Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.003650/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.003650/2007-10
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347961
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-000.235
nome_arquivo_s : Decisao_19515003650200710.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515003650200710_5347961.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
dt_sessao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5454970
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594032500736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003650/200710 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1102000.235 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de março de 2014 Assunto IRRF (art. 61 da Lei nº 8.981/95) e Redução de Prejuízo Fiscal Recorrentes ARAPUÃ COMERCIAL S.A. FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (SPO1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 65 0/ 20 07 -1 0 Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 3 2 Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. Sendo o lançamento datado de 30/11/2007, concluise que ocorreu a decadência em relação aos períodos anteriores a 30/11/2002. Preliminar deferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DILIGÊNCIA. Não é necessária a realização de diligência em terceiro para apurar fatos relativos a este processo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de supostas inconstitucionalidades e/ou ilegalidades da legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PAGAMENTOS SEM CAUSA. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Os pagamentos à administradora de sistemas de incentivo a empregados que supostamente pagaria prêmios por produtividade e/ou desempenho a funcionários do interessado configuram pagamentos sem causa, pois não há prova da efetiva prestação e tampouco dos resultados individuais que justificariam os prêmios, e também pagamentos a beneficiários não identificados, pois os reais recebedores dos supostos prêmios não foram identificados. Lançamento Procedente em Parte.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O interessado foi autuado no IRRF sobre pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados, à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada, em 30/11/2007, relativamente a fatos geradores dos anoscalendário de 2002 a 2005, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 11.420.867,32, incluindo imposto, multas de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2007 (fis. 1 a 398). A causa da autuação foi a constatação, por parte da fiscalização, da existência de pagamentos à empresa "Incentive House Prom. Ser. Ltda.", no total de R$ 8.627.826,85, anos em tela, sem que o interessado identificasse os beneficiários dos cartões "Flexcard”, as funções de cada um, os objetivos dessas despesas e sua real necessidade, de forma que restaram caracterizados pagamentos sem causa a beneficiários não identificados (fls. 379 a389). O auto de infração de IRRF foi lavrado com fundamento legal no art. 674 e seus parágrafos do RIR/99. Houve autuação, no IRPJ e na CSLL, com glosa dessas despesas, no processo de n.° 19515.003649/200795. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 4 3 A empresa apresentou impugnação, em 27/12/2007 (fls. 402 a 409), por meio de seu procurador (fls. 409 a 422), alegando, em resumo, que: 1 é preciso realizar diligência na contratada para responder a alguns quesitos apontados; 2 ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores de 2002, com base nos argumentos de praxe; 3 os pagamentos têm destinatário identificado e causa conhecida, pois os pagamentos à empresa "que presta os serviços motivacionais por meio de sistemas de premiação aos funcionários que alcançam maior produtividade" foram contabilizados com base em notas fiscais regulares e tais serviços contribuíram para a impugnante atingir suas metas de vendas, de forma que foram "concedidos prêmios pelo maior desempenho" de funcionários da impugnante, prêmios que, no seu entender e no da contratada, "não têm natureza de remuneração e por isso não estão sujeitos à tributação", pois "prêmios eventuais não podem ser equiparados à remuneração, que pressupõe habitualidade, vinculação hierárquica, etc."; 4 o Fisco presumiu que os valores dos pagamentos efetuados à contratada tiveram como destinatários funcionários que teriam sido beneficiados com verbas sujeitas à tributação; 5 a base legal da autuação fere os arts. 30 e 43 do CTN, pois imposto não é penalidade e pagamento não é renda; portanto, a multa representa um "bis in idem"; 6 não pode haver presunção de pagamento indireto, nem de que o beneficiário seja pessoa distinta da indicada na escrituração contábil e na documentação fiscal; 7 não cabe aplicar diretamente a base legal em tela quando existe indicação do beneficiário do pagamento, bem como indicação da causa da operação, exceto se o Fisco houvesse desqualificado tais elementos, o que não ocorreu, mas que teria exigido provas diretas e não presunção; 8 a aplicação indireta dessa base legal, para atingir as supostas remunerações, corresponde a mera presunção; 9 a empresa contratada é que deveria ser o alvo do Fisco para descobrir a relação dos funcionários que receberam os prêmios, pois somente ela possui essa relação.” O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em síntese, (i) reconheceu a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários anteriores a 30.11.2002, considerada a ciência do lançamento ocorrida em 30.11.2007; e (ii) manter os demais créditos tributários lançados (posteriores a 30.11.2002), por ausência de prova a respeito da causa e da identificação dos beneficiários dos pagamentos realizados a título de programa de incentivo. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à nulidade dos lançamentos, em razão da impossibilidade da dupla qualificação do mesmo fato, tendo em vista que, por um lado, a Fiscalização Previdenciária teria caracterizado os valores pagos pela Contribuinte como remuneração dos seus empregados, e, por outro lado, a Fiscalização do Ministério da Fazenda entendeu que tais valores seriam "pagamentos a beneficiários não identificados”; (ii) o art. 61 da Lei nº 8.981/95 teria instituído uma penalidade, dissimulada como imposto de renda na fonte, para punir o "pagamento a beneficiário não identificado", em contrariedade ao art. 3º do Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 5 4 CTN e caracterizando, em conjunto com a multa de ofício, "bis in idem" na penalização do contribuinte; (iii) o Fisco não poderia presumir a ocorrência de pagamento a beneficiário não identificado; (iv) os pagamentos contabilizados teriam beneficiário identificado (a empresa Incentive House) e causa igualmente conhecida, qual seja, o programa de incentivo aos funcionários da Contribuinte; (v) a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95 exigiria a desqualificação da contratação entre a Contribuinte e a empresa Incetive House, o que não aconteceu no caso. Segundo a Contribuinte, o art. 61 da Lei nº 8.981/95 teria sido aplicado "indiretamente: sem prova da ausência de efetividade da operação contratada"; (vi) a Fiscalização deveria ter intimado a empresa Incentive House para que fosse disponibilizada a relação de funcionários que receberam os prêmios; (vii) como a empresa Incentive House teria sido contratada para gerir o programa, seria cabível a realização de diligência para que fossem identificados os funcionários beneficiários dos incentivos; e (viii) com base nos documentos anexados ao recurso voluntário, os beneficiários teriam sido identificados. Esse processo foi originariamente distribuído para exame da 2a Turma Ordinária, da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, a qual declinou da respectiva competência por meio do Acórdão n. 2102002.468, assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRRF.INFRIGÊNCIA À LEGISLAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DAS TURMAS DA 1ª SEÇÃO DO CARF. É de competência das Turmas da 1ª Seção do CARF os litígios envolvendo o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso voluntário que deve ser enviado para a 1ª Seção do CARF, para sorteio. Recurso não conhecido no âmbito das Turmas da 2ª Seção do CARF.” É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, o lançamento de IRRF objeto deste PA decorre do fato de que a Contribuinte não teria identificado os beneficiários, a causa e o efetivo pagamento (a esses beneficiários) de valores objeto do contrato de prestação de serviços e outras avenças celebrado com "Incentive House Prom. Ser. Ltda.", cujo objeto é a prestação de serviços de incentivo e fidelização, mediante utilização do cartão eletrônico denominado Cartão Flexcard. (que seria entregue aos beneficiários em contrapartida ao cumprimento de metas de trabalho e performance). Vejase, nesse sentido, trecho do termo de verificação fiscal, verbis: Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 6 5 “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e dando seqüência aos exames fiscais iniciados em 28/02/07, bem como à Intimação de 05/04/07, verifiquei que a empresa em epígrafe utilizouse do cartão Flexcard com pagamentos à Incentive House Prom.Serv. Ltda., num total de R$ 8.627.826,85, para os anoscalendário de 2002 a 2005, conforme relação em anexo fornecida pelo contribuinte. Em expediente de 12/06/07, o contribuinte informa que ainda não localizou os documentos necessários e que haviam sido solicitados na Intimação de 05/04/07, quais sejam: beneficiários dos cartões Flexcard, o valor colocado à disposição do usuário, as funções de cada um na empresa, os objetivos dessas despesas e sua real necessidade para as atividades da empresa. Tendo em vista que até o momento a empresa não identificou os beneficários, fica constatado que tais despesas são desnecessárias às atividades do contribuinte, posto que se referem a pagamentos sem causa, bem como a não identificação dos beneficiários, nos termos dos arts. 304 e 674, parágrafos 1o, 2° e 3°, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim expressos:” Em impugnação e recurso voluntário, a Contribuinte traz notícia da lavratura de lançamento para a exigência de contribuições previdenciárias sobre esses mesmos valores (DEBCAD n. 37.013.5237 e Auto de Infração n. 37.013.5245, de 26.10.2006). Paradoxalmente, a acusação fiscal nesse lançamento previdenciário, lavrado anteriormente ao lançamento objeto deste PA, é o efetivo pagamento de remuneração (indireta) a beneficiários que prestaram serviços à Contribuinte no período respectivo. O acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre a intuitiva “contradição” entre as acusações acima citadas. Ao contrário, negou expressamente que o Fisco tivesse reconhecido o destino dos recursos aos funcionários1. Sem adentrar ao exame do mérito do recurso, é seguro afirmar que uma de duas: (a) ou bem os pagamentos em referência foram feitos em contrapartida à prestação de serviços por trabalhadores pessoas físicas (empregados ou não) perfeitamente identificados, o que poderia levar à procedência do lançamento previdenciário mas, em contrapartida, à improcedência dos autos de infração objeto desse PA (já que, nessa hipótese, não haveria que se falar em pagamento a beneficiário não identificado); (b) ou bem os pagamentos em referência não foram destinados a beneficiários pessoas físicas que prestaram serviços à Contribuinte, o que poderia levar à procedência dos autos de infração sob julgamento, mas certamente implicaria insubsistência do lançamento previdenciário. Nesse sentido, ante a contradição levada a efeito pela própria RFB e demais elementos constantes dos autos, indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada pela E. Delegacia da Receita Federal da jurisdição da Contribuinte as seguintes providências: ( i ) sejam juntados aos autos cópia integral do Processo Administrativo relativo aos lançamentos de contribuições previdenciárias, cujo traslado deverá fazer especial destaque aos documentos que serviram de base para a RFB constituir créditos de contribuições previdenciárias; ( ii ) seja intimada a Contribuinte e a Incentive House para que esta informe a relação discriminada de todos os beneficiários aos quais foram 1 "É improcedente o argumento de que o Fisco presumiu que os valores dos pagamentos efetuados à contratada tiveram como destinatários funcionários, pois a própria impugnante sustenta o fato, embora sem quaisquer provas. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 7 6 entregues os Cartões Flexcard de que trata o contrato de prestação de serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada dos respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento de prova que comprove tal entrega e (c) indicação do vínculo respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam entregues diretamente à Contribuinte para repasse aos beneficiários, intimar a Contribuinte para que forneça os comprovantes de entrega dos cartões aos beneficiários ou qualquer outro documento que lhes faça as vezes; ( iii ) verificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência perante a Contribuinte, Incentive House e, a critério da Fiscalização, os beneficiários, (a) a correção dos dados informados pela Contribuinte na planilha de que trata o item (ii) supra; e (b) quais beneficiários possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos por força dos Cartões Flexcard, cotejando as informações com as notas fiscais emitidas pela Incentive House. ( iv) Para a providência solicitada no item (iii) supra pedese sejam verificados também extratos dos cartões e outros documentos bancários que possam comprovar as informações constantes da planilha referida no item (ii) e a efetiva fruição dos valores pelo respectivo beneficiário. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004178/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA
É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO.
O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o Lucro Líquido e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao ano-calendário de 2006. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO. O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o Lucro Líquido e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.004178/2009-82
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330120
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.387
nome_arquivo_s : Decisao_11516004178200982.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 11516004178200982_5330120.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao ano-calendário de 2006. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5334252
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594044035072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 506 1 505 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.004178/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.387 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente JOAQUIM ROBERTO VANHONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO. O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o “Lucro Líquido” e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado “Lucro Depois do Imposto de Renda”. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 78 /2 00 9- 82 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 507 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao anocalendário de 2006. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/FNS/SC. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Mediante auto de infração de folhas 273 a 280, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 168.105,87 de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, relativo aos anoscalendários de 2006 e2007. Conforme consta do referido auto de infração, os fatos que o originou foram: 1) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não identificada, no valor de R$ 155.185,67, creditados em contacorrente no ano de 2007, e 2)omissão de rendimentos, mantidos à margem de tributação, no importe de R$ 463.623,37, relativa ao anobase de 2006. Do procedimento fiscal: De acordo com os Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 281 a 292), os autuantes relatam, em resumo, o que segue: Pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 0920400.2008.002822, foi determinado à realização de procedimento de fiscalização no contribuinte em epígrafe, tendo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 508 3 por escopo o tributo IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Ulteriormente, o período abrangido pelo procedimento foi alterado, com a inclusão do ano de 2006 no escopo da verificação. A instauração efetiva do procedimento processouse pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, por meio do qual foram demandadas as informações e/ou elementos reputados necessários ao desenlace da investigação. Além deste termo, também foram lavradas quatro intimações fiscais contra o fiscalizado, visando à obtenção de documentos e/ou esclarecimentos acerca de possíveis fatos geradores de imposto de renda, bem como intimações em desfavor de terceiro: TC Transporte e Logística Ltda. Na esteira dos procedimentos realizados, restaram configuradas às infrações a seguir explicitadas: 1) Rendimentos Tributáveis Não Oferecidos à Tributação Após as intimações realizadas, com os respectivos atendimentos, verificaramse adiantamentos ao sócio Joaquim nos valores de R$ 763.775,03 e de R$ 235.561,27 (R$ 152.187,07 + 1/3 de R$ 250.122,59), nos anos de 2006 e 2007, respectivamente, que, em princípio, não integravam a sua Declaração de Ajuste Anual. A propósito de informar ao beneficiário os valores assim levantados, dentre outros, foi produzida a Intimação Fiscal n° 04 (fls. 228 a 231). por meio da qual o contribuinte foi instado a confirmar, ou não, os eventos especificados, bem como a esclarecêlos à luz das suas declarações de ajuste. Em resposta, o interessado confirmou o recebimento. No entanto, a despeito dos adiantamentos efetivamente consignados ao sócio Joaquim, por ocasião dos lançamentos de baixa nada lhe foi atribuído, consoante evidenciam os razões contábeis acostados às fls. 251 a 262. Além disso, a distribuição ao final registrada também se apresenta absolutamente incongruente, notadamente em relação à participação no capital social, que não respeitava o percentual de participação de cada sócio. A empresa, em esclarecimento à fiscalização, alegou que utiliza critérios diversos da proporcionalidade. Em face das circunstâncias suso explicitadas, restou demonstrado que não são dignos de fé os lançamentos consignados a título de distribuição de lucro, na escrita comercial da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Além dos valores citados, a TC Transportes e Logística ainda lhe atribuiu, no ano de 2006. pagamentos registrados sob as rubricas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros" (fl. 245). O contribuinte em atenção à intimação fiscal, ratifica o auferimento das quantias, todavia asseverando que dizia respeito à antecipação de lucros. No cenário delineado, foi apurada a distribuição de lucros de acordo com proporcionalidade da participação no capital social. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 509 4 Sob esta regra, considerando que o lucro total distribuído no ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apurou se o lucro do sócio Joaquim no valor de R$ 227.500,00 (R$ 650.000,00 X 35%). Desse modo, o valor efetivamente auferido pelo sócio Joaquim foi de R$ 618.123,37, considerando que dos R$ 763.775,03, foram devolvidos R$ 145.651,66, além do montante de R$ 73.000,00, lançado nas contas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros". Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, é de R$ 691.123,37, que correlacionado com o lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00, evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37R$ 227.500.00). Nesse compasso, inferiuse que os valores efetivamente pagos, no ano 2006 e que excedem os lucros mensurados, representam rendimentos que ensejam tributação, 2) Omissão de Rendimentos Créditos Bancários Não Comprovados Analisada a movimentação bancária do sujeito passivo em pauta, foi o contribuinte instado a comprovar, por documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos/depósitos então especificados. Todavia, o fiscalizado logrou identificar apenas a procedência de alguns créditos, notadamente das empresas TC Transportes e Logística Ltda e Prolift. Em relação aos demais, consignou que ainda não havia identificado os remetentes. Assim, onde constou a informação de remetente ainda não identificado, a origem efetivamente restou não comprovada, em virtude do que foi alvo de tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Afora isso, é importante deixar assentado que, no curso do procedimento fiscal realizado, foram analisados documentos carreados no bojo do Inquérito Policial n° 0184/2008. Todavia, adveio decisão judicial, na qual se reconheceu a nulidade de toda prova oriunda da interceptação telefônica realizada nos autos n° 2007.72.00.0139465, bem como a imprestabilidade como prova dos documentos apreendidos. Assim, em homenagem à decisão judicial, os elementos originários da investigação policial foram desconsiderados/inutilizados, não mais integrando o procedimento administrativo ora levado a cabo. Outrossim, a fiscalização informou ainda que, ante a identificação de situações que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, foi providenciada à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 510 5 Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta, mediante procurador (folha 293), a impugnação de folhas 297 a 323, na qual expõe suas razões de contestação: No primeiro tópico da impugnação Dos fatos Da origem do auto de infração, narra que em 14.04.2008 foi instaurado o inquérito policial n° 184/08, para investigar suposta organização criminosa com atuação em Itajaí, Balneário Camboriú e Blumenau, em face de notíciacrime verbal do Auditor Fiscal da Prefeitura Municipal de Itajaí, informando irregularidades no recolhimento do ISS. Não obstante inexistir qualquer procedimento administrativo fiscal deflagrado contra o impugnante, a autoridade policial requereu, em 07.05.08, dentre inúmeros pedidos dirigidos a MM. Juíza da Vara Federal Criminal em Florianópolis, mandados de busca e apreensão em alguns endereços residenciais e comerciais, bem como a quebra do sigilo bancário e fiscal da impugnante, e o compartilhamento de dados com a Receita Federal, inclusive, "o fornecimento de cópias de peças e material cognitivo produzidos nestes autos". Após a manifestação favorável do representante do Ministério Público Federal, a MM. Juíza, em 16.06.08, deferiu a quebra do sigilo bancário e fiscal do impugnante, bem como mandado de busca e apreensão. Cumpridos os mandados de busca e apreensão e autorizadas as quebras dos sigilos bancários e fiscais, foram os documentos encaminhados à Delegacia da Receita Federal, que deu início à fiscalização junto à impugnante. Refere que apresentou à fiscalização justificativa acerca da impossibilidade de cumprimento das exigências formuladas, em face das buscas e apreensões, deflagradas pela autoridade policial, que apreenderam inúmeros documentos, que, frisese, não foram devolvidos ainda à impugnante, e requereu a dilação do prazo para a apresentação dos documentos exigidos. Ao final do procedimento, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, em 16.07.09, originando o Auto de Infração, ora esgrimido (ciência em 20.07.09), em face de não oferecer à tributação rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Todavia, assevera que a pretensão fiscal não há que prosperar, porquanto não foram respeitados os mais comezinhos princípios de direito quando da análise dos documentos que puderam ser apresentados, aliado à impossibilidade de utilização de documentos obtidos por força de mandado de busca e apreensão, cuja decisão foi revogada. Na seqüência, apresenta preliminar, sob o título DAS PROVAS ILÍCITAS DOCUMENTOS OBTIDOS POR FORÇA DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DEFERIDAS NO INQUÉRITO POLICIAL N° 184/08 (2008.72.00.0067446) DECISÃO DA MM. JUÍZA DA VARA FEDERAL CRIMINAL QUE REJEITOU A DENÚNCIA E INDEFERIU O PEDIDO DE COMPARTILHAMENTO DAS INFORMAÇÕES Fl. 510DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 511 6 IMPRESTAB1L1DADE DOS DOCUMENTOS APREENDIDOS PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO. Nesse tópico, defende a nulidade o Auto de Infração, devido à declaração de ilegalidade da operação policial conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal (Inquérito Policial n° 2008.72.00.0067446/SC) e