alves, Plenário do Supremo Tribunal Federal, Diário da Justiça de 06.11.1992). "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N' 70/91. EMPRESA DE MINERAÇÃO. ISENÇÃO. IMPROCEDÊNCL4. DEFICIÊNCIA NO TRASLADO. SÚMULA 288. AGRAVO IMPROVIDO I. As contribuições sociais da seguridade social previstas no art. 195 da Constituição Federal que foram incluídas no capítulo do Sistema Tributário Nacional, poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, IH, b, do Sistema Tributário, posto que excluídas do regime dos tributos. 2. Sendo as contribuições sociais modalidades de tributo que não se enquadram na de imposto, e por isso não estão elas abrangidas pela limitação constitucional inserta no art. 155, § 3°, da Constituição FederaL (.)" (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n. 174.540, Relator Ministro Maurício Corrêa, 20 Turma do Supremo Tribunal Federal, publicado no Diário da Justiça de 26.04.1996). ME- SEGUNDO coN sano DE CON1RISInNTESProcesso n.° 35950.001036/2007-31 CONFERE COM O ORk.';;<A' CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.229 Usina, / satii Fls. 183 /6,1 &uns OWetra SkiPe speez Diante disso, certo que as contribuiçoes sociais pievistao nu artigo 195 da Constituição Federal têm natureza tributária. Após esses esclarecimentos, será necessário definir qual o prazo decadencial que as contribuições sociais destinadas a Seguridade Social estão sujeitas e, assim, analisar o artigo 45 da Lei n. 8212191, que prevê o prazo de 10 (dez) anos e o artigo 173 do Código Tributário Nacional, que prevê o prazo de 05 (cinco) anos. "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Au. 173. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. A Lei n. 8212/91, que trata especificamente da Seguridade Social, fixou prazo maior para a decadência da constituição do crédito tributário, entretanto, mantendo o mesmo termo inicial para sua contagem. Poder-se-ia argumentar que à lei ordinária não caberia modificar regra de decadência tributária, que é reservada à lei complementar, nos termos do artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal. Entretanto, essa questão da constitucionalidade extrapola os limites deste Egrégio Conselho, tendo em vista as competências atribuídas aos órgãos administrativos. Por outro lado, essa questão deve ser visualizado por outros dois prismas, são eles: (i) a aplicação de 02 (duas) legislações gerais e hierarquicamente diversas ao mesmo fato concreto e (ii) e o fato da Lei n. 8212/91 não fazer previsão ao prazo decadencial para as contribuições sujeitas a homologação do lançamento. Assim, verifica-se que a Lei n. 8212/91 entrou em conflito com o Código Tributário Nacional. Diante disso, deve ser aplicada a lei hierarquicamente superior, ou seja, o Código Tributário Nacional, que, inclusive faz expressa previsão quanto ao prazo decadencial para os tributos sujeitos a homologação do lançamento. Frise-se, ainda, que a Lei n. 8.212/91 não prevê regra específica para os tributos em que a legislação atribua ao sujeito passivo, o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. 91/ • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 35950.001036/2007-31 CONFERE DOM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.229 Brasília, 5% • 49 •, , 01 Fls. 184 At)di Siirna A Olivara Saço 877662 Isto porque, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (expressa ou tácita), nos termos do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, é extinto o crédito tributário pela decadência, após 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Transcreve-se o artigo: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.). § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Alberto Xavier, in Prazo de decadência: âmbito de aplicação dos arts. 150, § 40, e 173, I, do CTN. RTFP 55/105, abr/2004, diz o seguinte: "Note-se que o art. 150, § 4°, do CTN prevê a possibilidade de o prazo de homologação ser fixado em lei' em termos diversos dos previstos naquele artigo, enquanto o art. 173 fixa imperativamente o prazo de 5 (cinco) anos, sem admitir que prazo diferente seja fixado em lei. A lei a que se refere o art. 150, § 4°, só pode ter o alcance de reduzir o prazo de 5 (cinco) anos, baseado no reconhecimento da suficiência de menor período para o exercício do poder de controle, mas nunca o de excedê- lo, funcionando assim os cinco anos como limite máximo do prazo decadenciat A proibição de dilatação do prazo, a livre alvedrio do legislador ordinário, decorre logicamente da função garantística que a lei complementar desempenha em matéria de prescrição e decadência, cuja limitação no tem,p6 é corolário do princípio da segurança jurídica, que é um limite constitucional implícito ao poder de tributar." Diante disso, a regra contida no artigo 45 da Lei n. 8212/91 deve ser afastada, tendo em vista a previsão contida no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, acima transcrito. Saliente-se, ainda, que a homologação a que se refere o artigo 150 do Código Tributário Nacional é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa (expressa ou tacitamente) é ato do contribuinte, que pode ser o pagamento total do tributo, o pagamento parcial ou o não pagamento. Fato é que é irrelevante que tenha havido o pagamento ou não do tributo. A relevância da questão cinge-se ao transcurso do prazo legal sem pronunciamento do Fisco, que no presente caso é de 05 (cinco) anos, nos termos do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n• 35950.001036/2007-31 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.229 &fatia, 1 4r, • 7 018 Fls. 185 tril &ma A“.g, Oweira Mai: Sapa 877862 O Egrégio Superior Justiça se sobre mesmo sentido, in verbis: "Ementa AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. FALTA DE SIMILITUDE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O INDICADO COMO PARADIGMA. AÇÃO ANULATÓRIA DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA DE TRIBUTO. DECADÊNCIA. EC N° 8/1977. ART. 173, I, DO MV: PRECEDENTES. SÚMULA N" 168/STJ. I. O decisum embargado asseverou, unicamente, que, no caso em apreço, o tributo sujeito a lançamento por homologação não foi recolhido, tendo em vista que o período reclamado é entre abril de 1984 e maio de 1985, com lançamento feito em 25/05/1995. 2. O julgado apontado como dissidente examinou, apenas e tão- somente, a questão sob o aspecto de tributos recolhidos em período posterior à Carta Magna de 1988, aplicando-se, aí sim, a teoria dos "cinco mais cinco". 3. Perfeitamente demonstrado que o acórdão embargado não guarda similitude com o paradigma colacionado para fins de caracterizar a divergência apontada. 4. A natureza das contribuições previdenciárias é de tributo. A jurisprudência das 1°e 20 Turmas e da 1° Seção do STJ são no sentido de que ocorre em cinco anos o prazo decadencial para exigir o pagamento de contribuições previdenciárias não pagas, in casu, no interregno de abril de 1984 e maio de 1985. com lançamento feito em 25/05/1995. período posterior ao prazo prescricional estipulado pela EC n°08/1977. 5. Adoção do princípio da continuidade das leis. Prazo decadencial do lançamento de oficio (art. 173, I, do CTI n). Decadência configurada. Vastidão de precedentes desta Corte. 6. Aplicação da Súmula n° I 68/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado." 7.Agravo regimental não-provido. VOTO-VISTA Impende salientar que a homologação a que se refere o artigo 150, do Código Tributário, é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, co não--pagamenrer (DP - ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo :I, 35950.001036/2007-31 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2IC06 Acórdão n.° 206-00.229 Brada, 29"‘ fir 02 Fls. 186 11 Urna , " thi-37787e, Seja qual for, dentre todas (43 ,:.'.J,v.sata ..vritr:bsdrate., ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, di-lo o Coda Tributário. (...)" Sem grifos no original (AgRg nos EREsp 489955/RS, Relator Ministro José Delgado, I° Seção, DJ 19.06.2006 p. 89). "Ementa PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO A QUO ASSENTADO EM FUNDAMENTAÇÃO DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. FALTA DE PREQUESTIONAlvIENTO. TRIBUTÁRIO. CARACTERIZAÇÃO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES DA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL DO CONTRIBUINTE. MATÉRIA DE FATO. SÚMULA 7/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTIV; ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, if 4'). PRECEDENTES DA I° SEÇÃO. I. O acórdão recorrido decidiu a questão relativa ao prazo de decadência com amparo em fundamentação de índole constitucional, cuja revisão é inviável, na via do recurso especial, por estar a competência do STJ, delimitada pelo art. 105, III, da Constituição, restrita à unifOrmização da legislação federal infraconstitucionat 2. A falta de prequestionamento do tema federal impede o conhecimento do recurso especiaL 3. Tendo a Corte de origem afirmado expressamente a existência, na escrituração contábil do contribuinte, dos elementos necessários à apuração do valor das contribuições previdenciárias devidas, não pode ser conhecido o recurso especial, na parte em que pretende o reconhecimento da legitimidade da aferição indireta, sob alegação da insuficiência dessa documentação, diante do óbice da Súmula 7/STJ. 4. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". 5. Todavia, para os tributos sujeitos a lancamento por homologa cão — aue, segundo o art. 150 do CTN. "ocorre quanto aos tributos cuja legislacão atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o vazamento sem prévio exame da autoridade administrativa" e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado expressamente a homologa" há regra especifica. Relativamente a eles ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lancamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do foto zeradpc, conforme estabelece o f 4° do art. 150 dá CTIV. Precedentes da I° (.91. MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.• 35950.001036/2007-31 CyNFERE COMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão Br206-00.229 asília, ‘).-- O% °V Fls. 187 Se Seção: ERESP I01.407/SP, Vin. Ari Par gen:X: 802de 08.03.z 00; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278.727/DF, Min. Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003. 6. No caso concreto, houve pagamento parcial da contribuição previdenciária. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 150, § 4°, do Cl'N. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido." (REsp 607345/ RS, Relator Ministro Teori Albino Zavascki , 1° Turma, DJ 17.04.2006 p. 169). "Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECL4L. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL. EMENDA CONSTITUCIONAL 08/77. DÉBITOS ANTERIORES À PROMULGAÇÃO DA CF/88. DISSÍDIO JURISPRUDENC1AL REALIZADO COM SÚMULA NÃO COMPROVADO. I. O prazo prescricional das contribuições previdenciárias sofreu várias alterações. Até a Emenda Constitucional n° 08/77, em face do débito previdenciá rio ser considerado de natureza tributária, o prazo prescricional é o qüinqüenal. Após a citada emenda, que lhes desconstituiu a natureza tributária, o prazo passou a ser o trintenário, consoante a Lei n°3.807/60. Após a CF/88, passou-se a entender que o prazo seria qüinqüenal, enquanto a Lei n° 8.212/91 o prazo passou a ser o decenal, o que não é aceito pela jurisprudência deste Tribunal, tendo em vista o status de lei complementar gozado pelo CTIV. 2. Os precedentes da Seção de Direito Público reconhecem, entretanto, que o prazo decadencial, nunca se alterara no período em exame, permanecendo qüinqüenal, como previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional. 3. Deve ser reconhecida a decadência dos créditos da autarquia ora recorrida, já que, conforme assentado pela Corte inferior, as contribuições previdenciá rias devidas referem-se às competências de fevereiro de 1986 a fevereiro de 1988, sendo que a notificação de lançamento do débito ocorreu apenas em maio de 1994. Decorrido, assim, o prazo qüinqüenal previsto no art. 173 do CIN. 4. Não se admite o dissídio jurisprudencial realizado com Súmula. Impõe-se a demonstração do dissenso pretoriano com os julgados que originaram o entendimento sumulado como divergente. 5. Recurso especial provido." (REsp 642314 / RS', Relator, Ministro Castro Meira, ?Turma, DJ 21.11.2005 p. 182). Corroborando o entendimento acima firmado, os seguintes precedentes: AgRg no RESP no 616.348/M0, relator Ministro Teori Albino Zavasch, P Turma; RESP 644.183, relator Ministro Castro Meira, P Seção; Embargos de Divergência em RESP 276.142, relator Ministro Luiz Fux, 1' Seção; entre outros. (Syti • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35950.001036/2007-31CCO2/096 Acórdão n.°206-0O.229 Brunia, 5," / ff41 / O jg • Fls. 188 11 MIMAM. Oliveira Mit siava nu Acrescente-se, ainda, que o Conselho de Contribuintes, por meio da 1' e 2* Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também possui o mesmo entendimento. Veja- se. "CSL — DECADÊNCIA — Considerando que a Contribuição Social Sobre o Lucro é lançamento do tipo por homologação, o prazo para o fisco efetuar lançamento é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de decadência, nos termos do art. 150, if 4°, do CTN." (Processo n. 10680.016966/00-93, Recurso n. 103-129012, acórdão n. CSRF/01-05.187, de 25.05.2005). "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — COF1NS DECADÊNCIA — A contribuição social sobre o lucro liquido e COFINS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. N° 146, IR, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional." (Processo n. 10680.000957/2001-97, Recurso n. 103-129.013, acórdão n. CSRF/01-05.131, de 31.01.2005). PIS/FATURAMENTO. DECADÊNCIA. Não se aplica ao PIS a regra do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 para o efeito de determinar o prazo decadencial para o lançamento da contribuição. Precedentes da CSRF.Recurso especial negado (Processo n. 10983.005458/98-89, Recurso n. 203-119069, julgado em 18.10.2005, acórdão n. CSRF/02- 02.124) Importante ressaltar, também, que, recentemente, a Corte Especial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n. 8212/91, ao julgar a Argüição de Inconstitucionalidade no Recurso Especial n. 616.348, Relator Ministro Teori Zvascki, publicado no Diário da Justiça de 15.10.2007: Transcreve-se a ementa: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE 1NCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III. B, DA CONSTITUIÇÃO. 1. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, IH, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2.Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." 91/ • . Processo n.° 35950.001036/2007-31 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCOVC06GINAL Acórdão n.° 206-00.229 CONFERE COMO ORI BrasIlla, 0 b Fls. 189 StaA Desta forma, os débitos apu = : . - . . - - - aso concreto, são atingidos pela decadência estabelecida no artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional. Relativamente ao inicio da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a homologação por lançamento, deve ser observada a regra do próprio § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, que diz que a contagem inicia a partir da ocorrência do fato gerador. Merece destaque o tema, na medida em que há regra especifica para contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a homologação por lançamento. Diferentemente, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento de oficio, prevalece a regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o qual tem como dies a quo, "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." A 1' Seção de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça possui o mesmo entendimento, in verbis: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCL4L. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. MATÉRIA PACIFICADA. SÚMULA 168/STF. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo a qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados (.) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (que, segundo o art. 150 do CTN, '...ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera- m pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa'), há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por pane do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes: EREsp 572603/PR, Min. Castro Meira, DJ 05.09.2005; EREsp 279473/SP, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 11.10.2004. Matéria pacificada no âmbito da 10 Seção importa aplicação da Súmula 1 68/S Ti Agravo regimental a que se nega provimento. VOTO çfl/ • • Processo n. 35950.001036/2007-31 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.229 CONFERE CUM O ONnGdtn.L Fls. 190 Brasília. 9. 2., air ° Uma Oliveira 3. Na hipótese dos autos, undo havido Mtdrivirffito do tribufr considerado devido pelo contribuinte, deve ser aplicada, na forma da fundamentação, a norma do art. 150, § 4°, do C77V. Com isso, ocorrido o fato gerador em julho e agosto de 1989, ter-se-ia por consumada a decadência em agosto de 1994— muito antes, portanto, da inscrição da divida ativa, referente a diferenças apuradas pelo Fisco, em 15.08.1995. No mesmo sentido, cita-se: EREsp 279473/SP. Do qual fui relator, DJ 11.10.2004; ERESP 408.617/SC, Min. João Otávio de Noronha, julgado em 10/08/2001" Sem grifos no original (AGRG nos Embargos de Divergência em Recurso Especial n. 180.879, Relator Ministro Teori Albino Zavascld, 1' Seção do Superior Tribunal de Justiça, publicado no Diário da Justiça de 05.12.2005). A doutrina, também, segue o mesmo raciocínio, conforme se verifica pelo texto abaixo, de autoria do Juiz Federal da 2' Vara Federal Tributária de Porto Alegre, Dr. Leandro Paulsen, in verbis: "Prazo para homologação e prazo decadenciat Identidade. Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo de vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancela-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente a do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral." (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 7. ed.. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005. Pg. 1062/1063) Ante tais considerações, o termo inicial para contagem do prazo decadencial ocorre a partir do fato gerador, em virtude da homologação tácita ou expressa, nos termos do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Q. Processo 35950.001036/2007-31 MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C06 CONFERE COM O ORIGINAL ,1 Acórdão n.° 206-00.229 Brasília. 951- oe3 Fls. 191 Sdrnrtiven Em conclusão, a aplicação do }naco dcai sl visto no § 4 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, além de ser o mais correto, se a linha com a jurisprudência do órgão mais especializado em matéria infraconstitucional do Judiciário Brasileiro, que é o Superior Tribunal de Justiça. Nessa esteira, é bom registrar, evita-se a má utilização do dinheiro público, face aos custos de uma demanda judicial a ser proposta pelo contribuinte e com sérias chances de êxito, além de evitar a condenação do Fisco no pagamento de honorários advocatícios em valores de até 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa, conforme preceituado no artigo 20 do Código de Processo Civil. Esse entendimento visa preservar o Princípio Econômico e da Sucumbência, conforme ressalta o Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Dr. Rui Portanova, in Princípios do Processo Civil, 6 ed. Porto Alegre: Editora Livraria do Advogado, 2005, pgs. 24/25 e 254/255, in verbis: "1.3. PRINCIPIO ECONÔMICO Sinonánia Principio da economia processuaL Principio da simplificação. Enunciado O processo procura obter o maior resultado com o mínimo de esforço. Conteúdo A busca de processo e procedimentos tão viáveis quanto enxutos, com um mínimo de sacrificio (tempo e dinheiro) e de esforço (para todos os sujeitos processuais), interessa ao processo como um todo e, por isso, compreende o que se convencionou chamar de principio informativo econômico ou da economia processuaL (.) O preço elevado dos custos processuais, a demora e o emperramento fazem parte do conjunto de criticas mais constantes e procedentes que se fazem ao aparelho judiciário. A economia processual pode ser analisada a partir de quatro vertentes, que mesmo não sendo absolutamente autônomas entre si, viabilizam: a) economia de custos; b) economia de tempo; c) economia de atos; cyt • • • ME- SEGUNDO COr...,t1h0 DE CONTRIBUINTES Processo n.° 35950.001036/2007-31 CONFERE GOMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.229 Brasília, 99%' , ,, • (-51? Fls. 192 11! Urna - •-• a Mat.: Sapo 877882 d) eficiência da administração fui iciana. 4.2.4.9. Principio da sucumbência Sinonímia Princípio do sucumbimento. Princípio de mera sucumbência. Enunciado Quem vai a juízo desassistido de direito (vencido em sentido amplo), responde tanto pelas custas processuais quanto pelos honorários advocatícios daquele que foi merecedor da tutela (vencedor em sentido amplo). Conteúdo Na linguagem comum, sucumbente é aquele que se sujeita à força que age contra si: estar deitado em baixo, cair debaixo, não resistir, ceder aos esforços de outrem. No processo não é muito diferente, mas o sucumbente processual nem sempre luta. Há sucumbéncia mesmo na hipótese do requerido reconhecer a procedência do pedido do autor." Ante todas essas considerações, a opinião pessoal deste Relator é de que que o direito do Fisco constituir o crédito previdenciário decaiu na competência discutida nos presentes autos, que remonta os idos de 1992, nos termos do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Todavia, apesar de toda a argumentação despendida acima, não há como ser aplicado tal entendimento, tendo em vista as limitações impostas ao presente órgão administrativo, em especial o principio da legalidade, bem corno o teor do artigo 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e do Enunciado da Súmula n. 02 do 2° Conselho do Conselho de Contribuintes. Transcreve-se: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.2 10.522, de 19 de junho de 2002; DE Processo n.° 35950.001036/2007-31 MF SEGUNDO CONSELHOCONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL CCO2JC06 Acórdão n.'206-0O.229 Brasília, 9,9-- .4 • / 015 Fls. 193 Skre s OMowa Ma: 8~877 b)súmula da Advocacia-Geral aa umao, na firmu s8ão-un. 43 th, Complementar n2 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n 2 73, de 10 de fevereiro de 1993." "Enunciado da Súmula n° 02 — O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Diante disso, apesar do entendimento pessoal do Relator, o período do débito encontra-se dentro do prazo decadencial do artigo 45, da Lei n. 8.212/91, haja vista que o prazo de contagem foi interrompido pela NFLD n. 35.682.720-8, que deve ser aplicado ao presente caso. DO MÉRITO Processado regularmente o presente feito, sendo observados os princípios da ampla defesa e contraditório, artigo 5 0, inciso LV da Constituição Federal, às fls. 75/92 foi proferida Decisão — Notificação julgando totalmente procedente a autuação fiscal. Depois de detida análise dos autos e estudo das questões atinentes ao caso, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada. Veja-se. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada contra a empresa DM Construtora de Obras Ltda. e Paulo Scalco Projeto e Construções Ltda., com base no instituto da responsabilidade solidariedade, decorrente da não comprovação do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social, com base no instituto da aferição indireta, incidentes sobre o contrato de subempreitada de construção civil. Inicialmente, cabe esclarecer que a responsabilidade solidária no direito previdenciário é mais antiga na área de construção civil. Posteriormente é que foram instituídos outros tipos de solidariedade, como por exemplo, dos contratantes de serviços mediante cessão de mão-de-obra para com os contratados ou entre as empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza Tanto é assim, que a previsão de responsabilidade solidária do dono da obra ou do construtor para com a subempreiteira está prevista na LOPS — Lei Orgânica da Previdência Social, aprovada pela Lei n° 3.807/1960, ainda em vigor, à qual dispõe o seguinte em seu art. 79, §§ 2° e 3°: "5 2° O proprietário, o dono da obra, ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma por que haja contratado a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo do imóvel, é solidariamente responsável com o construtor pelo cumprimento de todas as obrigações decorrentes desta lei, ressalvado seu direito regressivo contra o executor ou contraente das obras e admitida a retenção de importâncias a estes devidas para garantia do cumprimento dessas obrigações, até a expedição do "Certificado de Quitação" previsto no item 1, alínea c, do art. 141. MI' - SEGUNDO CO1CSC.H0 DE CONTRIBUINTES Processo n.°35950.00103612007-31 CONFERt. O CR iG 'SAL ri CCO2C06 Acórdão n.• 206-00.229 baba. 9 Fls. 194 Sien:teira ,f 3° Poderão isentar-se da -oispo,r2“6:1;a&s: alualaa no parágrafo anterior as empresas construtoras e os proprietários de imóveis em relação à fatura, nota de serviços, recibo ou documento equivalente que pagarem, por tarefas subempreitadas, de obras a seu cargo, desde que façam o subempreiteiro recolher, previamente, quando do recebimento da fatura, o valor fixado pelo Instituto Nacional de Previdência Social relativamente ao percentual devido como contribuições previdenciárias e de seguro de acidentes do trabalho, incidentes sobre a mão-de-obra inclusa no citado documento." O antigo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 83.081/1979 também disciplinava a matéria nos arts 57 e 58: "A ri. 57. O proprietário, o dono da obra ou o condómino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma pela qual tenha contratado a execução de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, responde solidariamente com o construtor pelas obrigações decorrentes deste Regulamento, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante das obras e admitida a retenção de importância a estes devidas, para garantia do cumprimento dessas obrigações, até a expedição do Certificado de Quitação previsto na letra "c" do item Ido artigo 118. Art. 58. A empresa construtora e o proprietário do imóvel podem nos contratos de subempreitada, mediante prova de ter o subempreiteiro recolhido as contribuições devidas, isentar-se da solidariedade decorrente desses contratos quanto às obrigações para com a previdência social relativas às contribuições e demais importâncias devidas em função do valor da mão-de-obra constante da fatura, recibo ou documento equivalente". O Decreto 83.081/1979 só veio a ser revogado com a edição do Decreto n° 3.048/1999, porém, art. 165 do Decreto n° 612/1992, vigente à época dos fatos geradores, estabeleceu o seguinte: "Art. 165 As disposições contempladas no Regulamento do Custeio da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 83.081, de 24 de janeiro de 1979, com as alterações introduzidas pelo Decreto n°90.817, de 17 de janeiro de 1985, não constantes deste regulamento, aplicam-se subsidiariamente, no que couber, até que seja publicada a Consolidação dos Regulamentos da Organização e do Custeio da Seguridade Social" Os fatos geradores da presente notificação ocorreram anteriormente à alteração trazida no inciso VI do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, entretanto, no período em questão, havia previsão legal para o lançamento, conforme demonstrado acima. In casu, a fundamentação legal constante do relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD menciona como dispositivo o inciso VI do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, que não se aplica ao lançamento em tela. -@9„, e MF • SEGUNDO CONSall0 DE CONTRIBUINTES Processo n.° 35950.001036/2007-31 CONFERE COM O ORIGINAI CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.229 Breia. 2V, do' Fls. 195 IaLta Met Sapa 877882 Diante do exposto nao hrtitrsr ittargravturerrararrreernactia recorrente, pois o que se verifica é a ocorrência de vício formal em razão da utilização de incorreta fundamentação legal. Nesse sentido voto por CONHECER DO RECURSO para ANULAR A NFLD por vicio formal. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2007 DANIEL AYRES ICALUME REIS Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.002958/2004-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2002
DECISÕES PLENÁRIAS DEFINITIVAS DO STF. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 346.084/RE 585.235-QO).
