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Numero do processo: 18471.000824/2006-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA.
O indeferimento, devidamente fundamentado, do pedido de perícia, não caracteriza cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Imprescindível a realização de perícia somente quando necessário a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas.
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Os rendimentos tributáveis espontaneamente declarados no ajuste anual podem ser excluídos do montante dos rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrado que tais rendimentos não compuseram os depósitos objeto da autuação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES LEGAIS.Depósitos bancários de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00, cujo
montante, no ano, supera o valor de R$ 80.000,00 devem ser considerados para fins de determinação da receita omitida.
MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Preliminar Rejeitada.
Pedido de Perícia Indeferido
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-001.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e indeferir o pedido de perícia e, no mérito, pelo voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os montantes de R$ 5.463,75 e R$ 2.540,00, referentes aos anos-calendário
2003 e 2004, respectivamente. Vencido, em primeira votação, o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo que negava provimento ao recurso. Vencidos, em segunda votação, os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Sandro Machado dos Reis que davam provimento parcial em maior extensão. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O indeferimento, devidamente fundamentado, do pedido de perícia, não caracteriza cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Imprescindível a realização de perícia somente quando necessário a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas. CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Os rendimentos tributáveis espontaneamente declarados no ajuste anual podem ser excluídos do montante dos rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrado que tais rendimentos não compuseram os depósitos objeto da autuação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES LEGAIS. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Depósitos bancários de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00, cujo montante, no ano, supera o valor de R$ 80.000,00 devem ser considerados para fins de determinação da receita omitida. MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Preliminar Rejeitada. Pedido de Perícia Indeferido Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e indeferir o pedido de perícia e, no mérito, pelo voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os montantes de R$ 5.463,75 e R$ 2.540,00, referentes aos anoscalendário 2003 e 2004, respectivamente. Vencido, em primeira votação, o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo que negava provimento ao recurso. Vencidos, em segunda votação, os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Sandro Machado dos Reis que davam provimento parcial em maior extensão. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente em Exercício e Redatora Designada Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Jose Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000824/200601 Acórdão n.º 280101.500 S2TE01 Fl. 308 3 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 201.674,78, referente aos exercícios de 2004 e 2005, a título de imposto (R$ 97.975,24), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 73.481,42), além de juros de mora (R$ 30.218,12). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, preliminarmente, que os Termos de Intimação, bem como o Termo de Constatação Fiscal, anexado ao Auto de Infração, não atendem aos requisitos de clareza e congruência que a motivação deve possuir, o que constitui vício gravíssimo, violando as garantias constitucionais do acesso ao Poder Judiciário, do devido processo legal e da ampla defesa e do contraditório. Aduziu que o Termo de Intimação lavrado em 17/11/2005 não guarda absolutamente nenhuma correspondência com a comprovação da origem dos depósitos efetuados, sustentando, ainda, que providenciou a apresentação dos extratos bancários mesmo sem ter seu sigilo quebrado, comprovando os valores creditados nas contas correntes, estando certo de ter atendido integralmente a solicitação. Afirmou, ainda, que nunca foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas correntes bancárias, motivo pelo qual não poderia comprovar algo de que não tinha conhecimento. Dessa forma, entendeu caracterizado o total cerceamento de seu direito de defesa e propugnou o cancelamento do presente Auto de Infração. No mérito, defendeu que os depósitos bancários não autorizam o lançamento de IRPF, pois não representam a realidade econômica do depositante de modo a ensejar a omissão de rendimentos. Disse que o lançamento efetuado com base em depósitos bancários fere os princípios da legalidade e da tipicidade, uma vez que está sendo exigido tributo sem que tenha ocorrido o fato gerador previsto em lei, e, no caso em tela, a existência de depósitos bancários não representa fato gerador do Imposto de Renda. Citou doutrina, decisões administrativas e judiciais acerca da matéria. Discorreu, ainda sobre a ilegalidade da utilização de dados da CPMF para Fins de Constituição do Crédito Tributário, considerando que o presente procedimento administrativofiscal decorreu de uma Representação Fiscal encaminhada pela DRF — Novo Hamburgo/RS contra a empresa M. S. Curty Comércio de Couros, da qual é sócio e a quem foi estendida a ação fiscal. Afirmou que após instaurado o procedimento administrativofiscal com o conhecimento da movimentação financeira obtida através das informações da CPMF, a Autoridade Fiscal, mediante o Termo de Intimação Fiscal, solicitou a apresentação dos extratos bancários das suas contas correntes. Sustentou que a Lei nº 10.174, de 10/01/2001, não poderia ser utilizada de forma retroativa, mas tão somente a fatos ocorridos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da sua vigência, sob pena de afrontar o princípio da nãosurpresa. Concluiu, assim, que o procedimento adotado pela RFB revestese de gritante ilegalidade e inconstitucionalidade, posto que foram utilizadas informações relativas ao anocalendário 2000 para apoiar os trabalhos de fiscalização do IR, ofendendo os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. No que tange ao valor apurado a título de omissão de rendimentos, ressaltou que o Auditor Autuante equivocouse ao considerar como omissão de rendimentos a totalidade Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 dos valores discriminados nos quadros demonstrativos dos créditos bancários que integram o Auto de Infração, pois grande parte desses valores é referente a transferências entre contas, estornos e devoluções de cheques, e ainda, representam reingresso de numerários já depositados. Reclamou que a fiscalização não levou em consideração seus rendimentos devidamente declarados conforme a DIRPF, que deveriam ser excluídos. Acrescentou que tudo pode ser confirmado em eventual prova pericial, conversão do julgamento em diligência, e prova documental suplementar, se necessário Por fim, questionou a multa de ofício de 75%, por entender que viola o princípio constitucional da vedação ao confisco e insurgiuse contra a aplicação da taxa SELIC exigida a título de juros de mora, solicitando sua exclusão do crédito tributário, tendo em vista decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de argüição de inconstitucionalidade, no sentido de que a taxa SELIC possui natureza remuneratória e da impossibilidade de sua utilização como juros moratórios. A 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ, conforme Acórdão de fls. 274/292, julgou procedente o lançamento sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO. Inexiste embaraço ao exercício do direito de defesa se o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao Impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, não dando margem a dúvidas quanto à matéria tida como infringida. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. Concedido ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n9 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Uma vez constituído o crédito tributário, cabe ao contribuinte demonstrar, mediante provas contrárias, a improcedência do lançamento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Aplicase a multa de oficio no percentual de 75% por expressa determinação legal, não cabendo questionamentos quanto à sua legalidade/constitucionalidade no âmbito administrativo. JUROS DE MORA. A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000824/200601 Acórdão n.º 280101.500 S2TE01 Fl. 309 5 equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 12/06/2008 (fl. 293), o interessado, representado por seu advogado (fl. 304), interpôs o recurso voluntário de fls. 294/300, em 10/07/2008, no qual suscita a nulidade da decisão recorrida em razão de ter sido indeferida a perícia. Requer sejam consideradas como justificativas para os depósitos: os valores correspondentes a renda declarada, tributada ou isenta; os saldos e disponibilidades financeiras existentes no início do exercício de 2003; os cheques cancelados, devolvidos, as transferências bancárias e os depósitos de pequeno valor; os cheques que representam o preço de venda de bens imóveis e móveis. Diz que a perícia é prova indispensável para a completa apreciação da matéria de fato e para a apuração dos créditos tributário. Por fim, defende a insubsistência do auto de infração por não ter sido provado que os depósitos correspondem a rendimentos tributáveis. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, o recorrente pede a declaração de nulidade da decisão recorrida, que não deferiu o pedido de perícia. Entretanto, verifico que a decisão recorrida andou bem ao indeferir a pretensão do então impugnante, tendo em vista que ele, além de não cumprir o estatuído no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72Decreto nº 70.235/72, não produziu qualquer prova documental de seu direito, limitandose a meras alegações. O mesmo pedido, reiterado em sede de recurso voluntário, deve ser rejeitado, tendo em vista que a produção de prova pericial atende ao pressuposto de ser necessário a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas. No mérito está em discussão, conforme consta do Auto de Infração, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 6 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Mister esclarecer que não é ônus do Fisco comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários a descoberto. Tal entendimento encontrase consolidado no CARF, conforme enunciado da Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. No Relatório de Encerramento Fiscal, às fls. 214/218, a autoridade fiscal registra que os créditos/depósitos abaixo relacionados foram excluídos dos cálculos que deram origem ao presente Auto de Infração, uma vez que foram decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou tiveram sua origem comprovada pela própria natureza do crédito. Agência Couta Data Histórico Valor 3008 3646 ll\03\2O03 ted 409.0056 Otávio NPM 5.000,00 3008 3646 26\03\2003 ted 409.0056 Otávio NPM 1.000,00 3008 3466 12/04/2004 Crediário Autom 339217 3.500,00 3008 3646 18/11/2004 TBI0459.155552otavio 243,00 467 2083781 23/12/2004 doe recebido brasil financ 1.220,00 467 2083781 24/12/2004 ted recebido brasil financ 8.480,00 56 1327206 11/07/2003 credito elétron 4.000,00 56 1327206 16/09/2003 transfl 12/13534680tavioNPM 100,00 56 1327206 27/12/2004 transf467/2083781OtavioNPM 2.100,00 O recorrente faz uma relação, às fls. 295/296, de depósitos que teriam sido decorrentes de transferências da empresa Clava Ltda. (da qual é sócio), transferências bancárias entre suas próprias contas, créditos automáticos por financiamento, cheques devolvidos, valor da venda de bens e lançamentos repetidos. Alguns dos depósitos citados sequer constam do “Demonstrativo de valores depositados nas respectivas contascorrentes sem comprovação de origem” (fls. 219/236) levado a efeito no presente lançamento. Quanto aos demais, os respectivos históricos, por si só, não permitem confirmar as justificativas do recorrente, a exemplo dos que foram considerados pela fiscalização, conforme mostra o retrocitado demonstrativo. O contribuinte, por seu turno, não carreou aos autos qualquer documentação que comprove os fatos alegados. Logo, no que se refere a esse aspecto, não merece reparos o lançamento. Ainda, o contribuinte pugna para que os saldos existentes no início do exercício de 2003 sejam considerados origem dos depósitos objeto de lançamento. Ocorre que não há previsão legal para a pretensão acima estampada. Na tributação em debate não se individualiza os saldos anteriores existentes, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origem para os depósitos de meses posteriores, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000824/200601 Acórdão n.º 280101.500 S2TE01 Fl. 310 7 Nesse sentido, foi editada a Súmula no 30, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, desde 22/12/2009: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Já no tocante à exclusão dos rendimentos declarados da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assiste razão ao recorrente. Isto porque não parece plausível defender que somente os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que os rendimentos declarados e omitidos transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os rendimentos declarados serem excluídos em bloco do montante da omissão, já que, no presente caso, a fiscalização e a decisão recorrida não excluíram tais rendimentos que, de fato, restaram confessados na declaração de ajuste anual, eis que, pelo que consta dos autos, sequer foram objeto de indagação. Também não houve, registrese, uma averiguação quanto à possível compatibilidade, ainda que parcial, da omissão de rendimentos em foco com a percepção dos rendimentos declarados. Assim, de acordo com as Declarações dos exercícios 2004 e 2005 (fls. 04/11) devem ser excluídos os respectivos montantes de R$ 29.182,60 (Rendimentos Tributáveis R$ 5.463,75, Rendimentos não Tributáveis – R$ 21.471,33, Rendimentos Tributáveis Exclusivamente na Fonte R$ 2.247,52) e R$ 42.240,00 (Rendimentos Tributáveis R$ 2.540,00, Rendimentos não Tributáveis – R$ 39.700,00). Com efeito, ainda remanesce não comprovada a origem dos recursos depositados nas contascorrentes de titularidade do contribuinte no anocalendário de 2003 correspondente a R$ 193.212,16 e no anocalendário de 2004 correspondente a R$ 139.358,02, cuja tributação considero acertada nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 8 À luz do teor do referido dispositivo, cumpre salientar que o legislador estabeleceu um parâmetro para que se pudesse identificar objetivamente a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem justificada, sendo que, do somatório de depósitos inferiores a R$ 12.000,00, se superado o limite de R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, a fiscalização estaria autorizada a tributar o montante apurado em sua integralidade. Como se vê nas planilhas de fls. 219/236, o somatório dos depósitos abaixo de R$ 12.000,00 atingiu R$ 174.212,16 no anocalendário de 2003, e R$ 139.358,02, no ano calendário de 2005, acima de R$ 80.000,00, como previsto no art.43, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96. Logo, a tributação deve ser mantida, por força do valor superior ao limite previsto em lei. Por conseguinte, deve se mantida a multa de oficio de 75%, aplicada nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, visto que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração. Isto é, havendo lançamento de ofício, essa multa é devida. A cobrança dos juros de mora, da mesma forma, está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 30 da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. No que tange à aplicação dos juros Selic, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 29.182,60, referente ao anocalendário de 2003, e o montante de R$ 42.240,00, referente ao anocalendário de 2004. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Voto Vencedor Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Redatora designada. Com a devida vênia da nobre Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin, tenho opinião diversa, no caso, tãosomente quanto à possibilidade de se excluir da autuação os rendimentos isentos, nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte. Importante ter em mente que o lançamento está embasado no disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações, o qual estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos sempre que o titular de conta mantidas em instituições financeiras, regularmente intimado, não lograr comprovar por meio de documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 18471.000824/200601 Acórdão n.