decorrente anulação de todas as provas obtidas naquelas operações. Ressalta a impugnante que, embora a autoridade fiscal informe que teria expurgado dos autos as provas ilícitas, o início da fiscalização está amparado nos mandados de busca e apreensão deflagrados contra ela e que só foi alvo de fiscalização por força da decisão judicial já revogada. Portanto, tendo a MM. Juíza da Vara Federal Criminal indeferido o compartilhamento dessas informações, vez que não podem servir para qualquer finalidade, seja criminal, civil ou administrativa, o presente AI é nulo, porque sua origem foi assim declarada. Invoca o art. 5º, LVI da Constituição Federal, que consagra a necessidade da licitude dos meios de prova utilizados nos processos, aduzindo que na esfera do processo administrativo tributário a proibição da prova ilícita está expressamente prevista no art. 30 da Lei n° 9.784, de 1999. Cita doutrina sobre o assunto e transcreve trechos da decisão que reconheceu a nulidade da prova oriunda da interceptação telefônica realizada nos autos n° 2007.72.00.0139465. No tópico destinado as alegações de mérito, o impugnante tece as seguintes considerações. Discorre acerca da infração "001 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada". Destaca que, para que um determinado valor de depósito seja considerado "omissão de receitas" forçosamente teria de restar inequívoca a ausência de "capacidade econômica" do contribuinte em arcar com o referido valor. Nesse tocante, em nenhum momento, os agentes fiscais empreenderam qualquer demonstrativo e/ou levantamento tendente a demonstrar a ausência de "disponibilidade econômica" dos valores depositados e/ou de que tais valores depositados não se referem a "Rendimentos contidos dentre aqueles declarados em sua DIRPF", ou dentre aqueles adiantados pela "TC Transportes e Logística Ltda" já que, nesse sentido, no mesmo relatório, os agentes fiscais descrevem que o contribuinte, durante 2006 recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 618.123,32 (o valor correto é R$ 620.473,37Anexo II) e que durante 2007 recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 235.561,27 (o valor correto é R$182.178,47 Anexo II). No que se refere ao item "002 Omissão de Rendimentos", o defendente pondera que em todos os documentos contábeis apresentados pela empresa "TC Transportes e Logística Ltda" é clara a indicação dos valores entregues ao impugnante a título Fl. 511DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 512 7 de adiantamento de lucros no anocalendário de 2006, exceto o valor de R$ 44.000,00 lançado por engano na conta "Despesas de Fretes Pessoa Jurídica" e o valor de R$ 29.000,00, lançado por engano na conta "Comissões sobre Fretes", e estes valores não são o objeto da inusitada conclusão do agente fiscal. Ressalta que os citados R$ 73.000,00 foram lançados indevidamente como despesa pela "TC Transportes e Logística Ltda" (R$ 44.000,00 Despesa de Frete e R$ 29.000,00 Comissões s/ Frete), e justamente por não se referirem a despesas efetivas, são meros adiantamentos de lucros ao sócio. No que toca à descaracterização das importâncias creditadas ao impugnante como adiantamento de lucro, protesta quanto ao procedimento adotado, no seu ver, não cabe ao agente fiscal o arbítrio quanto ao valor da parcela de lucros que caberia a cada um dos sócios/quotistas, muito menos no caso concreto, tendo em mira que claramente os ilustres agentes fiscais desconhecem os critérios de cálculo, dos quais não lhe é facultado discordar do critério que lhe foi explicitado já nas respostas à intimação. Prossegue aduzindo que para que os referidos valores sejam tratados na beneficiária como receita (valores definitivamente recebidos pelo sócio por conta de remuneração de seus serviços prestados à sociedade), esses mesmos valores deveriam ser admitidos como despesa dedutível na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. o que não ocorreu. Por fim, arremata que não há nos autos documentos e/ou provas que sustentem o alegado valor da suposta "omissão de rendimentos" no valor de R$ 403.623,37, conforme consta do item "002 Omissão de Rendimentos", até porque, diante de tudo o que foi descrito, tecnicamente não se pode sequer afirmar que houve o alegado "excesso de antecipação de lucros" em relação ao lucro gerado em 2006, pois a intenção dos ilustres agentes fiscais formalizada em Auto de Infração específico, é a glosa de mais de R$ 11.000.000,00 de despesas, cuja alegação é a de não terem sido comprovadas as referidas despesas, e cujo único destino contábil possível é a conta de lucros acumulados, visto que pretensamente incluídas na base de calculo de IRPJ e CSLL, os quais deveriam ser somados aos R$ 650.000,00 de lucros distribuídos em 2006, e aplicados o percentual de 35% de participação desse sócio no capital social.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 392/403, que restou assim ementado: ALEGAÇÃO DE USO DE PROVA ILÍCITA Não configura uso de prova ilícita quando toda informação, documentação e escrituração físcalcontábil que fundamentou o lançamento foi apresentada pelo sujeito passivo ou pela fonte pagadora, diretamente à autoridade fiscal, em procedimento diverso daquele que foi objeto da manifestação judicial. Ademais, o procedimento fiscal prescinde de qualquer elemento Fl. 512DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 513 8 de prova, ou indício, de ocorrência de infração fiscal para ser deflagrada. DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. A fim de não restar caracterizada a omissão de rendimentos, por se tratar de presunção legal, compete ao depositário dos recursos, demonstrar a origem dos valores creditados em sua contacorrente, e não ao fisco. EXCESSO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. A distribuição de lucros em valores acima dos lucros auferidos pela sociedade empresária é considerada fato gerador de Imposto de Renda Pessoa Física. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO E FORMALIZAÇÃO DO ACORDO ENTRE OS SÓCIOS. Não há óbice para a distribuição desproporcional de lucros, em relação ao percentual de quotas que cada sócio possui, desde que o acerto referente à distribuição seja devidamente formalizado, por instrumento próprio. Regularmente cientificado daquele acórdão em 10/03/2011 (fl. 406), o contribuinte, representado por seu advogado (fl. 293), interpôs recurso voluntário de fl. 407/434, em 11/04/2011, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. Conforme Resolução nº 2801000.240 (fls. 437/444), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fossem anexados aos autos a decisão definitiva proferida no Processo 11516.004211/200974 e o detalhamento dos cálculos para ajuste do AI à decisão definitiva. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 446/505, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, é de se rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, pois ao contrário do que afirma o peticionário, ficou esclarecido no Termo de Verificação Fl. 513DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 514 9 Fiscal (fl. 289), que em cumprimento à decisão do poder judiciário, os elementos originários da investigação policial foram desconsiderados/inutilizados, não mais integrando o procedimento administrativo ora levado a cabo. Foi informado, ainda, que, a rigor, apenas um único documento da investigação policial havia sido utilizado, notadamente a tabela de preços anexada a Intimação Fiscal n° 02, como parte integrante do seu item 4. Observase que a referida tabela foi usada na intimação para demonstrar inconsistências concernentes aos valores dos imóveis declarados pelo contribuinte em sua DIRPF/2007. Como se verifica nos autos, não houve apuração de qualquer infração correlacionada com tal questão. Ademais, como bem registrou a decisão recorrida, o recorrente não apontou especificamente quais provas, que fundamentaram o lançamento, tiveram origem na operação policial conjunta com Secretaria da Receita Federal do Brasil e que foram consideradas inválidas na decisão do Inquérito Policial. Portanto, não há que se falar em utilização ilícita de documentos no presente caso. No mérito, relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não merece reparos a decisão de primeira instância, que já excluiu a parcela lançada indevidamente e cujo entendimento, transcrito a seguir, adoto como razões de decidir: “Com fulcro na legislação colacionada, apesar de não impugnado pelo contribuinte, conforme Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, de fls. 281 a 293, verifico que o somatório dos créditos bancários sem origem comprovada de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, relativos ao anocalendário de 2007, atingiu o montante anual de R$ 53.551,29, abaixo do valor de R$ 80.000,00, previsto no art. 4o da Lei n° 9.491/1997; portanto, tais créditos bancários, mesmo sem sua origem integralmente comprovada, devem ser excluídos do montante da infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Quanto aos demais créditos obtidos, em que pese às alegações do contribuinte, a infração restou caracterizada. No caso em comento, a simples falta de comprovação da origem dos créditos, é suficiente para se configurar a omissão de rendimentos, sendo desnecessária a comprovação por parte do fisco da ausência de capacidade econômica. Este é o reflexo do instituto da presunção legal. Além disso, é de se assinalar que, conforme descreve o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal, somente foram considerados para a apuração do débito, o depósitos, de fato, não identificados pelo fiscalizado. Aqueles em que o contribuinte identificou como sendo depositado pela Fl. 514DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 515 10 empresa TC Transportes e Logística Ltda. ficaram afastados de incidência do imposto de renda (fls. 224 a 227).” Importa, ainda, salientar que a tributação dos depósitos bancário já é matéria sumulada de forma diversa ao entendimento do recorrente, pela Súmula CARF nº 26, a saber: “ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Assim, restando não comprovada a origem dos recursos depositados nas contascorrentes de titularidade da contribuinte, considerase acertada a tributação do total dos depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996. Na presente autuação também se apurou omissão de rendimentos de valores efetivamente pagos, no ano de 2006, e que excederam os lucros mensurados da empresa TC Transportes e Logística Ltda., da qual o contribuinte é sócio, tendo em vista as inconsistências evidenciadas no âmbito dos registros da fonte pagadora e nas informações constantes da respectiva DIRPF do contribuinte. Ocorre que a referida empresa foi autuada, consoante lançamento de ofício constante do Processo 11516.004211/200974, que resultou na alteração/acréscimo do seu lucro real do anocalendário 2006. Portanto, o que for decidido naquele processo poderá ter efeitos no exame da infração de excesso de lucros distribuídos em questão. Assim, considerando esses fatos como óbice para prosseguir com o julgamento, o processo foi convertido em diligência à unidade de origem, para que fossem anexados aos autos a decisão definitiva proferida no Processo 11516.004211/200974, bem como o detalhamento dos cálculos para ajuste do AI à decisão definitiva. Em atendimento à solicitação de diligência, foram juntados ao presente processo os documentos de fls. 446 a 504, referentes ao processo administrativo nº 11516.004211/200974 em nome de TC Transportes e Logística Ltda. À fl. 505, a autoridade responsável pela realização da diligência informou que o referido processo administrativo foi encaminhado pela ARF/Itajaí para inscrição em Dívida Ativa da União, visto que não houve por parte da empresa interposição de recurso especial ou pagamento/parcelamento do crédito tributário mantido após os julgamentos de 1ª e 2ª Instâncias. De acordo com os documentos apresentado em decorrência do procedimento diligência, verificase que o resultado definitivo da base tributável/lucro real apurado no Processo 11516.004211/200974, referente ao anocalendário de 2006, corresponde ao montante de R$ 12.687.582,27 (valor lançado R$12.792.818,18 menos os valores cancelados nos julgamentos de 1ª instância R$ 50.535,91 e 2ª instância R$ 54.700,00). Considerando que houve um incremento de R$ 12.687.582,27 no lucro real da empresa, conforme apuração decorrente do mencionado procedimento de ofício, não há que se falar que os valores efetivamente pagos ao contribuinte (R$ 691.123,37), no anocalendário de 2006, excedem em R$ 463.623,37 os lucros mensurados, consoante proporcionalidade da Fl. 515DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 516 11 participação do contribuinte (35%) no capital social da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Portanto deve se cancelada a correspondente omissão de rendimentos, pois são rendimentos isentos os lucro distribuído aos sócios pela pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real até o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica deduzido dos tributos correspondentes. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao anocalendário de 2006. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado Quanto à infração de “Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada”, acompanho a Ilustre Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Permitome discordar, no entanto, em relação à infração de ‘Omissão de Rendimentos Não Oferecidos à Tributação”, pelos motivos que passo a expor. Os fundamentos utilizados para dar provimento parcial ao recurso estão explicitados nos seguintes excertos do voto da Relatora, verbis: De acordo com os documentos apresentado em decorrência do procedimento diligência, verificase que o resultado definitivo da base tributável/lucro real apurado no Processo 11516.004211/200974, referente ao anocalendário de 2006, corresponde ao montante de R$ 12.687.582,27 (valor lançado R$12.792.818,18 menos os valores cancelados nos julgamentos de 1ª instância R$ 50.535,91 e 2ª instância R$ 54.700,00). Considerando que houve um incremento de R$ 12.687.582,27 no lucro real da empresa, conforme apuração decorrente do mencionado procedimento de ofício, não há que se falar que os valores efetivamente pagos ao contribuinte (R$ 691.123,37), no anocalendário de 2006, excedem em R$ 463.623,37 os lucros mensurados, consoante proporcionalidade da participação do contribuinte (35%) no capital social da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Portanto deve se cancelada a correspondente omissão de rendimentos, pois são rendimentos isentos os lucros distribuídos aos sócios pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real até o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica deduzido dos tributos correspondentes. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 517 12 Entendeu a Nobre Relatora que o incremento verificado no lucro real da empresa que efetuou os pagamentos ao Recorrente, em decorrência do procedimento fiscal contra ela instaurado, fariam com que os valores recebidos pelo Interessado não excedessem os lucros mensurados consoante proporcionalidade no capital da empresa TC Transportes e Logística Ltda. De conseguinte, os rendimentos seriam isentos, porquanto não alcançariam o valor que serviu de base de cálculo para o IRPJ, estando albergados pela norma isentiva do art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de novembro de 1995. Ocorre que os valores supostamente recebidos a título de distribuição de lucros pelo Interessado, em face da sua qualidade de cotista da empresa, foram expurgados no cálculo do valor tributado, sobejando tão somente valores passíveis de tributação, conforme passo a demonstrar. Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 279/290 deste processo digital, que no anocalendário de 2006, sob a rubrica “ADIANTAMENTO A DIRETORES", o valor total pago ao sócio Joaquim foi de R$ 763.775,03. Por conta de registro de devolução na contabilidade, no montante de R$ 145.651,66, o valor efetivamente auferido, confirmado pelo Recorrente, foi de R$ 618.123,37 (R$ 763.775,03 R$ 145.651,66). O Interessado ratificou, também, o recebimento de R$ 73.000,00, lançado nas contas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros". Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, foi de R$ 691.123,37 (R$ 618.123,37 + R$ 73.000,00), que diminuído do lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00 (35%), evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37 R$ 227.500,00). Confira: Sob esta regra, considerando que o lucro total distribuído no ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apurase o lucro do sócio Joaquim no valor de R$ 227.500,00 (R$ 650.000,00 x 35%). (...) Compulsando o lucro assim determinado, com os pagamentos efetivamente lhe realizados, resultam diferenças pagas a maior. No anocalendário de 2006, sob a rubrica "45 ADIANTAMENTO A DIRETORES", na forma do demonstrativo constante às fls. 245 a 247, o valor total pago ao sócio Joaquim foi de R$ 763.775,03. Não obstante, em 20/12/2006 consta o registro de devolução no valor de R$ 145.651,66, de forma que o valor efetivamente auferido é de R$ 618.123,37 (763.775,03 145.651,66). Além deste montante ainda recebeu pagamento de R$ 73.000,00, lançado nas contas de custo/despesa intituladas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" (fls. 244) e "Comissão a Terceiros" (fls. 245). Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, é de R$ 691.123,37, que correlacionado com o lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00, evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37 R$ 227.500,00). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 518 13 A leitura dos trechos em destaque demonstra que o incremento no lucro decorrente da ação fiscal levada a cabo na pessoa jurídica não poderia ser considerado para justificar a isenção sobre os “rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação”, porquanto a parcela de lucros isenta fora excluída do cálculo dos valores tributáveis. Em outras palavras: o lucro líquido da empresa, seja qual for o seu valor, não tem o condão de isentar os “rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação”, haja vista que estes rendimentos não estão contemplados na distribuição de lucros isentos do imposto de renda. Esmiuçando mais este entendimento: a Autoridade lançadora entendeu que o total do lucro distribuído foi de R$ 650.000,00. Considerando a participação no capital do Recorrente, no percentual de 35%, apurou o lucro do Interessado em R$ 227.500,00 e o exclui da base de cálculo do lançamento. Assim, pouco importa o quantum do lucro apurado na pessoa jurídica, pois qualquer que fosse ele seria excluído da base de cálculo dos rendimentos não oferecidos à tributação, haja vista que estes (os rendimentos não oferecidos à tributação) não revestem a natureza jurídica de distribuição de lucros pagos a cotistas e que estão isentos do imposto de renda. É o que se verá a seguir. Importante distinguir, por primeiro, a participação nos lucros destinada a administradores da distribuição de lucros ofertada aos sócios cotistas ou acionistas, esta isenta, aquela tributável pelo imposto de renda. Nas Ciências Contábeis são identificadas cinco acepções para a palavra "lucro", a depender da fase em que se encontra na apuração do resultado do exercício. A demonstração do resultado incorpora todas as receitas e despesas de um determinado exercício e os lucros estão nela dispostos em cinco etapas, evidenciadas, com precisão, por José Carlos Marion (Contabilidade empresarial, 12ª edição, Atlas, 2006, p. 112 e ss.): a) Lucro Operacional Bruto ou, simplesmente, Lucro Bruto; diferença da receita líquida (receita oriunda da venda de mercadorias desconsiderandose os abatimentos, as devoluções e os impostos) e o custo das mercadorias vendidas; b) Lucro Operacional Líquido ou, simplesmente, Lucro Operacional (corresponde ao lucro relacionado ao objeto social da empresa): é o Lucro Bruto subtraído das Despesas Operacionais da empresa (despesas da empresa com a sua atividadefim); c) Lucro Antes do Imposto de Renda: é o Lucro Operacional somado ao Resultado não Operacional da empresa (Receitas não Operacionais menos Despesas não Operacionais), a partir do Lucro Antes do Imposto de Renda é que se apura, em separado, o Lucro Real base de cálculo do imposto de renda; d) Lucro Depois do Imposto de Renda: é o Lucro Antes do Imposto de Renda subtraído do valor a ser pago a título de Imposto de Renda; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 519 14 e) Lucro Líquido: é o Lucro Depois do Imposto de Renda subtraído das participações previstas nos estatutos, de debêntures, de empregados, de administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados. Configura a sobra líquida que será posta à disposição dos sócios ou acionistas, ou será apropriada em reserva, ou será capitalizada pela sociedade. Das definições acima delineadas colhese que o lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o “Lucro Líquido” e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado “Lucro Depois do Imposto de Renda”. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Dito de outra forma: quando se fala em distribuição de lucros aos sócios ou acionistas, está se falando na obtenção de lucros tendo por base de pagamento o Lucro Líquido, último item da Demonstração do Resultado do Exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Com efeito, somente o sócio ou acionista tem capital aplicado. O administrador somente o terá se revestir também a qualidade de um dos dois, hipótese em que poderá receber a participação nos lucros ou a distribuição de lucros, ou ambas as parcelas. O que se está querendo dizer é que o administrador, ao contrário do sócio ou acionista, não tem o seu quinhão fixado em decorrência do número de suas cotas ou da qualidade de suas ações, mas sim vinculado ao seu cargo na empresa, atrativo adicional da sua remuneração, verdadeiro pro labore, inconfundível com a distribuição de lucros destinada aos cotistas ou acionistas em geral e objeto da Lei nº 9.249/1995. Admitir que a participação paga ao administrador goza da isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995 significaria fomentar o comportamento elisivo constante em substituir a remuneração do administrador (tributada na fonte pelo imposto de renda) pela distribuição de lucros aos sócios ou acionistas (isenta de imposto de renda). Não parece ter sido este o escopo da lei. Ao isentar os lucros ou dividendos recebidos pelos sócios ou acionistas o legislador intencionou fomentar a atividade empresarial estimulando o comportamento daqueles que assumem riscos, inserindo capital na sociedade. Pois bem. No caso concreto, o Livro Razão de fls. 249/260 deste processo digital revela que o Interessado recebeu, em 2006, rendimentos lançados a débito da rubrica “45 Adiantamentos a Diretores”. Por outro lado, a rubrica “142 Lucros Acumulados” evidencia, no ano de 2006, que apenas os valores da distribuição de lucros a Carlos Alberto Wanzuit e a Reidil Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 520 15 Cleber Cesca (demais sócios) foram baixados, em 31/12/2006, tendo como contrapartida a rubrica “45 Adiantamentos a Diretores”. Os valores pagos a Joaquim Roberto Vanhoni, sob a denominação de “Adiantamento a Diretores”, diferentemente do que ocorrera com os outros dois sócios, não foram baixados no final do exercício em contrapartida à conta de “Lucros Acumulados”. Significa dizer os valores recebidos pelo sócio Joaquim, ora Recorrente, eram, em verdade, rendimentos pagos pelo exercício da função de diretor, e não distribuição de lucros isenta do imposto de renda, pelo que são tributáveis, a teor do que dispõe o art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (Enquadramento Legal, à fl. 277), assim descrito: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Esclareço, por fim, que o sócioadministrador pode muito bem ser simultaneamente remunerado por parcelas isentas de tributação (derivadas da obtenção de lucro pela pessoa jurídica) e parcelas tributáveis (derivadas da obtenção de renda em decorrência das atividades de administrador). Na espécie, o Livro Razão não deixa nenhuma dúvida de que os rendimentos não oferecidos à tributação decorreram da atividade de administrador do Recorrente, porquanto não baixados, no final do exercício, contra a rubrica contábil (Lucros Acumulados) na qual são apropriados os valores que serão distribuídos a título de lucro aos sócios e que são isentos de imposto de renda. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002706/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO.
Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício.
