Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13558.901077/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.644
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13558.901077/2009-91
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728784
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.644
nome_arquivo_s : Decisao_13558901077200991.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13558901077200991_5728784.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6781362
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209103450112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.901077/200991 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.644 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente PORTO SEGURO VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 77 /2 00 9- 91 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901077/200991 Acórdão n.º 3201002.644 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.416. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13558.901077/200991 Acórdão n.º 3201002.644 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13558.901077/200991 Acórdão n.º 3201002.644 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000625/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10950.000625/2010-76
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5738554
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.276
nome_arquivo_s : Decisao_10950000625201076.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10950000625201076_5738554.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6838255
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209139101696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10950.000625/201076 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.276 – 2ª Turma Sessão de 28 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KOLLAN CONFECÇÕES LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 06 25 /2 01 0- 76 Fl. 465DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402002.917, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração 37.237.3755, compreendendo o período de 01/2006 a 13/2008, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias, parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e sócios a título de prólabore. Consta do relatório fiscal que o Contribuinte declaravase como optante do SIMPLES, durante todo o período do lançamento, tendo sido excluída por intermédio dos Atos Declaratórios Executivos nºs 04 e 05, ambos de 18 de fevereiro de 2010, lavrados no curso da presente ação fiscal, conforme detalhado na representação fiscal n. 10950.000593/201017. Em decorrência de sua exclusão, portanto, foram lançadas as contribuições objeto do presente Auto de Infração, extraídas das folhas de pagamento e das GFIP´s apresentadas pela recorrente, já tendo sido considerados, para tanto, os valores recolhidos ao INSS na sistemática do SIMPLES. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 121/164, requerendo, em síntese, fosse declarado nulo o processo 10950.000593/201017 em razão dos seguintes apontamentos: a) ilegalidade do ADE n° 04, de 18/02/2010; b) ilegalidade do ADE n° 05, de 18/02/2010; c) não ter sido aliciado o ItylPF para incluir em seu objeto a fiscalização sobre o Simples e Simples Nacional; d) o sujeito passivo não ter sido cientificado de forma expressa sobre o primeiro ato de ofício praticado, das alterações e prorrogações do MPF; e) estar amparado em fato incerto, posto que sua exclusão ao Simples e ao Simples Nacional ainda não era definitiva; f) não ter sido intimado a optar pelo novo regime de tributação; g) o MPF ter violado o devido processo legal; h) o MPF ter violado o contraditório e a ampla defesa; i) o MPF ter violado o princípio da legalidade; e, caso superadas as preliminares, requereu fosse determinada a suspensão do trâmite processual, em relação aos lançamento efetuados, e pretensos atos de cobrança, até a decisão final sobre sua exclusão ao Simples e ao Simples Nacional. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10950.000625/201076 Acórdão n.º 9202005.276 CSRFT2 Fl. 10 3 A 2ª Turma da DRJ/CTA, às fls. 188/215, julgou integralmente procedente o lançamento. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 199 (numeração manual), através do qual sustentou, em síntese: 1. a ilegalidade dos Atos Declaratórios de Exclusão da recorrente do regime do SIMPLES; 2. a nulidade do MPF, pois dele não constava a determinação de fiscalização dos recolhimentos efetuados ao SIMPLES, mas apenas de contribuições previdenciárias a cargo da recorrente; 3. a nulidade do MPF pela ausência de intimação da recorrente de suas prorrogações, o que significou afronta ao princípio do devido processo legal, contraditório e ampla defesa; 4. a impossibilidade do lançamento das contribuições antes de finalizado o processo de sua exclusão do SIMPLES; 5. que o auditor fiscal, por um lapso, não abateu do cômputo do auto de infração os valores recolhidos pelo SIMPLES e SIMPLES NACIONAL no que diz respeito a proporção que lhe cabia à título de contribuição previdenciária patronal em relação ao período de 01/2006 a 05/2007, cujo pagamento foi efetuado por meio do parcelamento da LC 123/06; 6. não foram excluídas da base de cálculo verbas como: auxíliodoença (quinze primeiros dias de afastamento), salário maternidade e repouso semanal remunerado conforme determinado pelo art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91; 7. que o auto de infração deveria ser anulado pelo fato de que a fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições lançadas valores que não deveriam compô la; 8. inaplicabilidade da multa de ofício de 75%, constante no art. 35A da Lei 8.212/91, aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro/2008, devendo ser aplicada ao presente caso a multa de mora de 24%, devidamente limitada ao patamar de 20%. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 357/371, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não existe qualquer ilegalidade a ser reconhecida quando o lançamento das contribuições foi efetuado com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, mesmo diante da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. SIMPLES. EXCLUSÃO. MOTIVOS DETERMINANTES. COMPETÊNCIA. Não é de competência desta Turma a análise da legalidade ou não dos motivos de fato e de direito que determinaram a exclusão da recorrente do regime simplificado do recolhimento de impostos e contribuições federais. (SIMPLES). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. AUXÍLIOMATERNIDADE. REPOUSO SEMANAL REMUNERADO. VERBAS SALARIAIS. AUXÍLIODOENÇA (AFASTAMENTO DOS 15 PRIMEIROS DIAS) As verbas pagas a título de auxíliomaternidade, afastamento por auxílio doença nos 15 (quinze) primeiros dias e repouso semanal remunerado não concedido ostentam o caráter salarial, devendo ser Fl. 467DF CARF MF 4 consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Precedentes. LANÇAMENTO. GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações prestadas pelo contribuinte nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, contituemse em confissão de dívida tributária, nos termos do § 1º do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. MULTA DE MORA. LIMITAÇÃO AO MÁXIMO DE 20%. CABIMENTO. ART. 35 DA LEI 8.212/91 ALTERADO PELA LEI 11.941/09. A multa de mora a ser aplicada nos casos do lançamento de contribuições previdenciárias não recolhidas pelo contribuinte e declaradas em GFIP deve limitarse ao máximo de 20% do valor total apurado no Auto de Infração, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, c/c art. 61, § 2º da Lei 9.430/96, caso seja mais benéfico ao contribuinte diante do disposto no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 375/384, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte, considerando que o acórdão paradigma entendeu que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses tais como a dos autos, em que houve lançamento da obrigação principal bem como lançamento da obrigação acessória, deve se efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Já o Colegiado a quo entendeu que, para alcance da multa mais benéfica ao sujeito passivo, devese comparar a multa prevista na redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212 com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, introduzido pela MP nº 449/2008. Em suma, o Colegiado a quo entendeu ser desnecessária a soma do valor da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91. Às fls. 391/393, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência relativa ao cálculo da multa. Intimado às fls. 395, às fls. 399 o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, arguindo, preliminarmente, ausência de divergência em relação ao acórdão paradigma, decorrente de situação fática diversa entre os acórdãos paradigma e recorrido. Alega que no caso sob apreciação referese à multa de mora relativa aos fatos geradores ocorridos antes da Lei 11.941/09, que deve obedecer aos mandamentos da redação revogada do art. 35 da Lei 8.212/91, pois mais benéfica ao recorrente. De outro modo, no acórdão paradigma, tratase de descumprimento de obrigação acessória. No mérito, rebateu os argumentos defendidos pela União, pugnando pela manutenção do Acórdão. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10950.000625/201076 Acórdão n.º 9202005.276 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Contribuinte arguiu em sede de contrarrazões o não preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso fazendário, por entender que no caso sob apreciação referese à multa de mora relativa aos fatos geradores ocorridos antes da Lei 11.941/09, que deve obedecer aos mandamentos da redação revogada do art. 35 da Lei 8.212/91, pois mais benéfica ao recorrente. De outro modo, segundo o Contribuinte, o acórdão paradigma, trata de descumprimento de obrigação acessória, o que impossibilitaria sua utilização. Compulsando o Exame de admissibilidade, observo que as diferenças de conteúdo fático são meramente acidentais, sendo a questão central do debate, e essencial, é a tese jurídica de aplicação da multa de acordo com a Retroatividade Benigna. A divergência nitidamente fica por conta da aplicação e interpretação da legislação ordinária no que compete ser e como aplicar a Retroatividade Benigna prevista no CTN. Observo que no caso em tela o Recurso da Procuradoria logrou êxito em comprovas os requisitos exigidos no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Sendo assim, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de Auto de Infração 37.237.3755, compreendendo o período de 01/2006 a 13/2008, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias, parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e sócios a título de prólabore. Conforme relatório fiscal, o Contribuinte foi excluído do SIMPLES por intermédio dos Atos Declaratórios Executivos nºs 04 e 05, ambos de 18 de fevereiro de 2010, lavrados no curso da presente ação fiscal, ocasionando as contribuições objeto do presente Auto de Infração, extraídas das folhas de pagamento e das GFIP´s apresentadas pela recorrente, já tendo sido considerados, para tanto, os valores recolhidos ao INSS na sistemática do SIMPLES. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante o cálculo da multa no tocante ao descumprimento de obrigações principais e acessórias. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 469DF CARF MF 6 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10950.000625/201076 Acórdão n.º 9202005.276 CSRFT2 Fl. 12 7 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 471DF CARF MF 8 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10950.000625/201076 Acórdão n.º 9202005.276 CSRFT2 Fl. 13 9 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 473DF CARF MF 10 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10950.000625/201076 Acórdão n.º 9202005.276 CSRFT2 Fl. 14 11 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 475DF CARF MF 12 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901198/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10875.901198/2013-38
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739323
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.449
nome_arquivo_s : Decisao_10875901198201338.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10875901198201338_5739323.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6844308
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209143296000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.901198/201338 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.449 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente AÇOS GROTH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 11 98 /2 01 3- 38 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10875.901198/201338 Acórdão n.º 1301002.449 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10875.901198/201338 Acórdão n.º 1301002.449 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10875.901198/201338 Acórdão n.º 1301002.449 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10875.901198/201338 Acórdão n.º 1301002.449 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10875.901198/201338 Acórdão n.º 1301002.449 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13004.000010/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO CONSTATADAS. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão/contradição no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de corrigir/integrar a ementa e o voto constantes da decisão embargada, conforme fundamentos constantes do voto aqui proferido.