º 280101.500 S2TE01 Fl. 311 9 Os depósitos devem ser analisados individualizadamente e, quando o contribuinte comprova a origem de recursos, estando esses recursos sujeitos à tributação e não a sofreram, devem ser tributados consoante as normas específicas aplicáveis ao caso. Por óbvio, comprovada a origem dos recursos, não há como prosperar a presunção em comento e, se no curso da fiscalização, restar demonstrado que os recursos invocados são rendimentos já oferecidos à tributação, ou isentos ou sujeitos à tributação exclusivamente na fonte, não há que se cogitar nenhuma autuação. Entretanto, situações há em que o contribuinte não logra comprovar a origem de nenhum recurso depositado em suas contas, seja no curso da fiscalização, seja posteriormente, entretanto, não estando sob fiscalização, apresentou declaração de ajuste anual na qual informou rendimentos tributáveis, isentos e tributados exclusivamente na fonte. Ao ser cientificado da autuação, protesta pela consideração das informações inseridas na declaração de ajuste anual com o propósito de ver reduzida a base de cálculo lançada. Nessas circunstâncias, embora pareça razoável que todos rendimentos declarados também estejam contidos na base de cálculo lançada, vale lembrar que o ônus de demonstrar a origem dos recursos utilizados em cada um dos depósitos é do contribuinte. Assim, quando se trata de rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte apenas informados na declaração de ajuste anual, sem que o interessado faça qualquer esforço em demonstrar que estariam contidos na totalidade dos depósitos objetos do lançamento, não vejo fundamento legal para excluir esses totais declarados da autuação. Entendo, ainda, que o fato de a autoridade fiscalizadora não ter formulado questionamento específico acerca desses rendimentos, quando a fiscalização gira em torno tão somente de depósitos bancários, não tem o condão de tornálos líquidos, certos e inquestionáveis para fins de aproveitamento, em sede recursal, dessas quantias para a redução do montante presumidamente omitido, pois, reafirmese, o ônus de comprovar a origem dos recursos utilizados em cada um dos depósitos bancários é do contribuinte. Assim, como se trata de quantias que não sofreram tributação no ajuste anual, indispensável exigir do contribuinte a prova que o socorreria. Importante registrar que situação diversa se verificaria na hipótese de o lançamento estar fundamentado em acréscimo patrimonial a descoberto, cujo ônus de demonstração é da autoridade lançadora. Nesses caso, se a autoridade fiscalizadora não formula questionamentos específicos acerca de rendimentos isentos, nãotributáveis ou tributados exclusivamente na fonte e simplesmente os desconsidera como origem de recursos, sem deixar registrado os fundamentos para tal, entendo que basta ao contribuinte invocar a declaração apresentada para obter êxito no recálculo do montante omitido. Há dúvida razoável militando a favor do contribuinte. Em se tratando da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, situação similar à exposta no parágrafo acima se dá em relação aos rendimentos tributáveis espontaneamente declarados passíveis de estarem contidos nos depósitos bancários objeto da autuação, mormente quando se trata de rendimentos percebidos de pessoas físicas ou que não sofreram retenção na fonte. Para tais rendimentos, oferecidos à tributação no ajuste anual, havendo dúvida razoável que estejam contidos na base de cálculo lançada, deve ser observado o disposto no art. 112, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 10 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifos acrescidos) Vale destacar que nas hipóteses em que do exame dos autos é possível verificar que os rendimentos oferecidos à tributação no ajuste anual não guardam nenhum correlação com aqueles objeto de lançamento, mormente quando já foram desconsiderados para fins de fiscalização diversos depósitos, ou até mesmo não foi incluída na autuação a conta bancária que era utilizada para a percepção de rendimentos do trabalho assalariado, tudo devidamente registrado e comprovado nos autos, entendo que é incabível até mesmo a exclusão dos rendimentos tributados no ajuste anual da base de cálculo lançada. Assim é porque, nessas circunstâncias, é possível formar a convicção que a base de cálculo lançada não contempla valores já tributados. Feitas essas considerações, acompanho o entendimento da Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin, tãosomente no tocante à exclusão da base de cálculo lançada dos rendimentos oferecidos à tributação nos ajustes anuais referentes aos exercícios 2004 e 2005, a saber, R$ 5.463,75 e R$ 2.540,00, respectivamente. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os montantes de R$ 5.463,75 e R$ 2.540,00, referentes aos anos calendário 2003 e 2004, respectivamente. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10530.722532/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA
CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.480
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e José Evande Carvalho Araujo. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 2 Relatório Inicialmente, registrese que o Acórdão recorrido encontrase às fls. numeradas como sendo 167 e 168, quando o correto seriam 169 e 170. Entretanto, tendo em vista a digitalização dos autos e a ausência de prejuízo, deixo de proceder à renumeração a partir do acórdão recorrido. AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$33.083,76, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários efetuados em contas de titularidade da contribuinte em relação aos quais a interessada regularmente intimada não logrou esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 119 a 139), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 167verso, fls. 174 do arquivo em PDF): 1. Era agente credenciada para a compra de mamona em nome da Bom Brasil Óleo de Mamona Ltda. Recebia os créditos em conta conjunta com o seu pai, e os repassava para os vendedores da matéria prima. Era assim empregada da empresa, não se caracterizando qualquer relação comercial que a pudesse equiparar a uma pessoa jurídica. 2. Para adquirir a mamona, sacava os valores depositados e se deslocava para as diversas localidades onde estavam os produtores. As eventuais sobras voltavam a ser depositadas em dinheiro para aquisições futuras. 3. O trânsito destes valores em sua conta corrente não representa a obtenção de renda, pois são recursos de terceiros. 4. O lançamento se baseia em meros depósitos, que não caracterizam renda. Não ficou também demonstrada qualquer variação patrimonial incompatível. Não possui sequer imóvel na região, conforme certidão que anexa, o que demonstra que não recebera os rendimentos que lhe são atribuídos no lançamento. Cita jurisprudência e Súmula 182 do extinto TFR. 5. É ilegal a presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, porque inexiste nexo lógico, direto e seguro entre depósitos bancários e a obtenção de rendimentos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma DRJ Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 167 e 168 (fls. 173 a 175 PDF), julgou procedente o lançamento. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 10530.722532/200911 Acórdão n.º 280101.480 S2TE01 Fl. 196 3 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 24/08/2009 (fls. 170, a saber, 178 do PDF), a contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 140) apresentou, em 05/09/2009, o Recurso de fls. 172 a 188 (fls. 181 a 196 do PDF), reafirmando, em síntese, que trabalhava como agente compradora credenciada da empresa Bom Brasil Óleo de Mamona Ltda, que era a responsável pelos depósitos efetuados nas contas da interessada (conjunta com o pai), valores esses que eram repassados aos vendedores de mamona. Pondera que, efetivamente, era apenas uma comissionada da referida empresa, havendo, portanto, uma relação de emprego, porém não regularizada. Informa que ajuizou, em 04/02/2009, ação trabalhista para receber as parcelas a que faz jus. Prossegue defendendo que depósitos bancários não representam renda, sendo ilegal a presunção em questão. Invoca doutrinas e jurisprudências, inclusive administrativa, para robustecer seus argumentos. Instruindo o recurso foram apresentados os documentos de fls. 189 a 193 (fls. 197 a 201, do PDF), a saber: cópia do acórdão recorrido e da correspondência que o acompanhou. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 193 (fls. 201 PDF) e contendo fls. 194, sem numeração (fls. 202 PDF), que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento, como relatado, referese a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem dos recursos não restou comprovada após regular intimação para que os titulares das contas o fizessem. No caso a recorrente alega que trabalhava como agente compradora credenciada da empresa Bom Brasil Óleo de Mamona Ltda, que era a responsável pelos depósitos efetuados nas contas da interessada (conjunta com o pai), valores esses que eram repassados aos vendedores de mamona. Informa que ajuizou, em 04/02/2009, ação trabalhista para receber as parcelas a que faz jus. Quanto a esses argumentos, registrese, a título de esclarecimentos, que conforme se depreende do Termo de Verificação de Infração de fls. 69 a 75, referente ao contribuinte Vicente Cosmo Andriola, pai da autuada, somente em relação à conta mantida em conjunto com a interessada, os depósitos bancários objeto de intimação para esclarecimento da origem dos recursos somaram R$20.569.931,28. Após esclarecimentos prestados, considerados inclusive os valores comprovadamente recebidos de Bom Brasil Óleo de Mamona Ltda., restou Fl. 205DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 4 comprovada a origem de depósitos no total de R$20.320.240,28. A diferença, R$249.691,00 é que foi objeto da autuação, na proporção de 50% para cada um dos cotitulares. A recorrente prossegue discordando da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996. Defende que depósitos bancários não representariam renda ou acréscimo patrimonial, portanto, fato gerador do imposto de renda. Ora, a matéria em questão não é nova e já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho que exarou a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto a posições doutrinárias e jurisprudenciais invocadas, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 206DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES
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Numero do processo: 10283.004772/00-64
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-02.067
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos tennos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos tennos do voto do relator. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Susy Gomes Hoffmann e Priscila Taveira Crisástomo (Suplente). Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Processo n.o 10283.004772/00-64 Resolução n.o 301-2.067 RELATÓRIO CC03/COI Fls. 183 • • Trata-se de eXlgencia do Imposto Territorial Rural do exerClClO de 1995 efetuada mediante notificação de lançamento, no valor de R$ 9'0.335,73 (fl. 7), referente ao imóvel denominado "Seringal Boa Vista", localizado em Guajará-Mirim/RO, com área de 3.800 ha (9.000 a partir de 1997) e registrado na SRF sob nº 3191220.6. o contribuinte impugnou o lançamento alegando que o valor do ITR está elevado (R$ 59,60/ha), motivado pelo cálculo com base em injustificável aumento do Valor da Terra Nua - VTN, arbitrado pela Secretaria da Receita Federal, e por ter sido tributada área de reserva florestal, alegando que o imóvel está localizado na Zona 4 do zoneamento Sócio- econômico-ecológico a que se refere a Lei Complementar nº 52/1991 do Estado de Rondônia, que amplia para 100% a zona de preservação ecológica. Pela Resolução nº 301-1.662, de 13/7/2006, desta Câmara, o julgamento foi convertido em diligência, tendo em vista que a declaração de fl. 91 do Incra, de que o imóvel está situado na Zona 4 de restrição ambiental, do zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico do Estado de Rondônia, não oferecia a devida convicção para a solução da lide. Decidiu-se pela diligência para que o Incra infonnasse: a) se a tão-só localização do imóvel na mencionada Zona 4, implicaria caracterizar tal imóvel como área de utilização limitada; b) como está classificado o imóvel nesse órgão; e c) na hipótese de estar classificado como área de reserva legal, se sua localização na Zona 4 excluiria a obrigação de averbação na sua matrícula. o Incra respondeu nos tennos do Ofício nº 1.819/SR(17)/G/INCRA, de 4/8/2007, da Superintendência Regional de Rondônia (fl. 144), no qual informou: e que de confonnidade com a Lei Complementar nº 52/91 do Governo de Rondônia, as áreas da Zona 4 tiveram uso restrito, sugerindo consulta junto à Sedam em vista da nova aproximação; e com relação à classificação dos imóveis, o que pode infonnar é a classificação por dimensão e produtividade, como segue: Grande Propriedade Improdutiva; e quanto à classificação por zona e a exclusão da averbação da reserva legal, sugere consulta junto à Sedam/RO. Solicitada a prestar infonnações, a Sedam respondeu pelo Ofício nº 1.104/GAB/SEDAM (fl. 147), encaminhando os documentos de fls. 148/174 e infonnando que em vista de sua inclusão na ação civil pública objeto do Processo nº 2004.41.00.001887-3, com liminar concedida em 2/8/2004 pela 1a Vara Federal de Rondônia, os imóveis que discrimina estão vetados de terem averbada a reserva legal. É o relatório. 2 Processo 11.° 10283.004772/00-64 Resolução 11.° 301-2.067 VOTO Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator CC03/COI Fls. 184 • • Verifico que, instado a se manifestar sobre se a localização do imóvel na Zona 4 do zoneamento Sócio-econômico-ecológico a que se refere a Lei Complementar nº 52/1991 do Estado de Rondônia implicaria caracterizar o imóvel como área de utilização limitada, o Incra respondeu que as áreas da Zona 4 tiveram uso restrito e sugere que seja feita consulta à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) do Governo de Rondônia. Por sua vez, a Sedam infonna os imóveis que estão incluídos em Ação Civil Pública em que houve concessão de liminar e que os imóveis ali citados estão vetados de averbarem a Reserva Legal, não acrescentando outras infonnações que tenham relação objetiva e eficaz com a diligência detenninada por esta Câmara. Entendo que o resultado da diligência não foi proficuo, de fonna que viesse a trazer os elementos suficientes para a devida convicção na solução da lide. Ao contrário, as infonuações resultantes da diligência mantiveram as dúvidas anteriormente surgidas. E diante da existência de dúvidas a respeito de matéria que envolve constituição de crédito tributário, é obrigação do julgador tentar a busca dos elementos necessários ao bom julgamento, de fonna a afastar as incertezas a respeito da matéria. Em vista do exposto, voto por que se converta o julgamento novamente em diligência à unidade da SRF de origem, a fim de que seja solicitada a manifestação do lhama: a) sobre a quantidade de áreas do imóvel "Seringal Boa Vista", com área de 3.800 ha (e de 9.000 ha a partir de 1997) e registrado na SRF sob nº 3191220.6, que estava registrada ou aceita por essa autarquia, no ano de 1994, como de reserva legal, de preservação pennanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (art. 11 da Lei nº 8.847/94); e b) sobre se a localização desse imóvel na Zona 4 do zoneamento Sócio- econômico-ecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar nº 52/1991 (art. 2º, IV, abaixo transcrito), implica ou é suficiente para reconhecê-lo como área de reserva legal, de preservação pennanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (este pedido deverá ser acompanhado das declarações de fls. 142/143). "Art. 21!. - A primeira aproximação do Zoneamento Sócio-Econômico- Ecológico de Rondônia, define 06 (sei",) zonas sócio-econômico- ecológicas, segundo as características regionais especificas e capacidade de ofertas ambientais próprias de cada zona, as quais apresentam os seguintes aspectos: ( ..) IV - Zona 4 - Caracterizada pela ocorrência, predominantemente de médias e grandes propriedades rurais, porém com baixa incidência de domínios privados, contrapondo ao alto índice de terras públicas, refletindo baixa intensidade ocupacional e rarefeita ação antrópica; ambiente de .floresta aberta e densa, com domínio .fitosionômico de espécies do extrativismo vegetal em ecossistemas frágeis; solo de baixa ()I/ 3 • • Processo n." 10283.004772/00-64 Resolução n." 301-2.067 fertilidade natural (distr~ficos) em relevos planos e ondulados. As terras desta zona, destinam-se à recuperação, ordenamento e desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo auto-sustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permite a pesca e agricultura de subsistência, sem alteração significativa do meio /isico, garantindo a auto-sustentação da unidade produtiva. Nesta zona o desmatamento .fica restrito a auto-sustentação da comunidade extra tivis ta, limitando a 5 ha por Unidade Produtiva, cujo excedente dependerá da aprovação baseada em estudos prévios, conforme legislação em vigor. " Sala das Sessões, em 13 de novembro de 2008 CC03/COl Fls. 185 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009182/2007-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO.