Numero da decisão: 3803-002.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2002 DECISÕES PLENÁRIAS DEFINITIVAS DO STF. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 346.084/RE 585.235-QO).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2002 DECISÕES PLENÁRIAS DEFINITIVAS DO STF. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 346.084/RE 585.235QO). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão nº 1019.979, da 2 ª Turma da DRJ/Porto Alegre, de 22 de junho de 2009, fls. 1.046/1.048, que considerou o lançamento procedente. Trata o presente processo de auto de infração relativo a débitos de PIS faturamento, para exigência de diferenças entre os valores informados em DCTF e os constantes da escrituração contábil, conforme descrição dos fatos de fls. 9 a 11 e demonstrativo de fls. 22 a 37. Em impugnação do auto de infração a interessada: Preliminarmente: alegou a ocorrência de cerceamento de direito de defesa, por não estar mencionado no Auto de Infração a inclusão, na base de cálculo, das receitas de vendas para clientes sediados na Zona Franca de Manaus, relativamente aos meses de novembro e dezembro de 2001, janeiro a dezembro de 2002 e nos meses de janeiro a maio e agosto a outubro de 2003, e não houve também a correspondente indicação do dispositivo legal infringido. Requereu a nulidade do valor lançado, quanto a este ponto; No mérito: a) argüiu que, caso não seja aceita a preliminar de nulidade, que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus sejam excluídas da base de cálculo, por não se configurarem como receitas sujeitas à incidência da contribuição; b) contestou a inclusão de valores relativos ao ressarcimento de crédito presumido de IPI na base de cálculo da contribuição, quando tais valores devem ser considerados como um redutor de custos dos insumos aplicados na produção e não como receita. Argumentou também que, mesmo que fossem considerados tais valores como receita, a sua inclusão na base de cálculo não poderia se dar nos meses em que os mesmos foram escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, devendo ser aguardada a manifestação do Fisco quanto à homologação dos valores dos créditos indicados, para então serem considerados apenas nos meses em que os créditos deferidos fossem utilizados para fins de compensação e nos limites desta. c) contesta, também, a inclusão na base de cálculo dos valores relativos à recuperação de despesas e indenizações de seguros, pois entende que tais valores não representam ingressos de novos recursos no caixa da empresa. d) apontou, por último, como indevida a aplicação da taxa SELIC no cálculo do valor total lançado. Citou e transcreveu jurisprudência que entende ser favorável para embasar seus argumentos em todos os pontos acima. Em julgamento da lide, a DRJ/Porto Alegre considerou devida a incidência do PIS sobre todas as receitas da empresa, com base no art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, que não prevê as exclusões pretendidas pela Impugnante. A decisão foi ementada como segue: Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.002958/200455 Acórdão n.º 3803002.604 S3TE03 Fl. 1.071 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. INDENIZAÇÕES DE SEGUROS. O crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9.363/96, integra a base de cálculo da contribuição, a partir de 02/1999. Da mesma forma, as receitas decorrentes de recuperação de despesas ou de indenizações de seguros não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A autoridade julgadora de instância administrativa não é competente para apreciar a legalidade ou constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas. Cientificada da decisão em 07 de julho de 2009, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 1.053 a 1.068, em 23 de julho de 2009, em que reitera os mesmo argumentos da impugnação, quanto: a) à inclusão na base de cálculo dos valores relativos ao ressarcimento de crédito presumido de IPI na base de cálculo da contribuição, além de se dever considerar o momento da inclusão, quando da decisão administrativa definitiva do ressarcimento; b) à inclusão na base de cálculo dos valores relativos à recuperação de despesas e indenizações de seguros; c) a inclusão da taxa SELIC no cálculo do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme visto, o auto de infração cobre o período de 01/12/1999 a 30/11/2002. Vêse que foi lavrado sob a égide da Lei nº 9.718/98 e a base de cálculo considerada na ação fiscal teve o influxo da hipótese de incidência inserta no art. 3º, e seu § 1º, sob o conceito amplificado de faturamento, correspondente à “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.”, segundo o quadro Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, fl. 11. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Nessa compreensão, a Fiscalização capturou valores relativos: a) ao crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições para o PIS e da COFINS; b) à recuperação de despesas: e c) indenizações de seguros. O art. 3º, e § 1º, da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional em decisão plenária definitiva no RE 346.084, em 09/11/2005, ementada segundo transcrição abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A matéria teve questão de ordem julgada no RE 585.235/QO, para reconhecer a repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC, com baixa definitiva desses autos em 26/02/2009. Desse modo, a situação reclama o afastamento do dispositivo legal que ampara o lançamento, por aplicação da decisão acima, nos termos do art. 62A do RICARF, resultando no cancelamento do auto de infração, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 20 de março de 2012 Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.002958/200455 Acórdão n.º 3803002.604 S3TE03 Fl. 1.072 5 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE KERN 6 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília,26/3/2012. [assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a. Turma Especial – 3a. Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/03/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 19647.018618/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. APURAÇÃO.
ESCRITURAÇÃO.
Os créditos do imposto escriturados pelo estabelecimento industrial serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos.
Eventual saldo credor acumulado ao final do trimestre-calendário,
decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser aproveitado na compensação com outros tributos e contribuições ou em ressarcimento em espécie.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004
BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO
DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO.
INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO
Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito.Recurso Voluntário Negado
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONHECIMENTO
DO PEDIDO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA
A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos de IPI pode condicionar o conhecimento do pedido à apresentação de documentação comprobatória do direito.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. APURAÇÃO. ESCRITURAÇÃO. Os créditos do imposto escriturados pelo estabelecimento industrial serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos. Eventual saldo credor acumulado ao final do trimestre-calendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser aproveitado na compensação com outros tributos e contribuições ou em ressarcimento em espécie. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito.Recurso Voluntário Negado PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONHECIMENTO DO PEDIDO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos de IPI pode condicionar o conhecimento do pedido à apresentação de documentação comprobatória do direito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
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SALDO CREDOR BÁSICO Recorrente MB INDÚSTRIA CIRÚRGICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. APURAÇÃO. ESCRITURAÇÃO. Os créditos do imposto escriturados pelo estabelecimento industrial serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos. Eventual saldo credor acumulado ao final do trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser aproveitado na compensação com outros tributos e contribuições ou em ressarcimento em espécie. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito.Recurso Voluntário Negado PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONHECIMENTO DO PEDIDO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos de IPI pode condicionar o conhecimento do pedido à apresentação de documentação comprobatória do direito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de PER/DCOMP enviado eletronicamente em 15.12.2004, por meio do qual se pretende o aproveitamento de crédito de IPI no valor de R$ 163.907,56 para compensar débito de COFINS no valor de R$ 5.921,65. A DRF de Recife em sintético despacho decisório, anexo às fls. 124, não homologou o pedido de compensação formulado e acolheu na íntegra as conclusões do Termo de Verificação Fiscal anexo às fls. 118/121. O referido Termo de Verificação Fiscal esclarece ter intimado o contribuinte, em 03.04.2009, por meio de Aviso de Recebimento – AR a apresentar: (i) Livro de Apuração de IPI – RAIPI correspondente ao crédito pleiteado; (ii) arquivos magnéticos da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco; (iii) notas fiscais que geraram crédito de IPI referentes ao período apontado; (iii) 10 primeiras notas fiscais de saída de janeiro/2002 a dezembro/2005; (iv) relação de insumos utilizados no processo produtivo e (v) relação dos principais produtos industrializados pelo contribuinte. Deste modo, o contribuinte atendeu a intimação, salvo em relação a apresentação do Livro de Apuração de IPI – RAIPI, pois informou não possuir este livro. O Termo de Verificação Fiscal apontou que o registro dos débitos e dos créditos do IPI, bem como a apuração saldos ao final de cada período, no Livro de Apuração de IPI, é condição indispensável para a utilização do crédito desse imposto, consoante dispõe o art. 195 do Decreto n.º 4.544/2002 e o art. 11 do Lei n.º 9.779/99. Além do que, lembra que a IN n.º 33/99 dita a regra de que o aproveitamento de crédito ocorrerá no período em que for escriturado e neste sentido inexistindo Livro de Apuração do IPI não há escrituração de crédito, bem como que este livro é o único destinado a apuração dos saldos credores e devedores desse imposto. Insatisfeito com as conclusões do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 132/141, alegado que atendeu a intimação fazendária e apresentou as notas fiscais de aquisição geradoras do crédito de IPI no período do primeiro trimestre do ano de 2002 e 3º trimestre do ano de 2005, conforme comprova o documento endereçado a DRF de Recife e anexo às fls. 81. Apesar de não ter apresentado Livro de Apuração de IPI, afirma o contribuinte, por outro lado que nas referidas notas fiscais o crédito vem destacado e por conta disso está comprovado o direito os créditos pleiteados. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 19647.018618/200814 Acórdão n.º 380303.163 S3TE03 Fl. 199 3 O contribuinte apela para o comando do art. 153, VI, § 3º do Texto Constitucional e destaca a necessidade do Fisco respeitar o princípio da nãocumulatividade. Cita o art. 165 e 170 do CTN e a Lei n.