Numero da decisão: 1103-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do ano-calendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.002706/2009-14
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330586
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.988
nome_arquivo_s : Decisao_11065002706200914.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 11065002706200914_5330586.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do ano-calendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5334437
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594052423680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1.425 1 1.424 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.002706/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.988 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria Autos de infração de IRPJ e CSLL. Percentual de presunção. Serviços hospitalares Recorrente ECOCLÍNICA ECOGRAFIA CLÍNICA S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. A base de cálculo do imposto será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida, para as atividades de prestação de serviços hospitalares (art.15, §1º, III, a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática do art.543C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida, para as atividades de prestação de serviços hospitalares (art.20 c/c art.15, §1º, III, a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática do art.543C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 06 /2 00 9- 14 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.426 2 MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do anocalendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.427 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (4º trimestre de 2004, 1º a 4º trimestres de 2005 a 2008), no valor total de R$ 1.629.480,93 (um milhão, seiscentos e vinte e nove mil, quatrocentos e oitenta reais e noventa e três centavos) sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.113/147). A ciência do sujeito passivo ocorreu em 1º/12/09 (fls.130 e 143). A infração foi assim descrita nos campos “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”: IRPJ “001 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. Aplicação incorreta do coeficiente de presunção de lucro sobre as receitas de prestação de serviços de execução de exames ecográficos, interpretação e parecer. O contribuinte ingressou na Justiça para ter reconhecido o direito de ter as receitas de sua atividade tributadas à alíquota de 8%, como se sua clinica fosse enquadrada no conceito de hospitaldia, porém não logrou êxito, decidindo a Justiça, com trânsito em julgado, pela manutenção da alíquota de 32%. Todos os valores pagos, ou declarados, com base no percentual de 8% foram considerados neste auto de infração, para o correto lançamento da parcela do tributo não declarada. Fica fazendo parte do presente auto de infração o Termo de Constatação, o qual o contribuinte tomou ciência em 16 de novembro de 2009, onde estão demonstrados todos os cálculos referentes ao presente lançamento.” CSLL “O contribuinte ingressou com ação judicial visando ter reconhecido o direito de tributar a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com base no lucro presumido, pelo percentual de presunção de lucro de 12%, como se fosse hospitaldia, porém não logrou êxito em sua pretensão, tendo a Justiça decidido, com trânsito em julgado, pelo percentual de 32% aplicado a todas as prestadoras de serviço. Todos os valores pagos, ou declarados, com base no percentual de 12% foram considerados neste auto de infração, para o correto lançamento da parcela do tributo não declarada. Fica fazendo parte do presente auto de infração o Termo de Constatação, o qual o contribuinte tomou ciência em 16 de novembro de 2009, onde estão demonstrados todos os cálculos referentes ao presente lançamento.” Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.428 4 A Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) decidiu: (a) não conhecer das razões de defesa relacionadas às exigências com fatos geradores entre 31/12/04 e 31/03/06, haja vista a discussão judicial da matéria; e (b) não acolher as alegações relativas aos demais fatos geradores. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa (fls.1.352/1.380): PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. DILIGÊNCIAS E OITIVAS DOS DIRETORES TÉCNICOS E DO AUTUANTE. INDEFERIMENTO. Incabível a realização de diligências e oitivas para agregar ao processo provas que poderiam ser obtidos pelo interessado e apresentadas com a impugnação, por falta de previsão legal aplicável para o processo administrativo fiscal. PERÍCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS REALIZADOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. Na apuração do lucro presumido, aplicase o percentual de 32% sobre as receitas da prestação de serviço, quando a pessoa jurídica dedicada a atividades da área médica não satisfaz os requisitos para se enquadrar como prestadora de serviços hospitalares. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. MULTA DE OFICIO. EXIGIBILIDADE. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração ao dispositivo legal detectada pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Devidamente cientificado em 4/4/13 (fl.1.385), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 2/5/13 (fls.1.387/1.420), em que alega, em síntese: Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.429 5 Da classificação da atividade do contribuinte mesmo antes da alteração do seu contrato social, já vinha prestando serviços médicos (ecografias, tomografias computadorizadas, mamografias e densitometrias), como atestam notas fiscais acostadas aos autos; e atuava em dois hospitais especializados em diagnósticos por imagem; atualmente, prestaria ainda outros serviços médicos (biópsias, punções, drenagens, ecocardiografiatransesofágica, amniocentese, agulhamentopré e cintilografias) que exigiriam corpo médico, enfermeiros, técnicos, leitos e salas de recuperação, similares à estrutura de um hospital, razão pela qual são executados no Hospital de Canoas, como comprovariam as faturas e o endereço de sua filial; disporia de estrutura necessária para atendimento de emergência médica; Da definição de serviços hospitalares nos termos da Lei nº 9.249/96, no cálculo da base de cálculo do IRPJ, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, advinda da prestação de serviços hospitalares, seria 8% (oito por cento); os limites semânticos do termo “serviços hospitalares” foram definidos por meio das Instruções Normativas SRF nº 306/03, 480/04, 539/05 e 791/07, que estabeleceram algumas obrigações a serem cumpridas pelos contribuintes, que extrapolariam o sentido posto na lei; a desoneração dos serviços hospitalares visaria à preservação da vida, de forma que “...Não faria nenhum sentido tratar distintamente os serviços praticados dentro de um hospital, com alíquotas reduzidas, e todos os mesmos serviços, se praticados em outra localização, perdessem tal incentivo”; Da observância às decisões emanadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) de acordo com o art.62A do Regimento Interno do CARF, decisões proferidas pelo STF e STJ deveriam ser reproduzidas nos julgamentos administrativos; o sentido da expressão “serviços hospitalares” fora definida pelo STJ, em Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.116.399BA, sob a sistemática de recurso repetitivo, quando se entendeu que as restrições impostas pelas Instruções Normativas não deveriam prevalecer. De acordo com tal julgado, contemplaria aquelas atividades que se vinculam aos hospitais, mas não necessariamente prestadas em tais estabelecimentos. Além disso, “...o decisum determinou que as modificações determinadas pela lei 11.727/08, relativamente à alíquota de 8% para o Imposto de Renda e 12% para a Contribuição Social sobre o Lucro, não se aplicam aos litígios anteriores a 2009, dado que esta lei teve sua vigência prescrita para 01 de janeiro de 2009”; Da orientação da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos recursos repetitivos a partir da Portaria PGFN nº 294, de março de 2010, os Procuradores da Fazenda Nacional teriam deixado de interpor recursos em caso de decisão final proferida nos termos dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (CPC); por meio da Orientação nº 52, a PGFN explicitara o resumo do julgamento do REsp nº 1.116.399/BA; Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.430 6 Da jurisprudência administrativa o acórdão nº 10709.476, que tratou de caso similar, confirmara que os serviços prestados pelo contribuinte seriam de natureza hospitalar, bem como a Solução de Divergência nº 11/03 e a Solução de Consulta nº 10/03; Do período abrangido pelas decisões judiciais o cancelamento da cobrança justificarseia pelas seguintes razões: (a) a PGFN renunciou à tese quanto aos contribuintes que prestaram idênticos serviços hospitalares; (b) ainda que tenha restado vencida na esfera judicial, tal decisão apenas abrangeria os serviços de ecografia, sendo o acórdão da DRJ claro a respeito; somente os fatos comprovados no mandado de segurança estariam acobertados pela coisa julgada; o acórdão transitado em julgado colocaria em dúvida a natureza dos serviços, pela limitação documental, concluindo pela negativa por falta de convencimento fático, não por questões de mérito; “...não basta alegar a coisa julgada e lançar todas as notas fiscais de todos os serviços de certo período, quanto nos processos judiciais foram apresentadas algumas notas fiscais de ecografia, e o contribuinte se viu neles vencido porque os tribunais não se sentiram seguros em lhe dar o direito às alíquotas reduzidas de IR/CSLL”; “...Em virtude dos mandados de segurança terem expressado ressalvas sobre os documentos comprobatórios da RECORRENTE, esta tem aptidão para reabrir a discussão fática nas vias ordinárias”; Da multa de oficio revelarseia descabida a multa de oficio relativa ao período abrangido pelas decisões judiciais, vez que o trânsito em julgado do acórdão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região ocorrera em 4/11/09, após a autuação. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso. Da autuação de das decisões judiciais Discutese nos autos qual o coeficiente de presunção aplicável na apuração do lucro, levandose em consideração as receitas auferidas pelo contribuinte. No Termo de Constatação Fiscal (fl.110) discorreuse, in verbis: “[...] 1. Para cálculo do lucro presumido nos anoscalendário de 2004 a 2008, aplicou a alíquota de 8% às suas receitas de prestação de serviços, quando o correto seria o percentual de Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.431 7 32%. Assim, procedemos ao cálculo do imposto de renda devido com base no percentual de 32%, resultando nas diferenças trimestrais transcritas no ‘DEMONSTRATIVO DE IRPJ E CSLL’, em anexo a este Termo, o qual é parte integrante deste. 2. Para cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido nos mesmos períodos, o contribuinte aplicou a alíquota de 12% às suas receitas de prestação de serviços, quando o correto seria o percentual de 32%. Assim, procedemos ao cálculo da contribuição social devida com base no percentual de 32%, resultando nas diferenças trimestrais transcritas no ‘DEMONSTRATIVO DE IRPJ E CSLL’, em anexo a este Termo, o qual é parte integrante deste.” A fiscalização, conforme Demonstrativo de IRPJ e CSLL (fl.111), adotou, na apuração das bases de cálculo, as receitas declaradas nas DIPJ (fls.6/47), à exceção da informada no 2º trimestre de 2005, quando adotou um valor menor (R$1.240.748,47 em vez de R$1.241.362,27). Noticiou, ainda, que o contribuinte ingressou judicialmente com Mandados de Segurança para fins de reconhecimento do direito à aplicação de índices de presunção reduzidos, não tendo obtido êxito, conforme decisões transitadas em julgado, o que a levou a aplicar o percentual de 32% (trinta e dois por cento). Em primeira instância, a Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) entendeu, acerca dos fatos geradores ocorridos até 31/3/06, que a discussão se deslocara para o âmbito judicial, o que a impediu de conhecer as respectivas alegações de defesa. Contudo, na compreensão daquele colegiado, o quadro fático inicial, definido no momento das impetrações, modificarase com a Alteração de Contrato nº 10 (fls.779/785), de 10/2/06, arquivada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Canoas (RS) no mesmo mês de fevereiro de 2006, quando se ampliou o objeto social para “Prestação de Serviços de ecografia, clínica médica, tomografia computadorizada, densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear”, dispondo o acórdão a quo: “[...] A impugnante, durante a tramitação dos processos judiciais, alterou seu objetivo social. Inicialmente prestava serviços de ecografia e clínica médica (fl.1153), mas com a alteração contratual de 10/02/2006, passou a prestar serviços de ecografia, clinica médica, tomografia computadorizada, densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear. Os lançamentos abrangem fatos geradores ocorridos no período de 31/12/2004 a 31/12/2008 (datas finais dos trimestres de apuração do IRPJ e da CSLL). Diante do exposto, entendese que o litígio deve ser julgado da seguinte forma: 1. Fatos geradores ocorridos até o primeiro trimestre de 2006 (31/03/2006), inclusive – períodobase de apuração do IRPJ e da CSLL em que ocorreu a alteração contratual: • Devese aplicar a orientação contida no Ato Declaratório Normativo (Cosit) n.º 03/1996, pois o ‘objeto’ da ação judicial e a impugnação é o mesmo e a decisão judicial definiu que a autuada não presta serviços hospitalares. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.432 8 2. Fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006 – de 01/04/2006 até 31/12/2008: • O litígio relativo ao período em destaque deve ser apreciado, pois o requisito ‘ação judicial com o mesmo objeto’ não está atendido. Na apreciação judicial, não foi considerada a alteração do objeto social da autuada. Assim, devese apreciar a questão que envolve os percentuais aplicáveis para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no período compreendido entre 01/04/2006 a 31/12/2008, tendo em vista a adoção do lucro presumido.” Esse é o quadro posto. Às fls.48/64 consta cópia da petição do Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0044799, relacionado ao IRPJ, impetrado em 17/5/05 (fl.787), em face de ato do Sr. Delegado da Receita Federal em Novo Hamburgo (RS). Como causa de pedir, expôs o impetrante que “...é pessoa jurídica regularmente constituída e exploradora do ramo de serviços de ecografia e clínica médica”, e que, “desde o anobase de 2000, passando por 2001; 2002; 2003; 2004, além do corrente ano, tem o direito de ver alterado o índice a ser utilizado na determinação de seu Imposto de Renda Jurídica, calculado pelo sistema de presunção de lucro”. No pedido, igualmente mencionou que era “prestadora de serviços hospitalares”. No acórdão da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região (fls.65/69), transitado em julgado, não obstante a redação da ementa, que pode passar a impressão de que na análise o alcance do conceito de “serviços hospitalares” limitouse à prestação de serviços relacionados a exames de ecografia, no voto do Relator, Des. Federal Joel Ilam Paciornik, restou evidente que aquele colegiado também decidiu sobre os serviços de clínica médica, como não poderia ser diferente, pois o acórdão baseouse no contrato social acostado à petição inicial, sem a ampliação do objeto outrora mencionada. Vejamos: Ementa “TRIBUTÁRIO. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI N° 9.249/95, ART.15, §1°, III, ALÍNEA A. 1. Justificase a alíquota menor na apuração da base de cálculo do lucro presumido, para as atividades de serviços hospitalares, em razão da margem de lucro dessas instituições ser menor do que a de outros estabelecimentos de saúde, por abarcar custos diversos e mais onerosos. 2. A lei escolheu como único critério distintivo a natureza da atividade prestada, não importando o local onde é prestado o serviço. O exegeta não pode elastecer o significado da expressão ‘serviços hospitalares’ de tal forma a abarcar atividades que não correspondam à assistência plena e integral na área de saúde, com instalações adequadas para internação de pacientes, garantia de atendimento básico de diagnóstico e tratamento, equipe clinica organizada e apoio permanente prestado por médicos. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.433 9 3. A atividade de prestação de serviços de ecografia não se enquadra no conceito de serviços hospitalares. 4. Apelação da União e remessa oficial providas. Prejudicada a análise do apelo da autora.” (destaquei) Voto “[...] o enquadramento na condição de instituição prestadora de serviços hospitalares sustentase unicamente na natureza dos serviços prestados, circunstância de cunho objetivo, cuja caracterização, segundo o caso concreto, prescinde ou depende de dilação probatória. Geralmente, basta a análise do objeto social da instituição de saúde para verificar se é ou não prestadora de serviços hospitalares, pois o objeto da sociedade já delimita o âmbito de atividades realizadas, ou seja, é inerente à própria atividade prestar (ou não) serviços hospitalares. Por vezes, não é possível firmar convencimento a respeito da questão, porquanto o objeto social, em tese, comportaria tais serviços, mas despontam dúvidas se a empresa possui estrutura condizente para efetivamente os prestar. No caso dos autos, as provas coligidas aos autos permitem firmar juízo quanto a ausência de prestação de serviços hospitalares pela autora. A empresa se dedica à prestação de serviços de ecografia e clínica médica (fl.84), a qual não condiz com o atendimento a pacientes internos ou externos em atividades diretas, visando promover, prevenir ou recuperar a saúde, com equipe clinica organizada, admissão e assistência permanente prestada por médicos que garanta o atendimento básico de diagnóstico e tratamento. ..... Por fim, cumpre mencionar que recentemente a Primeira Seção desta Corte, por unanimidade, modificou o entendimento firmado a respeito do enquadramento das clinicas medicas como prestadoras de serviços hospitalares, em julgamento por mim capitaneado (Embargos Infringentes no 2005.70.00.016081 7, julgado em 04/06/2007). Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento à apelação da União e à remessa oficial, restando prejudicada a análise do apelo da autora.” (destaquei) Conforme resultado do julgamento, o voto do Relator foi seguido à unanimidade (fl.155): “Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar provimento ao apelo da União e à remessa oficial, restando prejudicada a análise do apelo da impetrante, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado”. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.434 10 No contrato social (fls.70/74), consta como objeto social “...a prestação de serviços de ecografia e clínica médica”, e exatamente esta informação é a que foi considerada pela Primeira Turma do TRF – 4ª Região. A folha 84 mencionada pelo Relator contempla a Cláusula Segunda do contrato social, o que confirma que não apenas as atividades de ecografia foram excluídas do conceito de “serviços médicos”. Na realidade, desde a sentença (fls.923/931), vêse com clareza que a decisão não restringiu a análise aos exames de ecografia, conforme se extrai do seguinte excerto: “[...] Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para fins de gozar do regime diferenciado” ... Assim, uma vez que os serviços de diagnóstico são considerados serviços hospitalares, é de ser reconhecido o direito da impetrante ao recolhimento do IRPJ com base de cálculo reduzida”. (destaquei) Com o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0044775, referente à CSLL, impetrado em 17/5/05 (fl.1.077), os acontecimentos não ocorreram diferentemente. O Impetrante reafirmou ser “...explorador do ramo serviços de ecografia e clínica médica”. Na sentença, igualmente se assentou “...Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para fins de gozar do regime diferenciado” (fls.1.166/1.173). A ementa do acórdão da Primeira Turma do TRF – 4ª Região restou assim redigida (fl.1.205/1.209): “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. IRPJ. CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ARTS. 20 E 15, § 1°, III, 'A' DA LEI 9.249/95. NATUREZA DAS ATIVIDADES. ENQUADRAMENTO. RECEITA BRUTA. REDUÇÃO DE PERCENTUAL. 1. A atividade desenvolvida pela impetrante não encontra enquadramento no conceito de serviço hospitalar, para o fim de incidência do IRPJ e a CSLL com percentuais de 8% e 12%, respectivamente, sobre a renda bruta, para a formação da base de cálculo destes tributos. 2. No caso do autos, as atividades da empresa não se enquadram no conceito de serviços hospitalares, para efeito de incidência da Lei n° 9.249/95, remanescendo aqueles concernentes à hemodiálise. 3. Posicionamento pessoal destronado em virtude do julgamento da 1ª Seção desta Corte, em 10 de junho de 2006, nos Embargos Infringentes em Apelação Cível n° 2003.71.00.0311590. 4. Apelação da União e remessa oficial providas para julgar improcedente o pedido, e apelação da impetrante improvida.” Notase, do respectivo voto condutor (fls.1.206/1.209), que também a decisão foi baseada no contrato social: Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.435 11 “[...] As alterações do contrato social juntadas (fls.19/24), não trazem o objeto social da impetrante, mas sua razão social ‘Ecoclínica Ecografia Clínica S/A Ltda’ sugere que presta serviços de ecografia. Igualmente, os demais documentos juntados pela impetrante (Guias DARF de recolhimento de IRPJ e CSLL) não têm condão de enquadrála como prestadora de serviços médicos hospitalares.” Feitas tais considerações, não se sustentam, portanto, as alegações do Recorrente no sentido de que a discussão judicial limitarase ao percentual de presunção aplicável aos serviços de ecografia, ainda que, como afirma, tenham sido anexadas aos Mandados de Segurança “algumas notas fiscais de ecografia”. Em suma, as decisões judiciais transitadas em julgado fixaram que os serviços de ecografia e clínica médica não se enquadram no conceito de “serviços hospitalares” para fins de aplicação do percentual de presunção na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal norma, estabelecida definitivamente pelo Judiciário para o caso concreto, deve ser prestigiada, aplicada pela Administração tributária. Assim, somente sobre as receitas advindas da realização de exames de ecografia e serviços de clínica médica deve, necessariamente, incidir o percentual de 32% (trinta e dois por cento), em todo o período autuado. Notase, de acordo com os Demonstrativos de IRPJ e CSLL (fl.111), que o contribuinte permaneceu, não obstante as impetrações em maio de 2005, apurando as bases de cálculo valendose dos percentuais reduzidos, muito provavelmente confiando na reversão dos primeiros pronunciamentos do TRF – 4ª Região, que apenas transitaram em julgado em 18/2/09 e 4/11/09. Reafirmese, tratase de cumprimento de decisões judiciais definitivas, ainda que a jurisprudência do STJ tenha se consolidado, posteriormente, em sentido diverso, como se verá adiante. Daí não se concordar, concessa venia, com o acórdão da DRJ quanto à conclusão sobre a concomitância. Respeitosamente, o caso seria de não se acolherem as alegações do Impugnante exatamente em razão de a fiscalização ter cumprido as decantadas decisões judiciais. Assim, não subsiste mínima dúvida de que os serviços prestados pelo sujeito passivo, de ecografia e clínica médica, não podem, em prestígio à coisa julgada, ser considerados como hospitalares, tudo e, unicamente, em razão das decisões judiciais definitivas que estabeleceram no caso concreto a norma aplicável (percentual de presunção de 32% sobre as respectivas receitas auferidas). Quanto ao percentual incidente sobre as receitas auferidas com a execução de outros exames, a controvérsia demanda distinta solução, a seguir definida. Dos efeitos da decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 1.116.399/BA) Como relatado, a fiscalização considerou, conforme decisões judiciais definitivas, que os serviços prestados pelo contribuinte não se enquadravam no conceito de “serviços hospitalares”. Viuse, entretanto, que o entendimento do TRF – 4ª Região levou em conta tãosomente a execução de exames de ecografia e os serviços de clínica médica. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.436 12 No acórdão ora recorrido, após análise das razões de fato e de direito suscitadas na impugnação, alguns requisitos postos em legislação infralegal (Instruções Normativas SRF nºs 306/03, 480/04, 539/05 e 791/07; e ADI SRF nº 18/03), que autorizariam enquadrar os serviços como hospitalares, foram considerados não preenchidos. Em resumo: prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia; prestação de atendimento imediato de assistência à saúde; prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação; prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia; comprovação de estrutura física, conforme disposto no item 3 da Parte II da Resolução – RDC nº 50, de 2002, da Anvisa; comprovação relativa à existência de estrutura material e de pessoal destinada a atender à internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. O acórdão a quo ainda fixou: “[...]Notese que as decisões judiciais anteriormente transcritas concluíram que os serviços prestados pela impugnante não condizem com o atendimento a pacientes internos ou externos em atividades diretas, visando promover, prevenir ou recuperar a saúde, com equipe clinica organizada, admissão e assistência permanente prestada por médicos que garanta o atendimento básico de diagnóstico e tratamento. A alteração contratual efetuada em 2006 não propiciou alterações na forma da prestação dos serviços, que pudessem transformálos em serviços hospitalares. Ainda, o fato das instalações estarem anexas a hospital não tem o condão de transferir a ela as características aptas a definir como serviços hospitalares as atividades que exerce, pois serviços hospitalares são prestados por hospital. Acrescentese que no período em questão vige o disposto no ADI 18/2003, relativamente a consideraremse serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. ..... No presente caso, da documentação acostada aos autos, verifica se que a natureza jurídica da contribuinte é a de sociedade simples, conforme cláusula do contrato social. Além disso, não há qualquer evidencia que a impugnante tenha montado quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim. Pelo que consta no contrato social, ocorre a parceria entre os sócios médicos para a prestação de serviços na Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.437 13 área de saúde – todos os médicos que prestam serviços na clínica são sócios da autuada (fls.777780 e 792). Assim, também não foi observada a orientação contida no ADI SRF nº 18, de 2003. Notese que não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo.” Não obstante as inúmeras interpretações veiculadas por normas infralegais, com a menção a vários requisitos, devidamente adotadas pelo acórdão da DRJ, pois àquelas se vincula, no presente caso a particularidade de o STJ ter definido o alcance da expressão “serviços hospitalares”, para fins de aplicação do art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249, de 26/12/95, não confere mais qualquer margem aos membros do CARF para rediscutir a matéria. Por força do art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que impõe a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas, por exemplo, pelo STJ na sistemática do art.543C do CPC (regime de recurso repetitivo), adotase o entendimento fixado no julgamento do REsp nº 1.116.399/BA, de 24/2/10, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.438 14 (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. 3. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do §2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. No julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em 29/9/10, reiterou a Primeira Seção do STJ que “são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas”. A respectiva ementa restou assim redigida: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.439 15 ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art.535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam:(i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, ‘a’, da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: ‘Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico’. 6. Embargos de declaração rejeitados. Tal acórdão transitou em julgado em 3/11/10, conforme informação constante do sítio do STJ na internet. Não obstante o paradigma eleito por aquela Corte tratar de pessoa jurídica que prestava serviços laboratoriais, as premissas definidas aplicamse a outras hipóteses. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.440 16 Conforme o entendimento acima, a expressão “serviços hospitalares” deve ser interpretada de maneira objetiva, sob a perspectiva da atividade realizada, não se considerando, por ausência de previsão legal, a característica ou a estrutura do contribuinte em si. À exceção das consultas médicas, consideramse como tais os serviços que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. No respectivo voto condutor, de lavra do Min. Benedito Gonçalves, confirmouse a orientação fixada no REsp nº 951.251PR, quando se entendeu que: “...a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pela contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou o contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), que é, inclusive, alçado à condição de direito fundamental. Ademais, consignouse que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. Dessa forma, ficou assentado que devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. Ressaltouse ainda que as alterações preconizadas pela Lei 11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser aplicadas a demandas ajuizadas após a sua vigência, não possuindo efeito retroativo.” Com isso, os requisitos previstos nas normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não prevalecem frente à lei, que contemplou, no entender do STJ, a natureza do serviço prestado, qual seja, assistência à saúde. Por conseguinte, não prevalecem os requisitos mencionados no acórdão recorrido, estabelecidos em atos infralegais, que impediram, no entender da DRJ, caracterizar os serviços prestados como hospitalares. Merece, contudo, análise particular, o requisito de que os serviços hospitalares devem ser aqueles prestados por estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Em que pese a decisão da DRJ ancorarse no ADI nº 18/03, o fato de a prestadora dos serviços ser necessariamente organizada sob a forma de sociedade empresária Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.441 17 passou a ter estatura legal com a Lei nº 11.727, de 23/6/08, que, por meio do artigo 29, conferiu a seguinte redação ao art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249/95: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;” Acontece que, como visto anteriormente, nos termos da decisão do STJ (Resp nº 1.116.399/BA), as alterações preconizadas pela Lei nº 11.727/08 não se aplicam retroativamente. Em que pese a Lei nº 11.727/08 ter entrado em vigor na data de sua publicação, o seu art.29 passou a produzir efeitos, conforme art.41, VI, “...a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei”, ou seja, a partir de 1º/1/09. Logo, no caso concreto, o requisito da organização da prestadora dos serviços sob a forma de sociedade empresária também não consiste em fator impeditivo para que os demais serviços prestados (retirandose os de prestação de exames de ecografia e clínica médica), relacionados à promoção da saúde, sejam considerados como hospitalares, haja vista os fatos geradores dos créditos tributários, ocorridos até o 4º trimestre do anocalendário 2008. Considerando o objeto social do Recorrente, bem como as “Notas Fiscais de Serviços” e “Relação de Exames Realizados”, acostadas à impugnação, além dos serviços de realização de exames de ecografia e dos serviços de clínica médica, o sujeito passivo executava outros, vinculados a atividades desenvolvidas por hospitais, e nitidamente voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto a estes, não prevalecem, na caracterização dos serviços, para fins de aplicação dos percentuais de presunção, os requisitos impostos pela legislação tributária infralegal e por interpretação particular da RFB. Acrescentese que, seguindo a interpretação estabelecida no Resp nº 1.116.399/BA, o STJ passou a decidir que estão compreendidos no conceito de “serviços hospitalares”, por exemplo, a realização de exames de diagnósticos por imagem, serviços oftalmológicos e exames cirúrgicos: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.442 18 RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido. (Primeira Seção, REsp 837913/SC, julgado em 10/11/10, Dje 19/11/10, Rel. Min. Hamilton Carvalhido) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, §1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. 1. A agravante requer que "se deixe expresso que a redução da alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa genericamente considerada, mas sim àquela receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte nos exatos termos do § 2º, do artigo 15, da mencionada lei" (fls. 226227). 2. A decisão monocrática considerou que a "redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo" (fl.217), nos termos do EREsp 925.126/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 18/09/2009 e do REsp 1.116.399/BA, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 24/02/2010, que seguiu o procedimento previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Agravo regimental não provido. (Segunda Turma, AgRg no REsp 1147620/RS, julgado em 14/9/10, Dje 24/9/10, Rel. Min. Castro Meira) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 98/STJ NA HIPÓTESE. SUBSISTÊNCIA DA MULTA. SERVIÇO HOSPITALAR. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM. ENQUADRAMENTO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. DEPÓSITO JUDICIAL. LEVANTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. PRECEDENTES. [...] 2. A Primeira Seção desta Corte, em sessão realizada no dia 28.10.2009, quando do julgamento do REsp n. 1.116.399/BA, pelo regime do art. 543C, do CPC, adotou, por maioria, entendimento no sentido de que as empresas que prestam serviços médicos laboratoriais desempenham atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.443 19 realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, razão pela qual fazem jus ao benefício fiscal de redução das alíquotas do IRPJ e da CSLL, o qual não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício, nos termos do § 2º do art. 15 da Lei n. 9.249/95 [...] 4. Recurso especial parcialmente provido. (Segunda Turma, REsp 1200788/MG, julgado em 2/9/10, Dje 4/10/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLÓGICOS E EXAMES CIRÚRGICOS. ATIVIDADES ABRANGIDAS. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. "Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 2. Precedente representativo da controvérsia: REsp 1.116.399/BA, DJe 24/02/2010. 3. Os serviços médicos oftalmológicos, bem como a realização de exames cirúrgicos, estão abarcados pelo conceito de "serviços hospitalares" para fins de recolhimento do IRPJ e CSSL sob a base de cálculo reduzida. 4. "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". Inteligência da Súmula 98/STJ. 5. Recurso especial provido. (Segunda Turma, Resp 1165921/MA, julgado em 5/8/10, Dje 1/9/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) Portanto, à exceção das receitas auferidas em decorrência da realização de exames de ecografia e da prestação de serviços de clínica médica, as demais devem ser consideradas como oriundas da prestação de serviços hospitalares, para fins de definição dos percentuais de presunção, conforme interpretação firmada pelo STJ em sede de recurso repetitivo, repitase, de observância obrigatória pelos membros do CARF, autorizando, portanto, a incidência do percentual de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. Da multa de ofício Acerca do lançamento da multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento), o Recorrente sustentou a improcedência com base nos seguintes fundamentos, in verbis: “79. Revelase descabida a multa de ofício sobre o período coberto pelos processos judiciais, não só pelos argumentos de mérito acima desenvolvidos, mas por outro fato que restou desprezado pelo Sr. AFRFB. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.444 20 80. É que a autuação foi intimada em 7.10.2009, enquanto um dos processos judiciais transitou em julgado em 4.11.2009. 81. Ocorre que as sentenças desses processos foram favoráveis à RECORRENTE e delas resultou Apelação da União sem efeito suspensivo, como é da natureza do mandado de segurança; 82. Somente o trânsito em julgado do acórdão TRF4 desconstituiu os efeitos suspensivos da sentença. 83. E estes se deram depois da autuação, razão pela qual esta não poderia ter imposto a multa de ofício, dado que a sentença do mandado de segurança ainda estava valendo. 84. Quanto à multa do período após processos judiciais reitera a RECORRENTE os argumentos desenvolvidos na Impugnação, bem como sobre o principal dos tributos, neste Recurso.” Em suma, sustenta a defesa que a multa não poderia ser aplicada, pois quando dos lançamentos teria a seu favor sentença judicial. Dispõe a Lei nº 9.430, de 27/12/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (destaquei) O não cabimento da multa de ofício, quando suspensa a exigibilidade na forma dos incisos IV e V do art.151 do CTN foi ratificada na Súmula CARF Vinculante nº 17: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.”. Porém, no caso concreto, como relatado, a ciência do contribuinte quanto aos autos de infração ocorreu em 1º/12/09 (fls.130 e 143), não em 7/10/09, como sustenta o Recorrente. Notese, quanto ao MS nº 2005.71.08.0044799, que o acórdão da Primeira Turma do TRF da 4º Região foi proferido em 27/6/07 (fl.980), sendo que, a partir de tal data, as decisões subsequentes não o alteraram, tendo sido, inclusive, negado provimento ao recurso especial do contribuinte pelo STJ em 12/12/08. A Certidão de Trânsito e Termo de Remessa, Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.445 21 expedida pelo STJ, foi datada de 18/2/09 (fl.1.076), constando do sítio daquela Corte na internet a confirmação de tal data como sendo a do trânsito em julgado1. Acerca do MS nº 2005.71.08.0044775, o acórdão do TRF da 4ª Região, que deu provimento à apelação da União e à remessa oficial, foi proferido em 3/10/07 (fl.1.210), não tendo, a exemplo do que se passou com o mandamus referente ao IRPJ, reversão de tal decisão. A Certidão de Trânsito e Termo de Remessa, expedida pelo STJ, relativa à apreciação de agravo regimental contra decisão que negou provimento ao agravo de instrumento interposto contra a não admissibilidade de recurso especial, foi datada de 4/11/09 (fl.1.283), constando do sítio daquela Corte na internet a confirmação de tal data como sendo a do trânsito em julgado2. Logo, não há se falar em decisão favorável, vigente quando da autuação, que tenha suspendido a exigibilidade dos créditos tributários apurados nos moldes em que foram constituídos. Cabível, portanto, a multa de ofício, nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para todo o período autuado. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro 1 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/detalhe.asp?numreg=200801819022&pv=010000000000&tp=51. Consulta em 11/2/14. 2 http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/justica/detalhe.asp?numreg=200801061285. Consula em 11/2/14. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002403/2001-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula nº 15, do CARF:
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA.
Conforme a Súmula nº 5, do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3401-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA. Conforme a Súmula nº 5, do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10825.002403/2001-32
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5328810
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.470
nome_arquivo_s : Decisao_10825002403200132.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10825002403200132_5328810.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
dt_sessao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5326984
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594080735232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 513 1 512 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.002403/200132 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.471 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANADEAÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO LTDA COPERSUCAR Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA. Conforme a Súmula nº 5, do CARF, “são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 24 03 /2 00 1- 32 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori Relatório Trata o presente processo de auto de infração eletrônico (fl. 32) pelo qual foi lançado o IPI não recolhido em operações no ano de 1998. O imposto, os juros e a multa totalizaram a exigência no valor de R$ 5.133.629,02 (cinco milhões, cento e trinta e três mil, seiscentos e vinte e nove reais e dois centavos). A ciência foi dada em 04/12/2001 (fl.46). A Contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/12), mas a DRJ em Rio Preto/SP manteve o lançamento parcialmente, ao considerar que o lançamento para prevenir a decadência acompanhada dos juros é legal, contudo, neste caso, não se pode aplicar a multa de ofício. Por essa razão, a DRJ cancelou somente o lançamento da multa de ofício. A DRJ submeteu seu acórdão ao recurso de ofício quanto à parte exonerada. A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 29/02/2008 (fl.483) e interpôs recurso voluntário 24/03/2008 (fls.485/492), alegando, em suma, que obteve, nos autos dos Mandados de Segurança nºs 97.00069729, 98.00173960 e 98.00149546, medidas liminares para não ser compelida ao destaque/recolhimento do IPI quando das operações de saída de açúcar. Assim, nunca esteve em mora, de modo que não deve os juros. Ao fim, a Recorrente pediu o provimento do recurso, a fim de que sejam afastados os juros. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso de ofício preenche os requisitos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72 e do art. 1º, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008; e o recurso de voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. Em 1997, pelo Mandado de Segurança nº 97.00069710, a Recorrente conseguiu liminar pela qual foi suspensa a exigibilidade do IPI sobre nas saídas do açúcar correspondentes à safra 1997/1998 (fls. 156/164). Contudo a Delegacia de origem lavrou o auto de infração para prevenir a decadência. A DRJ em Rio Preto/SP exonerou o lançamento da multa e suspendeu a exigibilidade do crédito até o trânsito em julgado da decisão judicial, mas manteve os juros Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A Processo nº 10825.002403/200132 Acórdão n.º 3401002.471 S3C4T1 Fl. 514 3 lançados, o que está sendo combatido, no recurso voluntário, pela Contribuinte. Desse modo, temos as seguintes matérias a serem apreciadas: Recurso de ofício: multa de ofício no lançamento para prevenir a decadência; Recurso voluntário: juros de mora em lançamento com exigibilidade suspensa por decisão judicial. Nos autos, não consta a atual situação do processo judicial, mas isso não prejudica a análise deste processo administrativo. Limitadas essas questões, podemos passar à análise. 1. Do Recurso de Ofício: Multa de ofício em lançamento para prevenir a decadência. Esse tema não merece delonga, já que é objeto da Súmula nº 17, do CARF, cujo texto é o seguinte: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. A liminar foi concedida no ano de 1997, antes da lavratura do auto de infração e a exigibilidade suspensa com base no inciso IV, do art. 151, do CTN. Logo, é plenamente aplicável a Súmula nº 17, neste caso, de modo que deve ser mantida a exoneração da multa de ofício. 2. Recurso voluntário: juros de mora em lançamento com exigibilidade suspensa por decisão judicial. Nesse tópico, o cerne da questão limitase à possibilidade do cabimento dos juros de mora em relação aos tributos com exigibilidade suspensa por medida liminar. A presente matéria já está pacificada, vez que o objeto da Súmula nº 5, do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A 4 Como no presente caso não houve o depósito do montante integral, é correto o lançamento acompanhado dos juros. Ex positis, nego provimento ao recurso ofício, mantendo a exoneração da multa de ofício. Também nego provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento em relação aos juros de mora. Todavia, a exigibilidade mantemse suspensa até a decisão final do processo judicial. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724592/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE.
O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.
Numero da decisão: 1301-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Wilson Fernandes Guimarães
Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado).
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.724592/2010-65
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5333443
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.355
nome_arquivo_s : Decisao_10380724592201065.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10380724592201065_5333443.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 5363971
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594116386816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 98 1 97 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.724592/201065 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.355 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2013 Matéria CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 45 92 /2 01 0- 65 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 99 2 Relator Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 100 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE. Depreendese pela análise do processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foi lavrado auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 02 – 10), afetos aos anoscalendário 2006 e 2007, no valor originário de R$ 15.634.776,54 (quinze milhões, seiscentos e trinta e quatro mil, setecentos e setenta e seis reais e cinquenta e quatro centavos). Na pertinente descrição dos fatos fez ver a Fiscalização que a contribuinte deixou de recolher e mesmo de declarar em DCTF, nos anoscalendário em questão e sendo intimada a justificar a falta de recolhimento, alegou que está exonerada das obrigações de recolher e de declarar a CSLL por se encontrar amparada por decisão judicial transitada em julgado, em 11/05/2001, que declara inconstitucional a Lei nº 7.689/88, conforme processo 89.00925466, sendo, portanto, defeso a cobrança da Contribuição Social em apreço. Frisou a Fiscalização, no entanto, que desde a decisão no julgamento do Recurso Extraordinário nº 138284CE, a jurisprudência passou a reconhecer a constitucionalidade da citada lei, exceto do seu artigo 8º, pela ofensa ao princípio da anterioridade nonagesimal, e por tratarse de relação tributária continuativa não cabe alegar “trânsito em julgado” como impeditivo de exação de tributos, mormente quando a lei anteriormente questionada sofreu modificações ao longo do tempo e a cobrança diz respeito a períodos subsequentes, assinalando ser este o entendimento do STF expresso na decisão do RE nº 109.073SP, cujo relator foi o Min. Ilmar Galvão – 11.02.1993. Citou o Parecer PGFN/CRJN/1.277/94, e efetuouse o lançamento tomando por base os dados consignados pelo contribuinte nas DIPJ. Devidamente cientificada (fl. 88), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 90 – 125), alegando em síntese, dispor de provimento jurisdicional assentando a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza (fls. 144 – 156), e o acórdão ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. INCONSTITUCIONALIDADE LEI 7.689/88. TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 101 4 Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que a imutabilidade diz respeito apenas aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, afastando a incidência da Lei nº 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente em face da existência de pronunciamento posterior do STF, em sentido contrário. [...] Devidamente cientificada da decisão desfavorável, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário insistindo na improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 102 5 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A Recorrente foi autuada por não ter recolhido ou confessado CSLL relativa ao anocalendário 2005, tendo argumentado, em seu socorro, que dispõe de provimento jurisdicional transitado em julgado no mandado de segurança n° 89.00925466, que tramitou perante a 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Já a Fiscalização sustenta, por seu turno, que as alterações supervenientemente promovidas na citada lei se encarregaram de vulnerar a coisa julgada, dado a natureza da própria obrigação tributária. Afigurase, portanto, questão que envolve a análise dos limites objetivos da chamada “coisa julgada material”, perquirindo a eficácia de um provimento jurisdicional definitivo, já que transpostos todos os prazos recursais bem como esgotado o limite para propositura de ação rescisória. Sem desconhecer os precedentes do antigo Conselho de Contribuintes e do próprio CARF, consagradores de que não há coisa julgada material em ação declaratória que ventile matéria tributária de alcance em relações futuras, bem como sem olvidar o pronunciamento do STF acerca da constitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro constitui autêntica “modificação do estado de direito”, a justificar a aplicação do art. 471, I, do CPC, não se pode perder de vista o julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Recurso Especial nº 1.118.893MG, julgado na forma do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, como Recurso Repetitivo, como se constata dos trechos a seguir reproduzidos: REsp 118893/MG –Recurso Especial 2009/00111359 Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima Órgão Julgador: Primeira Seção Data do Julgamento: 23/03/2011 Data da ublicação: 06/04/3011 Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 103 6 OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 104 7 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha, Hamilton Carvalhido e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentaram, oralmente, os Drs. Jose Marcio Diniz Filho, pela recorrente, e Alexandra Maria Carvalho Carneiro, pela recorrida AgRg no REsp 1176454 / MG AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2010/00113508 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 14/04/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 28/04/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. COISA JULGADA. ALCANCE DA SÚMULA 239/STF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. Se a decisão que afasta a cobrança do tributo se restringe a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88), aplicase o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por analogia, in verbis: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 2. Contudo, se a decisão atacar o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não há como exigir o seu pagamento sem ofender a coisa julgada, ainda que para Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 105 8 exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. Precedente: EREsp Nº 731.250 PE, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, julgado em 28.5.2008; e REsp Nº 731.250 PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.4.2007. 3. Situação em que o acórdão que transitou em julgado declarou a inconstitucionalidade material de toda a Lei n. 7.689/88 (argumento de que a forma de arrecadação do tributo e a sua destinação não foram as constitucionalmente previstas, descaracterizandoo como contribuição e impossibilitando o seu tratamento como imposto) e formal do seu art. 8º (fundamento de violação ao princípio da anterioridade). Sendo assim, atacou o tributo também em seu aspecto material da hipótese de incidência, não havendo como exigir o seu pagamento (enquanto o critério material da hipótese de incidência for o mesmo sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. 4. Na assentada do dia 23 de março de 2011, ao julgar o REsp 1.118.893/MG, sob a relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima e de acordo com o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção acabou por confirmar a orientação predominante nesta Corte a respeito da controvérsia sobre os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídica tributária no tocante à contribuição social instituída pela Lei 7.689/88. 5. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque." Os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Sendo assim, conquanto reconheça que diversos foram os casos submetidos a este Conselho cujo objeto era exigência da CSLL em face de pessoas jurídicas beneficiárias de sentença judicial transitada em julgado com a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, e que se consagrou entendimento de que não acataria a coisa julgada em matéria tributária, bem como de que a ordem jurídica foi inovada com a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade da exação, de sorte que mesmo as pessoas jurídicas beneficiadas com decisão transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade da exação estariam sujeitas à CSLL quanto aos fatos geradores ocorridos após a decisão do STF (RE 138.284CE Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28/02/92), não se pode ignorar que o Regimento Interno do CARF, no seu artigo 62A, estatui que as decisões definitivas de mérito, Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 106 9 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante disso, considerada a vinculação regimental, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário, assegurando a proteção da coisa julgada, tal como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 107 10 Voto Vencedor Divergiu o Colegiado do Ilustre Relator, relativamente à matéria posta em discussão, qual seja, a imutabilidade da decisão judicial transitada em julgado que declarou inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Quanto a esta matéria, por entender que não merece reparo, sirvome, por empréstimo, das conclusões apresentadas no voto condutor do Acórdão nº. 10516.745 da Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em que foi relator o ilustre Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello. Ali restou consignado: [...] A matéria de mérito não é consensual, tendo havido oscilação tanto na doutrina como na jurisprudência judicial e administrativa sobre o tema. Para solucionar a presente lide é necessário que se estabeleça os limites da coisa julgada em matéria tributária. Os fatos geradores objeto do lançamento sob exame ocorreram em 31 de dezembro de 2002 e 31 de março de 2003, (item 01 do auto de infração) e 31/12/2002 e 31/03/2003 (item 02 do auto de infração), fora de proteção da coisa julgada. Nos anos calendário de 2002 e 2003, a Impugnante não estava beneficiada com a decisão judicial e é exatamente o que se discute nestes autos: a aplicabilidade da decisão judicial transitada em julgado numa relação jurídica continuada. Desde a decisão do STF, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 1382848CE, a jurisprudência pátria passou a reconhecer a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, com a exceção do seu art. 8º. É que o Supremo Tribunal Federal, como é de geral conhecimento, declarou a constitucionalidade da contribuição instituída pela Lei nº 7.689/88, afastando apenas sua exigência no ano de 1988. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias, de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou não se aplicar exceção de coisa julgada quando se verificar mudança no estado da relação jurídica de trato sucessivo. A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Sua eficácia deve ficar restrita ao período de incidência e à legislação que fundamentaram a busca da tutela jurisdicional. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 108 11 Certo é que o julgado não tem caráter de imutabilidade para os eventos fiscais futuros. A coisa julgada faz lei entre as partes, sendo o ‘mesmo estado de fato e de direito’. As modificações legislativas, a aplicação da lei nova sobre novo fato gerador afasta os efeitos da coisa julgada. Ocorrendo alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não é cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas, sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes. O Conselho de contribuintes também tem decidido na mesma direção: Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 10283.008183/9940 Ementa: CSLL "COISA JULGADA" EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA ALCANCE Tratandose de Ação Declaratória de Inexistência da Relação Jurídica pesam contra a perenidade da decisão: a) a alteração superveniente da legislação (art. 471, I, do Código de Processo Civil); e b) a superveniência da Declaração de Constitucionalidade, exarada pela Suprema Corte. No caso concreto, foi isso que ocorreu: houve alteração legislativa posterior e também houve manifestação do STF considerando constitucional a Lei 7.689, não sendo aceitável a continuidade dos efeitos da decisão que favoreceu o contribuinte para períodos subseqüentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário no que se refere aos efeitos da coisa julgada da decisão obtida pelo contribuinte na ação 91.00065986, considerando que tal decisão não alcança os períodos objeto desta autuação. [..] Destaco que a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção deste Colegiado, em sessão realizada em 13 de maio de 2009, apreciando o recurso voluntário nº. 160.898 (processo administrativo nº. 10380.011051/200697), acolheu, por unanimidade, as razões expendidas no voto condutor. Ali, o ilustre Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno assinalou: ... De fato, a matéria, objeto de recurso voluntário, se cinge a discussão relativa os efeitos da decisão judicial, em sede de mandado de segurança processo n° 89.00925466 ao declarar inconstitucional a CSLL criada pela Lei n° 7.689/88, desobrigando o contribuinte essa exigência a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 109 12 partir de 11 de julho de 1989, uma vez transitada em julgado em 04/11/1992, conforme acima relatado. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já firmou entendimento sobre tal matéria. Vejase o Acórdão CSRF/0105.402, de 20/05/2006, cuja ementa diz. "CSLL LIMITES DA COISA JULGADA Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que, a imutabilidade diz respeito, apenas, aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando o pronunciamento posterior ao definitivo do STF, em sentido contrário, cuja eficácia tornouse "erga omnes" pela edição de Resolução do Senado Federal." A elucidar o quanto decidido, e como abrange a matéria ora discutida, extraio importante trecho do r. acórdão acima aludido. Assim, o relator, em seu voto, assevera: "A respeito dos efeitos da coisa julgada em matéria tributária, este Primeiro Conselho de Contribuintes tem apreciado constantemente recursos que tratam da matéria, especialmente a respeito da constitucionalidade da contribuição social sobre o lucro das empresas. A sentença judicial resolve questão com respeito a aplicação da regra jurídica a fatos concretos já ocorridos, declara a inexistência de relação jurídica que se pretende já existente, não alcançando exercícios futuros. É claro que não se questiona a autoridade da coisa julgada, que não é atingida por decisão posterior do Supremo Tribunal Federal. Apenas seus efeitos se delimitam para os fatos já ocorridos, não se projetando para os fatos futuros que vierem a ocorrer. Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40212 Sobre essa matéria o E. Supremo Tribunal Federal assim decidiu: "ICM Coisa julgada. Declaração de intributabilidade. Súmula 239 A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 110 13 tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. Recurso extraordinário conhecido e provido." (RE 99435M). No voto, o relator Ministro Rafael Mayer, assim se manifestou: " Na verdade, a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e normatividade a abranger os eventos futuros. A exigência de tributos advinda de fatos imponíveis posteriores aos que foram contemplados em determinado julgado, embora se verifique entre as mesmas partes, e seja o mesmo tributo, abstratamente considerado, ou não apresenta o mesmo objeto e causa de pedir que a demanda anteriormente decidida. Esse o sentido da Súmula 239, com a qual conflita o acórdão recorrido." Na Ação Rescisória n° I.3499MG, relativa à mesma lide, o relator, Ministro Carlos Madureira se pronunciou: A solução, ademais, encontrada pelo v. acórdão rescindendo, está em perfeita consonância com a doutrina mais moderna a respeito da coisa julgada que, segundo ensinamento ministrado pelo em. Ministro Soares Munoz, "restringe seus efeitos aos fatos contemporâneos ao momento em que foi prolatada a sentença", acrescentando S. Exa. em voto proferido no RE 87.3660: "A força da coisa julgada material, acentua James Goldschmidt, alcança a situação jurídica no estado em que se achava no momento da decisão, não tendo, influência sobre fatos que venham a ocorrer depois (in Derecho Processual Civil, pag. 390, tradução espanhola de 1936)" Ementário 1.1432). Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40213 Ainda sobre o alcance dos efeitos da "coisa julgada" de sentença em ação declaratória relativa à inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro, o Juiz Paulo Roberto de Oliveira Lima, do TRF da 5ª Região, ao negar liminar em ação cautelar incidental a ação rescisória proposta pela Fazenda Pública, assim se pronunciou: "Mas o que de fato ocorre não foi objeto de manifestação expressa da autora. É que o Supremo Tribunal Federal, como é de geral sabença, declarou a constitucionalidade da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, afastando apenas sua exigência no ano de 1989. É questão tormentosa, em casos assim, responder se a coisa julgada decorrente da sentença original apanha os exercícios futuros, ou se limita aos lucros anteriores à sua prolação. No meu sentir, malgrado as valiosas opiniões em contrário, a sentença não pode apreciar fatos ulteriores a seu comando. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 111 14 Seria até proveitoso que pudesse ser de modo contrário, principalmente em lides que resolvem relações jurídicas continuativas. Mas o sistema jurídico atual não reconhece tal possibilidade. A sentença não elege determinada interpretação para uma norma, nem define um modo de ser da relação jurídica. Seu dispositivo, único aspecto abrangido pela coisa julgada, resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a fatos concretos já verificados. Assim, no caso em tela, a sentença se limitou a reconhecer a inexistência de relação jurídica que, na data de sua edição, obrigasse a autora a pagar a contribuição sobre o lucro. A eventual incidência da lei sobre fatos futuros, verificados em exercícios outros mais modernos, não poderia merecer a apreciação da sentença. Logo, penso que a autora, mesmo que rejeitados os embargos infringentes e mencionados no relatório, não se põe eternamente a salvo da incidência da Lei 7.689, exceto no que respeita aos exercícios financeiros anteriores ao julgado. Pelo exposto, nego a liminar." (D.J.U. 2 de 2 5/04/97, p. 27710). Caso idêntico já foi objeto de julgamento na Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 09 de julho de 2002, Acórdão n° 10193.879, relator o eminente Conselheiro Kazuki Shiobara, cuja ementa tem a seguinte redação: Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40214 "COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuada, não se projeta para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine em cada caso o Poder Judiciário." Tomo a liberdade de transcrever os ensinamentos daquele voto: "Partindo da premissa de que a sentença resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a fatos concretos já verificados, sua eficácia e a respectiva autoridade da coisa julgada não alcança exercícios futuros. Não se questiona, pois, a autoridade da coisa julgada, que não é atingida por decisão posterior do Supremo Tribunal Federal. Apenas se delimitam os seus efeitos, que não se projetam para fatos futuros, ainda não acontecidos. Assim, os efeitos da coisa julgada que ainda acobertam a defendente não se projetam além do início do ano de 1992, quando foi provavelmente publicado o acórdão do TRF da 1ª Região que declarou a inconstitucionalidade da Lei n° 7689/88. Os fatos geradores objeto do lançamento sob exame ocorreram nos anoscalendário encerrados em 31 de dezembro de 1992 a 1994, bem fora do guardachuva de proteção da coisa julgada, que se estendeu até o início de 1992. Ausentes, na espécie, qualquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade prevista no Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 112 15 artigo 151 do CTN, o crédito tributário assim constituído é perfeitamente exigível, procedendo a cobrança de juros de mora e multa. O artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aqui não se aplica, porque está condicionada a prévia suspensão da exigibilidade. O artigo 112 do CTN também não se aplica, porque inexiste dúvida quanto à tipificação do ilícito tributário. Tratase de falta de recolhimento da CSLL sem respaldo legal ou judicial. O artigo 138 do C7'N também não se aplica, porque a denúncia espontânea tem de vir acompanhada do recolhimento do tributo e acréscimos devidos antes do início do procedimento de oficio, recolhimento esse não realizado no caso em apreço. Assim, no caso vertente, concluo que o lançamento não desrespeitou o principio constitucional da coisa julgada. Mas tenho presente que a última palavra no caso será a do STJ ou mesmo do STF, a quem incumbirá inclusive delimitar os efeitos dos acórdãos rescindendos." Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40215 Do Sr. Ministro do STF, Moreira Alves, no RE 100.8881, destacase o seguinte trecho: A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. Na mesma diretriz, a manifestação unânime da Primeira Turma do Colendo Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o REsp. 194276/RS relativamente ao processo n.° 98/00824162, DJ de 29.03.1999, de cujo voto condutor do eminente Ministro José Delgado extraise a seguinte ementa: 1. (...) 2. A Súmula n.° 343, do STF, há de ser compreendida com a mensagem especifica que ela contém: a de não ser aplicada quando a controvérsia esteja envolvida com matéria de nível constitucional. 3. A coisa julgada tributária não deve prevalecer para determinar que o contribuinte recolha tributo cuja exigência legal foi tida como inconstitucional pelo Supremo. O prevalecimento dessa decisão acarretará ofensa direta aos princípios da legalidade e da igualdade tributárias. 4. Não é concebível se admitir um sistema tributário que obrigue um determinado contribuinte a pagar tributo cuja lei que o criou foi julgada definitivamente inconstitucional, quando os demais contribuintes a tanto não são exigidos, unicamente por força da coisa julgada. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 113 16 Do voto do relator, colacionase o seguinte trecho: A soberania do Poder Judiciário em construir a coisa julgada não é absoluta. Ela há de ser exercida até os limites postos pela Carta Magna. Não entendendose assim, se outorgar ao juiz força maior do que a possuída pela Constituinte, por se reconhecer que a decisão por ele, juiz, proferida, mesmo contrária à Constituição, prevalecerá. Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40216 Venho afirmando em meus escritos e decisões, com a devida vênia dos que têm entendido diferente, que a função do direito aplicado pelo Poder Judiciário é, exclusivamente, a de ordenar, impondo segurança e confiabilidade nas relações jurídicas. Essa missão tornase mais categórica quando o Poder Judiciário é chamado para regular relações jurídicas de direito público, em face de não lhe ser possível criar comportamentos que fujam dos limites impostos pela legalidade objetiva e prestigiada pela CF. Não concebo o atuar de qualquer ordenamento jurídico que não seja na forma de Sistema. Se assim não atuar não é ordenamento e não expressa função harmonizadora a ele exigida. Impossível, conseqüentemente, que uma decisão judicial importe em criar privilégios no âmbito das relações jurídicas, impositivos tributários, permitindo que uma empresa não pague determinado tributo, mesmo que o seja por período certo, enquanto outras empresas são obrigadas a pagálo, apenas, porque, de modo contrário ao assentado pelo Supremo Tribunal Federal, uma decisão judicial assim impõe. O prevalecimento da sentença transita em julgado, em tal hipótese, quando atacada por ação rescisória, seria provocar um desrespeito à ordem jurídica, cuja estrutura e finalidade estão voltadas para a promoção da justiça. Esta, por sua vez, só será alcançada se a todos for emprestado o sentimento da igualdade e de segurança. Não se invoque, como é comum se fazer, a segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada. A segurança jurídica, por ela tratada é a de natureza processual, isto é, a surgida em decorrência do pronunciamento judicial, não sujeita, portanto, a modificações se não existir uma razão superior de ordem constitucional a descaracterizar essa força. É de ser lembrado que a Constituição Federal, fiel a esse sistema hierárquico que se acaba de demonstrar, protege a coisa julgada, apenas, face aos efeitos de lei ordinária a ele posterior. Essa característica bem demonstra o cunho processual da segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada, tornandose instável perante a vontade legislativa, por se prestigiar a independência do Judiciário como poder, não se permitindo que outra lhe tire os efeitos de suas decisões. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 114 17 Não me impressiona, nem me influencia a alegada aplicação da Súmula n.° 343 do STF, sobre a questão em debate. Entendo que ela, em se tratando de tema envolvendo constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não tem eficácia. Outrossim, ela só se faz presente, ao meu pensar, quando se trata de texto legal de interpretação controvertida nos tribunais e referente a relações jurídicas de direito privado. Estas, como é sabido, não estão sujeitas a princípios cogentes, presentes no corpo da Carta Magna, salvo o concernente ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e a coisa julgada. No trato de confronto de lei com a Constituição Federal, de acordo com o nosso sistema imposto pela nossa Carta Magna, só o Supremo Tribunal Federal tem competência absoluta para se pronunciar, declarando, com força obrigatória, a sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40217 A declaração de inconstitucionalidade assumida pelos tribunais de segundo grau, não tem a mesma potencialidade de imperatividade da oriunda pelo Supremo Tribunal Federal pela ausência de efeito definitivo absoluto e por aqueles não terem a competência outorgada pela Carta Magna de serem obrigados a guardarem a Constituição, como a possuída pela Colenda Corte (art. 102, CF)." E mais a frente, no mesmo acórdão, ainda conclui: "Processo n": 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.402 20 "Como corolário, a coisa julgada resta descaracterizada pela tangência de dois vetores indissociáveis: lei superveniente e fatos de natureza diversa. A Lei n.° 8.034, de 13.04.1990, ao erigir uma nova base de cálculo para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, dramaticamente distante da regida pela Lei n.° 7689/88, manifestamente atendeu ao dualismo que se aponta indispensável. Trago à colação, o magistério do ínclito tributarista José Carlos Barbosa Moreira, em artigo publicado na Revista Forense, vol. 246, pág. 31: A título de ilustração, vale a pena aplicar a algumas hipóteses o princípio expressamente consagrado pelo novo código. O contribuinte X propõe contra o Fisco ação declaratória negativa de dívida tributária, em relação a determinado exercício, argüindo a inconstitucionalidade da lei que instituíra o tributo. O juiz acolhe o pedido, por entender que tal lei era realmente inconstitucional. A solução dessa questão de direito constitui motivo da decisão: sobre ela se forma a coisa julgada. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 115 18 Com referência a outro exercício e a outra dívida , é lícito ao órgão judicial reapreciar a questão, eventualmente para considerar constitucional a mesma lei e julgar, por isso, que o tributo é devido por X. Das lições do eminente doutrinador, professor Gilmar Ferreira Mendes, extraio o seguinte trecho de seu estudo sobre "Coisa Julgada e Efeitos Vinculantes": A declaração de nulidade de uma lei não obsta à sua reedição, ou seja, a repetição de seu conteúdo em outro diploma legal.Tanto a coisa julgada quanto a força de lei especifica (eficácia "erga omnes") não lograram evitar esse fato. Ainda que no limite extremo do hipotético prevalecessem os argumentos expendidos pela contribuinte, essa não ficaria a salvo eternamente da obrigação tributária a que recusa submissão, a não ser com um abominável desrespeito ao principio pétreo da igualdade o qual consiste em dar tratamento igual aos iguais. Enfim, o julgado não tem caráter de imutabilidade para os eventos fiscais futuros, frisese. Destarte, a coisa julgada em destaque não se correlaciona com a exação imposta, pois o seu caráter não se irradia a outros exercícios e nem ataca lei nova, conforme é assente na jurisprudência administrativa mas se contém na dimensão temporal da sentença contemplativa dos exercícios abarcados pela Lei nº 7.689/88; melhor dizendo: goza de eficácia no ano base de 1988, limite do pedido do contribuinte. Ademais, a Lei n.° 4.657, de 04 de setembro de 1942 (LICC), em seu artigo 1°, f, par. 4º, salienta que as correções a texto de lei já em vigor consideramse lei nova. Dessa forma, resulta despicienda qualquer apreciação acerca da ação rescisória ou dos seus efeitos temporais, pois não se acha sob debate a lei fulminada pelo trânsito em julgado." Em face ao entendimento supra exposto, o qual acolho pelos seus próprios fundamentos, reportandome também ao quanto decidido em primeira instância, sou por negar provimento ao recurso voluntário. Em convergência com tudo que até aqui foi exposto, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN nº 492, de 2011, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda e publicado no Diário Oficial da União em 26 de maio de 2011, do qual releva transcrever as seguintes conclusões: 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 116 19 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. No que diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, não o fazendo, apenas, em relação ao art. 8º do referido diploma (RE 146733SP, cuja ementa reproduzo abaixo). RE 146733/SP – SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO RELATOR: Min. MOREIRA ALVES JULGAMENTO: 29/06/92 ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO EMENTA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. AO DETERMINAR, POREM, O ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 QUE A CONTRIBUIÇÃO EM CAUSA JÁ SERIA DEVIDA A PARTIR DO LUCRO APURADO NO PERÍODOBASE A SER ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988, VIOLOU ELE O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CONTIDO NO ARTIGO 150, III, "A", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE PROÍBE QUE A LEI QUE INSTITUI TRIBUTO TENHA, COMO FATO GERADOR DESTE, FATO OCORRIDO ANTES DO INÍCIO DA VIGÊNCIA DELA. RECURSO Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 117 20 EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO COM BASE NA LETRA "B" DO INCISO III DO ARTIGO 102 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, MAS A QUE SE NEGA PROVIMENTO PORQUE O MANDADO DE SEGURANÇA FOI CONCEDIDO PARA IMPEDIR A COBRANÇA DAS PARCELAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CUJO FATO GERADOR SERIA O LUCRO APURADO NO PERÍODO BASE QUE SE ENCERROU EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 Em conformidade com o Parecer PGFN nº 492, de 2011, “possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: ... quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte”. Podese afirmar que a constitucionalidade declarada no RE 146733/SP foi confirmada em julgados posteriores da Suprema Corte, seja em razão do RE 138284 – CE (ementa abaixo reproduzida), seja em virtude da própria ADIn 152 DF, de 14/06/2007. RE 138 284/CE 01/07/1992 RELATOR: CARLOS VELLOSO TRIBUNAL PLENO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. Lei n. 7.689, de 15.12.88. I. Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. C.F., art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. C.F., arts. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II. A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições do art. 195, I, II, III, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do parag. 4. do mesmo art. 195 é que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição deverá observar a técnica da competência residual da União (C.F., art. 195, parag. 4.; C.F., art. 154, I). Posto estarem sujeitas a lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, "a"). III. Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV. Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa é que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1.). V. Inconstitucionalidade do art. 8., da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (C.F., art, 150, III, "a") qualificado pela inexigibilidade da contribuição dentro no prazo de noventa dias da publicação da lei (C.F., art. 195, parag. 6). Vigência e eficácia da lei: distinção. VI. Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8. da Lei 7.689, de 1988. Na referida ADIn 152 DF restou assinalado: “A lei 7.689, de 15.12.88, já foi examinada à exaustão neste Tribunal. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 118 21 No RE 146733 (Moreira Alves, J. 26.6.92, DJ 6.11.92), o Plenário examinou alegações semelhantes à desta ação direta e concluiu pela constitucionalidade da lei impugnada, com exceção do art. 8º. Eis a ementa: ...” Nos termos do consignado pelo Ministro Sepúlveda Pertence na ADIn 152, o plenário da Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade do artigo 8º da Lei nº 7.689, de 1988, e comunicou a decisão ao Senado Federal, que, por meio da Resolução nº 11, de 1995, suspendeu os efeitos desse dispositivo. [...] nos termos do art. 48, item 28 do Regimento Interno, promulgo a seguinte RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL 11/95 O SENADO FEDERAL resolve: Art. 1º É suspensa a execução do disposto no art. 8º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Revogamse as disposições em contrário. Senado Federal, 4 de abril de 1995. Inaplicável, a meu ver, as disposições do art. 62A do Regimento Interno deste Colegiado com base no pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça por meio do REsp 1118893/MG, em que restou consignado que “o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade”. Aqui, acolho o entendimento esposado pela Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira nas contrarrazões apresentadas nos autos do processo administrativo nº 10680.721852/201147. Ali, restou consignado, in verbis: [...] Todavia, não possui o REsp 1.118.893/MG o alcance ad aeternum que pretende a recorrente. Segundo esclarecido no Parecer PGFN/CRJ 975/2011, a demanda que deu origem ao REsp 1.118.893/MG foi de Embargos à Execução Fiscal (Processo Originário 1997.38.00.0604543/MG), em que se questionou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL, instituída pela Lei 7.689/88, ano calendário 1991, para contribuinte que possuía sentença judicial transitada em julgado em que fora declarada a inconstitucionalidade formal e material da exação sob a égide da citada Lei 7.689/88, e a consequente inexistência de relação jurídico tributária. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 119 22 O STJ deu provimento ao recurso especial ora em análise, julgando procedente o pedido formulado nos Embargos à Execução Fiscal para anular a CDA 60.6.96.00474909. Nos termos do REsp 1.118.893/MG (Relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima), constatouse que a Primeira Seção do STJ encampou a tese de não ter havido alteração substancial no regramento da CSLL a justificar o afastamento do decidido na sentença transitada em julgado favorável à contribuinte, conforme ementa abaixo: [...] Ocorre que a questão discutida se restringiu ao caso concreto de contribuinte que pugnou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/88, no exercício de 1991, em virtude de possuir decisão transitada em julgado de reconhecimento da inconstitucionalidade de cobrança de CSLL, nos moldes da Lei 7.689/88. Entre suas razões de decidir, conforme transcrito na ementa supra, a Primeira Seção manifestou o entendimento quanto à impossibilidade da decisão do STF no julgamento da ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 (DJ 31/08/2007), que decidiu pela constitucionalidade da Lei 7.689/88, com exceção de seus arts. 8° e 9°, atingir o caso ora em análise (CDA 60.6.96.00474909), referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/88, no exercício de 1991. Esclarecendo, a Primeira Seção do STJ se manifestou obter dictum pela impossibilidade de decisão posterior do STF proferida na ADI 152/DF, publicada no DJ 31/08/2007 retroagir e alcançar decisão judicial transitada em julgado que declarou a inexistência de relação jurídicotributária aplicável ao exercício de 1991. Em outras palavras, o STJ firmou a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991); consolidada anteriormente à decisão do STF. Todavia, a Primeira Seção do STJ no REsp 1.118.893/MG não analisou os efeitos prospectivos da eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado contrárias à posterior decisão do STF. Ora, este não era o tema em julgamento, já que o fato gerador analisado era de 1991, anterior à decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei 7.689/88 instituidora da CSLL, seja em controle difuso (RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), seja em controle concentrado de constitucionalidade (ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 DJ 31/08/2007). No caso vertente, os lançamentos tributários alcançaram os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006 e de 2007 e a ação judicial impetrada pela contribuinte, embora tenha transitado em julgado em 11 de maio de 2001, está representada por Mandado de Segurança PREVENTIVO, impetrado em 28 de abril de 1989, por meio do qual foi suscitada a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988. Em vista do exposto, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 120 23 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722127/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS. ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO.
O comando do art. 100, III do CTN aplica-se somente a casos em que a Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS.
Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos.
