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Numero do processo: 15504.728009/2012-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/09/2012
SISTEMA DE PREMIAÇÃO POR CARTÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. BOLSA DE ESTUDOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EXTENSÃO AOS DIRIGENTES. VERBAS QUE SE CARACTERIZA COMO BASE DE CÁLCULO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ATENDIDO. REAJUSTAMENTO DOS VALORES EFETUADOS POR LEI E DIVULGADOS POR PORTARIA. INCONSTITUCIONALIDADE. VEDADO O CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE LEVADOS A EFEITOS PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO. MULTAS FIXADAS EM UNIDADES MONETÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE FIXAÇÃO EM PERCENTUAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente MICROCITY COMPUTADORES E SISTEMAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/09/2012 SISTEMA DE PREMIAÇÃO POR CARTÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. BOLSA DE ESTUDOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EXTENSÃO AOS DIRIGENTES. VERBAS QUE SE CARACTERIZA COMO BASE DE CÁLCULO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ATENDIDO. REAJUSTAMENTO DOS VALORES EFETUADOS POR LEI E DIVULGADOS POR PORTARIA. INCONSTITUCIONALIDADE. VEDADO O CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE LEVADOS A EFEITOS PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO. MULTAS FIXADAS EM UNIDADES MONETÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE FIXAÇÃO EM PERCENTUAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 80 09 /2 01 2- 27 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 207 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 208 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.6355, CFL.59, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.015.6371, CFL.34, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, assim como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.6363, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.6380 – CFL.30, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 09 a 15, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 56 a 58. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 24/09/2012, conforme AR, de fls. 03 a 06. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 80 a 98, recebida, em 24/10/2012, estando acompanhada dos documentos, de fls. 99 a 149. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 150. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1263.475 10ª, Turma DRJ/RJ1, em 24/02/2014, fls. 153 a 162. A impugnação foi considerada procedente em parte, ante a exclusão da agravante de reincidência. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 209 4 O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 12/03/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 164, bem como pelo Termo de Ciência Por Decurso de Prazo, em 25/03/2014, fls. 165. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 167 a 202, recebida, em 10/04/2014, desacompanhada de qualquer documento. As teses recursais sumariadas estão a seguir descritas. Preliminares. · que o acórdão recorrido é nulo, pois embasado em fundamentos do Acórdão nº1263.474, do processo 15504.728008/201282, processo principal (obrigação principal), do que não foi dado conhecimento à recorrente, o que impossibilita que esta produza de forma satisfatória sua defesa, havendo, assim, cerceamento de defesa e violação ao contraditório; Mérito. · que os valores pagos a título de premiação não integram a base de cálculo da contribuição, pois são desvinculados do salário, sendo ganho/abono de caráter excepcional e eventual, não havendo habitualidade, cita jurisprudência do STJ e do CARF; · que a bolsa de estudo não compõe o salário de contribuição, apesar da incorreto denominação interna de “ajuda de custo”, devendo prevalecer o princípio da realidade sobre a forma e da verdade material, pois o benefício é bolsa de estudo, conforme comprova o ato normativo interno distribuído aos funcionários, cita decisão do CARF, sendo que doutrina e jurisprudência são uníssonos em dizerem que bolsa de estudo não integra o salário de contribuição, cita art. 28, §9º, alínea “t”, da Lei 8.212/91, estando tal verba excluída do salário, artigo 458, §2º, II, da CLT, volta a citar o CARF, TRF1, STJ, devendo tal exação ser excluída da atuação, pois sobre ela não incide contribuição; · que não possuindo natureza salarial as verbas pagas por cartão premiação e as verbas educacionais eventuais não são fatos geradores das contribuições previdenciárias, inexistindo, assim, obrigação acessória e o dever correlato de incluílas em folha de pagamento; lançar em títulos próprios da contabilidade; promover o desconto a arrecadação e o recolhimento da contribuição e muito menos de declarála em GFIP; · que os valores lançados na autuação foram reajustados por portaria, o que não é possível, cita decisão do STJ, devendo prevalecer os valores constantes do Decreto 3.048/99, nos termos do artigo 97, do CTN, não podendo a portaria ser aplicada a fatos geradores anteriores a sua expedição, pois a lei tributária, determina a aplicação da Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 210 5 legislação em vigor no momento da ocorrência do fato gerador , artigo 105 e 106, ambos, do CTN, cita decisão do CARF, devendo ser retificados novamente o valor das multas aplicadas para constar dos AIOS’s CFL. 30 e 59, o valor de R$ 636,17 e do CFL.34 o valor de 6.361,73; · que a multas tem efeitos confiscatórios e violam o artigo 150, IV, da CF/88, tendo as multas percentuais extremamente auto, que devem ser desconsiderados, pois ultrapassa o razoável e aceitável, cita decisão do STF e José Orlando Rocha de Carvalho, Roque Antônio Carrazza, cita STJ e STF, não devendo prosperar o alto percentual de multa aqui cobrado; · Dos pedidos e requerimentos: a) que o recurso seja conhecido e provido; b) que a decisão recorrida seja reformada parcialmente, para que sejam anulados os créditos discutidos; c) pela eventualidade que a multa sejam reduzidas em respeito ao não confisco. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 204. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 11/09/2014, Lote 05, fls. 205. É o Relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 211 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. Inexiste nulidade no acórdão recorrido, pois este não está se apoiando nos fundamentos do Acórdão 1263.474 para aqui decidir, o que decidiu. O julgador a quo apenas citou em obter dictum, o que foi decidido no outro processo. Porém, analisou e decidiu o presente caso a vista e em razão dos fatos, argumentos, provas e elementos existentes nesses autos e nada mais. Desta forma, inexiste cerceamento de defesa e do contraditório, bem como a peça recursal dá a exata demissão da profundidade e do grau de conhecimento da recorrente sobre a matéria, pois na impugnação produziu uma peça de dezenove laudas, mas no recurso sua peça foi para trinta e seis laudas com a incorporação de novas argumentos em face do acórdão ou do desmembramento das teses inicialmente apresentadas na impugnação e várias outras no recurso, a exemplo da nulidade da multa por inconstitucionalidade não confisco, ladeada pelo argumento da violação da legalidade pela suposta majoração da multa por portaria e aplicação do valor mínimo do decreto. Ademais, pela consulta realizada no site da RFB, anexa ao final, verificase que os autos daquele outro processo encontramse na equipe “EQ PARCELAMENTO CONT PREV DRFBHEMG”, desde 09/10/2014, o que dá a entender a ausência de irresignação quanto àquele decisum. Premiação – PREMIER CARD. A citada premiação não pode ser considerada não habitual, pois em um período de doze meses foi paga cinco vezes, ou seja, quarenta e dois por cento, aproximadamente, das vezes a premiação foi paga, o que lhe confere regularidade. A eventualidade fica afastada, pois como o própria designação demonstra é uma premiação e esta normalmente decorre do atingimento de determinados resultados ou metas, assim, todo vez que atingido o resultado ou meta, o pagamento é devido, sendo certa a sua existência. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89.INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUÇÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. O lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 212 7 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CTN, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3º da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exação é "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "prêmio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada à recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl. 167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal. 3. Recurso especial interposto pelo INSS provido e recurso da Brasil Telecom S/A prejudicado. (RESP 200301178126, TEORI ALBINO ZAVASCKI, STJ PRIMEIRA TURMA, 31/08/2006) TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 150, §4º, CTN. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SIMULAÇÃO, DOLO OU FRAUDE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AUXÍLIO CRECHE/BABÁ. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. 1. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, seguese a norma inscrita no art. 150, §4º, do CTN, ou seja, temse como termo a quo para contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos a data da ocorrência do fato gerador, exceto quando não há pagamento antecipado ou em situações em que se comprovar dolo, fraude ou simulação, hipótese em que dies a quo passaria a ser o primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no termos do art. 173, I, do CTN. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. (STJ REsp 395059. Rel. Ministra ELIANA CALMON. DJ 21/10/2002). 3. O prêmio desempenho faz parte da remuneração paga a seus empregados, devendo incidir contribuição previdenciária sobre essa rubrica. 4. As verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo, não possuem natureza indenizatória, mas remuneratória, pois são concedidas de forma habitual aos trabalhadores da empresa e, por esta razão, estão inseridas no conceito de remuneração, compondo a base de cálculo da contribuição. Precedentes do STJ. 5. Se o pagamento do auxílio creche/babá é feito em desacordo com as normas pertinentes, e, conforme o art. 28, §9o, “s”, da Lei nº 8.212/91, em interpretação a contrario sensu, resulta na inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição previdenciária. 6. O art. 7º, XI, da Constituição Federal, é norma de eficácia plena no que diz respeito à natureza nãosalarial da verba destinada à participação nos lucros da empresa, pois explicita sua desvinculação da remuneração do empregado; no entanto, é norma de eficácia contida em relação à forma de participação nos lucros, na medida em que dependia de lei que a regulamentasse. (Resp 675.433). 7. Apelação autoral improvida. Remessa necessária e apelação do INSS parcialmente providos. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 213 8 (AC 199751010175528, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 28/09/2009) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE SALÁRIOMATERNIDADE, ADICIONAIS NOTURNO, DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE, COMISSÕES E PRÊMIOS DE PRODUÇÃO. CABIMENTO DA EXAÇÃO. De acordo com a alínea 'a' do inciso I, do artigo 195, com redação posterior à Emenda Constitucional nº 20/98, a contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada incidirá sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.” A partir da emenda constitucional, estava o legislador ordinário autorizado a fazer incidir a contribuição previdenciária sobre quaisquer rendimentos pagos ao trabalhador, não importando a denominação dada. O eg. Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento de que as contribuições para a seguridade social podem ser instituídas por lei ordinária, quando compreendidas nas hipóteses do art. 195, I da CF/88, só se exigindo lei complementar quando se trata de criar novas fontes de financiamento, pelo que não se lhe aplica a regra do art. 194, § 4º da CF/88. Toda a remuneração percebida pelo trabalhador é passível da cobrança da contribuição previdenciária, haja vista comporem o saláriodecontribuição. Integram o salário, todas as parcelas habitualmente recebidas pelo trabalhador como contraprestação de um serviço realizado, não importando aqui se a denominação dada é gratificação, adicional, ou qualquer outra. No que se refere ao saláriomaternidade, a própria Lei nº 8.212/91 é expressa em determinar a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Os adicionais noturno, de horas extras, de insalubridade e de periculosidade nada mais são do que a contraprestação por um serviço realizado, não havendo que se falar em caráter indenizatório de tais verbas. Encontram se enumeradas no art. 28, § 9°, as verbas que não fazem parte do saláriodecontribuição do empregado, e, em tal rol, não está prevista a exclusão dos adicionais de horaextra, noturno, de periculosidade e de insalubridade. A inclusão dos referidos adicionais na basedecálculo da contribuição previdenciária tem ainda seu fundamento na própria Constituição, (artigo 201). O prêmio de produção pago periodicamente ao empregado tem natureza salarial por se constituir em parcela variável da remuneração, à semelhança das comissões. (AC 200150010098604, Desembargador Federal ALBERTO NOGUEIRA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 01/07/2009) (todos os destaques são meus). Bolsa de Estudo – Designada incorretamente de ajuda de custo. No que tange a rubrica em questão o artigo 28, §9º, alínea “t” na redação em vigor no momento da ocorrência do fato gerador, diz que “todos os empregados e dirigentes Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 214 9 tenham acesso ao mesmo”, no relatório fiscal o agente lançador menciona, exclusivamente, empregados como a seguir descrito. Para tanto é assinado m contrato, ou melhor, um TERMO DE COMPROMISSO DE INCENTIVO EDUCATIVO E APRIMORAMENTO EDUCACIONAL. Nesse documento ficam estabelecidas as condições para seu recebimento nos percentuais que variam de 20%, 35% e 50% sobre o valor da mensalidade paga no semestre letivo. O valor é creditado de uma vez na conta do empregado. Destacamos que consta da cláusula V do Termo de Compromisso assinado pelo empregado para recebimento da ajuda de custo a seguinte observação: (destaquei). A passagem acima demonstra que apenas os empregados tinham acesso a bolsa, pois nada se fala a respeito dos dirigentes, o que demonstra a natureza salarial, pois não é acessível e extensível a todos. Obrigações acessórias. Assim sendo, reconhecida a natureza salarial a declaração em GFIP, a inclusão na folha de pagamento, o lançamento em títulos próprios da contabilidade e a arrecadação mediante desconto era dever do contribuinte. Valor da multa – reajustamento por Portaria. Equivocase a recorrente o valor da multa não foi reajustado por portaria. O artigo 92 c/c o artigo 102, ambos, da Lei 8.212/91 determinam o reajustamento periódico dos valores das infrações expressos em moeda na citada lei. O reajustamento foi realizado pela Lei 12.382/2011 e a portaria apenas foi o instrumento de divulgação dos novos valores após a aplicação do índice de correção determinado pela nova lei. Assim sendo, não há violação ao princípio da legalidade. De outra sorte, a multa foi aplicada como mandava a legislação da época dos fatos geradores, pois o parágrafo 8º, do artigo 32, da Lei 8.212/91 que estava em vigor no momento da realização da infração determinava que as multas aplicadas seriam as que estavam em vigor na data da lavratura da autuação e assim foi feito. Os antigos valores constantes da edição original do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 e reclamados pela recorrente, não mais se aplicam ante o reajustamento periódico do valores realizados por lei como demonstrado. Confisco. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 215 10 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. No entanto, o contrário não é vedado ao julgador administrativo, isto é, esclarecer a constitucionalidade, deste ou daquele ato legal. O critério de proporcionalidade e razoabilidade na fixação do patamar da multa é voltado ao legislador ordinário e não ao aplicador da norma, pois a esse último cabe obedecer ao princípio da legalidade e por certo na discussão legislativa que antecedeu a aprovação do projeto de lei tais princípios foram debatidos. Além do mais, nos presentes autos não existe multa percentual todas as multas foram fixadas em valores expressos em unidades monetárias, a que de certo o legislador Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 216 11 entendeu como adequadas para repelir as condutas indesejadas dos contribuintes. Assim sendo, não cabe a esse julgador desconsiderar o texto da norma legal positivado, existente, válido e eficaz. Com os esclarecimentos acima rejeito os pedidos em preliminar e em mérito, pois os argumentos apresentados não são suficientes para alterar o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 217 12 Dados do Processo Número : 15504.728008/201282 Data de Protocolo : 24/08/2012 Documento de Origem : AUTOINFRACAO Procedência : PROCESSO DIGITAL Assunto : AUTO DE INFRACAO ASSUNTOS PREVIDENCIARIOS Nome do Interessado : MICROCITY COMPUTADORES E SISTEMAS LTDA CNPJ : 19.570.803/000100 Tipo: Digital Sistemas Profisc: Não EProcesso :Sim SIEF:Protocolizado e Cadastrado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem : EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG Órgão : EQ PARCELAMENTO CONT PREV DRFBHEMG Movimentado em : 09/10/2014 Sequencia : 0015 RM : 11227 Situação : EM ANDAMENTO UF : MG Retornar Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.728009/201227 Acórdão n.º 2803004.085 S2TE03 Fl. 218 13 Histórico de Movimentações Processo nº 15504.728008/201282 Foram encontrados 15 registros Data Tipo Seq Relação Origem Destino 09/10/2014 Movimentação 0015 11227 EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG EQ PARCELAMENTO CONT PREV DRFBHEMG 09/10/2014 Movimentação 0014 11908 EQ PROCESSOS FISCAISSECATDRFBHEMG EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG 08/10/2014 Movimentação 0013 11209 EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG EQ PROCESSOS FISCAISSECATDRFBHEMG 23/04/2014 Movimentação 0012 10795 EQ PROCESSOS FISCAISSECATDRFBHEMG EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG 16/04/2014 Movimentação 0011 10041 EQ AUDITORIA FISCAL CPEFI27DRFMG EQ PROCESSOS FISCAISSECATDRFBHEMG 14/03/2014 Movimentação 0010 10367 EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG EQ AUDITORIA FISCAL CPEFI27DRFMG 05/03/2014 Movimentação 0009 10447 EQ PROCESSOS FISCAISSECATDRFBHEMG EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG 05/03/2014 Movimentação 0008 10136 SERV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODRFBHEMG EQ PROCESSOS FISCAISSECATDRFBHEMG 28/02/2014 Movimentação 0007 10037 AG REC FED EM RUSSASDRFFORTALEZACE SERV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODRFBHEMG 27/02/2014 Movimentação 0006 11868 SERVICO RECEPCAO E TRIAGEMDRJRJORJ AG REC FED EM RUSSASDRFFORTALEZACE 30/09/2013 Movimentação 0005 15423 DEL REC FED JULGAMENTORIBEIRAO PRETOSP SERVICO RECEPCAO E TRIAGEMDRJRJORJ 01/07/2013 Movimentação 0004 12730 DEL REC FED JULGAMENTOBELO HORIZONTEMG DEL REC FED JULGAMENTORIBEIRAO PRETOSP 12/12/2012 Movimentação 0003 11462 EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG DEL REC FED JULGAMENTOBELO HORIZONTEMG 01/10/2012 Movimentação 0002 10056 EQ AUDITORIA FISCAL CPEFI27DRFMG EQ PROCESSOS FISCAISBSECATDRFBHEMG 24/08/2012 Primeira Distribuição 0001 00000 DEL REC FED DO BRASIL EM BHEPROTOCMG EQ AUDITORIA FISCAL CPEFI27DRFMG Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.012357/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 35 7/ 20 08 -8 7 Fl. 126570DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 126472 a 126500) interposto por Stefanini Assessoria em Informática Ltda. e outros contra o acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – São Paulo (fls. 126352 a 126373), que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração DEBCAD n. 37.191.0994, relativamente às contribuições previdenciárias no período compreendido de 12/2002 a 12/2007, cuja ciência ocorreu em 23/12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 34 a 39), a cobrança ora discutida tem origem nos seguintes fatos: DA AUTUAÇÃO Das contribuições devidas A Fiscalização constatou que a Recorrente deixou de recolher contribuições previdenciárias, no período de 12/2002 a 12/2007, correspondentes às diferenças encontradas entre os valores declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e os constantes nas Guias de Previdência Social (GPS), apuradas através de planilhas e relatórios juntados aos autos. Segue abaixo trecho que descreve o objeto do lançamento: 7. O lançamento referese aos VALORES APURADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS, referente às diferenças entre a base de cálculo considerada pela empresa, declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social e os recolhimentos efetuados. 8. As bases de cálculo das contribuições empresariais são as constantes do Relatório DAD Discriminativo Analítico do Débito, entregue em meio digital á empresa, nos termos do Recibo de Arquivos em Meio Digital, conforme cópia anexa. No período 12/2002 a 12/2007 foi utilizado o Código de Levantamento DG – DECLARADO EM GFIP, no aplicativo SAFIS – Sistemas de Auditoria Fiscal. Foram consideradas as GFIPs entregues após o início da ação fiscal, para os fins de redução da multa. 10. Foram aplicadas as seguintes alíquotas: · 20% (vinte por cento) – Contribuição da empresa destinada à Seguridade Social; · 1% (um por cento) – RAT – Contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 126571DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 4 3 14. Foram examinados e serviram de base para a presente autuação a escrituração contábil (Livro Diário) e Folha de Pagamento, apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético. GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS e GPS), relativamente ao período 12/2002 a 12/2007, bem como os demais documentos apresentados na ação fiscal e devidamente relacionados nos Termos e Intimações lavrados. (fls. 3638) O Auditor Fiscal entendeu que sobre as diferenças encontradas deveriam incidir as seguintes contribuições: I. Contribuição da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados, nos termos do art. 22, inciso I da Lei 8.212/91; II. Contribuição da empresa para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), conforme art. 22, inciso II da Lei 8.212/91. Formação de grupo econômico Ademais, o Auditor fiscal lavrou termo de sujeição passiva solidária, entre a Autuada, ora Recorrente, e as Empresas Stefanini Networking Comércio e Consultoria de Informática Ltda., S.G.E. Stefanini Gestão Empresarial Ltda., Stefanini Quality Tools Cons. de Sistemas Ltda., Stefanini Financials Cons. em Informática Ltda., Stefanini Training Treinamento em Informática Ltda., por se constituírem em grupo econômico, tendo justificado tal procedimento com base nos argumentos indicados a seguir: III DO GRUPO ECONÔMICO E DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 3. O Grupo STEFANINI é um grupo econômico regular de fato, cuja empresa controladora é a empresa STEFANINI PARTICIPAÇÕES S/C LTDA., C.N.P.J 04.300.0491000110, e são controladas as demais empresas constantes da Folha de Continuação do Auto de Infração e do Relatório Vínculos Relação de Vínculos, onde estão qualificadas na situação de "grupo econômico", reconhecido na Declaração IRPJ, ficha 52 Participação Permanente em Coligadas ou Controladas da empresa controladora perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, nos registros contábeis da STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S.A., Contratos Sociais, Atas, Demonstrações Financeiras, e na internet, em sua página eletrônica http://www.stefanini.com.br, dentre outras fontes internas e externas. Caracterizado o grupo econômico, foram emitidos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária para as empresas integrantes situadas no país. Por fim, o Auditor Fiscal elaborou listagem dos responsáveis pela empresa, conforme demonstra a Relação de Representantes Legais (REPLEG). DA IMPUGNAÇÃO A Recorrente foi notificada em 23/12/2008 e, juntamente com as demais empresas que integravam o suposto grupo econômico, apresentou impugnação (fls. 100 a 122), alegando, dentre outros argumentos, que o relatório fiscal e seus anexos não esclarecem Fl. 126572DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 5 4 adequadamente o objeto da autuação, o que se verifica, por exemplo, da coluna “crédito diverso” do Relatório de Apropriação de Documentos apresentados (RADA), a qual apresenta informações divergentes em relação ao Discriminativo Analítico de Débito (DAD). Alega a Recorrente que não é possível identificar se a autuação envolve valores retidos por seus clientes, além de os valores recolhidos não terem sido integralmente reconhecidos, o que, se acontecesse, geraria a diferença de centavos. Aduz, por fim, que, no auto, não há indicação da legislação que fundamenta a existência de grupo econômico, devendo esta acusação fiscal ser desconsiderada. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Após a análise das impugnações e os documentos que as acompanharam, a DRJ, na forma da Resolução nº 2.536, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que o Auditor Fiscal se manifestasse em relação aos documentos juntados e acerca da existência de grupo econômico, cujas ponderações seguem abaixo transcritas: Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" na forma da Lei 6.404/76). Admitida, assim, a possibilidade jurídica dos "grupos econômicos de fato", é necessário, pois, que seja informado, pormenorizadamente, como se verificou a caracterização de tal grupo, isto porque o relatório fiscal faz referências a certos documentos, assim como aos registros contábeis e a outras fontes internas e externas, porém, sem discriminação e/ou especificação dos fatos verificados. (fl. 1923) DA INFORMAÇÃO FISCAL Sobreveio resposta da fiscalização, por meio da qual foi alegado o seguinte: Ausência de autenticação das cópias apresentadas Os Auditores Fiscais ressaltaram que os documentos anexados à Impugnação são cópias sem autenticação de qualquer espécie – nem do servidor da RFB atestando a apresentação dos originais ou do cartório – tampouco as assinaturas dos documentos estão com firma reconhecida, o que, no entender dos Auditores, seria indispensável e imprescindível, nos termos dos arts. 9º e 10º do Decreto nº 6.932/2009, art. 22 da Lei 9.784/99 e art. 300 do DecretoLei nº 2.848/1940. Vejamos as ponderações realizadas pelo Auditor em relação ao tema: Como não pode o serviço público recusar protocolo, sob pena de se permitir a alegação de cerceamento de defesa, os documentos foram recebidos pela RFB e agora adicionados ao processo digital (e processo), todavia não se revestem da necessária condição de prova válida, especialmente em se tratando de documentos com fraudes e/ou irregularidades constatadas pelo Fisco. Desde já são impugnados por este AuditorFiscal e não devem ser conhecidos tais documentos Fl. 126573DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 6 5 (cópias) sem qualquer tipo de autenticação e sem firma reconhecida [...]. Logo, após as retificações realizadas, determinou que, havendo alguma outra reclamação de inclusão de documentos de recolhimento ou abatimento do débito, estaria intimado a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da Informação Fiscal, mediante apresentação de cópia autenticada e com firma reconhecida, já que “TODOS os documentos apresentados como prova e anexados ao eprocesso são inservíveis”. Caracterização de grupo econômico Os Auditores Fiscais aduziram novas informações acerca do grupo de empresas, como: 1. as empresas integrantes do grupo têm a marca “Stefanini”, que é o sobrenome dos sócios fundadores da empresa fiscalizada, assim como da pessoa jurídica controladora (holding); 2. as empresas envolvidas desempenham atividades correlatas e esforços comuns, como atestam documentos oficiais e pesquisas efetuadas na internet; 3. as empresas relacionadas como devedoras solidárias são todas controladas pela empresa Stefanini Participações Ltda. Alegações e elementos trazidos pelo sujeito passivo Alega que a ora Recorrente limitouse a apresentar documentos já apresentados, sem autenticação e/ou sem reconhecimento de firma, o que impede de serem considerados como elementos de prova válida. Com relação à alegação de nulidade diante do cerceamento do direito de defesa, o Auditor esclarece que as guias consideradas foram listadas no relatório RDA – Relatório de Documentos Apresentados, onde são apresentadas, inclusive, as guias de recolhimento referentes aos valores retidos (código 2631). Além disso, o Auditor alega que o Relatório RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados contém a discriminação dos valores apropriados nas competências com débito, os quais são preenchidos pelo sistema SAFIS – Sistema de Auditoria Fiscal, sem interferência manual, considerando os valores descontados dos segurados e aqueles declarados em GFIP, até alcançar os valores não declarados. Ressalta, ainda, que o sistema relaciona a cada competência o débito apurado, tanto que, em diversas competências, o sistema não identificou débitos, considerando justamente as apropriações efetuadas. Aduz que o relatório “Totais mensais por Rubrica” não é o relatório final da base de cálculo, mas, sim, relatório auxiliar e preliminar destinado a demonstrar a tributação atribuída pela empresa e pela RFB, o qual foi utilizado antes da realização dos cruzamentos e dos ajustes finais feitos em relação às remunerações da Folha e da GFIP. Alega que, embora a empresa possua todos os dados, parece estar buscando tumultuar o julgamento, de modo que realiza a juntada de arquivos específicos denominados Fl. 126574DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 7 6 “Totalização Remuneração de Empregados”, ordenados por competência e estabelecimento, bem como envia cópias dos referidos relatórios para o contribuinte e responsáveis solidários, conforme demonstra trecho da informação fiscal abaixo transcrita: Resumindo, conforme o exposto, fica claro que nos valores lançados já constavam a base de cálculo mensal por segurado e o total da base de cálculo mensal, e agora estão sendo acrescentados os relatórios adicionais ora mencionados, diante das dúvidas apresentadas. Fato relevante que justifica a proposta de retificação de débito O Auditor Fiscal constatou que os documentos relacionados com a filial 0010 10 não estavam listados no RDA – Relatório de Documentos Apresentados, devido à falha originária do contribuinte, ora Recorrente, considerando que na JUCESP consta apenas a alteração do endereço da filial para Brasília (DF), sem constar a sua abertura na Junta Comercial. Sendo assim, foram considerados os recolhimentos realizados pela filial 001010, efetuados antes do início da ação fiscal. Em seguida, todas as empresas envolvidas foram devidamente intimadas, tendo todas se manifestado sobre os argumentos ali constantes. DO ACÓRDÃO DA DRJ Enviados os autos para a DRJ, esta julgou o lançamento parcialmente procedente através do acórdão de fls. 126353126373, por meio do qual foram enfrentados os argumentos trazidos pela Impugnante, ora Recorrente, conforme exposto em linhas a seguir: Da nulidade do lançamento A DRJ ressaltou que o relatório fiscal é suficientemente claro em relação à descrição do fato gerador que motivou o lançamento, que, no seu entendimento, corresponde à diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento e os declarados nas GFIP. Vejamos os exatos termos da decisão proferida pela DRJ: O relatório fiscal, correspondente ao Auto de Infração em questão (fls. 33 a 38) é suficientemente claro e preciso quanto aos fatos geradores que motivaram o lançamento, que consiste na diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento e os declarados nas GFIP, conforme itens 7, 8,10 e 14 desse relatório [...]. [Tais itens foram descritos em linhas acima no resumo do relatório fiscal]. Acrescentese a isso que integram a presente Autuação diversos anexos, dentre os quais destacamos os relatórios das remunerações de 2002 a 2007 (todos anexados ao eprocesso por este relator, na forma das fls. 117.806 a 126.160, que trazem os nomes de todos os empregados e as correspondentes remunerações de todo o período do lançamento (12/2002 a 12/2007), constantes das folhas de pagamento e as declaradas em GFIP, bem como as diferenças de remunerações existentes. Valores esses totalizados em conformidade com os relatórios apresentados pela fiscalização às fls. 1.994 a 2.020). (fls. 126.362 e 126.363). Fl. 126575DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 8 7 Em relação à conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a fiscalização reconheceu que, diante da ausência de documentos, deixou de deduzir os recolhimentos efetuados pela filial de Brasília, mas que, por conta da apresentação os mesmos, a retificação do lançamento foi realizada e devidamente acatada pela turma de julgamento. Dos equívocos apontados A DRJ convalidou a constatação de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, em relação às retenções incidentes sobre as notas fiscais/ faturas de serviços, diante da impossibilidade de validação dos créditos alegados pela Recorrente por conta da ausência de apresentação dos documentos comprobatórios tanto na ação fiscal como na defesa. Ademais, a DRJ considerou que as GFIPs entregues pela Autuada nos dias oito, nove e dez do mês de maio de 2009 – e reapresentadas pelas empresas integrantes do grupo econômico –, em nada alteram o procedimento fiscal, porque foram transmitidas para o SEFIP/WEB após a lavratura do Auto de Infração. Grupo Econômico A DRJ reconhece que a baixa do processo em diligência possibilitou ao fiscal novas informações acerca do grupo de empresas, conforme indicado em linhas acima ao tratarmos sobre o resultado da diligência. Aduz, em seguida, que a própria Recorrente, ao apresentar sua impugnação, reconhece a formação de grupo econômico, o qual é comprovado através de trechos da referida peça. Mas, embora reconheça a existência de grupo econômico, não admite a decorrente corresponsabilização. Acrescenta que todas as impugnações apresentadas foram assinadas pela Stefanini Consultoria e Assessoria em Informática S/A, o que corrobora com a existência do grupo econômico. Ressalta, ainda, a impossibilidade de discussão sobre a inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91, já que a inconstitucionalidade de lei não pode ser objeto de questionamento em processo administrativo. Da inclusão dos sócios no relatório “REPLEG” A DRJ ressaltou que tal inclusão ocorre em caráter meramente informativo, não implicando a colocação dessas pessoas físicas no polo passivo da relação jurídica processual instaurada com a lavratura da presente notificação fiscal de lançamento de débito. Decadência Por fim, a DRJ, aplicando a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 150, §4º do CTN, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 23/12/2008, reconheceu a decadência em relação às competências de 12/2002 a 11/2003. Dos juros moratórios A DRJ entendeu que a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários está respaldada no art. 34 da Lei 8.212/1991. Fl. 126576DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 9 8 DOS RECURSOS Em seguida, a Recorrente, bem como as demais empresas envolvidas no grupo econômico, apresentaram recursos voluntários, trazendo os seguintes argumentos: Do relatório fiscal e dos anexos A Recorrente alega que, da análise do relatório fiscal, assim como do RADA, não é possível identificar se o crédito aproveitado no lançamento é composto de valores declarados em GPS pagas ou de retenção pelos clientes da Recorrente ou se o somatório de ambos, ou, ainda, se se referem a outros créditos. Segue trecho do recurso, em que a Recorrente questiona os valores constantes no RADA: Em relação, especialmente, ao RADA (Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados), a Recorrente não compreende quais critérios foram utilizados para sua elaboração, tampouco tem conhecimento de como ou porque foi realizada a apropriação, nem mesmo qual foi a relação deste com o lançamento. Afinal. Não há qualquer informação clara a respeito de como foi confeccionado o relatório, ou mesmo a que se referem os valores ali mencionados. (fl. 126.473) A ausência da identificação dos créditos, de acordo com a Recorrente, impede a compreensão do cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal para o lançamento, e, por conseguinte, o exercício do seu direito de defesa. A Recorrente, então, alega que tais fatos configuram inobservância ao exposto no art. 142 do CTN, de modo que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento. Dos recolhimentos e da retificação De acordo com a Recorrente, a DRJ ignorou os documentos juntados na impugnação, que demonstram que os valores lançados pelo Agente Fiscal não foram calculados levando em conta os valores pagos pela Recorrente em suas GPS’s mensais, de modo que se equivocou a DRJ ao afirmar que todos os valores recolhidos foram considerados no auto de infração. Dos recolhimentos A Recorrente alega, ainda, que as GFIP’s, desconsideradas pela DRJ por terem sido transmitidas após a lavratura do Auto de Infração, foram apresentadas apenas para confirmar as informações trazidas pela Recorrente, com o intuito de demonstrar que as diferenças apontadas pela Autoridade entre o valor declarado em GFIP e recolhido em GPS são inexistentes. Assim, em busca da verdade material, a Recorrente ressalta a necessidade de análise dos documentos apresentados, que foram, segundo suas próprias palavras, “ignorados pela Autoridade Julgadora e Autoridade Fiscal”. Fl. 126577DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 10 9 Considerando tal equívoco, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade com o consequente cancelamento do lançamento, também diante da inobservância dos preceitos previstos no art. 142 do CTN. Dos valores retificados A Recorrente alega que a autoridade fiscal equivocouse ao deixar de considerar os valores recolhidos pela filial de Brasília. Aduz, ainda, que, embora tal equívoco tenha decorrido da própria fiscalização, ela tentou imputar a responsabilidade à Autuada sob a alegação de que a empresa não estaria cadastrada na JUCESP. Defende a Recorrente que a filial está devidamente cadastrada na Junta Comercial de Brasília, bem como no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e que a ausência de consideração dos documentos pela Autoridade Fiscal foi equivoco exclusivo da fiscalização, o que enseja o reconhecimento da nulidade do lançamento. Além disso, alega que os valores recolhidos pela filial Brasília (00100) foram apropriados na base de cálculo do Auto de Infração ora analisado, mas parte foi apropriada aos Autos de Infração 37.198.6516 (principal/ parte patronal), 37.198.6508 (segurados) e 37.198.6524 (terceiros), correspondentes aos valores não declarados em GFIP, ou seja, verbas pagas pela Recorrente a título de reembolso de custos diretos e indiretos para e não pela prestação dos serviços realizados por seus empregados, que, segundo a Fiscalização, configuram verbas salariais. Desse modo, diante do equívoco na apropriação, requer sejam as verbas recolhidas pela filial Brasília (001010) e apropriadas indevidamente no Auto de Infração nº 37.198.6516, sejam integralmente consideradas no presente processo. Dos valores retidos A Recorrente alega que a existência de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, relativas às retenções sofridas sobre as notas fiscais/faturas de serviços, fez com que o fiscal intimasse a Recorrente para apresentação dos documentos correspondentes. A ausência de apresentação da via original ou cópia autenticada ensejou a lavratura do Auto de Infração nº 37.198.6605. Isso porque, a Fiscalização teria considerado que, embora a empresa tenha apresentado os arquivos digitais referentes às faturas emitidas, foi alertada para a necessidade de apresentação de documentos originais ou cópias autenticadas, para os casos com destaque de retenção, considerando a existência de divergência entre os valores declarados e recolhidos. Segundo alega a Recorrente, o próprio fiscal solicitou a entrega dos arquivos em formato digital, conforme correspondência eletrônica encaminhada pelo Auditor Fiscal (fl. 126.342), a qual segue abaixo colacionada. Fl. 126578DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 11 10 Entretanto, a Recorrente informa que a apresentação da via original ou cópia autenticada de todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal, referentes ao período compreendido entre os anos de 2000 e 2007, envolveria tempo e custo elevados, considerando o grande porte da empresa. Ademais, ressalta que os documentos originais sempre estiveram à disposição da fiscalização para análise, mas que “nesse ponto quedouse inerte, não se interessou em analisálos” (fl. 126.485). Assim, no entender da Recorrente, também por esse motivo, o procedimento fiscalizatório foi maculado, devendo o lançamento ser cancelado em observância ao princípio da verdade material. Do grupo econômico Fl. 126579DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 12 11 A Recorrente alega que a Autoridade Fiscal não apresentou provas válidas, nem elementos aptos a caracterizar a responsabilidade solidária entre o contribuinte e as demais empresas citadas nos autos, justamente porque tais provas não existem. Aduz, ainda, que, nos termos do art. 124, II do CTN, para que reste configurada a solidariedade tributária é necessária à configuração da solidariedade de fato ou de direito. A primeira não restou verificada já que apenas um sujeito figura no polo passivo dessa demanda, a segunda tampouco restou verificada visto que não há previsão legal que defina tal solidariedade. Desse modo, considerando que as demais empresas não apresentam qualquer relação com o fato típico, de modo que não seria possível realizar a cobrança das obrigações dele decorrentes. Ressalta, ainda, que a Lei nº 8.212/91, ao estabelecer a responsabilidade solidária de forma indiscriminada, extrapola as diretrizes estabelecidas no CTN, não podendo ser considerada válida. Aduz, ainda, que a definição de grupo econômico deve ser aquela constante na legislação trabalhista (art. 2º da CLT), por meio da qual a configuração de grupo econômico demanda a existência de mesma direção, controle ou administração, não sendo suficiente, portanto, a configuração de participações societárias em empresas comuns. Da inclusão dos sócios no Relatório “REPLEG” A Recorrente afirma, ainda, que a inclusão dos sócios administradores da empresa como responsáveis solidários pelo crédito tributário ora em discussão é também descabida, pois sequer existe previsão legal para tanto, já que os sócios não podem fazer parte do grupo econômico. Isso porque, de acordo com a Recorrente, o “REPLEG” foi incluído na Instrução Normativa nº 03/2005, a qual foi revogada pela Instrução Normativa nº 971/2009, não havendo mais nenhuma norma que determine a constituição e validade do “REPLEG” no processo administrativo fiscal. Juros moratórios A Recorrente alega que, em observância ao princípio da eventualidade, caso o lançamento não seja cancelado, não é devida a incidência de juros com base na taxa Selic sobre a multa, já que o art. 161 do CTN determina que os juros devam incidir somente sobre o crédito tributário, do qual não faz parte a multa aplicada, inexistindo respaldo legal para aplicação de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 126580DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo, e, portanto, dele conheço. Da análise dos autos, é possível constatar que, de fato, a Recorrente indicou, na planilha denominada “Relação de Diferenças Apontadas” (fl. 157 e 160), valores superiores aos considerados pelos Auditores Fiscais no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 126.206 a 126.292) a título de retenção das notas fiscais referentes à prestação de serviços. Além disso, conforme reiterado pela Recorrente – e ratificado pela Delegacia de Julgamento ao proferir o acórdão – as notas fiscais de prestação de serviço não foram consideradas hábeis para verificação do valor retido, tendo em vista a ausência de entrega dos documentos originais ou cópias autenticadas. A recusa da análise da referida documentação agrava a situação da Recorrente, que, com o objetivo de alcançar a verdade material, disponibilizou as mencionadas notas fiscais originais para análise dos Auditores Fiscais na sede da empresa. Ora, considerando a quantidade de documentos anexados ao processo, é plausível a alegação da Recorrente quanto à inviabilidade de juntada de cópia autenticada ou apresentação dos documentos originais à Fiscalização, justificandose, assim, a realização de diligência para análise dos documentos na sede da empresa fiscalizada, com o objetivo de atestar a adequação do levantamento realizado. Além disso, embora a Autoridade Fiscal, ao prestar informações, tenha alegado que analisou os documentos apresentados pelo Contribuinte, de acordo com os levantamentos realizados pela Fiscalização, incluindo o Relatório de Documentos Apresentados (RDA), não se verifica a análise dos documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que: a) o presente processo retorne à unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o contribuinte para que seja realizada diligência in loco na sede da Recorrente, com o objetivo de verificar se as notas fiscais que respaldam os valores retidos alegados pela Recorrente sofreram a devida retenção e, portanto, devem ser computadas como crédito para fins de apuração do crédito tributário; b) os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582 sejam efetivamente analisados, sendo elaborado novo levantamento fiscal que nos possibilite a conclusão dessa análise; c) sejam devidamente identificados os valores lançados como crédito (tratam se de GPS pagas e identificadas pelo Fisco ou de valores objeto de retenção pelos clientes da Recorrente, somatório de ambos, ou, ainda, outros créditos); Fl. 126581DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10830.012357/200887 Resolução nº 2401000.399 S2C4T1 Fl. 14 13 d) os valores recolhidos pela filial de Brasília (001010), CNPJ nº 58.069.360/001010, sejam apropriados unicamente na apuração da base de cálculo do presente Auto de Infração nº 37.191.0994 (patronal) e seus respectivos apensos 37.191.0986 (segurados); 37.191.1001 (terceiros); e) seja informado se há outros créditos relativos a pagamentos ou retenção ou outros que tenham sido apropriados indevidamente nos Autos de Infração 37.198.6516 (principal/ parte patronal), 37.198.6508 (segurados) e 37.198.6524 (terceiros), correspondentes aos valores não declarados em GFIP, tal como ocorreu com os créditos de que trata a alínea ‘d’ acima. Carolina Wanderley Landim. Fl. 126582DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13971.004154/2008-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - Não pode ser objeto de recurso especial matéria para a qual não tenha restado demonstrado o dissídio jurisprudencial, seja em relação à matéria fática, seja em relação às normas jurídicas postas a análise para efeito de uniformização de jurisprudência.
