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5895977 #
Numero do processo: 10680.906512/2009-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. Ana de Barros Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques - Relator. Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES   2 Leonardo Mendonça Marques ­ Relator.    Participaram  do  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Leonardo  Mendonça  Marques,  Neudson  Cavalcante  Albuquerque,  Joselaine  Boeira  Zatorre,  Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Cristiane Silva Costa.  Relatório  A  presente  lide  foi  estabelecida  pela  insurgência  da  pessoa  jurídica  contribuinte, contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada com  base em crédito decorrente de alegado  recolhimento a maior de  estimativa mensal de pessoa  jurídica tributada pelo lucro real. O recolhimento de CSLL calculado com base em balancete  de  suspensão  e  redução  foi  utilizado  para  quitar  débito  pertinente  à  antecipação  mensal  de  fevereiro e março de 2005.  Detalhando os termos da lide, inclusive no que tange às alegações veiculadas  na manifestação de inconformidade, o relatório da decisão ora recorrida assim consignou:  Contra o  interessado acima  identificado foi emitido o despacho decisório de  fl.  27  por  meio  do  qual  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  n.°  21606.25092.140705.1.3.04­0519 transmitido em 14/07/2005, não foi homologada.  A  não  homologação  foi  motivada  pela  inexistência  do  crédito  utilizado  na  compensação pretendida. Tal  crédito  se  refere  a  recolhimento de CSLL de  código  2484  (estimativa  mensal),  no  valor  de  R$  36.423,19,  efetuado  em  28/02/2005.  Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse  título só pode ser  usado como dedução do devido no final do período de apuração, ou para compor o  saldo negativo do período.  O  valor  do  débito  indevidamente  compensado  é  igual  a  R$  17.285,20  (principal).  Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e  170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN),  art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   A ciência do Despacho Decisório se deu em 02/04/2009 (fl. 188).  Em 30/04/2009, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 01 a  07. Nela consta os seguintes argumentos:  •  Trata­se  de  declaração  de  compensação  apresentada  pela  Requerente,  na  qual  se  utilizou  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior  de  CSLL  antecipação  mensal apurado por balancete de suspensão e redução (lucro real anual), para quitar  débitos de CSLL antecipação mensal de fevereiro e março de 2005.  • O fundamento único da não homologação é a suposta vedação do artigo 10  da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 (vigente à época da apresentação da  Dcomp)  de  se  utilizar  direito  creditório  decorrente  de  CSLL  estimativa  antes  de  encerrado o ano calendário.  •  Nos  termos  do  ato  normativo  citado,  as  retenções  em  valor  superior  ao  débito  apurado  e  eventual  recolhimento  a  maior  à  título  de  estimativa,  somente  poderiam  ser  utilizados  para  dedução  de  imposto  a  pagar  ao  final  do  período  de  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 10680.906512/2009­70  Acórdão n.º 1801­002.335  S1­TE01  Fl. 110          3 apuração ou para compor o saldo negativo (também calculado ao final do período de  apuração).  •  Atualmente,  a  questão  foi  inteiramente  disciplinada  pela  Instrução  Normativa n° 900, de 31 de dezembro de 2008, que, disciplinando a matéria, aboliu  a  vedação  do  imediato  aproveitamento  do  pagamento  a  maior  de  estimativa,  mantendo­a apenas para os casos de retenção.  •  Seja  como  for,  o  fato  é que  a  IN SRF n°  600,  de  2005,  jamais  pretendeu  impedir a compensação nos moldes feitos pela contribuinte.  • Com efeito, o objetivo da norma era vedar a compensação de recolhimentos  indevidos a título de estimativa feitos em um determinado período.    A DRJ competente  julgou a manifestação de  inconformidade  improcedente,  aduzindo que:   Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor dodébito  de  estimativa  de  CSLL  e  o  respectivo  recolhimento,  não  se  pode  homologar  a  compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo.  O recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita  2484, ou seja, são de antecipação mensal por estimativa.  Portanto, a  lei não admite a  imediata restituição de valores pagos a  título de  antecipação mensal,  quer  com base na  receita bruta, quer  com base  em balancete,  mas cria sistema que permite ao contribuinte administrar as antecipações de maneira  a  quitar,  durante  o  ano,  valor  o mais  próximo  possível  do  tributo  devido  sobre  o  lucro real anual. Foi nesse sentido que a norma permitiu a suspensão ou a redução  dos pagamentos de antecipações, com base em balanços ou balancetes mensais.  Só  é  possível  avaliar  a  existência  de  crédito  passível  de  restituição  ou  compensação  comparando­se  o  valor  do  tributo  apurado  sobre  o  lucro  real  anual  com as deduções admitidas na ficha 17 da DIPJ, entre as quais estão as antecipações  mensais pagas.  Ao  final  do  ano,  apura­se  a  CSLL  anual  e  dela  é  deduzido,  entre  outras  parcelas, o valor da CSLL mensal efetivamente paga. Se a soma dos valores pagos  durante o ano acrescido das demais deduções superar a contribuição calculada com  base  no  lucro  real  anual,  apura­se  saldo  negativo  de CSLL  a  pagar.  Só  este  saldo  negativo é passível de restituição ou compensação.  De  acordo  com  o  art.  10  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  460,  de  18  de  outubro  de  2004,  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  imposto  de  renda  ou  de  CSLL  a  título  de  estimativa mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção  ou pagamento  indevido ou para compor o  saldo negativo de  IRPJ ou de CSLL do  período. Idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n°  600, de 28 de dezembro de 2005.    Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES   4 E depois de discorrer acerca do perfil  jurídico das estimativas,  conclui pela  correição do despacho decisório que não homologou as compensações.  Em  recurso  voluntário  a  empresa  detalhou  novamente  os  fatos  e  procedimentos envolvidos na formação do pedido de compensação, destacando que também a  DCTF  respectiva  foi  retificada  para  reduzir  o  montante  da  estimativa  de  janeiro  de  2005.  Tratou da "correta exegese da IN 460/2004", trouxe precedentes deste Conselho no sentido de  sua tese, ilustrou a adequação do pleito, e requereu que "reformando­se o Acórdão em questão,  seja reconhecido o direito creditório, homologando­se a respectiva compensação declarada nos  autos."   É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator  O  recurso  é  tempestivo,  preenchendo  os  requisitos  previstos  na  norma  processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento.  O  óbice  oposto  ao  pleito  do  contribuinte,  desde  a  confecção  do  despacho  decisório, é a concepção de que o recolhimento a maior da antecipação mensal de IR realizado  pela empresa  submetida  ao  lucro  real,  não  configuraria  indébito  apto  a  fornecer  crédito para  quitação de débitos nos meses seguintes.  Ocorre que a matéria, depois de ter sido debatida em numerosos precedentes  nesta E. Corte Administrativa, sedimentou­se no entendimento enunciado na Súmula nº 84:  Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  É o caso dos autos, em que o contribuinte, detectando a majoração indevida  do  montante  da  antecipação  mensal,  retificou  tais  dados,  e  postulou  o  aproveitamento  do  recolhimento  feito  em  excesso  na  quitação  de  estimativa  de mês  ulterior,  dentro  do mesmo  ano­calendário.  No entanto, ainda que  tenha  razão nas contestações dirigidas à  tese que  lhe  foi oposta ­ a da impossibilidade do aproveitamento desse indébito dentro do mesmo ano ­ não  é  cabível  o  deferimento  do  pedido,  desde  logo,  nesta  Instância  Julgadora,  pois  o  que  se  configura é o afastamento de aspecto preliminar da lide. Com o provimento parcial do recurso,  o  processo  deverá  retornar  para  a  autoridade  administrativa  competente  para  analisar  a  declaração de compensação, aferindo a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito  suscitado.  Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário  para,  afastando  a  aventada  impossibilidade  de  caracterização  de  indébito  no  pagamento  de  estimativa  mensal,  determinar  a  apreciação  do  mérito  da  compensação  pleiteada,  pela  autoridade fiscal que jurisdiciona o contribuinte.  (assinado digitalmente)  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 10680.906512/2009­70  Acórdão n.º 1801­002.335  S1­TE01  Fl. 111          5 Leonardo Mendonça Marques                                Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES

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5826684 #
Numero do processo: 10435.720387/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se mostra nulo, tampouco viola o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento do direito de defesa, o lançamento que descreve, ainda que de modo sucinto, a infração incorrida pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-substituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, quando vinculados às atividades do empreendimento. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos no processo de produção dos serviços prestados ou dos bens vendidos
Numero da decisão: 3401-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro relator Eloy Eros da Silva Nogueira, que a acolhia. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. No mérito, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Bernardo leite de Queiroz Lima. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se mostra nulo, tampouco viola o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento do direito de defesa, o lançamento que descreve, ainda que de modo sucinto, a infração incorrida pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-substituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, quando vinculados às atividades do empreendimento. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos no processo de produção dos serviços prestados ou dos bens vendidos

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro relator Eloy Eros da Silva Nogueira, que a acolhia. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. No mérito, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Bernardo leite de Queiroz Lima. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10435.720387/2013­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.855  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de janeiro de 2015  Matéria  PIS E COFINS  Recorrente  BONANZA SUPERMERCADOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009  BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do  valor  tributável,  computa­se  o  total  das  receitas  operacionais,  que  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica resultantes das atividades típicas de seus empreendimentos.  REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO.   A  partir  da  vigência  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  é  vedada  a  apuração  de  crédito  relativo  a  aluguel  de bens que  já  tenham  integrado o patrimônio  da  pessoa jurídica.  ICMS­SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.   O  ICMS­substituição  tributária  não  integra  o  valor  das  aquisições  de  mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do  PIS/PASEP  e  da  Cofins,  por  não  constituir  custo  de  aquisição,  mas  uma  antecipação  do  imposto  devido  pelo  contribuinte  substituído,  na  saída  das  mercadorias.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CRÉDITO.  MATERIAL  DE  EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.   Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem  para  pessoas  jurídicas  que  exerçam  a  atividade  comercial,  uma  vez  que  a  legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para  pessoas  jurídicas  que  exerçam  atividade  ligada  à  produção  de  bens  ou  prestação de serviços.  SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA.  No regime de apuração não­cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e  da Cofins,  valores  decorrentes  de  subvenção,  inclusive na  forma de  crédito     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 03 87 /2 01 3- 91 Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     2 presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de  cálculo  dessas  contribuições,  quando  vinculados  as  atividades  típicas  do  empreendimento.  CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO.   O  termo  insumo  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  necessário  para  a  atividade  da  pessoa  jurídica,  mas,  tão  somente,  aqueles  bens  ou  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  intrínsecos  à  atividade,  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  produção  dos  serviços  prestados ou dos bens vendidos.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009  BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS.  Para  fins  de  apuração  do  valor  tributável,  computa­se  o  total  das  receitas  operacionais, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica  resultantes  das  atividades  típicas  de  seus  empreendimentos.  REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO.   A  partir  da  vigência  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  é  vedada  a  apuração  de  crédito  relativo  a  aluguel  de bens que  já  tenham  integrado o patrimônio  da  pessoa jurídica.  ICMS­SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  O  ICMS­substituição  tributária  não  integra  o  valor  das  aquisições  de  mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do  PIS/PASEP  e  da  Cofins,  por  não  constituir  custo  de  aquisição,  mas  uma  antecipação  do  imposto  devido  pelo  contribuinte  substituído,  na  saída  das  mercadorias.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CRÉDITO.  MATERIAL  DE  EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.   Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem  para  pessoas  jurídicas  que  exerçam  a  atividade  comercial,  uma  vez  que  a  legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para  pessoas  jurídicas  que  exerçam  atividade  ligada  à  produção  de  bens  ou  prestação de serviços.  SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA.   No regime de apuração não­cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e  da Cofins,  valores  decorrentes  de  subvenção,  inclusive na  forma de  crédito  presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de  cálculo  dessas  contribuições,  quando  vinculados  às  atividades  do  empreendimento.  CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO.  O  termo  insumo  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  necessário  para  a  atividade  da  pessoa  jurídica,  mas,  tão  somente,  aqueles  bens  ou  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  intrínsecos  à  Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 3          3 atividade,  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  produção  dos  serviços  prestados ou dos bens vendidos  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009  DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Não  se  mostra  nulo,  tampouco  viola  o  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72,  acarretando o cerceamento do direito de defesa, o lançamento que descreve,  ainda que de modo sucinto, a infração incorrida pelo contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria,  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade, vencido o Conselheiro relator Eloy Eros da Silva Nogueira, que a acolhia. Designado  o  Conselheiro  Robson  José  Bayerl  para  redigir  o  voto  vencedor.  No  mérito,  por  voto  de  qualidade,  negou­se  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça, Ângela Sartori e Bernardo leite de Queiroz Lima.  Júlio César Alves Ramos ­ Presidente.     Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator.  EDITADO EM: 11/02/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva  Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.    Relatório  Este  processo  cuida  de  autos  de  infração  que  constitui  e  exige  crédito  tributário  referente  a Contribuição  para o Financiamento  da Seguridade Social  (Cofins)  e  da  Contribuição para o PIS/PASEP, relativamente ao período de fevereiro de 2008 a dezembro de  2009,  contra o  contribuinte  em epigrafe  ­  que havia  apurado o  Imposto  de Renda da Pessoa  Jurídica com base no lucro real trimestral, sujeitando­se ao PIS e à COFINS pelo regime não­ cumulativo,  tendo apurado saldo a pagar em  todos os meses dos  anos de 2008­ 2009  ­. pela  fatos considerados infracionais pela autoridade lançadora a seguir resumidos.  · Das  despesas  de  aluguel  ­  A  empresa  registrou  em  sua  contabilidade  despesas  de  aluguel  de  prédios  nos  valores  de  R$  2.050.939,82  e  R$  2.279.185,94,  respectivamente,  em  2008  e  2009,  locados  pela  empresa  fiscalizada  à  DFB  Administradora  de  Imóveis  Ltda,  que  haviam  lhe  Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     4 pertencido, o que contraria o §3º do ar. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, e não  geram créditos para efeitos de apuração do PIS/Cofins.  · Do ICMS ­ Substituição Tributária ­ O contribuinte apurou indevidamente  créditos PIS/Cofins sobre valores de aquisições (compras) com inclusão do  ICMS Substituição Tributária (ICMS ST), pois o ICMS ST não é receita do  vendedor  e  sobre  ele  não  há  incidência  do  PIS/Cofins  (cita  o  Parecer  Normativo CST nº 77, de 23/10/1986).  · Das  devoluções  de  vendas  ­  a  fiscalizada  se  creditou  indevidamente  de  valores  das  contribuições  calculados  sobre  devoluções  de  vendas  de  bens  sem a incidência do PIs/Cofins (alíquota zero).  · .Dos  brindes  ­  o  contribuinte  utilizou  indevidamente  créditos  do  PIS/Cofins  sobre  mercadorias  originalmente  adquiridas  para  revenda,  mas  uma parte dessas mercadorias foi distribuída como brindes, ou seja, não foi  efetivamente vendida.  · Do  material  de  embalagem  ­  O  contribuinte  descontou  indevidamente  créditos calculados sobre material de embalagem, em desacordo com o inc.  II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tendo em vista que exerce atividade  comercial  e  o  desconto  de  créditos  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  restringe­se  às  empresas  de  prestação  de  serviços  ou  industrial  (produção ou fabricação de bens ou produtos).  · Dos  combustíveis  ­  O  contribuinte  apurou  créditos  calculados  sobre  despesas  com  combustível,  que,  segundo  a  contribuinte,  foi  utilizado  exclusivamente na frota para entrega de mercadorias a clientes na operação  de venda, bem como óleo diesel para abastecimento dos geradores. mas não  há  amparo  legal  para  a  utilização  desses  dispêndios  como  créditos  do  PIS/Cofins.  · Das  receitas  de  verbas  promocionais  ­  no  ano­calendário  de  2008  o  contribuinte auferiu receitas de verbas promocionais, mas não as incluiu na  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins.  Tais  receitas  foram  incluídas  nas  bases  de  cálculo e lançadas de ofício.  · Do crédito presumido de ICMS ­ Em 2008 e 2009 o contribuinte registrou  receitas  na  conta  de  crédito  presumido  ­  atacado,  esclarecendo  que  tais  verbas se referem ao Crédito Presumido ­ Atacado. Os referidos valores são  oriundos da Sistemática Atacadista do ICMS no Estado de Pernambuco e do  Termo de Acordo de Regime Especial do Estado da Paraíba. A não inclusão  das  receitas oriundas dos créditos presumidos do  ICMS na base de cálculo  do  PIS/Cofins  reduziu  indevidamente  os  valores  devidos  dessas  contribuições. (a autoridade lançadora cita Solução de Divergência Cosit n°  13/2011).    · Das receitas de ICMS ­ o contribuinte registrou contabilmente valores que  foram creditados na apuração do ICMS, como a parcela do ICMS (1/48) de  crédito  de  ativo  imobilizado.  Tanto  a  Lei  n°  10.637/2002  quanto  a  Lei  n°  10.833/2003  determinam  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  deve  incidir  sobre  o  montante  das  receitas  auferidas  pelo  contribuinte.  A  autoridade fiscal entendeu que não há previsão legal para a exclusão na base  de cálculo do PIS/Cofins da receita relativa a 1/48 do valor do ICMS sobre o  valor do ativo permanente ou a outro título  · Das  compensações  ­  No  seu  demonstrativo  de  apuração,  o  contribuinte  efetuou diversas compensações, embora as  tenha  informado  incorretamente  no DACON como  "outras  deduções",  que  ele  informou  serem oriundas  de  trabalho  realizado  por  uma  empresa  de  consultoria  (FLP  Consultoria  Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 4          5 Contábil Ltda), que resultou na revisão das bases de cálculos do PIS/Cofins  não  cumulativo  do  período  de  12/2002  a  12/2006.  Todavia,  a  autoridade  fiscal  desconsiderou  as  compensações,  ao  argumento  de  que:  (i)  não  há  comprovação  sobre  a  existência  dos  créditos  informados,  exceto  um  relatório de uma consultoria, o qual informa que os mesmos são oriundos de  material  de  embalagem,  energia  elétrica,  fretes,  locações  de  imóveis,  despesas  financeiras, depreciação de máquinas e equipamentos, devoluções  de vendas; (ii) não houve a retificação das informações nos DACON.  · Da falta de declaração e pagamento ­ Em relação ao período de apuração  agosto  de  2009,  o  contribuinte  não  informou  em  DCTF  os  valores  do  PIS/Cofins  apurados  em  seus  demonstrativo/DACON,  tendo  efetuado  para  este período um pagamento a menor. A falta de declaração e a insuficiência  de  pagamento  ensejaram  lançamento  de  ofício  dos  equivalentes  créditos  tributários nos valores das diferenças.      A R.  2ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em Recife  apreciou os  autos de  infração e  a  impugnação, bem como os demais  atos  e documentos que  instruem  o  processo  e  concluiu  pela  improcedência  da  impugnação  e  pela  manutenção  do  crédito tributário exigido. O Acórdão n. 11­41.568, de 28/06/2013, ficou assim ementado:      ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009  Ementa:  BASE DE CÁLCULO.  TOTAL DAS RECEITAS.  Para  fins  de  apuração  do  valor tributável, computa­se o total das receitas, que compreende a receita bruta  da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as  demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO.   A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito  relativo  a  aluguel  de  bens  que  já  tenham  integrado  o  patrimônio  da  pessoa  jurídica.  ICMS­SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.   O  ICMS­substituição  tributária  não  integra  o  valor  das  aquisições  de  mercadorias para revenda, para  fins de cálculo do crédito a ser descontado do  PIS/PASEP  e  da  Cofins,  por  não  constituir  custo  de  aquisição,  mas  uma  antecipação  do  imposto  devido  pelo  contribuinte  substituído,  na  saída  das  mercadorias.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CRÉDITO.  MATERIAL  DE  EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.   Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem  para  pessoas  jurídicas  que  exerçam  a  atividade  comercial,  uma  vez  que  a  legislação  tributária  restringe o  aproveitamento de  créditos  com  insumos  para  pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação  de serviços.  SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA.   No regime de apuração não­cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e  da  Cofins,  valores  decorrentes  de  subvenção,  inclusive  na  forma  de  crédito  Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     6 presumido de ICMS, constituem receita  tributável, devendo integrar a base de  cálculo dessas contribuições.  CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO.   O  termo  insumo  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  necessário  para  a  atividade  da  pessoa  jurídica,  mas,  tão  somente,  aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade,  aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009  Ementa:  BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS.   Para fins de apuração do valor tributável, computa­se o total das receitas, que  compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta  própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO.   A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito  relativo  a  aluguel  de  bens  que  já  tenham  integrado  o  patrimônio  da  pessoa  jurídica.  ICMS­SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.   O  ICMS­substituição  tributária  não  integra  o  valor  das  aquisições  de  mercadorias para revenda, para  fins de cálculo do crédito a ser descontado do  PIS/PASEP  e  da  Cofins,  por  não  constituir  custo  de  aquisição,  mas  uma  antecipação  do  imposto  devido  pelo  contribuinte  substituído,  na  saída  das  mercadorias.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CRÉDITO.  MATERIAL  DE  EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.   Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem  para  pessoas  jurídicas  que  exerçam  a  atividade  comercial,  uma  vez  que  a  legislação  tributária  restringe o  aproveitamento de  créditos  com  insumos  para  pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação  de serviços.  SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA.   No regime de apuração não­cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da  Cofins,  valores  decorrentes  de  subvenção,  inclusive  na  forma  de  crédito  presumido de ICMS, constituem receita  tributável, devendo integrar a base de  cálculo dessas contribuições.  CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO.   O  termo  insumo  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  necessário  para  a  atividade  da  pessoa  jurídica,  mas,  tão  somente,  aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade,  aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido      Inconformado, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do  qual apresenta as razões porque devem ser reformados os autos de infração e o decisum de 1º  grau. Em resumo:  1.  Da  nulidade  ­  cerceamento  de  defesa  ­  argumenta  que  deve  ser  declarada  a  nulidade  dos  lançamentos  por  cerceamento  de  defesa,  pois  neles estão ausentes os requisitos formais prescritos no art. 10 do Decreto n°  70.235,  de  1972,  notadamente  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal/penalidade  aplicável. E que  alguns dos  itens  indicados  na autuação  e  no  relatório  fiscal  se  embasam  em  ementas  de  Soluções  de  Consultas  formuladas por terceiros e sem qualquer vínculo com a impugnante.  Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 5          7 2.  Da decadência  ­  argumenta  que  as Contribuições  para  o PIS/PASEP  e  a  Cofins  são  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  (art.  150  do  CTN)  e,  considerando  que  os  lançamentos  foram  formalizados  em  27/02/2013,  é  de  se  concluir  que  todas  as  operações  realizadas  até  25/02/2008  foram  tacitamente  homologadas  pelo  Fisco,  de  forma  que  estariam  extintos  pela  decadência  eventuais  créditos  tributários  desse  período (janeiro­fevereiro/2008).  3.  Das despesas de aluguel ­ Afirma que não infringiu o art. 31, §3° da Lei n°  10.865,  de  2004,  pois  esse  dispositivo  legal  teve  por  objetivo  evitar  que  empresas  que  já  se  beneficiaram  dos  créditos  de  PIS  e  Cofins,  pela  depreciação do bem em  seu  ativo  imobilizado, posteriormente voltassem a  dele  tomar  crédito,  dessa vez por meio da  locação. Apresenta  certidões  de  matrículas  imobiliárias  para  demonstrar  que  todos  os  imóveis  que  pertenceram  à  impugnante  e  atualmente  são  por  ela  locados,  foram  transferidos  entre  os  anos  de  2002  e  2003,  ou  seja,  antes  mesmo  da  instituição  da  sistemática  não­cumulativa  do  PIS/Cofins.  