º 8.383/91 para ressaltar o seu direito a compensação. Sobreveio a Decisão 1129.120 da 5ª Turma da DRJ de Recife às fls. 165/175 que negou o direito a compensação basicamente a partir da premissa de que não há direito ao crédito quando não há escrituração do Livro de Apuração do IPI, pois neste caso não há direito liquido e certo, pois o Recorrente deixou de produzir prova em seu favor. Os julgadores de primeiro grau firmaram entendimento de que o ônus de escrituração pertence ao contribuinte e que é descabido acusar a Administração de omissão em relação a procedimento que cabia ao titular do crédito. Mostrando discordância com a decisão de primeiro grau, o contribuinte manejou Recurso Voluntário às fls.180/190 e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade e agregou os seguintes: a) deve prevalecer o princípio da verdade material em detrimento de formalidades e que o direito creditório deixou de ser homologado em razão de mero desatendimento de um dever acessório de escrituração de notas fiscais no Livro de Apuração do IPI; b) as notas fiscais de aquisição apresentadas à fiscalização comprovam o seu direito creditório e que a decisão da DRJ está embasada em meras suposições; c) a falta de escrituração de notas fiscais no Livro de Apuração de IPI configura mero descumprimento de obrigação acessória que não deve macular direito constitucionalmente protegido; d) o julgador de primeira instância não tomou o cuidado de realizar o levantamento do saldo credor do IPI e nem foi realizada diligência para apurar saldo remanescente; e) a intimação formulada pela fiscalização foi atendida, pois apresentou as notas fiscais de aquisição de determinados meses dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, conforme requerido, bem como as 10 primeiras notas fiscais de saída referentes aos meses de janeiro/2002 a dezembro/2005; f) deve ser observado o princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153 da Constituição Federal e reclama que o seu direito está embasado nos princípios da proteção da propriedade, moralidade, nãoconfisco e legalidade; g) o 2º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Acórdão n.º 20311.224 em 22.08.2006 já decidiu que não pode ser condição impeditiva para o reconhecimento de direito a Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 crédito do IPI a falta de formalidade (estorno de crédito objeto de pedido de ressarcimento) que, embora prevista em norma orientadora da Secretaria da Receita Federal, poderia, neste caso, ser suprida pela autoridade nos curso do processo em prestígio à busca da verdade material. Este mesmo acórdão fixou que tendo havido o destaque do IPI nas notas fiscais de amostras grátis de insumos, os quais efetivamente foram utilizados no processo industrial, há que se aceitar o registro do crédito correspondente para fins de ressarcimento, em observância ao princípio da nãocumulatividade. Por fim, requer a reforma da decisão atacada e que seja julgado procedente o seu pedido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário atende os pressupostos de admissibilidade e por isso merece ser conhecido. Conforme se verifica do relatório, o ponto controvertido dos autos encontra se na constatação de o Recorrente não possuir Livro de Apuração de IPI e por conseguinte não ter promovido o registro das notas fiscais de aquisição de produtos utilizados em seu processo produtivo. Da leitura dos autos, percebese também que o Termo de Verificação Fiscal anexo às fls. 181/121 foi fundamental para o deslinde dos acontecimentos, na medida em que este firmou entendimento de que a inexistência do referido livro implicaria em ausência do direito creditório, posicionamento este que foi acolhido na íntegra pela DRF e depois pela DRJ. Contudo, em que pese os argumentos trazidos pelos julgadores de primeiro grau e em especial quanto ao risco deste precedente em relação a outros contribuintes, pois a ausência do Livro de Apuração do IPI dificultaria o procedimento de fiscalização em razão da dificuldades em apurar a existência do crédito e esta obrigação recairia nos ombros da Receita Federal do Brasil, quando na realidade é ônus do sujeito passivo. Com efeito, ainda que seja notório constitui dever instrumental do contribuinte realizar a escrituração das notas fiscais no Livro de Apuração do IPI e este perfaça um livro útil para a apuração do saldo credor e devedor deste imposto e esta obrigação esteja estampada no Decreto n.º 7.212/2010, que regulamenta a fiscalização do IPI, por outro lado, data vênia, quero crer que há documentos nos autos que possibilitam à Fazenda Nacional apurar no caso em concreto se há ou não o crédito apontado no PER/DCOMP. Decreto n.º 7.212/2010: Art.477. O livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, destina se a consignar, de acordo com os períodos de apuração fixados neste Regulamento, os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 19647.018618/200814 Acórdão n.º 380303.163 S3TE03 Fl. 200 5 próprios, atendido o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP. Parágrafo único. No livro Registro de Apuração do IPI serão também registrados os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venham a ser exigidos. Na realidade é ponto incontroverso que o contribuinte apresentou ao agente fazendário as notas fiscais de aquisição de insumo. Entretanto, a questão essencial é que estas notas fiscais não foram analisadas sob o pressuposto de que o Recorrente não as registrou no Livro de Apuração do IPI, violando o regulamento do imposto. Outro aspecto que merece ser apontado em favor do contribuinte é que em momento algum as notas fiscais e os demais documentos por ele apresentados foram postos em dúvida pela fiscalização, portanto não foram declarados inidôneos. Por isso perfazem prova essencial em seu favor e precisam ser analisadas pela Fazenda. Neste passo, a questão sensível no presente processo decorre da constatação de que a repartição de origem e nem mesmo a Delegacia de Julgamento Tributário, tomaram o cuidado de apurar a existência dos créditos a partir da análise das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, ou seja, a Administração não avaliou as provas trazidas carreadas no processo administrativo. Deste modo, penso que a decisão “a quo” infringiu o princípio da ampla defesa, encartado no art. 5º da Constituição Federal. O princípio da ampla defesa consiste em garantir ao contribuinte em ter suas provas analisadas pelo Fisco, ou seja, a recusa da Fazenda em avaliar a validade das provas trazidas pelo sujeito passivo e suas implicações jurídicas em relação ao direito alegado, configura violação do princípio da ampla defesa. Além do que, “data vênia”, entendimento contrário, quero crer que a decisão atacada está privilegiando à forma em prejuízo do direito do contribuinte e desta forma a limitação imposta pela Fazenda ao creditamento viola o princípio da verdade material. Destaco que o Segundo Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de que o contribuinte possui direito aos créditos do IPI, ainda que “não” tenha ocorrido a sua escrituração em livro apropriado, mas logicamente desde que existam documentos idôneos para demonstrar a existência do direito Segundo Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara – Turma Ordinária. Acórdão n.º 20302332, processo n.º 138820001829382, julgado em 29.08.1995. IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO OU ESTORNO Uma vez devidamente comprovados e sustentados por documentação idônea e alegados até a impugnação, merecem ser aproveitados os créditos por devolução e/ou estorno, mesmo que não tenha sido escriturado ou o Livro Modelo 3 ou controle subsidiário, em homenagem até ao princípio da verdade material. Recurso provido em parte. (grifo) Importante também destacar a relevância da jurisprudência administrativa carreada aos autos pelo contribuinte, pois o 2º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Acórdão n.º 20311.224 em 22.08.2006, pois esta decidiu que não pode ser condição impeditiva para o Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 reconhecimento de direito a crédito do IPI a falta de formalidade, ou seja, o estorno de crédito objeto de pedido de ressarcimento, quando a escrituração pode ser suprida por provas existente nos autos. Com efeito, considerando que a DRJ ignorou as notas fiscais de aquisição apresentadas pelo contribuinte, compreendo que a sua decisão está maculada com grave vício, principalmente por ter violado inúmeros princípios constitucionais, dentre os quais o princípio da ampla defesa e o princípio da verdade material e por conta disso deve ser reformada. Aproveito para lembrar que esta turma tem se manifestado também pela reforma da decisão de primeiro grau, quando se percebe que esta deixou de se pronunciar a respeito de provas trazidas pelo contribuinte, sob a alegação de que a retificação da DCTF foi realizada após o despacho decisório. Assim, em que pese o presente processo se tratar de creditamento de IPI, por outro giro a questão de fundo agora aqui analisada, diz respeito ao cerceamento de defesa do contribuinte em função da ausência de apreciação de provas em seu favor. Ante o exposto, voto por reformar a decisão de primeiro grau para que esta analise as notas fiscais de aquisição de insumos e os demais documentos que instruem os autos e apure se o contribuinte possui direito a créditos do IPI. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern O recorrente está completamente equivocado se imagina que poderá ressarcirse de saldos credores do IPI sem escriturar o livro fiscal próprio. A teor do Regulamento do Imposto sobre os Produtos Industrializados, só estão dispensados da escrituração fiscal e do cumprimento das demais obrigações acessórias o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, que promova saídas de produtos exclusivamente tributados com a alíquota zero, desde que não aproveite créditos incentivados. Tal exceção vai de encontro à sua pretensão. O requerente, se quer fazer jus ao CP, deve, em primeiro lugar, adequarse à sua condição de contribuinte do imposto e escriturar todos os livros exigidos pela legislação de regência, sob pena de inviabilizar o seu direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nos termos do art. 195 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 19647.018618/200814 Acórdão n.º 380303.163 S3TE03 Fl. 201 7 § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Nesse ponto, não se fale em exigência de que a Fiscalização diligencie a produção da prova que tocaria ao interessado produzir. Tratandose de ressarcimento de créditos, causa de exclusão do crédito tributário, o pleito é instruído por requerimento expresso, com o qual o interessado deve fazer prova das condições e dos cumprimentos das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a sua concessão. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admite "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito de ressarcimento seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do crédito que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 28 de junho de 2012. Alexandre Kern Redator designado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 19647.018618/200814 Acórdão n.º 380303.163 S3TE03 Fl. 202 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 19647.018618/200814 Interessada: MB INDÚSTRIA CIRÚRGICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.163, de 28 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 28 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 13971.000720/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004
ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.158-35, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004
ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.158-35, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação.