Numero da decisão: 3301-003.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO CONSTATADAS. SANEAMENTO. Constatada a existência de omissão/contradição no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de corrigir/integrar a ementa e o voto constantes da decisão embargada, conforme fundamentos constantes do voto aqui proferido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13004.000010/2007-31
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5744353
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.917
nome_arquivo_s : Decisao_13004000010200731.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 13004000010200731_5744353.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6869287
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209247105024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.147 1 1.146 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13004.000010/200731 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301003.917 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria Obscuridade Embargante CMPC RIOGRANDENSE LTDA (atual denominação da BOISE CASCADE DO BRASIL LTDA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO CONSTATADAS. SANEAMENTO. Constatada a existência de omissão/contradição no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de corrigir/integrar a ementa e o voto constantes da decisão embargada, conforme fundamentos constantes do voto aqui proferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 4. 00 00 10 /2 00 7- 31 Fl. 1147DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto o relato constante do despacho de admissibilidade de fls. 1.138/1.141 dos autos: O contribuinte interpôs embargos de declaração contra o Acórdão no 3301002.197 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, por suposta contradição e omissão desse decisum. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. DESCONTOS. CONTRIBUIÇÃO. AQUISIÇÃO. DESONERADA. As aquisições de bens desonerados da contribuição não geram créditos passíveis de dedução do valor apurado sobre o faturamento mensal. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 606.107/RS, reconhecese a não incidência da Cofins não cumulativa sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador, 28/09/2001, 30/09/2002, 30/09/2003, 30/09/2004, 30/09/2005, 10/07/2006, 29/09/2006, 10/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, nas Dcomp, implica homologação das compensações dosdébitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada do resultado do julgamento em 27/07/2015 (AR, fl.926), a embargante interpôs os embargos ora apreciados (fls.9281032), tempestivamente em 03/08/2015 (carimbo fl. 928). A Embargante alega que ocorreu adoção de premissa equivocada, contradição e omissão no acórdão embargado. A premissa equivocada resultaria do entendimento esposado pelo relator de que a questão de mérito versa sobre a possibilidade de creditamento sobre cessão da madeira entre estabelecimentos da embargante, quando, de fato, o que Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13004.000010/200731 Acórdão n.º 3301003.917 S3C3T1 Fl. 1.148 3 ocorre no caso em apreço é aquisição de insumos face aos contratos firmados com a empresa UBS. A omissão suscitada diz respeito ao documento que teria respaldada a decisão de que os insumos adquiridos estariam desonerados da contribuição. Já a contradição aventada referese ao fato de o acórdão sugerir que a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da Cofins não poderia gerar direito ao crédito, enquanto funda sua decisão no entendimento de que não houve aquisição, mas sim cessão. São esses os fatos. Os referidos embargos foram admitidos pelo Presidente desta Turma, sob os seguintes fundamentos: Assiste razão à recorrente. Em que pese haver menção aos pontos ora perquiridos pela embargante no relatório do acórdão guerreado, certo é que seu voto condutor não abordou clara e suficientemente tais alegações. Trago a seguir os excertos do voto que analisam a questão controvertida: As questões de mérito se restringem ao direito de a recorrente se creditar da Cofins não cumulativa incidente sobre toras de madeira cedidas a ela, por produtor rural, pessoa jurídica, mediante notas fiscais de transferência e de entradas, ambas emitidas pela própria recorrente, em pagamento por cessão de uso e exploração de florestas, bem como a incidência desta contribuição nas cessões onerosas de ICMS para terceiros. ... Ora, conforme se verifica destes dispositivos legais, as aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da Cofins, utilizados como insumos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, não geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada e devida mensalmente. O regime da não cumulatividade da Cofins tem como objetivo eliminar o pagamento de contribuição sobre contribuição, permitindo ao contribuinte se creditar do valor pago a título dessa contribuição nas aquisições de bens para revenda e/ ou de bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e/ou na prestação de serviços, para deduzilo da contribuição apurada sobre o faturamento mensal. Se não houve pagamento da contribuição na aquisição dos bens e/ ou serviços, não há que se falar em créditos. Como se constata da leitura dos fragmentos trazidos à baila, não há no acórdão embargado análise sobre a situação contratual entre a embargante e a empresa UBS, que poderia implicar alteração do enquadramento da operação (de cessão para aquisição). Aliado a esta omissão, vislumbrase também a contradição alegada, vez que não resulta claro se o motivo do não provimento do recurso se deveu ao fato de se tratar de cessão de bens da recorrente para si própria, ou da aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 1149DF CARF MF 4 Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão /contradição na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. Ato contínuo, os autos foram distribuídos para minha relatoria. É o breve relatório. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13004.000010/200731 Acórdão n.º 3301003.917 S3C3T1 Fl. 1.149 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Em razão da admissão dos embargos declaratórios opostos realizada pelo presidente desta Turma Julgadora, passo a analisálos. Conforme relatado acima, aponta o Embargante que o acórdão recorrido teria adotado premissa equivocada, bem como incorrido em omissão e contradição. O objeto dos embargos declaratórios foi bem resumido pelo Presidente desta turma em seu despacho de admissibilidade, ao assim dispor: A premissa equivocada resultaria do entendimento esposado pelo relator de que a questão de mérito versa sobre a possibilidade de creditamento sobre cessão da madeira entre estabelecimentos da embargante, quando, de fato, o que ocorre no caso em apreço é aquisição de insumos face aos contratos firmados com a empresa UBS. A omissão suscitada diz respeito ao documento que teria respaldado a decisão de que os insumos adquiridos estariam desonerados da contribuição. Já a contradição aventada referese ao fato de o acórdão sugerir que a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da Cofins não poderia gerar direito ao crédito, enquanto funda sua decisão no entendimento de que não houve aquisição, mas sim cessão. Ao analisar os autos, verifico que assiste razão ao contribuinte. Da leitura do voto do Relator, extraise que este adotou a seguinte premissa: As questões de mérito se restringem ao direito de a recorrente se creditar da Cofins não cumulativa incidente sobre toras de madeira cedidas a ela, por produtor rural, pessoa jurídica, mediante notas fiscais de transferência e de entradas, ambas emitidas pela própria recorrente, em pagamento por cessão de uso e exploração de florestas, bem como a incidência desta contribuição nas cessões onerosas de ICMS para terceiros. Ou seja, segundo entendeu o Relator, trataria a demanda sobre creditamento de COFINS não cumulativa incidente sobre toras de madeira cedidas a ela, mediante notas fiscais de transferência e de entradas, ambas emitidas pela própria recorrente. Alega o contribuinte, então, que a demanda versaria, na verdade, sobre “aquisição de insumos face aos contratos firmados com a empresa UBS”. Contudo, como bem apontou o presidente desta Turma no Juízo de admissibilidade realizado, “não há no acórdão embargado análise sobre a situação contratual entre a embargante e a empresa UBS, que poderia implicar alteração do enquadramento da operação (de cessão para aquisição)”. Há, pois, omissão na fundamentação do julgado que precisa ser enfrentada por esta turma julgadora. Fl. 1151DF CARF MF 6 Contudo, apesar de o voto do relator e de o acórdão embargado não terem tratado especificamente do tema, não acredito que o Relator não tenha levado os contratos da UBS em consideração. Até porque, verificase que no relatório constante da decisão recorrida a controvérsia apontada pela Embargante restou devidamente identificada. É o que se extrai da transcrição a seguir: Inconformada com a homologação parcial, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 227/253), insistindo na homologação integral das compensações dos débitos declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Que se dedica às atividades de (a) fabricação, aquisição, venda, importação e exportação de tábuas de madeira, compensado e outros produtos derivados de árvores; (b) exploração de atividades agrícolas, inclusive extrativas vegetais e; (c) florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas à silvicultura; que para o exercício de suas atividades compra de UBS Timber Investors Brasil Ltda., atualmente denominada Florestal Guaíba Ltda. (UBS), troncos de madeira com determinada especificação, denominados Troncos Classe A e que esses troncos são a principal matériaprima para produção das lâminas e compensados industrializados e comercializados pelo contribuinte. Na seqüência, discorre sobre os negócios jurídicos celebrados com a empresa UBS e a empresa Klabin Riocell (Klabin). Diz que a aquisição da matériaprima junto a UBS tem origem no negócio jurídico firmado em 21 de fevereiro de 2001. Após relato dos fatos referentes ao contrato retrocitado, explicitandoo sob sua ótica de interpretação, faz considerações sobre os créditos objeto de pedido de ressarcimento e da decisão denegatória alegando, de forma resumida que: a) administra áreas de destocagem – hortos, condição assumida pelo interesse e obrigação que tem de adquirir da UBS Toras Classe A, que são extraídas das florestas – hortos – pertencentes à UBS; b) adquiriu direitos referentes ao cultivo das florestas, mas não o domínio destas, não sendo proprietária dos hortos; segue discorrendo sobre a forma como adquire da UBS Toras Classe A e como paga os valores correspondentes a esta aquisição; c) o fato de ter inscrição como produtora rural não significa que tenha propriedade sobre esses hortos; que emite nota fiscal de transferência, pela necessidade de transportar as Toras Classe A de um estabelecimento para outro, conforme preconiza o art. 43 da Lei Estadual nº 8.820/89 (lei do ICMS no Estado do Rio Grande do Sul); d) o fato de emitir notas de transferência de mercadorias de um estabelecimento seu a outro em nada afeta o seu direito ao crédito da contribuição, decorrente da aquisição de Toras Classe A da UBS, e que o fato da UBS não emitir nota fiscal relativamente à venda das Toras Classe A para a manifestante em nada compromete a apropriação de créditos da contribuição; e) correta a contabilização dos valores pagos a UBS a débito da conta de custo de produtos vendidos (CPV), com contrapartida na conta de fornecedores, bem como a impossibilidade de contabilização como imobilizado; Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 13004.000010/200731 Acórdão n.º 3301003.917 S3C3T1 Fl. 1.150 7 f) o princípio da não cumulatividade do PIS e COFINS incide sobre os custos, despesas e encargos necessários e a produção e que os valores pagos à UBS vêm sendo oferecidos à incidência do PIS e da COFINS, conforme expressa afirmação da UBS; Ou seja, penso que o Relator, na decisão recorrida, compreendeu corretamente o objeto da controvérsia analisado nos presentes autos. Ocorre que, apesar de ter levado tais contratos com a UBS em consideração, manteve o entendimento constante da decisão da DRJ, no sentido de que se tratava o caso concreto de pagamentos pela cessão do uso e exploração de florestas e não de aquisição de matériaprima, adotandoo como premissa. A conclusão da DRJ pode ser extraída, em especial, da leitura da seguinte passagem (vide fls. 798 e seguintes dos autos): O ato/fato que torna inequívoco a conclusão que os direitos de uso e exploração das florestas foram adquiridos em 21/02/2001, da UBS Global, atualmente Florestal Guaiba Ltda., é a forma de emissão das notas fiscais referentes às toras classe "A". O contribuinte (Bolse Cascade do Brasil Ltda, atual Aracruz Riograndense Ltda), conforme informações prestadas à Fiscalização e constante dos autos (Relatório da Fiscalização), colhe as toras classe "A" nos imóveis onde se situam as florestas e as envia para a industrialização através de nota fiscal do produtor, na espécie "transferência", no qual o emitente é o próprio contribuinte, com seu respectivo CNPJ. Na fábrica do contribuinte, recebe as toras e emite nota fiscal de entrada, na espécie "transferência para industrialização", no mesmo CNPJ que enviou as toras colhidas dos imóveis onde se encontram as florestas. Ou seja, quem envia e recebe as toras classe "A" é o próprio contribuinte. Se a UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda, fosse a titular dos direitos sobre o uso e a exploração das florestas cedidas pela Klabin Riocell, deveria haver nota fiscal de venda das toras classe "A" para o contribuinte. Ocorre que como a UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda cedeu integralmente seus direitos de ,uso e exploração das florestas anteriormente cedidas pela Klabin Riocell para o contribuinte desde 21/02/2001, não há razão para haver nota fiscal de venda de toras classe "A", pois não é mais titular dos direitos de uso e exploração das florestas. Não é demais lembrar que a nota Fiscal é o instrumento, por excelência, da comprovação das transações de bens comercializado entre empresas, espelhando a legalidade da operação comercial/industrial, haja vista que se fundamenta em; legislação estadual e federal. (...). Logo, com verificamos acima, o direito do crédito da contribuição pelo contribuinte deveria incidir sobre a amortização do ativo imobilizado, desde que este estivesse devidamente contabilizado, seguindo as regras de escrituração comercial/fiscal e os princípios e normas contábeis. Como o contribuinte, equivocadamente, escriturou como compra de matériaprima os pagamentos que realizava à empresa UBS Global, atualmente Florestal Guaíba Ltda, quando na realidade eram pagamentos pela cessão do uso e exploração de florestas, anteriormente cedidas (21/02/2091) e que deviam estar contabilizadas no ativo imobilizado e sofre amortização, não se pode conceder créditos ao contribuinte, visto que não estão corretamente contabilizados e escriturados, sendo obrigação do contribuinte sua fidedignidade. Fl. 1153DF CARF MF 8 Nesse contexto, entendo que ao trazer o termo “aquisição”/“aquisições” em sua fundamentação e acórdão, fêlo o relator de forma inapropriada e inadequada, visto que, consoante havia apontado como premissa, estavase diante de uma cessão do uso e exploração de florestas e não de uma aquisição. Há, portanto, que se corrigir a contradição apontada pela Embargante, suprimindose da ementa e voto as passagens que falam em “aquisição”/“aquisições”, adotandose as razões constantes da decisão da DRJ como razão de decidir, as quais fundamentam o afastamento do direito ao crédito. Nesse contexto, ao contrário do que defende a Embargante, entendo que o acórdão embargado não superou o ponto de debate em seu favor. Houve apenas uma atecnia na redação e fundamentação de ementa e do voto proferidos, a qual deverá ser, nesta oportunidade, saneada, sem que isto afete o resultado do julgado ali proferido, em que se afastou o direito ao crédito pleiteado. Com tal saneamento, resta prejudicado o argumento do contribuinte de que o acórdão recorrido teria adotado novos argumentos jurídicos até então não observados, ou mesmo de que a decisão embargada seria omissa no que tange ao documento analisado que teria respaldado a sua conclusão de que os insumos adquiridos pela Embargante da UBS estaria desonerados da contribuição. Percebese, na verdade, que o Relator, ao adotar como premissa que se está diante de uma cessão e não uma aquisição, seguiu, neste ponto, a mesma fundamentação disposta no acórdão da DRJ. Diante do acima exposto, entendo que deverão ser acolhidos os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, sem efeitos infringentes, para fins de: (i) sanear a falha na fundamentação inserta na decisão recorrida, fazendo constar que a Turma Julgadora concorda com os fundamentos constantes da decisão da DRJ, adotandoos como razão de decidir, no sentido de que se está diante, no caso concreto, de cessão do uso e exploração de florestas e não de aquisição de toras de madeira; (ii) sanear a contradição apontada, suprimindose da ementa e do voto proferidos as passagens que falaram equivocamente em “aquisição”/”aquisições”, quando o fundamento da decisão proferida foi que se estava diante de uma “cessão”: De toda sorte, importante registrar que, ainda que saneada a falha na fundamentação, resta mantida a conclusão a que chegou a Turma Julgadora no acórdão embargado. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 1154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722141/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação documentos que atestem as suas alegações, devem ser mantidas as glosas realizadas.
