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Numero do processo: 13827.720293/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Matéria que não tenha sido objeto de impugnação e, portanto, não conste da decisão de primeira instância, não pode ser alegada em sede de recurso voluntário, por estar preclusa.
Numero da decisão: 2301-011.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Honório Albuquerque de Brito (suplente convocado(a)), Rodrigo Rigo Pinheiro, Paulo Cesar Mota e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Matéria que não tenha sido objeto de impugnação e, portanto, não conste da decisão de primeira instância, não pode ser alegada em sede de recurso voluntário, por estar preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Honório Albuquerque de Brito (suplente convocado(a)), Rodrigo Rigo Pinheiro, Paulo Cesar Mota e Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, relativa a IRPF do exercício 2010, referente a omissão de rendimentos e compensação indevida de carnê-leão. A impugnação foi julgada procedente em parte pela 11ª Turma da DRJ/RJO (acórdão às fls. 25/36). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 72 02 93 /2 01 3- 04 Fl. 62DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-011.379 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13827.720293/2013-04 Cientificado do acórdão de primeira instância em 09/03/2020 (fls. 43), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 17/03/2020 (fls. 51/54), no qual sustentou, em síntese: - a prescrição intercorrente; - a quitação do imposto complementar com valores retidos na fonte, posteriores ao primeiro desconto. É o relatório. Voto Conselheiro Diogo Cristian Denny – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Contudo, deve ser parcialmente conhecido. Preclusão O pedido relacionado à compensação de “imposto complementar pelos valores retidos na fonte do recorrente posteriores ao primeiro desconto” está precluso, porquanto não suscitado na impugnação. Deveras, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235/72, a Impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não sendo permitido, por conseguinte, que o sujeito passivo inove em seu Recurso Voluntário para incluir razões diversas daquelas anteriormente ventiladas. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Matéria que não tenha sido objeto de impugnação e, portanto, não conste da decisão de primeira instância, não pode ser alegada em sede de recurso voluntário, por estar preclusa. Acórdão CSRF. 9303-009.436, de 18/09/2019 De toda forma, ainda que não houvesse preclusão, sobreleva anotar que não houve retenção de IRF do contribuinte, conforme se infere de sua DIRPF (fl. 11), e que o valor informado de carnê-leão não foi confirmado (fls. 35/36), inexistindo valores a serem abatidos. Prescrição intercorrente A inexistência de prescrição intercorrente, no âmbito do processo administrativo fiscal, é matéria sumulada por este tribunal, verbis: Súmula CARF nº 11 Fl. 63DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-011.379 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13827.720293/2013-04 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 64DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720109/2016-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
FALTA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
MULTA POR ENTREGA INTEMPESTIVA DE GFIP.
A entrega em atraso da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) constitui infração punível com a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212 de 1991.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP. DECADÊNCIA.
INOCORRÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SÚMULA CARF N. 148.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória
previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata.
Numero da decisão: 2002-008.527
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 FALTA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. MULTA POR ENTREGA INTEMPESTIVA DE GFIP. A entrega em atraso da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) constitui infração punível com a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212 de 1991. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SÚMULA CARF N. 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata.
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G. S. BARROS - ME RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 FALTA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. MULTA POR ENTREGA INTEMPESTIVA DE GFIP. A entrega em atraso da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) constitui infração punível com a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212 de 1991. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SÚMULA CARF N. 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata. Fl. 57DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.527 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.720109/2016-69 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2024. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra para exigir da Recorrente crédito tributário correspondente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP das competências 08/2010 a 12/2010. A Recorrente apresentou impugnação em que confessou a prática da infração, embora alegue que deve ser realizada intimação prévia para a realização do lançamento, pede aplicação da denúncia espontânea, alega que seria necessária a realização de dupla visita para a lavratura do auto de infração por se tratar de microempresa, que teria ocorrido prescrição e que a penalidade seria confiscatória (fls. 2-9). Sobreveio o acórdão 14-100.230, proferido pela 3ª TURMA DA DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação por entender pela inexistência de nulidade e pela inaplicabilidade da denúncia espontânea. Cientificada em 04/08/2020, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 26/08/2020 em que alega a ocorrência de prescrição do crédito cobrado, ausência de razoabilidade das multas e que seria necessária a prévia intimação para lavratura do auto de infração. Fl. 58DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.527 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.720109/2016-69 3 VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conheço do Recurso Voluntário, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No entanto, o pleito da Recorrente não merece prosperar, como passo a expor. A fiscalização imputou a prática da conduta descrita no artigo 32-A da Lei 8.212, de 1991, referente à não entrega da declaração GFIP no prazo legal. A Recorrente, embora afirme ter cumprido a destempo o dever instrumental, confirma que descumpriu o prazo legal. Pacificada a questão de fato, passo à análise dos argumentos jurídicos da Recorrente. Sobre a preliminar por ausência de intimação prévia, destaco que o artigo 32-A da Lei 2.212 de 1991 prevê que o contribuinte “será intimado a apresentá-la ou prestar esclarecimentos” e “sujeitar-se-á às seguintes multas”, o que foi interpretado pela Recorrente como uma exigência sucessiva de primeiro intimar o contribuinte para, só então, lavrar o auto de infração para cobrar a multa, sob pena de nulidade. Sem razão a Recorrente, pois o artigo 32-A é claro ao prever que o dever de apresentar a “declaração ou informações” está vinculado ao comando “sujeitar-se-á às seguintes multas” pelo emprego da conjunção coordenativa aditiva “e” que leva à construção de duas normas individuais e concretas distintas aplicáveis à não entrega da declaração a tempo e modo, quais sejam: (i) a intimação do contribuinte para apresentar as informações suprimidas; (ii) a aplicação da sanção pelo descumprimento do dever instrumental a tempo e modo. Para que o raciocínio empregado pela Recorrente fosse válido, seria necessário que a aplicação da multa estivesse subordinada à intimação prévia, questão que não é possível depreender do comando legal. Inclusive, destaco que a Súmula CARF nº 46 prevê que o lançamento de ofício deverá ser realizado quando a autoridade estiver munida das informações necessárias, independente de prévia intimação, razão pela qual afasto a nulidade em questão. No tocante à preliminar de nulidade em razão da suposta necessidade de dupla visita para lavratura de autos de infração em desfavor de microempresas e empresas de pequeno porte, que estaria prevista no artigo 55 da Lei Complementar nº 123 de 2006. Ocorre que este pleito também não merece prosperar, pois o artigo 55 da referida Lei Complementar prevê que a fiscalização, “no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental e de segurança (...) deverá ter natureza prioritariamente orientadora”. A redação literal do dispositivo, portanto, não traz qualquer limitação às questões de natureza tributária, o que leva à improcedência deste tópico do pleito recursal. No mérito, é importante destacar que a aplicação destas multas não é uma alteração de critério jurídico só porque estas nunca foram lançadas. Para que o argumento fosse logicamente coerente, o que a Recorrente poderia afirmar é que teria havido uma derrogação da norma em Fl. 59DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.527 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.720109/2016-69 4 razão de sua não aplicação, argumento que não poderia ser enfrentado nesta esfera de julgamento por implicar em afastar a aplicação da legislação, o que é vedado ao Conselheiro. Ultrapassado este ponto, verifico que a penalidade está prevista na legislação para a prática da conduta realizada pela Recorrente (omissão na entrega da declaração a tempo e modo), do que resulta na imperiosa aplicação pela autoridade fiscal quando verificar os pressupostos fáticos, dentro do prazo decadencial, sob pena de prevaricação. O lançamento da penalidade deve ser realizado de ofício pela fiscalização, de modo que se sujeita ao prazo decadencial, previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) como acertadamente reconheceu a DRJ. Hipótese diversa diz respeito ao tributo declarado que eventualmente não tenha sido pago, que se sujeita ao prazo prescricional para que sejam adotadas as medidas necessárias para cobrança do crédito que foi confessado pelo contribuinte. A isso soma-se o enunciado da Súmula CARF nº 148, que prevê que as multas referentes às obrigações acessórias de natureza previdenciária se sujeitam à decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Veja que todas as GFIPs se referem ao ano calendário 2010, de modo que o início do prazo decadencial seria 01/01/2011 e encerraria em 31/12/2015. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 09/10/2015, não se configurou a decadência. Desta forma, foi correta a aplicação da multa pela fiscalização ao verificar que a Recorrente transmitiu a destempo sua declaração GFIP, ainda que antes de qualquer intimação. Sob o prisma legal, a multa deve ser lançada, ainda mesmo que não tenha sido verificado prejuízo à fiscalização. Sobre a impossibilidade de se conhecer da nulidade por ausência de prévia intimação, destaca-se que é autorizado à autoridade fiscal a realização do lançamento quando já estiver munido de elementos suficientes, tal como disposto na Súmula CARF nº 46. No tocante à aplicação da denúncia espontânea para afastar a penalidade aplicada, também sem razão a Recorrente. Isso, pois conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 49, não se aplica denúncia espontânea às multas isoladas por descumprimento de obrigações acessórias. Sobre os argumentos relativos à ausência de proporcionalidade da multa que justificariam a sua inconstitucionalidade, ressalto que também se trata de matéria à qual é vedada a apreciação nesta esfera de julgamento, como previsto na Súmula CARF nº 2. Veja-se, portanto, que as matérias de defesa trazidas no Recurso Voluntário não são aptas a ensejar a reforma do acórdão proferido pela DRJ. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Fl. 60DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.527 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.720109/2016-69 5 Henrique Perlatto Moura Fl. 61DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10665.901155/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não há previsão legal para a homologação tácita de Pedido de Ressarcimento.
NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. EXCLUSÃO PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES.
Na sistemática da não cumulatividade, não integra a base de cálculo o valor das próprias contribuições.
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser essencial ou relevante ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Para efeitos de classificação como insumo, os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, além de essenciais e relevantes ao processo produtivo, devem estar relacionados intrinsecamente ao exercício das atividades-fim da empresa, não devem corresponder a meros custos administrativos e não devem figurar entre os itens para os quais haja vedação ou limitação de creditamento prevista em lei.
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. VALOR DESTACADO EM NOTA. O Egrégio Sodalício fixou em sede de Embargos no RE n. 574.706/PR que o valor do ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições é o destacado em nota, o que foi acatado pela Procuradoria da Fazenda, conforme Parecer SEI nº 7698/2021/ME
Numero da decisão: 3401-013.020
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo o valor das próprias contribuições; excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como cancelar o lançamento no que se refere às aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas.
Assinado Digitalmente
Celso José Ferreira de Oliveira – Relator
Assinado Digitalmente
Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente), Catarina Marques Morais de Lima (suplente convocado(a)), Celso José Ferreira de Oliveira (Relator), George da Silva Santos, Laércio Cruz Uliana Júnior, Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: CELSO JOSE FERREIRA DE OLIVEIRA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não há previsão legal para a homologação tácita de Pedido de Ressarcimento. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. EXCLUSÃO PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. Na sistemática da não cumulatividade, não integra a base de cálculo o valor das próprias contribuições. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser essencial ou relevante ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Para efeitos de classificação como insumo, os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, além de essenciais e relevantes ao processo produtivo, devem estar relacionados intrinsecamente ao exercício das atividades-fim da empresa, não devem corresponder a meros Fl. 201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 2 custos administrativos e não devem figurar entre os itens para os quais haja vedação ou limitação de creditamento prevista em lei. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. VALOR DESTACADO EM NOTA. O Egrégio Sodalício fixou em sede de Embargos no RE n. 574.706/PR que o valor do ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições é o destacado em nota, o que foi acatado pela Procuradoria da Fazenda, conforme Parecer SEI nº 7698/2021/ME ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo o valor das próprias contribuições; excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como cancelar o lançamento no que se refere às aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente), Catarina Marques Morais de Lima (suplente convocado(a)), Celso José Ferreira de Oliveira (Relator), George da Silva Santos, Laércio Cruz Uliana Júnior, Mateus Soares de Oliveira. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de crédito de PIS com incidência não-cumulativa (exportação) no montante de R$ 56.074,95, relativo ao 1º trimestre de 2007, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp relativa(s) ao mesmo crédito. Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 3 O Pedido de Ressarcimento foi indeferido em sua totalidade e, consequentemente, as DComps foram não homologadas. Por bem descrever os fatos e situar controvérsia, adoto o relatório da Resolução nº 3302-001.752, o qual, por sua vez, adotara o relatório constante do Acórdão da Manifestação de Inconformidade. Vejamos: O contribuinte acima qualificado apresentou Pedido de Ressarcimento - PER de crédito de PIS com incidência não-cumulativa (exportação) no montante de R$ 56.074,95, relativo ao 1° trimestre de 2007, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação - Dcomp relativa(s) ao mesmo crédito. Os documentos tiveram tratamento manual, com intervenção do Serviço de Fiscalização da DRF/Divinópolis, que procedeu a auditoria com vista a averiguar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao PIS e à Cofins, no períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2007, incluindo a análise dos pedidos de ressarcimento de créditos não- cumulativos nos períodos em que ocorreram. O resultado dessa auditoria consta no Termo de Verificação Fiscal - TVF (fls. 05/17) relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 0610700-2012-00016, objeto do processo n° 10665.721702/2012-11. De acordo com o TVF, foram glosados, integralmente, os créditos relativos aos seguintes itens: material de laboratório; reposição florestal; lançados no grupo “Transporte Próprio Outros Custos” (DIV e SGP - aluguel e arrendamento, combustíveis e lubrificantes, manutenção e reparos, pneus e câmaras peças e acessórios veículos, serviços de terceiros PJ na conta 00596) e serviços terceiros PJ (conta 00215 - serviços de informática). Parcialmente, foram glosados: serviços terceiros PJ (conta 00223 - acompanhamento de embarque, agenciamento de cargas, análises químicas, consultoria, draft, inspeções, remessa postal expressa, serviços aduaneiros, despesas com operações de câmbio, encargos de exportação e outras); fretes rodoviários (despesas com remessa posta expressa); fretes e carretos (de itens destinados a laboratório ou transporte); serviços terceiros PJ (conta 00543 - assessoria, consultoria, avaliação ambiental e conta 00566 - avaliação ambiental e segurança do trabalho). Também foram glosados os créditos sobre as diferenças apuradas entre os valores constantes nas notas fiscais de entrada emitidas pela empresa e as respectivas notas fiscais de saída emitidas pelo fornecedor, na compra de carvão. E, na reconstituição do controle da utilização dos créditos feita pela fiscalização, foram desconsiderados os saldos de créditos de períodos anteriores, em função de procedimento fiscal anterior, relativo ao ano-calendário de 2006, que concluiu que tais créditos eram inexistentes. Em função das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria, o crédito não foi reconhecido (Despacho Safis à fl. 58). Em conseqüência, houve não homologação de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório da Seção do Orientação e Análise Tributária - Saort da DRF/Divinópolis, emitido em 18.07.2012 Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 4 (fls. 78/73), do qual o contribuinte tomou ciência em 23.07.2012, conforme tela acostada à fl. 74. Destaque-se que, em função das glosas efetuadas, a auditoria resultou, ainda, em lançamento de crédito tributário, o que está sendo devidamente tratado no processo n° 10665.721702/2012-11. Em 22.08.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 76/93, contendo, em síntese, os elementos que se seguem. Inicia demonstrando a tempestividade do seu recurso e afirmando serem equivocados os argumentos que indeferiram seu pedido de ressarcimento, os quais teriam cerceado seu direito ao aproveitamento de créditos. A seguir, passa ao mérito, abordando cada item separadamente. Da Preliminar: Dos Fundamentos Fáticos e de Direito - Da homologação tácita do pleito - decurso de prazo de 05 (cinco) anos - Art. 74 da Lei n° 9.430/1996 - Princípios constitucionais da legalidade e segurança jurídica - Aplicabilidade ao |Pedido de Restituição: Preliminarmente, alega a ocorrência de homologação tácita, tendo em vista que o PER foi enviado em 09.05.2007 e a ciência da manifestação da Fazenda Pública que indeferiu o pedido só ocorreu em 23.07.2012, tendo transcorrido, portanto, mais de 05 (cinco) anos, contados da entrega do pedido, nos termos do art. 74, §§.1°, 2° e 5°, da Lei n° 9.430/1996. Invoca ainda os arts. 156, VII, e 150, §§ 1° e 4°, do CTN, por entender tratar-se de restituição pela sistemática do regime de lançamento por homologação, alegando que decorreu mais de 05 (cinco) anos entre o envio do pedido e a notificação do contribuinte. Da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS - Das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 - Afronta ao art. 195 da Constituição da República d 1988 - Glosas indevidas: Entende que, uma vez que as contribuições possuem como fato gerador o faturamento mensal, que corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, o ICMS deve ser excluído, uma vez que se trata de receita do Erário Estadual e, portanto, despesa do contribuinte, não compondo sua receita. Nesse sentido, a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições caracterizaria violação ao art. 195, I, da Constituição Federal. Sobre o assunto, transcreve julgados do STF e do TRF1. Da exclusão da Cofins e do PIS de sua própria base de cálculo - Art. 1° das Leis n°s 10.637/202 e 10.833/2003, art. 23 do Decreto n° 4.524/2002 - Glosas indevidas: Alega que o art. 1° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e o art. 23 do Decreto n° 4.524/2002 definem o que não integra a base de cálculo das contribuições e que não estipulam que estas sejam calculadas “por dentro”, ou Fl. 204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 5 seja, que integrem a sua própria base de cálculo, citando Solução de Consulta da RFB. Assim como no caso do ICMS, defende que a não exclusão das contribuições da sua base de cálculo implicaria no recolhimento de tributo sobre tributo e que tais contribuições não estariam inseridas no conceito de faturamento. Dos valores mensais das receitas auferidas como Recuperação de Despesas lançadas - Despesas pagas antecipadamente e descontadas em folha salarial - Glosas indevidas: Alega que os valores considerados pela fiscalização como omissão de receita, nos meses de janeiro, março, abril e novembro, se tratam de reembolsos de desconto de alimentação, vale-transporte e plano de saúde, que se encontravam contabilizados indevidamente como “recuperação de despesas”. Segundo afirma, tais valores se referem a despesas pagas antecipadamente pela empresa e, posteriormente, descontadas dos salários dos funcionários, não constituindo, portanto, receitas tributáveis. Anexou folhas do razão analítico, em que consta a discriminação dessas receitas. Das aquisições de carvão vegetal de Pessoa Jurídica - Notas Fiscais Complementares de responsabilidade do fornecedor (produtor) e não da contribuinte - Glosas indevidas: O impugnante explica que a produção do carvão vegetal se dá em áreas rurais, que não dispõem de equipamentos precisos de medição e pesagem, de forma que as notas fiscais emitidas pelos fornecedores correspondem a apenas uma expectativa de peso e quantidade, sendo que, no momento da entrada do produto no estabelecimento do comprador (no caso, o reclamante), quando ocorre a pesagem, e a quantidade e peso são confirmados, é emitida uma nota fiscal correspondente à efetiva aquisição da matéria-prima, com o valor real da compra, e com base na qual o preço então é pago. Com fundamento no art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, defende que está correto o creditamento das contribuições sobre o valor da nota emitida, já que é o valor efetivamente pago. Por outro lado, alega que não pode ser autuada por não possuir a nota fiscal complementar, requerida pela autoridade fiscal, uma vez que esta é de inteira responsabilidade do fornecedor, do qual seriam cobrados esses valores complementares, no caso de sofrer uma fiscalização. Do direito ao ressarcimento de Crédito de Cofins-Exportação - Itens integralmente glosados - Necessidade de acolhimento da presente defesa - Glosas indevidas: O impugnante defende que os itens glosados tratam-se de insumos diretamente ligados à produção do ferro gusa, e aborda, separadamente, cada grupo de crédito glosado. Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 6 Material de Laboratório e Reposição Florestal - Contas 01089 e 00535: Alega que “os gastos com aquisição de material de laboratório e os investimentos na reposição florestal estão diretamente ligados à produção e análise dos insumos” e que não há como realizar a venda de ferro gusa sem a utilização de carvão vegetal, bem como anterior análise técnica, química e física dos materiais utilizados na produção. Defende que, uma vez que o carvão vegetal é matéria-prima para a sua produção, todos os gastos no processo de extração, análise e preparo do carvão estão vinculados ao seu produto final, direta ou indiretamente, enquadrando-se como insumo, diferentemente do que entendeu o auditor fiscal, que lhe deu interpretação fora do escopo dos contornos legais. Especificamente sobre a reposição florestal, alega que, por compreender ações que visam estabelecer a continuidade do abastecimento de matéria-prima florestal, através da obrigatoriedade da recomposição do volume explorado, está diretamente ligada ao custo de aquisição do carvão. Do Grupo Contábil “Transporte próprio e outros custos”: Aduz ter direito aos créditos relativos aos veículos e seus acessórios, por terem sido utilizados diretamente na atividade econômica do ferro-gusa, “no auxílio da cadeia produtiva”. No que diz respeito aos aluguéis, afirma que envolviam equipamentos e máquinas também vinculados ao processo produtivo, seja do ferro gusa, como das matérias-primas utilizadas na sua produção. Destaca que os dispositivos legais sobre a matéria instituem a possibilidade de aproveitamento de créditos para as despesas e custos relativos a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, “utilizados nas atividades da empresa” e que o auditor deu interpretação extensiva aos contornos legais. Defende que o conceito de atividade econômica deve se referir a todo o processo que envolve a produção, englobando a disponibilização e transporte da matéria-prima, e que tal conceito não fora bem definido pela autoridade fiscal no seu despacho decisório. Acrescenta que, de acordo com os seus contratos de locação/arrendamento de caminhões, as despesas de manutenção são de sua responsabilidade, de forma que arca com todas as despesas com pneus, câmaras, peças e acessórios, que, ao serem utilizados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos no processo produtivo, sofrem desgastes, danos ou perdas de propriedades físicas ou químicas. Em seu favor, cita diversas Soluções de Consulta da RFB, e salienta que possui, ainda, tratores que operam no pátio interno da empresa, carregando insumos e produtos acabados. Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 7 Sobre o direito ao creditamento de combustíveis e lubrificantes, defende que está previsto no inciso II do art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Dos Pedidos: Resume seu pedido, requerendo, diante do exposto, a reforma da decisão recorrida, dando provimento ao recurso, com deferimento dos valores objeto do pedido de restituição, por sua expressa e inequívoca homologação, e, no caso de ser ultrapassada essa preliminar argüida, o reconhecimento e homologação das Dcomp, consoante as razões apresentadas em relação às glosas efetuadas. Em 08 de abril de 2013, através do Acórdão n° 02-43.755, a 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão, via Aviso de Recebimento, em 16 de abril de 2013, e-folhas 129. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 02 de maio de 2013, de e-folhas 131 à 150. Foi alegado: - Preliminar: - Da homologação tácita do pleito - decurso do prazo de 05 (cinco) anos - Art. 74 da Lei 9.430/96 - Princípios constitucionais da legalidade e segurança jurídica - Aplicabilidade ao Pedido de Restituição. - Do Mérito: - Das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 - Afronta ao art. 195, da Constituição da República de 1988 - Glosas indevidas; - Art. 1o, da Lei 10.637/2002; Art. 1o, da Lei 10.833/2003; art. 23, do Decreto n°. 4.524/2002 - Glosas indevidas; lançadas - Despesas pagas antecipadamente e descontadas em folha salarial - Glosas indevidas; — Notas Fiscais Complementares de responsabilidade do fornecedor (produtor) e não da contribuinte — Glosas indevidas; Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 8 -Exportação - Itens integralmente glosados - Necessidade de acolhimento da presente defesa - Glosas indevidas: o Material de Laboratório e Reposição Florestal - Contas 01089 e 00535; o Do Grupo Contábil “Transporte próprio e outros custos”. - Dos Pedidos: Pelo exposto, tendo em vista o decurso do prazo de 05 (cinco) anos entre o envio da declaração de restituição, que se deu em 09/05/2007, e a notificação do contribuinte, que se deu em 23/07/2012, requer-se a reforma da decisão recorrida, dando provimento ao recurso, com o deferimento dos valores objetos do pedido de restituição, por sua expressa e inequívoca homologação. Caso seja ultrapassada a preliminar acima arguida, o que só se admite por argumentar, requer a reforma integral do Acórdão ora recorrido, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito da Recorrente, com o consequente reconhecimento e a homologação, nos termos solicitados via Dcomp, da totalidade do crédito de COFINS não cumulativa - Exportação lançado, consoante as razões descritas no tópico V. É o relatório Por sua vez, em 23 de junho de 2021, a 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção deste tribunal administrativo, resolveu converter o julgamento em diligência com o sobrestamento do processo até o julgamento definitivo do processo nº 10665.721702/2012-11, auto de infração que deu fundamento ao indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações. Isso porque havia sido julgado o mencionado processo, conforme ementa abaixo reproduzida. Vejamos: O Processo foi julgado pela 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, na Sessão de 10 de dezembro de 2014, Acórdão n° 3403-003.449, recebendo a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. EXCLUSÃO PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Contudo, não integra a base de cálculo o valor das próprias contribuições. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 9 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Contudo, não integra a base de cálculo o valor das próprias contribuições. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC. Considerando, pois, que os débitos de PIS discutidos neste processo foram objeto de lançamento de Auto de Infração no Processo Administrativo Fiscal n° 10665.721702/2012-11, entendo que o presente julgamento deve ser sobrestado na unidade de origem, até que haja decisão definitiva no processo nº 10665.721702/2012-11. Após o julgamento definitivo de referido processo, a unidade de origem deverá: 1. Trazer, ao presente processo, cópia da decisão definitiva do processo administrativo nº 10665.721702/2012-11, com todos os documentos essenciais; 2. apure o reflexo do desfecho do Processo Administrativo Fiscal n° 10665.721702/2012-11 referente aos créditos no presente processo. 3. que se apure a existência ou não de saldo credor. Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 10 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator. Em 28 de julho de 2022, a unidade de origem, a partir da Minuta de Cálculo elaborada com fulcro no Acórdão nº 3403-003.449 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 10/12/2014, referente ao processo nº 10665.721702/2012-11, informou o direito creditório referente ao PIS, do 1º trimestre de 2007, e o presente processo foi reencaminhado ao CARF e, em 07 de maio de 2024, encaminhado por sorteio a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Celso José Ferreira de Oliveira, Relator O recurso é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, e, portanto, dele deve-se tomar conhecimento. Preliminar: Dos Fundamentos Fáticos e de Direito – Da homologação tácita do pleito – decurso de prazo de 05 (cinco) anos – Art. 74 da Lei nº 9.430/1996 – Princípios constitucionais da legalidade e segurança jurídica – Aplicabilidade ao Pedido de Restituição: Em relação a este ponto, não merece reparos a decisão de primeira instância neste ponto. Portanto, adotamos as suas razões de decidir como se nossas fossem. Reproduzimos: Quanto ao prazo para a autoridade administrativa se pronunciar, o reclamante invoca o instituto da homologação tácita. Vejamos: O alegado §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 dispõe que “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Assim, não se confunde a Declaração de Compensação – Dcomp com o Pedido de Ressarcimento – PER, ambos apresentados pelo contribuinte, sendo que somente em relação ao primeiro aplica-se o disposto no citado dispositivo legal. Tendo as Dcomp sido apresentadas em 08.08.2007 e 10.08.2007, respectivamente, não há que se falar em homologação tácita, uma vez que a ciência do Despacho Decisório que as considerou não homologadas se deu em 23.07.2012 e, portanto, antes de decorrido o prazo de 05 (cinco) anos determinado pela lei. Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 11 Quanto à alegação relativa aos arts. 156, VII, e 150, §§ 1º e 4º, do CTN, não merece maior acolhida, pelo fato de não se tratar aqui de lançamento por homologação, mas simplesmente de um pedido de ressarcimento. E, no que diz respeito à Declaração de Compensação, o prazo de homologação está fixado, conforme já dito, pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não incidindo na situação prevista no §4º do art. 150 do CTN. Assim, não procede a alegação preliminar de homologação tácita suscitada pelo contribuinte, uma vez que não há qualquer previsão legal para a homologação em relação ao pedido de ressarcimento. Neste ponto, portanto, rejeitamos a preliminar arguida. Mérito Em relação ao mérito, adoto como razões de decidir as razões expostas no Acórdão nº 3403-003.449, excetuadas, evidentemente, as razões que não se coadunam com o quadro normativo e jurisprudencial atual. Assim, reproduzo em sua inteireza as razões que adoto para decidir e, em seguida, faço a distinção daquelas que foram superadas, posteriormente, por decisões a que devemos a necessária obediência. Exemplo disso é a exclusão da base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS) do ICMS. 1. Da preliminar de decadência Afirmou a empresa, ainda na impugnação, que houve decadência em relação aos meses de fevereiro a maio de 2007, conforme art. 150, § 4o do CTN, tendo havido pagamento antecipado. A DRJ aprecia a matéria, verificando que não houve antecipação de pagamento nos períodos analisados, sendo aplicável a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Em sede recursal, a empresa afirma (fl. 751) que “constatada a existência de pagamentos anteriores”, aplica-se a decadência, e que os julgadores “omitiram o fato de que houve a existência de pagamentos anteriores, o que remete para a contagem de acordo com o art. 150, § 4o do CTN”. No entanto, não demonstra quais são tais pagamentos, indicando, por exemplo, os valores e as datas de recolhimento dos DARF. A premissa da defesa é correta, e está em consonância com o entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC (de que na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, mas havendo pagamento antecipado aplica-se o comando do art. 150, § 4o do CTN). Contudo, a conclusão é incorreta, pois busca a recorrente aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4o do CTN em caso no qual não se verificou a existência de pagamento antecipado. Improcedente, então, a alegação de decadência. Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 12 2. Da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Sustenta a recorrente ainda que o valor do ICMS não compõe a receita, tampouco o faturamento, devendo ser excluído da base de cálculo das contribuições. Sobre o tema, é de se destacar que as leis que regulam a matéria (no regime não cumulativo, que é o tratado nos autos) são as de no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que dispunham, à época dos fatos, em seus arts. 1o: “Art. 1o A contribuição (...) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição (...) é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (grifo nosso) O texto normativo apresenta a base de cálculo no § 2o de seu art. 1o, a partir do conceito de faturamento do caput, detalhado no § 1o. E no § 3o são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão à transferência onerosa a terceiros de ICMS originado de operações de exportação). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Entender de forma diversa da expressa na lei, acrescentando a hipótese de exclusão, em face de princípios de ordem constitucional, implicaria análise administrativa de constitucionalidade, o que é vedado a esta corte administrativa, conforme assenta a Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse sentido decidiu de forma unânime esta turma (inclusive com a atual formação): “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep.” (Acórdão n. 3403001.774. Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2012) “EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Até que o Supremo Tribunal Federal venha a decidir definitivamente em Repercussão Geral o Recurso Extraordinário nº 574.706 e a Ação Direta de Constitucionalidade nº 18, em que há medida liminar deferida pelo plenário do STF, quando, a partir de então, a decisão será oponível contra todos e à própria administração, sendo ela positiva ou negativa aos contribuintes, Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 13 não há como dar guarida ao pedido da Recorrente.” (Acórdão n. 3403003.045. Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, unânime, sessão de 29.mai.2014) Contudo, no que se refere à cobrança “por dentro”, assiste razão à recorrente, não existindo na legislação de regência das contribuições (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) qualquer comando expresso que indique que o valor das próprias contribuições integra a base de cálculo. E a DRJ sugere que a ausência de exclusão expressa da base de cálculo implicaria a cobrança “por dentro”, em raciocínio que levaria à consequência de que praticamente todos os tributos existentes no Brasil fossem cobrados por tal metodologia (o que não parece lógico e adequado ao sistema tributário nacional, e à legalidade atinente à matéria). Veja-se que na hipótese em que se quis especificamente incluir as contribuições em sua própria base de cálculo, o legislador o fez (v.g., art. 7o, I da Lei no 10.865/2004, em sua redação original). Deve assim ser afastado o lançamento correspondente ao valor das próprias contribuições inseridas na base de cálculo. Tem-se, assim, que na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve ser incluído o ICMS, mas não o valor das próprias contribuições. 3. Da “recuperação de despesas” A fiscalização informa ter detectado que em confronto do DACON com o razão das contas referentes a “recuperação de despesas” (3.3.2.03.0002, 3.3.2.04.0002 e 3.3.2.04.0003) verificou-se que a empresa omitiu o valor de tais receitas nos meses de janeiro, março, abril e novembro, sendo que para o mês de maio o valor é superior ao da receita auferida (possivelmente incluindo extemporaneamente valores de meses anteriores). Em sua defesa, a recorrente afirma que a autuação considerou reembolsos de desconto de alimentação, vale transporte e plano de saúde contabilizados nas contas “recuperação de despesas lançadas”. Em relação a este tema, como destacou o julgador de piso, “as recuperações ou devoluções de custos” “integram a receita bruta operacional”, conforme expressa o art. 44, III da Lei no 4.506/1964, dispositivo legal vigente que não pode ser afastado pelo julgador de piso em face da já citada Súmula CARF no 2. Ademais, como também já salientado pela DRJ, a lista de exclusões da base de cálculo das contribuições (art. 1o, § 3o das leis de regência) é exaustiva, não encontrando guarida ali o pleito da recorrente Assim, procedente o lançamento efetuado em relação a tal tópico. 4. Das diferenças na aquisição de carvão vegetal Afirma o fisco, em relação às aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas, que as notas fiscais de saída do fornecedor continham valores diferentes dos constantes nas notas fiscais de entrada emitidas pela recorrente. E, em diversos casos, a nota de entrada tinha valor superior ao da nota de saída do produtor/vendedor, tendo sido contabilizado como valor da operação o constante da nota de entrada. Intimada a apresentar nota fiscal de complemento do valor emitida pelo vendedor, documento hábil à utilização do crédito, a recorrente informou não haver tais notas complementares. Assim, a recorrente onerou Fl. 213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 14 injustificadamente (com nota de emissão própria) a base de cálculo dos créditos a obter em relação às aquisições, tendo sido glosadas as diferenças positivas individualizadas entre o valor constante das notas de entrada e aquele inserido nas notas de saída do fornecedor/vendedor. A empresa alega, em sua defesa, que a produção do carvão é efetuada em áreas rurais, sem equipamentos precisos de medição e pesagem, sendo tais medições/pesagens efetuadas quando do recebimento da mercadoria pela empresa, seguindo-se a emissão de notas fiscais de entrada, com pesos e valores corretos (que refletem os valores efetivamente pagos). E acrescenta que a emissão de nota complementar de saída independe da vontade da empresa, sendo providência do fornecedor, não podendo prejudicar o direito de crédito. Os valores de aquisição foram considerados para IRPJ e CSLL, e não podem ser simplesmente desconsiderados nas contribuições em análise. Verificando-se os autos, percebe que o fisco notou as diferenças e intimou a empresa a apresentar as notas complementares em 20/06/2012 (fls. 173 a 175), discriminado as diferenças, por aquisição, às fls. 176 a 214. Em resposta, a empresa informou (fls. 221/222) que à época os produtores não emitiam notas complementares, apesar das exaustivas solicitações a eles para que assim procedessem. E a DRJ traz aos autos pela primeira vez a discussão sobre a aplicação da legislação estadual de MG em relação ao ICMS, que trata da emissão de notas complementares, e sobre o art. 21 de Convênio SINIEF de 1970. Tais observações serão tomadas a título de esclarecimento, mas não computadas como “reforço” à autuação, que somente pode ser mantida por seus próprios argumentos, que tratavam de nota complementar, mas sequer faziam referência à legislação estadual. A DRJ está correta, a nosso ver, quando afirma que assiste razão à recorrente quando esta afirma que “o creditamento pelo valor real da operação é medida de direito e imperativo de justiça”, mas que a recorrente não anexa aos autos nenhum documento no sentido de comprovar que os gastos com carvão efetivamente correspondem aos valores constantes das notas fiscais de entrada que emitiu. Contudo, há que se recordar que o procedimento em análise é uma autuação, e que a empresa, intimada a apresentar as notas complementares, informou que sua emissão depende de terceiro, afirmando que prevalecia “para todos os fins fiscais e tributários, a nota fiscal de entrada emitida pelo contribuinte” (fl. 221). A fiscalização, ao invés de verificar o efetivo valor da operação (ou mesmo se tal valor era tomado como base e aceito, como afirma a recorrente para IRPJ e CSLL), se necessário comparando os valores recolhidos pelos fornecedores a título das contribuições, contentou-se com a negativa de emissão de nota complementar para sustentar não existir o direito ao crédito (da mesma forma em que entendeu bastante verificar somente as operações em que a diferença entre as notas foi a maior, em desfavor da recorrente). Agindo assim, não parece ter sido o critério adotado pelo fisco uniforme (nem em relação ao praticado para outros tributos, nem em relação às demais operações da mesma empresa). Verificada a peculiaridade das operações de aquisição de carvão vegetal (que não parece ser desconhecida no estado de Minas Gerais, como revelam os próprios excertos da legislação estadual transcritos pela DRJ), não Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 15 pode se contentar a autoridade lançadora somente com a nota de entrada ou a nota de saída divergente, devendo tal parâmetro ser tomado apenas a título inicial da fiscalização. E isto foi em parte feito no presente processo, intimando-se a empresa a apresentar notas complementares. Contudo, com a negativa de apresentação de tais notas (diga-se, justificada pela impossibilidade de a empresa obrigar terceiro a fazê-lo) e a explicação de que os valores das notas de entrada eram usados para todos os fins tributários, deveria o fisco ter prosseguido nas investigações, verificando efetivamente qual teria sido o valor da operação de aquisição do carvão vegetal, autuando quem de direito (os fornecedores que recolheram eventualmente tributos a menos, ou a adquirente, na hipótese de esta ter se creditado indevidamente). Não poderia simplesmente ter paralisado a fiscalização, imediatamente autuando a recorrente, sem ter chegado ao valor que efetivamente norteou as operações de aquisição, atribuindo maior importância ao aspecto formal (emissão de nota complementar) do que ao material (verificação do valor praticado nas aquisições). Como sugere a decisão de piso (que, no entanto, impõe o ônus à recorrente), a prova do valor efetivo da aquisição de carvão vegetal pode ser feita, por exemplo, a partir das transferências de numerário entre o adquirente e o fornecedor. E a fiscalização poderia ter, ainda no curso do procedimento fiscal, intimado a empresa a apresentar tais documentos, e, a partir de sua apresentação (ou da ausência de apresentação) ter efetuado corretamente eventual lançamento. Assim, afasto o lançamento em relação às aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas por não ter o fisco reunido os elementos necessários à autuação. 5. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poder-se-ia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegar-se-ia à absurda Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 16 conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre vale- transporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS não cumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma (v.g. Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784), inclusive com a formação atual: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI (como pareceu entender o fisco ao efetuar algumas glosas), nem com a derivada da legislação do IR. 5.1. Das glosas em espécie Como relatado, a fiscalização relaciona itens totalmente glosados (como custos com material de laboratório; e com reposição florestal) e itens parcialmente glosados, tratando ainda de armazenagem e frete na operação de venda. A defesa, no entanto, faz menção apenas aos custos com material de laboratório e com reposição florestal (informando que estão diretamente ligados à produção de ferro gusa, pois não há como produzir ferro gusa sem carvão vegetal, e todo o processo necessário a sua extração, análise e preparo), e sobre veículos e seus acessórios (pneus, câmaras, peças e acessórios dos veículos, que sofrem desgastes, danos ou perdas de propriedades físicas ou químicas ao serem utilizados em máquinas e equipamentos que efetivamente respondem diretamente no processo produtivo), aclarando que foram utilizados na cadeia produtiva de ferro gusa, e que além dos caminhões, a empresa possui ainda Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 17 tratores, que operam no pátio interno da empresa, realizando “o carregamento de insumos e produtos acabados”. Em relação a combustíveis e lubrificantes, sustentou que há previsão legal expressa para desconto de créditos. 5.1.1. Dos custos com material de laboratório e com reposição florestal Tendo em conta o conceito de insumo adotado por este tribunal administrativo, é preciso verificar se tais rubricas estão a ele amoldados, possibilitando a tomada de créditos. A glosa, em relação a custos com material de laboratório e com reposição florestal (aquisição de direito de vinculação florestal com eucalipto, inclusive de pessoas físicas) tem o seguinte fundamento (fls. 23): Material de Laboratório (00535): não são insumos da produção; ii) Reposição Florestal (01089 e 01101): não são bens ou serviços utilizados como insumo na produção. Conforme demonstram cópias de contratos, comprovantes de pagamentos e demais elementos entregues pelo contribuinte em 31/05/2012, trata-se de aquisição pelo contribuinte de direitos de vinculação florestal com eucalipto. Foram inclusive consideradas pelo contribuinte, neste item, algumas aquisições de pessoa física (Paulo Kras Borges), em relação às quais o crédito é expressamente vedado.” Verificando os registros em DACON, percebe-se que a discriminação: da conta 00535 é “material de laboratório”, sem especificação; da conta 01089 é “reposição florestal”, também sem especificação; e da conta 01101, simplesmente “reposição florestal SGP” (fls. 30 e 32). A defesa alega que “os gastos com aquisição de material de laboratório e os investimentos na reposição florestal estão diretamente ligados à produção e análise dos insumos” e que “não há como realizar a venda de ferro gusa sem a utilização carvão vegetal (sic) bem como anterior análise técnica, química e física dos materiais utilizados na produção”. E conclui (fl. 759) : Como se percebe, a explicação é demasiadamente sintética para que se possa concluir que os gastos com aquisição de material de laboratório são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Estar “vinculado” direta ou indiretamente ao processo produtivo não significa “ser Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 18 necessário à obtenção do produto final”. Assim, ausente qualquer explicação mais detalhada de como os gastos com laboratório efetivamente se relacionam à obtenção do produto final, cabível o lançamento. No que se refere especificamente aos “investimentos na reposição florestal”, a recorrente alega, também sinteticamente, que (fl. 760): Assim, também pela falta de detalhamento de como os investimentos se relacionam à obtenção do produto final, procedente o lançamento. 5.1.2. Das despesas com locação/arrendamento de caminhões e pás carregadeiras, e demais despesas relacionadas a esses veículos/equipamentos A fiscalização efetua ainda outras glosas contestadas pela empresa, em relação ao grupo contábil “transporte próprio outros custos (DIV e SGP)” (fls. 23/24): “Trata- se de despesas com locação/arrendamento de caminhões e pá carregadeiras (conta 00588), bem como demais despesas relacionadas a esses veículos/equipamentos, e eventualmente a veículos já adquiridos pelo contribuinte por pagamento do valor residual (combustíveis, manutenção, peças, pneus). Segundo explicações dadas pelo contador e procurador da empresa, os veículos locados seriam utilizados tanto no transporte de insumos dos fornecedores para o estabelecimento do contribuinte, deslocamentos no pátio (pá carregadeira), bem como de seus produtos acabados (ferro gusa) para os adquirentes. Entretanto, conforme cópias dos contratos de locação apresentados, os veículos/equipamentos locados destinam-se genericamente a utilização pelo contribuinte ‘nos serviços relacionados ao seu objeto social’. Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo de aquisição dos bens, de acordo com o art. 289, § 1º do Decreto nº 3000/99 (RIR/99). Nos casos das despesas com locações e arrendamentos lançadas nas contas desse grupo contábil, não há como considerá-las fretes sobre compras ou fretes nas operações de vendas, uma vez que trata-se de valores devidos mensalmente, estabelecidos em contrato, independentemente da utilização ou não dos bens locados, os quais ficam à disposição do locatário/arrendatário. Desta forma, não é possível, como no caso de fretes contratados com emissão de conhecimentos de transportes, segregar, quantificar e atribuir essas despesas a custos de aquisição de insumos específicos ou a operações de vendas de produtos. Também, por suas características (veículos de transporte), os bens locados não são utilizados diretamente na produção dos itens destinados à venda. Observa-se ainda que nos meses de janeiro, março e abril foram consideradas algumas despesas com Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 19 aluguéis de veículos devidos a pessoas físicas, em relação às quais o crédito é expressamente vedado. Pelas razões aqui apresentadas, todas as despesas lançadas no grupo contábil “TRANSPORTE PRÓPRIO OUTROS CUSTOS” (DIV E SGP), cujas contas contábeis estão indicadas no quadro acima, foram glosadas pela Fiscalização da base de cálculo dos créditos das contribuições.” E, derradeiramente, efetua o fisco glosas parciais em relação aos seguintes itens (fls. 24/25), por não estarem diretamente ligados à produção de bens destinados à venda nem apresentarem-se como despesas com armazenagem e frete na operação de venda: “i) Serviços Terceiros – PJ (conta 00223 – do grupo DESPESAS C/ VENDAS – MERCADO EXTERNO DIV). Glosadas despesas com acompanhamento de embarque, agenciamento de cargas, análises químicas, consultoria, draft, inspeções, remessa postal expressa, serviços aduaneiros, despesas com operações de câmbio, encargos de exportação e outras conforme relação do Anexo VI. ii) Fretes Rodoviários (conta 00224 – do grupo DESPESAS C/ VENDAS – MERCADO EXTERNO DIV). Glosadas despesas com remessa postal expressa. iii) Fretes e Carretos (conta 00528 – do grupo OUTROS CUSTOS DE PRODUÇÃO DIV). Glosadas despesas com fretes de itens destinados a laboratório ou transporte. iv) Serviços de Terceiros PJ DIV (conta 00543 – do grupo OUTROS CUSTOS DE PRODUÇÃO DIV). Glosadas despesas com assessoria, consultoria, avaliação ambiental. v) Serviços de Terceiros PJ (conta 00566 – do grupo OUTROS CUSTOS DE PRODUÇÃO SGP). Glosadas despesas com avaliação ambiental, segurança do trabalho.” A recorrente alega em sua defesa que tanto os veículos quanto os seus acessórios “foram utilizados diretamente na atividade econômica do ferro gusa, no auxílio da cadeia produtiva” (fl. 761), e que, “em todos os casos, fica claro que os aluguéis em questão envolviam equipamentos e máquinas que estavam disponíveis e vinculadas ao processo produtivo, seja quanto ao produto final diretamente, seja indiretamente, com relação às matérias primas utilizadas na produção do gusa” (fl. 762). Assim, alega a recorrente encontrar supedâneo para a operação na alínea “b” do inciso II do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (com base no art. 3o, IV das leis de regência), que trata de “despesas e custos incorridos no mês, relativos a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. E anexa Soluções de Consulta nesse sentido (nenhuma delas fazendo menção a veículos). É primeiro necessário destacar que a tomada de crédito em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos” não está a tratar de veículos. As próprias Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, de onde é retirado o exceto (mais precisamente de seu art. 3o, IV), quando desejam se referir a veículos, o fazem expressamente. Veja-se o artigo anterior ao mencionado (art. 2o, § 1o, III) em ambas as leis, que esclarece a alíquota aplicável no caso de “máquinas e veículos” classificados em determinadas posições. Mas, independente do teor de tais dispositivos, é possível o crédito em relação a despesas com fretes. E podem gerar créditos os custos com Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 20 fretes nas operações de venda e as despesas com frete nas operações de compra de insumos (neste caso, compondo o custo de aquisição do bem), como decidiu esta turma, de forma unânime, cabendo reproduzir abaixo excerto do voto condutor: “[...] na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete podem se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias-primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o.” 2 (grifo nosso) Voltando ao caso concreto em análise, é preciso reiterar que as despesas glosadas não são de frete, mas de locação de caminhões e pás carregadeiras. E tais locações são fundadas em contratos, que estipulam como objeto a utilização, pela empresa, “nos serviços relacionados ao seu objeto social”, e preveem pagamento mensal, independente da utilização dos veículos. Não há assim como vincular especificamente os veículos a determinadas utilizações em operações de frete. E também é assentada unanimemente na turma a impossibilidade de descontar créditos em relação a operações de frete descritas genericamente: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo) ; fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004.” 3 (grifo nosso) E a empresa, em sua peça recursal, ao invés de especificar as operações, limita-se a tentar enquadrar a locação no 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, o que, como aqui se revelou, é improcedente. Não é afastada, assim, a motivação do lançamento, que deve ser mantido, recordando-se ainda que a recorrente silencia em relação às despesas com Fl. 220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 21 aluguéis de veículos devidos a pessoas físicas, mencionadas na autuação. Assim, igualmente improcedente o inconformismo em relação a pneus, câmaras, peças e acessórios de tais veículos arrendados, que seriam para sua manutenção, a cargo da recorrente. Isso porque novamente a empresa atribui a tais “veículos” o caráter de “máquinas e equipamentos” utilizados na fabricação de bens, em flagrante dissonância com o comando legal do art. 3o, IV das leis de regência. Acerca dos combustíveis e lubrificantes, alega a recorrente que há previsão legal expressa no inciso II do art. 3o das leis de regência, também se furtando a detalhar individualizadamente as despesas. “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura do texto legal já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Assim, não basta uma menção genérica a combustíveis e lubrificantes, como se faz na defesa, pois a legislação não assegura crédito a todo e qualquer combustível ou lubrificante, mas somente àqueles que sejam utilizados como insumos na prestação de serviços / na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Por certo que combustíveis e óleos lubrificantes que sejam efetivamente empregados no processo produtivo geram direito a créditos, se adquiridos com pagamento das contribuições4. Contudo, resta necessário o vínculo específico (e não genérico) ao processo produtivo. Recorde-se, por exemplo, que, como já julgou unanimemente esta Turma, seria incabível o creditamento de combustíveis e lubrificantes em relação a veículos utilizados no transporte de funcionários (Acórdãos no 3403002.912 a 917). E veja-se que as contas 00589 (“combustíveis e lubrificantes DIV”), 00592 (“manutenções e reparos DIV”), 00593 (“pneus e câmaras DIV”), 00596 (“serviços de terceiros PJ DIV”) e 03363 (“peças e acessórios veículos”) não permitem o necessário detalhamento, de modo a ensejar o a possibilidade de tomada de crédito. Assim, procedente o lançamento também em relação a esse tópico. No entanto, não se pode deixar de asseverar que o julgado cujas razões foram tomadas como razões para decidir o presente processo é anterior às decisões do STJ (REsp nº 1.221.170.PR) e mesmo STF, tema 69 de Repercussão Geral, RE nº 574.706-PR. Assim, necessária a adequação do julgado às decisões de observância necessária e vinculante. De fato, correta a decisão nos autos do processo administrativo nº 10665.721702/2012-11, considerada a sua anterioridade em relação ao julgado do STF do RE 574.706/PR. Mas necessária a sua reforma nesse ponto, pois a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, PIS e COFINS, a partir de 15 de março de 2017, foi decidida pela STF em julgado afetado à Repercussão Geral. Ora, embora a discussão administrativa seja anterior a 15 de Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 22 março de 2017, cabe nas ressalvas que foram firmadas pelo STF, em sede de Embargos de Declaração no RE 574.506/PR, ao modular os efeitos da decisão pela exclusão do ICMS da base cálculo das contribuições, conforme o voto da Ministra Carmen Lúcia, relatora. Vejamos: Pelo exposto, acolho, em parte, os presentes embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar desde 15.3.2017 – data em que julgado este recurso extraordinário n. 574.706 e fixada a tese com repercussão geral “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS” -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento de mérito.: Portanto, em relação à exclusão do ICMS da Base de Cálculo das Contribuições (PIS e COFINS), assiste razão à recorrente, pois a decisão do STF, em sede de repercussão geral, firmou o entendimento de que o ICMS não compõe a base de cálculo da PIS e da COFINS, mas modulou os efeitos a partir de 15 de março de 2017, ressalvando as ações judiciais e administrativas anteriores à sessão de julgamento do RE 574.706-PR. Ou seja, as ações judiciais ou as discussões administrativas protocoladas anteriormente à data apontada no julgado do Egrégio STF, tem assegurada a aplicação dos efeitos da decisão pelo que deve ser excluído da base de cálculo o valor do ICMS destacado nas notas fiscais. Ora, a presente discussão administrativa é anterior a data da sessão de julgamento do RE nº 574.706-PR. Portanto, a ela deve ser aplicado o entendimento do STF firmado em tal julgamento: o ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência da PIS e da COFINS. Não é de outra forma que tem decidido a CSRF deste tribunal de recursos. Veja-se, por todos, o Acórdão nº 9303-014.496, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/05/2002 PIS/COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. VALOR DESTACADO EM NOTA. O Egrégio Sodalício fixou em sede de Embargos no RE n. 574.706/PR que o valor do ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições é o destacado em nota, o que foi acatado pela Procuradoria da Fazenda, conforme Parecer SEI nº 7698/2021/ME. Neste ponto, portanto, para além do que já decidido por sua reforma, a decisão de piso também deve ser reformada. No mais, em relação à decisão no processo administrativo nº 10665.721702/2012- 11, verificamos que não há outras adequações a fazer. Em relação ao aproveitamento das despesas com reflorestamento, por exemplo, a glosa se deveu a ausência de provas da Fl. 222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.020 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.901155/2012-47 23 necessidade (termo da época), ou a essencialidade ou relevância (termos atuais, segundo o STJ). Ou seja, o indeferimento não se deu por inadequação ao conceito de insumos, mas sim por ausência de provas de sua necessidade (essencialidade em termos atuais) ou mesmo de sua relevância para o processo produtivo. Da mesma forma, decidiu-se pela manutenção da glosa em relação aos gastos com laboratório. Foi a ausência de diligência em bem descrever o seu processo produtivo e de bem provar a essencialidade e relevância de tais despesas que deu fundamento à decisão pela manutenção das glosas e não a sua inadequação ao conceito de insumo firmado pelo Superior Tribunal de Justiça nº REsp retromencionado. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar parcial provimento a fim de, para além do que já foi conhecido e provido no julgado nº 3403-003.449, ou seja, excluir da base de cálculo o valor das próprias contribuições e cancelar o lançamento no que se refere às aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas, seja excluído da base cálculo de PIS e COFINS o valor do ICMS destacado em notas fiscais. De outro giro, conheço do recurso para a ele dar parcial provimento, a fim de reconhecer o direito creditório resultante da exclusão da base de cálculo do valor das próprias contribuições e do ICMS, bem como cancelar o lançamento no que se refere às aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas e, consequentemente, poderão ser homologadas as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira Fl. 223DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10825.720030/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. OBRIGAÇÃO CONVENCIONAL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
É inaplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n.º 98 pois as regras contidas no direito de família regentes do tema têm como finalidade resguardar o sustento (alimentação) daquelas pessoas que, em virtude de um vínculo de parentesco, cônjuge ou companheiro, diante de um fato jurídico, seja ele o divórcio ou a dissolução da união estável, ficam em situação de vulnerabilidade.
