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Numero do processo: 10680.906512/2009-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA.
Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo.
COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE.
A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre.
Ana de Barros Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. Ana de Barros Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 12 /2 00 9- 70 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 2 Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Cristiane Silva Costa. Relatório A presente lide foi estabelecida pela insurgência da pessoa jurídica contribuinte, contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada com base em crédito decorrente de alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. O recolhimento de CSLL calculado com base em balancete de suspensão e redução foi utilizado para quitar débito pertinente à antecipação mensal de fevereiro e março de 2005. Detalhando os termos da lide, inclusive no que tange às alegações veiculadas na manifestação de inconformidade, o relatório da decisão ora recorrida assim consignou: Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 27 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 21606.25092.140705.1.3.040519 transmitido em 14/07/2005, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de CSLL de código 2484 (estimativa mensal), no valor de R$ 36.423,19, efetuado em 28/02/2005. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse título só pode ser usado como dedução do devido no final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo do período. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 17.285,20 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do Despacho Decisório se deu em 02/04/2009 (fl. 188). Em 30/04/2009, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 07. Nela consta os seguintes argumentos: • Tratase de declaração de compensação apresentada pela Requerente, na qual se utilizou crédito decorrente de pagamento a maior de CSLL antecipação mensal apurado por balancete de suspensão e redução (lucro real anual), para quitar débitos de CSLL antecipação mensal de fevereiro e março de 2005. • O fundamento único da não homologação é a suposta vedação do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 (vigente à época da apresentação da Dcomp) de se utilizar direito creditório decorrente de CSLL estimativa antes de encerrado o ano calendário. • Nos termos do ato normativo citado, as retenções em valor superior ao débito apurado e eventual recolhimento a maior à título de estimativa, somente poderiam ser utilizados para dedução de imposto a pagar ao final do período de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 10680.906512/200970 Acórdão n.º 1801002.335 S1TE01 Fl. 110 3 apuração ou para compor o saldo negativo (também calculado ao final do período de apuração). • Atualmente, a questão foi inteiramente disciplinada pela Instrução Normativa n° 900, de 31 de dezembro de 2008, que, disciplinando a matéria, aboliu a vedação do imediato aproveitamento do pagamento a maior de estimativa, mantendoa apenas para os casos de retenção. • Seja como for, o fato é que a IN SRF n° 600, de 2005, jamais pretendeu impedir a compensação nos moldes feitos pela contribuinte. • Com efeito, o objetivo da norma era vedar a compensação de recolhimentos indevidos a título de estimativa feitos em um determinado período. A DRJ competente julgou a manifestação de inconformidade improcedente, aduzindo que: Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor dodébito de estimativa de CSLL e o respectivo recolhimento, não se pode homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo. O recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita 2484, ou seja, são de antecipação mensal por estimativa. Portanto, a lei não admite a imediata restituição de valores pagos a título de antecipação mensal, quer com base na receita bruta, quer com base em balancete, mas cria sistema que permite ao contribuinte administrar as antecipações de maneira a quitar, durante o ano, valor o mais próximo possível do tributo devido sobre o lucro real anual. Foi nesse sentido que a norma permitiu a suspensão ou a redução dos pagamentos de antecipações, com base em balanços ou balancetes mensais. Só é possível avaliar a existência de crédito passível de restituição ou compensação comparandose o valor do tributo apurado sobre o lucro real anual com as deduções admitidas na ficha 17 da DIPJ, entre as quais estão as antecipações mensais pagas. Ao final do ano, apurase a CSLL anual e dela é deduzido, entre outras parcelas, o valor da CSLL mensal efetivamente paga. Se a soma dos valores pagos durante o ano acrescido das demais deduções superar a contribuição calculada com base no lucro real anual, apurase saldo negativo de CSLL a pagar. Só este saldo negativo é passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 4 E depois de discorrer acerca do perfil jurídico das estimativas, conclui pela correição do despacho decisório que não homologou as compensações. Em recurso voluntário a empresa detalhou novamente os fatos e procedimentos envolvidos na formação do pedido de compensação, destacando que também a DCTF respectiva foi retificada para reduzir o montante da estimativa de janeiro de 2005. Tratou da "correta exegese da IN 460/2004", trouxe precedentes deste Conselho no sentido de sua tese, ilustrou a adequação do pleito, e requereu que "reformandose o Acórdão em questão, seja reconhecido o direito creditório, homologandose a respectiva compensação declarada nos autos." É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. O óbice oposto ao pleito do contribuinte, desde a confecção do despacho decisório, é a concepção de que o recolhimento a maior da antecipação mensal de IR realizado pela empresa submetida ao lucro real, não configuraria indébito apto a fornecer crédito para quitação de débitos nos meses seguintes. Ocorre que a matéria, depois de ter sido debatida em numerosos precedentes nesta E. Corte Administrativa, sedimentouse no entendimento enunciado na Súmula nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. É o caso dos autos, em que o contribuinte, detectando a majoração indevida do montante da antecipação mensal, retificou tais dados, e postulou o aproveitamento do recolhimento feito em excesso na quitação de estimativa de mês ulterior, dentro do mesmo anocalendário. No entanto, ainda que tenha razão nas contestações dirigidas à tese que lhe foi oposta a da impossibilidade do aproveitamento desse indébito dentro do mesmo ano não é cabível o deferimento do pedido, desde logo, nesta Instância Julgadora, pois o que se configura é o afastamento de aspecto preliminar da lide. Com o provimento parcial do recurso, o processo deverá retornar para a autoridade administrativa competente para analisar a declaração de compensação, aferindo a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito suscitado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, afastando a aventada impossibilidade de caracterização de indébito no pagamento de estimativa mensal, determinar a apreciação do mérito da compensação pleiteada, pela autoridade fiscal que jurisdiciona o contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 10680.906512/200970 Acórdão n.º 1801002.335 S1TE01 Fl. 111 5 Leonardo Mendonça Marques Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES
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Numero do processo: 10435.720387/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009
DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se mostra nulo, tampouco viola o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento do direito de defesa, o lançamento que descreve, ainda que de modo sucinto, a infração incorrida pelo contribuinte.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO.
A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica.
ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS-substituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.
Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços.
SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA.
No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, quando vinculados às atividades do empreendimento.
CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO.
O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos no processo de produção dos serviços prestados ou dos bens vendidos
Numero da decisão: 3401-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro relator Eloy Eros da Silva Nogueira, que a acolhia. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. No mérito, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Bernardo leite de Queiroz Lima.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se mostra nulo, tampouco viola o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento do direito de defesa, o lançamento que descreve, ainda que de modo sucinto, a infração incorrida pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-substituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, quando vinculados às atividades do empreendimento. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos no processo de produção dos serviços prestados ou dos bens vendidos
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas operacionais, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica resultantes das atividades típicas de seus empreendimentos. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSsubstituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 03 87 /2 01 3- 91 Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, quando vinculados as atividades típicas do empreendimento. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos no processo de produção dos serviços prestados ou dos bens vendidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas operacionais, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica resultantes das atividades típicas de seus empreendimentos. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSsubstituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, quando vinculados às atividades do empreendimento. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 3 3 atividade, aplicados ou consumidos no processo de produção dos serviços prestados ou dos bens vendidos ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se mostra nulo, tampouco viola o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento do direito de defesa, o lançamento que descreve, ainda que de modo sucinto, a infração incorrida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro relator Eloy Eros da Silva Nogueira, que a acolhia. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. No mérito, por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Bernardo leite de Queiroz Lima. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de autos de infração que constitui e exige crédito tributário referente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/PASEP, relativamente ao período de fevereiro de 2008 a dezembro de 2009, contra o contribuinte em epigrafe que havia apurado o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com base no lucro real trimestral, sujeitandose ao PIS e à COFINS pelo regime não cumulativo, tendo apurado saldo a pagar em todos os meses dos anos de 2008 2009 . pela fatos considerados infracionais pela autoridade lançadora a seguir resumidos. · Das despesas de aluguel A empresa registrou em sua contabilidade despesas de aluguel de prédios nos valores de R$ 2.050.939,82 e R$ 2.279.185,94, respectivamente, em 2008 e 2009, locados pela empresa fiscalizada à DFB Administradora de Imóveis Ltda, que haviam lhe Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 pertencido, o que contraria o §3º do ar. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, e não geram créditos para efeitos de apuração do PIS/Cofins. · Do ICMS Substituição Tributária O contribuinte apurou indevidamente créditos PIS/Cofins sobre valores de aquisições (compras) com inclusão do ICMS Substituição Tributária (ICMS ST), pois o ICMS ST não é receita do vendedor e sobre ele não há incidência do PIS/Cofins (cita o Parecer Normativo CST nº 77, de 23/10/1986). · Das devoluções de vendas a fiscalizada se creditou indevidamente de valores das contribuições calculados sobre devoluções de vendas de bens sem a incidência do PIs/Cofins (alíquota zero). · .Dos brindes o contribuinte utilizou indevidamente créditos do PIS/Cofins sobre mercadorias originalmente adquiridas para revenda, mas uma parte dessas mercadorias foi distribuída como brindes, ou seja, não foi efetivamente vendida. · Do material de embalagem O contribuinte descontou indevidamente créditos calculados sobre material de embalagem, em desacordo com o inc. II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tendo em vista que exerce atividade comercial e o desconto de créditos de bens e serviços utilizados como insumo restringese às empresas de prestação de serviços ou industrial (produção ou fabricação de bens ou produtos). · Dos combustíveis O contribuinte apurou créditos calculados sobre despesas com combustível, que, segundo a contribuinte, foi utilizado exclusivamente na frota para entrega de mercadorias a clientes na operação de venda, bem como óleo diesel para abastecimento dos geradores. mas não há amparo legal para a utilização desses dispêndios como créditos do PIS/Cofins. · Das receitas de verbas promocionais no anocalendário de 2008 o contribuinte auferiu receitas de verbas promocionais, mas não as incluiu na base de cálculo do PIS/Cofins. Tais receitas foram incluídas nas bases de cálculo e lançadas de ofício. · Do crédito presumido de ICMS Em 2008 e 2009 o contribuinte registrou receitas na conta de crédito presumido atacado, esclarecendo que tais verbas se referem ao Crédito Presumido Atacado. Os referidos valores são oriundos da Sistemática Atacadista do ICMS no Estado de Pernambuco e do Termo de Acordo de Regime Especial do Estado da Paraíba. A não inclusão das receitas oriundas dos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins reduziu indevidamente os valores devidos dessas contribuições. (a autoridade lançadora cita Solução de Divergência Cosit n° 13/2011). · Das receitas de ICMS o contribuinte registrou contabilmente valores que foram creditados na apuração do ICMS, como a parcela do ICMS (1/48) de crédito de ativo imobilizado. Tanto a Lei n° 10.637/2002 quanto a Lei n° 10.833/2003 determinam que a base de cálculo do PIS e da Cofins deve incidir sobre o montante das receitas auferidas pelo contribuinte. A autoridade fiscal entendeu que não há previsão legal para a exclusão na base de cálculo do PIS/Cofins da receita relativa a 1/48 do valor do ICMS sobre o valor do ativo permanente ou a outro título · Das compensações No seu demonstrativo de apuração, o contribuinte efetuou diversas compensações, embora as tenha informado incorretamente no DACON como "outras deduções", que ele informou serem oriundas de trabalho realizado por uma empresa de consultoria (FLP Consultoria Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 4 5 Contábil Ltda), que resultou na revisão das bases de cálculos do PIS/Cofins não cumulativo do período de 12/2002 a 12/2006. Todavia, a autoridade fiscal desconsiderou as compensações, ao argumento de que: (i) não há comprovação sobre a existência dos créditos informados, exceto um relatório de uma consultoria, o qual informa que os mesmos são oriundos de material de embalagem, energia elétrica, fretes, locações de imóveis, despesas financeiras, depreciação de máquinas e equipamentos, devoluções de vendas; (ii) não houve a retificação das informações nos DACON. · Da falta de declaração e pagamento Em relação ao período de apuração agosto de 2009, o contribuinte não informou em DCTF os valores do PIS/Cofins apurados em seus demonstrativo/DACON, tendo efetuado para este período um pagamento a menor. A falta de declaração e a insuficiência de pagamento ensejaram lançamento de ofício dos equivalentes créditos tributários nos valores das diferenças. A R. 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife apreciou os autos de infração e a impugnação, bem como os demais atos e documentos que instruem o processo e concluiu pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário exigido. O Acórdão n. 1141.568, de 28/06/2013, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 Ementa: BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSsubstituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 Ementa: BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ALUGUEL. VEDAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº 10.865, de 2004, é vedada a apuração de crédito relativo a aluguel de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSsubstituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de custo com material de embalagem para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. SUBVENÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS. APROVEITAMENTO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual apresenta as razões porque devem ser reformados os autos de infração e o decisum de 1º grau. Em resumo: 1. Da nulidade cerceamento de defesa argumenta que deve ser declarada a nulidade dos lançamentos por cerceamento de defesa, pois neles estão ausentes os requisitos formais prescritos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, notadamente descrição dos fatos e enquadramento legal/penalidade aplicável. E que alguns dos itens indicados na autuação e no relatório fiscal se embasam em ementas de Soluções de Consultas formuladas por terceiros e sem qualquer vínculo com a impugnante. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 5 7 2. Da decadência argumenta que as Contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150 do CTN) e, considerando que os lançamentos foram formalizados em 27/02/2013, é de se concluir que todas as operações realizadas até 25/02/2008 foram tacitamente homologadas pelo Fisco, de forma que estariam extintos pela decadência eventuais créditos tributários desse período (janeirofevereiro/2008). 3. Das despesas de aluguel Afirma que não infringiu o art. 31, §3° da Lei n° 10.865, de 2004, pois esse dispositivo legal teve por objetivo evitar que empresas que já se beneficiaram dos créditos de PIS e Cofins, pela depreciação do bem em seu ativo imobilizado, posteriormente voltassem a dele tomar crédito, dessa vez por meio da locação. Apresenta certidões de matrículas imobiliárias para demonstrar que todos os imóveis que pertenceram à impugnante e atualmente são por ela locados, foram transferidos entre os anos de 2002 e 2003, ou seja, antes mesmo da instituição da sistemática nãocumulativa do PIS/Cofins. Portanto, se a intenção da norma era evitar benefícios indevidos, atingindo aqueles contribuintes que alienaram imóveis e posteriormente os alugaram para si quando já vigente a sistemática não cumulativa, tal lógica não pode lhe ser aplicada. E explica que os aluguéis constituem gastos essenciais para a viabilização da sua atividade e bem assim que ela nunca auferiu qualquer benefício relacionado ao PIS/Cofins durante o período em que os imóveis pertenceram ao seu ativo imobilizado, requer o cancelamento da autuação neste ponto. 4. Do ICMS Substituição Tributária Entende a recorrente os lançamentos não indicam objetivamente a base legal infringida; e que as razões escritas nos autos são de índole totalmente subjetiva, valendose a autoridade fiscal de argumentos "em tese" e fundados em Soluções de Consulta formulada por terceiros, sem efeito normativo ou vinculante para com o impugnante. Aponta a Solução de Consulta n° 60, de 2012, da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 4a Região, a qual reconheceu que o ICMSST compõe o custo de aquisição de mercadoria, para efeitos da apuração do IRPJ, propugnando que tal entendimento poderia ser aplicado na tributação do PIS/Cofins. 5. Das devoluções de vendas A recorrente explica que, por equívoco seu, incorreu neste erro onde se creditou indevidamente do PIS/Cofins sobre mercadorias devolvidas que, em pequena proporção, estão no rol de produtos vendidos com isenção ou tributados no regime monofásico. Entretanto, argumenta que a auditoria fiscal deixou de considerar, não só sobre a devolução de vendas, mas também que nas devoluções de compras existem mercadorias que, por sua classificação, são isentas ou monofásicas. Aduz que se creditou "indevidamente" nas operações de devoluções de venda e, igualmente, "indevidamente" estornou os créditos tomados quando realizou as "devoluções de compras". Para fins de apuração de eventual saldo a pagar, reivindica que não deve ser levado em conta tão somente o montante creditado nas devoluções de vendas. Devese igualmente compensar aqueles créditos estornados em razão das suas "devoluções de compra". Ela apresenta planilha e balancete para demonstrar os reais valores que seriam devidos ao Fisco, considerando os valores registrados como devolução de vendas e os como devolução de compras. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 6. Dos brindes A recorrente aponta que, de acordo com o relatório fiscal, teria adquirido mercadorias para revenda (descontando os respectivos créditos fiscais) e posteriormente as distribuído como brindes. Contudo, entende que há um equivoco de critério nesse particular, pois a autoridade lançadora levantou o registro de notas fiscais de saídas emitidas sobre os CFOP 5910 e 6910, presumindo que o resultado de todas aquelas saídas se referiam a brindes. Porém o próprio relatório fiscal observa que a conta "535 Brindes" é composta das subcontas "55 Mercadorias para Revenda" e "58 Bens e Produtos para sorteio promocional": E que esse fato deve ser apreciado: a. Da conta 535 sub conta "55 Mercadorias para Revenda" explica que as saídas que promove não se referem a "brindes", mas, sim, a mercadorias em "bonificação", que em sua pequena parte, é encaminhada a seus clientes para incentivar vendas. E que esse é o fato, e que ele deve ser sobrepor a qualquer erro formal de registro. E que isso está conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil3, as mencionadas bonificações são equiparadas aos "descontos incondicionais", cuja legitimidade é encontrada no art. 1°, inc. V, da Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Conclui que, inexistindo previsão legal que obrigue o estorno do crédito nos casos de saída de mercadorias em bonificação, é legitimo o crédito apurado pela autuada. Que houve erro de mera classificação contábil, as operações foram lançadas na conta "535 Brindes" levando o Fiscal a entender equivocadamente que se tratavam realmente todas elas de brindes. e acrescenta que a autoridade lançadora se baseou em uma avaliação absolutamente genérica e deixou de segregar as mercadorias adquiridas inicialmente para revenda, mas dadas em bonificação, daquelas adquiridas com fim exclusivo de distribuir por meio de sorteios e promoções. b. Da conta 535 subconta "58 Bens e Produtos para Sorteio Promocional" repete que a autoridade fiscal deixou de segregar as mercadorias adquiridas inicialmente para revenda, mas dadas em bonificação, daquelas adquiridas com fim exclusivo de distribuir por meio de sorteios e promoções. Presumiu ainda o desconto de crédito sobre o montante global das mercadorias cujas saídas foram classificadas pelo CFOP 5910 e 6910 e lançadas na conta 535. Esclarece que os referidos CFOP tanto servem para bonificações como para brindes e sorteios. Destarte, em relação às mercadorias adquiridas com o objetivo de serem distribuídas por meio de brindes ou sorteios, a autuada não apurou crédito de PIS e Cofins, visto que as mesmas foram classificadas nos CF0P 1949/2949 e 1910 e 2910, não gerando crédito fiscal do PIS e da Cofins. Conclui que, se na primeira hipótese o lançamento fiscal é indevido visto que as mercadorias adquiridas para revenda foram dadas em bonificação, legitimando os créditos tomados, e no segundo caso o lançamento é notoriamente indevido porque a autuada não tomou qualquer crédito quando da aquisição destas mercadorias para distribuição em sorteios e premiações. 7. Do material de embalagem Defende a recorrente que adquire embalagens para acondicionar e revender seus produtos. E discorda da conclusão da Fiscalização e do julgamento de 1ª Instância, que não reconheceram o seu direito ao desconto dos indigitados dispêndios, por Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 6 9 exercer atividade comercial. Argumenta ser autor de ação judicial que reconheceu sua equiparação à industrial justamente para reconhecer o direito a créditos de IPI sobre a aquisição de embalagens. Logo, se para o IPI que possui critérios absolutamente restritivos para a caracterização do insumo, foi reconhecido o direito a crédito, justifica que para o PIS/Cofins igualmente não poderia ser diferente, dado que as embalagens são insumos da empresa impugnante e ela faz jus aos respectivos créditos. 