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Numero do processo: 10803.000086/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005
IMPOSTO LANÇADO E NÃO ESCRITURADO.
Cobra-se a diferença entre o imposto lançado nas notas fiscais de saída e o imposto registrado na escrita fiscal.
GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.
Glosam-se os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes.
GLOSA DE CRÉDITO. DEVOLUÇÃO DE VENDA INEXISTENTE.
Glosa-se o crédito relativo a venda não devolvida.
MULTA REGULAMENTAR. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO E UTILIZAÇÃO.
Inflige-se a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida e utilizada pela adquirente para reduzir saldos devedores do imposto.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício proporcional, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005 IPI. DECADÊNCIA. PRAZO. Inexistindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do IPI é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. A qualificação da multa de ofício exige a descrição específica de sua motivação. CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ANÁLISE POR AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe à autoridade julgadora administrativa apreciar matéria relativa à constitucionalidade de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005 IMPOSTO LANÇADO E NÃO ESCRITURADO. Cobrase a diferença entre o imposto lançado nas notas fiscais de saída e o imposto registrado na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes. GLOSA DE CRÉDITO. DEVOLUÇÃO DE VENDA INEXISTENTE. Glosase o crédito relativo a venda não devolvida. MULTA REGULAMENTAR. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO E UTILIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 86 /2 01 0- 69 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida e utilizada pela adquirente para reduzir saldos devedores do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício proporcional, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 750 a 803) apresentado em 11 de novembro de 2011 contra o Acórdão no 1434.839, de 11 de agosto de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 716 a 745), cientificado em 13 de outubro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro a julho, outubro e novembro de 2005, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005 IMPOSTO LANÇADO E NÃO ESCRITURADO. Cobrase a diferença entre o imposto lançado nas notas fiscais de saída e o imposto registrado na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 810 3 GLOSA DE CRÉDITO. DEVOLUÇÃO DE VENDA INEXISTENTE. Glosase o crédito relativo a venda não devolvida. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando ficar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. MULTA REGULAMENTAR. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.RECEBIMENTO E UTILIZAÇÃO. Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida e utilizada pela adquirente para reduzir saldos devedores do imposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. A contagem do prazo quinquenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, a sonegação e o conluio, indicadoras de dolo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa e nulidade do feito se todos os elementos probatórios estiverem neste presentes, acessíveis a consulta pelo sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 20 de dezembro de 2010, de acordo com o temo de fls. 18 a 29. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada nos autos, foi lavrado o auto de infração, em 20/12/2010, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil Fernando Andrade Martins, Sérgio Renê Martinez e Sebastião Soares, para exigir R$ 491.852,04 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 337.057,69 de juros de mora calculados até 30/11/2010, R$ 623.347,89 de multa proporcional ao valor do imposto, e R$ 11.466.252,40 de multa regulamentar, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 12.918.510,02. Consoante a descrição dos fatos, que remete ao termo de verificação, foi constatado o seguinte, resumidamente: a) IPI lançado e não escriturado – diferença entre o imposto destacado nas notas fiscais e o escriturado no livro Registro de Saídas (janeiro, abril a julho e outubro de 2005); b) Aproveitamento de créditos indevidos referentes ao valor do imposto destacado em notas fiscais emitidas pela empresa VALFILM Centro Oeste Indústria e Comércio Ltda., sendo que o destinatário que consta dos documentos é um estabelecimento diferente, EMPLASRIO Comércio de Embalagem Ltda., CNPJ 05.943.904/000255 (junho de 2005); c) Aproveitamento de créditos indevidos relativos a notas fiscais não correspondentes a saídas efetivas dos produtos nestas descritos, com emissão de CETROPLAS Comércio de Embalagens – ME, CNPJ 07.179.935/000116, e REDENTOR SUDESTE DISTRIBUIDORA LTDA., CNPJ 05.648.826/000434, e sem imposto destacado em virtude de estes serem estabelecimentos comerciantes atacadistas de embalagens não optantes pela equiparação a industriais; documentos fiscais objeto de cartas de correção emitidas pela fiscalizada, mas sem a ciência dos emitentes das notas fiscais (janeiro a março e novembro de 2005); d) Aproveitamento de crédito indevido alusivo a nota fiscal de entrada emitida pela fiscalizada que seria relativa a devolução de produto pela empresa PLASVIPEL que, intimada, respondeu não ter devolvido o produto adquirido e ter pago integralmente por este (fevereiro de 2005). Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 811 5 Quanto aos item “c” e “d”, é conveniente, a seguir, reproduzir excertos do termo de verificação. Item “c”: Aquisições de CETROPLAS: “De plano, indevido mencionado crédito, pois, conforme consta das referidas notas fiscais, o emitente teria por atividade o “comércio atacadista de embalagens”, não optante a equiparado a industrial, nos termos do inciso II do Artigo 11 do Decreto nº 7212, de 15 de junho de 2010(Lei nº 4502/64, Artigo 42, inciso IV, Decreto ns 34/66, Artigo 22, alteração 1º), como faz prova a DIPJ, fls.229, relativa ao anocalendário de 2005, coerentemente com o não destaque do imposto naqueles documentos. De outro lado, o contribuinte emitiu cartas de correção, fls.199 a 211, na forma prevista no Artigo 327, § lº, do citado Decreto nº 7212/2010, comunicando a falta de destaque do imposto. No entanto, referido documento não produz os efeitos desejados pelo contribuinte uma vez que não contém a ciência do emitente das notas fiscais, exigido ao final do citado dispositivo regulamentar. O exame destas notas fiscais revela sua imprestabilidade para comprovar a operação que nela se pretende seja registrada, quase sequenciais, não identificam o transportador, limitandose a registrar “Próprio”, sem qualquer menção ao veículo utilizado. À exceção das de número 000112 e 000113, fls.197 e 198, que indicam por vencimento “c/ apresentação”, todas as demais notas fiscais indicam por condições de pagamento “30DD” e informam expressamente a data de vencimento, enquanto as duplicatas, fls.212 a 222, correspondentes, indicam sempre por vencimento a data de emissão da nota fiscal. Referidas duplicatas trazem indicação de que teriam sido pagas sempre nas datas de vencimento, ou seja, contrariamente ao indicado na nota fiscal, na data de emissão destas, enquanto na contabilidade do contribuinte nenhum pagamento foi registrado, como se vê de fls.230 e 231. Concluise que as operações teriam sido realizadas em uma data, e nesta mesma data transportadas as mercadorias e pagas as duplicatas. Além destas duplicatas, ainda que regularmente intimado a fazer prova dos pagamentos, fls. 223, o contribuinte deixou de apresentar qualquer outro documento capaz de comprovar a efetividade dos mesmos. Neste sentido, incoerências inexplicáveis os dados da nota fiscal número 000046, fls.199, que tem por data de emissão 07 de novembro de 2005, e data de vencimento “071205”, enquanto Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 a duplicata correspondente, fls.214, foi emitida e teria sido paga em “04/11/2005”, anteriormente à própria emissão daquela. Estranhamente as notas fiscais acima relacionadas indicam por endereço da emitente, CETROPLAS, Rua Itaparantim, 130, enquanto as duplicatas a elas correspondem indicam Rua Itapemirim, 130. Não localizada a fornecedora, CETROPLAS, em seu domicilio fiscal, foi obtido junto ao escritório de contabilidade União Organização Contábil S/C Ltda., fls.239 a 241, os livros Registro de Entradas, fls.242 a 264, Saídas, fls.265 a 282, e Apuração do IPI e de Apuração do ICMS, com os registros relativos ao ano calendário de 2005. Com base nestes livros restou constatado que a CETROPLAS teria iniciado suas operações em setembro de 2005 e que sua maior fornecedora teria sido a pessoa jurídica TIM COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. inscrita no CNPJ sob nº 05.099.952/000128. Não localizado o fornecedor, TIM, foi contatado, por telefone, seu contador EDER AUGUSTO DE REZENDE , em Belo Horizonte MG., que se prontificou a encaminhar cópia de livros e documentos relativos ao anocalendário de 2005, o que não foi feito até a presente data. Escrituradas no livro Registro de Entradas n° 1 da CETROPLAS as notas fiscais emitidas pela TIM com numeração superior a 30.000, inexplicavelmente, são registradas no mencionado livro, fls. 255 e 259, duas (2) notas fiscais com número 1 (um), no valor de R$ 1.827.398,71 e R$ 1.220.732,17. Outro fornecedor da CETROPLAS, a empresa EMPLASRIO COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA., CNPJ 05.943.904/000255, com sede em Guaratinguetá, SP, tem como sócio (responsável perante o CNPJ) MARA MILENA SILVA PEDRÃO, esposa de MARIO OSCAR PEDRÃO, participante do capital social da CETROPLAS e como contador SÉRGIO DA COSTA MONTEIRO, à época, também contador do contribuinte sob ação fiscal. Este fornecedor EMPLASRIO emitiu em setembro de 2005 cinco (5) notas fiscais para a CETROPLAS, todas sequenciais, fls. 273 a 277, fl. 251, no montante de R$408.685,32. Objetivando apurar a regular entrada dos produtos no estabelecimento foi o contribuinte intimado a apresentar o livro Registro de Controle da Produção e do Estoque Modelo 3, fls.286, o qual apresentou, em meio magnético, os registros de outro estabelecimento denominado “LUCCHESI ARTEFATOS PLÁSTICOS LTDA.”, inscrito no CNPJ sob nº 04.969.472/000299. Posteriormente, fls. 289 e 290, veio o contribuinte informar que “as informações constantes nos arquivos magnéticos atinentes ao livro modelo 3 controle e produção de estoque dos anos de 2005 e 2006 encontramse corrompidas...”. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 812 7 Demonstrase, desta forma, que a CETROPLAS não tinha condições de fornecer ao fiscalizado a quantidade de polietileno de baixa densidade (PEBD) especificada nas notas fiscais, em primeiro lugar porque nas notas fiscais emitidas pela TIM para a CETROPLAS não consta referido produto, e, em segundo lugar, porque por si só não são suficientes para comprovar a efetiva saída as duas notas fiscais de mesma numeração, 1 (um), escrituradas no livro Registro de Entradas. Diante do exposto, é de se concluir que as notas fiscais acima relacionadas não correspondem a efetiva saída dos produtos nela descriminados, sujeitandose o contribuinte sob ação fiscal a glosa dos créditos do IPI escriturados, além da penalidade prevista no Artigo 572, inciso II, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010”. (grifos do original) Aquisições de REDENTOR SUDOESTE: Da mesma forma, a emitente tem por atividade o comércio atacadista de embalagens, sendo não optante a equiparada a industrial, nos termos do Regulamento do IPI. Ademais, as cartas de correção emitidas pelo sujeito passivo também não produziram os efeitos colimados, pois não houve ciência da empresa destinatária. “Inobstante não assinado, o livro de Registro de Saídas, cópias às fls. 610 a 621, obtidas junto ao Técnico em Contabilidade Alexandre Bolonha Rodrigues, faz prova de que a pessoa jurídica emitente das relacionadas notas fiscais não escriturou por débito que seria correspondente àquelas saídas o IPI do qual o contribuinte sob ação fiscal pretende creditarse. Relativamente às notas fiscais número fls. 399 a 429, fls. 313 a 343, regularmente intimado, fls. 624 e 626, o contribuinte fez apresentar documentos que seriam comprovante do pagamento, não através do sistema financeiro, efetuado em 03 de março de 2005, no montante de R$ 3.274.016,00. Referido pagamento, contabilmente teve como contrapartida a conta 100121 Banco do Brasil COML C/C 38393, fl. 627. No entanto, no extrato de referida conta bancária, fls. 628 e 629, a soma de todos os débitos registrados no dia 03 de março de 2005 não atinge o montante registrado na contabilidade, R$ 3.274.016,00. É de se registrar, ainda, que o contribuinte apresentou duplicatas cujo montante indica que todas as aquisições teriam sido pagas, igualmente à parte do sistema financeiro, enquanto na escrituração contábil, fls. 632 a 637, a conta “20090 Fornecedores Nacionais 000270 Redentor Sudeste Distribuidora Ltda” apresenta saldo credor na importância de R$ 7.979.013,52. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Todas as notas fiscais indicam que o transporte teria sido realizado por Next Transportes Ltda ME, CNPJ 04.468.134/000354, com sede na Av. Damião Lins de Vasconcelos, 80, Guarulhos SP. Conflitante com referida indicação a declaração de inatividade, relativamente ao anocalendário de 2005, apresentada por alegado transportador, como fazem prova os documentos de fls. 622 e 623. Coerente com a declaração de inatividade a informação, fls. 643, firmada pelo representante daquela transportadora, junto ao CNPJ, de que o estabelecimento inscrito sob n° 003 não realizou atividades no anocalendário de 2005. Por último, quanto a transportadora, em diligência, fls. 638 e 639, no endereço constante do sistema CNPJ da SRF, não foi localizado aquele estabelecimento. Aquelas notas fiscais, quase todas sequenciais, em várias delas sem a indicação da data da saída dos produtos, seriam correspondentes ao fornecimento em volumes sempre superior a 20.000 kg, acondicionados em “pallets”, segundo a enciclopédia Wikipédia, estrado de madeira, metal ou plástico. Daí, estranho a indicação de que os produtos teriam sido transportados por veículos da espécie VM/Fusca 1300, placa CXB, notas fiscais números 414, 486, 518, 557, 591 e 596; VW/Gol CL, placa GKM 7295, notas fiscais números 429, 471, 507 e 621, e Mercedes Benz/Ônibus, placa BXH 3513, notas fiscais números 427, 473, 509 e –623. Mais irregular, ainda, a informação nas notas fiscais de número 399, fl. 313, 506, fl. 378, e 620, fl. 432, nas quais é indicado por veículo transportador placa MJR 5242, inexistente no sistema RENAVAM. Todo o exposto não pode levar a outra conclusão senão a de que referidas notas fiscais não correspondem a efetiva saída dos produtos do suposto estabelecimento emitente, sujeitandose o contribuinte a penalidade prevista no Artigo 572, inciso II, do Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010”. Item “d”: Devolução de PLASPIVEL: “No desenvolvimento da ação fiscal foi constatado que o contribuinte emitiu, destacou e creditouse do imposto, no valor de R$ 3.975,00, a nota fiscal de entrada n° 004528, em 28 de fevereiro de 2005, fl. 293, tendo por remetente o estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 03.170.878/000163, PLASVIPEL LTDA. Em atendimento aos termos de intimação de 25.08.2010, 15.09.2010 e 07.10.2010, fls.299 e 300, 304 e 305, 309 e 310, objeto do MPFD nº 08.1.90.002010025544, fl. 291, aquele contribuinte, PLASVIPEL LTDA EPP, fez apresentar cópia do comprovante de pagamento de fl. 303, e informar: 06.09.2010 fls.302 “ em anexo o comprovante de pagamento da nota fiscal n° 004440 de 18/02/2005, emitida pela empresa Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 813 9 COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA., no valor de R$ 83.475,00 ...”. 21.09.2010 fls.307 – “enviamoslhes em anexo cópia autenticada da 3ª via (fisco/destino) da nota fiscal nº 004440 de 18/02/2005, emitida pela empresa COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA., no valor de R$ 83.475,00 (...), ..., pois a 1ª via (destino/remetente) não foi legalizada”. 13.10.2010 fls.311 – “1 – A 1ª via da nota fiscal nº 004440 emitida pela........., não foi entregue a empresa e por descuido a falta de atenção, o produto foi recebido através da 3ª via (fisco/destino) da nota fiscal que se encontra em nosso poder. 2 Os produtos adquiridos por meio da nota fiscal n° 0 04440 não foram devolvidos a Comercial e industrial Lucchesi Ltda, sendo pago conforme comprovante de pagamento anexo.” Contrariamente ao comprovado pelo adquirente dos produtos, pagamento integral em 08 de março de 2005, a contabilidade do contribuinte registra o recebimento correspondente a esta operação, fls. 294 a 296, em três (3) parcelas. Assim, diante do informado e comprovado pelo adquirente, inobstante a observação inserida manualmente a lápis, no verso da fiscal n° 004440, fls.292 verso, “MERCADORIA EM DESACORDO C/ PEDIDO”, nenhuma razão subsiste para emissão da analisada nota fiscal de entrada n° 004528, impondose como consequência a glosa do crédito do IPI escriturado no valor de R$ 3.975,00”. (grifos do original) Foi imposta multa regulamentar correspondente aos valores das mercadorias por utilização de notas fiscais irregulares, não correspondentes a efetivas saídas de produtos dos estabelecimentos emitentes. Foi aplicada a multa de ofício básica de 75% no tocante ao mês de março de 2005, tendo sido, para os demais períodos de apuração, imposta a multa majorada de 150%. Não foi formulada representação fiscal para fins penais com base na Portaria RFB nº 665/2010. Notificada pessoalmente da exigência, em 22/12/2010, insubmissa, a contribuinte apresentou em 21/01/2011, a impugnação de fls.654/669, subscrita pelo representante legal da pessoa jurídica, em que aduz, em síntese, que: 1. Preliminarmente, há a decadência a considerar para os fatos ocorridos de janeiro a dezembro de 2005, tendo sido lavrado o auto de infração somente em 22/12/2011 e sendo o IPI sujeito ao lançamento por homologação; o prazo para a Fazenda Pública realizar o lançamento tributário esgota cinco anos após a ocorrência do fato gerador, nos termos do CTN, art. 150, § 4º; a inexistência de dolo ou fraude, circunstâncias que interrompem o prazo decadencial, é demonstrada no processo administrativo, Fl. 817DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 estando as provas materiais (extratos bancários, comprovantes de pagamento e notas fiscais de saída) ainda em poder da fiscalização para apuração referente ao IRPJ; 2. O lançamento tem efeito de confisco, sendo 90% do valor do lançamento correspondente a multa regulamentar; apenas R$ 491.852,04 dizem respeito ao valor não recolhido a título de IPI; a falta de comprovação do pagamento pela impugnante não implica necessariamente a inexistência da operação e a inidoneidade de fornecedores; os atos praticados pela empresa não caracterizam fraude ou dolo, mas sim incapacidade técnica e intelectual dos responsáveis pela empresa; pede o cancelamento das multas aplicadas de 150% por falta de razoabilidade e proporcionalidade e protesta pela juntada de todos os documentos retidos pela autoridade fiscal durante a ação fiscal para comprovação das alegações, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte; 3. Quanto ao IPI lançado e não escriturado, tratase de erro na escrituração dos livros fiscais ocasionado por problemas no sistema integrado da impugnante que passou por muitos problemas no departamento contábil; 4. A indicação de destinatário diverso da impugnante nas duas notas fiscais emitida por VALFILM representa apenas um erro formal no preenchimento dos documentos fiscais pelo emitente e não inidoneidade documental, tendo sido comprovada a entrada por duplicatas quitadas, pagamentos e extratos bancários apresentados; foram desconsideradas as cartas de correção apresentadas à fiscalização; 5. Os créditos das aquisições da empresa CETROPLAS foram desconsiderados por esta ter atividade de comércio atacadista de embalagens, não optante à equiparação a industrial, porém há o art. 17 do “referido dispositivo legal”: “Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309,90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados).(Redação dada pela IN SRF 342, de 15/07/2003). “§ 1º Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. “§ 2º As MP, PI e ME importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3°. “§ 3º O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à Delegacia da Fl. 818DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 814 11 Receita Federal (DRF) ou à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic) de seu domicilio fiscal os produtos que elabora e as MP, PI e ME que irá adquirir nos mercados interno e externo”;” A suspensão não se aplica às hipóteses do art. 23 da IN 296/03: “Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF n° 429, de 21/06/2004) “I às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); “II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar de estabelecimento comercial equiparado a industria! pela legislação do IPI, na operação a que se refere o art. 4°. “III a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4°. (Redação dada pela ÍN SRF 429, de 21/06/2004)”; Conforme doutrina e jurisprudência, não cabe aos atos normativos infralegais estabelecerem restrição ao exercício de direitos conferidos por lei, segundo o princípio constitucional da legalidade; O Decreto Lei 2.303/86 possui força normativa de Lei ordinária. Ao conceder o benefício fiscal, não estabeleceu qualquer restrição com relação ao prazo da entrega da declaração do contribuinte. A instrução normativa ao limitar no tempo o exercício do direito concedido pelo referido Decreto Lei Extrapolou seu papel regulamentar, ofendendo o Princípio da Legalidade”; 6. Continua a impugnante acerca da glosa desses créditos: “Desta forma, o crédito é legítimo e a glosa dos créditos referentes as notas fiscais discriminadas na folha 4 do termo de verificação não deve prevalecer ante a legalidade apontada. Ainda no tocante as evidências da inexistência do fornecedor, estamos diante de uma situação mercantil na qual todas as formalidades foram cumpridas pelo impugnante acreditando estar diante de empresa idônea, configurando assim a sua boa fé. Percebese ainda no parágrafo 5 da fl 05 do Termo de Verificação. Que a bagunça interna da empresa chega a ser inacreditável. Assim narra o Nobre Auditor “incoerências inexplicáveis os dados da nota fiscal número 000046, fls.199, que tem por data emissão 07 de novembro de 2005, e data de vencimento 071205, enquanto a duplicata correspondente, fls.214, foi emitida e teria sido paga 04/11/2005, anteriormente a própria emissão daquela” realmente a falta de atenção e procedimento na condução dos trabalhos fiscais nos lançamentos faz com que tudo pareça ato pensado, mas realmente o que gerou tal erro foi a “falta de pensamento” e não dolo do responsável pela contabilização. Quanto a Empresa Emplasario tal fato apenas faz prova contra o emitente da nota Fl. 819DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 12 fiscal e não contra a impugnante. (protesta pela juntada de todos os documentos fiscais por estarem retidos pela fiscalização). Afirma ainda que foi constatado que o contribuinte destacou e creditou imposto no valor de R$ 3.975,00 (três mil novecentos e setenta e cinco reais) nota fiscal nº 004528 em 28 de fevereiro de 2005, tendo por remetente a Empresa Plastivel Ltda. Em atendimento a empresa fez apresentar comprovante de pagamento no valor de R$ 83.475,00 (oitenta e três mi! e quatrocentos e setenta e cinco reais). Ora todos os fatos narrados apenas tem o condão de comprovar que, o pagamento ocorreu, a empresa existe e a relação comercial foi uma “bagunça só”, isso por só tem o condão de demonstrar que tratase de documento idôneo apesar da glosa do crédito (sic); 7. No tocante à empresa REDENTOR SUDESTE: “Por fim quanto a Empresa Redentor Sudeste Distribuidora Ldta, “inobstante a glosa do crédito” devemos ter certa cautela em desconsiderar a validade dos documentos fiscais pelos seguintes fatos, vejamos : Primeiro : O Impugnante é empresa estabelecida na Cidade de Guaratinguetá e exerce a sua atividade Comercial desde meados do ano 70, desta feita não estamos diante de uma “boca de lixo” ou “ Empresa de Fachada “. Segundo : O impugnante emprega mais de 250 funcionários diretos e 100 indiretos os quais possuem empreso fixo e vivem do faturamento da Empresa decorrente de Empresas de Grande porte tais com Vigor, Basf, Monsanto etc. Terceiro : Os fatos descritos no libelo acusatório especificamente nas operações Mercantis envolvendo a Empresa Redentor Sudeste e Distribuidora Ltda, tentam imputar ao Impugnante atos de caráter ilícito bem como conhecedor da condição do fornecedor. Quarto: Estamos falando de Empresa do Ramo plástico na qual tem seu lucro na “boa compra da matéria prima” que varia de acordo com demanda interna e ainda com o dia do mês. Assim tendo caixa para suportar seu ônus financeiro é de praxe deixar para adquirir no final do mês momento em que os distribuidores estão necessitados em liberar suas mercadorias. O que tem o condão de justificar a emissão no mesmo dia. Quinto : As duplicatas foram apresentadas devidamente quitadas, ou seja, o pagamento ocorreu, “em dinheiro”, “por fora”, mas o fato é que ocorreu. Cabe salientar ainda que realmente alguns dissabores ocorreram com o fornecedor, mas todas as obrigações mercantis foram honradas pela Impugnante. Ademais estamos diante de um volume considerável, assim se houve a saída obviamente ocorreu a entrega do material e sua produção. Conforme dispõe o Nobre Auditor fiscal às fls.10 e 11 do Termo de Verificação: “relativamente às notas fiscais números 399 a 429; 313 a 343, regularmente intimado; 624 e 626, o contribuinte faz apresentar documentos que seriam comprovante do pagamento, não através do sistema financeiro, efetuado em 03 de março de 2005, no montante de R$ 3.274.016,00. Referido pagamento contábil teve como contra Fl. 820DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 815 13 partida a conta a conta 100121 Banco do Brasil Coml c/c 38393 fls.627. No entanto, no extrato da referida conta bancária , a soma de todos os débitos não atinge a soma de todos os débitos não atinge R$ 3.274.016,00. É de se registrar, ainda, que o contribuinte apresentou duplicatas cujo montante indica que todas as aquisições teriam sido pagas, igualmente à parte do sistema financeiro, enquanto na escrituração contábil fls.632, 637. a conta “20090 Fornecedores Nacionais 000270 Redentor Sudeste Distribuidora Ltda “ apresenta saldo credor na importância de R$ 7.979.013,52 (sete milhões novecentos e setenta e nove mi! treze reais e cinquenta e dois centavos).” Obviamente que a operação existiu, que a mercadoria foi entregue e que houve a transação financeira. A modalidade de pagamento apenas pode levar a outra infração legal mas não a falta da entrega da mercadoria. Protesta pela juntada de todos os documentos por estarem retidos pela fiscalização. Ainda sim no tocante a inidoneidade dos documentos. Em recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça o ilustre ministro Luiz Fux, em processo no qual foi relator, argumentou que: “Os atos praticados pela Receita Federal não procedem porque o STJ entende que o ato declaratório de inidoneidade só produz efeitos a partir de sua publicação. “O comerciante de boafé que adquire mercadoria cuja nota fiscal emitida pela empresa vendedora posteriormente seja declarada inidônea pode engendrar o aproveitamento de crédito do ICMS pelo principio de não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade de compra e venda efetuada”. O Ministro salientou ainda que a jurisprudência das Turmas de Direito Público é no sentido de estabelecer que o comerciante que compra mercadoria com nota fiscal posteriormente declarada fraudulenta é considerado terceiro de boafé, situação que autoriza o aproveitamento do crédito de ICMS, desde que fique demonstrada a existência real de compra e venda efetuada, conforme determinado pelo artigo 136 do Código Tributário nacional ( CTN ).” O dispositivo no referido artigo não dispensa o contribuinte, empresa compradora, da comprovação de que as notas fiscais declaradas correspondem a negocio efetivamente realizado. Para o Ministro, cabe ao comprador de boafé exigir , no momento da celebração do negócio jurídico, a documentação que comprove a regularidade do vendedor, “ cuja verificação de inidoneidade incube ao fisco, razão pela qual não incide o artigo 136 do CTN, segundo o qual, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação independe de intenção do agente ou do responsável e de efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Assim não pode ser o Impugnante lesado por fato que não tinha obrigação de saber (sic)”. 