Numero da decisão: 3403-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negou-se provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS. ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO. O comando do art. 100, III do CTN aplica-se somente a casos em que a Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.722127/2011-18
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331646
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.520
nome_arquivo_s : Decisao_11080722127201118.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11080722127201118_5331646.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negou-se provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. ROSALDO TREVISAN - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5349269
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594124775424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 981 1 980 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722127/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.520 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2013 Matéria AIPIS E COFINS Recorrente COMPANHIA ZAFFARI COMÉRCIO E INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COFINS. RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 27 /2 01 1- 18 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS. ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO. O comando do art. 100, III do CTN aplicase somente a casos em que a Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deuse provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deuse provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negouse provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negouse provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de recurso contra a decisão que manteve o lançamento que constituiu crédito tributário relativo a contribuições para COFINS e o PIS/PASEP do período de apuração de 01.01.2006 a 31.12.2006, incidente sobre possíveis receitas não incluídas na base de cálculo. Transcrevese o relatório da decisão recorrida por refletir bem a situação dos autos. “Relatório. Conforme o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 10.1.01.002009008086 e suas diversas prorrogações foi realizada fiscalização na empresa qualificada em epígrafe abrangendo o PIS e a COFINS no período referente ao ano de Fl. 983DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 982 3 2006. A ação fiscal iniciou em 29/06/2009 e em seu curso identificou que a empresa Zaffari Comércio e Indústria Ltda. não incluiu na base de cálculo dessas contribuições determinadas rubricas que teriam incidência tributária, o que resultou no Auto de Infração aqui em litígio. A autuada é empresa que atua na exploração do ramo de supermercados, compreendendo o comércio de gêneros alimentícios em geral e demais mercadorias passíveis de venda nesse tipo de estabelecimento. O Relatório da Ação Fiscal (fls. 22 a 38) inicialmente descreve a forma adotada para operacionalizar os acordos feitos pelos grandes varejistas (supermercados) com os fornecedores, em práticas denominadas genericamente de “RAPEL/PEDÁGIO” (imposição pelas grandes redes de supermercados de diversas exigências aos fornecedores, retribuída em dinheiro ou em mercadorias, sobre as compras que aqueles fazem dos seus produtos; melhor disposição da mercadoria dentro da loja – prateleira, publicidade, etc), ilustrando por meio de reportagens e investigações realizadas pelo executivo ou legislativo de diferentes Estados a realidade que vem acontecendo em tais relações comerciais. O lançamento decorreu da não inclusão na base de cálculo dessas contribuições de importâncias cobradas dos fornecedores com origem nessas práticas – “rapel e pedágio”, regra por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores, especificamente em três contas: propaganda; descontos obtidos; e mercadorias bonificadas. Essas contas contábeis objeto de tributação são detalhadas no Relatório Fiscal, com seus valores apresentados em planilhas demonstrando como se chegou aos lançamentos efetuados. O crédito tributário apurado com multa e juros atingiu o montante de R$ 14.582.197,86 a título de COFINS e R$ 3.165.871,71 a título de PIS. A ciência foi dada ao contribuinte em 31/03/2011 (fl. 21). A impugnação foi apresentada tempestivamente em 29/04/2011. Cabe registrar que a impugnação juntada às fls. 688 a 830 nada tem a ver com esse processo, tratando se de contestação de outros tributos (IRPJ e CSLL – ágio de amortização) Referentes ao processo nº 11080.722179/201115, e, dessa forma, não foram aqui passíveis de análise para esse julgamento. A impugnação que diz respeito ao Auto de Infração de PIS e de COFINS se encontra nos autos a partir da fl. 831 e é essa que passaremos a reproduzir. Primeiramente aduz o impugnante que o Auditor Fiscal foi induzido a conclusões precipitadas, face práticas (“rapel e pedágio”) demonstradas pela mídia e por CPIs, com notícias Fl. 984DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 que nunca envolveram a Cia. Zaffari, concluindo que inexistindo provas cabais de que o aqui impugnante teria efetivamente adotado tais práticas, os argumentos do Auto de Infração não teriam a mínima sustentação. Sobre as contas de sua contabilidade entendidas pela fiscalização como tributáveis, fez as seguintes alegações sobre cada uma: Mercadorias Bonificadas No tocante a essa rubrica, afirma o impugnante que contabiliza em uma conta as bonificações que recebe em dinheiro e em outra conta as bonificações que recebe em mercadorias, por entender se tratar de situações distintas. Entende que o AFRFB desconsiderou sua contabilização, baseando se simplesmente em presunção. Ter acordos comerciais que importem na entrega de produtos além dos adquiridos a título de bonificação, não revela uma conduta ilegal ou tampouco abusiva. Os fornecedores são livres para vender ao varejo seus produtos; e podem muito bem optar por não fornecer. Essa conta Mercadoria Bonificada seria integrante do custo de aquisição de mercadorias, sendo redutora das demais compras. De acordo com o seu fluxo de contabilidade, tais mercadorias somente seriam tributadas pelo PIS e pela COFINS ao tempo de sua venda. Caso contrário essas contribuições incidiriam duas vezes sobre as mercadorias de bonificação – no recebimento do fornecedor e na venda ao consumidor final –, caracterizando bis in idem. Menciona o “Perguntas e Respostas” da Receita Federal, assim como Solução de Consulta, onde estaria disposto que quando as bonificações forem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos não seriam tributadas. As indenizações por perdas ou avarias também devem ser excluídas da base de cálculo, pois nesse caso o impugnante é ressarcido de duas formas: parte para que possa adquirir produto similar perdido, e parte como ressarcimento das despesas com o descarte dos produtos perdidos ou avariados. Descontos Obtidos Tal conta seria integrante das receitas financeiras e referese a descontos pelo pagamento antecipado de obrigações; abatimento pelo recebimento de mercadorias com avarias; e descontos relativos a acordos comerciais de fornecimento de mercadorias. Entende que tais lançamentos a crédito não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS de acordo com o inciso V, art. 1º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (descontos incondicionais concedidos). Cita o “Perguntas e Respostas” da Receita Federal onde seria dito que os descontos obtidos seriam tributados à “alíquota zero” para o PIS e para a COFINS, conforme determina o art. 1º, do Decreto nº 5.442/2005. Propaganda Afirma que os valores lançados a crédito nessa conta não constituem receitas, e teriam origem em três situações distintas: a) Transferência de Tablóides: quando da transferência do depósito central desses tablóides para as filiais, é contabilizado a crédito a conta fornecedores. Tratarseia de uma operação Fl. 985DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 983 5 interna de transferência de material publicitário do depósito para as lojas não tributada pelo PIS e pela COFINS. b) Distribuição do reembolso de fornecedores a cada loja: o impugnante em seus acordos comerciais é reembolsado por propagandas que ele contrata para os fornecedores. Tais reembolsos são transferidos para cada uma de suas lojas, e, portanto, retrataria uma operação interna de mero rateio do depósito para as lojas, não se podendo confundir com receitas auferidas. c) Recebimento de reembolso dos fornecedores – Novamente o impugnante tem acordos comerciais com empresas fornecedoras, onde é reembolsado por propagandas que ele contrata para os fornecedores. Esses reembolsos possuem caráter indenizatório, pois tem por finalidade o pagamento de parte dos gastos efetuados com publicidade para as marcas que o impugnante revende. Um consumidor pode se interessar pelo produto anunciado, mas não adquirilo no Zaffari;, todavia o interesse virá daquele anúncio. Por isso é que se exigiria tal reembolso, e tais valores não seriam receitas auferidas, no seu entender, mas sim ingressos indenizatórios. Por fim, o contribuinte requer que seja reconhecida a insubsistência do lançamento, com a conseqüente anulação do Auto de Infração, devido à demonstração de não sujeição das bonificações recebidas, descontos concedidos e dos créditos decorrentes de ajustes na escrituração contábil à tributação do PIS e da COFINS. E em não entendendo pela anulação total do auto, requer que sejam ajustadas as bases, conta a conta, bem como expurgada a multa e os juros, face o conteúdo normativo do art. 100, do CTN, e da prática reiteradamente observada, inclusive apontada pela Administração Tributária no sentido de não tributação de tais rubricas. É o relatório”. Em síntese, a discussão se refere a: a) Despesas de Propaganda volume de débitos e créditos referentes à conta no 3.1.07.30, discriminando todos os meses de 2006 (fl. 30); b) Descontos Obtidos valores mensais lançados a crédito discriminando mês a mês o ano de 2006, no tocante a conta no 3.4.01.06, especificando os valores que foram ou não considerados como tributáveis (fl. 33); e c) Mercadorias Bonificadas valores mensais lançados a crédito discriminando mês a mês o ano de 2006, no tocante a conta no 5.1.01.23, especificando os valores apurados (fl. 34). Requerse ajuste à base de cálculo conta a conta, bem como, observância das disposições do artigo 100 do CTN. É o relatório. Voto Vencido Fl. 986DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, o que impõe o seu conhecimento. A controvérsia decorre da não inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS de importâncias ou mercadorias exigidas dos fornecedores prática essa conhecida ou denominada de “rapel e pedágio”, regra por meio da qual há redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores relativamente aos itens: propaganda; descontos obtidos e mercadorias bonificadas. A prática denominada de rapel ou pedágio encontrase consolidada no segmento varejista de produtos alimentares e de supermercados, há tempos configurando uma praxe. Com a concentração de grandes conglomerados no setor varejista após a década de 90 surgiu a praxe de obtenção de descontos desproporcionais, investimentos compulsórios e ônus de custos vinculados ao marketing, em regra com a participação financeira dos fornecedores. O poder de mercado alcançado pelas grandes redes varejistas tornouse matéria discutida pela literatura antitruste, pois o poder de compra do varejo desafia a livre concorrência. Esse assunto já extrapola as paredes do ambiente de relação varejistas e fornecedores e chega ao conhecimento do CADE, que passou analisar o processo de concentração. Têmse notícias de que grandes varejistas obrigam seus fornecedores a conceder descontos desproporcionais e outros benefícios contrários a livre concorrência. Em contrapartida disponibiliza aos parceiros, se desejar: volume de compras, conjunto distintivo de condições particulares, exibição e vendas de produtos, condições particulares de logística. Nesse cenário surgem os pactos, escritos, verbais, todos restritos às relações comerciais dos hipermercados e supermercados com seus fornecedores. No caso concreto, foram apontados os ganhos relacionados com propaganda, descontos obtidos e mercadorias bonificadas como sendo receitas excluídas da base de cálculo das contribuições, referentes ao lançamento. O entendimento da decisão de piso e da fiscalização é de que se trata de receita, e, independemente de tratar de ingresso em moeda corrente do país ou em mercadorias (bonificação), o fato gerador seria a incorporação ao patrimônio do beneficiário dessas vantagens., motivo pelo qual deveriam as receitas ter sido incluídas à base de cálculo. Impõe examinar os temas (propaganda e publicidade, descontos obtidos e mercadorias bonificadas) pelo conceito contábil, diante da natureza de serem receita e custo/despesa. Propaganda e Publicidade. Essas são sempre consideradas despesas, ora de vendas, e, em certas circunstâncias administrativas. Naturalmente estão vinculadas às campanhas de vendas de produtos. Por natureza são sempre apropriadas a despesas. Descontos obtidos. O tratamento contábil dispensado aos descontos obtidos conforme a melhor classificação é como redução de custos e não como receita financeira, em face do vínculo direto com aquisição de produtos ou serviços. Recomendase que nos casos dos abatimentos e descontos obtidos, devam ser contabilizados diretamente na conta que registrou a aquisição do produto ou do serviço. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 984 7 Bonificações. Devem ter o mesmo tratamento contábil dispensado aos descontos obtidos, pois devem ser contabilizadas como redução de custo em decorrência do vínculo direto com aquisição dos produtos ou serviços. A mim parece que os custos relacionados com propaganda, publicidade, descontos obtidos e bonificações de mercadorias em momento algum podem ser considerados como vantagens pecuniárias, mas sim redução de custo e despesa. Não se podem fechar os olhos aos acordos comerciais existentes para o incremento de vendas, onde o comprador (supermercados) pactua com o fornecedor campanhas promocionais com o objetivo de incrementar os negócios, dividindose proporcionalmente entre eles os custos. O reembolso, necessariamente, não precisa ser pecuniário, pode vir em forma de bonificação, isto é, entrega de mais produtos a custo zero, o que proporciona a recuperação dos gastos com publicidade e propaganda por meio da receita advinda da comercialização, que por seu turno sofre a incidências dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tanto para bonificações, quanto para despesas de propaganda e descontos obtidos, a natureza é sempre de reembolso, o que implica tornar embolsar, reaver o que foi desembolsado ou emprestado, ficar novamente na posse. Em síntese, são artifícios, componentes ou elementos de acordos comerciais, e, mesmo para aqueles que os veem como prática predatória à livre concorrência e ao consumidor, não se pode transformálos em receita capaz de suportar incidência tributária. Esses mecanismos utilizados são para proporcionar ao fornecedor venda substancial com garantia de continuidade (fidelidade), divulgação do produto, logística capaz de minimizar os custos de frete, tornando a mercadoria mais competitiva; e, do outro lado, o supermercadista ganha em escala de venda. Assim, para mim são sempre redutores de custos, e, não ingressos de receitas, pois diferenciados do conceito de receita. O contrário violaria o princípio da capacidade contributiva. Oportuno trazer à baila a lição a respeito de ingressos recebidos a título de reembolso pelo Conselheiro do CARF Sólon Sehn, ao falar de PISCOFINS na não cumulatividade e Regimes de Incidência: “INGRESSO RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO”. “Uma vez delimitado o conceitobase de incidência da Cofins não cumulativa e, sobretudo, fixada a premissa que receita é acréscimo ao patrimônio líquido, sem reservas, condicionamento ou correspondências no passivo inconfundível, portanto, com a noção neutra de ingressos de caixa , não há dúvidas de que tais tributos não incidem sobre reembolsos”. Continua: “Afinal o reembolso constitui um ingresso sem repercussão patrimonial positiva, que apenas recompõe o patrimônio da Fl. 988DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 pessoa jurídica em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. “Não há, destarte, a entrada de riqueza nova ou incremento patrimonial, razão peça qual não ocorre à incidência da contribuição...” Finalmente diz: “Interpretação dessa natureza, além contrária ao conceito de receita, viola claramente o princípio da capacidade contributiva, que veda a incidência de tributos não vinculados sobre fatos não reveladores de riqueza”. (PISCOFINS não cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 170). Com essas considerações sou inclinado a prover o recurso e modificar a decisão de piso para acolher a tese de que bonificações, despesas de propaganda e descontos obtidos têm natureza de recuperação de custo e não podem ser interpretados como receitas capazes de suportar incidência de tributos. Em sendo assim, conheço do recurso e dou provimento para afastar da base de cálculo os reembolsos nominados como bonificações, despesas de propaganda e publicidade, bem como os descontos obtidos da base de cálculo das contribuições aqui tratadas. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 989DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 985 9 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Tendo em vista terem sido acolhidas unanimemente a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais, e majoritariamente os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, incumbiuseme a redação de voto vencedor em relação à negativa de provimento em relação aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda (vencido o relator) e quanto às bonificações e descontos obtidos (vencidos o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti). Antes de ingressar na análise dos dois tópicos destacados (despesas com propaganda, e bonificações e descontos obtidos), convém destacar o que dispõem as leis que regem as contribuições na sistemática da não cumulatividade: Iniciemos pela Lei no 10.637/2002, que rege a Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (...)” (grifo nosso, e redação vigente ao tempo da autuação) De modo absolutamente idêntico dispõe a Lei no 10.833/2003, que rege a COFINS, na mesma sistemática: “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (...)” (grifo nosso, e redação vigente ao tempo da autuação) Cabe ainda sinteticamente recordar as principais teses expostas no curso do contencioso, sobre os temas em análise: A autuação, em ambas as contribuições, fulcrase na não inclusão de rubricas referentes a propaganda (conta no 3.1.07.30), descontos obtidos (conta no 3.4.01.06) e mercadorias bonificadas (conta no 5.1.01.23). Na conta referente a despesas com propagandas, constavam valores a crédito, a título de reembolso de despesas de marketing e de transferência de tablóides. Tais valores, entendidos pela recorrente como reembolso, são na verdade receitas (pedágio), não guardando relação direta com as despesas da empresa. Na conta que engloba descontos obtidos, do grupo receitas financeiras, e referentes a diversos fornecedores, constatouse que não há relação dos descontos com antecipação de pagamento, pois mesmo os valores pagos após o vencimento faziam jus aos descontos, cabendo destacar que não fizeram parte da autuação os valores referentes a efetivos descontos financeiros. Em relação à conta mercadorias bonificadas, também foi percebido expressivo lançamento de valores a crédito, tendo como contrapartida as contas de compra. Os lançamentos em tal conta se referem a bonificação, reembolso de custos de logística, e quebras de estoque. Destaquese que foram incluídas pela empresa na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de bonificações sobre promoções de vendas, sobre as quais estão sendo efetuados depósitos judiciais (conta no 4.1.70.08). Na impugnação esclarecese que a rubrica despesas com propagandas representa três situações distintas: transferência de tablóides para as filiais operação interna (cuja exclusão da base de cálculo das contribuições foi acolhida majoritariamente pela turma, inclusive pelo relator original), distribuição de reembolso a fornecedores operação interna de rateio do depósito para as lojas (cuja exclusão da base de cálculo das contribuições foi unanimemente acordada pela turma), e recebimento de reembolso dos fornecedores (única questão referente à rubrica despesas com propagandas que resta a discutir no presente voto vencedor). Ainda na impugnação, caso se entendam como receitas os valores em discussão, invocase subsidiariamente o art. 100 do CTN, especificamente no que se refere a prática reiterada da Administração Tributária (inciso III). No julgamento de piso, chamase a atenção para o fato de a autuada ter sido intimada por diversas vezes a apresentar os contratos vinculados aos créditos de propaganda, descontos obtidos e mercadorias bonificadas, e sequer ter feito menção a nenhum dos contratos com seus fornecedores, como indicado no relatório fiscal anexo à autuação (registrando que a omissão continua na impugnação). Repara o julgador a quo que a recorrente indica por Fl. 991DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 986 11 diversas vezes em sua impugnação a existência de tais contratos, mas jamais os apresenta, e que não seria crível que em transações deste porte o contrato se desse de forma verbal. Também assenta o julgador de piso a incoerência lógica em se oferecer à tributação as bonificações de mercadorias em dinheiro (em que pese estarem sendo judicialmente depositadas), excluindose as mercadorias recebidas em espécie, e que tais bonificações, para exclusão, deveriam constituir descontos incondicionais, expressos na nota de venda (o que não ocorreu). Assim, e restando as bonificações contabilizadas em conta de resultado, caracteriza se em todas as visões do fenômeno a percepção de receita, não havendo bis in idem na tributação de operação posterior (que pode nem vir a ocorrer) de venda das mercadorias recebidas em bonificação. Também em relação aos descontos obtidos, compreendidos pela empresa às vezes como receitas financeiras, outras como descontos incondicionais, restou claro ao julgador não ter ocorrido nem uma nem outra situação. Sobre as despesas com propaganda abarcadas por este voto vencedor (recebimento de reembolso dos fornecedores), atestou o julgador a quo que não se apresenta nenhuma correspondência direta entre os custos de propaganda e tais reembolsos. Em seu recurso voluntário, a empresa alega que os contratos com os fornecedores se davam de maneira verbal, caso a caso, como aceito pela legislação civil, visando ao estabelecimento de descontos incondicionais, e que a simples inexistência de contrato escrito não pode ensejar a desconfiguração da operação realizada. Sobre as bonificações, informa que não há provas na autuação de que os fornecedores eram compelidos a pagar remuneração à recorrente, e que a própria RFB reconhece tratamento diferenciado para bonificações em espécie e em mercadorias (cf. Perguntas e Respostas IRPJ 2004). Sobre os descontos obtidos, de natureza financeira, é contraditório o fisco desejar tributálos ainda que incondicionais, pois são gênero da espécie bonificação. No que se refere a despesas com propaganda, são de caráter indenizatório. Isto posto, e como a legislação de regência das contribuições, exposta ao início, não trata de conceito restrito, mas alargado de “receitas”, o que deriva de sua simples leitura (“receita bruta de venda de bens e serviços” e “todas as demais receitas auferidas”) há que se aclarar que, para efeito de tributação, mesmo os descontos incondicionais constituem “receitas”. Tanto que são expressamente excluídos da tributação, mas não do conceito de “receitas”. Assim, se as contas se referem a descontos incondicionais, elas constituem receita (porque a lei expressamente o estabelece). Vejase o § 3o do art. 1o de qualquer das leis de regência transcritas, que explicitamente afirma que não integram a base de cálculo as receitas referentes a descontos incondicionais concedidos. A lei inegavelmente estabeleceu que a base de cálculo das contribuições abarca todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e que poderiam ser excluídas de tal base as receitas referentes a descontos incondicionais. Tanto as bonificações quanto os descontos obtidos são enquadrados pela recorrente em tal incondicionalidade, em que pese não atenderem aos pressupostos estabelecidos pelo fisco (como a informação específica em nota fiscal, que se soma à independência de evento posterior). O fisco logra atestar que os ingressos constituem receitas (dentro do conceito acima exposto), inclusive afastando da autuação os descontos para os quais se comprova a origem financeira. E, tanto no que se refere às bonificações quanto aos descontos obtidos (ambos tidos como incondicionais), busca oportunizar à recorrente comprovar o registrado em Fl. 992DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 sua contabilidade durante o procedimentos fiscal, mediante a apresentação dos contratos por meio dos quais tais descontos são concedidos. No entanto, há reiterada omissão na apresentação de tais contratos, seguida da afirmação de que são celebrados na forma verbal. A exemplo do que se concluiu no julgamento de piso, não nos convence a argumentação de que uma grande rede de supermercados conceda incondicionalmente descontos a seus fornecedores, sempre mediante contratos verbais, não se preservando de forma alguma o registro histórico de tais operações de modo a verificar a que título se deu o desconto. Atenta contra a razoabilidade (e contra o caráter sinalagmático de tais contratos) crer que em um contrato entre supermercado e fornecedor, este conceda reiteradamente descontos incondicionais, de forma verbal, sem obter contraprestação alguma. É contraditório afirmar a recorrente que a fiscalização poderia ter circularizado a investigação, tentando obter dos fornecedores tais contratos, quando ela própria afirma que são “verbais”. Seria, em outras palavras, tentar obter a prova impossível. E, nessa esteira, qualquer desconto poderia ser contabilizado impunemente como incondicional, visto que não haveria meios de verificar a condicionalidade, sendo os contratos de fornecimento efetuados de forma verbal. Em suma, a forma verbal asseguraria a impossibilidade de verificação objetiva da (in)condicionalidade. Nesse contexto, a recorrente identifica eventual carência probatória na autuação, que foi por ela própria ocasionada. Percebase que a recorrente teve, no curso de todo o contencioso, a possibilidade de contrapor os argumentos do fisco, demonstrando claramente porque contabilizou como incondicionais as receitas obtidas, e não o fez a contento, principalmente por não restar em nenhum momento de forma objetiva como e em que circunstâncias tais descontos eram concedidos. Sendo inequívoco que constituem receitas as rubricas em discussão, e não restando caracterizada a contento a situação de receitas provenientes de descontos incondicionais, voto pelo não provimento do recurso nesses tópicos (descontos obtidos e mercadorias bonificadas). No que se refere ao recebimento de reembolso dos fornecedores por despesas com propaganda, igualmente voto pelo não provimento, por entender que não restou minimamente comprovada pela recorrente sua alegação de que tais despesas possuíam caráter indenizatório, seja mediante planilha na qual minuciasse as despesas e a fórmula de rateio, seja rebatendo a planilha apresentada pelo fisco que demonstra não haver correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. Por fim, em relação ao art. 100 do CTN, especificamente em seu inciso III, alegado subsidiariamente, incumbe ressaltar que resta ostensivamente claro que o comando não se aplica a práticas infracionais que não tenham sido detectadas pela Administração, como a tratada neste processo. Raciocínio contrário nos levaria ao desparate de crer que qualquer conduta irregular ou até ilícita constituiria uma norma complementar se o infrator a cometesse durante algum tempo sem ser descoberto pela fiscalização. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da exigência os valores das seguintes despesas classificadas como “de propaganda”: redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais (distribuição de reembolso a fornecedores) e reembolso de despesas com tablóides (transferência de tablóides). Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 987 13 Rosaldo Trevisan Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725077/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10469.725077/2011-11