8. Dos combustíveis Ela ainda contesta o entendimento dado pela Fiscalização e pelos Julgadores, o qual indicaram que, por falta de previsão legal, o combustível utilizado na frota própria de caminhões para transporte das mercadorias do estabelecimento distribuidor para clientes e para pontos de revenda (supermercados) e o diesel utilizado na alimentação dos geradores de energia ligados a câmeras de resfriamento, necessários para o desenvolvimento das suas atividades, não se enquadrariam no conceito de insumo para fins de direito a crédito das contribuições do PIS/Cofins. Afirma a existência de decisões nesse sentido no judiciário e no Conselho. Acrescenta justificativa sobre a essencialidade do transporte das mercadorias e funcionamento dos geradores, os quais necessitam de combustíveis. Cita, ademais, que o próprio inciso III do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, dispõe que além da energia elétrica, são admissíveis créditos sobre energia térmica (caso da impugnante) e a vapor. Diz que tal dispositivo não é taxativo, mas exemplificativo. 9. Das receitas de verbas promocionais A recorrente alega que, com relação à não inclusão de verbas promocionais na base de cálculo do PIS/Cofins de 20082009, a autuação se fundamenta de forma genérica sem qualquer referência a legislação, descrição da natureza ou origem das supostas verbas promocionais que deveriam compor a base de cálculo das contribuições a ponto de dificultar a própria defesa da autuada. Mas que, caso assim não se entenda, destaca que referidas verbas foram recebidas pela impugnante de seus fornecedores com intuito de ressarcir os custos com programas promocionais de divulgação dos produtos daqueles. Nega, à vista disso, a natureza de receita de tais verbas, já que se configuram como verdadeiro reembolso de despesas, não significando qualquer acréscimo patrimonial em seu favor, amparandose em Acórdão do CARF6 para reforçar seu posicionamento. 10. Do crédito presumido de ICMS A recorrente afirma que a autuação se fundamenta numa Solução de Consulta, sem apontar objetivamente nenhuma ilegalidade capaz de justificar a autuação. Entende que, sobre o crédito presumido de ICMS, estar pacificado tanto na esfera administrativa quanto Judicial que as referidas verbas não integram a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. Cita decisões do Superior Tribunal de Justiça e CARF8, para amparar sua tese. 11. Das receitas de ICMS A recorrente argumenta que a autuação tributou as "receitas" decorrentes do desconto de crédito de ICMS 1/48 sobre o ativo permanente, com a explicação de "de modo semelhante ao crédito presumido do ICMS, não há previsão legal para a não inclusão na base de cálculo do PIS/Cofins". Ocorre que não há fundamentação para o lançamento, pois a autoridade fiscal entendeu que referida verba é receita tributável das contribuições "porque é", o que não é admissível na seara tributária, que tem rígidas regras e limitações constitucionais ao poder de tributar, ou seja, se Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 não há fato gerador explicitado para justificar a incidência, não há obrigação tributária. Com relação ao mérito, transcreveu trecho de acórdão do CARF que explicita o conceito de receita para efeito de incidência das contribuições. Como se observa do entendimento do CARF, ainda que na sistemática não cumulativa, a classificação de receita tributável deve se atentar a alguns critérios e deve estar vinculada com a atividade da empresa. Com base nisso, no presente caso, assim como o crédito presumido, o crédito proveniente de 1/48 sobre o ativo permanente é benefício fiscal que objetiva fomentar a atividade industrial e comercial conferindo crédito de ICMS sobre as aquisições de bens para aplicação no processo produtivo, reduzindo custos e impactos de investimentos. Sob esse prisma, portanto, aduz que não há qualquer elemento que possa equiparar estas verbas à receita prevista nas Leis n° 10.833, 2003, e 10.637, de 2002. 12. Das compensações A recorrente expõe que a autoridade fiscal concluiu pela falta de comprovação da existência de créditos anteriormente não utilizados, bem como a não retificação do DACON, como fundamento para justificar a autuação. Entretanto, quanto à alegada falta de comprovação, a recorrente havia apresentado o relatório que resultou no reconhecimento dos créditos no qual estaria demonstrada a origem e os cálculos que levaram à apuração. E adita que, relativamente a não retificação dos DACON, este fundamento exclusivamente não pode ser subsídio para o não reconhecimento dos créditos, pois a incidência tributária é pautada pelo princípio da estrita legalidade, ou seja, a obrigação tributária da qual emerge créditos e débitos, bem como os direitos dele decorrentes estão pautados pela ocorrência dos respectivos fatos geradores. E que o eventual descumprimento de mera obrigação acessória não pode servir de fundamento para que a autoridade fiscal deixe de reconhecer créditos legitimamente conferidos à impugnante, os quais decorreram de operações previstas em lei. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Da argüição de nulidade A recorrente suscitou preliminar de nulidade por cerceamento do seu direito de defesa. Afirma que faltam requisitos formais prescritos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, principalmente quanto à descrição dos fatos e enquadramento legal/penalidade aplicável. E que algumas das infrações indicadas na autuação e no relatório fiscal se embasam em ementas de Soluções de Consultas formuladas por terceiros e sem qualquer vínculo com a autuada. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 7 11 Tenho como balizador inicial, nessa questão, o que estabelece o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Em adição, procuro verificar se há elementos que demonstrem haver prejuízo à capacidade e ao direito de intervir, de contraditar ou de se defender, amplamente, de uma das partes interessadas. Apesar da prescrição desses quesitos, os autos de infração podem diferenciar se entre si sob o modo ou estilo do seu autor. Nesse sentido, vejo como prática corrente e justificável, que em nada prejudica a validade do auto de infração, o uso de excertos e citações de decisões judiciais ou administrativas, ou de pareceres doutrinários ou administrativos. Eles integram o auto de infração ao concorrerem para a argumentação e a demonstração das razões e motivações da autuação. Ou mesmo para indicar a base legal que fundamenta o ato fiscal. Por isso, não considero ofensivo à validade do auto de infração o uso de soluções de consulta. Todavia, acima dessas diferenças, deve ser preservado o direito de defesa e intervenção de cada uma das partes. Caso se constate prejuízo desse direito, pode se invocar o instituto previsto no inciso II do artigo 59 do Decreto n, 70.235, de 1972, para sanar e superar essa situação. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Li e reli os Autos de Infração e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, e a impugnação, e o acórdão e o recurso voluntário e desse exame concluo que, em linhas gerais, houve o atendimento dos requisitos determinados pelo art.10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorreu a hipótese tratada no artigo 59 dessa lei processual. Os autos de infração apresentam os fatos e as razões e as motivações. A autoridade fiscal esclareceu e justificou suficientemente a imputação das infrações que foram detectadas no curso da ação fiscal; e ela detalhou suficientemente cada um dos fatos. A meu ver, regra geral, ela trabalhou de forma ampla e minuciosa, inclusive com a Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 elaboração de planilhas e demonstrativos de cálculos. E o contribuinte demonstrou exercer plena e amplamente seu direito de defesa, analisando cada um dos itens da autuação. Por tudo isso, proponho não seja aceita a alegação genérica de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Entretanto, pareceme ter razão a recorrente quando ela pede a nulidade com relação à infração das ‘receitas promocionais’ e a do ‘crédito presumido do ICMS’. Reproduzo a seguir todo o texto usado pela autoridade lançadora para descrever o fato, demonstrar as razões e motivar a autuação: Sobre as receitas promocionais 66. No anocalendário de 2008 o contribuinte auferiu receitas conforme indica a conta 946 Receitas de Verbas Promocionais63, mas não incluiu os valores obtidos na base de cálculo do PIS/COFINS:64 67. A não inclusão das receita de verbas promocionais na base de cálculo do PIS/COFINS reduziu indevidamente os valores devidos dessas contribuições, desse modo, são constituídos por meio de auto de infração os créditos tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$): Sobre o crédito presumido do ICMS A Receita Federal já se manifestou por meio de sua Coordenação Geral de Tributação (Cosit), manifestouse: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT N" 13 de 28 de Abril de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § I° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, promovida pelo inciso xn do art. 79 da Lei nº 1.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição. 71. A não inclusão das receitas oriundas dos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS/COFlNS reduziu indevidamente os valores devidos dessas contribuições, desse modo, são constituídos por meio de auto de infração os créditos tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$) De todas as infrações que constam desses autos de infração essas são as únicas que não constato argumentação e descrição que nos permita identificar os requisitos necessários da autuação dessa infração. Essa situação de deficiência me parece ser objetiva no próprio texto, apesar da recorrente trazer sua defesa a esse respeito. Não encontrei em nenhuma outra parte dos autos o que pudesse suprir o que me parece ausente com relação a estas duas infrações especificamente. Por isso, nesse particular, proponho dar provimento ao recurso voluntário. Sobre a alegação de decadência A recorrente explica que essas contribuições se guiam por lançamento por homologação e há um prazo de cinco anos para sua homologação; e que a regra de decadência deve ser a prevista no § 4º do artigo 150 do CTN. Se o crédito tributário foi formalizado em Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 8 13 27/02/2013, conclui a recorrente que todas as operações realizadas até 25/02/2008 foram tacitamente homologadas pelo Fisco, de forma que estariam extintos pela decadência eventuais créditos tributários do período de janeirofevereiro/2008. Não vejo razão favorável à recorrente. O entendimento jurisprudencial que orienta essa questão já pacificou que a regra decadencial prevista no § 4º do artigo 150 do CTN se aplica quando houve antecipação de pagamento. Caso contrário, a regra decadencial é a prevista no inciso I do artigo 173 do CTN. Nesse sentido, por exemplo, temos o Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, que expõe que independente da modalidade de lançamento a que está sujeito o tributo, a decadência referese sempre ao lançamento de ofício, quando o contribuinte obrigado ao pagamento do tributo não o faz ou paga valor inferior ao devido: “29. É com base em excerto doutrinário de grande densidade que são fixadas as premissas das reflexões vindouras. Para Leandro Paulsen, em monografia sobre as contribuições de custeio para a seguridade social: ‘A decadência referese sempre ao lançamento de ofício, independentemente da modalidade de lançamento a que o tributo normalmente está sujeito. Efetivamente, o lançamento de ofício tem importante papel supletivo quando o contribuinte, obrigado à apuração do fato gerador e pagamento do tributo sujeito a lançamento por homologação, não o faz ou paga valor inferior ao devido. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, podem ocorrer duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial do Fisco para a constituição de crédito tributário: 1) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, forte no art. 150, § 4º, do CTN; 2) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, o prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, o que decorre da aplicação, ao caso, do art. 173, I, do CTN.” "49. [...] d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN;” Considero corretas as análises feitas pelos I Julgadores a quo e a conclusão a que chegaram, o que absorvo neste voto: "Seguindo as regras determinadas pelo art. 150, § 4º, do CTN, a fixação do dies a quo para contagem do prazo decadencial leva em consideração a ocorrência do fato gerador. Considerando que a autuada teve ciência do auto de infração em 27/02/2013, e que foram lançados valores correspondentes aos períodos de apuração de fevereiro de 2008 a dezembro de 2009, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário não foi atingido pela decadência, já que dispunha até o último dia do mês de fevereiro de 2013 para constituir o lançamento fiscal em relação ao período de apuração mais antigo (no caso, fevereiro de 2008)." Por isso, proponho rejeitarmos a preliminar de decadência argüida. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 Sobre as despesas de aluguel A base legal para a autuação estão no § 3º do artigo 31 da Lei n. 10.865, de 2004: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do §1º do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1º deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput. o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. A recorrente explica que esse dispositivo teve por objetivo evitar que empresas que já se beneficiaram dos créditos de PIS e Cofins, pela depreciação do bem em seu ativo imobilizado, posteriormente voltassem a dele tomar crédito, dessa vez por meio de locação. E também que as transferências dos imóveis ocorreram em 20022003, época em que ainda não existia no ordenamento jurídico o regime não cumulativo da Contribuição do PIS e da Cofins. A meu ver, apesar de aparentemente razoável a interpretação da recorrente para a finalidade dessa regra, o fato é que o § 3º desse art. 31 estabelece positivamente vedações, articulandoas com o caput e os dois primeiros desse artigo. Como bem analisou o julgador de 1ª Instância: "O caput e os dois primeiros parágrafos são referentes aos créditos apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado. Observase que as vedações quanto ao aproveitamento desses créditos, expressamente, levam em consideração a data de aquisição dos bens. Com efeito, para os ativos adquiridos antes de 1º de maio de 2004 está vedada a utilização dos créditos a partir de 31/07/2004. Dessa maneira, os créditos de depreciação ou amortização dos apontados bens e direitos devem ser utilizados até 31/07/2004. Para os ativos imobilizados adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 o parágrafo primeiro autorizou o aproveitamento dos créditos sem limite temporal. Já o parágrafo terceiro do mesmo art. 31 apresenta vedação, a ser observada a partir de 31/07/2004, referente ao aproveitamento de crédito obtido com despesas com aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica." Ora, os imóveis alugados da empresa DFC Administradora de Imóveis Ltda. pertenceram à contribuinte e foram vendidos à locadora em 2003. E foram alugados à contribuinte durante os anos de 2006, 2007 e 2008. Esses eventos ocorreram na vigência dos dispositivos legais aqui em discussão. Em 2003 já estava em vigor a nãocumulatividade da Contribuição do PIS/PASEP, com a edição da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que já previa regra para o desconto de crédito de despesas com aluguel, segundo disposto no inc. IV do art. 3º, o que, a meu ver, fragiliza o argumento da recorrente em relação à anterioridade das alienações quanto a esta Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 9 15 sistemática de apuração. Além disso, os contratos de aluguel dos imóveis em exame têm vigência a partir de janeiro de 2006, data em que o regime da não cumulatividade das contribuições, bem como a própria Lei n° 10.865, de 2004, já tinham vigência. E principalmente, o §3° do art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004, não estabelece exceção à pretendida restrição, no que se refere aos bens transmitidos antes da vigência do regime não cumulativo das contribuições. O texto é definitivo e abrangente: a proibição do aproveitamento dos créditos de aluguéis na hipótese ali definida projeta seus efeitos para frente. Proponho o não acolhimento do recurso nesse item. Do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) A contribuinte apurou créditos de PIS e COFINS sobre os valores das aquisições, com inclusão do ICMS ST na base de cálculo dos referidos créditos. A autoridade fiscal glosou os créditos assim obtidos. A recorrente acusa que a autuação se fundamenta em Solução de Consulta de terceiros, e que lhe falta motivação legal. E aponta a Solução de Consulta n° 60, de 2012, da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 4a Região, a qual reconheceu que o ICMS ST compõe o custo de aquisição de mercadoria, para efeitos da apuração do IRPJ, propugnando que tal entendimento poderia ser aplicado na tributação do PIS/Cofins. Como já exposto anteriormente, quando apreciado a alegação de nulidade, não me parece que falte à autuação os requisitos para sua validade e nem os requisitos para respeitar a plena e ampla defesa por parte dos interessados. Não há necessidade que a Lei proíba expressamente, quando se pode depreender que o texto legal firma esse sentido pela própria lógica dos procedimentos e da natureza dos fenômenos envolvido. O ICMS Substituição Tributária não é receita do contribuinte. Ele transita pelo patrimônio do substituto como antecipação do tributo. É obrigação por ele assumida, e não receita. Por isso, entendo correta a autuação nesse item. A argumentação da autoridade fiscal me parece de clareza mediana, e a reproduzo aqui para ela se integrar a esta análise e voto: “ ... podemos concluir que o contribuinte apurou créditos de PIS e COFINS sobre os valores das aquisições, com inclusão do ICMS ST na base de cálculo dos referidos créditos.” 36. Na operação de venda de mercadorias, o ICMS ST não é receita do vendedor, substituto tributário. O valor do ICMS ST é uma mera antecipação do imposto devido pelo comprador, o substituído. Para o vendedor, o ICMS ST é uma obrigação e não receita, desse modo, sobre esse valor não há incidência de PIS/COFINS. 37. A não inclusão do ICMS ST na receita bruta, para efeito de incidência de PIS/COFrNS, está prevista rIO inciso I do § 20 do art. 30 da Lei o n° 9.7 I 8/1998. 38. Ao ser instituído o regime nãocumulativo para o PIS e para a COFINS, respectivamente pela Lei nª10.637/2002 e pela Lei n° 10.833/2003, não houve referência ao ICMS ST. Mas a omissão da lei não significa que o ICMS ST seja receita e conseqüentemente sobre ele incida PIS/COFINS. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 16 39. Ao da tratar do ICMS ST, o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (CST) n° 77, de 23/10/1986, publicado no DOU de 28/10/1986, diz: O ICM referente às operações próprias da empresa compõe o preço da mercadoria, e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto incidcnlc sobre vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e FINSOCIAL. Entretanto, o ICM referente à substituição tributária não integra a base de cálculo do contribuinte substituto no tocante às suas Contribuições para O PIS/PASEP e FlNSOCIAL, por constituir uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. O ICMS ST não é receita do vendedor e sobre ele não há incidência de PIS/COFINS conseqüentemente, o valor desse imposto não deve ser incluído pelo comprador na base de cálculo para os créditos daquelas contribuições, conforme previsto no art. 3° da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3° da Lei n° 10.83312003. Também não tem sustentação legal a pretensão da recorrente de transpor o entendimento da Solução de Consulta DISIT4ª RF n. 60/2012 do âmbito do IRPJ para o PIS e COFINS. Afinal, os tributos (IRPJ versus PIS/COFINS) possuem materialidades e regras distintas, e a analogia proposta pela recorrente feriria a lógica de creditamento do PIS e da COFINS e as regras que a disciplinam, como demonstrado pelos julgadores a quo. Proponho a este colegiado não acolher a argumentação da recorrente nesse item. Com relação às devoluções de vendas a autuação afirma que o contribuinte computou, indevidamente, crédito relativo a devolução de vendas sobre produtos não sujeitos à incidência das contribuições (vendidos com isenção ou tributados no regime monofásico). Mas com relação a esse fato a recorrente reconhece o equívoco e não contrapõe razão para sua reforma. Entretanto, reivindica que na apuração dessa infração sejam considerados os valores referentes às devoluções de compras, justificando que também nesta situação existem mercadorias que, por sua classificação, são isentas ou monofásicas, e cujos créditos foram estornados quando as realizou. Nesse particular, acompanho a apreciação feita pelos Julgadores de 1ª Instância, que expuseram: Em relação a tal pedido, não é possível compreender a pretensão do impugnante ou qual a possibilidade jurídica lhe ampararia. Ora, se o contribuinte estornou crédito de mercadorias monofásicas, tais créditos não são amparados pela legislação. Assim, o estorno realizado apenas neutralizaria o equivocado creditamento. Além da verificação acima, cumpre dizer que a questão suscitada pelo autuado não se encontra inserida na presente lide, ou seja, não fez parte da exigência tributária que ora se examina. A legislação tributária coloca à disposição do sujeito passivo a possibilidade de, enquanto abrangido pela espontaneidade, poder retificar as informações previamente prestadas ao Fisco e, na possibilidade de eventualmente, se apurar crédito em seu benefício, reivindicálos mediante apresentação formal dos competentes instrumentos da restituição/compensação. Dessa forma, é incabível em sede de julgamento administrativo analisar questão ou fato que não é objeto da lide. Proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário neste item. Com relação aos brindes Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 10 17 A autuação indica que o contribuinte adquiriu mercadorias para revenda, mas as distribuiu como brindes, concluindo, assim, pela irregularidade da utilização dos correspondentes créditos. A recorrente contra argumenta: (i) o autuante levantou o registro de notas fiscais de saídas emitidas sobre os CFOP 5910 e 6910, presumindo que o resultado de todas aquelas saídas se referiam a brindes; (ii) esclareceu que as mercadorias contabilizadas na subconta "55 Mercadorias para Revenda" se tratavam de bonificações, as quais seriam equiparadas aos descontos incondicionais, defendendo a legitimidade da utilização do crédito, ante a falta de proibição da legislação; (iii) diz que os valores que tiveram como contrapartida a subconta "58 Bens e Produtos para Sorteio Promocional" não teria apurado crédito de PIS e Cofins, visto que as mesmas foram classificadas nos CF0P 1949/2949 e 1910 e 2910. Nesse item pareceme que não é possível acolher as alegações da recorrente. Ela justifica o seu procedimento com base na Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012, emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª Região Fiscal (SRRF08), visando esclarecer que os valores contabilizados em tal subconta se referem a bonificações, para as quais ele atribui natureza de descontos incondicionais. Ocorre que, concordando com os Julgadores de 1º Grau, essa Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012, aborda questão referente a não inclusão de bonificações na operação de venda. Ou seja, o autuante tratou da operação precedente (crédito obtido pela entrada de mercadoria para revenda), ao passo que a recorrente trouxe argumentos especificamente para justificar a não incidência do PIS e da Cofins no caso de bonificações em mercadorias (saída de mercadoria). EMENTA: BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Coflns. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins." Ademais, está previsto na legislação inc. I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que os bens para os quais se pode descontar créditos devem ter sido adquiridos para revenda, fato que não foi verificado no presente caso, já que os bens foram adquiridos para disponibilização a título gratuito a terceiros. Portanto, proponho o não provimento da alegação da recorrente. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 18 Com relação ao material de embalagem Não merece correção o entendimento abraçado pela Fiscalização, e mantido pelo decisum atacado, que não reconheceu a utilização de créditos de despesa com material de embalagens, ao apontar que a empresa exerce atividade comercial e o desconto de créditos de bens e serviços utilizados como insumo restringese às empresas de prestação de serviços ou industrial (produção ou fabricação de bens ou produtos). A hipótese de desconto de crédito do PIS e da Cofins nãocumulativos, no caso os custos com serviços de embalagens, encontrase prevista, respectivamente, com igual teor, no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, qual seja: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]" (grifouse). É claro que o disposto nesse texto legal não beneficia a recorrente, uma vez que ela não é industrial e prestadora de serviços nos termos da legislação do PIS e da cofins. A recorrente invoca ao contencioso o que vem conseguindo em ação ingressada na Justiça. Não creio que possa ser aplicado a este contencioso a ação judicial que a recorrente move para se ver equiparada a industrial para o âmbito do IPI, uma vez que as matérias e os fundamentos jurídicos são outros. Proponho também que não seja acolhida a argumentação da recorrente, pois não há previsão legal para o tratamento de despesas de embalagem que desejaria. Com relação aos combustíveis Também não há previsão legal para que o combustível utilizado na frota própria de caminhões para transporte das mercadorias do estabelecimento distribuidor para clientes e para pontos de revenda (supermercados) e o diesel utilizado na alimentação dos geradores de energia ligados a câmeras de resfriamento se enquadrarem no conceito de insumo para fins de direito a crédito das contribuições do PIS/Cofins. O conceito de receita operacional e sua correlação com as atividades típicas do empreendimento da pessoa jurídica são convincentes, consoante entendimento trazidos pela recorrente em sua peça recursal com o voto do I Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. Ocorre que esse avanço interpretativo esbarra frontalmente com a circunscrição da previsão desse tratamento que não alcança o comércio, como explicado objetivamente acima. Apesar de Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 11 19 o combustível prover energia para o frete, eles são fatores distintos e não há como equiparálos para efeito dessa regras do PIS e da COFINS. À mesma conclusão chegamos com relação à energia elétrica e à energia térmica. Por tudo isso, propugno a não provimento do recurso neste item. Das receitas de ICMS O contribuinte registrou contabilmente valores que foram creditados na apuração do ICMS, como a parcela do ICMS (1/48) de crédito de ativo imobilizado. A recorrente argumenta que "registra os valores que foram creditados na apuração do ICMS, como a parcela do ICMS (1/48) de crédito de ativo imobilizado; o ICMS antecipado (diferença de fronteira). A exemplo do crédito presumido, não se constitui propriamente uma receita cujas características não as enseja na base de cálculo do PIS/COF1NS. Tanto a Lei 10.637/2002 quanto a Lei 10.833/2003 determinam que a base de cálculo do PIS e da COFINS devem incidir sobre o montante das receitas auferidas (obtidas, recebidas) pelo contribuinte. No entanto, os valores do Crédito Presumido e do ICMS, mencionados nos itens a) e b) do tópico Outros Esclarecimentos, não implicaram em ingresso de recursos, em nada acrescentando ao patrimônio da empresa." O contribuinte a esse respeito acrescenta: "(...) o crédito proveniente de 1/48 sobre o ativo permanente é benefício fiscal que objetiva fomentar a atividade industrial e comercial conferindo crédito de ICMS sobre as aquisições de bens para aplicação no processo produtivo, reduzindo custos e impactos de investimentos". Reconhecese que profundo debate se realiza neste tribunal administrativo a respeito dos valores de ICMS provindos de benefícios fiscais concedidos pelos estados membros da federação, se podem ser classificados como subvenção de custeio e/ou de investimentos, e se devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS. Ora, a explicação prestada pela contribuinte sobre a finalidade e aplicação do crédito proveniente desse benefício fiscal não deixa dúvida que, apesar dele ser apurado a partir do imobilizado (1/48) e do antecipado por diferença de fronteira, esses valores se dedicam a " fomentar a atividade industrial e comercial ... reduzindo custos e impactos de investimentos" (grifos nossos). Ou seja, s.m.j., a subvenção adentra no campo da apuração dos resultados e atende a necessidade de custeio. A meu ver, ela está vinculada às atividades operacionais da empresa. Ademais, não há expressa previsão legal para não se considerar os valores obtidos a partir desse benefício fiscal como receitas a serem tributadas pelo PIS e pela COFINS, como concluíram os julgadores a quo. Ao contrário que afirma a recorrente, pareceme que esse benefício fiscal está diretamente ligado á atividade do empreendimento. e dessa maneira jungido ao resultado operacional, motivo porque ele deve ser tratado como abrangido pelas bases de tributação aqui em discussão. Tenho como correta a decisão do primeiro grau. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 20 Com relação às compensações Não posso entender que se possa dar provimento à argumentação da recorrente nesse item. Ela não traz elementos de prova que possam sustentar as compensações e deduções consideradas não válidas pela fiscalização e pelos Julgadores a quo. Afiliome à sua análise e conclusão e tomo a liberdade de reproduzila para ser integrada a este voto. 16. No Termo de Encerramento está consignado que no seu demonstrativo de apuração do PIS/PASEP e da Cofins o contribuinte efetuou compensações/deduções e, conforme esclarecimentos prestados pelo próprio sujeito passivo, a origem dos créditos teria sido uma auditoria efetuada que revisou a base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins não cumulativos no período de 12/2002 a 12/2006. Admitiu a intempestividade dos créditos, informando que os mesmos são originários de custos próprios, fato que dispensaria a entrega de PER/DCOMP. 16.1. Todavia, a autoridade fiscal desconsiderou as compensações, tendo em vista a falta de provas, exceto um relatório de uma consultoria, o qual informa que os mesmos são oriundos de material de embalagem, energia elétrica, fretes, locações de imóveis, despesas financeiras, depreciação de máquinas e equipamentos, devoluções de vendas; e além disso não houve a retificação das informações nos DACON. 16.2. Em sua defesa, com a intenção de comprovar a origem e os cálculos do crédito, a impugnante junta o relatório que resultou no reconhecimento destes por empresa de auditoria especializada. Sobre a não retificação do DACON sustentou que eventual descumprimento de mera obrigação acessória não pode servir de fundamento para que a autoridade fiscal deixe de reconhecer créditos legitimamente conferidos à impugnante, os quais decorreram de operações previstas em lei. 16.3. Os créditos que foram informados no demonstrativo de cálculo apresentado pelo contribuinte, foram também informados indevidamente no DACON na linha 28 (Outras deduções) da ficha resumo (15B para o PIS e 25B para a COFINS), .... 16.1. Segundo coletado do Programa Gerador DACON MensalSemestral 2.7 (para fatos geradores a partir de 01/01/2008) a linha 28 (Outras deduções) da Ficha Resumo se presta a receber informações sobre o valor de outras deduções não contempladas pelas linhas anteriores da mesma Ficha, bem como os valores de retenção sofridos de meses anteriores, a aproveitar como dedução no mês corrente. 16.5. Os saldos dos créditos do contribuinte deveriam ser informados no DACON na ficha 13A (PIS) e ficha 23A (COFINS) Créditos Descontados no Mês, no qual deveria estar os créditos descontados no mês, por tipo, sendo que os de período anterior devem ser registrados por mês de origem. Para isso é necessário que o crédito de um mês anterior seja devidamente apurado no DACON daquele mês. 16.6. Com relação à comprovação dos créditos, bem como a sua viabilidade legal, são bastante pertinentes reproduzir as observações efetuadas pela autoridade autuante, com as quais se concorda plenamente: "83. Por outro lado não há comprovação da existência de tais créditos. Há apenas um relatório de uma consultoria tributária com apuração de um crédito de R$ 304.779,36 para o PIS, do período de 12/2002 a 12/2006; e de R$ 1.310.653,54 para a COFINS, do período de 12/2002 a 12/2006; podendo inclusive haver créditos de períodos atingidos pela prescrição de cincos anos. 84. Quanto às aquisições que geraria tais créditos, conforme consta do relatório da consultoria, são pertinentes as seguintes observações: a) material de embalagem. Regra geral o contribuinte não faz jus a crédito sobre material de embalagem, pois, sua atividade é de revenda de mercadorias. Sobre esse item esta fiscalização apurou infração nos anos de 2008 e 2009, com a conseqüente glosa dos créditos indevidamente utilizados calculados sobre o valor do material de embalagem; b) combustíveis. Não há informações sobre a utilização desses combustíveis. Sobre esse item esta fiscalização apurou infração nos anos de 2008 e 2009, com a conseqüente Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 12 21 glosa dos créditos indevidamente utilizados, pois, uma parte dos gastos com combustíveis foi equiparada pelo contribuinte a gasto com energia elétrica e outra parte à despesa de frete; c) energia elétrica e frete. Não há informações sobre a utilização desses itens, mas as observações acima podem ser aqui aplicadas; d) Locação de imóveis. Se o locador for pessoa jurídica é possível o crédito, mas há restrição sobre imóveis que já pertenceram ao fiscalizado. Nesse ponto, esta fiscalização apurou infração nos anos de 2008 e 2009, com a conseqüente glosados créditos indevidamente utilizados. e) Despesas financeiras. Não há informações sobre o período dessas despesas. No próprio relatório da consultoria há citação de atos da Receita Federal afirmando o direito a crédito até a data de 31/07/2004 (art. 37 da Lei n° 10.865/2004). f) Depreciação de máquinas e equipamentos. Não há detalhamento dessas despesas. Mas o contribuinte adquire e revende mercadorias, assim, não é aplicável o inciso III do § 1º, combinado com o inciso VI, todos do art. 3º da Lei n° 10.637/2002 (PIS); nem inciso III do §1º, combinado com o inciso VI, todos do art. 3º da Lei n° 10.833/2003 (COFINS). g) Devolução de vendas. Não há detalhamentos da origem dos créditos. Nesse ponto, esta fiscalização apurou infração nos anos de 2008 e 2009, com a conseqüente glosa dos créditos indevidamente utilizados. h) Outros valores com direito a Crédito. Consta do relatório da consultoria que foram considerados neste grupo de conta, os valores correspondentes aos dispêndios com despesas de veículos, combustíveis, manutenção geral, manutenção de software e Outras despesas (Serviços de Manutenção) e peças para reposição e manutenção. Não há detalhamento das origens dos créditos, entretanto é de ressaltar que as soluções de consultas citadas no relatório da consultoria se referem à atividade industrial ou de prestação de serviços." Proponho negar provimento ao recurso neste ítem. Prosseguindo na análise do mérito: Tendo em vista que as nulidades por cerceamento de defesa para os itens "receitas de verbas promocionais" e "credito presumido de ICMS" foram superadas pelo colegiado nessa sessão, necessário trazermos esses tópicos ao mérito do voto, nos termos aprovados na sessão. Das receitas de verbas promocionais A autoridade lançadora constatou que a contribuinte não incluiu nas bases de cálculo do PIS e da COFINS as receitas de verbas promocionais registradas contabilmente nos Balancetes. Decidiu a autoridade lançadora constituir de ofício o correspondente crédito tributário. A recorrente alegou cerceamento de defesa, afirmando que a autuação foi genérica e sem qualquer referência à legislação, descrição da natureza ou origem das supostas verbas promocionais. Como preliminar, pediu nulidade da exigência. Além disso, ela trouxe aos autos sua argumentação que essas verbas não são receitas, mas, sim, reembolso de Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 22 despesas, pois foram recebidas de seus fornecedores com a finalidade de ressarcir os custos com programas promocionais de divulgação dos produtos daqueles. Relativamente ao cerceamento de defesa, já se discorreu anteriormente, ao considerarmos e votarmos as preliminares, não sendo mais necessário voltar a fazêlo. No mérito, razão não assiste à recorrente, mas, sim, aos julgadores a quo e à autoridade lançadora. Como apontaram no decisum de primeiro grau: "Dos documentos apresentados pela impugnante para sustentar a sua tese constam os registros contábeis, no caso, Balancete Analítico Consolidado e o Razão da conta 946 Receita de Verbas Promocionais (fls. 10071028), sendo que, em relação a este último, podese notar diversos registros indicando depósitos bancários efetuados por terceiros (empresas) em benefício da autuada, como se verifica na amostragem abaixo [inserem quadro reproduzindo os lançamentos citados]." É de se notar que a própria contabilidade da recorrente classifica como receitas essas verbas. E que ela não logrou comprovar (ex.: documentos, contratos), além de argumentos, que os valores glosados e que constam de sua contabilidade como Receita de Bonificações ou de verbas promocionais têm natureza de ressarcimento de despesas (contraprestação). Portanto, acompanhase a conclusão dos julgadores a quo, e que as verbas em discussão são, sim, receitas, e foram assim contabilizadas pelo contribuinte, que elas trazem proveito para a recorrente e que elas não têm natureza de ressarcimento de gastos. Negase provimento ao recurso voluntário neste item. Do crédito presumido de ICMS A recorrente argüi que a autuação foi fundamentada numa Solução de Consulta, sem apontar objetivamente nenhuma ilegalidade capaz de justificála. Rogou pela nulidade por cerceamento á defesa. Afirmou, ainda, a recorrente que o crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins, segundo pacificado tanto na esfera administrativa quanto judicial. Sobre a regularidade da citação e fundamentação em Soluções de Consulta já se discorreu anteriormente quando na apreciação das preliminares, inexistindo razão para que novamente se retorne a debater a questão. No mérito, não há como acolher a argumentação da recorrente pela falta de previsão nas leis que disciplinam a incidência do PIS e da COFINS para excluir o crédito presumido de ICMS da sua base de cálculo. Acompanhase as conclusões dos julgadores de piso, in verbis: "Embora as subvenções para investimentos possam em alguns casos não ser computada na determinação do lucro real da pessoa jurídica (a exemplo de subvenções para integralização de capital), é de se concluir que, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins nãocumulativos, elas são consideradas receita tributável. Portanto, o valor apurado do crédito presumido a título de Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 13 23 ICMS deve ser oferecido à tributação, uma vez que inexiste norma autorizando a sua exclusão das bases de cálculo das referidas contribuições." Não se dá provimento ao recurso voluntário neste item. CONCLUSÃO Vencida a minha proposta quanto à preliminar de nulidade para as infrações “receitas de verbas promocionais” e “crédito presumido do ICMS”, concluo propondo negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Coubeme redigir o voto vencedor quanto ao acolhimento parcial das alegações de nulidade erigidas pelo recorrente, por entender que o lançamento não padece de vício algum, mormente que tenha acarretado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Para melhor esclarecer a questão, transcrevo o excerto onde o eminente Conselheiro Relator vislumbrou o defeito ora combatido: “Sobre as receitas promocionais 66. No anocalendário de 2008 o contribuinte auferiu receitas conforme indica a conta 946 Receitas de Verbas Promocionais63, mas não incluiu os valores obtidos na base de cálculo do PIS/COFINS:64 67. A não inclusão das receita de verbas promocionais na base de cálculo do PIS/COFINS reduziu indevidamente os valores devidos dessas contribuições, desse modo, são constituídos por meio de auto de infração os créditos tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$)(...) Sobre o crédito presumido do ICMS A Receita Federal já se manifestou por meio de sua Coordenação Geral de Tributação (Cosit), manifestouse: Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 24 SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT N" 13 de 28 de Abril de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § I° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, promovida pelo inciso xn do art. 79 da Lei nº 1.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição. 71. A não inclusão das receitas oriundas dos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS/COFlNS reduziu indevidamente os valores devidos dessas contribuições, desse modo, são constituídos por meio de auto de infração os créditos tributários conforme o quadro abaixo (valores em Reais _ R$)(...)” A meu sentir, a descrição dos fatos é clara, tendo a autoridade autuante externado que a razão do lançamento consistia na falta de inclusão de aludidas rubricas, qualificáveis como receitas e sujeitas à tributação, na base de apuração das contribuições não cumulativas. Desta acusação fiscal cabia ao recorrente a argumentação contrária, no sentido que tais verbas não configuravam receita alguma. Ora, não se pode confundir fundamentação sucinta com ausência de fundamentação, como parece ser o caso. Diante do quadro estampado não enxergo onde o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 tenha sido inobservado ou desrespeitado, tampouco o propalado cerceamento do direito de defesa se verificado, pelo contrário, consoante o relatório deste decisório, vejo que o recorrente defendeuse adequadamente das infrações que lhe foram imputadas. No mais, acompanho e adoto na íntegra os fundamentos lançados pelo Conselheiro Relator para rechaçar as alegações de nulidade. Em face de todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10435.720387/201391 Acórdão n.º 3401002.855 S3C4T1 Fl. 14 25 Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 19311.000055/2010-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/08/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO.
É cabível o lançamento de ofício em relação às contribuições devidas à Terceiros (Outras Entidades) em virtude da remuneração de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física.
Na execução de obra de construção civil, para fins de aferição indireta, poderá ser utilizado o Custo Unitário Básico (CUB) da Construção Civil.
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE CONTESTAÇÃO.
Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para a autuação fiscal.
MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições devidas a Terceiros (Outras entidades e fundos), não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos da Lei.
É lícita a utilização da Taxa Selic para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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TERCEIROS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO. É cabível o lançamento de ofício em relação às contribuições devidas à Terceiros (Outras Entidades) em virtude da remuneração de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física. Na execução de obra de construção civil, para fins de aferição indireta, poderá ser utilizado o Custo Unitário Básico (CUB) da Construção Civil. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para a autuação fiscal. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições devidas a Terceiros (Outras entidades e fundos), não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos da Lei. É lícita a utilização da Taxa Selic para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 55 /2 01 0- 14 Fl. 25DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/201014 Acórdão n.º 2803004.162 S2TE03 Fl. 26 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/201014 Acórdão n.º 2803004.162 S2TE03 Fl. 27 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, Auto de Infração nº 37.251.0094, correspondente às contribuições sociais de Terceiros (Outras Entidades) incidentes sobre a mãodeobra utilizada em construção civil de pessoa física, matrícula CEI: 50.007.99688/60. O lançamento diz respeito à edificação de 1.438,97 m2 no endereço Rua Maria Soldeira Lourençon, área 27 – Santa Julia – Itupeva – SP, consistente na execução de dois galpões industriais, um de 745,95 m2 e outro de 693,02 m2, conforme projeto juntado à fl. 28 dos autos do processo administrativo 19311.000053/201025. Segundo a fiscalização, a partir de Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil – DISO apresentada pelo contribuinte, restou emitido o Aviso para Regularização de Obra – ARO nº 328.427, com apuração da mãodeobra relativa à construção, enquadrandoa como tipo 11 – alvenaria, sendo 400,94 m2 na modalidade “comercial salas e lojas” e outros 1.038,03 m2 na modalidade “galpão industrial”. Verificado período decadente relativo a dez meses e descontados do cálculo da mãodeobra. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. DA DECISÃO O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal por unanimidade deu provimento parcial para retificar o lançamento para fins de se alterar o enquadramento do tipo da obra, de 11 – alvenaria para 12 – madeira/mista, não considerando a mãodeobra do período decadente, nos termos dos argumentos e fundamentos constantes da decisão. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, constante do processo administrativo: 19311.000053/201025, alegando em síntese: no novo Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR verificou se a imposição de juros e multa, que são indevidos, pois houve novo lançamento; deposita o valor original do crédito fiscal e pede a exclusão dos juros e multa. É o relatório. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/201014 Acórdão n.º 2803004.162 S2TE03 Fl. 28 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. O contribuinte não questiona de maneira direta o crédito fiscal remanescente relativo à obra de construção civil pessoa física de sua responsabilidade. Apenas pede a exclusão dos valores de juros e multa do crédito fiscal, alegando ser um novo lançamento, depositando o valor original do crédito fiscal. Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para a autuação fiscal em epígrafe. MULTA E JUROS Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições devidas a Terceiros (Outras entidades e fundos), não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto noart. 44 da Lei 9.430, de 1996.(Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008), nos termos dos artigos 35 e 35A da Lei 8.212/91, respectivamente. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008 e convertida na Lei nº 11.941, de 2009). A aplicação da taxa Selic é legal conforme Súmula do CARF: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No caso em epígrafe a fiscalização aplicou corretamente a multa de ofício, nos termos da Lei 8.212/91. O provimento parcial da decisão recorrida retificando valores originalmente lançados pela fiscalização não significa dizer que o lançamento fiscal originário foi extinto, pois continua a existir com os lançamentos fiscais remanescentes. Destarte, não há que se falar em novo lançamento como quer o contribuinte. Os valores de juros e multa do crédito fiscal são legais e devem ser cobrados. O valor original do crédito fiscal depositado pelo contribuinte deve ser considerado quando da sua quitação. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19311.000055/201014 Acórdão n.º 2803004.162 S2TE03 Fl. 29 5 O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal – REFISC, com Discriminativo do Débito – DD, as Instruções para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 29DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.721110/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Relatório
Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/14, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.370.407,94.
A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas indevidamente.
Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:
- exerce, primordialmente, atividade rural de criação e engorda de gado, em áreas rurais localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso, consoante consignado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (doe. 4) tempestiva e regularmente entregue;
- possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária, dentre as quais se destacam, pela relação que guarda com parte das receitas tidas por omitidas, que será demonstrada e comprovada a seguir, a sociedade Agropecuária Nova Vida Ltda., e a GAINSA Ltda;
- no exercício de suas atividades e por conta de financiamentos rurais não tempestivamente quitados e em discussão judicial, o Impugnante acabou por ter contas bancárias de sua titularidade bloqueadas, as quais se mostravam essenciais não só para subsidiar seu sustento e da sua família, como também para prover a movimentação financeira necessária à realização da atividade pecuária;
-celebrou o Impugnante, bem como seu irmão Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF n. 127.472.788-08, também produtor rural, ajuste contratual com sua irmã, Ana Paula Arantes Vasone, inscrita no CPF n. 127.472.798-71, pelo qual esta lhes cedeu o direito de utilização da conta corrente de sua titularidade, de n. 16623-18, mantida na agência 319, do HSBC Bank Brasil S/A, para a movimentação, exclusivamente, dos recursos relacionados à atividade rural;
- posteriormente, foram assinados aditivos para incluir as contas ns. 6001773-5, agência 1757, do Banco Real ABN Amro S/A, e 00083-96, agência 0572-5, do HSBC Bank Brasil S/A. (does. 5A e 5B1), de titularidade da irmã Ana Paula Arantes Vasone, entre as passíveis de utilização exclusiva para a movimentação de recursos da atividade rural;
- o agente autuante promoveu a intimação do Impugnante para apresentação de extratos e documentos correlatos às contas-correntes em seu nome e em nome de seu cônjuge sem ter sido intimada a co-titular;
- exigência, por mera presunção comum, de tributo sobre valores que efetivamente não constituem fato gerador da exação, sem dúvida, ofende o art. 150, I, da Constituição Federal, bem como representa descumprimento da atividade concernente à apuração e ao lançamento do crédito tributário, regulados pelo art. 142 do Código Tributário Nacional;
- a análise do procedimento inicial de apuração do valor objeto de autuação demonstra claro vício, que acabou por determinar a exigência de valor de Imposto de Renda indevido sobre verba já apresentada à tributação pelo Impugnante;
- o agente fiscal deixou de considerar as receitas já submetidas à tributação na declaração entregue tempestivamente pelo Impugnante (doe. 4), no qual se verifica que declarou ele, no ano-calendário de 2008, rendimentos de aplicações financeiras, os quais, já tendo sido apresentados à apuração o Imposto de Renda, não poderiam ser incluídos na apuração da base de cálculo da autuação em comento;
- e mais, deixou de considerar, também, variações patrimoniais suportadas pelo Impugnante, como, por exemplo, a elevação de sua dívida no ano-calendário de 2008;
- em vista da faculdade outorgada pela legislação de tributação da atividade rural limitada a 20% da atividade rural e tendo o agente fiscal apurado situação em que tal regra possibilitaria tributação mais vantajosa, não poderia ele se furtar à aplicação de tal forma de apuração;
- não foram excluídos todos os valores que não representam renda, tais como, por exemplo, aqueles decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular e de resgates de aplicações financeiras, bem como alguns valores oriundos de empréstimos rurais ou de outras operações que não se confundem com renda ou que não se refiram a receitas omitidas por falta de comprovação;
- crédito (item 110 do Anexo 6 do Auto de Infração) realizado pelo BANIF Banco de investimento (Brasil) S.A., inscrito no CNPJ/MF n. 33.753.740/0001-58, conforme identificado no próprio extrato bancário, por meio de TED em 05/12/2008, no valor de R$ 6.017.618,99, na conta corrente n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, referente à liberação dos recursos oriundos da emissão da Cédula de Produto Rural Financeira n. 001/2009, emitida nos termos da Lei n. 8.929, de 1994, com data de vencimento em 24/7/2009, conforme cópia da CPR FINANCEIRA anexa (doe. n.7), o que se constitui em uma operação de empréstimo de recursos (dívida) e não renda;
- créditos realizados pela empresa ligada ao Impugnante denominada Agropecuária Nova Vida Ltda., inscrita no CNPJ/MF n. 05.897.863/0001-27, conforme identificação constante no próprio extrato da conta bancária n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, decorrentes de conta-corrente mantida com o Impugnante, conforme relação constante da cópia do razão contábil daquela empresa (doe. 8), constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda;
- créditos na conta n. 5001054-8, ag. 1757, do Banco Real, decorrentes de transferência de outras contas do mesmo titular, identificadas como TED D, que não representam renda;
- créditos na conta n. 16365-1, na Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, realizados por meio de TED ou DOC do mesmo titular, conforme identificado no próprio extrato bancário pela indicação do CPF do Impugnante de n. 271.714.068-90;
- transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 8001013-0, Ag. 1757, do Banco Real, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e, portanto, não se configurando em renda do Impugnante;
- transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e portanto, não se configurando em renda do Impugnante;
- transferências de contas correntes de titularidade do irmão do Impugnante Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF/MF sob o n. 127.472.788-08, conforme identificado no próprio extrato bancário, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em face da realização conjunta da atividade de pecuária de corte (doe. 9), constituindo-se em conta corrente entre eles e portanto, não se configurando em renda;
- créditos oriundos de TED D, da mesma titularidade, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real, realizados pela Link S.A. CCVM, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 02.819.125/0001-73, conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos de operações realizadas em Bolsa de Valores, cujos resultados estão devidamente declarados no Anexo de Renda Variável da Declaração de Ajuste Anual entregue tempestivamente e comprovados por meio do extrato da conta mantida na referida corretora, atualmente UBS;
- créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real (doe. 11), conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos da conta de investimentos mantida no mesmo banco e agência com o n. 6001054-8 e identificada no mesmo extrato da conta corrente normal;
- créditos oriundos da contratação de CDC, realizados na conta corrente n. 16365-1, da ag. 1178-9, do Banco do Brasil (doe. 9), conforme identificado no próprio extrato bancário, constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda;
- crédito recebido na conta corrente n. 8001013-0, da ag. 1757, do Banco Real, oriundo de devolução de empréstimo anteriormente efetuado a Henrique Pereira de Ávila, CPF n. 198.417.101-10. Observe-se que no dia 28/07/2008 foi efetuada o empréstimo no exato montante de R$ 1.000.000,00 a Henrique Alves de Ávila, como se observa do anexo comprovante de TED (doe. 12), razão pela qual a devolução do referido numerário, por certo, não constitui renda;
- créditos recebidos na conta-corrente 2599-94, da ag. 319, do HSBC, decorrentes de cobertura de cheques emprestados a terceiro. Verifica-se no extrato da referida conta (doe. 13) que nas mesmas datas foram descontados cheques nos exatos valores recebidos pelo Impugnante na forma acima discriminada;
- do acima exposto, parte significativa (R$ 15.155.988,82) da diferença de RS 22.079.240,65 identificada pelo agente fiscal como omissão de receita, referem-se a operações que não representam renda tributável mas sim, ingressos de outras naturezas;
- o agente fiscal relaciona como receita valor que ele mesmo identificou tratar-se de adiantamento correlato a notas fiscais emitidas em ano posterior ao fiscalizado;
- diante de tal declaração do próprio agente fiscal, bem como da sistemática prevista no art. 61, § 2o , do Decreto n. 3.000/19994 , que determina expressamente que a receita decorrente da venda para entrega futura deve ser computada somente quando da efetiva entrega do produto, não há dúvida quanto a incorreção do trabalho fiscal;
- a venda terras Tarauaca/acre, conforme compromisso de compra e venda de quotas, jamais poderia ser considerado como receita da atividade agropecuária, posto que concernente a venda de quotas de capital de sociedade empresária;
- incorretamente incluiu tal receita na apuração do imposto devido sobre a comercialização decorrente das atividades agropecuárias (art. 61 do Decreto n. 3.000/1999), quando a tributação correta de tal operação se dá nos termos do art. 138 do Decreto n. 3.000/1999 e desde que apurado ganho de capital tributável;
- o agente fiscal glosou o montante de R$ 3.998.753,20 registrado no Livro-Caixa da atividade agropecuária como custos e despesas da produção rural, relacionando os dispêndios rejeitados no anexo 13 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal;
- apesar do escasso prazo de 30 (trinta) dias disponível para que o Impugnante preparasse sua defesa, conseguiu ele levantar documentação que comprova significativa parcela das despesas glosadas (does. 16 a 18;
- foram glosadas também despesas correlatas ao pagamento dos funcionários empregados na atividade rural, as quais são comprovadas pela anexa folha de pagamento mensal;
- foram glosadas também despesas decorrentes de notas de débitos emitidas pela Agropecuária Nova Vida Ltda., cuja respectiva obrigação foi devidamente registrado no livro razão da mencionada empresa - vide lançamento em 31/12/2008 no montante de R$ 1.434.133,82 - (doe. 8);
- opinião do Auditor Fiscal, confrontando os fatos efetivamente ocorridos e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver, o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE, encontra-se em completa desconformidade com os artigos 108,114,116,142, entre outros, do Código Tributário Nacional;
- a legislação pátria, como visto, exige que a atividade do lançamento seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditor fiscal ao texto da lei e à realidade. E tal vinculação é imprescindível, a fim de manter a atividade administrativa do lançamento em conformidade com os princípios da tipicidade fechada e da estrita legalidade em matéria tributária;
- em decorrência, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos, impõe-se concluir que a falta de verificação integral, por parte das autoridades administrativas, dos FATOS e das normas legais a estes aplicáveis, afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento realizado, elementos esses indispensáveis para que o auto de infração possa prosperar;
- o lançamento fiscal fere de maneira inaceitável o princípio da verdade material, posto não se adéqua as presunções nele apresentada à realidade fática das operações realizadas;
- ainda que a exigência fiscal em referência não fosse completamente inválida, tem-se que a multa de 75% do tributo exigido aplicada pelo agente fiscal possui nítido caráter confiscatório, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal.
A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS.
As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGENS - RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL.
Por tratar-se de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.
ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RECEITA ESTRANHA À ATIVIDADE CONSIDERADA NO LANÇAMENTO.
Comprovado nos autos que receita estranha à atividade rural foi incluída na apuração da base de cálculo, o lançamento deve ser alterado para deduzir o valor considerado.
ATIVIDADE RURAL - GLOSA DE DESPESAS - COMPROVAÇÃO.
Comprovadas nos autos despesas de custeio na atividade rural glosadas no lançamento, a dedução deve ser restabelecida.
ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RESULTADO TRIBUTÁVEL LIMITADO EM 20% DA RECEITA BRUTA.
Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no ano-calendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limita-se a vinte por cento da receita bruta do ano-calendário.
Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934), João Arantes Neto apresenta Recurso Voluntário em 07/04/2014 (fls. 2936/3002), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.
Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008.
O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934) e, em 07/04/2014, interpôs o recurso de fls. 2936 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/14, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.370.407,94. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas indevidamente. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - exerce, primordialmente, atividade rural de criação e engorda de gado, em áreas rurais localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso, consoante consignado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (doe. 4) tempestiva e regularmente entregue; - possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária, dentre as quais se destacam, pela relação que guarda com parte das receitas tidas por omitidas, que será demonstrada e comprovada a seguir, a sociedade Agropecuária Nova Vida Ltda., e a GAINSA Ltda; - no exercício de suas atividades e por conta de financiamentos rurais não tempestivamente quitados e em discussão judicial, o Impugnante acabou por ter contas bancárias de sua titularidade bloqueadas, as quais se mostravam essenciais não só para subsidiar seu sustento e da sua família, como também para prover a movimentação financeira necessária à realização da atividade pecuária; -celebrou o Impugnante, bem como seu irmão Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF n. 127.472.788-08, também produtor rural, ajuste contratual com sua irmã, Ana Paula Arantes Vasone, inscrita no CPF n. 127.472.798-71, pelo qual esta lhes cedeu o direito de utilização da conta corrente de sua titularidade, de n. 16623-18, mantida na agência 319, do HSBC Bank Brasil S/A, para a movimentação, exclusivamente, dos recursos relacionados à atividade rural; - posteriormente, foram assinados aditivos para incluir as contas ns. 6001773-5, agência 1757, do Banco Real ABN Amro S/A, e 00083-96, agência 0572-5, do HSBC Bank Brasil S/A. (does. 5A e 5B1), de titularidade da irmã Ana Paula Arantes Vasone, entre as passíveis de utilização exclusiva para a movimentação de recursos da atividade rural; - o agente autuante promoveu a intimação do Impugnante para apresentação de extratos e documentos correlatos às contas-correntes em seu nome e em nome de seu cônjuge sem ter sido intimada a co-titular; - exigência, por mera presunção comum, de tributo sobre valores que efetivamente não constituem fato gerador da exação, sem dúvida, ofende o art. 150, I, da Constituição Federal, bem como representa descumprimento da atividade concernente à apuração e ao lançamento do crédito tributário, regulados pelo art. 142 do Código Tributário Nacional; - a análise do procedimento inicial de apuração do valor objeto de autuação demonstra claro vício, que acabou por determinar a exigência de valor de Imposto de Renda indevido sobre verba já apresentada à tributação pelo Impugnante; - o agente fiscal deixou de considerar as receitas já submetidas à tributação na declaração entregue tempestivamente pelo Impugnante (doe. 4), no qual se verifica que declarou ele, no ano-calendário de 2008, rendimentos de aplicações financeiras, os quais, já tendo sido apresentados à apuração o Imposto de Renda, não poderiam ser incluídos na apuração da base de cálculo da autuação em comento; - e mais, deixou de considerar, também, variações patrimoniais suportadas pelo Impugnante, como, por exemplo, a elevação de sua dívida no ano-calendário de 2008; - em vista da faculdade outorgada pela legislação de tributação da atividade rural limitada a 20% da atividade rural e tendo o agente fiscal apurado situação em que tal regra possibilitaria tributação mais vantajosa, não poderia ele se furtar à aplicação de tal forma de apuração; - não foram excluídos todos os valores que não representam renda, tais como, por exemplo, aqueles decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular e de resgates de aplicações financeiras, bem como alguns valores oriundos de empréstimos rurais ou de outras operações que não se confundem com renda ou que não se refiram a receitas omitidas por falta de comprovação; - crédito (item 110 do Anexo 6 do Auto de Infração) realizado pelo BANIF Banco de investimento (Brasil) S.A., inscrito no CNPJ/MF n. 33.753.740/0001-58, conforme identificado no próprio extrato bancário, por meio de TED em 05/12/2008, no valor de R$ 6.017.618,99, na conta corrente n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, referente à liberação dos recursos oriundos da emissão da Cédula de Produto Rural Financeira n. 001/2009, emitida nos termos da Lei n. 8.929, de 1994, com data de vencimento em 24/7/2009, conforme cópia da CPR FINANCEIRA anexa (doe. n.7), o que se constitui em uma operação de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - créditos realizados pela empresa ligada ao Impugnante denominada Agropecuária Nova Vida Ltda., inscrita no CNPJ/MF n. 05.897.863/0001-27, conforme identificação constante no próprio extrato da conta bancária n. 8001013-0, na Ag. 1757 do Banco Real, decorrentes de conta-corrente mantida com o Impugnante, conforme relação constante da cópia do razão contábil daquela empresa (doe. 8), constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - créditos na conta n. 5001054-8, ag. 1757, do Banco Real, decorrentes de transferência de outras contas do mesmo titular, identificadas como TED D, que não representam renda; - créditos na conta n. 16365-1, na Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, realizados por meio de TED ou DOC do mesmo titular, conforme identificado no próprio extrato bancário pela indicação do CPF do Impugnante de n. 271.714.068-90; - transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 8001013-0, Ag. 1757, do Banco Real, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e, portanto, não se configurando em renda do Impugnante; - transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.798-71, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindo-se em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e portanto, não se configurando em renda do Impugnante; - transferências de contas correntes de titularidade do irmão do Impugnante Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF/MF sob o n. 127.472.788-08, conforme identificado no próprio extrato bancário, a crédito da conta corrente n. 16.365-1, Ag. 1178-9, do Banco do Brasil, em face da realização conjunta da atividade de pecuária de corte (doe. 9), constituindo-se em conta corrente entre eles e portanto, não se configurando em renda; - créditos oriundos de TED D, da mesma titularidade, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real, realizados pela Link S.A. CCVM, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 02.819.125/0001-73, conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos de operações realizadas em Bolsa de Valores, cujos resultados estão devidamente declarados no Anexo de Renda Variável da Declaração de Ajuste Anual entregue tempestivamente e comprovados por meio do extrato da conta mantida na referida corretora, atualmente UBS; - créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, realizados na conta corrente n. 5001054-8, da ag. 1757, do Banco Real (doe. 11), conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos da conta de investimentos mantida no mesmo banco e agência com o n. 6001054-8 e identificada no mesmo extrato da conta corrente normal; - créditos oriundos da contratação de CDC, realizados na conta corrente n. 16365-1, da ag. 1178-9, do Banco do Brasil (doe. 9), conforme identificado no próprio extrato bancário, constituindo-se em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; - crédito recebido na conta corrente n. 8001013-0, da ag. 1757, do Banco Real, oriundo de devolução de empréstimo anteriormente efetuado a Henrique Pereira de Ávila, CPF n. 198.417.101-10. Observe-se que no dia 28/07/2008 foi efetuada o empréstimo no exato montante de R$ 1.000.000,00 a Henrique Alves de Ávila, como se observa do anexo comprovante de TED (doe. 12), razão pela qual a devolução do referido numerário, por certo, não constitui renda; - créditos recebidos na conta-corrente 2599-94, da ag. 319, do HSBC, decorrentes de cobertura de cheques emprestados a terceiro. Verifica-se no extrato da referida conta (doe. 13) que nas mesmas datas foram descontados cheques nos exatos valores recebidos pelo Impugnante na forma acima discriminada; - do acima exposto, parte significativa (R$ 15.155.988,82) da diferença de RS 22.079.240,65 identificada pelo agente fiscal como omissão de receita, referem-se a operações que não representam renda tributável mas sim, ingressos de outras naturezas; - o agente fiscal relaciona como receita valor que ele mesmo identificou tratar-se de adiantamento correlato a notas fiscais emitidas em ano posterior ao fiscalizado; - diante de tal declaração do próprio agente fiscal, bem como da sistemática prevista no art. 61, § 2o , do Decreto n. 3.000/19994 , que determina expressamente que a receita decorrente da venda para entrega futura deve ser computada somente quando da efetiva entrega do produto, não há dúvida quanto a incorreção do trabalho fiscal; - a venda terras Tarauaca/acre, conforme compromisso de compra e venda de quotas, jamais poderia ser considerado como receita da atividade agropecuária, posto que concernente a venda de quotas de capital de sociedade empresária; - incorretamente incluiu tal receita na apuração do imposto devido sobre a comercialização decorrente das atividades agropecuárias (art. 61 do Decreto n. 3.000/1999), quando a tributação correta de tal operação se dá nos termos do art. 138 do Decreto n. 3.000/1999 e desde que apurado ganho de capital tributável; - o agente fiscal glosou o montante de R$ 3.998.753,20 registrado no Livro-Caixa da atividade agropecuária como custos e despesas da produção rural, relacionando os dispêndios rejeitados no anexo 13 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal; - apesar do escasso prazo de 30 (trinta) dias disponível para que o Impugnante preparasse sua defesa, conseguiu ele levantar documentação que comprova significativa parcela das despesas glosadas (does. 16 a 18; - foram glosadas também despesas correlatas ao pagamento dos funcionários empregados na atividade rural, as quais são comprovadas pela anexa folha de pagamento mensal; - foram glosadas também despesas decorrentes de notas de débitos emitidas pela Agropecuária Nova Vida Ltda., cuja respectiva obrigação foi devidamente registrado no livro razão da mencionada empresa - vide lançamento em 31/12/2008 no montante de R$ 1.434.133,82 - (doe. 8); - opinião do Auditor Fiscal, confrontando os fatos efetivamente ocorridos e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver, o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE, encontra-se em completa desconformidade com os artigos 108,114,116,142, entre outros, do Código Tributário Nacional; - a legislação pátria, como visto, exige que a atividade do lançamento seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditor fiscal ao texto da lei e à realidade. E tal vinculação é imprescindível, a fim de manter a atividade administrativa do lançamento em conformidade com os princípios da tipicidade fechada e da estrita legalidade em matéria tributária; - em decorrência, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos, impõe-se concluir que a falta de verificação integral, por parte das autoridades administrativas, dos FATOS e das normas legais a estes aplicáveis, afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento realizado, elementos esses indispensáveis para que o auto de infração possa prosperar; - o lançamento fiscal fere de maneira inaceitável o princípio da verdade material, posto não se adéqua as presunções nele apresentada à realidade fática das operações realizadas; - ainda que a exigência fiscal em referência não fosse completamente inválida, tem-se que a multa de 75% do tributo exigido aplicada pelo agente fiscal possui nítido caráter confiscatório, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGENS - RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. Por tratar-se de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RECEITA ESTRANHA À ATIVIDADE CONSIDERADA NO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que receita estranha à atividade rural foi incluída na apuração da base de cálculo, o lançamento deve ser alterado para deduzir o valor considerado. ATIVIDADE RURAL - GLOSA DE DESPESAS - COMPROVAÇÃO. Comprovadas nos autos despesas de custeio na atividade rural glosadas no lançamento, a dedução deve ser restabelecida. ATIVIDADE RURAL - OMISSÃO DE RECEITAS - RESULTADO TRIBUTÁVEL LIMITADO EM 20% DA RECEITA BRUTA. Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no ano-calendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limita-se a vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934), João Arantes Neto apresenta Recurso Voluntário em 07/04/2014 (fls. 2936/3002), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934) e, em 07/04/2014, interpôs o recurso de fls. 2936 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/14, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.370.407,94. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas indevidamente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .7 21 11 0/ 20 13 -6 2 Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: exerce, primordialmente, atividade rural de criação e engorda de gado, em áreas rurais localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso, consoante consignado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (doe. 4) tempestiva e regularmente entregue; possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária, dentre as quais se destacam, pela relação que guarda com parte das receitas tidas por omitidas, que será demonstrada e comprovada a seguir, a sociedade Agropecuária Nova Vida Ltda., e a GAINSA Ltda; no exercício de suas atividades e por conta de financiamentos rurais não tempestivamente quitados e em discussão judicial, o Impugnante acabou por ter contas bancárias de sua titularidade bloqueadas, as quais se mostravam essenciais não só para subsidiar seu sustento e da sua família, como também para prover a movimentação financeira necessária à realização da atividade pecuária; celebrou o Impugnante, bem como seu irmão Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF n. 127.472.78808, também produtor rural, ajuste contratual com sua irmã, Ana Paula Arantes Vasone, inscrita no CPF n. 127.472.79871, pelo qual esta lhes cedeu o direito de utilização da conta corrente de sua titularidade, de n. 1662318, mantida na agência 319, do HSBC Bank Brasil S/A, para a movimentação, exclusivamente, dos recursos relacionados à atividade rural; posteriormente, foram assinados aditivos para incluir as contas ns. 60017735, agência 1757, do Banco Real ABN Amro S/A, e 0008396, agência 05725, do HSBC Bank Brasil S/A. (does. 5A e 5B1), de titularidade da irmã Ana Paula Arantes Vasone, entre as passíveis de utilização exclusiva para a movimentação de recursos da atividade rural; o agente autuante promoveu a intimação do Impugnante para apresentação de extratos e documentos correlatos às contascorrentes em seu nome e em nome de seu cônjuge sem ter sido intimada a co titular; exigência, por mera presunção comum, de tributo sobre valores que efetivamente não constituem fato gerador da exação, sem dúvida, ofende o art. 150, I, da Constituição Federal, bem como representa descumprimento da atividade concernente à apuração e ao lançamento do crédito tributário, regulados pelo art. 142 do Código Tributário Nacional; a análise do procedimento inicial de apuração do valor objeto de autuação demonstra claro vício, que acabou por determinar a exigência de valor de Imposto de Renda indevido sobre verba já apresentada à tributação pelo Impugnante; o agente fiscal deixou de considerar as receitas já submetidas à tributação na declaração entregue tempestivamente pelo Impugnante (doe. 4), no qual se verifica que declarou ele, no anocalendário de Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 4 3 2008, rendimentos de aplicações financeiras, os quais, já tendo sido apresentados à apuração o Imposto de Renda, não poderiam ser incluídos na apuração da base de cálculo da autuação em comento; e mais, deixou de considerar, também, variações patrimoniais suportadas pelo Impugnante, como, por exemplo, a elevação de sua dívida no anocalendário de 2008; em vista da faculdade outorgada pela legislação de tributação da atividade rural limitada a 20% da atividade rural e tendo o agente fiscal apurado situação em que tal regra possibilitaria tributação mais vantajosa, não poderia ele se furtar à aplicação de tal forma de apuração; não foram excluídos todos os valores que não representam renda, tais como, por exemplo, aqueles decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular e de resgates de aplicações financeiras, bem como alguns valores oriundos de empréstimos rurais ou de outras operações que não se confundem com renda ou que não se refiram a receitas omitidas por falta de comprovação; crédito (item 110 do Anexo 6 do Auto de Infração) realizado pelo BANIF Banco de investimento (Brasil) S.A., inscrito no CNPJ/MF n. 33.753.740/000158, conforme identificado no próprio extrato bancário, por meio de TED em 05/12/2008, no valor de R$ 6.017.618,99, na conta corrente n. 80010130, na Ag. 1757 do Banco Real, referente à liberação dos recursos oriundos da emissão da Cédula de Produto Rural Financeira n. 001/2009, emitida nos termos da Lei n. 8.929, de 1994, com data de vencimento em 24/7/2009, conforme cópia da CPR FINANCEIRA anexa (doe. n.7), o que se constitui em uma operação de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; créditos realizados pela empresa ligada ao Impugnante denominada Agropecuária Nova Vida Ltda., inscrita no CNPJ/MF n. 05.897.863/000127, conforme identificação constante no próprio extrato da conta bancária n. 80010130, na Ag. 1757 do Banco Real, decorrentes de contacorrente mantida com o Impugnante, conforme relação constante da cópia do razão contábil daquela empresa (doe. 8), constituindose em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; créditos na conta n. 50010548, ag. 1757, do Banco Real, decorrentes de transferência de outras contas do mesmo titular, identificadas como TED D, que não representam renda; créditos na conta n. 163651, na Ag. 11789, do Banco do Brasil, realizados por meio de TED ou DOC do mesmo titular, conforme identificado no próprio extrato bancário pela indicação do CPF do Impugnante de n. 271.714.06890; transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.79871, a crédito da conta corrente n. 80010130, Ag. 1757, do Banco Real, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindose em Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 5 4 verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e, portanto, não se configurando em renda do Impugnante; transferências das contas correntes de titularidade da irmã do Impugnante Ana Paula Arantes, inscrita no CPF/MF sob o n. 127.472.79871, a crédito da conta corrente n. 16.3651, Ag. 11789, do Banco do Brasil, em razão do ajuste para utilização de conta bancária conforme contrato e aditivo anexos (does. 5 a 5B), constituindose em verdadeira transferência entre contas do mesmo titular e portanto, não se configurando em renda do Impugnante; transferências de contas correntes de titularidade do irmão do Impugnante Ricardo Borges Arantes, inscrito no CPF/MF sob o n. 127.472.78808, conforme identificado no próprio extrato bancário, a crédito da conta corrente n. 16.3651, Ag. 11789, do Banco do Brasil, em face da realização conjunta da atividade de pecuária de corte (doe. 9), constituindose em conta corrente entre eles e portanto, não se configurando em renda; créditos oriundos de TED D, da mesma titularidade, realizados na conta corrente n. 50010548, da ag. 1757, do Banco Real, realizados pela Link S.A. CCVM, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 02.819.125/0001 73, conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos de operações realizadas em Bolsa de Valores, cujos resultados estão devidamente declarados no Anexo de Renda Variável da Declaração de Ajuste Anual entregue tempestivamente e comprovados por meio do extrato da conta mantida na referida corretora, atualmente UBS; créditos oriundos de resgates de aplicações financeiras, realizados na conta corrente n. 50010548, da ag. 1757, do Banco Real (doe. 11), conforme identificado no próprio extrato bancário, oriundos da conta de investimentos mantida no mesmo banco e agência com o n. 60010548 e identificada no mesmo extrato da conta corrente normal; créditos oriundos da contratação de CDC, realizados na conta corrente n. 163651, da ag. 11789, do Banco do Brasil (doe. 9), conforme identificado no próprio extrato bancário, constituindose em operações de empréstimo de recursos (dívida) e não renda; crédito recebido na conta corrente n. 80010130, da ag. 1757, do Banco Real, oriundo de devolução de empréstimo anteriormente efetuado a Henrique Pereira de Ávila, CPF n. 198.417.10110. Observese que no dia 28/07/2008 foi efetuada o empréstimo no exato montante de R$ 1.000.000,00 a Henrique Alves de Ávila, como se observa do anexo comprovante de TED (doe. 12), razão pela qual a devolução do referido numerário, por certo, não constitui renda; créditos recebidos na contacorrente 259994, da ag. 319, do HSBC, decorrentes de cobertura de cheques emprestados a terceiro. Verifica se no extrato da referida conta (doe. 13) que nas mesmas datas foram descontados cheques nos exatos valores recebidos pelo Impugnante na forma acima discriminada; do acima exposto, parte significativa (R$ 15.155.988,82) da diferença de RS 22.079.240,65 identificada pelo agente fiscal como omissão de Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 6 5 receita, referemse a operações que não representam renda tributável mas sim, ingressos de outras naturezas; o agente fiscal relaciona como receita valor que ele mesmo identificou tratarse de adiantamento correlato a notas fiscais emitidas em ano posterior ao fiscalizado; diante de tal declaração do próprio agente fiscal, bem como da sistemática prevista no art. 61, § 2o , do Decreto n. 3.000/19994 , que determina expressamente que a receita decorrente da venda para entrega futura deve ser computada somente quando da efetiva entrega do produto, não há dúvida quanto a incorreção do trabalho fiscal; a venda terras Tarauaca/acre, conforme compromisso de compra e venda de quotas, jamais poderia ser considerado como receita da atividade agropecuária, posto que concernente a venda de quotas de capital de sociedade empresária; incorretamente incluiu tal receita na apuração do imposto devido sobre a comercialização decorrente das atividades agropecuárias (art. 61 do Decreto n. 3.000/1999), quando a tributação correta de tal operação se dá nos termos do art. 138 do Decreto n. 3.000/1999 e desde que apurado ganho de capital tributável; o agente fiscal glosou o montante de R$ 3.998.753,20 registrado no LivroCaixa da atividade agropecuária como custos e despesas da produção rural, relacionando os dispêndios rejeitados no anexo 13 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal; apesar do escasso prazo de 30 (trinta) dias disponível para que o Impugnante preparasse sua defesa, conseguiu ele levantar documentação que comprova significativa parcela das despesas glosadas (does. 16 a 18; foram glosadas também despesas correlatas ao pagamento dos funcionários empregados na atividade rural, as quais são comprovadas pela anexa folha de pagamento mensal; foram glosadas também despesas decorrentes de notas de débitos emitidas pela Agropecuária Nova Vida Ltda., cuja respectiva obrigação foi devidamente registrado no livro razão da mencionada empresa vide lançamento em 31/12/2008 no montante de R$ 1.434.133,82 (doe. 8); opinião do Auditor Fiscal, confrontando os fatos efetivamente ocorridos e os dispositivos legais aplicáveis, constituiu, bem de se ver, o elemento imponível do ato tributário. E a realização dos lançamentos em bases nitidamente subjetivas, sem vinculação com a REALIDADE, encontrase em completa desconformidade com os artigos 108,114,116,142, entre outros, do Código Tributário Nacional; a legislação pátria, como visto, exige que a atividade do lançamento seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditor fiscal ao texto da lei e à realidade. E tal vinculação é imprescindível, a fim de manter a atividade administrativa do lançamento em Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 7 6 conformidade com os princípios da tipicidade fechada e da estrita legalidade em matéria tributária; em decorrência, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos, impõese concluir que a falta de verificação integral, por parte das autoridades administrativas, dos FATOS e das normas legais a estes aplicáveis, afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento realizado, elementos esses indispensáveis para que o auto de infração possa prosperar; o lançamento fiscal fere de maneira inaceitável o princípio da verdade material, posto não se adéqua as presunções nele apresentada à realidade fática das operações realizadas; ainda que a exigência fiscal em referência não fosse completamente inválida, temse que a multa de 75% do tributo exigido aplicada pelo agente fiscal possui nítido caráter confiscatório, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGENS RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. Por tratarse de tributação mais benéfica ao contribuinte, as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 8 7 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RECEITAS RECEITA ESTRANHA À ATIVIDADE CONSIDERADA NO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que receita estranha à atividade rural foi incluída na apuração da base de cálculo, o lançamento deve ser alterado para deduzir o valor considerado. ATIVIDADE RURAL GLOSA DE DESPESAS COMPROVAÇÃO. Comprovadas nos autos despesas de custeio na atividade rural glosadas no lançamento, a dedução deve ser restabelecida. ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RECEITAS RESULTADO TRIBUTÁVEL LIMITADO EM 20% DA RECEITA BRUTA. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitase a vinte por cento da receita bruta do ano calendário. Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934), João Arantes Neto apresenta Recurso Voluntário em 07/04/2014 (fls. 2936/3002), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 2934) e, em 07/04/2014, interpôs o recurso de fls. 2936 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. A fiscalização deu início ao procedimento fiscal, em razão da movimentação financeira incompatível com as informações apresentadas na Declaração de Ajuste/2009. Ato continuo, intimou o contribuinte a apresentar extratos bancários de suas contas correntes, além de esclarecimentos relativos ao seu movimento financeiro. Em resposta à intimação, o suplicante alegou que exerce atividade rural de criação e engorda de gado, em áreas rurais localizadas no Estado de Rondônia e Mato Grosso. Asseverou que possui diversas empresas, que também se dedicam, primordialmente, à atividade agropecuária. Intimado a comprovar a Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 9 8 origem dos créditos bancários, apresentou novos esclarecimentos e farta documentação, ressalvando, todavia, dificuldade na obtenção da prova, em razão do tempo decorrido. Após compulsar a documentação apresentada, entendeu a autoridade fiscal que não houve a comprovação efetiva da totalidade dos valores aportados em seu movimento bancário, razão pela qual efetuou o lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, omissão de receita da atividade rural e despesas deduzidas indevidamente no livro caixa da atividade rural. Na fase impugnatória, como forma de comprovar a origem dos créditos havidos em seu movimento bancário, o contribuinte apresentou novamente grande quantidade de documentos. Após a análise da documentação ofertada, entendeu a autoridade recorrida que o suplicante logrou comprovar boa parte dos valores exigidos no lançamento e, por conseguinte, houve uma substancial exclusão do crédito tributário lançado, o que levou ao recurso necessário, na forma do forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008. Apesar de toda documentação juntada pelo contribuinte, em alguns casos, entendeu a autoridade julgadora a quo, que as provas apresentadas não foram suficientes para comprovar a origem dos valores levantados pelo fisco. Por sua vez, junta novamente o recorrente em seu apelo grande de quantidade de documentos, alegando que, em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, os documentos juntados às fls. 3056/3057 e fls. 3068/3333, referemse à transferência entre contas, além de resgates de aplicações financeiras. No que diz respeito à atividade rural, assegura que os documentos carreados às fls. 3185/3186 comprovam as despesas decorrentes de compra de gado e os documentos de fls. 3429/4055, referemse às despesas incorridas com a folha de pagamento. Pois bem, analisando detidamente os inúmeros documentos carreados, penso que há um forte indício de que o direito pleiteado de fato existe. Nesse passo, com o fito de conferir certeza ao crédito tributário lançado, bem como em homenagem ao princípio da verdade material, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que a autoridade lançadora providencie: 1 – Quanto aos depósitos de origem não comprovada: análise da autenticidade dos documentos juntados, já que os mesmos não passaram pelo crivo da fiscalização; levando em consideração o provimento parcial da Impugnação, apreciação dos novos documentos juntados com vista à identificação de origem relativa a possíveis resgates, empréstimos, créditos rurais e transferências bancárias; relação dos depósitos bancários com identificação de origem, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 2 – No que tange à atividade rural: análise da autenticidade dos documentos juntados, já que eles não passaram pelo crivo da fiscalização; à luz dos recolhimentos de INSS e FGTS, o valor pago a título de folha de pagamento; Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.721110/201362 Resolução nº 2201000.196 S2C2T1 Fl. 10 9 Relativamente aos novos documentos juntados, as despesas relativas à atividade rural; 3 – intimações e diligências necessárias para formação de convencimento; 4 – relatório com as conclusões do trabalho fiscal, inclusive dando ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar, no prazo de 5 dias. Ante a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4220DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13808.002681/2001-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PERDA DA DOCUMENTAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS INFRA-LEGAIS. IMPEDIMENTO PARA EXCESSO DE FORMALISMO.
Incêndio em que se perde parte significativa da documentação fiscal e contábil, cumprida todas as exigências fiscais previstas pelo RIR, não pode ser base para punição com base em formalismo exacerbado, pois destruídos os documentos não há como se fazer prova nos estritos termos da lei.
HOMOLOGAÇÃO, FORMAL OU TÁCITA, RECAI SOBRE TODA A APURAÇÃO E NÃO SÓ AO PAGAMENTO.
A homologação pela autoridade administrativa, seja formal ou tácita, não recai somente sobre o pagamento, mas sim sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. LIMITE TEMPORAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Somente deve ser deferida compensação de créditos líquidos e certos. Todavia, tal fato não permite concluir que não há limite temporal para análise da apuração do tributo que se pretende compensar.