A pensão alimentícia descrita na norma é, por uma interpretação lógica e sistemática jurídica, a decorrente de uma obrigação legal e não a decorrente de mera liberalidade.
Numero da decisão: 2301-011.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Rigo Pinheiro e Vanessa Kaeda Bulara de Andrade que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa relativa à dedução indevida de pensão alimentícia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-011.336, de 05 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10825.722153/2011-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Flávia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade e Rodrigo Rigo Pinheiro.
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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OBRIGAÇÃO CONVENCIONAL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É inaplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n.º 98 pois as regras contidas no direito de família regentes do tema têm como finalidade resguardar o sustento (alimentação) daquelas pessoas que, em virtude de um vínculo de parentesco, cônjuge ou companheiro, diante de um fato jurídico, seja ele o divórcio ou a dissolução da união estável, ficam em situação de vulnerabilidade. A pensão alimentícia descrita na norma é, por uma interpretação lógica e sistemática jurídica, a decorrente de uma obrigação legal e não a decorrente de mera liberalidade. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Rigo Pinheiro e Vanessa Kaeda Bulara de Andrade que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa relativa à dedução indevida de pensão alimentícia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-011.336, de 05 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10825.722153/2011-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.341 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.720030/2016-61 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Flávia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade e Rodrigo Rigo Pinheiro. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Conforme reporta o Relatório do Acórdão recorrido, trata-se de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, que apurou saldo de imposto de renda a pagar, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF). De acordo com o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento por meio do procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA, foram apuradas as seguintes infrações: 1) Dedução Indevida com Dependentes - Falta de comprovação; e 2) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial - Falta de comprovação de que houve a separação judicial do casal. O interessado foi cientificado e apresentou sua impugnação contestando todas as glosas, alegando em síntese que: Devido ao trabalho que exerce fora dos limites territoriais da residência familiar, foi decido judicialmente que esposa e filhos receberiam 66% dos seus rendimentos; e Tal desconto cessaria tão logo o impugnante voltasse a residir com a família, bem como os efeitos da decisão. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil julgou a impugnação IMPROCEDENTE, mantendo o saldo de imposto de renda a pagar, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, reiterando as razões de fato e de direito já expostas em seu instrumento impugnatório. Não há, contudo, apresentação de argumentos em relação à glosa de despesa indevida relativa ao dependente. Não houve apresentação de contrarrazões da Fazenda Nacional. É o Relatório. Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.341 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.720030/2016-61 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à dedução indevida de pensão alimentícia judicial, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: O colegiado divergiu da conclusão do voto do relator, por entender que o pagamento de pensão alimentícia, quando mantido o vínculo conjugal, possui cunho convencional e não obrigatório, não permitindo a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física A glosa da dedução relativa aos pagamentos de pensão alimentícia ocorreu inicialmente por falta de atendimento da intimação. Apresentados os documentos, a Revisão manteve a glosa por entender que ela não cumpria os requisitos legais. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$ ********45.502,20, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa de R$ 45.502,20 deduzido como Pensão Alimentícia Judicial conforme Ofício do Juízo de Direito 3ª VC Comarca Ribeirão Preto, ref. Ação de Alimentos para Leonice Martinez Hass Miguel e Outros, desconto em folha de pagamento de 66% dos rendimentos. líquidos. Na Intimação Fiscal da DIRPF 2006 (AC 2005) juntou cópia da petição Ação de Oferta de Alimentos para a esposa Leonice M. H. Miguel CPF 002.834.048-50 e aos filhos Bruno H. Miguel e Bárbara H. Miguel (menores), em que ficou constatado que não houve separação judicial do casal, que continua residindo no mesmo endereço conf. declarações do contribuinte e do cônjuge. O Acórdão acatou a posição da Fiscalização quanto a impossibilidade de dedução de pensão alimentícia paga em decorrência de Acordo Judicial quando não ocorreu a dissolução de união estável ou casamento: Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.341 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.720030/2016-61 4 Observa-se que ainda que a prestação tenha natureza alimentícia, conforme o Ofício de fls. 10, em sua forma, não se pode dizer que tenha sido em decorrência das normas do Direito de Família, que visa proteger os alimentandos em face de destituição da unidade familiar originária. Tanto é assim que o próprio sujeito passivo foi que impetrou a referida ação em face de Leonice Martinez Hass Miguel e outros. No presente caso, a mudança temporária de residência não caracteriza a desunião da família. Não pode pretender o sujeito passivo, as custas do Erário, tributar sua renda em 66% a menor, por estar morando fora dos limites de sua residência. Não existe a isenção de rendimentos pagos a título de pensão alimentícia, a dedução é concedida em função de que esta renda será tributada pelo alimentando. A contrário senso, a título de reduzir a base de cálculo do imposto de renda das famílias, bastaria pagar pensão para o próprio cônjuge e ou filhos, sem que estes oferecessem estes rendimentos à tributação. No caso em análise, a pensão concedida não foi em decorrência de separação judicial ou mesmo divórcio, não podendo ser concedida a dedução, por falta de amparo legal. O recorrente reafirma que o pagamento decorre de obrigação e não mera liberalidade, por ter sido homologado judicialmente que sua esposa e filhos receberiam 66% de seus rendimentos enquanto o contribuinte estivesse foram dos limites territoriais da sua residência. Sobre o tema esta Turma já se pronunciou, conforme Acórdão nº 2301- 009.288, de 15 de julho de 2021. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. OBRIGAÇÃO CONVENCIONAL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É inaplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n.º 98, pois as regras contidas no direito de família regentes do tema têm como finalidade resguardar o sustento (alimentação) daquelas pessoas que, em virtude de um vínculo de parentesco, cônjuge ou companheiro, diante de um fato jurídico, seja ele o divórcio ou a dissolução da união estável, ficam em situação de vulnerabilidade. A pensão alimentícia descrita na norma é, por uma interpretação lógica e sistemática jurídica, a decorrente de uma obrigação legal e não a decorrente de mera liberalidade. Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.341 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.720030/2016-61 5 O Acórdão nº 9202-007.119 (26/07/2018, versão sobre situação semelhante ao tema da lide e apresentam a mesma conclusão, por isso adoto os fundamentos do Acórdão como os meus EMENTA PENSÃO ALIMENTÍCIA. OBRIGAÇÃO CONVENCIONAL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É inaplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n.º 98, pois as regras contidas no direito de família regentes do tema têm como finalidade resguardar o sustento (alimentação) daquelas pessoas que, em virtude de um vínculo de parentesco, cônjuge ou companheiro, diante de um fato jurídico, seja ele o divórcio ou a dissolução da união estável, ficam em situação de vulnerabilidade. A pensão alimentícia descrita na norma é, por uma interpretação lógica e sistemática jurídica, a decorrente de uma obrigação legal e não a decorrente de mera liberalidade. VOTO Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. A divergência suscitada pelo Contribuinte, consoante narrado trata da possibilidade da dedução de pensão alimentícia aos filhos, por liberalidade, mantido o vínculo conjugal. Aduz o recorrente que a pensão foi paga de acordo com as normas do direito civil, fazendo jus, assim, à dedução pleiteada, diante da aplicação do Enunciado de Súmula 98 do CARF, que assim dispõe: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Não obstante todas as alegações trazidas pelo Recorrente, cumpre tecer alguns esclarecimentos sobre a aplicação do mencionado Enunciado. No direito de família, o direito à pensão alimentícia decorre do binômio necessidade/possibilidade, necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante, associada à relação de parentesco, casamento ou união estável. Fl. 127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.341 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.720030/2016-61 6 Para Orlando Gomes e Maria Helena Diniz, os alimentos podem ser conceituados como prestações devidas para a satisfação das necessidades pessoais daquele que não pode provê-las pelo trabalho. Nota-se que o bem jurídico protegido pelo direito de família é a pessoa humana, na perspectiva constitucional do direito social à alimentação (art. 6º da CF). Assim, as regras contidas no direito de família regentes do tema têm como finalidade resguardar o sustento (alimentação) daquelas pessoas que; em virtude de um vínculo de parentesco, cônjuge ou companheiro; diante de um fato jurídico, seja ele o divórcio ou a dissolução da união estável, ficam em situação de vulnerabilidade. Faz-se necessário destacar que o direito civil, assim como todos os demais ramos do direito, apenas surge para tutelar determinados bens jurídicos considerados relevantes. Ocorre que, quando mantido o vínculo conjugal, as relações familiares de mútuo sustento são regidas no âmbito da família, não havendo qualquer necessidade de intervenção jurídica. Ora, o direito surge para tutelar bens jurídicos, como dito anteriormente, assim, não havendo violação ao bem jurídico, não há que se falar em tutela jurídica. Com isso, observa-se que o pagamento da pensão alimentícia, quando mantido o vínculo conjugal, embora não proibido pelo direito; pois no direito privado é permitido fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, em decorrência do princípio da autonomia da vontade; possui cunho convencional e não obrigatório. Cabe salientar que importa ao direito de família o cumprimento da obrigação legal de pagar alimentos, pois o seu descumprimento enseja, inclusive, a prisão por dívida, o que não ocorre diante do inadimplemento de uma obrigação convencional. Assim, no presente caso, não se vislumbra a aplicação da Súmula 98 do CARF, pois a pensão alimentícia descrita na norma é, por uma interpretação lógica e sistemática jurídica, a decorrente de uma obrigação legal e não a decorrente de mera liberalidade. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negar-lhe provimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.341 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.720030/2016-61 7 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Fl. 129DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917347/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AJUSTE POSTERIOR DE DIPJ. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDITÓRIO.
O reconhecimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pressupõe a comprovação de que o valor recolhido excedeu o montante efetivamente devido à época do pagamento. Ajustes promovidos posteriormente na base de cálculo da CSLL, quando do preenchimento da DIPJ, não têm o condão de desfazer retroativamente a extinção de débito regularmente constituído e integralmente quitado, nem de gerar, por si só, saldo financeiro ou jurídico passível de restituição ou compensação. Demonstrado que o recolhimento foi integralmente apropriado na quitação de débitos próprios da contribuinte, inexiste direito creditório a amparar a compensação declarada via PER/DCOMP. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1302-007.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso, para manter integralmente o Acórdão nº 06-59.802, proferido pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 06433.47562.210906.1.3.04-7014.
Assinado Digitalmente
Natália Uchôa Brandão – Relatora
Assinado Digitalmente
Sérgio Magalhães Lima – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: NATALIA UCHOA BRANDAO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AJUSTE POSTERIOR DE DIPJ. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDITÓRIO. O reconhecimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pressupõe a comprovação de que o valor recolhido excedeu o montante efetivamente devido à época do pagamento. Ajustes promovidos posteriormente na base de cálculo da CSLL, quando do preenchimento da DIPJ, não têm o condão de desfazer retroativamente a extinção de débito regularmente constituído e integralmente quitado, nem de gerar, por si só, saldo financeiro ou jurídico passível de restituição ou compensação. Demonstrado que o recolhimento foi integralmente apropriado na quitação de débitos próprios da contribuinte, inexiste direito creditório a amparar a compensação declarada via PER/DCOMP. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso, para manter integralmente o Acórdão nº 06-59.802, proferido pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 06433.47562.210906.1.3.04-7014. Assinado Digitalmente Natália Uchôa Brandão – Relatora Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
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COMPENSAÇÃO. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AJUSTE POSTERIOR DE DIPJ. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDITÓRIO. O reconhecimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pressupõe a comprovação de que o valor recolhido excedeu o montante efetivamente devido à época do pagamento. Ajustes promovidos posteriormente na base de cálculo da CSLL, quando do preenchimento da DIPJ, não têm o condão de desfazer retroativamente a extinção de débito regularmente constituído e integralmente quitado, nem de gerar, por si só, saldo financeiro ou jurídico passível de restituição ou compensação. Demonstrado que o recolhimento foi integralmente apropriado na quitação de débitos próprios da contribuinte, inexiste direito creditório a amparar a compensação declarada via PER/DCOMP. Recurso Voluntário negado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso, para manter integralmente o Acórdão nº 06-59.802, proferido pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 06433.47562.210906.1.3.04-7014. Assinado Digitalmente Fl. 73DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.699 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917347/2010-69 2 Natália Uchôa Brandão – Relatora Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por COMPANHIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE S.A., contra o Acórdão nº 06-59.802, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), na sessão de 20/07/2017, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório da DERAT São Paulo que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de inexistência de direito creditório. O processo administrativo tem origem na PER/DCOMP nº 06433.47562.210906.1.3.04-7014, transmitida em 21/09/2006, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débito relativo à estimativa mensal da CSLL do período de março de 2003, com crédito alegadamente decorrente de pagamento indevido ou a maior referente ao período de 01/12/2001 a 31/12/2001, cujo valor original informado foi de R$ 8.732,48, atualizado para R$ 10.715,64. Segundo consta do Relatório Fiscal e do Despacho Decisório, o crédito indicado teria origem em recolhimento efetuado em 31/01/2002, no valor de R$ 8.722.478,96, a título de CSLL estimada do mês de dezembro de 2001, código de receita 2484. A autoridade fiscal, contudo, por meio de Despacho Decisório proferido em 19/04/2010, negou a homologação da compensação, ao entendimento de que o referido pagamento teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos próprios da contribuinte, não subsistindo crédito disponível para compensação, razão pela qual afastou a caracterização de pagamento indevido ou a maior. Cientificada do Despacho Decisório em 23/04/2010, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 25/05/2010, na qual alegou, em síntese, que, no encerramento do exercício de 2001, apurou CSLL a pagar no montante de R$ 9.936.676,17, valor que teria sido integralmente quitado mediante a utilização de créditos e recolhimentos efetuados por DARF, conforme demonstrativo juntado aos autos. Sustentou, ainda, que, quando do preenchimento da DIPJ referente ao ano-calendário de 2001, foram realizados ajustes na base de Fl. 74DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.699 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917347/2010-69 3 cálculo da CSLL, apurando-se que o valor efetivamente devido seria de R$ 8.292.449,54, e não aquele inicialmente recolhido, o que teria gerado crédito passível de restituição ou compensação. A Manifestação de Inconformidade foi apreciada pela 2ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou-a improcedente. No entendimento da instância de origem, o pressuposto essencial para a caracterização de pagamento indevido seria a existência de débito regularmente constituído e comprovadamente quitado. Assentou-se que, embora tenha sido apurada CSLL a pagar na DIPJ, não haveria comprovação de quitação desse débito na DCTF, circunstância que afastaria a existência de indébito tributário e, por consequência, o direito creditório alegado. Em razão disso, foi mantido o Despacho Decisório que não homologou a compensação. Inconformada com o acórdão recorrido, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, reiterando a existência do crédito de CSLL e sustentando, em linhas gerais, que eventual inconsistência no preenchimento da DCTF configuraria mero erro formal, não apto a afastar o direito material ao reconhecimento do pagamento a maior, especialmente diante da comprovação do recolhimento por meio de DARF e da coerência das informações constantes da DIPJ. Invoca, ainda, o princípio da verdade material, defendendo que os documentos apresentados seriam suficientes para demonstrar a efetiva ocorrência de pagamento indevido e o consequente direito à compensação. Os autos foram regularmente encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação do Recurso Voluntário, nos termos do despacho de encaminhamento constante dos autos. É o relatório. VOTO Conselheira Natália Uchôa Brandão, Relatora I. Da tempestividade e admissibilidade do Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo. Conforme se extrai dos autos, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 06- 59.802, proferido pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, em 06/07/2018, conforme comprovante de ciência constante do processo administrativo. O Recurso Voluntário foi protocolado em 07/08/2018, portanto dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 75DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.699 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917347/2010-69 4 Presentes, assim, os pressupostos objetivos de admissibilidade, notadamente a tempestividade, bem como os pressupostos subjetivos, uma vez que o recurso foi interposto por parte legítima e devidamente representada nos autos, conheço do Recurso Voluntário. II. Delimitação da controvérsia A controvérsia devolvida à apreciação deste Colegiado restringe-se à verificação da existência ou não de direito creditório de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, apto a amparar a compensação declarada pela contribuinte no PER/DCOMP nº 06433.47562.210906.1.3.04-7014, sob o fundamento de alegado pagamento indevido ou a maior relativo ao período de apuração de 01/12/2001 a 31/12/2001. De forma mais específica, discute-se se o recolhimento efetuado em 31/01/2002, no valor de R$ 8.722.478,96, a título de estimativa mensal de CSLL referente ao mês de dezembro de 2001, teria gerado saldo caracterizável como pagamento indevido ou a maior, considerando os ajustes posteriormente realizados na base de cálculo da CSLL quando do preenchimento da DIPJ do ano-calendário de 2001, bem como o conjunto das informações prestadas pelo contribuinte em suas declarações fiscais. A autoridade fiscal e a decisão recorrida concluíram pela inexistência de direito creditório, ao fundamento de que o referido recolhimento foi integralmente absorvido na quitação de débitos próprios da contribuinte, inexistindo saldo disponível, afastando-se, assim, a caracterização de pagamento indevido ou a maior. Registrou-se, ainda, a ausência de informação de quitação do débito na DCTF correspondente. Por sua vez, a Recorrente sustenta que o crédito decorre de efetivo pagamento a maior, devidamente comprovado por documentos de arrecadação e pelas informações constantes da DIPJ, alegando que eventual inconsistência declaratória na DCTF configuraria mero erro formal, insuficiente para afastar o direito material ao crédito, invocando, para tanto, o princípio da verdade material. É nesse contexto que se insere a análise do presente recurso. III. Do mérito Conforme delineado no relatório, a contribuinte fundamenta o crédito pleiteado em recolhimento efetuado em 31/01/2002, no valor de R$ 8.722.478,96, a título de estimativa mensal de CSLL referente ao período de dezembro de 2001. Sustenta que, após ajustes realizados quando do preenchimento da DIPJ do ano-calendário de 2001, apurou-se que o valor efetivamente devido a título de CSLL seria inferior àquele inicialmente recolhido, circunstância que teria gerado pagamento a maior e, por conseguinte, crédito passível de compensação. Todavia, a análise sistemática dos autos evidencia que a pretensão recursal não encontra respaldo no conjunto fático-probatório, tampouco na legislação de regência. Os autos demonstram, de forma clara e documental, que: Fl. 76DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.699 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917347/2010-69 5 (i) A contribuinte apurou CSLL a pagar em dezembro de 2001 no valor de R$ 9.936.676,17, conforme balanço e DIPJ original. (ii) Esse valor foi integralmente quitado, mediante: créditos de CSLL antecipada, crédito de cisão, crédito de declaração do ano-base 2000 e pagamento em dinheiro via DARF no valor de R$ 8.722.478,96, em 31/01/2002 (código 2484). (iii) Posteriormente, ao preencher a DIPJ 2002 (ano-calendário 2001), a contribuinte reduziu a base de cálculo da CSLL, apurando imposto devido de R$ 8.292.449,54. (iv) A diferença matemática apurada (R$ 1.644.226,63) foi tratada, internamente, como “pago a maior”, e uma fração residual desse ajuste (R$ 8.732,48) foi utilizada como crédito no PER/DCOMP ora discutido, para compensar CSLL de março/2003. Esses fatos não são controvertidos e estão documentalmente comprovados nos autos, inclusive no demonstrativo fiscal produzido pela própria Receita Federal (fls. 32/33). Com efeito, o pagamento indevido ou a maior pressupõe a demonstração inequívoca de que o valor recolhido excedeu o montante efetivamente devido, o que exige não apenas a comprovação do recolhimento, mas também a verificação de que tal valor não foi utilizado para a quitação de débitos tributários existentes. Trata-se de exigência que decorre diretamente do art. 165 do CTN e da própria lógica do sistema de compensação, que não admite a constituição de crédito tributário dissociado da efetiva extinção do crédito correspondente. É importante esclarecer que a ausência de informação de quitação em DCTF, por si só, não impede o reconhecimento de pagamento indevido ou a maior, sobretudo quando o contribuinte apresenta outros elementos idôneos de prova, como documentos de arrecadação, escrituração contábil e informações constantes de outras declarações fiscais. A própria PER/DCOMP, enquanto declaração formal apresentada pelo contribuinte, possui relevância jurídica no contexto da confissão, extinção e compensação de créditos tributários. Todavia, não é essa a situação dos autos. No caso concreto, a autoridade fiscal demonstrou que o recolhimento indicado como indevido foi integralmente apropriado na quitação de débitos próprios da contribuinte, inexistindo saldo financeiro ou jurídico remanescente que pudesse ser qualificado como pagamento indevido ou a maior. Assim, ainda que se supere eventual inconsistência formal entre declarações, o elemento central, qual seja, a existência de pagamento excedente, não restou comprovado. No caso concreto, verifica-se que, em janeiro de 2002, existia débito exigível de CSLL no valor de R$ 9.936.676,17, o qual foi integralmente extinto, inclusive mediante pagamento em dinheiro no montante de R$ 8.722.478,96. O ajuste posterior promovido quando do Fl. 77DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.699 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917347/2010-69 6 preenchimento da DIPJ não tem o condão de desfazer retroativamente essa extinção do crédito tributário, nem de gerar, por si só, saldo financeiro passível de restituição ou compensação. Dessa forma, a improcedência da pretensão não decorre de mera falha declaratória, nem da ausência de informação em DCTF, mas sim da constatação objetiva de que não houve recolhimento superior ao montante efetivamente devido, após considerados todos os ajustes legais e a imputação dos pagamentos aos débitos existentes. Nesse contexto, o princípio da verdade material, embora plenamente aplicável ao processo administrativo tributário, não dispensa o contribuinte do ônus de demonstrar a efetiva ocorrência do indébito, nem autoriza o reconhecimento de crédito quando os elementos constantes dos autos evidenciam a inexistência de saldo passível de restituição ou compensação. Assim, ausente a comprovação de pagamento indevido ou a maior, requisito essencial à constituição do direito creditório, revela-se correta a decisão que não homologou a compensação declarada. IV. Do dispositivo Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, para manter integralmente o Acórdão nº 06-59.802, proferido pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 06433.47562.210906.1.3.04-7014. É como voto. Assinado Digitalmente Natália Uchôa Brandão Fl. 78DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10435.722666/2012-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.A alegação genérica de cerceamento do direito de defesa, desacompanhada de demonstração concreta de prejuízo, não enseja a nulidade da decisão. Inexistindo vício processual ou negativa de prestação jurisdicional, mantém-se a decisão de primeira instância devidamente fundamentada.
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS FINANCEIROS PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o acesso da autoridade fiscal a informações bancárias, quando houver procedimento fiscal instaurado e tais dados forem considerados indispensáveis, não configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência do dever de sigilo à Administração Tributária, nos termos do art. 198 do CTN. Entendimento consolidado pelo STF em sede de repercussão geral (Tema 225).
CONTA CONJUNTA. RATEIO DE DEPÓSITOS.
Não comprovada a origem dos recursos depositados em conta conjunta, cujos titulares apresentaram declarações em separado, admite-se a imputação proporcional dos valores entre os correntistas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Caracteriza-se omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Trata-se de presunção relativa, que transfere ao contribuinte o ônus de elidi-la.
SÚMULA CARF Nº 26
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2001-008.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca – Relator
Assinado Digitalmente
Raimundo Cassio Goncalves Lima – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Flavia Lilian Selmer Dias (substituta integral), Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Rosimery Brandao Barbosa, substituída pela conselheira Flavia Lilian Selmer Dias.
Nome do relator: CHRISTIANNE KANDYCE GOMES FERREIRA DE MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.A alegação genérica de cerceamento do direito de defesa, desacompanhada de demonstração concreta de prejuízo, não enseja a nulidade da decisão. Inexistindo vício processual ou negativa de prestação jurisdicional, mantém-se a decisão de primeira instância devidamente fundamentada. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS FINANCEIROS PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o acesso da autoridade fiscal a informações bancárias, quando houver procedimento fiscal instaurado e tais dados forem considerados indispensáveis, não configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência do dever de sigilo à Administração Tributária, nos termos do art. 198 do CTN. Entendimento consolidado pelo STF em sede de repercussão geral (Tema 225). CONTA CONJUNTA. RATEIO DE DEPÓSITOS. Não comprovada a origem dos recursos depositados em conta conjunta, cujos titulares apresentaram declarações em separado, admite-se a imputação proporcional dos valores entre os correntistas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Caracteriza-se omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Trata-se de presunção relativa, que transfere ao contribuinte o ônus de elidi-la. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca – Relator Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Goncalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Flavia Lilian Selmer Dias (substituta integral), Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Rosimery Brandao Barbosa, substituída pela conselheira Flavia Lilian Selmer Dias.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A alegação genérica de cerceamento do direito de defesa, desacompanhada de demonstração concreta de prejuízo, não enseja a nulidade da decisão. Inexistindo vício processual ou negativa de prestação jurisdicional, mantém-se a decisão de primeira instância devidamente fundamentada. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS FINANCEIROS PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o acesso da autoridade fiscal a informações bancárias, quando houver procedimento fiscal instaurado e tais dados forem considerados indispensáveis, não configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência do dever de sigilo à Administração Tributária, nos termos do art. 198 do CTN. Entendimento consolidado pelo STF em sede de repercussão geral (Tema 225). CONTA CONJUNTA. RATEIO DE DEPÓSITOS. Não comprovada a origem dos recursos depositados em conta conjunta, cujos titulares apresentaram declarações em separado, admite-se a imputação proporcional dos valores entre os correntistas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Caracteriza-se omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos Fl. 109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 2 recursos. Trata-se de presunção relativa, que transfere ao contribuinte o ônus de elidi-la. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca – Relator Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Goncalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Flavia Lilian Selmer Dias (substituta integral), Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Rosimery Brandao Barbosa, substituída pela conselheira Flavia Lilian Selmer Dias. RELATÓRIO O presente processo trata do Auto de Infração (fl. 03) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do ano calendário de 2007 – exercício de 2008, decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Fl. 110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 3 Conforme se extrai da descrição dos fatos do AI (fl. 05), a fiscalização teve acesso aos extratos bancários da contribuinte mediante autorização judicial (28/09/2011 – processo nº 0000431-32.2010.4.05.8302, 24ª Vara da JFPE) e, ao analisá-los, constatou um depósito no valor de R$128.366,00 efetuado no dia 19/01/2007 em conta conjunta da contribuinte e da Sra. Luziane Gol Dias da Silva. Ocorre que, mesmo após diversas intimações para apresentar esclarecimentos, a contribuinte restou inerte. Sem a comprovação da origem dos recursos utilizados para efetuar o referido depósito e sem qualquer manifestação acerca de possíveis deduções, foi lavrado o referido auto de infração no valor total de R$17.326,37, acrescido de multa de ofício de 75% (R$5.897,87) e juros de mora (R$3.564,67). Intimada, a contribuinte apresentou impugnação única em face dos processos apensos nº 10435.722666/2012-16 e nº 10469.731286/2012-77, alegando que é sogra do servidor Saulo de Tarso Muniz dos Santos, que exerceu cargo de Delegado da Receita Federal de junho/2007 a 25/03/2011, quando foi afastado do cargo, preso e acusado das práticas de inúmeras irregularidades no período em que esteve à frente do cargo. Sustenta, nessa ocasião, que, além das acusações contra seu genro serem falsas, a Receita Federal teria aberto investigações arbitrárias sobre ele e vários familiares, resultando em, pelo menos, 08 (oito) ações fiscais que teriam cunho punitivo ao ex-delegado, indiretamente. Com base nisso, sustenta que o procedimento fiscal em apreço estaria eivado de desvio de finalidade, abuso de poder, ilegalidades e arbitrariedades. A contribuinte alega ainda nulidade da autuação, sob alegação de que desconhece a existência de qualquer ação e/ou medida de cunho judicial que teria afastado/quebrado seu sigilo bancário, seja frente ao fisco ou qualquer outro interessado, e que, mesmo que tenha sido quebrado o sigilo da contribuinte Luziane Gil Dias da Silva (que é também titular da mesma conta), os dados adquiridos deveriam ter somente fim de investigação judicial, nunca para fins de investigação fiscal. Além disso, sustenta improcedência da autuação, sob os seguintes argumentos: i) Que a interpretação tributária dada pelo fisco acerca do art. 42 da Lei nº 9.430/96 estaria equivocada e que os dados de conta corrente bancária não podem servir como base para exigência do imposto de renda; ii) A fiscalização não poderia transferir à fiscalizada o ônus de provar que não omitiu renda tributável nem mesmo presumir omissão de rendimento; iii) Que constaria no crédito fiscal uma parcela relativa à taxa Selic, reconhecidamente inconstitucional; iv) Ilegitimidade do lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extrato ou depósito bancário, vide sumula STF nº 182; v) O depósito bancário não constituiria fato gerador do imposto de renda, pois não se caracterizaria como disponibilidade econômica de renda e proventos Fl. 111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 4 e não consta em nenhum lugar que a base de cálculo deve ser a soma dos depósitos bancários; É importante destacar que, além do auto de infração de fl. 03 deste processo, a fiscalização lavrou ainda um outro auto de infração referente a multa por falta de entrega de declaração (código 5320), constante no processo apensado nº 10469.731286/2012-77. Diante disso, a DRJ julgou os dois processos de forma conjunta (o presente processo nº 10435.722666/2012-16 e o processo apensado de nº 10469.731286/2012-77). A DRJ, em sua decisão (fl. 67), julgou improcedente a impugnação do contribuinte. Afastou a alegação de nulidade, por entender que o procedimento fiscal seguiu estritamente o rito prescrito pelo Decreto nº 70.235/1972. Ressaltou, nessa ocasião, que o acesso às informações fiscais obtidas pela fiscalização junto às instituições financeiras independe de autorização judicial (LC nº 105/2001) e que não implica em quebra do sigilo bancário, mas simples transferência dos referidos dados, sendo o sigilo fiscal mantido pelos agentes fiscais (art. 198, CTN). Os julgadores esclareceram também, nessa ocasião, que a instauração de procedimento fiscalizatório prescinde de justificativa ao contribuinte e que não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. No que tange à omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário de origem não comprovada, a legislação determinou a inversão do ônus da prova, favorecendo o fisco, de modo que existe a presunção legal (art. 42, Lei nº 9.430/1996) de rendimentos quando simultaneamente concorrem dois fatos: movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados e falta de comprovação da respectiva origem. Além de rejeitar as alegações de mérito da contribuinte, manteve a multa aplicada por falta de entrega da DIRPF e os juros moratórios da Taxa Selic. Por fim, reforçou que não cabe ao referido órgão analisar as questões de legalidade e constitucionalidade arguidas pela contribuinte. Em sede de recurso (fls. 92), a recorrente sustenta, inicialmente, nulidade da decisão recorrida, por suposto cerceamento de defesa. Além disso, reforma/nulidade da decisão da DRJ, reiterando os argumentos da impugnação de que seria ilegítima a autuação com base na quebra de sigilo bancário da Sra. Luziane, segunda titular da conta da contribuinte. Aduz, ainda, que a interpretação conferida pela fiscalização ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996 seria equivocada, defendendo que informações relativas a movimentações em conta corrente não poderiam, por si só, fundamentar a exigência do imposto de renda. Argumenta que o lançamento teria sido lastreado exclusivamente em presunção de omissão de rendimentos, considerando apenas os valores correspondentes a depósitos/créditos bancários, sem levar em conta os saques/débitos realizados, bem como sem a existência de elementos probatórios suficientes a amparar a exigência tributária. Diante disso, requer: Fl. 112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 5 i) o reconhecimento da nulidade do lançamento, sob o argumento de ausência de decisão judicial que autorizasse o acesso aos seus dados bancários; ii) a declaração de nulidade do lançamento por suposta inobservância do art. 42, caput e § 6º, da Lei nº 9.430/1996; iii) o desentranhamento e a destruição dos documentos que reputa obtidos de forma ilícita e utilizados como fundamento da autuação; iv) subsidiariamente, o reconhecimento de que a prova da alegada omissão de rendimentos se limitou à constatação de depósitos em conta corrente, circunstância que, isoladamente considerada, não seria suficiente para sustentar a exigência; v) o reconhecimento de equívoco na apuração do tributo, sob o argumento de que a base de cálculo teria sido indevidamente constituída pelo somatório dos depósitos/créditos bancários; vi) por fim, o afastamento da multa por atraso na entrega da declaração. Destaca-se desde logo que a multa por atraso na entrega de declaração (ponto vi) foi lavrada em auto de infração diferente, constante no processo apenso nº 10469.731286/2012-77. É o relatório. VOTO Conselheiro Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Relator I – DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. II – DO MÉRITO. II.I – DA AUSÊNCIA DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. A contribuinte inicia seu recurso alegando “diante do desacerto da decisão, proferida inclusive com cerceamento do direito de ampla defesa do contribuinte, não restou outra alternativa a não ser o manejo do presente recurso [...]”, mas, nos parágrafos seguintes, não menciona as razões pelas quais seu direito à ampla defesa teria sido violado. Trata-se, portanto, de uma alegação genérica e sem fundamento. A análise do cerceamento do direito de defesa exige uma demonstração concreta de prejuízo, e não meras alegações abstratas. O ônus da prova recai sobre quem invoca essa Fl. 113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 6 nulidade, o que não foi cumprido pela recorrente, que se limitaram a afirmar a existência do dano sem comprová-lo. In casu, a contribuinte foi intimada diversas vezes acerca do procedimento fiscal e, mesmo assim, restou inerte, conforme consta nos seguintes documentos: Fl. 15 a 17 – Aviso de Recebimento devidamente assinado pela contribuinte; Fl. 18 – Termo de Intimação Fiscal nº 0001 e AR; Fl. 24 – Termo de Reintimação Fiscal nº 0001 e AR; Do mesmo modo, a recorrente foi devidamente intimada acerca do lançamento e da decisão da DRJ, sendo lhe possibilitado apresentar defesa (impugnação e recurso voluntário, respectivamente). Além disso, a autoridade julgadora não está obrigada a se manifestar sobre todas as alegações da defesa, nem a examinar individualmente cada um de seus fundamentos, desde que tenha encontrado razão suficiente para decidir. Como se pode extrair do próprio relatório aqui apresentado, tem-se de forma clara que a DRJ apreciou de maneira satisfatória todos os pontos relevantes trazidos pela contribuinte em sua impugnação, não havendo qualquer vício de motivação ou omissão que configure nulidade. Assim, não vislumbro ofensa ao artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal. Sobre este ponto, destaco o acórdão nº 2401-005.230, relatado pela Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. 1 A decretação de nulidade é medida excepcional e somente se justifica quando há, simultaneamente, um vício processual e um prejuízo concreto à parte. No presente caso, não há qualquer evidência de que esses requisitos estejam configurados, uma vez que a decisão impugnada está devidamente fundamentada, não havendo negativa de prestação jurisdicional. A autoridade julgadora não está obrigada a analisar individualmente questões que foram apresentadas de forma confusa e genérica ao longo do recurso, sem qualquer prova ou fundamento relevante. E, considerando que todas as questões levantadas foram devidamente 1 Processo nº 11080.003241/200505. Acórdão 2401005.230 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão 18 de janeiro de 2018. Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa. . Fl. 114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 7 analisadas e resolvidas, sem qualquer indício de vício que comprometa a defesa, entendo que o ato cumpriu seu propósito, e a concisão da decisão, por si só, não justifica sua anulação. II.II – DA LICITUDE DO ACESSO AOS DADOS BANCÁRIOS PELA FISCALIZAÇÃO E DA DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sustenta a recorrente que o lançamento não poderia ter sido efetuado com base em extratos bancários obtidos por meio de decisão judicial proferida em processo do qual apenas a outra titular da conta corrente, Sra. Luziane Gil Dias da Silva, teria participado. Adianta-se que a contribuinte não merece razão. O sigilo bancário consubstancia obrigação legal imposta às instituições financeiras e a todos aqueles que detenham acesso a dados relativos à movimentação financeira de terceiros, vedando a divulgação indevida dessas informações. Trata-se de mecanismo de proteção à intimidade patrimonial, disciplinado, no ordenamento jurídico brasileiro, pela Lei Complementar nº 105/2001, cujo art. 1º estabelece que “as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados”. Todavia, a própria LC nº 105/2001 estabelece que tal proteção não possui caráter absoluto. O § 3º do art. 1º explicita hipóteses em que o compartilhamento de informações não configura violação ao dever de sigilo: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: [...] III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. VII - o fornecimento de dados financeiros e de pagamentos, relativos a operações de crédito e obrigações de pagamento adimplidas ou em andamento de pessoas naturais ou jurídicas, a gestores de bancos de dados, para formação de histórico de crédito, nos termos de lei específica. (Incluído pela Lei Complementar nº 166, de 2019) (Vigência) VIII - a prestação ou publicação de informações relativas à identificação dos beneficiários pessoas jurídicas e dos valores aproveitados na concessão de incentivo ou benefício de natureza tributária, financeira ou creditícia que implique diminuição de receita ou aumento de despesa. (Incluído pela Lei Complementar nº 224, de 2025) Produção de efeitos Fl. 115DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9311.htm#art11%C2%A72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9311.htm#art11%C2%A72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp166.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp166.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp166.htm#art7ii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp224.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp224.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp105.htm#art14 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 8 No âmbito especificamente tributário, o art. 6º da LC nº 105/2001 é categórico ao autorizar o acesso direto das autoridades fiscais às informações bancárias, independentemente de autorização judicial, desde que haja procedimento fiscal em curso: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Cabe aqui destacar que, ao julgar o Tema nº 225, o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, decidiu que “o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do referido artigo, uma vez instaurado procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, é plenamente legítimo o acesso da autoridade administrativa aos dados bancários reputados indispensáveis à apuração dos fatos, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Em reforço, o Código Tributário Nacional também impõe às instituições financeiras o dever de prestar informações à autoridade administrativa, nos termos do art. 197: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III - as empresas de administração de bens; IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V - os inventariantes; VI - os síndicos, comissários e liquidatários; VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Com isso, resta claro que o ordenamento jurídico autoriza expressamente o acesso da Administração Tributária a informações bancárias no âmbito de procedimento fiscal regularmente instaurado, preservado o sigilo fiscal. Fl. 116DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/D3724.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 9 É nesse sentido que este Conselho tem decidido: DILIGÊNCIA, DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, torna-se desnecessária a realização de diligência. 1NCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Segundo a súmula CARF n° 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei". LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não é intenção da lei que todo o procedimento ocorra no estabelecimento, bastando que a ciência, em princípio, seja dada ao contribuinte na empresa. Não há que se confundir a confecção do auto de infração (processamento de informações). Ademais, segundo a súmula n° 6 do CARF, "é legítima a lavratura do auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte". SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL. AUSÊNCIA E QUEBRA DE SIGILO, O sigilo bancário pode ser conceituado como o dever legalmente imposto a pessoa que possua informação acerca da movimentação bancária de outra de não tornar públicos referidos dados, sob pena de responsabilização pessoal. Segundo o art. 1 0, parágrafo 3 0, inciso VI e do art. 6° da LC 105/2001, c/c O art, 197 do cirN, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensando, nesta ordem, a interveniência do Poder Judiciário para a aquisição de referidas informações. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. OMISSÃO DE RECEITA. A autoridade fiscal, diante das informações bancárias, deve contrapô-las à escrita fiscal da empresa e demandar, no caso de divergências, a comprovação da origem dos recebimentos por meio de documentação hábil e idônea. Somente na ausência dessas explicações é que se considera a existência de omissão de receita. DECADÊNCIA, Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sem que tenha havido a imputação de fraude ou dolo, aplica-se o prazo decadencial constante do art. 150, § 4 0 do CTN, OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de receita. Trata-se de uma presunção (relativa), o que transfere o ônus probatório ao contribuinte, vez que este deve evidenciar a origem de todos os depósitos para que seja afastada a presunção. Recurso voluntário provido em parte.2 SIGILO BANCÁRIO — FORNECIMENTO DE. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. REGULARIDADE. Constituição Federal atribui ir Autoridade Administrativa o dever de investigar as atividades dos contribuintes. O fornecimento de informações financeiras feitas pelos bancos no curso do processo administrativo possui respaldo jurídico Conduta regular do fisco. Afastada a nulidade suscitada OMISSÃO DE. RECEITA. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configura-se omissão de receita 2 Processo nº 10865.001556/2004-39. Acórdão 1401-00.210 — 4" Câmara / 1" Turma Ordinária. Sessão de 08 de abril de 2010. Relator Fernando Luiz Gomes de Matos. Fl. 117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 10 quando o contribuinte devidamente intimado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção MULTA QUALIFICADA — Provado o animus do agente em fraudar o Erário público, cabível a imposição da multa qualificada sobre o valor do tributo que deixou de ser recolhido.3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 e 2002 Ementa: NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. NÃO-OCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada expressamente pelo sujeito passivo. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa, no caso de lançamento de ofício por omissão de receitas, tem o percentual estabelecido na legislação, cabendo ao agente do Fisco o seu cumprimento. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador e não ao mero aplicador da lei que a ela deve obediência. Matéria reservada ao Poder Judiciário. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário deve ser apurado em conformidade com o § 4° do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.4 Não há, portanto, qualquer ilicitude na obtenção e utilização dos extratos bancários para fins de constituição do crédito tributário, tampouco violação ao direito ao sigilo bancário da recorrente. Ressalta-se ainda que as informações fiscais, ao lado das informações bancárias, também estão albergadas ao dever de sigilo. Nos termos do art. 198 do CTN, a aquisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal não torna públicos os dados do contribuinte. De fato, se a disponibilização das informações bancárias ao fisco tornasse públicos os dados bancários da empresa, estaríamos diante da ilegal quebra de sigilo definida na LC nº 105/2001. Mas não é o caso, haja vista que os próprios agentes fiscais, nos termos do art. 198 do CTN, supramencionado, têm o dever de sigilo fiscal, protegendo as informações bancárias apuradas no curso do procedimento da fiscalização. Veja-se: 3 Processo: 10980.004832/2005-85. Acórdão 1102-00.158 — 1" Camara / 2" Turma Ordinária. Sessão de 25 de fevereiro de 2010. Relator Marcelo Cuba Neto. 4 Processo nº 10183.003209/2006-81. Acórdão 1301-000.486 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 27 de janeiro de 2011. Relator Paulo Jakkson da Silva Lucas. Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 11 Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) Como bem pontuou a DRJ (fl. 75), “o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas no parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do Código Tributário Nacional [...]” Não há o que se falar em quebra de sigilo bancário pela simples transferência de informações bancárias para a autoridade fiscal. E isso independe de medida judicial. Mas, no caso em tela, como já mencionado, ainda houve autorização judicial, através da qual a outra titular da conta, Sra. Luziane Gil Dias da Silva (filha contribuinte), teve a quebra judicial de seu sigilo bancário, em decorrência da “operação incongruência” deflagrada pela Polícia Federal (processo nº 000431-32.2010.4.05.8302). Intimada, a filha da contribuinte não demonstrou a origem de seus recursos, tampouco a recorrente respondeu as intimações da fiscalização nestes autos. Concordo com o entendimento da DRJ no sentido de que, quando se trata de conta conjunta, cujos rendimentos dos titulares tenham sido apresentados em separado e não tendo sido apresentada a origem dos recursos depositados, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total de rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Por tudo isso, entendo que não há o que se falar em quebra de sigilo bancário no caso em tela. II.III – DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Além da alegação de quebra de sigilo bancário, a recorrente aduz que a interpretação conferida pela fiscalização ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996 seria equivocada e que não haveria elementos probatórios suficientes para sustentar o lançamento. Defende que a “simples” movimentação financeira não poderia, por si só, ser suficiente para “presumir” omissão de rendimentos e exigência de imposto de renda. Veja-se: [...] Além disso, é equivocada a interpretação tributária dada pelo fisco à norma decorrente do art. 42, da Lei nº 9.430/96, haja vista que persiste a convicção da contribuinte, firmada a partir da manifestação da Jurisprudência e de grande parte dos doutrinadores tributários, de que créditos havidos em conta corrente bancária não podem servir como base para a exigência do Imposto de Renda. A esse respeito, a partir do fato indiciário, qual seja depósito bancário, teria cumprido à fiscalização da RFB realizar as inspeções necessárias à obtenção Fl. 119DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 12 dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Ao contrário, opta o auditor-fiscal autuante – para conclusão da fiscalização, com a lavratura de indevido auto de infração na pessoa física de MARIA IVONE DIAS DE BARROS, desprezando inclusive aspectos concernentes à verdade material, cuja busca é dever inquestionável do Poder Fiscal, inclusive, até, sem o auxílio do contribuinte. [...] Em seguida, traz decisões genéricas que sequer mencionam sua tese de que a “movimentação financeira” não pode servir de base para o lançamento, e menciona, por fim: Na verdade, o fisco, na autuação, apenas identificou ILEGALMENTE e de maneira simplória a existência de créditos em conta bancária havida em nome da fiscalizada, em seguida materializando lançamento fiscal sem levar em conta normas outras, constantes do sistema tributário nacional, que não apenas o artigo 42, da Lei nº 9.430/96. Desse modo, se o depósito bancário tido como efetivado pela autuada representa o marco inicial da investigação fiscal, ele não pode ser erigido a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, que representaria o art. 42, da Lei nº 9.340/96, vale dizer, esse depósito não pode sustentar uma presunção legal, posto que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte, haja vista que, para um contribuinte do IR pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo fisco, essa prova não poderá ser produzida. Ou seja, ao invés da recorrente tentar provar a origem dos depósitos em sua conta corrente, se limita a tentar enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado, ao seu ver, apenas em extratos bancários obtidos de forma supostamente ilegal, quebrando seu direito ao sigilo bancário (ponto que já foi rechaçado no tópico anterior). Menciona em seu recurso, por exemplo, que não foram considerados os “saques” ou “débitos” de sua conta, mas também não demonstra como isso poderia mudar o lançamento. Do mesmo modo, alega que a fiscalização não considerou outras normas, mas não faz referência a quais normais seriam essas tampouco como elas poderiam modificar o entendimento da autoridade fiscal. Ademais, diferente do que tenta aduzir a contribuinte, a jurisprudência deste conselho é unanime no sentido de que a ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários implica em omissão de receita. Veja-se: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa Fl. 120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 13 competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF 7Ano-calendário: 2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e a natureza dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda.6 Isso porque o legislador, ao editar o art. 42 da Lei nº 9.430, dispõe de forma clara que, quando o contribuinte não comprovar a origem dos valores depositados em suas contas, presume-se omissão de receita ou rendimentos, para fins de tributação do imposto de renda: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] 5 Processo nº 18471.001673/2007-81. Acórdão 2202002.815 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão 07 de outubro de 2014. Relator Antônio Lopo Martinez. 6 Processo nº 18470.726265/2013-93. Acórdão 2101-002.998 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA. Sessão de 29 de janeiro de 2025. Relatora Ana Carolina da Silva Barbosa. Fl. 121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 14 A contribuinte, embora mencione de forma genérica que a interpretação dada pela DRJ ao referido artigo estaria equivocada, não logrou êxito em comprovar tal alegação. Na verdade, o dispositivo supracitado é muito claro. Há uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do tributo sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. In casu, a contribuinte sequer tentou comprovar a origem do depósito de R$128.366,00 efetuado no dia 19/01/2007 em sua conta conjunta da contribuinte e da Sra. Luziane Gol Dias da Silva. Todo seu recurso é baseado em alegações genéricas que não merecem razão. Entendo que se está diante de um caso claro que omissão de receita e, consequentemente, de cobrança de imposto de renda. Não há o que se falar em reforma da decisão da DRJ, portanto. II.IV – DA MANUTENÇÃO DA MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. Consoante já consignado no Relatório, a penalidade relativa à falta de entrega da DIRF encontra-se vinculada ao processo apensado nº 10469.731286/2012-77, tendo sido apreciada em decisão apartada por este Conselho. Não obstante, para fins de enfrentamento integral das razões recursais, passa-se à análise específica das alegações deduzidas pela recorrente quanto a este ponto. Conforme se extrai do da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais do AI (fl. 05 a 12 do processo apensado de nº 10469.731286/2012-77), a falta de entrega da Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2007 (exercício de 2008) por parte da Sra. Maria Ivone Dias de Barros implicou na aplicação de multa de R$1.572,76. Considerando que a recorrente não apresentou em sua impugnação ou em seu recurso qualquer recibo ou documento que comprove a apresentação da referida declaração, não há razão para afastar a aplicação da referida multa, que está devidamente amparada no art. 88, I, da Lei nº 8.981/1995: Lei nº 8.981/1995 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) De acordo com o art. 1º, I, da IN RFB nº 820 de 18/02/1008, estão obrigados a apresentar declaração de ajuste anual do imposto de renda referente ao exercício de 2008 as pessoas físicas residentes no Brasil que, no ano calendário de 2007 recebeu rendimentos Fl. 122DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9532.htm#art27. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.250 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10435.722666/2012-16 15 tributáveis na declaração cuja soma foi superior a R$15.764,28 (quinze mil setecentos e sessenta e quatro reais e vinte e oito centavos). In casu, foi mantido o lançamento correspondente à omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$63.183,00, caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada e não declarada no exercício de 2008. Logo, resta cabível a multa neste caso. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do Recurso, e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo o lançamento e as alterações promovidas pela DRJ. É como voto. Assinado Digitalmente Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca Fl. 123DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10315.723591/2020-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017
CARÁTER CONFISCATÓRIO. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2.
