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Numero do processo: 10630.720335/2011-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/07/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Para os períodos em que houver multas relativas à obrigação principal além da acessória o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Para os períodos em que houver multas relativas à obrigação principal além da acessória o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 35 /2 01 1- 46 Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.043 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de 08 autos de infração (AI), às efls. 002 a 161, cientificados ao contribuinte em 17/03/2011, com relatório fiscal às efls. 169 a 190. Os autos de infração englobam créditos previdenciários envolvendo descumprimentos de obrigação principal (AIOP) e de obrigação acessória (AIOA), relativamente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, ao Seguro de Acidentes do Trabalho GILRAT e aos Terceiros (Outras Entidades e Fundos), no período de 01/2007 a 12/2007, inclusive competência 13/2007, bem como verificação das compensações efetuadas no período de 03/2010 a 07/2010, conforme a seguir, resumidamente, são discriminados: AIOP DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR 37.335.9594 Contribuições previdenciárias patronais para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, referentes a valores indevidamente excluídos da base de cálculo nas folhas de pagamento, bem como de fatos geradores relativos aos segurados empregados e contribuintes individuais, não incluídos em folha de pagamento nem declarados em GFIP. 358.238,72 37.335.9586 Contribuições sociais destinadas a Seguridade Social, parte não descontadas, parte descontadas e não repassadas na época própria, bem como não declaradas em GFIP. 31.253,41 37.335.9578 Glosas de compensações indevidamente consideradas pelo contribuinte. 1.253.206,56 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS 1.642.698,69 AIOA DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR 37.327.3789 FL 30 a Prefeitura deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social, com agravamento por agravante específica. 4.570,71 37.327.3797 FL 35 a Prefeitura, na qualidade de empresa, deixou de apresentar os arquivos magnéticos, no formato Manad, das 45.706,65 Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.044 3 folhas de pagamento e da contabilidade de jan a dez/2007, com agravante específica. 37.335.9551 FL 38 a Prefeitura deixou de apresentar documentos solicitados em intimações, com agravante específica. 45.706,65 37.327.3800 FL 59 a Prefeitura deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, no período de jan a dez/2007, com agravante genérica. 3.047,14 37.327.3819 CFL 78 a Prefeitura apresentou a GFIP com incorreções ou omissões, relacionadas a fato gerador da contribuição previdenciária e recolhidas ou não relacionadas a fato gerador, nas competências de janeiro, maio a 13°/2007 e de mar a jul/2010. 8.440,00 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 107.471,15 TOTAL GERAL (OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS + OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS) 1.750.169,84 Os autos de infração foram impugnados às efls. 850 a 935, em 03/06/2011. A 7ª Turma da DRJ/BHE considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 0233.230, de 05/07/2011, às efls. 937 a 954, para manter integralmente os créditos tributários exigidos. Inconformada, em 09/08/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 958 a 970, no qual argumentava apenas no que concerne ao direito à compensação, aduzindo, em resumo, que o direito a ela não está prescrito, porque a contagem do prazo inicia se quando da Resolução do Senado Federal que expurgou do ordenamento jurídico a contribuição previdenciária relativa aos agentes políticos. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 10/07/2012, resultando no acórdão 230201.911, às efls. 982 a 990, que deu provimento parcial ao recurso, pelo qual: A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32 A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º8.212 de 1991.Também devem ser excluídos do lançamento as glosas efetuadas nas competências de 03/2010 a 06/2010. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Embargos de declaração do DRFB de Governador Valadares O Delegado da Receita Federal em Governador Valadares, em face do provimento parcial para que se afastassem os valores decorrentes das glosas de compensações indevidas dos períodos de março a junho de 2010, e por haver informação nos autos de que o Município impetrou ação judicial contra a cobrança das contribuições previdenciárias sob remuneração paga a agentes políticos/Lei nº 9.506/97, a qual se encontrava ainda em Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.045 4 andamento, inexistindo nos autos qualquer decisão favorável ao município autor, solicitou, à e fl. 994, a alteração do acórdão nº 230201.911, para manutenção das referidas glosas no tocante aos autos de infração DEBCAD nº 37.335.9578 (AIOP) e DEBCAD nº 37.327.3819 (AIOA), uma vez que tal fato foi omitida qualquer consideração sobre a ação judicial na prolação desse acórdão. No Despacho de nº 2302054 do Presidente da 2ª Turma da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, às efls. 996 a 998, foram admitidos os embargos, em 23/08/2013, para que fosse prolatado novo acórdão, no qual houvesse manifestação sobre a matéria omitida. Em face dos embargos, a Turma elaborou novo acórdão, de nº 2302002.725, às efls. 999 a 1007, em 17/09/2013, novamente dando provimento parcial ao recurso, com as seguintes ementas: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". A vedação se aplica, inclusive, às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.046 5 penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O acórdão, por sua vez, teve agora a seguinte redação: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração. Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial com idêntico pedido e na parte conhecida darlhe provimento parcial, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício. As multas relativas aos Autos de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória de GFIP, devem ser calculadas considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Recurso Especial da Fazenda Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.047 6 Cientificada do acórdão nº 2302002.725, em 17/10/2016 (efl. 1009), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, às efls. 1010 a 1021, em 1º/11/2013. A Procuradora afirma que o acórdão recorrido entende ser desnecessária a a soma da multa da obrigação principal com a acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 e segue: De fato, para a Turma recorrida, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei n. 8.212/91. Depois, no que toca à multa por descumprimento de obrigação principal, aplicarse o disposto no art. 35, revogado, por ser essa a regra vigente na data da ocorrência do fato gerador, limitada ao percentual de 75%. Portanto, para v. acórdão recorrido o art. 35A deve ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Para sustentar a divergência, indica os acórdãos paradigmas 2401002.453 e 920202.086, dos quais extrai que, para casos como o dos autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Ao final, requer seja conhecido o recurso para que lhesa dado provimento, com a consequente reforma do acórdão a quo, para que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade lançadora, para aferiçaõ da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. O Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, pelo despacho nº 2300014/2015, às efls. 1024 a 1028, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade, em 19/03/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do acórdão de recurso voluntário e do recurso especial de divergência da Fazenda, por meio da Intimação ARF/TOI/MG Nº 021/2015 (efl. 1030), em 29/04/2015 (A.R. à efl. 1031), a contribuinte apresentou intempestivamente contrarrazõe às e fls. 1032 a 1039, em 15/05/2015. Argumenta que deva ser mantido o critério de apuração da multa exposto no acórdão recorrido, devendo as multas por descumprimento de obrigação acessória e de obrigação principal serem aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. A forma de cálculo proposta pela recorrente, que considera um somatória de multas a ser analisado, além de não refletir a melhor interpretação do princípio da retroatividade benigna, também traz um caráter de confisco às penalidades, ao considerar um somatório de multas que deveriam ser tratadas isoladamente. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.048 7 Conclui requerendo o não provimento do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Por seu lado, as contrarrazões da contribuinte são intempestivas. O A.R. indica a ciência do acórdão a quo, e do recurso especial de divergência da contribuinte em 29/04/2015, Nas contrarrazões trazidas aos autos, o carimbo de protocolo indica a recepção em 15/05/2015. Iniciada a contagem do prazo para apresentação das contrarrazões em 30/04/2015, um dia útil, e contados quinze dias dessa data, conforme disposto no art. 69 do Anexo II do RICARF, temos o dies ad quem em 14/05/2015. Assim, não serão admitidos os argumentos da contribuinte naquele documento. Com as considerações acima realizadas, há que se enfrentar o tratamento das multas quando existirem multas por descumprimento de obrigação principal para as mesmas competências em que foram aplicadas as multas por descumprimento de obrigação acessórias relativas à falta de declaração ou declaração inexata em GFIP. Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.049 8 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.050 9 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.051 10 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.052 11 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.053 12 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.054 13 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Atentandose ao relatório fiscal observase que o auto de infração que resultou no DEBCAD nº 37.335.9578, foi relativo a glosas de compensações indevidas, havidas em 2010, já implicando a multa do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, (0,33% ao dia, com teto de 20%), por força do § 9º do art. 89 da mesma Lei. Além disso, para as demais obrigações principais lançadas, bem como aquela acessória ligada aos seus fatos geradores (DEBCAD nº 37.327.3819), no documento de efls. 493 e 494 está apresentada uma planilha de cálculo comparativo das multas aplicadas, no qual se observa que o procedimento fiscal seguiu exatamente o disposto na Portaria PGFN/RFB nº 14, acima citada. Já os lançamentos de multas por descumprimento de obrigação acessórias, cujas multas não se vinculam ao valor do tributo, DEBCADs números: 37.327.3789, 37.327.3797 37.335.9551 e 37.327.3800, obedeceram às disposições legais aplicáveis, sem influência da transição das normas aplicáveis. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.055 14 Em face ao exposto, nas competências em que houve o lançamento de multas por descumprimento de obrigações principais em concomitância com multas por descumprimento de obrigação acessória baseada na redação do art. 32, anteriormente à vigência da MP nº 449/2008, há que se aplicar o critério de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. Conclusão Assim, voto por dar provimento ao recurso de iniciativa da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10630.720335/201146 Acórdão n.º 9202006.190 CSRFT2 Fl. 1.056 15 Fl. 1056DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002655/2001-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de cooperativas e pessoas físicas. Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA E COMBUSTÍVEIS.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Súmula Carf n.º 19.
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC.
É cabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic conforme Súmula 411 do STJ. É permitida a atualização dos créditos de IPI pela taxa Selic, conforme combinação do Art. 62 do RICARF com os Resp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164, julgados em sede de recurso repetitivo.
Numero da decisão: 3201-003.235
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
EDITADO EM: 09/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de cooperativas e pessoas físicas. Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Súmula Carf n.º 19. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. É cabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic conforme Súmula 411 do STJ. É permitida a atualização dos créditos de IPI pela taxa Selic, conforme combinação do Art. 62 do RICARF com os Resp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164, julgados em sede de recurso repetitivo.