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5343348
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-000.874
nome_arquivo_s : Decisao_10469725077201111.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10469725077201111_5343348.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5416501
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594130018304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.725077/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.874 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria IRPJ lucro da exploração Recorrente GUARARAPES CONFECÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 77 /2 01 1- 11 Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife PE assim ementado, verbis: “NULIDADE. CERCEAMENTO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando os demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal estão detalhados, assim como amparados em documentos e demonstrativos presentes nos autos, que permitem o perfeito entendimento dos resultados apurados. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ISENÇÃO/REDUÇÃO. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUÇÃO COM INCENTIVO EM MONTANTE SUPERIOR À CAPACIDADE INCENTIVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ISENÇÃO/REDUÇÃO. RECEITAS DE ALUGUEL E LUVAS. RELEVÂNCIA. RELATIVIZAÇÃO DO ESTATUTO SOCIAL. RECEITA BRUTA. Em que pese a atividade de locação de imóveis não constar expressamente como objeto do sujeito passivo em seu estatuto social, o teor deste deve ser relativizado diante da caracterização nos autos da relevância dessa atividade para o sujeito passivo. Há que se concluir que de fato a locação de imóveis faz parte do conjunto de atividades principais da empresa e, por conseguinte, integra a sua receita bruta. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NO AJUSTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONTENCIOSO INSTAURADO. CONFIRMAÇÃO PELA DRJ. Não é passível de dedução no ajuste anual estimativa que tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que instaurado o contencioso, quando a DRJ já tiver se pronunciado pela confirmação da decisão da autoridade administrativa da unidade local. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NO AJUSTE. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Devido afastar a glosa da dedução da estimativa no ajuste anual para o anocalendário em que o sujeito passivo carreou aos autos provas suficientes para indicar que a mesma foi efetivamente paga: por recolhimentos via Darf, por deduções de Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 4 3 IRRF e por compensações (homologadas e/ou ainda pendentes de apreciação) MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. É possível a aplicação conjunta de multa isolada sobre a falta de pagamento de estimativa e multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Somente há possibilidade da compensação ser realizada por iniciativa da autoridade administrativa quando, antes de proceder à restituição ou ressarcimento de tributo em função de pleito de contribuinte, verificar a existência de débito em nome deste. Nas demais hipóteses compete ao sujeito passivo efetuar a compensação via apresentação de declaração de compensação.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de multa isolada sobre a insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ, consubstanciados no auto de infração às fl. 02 a 16, referentes aos anoscalendário 2006 a 2009, com crédito tributário total de R$ 29.662.184,84, assim composto: Imposto R$ 12.563.318,40 Juros de Mora R$ 4.140.800,51 Multa de Ofício (vinculada) R$ 9.422.488,80 Multa Isolada R$ 3.525.577,13 2. As infrações apuradas foram as seguintes: 2.1. dedução a maior no ajuste anual de valor relativo a isenção/redução do IRPJ para empresas instaladas na área da Sudene – lançamento de IRPJ – fatos geradores: 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 e 31/12/2009; 2.2. dedução a maior no ajuste anual dos valores do imposto de renda mensal pago por estimativa – lançamento de IRPJ – fatos geradores: 31/12/2007 e 31/12/2009; 2.3. falta de pagamento do IRPJ incidente sobre base de cálculo estimada com base em balanços de suspensão ou redução – lançamento de multa isolada – fatos geradores mensais ocorridos entre 2006 e 2009; Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 5 4 3. Os fatos, constatações e descrições das infrações estão detalhados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal às fl. 17 a 31, parte integrante do auto de infração, cujo teor é resumido a seguir: 3.1. é cediço que as receitas de operações alheias às atividades expressamente contempladas pelos atos concessivos não integram o lucro da exploração. Logo, no preenchimento da DIPJ, as receitas de aluguéis e luvas de imóveis (que não são incentivadas) devem ser informados na linha relativa a “Locação de Bens Móveis e Imóveis, para compor a receita líquida das atividades; 3.2. nos assentamentos contábeis da fiscalizada consta que foram auferidas receitas de atividades não incentivadas. Destas, as receitas de aluguéis de imóveis (Conta 73001), decorrentes de aluguel de imóvel à controlada Lojas Riachuelo S/A, e as receitas de direitos comercias (conta 73010002), decorrentes de luvas sobre imóveis alugados à controlada Midway Shopping Center Ltda, ), não integraram a receita líquida total, tendo sido lançadas como “outras receitas operacionais” na apuração do lucro operacional; 3.3. as receitas decorrentes de luvas mencionadas acima recebidas em 2006 foram declaradas corretamente na linha 06 da Ficha 06A da DIPJ, como “Receita da Locação de Bens Móveis e Imóveis”, compondo a receita líquido total. Em relação aos imóveis locados à Midway, o sujeito passivo também recebeu valores a título de aluguel, que integraram corretamente a receita líquida total. Então, a fiscalizada, ora alocou as receitas de aluguéis e luvas à receita líquida total, ora às receitas operacionais; 3.4. o fato das receitas de atividade da empresa relatadas no parágrafo 3.1. acima, habituais e relevantes, terem sido consideradas como outras receitas operacionais, reduziu indevidamente o valor da receita líquida total. Isto não implicou em alteração do lucro líquido, mas acarretou uma apuração a maior do lucro da exploração das atividades incentivadas (Ficha 08 – Demonstração do Lucro da Exploração), aumentando o resultado do incentivo fiscal (Ficha 10 – Cálculo da Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real) e, por conseguinte, dedução a maior do que o devido do imposto devido no ajuste anual. 3.5. além disso, a fiscalizada auferiu receitas de venda de bens de sua produção, objeto de isenção e redução conforme atos concessórios, em montantes superiores às capacidades incentivadas. Estes excedentes não gozam dos benefícios de isenção/redução, devendo compor a receita líquida total do período. Como conseqüência disso, houve uma dedução a maior indevida a título de incentivo. 3.6. a apuração do lucro da exploração das atividades incentivadas foi feita com base na proporção que a receita líquida de cada atividade representa em relação à receita Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 6 5 líquida total, haja vista que a contabilidade da fiscalizada não oferecia condições para apuração do lucro por atividade. O contribuinte adotou também esta forma de apuração conforme se verifica nas DIPJ apresentadas; 3.7. essas duas infrações acarretaram a glosa de parte da dedução a título de isenção/redução no ajuste anual, bem assim a verificação de falta de pagamento do IRPJ mensal por estimativa, vez que interferiram nos resultados mensais estimados, razão pela qual foi exigida multa isolada de 50% sobre o valor não recolhido; 3.8. outra irregularidade foi verificada no preenchimento da linha 17 (“Imp. De Renda Mensal Pago por Estimativa”) da ficha 12ª das DIPJ referentes aos anoscalendário 2007 e 2009. Os valores deduzidos foram superiores aos apurados pela fiscalização, razão pela qual foi efetuada a glosa parcial de tais deduções. 4. Cientificado do auto de infração e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal pessoalmente em 30 de junho de 2011, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 1196 a 1239 em 29 de julho de 2011, instruída com os documentos às fl. 1240 a 1406, onde discorreu o que segue: 4.1. em preliminar – nulidade decorrente da ausência de demonstração do cálculo da glosa das deduções supostamente a maior do IRPJ mensal pago por estimativa. Não há nos autos qualquer demonstrativo que explicite a origem dos valores incluídos na tabela de cálculo utilizada para a glosa (“apuração das estimativas mensais e da multa isolada”). O Auditor Fiscal limitou a asseverar que as informações teriam origem em Darf recolhidos, no Lalur, e nas DIPJ, DCTF e PER/Dcomp apresentadas. Com isso não é possível aferir o procedimento adotado para o cálculo, além do que a ausência de documentos que fundamentam a exigência enseja violação ao art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é causa de nulidade do auto de infração, tendo em vista o desrespeito ao art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), conforme jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim como ao art. 5º, incisos II, LIV e LV, da Constituição Federal, por estar presente o cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do devido processo legal, da legalidade e do contraditório. Embora a fiscalização aponte no auto de infração que os valores trazidos em suas planilhas baseiamse em documentos apresentados pelo contribuinte e obtidos no sistema da Receita Federal, estes não foram trazidos aos autos do processo. Devido a nulidade na forma dos art. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972; 4.2. no mérito 4.2.1. fez um estudo quanto à natureza jurídica dos incentivos fiscais concedidos na região da Sudene, para concluir ao final que os incentivos possuem natureza jurídica de intervenções estatais sobre a ordem econômica para reduzir as desigualdades regionais, razão pela qual a interpretação da Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 7 6 norma deve ser feita à luz de todos os métodos de hermenêutica, com ênfase ao fim objetivado por esta. 4.2.2. fez um estudo quanto ao alcance do lucro de exploração, concluindo ao final, com base na Lei nº 4.293, de 1963, no Decretolei nº 1.598, de 1977, no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e na IN SRF nº 267, de 2002, que os incentivos fiscais dos quais é beneficiárias devem observar o seguinte: (a) incidência sobre o lucro da exploração, que é o lucro líquido ajustado, correspondente aos resultados operacionais excluídos de parte das receitas financeiras e dos rendimentos e prejuízos das participações societárias; (b) no caso de pluralidade de estabelecimentos, alcança o lucro da exploração dos estabelecimentos instalados na área da atuação da Sudene; (c) nas hipóteses em que não é possível apurar, com clareza e exatidão, o lucro da exploração de cada um dos estabelecimentos com incentivos diferentes, devese calcular o lucro da exploração da pessoa jurídica como um todo e, após, verificar, percentualmente, quanto cada uma das atividades ou cada um dos estabelecimentos com incentivos fiscais diferentes representa em relação ao lucro da exploração total; 4.2.3. fez um estudo quanto ao alcance do lucro da exploração sob o enfoque da interpretação teleológica, para concluir ao final que, sob este prisma, de garantir uma maior eficácia ao objeto fundamental das isenções concedidas na região da Sudene, o conceito de lucro de exploração engloba outras receitas operacionais auferidas pela pessoa jurídica, à exceção daquelas excluídas expressamente, desde que referidos recursos, acessórios à atividade principal, sejam revertidos ao capital social da pessoa jurídica e, destarte, inteiramente destinados às atividades produtivas incentivadas; 4.2.4. as receitas de aluguéis e luvas, sendo operacionais, integram o lucro da exploração, conforme explicado a seguir: 4.2.4.1. os resultados operacionais dizem respeito à atividade normal, ordinária, da pessoa jurídica, correspondente ao seu objeto social (art. 11 do Decreto –lei nº 1.58, de 1977 e art. 277 do RIR/99). Nesse contexto se inserem as receitas de aluguel de bens, conforme opinião de José Luiz Bulhões Pedreira;4.2.4.2. consoante Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, ao definir o conceito de “outras receitas e despesas operacionais, aduz “passam a ser reconhecidas como outras receitas e despesas operacionais os ganhos ou perdas que decorram de transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade. Ou seja, o conceito de lucro operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias, e outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da empresa”. Nesse sentido, e contrariamente ao esposado no auto de infração, a Receita Federal tem determinado aos contribuintes que classifiquem como receitas operacionais aquelas decorrentes de “aluguel de bens” (orientação de preenchimento da linha 30 da ficha 6A da Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 8 7 DIPJ/2006. Tal entendimento é corroborado por Gerd Willi Rothmann; 4.2.4.3. as luvas percebidas na locação de bens próprios à controlada Midway Shopping Center Ltda também gozam da mesma natureza jurídica de receita operacional. Estas compõem o preço do aluguem em imóveis comerciais instalados em shopping centers, como parcela de remuneração pela fruição do fundo de comércio estabelecido pelo empreendimento. Nesse sentido, decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ao tratar do recurso de ofício nº 164.156. 4.2.5. reconheceu, no lucro da exploração, apenas os rendimentos operacionais produzidos em suas entidades produtivas incentivadas de Fortaleza e de Natal, procedimento legítimo ressaltado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 4.2.6. observou os critérios previstos no 3º do art. 549 do RIR/99 e no §4º do art. 62 da IN SRF nº 267, de 2002, razão pela qual o rateio previsto deve ser aplicado sobre o montante integral do lucro de exploração, aproveitandose, para este fim, as demais receitas operacionais (acessórias), tais como aluguéis e luvas revertidos integralmente na atividade incentivada; 4.2.7. a par da nulidade argumentada em preliminar, entende que não houve violação do art. 231, II e IV, do RIR/99, ou seja, não ocorreu dedução a maior no ajuste anual dos valores do imposto de renda mensal pago por estimativa: 4.2.7.1. no tocante ao ano calendário 2007, com base nos documentos carreados no anexo Doc 02 (Darf, Demonstrativo de retenção de IRRF e PER/Dcomp), houve um recolhimento total de R$ 15.593.700,95, inclusive superior ao declarado; 4.2.7.2 quanto ao anocalendário 2009, os documentos demonstram pagamento dos R$ 13.693.461,08, superior ao declarado; 4.2.8. descabimento da multa isolada aplicada: 4.2.8.1. pela impossibilidade de cobrança cumulativa desta e da multa vinculada (bis in idem). Trouxe doutrina e jurisprudência do Carf, onde, entre outros argumentos, foi defendida a aplicação do princípio da consunção; 4.2.8.2. a autoridade fiscal desconsiderou que os recolhimentos a maior efetuados no período fiscalizado superam o montante que supostamente deixou de ser recolhido a título de IRPJ. Não houve ofensa ao bem jurídico tutelado pelo art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que os valores recolhidos antecipadamente a maior ultrapassam o somatório que deixou de ser recolhido, garantindo, efetivamente, o fluxo de caixa do governo. Cita jurisprudência do Carf; Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 9 8 4.3. protesta pelo deferimento de prova documental suplementar em virtude do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235, de 1972. 5. A Delegacia da Receita Federal em Natal (DRF/NAT) pronunciouse pela tempestividade da impugnação, encaminhando os autos para julgamento por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (DRJ/REC), conforme despacho à fl. 1410. O acórdão recorrido (a) entendeu não impugnada a matéria relativa à não inclusão na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” do montante das receitas de vendas de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que ultrapassou a capacidade incentivada; e (b) julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Sobre o item (a) em referência, entendeu o acórdão, verbis: Conforme detalhado no relatório que acompanha este voto, a glosa da dedução a maior no ajuste anual de valor relativo a isenção/redução decorreu da verificação de duas situações entendidas pela autoridade fiscal como caracterizadoras de infração: 8.1. inclusão indevida de receitas auferidas a título de aluguel e luva em “outras receitas operacionais”, quando deveriam ter integrado a receita bruta do contribuinte e, por conseguinte, sua receita líquida total; 8.2. no demonstrativo do lucro da exploração da DIPJ, não foi incluído na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” o montante das receitas de vendas de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que ultrapassou a capacidade incentivada, conforme tabela abaixo: (...) Toda a argumentação carreada pelo sujeito passivo em sua impugnação preocupouse tão somente com a primeira irregularidade apontada, não havendo, em momento algum, contestação expressa quanto à segunda infração acima tratada. 10. Então, uma vez que o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, estabelece que matéria não expressamente contestada deve ser considerada não impugnada, compete à unidade preparadora, nos termos do art. 21 da mesma norma, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, providenciar a formação de autos apartados para a imediata cobrança do imposto de renda e seus acessórios (juros de mora e multa de ofício vinculada). A parcela da multa exigida isoladamente decorrente desta infração não poderá ser objeto de cobrança, haja vista que o sujeito passivo atacou a possibilidade de exigência desta.” (...) Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 10 9 Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à (i) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, já que todas as matérias citadas no auto de infração teriam sido objeto de impugnação; e (ii) improcedência dos lançamentos, ante (a) correção dos procedimentos da Contribuinte na apuração do montante do lucro da exploração e benefício fiscal correspondente no período assinalado; (b) legalidade do procedimento adotado pela recorrente relativamente às receitas de aluguel; (c) inexistência de violação no caso ao art. 231, III e IV do RIR/99, (d) ilegitimidade da exigência de multa de ofício isolada concomitante com a multa de ofício aplicada no lançamento de IRPJ e (v) da ilegitimidade da incidência de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, tratam os autos de lançamentos de IRPJ e reflexo (multa isolada por alegada ausência de recolhimento de estimativas) sob acusação de que: (a) teria ocorrido inclusão indevida de receitas auferidas a título de aluguel e luvas em “outras receitas operacionais”, quando, segundo a Fiscalização, deveriam ter integrado a receita bruta do contribuinte (relacionada a atividades não incentivadas); e (b) não teriam sido incluídas no demonstrativo do lucro da exploração da DIPJ, na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” o montante das receitas de vendas de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que teria ultrapassado a capacidade incentivada. Em exame à impugnação da Contribuinte, o acórdão recorrido considerou como não impugnada a matéria citada no item (b) acima (não inclusão no demonstrativo do lucro da exploração da DIPJ dos valores das receitas de bens de produção que teria ultrapassado a capacidade incentivada). Determinouse, por conseguinte, “nos termos do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, a formação de autos apartados para a imediata cobrança do IRPJ respectivo e seus acessórios (juros de mora e multa de ofício vinculada)”. Ainda segundo o acórdão, “o referido crédito tributário é definitivo, não havendo possibilidade de recurso ao Carf”. Em sede recursal, insurgese a Contribuinte sob o fundamento de que o acórdão não teria considerado suas razões de defesa quanto à regularidade do procedimento contábil e fiscal adotado e consequente correção da apuração do lucro da exploração, do montante do benefício e do imposto recolhido. Vejase, nesse sentido, trecho do recurso da Contribuinte, verbis: “Em outras palavras, e tendo em vista os objetivos do incentivo concedido, minuciosamente explicitados nos tópicos posteriores, apontouse, expressamente, que a restrição do incentivo fiscal não se refere ao local, ou mesmo à própria origem de rendimentos decorrentes, apenas, da atividade principal (incentivada), mas às receitas operacionais dos estabeleciomentos instalados e que operam na área de atuação da SUDENE, revertendose o proveito econômico dos incentivos em prol dos estabelecimentos e atividades incentivadas. O entendimento, ora reiterado e melhor explicitado a seguir, pode ser extraído de diversos trechos da peça impugnatória, entre os quais, a título exemplificativo, destacamse os itens III.2 e III.3, além das letras “B” e “C” do item III.4 da defesa. Na realidade, a essência do entendimento esposado implica, necessariamente, o reconhecimento da regularidade do procedimento em relação à fruição do benefício concernente à Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 12 11 produção acima da capacidade instalada quando deferido o incentivo fiscal. Notese que o procedimento da Recorrente, adotado em estrita observância do quanto disposto no art. 549 e parágrafos do RIR/99 (“B” e “C” do item III.4 da impugnação) não limita a isenção à capacidade instalada/incentivada, determinando, de outra sorte, que a isenção estaria limitada limitada à proporção entre as receitas líquidas das atividades incentivadas, sem qualquer menção à capacidade instalada, e as demais receitas líquidas de vendas (art. 62, §4o, da IN 267/2002 c/c art. 549, §3o, do RIR/99). O incentivo, assim, como demonstrado, abrange a atividade em si mesma, bem como demais rendimentos considerados operacionais (lucro da exploração), e não à capacidade de produção existente no momento de deferimento do benefício fiscal. Com fulcro nos pontos ora mencionados, não restam dúvidas de que a matéria relativa à limitação dos benefícios em relação à capacidade incentivada foram devidamente rebatidos, na medida em que houve expressa manifestação do contribuinte quanto à aplicabilidade da isenção em relação aos valores componentes do lucro de exploração, bem como do condicionamento de sua fruição à aplicação dos benefícios em prol de estabelecimentos situados na região da SUDENE, cuja atividade principal seja aquela incentivada. Além disso, o próprio pedido inserido na impugnação afasta qualquer dúvida que porventura remanescesse acerca da impugnação integral de todos os tópicos do auto de infração, ao se requerer, ao final, “o acolhimento da presente defesa, anulandose, destarte o presente auto de infração” (item 150 da impugnação). Por força de todo o exposto, (...), verificase, de forma irrefutável, o cerceamento de defesa na hipótese (...),” Com razão a Contribuinte. Os arts. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/72 devem ser interpretados com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e a busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à cognição e instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. No caso, se por um lado se compreende o entendimento do acórdão recorrido no sentido de que não haveria controvérsia sobre o item relativo à não inclusão no demonstrativo no lucro na exploração dos valores de receitas que teriam superado a capacidade instalada da Contribuinte (ante a ausência de capítulo específico sobre a matéria), por outro lado não é possível negar à Contribuinte o direito de ver a matéria em referência examinada considerada a assertiva de que (a) defende incondicionalmente os procedimentos contábeis e fiscais adotados e a apuração do benefício e dos tributos recolhidos (cf. nos itens II.2, III.3, III.4, B e III.4.C da impugnação); e (b) requer ao final o cancelamento integral do auto de Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 13 12 infração. De fato, depreendese da leitura da peça impugnatória que a Contribuinte sustenta reiteradamente que observa a legislação para apuração do lucro de exploração e o benefício fiscal correspondente, notadamente o art. 549 do RIR/99 e o art. 62 da IN 267/2002. Conforme jurisprudência pacífica dessa Corte, a ausência de exame pelo Julgador a quo de questões jurídicas e/ou documentos que tenham relação com os lançamentos acarreta a nulidade do ato decisório respectivo, por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Vejase, nesse sentido, ementa de acórdão proferido pela 2a. Turma da 3a. Câmara (Acórdão 130200.668), verbis: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS TRAZIDOS POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. ANÁLISE. AUSÊNCIA. NULIDADE. A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa. (CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130200.668 em 03/08/2011) No mesmo sentido: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Caracterizada a preterição do direito de defesa pela decisão de primeira instância que ignorou a ausência nos autos de elemento de prova essencial para o desfecho da lide, comprovadamente apresentado pelo contribuinte durante a ação fiscal, deve ser declarada a nulidade da decisão para que sanado o vício e proferida nova decisão. (CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 2201 00.777 em 29/07/2010) Por tais fundamentos, oriento voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para acolher a preliminar de nulidade da decisão recorrida suscitada e, conseqüentemente, declarar a nulidade da decisão de primeiro grau para que outra seja proferida na boa e devida forma, restando prejudicadas as demais questões de mérito versadas no recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11633.000502/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/04/2008
EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL.