Para que o julgador administrativo avalie o caráter confiscatório da exigência fiscal, haveria necessariamente de adentrar no mérito da constitucionalidade da lei que estabelece a mencionada sanção, o que se encontra vedado pela Súmula CARF nº 2.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado o atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e ampla defesa do contribuinte, mediante o transcurso do PAF de forma hígida e escorreita, afasta-se a hipótese de nulidade do lançamento.
NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o contribuinte apresentou defesa onde rebateu todos os argumentos apresentados pelo fisco, não há que se falar em violação ao contraditório e à ampla defesa.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. DESCONSIDERAÇÃO.
Ao atribuir aos fatos relevantes natureza diferente daquela consistentemente caracterizada no lançamento fiscal, incumbe ao Contribuinte provar suas afirmações, juntando, com a contestação, relato circunstanciado e as provas documentais de que dispõe. Assim, ao perseverar na tática de negar os fatos ou apenas alinhar afirmações genéricas, desprovidas de comprovação, deixa de cumprir a obrigação legal, tornando impossível validação das suas declarações.
Numero da decisão: 2302-004.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação do caráter confiscatório da exigência fiscal e, no mérito, negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora
Assinado Digitalmente
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ROSANE BEATRIZ JACHIMOVSKI DANILEVICZ
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TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2. Para que o julgador administrativo avalie o caráter confiscatório da exigência fiscal, haveria necessariamente de adentrar no mérito da constitucionalidade da lei que estabelece a mencionada sanção, o que se encontra vedado pela Súmula CARF nº 2. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado o atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e ampla defesa do contribuinte, mediante o transcurso do PAF de forma hígida e escorreita, afasta-se a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o contribuinte apresentou defesa onde rebateu todos os argumentos apresentados pelo fisco, não há que se falar em violação ao contraditório e à ampla defesa. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. DESCONSIDERAÇÃO. Ao atribuir aos fatos relevantes natureza diferente daquela consistentemente caracterizada no lançamento fiscal, incumbe ao Contribuinte provar suas afirmações, juntando, com a contestação, relato circunstanciado e as provas documentais de que dispõe. Assim, ao perseverar na tática de negar os fatos ou apenas alinhar afirmações genéricas, desprovidas de comprovação, deixa de cumprir a obrigação legal, tornando impossível validação das suas declarações. Fl. 420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação do caráter confiscatório da exigência fiscal e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 108-013.587 da 32ª Turma de Julgamento da DRJ/08, na qual os membros daquele colegiado, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O processo em análise trata de Auto de Infração relativo ao lançamento das seguintes contribuições previdenciárias: Contribuições previdenciárias sobre valores pagos ou creditados a contribuintes individuais; Contribuições previdenciárias sobre valores pagos ou creditados a segurados empregados; Contribuições previdenciárias para custeio do seguro de acidente do trabalho (GILRAT) sobre valores pagos a segurados empregados; Contribuições previdenciárias de segurados (contribuintes individuais); e, Contribuições previdenciárias de segurados (empregados), todos do período de 01/01/2016 a 31/12/2017. O Relatório Fiscal (e-fls. 163/165), em síntese, assim informa: → Os seguintes valores não foram declarados em GFIP: a) incidentes sobre remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais (quota patronal na alíquota de 20%), b) Incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (contratados/comissionados/efetivos/eletivos), quota patronal na alíquota de 20%; c) contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT ou RAT, na alíquota ajustada de 1,2759% para o ano de 2016 (correspondente a um RAT de 1% e um Fator Acidentário de Fl. 421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 3 Prevenção - FAP de 1,2759%); e de 1,1656% para o ano de 2017 (correspondente a uma RAT de 1% e um FAP de 1,1656%). → As bases-de-cálculo consideradas foram extraídas dos respectivos resumos de folhas de pagamentos, com a exclusão das seguintes rubricas: salário-família, “devolução de empréstimo consignado” e “1/3 Abono pecuniário”. → As bases de cálculo referentes aos contribuintes individuais foram apuradas pelos empenhos constantes no site do Tribunal de Contas do Estado do Ceará. → Contribuições previdenciárias devidas pelos segurados, não declaradas em GFIP e nem recolhidas, e, incidentes sobre: a) salários de contribuição pagos e ou creditados a contribuintes individuais, na alíquota de 11%, respeitando os limites máximos de salário de contribuição; b) salários de contribuição pagos, devidos e ou creditados a segurados empregados (comissionados, contratados, efetivos e eletivos) constantes em folhas de pagamentos. Os valores foram lançados pelo líquido, ou seja, deduzidos os valores de salário-família e maternidade que também não foram declarados em GFIP. O valor das contribuições dos segurados referente ao décimo terceiro salário e a competência de novembro de 2011 foram lançadas por rateio, pois vieram somados no resumo da competência 11/2016 sem condições de separação. →Os valores de remunerações de contribuintes individuais que foram declarados em GFIP não foram aproveitados no presente lançamento por se apresentarem como pessoas estranhas ao movimento financeiro do munícipio, ou seja, não foram encontrados nos empenhos pagamentos efetuados nos CPF dos supostos segurados. → Será formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 266/283), sustentando, em síntese: a) inexistiria “fato gerador da GIIL-RAT”; b) teria sido “assinado” parcelamento “com base na Lei nº 13485/17; c) inexistência de “uma minuciosa verificação da situação definida em lei como fato gerador da contribuição, através de criteriosa análise dessa situação”; d) a imensidão de referências legais constantes do Relatório Fiscal, tornaram impossível o exercício da ampla defesa e contraditório e caracterizam a ocorrência do cerceamento do direito de defesa; e) contesta a utilização da taxa SELIC como critério determinante de acréscimos legais, pois tem caráter confiscatório. Requer a exclusão da “multa e da taxa SELIC”, com substituição “pelo INPC e juros de 1%”. f) contesta a inclusão do “pagamento do salário devido ao segurado empregado nos primeiros quinze dias de seu afastamento por motivo de invalidez ou de doença” na base-de- cálculo das contribuições lançadas, sob o argumento que seria “verba indenizatória”; Fl. 422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 4 g) a auditoria incorreu em erros grosseiros quando da determinação das possíveis contribuições devidas, tanto PATRONAL, de SEGURADOS como relativas ao GILRAT; h) o terço constitucional foi incluído na determinação da base-de-cálculo das contribuições previdenciárias. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 ALEGAÇÕES GENÉRICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. DESCONSIDERAÇÃO. Ao atribuir aos fatos relevantes natureza diferente daquela consistentemente caracterizada no lançamento fiscal, incumbe ao Contribuinte provar suas afirmações, juntando, com a contestação, relato circunstanciado e as provas documentais de que dispõe. Assim, ao perseverar na tática de negar os fatos ou apenas alinhar afirmações genéricas, desprovidas de comprovação, deixa de cumprir a obrigação legal, tornando impossível validação das suas declarações. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. IMPRESCINDIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA. A devida motivação constitui elemento essencial à validade do ato administrativo. Assim, presentes no lançamento fiscal os elementos necessários e suficientes à determinação do crédito tributário, é inviável a desconsideração do ato com fundamento em meras alegações genéricas, assim consideradas as assertivas que não demonstrem precisamente a ocorrência de equívocos ou omissões que mencione. PROVA. REALIZAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Dadas as peculiaridades, finalidades e efeitos do processo administrativo fiscal, este se encontra dotado de formalidades e requisitos específicos, basicamente estabelecidos pelo Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, dentre os quais os relativos à produção de provas, as condições e o momento em que devam ser realizadas, impondo-se, inclusive, eventualmente, a preclusão do direito de produzi-las. LEI nº 13.485/2017. “ENCONTRO DE CONTAS”. IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PREVISTAS NA LEI Nº 8.212/1991. O “encontro de contas”, de que trata a Lei nº 13.485/2017, depende do cumprimento de formalidades legais específicas, e não tem o efeito de revogar exigibilidade de contribuições previdenciárias, fundadas na Lei nº 8.212/1991 ou legislação pertinente, tampouco autoriza, a priori, a realização de compensações ou impõe a restituição de contribuições previdenciárias, exceto quando cumpridas todas as demais exigências legais devidas. TAXA SELIC. CRITÉRIO DETERMINANTE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. A adoção da taxa SELIC como índice determinante do cálculo de acréscimos legais está fundada em legislação própria e sua exigibilidade está estabelecida pela Fl. 423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 5 jurisprudência do STJ, constituindo, também, diretriz fixada em súmula do CARF, a qual esta instância de julgamento se encontra legalmente vinculada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Sobreveio Recurso Voluntário (e-fls. 344-364) que reproduz os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Relatora 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A Recorrente sustenta que os acréscimos sobre as contribuições previdenciárias exigidas – Taxa Selic, possui caráter confiscatório. Ocorre que argumento relativo ao caráter confiscatório da exigência fiscal não pode ser conhecido, uma vez que se trata de matéria estranha à competência deste Colegiado, tendo em vista que, para tanto, estaria o órgão administrativo realizando controle de constitucionalidade, o que é exclusivo do Poder Judiciário (Súmula CARF nº 2). Assim, conheço em parte do recurso. 2. Preliminar O Recorrente sustenta que o débito não foi lavrado regularmente, visto que carece de concreta e específica fundamentação. Há uma imensidão de fundamentação legal que torna impossível o exercício da ampla defesa e contraditório. Sobre a preliminar suscitada, assim consta na decisão de piso: Voto (...) 2. Alegações de falta de fundamentação legal específica (ou “inexistência de detalhes”) e a “imensidão de referências legais”. As razões de direito (os fundamentos legais) que dão base aos lançamentos fiscais estão informadas nos documentos e demonstrativos que os acompanham: fls. 134/144 e fls. 145/152. Assim, dadas as generalidades das alegações da Fl. 424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 6 Impugnação “falta de fundamentação específica”, “inexistência de detalhes” ou “imensidão de referências legais”, não há, também, o que ser considerado, pois: 1. Com as aludidas referências (demonstrativos de fls. 134/144 e fls. 145/152), tem-se como cumprida a formalidade legal da indicação dos fundamentos jurídicos sob os quais se assentam os lançamentos. 2. Quanto à “falta de fundamentação específica”, não é possível determinar, com base aludidas alegações, nas qual seria (se existe) fundamentação legal, ainda mais “específica”, que não tenha sido enunciada. O mesmo vale para a alegação de “inexistência de detalhes”. 3. Quanto à “imensidão de referências legais”, não se pode deixar de registrar a ocorrência de “contradição em termos”, pois, depois de mencionar “falta de fundamentação específica” e da “inexistência de detalhes”, a Impugnação opõe-se à “imensidão de referências legais”. Ocorre que, na realidade, sendo diversas (quanto à origem, contribuinte e finalidades) as contribuições lançadas (de segurados – empregados e contribuintes individuais, arrecadas pela fonte pagadora, mediante retenção nas respectivas remunerações pagas; patronal – sobre a remuneração de empregados e para custeio do seguro de acidente do trabalho; do contratante de serviços, realizados por contribuintes individuais), tem-se que devem ser informados, como foram, os correspondentes fundamentos legais, o que, se caracteriza uma “imensidão”, não pode ser considerado como defeito do lançamento fiscal, que simplesmente cumpriu a exigência legal de informar todos os fundamentos legais que lhe dão base. Diante do exame do Relatório Fiscal e do acima exposto, não encontro justificativa capaz de demonstrar equívoco no posicionamento da DRJ. Assim, por concordar com o entendimento firmado, decido mantê-lo por seus próprios fundamentos, valendo-me do disposto no art. 114, §12, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Por outro lado, o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, quais sejam: “I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. No caso em tela, não se verifica nenhuma dessas causas de nulidade. Quanto à violação ao exercício da ampla defesa e contraditório, não se observa qualquer causa que pudesse configurar preterição do direito de defesa do Contribuinte, tendo em vista que por meio do Auto de Infração tomou conhecimento integral da infração que lhe fora imputada e dela se defendeu amplamente, tanto que alegou uma série de argumentos para afastar a exigência fiscal. Haveria violação ao contraditório e à ampla defesa se não fosse possível saber qual a infração que lhe estava sendo imputada, o que o impediria de contraditá-la (contraditório) por qualquer meio (ampla defesa). Desta forma, a preliminar deve ser rejeitada. 3. Mérito Fl. 425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 7 3.1 Da inexistência de fato gerador da GIL-RAT O Recorrente sustenta que o Auto de Infração concluiu pela exigência do GIL-RAT, sem qualquer análise da efetiva presença dos fatores de risco nas relações laborativas. Aduz não saber sobre quais relações laborativas teria ocorrido a incidência nem o grau de risco. Não há como acolher a pretensão, tendo em vista que os argumentos apresentados são genéricos e não apontam qual seria a eventual atividade preponderante a ser considerada. Além disso, não se identifica nos autos documentos capazes de comprovar o suposto e eventual reenquadramento. Vale destacar as constatações da DRJ: (...) O lançamento das diferenças de contribuições para custeio do seguro de acidente do trabalho e, inclusive, a incidência do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) deram-se com base nos respectivos fundamentos legais (fls. 135/136), que adotaram o enquadramento legal do Contribuinte (CNAE 8411-6/00, informado em GFIP pelo próprio Contribuinte, como “código CNAE atividade preponderante”). Caberia ao Contribuinte, nos termos da legislação específica (Lei nº 8.212/1991, artigo 22; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 202 e Instrução Normativa RFB nº 971/2009, artigo 72), demonstrar a eventual preponderância de atividade específica, que determinasse o reenquadramento, com repercussões no grau de risco considerado. (...) Desta forma, não há razão para a reforma da decisão recorrida. 3.2 Do parcelamento da Lei nº 13.485/17: suspensão da exigibilidade dos créditos vencidos até abril de 2017 O Recorrente refere que assinou termo de parcelamento, com base na Lei nº 13.485/17 e que as competências de janeiro de 2016 a dezembro de 2017, abarcadas pelo Auto de Infração, compreendem o período compreendido no referido dispositivo legal. Examinando o e-processo da RFB, a DRJ constatou o que segue: (...) Mas, de qualquer forma, ao que consta, trata-se de informação que não tem correspondência com a verdade. É que, consulta feita ao sistema “e-processo” da Receita Federal do Brasil, no qual se encontram todos os processos (em forma digital), relativos, inclusive, a todos os parcelamentos requeridos, formalizados ou em cumprimento, é possível constatar, em relação ao Contribuinte, apenas a existência dos seguintes: Nº do processo Tipo Informações Fl. 426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 8 13.312.720807/2016-66 Pedido de parcelamento Refere-se a lançamentos fiscais não relacionados ao presente processo, relativos a período anterior. 13312.720776/2017-24 Pedido de parcelamento Refere-se a período anterior ao lançamento fiscal (requerido em 14/06/2013, processo nº 13312.720249/2013-96). Assim, também em relação à respectiva assertiva da inclusão de créditos lançados em parcelamento, impunha ao Contribuinte a apresentação, com a Impugnação, da devida comprovação da existência do suposto e alegado parcelamento (com a precisa indicação dos créditos tributários específicos lá incluídos, é claro). (...) Diante deste cenário, não há razão para a reforma da decisão recorrida. 3.3 Verbas indenizatórias O Recorrente sustenta que a Lei 13.485/2017 excluiu da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas indenizatórias: a) terço constitucional de férias; b) horário extraordinário; c) horário extraordinário incorporado; d) primeiros quinze dias do auxílio-doença; e) auxílio-acidente e aviso prévio indenizado. Contudo, os valores relativos aos pagamentos “do salário devido ao segurado empregado nos primeiros quinze dias de seu afastamento por motivo de invalidez ou de doença” e do terço constitucional de férias, não foram excluídas da base de cálculo do lançamento. Contudo, não há como acolher a pretensão da Recorrente, uma vez que do exame dos autos não se verifica a individualização dos valores que teriam sido lançados sobre verbas de natureza indenizatória. O que se constata do Relatório Fiscal é que as bases de cálculo do lançamento foram apuradas pelos resumos das folhas de pagamento e, relativamente aos contribuintes individuais, foram apuradas pelos empenhos constantes no site do Tribunal de Contas do Estado do Ceará. Vale destacar as observações constantes da decisão de piso: (...) Ora, a simples “correção das bases de cálculo das contribuições relativas aos empregados”, com a exclusão das “verbas [supostamente] indenizatórias” obviamente não justificaria a inexistência de valores devidos, pois (i) o Contribuinte não demonstrou, a partir dos dados considerados pela auditoria- fiscal (comparação folhas de pagamento versus GFIP), cotejados eventualmente com os dados de que dispõe, que as diferenças são exatamente essas; (ii) mas, ainda que fosse essa a justificativa, as folhas de pagamento e GFIP deveriam refletir precisamente os mesmos valores, com ambas incluindo ou excluindo tais valores (por simples questão de lógica, ainda que indevida a exclusão); (iii) na realidade o problema (as diferenças entre folhas de pagamento e GFIP) é muito mais grave e envolve, inclusive, omissões de segurados num ou noutro Fl. 427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 9 documento (é o que evidencia o demonstrativo de fls. 166/167, na coluna que compara o quantitativo de segurados entre os aludidos documentos). (...) Considerando que o Recorrente tão somente alegou sem juntar aos autos qualquer prova documental visando corroborar o alegado, tem-se que as bases de cálculo estão corretas e o lançamento apresenta liquidez e certeza. Diante do acima exposto, não encontro justificativa capaz de demonstrar equívoco no posicionamento. Assim, por concordar com o entendimento firmado, decido mantê-lo por seus próprios fundamentos, valendo-me do disposto no art. 114, §12, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 3.4 Lançamentos relativos ao décimo terceiro salário O Recorrente sustenta ser indevido o lançamento de décimo terceiro salário, pois a maioria dos servidores “são professores, que possuem contratos parciais como prestadores, não fazendo jus ao recebimento de décimo terceiro salário.” Como bem observado pela DRJ quando analisou este ponto, as alegações são “imprecisas, desacompanhadas de documentos que as corroborem – não se prestam para, nem ao menos, suscitar dúvidas, que demandassem aqui novas providências.” Assim, por não identificar equívoco no posicionamento da DRJ, decido mantê-lo por seus próprios fundamentos, valendo-me do disposto no art. 114, §12, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, com a transcrição dos seguintes trechos: (...) Não é possível precisar o que seja ou qual a extensão, aplicação ou exatidão da alegação de que “É sabido que a maioria dos servidores contratados pelo Município de Frecheirinha, afora aqueles efetivos, são professores, que possuem contratos parciais como prestadores, não fazendo jus ao recebimento de décimo terceiro salário”, pois não se sabe de que forma “professores contratados” com “contratos parciais como prestadores”, não fariam “fazendo jus ao recebimento de décimo terceiro salário”. Afinal: 1. Não se trata do direito ao décimo terceiro salário. Trata-se claramente de pagamentos do décimo terceiro salário, sobre os quais estão sendo lançadas as contribuições. Os valores considerados foram apurados a partir de folhas de pagamentos cotejadas com GFIP. Então, o lançamento fiscal não atribuiu direito a quem não o tinha, como parece sugerir a Impugnação. 2. Ora, ainda que se tratasse de algum “tipo de contrato” de prestação de serviços do qual não resultasse tal direito (seria o caso de contratação de prestador de serviços autônomos?), a Impugnação necessariamente deveria apresentar os casos específicos (acompanhados dos devidos documentos), do que poderia resultar, inclusive, a caracterização da ocorrência de vínculo empregatício. (...) Fl. 428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.397 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.723591/2020-59 10 Valem as mesmas ressalvas feitas anteriormente. Os valores (diferenças) foram apurados com base no comparativo dos documentos apresentados (resumos de folhas de pagamentos) comparados com dados da GFIP. Assim: 1. A assertiva de que “não encontrando qualquer registro de pagamentos desta rubrica” não tem qualquer fundamento, pois é evidente que os respectivos documentos informaram pagamentos (montantes diferentes) em relação a tal rubrica. 2. Sob a mesma questão, também não pode ser levada em consideração a assertiva de que “o nobre auditor, confundiu servidores efetivos com servidores contratados e empresas prestadoras de serviços com trabalhadores autônomos”, pois, não obstante as menções à “confusão” entre “servidores efetivos com servidores contratados e empresas prestadoras de serviços com trabalhadores autônomos”, a Impugnação não se deu ao trabalho de demonstrar que nos valores considerados teriam sido incluídos “servidores contratados” (e que estes não teriam direito ao décimo terceiro) ou que “empresas prestadoras de serviços” teriam sido tomadas por pessoas físicas. Perseverou na tática de alinhar afirmações genéricas, desprovidas de comprovação documental, o que torna impossível sua validação. 4. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação do caráter confiscatório da exigência fiscal e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz Fl. 429DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900185/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3302-003.017
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-003.007, de 29 de janeiro de 2026, prolatada no julgamento do processo 10530.900168/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a] integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302- 003.007, de 29 de janeiro de 2026, prolatada no julgamento do processo 10530.900168/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a] integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de contribuição não cumulativa, transmitido através do Programa PERD/COMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Fl. 4972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 2 Ressarcimento e Reembolso e Declaração de Compensação), que restou indeferido, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual sustenta a necessidade de julgamento conjunto com outros processos de ressarcimento referentes aos mesmos elementos, inclusive para fins de uniformização dos julgados, também em relação ao auto de infração correspondente. Ainda em preliminar, aborda a superficialidade do trabalho fiscal e discorre sobre o princípio da verdade material, que entende ofendido no procedimento efetuado, citando entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Trata da instrução probatória no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e da necessidade de conhecimento do processo produtivo. No mérito, discorre sobre o conceito de insumos, sobre a sistemática não cumulativa das contribuições, e sobre a legitimidade de seu pleito. O colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: (...) VINCULAÇÃO DE PROCESSOS SOBRESTAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Não há previsão para sobrestar um processo em função de outro. GLOSA DOS CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade não-cumulativa da contribuição, quando houver compra de pessoa jurídica nacional e utilização em processo produtivo. Quando comprovado que o negócio jurídico não foi realizado com a pessoa jurídica que aproveita os créditos, ou que a compra e industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada da realidade fática, deve ser feita a glosa integral dos créditos aproveitados indevidamente como insumos. NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Do valor do PIS ou da COFINS, apurados segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. As despesas com embalagens de transporte, pallets, serviços de repaletização, alimentos para consumo, tintas para carimbo e outras relacionadas não podem ser consideradas insumo na fabricação/produção de bens destinados à venda. CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação aos arts. Fl. 4973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 3 3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não mais se poderão apurar créditos decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação, guardando os elementos necessários ou, pelo menos, possibilitando a segregação dos dispêndios, se for o caso. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse deve ser permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Valores pagos por locação de veículo não ensejam a constituição de créditos a serem descontados da COFINS apurada em regime não cumulativo, porquanto tais despesas não estão expressamente relacionadas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas naqueles dispositivos legais. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Na sistemática não-cumulativa das contribuições, a pessoa jurídica poderá descontar créditos referentes a locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa e devidamente comprovados, por contratos, comprovantes de pagamentos ou outra documentação compatível. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Para os anos-calendários de 2008 e 2009, o percentual de 60% aplicável sobre a alíquota prevista da contribuição será utilizado apenas para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 1501 a 1506, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 adquiridos de pessoa física ou das pessoas jurídicas indicadas nos arts. 8º e 9º da Lei 10.925/2004, aplicando-se o percentual de 35% para os demais produtos, com exceção de soja e seus derivados que possuía percentual específico de 50%. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insurgindo-se contra a decisão prolatada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Convertida em Resolução, a Autoridade Fiscal emitiu Informação Fiscal constante nos autos. Fl. 4974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 4 Devidamente cientificada, a Recorrente alegou em sua manifestação: A DRF reconstituiu e recalculou os créditos de PIS e COFINS, e, no período objeto deste processo, concluiu pela existência de saldo apenas nos meses de [...] de [...]: A Requerente refuta as conclusões da autoridade fiscal, pois elas ignoram os créditos passíveis de reconhecimento nos autos deste processo administrativo após julgamento do Recurso Voluntário pelo CARF, bem como os impactos significativos decorrentes da definição, pelo STJ, do conceito de insumo em sede de recursos repetitivos. Nesse sentido, a Requerente reitera os argumentos contidos em seu Recurso Voluntário, pleiteia a aplicação do conceito de insumo previsto no REsp nº 1.221.170/PR, e a necessidade de reversão integral das glosas, reconhecendo-se integralmente o crédito pleiteado. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: I – ADMISSIBILIDADE Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, tratar de matéria de competência desta turma e cumprir os demais requisitos ora exigidos. II – MÉRITO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, verbis: Fl. 4975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 5 Art. 87. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando- se a competência e a tramitação prevista no art. 86. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo da controvérsia. § 2º O processo paradigma de que trata o § 1º será sorteado entre as Turmas e, na Turma contemplada, sorteado entre os conselheiros, sendo os demais processos integrantes do lote de repetitivos movimentados para o referido colegiado. § 3º Quando o processo paradigma for incluído em pauta, os processos correspondentes do lote de repetitivos integrarão a mesma pauta e sessão, em nome do Presidente da Turma, sendo-lhes aplicado a tese ou fundamento adotado e o resultado do julgamento do paradigma. Contudo um fato decorrido de decisão do STJ ultrapassou tal procedimento. Conceito de Insumo Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. O Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 (DOU de 18/12/2018), veio apresentar as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) decorrentes da definição do conceito de insumo estabelecida pelo STJ no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Em suas conclusões, resumiu os critérios de análise e aplicações da nova definição de insumos. Conclusão 166. Com base no exposto, conclui-se que, conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS (inciso II Fl. 4976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 6 do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. 167. Segundo a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". 168. Como características adicionais dos bens e serviços (itens) considerados insumos na legislação das contribuições em voga, destacam- se: a) somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc, bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens; b) permite-se o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerra-se, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindo- se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); d) somente haverá insumos se o processo no qual estão inseridos os itens elegíveis efetivamente resultar em um bem destinado à venda ou em um serviço prestado a terceiros (esforço bem-sucedido), excluindo-se do conceito itens utilizados em atividades que não gerem tais resultados, como em pesquisas, projetos abandonados, projetos infrutíferos, produtos acabados e furtados ou sinistrados, etc; Fl. 4977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 7 e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; f) a modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade das contribuições, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas; g) para fins de interpretação do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, "fabricação de produtos" corresponde às hipóteses de industrialização firmadas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e "produção de bens" refere-se às atividades que, conquanto não sejam consideradas industrialização, promovem: i) a transformação material de insumo(s) em um bem novo destinado à venda; ou ii) o desenvolvimento de seres vivos até alcançarem condição de serem comercializados; h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem- insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc, ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); j) a parcela de um serviço-principal subcontratada pela pessoa jurídica prestadora-principal perante uma pessoa jurídica prestadora-subcontratada é considerada insumo na legislação das contribuições. Como se vê, somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, admitindo-se créditos em relação ao insumo do insumo, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens. Fl. 4978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 8 Da mesma forma, excluem-se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos processos de produção de bens e de prestação de serviços, salvo exceções justificadas; assim como itens utilizados em atividades que não gerem esforço bem sucedido, como em pesquisas, projetos abandonados, projetos infrutíferos, produtos acabados e furtados ou sinistrados etc; e também os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida etc, ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades. Acerca da utilidade do teste de subtração, assim se manifestou o PN COSIT/RFB nº 5/2018: 21. O teste de subtração proposto pelo Ministro Mauro Campbell, segundo o qual seriam insumos bens e serviços "cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (fls 62 do inteiro teor do acórdão), não consta da tese acordada pela maioria dos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, malgrado possa ser utilizado como uma importante ferramenta indiciária na identificação da essencialidade ou relevância de determinado item para o processo produtivo. Vale destacar que a aplicação do aludido teste, mesmo subsidiária, deve levar em conta os comentários feitos nos parágrafos 15 a 18 quando do teste resultar a obstrução da atividade da pessoa jurídica como um todo. Como se vê, o teste de subtração trata-se de ferramenta indiciária, cuja aplicação deve levar em conta a interpretação da abrangência da expressão "atividade econômica desempenhada pela contribuinte", a qual, a despeito possa fazer parecer haver insumos em qualquer atividade desenvolvida, deve se circunscrever ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica, conforme mencionado nos aludidos parágrafos 15 a 18 do mencionado PN COSIT/RFB nº 5/2018: 15. Neste ponto já se mostra necessário interpretar a abrangência da expressão "atividade econômica desempenhada pelo contribuinte". Conquanto essa expressão, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito da não cumulatividade das Fl. 4979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 9 contribuições em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (administrativa, jurídica, contábil, etc), a verdade é que todas as discussões e conclusões buriladas pelos Ministros circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. 16. Aliás, esta limitação consta expressamente do texto do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que permite a apuração de créditos das contribuições em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização ("água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual - EPI"), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade ("veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões"). (destaques acrescidos Como se percebe, o conceito de Bens e Insumos e prestação de serviços foi ampliado sob nova ótica. Assim, esse Conselheiro entende que esse tópico deva a Autoridade Fiscal , titular da competência originária, se manifeste sobre eventual reconhecimento de direito creditório adicional à vista do alargamento do conceito de insumos, assim como das informações prestadas pela contribuinte que julgar necessário para sua análise Em face do exposto, proponho a remessa dos autos em resolução para que a Autoridade preparadora se manifeste quanto as alegações colocadas no Recurso Voluntário, elaborando Relatório de Informação Fiscal conclusivo, procedendo análise e intimações que julgar necessária para formação de Fl. 4980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 10 sua convicção, no formato previsto nas disposições da Receita Federal, mormente em relação os tópicos do Recurso Voluntário, devendo proceder a quantificação do eventual Direito Creditório, conforme elencado pela Recorrente: A DRF reconstituiu e recalculou os créditos de PIS e COFINS, e, no período objeto deste processo, concluiu pela existência de saldo apenas nos meses de junho, setembro e dezembro de 2009: A Requerente refuta as conclusões da autoridade fiscal, pois elas ignoram os créditos passíveis de reconhecimento nos autos deste processo administrativo após julgamento do Recurso Voluntário pelo CARF, bem como os impactos significativos decorrentes da definição, pelo STJ, do conceito de insumo em sede de recursos repetitivos. Nesse sentido, a Requerente reitera os argumentos contidos em seu Recurso Voluntário, pleiteia a aplicação do conceito de insumo previsto no REsp nº 1.221.170/PR, e a necessidade de reversão integral das glosas, reconhecendo-se integralmente o crédito pleiteado. Esclareço também que as informações fornecidas pela Recorrente devem estar devidamente organizadas e correlacionadas com os registros/declaração de informação, de forma clara, não bastando apenas a juntada de diversos documentos sem correspondência entre si. Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. Após a conclusão, proceder a ciência ao interessado para eventual manifestação conforme previsto na legislação e, após o prazo ali disposto, retornar ao CARF. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência junto a Unidade da Receita Federal. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 4981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.017 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.900185/2013-42 11 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 4982DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720895/2021-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2017 a 31/12/2017
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE TODAS AS RAZÕES DA DEFESA. DESNECESSÁRIO. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017
RECURSO DE OFÍCIO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS EMPREGADOS NA FORMA DE CARTÕES. SÚMULA CARF Nº 213. VINCULAÇÃO DOS ÓRGÃOS JULGADORES. NÃO CONHECIMENTO.
SÚMULA 213 - O auxílio alimentação pago in natura ou na forma de tíquete ou congêneres não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, independentemente de o sujeito passivo estar inscrito no PAT.
Não se conhecerá de recurso interposto em face de decisão de primeira instância que adote como razão de decidir Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 101, III, do RICARF e §13 do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A CONSELHEIROS/DIRETORES ESTATUTÁRIOS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. INCIDÊNCIA PREVIDÊNCIA. SÚMULA CARF 195.
Os valores pagos a conselheiros/diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias.
Não existe norma específica que preveja sua exclusão do salário-de-contribuição. A Lei nº 6.404, de 1976, não é lei específica a atribuir isenção tributária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
A parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica, integra o salário-de-contribuição.
HIRING BONUS. GRATIFICAÇÃO ESPONTÂNEA. NATUREZA SALARIAL. COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A gratificação paga por ocasião da admissão pressupõe a contraprestação pelo trabalho, portanto a sua natureza é salarial, ausente a comprovação de que enquadrar-se-ia em uma das exceções legais. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO.
A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, está incluída no rol das contribuições previstas no artigo 195, inciso I da Constituição Federal de 1988, e varia de 1% a 3%, de acordo com o risco de acidentes do trabalho de sua atividade preponderante.
É de 3,0% a alíquota da contribuição para o GILRAT para o CNAE 6422-1/00, nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017
COISA JULGADA EM MANDADO DE SEGURANÇA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - INCRA
Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial. Dada a supremacia da instância judicial, não cabe discutir a questão em termos de concomitância, mas sim aplicar os efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para resolver o processo administrativo correspondente.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. LIMITE PREVISTO NO ART. 4º DA LEI Nº 6.950/1981. INAPLICABILIDADE. DISPOSITIVO REVOGADO PELO DECRETO-LEI Nº 2.318/1986. TÉCNICA LEGISLATIVA.
O artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/1986. Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, uma disposição acessória com a finalidade apenas de explicar ou excepcionar a disposição principal contida no caput. Não é possível subsistir em vigor o parágrafo estando revogado o artigo correspondente.
Numero da decisão: 2302-004.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, em conhecer do Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para, nos termos da decisão judicial do MS nº 2002.71.00.009804-9, transitado em julgado, que reconheceu a inexigibilidade da contribuição ao INCRA no percentual de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, cancelar os lançamentos da referida contribuição, constantes no presente processo. Vencidos os conselheiros Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz e Roberto Carvalho Veloso Filho, que davam provimento em maior extensão para cancelar os lançamentos relativos aos pagamentos a título de: (i) PLR para segurados empregados; (ii) PLR pago a administradores cujo vínculo empregatício restou mantido, face à suspensão do contrato de trabalho; (iii) hiring bonus; (iv)relativo às diferenças do GILRAT ajustado. A conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
Assinado Digitalmente
Carmelina Calabrese – Relator
Assinado Digitalmente
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: CARMELINA CALABRESE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2017 a 31/12/2017 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE TODAS AS RAZÕES DA DEFESA. DESNECESSÁRIO. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 RECURSO DE OFÍCIO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS EMPREGADOS NA FORMA DE CARTÕES. SÚMULA CARF Nº 213. VINCULAÇÃO DOS ÓRGÃOS JULGADORES. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 213 - O auxílio alimentação pago in natura ou na forma de tíquete ou congêneres não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, independentemente de o sujeito passivo estar inscrito no PAT. Não se conhecerá de recurso interposto em face de decisão de primeira instância que adote como razão de decidir Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 101, III, do RICARF e §13 do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A CONSELHEIROS/DIRETORES ESTATUTÁRIOS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. INCIDÊNCIA PREVIDÊNCIA. SÚMULA CARF 195. Os valores pagos a conselheiros/diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. Não existe norma específica que preveja sua exclusão do salário-de-contribuição. A Lei nº 6.404, de 1976, não é lei específica a atribuir isenção tributária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica, integra o salário-de-contribuição. HIRING BONUS. GRATIFICAÇÃO ESPONTÂNEA. NATUREZA SALARIAL. COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A gratificação paga por ocasião da admissão pressupõe a contraprestação pelo trabalho, portanto a sua natureza é salarial, ausente a comprovação de que enquadrar-se-ia em uma das exceções legais. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, está incluída no rol das contribuições previstas no artigo 195, inciso I da Constituição Federal de 1988, e varia de 1% a 3%, de acordo com o risco de acidentes do trabalho de sua atividade preponderante. É de 3,0% a alíquota da contribuição para o GILRAT para o CNAE 6422-1/00, nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 COISA JULGADA EM MANDADO DE SEGURANÇA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - INCRA Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial. Dada a supremacia da instância judicial, não cabe discutir a questão em termos de concomitância, mas sim aplicar os efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para resolver o processo administrativo correspondente. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. LIMITE PREVISTO NO ART. 4º DA LEI Nº 6.950/1981. INAPLICABILIDADE. DISPOSITIVO REVOGADO PELO DECRETO-LEI Nº 2.318/1986. TÉCNICA LEGISLATIVA. O artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/1986. Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, uma disposição acessória com a finalidade apenas de explicar ou excepcionar a disposição principal contida no caput. Não é possível subsistir em vigor o parágrafo estando revogado o artigo correspondente.
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Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2017 a 31/12/2017 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE TODAS AS RAZÕES DA DEFESA. DESNECESSÁRIO. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 RECURSO DE OFÍCIO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS EMPREGADOS NA FORMA DE CARTÕES. SÚMULA CARF Nº 213. VINCULAÇÃO DOS ÓRGÃOS JULGADORES. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 213 - O auxílio alimentação pago in natura ou na forma de tíquete ou congêneres não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, independentemente de o sujeito passivo estar inscrito no PAT. Não se conhecerá de recurso interposto em face de decisão de primeira instância que adote como razão de decidir Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 101, III, do RICARF e §13 do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 4518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A CONSELHEIROS/DIRETORES ESTATUTÁRIOS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. INCIDÊNCIA PREVIDÊNCIA. SÚMULA CARF 195. Os valores pagos a conselheiros/diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. Não existe norma específica que preveja sua exclusão do salário-de- contribuição. A Lei nº 6.404, de 1976, não é lei específica a atribuir isenção tributária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica, integra o salário-de-contribuição. HIRING BONUS. GRATIFICAÇÃO ESPONTÂNEA. NATUREZA SALARIAL. COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A gratificação paga por ocasião da admissão pressupõe a contraprestação pelo trabalho, portanto a sua natureza é salarial, ausente a comprovação de que enquadrar-se-ia em uma das exceções legais. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, está incluída no rol das contribuições previstas no artigo 195, inciso I da Constituição Federal de 1988, e varia de 1% a 3%, de acordo com o risco de acidentes do trabalho de sua atividade preponderante. É de 3,0% a alíquota da contribuição para o GILRAT para o CNAE 6422- 1/00, nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009. Fl. 4519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 3 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 COISA JULGADA EM MANDADO DE SEGURANÇA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - INCRA Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial. Dada a supremacia da instância judicial, não cabe discutir a questão em termos de concomitância, mas sim aplicar os efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para resolver o processo administrativo correspondente. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. LIMITE PREVISTO NO ART. 4º DA LEI Nº 6.950/1981. INAPLICABILIDADE. DISPOSITIVO REVOGADO PELO DECRETO- LEI Nº 2.318/1986. TÉCNICA LEGISLATIVA. O artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/1986. Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, uma disposição acessória com a finalidade apenas de explicar ou excepcionar a disposição principal contida no caput. Não é possível subsistir em vigor o parágrafo estando revogado o artigo correspondente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, em conhecer do Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para, nos termos da decisão judicial do MS nº 2002.71.00.009804-9, transitado em julgado, que reconheceu a inexigibilidade da contribuição ao INCRA no percentual de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, cancelar os lançamentos da referida contribuição, constantes no presente processo. Vencidos os conselheiros Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz e Roberto Carvalho Veloso Filho, que davam provimento em maior extensão para cancelar os lançamentos relativos aos pagamentos a título de: (i) PLR para segurados empregados; (ii) PLR pago a administradores cujo vínculo empregatício restou mantido, face à suspensão do contrato de Fl. 4520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 4 trabalho; (iii) hiring bonus; (iv)relativo às diferenças do GILRAT ajustado. A conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Carmelina Calabrese – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 108-045.595 – 14ª TURMA/DRJ08, julgado na sessão de 29 de novembro de 2024. DA AUTUAÇÃO São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização: (1) Auto de Infração de contribuição previdenciária da empresa e do empregador, no montante de R$ 972.228.498,17 (novecentos e setenta e dois milhões, duzentos e vinte e oito mil, quatrocentos e noventa e oito reais e dezessete centavos), incluindo juros e multa, lavrado em 01/12/2021, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III, e parágrafo 1º da Lei nº 8.212/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às competências 01/2017 a 13/2017; e (2) Auto de Infração de contribuição para outras entidades e fundos, no montante de R$ 95.839.647,15 (noventa e cinco milhões, oitocentos e trinta e nove mil, seiscentos e quarenta e sete reais e quinze centavos), Fl. 4521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 5 incluindo juros e multa, lavrado em 01/12/2021, referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros (SALÁRIO-EDUCAÇÃO e INCRA), relativas às competências 01/2017 a 12/2017. O Relatório Fiscal, de fls. 2.629 a 2784, comum aos dois AI, detalha com pormenores a auditoria realizada, portanto, serão sintetizadas as informações nele constantes. Trata-se de sociedade por ações, regida pelas disposições da Lei nº 6.404/76, que, conforme previsão estatutária a administração do banco compete ao Conselho de Administração e à Diretoria Executiva, sendo que o contribuinte considera seus Membros do Conselho de Administração e seus Diretores Executivos como administradores da sociedade, conforme se verifica na GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social, documento no qual são declarados nas seguintes categorias: I) Categoria 5 - Contribuinte individual - Diretor não empregado com FGTS (Lei nº 8.036/90, art. 16); e, II) Categoria 11 - Contribuinte Individual - Diretor não Empregado e demais Empresários sem FGTS; No curso da auditoria fiscal realizada, foi constatado: DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO DO GILRAT AJUSTADO O contribuinte declarou, em relação ao estabelecimento matriz (CNPJ 90.400.888/0001-42), nas GFIP's do período 01/2017 a 12/2017, inclusive o 13º Salário, o Código Nacional de Atividade Econômica - CNAE 8211-3/0 (serviços de escritório e apoio administrativo), sujeita a alíquota de 2% da contribuição do GILRAT. No entanto, conforme análise da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), efetuada pela autoridade fiscal, o correto enquadramento da empresa, no estabelecimento matriz, dá-se no CNAE 6422-1/00 (bancos múltiplos com carteira comercial), sujeita a alíquota de 3%, ensejando o lançamento da diferença, com aplicação do resultado na apuração a menor da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. Informa ainda, que para o ano de 2017, o RAT Ajustado do estabelecimento matriz do contribuinte em apreço é igual a sua alíquota básica RAT, qual seja 3%, multiplicada pelo FAP, ou seja, 3% x 1,0019, que resulta em 3,0057% (alíquota final RAT a ser observada durante o exercício de 2017). DA ALIMENTAÇÃO DOS EMPREGADOS” Que o conceito de base de cálculo das contribuições previdenciárias (salário-de- contribuição), previsto na legislação, é amplo, contemplando as parcelas destinadas a retribuir o trabalho, sendo transcrito o art. 28, inciso I da Lei nº 8.212/1991, sendo que o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, por sua vez, relacionaria as parcelas não incluídas no salário-de-contribuição, sendo reproduzida a sua alínea “c"; Informa que a exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias não é aplicável à parcela destinada ao custeio da alimentação paga em pecúnia, mas tão somente a que for paga in natura, isto é, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos trabalhadores, Fl. 4522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 6 independentemente de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Que, sendo o Auxílio Alimentação pago aos empregados mediante “cartão refeição ou cartão alimentação”, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias a partir de 11/11/2017, mas, antes dessa data, somente não haverá incidência de contribuições previdenciárias sobre o Auxílio Alimentação pago in natura ao trabalhador; ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, para consumo imediato no ambiente da empresa, ou se fornecida cesta básica para o empregado levar para casa; Os valores pagos pelo Santander a seus empregados a título de alimentação e refeição, seja em pecúnia seja mediante cartão refeição ou cartão alimentação, devem ser considerados como parcelas integrantes do salário-de-contribuição, estando sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias correspondentes, sendo que tais valores não estão declarados em GFIP e, como consequência, as contribuições previdenciárias incidentes sobre esses valores não foram recolhidas. DO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BONUS) A EMPREGADOS” Foi apurado, em folha de pagamento fornecida pela empresa, o pagamento a segurados empregados de “Hiring bônus” (bônus de contratação). Esclarece que para atrair novos colaboradores, manter talentos existentes, ou, ainda, fazer com que estes se abstenham de praticar no mercado as atividades que exerciam na companhia, as empresas vêm criando instrumentos para que seu capital humano se alinhe às suas pretensões, sendo um desses instrumentos os denominados Hiring Bonus, Bônus de Contratação ou Bônus de Retenção. Informa que alguns empregados receberam parcelas a título de Hiring Bonus em contrapartida à manutenção da relação de emprego, sendo que, desta feita, tal verba integra a remuneração e compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento de tal verba se dá em função, e posteriormente à assinatura da proposta de contratação do profissional, estando, assim, vinculado ao contrato de trabalho que lhe sucede, diretamente associado à contraprestação de serviço, ausente, portanto, qualquer caráter indenizatório. Não se vislumbra qualquer traço de eventualidade no pagamento de hiring bonus, que corresponde a uma gratificação/bônus resultante do ingresso do profissional na empresa para a prestação de serviços com habitualidade, a ela estando diretamente vinculada, e decorre de contrato firmado entre empresa e trabalhador, para manutenção deste último a serviço da primeira por um tempo previamente ajustado; Durante a auditoria, foram encontrados pagamentos a segurados empregados a título de Hiring Bonus através das rubricas 765 e 4985. Na resposta ao Termo de Intimação de 16/08/2021, o contribuinte anexou planilha contendo os pagamentos efetuados nessas rubricas (Doc 2), cópias das propostas de contratação desses pagamentos aos beneficiários dos mesmos (Docs. 3 a 5) e informou não ter efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos sob a rubrica 0765 (hiring bonus) por entender se tratar de Fl. 4523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 7 pagamento esporádico e pontual a determinados beneficiários, tendo efetuado os recolhimentos das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos das hiring units, na rubrica 4985; Os valores pagos a título de Hiring Bonus na rubrica 0765 não foram declarados em GFIP e sobre eles não foram recolhidas as respectivas contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos, caracterizando-se assim o descumprimento da legislação vigente; Os montantes discriminados individualmente são apontados no “anexo VI – Demonstrativo Mensal de Pagamentos de Hiring Bonus”, em anexo, tendo sido obtidos a partir das informações constantes das Folhas de Pagamento, e da planilha fornecida pela empresa, sendo que todos os beneficiários desses pagamentos são registrados no estabelecimento matriz – CNPJ 90.400.888/0001-42. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DOS ADMINISTRADORES Relata que a Participação nos Lucros dos Administradores de uma sociedade anônima encontra-se prevista na Lei nº 6.404/1976 – Lei das Sociedades Anônimas, a qual regulamenta os parâmetros de seu pagamento, sendo uma faculdade da empresa efetuar o pagamento dessa Participação a seus Administradores, os quais compreendem, consoante o art. 145 da mesma norma, os diretores e conselheiros. O art. 152 da Lei nº 6.404/1976 apenas faculta à companhia, que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro líquido e o atribuir aos acionistas, pagar Participação nos Lucros aos Administradores, desde que observado o limite, não desvinculando, portanto, da remuneração tal verba e não determinando que sobre ela não haverá incidência de contribuições previdenciárias. Relata que durante a auditoria foram encontrados pagamentos de participação nos lucros aos administradores, os quais foram registrados nas folhas de pagamento e contabilizados nas rubricas constantes da tabela com as rubricas de PLA da Folha de Pagamento apresentada pelo contribuinte na sua resposta de 30/03/2021 ao Termo de Intimação de 22/03/2021; No caso em tela, os valores pagos aos diretores estatutários a título de participação nos lucros dos administradores não foram declarados em GFIP, exceto pela rubrica 1180, e sobre eles não foram recolhidas as devidas contribuições previdenciárias, configurando-se, dessa forma, o descumprimento da legislação pertinente. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DOS EMPREGADOS” Relata que constatou pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados a segurados empregados, apurados em planilha fornecida pelo sujeito passivo, folhas e pagamento e contabilidade. A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Santander, cujos pagamentos ocorreram durante o exercício de 2017, é regida por diferentes instrumentos, quais sejam: (i) Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) 2016/2017; (ii) Programas Próprios Específicos (PPE); (iii) Programa Próprio Gestão (PPG); (iv) Fl. 4524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 8 Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP); e, (v) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2016/2017; Foi efetuada a análise pelo Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) - Biênio 2016/2017, vigente para os pagamentos realizados no exercício de 2017, a saber: a) Acordo do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS), de 26/02/2016, biênio 2016/2017, entre, de um lado o Banco Santander (Brasil) S.A. e outros, e, de outro lado, a CONTRAFI - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo SP, a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo FETEC/SP, em nome próprio e representando o Sindicato dos Bancários do ABC, Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro em Araraquara (SP), Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Assis e região (SP), Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro de Barretos e região (SP), e outros; e, b) Termo de Ratificação ao Acordo PPRS, de 01/12/2016, assinado entre, de um lado, o Banco Santander (Brasil) S.A. e outros, e, de outro lado, a CONTRAF - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo SP, a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo FETEC/SP, e outros; Intimado a apresentar o Edital de Convocação e as Atas das Assembleias Gerais dos Trabalhadores que autorizaram a celebração do Acordo Coletivo do PPRS Biênio 2016/2017, o contribuinte anexou: I) Ata da AGE dos Empregados do Banco Santander, realizada na Sede do Sindicato em São Paulo, em 28/11/2016; e, II) edições do jornal “Folha Bancária” com Edital de Convocação de Assembleia Geral Extraordinária, de 24/11/2016 – data posterior à celebração do acordo; Tais informações colocam em dúvida a correta data de celebração do acordo coletivo, uma vez que o Acordo PPRS em tela não poderia ter sido celebrado sem a prévia anuência da assembleia dos empregados, sendo que não poderia ter sido assinado em fevereiro de 2016 se a Assembleia que o aprovou ocorreu somente em novembro de 2016; No caso, o Acordo PPRS de 26/02/2016 foi celebrado sem a autorização prévia da Assembleia Geral dos Trabalhadores especialmente convocada para deliberar sobre sua celebração, uma vez que que a assembleia foi realizada somente em 28/11/2016, ou seja, posteriormente à data de celebração do referido acordo, em afronta ao artigo 612 da CLT; Intimado a apresentar o registro junto ao Ministério do Trabalho e Emprego dos Acordos Coletivos de PLR, exibiu o registro SRT00472/2017, de 29/12/2017, com protocolo em 27/11/2017, entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Paraná, no RS, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, e o Santander, com abrangência nacional; O registro do acordo em tela foi protocolado fora do prazo de oito dias, determinado pelo art. 614 da CLT, uma vez que o acordo foi assinado em 26/02/2016, e, desta Fl. 4525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 9 forma, considerando que, de acordo com o § 1º do mesmo art. 614 da CLT, os acordos coletivos somente entram em vigor três dias após a data de entrega deles ao Ministério do Trabalho e Emprego para registro, o acordo em tela entrou em vigor somente três dias após 27/11/2017; Não restou comprovado o registro tempestivo junto ao Ministério do Trabalho e Emprego do Acordo Coletivo PPRS, requisito para entrada em vigor dos acordos coletivos constante do art. 614 da CLT; Em continuidade, analisou se de todos os instrumentos decorrentes da negociação de Participação nos Lucros ou Resultados constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e critérios de avaliação, sendo que, para tanto, seriam verificadas as disposições do Acordo PPRS 2016/2017, base para os pagamentos do benefício no período de janeiro a dezembro de 2017; O Anexo I que acompanha o Acordo PPRS 2016/2017 elenca os Programas Específicos mantidos pelos acordantes previstos na Cláusula Oitava do acordo e iniciando a análise pelo corpo do Acordo, observa-se que o único critério para a elegibilidade dos beneficiários adotado por tal acordo é a admissão do empregado antes do início do ano base a que se refere o pagamento da PLR (ou no decorrer deste) e estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano, sendo pertinente indagar-se como tal critério poderia servir como incentivo à produtividade, pois, para tanto, seria necessário que o instrumento de negociação contivesse alguma determinação a ser cumprida pelos empregados, que, se atendida, lhes daria o direito ao recebimento do numerário especificado; Entretanto, no acordo em comento, não há qualquer determinação para os empregados, sendo apenas necessário trabalhar na empresa e manter vínculo no último dia do respectivo ano, ainda que tenham se afastado durante todo o ano por doença ou acidente de trabalho, o que se assemelha ao pagamento de um prêmio por tempo de serviço e não de Participação nos Lucros ou Resultados; Verificou, ainda, que o valor da participação a ser recebida por cada empregado será calculado levando-se em consideração a porcentagem obtida pelo Banco Santander no índice ROAE, o qual é definido como sendo a relação percentual entre o Lucro Líquido Gerencial e o Patrimônio Líquido Médio; Sendo a participação resultante somente dos valores de Lucro Líquido Gerencial e Patrimônio Líquido Médio do Banco Santander, todos os empregados ganharão o mesmo valor de PLR, independentemente de objetivos e metas a serem atingidos, nem de critérios para uma avaliação do desempenho individual, não restando possível, desta forma, definir as regras cabíveis a cada beneficiário, em desacordo frontal à legislação específica, a qual exige a presença de regras claras e objetivas pactuadas previamente; Além disso, independentemente do índice ROAE obtido, e ainda que ele seja zero, é assegurado um valor fixo mínimo. O empregado jamais deixa de receber uma parcela referente à Fl. 4526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 10 PLR, uma vez que existe um valor fixo mínimo, trata-se tal verba na verdade de Fl. 3511 uma gratificação, bonificação, prêmio ou outro nome que se queira, menos de Participação nos Lucros ou Resultados; No Acordo PPRS, não existe uma definição detalhada das metas individuais a serem atingidas, sendo que tal quadro inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deve dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais, não se podendo falar, aqui, da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas; O Acordo PPRS em tela institui um certo montante à guisa de piso mínimo a ser pago a todos os funcionários, independentemente dos resultados atingidos ao final do período base, sendo que tal parcela mínima, composta de um valor fixo, possui caráter obrigatório e independente de esforço individual, sendo igual para todos os empregados e não havendo nenhuma relação entre o seu pagamento e o cumprimento de qualquer tipo de metas, objetivos ou produtividade pré-estabelecidos pelo Acordo de PLR, de modo que, independentemente do esforço individual, os empregados receberiam uma parcela fixa garantida a título de participação, igual para todos os beneficiários; A existência de valores fixos pagos a título de PLR, representando uma espécie de "prêmio/gratificação", bem como o pagamento em montantes iguais e pré-determinados a todos independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado, ferem o art. 1º, e o § 1º do art. 2º, ambos da Lei nº 10.101, de 2000, demonstrando, assim, a clara falta de critério de incentivo à produtividade, sendo nesse sentido o entendimento do CARF, ao julgar casos relacionados a este mesmo contribuinte; Em seguida, houve a análise dos Programas Específicos de Participação nos Resultados, os quais, de acordo com a Cláusula Oitava e Anexo I do Acordo PPRS, fariam parte do Acordo Coletivo do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) Biênio 2016/2017, sendo eles: (i) Programas Próprios Específicos (PPE); (ii) Programa Próprio Gestão (PPG) 2016/2017; e, (iii) Planos de Incentivo a Longo Prazo (PILP): Foram examinadas questões relacionadas à representação, formalidades e participação do sindicato na celebração desses programas específicos (PPE, PPG, PILP) e que nenhum dos programas específicos mencionados podem ser considerados como instrumentos de negociação de Participação nos Lucros ou Resultados como exigido por lei; Quanto aos programas específicos (PPE, PPG e PILP), foram apresentadas somente brochuras internas do banco, não constando qualquer assinatura ou qualificação, nem ao menos suas datas de celebração, não sendo possível comprovar sequer que foram celebrados de fato e quem foram as partes envolvidas e seus representantes legais; Ademais, as brochuras dos programas retro citados não comprovam a existência de negociação prévia, a participação dos empregados em sua elaboração, a participação de um Fl. 4527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 11 representante sindical nas negociações, nem que os respectivos instrumentos de negociação foram devidamente registrados e arquivados na competente entidade sindical; Intimado a comprovar a participação de um representante indicado pela categoria dos trabalhadores nas negociações que levaram à celebração dos PPE e do PPG, cujos pagamentos ocorreram ao longo de 2017, o contribuinte apresentou, o Doc comprobatório 13, com publicação do Sindicato dos Bancários acerca do PPRS e sobre aditivo à CCT, sem qualquer menção aos planos PPE e PPG; Não é possível vincular os PPE, o PPG e os PILP, em questão, ao Acordo Coletivo PPRS que os "ratificaram" como "instrumentos integrantes do acordo", por não constar, dentre outros, suas datas de celebração, assinaturas e identificação das partes; Segundo o próprio Acordo PPRS, as regras e valores atinentes ao Programa Próprio Gestão (PPG) são fixados pela Diretoria, ou seja, sem que haja qualquer negociação com os empregados, nem a participação do sindicato da categoria, tratando-se, portanto, de documento elaborado unilateralmente pela empresa; O mesmo ocorre no que tange aos Planos de Incentivo a Longo Prazo (PILP), vez que tais programas são aprovados pelo Conselho de Administração do banco, o qual define e altera, se for o caso, a metodologia para o cálculo da remuneração variável individual, não existindo negociação com os empregados, nem participação de um representante sindical, na sua celebração; De acordo com a Cláusula Oitava do Acordo PPRS, este acordo coletivo apenas reconhece e ratifica os PPE, PPG e PILP, já existentes e mantidos pelo banco, só se pode concluir que estes não foram objeto de negociação nas discussões que levaram à elaboração do referido acordo coletivo, até mesmo porque não há como se comprovar a adequação às formalidades legais, nem a data de celebração de nenhum deles; Os Programas Próprios Específicos – PPE falam que o benefício em questão se trata de “premiação”, “prêmio” e “remuneração variável (RV)”, mas não de Participação nos Lucros ou Resultados, sendo citados alguns exemplos; Os programas ora tratados apresentam parâmetros muito semelhantes aos sistemas utilizados para o pagamento de “prêmios de incentivo”, “comissões”, ou qualquer outro tipo de “remuneração variável”, mas não para um benefício de PLR, dependendo tal “premiação” basicamente de quadro indicadores, quais sejam produção, resultado, super ranking, medalha e multiplicador, para os quais os programas em apreço estabelecem normas específicas por área de atuação; Alguns programas estipulam claramente que o pagamento dar-se-ia juntamente com a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e que tal pagamento contemplaria além do “prêmio” conquistado a medalha, quando aplicável, restando claro novamente se estar diante da concessão de prêmios/comissões e não de Participação nos Lucros; Fl. 4528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 12 As periodicidades de apuração e pagamento encontradas nesses programas (mensal, trimestral, semestral ou anual) evidenciam com clareza a sua real natureza de premiação e não de PLR; Diante da explanação do planos acima, conclui-se estar diante de concessão de comissões, planos de remuneração variável ou planos de incentivo através da concessão de prêmios, mas não diante de planos de distribuição de lucros ou resultados aos empregados, não existindo aqui qualquer negociação entre as partes com a participação sindical, sendo os objetivos fixados pela empresa ou pelos empregados em conjunto com seus gestores, não sendo negociados como exige o pagamento da PLR, e sendo os indicadores utilizados critérios de pagamento de remuneração variável ou de prêmios, uma vez que se tratariam de tarefas normais dessa área de atuação; Há ainda o fato de todos os programas examinados estabelecerem no item relativo às Considerações Finais, que “Quaisquer situações não previstas neste material serão analisadas e definidas pelo comitê, cuja decisão é soberana e irrevogável”, sendo que, relativamente à composição dos ditos comitês, que variam conforme o programa, em nenhum deles há qualquer menção à participação do sindicato da categoria dos trabalhadores; Tais Programas Próprios Específicos - PPE estabelecem ainda revisões unilaterais de metas; Resta evidente a inexistência de regras claras e objetivas nos Programas PPE, havendo somente a apresentação de indicadores, pesos e targets – que são manifestamente critérios de pagamento de prêmios ou comissões – mas não das regras a serem seguidas pelos empregados no intuito do recebimento de uma participação; As metas não são estabelecidas previamente em instrumentos de negociação com a participação de um representante do sindicato, mas são definidas a posteriori e unilateralmente pela empresa, sem a devida negociação prévia com a obrigatória participação sindical, através dos gestores de cada área; Nos referidos programas, não constam assinaturas ou qualificação das partes, estando fora do instrumento original de negociação entre as partes; Nessa perspectiva, são retratados os entendimentos do CARF ao julgar casos relacionados ao contribuinte; Não se trata de PLR os pagamentos realizados com base nos Programas Próprios Específicos (PPE); Que o segundo plano próprio a ser explorado de forma mais específica se trata do Programa Próprio Gestão (PPG) 2016/2017, igualmente utilizado pelo banco para pagamento de PLR ao longo do exercício de 2017; Os benefícios aqui previstos não são extensivos a todos os empregados, restando restritos a uma parte dos colaboradores da empresa; Fl. 4529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 13 No que tange especificamente à estipulação de metas, observa-se que o Programa Próprio Gestão (PPG) 2016/2017 não aponta em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se torne beneficiário da participação, sendo que: a) fala-se em cumprimento das metas, resultados e práticas de mercado, mas estes não são apontados; b) fala- se em metas do banco, da área, do funcionários, em metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, mas não se explica, sendo que nem ao menos os indicadores que serão levados em conta para a apuração e avaliação são revelados pelo programa; c) menciona a existência de avaliação de competências, mas não indica os mecanismos de aferição, nem os critérios de avaliação a serem utilizados, nem apresenta um modelo básico de tal avaliação; No caso das metas do banco, o programa estipula que estas serão definidas anualmente, não constando do próprio Programa PPG, sendo que o que se tem aqui é uma simples definição unilateral das metas, e absolutamente à margem da convenção coletiva e do acordo coletivo, sendo que o mesmo ocorre com as metas das áreas, vez que o Programa PPG precisa que elas sejam definidas em momento posterior, não constando, por consequência, do plano original; No que tange às metas individuais, a previsão é que estas serão acordadas entre o gestor e o funcionário. A legislação específica estabelece que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes e integrada por representante do sindicato ou por convenção/acordo coletivo, ou seja, não é possível que, metas sejam definidas a posteriori, entre empregado e gestor, ou que, devido a fatos supervenientes, valores, critérios e formas de distribuir a participação sejam posteriormente regulamentados fora do instrumento original de negociação entre as partes; Não se pode falar, aqui, portanto, da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas; O próprio programa, em sua cláusula sexta, se autodesigna como um “Programa de Renda Variável”; Por todos os vícios evidenciados, o Programa Próprio Gestão (PPG) 2016/2017 não se amolda à legislação específica da PLR; Que os terceiros e últimos planos próprios a serem especificamente comentados se trata dos Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP), utilizados semelhantemente pelo banco para pagamento de PLR ao longo do exercício de 2017; Os planos acima referidos são mencionados na Nota Explicativa nº 35 às Demonstrações Financeiras AC 2017, sendo aí manifesta e reiteradamente citados como pagamento de “Remuneração Variável”, portanto, se trata de planos de remuneração variável na forma de gratificações/bonificações, visando nitidamente a retenção e comprometimento a longo prazo de seus beneficiários; Fl. 4530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 14 O Acordo PPRS refere-se aos Planos PILP em comento, da mesma forma que as Demonstrações Financeiras, como uma forma de diferimento da remuneração variável (em dinheiro ou ações) para os executivos do banco, não se tratando, desta forma, do pagamento de PLR, acrescentando-se aqui somente a garantia de recebimento por parte desses executivos de um valor mínimo, qual seja, os montantes relacionados ao Acordo PPRS, ou seja, ainda que tais executivos não cumpram os objetivos a serem estipulados nos referidos Planos PILP, a eles será garantida uma gratificação/bonificação no valor apurado conforme o Acordo PPRS; Os Planos PILP são tratados no Acordo PPRS como programas de pagamento diferido de gratificações/bonificações no intuito de garantir o comprometimento a longo prazo dos executivos do banco; No caso concreto, os pagamentos dessas gratificações diferidas, como designados pelo próprio contribuinte, realizados ao longo do exercício de 2017 e baseados nos diversos Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP), foram considerados pelo banco como fazendo parte de sua Participação nos Lucros ou Resultados, mas essa qualificação como PLR não merece ser aqui acatada; Todos esses valores, seja em espécie, seja os montantes equivalentes às units/ações entregues aos beneficiários, transitaram pelas folhas de pagamento do banco, no entanto, não foram declarados em GFIP, nem sobre eles foram recolhidas as devidas contribuições previdenciárias e aquelas destinadas ao FNDE; Nos planos em apreço, os Bônus Diferidos pagos são claramente enquadrados como “gratificações”, parte da “remuneração variável” dos beneficiários, as quais são pagas em espécie e/ou em units; Em nenhum dispositivo de qualquer um dos Planos PILP, há sequer uma simples menção: (a) de que se trata de Participação nos Lucros ou Resultados; (b) ao Acordo Coletivo do PPRS sobre PLR; (c) à existência de uma negociação prévia entre empresa e empregados para a definição das regras atinentes aos planos; ou (d) a qualquer tipo de participação do sindicato dos empregados na negociação e celebração de tais planos; Ao contrário, é nítido o caráter unilateral de tais documentos, os quais são elaborados exclusivamente pela empresa com o único intuito de remunerar por meio de gratificação/bonificação uma parcela seleta de seus colaboradores; O Conselho de Administração é quem define a metodologia para o cálculo da parte da remuneração variável devida a cada participante, podendo alterá-la sempre que entender necessário; O plano pode ser extinto, suspenso ou alterado, a qualquer tempo, pela Assembleia Geral; Os objetivos dos Planos PILP são: (a) alinhamento dos interesses do banco (crescimento e lucratividade) e dos participantes (reconhecimento); (b) retenção dos Fl. 4531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 15 participantes; e (c) comprometimento de longo prazo dos participantes que leve ao bom desempenho do banco e aos interesses de seus acionistas; Tais objetivos não condizem com aqueles pretendidos pela legislação relativa à Participação nos Lucros ou Resultados, quais sejam integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade mediante negociação prévia entre empresa e empregados com participação sindical, uma vez que se trata visivelmente de pagamentos aprovados, regulamentados e decididos unilateralmente pela empresa que visam o reconhecimento, retenção e comprometimento a longo prazo de seus beneficiários; Os beneficiários dessa gratificação/bonificação são unilateralmente escolhidos pelo Comitê Executivo e que, uma vez que o beneficiário da gratificação/bonificação se torna elegível, deve ele assinar eletronicamente um contrato demonstrando, mais uma vez se estar diante, de fato, de uma gratificação ajustada; Tudo isso corrobora o intuito da empresa de, por meio de diversos instrumentos, planos e programas, supostamente anexos do Acordo Coletivo PPRS, pagar verbas remuneratórias, tais como gratificações, bonificações e prêmios, sob o manto de “Participação nos Lucros ou Resultados”; As units são valores mobiliários negociados no mercado financeiro, assim como as ações; Nos Planos de Incentivo a Longo Prazo - PILP, não constam quaisquer assinaturas, nem ao menos suas datas de celebração, não sendo possível comprovar sequer que foram celebrados de fato; As brochuras dos programas citados não comprovam a existência de negociação prévia, não comprovam a participação dos empregados em sua elaboração, não comprovam a participação de um representante sindical nas negociações, nem que os respectivos instrumentos de negociação foram devidamente registrados e arquivados na competente entidade sindical; Os Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP) não apontam em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que os participantes se tornem beneficiários da gratificação/bonificação, sendo o Comitê Executivo, unilateralmente e fora do corpo dos planos, que guarda todos os poderes necessários para o detalhamento e aplicação das normas genericamente estabelecidas nos planos em comento; Os pagamentos realizados com base nos PILP não se trata de PLR; O direito ao recebimento da verba em questão dependia, tão somente, do empenho ordinário, usual e cotidiano do empregado, decorrente diretamente do contrato de trabalho comum, inexistindo no acordo de PLR qualquer viés de incentivo à produtividade que justificasse a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados da empresa, nas circunstâncias encontradas na Lei nº 10.101, de 2000; Fl. 4532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 16 Em suma, os pagamentos em estudo afastaram-se do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas, tendo o contribuinte se afastado, portanto, dos requisitos legais que fazem com que a Participação nos Lucros ou Resultados não integre o salário de contribuição; Dando prosseguimento ao estudo acerca dos pagamentos da PLR em apreço, se exploraria a Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação nos Lucros ou Resultados dos Bancos – Exercícios 2016 e 2017 – CCT PLR, assinada em 13/10/2016; Para os pagamentos efetuados no ano de 2017, tem-se que aqueles feitos com base na CCT, referentes ao exercício de 2016 não atenderam à exigência legal de que a participação deve ser objeto de negociação prévia e de que suas regras sejam previstas no momento da negociação; A negociação entre a empresa e os trabalhadores deve estar finalizada e os empregados devem ter conhecimento das metas a serem atingidas antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados; No caso em tela, a Convenção Coletiva de PLR utilizada foi celebrada no último trimestre do seu ano base, de modo que os empregados durante quase todo o ano de 2016 desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento do benefício só foram estabelecidos posteriormente, em 13/10/2016, próximo do final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais; Não tendo sido a Convenção Coletiva de PLR em questão celebrada previamente, não atende aos critérios da legislação específica, por estabelecer metas referentes a período cujo resultado já ocorreu, sendo lembrada decisão do CARF em relação ao contribuinte; Em continuidade, seria analisado se constam da Convenção Coletiva de PLR em tela regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e critérios de avaliação; O único critério adotado por tal Convenção Coletiva de PLR é a admissão do empregado antes do início do ano base a que se refere o pagamento da PLR (ou no decorrer deste) e/ou estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano, não servindo como incentivo à produtividade dos trabalhadores; Na Convenção Coletiva de PLR, não há qualquer determinação para os empregados, sendo apenas necessário que trabalhem na empresa e mantenham esse vínculo até o último dia do respectivo ano base, mesmo que se afastem durante todo o ano por doença ou acidente do Fl. 4533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 17 trabalho, demonstrando-se, dessa forma, tratar-se, na realidade, do pagamento de uma gratificação ajustada e não de Participação nos Lucros ou Resultados; É assegurado aos empregados, a título de PLR, o pagamento de uma porcentagem fixa sobre o salário base individual acrescida de um valor fixo mínimo igual para todos os beneficiários, o que corrobora a ausência de nexo entre os valores recebidos e os lucros ou resultados da empresa, sendo que, ao contrário, a participação já aparece na convenção como um fato consumado, ou seja, independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado, este receberá sua participação, frustrando assim qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada; Em suma, o pagamento em estudo desviou-se do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas, afastando-se, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a Participação nos Lucros ou Resultados não integre o salário-de-contribuição; Seriam analisados os problemas gerais que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem à PLR, quais sejam, Acordo Coletivo PPRS biênio 2016/2017, Programas Próprios Específicos (PPE), Programa Próprio Gestão (PPG), Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP) e Convenção Coletiva sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos 2016 e 2017; Preliminarmente, deve-se verificar se o contribuinte em apreço utiliza ou não múltiplos instrumentos de negociação de Participação nos Lucros e se efetua o pagamento relativamente a todos esses planos; De acordo com a Convenção Coletiva PLR, apesar das especificações estabelecidas para "Regra Básica" possibilitarem a compensação dos valores de PLR pagos conforme a CCT PLR com montantes de participação decorrentes de planos próprios, os mandamentos atinentes à "Parcela Adicional", inclusive seu adiantamento, obstam a realização de compensação nesses casos; Em concomitância tem-se a vigência do Acordo Coletivo PPRS 2016/2017, o qual determina, em sua Cláusula Sétima, que “Os valores decorrentes dos pagamentos do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) e dos Programas Específicos mantidos pelas EMPRESAS ACORDANTES, referidos no caput e parágrafo primeiro da cláusula oitava “Programas Específicos mantidos pelos Acordantes” deste acordo coletivo, não serão compensados com a Participação nos Lucros ou Resultados estabelecidos pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.”; O contribuinte utiliza diversos planos, quais sejam, Acordo Coletivo PPRS (e respectivos Planos Próprios) e Convenção Coletiva sobre PLR, os quais contemplam os mesmos empregados, sendo extensivos a todos estes, sendo que somente uma das formas especificadas deveria ser escolhida em comum acordo, de modo que ou se realiza uma Participação nos Lucros Fl. 4534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 18 através de Convenção Coletiva ou por intermédio de um Acordo Próprio, havendo a citação de acórdãos do CARF sobre a matéria em questão; Os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados não baseados em instrumentos de negociação que apresentem os requisitos legais, fazem com que as parcelas pagas estejam em desacordo com a lei específica, passando a integrar, portanto, o salário-de- contribuição; No caso em tela, os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados não foram declarados em GFIP e sobre eles não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos, caracterizando-se, dessa forma, o descumprimento da legislação pertinente. DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO INCRA A base legal das contribuições destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA se encontra no § 4º do art. 6º da Lei nº 2.613/1955, bem como nos Decretos-Lei nº 1.146/1970 e nº 1.989/1982; Da análise das GFIP's do contribuinte constantes dos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, se verificou que foi utilizado o código 0001 para as contribuições devidas a outras entidades ou fundos (terceiros), sendo que tal código contempla as contribuições destinadas ao FNDE - Salário-Educação, mas não aquelas destinadas ao INCRA; Através do Termo de Intimação Fiscal de 04/10/2021, o contribuinte foi intimado a esclarecer tal fato, tendo respondido que utilizou o código 0001 para indicar o recolhimento apenas para as contribuições relativas ao Salário Educação e que, em relação à contribuição ao INCRA, em decorrência dos efeitos da Ação Rescisória nº 0002159-10.2013.4.04.0000, efetuou o depósito judicial das competências de Janeiro/2014 a Novembro/2019, sendo informado, ainda, que, em 07/10/2021, foi publicada decisão julgando improcedente a ação rescisória proposta pela Fazenda Nacional. Foram extraídas cópias de peças processuais referentes ao tema, para um melhor entendimento da cronologia dos fatos, com relação ao Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar nº 2002.71.00.009804-9, e à Ação Rescisória com Pedido de Tutela Antecipada nº 0002159-10.2013.404.0000/RS: O Banco Santander Meridional S.A. (antiga razão social do Banco Santander (Brasil) S.A.) impetrou, em 10/04/2002, o Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar nº 2002.71.00.009804-9, junto à 11ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre da Seção Judiciária do RS, visando afastar a exigibilidade da Contribuição ao INCRA de 0,2%; Em 12/04/2002, o impetrante obteve liminar para suspender a exigibilidade do crédito devido ao INCRA, a título de contribuição adicional de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91; sendo tal decisão confirmada por sentença, prolatada em 27/11/2002, a qual julga procedente o pedido para reconhecer a inexigibilidade da Contribuição ao INCRA no percentual de Fl. 4535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 19 0,2%, a partir da vigência da Lei 8.212/91, e concede a segurança, determinando às autoridades coatoras que se abstenham de exigir a contribuição em tela a partir da data da impetração; Contra essa sentença de primeira instância, INCRA e INSS interpuseram Apelação, no entanto, ambos recursos, bem como a Remessa Oficial, tiveram seu provimento negado em acórdão, de 04/02/2004; Em prosseguimento, o INCRA, em 01/03/2004, interpõe Recurso Especial, provido em decisão de 25/04/2007; Inconformado, o banco opõe Embargos de Declaração, os quais recebem provimento em decisão, de 28/05/2009, que lhes empresta efeitos infringentes com o fim de reconsiderar a decisão prolatada anteriormente e negar seguimento ao Recurso Especial do INCRA; Posteriormente, em 23/06/2009, o INCRA opõe Embargos de Declaração, rejeitados em decisão de 29/11/2010; Face à ausência de recurso da União, a decisão que rejeita os Embargos de Declaração do INCRA transita em julgado, em 05/04/2013; Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe Ação Rescisória com Pedido de Tutela Antecipada nº 0002159-10.2013.404.0000/RS, junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, visando desconstituir o acórdão da Primeira Turma da Corte Regional (Mandado de Segurança nº 2002.71.00.009804-9), o qual reconheceu a inexigibilidade da Contribuição ao INCRA após a vigência da Lei nº 8.212/91, para que, em novo julgamento, sejam providas as apelações da Fazenda Pública e a remessa oficial, e julgado improcedente o pedido de reconhecimento da inexigibilidade da Contribuição ao INCRA, além da concessão de tutela antecipada para que seja obstado o levantamento dos depósitos judiciais realizados nos autos da ação originária, visando, portanto, desconstituir a decisão que reconheceu a inexigibilidade das Contribuições ao INCRA após a vigência da Lei nº 8.212/91; Em sede de rescisória, acórdão, de 27/05/2013, defere o pedido de Antecipação de Tutela do INCRA para suspender o levantamento dos depósitos judiciais realizados nos autos da ação originária, até o julgamento definitivo da ação rescisória (relacionados a Autos de Infração específicos da Receita Federal do Brasil – créditos que teriam sido lançados por equívoco, em desrespeito à decisão transitada em julgado no mandado de segurança original); A partir de 22/05/2019, o processo passou a tramitar, eletronicamente, no sistema e-proc, sob o nº 5021841-50.2019.4.04.0000; Em 05/12/2019, acórdão julga procedente a ação rescisória, para desconstituir o acórdão anterior, proferido no Mandado de Segurança nº 2002.71.00.009804- 9/RS, e, em juízo rescisório, dar provimento à Apelação do INSS, do Incra e à remessa oficial, e que, em 06/12/2019, o Banco Santander deposita judicialmente os valores relativos às Fl. 4536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 20 Contribuições ao INCRA correspondentes aos montantes de base de cálculo declarados pelo banco em GFIP; Em 05/10/2021, foi publicada decisão que julgou improcedente a Ação Rescisória proposta pela Fazenda Nacional, sendo que o MPF agravou e, em 16/11/2021, o MPF foi intimado eletronicamente da vista ao agravado para Impugnação do Agint; O contribuinte segue depositando judicialmente, sendo que, em 20/10/2021, consta depósito judicial nos autos da ação rescisória; Em suma, em relação ao Mandado de Segurança nº 2002.71.00.009804-9 e respectiva Ação Rescisória nº 0002159-10.2013.404.0000/RS (sistema e-proc nº 5021841- 50.2019.4.04.0000), no presente momento o Banco Santander possui suspensão de exigibilidade por Depósito do Montante Integral somente das Contribuições ao INCRA relativas às bases de cálculo declaradas pelo contribuinte em GFIP, as quais não são objeto do presente Auto de Infração; IMPUGNAÇÃO Inconformada com as autuações em tela, das quais foi cientificada em 03/12/2021, e-fls. 2.787 e 2.788, o contribuinte, em 03/01/2022 apresentou impugnação, e-fls. 2.797 a 2.944, com documentos anexos às e-fls. 2.945 a 3.463, requerendo, pelos motivos ali expostos: No mérito: Em relação à PLR de empregados, em razão do seu enquadramento na Lei nº 10.101/00, tendo em vista: a) A necessária vinculação dos Programas Específicos ao Acordo PPRS; b) A existência de regras claras e objetivas nos Instrumentos de PLR; c) A data de formalização dos Instrumentos de PLR atende os requisitos legais; d) A devida participação sindical nas negociações dos Instrumentos de PLR e seu registro junto ao Sindicato da categoria e ao MTE; e) A possibilidade de pagamento de PLR com base em instrumentos distintos; f) A inexistência de requisito legal relativo a um valor máximo por empregado e à uniformidade de PLR entre diferentes empregados; g) A aplicação das alterações da Lei nº 14.020/2020 à Lei nº 10.101/00, com fulcro no art. 106, II, “a” do CTN; h) O necessário cancelamento do lançamento em relação a valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não foram objeto da autuação; e i) Subsidiariamente, a não incidência previdenciária sobre pagamento não habitual e eventual. Fl. 4537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 21 Em relação à PLR de administradores: a) A não incidência de Contribuição Previdenciária sobre PLR paga administradores não empregados, à luz do art. 7º, XI, da CF/88 c/c Lei nº 10.101/00; b) A necessária exclusão de valores de PLR pagos a administradores cujo vínculo empregatício restou mantido, face à suspensão do contrato de trabalho; c) A não incidência da Contribuição Previdenciária sobre PLR paga a administradores não empregados, à luz do art. 7º, XI, da CF/88 c/c o art. 152 da Lei das S/A; d) A inexistência de acusação fiscal de inobservância das regras da Lei nº 10.101/00 e/ou da Lei das S/A; e) O pagamento de PLR a administradores ou diretores ou não empregados não se subsume à hipótese do art. 195, I, a, da CF/88, dado não integrar a folha de salários e não possuir natureza de rendimentos do trabalho; f) O necessário cancelamento do lançamento em relação a valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não foram objeto da autuação; e g) Subsidiariamente, a não incidência previdenciária sobre gratificação não habitual e eventual. Em relação ao auxílio-alimentação: a) O seu enquadramento no art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº 8.212/91, c/c a Lei nº 6.321/76, c/c o Decreto nº 5/91 e c/c a Portaria SIT/DSST nº 3/02; b) A inocorrência do fato gerador das Contribuições Previdenciárias, tendo em vista que o auxílio-alimentação é pago para o trabalho e não pelo trabalho, pelo que não tem natureza salarial/remuneratória; c) A violação ao Princípio da Isonomia, dado o reconhecido caráter indenizatório do pagamento em pecúnia de auxílio-alimentação a servidores públicos federais ativos; e d) Subsidiariamente, o necessário cancelamento dos lançamentos sobre as verbas de auxílio-alimentação canceladas. Em relação ao hiring bonus: a) A ausência de contraprestação de serviço e habitualidade, e a presença de eventualidade nos pagamentos de hiring bonus, pelo que não integram o salário-de- contribuição, com amparo nos arts. 22, I, c/c 28, I, e § 9º, “e”, “7”, ambos da Lei nº 8.212/91; b) O caráter indenizatório dos pagamentos de hiring bonus, pelo que não integram o salário-de-contribuição, com amparo nos arts. 22, I, e 28, caput, ambos da Lei nº 8.212/91; e Fl. 4538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 22 c) Subsidiariamente, o necessário cancelamento dos lançamentos sobre as verbas de hiring bonus reembolsadas. Em relação às diferenças relativas ao GILRAT ajustado: a) Devida apuração da contribuição GILRAT à alíquota GILRAT de 2%, conforme Anexo V do RPS, haja vista o enquadramento da Impugnante no CNAE preponderante 82113-00; b) A hígida apuração da Contribuição GILRAT, dado que o grau de risco nos estabelecimentos da Impugnante não pode ser enquadrado como grave, como pretendido pela Autoridade Fiscal; e c) A suficiência dos recolhimentos da contribuição GILRAT pela Impugnante para custear dispêndios pela Previdência Social. Subsidiariamente, requer, ao menos: Cancelar o lançamento de contribuição de Terceiros; e Limitar a base de cálculo do lançamento de contribuição de Terceiros ao limite legal de 20 vezes o maior salário-mínimo vigente nos períodos autuados. Na data de 15/03/2022, o contribuinte apresentou petição, e-fls. 3475, requerendo o cancelamento dos lançamentos referentes ao auxílio-alimentação concedido via tíquete, vale ou congênere, em atenção ao Parecer nº 1/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU, aprovado por meio do Despacho do Presidente da República, publicado no Diário Oficial da União de 23/02/2022 (Doc. 01), sendo certo que a sua aplicação é obrigatória por este Conselho, nos termos do art. 40, §1º, da Lei Complementar nº 73/1993. Juntou documentação, e-fls. 3477 a 3486, com o Despacho do Presidente da República, aprovando o Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU da Consultoria-Geral da União que concluiu que o auxílio-alimentação pago na forma de tíquetes ou congêneres, mesmo antes do advento do §2º do art. 457 da CLT, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do caput do art. 28 da Lei 8.212/1991. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA O julgamento foi realizado em sessão de 29 de novembro de 2024, sendo proferido o Acórdão nº 108-045.595 – 14ª TURMA/DRJ08, e-fls. 3487 a 3662, com as seguintes ementas: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as Fl. 4539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 23 remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 não integram o salário-de-contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica, integra o salário-de-contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PAGA A CONSELHEIROS E DIRETORES NÃO EMPREGADOS. A participação nos lucros da companhia, paga, por ela, aos administradores (conselheiros e diretores não empregados), prevista na Lei nº 6.404/1976, integra o salário-de-contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese liberada de tributação pela legislação previdenciária. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. O pagamento de “hiring bonus” ou bônus de contratação a profissional, destinado a atraí-lo para trabalhar na empresa, integra, por seu caráter contraprestacional, o salário-de-contribuição. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS EMPREGADOS NA FORMA DE CARTÕES. PARECER Nº BBL-04, DE 16/02/2022. IN RFB Nº 2.110/2022. SÚMULA CARF Nº 213. VINCULAÇÃO DA RFB. Em razão da aprovação, por Despacho do Presidente da República, publicado no Diário Oficial da União (D.O.U.) de 23/02/2022, do Parecer nº BBL - 04, de 16/02/2022, do Advogado-Geral da União, que adotou, nos termos estabelecidos no Despacho do Consultor-Geral da União nº 00041/2022/GAB/CGU/AGU, o Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/ AGU da Consultoria-Geral da União, e, tendo em vista o disposto no art. 34, inciso III da IN RFB nº 2.110/2022, e no enunciado da Súmula CARF nº 213, Fl. 4540DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 24 vinculando os órgãos julgadores da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o auxílio-alimentação pago aos empregados na forma de tíquetes ou congênere não integra o salário-de-contribuição. CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, está incluída no rol das contribuições previstas no artigo 195, inciso I da Constituição Federal de 1988, e varia de 1% a 3%, de acordo com o risco de acidentes do trabalho de sua atividade preponderante. É de 3,0% a alíquota da contribuição para o GILRAT para o CNAE 6422- 1/00, nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO REFLEXO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento alusivo às contribuições destinadas a terceiros o que restar decidido no lançamento das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. LIMITE PREVISTO NO ART. 4º DA LEI Nº 6.950/1981. INAPLICABILIDADE. DISPOSITIVO REVOGADO PELO DECRETO- LEI Nº 2.318/1986. TÉCNICA LEGISLATIVA. O artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/1986. Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, uma disposição acessória com a finalidade apenas de explicar ou excepcionar a Fl. 4541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 25 disposição principal contida no caput. Não é possível subsistir em vigor o parágrafo estando revogado o artigo correspondente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2017 a 31/12/2017 LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO. APLICAÇÃO. O lançamento reporta-se à data da ocorrência dos fatos geradores da obrigação e rege-se pela legislação então vigente, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN). AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. Por força do princípio da unidade jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõe-se a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de objetos idênticos, opera-se a renúncia à discussão administrativa, devendo o julgamento, no âmbito administrativo, ater-se à matéria diferenciada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2017 a 31/12/2017 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. No processo administrativo fiscal, é permitida a juntada posterior de provas caso haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte RECURSO DE OFÍCIO Apresentado Recurso de Ofício em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o artigo 34, inciso I do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997, e o artigo 366 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 04/10/2007, combinado com o artigo 1º da Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 2, de 17/01/2023. RECURSO VOLUNTÁRIO A ciência do Acórdão de Impugnação deu-se em 10/12/2024, e-fls. 3670, tendo a Recorrente apresentado Recurso Voluntário, e-fls. 3675-3846, na data de 08/01/2025, e-fls. 3672, juntada de documentos, e-fls. 3847 a 4441, argumentando, em apertada síntese: Fl. 4542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 26 RAZÕES AO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO – ART. 101, II, RICARF: RICARF impõe o não conhecimento de recurso interposto em face de decisão de primeira instância que adote como razão de decidir Súmula deste Conselho, necessário o não conhecimento do Recurso de Ofício; RAZÕES AO DESPROVIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO a) O auxílio-alimentação via cartões eletrônicos não sofre incidência previdenciária na forma do art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº 8.212/91 c/c a Lei nº 6.321/76, c/c o Decreto nº 5/91 e c/c a Portaria SIT/DSST nº 3/02, mormente pelo fato do Santander estar inscrita no PAT; b) Ausência de natureza salarial ou contraprestacional; c) Violação ao Princípio da Isonomia, dado o reconhecido caráter indenizatório do pagamento de auxílio-alimentação a servidores públicos federais ativos; d) Necessário cancelamento dos lançamentos sobre verbas de auxílio-alimentação canceladas, em razão de rescisão do contrato de trabalho de determinados empregados, após a contratação inicial do valor de auxílio-alimentação junto à empresa especializada na sua concessão. RAZÕES AO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO SOBRE A PLR PAGA A EMPREGADO HAJA VISTA A SUA HIGIDEZ À LUZ DA LEI Nº 10.101/00: I. Premissa equivocada quanto à existência de instrumentos autônomos de PLR: os pagamentos de PLR em questão foram pautados em dois instrumentos: CCT e PPRS, e seus anexos PPE, PPG e PILP. II. Existência de regras claras e objetivas: • Foi cumprido o requisito do art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101/00. A autuação decorre de interpretação subjetiva da Autoridade Fiscal e não do descumprimento efetivo da norma. • Acordo PPRS: Meta global de lucratividade comum a todos os empregados. Autonomia da vontade das partes contratantes (art. 2º, §6°, da Lei nº 10.101/00 c/c art. 106, II, “a”, do CTN). • Programas Específicos (PPE, PPG e PILP) anexos ao Acordo PPRS 2016/2017: - A Cláusula Oitava e o Anexo I do Acordo PPRS registra a vinculação dos Programas Específicos ao referido Acordo e a sua validade. - Os requisitos legais acerca da integração entre capital e trabalho são identificados nos Programas Específicos, tendo: a uma, os PPE, o objetivo de engajar funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos e as performances recorrentes; a duas, o PPG, o objetivo de personalizar as metas aos desafios que devem ser superados por cada empregado, por meio da Fl. 4543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 27 sua definição prévia com o respectivos gestores; e, a três, o PILP, o objetivo de diferir a parcela de PPG aos Diretores e demais colaboradores de nível hierárquico mais graduado; • CCT: Meta global de lucratividade comum a todos os empregados. Coercitividade das normas. Autonomia da vontade das partes contratantes (art. 2º, §6º, da Lei nº 10.101/00 c/c art. 106, II, “a”, do CTN). III. Negociação prévia: • PPRS 2017/2018 e seus anexos PPE, PPG e PILP: celebração em 26/02/2016, conforme comprovam os próprios documentos. • A Assembleia Geral realizada em 28/11/2016 limitou-se a tratar do reajuste do valor mínimo devido a título de PLR e a ratificar os termos e condições do Acordo PPRS já celebrado. • A realização de Assembleia Geral especialmente convocada para a celebração de acordo coletivo, nos termos do art. 612 da CLT, não é requisito à fruição da isenção das contribuições previdenciárias, conforme Lei nº 10.101/00. • CCT assinada em 13/10/2016 com vigência no período de 1º/09/2016 a 31/08/2018. Regras eram de amplo conhecimento dos empregados, dada sua reiteração durante os anos. • O instrumento deve ser assinado antes do pagamento da antecipação da PLR e antes de 90 dias do pagamento da parcela final da PLR (§7º do art. 2º, Lei 10.101/00), para que se considere que as regras foram previamente estabelecidas, o que ocorreu in casu. IV. Representação sindical: o Acordo PPRS e seus anexos foram negociados com a devida representação sindical e registrados junto ao Sindicato da categoria. Lei nº 10.101/00 não exige que os instrumentos de PLR sejam registrados/arquivados no MTE. V. Adoção de instrumentos distintos de PLR: Lei nº 10.101/00 não exige que a adoção de uma forma de negociação exclua outra. Art. 3º, §3º, da Lei nº 10.101/00 prevê a possibilidade (não a obrigação) de compensação de PLR paga com base em instrumentos distintos. Aplicação retroativa do art. 2º, §5º, II, da Lei nº 10.101/00 c/c art. 106, II, “a”, do CTN. VI. Não há substituição salarial: Lei nº 10.101/00 não exige um valor máximo por empregado e uniformidade de PLR entre diferentes empregados. Diferenças entre os valores pagos decorrem, estritamente, do cumprimento de metas estabelecidas nos acordos, por cada empregado. VII. Autonomia da vontade e prevalência sobre a lei: Lei nº 13.467/2017 alterou o artigo 611-A da CLT, reconhecendo que os Acordos Coletivos de Trabalho, como o Acordo PPRS, quando dispuserem sobre PLR prevalecem sobre a lei, e o artigo 2º, §6º da Lei nº 10.101/2000, Fl. 4544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 28 incluído pela Lei nº 14.020/2020, destaca a necessidade de respeitar a autonomia da vontade das partes contratantes de PLR e de sua prevalência sob o interesse de terceiros. VIII. Valor mínimo do Acordo PPRS: valor fixo mínimo não desnatura a PLR, mormente quando o plano tem esteio em índices de lucratividade. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO SOBRE A PLR PAGA A ADMINISTRADORES: (i) O art. 7º, XI, da CF/88 c/c art. 28, §9º, “j”, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 1º da Lei nº 10.101/00 referem-se a trabalhadores, abrangendo a PLR paga aos administradores. (ii) A lei específica referida no art. 28, §9º, “j”, da Lei nº 8.212/91, pode ser, também, a Lei das S/A. (iii) Não há acusação quanto à inobservância das regras da Lei nº 10.101/00 e/ou da Lei das S/A. (iv) PLR paga a não empregados não integra a folha de salários, dado que restrita a empregados, e não consiste em rendimento do trabalho, estando fora das hipóteses do art. 195, I, “a”, da CF/88. (v) Administradores e diretores com contrato de trabalho suspenso continuam com vínculo empregatício e, como tal, fazem jus à PLR na forma da Lei nº 10.101/00. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO SOBRE A PLR PAGA A EMPREGADOS E ADMINISTRADORES: (i) Pagamentos autuados não possuem habitualidade e têm natureza eventual, não caracterizando salário-de-contribuição, com base nos arts. 22, I, c/c 28, §9º, “e”, “7”, ambos da Lei nº 8.212/91. (ii) PLR paga de forma diferida, relacionada aos PPG dos exercícios de 2012, 2013 e 2014 não foram objeto da autuação e devem ser excluídas da base de cálculo autuada. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO SOBRE HIRING BONUS: (i) Pagamento realizado no ato da contratação, sem caráter de contraprestação, de forma não habitual e eventual. (ii) Natureza indenizatória, dada a compensação do trabalhador por renunciar aos benefícios adquiridos no antigo emprego. (iii) 04 beneficiários de hiring bonus pediram demissão no prazo pré-estabelecido em contrato de trabalho, ratificando a ausência de natureza salarial. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO RELATIVA À COBRANÇA DE DIFERENÇAS RELATIVAS AO GILRAT AJUSTADO: (i) Aplica-se a alíquota de 2%, dado o CNAE preponderante 82113-00 no estabelecimento matriz, conforme comprovado via planilha descritiva das atividades desempenhadas pelos funcionários e respectivas classificações nas CBO, com fulcro no Anexo V do Fl. 4545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 29 RPS e normatização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e laudo pericial realizado pela Ernst & Young. (ii) Não é grave o grau de risco no estabelecimento matriz do Santander, conforme corroboram as CAT emitidas no período e o seu procedimento diligente de contratação de estudo para avaliar as condições de trabalho e da possibilidade de aperfeiçoar o ambiente de trabalho, bem como da promoção de programas de melhoria da saúde física e mental de seus funcionários. Requer: Não conhecimento do Recurso de Ofício, na forma do art. 101, III do RICARF, dado que o Acórdão Recorrido decidiu com fundamento na Súmula CARF nº 213; Subsidiariamente, o desprovimento do Recurso de Ofício, para manter o Acórdão Recorrido quanto ao reconhecimento da não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os pagamentos de auxílio-alimentação em vista do/da: Parecer nº 1/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU e da Súmula CARF nº 213, de aplicação obrigatória por este CARF; Seu enquadramento no art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº 8.212/91, c/c a Lei nº 6.321/76, c/c o Decreto nº 5/91 e c/c a Portaria SIT/DSST nº 3/02; ▪ Inocorrência do fato gerador das Contribuições Previdenciárias, tendo em vista que o auxílio-alimentação é pago para o trabalho e não pelo trabalho, pelo que não tem natureza salarial/remuneratória; ▪ Violação ao Princípio da Isonomia, dado o reconhecido caráter indenizatório do pagamento em pecúnia de auxílio-alimentação a servidores públicos federais ativos; e ▪ Subsidiariamente, o necessário cancelamento dos lançamentos sobre as verbas de auxílio-alimentação canceladas. • Conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para anular o Acórdão Recorrido, na parte em que desfavorável ao Santander, diante da precária análise dos documentos apresentados em Impugnação, ou, ao menos, reformar a decisão e cancelar integralmente a autuação em tela, haja vista: ▪ Em relação à PLR de empregados, em razão do seu enquadramento na Lei nº 10.101/00, tendo em vista: A necessária vinculação dos Programas Específicos ao Acordo PPRS; A existência de regras claras e objetivas nos Instrumentos de PLR; Fl. 4546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 30 A data de formalização dos Instrumentos de PLR atende os requisitos legais; A devida participação sindical nas negociações dos Instrumentos de PLR e seu registro junto ao Sindicato da categoria e ao MTE; A possibilidade de pagamento de PLR com base em instrumentos distintos; A inexistência de requisito legal relativo a um valor máximo por empregado e à uniformidade de PLR entre diferentes empregados; A aplicação das alterações da Lei nº 14.020/2020 à Lei nº 10.101/00, com fulcro no art. 106, II, “a” do CTN; O necessário cancelamento do lançamento em relação a valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não foram objeto da autuação; e Subsidiariamente, a não incidência previdenciária sobre pagamento não habitual e eventual. ▪ Em relação à PLR de administradores: A não incidência de Contribuição Previdenciária sobre PLR paga administradores não empregados, à luz do art. 7º, XI, da CF/88 c/c Lei nº 10.101/00; A necessária exclusão de valores de PLR pagos a administradores cujo vínculo empregatício restou mantido, face à suspensão do contrato de trabalho; A não incidência da Contribuição Previdenciária sobre PLR paga a administradores não empregados, à luz do art. 7º, XI, da CF/88 c/c o art. 152 da Lei das S/A; A inexistência de acusação fiscal de inobservância das regras da Lei nº 10.101/00 e/ou da Lei das S/A; O pagamento de PLR a administradores ou diretores ou não empregados não se subsume à hipótese do art. 195, I, a, da CF/88, dado não integrar a folha de salários e não possuir natureza de rendimentos do trabalho; O necessário cancelamento do lançamento em relação a valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não foram objeto da autuação; e o Subsidiariamente, a não incidência previdenciária sobre gratificação não habitual e eventual. ▪ Em relação ao hiring bonus: Fl. 4547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 31 A ausência de contraprestação de serviço e habitualidade, e a presença de eventualidade nos pagamentos de hiring bonus, pelo que não integram o salário-de-contribuição, com amparo nos arts. 22, I, c/c 28, I, e § 9º, “e”, “7”, ambos da Lei nº 8.212/91; O caráter indenizatório dos pagamentos de hiring bonus, pelo que não integram o salário-de-contribuição, com amparo nos arts. 22, I, e 28, caput, ambos da Lei nº 8.212/91; e Subsidiariamente, o necessário cancelamento dos lançamentos sobre as verbas de hiring bonus reembolsadas. ▪ Em relação às diferenças relativas ao GILRAT ajustado: Devida apuração da contribuição GILRAT à alíquota GILRAT de 2%, conforme Anexo V do RPS, haja vista o enquadramento do Santander no CNAE preponderante 82113-00; A hígida apuração da Contribuição GILRAT, dado que o grau de risco nos estabelecimentos do Santander não pode ser enquadrado como grave, como pretendido pela Autoridade Fiscal; e A suficiência dos recolhimentos da contribuição GILRAT pelo Santander para custear dispêndios pela Previdência Social. Subsidiariamente, requer, ao menos: Cancelar os débitos de contribuição ao INCRA, em cumprimento da coisa julgada; Cancelar o lançamento de contribuição de Terceiros; e Limitar a base de cálculo do lançamento de contribuição de Terceiros ao limite legal de 20 vezes o maior salário-mínimo vigente nos períodos autuados. Na data de 29/03/2025, a Procuradoria -Geral da Fazenda Nacional, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário e Razões ao Recurso de Ofício, e-fls.4452 a 4511. Manifestou-se, quanto ao Recurso de Ofício, no sentido de estar correta a decisão de primeira instância em consignar que o pagamento de auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congêneres, mesmo antes do advento do § 2. do art. 457 da CLT, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do caput doa art. 28, da Lei 8.212, de 1991, com fundamento no PARECER n. 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU, bem como a Súmula CARF 213. Quanto ao Recurso Voluntário da Recorrente, opina pelo não provimento do recurso para que seja mantida a decisão de piso. Fl. 4548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 32 A Recorrente, na data de 06/06/2025, e-fls. 4514, solicitou juntada de documentos probatórios, ao qual, após análise, foram rejeitados com fundamento no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, em virtude de não se enquadrar em nenhuma das exceções previstas no parágrafo citado. É o relatório. VOTO Conselheira Carmelina Calabrese – Relatora Processo submetido à apreciação deste Conselho por força de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício em razão da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ08, de excluir do crédito tributário, os valores referentes ao auxílio-alimentação pago aos empregados na forma de tíquetes ou congênere por não integrar o salário-de-contribuição. ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Cumpre registrar que, no processo em tela, consta nota, de 26/05/2023, com alerta de possível transação, observando que o interessado possuía pedido de transação controlado no DDA nº 13031.190760/2023-89, que o referido pedido se encontrava, nesta data, em análise, e que não necessariamente o presente processo teria sido incluído na transação, sugerindo que, antes de qualquer providência, fosse verificada a situação do pedido de transação. Em consulta ao processo nº 13031.190760/2023-89, se constatou que havia, nele, “Pedido de Adesão à Transação Tributária do Programa de Redução de Litígio Fiscal”, relativo à Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 1, de 12/01/2023, para regularizar os débitos compreendidos nos processos relacionados no “Discriminativo de Processos”, não se encontrando ali indicado o processo em tela (nº 16327.720895/2021-92). RECURSO DE OFÍCIO – Crédito Exonerado O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação, no que diz respeito, unicamente, aos valores lançados de contribuições previdenciárias e de terceiros incidentes sobre os valores pagos pela empresa, a seus empregados, a título de alimentação e refeição na forma de cartões. A exoneração teve como fundamento: “...em razão da publicação do referido despacho presidencial e da Súmula CARF nº 213, e considerando a situação fática relatada pela fiscalização e a legislação retro mencionada, tem-se que deve ser afastada/cancelada, aqui, a exigência das Fl. 4549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 33 contribuições previdenciárias e de terceiros incidentes sobre os valores pagos, pela empresa, a seus empregados, a título de alimentação e refeição, na forma de cartões, sendo excluídos do lançamento: no Auto de Infração de contribuição previdenciária da empresa e do empregador, as seguintes infrações: I) Alimentação a Empregados não oferecido à tributação (2141): valor total do principal = R$ 116.950.824,39; e, II) GILRAT de Empregados sobre Alimentação não oferecido à tributação (2158): valor total do principal = R$ 13.734.241,27; e no Auto de Infração de contribuição para outras entidades e fundos, as seguintes infrações: I) INCRA – contribuições devidas sobre Alimentação (2249): valor total do principal = R$ 1.039.562,84; e, II) SALÁRIO-EDUCAÇÃO – FNDE – contribuições devidas sobre Alimentação (2164): valor total do principal = R$ 12.994.536,01. [...] 22.15. Com a retificação acima discriminada, o valor originário (principal) do Auto de Infração de contribuição previdenciária da empresa e do empregador passa de R$ 488.838.032,50 (quatrocentos e oitenta e oito milhões, oitocentos e trinta e oito mil e trinta e dois reais e cinquenta centavos) para R$ 358.152.966,84 (trezentos e cinquenta e oito milhões, cento e cinquenta e dois mil e novecentos e sessenta e seis reais e oitenta e quatro centavos), e do Auto de Infração de contribuição para outras entidades e fundos passa de R$ 48.201.095,34 (quarenta e oito milhões, duzentos e um mil e noventa e cinco reais e trinta e quatro centavos) para R$ 34.166.996,49 (trinta e quatro milhões, cento e sessenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais e quarenta e nove centavos), devendo ser adicionado a estes montantes os devidos acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora). Nos termos da Súmula CARF 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data da apreciação em segunda instância. O limite de alçada, disposto na Portaria MF nº 2, de 22013, é de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). No caso em análise, o Acórdão nº 108-045.595 – 14ª TURMA/DRJ08, julgou procedente parte da impugnação sendo a soma do principal e das multas superior ao montante de R$ 15.000,000,00. No entanto, conforme relatado acima, a exoneração deu-se em razão de matéria sumulada pelo CARF, conforme transcrito abaixo: Súmula CARF nº 213 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 O auxílio alimentação pago in natura ou na forma de tíquete ou congêneres não integra a base de cálculo das contribuições Fl. 4550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 34 previdenciárias, independentemente de o sujeito passivo estar inscrito no PAT. Acórdãos Precedentes: 9202-009.993; 9202-010.863; 9202-010.919; 9202- 011.276. Nos termos do art. 101, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2003, consta: Art. 101. Não se conhecerá de recurso interposto em face de decisão de primeira instância que adote como razão de decidir: [...] III - Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do §13 do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica quando, com relação às decisões ou súmulas mencionadas nos incisos I a III: I - houver outra matéria a ser apreciada; ou II - o recurso voluntário contiver argumentação com os motivos de fato ou de direito pelos quais o enunciado das súmulas ou as decisões não se aplicariam ao caso concreto. No presente caso, no Recurso de Ofício, não há outra matéria a ser apreciada e a argumentação e fundamentação da exoneração se aplica a Súmula CARF nº 213. Isto posto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do art. 101, III, do RICARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE PARCIAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO: ANÁLISE PRECÁRIA DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS – DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. O Recorrente requer o cancelamento do Acórdão Recorrido, na parte que lhe é desfavorável, por nulidade, dado que analisou de forma precárias provas documentais acostadas à Impugnação, o que acarreta a violação ao duplo grau de jurisdição e preterição do direito de defesa da Recorrente. Afirma que acostou aos autos 16 documentos, entre arquivos em PDF e planilhas, além dos já apresentados no curso da fiscalização e que a DRJ se limitou a afirmar que “os documentos juntados pela empresa, em sua impugnação, não são hábeis e suficientes a afastar as acusações relativas às verbas em questão que constam no Relatório Fiscal”. Fl. 4551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 35 Alega que, na decisão recorrida, não há qualquer motivo/fundamento à afirmação genérica de que o conjunto probatório não seria hábil a afastar as acusações fiscais ou a indicação de quais documentos poderiam ser apresentados pelo Santander para tanto. Acrescenta que, na forma do art. 50, da Lei nº 9.784, de 1999, c/c art. 50, Decreto nº 70.235, 1972, as decisões devem ser claras e motivadas, sob pena de nulidade. Cita decisões administrativas. Não vislumbro qualquer nulidade da decisão recorrida, por entender que a decisão foi fundamentada e se baseou na documentação comprobatória constante nos autos, bem como na auditoria realizada e descrita no Relatório Fiscal, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Importante salientar que o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Não é obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais e suficientes ao julgamento. Nesse sentido, há jurisprudência consolidada no âmbito do STJ (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP). Transcrevendo uma delas: PROCESSUAL CIVIL. ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO, EM MARIANA/MG. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. MERO INCONFORMISMO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. [...] 2. Registre-se que o julgador não está obrigado a discorrer sobre todas as teses apresentadas pela defesa, mas sim a fundamentar a sua convicção em conformidade com o art. 93, IX, da Constituição Federal e com o princípio da livre convicção motivada. Nesse sentido: STJ, EDcl no AgRg no REsp nº 1.338 .133/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, 1ª Turma). Portanto, não há o que se falar em nulidade parcial de primeira instância, eis que proferida por autoridade competente, e está devidamente fundamentada, tendo examinado as provas nos autos, sendo que a insatisfação do Contribuinte, sobre os pontos suscitados, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância. Ademais, o artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, determina: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 4552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 36 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Tampouco não há preterição do direito de defesa quando a decisão de piso, foi clara e precisa, apontando sua motivação e fundamentando sua decisão. A supressão de instância não se configurou, dado que o Acórdão foi regulamente proferido com base nos elementos contidos nos autos e, se manteve o entendimento da fiscalização, trata-se de prerrogativa dos julgadores daquele órgão e se a Recorrente não concordou, tem o direito de recorrer, como de fato o fez. A preterição de direito de defesa não ocorreu, pois, a impugnação que apresentou foi apreciada e se, no ponto de vista do Recorrente, o foi com insuficiência de argumentos, será apreciada no mérito do julgamento deste recurso voluntário. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade MÉRITO Cabe fazer um registro prévio acerca das citações de jurisprudência administrativa e judicial, apresentadas pelo Recorrente junto a seus argumentos de defesa: As decisões administrativas colacionadas, mesmo que proferidos pelos órgãos colegiados e ainda que consignados em súmula, mas sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do direito tributário, portanto, sem efeito vinculante. As decisões judiciais aduzidas, mesmo as reiteradas, somente serão de observância obrigatória pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando julgadas no rito dos recursos repetitivos e de repercussão geral, após a manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, nos termos do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014. Em ambos os casos, os atos decisórios não podem ser estendidos genericamente a outros casos, produzindo efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. RAZÕES DE RECURSO Importante observar que em suas razões recursais o Recorrente, repete todas as alegações aduzidas em sua impugnação. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO É de se ressaltar que, tendo em vista o não conhecimento do Recurso de Ofício da DRJ08, referente a exclusão da totalidade das contribuições lançadas, pela fiscalização, sobre os valores pagos, pela empresa, a seus empregados, a título de alimentação e refeição, sendo considerada improcedente esta parte das autuações, resta prejudicada, aqui, a análise das alegações apresentadas no recurso voluntário referentes a tais verbas. DA AUTUAÇÃO SOBRE PLR PAGO AOS ADMINISTRADORES Fl. 4553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 37 Entendeu a autoridade fiscal, no que foi acompanhada pela DRJ, que os valores pagos a título de PLR a administradores estão sujeitos à Contribuição Previdenciária, à luz do art. 195, I, da CF/88, e art. 28, III, da Lei nº 8.212/91, especialmente porque a imunidade concedida pelo art. 7º, XI, da CF/88, regulada pelo art. 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212/91 e pela Lei nº 10.101/00 não abarcaria administradores. A Recorrente alega que tal entendimento não procede, porquanto o pagamento de PLR a administradores se enquadra na imunidade prevista no art. 7º, XI, da CF/88 e, por decorrência, subsome-se à Lei nº 10.101, de 2000, na condição de trabalhadores, e às regras específicas previstas no art. 152 da Lei das S/A. Afirma que, no caso do art. 7º da CF/88, trata-se de verdadeiro direito social, que salvaguarda o trabalhador frente aquele que o contrata, de modo que limitar a abrangência dessa garantia apenas ao empregado significaria tornar ineficaz o plexo constitucional de direitos ali previstos, em contramão da aspiração da Constituição que, repise-se, garantiu direitos sociais de quem presta serviço à pessoa jurídica. Que se a Constituição Federal quisesse restringir o alcance da regra imunizante, teria feito mediante o termo “empregados”, ao invés de aludir a “trabalhadores”. Tanto é verdade que, quando o texto constitucional quis referir-se apenas àqueles submetidos ao vínculo empregatício, o fez expressamente, conforme se verifica da leitura do art. 239, § 3º, que trata do financiamento do seguro-desemprego, direito esse inerente dos empregados segurados. Assim afirma que o preceito legal fixa a natureza não remuneratório/salarial da PLR, ao desvinculá-la expressamente da remuneração, alcançando todos os trabalhadores, qualquer que seja sua vinculação com a pessoa que lhe toma os seus serviços. Alega que é fato que os administradores não empregados concorrem igualmente com os empregados à geração dos lucros ou resultados, cumprindo toda sorte de metas e regras, para então fazer jus à participação dos lucros, sendo descabido excluí-los. Ressalta que não há na Lei nº 8.212, de 1991, tampouco na Lei nº 10.101, de 2000, ou em outro diploma, ressalva que que somente os segurados com vínculo empregatício fariam jus à PLR desonerada das exações previdenciárias. Que a Lei 10.101/2000, só dispõe sobre a participação de trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Afirma que o entendimento da autoridade Fiscal é equivocado e restritivo implica tratamento tributário distinto entre contribuintes que se encontram na mesma situação, em decorrência de seu cargo ou função, em afronta à própria CF/88, que veda dita distinção em seus arts. 7º, incisos XXXII, XXXIV e art. 150. Menciona, ainda, que diversos administradores sem vínculo empregatício eram empegados do Santander antes de se tornarem administradores e seus contratos foram suspensos. Fl. 4554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 38 Cita que o art. 152, da Lei das Sociedades Anônimas, trata da atribuição aos administradores de participação no lucro da Companhia e a interpretação sistemática das normas revela a não incidência previdenciária sobre a PLR paga a administradores e/ou diretores não empregados. Aduz que a Autoridade Fiscal não identificou qualquer inconsistência nos pagamentos autuados à luz da Lei nº 10.101, de 2000 ou da Lei das S/A, refutando apenas o entendimento de ausência de previsão legal que autorizasse a exclusão da PLR paga aos administradores do salário de contribuição. Defende a ausência de amparo constitucional e legal à incidência previdenciária sobre PLR paga a administradores e/ou diretores não empregados e que a verba não integra a folha de salários, portanto afastando a premissa que norteou a autuação, pois a verba não se amola ao delineado no art. 195, I, “a”, da CF/88, para incidência da contribuição previdenciária. Por outro giro, afirma que, caso refutado os argumentos anteriores, e as verbas de PLR pagas a empregados e administradores, conforme defendido pela Autoridade Autuante, ainda assim não deflagrar-se-ia o fato gerador previdenciário pela ausência de habitualidade e presença de eventualidade dessas verbas. Afirma ainda, exclusão de valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não foram questionados e/ou descaracterizados durante o procedimento fiscal, devendo ser excluídos da autuação. Razão não assiste a Recorrente. O acórdão recorrido entendeu que a participação nos lucros da companhia, paga por ela, aos administradores (conselheiros e diretores não empregados), prevista na Lei nº 6.404, de 1976, integra o salário-de-contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese liberada de tributação pela legislação previdenciária. Concordo com a decisão proferida em primeira instância, principalmente em função de haver jurisprudência consolidada e sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com edição da Súmula CARF nº 195, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 195 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 21/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Os valores pagos aos diretores não empregados a título de participação nos lucros ou nos resultados estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. Acórdãos Precedentes: 9202-011.036; 9202.010.258; 9202-009.919 Fl. 4555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 39 Saliente-se que, nos termos do art. 123, § 4º, do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023 e suas alterações, dispõe que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de jurisprudência de observância obrigatória pelos membros do CARF: DAS SÚMULAS Art. 123. A jurisprudência assentada pelo CARF será compendiada em Súmula de Jurisprudência do CARF. [...] § 4º As Súmula de Jurisprudência do CARF deverão ser observadas nas decisões dos órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I - em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Portanto, não há possibilidade de a turma divergir do enunciado de súmula editada. Não obstante, a decisão de piso analisou e rebateu os argumentos apresentados na impugnação e reprisados no Recurso Voluntário, cuja fundamentação concordo e adoto como complemento em minha razão de decidir, nos termos do art. 114, § 12, I, da Portaria MF nº 1.634, de 2023 (RICARF), cujos trechos transcrevo abaixo: [...] 21.2. Cabe destacar, inicialmente, no caso, que o artigo 152 da Lei nº 6.404/1976 – Lei das Sociedades Anônimas, abaixo transcrito, apenas faculta à companhia, que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro líquido e o atribuir aos acionistas, pagar Participação nos Lucros aos Administradores, desde que observado o limite, não desvinculando da remuneração tal verba e não determinando que sobre ela não haveria a incidência de contribuições previdenciárias. Lei nº 6.404/1976: Fl. 4556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 40 Remuneração Art. 152. A assembleia-geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. (grifos nossos) 21.3. Note-se que os administradores, conselheiros e diretores não empregados, são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f” da Lei nº 8.212/1991, abaixo reproduzido. Lei nº 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V - como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999) (...) Fl. 4557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 41 (grifos nossos) 21.4. Cumpre registrar, ainda, no caso, que, conforme disposto no inciso III do artigo 22 e no inciso III do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, reproduzidos a seguir, a contribuição previdenciária incide sobre a remuneração paga, pela empresa, ao contribuinte individual, pelos serviços prestados. Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...)III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) (grifos nossos) 21.5. Cabe informar, aqui, também, que, ao contrário do que entende a impugnante, a verba paga aos administradores, diretores não empregados, a título de participação nos lucros, possui natureza remuneratória, se configurando como rendimento do trabalho, e não do capital, conforme explicitado no Relatório Fiscal, do qual se reproduz trecho a seguir, havendo sua subsunção à hipótese do art. 195, I, “a" da Constituição Federal de 1988, e do art. 28, III da Lei nº 8.212/1991. Relatório Fiscal: [...] Na análise em tela é igualmente importante não confundir "Participação nos Lucros" com "Dividendos", tendo em vista que os administradores das sociedades anônimas podem ser acionistas ou não. Sendo acionista, além dos dividendos que todo empresário tem direito, poderá receber Participação nos Lucros em função do seu desempenho na gestão da companhia. Fl. 4558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 42 Os dividendos correspondem à remuneração do capital investido na empresa pelos acionistas, na proporção da quantidade de ações possuída, apurado ao final de cada exercício social, não sendo necessária a execução de qualquer trabalho para auferi-lo. Logo, não há o que se falar em Contribuição Previdenciária incidente sobre os mesmos. Por sua vez, a PLR é paga em retribuição aos serviços prestados à companhia. Sendo assim, ao contrário dos dividendos, é considerada base de cálculo pelos motivos já expostos anteriormente. A leitura do art. 152, § 2º, da Lei nº 6.404/76, acima transcrito, não deixa dúvidas quanto a distinta natureza de tais verbas. (...) (grifos nossos) 21.6. Ressalte-se que houve, no caso, a ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias, tendo havido a prestação de serviços à empresa pelos referidos administradores e a sua remuneração, no caso, por meio da atribuição de participações nos lucros da companhia, com base na Lei nº 6.404/1976, não havendo que se falar em afronta ao princípio da tipicidade tributária, tendo ocorrido a subsunção da realidade fática à hipótese de incidência descrita na norma, possuindo o lançamento fiscal amparo constitucional e legal. 21.7. É de se consignar, ademais, que, quando o legislador entendeu que determinada verba devesse ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias, ele, expressamente, por meio de lei, assim o fez, como nas hipóteses do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, dentre as quais não consta a participação nos lucros dos administradores – conselheiros e diretores não empregados. 21.8. Cumpre enfatizar, assim, que o pagamento de participações nos lucros a administradores das sociedades anônimas, prevista na Lei nº 6.404/1976, possui caráter remuneratório, sofrendo a incidência de contribuições previdenciárias, lembrando que, além de ser uma forma de contraprestação aos serviços prestados, tal verba não se enquadra em nenhuma das hipóteses de exclusão do salário-de- contribuição relacionadas no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. 21.9. Isto posto, cabe mencionar que existe diferença entre a PLR paga aos contribuintes individuais e aquela paga aos segurados empregados. 21.10. É de se observar que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, a seguir parcialmente transcrito, elenca os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. CF/1988: Fl. 4559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 43 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; III - fundo de garantia do tempo de serviço; (...) VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º) XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; (...) XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; (...) XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; (...) (grifos nossos) 21.11. Note-se, então, pela leitura dos direitos dos trabalhadores elencados no artigo 7º da Constituição Federal (CF), retro destacados, que eles pertencem somente aos segurados empregados, não possuindo o segurado contribuinte individual, por exemplo, os direitos previstos nos incisos citados acima, de modo que se pode verificar, assim, que o constituinte, ao utilizar o termo “trabalhadores” no caput do referido artigo 7º, se referiu à espécie “empregado”. Fl. 4560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 44 21.12. Cumpre registrar que o artigo 218, parágrafo 4º da CF/1988, reproduzido a seguir, ratifica esse entendimento – de que o constituinte, no artigo 7º, teria se referido à espécie empregado – especialmente em relação à participação nos lucros ou resultados. CF/1988: Art. 218. (...) (...) § 4º - A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (...) (grifos nossos) 21.13. Também é essencial salientar que, embora a CF/1988, em seu artigo 7º, tenha retirado a natureza salarial da participação, esta se trata de uma norma de eficácia limitada, ou seja, que depende de edição de uma lei ordinária, a qual caberá regulamentar esse dispositivo constitucional: “participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei”. 21.14. Frise-se, assim, que o constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis a tal direito. 21.15. Cabe informar que a regulamentação do referido dispositivo constitucional acabou acontecendo por meio da Medida Provisória nº 794/1994, reeditada sucessivamente e com numeração variada, até que, com a Lei nº 10.101/2000, a matéria foi definitivamente regulamentada. 21.16. Portanto, com a regulamentação do dispositivo constitucional em questão, e nos termos do artigo 28, parágrafo 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/1991, a seguir transcrito, a participação nos lucros ou resultados só não terá natureza jurídica salarial, e não integrará o salário-de-contribuição, se for paga em conformidade com a citada legislação específica. Lei nº 8.212/1991: Art. 28. (...) (...) Fl. 4561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 45 § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos) 21.17. Dessa forma, tem-se que, ao interpretar a parcela em comento, a apreciação da lei específica, qual seja a Lei nº 10.101/2000, é de rigor, cumprindo reproduzir, aqui, o seu artigo 2º. Lei nº 10.101/2000: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. (...) (grifos nossos) 21.18. Cumpre enfatizar, aqui, também, que o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, é taxativo ao determinar, no inciso X do parágrafo 9º do artigo 214, a seguir transcrito, que não integra o salário-de- contribuição, exclusivamente, a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999: Art.214. (...) (....) § 9º Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: (...) X- a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos) Fl. 4562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 46 21.19. É de se ressaltar, em suma: I) que o artigo 7º, inciso XI da Constituição Federal de 1988 garantiu a todos os trabalhadores, a participação nos lucros e resultados, desvinculada da remuneração na forma prevista em lei; II) que, em obediência ao preceito constitucional, a alínea “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, estabeleceu, dentre as hipóteses livres da tributação previdenciária, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; III) que a lei específica, a Lei nº 10.101/2000, que regulamentou o pagamento da participação nos lucros e resultados, desvinculado da remuneração, somente a previu para o empregado, o mesmo ocorrendo com o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, quando tratou das parcelas não integrantes do salário-de-contribuição. 21.20. Cabe mencionar, ademais, ante a argumentação da defendente, que se aplica ao caso a Lei nº 6.404/1976, e que este não é o diploma legal – a lei específica – que regulamentou o artigo 7º, inciso XI da Constituição Federal de 1988, e o artigo 28, parágrafo 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/1991. 21.21. Não merece prosperar, aqui, deste modo, o entendimento da empresa no sentido de que a PLR paga aos administradores gozaria de imunidade por se enquadrar no art. 7º, inciso XI Constituição Federal combinado com a legislação específica. 21.22. Cumpre consignar, no caso, ainda, que não foi dado, por parte da fiscalização, tratamento tributário distinto a segurados que se encontravam na mesma situação, não havendo que se falar em violação ao princípio da isonomia, como afirma a impugnante, tendo as verbas pagas, pela empresa, a título de PLR a todos os contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, com base na Lei das S.A., se sujeitado à incidência de contribuições previdenciárias, por meio das autuações em tela, efetuadas em observância ao princípio da legalidade. 21.23. Com relação à afirmação da empresa de que inexistiria acusação fiscal de inobservância das regras da Lei nº 10.101/2000 e/ou da Lei das S.A., cabe observar que ela não é necessária para a caracterização das verbas em questão como integrantes do salário-de-contribuição dos administradores/conselheiros e diretores não empregados, como exposto nos trechos do Relatório Fiscal abaixo transcritos. Relatório Fiscal: (...) Diante da análise ora empreendida, não resta dúvida de que a intenção do legislador, seguindo a determinação constitucional, foi desvincular da remuneração a Participação nos Lucros ou Resultados recebida tão- somente pelos segurados empregados. A contrário sensu, a participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado será Fl. 4563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 47 considerada como base de incidência das Contribuições Previdenciárias por falta de previsão legal de não-incidência. (...) Isto posto, conclui-se que quando a Participação nos Lucros ou Resultados é paga aos empregados, imprescindível se faz que suas condições de ajuste e pagamento atendam aos ditames da Lei nº 10.101/00 para que se possa exclui-la da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Por sua vez, o pagamento realizado a contribuinte individual prescinde qualquer análise adicional, uma vez que sempre será tributado. (...) (grifos nossos) 21.24. Quanto à alegação de necessidade de exclusão de valores de PLR pagos a administradores cujo vínculo empregatício teria restado mantido, face à suspensão do contrato de trabalho, tem-se que não merece prosperar, cumprindo mencionar: que, conforme explicitado no Relatório Fiscal, a administração da sociedade compete ao Conselho de Administração e à Diretoria, sendo os seus membros eleitos, nos termos do art. 146 da Lei nº 6.404/1976, a seguir parcialmente reproduzido; Lei nº 6.404/1976: Art. 146. Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os diretores serem residentes no País. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1º A ata da assembleia-geral ou da reunião do conselho de administração que eleger administradores deverá conter a qualificação e o prazo de gestão de cada um dos eleitos, devendo ser arquivada no registro do comércio e publicada. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) (...) que podem ser eleitos segurados empregados para serem administradores da empresa, cabendo observar, então, o disposto na Súmula nº 269 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), abaixo transcrita; Súmula nº 269 do TST: DIRETOR ELEITO. CÔMPUTO DO PERÍODO COMO TEMPO DE SERVIÇO. O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço Fl. 4564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 48 desse período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. que a subordinação jurídica, citada no enunciado acima, ocorre quando as atividades exercidas pelo empregado são por conta e risco do empregador, sendo que este último é quem determina os afazeres por aquele, inclusive, possuindo o poder disciplinar que lhe é inerente, não restando tal condição comprovada nos presentes autos; que os segurados empregados eleitos para os referidos órgãos de administração alcançaram uma condição privilegiada em relação aos demais empregados, e tiveram o seu contrato de trabalho suspenso, passando de subordinados a mandatários, possuindo função de comando geral na empresa, conforme previsto no Estatuto Social; e que foi correto, assim, o enquadramento destes administradores, que tiveram o contrato de trabalho suspenso, como contribuintes individuais, pela fiscalização, no período objeto de autuação, não se vislumbrando motivo para a exclusão dos pagamentos efetuados aos mesmos, pela empresa, a título de PLR. 21.25. Com relação à alegação de necessidade de exclusão de valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não teriam sido objeto da autuação, cumpre esclarecer: que não procede a afirmação da impugnante no sentido de que a fiscalização teria incluído, no presente lançamento, valores de PLR referentes a planos de PLR não descaracterizados ou questionados no procedimento fiscal do qual decorreram as autuações que integram o presente processo administrativo; que não há que se falar, aqui, em exclusão dos valores pagos em fevereiro de 2017 sob as rubricas 1175 (Bônus Diferido — Lei 6404 Parcela I), 1170 (Bônus Diferido Lei 6404 — Parcela II) e 1165 (Bônus Diferido — Lei 6404 Parcela III), conforme indicado no quadro "PLR Administradores" de fl. 2.626, que, conforme a autuada, estariam relacionados à PLR decorrente de PPG referentes aos exercícios de 2013, 2014 e 2015, paga de forma diferida; que, ao contrário do que sustenta a empresa, não se vinculou somente o PPG do exercício de 2016 aos pagamentos diferidos de PLR feitos no ano- calendário de 2017, sendo feita referência, no Relatório Fiscal, às rubricas das folhas de pagamento bem como às respostas a termos de intimação apresentadas por ela que foram considerados, no caso, para fins de lançamento, restando indicada, ainda, a razão para que tais valores fossem Fl. 4565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 49 considerados como integrantes do salário-de-contribuição, como se pode verificar nos trechos dele abaixo transcritos; Relatório Fiscal: (...) Diante da análise ora empreendida, não resta dúvida de que a intenção do legislador, seguindo a determinação constitucional, foi desvincular da remuneração a PLR recebida tão somente pelos segurados empregados. A contrário sensu, a participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado será considerada como base de incidência das Contribuições Previdenciárias por falta de previsão legal de não incidência. (...) Durante a auditoria foram encontrados pagamentos de participação nos lucros aos administradores, os quais foram registrados nas folhas de pagamento e contabilizados nas rubricas constantes da tabela com as rubricas de PLA da Folha de Pagamento apresentada pelo contribuinte na sua resposta de 30/03/2021 ao Termo de Intimação de 22/03/2021: No caso em tela, os valores pagos aos diretores estatutários a título de participação nos lucros dos administradores não foram declarados em GFIP, exceto pela rubrica 1180, e sobre eles não foram recolhidas as devidas contribuições previdenciárias configurando-se, dessa forma, o descumprimento da legislação pertinente. Para a presente infração anexamos ao Processo Administrativo Fiscal os seguintes documentos: - Elaborados/Apresentados pelo Contribuinte: - Resposta ao Termo de Intimação de 22/03/2021 com as rubricas da folha de pagamento referentes às participações nos lucros pagas aos administradores; Fl. 4566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 50 - Resposta de 01/04/2021 complementar ao Termo de Intimação de 04/02/2021 e Termo de Anexação de Arquivo não Paginável 01 com as planilhas de PLR aos empregados e administradores. (...) (grifos nossos) que, na resposta ao Termo de Intimação de 22/03/2021, de fls. 1.821 a 1.822, abaixo parcialmente transcrita, se faz menção à planilha apresentada pela empresa em resposta à intimação de 01/03/2021; Resposta ao Termo de Intimação, de 22/03/2021: (...) Item 3 - Informar se as rubricas constantes das colunas "Rubrica da Fopag Empregados" e "Rubricas da Fopag Administradores", na planilha "Banco Santander - Programas de Remuneração Variável em Dinheiro e Ações com Pagamentos em 2017" apresentada na resposta à intimação de 01/03/2021 foram declaradas em GFIP e se sobre tais pagamentos houve a tributação das contribuições previdenciárias. Seguem as nossas considerações nos quadros abaixo. (...) (grifos nossos) que, na planilha retro citada – relação dos programas que ensejaram pagamentos diferidos em 2017 (Doc_Comprobatorios17.xlsx – arquivo não paginável, anexado conforme termo de fl. 822), fornecida pela empresa e considerada pela fiscalização, para fins de lançamento, neste processo administrativo fiscal, há a indicação do PPG 2013, PPG 2014 e PPG 2015, conforme trecho abaixo reproduzido. Fl. 4567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 51 21.26. É de se consignar, aqui, ademais, ante a argumentação da defendente, que as verbas concedidas a título de PLR aos administradores não se trata de pagamentos não habituais e eventuais, cabendo observar: que o conceito de habitualidade não implica exigência de que os pagamentos ocorram todos os meses, ou em certa quantidade de vezes durante o ano, não se impondo somente pela mera repetição num dado espaço de tempo; que um pagamento pode ser considerado habitual ainda que seja pago uma única vez ao ano ou mesmo ao longo de todo o contrato de trabalho, desde que seja esperado como certo pelo contratado; que uma situação é aquela onde a empresa, por um ato de liberalidade, resolve conceder um pagamento extra aos segurados que lhe prestam serviços, sem que haja a menor esperança destes quanto à sua recepção, a mínima ideia de que este possa ocorrer, sendo o elemento surpresa inerente ao pagamento não eventual, e outra situação, bastante diversa, é aquela em que os trabalhadores passam o ano inteiro aguardando para, em um mês no ano seguinte, receber uma quantia que já se sabe que virá, inexoravelmente; e Fl. 4568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 52 que há que se reconhecer a habitualidade, quanto às referidas verbas, configurada pela certeza quanto à sua recepção, por parte dos administradores. Pelo exposto, sem razão a Recorrente, não cabe reforma do acórdão recorrido, neste tópico, devendo ser mantida a autuação relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a título de PLR aos administradores (conselheiros e diretores não empregados). DA AUTUAÇÃO SOBRE PLR PAGA AOS EMPREGADOS A Recorrente em suas razões de recurso, também neste ponto, repete todas as alegações apresentadas em sede de impugnação, conforme descrito no relatório acima, não havendo nenhum argumento de mérito ou documentos que justifiquem uma nova visão dos fatos, tanto apontados no Relatório Fiscal, quanto na decisão de piso. Quanto a Recorrente mencionar, em vários tópicos de suas razões e recurso, sobre a aplicação retroativa das alterações da Lei nº 14.020, de 2020, na Lei 10.101, de 2000, cumpre esclarecer: A Lei nº 10.101, de 2000, sofreu alterações importantes com a promulgação da Lei nº 14.020, de 2020. No entanto, quando da promulgação do Projeto de Lei de Conversão - PLV nº 15, de 2020, na Lei nº 14.020, em julho de 2020, houve veto presencial aos arts. 32 e 37. Posteriormente, em novembro de 2020, o Congresso Nacional derrubou o veto ao art. 32. Como o art. 37, pelo qual se pretendia conferir efeito interpretativo às novas regras, não teve o veto derrubado, as alterações substanciais promovidas na Lei nº 10.101, de 2000, pelo art. 32, têm efeito apenas prospectivo, isto é, valem apenas para fatos geradores a partir de novembro de 2.020. O art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, estabelece: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifou- se) Em seu conteúdo, a Lei nº 14.020, de 2020, não tem norma expressa de retroatividade ou comando para ser interpretativa, uma vez que foi vetado o art. 37, da citada lei, que estabelecia o caráter interpretativo. Assim, as alterações promovidas na Lei nº 10.101, de 2000, pela Lei nº 14.020, de 2020, em seu art. 32, relacionadas abaixo, só prevalecem para fatos geradores a partir de novembro de 2020: Lei nº 14.020, de 2020 Fl. 4569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 53 Art. 32. O art. 2º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: Promulgação partes vetadas ‘Art. 2º ................................................................................................ § 3º-A . A não equiparação de que trata o inciso II do § 3º deste artigo não é aplicável às hipóteses em que tenham sido utilizados índices de produtividade ou qualidade ou programas de metas, resultados e prazos. ............................................................................................................... § 5º As partes podem: I - adotar os procedimentos de negociação estabelecidos nos incisos I e II do caput deste artigo, simultaneamente; e II - estabelecer múltiplos programas de participação nos lucros ou nos resultados, observada a periodicidade estabelecida pelo § 2º do art. 3º desta Lei. § 6º Na fixação dos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive no que se refere à fixação dos valores e à utilização exclusiva de metas individuais, a autonomia da vontade das partes contratantes será respeitada e prevalecerá em face do interesse de terceiros. § 7º Consideram-se previamente estabelecidas as regras fixadas em instrumento assinado: I - anteriormente ao pagamento da antecipação, quando prevista; e II - com antecedência de, no mínimo, 90 (noventa) dias da data do pagamento da parcela única ou da parcela final, caso haja pagamento de antecipação. § 8º A inobservância à periodicidade estabelecida no § 2º do art. 3º desta Lei invalida exclusivamente os pagamentos feitos em desacordo com a norma, assim entendidos: I - os pagamentos excedentes ao segundo, feitos a um mesmo empregado, no mesmo ano civil; e II - os pagamentos efetuados a um mesmo empregado, em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil do pagamento anterior. § 9º Na hipótese do inciso II do § 8º deste artigo, mantém-se a validade dos demais pagamentos. § 10 . Uma vez composta, a comissão paritária de que trata o inciso I do caput deste artigo dará ciência por escrito ao ente sindical para que indique seu representante no prazo máximo de 10 (dez) dias corridos, findo o qual a comissão poderá iniciar e concluir suas tratativas. Portanto, todas as alegações da Recorrente, no sentido da aplicação retroativa das alterações da Lei nº 10.101, de 2000, incluídos pela Lei nº 14.020, de 2020, não prevalecem, em virtude do fato gerador, analisado no presente processo, referir-se a 01/01/2017 a 31/12/2017. Fl. 4570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 54 Em virtude de entender que a decisão de piso analisou detalhadamente a matéria sobre a autuação dos valores de PLR pagos aos empregados, tanto em relação ao Relatório Fiscal, quanto aos documentos juntados pela auditoria, e os argumentos apresentados na impugnação e repetidos no Recurso Voluntário, adoto como razão de decidir, as externadas no Acórdão 108-045.595 – 14ª TURMA/DRJ08, conforme trechos abaixo descritos, que ficam confirmados, com fundamento no art. 114, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF: Da alegação de improcedência da autuação sobre PLR paga aos empregados: 20. Não merece acolhida, aqui, a alegação da impugnante no sentido de insubsistência das autuações fiscais em tela, no que tange à exigência de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os pagamentos realizados, por ela, a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos segurados empregados. 20.1. A empresa entende que os instrumentos de PLR estariam de acordo com a Lei nº 10.101/2000 e sustenta, em síntese, em sua defesa: a) a vinculação dos Programas Específicos ao Acordo PPRS; b) a existência de regras claras e objetivas nos instrumentos de PLR; c) o atendimento dos requisitos legais no que se refere à data de formalização dos instrumentos de PLR; d) a devida participação sindical nas negociações dos instrumentos de PLR e seu registro junto ao sindicato da categoria e ao MTE; e) a possibilidade de pagamento de PLR com base em instrumentos distintos, à luz da Lei nº 10.101/00; f) a inexistência de requisito legal relativo a um valor máximo por empregado e à uniformidade de PLR entre diferentes empregados /ausência de vedação de discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados e entre o salário do empregado e a sua PLR; g) a aplicação das alterações da Lei nº 14.020/2020 à Lei nº 10.101/00, com fulcro no art. 106, II, "a" do CTN; h) a necessidade de cancelamento do lançamento em relação a valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não foram objeto da autuação; e i) subsidiariamente, a não incidência previdenciária sobre pagamento não habitual e eventual. 20.2. Cabe registrar, então, inicialmente, que deve ser observada a legislação a seguir relacionada, com relação às verbas pagas a título de PLR aos segurados empregados. Fl. 4571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 55 20.3. A Constituição Federal de 1988 (CF/1988) estabelece em seu artigo 7º, inciso XI, norma relativa ao tema: CF/1988: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...)XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) (grifos nossos) 20.4. Cumpre esclarecer, no caso, que referida norma é de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária para sua eficácia plena. O legislador constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, desvinculada da remuneração, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis à concessão deste benefício. Portanto, para que a participação nos lucros e/ou resultados esteja desvinculada da remuneração é imprescindível estar de acordo com o estabelecido em lei. 20.5. Após 29/12/1994, com a regulamentação do referido dispositivo constitucional, e nos termos do artigo 28, parágrafo 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, a seguir transcrito, a participação nos lucros ou resultados só não terá natureza jurídica salarial, e não integrará o salário-de-contribuição, se for paga em conformidade com o disposto na Medida Provisória 794 de 29/12/1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, finalmente convertidas na Lei nº 10.101, de 19/12/2000. Lei nº 8.212/1991: Art. 28. (...) (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos) Fl. 4572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 56 20.6. O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, por sua vez, discrimina em seu art. 214, parágrafo 9º quais as rubricas que não integram o salário-de-contribuição, assim dispondo o parágrafo 10º do mesmo artigo: RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999: Art. 214. (...) (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário- de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...) (grifos nossos) 20.7. Desta forma, para que a parcela relativa à Participação nos Lucros/Resultados não integre o salário-de-contribuição, deve a empresa cumprir as exigências da legislação específica, que, no caso, é a Medida Provisória 794/1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, finalmente convertidas na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, abaixo parcialmente reproduzida. Lei nº 10.101/2000: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013); II - convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 4573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 57 I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) (grifos nossos) 20.8. É de se ressaltar, no caso, que a atividade da autoridade administrativa encontra-se vinculada, no caso, aos dispositivos legais retro mencionados, não podendo, aqui, afastar sua aplicação, nos termos do artigo 116, inciso III da Lei nº 8.112, de 11/12/1990, a seguir transcrito, não possuindo esta autoridade competência para declarar indevidas contribuições previstas na legislação, incidentes sobre valores pagos a título de participação nos resultados em desacordo com a lei específica, a cujo recolhimento a empresa está obrigada por norma vigente. Lei nº 8.112/1990: Art.116. São deveres do servidor: (...) III - observar as normas legais e regulamentares; (...) (grifos nossos) 20.9. No presente caso, tem-se que, ao contrário do que afirma a empresa, em sua impugnação, os pagamentos efetuados a título de PLR não atenderam plenamente os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/2000, conforme explicitado no Relatório Fiscal, de fls. 2.629 a 2.784, sendo o seu teor aqui ratificado. Fl. 4574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 58 20.10. Isto posto, passa-se à análise das alegações apresentadas pela impugnante a respeito das verbas em questão, pagas, por ela, em 2017, que são regidas, no caso, pelos seguintes instrumentos, de acordo com o Relatório Fiscal: I) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados (CCT PLR) em 2016/2017; II) Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) 2016/2017; III) Programas Próprios Específicos (PPE); IV) Programa Próprio Gestão (PPG); e, V) Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP). 20.11. No que diz respeito à Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR (CCT PLR), cumpre mencionar: que o objetivo da Constituição Federal de 1988 de desvincular o pagamento de PLR da remuneração, foi possibilitar a participação dos empregados no lucro ou resultado das empresas, estimulando-os a alcançarem metas e resultados, e distribuindo a eles o fruto de todo esse esforço, de modo que as metas a serem cumpridas, obviamente, devem ser previamente pactuadas, de modo que o empregado tenha conhecimento prévio de quanto o seu esforço poderá lhe trazer de retorno; que a Lei nº 10.101/2000 dispõe, expressamente, em seu artigo 2º, que o pagamento de PLR pressupõe a existência de um acordo prévio entre as partes, independentemente dos critérios considerados; que, conforme relatado pela fiscalização, no caso em questão, a Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos – exercícios 2016 e 2017 foi celebrada em 13/10/2016; que, como exposto no Relatório Fiscal, do qual se transcreve trecho a seguir, o instrumento de negociação foi celebrado somente no último trimestre do ano-base de 2016, demonstrando a ausência de prévia negociação, no que tange à PLR deste exercício, cujo pagamento estava previsto para ocorrer até 02/03/2017; (...) No caso em tela a Convenção Coletiva de PLR utilizada foi celebrada no último do seu ano base. Vê-se claramente, portanto, que os empregados durante quase todo o ano de 2016, desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento do benefício só foram estabelecidos posteriormente, em 13/10/2016, próximo do final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. Fl. 4575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 59 (...) (grifos nossos) que a Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos – exercícios 2016 e 2017 (fls. 767 a 778), assinada em 13/10/2016 – embora em sua cláusula 7ª indique como vigência 01/09/2016 a 31/08/2018 – diz respeito aos exercícios de 2016 e 2017, sendo estes os seus anos-base, conforme se pode verificar em sua parte inicial e em suas cláusulas 1ª e 3ª, a seguir parcialmente transcritas; ... firmam a presente CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO para estabelecer a PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, doravante designada "PLR", relativa aos exercícios de 2016 e de 2017, nos seguintes termos: CLÁUSULA 1ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R.) – EXERCÍCIO 2016 Ao empregado admitido até 31.12.2015, em efetivo exercício em 31.12.2016, convenciona-se o pagamento pelo banco, até 02.03.2017, a título de "PLR", até 15% (quinze por cento) do lucro líquido do exercício de 2016, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: (...) CLÁUSULA 3ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R.) – EXERCÍCIO 2017 Ao empregado admitido até 31.12.2016, em efetivo exercício em 31.12.2017, convenciona-se o pagamento pelo banco, até 01.03.2018, a título de "PLR", até 15% (quinze por cento) do lucro líquido do exercício de 2017, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: (...) (grifos nossos) que não importa que a Convenção Coletiva em tela seja essencialmente idêntica a outras celebradas em anos anteriores, como afirma a impugnante, merecendo destaque, no caso, o fato de que, a cada ano, poderiam ter sido introduzidas mudanças em seu teor, que os empregados não tinham como prever se as condições anteriormente estabelecidas seriam ou não mantidas, devendo estes ter conhecimento prévio das regras estabelecidas por tais instrumentos, isto é, antes do início do período a que se referiam os lucros ou resultados, para que pudessem saber o que deveriam realizar para Fl. 4576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 60 fazer jus ao recebimento da PLR, e haver incentivo à produtividade, conforme estabelecido na legislação; que não é aplicável às autuações em tela, relativas ao exercício de 2017, o disposto no parágrafo 7º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, incluído pelo art. 32, da Lei nº 14.020/2020, citado pela defendente, sendo que: I) de acordo com o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional (CTN): “O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”; II) conforme o art. 39 da Lei nº 14.020/2020, esta lei entrou em vigor na data de sua publicação, que se deu, no Diário Oficial da União, em 07/07/2020, posteriormente à ocorrência dos fatos geradores em questão; III) o art. 106, inciso II, letra “a” do CTN, que trata da questão da retroatividade benigna, mencionado, pela empresa na impugnação, diz respeito apenas ao descumprimento de obrigação acessória, não se referindo ao tributo, que será sempre devido de acordo com a legislação da época dos fatos geradores; e, IV) de acordo com o art. 106, inciso I do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, o que não ocorre no caso, cabendo destacar que foi vetado o art. 37 da Lei nº 14.020/2020, que estabelecia que teria caráter interpretativo a alteração promovida por esta lei no parágrafo 7º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000; que não há que se falar, aqui, também, em prevalência da autonomia das vontades em face do interesse do Fisco, como alega a autuada, com base no parágrafo 6º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, incluído pelo art. 32 da Lei nº 14.020/2020, cumprindo notar que tal dispositivo legal não se encontrava em vigor à época dos fatos geradores em questão, não tendo o instrumento de negociação em questão força de se contrapor às disposições de lei que tratam da incidência de contribuições, as quais devem ser observadas, e que não é possível haver a aplicação retroativa do referido dispositivo com base no art. 106, inciso I ou inciso II, letra “a” do CTN, não se tratando de norma expressamente interpretativa, e nem de descumprimento de obrigação acessória, para que ocorra a retroatividade benigna; que, ao contrário do que entende a empresa, os critérios previstos na CCT não se amoldam perfeitamente aos objetivos do instituto PLR; que a fiscalização, ao analisar se constariam, nestes instrumentos de negociação, regras claras e objetivas, informou que não havia, neles, qualquer determinação para os empregados, sendo apenas necessário que trabalhassem na empresa e mantivessem esse vínculo até o último dia do ano base, para o recebimento de valor a título de PLR, e que existiria ali, ainda, a estipulação de um valor fixo mínimo igual para todos os Fl. 4577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 61 beneficiários, destacando que independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado, este receberia sua participação, desviando-se do objetivo da lei, qual seja o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, e demonstrando-se, assim, se tratar na verdade, de uma gratificação ajustada; que a Convenção Coletiva de Trabalho, que estipula o pagamento da PLR em valores fixos, além de não atender o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.101/2000, deixa de cumprir o disposto no artigo 2º, parágrafo 1º deste mesmo diploma legal, não se coadunando com o propósito do instituto, tendo em vista que não prevê regras claras e objetivas sobre o direito à participação nos lucros e resultados, não havendo a previsão de quaisquer índices, metas ou resultados a serem atingidos, cumprindo consignar, ainda, que o critério de elegibilidade para o recebimento do benefício, no caso, sem a exigência de qualquer conduta do trabalhador além do cumprimento do contrato de trabalho, não se mostra suficiente à configuração da PLR como parcela isenta de contribuições previdenciárias e de terceiros; que a jurisprudência citada pela empresa, em sua defesa, como a do STJ sobre o prêmio, referente a processos dos quais não tenha participado ou que não apresentem eficácia “erga omnes”, não produz efeito sobre as autuações em tela, não estando a administração tributária vinculada às interpretações ali veiculadas; e que as Convenções Coletivas de Trabalho, de fato, comprometem empregadores e empregados, não possuindo, no entanto, capacidade de isentar o contribuinte de suas obrigações definidas pela legislação, à qual a autoridade administrativa se encontra vinculada, tendo esta o dever de proceder ao lançamento das contribuições devidas, com os acréscimos legais, quando constata o seu descumprimento, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 37 da Lei nº 8.212/1991, que foi o que ocorreu no presente caso, em que a fiscalização agiu corretamente, dentro do limite de sua competência. 