Numero da decisão: 2401-004.816
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação documentos que atestem as suas alegações, devem ser mantidas as glosas realizadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10730.722141/2011-57
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5737005
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.816
nome_arquivo_s : Decisao_10730722141201157.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 10730722141201157_5737005.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
id : 6826274
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209362448384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 89 1 88 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.722141/201157 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.816 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente DALVINO ANTONIO CAZOTTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação documentos que atestem as suas alegações, devem ser mantidas as glosas realizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 21 41 /2 01 1- 57 Fl. 89DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10730.722141/201157 Acórdão n.º 2401004.816 S2C4T1 Fl. 90 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1248.471 (fls. 37/44), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), que julgou procedente em parte a impugnação (fl. 02/04) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Comprovada documentalmente a parcela da despesa médica declarada relativa ao contribuinte, cabível a sua dedução da base de cálculo do Imposto de Renda. DEDUÇÕES DEPENDENTES GUARDA JUDICIAL NÃO COMPROVADA Somente pode ser considerado dependente, para efeito de apuração do Imposto de Renda, o neto até 21 anos, do qual o contribuinte detenha a guarda judicial. DESPESAS COM INSTRUÇÃO NÃO DEPENDENTE Não pode ser considerada na apuração do IR a despesa com instrução relativa a dependente indevidamente incluído na DAA. PENSÃO ALIMENTÍCIA DECORRENTE DE ACORDO JUDICIAL INCIDENTE SOBRE O 13º SALÁRIO DEDUÇÃO Não pode ser deduzido no ajuste o valor pago a título de pensão alimentícia, incidente sobre rendimento tributado exclusivamente na fonte. DAA RETIFICAÇÃO MATÉRIA NÃO OBJETO DO LANÇAMENTO Não se inclui no âmbito de competência da DRJ a análise de matéria não alcançada pelo lançamento e, portanto, não integrante do litígio instaurado por meio da impugnação. A Notificação de Lançamento nº. 2010/143547270605623 (fls. 07/14) exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 6.923,46, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08/11) a fiscalização informa as seguintes glosas: Fl. 91DF CARF MF 4 Do valor de R$ 21.713,14, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, nos seguintes termos: Do valor de R$ 1.730,40, correspondente à dedução indevida com dependentes, nos seguintes termos: Do valor de R$ 2.708,94, correspondente à dedução indevida de despesas com instrução, nos seguintes termos: Para demonstrar a efetividade das suas despesas, o contribuinte alegou em sua peça impugnatória (fl.02/04), em síntese: a) Que é portador de cardiopatia grave desde 2005, conforme documentos trazidos aos autos. b) Que embora tenha cometido equívoco, declarando como tributáveis os rendimentos de aposentadoria recebidos em 2009, a Lei n° 7.713/88 estabelece isenção do IR sobre tais rendimentos de pessoas portadoras de cardiopatia grave, como é o caso do impugnante. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10730.722141/201157 Acórdão n.º 2401004.816 S2C4T1 Fl. 91 5 c) Que preparou sua retificadora, mas não conseguiu enviála, razão pela qual requer, através da impugnação apresentada, que seja procedida a retificação dos rendimentos do campo de tributáveis para isento. d) Quanto às despesas médicas, o recorrente apresentou quase todos os recibos exigidos pela autoridade fiscal, contendo evidências suficientes à comprovação do direito à dedução; e) Que tais despesas médicas foram incorridas na saúde do impugnante e de sua família, tendo sido glosada até mesmo a parcela do plano de saúde relativa ao impugnante; f) Relativamente às despesas com instrução, referemse a gastos incorridos com seu neto, que sempre viveu sob sua guarda e expensas. g) No que se refere a dedução com dependente, pelo fato de criar seu neto desde o nascimento e pagar todas as despesas com o referido menor, o requerente indicouo como dependente de fato, apresentando cópia do processo no qual requereu a guarda judicial, que não foi deferida. Para a DRJ/RJ1, a impugnação foi considerada parcialmente procedente considerandose a dedução do valor de R$ 3.997,91(despesas médicas) e mantendose todas as demais glosas efetuadas. Intimado do acórdão da DRJ/RJ1 em 30/05/2011 (A.R. fl. 22), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fl. 50/55) , onde alega, em síntese: a) Que é portador de Cardiopatia grave desde o ano de 2005, tendo sido vítima de ocorrência de infarto do miocárdio em novembro de 2006, e , portanto, submetido a intervenção cirúrgica, juntando aos autos documento relativo aos procedimentos cirúrgicos expedidos por médico cardiologista. b) Que embora tenha cometido equívoco declarando como tributáveis o montante da aposentadoria recebida no anocalendário de 2009 no valor de R$ 85.381,65, o inciso XIV, Art. 6° da Lei Federal n° 7.713/88 da Lei 11.052 de 2004, estabelece a Isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos de aposentadoria de pessoas portadoras de Cardiopatia Grave, como é o caso do Recorrente. c) Que preparou a retificação de sua declaração e tentou remetêla para a receita federal, no entanto, o sistema informatizado do Ministério da Fazenda não permitiu a referida formalização da declaração retificadora, fato que levou o Impugnante a requerer, neste ato, que seja procedida a retificação dos rendimentos do campo de tributáveis para isentos. d) Ressalta em seu pedido que é portador de cardiopatia grave, e está respaldado em Cláusula Pétrea, não sendo justo nem de direito ter a isenção negada na via administrativa Fl. 93DF CARF MF 6 Incluído em pauta de julgamento do dia 14 de junho de 2016, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para, nos termos da Resolução nº. 2101 000.517: Assim, em busca da verdade material e para oportunizar o maior grau de certeza a esses julgadores no julgamento do presente processo, decidese por converter o julgamento em diligência para o fim de que seja o Sr. Dalvino Antonio Cazotto intimado a fim de demonstrar qual a natureza dos rendimentos recebidos da fonte pagadora "Governo do Estado do Rio de Janeiro" contidos na sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2008. Devidamente intimado, o contribuinte juntou o documento de fl. 85. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10730.722141/201157 Acórdão n.º 2401004.816 S2C4T1 Fl. 92 7 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Primeiramente, em relação a glosa relativa ao dependente, despesas com instrução e glosa relativa à pensão alimentícia, considerando que o contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, sequer mencionou suas razões, são matérias que não merecem ser apreciadas. Em sede de impugnação, o contribuinte informou ser portador de moléstia considerada grave (cardiopatia), nos termos da Lei n° 7.713/88, desde 2005, sendo, em consequência, isento da incidência do IR sobre seus proventos de aposentadoria recebidos em 2008, no valor de R$ 78.567,35, trazendo os documentos de fls 15 a 18. Requer a alteração, em sua DAA/2009, dos correspondentes valores da condição de tributáveis para isentos, informando que não conseguiu encaminhar a DAA retificadora implementando tal alteração. No presente lançamento, não foi efetuada qualquer alteração em relação aos rendimentos informados na DAA, não se incluindo, portanto, a matéria trazida na petição do contribuinte no litígio instaurado por meio da impugnação, estando fora do âmbito de competência da DRJ/RJO sua apreciação. Já em sede de recurso voluntário (fls. 50/55) o recorrente trouxe novos documentos a conhecimento desse órgão julgador, no intuito de desconstituir as glosas realizadas. Direciona todas as razões da peça recursal, bem como os documentos a ela acostados, para defender a sua condição de portador de Cardiopatia Grave e, assim, que faria jus a isenção do imposto de renda incidente sobre os seus rendimentos (que alega serem proventos de aposentadoria e pensão por morte) nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 95DF CARF MF 8 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.(Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Acerca do reconhecimento das doenças relacionadas nos incisos acima, foi editada a Lei nº. 9.250/95, que assim dispôs no seu artigo 30: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifamos) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Primeiramente, para que possamos adentrar na análise do gozo ou não da isenção, necessário se faz verificar a natureza dos rendimentos recebidos pelo recorrente que, como dito, declarou como “RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA PELO TITULAR” os seguintes valores (DIRPF fl. 32). Se verificado que o recorrente percebe valores a título de “aposentadoria e pensão por morte”, conforme alegado pelo mesmo e acaso se entenda que este é portador de moléstia que implique na isenção prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº. 7.713/88, Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10730.722141/201157 Acórdão n.º 2401004.816 S2C4T1 Fl. 93 9 já reproduzidos, este lançamento deixará de subsistir, posto que a base de cálculo para o lançamento de imposto complementar é justamente o montante declarado pelo contribuinte em sua DIRPF como “rendimento tributável”. No presente caso, partimos da análise da DIRPF (fls. 32/36) e nela está inserida a informação, pelo próprio recorrente, de que recebeu rendimentos tributáveis das pessoas jurídicas GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (CNPJ nº. 42.498.634/000166) e INSS (CNPJ nº. 29.979.036/000140). Destaco que para a comprovação da sua condição de portador do Cardiopatia Grave, o Sr. Dalvino Antonio Cazotto trouxe ao processo administrativo os seguintes documentos (fls. 15 a 18): a) Relatório Cirúrgico expedido pelo Hospital das Clínicas de Niterói. b) Relatório Médico do Serviço de Saúde Pública, expedido por médico cardiologista do Programa Médico de Família da Prefeitura de Niterói Assim, diante das provas apresentadas, entendo que é passível de análise a sua eventual isenção por ser portador de Cardiopatia Grave ante a comprovação de dois requisitos necessários e indispensáveis à análise da isenção, quais sejam, a natureza dos rendimentos recebidos e ser portador de moléstia grave. Conforme exposto nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº. 7.713/88 acima, os rendimentos que são isentos são os proventos de aposentadoria e pensão por morte, sendo que no presente caso, foi possível reconhecer a natureza dos rendimentos recebidos pelo Sr. Dalvino Antonio Cazotto. Após o pedido de realização de diligência acima relatado, foi trazido pelo recorrente o documento de fl. 85 "COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE", o qual indica que os rendimentos recebidos da fonte pagadora Governo do Estado do Rio de Janeiro, estes são "RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS", não havendo prova de se tratar de rendimentos de aposentadoria. Isto posto, ante a ausência de comprovação da natureza do rendimento apta a lhe conceder o benefício da isenção, não merecem guarida as razões recursais do recorrente. Fl. 97DF CARF MF 10 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900650/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.900650/2012-78
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748087
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.181
nome_arquivo_s : Decisao_13830900650201278.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830900650201278_5748087.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6874916
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209408585728
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T12:11:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T12:11:21Z; Last-Modified: 2017-07-26T12:11:21Z; dcterms:modified: 2017-07-26T12:11:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4fcdcafb-4419-4fc9-906e-c86ea2943706; Last-Save-Date: 2017-07-26T12:11:21Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T12:11:21Z; meta:save-date: 2017-07-26T12:11:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T12:11:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T12:11:21Z; created: 2017-07-26T12:11:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T12:11:21Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T12:11:21Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900650/201278 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.181 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 50 /2 01 2- 78 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900650/201278 Acórdão n.º 1302002.181 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900650/201278 Acórdão n.º 1302002.181 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13830.900650/201278 Acórdão n.º 1302002.181 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000582/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Controle de Constitucionalidade. Lei e Ato Normativo. Vedado na Esfera Administrativa.