In casu, a Contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal, não pediu prorrogação do prazo e nem justificou os motivos impeditivos de apresentação dos documentos, restando configurado o embaraço à ação fiscal.
Numero da decisão: 3401-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/04/2008 EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. In casu, a Contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal, não pediu prorrogação do prazo e nem justificou os motivos impeditivos de apresentação dos documentos, restando configurado o embaraço à ação fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11633.000502/2008-76
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5328827
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.472
nome_arquivo_s : Decisao_11633000502200876.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 11633000502200876_5328827.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5327001
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594136309760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 44 1 43 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11633.000502/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.472 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CARLOS ANTÔNIO TONDELLI & CIA LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/04/2008 EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. In casu, a Contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal, não pediu prorrogação do prazo e nem justificou os motivos impeditivos de apresentação dos documentos, restando configurado o embaraço à ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 3. 00 05 02 /2 00 8- 76 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls.02/04), cuja ciência foi dada por AR em 05/05/2008 (fl.10), pelo qual foi lançada multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em razão de suposto embaraço à ação fiscal. A autoridade fiscal descreveu o seguinte: “No dia 02/04/2008 foi lavrada intimação, objeto do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09102002008005142, solicitando apresentação de documentos (Notas Fiscais de Entrada; Notas Fiscais de Saídas e Cópia dos Livros ContábeisRegistro de Saídas e Entradas), no prazo de 10 dias, cuja ciência foi dada pessoalmente ao contribuinte na data de 03/04/2008. Até a presente data (29/04/2008), passados mais de 25 dias, não houve qualquer manifestação por parte do intimado”. A Autuada apresentou impugnação (fl.11), mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o lançamento (fls. 25/28) por considerar que a alegação da Contribuinte, de que sofreu furto, não é suficiente para afastar o lançamento, pois no boletim de ocorrência apresentado não consta o furto de documentos, mas apenas de documentos eletrônicos; além disso, a DRJ fundamenta que a Contribuinte não justificou a impossibilidade de apresentação dos documentos posteriores ao furto. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 03/02/2012 (fl.31) e interpôs recurso voluntário em 28/02/2012 (fls. 33/39), alegando, em suma, apoiado no dicionário Aurélio, que não houve embaraço; que a autoridade fiscal não provou a existência de embaraço à ação fiscal; que a multa aplicada é desproporcional; e que não foi lavrado termo de embaraço. Ao fim, a Recorrente pediu o cancelamento do auto de infração. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente devese destacar que na impugnação a Recorrente não suscitou a desproporcionalidade da multa aplicada e a falta de termo de embaraço fiscal, razão pela qual não conheço dessa matéria, para gerar supressão de instância. Assim, cabe analisar somente se existiu ou não embaraço à ação fiscal. A autoridade fiscal fundamentou o embaraço à ação fiscal no fato de que a Recorrente foi intimada a apresentar documentos, mas não os apresentou. Na impugnação, a Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11633.000502/200876 Acórdão n.º 3401002.472 S3C4T1 Fl. 45 3 Recorrente chegou a sustentar que não apresentou os documentos porque eles foram furtados, mas não manteve essa alegação em sede de recurso, o que impede de ser analisado. Assim, os fatos que se têm incontroversos é que a autoridade fiscal intimou a Recorrente para apresentação de documentos fiscais, mas essa não cumpriu a intimação. O embaraço à fiscalização e sua multa estão previstos no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em pleno vigor, com a seguinte redação: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal;(grifo nosso) Pelo que consta nos autos, dentro do prazo dado pela autoridade fiscal, a Recorrente não pediu prorrogação nem justificou a impossibilidade de apresentação dos documentos solicitados. Portanto, diante de todos os fatos apresentados, não há como cancelar o lançamento da multa. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005502/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância que não enfrentou todos os argumentos e questões de mérito trazidos na Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
Numero da decisão: 1201-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que não enfrentou todos os argumentos e questões de mérito trazidos na Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11610.005502/2003-16
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330601
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-000.877
nome_arquivo_s : Decisao_11610005502200316.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 11610005502200316_5330601.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5334452
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594156232704
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-11-26T18:50:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-11-26T18:50:01Z; Last-Modified: 2013-11-26T18:50:01Z; dcterms:modified: 2013-11-26T18:50:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:b7c579c8-cdcc-4060-abe7-71a519d9b5aa; Last-Save-Date: 2013-11-26T18:50:01Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-11-26T18:50:01Z; meta:save-date: 2013-11-26T18:50:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-11-26T18:50:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-11-26T18:50:01Z; created: 2013-11-26T18:50:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2013-11-26T18:50:01Z; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-11-26T18:50:01Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 520 1 519 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.005502/200316 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.877 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria Compensação Recorrente MERRILL LYNCH PARTICIPAÇÕES FINANÇAS E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que não enfrentou todos os argumentos e questões de mérito trazidos na Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 55 02 /2 00 3- 16 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 521 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de pedido de compensação de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de períodos relativos aos anos de 1999 e 2000, com o saldo negativo do IRPJ (ano calendário de 2002) e da CSLL (anocalendário de 1998), conforme apurados nas respectivas declarações. A Recorrente apresentou, em 22 de abril de 2003, Declaração de Compensação – DCOMP, em que aponta os débitos objeto de compensação e informa os saldos negativos de IRPJ (2002), no valor de R$ 1.550.860,92, e da CSLL (1998), no valor de 1.474.685,90. Em 07 de abril de 2004, a DERAT de São Paulo, mediante Despacho Decisório, deferiu parcialmente o crédito requerido na forma do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002 e indeferiu o crédito requerido na forma de saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1998, pelos seguintes motivos, a saber: a) IRPJ o contribuinte teve reconhecido seu direito à estimativa apurada no mês de junho de 2002, no valor de R$ 29.864,42, que foi compensada com o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo, e ao IRRF deduzido na apuração do imposto de renda sobre o lucro real anual, no montante de RS 342.991,47, totalizando um saldo negativo total de IRPJ de RS 372.855,89. b) CSLL Só foi apurada estimativa no mês de novembro de 1998, no valor de R$ 1.474.685,90, tendo sido informada compensação total (tipo: OUTRAS). Foi, todavia, feito recolhimento por meio de DARF, em 31/07/2002, que poderia, eventualmente, consubstanciar pedido de restituição ou compensação de indébito tributário, mas não foi aproveitado para caracterizar a extinção, tempestiva, da CSLL em questão. Isso porque só há sentido em se falar de CSLL a pagar por estimativa, para fins de dedução da CSLL a pagar apurada no ajuste anual, se os valores de estimativa tivessem sido efetivamente pagos até o implemento do referido ajuste. Logo, não restou consignada a apuração de saldo negativo de CSLL relativo ao exercício de 1999, anocalendário 1998. Nesse sentido, a DERAT reconheceu o direito creditório da Recorrente, contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 372.855,89, correspondente ao saldo negativo (saldo credor) de IRPJ efetivamente apurado, após ajustes, na DIPJ/2003, anocalendário 2002; foram acrescentados aos valores reconhecidos os juros equivalentes à taxa SELIC, conforme legislação em vigor. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 522 3 Por fim, homologou as compensações declaradas até o limite dos créditos reconhecidos. A Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório no dia 24 de maio de 2004 e apresentou Manifestação de Inconformidade em 22 de junho de 2004, com os seguintes argumentos: 1. Que concorda com a decisão acerca do pedido de compensação do crédito de CSLL e renuncia expressamente ao seu direito de recorrer, nos termos do que estabelece o artigo 51, da Lei n° 9.784/99; 2. Que apresentará nova declaração de compensação deste crédito, desta vez consignando que se trata de pagamento indevido; 3. Que se equivocou ao informar que a totalidade do crédito advém do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002; 4. Que, na verdade, somente a quantia de R$ 1.382.710,62 corresponde ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002; 5. Que em razão deste erro de fato requerse, com base no artigo 149 do Código Tributário Nacional, a retificação de ofício da DCOMP, para que seja desmembrada a origem dos saldos negativos de IRPJ que se pretende compensar; 6. Que também se equivocou na menção à Linha 18, da Ficha 12A de sua DIPJ/2003, pois o valor do saldo negativo não seria de R$ 1.550.860,91, mas sim R$ 1.382.710,62, conforme se verifica pelos comprovantes de IRFonte; 7. Por se tratar de típica hipótese de erro de fato, no que tange ao preenchimento da DIRJ/2003, está claro que a totalidade do crédito apurado pela Requerente (R$ 1.550.860,92) constitui saldo negativo de IRPJ do anobase de 1998 (R$ 168.150,29) e 2002 (R$ 1.382.710,62), passível de compensação na forma pleiteada nos autos deste e de outros processos. Requereu o conhecimento da Manifestação de Inconformidade e o deferimento da Declaração de Compensação apresentada, no que tange aos valores dos saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 2002, para que se homologue o procedimento adotado. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo, ao analisar a impugnação apresentada pelo contribuinte, decidiu, em 22 de novembro de 2007, por unanimidade de votos, não conhecer a Manifestação de Inconformidade. Os julgadores entenderam que não há possibilidade de acolhimento da Manifestação de Inconformidade, nem mesmo quanto às alegações relativas ao saldo negativo de IRPJ, pois a DCOMP encontrase homologada, se considerado o valor efetivamente considerado para fins de compensação pela DIORT. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 523 4 Com relação aos outros débitos, ressaltaram que a compensação a pedido do contribuinte se faz válida somente pela entrega de DCOMP, conforme dispunha, à época dos fatos, o § 1° do art. 35 da IN SRF 210/2002. Por fim, concluíram que as DCOMPs já apresentadas, relativas a este mesmo saldo negativo, se excederem o saldo disponibilizado pelo Despacho Decisório constante dos autos deverão ser analisadas em outro momento e em processo específico que as discutir. Por fim, como a situação do processo no SIEF não permitia a atualização do resultado do julgamento, os autos foram encaminhados à DERAT/ECRER/SP para que a providência fosse realizada e, assim, restasse cumprido o determinado no acórdão. O Recorrente foi intimado da decisão em 09 de janeiro de 2008 e interpôs Recurso Voluntário, em 24 de janeiro de 2008, no qual alega, em síntese, que: 1. O Despacho Decisório proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (“DIORT”) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (“DERAT”) entendeu que o valor pleiteado a título de saldo negativo de CSLL do ano de 1998 não poderia ser assim caracterizado, uma vez que as respectivas estimativas não foram pagas dentro do próprio anocalendário (1998); 2. O Despacho Decisório concluiu que a DCOMP deveria ter sido preenchida de outra forma e, por este motivo, foi totalmente indeferido o crédito de CSLL no valor de R$ 1.474.685,90; 3. A decisão da DIORT deferiu apenas a parcela de R$ 372.855,89 dos R$ 1.550.860,92 pleiteados, tendo em vista que, somente se pôde constatar a quantia de R$ 342.991,47 retida na fonte a título de imposto de renda e o montante de R$ 29.864,42 recolhido por estimativa; 4. A Secretaria da Receita Federal do Brasil determinou a compensação dos débitos de CSLL referentes ao anocalendário de 1999, apurados com base no lucro real trimestral e a exclusão, no PROFISC, dos débitos de CSLL referentes ao ano base de 2000, uma vez que não há que se falar em cobrança, após ajuste anual, das estimativas não pagas; 5. Em razão desta determinação, o saldo de IRPJ parcialmente deferido (R$ 372.855,89) foi suficiente para a extinção, pela compensação, dos débitos de CSLL Trimestral que foram mantidos (R$ 11.604,51 e R$ 51.695,89); 6. A manifestação de inconformidade apresentada contestou apenas o deferimento parcial do saldo negativo de IRPJ e concordou com a natureza de pagamento indevido dado ao saldo negativo da CSLL; 7. Antes de ser proferida a decisão da DRJ/SP, informou que o valor total do saldo negativo de IRPJ (R$ 1.550.860,92), o qual foi objeto da Manifestação de Inconformidade, havia sido utilizado para a quitação dos seguintes débitos: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 524 5 a) CSLL período de apuração 03/1999, no valor de R$ 11.604,51 (que, atualizado, representou R$ 21.116,72) e da CSLL período de apuração 06/1999, no valor de R$ 51.695,89 (que, atualizado, representou R$ 91.305,27), cujas compensações foram deferidas nestes autos; b) CSLL Estimativa de janeiro/1999, no valor de R$ 311.752,30 (que, atualizado, representa a quantia de R$ 541.201,99), pois, embora tivesse sido excluída do sistema PROFISC pela RFB, deveria configurar hipótese de pagamento por compor o saldo negativo da CSLL do ano de 2000 (discutido no processo administrativo no 13807.007541/200203); c) IRPJ (código 29170), período de apuração: 30/06/1999, decorrente do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 20.909,83, que, atualizado, representa a quantia de R$ 46.158,45; d) IRPJ (código 29170), período de apuração: 30/09/1999, decorrentes do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 30.343,62, que, atualizado, representa a quantia de R$ 65.636,29; e) IRPJ (código 29170), período de apuração: 31/12/1999, decorrentes do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 197.952,13 que, atualizado, representa a quantia de R$ 419.381,38; f) Juros Isolados (IRPJ art. 43, da Lei 9.430/96, código 6570 0), período de apuração: 31/12/1999, decorrentes do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 462,58; 8. A decisão da DRJ/SP não merece prosperar, pois, ainda se encontra pendente de análise a questão referente à valoração do saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 1.550.860,92, o qual foi objeto de análise na decisão proferida pela DIORT; 9. Relativamente ao saldo negativo de IRPJ, embora a quantia reconhecida pela RFB tenha sido suficiente para a quitação da parte dos débitos os quais, a juízo da RFB, eram os únicos a serem cobrados, houve manifestação expressa da Administração Pública contestando a sua composição e indeferindo parcialmente o crédito pleiteado; 10. Não poderia se manter inerte e aceitar tacitamente os créditos reconhecidos e que, por isso, apresentou a Manifestação de Inconformidade e o presente Recurso; 11. A homologação das compensações não exaure seu julgamento acerca do objeto do processo administrativo em questão, pois, tais homologações envolvem outras apreciações de mérito, que se manifestaram tanto pela suposta Fl. 526DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 525 6 improcedência dos débitos de CSLL Estimativa, como pela alegada inexistência de saldo negativo de IPRJ no montante pleiteado; 12. Diante das premissas adotadas pela RFB, as quais apenas envolveram análise de mérito com relação aos débitos compensados e forma de composição dos saldos negativos pleiteados, não se mostra razoável que a Manifestação de Inconformidade apresentada não tenha sido conhecida pela DRJ/SP; 13. Concordou com o entendimento, relativo ao crédito de CSLL, no sentido de que os pagamentos que somaram a quantia de R$ 1.474.685,90 poderiam ensejar pedido de restituição por pagamento indevido, o que levou à desistência expressa de seu direito de recorrer, nos termos do art. 51, da Lei no 9.784/99; 14. Não concordou com o deferimento parcial do crédito com relação ao IRPJ pela DIORT/EQPIR; 15. Apurou prejuízo fiscal e registrou um saldo negativo no ano base de 1998, no valor de R$ 15.430.746,82; 16. Solicitou a restituição deste valor, mediante o protocolo de pedido de restituição que gerou o processo administrativo nº 10880.005515/9987; 17. Destes R$ 15.430.746,82, o montante de R$ 168.150,29, a título de saldo negativo, foi incluído na DCOMP que gerou o presente processo; 18. Equivocouse ao preencher a DCOMP e informar que a totalidade do crédito adviria de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002; 19. Na verdade, somente a quantia relativa ao montante de R$ 1.382.710,62 é que corresponde ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002; 20. Em razão deste erro, requereu, com base no artigo 149 do Código Tributário Nacional, a retificação de ofício da DCOMP, para que seja desmembrada a origem dos saldos negativos de IRPJ que se pretende compensar; 21. Informou que também se equivocou na menção na Linha 18, da Ficha 12A de sua DIPJ/2003, pois o valor do saldo negativo não seria de R$ 1.550.860,91, mas sim R$ 1.382.710,62, conforme se verifica pelos comprovantes de IRFonte. 22. Por se tratar de típica hipótese de erro de fato, no que tange ao preenchimento da DIRJ/2003, está claro que a totalidade do crédito apurado pela Requerente (R$ 1.550.860,92) constitui saldo negativo de IRPJ do anobase de 1998 (R$ 168.150,29) e 2002 (R$ 1.382.710,62), passível de compensação na forma pleiteada nos autos deste e de outros processos; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 526 7 Requereu, além da reforma da decisão da DRJ/SP, a retificação de oficio da DIPJ, nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, como também, o reconhecimento da totalidade crédito. Os autos foram remetidos ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida – Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Como não há matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. O ponto de controvérsia nos autos diz respeito à necessidade ou não de se analisar o mérito relativo aos créditos informados pelo Contribuinte na Declaração de Compensação que foi apreciada e parcialmente deferida pela DERAT/SP. Conquanto a D. Turma Julgadora de primeira instância tenha deixado de apreciar o mérito da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, sob o fundamento de que não haveria débito informado a ser compensado, entendo que tal argumento merece reparos. Isso porque, conforme se depreende do Despacho Decisório proferido pela DERAT/SP, houve indeferimento parcial do crédito de IRPJ pleiteado pela Recorrente, com a respectiva readequação dos valores por ela apurados na Ficha 12A da DIPJ/2003. Embora o valor parcialmente reconhecido pela Administração tenha sido suficiente para a compensação dos débitos mantidos, creio que a Recorrente possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 2002 DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PERDA DE OBJETO. IRPJ. CSLL. Não deve ser conhecida manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou a DCOMP, não restando débito informado a ser compensado. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 527 8 Impugnação não Conhecida Entendo que a conclusão exarada na decisão da DRJ poderia mitigar ou mesmo obstaculizar o direito de defesa da Recorrente, notadamente em razão do fundamento apresentado para a negativa, a seguir transcrito: Assim, as DCOMPs, porventura já apresentadas, relativas a este mesmo saldo negativo, se excederem o saldo disponibilizado pelo Despacho Decisório constante dos autos, deverão ser analisadas em outro momento e em processo específico que as discutir. Parece lógico que para a homologação, ainda que parcial, das compensações pleiteadas pelo interessado se faz necessária, como antecedente causal, a análise dos créditos porventura existentes e o seu enquadramento nos parâmetros legais. Sem tal providência, obviamente prévia, não há de se falar em homologação ou não das compensações. Embora não exista dissensão quanto à compensação da CSLL apurada em novembro de 1998, ante o pedido de desistência formulado pela Recorrente, esta alega que o crédito relativo ao IRPJ, parcialmente deferido, foi compensado, em outros processos administrativos, com valores diversos, o que torna essencial a análise jurídica sobre a procedência daquele valor. Ademais, como houve deferimento parcial das compensações, restou em aberto o debate sobre a parte divergente, e é justamente esse ponto que precisa ser enfrentado pelo julgador administrativo, até porque a sua solução possui relevantes consequências para o saldo dos créditos porventura existentes. Tendo em vista que houve, no Despacho Decisório, reconhecimento e homologação parcial do crédito pleiteado pela Recorrente, entendo que a Manifestação de Inconformidade deva ser apreciada pelo órgão julgador de primeira instância. Portanto, entendo que cabe às autoridades julgadoras de origem analisar e decidir acerca da pertinência, legitimidade e procedência dos créditos pleiteados pela Recorrente, à luz dos documentos e informações acostados aos autos, inclusive em relação aos alegados erros de fato que teriam sido cometidos pela Recorrente. A simples negativa em conhecer a impugnação não encontra amparo no ordenamento jurídico, especialmente na seara dos processos administrativos, que exige o exame de todos os pontos formulados pelo interessado, conforme dispõe o artigo 31 do Decreto n. 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (grifamos) Mandamento semelhante pode ser encontrado no artigo 50 da Lei n. 9.784/1999, que trata do processo administrativo federal: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 528 9 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.(grifamos) Por óbvio que no caso dos autos a Delegacia de Julgamento de origem fundamentou, ainda que sucintamente, a sua decisão de não apreciar a manifestação de inconformidade e, por decorrência, as alegações relativas ao saldo negativo de IRPJ. Contudo, o próprio argumento utilizado pelos julgadores parece contrariar a conclusão firmada, conforme se pode perceber: Com relação aos outros débitos, apresentados às fls. 402/403, cumpre observar que a compensação a pedido do contribuinte se faz válida somente pela entrega de DCOMP, conforme dispunha, à época dos fatos, o § 1° do art. 35 da IN SRF 210/2002: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. Ora, os autos tiveram origem justamente com a Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte, na qual constavam os créditos relativos ao IRPJ que foram parcialmente deferidos pela DERAT/SP. Assim, não creio ser razoável exigir do interessado a apresentação de “nova declaração de compensação”, quando os créditos já consignados ainda carecem de decisão quanto à pertinência e possibilidade de aproveitamento. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 529 10 Em razão disso, penso que ainda não é o momento deste Conselho se manifestar acerca da matéria, a fim de se evitar a supressão de instância administrativa, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição. Por fim, quanto à possibilidade de análise dos supostos erros de fato, com remessa dos autos para a primeira instância, esta Turma já se manifestou favoravelmente, conforme se depreende do Acórdão nº 120100520, prolatado em 27 de maio de 2011, cuja ementa transcrevemos abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXERCÍCIO: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. Provada a existência de notório erro de fato cometido pela interessada no preenchimento de sua declaração de compensação (DCOMP), relativo ao período de apuração do saldo negativo de IRPJ ali informado, por ser de fácil verificação pela autoridade de primeira instância e não depender de dilação probatória, deve ser por esta reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para análise das questões de mérito. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOULHE provimento, para anular a decisão de primeira instância e remeter os autos à Delegacia de Julgamento de origem, para que sejam apreciadas todas as questões de mérito suscitadas pelo Contribuinte na Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto aos alegados créditos relativos ao IRPJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904598/2012-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.904598/2012-62
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329320
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.385
nome_arquivo_s : Decisao_10935904598201262.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10935904598201262_5329320.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5332629
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594162524160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 62 1 61 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.904598/201262 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.385 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 98 /2 01 2- 62 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