Numero da decisão: 1302-001.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Andrade. Os Conselheiros Waldir Veiga da Rocha e Alberto Pinto Souza Júnior acompanharam o relator apenas no que tange o primeiro fundamento da decisão.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PERDA DA DOCUMENTAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS INFRA-LEGAIS. IMPEDIMENTO PARA EXCESSO DE FORMALISMO. Incêndio em que se perde parte significativa da documentação fiscal e contábil, cumprida todas as exigências fiscais previstas pelo RIR, não pode ser base para punição com base em formalismo exacerbado, pois destruídos os documentos não há como se fazer prova nos estritos termos da lei. HOMOLOGAÇÃO, FORMAL OU TÁCITA, RECAI SOBRE TODA A APURAÇÃO E NÃO SÓ AO PAGAMENTO. A homologação pela autoridade administrativa, seja formal ou tácita, não recai somente sobre o pagamento, mas sim sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. LIMITE TEMPORAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente deve ser deferida compensação de créditos líquidos e certos. Todavia, tal fato não permite concluir que não há limite temporal para análise da apuração do tributo que se pretende compensar.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Andrade. Os Conselheiros Waldir Veiga da Rocha e Alberto Pinto Souza Júnior acompanharam o relator apenas no que tange o primeiro fundamento da decisão. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
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CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS INFRALEGAIS. IMPEDIMENTO PARA EXCESSO DE FORMALISMO. Incêndio em que se perde parte significativa da documentação fiscal e contábil, cumprida todas as exigências fiscais previstas pelo RIR, não pode ser base para punição com base em formalismo exacerbado, pois destruídos os documentos não há como se fazer prova nos estritos termos da lei. HOMOLOGAÇÃO, FORMAL OU TÁCITA, RECAI SOBRE TODA A APURAÇÃO E NÃO SÓ AO PAGAMENTO. A homologação pela autoridade administrativa, seja formal ou tácita, não recai somente sobre o pagamento, mas sim sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. LIMITE TEMPORAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente deve ser deferida compensação de créditos líquidos e certos. Todavia, tal fato não permite concluir que não há limite temporal para análise da apuração do tributo que se pretende compensar. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Andrade. Os Conselheiros Waldir Veiga da Rocha e Alberto Pinto Souza Júnior acompanharam o relator apenas no que tange o primeiro fundamento da decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 26 81 /2 00 1- 96 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 2 (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.171 3 Relatório COMPANHIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGÁS, já qualificada nos autos, recorre do acórdão 1638.335, de 30/04/2012, da lavra da 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, indeferindo os pedidos de restituição e não homologando as compensações pleiteadas. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de pedidos de restituição de IRPJ e CSLL, cumulados com pedidos de compensação (fls. 01 a 06 – numeração original). Observese que o processo atualmente se encontra digitalizado, sendo que a numeração digital não coincide exatamente com a numeração em papel. A DERAT/SPO/DIORT/EQPIR/PJ, por meio do despacho decisório de fls. 138/141 (numeração digital) indeferiu os pedidos de restituição e não homologou os pedidos de compensação, nos seguintes termos, em síntese (a numeração indicada abaixo é a antiga, quando o processo ainda era em papel): O contribuinte acima identificado, por seu representante legal, através dos requerimentos de fls. 01, 02 e 03 protocolizado em 11/06/2001, solicita o Pedido de Restituição proveniente de imposto de renda pago por estimativa, contribuição social mensal paga por estimativa e por fonte retida por Órgão Público no anocalendário de 2000, conjugandoos com Pedidos de Compensação de fls. 4 a 6. Às fls. 07 a 09 anexou demonstrativos dos valores solicitados a titulo de restituição. Ao se analisar a Ficha 11 da DIPJ/2001 (fls. 45 a 48) – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, verificase que o contribuinte apura Imposto de Renda a Pagar nos meses 02, 04 e 05 de 2000, e, conforme pesquisa no sistema online SINAL08 (fl. 133), não consta, no referido ano, nenhum pagamento sob o código 2362 e, ao ser pesquisado o sistema online DCTF verificouse que tais valores foram declarados e compensados “sem DARF”, através de “IRPJ saldo negativo”, sem entretanto, esclarecerse o período a que se referia tal saldo credor, conforme previsto em lei (fls. 119 a 125). Assim, fica prejudicado o valor declarado na Ficha 12 A – linha 16 – Imposto de Renda Pago por Estimativa, à fl. 49. Tendo em vista que o contribuinte solicitou crédito de IRPJ referente apenas às estimativas, seu pleito deve ser indeferido. Relativamente ao valor solicitado a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retida por Órgão Público, conforme Instrução Normativa SRF/STN/SFN nº 04, de 18/08/1997: Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 4 Art. 5º “ Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fato geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único – O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante da coluna 03... (Anexo I).” E, conforme o Anexo I – Tabela de Retenção – a alíquota a ser utilizada a título de CSLL é de 1%. E após analisar às fls. 94 a 98, comprovase, através do sistema online SIEF, os valores retidos como CSLL sobre Órgão Público, no total de R$ 424,71, conforme abaixo discriminado. RENDIMENTO BRUTO CSSL SOBRE ÓRGÃO PÚBLICO 2.337,50 23,37 5.274,03 52,74 703,86 7,03 3.261,97 32.61 30.896,43 308,96 TOTAL 424,71 E, finalmente, quanto à CSLL mensal paga por estimativa, o contribuinte, na Ficha 16 – linha 07, meses de 02, 04 e 05 de 2000, fls. 15 e 16, apurou CSLL a pagar. Entretanto, conforme pesquisa no sistema online SINAL08 (fls. 132) não consta no referido ano nenhum pagamento sob o código 2484 e, ainda, ao ser pesquisado o sistema online DCTF, verificouse que tais valores foram declarados e compensados “sem DARF”, com a utilização de “CSLL saldo negativo”, sem, entretanto, esclarecerse o período a que referia tal saldo credor, conforme previsto em lei (fls. 126 a 131). Assim sendo, fica prejudicado o valor declarado na Ficha 17 – linha 38 – CSLL Mensal Paga por Estimativa (fl. 54). Diante do exposto, proponho a VSA., o reconhecimento do direito creditório na importância de R$ 424,71, para o ano calendário de 2000, referente à CSLL, ao qual deverão ser acrescentados os juros equivalentes à taxa SELIC, homologandose os Pedidos de Compensação de fls. 04, 05 e 06, até o limite do crédito reconhecido. A Interessada, notificada do indeferimento (fls. 345 verso), manifestou sua inconformidade (fls. 151 a 156), por meio de seu procurador (fls. 157 a 170), alegando, em síntese, que: O único lapso em que eventualmente incorreu a Manifestante foi não esclarecer a qual período se referia o seu saldo credor. Não se discutiu, assim, o procedimento adotado pela Manifestante. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.172 5 Imposto de Renda Mensal por Estimativa No exercício de 1998, a Manifestante apurou crédito relativo a IRPJ no valor de R$ 1.555.605,55, como se infere da Ficha 13 – Cálculo do Imposto de Renda Lucro Real da DIPJ/1999 – ano calendário 1998. Referido saldo passou a ser atualizado a partir de janeiro de 1999 e em fevereiro de 2000 já perfazia o montante de R$ 1.958.974,07, conforme planilha anexa. O saldo acima aludido foi utilizado da seguinte forma pela Manifestante: (i) R$ 703.290,00 para competência de fevereiro/2000 (compensação em março de 2000); (ii) R$ 464.005,53 para o IRPJ competência de abril de 2000 (compensação em maio de 2000); e (iii) R$ 709.534,52 para o pagamento do IRPJ competência de maio de 2000 (compensação junho de 2000) (planilha doc “IRPJ 1998”) (doc. 4). Tendo a Manifestante saldo creditório no valor de R$ 1.958.974,07 e, tendo sido apurado IRPJ a pagar no valor de R$ 1.876.830,05, totalmente legal e coerente a compensação efetuada, a qual deverá ser homologada nessa oportunidade. CSLL por Estimativa Conforme planilha anexa aos autos, a Manifestante possuía, em fevereiro de 2000, saldo creditório referente à CSLL a compensar no valor de R$ 4.028.351,00 (doc. 5). Nessa esteira, quando a Manifestante deparouse com CSLL a pagar no exercício de 2000, no valor de R$ 641.377,7, entendeu por bem exercer o seu lídimo direito de compensação. Com vistas a demonstrar a origem do seu saldo creditório, a Manifestante acosta ao presente cópia do saldo contábil de impostos a compensar e a sua respectiva abertura. Verificarseá que, na conta 11080122 – “Imposto Antecipados” do balancete, o saldo em dezembro de 2000 monta em R$ 9.500.619,93 (doc. 6), dentro do qual está incluso o crédito de R$ 4.028.351,00, acima mencionado. Como suporte desse valor, apresentamos o controle de Conciliação dos Impostos Antecipados (doc. 7), o qual demonstra que o saldo de CSLL de 1998 era, em fevereiro de 2000, de R$ 4.028.350,56, e, em dezembro de 2000, passou a R$ 3.585.391,43. Esclarece a Manifestante que a respectiva baixa (diferença entre fev/2000 e dez/2000 – R$ 442.959,13) não corresponde exatamente à compensação em 2000 (R$ 641.377,79) porque o saldo foi atualizado pela SELIC. Em outras palavras, apesar do saldo compensado em 2000 perfazer o montante de R$ 641.377,13, a movimentação do saldo Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 6 no ano teve uma redução de somente R$ 442.959,13, em decorrência da aplicação da Taxa SELIC. Nesse diapasão, totalmente legal a compensação efetuada pela Manifestante, a qual deverá ser deferida. Por meio do despacho de fls. 188 (a numeração utilizada a partir de agora será a digital), a Autoridade Preparadora encaminhou os autos à esta Delegacia de Julgamento, ressaltando que o processo encontrase com pendência de compensação, assim como o saldo residual após compensação está lançado na DCTF. Tendo o processo sido distribuído para esse relator, entendeuse pela necessidade de diligência, com o conseqüente envio dos autos ao Órgão de origem, para que fossem respondidos três quesitos pela DERAT/SPO/DIORT, com base em verificações a serem efetuadas junto aos livros e documentos contábeis e fiscais da Interessada, e demais meios necessários. Os quesitos estão abaixo reproduzidos: 1. O saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1998 foi objeto de pedido de restituição ou de compensação (inclusive em DCTF), que não a narrada na Manifestação de Inconformidade? Qual o valor residual? Esse valor é suficiente para a compensação pleiteada na DCTF do anocalendário de 2000? 2. O saldo negativo de CSLL realmente existia no ano calendário de 2000, conforme alegado? Foi ele objeto de pedido de restituição ou de compensação (inclusive em DCTF) que não a informada na Manifestação de Inconformidade? Qual o valor residual? Esse valor é suficiente para a compensação pleiteada na DCTF do anocalendário de 2000? 3. As compensações dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL com as respectivas estimativas mensais devidas no ano calendário de 2000 foram realizadas em época própria pela Manifestante, em sua escrita fiscal? Em atenção ao despacho supra mencionado, foi elaborado, pela EQPIR/DIORT/DERATSPO, o despacho de diligência de fls. 907/913. Primeiramente, foi informado que não haveria relação entre o Processo Administrativo n° 13808.002682/200131 (cópia parcial às fls. 769/793) e o presente, sendo que este último teria sido aberto para abrigar os seguintes pedidos: “1.2.1 Pedido de Restituição de Imposto de Renda Mensal por estimativa do anocalendário 2000 no valor de R$ 1.876.830,05, que o contribuinte corrigiu para R$ 1.990.941,32 (fls. 03 – 10), e que foi registrado (o valor original) na linha 16 da Ficha 12A da DIPJ/2001 (fl. 17). Conforme se verifica, o contribuinte, ao invés de solicitar Restituição do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 2000, considerando não ter apurado Imposto Devido no período e ter registrado antecipações, protocolou pedidos separados de restituição para valores retidos na fonte e pagos por estimativas mensais; 1.2.2 Em procedimento análogo, também solicitou Restituição de CSLL mensal paga por estimativa no anocalendário 2000 no valor de R$ 641.377,79, que foram corrigidos para R$ 680.373,56 (fls. 05 11), sendo que o valor original corresponde Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.173 7 ao registrado na linha 38 – CSLL mensal paga por estimativa da Ficha 17 – Cálculo da CSLL da DIPJ/2001 (fl. 22); 1.2.3 – Pedido de restituição da CSLL retida por órgão público nesse mesmo exercício, no valor de R$ 6.834,58 (linha 41 da Ficha 17 acima mencionada), que o contribuinte corrigiu para R$ 7.250,12 (fls. 06 22). Relatouse ainda que o Despacho Decisório da EQPIR/DERAT de 19/05/2006 (fls. 138/141) indeferiu os pedidos descritos nos itens 1.2.1 e 1.2.2 acima, por ter o contribuinte informado pagamento das estimativas em questão por compensações sem DARF de créditos de Saldos Negativos sem especificação dos períodos a que se referiam, e validou parcialmente, no valor de R$ 424,71, o pleito descrito no item 1.2.3. Por fim, informouse que para atendimento da solicitação desta DRJ, foi expedida em 01/12/2011 Intimação solicitando o fornecimento, no prazo de 30 dias, de esclarecimentos e documentos (fls. 208/209). Em 13/01/2012 foi solicitada prorrogação de 15 dias (fls. 211/221), aos quais se seguiram mais 5 dias por pedido de 30/01/2012 (fls. 222/226). Em 07/02/2002 foram protocolados a resposta e anexos de fls. 227/768, em que ainda pleiteia a concessão de prazo adicional de 5 dias para juntada de declaração atestando que os créditos em análise não foram utilizados em outras compensações. Essa declaração não foi entregue até a data de elaboração do despacho de diligência. As respostas apresentadas aos três questionamentos, pela Autoridade Administrativa, com base nas verificações pertinentes, foram as seguintes: Ia) O saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1998 foi objeto de pedido de restituição ou de compensação (inclusive em DCTF), que não a narrada na Manifestação de Inconformidade? Pesquisa efetuada no sistema DCTF/GER (fls. 795/796) indicam a ocorrência, no período de 01/01/1999 a 31/12/2003, de utilização de Saldos Negativos de IRPJ sem indicação de a que anocalendário se referem apenas nas três compensações de estimativas indicadas pelo contribuinte em sua manifestação e mencionadas no parágrafo anterior, atribuindo o crédito ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 ( fls. 797/799). As outras compensações com saldos negativos de IRPJ constantes do sistema (fls. 800/803) indicam sempre data de apuração de 31/12/2000 para o saldo negativo. As únicas compensações que o sistema DCTF registra que podem então ser atribuídas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 são aquelas indicadas pelo contribuinte e de interesse desta análise. Também foi efetuada pesquisa, que se revelou negativa (fls. 805/806), no sistema PER/DCOMP visando identificar possíveis Pedidos de Restituição ou Declarações de Compensação envolvendo o crédito aqui tratado a partir da implantação do sistema e até 31/12/2004, data em que já estaria prescrito o direito do contribuinte à restituição de valores de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 1998. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 8 Adicionalmente, foi verificado o sistema COMPROT visando identificar, para os processos administrativos protocolados entre 01/01/1999 a 02/01/2004, data após a qual eventuais pedidos de restituição seriam atingidos pelo instituto da prescrição, a possível ocorrência de pedidos de restituição/compensação envolvendo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 (fls. 807/821). Dos 50 processos identificados, 22 fazem referência a IRPJ ou IRRF no campo “assunto” do protocolo e foram objeto de verificação, que é resumida no Demonstrativo de fls. 822/823. Não foram identificados processos que possam ter utilizado Saldo Negativo de IRPJ, IRRF ou antecipações de IRPJ referentes ao anocalendário 1998, objeto deste tópico. Ib) Qual o valor residual? (A Autoridade Administrativa não apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário 1998, não havendo que se falar em valor residual) Ficaram comprovados os valores de R$ 1.412.113,21 de estimativas pagas por DARF e de IRRF no total de R$ 1.060.108,92, somando R$ 2.472.222,13 de deduções possíveis do IR devido de R$ 5.057.033,43, com o que teria havido valores a pagar de IRPJ e não saldo negativo no anocalendário 1998. Ic) Esse valor é suficiente para a compensação pleiteada na DCTF do ano calendário de 2000? Os cálculos do sistema NeoSapo (fl. 804) indicam ser o valor do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 1998 informado na DIPJ/1999, R$1.555.605,55, caso venha a ser reconhecido, suficiente para suportar as compensações das estimativas de IRPJ do anocalendário 2000 informadas em DCTF’s (fls.127/129). IIa) O saldo negativo de CSLL realmente existia no anocalendário de 2000, conforme alegado? O saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 constante da DIPJ/2001 (fls.877) derivou da não apuração de Contribuição devida no período, com o que os R$641.377,79 informados como tendo sido pagos como estimativa ( R$ 223.722,66 em Fevereiro, R$ 179.489,36 em Abril e R$ 238.165,77 em Maio), mais R$ 6.834,58 informados como CSLL retida na fonte por órgão público ( dos quais R$ 424,71 foram validados pelo Despacho Decisório da DERAT de fls. 138/141), teriam gerado o referido crédito. Conforme se verifica nas DCTF’s dos meses indicados, tais pagamentos de estimativa teriam sido efetuados com compensações de créditos de Saldo Negativo de CSLL sem especificação de a que ano se referiam (fls.133/135). Na Manifestação de Inconformidade contraposta ao Despacho Decisório da DERAT (fls. 151/156), para dar suporte ao pagamento dessas estimativas de CSLL o contribuinte alega que tinha à disposição, em fevereiro de 2000, “... saldo creditório referente à CSLL a compensar no valor de R$ 4.028.351,00...”. Informa ter acostado à Manifestação “... cópia do saldo contábil de impostos a compensar e sua respectiva abertura.” E que “verificarseá que, na conta 11080102 ‘Impostos Antecipados’ Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.174 9 do balancete, o saldo em dezembro de 2000 monta em R$9.500.619,93, dentro do qual está incluso o crédito de R$ 4.028.351,00 acima mencionado.” (transcrevemos os trechos) Considerando que o demonstrativo enviado sob o título “Movimentação de Tributos a Compensar” iniciase com valor de Saldo Inicial de Dezembro de 1998 no valor de R$ 2.039.855,00 (fl. 180), que o contribuinte corrige, sem efetuar nenhuma dedução, até Fevereiro de 2000 para R$ 4.028.351,00, foi o mesmo instado, pela Intimação de 01/12/2011 (fls. 208/209), a fornecer documentação comprobatória consistente e inequívoca da origem desses créditos, bem como fornecer declaração escrita, na forma da lei, atestando não ter havido outras utilizações de valores além daqueles mencionados nos demonstrativos. Em sua resposta de 07/02/2012 (fls. 227/229 – anexos de fls. 230/768), o contribuinte faz referência à formação de Saldo Negativo de CSLL no anocalendário de 1997 no valor de R$ 1.927.642,57 e de R$ 782.616,90 no anocalendário de 1998. E acrescenta: “Esse saldo negativo de CSLL de 1998 se somou ao saldo negativo de 1997. Assim, o contribuinte não se utilizou do saldo negativo de CSLL apurado em 1997 no exercício de 1998 e, além disso, também apurou saldo negativo da contribuição neste último exercício, estando esses saldos negativos – créditos – devidamente demonstrados na tabela anexa – doc. 04 (referência 12/98). E foi parte desses créditos que o contribuinte utilizou para pagamento das estimativas mensais de CSLL no exercício de 2000”. (transcrevemos) Interessante analisar a digressão engendrada pelo contribuinte para demonstrar o que considera Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 1997, ao descrever o conteúdo da Ficha 11 da DIPJ/1998 : “Conforme depreendese da DIPJ referente ao ano calendário 1997 (doc. 02A), a contribuinte recolheu CSLL por estimativa no montante de R$ 1.925.425,57. Essas estimativas foram pagas mediante compensação com tributos indevidos / a maior conforme ficha 09 da DIPJ, linha 20. Em seguida, apurou a Contribuição do exercício sobre o lucro real no valor de R$ 1.905.500,48, resultando num saldo negativo de CSLL de R$ 20.142,09. Este saldo negativo de CSLL (R$ 20.142,09) somado às compensações de pagamentos indevidos ou a maior no montante de R$ 1.902.924,48 e às retenções de CSLL por Órgão Público de R$2.576,00 perfizeram um Saldo Negativo total de CSLL no ano calendário de 1997 de R$ 1.925.642,57.” (transcrevemos) Ou seja: o contribuinte apurou valor devido de R$ 1.905.500,48 e deduziu R$1.925.642,57 (estimativas de Abril a Novembro de 1997) de alegados créditos de pagamentos indevidos ou a maior, gerando saldo negativo de R$ 20.142,09. Ao invés de considerar este o seu crédito para com a Fazenda Pública, pretendeu adicionar ao mesmo R$ 1.902.924,48 de “compensações de Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 10 pagamentos indevidos ou a maior” não identificados, e R$ 2.576,00 de CSLL retida na fonte, também por órgãos públicos não informados, criando um “segundo saldo negativo” da contribuição em questão, de R$ 1.925.642,57, coincidentemente o mesmo valor do total de estimativas compensadas com créditos de pagamento indevido ou a maior (fl. 855). Considerando que as DCTF’s mensais do anocalendário 1997 não informam valores devidos de CSLL (fl. 881), e conseqüentemente quais seriam esses créditos por pagamentos indevidos ou a maior que teriam amortizado as estimativas, nem há qualquer comprovação desses valores no processo, não reconhecemos sequer os R$20.142,09 de saldo negativo, digamos, primário, de CSLL do anocalendário em questão informado na DIPJ/1998. Também não foram localizados pagamentos por DARF de estimativas no período no SINAL08(fl. 893). Apenas para constar, o contribuinte não apresentou nenhum comprovante de rendimento que justificasse os alegados créditos por retenção em fonte da contribuição, que ademais não encontram nenhum respaldo em consulta ao sistema IRF Consulta da Receita Federal (fl. 887). Quanto ao Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 1998, o contribuinte apurou R$ 1.754.886,83 de valor devido, dos quais deduziu R$ 2.537.503,73 a título de pagamentos mensais por estimativa, gerando então crédito de R$ 782.616,90 (fl. 863). A análise das fichas de apuração mensal da contribuição (fls. 857/862) indicam terem sido essas estimativas pagas com créditos de pagamentos indevidos ou a maior. No entanto, não há no processo, nem constam das DCTF’s referentes ao ano calendário 1998 (fl. 881), que não registram nenhum débito apurado, qualquer informação que possa comprovar a existência de créditos, e de qual natureza, que pudessem ter sido utilizados para a amortização das estimativas em questão. Não validamos, portanto, o crédito de Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 1998, no valor de R$ 782.616,90. Não reconhecemos, portanto, os créditos de saldo negativo de CSLL dos anoscalendário 1997 e 1998 que dariam suporte ao pagamento das estimativas dessa contribuição no ano calendário 2000, que deu origem ao Pedido de Restituição de R$641.377,79 aqui analisado, e que portanto consideramos inconsistente. IIb) Foi ele objeto de pedido de restituição ou de compensação (inclusive em DCTF) que não a informada na Manifestação de Inconformidade? Qual o valor residual? Esse valor é suficiente para a compensação pleiteada na DCTF do ano calendário de 2000? (A Autoridade Administrativa não apurou saldo negativo de CSLL no anocalendário 2000, não havendo que se falar em valor residual) Pesquisas efetuadas nos sistemas COMPROT (fls. 807/821839) e PERDCOMP (fls.878/879) não identificaram utilizações de saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998 em outros processos/declarações de compensação. O sistema DCTFGER indica a ocorrência apenas, no período de 1999 a 2003, de Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.175 11 utilização de saldos negativos dessa contribuição na compensação de débitos apenas nos casos das estimativas de CSLL de Fevereiro, Abril e Maio de 2000 tratadas neste processo (fls. 905/906). III) As compensações de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com as respectivas estimativas mensais devidas no anocalendário de 2000 foram realizadas em época própria pela Manifestante, em sua escrita fiscal? A Intimação de 01/12/2011 também instou o contribuinte a fornecer comprovação hábil e idônea dos registros em sua escrita fiscal dos pagamentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário 2000 com os créditos desse Imposto e Contribuição de períodos anteriores informados no processo, por todos os meios passíveis de prova, anexando, se for o caso, cópias autenticadas dos documentos envolvidos. A resposta de 07/02/2012 protocolada pelo contribuinte (fls. 227/768) assim se manifesta a respeito: “Em atenção ao segundo questionamento da r. Fiscalização, o contribuinte apresenta as DCTF’s dos anos de 1998, 2000 e 2001 (docs. 05 a 07) e DIPJ do ano calendário 2000 (doc. 08), pelo qual comprova que não houve outras utilizações dos créditos apurados, senão as mencionadas nos demonstrativos.” “Ademais, esses documentos atestam o pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apurados no ano de 2000 com os respectivos créditos desse imposto e contribuição apurados em períodos anteriores. Ou seja, demonstram que houve adequado registro fiscal da compensação dos créditos – saldo de imposto e