Devem ser excluídos do lançamento tributário decorrente de omissão de rendimentos apenas aqueles que foram, comprovadamente, oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.227,00, nos termos do voto da Relatora. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Devem ser excluídos do lançamento tributário decorrente de omissão de rendimentos apenas aqueles que foram, comprovadamente, oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Recurso provido em parte.
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COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Devem ser excluídos do lançamento tributário decorrente de omissão de rendimentos apenas aqueles que foram, comprovadamente, oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.227,00, nos termos do voto da Relatora. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 23/03/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 17.496,65, referente ao exercício de 2004, a título de imposto, acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado, da multa de mora, além de juros de mora. O lançamento é decorrente da constatação de omissão dos seguintes rendimentos: • R$ 14.710,32 da fonte pagadora Rio Grande do Sul Governo do Estado; • R$ 2.400,00 da fonte pagadora Unibanco AIG Seguros S.A.; • R$ 2.435,77 da fonte pagadora Grande Fratern. Univ.Fund. Dr. Serge de La Ferriere; • R$ 2.729,17 da fonte pagadora Unibanco AIG Previdência S.A. Também constatouse a compensação indevida de R$ 2.712,00 de imposto de renda retido na fonte. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: • O valor de R$ 2.400,00 de Aluguel recebido da empresa "Unibanco AIG Seguros S. A." não foi informado pela "Auxiliadora Predial". Porém, considerando que já foi pago o imposto por ocasião da retenção na fonte, defendeu não ser cabível nova tributação; • Constou na Declaração do IRPF, o valor líquido de R$ 22.344,61 recebido da organização "Grande Fraternidade Universal", pois houve a cobrança de R$ 2.132,30 a título de comissão, pela "Auxiliadora Predial", como consta no documento em anexo; • O valor de R$ 2.729,17 pago ao "Unibanco Previdência", é relativo à Previdência Privada, valor dedutível do IRPF. • O valor de R$ 14.710,32, relativo ao "Governo do Estado do Rio Grande do Sul", não foi informado para fins da Declaração do Imposto de Renda, pois o Estado do RGS somente informou a valor de R$ 24.912,00 referente à aposentadoria na "Secretaria da Saúde do RGS", como consta da Declaração do Imposto de Renda entregue; • O comprovante do valor de R$ 2.712,00, referente ao atendimento clínico na "Salux Serviço de Assistência Médica Ltda., foi extraviado. • Deve ser cancelada a exigência da multa de oficio e dos juros de mora, tendo em vista sua idade avançada de 92 anos, problemas de saúde, além das normas constantes de proteção ao idoso, conforme consta do "Estatuto do Idoso"; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 23/03/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.009182/200732 Acórdão n.º 280101.460 S2TE01 Fl. 68 3 A 4ª Turma da DRJ/Porto Alegre/RS, conforme Acórdão de fls. 33/35, julgou procedente em parte o lançamento para considerar na apuração do imposto o valor de R$ 2.132,30, referente à comissão paga para a imobiliária pelos aluguéis recebidos. Diminuindose a base de cálculo desse valor, apurouse uma redução do imposto lançado de R$ 586,38, reduzindose a multa de ofício e juros de mora proporcionalmente. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 07/03/2008 (fl. 39), o interessado, representado por seu procurador (fl. 43), interpôs recurso voluntário de fls. 40/42, em 07/04/2008, no qual assim se manifesta: “II — Paguei o valor de R$.6.838,75 representado pelo DARF na Declaração de Ajuste Anual referente ao Ano Base 2003, Exercício 2004, para uma Renda Bruta de R$.70.2678,57, em Declaração Simplificada, sendo do "INSS" R$.6.708,48; pela "UFRGS" foram R$.16.33 2,48; pelo "Governo do RGS" foram R$.24.923,00(1RF — R$.2.712,00); e pela "Grande Faternidade" foram R$. 22. 344,6 1 (IRF — R$. 2.119, 10). Na realidade, o rendimento do Governo do RGS foi de R$.27.406,32(IRF. R$.0,00). Portanto, houve a diferença de R$.2.483,32 para mais, a tributar; e exclusão do IRF de R$.2.712,00 por aproveitamento indevido. É que o "Governo do RGS" não tinha enviado, o comprovante dos Rendimentos de 2003, e foi arbitrado um valor semelhante ao recebido no ano de 2002. A "Auxiliadora Predial" não enviou o comprovante da renda de aluguel de R.2.400,00 referente ao ano de 2003, recebido do Unibanco. O "Grande Oriente Universal" pagou aluguel de R$ 24.780,38(segundo o Fisco), mas houve a despesa de cobrança, da "Auxiliadora Predial" de R$.2.132,30(comissão), ficando um valor líquido de R$.22.648,08; informei um valor líquido de R$.22.344,61, porque a "Auxiliadora Predial" informou o aluguel total de R$.24.476,91 o que dá a diferença de R$303,47 entre o valor informado, e o valor indicado pelo Fisco. Resumindo, as diferenças existentes entre as declaradas e as consideradas pelo Fisco, são as seguintes: Diferença para mais, no rendimento do Governo do RGS — R$.2.483,32: Omissão do rendimento do aluguel do Unibanco — R$.2.400,00: Diferença para mais, no aluguel da Grande Fraternidade, de R$.303,47; Declarado IRF não havido, no Governo do RGS, valor de R$.2.712,00. Concluindo, o total das diferenças, omissões e aproveitamento indevido, é R$.7.898,79 que à alíquota de 27,5% importa em Cr$ 5.726,62 de tributo a pagar, mas não R$.8.273,33 como o Fisco atesta na Notificação de Lançamento n°.2004/610450424454044, que, com multa e juros, não pode ser de R$.17.496.,65. Julgo que deve ter havido um equívoco de valor, por parte do Fisco.” É o relatório. Voto Fl. 80DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 23/03/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida, restaram confirmados os seguintes valores a título de omissão de rendimentos: • R$ 14.710,32 da fonte pagadora Rio Grande do Sul Governo do Estado; • R$ 2.400,00 da fonte pagadora Unibanco AIG Seguros S.A.; • R$ 303,47 da fonte pagadora Grande Fratern. Univ.Fund. Dr. Serge de La Ferriere; • R$ 2.729,17 da fonte pagadora Unibanco AIG Previdência S.A. O recorrente concorda apenas como os seguinte valores: • R$ 2.483,32 da fonte pagadora Rio Grande do Sul Governo do Estado; • R$ 2.400,00 da fonte pagadora Unibanco AIG Seguros S.A.; • R$ 303,47 da fonte pagadora Grande Fratern. Univ.Fund. Dr. Serge de La Ferriere. O interessado não apresenta qualquer justificativa relativamente à omissão de rendimentos no valor R$ 2.729,17, oriundos da fonte pagadora fonte pagadora Unibanco AIG Previdência S.A., constantes da DIRF apresentada pela referida empresa, cujos dados estão registrados no documento de fl. 25. Assim, por falta de elementos de prova em contrário, considerase acertado o correspondente lançamento. Em relação à omissão de rendimentos provenientes da fonte pagadora “Rio Grande do Sul Governo do Estado”, o recorrente afirma que o rendimento totaliza a importância de R$ 27.406,32, não havendo imposto de renda retido na fonte. O comprovante de Rendimentos de fl. 52, emitido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, ratifica esta informação, razão pela qual se deve acolher o argumento do contribuinte para considerar omitida apenas a parcela de R$ 2.483,32 e não o valor de R$ 14.710,32, excluindo, portanto, da base de cálculo o valor de R$ 12.227,00. No tocante à compensação indevida de R$ 2.712,00 de imposto de renda retido na fonte pela empresa Salux Serviço de Assistência Médica Ltda., o contribuinte concorda com a glosa, portanto, tratase de matéria não litigiosa. Ressaltese, por fim, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 23/03/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.009182/200732 Acórdão n.º 280101.460 S2TE01 Fl. 69 5 A cobrança dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 30 da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.227,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 82DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 23/03/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10580.012456/2003-43
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/12/2002
PIS. SEMESTRALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como e por conseqüência lógica, reconheceram a manutenção da Lei Complementar nº 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo.
VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO APENAS QUANDO LIQUIDADO O CONTRATO CAMBIAL.
As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira apenas passam a compor a base de cálculo da contribuição para o PIS no momento da liquidação do contrato cambial, sendo que, antes deste fato, não há que se falar em “ganho” ou “receita tributável”, mas sim em expectativa de “ganho” e de “receita”.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Tratando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário - constitucionalidade da Lei nº 9.718/98 -, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política.
IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A simples argumentação de compensação sem a correspondente comprovação documental do procedimento não é suficiente para a extinção do crédito tributário.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-81.376
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e H) na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a semestralidade do PIS.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10580.012456/2003-43 . Recurso 110 136.917 Voluntário • , . Matéria PIS/Pasep Acórdão n° 201-81376 - • • Sessão de 03 de setembro de 2008 - , Recorrente • RIO DOCE MANGANÊS S/A Recorrida DRJ em Salvador - BA , , . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASÉP .. r. . • Período de apuração: 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a . 31/12/2002 • PIS. SEMESTRALIDADE. APLICAÇÃO DA SUMULA N2-11 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONtRIBUINTES. Devem ser respeitadas as decisões do Supremo :Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inéonstitucionalidade dos '.. Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como e por conseqüência lógica, reconheceram a manutenção da Lei Complementai. n2 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo. VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO APENAS . QUANDO LIQUIDADO O CONTRATO CAMBIAL. As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira apenas . passam a compor a base de cálculo da contribuição para o PIS . no momento da liquidação do contrato cambial, sendo que, antes deste fato, não há que se falar em "ganho" ou "receita tributável", mas sim em expectativa de "ganho" e de "receita"; AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. . Tratando-se de matena submetida a apreciação do Poder Judiciário - constitucionalidade da Lei n2 9.718/98 -, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da , unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. L n,\.) „ ' . '•''' '' , ':' Processo n° 10580.012456/2003-43 ) C_ONE=EL)" n0"DE.00,0N18-0-iNTES CC 02/C0 I :f..: . '. ... . Acórdão n.° 201-81.376 • ••- •..., • •• • ' - . • , ' ' -• -̀ ''''''''..., 41».--).C•1•49..QRr9,11f4.1. 1 Fls. 2.042 •:•,,':::::,::•'; ..- :':;.•,' . ' • • ' E'. n ` li '00 " ' - .....,:.. • Nga0 • ' . 1-- . ,•. • ... . ... .,..... •.'". ' '' tt4t,; Swpa 51745 -. .,'"!" .. ''. ' . IMPOSSIBII.,ID—ÃDS-15r—COMP~ÃO. AUSÊNCIA DE, „.... , COMPROVAÇÃO. i..-2',. . • A simples argumentação de compensação sem a correspondente.. .‘ comprovação documental . do procedimento não é suficiente para . a extinção do crédito tributário. . ., . Recurso provido em parte. , . ' Vistos relatados e discutidos os presentes autos. . .. ' ACORDAM os Membros , da , 'PRIMEIRA CÂMARA do :SEGUNDO ..... '', • CONSELHO DE CONTRIBUINTES; por unanimidade de votos: I) em não. conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; ,e II) na parte 'Conhecida, em ... , dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Sernestralidade do PIS:: . , utapet,0..-..'• '..,-.. ', . . 'I ; ._ f 1 • Q,till reja,01.4,CU" 01QA1 OSE ' A MARIA COELHO MARQUE *. : .... Presidente . : ! , .. . 1 I . . ' FABIOLA CASS 4 ' O KERAMIDAS Relatora, . ,.. ... , ...- ' Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da ‘ • '' '. ‘ Silva, MauríCio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco,... . . Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. , 2 I 1. . . . Processo n° 10580.012456/2003-43' &Mr. Sifta fttcárdão n.°201-81.376 CCO2/C0 1 - CUNTR/BUNTES F1s. 2.043 " - cxcke 7:- • ,:ç23 _00 MaL Siape, Relatório , • . „ Trata-se de auto de infração (fls. 06/16, vol. I) lavrado contra a recorrente para o fim de exigir a cobrança da contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, pertinente , • aos •períodos de apuração , de agosto, setembro e dezembro de 1999, e janeiro de 2000 a „ dezembro de 2002. , • As autuantes informam no Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/20, vol. I) que, a partir dos balancetes mensais apresentados Pela fiscalizada, foi apurada a base de cálculo e a contribuição devida no período, posteriormente confrontada com os valores informados pela • recorrente, conforme demonstrativo às fls: :21/24, vol. I, por ela conferido e com o qual concordou. . Acrescentam, ainda, que a recorrente informou ter adotado o regime de, • : • competência para a tributação das variações . cambiais. Desta forma, nos meses em que o : movimento das contas contábeis que registram as variações cambiais foi devedor, os valores 'não foram considerados na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS, o mesmo • . ocorrendo quanto ao saldo negativo das contas que registram as receitas financeiras, em relação, ' ao ano-cãendário de 2002.. . , • Segundo as autuantes, nos autos do Mandado de Segurança n2• .,• 1999.33.00.014723-2 (fls. 41/59, vol. I) a recorrente obteve decisão judicial com trânsito em • julgado em janeiro de 2003 reconhecendo seu direito à compensação dos valores recolhidos a maior com base nos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2A49, de 1988, com débitos da mesma . contribuição.' .. Intimada em 22/04/2003, 03/07/2003 e 11/09/2003 a apresentar demonstrativo • dos créditos do PIS, sua correção monetária e os valores compensados, a recorrente apresentou , , planilha sem indicar, contudo, o período de apuração &que correspondia cada base de cálculo e • - o vencimento do PIS, razão pela qual foram solicitados novos esclarecimentos, por meio do termo de intimação fiscal n° 04/2003 (fls. 85/86, vol. I). A recorrente não apresentou os balancetes referentes à base de cálculo que - comporia o crédito do PIS, solicitados em 27/10/2003 e 05/11/2003 e por meio dos termos de intimação n2s 07/2003 e 08/2003. Em razão: deste fato a Fiscalização desconsiderou os valores indicados pela , recorrente como relativos :aos créditos decorrentes dos referidos decretos-leis, ou seja, tais• '• valores não foram considerados quando da lavratura do auto de infração • ' No "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" (fls. 25/28, vol. I) estão evidenciadas outras diferenças levantadas pela Fiscalização. • . . . • .- , •...• • • Inconformada, a recorrente apresentou suas razões de impugnação as • fls.. ,199/215., , vol. I, alegando; em síntese:, a) que não foram consideradas as compensações de parcelas vincendas do PIS e • • . • da Cofins com crédito presumido do IPI, processos administrativos às fls. 357/377, vol. II;„ :-.." • 2Y: 3 ^ - MF - SraRsif.)0 COt st$1.11:012E: C014117tBUINTES Processo n° 10580.012456/200i-43 , . CX;;,,,'Frlá.: e.:01 O ORigINAL ' CCO2/C01 , ' s Acórdão n.° 20141.376 . ',4011)n - ` .,2p51..9 Fls. 2.044 iiviO , b) os pedidos de trrrip-~o estão sendo analisados pela SRF e naqueles já " julgados as diferenças do PIS e da Cofins não compensadas foram lançadas em autos de . infração próprios, razão pela qual a lavratura do presente auto de infração cobrando estas mesmas parcelas significa duplicidade de lançamento; . , c) em face de entendimento equivocado da Receita Federal, não foi acatado todo, , o crédito do IPI apontado inicialmente pela contribuinte tendo havido o lançamento fiscal dos ' valores do PIS e da Cofins cuja compensação' não foi admitida, objeto do Processo n2 10580.004220/00-83 (fls. 379/402); d) nos autos do Mandado de Segurança n2 1999.33.00.014723-2 foi proferida sentença autorizando a compensação de crédito do PIS com débitos do próprio PIS, não . ' podendo, sob qualquer justificativa ser desconsiderado o procedimento da contribuinte e lançados de oficio os valores compensados, conforme planilha às fls. 243/245, vol. I, e documentos às fls 248/334 vol I e II-, • , • , '. e) na apuração das bases de cálculo, as autuantes cometeram erros em relação, aos períodos de apuração de agosto de 2001, outubro de 2001, dezembro de 2001, março e • abril de 2002, e outubro de 2002, conforme valores discriminados na peça impugnatória; . f) quanto às variações cambiais e deduções para fins de tributação, o art. 92 da Lei n2 9.718/98 é claro, não permitindo qualquer dúvida quanto ao tratamento tributário a ser dado a tais variações cambiais, que podem ser contabilizadas como receitas ou despesas financeiras, a depender da variação positiva ou negativa, gerando assim um crédito (receita) ou '. um debito (despesa) para a contribuinte; g) logo, é inconcebiv. el o tratamento dado pela Fiscalização à questão, ao simplesmente desconsiderar o movimento das contas contabeis nos meses em que se verifica saldo devedor, pois a possibilidade de se considerar tais variações negativas como despesas. . " financeiras e deduzi-las para fins de composição da base de cálculo do PIS e da Cofins é taxativamente prevista no citado artigo 92; h) a adoção do regime de caixa ou de competência não pode ser determinado pela SRF, nem pode influir no resultado da contabilização das variações cambiais ativas ou passivas; -, . s " i) não se alegue que o AD SR.F n2 79, de 1999, ampararia o procedimento da ' Fiscalização, pois definida em lei a forma de composição da base de cálculo dos impostos e contribuições, com a explicitação de quais receitas ou despesas deverão ser consideradas na . apuração da receita financeira, pois não cabe à administração pública, por meio de qualquer, „ dos atos ou normas hierarquicamente inferiores, dar amplitude ou restringir o quantum , determinado em lei, sendo aceitável, no máximo, a sua interpretação; e . j) desta forma tem-se certa a possibilidade de dedução dos saldos devedores da . . ,, .. conta contabil das receitas não operacionais, a fim de que a contribuinte não sofra tributação sobre valores que não representam efetivo ganho financeiro (receita financeira).. .. . , . Ao final, requer a recorrente a realização de diligências, requerendo, ainda, caso_ - se faça necessária, a realização de prova pericial e juntada de documentos comprobatórios. • , - SeGUNDO CONS-E1:40 , DE CONTRIBUINTES, CONFERZ CO1',4 O 12RIGINAL - Processo n° 10580 012456/2003-43 Br tha/ CCO2/C01 , Acórdão n.° 201 -81 376 - ' 411 As 2 045 Por meio do Despacho DRJ/SDR n2 028/2004 (fls. 1.596/1.598, vol. V), foi determinada a realização de diligência para elucidar as questões apresentadas pela recorrente. Em cumprimento à diligência, foram anexados os documentos de fls. 1.601/1.929, vol. VI e - VII. Constatações do agente do Fisco estão sintetizadas no Termo de Encerramento de • Diligência às fls. 1.603/1.606 vol. VI e sobre o qual manifestou-se a autuada em 13/04/2005 (documentos às fls. 1.931/1.945, vol. VII). •• Posteriormente, em 24/01/2006, a requerente apresentou o requerimento de fls. 1.951/1.952, vol. VII, anexando despacho proferido nos autos do Mandado de Segurança n2 99.14723-2 (fls. 1.953/1.955, vol. VII), que corroboraria sua tese sustentada quanto à semestralidade na apuração da base de cálculo do crédito do PIS, alegando, ainda, a - inconstitucionalidade da cobrança do PIS, nos termos da Lei n2 9.718, de 1998, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. , -• A diligência realizada constatou que os valores compensados com PIS , decorriam dos créditos do PIS calculados na forma da Semestralidade, findou-se, portanto, a controvérsia acerca da natureza destes créditos em razão da não apresentação de documentos por parte da recorrente. Todavia, ainda assim, a Fiscalização entende que os créditos que a recorrente possui não existem, pois não é possível adotar o critério da semestralidade para sua apuração. , Após analisar a inconformidade apresentada, bem como o resultado da , diligência, a DRJ em Salvador - BA proferiu o Acórdão n 2 10.546 às fls. 1.714/1.721, vol. VI, o qual contou com a seguinte ementa: "VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO., . As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da contribuição para o PIS, e, se tributadas pelo regime de competênCia, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. Por absoluta falta de amparo legal, não pode a pessoa jurídica excluir ' da base de cálculo da contribuição para o PIS as variações cambiais passivas. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Tratando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Aldiciário, _ não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao merito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. • BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. Constatado erro de fato na apuração da base de cálculo do lançamento , . de oficio cancela-se o valor indevidamente tributado. Lançamento Parcialmente Procedente". Para tal decisão os ínclitos julgadores de primeira instância administrativa basearam-se nos seguintes argumentos: (i) a variação cambial deve seguir o regime de , • Processo n° 10580.012456/200343 CC)Ngtii,R 1 :,c L'ez CONrRistit„ CCO2/C01 Acórdão n.° 201 -81.376 2oBi Fls. 2.046 gut..14'02,ca n- competência, sem a dedução das variações passivi/gts:('' serilestrali ade não pode ser utilizada5 para o cálculo da contribuição ao PIS, mesmo que os Decretos- e s n 2s 2.445 e 2.449, de 1988, tenham sido declarados inconstitucionais; (iii) os processos administrativos de compensação de PIS com créditos de IPI citados pela recorrente como razão para o cancelamento de parte do auto de infração não existem; (iv) os erros contábeis realizados pela Fiscalização justificam a retificação dos valores, os quais devem ser retificados; e (vi) a recorrente possui mandado de - segurança discutindo a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins trazida pela Lei n2 9.718/98 o que impede a apreciação da matéria por meio deste recurso em virtude da concomitância. É o Relatói-io. • , , , , , Processo e 10580.012456/2003-43 YNDO CO ,c7/ ' Voto CON'rRi Fls 2 047 Acórdão n ° 201-81 376 - , • erar.ifia ÕRICIN„,11 BUINTES ' . . ' • Conselheira FABIOLA CASSIANO KERANIIDAS, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em , lei, razão pela qual dele conheço. Após analisar detidamente os autos deste processo, constato que a discussão administrativa restou limitada aos seguintes tópicos: (i) possibilidade de aplicação da . semestralidade para o cálculo da base da contribuição ao PIS quando da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988; (ii) forma de tributação da variação cambial, quando se trata de PIS e Cofins; se por regime de competência ou de caixa; e (iii) existência ou não dos processos de compensação dos valores de PIS com . crédito de IPI. A seguir, passo à análise individual de cada tópico. • (i) da aplicação da semestralidade. : Adentrando ao mérito, percebo que a questão principal debatida nestes autos está restrita à possibilidade - ou não - de aplicação do critério da semestralidade para fim de cálculo do crédito existente a favor da recorrente e que foi utilizado para a compensação da Cofins no período de setembro de 1995 até dezembro de 2001. Importa mencionar que não há dúvida em relação ao quantum ou à natureza do , valor autuado, ou seja, não se discute mais, neste momento processual, se todos os valores autuados de PIS neste período decorrem mesmo da aplicação da semestralidade na base de cálculo do período antes exigido por meio dos referidos decretos-leis. Ou seja, todos os valores exigidos no período de setembro de 1995 a dezembro de 2001 estão abrangidos nesta , discussão. Registra-se que não há divergência em relação à constitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, mas apenas se, ao deixar de aplicar estes decretos-leis, automaticamente os contribuintes estão habilitados a calcular o PIS devido com o antigo critério da semestralidade da base de ^cálculo. É cediço que a Secretaria da Receita Federal defendia - e por vezes ainda defende - o entendimento de impossibilidade de aplicação da semestralidade para o cálculo da base do PIS no período então abrangido" pelos decretos-leis citados. Todavia, também é conhecido que este entendimento não encontrou guarida na jurisprudência administrativa ou • • judicial, 'conforme se depreende dos seguintes julgados desta Câmara e da Câmara Superior de . , • Recursos Fiscais, verbis: "PIS/FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. COMPENSAÇÃO. A base de cálculo dá Contribuiçã o ao PIS, eleita - pela Lei Complementar n° 7/70, art. 6", parágrafo único CA contribuição de julho será calculada com base no faturamento de kisik) 7 . . _ • Processo n° 10580.012456/2003-43 N)49zi C'C.W' O ao ,C°Annteumr CCO2/C0 1 Acórdão n 201-81 376 ' '`/GiN , AL fE'S 174.5 FIs 2048 janeiro, a de agosto com base no faturamen crcle—fezereiro, assim sucessivamente'), é o faturamento verificado no 6° mês a—n-terio. r ao da " incidência o qual permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição - da MP n° 1.212/95, quando, a partir de então, o faturamento do mês anterior passou a ser considerado para sua apuração. O indeferimento do pedido de compensação fundou-se na ' desconsideração da semestralidade do PIS prevista na Lei , Complementar n° 7/70, tornando-o insubsistente Recurso provido." (Recurso n2 121.720, 12 Câmara do Segundo Conselho de ' Contribuintes, Relator Antonio Mario de Abreu Pinto, data da sessão: . 