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BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de cooperativas e pessoas físicas. Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Súmula Carf n.º 19. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. É cabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic conforme Súmula 411 do STJ. É permitida a atualização dos créditos de IPI pela taxa Selic, conforme combinação do Art. 62 do RICARF com os Resp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164, julgados em sede de recurso repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 26 55 /2 00 1- 17 Fl. 1139DF CARF MF 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA – PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. EDITADO EM: 09/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1100 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 362, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 285, restando parcialmente reconhecido o crédito presumido de IPI, conforme Despacho Decisório de fls. 255. Como de costume desta Turma de julgamento, segue relatório do ocorrido conforme relatado pela Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo: Em fls. 362 encontrase a Ementa publicada com a decisão de primeira instância administrativa fiscal, transcrita a seguir: Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13811.002655/200117 Acórdão n.º 3201003.235 S3C2T1 Fl. 1.139 3 Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. De início, é importante reconhecer que o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/COFINS previsto na Lei 9.363/96, em uma visão breve e prática, tem o objetivo e fim social de ressarcir as contribuições da cadeia nacional industrial exportadora para que não seja exportado valor do tributo, com a consequente desoneração da cadeia produtiva e fortalecimento da competitividade da indústria nacional no mercado internacional. Verificase nos autos que a fiscalização entendeu que alguns valores não devem compor a base de cálculo dos créditos e glosou os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, glosou o crédito calculado com custos de energia, combustível e outros insumos e não aplicou a taxa Selic na atualização. As informações constantes nos autos, em conjunto com os documentos juntados pelo contribuinte, permitem concluir que não são controversas e estão comprovadas as efetivas operações e receitas de exportação. Portanto, é possível proceder à análise meritória jurídica a respeito da procedência ou não das glosas efetuadas pela fiscalização e recorridas pelo contribuinte. Insumos adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas. Em relação aos créditos sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, é importante mencionar que tanto a jurisprudência deste Conselho, a exemplo cito o Acórdão da Câmara Superior n.º 9303001.402, como a Jurisprudência do STJ em sede recurso repetitivo conforme o REsp n.º 993.164, consideram pacífica a admissibilidade destes créditos. Inclusive, as decisões do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo são entendimentos obrigatórios em razão do disposto no Art. 62A do RICARF. Fl. 1141DF CARF MF 4 Portanto, merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. Energia elétrica, combustíveis e outros insumos. Com relação aos valores de aquisição de energia elétrica e combustíveis, estes devem ser afastados e os eventuais créditos glosados em razão do disposto na Súmula n.º 19 do CARF, dispositivo de aplicação obrigatória a este Conselho. "Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." Com relação a outros insumos, em que pese o contribuinte argumentar em Recurso Voluntário, não há qualquer menção na decisão de primeira instância deste procedimento administrativo fiscal. Dessa forma, não havendo controvérsia e não submetida a lide à esta segunda instância, não como este Conselho se pronunciar. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. Atualização monetária pela taxa Selic. Quanto à atualização dos créditos pela SELIC, merece acolhida a alegação do contribuinte, em razão do disposto na Súmula n.º 411 do STJ. "Súmula 411 do STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco." Em adição, o Art. 62 do RICARF determina como obrigatória a jurisprudência proveniente de decisões em sede de recurso repetitivo, sendo que para este caso, o STJ reconheceu a incidência da Selic na atualização do crédito presumido de IPI, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. O valor dos créditos deve ser corrigido a partir de 360 dias do pedido (do protocolo), até o efetivo pagamento/compensação, uma vez que a própria Fazenda impediu o creditamento dos valores e sua compensação (Jurisprudência REsp. STJ 1.035.847/RS em sede de recurso repetitivo). Conclusão. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13811.002655/200117 Acórdão n.º 3201003.235 S3C2T1 Fl. 1.140 5 Diante do exposto, com fundamento na legislação correlata, na jurisprudência exposta e nos precedentes desta Turma de julgamento (3201002.252 e 3201003.080), votase para que seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987775/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 75 /2 01 2- 11 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987775/201211 Acórdão n.º 1401001.957 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.987775/201211 Acórdão n.º 1401001.957 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.987775/201211 Acórdão n.º 1401001.957 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906072/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/06/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/06/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/06/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 72 /2 01 2- 94 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10660.906072/201294 Acórdão n.º 3401004.174 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.971, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906072/201294 Acórdão n.º 3401004.174 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906072/201294 Acórdão n.º 3401004.174 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906072/201294 Acórdão n.º 3401004.174 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720065/2016-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2014
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA
Considera-se matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski.
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. Recorrente MUNICIPIO DE TOBIAS BARRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2014 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA Considerase matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 65 /2 01 6- 44 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 285 2 De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 258/276 interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 242/251, que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias devida em decorrência da não retenção dos 11% do valor de serviços contratados pela RECORRENTE e que envolviam a cessão de mão de obra, no período compreendido entre 01/2012 a 11/2014, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 24/30. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo é proveniente dos DEBCADs nº 51.080.6953 (fls. 03/11) e nº 51.080.6961 (fls. 12/21), apurados no valor total de R$ 965.112,49, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a multa de ofício. De acordo com o Relatório Fiscal, mediante análise da documentação apresentada pelo contribuinte, bem como das informações obtidas e postas à disposição da fiscalização, constatouse, que a RECORRENTE realizou contratos sujeitos ao instituto da retenção com as seguintes empresas: Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 286 3 i) COLTSERV — SERVIÇOS E EMPREENDIMENTOS LTDA ME CNPJ 05.003.075/000140; ii) NOSSA SENHORA DA VITORIA TRANSPORTE LTDA CNPJ 03.526.090/000147; iii) JJ FRIGORÍFICO LTDA ME — CNPJ 10.593.813/000196. Embasou o lançamento no art. 31 da Lei nº 8.212/91, o qual prevê a obrigação da tomadora de serviços, contratados mediante cessão de mão de obra, de reter o percentual de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher tal valor em nome da empresa cedente da mão de obra. Esclareceu que a retenção por parte da empresa tomadora de serviços sempre se presumirá feita pela contratante, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelo recolhimento das importâncias que deixar de reter ou tiver retido em desacordo com a legislação. Afirma que a relação contratual entre a RECORRENTE e as empresas contratadas se adequa com exatidão ao que vai previsto no art. 115, §2º, da IN 971/2009 a respeito da realização de serviços contínuos, vez que os serviços prestados constituem necessidade permanente da contratante e repetemse de forma sistemática. Ademais, alega que o caráter não eventual ficou configurado pela habitualidade da prestação dos serviços, o que se comprova através da emissão de Notas Fiscais mensais pelas PJ contratadas, sem solução de continuidade, conforme detalhado nos anexos do relatório (fls. 43/52). Desta forma, estaria comprovada a colocação de trabalhadores à disposição da contratante (a RECORRENTE), nos termos do art. 115, §3º, da IN 971/2009. Da análise de cada um dos contratos mantidos com as cedentes de mão de obra, a autoridade fiscal constatou o seguinte: “7.1 COLTSERV — SERVIÇOS E EMPREENDIMENTOS LTDA ME CNPJ 05.003.075/000140 7.1.1 Contrato: 147/2009 > Em vigor para o período do presente levantamento. > Objeto: Fornecimento de mão de obra e gerenciamento na manutenção dos logradouros públicos do município. > De acordo com "Planilha de formação de preços" constante de documentação apresentada pela Prefeitura, o serviço contratado prevê a utilização de "pintor de meio fio, podador, coletador (sic) e jardineiro". 7.1.2 Tendo em vista o objeto e características do contrato, constatouse que a contratação e prestação dos serviços pela empresa COLTSERV encontrase sujeita à retenção na cessão de mão de obra, notadamente no que pertine aos dispositivos de legislação a seguir descritos: Decreto 3048/99: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 287 4 Art. 219 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; (...) 7.2 NOSSA SENHORA DA VITORIA TRANSPORTE LTDA CNPJ 03.526.090/000147; 7.2.1 Contratos: 118/2009 e 44/2014 > Em vigor para o período do presente levantamento. > Objeto: Serviço de transporte escolar e para serviços eventuais, com condutor. 7.2.2 Tendo em vista o objeto e características dos contratos, constatouse que a contratação e prestação dos serviços pela empresa NOSSA SENHORA DA VITORIA TRANSPORTE LTDA encontrase sujeita à retenção na cessão de mão de obra, conforme os dispositivos de legislação a seguir descritos: Decreto 3.048/99 Art. 219 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: XIX' operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto n°4.729, de 2003) (...) 7.3 JJ FRIGORÍFICO LTDA ME — CNPJ 10.593.813/000196 7.3.1 Contrato : 114/2009 > Em vigor para o período do presente levantamento. > Objeto: Fornecimento de mãodeobra e gerenciamento do matadouro municipal. ‘CONTRATO 1142009 CLÁUSULA SEXTA — DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA Efetuar a limpeza das dependências físicas, varrer, lavar, assim como manter os balcões, panelões, plataformas, azulejos, mesas e utensílios, sempre limpos e devidamente higienizados... Compor o quadro de funcionários com pessoal apto para o exercício das funções, devidamente uniformizados...’ Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 288 5 7.3.2 Tendo em vista o objeto e características do contrato, constatouse que a contratação e prestação dos serviços pela empresa JJ FRIGORÍFICO LTDA ME encontrase sujeita à retenção na cessão de mão de obra, conforme os dispositivos de legislação a seguir descritos: Decreto 3048/99 Art. 219 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria;” A fiscalização constatou que a própria RECORRENTE procedeu à retenção conforme previsto pela legislação para parte das Notas Fiscais (não todas) emitidas pela COLTSERV e pela NOSSA SENHORA DA VITORIA TRANSPORTE LTDA. Porém, não efetuou o recolhimento devido em sua totalidade. Assim, separou o lançamento em dois DEBCADs, da seguinte forma: “9.1 Para o Auto de Infração 51.080.6953, em que o valor de contribuição previdenciária foi retido da empresa prestadora e não recolhido, configurando em tese o crime de apropriação indébita previdenciária, os códigos de levantamento utilizados foram os seguintes: > CA : RET COLTSERV APROPRIAÇÃO INDEB > VA : RET NSA SRA VITORIA APROP INDE 9.2 Para o Auto de Infração 51.080.6961, em que o valor de contribuição previdenciária não foi retido da empresa prestadora e não recolhido, em que não há apropriação indébita previdenciária, os códigos de levantamento utilizados foram os seguintes: > Cl : RETENÇÃO COLTSERV > V1 : RETENÇÃO NSA SRA VITORIA > JJ : RETENÇÃO JJ FRIGORÍFICO LTDA” Em relação aos valores dos contratos de transporte prestados pela NOSSA SENHORA DA VITORIA TRANSPORTE LTDA, observou ainda o seguinte: “A base de cálculo sobre a qual incide a retenção deve observar, no caso de transporte de passageiros o que determina o Art 122, II da Instrução Normativa RFB N° 971/2009, conforme segue: ‘Art. 122. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 289 6 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte de passageiros, cujos despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada;’ 7.2.3 A Instrução Normativa RFB N° 1436/2013 (...) determina, em seu Art 9º que o percentual de retenção passa a ser de 3,5 % a partir de 01/01/2013, no caso de serviços prestados por empresas de transporte de passageiros, conforme segue: Porém, a Prefeitura Municipal manteve a retenção à razão de 11%, razão pela qual fica obrigada a efetuar o recolhimento dos respectivos montantes efetivamente retidos da empresa Nossa Senhora da Vitoria, em consonância com o que determina o Art 219 (sic) do Decreto 3048/99: ‘Art 216, § 5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento.’ Para as competências a partir de 01/2013 em que não houve retenção por parte da Prefeitura de Tobias Barreto, esta fiscalização procedeu ao cálculo da mesma aplicando a alíquota de 3,5 %, conforme determina a legislação.” Da Impugnação Intimada do lançamento em 22/01/2016 (fl. 181), a RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 190/207 em 19/02/2016. Suas alegações de defesa foram assim sintetizadas pela DRJ de origem: “5.1. Afirma preliminarmente que o lançamento é nulo pois a Fiscalização omitiu a sua fundamentação legal, bem como a descrição da matéria tributável. Assevera que a autoridade fiscal limitouse apenas a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege a competência da Receita Federal do Brasil, assim como suas atribuições, não correlacionando os dispositivos com a matéria que teria sido infringida. Incorreu, assim, em violação do artigo 10, IV do Decreto 70.235/72. 5.2. Argui a nulidade do Auto de Infração por cerceamento dos direitos ao contraditório e a ampla defesa, visto que houve omissão de fundamentação legal. É direito do contribuinte que a exigência fiscal esteja completa de tal modo que se a possa contestala ponto por ponto, sendo certo que não havendo a Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 290 7 discriminação dos dispositivos infringidos há impedimento à defesa. Reafirma que o Fiscal não diz quais os artigos que dão suporte à lavratura do crédito, mencionando aleatoriamente os textos legais. Requer a nulidade do Auto de Infração. 5.3. Em relação ao mérito, tece considerações acerca da natureza jurídica das contribuições previdenciárias, afirmando que as mesmas têm natureza tributária que se submetem aos princípios constitucionais. Cita doutrina e o artigo 146 da Constituição Federal. 5.4. Alega haver abuso do poder discricionário por parte da fiscalização, por desnaturamento do instituto jurídico, de maneira a contrariar sua categoria jurídica. Desenvolve argumentos acerca da teoria do abuso de direito, afirmando serem os atos daí decorrentes atos ilícitos, e por natureza, nulos. Em razão disso, requer o cancelamento da autuação que alega ilegal, abusiva e inconstitucional. 5.5. Requer a desconstituição da multa aplicada em razão de não ter havido conduta ilícita por parte da impugnante. Afirma que a multa tem caráter confiscatório, citando a compensação realizada pelo contribuinte. Assevera que a multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, e assim, considerando a lisura do procedimento da Impugnante, requer a desconstituição da multa em razão da inexistência da infração. Cita jurisprudência. Invoca o desrespeito ao Princípio Constitucional do NãoConfisco. 5.6. Questiona a constitucionalidade da aplicação de juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Discorre sobre a natureza da referida taxa e dos juros. Afirma que a SELIC é de fato taxa de remuneração de capital, e que sua cobrança caracteriza usura, nos termos das decisões dos Tribunais Superiores. Reafirma a inconstitucionalidade da Taxa SELIC por ferir os princípios da moralidade, enriquecimento sem causa, propriedade e não confisco. 5.7. Finalmente, requer a nulidade do Auto de Infração, ou alternativamente, a desconstituição do lançamento pelo reconhecimento da legalidade das retificações e compensação efetuadas pelo Município, bem como o afastamento dos juros e multa. Requer produção de prova pericial. Da Decisão Da DRJ A DRJ, às fls. 242/251 dos autos, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2012 a 30/11/2014 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 291 8 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os elementos constitutivos do auto de infração veiculam, com clareza e precisão, todos os substratos fáticos e jurídicos nos quais se fundamenta o lançamento. RESPONSABILIDADE PRINCIPAL DA EMPRESA CONTRATANTE PELA RETENÇÃO DE 11% E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. (artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98). PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IRRELEVÂNCIA. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FATOS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS PROCESSUAIS. No âmbito do processo administrativo tributário, as alegações genéricas não assumem relevância, cabendo ao contribuinte o ônus da impugnação específica dos fatos em relação aos quais haja contrariedade. A teor do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA CONFISCATÓRIA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. É vedado ao órgão julgador administrativo exercer o controle da constitucionalidade das leis ou negar vigência a atos infralegais por ofensa à lei. REQUERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Sujeitase a indeferimento o pedido de produção de prova pericial considerado prescindível à instrução processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 292 9 Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE e findou por manter o lançamento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 08/06/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 256, apresentou seu recurso voluntário de fls. 258/276 em 23/06/2016, oportunidade em que reiterou as afirmações de sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. As razões recursais da RECORRENTE se limitam aos seguintes tópicos: i) Da Nulidade do Lançamento Por Imprecisão da Capitulação Legal — Manifesto Cerceamento de Defesa; ii) Da natureza jurídica das contribuições previdenciárias: Do Abuso do Poder Discricionário; iii) Do Efeito Confiscatório da Multa Cominada; iv) Da Inaplicabilidade da Taxa Selic Como Índice de Juros Sobre o Débito de Tributos e Contribuições Sociais Federais; Conforme já exposto pela DRJ, a RECORRENTE não teceu qualquer comentário acerca do mérito do lançamento, qual seja, a falta retenção (ou retenção e não recolhimento) do percentual de 11% do valor do serviço contratado mediante cessão de mão de obra. Sendo assim, tal matéria foi considerada não impugnada e, consequentemente, incontroversa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, passo à análise tãosomente das questões expressamente apresentadas pela RECORRENTE. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 293 10 Da Nulidade do Lançamento Por Imprecisão da Capitulação Legal A RECORRENTE defende a nulidade do lançamento por entender que houve imprecisão da capitulação legal, o que culminaria no cerceamento do seu direito de defesa. Neste sentido, afirma que a Fiscalização omitiu a fundamentação legal do lançamento, bem como a descrição da matéria tributável, violando o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72. Contudo, não verifico a ocorrência da nulidade apresentada. Os autos de infração de fls. 03/11 e fls. 12/21 apresentam toda a fundamentação legal do débito, bem como discrimina, mês a mês, os valores cobrados. No Relatório Fiscal de fls. 24/30 (parte integrante do auto de infração), a autoridade fiscal traz toda a descrição dos fatos, assim como o enquadramento legal para a cobrança das contribuições sobre os fatos descritos. Apresentou de forma detalhada quais os contratos que demandariam a retenção do percentual de 11% do valor do serviço contratado pela RECORRENTE mediante cessão de mão de obra, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91 e demais normas pertinentes ao tema. Realizou um levantamento dos valores das notas fiscais de serviços, existência ou não retenções no período e, no caso de ter havido retenção, a existência do recolhimento do valor retido. Elaborou planilhas para cada estabelecimento prestador, separando os períodos em que a RECORRENTE não reteve o valor da contribuição sobre a nota de serviço daqueles em que houve a retenção e o não pagamento da contribuição, o que ensejaria, em tese, o crime de apropriação indébita (fls. 43/52). Também demonstrou de forma detalhada quais as alíquotas aplicadas em cada período (no caso de serviço de transportes). Sobre o tema, o art. 142 do CTN determina o que é o procedimento de lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora, todas as etapas acima foram detidamente cumpridas pela fiscalização. Conforme exposto, a matéria tributável, o sujeito passivo, o montante devido e a ocorrência do fato estão todas explicadas no auto de infração, não havendo que se falar em erro na construção do lançamento. Ademais, o art. 142, parágrafo único, do CTN, prevê o dever funcional da autoridade fiscal de efetuar o lançamento quando observar infrações à legislação tributária. Ou seja, ao observar que a contribuinte contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra, e verificar que tais serviços se enquadram na previsão legal como sujeitos à retenção do Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 294 11 percentual de 11% sobre o valor da nota ou fatura, a autoridade fiscal passou a ter o poder dever de efetuar o lançamento tributário para a cobrança do crédito. Ou seja, a RECORRENTE deixou de reter o valor e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. E, em alguns casos, observou ainda que a RECORRENTE reteve o valor mas não o recolheu, o que ensejou o lançamento para cobrança da apropriação indébita. Portanto, não prosperam as alegações da RECORRENTE acerca de eventual cerceamento dos direitos ao contraditório e a ampla defesa, pois o auto de infração posto como está é plenamente compreensível e não causa qualquer prejuízo ao direito de defesa. Do Abuso do Poder Discricionário Mais adiante, a RECORRENTE inicia suas chamadas argumentações de mérito alegando ter havido abuso do poder discricionário por parte da fiscalização. Assim, entende que o ato de lançamento estaria eivado de ilicitude por ter se originado de ato arbitrário e, consequentemente, pleiteou o cancelamento da abusiva, ilegal e inconstitucional exigência. No entanto, a RECORRENTE apenas apresenta argumentos genéricos sobre o tema. Não demonstra de forma direta a razão pela qual entende que houve o alegado abuso de direito por parte da fiscalização. Ora, o inconformismo da RECORRENTE a respeito do lançamento não significa que há abuso de direito de qualquer das partes. Como exposto, a autoridade fiscal tem o dever de efetuar o lançamento e cobrar o crédito quando verificar a ocorrência de infração cometida pelo contribuinte. Este poderdever da autoridade não pode ser confundido com abuso de direito, pois o ato de lançamento decorre da lei. Conforme bem observado pela DRJ de origem, a defesa da RECORRENTE apenas apresenta argumentações teóricas e genéricas acerca da validade do lançamento, sem apontar especificamente sequer um eventual erro no mesmo (fl. 248). Tendo em vista que o lançamento foi efetuado respeitandose as formalidades legais, a RECORRENTE tem o ônus de apresentar (e comprovar) fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de efetuar o lançamento. Sem a apresentação de provas, não há como efetuar qualquer alteração no lançamento. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 295 12 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Neste sentido, caberia à RECORRENTE ter demonstrado de forma específica a razão pela qual não efetuou as retenções sobre o valor dos serviços contratados mediante cessão de mão de obra, bem como apresentar os motivos para o não recolhimento dos valores retidos, conforme evidenciado pela fiscalização, apresentando provas de suas alegações. Ademais, conforme já explanado, a atividade da fiscalização é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, tendo o auditor o dever de efetuar o lançamento caso verifique imprecisão no recolhimento do tributo pelo contribuinte. Portanto, não há razão para afastar o lançamento. Do Efeito Confiscatório da Multa Cominada A RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de ofício tem apenas a função de desestimular o descumprimento da legislação tributária, e não pode ter finalidade arrecadatória. No caso, entende que não há razão para a imposição de multas pois não houve prática da condutas ilícitas. Ademais, entende que “a multa cominada, ainda que prevista em legislação específica, assume o caráter nitidamente confiscatório, (...) desrespeitando o Princípio do NãoConfisco, previsto na Constituição Federal”. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. Sobre o tema, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada foi no percentual de 75%. Tal penalidade é aplicada por expressa previsão legal em qualquer caso de lançamento de ofício, independentemente da existência de fraude, sonegação ou qualquer dolo por parte do contribuinte. O art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Nos fundamentos legais do débito, a autoridade fiscal apresentou como embasamento legal da multa o retro mencionado art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (fl. 11 e 21). Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento da contribuição previdenciária, deve ser aplicada a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 sobre o valor do tributo calculado, por estrita determinação legal do art. 35A da Lei nº 8.212/91: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 296 13 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Assim, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, conforme disciplina o já citado art. 44 da Lei nº 9.430/96, não sendo ato discricionário da autoridade fiscal. Neste sentido, o art. 142 do CTN (já transcrito) prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco (assim como qualquer outra questão de inconstitucionalidade envolvendo o caso), devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. Da Inaplicabilidade da Taxa Selic A RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10510.720065/201644 Acórdão n.º 2201003.994 S2C2T1 Fl. 297 14 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por afastar as preliminares arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose o lançamento em sua integralidade. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901066/2008-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora, apresentada depois do despacho decisório, por si só, não é elemento capaz para fazer prova do crédito tributário pretendido. É indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu no caso dos presentes autos.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
É ilíquido e incerto o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da RFB como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e o contribuinte não logra provar respectivo equívoco com documentos que subsidiem sua escrita fiscal e contábil.
