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Numero do processo: 10880.006711/00-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALUGUÉIS
Não comprovado pelo contribuinte a duplicidade em relação às informações prestadas, deve ser mantido o lançamento em relação aos valores recebidos de pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (24/03/2014), em substituição ao Presidente Antonio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (24/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALUGUÉIS Não comprovado pelo contribuinte a duplicidade em relação às informações prestadas, deve ser mantido o lançamento em relação aos valores recebidos de pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (24/03/2014), em substituição ao Presidente Antonio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (24/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 128 1 127 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.006711/0066 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.947 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2013 Matéria IRPF Recorrente CELSO VITAGLIANO PRADO VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALUGUÉIS Não comprovado pelo contribuinte a duplicidade em relação às informações prestadas, deve ser mantido o lançamento em relação aos valores recebidos de pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (24/03/2014), em substituição ao Presidente Antonio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (24/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 67 11 /0 0- 66 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10880.006711/0066 Acórdão n.º 2801002.947 S2TE01 Fl. 129 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “O contribuinte acima identificado, de posse do Auto de Infração de fls. 3 a 7, insurgese contra o lançamento nele consubstanciado, apresentando' petição de fls. 1 e 2, acompanhada dos documentos de fls. 8 a 24. O lançamento em foco, relativo ao imposto de renda pessoa física, exercício 1.998, anocalendário 1.997, majorou os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, alterandoos de R$ 20.012,85 (fl. 36) para R$ 35.075,85, bem como a dedução do respectivo imposto retido na fonte, alterandoa de R$; 1.370,58 (fl. 36) para R$ 2.417,58, majorando, ainda, o desconto simplificado, de R$ 4.002,57 para R$ 7.015,17, apurando, ao final, imposto suplementar de R$ 2.571,38 e multa de oficio de R$ 1.928,53. 3. Na impugnação interposta, o contribuinte requer seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração, alegando, em síntese, que: 3.1 "em 05/09/96, firmou, na condição de locador, contrato de locação com a empresa Interamericana Cia de Seguros Gerais, tendo sido fiadora a empresa American International Underwriters Representações S/A, CNPJ 33.040.965/000248 (fls. 9 e 51),ambas integrantes do Grupo Empresarial AIG de Seguros, sendo que os valores de aluguel contratados foram regularmente pagos, perfazendo, no anocalendário de 1.997, o montante de R$ 20.012,85, consoante, inclusive, Informe de rendimentos fornecido pela referida fonte pagadora; 3.2 surpreso com o auto de Infração, entrou em contato com o Departamento de contabilidade do Grupo AIG de Seguros, que informou terem sido os rendimentos de aluguel informados em duplicidade ao Fisco, ou seja, os mesmos valores foram informados como tendo sido pagos pela empresa Interamericana Cia de Seguros Gerais e, simultaneamente, pela empresa American International Underwriters; 3.3 ele, requerente, não tem nenhum outro relacionamento comercial com a empresa American International Underwriters, que não seja o fato desta ter sido fiadora no referido contrato de locação. 4. Em face dos argumentos expostos pelo contribuinte na peça impugnatória e a fim de propiciar as condições necessárias ao julgamento do presente processo, os membros da 6a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II, consoante Resolução DRJ/SPO II/ 6 Turma n° 51 (fls. 52 a 54), resolveram, por unanimidade de votos, encaminhar o processo à Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10880.006711/0066 Acórdão n.º 2801002.947 S2TE01 Fl. 130 3 DICAT/DERAT/SP, para que intimasse a empresa American International Underwriters Representações S/A, CNPJ 33.040.965/000248 (fl. 51), a fim de que fornecesse os seguintes esclarecimentos: a) se havia pago algum tipo de rendimento, no anocalendário de 1.997, a Celso Vitagliano Prado Vieira, CPF 664.538.28804; b) em caso afirmativo, que informasse a natureza dos rendimentos, seus valores, bem como o correspondente imposto retido na fonte. 5. A filial e a matriz da referida empresa foram intimadas, respectivamente, em São Paulo (fls. 56 e 57) e no Rio' de Janeiro (fls. 59 e 59verso), não havendo qualquer manifestação da empresa a respeito, razão pela qual a Autoridade Julgadora, à fl. 61, requisitou à DEFIC/RJ, que diligenciasse junto à empresa American International Underwriters Representações S/A, no sentido de esclarecer se essa empresa, no anocalendário de 1.997, havia pago rendimentos ao contribuinte, e, em caso afirmativo, que informasse a natureza dos rendimentos, seu valor, bem como o 'do imposto retido na fonte, tendo sido anexado aos autos, em decorrência do procedimento fiscal requisitado, os documentos de fls. 62 e 63.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa IRPF Anocalendário: 1997 Ementa: MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Comprovado que o contribuinte recebeu os rendimentos de aluguéis que foram objeto de inclusão no lançamento, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoas jurídicas, bem como da dedução do correspondente imposto retido na fonte. Lançamento Procedente.” Às fls. 75/79, recurso voluntário do contribuinte reiterando os argumentos já suscitados em sede de impugnação. Às fls. 95/97, decisão da Primeira Turma Especial da Segunda Seção concluindo pela necessidade de conversão do feito em diligência para se determinar o retorno dos autos à repartição de origem a fim de que a AMERICAN INTERNATIONAL UNDERWRITERS REPRESENTAÇÕES S/A, portadora do CNPJ 33.040.965/000167, fosse intimada a esclarecer se celebrou contrato de locação com o CELSO VITAGLIANO PRADO VIEIRA, para o período de 05.09.1996 a 04.03.1999, devendo juntar cópia autenticada do respectivo instrumento contratual, tendo em vista a informação datada de 04 de novembro de 2003, prestada às fls. 63, em resposta à intimação 1970/2003, de que "no ano de 1997 houve Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10880.006711/0066 Acórdão n.º 2801002.947 S2TE01 Fl. 131 4 pagamentos para CELSO VITAGLIANO VIEIRA no montante de R$ 15.063,00 tendo como IRRF R$ 1.047,00, decorrentes de aluguéis". Às fls. 104/106, manifestação do contribuinte acerca da diligência em evidência. Devidamente intimada, a empresa não apresentou manifestação, após foi intimado o contribuinte, que apresentou manifestação de fls. 104/112. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração originário de procedimento de revisão de declaração referente ao anocalendário de 1997, Exercício 1998, para inclusão de Oficio de rendimentos que o contribuinte teria recebido da sociedade AMERICAN INTERNATIONAL UNDERWRITERS REPRESENTAÇÕES S/A, no Montante de R$ 15.063,00, e não declarados. Para tanto, a Fiscalização baseouse na DIRF de fls. 33, onde consta que a empresa AMERICAN INTERNATIONAL UNDERWRITERS REPRESENTAÇÕES S/A, inscrita no CNPJ nº 33.040.965/000167, realizou o pagamento no montante acima mencionado ao Recorrente. Em diligência determinada pela primeira instância administrativa, aquela empresa confirmou a realização de tal pagamento. Em sua Impugnação e no Recurso Voluntário ora analisado, o Recorrente alega que jamais recebeu da mencionada empresa o valor acima mencionado, esclarecendo que a relação existente com a AMERICAN INTERNATIONAL UNDERWR1TERS REPRESENTAÕES SA. decorre do fato dela ser fiadora de dois contratos de locação celebrados com a INTERAMERICANA COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS, sendo ambas integrantes de um mesmo grupo econômico, denominado GRUPO EMPRESARIAL AIG DE SEGURO. Diante desses argumentos, já no âmbito desse Conselho de Contribuintes, determinouse nova intimação da AMERICAN INTERNATIONAL UNDERWR1TERS REPRESENTAÕES SA, de modo que ela confirmasse se efetivamente celebrou contrato de locação com o contribuinte. Devidamente intimada, quedouse silente. Observadas as provas colacionadas no processo, têmse, portanto, (i) DIRF da AMERICAN INTERNATIONAL UNDERWRITERS REPRESENTAÇÕES S/A indicando o pagamento de R$ 15.063,00 ao Recorrente; (ii) resposta a ofício emitido pela SRFB em que se corrobora o referido pagamento. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10880.006711/0066 Acórdão n.º 2801002.947 S2TE01 Fl. 132 5 Por outro lado, o Recorrente alega não ter recebido tal valor, mas deixa de juntar ao processo provas que poderiam ensejar na efetiva presunção de “não recebimento”, tais como cópias de seus extratos bancários. Em razão do exposto e com base nas provas que se encontram disponíveis para análise, deve ser mantida a autuação fiscal. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.011681/2009-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2403-002.585
Decisão:
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.011681/200984 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.585 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VITRAN TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 16 81 /2 00 9- 84 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011681/200984 Acórdão n.º 2403002.585 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.902 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados a seu serviço no prazo definido na legislação previdenciária. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. ADESÃO AO PAT. 0 valor da ALIMENTAÇÃO fornecida in natura a empregados por empresa não inscrita no Programa de ALIMENTAÇÃO do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. DECISÕES JUDICIAIS. As DECISÕES JUDICIAIS, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às DECISÕES proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. JUROS. TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE CAPITALIZAÇÃO. MULTA. Os juros são calculados pela taxa SELIC, na forma prevista pela legislação, não havendo a incidência de juros sobre juros. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a juros e multa, ambos de caráter irrelevável. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O DOMICÍLIO tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 42 a 48, referese à contribuição. destinada à Seguridade Social, parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre remuneração paga a segurados empregados, no período de 01/2004 a 12/2004. A notificada forneceu alimentação a seus empregados, sem que estivesse devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) instituído pela Lei 6.321, de 1976, no período do lançamento, condição necessária para que não haja incidência de contribuições sobre os valores dispendidos a esse titulo, conforme artigo 28, § 9 0, alínea "c", da Lei 8.212, de 1991. Informa a fiscalização que o contribuinte não se recadastrou no programa, como previsto na Portaria 66, de 19/12/2003, posteriormente alterada pela Portaria de n° 81, de 27/05/2004, razão porque teve seu registro no PAT cancelado. Foram examinados durante a ação fiscal, os seguintes documentos, Folhas de pagamento, Guias de Recolhimento (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social — GFIP, parcelamentos, contratos sociais, documentos contábeis e livros diário e razão. Os valores relativos ao presente lançamento não foram declarados pela empresa em GFIP (item 13, fls. 44). A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal no 0610100.2008.00749, Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, fls. 33/34, Termos de Intimação Fiscal, fls. 35 a 39, tendo sido encerrada em 02/07/2009, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 40/41. Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$118.943,26 (cento e dezoito mil novecentos e quarenta e três reais e vinte e seis centavos). A empresa teve ciência da autuação, em 24/07/2009, fls. 82, e apresentou impugnação, em 20/08/2009, fls. 86 a 98. Diz ser tempestiva a impugnação apresentada. Aduz que as ilegalidades dos débitos lançados estão detalhadas nos itens 4.1 e seguintes da peça impugnatória. Porém, no item III — QUESTÃO PRELIMINAR, por entender importante, destaca características que norteiam a Administração Tributária na relação fiscocontribuinte, na busca de uma reforma na mentalidade dos atores envolvidos na indevida polarização dessa relação que é marcada por um combate de interesses negativamente competitivo. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011681/200984 Acórdão n.º 2403002.585 S2C4T3 Fl. 4 5 Quanto ao mérito, alega: É indevida a exigência de contribuição previdência sobre o fornecimento de alimentação in natura ao trabalhador, sendo prescindível sua inscrição no PAT, como já pacificado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. E exorbitante o valor das multa lançada, bem como é ilegal a capitalização de juros. A capitalização mensal dos juros só é admitida quando grevista em lei, além de ser incompatível com o artigo 591 do Novo Código Civil. Impugna o valor da multa aplicada ao percentual de 75%, devendo a mesma ser reduzida ao montante de 20%. Requer: Sejam consideradas as questões preliminares postas nos itens 3.1 e seguintes; Seja reconhecido como nulo ao auto de infração; Seja a presente impugnação julgada em conjunto com as impugnações relacionadas ao mesmo procedimento fiscal (37.266.1221, 37.203.8573, 37.203.858 1, 37.266.1248 e 37.266.1256); A exclusão dos juros ilegalmente capitalizados, bem como, a redução da multa ao patamar de 20%; Seja o resultado do julgamento endereçado ao signatário da impugnação. Acrescenta que provará o alegado por meio de provas documentais, periciais e testemunhais, bem como pela juntada de novos documentos. Requer como meio de prova, a exibição de documentos ou coisa. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · a fiscalização realizada padece de erro material e vicio de legalidade · segundo entendimento pacificado pelos Tribunais pátrios, não incide contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação IN NATURA esteja ou não o empregador inscrito no PAT · incidência só ocorreria se o pagamento fosse em pecúnia. · afigurase açodada e equivocada a lavratura do AI objeto destes autos e, também, dos demais acima citados. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · Requer que a multa aplicada se limite a 20%. · requer seja este recurso julgado em conjunto com os outros relacionados aos processos da mesma natureza: 15504.011.678/2009 61 (AI DEBCAD 37.203.8573); 15504.011.680/200930 (AI DEBCAD 37.203.8581); 15504.011.681/200984 (AI DEBCAD 37.226.1221); 15504.011.683/200973 (AI DEBCAD 37.2261248); 15504.011684/200918 (AI DEBCAD 37.2261256). É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011681/200984 Acórdão n.º 2403002.585 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a autuação deuse por a empresa ter fornecido alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. B) FATOS GERADORES 3 Os créditos apurados no presente Auto de Infração referem se a fornecimento de alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e não declaradas em GFIP. C) RAZÕES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 4 A Lei 8212/91 definiu o salário de contribuição como: ... 5 Nos termos da Lei 8.212/91, podese concluir que é necessário que a empresa instituidora de auxílioalimentação para seus empregados tenha o respectivo programa aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, participando do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, para que estas parcelas deixem de integrar o saláriodecontribuição. 6 Solicitada a apresentar o comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF no 001, datado de 18 de março de 2009, foi apresentado comprovante de adesão efetuado em 2002 e nova adesão em 12/12/2007. 7 No ano de 2004 foi efetuado um recadastramento das empresas beneficiárias e fornecedoras do PAT, conforme portaria no. 66 de 19/12/2003, posteriormente alterada pela portaria n. 81 de 27/05/2004. 0 não recadastramento no programa no prazo estipulado implica no cancelamento automático do registro ou inscrição. Como o contribuinte não efetuou esse recadastramento, somente realizando nova Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 inscrição em 2007, concluímos que no ano de 2004 a empresa não estava inscrita no PAT. 8 Restou então à fiscalização considerar a alimentação fornecida por ela a seus empregados como salário de contribuição, uma vez que, para gozar da isenção previdenciária oriunda de Programas de Alimentação ao Trabalhador, ela deveria estar inscrita no PAT, como acima exposto. A recorrente afirma que a alimentação fornecida foi in natura e que há entendimento pacificado pelos Tribunais pátrios que não incide contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação in natura esteja ou não o empregador inscrito no PAT. A incidência só ocorreria se o pagamento fosse em pecúnia. A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011681/200984 Acórdão n.º 2403002.585 S2C4T3 Fl. 6 9 ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 314DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006281/2008-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO
Não há litígio sobre a matéria com a qual o contribuinte expressamente manifesta concordância, mantendo-se a decisão de primeira instância, nesses pontos.
DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. MATÉRIA FÁTICA. ERRO DA FONTE PAGADORA.
Verificado o equívoco da fonte pagadora, a partir dos documentos e alegações apresentados pela Recorrente, é de ser cancelada a infração de omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração relativa à omissão de rendimentos no valor de R$ 16.453,20, nos termos do voto do Relator,
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO Não há litígio sobre a matéria com a qual o contribuinte expressamente manifesta concordância, mantendose a decisão de primeira instância, nesses pontos. DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. MATÉRIA FÁTICA. ERRO DA FONTE PAGADORA. Verificado o equívoco da fonte pagadora, a partir dos documentos e alegações apresentados pela Recorrente, é de ser cancelada a infração de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração relativa à omissão de rendimentos no valor de R$ 16.453,20, nos termos do voto do Relator, Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 62 81 /2 00 8- 43 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11080.006281/200843 Acórdão n.º 2801003.521 S2TE01 Fl. 352 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Em desfavor da contribuinte recorrente foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativa ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Observase que no demonstrativo de apuração do crédito tributário não se verificou imposto suplementar a pagar, existindo apenas redução de saldo de imposto a restituir. (fl. 13) Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à revisão da DIRPF/05 apurou, em suma: 1 dedução indevida com despesas de instrução; 2 dedução indevida com despesas médicas; 3 – omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de PJ, e 4 – compensação indevida de imposto retido na fonte. (fls. 09 a 12) Cientificada do procedimento fiscal e inconformada, a contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 02, que, conhecida pela DRJ/Porto Alegre foi, em resumo, assim tratada (fl. 326): 1 – Em Relação às despesas com instrução, asseverou a inexistência de previsão para dedução de despesa relativa a “curso de extensão”, assentando que somente as despesas com “curso de especialização” são passíveis de dedução. Por tais razões, a glosa dessa despesa deve ser mantida. 2 O contribuinte apresentou “demonstrativo de mensalidades pagas para imposto de renda ano base 2004”, emitido pela Golden Cross, no qual consta que o contribuinte pagou o valor de R$ 5.010,36 relativos a despesas próprias e dos dependentes. Considerando que a glosa importou no valor de R$ 5.085,23, manteve a parcela não comprovada no valor de R$ 74,87. 3 A fiscalização informa às fls. 11, ter apurado omissão de rendimentos no valor de R$ 16.453,20, com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.039,68, fonte pagadora Master Feiras Eventos e Promoções Ltda. O contribuinte alega que o referido aluguel foi pago pela empresa Palácio dos Enfeites Ltda. Ocorre que a empresa Master Feiras Eventos e Promoções Ltda informou por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF ter pago ao contribuinte a título de aluguéis e royalties a importância de R$ 16.453,20 com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.039,68. Perante a Receita Federal do Brasil deve prevalecer a informação prestada pela fonte pagadora através da DIRF e manteve a omissão apurada. 4 Quanto ao imposto de renda retido na fonte, o contribuinte informou R$ 569,14. Apenas uma imobiliária informou a retenção do imposto de renda, no valor de R$ 309,83. Assim sendo, deve ser mantida a glosa da parcela não comprovada no valor de R$ 259,31. Dessa feita, deuse a decisão recorrida para considerar a impugnação procedente em parte e, elaborando novo demonstrativo de apuração (fl. 331), reconhecer em parte o direito creditório pleiteado. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11080.006281/200843 Acórdão n.º 2801003.521 S2TE01 Fl. 353 3 Parcialmente insatisfeita, a contribuinte apresentou recurso voluntário, onde assim manifesta sua insatisfação apenas em relação á infração identificada como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, concordando com os demais pontos tratados pela primeira instância. Assim, não recorre da glosa de dedução com despesas com instrução, da pequena glosa mantida em relação ao valor das despesas médicas dedutíveis e da decisão em relação à compensação de imposto de renda retido. Explica que celebrou contrato de aluguel de imóvel situado na Rua Vigário José Inácio, nº 274 com a empresa Palácio dos Enfeites, tratandose de contrato bastante antigo. Usou o informativo fornecido pela imobiliária para fazer sua DIRPF. Contudo, outra empresa, pertencente ao mesmo grupo empresarial, Máster Eventos, foi quem informou o valor pago em DIRF. Solicita que seja observado que tratamse dos mesmos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 24/02/2012 (AR na fl. 333) e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 19/03/2012 (protocolo fl. 335). O recurso é tempestivo e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. O recurso é parcial, conforme relatado. Trataremos então somente da parte expressamente questionada, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 MÉRITO Entendo que a questão controversa seja matéria fáticoprobatória, sendo desnecessário discorrer sobre a legislação envolvida, para solucionar a lide. Na folha 78, consta o extrato do sistema da RFB onde estão listadas as fontes e respectivos rendimentos informados para esta contribuinte, no ano de 2004. CNPJ REND. IRRF 00147347/000161 3208 16.453,20 1.039,68 02997871/000157 3208 3.400,00 192,60 02808708/000107 5706 1.592,83 238,92 92689256/000176 5706 6.550,26 982,51 30822936/000169 6800 47.763,24 9.552,36 30822936/000169 6800 760,57 152,10 30822936/000169 6800 273,15 54,61 60746948/000112 5706 15.652,99 2.347,88 00000000/000191 8053 63.127,97 12.624,80 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11080.006281/200843 Acórdão n.º 2801003.521 S2TE01 Fl. 354 4 Na descrição dos fatos, fl. 11, a Fiscalização apontou omissão do rendimento declarado pela fonte de CNPF 00.147.347/000161, Máster Feiras Eventos e Promoções Ltda, a primeira listada acima. Na sua DIRPF (fl.70), a contribuinte informou ter recebido rendimentos de Palácio dos Enfeites Ltda, CNPJ 92.856.285/000185, no importe de R$ 15.630,54, com retenção na fonte de R$ 1.039,68. Observo, mais uma vez da lista supra transcrita, que não consta informação em DIRF de que tenham sido recebidos rendimentos dessa empresa. A decisão recorrida tratou de esclarecer que (fl. 330): ... o contribuinte declarou rendimentos recebidos do Palácio dos Enfeites Ltda, CNPJ 92.856.285/000185, no valor de R$ 15.630,54, e imposto de renda retido na fonte R$ 1.039,68. A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB emitida pela administradora do imóvel, informou rendimentos de aluguel no valor de R$ 16.453,20, e comissão de R$ 822,66, restando o valor líquido a ser declarado de R$ 15.630,54 conforme constou na Declaração de Ajuste Anual. ...”(destaquei) Ora, esse rendimento, exatos R$ 16.453,20, é o valor reputado como omitido, conforme a DIRF entregue por Máster Feiras e Eventos, não havendo, repito, igual valor informado em DIRF por Palácio dos Enfeites. Concluo, enfim, que o valor foi declarado em DIRPF pela contribuinte, com informação do devido IRRF, ainda que tenha havido divergência entre a fonte ali informada e a DIRF Face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para ser cancelada a infração relativa â omissão de rendimentos no valor de R$ 16.453,20, mantendo, no mais, o decidido pela primeira instância, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13827.000923/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.434
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Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 09 23 /2 00 9- 36 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 220200.434, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 71 a 78, que reproduzo a seguir: “ANTONIO BASÍLIO, contribuinte inscrito no CPF/MF (...), inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 33/37, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fl. 41. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP, em 08/09/2009, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/07), com ciência através de AR, em 16/09/2009 (fl. 28), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 6.574,66 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, (...). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2006 onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.792,12, recebidos pelo titular. Omissão de rendimentos decorrentes da decisão da Justiça Federal, referente honorários advocatícios R$12.197,27, recibo PREV AS E SERV S/C LTDA. CNPJ 49.902.711/000140, (empresa não comprovou ter inscrição na OAB/SP, como sociedade de advogados),e IRRF= R$ 1.594,85 deduzido dos rendimentos. (Rendimentos declarados no CNPJ:29.979.036/000140 (INSS) e não da Caixa Econômica Federal. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; e arts. 43 e 45, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fls. 01/02, apresentada, tempestivamente, em 14/10/2009, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, solicitação de retificação de lançamento acima referida, foi deferida parcialmente, mas na nova notificação foram colocados os itens de omissão de renda dos honorários advocatícios e omissão de fonte pagadora; que, a fonte pagadora já foi corrigida na SRL anterior e os honorários advocatícios da PrevAssessoria e Serviços S/C Ltda., foram colocadas como abatimento de acordo com a legislação do Imposto de Renda, sendo assim as razões para modificar, inclusive anular o lançamento efetuado, conforme o contribuinte tem por lei através da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05/10/1988, artigo 5 ° . Inciso LV Principio do Contraditória e Ampla Defesa; que, em questão aos honorários advocatícios referente a PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., a empresa acima fez a Declaração Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 80 3 comprovando os valores recebidos do Sr. Antonio Basílio, bem como consta o CNPJ da empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., que no seu código de atividade econômica consta o código 69.11701 Serviços Advocatícios. Com base na Legislação do Imposto de Renda, no que consta no item 3, conforme documento em anexo, os valores recebidos acumuladamente; que, o rendimento tributável corresponde ao total recebido no mês, inclusive correção monetária e juros, excluídas apenas as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com Advogados, quando, pagas pelo contribuinte e não indenizadas. A qual é informada na Relação de Pagamentos e Doações efetuados, constando o nome, número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário e o valor relativo as despesas com ação judicial; que, quanto a omissão da fonte pagadora, neste caso não existe omissão pois houve erro na informação da fonte pagadora, mas corrigido logo em seguida com a Solicitação de Retificação de Lançamento, conforme informe de rendimento em anexo da Caixa Econômica Federal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, a impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972 e suas alterações posteriores. Portanto, dela se toma conhecimento; que o contribuinte informou na declaração de ajuste anual, como recebido do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ n° 29.979.036/000140, no anocalendário de 2006, o montante de R$ 46.094,21 (fl. 14); que, nesse valor estão incluídos os rendimentos de aposentadoria auferidos de janeiro a dezembro de 2006 (R$ 11.737,76, fl. 32) e a parte do valor pago pela Caixa Econômica Federal, em decorrência de decisão da Justiça Federal, que o contribuinte entendeu ser tributável (R$ 34.356,45); que de acordo com o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte de fl. 06, foi levantado pelo contribuinte, em março de 2006, o valor bruto de R$ 53.161,69, tendo sido retido na fonte o imposto de R$ 1.594,85; que, a fiscalização verificou que o contribuinte deduziu do valor tributável o imposto retido na fonte e ainda o compensou na apuração do saldo do imposto a pagar. Mantevese a compensação, porém, acresceuse o valor indevidamente deduzido do valor tributável; que, o interessado deduziu, ainda, do valor bruto percebido em virtude de ação judicial, o valor de R$ 5.013,12, correspondente a honorários advocatícios pagos à pessoa jurídica Belotto e Falcão Advogados Associados, CNPJ n° 03.418.996/000148, e o valor de R$ 12.197,27, pago à empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., CNPJ n° 49.902.711/000140 (documentos de fls. 08 a 10); que o Fisco acatou a dedução do valor de R$ 5.013,12, a titulo de honorários advocatícios, apurando o valor tributável de R$ 59.886,33 (= R$ 11.737,76 + R$ Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 53.161,69 — R$ 5.013,12) e, consequentemente, a omissão de R$ 13.792,12 (= R$ 59.886,33 — R$ 46.094,21); que, não foi aceita a dedução do valor pago à empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., em razão da falta de comprovação de sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como sociedade de advogados; que cingese o litígio ao pleito para que seja admitida tal dedução, uma vez que a referida empresa teria por atividade econômica a prestação de serviços advocatícios (código 69117/01); que observase que parte das atividades compreendidas no código "69117/01 Serviços Advocatícios" não é privativa de advogado; que, desse modo, sem a comprovação de que a empresa PREV ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA. é inscrita como sociedade de advogados e de que um de seus sócios atuou na ação judicial como patrono do contribuinte, não pode a importância paga a essa pessoa jurídica ser deduzida do valor tributável, por não restar caracterizada a necessidade despesa para a percepção dos rendimentos. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não pode ser deduzida do valor auferido em decorrência de ação judicial a importância paga a pessoa jurídica, a titulo de honorários advocatícios, sem a comprovação de que a empresa é inscrita como sociedade de advogados e de que um dos sócios atuou em juízo como patrono do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/04/2010, conforme Termo constante à fl. 40, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (29/04/2010), o recurso voluntário de fls. 41, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, sou uma pessoa leiga e não entendo de imposto de renda e nem mesmo o que pode ou não ser descontado, fiz minha declaração pessoa física exercício 2007 ano base 2006 e agora recebi o comunicado da receita federal que não poderia descontar o valor do recibo do advogado porque eu não tinha comprovante; que fiz o pagamento para a empresa: PREV. ASSESSORIA E SERVIÇOS LTDA. com CNPJ:49.902.711/000140 no valor de R$16.710,39 conforme declaração da mesma em anexo; que estou anexando o cartão do CNPJ da empresa onde explica que o ramo da atividade é serviços advocatícios; venho explicar que o valor que recebi referente verbas acumulativas, se fosse pago mensalmente não teria esse imposto; o advogado me informou que não é devido imposto nesse valor. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, tendo a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2202 00.434, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 81 5 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 71 a 78. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tratase de lançamento em razão da constatação de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, decorrentes de decisão da Justiça Federal, no valor de R$ 13.792,12, recebidos pelo titular. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 8 do processo digital, esse valor corresponde ao somatório das seguintes importâncias: a) R$12.197,27, referente à participação nos honorários, pagos pelo contribuinte à empresa PREV ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., conforme recibo de fls. 13, e conforme declaração firmada em conjunto com BELOTTO E FALCÃO ADVOGADOS ASSOCIADOS, fls. 14, atestando o pagamento dos “serviços prestados no ajuizamento e desenvolvimento de ação judicial, elaboração de cálculos, consultoria previdenciária e demais serviços indispensáveis para o sucesso da causa, tudo referente ao processo número 1999.61.17.0032604 17ª vara da Justiça Federal de JaúSP”; b) R$ 1.594,85, correspondente ao do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF deduzido dos rendimentos pagos em cumprimento da decisão judicial. O motivo que ensejou a fiscalização a não aceitar o recibo e a declaração acima mencionada residiu no fato de que “empresa não comprovou ter inscrição na OAB/SP, como sociedade de advogados”. Em relação ao assunto, convém que seja examinado o teor do art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001: “Art. 19. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial deve ser retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento no Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1º As importâncias descontadas em folha a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, não estão sujeitas à retenção na fonte, devendo o beneficiário da pensão efetuar o recolhimento mensal (carnêleão), se for o caso. § 2º Para fins da retenção do imposto, fica dispensada a soma dos rendimentos nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, tais como serviços de engenheiro, médico, contabilista, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. Portanto, ao contrário do que entendeu o julgador de primeira instância a remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial não se restringe apenas a “custas ou honorários periciais, ou relativas a honorários advocatícios”. Nesse sentido, observase do recibo e da declaração emitidos pela empresa citada que ficou atestado que o recebimento do valor de R$12.197,27 aconteceu em virtude dos serviços prestados no curso do processo judicial, dentre os quais destacouse “serviços prestados no ajuizamento e desenvolvimento de ação judicial, elaboração de cálculos, consultoria previdenciária e demais serviços indispensáveis para o sucesso da causa, tudo referente ao processo número 1999.61.17.0032604 17 0 vara da Justiça Federal de JaúSP” Uma vez conformarse à remuneração descrita no incido III, do art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, anteriormente transcrita, deverá ser o valor R$12.197,27 ser excluído da base tributável a titulo de omissão de rendimentos. Conforme mencionado, o contribuinte também deduziu dos rendimentos recebidos em cumprimento à decisão judicial o valor de R$1.594,85, correspondente ao IRRF descontado na liquidação da ação judicial. A esse respeito, contudo, nenhuma contestação específica foi apresentada pelo recorrente, razão pela qual deverá ser mantido o lançamento nesta parte. A título de observação, convém ressaltar que a matéria tratada nos presentes autos não pode ser atribuída a eventual rendimento recebido acumuladamente, diante da falta de indicação expressa dessa característica no corpo da Notificação de Lançamento. Além do mais, o recorrente não contestou a forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente; sequer instruiu os autos com elementos com a discriminação da natureza e dos períodos a que se referem as verbas que compuseram o rendimento bruto recebido, ônus que lhe competiria e de cujo não cumprimento decorre a preclusão. Concluise, pois, que diante situação fática dos autos torna inaplicável o entendimento expresso no Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em exame do recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 82 7 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11522.001951/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE -
Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso, devido à "bis in idem"; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da agravamento da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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AUTO DE INFRAÇÃO NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso, devido à "bis in idem"; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da agravamento da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 51 /2 01 0- 11 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001951/201011 Acórdão n.º 2301003.355 S2C3T1 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.34), da análise do Livro Razão dos anos de 2005 e 2006, constatouse que a autuada lançou, na conta contábil Rescisão contratual de trabalho, o valor global pago ao segurado demitindo, sem discriminar as rubricas que eram fato gerador de contribuição previdenciária, não as diferenciando daquelas indenizatórias, sobre as quais não incidem o tributo. Verificouse também, no Livro Razão de 2007, o registro na conta Férias, de parcelas integrantes (feiras normais, 1/3 de férias) e não integrantes do salário de contribuição (férias vencidas e proporcionais), e na conta Aviso Prévio, registro de aviso prévio indenizado, para o qual não há incidência da contribuição, juntamente com o trabalhado, que integra a base de cálculo do tributo. A autoridade fiscal concluiu, assim, que a empresa não discriminou os fatos geradores de contribuição previdenciária em determinadas contas contábeis, infringindo o inciso II, do art. 32, da Lei 8.212/91. O agente autuante esclarece que as informações detalhadas, bem como a documentação comprobatória da prática dolosa do contribuinte, encontramse no processo 11522.001798/201014, que discute o Auto de Infração principal. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi agravada tendo em vista a ocorrência da hipótese prevista nos incisos I e II do art. 290, do RPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.320, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 57), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 77), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Alega descabimento da multa regulamentar, argumentando que, não bastasse os valores lançados a título de multa de mora e de ofício, a autoridade fiscal lavrou, adicionalmente, outros 09 autos de infração, com a cobrança de multas isoladas, o que, segundo entende, possui efeito de confisco. Ressalta a peculiaridade da multa prevista na Lei 8.218/91, que não é calculada sequer sobre o valor do tributo que teria deixado de ser recolhido pelo contribuinte, mas sobre o faturamento, o que demonstra absoluta ausência de razoabilidade da penalidade aplicada. Observa que as diversas multas previstas nos arts 11 e 12, da Lei 8.218/91 não guardam qualquer parâmetro com as condutas que se pretende evitar, violando assim os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001951/201011 Acórdão n.º 2301003.355 S2C3T1 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência do direito de a autoridade cobrar créditos tributários relativos às competências anteriores a dezembro de 2005, a teor do disposto nos artigos 150, § 4o. Contudo, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a Santista Distribuições Ltda descumprido a obrigação acessória de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. A penalidade pela infração transcrita acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que se verificou que os fatos geradores das contribuições previdenciárias não foram registrados em títulos próprios da contabilidade. Ou seja, basta o não registro em título próprio da contabilidade de apenas um fato gerador da contribuição previdenciária e em uma única competência não alcançada pela decadência que estará configurada a infração.. Portanto, não há que se falar em decadência dos créditos lançados, já que ficou configurada infração em competências posteriores a 12/2005, ou seja, não alcançadas pela decadência prevista nos dispositivos legais citados pela recorrente. Ademais, no caso em tela, tratase de Auto de Infração, que é um lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional Assim, não há que se falar em decadência. No mérito, a recorrente insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou no processo principal, de nº 11522001798/201014,demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Contatase, ainda, que as irregularidades apontadas pela fiscalização foram cometidas de forma sistemática, em várias competências, caracterizando, assim, uma prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores, numa clara tentativa de elidir o tributo devido. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. A recorrente tenta demonstrar, ainda, que a cobrança de multa isolada com a lavratura de 09 autos de infração caracteriza confisco. Entretanto, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cumpre esclarecer que a vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento, mas, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001951/201011 Acórdão n.º 2301003.355 S2C3T1 Fl. 86 7 A penalidade aplicada por meio do AI em tela, bem como sua gradação, encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Todos os autos citados pela recorrente em seu recurso, foram lavrados ou por falta do cumprimento de obrigação principal, como também por descumprimento de obrigações acessórias. E se foram lavrados 09 com a cobrança de multa isolada, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias e, para cada uma delas, a Lei estabelece uma penalidade. Observase que em nenhum momento de seu recurso a recorrente negou que tenha deixado de registrar em títulos próprios de sua contabilidade, ou seja, em contas separadas, as rubricas que eram fato gerador de contribuição previdenciária e aquelas indenizatórias, sobre as quais não incidem o tributo. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O auto foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de registrar, em títulos próprios de sua contabilidade, ou seja, em contas separadas, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, consoante à determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91. Assim, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para esse tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Conforme o relatório fiscal, tratase de auto de infração lavrado em razão da empresa ter deixado de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99) 2. Ocorre que a infração ora em tela, no meu entendimento, já foi devidamente punida com a emissão dos demais autos de infração e, assim, não poderia ser novamente castigada pelo descumprimento de obrigação acessória. No caso a empresa já foi sancionada em outro auto de infração da mesma ação fiscal por não ter preparado folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. 3. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública”. (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores) 4. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001951/201011 Acórdão n.º 2301003.355 S2C3T1 Fl. 87 9 evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 5. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76 onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 6. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 7. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser media não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 8. E no caso concreto, entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. 9. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 10. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termo: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 11. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279) 12. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. 13. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 14. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 15. Feitas tais considerações, voto pelo provimento do recurso voluntário, por entender que o auto de infração lavrado não subsiste. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001951/201011 Acórdão n.º 2301003.355 S2C3T1 Fl. 88 11 CONCLUSÃO 16. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015586/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 55 86 /2 00 7- 18 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10380.015586/200718 Acórdão n.º 9202004.660 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903614/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 18/01/2006
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 18/01/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 14 /2 01 2- 40 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903614/201240 Acórdão n.º 3402003.584 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.956, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903614/201240 Acórdão n.º 3402003.584 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903614/201240 Acórdão n.º 3402003.584 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903614/201240 Acórdão n.º 3402003.584 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903614/201240 Acórdão n.º 3402003.584 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720345/2009-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 45 /2 00 9- 08 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720345/200908 Acórdão n.º 9202004.039 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720345/200908 Acórdão n.º 9202004.039 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720345/200908 Acórdão n.º 9202004.039 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720345/200908 Acórdão n.º 9202004.039 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720345/200908 Acórdão n.º 9202004.039 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720345/200908 Acórdão n.º 9202004.039 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11444.001485/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer aos deveres instrumentais estabelecidos em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei nº 9.424/1996.
SESC E SEBRAE
As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE.
