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Numero do processo: 10830.720106/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3401-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que o processo permaneça sobrestado até que tenha ocorrido o trânsito em julgado das decisões nos processos judiciais nº 2005.02.01.007187-2 (0007187-91.2005.4.02.0000) e nº 2001.51.10.001025-0, quando, então, a unidade de origem deverá adotar as seguintes providências:
JUNTAR aos autos a decisão irrecorrível dos processos judiciais nº 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250, bem ateste como se houve superveniência de trânsito em julgado;
CONFECCIONAR “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários;
INTIMAR a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
Sala de Sessões, em 23 de julho de 2025.
Assinado Digitalmente
Celso José Ferreira de Oliveira – Relator
Assinado Digitalmente
Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula PedrosaGiglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares deOliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: CELSO JOSE FERREIRA DE OLIVEIRA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que o processo permaneça sobrestado até que tenha ocorrido o trânsito em julgado das decisões nos processos judiciais nº 2005.02.01.007187-2 (0007187- 91.2005.4.02.0000) e nº 2001.51.10.001025-0, quando, então, a unidade de origem deverá adotar as seguintes providências: (i) JUNTAR aos autos a decisão irrecorrível dos processos judiciais nº 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250, bem ateste como se houve superveniência de trânsito em julgado; (ii) CONFECCIONAR “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) INTIMAR a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2025. Fl. 1739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 2 Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula PedrosaGiglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares deOliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever a controvérsia até aquece momento processual, adoto o relatório da Resolução nº 3401-001.477: Transcreve-se abaixo, por pertinente, o termo de diligência, que adoto como relatório: Cuida o processo administrativo nº 10830.720106/200527 de Declaração de Compensação de créditos adquiridos de terceiros com débitos próprios, baseado no que entende ser direito seu, constituído pela decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.51.1.00010250. Já o feito de nº 10830.011090/200819 trata da consecutiva multa isolada, lavrada pela apuração de irregularidades no que se refere ao crédito posto em compensação, exposto acima, nos termos do art. 18, da Lei nº 10.833/03. Compulsando os autos, verifica-se que o cerne da questão a ser pelo presente ato equacionado cinge-se à possibilidade jurídico legal da utilização, em procedimentos compensatórios, do crédito invocado pela contribuinte interessada e da sua certeza e liquidez. E foi com esse objetivo que a E. Terceira Seção de Julgamento do CARF encaminhou ambos os autos à DRF/Campinas para realização de procedimentos diligenciais. Dessa forma, tendo juntado as fls. 1408/1458 (processo nº 10830.720106/2005- 27) e 806/856 (processo nº 10830.011090/2008-19)e me apoiado em outras peças administrativas a serem citadas oportunamente, lavro a presente Informação Fiscal. O crédito em questão, cedido também a inúmeras outras pessoas jurídicas, fora inicialmente apurado pela empresa Nitriflex S/A, domiciliada em Duque de Caxias/RJ. Assim, o encimado mandamus tramitou no âmbito do TRF 2ª Região, Fl. 1740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 3 sendo a DRF/Nova Iguaçu a unidade fazendária responsável por analisar as decisões judiciais proferidas, difundindoas às demais. Nessa linha, em processo administrativo distinto1 (mas de gênese creditória idêntica), a EQMAC/DRF/NIU assim se manifestou: DA PERDA DA EFICÁCIA DO MS n º 2001.51.10.0010250: A União ajuizou a ação rescisória n º 2005.02.01.0071872 desafiando o provimento do MS n º 2001.51.10.0010250. A ação rescisória foi julgada improcedente, e teve negado o provimento aos Embargos de Declaração. Foi então interposto Recurso Especial junto ao STJ, que foi admitido (REsp 1046640/RJ). Em decisão monocrática no REsp 1046640, em 13/06/2008, o Relator, ministro HERMAN BENJAMIN, deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo a nulidade do Acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª Região no segundo Embargos de Declaração da NITRIFLEX, que deu efeito retroativo ao art. 515, § 3º, do CPC, acrescentado pela Lei nº 10.352/01, para adentrar no exame do mérito da pretensão deduzida nos autos do MS nº 2001.51.10.0010250, sem devolvê-los à origem, onde o processo foi extinto sem julgamento de mérito. Contra a referida decisão, a NITRIFLEX interpôs um Agravo Regimental, três Embargos de Declaração, um Recurso Extraordinário, além de Embargos de Divergência, que foram autuados como EREsp 1046640/RJ (2011/01214501), sendo que a impetrante não obteve êxito para modificar a decisão recorrida em nenhum dos recursos impetrados, conforme a seguir discriminados: a) Agravo Regimental (Petição n º 149776/2008 AgRg no REsp 1046640/RJ). Provimento negado (DJe 24/03/2009); b) Embargos de Declaração (Petição n º EDcl 68451/2009 EDcl nº AgRg no REsp). Acolhido, mas sem efeitos modificativos. (DJe 30/09/2009); c) Embargos de Declaração (Petição n º EDcl 238602/2009 EDcl nos EDcl no AgRg no REsp). Rejeitado (DJe 02/03/2010); d) Embargos de Declaração (Petição n º EDcl 49782/2010 EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no REsp). Acolhido apenas para modificar a multa de 1% para 0,5%. Sem efeitos modificativos (DJe 27/04/2011); e) Recurso Extraordinário (Petição n º RE 137112/2011 RE nos EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no REsp). Indeferido (DJe 18/06/2015); f) Embargos de Divergência (Petição n º 137097/2011 EDv), autuado como EREsp 1046640/RJ (2011/01214501). Indeferido (DJe 28/04/2015). O REsp 1046640/RJ transitou em julgado em 24/06/2015. Assim sendo, o Acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF2 (Julgado em 16/09/2002) nos autos do MS n º 2001.51.10.0010250 foi considerado NULO por decisão proferida no REsp 1046640, em 13/06/2008(transitada em julgado em 24/06/2015), pois, segundo entendimento do STJ, não havia permissão legal para Fl. 1741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 4 o TRF2 analisar o mérito de processo extinto sem julgamento de mérito, sem devolvê-lo a origem. Ou seja, a 4ª Turma do TRF2 aplicou indevidamente efeito retroativo ao art. 515, § 3º, do CPC, acrescido pela Lei nº 10.352/01. Portanto, infere-se que não há mais decisão judicial transitada em julgado conferindo à NITRIFLEX o direito de ceder seus créditos a terceiros, conforme havia sido decidido no MS n º 2001.51.10.0010250 ao afastar a incidência da IN/SRF 41/00, em função da desconstituição dessa decisão nos autos da AR nº 2005.02.01.0071872(REsp 1046640), que cassou em definitivo a segurança concedida nº mandamus nº 2001.51.10.0010250. Em verdade, a ação rescisória nº 2005.02.01.0071872 encontra-se aguardando apreciação dos embargos de declaração apresentados. Por esse motivo, em 18/01/2016, a magistrada responsável pelo MS nº 2001.51.10.0010250, Dra. Vanessa Simione Pinnoti, assim se pronunciou em sede de embargos de declaração apresentados nos autos sob seus cuidados: De fato, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, o título executivo subsiste, até que seja confirmada ou não sua eventual rescisão, emitindo, portanto, efeitos. Entretanto, não resta dúvida que a existência da ação rescisória põe em questão a certeza da coisa julgada produzida anteriormente, devendo ser analisados com cautela os efeitos do imediato cumprimento da sentença. Como dito, na hipótese dos autos, a execução imediata do título executivo permite a compensação de créditos da impetrante com débitos de outras sociedades empresariais. Caso cumprido imediatamente, eventual rescisão do julgado causaria, no mínimo, enorme transtorno e lapso temporal, haja vista que a Receita Federal do Brasil teria que rever um incalculável número de processos administrativos de compensação. Assim, forte no poder geral de cautela supra referido, nos termos do artigo 798 do Código de Processo Civil, entendo que deve ficar suspensa a exigibilidade da coisa julgada produzida nos presentes autos até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros, respeitando, assim, a igualdade entre as partes. Diante do exposto, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E A ELES DOU PARCIAL PROVIMENTO para alterar a parte final da decisão de fls. 1533/1536, a partir de fl. 1536, que passa a constar com a seguinte redação: Fl. 1742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 5 Ademais, considerando a existência de ação rescisória a colocar em cheque a certeza do título executivo produzido nos presentes autos, não se pode realizar o cumprimento imediato do que restou decidido nesse processo. Por outro lado, tendo sido reconhecido o direito da impetrante em promover a compensação de seus créditos com débitos de terceiros, a coisa julgada produz efeitos, ao menos até o julgamento final da ação rescisória. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros. Dessa forma: 1) TORNO SEM EFEITO a decisão de fls. 1363/1365, a fim de não mais impor à Administração o cumprimento imediato do acórdão prolatado neste feito; 2) MANTENHO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários constantes dos Processos Administrativos 10880.720940/200616 e 10880.721107/200684; 3) OFICIESE à 5ª Vara Federal de São João de Meriti, para ciência desta decisão e eventuais providências cabíveis; 4) SUSPENDASE o presente mandado de segurança até julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872 Dessarte, a aludida ação rescisória está aguardando apreciação dos embargos de declaração apresentados, pelo que o mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 encontra-se sobrestado, a fim de respeitar o que vier a ser decidido definitivamente na AR referenciada. De outra monta, cumpre salientar que, mesmo que a Fazenda Nacional não tenha êxito em suas pretensões o que somente se admite por mero apego ao debate, uma vez que são raros os casos em que os embargos de declaração assumem o efeito infringente, ainda assim as DComps em estudo nessa peça não terão seus débitos extintos pelo encontro de contas preconizado, haja vista inexistir indébito algum por ser repetido, pois já utilizado em sua totalidade pela cedente (Nitriflex). É o que se conclui da Informação EQMAC/DRF/NIU sobre o assunto, acima referenciada, que se baseou na irretocável análise do caso pela EQMACO/SEORT/DRF/NIU externada pelo Parecer nº 40/20142. Confira-se: DA APURAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO NOS TERMOS DAS DECISÕES JUDICIAIS, E DA DEMONSTRAÇÃO DE QUE A NITRIFLEX JÁ EXTRAPOLOU SEU DIREITO DE REQUERER COMPENSAÇÕES: Através do parecer SEORT/EQMACO n º 040/2014, exarado nos autos do PA 13746.000367/200906, foi efetuada a atualização do direito creditório da NITRIFLEX nos termos da decisão judicial transitada em julgado proferida nos autos do processo n º 2000.02.01.0205040(expurgos inflacionários + juros moratórios), e requerida através do processo administrativo n º 13746.000533/200117, onde foram rigorosamente recompostos os cálculos Fl. 1743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 6 efetuados pelo SESAR nos autos dos processos 10735.000.001/9918 e 10735.000202/9970, tendo sido substituídos os índices de correção monetária adotados pela NE08 pelos expurgos inflacionários autorizados em juízo, a saber: JAN/1989 (42,72%), MAR/1990 (84,32%), ABR/1990 (44,80%), MAI/1990 (7,87%) e FEV/1991 (21,87%), além dos juros moratórios de 1% ao mês, computados desde a data do recolhimento indevido ou a maior de cada indébito até 31/12/95, sendo que a partir de 01/01/96, os juros e a correção monetária foram substituídos pela taxa SELIC como forma de atualização. Por esses cálculos, chegou-se a um montante de crédito de IPI para a matriz de R$ 89.563.745,17 (contra os R$ 62.235.433,54 calculados pelo SESAR, sem a incidência dos índices autorizados em juízo), e para a filial ao montante de R$ 5.046.201,64 (contra os R$ 4.091.874,74 calculados pelo SESAR, sem a incidência dos índices autorizados em juízo), todos atualizados até JUN/1999. Tal procedimento fez-se necessário para verificar a existência de crédito disponível para lastrear novas compensações apresentadas pela NITRIFLEX após a emissão do Parecer SEORT n º 496/2008, de 31/07/2008, uma vez que o contribuinte continuou apresentando diversas compensações ou cedendo créditos a terceiros, de forma indiscriminada, sem qualquer controle aparente ou preocupação em demonstrar que ainda dispunha de saldo credor suficiente para contrapor aos débitos que pretendia extinguir. Para tanto, a NITRIFLEX foi intimada a demonstrar seus cálculos de atualização do direito creditório, discriminar todos os débitos próprios e de terceiros (cessão de crédito) que já haviam sido objeto de pedido/declaração de compensação, além de demonstrar que ainda possuía saldo credor para efetuar novas compensações. Como resultado, ficou demonstrado que a NITRIFLEX já havia requerido compensações muito acima do seu direito creditório, mesmo tomando-se como base apenas a lista não exaustiva de débitos informados pela própria empresa (e não os que efetivamente foram apresentados a RFB, que não mais extensos) e em seus valores originários (sem considerar a incidência de acréscimos legais para as compensações protocoladas após o vencimento dos débitos); tendo também ficado evidenciado que a NITRIFLEX utilizou metodologias impróprias e índices além dos autorizados em juízo para majorar indevidamente seu direito creditório, na tentativa de burlar o Fisco com a apresentação de um saldo credor inexistente. E mesmo após a ciência (em 08/04/2014) do parecer SEORT/EQMACO n º 040/2014, onde ficou demonstrado de forma inequívoca que a empresa já requereu pelo menos o dobro de compensações do que seu direito creditório é capaz de suportar, ainda assim a NITRIFLEX continua protocolando, até a presente data, novos requerimentos de compensações de débitos próprios e de terceiros, numa clara demonstração de que a empresa não está preocupada com a lisura do encontro de contas das compensações apresentadas, mas apenas interessada em procrastinar a quitação de seus débitos e de terceiros. CONCLUSÕES: Fl. 1744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 7 Por todo o exposto, ficou demonstrado que a NITRIFLEX não possui mais créditos disponíveis para lastrear o encontro de contas das compensações pretendidas, o que por si só já é motivo suficiente para o indeferimento do pleito; (...). Isto posto, respondo aos questionamentos em pauta nos seguintes termos: i) Pelas informações acima expostas, entendo que os processos administrativos nº 10830.720106/200527 e 10830.011090/200819 não perderam o objeto, todavia estão na dependência do trânsito em julgado do processo judicial nº 2005.02.01.0071872(Ação Rescisória), que impactará sobremaneira o resultado do MS nº 2001.51.10.0010250. Somente de posse desses dados poder-se-á concluir-se cabalmente pela possibilidade de cessão, ou não, dos créditos envolvidos; ii) Da escorreita análise creditória consubstanciada no Parecer nº 40/2014, da EQMACO/SEORT/DRF/NIU, alhures citado, conclui-se pela inexistência de crédito algum por ser utilizado no procedimento compensatório aqui em análise (processo 10830.720106/200527), pois o indébito apurado pela cedente do direito (Nitriflex S/A) fora calculado de forma equivocada, restando em numerário muito superior ao efetivamente passível de repetição. Nessa toada, a Nitriflex não conseguiu extinguir nem ao menos os débitos por ela mesma arrolados para compensação, o que impediria a cessão creditória a terceiros. Entretanto, cumpre salientar que mesmo essa celeuma acerca do valor inequívoco restituível encontrar-se, ainda, pendente de solução, haja vista o processo em que se discute o aludido numerário restar aguardando prolação de novo acórdão pelo CARF (processo administrativo nº 10735.000001/9918). Por fim concluo o presente Relatório de Diligência opinando pela suspensão da apreciação dos vertentes casos até o deslinde definitivo dos processos judiciais nº 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250. Nessa linha, se a decisão vier ao encontro das pretensões Fazendárias, ambos os processos administrativos aqui estudados estarão aptos a serem julgados. De outra monta, se a Nitriflex obtiver êxito, ainda assim os presentes feitos deverão aguardar a decisão definitiva a ser prolatada administrativamente no bojo do processo nº 10735.000001/9918, que, enfim concluirá acerca do montante creditório restituível e passível de cessão. Era o que tinha a informar. Dê-se ciência desse Relatório à contribuinte interessada para, querendo, apresentar suas considerações e encaminhe-se à Terceira Seção de Julgamento do CARF para prosseguimento. Forte no entendimento de que o Relatório de Diligência trouxe a necessidade de que se aguardasse o trânsito em julgado das decisões judiciais no âmbito dos processos nº Fl. 1745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 8 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, o ilustre Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco: Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Para que a unidade junte aos autos a decisão irrecorrível dos processos judiciais nº 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250, bem ateste como se houve superveniência de trânsito em julgado;(ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários;(iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. A unidade de origem, em cumprimento da Resolução nº 3401-001.477, expediu o Termo de Intimação EQ2-IPI-EQAUD n.º 27.497/2021, de fls. 1486 a 1487, nos seguintes termos: Trata o presente termo de compensação tributária efetuada pelo contribuinte no ano de 2003 com crédito de IPI, em que o CARF converte o presente feito em diligência para que se junte aos autos decisão irrecorrível dos processos judiciais nº 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250, bem ateste como se houve superveniência de trânsito em julgado. No exercício das atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, e com fundamento nos dispositivos legais relacionados neste termo, tendo em vista a auditoria do direito creditório pleiteado, fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, a contar da ciência deste, o que se discrimina a seguir: 1. Certidão de Inteiro Teor e principais decisões dos processos judiciais (decisões de 2016 em diante): nº 2005.02.01.0071872 nº 2001.51.10.0010250 A recorrente, cientificada do Termo de Intimação mencionado, atravessou petição (fls. 1494 a 1735) em que afirmava não haver decisão irrecorrível e que, portanto, o processo deveria permanecer sobrestado: Fl. 1746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 9 GICS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A., devidamente qualificada, por seus representantes legais que a presente subscrevem, vem, respeitosamente, à presença de V.Sa., em atendimento ao termo de intimação fiscal em referência, requerer a juntada da certidão de objeto e pé da Ação Rescisória n. 0007187- 91.2005.4.02.0000 (doc. 01), relativa ao Mandado de Segurança nº 2001.51.10.001025-0. Insta esclarecer, em virtude do tempo exíguo a interessada junta a certidão de objeto e pé obtida em nov/2020, constando como último movimento a inclusão em pauta de julgamento dos embargos de declaração opostos pela Nitriflex. Posteriormente, sobreveio decisão dos embargos de declaração, tendo ambas as partes interposto recurso especial. O E. TRF2, admitiu o REsp da Fazenda Nacional e inadmitiu o REsp da Nitriflex, ensejando na interposição de agravo em recurso especial (doc. 02), que, conforme se depreende da certidão de objeto e pé extraída do sítio do C. STJ (doc. 03), está pendente de julgamento, isto é, não há decisão irrecorrível, devendo o processo permanecer sobrestado conforme decisão do CARF. A unidade de origem, diante da resposta da recorrente, providenciou Relatório de Diligência (fls. 1736) em que propunha o retorno dos autos a este colegiado: Considerando que não houve o trânsito em julgado das referidas ações judiciais, retorne-se. Em virtude de o relator originário não mais fazer parte da turma, o processo foi submetido a novo sorteio e distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Celso José Ferreira de Oliveira, Relator O recurso tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade pelo que ele deve-se tomar conhecimento. Compulsando os autos, é de se verificar que a situação do processo administrativo não sofreu modificação desde a Resolução nº 3401-001.477. Fl. 1747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 10 De fato, a Turma havia resolvido, com fundamento no Relatório de Diligência1 (fls. 1459 a 1464) que, diante da relação de dependência do presente processo administrativo com o deslinde dos processos judiciais nºs 2005.02.01.007187-2 e 2001.51.10.001025-0, o presente feito deveria permanecer sobrestado até que houvesse o trânsito em julgado das decisões proferidas nos mencionados processos judiciais. Verificando Certidão emitida através do sítio do Superior Tribunal de Justiça, constata-se que situação do processo nº 2005.02.01.007187-2 (0007187-91.2005.4.02.0000), a referida Ação Rescisória, permite concluir não ter havido sequer decisão que dirá o seu trânsito em julgado. O processo foi incluído em pauta para o dia 08 de agosto de 2025: [...] CONCLUSOS PARA JULGAMENTO AO(À)MINISTRO(A) MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA (RELATORA); em 08 de junho de 2025, PROTOCOLIZADA PETIÇÃO 521334/2025 (CIEMPF - CIÊNCIA PELO MPF) EM 08/06/2025; em 08 de junho de 2025, JUNTADA DE PETIÇÃO DE CIÊNCIA PELO MPF Nº 521334/2025; em 10 de junho de 2025, PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL INTIMADO ELETRONICAMENTE DA(O)DECISÕES E VISTAS EM 09/06/2025; em 12 de junho de 2025, INCLUÍDO EM PAUTA PARA 05/08/2025 14:00:00 PELA SEGUNDA TURMA - PETIÇÃO Nº 00521459/2024 - AGINT NO RESP 1949388/RJ; em 13 de junho de 2025, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO - DJEN (CNJ); em 16 de junho de 2025, PUBLICADO PAUTA DE JULGAMENTOS EM 16/06/2025; em 16 de junho de 2025,CONCLUSOS PARA JULGAMENTO AO(À)MINISTRO(A) MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA (RELATORA); em 08 de junho de 2025, PROTOCOLIZADA PETIÇÃO 521334/2025 (CIEMPF - CIÊNCIA PELO MPF) EM 08/06/2025; em 08 de junho de 2025, JUNTADA DE PETIÇÃO DE CIÊNCIA PELO MPF Nº 521334/2025; em 10 de junho de 2025, PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL INTIMADO ELETRONICAMENTE DA(O)DECISÕES E VISTAS EM 09/06/2025; em 12 de junho de 2025, INCLUÍDO EM PAUTA PARA 05/08/2025 14:00:00 PELA SEGUNDA TURMA - PETIÇÃO Nº 00521459/2024 - AGINT NO RESP 1949388/RJ; em 13 de junho de 2025, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO - DJEN (CNJ); em 16 de junho de 2025, PUBLICADO PAUTA DE JULGAMENTOS EM 16/06/2025; em 16 de junho de 2025, DISPONIBILIZADA INTIMAÇÃO ELETRÔNICA (PAUTA DE JULGAMENTOS) AO(À)MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; em 16 de junho de 2025, DISPONIBILIZADA INTIMAÇÃO ELETRÔNICA (PAUTA DE JULGAMENTOS) AO(À) PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL; em 26 de junho de 2025, MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL INTIMADO ELETRONICAMENTE DA(O) PAUTA DE 1 Por fim concluo o presente Relatório de Diligência opinando pela suspensão da apreciação dos vertentes casos até o deslinde definitivo dos processos judiciais nº 2005.02.01.007187-2 e 2001.51.10.001025-0. Nessa linha, se a decisão vier ao encontro das pretensões Fazendárias, ambos os processos administrativos aqui estudados estarão aptos a serem julgados. De outra monta, se a Nitriflex obtiver êxito, ainda assim os presentes feitos deverão aguardar a decisão definitiva a ser prolatada administrativamente no bojo do processo nº 10735.000001/99-18, que, enfim, concluirá acerca do montante creditório restituível e passível de cessão. Fl. 1748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.921 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720106/2005-27 11 JULGAMENTOS EM 26/06/2025; em 26 de junho de 2025, PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL INTIMADO ELETRONICAMENTE DA(O) PAUTA DE JULGAMENTOS EM 26/06/2025. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: DIREITO TRIBUTÁRIO, Impostos, IPI/ Imposto sobre Produtos Industrializados. Crédito Tributário, Extinção do Crédito Tributário, Compensação. Certidão gerada via internet com validade de noventa dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 3944561 Código de Segurança: AA77.BFDC.9193.A6D2 Data de geração: 17 de julho de 2025, às 10:47:38 Portanto, a questão da possibilidade ou não da compensação de créditos próprios com débitos de terceiros ainda não foi resolvida e está em discussão nos autos da Ação Rescisória nº 2005.02.01.007187-2 (0007187-91.2005.4.02.0000). Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que o processo permaneça sobrestado até que tenha ocorrido o trânsito em julgado das decisões nos processos judiciais nº 2005.02.01.007187-2 (0007187-91.2005.4.02.0000) e nº 2001.51.10.001025- 0, quando, então, a unidade de origem deverá adotar as seguintes providências: (iv) JUNTAR aos autos a decisão irrecorrível dos processos judiciais nº 2005.02.01.0071872 e 2001.51.10.0010250, bem ateste como se houve superveniência de trânsito em julgado; (v) CONFECCIONAR “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (vi) INTIMAR a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira Fl. 1749DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 10640.723888/2013-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 01/12/1989, 31/03/1995
COMPENSAÇÃO O prazo para pleitear a compensação de tributo pago a maior com crédito reconhecido judicialmente é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença
Esse prazo prescricional suspende-se entre o pedido de habilitação do crédito e a ciência de seu deferimento, retomando-se a contagem após essa ciência. Transcorrido o prazo, configura-se a prescrição para apresentação da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3001-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Larissa Cássia Favaro Boldrin – Relatora
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente
. Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Rosaldo Trevisan (substituto[a] integral), Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LARISSA CASSIA FAVARO BOLDRIN
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 01/12/1989, 31/03/1995 COMPENSAÇÃO O prazo para pleitear a compensação de tributo pago a maior com crédito reconhecido judicialmente é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença Esse prazo prescricional suspende-se entre o pedido de habilitação do crédito e a ciência de seu deferimento, retomando-se a contagem após essa ciência. Transcorrido o prazo, configura-se a prescrição para apresentação da Declaração de Compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Larissa Cássia Favaro Boldrin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente . Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Rosaldo Trevisan (substituto[a] integral), Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
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Transcorrido o prazo, configura-se a prescrição para apresentação da Declaração de Compensação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Larissa Cássia Favaro Boldrin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente . Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Rosaldo Trevisan (substituto[a] integral), Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.481 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.723888/2013-01 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 300/306) interposto em face do Acórdão de n° 06-63.156 (fls. 289/295) proferido pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o despacho decisório ementado da seguinte forma: O prazo para a compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial mediante apresentação de Declaração de Compensação é de cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito, sendo suspenso o prazo prescricional no período compreendido entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas pela contribuinte após 25/09/2012, sob o argumento de que o prazo para apresentação da Declaração de Compensação, referente ao crédito judicial reconhecido, havia se esgotado, em razão da prescrição quinquenal prevista no art. 168 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. O presente litígio versa sobre Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG, que não homologou as compensações realizadas por meio dos PER/Dcomp descritos na tabela a seguir, fundamentadas em crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado (Ação Ordinária nº 1998.38.01.002433-3), habilitado conforme documentos constantes do processo administrativo fiscal nº 10640.002352/2008-83. Assim, considerando que o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 25/09/2007, e observando a suspensão do prazo prescricional entre o protocolo do pedido de habilitação do crédito (16/05/2008) e a ciência de seu deferimento (09/06/2008), o prazo final para apresentação das Declarações de Compensação (DComp) findou-se em 17/10/2012. Dessa forma, as compensações transmitidas entre 22/10/2012 e 21/11/2013 foram atingidas pela prescrição, motivo pelo qual não foram homologadas pela DRJ. A recorrente, devidamente intimada, apresentou impugnação, alegando em síntese: [...] os Pedidos de compensação vaículados após 25/09/2012 não podem ser considerados prescritos, porque não constituem o exercício originário do direito de pleitear a compensação. [...] que as compensações realizadas após a data de 25/9/12 são a continuação do aproveitamento do crédito que a Autora possui. Isso porque o prazo prescricional foi suspenso em 21/05/08, quando do pedido de habilitação do crédito. Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.481 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.723888/2013-01 3 [...] basta um singela leitura do despacho decisório para percebermos que tal requesito não foi necessário para que houvesse a homologação de parte das compensações, transmitidas até 25/09/12. Desse modo, conclui-se que não há que se falar em prescrição do direito às compensações posterias ao dia 25/09/2012, uma vez que os pedidos representam, nitidamente, tão somente a continuidade do aproveitamento dos créditos que, até a data supramencionada, foram efetivamente homologados por esta RFB. Assim a 3ª Turma da DRJ/CTA, julgou improcedente a Manifestação de inconformidade, conforme o seguinte: Nesse contexto, uma vez que o trânsito em julgado da decisão judicial em questão ocorreu em 25/09/2007 a contribuinte teria o prazo de cinco anos, contados partir dessa data, para a entrega de Dcomp utilizando o crédito judicial (25/09/2012). Considerando que houve a suspensão da contagem do prazo prescricional entre 16/05/2008 (data da entrega do Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado) e 09/06/2008 (data da ciência do deferimento do Pedido de Habilitação), perfazendo 22 dias, tem-se que o prazo prescricional encerrou-se em 17/10/2012. Como se vê, mesmo considerando o período em que a prescrição esteve suspensa, as Dcomp transmitidas entre 22/10/2012 e 21/11/2013 estão atingidas pela prescrição, tal como constou no Despacho Decisório. Diante do exposto, o presente voto é no sentido julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo-se a não homologação das compensações nos termos do Despacho Decisório. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual sustentou que o prazo prescricional para a apresentação das Declarações de Compensação deveria ser suspenso ou interrompido pela protocolização do pedido de habilitação do crédito judicial, não podendo ser exigida a compensação integral do crédito no prazo quinquenal a contar do trânsito em julgado da sentença. Alegou que, ao longo do período, manteve-se diligente ao apresentar sucessivas DComp para utilizar o crédito reconhecido judicialmente, sem que houvesse inércia ou desídia por parte da contribuinte, razão pela qual não haveria prescrição a ser aplicada às compensações apresentadas após 25/09/2012. É o relatório. VOTO Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin, Relatora Fl. 313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.481 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.723888/2013-01 4 Verifica-se que o recurso voluntário é tempestivo e que a Recorrente possui legitimidade para sua interposição. Não foram arguidas preliminares formais no recurso. As alegações concentram-se no mérito da autuação. No caso dos autos, a discussão gira em torno da não homologação das compensações apresentadas pela Recorrente, tendo como fundamento a prescrição do direito à apresentação das Declarações de Compensação (DComp), conforme previsto no art. 168 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Conforme se apura dos autos, o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 25/09/2007. Houve pedido de habilitação do crédito protocolizado em 16/05/2008, com ciência de seu deferimento em 09/06/2008, circunstância que gerou a suspensão da contagem da prescrição por 22 dias. Dessa forma, o prazo final para apresentação das DComp encerrou-se em 17/10/2012. As compensações transmitidas após essa data estão, portanto, alcançadas pela prescrição. Observa-se que os arts. 165 e 168 do CTN, determina expressamente que o prazo que o contribuite dispõe para pleitear a restituição/compensação dos seus indébitos é de 5 anos. Veja-se: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos”: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; (Grifou-se) Ademais, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que formalizada mediante a entrega da Declaração de Compensação (DComp). Veja-se Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.481 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.723888/2013-01 5 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Em que pese haver a suspensão do prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação no período compreendido entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo, tal suspensão não é indefinida, limitando-se ao período efetivo de tramitação do pedido administrativo. No caso concreto, essa suspensão correspondeu a 22 dias, contados entre 16/05/2008 e 09/06/2008, período em que o pedido de habilitação esteve pendente de análise. Dessa forma, o prazo prescricional foi estendido apenas por esse período, sendo a data final para a apresentação das Declarações de Compensação (DComp) ajustada para 17/10/2012. Ultrapassado esse prazo, as compensações protocoladas após 17/10/2012 encontram-se atingidas pela prescrição, não havendo respaldo jurídico para afastar a contagem regular do prazo quinquenal. Nesse sentido, o entendimento firmado no âmbito deste Conselho é no sentido de que o prazo prescricional para apresentação da DComp deve observar rigorosamente os limites legais previstos no art. 168 do CTN, sendo suspenso apenas durante o período em que tramita o pedido de habilitação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1989 a 28/02/1991 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SUSPENSÃO. O prazo legal para pleitear administrativamente a restituição/compensação de tributo pago a maior, em caso de decisão judicial favorável ao Contribuinte, é de 5 (cinco) anos contados do trânsito em julgado da ação judicial. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso no âmbito administrativo. (Processo nº 16327.000557/2009-44. Acórdão nº 9303- 015.202 – CSRF / 3ª Turma. Sessão de 15 de maio de 2024. Rosaldo Trevisan – Relator) No presente processo temos as seguintes informações relacionadas às datas: a) Trânsito em julgado da decisão judicial: 25/09/2007; b) Protocolo do pedido de habilitação do crédito: 16/05/2008; Fl. 315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.481 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.723888/2013-01 6 c) Ciência do deferimento do pedido de habilitação do crédito: 09/06/2008; d) Suspensão do prazo prescricional: 16/05/2008 a 09/06/2008 (22 dias); e) Prazo final para apresentação das Declarações de Compensação (DComp): 17/10/2012; f) DComp apresentadas após o prazo: 22/10/2012 a 21/11/2013. Portanto, ainda que reconhecido judicialmente, o crédito tributário não se torna automaticamente exequível ou disponível para compensações sem a observância dos requisitos legais formais, dentre eles o prazo para apresentação da Declaração de Compensação, o que inclui a contagem do prazo prescricional quinquenal. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Larissa Cássia Favaro Boldrin Fl. 316DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 16682.721213/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
COFINS NÃO CUMULATIVA. ENCARGO DE SERVIÇOS DO SISTEMA – ESS. CRÉDITO.
O Encargo de Serviços do Sistema – ESS é uma despesa geradora de créditos de PIS e Cofins não cumulativos.
CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS.
Documentação comprobatória da ocorrência de pagamento indevido ou maior que o devido acostado aos autos. Crédito pleiteado é líquido e certo. Direito creditório reconhecido.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÕES.
O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes.
Numero da decisão: 3201-012.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa de crédito oriundo do pagamento do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), no valor de R$ 1.483.610,46, efetuado pelo Recorrente no mês de agosto de 2005, vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Presidente), que negava provimento.