Numero da decisão: 3001-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora, apresentada depois do despacho decisório, por si só, não é elemento capaz para fazer prova do crédito tributário pretendido. É indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu no caso dos presentes autos. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. É ilíquido e incerto o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da RFB como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e o contribuinte não logra provar respectivo equívoco com documentos que subsidiem sua escrita fiscal e contábil.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora, apresentada depois do despacho decisório, por si só, não é elemento capaz para fazer prova do crédito tributário pretendido. É indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu no caso dos presentes autos. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. É ilíquido e incerto o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da RFB como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e o contribuinte não logra provar respectivo equívoco com documentos que subsidiem sua escrita fiscal e contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 10 66 /2 00 8- 87 Fl. 86DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário (fls. 50 a 61) interposto contra o Acórdão 14 53.684, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto /SP DRJ/RPO, na sessão de julgamento realizada em 24.09.2014 (fls. 40 a 42), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos e com vista à economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Trata o presente processo de análise de Declaração de Compensação, em virtude de alegado recolhimento indevido de IPI, referente ao fato gerador de 04/2004, tendo o Despacho Decisório, não homologado a compensação em virtude de inexistência de crédito. A Interessada tomou ciência da Decisão, e, irresignada apresentou sua Manifestação de Inconformidade, deduzindo como argumento de defesa que houve erro no preenchimento da DCTF, pois, no período considerado, havia saldo credor de IPI no Livro de Apuração do IPI, sendo desnecessário o recolhimento. Da decisão de 1ª instância Após a manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 3ª Turma da DRJ/POA, com decisão improcedente ao contribuinte, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO A repetição do indébito depende da comprovação do pagamento indevido, sem a qual, a homologação da compensação não é legítima. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde repisa a argumentação da sua manifestação de inconformidade, ou seja, tal como feito na manifestação de inconformidade, argumenta que dos documentos acostados aos autos tornase evidente o recolhimento a maior de R$ 100,00 (cem reais) na primeira quinzena de abril e de R$ 9.839,05 (nove mil, oitocentos e trinta e nove reais e cinco centavos) na segunda quinzena de abril, ambas de 2004, totalizando um montante de R$ 9.939,05 (nove mil, novecentos e trinta e nove reais e cinco centavos), que foi compensado na apuração da primeira quinzena de maio, dessa forma, restabelecendose o equilíbrio entre o débito efetivo e os pagamentos realizados. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10855.901066/200887 Acórdão n.º 3001000.169 S3C0T1 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O sujeito passivo recorrente foi cientificado do acórdão vergastado em 25.11.2014, conforme informa o carimbo aposto no Aviso de Recebimento ARCDD SorocabaDR/SP1 (fl. 48). Em 18.12.2014 é registrada a solicitação de juntada do recurso voluntário, conforme informa o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" acostado à fl. 62. Portanto, o referido recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que dele conheço. Do mérito Em face da manutenção integral dos fundamentos do despacho decisório, efetuada pela da 2ª Turma da DRJ/RPO, quando da prolação do acórdão recorrido, o litígio posto à apreciação desta Turma de Julgamento, restringese em se determinar se os elementos de prova coligidos aos autos, com a apresentação do recurso voluntário, são hábeis e suficientes para infirmar a conclusão contida no voto condutor do acórdão vergastado, que referendou a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem, ocasião em que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP, e com isto, não reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte. Analisandose os autos, verificase que o processo iniciouse com a PER/DCOMP 10389.75809.250504.1.3.044377, transmitida em 25.05.2004, em seguida com o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 763968758, emitido eletronicamente em 20.05.2008. Prosseguindo, com a manifestação de inconformidade, apresentada em 27.07.2008, na CACDRF/Sorocaba, o contribuinte encarta também as cópias do (i) livro Registro de Apuração do IPI, com as operações de credito e débito; (ii) dos DARF dos recolhimentos realizados e (iii) DCTF retificadora, referente ao 2º trimestre de 2004, recebida via internet pelo agente receptor Serpro em 25.06.2008. Com a apresentação do recurso voluntário, o contribuinte acosta também o DARFCOFINS, código da receita 1097, referente ao período de apuração da 1ª quinzena de MAI/2004, no valor de R$ 9.839,05, pois tal débito impedia a emissão de CND, e a DCTF Retificadora 100.0000.2008.1730498572, referente ao 2º Trimestre/2004, processada em 26.06.2008; , razão pela qual conclui que nada deve referente a 2ª Quinzena de ABR/2004 e a 1ª Quinzena de MAI/2004. Vêse, pois, que não foram contestadas as razões que levaram a 2ª Turma da DRJ/RPO a concluir pela não comprovação do alegado equívoco. Diante desses fatos, tem razão o voto condutor da decisão recorrida quando sintetiza que a DCOMP constitui confissão de dívida quanto aos débitos declarados, sendo necessário para desconsideração dessa confissão que o erro de fato seja devidamente Fl. 88DF CARF MF 4 comprovado, ainda mais que o despacho decisório objetivamente atesta que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP originalmente transmitido, cuja conclusão foi baseada em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo indicado no PER/DCOMP 10389.75809.250504.1.3.044377. Por consequência, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. Portanto, não se tem por provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada, pois o que importa nesta fase processual é a demonstração insofismável de que o valor recolhido em DARF foi indevido e/ou superior ao efetivamente devido ao Erário Federal, relativamente ao tributo e período de apuração nele informado, tudo isto em homenagem ao disposto no parágrafo 1º do artigo 147 do CTN, que prescreve: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Demais disso, é assente na jurisprudência deste CARF que o ônus de provar a veracidade do que afirma é, in casu, tão somente do contribuinte, conforme dispõe artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Desta feita, com amparo na legislação tributária que dispõe que a DCOMP constitui confissão de dívida quanto aos débitos declarados e especialmente pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose, nos seus exatos termos, a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e, por conseguinte, não homologou a compensação do a este débito vinculado, no valor de R$ 9.839,05. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.901066/200887 Acórdão n.º 3001000.169 S3C0T1 Fl. 88 5 Da conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13822.000049/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 29/10/1999, 31/01/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados.
REMISSÃO. FASE RECURSAL.
A verificação do cumprimento dos requisitos para a fruição da remissão a que se refere a Medida Provisória nº 499, convertida na lei nº 11.941/09 é competência da autoridade executora, e não desta autoridade julgadora, que hgestá adstrita ao deslinde desta lide.
Numero da decisão: 1401-000.771
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR a preliminar de homologação tácita e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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INOCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. REMISSÃO. FASE RECURSAL. A verificação do cumprimento dos requisitos para a fruição da remissão a que se refere a Medida Provisória nº 499, convertida na lei nº 11.941/09 é competência da autoridade executora, e não desta autoridade julgadora, que está adstrita ao deslinde desta lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR a preliminar de homologação tácita e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13822.000049/200391 Acórdão n.º 1401000.771 S1C4T1 Fl. 104 2 Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13822.000049/200391 Acórdão n.º 1401000.771 S1C4T1 Fl. 105 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1422.915, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 32/33, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.48/49, na qual alega, em síntese, que na época da entrega da DCTF, declarou o valor calculado de IRPJ com o percentual de presunção de 32%, quando o correto seria 16%, ocorrendo, dessa forma, recolhimento a maior. Tal fato foi constatado somente na época da entrega da DIPJ/2000, daí a divergência entre os dois tipos de declarações apresentadas (DCTF e DIPJ). Em 05/12/2008, o processo foi encaminhado em diligência à DRF de origem para as providências descritas na Resolução de n° 1096 da 5a Turma da DRJ/RPO (fls. 54/55). Em 19/03/2009, os autos retornaram com a juntada, por anexação, dos documentos de fls. 57/62. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/10/1999, 31/01/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13822.000049/200391 Acórdão n.º 1401000.771 S1C4T1 Fl. 106 4 preenchimento se deu em relação à DCTF, resulta o impedimento do reconhecimento da existência de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente declarados/confessados. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/1999, 31/01/2000 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário, com o seguinte teor: A Súmula Vinculante nº 2, prevê que são inconstitucionais o parágrafo único do Artigo 52 do Decreto Lei n 9 1.569/1977 e os Artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de Crédito Tributário. Deve ser Beneficiado pela fruição da remissão a que se refere a Medida Provisória nº 499, convertida na lei nº 11.941/09, uma vez que o valor do Débito Consolidado é menor que R$10.000,00(dez mil reais), e o Fato. Gerador data de 29/10/1999 e 31/01/2000, portanto, até 31/12/2007, já haviam decorrido mais de 5(cinco) anos.. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13822.000049/200391 Acórdão n.º 1401000.771 S1C4T1 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A princípio, se faz mister enfrentar questão prejudicial relativa à prescrição do prazo de homologação das compensações previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a Recorrente se refere de forma genérica à decadência e a prescrição no âmbito de um pedido de compensação. É que não se trata de prazo decadencial para se proceder ao lançamento, pois não se trata de lançamento, mas de pedido de restituição/compensação em que o ônus da prova é invertido, cabe ao contribuinte fazer a prova do seu direito líquido e certo. A se falar no instituto da decadência seria no máximo da perda do direito de repetir o indébito por parte da recorrente, o que também não é o caso, mas não de negativa de se aferir o pleito de restituição, que exige a presença de direito líquido e certo. Homologação ´Tácita Verificação A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, instituiu a declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002 (art. 68), a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação. A Dcomp de fls. 01 foi entregue em 09/04/2003 e às fls. 34, consta despacho da DRF não homologando a compensação em 15/02/2008, portanto, antes do prazo de cinco anos previsto na norma legal de regência. Afasto, portanto a homologação tácita. No mérito, conforme relatado a contribuinte havia interposto manifestação de inconformidade onde alegara que na época da entrega da DCTF, declarou o valor calculado de IRPJ com o percentual de presunção de 32%, quando o correto seria 16%, ocorrendo, dessa forma, recolhimento a maior. Tal fato teria constatado somente na época da entrega da DIPJ/2000, daí a divergência entre os dois tipos de declarações apresentadas (DCTF e DIPJ). Nada a reparar na decisão de piso, em primeiro lugar porque a DRJ soube muito bem identificar a falta de comprovação por parte do contribuinte do erro alegado DCTF. Não trouxe documentos hábeis e idôneos para demonstrar sua tese. Por último, porque a Recorrente não traz também essa prova em seu recurso, contentandose apenas em vislumbrar a possibilidade de os seus débitos declarados em Dcomp serem beneficiados pela fruição da remissão a que se refere o art. 14 da Medida Provisória nº 499, convertida na lei nº 11.941/09. Ora, pragmaticamente a Recorrente nada mais faz do que se quedar à decisão de piso reconhecendo a improcedência do seu pleito quanto aos indébitos tributários. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13822.000049/200391 Acórdão n.º 1401000.771 S1C4T1 Fl. 108 6 Por fim, a verificação do cumprimento dos requisitos para a fruição da remissão a que se refere a Medida Provisória nº 499, convertida na lei nº 11.941/09 é competência da autoridade executora, e não desta autoridade julgadora, que está adstrita ao deslinde desta lide. Por todo o exposto, rejeitar a preliminar de homologação tácita e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000746/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CSLL. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE.