Numero da decisão: 9101-002.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(Assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI - Redator Designado.
EDITADO EM: 10/02/2015
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Não pode ser objeto de recurso especial matéria para a qual não tenha restado demonstrado o dissídio jurisprudencial, seja em relação à matéria fática, seja em relação às normas jurídicas postas a análise para efeito de uniformização de jurisprudência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (Assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 41 54 /2 00 8- 09 Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 2 EDITADO EM: 10/02/2015 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Por meio dos Autos de Infração, às folhas 1946 a 2074, são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas na seguinte tabela, acrescidas de multa de ofício de 150% e de juros de mora: TRIBUTO VALOR (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 22.603.564,14 Contribuição para o Programa de Integração Social PIS 1.491.834,91 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS 625.712,42 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 8.137.283,07 Além dessas importâncias, são exigidas as seguintes multas: MULTA VALOR (R$) Multa Regulamentar 898.684,66 Multa Exigida Isoladamente 11.301.782,09 Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 3 3 Essas exigências se referem aos anocalendário de 2003 a 2007. DO RELATO DA FISCALIZAÇÃO No ‘Termo de Verificação de Infração’ TVI (f. 277 a 283), a fiscalização revela que: 15. Conforme a leitura do Contrato social e alterações (DOC. 17) e dos dados das DIPJ 20042008 (DOC.2), a empresa SEGALAS ALIMENTOS LTDA, com sede em Blumenau/SC, dedicase principalmente ao ramo do comércio atacadista de alimentos, além de diversas outras atividades correlatas. 16. Em junho de 2003 ocorreu a abertura de filial no município de Biguaçu/SC, conforme a alteração contratual nº 7, sendo estes os únicos estabelecimentos da contribuinte. 17. Durante o período de 2003 a 2007 a empresa optou pela forma de tributação pelo lucro real anual, com apuração de estimativas de IRPJ e CSLL com base em balancetes de suspensão /redução. [...] 21. Em junho de 2007, o Ministério Público Federal recebeu denúncia anônima que originou o Pedido de busca e apreensão criminal n. 2007.72.05.0043469/ SC (DOC. 4). Conforme se verifica nos documentos acostados ao pedido de busca e apreensão, a denúncia basicamente descreveu que a empresa SEGALAS praticava “sonegação de impostos” mediante a venda de produtos sem emissão de nota fiscal, com a utilização de um sistema denominado “SOLPEN” e com a “operação fiscal 10”, sendo os valores destas vendas consignados à filial 99, destinada ao “caixa dois”. 22. Na investigação realizada pelo Ministério Público Federal, mantevese contato telefônico com a SEGALAS (transcrito no citado DOC), que apurou indícios de que tal procedimento estava efetivamente sendo praticado. O pedido de busca e apreensão de equipamentos de informática foi então acatado pelas Decisões judicial (DOC.5), incluindo seu acesso pela Receita Federal do Brasil. 23. Assim, cumprindo a determinação judicial de busca e apreensão, em 31/01/2008 os Oficiais de Justiça deram ciência ao responsável pela empresa, do mandado judicial. Do mesmo modo, exercendo suas prerrogativas legais, os AuditoresFiscais da RFB procederam ao exame de documentos e sistemas informatizados encontrados nas dependências da empresa, após cientificarem o responsável pela empresa do Termo de Início de ação fiscal (DOC.8) e do Termo de Intimação Fiscal 2008.00469/ 1 (DOC.9). A vistoria dos setores do estabelecimento foi acompanhada por pessoas designadas pelo responsável pela empresa, Alexandro Segala. Fl. 4238DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 4 24. A fiscalização teve acesso à mesa de operações de telemarketing, onde foi comprovada a possibilidade de acesso ao sistema SOLPEN, contendo a denominação da filial 99. Também foi visto que era possível inserir pedidos tendo como CIOF 10 e 1, aparecendo a mesma descrição: vendas. [Posteriormente a fiscalização descobriu que CIOF é a sigla destinada ao indicador denominado Código Interno de operação fiscal, existente no sistema SOLPEN, usado para classificar, em uso interno, a natureza da venda. Assim, o que a denúncia enviada ao Ministério Público se referia a ‘operação fiscal 10’ tratase de venda utilizando o CIOF10.] 25. Foram retidos diversos documentos, cuja relação consta do Termo de apreensão de livros e documentos (DOC.10), basicamente constituindose de Relatórios de faturamento e de comissões (DOC.11) e de Telas de consulta a notas fiscais de saída (DOC.12), os quais serão analisados no item V a seguir. [...] 27. Muito mais grave, no entanto, foi a ação confessada da empresa de apagar seus dados informatizados, desligando a conexão com o banco de dados principal. De fato tal intento se consumou, porém, detectado logo em seguida pela fiscalização. Por exemplo, os relatórios de notas fiscais de vendas obtidos não conseguiram ser mais acessados, tampouco pedidos e notas com CIOF 10. Tal situação e as ocorrências descritas também foram acompanhadas e registradas nas Certidões lavradas pelos Oficiais de Justiça (DOC.7). [...] 31. Uma vez restaurado o sistema informatizado, foi realizada a extração de arquivos magnéticos e a cópia do disco rígido contendo o sistema SOLPEN e a totalidade do banco de dados da matriz da empresa de acordo com o Auto de Busca e Apreensão (DOC.6), os quais foram devidamente guardados e lacrados na presença dos representantes da empresa, sendo então levados pelos Oficiais de Justiça para a secretaria da Vara Federal de Execuções Fiscais em Blumenau. Deve ser registrado que no processo de restauração do banco de dados não foi possível para a empresa recuperar os dados da filial de Biguaçu, fato constatado nas Certidões lavradas pelos Oficiais de Justiça (DOC.7). 32. Posteriormente, em 03/04/2008, na sede da Justiça Federal, por ocasião da abertura do lacre (DOC.21) aposto no volume contendo os materiais apreendidos, os Auditores Fiscais e os representantes da empresa acompanhados por seus advogados, retiraram cópias de todos os arquivos magnéticos e das impressões extraídas e apreendidas pela Justiça Federal (DOC.23), cujo conteúdo será analisado no item “v” deste Termo. [...] 39. Ou seja, o CIOF1 destinase a identificar vendas que são escrituradas enquanto o CIOF10 destinase a identificar aquelas Fl. 4239DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 4 5 que são omitidas dos livros fiscais. Tal constatação é fortalecida pela análise das impressões extraídas e apreendidas pela Justiça Federal (DOC.23), onde na fl.1 encontramos a tela extraída do SOLPEN descrevendo que ‘a CIOF [10] não é inclusa nos livros fiscais’. Tal consulta foi repetida nesta etapa de análise (fls. 2 e 3), confirmandose a informação de que operações de venda com CIOF10 não integram os relatórios do sistema SOLPEN relacionados aos livros fiscais, nos quais deveriam estar todas as saídas. [...] 72. As diligências efetuadas (DOC.73) objetivaram verificar, junto a clientes da SEGALAS, o reconhecimento do expediente utilizado pela empresa de venda de mercadorias desacompanhada de notas fiscais. 73. Para tanto, a fiscalização elencou amostragem contendo uma série de empresas clientes da SEGALAS, para as quais foram extraídos relatórios FA355 contendo vendas CIOF10 para o mês de Dezembro de 2007 e, para o período de 2003 a 2007, compreendendo vendas com CIOF1 e 10, alternadamente, como denotam as numerações de notas fiscais já comentadas anteriormente. Ou seja, são clientes contumazes e de longa data, e que, segundo os relatórios da empresa, também adquiriram produtos em operações acompanhadas de notas fiscais escrituradas. 74. Tais dados foram apresentados diretamente aos responsáveis pelas empresas, solicitando sua manifestação sobre os fatos ocorridos no período. Nesse sentido, foram reduzidos a Termo os depoimentos das pessoas ouvidas sendo que podem ser sumarizadas as seguintes constatações: . Todos os entrevistados confirmaram serem clientes da SEGALAS no período de 2003 a 2007. . Todos reconheceram que, no período, a SEGALAS efetuava a entrega de parte das mercadorias vendidas sem nota fiscal. . Todos afirmaram que pagaram por toda a mercadoria, com ou sem nota fiscal, utilizando meios de pagamentos conhecidos, como dinheiro, cheques próprios ou de terceiros. . Todos fizeram observações a respeito de terem notado que em 2008 a SEGALAS passou a entregar seus produtos sempre acompanhados da nota fiscal correspondente. Essa observação tornase interessante pois denota uma mudança de postura da empresa após o início da fiscalização. Deste modo, com base em um conjunto de elementos de prova, a fiscalização identificou as operações não registradas na escrituração fiscal. Assim, essas receitas omitidas foram levadas Fl. 4240DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 6 às bases de cálculo do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, para fins de tributação. Foram recalculadas as estimativas mensais que foram originalmente apuradas com base em balancetes de suspensão/redução, indicando as eventuais ocorrências de multa isolada, conforme os anexos 1 e 2 ao TVI. Por entender que à conduta da contribuinte esteve associado o intuito de fraude, a fiscalização qualificou a multa de ofício calculada sobre os tributos devidos. É ressaltado que, pelo fato de o procedimento fiscal ter sido motivado por informações oriundas do Ministério Público Federal MPF, a Representação Fiscal para Fins Penais restringiu se à comunicação dos fatos apurados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Por fim, a fiscalização revela que a autuada deixou de fornecer arquivos digitais de itens, de notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, do anocalendário de 2006, o que a sujeitou à multa regulamentar prevista no inciso II, do art. 12, da Lei nº 8.218/91. (...) Os fundamentos da decisão de primeira instância estão resumidos nas seguintes ementas: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. PROCEDIMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. TUTELA JUDICIAL. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. A arguição de ilegalidade do procedimento adotado pelo Ministério Público Federal, sob tutela judicial, e das provas assim coletadas, extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante a supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 4241DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 5 7 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a solicitação de perícia acerca de matéria que não demande conhecimento técnico especializado próprio de perito. CUSTOS E DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar a existência de custos ou despesas dedutíveis, além daqueles valores já escriturados. Entretanto, se a quantificação e a comprovação destes custos ou despesas fossem apresentadas à fiscalização, cumpriria a esta auditálas, posto que é direito do contribuinte deduzir os valores comprovados. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, não constituem despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme regra do art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, têm natureza de provisões e não de despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para constituição de créditos referentes a tributos, submetidos a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixarem de recolher no curso do anocalendário as parcelas devidas a título de antecipação (parcelas de estimativa) do IRPJ ou da CSLL, sujeitamse à multa de ofício de cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de ofício não se confunde com aquela aplicada sobre o IRPJ ou a CSLL apurados no ajuste Fl. 4242DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 8 anual, não pagos no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. ARQUIVOS DIGITAIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS. PENALIDADE. A falta de entrega ao Fisco dos arquivos digitais de trata o art. 12 da Lei nº 8.218/91, em atendimento a intimação correspondente, sujeita o contribuinte à multa regulamentar de cinco por cento do valor da operação correspondente, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Lançamento Procedente’ O contribuinte interpôs recurso voluntário, que foi decidido pela 2ª TO da 2ª Câmara da 1ª Seção (Ac. 1202001.065). Na decisão recorrida foram afastadas as preliminares de ilicitude das provas, de decadência e de vícios nos arquivos digitais obtidos pelo Fiscalização. No mérito, entendeuse incorreta a adoção do lucro real no lançamento de ofício e julgouse necessário o arbitramento do lucro, o que foi demonstrado por meio do voto condutor do acórdão, do qual extraio os excertos abaixo: MÉRITO Incorreta Adoção do Lucro Real no Lançamento de Oficio. Quanto a essa alegação entendo que cabe razão à contribuinte, isso porque o procedimento fiscal consistiu apenas em somar as receitas consideradas omitidas ao lucro real apurado pela Contribuinte nos trimestres fiscais sob auditoria (demonstrativos às fls. 1953 e 1954). Desde a impugnação a Contribuinte alega que esse procedimento simplório implicou em distorção nas apurações dos tributos devidos, haja vista que as alíquotas incidiram diretamente sobre as receitas e não sobre os lucros. Aduz a Recorrente (verbis): (...) O colegiado de 1ª instância superou tais alegações sob o fundamento de que a simples apuração de receitas omitidas não implica o arbitramento do lucro, pois a presunção é de que os custos e despesas já foram considerados na escrituração. Assim não entendo. Os elementos reunidos na Auditoria Fiscal, cujo foco foi apurar as receitas omitidas implicam, por si só, na imprestabilidade da escrituração da empresa para apuração do IRPJ e CSLL pelo Lucro Real, bem como do PIS e Cofins não cumulativos. A base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decreto Lei 1.598/77, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercial. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Fl. 4243DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 6 9 Ao se deparar com omissões de receitas que representavam mais de 32% das vendas contabilizadas, que implicavam em elevar o Lucro Real da empresa para 23% das receitas apuradas, o único procedimento aplicável que coaduna com a legislação tributária em vigor seria o arbitramento dos lucro, bem como a apuração do PIS e Cofins no regime cumulativo. Isso porque: i) no lançamento de ofício, se presentes as condições, o arbitramento é impositivo e não facultativo, inexistindo meio termo; ii) Tal qual o lançamento de tributos de oficio, o Arbitramento não é penalidade. É a modalidade alternativa, legal é viável, para apuração dos tributos devidos em face da ocorrência do fato gerador. iii) O Arbitramento de lucros é uma modalidade de tributação que deve ser levada a efeito exatamente pela impossibilidade do lucro real ou do lucro presumido (cuja natureza não estamos tratando aqui). (...) No presente caso, reitero que a manutenção da exigência de omissão de receitas, no âmbito da tributação do lucro real, implicaria a deturpação da base de cálculo do tributo, na medida em que se estaria tributando diretamente o valor da receita omitida, sem a consideração dos custos e despesas correspondentes, também não regularmente escriturados e declarados. Portanto, em face da legislação em vigor, provada a imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real, a imputação de omissão de receitas somente se sustentaria sob as regras do lucro arbitrado, devendo ser canceladas as exigências por ter sido indevidamente mantida a opção da contribuinte pelo lucro real. Cumpre então cancelar as exigências, inclusive do PIS e Cofins haja vista que no Arbitramento de Lucros tais contribuições devem ser apuradas no ‘regime cumulativo’ sendo que os autos de infração tributaram as diferenças apuradas pelo ‘regime não cumulativo’. O Ac. 1202001.065 da 2ª TO da 2ª Câmara da 1ª Seção teve a seguinte ementa: EMENTA: CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Fl. 4244DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 10 O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, no qual insurgese contra o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ, da CSLL e contra a apuração das contribuições do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo quando a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa.. O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Conheço do recurso por tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade, com a limitação que adiante se esclarece. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese unicamente à necessidade de arbitramento em caso de omissão de receita, que levaria à nulidade do auto de infração que lançou a omissão e seus consectários como omissão de receita, sem arbitramento. Observação preliminar em relação à especificidade do recurso em si. Em que pese em seu recurso especial a Fazenda pedir que seja reestabelecida da decisão da 1ª Instância, de fato, o recurso especial só é articulado no que respeito à questão da necessidade ou não do arbitramento, pelo que só conheço do recurso em relação a esse aspecto. Ou seja, os outros temas da decisão recorrida: 1) multa regulamentar (referente aos arquivos magnéticos); 2) multa isolada pelo não pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL; 3) qualificação da multa de ofício; e 4) dedução do PIS/CINS das bases de cálculo do IRPJ e CSLL lançados; embora sejam objeto de recurso especial lato sensu (em virtude do pedido do r. especial que pede se reestabeleça a decisão da primeira instância (DRJ)), somente no que diz respeito ao tema do arbitramento obrigatório foram cumpridos os requisitos de admissibilidade, e também conforme a própria análise regimental de admissibilidade (Despacho n; 1200 00.076/2014, de fls. 2.470 a 2.774), que só considerou como recorrido este tema. Assim, conheço parcialmente o recurso da Fazenda. Fl. 4245DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 7 11 Considerados os argumentos da decisão recorrida, a PGFN apresentou, em síntese, os seguintes argumentos em seu recurso especial: Divergência jurisprudencial, com fulcro no paradigma Ac. 10186.382, da 1ª C. do 1º CC, fazendo de maneira detalhada o cotejo do recorrido e do paradigma, no sentido de mostrar a divergência, em que traz à tona a questão dos montantes subtraídos à tributação para efeito de necessidade de arbitramento. Na parte relativa aos “Fundamentos para Reforma do Acórdão Recorrido”, a PGFN, sustenta que a omissão de receitas é incontroversa, com base em excertos dos autos, entre os quais destaco (trecho de depoimento do representante do contribuinte): Que confessa o procedimento operacional da empresa de realizar parte de suas vendas sem contabilização, as quais ficam registradas nas contas da filial 99 no sistema SOLPEN, que gerencia as atividades da empresa. Que os arquivos magnéticos encontrados no servidor de informática contem os lançamentos relativos à filial 99, que se tratam das vendas sem contabilização. A PGFN segue arguindo, na linha do paradigma, que a mera circunstância de omissão de receita, não impõe o arbitramento, mas que este deve decorrer de vícios no registro contábil que importem sua imprestabilidade, remete aà jurisprudência do CARF neste sentido, argumentado da seguinte forma: A jurisprudência desse e. Conselho, em homenagem a teleologia normativa, eis que o legislador almeja privilegiar a apuração do lucro real, balizou as irregularidades dispostas na norma supra, que poderiam justificar o arbitramento face ã impossibilidade de se atestar as quantias que representem renda do contribuinte. Depreendese do auto de infração que as autoridades autuantes, ao analisarem os registros contábeis do recorrido, verificaram que, apesar da omissão de receitas, estavam em boa ordem e mantidos segundo as normas contábeis, e, portanto, seria possível determinar o lucro real, que foi, in casu, a base de cálculo para o lançamento. O ilícito que originou o lançamento resumese na manutenção de quantias margem da contabilidade do recorrido e dita irregularidade, como já dito, não autoriza o arbitramento. As anormalidades que impõem o arbitramento encontramse na própria escrita contábil, que, produzida sem a observância das normas técnicas (contábeis e fiscais), obstam de forma incontornável a averiguação fiscal. Esta conclusão também é corroborada pelos demais julgamentos sobre o assunto, a exemplo daqueles documentados nos acórdãos 10304.792, 10173.288 e 10173.033, proferidos, respectivamente, pelas e. Terceira e Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que em conjunto estipulam Fl. 4246DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 12 de forma muito didática os requisitos para o arbitramento. (Sublinhados no original). E prossegue adiante a PGFN: Não há nos autos prova alguma que a escrita contábil do contribuinte fosse incompreensível, inexistente, com irregularidades substanciais, produzida em desacordo com as normas técnicas universalmente aceitas, etc. Com a devida vênia, as objeções auditoria fiscal levantadas pelo r. acórdão recorrido não infirmam em momento algum a presunção de que as autoridades fiscais optaram pela forma de tributação condizente com os dados da escrituração contábil do contribuinte. Ao argumento do acórdão recorrido de que a desproporcionalidade da omissão de receita em relação à receita declarada implicar condição suficiente para