07/11/2002, decisão por maioria de votos) (negritei) "PIS - SEMESTRALIDADE - BASE DE CALCULO - CORREÇÃO . MONETÁRIA. É uníssona a jurisprudência do egrégio STJ, assim como desta colenda Corte, no sentido o art. 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n" 7/70, não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas sim à sua base de cálculo, sem correção monetária. Recurso negado." (Recurso n2 201-116.444, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relator Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva, data da sessão: 24/01/2005, decisão unânime) Ainda neste sentido impera esclarecer que o Segundo Conselho de Contribuintes recentemente aprovou, dentre suas súmulas, um enunciado tratando da matéria, a saber: _ -A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6' da Lei Complementar n o 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária." • No caso específico em análise, ainda mais do que as jurisprudências administrativa e judicial genéricas, a recorrente possuía garantido o direito de compensar o . crédito de PIS - que apenas existia em virtude da aplicação do critério da semestralidade - com a Cofins em razão de decisão transitada em julgado proferida nos autos do Mandado de Segurança n-2 99.61.02.003182-5 (fls. 1.390/1.400, 1.449/1.459 e 1 .462, vol. V). Desta forma, parece-me indiscutível o direito da recorrente ao crédito de PIS pleiteado. Tendo em vista, ainda, que dos autos depreende-se que o valor autuado o foi justamente por decorrência da desconsideração da aplicação da semestralidade, o que me leva a concluir que o auto deve ser totalmente cancelado em relação a estes valores, sendo desnecessário a Fiscalização proceder mais cálculos neste sentido.- , • (ii) tributação da variação cambial. " Compõe ainda o auto de infração, conforme indicado nos termos do relatório, valores -relativos ao PIS e à Cotins que seriam decorrentes da aplicação do regime de competência à variação cambial. Importa esclarecer que tal , questão inclui-se - como reflexo inevitavel - a discussão judicial que está sendo travada pela recorrente contra a ampliação da base de cálculo da Lei n2 9.718/98. Esclareço, portanto, que meu entendimento é no sentido de que a decisão que vier a ser proferida na ação judicial abrangera o presente auto de infração, razão pela qual a , . matena não pode ser conhecida por este Colegiado, pela concomitância e preferência do, entendimento judicial sobre o administrativo. . , , , Processo n° 10580.012456/2003-43 CONTRIeViArrè. CCO2/C0 1 Acórdão n ° 20141 376 ORIGlAt Mat,. (iii) da compensação dos valores de PIS com crédito-de4P-L__54 Por último a recorrente ainda discute em suas razões de recurso voluntário, acerca da impossibilidade de manutenção do auto de infração em razão da compensação dos valores exigidos com creditos de IPI. Tal alegação possui um impeditivo fático. Da análise dos documentos acostados , aos autos, verifiquei estarem corretas as alegações das autoridades administrativas quando da prolação do v. Acórdão pela douta Delegacia de Julgamento, isto é, não existe o crédito mencionado pela recorrente. Os processos administrativos trazidos à colação não justificam o não recolhimento de PIS e Cofins porque tratam de compensação de créditos de IPI com débitos de IPI, sem qualquer relação com as contribuições sociais exigidas por meio do presente auto de infração. Desta forma, indefiro os pedidos decorrentes da alegação de compensação dos . débitos de PIS e Cofins com créditos de IPI, devendo o auto de infração ser mantido neste particular " Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente para o fim de: (i) cancelar os valores decorrentes da compensação de PIS, em razão de entender pela aplicação do critério da semestralidade; (ii) não conhecer da discussão acerca da constitucionalidade da Lei n(2 9.718/98, bem como dos valores exigidos a título de PIS e Cofins em decorrência da variação cambial, por se tratar de reflexo da decisão , judicial; e (iii) manter os valores lançados em razão da inexistência de compensação • • r • administrativa com creditos de IP'. E o meu voto. Sala das Sessões em 03 de setembro de 2008 FABIOLA CAS NO KERAMIDAS tiy a • Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1
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Numero do processo: 12963.000776/2010-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26 A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração á legislação tributário previdenciária
deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação
diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.329
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26 A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributárioprevidenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000775/201066 Acórdão n.º 240301.329 S2C4T3 Fl. 246 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CONDOMÍNIO OPERACIONAL DO MINAS SUL SHOPPING contra Acórdão nº 0937.574 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Juiz de Fora MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.273.2496, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 14.107,77. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente em função de que a empresa ter deixado de apresentar os documentos adiante elencados exigidos através dos Termos de Intimação Fiscal TIF: COMPETÊN CIA VALOR OBSERVAÇÃO (CONTA CONTÁBIL, DATA LANÇAMENTO, BENEFICIÁRIO, ETC. 200609 2.500,00 ct 3301010005 30.9.06Gratific desempenho perform condominio Leonardo Braga 200610 2.500,00 ct 3301010005 31.10.06Gratific desempenho perform condominio Leonardo Braga 200611 2.500,00 ct 3301010005 30.11.06Gratific desempenho perform condominio Leonardo Braga 200612 2.375,32 ct 330101000515.12.06Gratif Natal Superint Leonardo Braga Desemp condom 200612 5.000,00 ct 330101000515.12.06Superint Leonardo BragaDesemp condom 200611 50,00 ct 330101000724.11.06Pagto Marco Antonio Dias Paivaserv recepcionista 200609 600,00 ct 330101001230.06.06 Honorários contábeis 200612 360,00 ct 330102000414.12.06ch 850005Antonio Domingos nicilalserv tratamento piso 200611 500,00 ct 330102000709.11.06Pagto Arlete Alves Onofrelimpeza tubulações 200609 3.500,00 ct 330107000330.09.06Rec Júnior Cesar Bastos Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 200612 2.932,47 ct 330107000301.12.06Gratif Natal Júnior Cesar Bastos 200705 75,86 ct 416010009 04.05.07 Pagto despesa cl manutenção segurança 200705 70,85 ct 416010009 04.05.07 Pagto despesa cl manutenção 200705 344,07 ct 416010009 17.05.07 Pagto despesa cl manutenção 200706 83,81 ct 416010009 14.06.07 Pagto despesa cl manutenção Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 09 a 09, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0611200.2010.00161. A Recorrente teve ciência deste AIOA em 27.11.2010, conforme Aviso de recebimento – AR nº SR392390492BR. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 a 05, é de 09/2006 a 06/2007. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, onde alega, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Alega o caráter confiscatório da multa aplicada e inobservância dos princípios da razoabilidade, previsto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e do não confisco, previsto no inciso IV do art. 150 da CRFB. (ii) Entende que a hipótese não é a de não apresentação de documentos, mas de suposta apresentação insuficiente de registros, não tendo havido dolo, pelo que a multa, caso cabível, deve ser configurada em patamar inferior ao considerado pela autoridade fiscal, que agiu com excesso de rigor. (iii) Considera, em razão de seu caráter confiscatório, ilegal e inconstitucional a multa aplicada, pelo que deve ser julgado insubsistente o Auto de Infração ou reduzida a multa aplicada. Houve solicitação de Diligência Fiscal através do Despacho nº 102 da Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora para que a autoridade fiscal esclarecesse se os valores apurados na presente autuação, até a competência 11/2008, foram incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009. Ainda, em razão da contestação do valor de R$ 940,00 lançado como Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000775/201066 Acórdão n.º 240301.329 S2C4T3 Fl. 247 5 bonificação na competência 03/2009, solicitouse a explicitação do documento utilizado na apuração da contribuição e sua juntada aos autos. A Informação Fiscal informa que os valores apurados no procedimento fiscal não foram declarados em GFIP até o início da ação fiscal e não foram incluídos na base de cálculo apurada nas Folhas de Pagamento, não sendo assim reconhecidos pela empresa. Informa ainda que, não obstante o exposto, conforme cronograma estabelecido pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 02, de 03/02/2011, caberá às pessoas jurídicas optantes pelas modalidades de parcelamento previstas nos artigos 1º ou 3º da Lei nº 11.941, de 2009, ou pelos artigos 1º e 3º da MP Nº 449, de 2008, prestar informações necessárias à consolidação, tais como selecionar os débitos parceláveis e indicar o número de prestações no período compreendido entre os dias 06 a 29 de julho de 2011, conforme consta nas Orientações sobre as regras para consolidação dos débitos, disponíveis no site da RFB na internet (fls. 164/166). Relativamente ao valor de R$ 940,00 lançado na competência 03/2009, esclarece que, conforme descrito no Relatório Fiscal, tal valor foi verificado na Folha de Pagamento, como pagamento de “bonificação” nos códigos indicados. Anexa a Folha de Pagamento da referida competência. O contribuinte foi cientificado da Informação Fiscal e se manifestou reiterando a argumentação em sede de Impugnação. Houve uma nova solicitação de Diligência Fiscal para o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT, conforme Despacho nº 144, para que a autoridade competente se manifestasse acerca ses valores apurados na presente autuação, até a competência 11/2008, foram ou não incluídos no Parcelamento Especial da Lei nº 11.941, de 2009. A Informação Fiscal, citando a Lei nº 11.941, de 2009, artigos 5º e 12; a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, art. 15, § 3º; a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro de 2011, art. 1º, V, c/c art. 9º, informa que, por meio do envio de mensagem eletrônica, em 06/07/2011, o contribuinte foi cientificado de que deveria apresentar as informações necessárias à consolidação do parcelamento, até 29/07/2011, conforme tela anexa às fls. 190. O despacho assim destaca: Por meio de consulta ao site da Receita Federal do Brasil, verificamos que o prazo em questão transcorreu sem que contribuinte em referência apresentasse as informações necessárias à consolidação do parcelamento (não indicou nenhum débito para ser incluído no parcelamento declarado por meio de GFIP ou lançado pela fiscalização nem prestou as demais informações) razão pela qual, em consonância com o § 3o do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6/2009, seu pedido de parcelamento pela Lei n° 11.941/2009 encontrase cancelado. POR TODO EXPOSTO... ESCLARECEMOS QUE O CONTRIBUINTE NÃO ESTÁ ENQUADRADO NO PARCELAMENTO DE QUE TRATA A LEI N° 11.941/2009. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 O contribuinte foi cientificado desta Informação Fiscal se manifestou reiterando a argumentação em sede de Impugnação, no sentido de que cumpriu todas as etapas previstas para a efetivação do parcelamento especial, tendo acessado o site da Receita Federal do Brasil para cumprir o disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 02/2011, a qual fixou o período de 06/07 a 29/07/2011, a fim de consolidar seus débitos, mas “perante o sistema da RFB o mesmo acusou que não haviam débitos a consolidar, situação em que o contribuinte nada pode fazer. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0937.574 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Juiz de Fora MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2010 DEBCAD 37.273.2496 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração, punível com multa, a empresa deixar de apresentar documento relacionado com as contribuições previdenciárias. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário,, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da multa de caráter confiscatório. Alega o caráter confiscatório da multa aplicada e inobservância dos princípios da razoabilidade, previsto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e do não confisco, previsto no inciso IV do art. 150 da CRFB. Entende que a hipótese não é a de não apresentação de documentos, mas de suposta apresentação insuficiente de registros, não tendo havido dolo, pelo que a multa, caso cabível, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000775/201066 Acórdão n.º 240301.329 S2C4T3 Fl. 248 7 deve ser configurada em patamar inferior ao considerado pela autoridade fiscal, que agiu com excesso de rigor. Considera, em razão de seu caráter confiscatório, ilegal e inconstitucional a multa aplicada, pelo que deve ser julgado insubsistente o Auto de Infração ou reduzida a multa aplicada. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação da RFB: Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da violação de princípios constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000775/201066 Acórdão n.º 240301.329 S2C4T3 Fl. 249 9 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Do Preceito fundamental à lavratura do Auto de Infração De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIPF –Termo de Início do Procedimento Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEPF –Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000775/201066 Acórdão n.º 240301.329 S2C4T3 Fl. 250 11 do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. DO MÉRITO (i) Da multa de caráter confiscatório. Alega o caráter confiscatório da multa aplicada e inobservância dos princípios da razoabilidade, previsto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e do não confisco, previsto no inciso IV do art. 150 da CRFB. Entende que a hipótese não é a de não apresentação de documentos, mas de suposta apresentação insuficiente de registros, não tendo havido dolo, pelo que a multa, caso cabível, deve ser configurada em patamar inferior ao considerado pela autoridade fiscal, que agiu com excesso de rigor. Considera, em razão de seu caráter confiscatório, ilegal e inconstitucional a multa aplicada, pelo que deve ser julgado insubsistente o Auto de Infração ou reduzida a multa aplicada. Analisemos. Em relação às questões de inconstitucionalidade, já se analisou no tópico (A). A Recorrente alega que a hipótese não se refere a não apresentação de documentos, mas sim de apresentação insuficiente de documentos o que ensejaria a aplicação de multa em patamar inferior. Não obstante a argumentação da Recorrente, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente em função de que a empresa ter deixado de apresentar os documentos adiante elencados exigidos através dos Termos de Intimação Fiscal TIF: COMPETÊN CIA VALOR OBSERVAÇÃO (CONTA CONTÁBIL, DATA LANÇAMENTO, BENEFICIÁRIO, ETC. 200609 2.500,00 ct 3301010005 30.9.06Gratific desempenho perform condominio Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Leonardo Braga 200610 2.500,00 ct 3301010005 31.10.06Gratific desempenho perform condominio Leonardo Braga 200611 2.500,00 ct 3301010005 30.11.06Gratific desempenho perform condominio Leonardo Braga 200612 2.375,32 ct 330101000515.12.06Gratif Natal Superint Leonardo Braga Desemp condom 200612 5.000,00 ct 330101000515.12.06Superint Leonardo BragaDesemp condom 200611 50,00 ct 330101000724.11.06Pagto Marco Antonio Dias Paivaserv recepcionista 200609 600,00 ct 330101001230.06.06 Honorários contábeis 200612 360,00 ct 330102000414.12.06ch 850005Antonio Domingos nicilalserv tratamento piso 200611 500,00 ct 330102000709.11.06Pagto Arlete Alves Onofrelimpeza tubulações 200609 3.500,00 ct 330107000330.09.06Rec Júnior Cesar Bastos 200612 2.932,47 ct 330107000301.12.06Gratif Natal Júnior Cesar Bastos 200705 75,86 ct 416010009 04.05.07 Pagto despesa cl manutenção segurança 200705 70,85 ct 416010009 04.05.07 Pagto despesa cl manutenção 200705 344,07 ct 416010009 17.05.07 Pagto despesa cl manutenção 200706 83,81 ct 416010009 14.06.07 Pagto despesa cl manutenção Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000775/201066 Acórdão n.º 240301.329 S2C4T3 Fl. 251 13 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e NO MÉRITO NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000047/2009-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 10/03/1999 a 09/08/2006
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE APRESENTAR LIVROS À FISCALIZAÇÃO.