Numero da decisão: 3302-008.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004 ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.158-35, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004 ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.158-35, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-08-15T14:05:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-08-15T14:05:36Z; Last-Modified: 2020-08-15T14:05:36Z; dcterms:modified: 2020-08-15T14:05:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-08-15T14:05:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-08-15T14:05:36Z; meta:save-date: 2020-08-15T14:05:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-08-15T14:05:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-08-15T14:05:36Z; created: 2020-08-15T14:05:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2020-08-15T14:05:36Z; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-08-15T14:05:36Z | Conteúdo => S3-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13971.000720/2007-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-008.975 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2020 Recorrente PETERSEN TEXTIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004 ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.158-35, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004 ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.158-35, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 20 /2 00 7- 14 Fl. 616DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Por bem esclareccr a lide, adoto o relato da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração por falta/insuficiência das Contribuições para o financiamento da seguridade social – Cofins e para o PIS/Pasep, no período de 02/2003 a 12/2004, nos valores de R$129.120,23 e de R$27.975,91, respectivamente, acrescidos de juros de mora e multa proporcional. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, não foi comprovado o compromisso de exportação nas saídas efetuadas por vendas no mercado interno com fim especifico de exportação (CFOP 5.501 e 6.501), conforme notas e valores relacionados no referido relatório. Tais mercadorias foram remetidas diretamente para o estabelecimentos dos adquirentes, sendo que a isenção do PIS e da Cofins sobre as vendas no mercado interno com fim específico de exportação, está condicionada: à remessa direta das mercadorias ao local de embarque para exportação; recinto alfandegado, ou depósito de uso privativo, autorizado a operar no regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinária (norma especial). Como fundamentos legais, o fisco cita o art. 14 da Mediada Provisória nº. 2.15835 de 24 de agosto de 2001, os art 5º. da Lei nº. 10.637/2002, o art. 6º. Da Lei n]. 10.833/2003, e o art. 45, §1º., do Decreto nº. 4.524, de 17 de dezembro de 2002, além de fazer referências à legislação aduaneira, bem como ao art. 39, § 2º. da Lei nº. 9.532/97. Em síntese, foi apurado o valor tributário mensal, conforme os registros das notas fiscais constantes dos arquivos magnéticos fornecidos, conforme demonstrativo (fl. 441), os quais, segundo o fisco, resultam, tão-somente do somatório mensal das vendas efetuadas pelas quais não foram cumpridos os requisitos para isenção das contribuições para o PIS e a Cofins, conforme dispõem os dispositivos legais. Em sua defesa, a impugnante alega que o motivo pelo qual esta mercadoria é entregue diretamente no estabelecimento da empresa exportadora deve-se ao fato de que toda mercadoria é deixada em local privativo definido por esta para fins de conferência e revisão de toda a mercadoria por parte da compradora, e que este fato, por si só, não caracteriza que esta mercadoria não tenha sido exportada. Segundo a contribuinte, Na seqüência, em síntese, alega que: Fl. 617DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 As notas fiscais emitidas possuem em seu corpo a observação de que a mercadoria em questão é destinada à exportação, constando inclusive o endereço, CNPJ, inscrição Estadual e registro no DECEX da empresa exportadora, com os dados da mercadoria a ser exportada e a intermediária (C&A modas Ltda), o seu endereço, CNPJ e demais dados, conforme anexos; que possui também em seus arquivos o "Memorando de Exportação"(anexos) de cada uma delas, disponibilizado pela empresa; Toma o cuidado de fazer referência aos dados do pedido feito pela compradora no campo da Nota: "Dados Adicionais", destacando, inclusive, o número do pedido; Cada peça produzida pela vendedora segue com a etiqueta (TAG com código de barra e preço de venda ao consumidor argentino), contendo “tamanho”, preço de venda (moeda Argentina) e “Cuit – correspondente ao CNPJ do importador”; Por fim, alega, em síntese, que, a produção com o fim específico de exportação não pode ser analisado só como um conceito formal, mas como prova documental e, principalmente, como uma atividade prática e rotineira e que cumpra o seu objetivo real que é produzir e enviar esta mercadoria em sua totalidade para o exterior, desde que devidamente verificado e comprovado. Em 19/10/2012, a DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004 ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. A isenção ou não-incidência da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2003 a 31/12/2004 ISENÇÃO E NÃO-INCIDÊNCIA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. A isenção ou não-incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 14, § 1º, da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 5º, inciso III, da Lei nº 10.637, de 2002, respectivamente, não alcança as receitas relativas a vendas de mercadorias que não forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento, porque não se caracteriza o fim específico de exportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão, em 23/11/2012, consoante Aviso de Recebimento constante dos autos, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 14/12/2012, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual irresigna-se com a Fl. 618DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 decisão prolatada, e reprisa parcialmente as alegações da manifestação de inconformidade. Por fim, requer a procedência do Recurso Voluntário, para o fim de haver a isenção no pagamento dos tributos Confins e PIS/Pasep. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. Em não havendo preliminares, passa-se de plano ao mérito da lide. As alegações trazidas em sede de recurso voluntário são basicamente as mesmas da impugnação. Nesse contexto, vale a pena reproduzir excerto da decisão recorrida, que adoto, nos termos do § 3º do art. 57 do RICARF, pelo seu didatismo: (...) Como se viu no relatório, o auto de infração se deve ao descumprimento de requisito considerado essencial para que a contribuinte em tela se beneficiasse da isenção das contribuições do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas no mercado interno para adquirentes qualificados como empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação. Pelo que consta dos autos, as mercadorias foram remetidas diretamente para os estabelecimentos dos adquirentes. Segundo o fisco, a isenção do PIS e da Cofins sobre as vendas no mercado interno, com fim específico de exportação, está condicionada à remessa direta das mercadorias ao local de embarque para exportação, recinto alfandegado, ou depósito de uso privativo, autorizado a operar no regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinária (norma especial). (...) A contribuinte por seu turno, entende estar demonstrada a exportação, em razão da documentação trazida aos autos, e alega que a produção com o fim específico de exportação não pode ser analisada só como um conceito formal, mas como prova documental e, principalmente, como uma atividade prática e rotineira que cumpra o seu objetivo real que é produzir e enviar esta mercadoria em sua totalidade para o exterior, desde que devidamente verificado e comprovado. Traz documentos de exportação anexos aos autos. Antes de qualquer análise dos documentos trazidos aos autos pela contribuinte, cabe decidir se o fato da empresa ter remetido as mercadorias vendidas para empresas exportadoras, diretamente para os estabelecimentos destes adquirentes (e não diretamente ao local de embarque para exportação, a recinto alfandegado, ou depósito de uso privativo autorizado) por si só, é fator impeditivo para o benefício da isenção, nos termos colocados nos referidos dispositivos legais. Para tanto, entendo ser necessário uma análise do contexto em que se inserem as vendas efetuadas a empresas comerciais exportadoras com o “fim específico de exportação”. Fl. 619DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 Até pouco tempo atrás, a empresa comercial exportadora era àquela regida pelo Decreto-lei nº. 1.248/72, ou seja, trading, pela qual é exigido um capital mínimo estabelecido pelo Banco Central do Brasil, e ainda, constituída na forma de S/A. Com o passar do tempo, a União Federal permitiu que outras empresas tenham esta característica de comercial exportadora, proporcionando um registro equivalente no momento em que seja realizada a primeira exportação ao exterior (Portaria nº 12/2003 – Secex). Com isso, a empresa comercial exportadora se adequou à legislação pertinente ao assunto, no que se refere às isenções do PIS e da Cofins: § 1º. Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. O conceito de operação com o fim específico de exportação está disposto em muitos dispositivos legais, tais como os citados abaixo: Legislação do IPI Decreto nº. 7.212/2010 Art. 43 ... § 1º No caso da alínea “a” do inciso V, consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Lei n.º 9.532, de 1997, art. 39, § 2º: Art. 39. (...) (...) § 2º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Legislação Aduaneira (Decreto nº. 6.759/2009) “Art. 228 .... § Único – Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para (Decretolei nº 1.248, de 1972, art. 1º, parágrafo único): I – embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; ou II – depósito sob regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Não obstante este contexto, a isenção da Cofins, prevista no art. 14, inciso VIII, da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, tem sido motivo de controvérsias principalmente quanto ao entendimento do que seja “fim específico de exportação. Relembre-se, contudo, que o Decreto-lei nº. 1.248/1972, em seu art. 1º, embora trate de “trading”, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno para fins específicos de exportação, definiu que são aquelas diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para o embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora, ou à depósito em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação. Por dedução lógica, este conceito se aplica a operações de compra por parte de outras empresas que, posteriormente, obtiveram as característica de comercial exportadora (comuns). Ainda no que se refere expressamente ao PIS e à Cofins, o conceito estaria delimitado no Decreto nº. 4.524/2002: DECRETO 4.524, de 2002, art. 45: Fl. 620DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Depreende-se do texto legal que o parágrafo 1º do inciso IX vincula os produtos vendidos (com fim específico de exportação) à condição de serem adquiridos (pelas empresas exportadoras) nas condições ali impostas, ou, seja, tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Desta forma, apenas neste contexto ocorreria a isenção das contribuições. Cumpre destacar que o texto legal transcrito, por se tratar de isenção fiscal, deve ser interpretados literalmente, conforme dispõe o art. 111 do CTN. Com base nessa definição, a IN SRF nº. 247/2002, em seu art. 46 já dispunha: Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: VIII – de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Desta forma, sobre o que se considera “fim específico de exportação”, tanto para empresas exportadoras registradas no Secex como para as empresas comerciais exportadoras (“tradings”) verificasse que o entendimento da administração tributária encontra-se expresso nos site da Receita Federal do Brasil (Perguntas e Respostas), bem como em várias Soluções de Consulta, dos qual se destaca como exemplo uma das mais recentes: Solução de Consulta nº. 40 – SSRF06/Disit Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep A não incidência do PIS/Pasep de que trata o art. 5º, III, da Lei nº 10.637, de 2002, se aplica a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Considera-se fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Se a venda for feita a comercial exportadora constituída nos termos do Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, também se considera fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos ao recinto de uso privativo de que trata o art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 241, de 2002. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637/2002, art. 5º, III; e Lei nº 9.532/1997, art. 39, § 2º. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 621DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 A não incidência da Cofins de que trata o art. 6º, III, da Lei nº 10.833, de 2003, se aplica a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, art. 6º, III; e Lei nº 9.532/1997, art. 39, § 2º. (...) (g.n.) Interessante citar, ainda, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 224, de 2004 (item 8): [...] Dessa forma, quer sejam os produtos vendidos a empresa comercial exportadora, quer a empresa exportadora registrada na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o produtor-vendedor deve remetê-los diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa adquirente, para que a operação enquadre-se na definição de fim específico de exportação , conforme o § 1º do artigo 46 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, fazendo jus, assim, à isenção da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep. Em 25 de agosto de 2010, a publicação da Instrução Normativa 1.068/10, que regulamentou o Decreto-Lei 1.248/72, tornou mais clara, tanto para suspensão do IPI, quanto para a isenção do PIS e da Cofins, a obrigatoriedade da entrega das mercadorias remetidas com fim específico de exportação em zonas aduaneiras: Instrução Normativa RFB nº 1.068, de 24.08.2010 – DOU 1 de 25.08.2010 Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a exportação de produtos por intermédio da Empresa Comercial Exportadora (ECE) de que tratam o inciso I do art. 39 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e o DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. Art. 2º Os produtos destinados à exportação poderão sair do estabelecimento industrial com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando adquiridos por Empresa Comercial Exportadora (ECE), com o fim específico de exportação. Art. 3º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não incidirão sobre as receitas decorrentes das operações de vendas a Empresa Comercial Exportadora (ECE) com o fim específico de exportação. Art. 4º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação as mercadorias ou produtos remetidos, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (ECE), diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica para: I – embarque de exportação ou para recintos alfandegados; ou II – embarque de exportação ou para depósito em entreposto sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, no caso de empresa comercialexportadora de que trata o Decreto-Lei nº 1.248, de 1972. Parágrafo único. O depósito de que trata o inciso II deverá observar as condições estabelecidas em legislação específica. Diante do exposto, chega-se à conclusão de que, quanto às receitas de vendas no mercado interno de produtos com o fim específico de exportação, se a empresa produtora quiser usufruir da isenção de PIS/Cofins, terá de adotar as cautelas complementares demandadas pela legislação: tratar de enviar os produtos vendidos, por conta e ordem da exportadora, diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Se assim não o fizer, enviando os produtos para outros destinos, como foi o caso da impugnante em apreço, arcará com o pagamento dos tributos, porque estará caracterizada uma venda no mercado interno, não Fl. 622DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 passível de isenção das contribuições, independentemente de que, em uma segunda movimentação por parte da empresa comercial exportadora, esses produtos venham a ser efetivamente exportados. Obviamente que, neste caso, a empresa comercial exportadora poderá se valer dos descontos concedidos às operações efetuadas no mercado interno para empresas sujeitas ao regime não-cumulativo. Caso contrário, cumprindo a produtora/vendedora com os requisitos legais exigidos para caracterizar a venda no mercado interno com o “fim específico de exportação”, a contribuinte em tela fará jus à isenção das contribuições sobre a receita das vendas. De outra parte, para a empresa comercial exportadora, recai a responsabilidade pela exportação ou eventual pagamento das contribuições, caso àquela não se concretize no prazo legal estabelecido em lei. No que tange à alegada comprovação de que os produtos, embora não remetidos diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica vendedora à embarque de exportação ou para recintos alfandegados, foram efetivamente exportados, é pertinente citar e trechos dos desdobramentos da Solução de Consulta 135SRRF/ 10ª.RF/Disit, de 13 de outubro de 2008: 8. Para o gozo da isenção ou não-incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é sempre exigida a comprovação do fim específico de exportação, que é feita pela pessoa jurídica que efetuou a venda a uma empresa exportadora. A comprovação de venda com o fim específico de exportação é feita mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias o embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou o depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Isto não acontece no presente caso, uma vez que as notas fiscais de venda dos produtos são emitidas para empresas que não são comerciais exportadoras. 9. O Memorando de Exportação não é documento hábil para comprovar o fim específico de exportação, somente serve para comprovar a efetiva exportação. É um documento vinculado à legislação estadual, criado com a finalidade de estabelecer controle das operações de mercadorias contempladas com a desoneração do ICMS, nas vendas de mercado interno, conduzidas com o fim específico de exportação. Portanto, embora possa servir de subsídio a qualquer tipo de trabalho fiscal, o Memorando de Exportação não tem relevância para a finalidade de verificação da regularidade ou não do gozo da isenção das contribuições, pois a vendedora não tem a obrigação de comprovar a efetiva exportação por qualquer meio, e nem mesmo a eventual comprovação desta lhe daria direito ao gozo do benefício citado, uma vez que o que se lhe exige é a comprovação da venda com fim específico de exportação. (g.n.) Assim, corroborando com o entendimento expresso nessa solução de consulta, abstendo-me da análise dos documentos trazidos aos autos, visto que a exigência que recai sobre a empresa vendedora, para fins de isenção das contribuições, é a comprovação que a venda foi efetuada com fim específico de exportação; ou seja, que, além de todos os outros requisitos formais atinentes à saída do produto da empresa vendedora, os produtos tenham sido remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da comercial exportadora. Em que pesem os argumentos da contribuinte, para fins de tributação, a venda, cuja receita é objeto do presente auto de infração, é considerada efetuada no mercado interno, ficando a contribuinte responsável pelos recolhimentos. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 623DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-008.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000720/2007-14 Fl. 624DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.922661/2009-04
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados-IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PER/DCOMP. VERIFICAÇÃO ELETRÔNICA. RESSARCIMENTO DO
IPI. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento, apurado no final do trimestre-calendário a que se refere o pedido, foi parcialmente utilizado, na escrita fiscal, em períodos subsequentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP, para abater débitos do IPI, impede o reconhecimento integral do alegado direito creditório.