Assinado Digitalmente
Flávia Sales Campos Vale – Relatora
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS NÃO CUMULATIVA. ENCARGO DE SERVIÇOS DO SISTEMA – ESS. CRÉDITO. O Encargo de Serviços do Sistema – ESS é uma despesa geradora de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. Documentação comprobatória da ocorrência de pagamento indevido ou maior que o devido acostado aos autos. Crédito pleiteado é líquido e certo. Direito creditório reconhecido. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÕES. O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa de crédito oriundo do pagamento do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), no valor de R$ 1.483.610,46, efetuado pelo Recorrente no mês de agosto de 2005, vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Presidente), que negava provimento. Fl. 2088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 2 Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e não reconheceu o direito creditório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata-se de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório de fls. 1802 que reconheceu parcialmente o direito creditório de R$2.420.950,08 (contra um valor solicitado de R$ 3.206.979,19) referente a contribuição de Cofins do mês de agosto de 2005 e homologou parcialmente o pedido de compensação. A decisão da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO, foi baseada em um trabalho de fiscalização iniciado em 19/07/2012 mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal para tratamento manual do PER/DCOMP nº 37747.53104.220109.1.3.04-2257. A documentação produzida está consolidada nas folhas 29 a 1801, contendo as intimações e respectivas respostas, documentos, notas fiscais, faturas, planilhas e relatórios. O início do procedimento fiscal se deu com o intuito de verificar os valores informados no DACON. O Interessado foi intimado, em resumo, a apresentar o seguinte: − Explicar os motivos que levaram à realização das retificações de Dacon e DCTF dos períodos em análise, apresentando demonstrativo de apuração da base de cálculo que resultou no valor total pago do tributo, demonstrando, ainda, quais foram os ajustes efetuados que culminaram na retificação do valor originalmente apurado, juntando documentação contábil/fiscal que respalde tal procedimento; Fl. 2089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 3 − Apresentar cópia dos Balancetes Contábeis dos períodos de apuração em exame; − Apresentar cópias dos livros Diário e Razão nos quais estejam registrados os lançamentos pertinentes aos valores a pagar e as respectivas retificações; − Apresentar memórias de cálculo mensais, assim como planilhas eletrônicas, contendo o detalhamento referente a cada linha das fichas de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos informados nos Dacon que serviram de base para as Dcomp em análise. Conforme resposta ao Termo de Início de Fiscalização, a diferença entre os valores efetivamente pagos e o débito confessado na sua última DCTF retificadora se deveu ao uma nova apuração do crédito com reconhecimento de valores segundo os termos da Solução de Consulta Cosit nº 27: I- Geram direito da apuração e desconto de crédito não-cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, para as concessionárias distribuidoras de energia elétrica, dentre os custos objeto da consulta a) o encargo de uso do Sistema de Transmissão (TUST), deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; b) o encargo de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; c) o encargo decorrente do Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão(CCT); d) o Encargo de Serviços do Sistema (ESS); e) os gastos com materiais aplicados ou consumidos na atividade de fornecimento de energia elétrica, desde que não estejam, nem tenham sido incluídos, no ativo imobilizado; f) os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, observado o art. 31 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004. Sob a rubrica de Bens para Revenda, em seu Dacon, o contribuinte escriturou aquisições tanto de bens para revenda (energia revendida para consumidores cativos) quanto de bens/serviços utilizados como insumo na prestação de serviço (serviços de distribuição de energia adquirida diretamente pelos consumidores livres) alegando seguir a Solução de Consulta nº 27 – Cosit, de 09 de setembro de 2008 e demonstrou sua composição conforme tabela abaixo: Fl. 2090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 4 A demonstração dos créditos apurados no mês sob análise e lançados na linha 01 (bens para revenda) da ficha “Apuração dos Créditos da Contribuição” do Dacon do período foram: Diante da análise inicial da documentação apresentada verificou-se a necessidade de colher mais dados tendo sido lavrado Termo de Intimação exigindo a apresentação de planilhas, cópias dos documentos fiscais, contratos de prestação de serviço de transmissão (CUST) e aqueles de distribuição (CUSD), bem como arquivos digitais de Escrituração contábil referente ao período em análise. Em face de o interessado ter escriturado diversas operações de aquisição por meio de meras faturas foi emitido Ofício ao Operador Nacional do Sistema - ONS a fim de que este se manifestasse quanto a veracidade das informações prestadas pela fiscalizada e disponibilizasse os Avisos de Débito - AVD. Fl. 2091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 5 Em resposta ao ofício expedido, a ONS confirmou que a cobrança dos encargos de uso do sistema de transmissão é efetuada de acordo com os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão - CUST. Confirmou que os pagamentos são efetuados por meio de Aviso de Débito - AVD disponibilizando os referidos AVD do período em análise e também informou que em relação à emissão do relatório previsto na Clausula Segunda do Convênio ICMS nº 117/04, a ONS passou a emitir tal documento a partir do ano de 2005, eis que o referido Convênio passou a produzir efeitos a parte de janeiro/2005. Entretanto, salientou que a obrigatoriedade do ONS, quanto a emissão do relatório, restringe-se aos dados relativos aos valores dos Encargos de Uso do Sistema de Transmissão (EUST) devidos pelos consumidores finais (Consumidor Livre) de energia elétrica que mantém Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) com o ONS, conforme documento anexado que ilustra o primeiro e o último relatório emitido pelo ONS. Desta forma, no documento citado não constam os valores relativos à LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A. Em relação ao Encargo de Serviço do Sistema (ESS), a Solução de Consulta nº 27 – Cosit, de 09 de setembro de 2008, relata que a consulente (ABRADEE)informa que este encargo visa recuperar os custos incorridos pelos geradores na manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema para atendimento da carga. A Cosit indica que neste caso há um serviço, cujo preço ou tarifa, é pago compulsoriamente na aquisição de energia elétrica para revenda ou fornecimento, configurando-se em mais um componente indissociável do valor de aquisição da energia elétrica, conferindo também o direito da apuração dos créditos não-cumulativos. No Anexo à Resolução Normativa ANEEL nº 109/2004, em seu artigo 1.º, constam as definições de ESS, de “Mercado de Curto Prazo” e de PLD: “Encargos de Serviços do Sistema (ESS) –Valores monetários destinados à cobertura dos custos dos serviços do sistema, inclusive os serviços ancilares, prestados aos usuários do SIN, que compreendem os custos decorrentes da geração despachada independentemente da ordem de mérito, por restrições de transmissão dentro de cada submercado, a reserva de potência operativa, em MW, disponibilizada pelos geradores para a regulação da freqüência do sistema e sua capacidade de partida autônoma, a reserva de capacidade, em MVAr, disponibilizada pelos geradores, superior aos valores de referência estabelecidos para cada gerador em Procedimentos de Rede, necessária para a operação do sistema de transmissão, a operação dos geradores como compensadores síncronos, a regulação da tensão e os esquemas de corte de geração e alívio de cargas.” Mercado de Curto Prazo – segmento da CCEE onde são comercializadas as diferenças entre os montantes de energia elétrica contratados e registrados Fl. 2092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 6 pelos Agentes da CCEE e os montantes de geração ou consumo efetivamente verificados e atribuídos aos respectivos Agentes da CCEE. Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) – preço a ser divulgado pela CCEE, calculado antecipadamente, com periodicidade máxima semanal e com base nº custo marginal de operação, limitado por preços mínimo e máximo, vigente para cada Período de Apuração e para cada Submercado, pelo qual é valorada a energia comercializada no Mercado de Curto Prazo.” A fiscalizada, para demonstrar o suposto crédito de ESS, apresentou cópias de documentos que intitulou como “pré-faturas” (documentos sem qualquer formalidade, inclusive sem a identificação do emissor do documento), que, segundo a mesma, teriam sido utilizados para liquidação financeira do ESS pela fiscalizada, as quais efetuariam pagamento através de depósitos bancários em contas vinculadas dos agentes participantes da CCEE(Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), através de instituição bancária credenciada pelo CCEE. De tal demonstração, a fiscalização presumiu que a empresa considerou como insumo, no lugar do valor do encargo referente à aquisição do período, que seria o correto, o valor da despesa levada a resultado referente às contas de controle do CVAESS, após o ajuste da tarifa. A conta CVAESS (Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela “A” – CVA do ESS) é conta utilizada para efeito de cálculo da revisão ou do reajuste da tarifa de fornecimento de energia e foi instituída pela Portaria Interministerial MF/MME n.º 25, de 24 de janeiro de 2002, sendo destinada a registrar as variações, ocorridas no período entre reajustes tarifários, dos valores do ESS. De acordo com a fiscalização, a conta CVAESS se presta para fins de determinação de uma nova tarifa de energia e não para fins de controle do direito à dedução das contribuições pertinente ao CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) sucederia ao MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica). Além disso, o direito ao crédito deve ser determinado em relação aos bens para revenda e insumos adquiridos no mês, nos termos do § 1º do artigo 3º da Lei 10.637/2002, caput e inciso I. Em relação ao ESS, no Despacho Decisório, a fiscalização concluiu que: 1. A fiscalizada apresentou apenas supostas pré-faturas que teriam sido obtidas, na INTERNET, do sítio da Câmara de Compensação de Energia Elétrica -CCEE. Em tais documentos não consta qualquer elemento que evidencie seu emitente (beneficiário da fatura); 2. Não foi apresentada qualquer documentação referente à quitação/pagamento de tais encargos, mormente as Notas de Liquidação das Contabilizações do Mercado de Curto Prazo da CCEE (NLC) –Documento emitido pelo Agente de Fl. 2093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 7 Liquidação para cada Agente da CCEE após a realização da Liquidação Financeira, que reflete os valores efetivamente liquidados; e 3. No caso em apreço, deve ser feita conferência do valor pago do encargo com a NLC com o valor a liquidar, confrontando o valor com o resumo da Pré-fatura na linha “Somatório Pagamento por Encargo de Serviço do Sistema”. Pelo exposto, até o momento, esta fiscalização CONSTATA que a fiscalizada não logrou êxito em comprovar seus supostos gastos com o ESS, fato constitutivo do direito a incluir tal parcela no crédito do período. A glosa resultou no seguinte cálculo do custo de aquisição de bens para revenda: A apuração dos Créditos de Cofins, considerando as glosas efetuadas pela fiscalização em bens para revenda, resultou em créditos a descontar no valor de R$16.373.486,27: Com isso, restou uma contribuição a pagar maior do que a apurada pela empresa, conforme quadro a seguir: Deste modo, com base nas verificações e glosas efetuadas e tendo em vista os valores apurados com base em documentação e demonstrativos apresentados pela interessada, o crédito de Cofins do mês de agosto de 2005 reconhecido foi de R$ 2.420.950,08 e a Declaração de compensação n.º 37747.53104.220109.1.3.04- 2257 foi então homologada parcialmente. Fl. 2094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 8 Notificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 1808/1828 alegando que: 1. Preliminarmente, em relação à despesa com ESS, alega que não há no despacho decisório qualquer justificava para desconsideração da robusta documentação apresentada pelo requerente ao longo do processo de fiscalização. Assim só resta afirmar que o fisco desconsiderou os documentos pelo fato de desconhecer a sistemática referente ao ESS. Desta feita ficou prejudicado no seu direito de defesa pois não deu a conhecer o fundamento da acusação que lhe é feita. Requer seja anulado o Despacho Decisório por preterir o direito de defesa do contribuinte, nos termos do art. 59, inciso II; 2. No mérito, o ESS está atualmente regulamentado pelo Decreto nº 5163, de 2004. Tratase de despesa inerente ao exercício da atividade de distribuição de energia elétrica, já que constitui, em síntese, valor pago pela distribuidora à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) que é destinado à manutenção da confiabilidade e estabilidade da rede básica que utiliza para o desenvolvimento de seu objeto social; 3. A ANEEL se posicionou por meio da Nota Técnica nº 554/2006 à RFB no sentido de que é possível calcular o crédito de PIS/COFINS em relação a este encargo, uma vez que esta rubrica é inerente à atividade de distribuição de energia. A RFB corroborou o entendimento da ANEEL na Solução de Consulta nº 27 de 2008; 4. No período fiscalizado a requerente recolheu o ESS à CCEE por meio de depósito em conta corrente, sendo o valor deste encargo informado pela referida Câmara através do documento denominado Pré Fatura; 5. No período em evidência a requerente não estava autorizada pela ANEEL a repassar à tarifa de energia elétrica o gasto efetuado com o ESS, de modo que esta despesa não representava um custo de prestação do serviço de distribuição de energia no período em que estava ocorrendo o seu pagamento; 6. De fato não havia correlação entre a receita que era auferida pela requerente com a distribuição de energia naquele período e o pagamento do ESS realizado àquele tempo. Tal correlação apenas surgiu quando este encargo pôde ser considerado na composição da tarifa praticada; 7. Anualmente a requerente apresenta para a ANEEL a composição de cada parcela do custo de distribuição de energia e a sua variação em um determinado período com o fim de legitimar e dar transparência ao índice tarifário. Os custos considerados no reajuste tarifário se dividem em PARCELA B - composta por custos gerenciáveis pelas distribuidoras, tais como gastos de pessoal, materiais, pesquisa e desenvolvimento e PARCELA A - composta por encargos setoriais, o que inclui o ESS -o encargo por uso do sistema de transmissão - e outras rubricas; Fl. 2095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 9 Ou seja, os valores pagos a titulo de ESS não estão atrelados à receita obtida com a distribuição de energia no mesmo período, pois a tarifa de energia praticada leva em consideração o histórico de custos de períodos anteriores. Logo o ESS de agosto de 2005 não mantinha correlação imediata com a receita proveniente da distribuição de energia desse período; 9. Por essa razão, em atenção ao regime de competência, a boa prática contábil determinava que o ESS pago no período em questão fosse registrado em conta de ativo da requerente e não como despesa do período, por se tratar de dispêndio que lhe traria um benefício econômico futuro (receita decorrente do reajuste da tarifa em exercício posterior); 10. A Portaria Interministerial MF/MME nº 25/02 regulamenta a contabilização dos itens. Conforme se depreende, o saldo da Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A (CVA) é composto pela soma do valor dos itens de custo que a compõem - inclusive o ESS, na data do respectivo pagamento, com a variação positiva ou negativa de cada um desses mesmos itens ocorrida nos períodos compreendidos entre reajustes tarifários; 11. A CVA tem por objetivo registrar o montante de despesas com o ESS e a sua variação desde o último reajuste tarifário de modo a permitir sua compensação no próximo reajuste; 12. O Manual de Contabilidade do Setor Elétrico editado pela ANEEL lista esta conta nº Plano de Contas do Ativo. Resta claro que sua amortização pode ocorrer somente a partir do exercício em que incorporadas ao aumento da tarifa concedido pela ANEEL; 13. Portanto, a requerente agiu em estrito cumprimento às normas regulamentares a que está submetida, ao registrar os valores pagos a título de ESS em conta do ativo durante o período de referência, levando-os a resultado como despesa somente quando do efetivo reajuste tarifário conforme regime de competência; 14. Uma vez que os valores pagos a título de ESS passaram a ser considerados pela requerente na composição da tarifa de energia, o valor da conta CVA - ESS começou a ser amortizado no resultado ao longo do intervalo existente entre o reajuste anual que autorizou a contabilização da despesa na tarifa e o próximo reajuste anual; 15. Diante destas considerações percebe-se que a requerente não está se creditando sobre despesas incorridas no passado, senão sobre as rubricas que, em virtude do regime de competência, estavam sendo efetivamente incorridas no período de apuração; 16. Não é emitida qualquer fatura ou nota fiscal para o ESS, razão pela qual não poderia a requerente atender a solicitação do fisco de apresentação da Fl. 2096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 10 documentação fiscal referente aos custos do ESS pois essa é uma prova impossível. Exigir da fiscalizada a apresentação de documentação hábil à comprovação dos custos do ESS é o mesmo que inviabilizar seu direito ao crédito, visto que esta documentação simplesmente não existe, pois não é emitida pela CCEE; 17. Na eventualidade de não se validar o procedimento que levou a Requerente à apuração de crédito sobre o valor amortizado, é preciso ter em consideração ao menos os valores efetivamente pagos de ESS no mês de agosto de 2005. 18. Por fim, a autoridade fiscal glosou os créditos apurados pela requerente em relação a notas fiscais de bens adquiridos para revenda em meses anteriores. Destacou que a atividade exercida pela empresa é de distribuição de energia elétrica assegurando seu direito ao crédito nos termos do art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Que é inequívoco seu de cálculo o crédito em relação à despesa com os bens adquiridos para revenda na apuração do PIS/COFINS, principalmente pelo fato de a fiscalização não questionar seu direito. 19. Há que se registrar que estes documentos fiscais acobertam a aquisição de suprimento de energia elétrica nos meses anteriores ao período de apuração considerado. Mas tratado-se de despesas incorridas em períodos anteriores ao fiscalizado, poderá fazê-lo na apuração destas contribuições nos meses seguintes, desde que dentro do prazo decadencial de 5(cinco) anos, fundamentado pelo disposto no parágrafo 4º do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, que previu que o "crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes"; 20. Que no mês em que a despesa ou custo é incorrido, apenas nasce para o contribuinte o direito de calcular e descontar o crédito na apuração das contribuições e que a legislação citada não impõe a obrigatoriedade de retificar as informações fiscais (obrigações acessórias), e que referido procedimento não traz qualquer prejuízo ao erário, pois o valor do crédito não sofre atualização monetária. 21. Pelo exposto requer seja acolhida a preliminar para declarar a nulidade do Despacho Decisório e caso não seja acolhida, requer seja reformado o Despacho Decisório homologando integralmente a compensação declarada. 22. Informou o Interessado que poderá receber comunicações, intimações e notificações nº escritório de seus advogados, localizado na Rua do Ouvidor, nº 121, 23º ao 29º andares -Centro, Rio de Janeiro, CEP 20040-030. A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório e conforme ementa do Acórdão nº 14-90.449 apresenta o seguinte resultado: Acórdão 14-90.449 - 5ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Fl. 2097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 11 Processo 16682.721213/2013-18 Interessado LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S.A. CNPJ/CPF 60.444.437/0001-46 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeita-se a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. CRÉDITOS DISPÊNDIOS COM ENCARGOS DO SERVIÇO DO SISTEMA - (ESS). DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de DACON e DCTF retificadores quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da contribuição para o período desse litígio. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário reproduzindo em síntese os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 2098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 12 VOTO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e não reconheceu o direito creditório. Mérito 1. Glosa dos créditos oriundos do pagamento do Encargo de Serviços do Sistema – ESS A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ manteve a glosa dos créditos oriundos do pagamento do ESS em síntese sobre os seguintes fundamentos: De acordo com a CCEE os ESS são expressos em R$/MWh e são pagos apenas aos agentes geradores térmicos que atendem a solicitação de despacho do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para realizar a geração conforme necessidade. Atualmente existem três tipos de encargos classificados pelo ONS conforme sua finalidade (texto extraído do site da CCEE, https://www.ccee.org.br): 1. Encargo por Restrição Elétrica:ocorre quando há alguma restrição operativa que afeta o atendimento da demanda em um submercado ou a estabilidade do sistema. Essas restrições operativas acarretam duas situações possíveis: - Constrained-on: a usina térmica não está programada, pois sua geração é mais cara. Entretanto, devido a restrições operativas, o ONS solicita sua geração para atender a demanda de energia do submercado. Neste caso, o ESS é usado para ressarcir a geração adicional da usina. - Constrained-off: a usina térmica está despachada. Entretanto, devido a restrições operativas, o ONS solicita a redução de sua geração. Neste caso, o ESS é usado para ressarcir o montante de energia não gerado pela usina. 2. Encargo por Segurança Energética:ocorre quando o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) determina ao ONS que solicite a geração de usinas térmicas com vistas a garantir a segurança do suprimento energético nacional. 3. Encargo por Ultrapassagem da Curva de Aversão ao Risco (CAR):É utilizado para ressarcir a geração de usinas termelétricas despachadas para garantir o suprimento energético quando o nível dos reservatórios está próximo a ultrapassar a CAR. Fl. 2099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 13 Além desses ESS pagos exclusivamente aos agentes geradores térmicos, existe também o Encargo por Serviços Ancilares, destinados a garantir a qualidade e a segurança da energia gerada no SIN. Não há dúvida que o ESS é uma despesa geradora de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Esta constatação está na Solução de Consulta Cosit nº 27, de 2008, formulada pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica – ABRADEE: I – Geram direito da apuração e desconto de crédito não-cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, para as concessionárias distribuidoras de energia elétrica, dentre os custos objeto da consulta: a) o encargo de uso do Sistema de Transmissão (TUST), deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; b) o encargo de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; c) o encargo decorrente do Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão (CCT); d) o Encargo de Serviços do Sistema (ESS); A questão não se prende ao conceito de insumo, já superado por esta solução de consulta e, sim, à falta de comprovação desta despesa. A interessada alega haver uma especificidade dos encargos setoriais na sistemática de apuração deste crédito perante a CCEE. Após a disponibilização do relatório CB006 é expedida uma pré-fatura contemplando o valor do ESS devido no referido mês, cujo pagamento é realizado através de depósito bancário. De fato, a CCEE informa que a liquidação financeira deste encargo é realizada mensalmente por meio de uma instituição financeira contratada, autorizada pelo Banco Central, que faz o recolhimento dos encargos devidos e credita os valores aos credores na seqüência. A CCEE informa também não haver emissão de notas fiscais pela CCEE aos agentes e os resultados das operações são divulgados por meio de relatórios mensais(https://www.ccee.org.br): As relações comerciais entre os agentes participantes da CCEE são regidas por contratos de compra e venda de energia, sendo que a liquidação financeira desses contratos é realizada diretamente entre as partes contratantes, por meio de condições livremente negociadas. As operações realizadas no âmbito da CCEE são contabilizadas e liquidadas de forma multilateral, não havendo indicação de parte e contraparte. Um agente em posição credora recebe seu crédito de todos os devedores do mercado e não de um agente devedor específico. Em contrapartida, um agente devedor efetua o pagamento a todos os credores e não especificamente a um ou outro agente credor. Fl. 2100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 14 A liquidação financeira é realizada mensalmente pela CCEE e marca o momento de pagamento e recebimento dos débitos e créditos apurados pelo processo de contabilização. A operação de tais compensações é realizada por uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central, contratada pela CCEE, que recebe valores devidos num dia e credita os valores aos credores no outro dia. A CCEE não é contraparte na liquidação, tendo somente o papel de viabilizar a realização das compensações financeiras. Não há emissão de notas fiscais pela CCEE aos agentes, e os resultados das operações são divulgados por meio de relatórios mensais. Esta forma de liquidação multilateral sem indicação de parte e contraparte e sem emissão de notas fiscais foi um dos pontos centrais abordados no Despacho Decisório: Quanto ao atendimento ao item 3 do TIF 120052, que solicitou à fiscalizada a apresentação de cópia de documentação que embasasse seu direito, em relação ao ESS, cumpre tecer os seguintes comentários: 1. A fiscalizada apresentou apenas supostas pré-faturas que teriam sido obtidas, na INTERNET, do sítio da Câmara de Compensação de Energia Elétrica -CCEE. Em tais documentos não consta qualquer elemento que evidencie seu emitente (beneficiário da fatura); 2. Não foi apresentada qualquer documentação referente à quitação/pagamento de tais encargos, mormente as Notas de Liquidação das Contabilizações do Mercado de Curto Prazo da CCEE (NLC) –Documento emitido pelo Agente de Liquidação para cada Agente da CCEE após a realização da Liquidação Financeira, que reflete os valores efetivamente liquidados; e 3. No caso em apreço, deve ser feita conferência do valor pago do encargo com a NLC com o valor a liquidar, confrontando o valor com o resumo da Préfatura na linha “Somatório Pagamento por Encargo de Serviço do Sistema”. A interessada admite a inexistência de fatura ou nota fiscal para comprovar o pagamento do ESS, razão pela qual não poderia a requerente atender a solicitação do fisco de apresentação da documentação fiscal referente aos custos do ESS pois essa é uma prova impossível. Alega que exigir a apresentação de documentação hábil à comprovação dos custos do ESS é o mesmo que inviabilizar seu direito ao crédito, visto que esta documentação simplesmente não existe, pois não é emitida pela CCEE. O problema é que as normas da ANEEL e as formas de liquidação financeira adotadas no âmbito da CCEE ou ONS não se sobrepõe a legislação tributária de regência. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade Fl. 2101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 15 situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendo-lhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Notas Técnicas e Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fisco- contribuinte. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual é o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Não ficando demonstrada a liquidez do crédito tributário pleiteado para fins de restituição, não há como conceder direitos creditórios nem homologar a compensação sob pena de afrontar o art.170 do Código Tributário Nacional, transcrito abaixo: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” A interessada precisará encontrar formas de se adequar à legislação tributária ou resolver esta situação no âmbito da CCEE ou ANEEL para que a liquidação financeira possa ser comprovada. Se não são emitidos documentos fiscais, terão que passar a emitir sob pena de inviabilizar seu direito ao crédito, uma vez que a documentação hábil para comprovação dos custos é um elemento essencial na concessão do direito creditório. O segundo ponto em questão é que a interessada alegou estar ao abrigo da Cláusula Segunda do Convênio ICMS 117/2004 que a dispensa de apresentar notas fiscais para este serviço desde que o Operador Nacional do Sistema elabore, até o último dia do mês subseqüente ao das operações e forneça às unidades da Federação, relatório contendo os valores devidos pelo uso dos sistemas de transmissão, com as informações necessárias para a apuração do imposto devido por todos os consumidores livres. Porém, conforme esclareceu o ONS em ofício, "a obrigatoriedade do ONS quanto à emissão do relatório restringe-se aos dados relativos aos valores do EUST devidos pelos consumidores finais (Consumidor Livre) de energia elétrica que mantém Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) com o ONS." E completa: "Desta forma, no documento citado não constam os valores relativos à LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A." Fl. 2102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 16 Em que pese a grande quantidade de intimações, o contribuinte não logrou êxito em apresentar documentos que comprovassem os dispêndios com ESS de forma conclusiva. Uma vez que o interessado não junta documentação comprobatória da ocorrência de pagamento indevido ou maior que o devido, infere-se que o crédito pleiteado não é líquido e nem certo, não devendo, portanto, ser reconhecido o direito creditório. (...) Pois bem. Conforme declaração emitida pela CCEE (anexo 9), em agosto de 2005 a requerente recolheu a título de ESS o valor de R$ 1.483.610,46. Porém, apurou um crédito de ESS no mesmo período de R$ 9.997.438,96. A interessada argumenta que o ESS do período de agosto de 2005 não está atrelado à receita obtida com a distribuição de energia nesse mesmo período, pois a tarifa de energia praticada leva em consideração o histórico de custos de períodos anteriores e que agiu em estrito cumprimento às normas regulamentares a que está submetida, ao registrar os valores pagos a título de ESS em conta do ativo durante o período de referência, levando-os a resultado como despesa somente quando do efetivo reajuste tarifário conforme regime de competência. Por essa razão, amortizou valores de ESS do período 2002/2003 (R$ 8.780.365,85) acrescido do período 2003/2004 (R$ 1.217.073,11). No artigo 2.º da Port. Interministerial MF/MME 25/2002, o saldo de uma conta CVA é definido como o somatório das diferenças positivas e negativas entre o valor do item na data do último reajuste tarifário da concessionária de distribuição de energia elétrica e o valor do referido item na data de pagamento (expurgado de eventual multa e juro de mora), acrescida da respectiva remuneração financeira, esta última calculada com base na taxa de juros Selic em igual período. Este procedimento contábil, apoiado em normas da ANEEL e Portaria Interministerial MF/MME que instituiu a Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela “A” – CVA do ESS é destinado a registrar as variações ocorridas no período entre reajustes tarifários, dos valores do ESS para efeito de cálculo da revisão ou do reajuste da tarifa de fornecimento de energia. Mas não se harmoniza com a legislação do PIS e COFINS e não pode ser usado para fins de controle do direito de dedução das contribuições referentes ao custo de aquisição de insumos por duas razões: 1) Porque, conforme já explicado, a lei e a instrução normativa são taxativas quanto a restrição de que o direito ao crédito deve ser determinado em relação aos bens para revenda e insumos adquiridos no mês; e 2) por não existir previsão de atualização monetária de tal direito creditório. Fl. 2103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 17 Ou seja, ainda que a contribuinte tivesse conseguido comprovar os pagamentos deste encargo, a rigor somente poderia abater o valor de R$1.483.610,46 no mês de agosto de 2005. Em sua defesa a Recorrente aduz: 8. Inicialmente, acerca da glosa dos créditos oriundos do pagamento dos Encargos Setoriais de Serviço – ESS, a Recorrente pede vênia para tecer breves comentários a respeito do referido encargo, de maneira a eliminar qualquer dúvida a respeito do seu direito creditório em relação às “pré-faturas” acostadas aos autos. 9. O ESS está regulamentado no Decreto nº 5.163/04, que foi alterado pelo Decreto nº 9.143/2017, e prevê, em seu art. 59, o seguinte: “Art. 59. As regras e os procedimentos de comercialização deverão prever o pagamento de encargo para cobertura dos custos dos serviços do sistema, inclusive dos serviços ancilares, prestados aos usuários do SIN, que compreenderão, entre outros: I - a geração despachada independentemente da ordem de mérito, por restrições de transmissão em cada submercado ou por razões de segurança energética, a ser alocada aos consumidores com possibilidade de diferenciação entre os submercados; II- a reserva de potência operativa, em MW, disponibilizada pelos geradores para a regulação da frequência do sistema e sua capacidade de partida autônoma; III - a reserva de capacidade, em MVAr, disponibilizada pelos geradores, superior aos valores de referência estabelecidos para cada gerador em Procedimentos de Rede do ONS, necessária à operação do sistema de transmissão; IV - a operação dos geradores como compensadores síncronos, a regulação da tensão e os esquemas de corte de geração e alívio de cargas; e V - o deslocamento da geração hidrelétrica de que trata o art. 2º da Lei nº 13.203, de 8 de dezembro de 2015.” 10. A partir do preceito normativo acima transcrito, vê-se que o ESS é despesa inerente ao exercício da atividade de distribuição de energia elétrica, já que constitui, em síntese, determinado valor pago pela distribuidora à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que é destinado à manutenção da confiabilidade e estabilidade da Rede Básica que utiliza para o desenvolvimento de seu objeto social. 11. Por esta razão, a ANEEL se posicionou, por meio da Nota Técnica nº 554/2006- SFF/ANEEL (fls. 1.915/1.927) no sentido de que é possível calcular crédito de PIS/COFINS em relação a este encargo, uma vez que esta rubrica tem inerência funcional com a atividade de distribuição de energia: Fl. 2104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 18 “O Encargo de Serviços do Sistema – ESS é encargo pago em função dos custos de manutenção da confiabilidade e estabilidade. Com efeito, nos termos do art. 59 do Decreto nº 5.163, de 30 de julho de 2004, bem como do art. 43 da Convenção de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, aprovada pela Resolução Normativa nº 109, de 26 de outubro de 2004, o ESS constitui obrigação, dentre outros, dos agentes do setor elétrico classificados na Categoria de Distribuição que se beneficiam dos investimentos realizados pelos agentes de geração na manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema de geração para o atendimento da carga. (...) Desta forma, dada a inerência (funcional) dos dispêndios realizados a título de Encargo de Serviços do Sistema (uma vez que, nos termos da legislação setorial, destina-se à manutenção da confiabilidade e estabilidade do sistema elétrico), resta hialina sua caracterização como insumo (bem ou serviço) do serviço de distribuição e, portanto, evidente o direito à apuração de créditos sobre os dispêndios relativos ao referido encargo, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003” (grifou-se) 12. Ressalte-se que a ANEEL externou o juízo de que as distribuidoras de energia elétrica estavam legitimadas a apurar crédito de PIS/COFINS sobre o encargo em foco antes mesmo que a RFB tivesse se manifestado sobre esta questão, porque detinha conhecimento técnico acerca do funcionamento das empresas de energia para determinar se o encargo se caracterizava como insumo para as distribuidoras de energia elétrica. 13. Nada obstante, cumpre salientar que, posteriormente, a própria RFB confirmou o entendimento da ANEEL e assentou que a despesa com o encargo em foco constitui insumo para a atividade de distribuição de energia elétrica, e que, portanto, gera direito de crédito para as distribuidoras: “ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. DESCONTO DE CRÉDITOS. A atividade de distribuição de energia elétrica pode ser entendida como prestação de serviço. Para fins de desconto de créditos da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, considera-se insumo na atividade de distribuição de energia elétrica: I) o encargo de uso do Sistema de Transmissão, deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; II) o encargo de Uso do Sistema de Distribuição, deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; III) o encargo decorrente do Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão (CCT); IV) o Encargo de Serviços do Sistema (ESS). (...)”. (grifou-se) Fl. 2105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 19 14. Importante mencionar os seguintes trechos do inteiro teor da decisão em que a RFB fixou tal posicionamento: “Do exposto até o momento, pode-se chegar às seguintes conclusões: a) O direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, para o caso em análise, exige o atendimento dos seguintes requisitos: 1) ser gasto com pagamento por aquisição de serviço; 2) este serviço enquadrar-se como insumo (para ser insumo o serviço deve ser utilizado ou aplicado no exercício de uma atividade); 3) a atividade onde se aplica ou utiliza o insumo deve configurar prestação de serviço. b) Conforme seção específica, considera-se a atividade de distribuição de energia elétrica inclusive como prestação de serviço (logo o requisito 3 encontra-se satisfeito) c) relativamente às relações negociais entre as distribuidoras e as transmissoras: c.1) As empresas transmissoras de energia elétrica prestam serviço às distribuidoras de energia elétrica, que é remunerado por meio das tarifas de uso do sistema de transmissão (TUST); c.2) A TUST consiste, parcialmente, num gasto com pagamento por aquisição de serviço (1); esse serviço é utilizado ou aplicado no exercício da atividade de distribuição, assim, esse serviço enquadra-se como insumo (2); (...) c.4) Conclui-se assim que os dispêndios efetuados com base na TUST gera parcialmente o direito ao desconto de créditos da Contribuição o PIS/PASEP e da COFINS”. 15. Vale destacar que esta decisão foi proferida pela RFB em Processo de Consulta formulado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE), da qual a Recorrente é filiada3. 16. Resta evidente, portanto, que a Recorrente tem o direito de apurar crédito de PIS/COFINS, com base no artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, em relação aos valores que pagar aos agentes de transmissão a título de encargo de uso do sistema de transmissão. 17. Estabelecida tal premissa, importa ainda salientar que, durante a fiscalização que originou o Despacho Decisório constante nos presentes autos, bem como no decorrer da presente demanda, a Recorrente apresentou à Autoridade Fiscal as Notas Fiscais e as Pré- faturas que comprovam os valores pagos a título de encargo de uso do sistema de transmissão no período de junho/2005, de modo que não haveria razão para questionar os créditos de PIS informados no DACON retificador mencionado anteriormente. Fl. 2106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 20 18. Até mesmo porque, apenas para que não restassem dúvidas acerca do direito que milita a seu favor, a Recorrente solicitou à CCEE emissão de uma declaração por meio da qual resta a informação acerca do valor efetivamente pago a título de ESS no período. 19. Ocorre que, não obstante os documentos comprobatórios apresentados pela Recorrente, a 5ª Turma da DRJ/RPO concluiu que não fora apresentada qualquer documentação referente à quitação/pagamento do ESS, mormente as Notas de Liquidação das Contabilizações do Mercado de Curto Prazo da CCEE. 20. Contudo, conforme exaustivamente exposto, a Recorrente recolheu o ESS à CCEE por meio de depósito em conta corrente, após informação transmitida pela referida Câmara através das Pré-Faturas. 21. Cumpre salientar que a Pré-Fatura é um documento emitido pelo agente de transmissão, conforme determinava a legislação estadual vigente à época e, ainda, que a mesma discrimina a cobrança do encargo de uso do sistema de transmissão e o Aviso de Crédito a que se relacionam. 22. Portanto, não há que se falar que a glosa em relação ao Encargo de Serviços do Sistema – ESS se deu exclusivamente por absoluta impossibilidade de identificar o momento no qual o serviço é adquirido quando da transmissão de energia elétrica referente ao uso da Rede Básica entre as concessionárias de transmissão e os usuários da Rede Básica. 23. Ademais, também não merece prosperar o argumento utilizado no Acórdão ora recorrido no sentido de que “A expedição de atos normativos com efetivos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendo-lhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Notas Técnicas e Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da COFINS e tampouco regem a relação fisco-contribuinte.” 24. Isto porque, de acordo com a Teoria do Diálogo das Fontes, o direito deve ser interpretado como um todo, de forma sistemática e coordenada. Assim, uma norma jurídica não pode excluir a aplicação de outra, como aconteceu no presente caso. 25. É importante salientar que a referida teoria não se limita às elucubrações doutrinárias, de modo que seu uso, naturalmente, é bastante comum nas diversas cortes do país, conforme se verifica da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Veja-se: “RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA ELETRÔNICA. SISTEMA BACEN-JUD. ESGOTAMENTO DAS VIAS ORDINÁRIAS PARA A LOCALIZAÇÃO DE BENS PASSÍVEIS DE PENHORA. ARTIGO 11, DA LEI 6.830/80. ARTIGO 185-A, DO CTN. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOVAÇÃO Fl. 2107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 21 INTRODUZIDA PELA LEI 11.382/2006. ARTIGOS 655, I, E 655-A, DO CPC. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DAS LEIS. TEORIA DO DIÁLOGO DAS FONTES. APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI DE ÍNDOLE PROCESSUAL. (...) 9. A antinomia aparente entre o artigo 185-A, do CTN (que cuida da decretação de indisponibilidade de bens e direitos do devedor executado) e os artigos 655 e 655-A, do CPC (penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira) é superada com a aplicação da Teoria pós-moderna do Dialógo das Fontes, idealizada pelo alemão Erik Jayme e aplicada, no Brasil, pela primeira vez, por Cláudia Lima Marques, a fim de preservar a coexistência entre o Código de Defesa do Consumidor e o novo Código Civil. 10. Com efeito, consoante a Teoria do Diálogo das Fontes, as normas gerais mais benéficas supervenientes preferem à norma especial (concebida para conferir tratamento privilegiado a determinada categoria), a fim de preservar a coerência do sistema normativo. (...).” 26. Portanto, em se tratando de créditos próprios do setor elétrico, é evidente que cabe à ANEEL e seus respectivos órgãos, como é o caso da CCEE, definir e interpretar as normas que envolvem o setor. Assim, se o referido órgão, que, relembre-se, compõe a mesma estrutura federal que faz parte a RFB, confirma que as pré-faturas são documentos hábeis para comprovar os gastos com ESS, fazendo a Recorrente confiar na administração pública, não cabe às autoridades fiscais desmerecerem esse entendimento, sob pena de violar a segurança jurídica e o princípio da proteção da confiança legítima, que fazem com que a Recorrente obedeça às diretrizes estabelecidas pela ANEEL. 27. Portanto, resta evidente que não faz sentido deixar de aplicar as normas regulamentares instituídas pela ANEEL, a qual, repita-se, trata-se de agência reguladora que atua na fiscalização econômico-financeira do serviço de geração e dos serviços de eletricidade, diante do fato das referidas normas possuírem finalidade específica para regulamentação do setor, de modo que não faz qualquer sentido a limitação à legislação tributária para solucionar a presente lide. Ocorre que, da detida análise da documentação acostada aos autos, verifica-se que de fato constam dos autos as Pré- faturas que comprovam os valores pagos a título de encargo de uso do sistema de transmissão no período de junho/2005, tal como, declaração emitida pela CCEE informando os valores efetivamente pagos pela Recorrente a título de ESS no período de janeiro de 2002 a setembro de 2005. Ora, como bem destacado pela Recorrente, considerando ser a Pré-Fatura documento emitido pelo agente de transmissão, conforme determinava a legislação estadual vigente à época e que a mesma discrimina a cobrança do encargo de uso do sistema de Fl. 2108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 22 transmissão e o Aviso de Crédito a que se relacionam, ao contrário do que argumenta a DRJ, restou devidamente comprovado nos autos o momento no qual o serviço é adquirido quando da transmissão de energia elétrica referente ao uso da Rede Básica entre as concessionárias de transmissão e os usuários da Rede Básica, tal como, os valores efetivamente pagos pela Recorrente. Assim, considerando que a própria DRJ admitiu não haver dúvida que o ESS é uma despesa geradora de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Constatação esta contida da Solução de Consulta Cosit nº 27, de 2008, formulada pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica – ABRADEE, ante a documentação comprobatória da ocorrência de pagamento indevido ou maior que o devido, infere-se que o crédito pleiteado é líquido e certo, devendo, portanto, ser reconhecido o direito creditório em relação as despesas ocorridas no mês de agosto de 2005. Dessa maneira, reverto a glosa dos créditos oriundos do pagamento do Encargo de Serviços do Sistema – ESS no valor de R$1.483.610,46 efetuado pela Recorrente no mês de agosto de 2005. 2. Créditos extemporâneos Também manteve a DRJ glosas relativas a créditos extemporâneos, a saber: Apurou-se a aquisição de bem/serviço em outro período sendo computado indevidamente no período fiscalizado. Conforme esclarecido, tais dispêndios poderiam ser computados para fins de apuração do saldo de crédito a descontar no mês de aquisição. Caso a empresa apresente débito no período a que tais aquisições se referem, essas servirão, primeiramente, para serem deduzidas do devido e, caso haja saldo de crédito, este poderá ser utilizado em período subseqüente. Mesmo a norma do parágrafo 4º do artigo 3º das leis 10.637 e 10.833, de que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes não pode ser invocada pela contribuinte, uma vez que não devem caber dúvidas quanto ao seu alcance. Tal disposição trata de crédito excedente de um determinado mês, após o desconto com os débitos do mesmo período, ou seja, refere-se a valores devidamente informados nos DACON próprios e não aproveitados, por serem superiores ao débito apurado. Logo tal disposição não significa autorização para que se aproveite direitos de períodos anteriores da forma como pretendeu a contribuinte. Saliente-se que não há qualquer impedimento legal para que a contribuinte que tenha deixado de apurar os créditos das contribuições sociais em foco, admissíveis nº tempo correto, o faça posteriormente, desde que efetuando as Fl. 2109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 23 devidas correções nos demonstrativos do mês das aquisições. E então aqueles dispêndios poderão ser aproveitados naquele mês e, na apuração, caso resulte um saldo de crédito, aí sim este saldo poderá ser utilizado no período subseqüente. Com efeito, se faz mister a retificação tanto dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições (Dacon) quanto das Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) referentes a cada um dos meses em que haja modificação na apuração da Contribuição para ao PIS/Pasep e da Cofins, consoante disposição das normas infralegais conforme abaixo esclarecido. (...) Portanto, para o período aqui em litígio, os dispositivos normativos são claros em determinar que para a efetivação de qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores deveriam ter sido efetuadas as respectivas retificações. Obviamente essa apuração extemporânea e correspondentes retificações dos DACONs e DCTFs poderão ser feitas enquanto não extinto o direito de o contribuinte apresentar tal pleito, fato que ocorre no prazo de cinco anos consoante a legislação de regência. Assim, o aproveitamento de créditos relativos a operações de períodos anteriores deve ser feito exclusivamente pela retificação dos demonstrativos dos competentes períodos de apuração. Não se trata de uma simples formalidade pois uma vez que os dispêndios são aproveitados no mês e o saldo restante pode ser utilizado no período subseqüente é essencial manter a coerência contábil e fiscal sem descontinuidade na linha do tempo, caso contrário a fazenda pública perderia totalmente o controle dos créditos e das compensações. A Recorrente argumenta: Ocorre que o referido argumento não merece prosperar, visto que os documentos fiscais acostados aos autos acobertam a aquisição de suprimento de energia elétrica nos meses anteriores a agosto de 2005. 31. Conclui-se, portanto, que a alegação da Autoridade Fiscal não se sustenta, sendo certo que, tratando-se de despesas ocorridas em períodos anteriores ao fiscalizado, convém recordar que o direito da Recorrente, diferente do que afirma a Autoridade Julgadora, se encontra fundamentado no §4º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. (...) 32. Portanto, resta claro que, acaso em determinado mês o contribuinte não se valha da faculdade de calcular e descontar créditos na apuração do PIS/COFINS, é Fl. 2110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 24 certo que poderá fazê-lo na apuração destas contribuições nos meses seguintes, desde que dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. (...) De fato, no mês em que a despesa ou o custo é incorrido, apenas nasce para o contribuinte o direito de calcular e descontar o crédito na apuração das contribuições, como forma de reduzir o montante de tributo devido, sendo certo que o exercício deste direito poderá se dá a qualquer tempo, dentro do prazo decadencial aludido acima. 35. Frise-se que, sequer deve ser exigido do contribuinte, como condição sine qua non para o exercício deste direito creditório, a retificação das informações fiscais (obrigações acessórias) anteriormente prestadas, visto que esta não é uma exigência estipulada nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. 36. Tampouco há que se obrigar o contribuinte a voltar no tempo e descontar os créditos no próprio mês em foram adquiridos os insumos geradores de crédito, pois a norma em comento é clara ao permitir o exercício do direito creditório nos períodos seguintes. 37. Ao que parece, a norma assim o fez porque o exercício do direito de crédito a destempo não traz qualquer prejuízo ao erário, pois o valor do crédito não sofre atualização monetária ou incidência de juros. É dizer, o montante que será reduzido do tributo devido a União é o mesmo se o crédito for descontado na apuração do próprio mês em que incorrida a despesa ou custo, ou se for descontado em algum dos períodos seguintes. 38. Assim, resta evidente o direito da Recorrente de descontar os créditos apurados em relação a despesas ocorridas em período anterior a julho de 2005, visto que o aproveitamento destes créditos não pereceria na hipótese em que não tivesse sido realizado no mês correspondente. Ocorre que, apesar dos argumentos apresentados em sede de defesa, em relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS sem apresentação de DCTF e DACON retificadores, cumpre ressaltar que a matéria já encontra-se pacificada no âmbito administrativo. Transcreve-se nesse sentido a recente súmula aprovada pelo Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (CARF): Súmula 231 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Dessa maneira, mantenho as glosas relativas aos créditos extemporâneos. Fl. 2111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 25 Conclusão Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa relativa aos créditos oriundos do pagamento do Encargo de Serviços do Sistema – ESS no valor de R$1.483.610,46 efetuado pela Recorrente no mês de agosto de 2005. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Apresentei voto divergente por escrito, no plenário virtual, como vencido, converte- se em declaração de voto. A divergência em relação ao voto da Relatora restringe-se ao item “Glosa dos créditos oriundos do pagamento do Encargo de Serviços do Sistema – ESS”, pois, conforme jurisprudência já assentada nesta turma de julgamento, em composição diversa da atual, o direito ao desconto de créditos de ESS, inobstante a previsão normativa autorizativa, depende da apresentação das notas de liquidação da despesa, de forma individualizada, sob pena de não reconhecimento do direito por falta de comprovação. No julgamento do Recurso Voluntário interposto no processo nº 16682.720783/2013-82 pelo mesmo contribuinte destes autos, a decisão específica em relação a essa matéria foi acompanhada por unanimidade (acórdão 3201-010.151, de 20/12/2022), razão pela qual reproduz-se na sequência a parte do voto correspondente a ela: II. Crédito. Encargos de Serviços do Sistema (ESS). O Recorrente afirma que a Fiscalização glosou créditos referentes à despesa com Encargos de Serviços do Sistema (ESS), contabilizada em julho de 2008, sem qualquer justificativa, com violação do direito à ampla defesa e ao contraditório, glosa essa mantida pela DRJ, segundo ele, com o singelo fundamento de falta de apresentação de documentos comprobatórios. A Fiscalização, a despeito de assentir no direito do Recorrente ao desconto de créditos relativos aos Encargos de Serviços do Sistema (ESS), com base na Solução de Consulta Cosit nº 27/2008, considerou que os documentos comprobatórios apresentados, após intimação, abrangiam apenas os encargos de uso dos sistemas de transmissão (EUST) e de conexão (CCT), bem como o Proinfa, não sendo informada, Fl. 2112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 26 no Termo de Verificação Fiscal, a apresentação de provas dos encargos identificados como ESS. Nota-se, portanto, que não se sustenta o argumento do Recorrente de falta de motivação da glosa dos encargos ESS, pois tal glosa se justificara pela ausência de prova do dispêndio. O Recorrente, após discorrer acerca do direito de crédito em relação ao ESS, direito esse, conforme já dito, devidamente reconhecido pela Fiscalização, afirma que recolhera o ESS à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) por meio de depósito em conta corrente, encontrando-se tal valor informado em pré-fatura (fls. ...), procedimento esse justificado pelo fato de que, no período de novembro de 2006 a outubro de 2007, ele não se encontrava autorizado pela Aneel a repassar tal gasto à tarifa de energia, o que veio a ocorrer somente à época do reajuste tarifário, contemplando o referido período, em conformidade, portanto, com a regulamentação da Aneel. Ainda de acordo com o Recorrente, o gasto com ESS foi registrado em conta do Ativo e passou a ser amortizado a partir do exercício em que incorporado ao aumento da tarifa autorizado pela Aneel. Alternativamente ao pedido supra, o Recorrente pleiteia a reversão da glosa sob análise considerando-se que, em julho de 2008, a despesa fora efetivamente incorrida. Contudo, conforme já dito, a Fiscalização glosou créditos relativos aos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) em razão da não apresentação de documentos comprobatórios (fatura ou nota fiscal), vindo o Recorrente a apresentar, na primeira instância, apenas as chamadas pré-faturas, documentos esses desprovidos de qualquer formalidade, inclusive sem a identificação do emissor. O Recorrente, por seu turno, se defende aduzindo que, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 27/2008, os referidos encargos são serviços cujo preço ou tarifa é pago compulsoriamente na aquisição de energia elétrica para revenda ou fornecimento, configurando mais um componente indissociável do valor de aquisição da energia elétrica, conferindo, portanto, direito à apuração de créditos próprios da não cumulatividade das contribuições. Segundo ele, encontrando-se o ESS regulado pelo art. 59 do Decreto nº 5.163/2004, extrai-se desse dispositivo que se trata de uma despesa inerente ao exercício da atividade de distribuição de energia elétrica, em que se paga um valor à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com vistas à manutenção da confiabilidade e estabilidade da Rede Básica utilizada para o desenvolvimento de seu objeto social. O Recorrente ampara sua defesa, precipuamente, na Nota Técnica nº 554/2006-SFF, em que a Aneel se posicionou favoravelmente ao desconto de crédito das contribuições PIS/Cofins em relação ao referido encargo, uma vez que tal rubrica tem inerência funcional com a atividade de distribuição de energia, entendimento esse corroborado pela Receita Federal na Solução de Consulta nº 27/2008. O reajuste tarifário do serviço de distribuição de energia, continua o Recorrente, é anual e periódico (e eventualmente extraordinário) e está sempre sujeito a procedimento próprio, no qual é apresentada de forma detalhada a composição de cada parcela do custo da distribuição de energia e a sua variação num determinado Fl. 2113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 27 período, com o fim de legitimar e dar transparência ao índice de reajuste tarifário, sendo certo que tal reajuste somente pode ser implementado se homologado pela Aneel. Dessa forma, ainda de acordo com o Recorrente, em atenção ao regime de competência, o ESS pago no período foi registrado em conta de ativo, e não como despesa, por se tratar de dispêndio com benefício econômico futuro (receita decorrente do reajuste da tarifa em exercício posterior). Feitas essas considerações, passa-se à análise da matéria. A Solução de Consulta Cosit nº 27/2008 assim dispõe: ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. DESCONTO DE CRÉDITOS. A atividade de distribuição de energia elétrica pode ser entendida como prestação de serviço. Para fins de desconto de créditos da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, considera-se insumo na atividade de distribuição de energia elétrica: I) o encargo de uso do Sistema de Transmissão, deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; II) o encargo de Uso do Sistema de Distribuição, deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; III) o encargo decorrente do Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão (CCT); IV) o Encargo de Serviços do Sistema (ESS). Adicionalmente, dão direito ao desconto de créditos da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, na atividade de distribuição de energia elétrica: I) os gastos com materiais aplicados ou consumidos na atividade de fornecimento de energia elétrica, desde que não estejam, nem tenham sido incluídos, no ativo imobilizado; II) os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, observado o art. 31 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004. Não se considera insumo na atividade de distribuição de energia elétrica, não concedendo direito a desconto de créditos da Cofins, no regime de apuração não cumulativa: I) a quota da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC); II) a quota da Reserva Global de Reversão (RGR); III) os gastos a serem destinados à Conta de desenvolvimento Energético (CDE). DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art.8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. Constata-se do excerto supra que a Receita Federal qualifica os Encargos de Serviços do Sistema (ESS) como insumos geradores de crédito das contribuições não cumulativas, não havendo dúvida, portanto, quanto ao direito pleiteado pelo Recorrente, direito esse já reconhecido pela Fiscalização, restando perscrutar acerca da forma e do momento de sua apropriação, bem como quanto à sua comprovação. Na Nota Técnica nº 554/2006-SFF, a Aneel assim se pronunciou: 1. DO OBJETIVO O objetivo da presente Nota Técnica é analisar a questão da possibilidade (ou não) das concessionárias de distribuição de energia elétrica apurarem e registrarem créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre os Encargos Setoriais que especifica, de forma a fixar o entendimento definitivo desta Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira - SFF quanto ao tema. Fl. 2114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 28 II. DOS FATOS (...) 7. Nesse sentido, considerando sua competência legal para realizar o reajuste e a revisão das tarifas do serviço público de distribuição de energia elétrica, bem como a necessidade desta Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL reconhecer os impactos - devidamente comprovados - nas tarifas de energia elétrica resultantes das alterações da legislação tributária, esta Agência apresentou à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda - SRF/MF, mediante a expedição do Ofício n° 117/2005-DR/ANEEL, de 8 de abril de 2005 (vide Anexo I), solicitação de manifestação daquela SRF em relação aos itens que geram créditos Elétrico. (...) Em face da ausência de manifestação da Secretaria da Receita Federal - SRF e considerando a necessidade desta Agência realizar, para fins de reajustes e revisões tarifárias, a apuração e o eventual reconhecimento do impacto financeiro relativo às alterações da legislação tributária em tela, deu-se inicio aos procedimentos de apuração e validação provisória do citado eventual impacto financeiro. (...) III. DA ANÁLISE (...) 17. A energia elétrica é, nos termos da legislação setorial e civil, bem móvel adquirido pelas concessionárias de distribuição para revenda aos consumidores, sendo, portanto, bem adquirido para revenda no processo de prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica. Com efeito, nos termos da legislação setorial, é obrigação das distribuidoras adquirir a energia elétrica a ser fornecida aos seus receptivos consumidores cativos. Cabe registrar que, conquanto a distribuidora receba a energia comprada em alta tensão e a entregue aos consumidores em alta ou baixa tensão, o respectivo processo de conversão não implica em alteração da substância da coisa entregue, caracterizando, neste particular, típica revenda civil. 18. Dessa forma, dada a inerência (física) dos dispêndios realizados a título de Energia Elétrica Comprada para Revenda, uma vez que, nos termos da legislação setorial, compete às próprias distribuidoras realizar a contratação de energia para posterior fornecimento aos seus consumidores cativos, em relação ao fator de produção ao qual se relaciona (o serviço público de distribuição de energia elétrica), resta hialina sua característica (já indicada pelo nome) de bem adquirido para revenda e, portanto, o direito à apuração de créditos sobre os dispêndios relativos à Energia Elétrica Comprada para Revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei n° 10.833/2003. (...) 20. Dessa forma, dada a inerência (física e funcional) dos dispêndios realizados a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica - Sistemas de Transmissão (uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão é necessária e, nos termos da legislação setorial, obrigatória) em relação ao fator de produção ao qual se relaciona (o serviço público de distribuição de energia elétrica), resta Fl. 2115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 29 hialina a caracterização do sistema de transmissão como insumo (bem ou serviço) do serviço público de distribuição e, portanto, evidente o direito à apuração de créditos sobre os dispêndios relativos ao referido encargo, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. (...) 27. O Encargo de Serviços do Sistema - ESS é encargo pago em função dos custos de manutenção da confiabilidade e estabilidade do sistema elétrico. Com efeito, nos termos do art. 59 do Decreto n° 5.163, de 30 de julho de 2004, bem como do art. 43 da Convenção de Comercialização de Energia Elétrica- CCEE, aprovada pela Resolução Normativa n° 109, de 26 de outubro de 2004, o ESS constitui obrigação, dentre outros, dos agentes do setor elétrico classificados ha Categoria de Distribuição que se beneficiam dos investimentos realizados pelos agentes de geração na manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema de geração para o atendimento da carga. (...) 28. Dessa forma, dada a inerência (funcional) dos dispêndios realizados a título de Encargo de Serviços do Sistema (uma vez que, nos termos da legislação setorial, destina-se à manutenção da confiabilidade e estabilidade do sistema elétrico) em relação ao fator de produção ao qual se relaciona (o serviço público de distribuição de energia elétrica), resta hialina sua caracterização como insumo (bem ou serviço) do serviço de distribuição e, portanto, evidente o direito à apuração de créditos sobre os dispêndios relativos ao referido encargo, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. Inobstante a incompetência da Aneel para legislar sobre Direito Tributário, constata- se dos trechos da nota técnica acima que a agência, na mesma linha da Solução de Consulta Cosit nº 27/2008, define os Encargos de Serviços do Sistema (ESS) como insumo para fins de desconto de crédito da contribuição não cumulativa. Para justificar a contabilização por ele adotada, o Recorrente se reporta, ainda, à regulamentação da Aneel que versa sobre o reajuste tarifário anual com vistas à compensação da perda de receita da concessionária, não se encontrando devidamente demonstrada, contudo, a alegada determinação de apropriação dos encargos nos termos propugnados pelo Recorrente. E não poderia ser diferente, pois os atos normativos da Aneel, em conformidade com o já dito, não servem à delimitação do regime de competência para fins de tributação, qualquer que seja o tributo, devendo-se buscar o referencial normativo da matéria na legislação tributária. O mesmo se diz quanto à Portaria Interministerial MF/MME nº 25/2002, pois, nos termos do seu art. 1º, a conta de compensação aduzida pelo Recorrente foi criada para registrar as variações ocorridas no período entre reajustes tarifários, para efeito de cálculo e reajuste das tarifas, inexistindo normativo legal vinculando tais regras à tributação das contribuições não cumulativas. Considerando inexistir nos autos qualquer informação acerca da emissão de documento comprobatório dos referidos dispêndios (como fatura ou nota fiscal), mas apenas a chamada “pré-fatura”, e por se tratar de pagamentos realizados via depósitos bancários, conforme alegado pelo Recorrente, os comprovantes de tais depósitos se mostram imprescindíveis à comprovação do direito creditório Fl. 2116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 30 pleiteado. Contudo, não constam dos autos tais elementos probantes, situação em que se tem por bastante fragilizada a defesa do Recorrente. Em conformidade com o relatório fiscal, constata-se que o Recorrente não apresentou qualquer documentação referente à quitação/pagamento de tais encargos, mormente as Notas de Liquidação das Contabilizações do Mercado de Curto Prazo da CCEE (NLC) – documento esse emitido pelo Agente de Liquidação para cada Agente da CCEE, após a realização da liquidação financeira. Ora, para se contrapor à auditoria fiscal fundada em documentos comprobatórios apresentados a partir de inúmeros termos de intimação e considerando que a DRJ considerou a “pré-fatura” insuficiente à prova pretendida, o Recorrente deveria ter trazido aos autos elementos de prova hábeis a infirmar tais constatações, não bastando uma simples planilha sem identificação e assinatura do emissor. As alegações sem amparo em documentos comprobatórios hábeis se mostram incompatíveis com as regras que orientam o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regido, precipuamente, pelo Decreto nº 70.235/1972. Até mesmo observando-se os dispositivos da Lei nº 9.784/2004, aplicáveis subsidiariamente ao PAF, atinentes ao direito de prova do administrado, nem mesmo assim se vislumbra possibilidade de se obter o reconhecimento de um crédito de natureza tributária sem a sua efetiva demonstração e comprovação. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), o ônus da prova encontra-se delimitado de forma expressa, dispondo os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) De acordo com os dispositivos supra, o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, Fl. 2117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 31 devendo prevalecer a decisão de origem em razão da falta de apresentação dos documentos considerados imprescindíveis à demonstração e à comprovação dos fatos alegados. Ainda que se considerasse o princípio da busca da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode, eventualmente, ir além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o Recorrente não se desincumbiu do seu dever de comprovar de forma efetiva sua defesa, situação em que se têm por prejudicadas as suas alegações. Nesse contexto e pelas mesmas razões, não há como acolher nem mesmo o pedido alternativo do Recorrente de se considerar o dispêndio efetivamente incorrido em 2008. Esta turma ordinária já enfrentou essa mesma matéria, abrangendo situação fática bem próxima da presente e o mesmo contribuinte, tendo decidido, por unanimidade de votos, nessa matéria, no mesmo sentido, conforme se verifica do trecho da ementa do acórdão nº 3201-008.686, de 23/06/2021, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 (...) CRÉDITO. ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ENCARGO DE SERVIÇOS E SISTEMAS (ESS). POSSIBILIDADE. Na apuração da contribuição não cumulativa, relativa à prestação de serviço de distribuição de energia elétrica, pode ser descontado crédito a título de insumo calculado sobre o Encargo de Serviços e Sistemas (ESS), mas desde que devidamente comprovado e observados os demais requisitos da lei. (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão de origem, amparada em documentos e dados fornecidos pelo próprio interessado, não infirmada com documentação hábil e idônea. (g.n.) Nesse sentido, mantêm-se as glosas realizadas pela Fiscalização. (destaques nossos) No acórdão 3201-008.686, de 23/06/2021 (processo nº 16682.721248/2013-49), referenciado na transcrição supra, a questão relativa à Declaração da CCEE informando os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo, documento esse que fundamentou o voto da Relatora nestes autos, foi assim analisada: Na cópia do documento intitulado “Declaração”, emitido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), informa-se que o Recorrente efetuou pagamento, via depósito bancário, dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS), sem emissão de fatura ou nota fiscal, no período de janeiro de 2002 a setembro de 2005. Fl. 2118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.580 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721213/2013-18 32 Referido documento encontra-se assinado por um terceiro não identificado, em substituição ao Superintendente da CCEE, inexistindo nenhuma indicação dos dados do assinante e nem mesmo autenticação, ainda que administrativa, da sua assinatura. Além do mais, considerando inexistir, conforme alegado pelo próprio Recorrente, a emissão de qualquer documento comprobatório dos referidos dispêndios (como fatura ou nota fiscal), mas apenas as chamadas “pré-faturas”, e por se tratar de pagamentos realizados via depósitos bancários, os comprovantes de tais depósitos se mostram imprescindíveis à comprovação do direito creditório pleiteado. Contudo, não constam dos autos tais elementos probantes, situação em que se tem por bastante fragilizada a defesa do Recorrente. Conforme apontado no relatório fiscal, o Recorrente não apresentou qualquer documentação referente à quitação/pagamento de tais encargos, mormente as Notas de Liquidação das Contabilizações do Mercado de Curto Prazo da CCEE (NLC) – documento esse emitido pelo Agente de Liquidação para cada Agente da CCEE, após a realização da liquidação financeira. Ora, para se contrapor à auditoria fiscal fundada em documentos comprobatórios apresentados a partir de inúmeros termos de intimação e considerando que a Fiscalização e a DRJ consideraram a “pré-fatura” insuficiente à prova pretendida, o Recorrente deveria ter trazido aos autos elementos de prova hábeis a infirmar tais constatações, não bastando uma simples cópia de declaração assinada por pessoa não identificada. (destaques nossos) Tal decisão da turma 3201 do CARF se deu por unanimidade, razão pela qual, considerando tratar-se de jurisprudência firmada pela turma, a ela se alinha, afastando-se, por conseguinte, o fundamento do voto da Relatora a partir do afastamento do caráter probatório do documento intitulado “Declaração” da CCEE. Nesse sentido, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis. Fl. 2119DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903679/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013
INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR).