O valor da contribuição social sobre o lucro líquido é indedutível para efeito de determinação do lucro real, nos termos do art. 1° da Lei n.° 9.316/96.
Numero da decisão: 1401-000.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-31T22:00:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2705246_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-31T22:00:45Z; Last-Modified: 2011-01-31T22:00:45Z; dcterms:modified: 2011-01-31T22:00:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2705246_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:6bd89c19-730b-4294-a967-496651a82cab; Last-Save-Date: 2011-01-31T22:00:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-31T22:00:45Z; meta:save-date: 2011-01-31T22:00:45Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2705246_0.doc; modified: 2011-01-31T22:00:45Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-31T22:00:45Z; created: 2011-01-31T22:00:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-01-31T22:00:45Z; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-31T22:00:45Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 250 1 249 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000746/2005-55 Recurso nº 508.636 Voluntário Acórdão nº 1401-00.375 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente Tele Rio Eletrodomésticos Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 CSLL. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. O valor da contribuição social sobre o lucro líquido é indedutível para efeito de determinação do lucro real, nos termos do art. 1° da Lei n.° 9.316/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Relatório Fl. 265DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 206): O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 09/15, lavrado pela DRF - Rio de Janeiro, do qual a interessada acima identificada foi cientificada em 24/05/2005, conforme faz prova a ciência no próprio auto de infração, fl. 9, consubstanciando exigência da contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 863.079,42, acrescida dos juros de mora. 2. O autuante, conforme fl. 10, descreve a infração apurada que consiste em exclusão da CSLL na apuração do lucro real não permitida pela legislação tributária. Ressalta que o lançamento está sendo efetuado para salvaguardar o interesse da Fazenda Nacional, visto que a interessada impetrou Mandado de Segurança, argüindo a inconstitucionalidade da MP n.° 1.858/99. 3. A interessada não se conformando com o lançamento apresentou sua defesa em 15/06/2005, fls. 27/47, argüindo, em síntese: 3.1. a ilegalidade formal da majoração da CSLL por Medida Provisória; 3.2. a violação ao princípio da segurança jurídica pelo fato da adoção de medida provisória majorando a alíquota da CSLL; A 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro - I , por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, por meio do Acórdão DRJ nº 12-21.412, de 16/10/2008, assim ementado (v. fl. 204): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, quando ausente o dolo, a fraude ou a simulação. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL NÃO PERMITIDA PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Para o ano-calendário de 2000, o valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real. (inteligência do art. 1° da Lei n.° 9.316/199) Lançamento Procedente em Parte Cientificada do Acórdão em 20/07/2009 (fls. 223, verso), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 225-244, arguindo, basicamente, a ilegalidade formal da majoração da CSLL por Medida Provisória e a violação do princípio da segurança jurídica pelo fato da adoção de medida provisória majorando a alíquota da CSLL. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 18471.000746/2005-55 Acórdão n.º 1401-00.375 S1-C4T1 Fl. 251 3 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Arguições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade A recorrente, repetindo o que já fizera na fase impugnatória, limitou-se a questionar a majoração da alíquota da CSLL, estabelecida pela Medida Provisória n.° 1.858/1999. Tal alegação não apresenta nenhuma relevância para o julgamento do presente processo, no qual apenas se discute a questão relativa à indedutibilidade da CSLL na apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ). Assim sendo, deixo de me manifestar sobre o tema, por se tratar de matéria totalmente estranha ao presente processo. Não obstante este fato, cumpre destacar que o tema trazido à baila (majoração de alíquota da CSLL) já foi anteriormente levado pela contribuinte à apreciação do Poder Judiciário, por meio do processo nº 99.0061966-8 (v. fls. 09). Consequentemente, ainda que tal assunto (majoração da alíquota da CSLL) tivesse alguma relação com a matéria efetivamente discutida no presente processo, ele não poderia ser apreciado por este colegiado julgador, por força do disposto na Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Impossibilidade de exclusão da CSLL na apuração do lucro real Compulsando os autos (fls. 188-191 e 192-195), verifica-se que a contribuinte efetivamente excluiu do lucro real, para o ano-calendário de 2000, o valor da CSLL apurada com base na alíquota de 8% (e não o adicional previsto no art. 6° da MP n.° 1.858/1999, que está sendo questionado judicialmente). Às fls. 188-191 e 192- 195 Como se percebe, a ação judicial impetrada pela interessada efetivamente não tem nenhuma relação com as exclusões realizadas na apuração do lucro real do ano-calendário de 2000. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Na ação judicial, somente se discute a majoração da alíquota da CSLL, mas não a sua indedutibilidade na apuração do lucro real. A indedutibilidade da CSLL do lucro real encontra-se claramente disposta no art. 1º da Lei nº 9.316/96, verbis (grifado): Art. 1º. O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Visto que a interessada efetivamente deduziu do lucro líquido valor a título de CSLL, sem adicionar o valor correspondente na apuração do lucro real, revela- se devido o lançamento, na parte mantida pelo colegiado recorrido (parcela não alcançada pela decadência) Diante do voto, voto por negar provimento ao presente recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Fl. 268DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 16561.720187/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Lucro no Exterior. Período de apuração. Inclusão na Base de Cálculo do IRPJ. Decadência. Termo Inicial.
Tratando-se de lucro no exterior, o início do prazo decadencial conta-se não da data em que o lucro foi apurado no exterior, mas do período de apuração do IRPJ em que esse lucro deveria ter sido oferecido à tributação.
Lucro no Exterior. Empresa Controlada. Momento da Tributação no Brasil.
Para determinação da base de cálculo do IRPJ, os lucros auferidos por controlada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual sejam apurados.
Lucro no Exterior. Tratado Brasil-Holanda. Art. 74 da MP nº 2.158 35/2001. Compatibilidade.
O art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 é compatível com os artigos 7 e 10 do Tratado Brasil-Holanda.
Lucro no Exterior. Capitalização. Incidência do IRPJ.
São tributáveis, portanto sujeitos à incidência do IRPJ, os lucros auferidos no exterior, mesmo que tenham sido capitalizados, pois a destinação para aumento do capital tem por pressuposto a disponibilidade dos lucros.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Infrações à Legislação de Diversos Tributos. Mesmos Elementos Fáticos.
Na hipótese em que infrações apuradas em relação a tributo contido no MPF também configurarem, em razão da identidade dos elementos fáticos, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF.
CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e a arguição de decadência e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO NO EXTERIOR. PERÍODO DE APURAÇÃO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Tratandose de lucro no exterior, o início do prazo decadencial contase não da data em que o lucro foi apurado no exterior, mas do período de apuração do IRPJ em que esse lucro deveria ter sido oferecido à tributação. LUCRO NO EXTERIOR. EMPRESA CONTROLADA. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO NO BRASIL. Para determinação da base de cálculo do IRPJ, os lucros auferidos por controlada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual sejam apurados. LUCRO NO EXTERIOR. TRATADO BRASILHOLANDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158 35/2001. COMPATIBILIDADE. O art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 é compatível com os artigos 7 e 10 do Tratado BrasilHolanda. LUCRO NO EXTERIOR. CAPITALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IRPJ. São tributáveis, portanto sujeitos à incidência do IRPJ, os lucros auferidos no exterior, mesmo que tenham sido capitalizados, pois a destinação para aumento do capital tem por pressuposto a disponibilidade dos lucros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DE DIVERSOS TRIBUTOS. MESMOS ELEMENTOS FÁTICOS. Na hipótese em que infrações apuradas em relação a tributo contido no MPF também configurarem, em razão da identidade dos elementos fáticos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 87 /2 01 2- 98 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 482 2 infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e a arguição de decadência e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 483 3 Relatório Tratase de recurso interposto por MONTECITRUS TRADING S.A., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão 0644.136, da 2ª Turma da DRJCuritiba, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo quase na totalidade o lançamento que dela exigia crédito tributário no montante de R$ 10.905.126,16, compreendendo IRPJ e CSLL, acrescidos de multa e juros. O fato que deu causa ao lançamento foi a ausência de adição ao lucro líquido do período, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, do lucro auferido no exterior, procedente da empresa Montecitrus Holding B.V., estabelecida na Holanda. Impugnado o lançamento, os autos foram remetidos à DRJCTA, que excluiu parte do crédito tributário, referente à dedução de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 497.309,29. No mais, negou provimento à impugnação, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. DECADÊNCIA. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que ocorreu a disponibilidade (data do balanço, ou seja, 31/12 de cada ano), e não a data em que os lucros foram auferidos pela empresa controlada. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por intermédio de controladas ou coligadas (inclusive os transferidos para a reserva legal) são tributáveis no Brasil quando houver o emprego do valor, em favor da beneficiária, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. TRATADO INTERNACIONAL O Tratado firmado entre Brasil e Holanda, vigente não impede a tributação de lucros auferidos por controlada no exterior, quando estes são disponibilizados à controladora brasileira. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. TRATADOS INTERNACIONAIS. HOLANDA. Os acordos para evitar a bitributação não impedem que os lucros sejam tributados em ambos os países signatários, apenas admitem a compensação do imposto pago no outro País, desde que obedecidas as restrições da legislação tributária. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2007 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 484 4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que reste caracterizada a falta de indicação de tributo ou contribuição no Mandado de Procedimento Fiscal, sendo este mero instrumento de controle interno da administração tributária, não restaria caracterizada hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida, bem como a menção ao enquadramento legal aplicável ao caso em concreto e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto relativa a determinado anocalendário somente quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, fato que deve ser comprovado e não apenas alegado. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 61, § 2º, DA LEI N.º 9.430/96. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Inaplicável a redução da multa de ofício para o percentual contemplado pelo artigo 61, § 2º, da Lei n.º 9.430/96, uma vez que o mesmo cingese as hipóteses de pagamentos efetuados espontaneamente. PRODUÇÃO DE PROVAS. É de nenhum efeito o protesto genérico pela produção de provas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade, por cerceamento de defesa, no lançamento que conta com a enumeração exaustiva dos fundamentos legais e descreve completamente a infração, praticando ato administrativo vinculado em observância a dever de ofício. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB). expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais Fl. 484DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 485 5 não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não resignada, a recorrente interpôs recurso, pugnando pela anulação do lançamento, com fulcro nas seguintes razões, conforme síntese constante da própria peça recursal: a) O Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.85.002011003692, que originou a ação fiscalizatória e o lançamento ora impugnado não previu a fiscalização da CSLL, nos termos do que determina o art. 7º da Portaria MF n° 3.014/2011, resultando em ser a exigência da Contribuição absolutamente ilegal; b) Parte da autuação fiscal foi atingida pela decadência (arts 150, § 4º e 173, I, do CTN), em decorrência da inclusão, na apuração da base supostamente tributável, dos resultados auferidos na Holanda nos meses de novembro e dezembro de 2007. (fls. 345 e 347) c) Consoante jurisprudência pacífica dos Tribunais pátrios, os tratados e convenções internacionais prevalecem sobre as leis do ordenamento jurídico brasileiro, sejam elas anteriores ou posteriores ao tratado ou convenção, nos termos do art. 98 do CTN, que deve ser ampla e irrestritamente aplicado no presente caso; d) Aplicase ao caso o disposto nos Artigos 7 e 10 da Convenção Brasil Holanda, combinado este último com o Item 3 do Protocolo integrante da Convenção; e) Os resultados auferidos pela empresa controlada da Recorrente sediada na Holanda não foram distribuídos, motivo pelo qual, a teor do disposto no Artigo 7 da Convenção BrasilHolanda, somente podem ser colhidos pela tributação holandesa, afastandose a aplicação do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 ao caso; f) Não fosse isso, os lucros auferidos pela controlada holandesa da Recorrente foram capitalizados, razão pela qual não podem ser tributados em qualquer dos dois países signatários, por disposição expressa do Artigo 10 c/c o Item 3 do Protocolo integrante da referida Convenção, nem mesmo por força da ficção criada pelo art. 1º, § 1º, "b" c/c § 2º, "b", item 4, da Lei n° 9.532/97; e g) Finalmente, o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 é manifestamente inconstitucional e ilegal, por contrariar os arts. 43 do CTN e 153 da Constituição Federal, questão esta sub judice no E. STF. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou contrarrazões às fls. 355 a 398, alegando fatos e fundamentos com base nos quais pediu o não provimento do recurso. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 486 6 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Omissão no Mandado de Procedimento Fiscal MPF O lançamento, na parte que toca à CSLL, seria nulo dada a falta de autorização, no mandado de procedimento fiscal MPF, para fiscalização desse tributo. A autorização dada para fiscalizar o IRPJ abrange a CSLL se o crédito tributário tiver por base os mesmos fatos. Nesse sentido dispunha o art. 8º da Portaria RFB nº 3.014/2011: Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Ainda que inexistisse a previsão do art. 8° da Portaria RFB nº 3.014/2011, a omissão apontada pela recorrente não seria causa de nulidade do lançamento, já que o MPF, no tempo em que era exigido, consistia em mero instrumento de controle administrativo. Assim, eventuais irregularidades em sua emissão, prorrogação de vigência, ou ampliação de objeto não eram aptas a projetar, por si mesmas, qualquer efeito sobre o lançamento ou sobre o processo administrativo. O lançamento é ato vinculado à lei, e não ao MPF. A consequência que poderia advir de um daqueles vícios cingiase ao plano funcional, podendo dar ensejo, nos casos de extrema gravidade, a uma medida de ordem disciplinar contra o servidor que deu causa ao vício, mas sem acarretar a invalidade do lançamento, se este (que é ato vinculado) fosse realizado por servidor competente, e se da irregularidade não tivesse resultado qualquer prejuízo real para o contribuinte. Portanto, rejeitase a alegação de nulidade. Decadência A recorrente arguiu decadência parcial do crédito tributário, relativamente aos meses de novembro e dezembro de 2006. A pretensão de excluir do lançamento uma parcela do lucro, em razão de suposta decadência parcial, esbarra desde logo na impossibilidade de identificar a fração do lucro que possa ser atribuída àqueles dois meses. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 487 7 O lucro apurado pela empresa holandesa, Montecitrus Holding B.V., e posto à disposição de sua controladora no Brasil, é pertinente ao período de apuração, compreendido entre os meses de novembro de 2006 e outubro de 2007. Não é a soma de resultados mensais e estanques; portanto, não é divisível pelos doze meses do período. Referida indivisibilidade torna inviável qualquer tentativa de imputar a um determinado mês certa parcela do resultado. O lucro é do período, visto como um todo, e não de cada mês individualmente considerado. A par desse fato, cumpre destacar que o Fisco, antes de janeiro de 2008, não poderia lançar, nem exigir IRPJ e CSLL da recorrente, que tivessem como fundamento o lucro apurado e distribuído pela Montecitrus Holding B.V., em novembro de 2007. Isso porque, a tributação dos lucros recebidos do exterior não se faz apartada dos demais resultados e ganhos obtidos no Brasil. O lucro recebido de controlada ou coligada no exterior integra o lucro real e o resultado ajustado (bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente), apurados ambos no final do período ("anocalendário"), que no caso concreto era o ano de 2007. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL se consumaram no último instante do dia 31 de dezembro de 2007. Antes dessa data, não se poderia cogitar sequer de omissão de receita, ou de falta de adição de algum valor ao lucro líquido. Além disso, enquanto não consumado o fato gerador, tendo em vista o critério temporal da hipótese de incidência, não é lícito falar de decadência. Se o fundamento da decadência é a inércia do titular do direito, não flui prazo decadencial enquanto não se puder lançar o crédito tributário. À luz desses argumentos, é correto concluir que o termo inicial do prazo de decadência, no melhor cenário para a recorrente, teria sido o dia 1º de janeiro de 2008; já o termo final,contados cinco anos, o dia 31 de dezembro de 2012. A intimação do lançamento, como se constata do AR de fl. 128, ocorreu em 19 de dezembro de 2012. Portanto, dentro do prazo que a lei confere ao Fisco para constituir o crédito tributário. Infundada, portanto, a alegação de decadência parcial. Aplicabilidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 No mérito, a recorrente, além de questionar a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, alegou que o dispositivo seria incompatível com os artigos 7 e 10 da Convenção BrasilHolanda, de sorte que sua aplicação deveria ser afastada, de acordo com o que preconiza o art. 98 do Código Tributário Nacional CTN, bem como a regra da especialidade, aplicável na solução de conflitos entre normas jurídicas. Acerca da constitucionalidade do aludido art. 74, importa frisar que na ADI nº 2.588 o E. Supremo Tribunal Federal STF afastou, com eficácia erga omnes, a aplicação da norma aos lucros apurados por empresas coligadas, situadas em países sem tributação favorecida, ou seja, países que não se enquadram no conceito de "paraíso fiscal". No mesmo julgado, entretanto, reconheceu aquela Corte, de forma expressa e também com eficácia erga omnes, a constitucionalidade da norma quando aplicada aos lucros de empresas controladas, situadas em países que não tributem a renda, ou que o façam em patamares muito inferiores aos adotados pelos demais países, e que sejam desprovidos de controles societários e fiscais adequados. Aqui, ao contrário, do primeiro caso, tratase de países classificados como "paraísos fiscais". Fl. 487DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 488 8 O E. STF, por ocasião do julgamento, considerou relevantes dois critérios: o da "jurisdição", ou seja, aquele que leva em conta o tipo de tratamento tributário dispensado ao lucro pelo país de residência da empresa estrangeira; e o critério da influência da empresa residente no Brasil sobre as decisões tomadas pela empresa estabelecida no exterior. Daí a importância de saber se a empresa do exterior é coligada ou controlada da empresa brasileira. Em outras palavras, é necessário saber se a empresa brasileira pode apenas interferir nas decisões da empresa do exterior, ou se tem o poder de determinar, unilateralmente, tais decisões. Considerando tais critérios, foram identificadas duas formas de aplicação da norma: a primeira tida por constitucional, a segunda incompatível com a Constituição. Entre esses dois extremos, existem situações a que, em tese, o art. 74 seria aplicável, mas para as quais o colegiado do E. STF não logrou obter o necessário consenso para decidir. Portanto, para todos os casos que se encontram entre aqueles dois extremos, o art. 74 deve ser tido pelo CARF como constitucional, dado o princípio da presunção de constitucionalidade que milita em favor das leis. O CARF, entretanto, em situações específicas, pode legitimamente afastar a aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, se entender que o dispositivo está em conflito com norma de tratado internacional firmado pelo Brasil. Pelo critério da especialidade, o tratado há de prevalecer sobre as normas internas, cuja eficácia fica suspensa enquanto vigorar a disciplina específica conferida pelo tratado internacional. No caso concreto, a controvérsia consiste em verificar se as disposições do art. 74 da MP nº 2.15835 são compatíveis com os artigos 7 e 10 da Convenção Brasil Holanda. Em primeiro lugar, é preciso verificar se a regra do referido art. 74 pode ser considerada uma norma CFC. Não obstante a afirmação da recorrente em sentido contrário, o art. 74 é majoritariamente classificado pela doutrina como uma norma CFC (controlled foreign corporation). O E. STF, em certa medida, assim também entendeu, tanto que dispensou especial importância ao fato de a empresa estrangeira ter residência em paraíso fiscal, bem como ao grau de influência da empresa brasileira nas decisões tomadas pela empresa estrangeira. Como norma CFC, o art. 74 se destina a eliminar os efeitos de práticas elisivas adotadas por empresas residentes no Brasil. Tais práticas consistiriam basicamente em postergar por tempo indeterminado a distribuição de lucros apurados por coligadas ou controladas no exterior, de modo a também diferir, por tempo indeterminado, a tributação dos respectivos dividendos. Discutese, nesse ponto, a compatibilidade das normas CFC com os tratados internacionais que seguem o modelo da OCDE, como é o caso do tratado firmado entre Brasil e Holanda. A esse respeito, a própria OCDE divulgou comentário, sustentando que as normas que buscam coibir práticas elisivas podem efetivamente ser aplicadas, a despeito da existência de tratado internacional para evitar a dupla tributação. Naquilo que interessa ao problema aqui tratado, reproduzemse os comentários da OCDE: Fl. 488DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 489 9 Uma questão sempre levantada quando do exame das relações entre tratados internacionais e regras de tributação de lucros do exterior consiste no fato de a OCDE, nos comentários à sua Convenção Modelo, deixar claro que, salvo disposição específica negociada pelos Estados Contratantes, as regras previstas no tratado não afastariam a aplicação de regras antielusivas no formato CFC. Veja se, neste sentido, a seguinte passagem: "O uso de 'base companies' pode ser controlado através do uso de regras a respeito de 'controlled foreign companies'. Um número significativo de países membros e não membros adotaram este tipo de legislação. Embora o design desse tipo de legislação varie consideravelmente entre os países, uma característica comum dessas regras, que atualmente são reconhecias internacionalmente como um instrumento legítimo de proteção da base tributável doméstica, é que elas resultam em um Estado Contratante tributar seus residentes sobre renda atribuível à sua participação em certas entidades estrangeiras. Temse argumentado, com base em certa interpretação de regras da Convenção como o parágrafo 1 do artigo 7 e o parágrafo 5 do artigo 10, que esta característica comum da legislação sobre 'controlled forein companies' conflitaria com esses dispositivos. Pelas razões explicadas nos parágrafos 14 do Comentário sobre o Artigo 7 e 37 do Comentário sobre o Artigo 10, essa interpretação não está de acordo com o texto de tais dispositivos. Ela também não prospera quando os mesmos são lidos em seu contexto. Portanto, embora alguns países tenham achado ser útil esclarecer, em suas convenções, que a legislação sobre 'controlled fereign companies' não conflita com a Convenção, tal esclarecimento não é necessário. É reconhecido que a legislação sobre 'controlled foreing companies' estruturada dessa maneira não é contrária às regras da Convenção. (g.n.) (citado por Sérgio André Rocha no artigo Tributação de Lucros do Exterior, o Supremo Tribunal Federal e os Tratados Internacionais Tributários Celebrados pelo Brasil. Em Grandes Questões Atuais do Direito Tributário, 17º Volume / Coordenador Valdir de Oliveira Rocha. São Paulo: Dialética, 2013.) É certo que os comentários da OCDE não vinculam, nem precisam ser adotados de forma obrigatória. Mas seu posicionamento diante do problema é importante, tendo em vista que a Convenção BrasilHolanda adotou o modelo da OCDE. Além disso, o referido tratado não