20.12. Com relação ao Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS), cabe registrar: que existem formalidades, previstas na legislação, que devem ser observadas para a celebração e vigência dos acordos coletivos; que, como explicitado no Relatório Fiscal, de acordo com os artigos 612 e 614 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452/1943), abaixo parcialmente transcritos, a celebração de acordos coletivos só pode se dar por deliberação de Assembleia Geral convocada Fl. 4578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 62 para esse fim, e existe um requisito para entrada em vigor dos mesmos, sendo este o seu registro junto ao Ministério do Trabalho e Emprego; CLT: Art.612 - Os Sindicatos só poderão celebrar Convenções ou Acordos Coletivos de Trabalho, por deliberação de Assembléia Geral especialmente convocada para êsse fim, consoante o disposto nos respectivos Estatutos, dependendo a validade da mesma do comparecimento e votação, em primeira convocação, de 2/3 (dois terços) dos associados da entidade, se se tratar de Convenção, e dos interessados, no caso de Acôrdo, e, em segunda, de 1/3 (um têrço) dos mesmos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) (...) Art. 614 - Os Sindicatos convenentes ou as emprêsas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acôrdo, o depósito de uma via do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos demais casos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) § 1º As Convenções e os Acôrdos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) (...) (grifos nossos) que, como informado no Relatório Fiscal, o Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) – 2016/2017 foi assinado em 26/02/2016, sem a autorização prévia da Assembleia Geral (AGE) dos Trabalhadores, especialmente convocada para deliberar sobre sua celebração, uma vez que essa assembleia foi realizada somente em 28/11/2016, posteriormente à data de celebração do acordo ao qual se refere, em afronta ao preconizado pelo art. 612 da CLT, cumprindo reproduzir abaixo, a propósito, trecho da Ata da referida AGE, anexada em cópia pela própria empresa, à fl. 779, em resposta a intimação; Ata da Assembleia Geral Extraordinária dos Empregados do Banco Santander (Brasil) S/A, realizada em 28/11/2016: Aos vinte e oito dias do mês de novembro de 2016... reuniram-se... os empregados do Banco Santander (BRASIL) S/A... para Assembléia Geral Fl. 4579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 63 Extraordinária, sobre a pauta anunciada em edital publicado na folha bancária do dia 24.11.2016, qual seja: ... discussão e deliberação sobre a aprovação da proposta apresentada para celebração do Acordo Coletivo de PPRS (exercícios 2016 e 2017) do Banco Santander (Brasil) S/A... (grifos nossos) que, tendo sido a empresa intimada a exibir o registro junto ao Ministério do Trabalho e Emprego do Acordo Coletivo de PLR, de acordo com o Relatório Fiscal, apresentou o Registro SRT 00472/2017, com protocolo em 27/11/2017, entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Paraná, no RS, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, e ela, com abrangência nacional, restando configurado, assim, o registro deste acordo fora do prazo de 8 (oito) dias determinado pelo art. 614 da CLT; que, conforme explicitado no Relatório Fiscal, de acordo com o § 1º do art. 614 da CLT, os acordos coletivos somente entram em vigor 3 (três) dias após a data de entrega dos mesmos ao Ministério do Trabalho e Emprego para registro, portanto, neste caso, como o protocolo ocorreu em 27/11/2017, o ACT somente entrou em vigor 3 (três) dias após essa data; que, como já exposto no item anterior deste voto (20.11), referente à CCT PLR, não é aplicável às autuações em tela, relativas ao exercício de 2017, o disposto no parágrafo 7º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, incluído pelo art. 32 da Lei nº 14.020/2020; que não importa que o Acordo Coletivo de Trabalho em questão reproduza as condições ao recebimento da PLR vigentes em anos anteriores, como afirma a impugnante, merecendo destaque, no caso, o fato de que poderiam ter sido realizadas alterações em seu conteúdo, sendo que os empregados não tinham como prever se as condições anteriormente estabelecidas seriam ou não mantidas; que, como explicitado no Relatório Fiscal, o único critério para a elegibilidade dos beneficiários adotado por tal acordo era a admissão do empregado antes do início do base a que se referia o pagamento da PLR, ou ao longo deste, e estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano, sendo o valor a ser recebido a este título, no caso, igual para todos os beneficiários e decorrente somente do lucro líquido e patrimônio líquido do banco, restando assegurado, ainda, um valor fixo mínimo, não sendo exigido, em tal instrumento, nenhum esforço adicional por parte dos empregados, o cumprimento de qualquer meta por estes, para o recebimento desta verba, não servindo, dessa forma, como incentivo à Fl. 4580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 64 produtividade, nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.101/2000, e se configurando, assim, efetivamente, como uma espécie de gratificação ou prêmio, integrando o salário-de-contribuição; que a efetiva comprovação da participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa representa a verdadeira razão de ser da verba em questão; que não merece prosperar o entendimento da empresa de que o Acordo Coletivo (PPRS – 2016/2017) possuiria regras claras e objetivas, uma vez que não foi observado o espírito da Lei nº 10.101/2000, cabendo registrar que, conforme exposto no Relatório Fiscal: a) o único critério para a elegibilidade dos beneficiários adotado por tal acordo era a admissão do empregado antes do início do ano base a que se refere o pagamento da PLR (ou no decorrer deste) e estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano; e, b) a participação de cada empregado era igual para todos e resultante somente do índice ROAE, definido como a relação entre o Lucro Líquido Gerencial e o Patrimônio Líquido Médio, não havendo uma definição das metas individuais a serem atingidas e de critérios para uma avaliação do desempenho dos beneficiários, sendo que, além disso, independentemente do índice obtido, ainda que fosse zero, era assegurado um valor mínimo, corroborando o fato de não existir qualquer nexo entre os valores ganhos pelos empregados a título de PLR e os lucros ou resultados da empresa; que a jurisprudência citada pela empresa, em sua defesa, como a do STJ sobre o prêmio, referente a processos dos quais não tenha participado ou que não apresentem eficácia “erga omnes”, não produz efeito sobre as autuações em tela, não estando a administração tributária vinculada às interpretações ali veiculadas; e que não há que se falar, aqui, em prevalência da autonomia das vontades em face do interesse do Fisco, como alega a autuada, com base no parágrafo 6º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, incluído pelo art. 32 da Lei nº 14.020/2020, cumprindo notar que tal dispositivo legal não se encontrava em vigor à época dos fatos geradores em questão, não tendo o referido Acordo Coletivo de Trabalho força de se contrapor às disposições de lei que tratam da incidência de contribuições, as quais devem ser observadas, e que não é possível haver a aplicação retroativa do referido dispositivo com base no art. 106, inciso I ou inciso II, letra “a” do CTN, não se tratando de norma expressamente interpretativa, e nem de descumprimento de obrigação acessória, para que ocorra a retroatividade benigna. Fl. 4581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 65 20.13. Quanto aos Programas Específicos de Participação nos Resultados (PPE, PPG e PILP), por sua vez, cumpre informar: que não há que se acolher, aqui, a afirmação da empresa no sentido de que os Programas Específicos de Participação nos Resultados (PPE, PPG e PILP) seriam integrantes do Acordo Coletivo, realizada com base apenas na cláusula oitava do mesmo, sendo que, conforme exposto no Relatório Fiscal, “não é possível vincular esses programas ao Acordo Coletivo PPRS que os “ratificaram” como “instrumentos integrantes do acordo” por não constar, dentre outros, suas datas de celebração, assinaturas e identificação das partes”; que não restou comprovado, por ela, que estes programas foram efetivamente negociados com as entidades sindicais, e que houve o seu registro/arquivamento junto ao sindicato da categoria e ao Ministério do Trabalho, como se pode verificar nos trechos do Relatório Fiscal a seguir reproduzidos; (...) Ora, dos Programas Próprios Específicos - PPE, Programa Próprio de Gestão (PPG) 2016/2017 e Planos de Incentivo a Longo Prazo - PILP são pretensamente partes o Banco Santander e seus empregados. No entanto, tendo sido apresentadas somente brochuras internas do banco, não constando qualquer assinatura ou qualificação, nem ao menos suas datas de celebração, não é possível comprovar sequer que foram celebrados de fato e quem foram as partes envolvidas e seus representantes legais. Ademais, as brochuras dos programas citados não comprovam a existência de negociação prévia, não comprovam a participação dos empregados em sua elaboração, não comprovam a participação de um representante sindical nas negociações, nem que os respectivos instrumentos de negociação foram devidamente registrados e arquivados na competente entidade sindical. Nesse sentido, intimado a comprovar a participação de um representante indicado pela categoria dos trabalhadores nas negociações que levaram à celebração dos Programas Próprios Específicos PPE e do Programa Próprio de Gestão PPG 2016/2017, cujos pagamentos ocorreram ao longo do exercício de 2017, o contribuinte apresentou em sua resposta de 01/03/2021 à intimação de 04/02/2021, o doc. Comprobatório 13 com publicação do Sindicato dos Bancários acerca do PPRS e sobre aditivo à CCT, sem qualquer menção aos planos PPE e PPG. Fl. 4582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 66 Por conseguinte, não restou comprovada, durante a auditoria fiscal, a ocorrência de negociações prévias, partes envolvidas, participação de um representante sindical, datas de celebração, nem registro junto ao Ministério do Trabalho, dos Programas Próprios Específicos PPE, do Programa Próprio de Gestão PPG e dos Planos de Incentivo a Longo Prazo PILP, cujos pagamentos ocorreram no decorrer do exercício de 2017... (...) Salientamos, ainda que se, de acordo com a Cláusula Oitava do Acordo PPRS, este acordo coletivo apenas reconhece e ratifica os Programas Próprios Específicos PPE, Programa Próprio de Gestão e Planos de Incentivo a Longo Prazo PILP, já existentes e mantidos pelo banco, só se pode concluir que estes não foram objeto de negociação nas discussões que levaram à elaboração do referido acordo coletivo, até mesmo porque não há como se comprovar a adequação às formalidades legais, nem a data de celebração de nenhum deles. (...) (grifos nossos) que, ao contrário do que a empresa afirma, em sua defesa, os programas em questão não tinham regras claras e objetivas, e não apontavam as metas que deveriam ser atingidas para que os empregados fizessem jus ao benefício, conforme explicitado no Relatório Fiscal, do qual são transcritos alguns trechos abaixo, restando demonstrando, no caso, o descumprimento do requisito do art. 2º, parágrafo 1º da Lei nº 10.101/2000; (...) No que tange à estipulação de metas, observa-se que os Programas Próprios Específicos PPE em questão apresentam indicadores, pesos e targets, mas não apontam as metas a que serão submetidos os funcionários para o recebimento do benefício. Além disso, nenhum desses indicadores, pesos e targets constam do Acordo PPRS, não tendo sido, portanto, negociados entre empresa e empregados com a participação do sindicato. (...) Como citado anteriormente e numa análise mais aprofundada, verifica-se que, na verdade, o que muitas vezes os Programas Próprios Específicos PPE chamam de "metas" nada mais são do que "indicadores" que serão utilizados para a definição a posteriori dos objetivos a serem atingidos pelos empregados para se tornarem beneficiários da premiação. Aliás os Fl. 4583DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 67 próprios programas mencionados definem as inicialmente ditas "metas" como "indicadores" em suas Tabelas. É possível constatar, através do estudo dos "indicadores" acima apresentados, que os programas em discussão não apontam de forma completa quais são as metas as serem alcançadas (individualmente, por área e/ou globalmente, por exemplo) para que os empregados possam fazer jus ao benefício. São somente citadas a existência de metas, assim como descritos os indicadores e pesos que irão permear a instituição e apuração das mesmas. Não são igualmente descritos os mecanismos de aferição e os critérios de avaliação que nortearão o acompanhamento do pagamento desses benefícios. Em alguns casos específicos as metas englobam uma avaliação individual de desempenho, mas não nos é trazido nos programas em tela, nenhum detalhe dessa avaliação, nem ao mesmo um modelo básico da mesma. (...) Resta evidente a inexistência de regras claras e objetivas nos Programas PPE. Temos somente a apresentação de indicadores, pesos e targets (que aliás, como visto anteriormente, são manifestamente critérios de pagamento de prêmios ou comissões), mas não das regras a serem seguidas pelos empregados no intuito do recebimento de uma participação. (...) No que tange especificamente à estipulação de metas, observa-se que o Programa Próprio Gestão (PPG) 2016/2017 não aponta em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se torne beneficiário da participação. Fala-se em cumprimento das metas, resultados e práticas de mercado, mas estes não são apontados. Fala-se em metas do banco, da área, dos funcionários; em metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, mas não se explica. Nem ao menos os indicadores que serão levados em conta para a apuração e avaliação são revelados pelo programa. Menciona a existência de avaliação de competências, mas não indica os mecanismos de aferição, nem os critérios de avaliação a serem utilizados, nem apresenta um modelo básico de tal avaliação. No caso das metas do banco, o programa estipula que estas serão definidas anualmente, não constando incontestavelmente do próprio Programa PPG. Por conseguinte, não há nenhum detalhamento de tais objetivos no programa, nem o haverá posteriormente. O que se tem aqui é uma simples Fl. 4584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 68 definição unilateral das metas, e absolutamente à margem da convenção coletiva e do acordo coletivo. O mesmo ocorre com as metas das áreas, vez que o Programa PPG precisa que as mesmas sejam definidas em momento posterior, não constando, por consequência, do plano original. Por sua vez, no que tange às metas individuais, a previsão é que estas serão acordadas entre o gestor e o funcionário. (...) Não havendo respostas a tais indagações, denota-se a impossibilidade de identificar no programa em apreço as citadas regras pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. A falta de todas essas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Não se pode falar aqui, portanto, da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. (...) No que tange especificamente à estipulação de metas, observa-se que os Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP) não apontam em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que os participantes se tornem beneficiários da gratificação/bonificação. É o Comitê Executivo, unilateralmente e fora do corpo dos planos, que guarda todos os poderes necessários para o detalhamento e aplicação das normas genericamente estabelecidas nos planos em comento. Nem ao menos os indicadores que serão levados em conta para a apuração e avaliação são revelados pelo programa. Não são indicados igualmente os mecanismos de aferição, nem os critérios de avaliação a serem utilizados. Em suma, todas as regras de aplicação de tais planos são tratadas unilateralmente e a posteriori pelo Comitê Executivo. (...)Resta manifesto que o sistema acima descrito e empregado pela empresa no pagamento da PLR, nada mais é do que uma avaliação que servirá de mecanismo gerencial e como referência para o pagamento e remuneração variável em geral. Estamos diante, por conseguinte, de um sistema de avaliação para pagamento de remuneração variável, e não de um conjunto de regras estabelecidas de acordo com a legislação específica para a PLR. Não há, em vista disso, como se falar em regras claras e objetivas, em metas preestabelecidas pelos acordos que geram o pagamento da Fl. 4585DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 69 Participação nos Lucros no presente caso, afrontando de modo viral a legislação específica sobre a matéria, a qual específica claramente que as metas devem fazer parte de instrumentos de negociação, entre empregados e empresa, celebrados previamente e com a participação sindical. Diante do exposto, não são encontrados nos Planos Próprios de PLR ora tratados a fixação de regras claras e objetivas, isto é, dos objetivos a serem atingidos pelos empregados para a percepção do benefício, nem a fixação dos mecanismos de aferição e critérios de avaliação do cumprimento destes. (...) (grifos e negritos nossos que, ainda, de acordo com o Relatório Fiscal: a) os Programas Próprios Específicos (PPE) estabeleceriam revisões unilaterais de metas, sendo que, no item relativo às considerações finais, disporiam que “Quaisquer situações não previstas neste material serão analisadas e definidas pelo comitê, cuja a decisão é soberana e irrevogável”, sendo que, da composição dos ditos comitês, que variam conforme o programa, em nenhum deles haveria qualquer menção à participação do sindicato da categoria dos trabalhadores; b) o Programa Próprio Gestão (PPG) se auto designaria como um “Programa de Renda Variável”, restando consignado no Acordo PPRS que as regras e valores atinentes ao referido programa seriam fixados pela Diretoria, ou seja, sem negociação com os empregados e sem participação do sindicato da categoria, tratando-se, portanto, de documento elaborado unilateralmente pela empresa; c) os Planos PILP são aprovado pelo Conselho de Administração do banco, e podem ser extintos, suspensos ou alterados, a qualquer tempo, por ele; que, ao contrário do que entende a impugnante, não é possível, nos termos da Lei nº 10.101/2000, que haja uma regulamentação posterior fora do instrumento original de negociação entre as partes e sem a participação sindical; que, como exposto no Relatório Fiscal, o contribuinte remunerou seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a lei específica, posto que os Planos Próprios de PLR utilizados (Programas Próprios Específicos PPE, Programa Próprio Gestão e Planos de Incentivo de Longo Prazo PILP) não incentivam a produtividade, vez que não preveem de forma completa as regras claras e objetivas para o pagamento da participação, as metas a serem atingidas pelos beneficiários, nem seus mecanismos de aferição e critérios objetivos de avaliação, cumprindo Fl. 4586DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 70 registrar que os objetivos são definidos a posteriori, unilateralmente pela Diretoria ou pelo Comitê Executivo ou ainda pelos empregados e seus gestores, sem a participação do representante sindical, e sendo, em geral, compostos de encargos regulares decorrentes dos contratos de trabalho, não contendo a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores, sendo ainda de caráter subjetivo em alguns casos; que, ademais, conforme explicitado no Relatório Fiscal, nem sempre no sistema interno do contribuinte são apresentados os mecanismos de aferição das metas acordadas e os critérios de avaliação, sendo que, quando são apontados os raciocínios de avaliação, para determinação do quantum a ser distribuído a cada empregado, são utilizados critérios subjetivos, em desacordo com a lei, impossíveis de aferição objetiva posterior, como preconizado pelo art. 2º, parágrafo 1º da Lei nº 10.101/2000; e que, como já exposto anteriormente no item 20.12, não há que se falar, aqui, em prevalência da autonomia das vontades em face do interesse do Fisco, como alega a autuada, com base no parágrafo 6º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, incluído pelo art. 32 da Lei nº 14.020/2020, cumprindo notar que tal dispositivo legal não se encontrava em vigor à época dos fatos geradores em questão. 20.14. No que diz respeito à argumentação aduzida pela empresa, relativa à questão da possibilidade de pagamento de PLR com base em instrumentos distintos independentemente de compensação, cabe mencionar: que, conforme o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, a PLR pode ser objeto de negociação por comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou convenção/acordo coletivo, se devendo optar, no caso, por um dos procedimentos descritos; que a interpretação do disposto no artigo 3º, parágrafo 3º da Lei nº 10.101/2000 deve ser no sentido de que, se existir mais de um instrumento de negociação vigente ao mesmo tempo, sobre a mesma matéria, prevalecerá o que for mais favorável ao empregado, não sendo obrigado o empregador a cumprir os dois instrumentos, desde que abranjam os mesmos institutos, cabendo observar o art. 620 da CLT, na redação vigente à época dos fatos geradores (2017), abaixo reproduzido, não podendo justificar pagamentos a título de PLR, com base em instrumentos diferentes, sem a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros; CLT: Fl. 4587DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 71 Art. 620. As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sôbre as estipuladas em Acôrdo. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967 que o contribuinte utilizou, para o período em questão, Convenções Coletivas, Acordos Coletivos e Programas Próprios, contemplando os mesmos empregados, sem que houvesse a compensação estabelecida na legislação; que foi caracterizada, assim, a violação ao disposto nos artigos 2º e 3º, parágrafo 3º da Lei nº 10.101/2000; que, quando da formulação dos planos e dos pagamentos de PLR, a empresa estava ciente de que, nos termos da legislação em vigor, deveriam ser cumpridos os requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, para que não houvesse a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre tais verbas; que a existência de planos concomitantes, sem compensação dos pagamentos, viola o texto normativo vigente à época dos fatos geradores (2017), de modo que todos os valores pagos a título de PLR pela empresa aos seus empregados, seja com fundamento nas Convenções Coletivas de Trabalho, seja nos Acordos de PLR, seja nos Programas Próprios, integram o salário-de-contribuição; que as decisões administrativas mencionadas pela impugnante não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se somente aos processos aos quais se referem; que não é aplicável às autuações em tela, relativas ao exercício de 2017, o disposto no parágrafo 5º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, incluído pelo art. 32 da Lei nº 14.020/2020, citado pela defendente, sendo que: I) de acordo com o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional (CTN): “O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”; II) conforme o art. 39 da Lei nº 14.020/2020, esta lei entrou em vigor na data de sua publicação, que se deu, no Diário Oficial da União, em 07/07/2020, posteriormente à ocorrência dos fatos geradores em questão; III) o art. 106, inciso II, letra “a” do CTN, que trata da questão da retroatividade benigna, mencionado, pela empresa na impugnação, diz respeito apenas ao descumprimento de obrigação acessória, não se referindo ao tributo, que será sempre devido de acordo com a legislação da época dos fatos geradores; e, IV) de acordo com o art. 106, inciso I do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, o que não Fl. 4588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 72 ocorre no caso, cabendo destacar que foi vetado o art. 37 da Lei nº 14.020/2020, que estabelecia que teria caráter interpretativo a alteração promovida por esta lei no parágrafo 5º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000. 20.15. Quanto à questão da substituição da remuneração / discrepância entre os valores pagos aos empregados, cabe registrar: que o artigo 3º da Lei nº 10.101/2000 demonstra a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição da parcela salarial, e que o artigo 1º desta lei estabelece que a PLR deve servir como incentivo à produtividade; que, conforme o Relatório Fiscal, seriam nítidos o caráter retributivo e a substituição salarial, uma vez que determinados empregados recebiam, na forma de PLR, valores bastante elevados em relação à sua remuneração anual, restando evidente que tais pessoas não estariam prestando serviço por conta do salário “oficial” e sim pelos montantes disfarçados de PLR; que, como exposto no Relatório Fiscal, a PLR não admite critérios subjetivos de distribuição, uma vez que visa o incentivo da produtividade e não premiar determinados colaboradores em detrimento de outros, a não ser por critérios objetivos de aferição; que não há qualquer base legal que justifique o pagamento de valores tão vultosos a título de PLR, em relação aos salários pagos, e distribuídos de forma tão desigual entre os empregados, descaracterizando o conceito de participação nos lucros/resultados, e se configurando efetivamente como remuneração pelo trabalho; e que a jurisprudência sobre a matéria citada pela empresa, em sua defesa, referente a processos dos quais não tenha participado ou que não apresentem eficácia “erga omnes”, não produz efeito sobre as autuações em tela, não estando a administração tributária vinculada às interpretações ali veiculadas. 20.16. Com relação à alegação de necessidade de exclusão de valores de PLR pagos de forma diferida, relacionados a planos de PLR que não teriam sido objeto da autuação, cumpre esclarecer: que não procede a afirmação da impugnante no sentido de que a fiscalização teria incluído, no presente lançamento, valores de PLR referentes a planos de PLR não descaracterizados ou questionados no procedimento fiscal do qual decorreram as autuações que integram o presente processo administrativo; Fl. 4589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 73 que não há que se falar, aqui, em exclusão dos valores pagos em fevereiro de 2017 sob as rubricas 1075 (Bônus Diferido - Parcela I), 1070 (Bônus Diferido - Parcela II) e 1065 (Bônus Diferido — Parcela III), indicados no "Demonstrativo PLR empregados" de fl. 2.628, que, conforme a autuada, estariam relacionados à PLR decorrente de PPG referentes aos exercícios de 2013, 2014 e 2015, paga de forma diferida nos termos dos PILP relacionados àqueles períodos; que, ao contrário do que sustenta a empresa, não se vinculou somente o PPG do exercício de 2016 aos pagamentos diferidos de PLR feitos no ano- calendário de 2017, sendo feita referência, no Relatório Fiscal, aos Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP) apresentados, por ela, em resposta à intimação de 04/02/2021, cabendo registrar que a citação de excertos de somente um deles se deu a título exemplificativo, como se pode verificar nos trechos dele abaixo transcritos; Relatório Fiscal: (...) Prosseguindo nosso diagnóstico, os terceiros e últimos planos próprios a serem especificamente comentados são os Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP), utilizados semelhantemente pelo banco para pagamento de PLR ao longo do exercício de 2017... constantes... da resposta à intimação de 04/02/2021: (...) No caso concreto, os pagamentos dessas gratificações diferidas, como designados pelo próprio contribuinte, realizados ao longo do exercício de 2017 e baseados nos Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP), foram considerados pelo banco como fazendo parte de sua PLR. (...) Uma vez que os Planos PILP possuem redação quase idêntica, com as particularidades de que alguns prevêem o pagamento em espécie e outros o pagamento em units, colamos a seguir excertos do Plano Geral de Incentivo de Longo Prazo - Doc Comprobatorio34 da resposta à Intimação de 04/02/2021: (...) (grifos nossos) Fl. 4590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 74 que, por meio do Termo de Intimação, de fls. 558 a 562, emitido em 04/02/2021, abaixo parcialmente transcrito, foram solicitados, entre outros documentos, todos os instrumentos referentes à PLR paga em 2017; Termo de Intimação, de 04/02/2021: (...) No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) INTIMAMOS o sujeito passivo... a apresentar os documentos discriminados abaixo... (...) 2) Relação de Instrumentos de Negociação de Participação nos Lucros ou Resultados, em formato excel, indicando todos os instrumentos celebrados sobre Participação nos Lucros ou Resultados - PLR, os quais tenham embasado quaisquer pagamentos de PLR realizados durante o período de janeiro a dezembro de 2017, inclusive aqueles relacionados a anos-base anteriores que porventura deram origem a pagamentos durante o ano de 2017. (...) 3) Todas as Convenções Coletivas, Acordos Coletivos e Acordos Próprios sobre PLR pago no ano-base de 2017 em formato pdf; (...) 13) Programas de Remuneração Variável, pagos em dinheiro e/ou ações, constantes do Parágrafo Segundo da Cláusula Oitava do Acordo PPRS 2016/2017 em formato pdf. (...) (grifos nossos) que, em resposta ao referido termo de intimação, a empresa informou, por meio da petição de fls. 578 a 582, da qual são reproduzidos alguns trechos a seguir, os documentos que estava encaminhando à fiscalização; (...) Ref.: Termo de Intimação de 04/02/2021 (...) Estamos encaminhando em anexo arquivo em formato Excel (Doc_Comprobatorios02) contendo a relação de todos os instrumentos celebrados sobre PLR Fl. 4591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 75 (...) Estamos encaminhando em anexo arquivos em formato Pdf (Doc_Comprobatorios03 ao Doc_Comprobatorios07) contendo a cópia dos instrumentos relacionados na planilha encaminhada em resposta ao item 2 acima. (...)Estamos encaminhando em anexo: • Arquivo em formato Excel (Doc_Comprobatorios17) contendo a relação dos programas de Remuneração Variável em Dinheiro e Ações dos anos de 2013 a 2016 que ensejaram pagamentos no ano de 2017; • Arquivos em formato Pdf (Doc_Comprobatorios18 ao Doc_Comprobatorios34) contendo a cópia dos programas citados na planilha acima; (...) (grifos nossos) que, na relação dos programas que ensejaram pagamentos diferidos em 2017 (Doc_Comprobatorios17.xlsx – arquivo não paginável, anexado conforme termo de fl. 822), fornecida pela empresa e considerada pela fiscalização, para fins de lançamento, neste processo administrativo fiscal, há a indicação do PPG 2013, PPG 2014 e PPG 2015, conforme trecho abaixo reproduzido; Fl. 4592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 76 que, a título exemplificativo, se reproduz a seguir trecho do “Plano de Incentivo de Longo Prazo – Regra Geral - Ano Base 2014", de fls. 845 a 853, relativo ao objeto do plano, em que se explica que o pagamento do bônus diferido seria feito em 3 (três) parcelas, nos 3 (três) exercícios sociais subsequentes ao ano base; e (...) III. OBJETO DO PLANO 3.1. O Plano tem como objeto o pagamento de gratificação em dinheiro aos Participantes, como parte da remuneração variável devida pela Companhia aos Participantes, nos termos de sua política de remuneração ("Bônus Diferido"). O Conselho de Administração da Companhia definirá a metodologia para o cálculo da parte da remuneração variável devida a cada Participante, cujo pagamento estará sujeito às condições deste Plano. O Conselho de Administração da Companhia poderá alterar a metodologia sempre que entender necessário. Com base nessa metodologia definida pelo Conselho de Administração, o Comitê Executivo calculará o valor inicial a ser atribuído a cada Participante nos termos deste Plano (o "Valor Base Inicial"). 3.2. O Valor Base Inicial será dividido por 3 (três) e alocado igualmente para os três exercícios sociais subsequentes ao Ano Base ("Valor Base Máximo por Ano"). Até o dia 10 de fevereiro de cada um dos três exercícios sociais subsequentes ao Ano Base, o Conselho de Administração da Companhia poderá alterar o Valor Base Máximo por Ano, com base nos critérios do Item 4.3 abaixo, fixando, assim, a "Valor Base Final por Ano". 3.3. Os valores do Bônus Diferido a serem pagos aos Participantes serão calculados da seguinte forma: (a) Primeiro exercício subsequente ao Ano Base: Valor Base Final por Ano para o primeiro exercício corrigido pela variação de 110% (cento e dez por cento) de CDI entre 1º de Fevereiro do Ano Base até 31 de janeiro do primeiro exercício subsequente ao Ano Base. (b) Segundo exercício subsequente ao Ano Base: Valor Base Final por Ano para o segundo exercício corrigido pela variação de 110% (cento e dez por cento) de CDI entre 1º de Fevereiro do Ano Base até 31 de janeiro do segundo exercício subsequente ao Ano Base. (c) Terceiro exercício subsequente ao Ano Base: Valor Base Final por ano para o terceiro exercício corrigido pela variação de 110% (cento e dez por Fl. 4593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 77 cento) de CDI entre 1º de Fevereiro do Ano Base até 31 de janeiro do terceiro exercício subsequente ao Ano Base. 3.4. Os pagamentos de cada parcela do Bônus Diferido dos Participantes (i) serão feitos até o dia 31 de março de cada um dos três exercícios sociais subsequentes ao Ano Base, (ii) obedecerão as especificações aprovadas pelo Conselho de Administração e Comitê Executivo da Companhia, e (iii) quando envolverem administradores da Companhia, serão feitos dentro do limite da remuneração global dos administradores aprovada em Assembleia Geral Ordinária da Companhia ou sob a forma de pagamento de participação nos lucros. (...) (grifos nossos) que, conforme explicitado no Relatório Fiscal, do qual são transcritos alguns trechos abaixo, os pagamentos baseados nos planos PILP não se tratavam, efetivamente, de PLR, mas, sim, de uma espécie de gratificação. Relatório Fiscal: (...) No caso concreto, os pagamentos dessas gratificações diferidas, como designados pelo próprio contribuinte, realizados ao longo do exercício de 2017 e baseados nos Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP), foram considerados pelo banco como fazendo parte de sua PLR. (...) Ora, ainda que o banco tenha tratado os pagamentos realizados com base nos Planos PILP como Participação nos Lucros ou Resultados, tal qualificação não merece ser aqui acatada pelos motivos anteriormente externados, bem como por aqueles que passaremos a expor. (...) Fácil constatar que em nenhum dispositivo de qualquer um dos Planos PILP há sequer uma simples menção: (a) de que se trata de Participação nos Lucros ou Resultados; (b) ao Acordo Coletivo do PPRS sobre PLR; (c) à existência de uma negociação prévia entre empresa e empregados para a definição das regras atinentes aos planos; ou (d) a qualquer tipo de participação do sindicato dos empregados na negociação e celebração de tais planos. Ao contrário, é nítido o caráter unilateral de tais documentos, os quais são elaborados exclusivamente pela empresa com o único intuito de remunerar Fl. 4594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 78 por meio de gratificação/bonificação uma parcela seleta de seus colaboradores... (...) Lembramos ainda que, como tratado precedentemente, dos Planos de Incentivo a Longo Prazo - PILP não constam quaisquer assinaturas, nem ao menos suas datas de celebração, não sendo possível comprovar sequer que foram celebrados de fato. (...) No que tange especificamente à estipulação de metas, observa-se que os Planos de Incentivo de Longo Prazo (PILP) não apontam em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que os participantes se tornem beneficiários da gratificação/bonificação. É o Comitê Executivo, unilateralmente e fora do corpo dos planos, que guarda todos os poderes necessários para o detalhamento e aplicação das normas genericamente estabelecidas nos planos em comento... (...) (grifos nossos) 20.17. É de se registrar, aqui, ademais, ante a argumentação da defendente, que as verbas concedidas a título de PLR aos empregados não se trata de pagamentos não habituais e eventuais, cabendo observar: que o conceito de habitualidade não implica exigência de que os pagamentos ocorram todos os meses, ou em certa quantidade de vezes durante o ano, não se impondo somente pela mera repetição num dado espaço de tempo; que um pagamento pode ser considerado habitual ainda que seja realizado uma única vez ao ano ou mesmo ao longo de todo o contrato de trabalho, desde que seja esperado como certo pelo contratado; que uma situação é aquela onde a empresa, por um ato de liberalidade, resolve conceder um pagamento extra aos seus empregados, sem que haja a menor esperança destes quanto à sua recepção, a mínima ideia de que este possa ocorrer, sendo o elemento surpresa inerente ao pagamento não eventual, e outra situação, bastante diversa, é aquela em que os empregados passam o ano inteiro aguardando para, em um mês no ano seguinte, receber uma quantia que já se sabe que virá, inexoravelmente; e que há que se reconhecer a habitualidade, quanto às referidas verbas, configurada pela certeza quanto à sua recepção, por parte dos empregados. Fl. 4595DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 79 20.18. Cabe mencionar, por fim, que os documentos juntados pela empresa, em sua impugnação, não são hábeis e suficientes a afastar as acusações relativas às verbas em questão que constam no Relatório Fiscal, e comprovar o cumprimento de todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000 para que não fossem consideradas parcelas integrantes do salário-de-contribuição. 20.19. Dessa forma, restando demonstrado que não foram atendidos, no caso, pelo contribuinte, todos os requisitos estabelecidos na legislação específica, que trata da matéria, para que os pagamentos, aos empregados, a título de PLR não integrassem o salário-de-contribuição, deve ser mantido, aqui, o lançamento em tela referente à verba em questão, efetuado pela fiscalização. Acrescenta-se, ao acima exposto, os diversos posicionamentos deste colegiado, sobre os temas acima discutidos, nos acórdãos transcritos abaixo: Quanto a data de formalização dos Acordos Segunda Turma do CSRF, em processo semelhante ao dos autos em epígrafe, em sessão realizada em 25 de outubro de 2023, acórdão 9202-011.036, assim se manifestou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 30/09/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. (...) PLR. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO DISCUTIDO E FIRMADO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no salário de contribuição. Regras claras e objetivas Acórdão: 9202-008.542 Data de Publicação: 10/03/2020 PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, de modo que possam ser conhecidos e avaliados no decorrer do processo de aferição. Valor fixo Fl. 4596DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 80 Acórdão: 9202-011.030 Data de Publicação: 11/01/2024 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. FIXAÇÃO DE VALOR MÍNIMO EM ACORDO COLETIVO. A fixação de valor mínimo a ser pago a título de PLR, estipulado em acordo coletivo que estabelece plano de metas, não atende ao objetivo da legislação de regência de promover incentivo à produtividade. Acórdão: 9202-010.257 Data de Publicação: 01/02/2022 PLR. PARCELA FIXA. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. MECANISMOS DE AFERIÇÃO. AUSÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. O acordo que prevê o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em valor fixo não atende às disposições legais, uma vez que viola a exigência de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição dos critérios e condições necessários à obtenção do direito ao recebimento da verba. Assiduidade Acórdão: 9202-007.415 Data de Publicação: 21/01/2019 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE METAS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGENTE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A simples utilização do critério da assiduidade para fins de cumprimento de metas ou resultados, por si só, não atende ao disposto em lei. Face ao exposto, também neste tópico, mantenho a decisão de piso. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO SOBRE O HIRING BONUS Alega a Recorrente, com amparo nos arts. 22, I, c/c art. 28, I e 9º, e 7º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, que as verbas pagas a segurados empregados e trabalhadores avulsos que se destinam a retribuir o trabalho, não possuem caráter habitual e afiguram-se eventuais não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, dado não integrarem o salário-de- contribuição. Defende que o hiring bonus ou bônus de contratação, é um pagamento realizado pelo Santander no ato da contratação de um beneficiário, objetivando atrair o profissional de perfil altamente especializado, sendo certo que não tem o condão de ressarcir o beneficiário por um serviço prestado, mas, sim, de proporcionar um incentivo à contratação de profissionais altamente disputados no mercado de trabalho e que é feito antes da contratação, cujo pagamento é efetuado após a contratação sem prejuízo da efetiva remuneração que irá receber após o início do desempenho das suas atividades. Portanto, não é verba de prestação de serviços. Afirma que como o pagamento é efetuado de uma única vez e no ato da contratação, não preenche os critérios de habitualidade e não eventualidade, restando evidente a Fl. 4597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 81 improcedência da autuação, por não se destinar à retribuição do trabalho, não possuir caráter habitual e se afigurar eventual, não integrando o salário-de-contribuição. Por outro lado, sustenta que tal bônus pode, ainda, ser interpretada como uma forma de indenização e, também, não devem integrar o salário de contribuição para fins de contribuição previdenciária. Caso não seja reconhecida a improcedência da autuação sobre o hiring bonus em função da ausência de natureza contraprestacional, do seu caráter não habitual e eventual, bem como pela sua natureza indenizatória, o que se admite para debater, afirma que deve, ao menos, ser determinado o cancelamento dos lançamentos sobre a bonificação reembolsada ao Santander. Explica que, nas propostas de contratação é previsto que o bônus deve ser devolvido em caso de pedido de demissão ou dispensa por justa causa antes de decorrido um prazo pré-estabelecido. Em que pese o esforço argumentativo, não vejo dessa forma. A prática do hiring bonus vem sendo adotada largamente em relação a altos cargos executivos e consiste no pagamento de uma quantia que a empresa oferece ao empregado antes da contratação. O objetivo deste expediente é garantir que o profissional almejado não aceite outra proposta de contratação, configurando, portanto, um fator de atração. Também há a adoção da prática do hiring bonus a profissionais recém-contratados, como forma de mantê-los integrados à corporação empresarial, evidenciando a intenção de manutenção do profissional. Em regra, é pago em única parcela quando da contratação ou do início da prestação de serviços. Pode haver obrigação expressa de devolução integral ou parcial na hipótese de o profissional não vir a prestar serviços ou deixar a empresa antes de determinado período, denominando-se, neste caso, bônus de retenção. Veja que, sem a contratação do profissional, não existiria o Hiring bonus. Assim, a referida parcela encontra-se vinculada aos serviços prestados pelo trabalhador, ainda que a prestação de serviços ocorra em momento posterior, representando antecipação de pagamento, característica que não afasta sua essência retributiva e remuneratória. O fato de uma verba, no caso o “bônus”, ter sido paga na contratação do empregado, antes, portanto, da prestação do serviço, que se concretizará ao longo da vigência do contrato de trabalho- não descaracteriza a sua natureza remuneratória, pois é evidente o seu caráter contraprestacional ao serviço que será prestado pelo empregado. Nada impede que o empregador antecipe a sua prestação (pagamento da remuneração do empregado) efetuando-a antes que o empregado efetue a sua (prestação do trabalho). Veja que o futuro empregado somente faz jus à incorporação definitiva dos valores do bônus em seu patrimônio na medida em que cumpra o contrato de trabalho previamente ajustado. Assim, o bônus somente passa a ser pago na medida do desenrolar do vínculo laboral dele decorrente. Tal conclusão acarreta, de forma indissociável de retributividade de tal parcela. Fl. 4598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 82 Tanto se está diante de uma remuneração pelo trabalho que, se deixar a empresa, o empregado devolve o dinheiro antecipado na proporção dos meses que faltarem para completar o prazo abrangido pela antecipação. Assim, considera-se o bônus como antecipação da prestação de serviços e tem natureza de remuneração, portanto é salário de contribuição das contribuições previdenciárias e de Terceiros. Na esfera trabalhista, a jurisprudência atual, do Tribunal Superior do Trabalho reconhece a natureza salarial do hiring bonus (bônus de contatação), como atesta a seguinte ementa: "RECURSO DE REVISTA NÃO REGIDO PELA LEI 13.015/14. PARCELA DE NOMINADA "HIRING BÓNUS". EQUIPARAÇÃO ÀS "LUVAS NATUREZA SALARIAL. A parcela paga sob a denominação hiring bônus ao Reclamante pelo Banco Reclamado equipara-se à denominadas “luvas”, prevista inicial mente no artigo 12 da Lei 6.354/76 (revogada pela Lei 12.395/11) e, atualmente, no artigo 31, § 1º. da Lei 9.615/98, típica dos contratos empregatícios com atletas profissionais. Conforme destacado pelo TRT, a parcela é paga como forma de incentivar a contratação do empregado com qualificação técnica diferenciada, ostentando nítido caráter salarial. Decisão regional em consonância com o entendimento atual, notório e interativo desta Corte Superior (Súmula 333/TST e artigo 896, § 7º, da CLT. Recurso de revista conhecido e não provido" (RR-1063-97.212.5.15.0066. 7a Turma, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 25/11/2016). No próprio documento apresentado pelo recorrente (fl. 652, id 8233abb p. 1), é possível verificar o caráter salarial da parcela, tanto é que a "quantia sofrerá tributação na fonte, com desconto de imposto de renda e INSS". Ainda, como referência de decisão no âmbito da Justiça do Trabalho sobre o Bônus de Retenção, pode-se citar o Acórdão da 16ª Turma do TRT, 2ª Região (SP), o qual, em julgamento de Recurso Ordinário da 80ª VT São Paulo, por unanimidade de votos, manteve o teor da sentença proferida nos autos do processo nº 1002219-82.2016.5.02.0080. Segue trecho da sentença mantida: a-) quanto a natureza jurídica, em razão do interesse que gera aos objetivos do empreendimento, o bônus de retenção é comparável às luvas. Nesse aspecto, o pagamento do bônus de retenção não tem a finalidade de ressarcir qualquer prejuízo ou despesas do empregado, não possuindo natureza indenizatória. Da mesma forma não pode ser tratado como prêmio, pois, depende tão somente do histórico profissional do empregado. Fl. 4599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 83 Portanto, não se pode alegar nem menos que se trata de uma indenização, pois, como bem observa o Procurador da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário: “Indaga-se, então, que espécie de indenização é essa em que a parte lesada tem que devolver a verba indenizatória? As verbas indenizatórias, em sua essência, são devidas por quem tenha de alguma maneira lesado o patrimônio ou um bem jurídico de outrem, sendo o seu escopo justamente o de recomposição desse patrimônio. O Recorrente alega, também, que a verba não possui caráter habitual e afigura-se eventual, posto que pago uma única vez. Como se vê da leitura do art. 22, I e do art. 28, I, da Lei no 8.212/91 e do art. 201, § 1º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao “salário in natura”, por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os “ganhos habituais sob a forma de utilidades”, sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontram-se: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura). Pode-se, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por outro lado, a circunstância de que determinado pagamento tenha ocorrido uma única vez, não é suficiente, por si só, para que seja qualificado como eventual. A palavra eventual, como definida nos dicionários da língua portuguesa, refere-se a um acontecimento incerto, não esperado, que é casual, fortuito, acidental. Assim, entendo que ganho eventual seja aquele que se recebe de forma inesperada, por caso fortuito, como no caso de uma indenização dada graciosamente pela empresa a um empregado que tenha perdido sua moradia, por conta de uma enchente. Nota-se aqui que nem a enchente, nem a indenização poderia ser antevista ou esperada. Ao contrário, no caso dos autos, era garantido ao empregado, quando da sua contratação, um valor esperado a título de bônus de contratação. Neste mesmo sentido, há jurisprudência administrativa consolidada no âmbito deste colegiado, inclusive em julgamento de processo do próprio Banco Santander: Acórdão: 2201-010.137 - 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – sessão de 01 de fevereiro de 2023 Fl. 4600DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 84 Recorrente: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BONUS). INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ADSTRITA À OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os bônus de contratação pagos a empregados têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para atrair o empregado, ainda que seja disponibilizada ao beneficiário em parcela única, há a necessidade da prestação de serviço para que o valor se incorpore ao seu patrimônio. Possuindo os bônus de contratação pagos a empregados caráter remuneratório, a incidência das contribuições previdenciárias dá-se na data do pagamento. Acórdão: 9202-008.525 Data de Publicação: 18/02/2020 HIRING BONUS. VERBA DECORRENTE DO CONTRATO DE TRABALHO. COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. Acórdão: 9202-008.275 Data de Publicação: 12/12/2019 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. BÔNUS DE RETENÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O pagamento de bônus de retenção ou gratificação de permanência vinculado e abatido posteriormente com o pagamento de sua remuneração representa um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação e se encontra dentro do conceito do salário de contribuição. Acórdão nº 2202-010.384 – Data de 04/10/2023 BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BONUS Os bônus de contratação (hiring bonus) têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado prestando serviços na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando no caso a ocorrência de pagamento eventual. A Segunda Turma do CSRF, em processo semelhante ao dos autos em epígrafe, em sessão realizada em 25 de outubro de 2023, acórdão 9202-011.036, assim se manifestou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 30/09/2015 Fl. 4601DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 85 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. (...) HIRING BONUS. GRATIFICAÇÃO ESPONTÂNEA. NATUREZA SALARIAL. COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A gratificação paga por ocasião da admissão pressupõe a contraprestação pelo trabalho, portanto a sua natureza é salarial, ausente a comprovação de que enquadrar-se-ia em uma das exceções legais. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. Assim sendo, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, seja em que momento, se antes, no início, durante ou no término do contrato de trabalho, esses pagamentos ocorram, razão pela qual a remuneração paga previamente ao contrato, com o intuito de estímulo a um trabalho que será posteriormente executado, deve fazer parte do conceito de remuneração para efeitos de incidência de contribuições previdenciária, nos termos do previsto no inciso I do art. 28, da Lei n° 8.212, de 1991: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A incidência de contribuição previdenciária só fica afastada nas hipóteses previstas no parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei nº 8212/91, nas quais essa verba não está arrolada. Neste contexto, não cabe ao intérprete excluir uma parcela simplesmente por entender ter sido paga de forma eventual. Conforme já demonstrado, não entendo a verba ora analisada como “ganhos eventuais”, pois compreendo existir uma vinculação clara ao salário e a permanência do executivo naquela sociedade por um determinado período. A alegação de que houve a devolução do valor pago nos casos em que o empregado pediu demissão ou foi demitido sem justa causa antes do prazo convencionado não interfere o Fl. 4602DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 86 lançamento, pois diz respeito a evento futuro em relação à ocorrência do fato gerador, que se consuma com a prestação de serviços remunerados. Pelo exposto, não merece reforma da decisão de piso, também neste tópico. DA AUTUAÇÃO DE GILRAT AJUSTADO O Recorrente insurge-se em face da cobrança do diferencial de alíquota relativas ao GILTAT do estabelecimento matriz, alegando ser indevida a reclassificação que decorreria, a seu ver, de análise subjetiva da Autoridade Fiscal, aduzindo no Recurso Voluntário, as mesmas alegações apresentadas na impugnação. Analisando a questão, verifica-se que no Relatório Fiscal, e-fls. 2629 a 2784, assim detalhou o reenquadramento do estabelecimento matriz do Recorrente: [...] Analisando a planilha apresentada (Doc_Comprobatorios02) em resposta ao item 03 do TIF de 06/05/2021 verificamos que os empregados lotados no estabelecimento do CNPJ 90.400.888/0001-42 (matriz) totalizam 14.956 registros, alocados em 55 diferentes grupos de Classificação Brasileira de Ocupações – CBO. Dessa classificação, 16 ocupações foram consideradas por esta fiscalização como inerentes à atividade bancária, e 39 foram consideradas como atividades não bancárias, administrativas. Apesar de as ocupações inerentes à atividade bancária representarem um menor número de grupos – 16, contra 39 de atividades não bancárias – elas são compostas pelo maior número de empregados do estabelecimento – 9.161 contra 5.795, o que representa 61,25% do total de empregados realizando a atividade bancária. Tais informações encontram-se detalhadas na planilha denominada Análise CBO do Estabelecimento Matriz – Banco Santander (Brasil) S/A, em anexo a este Termo de Verificação Fiscal. Verifica-se que o levantamento efetuado pela autoridade fiscal, encontra-se na planilha anexada aos autos como arquivo não-paginável, e-fls. 2618. A Recorrente afirma que, em sua análise, a Autoridade Fiscal equivocou-se ao classificar, como atividade bancária algumas CBO, citando como exemplo: CBO 1210 - diretores gerais; CBO 1421 - Gerentes administrativos, financeiros e de riscos; CBO 1233 - Diretores de comercialização e marketing; CBO 1423 - Gerentes de comercialização, marketing e comunicação e CBO 4223 - Operadores de telemarketing. A DRJ, ao analisar os argumentos da Recorrente, pronunciou-se: 24.4. A empresa, em sua defesa, sustenta que a autoridade fiscal teria se equivocado ao vincular determinados códigos CBO à atividade bancária, afirmando que não se poderia determinar como um cargo bancário aquele que poderia ser encontrado em empresas de outra natureza, citando os seguintes: CBO nº 1210 – “Diretores Gerais”; CBO nº 1421 – Fl. 4603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 87 “Gerentes administrativos, financeiros e de riscos”; CBO nº 1233 – “Diretores de comercialização e marketing" e CBO nº 1423 – “Gerentes de comercialização, marketing e comunicação”; e, nº 4223 – “Operadores de telemarketing”. 24.5. Cabe mencionar, então, que não é necessário que haja, no título da ocupação, a palavra “bancário” ou “bancária”, para que a atividade desenvolvida pelo profissional enquadrado em determinado código CBO seja considerada como bancária, devendo ser observada a função efetivamente desempenhada por ele, no caso concreto. 24.6. Com relação ao código CBO nº 1210 – “Diretores Gerais”, a empresa assevera que se trataria de cargo vinculado à atividade empresária em que está inserido o respectivo funcionário, de modo que ele não poderia ser determinado como um cargo bancário, porque poderia ser encontrado em empresas de outra natureza, e estar exercendo atividades administrativas. É de se observar, no entanto, que, conforme explicitado no Relatório Fiscal, os profissionais com referido código CBO se trataria de diretores do mais alto nível da empresa, os quais, dentre outros, “estabelecem as estratégias operacionais”, “supervisionam os negócios do banco”, “representam e preservam a imagem da empresa”, “concedem entrevistas e participam de negociações”, ou seja, dirigem efetivamente a sociedade, atuando, assim, na atividade-fim da empresa, devendo ser mantido o entendimento da fiscalização, ao considerar este CBO relacionado à atividade bancária. 24.7. Quanto ao código CBO nº 1421 – “Gerentes administrativos, financeiros e de riscos”, a empresa sustenta que os profissionais ocupantes destes cargos estariam voltados à análise e atuação administrativa interna, à gestão financeira interna e à análise de riscos da atividade empresária, sendo tais cargos administrativos, mas não trouxe aos autos documentos comprobatórios desta sua alegação, devendo haver, assim, a manutenção da classificação do CBO em tela como atividade bancária, conforme exposto no Relatório Fiscal. 24.8. No que diz respeito ao código CBO nº 1233 – “Diretores de comercialização e marketing" e ao código CBO nº 1423 – “Gerentes de comercialização, marketing e comunicação”, a impugnante registra que as atividades desenvolvidas por tais profissionais envolveriam o processo de criação, planejamento e desenvolvimento de produtos ou serviços, e que teriam natureza administrativa. Cabe observar, no entanto, que a empresa não juntou aos autos quaisquer elementos que comprovassem essa sua afirmação, no sentido de seu enquadramento como atividade administrativa, que deve ser analisada a atuação destes profissionais no caso concreto, e que, conforme o Relatório Fiscal, se tratariam aqueles com código CBO nº 1233 de diretores que atuam na “definição do planejamento estratégico da empresa”, que “definem e executam o plano de marketing e vendas”, sendo que aqueles com código CBO nº 1423 se tratariam de gerentes que elaboram “planos estratégicos das áreas de comercialização, marketing e comunicação”, atuando ambos, assim, com os produtos do banco, numa atividade evidentemente não meramente administrativa. Dessa forma, tem-se que deve ser mantida a classificação dos CBO’s em tela como atividade bancária, como feita pela fiscalização. 24.9. No que diz respeito ao código CBO nº 4223 – “Operadores de telemarketing”, a empresa menciona apenas que se trataria de atividades administrativas em que os Fl. 4604DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 88 funcionários atuam como agentes de contato com clientes e fornecedores. Tal alegação, contudo, não é hábil a afastar a sua classificação como atividade bancária, que foi realizada pela fiscalização, com base nas funções desempenhadas pelos profissionais em questão, no caso concreto. Cabe destacar que, segundo o Relatório Fiscal, os profissionais com referido CBO “oferecem produtos e serviços” do banco, “atendem usuários" do banco, “fazem serviços de cobrança e cadastramento de clientes” do banco, atuando, assim, na atividade- fim da empresa. Portanto, não há reparo a ser feito, aqui, no procedimento da fiscalização que considerou este CBO como relacionado à atividade bancária. 24.10. É de se enfatizar, no caso, que, apesar de contestar o entendimento da autoridade lançadora, que se encontra fundamentado no Relatório Fiscal, de que os trabalhadores com alguns CBO’s, no estabelecimento matriz, desenvolvessem atividades bancárias, a empresa não trouxe aos autos, em sua defesa, documentos hábeis e suficientes a comprovar sua alegação de que tais grupos de profissionais deveriam ser classificados na realização de atividade administrativa, não bastando, para tanto, a planilha elaborada por ela (doc_14) – arquivo não paginável anexado conforme termo de fl. 3.463 – contendo somente a relação de seus funcionários com a indicação da CBO de cada um deles, e a descrição sumária das CBO’s. 24.11. Ressalte-se que as alegações, apresentadas em impugnação, desacompanhadas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para elidir o lançamento de ofício. Pelas informações colacionadas, observa-se que as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores enquadrados nas Classificação Brasileira de Ocupação – CBO, em questão, não se enquadram no conceito de serviços de escritório e apoio administrativo. A tal conclusão não se chega em decorrência de uma análise subjetiva, mas da constatação de que os serviços combinados de escritório e apoio administrativo consistem em dar suporte à atividade principal da empresa, com esta não se confundindo. Inclui atividades como gestão de correspondência, atendimento telefônico, gestão de documentos e secretariado. Já as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores enquadrados nas CBO em análise são completamente distintas e não guardam qualquer relação com os serviços de escritório e apoio administrativo: diretores de comercialização e marketing (planejamento estratégico, gerenciamento da qualidade da venda, políticas de RH, etc.); gerentes de comercialização, marketing e comunicação (planos estratégicos, gerenciamento do cliente e de RH, ações de relações públicas e ouvidoria, políticas públicas, etc.); técnicos de seguros e afins (comercialização de seguros, inspeção de riscos, cálculos de prêmios, etc.) e especialistas em promoção de produtos e vendas (vendas e demonstração de produtos, esclarecimento de dúvidas, pós-venda, políticas de vendas e promoção, etc.). Quanto a alegação de que, para o ano de 2017, foram elaborados estudos, o PPRA- Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, acerca das condições de trabalho a que estão submetidos os funcionários do Santander, visando instituir programas que visam à saúde e integridade física e mental dos trabalhadores, concluiu que o grau de risco do estabelecimento do Fl. 4605DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 89 Santander seria enquadrado como leve, conforme se infere dos laudos técnicos emitidos, não prospera. O PPRA, bem como laudos/pareceres técnicos não se prestam a alterar a GILRAT, por falta de amparo legal, já que o grau de cada atividade está definido no anexo V, do Decreto nº 3.048, de 1999, cabendo apenas ao contribuinte se auto enquadrar na respectiva atividade preponderante, informando-a em GFIP. Nesse sentido, em julgamento do mesmo contribuinte (Banco Santander) e tendo o mesmo objeto (alíquota GILRAT do estabelecimento matriz), a primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção, no Acórdão 2201-010.137, em sessão de 01/02/2023, assim se pronunciou: ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota GILRAT é determinada pela atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa e respectivo grau de risco, sendo passível de revisão quando constatada incorreção. O permissivo legal e regulamentar para a empresa realizar o autoenquadramento está restrito à apuração de sua atividade preponderante, não havendo amparo legal para que o contribuinte deixe de observar os graus de risco definidos no Anexo V do Decreto nº 3.048 de 1999. (Acordão 2201-010.137, sessão realizada em 1º de fevereiro de 2023) Com o exposto, conclui-se não merecer reforma a decisão recorrida, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, com os quais concordo, de modo que não podem ser acolhidos os argumentos repetidos, pelo Recorrente, no recurso voluntário. DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO INCRA: DECISÃO FAVORÁVEL AO SANTANDER TRANSITADA EM JULGADO Subsidiariamente, o Recorrente destaca o trânsito em julgado de decisão judicial, obtida no bolo do Mandado de Segurança nº 2002.71.00.009804-9 (MS), que reconheceu a inexigibilidade da contribuição ao INCRA no percentual de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, determinando às autoridades coatoras que se abstenham de exigir a contribuição em tela a partir da data da impetração, em 10/04/2002. Alega que Santander distribuiu o MS junto à 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de Porto Alegre/RS (Doc. 04). Após a concessão da segurança e manutenção do entendimento pelo TRF4, o INCRA a apresentou Recurso Especial, ao qual foi dado provimento para reconhecer a higidez da contribuição ao INCRA (adicional de 0,2%). Em face dessa decisão, o Santander opôs três Embargos de Declaração, todos providos para emprestar efeitos infringentes aos respectivos acórdãos, resultado na reconsideração da decisão prolatada, negando seguimento ao Recurso Especial do INCRA. A decisão transitou em julgado, em 05/04/2013, mas foi objeto da Ação Rescisória nº 0002159.10.2013.404.0000, julgada improcedente, em última instância, sob o fundamento de que a decisão, quando proferida pelo STJ, estava em consonância com a jurisprudência da época. Essa última decisão, proferida em 05/10/2021, aguardava julgamento de Agravo do MPF, quando da lavratura da autuação que inaugurou esse Processo. Fl. 4606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 90 Afirma que, em 25/02/2023, após a lavratura da autuação e apresentação da Impugnação, a decisão favorável ao Santander transitou em julgado, formando coisa julgada pela inexigibilidade da contribuição ao INCRA (Doc. 05). Dessa forma, requer o cancelamento integral dos débitos de contribuição do INCRA, pela aplicação da coisa julgada formada no MS e da Ação Rescisória. Na decisão de piso, o julgador se manifesta no seguinte sentido em relação ao Mandado de Segurança impetrado pelo Santander: “25.8. Cabe observar, ainda, no caso, o disposto no artigo 87 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, reproduzido a seguir. Decreto nº 7.574/2011: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n.