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR).
CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS DESONERADOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 188.
É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENFEITORIAS. EDIFICAÇÕES. DEPRECIAÇÃO.
No regime da não cumulatividade, admitem créditos calculados sobre os encargos de depreciação todas as edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa.
Numero da decisão: 3202-002.909
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reverter as glosas sobre (1) as despesas de fretes na aquisição de insumos (leite cru) contratados pela recorrente de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e relativos às aquisições de insumos não sujeitos à incidência das contribuições, desde que, em observância à Súmula CARF nº 188, tenham tais serviços (fretes) registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e (2) dos encargos de depreciação efetuados em relações as benfeitorias efetuadas na ampliação do barracão da oficina mecânica. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.907, de 17 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10930.903677/2014-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR). O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS DESONERADOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENFEITORIAS. EDIFICAÇÕES. DEPRECIAÇÃO. No regime da não cumulatividade, admitem créditos calculados sobre os encargos de depreciação todas as edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-10-14T20:31:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-10-14T20:31:00Z; Last-Modified: 2025-10-14T20:31:00Z; dcterms:modified: 2025-10-14T20:31:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-10-14T20:31:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-10-14T20:31:00Z; meta:save-date: 2025-10-14T20:31:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-10-14T20:31:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-10-14T20:31:00Z; created: 2025-10-14T20:31:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2025-10-14T20:31:00Z; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-10-14T20:31:00Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10930.903679/2014-57 ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de setembro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CONFEPAR AGRO-INDUSTRIAL LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR). O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS DESONERADOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENFEITORIAS. EDIFICAÇÕES. DEPRECIAÇÃO. No regime da não cumulatividade, admitem créditos calculados sobre os encargos de depreciação todas as edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reverter as glosas sobre (1) as despesas de fretes na aquisição de insumos (leite cru) contratados pela recorrente de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e relativos às aquisições de insumos não sujeitos à incidência Fl. 930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 2 das contribuições, desde que, em observância à Súmula CARF nº 188, tenham tais serviços (fretes) registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e (2) dos encargos de depreciação efetuados em relações as benfeitorias efetuadas na ampliação do barracão da oficina mecânica. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.907, de 17 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10930.903677/2014-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente/procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara/acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS-PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: 1. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. 2. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 3 COMPETÊNCIA. A apreciação de questionamentos relacionados à validade, legalidade e constitucionalidade de dispositivos que integram a legislação tributária não se insere na competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. 3. PROVA. MOMENTO. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. 4. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE ÔNUS DA PROVA. Certeza e liquidez do crédito são requisitos obrigatórios para o reconhecimento do valor a ressarcir ou compensar. Nos pedidos de repetição de indébitos ou de ressarcimento de créditos, bem como na utilização de créditos em declaração de compensação, é ônus da contribuinte a demonstração de forma cabal e específica, mediante comprovação minudente, da existência do direito creditório pleiteado, o qual deve ser indeferido se não comprovada sua liquidez e certeza. 5. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. GLOSAS. No âmbito do processo administrativo fiscal não se admite a negativa geral, pois a defesa deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, operando-se a preclusão processual relativamente à matéria que não tenha sido expressamente contestada na defesa apresentada. Assim, consideram-se consolidadas na esfera administrativa as glosas que não foram objeto de contestação específica. 6. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/02 E Nº 404/04. LEGALIDADE. MATÉRIA JULGADA NO ÂMBITO DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Fl. 932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 4 Declarada pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em sede de recurso repetitivo, a ilegalidade das IN SRF nº 247/02 e nº 404/04, adotam-se as balizas constantes do correspondente julgado (REsp nº 1.221.170/PR), da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, de 26/09/2018, e do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018, no que concerne ao conceito de insumo. 7. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça nº Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. 8. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. São considerados insumos os serviços utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Nem mesmo em relação aos itens impostos à pessoa jurídica pela legislação se afasta a exigência de que sejam utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços para que possam ser considerados insumos. Nas hipóteses em que for possível que o mesmo bem ou serviço seja considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não o seja para outras, é necessário que a pessoa jurídica realize rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, a teor de rateio já previsto na legislação antes mesmo da ampliação do conceito de insumos trazido pelo julgamento do STJ. 9. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS. Não há previsão legal específica para a apuração de crédito em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens e a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. Fl. 933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 5 10. FRETE. AQUISIÇÕES SEM CONTRIBUIÇÃO. Apenas os fretes vinculados aos bens onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins ensejam os respectivos direitos creditórios, pois, a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições não confere direito a crédito. 11. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE E ARMAZENAGEM. As despesas com frete e armazenagem somente conferem direito ao crédito se contratada com pessoa jurídica domiciliada no país, desde que se refira a operação de venda e o ônus seja suportado pelo vendedor. O conceito de frete e armazenagem não alcança despesas de natureza completamente diversa, como são os serviços de movimentação de carga, logísticos, acondicionamento de carga etc. 12. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENFEITORIAS. EDIFICAÇÕES. DEPRECIAÇÃO. No regime da não cumulatividade, admitem créditos calculados sobre os encargos de depreciação todas as edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. 13. DESPESAS COM EFLUENTES. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Admitida a necessidade e essencialidade do tratamento de efluentes, bem como sua relação com as atividades produtivas, afasta-se a glosa aplicada. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, no qual pugna pela homologação integral do crédito pleiteado. Em suma, é o Relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a analisar o mérito. DO MÉRITO Fl. 934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 6 Do conceito de insumo e o RESP 1.221.170/PR Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. Fl. 935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 7 O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins Fl. 936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 8 de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Com efeito, o conceito de insumo a ser utilizado nesse voto será a sua relação direta com o processo produtivo. Feitos os devidos comentários, passemos à análise do presente do caso. DAS GLOSAS Segundo a fiscalização, com base na descrição da mercadoria adquirida, excluiu-se diversas aquisições da base de cálculo do crédito, por entender a Fiscalização que não correspondem ao conceito de insumo. Tratam-se das seguintes glosas: DOS FRETES Frete na aquisição de insumos (leite cru) não sujeitos ao pagamento das contribuições Como relatado, a cooperativa tem por atividade a fabricação de laticínios e aufere receita não tributada pela suspensão (leite in natura – art. 9º, II, da Fl. 937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 9 Lei nº 10.925/04) e pela alíquota zero (Leite pasteurizado ou industrializado, leite em pó, bebidas lácteas, queijos, soro de leite fluido, manteigas etc. – art. 1º, XI, XII, XIII e XXIV da Lei nº 10.925/04). No que cerne ao direito a tomar crédito sobre aquisições de insumos (leite cru) não sujeitos ao pagamento das contribuições, entendeu a fiscalização que não há crédito em relação a bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. A fiscalização argumentou a existência de previsão legal para apuração de créditos sobre fretes apenas e tão somente se relacionados com operações de venda e se suportados pelo vendedor, nos termos do art. 3º, IX, e art. 15, II, da Lei n. 10.833/2003. No entanto, sustentou a possibilidade de inclusão dos valores dispendidos com frete na aquisição de insumos, já que essa despesa comporá o custo de aquisição do produto. Para que isso seja possível a fiscalização aduz que o frete esteja submetido à tributação e, além disso, é necessário que o bem adquirido também dê direito à apuração de crédito. Assim, o frete é um acessório, não sendo possível a apuração de um crédito como uma despesa autônoma. Portanto, o frete, por ser custo de aquisição do insumo, assume a mesma natureza deste, não podendo ser admitido o crédito se o custo do bem adquirido não pode ser inserido na base de cálculo dos créditos. Com a devida vênia, divirjo do acórdão recorrido e da fiscalização, existe um equívoco de interpretação cometido pelo julgador de piso, pois as despesas comerciais com armazenagem e fretes na operação de venda têm disciplina própria prevista no art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/2003, não estando vinculadas a um outro direito de crédito, existem por si, melhor explicando, não são acessórios de nada, simplesmente, por conta de previsão legal expressa, independentemente, do tratamento tributário dado à mercadoria comercializada. É de se registrar que apesar do produto não ser sujeito a tributação de PIS e COFINS ou ser submetido ao crédito presumido, o frete é tributado, o serviço de transporte prestado pela transportadora contratada pela contribuinte será tributado em PIS/COFINS devido por aquela, sobre o valor pago pela Recorrente. O valor aqui creditado será lá tributado, mantendo a lógica da não cumulatividade, no momento em que o creditamento aqui é negado e a tributação lá é mantida, quebra-se, sem fundamento legal, a não cumulatividade prevista na Lei nº 10.833/03. Fl. 938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 10 Por tais razões, reverto as glosas de créditos das contribuições em tela referentes aos serviços de frete contratados pela recorrente de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e relativos às aquisições de insumos não sujeitos à incidência das contribuições, desde que, em observância à Súmula CARF nº 188, tenham tais serviços (fretes) registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Despesas com Armazenagem e Fretes na aquisição de bens e serviços não considerados insumos e fretes internos entre estabelecimentos Ratificado pelo julgador de piso, a fiscalização glosou despesas com fretes na aquisição de bens e serviços não considerados insumos, pois nos memoriais de cálculo apresentados pela contribuinte, ou extraídos da EFD Contribuições, a empresa incluiu bens e serviços que não encontram enquadramento no conceito de insumo. Tratam-se, na verdade, de despesas gerais de áreas diversas ou outros gastos operacionais, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Em sua defesa, alega a Recorrente que a fiscalização não aceitou a destinação dos insumos e a utilização dos serviços prestados no processo produtivo, mas a contribuinte sequer aponta quais insumos e serviços que julga terem sido indevidamente desconsiderados pela fiscalização. Daí, reitera o julgador de piso que ônus da prova é da contribuinte, cabendo a ela comprovar o seu direito creditório e que a prova deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. A fiscalização também efetuou a glosa de despesas de armazenagem e fretes internos entre estabelecimentos da pessoa jurídica por entender que é autorizado o crédito, somente, com o frete nas operações de venda, quando o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Em sua defesa, alega a Recorrente que os fretes internos tratam-se de frete na operações de venda, pois as vendas nem sempre são diretas, havendo necessidade de que os produtos ou mercadorias sejam transferidos ou remetidos para filiais ou centros de distribuição. Sendo assim, percebe-se da defesa da Recorrente que, de fato, não se tratam de fretes na operação de venda, mas de fretes internos entre estabelecimentos da contribuinte conforme alegou a fiscalização. Ratificando o acórdão recorrido, a glosa se deu por ausência de provas da efetividade das operações. Todavia, a demonstração da certeza e liquidez Fl. 939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 11 do crédito tributário é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar o direito pleiteado. Daí, se ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento, conforme inteligência do inciso VII, §3º do art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 3º- Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no §1º: VII- o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; Não há como afastar a regra contida nos art. 170 do CTN, impõe-se como imperioso a necessidade de comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário para validação da compensação do crédito tributário. Sobre os “fretes sobre vendas” de mercadorias está previsto o seu creditamento, desde que o ônus do seu pagamento for suportado pelo vendedor, conforme estabelece a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IX. Outrossim, também esclarece a fiscalização que ficou impossibilitada de examinar a natureza dos fretes internos, pois nas planilhas apresentadas pela contribuinte, não há especificação (segregação) dos fretes de produtos em elaboração realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica, conforme previsto no art. 172º, § 1º, inciso IX, IN RFB Nº 1911/2020. Não comprovando a Interessada que os dispêndios com fretes se enquadram nessas hipóteses, deve ser mantida a glosa. Por iguais razões acima exposta, ou seja, por ausência de comprovação de efetividade das operações, também mantenho hígidas as respectivas glosas Frete entre estabelecimentos de produtos acabados No que se refere as glosas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da cooperativa, tal questão não merece maiores digressões, merecendo aplicar ao tema a Súmula CARF nº 217: Fl. 940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 12 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Portanto, mantenho as glosas. Juros do imobilizado Foram glosados créditos referentes aos juros do imobilizado por entender o fiscal que a apropriação dos juros não se deu durante as fases de construção e pré-operacional, de modo que não faria jus aos créditos. Acertada foi a decisão da fiscalização. Da legislação em vigor, não há previsão legal para tomada de crédito sobre juros pagos ou incorridos como custo ou despesa operacional (art. 17 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977): Art 17 - Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Parágrafo único. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas: a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; b) os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e préoperacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. A redação do supracitado Decreto-Lei só foi alterada com a Lei nº 12.973/14 (sem modificação do caput): Art 17 - Os juros, o desconto (...) Fl. 941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 13 § 1º Sem prejuízo do disposto no art. 13 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas: (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, a correção monetária prefixada e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata tempore, nos exercícios sociais a que competirem; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) b) os juros e outros encargos, associados a empréstimos contraídos, especificamente ou não, para financiar a aquisição, construção ou produção de bens classificados como estoques de longa maturação, propriedade para investimentos, ativo imobilizado ou ativo intangível, podem ser registrados como custo do ativo, desde que incorridos até o momento em que os referidos bens estejam prontos para seu uso ou venda. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014). Portanto, ratificando o entendimento do julgador de piso, por ausência de previsão legal, juros sobre o ativo imobilizado não geram direito a crédito de PIS/COFINS. Bens do ativo imobilizado No relatório de fiscalização foram glosados créditos decorrentes de diversos itens pelo motivo de, segundo a fiscalização, não serem utilizados na atividade principal produtiva (hospedagens, viagens e refeições de técnicos, locações de caçambas para entulhos e despesas com cartório, limpeza, transporte de produtos acabados, veículos de passeio, câmeras de segurança, e edificações e benfeitorias de estação de tratamento de efluentes e do barracão da oficina mecânica, asfalto, prédios administrativos, lagoas, poços artesianos, rede de esgoto, entre outros). A Recorrente discorda da Autoridade Fiscal que “entendeu, com base no artigo 3°, VII, da Lei 10.833/2003, que o pleito creditório, especialmente quanto às benfeitorias, não se enquadra na atividade principal da empresa” e que “uma das glosas se refere à ampliação do tratamento de efluentes e outra da ampliação do barracão da oficina mecânica. Neste ponto, as glosas efetuadas sobre encargos de depreciação efetuados em relações as benfeitorias e as edificações em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, despesas com tratamento de efluentes já foram revertidas pelo julgador de piso. Fl. 942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 14 Todavia, manteve-se as glosas sobre os gastos com a ampliação do barracão da oficina mecânica. Entretanto, discordo do entendimento da fiscalização, a reversão da glosa tem amparo legal no artigo 3°, VII, da Lei 10.833/2003, e por isso, reverto a glosa referente a ampliação do barracão da oficina mecânica merece ser revertida. E por sua vez, por ausência de previsão legal, mantenho hígidas as glosas com a ampliação de tratamento de efluentes. Produtos Químicos Pela Fiscalização, houve a glosa e os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite (caminhões), silos e equipamentos industriais devem ser considerados insumos. Entretanto, o julgador de piso, ao reconhecer a essencialidade e relevância dos respectivos dispêndios, decidiu por reverter tais glosas. Neste recurso, a Recorrente insurge-se novamente contra as glosas que já foram revertidas pelo julgador de piso. Sendo assim, por ausência de interesse de agir, não conheço do pedido. Da Preclusão Consumativa Ademais, existem glosas que não foram especificamente impugnadas pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade. Sendo assim, por se tratar de inovação recursal, impugnadas, somente, neste recurso, deve-se aplicar os efeitos da preclusão consumativa sobre os pedidos, portanto, deixo de conhecer os seguintes tópicos: a) Material de Embalagens e Etiquetas para transporte: caixas de papelão, filme stretch, filme para fardo de leite, fita adesiva, entre outros; b) Peças em geral: Torneiras, saboneteiras, cadeados, materiais e ferramentaria diversos (martelos/serras/chaves), materiais diversos para laboratório, peças aplicadas na manutenção de veículos a, peças aplicadas em empilhadeiras, lâmpadas e etc; c) Material de Construção: Tintas, solventes, massa corrida, baldes de pedreiros, cimento, brita, tijolo, areia, arame, e etc; d) Aquisições de serviços que não se agregam ao produto como: segurança, limpeza e dedetização, manutenção de veículos, manutenção elétrica geral e telefonia, despesas com associações e fundos de pesquisas, além de educação e treinamento, pinturas, poços artesianos, Fl. 943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.909 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.903679/2014-57 15 manutenção de empilhadeiras e paleteiros, análises e testes, manutenção de ar-condicionado, lavagem de caminhões, hospedagens, entre outros; e) Outros itens: sabão, materiais de limpeza, janelas de tela móvel e fixa, pneus, e etc. Por fim, voto por conhecer em parte do presente Recurso, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reverter as glosas: (i) com fretes na aquisição de insumos (leite cru) contratados pela recorrente de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e relativos às aquisições de insumos não sujeitos à incidência das contribuições, desde que, em observância à Súmula CARF nº 188, tenham tais serviços (fretes) registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (ii) E despesas com encargos de depreciação de benfeitorias efetuadas em relação à ampliação do barracão da oficina mecânica. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer, em parte, do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reverter as glosas sobre (1) as despesas de fretes na aquisição de insumos (leite cru) contratados pela recorrente de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e relativos às aquisições de insumos não sujeitos à incidência das contribuições, desde que, em observância à Súmula CARF nº 188, tenham tais serviços (fretes) registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e (2) dos encargos de depreciação efetuados em relações as benfeitorias efetuadas na ampliação do barracão da oficina mecânica. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 944DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10835.725129/2019-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014, 2015
VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR. NÃO CONFISCATORIEDADE DE MULTAS.
O Princípio Constitucional do Não Confisco (Constituição, artigo 150, IV) é aplicável exclusivamente aos tributos, não se estendendo às penalidades. É possível cogitar-se da aplicação de uma noção de Não Confisco Genérico às penalidades, como decorrência da proteção constitucional ao direito de propriedade (Constituição, artigo 5º, XXII E 170, II), contudo apenas quando em face de um exagero irrecusavelmente exorbitante.
VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para afastar aplicação de multa com base em argumento de suposta violação aos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não-confisco. apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96).
NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 162
Nos termos da Súmula CARF nº 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento.
INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO REPRESENTANTE LEGAL (ADVOGADO) DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação - seja por qualquer meio - dirigida ao advogado do contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 110, cujos efeitos são vinculantes.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014, 2015
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42, L. 9.630/96. STF. CONSTITUCIONALIDADE. Configuram omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constitucionalidade do art. 42, da Lei nº 9.630/96, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Tema nº 842, da Repercussão Geral.
APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. FACTORING.
O regime de reconhecimento da receita auferida em operação de factoring convencional, sem regresso, deve ser o mesmo do desconto de títulos, ou seja, pro rata tempore. Isto significa que o reconhecimento contábil dos títulos adquiridos pelo seu custo de aquisição, com a apropriação das receitas na sua liquidação (e a consequente tributação pelo IRPJ e pela CSLL sobre a parcela do lucro auferido com estes resultados), se dará na proporção de seu efetivo recebimento. Somente desta maneira é que se obedece ao princípio contábil da competência dos exercícios, cujo cumprimento é obrigatório a todas as sociedades, bem como se afere a correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
LUCRO ARBITRADO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PERCENTUAL
Determina o art. 533 do RIR de 1999 ou art. 606 do RIR de 2018, que nas atividades caracterizadas como de instituições financeiras, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento.
PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITA OMITIDA. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que sua origem fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada como transferências entre contas da mesma titularidade, empréstimos tomados, estornos.
TROCA DE POSIÇÕES FINANCEIRAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO.
O princípio contábil da ENTIDADE significa que cada empresa possui patrimônio independente, mesmo se ambas têm o mesmo sócio, e quaisquer transações entre a E.N.S. e R.T.S devem seguir os procedimentos entre empresas independentes, não sendo admissível “realizaram, entre si, trocas de posições financeiras”, o que indica confusão patrimonial e irregularidade.
LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO
Correta a responsabilização solidária com base no art. 135, III do CTN, dada a constatação de que o dirigente de fato do grupo empresarial interpôs outra pessoa como sócio, que a Autuada desenvolveu atividade de factoring ou fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade caracterizada como de instituição financeira, sem autorização.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN.
Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração.
SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTADOR. IMPROCEDÊNCIA.
A exigência tributária com origem em irregularidades na escrituração, ainda que praticadas voluntária e conscientemente, não podem ser imputadas ao responsável pela escrituração se não restar comprovado nos autos que agiu à revelia dos representantes da pessoa jurídica.
MULTA QUALIFICADA.
A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude ou sonegação, devidamente caracterizado em procedimento fiscal.
INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa.
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 1202-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) afastar a responsabilidade tributária do Sr. Antonio Carlos Shiro Hachisuca; iii) manter a responsabilidade solidária de Wolney de Medeiros Arruda Filho; Grupo W Participações Ltda; Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda,; Foregon Com S/A, Plantae IF Fomento Comercial Ltda,; RTS Serviços e Cobranças Eireli, e: iv) reduzir de ofício para 100% (cem por cento) o percentual da multa qualificada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. Vencidos os Conselheiros André Luis Ulrich Pinto e Fellipe Honório Rodrigues da Costa que votaram por reduzir o percentual de arbitramento para 38.4% .
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os(a) julgadores(a) Maurício Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiróz e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nos termos do inciso III, do art. 58, do RICARF, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Cãmara da 1ª Seção do CARF, Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, designou-se redator 1202 para formalizar o presente acórdão, dado que o relator original Conselheiro Roney Sandro Freire Correa não mais integra a turma.
Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridos pelo relator original no diretório oficial do CARF, e aqui reproduzidas.
Nome do relator: RONEY SANDRO FREIRE CORREA
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O Princípio Constitucional do Não Confisco (Constituição, artigo 150, IV) é aplicável exclusivamente aos tributos, não se estendendo às penalidades. É possível cogitar-se da aplicação de uma noção de Não Confisco Genérico às penalidades, como decorrência da proteção constitucional ao direito de propriedade (Constituição, artigo 5º, XXII E 170, II), contudo apenas quando em face de um exagero irrecusavelmente exorbitante. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para afastar aplicação de multa com base em argumento de suposta violação aos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não-confisco. apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96). NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 162 Nos termos da Súmula CARF nº 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO REPRESENTANTE LEGAL (ADVOGADO) DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação - seja por qualquer meio - dirigida ao advogado do contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 110, cujos efeitos são vinculantes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42, L. 9.630/96. STF. CONSTITUCIONALIDADE. Configuram omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constitucionalidade do art. 42, da Lei nº 9.630/96, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Tema nº 842, da Repercussão Geral. APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. FACTORING. O regime de reconhecimento da receita auferida em operação de factoring convencional, sem regresso, deve ser o mesmo do desconto de títulos, ou seja, pro rata tempore. Isto significa que o reconhecimento contábil dos títulos adquiridos pelo seu custo de aquisição, com a apropriação das receitas na sua liquidação (e a consequente tributação pelo IRPJ e pela CSLL sobre a parcela do lucro auferido com estes resultados), se dará na proporção de seu efetivo recebimento. Somente desta maneira é que se obedece ao princípio contábil da competência dos exercícios, cujo cumprimento é obrigatório a todas as sociedades, bem como se afere a correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL. LUCRO ARBITRADO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PERCENTUAL Determina o art. 533 do RIR de 1999 ou art. 606 do RIR de 2018, que nas atividades caracterizadas como de instituições financeiras, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITA OMITIDA. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que sua origem fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada como transferências entre contas da mesma titularidade, empréstimos tomados, estornos. TROCA DE POSIÇÕES FINANCEIRAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO. O princípio contábil da ENTIDADE significa que cada empresa possui patrimônio independente, mesmo se ambas têm o mesmo sócio, e quaisquer transações entre a E.N.S. e R.T.S devem seguir os procedimentos entre empresas independentes, não sendo admissível “realizaram, entre si, trocas de posições financeiras”, o que indica confusão patrimonial e irregularidade. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO Correta a responsabilização solidária com base no art. 135, III do CTN, dada a constatação de que o dirigente de fato do grupo empresarial interpôs outra pessoa como sócio, que a Autuada desenvolveu atividade de factoring ou fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade caracterizada como de instituição financeira, sem autorização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN. Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTADOR. IMPROCEDÊNCIA. A exigência tributária com origem em irregularidades na escrituração, ainda que praticadas voluntária e conscientemente, não podem ser imputadas ao responsável pela escrituração se não restar comprovado nos autos que agiu à revelia dos representantes da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude ou sonegação, devidamente caracterizado em procedimento fiscal. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa. RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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SOCIEDADE SIMPLES LTDA - RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: WOLNEY DE MEDEIROS ARRUDA FILHO, ANTÔNIO CARLOS SHIRO HACHISUCA, GRUPO W PARTICIPAÇÕES LTDA, GRUPO WAF IMÓVEIS, PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, FOREGON COM S/A, PLANTAE IF FOMENTO COMERCIAL LTDA, RTS SERVIÇOS E COBRANÇAS EIRELI. FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014, 2015 VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR. NÃO CONFISCATORIEDADE DE MULTAS. O Princípio Constitucional do Não Confisco (Constituição, artigo 150, IV) é aplicável exclusivamente aos tributos, não se estendendo às penalidades. É possível cogitar-se da aplicação de uma noção de Não Confisco Genérico às penalidades, como decorrência da proteção constitucional ao direito de propriedade (Constituição, artigo 5º, XXII E 170, II), contudo apenas quando em face de um exagero irrecusavelmente exorbitante. Fl. 11070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 2 VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para afastar aplicação de multa com base em argumento de suposta violação aos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não-confisco. apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96). NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 162 Nos termos da Súmula CARF nº 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO REPRESENTANTE LEGAL (ADVOGADO) DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação - seja por qualquer meio - dirigida ao advogado do contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 110, cujos efeitos são vinculantes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42, L. 9.630/96. STF. CONSTITUCIONALIDADE. Configuram omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constitucionalidade do art. 42, da Lei nº 9.630/96, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Tema nº 842, da Repercussão Geral. APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. FACTORING. O regime de reconhecimento da receita auferida em operação de factoring convencional, sem regresso, deve ser o mesmo do desconto de títulos, ou seja, pro rata tempore. Isto significa que o reconhecimento contábil dos títulos adquiridos pelo seu custo de aquisição, com a apropriação das receitas na sua liquidação (e a consequente tributação pelo IRPJ e pela CSLL sobre a parcela do lucro auferido com estes resultados), se dará na proporção de seu efetivo recebimento. Somente desta maneira é que se Fl. 11071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 3 obedece ao princípio contábil da competência dos exercícios, cujo cumprimento é obrigatório a todas as sociedades, bem como se afere a correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL. LUCRO ARBITRADO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PERCENTUAL Determina o art. 533 do RIR de 1999 ou art. 606 do RIR de 2018, que nas atividades caracterizadas como de instituições financeiras, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITA OMITIDA. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que sua origem fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada como transferências entre contas da mesma titularidade, empréstimos tomados, estornos. TROCA DE POSIÇÕES FINANCEIRAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO. O princípio contábil da ENTIDADE significa que cada empresa possui patrimônio independente, mesmo se ambas têm o mesmo sócio, e quaisquer transações entre a E.N.S. e R.T.S devem seguir os procedimentos entre empresas independentes, não sendo admissível “realizaram, entre si, trocas de posições financeiras”, o que indica confusão patrimonial e irregularidade. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 11072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 4 Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO Correta a responsabilização solidária com base no art. 135, III do CTN, dada a constatação de que o dirigente de fato do grupo empresarial interpôs outra pessoa como sócio, que a Autuada desenvolveu atividade de factoring ou fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade caracterizada como de instituição financeira, sem autorização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN. Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTADOR. IMPROCEDÊNCIA. A exigência tributária com origem em irregularidades na escrituração, ainda que praticadas voluntária e conscientemente, não podem ser imputadas ao responsável pela escrituração se não restar comprovado nos autos que agiu à revelia dos representantes da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude ou sonegação, devidamente caracterizado em procedimento fiscal. Fl. 11073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 5 INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa. RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) afastar a responsabilidade tributária do Sr. Antonio Carlos Shiro Hachisuca; iii) manter a responsabilidade solidária de Wolney de Medeiros Arruda Filho; Grupo W Participações Ltda; Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda,; Foregon Com S/A, Plantae IF Fomento Comercial Ltda,; RTS Serviços e Cobranças Eireli, e: iv) reduzir de ofício para 100% (cem por cento) o percentual da multa qualificada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. Vencidos os Conselheiros André Luis Ulrich Pinto e Fellipe Honório Rodrigues da Costa que votaram por reduzir o percentual de arbitramento para 38.4% . Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os(a) julgadores(a) Maurício Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiróz e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Nos termos do inciso III, do art. 58, do RICARF, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Cãmara da 1ª Seção do CARF, Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, designou-se redator Fl. 11074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 6 1202 para formalizar o presente acórdão, dado que o relator original Conselheiro Roney Sandro Freire Correa não mais integra a turma. Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridos pelo relator original no diretório oficial do CARF, e aqui reproduzidas. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 06-69.050, prolatado pela 9ª Turma da DRJ/CTA, contra o contribuinte supracitado, bem como os seguintes responsáveis solidários tributários: Wolney de Medeiros Arruda Filho, CPF 249.786.418-70; Antônio Carlos Shiro Hachisuca, CPF nº 121.181.238-33; Grupo W Participações Ltda, CNPJ 18.129.392/0001-59; Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 21.778.309/0001-87; Foregon Com S/A, CNPJ 04.100.845/0001-00; Plantae IF Fomento Comercial Ltda, CNPJ 02.526.976/0001-28; RTS Serviços e Cobranças Eireli, CNPJ 15.726.911/0001-78. Ademais, foram constituídos os seguintes créditos tributários: I) Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no montante de R$ 9.516.201,65 devido às infrações: a) Omissão de Receita por Presunção Legal Infração: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada (item II – INFRAÇÕES APURADAS “b) Omissão de receitas de depósitos de origem e causa não comprovados”, do Relatório de Fiscalização) de 31/10/2014 até 31/12/2016; base legal no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c o art. 537, do RIR de 1999; b) Arbitramento do Lucro, Receita Bruta mensal auferida por Instituição Financeira (item II-INFRAÇÕES APURADAS, “a) Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, do Relatório de Fiscalização), de 31/10/2014 até 30/12/2015, base legal no art. 3º da Lei nº 9.149, d e1995, arts. 531 e 533 do RIR de 1999; II) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, R$ 4.443.550,57, devido às mesmas infrações; base legal art. 2º da Lei nº Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990; art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, e 24, § 2º, com as alterações pelo art. 29 da Lei nº 11.941, de 2009; art. 29, I, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e 3º, I com a redação pelo art. 1º da Lei nº 13.169, de 2015; art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715, de 2012; III) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, R$ 3.400.844,96, no regime incidência cumulativa padrão: a) relativa à infração Omissão de Receita Fl. 11075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 7 (item II-INFRAÇÕES APURADAS, “a) Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, do Relatório de Fiscalização), de 31/10/2014 até 30/12/2015; b) Omissão de Receita por Presunção Legal Infração: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada (item II – INFRAÇÕES APURADAS “b) Omissão de receitas de depósitos de origem e causa não comprovados”, do Relatório de Fiscalização) de 31/10/2014 até 31/12/2016; base legal no art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 18 da Lei nº 10.684, de 2003; art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, com as alterações do art. 41 da Lei nº 11.196, de 20056 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995, com as alterações pelo art. 29 da Lei nº Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; V) Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, no valor de R$ 552.637,21, no regime incidência cumulativa padrão: a) relativa à infração Omissão de Receita (item II-INFRAÇÕES APURADAS, “a) Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, do Relatório de Fiscalização), de 31/10/2014 até 30/12/2015; b) Omissão de Receita por Presunção Legal Infração: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada (item II – INFRAÇÕES APURADAS “b) Omissão de receitas de depósitos de origem e causa não comprovados”, do Relatório de Fiscalização) de 31/10/2014 até 31/12/2016; base legal no art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2º, I, e 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998; art. 1º da Medida Provisória n 1.807, de 1999; art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995, com as alterações pelo art. 29 da Lei nº Lei nº 11.941, de 2009; art. 79, da Lei nº 11.941, de 2009; art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, pelo art. 41 da Lei nº 11.196, de 2005 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945, de 2009; VI) Multa regulamentar de R$ 850.211,26 devido ao descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação da Escrituração Contábil Digital - ECD; fato gerador em 25/09/2019, base legal Art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999; art. 11 da Lei n° 8.218, de 1991, com redação dada pela MP n° 2.158-35, de 2001; art. 12, III, da Lei n° 8.218, de 1991, com redação dada pelo art. 4º da Lei n° 13.670, de 2018. Em síntese, foram lavrados os autos de infrações que consideraram, indevidamente, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, constituindo crédito tributário, a título de IRPJ, além de CSSL, PIS, COFINS, relativos aos períodos de apuração de 10/2014 a 12/2016. Após o julgamento de piso, restaram os seguintes valores: IRPJ R$ 8.649.180,36 CSLL R$ 4.073.621,49 COFINS R$ 3,092.570,72 Fl. 11076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 8 PIS R$ 502.542,65 Multa Regulamentar R$ 850.211,26 A recorrente, bem como os responsáveis, fora cientificada, conforme datas determinadas na tabela abaixo: Contribuinte/Responsável Data da Intimação do Acórdão Recorrido E.N.S. SOCIEDADE SIMPLES 17.03.2020 Antônio Carlos Shiro Hachisuca 26.03.2020 Wolney de Medeiros Arruda Filho 26.03.2020 Grupo W Participações Ltda 27.03.2020 Grupo WAF Imo., Part. e Empreend. 