Portanto,  se  a  intenção  da  norma  era  evitar  benefícios  indevidos,  atingindo  aqueles  contribuintes  que  alienaram  imóveis  e  posteriormente  os  alugaram  para  si  quando já vigente a sistemática não cumulativa,  tal  lógica não pode lhe ser  aplicada.  E  explica  que  os  aluguéis  constituem  gastos  essenciais  para  a  viabilização  da  sua  atividade  e  bem  assim  que  ela  nunca  auferiu  qualquer  benefício  relacionado  ao  PIS/Cofins  durante  o  período  em  que  os  imóveis  pertenceram  ao  seu  ativo  imobilizado,  requer  o  cancelamento  da  autuação  neste ponto.  4.  Do  ICMS  ­  Substituição  Tributária  ­  Entende  a  recorrente  os  lançamentos não indicam objetivamente a base legal infringida; e que as  razões  escritas  nos  autos  são  de  índole  totalmente  subjetiva,  valendo­se  a  autoridade  fiscal  de  argumentos  "em  tese"  e  fundados  em  Soluções  de  Consulta  formulada por  terceiros,  sem efeito normativo ou vinculante para  com  o  impugnante.  Aponta  a  Solução  de  Consulta  n°  60,  de  2012,  da  Superintendência  da  Receita  Federal  do  Brasil  da  4a  Região,  a  qual  reconheceu  que  o  ICMS­ST  compõe  o  custo  de  aquisição  de  mercadoria,  para efeitos da apuração do IRPJ, propugnando que tal entendimento poderia  ser aplicado na tributação do PIS/Cofins.  5.  Das devoluções de vendas ­ A recorrente explica que, por equívoco seu,  incorreu  neste  erro  onde  se  creditou  indevidamente  do  PIS/Cofins  sobre  mercadorias  devolvidas  que,  em  pequena  proporção,  estão  no  rol  de  produtos  vendidos  com  isenção  ou  tributados  no  regime  monofásico.  Entretanto,  argumenta  que  a  auditoria  fiscal  deixou  de  considerar,  não  só  sobre a devolução de vendas, mas também que nas devoluções de compras  existem mercadorias que, por sua classificação, são isentas ou monofásicas.  Aduz  que  se  creditou  "indevidamente"  nas  operações  de  devoluções  de  venda e, igualmente, "indevidamente" estornou os créditos tomados quando  realizou  as  "devoluções  de  compras".  Para  fins  de  apuração  de  eventual  saldo  a pagar,  reivindica que não deve  ser  levado em conta  tão  somente o  montante  creditado  nas  devoluções  de  vendas.  Deve­se  igualmente  compensar  aqueles  créditos  estornados  em  razão  das  suas  "devoluções  de  compra". Ela apresenta planilha e balancete para demonstrar os reais valores  que  seriam  devidos  ao  Fisco,  considerando  os  valores  registrados  como  devolução de vendas e os como devolução de compras.  Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     8 6.  Dos  brindes  ­ A  recorrente  aponta  que,  de  acordo  com  o  relatório  fiscal,  teria  adquirido  mercadorias  para  revenda  (descontando  os  respectivos  créditos  fiscais)  e  posteriormente  as  distribuído  como  brindes.  Contudo,  entende que há um equivoco de  critério nesse particular,  pois  a  autoridade  lançadora  levantou  o  registro  de  notas  fiscais  de  saídas  emitidas  sobre  os  CFOP 5910 e 6910, presumindo que o resultado de todas aquelas saídas se  referiam a brindes. Porém o próprio relatório fiscal observa que a conta "535  ­ Brindes" é composta das subcontas "55 ­ Mercadorias para Revenda" e "58  ­  Bens  e  Produtos  para  sorteio  promocional":  E  que  esse  fato  deve  ser  apreciado:  a.  Da  conta  535  ­  sub  conta  "55  ­ Mercadorias  para  Revenda"  ­  explica que as saídas que promove não se referem a "brindes", mas,  sim,  a mercadorias  em  "bonificação",  que  em  sua  pequena  parte,  é  encaminhada a  seus  clientes para  incentivar vendas. E que esse é o  fato, e que ele deve ser sobrepor a qualquer erro formal de registro. E  que isso está conforme entendimento da própria Secretaria da Receita  Federal do Brasil3, as mencionadas bonificações são equiparadas aos  "descontos incondicionais", cuja legitimidade é encontrada no art. 1°,  inc. V, da Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Conclui que,  inexistindo previsão legal que obrigue o estorno do crédito nos casos  de saída de mercadorias em bonificação, é legitimo o crédito apurado  pela  autuada.  Que  houve  erro  de  mera  classificação  contábil,  as  operações foram lançadas na conta "535 ­ Brindes" levando o Fiscal  a entender equivocadamente que se tratavam realmente todas elas de  brindes. e acrescenta que a autoridade  lançadora se baseou em uma  avaliação  absolutamente  genérica  e  deixou  de  segregar  as  mercadorias  adquiridas  inicialmente  para  revenda,  mas  dadas  em  bonificação, daquelas adquiridas com fim exclusivo de distribuir por  meio de sorteios e promoções.  b.  Da  conta  535  ­  subconta  "58  ­  Bens  e  Produtos  para  Sorteio  Promocional" ­ repete que a autoridade fiscal deixou de segregar  as mercadorias adquiridas  inicialmente para  revenda, mas dadas em  bonificação, daquelas adquiridas com fim exclusivo de distribuir por  meio de sorteios e promoções. Presumiu ainda o desconto de crédito  sobre  o  montante  global  das  mercadorias  cujas  saídas  foram  classificadas  pelo  CFOP  5910  e  6910  e  lançadas  na  conta  535.  Esclarece  que  os  referidos  CFOP  tanto  servem  para  bonificações  como  para  brindes  e  sorteios.  Destarte,  em  relação  às  mercadorias  adquiridas com o objetivo de serem distribuídas por meio de brindes  ou sorteios, a autuada não apurou crédito de PIS e Cofins, visto que  as mesmas foram classificadas nos CF0P 1949/2949 e 1910 e 2910,  não  gerando  crédito  fiscal  do  PIS  e  da  Cofins.  Conclui  que,  se  na  primeira  hipótese  o  lançamento  fiscal  é  indevido  visto  que  as  mercadorias  adquiridas  para  revenda  foram  dadas  em  bonificação,  legitimando os créditos tomados, e no segundo caso o lançamento é  notoriamente indevido porque a autuada não tomou qualquer crédito  quando da aquisição destas mercadorias para distribuição em sorteios  e premiações.  7.  Do  material  de  embalagem  ­  Defende  a  recorrente  que  adquire  embalagens  para  acondicionar  e  revender  seus  produtos.  E  discorda  da  conclusão  da  Fiscalização  e  do  julgamento  de  1ª  Instância,  que  não  reconheceram  o  seu  direito  ao  desconto  dos  indigitados  dispêndios,  por  Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 6          9 exercer  atividade  comercial.  Argumenta  ser  autor  de  ação  judicial  que  reconheceu sua equiparação à industrial justamente para reconhecer o direito  a créditos de IPI sobre a aquisição de embalagens. Logo, se para o  IPI que  possui  critérios  absolutamente  restritivos  para  a  caracterização  do  insumo,  foi  reconhecido  o  direito  a  crédito,  justifica  que  para  o  PIS/Cofins  igualmente não poderia ser diferente, dado que as embalagens são insumos  da empresa impugnante e ela faz jus aos respectivos créditos.  8.  Dos  combustíveis  ­  Ela  ainda  contesta  o  entendimento  dado  pela  Fiscalização e pelos Julgadores, o qual indicaram que, por falta de previsão  legal, o combustível utilizado na frota própria de caminhões para transporte  das mercadorias do estabelecimento distribuidor para clientes e para pontos  de  revenda  (supermercados)  e  o  diesel  utilizado  na  alimentação  dos  geradores de energia  ligados a câmeras de resfriamento, necessários para o  desenvolvimento  das  suas  atividades,  não  se  enquadrariam  no  conceito  de  insumo  para  fins  de  direito  a  crédito  das  contribuições  do  PIS/Cofins.  Afirma a existência de decisões nesse sentido no  judiciário e no Conselho.  Acrescenta justificativa sobre a essencialidade do transporte das mercadorias  e  funcionamento dos geradores, os quais necessitam de combustíveis. Cita,  ademais, que o próprio inciso III do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, dispõe  que além da energia elétrica, são admissíveis créditos sobre energia térmica  (caso da impugnante) e a vapor. Diz que tal dispositivo não é taxativo, mas  exemplificativo.  9.  Das  receitas  de  verbas  promocionais  ­  A  recorrente  alega  que,  com  relação  à  não  inclusão  de  verbas  promocionais  na  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins de 2008­2009, a autuação se fundamenta de forma genérica sem  qualquer  referência  a  legislação,  descrição  da  natureza  ou  origem  das  supostas  verbas  promocionais  que  deveriam  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições  a  ponto  de  dificultar  a  própria  defesa  da  autuada. Mas  que,  caso assim não se entenda, destaca que referidas verbas foram recebidas pela  impugnante  de  seus  fornecedores  com  intuito  de  ressarcir  os  custos  com  programas promocionais de divulgação dos produtos daqueles. Nega, à vista  disso,  a  natureza  de  receita  de  tais  verbas,  já  que  se  configuram  como  verdadeiro  reembolso  de  despesas,  não  significando  qualquer  acréscimo  patrimonial  em  seu  favor,  amparando­se  em  Acórdão  do  CARF6  para  reforçar seu posicionamento.  10. Do crédito presumido de ICMS ­ A recorrente afirma que a autuação se  fundamenta numa Solução de Consulta, sem apontar objetivamente nenhuma  ilegalidade  capaz  de  justificar  a  autuação.  Entende  que,  sobre  o  crédito  presumido de  ICMS, estar pacificado  tanto na esfera administrativa quanto  Judicial  que  as  referidas  verbas  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições para o PIS e a Cofins. Cita decisões do Superior Tribunal de  Justiça e CARF8, para amparar sua tese.  11. Das receitas de ICMS ­ A recorrente argumenta que a autuação tributou  as "receitas" decorrentes do desconto de crédito de ICMS 1/48 sobre o ativo  permanente, com a explicação de "de modo semelhante ao crédito presumido  do  ICMS, não há previsão  legal para a não  inclusão na base de cálculo do  PIS/Cofins". Ocorre  que  não  há  fundamentação  para  o  lançamento,  pois  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  referida  verba  é  receita  tributável  das  contribuições "porque é", o que não é admissível na seara tributária, que tem  rígidas  regras  e  limitações  constitucionais  ao  poder  de  tributar,  ou  seja,  se  Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     10 não há fato gerador explicitado para justificar a incidência, não há obrigação  tributária. Com relação ao mérito,  transcreveu  trecho de acórdão do CARF  que  explicita  o  conceito  de  receita  para  efeito  de  incidência  das  contribuições.  Como  se  observa  do  entendimento  do CARF,  ainda  que  na  sistemática  não  cumulativa,  a  classificação  de  receita  tributável  deve  se  atentar a alguns critérios e deve estar vinculada com a atividade da empresa.  Com  base  nisso,  no  presente  caso,  assim  como  o  crédito  presumido,  o  crédito proveniente de 1/48 sobre o ativo permanente é benefício fiscal que  objetiva  fomentar  a  atividade  industrial  e  comercial  conferindo  crédito  de  ICMS  sobre  as  aquisições  de  bens  para  aplicação  no  processo  produtivo,  reduzindo  custos  e  impactos  de  investimentos.  Sob  esse  prisma,  portanto,  aduz  que  não  há  qualquer  elemento  que  possa  equiparar  estas  verbas  à  receita prevista nas Leis n° 10.833, 2003, e 10.637, de 2002.  12. Das compensações ­ A recorrente expõe que a autoridade fiscal concluiu  pela  falta  de  comprovação  da  existência  de  créditos  anteriormente  não  utilizados, bem como a não retificação do DACON, como fundamento para  justificar a autuação. Entretanto, quanto  à  alegada falta de comprovação,  a  recorrente havia apresentado o relatório que resultou no reconhecimento dos  créditos no qual estaria demonstrada a origem e os cálculos que  levaram à  apuração.  E  adita  que,  relativamente  a  não  retificação  dos  DACON,  este  fundamento  exclusivamente  não  pode  ser  subsídio  para  o  não  reconhecimento  dos  créditos,  pois  a  incidência  tributária  é  pautada  pelo  princípio da estrita legalidade, ou seja, a obrigação tributária da qual emerge  créditos  e  débitos,  bem  como  os  direitos  dele  decorrentes  estão  pautados  pela  ocorrência  dos  respectivos  fatos  geradores.  E  que  o  eventual  descumprimento de mera obrigação acessória não pode servir de fundamento  para  que  a  autoridade  fiscal  deixe  de  reconhecer  créditos  legitimamente  conferidos à impugnante, os quais decorreram de operações previstas em lei.      É o relatório.      Voto Vencido  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira  Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade.    Da argüição de nulidade  A recorrente suscitou preliminar de nulidade por cerceamento do seu direito  de defesa. Afirma que faltam requisitos formais prescritos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de  1972, principalmente quanto à descrição dos fatos e enquadramento legal/penalidade aplicável.  E  que  algumas  das  infrações  indicadas  na  autuação  e  no  relatório  fiscal  se  embasam  em  ementas  de  Soluções  de  Consultas  formuladas  por  terceiros  e  sem  qualquer  vínculo  com  a  autuada.  Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 7          11 Tenho como balizador inicial, nessa questão, o que estabelece o artigo 10 do  Decreto nº 70.235, de 1972:  “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da  verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V ­ a determinação da exigência e a  intimação para cumpri­la ou  impugná­la  no prazo de trinta dias;  VI ­ a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número  de matrícula.”    Em adição, procuro verificar se há elementos que demonstrem haver prejuízo  à capacidade e ao direito de intervir, de contraditar ou de se defender, amplamente, de uma das  partes interessadas.  Apesar da prescrição desses quesitos, os autos de infração podem diferenciar­ se  entre  si  sob  o modo  ou  estilo  do  seu  autor. Nesse  sentido,  vejo  como  prática  corrente  e  justificável, que em nada prejudica a validade do auto de infração, o uso de excertos e citações  de decisões judiciais ou administrativas, ou de pareceres doutrinários ou administrativos. Eles  integram o auto de infração ao concorrerem para a argumentação e a demonstração das razões  e motivações da autuação. Ou mesmo para indicar a base legal que fundamenta o ato fiscal. Por  isso, não considero ofensivo à validade do auto de infração o uso de soluções de consulta.  Todavia, acima dessas diferenças, deve ser preservado o direito de defesa e  intervenção de cada uma das partes. Caso se constate prejuízo desse direito, pode se invocar o  instituto previsto no inciso II do artigo 59 do Decreto n, 70.235, de 1972, para sanar e superar  essa situação.  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição do direito de defesa.  §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução  do  processo.  §  3º  Quando  puder  decidir  do  mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará  nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de  1993)    Li e reli os Autos de Infração e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, e  a impugnação, e o acórdão e o recurso voluntário e desse exame concluo que, em linhas gerais,  houve o atendimento dos requisitos determinados pelo art.10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e  não  ocorreu  a  hipótese  tratada  no  artigo  59  dessa  lei  processual.  Os  autos  de  infração  apresentam os fatos e as razões e as motivações.  A  autoridade  fiscal  esclareceu  e  justificou  suficientemente  a  imputação  das  infrações que foram detectadas no curso da ação fiscal; e ela detalhou suficientemente cada um  dos fatos. A meu ver, regra geral, ela trabalhou de forma ampla e minuciosa, inclusive com a  Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     12 elaboração  de  planilhas  e  demonstrativos  de  cálculos.  E  o  contribuinte  demonstrou  exercer  plena e amplamente seu direito de defesa, analisando cada um dos itens da autuação.  Por tudo isso, proponho não seja aceita a alegação genérica de nulidade por  cerceamento do direito de defesa.  Entretanto, parece­me ter razão a recorrente quando ela pede a nulidade com  relação à infração das ‘receitas promocionais’ e a do ‘crédito presumido do ICMS’. Reproduzo  a  seguir  todo  o  texto  usado  pela  autoridade  lançadora  para  descrever  o  fato,  demonstrar  as  razões e motivar a autuação:    Sobre as receitas promocionais  66. No ano­calendário de 2008 o contribuinte auferiu receitas conforme indica a  conta  946  ­  Receitas  de  Verbas  Promocionais63, mas  não  incluiu  os  valores  obtidos na base de cálculo do PIS/COFINS:64  67. A não  inclusão das  receita de verbas promocionais na base de  cálculo do  PIS/COFINS  reduziu  indevidamente  os  valores  devidos  dessas  contribuições,  desse  modo,  são  constituídos  por  meio  de  auto  de  infração  os  créditos  tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$):    Sobre o crédito presumido do ICMS  A  Receita  Federal  já  se  manifestou  por  meio  de  sua  Coordenação  Geral  de  Tributação (Cosit), manifestou­se:  SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT N" 13 de 28 de Abril de 2011  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   EMENTA:  Por  absoluta  falta  de  amparo  legal  para  a  sua  exclusão,  o  valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e  pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base  de  cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009,  tendo em vista a  revogação  do  §  I°  do  art.  3°  da  Lei  n°  9.718,  de  1998,  promovida  pelo  inciso  xn do art.  79 da Lei nº 1.941, de 2009, para as pessoas  jurídicas  enquadradas  no  regime  de  apuração  cumulativa  da Cofins,  por  não  ser  considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida  por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou  de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição.   71. A não inclusão das receitas oriundas dos créditos presumidos do ICMS na  base  de  cálculo  do  PIS/COFlNS  reduziu  indevidamente  os  valores  devidos  dessas contribuições, desse modo, são constituídos por meio de auto de infração  os créditos tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$)  De  todas  as  infrações  que  constam  desses  autos  de  infração  essas  são  as  únicas  que  não  constato  argumentação  e  descrição  que  nos  permita  identificar  os  requisitos  necessários da autuação dessa infração. Essa situação de deficiência me parece ser objetiva no  próprio texto, apesar da recorrente trazer sua defesa a esse respeito. Não encontrei em nenhuma  outra parte dos autos o que pudesse suprir o que me parece ausente com relação a estas duas  infrações  especificamente.  Por  isso,  nesse  particular,  proponho  dar  provimento  ao  recurso  voluntário.    Sobre a alegação de decadência  A  recorrente  explica  que  essas  contribuições  se  guiam  por  lançamento  por  homologação e há um prazo de cinco anos para sua homologação; e que a regra de decadência  deve ser a prevista no § 4º do artigo 150 do CTN. Se o crédito tributário foi formalizado em  Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 8          13 27/02/2013,  conclui  a  recorrente  que  todas  as  operações  realizadas  até  25/02/2008  foram  tacitamente homologadas pelo Fisco, de forma que estariam extintos pela decadência eventuais  créditos tributários do período de janeiro­fevereiro/2008.  Não  vejo  razão  favorável  à  recorrente. O  entendimento  jurisprudencial  que  orienta essa questão já pacificou que a regra decadencial prevista no § 4º do artigo 150 do CTN  se  aplica  quando  houve  antecipação  de  pagamento.  Caso  contrário,  a  regra  decadencial  é  a  prevista no inciso I do artigo 173 do CTN.  Nesse sentido, por exemplo, temos o Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, que  expõe que independente da modalidade de lançamento a que está sujeito o tributo, a decadência  refere­se  sempre  ao  lançamento  de  ofício,  quando  o  contribuinte  obrigado  ao  pagamento  do  tributo não o faz ou paga valor inferior ao devido:  “29.  É  com  base  em  excerto  doutrinário  de  grande  densidade  que  são  fixadas  as  premissas das  reflexões vindouras. Para Leandro Paulsen, em monografia sobre as  contribuições de custeio para a seguridade social:  ‘A  decadência  refere­se  sempre  ao  lançamento  de  ofício,  independentemente  da  modalidade de lançamento a que o tributo normalmente está sujeito. Efetivamente, o  lançamento  de  ofício  tem  importante  papel  supletivo  quando  o  contribuinte,  obrigado à apuração do fato gerador e pagamento do tributo sujeito a lançamento por  homologação,  não  o  faz  ou  paga  valor  inferior  ao  devido.  No  caso  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  podem  ocorrer  duas  hipóteses  quanto  à  contagem do prazo decadencial do Fisco para a constituição de crédito tributário: 1)  quando  o  contribuinte  efetua  o  pagamento  no  vencimento,  o  prazo  para  o  lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos  contados da ocorrência do fato gerador, forte no art. 150, § 4º, do CTN; 2) quando o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  no  vencimento,  o  prazo  para  lançamento  de  ofício  é  de  cinco  anos  contado  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  ao  da  ocorrência do fato gerador, o que decorre da aplicação, ao caso, do art. 173,  I, do  CTN.”  "49. [...]  d)  para  fins  de  cômputo  do  prazo  de  decadência,  não  tendo  havido  qualquer  pagamento, aplica­se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve  ou não declaração, contando­se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado;  e)  para  fins  de  cômputo  do  prazo  de  decadência,  tendo  havido  pagamento  antecipado, aplica­se a regra do § 4º do art. 150 do CTN;”    Considero corretas as análises feitas pelos I Julgadores a quo e a conclusão a  que chegaram, o que absorvo neste voto: "Seguindo as regras determinadas pelo art. 150, § 4º,  do CTN, a fixação do dies a quo para contagem do prazo decadencial leva em consideração a  ocorrência do  fato gerador. Considerando que a autuada  teve ciência do auto de  infração em  27/02/2013,  e  que  foram  lançados  valores  correspondentes  aos  períodos  de  apuração  de  fevereiro  de  2008  a  dezembro  de  2009,  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  não  foi  atingido  pela  decadência,  já  que  dispunha  até  o  último  dia  do  mês  de  fevereiro de 2013 para constituir o lançamento fiscal em relação ao período de apuração mais  antigo (no caso, fevereiro de 2008)."   Por isso, proponho rejeitarmos a preliminar de decadência argüida.    Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     14 Sobre as despesas de aluguel  A base legal para a autuação estão no § 3º do artigo 31 da Lei n. 10.865, de  2004:  Art.  31.  É  vedado,  a  partir  do  último  dia  do  terceiro mês  subseqüente  ao  da  publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do  § 1o do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29  de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos  de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004.  § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do §1º do art.  3o  das  Leis  n°s  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  apurados  sobre  a  depreciação  ou  amortização  de  bens  e  direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio.  § 2o O direito ao desconto de créditos de que  trata o § 1º deste artigo não se  aplica  ao  valor  decorrente  da  reavaliação  de  bens  e  direitos  do  ativo  permanente.  §  3o  É  também  vedado,  a  partir  da  data  a  que  se  refere  o  caput.  o  crédito  relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já  tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica.  A  recorrente  explica  que  esse  dispositivo  teve  por  objetivo  evitar  que  empresas que já se beneficiaram dos créditos de PIS e Cofins, pela depreciação do bem em seu  ativo  imobilizado,  posteriormente  voltassem  a  dele  tomar  crédito,  dessa  vez  por  meio  de  locação. E também que as transferências dos imóveis ocorreram em 2002­2003, época em que  ainda não existia no ordenamento jurídico o regime não cumulativo da Contribuição do PIS e  da Cofins.   A meu ver,  apesar de  aparentemente  razoável  a  interpretação  da  recorrente  para  a  finalidade  dessa  regra,  o  fato  é  que  o  §  3º  desse  art.  31  estabelece  positivamente  vedações, articulando­as com o caput e os dois primeiros desse artigo. Como bem analisou o  julgador de 1ª Instância:  "O caput e os dois primeiros parágrafos são referentes aos créditos apurados sobre a  depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado. Observa­se que  as  vedações  quanto  ao  aproveitamento  desses  créditos,  expressamente,  levam  em  consideração  a  data  de  aquisição  dos  bens.  Com  efeito,  para  os  ativos  adquiridos  antes  de  1º  de  maio  de  2004  está  vedada  a  utilização  dos  créditos  a  partir  de  31/07/2004.  Dessa  maneira,  os  créditos  de  depreciação  ou  amortização  dos  apontados  bens  e  direitos  devem  ser  utilizados  até  31/07/2004.  Para  os  ativos  imobilizados  adquiridos  a  partir  de  1º  de  maio  de  2004  o  parágrafo  primeiro  autorizou o aproveitamento dos créditos sem limite temporal. Já o parágrafo terceiro  do  mesmo  art.  31  apresenta  vedação,  a  ser  observada  a  partir  de  31/07/2004,  referente  ao  aproveitamento  de  crédito  obtido  com  despesas  com  aluguel  e  contraprestação  de  arrendamento  mercantil  de  bens  que  já  tenham  integrado  o  patrimônio da pessoa jurídica."    Ora, os imóveis alugados da empresa DFC Administradora de Imóveis Ltda.  pertenceram  à  contribuinte  e  foram  vendidos  à  locadora  em  2003.  E  foram  alugados  à  contribuinte durante os anos de 2006, 2007 e 2008. Esses eventos ocorreram na vigência dos  dispositivos legais aqui em discussão.  Em  2003  já  estava  em  vigor  a  não­cumulatividade  da  Contribuição  do  PIS/PASEP, com a edição da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que já previa regra para o desconto  de crédito de despesas com aluguel, segundo disposto no inc. IV do art. 3º, o que, a meu ver,  fragiliza  o  argumento  da  recorrente  em  relação  à  anterioridade  das  alienações  quanto  a  esta  Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 9          15 sistemática  de  apuração.  Além  disso,  os  contratos  de  aluguel  dos  imóveis  em  exame  têm  vigência  a  partir  de  janeiro  de  2006,  data  em  que  o  regime  da  não  cumulatividade  das  contribuições, bem como a própria Lei n° 10.865, de 2004, já tinham vigência.  E principalmente, o §3° do art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004, não estabelece  exceção  à  pretendida  restrição,  no  que  se  refere  aos  bens  transmitidos  antes  da  vigência  do  regime  não  cumulativo  das  contribuições. O  texto  é  definitivo  e  abrangente:  a  proibição  do  aproveitamento  dos  créditos  de  aluguéis  na  hipótese  ali  definida  projeta  seus  efeitos  para  frente.  Proponho o não acolhimento do recurso nesse item.    Do ICMS ­ Substituição Tributária (ICMS­ST)  A  contribuinte  apurou  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  os  valores  das  aquisições, com inclusão do ICMS ST na base de cálculo dos referidos créditos. A autoridade  fiscal glosou os créditos assim obtidos.   A recorrente acusa que a autuação se fundamenta em Solução de Consulta de  terceiros, e que lhe falta motivação legal. E aponta a Solução de Consulta n° 60, de 2012, da  Superintendência da Receita Federal do Brasil da 4a Região, a qual reconheceu que o ICMS­ ST compõe o custo de aquisição de mercadoria, para efeitos da apuração do IRPJ, propugnando  que tal entendimento poderia ser aplicado na tributação do PIS/Cofins.  Como  já  exposto  anteriormente,  quando  apreciado  a  alegação  de  nulidade,  não me parece que  falte  à autuação os  requisitos para  sua validade e nem os  requisitos para  respeitar a plena e ampla defesa por parte dos interessados.  