É vedado aos órgãos de julgamento administrativo exercer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo.
Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Omissão de Receita. Presunção.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
Numero da decisão: 1301-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araujo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Controle de Constitucionalidade. Lei e Ato Normativo. Vedado na Esfera Administrativa. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo exercer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo. Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Omissão de Receita. Presunção. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10640.000582/2010-22
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5742137
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.504
nome_arquivo_s : Decisao_10640000582201022.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO SILVA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10640000582201022_5742137.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araujo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6857437
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209505054720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 864 1 863 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000582/201022 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.504 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente JUAREZ APARECIDO BALDUTTI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI E ATO NORMATIVO. VEDADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo exercer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 05 82 /2 01 0- 22 Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10640.000582/201022 Acórdão n.º 1301002.504 S1C3T1 Fl. 865 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araujo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase de recurso interposto por JAB COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ME, pessoa jurídica de direito privado, sucedida por JUAREZ APARECIDO BALDUTTI ME, empresário individual, ambos já qualificados nos autos. O recurso foi interposto contra o Acórdão nº 0939.297 (fls. 515 a 527) da 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, que negou provimento à impugnação da recorrente ao auto de infração contra si lavrado. O lançamento apurou omissão de receitas, evidenciada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com respaldo na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou impugnação, que não foi acolhida pela DRJ JFA, em acórdão cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de receita, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10640.000582/201022 Acórdão n.º 1301002.504 S1C3T1 Fl. 866 3 SÚMULA 182 DO TFR. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não é parâmetro para decisões proferidas relativas a lançamentos fundamentados na Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 INSCRIÇÃO NO CADIN. Como se trata de matéria de cunho eminentemente administrativo, não é competente este Órgão Julgador para sua apreciação, cabendo à interessada fazer as gestões que entender cabíveis junto à Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdicione. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, arguindo preliminarmente a nulidade do lançamento por vício formal, já que a Fiscalização, desde o início da ação fiscal, já estava em poder dos dados relativos à movimentação bancária, os quais teriam sido obtidos de forma ilícita. Alegou que as informações sobre as contas bancárias teriam sido obtidas sem autorização judicial, tornando inválidas as provas assim produzidas. Tendo sido intimada sobre fatos cuja ciência o Fisco obteve de foram ilícita, a recorrente se viu "coagida por dever legal" (sic) a prestar esclarecimentos sobre suas contas correntes. Ainda sobre a quebra do sigilo bancário, afirmou que a Lei nº 9.311/1996, que tratava da extinta CPMF, não tinha relação com os fatos geradores, nem com o procedimento de fiscalização do Imposto de Renda. Arguiu a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, por permitir às autoridades fiscais o acesso à movimentação bancária dos contribuintes, sem autorização judicial. Quanto à presunção de omissão de receitas, aduziu que a Constituição Federal repele presunções e ficções jurídicas para lançamento de tributos, pois deve prevalecer o princípio da realidade. Nesse sentido, o simples trânsito de dinheiro pelas contas bancárias da empresa não caracteriza acréscimo patrimonial, nem renda, não podendo, por isso, compor a base de cálculo do Imposto de Renda. Enfim, o emprego de presunções só se admite quando respeitado o princípio da capacidade econômica. No caso, o lançamento fere o princípio da capacidade contributiva, pois o crédito tributário lançado é muito maior do que o capital social e as receitas mensais da recorrente. Acusou também a existência de irregularidade no arbitramento, pois levado a cabo sem a necessária declaração de inidoneidade ou desconsideração da escrita fiscal da recorrente. Além de não observar o disposto no art. 148 do CTN. No mérito, disse que as quantias depositadas têm lastro em vendas, pagamentos, empréstimos creditados e em outros valores que apenas transitaram pelas contas correntes, conforme comprovariam os documentos de fls. 131 a 209 e outros. Ademais, não teriam sido deduzidos os valores apresentados pela recorrente. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10640.000582/201022 Acórdão n.º 1301002.504 S1C3T1 Fl. 867 4 Concluiu alegando que o lançamento afronta as regras do art. 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/1988. Fundada nessas razões, pugnou pelo provimento do recurso. Vindo os autos a julgamento, resolveu esta 1ª Turma Ordinária pela realização de diligência. Com as providências solicitadas, os autos retornaram ao CARF para a conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. De início, convém ressaltar que o lançamento se refere ao antigo Simples federal. Não se trata, como supõe a recorrente, de lançamento específico de Imposto de Renda. Se o lançamento menciona cada um dos tributos (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e a contribuição para o INSS), é tãosomente para identificar a parcela da receita que toca a cada um deles, tendo em vista as destinações constitucionais das respectivas receitas. A constituição do crédito tributário, porém, observou as regras de apuração prevista para o Simples federal. Por outro lado, não houve qualquer tipo de arbitramento, como erroneamente se afirma no recurso. No arbitramento, os valores de bens, de operações, de negócio ou ato jurídico, são desconhecidos; ou, por alguma razão, não merecem fé. Diante dessa circunstância, a autoridade lançadora, observando o procedimento legal, fixa tais valores para fins de cálculo do quantum debeatur. No caso em exame, não se cuida de arbitramento, mas de apuração de nova base de cálculo, considerando os valores das receitas omitidas. Portanto, ficam afastadas as duas alegações. Ao atacar o lançamento, a recorrente acusou a utilização pelo Fisco de prova ilícita e inconstitucionalidade da lei que permite à autoridade administrativa requisitar diretamente às instituições financeiras dados relativos à movimentação das contas bancárias dos contribuintes. O exame de constitucionalidade de lei ou ato normativo é expressamente vedado ao CARF pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, assim redigido: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) No mesmo sentido é o enunciado da Súmula CARF nº 2: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10640.000582/201022 Acórdão n.º 1301002.504 S1C3T1 Fl. 868 5 Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não obstante, a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, no que concerne à possibilidade de acesso pelo Fisco aos dados bancários de contribuinte, já foi reconhecida pelo E. Supremo Tribunal Federal, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2859, 2390, 2386 e 2397, em 24/02/2016. Nessa ocasião, decidiuse pela validade das normas que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, prescindindo para tanto de autorização judicial. Não existe igualmente a suposta ilicitude na obtenção de informações que permitiram ao Fisco conhecer, antes do início da ação fiscal, os valores agregados da movimentação financeira da recorrente, no ano fiscalizado. É que o parágrafo 3º do art. 11 da Lei n° 9.311/1996 permitia, de forma textual, o uso das informações relativas à CPMF para a instaurar procedimentos fiscais. Eis o dispositivo da lei: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição (CPMF), incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (g.n.) Por essas razões, deve ser rejeitada a arguição de ilicitude da prova. O lançamento foi realizada com fulcro na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal de omissão de receitas, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário oferecida pelo sujeito passivo. Nasce a presunção quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos bancários cuja origem a Fiscalização, pelo exame das informações de que disponha, não conseguir identificar (no mais das vezes, nesses casos, se constata discrepância entre a movimentação financeira e os valores declarados); Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10640.000582/201022 Acórdão n.º 1301002.504 S1C3T1 Fl. 869 6 b) intimação regular ao contribuinte para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; e c) ausência ou insuficiência de esclarecimento pelo contribuinte. Reunidos tais requisitos, nasce a presunção de omissão de receitas, a qual, sem necessidade de prova de qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo ao lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. No caso concreto, estão reunidos os três requisitos. Em especial, salta aos olhos a desproporção entre os montantes movimentados através de contas bancárias (R$ 5.228.764,39) e o valor da receita declarada no ano (R$ 424.794,14). A receita declarada é aproximadamente 8% da soma dos valores creditados em contas bancárias no mesmo período (fl. 35). Em situações como essa, deve ser examinada a origem de cada depósito de forma individual. É o que dispõe o parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (g.n.) Como se vê, não basta à recorrente, de forma genérica, afirmar, como ela faz no recurso, que os depósitos decorrem de vendas, empréstimos, descontos de títulos ou transferências de recursos. A explicação há de ser individual. A recorrente não logrou explicar de forma individual e documentada a origem de nenhum dos depósitos que integram a base de cálculo do crédito tributário. Por último, cabe frisar que o inciso VII do art. 9º do DecretoLei nº 2.471/1988 não tem aplicação ao caso em exame. Este é o dispositivo invocado pela recorrente: Art. 9° Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: (...) VII do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Esse dispositivo não se aplica ao presente lançamento por várias razões, sendo a principal delas o fato de que o referido comando normativo se destinava apenas aos créditos já constituídos ao tempo de publicação do decretolei. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10640.000582/201022 Acórdão n.º 1301002.504 S1C3T1 Fl. 870 7 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 870DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13901.000030/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/04/2004, 02/08/2004, 01/03/2004
AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE.
Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3302-004.312
Decisão: Crédito Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/04/2004, 02/08/2004, 01/03/2004 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13901.000030/2008-70
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735395
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.312
nome_arquivo_s : Decisao_13901000030200870.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 13901000030200870_5735395.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Crédito Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6814556
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209550143488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 568 1 567 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13901.000030/200870 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.312 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria COMEX. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente AGENCIA MARITIMA ORION LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/04/2004, 02/08/2004, 01/03/2004 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Crédito Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 1. 00 00 30 /2 00 8- 70 Fl. 568DF CARF MF 2 [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3101001.507, de fls.479/484, conforme a seguir transcrito: Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 432 dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto do relator Emerson da Silva Cabral nos seguintes termos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 110.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos (fls. 02 a 07) e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através de Declarações de Exportação (DE's), no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado nas telas de consulta do Siscomex e demais documentos acostados aos autos (fls. 17 a 398), as mercadorias foram embarcadas, mas os "dados de embarque" no Siscomex foram registrados após o prazo legal de 7 dias para tal registro, implicando na infração citada no artigo 44 da IN SRF n° 28/94. Assim, entendendo estar caracterizado a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para o conjunto de informação de dados de embarque não prestada no prazo (7 dias), considerando para tanto os registros que pertenciam ao mesmo veículo, resultando no total de 22 veículo cujos dados de embarque não foram registrados no prazo disciplinado. Regularmente cientificada por via postal (AR fl. 402), a interessada apresentou impugnação de folhas 405 a 410. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, ocorre ilegitimidade passiva, a autuada agiu somente como agente marítimo do transportador estrangeiro. Requer seja julgada insubsistente a autuação, arquivandose definitivamente o processo. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0717.200 de fls. 46 traz a seguinte ementa: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 3302004.312 S3C3T2 Fl. 569 3 “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/03/2004, 10/03/2004, 22/03/2004, 22/04/2004, 19/05/2004, 03/06/2004, 09/06/2004, 09/08/2004, 1710812004, 31/08/2004, 14/09/2004, 15/09/2004, 27/09/2004, 22/10/2004, 08/11/2004,01/12/2004, 07/12/2004, 09/12/2004,10/12/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE.TRANSPORTADOR. PRAZO. DESPACHO A POSTERIORI. O prazo para registro dos dados de embarque no Siscomex pelo transportador é de 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima. Este prazo não pode ser aplicado quando orientação contida na própria Instrução Normativa SRF n° 28/94 autoriza prazo superior para apresentação do despacho de exportação após a conclusão do embargue. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho –CARF em fls. 441 a 449 onde apresenta sem síntese o seguinte: 1) A Recorrente não é parte passiva legitima para responder pela infração que lhe é atribuída; 2) As regras apontadas no voto condutor da decisão recorrida se destinam aos transportadores marítimos (armadores); 3) Que os supostos atrasos no fornecimento de informações referentes aos embarques de mercadorias, por parte do transportador, certamente não constituíram qualquer embaraço ou impedimento à ação da fiscaliza. Finalmente requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja integralmente reformado o acórdão recorrido desconstituindose o lançamento fiscal objeto do presente processo. É o relatório. Através do Acórdão nº 3101001.507 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Fl. 570DF CARF MF 4 Nos termos do acórdão nº 9303003.642, de 26/04/2016, fls.549/557, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/02/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 3302004.312 S3C3T2 Fl. 570 5 Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." A empresa teve ciência do julgado em 06/07/2016, conforme AR, fl. 565. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Legitimidade Passiva Arguida como preliminar, examinase a alegação da interessada quanto à ilegitimidade do sujeito passivo concernente à exigência da multa em análise. Cabe inicialmente destacar que a AGENCIA MARITIMA ORION LTDA está identificada nos extratos do Siscomexexportação de fls.18/401. Em Direito Tributário a sujeição passiva é elemento de grande importância para a determinação de quem suporta o ônus tributário. Dispôs o Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 572DF CARF MF 6 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Notese que a relação jurídicotributária apresentase com dois pólos, figurando no pólo ativo, os entes federativos, cuja competência para instituir tributos está delimitada no texto constitucional, e no pólo passivo a pessoa física ou jurídica que tem o dever de efetuar a prestação tributária, contudo, sendo a obrigação tributária ex lege, o sujeito passivo tributário, como elemento essencial da obrigação tributária, deve vir determinado expressamente na norma jurídica. Importante também é a caracterização do instituto da solidariedade no âmbito tributário. Assim dispõe o art. 128 do CTN: “Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”. Constatase que o CTN estrutura a sujeição passiva em direta, quando a obrigação recai sobre o contribuinte, ou seja sobre aquele que realiza o fato jurídico passível de tributação e indireta quando a obrigação recai sobre um responsável, que embora não tenha praticado o fato jurídico tributário, sua obrigação decorre de expressa determinação legal. Assim a sujeição passiva comporta duas modalidades: transferência e substituição, sendo que a transferência aloja três hipóteses: solidariedade, sucessão e responsabilidade. Prescreve o art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 573DF CARF MF Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 3302004.312 S3C3T2 Fl. 571 7 “I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei” Evidenciase que o instituto da solidariedade ocorre sempre que duas ou mais pessoas estejam simultaneamente obrigadas pela mesma situação jurídica. No que respeita à solidariedade tributária, do conjunto normativo assinalado, inferese que esta alcança não apenas o débito resultante da obrigação principal, como também os deveres oriundos de obrigações acessórias. Ela é sempre passiva, pois existe um só credor, que é o Estado e se aplica no âmbito tributário de duas formas: solidariedade natural e solidariedade legal. A primeira delas se refere às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Já a segunda, se refere às pessoas expressamente designadas por lei. Com efeito, dispõe o art. 32 do DecretoLei nº 37/66: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988): [...] Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Com efeito, a lei aduaneira, com sucessivas alterações no decorrer de sua vigência, definiu as relações entre os coobrigados no caso de infrações conforme a seguir indicado: DecretoLei nº 37, de 1966 Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] No caso em tela, inexistindo a possibilidade jurídica de figurar o transportador estrangeiro no pólo passivo da relação jurídicotributária, elegeu o legislador expressamente no texto legal o representante, no País, do transportador estrangeiro, como responsável solidário, pelas obrigações tributárias. Dessa forma, com esteio nas normas consignadas no art. 123 do CTN e com o intuito de resguardar os interesses da União e dar efetividade à função regulatória do comércio exterior, já que esta prepondera sobre a função fiscalitzatória evitou o legislador que intervenientes, sem nenhuma condição de fato para assumir o ônus tributário oriundo de vultosas operações de comércio exterior, venham a prejudicar o interesse público. Fl. 574DF CARF MF 8 Estabelecidos os pressupostos legais quanto ao instituto da sujeição passiva, precipuamente quanto à responsabilidade solidária, inferese que a autuada, identificada nos autos como agência marítima e representante no país do transportador estrangeiro, conforme disposições contratuais de fls.422/426, está obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex, quanto aos dados dos embarques que opera. Rejeitase assim a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada. MÉRITO Da multa pela extemporaneidade dos dados do embarque Como já relatado trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência da multa no valor de R$ 110.000,00, nos termos da na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37, de 1966, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls.05/07. Ocorre que a decisão de piso assim decidiu: Portanto, à exceção dos veículos Anapa (2040402831/4), Cape Blossom (2040750277/7) e Saxon Star (2040148980/9), a aplicação da multa em face do atraso na aposição no Siscomex dos dados de embarque encontrase prejudicada. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 15.000,00 e exonerando o valor de R$ 95.000,00 . O litígio remanesce portanto quanto aos dados referentes aos veículos Anapa (2040402831/4), Cape Blossom (2040750277/7) e Saxon Star (2040148980/9. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 1inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): 1 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 575DF CARF MF Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 3302004.312 S3C3T2 Fl. 572 9 (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. À época dos fatos vigia a IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." (NR)(grifei). Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal [artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003] uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Tratando o caso dos autos da excepcionalidade do § 2º acima transcrito, visto que adstrito ao modal marítimo, constatase pela planilha de fls.05/07, que as informações foram efetivamente extemporâneas ao prazo de 7(sete) dias, contado da data da realização do embarque, situação que configura a infração tipificada no artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003 acima reproduzido. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 576DF CARF MF 10 Fl. 577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.003673/2008-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12269.003673/2008-15
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5743122
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.502
nome_arquivo_s : Decisao_12269003673200815.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 12269003673200815_5743122.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6864940
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209554337792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12269.003673/200815 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.502 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VM PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 36 73 /2 00 8- 15 Fl. 216DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403001.767, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase do Auto de Infração de Obrigação Principal 37.188.6090, no valor de R$ 6.224,90, referente às contribuições sociais para Terceiros ou Outras Entidades ou Fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP antes do início da ação fiscal, relativos ao períodos de 01/2003 a 07/2003, 02/2006 e 12/2006. Do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 27, consta que foram lançados os seguintes créditos: 37.146.4749 Contribuições dos segurados empregados; 37.188.6082 – Contribuições da empresa; 37.188.6104 GFIP incompleta; e 37.188.6112 Distribuição de Lucro. O Contribuinte contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 35/37. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, às fls. 65/71, julgou procedente em parte a impugnação, para manter em parte o valor do crédito tributário previdenciário mediante a retificação da base de cálculo relativa ao salário de contribuição dos empregados na competência 02/2006 para R$ 46.251,99, alterando o valor do crédito tributário previdenciário para R$ 6.077,06, na conformidade do DADR anexo, sujeito a atualização na liquidação. O Contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 75/77, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: (i) mantém na íntegra a defesa feita em sede de Impugnação; (ii) Diante dos fatos, a requerente constatou que no relatório do referido acórdão, os membros da 5ª Turma, não levaram em consideração a data da entrega das GFIP/SEFIP's das competências 01/2003 à 07/2003 com informações no CEI 39.000.02919/73, em data de 23/05/2007, data esta anterior a fiscalização. Bem como reconhecimento da quitação das referidas GPS's. (iii) Questiona o período 01/2003 a 07/2003. A fiscal notificante, na ocasião da fiscalização, tomou conhecimento das recolhidas conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados às folhas 1 e 2 referente as competências 01 a 07/2003 nos valores de R$ 723,81; R$ 638,69; R$ 1.017,48; R$ 1.148,21; R$ 1.023,37; R$ 1.143,74 e R$ 2.669,55 (referemse ao pagamento integral da contribuição, incluindo desconto dos empregados, parte patronal e outras entidades). Mesmo com o conhecimento de pagamento das referidas GPS's, a fiscal não apropriouas conforme demonstrado no RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentado à folha 1. A requerente anexa a presente cópia das GFIP's das competências 01 a 07/2003 enviadas em 23/05/2007, onde são informados os dados dos empregados com seus respectivos salários, coincidindo com a cópia das folhas de pagamento autenticadas pela agente fiscal, onde consta inclusive, o número da matrícula CEI 39.000.02919/73 e GPS's respectivas. A requerente acredita, que foi mal interpretada a sua Fl. 217DF CARF MF Processo nº 12269.003673/200815 Acórdão n.º 9202005.502 CSRFT2 Fl. 10 3 defesa primitiva por haver débitos do período de janeiro a julho de 2003 com referência a matricula CEI 39.000.02919/73, fato esteja demonstrado que a quitação das referidas competências deuse no CNPJ da empresa, e não na matricula CEI. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 147/164, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para se reconhecer a decadência até a competência 08/2003, com base no art. 150, § 4º, CTN e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2003 a 07/2003 e 02/2006 a 12/2006, a ciência do AIOP ocorreu em 01.09.2008, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos Fl. 218DF CARF MF 4 ora lançados até a competência 08/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 165/175, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à multa mais benéfica ao contribuinte: observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 12269.003673/200815 Acórdão n.º 9202005.502 CSRFT2 Fl. 11 5 entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 197/198, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida (cálculo da multa). O Contribuinte foi devidamente citado às fls. 201, apresentando Contrarrazões, às fls. 204/207, reforçando os fundamentos da sentença. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase do Auto de Infração de Obrigação Principal 37.188.6090, no valor de R$ 6.224,90, referente às contribuições sociais para Terceiros ou Outras Entidades ou Fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP antes do início da ação fiscal, relativos ao períodos de 01/2003 a 07/2003, 02/2006 e 12/2006. Do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 27, consta que foram lançados os seguintes créditos: 37.146.4749 Contribuições dos segurados empregados; 37.188.6082 – Contribuições da empresa; 37.188.6104 GFIP incompleta; e 37.188.6112 Distribuição de Lucro. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre o cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 220DF CARF MF 6 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 12269.003673/200815 Acórdão n.º 9202005.502 CSRFT2 Fl. 12 7 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 222DF CARF MF 8 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 12269.003673/200815 Acórdão n.º 9202005.502 CSRFT2 Fl. 13 9 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade Fl. 224DF CARF MF 10 limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 225DF CARF MF Processo nº 12269.003673/200815 Acórdão n.º 9202005.502 CSRFT2 Fl. 14 11 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Fl. 226DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.001272/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. PIS E COFINS.