27.03.2020 Foregon Com S/A 27.03.2020 Plantae IF Fomento Comercial Ltda 27.03.2020 RTS Serviços e Cobranças Eireli 27.03.2020 Destaca-se, inicialmente, que por força das restrições impostas pela COVID-19, a administração pública federal se viu obrigada a reorganizar os seus procedimentos internos, determinando o Secretário Especial da Receita Federal do Brasil, através das Portarias RFB nº 457, 543 (de 20/03/2020), 936 (29/05/2020), 1.087 (30/06/2020) e, finalmente, 1.405 (30/07/2020). a suspensão dos prazos para prática de atos processuais no âmbito da RFB, até o dia 31 de agosto de 2020, oportunidade em que o prazo processual foi retomado. Preliminarmente, a recorrente alega o seu cerceamento de defesa, em razão do julgamento de piso ter promovido a coleta de informações relativas às empresas inseridas na autuação e utilizado em sua decisão, sem respeitar o procedimento previsto nos artigos 18, § 1º e 59, inciso II da norma regulamentadora deste processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972). Na sequência, alega a “falta de motivo, do desvio de finalidade e da ofensa à impessoalidade na instauração da fiscalização” , dispondo sobre o interesse público, finalidade primordial da administração pública, alegando que o verdadeiro motivo para a instauração desta ação fiscal não foi a inadequação do regime tributário eleito pela Autuada, mas a intenção de atingir empresas e pessoas e estruturar, entre eles, grupo empresarial inexistente, utilizando-se de procedimento fiscal apenas para sedimentar tal objetivo. e assevera que: Fl. 11077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 9 “Isso revela, com a devida segurança, que a fiscalização já dispunha de informações relativas à Recorrente antes mesmo do início da ação fiscal, embora não as tenha apresentado por ocasião da lavratura do auto de infração. E não é só: a existência de um conjunto paralelo de documentos e informações demonstra que o procedimento administrativo apenas serviu à fiscalização para concretizar intenção preexistente, conferindo ares de regularidade à atuação claramente arquitetada, o que é completamente inadmissível. Daí a afirmação de desvio de finalidade e pessoalidade da ação fiscal, bem como a inexistência do motivo utilizado para instaurá-la (discrepância entre a “suposta” atividade exercida pela empresa e o regime tributário por ela escolhido).” Em outro ponto, menciona a recorrente sobre “a ofensa à ampla defesa pela falta de apresentação, nestes autos, dos termos de diligência fiscais expedidos a terceiros”, diz que no rol de nulidades produzidas pela fiscalização esta escondeu os termos de notificações expedidas a terceiros e suas respostas. Alega que a fiscalização deixou de juntar o resultado de diligências imprescindíveis à adequada compreensão da controvérsia, como as respostas ofertadas pela indústria Dibel Ltda. e pelo Sr. Paulo Umbelino Correia, cuja diligência, inclusive, chegou-se a romper com o sigilo fiscal deste último. E que as provas ocultadas nestes autos, acabaram sendo apresentadas no procedimento administrativo da acusação realizada em desfavor da empresa R.T.S. SERVIÇOS E COBRANÇAS EIRELI (nº 10835-726.977/2019-18), revelando a verdade que se sempre omitiu e que trouxe imenso prejuízo à defesa da Autuada. Na sequência, quanto ao item “Do indeferimento à diligência de obtenção de cópia integral de procedimento fiscal anterior e a ofensa à ampla defesa”, a Recorrente pleiteou que fosse determinada a juntada aos autos da cópia integral do procedimento administrativo fiscal nº 0810500-2016-00004-6, utilizado pela fiscalização para angariar provas à autuação. Com efeito, o referido procedimento administrativo diz respeito à primeira fiscalização realizada pela administração tributária federal em relação à Recorrente, tendo sido encerrado sem a lavratura de qualquer auto de infração, muito embora a Recorrente não tenha tido acesso a qualquer ato, despacho ou decisão que tenha homologado tal encerramento. Por esta razão, a defesa da Recorrente entende absolutamente necessário que venham aos autos tais atos decisórios para se confrontar o entendimento manifestado pela mesma Delegacia Tributária sobre os mesmos fatos, inclusive contendo período comum. Apesar da pertinência da medida, o requerimento foi negado pela primeira instância sob o argumento de que as informações solicitadas encontrar-se-iam nestes autos nas fls. 5.427/5778. Fl. 11078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 10 Quanto ao item “Da quebra de sigilo fiscal em hipótese não autorizada e o acesso a informações vedadas pela própria RFB”, a recorrente alega a ilegalidade da quebra do sigilo fiscal ocorrida nos autos. Alega que, em processo instaurado, a fiscalização promoveu o rompimento da garantia constitucional ao sigilo fiscal do Sr. Everaldo do Nascimento Silva, trazendo aos autos as suas declarações de imposto de renda de 2014 a 2019, o histórico de seus vínculos profissionais e CNIS. Do mesmo modo, a administração tributária acessou a declaração de imposto de renda de terceiro interessado (Sr. Paulo Umbelino Correia), bem como de Wolney de Medeiros Arruda, Wolney de Medeiros Arruda Filho e Beatriz Lebrão Arruda. Quanto ao aspecto meritório, inicia com o tópico: “alerta quanto à impossibilidade de se modificar o critério jurídico do lançamento”, alegando que, em razão da fiscalização ter qualificado às operações realizadas pela Autuada como desconto financeiro, viu-se obrigada a tributá-las de acordo com as regras aplicáveis às instituições financeiras, ensejando distorções em relação à base de cálculo do IRPJ e às alíquotas da CSLL e COFINS. Cita acórdãos do CARF, apontando que no lançamento tributário, em havendo equívoco na subsunção da norma geral e abstrata ao evento, torna-se obrigatória a anulação do auto de infração. Na sequência, quanto à “natureza jurídica das operações realizadas pela contribuinte”, a recorrente cita o art. 17 da Lei nº 4502/64, que apenas estabelece o conceito de instituição financeira pelas atividades que realiza (coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, próprios ou de terceiros, e a custódia de valor de propriedade de terceiros), de modo que a fiscalização não aponta qualquer coleta, intermediação, aplicação ou mesmo a custódia de valores de outras pessoas que não a própria sociedade, quando se autorizaria à conclusão mencionada; e que somente são reconhecidas como instituição financeira as que oficialmente assim se qualifiquem, mediante autorização do Banco Central do Brasil (critério formal), ou aquelas que realizarem as atividades que assim a qualifiquem (critério material), discriminadas no art. 17 da Lei 4.595, de 1964 ou 1º da Lei da Lei nº 7.492, de 1986. Ademais, acrescenta que a fiscalização qualificou à operação realizada pela recorrente como desconto bancário e, pois, privativa de instituição financeira, pelo simples fato de os clientes assumirem a responsabilidade pela solvência dos títulos cedidos, demonstrando desconhecimento em relação ao negócio jurídico analisado, à luz do parecer elaborado pelo doutrinador Fábio Ulhoa Coelho. Quanto ao item “Da ausência de norma para a utilização da base de cálculo do lucro arbitrado relativo às instituições financeiras e os seus reflexos em relação ao IRPJ”, a recorrente alega ser impossível utilizar o coeficiente de 45% para o arbitramento da base de cálculo, porque o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, faz expressa referência ao inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 1995, porém este art. 36 foi revogado pelo art. 18 da Lei nº Fl. 11079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 11 9.718, de 1998; o art. 16 c/c p art. 15, § 1º, III, “d” da Lei nº 9.249 de 1995, prevê 32% acrescidos de 20%, isto é, 38,4% de lucro arbitrado para a atividade de faturização, factoring ou desconto mercantil; também que o arbitramento se deveu a dois motivos: não apresentação dos livros e escrituração contábil/fiscal e/ou livro Caixa, e porque teria optado indevidamente pelo lucro presumido, mas que sua atividade não a obrigava ao lucro real. O julgamento de piso entendeu que o artigo 36 teria sido substituído pelo artigo 14, inciso II, da própria Lei nº 9.718/98. Para subsidiar tal interpretação, o julgamento ainda menciona que o critério adotado teria previsão no artigo 533 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, alegado como revogado. Suscita que a utilização de decreto para subsidiar o reconhecimento de determinada base de cálculo, quando a própria lei seja omissa em tal aspecto, é completamente desacertado e a Constituição Federal e o próprio Código Tributário Nacional impedem a utilização de expedientes diversos da lei para a fixação da base de cálculo. No item “Dos reflexos à qualificação das operações de fomento mercantil como privativas de instituição financeira nas alíquotas da CSLL e da COFINS”, diz que, em que pese as operações realizadas pela Recorrente constituem claramente fomento mercantil, a aplicação das alíquotas de 20% (vinte por cento) para a CSLL e 4% para a COFINS, como se instituição financeira fosse, constitui vício material de lançamento, devendo ser canceladas. No item “Da manifesta contradição e incoerência entre a qualificação da Autuada como “instituição financeira” e, por conseguinte, a fixação da base de cálculo da CSLL segundo o critério das empresas de fomento mercantil”, a recorrente alega que tal alegação se faz em caráter subsidiário (residual), na hipótese de não serem acolhidos os argumentos relativos ao erro da qualificação das operações realizadas como privativas de instituição financeira. Alega que a própria legislação impede que a autoridade administrativa requalifique juridicamente o fato dentro do mesmo lançamento, submetendo-o a consequências fiscais completamente distintas, como no caso em exame, que desqualificou às operações realizadas como simples fomento mercantil e submeteu-as à tributação das instituições financeiras. Quanto ao item “Dos depósitos bancários e a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96”, a recorrente alega que a autoridade fiscal desconsiderou às informações prestada e tributou às operações, ignorando a comprovação da origem dos recursos. Quanto ao item “Da redução da “receita bruta conhecida”, a fiscalização tributou inúmeros lançamentos bancários presumindo tratar-se de (i) receitas de depósitos de origem e causas não comprovados, bem como (II) receitas de operações de desconto de títulos de crédito, contidas nos Anexos I, II e III do auto de infração. Alega ainda, que algumas destas operações foram devidamente excluídas pela decisão administrativa anterior, enquanto outras sequer foram analisadas, mesmo com os Fl. 11080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 12 extratos bancários evidenciando a devolução dos cheques depositados, o que urge ser reanalisado. No item “Da aplicação de multa qualificada”, afirma que as condutas descritas pela recorrente não passaram de presunções e ficções, também não conformam os requisitos necessários para a majoração da penalidade. No caso dos autos, as conclusões fazendárias não possuem um mínimo de lastro probatório, sequer estabelecendo ao menos a verdade que se diz conhecida. Neste aspecto, a mera indicação da atividade principal do Sr. Everaldo do Nascimento Silva não afasta a possibilidade de ser sócio de qualquer empresa, nem permite a conclusão da nulidade de tal ato, caso venha a sê-lo. Neste particular, importante esclarecermos que a ENS foi constituída em 10 de abril de 2001, para a atividade de cobrança de títulos de terceiros, tendo como sócio Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e o Sr. Ricardo de Souza. Na data de 15 de maio de 2012, o Sr. Wolney se retirou da sociedade, nela ingressando o Sr. Everaldo Nascimento Silva, mesmo oportunidade em que se promoveu a alteração do endereço empresarial. A despeito da previsão contratual a respeito, quem a administrava de fato era o Sr. Ricardo de Souza, especialmente pelos longos anos na própria atividade, o que nunca foi empecilho entre as próprias partes interessadas. Fato é que, desde a sua retirada, o Sr. Wolney Filho nunca mais não praticou mais qualquer ato pela sociedade ou em seu favor, não interferindo em suas decisões ou mesmo nas transações que realizava, o que, aliás, fica evidenciado pela ausência de qualquer prova demonstrando tal atuação. Aliás, custa a crer que a incisiva – muitas vezes constrangedora – atuação da administração fazendária, não tenha sequer um e-mail, uma anotação, um contrato ou qualquer elemento razoável que coloque o Sr. Wolney Filho no palco dos fatos. Neste ponto, à exceção do contrato social que comprova a sua saída da atividade empresarial, não há qualquer elemento de prova, nem sequer indiciário, que o vincule à E.N.S. SOCIEDADE SIMPLES LTDA. e que autorize a conclusão fazendária acerca da sonegação, fraude ou conluio, como justificativas para a dobra da penalidade. A propósito, a Recorrente não está, de modo algum, a defender interesse de terceiros, no caso o de Wolney de Medeiros Arruda Filho, o que sequer poderiam fazê-lo, ante a ausência de legitimidade para tanto (arts. 17 e 18, NCPC). É que a sua suposta titularidade das quotas sociais foi utilizada como fundamento da imposição da penalidade qualificada, apesar da inexistência de qualquer elemento probatório hábil a justificar tal pretensão. Do mesmo modo, a utilização de imagem obtida através do Google Earth como método de comprovação da suposta falta de capacidade financeira do Sr. Everaldo em ser titular das quotas de sociedade até então prestadora dos serviços de cobrança, revela a insistente arte do nobre auditor fiscal em praticar constrangimentos. Nada além disso. Primeiro porque a imagem utilizada está completamente desatualizada, o que facilmente poderia ser percebido pela fiscalização caso Fl. 11081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 13 tivesse se dirigido ao local, distante poucos quarteirões da Delegacia da Receita Federal de Presidente Prudente. Segundo porque o imóvel nela constante nunca constitui a residência do Sr.Everaldo, construída em alvenaria nos fundos do mesmo terreno, o que, de resto, foi confirmado pelo próprio relatório de notas fiscais confeccionado pela fiscalização às fls. 8653 (Rua Alfândega, nº 75 – fundos). Ademais, tratando-se, como dito, de empresa inicialmente prestadora de serviços de cobranças de títulos emitidos por terceiros, não se exigia dos sócios capacidade econômico- financeira de relevo, suficiente para afastar presunção de simulação de quadro societário. Neste aspecto, é importantíssimo observar que a fiscalização apenas qualifica o Sr. Everaldo como “laranja”, nada dizendo em relação ao outro sócio, Sr. Ricardo de Souza, integrante do quadro societário desde o início da referida empresa e indiscutivelmente qualificado tanto para administrar uma simples empresa de cobrança quanto a faturizadora que a veio a converter-se. Esclareça- se, quanto a isso, que o Sr. Ricardo de Souza possui duas graduações (Administração de Empresas e Ciências Contábeis), além de pós-graduação em Controladoria e Gestão Financeira, (...) Noutro giro, destaca-se do TVF, que a imputação da qualificadora se deu pelos seguintes motivos: O sujeito passivo E.N.S. Sociedade Simples Ltda, por meio do real sócio administrador Wolney de Medeiros de Arruda Filho, agiu dolosamente na sonegação, fraude e conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, mediante as condutas de: a) Colocar a empresa em nome da interposta pessoa Everaldo do Nascimento Silva (sócio administrador), que trabalhava como motorista na Master Guincho. b) Não oferecer à tributação as vultosas receitas das operações de desconto de direitos creditórios. c) Omitir à tributação as vultosas receitas de depósitos bancários de origem não comprovada. d) Não declarar em DCTF os tributos devidos. e) Não declarar no SPED ECF (Escrituração contábil fiscal) e SPED Contribuições as receitas auferidas e os débitos devidos. f) Deixar de transmitir à base do SPED a ECD (Escrituração contábil digital) e deixar de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil devidamente validados. g) Deixar de apresentar os contratos que amparam as operações de desconto de direitos creditórios. Fl. 11082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 14 h) Ocultar a movimentação de vultosos recursos entre a empresa operacional Plantae If e a E.N.S. i) Ocultar o desvio de vultosos recursos da E.N.S. para a empresa patrimonial Grupo WAF (empresa em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho), em prejuízo do recolhimento de tributos. j) Ocultar o pagamento das despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. k) Modificar diversas páginas dos processos judiciais da E.N.S. fornecido à RFB visando claramente omitir a atuação do empregado da Plantae If, Nungesses Zanetti Filho, na administração da E.N.S. l) Deixar de comprovar individualmente o beneficiário e causa de vultosos pagamentos5, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes da sonegação e fraude fiscal. m) Deixar de apresentar as notas fiscais e documentos equivalentes comprobatórios das despesas da E.N.S.6, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes de sonegação e fraude fiscal. n) A Plantae If usar a E.N.S. para realização das operações das operações de desconto de direitos creditórios e depósitos bancários de origem não comprovada com omissão de receitas. Assim, demonstrada a sonegação, fraude e conluio, pela prática dos atos descritos acima, acrescido ao relevante fato da utilização de interposta pessoa no quadro societário da E.N.S. e a ocultação de vultosos recursos desviados direta ou indiretamente a favor do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos, é cabível a aplicação da multa qualificada pela omissão de receitas das operações de desconto de títulos de crédito e de depósitos de origem e causa não comprovados. Assim, alega a recorrente que, ausente qualquer ação deliberada e intencional, individual ou conjunto, ainda que tentada, que visasse impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária, ou impedisse ou retardasse a ocorrência do fato gerador, a sua exclusão ou modificação dos seus elementos, exigiria o cancelamento da penalidade qualificada contida no auto de infração. No item “Da Acusação de Existência de Grupo Econômico”, sobre a conclusão fiscal de que se trata de grupo econômico formado pela empresa operacional Plantae IF, que declarava e recolhia tributos, as empresas de fachada E.N.S. e R.T.S., as empresas patrimoniais Grupo WAF e Grupo W, e a operacional Foregon.com, que seriam todas beneficiárias ocultas de vultosos recursos desviados da E.N.S. e R.T.S., afirma que se trata de ilação fazendária, haja vista que a fiscalização não articula a satisfação dos requisitos do art. 50 do Código Civil, com as alterações pela Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, que regulamentaria o art. 116, parágrafo único do CTN e embasaria a atuação; que o legislador elencou dois requisitos básicos para a Fl. 11083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 15 desconsideração da personalidade jurídica: o desvio de finalidade ou confusão patrimonial, e afirma que apenas este último reclama consideração, ante a inexistência de qualquer argumentação fazendária em relação ao primeiro e aduz que não há nos autos, qualquer evidência em relação a nenhum dos requisitos da lei, pelo contrário, a acusação se funda no suposto desvio de recursos da E.N.S. em favor de terceiros, sem qualquer correspondência em provas, o que não justifica a desconsideração da personalidade jurídica, que várias informações dos circularizados, evidenciam a total separação entre as empresas, desde a contratação, o pagamento e, especialmente, o recebimento dos valores relativos a cada operação, sem qualquer artificialidade ou confusão. No item “Da insistência nas diligências requeridas anteriormente”, a recorrente alega que as razões arguidas pelo julgamento anterior para o indeferimento das diligências requeridas pela Recorrente não se confirmam, na medida em que a contribuinte não teve acesso às provas por ela requeridas, ao contrário do afirmado. Neste particular, a Recorrente não teve acesso atos, informações e conclusões a respeito da auditoria fiscal realizada no procedimento nº 0810500-2016-00004-6, do qual foram retirados alguns documentos para subsidiar o auto de infração em análise, o que justifica o interesse da Recorrente na obtenção das referidas cópias. Do mesmo modo, é imprescindível que se converta o julgamento em diligência para o fim de que seja juntado aos autos o extrato de acesso ao procedimento fiscal mencionado acima, do qual só teve conhecimento durante a fiscalização e dele retirou provas que instruem ao presente processo, medida que se justifica para comprovarmos que o agente público dela só tomou conhecimento ao conversar com o contador desta contribuinte, após instaurar a presente fiscalização. No item “Da apresentação de provas nesta oportunidade”, a recorrente suscita a verdade material, de modo que os documentos acostados nesta oportunidade se destinam apenas ao esclarecimento de itens sequer analisados pelo julgamento anterior, demonstrando a complementariedade de tal instrução, voltada unicamente a reforçar a verdade material dos fatos em análise. Quanto ao item “Da resolução favorável da controvérsia em relação ao contribuinte, em caso de empate”, a recorrente pleiteia, havendo empate em relação a qualquer item, que seja proclamado resultado favorável ao contribuinte, nos termos do novel artigo 19-E da Lei nº 10.522/02. E protesta, ao final, que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado ou reduzindo-o conforme acima apontado e que seja deferidas as diligências acima requeridas. Dos responsáveis solidários, fls. 9.532/9.575, constam as seguintes razões recursais: Fl. 11084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 16 a. Antônio Carlos Shiro Hachisuca, CPF nº 121.181.238-33; base legal no art. 135, II do Código Tributário Nacional - CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; b. Foregon Com S/A, CNPJ 04.100.845/0001-00, com base no art. 124, I do CTN; c. Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 21.778.309/0001-87, com base no art. 124, I do CTN; d. Wolney de Medeiros Arruda Filho, CPF 249.786.418-70, base legal no art. 135, III do CTN; e. Grupo W Participações Ltda, CNPJ 18.129.392/0001-59, com base no art. 124, I do CTN; f. Plantae IF Fomento Comercial Ltda, CNPJ 02.526.976/0001-28, com base no art. 124, I do CTN; g. RTS Serviços e Cobranças Eireli, CNPJ 15.726.911/0001-78, com base no art. 124, I do CTN. a. Recurso Voluntário de Antônio Carlos Shiro Hachisuca; Apresentada tempestivamente em 26.06.2020, fls. 10448 a 10488, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário. A autoridade fiscal sustenta que o mesmo é sócio da Plantae If; contador responsável pela empresa operacional, Plantae If, e pelas empresas E.N.S. e R.T.S.; tendo omitido as receitas nas declarações do SPED Contribuições e SPED ECF, e omitido os débitos devidos na DCTF das empresas E.N.S. e R.T.S, conforme tabela elaborada: Fl. 11085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 17 Assim sendo, pelo fato de Antônio Carlos Shiro Hashisuca ter realizado atos com excesso de poderes ou infração de lei, pondo em execução a sonegação, fraude e conluio, este deve responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, II, do CTN. Irresignado, argui a nulidade dos autos e consequentemente do termo de solidariedade, dada a ausência de termo de início de fiscalização (TIF), relativo ao ora recorrente e o uso consequentemente indevido, pela autoridade fiscal, de suas informações protegidas por sigilo fiscal, em violação dos seus direitos, art. 5º, X e XII da CF de 1988, sem preencher os requisitos estabelecidos pela Lei Complementar nº 102, de 2001, art. 6º. Explica que, se tivesse sido intimado, poderia ter prestado as informações necessárias, porém a autoridade fiscal quebrou seu sigilo fiscal, sem instaurar procedimento de fiscalização, conforme o Decreto nº 3.724, de 2001, art. 2º (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal -TDPF) e Portaria nº 6.478, de 2017. E ainda nulidade, devido à aplicação de multa que acusa de confiscatória, violando o art. 150, IV da CF de 1988, haja vista que em momento algum restou demonstrada a tipificação da sua conduta, relativamente aos tipos penais veiculados pela Lei n.º 4.502, de 1964; e invoca o art. 5º, XLV da CF, de 1988, e a Súmula CARF nº 14 e julgados do STF. Advoga a ausência de sua responsabilidade, e não lhe é aplicável o art. 135, III do CTN, vez que inexistiu qualquer ato, praticado pelo mesmo, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 11086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 18 Por fim, requer que seja determinada a imediata realização de diligência, para que sejam acostados aos autos do presente feito, todos os registros de entrega das declarações fiscais, recepcionadas pela Receita Federal do Brasil, oriundas do equipamento de MAC Address EC-A8- 6B-B8-BD-C7, para que fique demonstrada a ausência de intenção de fraude. Requer, outrossim, que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, anulando-se o auto de infração e o termo de solidariedade, lavrados contra o ora Recorrente, em razão dos vícios antes apontados, ou, caso assim não se entenda, seja determinada a sua exclusão, relativamente ao auto de infração lavrado contra a ENS Sociedade Simples Ltda., em razão da inexistência de solidariedade, entre a Autuada e o ora Recorrente, nos termos acima demonstrados. Requer, finalmente, o Recorrente, que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, além de destinadas ao próprio Recorrente, sejam endereçadas e veiculadas, inclusive na imprensa, em nome do Dr. Marcio Pestana - OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda - OAB/SP 182.081-A, ambos com escritório na Avenida São Gabriel, nº 333 – 18º Andar – Conjunto 181, São Paulo - Capital. b. Recurso Voluntário de Foregon Com S/A A Recorrente, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 26.06.2020. Alega a fiscalização, que o sujeito passivo solidário Foregon.com S.A.: 96% das ações são detidas e presididas por Wolney de Medeiros Arruda Filho; e beneficiária oculta dos recursos desviados pela R.T.S. Ademais, a fiscalização acrescenta que, do cotejo do extrato bancário da R.T.S., com a contabilidade da Foregon.com, constata-se que recursos foram desviados da R.T.S. para a Foregon.com, haja vista a coincidência de datas e valores. Não obstante, a recorrente argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos referentes a Antônio Carlos Shiro Hachisuca; aduz que mesmo assim respondeu às intimações e entregou documentos; acrescenta o pleito de nulidade ao argumento de falta de motivação, já que não foram exteriorizadas as razões que justificassem sua emissão, que faltou a exposição de motivos que exteriorizasse o cotejo entre o motivo e a previsão normativa e a utilização de informações relacionadas à período não incluído no termo de início fiscalização. Sobre a responsabilização solidária diz que não se aplica, pois não existe “interesse comum” (que é o interesse jurídico comum ocorrido exclusivamente em caso de realização conjunta de fato gerador pelos contribuintes), nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, dado que inexistiu participação da recorrente nesses fatos geradores, tratando-se de empresas de composição societária distinta. Fl. 11087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 19 Dispõe que não recebeu recursos ocultados, da ENS ou da sua suposta sucessora RTS; descreve que foi constituída em 18/10/2000, com os sócios Ricardo de Souza e Ana Luiza Ávila de Robertis Arruda, que se retirou em 14/12/2004, tendo ingressado Wolney de Medeiros Arruda Filho; em 2019, após a conversão da empresa em sociedade anônima, retirou-se Ricardo de Souza; o objeto social do recorrente não interage com o da recorrente Autuada, nem com o da RTS; que grupo econômico de fato, assim caracterizado apenas pela jurisprudência trabalhista e não pela legislação tributária, não se caracteriza pela simples coincidência de sócios, elemento insuficiente para a sua caracterização, para tanto, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas. “o agenciamento, intermediação de cartões de crédito, recepção e encaminhamento de propostas para emissão de cartão de crédito, investimentos, financiamentos e seguros junto à instituições financeiras, seguradoras e corretoras de seguros; assessoria/consultoria, análise, avaliação, atendimento, consulta, cadastro, seleção, gerenciamento de informações em sistema de informática, atividade de banco de dados e outras atividades relacionadas na área de informática e serviços combinados de escritório e apoio administrativo - "Coworking" (fls. 8224). Afirma, ainda: Trata-se de atividade de expressivo porte, com 8 milhões de usuários cadastrados, 1,8 milhões de visitas por mês e 3 mil novos usuários por dia, com destaque, inclusive, nos meios de comunicação13 e, ainda, detentora do prêmio “Great Place to Work”(fls. 9.674). Ao final, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, anulando-se o auto de infração e o termo de solidariedade, lavrados contra a ora responsável recorrente, em razão dos vícios antes apontados, ou, caso assim não se entenda, seja determinada a sua exclusão, relativamente ao auto de infração lavrado contra a ENS Sociedade Simples Ltda., em razão da inexistência de solidariedade, entre a Autuada e a ora Recorrente, nos termos acima mencionados. Ademais, requer que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, além de destinadas à própria Recorrente, sejam endereçadas e veiculadas, inclusive na imprensa, em nome do Dr. Marcio Pestana - OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda - OAB/SP 182.081-A, ambos com escritório na Avenida São Gabriel, nº 333 – 18º Andar – Conjunto 181, São Paulo - Capital. c. Recurso Voluntário de WAF Imóveis Particip. e Empreendimentos Ltda A Recorrente, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 26.06.2020. Contra a recorrente, a fiscalização sustenta que o Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Fl. 11088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 20 Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S.; beneficiária oculta dos recursos. Irresignada, a recorrente responsável argui, inicialmente, a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na peça recursal de Antônio Carlos Shiro Hachisuca; aduzindo que mesmo assim respondeu às intimações e entregou documentos; acrescenta o pleito de nulidade ao argumento de falta de motivação, já que não foram exteriorizadas as razões que justificassem sua emissão, que faltou a exposição de motivos que exteriorizasse o cotejo entre o motivo e a previsão normativa. Sobre a responsabilização solidária diz que não se aplica, pois não existe “interesse comum” (que é o interesse jurídico comum ocorrido exclusivamente em caso de realização conjunta de fato gerador pelos contribuintes), nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, dado que inexistiu participação da recorrente nesses fatos geradores. A autoridade fiscal fundamentou a aludida solidariedade, sustentando, em síntese, que a E.N.S. Sociedade Simples Ltda. e, sua suposta sucessora, R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, teriam ocultado o desvio de recursos para a empresa patrimonial Grupo WAF, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos (fls. 9.426). Conclui, com base nas premissas acima, que "as empresas Plantae lf Fomento Comercial Ltda, Foregon.com S.A., Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda, Grupo W Participações Ltda e R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli devem responder, solidariamente, pelos débitos tributários da E.N.S., nos termos do art. 124,1, do CTN, que estabelece a solidariedade pelo adimplemento das obrigações tributárias de pessoas que possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador." (fls. 9.426) Especificamente, contesta a alegação da autoridade fiscal: “Ao cotejar o extrato bancário disponível da R.T.S. (a R.T.S. omitiu diversos períodos; vide fls. 5188) com a contabilidade do Grupo WAF (vide Livro Diário às fls. 3399), com base na coincidência de datas e valores, constata-se que a R.T.S. desviou recursos para o Grupo WAF. A R.T.S. embora intimada a demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos, deixou de fazê-lo, num evidente intuito de esconder o real beneficiário dos valores desviados fruto da sonegação e fraude fiscal. (...) O Grupo WAF adquiriu o imóvel matrícula nº 50071 em 24/11/2016 da Sawil Business Ltda pelo valor total de R$ 2.000.000,00 pagos em 5 parcelas. A segunda parcela no valor de R$ 250.000,00 foi paga pela R.T.S. em 25/11/2016 a favor do beneficiário Sawil Business Ltda. Segundo o Razão da conta contábil “2.02.01.01.00009 – IMÓVEL 3 A PAGAR” do Grupo WAF, o pagamento da 2ª parcela no valor de R$ 250.000,00 teria sido feito em 25/11/2016 com recursos da conta bancária. No entanto, o Grupo WAF na Fl. 11089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 21 mesma data estornou o referido pagamento de R$ 250.000,00 em contrapartida da conta contábil “2.01.05.02.00001 – PARTES RELACIONADAS”. Na realidade o pagamento fora realizado pela R.T.S.” Afirma que todos os pagamentos relacionados à aquisição do imóvel da matrícula nº 50071, se originaram da conta bancária, do ora Recorrente, totalizando o montante de R$ 2.000.000,00, correspondente ao preço pago pelo aludido imóvel. E, nesse sentido, conforme o quadro “Razão” apresentado, verifica-se no referido quadro da conta contábil “2.02.01.01.00009” – IMÓVEL 3 A PAGAR” que não houve nenhum lançamento em contrapartida a conta contábil “2.01.05.02.0001 – PARTES RELACIONADAS”, mas sim uma contrapartida a conta contábil “1.01.01.02.0003” – BANCO BRADESCO 144-9”, em razão de mútuo tomado pelo Sr Wolney de Medeiros Arruda Filho. Não houve, assim, qualquer parcela paga pela R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, na aquisição do imóvel da matrícula nº 50071, sendo inverídicas as acusações lançadas. Alega que a Recorrente possui realidade empresarial própria e bastante distinta da desenvolvida pela empresa autuada E.N.S. Sociedade Simples Ltda. E, nesse sentido, o objeto social do Recorrente, não interage com o objeto social da empresa E.N.S. Sociedade Simples Ltda., nem com o da R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli., sendo completamente distinto. Nega que a transferência de quotas ao filho menor tivesse o objetivo de frustrar a satisfação do crédito tributário, haja vista que o sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, continua como administrador; Ao final, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, anulando-se o auto de infração e o termo de solidariedade, lavrados contra a ora responsável recorrente, em razão dos vícios antes apontados, ou, caso assim não se entenda, seja determinada a sua exclusão, relativamente ao auto de infração lavrado contra a ENS Sociedade Simples Ltda., em razão da inexistência de solidariedade, entre a Autuada e a ora Recorrente, nos termos acima mencionados. Ademais, requer que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, além de destinadas à própria Recorrente, sejam endereçadas e veiculadas, inclusive na imprensa, em nome do Dr. Marcio Pestana - OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda - OAB/SP 182.081-A, ambos com escritório na Avenida São Gabriel, nº 333 – 18º Andar – Conjunto 181, São Paulo - Capital. d. Recurso Voluntário de Wolney de Medeiros Arruda Filho A Recorrente, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 26.06.2020. Fl. 11090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 22 Contra a recorrente, a fiscalização menciona que, depreende da alteração do contrato social em 10/04/2012 (vide fls. 77 a 171), que o sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho simulou a retirada da sociedade E.N.S. e o ingresso do sócio administrador laranja (interposta pessoa) Everaldo do Nascimento Silva. E, de acordo com a GFIP e o Livro Registro de Empregados, o sócio administrador, imputado como laranja pela fiscalização, o Sr. Everaldo do Nascimento Silva trabalhava como motorista para as empresas Master Guinchos e Praiamar no período de 02/2016 a 01/2019, sempre recebendo poucos salários-mínimos (vide relatório da GFIP às fls. 8647 a 8701). Ademais, acrescenta que as operações da Prolub registradas na contabilidade da E.N.S., na verdade referem-se a operações realizadas pela Plantae If; que a Plantae If é a real controladora da E.N.S.; e que o Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho é o real sócio administrador da E.N.S. Que, apesar do contribuinte E.N.S. ter omitido o beneficiário e a causa de vultosos pagamentos (cerca de R$ 73 milhões de pagamentos à beneficiário não identificado ou sem causa conforme apuração do Anexo III do Relatório Fiscal), a fiscalização investigou e apurou que a E.N.S., bem como a R.T.S., pagava as despesas pessoais do Sr. Wolney Medeiros de Arruda Filho e de pessoas a ele ligadas. Que ao se confrontar o Livro Diário da E.N.S. com os DARF de recolhimento de tributos do grupo familiar e empresarial do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, constata-se, por haver coincidência de valores e coincidência/proximidade de datas, que a E.N.S. pagava tributos devidos por Wolney de Medeiros Arruda Filho, Beatriz Lebrão Arruda (irmã do Sr. Wolney) e Foregon.com. Acrescenta que a R.T.S. pagou taxas de licenciamento do veículo placa FUN5788 de propriedade do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. Fl. 11091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 23 Por fim, afirma a fiscalização que entre os anos de 2016 e 2019, foram enviados 87 declarações ou arquivos do SPED da E.N.S. e R.T.S. a partir do equipamento de MAC Address EC- A8-6B-B8-BD-C7. No mesmo período, a partir do mesmo equipamento de MAC Address EC-A8-6B- B8-BD-C7, o Sr. Wolney apresentou um total de 69 declarações assinadas digitalmente com certificado digital das empresas Foregon.com, Grupo W, Grupo WAF e Plantae If. Irresignada, argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação de Antônio Carlos Shiro Hachisuca. Diz que não lhe é aplicável o art. 135, III do CTN, responsabilizando-o solidariamente, vez que não praticou qualquer ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; também que não é o “real proprietário” da ENS e descreve que a empresa foi constituída em 10/04/2001, sendo sócios ele Ricardo de Souza, sendo então a razão social WMAF S/C Ltda e atuava em cobrança; em 15/05/2012, ingressou Everaldo Nascimento Silva, que passou a ser o único administrador até esta data, o recorrente retirou-se e a razão social passou a ser ENS Sociedade Simples Ltda; isto é, há 7 anos nem é sócio nem representante legal, nem administrador da Autuada, muito menos “real proprietário”, sendo que constituiu a empresa de factoring Plantae If Fomento Mercantil Ltda à qual se dedica até hoje. Assevera que inexiste qualquer indício de ato fraudulento ou dolo que possa ser imputado ao Impugnante, como administrador e/ou representante legal da Plantae If Fomento Comercial Ltda, Foregon.com S.A., Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda, Grupo W Participações Ltda. Ao final, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, anulando-se o auto de infração e o termo de solidariedade, lavrados contra a ora responsável recorrente, em razão dos vícios antes apontados, ou, caso assim não se entenda, seja determinada a sua exclusão, relativamente ao auto de infração lavrado contra a ENS Sociedade Simples Ltda., Fl. 11092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 24 em razão da inexistência de solidariedade, entre a Autuada e a ora Recorrente, nos termos acima mencionados. Ademais, requer que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, além de destinadas à própria Recorrente, sejam endereçadas e veiculadas, inclusive na imprensa, em nome do Dr. Marcio Pestana - OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda - OAB/SP 182.081-A, ambos com escritório na Avenida São Gabriel, nº 333 – 18º Andar – Conjunto 181, São Paulo - Capital. e. Recurso Voluntário de W Participações Ltda A Recorrente, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 26.06.2020. Contra a recorrente, a fiscalização dispõe que: “o sujeito passivo solidário Grupo W Participações Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S.”.. (fls. 9.426). Argui a nulidade dos autos e e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na peça recursal apresentada pelo Sr. Antônio Carlos Shiro Hachisuca; aduzindo que mesmo assim respondeu às intimações e entregou documentos; acrescenta o pleito de nulidade ao argumento de falta de motivação, já que não foram exteriorizadas as razões que justificassem sua emissão, que faltou a exposição de motivos que exteriorizasse o cotejo entre o motivo e a previsão normativa. Diz que a responsabilização solidária não se aplica, pois não existe “interesse comum” (que é o interesse jurídico comum ocorrido exclusivamente em caso de realização conjunta de fato gerador pelos contribuintes), nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, dado que inexistiu sua participação nesses fatos geradores. Menciona que a recorrente e a ENS têm composição societária distinta, inexistiu trânsito de recursos entre as mesmas e nega que a transferência de quotas ao filho menor tivesse o objetivo de frustrar a satisfação do crédito tributário, haja vista que o sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, continua como administrador; a recorrente não interage com o objeto social da Autuada, nem com o da RTS, apesar de ter como objeto “a participação em outras sociedades”, que se refere à área imobiliária; que grupo econômico de fato, assim caracterizado apenas pela jurisprudência trabalhista e não pela legislação tributária, não se caracteriza pela simples coincidência de sócios, elemento insuficiente para a sua caracterização, para tanto, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas, ao demonstrar que todas visam o mesmo objetivo e tal atuação conjunta precisa ser evidenciada, o que não está demonstrado. Fl. 11093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 25 Ao final, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, anulando-se o auto de infração e o termo de solidariedade, lavrados contra a ora responsável recorrente, em razão dos vícios antes apontados, ou, caso assim não se entenda, seja determinada a sua exclusão, relativamente ao auto de infração lavrado contra a ENS Sociedade Simples Ltda., em razão da inexistência de solidariedade, entre a Autuada e a ora Recorrente, nos termos acima mencionados. Ademais, requer que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, além de destinadas à própria Recorrente, sejam endereçadas e veiculadas, inclusive na imprensa, em nome do Dr. Marcio Pestana - OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda - OAB/SP 182.081-A, ambos com escritório na Avenida São Gabriel, nº 333 – 18º Andar – Conjunto 181, São Paulo - Capital. f. Recurso Voluntário de Plantae IF Fomento Comercial Ltda A Recorrente, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 26.06.2020. Contra a recorrente, a fiscalização dispõe que: O sujeito passivo solidário Plantae If Fomento Comercial Ltda: empresa em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho; é a real controladora da E.N.S. e da R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos para/da empresa E.N.S. O sujeito passivo solidário R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, sucessor da E.N.S., cujo procedimento de fiscalização está em curso: a) Pertence de fato ao Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e é controlado pela Plantae If. Que o cliente circularizado Eduardo Vander Milani foi intimado a fornecer os documentos das operações realizadas com as empresas E.N.S., Plantae If e R.T.S. De acordo com os documentos fornecidos, as notas promissórias de números 19 a 42 foram descontadas no período de agosto de 2015 a fevereiro de 2016 com uso das empresas E.N.S., Plantae If e R.T.S. Ao se examinar o borderô nº 12450, em nome da E.N.S., no valor de face de R$ 750.000,00, com custo de aquisição de R$ 577.116,66, verifica-se que as correspondentes receitas foram sonegadas e o registro contábil não especifica a natureza da transação. Fl. 11094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 26 Que Plantae If Fomento Comercial Ltda: empresa operacional; transmitiu a ECD à base do SPED; a priori ofereceu à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidente sobre as receitas das operações de compra de direitos creditórios; tributou o IOF incidente sobre as operações de compra de direitos creditórios; real controladora da E.N.S. e R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização de operações de desconto de direitos creditórios com sonegação e fraude fiscal; administrada e detida por Wolney de Medeiros Arruda Filho. Que "O sujeito passivo solidário Plantae lf Fomento Comercial Ltda, empresa em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho, é a real controladora da E.N.S. e da R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos para/da empresa E.N.S. (...)" (fls. 9.413). O cadastro da E.N.S. na rede do LinkedIn apontava para o site da Plantae If (vide fls. 4562 a 4563), revelando a verdadeira empresa responsável pelas operações da E.N.S. Irresignada, a recorrente argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação de Antônio Carlos Shiro Hachisuca; aduz que mesmo assim respondeu às intimações e entregou documentos; acrescenta o pleito de nulidade ao argumento de falta de motivação, já que não foram exteriorizadas as razões que justificassem sua emissão, que faltou a exposição de motivos que exteriorizasse o cotejo entre o motivo e a previsão normativa. Fl. 11095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 27 Sobre a responsabilização solidária diz que não se aplica, pois não existe “interesse comum” (que é o interesse jurídico comum ocorrido exclusivamente em caso de realização conjunta de fato gerador pelos contribuintes), nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, dado que inexistiu participação da Impugnante nesses fatos geradores, tratando-se de empresas de composição societária distinta. Esclarece que as alterações não visaram fraudes fiscais, mas decorreram, do estreito relacionamento profissional e pessoal de Wolney de Medeiros Arruda Filho e Ricardo de Souza, que cresceram e estudaram juntos, tornando-se amigos e sócios e depois, preferiram separar seus negócios: Ricardo de Souza continuou na área de cobrança, como, desde o início, constituía o objeto social da empresa ENS Sociedade Simples Ltda. e passou a ser o objeto da RTS Serviços e Cobranças Eireli, constituída, por ele, em 2012, como consta nos respectivos Contratos Sociais registrados na JUCESP (doc. 03), e Wolney de Medeiros Arruda Filho concentrou-se na área de factoring, desenvolvida, com terceiros, através da recorrente. Ressalta a ausência de interesse comum entre as empresas, tratando-se de pessoas jurídicas distintas, a recorrente, a RTS e a Autuada e não há base para a acusação de que a recorrente e Wolney de Medeiros Arruda Filho controlam a Autuada e a RTS, nem na alegação de que a recorrente utilizou a Autuada e a RTS, para a realização das operações com sonegação e fraude fiscal, detendo conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos para/da autuada. Diz que meras operações financeiras entre empresas, de ramos de atividades afins, envolvendo os respectivos clientes, não justificam a afirmação caluniosa do Auditor Fiscal de que há controle societário comum entre elas. E não prospera a aplicação do conceito de grupo econômico para as citadas empresas, sem qualquer fundamento, ao mencionar o Fiscal que a ora recorrente é controladora da ENS e da RTS. Por isso não se aplica o conceito de que grupo econômico de fato, assim caracterizado apenas pela jurisprudência trabalhista e não pela legislação tributária, não se caracteriza pela simples coincidência de sócios, elemento insuficiente para a sua caracterização, para tanto, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas, ao demonstrar que todas visam o mesmo objetivo e tal atuação conjunta precisa ser evidenciada, o que não está demonstrado. Ao final, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, anulando-se o auto de infração e o termo de solidariedade, lavrados contra a ora responsável recorrente, em razão dos vícios antes apontados, ou, caso assim não se entenda, seja determinada a sua exclusão, relativamente ao auto de infração lavrado contra a ENS Sociedade Simples Ltda., em razão da inexistência de solidariedade, entre a Autuada e a ora Recorrente, nos termos acima mencionados. Ademais, requer que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, além de destinadas à própria Recorrente, sejam endereçadas e veiculadas, inclusive Fl. 11096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 28 na imprensa, em nome do Dr. Marcio Pestana - OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda - OAB/SP 182.081-A, ambos com escritório na Avenida São Gabriel, nº 333 – 18º Andar – Conjunto 181, São Paulo - Capital. g. Recurso Voluntário de RTS Serviços e Cobranças Eireli A Recorrente, em face do acórdão de n.º 06-69.050, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Curitiba, mantendo, parcialmente, o crédito tributário, apresentou recurso voluntário em 16.09.2020. Afirma a fiscalização que, de acordo com os comprovantes de pagamento fornecidos parcialmente pela diligenciada, as operações da Plantae if eram liquidadas na E.N.S. ou na R.T.S.: Que ao cotejar o extrato bancário disponível da R.T.S. (a R.T.S. omitiu diversos períodos; vide fls. 5188) com a contabilidade do Grupo WAF (vide Livro Diário às fls. 3399), com base na coincidência de datas e valores, constatasse que a R.T.S. desviou recursos para o Grupo WAF. A R.T.S. embora intimada a demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos, deixou de fazê-lo, num evidente intuito de esconder o real beneficiário dos valores desviados fruto da sonegação e fraude fiscal. Fl. 11097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 29 Em outra situação, ao se confrontar os extratos bancários da R.T.S. (obs: omitiu a contabilidade à fiscalização) com os DARF de recolhimento de tributos, constata-se, por haver coincidência de datas e valores, que a R.T.S. pagava tributos devidos por Wolney de Medeiros Arruda Filho, Foregon.com e BGWD Agropecuária. Fl. 11098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 30 Em outra oportunidade, a fiscalização relata que ao confrontar os pagamentos realizados pela R.T.S. a favor da Google (vide notas fiscais às fls. 9211 a 9249), constata-se que se trata de pagamentos de despesas de serviços de publicidade da empresa Foregon.com, por haver coincidência de valores e datas de vencimento aproximadas: Fl. 11099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 31 Relata que o fisco federal a acusa de ser uma empresa de “fachada”, usada pela empresa operacional Plantae IF para a realização das operações com sonegação e fraude fiscal, e que é integrante de grupo econômico, e que, embora a fiscalização tenha imputado à Recorrente a “responsabilidade solidária de fato”, a descrição contida no auto de infração trata, a rigor, de responsabilidade por sucessão, a evidenciar erro na capitulação legal dos fatos. Menciona que impede que a Recorrente seja capaz de atacar qualquer argumento decisório, limitando-se a reproduzir os argumentos apresentados anteriormente em relação ao auto de infração, demonstrando a sua própria inutilidade quanto à apreciação da controvérsia. Logo, a decisão proferida é completamente nula em relação à Recorrente, por ausência de fundamentação, devendo ser imediatamente anulada e restituídos os autos à primeira instância administrativa, para que outra seja proferida, exceto se presente a hipótese prevista no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, quando assim deverá ser realizado. Que, quanto ao mérito, a fiscalização apontou a hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, que Everaldo do Nascimento Silva é interposta pessoa, que trabalhava como motorista e de condição modesta, incompatível com a condição de sócio; e que ao cessarem as atividades da ENS em 2016, foi-lhes dada continuidade na RTS. Também afirma que o cenário apontado pela fiscalização é muito mais de estruturação de um grupo econômico do que efetivamente de sedimentar a união, o vínculo e a relação da Recorrente com o fato gerador praticado pela contribuinte original, necessários para a Fl. 11100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 32 atribuição da sua solidariedade; que no relatório de Fiscalização, consta apuração, através da Declaração de Informações de sobre Movimentação Financeira - DIMOF, a respeito da contemporaneidade de operações praticadas pela contribuinte (E.N.S.) e pela Recorrente nos anos de 2014 e 2015 (pág. 10.222), porém não foi sucessão entre empresas o fundamento da responsabilização que lhe foi atribuída e, conforme o art. 146 do CTN, a base legal não mais pode ser alterada. Aduz que a mera existência de um grupo econômico não é fundamento para a responsabilização tributária. Destaca que interesse comum não é mero interesse econômico-financeiro, mas que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, nos termos da jurisprudência pacífica do STJ. E mesmo se fosse, embora se tenha identificado movimentação de RS 500.000.000,00 pela Recorrente, entre os anos de 2014 a 2018, custa a crer que a fiscalização busque configurar interesse comum transferências financeiras entre as empresas mencionadas, bem como despesas pagas, que, somadas, em todos os anos apurados (2015 a 2018), giram em torno de R$ 6.050.000,00, menos de 1,2% da movimentação financeira total apurada; Aponta que o Sr. Ricardo de Souza, sócio exclusivo da Recorrente, também integrava o quadro societário da empresa Foregon.com Sociedade Simples, suficiente para justificar as transferências e os pagamentos realizadas em seu favor, ainda que a descrição do lançamento contábil nesta sociedade (Foregon.com) não descreva, com o devido pormenor, o ato realizado; destaca que, dos R$ 6.000.000,00 mencionados, utilizados para se tentar atribuir a responsabilidade tributária solidária entre a Recorrente entre todos aqueles constantes do auto de infração, quase a metade, ou seja, exatos R$ 2.923.335,36 dizem respeito à empresa da qual também era sócio, e conclui que com a movimentação financeira próxima de R$500.000.000,00, a fiscalização pretende atribuir responsabilidade tributária solidária por ter identificado pagamentos a terceiros que, somados, chegariam a R$ 3.126.664,64, equivalendo a apenas 0,625% da movimentação financeira total. Advoga que cabe afastar a responsabilidade tributária solidária, porque não estão presentes o interesse jurídico, muito menos econômico, a subsidiar o interesse comum de que trata o art. 124, I do CTN, além de não existir a figura do grupo econômico, defendida pela fiscalização. Ao final, requer o provimento da presente medida para o fim de, preliminarmente, anular-se ao auto de infração em relação à Recorrente, pela nulidade presente na decisão recorrida ante a sua falta de fundamentação e, no mérito, o seu provimento para afastar a responsabilidade tributária da Recorrente, nos termos acima mencionados. É o relatório. Fl. 11101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 33 VOTO Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc. Da Admissibilidade do Recurso de Ofício De início, devemos examinar se o Recurso de Ofício interposto pelo Presidente da 9ª Turma da DRJ/CTA se enquadra na hipótese prevista no artigo 34, inciso I do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, que dispõe que “a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Observe-se que o Acórdão recorrido foi prolatado em 12.03.2020 e que, à época, ainda não estava em vigência a Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023, que estabelecia que o recurso de ofício deveria ser proposto quando houvesse a exoneração do sujeito passivo em valor superior de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). No presente processo, o total exonerado foi de R$ 1.595.319,17, A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Por essa razão, o tema restou pacificado com a edição da Súmula CARF nº 103, que possui a seguinte redação: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Dessa forma, como o valor exonerado na decisão de primeira instância, é inferior ao novo limite estabelecido e, consoante a Súmula CARF nº 103, o Recurso de Ofício não deve ser conhecido. Juízo de Admissibilidade e Tempestividade do Recurso Voluntário O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação e dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, a Recorrente e os responsáveis foram intimados do teor do acórdão recorrido, apresentando os Recursos Voluntários, nas seguintes datas, conforme tabela abaixo: Contribuinte/Responsável Data da Intimação do Acórdão Recorrido Data do Recurso Voluntário E.N.S. SOCIEDADE SIMPLES 17.03.2020 16.09.2020 Fl. 11102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 34 Antônio Carlos Shiro Hachisuca 26.03.2020 26.06.2020 Wolney de Medeiros Arruda Filho 26.03.2020 26.06.2020 Grupo W Participações Ltda 27.03.2020 26.06.2020 Grupo WAF Imo., Part. e Empreend. 