8. Quanto à multa proporcional ao valor da mercadoria, esta é indevida, pois inexiste a incidência de multa se não houver ato Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 14 ilícito principal, sendo que o evidente intuito de fraude não pode ser presumido e deve ser demonstrado pela fiscalização; o art. 97 do CTN restringe qualquer penalidade fundada em atos normativos da Administração Pública, tais como Instruções Normativas, Atos Declaratórios, Portarias, etc.; 9. O evidente intuito de fraude também supõe demonstração pela fiscalização para a exasperação da multa de ofício, de 75% para 150%, conforme precedentes do Conselho de Contribuintes; o ato foi oriundo de negligência (culpa) e não de dolo, e a impugnante não tem o dever de fiscalizar os fornecedores, tendo tomado as providências necessárias relativas às relações comerciais. Por fim, repisa a argumentação e requer que seja recebida a impugnação com o acolhimento das preliminares de nulidade ou então a apreciação do mérito, com a decisão de improcedência da autuação; requer, subsidiariamente, o reconhecimento do caráter confiscatório da multa aplicada e a concessão de prazo para a juntada de documentos retidos pela fiscalização, ainda em poder desta para exame quanto ao IRPJ." Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ manteve o lançamento. No recurso, resumiu, inicialmente, as alegações: Assim, a Recorrente intimada do presente auto de infração, apresentou sua impugnação administrativa, arguindo em síntese a decadências do crédito tributário, a inconstitucionalidade da multa aplicada caracterizando um verdadeiro confisco, que as divergências se deram em razão de erro em sua contabilidade, e por fim o direito constitucional da não cumulatividade tendo em vista a Contribuinte ser terceira de Boafé, fato este que foi apreciado pela 2ª Turma de Julgamento de Ribeirão Preto, julgando pela improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário constituído no auto de infração. A seguir, tratou de cada assunto acima mencionado, requerendo o cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em linhas gerais, adotamse no presente voto as razões contidas no acórdão de primeira instância, com supedâneo no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, à vista de a Interessada não ter trazido no recurso fatos novos que pudessem alterar a situação constatada pela Fiscalização. Entretanto, cabe ressaltar e ressalvar o que segue. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 816 15 No tocante à decadência, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, à vista do disposto no Ricarf Regimento Interno do Carf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com a redação dada pela Portaria MF n. 586, de 2010), art. 62A. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4o E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. No caso dos autos, a Interessada não apurou saldos devedores no ano de 2005 (fl. 15), tendo havido compensação escritural com créditos não admitidos pelo Regulamento do imposto, uma vez que não satisfaziam as condições formais para escrituração. Dessa forma, não se aplica ao caso dos autos o disposto no art. 124, III, do Regulamento: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Dessa forma, não tendo havido pagamentos antecipados, aplicase o prazo do art. 173, I, do CTN. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Já em relação à multa regulamentar, não há que se falar em lançamento por homologação, uma vez que toda multa somente pode ser lançada de ofício, aplicandose ao caso somente o prazo do art. 173, I, do CTN. Esclareçase, ainda, que não se podem apreciar as alegações de inconstitucionalidade apresentadas pela Recorrente (efeito de confisco), à vista do disposto no art. 50 do Decreto n. 7574, de 2011, art. 62 do Ricarf e Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009). Assim, cumpre à autoridade julgadora administrativa decidir as questões de aplicação de lei apenas no âmbito infraconstitucional. Quanto ao IPI lançado e não escriturado, alegou a Interessada tratarse de erro na escrituração dos livros fiscais ocasionado por problemas no sistema integrado. Entretanto, tal alegação é irrelevante para o caso, uma vez que houve, de fato, falta de escrituração, situação que enseja a lavratura do auto de infração e a exigência de multa, que, no percentual de 75%, não exige conduta dolosa, à vista do que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. A questão da qualificação da multa será apreciada mais adiante. Observese que tal dispositivo aplicase, também, ao caso da multa regulamentar, uma vez que determina ser irrelevante à sua aplicação a “efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, questão que voltará a ser analisada. Em relação aos créditos glosados, há que se esclarecer que, primeiramente, um documento fiscal pode ser inidôneo ainda que assim não tenha sido previamente declarado pela autoridade fiscal. O ato declaratório tem apenas o efeito de tornar pública a inidoneidade dos documentos, podendo, no âmbito específico de uma ação fiscal, ser constatada a inidoneidade a partir de provas coletadas pela Fiscalização. Além do mais, nos presentes autos, não se tratou apenas da identificação de documentos inidôneos, mas da coletânea de vários indícios e provas de que as operações não ocorreram ou de que, pelo menos, não ocorreram da forma descrita nas notas fiscais, o que é suficiente à glosa de créditos. Notese que é muito comum em casos como o dos presentes autos a apresentação da alegação de ser o contribuinte uma “vítima de boafé”. Entretanto, é comum também que as várias circunstâncias que envolvem as operações simplesmente não apresentem coerência mútua. Quer dizer, a nota fiscal apresenta impropriedades, traz informações inverídicas sobre o frete, os pagamentos não são realizados como indicados, as empresas transportadoras ou os veículos não existem de fato etc. Não se trata apenas de uma ou de outra divergência, mas de divergências sistemáticas, que afastam a possibilidade de se tratar de erro formal. De fato, seria até possível que certas operações houvessem ocorrido, mas não da forma registrada nas notas fiscais e na contabilidade. Nesses casos, o uso de notas fiscais inidôneas assim consideradas por não corresponderem àquelas saídas nelas indicadas não servem de prova a operações que ocorreram de forma diversa das nelas indicadas. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10803.000086/201069 Acórdão n.º 3302001.856 S3C3T2 Fl. 817 17 Se houve outras operações, como no caso de aquisição dos mesmos produtos de outro fornecedor (venda sem nota), as notas fiscais não servem para garantir o crédito em relação às operações efetivamente realizadas, pois, a rigor, tratarseia de operações efetuadas sem emissão de documentos fiscais. Esclareçase que a argumentação acima apresentada é apenas uma hipótese, que não foi constatada especificamente no caso dos autos, mas representa uma das possibilidades que ocorrem no caso de emissão de documentos inidôneos. Serve, assim, como exemplo do que poderia justificar procedimentos com documentação incoerente e do porquê o Regulamento do IPI exigir a fidelidade documental. Tratandose de notas fiscais que contêm dados inexatos, relativos a operações que não foram demonstradas a contento, inexiste possibilidade de aproveitamento de crédito. O princípio aplicase também aos demais casos de glosa. Em relação às multas aplicadas, como já demonstrado anteriormente, a multa de 75% não exige configuração de dolo, apenas conduta que implique falta de declaração de recolhimento de tributo. No caso específico do IPI, além da multa proporcional ao imposto devido, é cabível, por expressa disposição legal, a multa sobre o valor da mercadoria, nos casos de emissão irregular de nota fiscal, para o emissor e para quem se aproveitou dos créditos indevidamente. Conforme esclarecido anteriormente, na forma do art. 136 do CTN, a infração pode ser considerada meramente formal, sem haver nesse fato contrariedade da lei com o Código. Nessa matéria, como ficou demonstrado nos autos, os documentos que foram utilizados na escrituração dos créditos não correspondiam a efetivas saídas de mercadorias, razão pela qual é cabível a multa. No que diz respeito à qualificação da multa, há duas situações distintas: a relativa às divergências entre as notas fiscais e a escrituração e à relativa aos créditos glosados. Entretanto, o termo de verificação fiscal de fls. 18 e seguintes não mencionou a razão da qualificação da multa. Somente no auto de infração é possível verificar que apenas um período de apuração não foi objeto da qualificação. Nesse contexto, por se tratar de ato administrativo plenamente vinculado (art. 142 do CTN) e exigir o Decreto n. fls.70.235, de 1972, art. 10, III e IV, a descrição do fato e a penalidade aplicável, a não fundamentação da qualificação da multa no auto de infração implica falta de motivação do ato para especificamente a qualificação da multa. O acórdão de primeira instância considerou o seguinte: Malgrado toda a argumentação articulada pela impugnante, sobre um hipotético erro de escrituração de débitos do imposto (no expediente de “escrituração calçada” sonegação) e sobre a efetividade de aquisições e de devolução de venda, fica patente Fl. 825DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 18 que houve uma tentativa daquela de iludir o Fisco Federal com a redução dolosa de imposto devido e o aproveitamento também doloso de créditos de IPI, mediante notas fiscais não correspondentes a operações mercantis verdadeiras (simulação, fraude). A característica sistemática e a duração considerável da prática demonstra, inequivocamente, a intenção do agente em burlar a Administração Tributária e evitar o adimplemento das prestações pecuniárias nos prazos legais de vencimento. A característica da ação dolosa é o desejo consciente do agente pelo resultado e a assunção do risco de produzilo, sendo o dolo específico elemento subjetivo do tipo penal, isto é, a vontade do agente direcionada, com uma finalidade clara, à conduta antissocial. Contudo, na graduação da pena, a autoridade fiscal deve levar em conta o elemento subjetivo, volitivo, agregado à conduta do particular, vislumbrado mediante elementos de prova diretos ou indiretos. Aí há margem para o juízo de valor. Observado o dolo, a multa punitiva deve ser majorada (150%). Tal fundamentação, no entanto, não constou da autuação, descabendo à autoridade julgadora aperfeiçoar o lançamento. Dessa forma, embora tenha ficado clara a intenção da Fiscalização de qualificar a multa de ofício aplicada, não houve descrição da conduta que a ensejaria na justificativa de sua imposição, razão pela qual ela, por motivos formais, não se sustenta. À vista do exposto e adotando os fundamentos cabíveis do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício proporcional. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 826DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10840.721185/2009-06
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
O titular dos rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia é o sujeito passivo da obrigação tributária.
Recuso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2802-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Relator
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. O titular dos rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia é o sujeito passivo da obrigação tributária. Recuso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 11 85 /2 00 9- 06 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Auto de Infração, fls. 02 a 12, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, formalizado em virtude das seguintes constatações, apuradas do exame fiscal em sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF/2006, anocalendário 2005: a) omissão de rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia, e; b) multa isolada pela falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnê leão. A contribuinte apresentou impugnação, fls. 70 a 71, alegando que os valores recebidos eram administrados pela mãe, Valfrida Marques Pereira, e que no ano calendário 2005 constou como dependente na sua declaração. Sustenta que a referida renda ainda foi erroneamente informada como deduções. Alega não ter o Informe de Retenção na fonte realizada pelo Tribunal de Contas da União e, por esta razão, solicitou ficha financeira do pai cujo demonstraÇÃO juntou aos autos, aduzindo que o imposto era retido na fonte e a pensão era descontada sobre o valor líquido. Requer acolhimento da impugnação. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SPII julgou a impugnação improcedente, ao argumento de que restou patente a sujeição passiva da contribuinte e que incorreu na omissão do valor apurado. Cientificada em 10/06/2011, fls. 91, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 08/07/2011, fls. 93, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que: a pensão alimentícia não era creditada em sua conta corrente bancária; conforme extratos de 2005, os valores depositados decorrem de estágios e não superaram o limite de isenção de imposto; a pensão alimentícia vem em nome de sua mãe, Valfrida Marques Pereira, que discute a falta do recolhimento do imposto de renda do referido ano na Justiça Federal (processo nº 2009.61.02.0123107, 6ª Vara/SP). Explica que o valor da pensão alimentícia é descontada do valor líquido dos vencimentos de sue pai e que um terço do imposto retido na fonte é referente à pensão alimentícia. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com os termos da homologação do acordo de separação judicial em 1981, fls. 22, ficou ajustado que os valores da pensão alimentícia seriam descontados em folha de pagamento de seu provedor, pai da recorrente, e destinariam à recorrente e sua irmã. Ficou também estipulado que os valores dessa pensão alimentícia seriam depositados em conta corrente bancária mantida em nome da mãe, Valfrida Marques Pereira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.721185/200906 Acórdão n.º 2802002.024 S2TE02 Fl. 105 3 A recorrente, embora alegue que os valores da pensão alimentícia não transitaram por sua conta corrente bancária, não nega que estes tenham sido descontados dos rendimentos percebidos por seu pai e depositados na mencionada conta corrente bancária mantida por sua mãe, durante o anocalendário de 2005. O art. 121 do Código Tributário Nacional – CTN – define que o sujeito passivo da obrigação principal é pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. No caso desse sujeito passivo ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador, ele se reveste da qualidade de contribuinte. A teor dessa definição legal, o fato de se constituir beneficiária da pensão alimentícia homologada judicialmente, por si só, é capaz de configurar a relação pessoal e direta da recorrente com os rendimentos recebidos a esse título. Portanto, para efeitos tributários, a recorrente é a contribuinte da situação tratada nos presentes autos, por ser a titular dos rendimentos que serviram de base para o lançamento de que trata o Auto de Infração de fls. 02 a 12. Observese, ainda, que a convenção firmada no acordo de separação judicial para que a pensão alimentícia fosse depositada em conta corrente mantida por sua mãe não modifica a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, consoante disposição expressamente prevista no art. 123 do CTN. Nesse contexto, não interfere na caracterização do sujeito passivo da obrigação de declarar os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia e de efetuar o recolhimento do carnê leão, o fato de os valores da pensão alimentícia eventualmente não ter transitado pela conta corrente bancária mantida pela recorrente. De acordo com a legislação em referência, basta a demonstração do recebimento desses rendimentos; situação não controversa nos presentes autos, conforme mencionado anteriormente. Também não desconstitui o presente lançamento a alegação apresentada pela recorrente no sentido de que sua mãe teria proposto ação judicial contestando eventual “falta de recolhimento do Imposto de Renda”. Tampouco interfere na exigência lançada a menção de que “um terço (1/3) do imposto retido na fonte é referente à pensão alimentícia” descontada em folha de pagamento do alimentante. No primeiro caso, observase dos elementos que integram os presentes autos, que anteriormente à constituição do lançamento, ora contestado, os valores correspondentes aos citados rendimentos de pensão alimentícia constituíram objeto do lançamento formalizado em outro processo contra a Valfrida Marques Pereira, mãe da recorrente. Submetido à exame em face do correspondente litígio instaurado, a autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente aquele lançamento, uma vez constatado que Valfrida Marques Pereira nunca foi titular da renda auferida da pensão judicial, mas sim suas duas filhas. Naquele caso ficou constatada também a impossibilidade de dedução da ora recorrente como dependente da então autuada, tendo em vista contar com a idade de vinte e cinco anos, à data do recebimento dos respectivos recebimentos. Quanto ao segundo fato acima que foi descrito pela recorrente, depreendese que sua intenção é tentar mostrar que o valor recebido de pensão alimentícia não teria sido supostamente deduzido quando da apuração da base de cálculo do imposto de renda que foi retido pela fonte pagadora dos rendimentos auferidos pelo alimentante. Contudo, não prospera tal tentativa, diante da falta de previsão legal para que os rendimentos de pensão alimentícia Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 sejam considerados não tributáveis por seus beneficiários, mesmo porque não há como vincular o tributo incidente sobre o rendimento do trabalho assalariado, auferido pelo alimentante, com o devido em função do recebimento da pensão alimentícia recebido pela recorrente. Portanto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000109/2007-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Comprovadas as despesas alegadas, é dever restabelecer as deduções a elas relativas.
Recuso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$19.207,63, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$19.207,63, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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DESPESAS MÉDICAS. Comprovadas as despesas alegadas, é dever restabelecer as deduções a elas relativas. Recuso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$19.207,63, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 01 09 /2 00 7- 14 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13708.000109/200714 Acórdão n.º 2801002.643 S2TE01 Fl. 64 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 38), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Auto de Infração (folhas 02 a 05) lavrado pelo Auditor –Fiscal da Receita Federal do Brasil Robert Rodrigues Pinho que reduziu o valor da restituição apurada em DIRPF de R49.238,02 para R$619,18, em razão de trabalho de malha fiscal em que foi apurada infração de dedução indevida de despesas médicas, em razão do não atendimento à intimação da fiscalização para comprovação dessas despesas. Em sua impugnação de folhas 01, o interessado alega somente que possui os documentos que comprovam quase todas as despesas médicas declaradas, e os anexa à peça impugnatória. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CGE entendeu por julgar parcialmente procedente a impugnação, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃOIMPUGNADA Considerase como não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Cientificado em 14/04/2011 (Fls. 53), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/05/2011 (fls. 54); argumentando basicamente que: 1 – Atendendo ao item Goldencross, anexa documento esclarecendo quem são os beneficiários do referido plano de saúde. 2 – Atendendo ao item Instituto Português Brasileiro da Assistência, anexa documento esclarecendo quem são os beneficiários do referido plano de saúde. 3 – Atendendo ao item Maria Alice Rangel, anexa documento esclarecendo que a mesma participou, efetivamente, da equipe médica do Dr. Maurício Cheveid na intervenção curúrgica realizada no Hospital Israelita do RJ. É o Relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13708.000109/200714 Acórdão n.º 2801002.643 S2TE01 Fl. 65 3 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Segundo tudo que consta no autos, o contribuinte apresenta recurso apenas contra a glosa das despesas médicas relativas ao plano de saúde Golden Cross, ao plano de saúde Instituto Português Brasileiro de Assistência, e a profissional Maria Alice Rangel. Deste modo, é de se entender como não recorrida a parte decisão da DRJ que manteve algumas das glosa das despesas médicas; restando em litígio apenas a glosa das despesas médicas mencionadas acima. Ante o fato de o contribuinte não haver apresentado a documentação pedida pela fiscalização durante o procedimento administrativo, coube a DRJ a análise da documentação apresentada com a impugnação Assim, a DRJ restabeleceu a dedução de algumas despesas médicas, e manteve outras glosas. Notadamente mantendo as glosas recorridas pelos seguintes argumentos; in verbis: Golden Cross: O documento de fl. 11 não especifica os beneficiários do plano de saúde, não permitindo saber se todos os beneficiários seriam dependentes do sujeito passivo. Instituto Português Brasileiro de Assistência: O documento de fl. 12 não especifica os beneficiários do plano de saúde, não permitindo saber se todos os beneficiários seriam dependentes do sujeito passivo. Maria Alice Simon Rangel: O recibo de fl. 08 referese a serviço de instrumentação de cirurgia feita pelo médico Maurício Chveide. Contudo, não há como saber se a emitente do recibo possui alguma das profissões arroladas no art. 8°, inciso II, alínea "a" da Lei n" 9.250, de1995. Buscando sanar as falhas apontadas pela DRJ, o recorrente apresenta novos documentos, complementando as provas já produzidas. Analisando o documento de folha 52 dos autos é possível verificar que o valor de R$12.222,02, foi pago ao plano de saúde Golden Cross, e tem como beneficiários o recorrente e seus dependentes. Já o documento de folha 53 atesta que o valor de R$6.985,61, foi pago ao plano de saúde do Instituto Português Brasileiro de Assistência, e tem como beneficiários o recorrente e seus dependentes. Saneadas as falhas apontadas pela DRJ para a dedução das despesas médicas acima, é dever restabelecêlas. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13708.000109/200714 Acórdão n.º 2801002.643 S2TE01 Fl. 66 4 Por fim, no que se refere a despesa médica com a profissional Maria Alice Simon Rangel, apesar do alerta da DRJ, o recorrente não comprova que tal profissional exerce uma das profissões arroladas no art. 8°, inciso II, alínea "a" da Lei n° 9.250, de1995. Razão pela qual a glosa referente a tal despesa médica deve ser mantida. Ante tudo acima exposto e o que constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer parte da dedução com despesas médicas, no valor de R$19.207,63. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000616/2010-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL - LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA - EMPREITADA DE LAVOR
Dos dados constantes nos autos se extrai a conclusão de que a atividade desenvolvida pela recorrente era a de empreitada, não havendo vestígio de marchandage, mediante subempreitadas. A empreitada, ainda que de lavor, se extrema da locação de mão de obra. Esta é pressuposto fático de vedação ao regime simplificado nacional, mas não aquela. Exclusão do citado regime que resulta derruída.