º 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. 25.9. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme se pode verificar em sua Súmula nº 01, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 25.10. É de se salientar que, por força do princípio da unidade jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõe-se a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de objetos idênticos, opera-se a renúncia à discussão administrativa. 25.11. Note-se que não cabe, assim, a apreciação, nesta instância administrativa de julgamento, da matéria “sub judice”, trazida na impugnação, relativa à discussão acerca da exigibilidade da contribuição destinada ao INCRA. 25.12. Por fim, apenas a título informativo, cumpre registrar, quanto ao RE nº 630.898, citado na defesa, que já teve o mérito julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em 08/04/2021, tendo sido fixada a seguinte tese: Tema 495 – repercussão geral - tese fixada: Fl. 4607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 91 É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC nº 33/2001. 25.13. Isto posto, tem-se que deve ser mantido, aqui, o lançamento efetuado pela fiscalização, por meio do Auto de Infração de contribuição para outras entidades e fundos, não havendo que se falar em seu cancelamento.” Razão assiste a Recorrente. Conforme informado no relatório deste voto, bem como documentos acostados, pelo Recorrente, às e-fls. 3877 a 4082, a decisão que deu provimento ao Mandado de Segurança nº 2002.71.00.009804-9 (MS), que reconheceu a inexigibilidade da contribuição ao INCRA no percentual de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, determinando às autoridades coatoras que se abstenham de exigir a contribuição em tela a partir da data da impetração, em 10/04/2002, transitou em julgado em 05/04/2013. Verifica-se que Ação Rescisória de nº 0002159.10.2013.404.0000, conforme decisão do STJ, RE nº 1885252 – RS (2020/0179309-4), em 05/10/2021, deu provimento ao Recurso Especial do Santander, a fim de julgar improcedente o pedido rescisório. O Agravo Interno da Fazenda, em 14/03/2022, foi improvido, os Embargos de Declaração, em 20/06/2022, foram rejeitados, bem como ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, foi negado seguimento em 18/08/2022. Na data de 25/02/2023, a decisão transitou em julgado, tendo sido dado baixa definitiva no processo, TRF4, em 24/07/2024. Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial transitada em julgado, cujo teor abarque matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendo-lhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado no Judiciário. Nesse contexto, desconsidera-se a concomitância reconhecida pela respeitável decisão da DRJ, tornando-se necessário analisar os reflexos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do presente processo administrativo. No caso em tela, a controvérsia já está definitivamente resolvida com o trânsito em julgado citado nas decisões retro citadas. Assim, em obediência ao decidido no Mandado de Segurança nº 2002.71.00.009804-9, que reconheceu a reconheceu a inexigibilidade da contribuição ao INCRA no percentual de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, determinando às autoridades coatoras que se abstenham de exigir a contribuição em tela a partir da data da impetração, em 10/04/2002, dou provimento ao Recurso Voluntário no que concerne ao cancelamento dos valores lançados à título de contribuição ao INCRA, lançados no presente processo. EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS Fl. 4608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 92 O Recorrente, reprisa os argumentos apresentados em sede de impugnação. Aduz que a base de cálculo adotada no lançamento de contribuição de terreiros, além de implicar cobrança maior, viola o ordenamento jurídico, o que impõe a sua revisão, independente do resultado quanto ao mérito da improcedência da exigência das Contribuições Previdenciárias. Alega que a autoridade fiscal não aplicou o limite legal à base cálculo para contribuições de terceiros de 20 (vinte) salários-mínimos, nos termos do art. 4º, § único, da Lei nº 6.950, de 1981. Razão não assiste à Recorrente. A decisão de piso enfrentou corretamente os argumentos apresentados e, por concordar com os fundamentos da decisão recorrida, utilizo-os como razão de decidir, com a reprodução dos seguintes trechos, tendo em vista a disposição contida no art. 114, § 12, I, da Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023 (RICARF): 26. Não merece prosperar, aqui, a tese da impugnante no sentido de que a autuação fiscal referente às contribuições destinadas a terceiros deveria ser objeto de revisão, por não ter observado o limite de 20 (vinte) salários-mínimos das bases de cálculo, previsto no parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 6.950/1981. 26.1. A empresa aduz, em síntese, em sua defesa, que o Decreto-Lei nº 2.318/1986, por meio do seu artigo 3º, teria revogado o limite de 20 (vinte) salários-mínimos da base de cálculo tão somente no tocante às contribuições previdenciárias (caput do artigo 4º da Lei nº 6.950/1981), permanecendo intacto o parágrafo único do artigo 4º relativo às contribuições destinadas a terceiros. Tal argumento, entretanto, não procede. 26.2. Cabe mencionar, inicialmente, que a Lei nº 6.950/1981 alterou a Lei nº 3.807/1960, fixando novo limite máximo do salário-de-contribuição previsto na Lei nº 6.332/1976, e deu outras providências. No artigo 4º, preceituava nos seguintes termos: Lei nº 6.950/1981: Art. 4º - O limite máximo do salário-de-contribuição, previsto no art. 5º da Lei nº 6.332, de 18 de maio de 1976, é fixado em valor correspondente a 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no País. Parágrafo único - O limite a que se refere o presente artigo aplica-se às contribuições parafiscais arrecadadas por conta de terceiros. 26.3. Como se vê, a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições arrecadadas para terceiros restava, com fundamento no referido dispositivo legal, limitada ao valor correspondente a 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. Fl. 4609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 93 26.4. Cumpre salientar, no entanto, que o artigo 4º da Lei nº 6.950/1981 foi revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/1986, que assim dispõe: Decreto-Lei nº 2.318/1986: Art. 3º Para efeito do cálculo da contribuição da empresa para a previdência social, o salário de contribuição não está sujeito ao limite de vinte vezes o salário-mínimo, imposto pelo art. 4º da Lei nº 6.950, de 4 de novembro de 1981. 26.5. Com efeito, a limitação de 20 (vinte) salários-mínimos, prevista no parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, foi revogada juntamente com o artigo 4º, pelo Decreto-Lei nº 2.318/1986, pois não é possível subsistir em vigor o parágrafo, estando revogado o artigo correspondente. 26.6. Note-se que os parágrafos constituem, na técnica legislativa, uma disposição acessória com a finalidade apenas de explicar ou excepcionar a disposição principal contida no caput. 26.7. Nesse sentido, cabe consignar, ainda, que, de acordo com o artigo 11 da Lei Complementar nº 95/1998, que dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e a consolidação das leis, os parágrafos servem para expressar “aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida”. Portanto, os parágrafos compõem o artigo. Sendo assim, como o artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/1986 é claro ao se referir ao “art. 4º da Lei nº 6.950” e não exclusivamente ao “caput”, tem-se que a norma ali enunciada (fim do limite) estende-se a todo o artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, inclusive parágrafo único. Assim, não merece reforma a decisão recorrida, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, de modo que não podem ser acolhidos os argumentos repetidos pelo contribuinte no recurso voluntário. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do art. 101, III, do RICARF, em virtude de o valor exonerado ter como fundamento Súmula do CARF. Conhecer o Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para, nos termos da decisão judicial do MS nº a decisão 2002.71.00.009804-9, transitado em julgado, que reconheceu a inexigibilidade da contribuição ao INCRA no percentual de 0,2%, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, cancelar os lançamentos da referida contribuição, constantes no presente processo. Assinado Digitalmente Fl. 4610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 94 Carmelina Calabrese DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Em que pesem as razões expendidas no voto proferido pela i. Relatora, peço vênia para divergir de seu entendimento, no que se refere ao pagamento de hiring bonus (bônus de contratação) e de PLR, bem como à exigência do diferencial de alíquotas relativo ao GILRAT do estabelecimento matriz. 1. HIRING BONUS – SEGURADOS EMPREGADOS No caso dos autos, entendo que o pagamento do bônus de contratação não foi efetuado em contraprestação aos serviços prestados pelos segurados empregados. Como se verifica, não há qualquer comprovação que o bônus se relacione com o desempenho dos empregados agraciados. Desse modo, reputo que a verba não é destinada a retribuir o trabalho. A compreensão adotada pela Autoridade Fiscal pautou-se, exclusivamente na tese de que o hiring bonus deve integrar o salário-de-contribuição em razão de sua natureza remuneratória, em interpretação ao art. 195 da CF/88, dos art. 22, § 2º, e art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91, do art. 214, § 9º, do Decreto n. 3.048/99. Contudo, esse entendimento, ratificado pela DRJ, não merece prosperar. Defender- se o caráter contraprestacional/remuneratório de pagamento mostra-se, inclusive, ilógico. O bônus de contratação, decorre de uma cláusula estipulada em contrato prévio e dissociado (com autonomia jurídica e formal) do contrato de trabalho, não se vincula, deste mesmo modo, a qualquer desempenho ou produtividade no exercício do cargo. O mercado de trabalho determinado pela alta performance e competitividade impõem que as empresas (inclusive fintechs e instituições financeiras) se utilizem de diversos mecanismos para atrair e reter talentos. Diversas práticas e formas de negociação foram criadas e adotadas para atrair candidatos qualificados a deixarem sua posição atual de trabalho para ingressarem em uma nova empresa e desempenhar funções específicas que lhes são peculiares e distintas no mercado. Um desses instrumentos é o denominado bônus de contratação/hiring bônus, o qual consiste, de maneira simplista, em comprometer-se a pagar determinado valor para que o profissional, no futuro, assine o contrato de trabalho. Isto é, trata-se de um acordo de vontades prévio à assinatura do contrato de trabalho. Trata-se de expediente muito utilizado no meio corporativo para atrair profissionais especializados e reconhecidos, por suas qualidades, no mercado de trabalho e sem dúvida, uma indenização ao segurado que rompe o seu contrato de trabalho anterior e não receberá as verbas Fl. 4611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 95 a que teria direito, previstas no artigo 477 da CLT e outras constantes de “Programas de Incentivo”, tampouco eventual participação nos lucros ou resultados. Ocorre que a base de incidência das contribuições alcança apenas as verbas de caráter retributivo, que estão ligadas ao labor, à produção do colaborador. Não se pode admitir a interpretação “além da lei”, que inclui parcela que não se amolda à hipótese de incidência legalmente prevista, alargando as bases de incidência do tributo. O conceito de remuneração encontra-se indissociavelmente ligado ao serviço prestado, ao aspecto produtivo da relação laboral. Mesmo que não diretamente, deve-se verificar, com clareza, que o pagamento tem aspecto contraprestacional e decorre do trabalho prestado pelo colaborador, o que não ocorreu no caso dos autos. De fato, a matéria em julgamento é complexa e com uma série de oscilações decisórias neste E. Conselho. Não obstante, vale ressaltar que este E. CARF já proferiu decisões reconhecendo que a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de bônus de contratação, quando não demonstrado o viés retributivo/remuneratórios. É ver: Acórdão n. 9202-010.629 BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Não integra o conceito de salário-de-contribuição os valores pagos à título de bônus de contratação (também denominado de "luvas" ou "hiring bonus") quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho. Acórdão n. 9202-010.361 BÔNUS DE CONTRATAÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de avença anterior ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse venha a ser implementado, nos casos específicos de busca por profissionais singulares. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, promessa de contratar, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias. Ademais, entendo que o caráter remuneratório não pode ser admitido, no caso dos segurados empregados, por tratar-se de ganhos não habituais do profissional. No que tange à habitualidade dos pagamentos, a Constituição Federal em seu art. 201, §11, determina que “os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei” (grifou-se). Interpretando tal dispositivo, sistematicamente, com o art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal, no RE 565.160/SC (Tema 20), afirmou que "a Fl. 4612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 96 contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998". Na oportunidade, prevaleceu o voto do Ministro Relator Marco Aurélio, segundo o qual: Então, cabe proceder à interpretação sistemática dos diversos preceitos da Constituição Federal. Se, de um lado, o artigo 195, inciso I, nela contido disciplinava, antes da Emenda nº 20/1998, o cálculo da contribuição devida pelos empregadores a partir da folha de salários, estes últimos vieram a ser revelados, quanto ao alcance, pelo citado § 4º – hoje § 11 – do artigo 201. Pelo disposto, remeteu-se à remuneração percebida pelo empregado, ou seja, às parcelas diversas satisfeitas pelo tomador dos serviços, exigindo- se, apenas, a habitualidade. (grifou-se) Assim, segue-se que os ganhos habituais do empregado integram o cálculo das contribuições previdenciárias, ao passo que os ganhos não habituais não o integram. E mais, o conceito de habitualidade trata-se de matéria infraconstitucional e a análise deve ser efetuada caso a caso. Nesse ponto, entendo, particularmente, que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Isso porque, o art. 28, §9º, alínea “e”, item 7, da Lei n. 8.212/91 prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias. Em consulta aos Dicionários Michaelis, Houaiss e Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva tem-se como habitual o que costuma ocorrer com frequência, costumeiro, sólito, que se consagrou, que se tornou usual em virtude da sucessividade, constância, e reiteração na prática ou no exercício de certos e determinados atos. Já eventual refere-se aquilo que depende de acontecimento incerto, casual, fortuito. A habitualidade, por sua vez, refere-se à reiteração do pagamento da verba, enquanto o ganho eventual é aquele incerto, sem previsibilidade, pactuação anterior ou expectativa. A previsibilidade, embora possa ser consequência da habitualidade no efetivo pagamento, não necessariamente decorre da reiteração e tem outro significado léxico e, inclusive, jurídico. Como dito, a análise deve ser realizada considerando as particularidades do caso concreto. A base de incidência das contribuições previdenciárias, portanto, inclui verbas salariais, em sua acepção mais pura – pagas quando a lei determina (casos de interrupção do contrato de trabalho), como contraprestação pelo serviço efetivamente prestado ou pelo tempo à disposição – , bem como as demais verbas pagas com habitualidade, passando a assumir natureza salarial. Ou seja, as verbas variáveis, se pagas com habitualidade, passam a integrar a remuneração, base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Fl. 4613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 97 Nesse sentido, compulsando os autos, é fato incontroverso (e-fl. 2672), que o valor é pactuado mediante a formalização de Propostas de contratação negociadas entre os empregados e o banco e concedido uma única vez, com pagamento em parcela única. Ou seja, além de não se tratar de verba de natureza contraprestacional, o hiring bonus também não possui caráter habitual. Diante desse conjunto probatório, conclui-se que não subsiste hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, impondo-se o cancelamento do lançamento relativamente ao bônus de contratação pago aos empregados. Caso o posicionamento ora exposto reste vencido, entendo que, ao menos, deve ser acatado o pedido subsidiário formulado pelo recorrente. As propostas de contratação previam expressamente a obrigatoriedade de devolução proporcional do hiring bonus nas hipóteses de pedido de demissão voluntária ou de dispensa por justa causa antes do decurso de prazo previamente estabelecido, circunstância que afasta a definitividade do acréscimo patrimonial e evidencia a natureza condicional da verba. Conforme exposto no recurso voluntário, verifica-se que, dentre os 54 beneficiários do hiring bonus pago pelo Santander, 4 empregados apresentaram pedido de demissão voluntária dentro do prazo estipulado em suas respectivas propostas de contratação, tendo procedido ao reembolso proporcional dos valores recebidos. A corroborar tal alegação, foram juntadas ainda em sede de Impugnação as fichas de registro dos empregados que solicitaram a demissão voluntária, bem como os demonstrativos de pagamento que evidenciam os descontos efetuados em folha, comprovando o efetivo reembolso dos valores ao Santander (Doc. 17 da Impugnação). A despeito do entendimento adotado pela DRJ, no sentido de que a devolução dos valores não afastaria o fato gerador das contribuições previdenciárias, sob o argumento de que o pagamento do hiring bonus teria ocorrido sob condição resolutória, nos termos do art. 117 do CTN, tal conclusão não se sustenta. Com efeito, a condição resolutória não implica, por si só, a consolidação automática do negócio jurídico, mas apenas a existência de expectativa de direito, cuja confirmação depende da implementação da condição pactuada. No caso, o recebimento do hiring bonus gerava mera expectativa de incorporação definitiva ao patrimônio do empregado, condicionada à manutenção do vínculo laboral pelo prazo mínimo estipulado. Não implementada a condição — como ocorreu nas hipóteses de desligamento antecipado — o direito restou frustrado, com a consequente devolução dos valores, não se podendo falar, portanto, em qual ingresso de valores no patrimônio do empregado ou em remuneração pelo trabalho prestado, mas de valor pago e, após, devolvido ao Santander. Ademais, diferentemente do que consignado na decisão de piso, o Recorrente apresentou documentação idônea e suficiente a comprovar os reembolsos efetuados. Além das folhas de pagamento que evidenciam os descontos correspondentes (Doc. 02), foram juntados os registros contábeis da empresa referentes aos exercícios de 2018 e 2019 (Doc. 03), acompanhados de arquivo em formato Excel com o detalhamento dos lançamentos a crédito dos valores Fl. 4614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 98 reembolsados, os quais demonstram de forma inequívoca o retorno das quantias ao patrimônio da empresa. Assim, ao menos deve ser determinado o cancelamento dos lançamentos sobre o hiring bonus reembolsado ao Santander, conforme tabela de e-fl. 3823, a fim de excluir da base de cálculo do lançamento o montante correspondente à R$ 216.435,21 . 2. PLR SEGURADOS EMPREGADOS A Constituição Federal estabelece, entre outros, o direito do trabalhador de receber participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei (art. 7º, inciso XI). É ver: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Na sequência, a possibilidade de exclusão desses valores do conceito de salário-de- contribuição, tem assento legal na alínea "j" do § 9º do artigo 28 da Lei n. 8.212/91, a qual determina que não integram o salário de contribuição os valores referentes a Participação nos Lucros ou Resultados da empresa (PLR), quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Confira-se § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Para a regulamentação da participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa foi editada a Medida Provisória 794/94, sucessivamente reeditada até a sua conversão na Lei n 10.101/2000. O tema comporta vasta discussão doutrinária acerca da natureza jurídica da norma que versa sobre o não oferecimento da parcela paga a título de PLR à tributação, se o dispositivo constitucional veicula uma imunidade, ou se trata se uma isenção legal. O ponto é que, quando o STF decidiu no Tema 344 da Repercussão Geral (RE 569441) que a norma constitucional precisava de lei reguladora para produzir efeitos, não afirmou expressamente tratar-se de uma norma de imunidade tributária. O entendimento atual da Corte Suprema é no sentido de que “a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no Fl. 4615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 99 que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação”. Ou seja, o art. 7º é norma constitucional de eficácia limitada. Portanto, nos casos de relação de emprego, o art. 28, §9º, alínea ‘j’, somente passou a produzir efeitos a partir da publicação da Medida Provisória n. 794/94, convertida posteriormente na Lei n. 10.101/00. A partir deste marco legislativo passou-se a admitir exclusão dos valores pagos a título de PLR do conceito de salário de contribuição dos empregados. Assim, imprescindível que sejam observados os requisitos dispostos na lei para que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados não configure base de cálculo das contribuições previdenciárias. 2.1. ESTRUTURA DE PAGAMENTO PLR SANTANDER No caso em análise, a Autoridade Fiscal entendeu que os pagamentos de PLR efetuados a segurados empregados no ano-calendário de 2017 não atenderiam aos requisitos da Lei n. 10.101/2000, a partir de uma leitura segregada dos instrumentos coletivos e dos programas internos que regulam a Participação nos Lucros e Resultados no âmbito do Santander., imputando ao contribuinte supostas falhas formais e materiais que, segundo consignado no Relatório Fiscal, poderiam descaracterizar a natureza jurídica da parcela. Nesse sentido, a fiscalização partiu da premissa de que haveria múltiplos programas autônomos de PLR, individualizou apontamentos em relação a cada instrumento considerado, além de registrar críticas de caráter geral aplicáveis, em sua ótica, a todo o arranjo adotado. Por essa razão, torna-se necessário esclarecer a estrutura normativa efetivamente adotada pelo contribuinte, delimitando o papel da CCT setorial e do ACT específico (Acordo PPRS) e a natureza acessória dos Programas Específicos como anexos do acordo coletivo, de modo a permitir a análise adequada da conformidade do arranjo, considerada a unidade do sistema de negociação coletiva invocado. Pois bem. A Participação nos Lucros e Resultados paga pelo Santander nos exercícios de 2016 e 2017 foi regulamentada por instrumentos coletivos distintos e complementares, celebrados em conformidade com a Lei n. 10.101/2000 e com o modelo normativo da negociação coletiva previsto na Consolidação das Leis do Trabalho. O Recorrente efetuou pagamentos de PLR com base nos seguintes Instrumentos: a) Acordo PPRS 2016/2017 (e-fls. 745/756); b) PPE, anexos ao Acordo PPRF 2016/2017 (e-fls. 757 e 1.037/1.816); c) PPG, anexo ao Acordo PPRS 2016/2017 (e-fls. 1.033/1.036); d) PILP referentes ao diferimento da PLR (e-fls. 823/1.032); e) CCT 2016/2017 (e-fls. 767/778). Fl. 4616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 100 De um lado, a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária (CCT), firmada entre a CONTRAF, a FENABAN e as Federações e Sindicatos representativos dos empregados, possui abrangência setorial nacional, aplicando-se a todo o sistema bancário, com a finalidade de estabelecer regras gerais e patamares mínimos de PLR comuns à categoria (bancária), assegurando tratamento isonômico entre as instituições financeiras e proteção coletiva aos trabalhadores. De outro lado, o Acordo Coletivo de Trabalho específico do Santander (Acordo PPRS), celebrado entre as Empresas Acordantes do Grupo Santander, a CONTRAF e as Federações e Sindicatos dos Empregados, teve por objeto a formulação do Programa de Participação nos Resultados do Banco para os exercícios de 2016 e 2017, complementando a CCT, ao disciplinar metas globais próprias, indicadores de desempenho e critérios adicionais de apuração, compatíveis com a estrutura organizacional, a estratégia empresarial e as diversas áreas de atuação da instituição. Tal estrutura decorre diretamente do caráter normativo atribuído às CCT e aos ACT pelo art. 611 da CLT, segundo o qual a Convenção Coletiva de Trabalho é firmada entre sindicatos representativos das categorias econômica e profissional, enquanto o Acordo Coletivo pode ser celebrado entre o sindicato profissional e uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, ambos com eficácia obrigatória no âmbito de suas representações. As Convenções Coletivas, por sua própria natureza e abrangência setorial, não se prestam à regulação das peculiaridades de cada empresa, razão pela qual o ordenamento jurídico admite e legitima a celebração de ACT para o detalhamento de condições específicas, sem afastamento das normas gerais convencionais. Os denominados Programas Próprios Específicos (PPE), Programa Próprio de Gestão (PPG) e Plano de Incentivo de Longo Prazo (PILP) não constituem instrumentos autônomos de PLR, mas anexos e partes integrantes do Acordo PPRS, conforme expressamente previsto em sua cláusula oitava e em seu Anexo I, limitando-se a detalhar metas quantitativas e qualitativas específicas por segmento de negócio, área de atuação ou nível hierárquico, sendo que, no caso do PILP, trata-se exclusivamente do diferimento temporal de valores apurados no âmbito do PPG. Ressalte-se, ainda, que o conteúdo mínimo obrigatório de CCT e ACT é definido pelo art. 613 da CLT, o qual exige, dentre outros elementos, a identificação das partes convenentes ou acordantes, o prazo de vigência e as categorias abrangidas, requisitos que se encontram atendidos no Acordo PPRS e na CCT da categoria bancária. Nesse contexto, não é juridicamente adequada a análise isolada dos Programas Específicos, como se instrumentos independentes fossem, tampouco a imputação ao Santander de supostas irregularidades formais em instrumentos coletivos cuja negociação setorial não lhe compete, mas cuja observância lhe é legalmente imposta. Assim, a estrutura de PLR adotada pelo Santander revela um sistema único, integrado e validamente negociado, no qual a CCT estabelece o marco normativo geral da Fl. 4617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 101 categoria bancária, o ACT disciplina os critérios específicos de desempenho empresarial, e os Programas Específicos apenas operacionalizam metas, razão pela qual não se verifica descumprimento dos requisitos da Lei n. 10.101/2000 quando os instrumentos são analisados de forma conjunta, como impõe o ordenamento jurídico. Em relação ao Acordo PPRS, a Autoridade Fiscal apontou, em síntese: (i) ausência de negociação prévia, sob o argumento de que o acordo estaria assinado em 26/02/2016, mas, no curso da fiscalização, teriam sido apresentados Edital de Convocação de AGE datado de 24/11/2016 e Ata de AGE datada de 28/11/2016, circunstância que, para o Fisco, suscitaria dúvida quanto à correta data de celebração do instrumento e quanto à prévia autorização assemblear para deliberação sobre sua celebração; (ii) registro no MTE fora do prazo do art. 614 da CLT, pois, embora reconhecido o registro do Acordo PPRS, teria ocorrido após o prazo de 8 dias contados da celebração; (iii) ausência de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e regras adjetivas, destacando-se, de um lado, a alegação de que o critério de elegibilidade se limitaria à admissão do empregado antes/início ou durante o ano-base e à condição de estar em efetivo exercício ao final do período, o que afastaria incentivo à produtividade; e, de outro, a previsão de valor fixo/mínimo a todos os empregados, independentemente de objetivos e metas; e, por fim, (iv) alegada natureza de prêmio/gratificação, na medida em que a suposta ausência de incentivo à produtividade indicaria, para a fiscalização, que os valores teriam sido pagos como prêmio ou gratificação. Em relação ao PPE (Programa Próprio Específico), o Relatório Fiscal consignou: (i) ausência de negociação prévia, ao afirmar não ser possível vincular os programas específicos ao Acordo PPRS e comprovar sua efetiva celebração, uma vez que os documentos não conteriam assinaturas, identificação das partes e datas; (ii) ausência de participação de representante sindical nas negociações e de registro/arquivamento na entidade sindical; (iii) ausência de registro e arquivamento no MTE; e (iv) ausência de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e regras adjetivas, sustentando, dentre outros pontos, que os termos se assemelhariam a prêmios, comissões ou remuneração variável, inclusive com uso de expressões como “premiação”, “prêmio” e “remuneração variável (RV)”; que não haveria “metas”, mas “indicadores” utilizados para definição a posteriori dos objetivos, de forma unilateral pelo Santander e em interação entre empregado e gestor; e que a finalidade aparente seria a gestão de operações, e não a integração capital-trabalho mediante incentivo à produtividade. Quanto ao PPG (Programa Próprio de Gestão), a fiscalização repetiu, em linhas gerais, as críticas de forma, ao sustentar: (i) ausência de negociação prévia e impossibilidade de vinculação ao Acordo PPRS por falta de assinatura, identificação das partes e datas; (ii) ausência de participação de representante sindical e de registro/arquivamento na entidade sindical; (iii) ausência de registro/arquivamento no MTE; e, no plano material, (iv) ausência de regras claras e objetivas, sob o argumento de que não haveria indicação das metas e dos mecanismos de aferição e critérios de avaliação, cuja definição ocorreria a posteriori pela Diretoria e entre o empregado e seu gestor; que os benefícios não seriam extensivos a todos os empregados; que haveria previsão Fl. 4618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 102 de pagamento independentemente do desempenho; que o próprio programa se autodesignaria “Programa de Remuneração Variável”; e que seus termos indicariam objetivo de promover gestão operacional, e não incentivar produtividade e integrar capital e trabalho. No que se refere ao PILP (Plano de Incentivo de Longo Prazo), o Relatório Fiscal igualmente consignou: (i) ausência de negociação prévia e impossibilidade de vinculação ao Acordo PPRS e de comprovação de celebração por ausência de assinatura, identificação das partes e datas; (ii) ausência de participação de representante sindical e de registro/arquivamento na entidade sindical; (iii) ausência de registro e arquivamento no MTE; e (iv) ausência de regras claras e objetivas, afirmando que o PILP constituiria forma de diferimento de remuneração variável de executivos, com natureza de gratificação/bonificação voltada à retenção e comprometimento de longo prazo; que não indicaria metas nem mecanismos de aferição e critérios de avaliação, definidos unilateralmente e a posteriori pelo Comitê Executivo; e que haveria garantia de recebimento de valor mínimo indicado no Acordo PPRS. Por fim, em relação à CCT de PLR da categoria bancária, a fiscalização apontou: (i) ausência de formalização prévia, sob o argumento de que a formalização ocorreria apenas no último trimestre do ano-base, impedindo o prévio conhecimento das regras pelos empregados; e (ii) ausência de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e regras adjetivas, reiterando que o critério de elegibilidade se limitaria à admissão antes/início do ano-base (ou durante o período) e/ou à condição de estar em efetivo exercício ao final do ano, bem como que o pagamento envolveria percentuais fixos sobre salário-base acrescidos de valor fixo mínimo igual para todos, o que, para o Fisco, corroboraria ausência de incentivo à produtividade. Além dessas críticas específicas, a Autoridade Fiscal registrou ainda supostos vícios gerais do modelo, notadamente: (i) concomitância de instrumentos para pagamento de PLR, por entender que o Santander utilizaria diversos instrumentos negociais e efetuaria pagamentos relativamente a todos eles; e (ii) alegada utilização da PLR em substituição a parcela salarial, sob a justificativa de que os valores seriam elevados em comparação à remuneração mensal e desiguais entre os empregados. Como se vê, é a partir desse conjunto de premissas — em especial a compreensão de que PPE, PPG e PILP deveriam ser tratados como instrumentos autônomos, sujeitos a verificação isolada de requisitos formais e materiais — que a fiscalização estruturou a conclusão de desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. Ocorre que, como se sabe, a jurisprudência deste Eg. Conselho é no sentido de que o detalhamento das metas, em documento apartado, não viola a Lei n. 10.101/00, não havendo óbice para que as regras do Plano de PLR estejam fixadas em documento “apartado” do instrumento principal (como é no caso, os Programas específicos são anexos ao PPRS). É ver, exemplificativamente: Ac n. 9202-007.012 Fl. 4619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 103 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Na hipótese dos autos a negociação das metas claras e objetivas por meio de documento apartado por sí só não inviabiliza a condução da isenção. Ac n. 2101-002.816 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2018 a 30/09/2018 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus trabalhadores, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF. A Lei nº 10.101, de 2000, ao dispor sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, preceitua que nos instrumentos de negociação devem constar regras claras e objetivas, inclusive mecanismos de aferição, relativos ao cumprimento do acordado. A incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores creditados a título de PLR é devida quando evidenciado que houve afronta aos requisitos legais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. COMISSÃO PARITÁRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE ATAS DE ELEIÇÃO. ACORDO ASSINADO PELOS REPRESENTANTES DA COMISSÃO E PELOS REPRESENTANTES DO SINDICATO. O Acordo devidamente assinado por todos os componentes da Comissão Paritária e pelos representantes do Sindicato fazem prova da regularidade das negociações e dos parâmetros acordados para o programa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS. PRÉVIO CONHECIMENTO DOS BENEFICIÁRIOS. As regras claras e objetivas referem-se à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do instrumento de negociação, como se dará a apuração dos resultados objetivados pelo programa. A complementação de metas e resultados individuais conforme avaliação de desempenho em documentos internos da empresa não comprometem o que foi acordado pelas partes, desde que exista a previsão da complementação no acordo. Fl. 4620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 104 Destaco, ainda, acórdão nesse sentido do próprio Banco Santander: Ac n. 2202-009.336 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, não apresentando proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo-se respeitar as demais disposições da legislação de regência. E mais: é inconteste a possibilidade de pagamento de PLR com base em instrumentos distintos, à luz da Lei n. 10.101/00, como se depreende do julgado acima colacionado. O art. 2º da Lei n. 10.101/00 estabelece as formas de negociação possíveis, sendo certo que não há qualquer determinação no sentido de que a adoção de uma forma de negociação seja excludente da outra. O procedimento adotado pelo Santander encontra-se absolutamente consonante com a legislação que rege a PLR. Tanto é assim que, o art. 3º, §3º, da Lei n. 10.101/00 prevê a possibilidade de compensação de valores pagos com base em planos próprios com outras formas de pagamento da participação no lucro. Ora, se a própria Lei n. 10.101/00 prevê a possibilidade de compensação do pagamento de participação nos lucros decorrentes de plano próprio e da convenção coletiva, é inconteste que a adoção de ambos os tipos de acordo é absolutamente legítima. A lei não veda, mas incentiva as empresas a adotarem programas próprios em adição às convenções coletivas, com o intuito de aumentar os benefícios aos trabalhadores, de modo a garantir que estes recebam um valor mínimo, a título de PLR, com base na CCT, com a possibilidade de majoração da participação mediante o cumprimento de metas. Nesse contexto, merece destaque a superveniência da Lei n. 14.020/20, que promoveu relevante alteração na Lei n. 10.101/00 ao incluir o § 5º em seu art. 2º, trazendo disciplina expressa acerca das formas de negociação e da possibilidade de coexistência de múltiplos programas de participação nos lucros ou resultados. Com a referida alteração legislativa, passou a constar expressamente no texto legal que as partes podem, de comum acordo: (i) adotar simultaneamente os procedimentos de negociação previstos nos incisos I e II do caput do art. 2º, vale dizer, por meio de comissão Fl. 4621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 105 paritária e, concomitantemente, por convenção ou acordo coletivo; e (ii) instituir múltiplos programas de PLR, desde que observada a periodicidade estabelecida no § 2º do art. 3º da própria Lei n. 10.101/00. A inclusão do § 5º não inovou no sentido de restringir ou condicionar a validade dos instrumentos de PLR, mas, ao contrário, conferiu maior segurança jurídica e positivou entendimento já consolidado, tanto na prática negocial quanto na jurisprudência administrativa, no sentido de que a legislação de regência não veda a existência de mais de um instrumento de PLR, nem o pagamento concomitante de valores com base em programas distintos. Assim, no caso, os pagamentos a título de PLR para os Empregados se pautam em dois (2) instrumentos, válidos e admitidos pela legislação e jurisprudência, quais sejam: a) as Convenções Coletivas de Trabalho – CCT; e b) os Acordos Coletivos de Trabalho – ACT. Os Programas Próprios Específicos e o Programa Próprio de Gestão não subsistem de forma autônoma, são integrantes – anexos –, dos Acordos Coletivos – ACT (como consta expressamente da Cláusula Oitava do referido Acordo). Conforme exposto à saciedade, os Programas Específicos são anexos ao Acordo PPRS e são partes integrantes deste (sequer são instrumentos apartados, o que a própria jurisprudência do CARF admite como válido), conforme consignado na cláusula oitava do referido acordo: O Anexo I do Acordo PPRS contém a descrição resumida e individualizada de cada um dos Programas Específicos, que são programas de metas das respectivas áreas de atuação do Santander: Fl. 4622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 106 Ainda, no parágrafo quarto da referida Cláusula, consta a entrega expressa aos signatários do Acordo, evidenciando a total insubsistência da acusação fiscal quanto à ausência de negociação e formalização dos Programas Específicos: Os Programas anexos são formalizados, negociados, submetidos à negociação com sindicato e seguem todo o fluxo previsto na Lei n . 10 .101 /00. As negociações coletivas junto à CONTRAF, Federações e todas as entidades sindicais dos empregados do setor bancário são públicas, transparentes e amplamente divulgadas, conforme demonstram as inúmeras matérias e notícias divulgadas na mídia a respeito das conferências nacionais dos bancários (e-fls. 781/796 e 805/817). A CONTRAF atestou a negociação do PPRS e anexos evidenciando a participação dos Sindicatos o arquivamento e que os empregados conheciam as regras negociadas: Fl. 4623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 107 A inclusão dos Programas Específicos na negociação e o prévio conhecimento dos empregados também é evidenciada pelas diversas comunicações internas a respeito da PLR, periodicamente enviadas pelo Santander aos seus empregados (e-fls. 818/821). A corroborar a legitimidade do Acordo PPRS e seus anexos é imprescindível notar, que o mesmo foi subscrito, também, por representantes das diversas entidades sindicais de empregados, nos termos do art. 2º, I, da Lei n. 10.101/00, de modo que é possível afirmar que os beneficiários da PLR em questão estavam adequadamente representados, constando as respectivas assinaturas ao final do documento e inclusive rubrica na página relativa ao Anexo I (Programas Específicos). Isso, além da qualificação das partes presentes na celebração do Acordo PPRS e seus anexos, demonstrando que a entidade sindical estava presente e devidamente representou os interesses dos empregados nas reuniões que antecederam a assinatura dos termos do Instrumento de PLR. Cumpre destacar, ainda, que os pagamentos relativos ao PILP são o diferimento (pagamentos em parcelas diferidas) dos valores devidos em razão do PPG, conforme previsão expressa contida no parágrafo segundo da Cláusula Oitava do Acordo PPRS acima colacionada. Fl. 4624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 108 Ou seja, o Acordo Coletivo de Trabalho PPRS, celebrado pelo Santander com as entidades sindicais representativas dos empregados, aplica-se a todos os trabalhadores quanto às disposições comuns (Meta Global). As regras específicas variam conforme a área de atuação, sendo observados os PPE, voltados aos diferentes segmentos de negócio, ou o PPG, destinado aos cargos de maior hierarquia. Os PILP regulam o pagamento diferido dos valores vinculados ao PPG. Portanto, os Programas Específicos correspondem aos programas de metas das áreas de negócios do Santander e integram o Acordo Coletivo de Trabalho PPRS. Desta feita, são insubsistentes as acusações relativas à ausência de assinatura, identificação das partes, datas de celebração, negociação prévia, participação do sindicato e registro dos Programas Específicos. Esses requisitos foram observados na celebração do Acordo PPRS, vez que os Programas Específicos, como visto, integram o Acordo. Se tivesse analisado conjuntamente o Acordo PPRS e os Programas, a Autoridade Fiscal perceberia que o Santander cumpriu com todos os requisitos da Lei n. 10.101/00. 2.2. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS A Lei da PLR (inciso II do parágrafo 1º do artigo 2º da Lei n. 10.101/00) condiciona, como condição de validade do pagamento a existência “regras claras e objetivas” nos instrumentos decorrentes da negociação: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. – grifou-se. Da análise do texto do art. 2º, §1º, da Lei. º. 10.101/00, constata-se que o legislador não instituiu a obrigatoriedade de adoção dos critérios elencados em seus incisos I e II como condição de validade da participação nos lucros ou resultados. Ao utilizar a expressão “podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições”, a norma conferiu às partes ampla liberdade negocial, limitando-se a indicar parâmetros orientativos destinados a assegurar Fl. 4625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 109 transparência, previsibilidade e vinculação da PLR ao desempenho econômico da empresa. Assim, a previsão de metas, indicadores de produtividade, qualidade, lucratividade, resultados ou prazos constitui mera diretriz legislativa, e não requisito legal indispensável, sob pena de indevida restrição à autonomia coletiva e de desvirtuamento da própria finalidade da PLR. Isto é, a legislação de regência não detalha qual natureza das metas aptas a caracterizarem o Plano de PLR como adequado, além de não exigir a pactuação de metas individuais. A lei não apenas confere a faculdade de se estabelecer essas metas. É nesse sentido a jurisprudência majoritária deste Eg. Conselho, conforme ementas transcritas a título de exemplo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ABONO DE FÉRIAS. (...) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Não cabe à autoridade lançadora ou julgadora criar juízo de valor sobre critério que foi eleito pelas partes mediante convenção coletiva de trabalho como apto a promover a adequada distribuição dos lucros aos empregados, desde que o Plano contenha regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas para que possam ser consideradas parcelas excluídas da remuneração. Os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e de programas de metas, resultados e prazos, elencados nos incisos I e II do § 1º do art. 2º da Lei n. 10.101, são critérios meramente exemplificativos. Ac n. 2401003.117. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. META ESPECÍFICA POR EMPRESA. PRESCINDIBILIDADE. A Lei nº 10.101/2000 é o comando normativo específico que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e não traz, entre os requisitos, óbice à meta aplicável ao segmento daquela empresa, inexistindo exigência legal de meta específica por empresa. Ac n. 2402-010.833 Entendo que, quando a lei determina que o programa tenha regras claras e objetivas, visa garantir que os trabalhadores conheçam previamente como se dará a sistemática de apuração dos lucros ou resultados que a empresa pretende alcançar. A lógica do art. 2º, §1º, da Lei n. 10.101/00 não é criar um requisito formal obrigatório, mas orientar a estruturação da PLR para que ela cumpra sua função econômica e social. Em outras palavras, o legislador quis estimular, e não impor, que a participação nos lucros ou resultados esteja vinculada a critérios objetivos — como metas, índices de produtividade, qualidade, lucratividade, resultados e prazos — previamente pactuados. Esses Fl. 4626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 110 parâmetros funcionam como instrumentos de transparência, previsibilidade e alinhamento de interesses entre empresa e empregados. Assim, o dispositivo busca garantir que a PLR não seja paga de forma arbitrária ou aleatória; não se confunda com salário disfarçado; esteja vinculada ao desempenho global da empresa ou de determinados setores e reflita uma política negocial construída coletivamente. Portanto, a lógica do dispositivo de metas da PLR é dar diretrizes e boas práticas para a negociação coletiva, preservando a autonomia das partes, e não condicionar a validade da PLR à adoção obrigatória de metas ou indicadores específicos. A lei fornece um modelo recomendável, mas deixa espaço para que empresa e empregados definam, conforme sua realidade, os critérios mais adequados. No caso dos autos, o Acordo PPRS possui uma meta global comum a todos os empregados, segundo a qual os valores devidos a título de PLR obedecerão a critérios baseados no índice ROAE (Return on Equity), que corresponde à relação percentual entre lucro líquido e patrimônio líquido, sendo amplamente reconhecido como indicador de rentabilidade e lucratividade empresarial. É ver cláusula quinta abaixo: Assim, foi estipulado pelas partes acordantes que os empregados fazem jus a um valor linear de PLR, a depender do percentual de ROAE atingido, ou seja, quanto maior o ROAE obtido maior o valor da PLR. À luz do art. 2º, §1º, da Lei n. 10.101/00, a adoção do ROAE como critério para aferição da meta global enquadra-se perfeitamente nas diretrizes legais, especialmente porque o dispositivo autoriza a utilização de índices de lucratividade da empresa, entre outros parâmetros, para a definição da participação nos lucros ou resultados. A escolha do ROAE, além de possuir natureza objetiva, mensurável e verificável, reflete diretamente o desempenho econômico global da empresa. Deste modo, o uso do ROAE como meta global materializa exatamente a finalidade normativa da Lei n. 10.101/00, pois conecta a PLR à lucratividade da empresa, reforçando a transparência e a legitimidade do programa. Fl. 4627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 111 Inclusive, este CARF já reconheceu que as regras do PPRS são claras e objetivas, conforme acórdãos n. 2402-006.048 e 2402-006.068. Ademais, os critérios de elegibilidade dos beneficiários não se confundem com os critérios de apuração e cálculo da PLR, sendo plenamente legítimo que a definição de quem faz jus ao benefício esteja condicionada ao vínculo empregatício, enquanto o valor devido esteja atrelado a indicadores objetivos de resultado e lucratividade. Deste modo, verifica-se a subjetividade da avaliação realizada pela fiscalização, o que transborda os comandos legais insculpidos na legislação de regência. Como se não bastasse, conforme já exposto à saciedade no tópico anterior, estão inseridos no âmbito das negociações do acordo coletivo os Programas Específicos (PPE, PPG e PILP), que são partes integrantes do Acordo, conforme Cláusula Oitava. Tais programas detalham metas e indicadores específicos aos respectivos seguimentos do Banco (bem como a determinados grupos de empregados. Sendo o PPG destinado à ocupantes de nível hierárquico superior). Nessa linha, no Parágrafo Terceiro da Cláusula Oitava do Acordo PPRS para que a PLR apurada nos Programas Específicos seja compensada com os valores devidos baseados no ROAE. Portanto, evidencia-se que o pagamento da PLR prevista no Acordo PPRS serve como Meta Global, assegurado aos empregados que devem cumprir as regras previstas nos Programas Específicos. Esse pagamento fixo mínimo (com base no ROAE) atende exigência do sindicato, mas PLR paga não se enquadra no fixo mínimo. O Direito a Direito à PLR depende do índice ROAE somada à performance individual (com regras e critérios especificados nos Programas Específicos). Cumpre ressaltar que a previsão de pagamento mínimo não desvirtua o plano de participação nos lucros ou resultados, tampouco rompe a necessária integração entre capital e trabalho. Os colaboradores não desempenham suas atividades — nem reduzem seus esforços — com o objetivo de apenas perceber o valor mínimo da PLR, mas, ao contrário, direcionam sua atuação à maximização dos resultados institucionais e individuais, buscando o alcance das metas estabelecidas, o incremento do desempenho, do resultado e da lucratividade da empresa, com vistas à obtenção do maior valor possível a título de PLR. Ademais, como visto, o “pagamento mínimo” não está necessariamente condicionado ao não atingimento de índices de lucratividade ou de metas de produtividade, uma vez que o programa se encontra vinculado ao índice ROAE. Trata-se, na realidade, de mecanismo que assegura ao trabalhador a percepção de um valor mínimo, funcionando como garantia decorrente de direito social legitimamente instituído por meio de negociação coletiva, sem qualquer prejuízo à finalidade, à natureza ou à legalidade do plano. Fl. 4628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 112 Não obstante, em uma leitura apartada dos instrumentos, a fiscalização também contestou os Programas Específicos PPE, PPG e PILP, no que tange às regras ali elencadas, sob os seguintes fundamentos: Assemelham-se mais a prêmios de incentivo, comissões, ou qualquer outro tipo de remuneração variável, mas não para um benefício de PLR utilizando, por vezes, os termos “premiação”, “prêmio” e “remuneração variável (RV)” em suas redações; Assemelham-se mais a programas com o objetivo de promover a gestão de operações da empresa e/ou reter a longo prazo os beneficiários, e não integrar o capital e trabalho por meio do incentivo à produtividade; Inexistência de metas a serem atingidas pelos beneficiários e/ou dos mecanismos de aferição e critérios de avaliação a serem utilizados, sendo que a sua definição acontece a posteriori pelo(a) Comitê Executivo, Diretoria, e/ou entre o funcionário e seu gestor; Asseguram o pagamento de um valor mínimo, que seria pago independente do desempenho do empregado, notadamente o PPG e PILP; Não seria extensível a todos os empregados do Santander, notadamente o PPG e PILP. Pois bem. Os PPEs, como visto, são baseados em metas específicas, direcionadas a cada segmento de negócio do Santander, visando o engajamento dos funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio. O recorrente juntou aos autos amplo arcabouço probatório, incluindo, o passo a passo da apuração da PLR apurada para determinados empregados, os quais foram selecionados por amostragem (Doc. 05 da Impugnação), e planilhas exemplificativas de apuração da PLR com base no PPE Rede Comercial de Agências, PABs e Setect referente ao 2º Semestre de 2016 e ao 1º Semestre de 2017 (Doc. 06 da Impugnação). As provas juntadas aos autos demonstram que, objetivando exatamente potencializar o incentivo à produtividade, são negociadas metas especificas voltadas aos diferentes grupos de empregados, de acordo com as áreas de negócios em que atuam. Basta verificar o objetivo descrito no PPE Agronegócios – Varejo (e-fls. 1.037/1.050) e no PPE Rede Comercial de Agências, PABs e Setect (e-fls. 1.559/1.602), respectivamente: Fl. 4629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 113 É ver como exemplo as considerações e explicações detalhadas trazidas pelo recorrente a respeito do PPE Rede Comercial de Agências, PABs e Setect acima mencionado, o qual é baseado em critérios e metas orientadas para o crescimento da base de clientes, das carteiras e do resultado do banco, constituindo regras bastante claras e objetivas e previamente acordadas entre as partes: Fl. 4630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 114 Os elegíveis podem acompanhar diariamente suas metas e resultados através da ferramenta “+Certo”, na Intranet do Banco Santander. Quando o período termina (neste caso, quando se encerra o trimestre), o funcionário pode também acompanhar o resultado final e os valores calculados por período através do Extrato de Remuneração, disponível no Portal de RH, na Intranet. É ver exemplificativamente a tela contendo a pontuação final dos indicadores de PPR do 3º trimestre de 2016 no portal “+Certo”: Fl. 4631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 115 A possibilidade de acompanhamento diário das metas e dos resultados pelos empregados, por meio da ferramenta +Certo, disponibilizada na Intranet do Banco Santander, reforça de forma inequívoca a objetividade, a transparência e a previsibilidade do plano de PLR. Os elegíveis possuem acesso contínuo às informações relativas à sua pontuação e ao desempenho nos blocos de indicadores, podendo verificar, em tempo real, o grau de atingimento das metas previamente estabelecidas. Ademais, ao término do período de apuração, os empregados têm acesso ao resultado final e aos valores calculados por meio do Extrato de Remuneração (“Meu Extrato SRV/PPE”), igualmente disponível no Portal de RH, o que evidencia a existência de critérios objetivos, mensuráveis e verificáveis, afastando qualquer alegação de apuração subjetiva ou definição unilateral a posteriori. Como se vê, não procede a afirmação fiscal de que o plano não conteria metas, mas apenas indicadores definidos a posteriori de forma unilateral. Os chamados “blocos de indicadores” previstos no PPE Rede Comercial de Agências, PABs e Setect consubstanciam, na realidade, conjuntos estruturados de metas previamente estabelecidas, objetivas, mensuráveis e vinculadas ao desempenho institucional e funcional dos empregados, orientadas ao crescimento da base de clientes, das carteiras, da vinculação e do resultado econômico do Banco. A exigência de atingimento de pontuação mínima (100 pontos, até o limite de 150) para elegibilidade à PLR evidencia, de forma inequívoca, a existência de metas claras e previamente pactuadas, e não de critérios definidos unilateralmente a posteriori. Ademais, a pactuação prévia desses programas em instrumento coletivo afasta qualquer alegação de unilateralidade, tratando-se de regras conhecidas antecipadamente pelos empregados e negociadas com a entidade sindical representativa. Tampouco há que se falar em similitude com prêmios, comissões ou outras formas de remuneração variável, pois a estrutura do PPE não remunera atos isolados, vendas específicas ou desempenho individual desconectado do resultado empresarial, mas sim o cumprimento de metas alinhadas à estratégia global do Banco, integrando esforço do trabalho e desempenho econômico, em estrita consonância com a finalidade da participação nos lucros ou resultados prevista na Lei n. 10.101/00. No que tange ao PPG, tal programa é direcionado aos ocupantes de nível hierárquico superior, baseado nos resultados do Banco e da respectiva área, bem como no desempenho individual do funcionário avaliado em função do cumprimento de metas e histórico individual (e-fls. 1.033/1.036). A fim de evidenciar o racional de apuração da PLR referente ao PPG, a existência de avaliações de desempenho juntou avaliações de Desempenho e Demonstrativos de Pagamento PPG (Doc. 07 da Impugnação); Memória de Cálculo do PPG (Doc. 08 da