Não  há  necessidade  que  a  Lei  proíba  expressamente,  quando  se  pode  depreender  que  o  texto  legal  firma  esse  sentido  pela  própria  lógica  dos  procedimentos  e  da  natureza  dos  fenômenos  envolvido.  O  ICMS  Substituição  Tributária  não  é  receita  do  contribuinte.  Ele  transita  pelo  patrimônio  do  substituto  como  antecipação  do  tributo.  É  obrigação por ele assumida, e não receita. Por isso, entendo correta a autuação nesse item. A  argumentação da autoridade fiscal me parece de clareza mediana, e a reproduzo aqui para ela  se integrar a esta análise e voto:     “ ... podemos concluir que o contribuinte apurou créditos de PIS e COFINS sobre os  valores das aquisições, com inclusão do ICMS ST na base de cálculo dos referidos  créditos.”  36. Na operação de venda de mercadorias, o  ICMS ST não é  receita do vendedor,  substituto  tributário.  O  valor  do  ICMS  ST  é  uma  mera  antecipação  do  imposto  devido pelo comprador, o substituído. Para o vendedor, o ICMS ST é uma obrigação  e não receita, desse modo, sobre esse valor não há incidência de PIS/COFINS.  37.  A  não  inclusão  do  ICMS  ST  na  receita  bruta,  para  efeito  de  incidência  de  PIS/COFrNS, está prevista rIO inciso I do § 20 do art. 30 da Lei o n° 9.7 I 8/1998.  38.  Ao  ser  instituído  o  regime  não­cumulativo  para  o  PIS  e  para  a  COFINS,  respectivamente  pela  Lei  nª­10.637/2002  e  pela  Lei  n°  10.833/2003,  não  houve  referência  ao  ICMS ST. Mas  a  omissão  da  lei  não  significa  que  o  ICMS ST  seja  receita e conseqüentemente sobre ele incida PIS/COFINS.  Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     16 39. Ao da tratar do ICMS ST, o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de  Tributação (CST) n° 77, de 23/10/1986, publicado no DOU de 28/10/1986, diz:  O  ICM  referente  às  operações  próprias  da  empresa  compõe  o  preço  da  mercadoria, e, conseqüentemente, o  faturamento. Sendo um imposto  incidcnlc  sobre vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo das  Contribuições ao PIS/PASEP e FINSOCIAL.  Entretanto,  o  ICM  referente  à  substituição  tributária  não  integra  a  base  de  cálculo  do  contribuinte  substituto  no  tocante  às  suas  Contribuições  para  O  PIS/PASEP e FlNSOCIAL, por constituir uma mera antecipação do devido pelo  contribuinte substituído.   O  ICMS  ST  não  é  receita  do  vendedor  e  sobre  ele  não  há  incidência  de  PIS/COFINS  conseqüentemente,  o  valor  desse  imposto  não  deve  ser  incluído  pelo  comprador  na  base  de  cálculo  para  os  créditos  daquelas  contribuições,  conforme  previsto  no  art.  3°  da  Lei  nº  10.637/2002  e  no  art.  3°  da  Lei  n°  10.83312003.  Também não  tem  sustentação  legal  a  pretensão  da  recorrente de  transpor  o  entendimento da Solução de Consulta DISIT­4ª RF n. 60/2012 do âmbito do IRPJ para o PIS e  COFINS.  Afinal,  os  tributos  (IRPJ  versus  PIS/COFINS)  possuem  materialidades  e  regras  distintas,  e  a  analogia  proposta  pela  recorrente  feriria  a  lógica  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS e as regras que a disciplinam, como demonstrado pelos julgadores a quo.  Proponho  a  este  colegiado  não  acolher  a  argumentação  da  recorrente  nesse  item.    Com  relação  às  devoluções  de  vendas  ­  a  autuação  afirma  que  o  contribuinte computou, indevidamente, crédito relativo a devolução de vendas sobre produtos  não  sujeitos  à  incidência  das  contribuições  (vendidos  com  isenção  ou  tributados  no  regime  monofásico). Mas com relação a esse fato a recorrente reconhece o equívoco e não contrapõe  razão  para  sua  reforma.  Entretanto,  reivindica  que  na  apuração  dessa  infração  sejam  considerados os valores  referentes  às devoluções de compras,  justificando que  também nesta  situação existem mercadorias que,  por  sua classificação,  são  isentas ou monofásicas,  e cujos  créditos foram estornados quando as realizou.  Nesse  particular,  acompanho  a  apreciação  feita  pelos  Julgadores  de  1ª  Instância, que expuseram:  Em relação a tal pedido, não é possível compreender a pretensão do impugnante ou  qual a possibilidade  jurídica  lhe ampararia. Ora,  se o contribuinte estornou crédito  de mercadorias monofásicas, tais créditos não são amparados pela legislação. Assim,  o  estorno  realizado  apenas  neutralizaria  o  equivocado  creditamento.  Além  da  verificação  acima,  cumpre  dizer  que  a  questão  suscitada  pelo  autuado  não  se  encontra inserida na presente lide, ou seja, não fez parte da exigência tributária que  ora  se  examina.  A  legislação  tributária  coloca  à  disposição  do  sujeito  passivo  a  possibilidade  de,  enquanto  abrangido  pela  espontaneidade,  poder  retificar  as  informações previamente prestadas ao Fisco e, na possibilidade de eventualmente, se  apurar  crédito  em  seu  benefício,  reivindicá­los  mediante  apresentação  formal  dos  competentes instrumentos da restituição/compensação. Dessa forma, é incabível em  sede de julgamento administrativo analisar questão ou fato que não é objeto da lide.    Proponho  a  este  colegiado  não  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  neste  item.    Com relação aos brindes  Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 10          17   A autuação indica que o contribuinte adquiriu mercadorias para revenda, mas  as  distribuiu  como  brindes,  concluindo,  assim,  pela  irregularidade  da  utilização  dos  correspondentes créditos. A recorrente contra argumenta: (i) o autuante levantou o registro de  notas  fiscais de saídas emitidas sobre os CFOP 5910 e 6910, presumindo que o resultado de  todas aquelas saídas se referiam a brindes; (ii) esclareceu que as mercadorias contabilizadas na  subconta  "55  ­  Mercadorias  para  Revenda"  se  tratavam  de  bonificações,  as  quais  seriam  equiparadas aos descontos incondicionais, defendendo a legitimidade da utilização do crédito,  ante a falta de proibição da legislação; (iii) diz que os valores que tiveram como contrapartida a  subconta "58 ­ Bens e Produtos para Sorteio Promocional" não teria apurado crédito de PIS e  Cofins, visto que as mesmas foram classificadas nos CF0P 1949/2949 e 1910 e 2910.  Nesse item parece­me que não é possível acolher as alegações da recorrente.  Ela  justifica  o  seu  procedimento  com  base  na  Solução  de  Consulta  nº  130,  de  03/05/2012,  emitida  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  na  8ª  Região  Fiscal  (SRRF08),  visando  esclarecer  que  os  valores  contabilizados  em  tal  subconta  se  referem  a  bonificações,  para as quais ele atribui natureza de descontos incondicionais.  Ocorre  que,  concordando  com  os  Julgadores  de  1º  Grau,  essa  Solução  de  Consulta nº  130,  de  03/05/2012,  aborda  questão  referente  a  não  inclusão  de  bonificações  na  operação  de  venda.  Ou  seja,  o  autuante  tratou  da  operação  precedente  (crédito  obtido  pela  entrada  de  mercadoria  para  revenda),  ao  passo  que  a  recorrente  trouxe  argumentos  especificamente para justificar a não incidência do PIS e da Cofins no caso de bonificações em  mercadorias (saída de mercadoria).  EMENTA:  BASE  DE  CÁLCULO  DO  TRIBUTO.  BONIFICAÇÕES  EM  MERCADORIAS  VINCULADAS  A  OPERAÇÃO  DE  VENDA.  As  bonificações  em  mercadorias,  quando  vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não  estiverem  vinculadas  á  operação  futura,  por  se  caracterizarem  como  redutoras  do  valor  da  operação,  constituem­se  em  descontos  incondicionais,  previstos  na  legislação  de  regência  do  tributo  como  valores  que  não  integram  a  sua  base  de  cálculo  e,  portanto,  para  sua  apuração,  podem ser excluídos da base cálculo da Coflns.  BASE  DE  CÁLCULO.  BONIFICAÇÕES  EM  MERCADORIAS  A  TÍTULO  GRATUITO,  DESVINCULADAS DE  OPERAÇÃO DE  VENDA.  A  base  de  cálculo  da  Cofins  é  definida  legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela  pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em  que  a  bonificação  em  mercadoria  é  concedida  por  liberalidade  da  empresa  vendedora,  sem  vinculação  a  operação  de  venda  e  tampouco  vinculada  a  operação  futura,  não  há  como  caracterizá­la  como  desconto  incondicional,  pois  não  existe  valor  de  operação  de  venda  a  ser  reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação  tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se  falar  em  fato  gerador  do  tributo,  pois  a  receita  bruta  não  será  auferida.  Dessa  forma,  a  bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins."     Ademais,  está  previsto  na  legislação  inc.  I  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002, e nº 10.833, de 2003, que os bens para os quais se pode descontar créditos devem ter sido  adquiridos  para  revenda,  fato  que  não  foi  verificado  no  presente  caso,  já  que  os  bens  foram  adquiridos para disponibilização a título gratuito a terceiros.  Portanto, proponho o não provimento da alegação da recorrente.    Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     18   Com relação ao material de embalagem  Não merece correção o entendimento abraçado pela Fiscalização, e mantido  pelo decisum atacado, que não reconheceu a utilização de créditos de despesa com material de  embalagens, ao apontar que a empresa exerce atividade comercial e o desconto de créditos de  bens e serviços utilizados como insumo restringe­se às empresas de prestação de serviços ou  industrial (produção ou fabricação de bens ou produtos).  A hipótese de desconto  de crédito do PIS e da Cofins não­cumulativos,  no  caso os custos com serviços de embalagens, encontra­se prevista, respectivamente, com igual  teor,  no  art.  3º,  II,  da Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  no  art.  3º,  II,  da Lei  nº  10.833, de 29 de dezembro de 2003, qual seja:  "Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art.  2º  da  Lei  nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI;  [...]" (grifou­se).    É claro que o disposto nesse texto legal não beneficia a recorrente, uma vez  que ela não é industrial e prestadora de serviços nos termos da legislação do PIS e da cofins.  A  recorrente  invoca  ao  contencioso  o  que  vem  conseguindo  em  ação  ingressada na Justiça. Não creio que possa ser aplicado a este contencioso a ação judicial que a  recorrente move  para  se  ver  equiparada  a  industrial  para  o  âmbito  do  IPI,  uma  vez  que  as  matérias e os fundamentos jurídicos são outros.  Proponho também que não seja acolhida a argumentação da recorrente, pois  não há previsão legal para o tratamento de despesas de embalagem que desejaria.    Com relação aos combustíveis    Também  não  há  previsão  legal  para  que  o  combustível  utilizado  na  frota  própria  de  caminhões  para  transporte  das  mercadorias  do  estabelecimento  distribuidor  para  clientes  e  para  pontos  de  revenda  (supermercados)  e  o  diesel  utilizado  na  alimentação  dos  geradores de energia ligados a câmeras de resfriamento se enquadrarem no conceito de insumo  para fins de direito a crédito das contribuições do PIS/Cofins.  O conceito de receita operacional e sua correlação com as atividades típicas  do empreendimento da pessoa jurídica são convincentes, consoante entendimento trazidos pela  recorrente em sua peça recursal com o voto do I Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.  Ocorre  que  esse  avanço  interpretativo  esbarra  frontalmente  com  a  circunscrição  da  previsão  desse tratamento que não alcança o comércio, como explicado objetivamente acima. Apesar de  Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 11          19 o combustível prover energia para o frete, eles são fatores distintos e não há como equipará­los  para efeito dessa regras do PIS e da COFINS.  À  mesma  conclusão  chegamos  com  relação  à  energia  elétrica  e  à  energia  térmica. Por tudo isso, propugno a não provimento do recurso neste item.    Das receitas de ICMS  O  contribuinte  registrou  contabilmente  valores  que  foram  creditados  na  apuração do ICMS, como a parcela do ICMS (1/48) de crédito de ativo imobilizado.   A  recorrente  argumenta  que  "registra  os  valores  que  foram  creditados  na  apuração do ICMS, como a parcela do ICMS (1/48) de crédito de ativo imobilizado; o ICMS  antecipado  (diferença  de  fronteira).  A  exemplo  do  crédito  presumido,  não  se  constitui  propriamente  uma  receita  cujas  características  não  as  enseja  na  base  de  cálculo  do  PIS/COF1NS. Tanto a Lei 10.637/2002 quanto a Lei 10.833/2003 determinam que a base de  cálculo do PIS e da COFINS devem incidir sobre o montante das  receitas auferidas (obtidas,  recebidas)  pelo  contribuinte.  No  entanto,  os  valores  do  Crédito  Presumido  e  do  ICMS,  mencionados nos itens a) e b) do tópico Outros Esclarecimentos, não implicaram em ingresso  de recursos, em nada acrescentando ao patrimônio da empresa."  O contribuinte a esse respeito acrescenta: "(...) o crédito proveniente de 1/48  sobre  o  ativo  permanente  é  benefício  fiscal  que  objetiva  fomentar  a  atividade  industrial  e  comercial conferindo crédito de ICMS sobre as aquisições de bens para aplicação no processo  produtivo, reduzindo custos e impactos de investimentos".  Reconhece­se que profundo debate se realiza neste  tribunal administrativo a  respeito  dos  valores  de  ICMS  provindos  de  benefícios  fiscais  concedidos  pelos  estados  membros  da  federação,  se  podem  ser  classificados  como  subvenção  de  custeio  e/ou  de  investimentos,  e  se  devem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Ora,  a  explicação  prestada  pela  contribuinte  sobre  a  finalidade  e  aplicação  do  crédito  proveniente  desse benefício  fiscal  não deixa dúvida que,  apesar dele  ser  apurado a partir  do  imobilizado  (1/48)  e  do  antecipado  por  diferença  de  fronteira,  esses  valores  se  dedicam  a  "  fomentar  a  atividade  industrial  e  comercial  ...  reduzindo  custos  e  impactos  de  investimentos"  (grifos  nossos). Ou seja, s.m.j., a subvenção adentra no campo da apuração dos resultados e atende a  necessidade de custeio. A meu ver, ela está vinculada às atividades operacionais da empresa.  Ademais,  não  há  expressa  previsão  legal  para  não  se  considerar  os  valores  obtidos  a  partir  desse  benefício  fiscal  como  receitas  a  serem  tributadas  pelo  PIS  e  pela  COFINS,  como  concluíram os julgadores a quo.  Ao contrário que afirma a recorrente, parece­me que esse benefício fiscal está  diretamente  ligado  á  atividade  do  empreendimento.  e  dessa  maneira  jungido  ao  resultado  operacional, motivo porque ele deve ser tratado como abrangido pelas bases de tributação aqui  em discussão.   Tenho como correta a decisão do primeiro grau.    Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     20 Com relação às compensações  Não  posso  entender  que  se  possa  dar  provimento  à  argumentação  da  recorrente nesse item. Ela não traz elementos de prova que possam sustentar as compensações  e deduções consideradas não válidas pela fiscalização e pelos Julgadores a quo. Afilio­me à sua  análise e conclusão e tomo a liberdade de reproduzi­la para ser integrada a este voto.     16.  No  Termo  de  Encerramento  está  consignado  que  no  seu  demonstrativo  de  apuração do PIS/PASEP e da Cofins o contribuinte efetuou compensações/deduções  e,  conforme  esclarecimentos  prestados  pelo  próprio  sujeito  passivo,  a  origem  dos  créditos  teria  sido  uma  auditoria  efetuada  que  revisou  a  base  de  cálculo  do  PIS/PASEP e da Cofins não cumulativos no período de 12/2002 a 12/2006. Admitiu  a  intempestividade  dos  créditos,  informando  que  os  mesmos  são  originários  de  custos  próprios,  fato  que  dispensaria  a  entrega  de PER/DCOMP.  16.1. Todavia,  a  autoridade fiscal desconsiderou as compensações, tendo em vista a falta de provas,  exceto um relatório de uma consultoria, o qual informa que os mesmos são oriundos  de material  de  embalagem,  energia  elétrica,  fretes,  locações  de  imóveis,  despesas  financeiras, depreciação de máquinas e equipamentos, devoluções de vendas; e além  disso não houve a  retificação das  informações nos DACON. 16.2. Em sua defesa,  com a intenção de comprovar a origem e os cálculos do crédito, a impugnante junta  o  relatório  que  resultou  no  reconhecimento  destes  por  empresa  de  auditoria  especializada.  Sobre  a  não  retificação  do  DACON  sustentou  que  eventual  descumprimento de mera obrigação acessória não pode  servir  de  fundamento para  que  a  autoridade  fiscal  deixe  de  reconhecer  créditos  legitimamente  conferidos  à  impugnante,  os  quais  decorreram de  operações  previstas  em  lei.  16.3. Os  créditos  que  foram  informados  no  demonstrativo  de  cálculo  apresentado  pelo  contribuinte,  foram  também  informados  indevidamente  no  DACON  na  linha  28  (Outras  deduções) da ficha resumo (15B para o PIS e 25B para a COFINS), ....    16.1. Segundo coletado do Programa Gerador DACON Mensal­Semestral 2.7 (para  fatos  geradores  a  partir  de  01/01/2008)  a  linha  28  (Outras  deduções)  da  Ficha  Resumo  se  presta  a  receber  informações  sobre  o  valor  de  outras  deduções  não  contempladas  pelas  linhas  anteriores  da  mesma  Ficha,  bem  como  os  valores  de  retenção sofridos de meses anteriores, a aproveitar como dedução no mês corrente.  16.5. Os saldos dos créditos do contribuinte deveriam ser informados no DACON na  ficha  13A  (PIS)  e  ficha  23A  (COFINS)  ­  Créditos Descontados  no Mês,  no  qual  deveria  estar  os  créditos  descontados  no  mês,  por  tipo,  sendo  que  os  de  período  anterior  devem  ser  registrados  por  mês  de  origem.  Para  isso  é  necessário  que  o  crédito  de  um  mês  anterior  seja  devidamente  apurado  no  DACON  daquele  mês.  16.6. Com relação à comprovação dos créditos, bem como a sua viabilidade  legal,  são  bastante  pertinentes  reproduzir  as  observações  efetuadas  pela  autoridade  autuante, com as quais se concorda plenamente:  "83. Por outro  lado não há comprovação da existência de  tais  créditos.  Há  apenas  um  relatório  de  uma  consultoria  tributária  com  apuração de um crédito de R$ 304.779,36 para o PIS, do período de 12/2002 a  12/2006;  e  de  R$  1.310.653,54  para  a  COFINS,  do  período  de  12/2002  a  12/2006;  podendo  inclusive  haver  créditos  de  períodos  atingidos  pela  prescrição de cincos anos. 84. Quanto às aquisições que geraria tais créditos,  conforme  consta  do  relatório  da  consultoria,  são  pertinentes  as  seguintes  observações: a) material de embalagem. Regra geral o contribuinte não faz jus  a  crédito  sobre material  de  embalagem,  pois,  sua  atividade  é  de  revenda  de  mercadorias.  Sobre  esse  item  esta  fiscalização  apurou  infração  nos  anos  de  2008  e  2009,  com a  conseqüente  glosa  dos  créditos  indevidamente  utilizados  calculados sobre o valor do material de embalagem; b) combustíveis. Não há  informações  sobre  a  utilização  desses  combustíveis.  Sobre  esse  item  esta  fiscalização  apurou  infração  nos  anos  de  2008  e  2009,  com  a  conseqüente  Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 12          21 glosa  dos  créditos  indevidamente  utilizados,  pois,  uma  parte  dos  gastos  com  combustíveis  foi  equiparada pelo  contribuinte a  gasto  com energia  elétrica  e  outra parte à despesa de frete; c) energia elétrica e frete. Não há informações  sobre  a  utilização  desses  itens,  mas  as  observações  acima  podem  ser  aqui  aplicadas; d) Locação de imóveis. Se o locador for pessoa jurídica é possível o  crédito,  mas  há  restrição  sobre  imóveis  que  já  pertenceram  ao  fiscalizado.  Nesse ponto, esta fiscalização apurou infração nos anos de 2008 e 2009, com a  conseqüente  glosados  créditos  indevidamente  utilizados.  e)  Despesas  financeiras. Não há informações sobre o período dessas despesas. No próprio  relatório  da  consultoria  há  citação  de  atos  da  Receita  Federal  afirmando  o  direito a crédito até a data de 31/07/2004 (art. 37 da Lei n° 10.865/2004).  f)  Depreciação  de  máquinas  e  equipamentos.  Não  há  detalhamento  dessas  despesas.  Mas  o  contribuinte  adquire  e  revende  mercadorias,  assim,  não  é  aplicável o inciso III do § 1º, combinado com o inciso VI,  todos do art. 3º da  Lei n° 10.637/2002  (PIS); nem inciso  III do §1º, combinado com o  inciso VI,  todos do art. 3º da Lei n° 10.833/2003 (COFINS). g) Devolução de vendas. Não  há  detalhamentos  da  origem  dos  créditos.  Nesse  ponto,  esta  fiscalização  apurou  infração  nos  anos  de  2008  e  2009,  com  a  conseqüente  glosa  dos  créditos  indevidamente  utilizados.  h)  Outros  valores  com  direito  a  Crédito.  Consta  do  relatório  da  consultoria  que  foram  considerados  neste  grupo  de  conta,  os  valores  correspondentes  aos  dispêndios  com  despesas  de  veículos,  combustíveis,  manutenção  geral,  manutenção  de  software  e  Outras  despesas  (Serviços  de  Manutenção)  e  peças  para  reposição  e  manutenção.  Não  há  detalhamento  das  origens  dos  créditos,  entretanto  é  de  ressaltar  que  as  soluções de consultas citadas no relatório da consultoria se referem à atividade  industrial ou de prestação de serviços."  Proponho negar provimento ao recurso neste ítem.    Prosseguindo na análise do mérito:  Tendo  em  vista  que  as  nulidades  por  cerceamento  de  defesa  para  os  itens  "receitas  de  verbas  promocionais"  e  "credito  presumido  de  ICMS"  foram  superadas  pelo  colegiado  nessa  sessão,  necessário  trazermos  esses  tópicos  ao  mérito  do  voto,  nos  termos  aprovados na sessão.    Das receitas de verbas promocionais    A autoridade lançadora constatou que a contribuinte não incluiu nas bases de  cálculo do PIS e da COFINS as receitas de verbas promocionais registradas contabilmente nos  Balancetes.  Decidiu  a  autoridade  lançadora  constituir  de  ofício  o  correspondente  crédito  tributário.  A  recorrente  alegou  cerceamento  de  defesa,  afirmando  que  a  autuação  foi  genérica e sem qualquer referência à legislação, descrição da natureza ou origem das supostas  verbas  promocionais. Como preliminar,  pediu  nulidade  da  exigência. Além disso,  ela  trouxe  aos  autos  sua  argumentação  que  essas  verbas  não  são  receitas,  mas,  sim,  reembolso  de  Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     22 despesas,  pois  foram  recebidas  de  seus  fornecedores  com  a  finalidade de  ressarcir  os  custos  com programas promocionais de divulgação dos produtos daqueles.  Relativamente  ao  cerceamento  de  defesa,  já  se  discorreu  anteriormente,  ao  considerarmos e votarmos as preliminares, não sendo mais necessário voltar a fazê­lo.  No mérito, razão não assiste à recorrente, mas, sim, aos julgadores a quo e à  autoridade lançadora. Como apontaram no decisum de primeiro grau:  "Dos  documentos  apresentados  pela  impugnante  para  sustentar  a  sua  tese  constam os registros contábeis, no caso, Balancete Analítico Consolidado e o  Razão  da  conta  946  ­  Receita  de  Verbas  Promocionais  (fls.  1007­1028),  sendo  que,  em  relação  a  este  último,  pode­se  notar  diversos  registros  indicando  depósitos  bancários  efetuados  por  terceiros  (empresas)  em  benefício  da  autuada,  como  se  verifica  na  amostragem  abaixo  [inserem  quadro reproduzindo os lançamentos citados]."  É  de  se  notar  que  a  própria  contabilidade  da  recorrente  classifica  como  receitas  essas verbas. E que ela não  logrou comprovar  (ex.: documentos, contratos),  além de  argumentos,  que  os  valores  glosados  e  que  constam  de  sua  contabilidade  como  Receita  de  Bonificações  ou  de  verbas  promocionais  têm  natureza  de  ressarcimento  de  despesas  (contraprestação).  Portanto, acompanha­se a conclusão dos julgadores a quo, e que as verbas em  discussão  são,  sim,  receitas,  e  foram  assim  contabilizadas  pelo  contribuinte,  que  elas  trazem  proveito para a recorrente e que elas não têm natureza de ressarcimento de gastos.  Nega­se provimento ao recurso voluntário neste item.    Do crédito presumido de ICMS  A  recorrente  argüi  que  a  autuação  foi  fundamentada  numa  Solução  de  Consulta,  sem  apontar  objetivamente  nenhuma  ilegalidade  capaz  de  justificá­la.  Rogou  pela  nulidade por cerceamento á defesa. Afirmou, ainda, a  recorrente que o crédito presumido de  ICMS não  integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins, segundo  pacificado tanto na esfera administrativa quanto judicial.  Sobre a regularidade da citação e fundamentação em Soluções de Consulta já  se discorreu anteriormente quando na apreciação das preliminares, inexistindo razão para que  novamente se retorne a debater a questão.  No mérito, não há como acolher a argumentação da recorrente pela falta de  previsão  nas  leis  que  disciplinam  a  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  para  excluir  o  crédito  presumido de  ICMS da  sua base de  cálculo. Acompanha­se  as  conclusões dos  julgadores de  piso, in verbis:  "Embora as subvenções para investimentos possam em alguns casos não  ser  computada  na  determinação  do  lucro  real  da  pessoa  jurídica  (a  exemplo de subvenções para integralização de capital), é de se concluir  que, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o  PIS/PASEP  e da Cofins  não­cumulativos,  elas  são  consideradas  receita  tributável.  Portanto,  o  valor  apurado  do  crédito  presumido  a  título  de  Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 13          23 ICMS  deve  ser  oferecido  à  tributação,  uma  vez  que  inexiste  norma  autorizando  a  sua  exclusão  das  bases  de  cálculo  das  referidas  contribuições."  Não se dá provimento ao recurso voluntário neste item.      CONCLUSÃO  Vencida a minha proposta quanto à preliminar de nulidade para as infrações  “receitas de verbas promocionais”  e  “crédito presumido do  ICMS”,  concluo propondo negar  provimento ao recurso voluntário.    Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator Voto Vencedor  Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado    Coube­me  redigir  o  voto  vencedor  quanto  ao  acolhimento  parcial  das  alegações de nulidade erigidas pelo recorrente, por entender que o lançamento não padece de  vício  algum,  mormente  que  tenha  acarretado  o  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte.  Para  melhor  esclarecer  a  questão,  transcrevo  o  excerto  onde  o  eminente  Conselheiro Relator vislumbrou o defeito ora combatido:  “Sobre as receitas promocionais  66.  No  ano­calendário  de  2008  o  contribuinte  auferiu  receitas  conforme  indica  a  conta  946  ­  Receitas  de  Verbas  Promocionais63,  mas  não  incluiu  os  valores obtidos na base de cálculo do PIS/COFINS:64  67. A não inclusão das receita de verbas promocionais na base de cálculo do  PIS/COFINS reduziu indevidamente os valores devidos dessas contribuições, desse  modo,  são  constituídos  por  meio  de  auto  de  infração  os  créditos  tributários  conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$)(...)    Sobre o crédito presumido do ICMS  A Receita Federal  já  se manifestou por meio de  sua Coordenação Geral de  Tributação (Cosit), manifestou­se:  Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA     24 SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT N" 13 de  28 de Abril  de 2011  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins   EMENTA:  Por  absoluta  falta  de  amparo  legal  para  a  sua  exclusão,  o  valor  apurado  do  crédito  presumido  do  ICMS  concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita  tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir  de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § I° do art.  3° da Lei n° 9.718, de 1998, promovida pelo inciso xn do art. 79  da Lei nº 1.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas  no  regime  de  apuração  cumulativa  da  Cofins,  por  não  ser  considerado  faturamento  (receita  bruta)  decorrente  da  atividade  exercida  por  essas  pessoas  jurídicas,  o  valor  do  crédito  presumido  do  ICMS  deixou  de  integrar  a  base  de  cálculo  da  mencionada contribuição.   71. A não inclusão das receitas oriundas dos créditos presumidos do ICMS na  base  de  cálculo  do PIS/COFlNS  reduziu  indevidamente  os  valores  devidos  dessas  contribuições,  desse  modo,  são  constituídos  por  meio  de  auto  de  infração  os  créditos tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$)(...)”  A  meu  sentir,  a  descrição  dos  fatos  é  clara,  tendo  a  autoridade  autuante  externado  que  a  razão  do  lançamento  consistia  na  falta  de  inclusão  de  aludidas  rubricas,  qualificáveis como receitas e sujeitas à tributação, na base de apuração das contribuições não  cumulativas.  Desta  acusação  fiscal  cabia  ao  recorrente  a  argumentação  contrária,  no  sentido que tais verbas não configuravam receita alguma.  Ora,  não  se  pode  confundir  fundamentação  sucinta  com  ausência  de  fundamentação, como parece ser o caso.  Diante  do  quadro  estampado  não  enxergo  onde  o  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72  tenha  sido  inobservado  ou  desrespeitado,  tampouco  o  propalado  cerceamento  do  direito de defesa se verificado, pelo contrário, consoante o relatório deste decisório, vejo que o  recorrente defendeu­se adequadamente das infrações que lhe foram imputadas.  No  mais,  acompanho  e  adoto  na  íntegra  os  fundamentos  lançados  pelo  Conselheiro Relator para rechaçar as alegações de nulidade.  Em  face  de  todo  o  acima  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.    Robson José Bayerl                  Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/2013­91  Acórdão n.º 3401­002.855  S3­C4T1  Fl. 14          25     Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA

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Numero do processo: 19311.000055/2010-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/03/2003 a 30/08/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO. É cabível o lançamento de ofício em relação às contribuições devidas à Terceiros (Outras Entidades) em virtude da remuneração de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física. Na execução de obra de construção civil, para fins de aferição indireta, poderá ser utilizado o Custo Unitário Básico (CUB) da Construção Civil. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para a autuação fiscal. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições devidas a Terceiros (Outras entidades e fundos), não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos da Lei. É lícita a utilização da Taxa Selic para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/2010­14  Acórdão n.º 2803­004.162  S2­TE03  Fl. 26          2  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.    (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira  Junior e Ricardo Magaldi Messetti.  Fl. 26DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/2010­14  Acórdão n.º 2803­004.162  S2­TE03  Fl. 27          3  Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  em  relação  ao  contribuinte  acima identificado, Auto de Infração nº 37.251.009­4, correspondente às contribuições sociais  de Terceiros (Outras Entidades) incidentes sobre a mão­de­obra utilizada em construção civil  de pessoa física, matrícula CEI: 50.007.99688/60.  O  lançamento  diz  respeito  à  edificação  de  1.438,97  m2  no  endereço  Rua  Maria Soldeira Lourençon, área 27 – Santa Julia –  Itupeva – SP, consistente na execução de  dois galpões industriais, um de 745,95 m2 e outro de 693,02 m2, conforme projeto juntado à fl.  28 dos autos do processo administrativo 19311.000053/2010­25.  Segundo a  fiscalização, a partir de Declaração e  Informação Sobre Obra de  Construção  Civil  –  DISO  apresentada  pelo  contribuinte,  restou  emitido  o  Aviso  para  Regularização de Obra – ARO nº 328.427, com apuração da mão­de­obra relativa à construção,  enquadrando­a como tipo 11 – alvenaria, sendo 400,94 m2 na modalidade “comercial salas e  lojas” e outros 1.038,03 m2 na modalidade “galpão industrial”. Verificado período decadente  relativo a dez meses e descontados do cálculo da mão­de­obra.  DA CIÊNCIA  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal,  apresentando  impugnação.  DA DECISÃO  O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal por unanimidade  deu provimento parcial para retificar o lançamento para fins de se alterar o enquadramento do  tipo da obra, de 11 – alvenaria para 12 – madeira/mista, não considerando a mão­de­obra do  período decadente, nos termos dos argumentos e fundamentos constantes da decisão.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  constante do processo administrativo: 19311.000053/2010­25, alegando em síntese:  ­ no novo Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR verificou­ se a imposição de juros e multa, que são indevidos, pois houve novo lançamento;  ­  deposita  o  valor  original  do  crédito  fiscal  e  pede  a  exclusão  dos  juros  e  multa.  É o relatório.  Fl. 27DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/2010­14  Acórdão n.º 2803­004.162  S2­TE03  Fl. 28          4    Voto             Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual será analisado.  O contribuinte não questiona de maneira direta o crédito fiscal remanescente  relativo à obra de construção civil pessoa física de sua responsabilidade.  Apenas  pede  a  exclusão  dos  valores  de  juros  e  multa  do  crédito  fiscal,  alegando ser um novo lançamento, depositando o valor original do crédito fiscal.  Os  fatos  geradores  expressamente  não  contestados  serão  considerados  não  impugnados,  nos  termos  do  art.  17  do  Decreto  70.235/72,  permanecendo  válidos  para  a  autuação fiscal em epígrafe.  MULTA E JUROS  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  e  das  contribuições devidas a Terceiros (Outras entidades e fundos), não pagos nos prazos previstos  em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto noart. 44 da Lei 9.430, de 1996.(Incluído  pela Medida Provisória nº 449, de 2008), nos  termos dos artigos 35 e 35­A da Lei 8.212/91,  respectivamente. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008 e convertida na Lei nº  11.941, de 2009).  A aplicação da taxa Selic é legal conforme Súmula do CARF:  Súmula  CARFnº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  No caso  em  epígrafe  a  fiscalização aplicou corretamente  a multa de ofício,  nos termos da Lei 8.212/91.  O provimento parcial da decisão recorrida retificando valores originalmente  lançados  pela  fiscalização  não  significa  dizer  que  o  lançamento  fiscal  originário  foi  extinto,  pois continua a existir com os lançamentos fiscais remanescentes. Destarte, não há que se falar  em novo lançamento como quer o contribuinte.  Os valores de juros e multa do crédito fiscal são legais e devem ser cobrados.  O  valor  original  do  crédito  fiscal  depositado  pelo  contribuinte  deve  ser  considerado quando da sua quitação.  Fl. 28DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/2010­14  Acórdão n.º 2803­004.162  S2­TE03  Fl. 29          5  O crédito tributário encontra­se revestido das formalidades legais do art. 142  e  §  único,  e  arts.  97  e  114,  todos  do  CTN,  com  período  apurado,  discriminação  dos  fatos  geradores por intermédio do Relatório Fiscal – REFISC, com Discriminativo do Débito – DD,  as  Instruções para o Contribuinte –  IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais  informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima                              Fl. 29DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 10240.721110/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/14, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.370.407,94. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas indevidamente. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - exerce, primordialmente, atividade rural de criação e engorda de gado, em áreas rurais localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso, consoante consignado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (doe. 4) tempestiva e regularmente entregue; - possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária, dentre as quais se destacam, pela relação que guarda com parte das receitas tidas por omitidas, que será demonstrada e comprovada a seguir, a sociedade Agropecuária Nova Vida Ltda., e a GAINSA Ltda; - no exercício de suas atividades e por conta de financiamentos rurais não tempestivamente quitados e em discussão judicial, o Impugnante acabou por ter contas bancárias de sua titularidade bloqueadas, as quais se mostravam essenciais não só para subsidiar seu sustento e da sua família, como também para prover a movimentação financeira necessária à realização da atividade pecuária; -celebrou o Impugnante, bem como seu irmão Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF n. 127.472.788-08, também produtor rural, ajuste contratual com sua irmã, Ana Paula Arantes Vasone, inscrita no CPF n. 127.472.798-71, pelo qual esta lhes cedeu o direito de utilização da conta corrente de sua titularidade, de n. 16623-18, mantida na agência 319, do HSBC Bank Brasil S/A, para a movimentação, exclusivamente, dos recursos relacionados à atividade rural; - posteriormente, foram assinados aditivos para incluir as contas ns. 6001773-5, agência 1757, do Banco Real ABN Amro S/A, e 00083-96, agência 0572-5, do HSBC Bank Brasil S/A. (does. 5A e 5B1), de titularidade da irmã Ana Paula Arantes Vasone, entre as passíveis de utilização exclusiva para a movimentação de recursos da atividade rural; - o agente autuante promoveu a intimação do Impugnante para apresentação de extratos e documentos correlatos às contas-correntes em seu nome e em nome de seu cônjuge sem ter sido intimada a co-titular; - exigência, por mera presunção comum, de tributo sobre valores que efetivamente não constituem fato gerador da exação, sem dúvida, ofende o art. 150, I, da Constituição Federal, bem como representa descumprimento da atividade concernente à apuração e ao lançamento do crédito tributário, regulados pelo art. 142 do Código Tributário Nacional; - a análise do procedimento inicial de apuração do valor objeto de autuação demonstra claro vício, que acabou por determinar a exigência de valor de Imposto de Renda indevido sobre verba já apresentada à tributação pelo Impugnante; - o agente fiscal deixou de considerar as receitas já submetidas à tributação na declaração entregue tempestivamente pelo Impugnante (doe. 4), no qual se verifica que declarou ele, no ano-calendário de 2008, rendimentos de aplicações financeiras, os quais, já tendo sido apresentados à apuração o Imposto de Renda, não poderiam ser incluídos na apuração da base de cálculo da autuação em comento; - e mais, deixou de considerar, também, variações patrimoniais suportadas pelo Impugnante, como, por exemplo, a elevação de sua dívida no ano-calendário de 2008; - em vista da faculdade outorgada pela legislação de tributação da atividade rural limitada a 20% da atividade rural e tendo o agente fiscal apurado situação em que tal regra possibilitaria tributação mais vantajosa, não poderia ele se furtar à aplicação de tal forma de apuração; - não foram excluídos todos os valores que não representam renda, tais como, por exemplo, aqueles decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular e de resgates de aplicações financeiras, bem como alguns valores oriundos de empréstimos rurais ou de outras operações que não se confundem com renda ou que não se refiram a receitas omitidas por falta de comprovação; - crédito (item 110 do Anexo 6 do Auto de Infração) realizado pelo BANIF Banco de investimento (Brasil) S.A., inscrito no CNPJ/MF n. 33.753.740/0001-58, conforme identificado no próprio extrato bancário, por meio de TED em 05/12/2008, no valor de R$ 6.017.618,99, na conta corrente n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, referente à liberação dos recursos oriundos da emissão da Cédula de Produto Rural Financeira n. 001/2009, emitida nos termos da Lei n. 8.929, de 1994, com data de vencimento em 24/7/2009, conforme cópia da CPR FINANCEIRA anexa (doe. n.7), o que se constitui em uma operação de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - créditos realizados pela empresa ligada ao Impugnante denominada Agropecuária Nova Vida Ltda., inscrita no CNPJ/MF n. 05.897.863/0001-27, conforme identificação constante no próprio extrato da conta bancária n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, decorrentes de conta-corrente mantida com o Impugnante, conforme relação constante da cópia do razão contábil daquela empresa (doe. 8), constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - créditos na conta n. 5001054-8, ag. 1757, do Banco Real, decorrentes de transferência de outras contas do mesmo titular, identificadas como TED D, que não representam renda; - créditos na conta n. 16365-1, na Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, realizados por meio de TED ou DOC do mesmo titular, conforme identificado no próprio extrato bancário pela indicação do CPF do Impugnante de n. 271.714.068-90; - transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 8001013-0, Ag. 1757, do Banco Real, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e, portanto, não se configurando em renda do Impugnante; - transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e portanto, não se configurando em renda do Impugnante; - transferências de contas correntes de titularidade do irmão do Impugnante Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF/MF sob o n. 127.472.788-08, conforme identificado no próprio extrato bancário, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em face da realização conjunta da atividade de pecuária de corte (doe. 9), constituindo-se em conta corrente entre eles e portanto, não se configurando em renda; - créditos oriundos de TED D, da mesma titularidade, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real, realizados pela Link S.A. CCVM, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 02.819.125/0001-73, conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos de operações realizadas em Bolsa de Valores, cujos resultados estão devidamente declarados no Anexo de Renda Variável da Declaração de Ajuste Anual entregue tempestivamente e comprovados por meio do extrato da conta mantida na referida corretora, atualmente UBS; - créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real (doe. 11), conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos da conta de investimentos mantida no mesmo banco e agência com o n. 6001054-8 e identificada no mesmo extrato da conta corrente normal; - créditos oriundos da contratação de CDC, realizados na conta corrente n. 16365-1, da ag. 1178-9, do Banco do Brasil (doe. 9), conforme identificado no próprio extrato bancário, constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - crédito recebido na conta corrente n. 8001013-0, da ag. 1757, do Banco Real, oriundo de devolução de empréstimo anteriormente efetuado a Henrique Pereira de Ávila, CPF n. 198.417.101-10. Observe-se que no dia 28/07/2008 foi efetuada o empréstimo no exato montante de R$ 1.000.000,00 a Henrique Alves de Ávila, como se observa do anexo comprovante de TED (doe. 12), razão pela qual a devolução do referido numerário, por certo, não constitui renda; - créditos recebidos na conta-corrente 2599-94, da ag. 319, do HSBC, decorrentes de cobertura de cheques emprestados a terceiro. Verifica-se no extrato da referida conta (doe. 13) que nas mesmas datas foram descontados cheques nos exatos valores recebidos pelo Impugnante na forma acima discriminada; - do acima exposto, parte significativa (R$ 15.155.988,82) da diferença de RS 22.079.240,65 identificada pelo agente fiscal como omissão de receita, referem-se a operações que não representam renda tributável mas sim, ingressos de outras naturezas; - o agente fiscal relaciona como receita valor que ele mesmo identificou tratar-se de adiantamento correlato a notas fiscais emitidas em ano posterior ao fiscalizado; - diante de tal declaração do próprio agente fiscal, bem como da sistemática prevista no art. 61, § 2o , do Decreto n. 3.000/19994 , que determina expressamente que a receita decorrente da venda para entrega futura deve ser computada somente quando da efetiva entrega do produto, não há dúvida quanto a incorreção do trabalho fiscal; - a venda terras Tarauaca/acre, conforme compromisso de compra e venda de quotas, jamais poderia ser considerado como receita da atividade agropecuária, posto que concernente a venda de quotas de capital de sociedade empresária; - incorretamente incluiu tal receita na apuração do imposto devido sobre a comercialização decorrente das atividades agropecuárias (art. 61 do Decreto n. 3.000/1999), quando a tributação correta de tal operação se dá nos termos do art. 138 do Decreto n. 3.000/1999 e desde que apurado ganho de capital tributável; - o agente fiscal glosou o montante de R$ 3.998.753,20 registrado no Livro-Caixa da atividade agropecuária como custos e despesas da produção rural, relacionando os dispêndios rejeitados no anexo 13 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal; - apesar do escasso prazo de 30 (trinta) dias disponível para que o Impugnante preparasse sua defesa, conseguiu ele levantar documentação que comprova significativa parcela das despesas glosadas (does. 16 a 18; - foram glosadas também despesas correlatas ao pagamento dos funcionários empregados na atividade rural, as quais são comprovadas pela anexa folha de pagamento mensal; - foram glosadas também despesas decorrentes de notas de débitos emitidas pela Agropecuária Nova Vida Ltda., cuja respectiva obrigação foi devidamente registrado no livro razão da mencionada empresa - vide lançamento em 31/12/2008 no montante de R$ 1.434.133,82 - (doe. 8); - opinião do Auditor Fiscal, confrontando os fatos efetivamente ocorridos e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver, o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE, encontra-se em completa desconformidade com os artigos 108,114,116,142, entre outros, do Código Tributário Nacional; - a legislação pátria, como visto, exige que a atividade do lançamento seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditor fiscal ao texto da lei e à realidade. E tal vinculação é imprescindível, a fim de manter a atividade administrativa do lançamento em conformidade com os princípios da tipicidade fechada e da estrita legalidade em matéria tributária; - em decorrência, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos, impõe-se concluir que a falta de verificação integral, por parte das autoridades administrativas, dos FATOS e das normas legais a estes aplicáveis, afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento realizado, elementos esses indispensáveis para que o auto de infração possa prosperar; - o lançamento fiscal fere de maneira inaceitável o princípio da verdade material, posto não se adéqua as presunções nele apresentada à realidade fática das operações realizadas; - ainda que a exigência fiscal em referência não fosse completamente inválida, tem-se que a multa de 75% do tributo exigido aplicada pelo agente fiscal possui nítido caráter confiscatório, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGENS - RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. Por tratar-se de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RECEITA ESTRANHA À ATIVIDADE CONSIDERADA NO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que receita estranha à atividade rural foi incluída na apuração da base de cálculo, o lançamento deve ser alterado para deduzir o valor considerado. ATIVIDADE RURAL - GLOSA DE DESPESAS - COMPROVAÇÃO. Comprovadas nos autos despesas de custeio na atividade rural glosadas no lançamento, a dedução deve ser restabelecida. ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RESULTADO TRIBUTÁVEL LIMITADO EM 20% DA RECEITA BRUTA. Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no ano-calendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limita-se a vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934), João Arantes Neto apresenta Recurso Voluntário em 07/04/2014 (fls. 2936/3002), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934) e, em 07/04/2014, interpôs o recurso de fls. 2936 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/14, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.370.407,94. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas indevidamente. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - exerce, primordialmente, atividade rural de criação e engorda de gado, em áreas rurais localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso, consoante consignado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (doe. 4) tempestiva e regularmente entregue; - possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária, dentre as quais se destacam, pela relação que guarda com parte das receitas tidas por omitidas, que será demonstrada e comprovada a seguir, a sociedade Agropecuária Nova Vida Ltda., e a GAINSA Ltda; - no exercício de suas atividades e por conta de financiamentos rurais não tempestivamente quitados e em discussão judicial, o Impugnante acabou por ter contas bancárias de sua titularidade bloqueadas, as quais se mostravam essenciais não só para subsidiar seu sustento e da sua família, como também para prover a movimentação financeira necessária à realização da atividade pecuária; -celebrou o Impugnante, bem como seu irmão Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF n. 127.472.788-08, também produtor rural, ajuste contratual com sua irmã, Ana Paula Arantes Vasone, inscrita no CPF n. 127.472.798-71, pelo qual esta lhes cedeu o direito de utilização da conta corrente de sua titularidade, de n. 16623-18, mantida na agência 319, do HSBC Bank Brasil S/A, para a movimentação, exclusivamente, dos recursos relacionados à atividade rural; - posteriormente, foram assinados aditivos para incluir as contas ns. 6001773-5, agência 1757, do Banco Real ABN Amro S/A, e 00083-96, agência 0572-5, do HSBC Bank Brasil S/A. (does. 5A e 5B1), de titularidade da irmã Ana Paula Arantes Vasone, entre as passíveis de utilização exclusiva para a movimentação de recursos da atividade rural; - o agente autuante promoveu a intimação do Impugnante para apresentação de extratos e documentos correlatos às contas-correntes em seu nome e em nome de seu cônjuge sem ter sido intimada a co-titular; - exigência, por mera presunção comum, de tributo sobre valores que efetivamente não constituem fato gerador da exação, sem dúvida, ofende o art. 150, I, da Constituição Federal, bem como representa descumprimento da atividade concernente à apuração e ao lançamento do crédito tributário, regulados pelo art. 142 do Código Tributário Nacional; - a análise do procedimento inicial de apuração do valor objeto de autuação demonstra claro vício, que acabou por determinar a exigência de valor de Imposto de Renda indevido sobre verba já apresentada à tributação pelo Impugnante; - o agente fiscal deixou de considerar as receitas já submetidas à tributação na declaração entregue tempestivamente pelo Impugnante (doe. 4), no qual se verifica que declarou ele, no ano-calendário de 2008, rendimentos de aplicações financeiras, os quais, já tendo sido apresentados à apuração o Imposto de Renda, não poderiam ser incluídos na apuração da base de cálculo da autuação em comento; - e mais, deixou de considerar, também, variações patrimoniais suportadas pelo Impugnante, como, por exemplo, a elevação de sua dívida no ano-calendário de 2008; - em vista da faculdade outorgada pela legislação de tributação da atividade rural limitada a 20% da atividade rural e tendo o agente fiscal apurado situação em que tal regra possibilitaria tributação mais vantajosa, não poderia ele se furtar à aplicação de tal forma de apuração; - não foram excluídos todos os valores que não representam renda, tais como, por exemplo, aqueles decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular e de resgates de aplicações financeiras, bem como alguns valores oriundos de empréstimos rurais ou de outras operações que não se confundem com renda ou que não se refiram a receitas omitidas por falta de comprovação; - crédito (item 110 do Anexo 6 do Auto de Infração) realizado pelo BANIF Banco de investimento (Brasil) S.A., inscrito no CNPJ/MF n. 33.753.740/0001-58, conforme identificado no próprio extrato bancário, por meio de TED em 05/12/2008, no valor de R$ 6.017.618,99, na conta corrente n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, referente à liberação dos recursos oriundos da emissão da Cédula de Produto Rural Financeira n. 001/2009, emitida nos termos da Lei n. 8.929, de 1994, com data de vencimento em 24/7/2009, conforme cópia da CPR FINANCEIRA anexa (doe. n.7), o que se constitui em uma operação de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - créditos realizados pela empresa ligada ao Impugnante denominada Agropecuária Nova Vida Ltda., inscrita no CNPJ/MF n. 05.897.863/0001-27, conforme identificação constante no próprio extrato da conta bancária n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, decorrentes de conta-corrente mantida com o Impugnante, conforme relação constante da cópia do razão contábil daquela empresa (doe. 8), constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - créditos na conta n. 5001054-8, ag. 1757, do Banco Real, decorrentes de transferência de outras contas do mesmo titular, identificadas como TED D, que não representam renda; - créditos na conta n. 16365-1, na Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, realizados por meio de TED ou DOC do mesmo titular, conforme identificado no próprio extrato bancário pela indicação do CPF do Impugnante de n. 271.714.068-90; - transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 8001013-0, Ag. 1757, do Banco Real, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e, portanto, não se configurando em renda do Impugnante; - transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e portanto, não se configurando em renda do Impugnante; - transferências de contas correntes de titularidade do irmão do Impugnante Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF/MF sob o n. 127.472.788-08, conforme identificado no próprio extrato bancário, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em face da realização conjunta da atividade de pecuária de corte (doe. 9), constituindo-se em conta corrente entre eles e portanto, não se configurando em renda; - créditos oriundos de TED D, da mesma titularidade, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real, realizados pela Link S.A. CCVM, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 02.819.125/0001-73, conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos de operações realizadas em Bolsa de Valores, cujos resultados estão devidamente declarados no Anexo de Renda Variável da Declaração de Ajuste Anual entregue tempestivamente e comprovados por meio do extrato da conta mantida na referida corretora, atualmente UBS; - créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real (doe. 11), conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos da conta de investimentos mantida no mesmo banco e agência com o n. 6001054-8 e identificada no mesmo extrato da conta corrente normal; - créditos oriundos da contratação de CDC, realizados na conta corrente n. 16365-1, da ag. 1178-9, do Banco do Brasil (doe. 9), conforme identificado no próprio extrato bancário, constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - crédito recebido na conta corrente n. 8001013-0, da ag. 1757, do Banco Real, oriundo de devolução de empréstimo anteriormente efetuado a Henrique Pereira de Ávila, CPF n. 198.417.101-10. Observe-se que no dia 28/07/2008 foi efetuada o empréstimo no exato montante de R$ 1.000.000,00 a Henrique Alves de Ávila, como se observa do anexo comprovante de TED (doe. 12), razão pela qual a devolução do referido numerário, por certo, não constitui renda; - créditos recebidos na conta-corrente 2599-94, da ag. 319, do HSBC, decorrentes de cobertura de cheques emprestados a terceiro. Verifica-se no extrato da referida conta (doe. 13) que nas mesmas datas foram descontados cheques nos exatos valores recebidos pelo Impugnante na forma acima discriminada; - do acima exposto, parte significativa (R$ 15.155.988,82) da diferença de RS 22.079.240,65 identificada pelo agente fiscal como omissão de receita, referem-se a operações que não representam renda tributável mas sim, ingressos de outras naturezas; - o agente fiscal relaciona como receita valor que ele mesmo identificou tratar-se de adiantamento correlato a notas fiscais emitidas em ano posterior ao fiscalizado; - diante de tal declaração do próprio agente fiscal, bem como da sistemática prevista no art. 61, § 2o , do Decreto n. 3.000/19994 , que determina expressamente que a receita decorrente da venda para entrega futura deve ser computada somente quando da efetiva entrega do produto, não há dúvida quanto a incorreção do trabalho fiscal; - a venda terras Tarauaca/acre, conforme compromisso de compra e venda de quotas, jamais poderia ser considerado como receita da atividade agropecuária, posto que concernente a venda de quotas de capital de sociedade empresária; - incorretamente incluiu tal receita na apuração do imposto devido sobre a comercialização decorrente das atividades agropecuárias (art. 61 do Decreto n. 3.000/1999), quando a tributação correta de tal operação se dá nos termos do art. 138 do Decreto n. 3.000/1999 e desde que apurado ganho de capital tributável; - o agente fiscal glosou o montante de R$ 3.998.753,20 registrado no Livro-Caixa da atividade agropecuária como custos e despesas da produção rural, relacionando os dispêndios rejeitados no anexo 13 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal; - apesar do escasso prazo de 30 (trinta) dias disponível para que o Impugnante preparasse sua defesa, conseguiu ele levantar documentação que comprova significativa parcela das despesas glosadas (does. 16 a 18; - foram glosadas também despesas correlatas ao pagamento dos funcionários empregados na atividade rural, as quais são comprovadas pela anexa folha de pagamento mensal; - foram glosadas também despesas decorrentes de notas de débitos emitidas pela Agropecuária Nova Vida Ltda., cuja respectiva obrigação foi devidamente registrado no livro razão da mencionada empresa - vide lançamento em 31/12/2008 no montante de R$ 1.434.133,82 - (doe. 8); - opinião do Auditor Fiscal, confrontando os fatos efetivamente ocorridos e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver, o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE, encontra-se em completa desconformidade com os artigos 108,114,116,142, entre outros, do Código Tributário Nacional; - a legislação pátria, como visto, exige que a atividade do lançamento seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditor fiscal ao texto da lei e à realidade. E tal vinculação é imprescindível, a fim de manter a atividade administrativa do lançamento em conformidade com os princípios da tipicidade fechada e da estrita legalidade em matéria tributária; - em decorrência, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos, impõe-se concluir que a falta de verificação integral, por parte das autoridades administrativas, dos FATOS e das normas legais a estes aplicáveis, afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento realizado, elementos esses indispensáveis para que o auto de infração possa prosperar; - o lançamento fiscal fere de maneira inaceitável o princípio da verdade material, posto não se adéqua as presunções nele apresentada à realidade fática das operações realizadas; - ainda que a exigência fiscal em referência não fosse completamente inválida, tem-se que a multa de 75% do tributo exigido aplicada pelo agente fiscal possui nítido caráter confiscatório, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGENS - RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. Por tratar-se de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RECEITA ESTRANHA À ATIVIDADE CONSIDERADA NO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que receita estranha à atividade rural foi incluída na apuração da base de cálculo, o lançamento deve ser alterado para deduzir o valor considerado. ATIVIDADE RURAL - GLOSA DE DESPESAS - COMPROVAÇÃO. Comprovadas nos autos despesas de custeio na atividade rural glosadas no lançamento, a dedução deve ser restabelecida. ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RESULTADO TRIBUTÁVEL LIMITADO EM 20% DA RECEITA BRUTA. Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no ano-calendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limita-se a vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934), João Arantes Neto apresenta Recurso Voluntário em 07/04/2014 (fls. 2936/3002), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934) e, em 07/04/2014, interpôs o recurso de fls. 2936 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1  1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10240.721110/2013­62  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  2201­000.196  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  11 de fevereiro de 2015  Assunto  IRPF  Recorrente  JOÃO ARANTES NETO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.    Assinado Digitalmente  EDUARDO TADEU FARAH – Relator    Assinado Digitalmente  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Presidente     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  MARIA  HELENA  COTTA CARDOZO  (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ,  GUSTAVO  LIAN  HADDAD,  FRANCISCO  MARCONI  DE  OLIVEIRA,  NATHALIA  MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.    Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda  Pessoa Física, ano­calendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/14, pelo qual  se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.370.407,94.  A  fiscalização  apurou  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  omissão  de  receita  da  atividade  rural  e  despesas  deduzidas indevidamente.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .7 21 11 0/ 20 13 -6 2 Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 3          2  Cientificado  do  lançamento,  o  interessado  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  ­  exerce,  primordialmente,  atividade  rural  de  criação  e  engorda  de  gado,  em  áreas  rurais  localizadas  no  Estado  de  Rondônia  e  Mato  Grosso,  consoante  consignado  em  sua  Declaração  de  Imposto  de  Renda Pessoa Física (doe. 4) tempestiva e regularmente entregue;  ­ possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente,  à  atividade  agropecuária,  dentre  as  quais  se  destacam,  pela  relação  que  guarda  com  parte  das  receitas  tidas  por  omitidas,  que  será  demonstrada e comprovada a seguir, a sociedade Agropecuária Nova  Vida Ltda., e a GAINSA Ltda;  ­ no exercício de suas atividades e por conta de financiamentos rurais  não  tempestivamente  quitados  e  em discussão  judicial,  o  Impugnante  acabou  por  ter  contas  bancárias  de  sua  titularidade  bloqueadas,  as  quais se mostravam essenciais não só para subsidiar seu sustento e da  sua  família,  como  também  para  prover  a  movimentação  financeira  necessária à realização da atividade pecuária;  ­celebrou o Impugnante, bem como seu irmão Ricardo Borges Arantes,  inscrito  no  CPF  n.  127.472.788­08,  também  produtor  rural,  ajuste  contratual com sua irmã, Ana Paula Arantes Vasone, inscrita no CPF  n. 127.472.798­71, pelo qual esta lhes cedeu o direito de utilização da  conta corrente de sua titularidade, de n. 16623­18, mantida na agência  319, do HSBC Bank Brasil S/A, para a movimentação, exclusivamente,  dos recursos relacionados à atividade rural;  ­  posteriormente,  foram  assinados  aditivos  para  incluir  as  contas  ns.  6001773­5, agência 1757, do Banco Real ABN Amro S/A, e 00083­96,  agência  0572­5,  do  HSBC  Bank  Brasil  S/A.  (does.  5A  e  5B1),  de  titularidade da irmã Ana Paula Arantes Vasone, entre as passíveis de  utilização  exclusiva  para  a  movimentação  de  recursos  da  atividade  rural;  ­  o  agente  autuante  promoveu  a  intimação  do  Impugnante  para  apresentação de extratos e documentos correlatos às contas­correntes  em  seu  nome  e  em nome de  seu  cônjuge  sem  ter  sido  intimada a  co­ titular;  ­ exigência, por mera presunção comum, de tributo sobre valores que  efetivamente  não  constituem  fato  gerador  da  exação,  sem  dúvida,  ofende  o  art.  150,  I,  da  Constituição  Federal,  bem  como  representa  descumprimento da atividade concernente à apuração e ao lançamento  do  crédito  tributário,  regulados  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional;  ­  a  análise  do  procedimento  inicial  de  apuração  do  valor  objeto  de  autuação  demonstra  claro  vício,  que  acabou  por  determinar  a  exigência  de  valor  de  Imposto  de  Renda  indevido  sobre  verba  já  apresentada à tributação pelo Impugnante;  ­  o  agente  fiscal  deixou  de  considerar  as  receitas  já  submetidas  à  tributação  na  declaração  entregue  tempestivamente  pelo  Impugnante  (doe.  4),  no  qual  se  verifica  que  declarou  ele,  no  ano­calendário  de  Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 4          3  2008,  rendimentos  de  aplicações  financeiras,  os  quais,  já  tendo  sido  apresentados  à  apuração  o  Imposto  de  Renda,  não  poderiam  ser  incluídos na apuração da base de cálculo da autuação em comento;  ­  e  mais,  deixou  de  considerar,  também,  variações  patrimoniais  suportadas  pelo  Impugnante,  como,  por  exemplo,  a  elevação  de  sua  dívida no ano­calendário de 2008;  ­  em  vista  da  faculdade  outorgada  pela  legislação  de  tributação  da  atividade  rural  limitada  a  20%  da  atividade  rural  e  tendo  o  agente  fiscal apurado situação em que tal regra possibilitaria tributação mais  vantajosa,  não  poderia  ele  se  furtar  à  aplicação  de  tal  forma  de  apuração;  ­ não foram excluídos todos os valores que não representam renda, tais  como, por exemplo, aqueles decorrentes de transferências entre contas  do mesmo  titular  e  de  resgates  de  aplicações  financeiras,  bem  como  alguns valores oriundos de empréstimos rurais ou de outras operações  que  não  se  confundem  com  renda  ou  que  não  se  refiram  a  receitas  omitidas por falta de comprovação;  ­  crédito  (item  110  do  Anexo  6  do  Auto  de  Infração)  realizado  pelo  BANIF  Banco  de  investimento  (Brasil)  S.A.,  inscrito  no CNPJ/MF  n.  33.753.740/0001­58,  conforme  identificado  no  próprio  extrato  bancário,  por  meio  de  TED  em  05/12/2008,  no  valor  de  R$  6.017.618,99, na conta corrente n. 8001013­0, na Ag. 1757 do Banco  Real,  referente  à  liberação  dos  recursos  oriundos  da  emissão  da  Cédula de Produto Rural Financeira n. 001/2009, emitida nos termos  da  Lei  n.  8.929,  de  1994,  com  data  de  vencimento  em  24/7/2009,  conforme  cópia  da  CPR  FINANCEIRA  anexa  (doe.  n.7),  o  que  se  constitui em uma operação de empréstimo de recursos  (dívida) e não  renda;  ­ créditos realizados pela empresa  ligada ao Impugnante denominada  Agropecuária  Nova  Vida  Ltda.,  inscrita  no  CNPJ/MF  n.  05.897.863/0001­27,  conforme  identificação  constante  no  próprio  extrato da conta bancária n. 8001013­0, na Ag. 1757 do Banco Real,  decorrentes  de  conta­corrente  mantida  com  o  Impugnante,  conforme  relação  constante  da  cópia  do  razão  contábil  daquela  empresa  (doe.  8), constituindo­se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e  não renda;  ­ créditos na conta n. 5001054­8, ag. 1757, do Banco Real, decorrentes  de transferência de outras contas do mesmo titular, identificadas como  TED D, que não representam renda;  ­  créditos  na  conta  n.  16365­1,  na  Ag.  1178­9,  do  Banco  do  Brasil,  realizados  por  meio  de  TED  ou  DOC  do  mesmo  titular,  conforme  identificado  no  próprio  extrato  bancário  pela  indicação  do  CPF  do  Impugnante de n. 271.714.068­90;  ­  transferências  das  contas  correntes  de  titularidade  da  irmã  do  Impugnante  Ana  Paula  Arantes,  inscrita  no  CPF/MF  sob  o  n.  127.472.798­71,  a  crédito da  conta  corrente n.  8001013­0, Ag.  1757,  do Banco Real, em razão do ajuste para utilização de conta bancária  conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo­se em  Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 5          4  verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e, portanto, não  se configurando em renda do Impugnante;  ­  transferências  das  contas  correntes  de  titularidade  da  irmã  do  Impugnante  Ana  Paula  Arantes,  inscrita  no  CPF/MF  sob  o  n.  127.472.798­71, a crédito da  conta  corrente n. 16.365­1, Ag. 1178­9,  do  Banco  do  Brasil,  em  razão  do  ajuste  para  utilização  de  conta  bancária  conforme  contrato  e  aditivo  anexos  (does.  5  a  5B),  constituindo­se  em  verdadeira  transferência  entre  contas  do  mesmo  titular e portanto, não se configurando em renda do Impugnante;  ­  transferências  de  contas  correntes  de  titularidade  do  irmão  do  Impugnante  Ricardo  Borges  Arantes,  inscrito  no  CPF/MF  sob  o  n.  127.472.788­08, conforme identificado no próprio extrato bancário, a  crédito da conta corrente n. 16.365­1, Ag. 1178­9, do Banco do Brasil,  em face da realização conjunta da atividade de pecuária de corte (doe.  9),  constituindo­se  em  conta  corrente  entre  eles  e  portanto,  não  se  configurando em renda;  ­  créditos  oriundos  de  TED D,  da mesma  titularidade,  realizados  na  conta corrente n. 5001054­8, da ag. 1757, do Banco Real,  realizados  pela Link S.A. CCVM, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 02.819.125/0001­ 73,  conforme  identificado  no  próprio  extrato  bancário,  oriundos  de  operações  realizadas  em  Bolsa  de  Valores,  cujos  resultados  estão  devidamente declarados no Anexo de Renda Variável da Declaração de  Ajuste  Anual  entregue  tempestivamente  e  comprovados  por  meio  do  extrato da conta mantida na referida corretora, atualmente UBS;  ­ créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, realizados na  conta  corrente  n.  5001054­8,  da  ag.  1757,  do  Banco  Real  (doe.  11),  conforme  identificado no próprio extrato bancário, oriundos da conta  de  investimentos  mantida  no  mesmo  banco  e  agência  com  o  n.  6001054­8 e identificada no mesmo extrato da conta corrente normal;  ­  créditos  oriundos  da  contratação  de  CDC,  realizados  na  conta  corrente  n.  16365­1,  da  ag.  1178­9,  do  Banco  do  Brasil  (doe.  9),  conforme identificado no próprio extrato bancário, constituindo­se em  operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda;  ­  crédito  recebido  na  conta  corrente  n.  8001013­0,  da  ag.  1757,  do  Banco  Real,  oriundo  de  devolução  de  empréstimo  anteriormente  efetuado  a  Henrique  Pereira  de  Ávila,  CPF  n.  198.417.101­10.  Observe­se que no dia 28/07/2008 foi efetuada o empréstimo no exato  montante  de  R$  1.000.000,00  a  Henrique  Alves  de  Ávila,  como  se  observa  do  anexo  comprovante  de  TED  (doe.  12),  razão  pela  qual  a  devolução do referido numerário, por certo, não constitui renda;  ­ créditos recebidos na conta­corrente 2599­94, da ag. 319, do HSBC,  decorrentes de cobertura de cheques emprestados a terceiro. Verifica­ se no extrato da referida conta (doe. 13) que nas mesmas datas foram  descontados cheques nos exatos valores recebidos pelo Impugnante na  forma acima discriminada;  ­ do acima exposto, parte significativa (R$ 15.155.988,82) da diferença  de RS 22.079.240,65  identificada pelo agente  fiscal  como omissão de  Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 6          5  receita, referem­se a operações que não representam renda tributável  mas sim, ingressos de outras naturezas;  ­  o  agente  fiscal  relaciona  como  receita  valor  que  ele  mesmo  identificou tratar­se de adiantamento correlato a notas fiscais emitidas  em ano posterior ao fiscalizado;  ­  diante  de  tal  declaração  do  próprio  agente  fiscal,  bem  como  da  sistemática  prevista  no  art.  61,  §  2o  ,  do Decreto  n.  3.000/19994  ,  que  determina  expressamente  que  a  receita  decorrente  da  venda  para  entrega futura deve ser computada somente quando da efetiva entrega  do produto, não há dúvida quanto a incorreção do trabalho fiscal;  ­  a  venda  terras  Tarauaca/acre,  conforme  compromisso  de  compra  e  venda  de  quotas,  jamais  poderia  ser  considerado  como  receita  da  atividade  agropecuária,  posto  que  concernente  a  venda  de  quotas  de  capital de sociedade empresária;  ­  incorretamente  incluiu  tal  receita  na  apuração  do  imposto  devido  sobre a comercialização decorrente das atividades agropecuárias (art.  61  do  Decreto  n.  3.000/1999),  quando  a  tributação  correta  de  tal  operação  se  dá  nos  termos  do  art.  138  do  Decreto  n.  3.000/1999  e  desde que apurado ganho de capital tributável;  ­ o agente fiscal glosou o montante de R$ 3.998.753,20 registrado no  Livro­Caixa  da  atividade  agropecuária  como  custos  e  despesas  da  produção rural, relacionando os dispêndios rejeitados no anexo 13 do  Termo de Verificação e Constatação Fiscal;  ­  apesar  do  escasso  prazo  de  30  (trinta)  dias  disponível  para  que  o  Impugnante  preparasse  sua  defesa,  conseguiu  ele  levantar  documentação  que  comprova  significativa  parcela  das  despesas  glosadas (does. 16 a 18;  ­  foram  glosadas  também  despesas  correlatas  ao  pagamento  dos  funcionários empregados na atividade rural, as quais são comprovadas  pela anexa folha de pagamento mensal;  ­  foram  glosadas  também  despesas  decorrentes  de  notas  de  débitos  emitidas  pela  Agropecuária  Nova  Vida  Ltda.,  cuja  respectiva  obrigação  foi  devidamente  registrado  no  livro  razão  da  mencionada  empresa  ­  vide  lançamento  em  31/12/2008  no  montante  de  R$  1.434.133,82 ­ (doe. 8);  ­  opinião  do  Auditor  Fiscal,  confrontando  os  fatos  efetivamente  ocorridos e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver,  o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos  em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE,  encontra­se  em  completa  desconformidade  com  os  artigos  108,114,116,142, entre outros, do Código Tributário Nacional;  ­ a legislação pátria, como visto, exige que a atividade do lançamento  seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditor  fiscal ao texto da lei e à realidade. E tal vinculação é imprescindível, a  fim  de  manter  a  atividade  administrativa  do  lançamento  em  Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 7          6  conformidade  com  os  princípios  da  tipicidade  fechada  e  da  estrita  legalidade em matéria tributária;  ­  em  decorrência,  como  a  exigência  de  tributo  está  condicionada  à  realização  fática  integral  de  situação  legalmente  prevista,  e  esta  depende  de  diversos  elementos,  impõe­se  concluir  que  a  falta  de  verificação  integral,  por  parte  das  autoridades  administrativas,  dos  FATOS  e  das  normas  legais  a  estes  aplicáveis,  afeta,  de  forma  absoluta,  a  LIQUIDEZ  e  CERTEZA  do  lançamento  realizado,  elementos  esses  indispensáveis  para  que  o  auto  de  infração  possa  prosperar;  ­  o  lançamento  fiscal  fere  de  maneira  inaceitável  o  princípio  da  verdade material, posto não se adéqua as presunções nele apresentada  à realidade fática das operações realizadas;  ­ ainda que a exigência  fiscal em referência não fosse completamente  inválida,  tem­se que a multa de 75% do  tributo exigido aplicada pelo  agente  fiscal  possui  nítido  caráter  confiscatório,  já  que  acaba  por  desapropriar  o  contribuinte  de  parcela  de  seu  patrimônio  de  forma  desproporcional  à  infração  eventualmente  verificada,  procedimento  esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição  Federal.  A  16ª  Turma  da  DRJ  em  São  Paulo/SPOI  julgou  parcialmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS.  As  Delegacias  de  Julgamento  da  Receita  Federal  do  Brasil  não  são  competentes  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  CRÉDITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Com  a  entrada  em  vigor  da  Lei  9.430  de  1996,  consideram­se  rendimentos  omitidos,  autorizando  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  os depósitos  junto a  instituições  financeiras,  somente  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  logra  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte  dos  depósitos  considerados  no  lançamento,  a  base  de  cálculo  do  imposto  deve  ser  alterada  para  retirar  de  seu  cômputo  estes  rendimentos.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ ORIGENS ­ RECEITAS DA ATIVIDADE  RURAL.  Por  tratar­se de  tributação mais benéfica ao contribuinte, as  receitas  advindas  da  atividade  rural  devem  ser  comprovadas  por  documentos  usualmente  utilizados  nesta  atividade,  tais  como  nota  fiscal  do  produtor,  nota  fiscal  de  entrada,  nota  promissória  rural  vinculada  à  nota  fiscal  do  produtor  e  demais  documentos  reconhecidos  pelas  fiscalizações estaduais.  Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 8          7  ATIVIDADE  RURAL  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  RECEITA  ESTRANHA À ATIVIDADE CONSIDERADA NO LANÇAMENTO.  Comprovado  nos  autos  que  receita  estranha  à  atividade  rural  foi  incluída  na  apuração  da  base  de  cálculo,  o  lançamento  deve  ser  alterado para deduzir o valor considerado.  ATIVIDADE RURAL ­ GLOSA DE DESPESAS ­ COMPROVAÇÃO.  Comprovadas  nos  autos  despesas  de  custeio  na  atividade  rural  glosadas no lançamento, a dedução deve ser restabelecida.  ATIVIDADE  RURAL  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  RESULTADO  TRIBUTÁVEL LIMITADO EM 20% DA RECEITA BRUTA.  Considera­se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da  receita  bruta  recebida  e  o  das  despesas  pagas  no  ano­calendário,  correspondente a  todos os  imóveis  rurais da pessoa  física,  sendo que  este  resultado  limita­se  a  vinte  por  cento  da  receita  bruta  do  ano­ calendário.  Impugnação  Procedente  em  Parte  Intimado  da  decisão  de  primeira  instância  em  10/03/2014  (fl.  2934),  João  Arantes  Neto  apresenta  Recurso  Voluntário  em  07/04/2014  (fls.  2936/3002),  sustentando,  essencialmente,  os  mesmos  argumentos  defendidos  em  sua  Impugnação.  Diante do valor exonerado, os  autos  foram encaminhados a  este Conselho por  força  do  recurso  necessário,  na  forma  do  art.  34  do  Decreto  nº  70.235/1972  e  alterações  introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008.  O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2014  (fl.  2934)  e,  em  07/04/2014,  interpôs  o  recurso  de  fls.  2936  e  seguintes,  sustentando,  essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação.  É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade.    A  fiscalização  deu  início  ao  procedimento  fiscal,  em  razão  da movimentação  financeira  incompatível com as informações apresentadas na Declaração de Ajuste/2009. Ato  continuo, intimou o contribuinte a apresentar extratos bancários de suas contas correntes, além  de  esclarecimentos  relativos  ao  seu  movimento  financeiro.  Em  resposta  à  intimação,  o  suplicante  alegou  que  exerce  atividade  rural  de  criação  e  engorda  de  gado,  em  áreas  rurais  localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso. Asseverou que possui diversas empresas,  que  também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária.  Intimado a comprovar a  Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 9          8  origem  dos  créditos  bancários,  apresentou  novos  esclarecimentos  e  farta  documentação,  ressalvando,  todavia,  dificuldade  na  obtenção  da  prova,  em  razão  do  tempo decorrido. Após  compulsar  a  documentação  apresentada,  entendeu  a  autoridade  fiscal  que  não  houve  a  comprovação  efetiva da  totalidade dos  valores  aportados  em  seu movimento  bancário,  razão  pela  qual  efetuou  o  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários sem origem comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas  indevidamente no livro caixa da atividade rural.  Na fase impugnatória, como forma de comprovar a origem dos créditos havidos  em  seu  movimento  bancário,  o  contribuinte  apresentou  novamente  grande  quantidade  de  documentos. Após a análise da documentação ofertada, entendeu a autoridade recorrida que o  suplicante logrou comprovar boa parte dos valores exigidos no lançamento e, por conseguinte,  houve  uma  substancial  exclusão  do  crédito  tributário  lançado,  o  que  levou  ao  recurso  necessário, na forma do forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008.  Apesar  de  toda  documentação  juntada  pelo  contribuinte,  em  alguns  casos,  entendeu  a  autoridade julgadora a quo, que as provas apresentadas não foram suficientes para comprovar a  origem dos valores levantados pelo fisco.  Por sua vez, junta novamente o recorrente em seu apelo grande de quantidade de  documentos, alegando que, em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos  bancários sem origem comprovada, os documentos juntados às fls. 3056/3057 e fls. 3068/3333,  referem­se à transferência entre contas, além de resgates de aplicações financeiras. No que diz  respeito à atividade rural, assegura que os documentos carreados às fls. 3185/3186 comprovam  as despesas decorrentes de compra de gado e os documentos de fls. 3429/4055, referem­se às  despesas incorridas com a folha de pagamento.  Pois  bem,  analisando  detidamente  os  inúmeros  documentos  carreados,  penso  que há um forte  indício de que o direito pleiteado de fato existe. Nesse passo, com o fito de  conferir  certeza  ao  crédito  tributário  lançado,  bem  como  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  proponho  que  o  julgamento  seja  convertido  em  diligência  para  que  a  autoridade lançadora providencie:  1 – Quanto aos depósitos de origem não comprovada:  ­  análise  da  autenticidade  dos  documentos  juntados,  já  que  os  mesmos  não  passaram pelo crivo da fiscalização;  ­ levando em consideração o provimento parcial da Impugnação, apreciação dos  novos documentos juntados com vista à  identificação de origem relativa a possíveis resgates,  empréstimos, créditos rurais e transferências bancárias;  ­ relação dos depósitos bancários com identificação de origem, na forma do art.  42, § 2°, da Lei n° 9.430/1996.   2 – No que tange à atividade rural:  ­  análise  da  autenticidade  dos  documentos  juntados,  já  que  eles  não  passaram  pelo crivo da fiscalização;  ­  à  luz  dos  recolhimentos  de  INSS  e FGTS,  o  valor  pago  a  título  de  folha  de  pagamento;  Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/2013­62  Resolução nº  2201­000.196  S2­C2T1  Fl. 10          9  ­  Relativamente  aos  novos  documentos  juntados,  as  despesas  relativas  à  atividade rural;  3 – intimações e diligências necessárias para formação de convencimento;   4  –  relatório  com as  conclusões  do  trabalho  fiscal,  inclusive dando  ciência  ao  interessado para se manifestar, se assim desejar, no prazo de 5 dias.  Ante a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 4220DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 13808.002681/2001-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PERDA DA DOCUMENTAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS INFRA-LEGAIS. IMPEDIMENTO PARA EXCESSO DE FORMALISMO. Incêndio em que se perde parte significativa da documentação fiscal e contábil, cumprida todas as exigências fiscais previstas pelo RIR, não pode ser base para punição com base em formalismo exacerbado, pois destruídos os documentos não há como se fazer prova nos estritos termos da lei. HOMOLOGAÇÃO, FORMAL OU TÁCITA, RECAI SOBRE TODA A APURAÇÃO E NÃO SÓ AO PAGAMENTO. A homologação pela autoridade administrativa, seja formal ou tácita, não recai somente sobre o pagamento, mas sim sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. LIMITE TEMPORAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente deve ser deferida compensação de créditos líquidos e certos. Todavia, tal fato não permite concluir que não há limite temporal para análise da apuração do tributo que se pretende compensar.