INCRA. EMPRESAS URBANAS.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.227
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para limitar a multa a 20%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Assinado Digitalmente
Carlos Cesar Quadros Pierre - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOCORRÊNCIA. A imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer aos deveres instrumentais estabelecidos em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei nº 9.424/1996. SESC E SEBRAE As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE. INCRA. EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 14 85 /2 00 8- 11 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para limitar a multa a 20%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Assinado Digitalmente Carlos Cesar Quadros Pierre Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Tratase auto de infração lavrado em decorrência do descumprimento da obrigação tributária principal relativa às contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE), DEBCAD 37.138.1630, no valor de R$ 2.961,813,79. De acordo com a fiscalização, a autuação decorre da expedição do ato cancelatório de isenção das Contribuições Sociais – Ato Declaratório Executivo DRF/MRA 51, de 28/12/2007, com efeitos a partir de 01/08/2003. A autoridade fiscal efetuou a análise das Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 991 3 folhas de pagamento, recibos e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O lançamento ocorrido, mesmo com a suspensão da exigibilidade, representa ofensa à imunidade da entidade, visto as conseqüências geradas não só na esfera tributária, mas também nos campos contábil/fiscal, financeiro, comercial e trabalhista. Discorre acerca das características da imunidade. São ilegais e inconstitucionais as contribuições destinadas ao Salárioeducação, SESC, SEBRAE e INCRA, destacandose não ser sujeito passivo das duas últimas por não se enquadrar como micro ou pequena empresa (SEBRAE) e ser empresa urbana (INCRA). Tendo sido o lançamento efetuado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não cabe acréscimos a título de juros e multa. É confiscatória a multa aplicada. A contribuição lançada foi devidamente declarada em GFIP, cabendo a redução prevista no artigo 35, parágrafo 4o. da Lei 8.212/91. Cabível a aplicação da multa mais benéfica em decorrência da alteração legislativa introduzida pela Medida Provisória 449/2008 que remete à multa limitada a 20% prevista no artigo 61, parágrafo 2o., da Lei 9.430/96. É inconstitucional a taxa SELIC. Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a produção das provas admitidas, tais como documentais, testemunhais e outras que se mostrem necessárias. A 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas transcritas: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o ato de lançamento, inclusive com a aplicação de multa e juros moratórios, exceto nos casos em que a legislação exclua a incidência dos acréscimos legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 SEBRAE. É devido o adicional de contribuição ao SEBRAE pelas empresas contribuintes do SENAI, SENAC, SESI e SESC. INCRA. É devida a contribuição ao INCRA, ainda que a empresa exerça atividade de natureza urbana. CONTRIBUIÇÕES INFORMADAS EM GFIP. REDUÇÃO DA MULTA. INFORMAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Cabível a redução de 50% da multa conforme previsto no parágrafo 4o. do artigo 35 da Lei 8.212/91 para as contribuições declaradas em GFIP, não bastando para a concessão da redução legal a informação em referido documento declaratório da remuneração dos segurados quando o código FPAS informado importa na não declaração das contribuições em questão. MULTA APLICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. SITUAÇÃO MAIS BENÉFICA AO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DESCABIMENTO. Em se tratando de lançamento de ofício, a multa prevista na legislação superveniente ao lançamento não se caracteriza como mais benéfica ao sujeito passivo não sendo o caso de sua aplicação retroativa. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora e ao atendimento, por parte de seu requerente, dos requisitos previstos na legislação Lançamento Procedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 14/07/2009, fl. 148, e apresentou recurso voluntário em 12/08/2009 (fl. 149/219), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. O processo em apreço foi colocado em pauta de julgamento e os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio da Resolução nº 2301 000.184, resolveram converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas as providências estipuladas no artigo 234 da Instrução Normativa nº 971/2009. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marília/SP, por meio do Memorando MF/RFB/DRF Marília/SP/SAFIS/EFI3, de 05/02/2013, fl. 231, realizou a diligência proposta, verbis: Em atenção à Resolução nº 2301000.184 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 223/225), foi designada a realização de diligências junto ao sujeito passivo, conforme MPFD nº 08.1.18.002012009152, a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 992 5 fim de verificar o cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção, conforme dispõe o art. 234 da Instrução Normativa IN RFB nº 971 de 13 de novembro de 2009. 2. Realizadas as diligencias foi lavrada a Informação Fiscal que, acompanhada de anexos, foi juntada às fls. 358/423 do processo nº 11444.000797/200727, que trata da Isenção das Contribuições Previdenciárias, no qual há recurso pendente de julgamento pelo CARF, contra o Ato Declaratório Executivo nº DRF/MRA nº 51, de 28/12/2007, de fls. 302, que cancelou a isenção das contribuições sociais a partir de 01/08/2003. 3. O sujeito passivo foi cientificado da Informação Fiscal lavrada em decorrência das diligencias realizadas e, no prazo concedido de 30 dias, apresentou as suas manifestações que foram juntadas às fls. 427/475 do referido processo. 4. Em razão do cancelamento da isenção e o conseqüente lançamento dos créditos tributários, há diversos processos com recursos tramitando junto ao CARF, razão pela qual não apensamos ao presente o processo nº 11444.000797/200727, mas, em face da afinidade, realizamos a sua vinculação a todos os processos de crédito tributário e estamos Encaminhandoo à Turma Especial/3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, concomitantemente baixou o processo de isenção também em diligência, conforme Despacho nº 280315 de fls. 350/351, do referido processo. 5. Assim, retorne o presente à 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo ao descumprimento da obrigação tributária principal das contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE), conforme DEBCAD 37.138.1630, lavrado em 17/11/2008. De acordo com a autoridade fiscal, a autuação decorre da expedição do ato cancelatório de isenção das Contribuições Sociais – Ato Declaratório Executivo DRF/MRA 51, de 28/12/2007, com efeitos a partir de 01/08/2003. Para fins de constituição da exigência, a autuante procedeu à análise das folhas de pagamento e respectivos recibos e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. Pois bem, relativamente à alegação de impossibilidade de lavratura do auto de infração em razão da imunidade, entendo que a afirmação é estéril e não merece prosperar. Na verdade, a imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer as Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 obrigações instrumentais estabelecidas em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta. Portanto, constatado o descumprimento pela contribuinte dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil lavrar o competente auto de infração relativo ao período correspondente, nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, mormente porque o lançamento ficará dependente do desfecho do processo da isenção/imunidade. Quanto à alegação de consequências geradas pelo lançamento realizado nessas circunstâncias, além das explicações e conceituação atinentes à imunidade, esposadas na peça recursal, penso que devem ser rejeitadas. A lavratura do auto de infração está amparada pelo princípio da legalidade, fundamentalmente porque o lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, consoante determina o Código Tributário Nacional (CTN) no seu art. 142, parágrafo único. Ademais, conforme abordado anteriormente, a imunidade não é ampla nem absoluta. Constatado o descumprimento dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento. No que toca à alegação de que o crédito tributário deveria ser lavrado sem a incidência dos juros e da multa, cumpre esclarecer que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio (acrescidos dos juros correspondentes). Nesse caso, como o crédito tributário encontrase dependente do desfecho do processo de isenção/imunidade, como bem pontuou a própria recorrente em seu apelo, não será objeto de cobrança enquanto perdurar essa suspensão. Ademais, o art. 151, III, do CTN não prevê a exclusão da multa e dos juros quando da interposição do recurso administrativo. Sobre a alegação de que a autoridade administrativa devese manifestar sobre a constitucionalidade de leis, impende esclarecer que não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343/2015), a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada. Rejeitamse, assim, as suscitadas preliminares. SALÁRIO EDUCAÇÃO Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 993 7 A contribuição social do salário educação está prevista no artigo 212, §5º, da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/1996 e 9.766/1998 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Em razão de diversas alegações de inconstitucionalidade o Procurador Geral da Republica ajuizou, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. Em razão do entendimento do Supremo Tribunal Federal, foi publicada a Súmula nº 732 pacificando entendimento sobre a constitucionalidade da cobrança do salário educação: Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Pelo que se vê, é totalmente constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, portanto, não pode o CARF afastar sua aplicação. SEBRAE No que tange à obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SEBRAE, especificamente às entidades que não se enquadram no conceito de micro e pequena empresa, verificase que o Supremo Tribunal Federal (STF), em processo com repercussão geral reconhecida, considerou devida a contribuição pelas empresas prestadoras de serviço, já que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte: Transcrevese o RE n° 635.682/RJ: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, 05/2013) Isso posto, é devida a cobrança das contribuições sociais destinadas ao SEBRAE. SESC/SENAC No que tange à obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESC e SENAC, especificamente às entidades não comerciais, a jurisprudência Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 do Superior Tribunal de Justiça está pacificada no sentido de que as empresas prestadoras de serviço devem recolher contribuição para o SESC e para o SENAC, já que enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, jurisprudências do STJ (AGREsp no 438.724/DF, 1a Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 17/03/2003; REsp no 449.786/RS, 2a Turma, Min. Milton Francisco Peçanha Martins, DJ de 10/03/2003; REsp no 431.347/SC, 1a Seção, Min. Luiz Fux, DJ de 25/11/2002; RESP no 642.338/PE, 2a Turma, Min. Castro Meira, DJ de 30/03/06; RESP no 612.281/SC, 1a Turma, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 23/05/05), além da Súmula 499: As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social. (DJe mar/2013) Portanto, a recorrente, na condição de empresa prestadora de serviço, deve recolher as contribuições destinadas ao SESC e SENAC. INCRA Sobre a contribuição ao INCRA, verificase que sua natureza é de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE), ou seja, visa beneficiar toda a sociedade e não apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível sua vinculação direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). O próprio Supremo Tribunal Federal já analisou a questão, se posicionou acerca da constitucionalidade da referida exação e entendeu ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches) Dessarte, igualmente devida a contribuição ao INCRA. MULTA/RETROATIVIDADE BENIGNA Em outra passagem alega a suplicante que o parágrafo 4°, da antiga redação do artigo 35, da Lei n° 8.212/1991 determina que, na hipótese em que tenha o sujeito passivo da contribuição social informado em GFIP a ocorrência dos fatos geradores da exação, aplica se a redução de 50% da multa lançada. Assim, assevera a recorrente que “Ora, no caso em apreço, a contribuição lançada por meio da lavratura do presente, foi devidamente informada em GFIP. Não houve, destarte, qualquer distorção das informações contidas em folha de pagamento, que pudessem importar em redução da base de cálculo da contribuição em GFIP”. Sobre a matéria supra, sem querer ser repetitivo, reproduzo os bem lançados fundamentos do relator singular que analisou a questão: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 994 9 Quanto à pretensão de redução da penalidade em 50% em decorrência da aplicação do disposto no artigo 35, parágrafo 4o. da Lei 8.212/91 na redação então vigente, a mesma não merece prosperar. Isso porque, mesmo tendo inserido nas GFIP as remunerações dos segurados a seu serviço, ao considerarse beneficiária da isenção a que faz jus as entidades beneficentes de assistência social e preencher referidos documentos declaratórios com o código FPAS 6391 fato confirmado no sistema informatizado institucional a impugnante deixou de declarar as contribuições referentes ao presente AI (destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros), posto tal código FPAS referir se a entidades isentas destas contribuições. (grifei) De fato, para fazer jus à redução de 50% da multa prevista no dispositivo legal mencionado, não basta informar em GFIP a remuneração dos segurados, fazendose necessária também a declaração das contribuições devidas, com o correto preenchimento da GFIP quanto a este aspecto. No que tange ao pedido de redução da multa aplicada em decorrência da alteração legislativa trazida pela Medida Provisória 449/2008, que importaria no enquadramento no artigo 61, parágrafo 2o da Lei 9.430/1996, o qual prevê multa limitada a 20%, impende esclarecer que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/1991, estavam ali descritas duas multas, ou seja, a multa de mora e a multa de ofício. A primeira, cobrada com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. A última, cobrada quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Portanto, a análise acerca de eventual retroatividade benigna, consoante dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), deve ser efetuada mediante comparação da redação da Lei nº 8.212/1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No presente caso, foram aplicadas multas de 30% e, como as multas por descumprimento de obrigações principal e acessório deve ser limitada a 75% (parágrafo 2o da Lei 9.430/1996), não resta caracterizado a hipótese ensejadora da retroatividade da legislação superveniente contemplada no artigo 106, II, “c” do CTN. Sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Conselho Administrativo declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, supracitada. 1 FPAS 639 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, com isenção requerida e concedida pela Previdência social, inclusive aquela transformada em entidade de fins econômicos na forma do artigo 7o. da Lei 9131/95, no período de pagamento parcial das contribuições patronais, nos termos do art. 13 da Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante a todo o exposto, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão da aplicação da multa de mora. No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001485/200811 Acórdão n.º 2201003.227 S2C2T1 Fl. 995 11 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. No presente caso, a multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para limitar a multa de mora a 20%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10805.723215/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO.
Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO.
Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado - da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional - por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos - ostentam características de benefício.