contribuição dos anos anteriores – com os débitos do presente processo.” (transcrevemos) Os documentos a que faz menção essa resposta são cópias de DCTF’s e DIPJ’s transmitidas à Receita Federal, acompanhadas de demonstrativos internos sem assinatura, muitas vezes sem registro de a que período se referem e sem se revestirem das formalidades exigidas para serem considerados documentos contábeis legais. Não foram enviadas cópias de lançamentos no livro Diário que permitissem a verificação da contabilização dessas compensações, quando, com que créditos, e por quais valores. Não consideramos ter sido apresentada “... comprovação hábil e idônea dos registros em sua escrita fiscal dos pagamentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário 2000 com os créditos desse Imposto e Contribuição de períodos anteriores informados no processo”, como solicitado na Intimação Em 29/02/2012, foi dada ciência do despacho de diligência elaborado pela Autoridade Administrativa supra (fls. 919/920), tendo a empresa apresentado, em 12/03/2012 (segundafeira), as seguintes alegações por meio da manifestação de inconformidade de fls. 923/934: Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 12 Inicialmente há que se esclarecer que a Autoridade Fiscal não solicitou, no termo de intimação fiscal de 01/12/2011, nenhuma prova ou informação a respeito das estimativas de IRPJ pagas por meio de compensação com créditos decorrentes de pagamentos indevidos / a maior de períodos anteriores. Pelo contrário: em sua intimação, solicita essa comprovação tão somente em relação à prova de pagamento das estimativas de CSLL de 1998 (conforme se denota claramente do item 1 da intimação de 01/12/2011). Esse fato deixa evidente que as estimativas de IRPJ quitadas por compensação são válidas. Há sua regular declaração na DIPJ/1999 e referida declaração foi devidamente homologada dentro do prazo decadencial cabível à Receita Federal do Brasil para essa medida. Logo, não haveria como se aceitar que a Fiscalização deixasse de reconhecer as quitações de estimativas de IRPJ com créditos de pagamentos indevidos/a maior em 1998 (no montante de R$ 4.042.603,69). E às fls. 909 do "relatório fiscal", a Fiscalização alega não haver prova na DCTF 1998 dos "valores apurados de antecipação devidos no anocalendário 1998" e simplesmente deixa de validar o referido "crédito", ignorando o fato de que a DCTF 1998 é expressa ao declarar (a) a existência das referidas antecipações; e (b) que elas foram quitadas por meio de créditos de recolhimentos indevidos/a maior de exercícios anteriores. E mais: a DCTF 1998 foi devidamente homologada no prazo de 5 anos, não havendo que se exigir em 2012 prova de que os créditos de pagamentos indevidos ou a maior utilizados para quitação das estimativas de IRPJ de 1998. Essa situação se comprova pelo fato do próprio "relatório fiscal" informar, às fls. 910, que "os cálculos do sistema NeoSapo (fl. 804) indicam ser o valor do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 1998 Informado na DIPJ/1999, R$ 1.555.605,55, caso venha a ser reconhecido, suficiente para suportar as compensações das estimativas de IRPJ do anocalendário 2000 informadas em DCTF's (fls. 127/129)." Ou seja, o próprio sistema da RFB reconhece como boas e válidas as informações prestadas pelo contribuinte em sua DIPJ/1999 e reconhece o crédito de recolhimentos indevidos/a maior usados para pagamento das estimativas de IRPJ 1998 e, assim, a exatidão do saldo negativo de IRPJ 1998 no valor de R$ 1.555.605,55. Referido saldo negativo passou a ser atualizado a partir de janeiro de 1999 e em fevereiro de 2000 já perfazia o montante de R$ 1.958.974,07, conforme suporte já juntado aos autos e foi utilizado da seguinte forma pela Manifestante: (i) R$ 703.290,00 para o IRPJ competência de fevereiro/2000 (compensação em março 2000); (ü) R$ 464.005,53 para o IRPJ competência de abril de 2000 (compensação em maio de 2000) e (iii) R$ 709.534,52 para o pagamento do IRPJ competência de maio de 2000 (compensação junho de 2000). Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.176 13 Resta, assim, demonstrado o saldo creditório no valor de R$ 1.958.974,07, valor suficiente para permitir a compensação com o IRPJ 2000 a pagar no valor de R$ 1.876.830,05, a qual deverá ser homologada nessa oportunidade. Por fim, não bastasse a documentação apresentada pela Manifestante comprovar que o crédito de IRPJ em comento não foi objeto de outras compensações, o próprio Auditor Fiscal atesta que não houve outras utilizações dos créditos além das relatadas no presente processo por meio de análise dos sistemas PER/DCOMP, DCTF e ações sobre o tema no COMPROT. Evidenciase, assim, o dever de reconhecimento do direito creditório em referência e o deferimento das compensações (i) R$ 70.290,00 para o IRPJ competência de fevereiro/2000 (compensação em março ¿000); (ii) R$ 464.005,53 para o IRPJ competência de abril de 2000 (compensação em maio de 2000) e (iii) R$ 709.534,52 para o pagamento do IRPJ competência de maio de 2000 (compensação junho de 2000). No que tange aos créditos utilizados para pagamento das estimativas de CSLL 1997, também não há como rejeitálas. A DIPJ referente ao ano calendário 1997 (já juntada aos autos) demonstra claramente a CSLL apurada por estimativa e em seguida a decorrente do lucro real, e consequentemente o saldo de contribuição decorrente da diferença entre as apurações daquele ano (R$ 1.925.642,57). Esse valor encontrase também demonstrado no LALUR (já acostado aos autos). No ano calendário de 1998, por sua vez, a DIPJ e LALUR (juntados aos autos) atestam saldo negativo de CSLL no valor de R$ 782.616,90, o qual foi somado ao saldo negativo de 1997 e utilizado parcialmente em 2000. Esse suporte foi ignorado pela Auditoria Fiscal, que considerou inconsistente o crédito utilizado pelo contribuinte. Além deles, desconsiderou, que em fevereiro de 2000 o saldo creditório de CSLL a compensar da Manifestante somava R$ 4.028.351,00 (Planilha juntada como doc. 05 da Manifestação de Inconformidade). Desconsiderou também a prova do saldo contábil de impostos a compensar e a sua respectiva abertura, onde demonstra na conta 11080102 do balancete "Impostos Antecipados", que o saldo em dezembro de 2000 era de R$ 9.500.619,93, dentro do qual estava incluso o crédito de R$ R$ 4.028.351,00 acima mencionado (doe. 06 da Manifestação de Inconformidade), e desconsiderou o controle de Conciliação dos Impostos Antecipados (doc. 07 da Manifestação de Inconformidade) em que demonstra que o saldo de CSLL de 1998 era, em fevereiro de 2000, de R$ 4.028.350,56 e em dezembro de 2000 passou a R$ 3.585.391,43. Além de ignorar todo esse suporte documental e desconsiderar o crédito do contribuinte, olvidouse do fato de que as DIPJ 1998, Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 14 1999 e 2001 foram todas homologadas dentro do prazo decadencial de 5 anos e não poderiam mais ser revistas, de forma que as informações nelas contidas devem ser consideradas como definitivas. Logo, são incabíveis as alegações fiscais de que o crédito não foi demonstrado por prova inequívoca, seja pelo fato de que o suporte documental foi desconsiderado sem razões, seja pelo fato de que as declarações que informam os saldos creditórios encontramse devidamente homologadas, impondose o acolhimento de seus valores para fins de reconhecimento do crédito de CSLL dos autos e homologação das respectivas compensações. Vale ressaltar ainda, neste ponto, com relação à utilização do crédito de CSLL, o próprio Auditor Fiscal atesta que não houve outras restituições/compensações, senão as em análise no presente processo, o que ressalta o dever de homologar as efetuadas nos presentes autos. Argumenta o Sr. Auditor que "os documentos a que faz menção essa resposta são cópias de DCTF's e DIPJ's transmitidas à Receita Federal, acompanhadas de demonstrativos internos sem assinaturas, muitas vezes sem registro de a que período se referem e sem se revestirem das formalidades exigidas para serem considerados documentos contábeis legais". Todavia, em atenção este questionamento da r. Fiscalização, o contribuinte apresentou as DCTF's dos anos de 2000 e 2001 e DIPJ do ano calendário 2000, pelos quais comprova o pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apurados no ano de 2000 com os respectivos créditos desse imposto e contribuição apurados em períodos anteriores. Em seguida juntou aos autos cópia do balancete analítico com a conta 11080102 também analítica, acompanhando de planilhas de controle contábil, demonstrando com clareza os referidos tributos registrados e quitados no período de 2000. Ou seja, demonstrou que houve adequado registro fiscal da compensação dos créditos saldo de imposto e contribuição dos anos anteriores com os débitos do presente processo. Mais uma vez o ilustre Sr. Auditor Fiscal ignora a documentação apresentada pelo contribuinte, sem sequer analisar o conteúdo de mencionados documentos, limitandose a sustentar que foram acompanhadas de demonstrativos internos sem se revestirem das formalidades exigidas e que, portanto, não seriam hábeis à verificação da contabilização das compensações em análise. Acrescenta o Sr. Auditor que "não foram enviadas cópias de lançamentos no livro Diário que permitissem a verificação da contabilização dessas compensações, quando, com que créditos, e por quais valores. Não consideramos ter sido apresentada " ... comprovação hábil e idônea dos registros em sua escrita fiscal dos pagamentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário 2000 com os créditos desses Imposto e Contribuição de períodos anteriores informados no processo', como solicitado na intimação.". Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.177 15 Nesse ponto há que se esclarecer que houve perda do Livro Diário no incêndio ocorrido na Companhia em 2002. Conforme já informado nos autos, a Manifestante sofreu em 2002 um grande incêndio em que perdeu parte significativa de sua documentação fiscal e contábil (doc. 01). Há de se esclarecer que a Manifestante, com a máxima anigência, procedeu ao cumprimento de cada uma das determinações infralegais à hipótese de perda de documentos contábeis em decorrência de caso fortuito, de forma que: comunicou o incidente às autoridades competentes, quais sejam, a Polícia Civil do Estado de São Paulo via Boletim de Ocorrência e a JUCESP. procedeu à divulgação do ocorrido em jornal de grande veiculação em mídia impressa; procedeu à comunicação do fato à Receita Federal do Brasil, em 26/06/2002. Diante disso, a Manifestante não pode ser punida com um formalismo exacerbado pela inexistência dos documentos queimados. Nesse sentido, sobre o tema versam NATANAEL MARTINS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR (doc. 02), ipsis litterís: "Ou seja, nosso entendimento caminha no sentido de que, em situações extraordinárias como esta, a fiscalização deverá ater se ao princípio da verdade material, buscando a comprovação do ato realizado pela Sociedade por intermédio de outros elementos. A esse respeito, cumprenos trazer à baila trecho da obra do consagrado tributarista José Luiz Bulhões Pedreira, que ao comentar o comando legal que deu origem ao art. 264 do RIR/99, aponta categoricamente que: “O contribuinte tem o dever de guardar e conservar os livros obrigatórios, assim como a documentação que comprova os lançamentos efetuados; e de exibilos nos casos previstos na lei. Se se recusa a exibilos e alega extravio ou destruição, cabelhe o ônus da prova do fato e da ausência de culpa. (...) Provado o extravio ou perda dos livros sem culpa do contribuinte, a orientação predominante é no sentido de que o balanço apresentado pelo contribuinte com sua declaração deve ser aceito como bom (...) Além de provar a ocorrência do fato, o contribuinte deve provar a ausência de responsabilidade. (...) Extraviados ou perdidos os livros, o contribuinte deve procurar reconstituir ou reorganizar a escrituração com os elementos de que dispuser. " (grifamos) Tratase de interpretação que busca trazer bom senso à atuação do Fisco e dos contribuintes em eventos extraordinários como incêndios, enchentes, furtos, etc. Vale dizer, na hipótese em que Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 16 não há prova de culpa do contribuinte no incidente, o dever de repor os documentos avariados esbarra até onde a sua recomposição é possível. Caso contrário, estarseia penalizando indevidamente o contribuinte atingido pelo infortúnio de um evento ocorrido por mero caso fortuito. No âmbito jurisprudencial, o Conselho de Contribuintes (Tribunal de 2a Instância Administrativa) não se manifestou formalmente acerca da tributação de reserva de reavaliação na hipótese de destruição do laudo que a comprova. No entanto, julgamos pertinente traçar um paralelo com a tributação das pessoas jurídicas pelo lucro arbitrado, tema em que o Conselho adota linha de entendimento de que a destruição de documentos, sem culpa do contribuinte, não é causa para o arbitramento dos resultados. É o que se depreende da leitura dos seguintes julgados: "IRPJ LUCRO ARBITRADO DETERIORAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CASO FORTUITO Se por ocasião da elaboração das declarações de rendimentos e sua apresentação nos respectivos prazos, o sujeito passivo tinha a escrituração contábil e a documentação em ordem, a deterioração posterior em virtude de inundação, não pode dar causa a arbitramento de lucro fundada na recusa de apresentação dos mesmos livros e documentos, já que não há indícios de que o sujeito passivo tenha deixado de tomar as cautelas necessárias para evitar o caso fortuito ou de força maior. (Acórdão n.° 10195.683, proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes); IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. INCÊNDIO. Incomprovada a culpa do sujeito passivo na ocorrência do incêndio destruindo a documentação fisco contábil, em data posterior a entrega da respectiva declaração de rendimentos, improcede a imposição fiscal embasada em arbitramento de lucros pela ausência de indícios que justifiquem tal medida de caráter excepcional. (...) (Acórdão n.° 10193.614, proferido pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes); IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, mormente quando não comprovada a sua destruição em enchente, causadora de sinistro nas dependências da empresa, quando não atendidas as exigências contidas no art. 210, § Io, do RIR/94, com a comunicação à repartição fiscal e ao órgão de registro do comércio, a publicação tempestiva da notícia do ocorrido em jornal de grande circulação e a tentativa de reconstituição da escrita contábil. (...) (Acórdão n.° 10807.624, proferido pela 8a Câmara do 1 o Conselho de Contribuintes); (...) IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO Ilegítimo o arbitramento de lucros quando ocorrer a inexistência de livros e documentos da escrituração mercantil, justificada pela ocorrência de caso fortuito furto superveniente à apresentação Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.178 17 das declarações de rendimentos quando não comprovada culpa da vítima do evento, como também a inexatidão ou a existência de vícios nas declarações apresentadas." (Acórdão n.° 10806.315, proferido pela 8a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes); IRPJ LANÇAMENTO ARBITRAMENTO – Comprovada a ocorrência de caso fortuito, a inexistência de culpa da empresa no sinistro, e a impossibilidade de reconstituição da escrita, incabível o arbitramento do lucro. (...) (Acórdão n.° 10193.409, proferido pela 1 a Câmara do 1 o Conselho de Contribuintes)" Resumindo, o Conselho considera que o Fisco não tem o poder de desconsiderar o tratamento tributário que fora conferido pela Entidade, na hipótese em que esta se vê em situação na qual toda sua escrituração fiscal é destruída (sem a configuração de culpa), sem que haja possibilidade de recomposição dos documentos e desde que o evento extraordinário (e.g. incêndio, enchente, etc.) tenha sido comunicado na forma do art. 264, § 3o do RIR/99". Pelo exposto, não pode ser absolutamente descartada a documentação levantada pelo contribuinte, uma vez que realizado com grande esforço em razão do incêndio ocorrido no ano de 2002. Assim não bastasse, há que ressaltar a validade dos documentos apresentados, uma vez que as informações ali contidas são declaradas como verdadeiras pelo contribuinte sob as penas da lei. Cabe ressaltar que a Manifestante está em vias de localizar uma via impressa do seu Livro Razão de 2000, o que está fazendo em regime de urgência junto aos seus arquivos. Para sua apresentação aos presentes autos em complementação a todo o suporte já apresentado requer o prazo de 5 dias. Por fim, ainda que se entendesse que a Manifestante não teria demonstrado a origem dos créditos e sua utilização, fato que se admite apenas por amor ao debate, facilmente notase que ocorreu a decadência do direito da Fazenda revisar o resultado dos exercícios de 1998, 1999 e 2000. Assim, é inevitável reconhecer a ocorrência do prazo decadencial previsto no artigo 150, do Código Tributário Nacional, cujo parágrafo 4o estabelece que se considera homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, conforme leciona EURICO MARCOS DINIZ DE SANTI. Consequentemente, o direito de rever o crédito tributário decorrente da apuração de saldo negativo no ano calendário de 1998, 1999 e 2000, encontra obstáculo no fato da decadência, que atinge o próprio crédito tributário, consubstanciando uma Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 18 adequação ao sobreprincípio da segurança jurídica, conforme PAULO DE BARROS CARVALHO. Corroborando esse entendimento, os ilustríssimos Doutores NATANAEL MARTINS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, em Parecer elaborado sobre caso semelhante ao em análise (doe. 02) asseveram que "o Fisco só poderia exigir a tributação da reserva de reavaliação caso o lançamento não implicasse em análise de um período que já fora atingido pela decadência". É o que já preconizou a 7ª Câmara do Iº Conselho de Contribuintes, que entendeu por bem "glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência". Diante de todo o exposto, não deve prevalecer a exigência da tributação em análise, constituída há quase 15 anos, ainda que sob a alegação de que não há lastro documental que ateste os valores contabilizados, em razão do direito do Fisco de proceder ao lançamento ter sido atingido pelo manto da decadência, em consonância com o sobreprincípio da segurança jurídica. Ante o exposto e por tudo mais que consta dos autos, é a presente para requerer o acolhimento da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE oposta e, assim, seja DEFERIDO INTEGRALMENTE o pedido de restituição constante do Processo n° 13808.002681/200196, reconhecendo, assim, o direito creditório do contribuinte contra a Fazenda Nacional, na importância de R$ 2.518.207,84, referente ao saldo credor de CSLL (R$ 641.377,79) e IRPJ (R$ 1.876.830,05), e homologandose, por via de conseqüência, os pedidos de compensação desse processo. Por fim, requer a juntada de Declaração assinada pelo representante legal da Manifestante no sentido de que não utilizou o crédito das compensações dos presentes autos em outros pedidos e requer a concessão do prazo de 5 dias para a juntada do Livro Razão 2000. A ora Recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, reiterando os argumentos e pedidos que já haviam sido formulados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.179 19 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em 2000 visando à utilização de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário 1998, para compensação deste com outros tributos federais devidos pelo próprio contribuinte. O mesmo vale para o crédito de CSLL O referido saldo negativo/crédito é composto pelo pagamento das antecipações de IRPJ no montante de R$ 1.498.171,62 e de Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 57.433,93, totalizando a importância de R$ 1.555.605,55. Segundo relato no despacho decisório de fls. 2.704, a validação das compensações declaradas dependia da certificação da certeza e liquidez do crédito, mediante verificação do resultado contábil e fiscal declarado, do valor do imposto de renda devido, do valor do prejuízo fiscal apurado, das antecipações por retenção na fonte e pagamento de imposto de renda apurado pelo regime de estimativa, da apuração de saldo negativo submetido à compensação. Reiterese que foi apresentada toda a documentação fiscal apta à comprovação da origem do crédito tributário utilizado para pagamento de estimativas mensais no anocalendário de 2000, bem como suporte suficiente à comprovação de que não houve outras utilizações dos créditos além das relatadas no processo. De fato, em atenção aos questionamentos da r. Fiscalização, o contribuinte apresentou as DCTF's dos anos de 2000 e 2001 e DIPJ do ano calendário 2000, todos eles demonstrando e comprovando o pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apurados no ano de 2000 com os respectivos créditos desse imposto e contribuição apurados em períodos anteriores. Em seguida juntou aos autos cópia do balancete analítico com a conta 11080102, acompanhado de planilhas de controle contábil, demonstrando com clareza os referidos tributos registrados e quitados no período de 2000. Ou seja, demonstrou que houve adequado registro fiscal da compensação dos créditos saldo de imposto e contribuição dos anos anteriores com os débitos do presente processo. Em que pese os documentos fiscais apresentados, a r. decisão recorrida alega que "não há prova de que a empresa efetivou compensação nos moldes propostos pela norma, pois não apresentados o livro Diário, nem o livro Razão, que permitiriam verificar o tipo de crédito, a efetividade e tempestividade dos lançamentos contábeis alegados" e que tampouco teriam sido "juntados quaisquer livros contábeis ou fiscais que pudessem comprovam as Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 20 alegadas compensações com os saldos negativos pretensamente apurados (SN IRPJ AC1998, SN CSLL AC1997 e SN CSLL AC1998), no momento pretendido (AC 2000). Nesse ponto há que se esclarecer que, conforme informado nos autos, a Recorrente sofreu em 2002 um grande incêndio em que perdeu parte significativa de sua documentação fiscal e contábil e, com a máxima diligência, procedeu ao cumprimento de cada uma das determinações infralegais hipótese de perda de documentos contábeis em decorrência de caso fortuito, de forma que: (i) comunicou o incidente às autoridades competentes, quais sejam, a Policia Civil do Estado de São Paulo via Boletim de Ocorrência e à JUCESP, (ii) procedeu à divulgação do ocorrido em jornal de grande veiculação em mídia impressa; e (iii) procedeu à comunicação do fato à Receita Federal do Brasil, em 26/06/2002. Nesse sentido, cumpriu todas as exigências fiscais previstas pelo artigo 264, § l° do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo que se exigir a apresentação de laudo pericial da Policia Técnica, conforme pretende a decisão recorrida às fls. 1045, uma vez que eventual investigação policial sobre o incêndio não tem qualquer relação com o presente processo administrativo fiscal. Diante disso, não pode a recorrente ser punida com um formalismo exacerbado pela inexistência dos documentos contábeis queimados, ainda mais no caso em tela em que comprovou seu direito através da apresentação do suporte documental fiscal exigido. Assim, de posse dos documentos que foram apresentados, os quais são elementos de prova válidos, ainda mais em face do incêndio sofrido, era possível determinar que o quantum declarado em DIPJ estava devidamente escriturado na contabilidade do contribuinte. Ainda que se entendesse que a Recorrente não teria demonstrado a origem dos créditos e sua utilização, facilmente notase que ocorreu a decadência do direito da Fazenda de revisar os saldos de IRPJ e CSLL declarados pelo contribuinte em relação aos anos calendário 1998, 1999 e 2000. Há que se atentar para o prazo decadencial previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional, cujo parágrafo 4° estabelece que se considera homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Especificamente com relação ao caso em tela, verificase que a Recorrente apurou, no exercício de 1998, crédito relativo à IRPJ no valor de R$ 1.555.605,55. Referido saldo passou a ser atualizado a partir de janeiro de 1999 e foi utilizado para compensar o IRPJ apurado em fevereiro, abril e maio de 2000. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 13808.002681/200196 Acórdão n.º 1302001.659 S1C3T2 Fl. 1.180 21 O mesmo vale para o crédito de CSLL, conforme restou informado na DIPJ referente ao ano calendário 1997, que demonstra claramente o saldo de contribuição decorrente da diferença entre as apurações daquele ano (R$ 1.925.642,57). No ano calendário de 1998, por sua vez, a DIPJ e LALUR (constantes dos autos) atestam saldo de CSLL no valor de R$ 782.616,90, o qual foi somado ao saldo de 1997 e transportado para o ano de 2000 em que foi utilizado parcialmente para compensação no valor de R$ 641.377,79 8. Ressaltese que estamos tratando de composição de créditos de IRPJ e CSLL apurados entre os exercícios de 1997 e 1999, regularmente declarados pela Recorrente nas respectivas DIPJs, que se reitere, foram homologadas dentro do prazo decadencial de 5 anos. Assim, em hipótese alguma poderia a Autoridade Fiscal, através de despacho decisório proferido apenas em maio de 2006, revisar ou questionar os saldos de IRPJ e CSLL de 1997, 1998 e 1999, cujas respectivas DIPJs e DCTFs foram homologadas tacitamente, utilizados em compensação ocorrida em 2000 e cujo saldo de IRPJ e CSLL foram utilizados em nova compensação em 2001. Ou seja, para negar o direito creditório e não homologar a compensação efetuada em 2001, a autoridade administrativa refez, em maio de 2006, a apuração do IRPJ e CSLL de 1997, 1998, 1999 e 2000 pelo contribuinte. Por outro lado, concordo que somente deve ser deferida compensação de créditos líquidos e certos. Todavia, tal fato não permite concluir que não há limite temporal para análise da apuração do tributo que se pretende compensar. Como é sabida, a homologação pela autoridade administrativa, seja formal ou tácita, não recai somente sobre o pagamento, mas sim sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte. Dessa forma, como a homologação tácita do lançamento recaiu sobre a própria apuração do IRPJ, não há fundamento legal que permita a revisão da apuração do lucro fiscal e contábil, pois esta se tornou imutável, seja para lançar tributo, seja para glosa do saldo negativo disponível para compensação. Não pode, portanto, o fisco, concordar com o lançamento realizado pelo contribuinte, homologandoo tacitamente, para um momento posterior iniciar uma revisão deste lançamento sob o pretexto de que se faz necessário verificar a liquidez e certeza do crédito tributário compensado. Vale ressaltar que a impossibilidade de revisão do lançamento tacitamente homologado não impede a conferência da certeza e liquidez do crédito alegado pelo fisco. Isto porque, permanece possível ao fisco verificar a formação do saldo negativo, isto é, confirmar o recolhimento ou a compensação das antecipações mensais, o IRRF, o imposto de renda pago no exterior, dentre outras parcelas. Em outras palavras, a confirmação da existência do crédito de saldo negativo de IRPJ é, obviamente, permitida. Porém, deve se ter como ponto de partida para a conferência do lucro real e a apuração do IRPJ declarado e tacitamente homologado. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 22 Nesse contexto, para fins de análise das compensações objeto deste litígio, deve se ter por base a apuração do lucro real e do IRPJ do anocalendário 2001 conforme declarado pela recorrente em sua DIPJ, a qual se encontra homologada, ainda que tacitamente. Assim, uma vez que o lucro real declarado está homologado, bem como estarem reconhecidas pela própria autoridade fiscal a integralidade das parcelas que compuseram o saldo negativo, não há outra alternativa senão validar o crédito pleiteado no valor de R$ 1.555.605,55. Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para validar o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.555.605,55, homologandose as compensações declaradas, até o limite do referido crédito, devendo a autoridade fiscal se ater a eventuais outras compensações que já possam ter sido declaradas valendose do mesmo crédito. Sala de Sessões, 04 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10580.911737/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 37 /2 00 9- 76 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911737/200976 Acórdão n.º 3802004.232 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900010/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 10 /2 01 0- 51 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900010/201051 Acórdão n.º 3202001.499 S3C2T2 Fl. 346 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013654/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.032