Impugnação); e Holerites 2017 (Doc. 09 da Impugnação). Como se verifica dos autos, trata-se de programa de PLR estruturado com base nos resultados globais do Banco, no desempenho da área de atuação e na performance individual do Fl. 4632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 116 empregado, mediante o cumprimento de metas previamente contratadas junto aos respectivos gestores, quantificáveis, ponderadas e com pesos definidos de forma que totalizam 100%. Os critérios de avaliação são claros, objetivos e previamente conhecidos, abrangendo metas quantitativas, metas qualitativas e competências individuais, todas mensuráveis segundo parâmetros definidos no regulamento do programa. A alegação fazendária de inexistência de metas a serem atingidas pelos beneficiários, bem como de mecanismos objetivos de aferição e critérios de avaliação definidos previamente, não se sustenta diante da própria estrutura normativa do PPG. O programa estabelece, de forma expressa e antecipada, critérios claros, objetivos e mensuráveis de avaliação de performance, assentados em três eixos previamente delimitados: metas quantitativas, metas qualitativas e competências individuais. As metas quantitativas consistem no alcance e na superação de orçamentos previamente fixados de receitas e despesas, bem como nos resultados obtidos na alocação dos produtos oferecidos pela instituição, parâmetros estes diretamente vinculados ao desempenho econômico e plenamente passíveis de mensuração objetiva. As metas qualitativas, por sua vez, baseiam-se em conceitos de qualidade apurados junto ao público interno e/ou externo, segundo metodologias previamente definidas, padronizadas e auditáveis, afastando qualquer juízo discricionário ou arbitrário. Já as competências individuais correspondem a metas de desenvolvimento pessoal do empregado, igualmente previamente estabelecidas, avaliadas segundo critérios graduados e conhecidos, que permitem mensuração objetiva por meio de escalas de desempenho. A sistemática de apuração do PPG reforça a inexistência de qualquer definição a posteriori ou unilateral, na medida em que o regulamento do programa fixa, de antemão, os parâmetros de avaliação, os pesos atribuídos a cada meta — cuja soma perfaz 100% —, bem como os intervalos de desempenho, que variam de 0% a 150% para as metas quantitativas e qualitativas e de 1 a 5 para as competências individuais, com a correspondente aplicação de multiplicadores previamente previstos. O resultado da avaliação é formalizado e apresentado ao empregado ao final do período por meio do Documento de Desempenho, instrumento que permite o acompanhamento contínuo da evolução das metas e a verificação transparente da pontuação final. Assim, longe de inexistirem metas ou critérios objetivos, do mesmo modo, o PPG revela estrutura normativa detalhada e previamente pactuada, que afasta qualquer alegação de discricionariedade, subjetividade ou definição posterior pelos órgãos diretivos ou pelo gestor, evidenciando tratar-se de legítimo programa de participação nos lucros ou resultados, em plena consonância com a Lei n.. 10.101/00 e com a finalidade de integração entre capital e trabalho. O PILP, por sua vez, não institui parcela autônoma ou distinta, mas consiste exclusivamente no mecanismo de pagamento diferido de valores já apurados e devidos no âmbito do PPG em exercícios anteriores, cujas regras, critérios e condições encontram-se previamente Fl. 4633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 117 definidos e delimitados no próprio programa. T Trata-se, portanto, de mera técnica de postergação temporal do pagamento da PLR, amplamente admitida pela Lei n. 10.101/00, especialmente em relação aos ocupantes de cargos de maior nível hierárquico, cujos pagamentos são realizados parcialmente em dinheiro e parcialmente em ações da companhia (Units negociadas sob o código SANB11), conforme deliberação do Conselho de Administração. O fracionamento do pagamento em três parcelas anuais, sujeitas à atualização monetária ou à variação do valor das ações, não descaracteriza a natureza da verba, porquanto o direito ao recebimento nasce no momento da apuração da PLR, permanecendo o PILP restrito à disciplina do modo, da forma e do tempo de pagamento. Ademais, o PILP integra expressamente os Acordos de PPRS firmados com o sindicato representativo da categoria, constituindo parte indissociável do PPG, o que reforça sua legitimidade, sua natureza coletiva e sua plena aderência à finalidade da participação nos lucros ou resultados, afastando qualquer alegação de criação de remuneração disfarçada ou de afronta à legislação aplicável. Importante observar que, mesmo que a legislação de regência não traga tal exigência, a PLR paga pelo Santander estende-se, sim, a todos os empregados, sendo que a CCT e o Acordo PPRS aplicam-se a todos os empregados do Santander em relação aos termos que lhes são comuns (Meta Global) e em relação aos termos específicos para cada área de atuação, aplicam-se os PPE, direcionados a cada segmento de negócio, ou o PPG e PILP, direcionado aos ocupantes de cargos de nível hierárquico superior. Por fim, quanto à CCT, a fiscalização pontuou, em resumo, que esta adota como condição ao pagamento a admissão do empregado antes do início/no decorrer do ano-base e estar em efetivo exercício ao término do ano e estabelece o pagamento de um valor fixo mínimo. Do mesmo modo, tal argumentação não merece prosperar. Inicialmente, cumpre reafirmar que as CCT e os Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) possuem natureza normativa, sendo a CCT firmada entre os sindicatos representativos dos trabalhadores e dos empregadores de determinada categoria econômica e base territorial, enquanto o ACT é celebrado entre o empregador e o sindicato dos trabalhadores. Ambos os instrumentos possuem força obrigatória e aplicação compulsória às partes abrangidas, nos termos dos arts. 611 e 619 da CLT, sendo vedada a sua inobservância ou a estipulação de condições contratuais individuais em sentido contrário, sob pena de nulidade. As CCT, por sua própria natureza, estabelecem regras gerais e uniformes, voltadas à garantia de direitos mínimos aos trabalhadores da categoria (no caso, bancária), não tendo o condão (nem a finalidade) de contemplar as especificidades operacionais, organizacionais e estratégicas de cada empresa individualmente considerada. Ademais, é fato incontroverso que os empregadores, em regra, não participam diretamente da negociação das CCT, embora estejam legalmente compelidos ao seu Fl. 4634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 118 cumprimento, sob pena de responsabilização, inclusive no âmbito trabalhista. Nessa perspectiva, mostra-se descabida a pretensão fiscal de imputar ao Banco Santander supostas inconsistências das CCT à luz da Lei n. 10.101/00, quando sequer integrou o polo negocial desses instrumentos, limitando-se a observá-los por imposição legal. De todo modo, também não procede a alegação de que as CCT desvinculariam a PLR de qualquer critério de resultado ou lucratividade. Ao contrário, as próprias convenções preveem expressamente a vinculação do pagamento da PLR à aferição do lucro líquido do exercício, ao estabelecerem, entre outros parâmetros, o pagamento de parcela básica correspondente a percentual do salário-base acrescido de verbas fixas, limitada a determinado teto individual, bem como a fixação de piso e teto atrelados a percentuais do lucro líquido da empresa. Ademais, a parcela adicional de PLR prevista nas CCT decorre da divisão linear de percentual do lucro líquido do exercício pelo número total de empregados, o que evidencia, de forma inequívoca, a conexão direta da verba com a lucratividade empresarial. Como já amplamente demonstrado, a Lei n. 10.101/00 não condiciona a legitimidade da participação nos lucros ou resultados à existência obrigatória de programas de metas, resultados e prazos previamente pactuados, admitindo expressamente a adoção de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nos termos do art. 2º, §1º, do referido diploma legal. Tampouco a legislação veda a previsão de pagamento de valores mínimos a título de PLR, especialmente quando estabelecidos em CCT, cuja generalidade e amplitude do público alcançado, notadamente no setor bancário, impõem a fixação de parâmetros uniformes e garantias mínimas aos trabalhadores. Importa destacar, ainda, que eventual previsão de valor mínimo na CCT, por si só, não é apta a afastar a integração entre capital e trabalho, sobretudo quando considerada em conjunto com os instrumentos coletivos específicos celebrados pela empresa. No caso dos autos, além da CCT, há o Acordo Coletivo de Trabalho PPRS e os programas específicos de PLR, exaustivamente analisados, os quais contemplam metas claras, critérios objetivos, mecanismos de apuração transparentes e efetivo incentivo à produtividade e ao desempenho, afastando qualquer dúvida quanto à observância da finalidade legal da PLR. Assim, a leitura isolada e fragmentada da CCT, desconsiderando-se a existência do ACT PPRS e dos programas específicos que regulam de forma detalhada a participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa recorrente, conduz a conclusões equivocadas. Considerados os instrumentos em seu conjunto, inexiste fundamento para a acusação de descumprimento do § 1º do art. 2º da Lei n. 10.101/00. A estrutura robusta, detalhada e dotada de certo grau de complexidade do plano de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Santander não revela qualquer ilegalidade ou desvirtuamento do instituto, mas, ao contrário, decorre diretamente das peculiaridades do ramo Fl. 4635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 119 de atuação bancário, marcado por elevada complexidade operacional, diversidade de produtos, segmentos e funções, bem como por rigorosas exigências regulatórias. Soma-se a isso a histórica força e atuação efetiva do sindicato da categoria bancária, cujas negociações coletivas são tradicionalmente densas, técnicas e minuciosas, exigindo instrumentos normativos abrangentes e bem estruturados. Nesse contexto, a existência de programas e planos específicos, segmentados por áreas de negócio e funções, evidencia precisamente o incentivo à produtividade e ao desempenho, ao promover a individualização e a adequação das metas às particularidades de cada segmento e atividade exercida, reforçando o alinhamento entre esforço laboral, resultados empresariais e a finalidade legal da PLR. 2.3. DATA DE FORMALIZAÇÃO DOS INSTRUMENTOS A Lei da PLR (inciso II do parágrafo 1º do artigo 2º da Lei n. 10.101/00) condiciona, como condição de validade do pagamento a existência de negociação prévia sobre a participação. Confira-se a redação exata do mencionado dispositivo: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...)§ 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. – grifou-se. Como se vê, a Lei n. 10.101/00 não traz um prazo para fixação dessas regras. Não consta, como pretende a fiscalização, seguida pela DRJ, que a pactuação prévia deva ocorrer antes do início do exercício. A Lei n. 10.101/00, em que pese falar em pactuação prévia, não estipula prazo para a assinatura dos acordos de PLR, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. No caso dos autos, é fato incontroverso que o Acordo PPRS e seus anexos foram celebrados em 26/02/2016, conforme se infere do próprio documento: Fl. 4636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 120 Os documentos posteriores, datados de 24/11/2016 e 28/11/2016, não consubstanciam a celebração de novo acordo de participação nos lucros ou resultados, limitando- se a registrar deliberação assemblear destinada exclusivamente ao reajuste do valor mínimo devido a título de PLR, bem como à ratificação expressa das demais cláusulas do Acordo PPRS anteriormente firmado. Conforme se depreende da redação dos referidos documentos, a Assembleia Geral realizada em 28/11/2016 teve caráter meramente confirmatório e revisional, não se prestando à instituição ou reformulação do programa de PLR. Dessa forma, permanece hígida e válida a data de 26/02/2016 como marco da celebração do Acordo PPRS, a qual ocorreu no início do ano-base a que se referem os pagamentos de PLR (que ocorreram em 2017). Ademais, conforme já enfrentado em tópico próprio, os chamados Programas Específicos constituem anexos integrantes do Acordo PPRS, resta, por consequência lógica, igualmente reconhecida a legitimidade da data de formalização dos Programas Específicos a ele vinculados, inexistindo qualquer vício quanto à sua celebração no período exigido pela legislação aplicável. No que tange à CCT, essa foi assinada em 13/10/2016 e teve vigência declarada para o período de 1º/09/2016 a 31/08/2018. A CCT anterior, CCT/2015 (e-fls. 1494 e seguintes) , foi assinada em 03/11/2015, teve vigência declarada para o período de 01/09/2015 a 31/08/2016. Observa-se, portanto, que ambas as convenções foram formalizadas no mês subsequente — ou, no caso da CCT/2015, dois meses após — ao início do respectivo período de vigência. Tal circunstância, contudo, não autoriza a conclusão de que haveria celebração retroativa ou ausência de pactuação prévia. Ao contrário, trata-se de prática usual e consolidada nas negociações coletivas, especialmente no setor bancário, em que as tratativas se estendem para além do marco inicial da vigência convencionada, sem que isso comprometa a validade, a eficácia ou a natureza normativa do instrumento coletivo. No caso concreto, as CCT foram celebradas no início do período de vigência, não se podendo falar em pactuação extemporânea ou posterior à execução dos fatos geradores (pagamentos em 2017). Nota-se, ademais, que a fiscalização desconsiderou a existência da CCT/2015, pretendendo conferir interpretação distorcida ao período de vigência expressamente previsto na cláusula 7ª da CCT de 2016/2018, ao sustentar que esta se aplicaria exclusivamente aos exercícios de 2016 e 2017, com base em leitura isolada de suas cláusulas 1ª e 3ª. Tal entendimento não se sustenta, porquanto a própria convenção delimita, de forma clara e objetiva, sua vigência Fl. 4637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 121 temporal, a qual deve prevalecer sobre interpretações fragmentadas ou restritivas de cláusulas específicas. Não obstante, a Convenção Coletiva de Trabalho aplicada ao período autuado reproduz, de forma substancial, as mesmas regras e disposições já previstas nas convenções firmadas em exercícios anteriores. Nesse sentido, a análise das CCT referentes aos anos de 2015, 2014 e 2013 (Doc. 11 da Impugnação) evidencia que os critérios e parâmetros nelas estabelecidos são praticamente idênticos àqueles constantes da convenção ora examinada. Em todas as referidas convenções, convencionou-se o pagamento de participação nos lucros ou resultados limitado a percentual do lucro líquido do exercício, bem como a fixação de parcela básica correspondente a percentual do salário-base acrescido das verbas fixas de natureza salarial, sujeita a teto individual e a limites globais atrelados ao lucro líquido, além da previsão de parcela adicional calculada a partir da divisão linear de percentual do lucro líquido pelo número total de empregados, em partes iguais, até determinado limite individual. Tal identidade normativa demonstra que a CCT sob análise se limitou a renovar disposições preexistentes, sem inovação substancial quanto aos critérios de apuração e pagamento da PLR. Dessa constatação decorre que não subsiste a acusação de ausência de conhecimento prévio, por parte dos empregados, das metas, regras e condições aplicáveis à participação nos lucros ou resultados, uma vez que tais parâmetros já integravam o arcabouço normativo da categoria em exercícios anteriores, sendo reiteradamente adotados nas negociações coletivas. Assim, comprovada a continuidade e a uniformidade dos critérios gerais de PLR ao longo dos exercícios anteriores ao período autuado, não se mostra juridicamente admissível a pretensão de exigir contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título, sob o argumento de que a data de assinatura dos instrumentos coletivos afastaria a natureza jurídica da parcela. Por fim, cumpre registrar que a formalização das convenções e acordos coletivos, em regra, ocorre ao final do ano-calendário ou no início do período de vigência, em razão da dinâmica própria das negociações coletivas no setor bancário, que frequentemente se prolongam até a consolidação do dissídio coletivo. Trata-se de prática negocial reiterada e amplamente conhecida, que, por si só, não compromete a validade ou a eficácia dos instrumentos firmados, tampouco a legitimidade dos pagamentos de PLR neles previstos. A CSRF já manifestou entendimento de que o requisito de pacto prévio, quando relativo às CCT, pode ser relativizado, em especial, quando seus termos forem meras reproduções das convenções de anos anteriores, conforme comprovado pelo Santander, in casu. A decisão pautou-se no fato de que as CCT não são firmadas propriamente pelas empresas, mas pelos sindicatos. É ver: Ac n. 9202-010.625 Fl. 4638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 122 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 PLR. PACTO PRÉVIO. POSSIBILIDADE DE RELATIVIZAÇÃO. É possível relativizar a exigência de pacto prévio ao período aquisitivo, quando, cumulativamente,(i) trata-se de Convenções Coletivas de Trabalho, as quais, por sua natureza, são firmadas entre sindicatos, e não propriamente pelo sujeito passivo; (ii) as Convenções Coletivas de Trabalho são meras reproduções, em relação à participação nos lucros ou resultados, das Convenções de anos anteriores; e(iii) todas as demais acusações fiscais foram superadas pelas instâncias anteriores do contencioso administrativo fiscal, restando, unicamente, a acusação relativa ao descumprimento do pacto prévio ao período aquisitivo, ou quando a única acusação fiscal originária for a de descumprimento do pacto prévio. Desse modo, considerando-se a sucessão ininterrupta das convenções coletivas aplicáveis à categoria, bem como a formalização dos instrumentos no início do período de vigência por eles declarado, resta afastada qualquer alegação de ausência de pactuação prévia ou de celebração retroativa. A corroborar com o exposto (apenas a título de reforço argumentativo), em 2020, a Lei n. 14.020/2020, que alterou a Lei n. 10.101/00, introduziu significativas mudanças nas regras de tributação dos planos de Participação nos Lucros e Resultados. As alterações foram veiculadas, antes, pela Medida Provisória n. 905/2019. Considerando que essa MP não foi convertida em lei, as mesmas disposições foram inseridas pelo Congresso Nacional no texto do Projeto de Lei de Conversão n. 15/20, relativo à MP n. 936/20. Entre as modificações, no que tange ao prazo para assinatura do acordo, determinou que se consideram previamente estabelecidas as regras fixadas em instrumento assinado anteriormente ao pagamento da antecipação da PLR; ou com antecedência de, no mínimo, 90 (noventa) dias da data do pagamento da parcela única ou da parcela final, caso haja pagamento de antecipação. É ver: Art. 2º §7º Consideram-se previamente estabelecidas as regras fixadas em instrumento assinado: I - anteriormente ao pagamento da antecipação, quando prevista; e II - com antecedência de, no mínimo, 90 (noventa) dias da data do pagamento da parcela única ou da parcela final, caso haja pagamento de antecipação. A oscilação da jurisprudência administrativa motivou a introdução, na Lei nº 14.020/20, de norma de interpretação do que se pode considerar por “regras previamente estabelecidas”. Fl. 4639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 123 A Lei n. 14.020/20, neste ponto, apenas introduziu interpretação passível de ser extraída da Lei n. 10.101/00 e já acolhida em diversos julgamentos do CARF. A lei não regulou situação pretérita, e sim escolheu, das interpretações possíveis da Lei n. 10.101/2000, aquelas que devem prevalecer, conferindo maior segurança jurídica ao sistema, em consonância com art. 106, I, do CTN. Nesse sentido, entendo que, o fato de as partes vetadas da Lei n. 14.020/20, terem sido promulgadas pelo Congresso sem a referida regra (contida no art. 40, inciso II do PLV 15/20) de expressa retroatividade não impede a produção de efeitos retrospectivos para as normas relativas à PLR. Como exposto, isso não é necessário, trata-se inequivocamente de norma interpretativa, aplicando-se o disposto no mencionado artigo da legislação complementar. Como bem exposto por Paulo Honório de Castro Júnior: O seu caráter “expressamente” interpretativo decorre de dois fatores. Em primeiro lugar, do próprio conteúdo das normas, que evidenciam meras interpretações já fartamente verificadas na jurisprudência administrativa. Em segundo lugar, sendo evidentes essas interpretações, seria absolutamente desnecessário que a norma reforçasse o óbvio, dizendo se tratar de mera interpretação. Por isso, a norma vetada, e não promulgada, sobre o art. 106 do CTN, não representa nenhum impedimento para a produção de efeitos retroativos. É que essa norma, vetada e não promulgada, que dispunha expressamente sobre a aplicação do art. 106, do CTN, possuía natureza simplesmente expletiva. Em sentido léxico, expletiva é a palavra ou expressão desnecessária ao sentido da frase, mas que lhe dá mais força. Assim, a norma expletiva é aquela que não precisava constar no texto, porque é decorrente do sistema jurídico. Consubstancia, portanto, o objetivo do legislador de ressaltar determinado aspecto já existente no sistema jurídico. Como exemplo, o Min. Gilmar Mendes referiu-se ao o art. 5º da EC 41/2003 como norma expletiva, porque apenas enfatiza um limite já imposto pelo art. 37, XI, da CF (vide ADI 3133/DF, DJ 21.9.2011). Sendo expletiva, a norma era desnecessária. Por isso, o fato de não ter sido promulgada pelo Congresso, juntamente com as demais partes vetadas da Lei nº 14.020/2020, não retira seu caráter expressamente interpretativo, nos termos do art. 106, I, do CTN. De todo modo, mesmo que se adote compreensão diversa acerca da (não) retroatividade da referida norma, a alteração legislativa reforça a conclusão de que, há época dos fatos geradores, não havia regra positivada que determinasse sequer se a formalização do acordo deveria anteceder o período de apuração do lucro; e, caso fosse possível a formalização do acordo Fl. 4640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 124 no curso do período de aferição, se esta formalização poderia ocorrer em qualquer momento deste período. Pelo exposto, não há respaldo para a conclusão fiscal no sentido de irregularidade quanto ao marco temporal das CCT e do Acordo PPRS aplicáveis ao caso. 2.4. ARQUIVAMENTO DO PPRS NO MTE A fiscalização alega, ainda, a invalidade do Acordo PPRS em razão de seu arquivamento junto ao então Ministério do Trabalho e Emprego fora do prazo de 8 (oito) dias previsto no art. 614 da CLT, entendimento ratificado pela DRJ. Inicialmente, cumpre destacar que as previsões constantes dos arts. 614 e 615 da CLT, relativas ao depósito de convenções e acordos coletivos junto ao MTE, possuem natureza estritamente regulatória e administrativa, inseridas no âmbito do Direito do Trabalho, não se confundindo com requisitos de natureza tributária para o reconhecimento de institutos jurídicos com repercussão fiscal. Ressalte-se, ademais, que tais dispositivos da CLT são anteriores à edição da Lei n. 10.101/00, a qual passou a disciplinar especificamente a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. A legislação que rege a PLR não estabelece qualquer exigência de depósito ou registro do instrumento coletivo junto ao MTE, tampouco condiciona sua validade ou eficácia à observância do prazo previsto no art. 614 da CLT. Dessa forma, não há respaldo legal para se extrair da Lei n..10.101/00 a conclusão de que o arquivamento tempestivo do acordo coletivo no MTE constitua condição essencial à validade do instrumento de PLR ou à produção de seus efeitos, inclusive para fins tributários. Nesse sentido, o depósito previsto na CLT configura-se como ato administrativo vinculado, destinado ao controle e registro dos instrumentos coletivos pelo órgão trabalhista competente, não possuindo natureza constitutiva. O eventual descumprimento do prazo legal, por si só, não tem o condão de invalidar o acordo coletivo regularmente negociado e firmado entre as partes. Com efeito, as convenções e os acordos coletivos de trabalho são fruto da autonomia negocial coletiva e passam a vigorar e gerar efeitos a partir de sua assinatura, nos termos do art. 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal, que assegura o reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho como direito dos trabalhadores. Assim, ainda que o arquivamento do Acordo PPRS junto ao MTE tenha ocorrido fora do prazo previsto na CLT, tal circunstância não implica a nulidade do instrumento, tampouco autoriza a sua desconsideração para fins fiscais, inexistindo previsão legal que sustente a tese fazendária. Por fim, no que se refere aos Programas Específicos, resta consignado que estes constituem meros anexos ao Acordo PPRS, direcionados a segmentos específicos de atuação da Fl. 4641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 125 empresa. Uma vez comprovado o arquivamento do acordo principal junto ao MTE, tem-se, por consequência lógica, igualmente atendida a exigência formal quanto aos referidos anexos. Diante do exposto, conclui-se pela improcedência da acusação fiscal fundada na suposta intempestividade do arquivamento do acordo coletivo, por se tratar de exigência de natureza regulatória, sem reflexos na validade do instrumento ou na sua eficácia para fins tributários. 2.5. CONSIDERAÇÕES ACERCA DO VALOR DA PLR A Fiscalização sustenta que os pagamentos de participação nos lucros ou resultados efetuados pelo Santander teriam sido utilizados como substituição da remuneração habitual, em razão dos valores elevados percebidos por determinados empregados e da discrepância existente entre os montantes pagos a diferentes beneficiários. Tal entendimento, contudo, não encontra amparo na legislação de regência. A Lei n. 10.101/00 não estabelece limites máximos para os valores de PLR, tampouco exige homogeneidade entre os pagamentos realizados ou vinculação a determinado percentual da remuneração fixa dos empregados. Assim, não cabe ao intérprete criar restrições ou condicionantes não previstas em lei, especialmente para descaracterizar verba cuja natureza jurídica está expressamente definida pelo ordenamento. Esse entendimento encontra-se em linha com a jurisprudência deste Eg. Conselho, que já se manifestou sobre a possibilidade de pagamentos em valores maiores que o salário do respectivo empregado, sem que o pagamento de PLR caracterize substituição à remuneração (exemplificativamente, Acórdãos n. 2301-003.572, 2402-006.431 e 2201-005.206), bem como quanto à possibilidade de efetuar pagamentos discrepantes entre empregados (exemplificativamente, Acórdãos n. 2301-004.315, 2301-004.320 e 2201-008.979). A pretensão fiscal parte de análise isolada do valor pago, desconsiderando o conjunto de elementos jurídicos e fáticos que caracterizam a regularidade do programa de PLR. No caso concreto, restou demonstrado que os pagamentos decorreram da aplicação objetiva das regras previstas nos instrumentos de PLR, previamente negociados, com participação sindical, critérios claros de apuração, acompanhamento do atingimento das metas e regular arquivamento dos acordos celebrados. A opção da empresa por não fixar valores predeterminados de PLR, vinculando o pagamento ao alcance de resultados e à avaliação de desempenho individual, revela-se plenamente compatível com a finalidade da Lei n. 10.101/00, que busca incentivar a produtividade, a eficiência e o alinhamento de interesses entre empregados e empregador. A discrepância entre os valores pagos, portanto, reflete exclusivamente o cumprimento dos critérios pactuados, e não a substituição de parcelas de natureza salarial. Cumpre destacar, ainda, que seria ilógico exigir uniformidade ou proporcionalidade entre salário e PLR, uma vez que a própria essência da participação nos lucros ou resultados reside Fl. 4642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 126 na variabilidade do pagamento, condicionada ao desempenho individual e coletivo, bem como ao alcance das metas previamente estabelecidas. Dessa forma, o valor da PLR, isoladamente considerado, não constitui elemento apto a descaracterizar a natureza da verba, sendo indispensável a análise do programa como um todo. No presente caso, o conjunto probatório evidencia a observância dos requisitos legais e negociais exigidos, afastando a alegação de que os pagamentos teriam sido utilizados em substituição à remuneração habitual. À vista do exposto, não prospera a acusação fiscal, impondo-se o reconhecimento da improcedência da autuação também sob esse fundamento. 3. PLR ADMINISTRADORES No que se refere à participação nos lucros ou resultados paga aos administradores enquadrados, em tese, como contribuintes individuais, registro, de início, ressalva pessoal quanto ao entendimento consolidado na Súmula CARF n. 195. Todavia, nos termos do art. 123, § 4º, do Regimento Interno do CARF, é inequívoca a obrigatoriedade de observância das súmulas de jurisprudência por este Colegiado. Não obstante, a aplicação de enunciado sumular pressupõe a aderência estrita entre a hipótese nele descrita e o caso concreto, o que não se verifica integralmente na situação ora analisada. Com efeito, a Súmula CARF n. 195 limita-se expressamente à hipótese de “diretores não empregados”, isto é, àqueles que exercem funções de administração sem a existência de vínculo empregatício com a pessoa jurídica. Trata-se de enunciado cujo campo de incidência não comporta interpretação ampliativa, devendo ser aplicado apenas às situações que efetivamente se enquadrem na hipótese por ele descrita. No caso concreto, entretanto, conforme amplamente demonstrado no Recurso Voluntário e corroborado pelos documentos constantes dos autos, parte dos administradores autuados mantinha vínculo empregatício com o Santander, tendo apenas ocorrido a suspensão do contrato de trabalho por ocasião da assunção ao cargo de administrador. É ver tabela colacionada ao Recurso (e-fl. 3802): Fl. 4643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 127 A suspensão do contrato de trabalho, como sabido, não extingue o vínculo empregatício, mas apenas interrompe, temporariamente, a produção de seus efeitos principais, notadamente a prestação de serviços e o pagamento de salário. O liame jurídico entre empregado e empregador permanece íntegro, subsistindo direitos, deveres e expectativas jurídicas decorrentes da relação de emprego, inclusive quanto à sua retomada ao término da causa suspensiva. A própria legislação trabalhista distingue de forma clara a suspensão do contrato da sua extinção, sendo certo que, na hipótese de suspensão, o empregado conserva sua condição jurídica, ainda que afastado do exercício de determinadas funções. Assim, não se pode equiparar o administrador que teve seu contrato de trabalho suspenso ao diretor não empregado, figura esta expressamente contemplada na Súmula n. 195. A evidenciar tal realidade, constam dos autos fichas cadastrais de diversos administradores objeto da autuação (Doc. 12 da Impugnação), as quais demonstram que tais pessoas físicas ingressaram nos quadros do Santander como empregados, mantiveram histórico funcional contínuo e apenas tiveram seus contratos suspensos durante o período em que exerceram funções estatutárias, retomando, inclusive, o vínculo ativo em momentos posteriores. Nesse contexto, a qualificação desses administradores como “não empregados” constitui simplificação incompatível com a realidade fático-jurídica comprovada nos autos, conduzindo à aplicação indevida de enunciado sumular a hipótese diversa daquela por ele abrangida. Ressalte-se que a participação nos lucros ou resultados paga a tais administradores decorre da mesma lógica que rege o pagamento aos demais empregados: negociação coletiva válida, regras objetivas previamente estabelecidas, vinculação ao desempenho e aos resultados da empresa e ausência de natureza remuneratória. A mera circunstância de exercício temporário de cargo estatutário, com suspensão do contrato de trabalho, não tem o condão de desnaturar o vínculo subjacente nem de afastar, por si só, o regime jurídico da PLR previsto na Lei n. 10.101/00. Dessa forma, ainda que se reconheça a força vinculante da Súmula CARF n. 195, impõe-se concluir que seu campo de incidência não alcança os administradores que mantêm Fl. 4644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 128 vínculo empregatício com a empresa (cujo contrato de trabalho foi comprovadamente suspenso), ainda que com contrato suspenso, razão pela qual deve ser dado parcial provimento ao recurso, no que tange à tais administradores (Doc. 12 da Impugnação). 4. DIFERENÇA GILRAT A controvérsia relativa à apuração da alíquota do GILRAT decorre da definição da atividade preponderante no estabelecimento matriz do Santander. Em consonância com a legislação de regência, a Recorrente apurou a atividade preponderante com base no número de empregados por atividade e declarou, em 2017, o CNAE 82113-0 — Serviços Combinados de Escritório e Apoio Administrativo, ao qual corresponde a alíquota de 2%, conforme previsto no Anexo V do Regulamento da Previdência Social. Conforme informado no curso da fiscalização, a referida classificação decorreu do fato de que a maior parte dos empregados do estabelecimento exercia funções de natureza administrativa, conforme demonstrado no quadro-resumo de classificação de atividades e na relação nominal dos empregados, com indicação da respectiva Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e descrição das atividades desempenhadas. A Autoridade Fiscal, contudo, ao analisar a documentação apresentada, concluiu que, embora houvesse maior diversidade de grupos ocupacionais administrativos, o número de empregados alocados em ocupações por ela consideradas inerentes à atividade bancária superaria aquele vinculado às atividades administrativas, razão pela qual entendeu aplicável alíquota superior de GILRAT. Para tanto, a Fiscalização classificou como inerentes à atividade bancária diversas CBOs, incluindo cargos de direção, gerência, profissionais da área econômico-financeira, técnicos de vendas, operadores de telemarketing, escriturários e supervisores de prestação de serviços, conforme relação constante do auto de infração. Ao analisar a matéria, registre-se que, inicialmente, foi formulado pedido de vista dos autos para avaliar a eventual necessidade de realização de diligência, diante da complexidade do levantamento efetuado pela Autoridade Fiscal, o qual se encontra consolidado em planilha anexada aos autos como arquivo não paginável (e-fls. 2618). Todavia, após exame detido do conjunto probatório, conclui-se que a controvérsia prescinde de dilação probatória, uma vez que os dados quantitativos levantados pela própria Fiscalização não são objeto de impugnação. O dissenso reside, exclusivamente, na qualificação jurídica das atividades desempenhadas pelos empregados, isto é, na interpretação da natureza das CBOs elencadas — se inerentes à atividade bancária propriamente dita ou se de caráter administrativo e de apoio. Trata-se, portanto, de discussão eminentemente de direito, decorrente da interpretação da legislação previdenciária aplicada à classificação das atividades econômicas, bem Fl. 4645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 129 como da correta leitura da Classificação Brasileira de Ocupações, não havendo controvérsia quanto aos números, cargos ou funções efetivamente exercidas pelos empregados. Nesse contexto, mostra-se desnecessária a realização de diligência, pois os elementos constantes dos autos, notadamente a planilha elaborada pela própria Autoridade Fiscal e os documentos apresentados pela Recorrente, são suficientes para a formação do convencimento, sendo a questão resolvida a partir do enquadramento jurídico das atividades descritas. Superada essa questão preliminar, passa-se ao exame do mérito propriamente dito. De início, cumpre reafirmar que o ordenamento atribui ao próprio sujeito passivo a tarefa de promover o enquadramento do estabelecimento, a partir da identificação da atividade preponderante desenvolvida, aferida conforme o critério legal pertinente (notadamente, pelo quantitativo de segurados empregados e trabalhadores avulsos alocados em cada atividade). Esse modelo de autoenquadramento não dispensa o controle fiscal, mas impõe que eventual desclassificação promovida pela Administração Tributária seja devidamente motivada e demonstrada, com indicação clara do erro concreto verificado no enquadramento adotado pela empresa. Nesse sentido, não basta afirmar, em termos genéricos, que determinadas CBOs “seriam bancárias”; é necessário demonstrar, com base em elementos objetivos, por qual razão a função efetivamente exercida pelos empregados (e não apenas o rótulo do cargo) conduziria ao enquadramento no CNAE típico de instituição financeira em detrimento de CNAE de suporte/apoio administrativo. A fiscalização pode, evidentemente, discordar do enquadramento declarado em GFIP, mas, ao fazê-lo, deve enfrentar o conteúdo da prova produzida pela contribuinte e explicitar de modo pormenorizado porque o enquadramento seria equivocado. Porém, entendo que a simples transcrição de códigos ocupacionais, acompanhada da conclusão de que seriam “inerentes à atividade bancária”, não satisfaz o dever de motivação nem constitui demonstração suficiente para afastar o enquadramento promovido a partir de levantamento detalhado de CBO, descrição funcional e quantitativos. No caso, o Santander apresentou documentação que permite reconstituir a lógica do enquadramento: planilhas de alocação de empregados por CBO e descrição de atividades, indicando predominância de funções administrativas no estabelecimento matriz. A Fiscalização, por sua vez, não impugnou o levantamento em si, mas alterou a conclusão ao reclassificar um conjunto relevante de CBOs como “bancárias”, sem demonstrar, ao menos por critérios verificáveis, porque tais ocupações seriam necessariamente típicas da atividade-fim bancária. A premissa fiscal adotada merece reparo: não se pode reputar “bancária” uma ocupação apenas porque exercida dentro de um banco, se a própria natureza daquela função é genérica, encontrada em diversos setores (administração, finanças internas, marketing, Fl. 4646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 130 comunicação, teleatendimento, gestão corporativa, controles internos, vendas, supervisão operacional etc.). A distinção relevante, para fins de atividade preponderante, não é “onde” a pessoa trabalha (em um banco), mas “qual atividade ela desempenha” no estabelecimento. Assim, funções de direção corporativa, gestão administrativa, marketing, comunicação, atendimento e suporte, ainda que inseridas numa instituição financeira, não se convertem automaticamente em atividade bancária típica, sob pena de se esvaziar o próprio critério legal, que exige análise por atividade exercida e não por ramo econômico abstrato do empregador. A classificação promovida pelo Santander mostra-se, ao menos, plausível e tecnicamente sustentada, inclusive porque parte expressiva das CBOs tratadas como “bancárias” pela Fiscalização descreve atividades de gestão e suporte. Exemplificativamente: CBO 1210 (Diretores Gerais): trata-se de ocupação de direção de alta administração, cuja natureza acompanha a estrutura organizacional e pode abranger áreas como recursos humanos, governança, planejamento, compliance, controles internos e administração corporativa. Não se trata, por definição, de atividade “bancária” típica, mas de função de gestão empresarial. CBO 1421 (Gerentes administrativos, financeiros e de riscos): a descrição ocupacional, por sua própria amplitude, abrange atividades de gestão interna, finanças corporativas e gerenciamento de riscos do empreendimento, não se confundindo, necessariamente, com riscos vinculados à intermediação financeira ofertada ao cliente. A leitura da contribuinte — no sentido de que tais funções se voltam à administração interna e não à execução de operações bancárias — é racional e compatível com a prática empresarial. CBO 1233 e 1423 (Direção e gerência de comercialização/marketing/comunicação): atividades de planejamento, posicionamento de produtos, estratégias comerciais, comunicação e relacionamento com mercado são, em regra, funções administrativas e de suporte comercial, comuns a múltiplos setores. A diferença entre os códigos, em geral, reflete hierarquia/nível decisório, e não natureza “bancária” essencial. CBO 4223 (Operadores de telemarketing): atividades de contato, atendimento e suporte (inclusive SAC) constituem funções administrativas de operação e relacionamento, não se confundindo, por si, com execução técnica de atividade bancária típica. Esse quadro evidencia que o núcleo da divergência está na interpretação do que se considera “atividade bancária” no estabelecimento matriz, sendo que a interpretação do Fl. 4647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 131 Santander, de que parte relevante das funções se enquadra como apoio administrativo, não é apenas defensável: é aderente à realidade de grandes corporações, em que a matriz concentra funções de governança, backoffice, controles e áreas corporativas. A robustez do enquadramento declarado não decorre apenas de planilhas internas. Consta dos autos que a Recorrente buscou validação técnica independente, contratando empresa de auditoria e consultoria de reputação internacional, a Ernst & Young, para análise de seu enquadramento previdenciário e de seus procedimentos de apuração do GILRAT (Doc. 13 da Impugnação). Sem atribuir ao parecer privado efeito vinculante, é inegável que tal elemento reforça a credibilidade da conduta adotada, demonstrando diligência, preocupação com conformidade e adoção de critérios técnicos na definição do CNAE preponderante. Em outras palavras: não se trata de enquadramento arbitrário ou oportunista, mas de decisão suportada por levantamento interno e revisão externa especializada, o que eleva o grau de plausibilidade da classificação das funções como predominantemente administrativas no estabelecimento matriz. Ademais, observa-se que o próprio levantamento fiscal se encontra consolidado na planilha anexada (e-fls. 2618, arquivo não paginável), o que permite verificar que a conclusão do Fisco decorreu essencialmente de uma releitura classificatória (isto é, de uma alteração na natureza atribuída a determinadas ocupações), e não da identificação de erro material no número de empregados ou na listagem de CBOs. Nessa linha, para que a desconstituição do autoenquadramento fosse juridicamente sustentável, seria indispensável que a Fiscalização explicitasse e demonstrasse de forma pormenorizada, com base na descrição real das tarefas, que os empregados enquadrados nessas CBOs desempenhavam predominantemente tais atividades. Não é isso, contudo, o que se extrai da fundamentação. A reclassificação operada parece decorrer, em grande medida, do simples fato de as ocupações existirem dentro de um banco, o que, como já exposto, não é critério jurídico idôneo para qualificar a atividade exercida como “bancária” para fins de apuração da atividade preponderante do estabelecimento. Assim, verifica-se que a Autoridade Fiscal incorreu em equívoco ao vincular, de forma genérica, as CBOs acima listadas à atividade bancária, desconsiderando que grande parte dessas ocupações corresponde a funções administrativas, de gestão, suporte, comercialização e atendimento, comuns a diversos ramos econômicos e não exclusivas da atividade típica de intermediação financeira. O Recorrente exerceu legitimamente o autoenquadramento do estabelecimento matriz, com base em levantamento detalhado e documentação apta a demonstrar a composição ocupacional. A interpretação segundo a qual as CBOs controvertidas possuem natureza predominantemente administrativa e de apoio mostra-se plausível e coerente com as descrições funcionais e com a realidade corporativa. Fl. 4648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 132 Ademais, ratifica a improcedência da autuação e da aplicação da alíquota de 3% a constatação de que o grau de risco desenvolvido no estabelecimento matriz do Santander, no período analisado, é compatível com risco leve, conforme se extrai da análise do caso concreto e dos elementos técnicos constantes dos autos. Com efeito, no exercício de 2017, foram emitidas 117 Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) para um universo aproximado de 18.000 empregados lotados no estabelecimento. Do total de eventos registrados, 41 não ensejaram qualquer afastamento do empregado, 54 resultaram em afastamento de até quinze dias e apenas 22 implicaram afastamento superior a quinze dias. Tais dados, considerados em termos absolutos e relativos, evidenciam baixa incidência e baixa gravidade dos eventos acidentários, incompatíveis com ambientes de risco médio ou grave. Além disso, no mesmo período, foram elaborados e implementados Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), em conformidade com as normas regulamentadoras então vigentes, com o objetivo de avaliar as condições de trabalho e instituir medidas voltadas à preservação da saúde e da integridade física e mental dos trabalhadores. É certo que o PPRA decorre de obrigação trabalhista e não tem, por si só, a finalidade direta de definir a alíquota do GILRAT. Todavia, não se pode ignorar que a elaboração do PPRA pressupõe avaliação técnica do ambiente de trabalho, das atividades efetivamente desempenhadas e dos riscos a que os trabalhadores estão expostos, culminando em conclusão expressa acerca do grau de risco existente no estabelecimento. No caso concreto, os laudos técnicos produzidos no âmbito do PPRA concluíram que o grau de risco do estabelecimento do Santander é leve, após análise do ambiente laboral, da natureza das atividades exercidas, das funções desempenhadas e da distribuição quantitativa dos trabalhadores. Trata-se, portanto, de elemento técnico relevante, que descreve a realidade fática subjacente ao enquadramento previdenciário adotado. Nesse ponto, divirjo respeitosamente do entendimento segundo o qual o PPRA e laudos técnicos “não se prestariam a alterar a GILRAT, por falta de amparo legal”. Com efeito, não se está a sustentar que o PPRA tenha o condão de fixar ou modificar diretamente a alíquota do GILRAT, a qual, de fato, decorre do enquadramento da atividade preponderante nos termos do Anexo V do Decreto n. 3.048/99. O que se afirma é que os laudos técnicos fortalecem, corroboram e conferem consistência ao autoenquadramento promovido pelo contribuinte, ao evidenciar que a atividade efetivamente desenvolvida no estabelecimento é compatível com grau de risco leve. O ordenamento jurídico atribui ao contribuinte o dever de identificar e declarar sua atividade preponderante, cabendo à Administração Tributária o ônus de demonstrar eventual incorreção. Nesse contexto, é plenamente legítimo que o contribuinte se valha de elementos técnicos para comprovar a aderência entre o enquadramento declarado e a realidade do ambiente Fl. 4649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.392 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720895/2021-92 133 de trabalho. Negar qualquer valor probatório a tais laudos significaria esvaziar a possibilidade de demonstração concreta da atividade efetivamente exercida no estabelecimento. Ademais, os dados objetivos de acidentalidade, aliados às conclusões técnicas do PPRA, revelam coerência com o enquadramento no CNAE de serviços combinados de escritório e apoio administrativo, cuja natureza pressupõe ambientes controlados, atividades predominantemente internas e baixo risco ocupacional, afastando a caracterização de risco médio. Assim, embora o Anexo V do Decreto n. 3.048/1999 estabeleça, de forma abstrata, o grau de risco associado a cada CNAE, a correta identificação do CNAE preponderante, que antecede a definição da alíquota, demanda a análise da realidade fática do estabelecimento, para a qual os laudos técnicos e indicadores de acidentalidade se mostram não apenas pertinentes, mas altamente esclarecedores. Dessa forma, os elementos técnicos constantes dos autos não “substituem” a norma nem “alteram” a GILRAT, mas confirmam que o enquadramento adotado pelo Santander reflete adequadamente o grau de risco efetivamente desenvolvido no estabelecimento, reforçando a improcedência da reclassificação promovida pela Autoridade Fiscal. Pelo exposto, entendo que a autuação deve ser cancelada quanto ao ponto. 5. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, conhecer o Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar os lançamento relativos aos pagamentos a título de (i) PLR para segurados empregados; (i) PLR pago a administradores cujo vínculo empregatício restou mantido, face à suspensão do contrato de trabalho (Doc 12 da Impugnação); (iii) hiring bonus; bem como (iv) relativo às diferenças do GILRAT ajustado. Assinado Digitalmente Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Fl. 4650DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003172/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. CORREÇÃO DA EMENTA.
Restando comprovada a contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, no sentindo de corrigir a ementa e adequá-la aos fundamentos do voto e sua conclusão.
Numero da decisão: 2301-011.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e modificar a ementa do Acórdão n° 2301-011.502.
Assinado Digitalmente
Marcelle Rezende Cota – Relatora
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andre Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: MARCELLE REZENDE COTA
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CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. CORREÇÃO DA EMENTA. Restando comprovada a contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, no sentindo de corrigir a ementa e adequá-la aos fundamentos do voto e sua conclusão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e modificar a ementa do Acórdão n° 2301-011.502. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota – Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andre Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). Fl. 1083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.933 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18471.003172/2008-10 2 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o Recorrente acima identificado, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, decorrente da constatação de acréscimo patrimonial a descoberto, além da multa por falta de recolhimento de carnê-leão, referente ao exercício 2006. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 07 de novembro de 2024, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do recurso do contribuinte para rejeitar a preliminar e negar-lhe provimento, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2301-011.502, com sua ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES E CHEQUES EMITIDOS. COMPROVAÇÃO DA APLCIAÇÃO DOS RECURSOS. Não tendo sido comprovada na autuação a afetiva destinação dos saques e cheques emitidos, tais valores devem ser excluídos como aplicações no fluxo Irresignado, o Recorrente opôs Embargos de Declaração, às e-fls. 1.037/1.043, com fulcro no artigo 116 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pugnando pela sua reforma em virtude dos seguintes pontos: 1. Contradição entre a ementa e o resultado do julgamento; e 2. Omissão quanto a análise dos novos saldos apresentados em resposta a diligência realizada. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração. Submetido à análise de admissibilidade, por parte do nobre Conselheiro Diogo Cristian Denny, esta entendeu por bem acolher integralmente o pleito do contribuinte inscrito nos Embargos de Declaração, o admitindo em relação aos dois vícios apontados, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a contradição e omissão apontadas, nos termos do Despacho de e-fls. 1.075/1.080. Distribuídos os presentes Embargos a esta Conselheira, visto que o antigo Relator não mais integra o Tribunal, já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante relato encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.933 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18471.003172/2008-10 3 VOTO Conselheira Marcelle Rezende Cota, Relatora Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Em suas razões recursais, pretende o contribuinte que sejam conhecidos seus Embargos, insurgindo-se contra o Acórdão recorrido, por entender ter ocorrido contradição entre a ementa e o resultado, além da omissão na fundamentação do voto por ausência de consideração da planilha constante da informação fiscal. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da contradição e omissão apontadas, de modo a corrigir a conclusão do julgado. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, constata-se que, de fato, o Acórdão guerreado incorreu nestes vícios. Dito isto, passaremos a analisar os vícios, inicialmente no que concerne a omissão, uma vez que sua análise pode alterar o resultado do julgamento, senão vejamos: Da Omissão – Planilha da Informação Fiscal O despacho de admissibilidade em sua conclusão sobre esta omissão, assim se manifestou: Assim, resta demonstrado que a planilha constante da Manifestação Fiscal (e-fl. 1008), adotada pelo relator, efetuou ajustes nos saldos de variação patrimonial, devendo tais alterações serem consideradas pelo acórdão embargado, sendo concedido provimento parcial ao recurso voluntário. Peço vênia ao Ilustre Presidente para apresentar entendimento contrário a tal conclusão. Com efeito, o relator, desde o primeiro parágrafo do voto, deixou expressamente consignado que, à luz da análise probatória, fática e jurídica dos autos, a controvérsia deveria ser resolvida em favor da Fazenda Pública, uma vez que não restaram comprovadas as alegações do contribuinte, notadamente pela ausência de registros contábeis idôneos capazes de justificar a evolução patrimonial questionada. Fl. 1085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.933 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18471.003172/2008-10 4 Tal premissa foi adotada como razão de decidir, sendo suficiente, por si só, para afastar as teses defensivas, o que afasta qualquer alegação de omissão relevante. Especificamente quanto à planilha elaborada pela autoridade fazendária na informação fiscal prestada em resposta à diligência, observa-se que o próprio agente fiscal foi claro ao consignar que sua elaboração teve caráter meramente subsidiário, deixando expresso que a adoção ou não daqueles cálculos constituía questão de mérito, a ser apreciada pelo relator e pelo Colegiado julgador, senão vejamos: Assim, em que pese as questões de mérito a serem respondidas pelo nobre julgador, anexo e abaixo apresento os elementos planilhados a partir dos informes apresentados pelo interessado em adição ao crédito mantido pela DRJ para seu juízo de valor sobre a matéria. Com tantas inconsistências esta fiscalização se utilizou exclusivamente dos boletos apresentados, em que pese a dificuldade de comprovação da real utilização, matéria de mérito. (grifo nosso) Conforme se extrai dos autos, a referida planilha foi confeccionada por medida de economia processual, apenas para a hipótese de, em juízo de mérito, serem consideradas comprovadas as alegações do contribuinte, o que, todavia, não ocorreu. Em outras palavras, a planilha não integrou a fundamentação do voto, não serviu de base para a conclusão adotada e não foi utilizada como elemento decisório, justamente porque a solução da controvérsia se deu em momento lógico anterior, consistente na constatação da insuficiência probatória da defesa, especialmente por ausência de provas contábeis, conforme se verifica dos transcritos a seguir: Ora, apesar de reconhecer que “ocorra coincidência parcial entre as datas e parcela dos registros de cartão de crédito”, a Manifestação é clara em reiterar que não foram apresentados os necessários registros contábeis que respaldassem tais afirmativas, com fim de identificar tais operações entre o sócio e sua empresa ou não, conforme já declarara a DRJ. Não pode o Recorrente se socorrer tão-somente ao argumento de que tais itens foram juntados por amostragem, sem comprovar a real utilização dos demais para o fim que imputa correto; além de não realizar a necessária prova contábil a sustentar seus argumentos. (grifamos) Assim, não há que se falar em omissão, uma vez que o julgador não está obrigado a se manifestar sobre elementos que reputou irrelevantes ou condicionais, especialmente quando sua conclusão decorre de fundamentação autônoma e suficiente, como ocorreu no caso concreto. O que se verifica, em verdade, é a inconformidade do embargante com o resultado do julgamento, buscando, por meio de embargos de declaração, reabrir discussão de mérito, providência que não encontra amparo na via eleita. Fl. 1086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.933 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18471.003172/2008-10 5 Diante do exposto, em relação a suposta omissão apontada, rejeito os embargos de declaração. Da Contradição entre a Ementa e o Resultado Neste ponto, entendo caber a razão a embargante, eis que da leitura do inteiro teor do acórdão embargado, verifica-se que a ementa não espelha, de forma clara e coesa, os fundamentos e a decisão do julgamento em questão, vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES E CHEQUES EMITIDOS. COMPROVAÇÃO DA APLCIAÇÃO DOS RECURSOS. Não tendo sido comprovada na autuação a afetiva destinação dos saques e cheques emitidos, tais valores devem ser excluídos como aplicações no fluxo. (e-fl. 1014) (...) Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, a fim de afastar as preliminares exaradas e, no mérito, negar-lhe provimento. (e-fl. 1029) Pois bem! Ao analisarmos toda a fundamentação do voto condutor do Acórdão guerreado, inclusive pela analise já feita no tópico anterior deste voto, resta claro que o Colegiado entendeu que não restaram comprovadas as alegações do contribuinte, rechaçando sua pretensão, negando provimento ao seu pleito. Dito isto, observa-se que a contradição se encontra na Ementa do julgado, a qual, deve ser corrigida. Sendo assim, esclarecida e sanada a contradição apontada, a ementa do Acórdão n° 2301-011.502 que era: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES E CHEQUES EMITIDOS. COMPROVAÇÃO DA APLCIAÇÃO DOS RECURSOS. Não tendo sido comprovada na autuação a afetiva destinação dos saques e cheques emitidos, tais valores devem ser excluídos como aplicações no fluxo. Fl. 1087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.933 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18471.003172/2008-10 6 Passa a ser: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES E CHEQUES EMITIDOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLCIAÇÃO DOS RECURSOS. Não tendo sido comprovada na autuação a afetiva destinação dos saques e cheques emitidos, tais valores não devem ser excluídos como aplicações no fluxo. Conclusão Por todo o exposto voto no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes e apenas no que diz respeito a contradição, para sanando a contradição apontada, modificar a EMENTA do Acórdão n° 2301-011.502, pelas razões de fato e de direito acima expostas. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota Fl. 1088DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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