Configura infração a legislação previdenciária a não apresentação de documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias regularmente requisitados em procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.921
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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DEIXAR A EMPRESA DE APRESENTAR LIVROS À FISCALIZAÇÃO. Configura infração a legislação previdenciária a não apresentação de documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias regularmente requisitados em procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 47 /2 00 9- 34 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão n. 0525788, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, que entendeu por manter a autuação constante do AI DEBCAD n. 35.196.3842, originalmente no importe de R$ 12.548,77 (doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos). Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 39/49, do qual se colaciona trechos para melhor elucidar os fatos: 16. Não foram exibidos todos os documentos de suporte a lançamentos contábeis solicitados das contas: 5.1.1.01.0003 0000000097 – GRATIFICAÇÕES; 5.1.1.01.00030000000098 – PRÊMIOS; 5.1.4.01.00010000000208 – COMISSÕES SOBRE VENDAS; 5.2.1.01.00020000000224 – GRATIFICAÇÕES; e 5.2.1.01.00030000000225 – PRÊMIOS. 17. Foram exibidos parcialmente os documentos de suporte a lançamentos contábeis solicitados das contas: 5.1.1.01.0013 0000000108 – VALEREFEIÇÃO; 5.1.1.01.00160000000111 – CESTAS BÁSICAS; 5.1.2.01.00030000000170 – ASSISTÊNCIA JURÍDICA; 5.1.2.01.00150000000182 – DESPESAS DIVERSAS; 5.2.1.01.00130000000235 – VALEREFEIÇÃO; e 5.2.1.01.00160000000238 – CESTAS BÁSICAS. 18. Não foram prestados esclarecimentos conforme solicitado no TIF n. 01, conforme item 9, quanto aos valores declarados antes do início do procedimento fiscal e suas divergências em relação às FOPAG. 19. Os trabalhos realizados concentraramse na verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre a remuneração a segurados empregados e contribuinte individuais no período. 20. Pelo exposto, a empresa deixou de exibir diversos documentos de suporte dos lançamentos contábeis para o que foi devidamente intimada. 21. Assim, lavramos o presente AI por deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991 ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, infringindo se o disposto na Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 33, parágrafos 2º e 3º, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1999. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15758.000047/200934 Acórdão n.º 2403001.921 S2C4T3 Fl. 3 3 22. Aplicouse a penalidade pecuniária, cujo valor está consubstanciado na Lei n. 8.212, de julho de 1`991, arts. 92 a 102, combinado com o art. 283, II, j e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1999, atualizado pela Portaria MPS/GM n. 77, de 11 de março de 2008. 23. Não foram constatados antecedentes de infração, não ocorrendo circunstâncias agravantes para aplicação da multa. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 133/165. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9ª Turma da DRJ/CPS, prolatou a Acórdão n. 0525.788, fls. 323/329, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIR DOCUMENTO OU LIVRO RELACIONADO COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. Lançamento Procedente. DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 341/381, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: A recorrente, de forma ampla e irrestrita forneceu ao Sr. Fiscal toda a documentação relativa aos recolhimentos previdenciários, notadamente, livros fiscais, arquivos digitais, planilhas de apuração, GFIP, FOPAG, GRFC, entre outros, conforme podese confirmar pelas cópias anexadas aos autos de infração, bem como, to teor relatório de fiscalização. As retificações e correções solicitadas foram levadas a efeito conforme requerido pelo Fiscal, ocasião que anexa GFIPs do exercício de 2004, devidamente retificadas e retransmitidas, motivo pelo qual, requereu que fosse reformado o v. acórdão da 9ª Turma, para desconsiderar/relevar a penalidade pecuniária acima, por absoluta falta de amparo fático que o corrobore. Inobstante a fé pública que se reveste as declarações do representante da Receita Federal, esta deve ser considerada com reservas, na medida que, o contribuinte não se Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 negou ou omitiu quanto a apresentação dos documentos solicitados, tanto é que, instruiu o Auto de Infração de n. 37.196.3796 com vasta documentação, rechaçando por completo qualquer afirmação contrária. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15758.000047/200934 Acórdão n.º 2403001.921 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls. 405, conheço o recurso já que tempestivo e por estarem presentes os demais requisitos. DO MÉRITO DA MULTA – DA NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO Desde já, cumpre colacionar o dispositivo legal ao qual traz a conduta imputada pelo fiscal ao contribuinte, in verbis: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: i) deixar o dirigente da entidade da administração pública direta ou indireta de consignar as dotações necessárias ao pagamento das contribuições devidas à seguridade social, de modo a assegurar a sua regular liquidação dentro do exercício; A norma acima é clara, ao estabelecer a hipótese de multa em caso de descumprimento de obrigação constante na Lei 8.212/91, inclusive de seu valor, o que in casu, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 se refere à não exibição de documentos que ocasionaram embaraço à fiscalização, previsto no art. 33 da referida norma, com o texto vigente à época dos fatos geradores, que abaixo se colaciona: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Alega a recorrente que forneceu toda a documentação relativa aos recolhimentos previdenciárias, notadamente, livros fiscais, arquivos digitais, planilhas de apuração GFIP, FOPAG, GRFC, entre outros. No entanto, conforme consta no relatório do presente voto, a contribuinte deixou de apresentar os documentos relacionados a diversas contas: gratificações, Prêmios, Comissões sobre vendas, valerefeição, cestasbásicas, assistência jurídica, despesas diversas, enumerando todas elas, logo, individualizandoas em respeito ao direito de defesa do contribuinte. Portanto, assiste razão à fiscalização, uma vez que se configurou a conduta prevista na legislação, assim como à DRJ, ao afirmar que diante das assertivas da fiscalização, Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15758.000047/200934 Acórdão n.º 2403001.921 S2C4T3 Fl. 5 7 caberia à Autuada, em sede de impugnação, ou mesmo em sede recursal, apresentar os documentos que infirmassem as imputações fazendárias, ou mesmo, para que fosse a multa relevada, na forma da legislação. Caso houvesse algum motivo que caracterizasse uma impossibilidade plausível, deveria ela ter sido comprovada, conforme reiteradas decisões deste conselho, que podem ser ilustradas no acórdão abaixo: AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EMENTA Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO CAIXA E FOLHAS DE PAGAMENTO. MULTA. CABIMENTO. Uma vez não apresentados os documentos requeridos pela fiscalização por meio de TIAD e não comprovando o contribuinte a impossibilidade ou desobrigação à sua apresentação, resta caracterizada infração a legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. (CARF 2a. Seção / 2a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 2402 01.711 em 11/05/2011) CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18470.900977/2014-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBANTE.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2009
RETIFICAÇÃO. PER/DCOMP.