Numero da decisão: 1302-001.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Andrade. Os Conselheiros Waldir Veiga da Rocha e Alberto Pinto Souza Júnior acompanharam o relator apenas no que tange o primeiro fundamento da decisão. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.170          1 1.169  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13808.002681/2001­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.659  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de março de 2015  Matéria  Normas Gerais de Direito Tributário  Recorrente  COMPANHIA DE GAS DE SÃO PAULO ­ COMGÁS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  PERDA  DA  DOCUMENTAÇÃO  FISCAL  E  CONTÁBIL.  CUMPRIMENTO DAS  EXIGÊNCIAS  INFRA­LEGAIS.  IMPEDIMENTO  PARA EXCESSO DE FORMALISMO.  Incêndio  em  que  se  perde  parte  significativa  da  documentação  fiscal  e  contábil,  cumprida  todas as  exigências  fiscais previstas pelo RIR, não pode  ser base para punição com base em formalismo exacerbado, pois destruídos  os documentos não há como se fazer prova nos estritos termos da lei.  HOMOLOGAÇÃO,  FORMAL  OU  TÁCITA,  RECAI  SOBRE  TODA  A  APURAÇÃO E NÃO SÓ AO PAGAMENTO.  A  homologação  pela  autoridade  administrativa,  seja  formal  ou  tácita,  não  recai somente sobre o pagamento, mas sim sobre toda a apuração do tributo  realizada pelo contribuinte.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  LÍQUIDOS  E  CERTOS.  LIMITE  TEMPORAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.  Somente  deve  ser  deferida  compensação  de  créditos  líquidos  e  certos.  Todavia, tal fato não permite concluir que não há limite temporal para análise  da apuração do tributo que se pretende compensar.      Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)  o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Andrade. Os Conselheiros Waldir Veiga da Rocha e Alberto  Pinto Souza  Júnior  acompanharam  o  relator  apenas  no  que  tange  o  primeiro  fundamento  da  decisão.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 26 81 /2 00 1- 96 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     2 (documento assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Júnior ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  Hélio Eduardo de Paiva Araújo ­ Relator.  EDITADO EM: 11/03/2015  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Júnior,  Waldir  Veiga  Rocha,  Márcio  Rodrigo  Frizzo,  Guilherme  Pollastri  Gomes  da  Silva,  Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.  Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.171          3 Relatório  COMPANHIA DE GÁS DE SÃO PAULO ­ COMGÁS, já qualificada nos  autos,  recorre  do  acórdão  16­38.335,  de  30/04/2012,  da  lavra  da  9a  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  São  Paulo  I  (SP)  –  DRJ/SP1,  que,  por  unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte,  indeferindo os pedidos de restituição e não homologando as compensações pleiteadas.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato:  Trata  o  presente  processo  de  pedidos  de  restituição  de  IRPJ  e  CSLL,  cumulados com pedidos de compensação (fls. 01 a 06 – numeração original).  Observe­se que o processo atualmente  se encontra digitalizado,  sendo que a  numeração digital não coincide exatamente com a numeração em papel.  A  DERAT/SPO/DIORT/EQPIR/PJ,  por  meio  do  despacho  decisório  de  fls.  138/141 (numeração digital) indeferiu os pedidos de restituição e não homologou os  pedidos de  compensação, nos  seguintes  termos,  em  síntese  (a numeração  indicada  abaixo é a antiga, quando o processo ainda era em papel):  O  contribuinte  acima  identificado,  por  seu  representante  legal,  através dos  requerimentos de  fls. 01, 02 e 03 protocolizado em  11/06/2001,  solicita  o  Pedido  de  Restituição  proveniente  de  imposto  de  renda  pago  por  estimativa,  contribuição  social  mensal paga por estimativa e por fonte retida por Órgão Público  no  ano­calendário  de  2000,  conjugando­os  com  Pedidos  de  Compensação de fls. 4 a 6.  Às fls. 07 a 09 anexou demonstrativos dos valores solicitados a  titulo de restituição.  Ao se analisar a Ficha 11 da DIPJ/2001 (fls. 45 a 48) – Cálculo  do  Imposto  de Renda Mensal  por Estimativa,  verifica­se  que  o  contribuinte apura Imposto de Renda a Pagar nos meses 02, 04 e  05 de 2000, e, conforme pesquisa no sistema online SINAL08 (fl.  133),  não  consta,  no  referido  ano,  nenhum  pagamento  sob  o  código  2362  e,  ao  ser  pesquisado  o  sistema  online  DCTF  verificou­se  que  tais  valores  foram  declarados  e  compensados  “sem DARF”, através de “IRPJ saldo negativo”, sem entretanto,  esclarecer­se  o  período  a  que  se  referia  tal  saldo  credor,  conforme previsto em lei (fls. 119 a 125). Assim, fica prejudicado  o valor declarado na Ficha 12 A – linha 16 – Imposto de Renda  Pago por Estimativa, à fl. 49. Tendo em vista que o contribuinte  solicitou  crédito  de  IRPJ  referente  apenas  às  estimativas,  seu  pleito deve ser indeferido.  Relativamente ao valor solicitado a título de Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  retida  por  Órgão  Público,  conforme  Instrução Normativa SRF/STN/SFN nº 04, de 18/08/1997:  Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     4 Art.  5º  “  Os  valores  retidos  na  forma  deste  ato  poderão  ser  compensados, pelo  contribuinte,  com o  imposto  e  contribuições  de  mesma  espécie,  devidos  relativamente  a  fato  geradores  ocorridos a partir do mês da retenção.  Parágrafo único – O valor a ser compensado, correspondente ao  IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado  pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da  fatura, da alíquota respectiva, constante da coluna 03...  (Anexo  I).”  E, conforme o Anexo I – Tabela de Retenção – a alíquota a ser  utilizada a título de CSLL é de 1%. E após analisar às fls. 94 a  98,  comprova­se,  através  do  sistema  online  SIEF,  os  valores  retidos como CSLL sobre Órgão Público, no total de R$ 424,71,  conforme abaixo discriminado.  RENDIMENTO BRUTO  CSSL SOBRE ÓRGÃO PÚBLICO  2.337,50  23,37  5.274,03  52,74  703,86  7,03  3.261,97  32.61  30.896,43  308,96  TOTAL  424,71  E,  finalmente,  quanto  à  CSLL  mensal  paga  por  estimativa,  o  contribuinte,  na Ficha  16  –  linha  07, meses  de  02,  04  e  05  de  2000,  fls. 15 e 16, apurou CSLL a pagar. Entretanto, conforme  pesquisa  no  sistema  online  SINAL08  (fls.  132)  não  consta  no  referido ano nenhum pagamento sob o código 2484 e, ainda, ao  ser  pesquisado  o  sistema  online  DCTF,  verificou­se  que  tais  valores  foram declarados  e  compensados “sem DARF”,  com a  utilização  de  “CSLL  saldo  negativo”,  sem,  entretanto,  esclarecer­se o período a que referia tal saldo credor, conforme  previsto em lei (fls. 126 a 131). Assim sendo, fica prejudicado o  valor declarado na Ficha 17 – linha 38 – CSLL Mensal Paga por  Estimativa (fl. 54).  Diante  do  exposto,  proponho  a  VSA.,  o  reconhecimento  do  direito  creditório  na  importância  de  R$  424,71,  para  o  ano­ calendário  de  2000,  referente  à  CSLL,  ao  qual  deverão  ser  acrescentados  os  juros  equivalentes  à  taxa  SELIC,  homologando­se os Pedidos de Compensação de fls. 04, 05 e 06,  até o limite do crédito reconhecido.  A  Interessada,  notificada  do  indeferimento  (fls.  345  verso),  manifestou  sua  inconformidade  (fls.  151  a  156),  por  meio  de  seu  procurador  (fls.  157  a  170),  alegando, em síntese, que:  O único lapso em que eventualmente incorreu a Manifestante foi  não esclarecer a qual período se referia o seu saldo credor. Não  se discutiu, assim, o procedimento adotado pela Manifestante.  Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.172          5 Imposto de Renda Mensal por Estimativa  No exercício de 1998, a Manifestante apurou crédito relativo a  IRPJ no valor de R$ 1.555.605,55, como se infere da Ficha 13 –  Cálculo do Imposto de Renda Lucro Real da DIPJ/1999 – ano­ calendário 1998.  Referido  saldo  passou  a  ser  atualizado  a  partir  de  janeiro  de  1999  e  em  fevereiro  de  2000  já  perfazia  o  montante  de  R$  1.958.974,07, conforme planilha anexa.  O  saldo  acima  aludido  foi  utilizado  da  seguinte  forma  pela  Manifestante:  (i)  R$  703.290,00  para  competência  de  fevereiro/2000  (compensação  em  março  de  2000);  (ii)  R$  464.005,53  para  o  IRPJ  competência  de  abril  de  2000  (compensação  em maio  de  2000);  e  (iii) R$  709.534,52  para  o  pagamento do IRPJ competência de maio de 2000 (compensação  junho de 2000) (planilha doc “IRPJ 1998”) (doc. 4).  Tendo  a  Manifestante  saldo  creditório  no  valor  de  R$  1.958.974,07 e, tendo sido apurado IRPJ a pagar no valor de R$  1.876.830,05,  totalmente  legal  e  coerente  a  compensação  efetuada, a qual deverá ser homologada nessa oportunidade.  CSLL por Estimativa  Conforme planilha anexa aos autos, a Manifestante possuía, em  fevereiro  de  2000,  saldo  creditório  referente  à  CSLL  a  compensar no valor de R$ 4.028.351,00 (doc. 5).  Nessa  esteira,  quando  a Manifestante  deparou­se  com CSLL  a  pagar no exercício de 2000, no valor de R$ 641.377,7, entendeu  por bem exercer o seu lídimo direito de compensação.  Com  vistas  a  demonstrar  a  origem  do  seu  saldo  creditório,  a  Manifestante  acosta  ao  presente  cópia  do  saldo  contábil  de  impostos a compensar e a sua respectiva abertura.  Verificar­se­á que, na conta 11080122 – “Imposto Antecipados”  do  balancete,  o  saldo  em  dezembro  de  2000  monta  em  R$  9.500.619,93  (doc.  6),  dentro do  qual  está  incluso  o  crédito  de  R$ 4.028.351,00, acima mencionado.  Como  suporte  desse  valor,  apresentamos  o  controle  de  Conciliação  dos  Impostos  Antecipados  (doc.  7),  o  qual  demonstra  que  o  saldo  de  CSLL  de  1998  era,  em  fevereiro  de  2000, de R$ 4.028.350,56, e, em dezembro de 2000, passou a R$  3.585.391,43.  Esclarece a Manifestante que a respectiva baixa (diferença entre  fev/2000  e  dez/2000  –  R$  442.959,13)  não  corresponde  exatamente  à  compensação  em 2000  (R$  641.377,79)  porque  o  saldo foi atualizado pela SELIC.  Em  outras  palavras,  apesar  do  saldo  compensado  em  2000  perfazer o montante de R$ 641.377,13, a movimentação do saldo  Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     6 no  ano  teve  uma  redução  de  somente  R$  442.959,13,  em  decorrência da aplicação da Taxa SELIC.  Nesse  diapasão,  totalmente  legal  a  compensação  efetuada  pela  Manifestante, a qual deverá ser deferida.  Por meio do despacho de fls. 188 (a numeração utilizada a partir de agora será  a  digital),  a  Autoridade  Preparadora  encaminhou  os  autos  à  esta  Delegacia  de  Julgamento, ressaltando que o processo encontra­se com pendência de compensação,  assim como o saldo residual após compensação está lançado na DCTF.  Tendo  o  processo  sido  distribuído  para  esse  relator,  entendeu­se  pela  necessidade de diligência, com o conseqüente envio dos autos ao Órgão de origem,  para que fossem respondidos três quesitos pela DERAT/SPO/DIORT, com base em  verificações a serem efetuadas junto aos livros e documentos contábeis e fiscais da  Interessada, e demais meios necessários. Os quesitos estão abaixo reproduzidos:  1. O saldo negativo de IRPJ apurado no ano­calendário de 1998  foi objeto de pedido de restituição ou de compensação (inclusive  em  DCTF),  que  não  a  narrada  na  Manifestação  de  Inconformidade? Qual o valor residual? Esse valor é suficiente  para  a  compensação pleiteada na DCTF do  ano­calendário  de  2000?  2.  O  saldo  negativo  de  CSLL  realmente  existia  no  ano­ calendário de 2000, conforme alegado? Foi ele objeto de pedido  de restituição ou de compensação (inclusive em DCTF) que não  a informada na Manifestação de Inconformidade? Qual o valor  residual? Esse valor é suficiente para a compensação pleiteada  na DCTF do ano­calendário de 2000?  3.  As  compensações  dos  saldos  negativos  de  IRPJ  e  de  CSLL  com  as  respectivas  estimativas  mensais  devidas  no  ano­ calendário  de  2000  foram  realizadas  em  época  própria  pela  Manifestante, em sua escrita fiscal?  Em  atenção  ao  despacho  supra  mencionado,  foi  elaborado,  pela  EQPIR/DIORT/DERATSPO, o despacho de diligência de fls. 907/913.  Primeiramente,  foi  informado  que  não  haveria  relação  entre  o  Processo  Administrativo n° 13808.002682/200131 (cópia parcial às fls. 769/793) e o presente,  sendo que este último teria sido aberto para abrigar os seguintes pedidos:  “1.2.1 Pedido  de Restituição  de  Imposto  de Renda Mensal  por  estimativa do ano­calendário 2000 no valor de R$ 1.876.830,05,  que o contribuinte corrigiu para R$ 1.990.941,32 (fls. 03 – 10), e  que foi registrado (o valor original) na linha 16 da Ficha 12A da  DIPJ/2001 (fl. 17). Conforme se verifica, o contribuinte, ao invés  de  solicitar  Restituição  do  Saldo  Negativo  de  IRPJ  do  ano­ calendário 2000, considerando não ter apurado Imposto Devido  no  período  e  ter  registrado  antecipações,  protocolou  pedidos  separados  de  restituição  para  valores  retidos  na  fonte  e  pagos  por estimativas mensais;  1.2.2 Em procedimento análogo, também solicitou Restituição de  CSLL  mensal  paga  por  estimativa  no  ano­calendário  2000  no  valor  de  R$  641.377,79,  que  foram  corrigidos  para  R$  680.373,56 (fls. 05 11), sendo que o valor original corresponde  Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.173          7 ao registrado na linha 38 – CSLL mensal paga por estimativa da  Ficha 17 – Cálculo da CSLL da DIPJ/2001 (fl. 22);  1.2.3 – Pedido de restituição da CSLL retida por órgão público  nesse  mesmo  exercício,  no  valor  de  R$  6.834,58  (linha  41  da  Ficha  17  acima mencionada),  que  o  contribuinte  corrigiu  para  R$ 7.250,12 (fls. 06 22).  Relatou­se ainda que o Despacho Decisório da EQPIR/DERAT de 19/05/2006  (fls. 138/141) indeferiu os pedidos descritos nos itens 1.2.1 e 1.2.2 acima, por ter o  contribuinte  informado  pagamento  das  estimativas  em  questão  por  compensações  sem DARF de créditos de Saldos Negativos sem especificação dos períodos a que se  referiam, e validou parcialmente, no valor de R$ 424,71, o pleito descrito no  item  1.2.3.  Por  fim,  informou­se  que  para  atendimento  da  solicitação  desta  DRJ,  foi  expedida em 01/12/2011 Intimação solicitando o fornecimento, no prazo de 30 dias,  de  esclarecimentos  e  documentos  (fls.  208/209).  Em  13/01/2012  foi  solicitada  prorrogação de 15 dias (fls. 211/221), aos quais se seguiram mais 5 dias por pedido  de  30/01/2012  (fls.  222/226).  Em  07/02/2002  foram  protocolados  a  resposta  e  anexos de  fls. 227/768, em que ainda pleiteia a concessão de prazo adicional de 5  dias  para  juntada  de  declaração  atestando  que  os  créditos  em  análise  não  foram  utilizados em outras compensações. Essa declaração não foi entregue até a data de  elaboração do despacho de diligência.  As  respostas  apresentadas  aos  três  questionamentos,  pela  Autoridade  Administrativa, com base nas verificações pertinentes, foram as seguintes:  Ia) O saldo negativo de IRPJ apurado no ano­calendário de 1998 foi objeto de  pedido de restituição ou de compensação (inclusive em DCTF), que não a narrada na  Manifestação de Inconformidade?  Pesquisa efetuada no sistema DCTF/GER (fls. 795/796) indicam  a  ocorrência,  no  período  de  01/01/1999  a  31/12/2003,  de  utilização de Saldos Negativos de IRPJ sem indicação de a que  ano­calendário  se  referem  apenas  nas  três  compensações  de  estimativas  indicadas  pelo  contribuinte  em  sua  manifestação  e  mencionadas  no  parágrafo  anterior,  atribuindo  o  crédito  ao  saldo negativo de IRPJ do ano­calendário 1998 (  fls. 797/799).  As  outras  compensações  com  saldos  negativos  de  IRPJ  constantes  do  sistema  (fls.  800/803)  indicam  sempre  data  de  apuração  de  31/12/2000  para  o  saldo  negativo.  As  únicas  compensações que o sistema DCTF registra que podem então ser  atribuídas  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  1998  são  aquelas  indicadas  pelo  contribuinte  e  de  interesse  desta  análise.  Também  foi  efetuada  pesquisa,  que  se  revelou  negativa  (fls.  805/806), no sistema PER/DCOMP visando identificar possíveis  Pedidos  de  Restituição  ou  Declarações  de  Compensação  envolvendo  o  crédito  aqui  tratado  a  partir  da  implantação  do  sistema  e  até  31/12/2004,  data  em  que  já  estaria  prescrito  o  direito  do  contribuinte  à  restituição  de  valores  de  Saldo  Negativo de IRPJ do ano­calendário 1998.  Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     8 Adicionalmente,  foi  verificado  o  sistema  COMPROT  visando  identificar, para os processos administrativos protocolados entre  01/01/1999 a 02/01/2004, data após a qual eventuais pedidos de  restituição  seriam  atingidos  pelo  instituto  da  prescrição,  a  possível  ocorrência  de  pedidos  de  restituição/compensação  envolvendo  o  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  1998  (fls.  807/821).  Dos  50  processos  identificados,  22  fazem  referência a IRPJ ou IRRF no campo “assunto” do protocolo e  foram  objeto  de  verificação,  que  é  resumida  no Demonstrativo  de  fls.  822/823. Não  foram  identificados  processos que  possam  ter utilizado Saldo Negativo de IRPJ,  IRRF ou antecipações de  IRPJ referentes ao ano­calendário 1998, objeto deste tópico.  Ib) Qual o valor residual?  (A  Autoridade  Administrativa  não  apurou  saldo  negativo  de  IRPJ  no  ano­calendário  1998,  não  havendo  que  se  falar  em  valor residual)  Ficaram  comprovados  os  valores  de  R$  1.412.113,21  de  estimativas  pagas  por  DARF  e  de  IRRF  no  total  de  R$  1.060.108,92,  somando  R$  2.472.222,13  de  deduções  possíveis  do IR devido de R$ 5.057.033,43, com o que teria havido valores  a pagar de IRPJ e não saldo negativo no ano­calendário 1998.  Ic)  Esse  valor  é  suficiente  para  a  compensação  pleiteada  na DCTF  do  ano­ calendário de 2000?  Os cálculos do sistema NeoSapo (fl. 804) indicam ser o valor do  Saldo Negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  1998  informado  na  DIPJ/1999,  R$1.555.605,55,  caso  venha  a  ser  reconhecido,  suficiente  para  suportar  as  compensações  das  estimativas  de  IRPJ  do  ano­calendário  2000  informadas  em  DCTF’s  (fls.127/129).  IIa) O saldo negativo de CSLL realmente existia no ano­calendário de 2000,  conforme alegado?  O saldo negativo de CSLL do ano­calendário 2000 constante da  DIPJ/2001  (fls.877)  derivou  da  não  apuração  de  Contribuição  devida no período, com o que os R$641.377,79 informados como  tendo sido pagos como estimativa ( R$ 223.722,66 em Fevereiro,  R$  179.489,36  em  Abril  e  R$  238.165,77  em  Maio),  mais  R$  6.834,58  informados  como  CSLL  retida  na  fonte  por  órgão  público  (  dos  quais  R$  424,71  foram  validados  pelo Despacho  Decisório da DERAT de fls. 138/141),  teriam gerado o referido  crédito. Conforme se verifica nas DCTF’s dos meses indicados,  tais  pagamentos  de  estimativa  teriam  sido  efetuados  com  compensações  de  créditos  de  Saldo  Negativo  de  CSLL  sem  especificação de a que ano se referiam (fls.133/135).  Na Manifestação  de  Inconformidade  contraposta  ao  Despacho  Decisório  da  DERAT  (fls.  151/156),  para  dar  suporte  ao  pagamento dessas estimativas de CSLL o contribuinte alega que  tinha  à  disposição,  em  fevereiro  de  2000,  “...  saldo  creditório  referente à CSLL a compensar no valor de R$ 4.028.351,00...”.  Informa ter acostado à Manifestação “... cópia do saldo contábil  de  impostos  a  compensar  e  sua  respectiva  abertura.”  E  que  “verificar­se­á que, na conta 11080102 ‘Impostos Antecipados’  Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.174          9 do  balancete,  o  saldo  em  dezembro  de  2000  monta  em  R$9.500.619,93,  dentro  do  qual  está  incluso  o  crédito  de  R$  4.028.351,00 acima mencionado.” (transcrevemos os trechos)  Considerando  que  o  demonstrativo  enviado  sob  o  título  “Movimentação de Tributos a Compensar”  inicia­se  com valor  de  Saldo  Inicial  de  Dezembro  de  1998  no  valor  de  R$  2.039.855,00  (fl.  180),  que  o  contribuinte  corrige,  sem  efetuar  nenhuma dedução, até Fevereiro de 2000 para R$ 4.028.351,00,  foi  o  mesmo  instado,  pela  Intimação  de  01/12/2011  (fls.  208/209), a fornecer documentação comprobatória consistente e  inequívoca  da  origem  desses  créditos,  bem  como  fornecer  declaração  escrita,  na  forma  da  lei,  atestando  não  ter  havido  outras  utilizações  de  valores  além  daqueles  mencionados  nos  demonstrativos.  Em  sua  resposta  de  07/02/2012  (fls.  227/229  –  anexos  de  fls.  230/768),  o  contribuinte  faz  referência  à  formação  de  Saldo  Negativo  de  CSLL  no  ano­calendário  de  1997  no  valor  de  R$  1.927.642,57 e de R$ 782.616,90 no ano­calendário de 1998. E  acrescenta:  “Esse  saldo  negativo  de  CSLL  de  1998  se  somou  ao  saldo  negativo de 1997. Assim, o contribuinte não se utilizou do saldo  negativo de CSLL apurado em 1997 no exercício de 1998 e, além  disso,  também  apurou  saldo  negativo  da  contribuição  neste  último  exercício,  estando  esses  saldos  negativos  –  créditos  –  devidamente demonstrados na tabela anexa – doc. 04 (referência  12/98).  E  foi  parte  desses  créditos  que  o  contribuinte  utilizou  para pagamento das estimativas mensais de CSLL no exercício  de 2000”. (transcrevemos)  Interessante  analisar  a  digressão  engendrada pelo  contribuinte  para  demonstrar  o  que  considera  Saldo  Negativo  de  CSLL  do  ano­calendário  1997,  ao  descrever  o  conteúdo  da Ficha  11  da  DIPJ/1998 : “Conforme depreende­se da DIPJ referente ao ano  calendário  1997  (doc.  02A),  a  contribuinte  recolheu CSLL  por  estimativa  no  montante  de  R$  1.925.425,57.  Essas  estimativas  foram pagas mediante  compensação  com  tributos  indevidos  /  a  maior conforme ficha 09 da DIPJ, linha 20. Em seguida, apurou  a Contribuição do  exercício  sobre  o  lucro  real  no  valor  de R$  1.905.500,48,  resultando  num  saldo  negativo  de  CSLL  de  R$  20.142,09. Este saldo negativo de CSLL (R$ 20.142,09) somado  às  compensações  de  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  no  montante de R$ 1.902.924,48 e às retenções de CSLL por Órgão  Público  de  R$2.576,00  perfizeram  um  Saldo  Negativo  total  de  CSLL  no  ano  calendário  de  1997  de  R$  1.925.642,57.”  (transcrevemos)  Ou seja: o contribuinte apurou valor devido de R$ 1.905.500,48  e deduziu R$1.925.642,57 (estimativas de Abril  a Novembro de  1997) de alegados créditos de pagamentos indevidos ou a maior,  gerando saldo negativo de R$ 20.142,09. Ao invés de considerar  este  o  seu  crédito  para  com  a  Fazenda  Pública,  pretendeu  adicionar  ao  mesmo  R$  1.902.924,48  de  “compensações  de  Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     10 pagamentos  indevidos  ou  a  maior”  não  identificados,  e  R$  2.576,00 de CSLL retida na  fonte,  também por órgãos públicos  não  informados,  criando  um  “segundo  saldo  negativo”  da  contribuição em questão, de R$ 1.925.642,57, coincidentemente  o mesmo valor do total de estimativas compensadas com créditos  de pagamento indevido ou a maior (fl. 855).  Considerando que as DCTF’s mensais do ano­calendário 1997  não  informam  valores  devidos  de  CSLL  (fl.  881),  e  conseqüentemente  quais  seriam  esses  créditos  por  pagamentos  indevidos ou a maior que teriam amortizado as estimativas, nem  há  qualquer  comprovação  desses  valores  no  processo,  não  reconhecemos  sequer  os  R$20.142,09  de  saldo  negativo,  digamos,  primário,  de  CSLL  do  ano­calendário  em  questão  informado  na  DIPJ/1998.  Também  não  foram  localizados  pagamentos por DARF de estimativas no período no SINAL08(fl.  893).  Apenas  para  constar,  o  contribuinte  não  apresentou  nenhum comprovante de rendimento que justificasse os alegados  créditos por retenção em fonte da contribuição, que ademais não  encontram  nenhum  respaldo  em  consulta  ao  sistema  IRF  Consulta da Receita Federal (fl. 887).  Quanto ao Saldo Negativo de CSLL do ano­calendário 1998, o  contribuinte apurou R$ 1.754.886,83 de valor devido, dos quais  deduziu  R$  2.537.503,73  a  título  de  pagamentos  mensais  por  estimativa, gerando então crédito de R$ 782.616,90 (fl. 863). A  análise  das  fichas  de  apuração  mensal  da  contribuição  (fls.  857/862)  indicam  terem  sido  essas  estimativas  pagas  com  créditos  de  pagamentos  indevidos  ou  a maior. No  entanto,  não  há  no  processo,  nem  constam  das  DCTF’s  referentes  ao  ano­ calendário  1998  (fl.  881),  que  não  registram  nenhum  débito  apurado, qualquer informação que possa comprovar a existência  de créditos, e de qual natureza, que pudessem ter sido utilizados  para a amortização das estimativas em questão. Não validamos,  portanto,  o  crédito  de  Saldo  Negativo  de  CSLL  do  ano­ calendário 1998, no valor de R$ 782.616,90.  Não  reconhecemos,  portanto,  os  créditos  de  saldo  negativo  de  CSLL dos anos­calendário 1997 e 1998 que dariam suporte ao  pagamento  das  estimativas  dessa  contribuição  no  ano­ calendário  2000,  que  deu  origem  ao  Pedido  de  Restituição  de  R$641.377,79  aqui  analisado,  e  que  portanto  consideramos  inconsistente.  IIb) Foi ele objeto de pedido de restituição ou de compensação (inclusive em  DCTF)  que  não  a  informada  na  Manifestação  de  Inconformidade?  Qual  o  valor  residual? Esse  valor  é  suficiente  para  a  compensação  pleiteada  na DCTF  do  ano­ calendário de 2000?  (A  Autoridade  Administrativa  não  apurou  saldo  negativo  de  CSLL  no  ano­calendário  2000,  não  havendo  que  se  falar  em  valor residual)  Pesquisas efetuadas nos sistemas COMPROT (fls. 807/821839) e  PERDCOMP  (fls.878/879)  não  identificaram  utilizações  de  saldo  negativo  de  CSLL  do  ano­calendário  1998  em  outros  processos/declarações  de  compensação.  O  sistema  DCTFGER  indica  a  ocorrência  apenas,  no  período  de  1999  a  2003,  de  Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.175          11 utilização  de  saldos  negativos  dessa  contribuição  na  compensação  de  débitos  apenas  nos  casos  das  estimativas  de  CSLL  de  Fevereiro,  Abril  e  Maio  de  2000  tratadas  neste  processo (fls. 905/906).  III)  As  compensações  de  saldo  negativo  de  IRPJ  e  de  CSLL  com  as  respectivas estimativas mensais devidas no ano­calendário de 2000 foram realizadas  em época própria pela Manifestante, em sua escrita fiscal?  A  Intimação  de  01/12/2011  também  instou  o  contribuinte  a  fornecer  comprovação  hábil  e  idônea  dos  registros  em  sua  escrita fiscal dos pagamentos das estimativas mensais de IRPJ e  CSLL do ano­calendário 2000 com os créditos desse  Imposto e  Contribuição  de  períodos  anteriores  informados  no  processo,  por todos os meios passíveis de prova, anexando, se for o caso,  cópias autenticadas dos documentos envolvidos.  A  resposta  de  07/02/2012  protocolada  pelo  contribuinte  (fls.  227/768) assim se manifesta a respeito:  “Em atenção ao  segundo questionamento  da  r. Fiscalização,  o  contribuinte  apresenta  as  DCTF’s  dos  anos  de  1998,  2000  e  2001 (docs. 05 a 07) e DIPJ do ano calendário 2000 (doc. 08),  pelo  qual  comprova  que  não  houve  outras  utilizações  dos  créditos apurados, senão as mencionadas nos demonstrativos.”  “Ademais,  esses  documentos  atestam  o  pagamento  das  estimativas mensais de  IRPJ e CSLL apurados no ano de 2000  com  os  respectivos  créditos  desse  imposto  e  contribuição  apurados  em  períodos  anteriores.  Ou  seja,  demonstram  que  houve  adequado  registro  fiscal  da  compensação dos  créditos –  saldo  de  imposto  e  contribuição  dos  anos  anteriores  –  com  os  débitos do presente processo.” (transcrevemos)  Os  documentos  a  que  faz menção  essa  resposta  são  cópias  de  DCTF’s e DIPJ’s transmitidas à Receita Federal, acompanhadas  de  demonstrativos  internos  sem  assinatura,  muitas  vezes  sem  registro  de  a  que  período  se  referem  e  sem  se  revestirem  das  formalidades  exigidas  para  serem  considerados  documentos  contábeis legais.  Não foram enviadas cópias de lançamentos no livro Diário que  permitissem  a  verificação  da  contabilização  dessas  compensações,  quando,  com  que  créditos,  e  por  quais  valores.  Não consideramos ter sido apresentada “... comprovação hábil e  idônea  dos  registros  em  sua  escrita  fiscal  dos  pagamentos  das  estimativas  mensais  de  IRPJ  e  CSLL  do  ano­calendário  2000  com  os  créditos  desse  Imposto  e  Contribuição  de  períodos  anteriores  informados  no  processo”,  como  solicitado  na  Intimação  Em  29/02/2012,  foi  dada  ciência  do  despacho  de  diligência  elaborado  pela  Autoridade Administrativa  supra  (fls.  919/920),  tendo  a  empresa  apresentado,  em  12/03/2012  (segunda­feira),  as  seguintes  alegações  por  meio  da  manifestação  de  inconformidade de fls. 923/934:  Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     12 Inicialmente  há  que  se  esclarecer  que a Autoridade Fiscal  não  solicitou, no termo de intimação fiscal de 01/12/2011, nenhuma  prova ou  informação a  respeito  das  estimativas  de  IRPJ pagas  por  meio  de  compensação  com  créditos  decorrentes  de  pagamentos indevidos / a maior de períodos anteriores.  Pelo contrário: em sua intimação, solicita essa comprovação tão  somente  em  relação  à  prova  de  pagamento  das  estimativas  de  CSLL  de  1998  (conforme  se  denota  claramente  do  item  1  da  intimação de 01/12/2011).  Esse fato deixa evidente que as estimativas de IRPJ quitadas por  compensação  são  válidas.  Há  sua  regular  declaração  na  DIPJ/1999  e  referida  declaração  foi  devidamente  homologada  dentro do prazo decadencial cabível à Receita Federal do Brasil  para essa medida.  Logo, não haveria como se aceitar que a Fiscalização deixasse  de reconhecer as quitações de estimativas de IRPJ com créditos  de pagamentos  indevidos/a maior em 1998  (no montante de R$  4.042.603,69).  