Numero da decisão: 2201-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar: i) a exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) a exclusão dos valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira quanto ao reembolso pneu.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO. Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado - da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional - por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos - ostentam características de benefício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar: i) a exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) a exclusão dos valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira quanto ao reembolso pneu. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO. Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos ostentam características de benefício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 32 15 /2 01 3- 13 Fl. 2922DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar: i) a exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) a exclusão dos valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira quanto ao reembolso pneu. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros Da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e contribuintes individuais, além das devidas a outras entidades e fundos. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 25 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.044.8917, no valor de R$ 6.284.325,12, atualizado até novembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. · Auto de Infração Debcad n° 51.044.8925, no valor de R$ 1.578.807,81, atualizado até novembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição devida aos terceiros sobre os valores pagos aos segurados empregados. · Auto de Infração Debcad n° 51.044.8933, no valor de R$ 11.280,00 atualizado até novembro de 2013, referente multa por omissões e incorreções na GFIP. Fl. 2923DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.923 3 · Auto de Infração Debcad n° 51.054.1208, no valor de R$ 1.717,38 atualizado até novembro de 2013, referente multa por não incluir todos os segurados em folha de pagamento. · Auto de Infração Debcad n° 51.054.1216, no valor de R$ 17.173,58 atualizado até novembro de 2013, referente multa por não contabilizar em títulos próprios. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro a dezembro de 2009. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do sujeito passivo em 14 de novembro de 2013 (fls. 1924). Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 1931), tempestivamente. A 5ª Turma da DRJ Brasília, por unanimidade, por meio do Acórdão 03 62.889 (fls. 2627), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 25/55, foram observadas as seguintes situações: V Dos Programas de PLR. A auditoria fiscal apos tecer as considerações sobre a legislação que disciplina a participação nos lucros elencou algumas irregularidades relativas aos acordos coletivos de participação nos resultados, separadamente por estabelecimentos da empresa. VIDo Estabelecimento de Santo André. A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Afins de São Paulo e região, estado de São Paulo, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 1°de junho de 2008, com vigência de 1º de janeiro de 2008 até 31 de maio de 2010. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa e mais uma quantia diferenciada. Ainda nesta Cláusula Quarta, item 4, estabelece que empregados lotados nas áreas de Marketing, Trade Marketing, Call Center, Exportação, Regionais São Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Curitiba receberão valores diferenciados, sem indicar quais são os valores. Por meio da Cláusula Nona, pretendese a submissão dos pagamentos aos termos previstos na Lei no 10.101/200 visando à obtenção do tratamento fiscal dado por aquele Diploma Legal, especificamente quanto à exclusão dos valores pagos do campo de incidência de encargos trabalhistas e previdenciários. Em relação aos excluídos do Acordo assinado em 01/06/2008, ou seja, os Dirigentes, Executivos e Seniores, não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei nº 10.101, de 2000, no acordo celebrado foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A cláusula segunda do Acordo Coletivo revela que os valores a serem pagos decorreriam da exclusiva vontade do empregador, evidenciando a mais completa alienação dos trabalhadores contemplados. Ou seja, tal situação não decorre da negociação entre empresa e trabalhadores, com a interveniência do sindicato, além de não especificar metas e valores, e, portanto, em desacordo com a Lei. Assim sendo, por estarem em desacordo com a Lei, considerou se que os pagamentos a título de participação nos resultados a Dirigentes, Executivos e Seniores, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei no 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A empresa foi intimada através do a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. Em atendimento ao TIF P04 apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). VIIDo Estabelecimento de Gravataí A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha de Gravataí, estado do Rio Grande do Sul, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 10 de julho de 2008, com vigência de 1°de junho de 2008 até 31 de maio de 2010. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.924 5 No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa e mais uma quantia diferenciada, conforme o respectivo salário. A empresa apresentou Acordo Coletivo para Participação nos Resultados para os empregados horistas contratados por prazo determinado, onde foram estabelecidos valores e condições para o pagamento. Na unidade localizada em Gravataí, ocorreram os mesmos problemas de Santo André indicados quais sejam: Em relação aos Diretores, Executivos e Seniores não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei nº 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram utilizados para o Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). VIIIDo Estabelecimento de Feira de Santana A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha, de Pneumáticos e Afins do Estado da Bahia – SINDBORRACHA BA, sobre a Participação nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 25 de junho de 2008, com vigência de 1° de junho de 2008 até 31 de maio de 2010. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa mais uma quantia diferenciada, conforme o respectivo salário. A empresa apresentou Acordo Coletivo para Participação nos Resultados para os empregados horistas contratados por prazo determinado, onde foram estabelecidos valores e condições para o pagamento. Na unidade localizada em Feira de Santana, ocorreram os mesmos problemas de Santo André, quais sejam: Em relação aos Diretores, Executivos e Seniores não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei no 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores. Em atendimento ao TIP P 04 a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). XIDo Estabelecimento de Campinas A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha, Acabamentos, Recauchutadoras, Pneumáticos, Beneficiamento de Borracha natural, Látex e Afins de Campinas e região, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008 e 2009, datado de 16 de junho de 2008, com vigência de 1°de junho de 2008 até 31 de maio de 2010. Não obstante a base territorial de o referido Sindicato incluir Campinas e Sumaré, o Acordo Coletivo especificou o CNPJ 59.179.838/000218 situado em Campinas. Em sua Cláusula Segunda, o instrumento coletivo sob comento estabelece que são elegíveis os Empregados Horistas e Mensalistas, contratados por prazo indeterminado. No parágrafo único exclui os empregados contratados por prazo determinado, Dirigentes, Executivos e Seniores, deixando facultado à empresa estabelecer condições especiais, hipótese em que se considerarão partes integrantes do Acordo. A Cláusula Terceira condiciona o pagamento às Metas estabelecidas. Em sua Cláusula Quarta, o instrumento coletivo sob comento prevê o pagamento de um valor composto de parcela fixa mais uma quantia diferenciada, conforme o respectivo salário. Para os empregados horistas e mensalistas, prevê o pagamento em Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.925 7 junho de 2009, a título de adiantamento, e em 18 de dezembro de 2009, o pagamento complementar e final. A empresa apresentou Acordo Coletivo para Participação nos Resultados para os empregados horistas contratados por prazo determinado, onde foram estabelecidos valores e condições para o pagamento. Na unidade localizada em Campinas, ocorreram os mesmos problemas de Santo André, quais sejam: Em relação aos Diretores, Executivos e Seniores não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. Contrariando a Lei no 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. Em atendimento ao TIF P04 a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/0004 80), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). X – Do Estabelecimento de Barueri A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha de Cotia e região, acordo específico sobre a Participação Nos Resultados – Ano 2008, datado de 1° de junho de 2008, com vigência de 1°de junho de 2008 até 31 de maio de 2 009. No entanto, além de referirse somente ao ano de 2008, não contem assinatura dos representantes da empresa, motivo pelo qual a empresa foi intimada, através do TIF P 04 e respectivo Anexo, a apresentar o Acordo indicado como Não Assinado, mas em resposta informou que não havia novos Acordos a serem apresentados. Na unidade localizada em Barueri, ocorreram os seguintes problemas: O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto, diferente do período objeto da presente fiscalização. O Acordo Coletivo não está assinado pelos representantes da empresa. Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009. Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 Em atendimento ao TIF P04 a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/0004 80), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). O Acordo Coletivo, além de não assinado e não se referir ao período objeto da fiscalização, também, como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos, Seniores e contratados por prazo determinado. A empresa não apresentou qualquer Acordo relativo ao contratados por prazo determinado XI – Do Estabelecimento de São José dos Pinhais A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Metalúrgicas, Máquinas Mecânicas, de Material Elétrico, de Veículos Automotores, de Autopeças e de componentes e partes de veículos automotores da grande Curitiba, sobre a Participação Nos Lucros Ou Resultados – Ano 2008, datado de 1°de julho de 2008, com vigência de 01 /01/2008 a 31/12/2008. Considerando que o Acordo apresentado referese somente ao ano de 2008, a empresa foi intimada, através do TIF P 04 e respectivo Anexo, a apresentar o Acordo indicado como “Apresentou o ACPPR de 2008”, mas em resposta informou que não havia novos Acordos a serem apresentados. Portanto, na unidade localizada em São José dos Pinhais, ocorreram os seguintes problemas: O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização que é de 2009. Os pagamentos foram lançados no levantamento P2 Unidades Sem Acordo PPR (P4 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). ı XII – X – Do Estabelecimento de Belo Horizonte e Ibirité. A empresa apresentou Acordo Coletivo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Artefatos de Borracha de Belo Horizonte, sobre a Participação Nos Lucros Ou Resultados – Ano 2008, datado de 1°de julho de 2008, com vigência de 01/01/2008 a 30/11/2008 e a unidade 59.179.838/003233. Considerando que o Acordo apresentado referese somente ao ano de 2008, a empresa foi intimada, através do TIF P 04 e respectivo Anexo, a apresentar Acordo indicado como “Apresentou o ACPPR de 2008” e Não Apresentado – já que Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.926 9 não incluiu o CNPJ 59. 179.838/001028, mas em resposta informou que não havia novos Acordos a serem apresentados. Portanto, nas unidades localizadas em Belo Horizonte e Ibirité ocorreram os seguintes problemas: Para o CNPJ 59.179.838/003233, o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização, que é de 2009. Para o CNPJ 59. 179.838/001028, a empresa não apresentou qualquer Acordo Coletivo. O Acordo Coletivo apresentado, além de não se referir ao período objeto da fiscalização, também, como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos e Seniores. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. Em atendimento ao TIF P04, a empresa apresentou relação com os nomes e valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR Diretor Executivo Seniores (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n°51. 044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). XIII – Dos Demais Estabelecimentos sem PPR Além dos já citados anteriormente, os estabelecimentos com os CNPJ nº 59.179.838/000480, 59.179.838/001028, 59.179.838/001532, 59.179.838/003748, 59.179.838/004558, 59.179.838/004639, 59.179.838/004710, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/005287 não possuem Acordo Coletivo específico para pagamento de participação nos resultados. Assim sendo, em relação às unidades acima referidas, por estarem em desacordo com a Lei, na medida em que não possuem Acordo Coletivo, ou qualquer outro instrumento, todos os pagamentos a título de participação nos resultados não se enquadram no disposto no art. 28, § 9o, alínea j da Lei no 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. XIV – Das Remunerações de Contribuinte Individuais não Declaradas em GFIP A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre valores da DIRF X GFIP dos contribuintes individuais. Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 Em atendimento ao TIF n° P 04, a empresa declarou que as diferenças entre valores da DIRF X GFIP dos contribuintes individuais nos meses de 06 e 07/2009 referentes a Guilherme Luis Kelly são benefício residência e gratificação função gerente. E, ainda, que o pagamento a João Batista Costa refere se a autônomo mediante Recibo – RPA. Em relação a Eugenio Carlos Deliberato, Romana Ghirotti Prado e Sérgio Lomando não justificou as diferenças. A empresa foi intimada, através do TIF n° P04, apresentar os documentos que serviram de base para os lançamentos indicados no Anexo – Documentos da Contabilidade. Em atendimento, apresentou arquivo magnético com relação denominada “Base Fornecedores Contribuintes Ind”, onde identificou os pagamentos a pessoas físicas colocando o CPF no campo CPF/CNPJ. Analisando o arquivo apresentado, foram identificados pagamentos a pessoas físicas que não foram declarados em GFIP, os quais deram origem ao Anexo –Fornecedores não declarados. Para Massimo da Ronch foram utilizados os valores da conta N16001JV05 M.E. Comissões Terceiros – PETIN indicada pela empresa, Anexo – Valores Massimo da Ronch. Para Juan Efrain Cangahuala foram utilizados os valores da relação apresentada: “Base Fornecedores Contribuintes Ind”. Para Sergio Lomando foram utilizados os valores da conta N14219JA01 Honorários Advocatícios – Trab indicada pela empresa, Anexo – Valores Sergio Lomando. Para Cláudio Wurlitzer foram utilizados valores não declarados e diferenças de valores encontradas na conta N14913JP05 Despesas Com Informativos Inst e a GFIP indicada pela empresa, Anexo – Valores Cláudio Wurlitzer. O prestador de serviço Atenante Norman foi identificado como pessoa jurídica a partir de 07/2009, motivo pelo qual só foram utilizados os valores anteriores. Em virtude da falta de declaração, foi criado o levantamento C1 Contribuintes Individuais, a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrado o Auto de Infração n°51. 