A retificação do PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Numero da decisão: 1003-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Márcio Avito Ribeiro Faria
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBANTE. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 RETIFICAÇÃO. PER/DCOMP. A retificação do PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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ÔNUS PROBANTE. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 RETIFICAÇÃO. PER/DCOMP. A retificação do PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 09 77 /2 01 4- 61 Fl. 261DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.027 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.900977/2014-61 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 107-001.759, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 07, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 43.591,55 e homologou as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido (fls. 218/221). O pleito do contribuinte, objeto do Despacho Decisório rastreamento n° 082650115, emitido eletronicamente em 06/05/2014, refere-se ao crédito de Saldo Negativo IRPJ, ano Calendário 2008, demonstrado no PER/DCOMP nº 01230.85408.150410.1.7.02-0313. O detalhamento das parcelas confirmadas encontra-se no documento intitulado “Despacho Decisório - Análise de Crédito”. O valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito foi de R$ 102.172,98, conforme consta na DIPJ, contudo, não foi reconhecido o direito creditório, em razão da não localização dos DARF’s com os pagamentos das estimativas informadas. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Apresentou Manifestação de Inconformidade com suas razões de discordância, alegando resumidamente que houve erro de preenchimento do PER/DCOMP em razão dos valores apontados de crédito assim como da taxa Selic. Requer, por fim, que seja reconhecido o crédito e a homologação dos pedidos de compensação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificada, por decurso de prazo, em 29.7.2021 (Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo, à fl. 234), e inconformada apresentou recurso voluntário, em 30.8.2021, assim manejado (fls. 238/243). Asseverou que o acórdão recorrido não considerou as retenções federais existentes que compuseram o saldo negativo do referido ano, tal como demonstrado nos autos. Aduziu que tais retenções somente teriam sido verificadas após a transmissão da declaração de compensação, de modo que restou inviabilizada as retificações de praxe. Afirmou que na busca pelo conhecimento do direito creditório, a Recorrente juntara aos autos todas as informações contábeis necessárias a evidenciar as inexatidões materiais mencionadas, as quais não teriam analisadas no acórdão ora recorrido, violando o princípio da verdade material. Segundo a Recorrente, o Princípio da Verdade Material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando tão somente aos aspectos formais. Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.027 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.900977/2014-61 Defendeu que o Egrégio Conselho de Contribuintes possui jurisprudência firme no sentido de se possibilitar a retificação quando presentes inexatidões materiais nos documentos, tal como ocorre na hipótese dos autos. Para a Recorrente, e pautado na jurisprudência do CARF, diante de uma situação em que a contabilidade do contribuinte corroborava o erro, dar-se-ia dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a possibilidade de retificação da declaração no bojo do processo administrativo. A limitação temporal à retificação deve ser superada quando comprovada a inexatidão material em que se baseia a defesa do contribuinte, tal como apontado no CARF pelo Acórdão 9101-002.203, de 2/2/2016. Ante o exposto, demonstrada a insubsistência e os equívocos cometidos pelo acórdão recorrido quando da análise do caso concreto, a Recorrente pleiteia o provimento deste Recurso Voluntário, para fins de homologar integralmente a compensação realizada, ante a comprovação da existência do crédito, cuja existência e suficiência pode ser confirmada através da análise de suas declarações fiscais retificadas juntadas aos autos, além de outros documentos contábeis constantes do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte TRACERCO DO BRASIL - DIAGNÓSTICOS DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA. O Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. Não podemos perder de vista que os créditos utilizados pela contribuinte no PER/DCOMP, bem como os débitos por ela compensados, não podem simplesmente ser ignorados ou substituídos. Por esse motivo, a legislação tributária e a jurisprudência administrativa, preveem a alteração destes dados, considerando exatamente a comprovação dos possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações, a teor da Súmula CARF nº 168 (grifei): Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Contudo, no presente caso, o que a Recorrente pretende não é só o ajuste de um erro de preenchimento do PER/DCOMP, mas a inclusão de uma nova retenção e não só no referido pedido, como também na DIPJ correspondente. Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.027 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.900977/2014-61 Vejamos que para a dedução do imposto devido, tanto a legislação quanto a jurisprudência administrativa, exige que a Recorrente comprove a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, a teor da Súmula CARF nº 80, in verbis: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. No caso, restou comprovada a retenção sofrida, informada em DIRF (fl. 153), contudo, ausente a comprovação do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, via de consequência, as alterações desse porte descaracterizariam o pedido e não podem mais ser efetuados. Não se pode perder de vista que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. É de se notar que o Recurso Voluntário embute solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior e, nesse contexto, deve ela atestar que o direito de crédito aproveitado na compensação tem apoio não só legal como documental. Ressalte-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao pleitear junto à Autoridade Tributária a existência de um crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada na fase de contestação do despacho resultante. Nessas condições, acatar as razões da interessada seria admitir que sua simples vontade e seu entendimento, materializados na retificação ou na contraposição de declarações, poderiam ser utilizados para gerar créditos oponíveis à Fazenda Pública. Tal pretensão não tem sustentação, opondo-se inclusive aos marcos legais traçados pelo art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN, pelo que se lhe nega os efeitos pretendidos, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Neste sentido encontramos jurisprudência exarada pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ, assim disposta: Ementa: .... o art. 170 do CTN estabelece certas condições à compensação de tributos .... A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o texto legal referenciado. .... (STJ. AGREsp 495012/AL. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 20/05/03. DJ de 30/06/03, p. 154.) Portanto, como a empresa sustenta a sua argumentação sem trazer aos autos quaisquer elementos probatórios, resta a este julgador negar o pleito, na medida em que não ficou demonstrada a certeza e liquidez do crédito. Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.027 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.900977/2014-61 Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas. Isto posto, nega-se provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 265DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002330/92-35
Turma: Primeira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL-NORMAS PROCESSUAIS
— O recurso especial que não cumpre os pressupostos legais não
pode ser conhecido.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/01-03.764
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do Procurador da Fazenda Nacional por ausência dos pressupostos de admissibilidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO DE FREITAS DUTRA
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RP/106-0.435 Matéria . IRPF — EXS 1988 a 1992 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: AUGUSTO CÉSAR CAVALCANTE FARIAS Sessão de :18 DE FEVEREIRO DE 2002 Acórdão n° CSRF/01-03.764 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL-NORMAS PROCESSUAIS — O recurso especial que não cumpre os pressupostos legais não pode ser conhecido Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do Procurador da Fazenda Nacional por ausência dos pressupostos de admissibilidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado EÍSON Pt RODRIGUES PRESIDENTE ANTONIO DE FREITAS DUTRA RELATOR FORMALIZADO EM" 2 1 JUN 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, JOSÉ CARLOS APSSUELLO, IACY NOGUEIRA MARTINS DFSP Processo n°. 1041.002330/92-35 Acórdão n°. CSRF/01-03.764 MORAIS, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTONIUO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente justificadamente a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho 2 Processo n°. . 1041.002330/92-35 Acórdão n° . CSRF/01-03 764 Recurso n° RP/106-0 435 Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A FAZENDA NACIONAL por seu Procurador junto à Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais pleiteando a reforma do Acórdão n° 106-09.754 de 06/10/98 (fls. 423/440) através do qual foi dado provimento parcial ao recurso n° 05.551 interposto por AUGUSTO CÉSAR CAVALCANTE FARIAS O Acórdão recorrido apreciou omissão de rendimentos/Lançamento com base em depósitos bancários nos exercícios de 1988 a 1992, e está assim ementado na matéria que pertine o recurso. "IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — São considerados rendimentos omitidos os depósitos bancários ou aplicações financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, somente se o Fisco comprovar sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, Recurso parcialmente provido." Em seu apelo a Fazenda Nacional protestou pela reforma do Acórdão recorrido com fundamento no inciso II do artigo 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria M.F. n° 55 de 16/03/98 As razões do recurso de fls 442/444 estão assim apresentados em síntese' 9 "Portanto, o art. 6° da Lei n° 021/90, atendendo como faz aos termos do art.. 144, § 1°, do CTN e não incidindo na hipótese de inovação ao art. 39, inciso V, do RIR/80, tem perfeita legitimidade yl yr /- 3 Processo n°, 1041,002330/92-35 Acórdão n° C S RF/01-03. 764 para aplicação, também, aos fatos anteriores a sua vigência que então se encontrassem não - lançados e não — decaídos, 10. No presente processo, a situação tem-se por agravada contra o recorrido, conforme faz certo o voto vencido de fls. 12, ao afirmar que ..., a variação patrimonial a descoberto está devidamente demonstrada no quadro ..., além disso, está sobejamente provado nos autos a caracterização dos sinais exteriores de riqueza, conforme decisão de primeira instância, muito bem fundamentada, de fls, 349/365 e diligências da autoridade fiscal de fls 02/306 e informação fiscal de fls. 333/347, todas dos autos. 11 Ora, comprovada a variação patrimonial a descoberto do recorrido, caracterizadora de indícios exteriores de riqueza, a r acórdão recorrido decidiu contrariamente ao decidido pela c. Segunda Câmara, do 1° Conselho de Contribuintes, nos autos do recurso n° 11.251, processo n° 13.706,001.493/93-18, em que foi recorrido o Presídio Carlos de Araújo Filho, acórdão n° 102-41 768 (cópia anexa), nos termos seguintes:: IRPF Ex 1988— OMISSÃO DE RENDIMENTOS Procede-se ao arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações e o Fisco demonstrar indícios de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível. 12, Nos termos da decisão monocrática de fls. 359 dos autos, ficou claro que o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não se baseou unicamente em depósitos bancários,... mas apenas ...tomou- os como indícios, e sendo considerados recursos disponíveis do autuado, pela análise da declaração de rendimentos, procedeu-se o lançamento da disponibilidade econômica, que não se encontrava declarada (sie), evitando-se assim a dupla tributação. Por conseguinte, descabe a aplicabilidade do que dispõe a súmula 182 do TFR, referida pelo autuado em sua defesa, „ , com o que torna-se cristalino que o procedimento adotado pela fiscalização obedeceu à legislação em vigor, devendo ser mantido." Pelo Despacho n° 106-0.834 o Sr. Presidente da Sexta Câmara da admissibilidade ao recurso especial conforme consta às fis, 452/453 4 Processo n° 1041 002330/92-35 Acórdão n° CSRF/01-03 764 O contribuinte, evidentemente cientificado do recurso especial ingressou com contra-razões de fls 459/463 propugnando preambularmente pela intempestividade do recurso especial Alega também o contribuinte que o despacho de admissibilidade não está com as filhas numeradas Finaliza suas contra-razões afirmando que o Acórdão n° 102-41.768 (fls. 445/451) trazido à colação visando comprovar o dissídio jurisprudencial, ao invés de divergir do Acórdão recorrido, confirma-o integralmente Às fls. 464/476 recurso especial interposto pelo contribuinte cujo recurso foi negado seguimento pelo Sr Presidente da Sexta Câmara conforme Despacho n° 106-1 272/00 de fls. 502/506 1 É o Relatório 5 Processo n° : 1041.002330/92-35 Acórdão n° : CSRF/01-03 764 VOTO Conselheiro ANTONIO DE FREITAS DUTRA, Relator Em suas contra-razões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 459/463), o contribuinte levanta questão preliminar de intempestividade do recurso especial. Todavia afasto a preliminar argüida vez que a ciência do Acórdão é pessoal ao Sr Procurador da Fazenda Nacional tal com preconiza o Regimento Interno Desta forma, embora o Acórdão recorrido tenha sido prolatado na Sessão de 06/01/98, o Sr Procurador, somente em 07/05/98 foi devidamente intimado como se vê à fl. 441. Posteriormente, em 14/05/98 (fl. 444) o Sr Procurador ingressou com recurso especial. Portanto antes de completados os 15 dias determinados pelo Regimento Interno Destarte dentro do prazo regimental Outra questão levantada nas contra-razões do contribuinte diz respeito a não comprovação do dissídio jurisprudencial pela Douta Procuradoria. Com efeito, colocando-se em confronto a ementa do Acórdão recorrido e o Acórdão trazido como paradigma constata-se a ausência do dissídio jurisprudencial, senão vejamos Ementa do Acórdão recorrido (n°106-09,754 de 06/01/98) "IRPF —OMISSÃO DE RENDIMENTOS — LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — São considerados rendimentos omitidos os depósitos bancários ou aplicações financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, somente se o Fisco comprovar sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte " 6 / Processo n°.: 1041.002330/92-35 Acórdão n°. CSRF/01-03.764 Ementa do Acórdão paradigma (n° 102-41.768 de 11/06/97)- "IRPF Ex.,: 1988 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS Procede-se ao arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações e o Fisco demonstrar indícios de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com renda disponível." Assim sendo pelo acima exposto e por tudo mais que consta dos autos voto por NÃO CONHECER do recurso especial da FAZENDA NACIONAL por falta dos pressupostos legais. É como voto Sala das Sessões - DF, em 18 de fevereiro de 2002 1 ANTONIO DE FREITAS DUTRA 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10469.905321/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. FRETE NA VENDA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO LEGAL.
Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa exclusão legal.
Numero da decisão: 3401-009.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesa de armazenagem. Vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias (relatora), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente
Carolina Machado Freire Martins - Redatora Ad hoc
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Carolina Machado Freire Martins