Uma vez que os efeitos propagados pela Súmula Vinculante nº 08 do STF são, definitivamente, ex nunc, não há como se falar que as disposições ali encartadas impactariam na atividade fiscalizatória, restando aplicável o prazo decadencial de 10 (dez) anos, nos ditames do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização pormenoriza e identifica cada etapa do procedimento que a levou a atingir a conclusão de insuficiência de recolhimento dos tributos e ao mesmo tempo tenha intimado o contribuinte a prestar esclarecimentos e fornecer documentações, ainda que, posteriormente, as informações e provas fornecidas tenham sido reputadas insuficientes.
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ART. 127 CTN.
A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo.
MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. LEITURA DO ART. 112 DO CTN.
Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação
Numero da decisão: 1201-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros Luis Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima que davam parcial provimento, em maior extensão, para reconhecer a decadência relativa aos meses de janeiro a novembro de 2002. Vencidos, ainda, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandez de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. PIS E COFINS. Uma vez que os efeitos propagados pela Súmula Vinculante nº 08 do STF são, definitivamente, ex nunc, não há como se falar que as disposições ali encartadas impactariam na atividade fiscalizatória, restando aplicável o prazo decadencial de 10 (dez) anos, nos ditames do art. 45 da Lei nº 8.212/91. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização pormenoriza e identifica cada etapa do procedimento que a levou a atingir a conclusão de insuficiência de recolhimento dos tributos e ao mesmo tempo tenha intimado o contribuinte a prestar esclarecimentos e fornecer documentações, ainda que, posteriormente, as informações e provas fornecidas tenham sido reputadas insuficientes. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ART. 127 CTN. A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. LEITURA DO ART. 112 DO CTN. Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10218.001272/2007-10
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748241
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.776
nome_arquivo_s : Decisao_10218001272200710.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10218001272200710_5748241.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros Luis Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima que davam parcial provimento, em maior extensão, para reconhecer a decadência relativa aos meses de janeiro a novembro de 2002. Vencidos, ainda, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandez de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6875488
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209629835264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.001272/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.776 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria PIS Recorrente FRIGOXIN COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. PIS E COFINS. Uma vez que os efeitos propagados pela Súmula Vinculante nº 08 do STF são, definitivamente, “ex nunc”, não há como se falar que as disposições ali encartadas impactariam na atividade fiscalizatória, restando aplicável o prazo decadencial de 10 (dez) anos, nos ditames do art. 45 da Lei nº 8.212/91. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização pormenoriza e identifica cada etapa do procedimento que a levou a atingir a conclusão de insuficiência de recolhimento dos tributos e ao mesmo tempo tenha intimado o contribuinte a prestar esclarecimentos e fornecer documentações, ainda que, posteriormente, as informações e provas fornecidas tenham sido reputadas insuficientes. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ART. 127 CTN. A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. LEITURA DO ART. 112 DO CTN. Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 12 72 /2 00 7- 10 Fl. 1185DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros Luis Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima que davam parcial provimento, em maior extensão, para reconhecer a decadência relativa aos meses de janeiro a novembro de 2002. Vencidos, ainda, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandez de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Peço vênia para a transcrição do relatório trazido no Acórdão nº 3202001.376 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, que por sua vez reproduziu a descrição dos fatos desenvolvida pela DRJ/BEL em sede acórdão de impugnação administrativa: “(...) Versa o presente processo sobre auto de infração alusivo ao tributo Pis/Pasep 587596), no valor de R$ 9.791.244,84, já compreendendo o principal, a multa de oficio e juros de mora calculados até 30/11/2007, com ciência do sujeito passivo em 07/12/2007 (fl. 586). As supostas infrações foram relativas a falta/insuficiência de recolhimento da contribuição social ora em julgamento. Também aduz a sujeição passiva solidária, na qualidade de responsável, do Sr., Atílio Gusson, inscrito no CPF sob o n° 607.823.90900, conforme fls.580585, cientificado mediante Edital n° 20/2007 em 11/12/2007 (fl. 598), depois de tentativa infrutífera de intimação via postal (fl. 597), na qual o agente postal informara a expressão "mudouse” relativamente ao Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 3 3 sujeito passivo. Em pesquisa (fl. 659) realizada o sistema eletrônico CPF em 28/04/20008, o endereço do sujeito passivo continuava o mesmo utilizado na tentativa frustrada de intimação postal. 3. Em 08/01/2008, inconformado com o lançamento tributário, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 602622), alegando em suma: DA SUPOSTA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DOS SÓCIOS E DA ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO FISCAL DA IMPUGNANTE a) Não há nos autos nenhum elemento que descaracterize a condição de sócio de Luís Menegon, sendo certo que sempre exerceu referida função, representando a empresa nas diversas situações. b) As alegações — de que o Sr. Atílio Gusson exerceria atividade executiva de relevante importância e ter atribuições que suplantariam as funções do cargo de gerente financeiro — não merecem prosperar, uma vez que os poderes a ele conferidos são normais de um gerente financeiro, tais como monitoramento contábil e financeiro, tesouraria, fechamentos contábeis, balanços, lucros e perdas, aumento da eficiência da organização, gerenciamento de fluxo de caixa, contas a pagar e a receber, processos administrativos, controle de custos de produção com vendas, controle de aplicações financeiras, etc. c) Além disso, não existe nenhum impedimento legal para que o gerente financeiro na qualidade de mandatário da empresa possa atuar como seu representante e desempenhar as funções ali atribuídas que, digase de passagem, em nada extrapolam suas atribuições no cargo ocupado. d) Ademais, vale mencionar que o Sr. Atílio foi admitido como gerente financeiro da impugnante em setembro de 2002 e percebia o salário mensal inicial de R$2.500,00 tendo atingido o montante de R$8.900,00 após quatro anos de trabalho. Em 1° de novembro de 2007, o Sr. Atílio foi demitido. e) No que diz respeito à desconsideração do domicílio fiscal do impugnante na cidade do Rio de janeiro, e na consideração da unidade industrial na cidade de Xinguara como matriz, também não merecem prosperar os argumentos fazendários, pois o artigo 127 do CTN só poderia ser invocado pelos agentes fiscais na hipótese de não eleição de domicílio fiscal por parte do contribuinte. f) Ao contrário do que argüiu o agente fiscal, na matriz do Rio de Janeiro funcionava um escritório administrativo e a contabilidade da empresa, sendo que não teve maiores atividades devido à imposição da barreira sanitária, que proibia a venda de carne sem osso do sul do Pará. Fl. 1187DF CARF MF 4 g) Tanto isso é verdade que numa das respostas às intimações fiscais, o impugnante explicitou que precisaria de prazo para realizar a entrega de documentos, pois necessitaria organizar a ida da contadora para Xinguara. Somente com a descaracterização do domicílio fiscal no Rio de Janeiro foi que a empresa determinou a ida de sua contadora a Xinguara para poder atender as exigências fiscais. Portanto, ao contrário do que alegam as autoridades fiscais, não houve o escopo de dificultar sobremaneira a ação fiscalizadora e arrecadadora da administração tributária federal. DA DECADÊNCIA h) Conforme artigo 150, § 4°, do CTN a decadência ocorre em cinco anos a partir do fato gerador. i) Aduziu decisões administrativas e judiciais. j) Assim, decaíram os fatos jurídicos ocorridos entre 08/2002 a 11/2002. DA IMPROCEDÊNCIA DAS INFRAÇÕES APURADAS k) Como é possível verificar no termo de verificação fiscal, as autoridades fiscais tão somente se limitaram a mencionar a suposta falta de recolhimento dos valores devidos a título de Cofins, sem apresentar nenhuma planilha explicativa dos valores supostamente devidos. 1) Em verdade, no auto de infração constam valores fechados de supostas infrações, apurados mês a mês, sem a menção detalhada da forma de apuração da provável infração, além de inexistirem planilhas que demonstrem a ocorrência de tal fato. Ora, tal omissão dificulta sobremaneira o direito de ampla defesa e exercício do contraditório por parte do impugnante, configurando no caso em tela um notório cerceamento de seu direito de defesa, pelo que deve ser declarada a nulidade da autuação. m) Aduziu o artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal. DO DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA n) Não pode prosperar a multa de 150%, pois não há falar em simulação, tampouco em objetivo de fugir à tributação. o) Por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência da fraude (artigo 72 da Lei n° 4.502/1964), o elemento dolo que lhe é atinente desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. p) Tanto é verdade que é possível verificar no termo de verificação fiscal que o impugnante não criou quaisquer embaraços ao trabalho fiscal e, ademais, forneceu os documentos solicitados, segundo se depreende da seguinte passagem: "Registrese que, em razão de os referidos documentos, em momento anterior, já terem sido apresentados voluntariamente Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 4 5 pela fiscalizada, tal requisição não teve o caráter de quebra de sigilo bancário administrativa ..." (fl. 15). q) Além de ter apresentado os documentos solicitados ao longo do trabalho fiscal, houve in casu um mero erro de escrituração contábil da empresa, que, Caso tivesse o alegado intuito de burlar o fisco jamais teria feito a escrituração correta no livro de registro de saídas e também não teria efetuado declaração junto à Fazenda estadual. r) Além disso, o efetivo intuito de fraude, para que seja aceito, há que ficar estreme de dúvida, indagação e/ou divergência. s) Na realidade, o pressuposto de que todas as operações teriam sido feitas tão somente para lesar a Fazenda Nacional, além de não se mostrar razoável e proporcional, não se sustenta diante dos fatos, principalmente em face do comportamento regular da empresa nas suas operações. t) Ademais, não há, no caso vertente, elemento contundente, convincente e/ou excludente de outra circunstância, igualmente plausível, de que houve tão somente interesse de lesar o fisco. Não há prova alguma. Há em verdade, construções imaginárias, frutos de incrível poder criativo, mas provas, fatos e documentos de que as operações tenham efetivamente o intuito de burlar a Fazenda Pública, onde efetivamente não há. A decisão proferida pela DRJ de Belém foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem com escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e caso este tenha ocorrido, verificar se o lançamento esteve de acordo com a legislação aplicável. Logo, o legislador administrativo não deve se manifestar quanto ao processo de representação fiscal para fins penais, já que nele não há interesse tributário envolvido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2002, 2003 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. ELEIÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ARTIFICIALIDADE. SONEGAÇÃO. A conduta do contribuinte em escolher do domicílio fiscal longínquo e artificial para burlar o fisco com vistas a retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, Fl. 1189DF CARF MF 6 justifica a qualificação da multa devido à hipótese descrita no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64,como espécie de sonegação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário:2002, 2003 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DEZ ANOS. O direito de o Fisco apurar e constitui suas contribuições sociais extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. FATOS JURÍDICOS TRIBUTÁRIOS. DESCRIÇÃO. ELEMENTOS. A descrição da materialidade do fato, do quantum debeatur (base de cálculo e alíquota) e do período a que se refere, inclusive com planilhas demonstrativas, engloba os elementos obrigatórios do auto de infração e refuta a existência de cerceamento do direito de defesa. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs o presente recurso visando a reforma do decisório da DRJ, reiterando os argumentos e pedidos elaborados na impugnação. É o relatório.” Acórdão nº 3202001.376 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Foram elencadas, inicialmente, as seguintes infrações: Receitas não contabilizadas: Após confrontação entre os livros registro de saídas que retratam as informações contidas nas declarações de informações econômicofiscais (DIEF) entregues a SEFA/PA e os livros contábeis Diário e Razão, verificouse a suposta omissão de lançamentos de notas fiscais de saída na contabilidade da empresa; Omissão de receitas — depósitos bancários de origem não comprovada: após confrontação entre os valores constantes nos lançamentos contábeis das contas Bancos e aqueles constantes nos extratos bancários da fiscalizada, referentes aos recursos depositados em contascorrentes e de aplicação financeira, constatouse supostas divergências que foram consideradas presunção legal de omissão de receitas; Insuficiência de recolhimento e declaração — PIS e COFINS: Não escrituração e não recolhimento dos valores devidos a título de PIS e COFINS nos períodos de agosto de 2002 a dezembro de 2003; e Aplicação de multa qualificada de 150% (cento è cinqüenta por cento) sob alegação de evidente intuito de fraudar o Fisco. Recurso Voluntário Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 5 7 Irreesignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seus argumentos de Impugnação. Acórdão da Terceira Seção de Julgamento do CARF Inicialmente, o Recurso Voluntário foi distribuído para a 2°Turma da 2°Câmara da 3°Seção do CARF. Não obstante a matéria do presente caso se referir ao PIS, a Turma constatou que também foram lavrados autos de infração exigindo a cobrança de IRPJ, CSLL e COFINS em razão da omissão de receitas e receitas não contabilizadas apontadas pela fiscalização. Assim, a Turma de Julgamento entendeu que nos termos do art. 2º, IV, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, a competência para análise da lide é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Desta forma, decidiuse no sentido de declínio da competência para apreciação e julgamento do presente feito à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Decadência À época dos fatos geradores (anos de 2002 e 2003) e até mesmo da ciência do auto de infração (ano de 2007) vigorava em plena eficácia a redação do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, a qual expressamente delimitava o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a Seguridade Social constituir seus créditos tributários, contados da ocorrência do fato gerador. Eis a dicção legal do supracitado dispositivo legal: Fl. 1191DF CARF MF 8 "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (...)" Deste modo, como a COFINS e o PIS são contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social — ex vi da alínea "d" do parágrafo único do artigo 11 da Lei n° 8.212/1991 e do inciso VI do parágrafo único do artigo 195 do Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 (Regulamento da Previdência Social) tornase inequívoca a premissa inicial de que os débitos aqui autuados, concernentes exclusivamente às contribuições citadas, devem ser respaldados pela aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. A divergência quanto a esta conclusão reside, de certo, na publicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF, que declarou a inconstitucionalidade do referido artigo, nos seguintes termos: STF Súmula Vinculante nº 8 – Sessão Plenária de 12/06/2008 – DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008 – DO de 20/6/2008, p. 1. Constitucionalidade – Prescrição e Decadência de Crédito Tributário. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Posteriormente a Lei Complementar 128, publicada em 19/12/2008, revogou expressamente o artigo 45 da Lei 8.212/91, consolidando, assim, o prazo decadencial quinquenal estabelecido pelo Código Tributário Nacional, nos ditames dos arts. 150, §4º ou art. 173, I. Ocorre que, conforme demonstrado, tanto os fatos geradores (termo a quo do prazo decadencial), ocorridos nos meses de agosto de 2002 a dezembro de 2003, quanto a ciência do auto de infração (termo ad quem do prazo decadencial), que se deu na data de 07/12/2007 (fls. 586), se perfectibilizaram em período anterior à publicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Notese que o Supremo Tribunal Federal se posicionou pela modulação dos efeitos, a qual se aplicou no Recurso Extraordinário sob nº 559.943/RS, onde se estabeleceu que os efeitos seriam “ex nunc”, ou seja, não retroativos, sendo retroativos apenas aos processos que já discutiam anteriormente à edição da Súmula questões acerca da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, conforme abaixo transcrito: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE FORMAL DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N. 8.212/1991. ARTIGO 146, INCISO III, ALÍNEA B, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA TRIBUTÁRIAS. MATÉRIA Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 6 9 RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ARTIGOS 173 E 174 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Constituição da República de 1988 reserva à lei complementar o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência, nos termos do art. 146, inciso III, alínea b, in fine, da Constituição da República. Análise histórica da doutrina e da evolução do tema desde a Constituição de 1946. 2. Declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, por disporem sobre matéria reservada à lei complementar. 3. Recepcionados pela Constituição da República de 1988 como disposições de lei complementar, subsistem os prazos prescricional e decadencial previstos nos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional. 4. Declaração de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, salvo para as ações judiciais propostas até 11.6.2008, data em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991. 5. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento. Uma vez que os efeitos propagados pela Súmula Vinculante nº 08 do STF são, definitivamente, “ex nunc”, não há como se falar que as disposições ali encartadas impactariam na atividade fiscalizatória e na constituição definitiva do crédito tributário aqui analisada, desvirtuandoa parcialmente pelo decurso do prazo decadencial. Deve restar inequívoco que a fiscalização fora guiada pela aplicação ferrenha do art. 45, inciso I da Lei nº 8.212/1991, pois à época do procedimento fiscal a constitucionalidade do referido artigo era patente. Veja que o próprio art. 150, § 4º do CTN determina a prevalência de lei ordinária especial sobre a lei geral trazida pelo CTN, senão vejamos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fixado o prazo para constituição do crédito tributário em 10 (dez) anos, de modo expresso pela Lei nº 8.212/91, em seu art. 45, não há como se falar que fora consumada a Fl. 1193DF CARF MF 10 decadência no caso concreto. Ora, o termo ad quem mais tenro se daria em 01/09/2012. Como a ciência do auto de infração se deu em 07/12/2007 não se cogita a possibilidade do esvair do prazo decadencial. Diante do exposto, voto pelo indeferimento da arguição de decadência. Da alteração do Domicílio Fiscal da Recorrente A questão da mudança do domicílio fiscal encontra amparo expresso no art. 127 do CTN: “Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior.” A autoridade fiscalizatória, ao perceber que toda a atividade operacional da ora recorrente estava concentrada em estabelecimento industrial no Estado do Pará (município de Xinguara), reputou que ali seria o local em que teriam ocorridos os atos e fatos que deram origem à obrigação tributária, deslocando, então, o domicílio tributário, sob a égide do parágrafo 2º do supracitado dispositivo legal. Veja, a obrigação tributária em foco referese ao recolhimento de PIS e COFINS. A hipótese de incidência das referidas contribuições é o faturamento da entidade. Ora, o faturamento, sem dúvida alguma, advém da atividade operacional da recorrente, a qual, por sua vez, se concretiza no Estado do Pará. A alteração do domicílio fiscal aqui constatada, então, segue uma lógica que coaduna perfeitamente com as disposições do art. 127 do CTN. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 7 11 Pois bem. O inciso II do referido dispositivo consagra a sede como domicílio fiscal. Conforme demonstrouse de forma veemente nos autos, consta a sede do recorrente na cidade do Rio de Janeiro, sem, no entanto, qualquer estrutura operacional ou qualquer indício de atividade comercial, financeira ou econômica. O recorrente se contradiz quanto a este ponto, mas chega a afirmar de forma inequívoca a inatividade do estabelecimento alocado no Rio de Janeiro (fls 562 e 571, respectivamente): “(...) Por oportuno, importante destacar que o depoente ao tentar justificar a localização no Rio de Janeiro do estabelecimento "matriz" da fiscalizada, declarou que o mesmo não se encontrava funcionando, mas que só foi constituído naquele local em razão da barreira sanitária imposta pelas autoridades agropecuárias federais (Ministério da Agricultura) e estaduais (ADEPARA)(...) (...) QUE a matriz da empresa FRIGOXIN fica localizada no Rio de Janeiro, Rua da Assembléia, 36, 8º andar, sala 801; QUE tal estabelecimento não está funcionando, pois, em razão a barreira sanitária que aflige o estado do Pará, não é permitida a venda de carne com osso para o Centro/Sul do país; (...)” Restou claro e evidente que a sede de fato da entidade não estava alocada no Rio de Janeiro. Conforme bem delineou a fiscalização, sede é o “ponto de concentração de certos fatos ou fenômenos; lugar onde está instalado um governo, um tribunal, uma administração, uma empresa, etc.; edifício mais importante de uma empresa de qualquer 'tipo, de uma instituição, etc. onde normalmente' estão centralizados o órgãos de direção e administrativos;". Um estabelecimento inativo, ou sem atividades quaisquer, não pode ser reputado como sede de uma empresa do porte da ora recorrente (ou de qualquer outra entidade, seja ela qual for). Firmado este ponto, inaplicável o inciso II ao caso concreto. Alternativa não sobra senão a observância do §1º do art. 127 do CTN, ou seja, diante da inaplicabilidade de inciso II, deve ser caracterizado como domicílio tributário, o lugar da situação dos bens e da ocorrência dos atos e fatos que originaram a obrigação fiscal, o que, conforme visto, se deu no Estado do Pará (município de Xinguara), local em que se concentra a atividade operacional do recorrente. Por conseguinte, a recusa, por parte da Administração, do domicílio eleito pelo recorrente no Rio de Janeiro e eleição daquele nos moldes do parágrafo 1º encontra Fl. 1195DF CARF MF 12 respaldo no parágrafo 2º do dispositivo do CTN. De fato, há total impossibilidade de fiscalização do tributo em estabelecimento sem indícios de funcionamento, de modo que a alteração do domicílio tributário vai além de um mero facilitador da atividade fiscalizatória, sendo, pois, um permissivo. Conclui a fiscalização (fls. 555): “(...) Diante dos fatos apurados naquela diligência, que se encontra acostada nos autos do processo administrativo nº 10218.000173/200630, tendo inclusive a autoridade fiscal verificado in loco a inexistência de fato da fiscalizada no endereço sediado no Rio de Janeiro, procedemos na desconsideração daquele domicílio fiscal, consoante o estabelecido no termo de encerramento de diligência, cuja cópia ora juntamos aos autos (fls. / ). A partir de então, passamos a considerar como matriz a unidade industrial localizada no município de Xinguara, Estado do Pará.