044.8917 . XV – Dos Valores pagos a Título de Reembolso Pneus não Declarados em GFIP A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer o motivo do pagamento da rubrica 15BN – Reembolso de Vale Pneus e informar se considera base de cálculo de contribuições previdenciárias ou não e o motivo. Em atendimento, limitouse a requerer a juntada do manual de Integração dos empregados, informando que nele há a previsão do benefício. O referido manual informa o empregado que, após Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.927 11 a admissão, ele poderá adquirir pneus para carros e /ou motos na rede autorizada e obter reembolso de parte do valor. Não há qualquer relação com a atividade desenvolvida pelo empregado, e, portanto, não se trata de reembolsar uma despesa inerente ao exercício do cargo, sendo tão somente um benefício pago em dinheiro. Tendo sido assim levantado o valor a título de contribuição previdenciária devido incidente sobre citada verba. XVI – Das Diferenças entre as Bases da Folha de Pagamento e as Bases Declaradas em GFIP A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre Base da Folha e GFIP. Ressalta a fiscalização que al planilha indica as categorias 1 empregado, 3 trabalhador não vinculado ao RGPS com direito ao FGTS, 4 empregado por prazo determinado e 7 – menor aprendiz, tendo em vista que a empresa não apresentou a folha de pagamento dos contribuintes individuais. Em atendimento, a empresa declarou que faltou considerar a rubrica /117 –Base estorno INSS. A fiscalização incluiu a rubrica indicada, mas, ainda assim, restaram diferenças a esclarecer, que indicaram que a base da folha de pagamento é maior que a base declarada em GFIP para as categorias indicadas no item 126. Através do TIF n° P 07, a empresa foi intimada a esclarecer as diferenças apontadas no Anexo – DIF BC FOPAG – estorno X GFIP. Tendo apresentado os arquivos magnéticos contendo a Relação de Estabelecimentos Centralizados – REC das unidades e competências indicadas que não apresentam as bases segregadas por categoria e, portanto, não serviram como parâmetro para comparação e esclarecimento das diferenças. A fim de demonstrar os valores declarados que foram indicados na planilha, foram extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil as seguintes informações: Relação de GFIP enviada, por unidade e por competência e Bases de cálculo por categoria, por unidade e por competência. Foi elaborado o Anexo DIF BC FOPAG estorno X GFIP Corrigido Out 2013, a fim de demonstrar os valores das diferenças que não foram declaradas em GFIP e não foram esclarecidas pela empresa e por se tratar de remuneração constante da folha de pagamento que não foi declarada, foram lançadas as diferenças verificadas. XVII – Das Declarações em GFIP A empresa transmitiu aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP, para as competências 01 a 12/2009, sem informar determinados valores pagos a título de participação nos resultados, os quais foram considerados Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme itens acima, assim como pagamentos a contribuintes individuais, pagamentos a título de reembolso de vale pneus e diferenças entre as bases da folha de pagamento e as bases da GFIP. Dos Autos de Infração por Descumprimento de Obrigações Acessórias –AIOA. Os Autos de Infração por Descumprimento de Obrigações Acessórias –AIOA lavrados na ação fiscal foram lançados de acordo com a natureza da infração cometida: XXII – AIOA DEBCAD Nº 51.044.8933 CFL 78. Relata a fiscalização que o contribuinte não tributou as verbas pagas a título de Reembolso Pneus, Pagamento de PPR e Adiantamento de PPR e consequentemente não as declarou em GFIP, assim como deixou de declarar a totalidade dos valores pagos a contribuintes individuais, infringindo desta forma o art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. Em decorrência da infração praticada, está sendo aplicada a multa prevista no art. 32A, inciso I e §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, artigo este acrescentado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. XXIIIAIOA DEBCAD Nº 51.054.1208 CFL 30. De acordo com o Relatório Fiscal empresa foi autuada por deixar de preparar a Folha de Pagamentos das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou creditadas aos contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, infringindo assim o disposto no artigo art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em decorrência da infração cometida à multa aplicada é a prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, artigo 283, inciso I, alínea "a" e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. XXIV – AIOA DEBCAD Nº 51.054.1216 CFL 34. O presente auto de infração foi lavrado por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma, discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, conforme previsto na Lei n°8. 212/91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência social –RPS, aprovado pelo Decreto n°3. 048, de 06.05.99. Em decorrência da infração foi aplicada a multa prevista na Lei n°. 8.212/91, artigos 92 e 102, combinado com o art. 283, II, a, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06 de maio de 1999. Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.928 13 Todos os valores da multas foram atualizados conforme Portaria Interministerial no 15, de 10 de janeiro de 2013, DOU 11/01/20. Da Representação Fiscal para Fins Penais Registra a fiscalização que as situações descritas nos itens acima deste relatório, em relação às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, em tese, constituem indício de Crime de Sonegação Fiscal, de acordo com o artigo 337A, I e III do Código Penal Decretolei n°2. 848, de 07/12/1940 – na redação dada pela Lei n°9. 983, de 14/07/2000, razão pela qual foi formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis, indicando os documentos de crédito relacionados aos aludidos crimes. Das Impugnações Tempestivamente o contribuinte apresentou a impugnações, alegando, em síntese: Preliminarmente solicita que os todos os autos de infração relacionados aos mesmos fatos geradores sejam reunidos e julgados em oportunidade única para fins de economia processual. Com relação à participação nos resultados rebate separadamente por estabelecimentos. Estabelecimento de Santo André, Gravatai, Feira de Santana e Campinas. No tocante aos estabelecimentos de Santo André, Gravatai, Feira de Santana e Campinas, em relação aos excluídos do Acordo assinado em 01/06/2008, ou seja, os Dirigentes, Executivos e Seniores, alega que diferente do que afirma a fiscalização foi apresentado o PPR durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Quanto ao mérito aduz que os acordos existentes suportam totalmente os pagamentos efetuados, na medida em que são aplicáveis a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores, que exercem suas atividades na empresa, os quais estão vinculados ao atingimento de metas individuais e coletivas estabelecidos no documento Plano de Incentivo (PPR) e documento SCHEDA entregues previamente a cada empregado. Aduz estar juntando, por amostragem, referidos documentos. Desta feita acredita que resta demonstrado que o PPR é necessariamente atrelado aos resultados corporativo e individual e a índices de produtividade e qualidade, sendo que tais metas são claras e objetivamente estipuladas nos documentos elencados: Plano de Incentivo (PPR) e SCHEDA, além de ser paga em semestre civil. Estabelecimento de Barueri Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Quanto ao estabelecimento de Barueri alega a impugnante que, embora a fiscalização tenha afirmado que o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto, diferente do período objeto da presente fiscalização, como também não foi assinado pelos representantes da empresa, tal afirmação não pode prosperar, pois o PPR foi apresentado durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. E com relação ao PPR de 2009 e elegível aos empregados em geral, a empresa possuía tal instrumento, registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero SP 009168/2009, em 21/10/2009, (Doc. 03). Tal instrumento preenchia os requisitos legais e formais, atingia sua finalidade principal almejada pelo legislador e tinha por objetivo o atingimento de metas e resultados econômicos e de produtividade conforme se pode verificar pelas suas clausulas. Estabelecimento de São José dos Pinhais. Quanto ao estabelecimento de São José dos Pinhais afirma a impugnante que diferente do entendimento da fiscalização esta firmou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados referente ao ano de 2009, registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero SP 002264/2009, em 02/09/2009 e foi apresentado durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Estabelecimentos de Belo Horizonte e Ibirité No tocante a estes estabelecimentos a impugnante aduz que embora a fiscalização alegue que o PPR de 2008 alem de não estar assinado, exclui os Dirigentes, Executivos e Seniores e contratados por tempo determinado, a empresa apresentou o PPR dos anos de 2008 e 2009 para todos os empregados e dirigentes durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Em relação à ausência de acordo coletivo aplicável a essa unidade, relativo aos empregados em geral, resta demonstrado que este existe e está devidamente registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero MG 001966/2009, em 29/07/2009. Estabelecimento sem Acordos Coletivos A impugnante afirma que dos estabelecimentos elencados como sem PPR, cabe informar que o de Juiz de Fora, possui e está devidamente registrado perante o Ministério do Trabalho sob o numero MG 002483/2009, em 01/09/2009. Quanto aos demais estabelecimento, CNPJ nºs 59.179.838/0004 80, 59.179.838/001028, 59.179.838/001532, 59.179.838/0037 48, 59.179.838/004558, 59.179.838/004639, 59.179.838/0047 10, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/0052 87, a impugnante afirma se tratar de escritórios regionais, sendo aplicável a estes o acordo da matriz da empresa, ou seja, o PPR de Santo André. Da Real Natureza dos Pagamentos Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.929 15 A impugnante destaca que a fiscalização entende que o PPR implantado na empresa possui falhas e, portanto, não obedece às regras estipuladas pela Lei nº 10.101/2000, devendo, por conseguinte, sofrer a incidência de contribuição previdenciária. No entanto o que se observa do demonstrado pela impugnante é o cometimento de um equivoco, devendo, portanto, ser anulada a autuação. Do Pagamento a Contribuintes Individuais não Declaradas em GFIP Com relação aos valores pagos aos contribuintes individuais e não declarados em GFIP a impugnante justifica que tais valores, como beneficio relativo à residência do empregado e gratificação para função de gerente, pagamento a autônomo mediante recibo e outros não se encaixam no conceito de remuneração, pois não visam remunerar a prestação de serviços, razão pela qual não devem se enquadrar na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Do Pagamento Reembolso de Pneus Justifica a impugnante que o pagamento a este título não se trata de remuneração por serviços prestados, mas de um desconto de 30% concedido aos empregados para aquisição dos produtos da própria empregadora, mediante reembolso, de acordo com a Política de Beneficio da Autuada e o Manual de Integração da empresa, a todo empregado com mais de noventa dias de empresa, limitado a cinco pneus de automóvel, dois de motocicleta, quatro de bicicletas e cinco câmaras de ar. Das Divergências entre a Folha de Pagamento e GFIP. Insurgese a autuada em relação a estas divergências, alegando que da análise do relatório e das planilhas mencionadas pela fiscalização não é possível identificar quais seriam as supostas divergências identificadas. Mas afirma que todas as verbas que devem sofrer a incidência previdenciária sempre foram devidamente declaradas em GFIP, sendo que as únicas hipóteses de pagamento não declaradas referemse a verbas não sujeitas a contribuições previdenciárias, portanto, improcedente tal lançamento. Da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP Solicita seja cancelada a ordem de realização de RFFP, ou a sua suspensão até o término do processo administrativo em discussão, mesmo porque não há qualquer indício da caracterização do mencionado crime." Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 11 de setembro de 2014 (AR fls. 2662), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 29 de junho, recursos voluntários específicos para cada debcad (fls. 2664, 2711, 2827 e 2873), com alegações identicas entre si. Constam de seu apelo, em síntese, as mesmas alegações constantes das impugnações interpostas e acima reproduzidas. Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Conheço dos recursos voluntários interpostos, pois presentes as condições de admissibilidade. Passo a analisálos. Antes porém, como relatado, necessário recordar que foram interpostos quatro recursos de mesma argumentação, cada qual relativo a um documento de crédito tributário constituído (debcad). Opto por apreciálos em conjunto. O litígio tributário foi instaurado em face de inconformidade do sujeito passivo no tocante a não aceitação, pelo Fisco, do programa de pagamento de PLR implantado no ano de 2009. Entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.930 17 totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outros casos há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 18 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.931 19 Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 20 exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.932 21 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Assentes quanto ao requisitos para que se usufrua da imunidade condicionada relativa ao pagamento da PLR, passo à apreciação do recurso na ordem em que os argumentos são apresentados. DO PAGAMENTO DE PPR EM CONFORMIDADE COM A LEI 10.101/00 Alega a Recorrente em sua primeira peça recursal, interposta contra o lançamento constante do Debcad 51.044.8933 (fls. 2666): "ESTABELECIMENTOS DE SANTO ANDRÉ, GRAVATAÍ, FEIRA DE SANTANA E CAMPINAS Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 22 A decisão ora guerreada estabelece que o PPR das filiais acima identificadas não foi elaborado em acordo com a legislação fiscalização, posto que "a existência de regras nem tão claras e objetivas e não inseridas no instrumento de negociação e nem arquivada no sindicato equivale a sua inexistência, porque não se presta para surtir os efeitos pretendidos pela lei, conforme exposto acima. Ou seja, o programa próprio de PLR arquivado no sindicato, como exigido pelo §2°, do artigo 2o, da Lei 10.101/00, não continha regras claras e objetivas". Inicialmente, destaca a Recorrente que foram apresentados os acordos coletivos de trabalho referente ao programa de participação nos resultados elegível aos empregados Dirigentes, Executivos e Seniores (diretores, gerentes, chefes ou administrativos de nível gerencial) anos 2008 e 2009 não apenas durante os procedimentos da fiscalização, mas também no protocolo da Impugnação Administrativa. (...) Não deve prosperar o quanto decidido na r. decisão sobre o programa de PLR instituído pela empresa recorrente estar em desacordo com as regras estipuladas pela Lei 10.101/00. Pelo contrário, o PLR implantado pela autora sempre apresentou um programa claro, com formulários de avaliações objetivas de meta e desempenho, objetivando o incentivo à produtividade. Os planos da recorrente respeitaram a intenção do Legislador, não só porque a formalização dos planos foi feita conforme determinado pela legislação vigente, mas também porque a estrutura de efetiva participação periódica nos resultados da empresa, mesmo que aferida individualmente com base em metas préestabelecidas, atende integralmente, e desde sempre, o espírito da Lei. Mesmo assim, o I. Julgador atentouse a eventuais falhas formais que, como já exaustivamente mencionadas, não podem, por si só, afastar a natureza da verba, posto que não há reais indícios de que a empresa utiliza este plano para pagamento de prêmios ou salários. Voltando ao relatório fiscal, encontramos (fls 33): "47. Passamos, então, a indicar os pontos que consideramos em desacordo com a legislação. 