Numero da decisão: 3803-003.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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VERIFICAÇÃO ELETRÔNICA. RESSARCIMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento, apurado no final do trimestrecalendário a que se refere o pedido, foi parcialmente utilizado, na escrita fiscal, em períodos subsequentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP, para abater débitos do IPI, impede o reconhecimento integral do alegado direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1034.260, da DRJ/Porto AlegreRS, de 15 de setembro de 2011, fls. 43/44, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo é pertinente à análise da Declaração de Compensação nº 41295.35326.091106.1.3.017636, em que foi utilizado o crédito a título de ressarcimento do IPI, relativo ao terceiro trimestre de 2005, o valor de R$ 418,64, requerido no Per nº 42303.60949.310506.1.1.019108. Por meio do despacho decisório de fl. 01, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo não reconheceu o direito ao crédito e não homologou a compensação declarada. O indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização desse saldo, na escrita fiscal, em período(s) subsequente(s), entre o surgimento do saldo credor e a data da transmissão da DComp. Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em síntese, que tem direito à totalidade do valor solicitado e que não houve utilização, na escrita fiscal, do indigitado saldo credor, conforme documentação juntada ao processo. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre ressaltou que o presente exame da manifestação de inconformidade segue a lógica da verificação eletrônica dos PeR/DComps, limitandose à fundamentação do DDE controvertido, à documentação juntada na instrução do processo e aos registros existentes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Registrese que a primeira etapa da verificação da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestrecalendário a que se refere o pedido, ao que se segue outra etapa, consistente em analisar se os créditos passíveis de ressarcimento apurados ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido (saldo credor passível de ressarcimento), se mantêm na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP (devese verificar se os créditos apurados ao fim do trimestrecalendário foram utilizados para abater débitos informados no PER/DCOMP, ou apurados pela fiscalização). No caso, as "Informações Complementares da Análise de Crédito", alusivas ao DDE em questão, disponíveis no endereço eletrônico "www.receita.fazenda.gov.br", revelam que foi apurado, no final do segundo trimestre de 2005, um saldo credor ressarcível de R$ 790,65, que coincide com o valor solicitado/utilizado pelo interessado. Ocorre, todavia, que o referido saldo credor ressarcível não se manteve na escrita fiscal até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP em discussão, tendo sido reduzido a R$ 172,38, conforme "Demonstrativo da Apuração após o Período do Ressarcimento" (na Internet), pela existência de um débito de R$ 1.105,41, informado pelo interessado, a título de "outros débitos", no mês de janeiro de 2006, no PER/DCOMP nº 22539.95365.310506.1.1.012465, fato que inviabiliza o reconhecimento integral do alegado direito creditório. Embora o manifestante tenha elaborado a planilha das fls. 35 a 38, indicando que o referido débito de R$ 1.105,41 se referiria a ressarcimentos de créditos do IPI de diversos trimestres, deixou de juntar ao processo cópia do livro Registro de Apuração do IPI que confirmasse a natureza das parcelas que somaram o citado valor, o que também não foi esclarecido em pesquisa nos sistemas informatizados da RFB. Cientificada a Contribuinte da decisão em 27 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou o recurso voluntário, em 26 de março de 2012, reiterando todos os Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.922661/200904 Acórdão n.º 3803003.444 S3TE03 Fl. 2 3 termos da manifestação de inconformidade e anexa cópias do LRAIPI, em que no Livro 15 mostra o registro do aludido débito e abaixo uma notação de diversos valores oriundos de pedidos de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como ponto de partida, tomese que o valor pleiteado do ressarcimento alcança a importância de R$ 418,64, reconhecido pelo despacho decisório como saldo credor no terceiro trimestre de 2005. A não homologação da compensação declarada na DComp nº 1295.35326.091106.1.3.017636 deveuse à utilização desse valor na compensação do débito de IPI, no valor de R$ 1.105,41, por meio da DComp nº 22539.95365.310506.1.1.012465. A improcedência da manifestação de inconformidade reside no fato de que a alegação da Contribuinte não se fez acompanhar de prova de que esse débito de IPI fora compensado com créditos de ressarcimento de IPI de diversos trimestres anteriores, deferidos, prova essa que seria consubstanciada nos registros do Livro Registro de Apuração do IPI. No recurso voluntário, a Recorrente anexa a cópia do LRAIPI em que, no Livro 15, mostra o registro do aludido débito e, abaixo, uma anotação de diversos valores que somam a importância de R$ 996,29, correspondentes a deferimentos parciais de pedidos de ressarcimento de trimestrescalendário de 2002, 2003 e 2004. As demais cópias do LRAIPI são as relativas a estes períodos de apuração, cuja comprovação serviu à análise da qual decorreu os ditos despachos decisórios. Todavia, como prova do que é necessário neste processo, essas cópias são, de todo, impertinentes. A Recorrente não cuidou de anexar as folhas do livro relativas ao trimestre gerador do crédito ora sob crivo e as subsequentes, para que se pudesse visualizálo, e, bem assim, a sua conservação incólume até a sua utilização na DComp em análise, transmitida em 10 de outubro de 2006. Estas, é que, de fato, seriam as folhas necessárias para o deslinde da presente disputa. Necessárias, porém, ainda não suficientes, na medida em que a decisão recorrida apontou também para a existência, no sistema da RFB, da DComp º 22539.95365.310506.1.1.012465, que teria se servido de parcela do crédito ora reivindicado para quitação do citado débito de IPI, R$ 1.105,41, documento não carreado aos autos para dar suporte ao argumento de que não utilizara o crédito ora pleiteado para a compensação presente, nem acerca dela nada mencionou. Desse modo, não logra a Recorrente, uma vez mais, comprovar a liquidez do crédito pleiteado para a cobertura da compensação declarada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 22 de agosto de 2012 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.922661/200904 Acórdão n.º 3803003.444 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065.922661/200904 Interessada: CURTUME KRUMENAUER S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.444, de 22 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 22 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.926602/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
Ementa: PIS. RECONHECIMENTO PELO STF –
INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE
CÁLCULO.
Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98.
REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO
PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543-B
do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição previsa no Regimento Interno deste Conselho, art. 62-A.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO
CRÉDITO.
Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é
necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso por maioria de votos, vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani, que deram provimento parcial ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa: PIS. RECONHECIMENTO PELO STF – INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543-B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição previsa no Regimento Interno deste Conselho, art. 62-A. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa: PIS. RECONHECIMENTO PELO STF – INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição previsa no Regimento Interno deste Conselho, art. 62A. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso por maioria de votos, vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani, que deram provimento parcial ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. [assinado digitalmente] JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA Redator designado. EDITADO EM: 19/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação, transmitida em 15/03/2007, por meio da qual buscou o contribuinte compensar crédito de Pis/Pasep no valor de R$ 1.986,15 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 15/07/2004, sob o código 8109, no valor de R$ 6.244,31), com débito da mesma contribuição social, do período de apuração 10/2006, vencido em 14/11/2006, no valor original de R$ 927,78. Em Despacho Decisório, a unidade de origem não homologou a compensação tendo em vista que o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção do débito de PIS de junho de 2004, no valor de R$ 6.244,31. Cientificada (14/07/2009), apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual aduz que apurou crédito de Pis e Cofins em razão do reconhecimento pelo STF da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessas contribuições e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Explica que apurou o crédito na competência de junho de 2004, apresentando como base de cálculo o valor de R$ 305.561,80 (receitas financeiras) e alíquota de 0,65%, e chegando ao valor de R$ 1.986,15 (sem receitas financeiras). Alerta que no processamento do Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.926602/200901 Acórdão n.º 3803002.542 S3TE03 Fl. 2 3 Per/Dcomp o sistema não conseguiu localizar o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 1.986,15. Por questões formais de preenchimento do Per/Dcomp, indicou como origem do crédito o DARF em que se deu o recolhimento. A DRJ/CTA não homologou a compensação sob o fundamento de que não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme ementa que trasladamos a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 11/08/2011, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em 02/09/2011 onde repisa a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais e fundamenta seu pedido no RE nº 585235 QORG/ MG, com Repercussão Geral, pugnando pela aplicação do 62A do RICARF para reconhecer seu direito à compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que dele tomo conhecimento. Conforme extraímos do relatório, cingese a controvérsia quanto à declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do parágrafo primeiro, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e seus efeitos concretos no processo que ora apreciamos. Como na Manifestação de Inconformidade a ora Recorrente trouxe a conhecimento o RE nº 357950, sem qualquer indício aparente de Repercussão Geral, assumiu a DRJ de piso tratarse de mera decisão proferida em sede de controle difuso apta a gerar Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 somente efeito inter partes. Por tal razão, entendeu aquela Delegacia Julgadora não ser o caso para aplicação do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 1 Já no Recurso Voluntário, para dar maior credibilidade aos seus argumentos, fundamentou a contribuinte sua peça recursal no RE 585235 QORG / MG, este com Repercussão Geral reconhecida pelo Plenário da Corte Constitucional, cuja ementa transcrevemos a seguir: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Em que pese a instância administrativa não estar autorizada a apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária, encontrase assente tanto na jurisprudência judicial quanto administrativa que o parágrafo primeiro, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou demasiadamente o conceito de receita bruta. Incluiu no conceito todo e qualquer ingresso de receita contabilizado pela empresa, pouco importando a origem e classificação contábil. De fato, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. A síntese do julgado foi noticiada pelo Informativo de Jurisprudência nº 408 daquela Corte, nos seguintes termos: "Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718∕98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento (“Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por 1 Art. 1.º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. (...) Art. 4.º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.926602/200901 Acórdão n.º 3803002.542 S3TE03 Fl. 3 5 ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.”) – v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC 20∕98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718∕97, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20∕98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718∕97 – o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) –, poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20∕98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF (“Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;”). RE 346084∕PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE 346084)" (grifamos) Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição previsa no Regimento Interno deste Conselho, art. 62A, o qual determina a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do CPC, pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Salientase, ainda, que o inciso XII, do art. 79, da Lei nº 11.941/2009 retirou do mundo jurídico o § 1o, do art. 3o, da Lei no 9.718, revogandoo, e consolidando o entendimento retratado reiteradamente pelo Supremo Tribunal Federal e reproduzido neste voto. Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário e homologar a compensação declarada pelo contribuinte nos autos deste processo administrativo fiscal, determinando seu retorno à delegacia de origem para que apure a existência do crédito, bem como sua disponibilidade para quitar os débitos declarados pela contribuinte, nos termos acima expostos. [assinado digitalmente] Fl. 48DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Em que pese o notável saber jurídico demonstrado pelo Il. Conselheiro Relator do processo em epígrafe, peço vênia para discordar, em parte, dos argumentos que embasaram o provimento parcial do pleito consubstanciado no recurso voluntário da contribuinte. Isto porque, ao meu sentir, o deferimento do pedido não é a melhor saída no presente caso. Muito embora já esteja consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta das contribuições para o PIS e COFINS trazida no bojo do § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98, o qual prevê como receita bruta tributável todo e qualquer ingresso de receita contabilizado pela empresa, pouco importando a origem e classificação contábil, há que se observar que a Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova aos autos aptos a comprovar o crédito gerado por meio do procedimento descrito na peça vestibular. A Construtora Tomasi Ltda. narra que apurou o crédito na competência de junho de 2004, apresentando como base de cálculo o valor de R$ 305.561,80 (receitas financeiras) e alíquota de 0,65%, e chegando ao valor de R$ 1.986,15 (sem receitas financeiras). O sistema da RFB não localizou o crédito porque o débito foi declarado com a parcela incidente sobre a totalidade das receitas, no valor de R$ 1.986,15, ao final, indicou como origem do crédito o DARF em que se deu o recolhimento, o que motivou a não homologação da compensação tendo em vista que este mesmo DARF foi utilizado para quitar débito do PIS, período de junho de 2004, no valor de R$ 6.244,31. Como regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. No direito tributário devese sempre triunfar a verdade material dos fatos, desta feita, cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.926602/200901 Acórdão n.º 3803002.542 S3TE03 Fl. 4 7 Diante disto, competirá exclusivamente ao contribuinte, exibir as provas técnicas, contábeis e jurídicas de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado . Ademais, em se tratando de compensação tributária, há necessidade da comprovação da liquidez e certeza do crédito, conforme prevê o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, mantendo o despacho decisório de fls. 13. Sala das sessões, em 15 de fevereiro de 2012. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira – Redator designado Fl. 50DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10980.926602/200901 Interessada: CONSTRUTORA TOMASI LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803002.542, de 16 de fevereiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 16 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 51DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2012 por JORGE VICTOR RODRIG UES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10640.909560/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado fazer prova inequívoca do seu crédito, mediante a observância de todos os requisitos legais e formais.
CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU DESTINADOS A PRODUTO NÃO TRIBUTADO.
Insumos classificados na TIPI como NT não dão direito a crédito do IPI. Tampouco existe direito a crédito do referido imposto em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
IPI. RESSARCIMENTO. CÁLCULO DO CRÉDITO.
Quando o estabelecimento não dispuser de controle sobre estoque de insumos aplicados em produtos industrializados sujeitos a tributação ou não tributados, poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito.
Numero da decisão: 3302-009.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado fazer prova inequívoca do seu crédito, mediante a observância de todos os requisitos legais e formais. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU DESTINADOS A PRODUTO NÃO TRIBUTADO. Insumos classificados na TIPI como NT não dão direito a crédito do IPI. Tampouco existe direito a crédito do referido imposto em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. RESSARCIMENTO. CÁLCULO DO CRÉDITO. Quando o estabelecimento não dispuser de controle sobre estoque de insumos aplicados em produtos industrializados sujeitos a tributação ou não tributados, poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado fazer prova inequívoca do seu crédito, mediante a observância de todos os requisitos legais e formais. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU DESTINADOS A PRODUTO NÃO TRIBUTADO. Insumos classificados na TIPI como NT não dão direito a crédito do IPI. Tampouco existe direito a crédito do referido imposto em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. RESSARCIMENTO. CÁLCULO DO CRÉDITO. Quando o estabelecimento não dispuser de controle sobre estoque de insumos aplicados em produtos industrializados sujeitos a tributação ou não tributados, poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 95 60 /2 01 1- 19 Fl. 432DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Por bem esclareccr a lide, adoto o relato da decisão recorrida: O interessado apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 3 a 17), protocolizada em 14 de maio de 2013, instruída com os documentos das fls. 57 a 165 e 174 a 297, firmada por seu representante legal, credenciado pelos documentos das fls. 20 a 56, contestando o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) nº de Rastreamento 048872090, da fl. 167, emitido no dia 04 de abril de 2013 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora. A ciência do DDE ocorreu em 15 de abril de 2013, segundo consta na manifestação da interessada, confirmada por consulta aos sistemas da RFB. O DDE objeto da inconformidade não reconheceu parte do crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 21000.66687.040310.1.5.01-8450, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao 4º trimestre de 2009, o valor de R$ 758.790,99, considerando legítimo o valor de R$ 356.020,34, pela constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado, tendo em vista a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Segundo o mesmo DDE, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 29570.93101.220310.1.3.01-0608 e não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nºs 25240.62257.070410.1.3.01-6108, 26588.67810.200410.1.3.01-9626, 11470.57386.200410.1.3.01-0532 e 33708.70493.230410.1.3.01-7991. Também concluiu que não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP nº 21000.66687.040310.1.5.01-8450. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega, após um breve histórico, que foi equivocada a glosa procedida pela fiscalização – que embasou o indeferimento das compensações debatidas no presente processo – referente ao período compreendido entre o terceiro trimestre de 2008 e o segundo trimestre de 2011. No mérito, contrapôs as conclusões da Fiscalização de que “(1) não havia controle sobre a aplicação dada pela Manifestante em seus insumos; e (2) a técnica de rateio adotada pela fiscalização para quantificar a glosa que empreendeu é absolutamente equivocada, pois desconsidera uma enormidade de insumos imunes que a empresa adquire especificamente para uso na fabricação de produtos NT”. Citou a vedação constitucional à tributação de jornais, livros ou periódicos, bem como o papel destinado a sua impressão, e defendeu a não aplicação do art. 3º da IN SRF nº 33, Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 de 1999, o que justifica por ter considerado que “o procedimento fiscalizatório foi superficial e seu resultado deve ser revisto”. Argumentou que a planilha entregue pela empresa à fiscalização, e que serviu de base para as conclusões que esta adotou, com a consequente glosa de créditos, não poderia ser tomada isoladamente, mas “com uma análise de documentos fiscais e contábeis da Manifestante”. Complementou que as DIF-Papel Imune sequer foram mencionadas no relatório fiscal. Especificamente, argumentou também que “a premissa do Fisco foi de que toda a produção do parque industrial da Manifestante era alimentada somente com insumos sujeitos à incidência do IPI, o que distorceu os resultados do trabalho fiscal. É importante repetir que o principal insumo aplicado na composição dos bens produzidos pela Manifestante é o papel. No caso específico do trimestre aqui discutido, somente considerando o universo de matérias-primas tributadas, a relação foi de 81,18%, desse item contra 18,82% dos demais. Esses números mostram que a esmagadora maioria do saldo credor de IPI mantido pela Manifestante deriva das aquisições de papel. O que sobra são créditos decorrentes de compra de insumos secundários, cujo volume é infinitamente menos expressivo. E vale lembrar de novo: a maior parte dessa matéria-prima (o papel) é adquirida ao abrigo da imunidade prevista no art. 150, inc. VI, “d”, da CF/88, exatamente para emprego na fabricação de produtos com a notação NT. É esse o contexto que deveria ter sido submetido à Instrução Normativa nº 33/1999, único fundamento das medidas adotadas pela Autoridade Fazendária. Isso porque, segundo o art. 3º dessa norma, somente se admite a glosa de saldo credor de IPI mediante arbitramento quando haja o concurso de dois requisitos: (1) o contribuinte dê saída, concomitantemente, a produtos industrializados tributados e não-tributados(NT); (2) seja impossível remontar a destinação dada aos insumos dos quais o contribuinte se creditou. Trocando em miúdos: só terá lugar o art. 3º da IN nº 33/1999 quando o contribuinte não puder demonstrar que seu saldo credor de IPI está vinculado a insumos utilizados exclusivamente na fabricação de produtos sujeitos à incidência do imposto. No caso dos autos, a inaplicabilidade da regra é muito clara, em razão das circunstâncias específicas vivenciadas pela Manifestante, ambas já explanadas.” Em relação aos demais insumos utilizados em seu parque industrial, além do papel, a Manifestante reconheceu haver dificuldade de controlar sua aplicação específica, por meio de documentos, razão pela qual concordou com o critério adotado pela Fiscalização em relação a estes insumos. Finalizou, defendendo a revisão do Despacho Decisório ora debatido, pelo menos no que concerne à revisão da técnica de rateio aplicada ao insumo papel, pelas razões por ela apresentada. Em 07/08/2014, a DRJ/POA, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado fazer prova inequívoca do seu crédito, mediante a observância de todos os requisitos legais e formais. Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU DESTINADOS A PRODUTO NÃO TRIBUTADO. Insumos classificados na TIPI como NT não dão direito a crédito do IPI. Tampouco existe direito a crédito do referido imposto em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. RESSARCIMENTO. CÁLCULO DO CRÉDITO. Quando o estabelecimento não dispuser de controle sobre estoque de insumos aplicados em produtos industrializados sujeitos a tributação ou não tributados, poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão, em 26/09/2014, consoante AR constante dos autos, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 24/10/2014, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual preliminarmente defende a aplicabilidade com ressalvas do artigo 333 do CPC 1 , em virtude do principio da verdade material, bem como a possibilidade de alegar fatos novos, tanto na matéria fática como no mérito do recurso, como consta do sítio da RFB. Nessa toada, aponta erro material no referencial utilizado no Relatório Fiscal de 06/20/2013, quanto aos valores de saídas NT do 3º Trimestre de 2009, e diz que devem ser excluídas tanto as receitas oriundas da atividade de prestação de serviços gráficos, quanto as relativas à prestação de serviços de classificados e de serviços de publicidade, pois não interferem na apuração do IPI. Aduz que houve desconsideração dos efeitos da aquisição de papel imune na glosa dos créditos de IPI. Ao final, reafirma a inaplicabilidade para o caso da recorrente, do procedimento eleito pela fiscalização, e solicita reforma da decisão recorrida, para reconhecer a compensação e o ressarcimento pleiteado. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. 1 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. Conforme relatado, a recorrente defende a possibilidade de alegar fatos novos, não esgrimidos em primeira instância, e com isso aponta erro material no referencial utilizado no Relatório Fiscal de 06/20/2013, quanto aos valores de saídas NT do 3º Trimestre de 2009, e ainda diz que devem ser excluídas tanto as receitas oriundas da atividade de prestação de serviços gráficos, quanto as relativas à prestação de serviços de classificados e de serviços de publicidade, pois não interferem na apuração do IPI. Quanto às matérias renovadas em segundo grau, reafirma a inaplicabilidade para o caso da recorrente, do procedimento eleito pela fiscalização (art. 3º da IN SRF nº 33, de 1999) 2 e aduz que houve desconsideração dos efeitos da aquisição de papel imune na glosa dos créditos de IPI. A seguir, passa-se a tratar das matérias elencadas supra de acordo com sua pertinência processual. DA PRECLUSÃO A alegação de que é possível alegar fatos novos, não esgrimidos em primeira instância, por conta do principio da verdade material, e ainda que consta no sítio da RFB tal assertiva, não encontra respaldo na realidade do processo administrativo fiscal. No sítio da RFB consta: Poderá ainda, além das alegações já apresentadas, trazer novas alegações referentes ao mérito julgado na decisão contestada. Aqui está plasmado o princípio do contraditório, por excelência, pois uma vez definida pela decisão contestada a extensão do mérito do litígio, pode o contribuinte voltar à carga (por força da dialeticidade inerente ao recurso voluntário) com novas alegações acerca do quanto decidido pelo órgão julgador de primeiro grau. Nada obstante, isso não significa trazer novas alegações de fato acerca de fase anterior à decisão recorrida (no caso dos autos, despacho decisório), pois se isso fosse possível o processo jamais teria término. Vale referir que os arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, dizem ser a impugnação (ou manifestação de inconformidade) o momento processual para serem mencionados os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o direito do contribuinte, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e que será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente 2 DOS CRÉDITOS INERENTES AOS INSUMOS (MP, PI, ME) COM DESTINAÇÃO COMUM Art. 3º Poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 contestada pelo impugnante. Tais normas positivam o sistema preclusivo do contencioso administrativo tributário. Dito isso, nota-se que não foram ventiladas em primeira instância as alegações de erro material no referencial utilizado no Relatório Fiscal de 06/20/2013, quanto aos valores de saídas NT do 3º Trimestre de 2009, bem como que devem ser excluídas tanto as receitas oriundas da atividade de prestação de serviços gráficos, quanto as relativas à prestação de serviços de classificados e de serviços de publicidade, pois não interferem na apuração do IPI, daí porque não podem ser conhecidas neste grau recursal, sob pena de supressão de instância. Operou-se a preclusão temporal acerca dos argumentos, portanto não se pode conhecer das novas alegações. DO CONTROLE DE ESTOQUE Com respeito às matérias renovadas em segundo grau, inaplicabilidade para o caso da recorrente, do procedimento eleito pela fiscalização (art. 3º da IN SRF nº 