(...)” Devese ter cristalino, conquanto, que a alteração do domicílio tributário, por si, não se justifica pelo suposto intuito de fraude, mas única e exclusivamente para permitir a atividade fiscalizatória, nos termos do art. 127 do CTN, especificamente em seu parágrafo 2º. Não se considera, neste momento, se a dificuldade de fiscalização percebida fora provocada de forma dolosa ou não pelo recorrente, restando a análise do fato frio, sem qualquer juízo de subjetividade. Portanto é válida a alteração do domicílio tributário que se dá nos ditames do art. 127 do CTN. Infração – Insuficiência de Recolhimento de PIS e COFINS Inicialmente, ressaltese que as outras infrações apuradas no procedimento fiscalizatório, quais sejam, a omissão de receitas e as receitas nãocontabilizadas, motivaram a lavratura do auto de infração IRPJ e reflexos, o qual se encontra acostado nos autos do processo administrativo nº 10218.001271/200775. Quanto à infração que aqui cabe, qual seja, a insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS, o recorrente pugna pela violação ao seu cerceamento de defesa, alegando que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar de modo individualizado e detalhado a forma de apuração da provável infração, além arguir pela inexistência de planilhas que demonstrem a ocorrência de tal fato. Ora, contra tal alegação há total insubsistência e ausência de qualquer fundamentação, pois o Termo de Verificação Fiscal demonstra cabalmente, inclusive através Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 8 13 de planilhas, a forma de apuração correta do imposto e a divergência dos valores recolhidos e dos valores constantes em DCTF (fls. 577 e 578): “VI.III. Insuficiência de recolhimento e declaração — PIS e COFINS Conforme citado no item Descrição dos Fatos, verificamos que a fiscalizada, em que pese ter auferido receitas da atividade empresária, notadamente a de venda de produtos, não escriturou e nem recolheu corretamente os valores a título de PIS e COFINS do período sob análise, de acordo com o especificado pela planilha abaixo: (...) Juntamente com o montante dos créditos acima mencionados, somamos os valores das diferenças apuradas em decorrência da comparação os valores escriturados e provisionados e aqueles efetivamente declarados em DCTF, conforme demonstrativo de diferenças apuradas acostado nos autos. (...)” De forma direta e didática a fiscalização construiu uma tabela em que elencou a base de cálculo (receita declarada) de cada mês de apuração, a alíquota de cada tributo, sendo PISnão cumulativo (1,65%) e COFINS cumulativo (3,0%) e o montante a ser recolhido confrontando as duas informações antecedentes. Ainda destacaramse os valores constantes em DCTF e contabilidade e, por fim, as diferenças encontradas entre o cálculo realizado pela fiscalização e o efetivamente recolhido e contabilizado pela recorrente. Não há como se falar em cerceamento de defesa. A fiscalização pormenorizou e identificou cada etapa do procedimento que a levou a atingir a conclusão de insuficiência de recolhimento dos tributos. Ainda devese ressaltar que durante toda a atividade fiscalizatória a recorrente fora intimada para prestar esclarecimentos e fornecer documentações, mas as informações e provas fornecidas foram reputadas insuficientes para compor seu direito. Destaquese ainda as informações do TVF destacados pelo v. acórdão recorrido: “41. Na fls. 563564, a autoridade fiscal constatou incongruências na escrituração do contribuinte, mês a mês, mediante planilha, verbis: Fl. 1197DF CARF MF 14 "Em 01/06/2007, lavramos o termo de intimação fiscal (fis. 276/277), motivado pelas divergências apuradas no cotejo levado a efeito entre os valores lançados na escrituração contábil da fiscalizada e aqueles informados nos seus livros fiscais (livro de registro de saídas e DIEF fornecida pela SEFA/PA), conforme 2.1 abaixo elucidativa: (...) (destaquei) 42. Nas fls. 564565, a autoridade fiscal descreveu como foram obtidos a base de cálculo e os respectivos valores a recolher de Pis e Cofins; em seguida, demonstrouos, mês a mês, por meio de planilha, verbis: "Em 14/06/2007, prosseguindo na auditoria fiscal, lavramos o termo de intimação fiscal (lis. 279/280), tendo como base de cálculo para as contribuições PIS e COFINS os valores lançados na escrituração contábil a título de receitas brutas auferidas em cada período mensal — anoscalendário 2002 e 2003, onde verificamos substanciais diferenças entre tais valores e aqueles declarados em DCTF, conforme podemos observar na planilha abaixo: (...)” O contribuinte, então, em inúmeras oportunidades teve conhecimento da forma como foram obtidas as informações capazes de formar o cálculo real do tributo. Além deste apontamento, cabe o enfrentamento da arguição do recorrente no sentido de que este faria jus a créditos referentes ao PIS nãocumulativo. Neste ponto, a fiscalização em dado momento comete um equívoco ao afirmar que a contribuinte não teria optado pelo regime nãocumulativo. Vejamos (fls. 567 e 568): “(...) Portanto, é bom que se diga, não vigorava, à época dos fatos geradores desta obrigação tributária, o regime não cumulativo para cálculo e pagamento das referidas contribuições, que só veio a ser implementado com o advento no mundo jurídico das Leis n o 10.637/2002 e 10.833/2002, sendo ainda condição sine qua non, a opção por tal regime na DIPJ, a partir de 2003(PIS) e 2004(COFINS), faculdade não praticada pela fiscalizada em períodos subsequentes. Mesmo se a fiscalizada, ao arrepio da Lei, levasse a efeito o cálculo com bases na aludida sistemática, não se verificou nenhum lançamento atinente a rubricas contábeis PIS não cumulativo, COFINS não cumulativo, créditos auferidos em operações de compras, dentre outros inerentes a regra em questão. (...) Portanto, mesmo se a fiscalizada cumprisse todas as formalidades para que pudesse usufruir o regimenão cumulativo, o que, conforme demonstrado, não o fez, não Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 9 15 poderia aplicar tal prática tributária. Não há que se falar em regime de nãocumulatividade. (...)” Em contradição a suas próprias alegações, a fiscalização traz o cálculo discriminado em planilha já destacada neste voto (fls. 578), considerando a incidência do PIS nãocumulativo (1,65%) no ano de 2003. Inclusive estes valores foram transportados para o auto de infração e são objeto da atual e iminente cobrança. De fato, deve prosperar a informação utilizada para o cálculo do tributo, qual seja, a vinculação do contribuinte ao regime de nãocumulatividade. Ora, a Lei nº 10.637/2002 passou a vigorar na data de sua publicação e a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003, tornando obrigatória opção pelo regime não cumulativo às empresas, como a ora recorrente, optantes pelo Lucro Real. No que lhe cabe, a recorrente manifestou sua vinculação ao regime de nãocumulatividade na DIPJ/04 (ano calendário 2003), na “Ficha 01 – Dados Iniciais”: “(...) Apuração do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo Método de Determinação dos Créditos de Pis/Pasep não cumulativo ( X ) Incidência NãoCumulativa sobre Receita Total Incidência NãoCumulativa sobre Receita Parcial e/ou Receita de Exportação (...)” Portanto, em desacordo com as informações fiscais iniciais, equivocamente trazidas aos autos, o faturamento do recorrente era passível de incidência do PIS não cumulativo no ano de 2003, sob a alíquota de 1,65%. Quanto ao consequente aproveitamento de créditos, devese, agora sim, aproveitar as informações fiscais, ratificando o entendimento de que não se verificou nenhum lançamento atinente a rubricas contábeis PIS não cumulativo, créditos auferidos em operações de compras, dentre outros inerentes a regra em questão. Veja, os supostos créditos não foram enxergados na contabilidade da recorrente e esta mantevese inerte quanto a demonstração de seu direito, não logrando êxito na comprovação através de outros documentos ou sequer alegações. Razão pela qual não há que se falar no aproveitamento de créditos de PIS. Fl. 1199DF CARF MF 16 Com relação à COFINS, ressaltese a produção de efeitos da Lei nº 10.833/2003 se deu apenas no ano de 2004, o que não engloba a concretude do caso aqui analisado. Multa Qualificada A questão da multa deve ser enviesada sob uma nova abordagem, amplamente respaldada pela jurisprudência do CARF. Restou fundamentada a multa nos moldes do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, posteriormente reposicionado para o § 1° do mesmo artigo. Dentre as hipóteses elencadas no referido dispositivo, coube ao caso presente a caracterização da sonegação fiscal, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. É sabido que a sonegação exige a conduta dolosa evidenciada e cabalmente comprovada através de fatos e provas contundentes. No caso concreto, a fiscalização e também a DRJ/BEL perceberam o elemento doloso em condutas específicas envolvendo o recorrente, quais sejam: a eleição do Rio de Janeiro como sede, de forma a estar localizada a entidade em cidademetrópole, supondose que sua movimentação de recursos financeiros poderia passar despercebida diante da quantidade de contribuintes a serem fiscalizados; e a presença de indício de que o titular de direito da entidade, Luiz Menegon e Maria Aparecida Menegon, é interposta pessoa do titular de fato, Atílio Gusson. Ocorre que, quanto às duas condutas, há total incerteza e ausência de elementos robustos capazes de garantir inequivocamente o dolo por parte do recorrente. Como já visto em parte anterior deste voto, a alteração do domicílio tributário visou a atuação concreta da fiscalização, facilitando o acesso às informações e documentos. Tal ato, no entanto, não fora fundamentado por uma conduta dolosa do recorrente. A alegação de que o recorrente visava, com a eleição de sua sede, evitar a possibilidade de autuações fiscais transita por um campo de total subjetividade, sem qualquer comprovação definitiva e cabal trazida aos autos. Ademais, quanto a figura do gerente financeiro Atílio Gusson, a fiscalização também lança apontamentos totalmente subjetivos e sem qualquer comprovação definitiva e inverossímil de que tal sujeito fosse sócio de fato da entidade. Veja, seu conhecimento e envolvimento nas mais diversas áreas da entidade, seu poder para representar a firma mediante procuração e até suas movimentações financeiras são indícios, é verdade, mas longe de atestarem de maneira irrefutável a sua condição de sócio de fato e a condição dos sócios de direito como interpostas pessoas. Veja que há ligeira fragilidade nos elementos que foram unidos para formar a conduta dolosa do contribuinte e assim a caracterização da sonegação fiscal e a consequente aplicação da multa punitiva. Diante deste cenário, cabe a exposição de uma corrente que vêm crescendo no âmbito deste Conselho, absorvendoa como verdade para a resolução desta controvérsia. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 10 17 Tratase da utilização do art. 112 do CTN, e do princípio do in dubio pro reo (ou como alguns julgados preferem in dubio pro contribuinte), como fundamentos expressos da ratio decidendi que versa sobre a desqualificação da multa. Eis a redação do supracitado dispositivo legal: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A dúvida – seja quanto aos fatos, quanto ao sujeito ou quanto ao conteúdo normativo – resultará sempre em um dilema de subsunção. E desta forma vem sendo encarado o tema no CARF, centrada principalmente na ausência de elementos fáticos autorizadores da multa qualificada e do dolo do agente: “(...) num significativo número de casos, o conteúdo normativo desse enunciado é aplicado sem a identificação expressa do seu fundamento legal no âmbito do direito tributário. Em outras palavras, seu conteúdo teleológico (norma de julgamento que direciona o juiz a decidir em favor do contribuinte no caso de dúvida) não é olvidado nessas situações; uma vez que, em sendo constatada a carência de elementos probatórios que evidenciem o intuito fraudulento, as decisões do CARF são sempre pela desqualificação da multa. (...)” (“Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF”, Edição Fundação Getúlio Vargas SP/ Escola de Direito e Editora Max Limonad) Do racional ora declinado, segue a transcrição de ementa do Acórdão nº 2403002.988, de 12 de Março de 2015: MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 1201DF CARF MF 18 No caso presente instaurase uma situação de dúvida razoável quanto a natureza e as circunstâncias materiais do fato, o que traz o permissivo de aplicação do art. 112 do CTN. Deste modo devese adotar a medida mais benéfica ao contribuinte, optandose pela pena menos gravosa, desqualificando a multa de ofício e reclassificandoa para o patamar de 75%. Termo de Sujeição Passiva No que concerne a responsabilização de Atílio Gusson, faço minhas as conclusões atingidas pelo v. acórdão recorrido, como razões para decidir: “ (...) 9. Quanto ao termo de sujeição passiva solidária em nome de Atílio Gusson, destaquese que tal responsável não compareceu para impugnar o ato administrativo de fls. 580585. Outrossim, como a impugnação de fls. 602622 encontrase firmada por advogado constituído somente pelo contribuinte (Frigoxin Comercial Ltda), e não pelo responsável, os argumentos ali expendidos contra o ato de sujeição passiva não serão conhecidos.” A mesma situação aqui dirigida à impugnação cabe ao Recurso Voluntário. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 1201001.776 S1C2T1 Fl. 11 19 Fl. 1203DF CARF MF
score : 1.0