adoção impositiva do arbitramento, conforme indicados nos precedentes mencionados no Ac. recorrido, a PGFN contraargumenta no sentido de que os precedentes citados no recorrido foram lavrados em situações em que a omissão atingia valores proporcionais significativamente superiores aos encontrados no presente processo. Diz que a omissão de receita chega a 80% da receita declarada (no caso presente é de cerca de 30%), além de outras circunstâncias especificas no caso do processo n. 0980.010629/200548, e no outro caso (processo n. 0283.002953/20398, Acórdão n. 10323.251), a omissão de receitas fora constada a partir da movimentação bancária e importara na apuração de lucros superiores na proporção de 50% a 70% das receitas declaradas, e arremata com o seguinte argumento: No presente caso, em que a omissão corresponde a menos de um terço das receitas, caso seja admitido, em tese, que a desproporcionalidade entre receitas declaradas e omitidas basta para ensejar o arbitramento, devese perquirir se este percentual constitui quantia vultosa de forma a caracterizar a desproporcionalidade das receitas omitidas e, assim, impor o arbitramento. Ao outro argumento do recorrido de que a imprestabilidade dos registros contábeis estaria comprovada pelo lucro demasiadamente alto encontrado, a PGFN aduz em seu recurso que, com base na decisão de primeira instância, do qual transcreve parte substancial, arguindo que o “contribuinte não comprovou os custos alegados, não obstante instado a fazêlo”, concluindo: Como se depreende do excerto reproduzido, foram contabilizadas as despesas escrituradas e oportunizada ao contribuinte a produção de provas para demonstrar outras despesas, com o expresso acatamento do principio da verdade material. O interessada, todavia, se absteve de demonstrar custos e despesas, porque optou por insistir na inconsistente (pois já havia confessado a omissão) a legação da inexistência de receitas omitidas. (Negritos e sublinhados no original). Uma vez que havia despesas escrituradas que foram consideradas na apuração da base tributável, é escorreito o lançamento, pois eventual ausência de custos registrados constituiu opção do contribuinte, que escolheu não deduzir tais despesas. Fl. 4247DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 8 13 A conclusão no sentido de que o contribuinte dispôs de seu direito à dedução tornase irrefutável ante a constatação de que teve oportunidade de produzir prova acerca das despesas eventualmente incorridas e não o fez. ... Ao admitir que o contribuinte pode, ao dispor de seu direito, dar ensejo a cancelamento de lançamento, afrontase o principio básico de que ninguém pode se aproveitar da própria torpeza. (Negritos e sublinhados no original). A PFGN argui adiante que as questões alegadas, referentes à dedução de eventuais custos não implicam nulidade do lançamento, conforme prevê o art. 59 do Dec. 70.235/72, bem como da impossibilidade de sanar incorreção do lançamento que não implique em nulidade quando o próprio contribuinte lhe deu causa (art. 60), e cita jurisprudência neste sentido (Ac. 10178.772), que entende que os ingressos gerados à margem da escrituração deverão ser tomados pelo seu valor bruto, no pressuposto de que os custos e despesas a eles inerentes já se encontram lançados na escrita do contribuinte.. Nas contrarrazões o contribuinte se manifesta pela validade da decisão recorrida e ataca o recurso especial, na admissibilidade e no mérito, da seguinte forma, de maneira resumida: Preliminar do contribuinte pelo não conhecimento do r. especial O contribuinte argui que o de paradigma apresentado no r. especial é velho, referindose a uma decisão prolatada em 26 de abril de 1994, sobre fatos geradores ocorridos em 1998, não socorrendo à Fazenda a alegação de que o tema é escasso no CARF, e diz não haver divergência. Sustenta também que não há identidade de legislação, que seria pressuposto básico para a divergência. Alega que a norma citada pelo paradigma é o art. 399 do RIR/80, que foi revogado pelo 1.041/1994, que por sua vez foi revogado pelo RIR/1999 (Decreto 3.000/1999). O contribuinte alega que a norma usada no acórdão paradigma é o art. 399 do RIR/80 (que dispõe sobre arbitramento) tinha por base o art. 7º do Decretolei 1.648/1978, e que a norma atual sobre a matéria é disciplinada pelo art. 47 da Lei 8.981/1995 (art. 530 do RIR/1999), transcreve os dispositivos mencionados e sustenta que houve significativas alterações na redação legal vigente à época tratada pelo acórdão paradigma (1988) em relação ao texto em vigor. Adiante cita jurisprudência administrativa, que argumenta ser muito similar ao presente, que sustentaria seu argumento (Acs. 0105.531 e 201128.550) O contribuinte alega também ausência de identidade fática, pois o paradigma trata de omissão de receita decorrente de omissão na escrita contábil de receita de depósitos bancários mantidos à margem dos registros contábeis, enquanto no caso presente a autuação partiu de informações alegadamente contidas em arquivos eletrônicos, “muito mais complexas e variáveis”. Alega que são “situações diferentes que envolvem grandezas e dados diferentes”, não sendo possível de serem comparadas. Adiante cita jurisprudência de suporte ao seu argumento, alegando ausência de “correlação fática”. Fl. 4248DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 14 Em suas contrarrazões o contribuinte prossegue com o argumento de que a Fazenda socorrese dos incisos I e II do art. 539 do RIR/94, que seria norma já revogada pelo RIR/1999, e diz que: Fundamentar um recurso Especial em norma revogada (antes dos fatos ensejadores da autuação) é uma concessão que nã pode ser feita nem sequer para a Fazenda Pública. Não se diga que as normas fundamentadoras dos Regulamentos (de 1994 4 1999) seriam as mesmas, o que validaria a abordagem da Fazenda. Isto porque o arbitramento do lucro é tratado pelo Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 – ou seja, posterior ao RIR/94. (Sublinhado no original). Em suas contrarrazões o contribuinte, insiste ainda no tema do conhecimento sustentando haver fundamento legal suficiente não atacado, alegando que a alteração superveniente da norma que trata do arbitramento (47, inciso II, da Lei 8.981/1995) dispôs de maneira diferente sobre a matéria (ao incluir no texto a frase da alínea “a”: “identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária;”), que tal dispositivo (incisos I e II) foi usado como fundamento expresso para decidir, não tendo sido atacado, e cita também a Súmula STF 283, como suporte argumentativo pelo não conhecimento do recurso especial. Contrarrazões referentes ao mérito do recurso O contribuinte sustenta que a omissão de receitas não é incontroversa e apresenta argumentos neste sentido (porém sem referências partes específicas do processo). Contesta que não houve discussão no recurso em relação ao inciso II do art. 47 da Lei 8.981/1995, e que haveria irregularidade formal em sua escrituração, o que ensejaria o arbitramento com base em tal dispositivo. Cita jurisprudência (Ac. 10195209) que diz contrariar a argumentação da r. especial, reiterando a aplicação do inciso II do art. 47 da Lei 8.981/1995, que segundo o contribuinte “o lucro deverá ser arbitrado – exatamente pela contabilidade não espelhar a real movimentação do contribuinte.” Na sequência, aduz argumentos relacionados à irregularidade material e ao arbitramento, reiterando seu entendimento, sob aspecto material, de que se houver quantias à margem da contabilidade há que se fazer o arbitramento, ressalta que a legislação não cita qual seria o percentual relevante dessas receitas omitidas que ensejariam o arbitramento, “diante da impossibilidade de apurar o resultado em bases confiáveis e minimamente corretas.” Cita, como suporte para o alegado enquadramento no inciso II do art. 47 da Lei 9.891/1995, que teria sido ignorado no recurso da Fazenda, o resultado de uma auditoria feita por uma empresa por ela contratada que analisou os registros dos arquivos apreendidos e que resultou na conclusão de que (fls. 4221, item 60): Esses registros, se válidos os arquivos apresentados, seriam relativos a compras e despesas, todas elas guardando relação com as atividades indicadas no objeto social. Também afirmaram os autores que , se essa “prova” fosse válida e se referisse às operações desenvolvida pela Recorrente, então as informações não estavam contidas nos registros contábeis. Adiante sustenta que outros acórdãos mencionados no r. da Fazenda remetem à legislação antiga e sustenta que determinados fatos do processo, no caso o Ac. 10304.792 (existência de depósitos bancários não contabilizados) seriam contraditórios com a posição adotada no r. Especial. Segue contestando a adequação dos Ac. 10173.288 e 10173.033 como Fl. 4249DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 9 15 sendo de suporte ao argumento da Fazenda, sustentando que os acórdãos “tratam de questões formais e de menor importância, que somente faziam sentido à época dos fatos” (Itens 65 a 68). Em relação ao tema da comprovação de custos e despesas, nas contrarrazões o contribuinte sustenta que a Fazenda distanciase do objeto do recurso argumentando que os custos e despesas não teriam sido comprovados. Sustenta que “tratase de inovação indevida de matéria recursal. Pretende a Fazenda discutir, em sede de Recurso Especial, assunto que lhe é estranho.” (fl. 4224, item 70). Prossegue sustentando que não é correto afirmar que não teriam sido comprovados os custos alegados. Sustenta que as informações foram selecionadas pela fiscalização, alega o princípio da unicidade da prova (CPC, art. 373, par. Único), e que “não há o que o contribuinte possa acrescentar em termos de dados” (itens 71 e 72, fls. 4224). Prossegue referindo o laudo da empresa de auditoria contratada confirmando a existência de informações não consideradas pela fiscalização, caso as premissas da autuação fossem consideradas corretas. Concluiu que é impossível dizer que o contribuinte escolheu não deduzir as despesas e que se teria se aproveitado da própria torpeza, alegando que quem se omitiu foi a própria fiscalização “ao intencionalmente ignorar as informações que estavam em seu poder’. (fl. 4225, item 74). Prossegue contestando o argumento do r. Especial com base no Ac. 101 78.772, dizendo que referese à aplicação do RIR/1980, sustentando que o acórdão não se adequa ao caso, pois referese a custos e despesas à margem da escrituração, de passivo de obrigações já pagas e de falta de comprovação de origem de suprimento de caixa, alegando que nesses casos os custos e despesas já se encontram inseridos na contabilidade. (fls. 42254226, itens 75 a 78). Arremata (item 79) sustentando que a notificação deve ser cancelada por outro motivo: “as informações apreendidas não tem o conteúdo e alcance pretendido pelos agentes fiscais”. Porque se tivessem, impossível defender a higidez da contabilidade, e o lucro precisaria, mesmo, a ser arbitrado.” Prossegue pedindo a manutenção do acórdão recorrido, corroborando os argumentos expendidos pelo a. recorrido de que o percentual da omissão (32%), elevando o lucro para 23%, implicam necessariamente o arbitramento do lucro, alegando que o voto condutor analisou detidamente os fatos, e que mostrariam o descompasso com o paradigma e demais acórdãos citados no r. Especial e que “tornam inviável acionar essa Instância Especial à busca de análise e questionamento de fatos, não sendo esse o objetivo nem a função da CSRF.”, mencionado que o acórdão recorrido cita jurisprudência que corrobora a decisão no sentido do arbitramento (itens 81 a 83), pedindo, por fim, a manutenção do acórdão recorrido. Adiante em suas contrarrazões contesta o pedido da Fazenda de que “seja mantido o julgamento proferido pela primeira instância”, alegando que mesmo que se o recurso fosse conhecido e provido “seu alcance jamais seria o de ‘manter o julgamento’ de primeira instância”, alegando que os outros pontos da decisão recorrida: a) dedução do PIS/COFINS das bases de cálculo do IRPJ e CSLL b) exclusão da multa de ofício isolada; c) cancelamento da multa por omissão de dados nos arquivos magnéticos; d) afastamento da multa qualificada – sustentando que tais disposições não foram objeto do recurso. Por fim, em suas contrarrazões o contribuinte sustenta que caso seja provido o r. Especial, os autos devem voltar à instância recorrida para que os demais elementos de defesa do contribuinte sejam analisados, que não podem ser ignoradas se afastado o arbitramento. Esses são, de maneira sucinta, os argumentos trazidos nas contrarrazões. Fl. 4250DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 16 Da Fundamentação e da Decisão Do conhecimento No que diz respeito ao conhecimento, entendo que cabe razão à PGFN, visto que se tem situações fáticas semelhantes (havendo possibilidade ou não de arbitramento), sendo que uma se deu pela imposição do arbitramento em virtude da omissão de receita e no paradigma fica claramente consignado que a mera omissão de receitas não implica arbitramento. Entendo que restou discutida a questão da omissão per se não implicar o arbitramento, sendo que os dois casos tratam de omissão de receita o que implica em similitude fática, ainda que as formas de detecção da omissão sejam diferentes. O fato é a omissão, se uma foi verificada à vista de escrituração eletrônica que trazia problemas desta ordem e no outro caso a omissão foi verificada via depósitos bancários não contabilizados é um questão da metodologia utilizada pelo contribuinte para não pagar o tributo devido – o fato que as torna semelhantes é um só: a omissão de receita. O outro aspecto levantado pelo contribuinte é que a norma aplicável no caso lançamento que originou o acórdão recorrido é outra norma, i.e., é norma que não corresponde àquela que embasou o paradigma. O argumento em princípio estaria correto, porém, neste caso específico embora sejam leis diferentes, são normas que tem o mesmo objeto e tem a mesma mens legis. Houve apenas uma sucessão normativa, um aperfeiçoamento, uma evolução do texto legal. Vejase que a norma contida no art. 7º do Decretolei 1.648/1978 (base do art. 399 do RIR/80, que embasou o paradigma), é substancialmente semelhante à norma contida no art. 47 da Lei 8.981/1995 (art. 530 do RIR/1999). Ademais, um dos acórdãos dá pela aplicação da norma de maneira vinculada do arbitramento à mera omissão de receitas e outro pela sua não aplicação desta forma, mas apenas quando se subsumir a situação fática às suas premissas normativas (contidas nos incisos dos artigos referidos acima). O Contribuinte reiterou o argumento de que o art. 47, II, da Lei 8.981/1995 teria trazido novidade legislativa suficiente para tratar o tema de maneira inovadora, a afastar as decisões antigas sobre o tema como paradigma. Não se pode concordar com o argumento. Basta comparar tal dispositivo com o art. 7, inciso III, do Decretolei 1.648/1978. Transcreve se ambos abaixo, à guisa de comparação: Decretolei 1.648/1978 Art. 7º A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando: ... IV a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou presumido, ou revelar evidentes indícios de fraude; ... Lei 8.981/1995 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: ... Fl. 4251DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 10 17 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. A simples leitura de ambos os dispositivos deixa clara que as normas são substancialmente semelhantes. Por outro lado, vejase que tratase de tema de direito que remanesce à míngua da evolução legislativa, qual seja: a mera omissão de receita enseja o arbitramento? Temos duas decisões divergentes dando resposta a essa mesma pergunta. Uma no acórdão recorrido outro no paradigma trazido pela Fazenda – há divergência, portanto. Tenho que essa argumentação supera as questões colocadas pelo contribuinte. No que diz respeito à outra argumentação contestando o r. especial da Fazenda que argumentou com base na lei anterior, entendo que isto não invalida o recurso pelas mesmas razões imediatamente expostas. Em relação ao argumento de que há fundamento legal suficiente não atacado a impedir a subida do recurso, entendo que o argumento de que nem todos os fundamentos foram atacados pelo especial não é válido nesses casos. O que importa para o conhecimento do recurso especial no âmbito do processo administrativo tributário é demonstrar similitude fática e divergência na aplicação da norma, o que entendo ter sido feito no presente recurso especial em análise, e conforme fundamentado acima, não se aplicado, portanto, também a Súmula STF 283 nesses casos. Por outro lado, para efeito de conhecimento do recurso não há que se discutir em que inciso do dispositivo legal se encaixa os fatos do processo – o argumento do recurso especial é outro, o argumento é de que o dispositivo não se aplica, no sentido de que não há arbitramento impositivo pela mera omissão de receita. Ora, se admitido este argumento o fundamento do recorrido também restaria superado, ainda que não contraditado diretamente o enquadramento ou não no inciso II do art. 47 da Lei 8.981/1995 (o que o acórdão recorrido expressamente não faz, mas tão somente o contribuinte em suas contrarrazões) – ou seja, não existe o alegado fundamento legal suficiente, eis que também foi contraditado. Do exposto, voto pelo conhecimento do recurso. Da questão relativa à necessidade do arbitramento do IRPJ e CSLL no caso em questão Considerando os argumentos trazidos no r. especial e nas contrarrazões, ambos sumarizados acima, passo expor meu posicionamento sobre o tema, conforme se apresenta no presente processo e no atual estágio recursal. Não há que se discutir aqui matéria fática no sentido de que resta incontroverso que houve omissão, que há receitas não escrituradas, isto é reconhecido pelo acórdão recorrido, que diz ser de (32%) o volume dessas receitas omitidas em relação ao faturamento corretamente contabilizado. Por este motivo, e só por este motivo, o acórdão recorrido entendeu que o lançamento deveria partir do arbitramento. Reiterese, este fato é incontroverso, ainda que o contribuinte em suas contrarrazões alegue que há dúvida sobre o fato – não há (a própria empresa de consultoria contratada pelo contribuinte chegou à mesma Fl. 4252DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 18 conclusão), e o fato de contribuinte dizer que o lucro deveria ser arbitrado, implicitamente contém o reconhecimento da receita omitida. Assim, a matéria que nos cabe discutir neste momento é mesmo de direito. A omissão de receita, ou seja, a identificação de receitas não escrituradas em patamares em torno de 30% é suficiente, por si só, para implicar obrigatoriamente no arbitramento? Tenho que a resposta a essa questão é negativa. Isto porque o arbitramento é medida extrema e deve subsumirse às hipóteses legais (estatuídas nos incisos do art. 47 da . Lei 8.981/1995). A meu ver é irrelevante se do arbitramento decorre maior ou menor montante a pagar. Para mim é relevante se a hipótese dos autos se encaixa na previsão legal, de acordo com a acusação fiscal, e no meu entender isto não ocorre. Não ocorre porque a acusação fiscal de omissão de receita não foi refutada de maneira irretorquível (pelo contrário, foi corroborada), e a acusação fiscal não apontou na escrita contábil do contribuinte os defeitos que a enquadrariam em um dos incisos do art. 47 da Lei 8.981/1995, pelo contrário, a acusação fiscal considerou a contabilidade boa, exceto no que diz respeito à omissão de receita apontada. Descabe, a meu ver, a alegação do contribuinte, aceita pelo acórdão recorrido, de que o arbitramento é impositivo em casos que tais, por considerar o nível de omissão presente no caso como tipificado no inciso II do referido art. 47, para efeito de arbitramento impositivo. É necessário que detalhemos essas razões – o que fazemos na sequência. Vejase que o fundamento principal do acórdão recorrido para o arbitramento é tão somente o volume de receitas não contabilizadas, que entende expressivo o suficiente para contaminar a contabilidade e daí se impor o arbitramento. O argumento de que a contabilidade está eivada de vícios é trazido pelo contribuinte mas não foi considerado no acórdão recorrido, daí a PGFN alegar em seu r. especial que o contribuinte estaria se aproveitando da própria torpeza. Deve restar claro que em nenhum momento a fiscalização cogitou de desconsiderar a escrita contábil do contribuinte, conforme se verifica da leitura do Termo de Verificação de Infração (fls. 19461982), e dos Autos de Infração (fls. 19842010). Temse que para proceder ao arbitramento a fiscalização deve justificar e detalhar as razões pelas quais adotou o procedimento de arbitramento. Não se trata do caso em questão, em que a contabilização foi dada como aceitável pela fiscalização, exceto pelo que diz respeito à omissão de receitas, que no entender da fiscalização foi feita de maneia dolosa, pelo imputou a qualificação da multa de ofício quando do lançamento. Deve também ser evidenciado que o argumento do acórdão recorrido construído a partir do art. 148 do CTN de que se imporia o arbitramento não procede, isto porque, o referido artigo é uma norma genérica (aplicável a todos tributos) que dá poderes à Administração Tributária, e que deve ser usar em conformidade com a lei especifica de cada tributo. Vejase que o dispositivo citado diz que o arbitramento se dará “mediante processo regular”, ou seja, de acordo com as normas específicas que modulam e especificam como e em que circunstância pode ser feito o arbitramento. Não se trata de uma medida tomada ao alvedrio da Fazenda, ainda que no curso de um processo fiscal. A jurisprudência judicial é também no sentido de que se trata de medida excepcional e extrema, devendo a Administração Tributária comprovar os fatos da desconsideração dos valores que motivaram o arbitramento (e.g. RESp 549921/CE, Rel. Min. Teori Zavascki e TF 4ª R. Ac. 2001.04.010313465/RS, Rel D.F. Leandro Paulsen) – o que evidentemente, não corre no caso em questão, pois a Administração Tributária não encontro, nem apontou, razões para promover o arbitramento. Compulsando a jurisprudência do CARF sobre o tema, além de considerar os acórdãos trazidos no recorrido, no especial e nas contrarrazões, tenho que a discussão do que Fl. 4253DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 11 19 seria um montante de omissão de receita considerável, a ponto de implicar a desconsideração da escrita in totum (implicando o arbitramento), quando, em relação aos outros aspectos, a escrita contábil se apresenta sólida e preenchendo os demais requisitos legais, tenho que não existe um número preciso, e é necessário que se verifique caso a caso, as circunstâncias específicas. Assim há casos em que a omissão é da ordem de 60%, chegando a determinado exercício a 70%, e este foi o motivo de se entender pela imprestabilidade da contabilidade, e.g., no AC. 10323.251, de 07/11/2007, e há casos em que omissão de receita verificada é da ordem de 40% (portanto, superior ao do caso presente) e que foi mantido o lançamento que adicionou as receitas omitidas ao lucro tributável, mantendo a escrituração contábil válida, sem promover ou impor o arbitramento, como é o caso do recentíssimo Ac. 1102001.253, de 26/11/2014. Entendo que, a não ser em casos limites, se a fiscalização verificando a escrituração e os documentos e as operações do contribuinte, não vislumbrou o enquadramento legal que levaria ao arbitramento, não é cabível que, posteriormente, em sede de recurso administrativo se conclua que o lucro deveria ser arbitrado. Arbitramento é medida extrema, e só pode ser alegado pelo contribuinte em seu favor quando faz prova cabal do error in procedendo ocorrido no lançamento, demonstrando de forma cabal que sua contabilidade não deve ser considerada em virtude do enquadramento em um dos incisos do art. 47 da Lei Lei 8.981/1995 – situação que, a meu ver, não ocorre no presente caso. Quanto à jurisprudência citada (Ac. 10304.792) no r. especial e que foi contraditada nas contrarrazões pelo fato de que cita a existência de depósitos bancários, há que se ressaltar que a referência a depósitos bancários se dá em sede de corroboração argumentativa, literalmente: “Também a existência de depósitos bancários contabilizados...”