E  às  fls.  909  do  "relatório  fiscal",  a  Fiscalização  alega  não  haver  prova  na  DCTF  1998  dos  "valores  apurados  de  antecipação  devidos  no  ano­calendário  1998"  e  simplesmente  deixa de validar o referido "crédito", ignorando o fato de que a  DCTF 1998 é expressa ao declarar (a) a existência das referidas  antecipações; e (b) que elas foram quitadas por meio de créditos  de recolhimentos indevidos/a maior de exercícios anteriores.  E mais: a DCTF 1998 foi devidamente homologada no prazo de  5  anos,  não  havendo  que  se  exigir  em  2012  prova  de  que  os  créditos  de  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  utilizados  para  quitação das estimativas de IRPJ de 1998.  Essa situação se comprova pelo fato do próprio "relatório fiscal"  informar,  às  fls.  910,  que  "os  cálculos  do  sistema NeoSapo  (fl.  804)  indicam  ser  o  valor  do  Saldo  Negativo  de  IRPJ  do  ano­ calendário  1998  Informado  na  DIPJ/1999,  R$  1.555.605,55,  caso  venha  a  ser  reconhecido,  suficiente  para  suportar  as  compensações das estimativas de IRPJ do ano­calendário 2000  informadas em DCTF's (fls. 127/129)."  Ou  seja,  o  próprio  sistema  da  RFB  reconhece  como  boas  e  válidas  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte  em  sua  DIPJ/1999  e  reconhece  o  crédito  de  recolhimentos  indevidos/a  maior usados para pagamento das estimativas de  IRPJ 1998 e,  assim, a exatidão do saldo negativo de IRPJ 1998 no valor de R$  1.555.605,55.  Referido  saldo  negativo  passou  a  ser  atualizado  a  partir  de  janeiro de 1999 e em fevereiro de 2000 já perfazia o montante de  R$  1.958.974,07,  conforme  suporte  já  juntado  aos  autos  e  foi  utilizado da seguinte forma pela Manifestante: (i) R$ 703.290,00  para  o  IRPJ  competência  de  fevereiro/2000  (compensação  em  março  2000);  (ü)  R$  464.005,53  para  o  IRPJ  competência  de  abril  de  2000  (compensação  em  maio  de  2000)  e  (iii)  R$  709.534,52 para o pagamento do IRPJ competência de maio de  2000 (compensação junho de 2000).  Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.176          13 Resta,  assim,  demonstrado  o  saldo  creditório  no  valor  de  R$  1.958.974,07, valor suficiente para permitir a compensação com  o IRPJ 2000 a pagar no valor de R$ 1.876.830,05, a qual deverá  ser homologada nessa oportunidade.  Por  fim,  não  bastasse  a  documentação  apresentada  pela  Manifestante comprovar que o crédito de IRPJ em comento não  foi  objeto  de  outras  compensações,  o  próprio  Auditor  Fiscal  atesta  que  não  houve  outras  utilizações  dos  créditos  além  das  relatadas no presente processo por meio de análise dos sistemas  PER/DCOMP, DCTF e ações sobre o tema no COMPROT.  Evidencia­se,  assim,  o  dever  de  reconhecimento  do  direito  creditório  em  referência  e  o  deferimento  das  compensações  (i)  R$  70.290,00  para  o  IRPJ  competência  de  fevereiro/2000  (compensação em março ¿000); (ii) R$ 464.005,53 para o IRPJ  competência de abril de 2000 (compensação em maio de 2000) e  (iii) R$ 709.534,52 para o pagamento do  IRPJ competência de  maio de 2000 (compensação junho de 2000).  No  que  tange  aos  créditos  utilizados  para  pagamento  das  estimativas de CSLL 1997, também não há como rejeitá­las.  A DIPJ referente ao ano calendário 1997 (já juntada aos autos)  demonstra  claramente  a  CSLL  apurada  por  estimativa  e  em  seguida a decorrente do lucro real, e consequentemente o saldo  de  contribuição  decorrente  da  diferença  entre  as  apurações  daquele ano  (R$ 1.925.642,57). Esse valor encontra­se  também  demonstrado no LALUR (já acostado aos autos).  No  ano  calendário  de  1998,  por  sua  vez,  a  DIPJ  e  LALUR  (juntados aos autos) atestam saldo negativo de CSLL no valor de  R$ 782.616,90, o qual  foi somado ao saldo negativo de 1997 e  utilizado parcialmente em 2000.  Esse suporte foi ignorado pela Auditoria Fiscal, que considerou  inconsistente o crédito utilizado pelo contribuinte.  Além  deles,  desconsiderou,  que  em  fevereiro  de  2000  o  saldo  creditório  de  CSLL  a  compensar  da  Manifestante  somava  R$  4.028.351,00  (Planilha  juntada  como  doc.  05  da Manifestação  de Inconformidade).  Desconsiderou também a prova do saldo contábil de impostos a  compensar e a sua respectiva abertura, onde demonstra na conta  11080102 do balancete "Impostos Antecipados", que o saldo em  dezembro de 2000 era de R$ 9.500.619,93, dentro do qual estava  incluso o crédito de R$ R$ 4.028.351,00 acima mencionado (doe.  06  da  Manifestação  de  Inconformidade),  e  desconsiderou  o  controle  de Conciliação  dos  Impostos Antecipados  (doc.  07  da  Manifestação de Inconformidade) em que demonstra que o saldo  de CSLL de 1998 era, em fevereiro de 2000, de R$ 4.028.350,56  e em dezembro de 2000 passou a R$ 3.585.391,43.  Além de ignorar todo esse suporte documental e desconsiderar o  crédito do contribuinte, olvidou­se do fato de que as DIPJ 1998,  Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     14 1999  e  2001  foram  todas  homologadas  dentro  do  prazo  decadencial  de  5  anos  e  não  poderiam  mais  ser  revistas,  de  forma que as informações nelas contidas devem ser consideradas  como definitivas.  Logo, são incabíveis as alegações fiscais de que o crédito não foi  demonstrado  por  prova  inequívoca,  seja  pelo  fato  de  que  o  suporte  documental  foi  desconsiderado  sem  razões,  seja  pelo  fato  de  que  as  declarações  que  informam os  saldos  creditórios  encontram­se  devidamente  homologadas,  impondo­se  o  acolhimento  de  seus  valores  para  fins  de  reconhecimento  do  crédito  de  CSLL  dos  autos  e  homologação  das  respectivas  compensações.  Vale  ressaltar  ainda,  neste  ponto,  com  relação  à  utilização  do  crédito de CSLL, o próprio Auditor Fiscal atesta que não houve  outras  restituições/compensações,  senão  as  em  análise  no  presente  processo,  o  que  ressalta  o  dever  de  homologar  as  efetuadas nos presentes autos.  Argumenta o Sr. Auditor que "os documentos a que faz menção  essa  resposta  são  cópias  de  DCTF's  e  DIPJ's  transmitidas  à  Receita Federal, acompanhadas de demonstrativos internos sem  assinaturas,  muitas  vezes  sem  registro  de  a  que  período  se  referem  e  sem  se  revestirem  das  formalidades  exigidas  para  serem considerados documentos contábeis legais".  Todavia,  em atenção  este questionamento  da  r. Fiscalização,  o  contribuinte  apresentou  as DCTF's  dos  anos de  2000  e  2001  e  DIPJ  do  ano  calendário  2000,  pelos  quais  comprova  o  pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apurados no  ano  de  2000  com  os  respectivos  créditos  desse  imposto  e  contribuição apurados em períodos anteriores.  Em seguida juntou aos autos cópia do balancete analítico com a  conta  11080102  também analítica,  acompanhando de  planilhas  de  controle  contábil,  demonstrando  com  clareza  os  referidos  tributos registrados e quitados no período de 2000.  Ou  seja,  demonstrou  que  houve  adequado  registro  fiscal  da  compensação dos  créditos  saldo  de  imposto  e  contribuição  dos  anos anteriores com os débitos do presente processo.  Mais uma vez o ilustre Sr. Auditor Fiscal ignora a documentação  apresentada  pelo  contribuinte,  sem  sequer  analisar  o  conteúdo  de mencionados documentos, limitando­se a sustentar que foram  acompanhadas de demonstrativos internos sem se revestirem das  formalidades  exigidas  e  que,  portanto,  não  seriam  hábeis  à  verificação da contabilização das compensações em análise.  Acrescenta  o  Sr.  Auditor  que  "não  foram  enviadas  cópias  de  lançamentos  no  livro  Diário  que  permitissem  a  verificação  da  contabilização dessas compensações, quando, com que créditos,  e por quais valores. Não consideramos ter sido apresentada " ...  comprovação hábil  e  idônea dos  registros em sua escrita  fiscal  dos  pagamentos  das  estimativas  mensais  de  IRPJ  e  CSLL  do  ano­calendário  2000  com  os  créditos  desses  Imposto  e  Contribuição  de  períodos  anteriores  informados  no  processo',  como solicitado na intimação.".  Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.177          15 Nesse  ponto  há  que  se  esclarecer  que  houve  perda  do  Livro  Diário no incêndio ocorrido na Companhia em 2002.  Conforme  já  informado  nos  autos,  a  Manifestante  sofreu  em  2002 um grande  incêndio  em que  perdeu  parte  significativa de  sua documentação fiscal e contábil (doc. 01).  Há  de  se  esclarecer  que  a  Manifestante,  com  a  máxima  anigência,  procedeu  ao  cumprimento  de  cada  uma  das  determinações  infra­legais  à  hipótese  de  perda  de  documentos  contábeis em decorrência de caso fortuito, de forma que:   ­  comunicou  o  incidente  às  autoridades  competentes,  quais  sejam,  a  Polícia  Civil  do Estado  de  São  Paulo  via  Boletim  de  Ocorrência e a JUCESP.  ­  procedeu  à  divulgação  do  ocorrido  em  jornal  de  grande  veiculação em mídia impressa;  ­ procedeu à comunicação do  fato à Receita Federal do Brasil,  em 26/06/2002.  Diante  disso,  a  Manifestante  não  pode  ser  punida  com  um  formalismo  exacerbado  pela  inexistência  dos  documentos  queimados.  Nesse  sentido,  sobre  o  tema  versam  NATANAEL  MARTINS  e  MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR (doc. 02), ipsis litterís:  "Ou  seja,  nosso  entendimento  caminha  no  sentido  de  que,  em  situações extraordinárias como esta, a fiscalização deverá ater­ se  ao  princípio  da  verdade material,  buscando  a  comprovação  do  ato  realizado  pela  Sociedade  por  intermédio  de  outros  elementos.  A  esse  respeito,  cumpre­nos  trazer  à  baila  trecho  da  obra  do  consagrado  tributarista  José  Luiz  Bulhões  Pedreira,  que  ao  comentar  o  comando  legal  que  deu  origem  ao  art.  264  do  RIR/99, aponta categoricamente que:  “O  contribuinte  tem  o  dever  de  guardar  e  conservar  os  livros  obrigatórios,  assim  como  a  documentação  que  comprova  os  lançamentos efetuados; e de exibi­los nos casos previstos na lei.  Se se recusa a exibi­los e alega extravio ou destruição, cabe­lhe  o ônus da prova do fato e da ausência de culpa. (...) Provado o  extravio  ou  perda  dos  livros  sem  culpa  do  contribuinte,  a  orientação  predominante  é  no  sentido  de  que  o  balanço  apresentado  pelo  contribuinte  com  sua  declaração  deve  ser  aceito  como  bom  (...)  Além  de  provar  a  ocorrência  do  fato,  o  contribuinte  deve  provar  a  ausência  de  responsabilidade.  (...)  Extraviados ou perdidos os livros, o contribuinte deve procurar  reconstituir ou reorganizar a escrituração com os elementos de  que dispuser. " (grifamos)  Trata­se de interpretação que busca trazer bom senso à atuação  do  Fisco  e  dos  contribuintes  em  eventos  extraordinários  como  incêndios, enchentes, furtos, etc. Vale dizer, na hipótese em que  Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     16 não há prova de culpa do contribuinte no incidente, o dever de  repor  os  documentos  avariados  esbarra  até  onde  a  sua  recomposição é possível. Caso contrário, estar­se­ia penalizando  indevidamente  o  contribuinte  atingido  pelo  infortúnio  de  um  evento ocorrido por mero caso fortuito.  No  âmbito  jurisprudencial,  o  Conselho  de  Contribuintes  (Tribunal  de  2a  Instância  Administrativa)  não  se  manifestou  formalmente acerca da tributação de reserva de reavaliação na  hipótese de destruição do laudo que a comprova.  No  entanto,  julgamos  pertinente  traçar  um  paralelo  com  a  tributação das  pessoas  jurídicas  pelo  lucro  arbitrado,  tema em  que o Conselho adota linha de entendimento de que a destruição  de documentos,  sem culpa do contribuinte,  não é  causa para o  arbitramento dos resultados.  É o que se depreende da leitura dos seguintes julgados:  "IRPJ  LUCRO  ARBITRADO  DETERIORAÇÃO DE  LIVROS  E  DOCUMENTOS  CASO  FORTUITO  Se  por  ocasião  da  elaboração das declarações de rendimentos e sua apresentação  nos  respectivos  prazos,  o  sujeito  passivo  tinha  a  escrituração  contábil  e a documentação em ordem, a deterioração posterior  em virtude de inundação, não pode dar causa a arbitramento de  lucro  fundada  na  recusa  de  apresentação  dos mesmos  livros  e  documentos,  já  que  não  há  indícios  de  que  o  sujeito  passivo  tenha  deixado  de  tomar  as  cautelas  necessárias  para  evitar  o  caso  fortuito  ou  de  força  maior.  (Acórdão  n.°  10195.683,  proferido  pela  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes);  IRPJ.  LANÇAMENTO.  ARBITRAMENTO  DE  LUCRO.  INCÊNDIO.  Incomprovada  a  culpa  do  sujeito  passivo  na  ocorrência  do  incêndio  destruindo  a  documentação  fisco­ contábil,  em data posterior a  entrega da  respectiva declaração  de  rendimentos,  improcede  a  imposição  fiscal  embasada  em  arbitramento de lucros pela ausência de indícios que justifiquem  tal medida de caráter excepcional. (...) (Acórdão n.° 10193.614,  proferido pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes);  IRPJ  LUCRO  ARBITRADO  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DE  LIVROS E DOCUMENTOS A  falta de apresentação de  livros e  documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro  real, restando como única forma de tributação o arbitramento do  lucro  tributável,  mormente  quando  não  comprovada  a  sua  destruição em enchente, causadora de sinistro nas dependências  da empresa, quando não atendidas as exigências contidas no art.  210, § Io, do RIR/94, com a comunicação à repartição fiscal e ao  órgão  de  registro  do  comércio,  a  publicação  tempestiva  da  notícia do ocorrido em jornal de grande circulação e a tentativa  de  reconstituição  da  escrita  contábil.  (...)  (Acórdão  n.°  10807.624,  proferido  pela  8a  Câmara  do  1  o  Conselho  de  Contribuintes);  (...)  IRPJ  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO  Ilegítimo  o  arbitramento de lucros quando ocorrer a inexistência de livros e  documentos  da  escrituração  mercantil,  justificada  pela  ocorrência  de  caso  fortuito  furto  superveniente  à  apresentação  Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.178          17 das declarações de rendimentos quando não comprovada culpa  da vítima do evento, como também a inexatidão ou a existência  de  vícios  nas  declarações  apresentadas."  (Acórdão  n.°  10806.315,  proferido  pela  8a  Câmara  do  1o  Conselho  de  Contribuintes);  IRPJ  LANÇAMENTO  ARBITRAMENTO  –  Comprovada  a  ocorrência de caso fortuito, a  inexistência de culpa da empresa  no  sinistro,  e  a  impossibilidade  de  reconstituição  da  escrita,  incabível o arbitramento do lucro. (...) (Acórdão n.° 10193.409,  proferido pela 1 a Câmara do 1 o Conselho de Contribuintes)"  Resumindo, o Conselho considera que o Fisco não tem o poder  de desconsiderar o tratamento tributário que fora conferido pela  Entidade, na hipótese em que esta se vê em situação na qual toda  sua  escrituração  fiscal  é  destruída  (sem  a  configuração  de  culpa),  sem  que  haja  possibilidade  de  recomposição  dos  documentos e desde que o evento extraordinário (e.g.  incêndio,  enchente, etc.) tenha sido comunicado na forma do art. 264, § 3o  do RIR/99".  Pelo  exposto,  não  pode  ser  absolutamente  descartada  a  documentação  levantada  pelo  contribuinte,  uma  vez  que  realizado com grande esforço em razão do incêndio ocorrido no  ano de 2002.  Assim não bastasse, há que ressaltar a validade dos documentos  apresentados,  uma  vez  que  as  informações  ali  contidas  são  declaradas como verdadeiras pelo contribuinte sob as penas da  lei.  Cabe  ressaltar  que  a  Manifestante  está  em  vias  de  localizar  uma  via  impressa  do  seu  Livro  Razão  de  2000,  o  que  está  fazendo em regime de urgência  junto aos  seus arquivos. Para  sua  apresentação  aos  presentes  autos  em  complementação  a  todo o suporte já apresentado requer o prazo de 5 dias.  Por  fim,  ainda  que  se  entendesse  que  a Manifestante não  teria  demonstrado a origem dos créditos e sua utilização, fato que se  admite  apenas  por  amor  ao  debate,  facilmente  nota­se  que  ocorreu a decadência do direito da Fazenda revisar o resultado  dos exercícios de 1998, 1999 e 2000.  Assim,  é  inevitável  reconhecer  a  ocorrência  do  prazo  decadencial  previsto  no  artigo  150,  do  Código  Tributário  Nacional,  cujo  parágrafo  4o  estabelece  que  se  considera  homologado  o  pagamento  e  definitivamente  extinto  o  crédito  tributário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato  gerador,  conforme  leciona  EURICO  MARCOS  DINIZ  DE  SANTI.  Consequentemente,  o  direito  de  rever  o  crédito  tributário  decorrente da apuração de saldo negativo no ano calendário de  1998,  1999  e  2000,  encontra  obstáculo  no  fato  da  decadência,  que  atinge  o  próprio  crédito  tributário,  consubstanciando  uma  Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     18 adequação ao  sobre­princípio  da  segurança  jurídica,  conforme  PAULO DE BARROS CARVALHO.  Corroborando  esse  entendimento,  os  ilustríssimos  Doutores  NATANAEL  MARTINS  e  MÁRIO  JUNQUEIRA  FRANCO  JÚNIOR,  em  Parecer  elaborado  sobre  caso  semelhante  ao  em  análise  (doe.  02)  asseveram  que  "o  Fisco  só  poderia  exigir  a  tributação  da  reserva  de  reavaliação  caso  o  lançamento  não  implicasse  em análise  de um período  que  já  fora atingido  pela  decadência".  É  o  que  já  preconizou  a  7ª  Câmara  do  Iº  Conselho  de  Contribuintes,  que  entendeu  por  bem  "glosar  no  presente  os  efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível  se  a  objeção  do  fisco não  comportar  juízo  de  valor quanto  ao  fato verificado em período já atingido pela decadência".  Diante  de  todo  o  exposto,  não  deve  prevalecer  a  exigência  da  tributação em análise, constituída há quase 15 anos, ainda que  sob  a  alegação de  que  não  há  lastro  documental que  ateste  os  valores contabilizados, em razão do direito do Fisco de proceder  ao  lançamento  ter  sido atingido pelo manto da decadência,  em  consonância com o sobre­princípio da segurança jurídica.  Ante  o  exposto  e  por  tudo  mais  que  consta  dos  autos,  é  a  presente para requerer o acolhimento da MANIFESTAÇÃO DE  INCONFORMIDADE  oposta  e,  assim,  seja  DEFERIDO  INTEGRALMENTE  o  pedido  de  restituição  constante  do  Processo  n°  13808.002681/200196,  reconhecendo,  assim,  o  direito creditório do contribuinte contra a Fazenda Nacional, na  importância  de  R$  2.518.207,84,  referente  ao  saldo  credor  de  CSLL  (R$  641.377,79)  e  IRPJ  (R$  1.876.830,05),  e  homologando­se,  por  via  de  conseqüência,  os  pedidos  de  compensação desse processo.  Por  fim,  requer  a  juntada  de  Declaração  assinada  pelo  representante  legal  da  Manifestante  no  sentido  de  que  não  utilizou  o  crédito  das  compensações  dos  presentes  autos  em  outros pedidos e requer a concessão do prazo de 5 dias para a  juntada do Livro Razão 2000.  A ora Recorrente,  devidamente  cientificada do  acórdão  recorrido,  apresenta  recurso  voluntário  tempestivo,  onde  repisa  os  argumentos  apresentados  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  reiterando  os  argumentos  e  pedidos  que  já  haviam  sido  formulados em sede de impugnação.  É o relatório.  Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.179          19 Voto             Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo  O Recurso Voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos  de admissibilidade do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço.  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  apresentada  em  2000  visando  à  utilização  de  crédito  decorrente  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  relativo  ao  ano­ calendário  1998,  para  compensação  deste  com  outros  tributos  federais  devidos  pelo  próprio  contribuinte. O mesmo vale para o crédito de CSLL  O  referido  saldo  negativo/crédito  é  composto  pelo  pagamento  das  antecipações de IRPJ no montante de R$ 1.498.171,62 e de Imposto de Renda Retido na Fonte  de R$ 57.433,93, totalizando a importância de R$ 1.555.605,55.  Segundo  relato  no  despacho  decisório  de  fls.  2.704,  a  validação  das  compensações declaradas dependia da certificação da certeza e  liquidez do crédito, mediante  verificação do resultado contábil e fiscal declarado, do valor do imposto de renda devido, do  valor  do  prejuízo  fiscal  apurado,  das  antecipações  por  retenção  na  fonte  e  pagamento  de  imposto de renda apurado pelo regime de estimativa, da apuração de saldo negativo submetido  à compensação.  Reitere­se  que  foi  apresentada  toda  a  documentação  fiscal  apta  à  comprovação da origem do crédito tributário utilizado para pagamento de estimativas mensais  no  ano­calendário  de  2000,  bem  como  suporte  suficiente  à  comprovação  de  que  não  houve  outras utilizações dos créditos além das relatadas no processo.  De  fato,  em  atenção  aos  questionamentos  da  r.  Fiscalização,  o  contribuinte  apresentou  as DCTF's  dos  anos  de  2000  e  2001  e DIPJ  do  ano  calendário  2000,  todos  eles  demonstrando e comprovando o pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apurados  no ano de 2000 com os respectivos créditos desse imposto e contribuição apurados em períodos  anteriores.  Em  seguida  juntou  aos  autos  cópia  do  balancete  analítico  com  a  conta  11080102,  acompanhado  de  planilhas  de  controle  contábil,  demonstrando  com  clareza  os  referidos tributos registrados e quitados no período de 2000.  Ou seja, demonstrou que houve adequado registro fiscal da compensação dos  créditos  ­  saldo  de  imposto  e  contribuição  dos  anos  anteriores  ­  com os  débitos  do  presente  processo.  Em que pese os documentos fiscais apresentados, a r. decisão recorrida alega  que "não há prova de que a empresa efetivou compensação nos moldes propostos pela norma,  pois não apresentados o  livro Diário, nem o  livro Razão, que permitiriam verificar o  tipo de  crédito,  a efetividade  e  tempestividade dos  lançamentos contábeis alegados" e que  tampouco  teriam  sido  "juntados  quaisquer  livros  contábeis  ou  fiscais  que  pudessem  comprovam  as  Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     20 alegadas compensações com os saldos negativos pretensamente apurados (SN IRPJ AC1998,  SN CSLL AC1997 e SN CSLL AC1998), no momento pretendido (AC 2000).  Nesse  ponto  há  que  se  esclarecer  que,  conforme  informado  nos  autos,  a  Recorrente  sofreu  em  2002  um  grande  incêndio  em  que  perdeu  parte  significativa  de  sua  documentação fiscal e contábil e, com a máxima diligência, procedeu ao cumprimento de cada  uma das determinações infra­legais hipótese de perda de documentos contábeis em decorrência  de  caso  fortuito,  de  forma que:  (i)  comunicou  o  incidente  às  autoridades  competentes,  quais  sejam,  a  Policia  Civil  do  Estado  de  São  Paulo  via  Boletim  de Ocorrência  e  à  JUCESP,  (ii)  procedeu à divulgação do ocorrido em jornal de grande veiculação em mídia impressa; e (iii)  procedeu à comunicação do fato à Receita Federal do Brasil, em 26/06/2002.  Nesse sentido, cumpriu todas as exigências fiscais previstas pelo artigo 264, §  l° do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo que se exigir a apresentação de laudo  pericial da Policia Técnica, conforme pretende a decisão  recorrida às  fls. 1045, uma vez que  eventual  investigação  policial  sobre  o  incêndio  não  tem  qualquer  relação  com  o  presente  processo administrativo fiscal.  Diante  disso,  não  pode  a  recorrente  ser  punida  com  um  formalismo  exacerbado pela inexistência dos documentos contábeis queimados, ainda mais no caso em tela  em que comprovou seu direito através da apresentação do suporte documental fiscal exigido.  Assim,  de  posse  dos  documentos  que  foram  apresentados,  os  quais  são  elementos de prova válidos, ainda mais em face do  incêndio sofrido, era possível determinar  que  o  quantum  declarado  em  DIPJ  estava  devidamente  escriturado  na  contabilidade  do  contribuinte.  Ainda  que  se  entendesse  que  a Recorrente não  teria  demonstrado  a origem  dos  créditos  e  sua  utilização,  facilmente  nota­se  que  ocorreu  a  decadência  do  direito  da  Fazenda de revisar os saldos de IRPJ e CSLL declarados pelo contribuinte em relação aos anos  calendário 1998, 1999 e 2000.  Há que se atentar para o prazo decadencial previsto no artigo 150 do Código  Tributário Nacional, cujo parágrafo 4° estabelece que se considera homologado o lançamento e  definitivamente extinto o crédito  tributário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do  fato gerador.  "Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 4° Se a  lei não  fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação."  Especificamente  com  relação  ao  caso  em  tela,  verifica­se que  a Recorrente  apurou, no exercício de 1998, crédito  relativo à  IRPJ no valor de R$ 1.555.605,55. Referido  saldo passou a ser atualizado a partir de janeiro de 1999 e foi utilizado para compensar o IRPJ  apurado em fevereiro, abril e maio de 2000.  Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­001.659  S1­C3T2  Fl. 1.180          21 O mesmo vale para o crédito de CSLL, conforme restou informado na DIPJ  referente ao ano calendário 1997, que demonstra claramente o saldo de contribuição decorrente  da diferença entre as apurações daquele ano (R$ 1.925.642,57).  No ano calendário de 1998, por  sua vez,  a DIPJ  e LALUR  (constantes  dos  autos) atestam saldo de CSLL no valor de R$ 782.616,90, o qual foi somado ao saldo de 1997  e  transportado  para  o  ano  de  2000  em  que  foi  utilizado  parcialmente  para  compensação  no  valor de R$ 641.377,79 8.  Ressalte­se que estamos tratando de composição de créditos de IRPJ e CSLL  apurados  entre  os  exercícios  de  1997  e  1999,  regularmente  declarados  pela  Recorrente  nas  respectivas DIPJs, que se reitere, foram homologadas dentro do prazo decadencial de 5 anos.  Assim, em hipótese alguma poderia a Autoridade Fiscal, através de despacho  decisório proferido apenas em maio de 2006, revisar ou questionar os saldos de IRPJ e CSLL  de  1997,  1998  e  1999,  cujas  respectivas  DIPJs  e  DCTFs  foram  homologadas  tacitamente,  utilizados em compensação ocorrida em 2000 e cujo saldo de IRPJ e CSLL foram utilizados  em nova compensação em 2001.  Ou  seja,  para  negar  o  direito  creditório  e  não  homologar  a  compensação  efetuada em 2001, a autoridade administrativa refez, em maio de 2006, a apuração do IRPJ e  CSLL de 1997, 1998, 1999 e 2000 pelo contribuinte.  Por  outro  lado,  concordo  que  somente  deve  ser  deferida  compensação  de  créditos  líquidos  e  certos. Todavia,  tal  fato não  permite concluir  que não há  limite  temporal  para análise da apuração do tributo que se pretende compensar.  Como é sabida, a homologação pela autoridade administrativa, seja formal ou  tácita,  não  recai  somente  sobre  o  pagamento,  mas  sim  sobre  toda  a  apuração  do  tributo  realizada pelo contribuinte.  Dessa  forma,  como  a  homologação  tácita  do  lançamento  recaiu  sobre  a  própria apuração do IRPJ, não há fundamento legal que permita a revisão da apuração do lucro  fiscal e contábil, pois esta se tornou imutável, seja para lançar tributo, seja para glosa do saldo  negativo disponível para compensação.  Não  pode,  portanto,  o  fisco,  concordar  com  o  lançamento  realizado  pelo  contribuinte,  homologando­o  tacitamente,  para  um  momento  posterior  iniciar  uma  revisão  deste  lançamento  sob  o  pretexto  de  que  se  faz  necessário  verificar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito tributário compensado.  Vale  ressaltar  que  a  impossibilidade  de  revisão  do  lançamento  tacitamente  homologado não impede a conferência da certeza e liquidez do crédito alegado pelo fisco. Isto  porque, permanece possível ao fisco verificar a formação do saldo negativo, isto é, confirmar o  recolhimento ou a compensação das antecipações mensais, o  IRRF, o imposto de renda pago  no exterior, dentre outras parcelas.  Em outras palavras, a confirmação da existência do crédito de saldo negativo  de IRPJ é, obviamente, permitida. Porém, deve se ter como ponto de partida para a conferência  do lucro real e a apuração do IRPJ declarado e tacitamente homologado.  Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO     22 Nesse  contexto,  para  fins  de  análise  das  compensações  objeto  deste  litígio,  deve  se  ter  por  base  a  apuração  do  lucro  real  e  do  IRPJ  do  ano­calendário  2001  conforme  declarado pela recorrente em sua DIPJ, a qual se encontra homologada, ainda que tacitamente.  Assim,  uma  vez  que  o  lucro  real  declarado  está  homologado,  bem  como  estarem  reconhecidas  pela  própria  autoridade  fiscal  a  integralidade  das  parcelas  que  compuseram  o  saldo  negativo,  não  há  outra  alternativa  senão  validar  o  crédito  pleiteado  no  valor de R$ 1.555.605,55.  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  validar  o  crédito  de  saldo  negativo  de  IRPJ  no  valor  de  R$  1.555.605,55,  homologando­se  as  compensações  declaradas,  até  o  limite  do  referido  crédito,  devendo  a  autoridade  fiscal  se  ater  a  eventuais  outras  compensações  que  já  possam  ter  sido  declaradas valendo­se do mesmo crédito.  Sala de Sessões, 04 de março de 2015.      (documento assinado digitalmente)  Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator                              Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO

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Numero do processo: 10580.911737/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003 NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 111          1 110  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.911737/2009­76  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3802­004.232  –  2ª Turma Especial   Sessão de  24 de fevereiro de 2015  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Recorrente  SOCIEDADE ANONIMA HOSPITAL ALIANÇA   Recorrida  SOCIEDADE ANONIMA HOSPITAL ALIANÇA    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2003  NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.  Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.  Embargos rejeitados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente  recurso de embargos e, no mérito, rejeitá­los.    (assinado digitalmente)  Mercia Helena Trajano Damorim ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 37 /2 00 9- 76 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  Damorin  (Presidente)  Francisco  José  Barroso  Rios,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Solon  Sehn,  Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.    Relatório  Trata­se de  recurso de  embargos que chega a este Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  em  razão  da  insurgência  do  contribuinte  em  epígrafe  contra  o Acórdão  lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi  conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto.  Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/09/2003  Direito ao crédito não conhecido.  Ausência de prova do crédito pleiteado.  Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o  acórdão  em  epígrafe,  argumentando  que  houve  contradição,  no  que  concerne  ao  reconhecimento  do  crédito  pleiteado  para  possível  compensação,  e  que  houve,  também,  omissão quanto  à negativa de acolhimento dos  termos da  sentença proferida no mandado de  segurança  nº  2009.34.00.031.447­2,  em  andamento  na  9ª  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  Federal do Distrito Federal.  Voto             Verifica­se  que  o  presente  Recurso  de  Embargos  é  tempestivo  e  preenche  todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito.  Por  intermédio  de  manobra  diversionista,  o  recorrente  pretende  efeitos  infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é  suficiente para negar provimento.  Contudo,  para  elucidar  a  questão,  renova­se  aqui  os  termos  da  decisão  proferida em sede de recurso voluntário.  O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas,  pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito  em  julgado  do  mandado  de  segurança.  Esta  situação,  portanto,  s.m.j.,  não  implica  no  reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do  CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91.  Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos,  necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não  foram preenchidos.  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911737/2009­76  Acórdão n.º 3802­004.232  S3­TE02  Fl. 112          3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer  prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos  que  comprovam  a  condição  de  ser  o  ora  recorrente  integrante  dos  quadros  associativos  da  associação  que  consta  no  polo  ativo  do  mandado  de  segurança,  muito  menos  os  atos  constitutivos  dela  para  saber  o  funcionamento  do  regramento  jurídico  nos  casos  de  representação coletiva em sede judicial.  Portanto, pelas  razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos  e, no mérito, Rejeito­os.   (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira                                Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

score : 1.0
5878474 #
Numero do processo: 10283.900010/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres Oliveira  (Presidente),  Luis  Eduardo Garrossino Barbieri,  Charles Mayer  de  Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.  Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  eletrônico  de  compensação  de  débitos  próprios  com  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior  de  Imposto  de  Importação  –  II  e  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  com  origem  no  período  de  08/05/2001  a  12/12/2005.  A  compensação  não  foi  homologada,  ao  fundamento  de  que  o  DARF  a  indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.  Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento  do  DARF,  os  autos  foram  baixados  em  diligência  pela  DRJ,  quando  se  constatou  que  o  presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/2006­04, por meio do qual  se  requereu a  restituição do crédito que se pretende compensar.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Fortaleza  julgou  improcedente  a manifestação de  inconformidade,  sob o  argumento de  inexistência do direito  creditório objeto do processo nº 10283.007613/2006­04.  No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de  defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  A  Recorrente  apresentou  PER/DCOMP  objetivando  a  compensação  de  débito  próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do  processo administrativo n.º 10283.007613/2006­04.  Como  o  direito  à  restituição  foi  negado,  também  aqui  negou­se  o  direito  à  compensação.  Contudo,  nesta  mesma  sessão  de  julgamento  consideraram­se  indevidas  as  razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido  de  restituição,  motivo  pelo  qual  determinou­se  que  os  autos  do  processo  administrativo  n.º  10283.007613/2006­04  devem  retornar  à DRF  para  que,  ultrapassada  a  questão  decidida  no  julgamento, estime os valores a serem restituídos.  Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para  que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º  10283.007613/2006­04, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação.  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900010/2010­51  Acórdão n.º 3202­001.499  S3­C2T2  Fl. 346          3 É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza                                            Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

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5874288 #
Numero do processo: 10380.013654/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.032
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar na origem o desfecho do Processo nº 10380.011374/2004-19.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-12T16:40:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-12T16:40:18Z; Last-Modified: 2010-05-12T16:40:18Z; dcterms:modified: 2010-05-12T16:40:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-12T16:40:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-12T16:40:18Z; meta:save-date: 2010-05-12T16:40:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-12T16:40:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-12T16:40:18Z; created: 2010-05-12T16:40:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-05-12T16:40:18Z; pdf:charsPerPage: 1464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-12T16:40:18Z | Conteúdo => S3-C4T/ FL. 203 A4%., •„"a's t"' MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.013654/2001-19 Recurso n° 261.464 Resolução a° 3401-00.032 — 4Câmara / I a Turma Ordinária Data 18 de março de 2010 Assunto DILIGÊNCIA PARA JUNTADA DE DECISÃO DEFINITIVA DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO Recorrente EUROFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COLCHÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar na origem o desfecho do Processo a' 10380.011374/2004-19. ir ilson Mace.° • *sembur Filho ;Presidente O ási Guerzoni Filho — Rei to ,\ EDITADO EM! 04/2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Fernando Marques Cicio Duarte, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de LEI originados no 3° trimestre de 2001, formulado em 10/10/2001 com base nos dispositivos da Lei n° 9 779, de 19 de janeiro de 1999, no valor original de R$ 6.647,21, e ao qual foi vinculado pedido de compensação de débitos em igual montante, que foi deferido parcialmente pela ME em Fortaleza/CE, por conta de irregularidades encontradas pela fiscalização durante os procedimentos de auditoria dos créditos pleiteados, auditoria esta que resultou na lavratura de 1 auto de infração de IPI formalizado no processo administrativo n° 10380.011374/2004-19, no qual, tendo sido refeita a apuração do Saldo Credor da empresa no período, resultou no reconhecimento de um crédito de RS 1.667,74. Na Manifestação de Inconfonnidade a empresa argumentou que o auto de infração acima referenciado ainda não possui tuna decisão administrativa definitiva em face do recurso administrativo que contra ele apresentara, e que, por se relacionar inteiramente com os fatos deste processo, tal situação está a impedir que seja pronunciada qualquer decisão quanto ao presente pedido de ressarcimento. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, com base no Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE no processo administrativo que contém o auto de infração (Processo n°10380.011374/2004-19), a qual, por sua vez, procedera a um refazimento da escrita fiscal e obtivera um novo montante de saldo credor, desta feita, em montante insuficiente para gerar qualquer direito ao contribuinte, indeferiu os termos da manifestação de inconformidade. No Recurso Voluntário, em resumo, a empresa reiterou o seu inconformismo com o fato de que as razões pelas quais o seu crédito não fora reconhecido dependem totalmente do que for decidido no processo administrativo que trata do auto de infração, o que ainda irão ocorreu, vez que é nele que estão relatadas as irregularidades detectadas pelo Fisco e que resultaram no refazimento de sua escrita fiscal de modo a gerar crédito zero a ser ressarcido. Por conta disso, a Recorrente pede o sobrestamento deste seu pedido de ressarcimento, inclusive, declarando a nulidade da decisão da instância dc piso. É o Relatório. Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DR' em 25/0812008, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 24/0912008. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A informação fiscal de fls. 131/138, que subsidiou inteiramente o Despacho Decisório da DRF em Fortaleza/CE de fls. 139/142, não deixa margem a qualquer dúvida de que o pedido de ressarcimento objeto deste processo teve o seu mérito transportado para o processo administrativo n° 10380.011374/2004-19, que, por sua vez, contém um auto de infração de IPI lavrado por conta de irregularidades na apuração do saldo credor de março de 2001, caracterizadas por glosa nos créditos, por variados motivos, e por lançamento de débitos, por utilização de aliquota inferior à constante da Tipi. Por outro lado, não se tem noticia nos autos deste processo e tampouco se consegue uma informação mais precisa no site do Carf na interne» dando conta de que aquela lide tenha tido desfecho na esfera administrativa. Assim, acolhendo os argumentos da Recorrente, entendo que somente com o - desfecho na esfera administrativa da lide - 'volvendo a apuração do saldo credor do primeiro trimestre de 2001, é que poderemostos de ' çar sobre o pedido de ressarcimento de que trata este processo; antes, não. **1t Conforme pesquisa feita no dia 25 de janeiro de 2010. • Processo n° 10380.013654/2001-19 S3-C4T1 Resolução n.° 3401-00.032 Fl, 204 Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência de modo que para cá retome este processo somente quando acompanhado de cópia da decisão definitiva acerca da matéria que se discute no referido processo administrativo ri' 10380.011374/2004-19. É como voto. p a\QN, dassi Guerzoni Filhe )

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5830701 #
Numero do processo: 13116.000638/2003-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como pré-condição à isenção não encontra amparo legal. Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação da área de reserva legal como obstáculo ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR. ÁREA DE PASTAGEM. A ausência de comprovação do rebanho justifica a glosa de área de pastagem declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-000.135
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que deram provimento parcial para acolher 376,22 ha de reserva legal averbados antes do fato gerador e o Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, que negou provimento. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Nanci Gama

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A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como pré-condição à isenção não encontra amparo legal. Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação da área de reserva legal como obstáculo ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR. ÁREA DE PASTAGEM. A ausência de comprovação do rebanho justifica a glosa de área de pastagem declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / 1 ' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que deram provimento parcial para acolher 376,22 ha de reserva legal averbados antes do fato gerador e o Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, que negou provimento. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator. L O GUERRA DE CASTRO Presidente Processo n° 13116.000638/2003-46 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.135 F/. 189 NANCI G A Relatara Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Balir Neto. Processo n° 13116.000638/200346 S3-CTT1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl. 190 Relatório Adoto o relatório da decisão nos seguintes termos: "Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 06/06/2003, o Auto de Infração/anexos de fls. 01/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 113.511,46, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 1.999, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/05/2003, incidente sobre o imóvel rural (N1RF 1086651-5), denominado "Fazenda Monjolo", localizado no município de Colinas do Sul — GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/1999 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 09/12), iniciou-se com a intimação de fls. 13, recepcionada em 30/04/2003 ("AR" de fls. 14), exigindo-se a apresentação dos seguintes documentos de prova: I° - Certidão ou Matrícula Atualizada do Reg. Imobiliário; 2° - Laudo Técnico fornecido por eng° agrônomo/florestal, com ART, anotada no CREA, discriminando as áreas de preservação permanente e as benfeitorias existentes na propriedade, e 3' - Nota Fiscal de aquisição de vacinas ou Certidão expedida pela Inspetoria Veterinária da Secretaria Estadual de Agricultura constando a quantidade de animais existente na propriedade no ano de 1998. Em atendimento, o contribuinte carreou aos autos os documentos de fls. 15, 16/18, 19/22, 23/26, 27/28, 29/32, 33/38 e 39/42. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR11999 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização resolveu "glosar" integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente (410,0ha), como de utilização limitada (1.100,0ha) e corno ocupada com benfeitorias (10,0ha), e, parcialmente, a área declarada como utilizada para pastagens, reduzida de 300,0ha para 52,0ha. Desta forma, foi aumentada a área aproveitável e tributada do imóvel, e reduzido o Grau de Utilização da sua área aproveitável Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado, bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,30% para 8,6%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 02. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 03 e 06. Cientificado do lançamento, em 20/06/2003 (documento "AR" de fls. 43), o contribuinte interessado protocolizou, em 15/07/2003, a impugnação de fls. 46/49. Apoiado nos documentos/extratos de fls. 58/61, 62/65, 66/67, 68/71, 72/90, 91/92, 93/94, 95/99, 100, 101, 102/105, 109/111 e 112, alegou e requereu o seguinte, LM síntese: o contribuinte vero pagando regularmente todos os impostos referentes ao imóvel rural em questão, conforme declaração prestada pela Secretaria da Receita Federal em Brasília — DF, apontando a inexistência de quaisquer débitos do contribuinte ou do referido imóvel para com a Fazenda Nacional; Processo n° 13116.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 I-1. 191 • os comprovantes de declaração do IRPF e de recolhimento do ITR corroboram essa afirmação; sendo, portanto, totalmente improcedentes os motivos que levaram a DRF/Anápolis a aplicar a referida multa; - as exigências para obtenção da isenção da área de utilização limitada foram prontamente atendidas, conforme laudo apresentado; • verifica-se que inexiste qualquer pendência quanto a área de preservação ambiental ou reserva natural; •o laudo apresentado ao órgão público, cuja copia segue anexa, descreve toda a área do imóvel, incluindo a de preservação ambiental, bem como a área ocupada e suas benfeitorias. Portanto, não há que se falar em laudo em desacordo com o intimado; • a não apresentação da ficha de controle de vacinação de gado não pode ser imputada ao contribuinte, pois a Prefeitura de Colinas do Sul, bem como outros órgãos responsáveis pelo controle da vacinação jamais exigiu, ou sequer informou, a existência dessa ficha ou qualquer outro instrumento de controle de vacinação; • apesar dessa desinformação, por parte da autoridade competente, o impugnante realizou a vacinação, a custo próprio, de todo o seu gado no período considerado no auto de infração, e • por fim, defende que o auto de infração deve ser cancelado, por estar desprovido de fatos geradores, protestando pela produção de todos os meios de prova, mormente prova pericial e documental, requerendo desde já a juntada posterior de novos documentos." A DRFJ de Brasília prolatou a decisão, por unanimidade de votos, cuja ementa e a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 Ementa: DO REBANHO E DA ÁREA DE PASTAGEM ACEITA. O rebanho informado no correspondente MT/1.999, para efeito de apuração da área do imóvel efetivamente utilizada com pecuária, cabe ser comprovado mediante a apresentação de prova documental hábil. . DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. O "Laudo Técnico" emitido por profissional habilitado atende a exigência da fiscalização, quanto à comprovação da materialidade da área de preservação permanente, para efeito de exclusão do ITR. Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 13116.000638/2003- ic46, ACORDAM os julgadores da l a Turma da DRJ em Besitia, p/or . jitâ,L) Processo n° 13116.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl. 192 unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento — ITR, relativo ao exercício de 1999, consubstanciado no auto de infração/anexos de fls. 01/08, para considerar as alterações cadastrais relativas ao Quadro 09 — Distribuição da Área do Imóvel, e demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$ 47.826,52 para R$ 38.194,49, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ciente da decisão de primeira instância, em 06/07104 (AR de fl. 128), a interessada, inconformada, apresentou, em 23/07/47, Recurso Voluntário a este Conselho, reiterando os argumentos de sua peça impuguatória. Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida e, conseqüentemente, o reconhecimento do direito de compensar o crédito em questão. É o Relatório. \ Cji)5 Processo n° 131 16.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl, 193 Voto O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Conforme decisão de fls. foi restabelecida a área de 10,0ha de benfeitorias e 376,82 ha de área de presevação permanente de acordo com o laudo técnico juntado pelo contribuinte fls. 16/18, considerado pela DRJ (cfr. Fls. 122) "emitido po profissional habilitado (Eng. Agrónomo), nos termos do art. 13 da Lei 5.194/66, e Resolução n 0345/90, do Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Confia, que dispõe sobre Normas do exercício das atividades de elaboração de laudos e perícias técnicas, estando, ainda, acompanhado da necessária ARE devidamente registrada no CREA-GO doc. Cópia de fls.15." A área de reserva legal atestada no laudo técnico no montante de 376,82 ha não foi aceita no montante eis que não averbada na matricula do imóvel. A meu ver a exclusão da área de reserva legal da área tributável para fins de ITR não depende da averbação no registro de imóveis, uma vez que, a averbação constitui ato meramente declaratório, valendo como comprovação da existência da área, o laudo pericial apresentado, e que, ainda, a Lei do ITR em nenhum momento estabelece tal requisito para o reconhecimento da área não tributável, o que somente foi introduzido por instrução normativa, em flagrante contrariedade ao princípio da legalidade. Neste ponto, assiste razão à recorrente, de modo que assim dispõe o art. 10, § 1° II alínea 'a' da Lei n° 9.393/96: Art. 10. (...) § 1' Para os efeitos de apuração do LER, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7803, de 18 de julho de 1989; (grifou-se) - É bem verdade que a referida Lei 7.803/89 (código florestal) determina a averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel, entretanto, não há Lei que estabeleça, para fins de apuração do ITR, a averbação da área como requisito para a exclusão desta da área tributável. Assim, não pode o Fisco, sem amparo legal, exigir a averbação no registro de imóveis para a exclusão da área de reserva legal da área tributável, como assim já se pronunciou este Conselho de Contribuintes conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITRExercício: 200IEmenta: ITR/2002. SUJEITO PASSIVO 6 Processo ne 13116.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl. 194 ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel corno pré-condição à isenção não encontra amparo legaL Não se admite que o Fisco afirme sustentaeão legal no Código Florestal para exitn"r averbação da área de reserva lealcongiado ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR." (Grifou-se) Tal entendimento encontra embasamento no art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, abaixo transcrito: § 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) Ressalte-se ainda que, a Recorrente trouxe anexo a seu recurso termo de responsabilidade de averbação da área de reserva legal de 05 de maio de 2004 informando urna área de 433,5732 ha, equivalente a 20% do total 2167,8660 ha, nova área encontrada para o imóvel, que no entanto deixo de acatar, eis que contrária a informada na DITR e no laudo técnico anexado aos autos às fls. 16/18. Quanto à alegação da recorrente de que indevida a glosa das áreas de pastagens declaradas na DITA., a mesma não procede, eis que não restou comprovado a existência de gados no imóvel a justificara a área de pastagem declarada. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para excluir da autuação tão somente a área 376,82 ha de reserva legal de acordo com o laudo técnico juntado pelo contribuinte ás fls. 16/18. dos autos. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2009. C4 , 1 GAM lrelatora Processo rP 13116.00063812003-46 S3-C2T1 Acórdão ti.° 3201900.135 R 195 8

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Numero do processo: 16327.902320/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902320/2006­57  Resolução nº  2201­000.192  S2­C2T1  Fl. 3          2 3ªsem/agosto/2003, no montante de R$ 37.810,07 e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)  códigos  3426  e  8053,  de R$  617.337,05  e  R$  232.224,17,  respectivamente,  vencimento  em  27/08/2003,  com crédito  relativo  a  recolhimento  indevido ou a maior de  IRRF,  efetuado  em  11/06/2003, sendo de R$ 899.582,63 o valor total do DARF recolhido.    Pelo  Despacho  Decisório  de  fls.  05,  a  Delegacia  Especial  de  Instituições  Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não  reconheceu o direito creditório pleiteado e  não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento  indevido  ou  a  maior  fora  integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  outros  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  a  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP em comento.    Cientificado  da  decisão  em  02/05/2008,  o  Contribuinte  apresentou,  em  30/05/2008 Manifestação de Inconformidade de fls. 02, aduzindo que:    Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento  a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na  PERDCOMP.     Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceber­se­á que o  Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado.     Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor  explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por  meio da DCTF com crédito suficiente para suportá­la.    A  10ª  Turma  da  DRJ/SPOI,  na  sessão  de  22/04/2009,  pelo  Acórdão  nº  16­ 21.125, de fls. 42 e seguintes, julgou a compensação não homologada nos seguintes termos:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF   Data do fato gerador: 11.06.03   COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. ONUS  DA PROVA.     O erro de fato no preenchimento da DCTF deve ser comprovado pelo sujeito passivo  por meio de documentos hábeis e idôneos. A ausência de prova de que o pagamento foi  efetuado indevidamente ou em valor superior ao devido impõe a não homologação da  compensação a ele vinculada.    O Contribuinte  foi  notificado do Acórdão pelo AR de  fls.  51,  em 06/05/2009,  vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 52 e seguintes, em 05/06/2009, aduzindo:    O Contribuinte é administrador de fundos de investimento financeiro Santander  XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes,  assim, o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas.     Em razão de auditoria interna, o Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria  ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação  dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença positiva entre o  valor patrimonial da quota apurada mensalmente.  Fl. 744DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902320/2006­57  Resolução nº  2201­000.192  S2­C2T1  Fl. 4          3 Esta divergência de critérios  resultou falta de pagamento do  IRRF para alguns  meses (meses em que não houver resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses  (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada).    Os  valores  não  adimplidos  foram quitados,  com  seus  acréscimos  legais.  E,  os  pagamentos  a  maior,  ao  seu  turno,  tornaram­se  créditos  do  Contribuinte,  passíveis  de  aproveitamento para compensação om outros tributos federais.     Assim,  o  Contribuinte  apresentou  Pedido  de  Restituição  e  Compensação  eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de IRRF com crédito relativo a recolhimento  a maior de IRRF.     Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar uma vez que apenas por  equívoco a recorrente deixou de retificar a DCTF de março de 2003, o que resultou na suposta  exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade.     Passa a discorrer sobre a existência do crédito e a não ocorrência do fato gerador  do IRRF no montante indicado na DCTF, juntando documentos.    Requer  a  reforma  do  Acórdão  recorrido  para  fins  de  reconhecer  o  direito  de  crédito da recorrente e homologar as compensações.    Em  28/03/2011,  às  fls.  110  e  seguintes,  o  Contribuinte  apresenta  aditivo  ao  Recurso  Voluntário  esclarecendo  a  origem  de  seu  crédito,  agora,  com  base  em  parecer  de  auditoria independente anexa à referida petição, juntando documentos.    É o relatório.    Voto   Conselheira Nathália Mesquita Ceia.    O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto  dele conheço A 10ª Turma da DRJ/SPOI  rejeitou  a Manifestação de  Inconformidade, pois o  Contribuinte  justifica  o  erro  apenas  no  demonstrativo  de  fls.  04,  sem  tecer  argumentação  específica referente ao alegado erro no preenchimento da DCTF, não apresentando explicação  de  qual  seria  seu  erro,  sua  origem,  sua  justificativa,  bem  como  não  trouxe  documento  que  evidencie a existência de erro de fato no preenchimento da DCTF ou que demonstre qual seria  o valor correto do débito.    Assim, tendo em vista a falta de comprovação de que o pagamento foi efetuado  indevidamente ou em valor superior ao devido não homologou a compensação.     Diante da  decisão  por  insuficiência  de  prova,  o Contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário  descrevendo  todo  histórico  da  origem  do  crédito  e  do  erro  no  preenchimento  da  DCTF, conforme relatório susomencionado,  juntando ainda documentação, para comprovar o  pagamento superior ao devido, o que veria a legitimar seu direito de crédito.     Em  que  pese  o  Contribuinte  não  haver  apresentado  documentação  suficiente  para comprovação de seu direito ao crédito ao tempo da Manifestação de Inconformidade, uma  vez  que no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  há  prevalência  do  princípio  da  verdade  Fl. 745DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902320/2006­57  Resolução nº  2201­000.192  S2­C2T1  Fl. 5          4 material, entendo que merece apreciação a documentação apresentada pelo Contribuinte. Além  disso, quando da análise da PERD/COMP pela autoridade competente, entendo que a mesma  deveria ter solicitado a documentação necessária para aferir a liquidez e certeza do crédito.    Isso  posto,  proponho  a  conversão  do  processo  em  diligência  para  que  a  autoridade preparadora:    · verifique  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  alegado  em  face  da  documentação  acostada aos  autos pelo Contribuinte,  bem como proceda  à  solicitação  junto  ao  Contribuinte  de  outros  documentos  que  julgar  necessários  para  se  manifestar­se acerca da liquidez e certeza do alegado crédito.    · verifique junto a DIORT a existência de despacho certificando a existência do  alegado crédito.    · verifique se os créditos ora alegados não sejam objeto de processo judicial por  fim,  promova  relatório  consubstanciado  acerca  da  existência  do  crédito  de  IRRF pago a maior.     Ao final deverá ser dada ciência ao Contribuinte do resultado da diligência para  eventual manifestação.    Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência.    Assinado Digitalmente  Nathália Mesquita Ceia  Fl. 746DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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