busca apenas evitar a dupla tributação, mas também evitar práticas tendentes à evasão fiscal. Não é por outra razão que o art. 1º do Decreto nº 355/1991, que promulgou o tratado firmado entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos, menciona expressamente esse objetivo. Art. 1° A Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino dos Países Baixos, apensa por cópia ao presente Decreto, será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém. A interpretação das cláusulas do tratado deve levar em conta tais objetivos. Por isso, a própria OCDE afirma que as normas CFC não conflitam com a Convenção, nem são contrárias às suas regras. Alegase que o art. 74 da MP nº 2.15835 não se enquadra no conceito de norma CFC, pois seu campo de incidência é excessivamente amplo, não considerando nenhum dos dois requisitos inerentes às normas dessa natureza. Vale dizer, o art. 74 não está limitado a Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 490 10 países de tributação favorecida (critério jurisdicional), nem a determinadas espécies de receitas (critério transacional). Sobre essa alegação, cabe dizer que, de acordo com os comentários da própria OCDE, o desenho da legislação que cuida do regime de transparência fiscal internacional varia de um país para outro. Não há padrão previamente definido no que tange aos pressupostos específicos de aplicação da norma CFC. O que lhe confere esse caráter é a finalidade a que se prende, que é anular ou impedir os efeitos de procedimentos elisivos. De resto, a maior ou menor amplitude de uma norma CFC depende de escolha política de cada país. Quanto ao artigo 7 da Convenção Brasil Holanda, podese afirmar que ele não conflita com o disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, pois seu propósito é estabelecer a regra básica segundo a qual cada país tributa a renda da empresa (chamada estabelecimento permanente) fixada em seu território. Eis a redação do artigo 7: Artigo 7 Lucros das Empresas 1 Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; a não ser que a empresa exerça, sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente alí situado. Se a empresa exerce suas atividades na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem, atribuíveis àquele estabelecimento permanente. (g.n.) 2 Ressalvado o disposto no parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente alí situado, serão atribuídos, a esse estabelecimento permanente, em cada Estado Contratante, os lucros que obteria se fosse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades iguais ou similares, sob condições iguais ou similares e transacionando com absoluta independência com a empresa da qual é estabelecimento permanente. 3 Na determinação dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas incorridas para a consecução dos seus objetivos, inclusive as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4 Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5 Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos disciplinados separadamente em outros Artigos desta Convenção, o disposto em tais Artigos é prejudicado pelo que dispõe este Artigo. Pelos parágrafos 1 e 2, caberá ao Estado em que estiver estabelecida a unidade econômica geradora do lucro o direito de tributar esses lucros, com exclusão do outro. A recorrente afirma, sem razão, que o art. 74 da MP nº 2.15835 alcança o lucro da empresa holandesa e, assim, viola o artigo 7 do tratado. A norma do art. 74 nem de longe tangenciou o patrimônio ou as rendas da empresa estrangeira. O efeito tributário da incidência da norma não implicou qualquer despesa Fl. 490DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 491 11 ou decréscimo patrimonial que pudesse se refletir sobre a Montecitrus Holding B.V. A tributação atingiu o lucro que cabia à recorrente. Não há, portanto, afronta ao tratado. Em suma, o artigo 7 do Tratado Brasil Holanda não impede a aplicação do art. 74 da MP nº 2.12835, porquanto este dispositivo não frustra o objetivo do referido artigo 7, que é assegurar que cada país tribute seu próprio residente, impedindo que os lucros da mesma pessoa fiquem sujeitos à tributação por dois países diferentes. Por outro lado, o art. 74 inibe práticas elisivas, o que está em conformidade com os objetivos dos tratados elaborados segundo o modelo da OCDE. Tributação de dividendos não distribuídos A recorrente sustenta que o lançamento, realizado com fulcro referido art. 74, estaria desrespeitando o artigo 10 do tratado, uma vez que a tributação incidiu sobre dividendos não distribuídos. Segundo seu entendimento, os lucros de Montecitrus Holding B.V. somente poderiam ser tributados na Holanda. A suposta ofensa ao artigo 10 do tratado não existe. O destinatário da proibição de tributar dividendos não distribuídos é o país de residência da empresa (controlada ou coligada) que apura os lucros, e não o país de residência da empresa que tem direito a receber os respectivos dividendos. O artigo 10 está assim redigido: Artigo 10 Dividendos 1 Os dividendos pagos por uma sociedade residente em um Estado Contratante a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2 Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e nos termos da lei desse Estado; mas, se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim incidente não poderá exceder 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos. O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos. 3 O termo "dividendos", empregado no presente Artigo, designa os rendimentos provenientes de ações ou direitos de fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição. 4 Não se aplica o disposto nos parágrafos 1 e 2 se o beneficiário dos dividendos, residente em um Estado Contratante, realiza negócios no outro Estado Contratante em que reside a sociedade que paga dividendos, por intermédio de estabelecimento permanente alí situado, e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente. Nesse caso aplicase o disposto no Artigo 7. 5 Quando um residente em um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, este estabelecimento permanente pode estar, ali, sujeito a imposto retido na fonte, nos termos da legislação daquele Estado. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 492 12 Todavia, tal imposto não excederá 15% (quinze por cento) do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, apurado após o pagamento do imposto de renda de sociedades, incidente sobre aqueles lucros. 6 Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto se tais dividendos forem pagos a residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionarse efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a imposto sobre lucros não distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou parcialmente , de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. 7 As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5 não se aplicam aos dividendos ou lucros pagos antes do final do primeiro ano calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção. A redação do parágrafo 6 revela que a proibição de tributar dividendos não distribuídos é dirigida ao país de residência da empresa que apura os lucros. Fosse, como imagina a recorrente, uma vedação dirigida ao país de residência do beneficiário dos dividendos, ou a ambos os países, e estaria inviabilizada a possibilidade de aplicação da chamada norma CFC, que, de acordo com a OCDE, é compatível com a convenção modelo. A par desse aspecto normativo, uma circunstância fática deve ser posta em destaque. A recorrente detinha, ao tempo dos fatos, o controle da entidade empresarial Montecitrus Holding B.V.; mais precisamente, a recorrente detinha 100% do capital da empresa holandesa. Isso implica dizer que todos os atos de gestão e todas as decisões gerenciais da empresa estabelecida na Holanda dependiam exclusivamente da vontade da recorrente, inclusive a destinação de lucros apurados ao final de cada período. Uma vez apurados os lucros por Montecitrus Holding B.V., a recorrente adquiria de imediato, sobre esses lucros, a total disponibilidade, sem que o exercício desse direito pudesse ser impedido, obstado ou embaraçado por quem quer que fosse. O E. STF, no julgamento do RE nº 172.0581/SC, em que se discutia a constitucionalidade do Imposto de Renda na fonte sobre o lucro líquido, ao declarar constitucional a incidência do imposto nos casos de pessoa física titular de empresa individual, adotou entendimento semelhante, como revela a parte da ementa abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA. RETENÇÃO NA FONTE. TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL. O artigo 35 da Lei nº 7.713/88 encerra explicitação do fato gerador, alusivo ao imposto de renda, fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional, mostrandose harmônico, no particular com a Constituição Federal. Apurado lucro liquido da empresa, a destinação fica ao sabor de manifestação de vontade única, ou seja, do titular, fato a demonstrar a disponibilidade jurídica. Situação fática a conduzir à pertinência do principio da despersonalização. (g.n.) Fl. 492DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 493 13 Na mesma linha, caminhou o voto da Ministra Ellen Gracie, no julgamento da ADI nº 2.588. Desse voto, é oportuno transcrever o seguinte trecho: 4.2 No caso das empresas controladoras situadas no Brasil, em relação aos lucros auferidos pelas empresas controladas localizadas no exterior, temse verdadeira hipótese de aquisição da disponibilidade jurídica desses lucros no momento da sua apuração no balanço realizado pela controladora. O art. 243 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações da Lei n° 9.457, de 5 de maio de 1997), no seu parágrafo 2o, define empresa controlada como sendo aquela em relação à qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. A disponibilidade dos lucros auferidos pela empresa controlada, assim, depende única e exclusivamente da empresa controladora, que detém o poder decisório sobre o destino desses lucros, ainda que não remetidos efetivamente, concretamente pela empresa controlada, situada no exterior, para a controladora localizada no Brasil. Em consequência, a apuração de tais lucros caracteriza aquisição de disponibilidade jurídica apta a dar nascimento ao fato gerador do imposto de renda, não havendo nenhum descompasso entre o disposto no art. 74, caput da medida provisória em questão com o contido no caput e no parágrafo 2o do art. 43 do Código Tributário Nacional (acrescentado pela Lei Complementar n° 104/2001) e tampouco com os arts. 146, inciso III, alínea a e 153, inciso III da Constituição Federal. Pelas razões acima, é lícito afirmar que, no caso em exame, não se trata de dividendo ficto, nem presumido. A recorrente adquiriu efetivamente a disponibilidade da renda, em relação ao lucro apurado por Montecitrus Holding B.V. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já se posicionou sobre a questão aqui examinada, envolvendo a compatibilidade do art. 74 da Medida Provisória nº 1.25835 e a Convenção BrasilHolanda, em especial os artigos 7 e 10. Entendeu a CSRF que a norma do art. 74 não viola as disposições do tratado, como se consta da ementa do Acórdão nº 9101002330, abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da CSLL os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Lançamento procedente. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 494 14 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÃO BRASIL PAÍSES BAIXOS DESTINADA A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158 35/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre a Convenção BrasilHolanda (Países Baixos) e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Do voto condutor da decisão se pode extrair o seguinte trecho, no qual se encontram alinhadas as conclusões do ilustre Conselheiro Marcos Pereira Valadão: Desta forma, com base nas razões acima, podese concluir de forma incontornável o seguinte: A norma contida no art. 74 da MP n. 2.15835/2001 é norma que visa evitar o diferimento eterno do pagamento do IRPJ decorrente dos ganhos de atividades no estrangeiro das empresas brasileiras, enquadrandose no conceito de legislação de controladas no exterior (Controlled Foreign Corporations CFC). O Supremo Tribunal Federal entendeu constitucional a cobrança do IPRJ nessa modalidade, inferindose, portanto, sua adequação ao que é preconizado pelo art. 43 do CTN, embora tenha concluído por haver restrições no caso das coligadas no exterior matéria estranha ao presente processo. A norma contida no art. 74 da MP n. 2.15835/2001 não incide sobre o lucro da entidade estrangeira sobre o controle da entidade brasileira, mas sobre o seu reflexo no patrimônio da entidade brasileira, auferível pelo MEP e, por conseguinte, não há que se cogitar de aplicação do art. 7 das convenções modelo da OCDE dou da ONU. A norma contida no art. 74 da MP n. 2.15835/2001, ainda que considerada como incidente sobre a distribuição presumida de dividendos, o que afastaria de pronto a do art. 7 das convenções modelo da OCDE ou da ONU, afasta também a incidência imediata do art. 10 daquelas convenções visto que o art. 10 só se aplica aos dividendos efetivamente distribuídos o que não é o caso. Como a Convenção de Dupla Tributação BrasilHolanda não traz norma específica relativa à situação prevista na norma contida no art. 74 da MP n. 2.158 35/2001, e não há como fazer incidir no caso o art. 7 ou o art. 10 do referido Acordo, pelas razões já expostas, concluise que não há conflito entre a norma interna e a Convenção BrasilHolanda, sendo inapropriada qualquer alegação no sentido de violação do que dispõe o art. 98 do CTN (norma de resolução de conflitos) Capitalização dos lucros e sua conversão em ações A recorrente afirmou que o lucro apurado por sua controlada na Holanda não havia sido distribuído, mas capitalizado e convertido em ações, não podendo ser tributado, já que existe expressa vedação do artigo 10 da Convenção BrasilHolanda. Disse que os países signatários da convenção teriam, por meio de protocolo, fixado o alcance do aludido dispositivo, de modo a impedir que o imposto de renda incidisse na hipótese de emissão de ações. Insistiu na tese de que os lucros, no caso concreto, não foram distribuídos, mas convertidos em capital social. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 495 15 As conclusões da recorrente baseiamse no seguinte texto, reproduzido mais de uma vez no recurso: Fica entendido que o valor das ações emitidas por uma companhia de um Estado Contratante, e recebidas por um residente no outro Estado Contratante, não está sujeito a imposto de renda em qualquer dos Estados. O texto, como se percebe, fala apenas em valor de ações emitidas. Cuida da hipótese de emissão de ações por companhia estabelecida em um Estado Contratante em favor de um residente em outro Estado Contratante. Não trata de distribuição, nem de capitalização de lucros. Emitir ações e capitalizar lucros são atos jurídicos distintos, não havendo entre eles, em tese, qualquer relação de causa e efeito, não obstante possam estar vinculados em certas situações. A capitalização de lucros não exige nova emissão de ações. Nem a emissão de ações tem como causa necessária a capitalização de lucros. Embora em alguns casos as duas situações possam andar juntas, elas são conceitualmente distintas. O texto do protocolo, ao mencionar valor de ações emitidas, não tem o propósito de obstar a tributação de lucros que foram incorporados ao capital da empresa. Fosse essa a intenção do protocolo, e o texto traria a vedação de forma expressa e inequívoca. É necessário realçar a ideia de que a disponibilização de lucros e a emissão de ações em decorrência da capitalização desses lucros são fatos distintos. A concomitância, que muitas vezes se verifica no plano cronológico, não deve ofuscar a percepção de que, no plano lógico e jurídico, existe uma sequência entre esses dois fatos: primeiro ocorre a disponibilização dos lucros, depois se dá sua capitalização com a respectiva emissão de ações, se for o caso. A capitalização do lucro tem como pressuposto o fato de o lucro ter sido disponibilizado ao acionista ou cotista. Sem disponibilidade, o lucro não pode ser destinado a qualquer fim, inclusive ao aumento do capital social da companhia. O exame da questão, por essa perspectiva, revela que não há incompatibilidade entre o protocolo citado pela recorrente e a tributação do lucro disponibilizado pela controlada no exterior. A disponibilização do lucro, no primeiro momento, atrai a incidência do IRPJ e da CSLL; já a capitalização desse lucro e a emissão de novas ações são fatos posteriores (no plano lógico), que não interferem na tributação. Portanto, nem a Convenção BrasilHolanda, nem o protocolo impedem a tributação do lucro tal como realizada no lançamento contestado pela recorrente. Por último, cabe destacar que, uma vez capitalizado o lucro, já não se pode dizer que tenha havido disponibilização meramente ficta ou presumida. Porque só podem capitalizar lucros os que têm a efetiva e real disponibilidade deles. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, como ocorre no caso em tela, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados apenas os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16561.720187/201298 Acórdão n.º 1301002.657 S1C3T1 Fl. 496 16 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.020350/94-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO.
Há autorização legal à constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativamente a tributo de competência da União, cuja exigibilidade tenha sido suspensa por liminar ou tutela antecipada concedida, não cabendo lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF n° 17).
A Súmula CARF nº 5 dispõe que: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 9303-005.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para considerar válida a exigência por meio do auto de infração para prevenir a decadência e afastar os juros de mora em face do depósito do montante integral e tempestivo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. Há autorização legal à constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativamente a tributo de competência da União, cuja exigibilidade tenha sido suspensa por liminar ou tutela antecipada concedida, não cabendo lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF n° 17). A Súmula CARF nº 5 dispõe que: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para considerar válida a exigência por meio do auto de infração para prevenir a decadência e afastar os juros de mora em face do depósito do montante integral e tempestivo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 03 50 /9 4- 50 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10880.020350/9450 Acórdão n.º 9303005.879 CSRFT3 Fl. 439 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 320100280, proferido pela 2º Câmara/ 1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade do lançamento argüida. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "4.Em ação fiscal, levada a efeito na empresa do contribuinte acima identificado, foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para Fundo de Investimento Social Finsocial, relativa aos fatos geradores dos períodos de janeiro a março de 1992, razão pela qual foi lavrado o Auto de infração P. 48/49), integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, com o enquadramento legal discriminado cis j1s. 47 e 49. Devidamente cientificada da lavratura do auto de infração, a Contribuinte apresentou impugnação, após o regular processamento, o Sujeito Passivo foi cientificado do Acórdão nº 6.859, proferido pela 6º Turma da DRJ/SPOI, que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, no sentido de excluir a multa de ofício cobrada. Em face do acórdão proferido pela DRJ/SPOI, a decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O crédito tributário pode ser constituído em auto de infração ou em notificação de lançamento. 0 fato de têlo sido por meio de auto de infração em procedimento no qual não foi apurada infração à legislação tributária não implica a declaração de nulidade do ato. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A existência de ação judicial proposta pelo contribuinte em face da Fazenda Nacional com o mesmo objeto do auto de infração implica renúncia ã instância administrativa. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.020350/9450 Acórdão n.º 9303005.879 CSRFT3 Fl. 440 3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA N" 4 DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Nos termos da Súmula n° 04 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, a partir de 1° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo o cancelamento do auto de infração, uma vez que o crédito tributário já se encontrava constituído por meio de depósito realizado nos autos da ação judicial, e caso não se entenda pelo cancelamento do Auto de Infração, que ao menos seja afastada à exigência dos juros nos termos da Súmula nº 5 do CARF. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3201000.640 e 1201000.887, 9101001.497. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da Câmara deu seguimento ao Recurso. Vejamos fragmentos do despacho de admissibilidade. "O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário e na parte onde esta matéria foi abordada, pelo acórdão que julgou os embargos declaratórios, foi decidido que, embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, em seu montante integral, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. Por sua vez, o segundo acórdão paradigma firma entendimento oposto, ao tratar da mesma matéria, decide por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento efetuado para prevenção da decadência, com o entendimento de que o depósito integral do montante do tributo, torna desnecessária a constituição do crédito pelo lançamento. O acórdão recorrido observou que o afastamento da incidência de juros, em face do depósito judicial integral do débito, não constava da impugnação apresentada, neste sentido, decidiu que se tratava de matéria preclusa, o que impede seu conhecimento. No caso, o recorrente sustenta que não haveria que se falar em preclusão da matéria relativa à cobrança de juros de mora, pois se trataria de matéria sumulada pelo CARF, no caso, Súmula nº 05:"São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Neste sentido, decidiu o colegiado por aplicar os princípios da razoabilidade, da estrita legalidade tributária e da economia processual, bem como pelo dever do CARF de controlar a legalidade do lançamento, para então destacar a existência de Súmula em relação à questão tratada e assim dar provimento ao recurso do contribuinte para afastar a aplicação da multa de ofício em razão do disposto na súmula CARF nº 17". Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10880.020350/9450 Acórdão n.º 9303005.879 CSRFT3 Fl. 441 4 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito há duas controvérsias: (i) possibilidade ou não de se cancelar o lançamento efetuado para prevenir decadência com fundamento de que o depósito integral do montante do tributo se faz desnecessário para constituição do crédito tributário, e, (ii) da preclusão ou não sobre o afastamento da incidência de juros sobre depósito judicial integral do débito por não constar na impugnação. Tratase de Auto de Infração lavrado para prevenir decadência, para cobrança de créditos tributários referente ao FINSOCIAL, objeto de ação judicial (Medida Cautelar Inominada nº 91.07.231334) com deposito integral referente aos períodos de janeiro a março de 1992. A sexta Turma da DRJ/SPOI, julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, no sentido de excluir a multa de ofício cobrada. Por outro lado, a decisão recorrida afastou a preliminar de cancelamento do Auto de Infração, desconsiderando o afastamento da incidência de juros em face do depósito judicial integral do débito, por não constar na impugnação apresentada em que pese a matéria estar sumulada. Conforme acima relatado, tratase de auto de infração lavrado para fins de se prevenir a decadência, em razão da existência de ação judicial, em que a Contribuinte discute a inconstitucionalidade referente ao artigo 9º da Lei nº 9.768/89. Com efeito, a figura do lançamento para fins de prevenção da decadência encontrase disciplinada no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, nos seguintes termos: Art.63 Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 19661, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10880.020350/9450 Acórdão n.º 9303005.879 CSRFT3 Fl. 442 5 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifei). Ademais, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. Neste sentido, nada impede que a Fazenda Nacional, com objetivo de prevenir a decadência, proceda ao lançamento quando a Contribuinte, antes do procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósitos judiciais de forma integral. No presente caso, houve na ação judicial a concessão da tutela antecipada, anteriormente ao início do procedimento fiscal, conforme se verifica do relatório da sentença (fl. 35), ajustandose, portanto, à previsão do inciso V do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), conforme exige o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, o lançamento se encontra em conformidade com a lei, não se acolhe o pedido de cancelamento do Auto de Infração em razão do seu caráter preventivo, considerado pelo Contribuinte como nulo. Quanto ao afastamento da incidência de juros sobre depósito judicial integral do débito, entendo que a matéria não esta preclusa, foi prequestionada em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista a edição da Sumula nº 17 do CARF. in verbis Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. No caso em espécie, por força regimental ( artigo 62A do RICARF) aplico a Sumula nº 05 CARF, para excluir os juros de mora sobre os depósitos no montante integral: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para manter a exigência valida do auto de infração para prevenir a decadência e afastar o juros de mora sobre o deposito integral e tempestivo. É como voto Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10880.020350/9450 Acórdão n.º 9303005.879 CSRFT3 Fl. 443 6 (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