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2007 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. FRETE NA VENDA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO LEGAL. Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa exclusão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesa de armazenagem. Vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias (relatora), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente Carolina Machado Freire Martins - Redatora Ad hoc (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 53 21 /2 00 9- 03 Fl. 7281DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 Relatório Segundo a relatora: Trata-se de PER/DCOMP não homologada pela fiscalização em despacho eletrônico que constatou que o DARF informado havia sido integralmente utilizado para quitação de crédito da mesma espécie tributária. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que os valores pleiteados derivam de pagamento indevido, o que não foi verificado pela fiscalização em razão de erro de preenchimento da DCTF, o que a levou a retificar o documento a fim de informar que não havia débito da Cofins no período de apuração referenciado. Segundo a empresa, os créditos pleiteados são decorrentes de pagamentos que não seguiram as regras da não-cumulatividade das Contribuições Sociais, de forma que não teria sido exercido seu direito de tomar créditos de forma correta. Do recebimento do processo pela DRJ/REC, entendeu-se necessário realizar diligência para verificar as informações trazidas pela empresa em sede de manifestação de inconformidade, a qual abarcou quantidade significativa de processos, senão vejamos: Fl. 7282DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 A conclusão da diligência, constante do Termo de Informação juntado aos autos, foi no sentido de glosar despesas com aluguel de imóveis por carência probatória e de despesas com frete e armazenamento, por entender que as mesmas estavam relacionadas a receita de vendas de produtos não sujeitas à incidência das contribuições não-cumulativas, o que impedia a possibilidade de tomada de créditos. Manifestando-se contra o resultado da diligência, a empresa apresentou petição em que contradita as glosas efetuadas em face da ausência de comprovação das despesas de aluguel, trazendo documentos neste sentido, bem como a imposição de glosas de créditos relativos às despesas com frete e armazenagem, vinculadas às vendas de gasolina e óleo diesel. Diante disso, a DRJ/REC proferiu acórdão julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Apesar da dispensa de ementa, a decisão foi pautada pelo resultado da diligência e pelo entendimento de que: (i) os contratos trazidos aos autos para atestar as despesas com aluguel, embora permitissem a verificação do direito aos créditos requeridos, não foram acompanhados de comprovantes de pagamentos do aluguel no período para que se pudesse atestar sua liquidez; e (ii) o entendimento uniformizado pela Solução de Consulta Cosit nº 2, de 13/01/2017, vedava o direito a crédito de armazenagem e frete nas vendas dos produtos sujeitos à tributação monofásica (no caso, gasolina e óleo diesel). Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário requerendo o total provimento do pedido de crédito, ainda que tenha se restringido a discutir o direito relativo às despesas de frete e armazenagem, alegando, em síntese, que a decisão de piso alargou a vedação legal ao crédito refere à compra de combustíveis para revenda, para abarcar o crédito dos gastos com armazenagem e frete para transporte desses combustíveis. Defende que esse último crédito não foi vedado pela lei e não há razão para negar o direito a seu aproveitamento. Por serem hipóteses de creditamento distintas e autônomas, além de que o fato de o inciso IX fazer simples referência aos incisos I e II não significa que haja entre eles relação de dependência. Por fim, destaca que a regra geral de creditamento é que havendo recolhimento das contribuições, nascerá direito ao crédito, sendo o que efetivamente ocorre nos casos de frete e armazenagem, em que o transportador/armazém efetivamente recolhem as contribuições sobre as receitas auferidas em suas atividades e, portanto, há direito ao crédito para aquele que realizar a despesas, no caso, a ora Recorrente. O processo foi então encaminhado ao CARF e distribuído à Conselheira Fernanda Vieira Kotzias para análise e voto. Após o julgamento, conforme competência estabelecida no art. 17, III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, fui designada como Redatora ad hoc. Por fim, considerando o arquivo digital do voto que me foi disponibilizado para consecução da redação ad hoc, registro que no presente processo utilizei integralmente do teor do voto redigido pela relatora, referente ao PAF nº 10469.905311/2009-60, de mesmo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Fl. 7283DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 Conselheira Carolina Machado Freire Martins, Redatora Ad hoc. Segundo a relatora: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme destacado no relatório, trata-se de PER/DCOMP não homologado pela fiscalização em razão de ausência de certeza e liquidez quanto às despesas relativas a alugueis de imóveis e por suposta vedação legal ao crédito de armazenagem e frete nas vendas dos produtos sujeitos à tributação monofásica de PIS/COFINS (no caso, gasolina e óleo diesel). Tendo em vista que o recurso voluntário não tratou da questão do aluguel, a presente análise deve focar apenas na matéria recorrida, qual seja, a possibilidade de creditamento sobre frete e armazenagem. Em sua defesa, a recorrente alega como razões para reforma do acórdão da DRJ que: (i) A vedação legal existente diz respeito apenas ao crédito decorrente das compras de combustíveis para revenda, não podendo ser alargada pela fiscalização para as despesas de armazenagem e frete, as quais, diferentemente do produto em questão, são tributadas dentro da regra da não-cumulatividade; (ii) A legislação, especialmente em seu art. 3º, §2º, II das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, traz a regra geral ditando o direito ao crédito sempre que a aquisição daquele produto/serviço tiver sido tributada (PIS/COFINS pago pelo fornecedor), exceto em casos expressamente vedados por lei, o que não é o caso de frete e armazenagem; (iii) A própria RFB, no art. 21, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 600/2005, vigente à época dos creditamentos em tela, reconhece o direito ao crédito de despesas vinculadas aos produtos monofásicos ao se referir à forma de aproveitamento dos "créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 (...) decorrentes de (…) II - custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência"; (iv) O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 reforça esse direito ao crédito dos custos vinculados às vendas sob alíquota zero ao prever que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Quanto a esse dispositivo, ressalte-se que, embora algumas decisões mais antigas do STJ tenham restringido a aplicação desse dispositivo legal apenas às pessoas jurídicas submetidas ao Reporto, tal entendimento jurisprudencial foi superado e modificado pelo STJ consoante se depreende dos arestos prolatados nos julgamentos do REsp 1.267.003/RS e do REsp 1.440.298/RS; e (v) As Soluções de Consulta nº 351/2007 (9ª Região Fiscal), nº 52/2011 (8ª Região Fiscal), e nº 244/2010 (8ª Região Fiscal) reconhecem que, apesar da aplicação da alíquota zero, assegura-se o direito ao crédito apurado. Fl. 7284DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 Diante disso, passa-se a analisar a questão trazida, sendo necessário iniciar a discussão pela análise do texto normativo da Lei n. 10.833/03: Art. 1 o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III - auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; Art. 2 o Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1 o , a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1 o Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I - nos incisos I a III do art. 4 o da Lei n o 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural; [...] § 1 o -A. Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. [...] Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 2 o Não dará direito a crédito o valor: I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 7285DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9718.htm#art4i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9718.htm#art4iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9718.htm#art5%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9718.htm#art5%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] A partir do que dispõe a Lei n. 10.833/03 e que já foi devidamente explicitado pelo relatório de diligência e pela DRJ em seu acórdão, não resta dúvidas de que a atividade de revenda de combustíveis realizada pela recorrente não gera direito a crédito em razão de que, apesar de ser parte da cadeia de produção e comercialização dos produtos na condição de contribuinte de PIS/COFINS, é taxada a alíquota zero por por força do inciso I do art. 42 da MP n°2.158-35, de 24/08/2001. Esta conclusão é, inclusive, reconhecida pela recorrente. Todavia, a decisão de piso entende que, se a venda em questão não gera crédito, não se poderia dar tratamento diverso às despesas de frete e armazenagem relacionadas a essa operação, independente das mesmas estarem sujeitas ao recolhimento das contribuições dentro da regra da não- cumulatividade e que tais custos tenham sido efetivamente suportados pela recorrente. A decisão é fundamentada no relatório de diligência e reproduzida no acórdão da DRJ, nos seguintes termos: “145. O inciso Ido art. 3° da Lei n°10.637/2002, mencionado no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, e o inciso I do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, tratam de bens adquiridos para revenda, com as exceções dispostas em suas alíneas "a" e "b". Fosse a intenção do legislador autorizar o crédito para toda e qualquer operação de venda de produtos ou mercadorias, bastariam terem os textos dos incisos IX redações sem as delimitações "...nos casos dos incisos I e Se redigidas como "armazenagem e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor", restariam claras as autorizações para o cálculo do crédito decorrente de qualquer operação de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, se suportado pelo vendedor. 146. As inclusões nos textos das referências aos incisos I e II dos arts. 3°, contudo, indicam que os créditos não devem ser apurados em relação a toda e qualquer operação de armazenagem ou qualquer despesa com frete, mas apenas àquelas disciplinadas nos referidos incisos. E, como dito, os incisos I referem-se à aquisição de mercadorias para revenda, exceto, entre outros, os produtos referidos nos parágrafos 1° dos arts. 2° das mesmas Leis, dentre os quais se encontram os combustíveis derivados de petróleo (gasolina e suas correntes, exceto gasolina de aviação; óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e de gás natural). A correta interpretação da norma, portanto, indica que a empresa poderá calcular crédito decorrente de armazenagem e frete decorrente de venda, desde que não seja relativo às operações de venda de produtos, cuja Leis da não-cumulatividade vedem este tipo de creditamento. 147. Em função da grande demanda dos contribuintes distribuidores de combustíveis pelos créditos da não-cumulatividade e visando à uniformização de entendimento por parte das unidades da RFB, foi editada a Solução de Divergência Cosit n° 2, de 13 de janeiro de 2017, cuja ementa reproduzimos abaixo. Solução de Divergência n° 2 — Cosit, de 13 de janeiro de 2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep: a) é permitida a apuração de créditos da contribuição no caso de venda de produtos produzidos ou fabricados pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de créditos da contribuição no caso de revenda de tais produtos, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses Fl. 7286DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de álcool, inclusive para fins carburantes: a) é permitida a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no caso de venda de produto produzido ou fabricado pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de crédito da contribuição, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou importadora do produto o adquire para revenda de outra pessoa jurídica produtora ou importadora do mesmo produto. É permitida a apuração de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep em relação á armazenagem de mercadorias (bens disponíveis para venda): a) produzidas ou fabricadas pela própria pessoa jurídica; ou b) adquiridas para revenda, exceto em relação á armazenagem de: b.1) mercadorias em relação ás quais a contribuição tenha sido exigida anteriormente em razão de substituição tributária; b.2) produtos sujeitos anteriormente á cobrança concentrada ou monofásica da contribuição, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos; e b.3) álcool, inclusive para fins carburantes, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou importadora de álcool, inclusive para fins carburantes, o adquire para revenda de outra pessoa jurídica produtora ou importadora do mesmo produto. Dispositivos Legais: Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 3°, inciso IX e art. 15, inciso 11; Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, art. 24; Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 5°, §§ 13a 16. Reforma a Solução de Divergência Cosit n° 5, de 13 de junho de 2016, publicada no DOU de 17 de junho de 2016.” Em que pese a decisão constante da Solução de Consulta COSIT n. 2/2017, entendo que a mesma não deva prevalecer. Isto porque trata-se de mera interpretação normativa, em que o Fisco, buscou reduzir as hipóteses de crédito autorizadas pelo legislador. Entendo que a análise sistematizada da redação dos dispositivos legais sob análise da Lei n. 10.833/03, demonstra que a intenção do legislador nunca foi restringir o direito ao crédito da forma defendida pela fiscalização. Explico: a regra geral trazida para o creditamento dentro da sistemática da não- cumulatividade é indicada no § 2º do art. 3º, que exige que só poderá ter direito a crédito aquele que efetivamente recolheu as contribuições, excluindo, portanto, de seu alcance as operações não tributadas, isentas ou tributadas à alíquota zero. Por outro lado, o legislador taxativamente permite, sob a redação do inciso IX do art. 3º o creditamento de frete e armazenagem na operação de venda desde que o ônus seja suportado pelo vendedor – ou seja, que a regra do § 2º do art. 3º seja respeitada. Por fim, entendo que a menção que a redação faz aos incisos I e II não descaracteriza tal regra como faz crer a fiscalização e nem poderiam, visto se tratar de despesa que não se confunde com a revenda em si e que, como demonstrado, foi tributada. Assim, permitir que a interpretação da Lei n. 10.833/03 seja restringida sem que haja expressa direção legal, implicará em desrespeito ao princípio da não-cumulatividade, sendo este o real propósito que guiou o legislador na criação da legislação como um todo. Isto é, ainda que existam exceções para tratar de questões pontuais, deve- se preservar a regra máxima de que, tendo sido o serviço/venda tributado nos termos da legislação em questão, não se pode negar o direito ao crédito derivado. Fl. 7287DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 Deve-se, inclusive, salientar que este é o entendimento que prevalece na 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme se observa pelos diversos precedentes abaixo colacionados: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. (CSRF. Acórdão n. 9303-007.500 no Processo n. 10480.725292/2011-56. Rel. Cons. Tatiana Migiyama. 3ª Turma. Dj 17/10/2018) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. (CSRF. Acórdão n. 9303-006.219 no Processo n. 16682.720005/2013-93. Rel. Cons. Erika Autran. 3ª Turma. Dj 15/09/2016) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃO-CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não-cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. (CSRF. Acórdão n. 9303-004.310 no Processo n. 10882.720555/2010-27. Rel. Cons. Demes Brito. 3ª Turma. Dj 15/09/2016) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 Fl. 7288DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003. (CSRF. Acórdão n. 9303-006.219 no Processo n. 10480.725293/2011-09. Rel. Cons. Vanessa Cecconello. 3ª Turma. Dj 24/01/2018) Dito isso, e considerando que na ampla e meticulosa diligência não se verificou qualquer discrepância em termos de valor, restringindo a fiscalização a contestar apenas o direito da recorrente ao crédito, entendo que as glosas sobre frete e armazenagem nas operações de venda da recorrente devem ser revertidas. Nestes termos, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para homologar os créditos sobre frete e armazenagem nas operações de venda da recorrente. Foi como votou a relatora. (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins – (voto de Fernanda Vieira Kotzias) Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos – Redator Designado Em que pese o como de costume bem fundado voto da Ilustre Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, ouso divergir de seu posicionamento quanto à possibilidade de apuração de créditos do Pis e da Cofins calculados em relação aos fretes na operação de venda, pois que, no caso específico dos autos, está a se tratar de venda de gasolina e óleo diesel, para o que a legislação das contribuições dispensa particular tratamento. É que a possibilidade de tomada de créditos de Cofins sobre fretes nas operações de vendas tem previsão no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, extensível ao Pis por força do art. 15 do mesmo diploma, em cuja redação há reserva expressa para que mencionado permissivo seja restrito às hipóteses previstas nos incisos I e II do mesmo dispositivo, dentre os quais, como veremos, não se encontram os produtos vendidos submetidos à tributação monofásica. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 7289DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 A esse respeito, na dicção da parte final do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é possível o desconto de créditos calculados sobre os bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º da lei, que comporta diversas hipóteses de mercadorias sujeitas à incidência monofásica, dentre as quais figuram a gasolina e o óleo disel. Veja-se: Art. 2o (...) § 1o Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I - nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) X - no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004). (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1o-A do art. 2o desta Lei; Note-se, portanto, que o legislador exclui a possibilidade de apuração de créditos em relação às despesas de frete na operação de venda de gasolina e óleo diesel, haja vista que o inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 expressamente limitou tal prerrogativa aos bens citados no inciso I deste artigo, no qual não se encontram tais produtos, por força de expressa exclusão legal. Com efeito, as palavras na lei devem ser compreendidas como tendo alguma eficácia, não se devendo presumir que existam no texto legal vocábulos inúteis. Não por outra razão é que vejo como uma restrição e não uma imperfeição legislativa a expressa remissão aos incisos I e II do artigo 3º contida no inciso IX do mesmo dispositivo, pois que, não fosse o caso, a locução teria seu propósito plenamente esvaziado. Nessa hipótese, bastaria que o texto legal fizesse referência às despesas de frete nas operações de venda suportadas pelo vendedor, sem qualquer remissão, o que resultaria na hipotética redação: “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Até porque em qualquer dos casos dos incisos I e II o propósito econômico é o sempre o mesmo – vender, mercadorias ou serviços. Fl. 7290DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 Esse entendimento não é pacífico na Câmara Superior deste Conselho, mas recentemente vem prevalecendo, conforme externado nas seguintes oportunidades, ambas por voto de qualidade: Acórdão nº 9303-007.767, de 11/12/2018, Rel. Rodrigo da Costa Possas Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I, que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 99.079/2017). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (dispositivo válido também para a contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I (no caso, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002), que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 99.079/2017). Acórdão nº 9303-009.444, de 18/09/2019, Rel. Vanessa Marini Cecconello Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete e armazenagem na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (derivados do petróleo) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso no que se refere aos créditos apurados sobre os fretes nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. É o voto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 7291DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-009.992 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.905321/2009-03 Fl. 7292DF CARF MF Original
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