27.03.2020 26.06.2020 Foregon Com S/A 27.03.2020 26.06.2020 Plantae IF Fomento Comercial Ltda 27.03.2020 26.06.2020 RTS Serviços e Cobranças Eireli 27.03.2020 16.09.2020 Ou seja, tanto o contribuinte, quanto todos os responsáveis, estão dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Isto se deu por força das restrições impostas pela pandemia da COVID-19, determinando o Secretário Especial da Receita Federal do Brasil, através da Portaria RFB nº 457 (28/03/2016), a suspensão dos prazos para prática de atos processuais no âmbito da RFB, até o dia 31.08.2020, oportunidade em que o prazo processual retomou o seu curso. O Recurso Voluntário, também é tempestivo e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Das Preliminares Ao se consolidar o conjunto de preliminares, identificamos que o contribuinte arguiu a falta de motivo, o desvio de finalidade e ofensa à impessoalidade na seleção da empresa para a ação fiscal; o cerceamento ao direito de defesa porque não constam dos autos as diligências realizadas junto a terceiros e a cópia integral do procedimento fiscal n° 0810500-2016- 00004-6 realizado no ano de 2016. Quanto aos responsáveis solidários, exceto a RTS, as demais alegam que não puderam acompanhar, inquirir ou contraditar os depoimentos tomados secretamente pelo Fiscal e não tiveram acesso às diligências; ofensa ao art. 59, II, §1º do Decreto nº 70.237, de 1972; erro na qualificação da atividade desenvolvida como sendo de instituição financeira, haja vista ser impossível utilizar o coeficiente de 45% para o arbitramento, pois dispositivo teria sido revogado; ilegalidade na quebra do sigilo bancário e, no caso dos responsáveis solidários, provas ilícitas dada a ausência de termo de início de fiscalização (TIF), relativo aos mesmos e o uso consequentemente indevido de suas informações protegidas por sigilo fiscal; utilização de dados da empresa relativos ao ano 2013, não abrangido pelo TDPF desta fiscalização; nulidade, devido à aplicação de multa que acusam de confiscatória. Assim, passo a análise de cada um dos itens das preliminares suscitadas: Falta de motivo, o desvio de finalidade e ofensa à impessoalidade na seleção da empresa para a ação fiscal Fl. 11103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 35 Quanto a Falta de motivo, o desvio de finalidade e ofensa à impessoalidade na seleção da empresa para a ação fiscal, cabe mencionar, que no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil às atividades de seleção e preparo, bem como a atividade de fiscalização são cindidas, por força do seu Regimento Interno, Portaria MF nº 284, de 27 de julho de 2020, de modo que o setor de seleção e preparo prima pela elaboração de relatórios de seleção e preparo, pautados pela impessoalidade, legalidade, sempre vinculados a critérios objetivos, cabendo-lhe selecionar, a partir de dados de que dispõe, qualquer contribuinte, cujos motivos e finalidades são previamente circunscritos. Desta forma, tal argumento não merece prosperar, cuja alegação está calcada em mera ilação, corroborado pela ausência de informações ou desconhecimento das atividades supramencionadas. Cerceamento ao direito de defesa A recorrente alega o cerceamento ao direito de defesa, porque não constam dos autos, as diligências realizadas junto a terceiros e cópia integral do procedimento fiscal n° 0810500-2016-00004-6 relativo ao ano de 2016. Neste caso, há de se considerar, todavia, que a atividade de fiscalização está imantada pelo Princípio Inquisitorial, cuja consagração do Princípio da Ampla Defesa e o Contraditório se instalará a partir da instauração do litígio. Assim, as diligências realizadas junto a terceiros, deve ser compreendida como um ato decorrente da própria atividade fiscal, que pretende reunir todos os elementos necessários a fim de se consagrar a verdade material. Não obstante, quanto à cópia integral do procedimento fiscal n° 0810500-2016- 00004-6, consta do sistema e-processo o de nº 13032.058854/2019-78, que foi requerido em 31/10/2019: “o fornecimento de cópia integral do procedimento fiscal n° 0810500-2016-00004-6, relativo à Requerente, realizado no ano de 2016”. Ademais, depreende das fls. 5.427/7.778, que os documentos citados no Relatório de Fiscalização e relativos à diligência supracitada, foram cientificados pela recorrente, tendo sido, inclusive, apresentada sua resposta em 14.03.2016. Tem-se ainda, nos termos da Súmula CARF n. 162, que o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento, de sorte que não há qualquer nulidade a ser sanada. Portanto, neste caso, não assiste razão a alegada prejudicial de ampla defesa. Ofensa ao art. 59, II, §1º do Decreto nº 70.237, de 1972; Os responsáveis solidários, exceto a empresa RTS, alegam a ofensa ao art. 59, II, §1º do Decreto nº 70.237, de 1972, senão vejamos: Dispõe o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 11104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 36 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Neste caso, o inciso I dispõe que a declaração de nulidade, ao se inserir na categoria de ato ou termo, condiciona a lavratura por pessoa incompetente, alcançando, prioritariamente, o auto de infração. No tocante ao art. 59, II, como citado alhures, somente pode ser declarada na fase posterior à lavratura do auto de infração, que se consagra com a instauração do litígio. Neste caso, o auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e devidamente cientificado ao contribuinte, que assim pode apresentar, inicialmente, a sua impugnação e, na sequência, o seu recurso voluntário. Assim, falece razão aos recorrentes, por não haver qualquer afronta ao art. 59, II, §1º do Decreto nº 70.237, de 1972. Provas ilícitas e a ilegalidade da quebra de sigilo bancário Os responsáveis solidários acusam que as provas são ilícitas, dada a ausência de termo de início de fiscalização (TIF) e o uso consequentemente indevido, de suas informações protegidas por sigilo fiscal. Em rápida leitura do art. 7º, do Decreto nº 70235/1972, percebe-se que não merece prosperar sua alegação. Senão vejamos: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 11105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 37 II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifo e negrito nosso) O mesmo se aplica à quebra de sigilo bancário, ao se verificar que a fiscalização intimou a recorrente previamente, conforme fls. 73/76, e 1.423/1.426, in verbis: Apresentar os extratos bancários de todas as contas-correntes, as aplicações financeiras e de cadernetas de poupança mantidas pela empresa junto a instituições financeiras no Brasil, no padrão de leiaute de arquivos digitais definido na Carta Circular BACEN nº 3454/2010 ou autorizar expressamente o acesso, por parte da Receita Federal, aos dados e documentos bancários junto às instituições financeiras. Período: 01/10/2014 a 31/12/2016. Na sequência, na fl. 9.300, a recorrente confirma a sua disponibilização dos extratos bancários, não sendo necessário, portanto, nenhum ato por parte da fiscalização que ensejasse à participação da instituição financeira. Ademais, a referida alegação não tem embasamento lógico jurídico, haja vista, que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal é essencial na relação junto ao contribuinte, objeto de escrutínio fiscal, sendo a imputação de responsabilidade elemento incidental. Inclusive ao regular a matéria, a IN RFB nº 1862/2018, indica em seu art. 2º, que: Art. 2º O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil que identificar hipótese de pluralidade de sujeitos passivos na execução de procedimento fiscal relativo a tributos administrados pela RFB deverá formalizar a imputação de responsabilidade tributária no lançamento de ofício. Parágrafo único. Não será exigido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) para a imputação de responsabilidade tributária. Da mesma forma, deve ser afastada a alegação de que a fiscalização teria quebrado o sigilo dos responsáveis, haja vista que, não há qualquer indicativo nos autos nesse sentido. Ao compulsar o TVF, verifica-se que a fiscalização cotejou as informações bancárias do contribuinte com as informações fiscais dos responsáveis, os quais a autoridade fiscal já possuía acesso, ao acessá-los no contexto da fiscalização tributária. Desta forma, não merece prosperar a referida alegação. Dados do ano 2013, não abrangido pelo TDPF De início, assevera-se que o período fiscalizado compreende os anos-calendário entre 2014 e 2016. Fl. 11106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 38 Não obstante, nas fls. 5427/7778 há a juntada de diversas informações relativas ao ano de 2013, cujo objeto de análise decorreu do procedimento fiscal n° 0810500-2016-00004-6, que é justamente o nº do TDPF que o autorizou - fl.10.265. Neste caso, portanto, não há que se falar que às informações referentes ao ano- calendário de 2013, não estavam abrangidas pelo TDPF, não assistindo, portanto, razão aos recorrentes. Não confisco das multas O argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco, ao seu turno, esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho. De toda sorte, apesar de ser cônscia de que o exc. Supremo Tribunal Federal estendeu a vedação prevista no inc. IV do art. 150 da CR/88 às multas de natureza tributária, registro que multas e tributos são ontológicos e teleologicamente distintos. Isto porque, em primeiro lugar, a multa é sempre uma sanção de ato ilícito, ao passo que tributo jamais poderá sê-lo; em segundo lugar, os tributos são a fonte precípua – e imprescindível – para o financiamento do aparato estatal, enquanto as multas são receitas extraordinárias, auferidas em caráter excepcional, cuja função é desestimular comportamentos tidos como indesejáveis. Assim, ao meu aviso, considerando as peculiaridades fáticas do caso concreto, a multa cominada sequer poderia ser rotulada desarrazoada e/ou desproporcional, tampouco confiscatória, eis que ausente qualquer demonstração nesse sentido. Da apresentação de provas nesta oportunidade No item referente a apresentação de provas, a recorrente suscita a verdade material, de modo que os documentos acostados nesta oportunidade se destinam apenas ao esclarecimento de itens sequer analisados pelo julgamento anterior, demonstrando a complementariedade de tal instrução, voltada unicamente a reforçar a verdade material dos fatos em análise. O artigo 16, § 4º do Decreto nº 7025/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas justamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destina-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não obstante, esta turma vem sopesando o conjunto de princípios informadores do processo administrativo fiscal, dentre os quais, o princípio da verdade material, à luz das circunstâncias que são próprias a cada caso concreto, resultando em decisões que ora aceitam a apresentação de provas em momento posterior ao previsto em lei, ora refutando. Fl. 11107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 39 Sendo assim, diante das circunstâncias postas no tocante ao caso em tela, me inclino às razões da recorrente, acatando a preliminar de apresentação de novas provas, me valendo, na análise meritória, de todo o conteúdo que integra o caderno processual. Da resolução favorável da controvérsia, em caso de empate, favorável ao contribuinte Quanto a esse item, a recorrente pleiteia que, havendo empate em relação a qualquer item, que seja proclamado resultado favorável ao contribuinte, nos termos do novel artigo 19-E da Lei nº 10.522/02. Não obstante, o disposto normativo citado pela requerente foi revogado, de modo que está em vigência a Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, estabelecendo, em caso de empate, que sejam proclamados na forma do disposto no § 9º do art.25 do Decreto nº 70.235/1972, nos termos da citada lei. Desta forma, falece razão à recorrente. Coeficiente de 45% para o arbitramento A acusação dos interessados está circunscrita ao parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, que faz expressa referência ao inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 1995, porém este art. 36 foi revogado pelo art. 18 da Lei nº 9.718, de 1998, de modo que este percentual teria sido revogado na legislação, senão vejamos: A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, do qual a Lei nº 9.718, de 1998, revogou o art. 36: Do Regime de Tributação com Base no Lucro Real Art. 36. Estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real as pessoas jurídicas: I - cuja receita total seja superior ao limite de 12.000.000 Ufirs no ano-calendário, ou proporcional ao número de meses do período quando inferior a doze meses; I - cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de 12.000.000 de Ufir, ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses; (Redação dada pela Medida Provisória nº 998, de 1995) Art. 36. Estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real em cada ano-calendário as pessoas jurídicas:(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) I - cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de 12.000.000 de UFIR, ou proporcional ao número de meses do período, quando Fl. 11108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 40 inferior a doze meses; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (VideLei nº 9.249, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) II - constituídas sob a forma de sociedade por ações de capital aberto; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) III - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, assim dispõe: Art.14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I- cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de R$ 24.000.000,00 (vinte e quatro milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses; I - cuja receita total, no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Medida Provisória nº 612, de 2013) (Vigência encerrada) I - cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 2013) (Vigência) II-Cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III-que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV-Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V-Que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996; VI-Que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, Fl. 11109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 41 administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). VII-que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009) VII - que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (...) Art.18. Ficam revogados, a partir de 1°de janeiro de 1999: (...) III- o art. 36 e o inciso VI do art. 47 da Lei n°8.981, de 1995; Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Parágrafo único. No caso das instituições a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento. Ao analisar a legislação em regência, verifica-se que o inciso III do art. 36 foi substituído pela Lei nº 9.718 de 1998 que a revogou, de modo que o inciso II do art. 14, o qual compele que as instituições financeiras e que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring), devem apurar o imposto de renda pelo lucro real. O percentual de 45% depreende, portanto, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), no seu art. 533 e/ou art. 606 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, RIR de 2018 (Decreto nº 9580, de 22 de novembro de 2018), in verbis: Art.533 (RIR/99 ou Art. 606 RIR/2018). Nas atividades desenvolvidas por bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento (Lei nº 9.249, Fl. 11110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 42 de 1995, art. 16, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (negrito nosso) Assim, não paira qualquer dúvida quanto ao percentual de 45%, de modo à não subsistir qualquer razão alegada pelos recorrentes. No tocante ao erro na qualificação da atividade desenvolvida como sendo de instituição financeira, adianto que será tratada juntamente com as demais questões meritórias, em tópico específico. Da intimação no endereço do representante legal A recorrente e solidários requererem que as intimações sejam encaminhadas aos procuradores. Todavia, tal pretensão não encontra respaldo na legislação de regência, especialmente no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Neste diapasão, a matéria foi consolidada no âmbito do CARF por meio da Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Desta forma, não merece prosperar à alegação dos recorrentes. DO MÉRITO Quanto ao aspecto meritório, o tópico: “alerta quanto à impossibilidade de se modificar o critério jurídico do lançamento”, alega a recorrente que, em razão da fiscalização ter qualificado as operações realizadas pela autuada como desconto financeiro, viu-se obrigada a tributá-las de acordo com as regras aplicáveis às instituições financeiras, ensejando distorções em relação à base de cálculo do IRPJ e às alíquotas da CSLL e COFINS. Na sequência, quanto à “natureza jurídica das operações realizadas pela contribuinte”, a recorrente cita o art. 17 da Lei nº 4502/64, que apenas estabelece o conceito de instituição financeira pelas atividades que realiza (coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, próprios ou de terceiros, e a custódia de valor de propriedade de terceiros), de modo que a fiscalização não aponta qualquer coleta, intermediação, aplicação ou mesmo a custódia de valores de outras pessoas que não a própria sociedade, quando se autorizaria à conclusão mencionada; e que somente são reconhecidas como instituição financeira as que oficialmente assim se qualifiquem, mediante autorização do Banco Central do Brasil (critério formal), ou aquelas que realizarem as atividades que assim a qualifiquem (critério material), discriminadas no art. 17 da Lei 4.595, de 1964 ou 1º da Lei da Lei nº 7.492, de 1986. Fl. 11111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 43 Outro ponto se deu em relação “aos reflexos à qualificação das operações de fomento mercantil como privativas de instituição financeira nas alíquotas da CSLL e da COFINS”, sustentados em operações claramente de fomento mercantil, cuja aplicação das alíquotas de 20% (vinte por cento) para a CSLL e 4% para a COFINS, como se instituição financeira fosse, constitui vício material de lançamento, solicitando o cancelamento. Por fim, alega “a manifesta contradição e incoerência entre a qualificação da Autuada como “instituição financeira” e, por conseguinte, a fixação da base de cálculo da CSLL segundo o critério das empresas de fomento mercantil”, a recorrente alega que tal alegação se faz em caráter subsidiário (residual), na hipótese de não serem acolhidos os argumentos relativos ao erro da qualificação das operações realizadas como privativas de instituição financeira. Alega que a própria legislação impede que a autoridade administrativa requalifique juridicamente o fato dentro do mesmo lançamento, submetendo-o a consequências fiscais completamente distintas, como no caso em exame, que desqualificou às operações realizadas como simples fomento mercantil e submeteu-as à tributação das instituições financeiras. Enfim, todas essas alegações serão enfrentadas a seguir, em cotejo com as provas que constam no caderno processual, bem como os elementos que caracterizam como instituição financeira e/ou atividade meramente mercantil. Senão vejamos: De início, depreende-se das fls. 59/70, que a fiscalização identificou no plano de contas disponibilizado pela recorrente, a conta “Receitas de Factoring”, atividade que é obrigada à apuração pelo lucro real e ao envio de ECD, não obstante ter declarado pelo lucro presumido e não ter transmitido a ECD. No curso da fiscalização foi requerido cópias dos processos de execução judicial interposto pela recorrente, em face de seus clientes, assim como intimado a apresentar a divergência entre a movimentação financeira e a receita declarada. Em resposta, a recorrente mencionou que a receita da atividade de faturização, deriva do deságio aplicado a cada título de crédito antecipado (denominado simplesmente de "fator"), assim como dos serviços prestados ("ad valorem"), o que justificaria a conclusão de que a receita da atividade sempre será inferior à movimentação financeira bancária, tendo apresentado listagem dos valores “de face”, de deságio, e das taxas “ad valorem” cobradas, conforme fls. 172/582, 998/1.088. Conforme fls. 996/997, a recorrente acrescentou que optou pelo lucro presumido, porque exerce a cobrança de títulos de crédito de terceiros e que não tem funcionários porque eram os próprios sócios que realizavam as atividades; in verbis: “Por vedação legal, a empresa não realizava qualquer tipo de empréstimo a terceiros, tendo atuado apenas na aquisição de direitos creditórios (cheques, duplicatas mercantis, notas promissórias rurais, etc), adquiridos via endosso ou cessão civil de crédito.”. Fl. 11112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 44 Em seus demonstrativos constam que a recorrente tomava títulos de terceiros e contabilizava “valor de face” e deságio”, remetendo o valor líquido aos clientes, o que a equipara à atividade de factoring. Ademais, nas fls. 172/582, 998/1.088, 1.420/1.422; consta documentação que a caracterizava como operações de adiantamentos de recursos referentes a descontos de Notas Promissórias (NP) dos clientes interessados e de terceiros detidos por estes; cheques de terceiros e outros títulos. Não obstante, a atividade de factoring, considerada estranha ao seu objeto social, foi confirmada pelo seu contador conforme fls. 5427/5433: No período fiscalizado a atividade primordial realizada pela contribuinte, teve por base operações de fomento mercantil (factoring), cujo CNAE apropriado seria 6491-3/00(Sociedades de Fomento Mercantil - Factoring), haja vista adquirir junto a terceiros direitos de créditos gerados por vendas mercantis com aplicação de desconto sobre o valor de face dos títulos. Os principais clientes de sua carteira em 2013 eram produtores rurais que realizavam junto a usinas sucroalcooleiras locais a venda antecipada de sua produção agrícola, própria ou em regime de parceria rural com os usineiros. Por conta desta venda antecipada, as usinas emitiam notas promissórias em favor destes produtores rurais, que em ato subsequente as negociavam junto a E.N.S., para antecipação do respectivo recebível. Além de produtores rurais, a empresa também atendeu clientes de outros segmentos mercantis, adotando o mesmo modus operandi de antecipação de recebíveis, que além de notas promissórias, podia envolver também cheques recebidos por seus clientes em decorrência de transações mercantis. Além do deságio nas operações de factoring realizadas em 2013, a ENS também cobrava de seus clientes uma taxa administrativa pelo serviço prestado, logo, a remuneração da atividade econômica por ela exercida era composta por estes dois elementos (deságio + taxa administrativa). Em resumo, o plano de contas incluía a conta de receitas de Factoring, e a recorrente justificou discrepância entre, a movimentação financeira e receita declarada no período de 01/01/2015 a 31/12/2016, alegando que resultava na atividade de factoring, apresentando demonstrativos que justificava a atividade até 01/2016. Em outro momento, fls. 9.321, consta, que nem todas as operações eram de aquisição com deságio, de títulos de crédito de terceiros detidos pelos clientes, mas que se tratava de operações de empréstimo, lastreadas por Notas Promissórias emitidas pelos clientes em nome da recorrente, lastreado em documentos nas fls. 7.779/7.902, com cláusula de regresso. Senão vejamos: Fl. 11113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 45 O Código Civil, em seu artigo 296, embora estabeleça a regra geral de irresponsabilidade do cedente pela solvência do devedor, admite expressamente que as partes possam estipular em sentido contrário. Vale dizer, a regra prevista no artigo 296 apenas revela a ênfase do legislador em, desde logo, estabelecer que, caso não tenham tratado do assunto ou ainda que tenham afastado a responsabilidade do cedente pela solvência do título, ele ficaria responsável, no mínimo, pela existência do crédito ao tempo da cessão, se for onerosa, ou se tiver procedido de má-fé, na cessão gratuita. Nenhum dos precedentes jurisprudenciais articulados na decisão proferida autoriza a desqualificação completa da operação de fomento mercantil contratada, senão unicamente da cláusula de regresso ou do título que a aperfeiçoe. Em outras palavras, se há irregularidade na cláusula em si e ela desborda das condições legais, a ilegalidade apenas a invalida, sem qualquer efeito em relação às demais estipulações. A mera existência da cláusula de regresso claramente não possui o condão de acarretar efeito fiscal específico, conforme pretendido pela autuação/decisão. Vale dizer, a existência do crédito cedido pelo cliente e o regresso não tem o menor condão de alterar a natureza jurídica da operação realizada entre as partes, máxima quando presentes todos os demais requisitos pertinentes, o que, no presente caso, não se confirma. Em síntese, a atividade empreendida pela recorrente não a caracteriza como exclusivamente de factoring ou de fomento mercantil, mas também no exercício de empréstimos, confirmada em contratos, com exigência de garantia e com execuções de cobranças, conforme determina às fls. 10.065/10.067. Isso afronta a característica básica do contrato de factoring, que é o seu caráter pro soluto, ou seja, a transmissão da propriedade do título cedido para a empresa de factoring, e, portanto, há transferência conjunta tanto do crédito em si, como do risco deste crédito, sendo bem isso o que diferencia uma operação de fomento mercantil, das operações de desconto financeiro ou mútuo oferecidos exclusivamente pelas instituições financeiras, das quais as empresas de factoring não fazem parte. Além do mais, o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 10/04/2014, confirma que no contrato de factoring não é admitida, para fins fiscais, qualquer cláusula que conduza à responsabilidade do cedente quanto ao risco de crédito, ou seja, no desconto mercantil, denominado por faturização ou factoring quando operado por empresas dedicadas a essa atividade, todos os elementos do título são transferidos ao cessionário, e não admite qualquer cláusula que leve à responsabilidade do cedente pelo risco de crédito. Nesse caso, por exemplo, há uma violação expressa quando em um contrato junto ao banco Bradesco, para desconto de títulos, com cláusulas de vencimentos, incidindo juros, IOF e tarifa de abertura de crédito nas operações de desconto de duplicatas, o risco da inadimplência não era assumido pela instituição financeira e sim pela recorrente. Fica patente, portanto, neste Fl. 11114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 46 caso, que a recorrente praticou operações exclusivas de instituições financeiras, que demandam inclusive autorizações do Banco Central do Brasil. Em outro caso, fls. 72/96, a empresa diligenciada, fls. 2.100/2904, forneceu os documentos relativos ao processo judicial nº 1014669-60.2017.8.26.0482, litigando sobre cobranças de valores de empréstimos financeiros realizados pela recorrente, garantidos por Notas Promissórias emitidas pelos administradores/funcionários fls. 2.143/2.186, o que também a caracteriza como instituição financeira. Assim, entendo que deve prevalecer o acórdão de piso, juntos fundamentos de fato e de direito, além das minhas razões de decidir acima mencionadas. Portanto, a autuação composta de duas infrações: a) receitas pelo desenvolvimento de atividade de instituição financeira (arbitramento 45%); b) omissão de receitas com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 – não se identificando a atividade da receita omitida, aplica-se o da atividade de mais elevado percentual está correta. Assim, as atividades desenvolvidas pela Recorrente acabam permitindo sua equiparação à Instituição Financeira, de sorte que entendo perfectibilizada a materialidade. Na sequência, a recorrente alega, quanto ao item “Dos depósitos bancários e a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96”, que a autoridade fiscal desconsiderou às informações prestada e tributou às operações, ignorando a comprovação da origem dos recursos. Neste caso, a recorrente basicamente repisou as mesmas alegações da Impugnação, sem sequer contrapor os fundamentos da decisão recorrida. Assim, por concordar com as razões de decidir da DRJ, adoto-as como fundamento deste voto, estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de 1ª instância em consonância com o entendimento deste Relator. Nesses casos, a presunção legal de omissão de receitas apurada através da movimentação bancária dos contribuintes encontra previsão legal no 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...)”. Fl. 11115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 47 Portanto, a lei é clara e evidencia-se na aplicação do presente caso, sendo que qualquer alegação acerca da impossibilidade do uso dos dados retirados de contas correntes mantidas em instituições financeiras e da sua legalidade, fogem ao escopo do contencioso administrativo. Essa presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, cujo texto está acima transcrito, consubstancia-se em uma presunção legal de omissão de receita, uma presunção relativa, que, portanto, admite prova em contrário. Essa prova contrária não apresentada pelo recorrente no curso do procedimento fiscal, tampouco juntamente com a impugnação, desguarnece a própria recorrente. Sobre a utilização de presunções no campo do Direito Tributário, há que se destacar o ensinamento de Gilberto de Ulhôa Canto (Presunções no Direito Tributário, Resenha Tributária, São Paulo – SP, 1991, pag. 3 e 4): “2.2. Na presunção toma-se como sendo a verdade de todos os casos aquilo que é a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de frequência ou de resultados conhecidos, ou de decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na maioria das hipóteses análogas determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passa-se a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da consequência já conhecida em situações verificadas no passado; dada a existência de elementos comuns, conclui-se que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, infere-se o acontecimento a partir do nexo causal lógico que o liga aos dados antecedentes. 2.3. As presunções podem ser, segundo a sua origem, a) simples ou comuns, quando inferidas pelo raciocínio do homem a partir daquilo que ordinariamente acontece, ou b) legais ou de direito, quando estabelecidas na lei. Em ambos os casos terá de haver nexo causal entre as duas situações (a atual e a consequente); a diferença entre eles consiste apenas em que no segundo é a lei que recorre à presunção, enquanto no primeiro é o seu aplicador ou intérprete que a fórmula. Daí, a consequente distinção entre as duas figuras possíveis da presunção, a que incide na própria elaboração da norma (direito substantivo) e a que constitui modalidade probatória (direito adjetivo). 2.4. Segundo a sua força, as presunções podem ser a) relativas (juris tantum) ou absolutas (juris et de jure). Nas do primeiro tipo a norma é formulada de tal maneira que a verdade legal enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Nas do segundo tipo, pelo contrário, tem-se como certo aquilo que a norma previu, até mesmo em face da eventual prova de que na realidade a previsão deixou de materializar-se”. Reproduzimos, também, o que diz José Luiz Bulhões Pedreira, em Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas (JUSTEC, RJ, 1979, pag. 806), que assim se manifestou sobre a questão: Fl. 11116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 48 “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova; invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa), provar que o fato presumido não existe no caso.’ A partir da edição da Lei nº 9.430/96 predomina o entendimento no sentido da validade da tributação com base em depósitos bancários não justificados ou comprovados pelo contribuinte. Nesse sentido, citamos entendimentos emanados desde o antigo Conselho de Contribuintes, cujas ementas a seguir transcrevemos: “1º Conselho de Contribuintes / 7ª Câmara / ACÓRDÃO 107-05774 em 20.10.1999 IRPJ – Ex (s): 1989 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Compete ao fisco identificar a operação que deu origem ao depósito bancário como receita tributável e que não fora escriturada. A presunção de desvio de receitas baseada única e exclusivamente na existência de depósito não contabilizado, cuja origem o contribuinte não seja capaz de justificar, nasceu com o advento do art. 42 da Lei n 9.430, de 27/12/96.” “1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108-06.889 em 19.03.2002 IRPJ e OUTROS - Ano: 1997 IRPJ/LUCRO REAL/OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art.42, Lei n.º 9.430/96)”. No presente caso, a recorrente foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos dos ingressos ocorridos em suas contas correntes - fls. 1.431/1.438, 1.494/1.530 e fls. 1.532/1.540 - mas ele justificou que somente uma parte dos depósitos bancários recebidos tiveram a origem e causa demonstradas. Resumem-se, portanto, os valores de omissão de receita com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por período e o montante total, que foram excluídos da autuação neste voto e o saldo mantido pela DRJ: Fl. 11117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 49 Por fim, a recorrente alega que os extratos bancários demonstram de um lado, o débito da importância paga e, de outro, o crédito correspondente entre as próprias contas da Recorrente, conforme se pode conferir, a título de exemplos: do item 03 (fls. 10329), item 02 (fls. 10331), item 01 (fls. 10336), item 03 (fls. 10.338), item 04 (fls. 10339), item 05 (fls. 10340), item 06 (fls. 10342), item 08 (fls. 10343), item 09 (fls. 10344) e item 10 (fls. 10345). Não obstante, a lei nº 9430/96, assim dispõe: Art.42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, não basta apresentar apenas o extrato bancário, devendo o próprio contribuinte apresentar a documentação hábil e idônea, conciliando com o extrato bancário, coincidindo os valores dos documentos e extratos, bem como os clientes envolvidos, o que de fato não ocorreu. Assim, a DRJ verificou cada um dos documentos anexados - fls. 10.072/10.157, de modo que a recorrente não inovou em nenhum aspecto, em relação a decisão de piso, motivo pelo qual entendo que deve ser mantido o lançamento. Na sequência, quanto ao item “Da redução da “receita bruta conhecida”, a fiscalização tributou inúmeros lançamentos bancários presumindo tratar-se de (i) receitas de depósitos de origem e causas não comprovados, bem como (II) receitas de operações de desconto de títulos de crédito, contidas nos Anexos I, II e III do auto de infração. Nesse caso, alega que, algumas destas operações, foram devidamente excluídas pela decisão administrativa anterior, enquanto outras sequer foram analisadas, mesmo com os extratos bancários evidenciavam a devolução dos cheques depositados, o que alega que deveria ser reanalisado. Fl. 11118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 50 Pois bem, ao compulsar os autos, verifica-se que tais inclusos valores que não configuram receitas – fls. 10.005 estão relacionados e devidamente demonstrados, conforme extratos bancários apresentados à fiscalização, os quais reduzem o montante tributável, assim resumidos: Ou seja, tais valores que estão nas planilhas - Anexos I e II, valores que não configuram receitas, já haviam sido reduzidos. Ademais, a própria Recorrente também apontou em seu recurso voluntário, que “ao ter efetuado inúmeras liquidações de cobranças para os sacados originais, sempre que a alertavam da impossibilidade momentânea de fazê-lo, muito embora, por se tratar de mera operação interna, não manteve, sob a sua guarda, os aludidos comprovantes, o que não quer dizer que os extratos bancários e os extratos de movimentação da carteira de cobrança sejam incapazes de demonstrar a ocorrência de tais eventos”. Não obstante, sem prejuízo a recorrente, foram extintos da autuação, por não corresponderem a receita da atividade, todas àquelas que estão acompanhadas de suficientes provas hábeis e idôneas. Assim, diante do exposto, entendo que deve ser mantido a autuação. No item “Da aplicação de multa qualificada”, afirma que as condutas descritas pela recorrente não passaram de presunções e ficções, também não conformam os requisitos necessários para a majoração da penalidade. Senão, vejamos: No caso dos autos, as conclusões fazendárias não possuem um mínimo de lastro probatório, sequer estabelecendo ao menos a verdade que se diz conhecida. Neste aspecto, a mera indicação da atividade principal do Sr. Everaldo do Nascimento Silva não afasta a possibilidade de ser sócio de qualquer empresa, nem permite a conclusão da nulidade de tal ato, caso venha a sê-lo. Neste Fl. 11119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 51 particular, importante esclarecermos que a ENS foi constituída em 10 de abril de 2001, para a atividade de cobrança de títulos de terceiros, tendo como sócio Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e o Sr. Ricardo de Souza. Na data de 15 de maio de 2012, o Sr. Wolney se retirou da sociedade, nela ingressando o Sr. Everaldo Nascimento Silva, mesmo oportunidade em que se promoveu a alteração do endereço empresarial. A despeito da previsão contratual a respeito, quem a administrava de fato era o Sr. Ricardo de Souza, especialmente pelos longos anos na própria atividade, o que nunca foi empecilho entre as próprias partes interessadas. Fato é que, desde a sua retirada, o Sr. Wolney Filho nunca mais não praticou mais qualquer ato pela sociedade ou em seu favor, não interferindo em suas decisões ou mesmo nas transações que realizava, o que, aliás, fica evidenciado pela ausência de qualquer prova demonstrando tal atuação. Aliás, custa a crer que a incisiva – muitas vezes constrangedora – atuação da administração fazendária, não tenha sequer um e-mail, uma anotação, um contrato ou qualquer elemento razoável que coloque o Sr. Wolney Filho no palco dos fatos. Neste ponto, à exceção do contrato social que comprova a sua saída da atividade empresarial, não há qualquer elemento de prova, nem sequer indiciário, que o vincule à E.N.S. SOCIEDADE SIMPLES LTDA. e que autorize a conclusão fazendária acerca da sonegação, fraude ou conluio como justificativos para a dobra da penalidade. A propósito, a Recorrente não está, de modo algum, a defender interesse de terceiros, no caso o de Wolney de Medeiros Arruda Filho, o que sequer poderiam fazê-lo, ante a ausência de legitimidade para tanto (arts. 17 e 18, NCPC). É que a sua suposta titularidade das quotas sociais foi utilizada como fundamento da imposição da penalidade qualificada, apesar da inexistência de qualquer elemento probatório hábil a justificar tal pretensão. Do mesmo modo, a utilização de imagem obtida através do Google Earth como método de comprovação da suposta falta de capacidade financeira do Sr. Everaldo em ser titular das quotas de sociedade até então prestadora dos serviços de cobrança, revela a insistente arte do nobre auditor fiscal em praticar constrangimentos. Nada além disso. Primeiro porque a imagem utilizada está completamente desatualizada, o que facilmente poderia ser percebido pela fiscalização caso tivesse se dirigido ao local, distante poucos quarteirões da Delegacia da Receita Federal de Presidente Prudente. Segundo porque o imóvel nela constante nunca constitui a residência do Sr. Everaldo, construída em alvenaria nos fundos do mesmo terreno, o que, de resto, foi confirmado pelo próprio relatório de notas fiscais confeccionado pela fiscalização às fls. 8653 (Rua Alfândega, nº 75 – fundos). Ademais, tratando-se, como dito, de empresa inicialmente prestadora de serviços de cobranças de títulos emitidos por terceiros, não se exigia dos sócios capacidade econômico- financeira de relevo, suficiente para afastar presunção de simulação de quadro societário. Neste aspecto, é importantíssimo observar que a fiscalização apenas qualifica o Sr. Everaldo como “laranja”, nada dizendo em relação ao outro sócio, Fl. 11120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 52 Sr. Ricardo de Souza, integrante do quadro societário desde o início da referida empresa e indiscutivelmente qualificado tanto para administrar uma simples empresa de cobrança quanto a faturizadora que a veio a converter-se. Esclareça- se, quanto a isso, que o Sr. Ricardo de Souza possui duas graduações (Administração de Empresas e Ciências Contábeis), além de pós-graduação em Controladoria e Gestão Financeira, (...) Neste caso, nota-se que o traço característico e comum nas três modalidades é a conduta dolosa. O dolo é imprescindível para a aplicação da penalidade qualificada, pois, como visto, as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 referem-se exclusivamente às situações em que o dolo está presente, podendo-se observar, pois, que, enquanto os artigos 71 e 72 se referem à “ação ou omissão dolosa”, o artigo 73 se relaciona com “ajuste doloso”. O dolo, o qual, aliás, consubstancia-se em elementos relativos à vontade e à consciência, é, portanto, o requisito inafastável para que a multa seja aplicada na modalidade qualificada (PRZEPIORKA, Michell; Nóbrega, Sávio Salomão de Almeida. O Dever Jurídico da Prova dos Elementos Ensejadores da Qualificação da Multa de Ofício à luz da Jurisprudência do CARF. In. Controvérsias no Direito Tributário Contemporâneo / Thabitta de S. Rocha, Bruno Rodrigues Teixeira de Lima (orgs.). - 1. ed. - Belo Horizonte, São Paulo: D’Plácido, 2023). Registre-se que não é qualquer dolo que autoriza a qualificação da multa, mas o dolo no caso específico ao qual se trata o lançamento, conforme o estudo acima citado, a jurisprudência da 1ª Turma da Câmara Superior do CARF tem caminhado no sentido de consolidar entendimento de que cabe à fiscalização demonstrar o dolo, a fraude ou o conluio no caso concreto, indicando expressamente a pertinência lógica entre o referido ato e a infração identificada (PRZEPIORKA, Michell; Nóbrega, Sávio Salomão de Almeida. O Dever Jurídico da Prova dos Elementos Ensejadores da Qualificação da Multa de Ofício à luz da Jurisprudência do CARF. In. Controvérsias no Direito Tributário Contemporâneo / Thabitta de S. Rocha, Bruno Rodrigues Teixeira de Lima (orgs.). - 1. ed. - Belo Horizonte, São Paulo: D’Plácido, 2023), conforme se verifica também do entendimento que restou perfilhado no acórdão nº 9101-005.514, de relatoria do Conselheiro Alexandre Evaristo Costa. In verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE DE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora se baseou em presunções para realizar o lançamento.” Fl. 11121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 53 Portanto, os elementos indicados pela Fiscalização são suficientes para a qualificação da multa em minha visão, por representarem dolo específico em relação ao fato gerador, cometido por inúmeros atos em sequência. Senão vejamos: A fiscalização considerou que a E.N.S. Sociedade Simples Ltda, por meio do real sócio administrador Wolney de Medeiros de Arruda Filho: “...colocou a empresa em nome da interposta pessoa Everaldo do Nascimento Silva (sócio administrador), que o Sr. Evandro trabalhava como motorista na Master Guincho, que também não ofereceu à tributação as vultosas receitas das operações de desconto de direitos creditórios, que omitiu à tributação as vultosas receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, que não declarou em DCTF os tributos devidos, que também não declarou no SPED ECF (Escrituração contábil fiscal) e SPED Contribuições as receitas auferidas e os débitos devidos, deixou de transmitir à base do SPED a ECD (Escrituração contábil digital) e também deixou de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil devidamente validados, que ocultou a movimentação de vultosos recursos entre a empresa operacional Plantae If e a E.N.S e ocultou o desvio de vultosos recursos da E.N.S. para a empresa patrimonial Grupo WAF (empresa em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho), que ocultou o pagamento das despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos, que deixou de apresentar as notas fiscais e documentos equivalentes comprobatórios das despesas da E.N.S, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes da fraude fiscal, que a empresa Plantae If utilizou a empresa E.N.S. para realização das operações das operações de desconto de direitos creditórios e depósitos bancários de origem não comprovada com omissão de receitas.” Analisando o que a fiscalização a imputou, o não oferecimento à tributação de vultuosas somas ou mesmo a ausência de tais informações em documentos contábeis e fiscais, é justamente o núcleo da omissão de receita, conforme expõem Jeferson Teodorovicz e Michell Przepiorka: Assim, operações realizadas à margem da contabilidade, como a falta do registro contábil de despesas, pagamentos, custos, ou qualquer outra operação do qual decorra a entrada de receitas no patrimônio do contribuinte, autoriza a presunção da omissão, já que a omissão do registro contábil já indica que houve pagamentos realizados à “margem da contabilidade”. Nessas hipóteses, deve o contribuinte, pela inversão do ônus da prova, afastar, mediante documentação idônea e pormenorizada, a presunção legal de omissão de receitas. O lançamento de ofício que leva à imputação de multa qualificada de 150% tem como pressuposto que o contribuinte teria agido com dolo (nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/64), que, por sua vez estabelecem as condutas de fraude, sonegação ou conluio. Uma vez verificadas, tais condutas autorizam a Fl. 11122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 54 qualificação da multa de 75% para 150%, conforme prevê o art. 44, I, par. 1ª da Lei 9430/96. Por outro lado, não se pode assumir que tais condutas, que compreendem o núcleo da materialidade da omissão de receitas, sejam praticadas cumulativamente ou não, autorizem, per se, a qualificadora da multa de ofício, pois, como visto, a continuidade da conduta praticada só teria contundência para fins de averiguação da qualificadora caso a empresa já tivesse sofrido autuação ou condenação pelas mesmas condutas e mesmo assim continuasse praticando-as deliberadamente após sofrer a respectiva penalidade, ao passo que não há previsão legal expressa para determinar com segurança e objetividade qual percentual mínimo de receita omitida que autorizaria a aplicação da qualificadora. Isso porque, tomando como referência esses elementos (ainda que cumulativos), a omissão de receitas em percentuais expressivos (proporcionalmente falando), seria caracterizada mesmo que os percentuais fossem reduzidos a 10%. Os mesmos argumentos podem ser atribuídos às operações realizadas “à margem da contabilidade”, pois, é justamente o fato de que as receitas não estão devidamente contabilizadas/registradas/declaradas que autorizaria a presunção legal. Logo, para que se autorize legalmente a aplicação da qualificadora da multa de ofício, exige-se a demonstração cabal, por parte da autoridade autuante, da existência de dolo por parte do contribuinte na prática de tais condutas, que devem ser adicionais ao núcleo material de condutas que compõem a simples omissão de receitas. Portanto, não há, nessa circunstância, presunção legal que afaste o esforço da autoridade autuante para a demonstração do dolo, nos termos do art. 44 da Lei 9430/96, que deve ser evidenciado na conduta ou nas condutas praticadas pelo contribuinte ao omitir receitas tributáveis, sem o qual não se pode autorizar a incidência da norma qualificadora da multa de ofício. No entanto, sobre o tema, as Súmulas CARF nºs 14 e 25 assim dispõem: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 A qualificação da multa, neste caso, depende da demonstração da ocorrência de uma das hipóteses listadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 1964 (sonegação, fraude ou conluio). No caso concreto, a qualificação da multa não ocorreu pela simples aplicação da presunção de omissão. Um dos fatos constatados era de que a Plantae If utilizou a E.N.S. para Fl. 11123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 55 realização das operações das operações de desconto de direitos creditórios e depósitos bancários de origem não comprovada com omissão de receitas. Em outro caso, identificou-se que o sócio Everaldo do Nascimento Silva, que ingressou na sociedade em substituição ao sr. Wolney, trata-se de interposta pessoa, sem o perfil econômico e sem atuação como sócio de fato: registrado como motorista de outra empresa, residência modesta, nenhuma informação sobre atuação na gestão/administração da Autuada. Neste caso, evidencia-se a interposição de pessoas para ocultar o real beneficiário. Assim, tratando-se de interposta pessoa, aplica-se ao caso o disposto na Súmula Carf nº 34: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Desta forma, lastreado no acervo probatório e no contexto em que se inseriu a autuação fiscal, o atuante corretamente qualificou a multa de ofício, ao patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Ocorre que em 21 de setembro de 2023 foi publicada a Lei n° 14.689, a qual alterou substancialmente o § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que toca ao caso em apreço, às infrações autuadas foi cominada penalidade menos severa, reduzindo-a para 100% (cem por cento): § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Assim sendo, aplica-se ao presente a retroatividade benigna de que trata o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Fl. 11124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 56 No item “Existência de Grupo Econômico”, a conclusão fiscal é de que se trata de grupo econômico formado pela empresa operacional Plantae IF, que declarava e recolhia os tributos, às empresas de fachada E.N.S. e R.T.S., bem como às patrimoniais Grupo WAF e Grupo W, e a Foregon.com. O TVF suscita que todas as beneficiárias ocultavam vultosos recursos desviados da E.N.S. e da R.T.S., Irresignada, a recorrente alega que a fiscalização não observou a satisfação dos requisitos do art. 50 do Código Civil; sobretudo os dois requisitos básicos para a desconsideração da personalidade jurídica: o desvio de finalidade e a confusão patrimonial, aduzindo que não há nos autos qualquer evidência em relação a nenhum dos requisitos da lei, pelo contrário, a acusação se funda no suposto desvio de recursos da E.N.S. em favor de terceiros, sem qualquer correspondência em relação às provas. Ademais, menciona que existem várias informações dos circularizados, que evidenciam a total separação entre as empresas em todas as suas etapas, desde a contratação, o pagamento e, especialmente, o recebimento dos valores relativos de cada operação, o que demonstra a ausência de artificialidade ou confusão. É incontroverso, que para a caracterização e identificação de 'grupo econômico', importa, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico' da forma da Lei n° 6.404/76). E neste contexto constatando-se a ocorrência de 'confusão patrimonial' entre empresas pode-se, inclusive, admitir que a responsabilidade tributária por solidariedade possa também se dar com fundamento no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional ('interesse comum no fato gerador'), já que se estaria verdadeiramente diante da circunstância em que o patrimônio poderia ser considerado como se fosse 'único' ( 'caixa único ') e, por consequência, as obrigações (inclusive tributárias), podem ser atribuídas a todos os integrantes, diretos ou indiretos, do 'grupo'. Nesse sentido, a comprovação da prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do 'abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial' (art. 50, Código Civil) ou 'atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), justifica plenamente o procedimento de considerá-las como pertencentes às mesmas pessoas e, portanto, passíveis de responsabilização, independentemente dos seus quadros societários formais ou aparentes. Assim, a possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um 'grupo econômico', seja ela 'de direito' ou 'de fato' tem fundamento nos incisos I e II do artigo 124 do Código Tributário Nacional (por expressa determinação legal), que nos leva Fl. 11125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 57 ao inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/1991, nos casos em que se constata a 'confusão patrimonial' (interesse comum no fato gerador). Finalmente, vale destacar que a responsabilidade solidária de integrantes de 'grupo econômico' não representa inovação, pois a própria CLT — Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-lei 5.452/1943) a prevê, sem fazer qualquer distinção entre 'grupo econômico de fato ou de direito'. Com efeito: Art. 2 (...). § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Feitas essas considerações, que demonstram cabalmente a viabilidade legal da existência de 'grupo econômico de fato' (além dos grupos econômicos formalmente constituídos), e a consequente possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre os seus integrantes e respectivos dirigentes. Com efeito, no presente caso, o Termo de Sujeição Passiva anexo ao Relatório Fiscal ocupou-se de também demonstrar a responsabilidade solidária, pelo ângulo do art. 124, inciso I, como se depreende do TVF, cujas razões fático-jurídicas para tanto foram as seguintes: O sujeito passivo solidário Plantae If Fomento Comercial Ltda: empresa em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho; é a real controladora da E.N.S. e da R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos para/da empresa E.N.S. O sujeito passivo solidário Foregon.com S.A.: 96% das ações são detidas por Wolney de Medeiros Arruda Filho; presidida por Wolney de Medeiros Arruda Filho; e beneficiária oculta dos recursos desviados pela R.T.S. O sujeito passivo solidário Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S.; beneficiária oculta dos recursos desviados pela E.N.S. fruto da sonegação e fraude fiscal; beneficiária oculta dos recursos desviados pela R.T.S. O sujeito passivo solidário Grupo W Participações Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S. Fl. 11126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 58 O sujeito passivo solidário R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, sucessor da E.N.S., cujo procedimento de fiscalização está em curso: a) Pertence de fato ao Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e é controlado pela Plantae If. b) Utilizado para sonegar o IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IOF incidentes sobre as operações de desconto de direitos creditórios. c) Deixou de transmitir a escrituração contábil à base do SPED e deixou de apresentá-la à fiscalização, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização e a identificação dos reais proprietários. d) Ocultou o desvio de recursos para a aquisição de bens da empresa patrimonial Grupo WAF, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. e) Ocultou o desvio de recursos para a operacional Foregon.com, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. f) Ocultou o pagamento de despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e da família dele. Assim sendo, as empresas Plantae If Fomento Comercial Ltda, Foregon.com S.A., Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda, Grupo W Participações Ltda e R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli devem responder solidariamente pelos débitos tributários da E.N.S., nos termos do art. 124, I, do CTN, que estabelece a solidariedade pelo adimplemento das obrigações tributárias de pessoas que possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Depreende do excerto, que o procedimento de fiscalização em nome da R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, sucessora da E.N.S., Processo nº 10835-726.977/2019-18, foi pautado na 1ª Seção de Julgamento, na 2ª Câmara, na 2ª Seção, em 13.06.2024, decidindo a turma por baixar em diligência. A responsável solidária, Foregon Com S/A, se defendeu, alegando que não recebeu recursos ocultados da ENS ou da sua suposta sucessora RTS; e que o objeto social não interage com o da recorrente, atuando apenas com: “agenciamento, intermediação de cartões de crédito, recepção e encaminhamento de propostas para emissão de cartão de crédito, investimentos, financiamentos e seguros junto à instituições financeiras, seguradoras e corretoras de seguros; assessoria/consultoria, análise, avaliação, atendimento, consulta, cadastro, seleção, gerenciamento de informações em sistema de informática, atividade de banco de dados e outras atividades relacionadas na área de informática e serviços combinados de escritório e apoio administrativo - "Coworking" (fls. 8224). Afirma, ainda: Fl. 11127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 59 Trata-se de atividade de expressivo porte, com 8 milhões de usuários cadastrados, 1,8 milhões de visitas por mês e 3 mil novos usuários por dia, com destaque, inclusive, nos meios de comunicação e, ainda, detentora do prêmio “Great Place to Work” (fls. 9.674). No tocante ao Grupo WAF, a autoridade fiscal fundamentou a aludida solidariedade, mencionando que a E.N.S. Sociedade Simples Ltda. e sua sucessora R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, teriam ocultado o desvio de recursos para a empresa patrimonial Grupo WAF, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho (fls. 9.426). “Ao cotejar o extrato bancário disponível da R.T.S. (a R.T.S. omitiu diversos períodos; vide fls. 5188) com a contabilidade do Grupo WAF (vide Livro Diário às fls. 3399), com base na coincidência de datas e valores, constata-se que a R.T.S. desviou recursos para o Grupo WAF. A R.T.S. embora intimada a demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos, deixou de fazê-lo, num evidente intuito de esconder o real beneficiário dos valores desviados fruto da sonegação e fraude fiscal. (...)” Em outro ponto, menciona que o Grupo WAF adquiriu o imóvel matrícula nº 50071 em 24/11/2016 da Sawil Business Ltda pelo valor total de R$ 2.000.000,00 pagos em 5 parcelas. A segunda parcela no valor de R$ 250.000,00 foi paga pela R.T.S. em 25/11/2016, a favor do beneficiário Sawil Business Ltda. Consta também que todos os pagamentos relacionados à aquisição do imóvel da matrícula nº 50071, se originaram da conta bancária do Grupo WAF, totalizando o montante de R$ 2.000.000,00, correspondente ao preço pago pelo aludido imóvel. E, nesse sentido, conforme o “Razão” apresentado, verifica-se no referido quadro da conta contábil “2.02.01.01.00009” – IMÓVEL 3 A PAGAR”, não houve nenhum lançamento em contrapartida a conta contábil “2.01.05.02.0001 – PARTES RELACIONADAS”, mas sim uma contrapartida a conta contábil “1.01.01.02.0003” – BANCO BRADESCO 144-9”, em razão de mútuo tomado pelo Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. Contra a W Participações Ltda, a fiscalização alega que: “o sujeito passivo solidário Grupo W Participações Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S.”.. (fls. 9.426). Contra a Plantae If Fomento Comercial Ltda, o TVF menciona que: “em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho; a Plantae, real controladora da E.N.S. e da R.T.S. usou as para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos para/da empresa E.N.S”. Fl. 11128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 60 De fato, tal empresa pertence ao Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e é controlada pela Plantae If. Na sequência, consta que a recorrente se utilizou das empresas E.N.S. e R.T.S. para a realização de operações de desconto de direitos creditórios com sonegação e fraude fiscal; administrada e gerenciada por Wolney de Medeiros Arruda Filho (fls.9413). No caso da RTS Serviços e Cobranças Eireli, de acordo com os comprovantes de pagamento fornecidos parcialmente pela diligenciada, constam que as operações da Plantae If eram liquidadas na E.N.S. ou na R.T.S., in verbis: Ao cotejar o extrato bancário disponível da R.T.S. (a R.T.S. omitiu diversos períodos; vide fls. 5188) com a contabilidade do Grupo WAF (vide Livro Diário às fls. 3399), com base na coincidência de datas e valores, constatasse que a R.T.S. desviou recursos para o Grupo WAF. A R.T.S. embora intimada a demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos, deixou de fazê-lo, num evidente intuito de esconder o real beneficiário dos valores desviados fruto da sonegação e fraude fiscal. E, ao se confrontar os extratos bancários da R.T.S., com os DARF de recolhimento dos tributos, constatou-se que a R.T.S. pagava os tributos devidos por Wolney de Medeiros Arruda Filho, Foregon.com e BGWD Agropecuária. Novamente, em outra situação, ao se confrontar os pagamentos realizados pela R.T.S. a favor da Google (vide notas fiscais às fls. 9211 a 9249), constatou-se que se trata de pagamentos de despesas de serviços de publicidade da própria empresa. Ou seja, de fato, a fiscalização conseguiu demonstrar, por meio de provas hábeis e idôneas, que tais empresas possuíam interesse comum na concretização do fato gerador, correspondendo a responsabilidade à luz do art. 124, do CTN, responsabilizando-as solidariamente. Destaca-se que a responsabilidade baseada no interesse comum, do art. 124, I do CTN, se impõe ao ficar caracterizado que este interesse tem a característica de interesse jurídico, isto é, a empresa do grupo teve participação no processo decisório que ensejou a infração, bem como houve confusão patrimonial, entre as empresas do grupo, que são as características inerentes ao presente caso. Neste caso, pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, conclui-se, portanto, que foi possível à Fiscalização à caracterização de grupo econômico de fato. Observem: Às págs. 1.998/2.028, documentos entregues por um dos clientes – fls. 9.353/9.355, menciona que a ENS lhe antecipou recursos, embora constassem como descontados pela Plantae IF, em contrato celebrado com esta. Fl. 11129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 61 Às págs. 2.029/2.035 e 3.214/3.304, documentos de um dos clientes – fls. 9.356/9.357, menciona que a cliente contrata com a Plantae IF, mas que envia os recursos a ENS e as NP que o cliente descontou são cobradas pela RTS. Às págs. 9.394/9395, as operações relativas ao cliente Nilton de Souza (fls. 7.903/7.941), informam que empregados da Plantae IF intermediavam contatos, tendo o borderô de desconto dos títulos emitido pela RTS. Na sequência, as operações relativas à cliente Naiara Pinatti Mariniello (fls. 3.336/3.354), dispõe que descontou títulos junto à Plantae If, porém, o borderô de desconto dos títulos foi emitido pela RTS. Conclui-se, portanto, que estando configurada a responsabilidade solidária circunscrita no art. 124, I do CTN, das empresas supra, participantes de um grupo econômico de fato, embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e pelas quais circulam recursos financeiros de forma irregular, entendo que as mesmas devam figurar no polo passivo da obrigação tributária. Transcrevo, por fim, parte do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 04, de 10 de dezembro de 2018: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. INTERESSE COMUM. ATO VINCULADO AO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. ATO ILÍCITO. GRUPO ECONÔMICO IRREGULAR. EVASÃO E SIMULAÇÃO FISCAL. ATOS QUE CONFIGURAM CRIMES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. NÃO OPOSIÇÃO AO FISCO DE PERSONALIDADE JURÍDICA APENAS FORMAL. POSSIBILIDADE. A responsabilidade tributária solidária a que se refere o inciso I do art. 124 do CTN decorre de interesse comum da pessoa responsabilizada na situação vinculada ao fato jurídico tributário, que pode ser tanto o ato lícito que gerou a obrigação tributária como o ilícito que a desfigurou. A responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição. Deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. São atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidaria: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo). O grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de Fl. 11130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 62 mais de uma pessoa jurídica, o que demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados. Contudo, não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica. Os atos de evasão e simulação que acarretam sanção, não só na esfera administrativa (como multas), mas também na penal, são passíveis de responsabilização solidária, notadamente quando configuram crimes. Atrai a responsabilidade solidária a configuração do planejamento tributário abusivo na medida em que os atos jurídicos complexos não possuem essência condizente com a forma para supressão ou redução do tributo que seria devido na operação real, mediante abuso da personalidade jurídica. Restando comprovado o interesse comum em determinado fato jurídico tributário, incluído o ilícito, a não oposição ao Fisco da personalidade jurídica existente apenas formalmente pode se dar nas modalidades direta, inversa e expansiva. Dispositivos Legais: art. 145, §1º, da CF; arts. 110, 121, 123 e 124, I, do CTN; arts. 71 a 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964; Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; arts. 60 e 61 do Decreto-Lei n? 1.598. de 26 de dezembro de 1977; art. 61 da Lei ns 8.981, de 1995; arts. 167 e 421 do Código Civil. (Grifou-se.) Na sequência, a discussão orbitou em torno da responsabilidade capitulada no art. 135, III, do CTN, imputada aos Srs. Wolney de Medeiros Arruda Filho e Antônio Carlos Shiro Hachisuca, dispondo que a responsabilidade é pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, neste caso, aos diretores mencionados. Contra Antônio, consta que a acusação fiscal se deu por ser contador responsável pela empresa operacional Plantae If, e pelas empresas E.N.S. e R.T.S.; e por ter omitido as receitas nas declarações do SPED Contribuições e SPED ECF, bem como os débitos devidos na DCTF das empresas E.N.S. e R.T.S. De início, cabe afirmar que o CTN prevê a distinção de responsabilidade entre a pessoa jurídica e as pessoas dos diretores, gerentes ou seus representantes. Tal distinção encontra seu fundamento de validade na lógica premissa segundo a qual, uma vez constituída a pessoa jurídica, por ficção legal, acaba por assumir um plexo de direitos e obrigações absolutamente distintos dos direitos e obrigações peculiares às pessoas físicas e jurídicas que compõe o seu quadro societário. Dessa maneira, a distinção de responsabilidades e, de conseguinte, a limitação da responsabilidade dos sócios se impõe como regra lógica. Fl. 11131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 63 No presente caso, à responsabilidade tributária imputada à Antônio Carlos Shiro Hachisuca, responsável pela contabilidade do grupo, não se adequa à condição de diretor, gerente ou de representante da pessoa jurídica. Ademais, penso que a relação entre a pessoa jurídica e o contador, consubstanciada no contrato de prestação de serviços, tem natureza mandamental onde o mandante (pessoa jurídica) autoriza o mandatário (contador) a cumprir obrigações fiscais em seu nome. Sob essa ótica, o enquadramento correto seria o inciso II daquele mesmo artigo do CTN, que trata da responsabilidade, dentre outros, dos mandatários que pratiquem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vê-se que está se tratando de conduta em que se exorbita dos poderes outorgados o que significaria, no presente caso, agir sem o conhecimento do mandante. Poder-se-ia dizer que a intenção do legislador seja mitigar a aplicação excessiva do princípio geral da objetividade. Daí porque ao tratar da responsabilidade pessoal do agente, o enquadramento legal correto seria o inciso II, alínea “b”, do CTN, e não o inciso I deste artigo, como mencionado. Assim, a responsabilidade tributária do contabilista mandatário, com o surgimento de relação jurídica para com o Fisco, existirá tão somente em três hipóteses: atos praticados com excesso de poderes, atos praticados com infração de lei e prática de ilícitos tributários com dolo específico contra o outorgante. Haverá responsabilização pessoal quando os atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei resultarem de atuação dolosa do contabilista, que age com plena consciência de que está extrapolando os poderes que lhe foram outorgados ou violando a lei tributária. No presente caso, a autoridade lançadora não dispõe se haveria ou não subordinação hierárquica entre a pessoa jurídica e o contador que, nessa linha, teria agido de livre opção, logo intencional. Na linha do exposto neste voto, o que se deve averiguar é se os atos praticados pelo contador tinham ou não a anuência da empresa, quiçá em atendimento à solicitação dos representantes legais da pessoa jurídica. Não vislumbrei nos autos qualquer indicativo de que as irregularidades apuradas tivessem ocorrido à revelia dos sócios da empresa, ou contrariando expressamente orientação por elas transmitida. Assim, entendo não caber a responsabilização do contador nos moldes efetuados pela autoridade lançadora, devendo ser afastada. Na sequência, contra o Sr. Wolney, consta que é o real proprietário da E.N.S.; que é sócio administrador da Plantae If; que é o ex-sócio administrador da empresa patrimonial Grupo WAF, que beneficiou-se da ocultação de recursos desviados pela E.N.S. e R.T.S., transferido na sequência, ainda no curso da fiscalização, para o nome do filho menor; bem como por ser ex-sócio Fl. 11132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 64 administrador da empresa patrimonial Grupo W, que também havia sido transferida para o nome do filho menor, também durante a ação fiscal. Ademais, consta que foi sócio administrador da empresa Foregon.com, que se beneficiou, de forma oculta, de recursos remetidos pela R.T.S. (sucessora da E.N.S.); e, também se beneficiou, de forma oculta, de pagamentos realizados pelas empresas E.N.S. e R.T.S. No tocante à responsabilidade do Sr. Wolney, além dos fatos já mencionados, consta, nas fls. 77 a 171, que atuava como sócio administrador e simulou a retirada da sociedade E.N.S., ingressando o sócio administrador laranja, (interposta pessoa), Everaldo do Nascimento Silva. Nesse caso, destaca-se que o Sr. Everaldo do Nascimento Silva, (vide relatório da GFIP às fls. 8647 a 8701), exercia a função de motorista nas empresas Master Guinchos e Praiamar, no período de 02/2016 a 01/2019. Também, que a E.N.S., bem como a R.T.S., pagava às despesas pessoais do Sr. Wolney Medeiros de Arruda Filho e de pessoas a ele ligadas e que, a E.N.S. pagava os DARFs do grupo familiar e empresarial do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, bem como de sua irmã, Beatriz Lebrão Arruda, e da empresa Foregon.com: Adiante, verifica-se que a RTS, pagou taxas de licenciamento do veículo - placa FUN5788, de propriedade do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, conforme assim se demonstra: Fl. 11133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.728 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.725129/2019-83 65 Por fim, consta ainda, que entre os anos de 2016 e 2019, o Sr. Wolney apresentou 69 declarações assinadas digitalmente, utilizando o certificado digital das empresas Foregon.com, Grupo W, Grupo WAF e Plantae If. Ou seja, os fatos apontados e demonstrados pela fiscalização, apontam que o Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, exercia, de fato, a direção do grupo empresarial, caracterizando, portanto, a responsabilidade à luz do art. 135, III do CTN. Conclusão Ante o exposto, acolho apenas a preliminar de apresentação de novas provas e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, unicamente para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento), haja vista a retroatividade benigna de lei superveniente à vigente à época dos fatos geradores, bem como afastar a responsabilidade do Sr. Antônio Carlos Shiro Hachisuca, mantendo as responsabilidades tributárias solidárias de: Wolney de Medeiros Arruda Filho, CPF 249.786.418-70; Grupo W Participações Ltda, CNPJ 18.129.392/0001-59; Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 21.778.309/0001-87; Foregon Com S/A, CNPJ 04.100.845/0001-00; Plantae IF Fomento Comercial Ltda, CNPJ 02.526.976/0001-28; RTS Serviços e Cobranças Eireli, CNPJ 15.726.911/0001-78. Quanto ao Recurso de Ofício, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 11134DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Do mérito
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Numero do processo: 13706.003003/2001-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
INEXATIDÃO. ERRO MATERIAL SANEAMENTO
Acolhem-se os embargos de declaração interpostos, sem efeitos infringentes, unicamente para esclarecer que o direito creditório reconhecido para os períodos de 1999, 2000 e 2001 são os constantes na planilha transcrita ao final do voto, incluindo montantes já deferidos em etapas anteriores e o provido pelo Colegiado de 2º Grau, mantendo-se, no mais e integralmente, a decisão embargada como foi prolatada.
Numero da decisão: 1402-007.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão nº 1402-003.958, de 16/07/2019, desta 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, e a ele dar provimento parcial, sem efeitos infringentes, unicamente para esclarecer que o direito creditório reconhecido para os períodos de 1999, 2000 e 2001 são os constantes na planilha transcrita ao final do voto, incluindo montantes já deferidos em etapas anteriores e o provido pelo Colegiado de 2º Grau.
Sala de Sessões, em 26 de agosto de 2025.
Assinado Digitalmente
Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ERRO MATERIAL SANEAMENTO Acolhem-se os embargos de declaração interpostos, sem efeitos infringentes, unicamente para esclarecer que o direito creditório reconhecido para os períodos de 1999, 2000 e 2001 são os constantes na planilha transcrita ao final do voto, incluindo montantes já deferidos em etapas anteriores e o provido pelo Colegiado de 2º Grau, mantendo-se, no mais e integralmente, a decisão embargada como foi prolatada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão nº 1402-003.958, de 16/07/2019, desta 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, e a ele dar provimento parcial, sem efeitos infringentes, unicamente para esclarecer que o direito creditório reconhecido para os períodos de 1999, 2000 e 2001 são os constantes na planilha transcrita ao final do voto, incluindo montantes já deferidos em etapas anteriores e o provido pelo Colegiado de 2º Grau. Sala de Sessões, em 26 de agosto de 2025. Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 3105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 2 RELATÓRIO Trata-se de análise dos Embargos de Declaração interpostos pela pessoa jurídica acima identificada, em face do Acórdão nº 1402-003.958, de 16/07/2019, da 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (fls. 2979/3026), cuja decisão, naquilo que é objeto dos presentes aclaratórios, foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO Tendo o ato sido emitido por autoridade competente e obedecido o regramento legal, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA Praticados pela autoridade fiscal os atos administrativos dentro do interregno temporal de cinco anos, descabe argüir possível decadência. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Comprovada a regularidade exigida, o direito creditório há que ser reconhecido na parte inconteste. Decisão assim registrada: Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade/decadência suscitada acerca do prazo para que o Poder Público possa rever seus atos, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar arguida; ii) por voto de qualidade, rejeitar, com supedâneo na Súmula STF nº 473, de 03/12/1969, a preliminar de nulidade do ato administrativo da Autoridade Tributária jurisdicionante da contribuinte que inicialmente homologara a compensação intentada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Qintella, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e André Severo Chaves (suplente convocado) que davam provimento; iii) por unanimidade de votos, iii.i) não conhecer do recurso voluntário relativamente aos argumentos opostos contra o indeferimento da retificação do pedido de compensação tendo por objeto os débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS de março/2002; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, iii.ii.i) determinar que o Processo Administrativo nº 15374.723624/2009-74, apenso a este PA, seja desapensado e desvinculado da presente demanda, devendo retornar à unidade de origem jurisdicionante da contribuinte a fim de ser analisado o pedido de compensação nele contido, com prolatação de novo Despacho Decisório que analise a existência e quantificação de possível direito creditório Adicional de R$.2.000.869,98, retomando, a partir de tal decisão, o rito procedimental previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com observância de todas as instâncias administrativas; e, iii.ii.ii) reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até limite do referido Fl. 3106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 3 reconhecimento, relativamente aos seguintes períodos e valores: 1999 (R$ 65.965,80); 2000 (R$ 1.628.522,24) e 2001 (R$ 1.881.915,07). O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva não participou do julgamento em relação aos itens i e ii, tendo participado nestas votações os Conselheiros Bárbara Santos Guedes e André Severo Chaves, respectivamente. Os Embargos foram formalizados pela interessada conforme petição de 26/11/2021 (fls. 3036/3046), tidos como tempestivos e sido admitidos para apreciação pelo Colegiado, tendo suscitado os seguintes aspectos, conforme bem sintetizado pelo Despacho de Admissibilidade prévio (fls. 3093/3013): “Sustenta-se que o acórdão embargado teria incorrido em erro material e diversas omissões. Os vícios apontados no declaratório serão analisados separadamente adiante. Antes da análise propriamente dita, e para melhor entendimento de referências contidas no texto recursal, faz-se breve histórico do andamento processual por meio da transcrição de trechos do relatório do acórdão embargado (que nesta parte reproduz relatório da decisão de 1ª instância): “1. No decorrer de 2002, o Fisco prolatou diversos Despachos Decisórios que reconheceram, em favor da interessada, direitos creditórios que, após consumidos em compensações diversas, ainda lhe favorecia numa quantia a restituir igual à R$ 54.617.093,57, em valor originário. 2. Na data do efetivo crédito da restituição, o valor montou R$ 67.994.429,13. 3. Dentre os diversos Pareceres Conclusivos que embasaram os despachos aludidos acima, importam para o presente processo os de número 140/2002 e 141/2002. 4. Como fruto de procedimentos de auditoria interna nesta Secretaria, a autoridade competente para o feito houve por bem constituir um grupo de trabalho (Portarias SRRF07 nº 460/2005, 119/2007, 539/2007, 488/2007) para a revisão das decisões em questão. 5. O Parecer Conclusivo nº 176/2007 fundamentou Despacho Decisório de mesmo número, para declarar como indevidas as compensações realizadas pela interessada, bem assim a restituição que já havia lhe sido creditada e que, na data de tal parecer, montava R$ 174.046.700,12. 6. A cobrança de tal direito creditório revertido culminou no processo de execução fiscal nº 2009.51.01.503546-4 e nos embargos à execução de nº 2009.51.01.522594-0. 7. Posteriormente, a Diort/Derat/RJ lavrou novo Despacho Decisório, que, com fulcro em novo Parecer Conclusivo, de nº 279/2009, reconheceu como indevido apenas o direito creditório de R$ 3.467.223,50, tomando como referência os R$ 67.994.429,13 creditados em favor da interessada. 8. Em 14/10/2010, a interessada impugnou o Despacho Decisório referido acima. 9. Em 21/10/2010, atenta à vultosa quantia objeto de cobrança judicial e às possíveis decorrências sucumbenciais, a Digra/PRFN/2ª Região solicitou o encaminhamento do presente processo à Demac/RJO para “apreciação e ratificação da nova decisão nele proferida (...) 10. Em 19/11/2010, a Diort/Demac/RJO proferiu o Parecer Conclusivo nº 094/2010, por meio do qual propôs a retificação do Parecer Conclusivo nº 279/2009. A autoridade parecerista motivou o feito em supostos erros na transcrição de valores no parecer anterior (...) Fl. 3107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 4 (...) 15. (...) a Demac/RJO/Diort lavrou o Despacho Decisório de fls. 2.582 e ss em que ratifica, com força de decisão, as razões do Parecer Conclusivo nº 094/2010. Tal despacho fora assinado digitalmente por seu subscritor em 29/01/2016 e cientificado à interessada em 02/02/2016”. Os embargos também relatam a sequência de atos e decisões administrativas e a partir de certo ponto passam a denominá-los como “DECISÕES FAVORÁVEIS”, “SEGUNDO DESPACHO”, e assim por diante. Registra-se, a seguir, a correspondência entre tais denominações e os atos e decisões administrativas citados no relatório do acórdão embargado. “DECISÕES FAVORÁVEIS” – Despachos Decisórios baseados nos Pareceres Conclusivos n°s 140/2002 e 141/2002 (posteriormente revistas) “DECISÃO ANULATÓRIA” – Despacho decisório no 176/2007 “SEGUNDO DESPACHO” - Despacho Decisório que acatou as razões do Parecer Conclusivo n° 279/2009, reduzindo o valor do crédito antes reconhecido em favor da Embargante pelas “DECISÕES FAVORÁVEIS” “TERCEIRO DESPACHO” - Despacho Decisório que acatou as razões do Parecer Conclusivo n° 094/2010, o qual, a título de retificação de equívocos do SEGUNDO DESPACHO, reduziu ainda mais o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Passa-se à análise dos vícios suscitados pela Embargante. Primeiro vício alegado - erro material quanto ao montante de crédito a ser reconhecido em favor da Embargante Aduz a Embargante: “3.1. Independentemente das demais omissões quanto à análise de argumentos aduzidos pela EMBARGANTE em seu recurso voluntário, o ACÓRDÃO EMBARGADO comete erro material ao quantificar o crédito que foi reconhecido em favor da EMBARGANTE. 3.2. De fato, como visto, o TERCEIRO DESPACHO já havia definitivamente reconhecido em favor da EMBARGANTE créditos nos valores de R$ 8.847.770,13 (1999), R$ 23.428.549,78 (2000) e R$ 22.942.950,71 (2001). 3.3. O ACÓRDÃO EMBARGADO deu provimento parcial ao recurso voluntário da EMBARGANTE e reconheceu uma parcela adicional do crédito em discussão, referente ao IRF sobre aplicações financeiras, nos valores de R$ 65.965,80 (1999), R$ 1.628.522,24 (2000) e R$ 1.881.915,07 (2001), os quais deveriam ter sido somados ao montante do crédito que já havia sido reconhecido em favor da EMBARGANTE, como segue: Fl. 3108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 5 3.4.No entanto, o item iii.ii.ii) da parte dispositiva do ACÓRDÃO EMBARGADO dá a entender que o crédito da EMBARGANTE estaria limitado aos montantes reconhecidos pelo próprio ACÓRDÃO EMBARGADO, desconsiderando os montantes já reconhecidos pelas autoridades fiscais: "(•••) iii.ii.ii) reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até o limite do referido reconhecimento, relativamente aos períodos e valores: 1999 (R$ 65.965, 80); 2000 (R$ 1.628.522,24); e 2001 (R$ 1.881.915, 07) ." 3.5.Assim sendo, deve-se retificar o ACÓRDÃO EMBARGADO para que seja reconhecido o direito de crédito e homologadas as compensações até o limite do crédito já reconhecido pelas autoridades fiscais acrescidos dos montantes reconhecidos pelo CARF.” (grifos acrescidos) A leitura na íntegra da decisão embargada não deixa dúvidas quanto ao reconhecimento de parcelas adicionais de direito creditório, correspondentes a imposto retido na fonte sobre rendimentos financeiros, nos anos 1999, 2000 e 2001, com base em Informes de Rendimentos reproduzidos no corpo do voto do Relator (fontes pagadoras VOTORANTIN, MORGAN GUARANTY, BANCO SANTOS, BANCO BBM e BANCO FINANVEST). Tais parcelas vêm a somar-se às já reconhecidas anteriormente pelas autoridades administrativas (via Despachos Decisórios, conforme relato supra). Reconhece-se, contudo, a possibilidade de a leitura apenas da parte dispositiva (transcrita no item 3.4 dos embargos) conduzir ao entendimento equivocado de que o total do crédito reconhecido, após a decisão do colegiado, limite-se aos valores citados naquele trecho. Considerando esta possibilidade, e no intuito de assegurar a correta interpretação e cumprimento da decisão, inclusive na esfera operacional da unidade administrativa de origem, admite-se este ponto como obscuridade, sanável por meio de decisão integrativa que esclareça que os valores em questão são parcelas adicionais que, somadas às parcelas já reconhecidas anteriormente, compõem o montante do crédito reconhecido nesta etapa da contenda, montante este que representa o limite para a homologação das compensações vinculadas. Segundo vício alegado - omissão quanto a argumento relativo à parcela de IRF de 1999 desconsiderada no “TERCEIRO DESPACHO” (regime de caixa x regime de competência) Quanto ao ponto, os embargos sustentam: Fl. 3109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 6 “4.1. Como visto, o SEGUNDO DESPACHO fez uma análise das retenções sofridas pela EMBARGANTE, concluindo que determinados valores de IRF não poderiam ser computados no cálculo do saldo negativo dos anos de 1999, 2000 e 2001, uma vez que seriam (i) supostamente exclusivos de fonte ou (ii) relativos a rendimentos não oferecidos à tributação naqueles períodos base. 4.2. Não obstante, ao calcular o montante efetivo dos saldos negativos, apenas excluiu o IRF cujos informes de rendimento indicavam ser exclusivo de fonte, nos valores de R$ 65.965,80 em 1999, R$ 1.628.522,24 em 2000, e R$ 1.881.915,07 em 2001. 4.3 O TERCEIRO DESPACHO identificou que o SEGUNDO DESPACHO não havia diminuído a diferença de R$ 237.239,85 relativa a retenções efetuadas pela Caixa Econômica Federal sem correspondência em rendimentos oferecidos à tributação pela EMBARGANTE (embora tal discrepância tivesse sido relatada pelo SEGUNDO DESPACHO) e daí ajustou o valor do saldo negativo de 1999. 4.4. A EMBARGANTE sustentou na seção 7. do seu recurso voluntário que os rendimentos sobre os quais incidiu o IRF no montante R$ 237.239,85 em 1999 já haviam sido oferecidos à tributação pelo regime de competência em período anterior, daí que a glosa dessa parte do crédito seria improcedente. 4.5. O ACÓRDÃO EMBARGADO reconhece que a EMBARGANTE teria logrado comprovar que a falta de contabilização, em 1999, dos rendimentos correspondentes ao IRF de R$ 237.239,85 decorreu da divergência existente entre os regimes de caixa e competência, bem como que a tributação em período anterior havia sido confirmada em relatório fiscal. Nesse sentido são os seguintes trechos do ACÓRDÃO EMBARGADO: (...) 4.6. Todavia, apesar de aceitar a tese da EMBARGANTE, o ACÓRDÃO EMBARGADO, de forma contraditória, deixou de computar o IRF de R$ 237.239,85 ao montante do saldo negativo de 1999 reconhecido em seu favor, apenas reconhecendo o crédito relativo ao IRF cujos informes de rendimento indicavam equivocadamente ser exclusivo de fonte. 4.7. É o que se verifica da tabela constante das fls. 3019, a qual, em relação ao ano de 1999, indica tão somente o crédito de R$ 65.965, 80, que corresponde à soma do IRF de 1999 retido por VOTORANTIM C.T.V.M. LTDA. (R$ 24.096,86), MORGAN GUARANTY TRUST CO OF NEY YOKR SÃO PAULO (R$ 27. 62 6, 40) e BANCO SANTOS S.A. (R$ 14.242, 54). 4.8. Dessa forma, os vicios apontados devem ser corrigidos, para que se compute o IRF de R$ 237.239,85 no valor do saldo negativo de 1999 reconhecido em favor da EMBARGANTE.” (grifos acrescidos) De fato, o acórdão embargado divergiu da decisão de piso neste ponto. A decisão de 1ª instância concluíra que a retenção efetuada pela CEF não poderia ser computada no cálculo do saldo negativo de 1999 porque os respectivos rendimentos não teriam sido informados na DIPJ daquele ano. No item 7 do recurso voluntário, o sujeito passivo defendeu que a aparente discrepância se devia ao fato de os rendimentos terem sido contabilizados e informados na DIPJ pelo Fl. 3110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 7 regime de competência (em ano anterior), ao passo que a retenção na fonte ocorre quando da liquidação/resgate da aplicação financeira (regime de caixa). Acrescentou que isto teria sido constatado pelo “SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO” (item 7.9 do recurso voluntário). O acórdão embargado manifestou concordância com o argumento da defesa, nos seguintes termos: “Feitas estas observações, passo à analise dos argumentos e das provas. Inicio pelo ano de 1999, cujo valor em litígio é de R$ 3.439.813,37. De acordo com a decisão recorrida (fls. 2771/2772) [da DRJ], “embora tenha contabilizado apenas parte dos rendimentos auferidos, a interessada pugna pelo reconhecimento de toda a retenção sofrida na fonte, correspondente a tais rendimentos. Tal conduta viola, a toda evidência, a premissa estabelecida na alínea “c” do parágrafo 3º do artigo 37 da Lei nº 8.981/95 (...). Assim, no mérito, a questão se revela, antes de tudo, probatória, escopo em que, por si só, a defesa restou insuficiente, em que pese a alentada e robusta peça de bloqueio. É que, por mais esmerada e bem desenvolvida que seja a manifestação de inconformidade, como é o caso dos autos, é forçoso reconhecer que alegar sem provar é o mesmo que não alegar, ex vi o art. 373 do NCPC. Sem escrituração que lhe ateste o direito que alega, inclusive quanto a ter tributado os rendimentos em regime de competência e a retenção ter se dado em regime de caixa, a interessada combate o teor de sua DIPJ, que espontaneamente entregou”. Ou seja, a recorrente não teria se safado de comprovar haver oferecido à tributação os valores dos rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF que pretende utilizar. Como é cediço, esta divergência entre os regimes de competência (adotado pelas empresas para reconhecer suas receitas) e o de caixa, assumido pelas fontes pagadoras que efetuam a retenção no momento do resgate, é matéria rotineiramente enfrentada em procedimentos como esse, cabendo não só à interessada demonstrar a correção de seu procedimento como ao Fisco aferi- la. Neste caso, com a devida vênia ao posicionamento da decisão a quo, penso que a recorrente logrou demonstrar e comprovar estas divergências, fazendo os ajustes necessários e, mais que isso, a informação constante do Relatório Fiscal de 02/04/2009 (fls. 767/772) caminha no sentido de atestar referido procedimento. (...) Quadro que se ratifica pelo literal dizer da Autoridade Tributária em diversas oportunidades quando da elaboração do Parecer Conclusivo nº 279/2009 (fls. 1029/1030 e 1034): [trechos do Parecer Conclusivo nº 279/2009]” (grifos originais, destaques acrescidos) Na sequência, o acórdão passa a analisar o que denomina “segundo óbice trazido na decisão de 1º Piso”, qual seja, se os rendimentos correspondentes às retenções em tela seriam ou não de tributação exclusiva na fonte. Fl. 3111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 8 Por fim, o voto resume suas conclusões: “Induvidoso, portanto, que os rendimentos devem compor o Lucro Real e os valores retidos podem ser utilizados para compensação ou estruturação de saldo negativo, como no caso em pauta. Deste modo, sem maiores delongas, tendo em vista a comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos e a correta identificação dos valores e códigos nos informes de rendimentos, atendendo ao que dispõem os artigos 37, § 3º, “c”, da Lei nº 8.981/95 e 943, do RIR/1999, há que DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário de modo a reconhecer o direito creditório pleiteado relativamente aos períodos e valores abaixo: (...)” (grifei) Vê-se que o voto condutor aceitou o argumento da defesa, de que o rendimento correspondente à retenção efetuada pela CEF fora informado em DIPJ anterior, pelo regime de competência. Em seguida elaborou-se demonstrativo dos valores de “IRRF deferido”, indicando as retenções (antes desconsideradas) que passaram a ser admitidas após o acórdão nº 1402- 003.958, na composição dos saldos negativos dos anos 1999, 2000 e 2001 (efls. 3019). O demonstrativo deixou de incluir a retenção efetuada pela CEF, no valor de R$ 237.239,85, embora o colegiado tenha acolhido o correspondente argumento de defesa (regime de caixa x regime de competência). Em que pese não tenha havido propriamente omissão, vez que o argumento foi devidamente apreciado e decidido, reconhece-se que a retenção em tela não consta do demonstrativo de efls. 3019, nem integra os valores referidos na parte dispositiva. De sorte que houve lapso a ser sanado por meio de decisão integrativa. Terceiro vício alegado - omissão quanto ao argumento de que o saldo negativo do ano 1999 não estaria limitado ao valor informado na DIPJ Dizem os embargos: “5.1 As autoridades fiscais sustentaram que o saldo negativo de 1999 passivel de restituição/compensação estaria limitado ao valor do saldo negativo declarado em DIPJ, qual seja, R$ 12.287.583,50, embora tenham efetuado a análise da efetividade do saldo negativo a partir da totalidade das retenções sofridas em 1999, no valor de R$ 12.343.511,41; dai terem chegado ao valor de R$ 12.040.305,7 6 após glosarem IRF de R$ 65.965,80 (informes de rendimento com indicação de exclusivo de fonte) e R$ 237.239,85 (IRF correspondente a rendimentos não oferecidos à tributação em 1999). 5.2. Na medida em que as glosas foram consideradas indevidas pelo ACÓRDÃO EMBARGADO, a discussão acerca do valor passivel de restituição/compensação volta a ser relevante. 5.3. No item 6. de seu recurso voluntário, a EMBARGANTE sustentou que (i) meros equívocos no cumprimento de obrigações acessórias, como é o caso da DIPJ, não podem prevalecer quando demonstrado que o montante real de IRF convolado em saldo negativo do ano calendário de 1999 é superior ao montante declarado; e (ii) aceitar a tese das autoridades administrativas faria com que a Fl. 3112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 9 União Federal pudesse se locupletar indevidamente do IRF retido no ano calendário de 1999 apenas porque a EMBARGANTE teria lançado em sua DIPJ um montante inferior àquele. 5.4. No entanto, o ACÓRDÃO EMBARGADO também não se manifestou sobre essa parte do crédito, incorrendo em omissão que deve ser sanada.” (grifos originais) O relatório do acórdão embargado alude ao argumento de defesa específico, de que o valor passível de restituição/compensação não deveria ser limitado ao saldo negativo informado na DIPJ (porventura informado a menor, por equívoco), mas sim às retenções efetivamente suportadas. Conforme relatado, o argumento fora suscitado em manifestação de inconformidade e renovado no recurso voluntário (vide penúltimo parágrafo a efls. 2986 e efls. 2995). De fato o voto condutor não se manifestou expressamente sobre este argumento. Tratando- se de argumento autônomo e relevante, capaz de – ao menos em tese – afetar a decisão proferida, há que se reconhecer a omissão. Assim sendo, admitem-se os embargos nesta parte, para apreciação do argumento e complementação do acórdão embargado. Quarto vício alegado - omissão quanto ao argumento de que as compensações efetuadas sem processo (em DCTF) não teriam utilizado saldos negativos de 1999, 2000 e 2001, e sim saldos disponíveis de períodos anteriores Os embargos sustentam que o colegiado se omitiu acerca do argumento formulado no item 9 do recurso voluntário: “6.1. As autoridades fiscais afirmam que parte do saldo negativo dos anos de 1999, 2000 e 2001, nos montantes de R$ 3.192.535.64 (1999), R$ 2.710.053,63 (2000) e R$ 2.255.404,54 (2001), teria sido utilizada em compensações sem processo (feitas em DCTF ou para quitar débitos de estimativas de IRPJ de anos posteriores) e que, portanto, não poderia ser utilizada nos PERs e nas compensações objeto dos processos em exame. 6.2. O entendimento das autoridades fiscais partiu da premissa de que não haveria saldos negativos de períodos anteriores a 1999 disponíveis para serem utilizados nas compensações efetuadas pela RECORRENTE em DCTF ou com estimativas nos anos de 2000, 2001 e 2002, fato que já teria sido atestado no processo n° 13706.004532/99-70, que trata dos saldos de períodos anteriores a 1999. 6.3. No item 9. de seu recurso voluntário, a EMBARGANTE demonstrou o descabimento da glosa, na medida em que: (a) comprovou que tinha saldo negativo relativo a períodos anteriores a 1999 em valor suficiente para quitar as compensações sem processo nos anos de 2000, 2001 e 2002; e (b) o despacho decisório proferido no processo n° 13706.004532/99-70 foi anulado pela 2a Turma Ordinária da 3a Câmara do CARF (Acórdão n° 1302-001.761), de forma que voltou a produzir efeito o despacho decisório antes proferido naquele processo, o qual havia reconhecido integralmente o crédito da EMBARGANTE apurado em 1998 e, portanto, também implicitamente a existência do Fl. 3113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 10 saldo negativo em períodos anteriores a 1999 passíveis de utilização nas compensações sem processo realizadas nos anos de 2000, 2001 e 2002. 6.4. No entanto, o ACÓRDÃO EMBARGADO deixou de analisar essa parte do crédito, incorrendo em evidente omissão, a qual deve ser sanada.” Observa-se que o argumento foi de fato formulado no item 9 do recurso voluntário, e inclusive citado no relatório do acórdão embargado (como ponto da manifestação de inconformidade renovado no recurso voluntário; vide efls. 2986 e efls. 2995). Não obstante, o voto condutor não se manifestou a respeito. Trata-se de argumento relevante e autônomo, que diz respeito a parcela específica e destacada do crédito pretendido, ou seja, não abarcada pelos demais argumentos da recorrente e não contemplada pela decisão colegiada. A análise do argumento é necessária na medida em que poderia – ao menos em tese – alterar o quantum do direito creditório reconhecido. Reconhecida a omissão, deve o argumento ser apreciado pelo colegiado e complementado o acórdão embargado. Quinto vício alegado - omissão quanto à homologação tácita das DCOMPs transmitidas até 15/09/2005 Aduz a Embargante: “7.1 Por entender que o TERCEIRO DESPACHO (2016) teria anulado o SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO (2009), a EMBARGANTE sustentou que todas as DCOMPS transmitidas até 01.05.2011, ou seja, todas as DCOMPs vinculadas aos processos em exame, estariam tacitamente homologadas. 7.2 O ACÓRDÃO EMBARGADO rejeitou esta preliminar, como se verifica do trecho do voto abaixo transcrito: (...) 7.3. Ocorre que a EMBARGANTE também sustentou, com base em argumentos autônomos, que em 15.09.2010, já teriam sido homologadas tacitamente as DCOMPs e os pedidos de compensação apresentados até 15.09.2005. 7.4. Isso, porque: (i) a DECISÃO ANULATÓRIA anulou as DECISÕES FAVORÁVEIS e determinou que fosse feita uma nova análise do crédito por ela pleiteado; e (ii) na data em que tomou ciência dessa nova análise do crédito, por meio do SEGUNDO DESPACHO (15.09.2010), já teria transcorrido o prazo de 5 anos com relação às DCOMPs e pedidos de compensação apresentados até 15.09.2005 (art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96). 