Numero da decisão: 1103-000.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL - LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA - EMPREITADA DE LAVOR Dos dados constantes nos autos se extrai a conclusão de que a atividade desenvolvida pela recorrente era a de empreitada, não havendo vestígio de marchandage, mediante subempreitadas. A empreitada, ainda que de lavor, se extrema da locação de mão de obra. Esta é pressuposto fático de vedação ao regime simplificado nacional, mas não aquela. Exclusão do citado regime que resulta derruída.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mário Sérgio Fernandes Barroso.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA EMPREITADA DE LAVOR Dos dados constantes nos autos se extrai a conclusão de que a atividade desenvolvida pela recorrente era a de empreitada, não havendo vestígio de marchandage, mediante subempreitadas. A empreitada, ainda que de lavor, se extrema da locação de mão de obra. Esta é pressuposto fático de vedação ao regime simplificado nacional, mas não aquela. Exclusão do citado regime que resulta derruída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mário Sérgio Fernandes Barroso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 06 16 /2 01 0- 90 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 220 2 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 221 3 Relatório DO LANÇAMENTO O presente processo tem origem no Ato Declaratório Executivo 57, de 24/3/2010, fl. 27, expedido pela DERAT/RJ, que excluiu a recorrente do regime do Simples Nacional. A exclusão ocorreu em 1/7/2010, dada a ocorrência de atividade econômica vedada pelo regime simplificado nacional, qual seja, de locação de mão de obra, conforme previsão do art. 17, XII, da Lei Complementar 123/06. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada e inconformada com o Ato Declaratório Executivo, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 29/4/2010, à fl. 29, alegando, resumidamente, o que segue. Afirmou nunca ter prestado serviços de locação de mão de obra. Ainda, que sua atividade econômica é, na verdade, a de manutenção, montagem e mecânica de chapas, máquinas e derivados. E, mais, contra essa atividade não há vedação para opção pelo regime do Simples Nacional, estando em conformidade com o art. 17, I a XV, da Lei Complementar 123/06, e suas posteriores alterações. Apresentou cópia de alteração contratual às fls. 11 a 13 e cópias de notas fiscais às fls. 14 a 23. Requereu, portanto, a revogação do ato de sua exclusão do regime do Simples Nacional. DA DECISÃO DA DRJ Em 16/6/2010, acordaram os membros da 7ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da interessada, de acordo com o entendimento que segue. Foi esclarecido o conceito de locação de mão de obra através da reprodução de parte da Solução de Consulta nº 127/02 da Disit da SRRF da 7ª RF. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 222 4 Através da análise das notas fiscais juntadas aos autos é possível observar as descrições dos serviços prestados, tais como “referente a mão de obra de serralheiro e ajudante (...)”. Assim, não há nos autos evidência de que a empresa forneça peças, conforme alegado, levandose em consideração que todas as notas fiscais são de prestação de serviços, não tendo havido menção à venda de peças ou insumos necessários à manutenção. Acrescentou que contribuem para a verificação da atividade de prestação de serviços de mão de obra as guias de recolhimento da previdência social preenchidas com o código de pagamento 2631 – Contribuição Retida sobra a NF/Fatura de Empresa Prestadora de Serviço – CNPJ. Constatouse a ocorrência de empreitada de lavor, assemelhada à locação de mão de obra, dando ensejo à vedação ao regime do qual foi excluída a recorrente. Ademais, não houve juntada de provas suficientes pela recorrente a ilidir a exclusão contida no referido ato declaratório. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do acórdão da 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em 29/7/10, a recorrente interpôs recurso voluntário em 21/8/10, aduzindo, em síntese, o que segue. Afirmou que pode ser optante do Simples Nacional pelo fato de que sua atividade econômica não se enquadra no rol do art. 17 da Lei Complementar 123/06, que é taxativo, mas sim entre as atividades previstas no inciso IX do § 5ºB do art. 18 da Lei Complementar 123/06, acrescido pela Lei Complementar 128/08. Asseverou que as vedações previstas pelo supramencionado art. 17 não se aplicam às pessoas jurídicas que se dedicam exclusivamente às atividades listadas no art. 18 da Lei Complementar 128/08. Assim, é permitida a adoção do regime do Simples Nacional para as empresas que praticam atividades previstas pelo art. 18, desde que não as exerçam concomitantemente com outras atividades impeditivas. Juntou novamente cópia de sua alteração contratual e cópias de notas fiscais às fls. 51 a 212. Por todo o exposto, requereu sua manutenção no regime do Simples Nacional. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 223 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 44 e 46). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório a questão controvertida e que fixa os limites objetivos da lide se identifica no desenvolvimento ou não de locação de mão de obra, por parte da recorrente. Vem do Direito Romano a distinção entre locatio conductio operararum e locatio conductio operis. Aquela, hodiernamente, compreende o negócio jurídico de prestação de serviços, e a última, também chamada de locatio operis faciendi, representa o negócio jurídico de empreitada (cf., entre outros, M. I. Carvalho de Mendonça, Contratos no Direito Civil Brasileiro – Tomo II. 4ª ed. Rio: Freitas Bastos, 1957, pp. 85, 103 e 104; Caio Mário da Silva Pereira, Instituições de Direito Civil – Vol. III. 10ª ed. Rio: Forense, 1996, pp. 169, 170, 201 e 237; Orlando Gomes, Contratos. 15ª ed. Rio: Forense, 1995, pp. 291, 297 e 298; Miguel de Maria Serpa Lopes, Curso de Direito Civil – Vol. 4. 4ª ed. Rio: Freitas Bastos, 1993, pp. 144, 178, 189 e 190). Ainda, no âmbito da locatio conductio operarum se encontram subdivididas a prestação de serviços sob regime de subordinação jurídica ou hierárquica, caracterizando o contrato de trabalho sob vínculo de emprego, objeto do Direito do Trabalho, e a prestação de serviços em sentido estrito, sob o regime do direito comum. A boa doutrina condena a inserção da prestação de serviços e da empreitada no instituto da locação derivada do Direito Romano (por ex., Miguel de Maria Serpa Lopes, op. cit., p. 144 a 146, 178 e 179, 189 e 190; Caio Mário da Silva Pereira, op. cit., pp. 237 e 238). O Código Civil de 2002, abandonando a orientação romanista adotada pelo Código Civil de 1916, limitou o uso da expressão locação para a de coisas (arts. 565 a 578 – Capítulo V do Título VI do Livro I da Parte Especial), não mais a estendendo para o contrato de prestação de serviços e de empreitada, reservando para cada um desses tipos contratuais um capítulo, respectivamente, Capítulos VII (arts. 593 a 609) e VIII (arts. 610 a 626) do Título VI do Livro I da Parte Especial. Entretanto, considerar a empreitada como locatio operis faciendi ou locatio conductio operis – em contraposição à locatio conductio operarum – ou seja, a adoção dessa distinção locatícia como ponto de partida, para extremar a empreitada da prestação de serviços em sentido estrito é válida, segundo entendemos. Sobretudo aos propósitos deste feito. Inclusive porque o art. 17, XII, da Lei Complementar 123/06 usa a expressão “cessão ou locação de mão de obra”, como atividade interditada ao regime simplificado, tipo que foi usado para a exclusão da recorrente do Simples (fl. 27): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 224 6 (...) XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; Como acentua Orlando Gomes, a doutrina alemã já distinguia a prestação de serviços em sentido estrito ou locação de serviços da empreitada ou locação de obra, pelo resultado da atividade. Na locação de serviços (Diensvertrag), objetivase a própria atividade, ao passo que na empreitada (ou locação de obra, Werklvertrag), objetivase a obra (Werk), que é o resultado (Erfolg), como causa do contrato1. Quer dizer, na locação de serviços ou prestação de serviços em sentido estrito, a própria atividade é a prestação imediata, causa do contrato. Já, na empreitada (locatio operis), o resultado da atividade é a prestação imediata, causa do contrato, comparecendo a atividade somente como meio ou fase preliminar da consecução da obrigação. E, na empreitada, ainda que o resultado consista num bem material, a obrigação de entrega do bem após sua conclusão não a transmuda em obrigação de dar. A entrega se vincula ao resultado concluído, sendo apenas o meio de se cumprir a obrigação de fazer. Prepondera, pois, a execução da obra – é o elemento juridicamente relevante. Na obrigação de dar, o facere é o meio para consecução da obrigação, preponderando o dare – o elemento juridicamente relevante – como é o caso da compra e venda2. Por seu turno, a locação de mão de obra ou a chamada cessão de mão de obra se coloca como subespécie da prestação de serviços em sentido estrito (em contraposição à empreitada), ou ainda, dependendo da situação de fato, pode vir a se apresentar em intersecção do direito comum com o Direito do Trabalho, ou mesmo se inserir integralmente nesse. Na locação de mão de obra se põe a relação mediata de trabalho entre o trabalhador e o que paga o trabalho, sem vinculação direta entre ambos, interpondose terceiro a quem se presta o trabalho, e que lhe aproveita3. Nela se inclui a chamada marchandage. Na marchandage, há subempreitadas, nas quais os empregados dessas ficam sob direção do empreiteiro, e não das subempreiteiras, procurandose evitar a contratação direta dos empregados pelo empreiteiro. Acaba sendo uma forma de explorar mão de obra cedendoa, de forma inconfundível com a intermediação de mão de obra propriamente dita, e igualmente exógena à cessão de mão de obra de trabalho temporário4. A marchandage, em tais termos, é vedada pela legislação francesa5. A cessão de trabalho temporário, evidentemente, é modalidade de locação de mão de obra ou de cessão de mão de obra, regulada no País pela Lei 6.019/74. 1 Cf. seu “Contratos”, 15ª ed. Rio: Forense, 1995, p. 299. 2 Cf. Caio Mário da Silva Pereira, “Instituições... – Vol. III”, p. 202. 3 Orlando Gomes, “op. cit.”, p. 296. 4 Cf. exposição de Sérgio Pinto Martins, “A Terceirização e o Direito do Trabalho”. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 1996, pp. 25 e 26. 5 Cf. Sérgio Pinto Martins, “A Terceirização...”, pp. 25 e 26. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 225 7 Vêse claramente que a locação de mão de obra é modalidade de prestação de serviços em sentido estrito ou de locação de serviços – locatio conductio operarum – sendo inconfundível com a empreitada ou “locação de obra” – locatio conductio operis. É indisfarçável que o fornecimento de materiais ou não pelo empreiteiro não desfigura o negócio jurídico de empreitada. Simplesmente, se não há fornecimento de materiais pelo empreiteiro, o negócio é denominado de empreitada de lavor. Se o empreiteiro fornece os materiais chamase de empreitada mista. Nisso não há dissídio na doutrina, e o Código Civil prevê ambas as formas de empreitada – arts. 611 a 613 e 617. É absolutamente inaceitável, pois, o fundamento da Solução de Consulta Disit/7ª RF, 127/02 de que a empreitada de lavor guarda similitude com a locação de mão de obra, sendo, por isso, impeditiva do Simples Nacional. E esse fundamento também foi utilizado pelo órgão julgador de origem, ao destacar que a atividade da recorrente não contempla fornecimento de materiais, tendo característica da empreitada de lavor, sendo, portanto, semelhante à locação de mão de obra (fl. 41). O exame da documentação acostada aos autos, fls. 55 a 199, 202 a 212, no caso, notas fiscais emitidas pela recorrente, permiteme extrair o juízo de que a atividade desenvolvida pela recorrente é a de empreitada (locatio conductio operis ou locatio operis faciendi). Tratase de empreitada de manutenção mecânica, recuperação de portões, confecção de pequenas peças componentes de máquinas como travas, guarda corpos, de suportes para longarina, de bocas de saída de água, de gabarito de alumínio, de silenciadores para bomba a vácuo, instalação e montagem e desmontagem de peças, partes de máquinas. Também as fls. 13, 14, 16 a 20 e 22, que acompanham o ato de exclusão da recorrente do regime simplificado nacional, não discrepam de tais atividades de empreitada. O fato de o dono da obra (contratante) ser somente uma empresa – a Eternit – não tem o condão de desfigurar a característica de negócio jurídico de empreitada, mesmo que de lavor. Aliás, a empreitada não precisa ser de uma determinada obra, ou melhor, só de uma obra, podendo ser de prestações periódicas ou escalonadas de obras, a que se chama de empreitada ad mensuram, em contraste com a empreitada per aversionen (não periódica)6. Mais. Ainda que se revelasse uma realidade diversa da valoração das provas constantes nos autos, ela só poderia ser a de prestação de serviços em sentido estrito, locatio conductio operarum, porém, não na subespécie de locação de mão de obra. Nenhum vestígio disso há nem tal juízo há como se extrair. Disse, ainda que se revelasse, pois não se revela. Por quê? 6 Cf. Orlando Gomes, “op. cit.”, p. 299. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 226 8 Na empreitada se promete um resultado eficaz, uma obra, um resultado opus. Para ser uma prestação de serviços em sentido estrito (locatio operarum), podese divisar a promessa de um resultado, mas aí é “o resultado a produzir imediatamente em virtude da atividade”, não sendo prometido um resultado opus, um resultado eficaz ou esperado, como pondera com precisão Orlando Gomes7. Ou ainda, pode haver prestação de serviços em sentido estrito, e não empreitada, se concebida obra como qualquer resultado decorrente da atividade, e não como o resultado esperado, ou resultado opus propriamente8. É o que se pode dar ao se contratar um cirurgião. Vêse, no caso vertente, que o objeto da relação obrigacional é o resultado opus, o resultado esperado, e não o resultado imediato da atividade, com preponderância dessa. Daí empreitada, aqui. É como vejo. Ainda que o motivo da exclusão tivesse sido a prestação de serviços de natureza técnica (inciso XI do art. 17 da LC 123/06), a pretensão fiscal não poderia prosperar. Isso porque, em tal caso, incidiria o art. 17, § 1º c/c o art. 18, § 5ºB, IX, da LC 123/06, com a redação da LC 128/08. Eis a dicção dos referidos dispositivos legais: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (...) § 1º. As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5ºB a 5ºE do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I desta Lei Complementar. (...) 7 Cf. “op. cit.”, p. 292. 8 Cf. Orlando Gomes, “op. cit.”, p. 291. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 15374.000616/201090 Acórdão n.º 1103000.782 S1C1T3 Fl. 227 9 § 5ºB. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: (...) IX serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; Em seus termos, não se põe na vedação ao Simples Nacional o desenvolvimento de serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, mesmo que tais atividades venham a se caracterizar como de natureza técnica. Isso, na medida em que não concorra a prestação de outros serviços ou pressupostos fáticos vedados para o regime simplificado. E não há nada nos autos que indique o concurso de outros serviços ou de pressuposto fático vedados para adesão ao Simples Nacional. De todo modo, tratase de fundamento subsidiário, porquanto, como já deduzido, o motivo da exclusão é outro – locação de mão de obra e a atividade desenvolvida é de empreitada (locatio operis), e não de prestação de serviços em sentido estrito (locatio operarum), tampouco em sua subespécie locação de mão de obra. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13971.001591/2006-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, não comprovada a efetividade da entrega dos recursos ou, ainda que comprovada a efetividade da entrega, a não comprovação de sua origem.
GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA.
Somente são dedutíveis do lucro real as despesas operacionais necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, usuais ou normais no tipo de atividade da empresa.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. POSSIBILIDADE
Derivadas de fatos geradores distintos, e sendo ambas oriundas de dispositivos legais em vigor, coexistem a multa proporcional, prescrita no art. 44, I, e a multa isolada, prescrita no art. 44, II, ambos da Lei nº 9.430/96, se forem verificadas cumulativamente as distintas condutas prescritas nesses dispositivos.
ESTORNO DE JUROS.
Já definitivamente constituída ao longo do tempo, pelo regime de competência, a situação de credor, computados inclusive os juros devidos nos períodos escriturados, não se justifica estorno destes, com dedução na base de cálculo do lucro real, sendo certa a realização do negócio de mútuo.
Numero da decisão: 1302-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira que davam provimento em maior extensão, para excluir a multa isolada da CSLL e IRPJ
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Andrada Márcio Canuto Natal e Márcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, não comprovada a efetividade da entrega dos recursos ou, ainda que comprovada a efetividade da entrega, a não comprovação de sua origem. GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. Somente são dedutíveis do lucro real as despesas operacionais necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, usuais ou normais no tipo de atividade da empresa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. POSSIBILIDADE Derivadas de fatos geradores distintos, e sendo ambas oriundas de dispositivos legais em vigor, coexistem a multa proporcional, prescrita no art. 44, I, e a multa isolada, prescrita no art. 44, II, ambos da Lei nº 9.430/96, se forem verificadas cumulativamente as distintas condutas prescritas nesses dispositivos. ESTORNO DE JUROS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 91 /2 00 6- 09 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 Já definitivamente constituída ao longo do tempo, pelo regime de competência, a situação de credor, computados inclusive os juros devidos nos períodos escriturados, não se justifica estorno destes, com dedução na base de cálculo do lucro real, sendo certa a realização do negócio de mútuo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira que davam provimento em maior extensão, para excluir a multa isolada da CSLL e IRPJ (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Andrada Márcio Canuto Natal e Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 772 3 Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração (fl.242/255) o qual lhe exige a importância de R$ 849.115,26, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, correspondente a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora à época do pagamento. É exigida, também, multa isolada de 50% incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, no valor de R$ 401.588,00. Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep (fls.256/260), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls.261/265), e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.266/176), nas importâncias de R$ 290,94, R$ 3.325,14 e R$ 305.681,49, respectivamente, acrescidas da multa de ofício de 75 % e de juros de mora à época do pagamento. É exigida, também, a multa isolada de 50% incidente sobre a base de cálculo estimada da CSLL em função da receita bruta e acréscimos, no valor de R$ 144.394,79 (FLS. 276/281) O total do crédito tributário exigido é de R$ 3.082.989,20, conforme tabela a seguir: TRIBUTO CRÉD.TRIBUTÁRIO EM R$ IRPJ + MULTA ISOLADA 2.264.059,27 PIS 720,38 COFINS 3.325,14 CSLL 670.489,62 MULTA ISOLADA CSLL 144.394,79 TOTAL 3.082.989,20 Foi lavrado Termo de Verificação de Infração IRPJ e Reflexos, às fls.199 a 219 e anexos de fls.220 a 240, que fazem parte integrante do auto de infração do IRPJ e autos decorrentes. Da ação Fiscal: O Termo de Verificação de Infração – IRPJ e Reflexos, nos dá conta de que a ação fiscal foi iniciada em 24/04/2006. No termo de Início a pessoa jurídica foi intimada a apresentar os contratos de mútuo com suas empresas controladas que estavam em vigor no período de 2002 a 2004, os balanços patrimoniais das empresas controladas e a disponibilizar os livros Diário, Razão e LALUR. Em resposta ao termo de início a pessoa jurídica apresentou os contratos nº 001/98, 002/98, 001/02, 002/02, 001/03, 001/00, 001/99 e 001/01, Terrissol Corp. no valor de U$ 1.000.00,00, U$ 1.200.000,00, U$ 1.500.000,00, U$ 1.500.000,00 e U$ Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 500.000,00, respectivamente, e com a Karsten Europa GmbH de U$ 1.700.000,00 e Karsten Argentina SA nos valores respectivos de U$ 600.000,00 e U$ 1.100.000,00. Estes contratos contêm uma cláusula estabelecendo que os juros devidos serão restituídos somente no final do contrato, quando o principal também for devolvido. A fiscalizada foi intimada a apresentar os arquivos magnéticos (termo de intimação nº 01) e uma planilha contendo informações relativo a valores, datas e percentuais utilizados com relação aos juros incidentes sobre os valores emprestados às empresas controladas (termo de intimação fiscal 02), além da apresentação dos documentos que comprovassem os valores entregues pelos sócios/administradores. Em 21/06/2006, a fiscalizada apresentou a planilha de juros dos contratos de mútuo, cópia dos contratos de mútuo com diretores, cópias de recibos e a relação dos valores entregues pelos diretores, contendo data, valores, forma de pagamento e conta contábil de contrapartida. Ao final da planilha a fiscalizada informa não ser possível identificar se estes valores foram recebidos em dinheiro ou cheque. Pelo termo de intimação fiscal nº 03/2006, a fiscalizada foi intimada, na forma do art. 282 do RIR/99, a comprovar a efetividade da entrega e a origem dos recursos entregues. Em 12/07/2006 atendeu a intimação apresentando planilha relacionando os valores entregues pelos diretores e administradores, discriminando a forma recebida, o destino dado aos recursos recebidos e a origem dos mesmos (informação fornecida pelo supridor dos recursos) e também recibos de depósito bancário e/ou recibo de entrega. Pelo termo de intimação nº 9/2006, a fiscalizada foi intimada a justificar e demonstrar o estorno realizado do valor de R$ 978.384,88, na conta 3040101 Juros Recebidos. Em resposta a esta intimação a fiscalizada apresentou demonstrativo dos contratos de mútuo nº 001/99 e 001/01, firmados com sua controlada Karsten Argentina, consultas ao Bacen sobre a possibilidade de converter os valores emprestados em remessa para aumento de capital, ata nº 24 da Karsten Argentina aprovando a conversão e correspondências enviadas aos bancos Unibanco e HSBC, solicitando a baixa dos valores previstos para retorno. Diante dos documentos apresentados em resposta às intimações, a fiscalização entendeu como infração tributária e seu conseqüente lançamento de ofício as seguintes infrações: Suprimento de Caixa Os documentos apresentados pela fiscalizada foram considerados insuficientes para a comprovação da origem dos recursos entregues e a efetividade da entrega do numerário referente aos seguintes empréstimos: ITEM DATA VALOR ADMINSTRADOR/DIRETOR 01 11/01/02 16.312,40 Ralf Karsten 02 27/03/02 5.000,00 Margarete Silvia Karsten 03 08/05/02 2.600,00 Carlos Odebrecht 04 07/08/02 2.450,00 Rejane Jansen 05 12/08/02 5.000,00 Rejane Jansen 06 21/08/02 600,00 Carlos Odebrecht 07 24/09/02 800,00 Carlos Odebrecht 08 30/09/02 2.000,00 João Karsten Neto 09 11/10/02 10.000,00 João Karsten Neto A fiscalização apurou que todos os valores acima relacionados foram entregues em numerário diretamente no caixa da empresa. Neste caso, entende a fiscalização que se configurou a presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por suprimentos de caixa não comprovados, no valor de R$ 44.762,40. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 773 5 Glosa das despesas financeiras: A fiscalizada efetuou (sic) empréstimos e mútuos em moeda nacional e estrangeira (Grupo de contas 2102 e 2202 – Financiamentos constantes do seu Passivo) incorrendo no pagamento de juros e ao mesmo tempo era detentora de créditos (contas 1108 e 1201 – Ativo) contra empresas controladas, desvinculadas de suas atividades normais e usuais, sobre os quais cobrou encargos em valores substancialmente menores do que os encargos pagos. Entende a fiscalização que são indedutíveis, por desnecessárias, as despesas financeiras da empresa que fornece recursos financeiros a outras empresas, sem remuneração ou com remuneração inferior às taxas de mercado. Esta dedutibilidade é calculada com base na proporção dos empréstimos a terceiros. A fiscalizada disponibilizou recursos a suas controladas (ativo realizável longo prazo), Karsten Europa, Karsten América e Karsten Argentina, cujo detalhamento se encontra nos anexos I.1, I.2 e I.3 às fls.220 a 222. No exame dos balanços e balancetes a fiscalização constatou a existência de passivos (Passivo Circulante – Financiamentos, conta 2102 e PELP – Financiamentos, conta 2202) referentes à captação de recursos externos para a manutenção de suas atividades, nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004. Nos anexos II.1, II.2 e II.3 às fls. 223 a 225 onde está o detalhamento dessas contas. Os contratos de mútuo com as empresas controladas previam a incidência de encargos, sendo que os mesmos somente seriam pagos quando da devolução do principal. A empresa contabilizava estes encargos a débito das contas de ativo e a crédito das contas de resultado. Nos anexos III.1, III.2 e III.3, às fls. 226 a 228, estão detalhadas as receitas geradas pelos empréstimos concedidos pela contribuinte. Os valores estão detalhados mensalmente. Nos anexos IV.1, IV.2 e IV.3, fls. 229 a 231, foram detalhadas as despesas geradas pelos empréstimos contraídos pela contribuinte. Os valores levados a despesas estão detalhados mensalmente. Foram elaborados os anexos V.1, V.2 e V.3 (fls. 232 a 234) foi elaborado um demonstrativo das despesas financeiras indedutíveis em 2002, 2003 e 2004. A partir destes anexos a fiscalização demonstra às fls. 211 os valores correspondentes a despesas financeiras glosadas. Abaixo os valores consolidados: ANO MÊS 2002 2003 2004 Janeiro 39.559,67 128.796,69 38.476,23 Fevereiro 92.512,57 105343,32 33.322,57 Março 80.726,26 95.210,47 30.329,46 Abril 30.850,97 100.057,34 27.232,37 Maio 35.567,08 151.920,29 46.010,17 Junho 67.556,82 134.326,79 55.151,56 Julho 2.290,30 125.927,24 32.732,26 Agosto 87.404,18 124.572,13 30.848,32 Setembro 27.782,39 73.712,77 27.793,93 Outubro 93.377,21 46.752,20 39.366,86 Novembro 73.365,60 70.248,54 40.429,54 Dezembro 123.123,57 45.889,27 17.600,26 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 O procedimento fiscal entende que nos termos do Regulamento do Imposto de Renda e da jurisprudência pacífica sobre o assunto, somente as despesas financeiras que, sendo operacionais, estejam revestidas dos predicados de usualidade e normalidade e que guardem uma natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora; que, em suma, sejam indispensáveis. A contribuinte, ao mesmo tempo que concedia empréstimos a terceiros, comprometia parte do seu capital de giro, tomando empréstimos e arcando com despesas de juros sobre eles. Dito em outras palavras, a empresa apropriou encargos que reduziram o lucro real, encargos esses incidentes sobre capitais que financiaram as atividades das suas controladas e não as suas. Daí a conclusão pela indedutibilidade dos montantes excedentes. Estorno de juros: A fiscalizada firmou contratos com sua controlada no exterior Karsten Argentina de nº 001/99 e 001/01. A mutuária ficou obrigada a restituir o principal acrescido de uma taxa de juros, sendo que o efetivo pagamento dos juros somente ocorreria por ocasião da restituição do principal. Durante a vigência dos contratos contabilizou os valores dos juros a receber a débito da conta 120102 – Créditos de empresa ligada Karsten Argentina e a crédito da conta de resultado. Em agosto de 2002, a contribuinte solicitou ao Banco Central do Brasil – Bacen – autorização para a conversão de valores do empréstimo a Karsten Argentina em aumento de capital naquela empresa. A resposta do Bacen, em maio de 2003, foi de que a contribuinte poderia promover a transformação de sua operação em empréstimo em investimento brasileiro no exterior, mediante a conferência dos créditos ao capital de sua subsidiária externa, tão somente utilizandose de movimentações contábeis dos recursos envolvidos, o que prescindiria de autorização prévia do Banco Central. Em setembro de 2003 a Karsten Argentina realizou assembléia geral extraordinária aprovando a conversão dos créditos emprestados em aporte de capital. Em 30.09.2003, a fiscalizada escriturou a débito da conta do grupo de receitas financeiras, o valor dos juros acumulados no total de R$ 978.384,88. O principal foi convertido em capital e os juros estornados. Entende a fiscalização que nos termos da resposta do Banco Central deveria ter sido convertido os valores do principal somado aos dos juros acumulados e assim não há como separar os juros creditados em anos anteriores e estornálos. Ausência de recolhimento do IRPJ e da CSLL, com base em balanço de Suspensão. A fiscalização aplicou a multa isolada pelo descumprimento da obrigatoriedade do recolhimento mensal do IRPJ e CSLL, nos termos do art. 222 do RIR/99. Com base no lucro real mensal registrado no LALUR, na glosa das despesas financeiras, nos valores passíveis de dedução informados na ficha 11 da DIPJ, para cada mês dos anos de 2002, 2003 e 2004, fez o cálculo do IRPJ e da CSLL a pagar, com base em balanço de suspensão, observando a forma estabelecida pela legislação vigente. As planilhas VI.1 a VI.6 , fls. 235 a 240, mostram os cálculos mensais do IRPJ e da CSLL a pagar apurados e os cálculos das multas isoladas. Da impugnação: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 774 7 Inconformada, a contribuinte apresentou a sua impugnação às fls.302 a 316 e documentos anexos as fls. 286 a 301 e 317 a 628, alegando em síntese: A)Suprimentos de caixa: Alega que não é razoável presumir que a impugnante tenha promovido omissão de receitas. A fiscalização questionou cerca de 212 entregas de recursos por parte de diretores/administradores e destas a fiscalização admitiu a regularidade de 203 entregas, ou seja, entendeu que apenas nove (09) seriam irregulares (duas delas apenas parcialmente), isto é, configurariam suprimentos de caixa. Alega que não é razoável que a impugnante tenha realizado num mesmo período e envolvendo os mesmos administradores 203 depósitos regulares e apenas 9 irregulares. Isto é absolutamente incompatível com a atitude de quem quer omitir receitas. Além disso, nos 203 depósitos considerados regulares pela fiscalização, havia depósitos de valores muitas vezes superiores aos valores dos 9 depósitos. como por exemplo os depósitos de R$ 300.000,00 (09/08/02), R$ 140.000,00 (16/04/04) e R$ 200.000,00 (06.01.04). Cita ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes 10225.405/91, que assim se pronunciou: “Se instada a comprovar os suprimentos feitos à conta caixa por diretores e a empresa logra demonstrar com documentos hábeis e idôneos as entregas de numerários, exceto um lançamento em percentual mínimo em relação ao montante é de se admitir a efetiva realização do empréstimo”. Alega que na verdade não se tratava de empréstimos, mas sim contas correntes mantidas pelos diretores/administradores junto a impugnante. Questiona se faria sentido uma empresa que está no mercado a 124 anos, que é empresa de capital aberto, auditada por Auditores Independentes, sujeita a fiscalizações da Comissão de Valores Mobiliários – CVM – e que no ano de 2002, quando teriam ocorrido os suprimentos, tenha tido uma receita operacional bruta auferida de R$ 252.165.382,58 (apenas a impugnante, sem considerar suas controladas no exterior), que foi declarada pela empresa, que recolheu tributos sobre ela, iria promover a omissão de receitas no valor de R$ 44.762,40?. É evidente que não. B) Glosa de despesas financeiras deduzidas pela impugnante: Alega que nos contratos de mútuo firmados com as controladas (docs. 20,21,23,24,2628,30,32,33,35 e 37), a impugnante sempre cobrou, durante o período abrangido pelos autos de infração, Libor + 3% ao ano. E, como comprovam os contratos anexos (docs. 39 a 93), a impugnante tomou vários empréstimos com encargos inferiores aos acima previstos. Somente para exemplificar: os contratos agora juntados são mais de cinquenta! O fisco chegou à conclusão diversa porque, ao comparar os “encargos” cobrados das controladas com aqueles pagos nos empréstimos tomados pela impugnante, não considerou apenas os encargos em si (juros + comissões), mas incluiu também no cálculo a variação cambial incidente sobre os valores emprestados e tomados emprestados. Tanto é verdade que nas planilhas III.1 e III.2 do Termo de Verificação de Infrações o fisco concluiu que em alguns meses a impugnante teria direito a juros negativos e isto é uma prova contundente de que há alguma coisa errada nos cálculos do fisco e que, no entender da impugnante, se deve a inclusão, nos cálculos efetuados, da variação cambial verificada naquele período; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 Que a fiscalização entendeu que a impugnante, nos empréstimos concedidos a suas controladas teria promovido cobrança de encargos em valores substancialmente menores do que os encargos pagos. No entender da impugnante a fiscalização não poderia chegar a esta conclusão, se não comparou os encargos pagos com os encargos cobrados (grifos da impugnante); Que a contabilização pela impugnante, que também registrava a variação cambial, é correta, mas não serve para aquilo que o fisco pretendia comprovar, pois cabe a ela nos termos do art. 142 do CTN identificar quais seriam os encargos pagos e cobrados pela impugnante; A comparação entre os encargos não pode considerar aqueles incidentes sobre os empréstimos tomados em moeda nacional. Para se realizar uma comparação correta entre os encargos pagos e os cobrados, deveriam ser considerados apenas os empréstimos tomados em moeda estrangeira; A impugnante toma empréstimos em moeda estrangeira para viabilizar suas exportações (criando um hedge natural) e repassa parte destes recursos tomados em moeda estrangeira para suas controladas viabilizarem suas operações de exportações (cfe. demonstrativos nos doc 94 a 96). Todas as operações que ocorrem entre a impugnante e suas controladas são realizadas em moeda estrangeira; Assim que, as comparações deveriam ser feitas entre os encargos pagos e os cobrados, em moeda estrangeira. Os empréstimos tomados pela impugnante em moeda estrangeira têm custo inferior aos cobrados em empréstimos em moeda estrangeira de suas controladas. Sendo assim não há que se falar em despesas financeiras desnecessárias; Alega que facilmente pode ser verificado nos Anexos I.1 a I.3 do Termo de Verificação de Infrações, que os cálculos do fisco aumentaram artificialmente o valor dos empréstimos concedidos as empresas controladas. A cada novo mês a fiscalização recalculou o valor dos empréstimos concedidos às controladas. Em cada novo calculo que fazia convertia novamente o valor dos empréstimos às controladas originalmente expressos em moeda estrangeira, para real. Cita como exemplo o empréstimo de U$ 1.700.000,00 em 14/12/99 e 07/01/2001 a Karsten Argentina SA, que durante todo o ano permaneceu neste mesmo valor em dólar, mas no calculo da fiscalização o valor destes empréstimos mudava mês a mês, de acordo com a cotação do dólar. Por exemplo, no mês de janeiro de 2002 aparece sendo R$ 4.539.065,44, enquanto no mês de setembro de 2002 ele seria R$ 7.576.702,56. Este procedimento distorceu por completo o valor dos empréstimos feitos e por conseqüência , dos valores que acabaram sendo glosados. Como informam os anexos V.1 a V.3 do Termo de Verificação, o total dos empréstimos concedidos à controlada era uma das variáveis consideradas nos cálculos dos valores a serem glosados; Sob a ótica da impugnante, as despesas financeiras eram efetivamente dedutíveis, e não poderiam ser glosadas, porque , ao contrário do que defendeu a fiscalização, eram realmente necessárias; Com relação à necessidade das despesas financeiras a impugnante explica as fls.309, 308v e 309 as controladas no exterior é que viabilizam suas exportações, que é impossível realizar exportações sem incorrer em despesas, para promover exportações é não apenas normal ou usual, mas absolutamente indispensável que as empresas tenham despesas; Que a impugnante não teria nenhum benefício, se assumisse despesas que seriam de suas controladas, pois de nada adiantaria para a impugnante reduzir seu lucro através de despesas financeiras (em vez das próprias controladas contabilizarem estas despesas), se os lucros auferidos pelas controladas seriam Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 775 9 tributados mesmo assim, por força do art. 74 da MP nº 2.25835/01. Os lucros das controladas no exterior seriam considerados disponibilizados para a controladora no Brasil e, portanto, sujeitos à tributação no País na data do balanço no qual tiverem sido apurados; Alega de um modo geral que as despesas financeiras geraram receitas para a impugnante. Demonstra as fls. 309v o crescimento das exportações o que foi viabilizado pelas controladas que compravam mercadorias diretamente da impugnante; Com a criação das controladas no exterior a impugnante teve um aumento substancial em suas receitas (64,53%). O Conselho de Contribuinte em acórdão citado conclui como dedutíveis as despesas financeiras quando elas geram receitas para a empresa; Que as despesas financeiras glosadas não poderiam ser consideradas desnecessárias porque resultaram em receitas substanciais para a impugnante; Invoca os art. 243 do RIR/99 para fundamentar suas alegações com relação à regularidade das deduções efetuadas, não podendo a fiscalização glosar despesas financeiras assumidas pela contribuinte, sob o fundamento de que as suas receitas financeiras (juros cobrados das controladas) seriam muito baixos. Que os contratos de mútuo (doc. 20, 21, 23. 24, 26, 28, 30 32, 33, 35 e 37) atestam que os juros cobrados pela impugnante de suas controladas eram: Libor + 3%, ou seja, os mesmos previstos no art. 243, § 1º do RIR/99; Alega que os empréstimos tomados e concedidos a suas controladas são regulares e legais. Se a RF concorda com a legalidade dos contratos não teria condições de questionar os encargos incidentes, sejam aqueles pagos ou aqueles cobrados pela contribuinte; A legitimidade dos contratos de empréstimos nunca questionada pela fiscalização, conduz necessariamente, à conclusão de que os direitos e obrigações deles decorrentes eram legítimos e isso também impedia a glosa das despesas financeiras; É direito da impugnante tomar empréstimos e aplicar seus recursos de acordo com aquilo que lhe parecer melhor. Como está provado que não houve fraude o fisco não poderia questionar a necessidade, ou não, das despesas financeiras da impugnante; A contabilidade da impugnante não foi colocada sob suspeita em nenhum momento pela fiscalização o que comprova que ela é plenamente regular. Tanto é verdade que o próprio fisco utilizouse dela para o cálculo dos valores que entende devidos. Isto demonstra que a empresa apenas promoveu operações normais, regularmente contabilizadas; Devese dizer que a fiscalização, ao calcular as despesas financeiras geradas pelos empréstimos tomados pela impugnante (Anexos IV.1 a IV.3 do Termo de Verificação de Infração) deixou de considerar créditos da empresa. Nestas planilhas há uma coluna para os créditos auferidos pela impugnante, que foram registrados mês a mês pelo Fisco. Tais créditos foram deduzidos dos débitos gerados pelos empréstimos tomados, obtendose as despesas financeiras incorridas pela impugnante a cada mês; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 10 Todavia, os cálculos da fiscalização não consideraram os créditos que a impugnante obteve no mês de dezembro de cada um dos anos envolvidos, nos seguintes valores: R$ 78.973,79 (12/2002); R$ 76.929,63 (12/2003) e R$ 127.630,80 (12/2004), como comprovam os respectivos lançamentos no livro Razão (docs 100 a 102). Concluímos por este vértice que os cálculos da fiscalização merecem censura. C) Mútuo com a Karsten Argentina SA: estorno dos juros: Alega de início que se a impugnante não tivesse estornado os juros, tais valores teriam exatamente o mesmo destino do principal emprestado: seriam perdidos pela contribuinte. Se o principal foi convertido em investimento brasileiro no exterior mediante a sua conferência ao capital da Karsten Argentina SA, mas acabou não sendo recuperado pela impugnante, o mesmo aconteceria com os juros, fatalmente, se eles tivessem sido convertidos em investimentos juntamente com o principal. Alega, ainda que, por força dos próprios contratos de mútuos, os juros não seriam pagos antes do principal; Alega que em 31 de março de 2004, foi deliberada pela liquidação da sociedade (Karsten Argentina SA), como menciona a Ata da AGE – Doc. Nº 103. A Karsten Argentina passou por dificuldades financeiras (devido à crise que assolou a Argentina naquela época) que tornaram praticamente impossível a devolução dos empréstimos. Havia um passivo a descoberto (APPL) de mais de cinco milhões de pesos argentinos; Em situações como esta é comum que o credor conceda abatimento de parte da divida, se o devedor se comprometer a pagar o remanescente. Foi justamente isto que aconteceu no caso em questão. A impugnante estornou os juros a receber, a fim de evitar a perda de todo o capital emprestado; Alega que o estorno dos juros foi uma tentativa da impugnante de recuperar o capital emprestado a controlada. Sem o estorno dos juros a impugnante provavelmente não conseguiria aumentar a sua participação na controlada, mediante a conversão do principal em capital da Karsten Argentina SA. Esta tentativa não resultou em efetivo recebimento do capital emprestado, porque a controlada entrou em processo de liquidação logo na seqüência. O estorno dos juros não foi uma atitude com o objetivo de reduzir os tributos a pagar. Foi medida adotada com boa fé que apenas tentava possibilitar o recebimento de pelo menos parte dos recursos emprestados a controlada. Cita Acórdão do CC sobre o abatimento concedidos na liquidação de créditos, nos termos do art. 43 da Lei 8981/95; Alega que como os valores dos juros não foram realmente recebidos pela impugnante, não poderiam ser considerados, como receita ou lucro tributável. Destaca que a fiscalização não questionou em nenhum momento a autenticidade do estorno promovido pela impugnante. O fato é que a impugnante efetivamente realizou o estorno dos juros (não se trata de artifício para omitir receitas) por que não recebeu os respectivos valores. D)As multas aplicadas isoladamente não podem ser exigidas: Alega que o dispositivo invocado pela fiscalização como fundamento para aplicação da multa isolada (art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96, na redação conferida pelo art. 18 da MP 303/06) não poderia ser aplicado, porque somente entrou em vigor em 2006, muito depois, do período abrangido pelos ªI. (2002 a 2004), o que somente seria possível se fosse benéfico para o contribuinte (art. 106 do CTN), o que aparentemente não ocorreu; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 776 11 Discorda da aplicação das multas isoladas cumulativamente com as multas proporcionais. Alega que estas duas categorias de multas estão sendo exigidas pelo mesmo motivo (não pagamento de tributos supostamente devidos), o que não é possível porque representa bis in idem;, E) Inconstitucionalidade das multas: Nos itens 120 a 129 (fls. 314v, 315 e 315v) faz alegações sobre a inconstitucionalidade das multas, alegando confisco o que é vedado pela CF/88; F) Taxa SELIC: Nos itens 130 a 135, fl. 316, faz alegações genéricas contra a utilização da taxa SELIC. Requerimento: Preliminarmente, requer que seja realizado julgamento único para todos os autos de infração que integram o presente processo; No mérito, seja julgada procedente a impugnação para (a) cancelar os autos de infração, ou na pior das hipóteses, (b) excluir do montante devido às multas cominadas e a taxa SELIC; Requer, também a produção de todas as provas em Direito admitidas, sem nenhuma exceção. A 3ª Turma da DRJ/FNS, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, nos termos do relatório e do voto do relator, com supedâneo nos seguintes fundamentos: A Suprimentos de caixa não comprovados: Quanto aos 09 empréstimos não comprovados, a impugnante em nenhum momento, seja durante o procedimento fiscal, ou seja nesta impugnação, comprova a origem dos recursos e a efetividade da entrega do numerário ao caixa. Embora a maioria dos depósitos tenha sido comprovado pela impugnante, na legislação em vigor que trata desta matéria – art. 282 do RIR/99 não existe a possibilidade de se relevar valores não comprovados, mesmo que este sejam em menor quantidade ou de menor valor. B Glosa de despesas financeiras deduzidas pela impugnante: Para chegar aos valores glosados a fiscalização elaborou uma série de planilhas com o respectivo detalhamento dos valores. A fiscalização se utilizou da proporcionalidade existentes em cada mês entre os valores das contas do passivo, representativas dos empréstimos tomados junto as Instituições Financeiras e aplicou este percentual sobre os valores levados a despesas financeiras pela impugnante. O valor encontrado foi deduzido do valor que a impugnante contabilizou como receitas financeira auferida de empréstimos efetuados a empresas controladas e considerando o valor encontrado como despesa indedutível por desnecessária, nos termos do art. 299 e §§ do RIR/99. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 12 A título de exemplo, adotou o mês de janeiro de 2002 (Planilha do anexo V.1 fl. 232) como referência. Neste mês, o valor contabilizado como empréstimo/mútuo às empresas controladas no ativo foi de R$ 13.613.083,77. O valor total contabilizado no passivo a título de empréstimos tomados junto às Instituições Financeiras foi de R$ 72.574589,32. A proporção entre os dois valores corresponde a 18,76 % (percentual arredondado). O valor total que a impugnante lançou como despesa financeira neste mês foi de R$ 1.105.597,83. Aplicandose o percentual de 18,76%, sobre o total da despesa financeira do mês temse o valor de R$ 207.381,07. Como a impugnante contabilizou o valor de R$ 167.821,40 a titulo de receita financeira a fiscalização considerou indedutível, por desnecessária, a diferença entre os valores de R$ 207.381,07 R$ 167.821,40 = R$ 39.559,67. Este foi o padrão do calculo elaborado pela fiscalização em todos os meses dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004. A impugnante em nenhum momento, seja durante o procedimento fiscal, seja na impugnação apresentou planilha, demonstrativo do cálculo dos juros auferido de suas controladas. O fato de nos contratos de mútuo os juros cobrados pela impugnante de suas controladas serem calculados com base na taxa Libor + 3%, ou seja, os mesmos previstos no art. 243, § 1º do RIR/99”, não altera a solução dada ao caso, uma vez que o art 243 do RIR/99, referese tão somente à legislação sobre preço de transferência. Além disso, nenhuma planilha demonstrando que o cálculo dos referidos juros auferidos das controladas foram calculados na forma especificada no contrato foi apresentada. As despesas financeiras incidentes sobre empréstimos tomados junto a instituições na parte que serviu de lastro para empréstimos/mútuos a controladas, não devem ser maiores do que os encargos incorridos destas mesmas controladas sobre os valores a elas repassado. O valor a maior é despesa desnecessária, portanto, indedutível na determinação do lucro real. A proporcionalidade é o critério correto para demonstrar qual parcela das despesas financeiras, diminuída dos juros auferidos dos empréstimos a controlada é dedutível. Com relação as alegações de que o procedimento fiscal teria distorcido os valores em função da variação cambial, importa dizer que a referida variação é parte integrante dos empréstimos e, por isso, integra o saldo dos mesmos. Ademais, a variação cambial passiva ou ativa tem natureza de despesa ou receita financeira, conforme art. 9º da Lei nº 9.718/99. C) Mútuo com a Karsten Argentina SA: estorno dos juros: A impugnante firmou dois contratos de mútuo com sua controlada no exterior Karsten Argentina SA, ficando a mutuaria obrigada a restituir a quantia do principal acrescida da taxa de juros, o que somente ocorreria quando da restituição do principal. Em consulta ao Banco Central (agosto de 2002) solicitou autorização para a conversão do citado mútuo em aumento de capital na controlada Argentina. O Banco Central respondeu a impugnante em maio e 2003 que a mesma poderia promover a transformação dos empréstimos concedidos em investimento brasileiro no exterior, mediante a conferencia dos créditos ao capital da sua subsidiaria externa, tão somente utilizandose de movimentações contábeis dos recursos envolvidos, o que prescindiria de autorização prévia do Bacen. Em setembro de 2003 a Karsten Argentina procedeu a conversão dos créditos aprovando a conversão em aportes de capital. No dia 30/09/2003, a impugnante escriturou a débito de conta do grupo das receitas financeiras, o valor dos juros acumulados de R$ Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 777 13 978.384,88, ou seja este valor dos juros incorridos foi estornado. Como se verifica, apenas o valor do principal foi convertido em aumento de capital na subsidiaria Argentina. A própria fiscalização havia entendido que o BACEN autorizou a transformação em aumento de capital dos créditos, ou seja, do principal e dos juros acumulados. A questão central, neste caso, é que a impugnante contabilizou juros dos empréstimos/mútuos efetuados a Karsten Argentina em conta do grupo das receitas financeiras, mas, de forma injustificável, os estornou desta receita. Assim, se foram ou não recebidos referidos juros é irrelevante, pois de acordo com o princípio de competência os juros foram incorridos e contabilizados e portanto não havia motivo para a mudança contábil efetuada mediante o estorno. A impugnante se refere ao estorno como “abatimento” da dívida, para propiciarlhe o recebimento do principal. Contudo, tal “abatimento” tratase de valor que deve ser tributado na impugnante, e se o entende como abatimento, desonera o devedor por mera liberalidade, o que não a desobriga da tributação dos referidos valores dos juros incorridos. D)As multas aplicadas isoladamente não podem ser exigidas: Desde a edição da Lei 9.430 em 27 de dezembro de 1996 as multas de ofício tem como base legal à referida lei e não a partir do ano de 2006 como quer fazer crer a impugnante. Além disso, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não deve ser confundida com a multa isolada tratada nos itens precedentes, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. E) Inconstitucionalidade das multas: Quanto às alegações de confisco, frisese que o exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário (art. 102 da Constituição Federal, de 1988). F) Taxa SELIC: No tocante às alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade, pouco pode dizer esta instância administrativa de julgamento, já que não é competente para pronunciarse a respeito da legalidade ou da constitucionalidade de quaisquer atos ou diplomas legais regularmente editados e em vigor. 