33, de 1999) e ainda que houve desconsideração dos efeitos da aquisição de papel imune na glosa dos créditos de IPI, vale observar que quando instado pela auditoria-fiscal a comprovar por meio de controle de estoque a quantidade efetiva de insumos aplicados em produtos tributados e não tributados, o contribuinte assim se manifestou: (...) Segue relatório de todas as entradas por item de estoque segregando as bases tributadas, isentas e outras em arquivo magnético entregue anexo em CD conciliados com Registro de Entradas e Registro de Apuração do IPI do período objeto da fiscalização que é de 01/10/2008 a 30/06/2011, bem como relatório de saídas das operações tributadas. Salientamos que estamos apresentando complementarmente as saídas de produtos acabados onde em sua quase totalidade é tributada à alíquota 0% além de alguns produtos que não existe nenhum tipo de tribulação (NT). Vale ressaltar que as informações de aquisições de Papel Imune, isto é, sem crédito de IPI encontram-se informadas na Declaração Especial de Informações Fiscais Relativas ao Controle de Papel Imune - DIF Papel Imune transmitidas de acordo com os prazos legais e como exemplo o 2° Semestre de 2010 em cópia para sua apreciação. Como bem observou a auditoria-fiscal, a recorrente não demonstrou possuir qualquer sistema de controle de estoque, seja por Livro específico - Registro de Controle da Produção e do Estoque - seja por sistema eletrônico: Com efeito, o contribuinte adquire papel com e sem tributação porém não realiza nenhum controle da quantidade efetiva desse insumo e de outros que foram aplicados em produtos tributados e não tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados. Assim, sem esse controle, não dá pra saber o quanto de insumo tributado (por exemplo: bobinas, reveladores, chapas térmicas, materiais de embalagem) foi utilizado na fabricação de livros, jornais, revistas, folder, cartilhas, encartes e etc, que não são tributados pelo IPI, e em produtos tributados (folhetos, impressos etc). As planilhas entregues em CD nada esclarecem nesse sentido e, portanto, não servem para o atendimento do solicitado no Termo de Intimação Fiscal 03. Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 Agora, em recurso voluntário, a recorrente diz que existe sim o controle através do "Sistema Kardex", consistindo em utilização de ficha ou cartão com registro da movimentação de estoque, com informações como data, cliente, vendas, dentre outras - a empresa não tinha essa informação na Ordem de Produção, mas sim no Kardex, sendo possível a recomposição das quantidades e valores alocados. Ora, tal informação não veio a lume nem por ocasião da fiscalização nem por ocasião da manifestação de inconformidade, assim não merece ser conhecida a esse passo também. Trata-se de nova alegação, e operou-se a preclusão temporal acerca desse argumento também. Demais disso, não consta qualquer indício de prova da existência de tal controle nos autos. A questão da falta de controle de estoque é crucial para o deslinde da lide, pois a partir daí decorre a legitimidade da aplicação do art. 3º da IN SRF nº 33, de 1999, que permitia o cálculo dos créditos proporcionalmente com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar. Sobre o ponto vale rememorar a decisão recorrida: Cabe salientar, inicialmente, que, embora a Manifestante conteste a aplicação da técnica de rateio aplicada pela Fiscalização, prevista no art. 3º da IN SRF nº 33/1999, a Manifestante nada trouxe de concreto que pudesse afastá-la por incorreta. Tal técnica é aplicada quando o estabelecimento não dispõe de controle de estoque que permita diferenciar, com exatidão, os insumos aplicados em produtos tributados e em não tributados. Os argumentos da Manifestante de que possui controle sobre tais insumos são baseados em correlações, presunções, aproximações e outras formas de rateio que não encontram base sólida na documentação constante do presente processo. Neste ponto, mais uma vez relembra-se que cabe ao interessado fazer prova inequívoca de seu direito. Esse último parágrafo da manifestação da decisão recorrida tem a ver com o argumento da recorrente, de que a manutenção do seu Registro Especial (de papel imune) e a entrega das DIF's Papel Imune e notas fiscais eletrônicas associadas comprovam o controle de estoque que permite a segregação do papel imune e do papel sem imunidade. Porém, olvida-se a recorrente que o papel não é o único insumo utilizado pela pessoa jurídica para prestar seus serviços, e não há qualquer previsão na legislação de se fazer controle de estoque somente para um insumo. O relatório da auditoria-fiscal traz como exemplo de insumos tributados: bobinas, reveladores, chapas térmicas e materiais de embalagem. Assim é que fica prejudicado também o argumento de que houve erro material (art. 149 do CTN) no caso vertente, ao serem apurados os créditos decorrentes de IPI sem a observância de que o principal insumo utilizado pela Recorrente trata-se de papel e boa parte deste papel é imune, tendo a fiscalização tratado indistintamente papel imune e papel tributado, até porque o caso dos autos trata de glosa de créditos, e não de lançamento tributário. A esse passo, penso oportuno reproduzir a fundamentação da decisão recorrida, que adoto, por escorreita, nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784 e art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF: Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 No caso concreto, o Relatório Fiscal de fls. 169 a 173 reporta o histórico de suas verificações, identificando que o interessado industrializa produtos tributados e não tributados. Adicionalmente, conforme também relatado, não foi possível, pelos elementos fornecidos pela Manifestante, identificar um controle que permita diferenciar a utilização dos insumos na fabricação de produtos sujeitos à tributação do IPI daqueles utilizados na fabricação de produtos NT. O controle de estoques, que deveria ser utilizado para esta finalidade, não contém designação específica de cada insumo adquirido, de forma a permitir a correta alocação dos mesmos, e seus respectivos crédito de IPI, quando registrados, ao correspondente produto tributado ou NT ao qual foi dada saída do estabelecimento. Outro aspecto não diretamente objeto de contestação por parte da Manifestante diz respeito à possibilidade de creditamento de insumos aplicados a produtos não tributados, uma vez que parece ter a Manifestante um entendimento diverso do que prevêem as normas aplicáveis, e este entendimento é premissa que a leva a contestar o próprio procedimento fiscal. Tanto o art. 11 da lei nº 9.779, de 1999, quanto o art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999, expressam o direito ao ressarcimento de saldo credor de IPI derivado, exclusivamente, da saída de produtos tributados, isentos ou tributados à alíquota zero. Esta é a regra estabelecida pelos dispositivos acima citados. Em se tratando de produtos contemplados com a imunidade tributária a que faz referência o art. 150, inc. VI, alínea “d”, da Constituição Federal de 19881, no caso, livros, jornais e periódicos, eles apresentarão na TIPI – Tabela de Incidência do IPI – a notação NT (Não Tributado). Vale dizer, são produtos industrializados que, por determinação da Constituição, não podem ser alcançados pela incidência do imposto. O que é imune não pode ser tributado – portanto é não-tributado – em razão da supressão da competência impositiva, pela Constituição, que impede que a lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é imune. Daí a indicação, na TIPI, do produto imune, com a notação NT. Contextualizados os fatos, resta saber se são passíveis de ressarcimento, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, os créditos decorrentes de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos imunes. Cabe destacar, então, certas normatizações e sistemáticas previstas na legislação tributária regulamentadora do IPI, importantes para a solução do litígio. É pacífico que o IPI é regido pelo princípio da não-cumulatividade, previsto constitucionalmente no art. 153, § 3º, II, da Carta Magna de 1988, normatizado por disposições constantes do art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) e exercido por meio de uma sistemática de apuração denominada “sistema de créditos”, disciplinada pelo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, são deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. Desse modo, somente as operações que sofriam onerosidade do imposto participavam da regra estabelecida pelo mencionado princípio, ou seja, somente as entradas e as saídas efetivamente tributadas por uma alíquota exigível do IPI geravam, respectivamente, créditos e débitos que eram confrontados pelo “sistema de créditos”. Logo, pela própria sistemática da não-cumulatividade, não existindo débito na operação de saída, tornava-se completamente inviável, por impossível, deduzir de um montante inexistente os créditos do imposto relativos às anteriores aquisições de insumos. Por Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 conseguinte, devia o registro de tais créditos na escrita fiscal da contribuinte ser invalidado, por meio da operação de estorno contábil. Excetuavam-se da sistemática da “não-cumulatividade” os casos em que, por expressa disposição legal, era autorizada a manutenção e utilização daqueles créditos comumente vedados, os quais recebiam a conotação de “créditos incentivados”. Com o advento da referida MP nº 1.788, de 29/12/1998, convertida na Lei nº 9.779, de 1999, foi criada, pelo art. 11, uma nova sistemática jurídico-tributária de apuração do IPI, porquanto se deixou de diferenciar os “créditos básicos” dos “incentivados”, passando-se a considerá-los sob uma mesma rubrica, qual seja, “créditos do IPI”, bem como se permitiu que os “créditos” excedentes por insuficiência de débitos (com exceção dos créditos relativos a insumos empregados na fabricação de produtos não- tributados – “NT”, caso dos autos), acumulados em cada trimestre calendário, pudessem ser utilizados de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Destarte, somente a partir de 01/01/1999, quando a utilização dos créditos do IPI passou a ser regida pelo disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999 (conversão da MP nº 1.788, de 29/12/1988), tornou-se possível, por força da nova disposição legal (que ampliou os casos de utilização e aproveitamento dos créditos e saldos credores do imposto), a utilização do saldo credor apurado ao final do trimestre-calendário, para ressarcimento ou compensação, qualquer que tenha sido a origem do crédito escriturado (básico ou incentivado) a partir daquela data. Note-se que a Lei n° 9.779, de 1999, em seu art. 11 (já reproduzido), claramente definiu sua aplicação aos produtos inclusos no campo de incidência do IPI – quando menciona “inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero” – bem como determinou que fossem observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, denotando sua falta de auto-aplicabilidade. O disciplinamento adveio com a publicação (D.O.U. de 24/03/1999) da Instrução Normativa (IN) SRF nº 33, de 04/03/1999, que é a norma que regulamenta o aproveitamento, a título de ressarcimento, do saldo credor acumulado no final de cada trimestre-calendário de acordo com a sistemática disposta pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e que deve ser estritamente observada pelos julgadores administrativo- tributários, cabendo a estes tão-somente verificar a aplicabilidade daquela norma à situação fática configurada nos autos. Nesse contexto, o parágrafo 3° do art. 2° da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, que é ato normativo válido e legal, é claro no seu comando quanto ao estorno dos créditos originários de insumos onerados com o IPI, destinados à fabricação de produtos não tributados – NT. (...) Consolidando o mesmo entendimento, a matéria encontra-se pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pela edição de Súmula, nos seguintes termos: SÚMULA CARF N º 20 - Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Nessa moldura, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário; e na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-009.176 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.909560/2011-19 Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital
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