7.5. Ou seja, a anulação das DECISÕES FAVORÁVEIS pelas DECISÕES ANULATÓRIAS (e não do SEGUNDO DESPACHO pelo TERCEIRO DESPACHO), aliado ao fato de a EMBARGANTE somente ter tido ciência do SEGUNDO DESPACHO em 15.09.2010, teria o efeito de homologar tacitamente as compensações formalizadas até 15.09.2005. Fl. 3114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 11 7.6. O ACÓRDÃO EMBARGADO reconheceu expressamente que as DECISÕES FAVORÁVEIS foram anuladas, mas omitiu-se com relação ao argumento autônomo da EMBARGANTE no sentido de que as DCOMPs e pedidos de compensação transmitidos até 15.09.2005 teriam sido homologados tacitamente, incorrendo em evidente omissão, a qual deve ser sanada.” (grifos acrescidos) Observa-se que os itens 7.1 e 7.2 dos embargos aludem a argumento devidamente enfrentado e rejeitado pelo acórdão embargado, e os itens 7.3 a 7.6 identificam argumento autônomo, sobre o qual o colegiado ter-se-ia omitido. O argumento referido nos itens 7.1 e 7.2 dos embargos (apreciado pela decisão embargada) tinha como pressuposto lógico a suposta anulação do “SEGUNDO DESPACHO” pelo “TERCEIRO DESPACHO”. Já o argumento referido nos itens 7.3 a 7.6 segue lógica distinta, tendo por pressuposto a suposta anulação das chamadas “DECISÕES FAVORÁVEIS” por “DECISÃO ANULATÓRIA” (designações empregadas pelo sujeito passivo). Tanto no aspecto cronológico como em termos lógicos, o argumento indicado nos itens 7.3 a 7.6 dos embargos antecede o argumento referido nos itens 7.1 e 7.2. Isto porque o primeiro trata da alegada homologação tácita de compensações formalizadas até 15/09/2005, ao passo que o segundo trata da suposta “extensão” da homologação tácita às compensações formalizadas até 01/05/2011. Confiram-se trechos pertinentes, extraídos do recurso voluntário: “4.14 Ressalte-se que, como alegado na PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e na SEGUNDA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, as compensações efetuadas por meio de pedidos de compensação e DCOMPs apresentados até 15.09.2005 já haviam sido homologadas tacitamente em 15.09.2010, data em que a RECORRENTE tomou ciência do SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO. 4.15 Assim sendo, a anulação do SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO pelo TERCEIRO DESPACHO DECISÓRIO apenas teve o efeito de estender a homologação tácita à totalidade das compensações efetuadas pela RECORRENTE (as quais foram apresentadas antes de 01.02.2011).” Veja-se que a tese da suposta homologação tácita das compensações formalizadas até 15/09/2005 é citada no recurso voluntário sem maiores considerações, como se tal homologação fosse fato reconhecido e incontestado, e serve como suporte ao argumento principal, este sim defendido em maior profundidade: a (suposta) extensão da homologação tácita às demais DCOMPs, apresentadas antes de 01/02/2011. Não obstante, é certo que a tese antecedente – homologação tácita de DCOMPs apresentadas até 15/09/2005 - consta do recurso voluntário e, caso acolhida, alteraria o montante do direito creditório reconhecido pelo colegiado, na medida em que grande parte das DCOMPs relacionadas ao presente processo foram anteriores àquela data. Assim sendo, reconhece-se a omissão e deve o colegiado se manifestar sobre a questão, complementando a decisão embargada. Fl. 3115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 12 CONCLUSÃO Pelo exposto, e com fulcro no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos de declaração interpostos, a fim de que que sejam sanados os vícios apontados”. Não houve manifestação da PGFN acerca dos ED opostos. Considerando que este Conselheiro foi o Relator, o processo foi a mim distribuído. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 3116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 13 VOTO Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Já foi atestada a tempestividade dos presentes Embargos de Declaração quando da análise prévia acerca de sua admissibilidade Para evitar repetições desnecessárias e a bem da economia processual, tomo o texto do Despacho de Admissibilidade prévio para enfrentar cada um dos tópicos suscitados pela embargante relativamente a possíveis erros materiais, vícios e omissões presentes no Acórdão embargado, seguindo a mesma identificação linear do referido Despacho. Primeiro vício alegado - erro material quanto ao montante de crédito a ser reconhecido em favor da Embargante Aduz a Embargante: “3.1. Independentemente das demais omissões quanto à análise de argumentos aduzidos pela EMBARGANTE em seu recurso voluntário, o ACÓRDÃO EMBARGADO comete erro material ao quantificar o crédito que foi reconhecido em favor da EMBARGANTE. 3.2. De fato, como visto, o TERCEIRO DESPACHO já havia definitivamente reconhecido em favor da EMBARGANTE créditos nos valores de R$ 8.847.770,13 (1999), R$ 23.428.549,78 (2000) e R$ 22.942.950,71 (2001). 3.3. O ACÓRDÃO EMBARGADO deu provimento parcial ao recurso voluntário da EMBARGANTE e reconheceu uma parcela adicional do crédito em discussão, referente ao IRF sobre aplicações financeiras, nos valores de R$ 65.965,80 (1999), R$ 1.628.522,24 (2000) e R$ 1.881.915,07 (2001), os quais deveriam ter sido somados ao montante do crédito que já havia sido reconhecido em favor da EMBARGANTE, como segue: Fl. 3117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 14 3.4.No entanto, o item iii.ii.ii) da parte dispositiva do ACÓRDÃO EMBARGADO dá a entender que o crédito da EMBARGANTE estaria limitado aos montantes reconhecidos pelo próprio ACÓRDÃO EMBARGADO, desconsiderando os montantes já reconhecidos pelas autoridades fiscais: "(•••) iii.ii.ii) reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até o limite do referido reconhecimento, relativamente aos períodos e valores: 1999 (R$ 65.965, 80); 2000 (R$ 1.628.522,24); e 2001 (R$ 1.881.915, 07) ." 3.5.Assim sendo, deve-se retificar o ACÓRDÃO EMBARGADO para que seja reconhecido o direito de crédito e homologadas as compensações até o limite do crédito já reconhecido pelas autoridades fiscais acrescidos dos montantes reconhecidos pelo CARF.” (grifos acrescidos) A leitura na íntegra da decisão embargada não deixa dúvidas quanto ao reconhecimento de parcelas adicionais de direito creditório, correspondentes a imposto retido na fonte sobre rendimentos financeiros, nos anos 1999, 2000 e 2001, com base em Informes de Rendimentos reproduzidos no corpo do voto do Relator (fontes pagadoras VOTORANTIN, MORGAN GUARANTY, BANCO SANTOS, BANCO BBM e BANCO FINANVEST). Tais parcelas vêm a somar-se às já reconhecidas anteriormente pelas autoridades administrativas (via Despachos Decisórios, conforme relato supra). Reconhece-se, contudo, a possibilidade de a leitura apenas da parte dispositiva (transcrita no item 3.4 dos embargos) conduzir ao entendimento equivocado de que o total do crédito reconhecido, após a decisão do colegiado, limite-se aos valores citados naquele trecho. Considerando esta possibilidade, e no intuito de assegurar a correta interpretação e cumprimento da decisão, inclusive na esfera operacional da unidade administrativa de origem, admite-se este ponto como obscuridade, sanável por meio de decisão integrativa que esclareça que os valores em questão são parcelas adicionais que, somadas às parcelas já reconhecidas anteriormente, compõem o montante do crédito reconhecido nesta etapa da contenda, montante este que representa o limite para a homologação das compensações vinculadas. Minhas conclusões Com razão a embargante. Está claramente estampado no voto condutor do acórdão embargado o deferimento de parcela adicional de direito creditório em 1999, 2000 e 2001 (como a própria interessada atesta). Veja-se (Ac. – fls. 3019): Fl. 3118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 15 De toda sorte, tendo em conta que a não identificação explícita desta situação na conclusão do voto poderia levar a dúvidas no momento de sua execução por parte da unidade de origem da RFB, deve-se acolher os ED nesta parte e a eles dar provimento, sem efeitos infringentes, unicamente para reconhecer que o direito creditório reconhecido para os referidos períodos deve ser assim considerado: Neste momento, cabe ressaltar o que este Relator fez constar no acórdão embargado (fls. 3020), a respeito dos valores do ano 2000: “para o ano de 2000, o valor negado foi R$ 3.467.223,50. Porém, quando se concluiu a análise e se emitiu o DD de 29/01/2016 (fls. 2582/2591) já havia sido restituído o montante integral do pedido da recorrente, ou seja, valor de R$ 26.895.773,29, quando o correto seria R$ 23.428.549,79. Com isso, a diferença (R$ 3.467.223,50), salvo se modificada por este Acórdão, deverá ser objeto de cobrança por parte da Fazenda Nacional, tendo em vista estar configurada “restituição indevida” De qualquer modo, como não cabe qualquer providência por parte deste Colegiado em relação ao acima relatado, fica apenas o registro. Fl. 3119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 16 Segundo vício alegado - omissão quanto a argumento relativo à parcela de IRF de 1999 desconsiderada no “TERCEIRO DESPACHO” (regime de caixa x regime de competência) Quanto ao ponto, os embargos sustentam: “4.1. Como visto, o SEGUNDO DESPACHO fez uma análise das retenções sofridas pela EMBARGANTE, concluindo que determinados valores de IRF não poderiam ser computados no cálculo do saldo negativo dos anos de 1999, 2000 e 2001, uma vez que seriam (i) supostamente exclusivos de fonte ou (ii) relativos a rendimentos não oferecidos à tributação naqueles períodos base. 4.2. Não obstante, ao calcular o montante efetivo dos saldos negativos, apenas excluiu o IRF cujos informes de rendimento indicavam ser exclusivo de fonte, nos valores de R$ 65.965,80 em 1999, R$ 1.628.522,24 em 2000, e R$ 1.881.915,07 em 2001. 4.3 O TERCEIRO DESPACHO identificou que o SEGUNDO DESPACHO não havia diminuído a diferença de R$ 237.239,85 relativa a retenções efetuadas pela Caixa Econômica Federal sem correspondência em rendimentos oferecidos à tributação pela EMBARGANTE (embora tal discrepância tivesse sido relatada pelo SEGUNDO DESPACHO) e daí ajustou o valor do saldo negativo de 1999. 4.4. A EMBARGANTE sustentou na seção 7. do seu recurso voluntário que os rendimentos sobre os quais incidiu o IRF no montante R$ 237.239,85 em 1999 já haviam sido oferecidos à tributação pelo regime de competência em período anterior, daí que a glosa dessa parte do crédito seria improcedente. 4.5. O ACÓRDÃO EMBARGADO reconhece que a EMBARGANTE teria logrado comprovar que a falta de contabilização, em 1999, dos rendimentos correspondentes ao IRF de R$ 237.239,85 decorreu da divergência existente entre os regimes de caixa e competência, bem como que a tributação em período anterior havia sido confirmada em relatório fiscal. Nesse sentido são os seguintes trechos do ACÓRDÃO EMBARGADO: (...) 4.6. Todavia, apesar de aceitar a tese da EMBARGANTE, o ACÓRDÃO EMBARGADO, de forma contraditória, deixou de computar o IRF de R$ 237.239,85 ao montante do saldo negativo de 1999 reconhecido em seu favor, apenas reconhecendo o crédito relativo ao IRF cujos informes de rendimento indicavam equivocadamente ser exclusivo de fonte. 4.7. É o que se verifica da tabela constante das fls. 3019, a qual, em relação ao ano de 1999, indica tão somente o crédito de R$ 65.965, 80, que corresponde à soma do IRF de 1999 retido por VOTORANTIM C.T.V.M. LTDA. (R$ 24.096,86), MORGAN GUARANTY TRUST CO OF NEY YOKR SÃO PAULO (R$ 27. 62 6, 40) e BANCO SANTOS S.A. (R$ 14.242, 54). 4.8. Dessa forma, os vícios apontados devem ser corrigidos, para que se compute o IRF de R$ 237.239,85 no valor do saldo negativo de 1999 reconhecido em favor da EMBARGANTE.” (grifos acrescidos) De fato, o acórdão embargado divergiu da decisão de piso neste ponto. Fl. 3120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 17 A decisão de 1ª instância concluíra que a retenção efetuada pela CEF não poderia ser computada no cálculo do saldo negativo de 1999 porque os respectivos rendimentos não teriam sido informados na DIPJ daquele ano. No item 7 do recurso voluntário, o sujeito passivo defendeu que a aparente discrepância se devia ao fato de os rendimentos terem sido contabilizados e informados na DIPJ pelo regime de competência (em ano anterior), ao passo que a retenção na fonte ocorre quando da liquidação/resgate da aplicação financeira (regime de caixa). Acrescentou que isto teria sido constatado pelo “SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO” (item 7.9 do recurso voluntário). O acórdão embargado manifestou concordância com o argumento da defesa, nos seguintes termos: “Feitas estas observações, passo à analise dos argumentos e das provas. Inicio pelo ano de 1999, cujo valor em litígio é de R$ 3.439.813,37. De acordo com a decisão recorrida (fls. 2771/2772) [da DRJ], “embora tenha contabilizado apenas parte dos rendimentos auferidos, a interessada pugna pelo reconhecimento de toda a retenção sofrida na fonte, correspondente a tais rendimentos. Tal conduta viola, a toda evidência, a premissa estabelecida na alínea “c” do parágrafo 3º do artigo 37 da Lei nº 8.981/95 (...). Assim, no mérito, a questão se revela, antes de tudo, probatória, escopo em que, por si só, a defesa restou insuficiente, em que pese a alentada e robusta peça de bloqueio. É que, por mais esmerada e bem desenvolvida que seja a manifestação de inconformidade, como é o caso dos autos, é forçoso reconhecer que alegar sem provar é o mesmo que não alegar, ex vi o art. 373 do NCPC. Sem escrituração que lhe ateste o direito que alega, inclusive quanto a ter tributado os rendimentos em regime de competência e a retenção ter se dado em regime de caixa, a interessada combate o teor de sua DIPJ, que espontaneamente entregou”. Ou seja, a recorrente não teria se safado de comprovar haver oferecido à tributação os valores dos rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF que pretende utilizar. Como é cediço, esta divergência entre os regimes de competência (adotado pelas empresas para reconhecer suas receitas) e o de caixa, assumido pelas fontes pagadoras que efetuam a retenção no momento do resgate, é matéria rotineiramente enfrentada em procedimentos como esse, cabendo não só à interessada demonstrar a correção de seu procedimento como ao Fisco aferi- la. Neste caso, com a devida vênia ao posicionamento da decisão a quo, penso que a recorrente logrou demonstrar e comprovar estas divergências, fazendo os ajustes necessários e, mais que isso, a informação constante do Relatório Fiscal de 02/04/2009 (fls. 767/772) caminha no sentido de atestar referido procedimento. (...) Quadro que se ratifica pelo literal dizer da Autoridade Tributária em diversas oportunidades quando da elaboração do Parecer Conclusivo nº 279/2009 (fls. 1029/1030 e 1034): [trechos do Parecer Conclusivo nº 279/2009]” Fl. 3121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 18 (grifos originais, destaques acrescidos) Na sequência, o acórdão passa a analisar o que denomina “segundo óbice trazido na decisão de 1º Piso”, qual seja, se os rendimentos correspondentes às retenções em tela seriam ou não de tributação exclusiva na fonte. Por fim, o voto resume suas conclusões: “Induvidoso, portanto, que os rendimentos devem compor o Lucro Real e os valores retidos podem ser utilizados para compensação ou estruturação de saldo negativo, como no caso em pauta. Deste modo, sem maiores delongas, tendo em vista a comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos e a correta identificação dos valores e códigos nos informes de rendimentos, atendendo ao que dispõem os artigos 37, § 3º, “c”, da Lei nº 8.981/95 e 943, do RIR/1999, há que DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário de modo a reconhecer o direito creditório pleiteado relativamente aos períodos e valores abaixo: (...)” (grifei) Vê-se que o voto condutor aceitou o argumento da defesa, de que o rendimento correspondente à retenção efetuada pela CEF fora informado em DIPJ anterior, pelo regime de competência. Em seguida elaborou-se demonstrativo dos valores de “IRRF deferido”, indicando as retenções (antes desconsideradas) que passaram a ser admitidas após o acórdão nº 1402- 003.958, na composição dos saldos negativos dos anos 1999, 2000 e 2001 (efls. 3019). O demonstrativo deixou de incluir a retenção efetuada pela CEF, no valor de R$ 237.239,85, embora o colegiado tenha acolhido o correspondente argumento de defesa (regime de caixa x regime de competência). Em que pese não tenha havido propriamente omissão, vez que o argumento foi devidamente apreciado e decidido, reconhece-se que a retenção em tela não consta do demonstrativo de efls. 3019, nem integra os valores referidos na parte dispositiva. De sorte que houve lapso a ser sanado por meio de decisão integrativa. Minhas conclusões Escrevi no voto do acórdão embargado (fls. 3011): “Como é cediço, esta divergência entre os regimes de competência (adotado pelas empresas para reconhecer suas receitas) e o de caixa, assumido pelas fontes pagadoras que efetuam a retenção no momento do resgate, é matéria rotineiramente enfrentada em procedimentos como esse, cabendo não só à interessada demonstrar a correção de seu procedimento como ao Fisco aferi-la. Neste caso, com a devida vênia ao posicionamento da decisão a quo, penso que a recorrente logrou demonstrar e comprovar estas divergências, fazendo os ajustes necessários e, mais que isso, a informação constante do Relatório Fiscal de 02/04/2009 (fls. 767/772) caminha no sentido de atestar referido procedimento”. Fl. 3122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 19 Ou seja, reconheci esta dissonância entre os dois regimes. Em suas manifestações a contribuinte aduz que o Acórdão embargado teria reconhecido ter a embargante “logrado comprovar que a falta de contabilização, em 1999, dos rendimentos correspondentes ao IRF de R$ 237.239,85 decorreu da divergência existente entre os regimes de caixa e competência, bem como que a tributação em período anterior havia sido confirmada em relatório fiscal. Nesse sentido são os seguintes trechos do ACÓRDÃO EMBARGADO”. E que, “Todavia, apesar de aceitar a tese da EMBARGANTE, o ACÓRDÃO EMBARGADO, de forma contraditória, deixou de computar o IRF de R$ 237.239,85 ao montante do saldo negativo de 1999 reconhecido em seu favor, apenas reconhecendo o crédito relativo ao IRF cujos informes de rendimento indicavam equivocadamente ser exclusivo de fonte”. Data vênia à posição da embargante, é vero que o relato desenvolvido guarda coerência com o voto proferido, porém seu racional e conclusão divergem do entendimento deste Relator. Explico. Induvidoso que atestei e reconheci direito creditórios oriundo de retenções na fonte devidamente comprovadas e com o oferecimento da respectiva receita à tributação, inclusive com a citação expressa das fontes pagadoras e valores demonstrados em planilhas (conforme item anterior, acima). Essa conclusão delimita o embate, cabendo ver que a fonte pagadora “Caixa Econômica Federal” e o valor de “R$ 237.239,85 não se encontram neste rol, ou seja, não foram contemplados pelo voto condutor. E simplesmente porque, na forma do Relatório da Diligência realizada pela Autoridade Fiscal (fls. 670/675) foi atestado pela própria instituição financeira a “a impossibilidade de recuperar as informações de IRRF dos anos calendário de 1999 e 2000, devido ao tempo decorrido e a suposta prescrição da DIRF”. Posição ratificada no Parecer Conclusivo nº 279/2009 (fls. 1030, com destaque agora acrescido): Quanto às divergências específicas, no que tange aos informes de rendimento da Caixa Econômica Federal, a referida fonte pagadora respondeu ao agente fiscal ser impossível recuperar as informações de IRRF dos anos calendário de 1999 e 2000, devido ao tempo decorrido. Por sua vez, o Itaubank (incorporador do Bank Boston) respondeu para a fiscalização que houve retenção de fonte incidente sobre serviços prestados pela Globo Comunicações e Participações Ltda, no montante de R$ 154.770,96, e sobre rendimentos de aplicações financeiras, relacionados no extrato de processamento da DIRF. Fl. 3123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 20 De posse dos documentos acostados aos autos, verifica-se, em relação aos rendimentos e retenções referentes à Caixa Econômica Federal, que os comprovantes de rendimentos (fls. 26/27 do processo apenso), a DIRF (fl. 680/681) e a registros contábeis da contribuinte (ver anexo 1) possuem valores divergentes. Uma vez que a dedutibilidade do IRRF está vinculada às receitas integrantes do Lucro Real, cabe limitar o Fonte a ser levado ao ajuste anual aos valores registrados na própria contabilidade da contribuinte. Em suma, embora obviamente reconhecido que valores comprovadamente retidos e cuja receita tenham sido oferecida à tributação devem ser deferidos (como literalmente exposto no voto condutor), no caso da fonte pagadora Caixa Econômica Federal estes requisitos não foram preenchidos, por isso não compuseram o montante do direito creditório avalizado. Dessa forma, não acolho as ponderações dos Embargos Declaratórios neste segundo tópico. Terceiro vício alegado - omissão quanto ao argumento de que o saldo negativo do ano 1999 não estaria limitado ao valor informado na DIPJ Dizem os embargos: “5.1 As autoridades fiscais sustentaram que o saldo negativo de 1999 passivel de restituição/compensação estaria limitado ao valor do saldo negativo declarado em DIPJ, qual seja, R$ 12.287.583,50, embora tenham efetuado a análise da efetividade do saldo negativo a partir da totalidade das retenções sofridas em 1999, no valor de R$ 12.343.511,41; dai terem chegado ao valor de R$ 12.040.305,7 6 após glosarem IRF de R$ 65.965,80 (informes de rendimento com indicação de exclusivo de fonte) e R$ 237.239,85 (IRF correspondente a rendimentos não oferecidos à tributação em 1999). 5.2. Na medida em que as glosas foram consideradas indevidas pelo ACÓRDÃO EMBARGADO, a discussão acerca do valor passivel de restituição/compensação volta a ser relevante. 5.3. No item 6. de seu recurso voluntário, a EMBARGANTE sustentou que (i) meros equívocos no cumprimento de obrigações acessórias, como é o caso da DIPJ, não podem prevalecer quando demonstrado que o montante real de IRF convolado em saldo negativo do ano calendário de 1999 é superior ao montante declarado; e (ii) aceitar a tese das autoridades administrativas faria com que a União Federal pudesse se locupletar indevidamente do IRF retido no ano calendário de 1999 apenas porque a EMBARGANTE teria lançado em sua DIPJ um montante inferior àquele. 5.4. No entanto, o ACÓRDÃO EMBARGADO também não se manifestou sobre essa parte do crédito, incorrendo em omissão que deve ser sanada.” (grifos originais) O relatório do acórdão embargado alude ao argumento de defesa específico, de que o valor passível de restituição/compensação não deveria ser limitado ao saldo negativo informado na DIPJ (porventura informado a menor, por equívoco), mas sim às retenções efetivamente suportadas. Conforme relatado, o argumento fora suscitado em manifestação de Fl. 3124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 21 inconformidade e renovado no recurso voluntário (vide penúltimo parágrafo a efls. 2986 e efls. 2995). De fato o voto condutor não se manifestou expressamente sobre este argumento. Tratando- se de argumento autônomo e relevante, capaz de – ao menos em tese – afetar a decisão proferida, há que se reconhecer a omissão. Assim sendo, admitem-se os embargos nesta parte, para apreciação do argumento e complementação do acórdão embargado. Minhas conclusões Mesmo que o voto condutor conduza de forma clara a conclusão óbvia a que deve chegar nestes casos é a de que os valores em embate devem cingir-se ao que foi estampado nas DIPJ da contribuinte, ponto inicial de qualquer análise a ser feita pela Autoridade Fiscal, pois é aí que a interessada informa os valores que apurou (oriundo, presume-se, de sua escrituração) e pretende utilizar. In casu, por entender que a decisão a quo analisou corretamente a matéria, adoto como minhas e como se minha lavra pessoal fossem, na forma do artigo 50, V, § 1º, da Lei nº 9.784/19991 e artigo 114, § 12, I, do RICARF vigente (Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023)2, as razões de decidir externadas pela decisão recorrida no Acórdão nº 12-80.635 - 15ª Turma da DRJ/RJO, sessão de 20 de abril de 2016, relatoria do Julgador José Eduardo G. Serra (2772): 1Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V - decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida Fl. 3125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 22 “Além disso, a interessada agiu como se ignorasse o teor do Decreto n.º 3.000/99, no dispositivo em que estabelece que a a escrituração contábil faz prova em favor do sujeito passivo (artigo 923). Assim, no mérito, a questão se revela, antes de tudo, probatória, escopo em que, por si só, a defesa restou insuficiente, em que pese a alentada e robusta peça de bloqueio. É que, por mais esmerada e bem desenvolvida que seja a manifestação de inconformidade, como é o caso dos autos, é forçoso reconhecer que alegar sem provar é o mesmo que não alegar, ex vi o art. 373 do NCPC. Sem escrituração que lhe ateste o direito que alega, inclusive quanto a ter tributado os rendimentos em regime de competência e a retenção ter se dado em regime de caixa, a interessada combate o teor de sua DIPJ, que espontaneamente entregou, operando mutatis mutandis verdadeira venire contra factum proprium em sede tributária. Não bastasse, o Parecer Conclusivo nº 279/09 (fls. 1.006 e ss) informa que “a diligência fiscal realizada ratificou os valores informados pela contribuinte em sua DIPJ/2000 e, por conseqüência, a base de cálculo apurada pela empresa, bem como confirmou que as receitas sobre as quais incidiram o fonte compuseram o Lucro Real”. Essa cosntatação se repetiu relativamente a DIPJ/2001, sendo certo que o saldo negativo correspondente (ano- calendário 2000) não fora integralmente reconhecido como direito creditório por já ter sido, em parte, utilizado em compensações sem processo, nos exatos termos em que descritos no aludido parecer conclusivo e que se deu também com créditos afetos a 1999 e a 2001”. Em face do exposto, não acolho as ponderações dos Embargos Declaratórios neste terceiro tópico dos presentes aclaratórios. Seguindo, cabe a apreciação dos dois itens finais que constam dos ED, a saber, os nominados “quarto” e “quinto” vícios, posto que a matérias neles suscitadas são entrelaçadas entre si. Nas palavras da embargante conforme resumido pelo Despacho de Admissibilidade prévio: Quarto vício alegado - omissão quanto ao argumento de que as compensações efetuadas sem processo (em DCTF) não teriam utilizado saldos negativos de 1999, 2000 e 2001, e sim saldos disponíveis de períodos anteriores Os embargos sustentam que o colegiado se omitiu acerca do argumento formulado no item 9 do recurso voluntário: “6.1. As autoridades fiscais afirmam que parte do saldo negativo dos anos de 1999, 2000 e 2001, nos montantes de R$ 3.192.535.64 (1999), R$ 2.710.053,63 (2000) e R$ 2.255.404,54 (2001), teria sido utilizada em compensações sem processo (feitas em DCTF ou para quitar débitos de estimativas de IRPJ de anos posteriores) e que, portanto, não poderia ser utilizada nos PERs e nas compensações objeto dos processos em exame. Fl. 3126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 23 6.2. O entendimento das autoridades fiscais partiu da premissa de que não haveria saldos negativos de períodos anteriores a 1999 disponíveis para serem utilizados nas compensações efetuadas pela RECORRENTE em DCTF ou com estimativas nos anos de 2000, 2001 e 2002, fato que já teria sido atestado no processo n° 13706.004532/99-70, que trata dos saldos de períodos anteriores a 1999. 6.3. No item 9. de seu recurso voluntário, a EMBARGANTE demonstrou o descabimento da glosa, na medida em que: (a) comprovou que tinha saldo negativo relativo a períodos anteriores a 1999 em valor suficiente para quitar as compensações sem processo nos anos de 2000, 2001 e 2002; e (b) o despacho decisório proferido no processo n° 13706.004532/99-70 foi anulado pela 2a Turma Ordinária da 3a Câmara do CARF (Acórdão n° 1302-001.761), de forma que voltou a produzir efeito o despacho decisório antes proferido naquele processo, o qual havia reconhecido integralmente o crédito da EMBARGANTE apurado em 1998 e, portanto, também implicitamente a existência do saldo negativo em períodos anteriores a 1999 passíveis de utilização nas compensações sem processo realizadas nos anos de 2000, 2001 e 2002. 6.4. No entanto, o ACÓRDÃO EMBARGADO deixou de analisar essa parte do crédito, incorrendo em evidente omissão, a qual deve ser sanada.” Observa-se que o argumento foi de fato formulado no item 9 do recurso voluntário, e inclusive citado no relatório do acórdão embargado (como ponto da manifestação de inconformidade renovado no recurso voluntário; vide efls. 2986 e efls. 2995). Não obstante, o voto condutor não se manifestou a respeito. Trata-se de argumento relevante e autônomo, que diz respeito a parcela específica e destacada do crédito pretendido, ou seja, não abarcada pelos demais argumentos da recorrente e não contemplada pela decisão colegiada. A análise do argumento é necessária na medida em que poderia – ao menos em tese – alterar o quantum do direito creditório reconhecido. Reconhecida a omissão, deve o argumento ser apreciado pelo colegiado e complementado o acórdão embargado. Quinto vício alegado - omissão quanto à homologação tácita das DCOMPs transmitidas até 15/09/2005 Aduz a Embargante: “7.1 Por entender que o TERCEIRO DESPACHO (2016) teria anulado o SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO (2009), a EMBARGANTE sustentou que todas as DCOMPS transmitidas até 01.05.2011, ou seja, todas as DCOMPs vinculadas aos processos em exame, estariam tacitamente homologadas. 7.2 O ACÓRDÃO EMBARGADO rejeitou esta preliminar, como se verifica do trecho do voto abaixo transcrito: (...) Fl. 3127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 24 7.3. Ocorre que a EMBARGANTE também sustentou, com base em argumentos autônomos, que em 15.09.2010, já teriam sido homologadas tacitamente as DCOMPs e os pedidos de compensação apresentados até 15.09.2005. 7.4. Isso, porque: (i) a DECISÃO ANULATÓRIA anulou as DECISÕES FAVORÁVEIS e determinou que fosse feita uma nova análise do crédito por ela pleiteado; e (ii) na data em que tomou ciência dessa nova análise do crédito, por meio do SEGUNDO DESPACHO (15.09.2010), já teria transcorrido o prazo de 5 anos com relação às DCOMPs e pedidos de compensação apresentados até 15.09.2005 (art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96). 7.5. Ou seja, a anulação das DECISÕES FAVORÁVEIS pelas DECISÕES ANULATÓRIAS (e não do SEGUNDO DESPACHO pelo TERCEIRO DESPACHO), aliado ao fato de a EMBARGANTE somente ter tido ciência do SEGUNDO DESPACHO em 15.09.2010, teria o efeito de homologar tacitamente as compensações formalizadas até 15.09.2005. 7.6. O ACÓRDÃO EMBARGADO reconheceu expressamente que as DECISÕES FAVORÁVEIS foram anuladas, mas omitiu-se com relação ao argumento autônomo da EMBARGANTE no sentido de que as DCOMPs e pedidos de compensação transmitidos até 15.09.2005 teriam sido homologados tacitamente, incorrendo em evidente omissão, a qual deve ser sanada.” (grifos acrescidos) Observa-se que os itens 7.1 e 7.2 dos embargos aludem a argumento devidamente enfrentado e rejeitado pelo acórdão embargado, e os itens 7.3 a 7.6 identificam argumento autônomo, sobre o qual o colegiado ter-se-ia omitido. O argumento referido nos itens 7.1 e 7.2 dos embargos (apreciado pela decisão embargada) tinha como pressuposto lógico a suposta anulação do “SEGUNDO DESPACHO” pelo “TERCEIRO DESPACHO”. Já o argumento referido nos itens 7.3 a 7.6 segue lógica distinta, tendo por pressuposto a suposta anulação das chamadas “DECISÕES FAVORÁVEIS” por “DECISÃO ANULATÓRIA” (designações empregadas pelo sujeito passivo). Tanto no aspecto cronológico como em termos lógicos, o argumento indicado nos itens 7.3 a 7.6 dos embargos antecede o argumento referido nos itens 7.1 e 7.2. Isto porque o primeiro trata da alegada homologação tácita de compensações formalizadas até 15/09/2005, ao passo que o segundo trata da suposta “extensão” da homologação tácita às compensações formalizadas até 01/05/2011. Confiram-se trechos pertinentes, extraídos do recurso voluntário: “4.14 Ressalte-se que, como alegado na PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e na SEGUNDA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, as compensações efetuadas por meio de pedidos de compensação e DCOMPs apresentados até 15.09.2005 já haviam sido homologadas tacitamente em 15.09.2010, data em que a RECORRENTE tomou ciência do SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO. 4.15 Assim sendo, a anulação do SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO pelo TERCEIRO DESPACHO DECISÓRIO apenas teve o efeito de estender a homologação tácita à totalidade das compensações efetuadas pela RECORRENTE (as quais foram apresentadas antes de 01.02.2011).” Fl. 3128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 25 Veja-se que a tese da suposta homologação tácita das compensações formalizadas até 15/09/2005 é citada no recurso voluntário sem maiores considerações, como se tal homologação fosse fato reconhecido e incontestado, e serve como suporte ao argumento principal, este sim defendido em maior profundidade: a (suposta) extensão da homologação tácita às demais DCOMPs, apresentadas antes de 01/02/2011. Não obstante, é certo que a tese antecedente – homologação tácita de DCOMPs apresentadas até 15/09/2005 - consta do recurso voluntário e, caso acolhida, alteraria o montante do direito creditório reconhecido pelo colegiado, na medida em que grande parte das DCOMPs relacionadas ao presente processo foram anteriores àquela data. Minhas conclusões Vejam-se os seguintes excertos dos embargos, com negritos acrescidos: a) referente ao “quarto vício”: (b) o despacho decisório proferido no processo n° 13706.004532/99-70 foi anulado pela 2a Turma Ordinária da 3a Câmara do CARF (Acórdão n° 1302-001.761), de forma que voltou a produzir efeito o despacho decisório antes proferido naquele processo, o qual havia reconhecido integralmente o crédito da EMBARGANTE apurado em 1998 e, portanto, também implicitamente a existência do saldo negativo em períodos anteriores a 1999 passíveis de utilização nas compensações sem processo realizadas nos anos de 2000, 2001 e 2002 b) referente ao “quinto vício”: 7.3. Ocorre que a EMBARGANTE também sustentou, com base em argumentos autônomos, que em 15.09.2010, já teriam sido homologadas tacitamente as DCOMPs e os pedidos de compensação apresentados até 15.09.2005. 7.4. Isso, porque: (i) a DECISÃO ANULATÓRIA anulou as DECISÕES FAVORÁVEIS e determinou que fosse feita uma nova análise do crédito por ela pleiteado; e (ii) na data em que tomou ciência dessa nova análise do crédito, por meio do SEGUNDO DESPACHO (15.09.2010), já teria transcorrido o prazo de 5 anos com relação às DCOMPs e pedidos de compensação apresentados até 15.09.2005 (art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96). 7.5. Ou seja, a anulação das DECISÕES FAVORÁVEIS pelas DECISÕES ANULATÓRIAS (e não do SEGUNDO DESPACHO pelo TERCEIRO DESPACHO), aliado ao fato de a EMBARGANTE somente ter tido ciência do SEGUNDO DESPACHO em 15.09.2010, teria o efeito de homologar tacitamente as compensações formalizadas até 15.09.2005. Pois bem, em ambos os itens, o foco é exatamente o que consta do preâmbulo do processo, tema EXAURIENTEMENTE detalhado nos autos, debatido com profundidade na ocasião do julgamento deste processo (sessão de 16/07/2019) e já objeto do relato inicial de meu voto na oportunidade. Na mesma linha e concomitantemente, estampa-se que o reclamo da contribuinte em sede de embargos é o mesmíssimo que já constou em seu RV (fls. 2971) e foi integralmente enfrentado por ocasião do julgamento havido em 16/07/2019, finalizado com a decisão estampada no Ac. 1402-003.958, ora embargado. Fl. 3129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 26 Veja-se, na íntegra, todo o relato dos fatos que envolveram este processo e a posição do voto condutor a respeito dos dois “vícios” agora analisados (quarto e quinto). Foram estas as minhas palavras no voto então proferido “Antes, analiso as preliminares envolvendo os Pareceres Conclusivos nº 279/2009 e 094/2010 que modificaram parcialmente o Despacho Decisório original. Segundo a recorrente, de forma sintética (RV – fls. 2971), haveria de se reconhecer tacitamente as homologações das compensações efetuadas por meio das DCOMPs vinculadas aos referidos processos, “seja pelo fato de o TERCEIRO DESPACHO DECISÓRIO ter anulado o SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO, seja pelo fato de aquele ter apenas complementado este” (destaque no original). Ou seja, para a recorrente, como o terceiro despacho anulou o segundo despacho que, por sua vez, havia anulado o primeiro, este (primeiro despacho) teria ressurgido integralmente; com isso, teria transcorrido o lustro temporal para que a Autoridade Tributária revisasse o DD. Divirjo deste pensamento por entender que a Administração Pública tem o poder-dever de rever de ofício seus atos a fim de corrigi-los quando passíveis de saneamento, como o fez através do Parecer Conclusivo nº 094/2010, que teve o intuito de retificar, em parte, o Parecer Conclusivo nº 279/2009. E este, por sua vez, voltou-se contra posicionamentos expressos nos Pareceres Conclusivos da RFB n٥s 135,136,137,138,139,140,141 e 160, (todos emitidos no ano de 2002). Na sequência, considerando a ocorrência de irregularidades nestes procedimentos administrativos, relativamente ao reconhecimento indevido de direitos creditórios de contribuintes, foram instaurados diversos procedimentos de auditoria pela própria Autoridade Tributária destinados a reavaliar o reconhecimento de tais direitos creditórios e verificar a sua licitude, tudo conforme Portaria SRR07 n° 460, de 17/11/2005, que constituiu um grupo de trabalho para realizar auditoria de procedimentos na área de administração tributária (processo n° 10168.004321/2005-47). Fl. 3130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 27 Este grupo de trabalho iniciou em 21/11/2005 a análise dos processos administrativos que reconheceram o suposto direito creditório em 05/01/2006 e concluiu pela recomendação de refazer e retificar os procedimentos de restituição e compensação dos processos em questão, ainda que tal medida implicasse a elaboração de novo parecer conclusivo em que sejam anulação dos pareceres emitidos até então; declaração da inexistência do crédito de saldo negativo de IRPJ; não homologação das compensações realizadas; informação ao contribuinte do teor do novo despacho decisório, cabendo manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias; adoção das providências cabíveis para cobrar o crédito tributário indevidamente compensado, lavrando auto de infração quanto aos débitos não declarados em DCTF, se fosse o caso e cobrança do crédito que tenha sido indevidamente restituído, lavrando-se auto de infração para tanto. Assim, formou-se uma equipe multidisciplinar através da Portaria SRRF07 n° 119, de 14/03/2007, com prazo de atuação prorrogado pela Portaria SRRF07 n° 539, de 29/08/2007 e composição alterada pela Portaria SRRF07 n° 488, de 06/08/2007 para realizar os procedimentos indicados acima pela equipe de auditoria no Relatório Final de Auditoria de Procedimentos emitido pela DIAUP/CORAT, em 05/01/2006, nos autos do processo administrativo de n° 10168.004321/2005-47. Ato contínuo, foi determinado pela Portaria SRRF07 n° 119 de 2007 que os processos administrativos acima elencados fossem encaminhados para a Delegacia de Fiscalização da RFB, a fim de se realizar as diligências necessárias à apuração da existência e do alcance do direito creditório a que o contribuinte faz jus. Finalmente, emitiram-se os Pareceres Conclusivos nºs 279/2009 e 094/2010 que delinearam a linha que foi seguida pelo Despacho Decisório proferido pela Unidade de Origem – Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal – SRRF07 Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes Demac/RJO/Diort, em 29/01/2016 (fls. 2582/2591) e que aqui é analisado. Então, em todo o período envolvendo a matéria (de 2001, quando da protocolização do presente processo e pedido de Fl. 3131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 28 restituição, até o DD definitivo em 2016), em momento algum a Autoridade Fiscal quedou-se silente e deixou transcorrer in albis o intervalo temporal para análise do pleito da recorrente, sempre lembrando que, nos casos de restituição/compensação cabe à autora, no caso a recorrente, municiar o ente Público com as informações requeridas, de modo ser impossível aceitar-se que, nestas condições, pela própria imprecisão de valores apontados, se possa entender como transcorrido o prazo para verificação da liquidez e certeza do pleito firmado. Não se olvide, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Consequentemente, os pedidos de restituição devem estar necessariamente instruídos com as devidas provas contábeis e fiscais do indébito tributário, sob pena de não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Adicione-se, ainda, que os procedimentos relatados versam sobre decisões proferidas acerca dos pedidos de restituição/compensação, sendo que tais procedimentos foram objeto de auditoria interna da qual resultou a recomendação do seu refazimento e retificação. Executadas estas análises, a autoridade fiscal competente descreveu as irregularidades que determinariam a desconstituição do ato anterior e a produção de nova decisão acerca dos procedimentos da contribuinte. Por absoluta relevância, veja-se que todo este procedimento – repita-se – de natureza interna, consta do Parecer Conclusivo nº 176/2007 finalizado em 20/09/2007 (fls. 969/1003 – numeração manual, do Processo º 13706.002249/2002-24 apensado a este e que com este tem vinculação direta), assinado pelo Chefe da Unidade na mesma data (fls. 1004 – idem) e cientificado à recorrente em 21/09/2007 (fls. 1010 ibidem). Fl. 3132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 29 De outro lado, como corolário do Parecer Conclusivo nº 141/2002 (posteriormente revogado), foi determinada a restituição do valor pleiteado pela recorrente, o que se deu mediante a emissão da Ordem Bancária n° 2002 OB 001595 que disponibilizou o valor originário de R$ 54.617.093,57 (cinquenta e quatro milhões, seiscentos e dezessete mil, noventa e três reais e cinquenta e sete centavos), que acrescidos de juros resultou na restituição da quantia de R$ 67.994.429,13 (sessenta e sete milhões, novecentos e noventa e quatro mil, quatrocentos e vinte e nove reais e treze centavos) creditada a favor da contribuinte através da ordem bancária n° 2002 OB 001595, DEPOSITADA na conta bancária Fl. 3133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 30 da recorrente no Banco Bradesco, c/c n° 0169005, agência 1852, NA DATA DE 26/09/2002. Relevante destacar que inexistiu, neste caso, qualquer litígio, isto é, o pedido da recorrente foi integralmente deferido, de modo que a exteriorização do ato administrativo consumou-se na data em que a interessada veio a tomar conhecimento do deferimento de seu pleito, ou seja, a data do crédito em sua conta bancária da OB emitida pelo Poder Público, o que, como visto, deu-se em 26/09/2002. Nessa linha, datando o Parecer Conclusivo nº 176/2007 de 20/09/2007 (que anulou o Parecer Conclusivo nº 141/2002), com ciência da contribuinte em 21/09/2007, posto que alterado o anterior deferimento obtido, inocorreu o lustro decadencial pretendido pela recorrente (fls. 1010 do Processo nº 13706.002249/2002/24): Certo que a recorrente traz alegações no sentido de que o Parecer Conclusivo nº 141/2002 (anulado) teria sido emitido em 04/09/2002 (fls. 524 do PA nº 13706.002249/2002/24) o que daria azo à decadência suscitada. Porém, com a devida vênia, vejo que TODOS OS ATOS ANTECEDENTES E POSTERIORES ao Parecer Conclusivo, até a sua implementação (que se deu com o crédito na conta bancária da contribuinte), são tidos, para este Relator, como procedimentos-meios para se chegar ao fim colimado, como ocorre, por exemplo, com a análise interna na repartição Fl. 3134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 31 federal de um despacho decisório ou preparo de um auto de infração que só ganham vida com sua exteriorização. Para melhor visualização, veja-se a sequência de despachos e manifestações até culminar com a emissão da OB antes citada: Fl. 3135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 32 Fl. 3136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 33 Fl. 3137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 34 Nessa linha, diversamente do entendimento da recorrente, penso que o prazo para eventual questionamento sobre decadência fluiu a partir de 26/09/2002, findando-se em 26/09/2007. Em síntese, a anulação foi promovida por autoridade competente, está devidamente motivada e ainda não estava alcançada pelo prazo decadencial, por isso, sua validade se estampa integralmente. De outro giro, ao revés do manifestado pela recorrente, em nenhum lugar dos autos consta que o Parecer Conclusivo nº 279/2009 tenha revogado expressamente qualquer parecer anterior e que o de nº 094/2010 tenha expurgado o de 2009. Na verdade, eles se complementam e se completam à medida que ajustam valores de um e de outro, bastando a singela reprodução do DD (fls. 2582) para se confirmar esta realidade: Fl. 3138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 35 De sua parte, os números apontados no item 2, acima, são os seguintes (fls. 1059/1060): De qualquer modo, analisando sob a ótica da contribuinte, ainda que se possa entender ter havido a anulação a que alude a recorrente, resta claro nos autos que tal procedimento foi promovido por autoridade competente, estava devidamente motivado e não teria ocorrido a decadência, inexistindo qualquer vício formal que pudesse prejudicar a validade do ato posteriormente emitido em desfavor do sujeito passivo. Ademais, ainda a se seguir tal entendimento, a motivação para a anulação foi fartamente demonstrada nos autos e diz respeito aos fatos nos quais se basearam a homologação pretendida pela contribuinte. Fl. 3139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 36 Segundo a doutrina de Maria Sylvia di Pietro (Direito Administrativo. 23ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. p. 242), “os vícios podem atingir os cinco elementos do ato administrativo, caracterizando-se quanto à competência, à capacidade, à forma, ao objeto, ao motivo e à finalidade, os quais se encontram definidos no artigo 2º da Lei de ação popular”: “A lei n. 4.717/65 fala em apenas em inexistência de motivos e diz que esse vício ocorre “quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamento o ato é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. Mais a mais, é impositivo o poder-dever da Administração de anular o ato administrativo que homologara a compensação pleiteada, sob pena de violação ao princípio da legalidade, da indisponibilidade do interesse público e do enriquecimento ilícito. Tanto assim que, neste sentido, dispõe a Sumula STF n. 473, aprovada na sessão plenária de 3/12/1969, sendo este poder decorrência do regime jurídico administrativo. Portanto, muito antes de se cogitar da Lei n. 9.874/99, e que assim dispõe: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Assim, sob qualquer aspecto que se analise, não há que se falar em nulidade das decisões exaradas, por isso, mantidas”. Adicionalmente releva lembrar que por ocasião da primeira análise feita pela Turma a quo (07/06/2015), a DRJ já começou a questionar o procedimento, com baixa do processo à unidade de origem para o devido saneamento (fls. 2565/2578), sinalizando o verdadeiro imbróglio presente nos autos. Pois bem, reduzido a termo e colocada a matéria no seu devido lugar, a realidade que resulta é que a embargante pretende, pela via estreita dos embargos, rediscutir tema já decidido pelo Colegiado, como trazido no voto acima reproduzido. Na verdade, a matéria que a embargante questionou é apenas consequência do afastamento, pelo Colegiado, por maioria e/ou por voto de qualidade, das preliminares suscitadas pela contribuinte em seu RV. Veja-se: Fl. 3140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 37 Nessa linha, para que os pedidos insertos nos dois itens finais dos ED pudessem ser apreciados, as preliminares teriam que ser providas. Não foram. Como a decisão nessa parte não apresenta obscuridade, omissão ou erros materiais e sequer foi questionada pela peça de embargos, descabe qualquer prosseguimento de análise. Sumariando, as argumentações trazidas pela embargante em sede de embargos só poderiam ser discutidas se o ponto principal que suscitou os argumentos apresentados fosse alterado, no caso, TODO o procedimento de anulação das decisões, despachos e pareceres constantes dos autos, o que a decisão embargada entendeu inversamente. Desse modo, com o cenário que se estampou ao final, a decisão sobre eventuais pedidos de direito creditório remanescentes de períodos anteriores ou homologação tácita restaram soterrados. Dizendo ao revés, esses argumentos poderiam ser analisados (e talvez até acolhidos) não houvesse o Colegiado chancelado todos os procedimentos realizados pela Autoridade Fiscal, como acima reproduzido. Em claro dizer, fato é que a decisão levou em conta todas as nuances surgidas neste verdadeiro emaranhado de decisões. E nesta linha, após todas estas ocorrências, foi sobre este quadro remanescente que a decisão foi proferida e sobre ela nenhum reparo a ser feito. Por fim, induvidoso que, por se tratar de tema essencialmente de direito, poderia, em tese, ser objeto de Recurso Especial junto à CSRF, mas isso foge ao perímetro deste procedimento. Concluindo, voto por não acolher os ED nestes dois tópicos, “quarto” e “quinto” vícios. CONCLUSÃO Assim, por tudo o que consta nos autos, voto por conhecer dos Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão nº 1402-003.958, de 16/07/2019, desta 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, e a eles, sem efeitos infringentes, dar provimento parcial unicamente para esclarecer que o direito creditório reconhecido para os períodos de Fl. 3141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.421 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13706.003003/2001-99 38 1999, 2000 e 2001 é o constante na planilha abaixo transcrita, incluindo montantes já deferidos em etapas anteriores e o provido pelo Colegiado de 2º Grau. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3142DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10831.012355/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-014.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício.