2 DOS LANÇAMENTOS DECORRENTES: Com relação aos lançamentos que decorrem da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deve ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 14 A Depósitos feitos por administradores/diretores: alegado suprimento de caixa A bem da verdade, não se tratavam de efetivos empréstimos. Na realidade, os administradores/diretores mantinham contas correntes junto à empresa, como afirmou o próprio Fisco (item 3.1 do Termo de Verificação). Ou seja, eles não efetuavam empréstimos, mas sim depósitos (e saques) nestas contas correntes. Como se verifica no Termo de Intimação Fiscal nº 003/2006.132, o Fisco questionou todas as 212 entregas de recursos dos administradores/diretores à Recorrente. Depois dos esclarecimentos prestados pela empresa no curso da fiscalização, o Fisco reconheceu que 203 depósitos eram regulares. Isto é, entendeu que apenas 9 seriam irregulares (dois deles, aliás, apenas parcialmente), ou seja, configurariam suprimento de caixa. Ao julgar caso similar, o 1º Conselho de Contribuintes acatou a fundamentação aqui defendida pela Recorrente. De todo modo, a prova documental invocada pela Recorrente não se resume aos citados recibos. Em relação a todos os 9 depósitos questionados, a contribuinte também contabilizou o recebimento dos recursos no Livro Diário (docs. Nº 3, 5, 7, 12, 15 e 18). Notese que há absoluta coincidência entre os valores e as datas constantes em cada um dos recibos e nos respectivos lançamentos no Diário. Tratase, a toda evidência, de mais uma prova irrefutável da regularidade das operações realizadas. B Glosa de despesas financeiras deduzidas pela Recorrente Os encargos cobrados pela Recorrente eram superiores aos por ela pagos Acórdão recorrido simplesmente ignorou a prova documental produzida pela Recorrente. Na Impugnação, foram acostados os contratos de mútuo firmados com as controladas (docs. n' S 20, 21, 23, 24, 26, 28, 30, 32, 33, 35 e 37). Eles comprovam que, no período autuado, a Recorrente sempre cobrou das controladas libor + 3°/o ao ano. Também foram juntados à Impugnação mais de cinqüenta contratos (docs. n°5 39 a 93) demonstrando que, em vários empréstimos tomados pela Recorrente, ela pagava encargos inferiores aos acima previstos. Vale enfatizar: apesar de o Acórdão recorrido ter afirmado que a Recorrente não teria realizado prova dos seus fundamentos, a contribuinte apresentou mais de cinqüenta contratos só para comprovar este item da sua fundamentação! O Fisco entendeu que os encargos pagos pela Recorrente seriam superiores àqueles recebidos, provavelmente porque, ao comparar os empréstimos tomados com os concedidos, não considerou apenas os encargos em si (juros + comissões). É que a fiscalização também incluiu no cálculo a variação cambial incidente sobre os valores emprestados e tomados emprestados. No entanto, isto desvirtuou o cálculo efetuado. Tanto é verdade, que a fiscalização apurou que a Recorrente teria auferido, em vários meses, receitas financeiras negativas. Ora, se o Fisco apurou que a contribuinte faria jus a juros negativos, fica muito claro que há alguma coisa errada nos seus cálculos. O referido equívoco decorreu do fato de o Fisco ter incluído, nos cálculos efetuados, a variação cambial verificada no período. No entanto, como a fiscalização poderia chegar a esta conclusão, se não comparou os encargos pagos com os encargos cobrados? Não poderiam ser considerados os encargos sobre os empréstimos tomados em moeda nacional O Fisco cometeu um outro equivoco sério, que comprometeu por inteiro os resultados obtidos. Isto porque, em tais cálculos, deveriam ser considerados apenas os Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 778 15 empréstimos tomados em moeda estrangeira, e não aqueles tomados em moeda nacional. É que, como os empréstimos concedidos às controladas eram sempre expressos em moeda estrangeira, os respectivos encargos sempre deveriam ser comparados com aqueles que a Recorrente assumia ao tomar empréstimos em moeda estrangeira. Os custos das controladas eram todos em moeda estrangeira. Em resumo, todas as operações que ocorriam entre a Recorrente e suas controladas eram realizadas em moeda estrangeira. Por estas razões, o Fisco somente poderia considerar os empréstimos tomados em moeda estrangeira, e não aqueles tomados em moeda nacional. Tratase de uma decorrência lógica de toda a seqüência negocial então realizada entre a Recorrente e suas controladas. Além do mais, como acima demonstrado, os empréstimos tomados pela Recorrente em moeda estrangeira tinham custo inferior aos cobrados em empréstimos em moeda estrangeira de suas controladas. Sendo assim, não há que se falar em despesas financeiras desnecessárias em relação à Recorrente. Os cálculos do Fisco aumentaram artificialmente os empréstimos concedidos Ocorre que, a cada mês, o Fisco efetuava novo cálculo dos valores dos empréstimos concedidos às controladas. E, em cada novo cálculo mensal, a fiscalização convertia novamente, para real, o valor dos empréstimos, originalmente expressos em moeda estrangeira. Apenas para exemplificar, podem ser mencionados os empréstimos à Karsten Argentina S/A. Foram concedidos dois empréstimos àquela empresa, um em 14/12/1999 e outro em 07/05/2001. O valor somado destes empréstimos sempre foi de US$ 1 700 000.00 não tendo sofrido nenhuma alteração durante todo o período autuado. Nos cálculos do Fisco, em virtude da incorreta sistemática de cálculo adotada, o valor destes empréstimos mudava a cada mês, de acordo com a variação na cotação do dólar. Por exemplo: enquanto o valor dos empréstimos é informado como sendo de R$ 4.539.065,44, em janeiro/2002, ele seria de R$ 7.576.702,56, em setembro/2002. Esta sistemática de cálculo é equivocada, tendo alterado, de forma substancial e artificial, os valores dos empréstimos concedidos às controladas e, consequentemente, os montantes glosados. É que, diferentemente dos recursos emprestados às controladas, que sempre eram expressos em moeda estrangeira, a Recorrente também tomou empréstimos em real. Diante disso, é impossível comparar os valores tomados emprestados pela Recorrente com aqueles por ela emprestados às controladas, se estes sempre variavam e os primeiros variavam apenas parcialmente. As despesas financeiras eram necessárias No período autuado, as exportações foram responsáveis por aproximadamente 50% das receitas obtidas pela Recorrente. Se a empresa exportava parcela substancial da sua produção, isto se devia fundamentalmente à atuação das empresas controladas no exterior. As controladas, além de efetuarem compras diretas de mercadorias da Recorrente, ainda intermediavam vendas para outros clientes estrangeiros. Caso a Recorrente não tivesse concedido empréstimos às controladas, elas ou teriam fechado (o que, aliás, acabou acontecendo com a Karsten Argentina, apesar dos incessantes esforços da Recorrente) ou teriam reduzido drasticamente o volume de exportações viabilizadas. Ou seja, de um modo ou de outro, a Recorrente sofreria prejuízos, o que também demonstra a necessidade das despesas financeiras em referência. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 16 As despesas financeiras geraram receitas para a Recorrente A partir da constituição das controladas no exterior, a Recorrente verificou um aumento muito expressivo nas suas receitas de exportação. Os fatos acima narrados atestam que a existência das controladas no exterior era de fundamental importância para a Recorrente, além de ter gerado receitas elevadíssimas para a empresa. Estas receitas, voltase a dizer, foram tributadas no Brasil. Assim, não eram desnecessárias tais despesas, pois sem elas não teria obtido tais receitas no exterior proporcionadas pelas controladas. O RIR autoriza os juros cobrados das controladas O citado art. 243 encontrase localizado, no RIR/99, dentro de um capítulo assim intitulado: "Juros a Pessoas Vinculadas". Ou seja, é claramente aplicável neste feito, que trata justamente de juros cobrados de pessoas vinculadas. basta uma simples leitura dos termos do art. 243 para se concluir, com muita facilidade, que ele seguramente se aplica ao caso sob análise. Os empréstimos são regulares O Fisco não pôs em dúvida, em momento algum, a regularidade dos empréstimos concedidos e tomados pela Recorrente. Apesar de este fato ser absolutamente incontroverso e de ter sido invocado na Impugnação, foi simplesmente desprezado pelo Acórdão recorrido. Conceder e tomar empréstimos é um direito da Recorrente Como é incontroverso que a Recorrente não cometeu qualquer tipo de fraude ao contratar os empréstimos (como acabou de ser demonstrado, o Fisco não questionou a regularidade destas operações) é necessário concluir que se limitou a exercer seu direito de tomar e conceder empréstimos. Sob este aspecto, fica ainda mais evidente que a fiscalização não poderia questionar a necessidade, ou não, das despesas financeiras. A contabilidade da Recorrente é regular A contabilidade da empresa é plenamente regular, inclusive no que se refere aos empréstimos em questão. O Fisco, além de não ter questionado em nenhum momento a contabilidade da Recorrente, também a usou para calcular os valores exigidos. Créditos não considerados pelo Fisco Nas respectivas planilhas, consta uma coluna para os créditos auferidos pela Recorrente. A cada mês, estes créditos foram deduzidos dos débitos gerados pelos empréstimos tornados, obtendose as despesas financeiras incorridas pela Recorrente. No entanto, em seus cálculos, o Fisco ignorou os créditos obtidos pela Recorrente no mês de dezembro de cada um dos anos envolvidos. Os créditos são os seguintes: R$ 78.973,79 (12/2002); R$76.929,63 (12/2003); e R$ 127.630,80 (12/2004), como comprovam os respectivos lançamentos no Livro Razão (docs. n° 100 a 102). C Mútuo com a Karsten Argentina S/A: estorno de juros Sem o estorno, os juros teriam sido perdidos Tais juros não poderiam ser tributados, porque, se não tivessem sido estornados pela Recorrente, teriam exatamente o mesmo destino do principal emprestado: Fl. 16DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 779 17 seriam perdidos pela contribuinte. Lembrese: o valor principal do empréstimo concedido à Karsten Argentina S/A foi convertido em investimento brasileiro no exterior, através da sua conferência ao capital social daquela empresa. Como a Karsten Argentina não tinha recursos para saldar o empréstimo, esta foi uma forma encontrada pela Recorrente para não perder os valores emprestados. diferentemente do que a fiscalização e o Acórdão recorrido sustentaram, não foi o estorno dos juros que impediu o seu recebimento pela contribuinte. Conforme demonstrado, ainda que tivessem sido convertidos em participação da Recorrente no capital da Karsten Argentina S/A, os juros teriam sido perdidos. O estorno dos juros foi urna tentativa de recuperar o capital emprestado O estorno dos juros foi uma tentativa da Recorrente de recuperar o capital emprestado à controlada. Sem o estorno, a contribuinte provavelmente não teria conseguido nem mesmo converter o principal emprestado em capital social da Karsten Argentina S/A. Como comprovam as demonstrações contábeis anexadas à Impugnação (doc. no 104), em 30/06/93 pouco antes, portanto, da conversão do principal em aumento de capital da controlada a Karsten Argentina S/A apresentava passivo que superava em mais de cinco milhões de pesos argentinos o total do seu ativo. O fato é que os juros não foram recebidos É fato incontroverso (nunca questionado pela fiscalização) que os juros não foram efetivamente recebidos pela Recorrente. Diante disso, independentemente dos fundamentos acima expendidos, os juros não poderiam ser considerados receitas tributáveis. que o Fisco não questionou, em momento algum, a autenticidade do estorno dos juros promovido. O que a fiscalização sustentou, diferentemente, foi a alegada sujeição dos juros aos tributos exigidos, apesar do estorno realizado. D Cumulação das multas isoladas com as "multas proporcionais" As multas isoladas seguramente deveriam ser excluídas, porque já estão sendo exigidas "multas proporcionais" sobre os tributos supostamente devidos. Ora, estão sendo cobradas duas penalidades em relação aos mesmos tributos e aos mesmos períodos de apuração. Além das "multas aplicadas isoladamente", também são exigidas "multas proporcionais" sobre o IRPJ e a CSLL supostamente devidos. E — As multas exigidas são abusivas as multas aplicadas são flagrantemente abusivas.O Supremo Tribunal Federal já firmou o entendimento de que as multas tributárias devem ser revistas, quando contrariam o princípio da vedação de confisco (art. 150, IV, da CF). F Taxa SELIC Os juros sobre débitos tributários, no Brasil, são estabelecidos pelo art. 161, § 1 0 , do CTN. Segundo este dispositivo, apenas com expressa disposição de lei, acerca do cálculo dos juros moratórios incidentes nas obrigações tributárias, esta taxa poderá ser diferente de 1% ao mês. No entanto, como ficou comprovado, a SELIC representa, em vez de juros moratórios, uma taxa claramente remuneratória, que tem como razão, não a mora do devedor, mas sim a função de remunerar o capital. Por consequência, é manifestamente indevida a exigência da taxa de juros sob análise. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 18 Subiram os autos a este colegiado, tendose decidido, na sessão de julgamento de 24/02/2011 pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização respondesse os seguintes quesitos: a) Existem lançamentos a crédito na conta nº 4.100.101 nos meses de dezembro de 2002, 2003 e 2004 que não foram considerados no lançamento, e que deveriam ter influído nos cálculos das planilhas “Anexo IV.1, Anexo IV.2 e Anexo IV.3”? b) Explicar qual o motivo pelo qual há nas planilhas elaboradas para demonstrar as receitas financeiras, lançamentos de juros ativos negativos. Tal fato deriva de terse considerado a variação cambial nos cálculos efetuados? Neste caso, efetuar caso seja possível a discriminação das rubricas, segregando a parcela da variação cambial que compõe a receita financeira de juros. Isto porque, relativamente aos créditos supostamente não considerados pela fiscalização R$ 78.973,79 (12/2002); R$ 76.929,63 (12/2003); e R$ 127.630,80 (12/2004), como comprovam os respectivos lançamentos no Livro Razão (docs. n° 100 a 102) – o acórdão da DRJ ressaltou que nenhuma planilha ou demonstrativo foi juntada pela recorrente, de forma a demonstrar que tais valores de fato deveriam compor (e não compuseram) os cálculos da fiscalização, sendo vagos, e portanto, inaceitáveis para o efeito de descaracterizar o cálculo efetuado pela autoridade fiscal. Todavia, uma vez que as planilhas Anexo IV.1, Anexo IV.2 e Anexo IV.3, formuladas pela fiscalização, apresentam zero na coluna “crédito” no mês de dezembro, e como, de acordo com as cópias de folhas do livro Diário apresentadas pela recorrente, há valores lançados a crédito da conta nº 4.100.101 (docs. 100 a 102), era necessário baixar o presente processo em diligência para análise da pertinência das alegações feitas pela recorrente. Além disso, o recorrente também alegou que a planilha da fiscalização continha juros recebidos negativos, questionando a possível inserção da variação cambial em tais cálculos. Retornaram da unidade local da Receita Federal os autos, com a conclusão da diligência nos seguintes termos: a) o exame dos registros contábeis da contribuinte demonstra a existência dos créditos alegados, conforme planilha exposta no Anexo I da diligência fiscal; b) relativamente ao cálculo dos juros, a fiscalização originalmente não elaborou qualquer cálculo, tendo extraído as informações registradas na contabilidade da contribuinte. Desta forma, ficou esclarecido que nestes valores estava incluída a variação cambial. A segregação de valores de juros e variação cambial restou demonstrada no Anexo III da diligência fiscal. É o relatório. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 780 19 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A Depósitos feitos por administradores/diretores: alegado suprimento de caixa A fiscalização apurou que os valores relacionados na tabela abaixo foram entregues em numerário diretamente no caixa da empresa. Entendeu, assim, que se configurou presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por suprimentos de caixa não comprovados, no valor de R$ 44.762,40. ITEM DATA VALOR ADMINSTRADOR/DIRETOR 01 11/01/02 16.312,40 Ralf Karsten 02 27/03/02 5.000,00 Margarete Silvia Karsten 03 08/05/02 2.600,00 Carlos Odebrecht 04 07/08/02 2.450,00 Rejane Jansen 05 12/08/02 5.000,00 Rejane Jansen 06 21/08/02 600,00 Carlos Odebrecht 07 24/09/02 800,00 Carlos Odebrecht 08 30/09/02 2.000,00 João Karsten Neto 09 11/10/02 10.000,00 João Karsten Neto O recorrente alegou que não se tratavam de efetivos empréstimos. Na realidade, os administradores/diretores mantinham contas correntes junto à empresa. Além disso, das 212 entregas de recursos dos administradores/diretores à Recorrente, o Fisco reconheceu a regularidade de 203 depósitos. Por óbvio que os 9 restantes também são regulares não configurando suprimento de caixa. Por fim, os recebimentos estão lastreados em recibos e registrados no livro Diário. O art. 282 do RIR autoriza a presunção de omissão de receita caso não sejam comprovadamente demonstradas a efetividade da entrega e a origem dos recursos. No caso vertente, a autuação se dá por não haver a demonstração comprovada da efetividade da entrega, porquanto os recebimentos foram obtidos em numerário, lançados em contrapartida à conta caixa. A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à necessidade da prova da efetividade da entrega, impossível de ser obtida por pagamento em numerário, senão se veja: Acórdão nº 10514861 – 5ª Câmara do 1º CC – Relator: Conselheiro Eduardo da Rocha Schimdt Fl. 19DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 20 OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA PELOS SÓCIOS AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVIDADE DA ENTREGA DOS RECURSOS E DE SUA ORIGEM Para afastar a presunção legal de omissão de receita é necessária a prova, concomitante, da efetiva entrega dos recursos pelo sócio à sociedade e, também, que a origem dos recursos entregues foi estranha aos negócios da sociedade. Acórdão nº 10320168 – 3ª Câmara do 1º CC – Relator: Mary Elbe Gomes Queiroz Maia IRPJ SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica sujeitase à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da entrega dos recursos, que deverão ser coincidentes em datas e valores. Não satisfaz como prova hábil, a fim de elidir a imputação, a simples apresentação de documentos emitidos pelos próprios sócios da empresa e os respectivos registros contábeis. Acórdão nº 10192967– 1ª Câmara do 1º CC – Relator: Sandra Maria Faroni OMISSÃO DE RECEITASUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, se não comprovada a efetividade da entrega dos recursos ou, ainda que comprovada a entrega, se não comprovada sua origem como estranha à empresa. Acórdão nº 10323541 – 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do 1º CC – Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica se sujeita à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da entrega dos recursos, que deverão ser coincidentes em datas e valores. Acórdão nº 10517160–5ª Câmara do 1º CC – Relator: Paulo Jacinto do Nascimento OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Acórdão nº 10516307–5ª Câmara do 1º CC – Relator: Wilson Fernandes Guimarães SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO COMPROVAÇÃO A simples apresentação de contrato de mútuo não pode servir de elemento de comprovação dos alegados suprimentos de numerário feitos pelos sócios, eis que, no caso, a legislação de regência exige que sejam comprovadamente demonstradas a Fl. 20DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 781 21 efetividade da entrega e a origem dos recursos, e o contrato, em si considerado, não demonstra nem uma nem outra situação. Desta forma, embora haja comprovado a maioria dos recebimentos, aqueles cuja efetividade da entrega não está comprovada presumemse obtidos através de receita omitida, autorizando o lançamento tributário. B Glosa de despesas financeiras deduzidas pela Recorrente Insurgiuse a recorrente contra os cálculos efetuados pela autoridade fiscal, imputando a eles possíveis erros devidos a uma errônea inclusão da variação cambial nos juros recebidos. Apontou a recorrente que havia saldo negativo de receita financeira em alguns meses apurados, quanto aos empréstimos feitos a controladas. Além disso, a recorrente apontou a existência de créditos supostamente não considerados pela fiscalização R$ 78.973,79 (12/2002); R$ 76.929,63 (12/2003); e R$ 127.630,80 (12/2004), como comprovam os respectivos lançamentos no Livro Razão (docs. n° 100 a 102). Verificado que as planilhas Anexo IV.1, Anexo IV.2 e Anexo IV.3, formuladas pela fiscalização, apresentam zero na coluna “crédito” no mês de dezembro, e como, de acordo com as cópias de folhas do livro Diário apresentadas pela recorrente, há valores lançados a crédito da conta nº 4.100.101 (docs. 100 a 102), era necessário baixar o presente processo em diligência para análise da pertinência das alegações feitas pela recorrente, o que foi feito por este colegiado. A conclusão da diligência demonstrou que: a) o exame dos registros contábeis da contribuinte demonstra a existência dos créditos alegados, conforme planilha exposta no Anexo I da diligência fiscal; b) relativamente ao cálculo dos juros, a fiscalização originalmente não elaborou qualquer cálculo, tendo extraído as informações registradas na contabilidade da contribuinte. Desta forma, ficou esclarecido que nestes valores estava incluída a variação cambial. A segregação de valores de juros e variação cambial restou demonstrada no Anexo III da diligência fiscal. A inclusão da variação cambial no cálculo de juros se mostra tecnicamente incorreta. Isto porque a natureza contábil da variação cambial é registrar atualização de direito de crédito e de obrigação em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, ou ganho cambial e monetário realizado no pagamento de obrigações. Vejamos o que diz o art. 375 que cuida do tema no RIR/99: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Fl. 21DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 22 Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Assim, sua natureza diverge do mero cálculo de juros, necessariamente vinculados à remuneração de um mútuo, cuja disciplina encontrase feita nos art. 373 e 374 do Regulamento citado, in verbis: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). Despesas Art. 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): Constatado, ainda, que os empréstimos cedidos às controladas eram realizados em moeda estrangeira, enquanto os empréstimos próprios eram contraídos em moeda nacional é correta a conversão dos valores em moeda estrangeira para a moeda nacional para efeito do cálculo de proporcionalidade, vez que o resultado comparativo final deve estar descrito em moeda nacional, já que apurado por empresa sujeita às leis brasileiras, e sediada no território nacional. Não é admissível que se rechace a comparação simplesmente por estarem os negócios jurídicos lastreados em moedas distintas, devendo os valores apurados em moeda estrangeira serem convertidos mediante taxa de conversão do câmbio para a moeda nacional. Além disso, para que tenha o efeito comparativo, a comparação deve global (no período considerado), considerandose o total dos juros ativos e o total dos juros passivos e não, como quer a recorrente, entre encargos e receitas feitos em uma determinada moeda apenas. Não pode também ser aceito o argumento de que as despesas eram necessárias porque as exportações geraram receitas à recorrente, sendo tais vendas no exterior propiciadas pela atuação das controladas. Isto porque a despesa glosada foi o déficit financeiro decorrente da concessão de empréstimos com encargos inferiores àqueles contratados para si, atividade que não se inclui entre aquelas que a recorrente tem por objeto social, e portanto, não são necessárias, nem usuais ou normais às suas operações. Pois bem. Isto posto, com tais premissas estabelecidas, as despesas financeiras glosadas devem ser revistas, expurgandose do cálculo o valor da variação cambial e computandose os créditos lançados nos meses de 12/2002, 12/2003 e 12/2004, que não foram incluídos no cálculo efetuado pela fiscalização. Tal recálculo não se constitui em novo lançamento, vez que nenhum crédito poderá, por esta via, ser majorado, mas simplesmente corrigido e reduzido. Qualquer majoração devida e aqui não lançada somente poderá ser lançada por meio de novo auto de infração. Nem por isso é nulo tal retificação, posto que cabe aos órgãos de julgamento apreciar e retificar os erros constatados em autos de infração, especialmente quando de tal ação não ocorra prejuízo ao contribuinte. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 782 23 Desta forma, seguindo a lógica inicialmente adotada pela fiscalização, foram os valores originalmente lançados sujeitos ao crivo dos novos valores apurados em diligência, elaboradas nova planilhas (abaixo transcritas), as quais demonstram os valores originais e aqueles que restaram mantidos no julgamento. Inicialmente, passo a considerar as premissas de cálculo adotadas pela fiscalização. A glosa de despesas financeiras decorreu da constatação de que a recorrente tinha mútuos em moeda nacional e estrangeira (grupos de contas contábeis 2102 e 2202 – Financiamentos), incorrendo no pagamento de juros. Por outro lado, detinha créditos (grupo de contas 1108 e 1201) contra empresas controladas (Karsten Europa, Karsten América e Karsten Argentina), sobre as quais, apurou a autoridade, efetuou a cobrança de encargos em valores inferiores aos encargos pagos. Nos anexos I.1, I.2 e I.3 restaram demonstrados os empréstimos concedidos. Já nos anexos II.1, II.2 e II.3 demonstrou a fiscalização os mútuos tomados. Nos anexos III.1, III.2 e III.3 foram detalhadas as receitas geradas pelos empréstimos concedidos pela contribuinte nos anos de 2002, 2003 e 2004. Nos anexos IV.1, IV.2 e IV.3 foram detalhadas as despesas geradas pelos empréstimos contraídos pela recorrente nos anos de 2002, 2003 e 2004. Assim, de posse dos anexos I.1, I.2, I.3 elaborou a fiscalização os anexos V.1, V.2 e V.3, que congregam as seguintes informações: a) Total de direitos Ativo (A); obtido a partir do anexo I.i; b) Total de deveres – (D); obtido a partir do anexo II.i c) Proporção direitos/deveres (A)/(D)=(E) d) Total de receitas financeiras: (F); obtido a partir do anexo III.i; e) Total de despesas financeiras: (G); obtido a partir do anexo IV.i; f) (H) = (G) x (E) e g) (I) = (H) – (F) A linha (H) corresponde à parcela do total das despesas financeiras, linha (G), na proporção dos capitais colocados à disposição de outras empresas do grupo. Tal valor equivale ao total de despesas financeiras que a recorrente deixaria de pagar, caso quitasse parte das suas dívidas com os créditos a receber de suas controladas. A partir dos valores da linha (H), deduzindose os valores referentes às receitas financeiras obtidas com os mútuos, obtêmse os valores da linha (I), sabendose quanto a recorrente pagou a maior de juros ao repassar parte dos financiamentos obtidos. Pois bem. No Relatório de Diligência Fiscal (fl.735) a fiscalização elabora o Anexo III (fls.758/760), no qual efetua a discriminação do valor de juros recebidos, segregando a parcela relativa a juros da parcela relativa a variação cambial. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 24 Desta feita, para a presente apreciação foram adotados os valores correspondentes exclusivamente a juros lançados nestas planilhas, exceto nos mesescalendário em que foram estes superiores ao próprio valor lançado, situação que ocorre em alguns meses em que a variação cambial é favorável à recorrente. Assim, retificados os valores de juros, foram refeitos os cálculos segundo a metodologia adotada pela fiscalização, chegandose aos valores de receita financeira abaixo: RECÁLCULO DO ITEM (F) DO AUTO DE INFRAÇÃO: RECEITAS FINANCEIRAS Mês (1) Auto Infração (Juros+Vr.Cambial) (2) Juros expurgados (Anexo III Relatório de Diligência) (3) Auto Infração (Juros+Vr.Cambial) (4) Juros expurgados (Anexo III Relatório de Diligência) (5) Auto Infração (Juros+Vr.Cambial) (6) Juros expurgados (Anexo III Relatório de Diligência) (7) Auto Infração (Juros+Vr.Cambial) = (1)+(3)+(5) (8) Novo Valor do item (F) do Anexo V.1, V.2 e V.3 do Auto Infração (fls.232/234) = (2)+(4)+(6) Karsten Argentina Karsten Europa Gmbh Terrisol Corp Total jan/02 40.567,80 24.160,48 13.440,54 11.345,21 113.813,06 46.599,71 167.821,40 82.105,40 fev/02 7.866,52 20.315,34 5.580,25 10.058,89 (9.209,61) 40.268,86 4.237,16 70.643,09 mar/02 18.177,99 22.759,52 8.824,59 11.037,73 (962,14) 16.823,22 26.040,44 50.620,47 abr/02 30.020,13 22.394,21 23.882,05 10.701,71 49.607,76 34.158,05 103.509,94 67.253,97 mai/02 53.298,85 20.518,18 31.051,62 12.039,00 98.328,23 33.990,79 182.678,70 66.547,97 jun/02 91.279,33 22.395,43 12.563,52 12.492,11 103.842,85 34.887,54 jul/02 157.294,39 27.895,51 17.863,31 15.346,58 175.157,70 43.242,09 ago/02 (68.703,73) 24.589,74 (1.381,14) (304,66) (70.084,87) 24.285,08 set/02 238.183,64 30.668,90 8.615,59 6.240,15 246.799,23 36.909,05 out/02 (31.739,94) 29.657,43 4.170,41 4.456,56 16.414,08 16.414,08 (11.155,45) 50.528,07 nov/02 26.476,29 28.633,80 3.458,48 3.453,41 21.321,46 21.359,74 51.256,23 53.446,95 dez/02 1.956,66 28.754,91 3.775,53 3.646,77 42.511,05 43.582,18 48.243,24 75.983,86 jan/03 26.447,68 28.687,36 971,43 1.548,44 48.728,33 48.898,71 76.147,44 79.134,51 fev/03 33.503,98 22.885,21 46.600,12 45.231,70 80.104,10 68.116,91 mar/03 (34.099,24) 25.653,39 36.769,61 47.124,52 2.670,37 72.777,91 abr/03 (113.911,81) 21.395,66 9.954,93 39.301,71 (103.956,88) 60.697,37 mai/03 45.387,48 22.688,76 47.509,86 41.677,31 92.897,34 64.366,07 jun/03 (7.481,26) 21.263,87 30.541,54 39.059,55 23.060,28 60.323,42 jul/03 52.094,67 22.687,99 51.456,76 41.675,90 103.551,43 64.363,89 ago/03 23.017,81 22.695,65 41.808,61 41.689,95 64.826,42 64.385,60 set/03 34.038,45 39.758,80 34.038,45 39.758,80 out/03 30.306,25 40.139,43 30.306,25 40.139,43 nov/03 52.716,19 37.768,39 52.716,19 37.768,39 dez/03 23.824,82 30.959,89 23.824,82 30.959,89 jan/04 28.053,45 22.887,86 28.053,45 22.887,86 fev/04 18.295,18 21.213,84 18.295,18 21.213,84 mar/04 22.038,50 22.636,41 22.038,50 22.636,41 abr/04 26.610,03 22.178,17 26.610,03 22.178,17 mai/04 48.380,26 24.352,94 48.380,26 24.352,94 jun/04 20.422,00 23.404,63 20.422,00 23.404,63 jul/04 11.805,17 23.556,56 11.805,17 23.556,56 ago/04 8.566,11 22.832,59 8.566,11 22.832,59 set/04 9.408,19 21.529,52 9.408,19 21.529,52 out/04 21.876,51 22.230,82 21.876,51 22.230,82 nov/04 (1.638,48) 20.565,98 (1.638,48) 20.565,98 dez/04 14.177,30 14.602,11 14.177,30 14.602,11 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 783 25 Também foram refeitos os cálculos relativos às despesas financeiras (conta 4100101), item (G) dos anexos V.i (total de despesas financeiras). Os novos valores de despesa financeira a serem considerados são discriminados na tabela abaixo. Mês Valor Despesas Financeira Gerada (Conta 4100101) Considerado no Lançto item G do Anexo V.1, V.2 e V.3 Crédito Considerado no julgamento Valor Despesas Financeiras (conta 4100101) Mantido Novo item (G) do Anexo V.1, V.2 e V.3 do Auto de Infração (fls.232/234) Item H do Anexo V.1, V.2, V.3 mantido dez/02 699.642,52 78.973,79 620.668,73 152.001,77 dez/03 850.833,56 76.929,63 773.903,93 63.382,73 dez/04 705.805,40 127.630,80 578.174,60 26.017,86 Uma vez que os valores de despesa financeira restaram retificados (item (G)), devem também ser refeitos os valores relativos ao item (H), considerandose tão somente os novos valores de despesa financeira de 12/2002, 12/2003 e 12/2004, vez que Proporção direitos/deveres (A)/(D)=(E) não fica alterada em função dos ajustes em receita financeira e despesa finaceira ((H) = (G) x (E)). Assim, tendo em vista que o item (I) é definido como a diferença entre os itens (H) e (F), ((I) = (H) – (F)), podem ser, então, novamente recalculados os valores do item (I) lançados, relativos ao à despesa com juros superior às receitas com juros, ajustada a proporção. Tais valores são elencados na tabela abaixo. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 26 Desta forma, sou pela manutenção parcial do lançamento, retificados os valores na forma da coluna “Item (I) mantido no julgamento” da tabela acima. C Mútuo com a Karsten Argentina S/A: estorno de juros O estorno dos juros ativos decorrentes do empréstimo efetuado à Karsten Argentina S/A foram efetuados ao arrepio das normas que regem sua dedutibilidade. Mês (8) Novo Valor do item (F) do Anexo V.i do Auto Infração (fls.232/234) = (2)+(4)+(6) Item H do Anexo V.i mantido Item (I) do Anexo V.i (fls.232/234) = (H) (F) expurgada a variação cambial Item (I) Auto de Infração Item (I) mantido no julgamento jan/02 82.105,40 207.381,07 125.275,67 39.559,67 39.559,67 fev/02 70.643,09 96.749,73 26.106,64 92.512,57 26.106,64 mar/02 50.620,47 106.766,70 56.146,23 80.726,26 56.146,23 abr/02 67.253,97 134.360,91 67.106,94 30.850,97 30.850,97 mai/02 66.547,97 218.245,78 151.697,81 35.567,08 35.567,08 jun/02 34.887,54 171.399,67 136.512,13 67.556,82 67.556,82 jul/02 43.242,09 177.448,00 134.205,91 2.290,30 2.290,30 ago/02 24.285,08 17.319,31 (6.965,77) 87.404,18 set/02 36.909,05 274.581,62 237.672,57 27.782,39 27.782,39 out/02 50.528,07 82.221,76 31.693,69 93.377,21 31.693,69 nov/02 53.446,95 124.621,83 71.174,88 73.365,60 71.174,88 dez/02 75.983,86 152.001,77 76.017,91 123.123,57 76.017,91 jan/03 79.134,51 204.944,13 125.809,62 128.796,69 125.809,62 fev/03 68.116,91 185.447,42 117.330,51 105.343,32 105.343,32 mar/03 72.777,91 97.880,84 25.102,93 95.210,47 25.102,93 abr/03 60.697,37 (3.899,54) (64.596,91) 100.057,34 mai/03 64.366,07 244.817,63 180.451,56 151.920,29 151.920,29 jun/03 60.323,42 157.387,07 97.063,65 134.326,79 97.063,65 jul/03 64.363,89 229.478,67 165.114,78 125.927,24 125.927,24 ago/03 64.385,60 189.398,55 125.012,95 124.572,13 124.572,13 set/03 39.758,80 107.751,22 67.992,42 73.712,77 67.992,42 out/03 40.139,43 77.058,45 36.919,02 46.752,20 36.919,02 nov/03 37.768,39 122.964,73 85.196,34 70.248,54 70.248,54 dez/03 30.959,89 63.382,73 32.422,84 45.889,27 32.422,84 jan/04 22.887,86 66.529,68 43.641,82 38.476,23 38.476,23 fev/04 21.213,84 51.617,75 30.403,91 33.322,57 30.403,91 mar/04 22.636,41 52.367,96 29.731,55 30.329,46 29.731,55 abr/04 22.178,17 53.842,40 31.664,23 27.232,37 27.232,37 mai/04 24.352,94 94.390,43 70.037,49 46.010,17 46.010,17 jun/04 23.404,63 75.573,56 52.168,93 55.151,56 52.168,93 jul/04 23.556,56 44.537,43 20.980,87 32.732,26 20.980,87 ago/04 22.832,59 39.414,43 16.581,84 30.848,32 16.581,84 set/04 21.529,52 37.202,12 15.672,60 27.793,93 15.672,60 out/04 22.230,82 61.243,37 39.012,55 39.366,86 39.012,55 nov/04 20.565,98 60.995,27 40.429,29 40.429,54 40.429,29 dez/04 14.602,11 26.017,86 11.415,75 17.600,26 11.415,75 Total Fl. 26DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 784 27 Não pode ser aceita alegação de que foi necessário concederse tal perdão para que fosse possível receber o principal. Tal situação não pode ser aceita numa relação entre controlador e controlado, na qual todo poder decisório se concentra num dos pólos, praticamente não existindo espaço negocial aberto. Demais disso, ainda que as pessoas não fossem ligadas, o perdão, por se caracterizar como liberalidade do mutuante, não poderia acarretar redução do lucro real, sendo tributado de acordo com a legislação tributária. Os fatos futuros ao perdão (a crise argentina e a situação deficitária da controlada e o não recebimento dos juros) não têm importância na análise, tendo conteúdo mais histórico que jurídico. A dedutibilidade de uma perda segue condições rígidas estabelecidas pelo art. 9º da Lei nº 9.430/96, inexistindo nelas espaço para o arbítrio pessoal do mutuante, situação sucedida à época do perdão, exceto para valores abaixo de R$5.000,00, desde que vencidos há mais de 6 meses. Incabível também falarse em erro de escrituração, vez que a operação de mútuo foi regular e os juros foram contabilizados de acordo com o regime de competência. Assim, seu estorno não era mais possível vez que a situação de credor já estava constituída à época do estorno e o mútuo não foi indevido, mas devidamente pactuado. Mantenho, também, pois, a glosa de despesas financeiras relativas aos juros estornados indevidamente. D_ Cumulação de multa de ofício proporcional e multa isolada por falta de pagamento de estimativas A multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas não consistem numa dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo às estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mêscalendário, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. Neste ponto, entendo que as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser obrigações tributárias principais. Assim, são obrigações legais independentes, compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2º, §4º, IV, da Lei nº 9.430/96). Além disso, as normas que prescrevem ambas as infrações e cominam ambas as penalidades estão vigentes, não cabendo ao Órgão Julgador Administrativo deixar de lhes observar os efeitos legais daí decorrentes. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 28 Desta forma, aceito a incidência das duas penalidades. Todavia, os valores calculados pela fiscalização deverão ser reajustados, vez que as glosas foram mantidas em patamar inferior ao lançado. Neste sentido, a multa isolada deverá ser cobrada de acordo com os valores descritos na tabela abaixo. IRPJ Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2002 Rubrica janeiro fevereiro março abril maio junho Lucro Real apurado pelo contribuinte 2.344.736,63 4.611.687,98 6.574.979,22 8.933.734,50 11.562.870,56 12.983.205,84 glosa de despesas financeiras 39.559,67 26.106,64 56.146,23 30.850,97 35.567,08 67.556,82 omissão de receitas 16.312,40 5.000,00 2.600,00 total de infrações no mês 55.872,07 26.106,64 61.146,23 30.850,97 38.167,08 67.556,82 total de infrações acumulada no ano 55.872,07 81.978,71 143.124,94 173.975,91 212.142,99 279.699,81 Lucro real apurado após infrações 2.400.608,70 4.693.666,69 6.718.104,16 9.107.710,41 11.775.013,55 13.262.905,65 Compensação de prejuízos de per. Anteriores Base de cálculo do IR 2.400.608,70 4.693.666,69 6.718.104,16 9.107.710,41 11.775.013,55 13.262.905,65 IRPJ devido 15% 360.091,31 704.050,00 1.007.715,62 1.366.156,56 1.766.252,03 1.989.435,85 IRPJ devido adicional de 10% 238.060,87 465.366,67 665.810,42 902.771,04 1.167.501,36 1.314.290,57 Total IRPJ devido 598.152,18 1.169.416,67 1.673.526,04 2.268.927,60 2.933.753,39 3.303.726,41 Deduções de incentivos fiscais 14.068,42 27.670,13 39.449,88 53.602,41 69.377,23 77.899,24 IR devido meses anteriores 0 584.083,76 1.141.746,54 1.634.076,16 2.215.325,19 2.864.376,16 Imposto de Renda Retido na Fonte 3.460,16 3.121,80 2.495,43 3.627,98 34.638,39 7.377,15 IRPJ a pagar 580.623,60 554.540,99 489.834,19 577.621,05 614.412,58 354.073,87 IRPJ a pagar apurado no Auto de Infração 580.623,60 571.142,47 495.979,20 577.621,05 614.412,68 354.073,77 IRPJ a pagar apurado pelo contribuinte 566.655,58 548.014,33 474.547,63 569.908,31 604.870,91 337.184,56 IRPJ não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 13.968,01 6.526,66 15.286,56 7.712,74 9.541,67 16.889,30 Multa Isolada mantida em julgamento 6.984,01 3.263,33 7.643,28 3.856,37 4.770,83 8.444,65 IRPJ Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2002 Rubrica julho agosto setembro outubro novembro dezembro Lucro Real apurado pelo contribuinte 15.418.922,35 19.561.054,30 23.806.303,41 27.524.550,38 31.305.485,57 28.096.965,30 glosa de despesas financeiras 2.290,30 27.782,39 31.693,69 71.174,88 76.017,91 omissão de receitas 8.050,00 2.800,00 10.000,00 total de infrações no mês 2.290,30 8.050,00 30.582,39 41.693,69 71.174,88 76.017,91 total de infrações acumulada no ano 281.990,11 290.040,11 320.622,50 362.316,19 433.491,07 509.508,98 Lucro real apurado após infrações 15.700.912,46 19.851.094,41 24.126.925,91 27.886.866,57 31.738.976,64 28.606.474,28 Compensação de prejuízos de per. Anteriores Base de cálculo do IR 15.700.912,46 19.851.094,41 24.126.925,91 27.886.866,57 31.738.976,64 28.606.474,28 IRPJ devido 15% 2.355.136,87 2.977.664,16 3.619.038,89 4.183.029,99 4.760.846,50 4.290.971,14 IRPJ devido adicional de 10% 1.556.091,25 1.969.109,44 2.394.692,59 2.768.686,66 3.151.897,66 2.836.647,43 Total IRPJ devido 3.911.228,12 4.946.773,60 6.013.731,48 6.951.716,64 7.912.744,16 7.127.618,57 Deduções de incentivos fiscais 101.513,53 126.366,33 151.837,82 174.147,30 196.832,91 213.581,79 IR devido meses anteriores 3.225.827,17 3.809.714,59 4.820.407,27 5.861.893,66 6.777.569,34 7.715.911,25 Imposto de Renda Retido na Fonte 2.790,09 27.174,36 8.072,43 3.878,81 57.159,25 IRPJ a pagar 581.097,32 983.518,33 1.033.413,96 911.796,88 881.182,66 (801.874,47) IRPJ a pagar apurado no Auto de Infração 581.097,32 1.005.369,37 1.033.413,96 927.217,76 881.730,34 (790.096,06) IRPJ a pagar apurado pelo contribuinte 580.524,75 981.505,83 1.025.768,36 901.373,45 863.388,94 (820.878,95) IRPJ não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 572,57 2.012,50 7.645,59 10.423,43 17.793,72 Multa Isolada mantida em julgamento 286,29 1.006,25 3.822,80 5.211,71 8.896,86 Fl. 28DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 785 29 IRPJ Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2003 Rubrica janeiro fevereiro* março* abril maio junho Lucro Real apurado pelo contribuinte 2.712.155,02 3.669.402,05 6.804.592,02 14.435.395,69 15.057.701,01 13.018.436,46 glosa de despesas financeiras 125.809,62 105.343,32 25.102,93 151.920,29 97.063,65 estorno de juros total de infrações no mês 125.809,62 105.343,32 25.102,93 151.920,29 97.063,65 total de infrações acumulada no ano 125.809,62 231.152,94 256.255,87 256.255,87 408.176,16 505.239,81 Lucro real apurado após infrações 2.837.964,64 3.900.554,99 7.060.847,89 14.691.651,56 15.465.877,17 13.523.676,27 Compensação de prejuízos de per. Anteriores Base de cálculo do IR 2.837.964,64 3.900.554,99 7.060.847,89 14.691.651,56 15.465.877,17 13.523.676,27 IRPJ devido 15% 425.694,70 585.083,25 1.059.127,18 2.203.747,73 2.319.881,58 2.028.551,44 IRPJ devido adicional de 10% 281.796,46 386.055,50 700.084,79 1.461.165,16 1.536.587,72 1.340.367,63 Total IRPJ devido 707.491,16 971.138,75 1.759.211,97 3.664.912,89 3.856.469,29 3.368.919,07 Deduções de incentivos fiscais 16.272,93 22.016,41 40.827,55 86.612,37 90.346,21 78.110,62 IR devido meses anteriores 3.211.420,38 3.578.300,52 3.766.123,08 Imposto de Renda Retido na Fonte 5.374,55 30.062,38 2.575,80 IRPJ a pagar 685.843,68 893.334,11 1.658.320,45 336.817,76 185.246,76 (475.314,64) IRPJ a pagar apurado no Auto de Infração 686.590,44 893.334,11 1.658.320,45 347.906,57 185.246,94 (465.999,03) IRPJ a pagar apurado pelo contribuinte 654.391,26 893.334,11 1.658.320,45 272.753,79 147.266,87 (499.580,72) IRPJ não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 31.452,42 64.063,97 37.979,89 Multa Isolada mantida em julgamento 15.726,21 32.031,98 18.989,95 IRPJ Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2003 Rubrica julho agosto setembro outubro novembro dezembro Lucro Real apurado pelo contribuinte 13.220.771,68 13.623.656,63 17.555.298,87 17.605.604,69 19.199.303,01 13.220.654,09 glosa de despesas financeiras 125.927,24 124.572,13 67.992,42 36.919,02 70.248,54 32.422,84 estorno de juros 978.384,88 total de infrações no mês 125.927,24 124.572,13 1.046.377,30 36.919,02 70.248,54 32.422,84 total de infrações acumulada no ano 631.167,05 755.739,18 1.802.116,48 1.839.035,50 1.909.284,04 1.941.706,88 Lucro real apurado após infrações 13.851.938,73 14.379.395,81 19.357.415,35 19.444.640,19 21.108.587,05 15.162.360,97 Compensação de prejuízos de per. Anteriores Base de cálculo do IR 13.851.938,73 14.379.395,81 19.357.415,35 19.444.640,19 21.108.587,05 15.162.360,97 IRPJ devido 15% 2.077.790,81 2.156.909,37 2.903.612,30 2.916.696,03 3.166.288,06 2.274.354,15 IRPJ devido adicional de 10% 1.371.193,87 1.421.939,58 1.917.741,54 1.924.464,02 2.088.858,71 1.492.236,10 Total IRPJ devido 3.448.984,68 3.578.848,95 4.821.353,84 4.841.160,05 5.255.146,76 3.766.590,24 Deduções de incentivos fiscais 79.324,63 81.741,94 105.331,79 105.633,63 115.195,81 79.323,92 IR devido meses anteriores 3.766.123,08 3.766.123,08 3.766.123,08 4.716.022,05 4.735.526,42 5.139.950,95 Imposto de Renda Retido na Fonte 57.915,12 10.274,52 17.785,66 IRPJ a pagar (396.463,03) (269.016,07) 891.983,85 9.229,85 386.638,88 (1.452.684,63) IRPJ a pagar apurado no Auto de Infração (387.147,42) (259.700,46) 902.729,54 11.688,05 386.638,88 (1.449.318,02) IRPJ a pagar apurado pelo contribuinte (452.210,93) (355.907,01) 543.498,59 369.076,74 (1.460.790,34) IRPJ não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 348.485,26 9.229,85 17.562,14 Multa Isolada mantida em julgamento 174.242,63 4.614,93 8.781,07 * elaborado com base na receita bruta e estimativas Fl. 29DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 30 IRPJ Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2004 Rubrica janeiro fevereiro* março abril maio junho Lucro Real apurado pelo contribuinte 534.771,59 2.765.560,97 7.259.058,31 9.446.440,17 10.758.729,91 11.440.480,97 glosa de despesas financeiras 38.476,23 30.403,91 29.731,55 27.232,37 46.010,17 52.168,93 total de infrações no mês 38.476,23 30.403,91 29.731,55 27.232,37 46.010,17 52.168,93 total de infrações acumulada no ano 38.476,23 68.880,14 98.611,69 125.844,06 171.854,23 224.023,16 Lucro real apurado após infrações 573.247,82 2.834.441,11 7.357.670,00 9.572.284,23 10.930.584,14 11.664.504,13 Compensação de prejuízos de per. Anteriores Base de cálculo do IR 573.247,82 2.765.560,97 7.357.670,00 9.572.284,23 10.930.584,14 11.664.504,13 IRPJ devido 15% 85.987,17 414.834,15 1.103.650,50 1.435.842,63 1.639.587,62 1.749.675,62 IRPJ devido adicional de 10% 55.324,78 272.556,10 729.767,00 949.228,42 1.083.058,41 1.154.450,41 Total IRPJ devido 141.311,96 687.390,24 1.833.417,50 2.385.071,06 2.722.646,04 2.904.126,03 Deduções de incentivos fiscais 3.208,63 16.593,37 43.554,34 56.678,64 64.552,37 68.642,88 IR devido meses anteriores 810.900,21 1.789.863,16 2.328.392,42 2.658.093,67 Imposto de Renda Retido na Fonte 1.282,20 1.019,35 1.308,87 1.093,27 10.390,20 11.901,81 IRPJ a pagar 136.821,13 671.777,53 977.654,08 537.435,99 319.311,05 165.487,68 IRPJ a pagar apurado no Auto de Infração 136.875,13 671.777,53 978.533,23 537.435,99 319.311,05 166.233,34 IRPJ a pagar apurado pelo contribuinte 127.256,07 671.777,53 962.620,22 530.627,90 307.808,50 152.445,45 IRPJ não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 9.565,05 15.033,86 6.808,09 11.502,55 13.042,23 Multa Isolada mantida em julgamento 4.782,53 7.516,93 3.404,04 5.751,27 6.521,11 IRPJ Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2004 Rubrica julho agosto setembro outubro novembro dezembro Lucro Real apurado pelo contribuinte 12.736.502,23 14.097.057,69 15.957.754,82 18.412.905,08 21.606.105,71 17.529.450,17 glosa de despesas financeiras 20.980,87 16.581,84 15.672,60 39.012,55 40.429,29 11.415,75 total de infrações no mês 20.980,87 16.581,84 15.672,60 39.012,55 40.429,29 11.415,75 total de infrações acumulada no ano 245.004,03 261.585,87 277.258,47 316.271,02 356.700,31 368.116,06 Lucro real apurado após infrações 12.981.506,26 14.358.643,56 16.235.013,29 18.729.176,10 21.962.806,02 17.897.566,23 Compensação de prejuízos de per. Anteriores Base de cálculo do IR 12.981.506,26 14.358.643,56 16.235.013,29 18.729.176,10 21.962.806,02 17.897.566,23 IRPJ devido 15% 1.947.225,94 2.153.796,53 2.435.251,99 2.809.376,42 3.294.420,90 2.684.634,93 IRPJ devido adicional de 10% 1.284.150,63 1.419.864,36 1.605.501,33 1.852.917,61 2.174.280,60 1.765.756,62 Total IRPJ devido 3.231.376,57 3.573.660,89 4.040.753,32 4.662.294,03 5.468.701,51 4.450.391,56 Deduções de incentivos fiscais 76.419,01 84.582,34 95.746,52 110.477,43 129.636,63 120.176,70 IR devido meses anteriores 2.835.483,15 3.154.957,56 3.489.078,55 3.945.006,80 4.551.816,60 5.339.064,88 Imposto de Renda Retido na Fonte 36.274,53 23.351,02 71.799,30 4.323,55 55.007,06 IRPJ a pagar 283.199,87 310.769,98 384.128,95 602.486,24 732.241,22 (1.008.850,02) IRPJ a pagar apurado no Auto de Infração 286.137,72 314.336,60 387.159,29 602.574,82 732.241,28 (1.007.303,89) IRPJ a pagar apurado pelo contribuinte 277.954,54 306.624,52 380.210,80 592.733,11 722.133,90 (1.011.703,95) IRPJ não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 5.245,33 4.145,45 3.918,15 9.753,13 10.107,32 Multa Isolada mantida em julgamento 2.622,67 2.072,73 1.959,08 4.876,57 5.053,66 * elaborado com base na receita bruta e acréscimos Fl. 30DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 786 31 CSLL Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2002 Rubrica janeiro fevereiro março abril maio junho CSLL apurada pelo contribuinte 2.011.739,52 4.051.194,19 5.594.582,41 7.696.195,06 10.181.692,88 11.475.831,43 glosa de despesas financeiras 39.559,67 26.106,64 56.146,23 30.850,97 35.567,08 67.556,82 omissão de receitas 16.312,40 5.000,00 2.600,00 total de infrações no mês 55.872,07 26.106,64 61.146,23 30.850,97 38.167,08 67.556,82 total de infrações acumulada no ano 55.872,07 81.978,71 143.124,94 173.975,91 212.142,99 279.699,81 Base de Cálculo apurada após infrações 2.067.611,59 4.133.172,90 5.737.707,35 7.870.170,97 10.393.835,87 11.755.531,24 Compensação de bases neg per anteriores30% Base de cálculo da CSLL 2.067.611,59 4.133.172,90 5.737.707,35 7.870.170,97 10.393.835,87 11.755.531,24 CSLL apurada (9%) 186.085,04 371.985,56 516.393,66 708.315,39 935.445,23 1.057.997,81 CSLL devida meses anteriores 186.085,04 371.985,56 516.393,66 708.315,39 935.445,23 CSLL a pagar 186.085,04 185.900,52 144.408,10 191.921,73 227.129,84 122.552,58 CSLL a pagar apurada no Auto de Infração 186.085,04 191.877,05 146.620,30 191.921,73 227.129,84 122.552,58 CSLL a pagar apurado pelo contribuinte 181.056,56 183.550,92 138.904,94 189.145,14 223.694,80 116.472,47 CSLL não recolhida (diferença) Mantida em julgamento 5.028,48 2.349,60 5.503,16 2.776,59 3.435,04 6.080,11 Multa Isolada mantida em julgamento 2.514,24 1.174,80 2.751,58 1.388,29 1.717,52 3.040,06 CSLL Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2002 Rubrica julho agosto setembro outubro novembro dezembro CSLL apurada pelo contribuinte 13.748.326,07 17.620.487,59 21.671.131,09 25.214.033,00 28.813.729,48 25.056.391,93 glosa de despesas financeiras 2.290,30 27.782,39 31.693,69 71.174,88 76.017,91 omissão de receitas 8.050,00 2.800,00 10.000,00 total de infrações no mês 2.290,30 8.050,00 30.582,39 41.693,69 71.174,88 76.017,91 total de infrações acumulada no ano 281.990,11 290.040,11 320.622,50 362.316,19 433.491,07 509.508,98 Base de Cálculo apurada após infrações 14.030.316,18 17.910.527,70 21.991.753,59 25.576.349,19 29.247.220,55 25.565.900,91 Compensação de bases neg per anteriores30% Base de cálculo da CSLL 14.030.316,18 17.910.527,70 21.991.753,59 25.576.349,19 29.247.220,55 25.565.900,91 CSLL apurada (9%) 1.262.728,46 1.611.947,49 1.979.257,82 2.301.871,43 2.632.249,85 2.300.931,08 CSLL devida meses anteriores 1.057.997,81 1.262.728,46 1.611.947,49 1.979.257,82 2.301.871,43 2.632.249,85 CSLL a pagar 204.730,64 349.219,04 367.310,33 322.613,60 330.378,42 (331.318,77) CSLL a pagar apurada no Auto de Infração 204.730,64 357.085,41 367.310,33 328.165,12 330.575,59 (327.079,26) CSLL a pagar apurado pelo contribuinte 204.524,52 348.494,53 364.557,92 318.861,17 323.972,68 (338.160,38) CSLL não recolhida (diferença) Mantida em julgamento 206,12 724,51 2.752,41 3.752,43 6.405,74 6.841,61 Multa Isolada mantida em julgamento 103,06 362,25 1.376,21 1.876,22 3.202,87 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 32 CSLL Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2003 Rubrica janeiro fevereiro* março* abril maio junho CSLL apurada pelo contribuinte 2.492.127,82 4.860.152,61 8.108.152,61 13.437.290,24 13.825.789,61 11.713.696,79 glosa de despesas financeiras 125.809,62 105.343,32 25.102,93 151.920,29 97.063,65 estorno de juros total de infrações no mês 125.809,62 105.343,32 25.102,93 151.920,29 97.063,65 total de infrações acumulada no ano 125.809,62 231.152,94 256.255,87 256.255,87 408.176,16 505.239,81 Base de cálculo apurada após infrações 2.617.937,44 4.860.152,61 8.364.408,48 13.693.546,11 14.233.965,77 12.218.936,60 Compensação de bases negativas per.anteriores 30% Base de cálculo CSLL 2.617.937,44 4.860.152,61 8.108.693,26 13.693.546,11 14.233.965,77 12.218.936,60 CSLL apurada 235.614,37 437.413,73 729.782,39 1.232.419,15 1.281.056,92 1.099.704,29 CSLL devida meses anteriores 1.402.810,50 1.402.810,50 1.402.810,50 CSLL a pagar 235.614,37 437.413,73 729.782,39 (170.391,35) (121.753,58) (303.106,20) CSLL a pagar apurado no Auto de Infração 235.883,21 437.413,73 729.782,39 (155.076,50) (106.438,74) (284.437,68) CSLL a pagar apurado pelo contribuinte 224.291,50 437.413,73 729.782,39 (182.131,50) (147.166,56) (337.254,91) CSLL não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 11.322,87 Multa Isolada mantida em julgamento 5.661,43 CSLL Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2003 Rubrica julho agosto setembro outubro novembro dezembro CSLL apurada pelo contribuinte 11.879.874,03 12.227.476,78 15.919.058,68 15.898.044,45 17.357.238,93 11.167.847,68 glosa de despesas financeiras 125.927,24 124.572,13 67.992,42 36.919,02 70.248,54 32.422,84 estorno de juros 978.384,88 total de infrações no mês 125.927,24 124.572,13 1.046.377,30 36.919,02 70.248,54 32.422,84 total de infrações acumulada no ano 631.167,05 755.739,18 1.802.116,48 1.839.035,50 1.909.284,04 1.941.706,88 Base de cálculo apurada após infrações 12.511.041,08 12.983.215,96 17.721.175,16 17.737.079,95 19.266.522,97 13.109.554,56 Compensação de bases negativas per.anteriores 30% Base de cálculo CSLL 12.511.041,08 12.983.215,96 17.721.175,16 17.737.079,95 19.266.522,97 13.109.554,56 CSLL apurada 1.125.993,70 1.168.489,44 1.594.905,76 1.596.337,20 1.733.987,07 1.179.859,91 CSLL devida meses anteriores 1.402.810,50 1.402.810,50 1.402.810,50 1.594.905,76 1.596.337,20 1.733.987,07 CSLL a pagar (276.816,80) (234.321,06) 192.095,27 1.431,43 137.649,87 (554.127,16) CSLL a pagar apurado no Auto de Infração (258.148,27) (215.652,54) 211.278,62 2.316,42 137.649,87 (552.915,18) CSLL a pagar apurado pelo contribuinte (322.298,96) (291.014,71) 41.227,66 (1.891,28) 129.436,22 (557.045,21) CSLL não recolhido (diferença) Mantido em julgamento 150.867,61 1.431,43 6.322,36 Multa Isolada mantida em julgamento 75.433,80 715,72 3.161,18 * elaborado com base na receita bruta e acréscimos Fl. 32DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 787 33 CSLL Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2004 Rubrica janeiro fevereiro* março abril maio junho CSLL apurada pelo contribuinte 451.510,44 3.915.714,75 6.642.003,37 8.652.960,83 9.849.826,17 10.431.516,53 glosa de despesas financeiras 38.476,23 30.403,91 29.731,55 27.232,37 46.010,17 52.168,93 total de infrações no mês 38.476,23 30.403,91 29.731,55 27.232,37 46.010,17 52.168,93 total de infrações acumulada no ano 38.476,23 68.880,14 98.611,69 125.844,06 171.854,23 224.023,16 CSLL apurada após infrações 489.986,67 3.984.594,89 6.740.615,06 8.778.804,89 10.021.680,40 10.655.539,69 Compensação de bases neg per. Anteriores (30%) Base de cálculo da CSLL 489.986,67 3.915.714,75 6.740.615,06 8.778.804,89 10.021.680,40 10.655.539,69 CSLL devido 9% 44.098,80 352.414,33 606.655,36 790.092,44 901.951,24 958.998,57 CSLL devida meses anteriores 396.513,13 606.655,36 790.092,44 901.951,24 CSLL a pagar 44.098,80 352.414,33 210.142,23 183.437,08 111.858,80 57.047,34 CSLL a pagar apurado no Auto de Infração 44.098,80 352.414,33 210.458,72 183.437,08 111.858,80 57.315,77 CSLL a pagar apurado pelo contribuinte 40.635,94 352.414,33 204.730,03 180.956,17 107.717,89 52.352,13 CSLL não recolhida (diferença) Mantido em julgamento 3.462,86 5.412,20 2.480,91 4.140,91 4.695,21 Multa Isolada mantida em julgamento 1.731,43 2.706,10 1.240,46 2.070,45 2.347,60 CSLL Estimativa Mensal Balanço de Suspensão e Redução Anocalendário de 2004 Rubrica julho agosto setembro outubro novembro dezembro CSLL apurada pelo contribuinte 11.602.574,44 12.840.178,64 14.557.513,33 16.831.938,58 19.782.414,20 15.378.140,01 glosa de despesas financeiras 20.980,87 16.581,84 15.672,60 39.012,55 40.429,29 11.415,75 total de infrações no mês 20.980,87 16.581,84 15.672,60 39.012,55 40.429,29 11.415,75 total de infrações acumulada no ano 245.004,03 261.585,87 277.258,47 316.271,02 356.700,31 368.116,06 CSLL apurada após infrações 11.847.578,47 13.101.764,51 14.834.771,80 17.148.209,60 20.139.114,51 15.746.256,07 Compensação de bases neg per. Anteriores (30%) Base de cálculo da CSLL 11.847.578,47 13.101.764,51 14.834.771,80 17.148.209,60 20.139.114,51 15.746.256,07 CSLL devido 9% 1.066.282,06 1.179.158,81 1.335.129,46 1.543.338,86 1.812.520,31 1.417.163,05 CSLL devida meses anteriores 958.998,57 1.066.282,06 1.179.158,81 1.335.129,46 1.543.338,86 1.812.520,31 CSLL a pagar 107.283,49 112.876,74 155.970,66 208.209,40 269.181,44 (395.357,26) CSLL a pagar apurado no Auto de Infração 108.341,12 114.160,73 157.061,58 208.241,29 269.181,46 (394.800,65) CSLL a pagar apurado pelo contribuinte 105.395,21 111.384,38 154.560,12 203.929,39 264.773,93 397.245,08 CSLL não recolhida (diferença) Mantido em julgamento 1.888,28 1.492,36 1.410,54 4.280,01 4.407,51 Multa Isolada mantida em julgamento 944,14 746,18 705,27 2.140,01 2.203,76 * elaborado com base na receita bruta e acréscimos Fl. 33DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 34 E Argüição de Inconstitucionalidade de Lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial a violação ao princípio do não confisco pela cobrança da multa de ofício. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose da ubiqüidade constitucionalmente garantida ao Poder Judiciário pelo art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A da Lei nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. F Aplicação de Juros Selic – Violação do §1º do art. 161 do CTN Questiona a recorrente a aplicação da taxa de juros Selic, que, fundada em lei ordinária, viola o disposto no §1º do art. 161. O CTN é norma recebida pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar porque veicula, dentre outras, normas gerais sobre crédito tributário, tal qual preconizado pelo art. 146, III, “b”, daquela Carta Magna. Neste mister, estipula como regra geral a cobrança de juros no percentual de 1%, permitindo, contudo, regra específica, desde que veiculada por lei. Assim, a lei que estipula de forma diversa da geral será específica por natureza, e neste sentido, por regular um pequeníssimo e bem delimitado espaço deôntico, é óbvio que não se lhe exige o quórum qualificado, exigido daquela outra. Ademais, a Súmula CARF nº4 decidiu definitivamente a questão no âmbito administrativo, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001591/200609 Acórdão n.º 1302000.980 S1C3T2 Fl. 788 35 Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Assim, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar parcialmente a glosa de despesas financeiras e a multa por falta de recolhimento de estimativas, nos termos do voto. Sala das Sessões, 12 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 35DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000323/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual requer a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da efetividade da retenção do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos. Comprovada a retenção, o contribuinte faz jus à compensação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 12/07/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente a conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente a conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
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ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual requer a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da efetividade da retenção do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos. Comprovada a retenção, o contribuinte faz jus à compensação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 03 23 /2 00 7- 17 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório CARLOS ROBERTO RODRIGUES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 20) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02/04, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 9.738,01, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 21.326,23. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão der endimentos recebidos de pessoa jurídica. Segundo o relatório fiscal, o Contribuinte recebeu da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Grarulhos, conforme DIRF por esta apresentada, R$ 69.010,92, com R$ 4.371,00 de imposto retido na fonte, e declarou rendimentos de R$ 23.003,64, com IRRF de R$ 1.457,00. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que houve erro na apresentação da DIRF pela Prefeitura de Guarulhos, que apresentou declaração retificadora. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente a autuação com base, em síntese, na consideração de que, embora a Prefeitura Municipal de Guarulhos tenha retificado a DIRF anteriormente apresentada para reduzir os valores correspondentes ao rendimento e ao IRRF do Contribuinte, em momento posterior retificou novamente a DIRF para restabelecer os valores originalmente declarados; que, portanto, na última DIRF apresentada, que é a que deve prevalecer, constam os valores apurados na autuação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/05/2001 (fls. 24) e, em 06/06/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 25/28, que ora se examina, e no qual reitera a alegação de erro na DIRF e apresenta declaração na qual se confirma a ocorrência do erro na DIRF e apresenta as fichas financeiras referente ao Contribuinte para o ano de 2003. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15471.000323/200717 Acórdão n.º 2201001.665 S2C2T1 Fl. 3 3 Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento pelo qual se apurou omissão de rendimentos, baseada em informações prestadas pela fonte pagadora, Prefeitura Municipal, de Guarulhos, por meio de DIRF. Como o Contribuinte alega que houve erro de fato na informação prestada pela fonte pagadora, o cerne da questão a ser dirimida neste processo gira em torno da verificação ou não do alegado erro. Pois bem, como observou a DRJ, a DIRF retificadora apresentada pela fonte pagadora em 07/03/2007 (fls. 18) e que informava rendimentos de R$ 23.003,64, foi novamente retifica, em 10/12/2008, e voltou a informar rendimentos de R$ 69.010,92. Observase, todavia, que, segundo o Comprovante de Rendimentos Pagos e Creditados, fornecido pela fonte pagadora ( fls. 43) e fichas financeiras fornecidas pela fonte pagadora (fls. 30/42) os valores recebidos pelo Contribuinte e a retenção do imposto na fonte correspondem àqueles informados na primeira DIRF retificadora. E contas dos autos, também, declaração da Prefeitura Municipal de Guarulhos, informando que a DIRF referente ao IRRF de 2003 triplicava os valores referentes ao servidor Carlos Roberto Rodrigues, ora Recorrente, e que não poderia retificar a declaração, porque o sistema não aceitava retificação, em 2011, referentes declarações anteriores a 2005. E notase que, de fato, a última DIRF retificadora triplica, exatamente, os valores constantes da DIRF anterior. Assim, estou convencido de que houve o alegado erro de fato e de que os valores efetivamente recebidos pelo Contribuinte foram aqueles informados na primeira DIRF retificadora e que são iguais aos valores declarados pelo contribuinte na sua DIRPF. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 15471.000323/200717 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.665. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13609.001784/2008-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA PARCIAL. PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF.
Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, aplicam-se as disposições do CTN para fins do cômputo da decadência.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, em relação às multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas.
Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32-A da Lei n. 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para nas preliminares reconhecer a decadência referente ao período compreendido entre: 12/2002 a 10/2003, bem como, para determinar o recálculo da multa com base no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARCIAL. PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, aplicam-se as disposições do CTN para fins do cômputo da decadência. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, em relação às multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32-A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, aplicamse as disposições do CTN para fins do cômputo da decadência. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, em relação às multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para nas preliminares reconhecer a decadência referente ao período compreendido entre: 12/2002 a 10/2003, bem como, para determinar o recálculo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 17 84 /2 00 8- 51 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 multa com base no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13609.001784/200851 Acórdão n.º 2403001.704 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI nº 37.192.0663 lavrado pelo fato da empresa ter omitido no período de 12/2002 a 12/2006, dados da GFIP, que resultaram em apuração a menor do valor devido correspondente às contribuições para a previdência e outras entidades, no valor de R$ 641.659,09 (seiscentos e quarenta e um mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e nove centavos). Assim, foi verificado que a empresa omitiu nos campos da GFIP a remuneração de todos os segurados empregados, incluídos aqueles expostos a agentes nocivos, a remuneração do Sócio Gercnte Jadir Moreira Barbosa, a remuneração de contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, o valor da comercialização da produção rural e a remuneração de segurados empregados referente à produção própria de carvão vegetal. Em razão disto teria sido aplicada multa pela infringência do art. 32, §§ 4ºe 5º, da Lei 8.212/91, c/c com o art. 284, II, do Regulamento da previdência Social RPS, constituída por meio do presente auto. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração através do instrumento de fls. 27/36. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9ª turma da Delegacia da Receita do Brasil de julgamento em Belo HorizonteMG, prolatou o ACÓRDÃO N° 02 23.851, de fls.101/110, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de informar mensalmente, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da administração. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. INOCORRÊNCIA. No caso de obrigações acessórias descumpridas, cuja aplicação dc multa decorre de lançamento de oficio, o prazo de decadência aplicado à espécie somente começa a fluir a partir do primeiro Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando a liquidação do crédito for postulada pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 114/124 requerendo a reforma total do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: DO DIREITO DECADÊNCIA Neste tópico argúi o Recorrente que a contribuição previdenciária tem por natureza ser lançamento por homologação, ou seja, após a omissão do contribuinte em informar à autoridade fazendária a ocorrência de fato gerador e o valor tributável, ao agente fiscalizador cumpriria promover o ato de fiscalização observado o prazo decadencial de 05 anos. O autuado cita o art. 150 do CTN para respaldar sua alegação. Desta feita, insurgese o Recorrente do lançamento promovido sobre os períodos anteriores a 14/11/2003, já que a autuação teria sido lavrada em 14/11/2008. Sendo assim, haveria decaído os períodos cobrados entre dezembro de 2002 a novembro de 2003. DA MP 449/2008 Com relação à multa de mora, alega o Recorrente que com a MP nº 449 houve a revogação dos parágrafos 4º e 5º do art. 32 da lei n. 8212/91, que seria a capitulação da penalidade aplicada para a autuação em questão. Assim, aduz que pela determinação prevista no Código Tributário Nacional seria inquestionável a aplicação de lei nova, já que tratase de ato pendente de julgamento administrativo. Sendo assim, por ausência de previsão legal em lei, ficaria sem vinculação a penalidade aplicada, devendo o auto ser julgado insubsistente. DO PEDIDO Requer a reforma total do acórdão recorrido para que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13609.001784/200851 Acórdão n.º 2403001.704 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator. DA TEMPESTIVIDADE Não há nos autos comprovação da data em que a Recorrente tomou conhecimento do Acórdão da DRJ, nesse diapasão, considerase como tempestivo o Recurso Voluntário, vez que a autuada não pode ser prejudicada. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de multa isolada, vinculada a Contribuições Sociais Previdenciárias, que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, e partindo do pressuposto de que o acessório segue o principal, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. O período de apuração compreendeu as competências de 12/2002 a 12/2006. A notificação ocorreu em 24/11/2008. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre: 12/2002 a 10/2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. MERITORIAMENTE AUSÊNCIA DE RAZÕES PARA A NULIDADE DO AUTO A Recorrente foi autuada por ter deixado de declarar na GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias em relação ao período compreendido entre 11/2003 a 11/2008 (já afastado o período decaído), infringindo, por conseguinte, o parágrafo 5o, IV do art. 32 da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97, c/c o parágrafo 4o, IV do art. 225 do Decreto n. 3.048/99. Em sede recursal, a Recorrente apenas questiona a decadência e pleiteia a aplicação da multa com base na MP n. 449/2008, não tendo demonstrado o cumprimento das obrigações acessórias não cumpridas e que deram origem ao Auto de Infração em tela. Logo, não há qualquer motivo suscitado nos autos capaz de anular o Auto de Infração. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa constante na fl. 12, foi aplicada a multa no valor de R$ 644.012,48, correspondente a 100% do valor da contribuição devida, observado o limite previsto no art. 32, inciso nos § 4º e § 5º da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 9.528/97 e no inciso II do art. 284 e 373 do Decreto n. 3.048/99, atualizado pelo inciso V do art. 8o da Portaria Interministerial MPS/MF n. 77 de 11/03/2008. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, verbis: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13609.001784/200851 Acórdão n.º 2403001.704 S2C4T3 Fl. 5 7 apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/91 c/c o art. 32, § § 4o e 5º, Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97 e no inciso II do art. 284 e 373 do Decreto n. 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/09. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Do exposto, dou parcial provimento ao recurso para nas preliminares reconhecer a decadência referente ao período compreendido entre: 12/2002 a 10/2003, nos termos do art. 250, parágrafo quarto do CTN, bem como, para determinar o recálculo da multa com base no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13005.000522/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CESSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 238 1 237 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000522/200950 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.920 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria Declaração de Compensação Cofins e PIS Recorrente COMERCIAL DE TABACOS SANTA CRUZ BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 05 22 /2 00 9- 50 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 388 a 398) apresentado em 16 de março de 2011 contra o Acórdão no 1029.442, de 06 de janeiro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 297 a 306), cientificado em 15 de fevereiro de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins e PIS dos períodos de maio e junho de 2004, considerou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. Transcorridos cinco anos do protocolo da DCOMP, a compensação deverá ser homologada por decurso de prazo (homologação tácita). PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro, não devendo ser homologada a compensação que tenha por base tal crédito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de análise e controle de PER/DCOMPs transmitidos pela contribuinte entre 14/05/2004 e 15/06/2004, com utilização de créditos de PIS e FINSOCIAL decorrentes das ações judiciais n°s 96.00253927/RS e 1999.71.07.003510 6/RS. O Órgão preparador anexou cópias dos PER/DCOMPs e de partes de ações judiciais, tendo emitido o Despacho Decisório onde considerou não homologada a compensação dos débitos declarados. Foi facultado ao sujeito passivo a apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra a não homologação das compensações. A empresa foi cientificada em 22/05/2009 (AR de fl. 74) e, não conformada com o despacho administrativo, apresentou, através de procuradora, em 19/06/2009 (cópia de envelope de fl. 81) fls. 82/102 sua manifestação contrária, onde, em síntese, registra que celebrou, mediante instrumento particular devidamente registrado em Cartório, a aquisição de créditos advindos de processos judiciais (n°s 96.00253927 e 1999.71.07.0035106). Tais créditos foram devidamente Fl. 405DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.000522/200950 Acórdão n.º 3302001.920 S3C3T2 Fl. 239 3 reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado e passaram por execução de sentença, tendo os valores se tornado definitivos, líquidos e certos. Não havendo dúvidas quanto à existência do direito ao crédito, bem como quanto ao valor, a cessionária passou a utilizálo em compensações mensais de tributos devidos à União Federal, nos termos do art. 170 do CTN e das Leis n°s 8.383, de 1991, e 9.430, de 1996. A partir da transferência do crédito, a empresa peticionou nos autos do processo originário e requereu a imediata intimação da União Federal para ciência da alteração de titularidade do crédito, ato que perfectibilizou a cessão de créditos realizada, conforme preconizado pelo art. 290 do CC e jurisprudência dominante. No entanto, as compensações pretendidas foram indeferidas, tendo havido embasamento nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (com as alterações da Lei n° 10.637, de 2002), e IN SRF n° 210, de 2002, que vedavam compensações com créditos de terceiros. A cobrança perpetrada pelo Fisco parte de premissa equivocada, não devendo prevalecer o parecer proferido pela autoridade fiscal. Refere que o direito do Fisco de lançar ou glosar o débito relativo à competência 05/2004 (PIS e COFINS) decaiu, uma vez que transcorreu o prazo de cinco anos, já que a empresa recebeu a Intimação em 21/05/2009, sendo que os referidos tributos tinham como data de vencimento 14/05/2004. Observa que: os créditos foram adquiridos por instrumento particular registrado em Tabelionato Público e por instrumento público de cessão de crédito, conforme autoriza a CF (art. 78 do ADCT), o CC (arts. 288, 289 e 290) e o CPC (art. 567), transferemse da esfera patrimonial do cedente e passam a integrar a do cessionário, o que restou determinado pelo julgador de primeiro grau (que determinou que os valores somente poderiam ser levantados pela cessionária), o qual passa a ter o pleno direito de propriedade sobre aquele crédito, é o novo titular da execução de sentença judicial e único que passa a ter o pleno direito de usufruí 10. Logo, não há que se falar em crédito de terceiros; a cessão de crédito foi autorizada pelo Juiz de primeiro grau, o qual determinou, inclusive, o cancelamento do crédito e a sua conversão em renda, ou seja, o valor do débito já ingressou nas contas da União Federal; os créditos são efetivamente apurados pela empresa, a cessionária, que passou a ser o sujeito ativo da relação processual; no caso em tela, a União Federal foi intimada do procedimento e não se opôs à cessão do crédito; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 os débitos mensais também são próprios, não há transferência deste dever a terceiro, assim como, os depósitos realizados nos autos não foram levantados pela cessionária, em face da compensação, conforme se comprova pela decisão que determinou a suspensão do processo. Assim, não trata o presente caso de créditos de terceiros ou de alteração da relação obrigacional tributária, já que a empresa passou a ser titular do processo judicial objeto de cessão, se sub rogando na condição de credora dos valores, passando a ser exequente na ação executiva (art. 567, II, do CPC). A autoridade fiscal, quando trata de crédito de terceiro, está se referindo a outras situações que não a presente, ou seja, refere àquelas em que se dá a transferência de créditos fiscais apurados e creditados meramente na contabilidade das empresas, cuja segurança da cessão se faz por mera nota fiscal de transferência, o que não é o caso. Diz haver graves equívocos no despacho objeto de sua manifestação: a legislação vigente antes referida previa a possibilidade de defesa quanto à glosa de qualquer compensação realizada, em norma inserida no Decreto n° 70.235, de 1972; a legislação vigente à época não fazia restrição à compensação com créditos adquiridos por cessão; os créditos adquiridos por cessão não são de terceiros, já que são apurados em execução de sentença pela cessionária e contabilizados no seu patrimônio, conforme efeitos jurídicos que lhe conferem as leis vigentes no ordenamento jurídico e na CF. Por fim, requer seja recebida a sua manifestação de inconformidade e documentos tempestivamente apresentados, para o fim de acolher as razões expostas: declarandose a nulidade da autuação com relação à competência 05/2004 de F . COFINS, em face da decadência do direito do Fisco de lançar tais débitos; caso este não seja o entendimento e, quanto aos demais débitos, seja declarada a insubsistência do despacho decisório face a total procedência da compensação, essa amparada no art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, e no art. 170 do CTN, bem como, os valores para a empresa autuada já foram convertidos em renda para a União Federal, de forma que o Fisco já recebeu os valores objeto de compensação, estando a promover cobrança dupla com débito. O Órgão de origem despachou na fl. 296, atestando a tempestividade da peça contestatória. A DRJ não acatou as alegações da Interessada, apenas reconhecendo a homologação tácita das declarações de fls. 43 a 46, não homologando as demais. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da manifestação de inconformidade. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.000522/200950 Acórdão n.º 3302001.920 S3C3T2 Fl. 240 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O entendimento da Interessada baseouse em três falsas premissas: 1) de que a lei que se aplica à compensação seria a vigente no momento da apuração do indébito; 2) de que a vedação à compensação referirseia a débitos de terceiros; e 3) de que o fato de ter crédito contra a Fazenda Pública lhe garantiria o direito de compensação. Em relação à primeira questão, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a lei que se aplica à compensação é a vigente no momento do encontro de contas (REsp 1.164.452/MG, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJe 2.9.2010; REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1°.2.2010 repetitivos). No caso dos autos, o encontro de contas ocorreria na data da transmissão das declarações, quando não mais vigia o art. 66 da Lei n. 8.383, de 1991, em relação aos tributos administrados pela RFB, sendo possível apenas a compensação prevista na Lei n. 9.430, de 1996. Em relação à segunda, o caput atualizado do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, estabelece que somente o sujeito passivo que “apurar o indébito” tem o direito de compensar seus débitos próprios com a RFB. A redação foi proposital no sentido exato de não permitir a compensação de débitos que poderiam ser considerados próprios por cessão de créditos, uma vez que, nessa hipótese, quem apura o crédito é o contribuintecedente e não o cessionário. Por fim, ainda que as cessões de crédito possam tornar a Interessada credora da Fazenda Nacional, tais créditos não são compensáveis com seus débitos, pois não foram apurados originalmente por ela. A única forma de fazer valer seu direito é o ordinário, por meio de precatório, situação já aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça em muitos casos, uma vez que “A jurisprudência pacificada desta Corte considera que a compensação de tributos depende da existência de lei autorizativa editada pelo respectivo ente federativo” (AgRg no RMS 35.365/PR, Segunda Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 10/5/12). Nesse contexto, a compensação também só pode ser realizada nos limites da lei expedida pelo ente federativo (o que abrange a União), não podendo ser realizada com quaisquer créditos ou débitos, mas somente com aqueles previstos na respectiva lei. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 No mais, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, para negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 409DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10665.721544/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - PRESCRIÇÃO QUINQUENAL - LEI COMPLEMENTAR Nº.118/05.
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos.
A repetição do indébito nos tributos sujeitos a lançamento por homologação prescreve em cinco anos, a contar do pagamento antecipado (art.3º, Lei Complementar nº.118/05).
Segundo jurisprudência do STF para quem ajuizou ações, pleiteou restituições, ou efetivou compensações a partir de 09/06/2005, o direito retroagem apenas 5 anos da data do pagamento indevido.
NÃO RETIFICAÇÃO DE GFIP - INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO - INAPLICABILIDADE.