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar na origem o desfecho do Processo nº 10380.011374/2004-19.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar na origem o desfecho do Processo a' 10380.011374/2004-19. ir ilson Mace.° • *sembur Filho ;Presidente O ási Guerzoni Filho — Rei to ,\ EDITADO EM! 04/2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Fernando Marques Cicio Duarte, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de LEI originados no 3° trimestre de 2001, formulado em 10/10/2001 com base nos dispositivos da Lei n° 9 779, de 19 de janeiro de 1999, no valor original de R$ 6.647,21, e ao qual foi vinculado pedido de compensação de débitos em igual montante, que foi deferido parcialmente pela ME em Fortaleza/CE, por conta de irregularidades encontradas pela fiscalização durante os procedimentos de auditoria dos créditos pleiteados, auditoria esta que resultou na lavratura de 1 auto de infração de IPI formalizado no processo administrativo n° 10380.011374/2004-19, no qual, tendo sido refeita a apuração do Saldo Credor da empresa no período, resultou no reconhecimento de um crédito de RS 1.667,74. Na Manifestação de Inconfonnidade a empresa argumentou que o auto de infração acima referenciado ainda não possui tuna decisão administrativa definitiva em face do recurso administrativo que contra ele apresentara, e que, por se relacionar inteiramente com os fatos deste processo, tal situação está a impedir que seja pronunciada qualquer decisão quanto ao presente pedido de ressarcimento. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, com base no Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE no processo administrativo que contém o auto de infração (Processo n°10380.011374/2004-19), a qual, por sua vez, procedera a um refazimento da escrita fiscal e obtivera um novo montante de saldo credor, desta feita, em montante insuficiente para gerar qualquer direito ao contribuinte, indeferiu os termos da manifestação de inconformidade. No Recurso Voluntário, em resumo, a empresa reiterou o seu inconformismo com o fato de que as razões pelas quais o seu crédito não fora reconhecido dependem totalmente do que for decidido no processo administrativo que trata do auto de infração, o que ainda irão ocorreu, vez que é nele que estão relatadas as irregularidades detectadas pelo Fisco e que resultaram no refazimento de sua escrita fiscal de modo a gerar crédito zero a ser ressarcido. Por conta disso, a Recorrente pede o sobrestamento deste seu pedido de ressarcimento, inclusive, declarando a nulidade da decisão da instância dc piso. É o Relatório. Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DR' em 25/0812008, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 24/0912008. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A informação fiscal de fls. 131/138, que subsidiou inteiramente o Despacho Decisório da DRF em Fortaleza/CE de fls. 139/142, não deixa margem a qualquer dúvida de que o pedido de ressarcimento objeto deste processo teve o seu mérito transportado para o processo administrativo n° 10380.011374/2004-19, que, por sua vez, contém um auto de infração de IPI lavrado por conta de irregularidades na apuração do saldo credor de março de 2001, caracterizadas por glosa nos créditos, por variados motivos, e por lançamento de débitos, por utilização de aliquota inferior à constante da Tipi. Por outro lado, não se tem noticia nos autos deste processo e tampouco se consegue uma informação mais precisa no site do Carf na interne» dando conta de que aquela lide tenha tido desfecho na esfera administrativa. Assim, acolhendo os argumentos da Recorrente, entendo que somente com o - desfecho na esfera administrativa da lide - 'volvendo a apuração do saldo credor do primeiro trimestre de 2001, é que poderemostos de ' çar sobre o pedido de ressarcimento de que trata este processo; antes, não. **1t Conforme pesquisa feita no dia 25 de janeiro de 2010. • Processo n° 10380.013654/2001-19 S3-C4T1 Resolução n.° 3401-00.032 Fl, 204 Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência de modo que para cá retome este processo somente quando acompanhado de cópia da decisão definitiva acerca da matéria que se discute no referido processo administrativo ri' 10380.011374/2004-19. É como voto. p a\QN, dassi Guerzoni Filhe )
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000638/2003-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como pré-condição à isenção não encontra amparo legal.
Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação da área de reserva legal como obstáculo ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR.
ÁREA DE PASTAGEM.
A ausência de comprovação do rebanho justifica a glosa de área de pastagem declarada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-000.135
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que deram provimento parcial para acolher 376,22 ha de reserva legal averbados antes do fato gerador e o Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, que negou provimento.
A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Nanci Gama
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como pré-condição à isenção não encontra amparo legal. Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação da área de reserva legal como obstáculo ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR. ÁREA DE PASTAGEM. A ausência de comprovação do rebanho justifica a glosa de área de pastagem declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:05:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:05:31Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:05:31Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:05:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:05:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:05:31Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:05:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:05:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:05:31Z; created: 2010-06-16T12:05:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-06-16T12:05:31Z; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:05:31Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 188 .% MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 71/4.4 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTOM.S14Irtfn4t Processo n° 13116.000638/2003-46 Recurso n° 138.131 Voluntário Acórdão n° 3201-00.135 — r Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2009 Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrente SEVERIANO ABRÃO Recorrida DRJ-BRAMLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - 1TR Exercício: 1999 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como pré-condição à isenção não encontra amparo legal. Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação da área de reserva legal como obstáculo ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR. ÁREA DE PASTAGEM. A ausência de comprovação do rebanho justifica a glosa de área de pastagem declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / 1 ' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que deram provimento parcial para acolher 376,22 ha de reserva legal averbados antes do fato gerador e o Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, que negou provimento. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator. L O GUERRA DE CASTRO Presidente Processo n° 13116.000638/2003-46 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.135 F/. 189 NANCI G A Relatara Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Balir Neto. Processo n° 13116.000638/200346 S3-CTT1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl. 190 Relatório Adoto o relatório da decisão nos seguintes termos: "Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 06/06/2003, o Auto de Infração/anexos de fls. 01/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 113.511,46, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 1.999, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/05/2003, incidente sobre o imóvel rural (N1RF 1086651-5), denominado "Fazenda Monjolo", localizado no município de Colinas do Sul — GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/1999 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 09/12), iniciou-se com a intimação de fls. 13, recepcionada em 30/04/2003 ("AR" de fls. 14), exigindo-se a apresentação dos seguintes documentos de prova: I° - Certidão ou Matrícula Atualizada do Reg. Imobiliário; 2° - Laudo Técnico fornecido por eng° agrônomo/florestal, com ART, anotada no CREA, discriminando as áreas de preservação permanente e as benfeitorias existentes na propriedade, e 3' - Nota Fiscal de aquisição de vacinas ou Certidão expedida pela Inspetoria Veterinária da Secretaria Estadual de Agricultura constando a quantidade de animais existente na propriedade no ano de 1998. Em atendimento, o contribuinte carreou aos autos os documentos de fls. 15, 16/18, 19/22, 23/26, 27/28, 29/32, 33/38 e 39/42. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR11999 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização resolveu "glosar" integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente (410,0ha), como de utilização limitada (1.100,0ha) e corno ocupada com benfeitorias (10,0ha), e, parcialmente, a área declarada como utilizada para pastagens, reduzida de 300,0ha para 52,0ha. Desta forma, foi aumentada a área aproveitável e tributada do imóvel, e reduzido o Grau de Utilização da sua área aproveitável Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado, bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,30% para 8,6%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 02. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 03 e 06. Cientificado do lançamento, em 20/06/2003 (documento "AR" de fls. 43), o contribuinte interessado protocolizou, em 15/07/2003, a impugnação de fls. 46/49. Apoiado nos documentos/extratos de fls. 58/61, 62/65, 66/67, 68/71, 72/90, 91/92, 93/94, 95/99, 100, 101, 102/105, 109/111 e 112, alegou e requereu o seguinte, LM síntese: o contribuinte vero pagando regularmente todos os impostos referentes ao imóvel rural em questão, conforme declaração prestada pela Secretaria da Receita Federal em Brasília — DF, apontando a inexistência de quaisquer débitos do contribuinte ou do referido imóvel para com a Fazenda Nacional; Processo n° 13116.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 I-1. 191 • os comprovantes de declaração do IRPF e de recolhimento do ITR corroboram essa afirmação; sendo, portanto, totalmente improcedentes os motivos que levaram a DRF/Anápolis a aplicar a referida multa; - as exigências para obtenção da isenção da área de utilização limitada foram prontamente atendidas, conforme laudo apresentado; • verifica-se que inexiste qualquer pendência quanto a área de preservação ambiental ou reserva natural; •o laudo apresentado ao órgão público, cuja copia segue anexa, descreve toda a área do imóvel, incluindo a de preservação ambiental, bem como a área ocupada e suas benfeitorias. Portanto, não há que se falar em laudo em desacordo com o intimado; • a não apresentação da ficha de controle de vacinação de gado não pode ser imputada ao contribuinte, pois a Prefeitura de Colinas do Sul, bem como outros órgãos responsáveis pelo controle da vacinação jamais exigiu, ou sequer informou, a existência dessa ficha ou qualquer outro instrumento de controle de vacinação; • apesar dessa desinformação, por parte da autoridade competente, o impugnante realizou a vacinação, a custo próprio, de todo o seu gado no período considerado no auto de infração, e • por fim, defende que o auto de infração deve ser cancelado, por estar desprovido de fatos geradores, protestando pela produção de todos os meios de prova, mormente prova pericial e documental, requerendo desde já a juntada posterior de novos documentos." A DRFJ de Brasília prolatou a decisão, por unanimidade de votos, cuja ementa e a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 Ementa: DO REBANHO E DA ÁREA DE PASTAGEM ACEITA. O rebanho informado no correspondente MT/1.999, para efeito de apuração da área do imóvel efetivamente utilizada com pecuária, cabe ser comprovado mediante a apresentação de prova documental hábil. . DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. O "Laudo Técnico" emitido por profissional habilitado atende a exigência da fiscalização, quanto à comprovação da materialidade da área de preservação permanente, para efeito de exclusão do ITR. Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 13116.000638/2003- ic46, ACORDAM os julgadores da l a Turma da DRJ em Besitia, p/or . jitâ,L) Processo n° 13116.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl. 192 unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento — ITR, relativo ao exercício de 1999, consubstanciado no auto de infração/anexos de fls. 01/08, para considerar as alterações cadastrais relativas ao Quadro 09 — Distribuição da Área do Imóvel, e demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$ 47.826,52 para R$ 38.194,49, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ciente da decisão de primeira instância, em 06/07104 (AR de fl. 128), a interessada, inconformada, apresentou, em 23/07/47, Recurso Voluntário a este Conselho, reiterando os argumentos de sua peça impuguatória. Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida e, conseqüentemente, o reconhecimento do direito de compensar o crédito em questão. É o Relatório. \ Cji)5 Processo n° 131 16.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl, 193 Voto O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Conforme decisão de fls. foi restabelecida a área de 10,0ha de benfeitorias e 376,82 ha de área de presevação permanente de acordo com o laudo técnico juntado pelo contribuinte fls. 16/18, considerado pela DRJ (cfr. Fls. 122) "emitido po profissional habilitado (Eng. Agrónomo), nos termos do art. 13 da Lei 5.194/66, e Resolução n 0345/90, do Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Confia, que dispõe sobre Normas do exercício das atividades de elaboração de laudos e perícias técnicas, estando, ainda, acompanhado da necessária ARE devidamente registrada no CREA-GO doc. Cópia de fls.15." A área de reserva legal atestada no laudo técnico no montante de 376,82 ha não foi aceita no montante eis que não averbada na matricula do imóvel. A meu ver a exclusão da área de reserva legal da área tributável para fins de ITR não depende da averbação no registro de imóveis, uma vez que, a averbação constitui ato meramente declaratório, valendo como comprovação da existência da área, o laudo pericial apresentado, e que, ainda, a Lei do ITR em nenhum momento estabelece tal requisito para o reconhecimento da área não tributável, o que somente foi introduzido por instrução normativa, em flagrante contrariedade ao princípio da legalidade. Neste ponto, assiste razão à recorrente, de modo que assim dispõe o art. 10, § 1° II alínea 'a' da Lei n° 9.393/96: Art. 10. (...) § 1' Para os efeitos de apuração do LER, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7803, de 18 de julho de 1989; (grifou-se) - É bem verdade que a referida Lei 7.803/89 (código florestal) determina a averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel, entretanto, não há Lei que estabeleça, para fins de apuração do ITR, a averbação da área como requisito para a exclusão desta da área tributável. Assim, não pode o Fisco, sem amparo legal, exigir a averbação no registro de imóveis para a exclusão da área de reserva legal da área tributável, como assim já se pronunciou este Conselho de Contribuintes conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITRExercício: 200IEmenta: ITR/2002. SUJEITO PASSIVO 6 Processo ne 13116.000638/2003-46 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.135 Fl. 194 ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel corno pré-condição à isenção não encontra amparo legaL Não se admite que o Fisco afirme sustentaeão legal no Código Florestal para exitn"r averbação da área de reserva lealcongiado ao seu reconhecimento como área isenta no cálculo do ITR." (Grifou-se) Tal entendimento encontra embasamento no art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, abaixo transcrito: § 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) Ressalte-se ainda que, a Recorrente trouxe anexo a seu recurso termo de responsabilidade de averbação da área de reserva legal de 05 de maio de 2004 informando urna área de 433,5732 ha, equivalente a 20% do total 2167,8660 ha, nova área encontrada para o imóvel, que no entanto deixo de acatar, eis que contrária a informada na DITR e no laudo técnico anexado aos autos às fls. 16/18. Quanto à alegação da recorrente de que indevida a glosa das áreas de pastagens declaradas na DITA., a mesma não procede, eis que não restou comprovado a existência de gados no imóvel a justificara a área de pastagem declarada. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para excluir da autuação tão somente a área 376,82 ha de reserva legal de acordo com o laudo técnico juntado pelo contribuinte ás fls. 16/18. dos autos. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2009. C4 , 1 GAM lrelatora Processo rP 13116.00063812003-46 S3-C2T1 Acórdão ti.° 3201900.135 R 195 8
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902320/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.192
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Nathália Mesquita Ceia - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 23399.8780.270803.1.3.046156 de fls. 7, apresentado pelo Contribuinte – BANCO SANTANDER relativo à compensação de débito de CPMF da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 02 32 0/ 20 06 -5 7 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902320/200657 Resolução nº 2201000.192 S2C2T1 Fl. 3 2 3ªsem/agosto/2003, no montante de R$ 37.810,07 e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) códigos 3426 e 8053, de R$ 617.337,05 e R$ 232.224,17, respectivamente, vencimento em 27/08/2003, com crédito relativo a recolhimento indevido ou a maior de IRRF, efetuado em 11/06/2003, sendo de R$ 899.582,63 o valor total do DARF recolhido. Pelo Despacho Decisório de fls. 05, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008 Manifestação de Inconformidade de fls. 02, aduzindo que: Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. A 10ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 22/04/2009, pelo Acórdão nº 16 21.125, de fls. 42 e seguintes, julgou a compensação não homologada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11.06.03 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. ONUS DA PROVA. O erro de fato no preenchimento da DCTF deve ser comprovado pelo sujeito passivo por meio de documentos hábeis e idôneos. A ausência de prova de que o pagamento foi efetuado indevidamente ou em valor superior ao devido impõe a não homologação da compensação a ele vinculada. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 51, em 06/05/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 52 e seguintes, em 05/06/2009, aduzindo: O Contribuinte é administrador de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim, o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. Em razão de auditoria interna, o Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença positiva entre o valor patrimonial da quota apurada mensalmente. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902320/200657 Resolução nº 2201000.192 S2C2T1 Fl. 4 3 Esta divergência de critérios resultou falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houver resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação om outros tributos federais. Assim, o Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de IRRF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar uma vez que apenas por equívoco a recorrente deixou de retificar a DCTF de março de 2003, o que resultou na suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. Passa a discorrer sobre a existência do crédito e a não ocorrência do fato gerador do IRRF no montante indicado na DCTF, juntando documentos. Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 110 e seguintes, o Contribuinte apresenta aditivo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, agora, com base em parecer de auditoria independente anexa à referida petição, juntando documentos. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço A 10ª Turma da DRJ/SPOI rejeitou a Manifestação de Inconformidade, pois o Contribuinte justifica o erro apenas no demonstrativo de fls. 04, sem tecer argumentação específica referente ao alegado erro no preenchimento da DCTF, não apresentando explicação de qual seria seu erro, sua origem, sua justificativa, bem como não trouxe documento que evidencie a existência de erro de fato no preenchimento da DCTF ou que demonstre qual seria o valor correto do débito. Assim, tendo em vista a falta de comprovação de que o pagamento foi efetuado indevidamente ou em valor superior ao devido não homologou a compensação. Diante da decisão por insuficiência de prova, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário descrevendo todo histórico da origem do crédito e do erro no preenchimento da DCTF, conforme relatório susomencionado, juntando ainda documentação, para comprovar o pagamento superior ao devido, o que veria a legitimar seu direito de crédito. Em que pese o Contribuinte não haver apresentado documentação suficiente para comprovação de seu direito ao crédito ao tempo da Manifestação de Inconformidade, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal há prevalência do princípio da verdade Fl. 745DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902320/200657 Resolução nº 2201000.192 S2C2T1 Fl. 5 4 material, entendo que merece apreciação a documentação apresentada pelo Contribuinte. Além disso, quando da análise da PERD/COMP pela autoridade competente, entendo que a mesma deveria ter solicitado a documentação necessária para aferir a liquidez e certeza do crédito. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para que a autoridade preparadora: · verifique a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como proceda à solicitação junto ao Contribuinte de outros documentos que julgar necessários para se manifestarse acerca da liquidez e certeza do alegado crédito. · verifique junto a DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito. · verifique se os créditos ora alegados não sejam objeto de processo judicial por fim, promova relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Ao final deverá ser dada ciência ao Contribuinte do resultado da diligência para eventual manifestação. Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 746DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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