48. Em relação aos excluídos do Acordo assinado em 01/06/2008, ou seja, os Dirigentes, Executivos e Seniores, não foram apresentados quaisquer documentos sob alegação de que os Acordos que a empresa possuía já haviam sido entregues, conforme resposta ao TIF P04. 49. Contrariando a Lei nº 10.101, de 2000, foi delegado ao empregador fixar as condições especiais que ensejariam o pagamento da PLR. A cláusula segunda do Acordo Coletivo revela que os valores a serem pagos decorreriam da exclusiva Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.933 23 vontade do empregador, evidenciando a mais completa alienação dos trabalhadores contemplados. 50. Tal situação não decorre da negociação entre empresa e trabalhadores, com a interveniência do sindicato, além de não especificar metas e valores, e, portanto, em desacordo com a Lei. 51. Assim sendo, por estarem em desacordo com a Lei, consideramos que os pagamentos a título de participação nos resultados a Dirigentes, Executivos e Seniores, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 52. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. 53. Em atendimento apresentou relação com os nomes e valores solicitados, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR DIRETOR EXECUTIVO SENIORES (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). A leitura atenta do relatório demonstra que, no sentir da Autoridade Lançadora, houve descumprimento dos preceitos constantes da Lei nº 10.101/00, em razão da ausência de metas claras e objetivas que ensejassem o pagamento da PLR aos diretores, executivos e seniores. Consta do programa de participação nos lucros (fls 1527): Clara a abrangência do programa ajustado entre a Recorrente e o sindicato. O ajuste firmado foi direcionado especificamente para os empregados horistas e mensalistas contratados a prazo indeterminado. Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 24 Expressamente foi acordado que o programa de participação nos resultados firmado não se aplicava aos empregados contratados por prazo determinado, aos dirigentes, executivos e seniores. Porém, ressalvouse, também expressamente, que a Empresa poderia, a seu exclusivo critério, estabelecer condições especiais, que nesse caso, serão consideradas parte integrante do instrumento firmado. Tal previsão se concretizou. Consta das folhas 1984 o programa para participação nos resultados de dirigentes, executivos e seniores firmado entre o Sindicato de Trabalhadores do estabelecimento matriz e a Recorrente e válido para os anos de 2008 e 2009. A cláusula terceira do ajuste tem a seguinte redação: Aqui o ponto fulcral da questão. Podese admitir que as partes firmem um acordo pelo qual se impute ao critério de somente uma delas, a definição dos parâmetros para a percepção dos valores a título de PLR? Vejamos. Como visto acima, ao analisarmos a participação nos lucros ou resultados, que a verba de nítida natureza contraprestacional, não sofre incidência tributária quando cumpridos os requisitos da Lei nº 10.101/00, em face do caráter isentivo desta. Assim, é no bojo dos ditames da Lei nº 10.101 que devemos buscar a resposta da questão que se apresenta. Recordemos o texto legal: "Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.934 25 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." A leitura do texto legal espanca qualquer dúvida. Devem as partes acordar sobre as metas claras e objetivas, não só quanto ao direito substantivo como também quanto às regras adjetivas, e devem, também, publicizar o acordo celebrado. Ora, tal determinação, voltada não só para o ajuste entre os interessados mas também para a total transparência do conteúdo acordado, não pode ser tomada como simples tutela da convergência de vontades, mas também deve ser entendida como ajuste expresso, formal e transparente sobre os direitos e mecanismo de exercício desses direitos e deveres. Assim, entendo que o legislador não só exigiu o acordo entre as vontades, mas também determinou que tal ajuste ocorra sobre determinadas condições e balizas, tendo condicionado a vantagem tributária ao cumprimento dessas condicionantes. Com essas considerações, observo que, no caso concreto, as partes ao afastarem textualmente o alcance do pactuado dos trabalhadores mencionados, ressalvando a possibilidade de uma extensão unilateral, impediram o acesso desses trabalhadores da vantagens tributárias constantes da Lei nº 10.101/00. Ressalto que, se ao reverso, tivessem estipulado, minimamente, as condições para a percepção da PPR, e os valores desta, ainda que indiciariamente, não haveria a ofensa mencionada à vontade do legislador. Aponto ainda que, ao reverso do que entende a decisão de piso, o fato de tal acordo ter sido firmado somente com o sindicato representativo dos trabalhadores da matriz, não ofende os ditames da lei, quanto mais ao se recordar que tal programa se refere, exclusivamente, aos dirigentes e altos funcionários da recorrente. Diante do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. ESTABELECIMENTO DE BARUERI Consta do Relatório Fiscal (fls. 38): "87. Na unidade localizada em Barueri, ocorreram os seguintes problemas: • O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização. • O Acordo Coletivo não está assinado pelos representantes da empresa. Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 26 • Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009. 88. Portanto, em relação à unidade localizada no município de Barueri, por estarem em desacordo com a Lei, na medida que não foi apresentado qualquer Acordo Coletivo referente ao período, consideramos que todos os pagamentos a título de participação nos resultados, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 89. A empresa foi intimada através do TIF P04 a apresentar planilha com valores pagos a título de PPR aos Diretores, Executivos e Seniores. 90. Em atendimento apresentou relação com os nomes e valores solicitados, os quais foram lançados no Levantamento P1 PPR DIRETOR EXECUTIVO SENIORES (P3 para a matriz e filial 59.179.838/000480), criado a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades). 91. O Acordo Coletivo, além de não assinado e não referirse ao período objeto da fiscalização, também, como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos, Seniores e contratados por prazo determinado. A empresa não apresentou qualquer Acordo relativo ao contratados por prazo determinado" (negritei) Em seu recurso, o sujeito passivo arguiu (fls 2674): "Com relação ao estabelecimento de Barueri, aduz a decisão que não foi juntada na Impugnação a documentação do PPR 2009 que confirme que o mesmo é aplicável a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores. Contudo, além da Recorrente ter apresentado no curso da fiscalização a toda a documentação requerida, a Recorrente também a anexou na Impugnação Administrativa, que confirma que programa de participação nos resultados é aplicável aos empregados Dirigentes, Executivos e Seniores (diretores, gerentes, chefes ou administrativos de nível gerencial) anos 2008 e 2009. Pela análise destes documentos, é possível verificar na cláusula segunda do programa de participação nos resultados em comento que o acordo é aplicável a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores que exercem suas atividades nos estabelecimentos da Empresa e que participem efetivamente nos resultados da Empresa. Assim, restou demonstrado que o acordo coletivo de participação nos resultados elegível aos empregados Dirigentes, Executivos e Seniores anos 2008 e 2009, abrange os Dirigentes, Executivos e Seniores que trabalham também no estabelecimento de Barueri." (sublinhado original) Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.935 27 Observo que a decisão de piso se pronuncia sobre a questão (fls 2645): "No caso de Barueri o Acordo Coletivo, de fls. 1583/1588, além de referirse somente ao ano de 2008, não contem assinatura dos representantes da empresa nem do Sindicato e como os demais, excluiu Dirigentes, Executivos, Seniores e contratados por prazo determinado. No entanto alega a impugnante que o PPR de 2009 foi apresentado durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04. Aduz ainda que o PPR de 2009 elegível aos empregados em geral registrado perante o Ministério do Trabalho sob o número SP 009168/2009, em 21/10/2009, é extensivo a todos os Dirigentes, Executivos e Seniores, que exercem sua atividades na empresa, mas não o junta na impugnação para comprovar o alegado. E alegações desprovidas de prova não servem para modificar o crédito ora exigido." (destaquei) Porém, ao perquirir a impugnação acostada aos autos, encontro às folhas 2031 o ajuste válido para o ano de 2009, conforme consta do voluntário. Assim, como acusação fiscal se funda na ausência de acordo para considerar a incidência sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados empregados, entendo caber razão ao recorrente nessa parte. Já no tocante à extensão do programa aos dirigentes e demais executivos, cabe todo o exposto acima, acrescido da constatação que o instrumento acostado às folhas 2031 é totalmente silente quanto aos dirigentes da recorrente, nada mencionando sobre metas ou valores a serem percebidos por estes segurados. Logo, comprovada a existência do acordo de participação nos resultados na unidade de Barueri para os empregados, relativo ao ano de 2009, entendo improcedente o lançamento nessa parte, e portanto, dou parcial provimento para exclusão da incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados da unidade Barueri. ESTABELECIMENTO DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS, BELO HORIZONTE E IBITIRÉ Segundo a Autoridade Lançadora (fls 39): "95. Portanto, a unidade localizada em São José dos Pinhais, ocorreram os seguintes problemas: • O Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização. • Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009. 96. Portanto, em relação à unidade localizada no município de São José dos Pinhais, por estarem em desacordo com a Lei, na Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 28 medida que não foi apresentado qualquer Acordo Coletivo referente ao período, consideramos que todos os pagamentos a título de participação nos resultados, não se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. (...) 100. Portanto, nas unidades localizadas em Belo Horizonte e Ibirité ocorreram os seguintes problemas: • Para o CNPJ 59.179.838/003233, o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados que foi apresentado referese apenas ao ano de 2008, portanto diferente do período objeto da presente fiscalização. • Apesar de intimada, a empresa não apresentou Acordo Coletivo relativo ao pagamento de Participação nos Resultados para o período de 01 a 12/2009." Observase que o Fisco verificou os mesmos problemas apontados na unidade de Barueri, ou seja, ausência da comprovação da existência de plano de participação para o ano do lançamento e a exclusão da participação dos dirigentes. A decisão de piso enfrentou a questão (fls. 2646): Neste caso a impugnante apresenta a mesma alegação de que apresentou o PPR dos anos de 2008 e 2009 para todos os empregados e dirigentes durante o procedimento fiscal, por ocasião de esclarecimento ao TIF P04, mas não junta nada para comprovar suas alegações. Não obstante, observo às folhas 2036 a cópia do PPR da unidade de São José dos Pinhais e às folhas 2041 o programa da unidade Ibirité, ambos válidos para o ano 2009. Assim, como acusação fiscal se funda na ausência de acordo para considerar a incidência sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados empregados, entendo caber razão ao recorrente nessa parte. Quanto à exclusão dos dirigentes, executivos e seniores, cabem os fundamentos já esposados acima. Nesse sentido, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte Logo, comprovada a existência do acordo de participação nos resultados nas unidades de São José dos Pinhais e Ibirité para os empregados, relativo ao ano de 2009, entendo improcedente o lançamento nessa parte, e portanto, dou parcial provimento para exclusão da incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados da unidade São José dos Pinhais e Ibirité. ESTABELECIMENTOS 000480; 001028; 001532; 003748; 004558; 004639; 004710; 004809; 005104 E 005287 Segundo a Autoridade Lançadora, as unidades mencionadas não possuem qualquer acordo com a devida participação sindical relativa à PLR para o período fiscalizado. Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.936 29 Tal fato é reconhecido pela Recorrente (fls. 2677), que também assevera: "Com relação aos estabelecimentos 59.179.838/0004 80,59.179.838/001028,59.179.838/001532,59.179.838/0037 48, 59.179.838/004558,59.179.838/004639,59.179.838/0047 10, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/0052 87, foi devidamente esclarecido que tratamse de escritórios regionais que não possuem acordo coletivo específico para pagamento de participação nos resultados. (...) Conforme anexado à Impugnação Administrativa, a unidade de Juiz de Fora possui acordo coletivo de trabalho para pagamento de participação nos resultados específico aos empregados aplicável em 2009. O acordo coletivo foi devidamente registrado perante o Ministério do Trabalho sob o número MGÜ02483/2009, em 01/09/2009, e totalmente desconsiderado pela DRJ/BSB no momento da prolação da decisão. O acordo coletivo de trabalho anexado no momento oportuno aplicase ao período objeto da fiscalização (2009), conforme demonstrado pela cláusula primeira do programa: (...) Portanto, não há que se falar em integração a base de cálculo das contribuições previdenciárias dos pagamentos efetuados a título de participação nos resultados em Juiz de Fora, visto que fora comprovada a existência de acordo específico para tal localidade, conforme os critérios estabelecidos em Lei. Para os demais estabelecimentos, por se tratarem de escritórios regionais, o acordo coletivo aplicável a estes estabelecimentos é o da matriz da empresa, ou seja, o programa de participação nos resultados de Santo André. Portanto, o pagamento do PPR aos empregados destes estabelecimentos é realizado de acordo com o que fora previsto no Acordo Coletivo de Santo André" Observo às folhas 2046 o programa da unidade de Juiz de Fora, o que por certo, afasta a imputação fiscal, posto que fundada na ausência de acordo sindical devidamente firmado. Quanto às demais unidades, escritório regionais na visão do Recorrente, entendo despiciendo, em razão da pequena quantidade de trabalhadores abrigados, a necessidade de ajuste específico com o sindicato da localidade. Mister realçar que não há na Lei nº 10.101/00, a determinação de que todas os estabelecimentos do empregador firmem acordos distintos, cada qual com o sindicato de sua base territorial. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 30 Novamente, ressalto haver incidência nos valores pagos aos dirigentes pelos motivos anteriormente mencionados. Pelo exposto, entendo caber parcial razão ao recorrente e dou provimento parcial nessa parte para excluir a incidência sobre os valores pagos aos segurados empregados dos estabelecimentos mencionados neste item. DO REEMBOLSO DE PNEUS Sobre o tema, assim se pronunciou a autoridade lançadora (fls 43): "122. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer o motivo do pagamento da rubrica 15BN – Reembolso de Vale Pneus e informar se considera base de cálculo de contribuições previdenciárias ou não e o motivo. 123. Em atendimento, limitouse a requerer a juntada do manual de Integração dos empregados, informando que nele há a previsão do BENEFÍCIO. O referido manual informa o empregado que, após a admissão, ele poderá adquirir pneus para carros e /ou motos na rede autorizada e obter reembolso de parte do valor. 124. Não há qualquer relação com a atividade desenvolvida pelo empregado, e, portanto, não se trata de reembolsar uma despesa inerente ao exercício do cargo, sendo tão somente um benefício pago em dinheiro." A insurgência ao lançamento está assim fundamentada no apelo (fls 2681): "De acordo com a Política de Benefícios da Autuada e Manual de Integração anexado à Impugnação, todo empregado com mais de noventa dias de empresa é elegível ao programa de reembolso na compra de pneus ou câmaras de ar, que funciona por uma cota semestral. A partir da Política, o empregado da autuada tem direito ao reembolso de 30% do valor gasto na aquisição de pneus, observados os seguintes limites: (a) cinco pneus de automóvel/camioneta; (b) dois pneus de moto; (c) quatro pneus de bicicleta e (d) cinco câmaras de ar. Portanto, não se trata, nem de longe, de remuneração por serviços prestados. Tratase, na verdade, de um desconto concedido aos empregados para aquisição dos produtos da própria empregadora. Ora, o trabalhador não recebe parte do seu trabalho com pneus; 'o contrário: ele pode escolher COMPRAR o pneu em fornecedores Pirelli com um mero desconto, que poderia ser dado para qualquer consumidor em uma situação de negociação do valor da mercadoria. A única diferença entre um empregado Pirelli e o consumidor final é que o desconto concedido pela loja é devolvido por meio de reembolso feito pela folha de pagamento." Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.937 31 Entendo caber razão ao Recorrente nessa parte. Não há incidência tributária em razão da ausência do caráter de remuneração da verba em análise. Vimos, linhas atrás que o conceito de remuneração do segurado empregado abarca quatro situações, ou seja são valores pagos pelo empregador a título de: i) contraprestação, isto é, verbas pagas em decorrência do trabalho prestado; ii) tempo à disposição do empregador; iii) casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho; iv) expressa previsão legal ou constante do contrato coletivo ou individual de trabalho. Não se observa nenhuma das condições acima que determinam o caráter remuneratório da verba para o caso em análise. Cumpre recordar que utilidades são bens disponibilizados pelo empregador ao empregado. Estes bens assumem caráter salarial, nos termos da CLT, quando ostentam características remuneratórias, ou seja, exsurge a feição contraprestacional, uma vez que há pagamento de utilidades por força da suspensão dos efeitos do contrato de trabalho, tampouco por força do tempo à disposição. Diverso é o caso de uma utilidade entregue como benefício ao trabalhador empregado, típica situação de mera liberalidade do empregador. Observase nitidamente ser esse ato volitivo, desobrigado, do empregador, quando tal bem é o mesmo (ou seja, idêntico), disponibilizado para todos os trabalhadores, daqueles que exercem as funções mais simples aos que realizam as tarefas mais graduadas. Os valores são pagos aos empregados que comprem produtos da Recorrente em sua rede varejista. Sem dúvida que se trata de um benefício para o trabalhador, que pode adquirir o produto de uso comum e necessário para todos que possuem veículos sem obter nenhuma vantagem extra, exceto o desconto concedido por meio do reembolso que só é pago mediante a comprovação da aquisição por meio da correspondente nota fiscal emitida por revendedor oficial da Apelante. (cf. folhas 2068) Ora, não há caráter contraprestacional em verba decorrente de pagamento efetuado pelo empregado para aquisição de bens ou utilidades. Não quando tal benefício é extensivo a todos os empregados da empresa. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores referentes ao reembolso pneu. DO AUXÍLIO RESIDÊNCIA E GRATIFICAÇÃO DE GERENTE Sobre o tema, assim se manifestou a autoridade fiscal (fls 42): "110. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre valores da DIRF X GFIP dos contribuintes individuais. 111. Em atendimento, declarou que as diferenças nos meses de 06 e 07/2009 referentes a Guilherme Luis Kelly são benefício residência e gratificação função gerente. E, ainda, que o pagamento a João Batista Costa referese a autônomo mediante Recibo – RPA." Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 32 As alegações da apelação podem ser expressa pelo excerto (fls 2684): "Conforme demonstrado durante a fiscalização, a Recorrente efetuou pagamento de auxílio residência para um empregado que trabalhou, durante todo o ano de 2009, em localidade diversa daquela para qual foi contratado, de forma que durante este período foram pagas verbas a título de auxílioresidência e gratificação de função. Ora, sendo a alteração do local de trabalho com respectiva mudança de residência necessária para que o trabalhador exercesse suas atividades, não há que se falar em enquadrar tal benefício no salário de contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. E, na nova localidade, o trabalhador exerceu atividades de gerente, motivo pelo qual foi necessário pagar, durante o período de transferência, a verba em comento." Em que pesem as alegações, pertinentes, é bom que se diga, não observo no processo administrativo comprovação de tais fatos. Cediço que há previsão na CLT, reconhecida pela disposição do art. 28, § 9º, alínea 'm' da Lei de Custeio, da indenização correspondente ao pagamento da habitação ao funcionário transferido de seu local de contratação por interesse do empregador. Porém, como dito, não restou comprovado que os valores apontados pela fiscalização se encaixam nessa exceção legal. Tratandose de fato impeditivo do lançamento tributário é ônus do recorrente sua comprovação. Assim, nego provimento ao recurso nessa parte, ressaltando que a gratificação de função apontada tem natureza salarial posto que contraprestacional. 4. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DOS PAGAMENTOS FEITOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Quanto ao tópico, alega a recorrente (fls 2684): "Com relação aos pagamentos identificados pela fiscalização como feitos a contribuintes individuais, a decisão recorrida limitase a manter a autuação sob o argumento de que a Recorrente apresentou impugnação genérica sobre o tema Contudo, conforme será demonstrado abaixo, a Recorrente impugnou todo o tópico, com o intuito de demonstrar de forma clara e precisa os motivos que ensejam a insubsistência da autuação, conforme abaixo. Os pagamentos apontados pela fiscalização no presente auto de ni.jção não se encaixam no conceito de remuneração, razão pela qual .ião devem se enquadrar na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conforme disposto no artigo 28 da Lei 8212/91, conceituase como salário de contribuição a remuneração paga como contraprestação aos serviços prestados pelo empregado, de Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.938 33 modo a delimitar a regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias: (...) Por esta razão, esclarece a Recorrente que todas as verbas que devem sofrer incidência previdenciária sempre foram devidamente declaradas em GFIP, sendo certo que os valores identificados no relatório fiscal como "remunerações de contribuintes individuais não declaradas em GFIP" referemse a verbas não sujeitas a contribuições previdenciárias e não se encaixam no conceito de remuneração, conforme demonstrado. Ademais, da própria narrativa constante do relatório fiscal, resta evidente que as verbas em análise não se encaixam neste conceito, pois nao visam remunerar a prestação dos serviços!!!" Claríssimas as alegações genéricas formuladas. Não há, ao longo de todo o recurso, nenhuma alegação comprovada que afaste as imputações fiscais, estas sim, ao reverso apontam especificidades que atraem a exação. Vejamos (fls 42): "112. Em relação a Eugenio Carlos Deliberato, Romana Ghirotti Prado e Sérgio Lomando não justificou as diferenças. 113. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a apresentar os documentos que serviram de base para os lançamentos indicados no Anexo – Documentos da Contabilidade. 114. Em atendimento, apresentou arquivo magnético com relação denominada “BASE FORNECEDORES CONTRIBUINTES IND”, onde identificou os pagamentos a pessoas físicas colocando o CPF no campo CPF/CNPJ. 115. Analisando o arquivo apresentado, foram identificados pagamentos a pessoas físicas que não foram declarados em GFIP, os quais deram origem ao Anexo – Fornecedores não declarados. 116. Para Massimo da Ronch foram utilizados os valores da conta N16001JV05 M.E. COMISSOES TERCEIROS – PETIN indicada pela empresa, Anexo – Valores Massimo da Ronch. 117. Para Juan Efrain Cangahuala foram utilizados os valores da relação apresentada: “BASE FORNECEDORES CONTRIBUINTES IND”. (...)" Como dito e repetido ao longo do presente voto, os fatos impeditivos ou modificativos do direito do Fisco ao lançamento tributário devem ser provados pelo sujeito passivo, fato que não ocorreu no presente caso. Recurso voluntário negado nessa parte. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 34 DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHA DE PAGAMENTO E GFIP Segundo o relatório fiscal (fls 43): "126. A empresa foi intimada, através do TIF n° P 04, a esclarecer as diferenças indicadas no Anexo – Diferenças entre Base da Folha e GFIP. 127. Ressalto que a planilha indica as categorias 1 empregado, 3 trabalhador não vinculado ao RGPS com direito ao FGTS, 4 empregado por prazo determinado e 7 – menor aprendiz, tendo em vista que a empresa não apresentou a folha de pagamento dos contribuintes individuais. 128. Em atendimento, declarou que faltou considerar a rubrica /117 – Base estorno INSS. 129. A fiscalização incluiu a rubrica indicada, mas, ainda assim, restaram diferenças a esclarecer, que indicaram que a base da folha de pagamento é maior que a base declarada em GFIP para as categorias indicadas no item 126. 130. Através do TIF n° P 07, a empresa foi intimada a esclarecer as diferenças apontadas no Anexo – DIF BC FOPAG – estorno X GFIP. 131. Em atendimento, apresentou arquivos magnéticos contendo RELAÇÃO DE ESTABELECIMENTOS CENTRALIZADOS – REC das unidades e competências indicadas que não apresentam as bases segregadas por categoria e, portanto, não serviram como parâmetro para comparação e esclarecimento das diferenças. 132. A fim de demonstrar os valores declarados que foram indicados na planilha, foram extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil as seguintes informações: • Relação de GFIP enviada, por unidade e por competência. • Bases de cálculo por categoria, por unidade e por competência. 133. Foi elaborado o ANEXO DIF BC FOPAG estorno X GFIP CORRIGIDO OUT 2013, a fim de demonstrar os valores das diferenças que não foram declaradas em GFIP e não foram esclarecidas pela empresa. 134. Por se tratar de remuneração constante da folha de pagamento que não foi declarada, foi criado o levantamento D1 – DIFERENÇA FOLHA DE PAGAMENTO (D2 para a matriz e filial 59.179.838/000480), a fim de constituir o crédito tributário decorrente, onde foram lançados os referidos valores, e lavrados os Autos de Infração n° 51.044.8917 (parte patronal) e 51.044.8925 (Outras Entidades)." (destaquei) A insurgência recursal pode ser resumida com a seguinte transcrição (fls Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 2201003.334 S2C2T1 Fl. 2.939 35 "Mais uma vez, não há como prevalecer a subsistência da autuação no tocante as obrigações acessórias relativas a divergências entre folha de pagamentos e GFIP, conforme será demonstrado a seguir. A Recorrente reitera que a autuação, da forma como lavrada, viola o direito à ampla defesa e ao contraditório, na medida em que não permite à Recorrente o regular exercício de defesa. Afinal, da análise do relatório fiscal e das "planilhas' mencionadas pela autuação, não é possível identificar quais seriam as supostas divergências identificadas. Portanto, desde já resta evidente a insubsistência da autuação neste particular. De qualquer forma, esclarece a Recorrente que todas as verbas que devem sofrer a incidência previdenciária sempre foram devidamente declaradas em GFIP, sendo certo que as únicas hipóteses de pagamentos não declarados em GFIP referemse a verbas não sujeitas a contribuições previdenciárias." Novamente observo a presença de alegações genéricas, e obviamente não comprovadas, que não se prestam a afastar a imputação fiscal, esta sim, específica e comprovada pelo documentos produzidos pela própria recorrente e de cunho declaratório constitutivo. Não veja a violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório apontado. Ao reverso, desde a fiscalização, comprovo que o Fisco sempre intimou e buscou a comprovação de sua inferência, somente efetuando o lançamento após tal constatação. Recurso negado nesta parte. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Se insurge a recorrente contra a elaboração de RFFP em razão do cumprimento das obrigações tributárias, pela recorrente, e da discussão sobre o crédito tributário constituído, o que, segundo ela, demonstra a incerteza da exação. Nesse sentido, alega a desnecessidade da representação, em face da inexistência de crime e da discussão sobre a procedência do crédito tributário ensejador de tal comunicado. Em que pese a existência da Súmula CARF nº 28, de caráter vínculante, que afasta a competência do CARF sobre o tema, mister realçar que o pedido da recorrente decorre da processo administrativo, ou seja, a RFFP só terá seu andamento processado após o trânsito em julgado do crédito tributário constituído pelo lançamento que aqui se discute. Recurso negado também nesta parte. Por fim, necessário reafirmar que, como dito ab initio, que foram interpostos diversos recursos com conteúdo idênticos, sendo que as páginas mencionadas no presente voto se referem ao apelo protocolizado em primeiro lugar. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 36 CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso e no mérito, darlhe provimento parcial para: i) exclusão do lançamento dos valores constantes do levantamento P2 Unidades sem acordo PPR (que por amor à clareza se reitera que são os valores relativos ao pagamento realizado aos segurados empregados), e ii) os valores referentes ao lançamento decorrente do valores pagos a título de reembolso pneus. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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