Assinado Digitalmente
Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Unaian Neves de Miranda (substituto integral), Laércio Cruz Uliana Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Ausente a conselheira Ana Paula Pedrosa Giglio, substituída pelo conselheiro Marco Unaian Neves de Miranda.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Unaian Neves de Miranda (substituto integral), Laércio Cruz Uliana Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Ausente a conselheira Ana Paula Pedrosa Giglio, substituída pelo conselheiro Marco Unaian Neves de Miranda. RELATÓRIO Leonardo Correia Lima Macedo – Conselheiro Trata-se de Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão 07-14.718 - 2ª Turma da DRJ/FNS, que cancelou o crédito tributário exigido. Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.130 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10831.012355/2005-35 2 Do Relatório da DRJ O relatório da DRJ resume os fatos da seguinte forma: Trata o presente processo dos Autos de Infração lavrados em 27.12.2005 e cientificados em 30.12.2005, nos quais foram formalizadas as exigências do Imposto de Importação, no valor de R5 2.714.109,44, acrescido da multa proporcional por extravio de mercadoria de que trata a alinea “d” do inciso II do art. 106 do Decreto-lei n° 37, de 1966, no valor de R§ 1.357.054,72 (fls. 01 a 07), do Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, no valor de R§ 2.832.109,17 (fls. 08 a 11), da contribuição para o PISIPASEP-Importação, no valor de R$ 102.567,14 (fls. 12 a 15), e da COFINS-Importação, no valor de 16 a 19). No Anexo de fls. 20 a 24, a fiscalização expõe os fatos que deram ensejo às referidas exigências, os quais se depreende que a autuação resultou da constatação do não armazenamento do volume indicado nos Ternos de Entrada n° 00002565-8, de 08.05.2000; 00005764-9, de 27;09.2000; 00006170-0, de 14.10.2000; 00006208-1, de 16.10.2000; 00007184-6, de 23.11.2000; 00006264-2, de 18.10.2000; e 00007814-O, de 18.12.2000, transportado ao amparo dos Conhecimentos de Carga Aérea n° MAWB 020 4804 0064 e HAWB 0036330, no vôo GEC8264; MAWB 020 5862 6654 e I-IAWB 688394, no vôo GEC8272; MAWB 020 6203 4195 e HAWB 20001478, no vôo GEC8266; MAWB 020 5615 8163 e HAWB BRIOIZS7467, no vôo GEC8272; MAWB 020 5615 8631 e HAWB BR112058470, no vôo GEC8272; MAWB 020 5627 0900 e HAWB 071014, no vôo GEC8264; e MAWB 020 6409 O96D e HAWB 2366004, no vôo GEC8272, respectivamente. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresentou a impugnação de fls. 122 a 136 para, em síntese, requer a nulidade do lançamento dos respectivos créditos tributários sob a alegação de que restou comprovado (ipsis litteris): - que já teria decaído o direito da fazenda Pública de exigir, da IMPUGNANTE, o pagamento de quaisquer dos créditos tributários embargados, por força da redação constante nos artigos 150,- parágrafo 4°, e 156, inciso V, do Código Tributário Nacional (instituto da decadência). - que a autoridade fiscal autuante utilizou-se erroneamente de uma única taxa de conversão para a apuração da base de cálculo de créditos tributários em períodos distintos, o que configura em erro in procedendo e, por via de consequência, na nulidade da presente cobrança. - à inaplicabilidade, ao caso em concreto, das disposições contidas nas Leis n” 10.833. de 2003, 10.865, de 2004, pois a "lei tributária" só pode retroagir em benefício do contribuinte Qtrincípios da legalidade e moralidade administrativa - artigo 3 7 da Constituição da República de 1988). Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.130 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10831.012355/2005-35 3 - que os volumes de carga amparados através dos conhecimentos aéreos IVMWB n” 020 5615 8163 HAWB BR 101257467 e MAWB n° 020 5615 8631 HAWB BR 112058470 foram atracados e posteriormente desembaraçados junto as dependências da própria Il. Alfândega do Aeroporto Internacional de Víracopos, em Campinas, nos termos e na forma constantes no item 3.29 e seguintes da presente Impugnação. Conclui afirmando que em face das circunstâncias acima sintetizadas, requer a retificação do lançamento, relativamente ao II e ao IPI, de maneira que seja adotada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, mediante expedição de auto de infração que contemple o lançamento de crédito tributário suplementar. Do Voto da DRJ O voto da DRJ concluiu pela NULIDADE do lançamento fiscal por erro formal decorrente de apuração indevida do valor da penalidade. Do Recurso de Ofício A DRJ/FNS apresentou recurso de ofício conforme art. 34, I do Decreto n°. 70.235/72, c/c o art. 1°. Da Portaria MF n°. 03, de O3/01/2008. É o relatório. VOTO Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. Recurso de Ofício Admissibilidade do recurso A Portaria MF n° 2 de 17 de janeiro de 2023 revogou a Portaria MF n° 63 de 9 de fevereiro de 2017 e majorou o limite da alçada para a interposição de Recurso de Ofício para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). A verificação do "limite de alçada" em face de decisão da DRJ favorável ao contribuinte ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observando-se a legislação da época e, o segundo, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, aplicando-se o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula CARF nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.130 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10831.012355/2005-35 4 No caso em apreço, o valor total do crédito tributário exonerado, correspondente à soma do principal e da multa é inferior ao estabelecido no artigo 1º da referida Portaria MF nº 2 de 2023, impondo-se o não conhecimento do Recurso de Ofício. Em vista dessas considerações, conclui-se que o Recurso de Ofício não deve ser conhecido tendo em vista ser o valor exonerado inferior ao novo limite de alçada. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, voto em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo Conselheiro Fl. 220DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724308/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
PER. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PARECER NORMATIVO COSIT 2/2015. SÚMULA CARF 164. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR.
A retificação da DIPJ, depois de prolatado o despacho decisório ou mesmo a sua não retificação, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado, por meio de prova idônea, conforme aplicação do Parecer Normativo COSIT n. 2/2015 e da Súmula CARF n. 164.
Numero da decisão: 1102-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Cristiane Pires McNaughton – Relatora
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Andrea Viana Arrais Egypto (substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Gabriel Campelo de Carvalho, substituído(a)pelo(a) conselheiro(a) Andrea Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON
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RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PARECER NORMATIVO COSIT 2/2015. SÚMULA CARF 164. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. A retificação da DIPJ, depois de prolatado o despacho decisório ou mesmo a sua não retificação, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado, por meio de prova idônea, conforme aplicação do Parecer Normativo COSIT n. 2/2015 e da Súmula CARF n. 164. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Andrea Viana Arrais Egypto (substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Gabriel Campelo de Carvalho, substituído(a)pelo(a) conselheiro(a) Andrea Viana Arrais Egypto. RELATÓRIO Trata-se, na origem, de pedido de restituição, apresentado por meio da PER de n. 06608.26898.281114.1.2.03-3352, com utilização do saldo negativo de CSLL 2009 (de 01/01/2009 a 30/11/2009), apurado na DIPJ/2009, como crédito, no valor de R$ 330.380.940,53. O Despacho Decisório, sob o número de rastreamento 099121259 (fls. 28/35), não homologou o pedido de restituição pleiteado, por se tratar de matéria já apreciada pela autoridade administrativa (PER/DCOMP do mesmo crédito objeto de despacho decisório: 34365.43399.300412.1.7.03-8008). Cientificada, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 36/42) na qual impugnou os fundamentos da decisão administrativa, sustentando que as divergências apontadas são improcedentes. Ao analisar a defesa apresentada pelo Recorrente, os membros da 6ª de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto (SP) - DRJ-RPO, proferiram o acórdão n. 14-67.926 (fls. 105/121), no qual por unanimidade de votos, decidiram por não reconhecer o direito creditório e indeferir o pedido de restituição feito pela Recorrente. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 3 Não há como aumentar o valor do saldo negativo da CSLL que daria suporte para o reconhecimento de direito creditório por meio de apresentação de Pedido de Restituição-PER, depois da data em que foi proferida decisão administrativa que apreciou Declaração de Compensação apresentada anteriormente, onde utilizou- se de saldo negativo do mesmo período de apuração. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Em cada período de apuração, há, para cada tributo ou contribuição, um único fato jurídico tributário que instala a relação jurídica tributária entre o Contribuinte (sujeito passivo) e o Estado (sujeito ativo). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada com a decisão, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 127/132), no qual aduz, em síntese: (a) Que é possuidor do crédito alegado, e a comprovação pode ser verificada pela leitura da DIPJ retificadora de 20/11/2014, onde está demonstrada a existência de saldo negativo, objeto do PER apresentado. (b) Apresentou retificação da DIPJ 2009-2010 em 21/11/2014, exercendo o seu direito de compensar as negativas da CSLL apuradas anteriormente, com a limitação de 30% na apuração da CSLL devida (deduções – linha 65 – página 17 da DIPJ). (c) O lançamento do valor de R$ 449.634.420,92, na “linha 65 do campo Deduções” corresponde exatamente ao efeito fiscal pretendido pela Recorrente quanto à compensação das bases negativas de CSLL apuradas em alíquota da CSLL à época (15%) sobre o resultado da incidência de 30% sobre a base de cálculo de CSLL, R$ 9.991.876.020,38, obtém-se, de outra via, o benefício fiscal a permitir a dedução do valor de R$ 449.634.420,92 da CSLL apurada. (d) Cita o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 28.08.2015. (e) Informa que, considerando que parte do referido saldo negativo da CSLL já tinha sido objeto de DCOMP, optou a Recorrente por apresentar o pedido de restituição 06608.26898.281114.1.2.03-3352, pelo valor da diferença (R$ 330.380.940,53), para não prejudicar a apreciação das DCOMPs anteriormente apresentadas. (f) Destaca que os créditos em favor da Recorrente da DIPJ/2009, apurados em momentos distintos, não estão sobrepostos nos pedidos de compensação e restituição apresentados separadamente, ou seja, o total dos pedidos de compensação e restituição não ultrapassam o valor do crédito declarado. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 4 VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, pelo que dele conheço. 2 MÉRITO: Pretende o Recorrente o reconhecimento de direito creditório, formalizado por meio do Pedido de Restituição-PER número 06608.26898.281114.1.2.03.3352, no valor de R$ 330.380.940,53, com origem em Saldo Negativo de CSLL do exercício de 2009 (de 01/01/2009 a 30/11/2009). Conforme consta no Despacho Decisório, houve o indeferimento do direito creditório pretendido, uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa, quando da análise de Declaração de Compensação formalizada anteriormente pela contribuinte. O Despacho Decisório foi confirmado pela DRJ que entendeu que não haveria como aumentar o valor do saldo negativo de CSLL que daria suporte para o reconhecimento de direito creditório por meio de apresentação de Pedido de Restituição-PER, depois da data em que foi proferida decisão administrativa que apreciou a Declaração de Compensação apresentada anteriormente (Proc. 10166.914106/2012-03), onde utilizou-se de saldo negativo do mesmo período de apuração. Confira-se: 44. Como se vê, a retificação da Dcomp apresentada em formulário ou eletrônica somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não pode ser realizada indiscriminadamente, pois o procedimento retificador é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações e pedidos de restituição ainda pendentes de decisão administrativa. 45. Reitere-se que, conforme demonstrativo acima consolidado, houve alterações em pelo menos cinco dos itens presentes na apuração do saldo negativo de CSLL, na Ficha 17 da DIPJ. Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 5 46. Repisada a disciplina legal e normativa aplicável à Dcomp, está evidente que os alegados erros formais no preenchimento desta declaração somente poderiam ser sanados até a edição da decisão administrativa prolatada pela DRF/Brasília. 47. Enfim, se a contribuinte decidiu retificar sua Declaração de Rendimentos-DIPJ, inclusive com o aumento expressivo do valor de “Recuperação de Créditos de CSLL”, disciplinado pelo artigo 8º da MP nº 1.807, de 1999, com o conseqüente aumento de seu saldo negativo de CSLL, suporte para apresentação de PER- Pedido de Restituição que tem por objeto a diferença de saldo negativo assim apurado, deveria tê-lo feito antes da edição do Despacho Decisório, descabendo qualquer alteração no valor de seu direito creditório após esta data, seja por meio de PER-Pedido de Restituição ou de Dcomp/Retificadora. 48. Na verdade, o que se depreende do comportamento da interessada é que ela, diante da restrição legal imposta, que não lhe permite mais a alteração de seu direito creditório, pretendeu na verdade contornar a restrição expressa em ato normativo por meio da apresentação do Pedido de Restituição-PER. Para isso, alega nulidade do Despacho Decisório editado, por vício material formal. De fato, posteriormente à decisão administrativa em relação as PER/DCOMPs anteriormente apresentadas, o Recorrente retificou a DIPJ 2009-2010, em 28.11.2014, para restituir bases negativas de CSLL que não haviam sido anteriormente aproveitadas. Em suas palavras: 17. O lançamento do valor de R$ 449.634.420,92, na “linha 65 do campo Deduções” corresponde exatamente ao efeito fiscal pretendido pela Empresa quanto à compensação das bases negativas de CSLL apuradas em períodos anteriores observando o limite de 30%, porquanto, se aplicada a alíquota da CSLL à época (15%) sobre o resultado da incidência de 30% sobre a base de cálculo da CSLL, R$ 9.991.876.020,38, obtém-se , de outra via, o benefício fiscal a permitir a dedução do valor de R$ 449.634.420,92 da CSLL apurada (9.991.876.020,38 x 30% = 2.997.562.806,11), não havendo qualquer tipo de prejuízo ao Fisco com o procedimento adotado pela Empresa, vejamos a comparação: 18. Como resultado da referida retificação, impôs-se o recálculo do valor da CSLL, apurando-se um Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 407.254.360,31. (...) 20. Considerando que parte do referido saldo negativo da CSLL já tinha sido objeto das DCOMP acima citadas, preferiu o contribuinte, apresentar o Pedido de Restituição (PER) 06608.26898.281114.1.2.03-3352, pelo valor da diferença (R$ 330.380.940,53), de forma a não prejudicar a apreciação das DCOMPs anteriormente apresentadas. Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 6 (...) 24. Por fim, ressalte-se que os créditos em favor do contribuinte da DIPJ/2009, apurados em momentos distintos não estão sobrepostos nos pedidos de compensação e restituição apresentados separadamente, ou seja, o total de pedidos de compensação e restituição não ultrapassam o valor do crédito declarado. Inicialmente, destaco que tenho entendimento que, se transmitida a PER/DCOMP após retificação da DIPJ/DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito por meio de documentos hábeis e idôneos. Inclusive, há entendimento neste sentido já emanado por este Tribunal acerca da DCTF cuja ratio decidendi aplico aqui analogicamente a DIPJ: AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar. (Acórdão nº 1301-003.881, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Data: 14/05/2019) Neste sentido, o Parecer Cosit n. 02 de 28 de agosto de 2015 permite a retificação da DCTF após o indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, ou mesmo sua não retificação desde que o contribuinte logre êxito em comprovar as alterações promovidas (erro de fato), e, por conseguinte, a liquidez e certeza de seu crédito tal como exige o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vejamos a conclusão do referido Parecer: Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF - original ou retificadora - que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 7 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não- homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 8 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Inclusive, em sentido semelhante é a disposição da Sumula n. 164 do CARF: A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Contudo, com relação ao crédito, em si, falta o atributo da liquidez e certeza. Vejamos. Como se depreende da Súmula acima citada, não basta ao sujeito passivo a retificação de documentos. É preciso que comprove o erro que se funda a retificação. Muito bem. No caso concreto, o contribuinte alega que a diferença entre o saldo negativo anterior e o novo refere-se a base negativa de CSLL de períodos anteriores. Contudo, nota-se que o valor informado consta da linha 65 que se refere a “Recuperação de Crédito de CSLL – MP n. 1807/99, art. 8º”. A linha 65, portanto, corresponde ao benefício fiscal previsto no artigo da MP n. 1807/99 que dependeria de prova para ser demonstrado. Bem verdade que o Recorrente alega erro de preenchimento na DIPJ e, para sustentar sua afirmação, aponta que a quantia posta na linha 65 coincide com o valor de 30% sobre a base de cálculo da CSLL, antes da compensação. Contudo, não há, nos autos, qualquer elemento adicional, além dessa verossimilhança aritmética, que (a) indique a existência dessa base negativa de períodos anteriores e (b) demonstre que se tratou de compensação de base negativa. Ainda que o Recorrente tenha razão sobre a necessidade de formalismo moderado, considerando-se o contexto que trata de saldo negativo que já havia sido julgado e que a informação da base negativa foi posta em linha errada, caberia ao Recorrente trazer elementos de prova que pudessem demonstrar sua alegação. Não bastasse isso, entre a DIPJ original e retificadora, há diversas modificações na própria base de cálculo da CSLL que sequer foram abordadas pelo sujeito passivo. Confira-se no discriminativo constante do acórdão de piso: Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.733 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724308/2015-08 9 Ora, para saber se o novo saldo negativo está correto, não bastaria identificar se a base negativa de CSLL existe. Seria necessário apurar se o aumento na subtração referente aos Ajustes do Regime Tributário de Transição – RTT (linha 03) está correta; e se a alteração na linha 32 – Outras Adições procede. Esses valores também impactaram negativamente na base de cálculo e a ausência de elementos comprobatórios torna inviável a identificação do saldo negativo. Em suma, o contribuinte alega ter declarado a base negativa em linha equivocada, mas faltam elementos probatórios para comprovar sua assertiva. Além disso, há outros aspectos que também contribuíram para majorar seu crédito, como o aumento na subtração do RTT e a alteração em “Outras Adições” e mereceriam comprovação. Não há, portanto, liquidez no crédito pleiteado. 3 DISPOSITIVO Ante o exposto, voto em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 169DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Admissibilidade 2 mérito: 3 dispositivo
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720864/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2012
Cm base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI)1 (texto da posição 7020) e 6 (texto da subposição 7020.00), os produtos da linha “Box para Banheiro” classificam-se no código 7020 – Outras obras de vidro; - 7020.00.90 – Outros da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, com alíquota de 15,0%.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 3401-014.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
George da Silva Santos – Relator
Assinado Digitalmente
Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a] integral), Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ana Paula Pedrosa Giglio, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marco Unaian Neves de Miranda.
Nome do relator: GEORGE DA SILVA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2012 Cm base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI)1 (texto da posição 7020) e 6 (texto da subposição 7020.00), os produtos da linha “Box para Banheiro” classificam-se no código 7020 – Outras obras de vidro; - 7020.00.90 – Outros da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, com alíquota de 15,0%. Recurso não provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente George da Silva Santos – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a] integral), Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ana Paula Pedrosa Giglio, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marco Unaian Neves de Miranda.
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Recurso não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente George da Silva Santos – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a] integral), Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Fl. 3314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 2 Ausente(s) o conselheiro(a) Ana Paula Pedrosa Giglio, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marco Unaian Neves de Miranda. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 01-36.465 - 3ª Turma da DRJ/BEL, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/07/2008, 01/10/2008 a 31/05/2010 CLASSIFICAÇÃO INCORRETA Apurada a classificação indevida do produto fabricado e comercializado, caberá a reconstituição da escrita mediante a aplicação da alíquota correta. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2012 BOX DE BANHEIRO Em se tratando de um produto misturado, composto de vidro e perfis de alumínio, a classificação fiscal deverá ser feita pela RGI 3, parte "b", que determina a classificação pela matéria que confira característica essencial ao produto vendido. No caso, inexistem dúvidas de que o vidro confere tal característica, pois é ele que impede a saída da água da área do chuveiro, cabendo aos perfis apenas a função de fixação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Para uma melhor compreensão, transcrevo a contextualização formulada pela DRJ: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o estabelecimento acima identificado, em que foi lançado crédito tributário no montante de R$ 1.778.622,76, incluídos nesse valor o IPI referente aos períodos acima discriminados, multa de ofício proporcional ao imposto lançado, multa isolada incidente sobre o imposto não lançado em virtude de haver cobertura de crédito, além de juros de mora calculados até março de 2012. 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 3220/3228, o lançamento deu- se em função da Autoridade Fiscal haver discordado da classificação fiscal utilizada para os produtos da linha "box para banheiro", constituído, segundo as Fl. 3315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 3 informações do contribuinte, de "kit de alumínio e elemento bloqueador de passagem de água, de vidro temperado". 3. Muito embora a empresa tenha informado haver utilizado até 07/2010 a classificação 7716.99.00, analisando os arquivos magnéticos de notas fiscais, a Fiscalização constatou que: "foram usados os seguintes códigos da NCM: a) - 7616.99.00 - Outras Obras de Alumínio - Outras. Conforme TIPI, a alíquota é de 5,0%, b) - 7610.10.00 - Portas e janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras, classificando nesta posição o Kit de instalação do box para banheiro com alíquota de IPI de 0,0%. c) - utilizou também a classificação fiscal 7007.19.00 –Vidros de segurança consistindo em vidros temperados ou formados por folhas contracoladas – Outros para o elemento bloqueador (vidro temperado) com 10mm de espessura, com alíquota de IPI de 15% até 14/05/2008 e reduzida para 10% a partir de 15/05/2008. Destacamos ainda que a partir do mês 08/2010 passou a utilizar esta última classificação para todos os vidros temperados destinados a box para banheiro.". 4. Salienta ainda a Autoridade que o kit de instalação e o elemento bloqueador de água (vidro temperado), embora comercializados separadamente formam um único produto industrializado, o "Box para Banheiro", cuja característica essencial do produto completo e acabado é o vidro temperado, que participa com o percentual de 90% do produto, enquanto o kit, que é um elemento secundário, utilizado apenas como elemento de fixação dos vidros temperados participa com 10%. 5. Assim, entende que a classificação correta seria no código 7020.00.90, com alíquota de 15%, tendo sido refeita a escrituração fiscal, tendo sido levado em consideração os valores lançados em procedimento fiscal anterior. 6. Cientificada em 02.04.2012 (AR fl. 3229), a interessada apresentou, tempestivamente, em 02.05.2012, impugnação (fls. 3235/3247) na qual apresenta os seguintes argumentos: a) Requer a nulidade do auto por não ter havido "qualquer justificativa técnica para impor a reclassificação", prejudicando o direito de defesa; b) No mérito, afirma que a regra de interpretação "estabelece que a posição mais específica prevalece sobre a genérica e os produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição específica devem ser classificados pela sua característica essencial e finalidade”; c) Julga estar correta a classificação adotada pelo estabelecimento, uma vez que o kit "box para banheiro" é constituído de partes que podem ser comercializadas separadamente, o que justifica a classificação isolada dos itens. Ademais, lembra que a empresa poderia fabricar somente um dos itens do kit, conforme passou a ser efetivamente feito a partir de 08/2010, quando passou a comercializar apenas o vidro temperado; Fl. 3316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 4 d) Cita decisões nas esferas administrativa e judicial; e) Ao final, em item denominado "Das multas", aborda tema estranho ao presente processo, referente a multa administrativa de controle das importações (aparentemente importação de "para-brisas"), inexistente no lançamento. No intuito da reforma, VOTO 1 DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, tendo sido protocolizado no último dia do prazo (17/05/2019), de forma que, presentes do demais requisitos, dele conheço. 2 DA PRELIMINAR Inicialmente, argumenta-se com a nulidade do auto de infração, que não teria apresentado as justificativas da nova classificação. No entanto, não vejo qualquer cerceamento à ampla defesa nem indicação do prejuízo sofrido, elemento indispensável à proclamação das nulidades (Pas de nullité sans grief). Rejeito a preliminar. 3 DO MÉRITO O recurso, à e-fl. 3294, bem pontua a questão a ser decidida: “No caso ora versado, a Impugnante classificou os produtos da linha ‘Box para banheiro’ nas posições NCM 7616.99.00 – Outras Obras de Alumínio – Outras, 7610.10.00 – Portas e Janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras e 7007.19.00 – Vidros de Segurança consistindo em vidros temperados ou formados por folhas contracoladas – Outros. Fl. 3317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 5 No entanto, a fiscalização, forçosamente, que fazer crer que os produtos em questão devam ser classificados no código 7020 – Outras obras de vidro: - 70020.0090 – Outros da TIPI, com a alíquota 15%.” A propósito, registro a descrição do produto, constante do Relatório Fiscal (e-fl. 3223): 4. DA CARACTERIZAÇÃO DO PRODUTO De acordo com as informações do contribuinte, o produto em análise constitui-se de um kit de alumínio e elemento bloqueador de passagem de água, de vidro temperado, da marca VIDROFORTE, com espessura de 8mm ou 10mm, com denominação vulgar, comercial, científica e técnica de “Box para Banheiro”, fabricado em diversos tamanhos, pela empresa fiscalizada (fls. 27/47, 61). O kit para instalação do banheiro e o elemento bloqueador da passagem da água, de vidro temperado, são partes integrantes do mesmo produto: o box para banheiro. Mas são comercializados separadamente. Os itens componentes do produto estão relacionados no anexo I deste relatório fiscal (Doc. fls. 988/3217). Os itens, relacionados são os informados pela empresa nas respostas às intimações fiscais, os quais fazem parte dos produtos industrializados da linha box para banheiro. A partir do mês 08/2010 o contribuinte deixou de industrializar e comercializar o kit para instalação do box para banheiro passando a comercializar somente o elemento bloqueador de passagem da água, o vidro temperado (fls. 27, 61 e 63). Pois bem. A despeito dos argumentos do recurso, devo registrar que, como bem enfatizou a fiscalização, há atos da RFB indicando a mesma classificação, quais sejam, o parecer Coana nº 003, de 27/12/2004 e a Solução de Consulta /SRRF/7ªRF/DIANA nº 457, de 07/11/2005 (e-fls. 118/125): Informações do Ato: Parecer Coana nº 3, de 2004 (Publicado no DOU em 31/12/2004) Ementa: Código: 7020.00.00 Fl. 3318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 6 "Box" para banheiro, com estrutura de alumínio e elemento vedador de vidro temperado Informações do Ato: Solução de Consulta DIANA/SRRF07 nº 457, de 07/11/2005 Ementa: CÓDIGO TIPI ¿ 7020.00.00 .Box de Banheiro, com estrutura de alumínio e elemento vedador de vidro temperado, fabricado e marca registrada por Saint Germain, tipos ¿Frontal¿ e ¿Canto¿, modelos ¿padrão¿, utilizados para privatizar o local de banho, denominado vulgarmente ¿Box¿, comercialmente ¿Box para Banheiro¿ e científico e técnico ¿Box para Banheiro, com estrutura de alumínio e elemento vedador de vidro¿. De qualquer maneira, entendo válido o racional apresentado pelo Relatório, às e-fls. 3224/: 6. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL CORRETA DO PRODUTO No entanto, à luz da legislação que define os critérios para classificação fiscal de mercadorias, constata-se que as classificações fiscais adequadas para os produtos da linha box para banheiro no período de 07/2007 a 07/2010 não são as adotadas pelo contribuinte. Se analisarmos o texto da posição 7610: “Construções e suas partes (por exemplo, pontes e elementos de pontes, torres, pórticos ou pilones, pilares, colunas, armações, estruturas para telhados, portas e janeiras e seus caixilhos, alizares e soleiras, balaustradas), de alumínio, exceto as construções pré-fabricadas da posição 94.06; chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, de alumínio, próprios para construções”.e o da posição 7616 “Outras Obras de Alumínio” verifica-se, de imediato, que o box para banheiro descrito no item 4 acima não pode ser classificado nestas posições as quais são próprias para o alumínio e suas obras. A característica essencial do produto completo e acabado do “box para banheiro” é o vidro temperado. Conforme resposta do contribuinte o vidro temperado participa com o percentual de 90,0% do produto. Enquanto o kit, que é um elemento secundário, utilizado apenas como elemento de fixação dos vidros temperados participa com 10,0% do produto final (fl. 27). De acordo com o art. 16º do Regulamento do IPI Decreto 4.544, de 26/12/2002, substituído pelo Decreto de nº. 7.212, de 15/06/2010, a classificação fiscal da mercadoria será estabelecida em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Fl. 3319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 7 Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Lei nº. 4.502, de 1964, art. 10). Segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, a Posição 7020 compreende outras obras de vidro não incluídas nas posições precedentes deste capítulo, nem em qualquer outra posição da nomenclatura. A mercadoria descrita no item 4 acima, mesmo desmontada, é classificada na presente posição (7020), mesmo quando associada a outras matérias, desde que conservem as características de artigos de vidro. Esta posição inclui, entre outras. 1) Os artigos para uso industrial, tais como cubas, tinas, cilindros ou tubos para polimento de peles, resguardo para aparelhos de segurança, e outros recipientes para lubrificadores, minas e tubos de nível, goteiras, filtros para produtos corrosivos, condutos escoamento de água. 2) Os artefatos para economia rural (gamelas, bebedouro, etc) e para horticultura (campânula de jardins, etc). 3) Artigos tais como letras, algarismos, placas sinalizadoras, painéis de publicidade, etc., mesmo contendo ilustrações ou um texto impresso, exceto os das posições 7006, 7009, 7014 ou da posição 9405, se forem luminosos. 4) Por último diversos artigos, tais como flutuadores para redes de pesca; puxadores de portas de móveis, de corrente, etc., devem ser classificados com base nas RGI 1 e 6º (textos da Posição 7020 e da subposição 7020.00) e regra “3b”, combinadas com a RGC, todas da TIPI, no código 7020.00.90 da mesma TIPI anexo ao Decreto nº 6.006, de 28/12/2006. RGI-1, relativo a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI (SH)1): “Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas outras regras gerais”. RGI-2 “b” “Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação desses produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3”. RGI-3 – Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da foram seguinte: RGI-3b “Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias Fl. 3320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.166 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.720864/2012-71 8 apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar essa determinação”. A Regra Geral de Interpretação (RGI – 6) determina que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas, assim como, “mutatis mutandis”, pelas regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível, para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Então, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado(RGI)1 (texto da posição 7020) e 6 (texto da subposição 7020.00) os produtos da linha “Box para Banheiro”, descritos no item 4 acima, classificam-se no código 7020 – Outras obras de vidro; - 7020.00.90 – Outros da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, com alíquota de 15,0%. A RFB manifestou-se na mesma linha no parecer Coana nº 003, de 27/12/2004 e na Solução de Consulta /SRRF/7ªRF/DIANA nº 457, de 07/11/2005 que podem ser visualizados nas folhas nº. 118/125. A partir do mês 08/2010 quando a empresa passou a industrializar e comercializar somente o elemento bloqueador da passagem de água do box para banheiro, o vidro temperado, o contribuinte reclassificou o produto para a posição 7007.19.00 com a qual concordamos (fl. 61). Como dito, considero válida tal linha de pensar. 4 DO DISPOSITIVO Por tais motivos, conheço do recurso, rejeito a preliminar e nego-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente George da Silva Santos Fl. 3321DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 da preliminar 3 do mérito 4 DO DISPOSITIVO
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Numero do processo: 10820.720044/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ARRENDAMENTO RURAL. PARCERIA. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO.
A diferença entre os contratos de parceria rural e de arrendamento rural é que os primeiros se caracterizam pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe uma retribuição fixa pelo arrendamento das terras.
Quando em um contrato, ainda que denominado de parceria rural, contiver a estipulação de que uma das partes receberá quantia fixa, independente de produção, sem assunção de riscos, resta caracterizado o arrendamento, devendo ser assim tributado.
Numero da decisão: 2201-012.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Fernando Gomes Favacho – Relator
Assinado Digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 ARRENDAMENTO RURAL. PARCERIA. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. A diferença entre os contratos de parceria rural e de arrendamento rural é que os primeiros se caracterizam pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe uma retribuição fixa pelo arrendamento das terras. Quando em um contrato, ainda que denominado de parceria rural, contiver a estipulação de que uma das partes receberá quantia fixa, independente de produção, sem assunção de riscos, resta caracterizado o arrendamento, devendo ser assim tributado.
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PARCERIA. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. A diferença entre os contratos de parceria rural e de arrendamento rural é que os primeiros se caracterizam pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe uma retribuição fixa pelo arrendamento das terras. Quando em um contrato, ainda que denominado de parceria rural, contiver a estipulação de que uma das partes receberá quantia fixa, independente de produção, sem assunção de riscos, resta caracterizado o arrendamento, devendo ser assim tributado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.288 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.720044/2011-11 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata de Auto de Infração (fl. 252 a 264) lavrado para cobrar IRPF sobre rendimentos obtidos pelo arrendamento de propriedade rural nos anos-calendário de 2006, 2007 e 2008, além de multa de ofício de 75% e juros de mora. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 245 a 251), o contribuinte e sua cônjuge (Mitsuko Shinzato Aguiar) haviam celebrado contrato de parceria agrícola em que a usina de açúcar e álcool Altal Paulista figurava como parceiro-outorgado. Todos os custos de plantio, cultivo, corte, carregamento e transportes dos produtos correram por conta do parceiro-outorgado. Apesar do contrato haver se iniciado em outubro de 2007, houve recebimentos desde janeiro de 2006. O parceiro-outorgante receberia 10% da produção, que deveria ser de seis toneladas de cana-de-açúcar ao ano, a título de previsão. Estas cláusulas caracterizariam um típico contrato de arrendamento, de modo que os rendimentos não poderiam ser declarados como receita da atividade rural, como foram, com apenas 20% sendo tributado. Os rendimentos omitidos foram lançados em 50% para o contribuinte e 50% para a cônjuge (Proc. nº 10820.720043/2011-76). Em sua Impugnação (fl. 276 a 306), o contribuinte defende que o contrato de parceria é legítimo e, ao desconsiderá-lo, a autoridade administrativa extrapolou sua competência. O parágrafo único do art. 116, do Código Tributário Nacional, além de ser inconstitucional, não é autoaplicável. Alegou ainda que não haveria fraude ou abuso de direito. Por fim, fez a distinção entre contrato de arrendamento (onde o arrendante recebe quantia certa) e de parceria (na qual se receberia quantia variável, de acordo com os frutos do empreendimento), tendo enquadrado o contrato na segunda hipótese. A 3ª Turma da DRJ/SDR, por meio do Acórdão n. 15-39.971 (fl. 310 a 312), decidiu pela manutenção da autuação. Justificou indicando que não desconstituiu ou desconsiderou o contrato de parceria, e sim avaliou que o conteúdo das cláusulas indica que a renda não foi proveniente da atividade rural. Além disso, considerou que, se os custos de produção agrícola foram assumidos pelo outorgado, os rendimentos do outorgante não podem ser declarados como receita da atividade rural, dado que o fruto da atividade tem de resultar dos esforços e dos custos investidos. Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.288 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.720044/2011-11 3 No Recurso Voluntário (fl. 317 a 350), o contribuinte alegou que (i) a autoridade administrativa não poderia ter desqualificado o contrato de parceria; (ii) não houve fraude e, mesmo que tivesse havido, a Fazenda não poderia descaracterizar o contrato com base nisso; (iii) o contrato de arrendamento implica em entrega de quantia certa, enquanto o de parceria implica em entrega proporcional aos frutos; (iv) não teria havido omissão. É o relatório. VOTO Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. 1. Admissibilidade Atesto a tempestividade. Cientificado em 31/05/2016 (fl. 315), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 30/06/2016 (fl. 317). 2. Natureza do contrato e tributação da atividade rural. Em seu recurso voluntário (fl. 317 a 350), alega o contribuinte que o contrato não poderia ter sido reclassificado de parceria para arrendamento, ainda que fosse o caso de ter havido fraude. A Lei n. 4.504/1964 (Estatuto da Terra) conceitua o arrendamento rural como sendo o contrato por meio da qual há a cessão de uso e gozo de imóvel rural com o objetivo de exercer exploração agrícola e afins mediante retribuição certa ou aluguel, observado os limites legais: Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. (...) Sua norma regulamentadora, o Decreto n. 59.566/1966, corrobora com a definição: Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. (...) Já o contrato de parceria é definido pela Lei n. 4.504/1964 como sendo um contrato de cessão de uso de bem imóvel rural (ou parte dele) com o objetivo de ser exercida atividade de exploração agrícola e afins, mediante partilha, e desde que as partes concorram a algum dos seguintes riscos: (i) caso fortuito e de força maior do empreendimento rural; (ii) dos frutos, Fl. 356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.288 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.720044/2011-11 4 produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem; (iii) das variações de preço dos frutos obtidos no empreendimento. Além disso, pode haver prefixação da quantidade ou volume pactuados, desde que haja ajuste ao final. Eventuais adiantamentos não desnaturam o contrato de parceria. Veja: Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agro-industrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios: I - o prazo dos contratos de parceria, desde que não convencionados pelas partes, será no mínimo de três anos, assegurado ao parceiro o direito à conclusão da colheita, pendente, observada a norma constante do inciso I, do artigo 95; II - expirado o prazo, se o proprietário não quiser explorar diretamente a terra por conta própria, o parceiro em igualdade de condições com estranhos, terá preferência para firmar novo contrato de parceria; III - as despesas com o tratamento e criação dos animais, não havendo acordo em contrário, correrão por conta do parceiro tratador e criador; (...) § 1o Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes dele, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias-primas de origem animal, mediante partilha, isolada ou cumulativamente, dos seguintes riscos: I - caso fortuito e de força maior do empreendimento rural; II - dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos no inciso VI do caput deste artigo; III - variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural. § 2o As partes contratantes poderão estabelecer a prefixação, em quantidade ou volume, do montante da participação do proprietário, desde que, ao final do contrato, seja realizado o ajustamento do percentual pertencente ao proprietário, de acordo com a produção. § 3o Eventual adiantamento do montante prefixado não descaracteriza o contrato de parceria. A definição é reforçada pela referida norma regulamentadora, o Decreto n. 59.566/1966: Art 4º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.288 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.720044/2011-11 5 com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da fôrça maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). Ainda segundo o Decreto n. 59.566/1966, o percentual limite de partilha de frutos é de 10% quando o outorgante concorrer apenas com a terra nua: Art 35. Na partilha dos frutos da parceria, a cota do parceiro-outorgante não poderá ser superior a (art. 96, VI, do Estatuto da Terra). I - 10% (dez por cento) quando concorrer apenas com a terra nua; II - 20% (vinte por cento) quando concorrer com a terra preparada e moradia; III - 30% (trinta por cento) caso concorra com o conjunto básico de benfeitorias, constituído especialmente de casa de moradia, galpões, banheiro para gado, cêrcas, valas ou currais, conforme o caso; IV - 50% (cinqüenta por cento), caso concorra com a terra preparada e o conjunto básico de benfeitorias enumeradas no inciso III, e mais o fornecimento de máquinas e implementos agrícolas, para atender aos tratos culturais, bem como as sementes e animais de tração e, no caso de parceria pecuária, com animais de cria em proporção superior a 50% (cinqüenta por cento) do número total de cabeças objeto da parceria; V - 75% (setenta e cinco por cento), nas zonas de pecuária ultra-extensiva, em que forem os animais de cria em proporção superior a 25% (vinte e cinto por cento) do rebanho onde se adotem a meação do leite e a comissão mínima de 5% (cinco por cento) por animal vendido. Em conformidade com o exposto, e segundo o entendimento desta Turma, a análise da matéria passa pelo (i) compartilhamento de riscos advindos de caso fortuito ou de força maior, e (ii) pelo recebimento de quantia certa, como aduzido nos acórdãos n. 2201-012.136 e 2201- 012.138, julgados por unanimidade em 25/07/2025: Por meio da leitura dos dispositivos legais supracitados, observamos que os contratos rurais podem ser de dois tipos: (i) contrato de arrendamento e (ii) contrato de parceria. A diferença intrínseca entre eles é que o primeiro caracteriza-se pela ausência de compartilhamento de riscos advindos de caso fortuito ou força maior, bem como pelo recebimento de um valor fixo por parte do proprietário, enquanto o segundo, pela existência da possibilidade de riscos para o proprietário, sem haver retribuição fixa. Outra diferença entre os dois tipos de contratos, que pode ser extraído do próprio diploma normativo, é que no contrato de arrendamento há uma retribuição certa Fl. 358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.288 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.720044/2011-11 6 ou aluguel paga pelo possuidor – arrendatário para uso, gozo e fruição do bem, o que decorre justamente da ausência de compartilhamento de riscos entre as partes, vejamos: Passando à análise do caso concreto, o contrato que originou os rendimentos objeto da autuação foi celebrado entre Ricardo Menezes de Aguiar e Mitsuko Shinzato Aguiar num polo, e Junqueirópolis Agrocomercial LTDA no outro polo. Nele, os outorgantes se comprometem tão somente com a cessão da terra nua, além de haver previsão de que a contraprestação se daria em função de percentual dos frutos do empreendimento: (fl. 25 a 30) CLÁUSULA QUINTA - Caberá aos PARCEIROS OUTORGANTES a participação em conformidade com a legislação vigente, na proporção de 10% (dez por cento) da produção agrícola que efetivamente vier a ser colhida, que deverá corresponder, aproximadamente e a título de previsão, a 6,00 (seis) toneladas de cana-de-açúcar, por alqueire e por ano. Os PARCEIROS OUTORGANTES poderão, pessoalmente ou através de representantes, fiscalizar o andamento do plantio, colheita e transporte. Da forma como o negócio foi desenhado, tem-se, então, que (i) havia a previsão contratual da divisão dos frutos do empreendimento; (ii) inexistia cláusula que garantisse o recebimento dos frutos, por parte da outorgante, em caso de prejuízo decorrente de caso fortuito ou força maior. Portanto, em tese, haveria o compartilhamento dos riscos e, via de consequência, o contrato estaria caracterizado como sendo de parceria. Contudo, segundo planilha anexada ao TVF (fl. 248), houve pagamentos mensais sucessivos, mas verificou-se que o pagamento não corresponde aos 10% pactuados no contrato. Conforme a tabela apontada, em 2006 e 2007, o percentual repassado aos outorgantes chegava a 14,44% e 23%, respectivamente, sendo que somente no último ano o repasse se aproximou do percentual pactuado: (fl. 248) Como podemos observar, nos primeiros anos de fiscalização, os resultados não coincidem com o que foi proposto em contrato, ou seja, a renda do outorgante deveria ser na ordem de dez por cento (10%) do total colhido no ano. Verificamos que houve "um cuidado" por parte dos envolvidos nesse contrato em "acertar" a quantidade no último ano objeto de fiscalização (o resultado chegou próximo ao fixado em contrato). Ainda segundo o TVF (fl. 248), depreende-se que, mesmo com a redução da colheita de 42 toneladas para 29 toneladas entre 2006 e 2007, a quantidade nominal dos frutos repassados aos outorgantes se manteve igual, um indício claro de que, apesar de ter sido pactuada a repartição dos frutos, em verdade o que se tinha era uma pactuação de um montante certo. Por fim, houve antecipação de numerário antes mesmo da celebração do contrato, e sem que tenha sido realizado ajuste ao final (fl. 246). Fl. 359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.288 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.720044/2011-11 7 Vale ressaltar a DRJ que, independentemente de existência de cláusula fixa, entende: (fl. 311) é também relevante a forma como foram implementas na prática as matérias não expressamente especificadas no contrato. Ora, se os custos de produção agrícola foram assumidos integralmente pelo parceiro-outorgado, os rendimentos pagos ao parceiro-outorgante não podem ser declarados por este último como receita da atividade rural. Com isso, restou-se afastada a partilha dos riscos, o que enquadra o contrato ali celebrado, em substância, como sendo um contrato de arrendamento. Desprovido, portanto, o pedido do contribuinte. Conclusão. Conheço o recurso voluntário e, no mérito, nego provimento. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho Fl. 360DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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