O fato do ente público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos não pode constituir óbice a compensação ou restituição, quando contatado o direito creditório do recorrente, vez que existe Auto de infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documento GFIP.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito a compensação dos recolhimentos realizados em 05, 06 e 07/2001.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 15 44 /2 01 1- 18 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito a compensação dos recolhimentos realizados em 05, 06 e 07/2001. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10665.721544/201118 Acórdão n.º 2401002.403 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob n. 37.319.2002, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da glosa de compensação efetuadas pela empresa sem que a mesma tivesse direito a mesma.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 12 as contribuições descritas no item 1 do referido relatório, que ensejaram o presente AI decorrem das glosas de compensações informadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, indevidamente utilizadas pelo Município de Campo Belo – Prefeitura Municipal, conforme se demonstrará adiante. A discriminação dos fatos geradores (valores originários lançados) encontrase no Relatório de Lançamentos – RL, parte integrante deste Auto de Infração. Destaca o auditor que nas planilhas apresentadas pelo sujeito passivo constam remunerações do Prefeito, do Vice Prefeito e Vereadores. Sobre o total destas remunerações, o Município aplicou o percentual de 20% (vinte por cento), obtendo desta forma, o valor do suposto crédito compensável. Os valores assim obtidos foram corrigidos monetariamente, segundo o autuado, por juros SELIC. As planilhas apresentadas foram anexadas ao Processo Administrativo Fiscal PAF respectivo. Conforme se observa nas planilhas apresentadas pelo sujeito passivo e na planilha I (programa Compensa da RFB) em anexo, os índices utilizados pelo sujeito passivo para correção dos valores supostamente compensáveis são os mesmos utilizados pela Previdência Social para a cobrança de seus créditos. A taxa SELIC é a única forma de atualização dos valores a ser restituídos ou compensados. A Receita Federal do Brasil – RFB reconhece a inexigibilidade de contribuições previdenciárias fundamentadas na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997 (D.O.U. de 31 de outubro de 1997), do período compreendido entre 01 de fevereiro de 1998 até 18 de setembro de 2004, inclusive deferindo, administrativamente, pedidos de restituição ou compensação, desde que obedecido ao disposto nos atos normativos que regem a matéria, principalmente na Portaria MPS n° 133/2006 e na Instrução Normativa I N MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006 (D.O.U. de 18 de setembro de 2006). A planilha II anexa a este AI discrimina a remuneração recebida pelos exercentes de mandato eletivo do Município de Campo Belo declaradas em GFIP, para o período de 01/1999 a 06/2001; a planilha III o total da remuneração recebida pelos mesmos, a contribuição declarada e a contribuição não declarada em GFIP. Observase que em várias competências, o valor recebido não foi totalmente declarado. Para o período de 02/1998 a 06/1998, a contribuição dos vereadores não foi incluída no cálculo dos valores compensados uma vez que a mesma não foi recolhida. Observase também, que da planilha apresentada pelo município, consta a contribuição relativa à competência de 01/1998 cuja contribuição não era devida. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Todavia destacou o auditor que ao não providenciar a prévia e integral retificação das GFIP nas quais as remunerações dos exercentes de mandato eletivo foram inicialmente informadas, deixou o contribuinte de cumprir preceito básico para usufruto da compensação pretendida, constante no artigo 4°, inciso I, da Portaria MPS n° 133/2006, e no art. 6° , inciso I e § 4° da IN MPS/SRP n° 15/2006, o que fez com que esta auditoria fiscal não tivesse outra opção, senão glosar tais valores, efetuando o lançamento respectivo. As normas anteriormente citadas estão assim enunciadas: Destaca ainda, para sustentar o lançamento que os valores pleiteados sujeitamse ao prazo prescricional de 05(cinco) anos, contados a partir da data do pagamento indevido (art. 253, inciso I, do RPS) até a efetiva compensação. No mesmo sentido, o artigo 3º da IN MPS/SRP nº 15/2006 dispõe que o prazo para pleitear restituição ou compensação de valores pagos a título de contribuição previdenciária de exercentes de mandato eletivo é de 05 (cinco) anos, a contar do efetivo pagamento: Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 24/06/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 08/07/2011. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 47 a 68. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 79 a 86 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/12/2006, 01/01/2010 a 30/01/2010 COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RETIFICAÇÃO PRÉVIA DAS GFIP, PRESSUPOSTO PARA REALIZAR A COMPENSAÇÃO. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição ou compensação de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. O direito de compensar pagamentos indevidos decorrentes de norma declarada inconstitucional, tem, como pressuposto, a retificação das GFIP relativamente às contribuições originalmente declaradas nos moldes da norma inconstitucional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa apresentou recurso, fls. 91 a 106, onde argumenta em síntese: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10665.721544/201118 Acórdão n.º 2401002.403 S2C4T1 Fl. 4 5 1. Não está prescrito o direito de compensar como aduz a fiscalização. O artigo 4º (parte final) da Lei Complementar 118/2005 vem sendo considerado inconstitucional pelo STJ. 2. Poderseia dizer, na verdade, que o erro cometido não foi desrespeitar o prazo prescricional, mas proceder à compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial que discute a validade dos créditos compensados. No entanto, o entendimento jurisprudencial é no sentido de não aplicação do artigo 170 A do CTN, quando se tratar de compensação de tributos declarados inconstitucionais pelo STF. 3. O fato de ter optado pelo reconhecimento judicial de seus créditos não lhe impede que proceda à compensação , uma vez que a contribuição dos agentes políticos foi declarada inconstitucional pelo STF (RE 351.717/PR e Resolução do Senado Federal 26/2005). 4. É direito do contribuinte compensar o que pagou indevidamente a título de contribuição previdenciária, valendose da prescrição decenal, não podendo a ocorrência de prescrição ser fundamento para lavratura da autuação, nem tampouco a efetivação da compensação antes do trânsito em julgado de ação proposta, diante da jurisprudência do TRF 1ª Região que cita. 5. Não pode ser aceita também, a exigência de que o Município teria de retificar suas GFIPs primeiro para depois compensar, posto que instituída através de mera Portaria, o que afronta a Constituição Federal. 6. Inexiste obrigação de retificação das GFIPs. A obrigação prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 referese tão somente à apresentação não se falando em retificação do documento. 7. Não há qualquer lógica na determinação esposada na Portaria MPS 133/2006 e na Instrução Normativa 15/2006. 8. Não pode ser penalizado por aquilo que não deu causa, ou seja, não possui qualquer culpa que justifique a retificação das GFIPs, além disso, tal procedimento é extremamente oneroso para o Município. 9. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil possui condições técnicas e documentação suficientes para realizar facilmente a retificação dos referidos documentos. 10. O simples fato de o contribuinte ter descumprido suposta obrigação acessória “retificação das GFIPs” não faz com que todo o aproveitamento do tributo indevidamente pago ao INSS seja indevido, uma vez que a compensação é seu direito público subjetivo. 11. Requer o cancelamento do auto de infração. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 107 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Com relação ao argumento de realização de compensação, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreve a existência de direito creditório, indicando inclusive que os valores foram devidamente atualizados pelos mesmos índices de correção dos sistemas da SRFB. Vejamos trecho do relatório: Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 12 as contribuições descritas no item 1 do referido relatório, que ensejaram o presente AI decorrem das glosas de compensações informadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, indevidamente utilizadas pelo Município de Campo Belo – Prefeitura Municipal, conforme se demonstrará adiante. A discriminação dos fatos geradores (valores originários lançados) encontrase no Relatório de Lançamentos – RL, parte integrante deste Auto de Infração. Destaca o auditor que nas planilhas apresentadas pelo sujeito passivo constam remunerações do Prefeito, do Vice Prefeito e Vereadores. Sobre o total destas remunerações, o Município aplicou o percentual de 20% (vinte por cento), obtendo desta forma, o valor do suposto crédito compensável. Os valores assim obtidos foram corrigidos monetariamente, segundo o autuado, por juros SELIC. As planilhas apresentadas foram anexadas ao Processo Administrativo Fiscal PAF respectivo. Conforme se observa nas planilhas apresentadas pelo sujeito passivo e na planilha I (programa Compensa da RFB) em anexo, os índices utilizados pelo sujeito passivo para correção dos valores supostamente compensáveis são os mesmos utilizados pela Previdência Social para a cobrança de seus créditos. A taxa SELIC é a única forma de atualização dos valores a ser restituídos ou compensados. A Receita Federal do Brasil – RFB reconhece a inexigibilidade de contribuições previdenciárias fundamentadas na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997 (D.O.U. de 31 de outubro de 1997), do período compreendido entre 01 de fevereiro de 1998 até 18 de setembro de 2004, inclusive deferindo, administrativamente, pedidos de restituição ou compensação, desde que obedecido ao disposto nos atos Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10665.721544/201118 Acórdão n.º 2401002.403 S2C4T1 Fl. 5 7 normativos que regem a matéria, principalmente na Portaria MPS n° 133/2006 e na Instrução Normativa I N MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006 (D.O.U. de 18 de setembro de 2006). A planilha II anexa a este AI discrimina a remuneração recebida pelos exercentes de mandato eletivo do Município de Campo Belo declaradas em GFIP, para o período de 01/1999 a 06/2001; a planilha III o total da remuneração recebida pelos mesmos, a contribuição declarada e a contribuição não declarada em GFIP. Observase que em várias competências, o valor recebido não foi totalmente declarado. Para o período de 02/1998 a 06/1998, a contribuição dos vereadores não foi incluída no cálculo dos valores compensados uma vez que a mesma não foi recolhida. Observase também, que da planilha apresentada pelo município, consta a contribuição relativa à competência de 01/1998 cuja contribuição não era devida. Ou seja, houve o efetivo reconhecimento por parte da autoridade fiscal da existência de recolhimentos à titulo de contribuição para os agentes políticos que embasariam a compensação do recorrente. Todavia, entendeu o auditor que os preceitos normativos para dita compensação não restaram cumpridos, o que torna indevida a compensação realizada e por consequência, determina a lavratura de AIOP cujo fato gerador é a Glosa sobre compensação indevida. Os argumentos trazidos pelo auditor para declarar a compensação indevida, conforme relatório fiscal são: 4.36 Por todo o exposto, concluise que o contribuinte não poderia ter compensado os valores informados em GFIP sem a observação dos seguintes prérequisitos: a) Prévia retificação de todas as GFIP em que foram informadas inicialmente as remunerações dos exercentes de mandato eletivo; b) Prazo prescricional de 5 (cinco) anos, a partir do pagamento indevido. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, compete a empresa apresentar a provas das compensações realizadas, o que entendo restou demonstrado, por meio dos fato trazidos pelo auditor. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Contudo, em que pese toda a argumentação do auditor fiscal para constituição do crédito e da autoridade julgadora, quanto ao cumprimento dos atos normativos da SRFB para realização de compensações, entendo deva ser interpretado de outra forma a legislação que abarca o direito creditório pretendido. A Resolução n ° 26/2005 do Senado Federal suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171. Muito poderia se debater acerca dos efeitos dessa Resolução, se retroagiriam ou teriam efeitos a partir da sua publicação. Entretanto, há que se reconhecer e obedecer ao disposto no Decreto n ° 2.346/1997. De acordo com o previsto no § 2º do art. 1º do referido Decreto, os efeitos da suspensão da execução pelo Senado Federal seriam retroativos, nestas palavras: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. Corroborando tal entendimento, o Secretário da Receita Federal do Brasil, publicou o Ato Declaratório Executivo RFB n ° 60 de 17 de outubro de 2005. Portanto, até o dia 18 de setembro de 2004, os exercentes de mandato eletivo não estão enquadrados no RGPS como segurados obrigatórios. A partir de 19 de setembro de 2004 entrou em vigor a Lei n ° Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10665.721544/201118 Acórdão n.º 2401002.403 S2C4T1 Fl. 6 9 10.887 prevendo que o exercente de mandato eletivo não vinculado a Regime Próprio é segurado obrigatório do RGPS como empregado. No sentido da possibilidade de devolução dos valores recolhidos ao exercente de mandato eletivo foi publicada a Portaria MPS n º 133, DOU de 03/05/2006, o art 5º da referida Portaria assim dispõe: Art. 5º O exercente de mandato eletivo, no período de 1º de fevereiro de 1998 a 18 de setembro de 2004, poderá optar por não pleitear restituição dos valores descontados pelos entes federativos, solicitando a manutenção da filiação na qualidade de segurado facultativo. § 1º A opção de que trata o caput dependerá: I da inexistência de compensação ou de restituição da parte retida; e II do recolhimento ou parcelamento dos valores descontados por parte do ente federativo. DAS COMPETÊNCIAS PRESCRITAS Contudo, para efeitos de determinar a prescrição do direito a restituirse ou compensar contribuições tidas por indevidas devemos considerar em que momento ocorreu o pedido de restituição ou realizada a compensação de acordo com o entendimento descrito no art. 3 da LC n.118/2005. Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Assim, até o advento da lC 118/2005, a prescrição aplicável seria 5 + 5, e para os pedidos realizados após a edição da referida lei, deveverseá aplicar a regra contida no art. 3 da referida lei, tendo em vista que decisão do próprio STF no RE 566621, manteve o entendimento que entendeu ser de 10 anos o prazo para pleitear a restituição, cuidandose de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não caberia assim, aplicação retroativa do art. 3 da LC 118/2005. A alteração no CTN promovida pela LC 118/2005 ocorreu no caso do inciso I do art. 168 que trata do direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente. Com a alteração consubstanciada no art. 3º da LC 118/2005, o momento de extinção do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação – quando iniciava a contagem da prescrição não será mais aquele determinado pelo artigo 150, § 4º (cinco anos após o fato gerador), e sim o momento em que foi efetuado o pagamento do tributo considerado indevido. Com esta nova regra o prazo para reclamar a restituição do pagamento indevido de tributo diminuiu de dez (tese dos 5 + 5) para cinco anos, a partir da vigência da LC 118/2005. O ponto nervoso da questão, apreciado tanto pelo STJ quanto pelo STF, é, portanto, o início da vigência da alteração promovida pela LC. Assim, o STF firmou entendimento beneficiando os contribuintes que ajuizaram ações, ou pleitearam restituições, ou efetivaram compensações antes de 09/06/2005 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 com a permanência do entendimento do conhecido 5 + 5 e, para quem ajuizou ações a partir de 09/06/2005, o direito retroagem apenas 5 anos da data do pagamento indevido. Como o contribuinte realizou s compensações a partir de 05/2006, essa deverá ser a data para determinar as competências com direito a restituição. Isto posto, encontramse prescritas, da data da primeira compensação, os pagamentos realizados até 04/2001, restando o direito creditório em relação aos meses 05, 06 e 07/2001. Observase que o contribuinte ao realizar a compensação, obedeceu a ordem cronológica, da mais antiga, para mais nova; contudo, entendo que o pertinente a ser apreciado é: na data do pedido, quais competências poderiam ser compensadas? Chegandose ao resultado acima exposto. Nesse sentido, entendo que a decisão da Receita Federal do Brasil merece reforma por não ter observado o disposto no CTN. Contudo, ainda restanos apreciar a questão da exigência de correção das GFIP, conforme passamos a descrever. DA FALTA DE CORREÇÃO DAS GFIP. Por fim, quanto ao segundo argumento trazido pelo auditor que não procedeu o município a retificação das GFIP, entendo que também não é suficiente para indeferir direito a compensação, uma vez que o próprio auditor destaca a existência de contribuições indevidas. Entendo que o descumprimento da Instrução Normativa, quanto a retificação das GFIPs constitui falta, ou seja sujeita as penalidades da legislação. Ao proceder a compensação das contribuições recolhidas indevidamente à título de agente político, indicou o contribuinte que a dita verba não constitui mais fato gerador de contribuição previdenciária, ou seja, deveria proceder a retificação das GFIP. Em não o fazendo incorre em falta sujeita a Auto de Infração de Obrigação Acessória, vez que faz constar em GFIP informação incorreta. Dessa forma, entendo que a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é sim possível, evitando que a GFIP permaneça incorreta, mas não ser determinante para indeferir restituição, ou mesmo declarar indevida compensação. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer o direito a compensação dos recolhimentos realizados em 05, 06 e 07/2001. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 16624.001978/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008
DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1102-000.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria discutida concomitantemente na esfera judicial, e na parte conhecida, negar provimento ao recurso, observando-se que a efetiva exclusão do simples depende do que for decidido nos autos do processo judicial nº 0022568-72.2010.403.6100, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria discutida concomitantemente na esfera judicial, e na parte conhecida, negar provimento ao recurso, observando-se que a efetiva exclusão do simples depende do que for decidido nos autos do processo judicial nº 0022568-72.2010.403.6100, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
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Recorrente PORTE COMÉRCIO DE VIDROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria discutida concomitantemente na esfera judicial, e na parte conhecida, negar provimento ao recurso, observandose que a efetiva exclusão do simples depende do que for decidido nos autos do processo judicial nº 002256872.2010.403.6100, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 19 78 /2 01 0- 71 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16624.001978/201071 Acórdão n.º 1102000.818 S1C1T2 Fl. 3 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. Relatório Trata o presente processo de exclusão do Simples Nacional efetuada mediante Ato Declaratório Executivo DRF/Guarulhos – SP n.° 441874, de 01.09.2010 (fls. 30), com efeitos a partir de 01.01.2011, motivado no fato de a interessada possuir débitos deste regime especial, cuja exigibilidade não se encontra suspensa, ali relacionados. A base para a exclusão está aposta no Ato Declaratório, sendo o disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.° 123/2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art 5º, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23.07.2007. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1 a 28, na qual alegou, em síntese, o seguinte: A empresa passou por sérios problemas financeiros decorrentes da crise econômica mundial de 2007, 2008 e 2009, que ainda emana os seus efeitos em 2010, e da concorrência praticamente desleal dos importados, conforme se comprova pelos diversos contratos de endividamento bancário firmados, os quais totalizam mais de R$ 500.000,00 (docs. anexos). Tais problemas levaram ao inadimplemento dos tributos exigidos, sendo que, no pior momento de sua história, sofre a indevida exclusão do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo aqui combatido, no qual são apontados valores supostamente devidos que teriam de ser recolhidos, integralmente, num prazo máximo de quinze dias, sob pena de confirmação de sua expulsão do sistema simplificado. A Receita Federal e o Comitê Gestor não aceitam qualquer possibilidade de parcelamento, em contraposição ao que é assegurado às grandes empresas. Tal negativa de parcelamento viola o artigo 179 da Constituição Federal, que prevê o tratamento jurídico diferenciado e favorecido às microempresas e às empresas de pequeno porte, bem como o princípio constitucional da isonomia. O art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.° 123/2006, é manifestamente inconstitucional, por constituir verdadeira imposição de um “bis in idem” e por ser um meio coercitivo de cobrança de tributos, o que é vedado pelo STF, conforme jurisprudência colacionada. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16624.001978/201071 Acórdão n.º 1102000.818 S1C1T2 Fl. 4 3 Por estes motivos, o ato de exclusão é manifestamente nulo, ou, quando menos, improcedente. Não há razoabilidade, juridicidade e logicidade na limitação indevida ao parcelamento de obrigações fiscais do Simples Nacional. Além disto, não existe sequer base legal para esta vedação, o que também atenta contra o princípio da legalidade tributária. Assim, não pode ser admitida a exclusão da defendente do Simples Nacional, sem que lhe seja possibilitado o parcelamento de suas obrigações fiscais em 60 parcelas, o que desde já se requer seja aqui deferido. Também não pode deixar de ser dito que as eventuais dívidas inscritas em Dívida Ativa da União Federal são sempre agregadas pela cobrança do encargo legal, previsto no DecretoLei 1.025/69 e alterações posteriores, o qual é ilegal e inconstitucional, conforme doutrina e jurisprudência colacionada. Finaliza requerendo seja conhecida e provida a sua manifestação de inconformidade, para que seja anulado ou julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional. Recebida a manifestação de inconformidade no CAC (Centro de Atendimento ao Contribuinte) da DRF/Guarulhos, foram os autos encaminhados ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – Secat da mesma Delegacia, onde o referido Serviço instruiu o processo com a petição inicial e a decisão judicial atinentes ao Processo nº 0022568 72.2010.403.6100, antes de encaminhálos para julgamento. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/Campinas não conheceu da manifestação de inconformidade, em virtude da constatação da perfeita identidade entre os pedidos e as causas de pedir dos processos administrativo e judicial. O Acórdão 0533.957 está assim ementado: “DISCUSSÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. A propositura de ação judicial que tenha por objeto a mesma matéria discutida em processo administrativo fiscal caracteriza renúncia ao litígio administrativo.” Contra esta decisão a contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário, no qual contestou a conclusão a que chegou a autoridade julgadora a quo, uma vez que o objeto do Processo Judicial nº 002256872.2010.403.6100 seria absolutamente distinto da discussão travada nos presentes autos, pois, enquanto na manifestação de inconformidade o seu pleito é para que seja anulado ou julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional, com a consequente manutenção da empresa no referido sistema, no Processo Judicial nº 002256872.2010.403.6100 pretende a autora obter provimento judicial que lhe autorize obter o parcelamento de seus débitos relativos ao Simples Nacional, conforme o pedido ali formulado. Assim, não havendo concomitância entre os pedidos administrativo e judicial, deveria ser dado regular prosseguimento ao feito. Na sessão de março de 2012, este colegiado, por meio da Resolução no 1102 0071, reconheceu a concomitância entre as lides administrativa e judicial apenas no que concerne ao pedido de parcelamento dos débitos da empresa e à impossibilidade de ser excluída do Simples Nacional enquanto o parcelamento estiver sendo regularmente cumprido, Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16624.001978/201071 Acórdão n.º 1102000.818 S1C1T2 Fl. 5 4 mas devolveu os autos à DRJ para a análise dos demais pontos suscitados no recurso, quais sejam: a inconstitucionalidade do artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006, e a inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação do encargo legal previsto no DecretoLei nº 1.025, de 1969. Nova decisão é proferida pela DRJ de origem, julgando improcedente a manifestação de inconformidade na parte não discutida judicialmente, ante a impossibilidade de os órgãos julgadores administrativos afastarem a aplicação de leis sob fundamento de inconstitucionalidade, bem como, no tocante ao encargo legal, por falta de qualquer relação da matéria com o ato combatido. O Acórdão 05 38.435 está assim ementado: “ARGÜIÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é de competência do julgador administrativo decidir sobre constitucionalidade de lei.” Ao final do voto, informa o relator da decisão recorrida que, em consulta realizada na página eletrônica do TRF da 3ª Região (www.trf3.jus.br), verificou que o pedido da autora foi julgado procedente na sentença proferida em 28/07/2011, verbis: “Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, a fim de autorizar a inclusão dos débitos do impetrante apurados no regime de tributação do Simples Nacional no parcelamento instituído pela Lei n.º 10522/2002, obstando sua exclusão do referido regime de tributação enquanto o parcelamento estiver sendo regularmente cumprido.Extingo o feito com resolução de mérito nos termos do artigo 269, inciso I, do CPC.Custas "ex lege". Honorários advocatícios devidos pela ré, os quais fixo em R$ 1.000,00 (mil reais).Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição.P.R.I.O.” Cientificada desta decisão em 13.08.2012, por via postal, conforme AR anexo aos autos, encaminhou a recorrente em 11.09.2012, conforme envelope de postagem também anexo, o seu recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos apresentados na peça inicial de defesa apresentada e, ao final, requer o provimento do presente recurso para anular/reformar a decisão recorrida e reconhecer a improcedência de sua exclusão do Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Dentre as alegações recursais, consta a de inconstitucionalidade e ilegalidade da negativa de parcelamento por parte da Receita Federal e do Comitê Gestor, por violação ao Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16624.001978/201071 Acórdão n.º 1102000.818 S1C1T2 Fl. 6 5 artigo 179 da Constituição Federal, e a outros princípios constitucionais, como o da isonomia, da legalidade, e da razoabilidade, e dentre os seus pedidos, o de deferimento do parcelamento de suas obrigações fiscais em 60 parcelas, nos mesmos moldes em que é assegurado às médias e grandes empresas. Analisandose a ação judicial proposta (Ação Declaratória com Pedido de Tutela Antecipada), contudo, verificase que essas questões foram levadas ao crivo do Poder Judiciário, que se pronunciou deferindo o pedido de antecipação de tutela, para autorizar a inclusão dos débitos da autora no Simples Nacional no parcelamento instituído pela Lei nº 10.522/2002, obstando a sua exclusão do referido regime enquanto o parcelamento estiver sendo regularmente cumprido e, posteriormente, julgando procedente o pedido, nos mesmos termos, conforme excerto transcrito no relatório acima. Nesses pontos, portanto, clara a concomitância, o que impede a análise por este Colegiado, nos termos de entendimento pacificado nesta Corte Administrativa, por meio da Súmula CARF nº 1. Resta, portanto, analisar as demais alegações recursais. Sustenta a recorrente ser inconstitucional o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar n.° 123/2006, base legal do ato de exclusão, por violação a diversos princípios constitucionais, consubstanciando verdadeiro meio coercitivo de cobrança de tributos. Tais argumentos, contudo, não podem ser acolhidos, haja vista não possuirem os órgãos julgadores administrativos competência para deixar de aplicar lei regularmente editada pelo Poder Legislativo, sob tais fundamentos. Aliás, tal questão dispensa maiores considerações a respeito, em razão de se encontrar devidamente pacificada por meio de súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e que a seguir se transcreve: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme bem observado pela decisão recorrida, somente sob certas circunstâncias específicas, previstas no § 4º do artigo 26A do do Decreto nº 70.235/72, seria possível ao CARF afastar a aplicação de lei, contudo, nenhuma das circunstâncias ali previstas restou demonstrada no presente caso. Aduz também a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança do encargo legal, previsto no DecretoLei 1.025/69 e alterações posteriores. Ora, tal encargo incide tão somente em sede de execução fiscal, e não em processos administrativos de cobrança ou exigência de crédito tributário. Ademais, a alegação é totalmente impertinente ao caso dos autos, em que sequer se discute crédito tributário, mas apenas e tão somente a exclusão da recorrente do regime simplificado por meio de Ato Declaratório Executivo. E, por fim, pelos mesmos motivos já acima expostos, tampouco poderia o julgador administrativo afastar a sua aplicação, se dela aqui se tratasse. Em consulta realizada na página eletrônica do TRF da 3ª Região (www.trf3.jus.br), verifico que a União interpôs apelação, a qual foi recebida nos seguintes termos: “Fls. 176/188: Recebo a apelação da ré em ambos os efeitos, exceto com relação à tutela antecipada às fls. 114/117, que fica mantida até ulterior decisão das instâncias superiores.Dêse vista ao autor para, querendo, apresentar contrarrazões Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16624.001978/201071 Acórdão n.º 1102000.818 S1C1T2 Fl. 7 6 em 15 (quinze) dias.Após, se em termos, remetamse os autos ao E. TRF3.Int.” (Disponibilização D.Eletrônico de despacho em 03/04/2012 ,pag 188/190) Pelo exposto, conheço parcialmente do recurso, e, na parte conhecida, nego lhe provimento, observando que a efetiva exclusão da recorrente do regime simplificado deverá observar o quanto for decidido nos autos do Processo Judicial nº 002256872.2010.403.6100. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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