. Ora é justamente este o ponto, para resultar em arbitramento há que se ter uma comprovação do enquadramento nos dispositivos legais, que podem ser corroborados por outros fatos (no caso alegado os depósitos bancários não contabilizados – aspecto que não existe no presente processo), que foi baseado em apuração de omissão de receitas operada via não emissão de notas fiscais, ou notas fiscais em duplicidade, deixando uma delas sem registro. A comprovação da omissão pode se dar de várias formas (depósitos bancários não escriturados, notas fiscais não registradas ou registradas a menor, etc). Há casos em que a contabilidade é perfeita, exceto pela parcela da receita omitida, e a parcela omitida é clara e estrategicamente tornada invisível aos olhos da escrita e, portanto, do Fisco, e de maneira reiterada. Nesses casos, há não ser por uma investigação muito bem feita, em alguns casos com interferência policial e judicial (que é o caso dos presentes autos), que o Fisco consegue detectar a omissão. Reiterese que não há acusação de mácula contábil no Termo de Verificação de Infração (fls. 19461982), a não ser da omissão. Considerando esses aspectos, pareceme que deve ser revista a posição adotada pelo acórdão recorrido de que no presente caso caberia arbitramento. Quando à questão das despesas, referentes às receitas objeto do lançamento não terem sido consideradas, destaquese que o acórdão recorrido concordou com o argumento do contribuinte de que “as alíquotas incidiram diretamente sobre as receitas e não sobre os lucros”, concluindo no sentido de que tributação direta das receitas omitidas que leva a um lucro sobre elas na ordem de 23% seria razão suficiente para levar ao arbitramento, visto que os custos não foram considerados, e afasta a posição da primeira instância que entendeu que “a presunção é de que os custos e despesas já foram considerados na escrituração.”, conforme se extrai do voto do acórdão recorrido (esp. fls. 27182175), tendo este argumento sido também fundamento da conclusão do ac. Recorrido pela imposição do arbitramento, sob o alegação de Fl. 4254DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 20 que o procedimento adotado no lançamento implicaria “a deturpação da base de cálculo do tributo”. Também em relação a este aspecto não concordo o acórdão recorrido, pois pareceme correta a aplicação do art. 24 da Lei 9.249/1996, conforme foi feita. Digase primeiramente que alguns acórdãos citados no acórdão recorrido, para dar suporte ao seu entendimento, de fato depõe contra a tese por ele sustentada, como é o caso do Ac. 101 84.644/93, que claramente dá pelo não arbitramento e o Ac. 10174262 (conf. fls. 2725, em que trecho do voto deste ac. é reproduzido). Assim, me parece contraditório o argumento apresentado no ac. recorrido neste aspecto. Por outro lado, há que se concordar com os argumentos expendidos no r. especial, que em grande parte se baseiam no ac. da primeira instância, que, a partir dos fatos do processo (que não se alteraram desde então) entendeu que embora haja prováveis custos que não foram considerados, cabia ao contribuinte fazêlo, e demonstrálos, tendo sido aberta essa oportunidade. Contudo, a defesa, além de não fazêlo, continuou sustentando que não havia omissão de receitas (e portanto, não existiriam os custos associados que foram alegados), apresentando laudo de empresa de auditoria, que neste aspecto é imprestável. Ora, as receitas omitidas foram apuradas pela fiscalização, há a presunção de que os custos correspondentes foram contabilizados regulamente, pela própria lógica contábil, e assim a demonstração dos custos adicionais incorridos caberia ao contribuinte, que não o fez em nenhum momento, conforme se lê da decisão da DRJ (fl. 2547): Estabelecida então a regra geral a ser observada quanto ao ônus da prova, é necessário identificar algumas situações especificas. Se, no curso da ação fiscal, o fiscalizado apresenta custos e despesas não contabilizados, é dever da fiscalização auditar o levantamento feito, posto que a dedução destes valores é direito do contribuinte. Se tal providência não é tomada pela fiscalização, seu trabalho pode ficar comprometido. E adiante: Todavia, por tudo que se expôs, é de se dizer que a iniciativa de comprovar custos e despesas é da autuada. Uma vez apresentados os respectivos comprovantes e valores, a fiscalização tem a obrigação de se manifestar em relação aos mesmos, possibilitando à autuada exercer seu direito de defesa. Se a impugnante não faz qualquer prova, não faz jus à dedução de supostos custos ou despesas não escriturados. Tais aspectos, que foram afastados pelo acórdão recorrido, foram reiterados no especial, que adiciona outros argumentos no sentido de que (fls. 2467): A conclusão no sentido de que o contribuinte dispôs de seu direito à dedução tornase irrefutável ante a constatação de que teve oportunidade de produzir prova acerca das despesas eventualmente incorridas e não o fez. (Negritos e sublinhados no original). Nas contrarrazões o contribuinte diz ser esta abordagem “inovação em “matéria recursal” (fl. 4224, item 70 das contrarrazões). Não é. Como foi descrito anteriormente o tema está presente desde o início da discussão, está explícito na decisão da DRJ, e foi um dos fundamentos da decisão recorrida. Aduz, também, o contribuinte nas contrarrazões que a decisão mencionada no r. especial tem aspectos fáticos diferentes, porém o que o acórdão mencionado (ac. 10178.72) demonstra é que a ausência de contabilização de Fl. 4255DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 9101002.089 CSRFT1 Fl. 12 21 eventuais custos não inquina de nulidade o lançamento feito a partir da omissão de receitas tributáveis. Assim, não me parece contraditado convenientemente o r. especial, que atacou de maneira irretorquível o acordão recorrido; não enxergo violação ao princípio da unicidade da prova, é justamente o contrário, pelo que me alinho às conclusões do r. especial, e dou por correto o lançamento, e neste sentido dou provimento ao recurso da Fazneda neste aspecto. Efeitos no PIS/COFINS Considerando que, no meu entender, não se impõe a necessidade do arbitramento, e que é perfeitamente consentânea com o princípio da legalidade a forma como foi apurada e lançada a omissão de receita em debate, o lançamento do PIS/COFINS deve ser feito na modalidade não cumulativa, eis que o contribuinte apurava o IRPJ pela metodologia do lucro real. Assim, mantido o lançamento do IRPJ/CSLL por omissão de receitas, deve ser mantido o lançamento de PIS/COFINS, na forma como foi lançado. Por fim não entendo que deva o processo retornar à Turma recorrida para se manifestar sobre outros argumentos, pois, a meu ver, todos os argumentos que o contribuinte apresentou no voluntário e reiterados nas contrarrazões do especial foram considerados nesta decisão da CSRF, além do que os argumentos também foram considerados quando do julgamento que resultou no ac. recorrido, já suficientemente debatido. Assim não vejo razão para retorno para novo julgamento já que todas as matérias objeto do lançamento foram debatidas e sobre elas proferido julgamento conforme prevê a legislação do processo administrativo tributário aplicável. Conclusão Como os outros aspectos da decisão recorrida não foram objeto do recurso, não tendo sido conhecidos; na parte conhecida, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, restabelecendo o lançamento de IRPJ e CSLL e o lançamento decorrente de PIS/COFINS, pela omissão de receita, mantidos os outros aspectos da decisão recorrida. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 4256DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI 22 Voto Vencedor Conselheiro Valmir Sandri, Redator Designado. Com a devida vênia ao Ilustre Relator que entendeu perfeitamente configurada a divergência para admitir o presente recurso, tenho para mim entendimento de que não restou configurada a divergência de interpretação da norma jurídica, eis que, a toda evidência, as normas aplicáveis aos casos em confronto, são completamente diferentes. Ora, como é sabido o recurso especial de divergência tem por objeto uniformizar a jurisprudência quando, diante de situações fáticas semelhantes, diferentes colegiados divirjam quanto à interpretação a ser dada à mesma legislação tributária aplicável. Conforme se depreende dos autos, as normas postas em confronto para efeito de uniformização são diferentes (o paradigma é o art. 7º do Decretolei 1.648/1978, base legal do art. 399 do RIR/80, ao passo que do acórdão recorrido é o art. 47 da Lei 8.981/1995, base legal do art. 530 do RIR/1999), ou seja, não há identidade de legislação, pressuposto básico para a divergência. Assim, independentemente de tratarse de norma que a princípio poderia tratar da mesma matéria, o que, digase de passagem, não é o caso, pois as situações fáticas também aqui são diferentes, eis que o paradigma trata da omissão de receitas verificada por intermédio de escrituração eletrônica do próprio contribuinte, ao passo que a omissão de receitas apuradas nos presentes autos deuse via depósitos bancários não contabilizados. Dessa forma, entendo não caracterizado o dissídio jurisprudencial, razão porque, não conheço do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 4257DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO , Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 19515.004992/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste nulidade ao Auto de Infração quando preenchidos os requisitos formais, restando demonstrado que a autuada compreendeu perfeitamente os fatos que lhes foram imputados.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITA DE VENDAS. NÃO IMPLICAÇÃO NA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
Demonstrado que a base de cálculo apurada diz respeito tão-somente a receitas decorrentes de vendas de produtos de fabricação própria, não há que se falar em divergências decorrentes da aplicação da base de cálculo alargada, de forma que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal, não tem implicação na exigência da COFINS.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS.
Sendo o faturamento da empresa a base de cálculo da COFINS, mostra-se incabível a exclusão do valor referente ao ICMS, por ausência de previsão legal.
Preliminar de nulidade rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves declararam-se impedidos.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade ao Auto de Infração quando preenchidos os requisitos formais, restando demonstrado que a autuada compreendeu perfeitamente os fatos que lhes foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITA DE VENDAS. NÃO IMPLICAÇÃO NA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Demonstrado que a base de cálculo apurada diz respeito tão-somente a receitas decorrentes de vendas de produtos de fabricação própria, não há que se falar em divergências decorrentes da aplicação da base de cálculo alargada, de forma que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal, não tem implicação na exigência da COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. Sendo o faturamento da empresa a base de cálculo da COFINS, mostra-se incabível a exclusão do valor referente ao ICMS, por ausência de previsão legal. Preliminar de nulidade rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves declararam-se impedidos. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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FALTA/INSUFICÊNCIA DE RECOHIMENTO. Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE DOCES SANTA FÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade ao Auto de Infração quando preenchidos os requisitos formais, restando demonstrado que a autuada compreendeu perfeitamente os fatos que lhes foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITA DE VENDAS. NÃO IMPLICAÇÃO NA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Demonstrado que a base de cálculo apurada diz respeito tãosomente a receitas decorrentes de vendas de produtos de fabricação própria, não há que se falar em divergências decorrentes da aplicação da base de cálculo alargada, de forma que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal, não tem implicação na exigência da COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. Sendo o faturamento da empresa a base de cálculo da COFINS, mostrase incabível a exclusão do valor referente ao ICMS, por ausência de previsão legal. Preliminar de nulidade rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 92 /2 00 8- 38 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves declararamse impedidos. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento, nos períodos de apuração de janeiro/2003 a dezembro/2004, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 164/174 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), no montante total de R$ 5.147.151,94. O auditorfiscal, no Termo de Constatação Fiscal (fls. 161/163), fundamentou o lançamento de ofício no fato de que os valores informados como devidos a título de Cofins em DIPJs estão superiores aos valores informados em DCTFs ou aos valores recolhidos, sendo que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos e livros fiscais e contábeis que justificassem essa divergência, mas não o fez. Cientificada do auto de infração em 28/08/2008, a contribuinte apresentou impugnação em 29/09/2008 (fls. 177/181), na qual alega que: • dentre os fundamentos legais do auto de infração está a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, já tida como inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça, o que compromete todo o auto de infração, já que calcado em lei declarada inexistente; • a Lei nº 9.718, de 1998, nada mais fez do que ampliar a base de cálculo do COFINS/Pasep e da Cofins sem previsão constitucional, pois pretendia tributar sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica; • no julgamento dos Recursos Extraordinários nº 357950, nº 390840, nº 358273 e nº 346084, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998; • deve ser levado em conta o fato de que algumas empresas têm obtido no Poder Judiciário liminares para excluir o ICMS da base de cálculo do COFINS/Pasep e da Cofins. Nesses casos, em primeira e segunda instâncias temse considerado o resultado parcial do julgamento do STF, com seis votos favoráveis aos contribuintes. O próprio STF concedeu liminar que suspende a cobrança dessa diferença pela Fazenda Nacional até o julgamento de recurso extraordinário da empresa. O que o STF concedeu foi efeito suspensivo ao recurso extraordinário. Na prática, a medida impede a Fazenda Pública de cobrar as contribuições incluindo no Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004992/200838 Acórdão n.º 3202001.483 S3C2T2 Fl. 254 3 cálculo o ICMS. A concessão de suspensão em casos cujo assunto esteja sendo amplamente discutido no STF já é uma praxe; • em uma decisão recente, a Ministra Carmen Lúcia admite que existe um novo argumento para questionar a constitucionalidade da elevação da alíquota da Cofins de dois para três por cento, estabelecida pela Lei nº 9.718, de 1998; • para que não se alegue no futuro nulidade de ordem processual devem ser adequados administrativamente os procedimentos fiscais adotados nestes autos à nova realidade jurídicofiscal, subtraindo do seu enquadramento jurídico os pontos apontados como inconstitucionais, sob pena de se fazêlo via judiciário; • como vem amplamente reconhecendo o Poder Judiciário, inclusive o STJ, a taxa Selic para fins tributários é, a um só tempo, inconstitucional e ilegal, pois ora tem conotação de juros moratórios, ora de remuneratórios, tendo sido instituída em afronta ao princípio constitucional da legalidade, já que não criada por lei. Ao final requer que as intimações sejam feitas em nome do advogado da empresa.” A DRJSão Paulo I/SP julgou improcedente a impugnação (efls. 202/208), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITA DE VENDAS. NÃO IMPLICAÇÃO NA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Se a base de cálculo apurada diz respeito tãosomente a receitas decorrentes de vendas de produtos de fabricação própria, a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal não tem implicação na exigência do COFINS/Pasep. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do COFINS/Pasep. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 215/237), alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração. Entende que houve cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que “os enquadramentos legais realizados pelo auditor fiscal não demonstraram (...) nenhuma infração cometida pela recorrente”. Demais disso, afirma que a Fiscalização não apresentou qualquer documento hábil comprobatório para embasar o lançamento efetuado. No mérito, alega, em síntese: que a divergência dos valores declarados a título “Cofins a Pagar” na DIPJ de fato foram inferiores àqueles recolhidos e declarados em DCTF, mas que tal divergência se deu em razão de os valores constantes das DIPJ terem sido informados utilizandose a base de cálculo alargada estabelecida no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98. Informa que, após ter apresentado a DIPJ, tomou ciência do andamento do RE nº 390.840 no STF e, em razão disso, achou por bem efetuar os recolhimentos tomando como base de cálculo apenas a receita operacional bruta da empresa, de forma que efetuou o recolhimento do COFINS somente sobre os valores das vendas de produtos de sua fabricação. Entende, assim, que não houve falta de recolhimento de tributo, mas apenas descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a apresentação de DCTF retificadora. que é ilegal a cobrança do ICMS incluso na base de cálculo dos supostos débitos de COFINS/PASEP; e que a decisão recorrida não observou o princípio da verdade material, adotando como certos os relatos apresentados pela Fiscalização, não tendo verificado se era devido o crédito tributário lançado de ofício, uma vez que a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador e não com a simples declaração do contribuinte. Ao final, requereu: i. o afastamento da aplicação do §1º do art. 3º da lei nº. 9.718/98; ii. a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS exigido, ou, pelo menos, a suspensão da cobrança do débito referente a este percentual tendo em vista a repercussão geral do caso junto ao STF; iii. improcedência total da exigência É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Trata a lide de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte retro identificada, em 19/08/2008, no valor de R$5.147.151,94, em razão de ter havido recolhimento insuficiente da COFINS, tendo em vista os valores indicados pela própria recorrente, como “COFINS a Pagar”, em sua DIPJ. Tais valores mostramse superiores àqueles que foram declarados na DCTF. Preliminarmente, alega a contribuinte haver nulidade do auto de infração, por cerceamento do seu direito de defesa, vez que, segundo afirma, o enquadramento legal constante do Auto de Infração não identificaria a infração que teria sido cometida. Por outro lado, alega que a Fiscalização teria deixado de apresentar qualquer documento capaz de embasar o lançamento, quando a esta caberia o ônus da prova. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004992/200838 Acórdão n.º 3202001.483 S3C2T2 Fl. 255 5 Mostramse infundadas as alegações da recorrente. Não há qualquer cerceamento do direito de defesa da contribuinte decorrente do enquadramento legal apontado. Isto porque os fatos que ensejaram o lançamento foram devidamente narrados pela Fiscalização, conforme Termo de Constatação Fiscal integrante do Auto de Infração (efls. 161/162). É pressuposto da nulidade a existência do prejuízo à defesa, que inexiste quando demonstrado que a autuada compreendeu perfeitamente os fatos que lhes foram imputados, os quais, inclusive, confirmou terem ocorrido, vez que afirmou, no seu recurso voluntário, que as divergências existentes entre os valores informados nas DIPJ e nas DCTF, bem como em relação aos valores recolhidos, de fato ocorreram. Não se vislumbra qualquer prejuízo à recorrente, que demonstrou ter compreendido perfeitamente a exigência fiscal e apresentou sua defesa de forma apropriada para a lide, tanto na impugnação como em fase recursal. No Direito brasileiro, o interessado se defende dos fatos, de forma que, restando estes perfeitamente narrados pela autoridade fiscal no Auto de Infração, propiciouse a ampla defesa à contribuinte que, no conteúdo de sua impugnação e recurso voluntário, mostrou haver compreendido perfeitamente a exigência que lhe fora imposta. Por outro lado, a autoridade fiscal juntou aos autos documentação (efls. 04/140) nas quais podese identificar os valores a pagar informados pela contribuinte como devidos em relação à COFINS, tendo a autuação baseadose naquelas DIPJ que foram apresentadas pela própria contribuinte, que não trouxe qualquer justificativa ou comprovação de que os valores informados não eram aqueles efetivamente devidos, conforme se vê da descrição dos fatos às efl. 161: Os valores informados em DIPJs.. referente a "Cofins a Pagar “estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos, conforme descrito no Termo de Intimação n° 001, de 29/04/2008. O contribuinte foi intimado para a apresentação de documentos e livros fiscais e contábeis, que justificassem a falta de declaração em DCTF/recolhimentos dos valores aos cofres públicos. Não justificou/comprovou os valores informados na DIPJ. e nem os seus recolhimentos. Quando de sua intimação, caberia à interessada demonstrar que eram incorretas as informações que ela própria prestou, pelos motivos que entendia ser cabíveis. Não pode agora, depois de autuada, em função das divergências geradas pelas DIPJ que apresentou, alegar que à Fiscalização caberia provar que aqueles valores informados estavam, de fato corretos, ao invés dos valores a menor que a contribuinte indicou nas DCTF bem como dos valores que a contribuinte recolheu. Pretende a recorrente que a autoridade fiscal comprove a veracidade das informações que a própria contribuinte prestou à Receita Federal, o que, obviamente, demonstra ser um contrassenso. Demonstrados pela Fiscalização os fatos que justificam a autuação, é do contribuinte o ônus da prova dos fatos impeditivos ou modificativos do direito demonstrado pela Fazenda Pública. Se há valores incorretos declarados na DIPJ, decorrentes de inexatidão material, caberia à interessada apontálos um a um e demonstrar as razões de fato que a levaram ao erro. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Rejeitase, pois, a preliminar de nulidade do Auto de Infração suscitada. No mérito, alega a recorrente as divergências ocorreram porque, ao informar os valores do COFINS a pagar nas DIPJ, assim o fez tomando por certa a base de cálculo alargada determinada no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, porém, após ter apresentado as DIPJ, tomou ciência do andamento do RE nº 390.840 no STF e, em razão disso, achou por bem efetuar os recolhimentos tomando como base de cálculo apenas a receita operacional bruta da empresa, de forma que efetuou o recolhimento do COFINS somente sobre os valores das vendas de produtos de sua fabricação. Dessa forma, entende que não houve falta de recolhimento de tributo, mas apenas descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a apresentação de DCTF retificadora. Ora, mostrase também incabível esse argumento de defesa, tendo em vista que os valores constantes das DIPJ dos exercícios de 2004 e 2005 (efls.4/140) demonstram que, no cálculo da COFINS a pagar, a contribuinte já havia considerado somente as receitas da venda no mercado interno de produtos de fabricação própria, tendo sido lançado de ofício os valores devidos exatamente nesses termos. Não há, portanto, que se falar em utilização de base de cálculo alargada, nem pela contribuinte quando da apresentação das DIPJ, nem pela Fiscalização, quando da autuação. De outro giro, quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, temse que esta matéria é objeto de apreciação pelo STF, no RE 574.706, cuja repercussão geral da questão constitucional foi reconhecida por aquela Corte, não tendo sido proferida decisão, até a presente data. Não há previsão legal para que tal exclusão seja feita, uma vez que o valor referente ao ICMS repassado ao consumidor final compõe o faturamento da empresa, o qual é a base de cálculo da referida contribuição, conforme assinalou a autoridade julgadora de base: “Com relação às alegações referentes ao ICMS, digase que, como visto acima, a Lei nº 9.718, de 1998, determinou que a base de cálculo do Cofins é o faturamento, correspondente este à receita bruta da pessoa jurídica. No § 2º do art. 3º desse diploma legal, ficou estabelecido que se excluiriam da base de cálculo dessa contribuição o IPI e o ICMS, este apenas quando na condição de substituto tributário. Se a lei excluiu o ICMSSubstituição da base de cálculo do Cofins, concluise que o legislador considerou que, mesmo na modalidade de substituição tributária, tal imposto estaria incluído no faturamento/receita bruta da empresa. E se somente o ICMSSubstituição foi excluído, é certo que o ICMS devido pela autuada, contrario sensu, integra o faturamento e, conseqüentemente, a base de cálculo ao Cofins.” Neste mesmo sentido já decidiu a 1ª Turma Ordinária desta Câmara, nos autos do processo nº. 10665.003100/200893. A ementa do referido julgado é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS/PASEP Período de apuração: 31/03/2004 a 31/01/2008 EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores correspondentes ao ICMS e ao ISS, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.004992/200838 Acórdão n.º 3202001.483 S3C2T2 Fl. 256 7 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VIA IMPRÓPRIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, exceto nos casos previstos em lei. Não havendo a subsunção dos fatos concretos aos casos excepcionais previstos em lei, aplicase a regra geral já sumulada no âmbito do CARF. Do mesmo modo, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento (Acórdão 34021002.501): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO BASE DE CÁLCULO ICMS INCLUSÃO. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS incluisena base de cálculo da COFINS e do COFINS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertêlos em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Por fim, ressaltese que a matéria, há muito, encontrase sumulada pelo STJ, a saber: Súmula STJ nº. 94 – A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Assim sendo, temse por legítima a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e incabível, mais uma vez, a pretensão da contribuinte. Pelo exposto, REJEITO a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recuso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002312/2007-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.257
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF efetue pesquisa para localizar a integralidade dos autos nº 18108.002312/2007-08 e disponibilize ao relator para julgamento e excluir dos autos os
arquivos digitais que foram anexados (processo: 1516.000745/2006-89), contribuinte Portobello S/A, Auto de Infração relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, em razão da 3ª TE ser incompetente para julgamento.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA LIMA
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF efetue pesquisa para localizar a integralidade dos autos nº 18108.002312/2007-08 e disponibilize ao relator para julgamento e excluir dos autos os arquivos digitais que foram anexados (processo: 1516.000745/2006-89), contribuinte Portobello S/A, Auto de Infração relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, em razão da 3ª TE ser incompetente para julgamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-11-06T18:38:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: APV2803_18108002312200708_CONST PLAZA_Resol_Falta Arq Digit; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 16039203234; dcterms:created: 2014-11-06T18:36:02Z; Last-Modified: 2014-11-06T18:38:07Z; dcterms:modified: 2014-11-06T18:38:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; title: APV2803_18108002312200708_CONST PLAZA_Resol_Falta Arq Digit; xmpMM:DocumentID: uuid:42ce3b1d-683f-11e4-0000-4414f115a590; Last-Save-Date: 2014-11-06T18:38:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-11-06T18:38:07Z; meta:save-date: 2014-11-06T18:38:07Z; pdf:encrypted: true; dc:title: APV2803_18108002312200708_CONST PLAZA_Resol_Falta Arq Digit; modified: 2014-11-06T18:38:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 16039203234; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 16039203234; meta:author: 16039203234; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-11-06T18:36:02Z; created: 2014-11-06T18:36:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2014-11-06T18:36:02Z; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 16039203234; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-11-06T18:36:02Z | Conteúdo => S2-TE03 Fl. 102 1 101 S2-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.002312/2007-08 Recurso nº Resolução nº 2803-000.257 – 3ª Turma Especial Data 05 de novembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CONSTRUTORA PLAZA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF efetue pesquisa para localizar a integralidade dos autos nº 18108.002312/2007-08 e disponibilize ao relator para julgamento e excluir dos autos os arquivos digitais que foram anexados (processo: 11516.000745/2006-89), contribuinte Portobello S/A, Auto de Infração relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, em razão da 3ª TE ser incompetente para julgamento. (assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/2007-08 Resolução n.º 2803-000.257 S2-TE03 Fl. 103 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em desfavor do contribuinte Construtora Plaza Ltda, conforme consta do e-processo. Todavia, os arquivos digitais que foram anexados se referem ao processo: 11516.000745/2006-89, contribuinte Portobello S/A, Auto de Infração relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, fl. 22. Apesar de iniciada a redação do relatório, não foi possível dar seguimento ao trabalho, em virtude de não ter sido disponibilizado no e-processo a totalidade dos autos, situação que inviabiliza a confecção do relatório e do voto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/2007-08 Resolução n.º 2803-000.257 S2-TE03 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator CONCLUSÃO. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF efetue pesquisa para localizar a integralidade dos autos nº 18108.002312/2007-08 e disponibilize ao relator para julgamento e excluir dos autos os arquivos digitais que foram anexados (processo: 11516.000745/2006-89), contribuinte Portobello S/A, Auto de Infração relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, em razão da 3ª TE ser incompetente para julgamento. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11052.001122/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE.
Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS.
São tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa física cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação por meio da apresentação de documentação hábil e idônea.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presente uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA.
Antes da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007), é incabível a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular de fato, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam em maior extensão, desqualificando a multa de ofício.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS. São tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa física cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação por meio da apresentação de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presente uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Antes da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007), é incabível a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 22 /2 01 0- 12 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular de fato, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam em maior extensão, desqualificando a multa de ofício. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJ2 , que bem sintetiza os fatos até a decisão de primeira instância. Tratase de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF relativo ao anocalendário de 2005, efetuado por meio do Auto de Infração lavrado em 24/11/2010 (fls. 506/514), em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 8.933.852,87, sendo R$ 2.862.544,60, de imposto; R$ 1.409.803,20 de juros de mora calculados até 29/10/2010, R$ 3.654.270,37 de multa proporcional calculada sobre o principal e R$ 1.007.234,70 de multa exigida isoladamente. Foram apuradas as seguintes infrações: 1) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física; 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e 3) Falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnêleão. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 855 3 DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO LANÇAMENTO No curso do procedimento fiscal iniciado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 19/01/2009 (fls. 09/10) foram emitidas intimações pela Auditoriafiscal e apresentados documentos e esclarecimentos pelo Contribuinte. Relativamente a todo o procedimento fiscal desenvolvido, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 515/530), parte integrante do Auto de Infração, no qual foram consignadas, em síntese, as informações a seguir: Inicialmente foi o Contribuinte intimado a apresentar, entre outros documentos, os extratos bancários de todas as contas mantidas junto às instituições financeiras; documentação comprobatória de todos os valores consignados na Declaração de Ajuste Anual como “Dividas e Ônus Reais”, bem como a respectiva quitação desses valores; documentação comprobatória referente à subscrição de ações da Publitetto Editora Ltda e Tetto Habitação Ltda. Após a apresentação de parte da documentação solicitada e as lavraturas dos Termos de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal 02, 03 e 04, foram emitidos diversos outros Termos de Intimação Fiscal e apresentados documentos e esclarecimentos pelo Contribuinte, relacionados às origens de determinados depósitos efetuados em contas bancárias das quais o Contribuinte é titular e a contratos de mútuo celebrados entre o Contribuinte e o Sr. Eduardo Jorge Chame Saad. Quanto aos depósitos bancários, da análise dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo Contribuinte, foram consideradas comprovadas as origens de determinados valores creditados nas contas bancárias das quais é titular. Relacionou a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, por conta bancária, quais dos depósitos tiveram suas origens comprovadas e não comprovadas, o que ensejou a apuração da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Após a análise dos documentos e argumentos relativos aos valores recebidos de Eduardo Jorge Chame Saad a título de mútuo, que perfizeram nos meses de janeiro e fevereiro de 2005 um total de R$ 7.328.727,70, o contribuinte foi intimado a informar e comprovar quando e de que forma o contrato de mútuo foi quitado e foram integralizadas as cotas de capital social da Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Ltda (Tetto Habitação), consignadas na Segunda e Terceira alterações do Contrato Social. Em resposta (fl. 253) o contribuinte informou que o mútuo foi quitado em 2006 e apresentou as seguintes explicações: “1 o valor do mútuo contraído pelo fiscalizado(...), foi transferido em partes para a Gestora de Recebíveis Tetto Habitação LtdaGestora, mediante aquisição de prédios, móveis e utensílios, máquinas e equipamentos e realização de benfeitorias; 2 na Gestora, tais valores foram registrados como dívidas a serem pagas, portanto uma obrigação da pessoa jurídica junto ao fiscalizado; 3 posteriormente, o fiscalizado transformou estas dívidas em adiantamento para futuro aumento de capitalAFAC, e posteriormente integralizou referidos valores em capital, na Gestora; Fl. 856DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 4 a Gestora, que era titular de contratos de CVS, assumiu a dívida do fiscalizado junto a Eduardo Jorge Chame Saad, quitando a mesma (dívida) mediante a entrega de CVS; 5 em sua contabilidade (da Gestora) ficou registrado um direito a receber do fiscalizado, o qual pode ser constatado na DIRPF 2006/2005 do fiscalizado, no quadro Dívidas e Ônus Reais, o valor de R$ 6.079.243,53.” Foi apresentada pelo Contribuinte cópia do Contrato de Cessão de Créditos e Quitação de Mútuo celebrado em 02/04/2006 (fl. 258) na qual consta que a dívida do Contribuinte com o Sr. Eduardo Saad foi transferida para Tetto Habitação e que esta, com a anuência do credor, quitaria a dívida com Créditos contra o FCVS. Com relação às integralizações das cotas de capital da Tetto Habitação, por meio da Segunda e Terceira alterações do Contrato Social da empresa, ocorridas em 15/04/2005 e 01/07/2005, respectivamente, houve aumento do capital social da empresa, sendo integralizados pelo Contribuinte, em cada alteração, R$ 857.000,00 e R$ 1.648.000,00. As integralizações ocorreram por meio de transferências via TED ou em dinheiro, tendo, o Contribuinte, conforme planilha de fl. 266, realizado aportes no montante de R$ 2.989.000,00. Intimado a explicar e comprovar as operações efetuadas que deram origem ao valor de R$ 6.079.243,53 informado como empréstimo concedido por Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Ltda no campo Dívidas e Ônus Reais da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, o contribuinte apresentou as seguintes explicações (fl. 348): “(...) Em 10/10/2005 a empresa Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Ltda assume a dívida do Sr. Eugênio Holanda, com o Sr. Eduardo Jorge Chame Saad, no valor de R$ 7.328.727,70. Em contrapartida o Sr. Eugênio Holanda fica devendo para a empresa Gestora de Recebíveis Tetto habitação Ltda o valor de R$ 7.328.727,70, conforme Clausula Segunda do Instrumento Particular de assunção de dívida. Considerando que o Sr. Eugênio Holanda emprestou o valor de R$1.249.484,17 à empresa Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Ltda, conforme cópia do razão da empresa em 31.12.2005 as partes efetuaram um encontro de contas e abateram o valor já pago. Ou seja, R$ 7.328.727,70 R$ l.249.484,17 = R$ 6.079.243,53.” Foi efetuado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal um resumo do conteúdo da documentação encaminhada pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM à Secretaria da Receita Federal. Tratase da cópia do relatório conclusivo da Comissão Responsável pelo Inquérito CVM n° 06/07 (fls. 438/505). Em 27/09/2010 foi lavrado o Termo de Intimação 13 (fl. 414), intimando o contribuinte a comprovar qual parcela dos R$ 7.328.727,70 recebidos de Eduardo Jorge Chame Saad foi repassada para a Tetto Habitação, discriminando a forma e as datas do repasse e comprovar qual o destino da parcela não repassada. Em resposta (fls. 416), esclareceu o Contribuinte que a parcela repassada para a Tetto Habitação referese aos aportes de capital efetuados pelo fiscalizado, totalizando R$ 2.989.000,00, e que a parcela não repassada destinouse à aquisição de um imóvel no valor de R$ 500.000,00, a pagamentos e doações no valor de R$ 320.500,00 e ao saldo bancário em moeda corrente de R$ 2.009.561,26. Afirmou a Auditoriafiscal, em relação aos valores recebidos pelo Contribuinte do Sr. Eduardo Saad, que o valor de R$ 7.328.727,70 foi usado pelo contribuinte para fazer doações, comprar imóvel, manter dinheiro em espécie no banco e adquirir Fl. 857DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 856 5 cotas de capital da Tetto Habitação, tudo em favor próprio. Assim, com base na documentação apresentada pelo contribuinte e diante do Relatório Conclusivo elaborado pela CVM, a Fiscalização deduziu que o valor de R$ 7.328.727,70 foi recebido pelo fiscalizado a título de rendimentos recebidos em decorrência de serviços prestados, configurando, portanto, omissão de rendimentos recebidos da pessoa física do Sr. Eduardo Saad. O contribuinte procurou ocultar o recebimento do valor tributável, sob o artifício do mútuo/empréstimo. Observouse que foi elaborada uma operação sem que o empréstimo tenha sido efetivamente pago, conforme detalhado a seguir: “o mútuo é estabelecido para dotar a Tetto de recursos, portanto, de acordo com o contribuinte estes valores deveriam ser repassados à Tetto, que passa a ter uma dívida junto ao Sr. Eugênio; o Sr. Eugênio transforma as dívidas em adiantamento para futuro aumento de capital, mas integraliza, em dinheiro, esses valores com recursos do suposto empréstimo, que resulta na aquisição de cotas de capital, conforme resposta ao Termo de Intimação 13; a Tetto assume a dívida do fiscalizado junto a Eduardo Jorge, quitandoa mediante entrega de FCVS. Nesse ponto, vale ressaltar que, de acordo com o Relatório da CVM esses direitos foram cedidos à Tetto sem ônus, pois supostamente, não valiam nada, ou seja, o Sr. Eduardo Jorge aceita receber como pagamento de um empréstimo de mais de sete milhões, títulos, a princípio, sem valor. O contribuinte informou, em resposta ao Termo 13, que os valores recebidos através do empréstimo obtido junto a Eduardo Jorge, que serviriam para dotar a Tetto de recursos, na verdade, não foram transferidos para a Tetto, mas mantidos/aplicados pelo contribuinte em seu poder. Todas essas operações, em princípio, visam a esconder o recebimento do valor, pelo Sr. Eugenio, como contraprestação pelo serviço prestado, sujeito portanto à tributação.” O lançamento da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas foi feito com base nos artigos 45, 49, 106 e 109 do Decreto 3.000, de 26/3/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Em razão do não recolhimento mensal dos valores devidos a título de carnêleão, incidentes sobre os rendimentos tributáveis recebidos de Eduardo Saad, foi efetuado o lançamento da multa isolada, com base no artigo 106 do RIR/99 e nos artigos 43 e 44, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07. Por considerar que todas as operações relativas aos mútuos, empréstimos e pagamentos efetuadas pelo fiscalizado, tiveram como objetivo ocultar o recebimento do valor tributável, extremamente alto, de R$ 7.328.727,70, constituindo ação dolosa de modo a evitar a apuração e o recolhimento do imposto devido, a Fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada de 150%, incidente sobre o valor do imposto resultante da omissão dos rendimentos recebidos de Eduardo Saad. Tal multa teve como fundamento o art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96 (art. 957, inciso II, do RIR/99), com a redação dada pela Lei n° 11.488/07. Pelo mesmo motivo citado no parágrafo anterior, também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais anexada às fls. 536/544. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 858DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Cientificado do Lançamento em 29/11/2010, conforme Aviso de Recebimento dos Correios de fls. 532, o Contribuinte apresentou Impugnação em 23/12/2010 (fls. 546/573), trazendo, em síntese, as seguintes alegações. Das Preliminares A autoridade fiscal incorreu em erro na correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, na tipificação do fato gerador e no enquadramento legal, acarretando com tais procedimentos transgressão aos comandos legais estabelecidos nos artigos 114, 121, 141 e 142, todos do CTN, e nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal PAF. O Direito Tributário não pode transmutar normas ou definições jurídicas estabelecidas no Direito Privado, sendo que no caso em questão, a autoridade fiscal transmutou o empréstimo efetuado a título oneroso para rendimento do trabalho não assalariado, tendo como base prova emprestada de Processo que corre na Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Assim, houve afronta às normas legais estabelecidas no Direito Privado que definem atos jurídicos naquela seara, conforme estabelecido nos artigos 109 e 110 do CTN. A autoridade fiscal não tem o poder de desconsiderar uma operação de mútuo perfeitamente balizada nas formas estabelecidas no Código Civil. Considerando que um simples contrato de mútuo não acarreta para o mutuário fato gerador do imposto de renda, falece o crédito tributário constituído contra o impugnante com base em valores recebidos de pessoa física mediante contrato de mútuo, tendo como tipificação e enquadramentos legais fatos geradores apoiados em prestação de serviços sem vínculo empregatício e, consequentemente, relativamente a ele, as multas qualificadas e isoladas. Transcrevese a Súmula n° 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda que assistisse razão à autoridade fiscal, o que não é o caso, o que a mesma poderia aplicar, para fins de qualificação de multa de ofício, seria a hipótese da simulação, o que não foi aventado pela mesma, e nem praticada pelo impugnante. Esclarecimentos Técnicos e Propedêuticos Antes de adentrar no mérito do Lançamento, o Impugnante faz uma extensa explanação, conforme o contido em sua Defesa, nas fls. 552 a 556, acerca dos conhecimentos que possui e das ações praticadas relacionados às operações financeiras levadas a efeito com base na legislação que rege o Sistema Financeiro de Habitação SFH e o Fundo de Compensação de Variações Salariais FCVS, tendo como ponto final as dívidas novadas pela Caixa Econômica Federal CEF. Do Mérito Da Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física A constituição do crédito tributário deve estar alicerçada em bases legais perfeitamente tipificadas na legislação que lhe define como fato gerador para fins de incidência do imposto de renda, conforme determinado no art. 114 do CTN. Traz o Impugnante disposições legais e doutrinárias a respeito do Contrato de Mútuo. O impugnante, em face de sua expertise referente ao SFH, FCVS e CEF, foi contatado por Eduardo Saad em 2004 para conduzir a análise de carteira de contratos SFH adquirida pelo mesmo, para fins de habilitação perante o FCVS e posterior novação junto à CEF. Para tanto, ficou estabelecido que seria necessária a constituição de uma ou mais sociedades empresárias. Assim, em 15/11/2004 foi criada a sociedade limitada denominada Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Fl. 859DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 857 7 Ltda (Tetto Habitação), antes da celebração do Contrato de Mútuo com Eduardo Saad. Como as compras das quotas do Fundo ASM FIDC FCVS lastreadas em contratos FCVS foram feitas por Eduardo Saad 28/01/2005, com as orientações da Tetto Habitação, é evidente que o Mútuo foi feito no sentido de dotar a Tetto Habitação de capital de giro para montagem de uma estrutura operacional e administrativa capaz de levar até o final a empreitada, qual seja, analisar os contratos que lastreavam a carteira do Fundo ASM FIDC FCVS. Diante da morosidade dos Órgãos de Registros Fiscais para fins de obtenção de Nota Fiscal, os Contratos de Mútuo com Eduardo Saad foram feitos diretamente com o impugnante, de modo a garantir a alocação da Tetto Habitação em um espaço físico adequado. Assim, a empresa mudouse para a rua Marechal Floriano n° 96, prédio de 8 andares, próprio, no qual acomodou em 2005, 53 funcionários e em 2006, 137. Por vontade das partes envolvidas, o valor mutuado seria assumido pela Tetto Habitação mediante o instrumento jurídico de assunção de dívida. Não havia e não há óbice legal da Tetto Habitação assumir dívida do impugnante, pois tal ato jurídico, além de ter sido consignado por instrumento particular e lançado na conta a receber da Sociedade contra o impugnante, decorre de norma prevista no Direito Civil, conforme consta no art. 299 do Código Civil. Informa o Impugnante que são anexadas à Defesa cópias dos instrumentos particulares relativos aos contratos de mútuo e de registros contábeis da Tetto Habitação. Não há como aceitar a transmutação levada a efeito pela autoridade fiscal através de prova emprestada obtida junto a CVM, autarquia federal, criada pela Lei n° 6.385/1976, lei esta que não outorgou à CVM competência para legislar, interpretar ou decidir sobre matérias relativas ao Direito do Trabalho ou norma de caráter tributário ou fiscal, cuja competência ou é do Ministério do Trabalho e Emprego ou da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. No TVF, especificamente no tópico 2.4.2, a Autoridade Fiscal trouxe para o Processo Fiscal prova aplicável na seara de Processo do Sistema Financeiro Nacional e que não acarretavam fato gerador do Imposto de Renda. É falaciosa a assertiva da Fiscalização, baseada em parte do depoimento prestado pelo Impugnante à CVM, de que foi cobrada uma remuneração de Eduardo Saad para processar os contratos e carregálos até o final do prazo de 20 anos. É óbvio que o impugnante tinha de falar em preços com Eduardo Saad, pois o impugnante falava em nome da Tetto Habitação, pois qualquer empresário sempre falará em cobrar um determinado preço em empreitada ou subempreitada de qualquer ato negocial. Era impossível ao Impugnante realizar pela sua pessoa tal tipo de serviço, em face de todas as peculiaridades deles decorrentes. É temerária a conclusão do relatório da CVM, Autarquia que, aliás, é notória em prevaricar ou emitir conclusões equivocadas sobre operações do Mercado de Títulos e Valores Mobiliários e seus reflexos no Sistema Financeiro Nacional. As operações de aquisições de carteiras por Eduardo Saad foram realizadas em 2004, e a contratação do impugnante se deu apenas para fins de depurar a carteira de contratos do SFH, não havendo, portanto, prestação de serviços com vínculo empregatício. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 O Fisco trouxe para si a responsabilidade de fortalecer os autos de provas consistentes quanto ao pretenso vínculo laboral exercido de forma autônoma pelo impugnante, o que realmente não logrou fazer, pelo simples motivo de se apoiar em depoimentos conflituosos. A autoridade fiscal com suas interpretações equivocadas extrapolou as normas contidas nos artigos 923 e 924 do RIR/99. Em nenhum momento a Fiscalização laborou no sentido de desqualificar os fatos jurídicos e financeiros praticados, sendo usado de forma indevida o instituto da transmutação jurídica. Houve equívocos elementares na formulação do Auto do Infração quando a autoridade fiscal afirmou que não houve repasse algum do mútuo para a Tetto Habitação, em razão do valor ter sido integralmente utilizado em favor do próprio contribuinte, e quando concluiu que, com base na documentação apresentada pelo contribuinte e diante do Relatório Conclusivo elaborado pela CVM, o valor de R$ 7.328.727,70 foi recebido pelo fiscalizado a titulo de rendimentos recebidos em decorrência de serviços prestados. A conclusão de que o Mútuo foi integralmente utilizado pelo impugnante não se sustenta em nenhuma hipótese, pois do valor efetivamente recebido, R$ 1.249.484,17 foram aplicados sob a forma de pagamento de despesas para implementação operacional da Tetto Habitação (conta contábil 2.2.1.01.001 empréstimo Eugenio Holanda). Ainda foram aplicados R$ 2.994.000,00 na subscrição e posterior integralização de quotas de Capital na Tetto Habitação, conforme consta consignado na DIRPF 2006/2005. Falhou ainda a autoridade fiscal em não ver que na assunção de dívidas do impugnante pela Tetto Habitação, estas foram liquidadas quando da distribuição de lucros. O Impugnante efetua uma demonstração das operações contábeis da Tetto Habitação relativas à assunção de dívida e distribuição de lucros. Dos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Não há norma presuntiva de se considerar depósitos de origem comprovada, como sendo omissão de rendimentos. Em relação ao correto teor e alcance do caput do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, entende o Impugnante que são valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira os créditos em conta, em espécie ou através de cheques ou transferências eletrônicas de fundos. Com base na definição de “cheque” contida na Lei n° 7.357/1985, resta perfeita a identificação de qualquer valor creditado mediante a utilização do instrumento denominado cheque, em face do mesmo ter como uma das características que lhe conferem legitimidade, a figura obrigatória do emitente, o qual a instituição financeira reconhece sob todos os aspectos, inclusive para fins legais de pagamento ou compensação. Portanto, entende o impugnante ser no caso em apreciação, inócuo o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, no que se refere aos depósitos efetuados em suas contas bancárias mediante cheques, por estar perfeitamente identificado o emitente. Não compete ao impugnante, no caso do mesmo ser o favorecido do cheque, a comprovação da origem dos recursos e sim à Fiscalização Federal. O comando estabelecido no art. 42 da Lei n° 9.430/96, somente se aplica ao impugnante nos casos em que ele for o depositante. A Lei n° 9.613/1998, determinou em seu art. 10 que as instituições financeiras devem manter registros sempre atualizados, com perfeita identificação de seus clientes, inclusive com perfeita identificação de todas as transações por eles Fl. 861DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 858 9 efetuadas, com prazo de guarda de no mínimo 5 (cinco) anos a contar da data de encerramento da conta ou da conclusão da transação , o que, aliás, não ocorreu no caso do impugnante em relação às suas contas mantidas junto ao Banco do Brasil SA e no Bank Boston. A origem dos depósitos efetuados mediante cheques está sempre comprovadas na instituição em que o cheque for sacado. Compete ao Fisco comprovar, procedendo fiscalização no emitente do cheque, se os valores sacados da conta dos emitentes são de origens lícitas ou ilícitas. Desde a edição da Lei n° 9.969/1995 (art. 69), qualquer transação financeira levada a efeito mediante a utilização de cheque superior a R$ 100,00, deve ser emitida de forma nominal ao favorecido. Com relação às transações financeiras efetuadas por meio de Transferência Eletrônica Disponível TED ou por Documento de Ordem de Crédito – DOC, de acordo com a Lei n° 10.214/2001, a Resolução do CMN n° 2.882/2001 e circular/BACEN n° 3.115/2002, as TEDs e os DOCs tem um emitente, um favorecido e uma instituição financeira sacada. Assim, cabia à Fiscalização provar que os valores depositados por cheque, TED ou DOC, nas contas bancárias do impugnante, eram rendimentos tributáveis. Não se pode concordar com a afirmação de que o valor de R$ 3.100.831,60 corresponde a depósitos de origens não comprovadas, pois tal valor foi retornado aos bancos pelo próprio impugnante, que possuía origens perfeitamente identificadas e lastreadas em Contratos de Mútuo. Das Multas Aplicadas Com relação às multas qualificada, de ofício e isoladas, entende o impugnante que sendo insubsistente o Auto de Infração, falecem as mesmas. É o relatório. A Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi consubstanciada no Acórdão nº 1338.175, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CONTRATO DE MÚTUO. Comprovam a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda o recebimento de valores pelo Contribuinte conjuntamente com a ocorrência de prestação de serviços ao responsável pelo pagamento. A comprovação da natureza de empréstimo de valores auferidos não se faz somente através de contratos celebrados, sendo necessária a demonstração da restituição ao mutuante de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade da emprestada. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para a comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias, é necessária a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, capazes de demonstrar, de forma inequívoca, a proveniência dos valores Fl. 862DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 depositados em contas bancárias das quais o contribuinte é titular de fato ou de direito. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPETÊNCIA. Compete ao contribuinte a comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias, não podendo tal ônus ser transferido ao Fisco sob argumento de ser identificável junto à instituição financeira o responsável pelo depósito bancário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 18/06/2012 (fls. 738 a 740), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/07/2012 (fls. 742 a 781), no qual alega, em resumo: Preliminares: de acordo com o que estabelecem os atos disciplinadores do MPF Mandado de Procedimento Fiscal, os trabalhos de fiscalização devem ser concluídos no prazo de 120 dias contados da sua emissão; no presente caso, o MPF nº 0719000/05602/2008 foi emitido em 30/12/2008 e o prazo final seria 29/04/2009, porém somente em 08/05/2009 o contribuinte foi cientificado do Termo de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, de 06/05/2009; com a extinção do referido MPF por decurso de prazo, poderia ter sido emitido um novo MPF com designação de um novo Fiscal. Contudo, a substituição do Fiscal somente ocorreu a partir do Termo de Intimação nº 005, de 16/09/2009 e o MPF continuou sendo o mesmo. Assim, o auto de infração é nulo de pleno direito, pois o MPF que autorizou a ação fiscal estava extinto; em relação à qualificação da multa, requer a aplicação da súmula CARF nº 25, a qual dispõe que "a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64"; reitera as preliminares alegadas na fase de impugnação. Mérito Assim como na peça impugnatória, o contribuinte, antes de adentrar no mérito, faz uma longa explanação sobre as operações financeiras efetuadas com base na legislação que rege o Sistema Financeiro de Habitação SFH e o Fundo de Compensação de Variações Salariais FCVS, tendo como ponto final a novação de dívidas pela Caixa Econômica Federal CEF. Conclui a explicação com as seguintes informações: a) que por ter trabalhado anos no mercado financeiro imobiliário, detém expertise para criação de sociedade empresária especializada em análise, seleção de carteira e recuperação de créditos imobiliários, bem assim na formação de profissionais para atuarem na área de análise de contratos do SFH, objetivando a habilitação e homologação dos mesmos junto ao FCVS, e posterior novação perante a CEF; b) que seria impossível ao recorrente analisar de forma pessoal uma carteira de aproximadamente 20.000 (vinte mil) contratos de financiamentos SFH, sem a montagem de uma estrutura tecnicamente confiável, na forma de uma sociedade empresária, gestora de serviços na área de análise e seleção de carteiras de créditos Fl. 863DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 859 11 imobiliários, sem que contasse com um aparato empresarial, consubstanciado de forma operacional e administrativa para levar avante tal empreendimento; c) que o recorrente detém conhecimentos específicos em securitização de dívidas novadas pela CEF, para fins de emissão de títulos no mercado financeiro nacional, nos moldes estabelecidos nas Leis nºs 10.931, de 2 de agosto de 2004 (arts. 18 a 25), e 11.033, de 21 de dezembro de 2004 (art. 3º, inciso II); d) que nada obsta ao recorrente contrair empréstimos junto a pessoas físicas ou jurídicas como forma de se capitalizar e promover seus atos empresariais, para levar avante a empreitada de seleção e análise de carteiras de contratos imobiliários liquidados, para fins de habilitação dos mesmos junto ao FCVS e posterior novação junto à CEF, como a sua empresa Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Ltda, firmou com Eduardo Jorge Chame Saad SAAD, a partir de janeiro de 2005 (Doc nº 5). Multas isoladas falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão o pagamento mensal obrigatório (carnêleão) do imposto, cobrado com base no art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988, se amolda à espécie do lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 4º), portanto, os 5 (cinco) anos contados do fato gerador darseiam nos meses de fevereiro e março de 2010, respectivamente. Portanto, já estariam alcançados pela decadência, pois o lançamento ocorreu em 24/11/2011. Omissão de rendimentos de trabalho recebidos de pessoas físicas a turma julgadora de primeira instância não comentou sobre o Contrato de Mútuo firmado por ele e Eduardo Saad; o Banco BERJ S.A. (antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A. BERJ), sociedade de economia mista, integrante da administração indireta do Estado do Rio de Janeiro, teve, em 30 de dezembro de 1994, decretada pelo BACEN, o Regime de Administração Especial Temporária, pelo prazo de doze meses; em 28 de dezembro de 1995, esse regime foi prorrogado por mais 12 meses e, em 30 de dezembro de 1996, o BACEN decretou a sua liquidação extrajudicial, tendo em vista a insuficiência patrimonial e incapacidade financeira da Instituição em honrar compromissos, e nomeou o Banco Bozano Simonsen como liquidante; o BACEN, com base em decisão de 14 de janeiro de 2002 da Assembleia Geral Extraordinária, decretou o término do regime de liquidação extrajudicial e início do regime de liquidação ordinária do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A. BERJ, homologado pelo ATO nº 953, de 06 de fevereiro de 2002; finalmente, na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 03 de novembro de 2011, os acionistas aprovaram, entre outras matérias, a aquisição do controle acionário da Sociedade pelo Banco Bradesco S.A., o levantamento do estado de Liquidação Ordinária do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A. BERJ e a alteração da razão social para Banco BERJ S.A.; conforme se verifica do item 3 do PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO REF.: PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM Nº Fl. 864DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 06/2007 PROCESSO DE TERMO DE COMPROMISSO CVM NS RJ 2009/6226 (acesso no Google digitandose BERJ e Liquidação e Parecer CVM nº 6/2007), verificase que o BERJ encontravase em liquidação e que em 01/10/2004 possuía direitos creditórios que foram avaliados pela Fundação Padre Leonel Franca FPLF(2) em R$ 313.198.864,59 (no total de 25.635 contratos avaliados), sendo R$ 131.797.104,02 em créditos junto ao FCVS e R$ 181.401.760,57 em fluxos financeiros dos créditos hipotecários", (parágrafo 35 do Relatório); em nenhum momento foi dito que o BERJ se encontrava em liquidação ordinária desde o ano de 2002, portanto, o liquidante seguiu as normas inseridas na Lei nº 6.404, de 1976, que, em síntese, o obrigava a apurar ativos para solver passivos; verificase também, no referido Parecer/CVM, no Relatório e Voto, item 2 Descrição da Operação, subitem 2.2, o seguinte relato: Porém, o BERJ também tinha uma dívida com o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro RioPrevidência ("RioPrevidência"), em razão de passivos trabalhistas assumidos por aquela autarquia. Em novembro de 2004, essa dívida alcançava R$ 548.022.377,65; da análise do contido no citado Parecer/CVM, vêse claramente que o BERJ, por ter dívida de caráter previdenciário, as quais têm privilégio na liquidação, teria de buscar em seus ativos, quais os de maior liquidez para solvêla, chegando a conclusão que a carteira de recebíveis, aí inclusa sua carteira de recebíveis imobiliários, teria de ser transferida, como o foi, para o RioPrevidência, para fazer face à liquidação de seus passivos, em decorrência dos efeitos da liquidação ordinária do BERJ; desde 14 de janeiro de 2002, era de conhecimento público que o BERJ estava em liquidação ordinária, razão pelas quais interesses diversos em seus ativos passaram a ser cogitados e articulados no mercado financeiro, quer por pessoas físicas, quer por pessoas jurídicas ou combinação de ambas, objetivando resultados futuros; é totalmente incorreta a conclusão quer da Fiscal, quer do Relator e da Turma de Julgadores da DRJ/RJ 2, de que a Tetto Habitação não poderia ter sido criada em novembro de 2004, antes do Edital de Licitação da Carteira de Crédito Imobiliário do BERJ, com o fim específico da análise dos direitos creditórios que viriam a ser adquiridos por Eduardo Saad em 28/01/2005, pois o recorrente tinha conhecimento, assim como todo o mercado financeiro nacional, da liquidação ordinária decretada pelo BACEN ao BERJ, desde final do ano de 2002, porque tal rito jurídico, pelo princípio Constitucional da transparência, da legalidade e publicidade, deve ser amplamente divulgado, como o foi, bastando para isso lembrarmos do ATO do BACEN nº 953, de 06 de fevereiro de 2002, que decretou a liquidação ordinária do BERJ; Em relação ao mútuo, a decisão combatida não considerou como documentos hábeis e idôneos as cópias do Livro Razão da empresa, porque deveriam estar acompanhados dos lançamentos efetuados no Livro Diário devidamente registrado e dos documentos que lhe dariam suporte, o que não foi questionado nem na ação fiscal nem na impugnação; também entenderam os julgadores da DRJ que não foram apresentados os documentos que comprovariam os pagamentos efetuados pelo Sócio ao longo do ano de 2006, o empréstimo efetuado pelo Sócio à Sociedade de R$ 1.249.484,17, bem como as demonstrações contábeis da apuração do milionário lucro que teria sido distribuído pela Tetto Habitação no ano de 2006; Fl. 865DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 860 13 segundo a decisão da DRJ, a única conclusão inequívoca a que se pode chegar, através da análise dos documentos apresentados, é que efetivamente foram recebidos pelo Contribuinte R$ 7.328.527.70 de Eduardo Saad, pois não se fez uma comprovação de que tal valor referirseia a um Contrato de Mútuo, visto não haver documentos juntados à defesa ou apresentado no curso do Procedimento Fiscal capazes de demonstrar tanto o pagamento a Eduardo Saad do valor supostamente emprestado, como o pagamento pelo Contribuinte à Tetto Habitação da Dívida supostamente omitida; a DRJ perpetrou uma anomalia jurídica, fiscal e contábil, posto que desde o Termo de Início de Procedimento Fiscal contra o recorrente, datado de 30 de dezembro de 2008, até o Termo de Intimação nº 14, de 3 de novembro de 2010, ou seja, quase dois anos após, todas as informações e esclarecimentos solicitados em Termos de Intimações pelas Fiscais atuantes foram atendidas e entregues pelo recorrente no endereço indicado e em nenhum momento após receber os documentos solicitados, as Fiscais levantaram qualquer questão sobre a lisura ou validade dos mesmos, quer nas suas formalidades intrínsecas, quer nas formalidades extrínsecas, para fins legais, fiscais ou contábeis; se dúvidas houvessem sido aventadas por parte da fiscalização, a mesma poderia se valer da verificação in loco, o que em nenhum momento ocorreu ou foi efetuado no curso do processo fiscalizatório; não cabe ao relator da DRJ/RJ 2, sem qualquer embasamento legal, estabelecer normas quanto à comprovação dos fatos mediante apresentação de Livros Contábeis ou Fiscais, os quais em nenhum momento foram questionados pela fiscalização; se dúvidas pairassem sobre os elementos comprobatórios anexados aos autos do processo e não perquiridos no curso da fiscalização, deveria o relator se valer do instituto da Diligência, como forma de decidir sobre bases sólidas e não sobre conjecturas as quais não quis aferir; o relator jamais poderia dizer e decidir, sem prova em contrário anexada aos autos do Processo, que o recorrente não fez comprovação de fatos através de Livros Contábeis, sem que ele os apreciasse, quer por falta no conteúdo do relatório da fiscalização, quer por sua inépcia em não solicitar diligência para fins de comprovação das veracidades contidas nos referidos Livros em suas formalidades legais; equivocase o relator ao afirmar que os aportes de recursos via mútuo entre o recorrente e SAAD não é confirmada porque os valores dos aportes efetuados pelo contribuinte na Tetto Habitação não chegaram à metade do montante recebido de Eduardo Saad; não cabe à RFB descaracterizar uma operação de mútuo sob alegação de que houve um desvirtuamento do pedido de empréstimo, por ter sido aplicado em outros fins; o relator da DRJ equivocouse, pois não considerou os ANEXOS 4 e 5 da impugnação, que são justamente os CONTRATOS DE MÚTUO firmado entre o recorrente (mutuário) e SAAD (mutuante), nos quais SAAD empresta ao recorrente, conforme CONTRATO DE MÚTUO datado de 31 de janeiro de 2005, na melhor forma de direito, a quantia de R$ 3.600.000,00 (CLÁUSULA PRIMEIRA), sem qualquer vinculação de aplicação do capital emprestado à capitalização da TETTO, e no CONTRATO firmado em 3 de fevereiro de 2005, na melhor forma de direito, a quantia de R$ 3.200.000,00 (CLÁUSULA PRIMEIRA), Fl. 866DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 também sem qualquer vinculação de aplicação do capital emprestado à capitalização da TETTO; A vinculação dos empréstimos efetuados por SAAD ao recorrente para ser aplicado na TETTO nasceu quando da celebração, em 5 de fevereiro de 2005, da CONSOLIDAÇÃO DE MÚTUOS E OUTRAS AVENÇAS, conforme estabelecido na alínea "c" dos CONSIDERANDOS, no qual estabelecia que a TETTO precisava de recursos para poder contratar pessoas, adquirir equipamentos e manter capital de giro adequado, mas não deixa pactuado o quantum dos recursos emprestados ao recorrente que deveria ser aplicado na TETTO; Se SAAD emprestou ao recorrente um total de R$ 7.328.527,70, para fins de capitalizar total ou parcialmente a Tetto Habitação, somente ele, SAAD, poderia interpelar o recorrente sobre o desvirtuamento do objeto financeiro pactuado, o que em nenhum momento foi questionado por ele, pois o referido mútuo foi integralmente pago, com quitação do empréstimo sob forma clara e inquestionável para todos os fins de direito; mais um equívoco cometeu o relator ao afirmar que, ratificando a informação prestada pela autoridade fiscal no TVF, até mesmo os valores dos aportes de R$ 2.989.000,00 constituíram um benefício próprio do contribuinte, pois representam parcela de titularidade do Contribuinte, da cota Capital Social da empresa Tetto Habitação, porquanto o referido valor somente seria um benefício próprio após sua liquidação junto à instituição financeira fornecedora do empréstimo; o fato de a Tetto Habitação, que não faz parte do contexto deste Processo, ter adquirido por valor simbólico contratos negativados pela CEF, em nada contraria as práticas do sistema financeiro da habitação e do FCVS, em face de ser um dos objetos social da mesma (Tetto Habitação), conforme Cláusula Quarta de seu Contrato Social, a recuperação de recebiveis em geral, com ênfase em crédito imobiliário, o que permite à mesma retrabalhar referidos contratos negativados pela CEF e, de novo, submetêlos à homologação final perante a CEF; o recorrente fez sim um mútuo com Saad, cujo objetivo principal foi dotar a Tetto Habitação de uma estrutura operacional e administrativa apta a levar a cabo, como levou ao longo de mais de 4 anos, a análise da carteira de contratos de financiamento imobiliário adquirida por Saad; conforme dito na peça impugnatória, a Gestora de Recebíveis Tetto Habitação foi constituída em 15 de novembro de 2004 e levada a Registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJ, em 7 de dezembro do mesmo ano de 2004, conforme se observa pela aposição de Registro Eletrônico da JUCERJ na última folha do referido Contrato Social (Doc. nº 6); antes da celebração de qualquer CONTRATO DE MÚTUO com SAAD o impugnante já havia constituído uma sociedade empresária para ser contratada para levar adiante a tarefa de análise da carteira de recebíveis imobiliários a ser adquirida por SAAD; se as compras das quotas do Fundo ASM FIDC FCVS lastreadas em contratos FCVS foram feitas por SAAD em 28 de janeiro de 2005, já com as preliminares orientações da TETTO, é evidente que SAAD fez um Mútuo com o recorrente (sócio majoritário da TETTO) no sentido de dotar a TETTO de capital de giro para montagem de uma estrutura operacional e administrativa para levar até o final a empreitada; Fl. 867DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 861 15 entende o recorrente não ser válida a prova acostada aos autos, por se tratar de prova obtida em processo não tributário e no qual existem expressas declarações em favor do recorrente no sentido de que a Tetto Habitação e não o recorrente é que foi contratado por Saad para análise da carteira de contratos imobiliários; Dos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada a Fiscalização e o relator da decisão recorrida cometeram grave equívoco em relação ao correto entendimento do comando do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ao autuarem o recorrente com base em depósitos bancários de origem de recursos não comprovada; o recorrente, ao pactuar um mútuo financeiro com SAAD, recebeu deste, mediante depósitos em sua conta corrente no Banco do Brasil S/A, os seguintes valores que lhes foram creditados por TED ou DOC, nos dias: 31/01/2005 R$ 2.100.000,00; 01/02/2005 R$ 1.500.000,00; 02/02/2005 R$ 1.528.727,70; 03/02/2005 R$ 1.000.000,00; 03/02/2005 R$ 1.000.000,00 e no dia 10/02/2005 R$ 200.000,00, perfazendo um total mutuado em 10 de fevereiro de 2005, no montante de R$ 7.328.527,70, conforme comprovado nos lançamentos constantes dos extratos bancários acostados nos Docs. nºs 8, 9 e 11, o que de forma cabal comprova que o recorrente tem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; tendo uma disponibilidade a seu favor da ordem de R$ 7.328.527,70, o recorrente optou em retirar de sua conta corrente bancária mantida no Banco do Brasil S/A, mediante diversos saques efetuados nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, os seguintes valores, nos dias a seguir indicados: 01/02/2005 R$ 1.200.000,00; 02/02/2005 R$ 1.500.000,00; 04/02/2005 R$ 1.500.000,00 e no dia 10/02/2005 R$ 1.000.000,00, conforme comprovados nos lançamentos constantes dos extratos bancários acostados no Doc. nº 16; o recorrente possuía no dia 10/02/2005, em espécie montante de R$ 5.200.000,00, para atender compromissos futuros; tendo então o recorrente disponibilidades em moeda nacional da ordem de R$ 5.200.000,00, e nos Bancos do Brasil e Bank Boston R$ 2.128.527,70 (R$ 7.328.527,70 5.200.000,00), aplicou parte desses valores nos seguintes pagamentos: a) pagamentos e doações efetuados R$ 320.000,00 Doc. nº 17; b) aquisição de bens e direitos R$ 5.450.000,00 Doc. nº 17; observase, pela Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do recorrente, ora acostada (Doc. nº 17), que ele teve um desembolso total de "Caixa" da ordem de R$ 5.824.162,26 (R$ 320.500,00 Pagamentos e Doações + R$ 5.503.662,26 Bens e Direitos Situação em 31/12/2005), restandolhe um saldo supostamente consumido de R$ 1.504.365,44 (R$ 7.328.527,70 Mútuo com SAAD R$ 5.824.162,26 Desembolso de "Caixa" em 2005); todos os depósitos foram efetuados pelo recorrente, ficando patente que o mesmo, conforme acima já demonstrado, possuía origem, o que de pronto se afasta a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita julgados do CARF; Ao final, requer a procedência do recurso para cancelar o lançamento fiscal. Anexa os seguintes documentos: Fl. 868DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Doc nº 01 MPFF n9 0719000/05602/2008, de 30 de dezembro de 2008; Doc nº 02 Termo de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, de 6 de maio de 2009; Doc nº 03 Termos de Continuação de Procedimento Fiscal nº 003; Doc nº 04 Termos de Continuação de Procedimento Fiscal nº 004; Doc nº 05 Contrato de Mútuo firmado entre Gestora de Recebíveis Tetto Habitação e SAAD, em janeiro de 2005; Doc nº 06 Contrato Social de criação da Gestora de Recebíveis Tetto Habitação (15/11/2004) Primeira, Segunda e Terceira Alterações Contratuais; Doc nº 07 Relação Anual de Informações Sociais RAIS dos anos de 2005 e 2006; Doc nº 08 Cópia Extrato Banco do Brasil Ag. 3086, Conta nº 87629, onde se comprovam os créditos de R$ 2.100.000,00 no dia 31/01/05 e R$ 1.500.000,00, no dia 01/02/05, por meio de Transferência Eletrônica de Disponibilidade TED, também anexados por cópia) no qual SAAD (mutuante) emprestava ao recorrente (mutuário), a importância de R$ 3.600.000,00; Doc nº 09 Contrato de Mútuo no valor de R$ 3.200.000,00 (três milhões e duzentos mil reais) anexados Cópia Extrato Banco do Brasil Ag. 3086, Conta nº 87629, onde se comprovam dois créditos no valor individual de R$ 1.000.000,00, cada um, ambos no dia 03/02/05, e R$ 200.000,00, no dia 10/02/05, por meio de Transferência Eletrônica de Disponibilidade TED, também anexados por cópia; Doc nº 10 Instrumento Particular de Consolidação de Mútuo e Outras Avenças; Doc nº 11 Cópia Extrato Banco do Brasil Ag. 3086, Conta nº 87629, onde se comprova no dia 02/02/05 o depósito do valor de R$ 1.528.727,70, que somados aos Depósitos anteriormente efetuados no montante de R$ 5.800.000,00, perfaz o total Mutuado de R$ 7.323.727,70; Doc nº 12 Contrato de Assunção de Dívidas entre Gestora de Recebíveis Tetto Habitação (devedora) e SAAD (credor); Doc nº 13 Resumo das Operações praticadas entre Eugênio Holanda, SAAD e gestora de Recebíveis Tetto Habitação, desde o mútuo até a assunção de dívidas; Doc nº 14 Termo de Intimação Fiscal nº 07, de 8 de fevereiro de 2010; Doc nº 15 Resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 07, recebida pela DEFIC/RJ em 22 de fevereiro de 2010; Doc nº 16 Comprovantes dos Saques efetuados por Eugênio Holanda nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, conforme demonstrado: 01/02/2005 R$ 1.200.000,00; 02/02/2005 R$ 1.500.000,00; 04/02/2005 R$ 1.500.000,00 e no dia 10/02/2005 R$ 1.000.000,00; Fl. 869DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 862 17 Doc nº 17 DIRPF 2006/2005 de Eugênio Holanda a) Pagamentos e Doações efetuados R$ 320.000,00; b) aquisição de Bens e Direitos R$ 5.450.000,00. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao anocalendário de 2005, em face do contribuinte EUGENIO PACELLI MARQUES ALMEIDA HOLANDA, no total de R$ 8.933.852,87, sendo R$ 2.862.544,60, de imposto; R$ 1.409.803,20 de juros de mora calculados até 29/10/2010, R$ 3.654.270,37 de multa proporcional calculada sobre o principal e R$ 1.007.234,70 de multa exigida isoladamente. Foram apuradas as seguintes infrações: 1) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física; 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; 3) Falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnêleão. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINARES O recorrente alega que o auto de infração é nulo de pleno direito, pois o MPF Mandado de Procedimento Fiscal que autorizou a ação fiscal estava extinto, pois foi emitido em 30/12/2008 e o prazo final seria 29/04/2009. No entanto, apenas em 08/05/2009 o contribuinte foi cientificado do Termo de Continuação de Procedimento Fiscal nº 002, de 06/05/2009. A jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não são causa de nulidade do auto de infração, consoante se observa nas decisões proferidas pelas turmas das Sessões de Julgamento do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, destacamse os Acórdãos nº 1402 001.360, 110100.812, 1301000.752, 3102001.669, 340301.025, 2202002.310 e CSRF/01 06.028. Aduz, ainda em fase preliminar, que a autoridade fiscal incorreu em erro na correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, na tipificação do fato gerador e no enquadramento legal, acarretando com tais procedimentos transgressão aos preceitos legais estabelecidos no CTN e no Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal PAF. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Entretanto, não há que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 515 a 530). Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Quanto à não aplicação da multa qualificada de 150%, requerida pelo recorrente em sede preliminar, entendo que se trata de questão de mérito, a qual será abordada mais adiante. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 863 19 Dessa forma, rejeito as preliminares suscitadas. MÉRITO Omissão de rendimentos de trabalho recebidos de pessoas físicas A decisão recorrida foi no sentido de não acolher as argumentações do contribuinte de que a origem dos recursos financeiros recebidos de Eduardo Jorge Chame Saad, no total de R$ 7.328.727,70, foi um contrato de mútuo celebrado entre as partes. Entenderam os julgadores de primeira instância que o referido valor foi na realidade uma remuneração paga por Eduardo Saad ao contribuinte fiscalizado, por serviços prestados, conforme relatório da comissão responsável pelo Inquérito Administrativo CVM nº 06/07. O recorrente insiste na argumentação de que, em virtude de sua expertise referente ao SFH, FCVS e CEF, foi contatado por Eduardo Saad em 2004 para conduzir a análise de carteira de contratos SFH adquirida pelo mesmo, para fins de habilitação perante o FCVS e posterior novação junto à CEF. Para tanto, em 15/11/2004 foi criada a sociedade limitada denominada Gestora de Recebíveis Tetto Habitação Ltda (Tetto Habitação). Afirma que, diante da morosidade dos órgãos de registros fiscais para fins de obtenção de nota fiscal, foram efetuados Contratos de Mútuo por Eduardo Saad diretamente com ele, recorrente, de modo a garantir a alocação da Tetto Habitação em um espaço físico adequado. Por vontade das partes envolvidas, o valor mutuado seria assumido pela Tetto Habitação mediante o instrumento jurídico de assunção de dívida. Entendo que não procedem as alegações do recorrente, pelas razões a seguir. O Código Civil assim disciplina sobre o contrato de mútuo. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Sobre a prova do instrumento particular em relação a terceiros, assim estipula o Código Civil. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor, mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. [...] Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654. A Lei dos Registros Públicos (Lei nº 6.015/73) dispõe: Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I – dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Fl. 872DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Verificase pelos autos que os contratos de mútuo firmados entre o contribuinte, ora recorrente, e o sr. Eduardo Jorge Chame Saad (fls. 817 a 831), não estão revestidos das formalidades legais para fazer prova junto a terceiros, uma vez que foram formulados por meio de instrumento particular e não foram registrados em registro público. Não apenas isso, vêse que o recorrente não apresentou o Livro Diário para corroborar as informações contidas nos livros Razão apresentados e por ele utilizadas no sentido de fazer valer seus argumentos. Embora alegue que não cabe ao relator da DRJ estabelecer normas quanto à comprovação dos fatos mediante apresentação de Livros Contábeis ou Fiscais, os quais em nenhum momento foram questionados pela Fiscalização, não lhe assiste razão, posto que os documentos contábeis devem estar revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas essenciais, definidas pela legislação ou pela técnica contábil e o seu valor probante está diretamente relacionado com a sua autenticidade. O Código Civil dispõe o seguinte sobre a obrigatoriedade de o empresário possuir livros contábeis. Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Em vez de apenas criticar a decisão da DRJ, o recorrente poderia ter anexado ao seu recurso voluntário as cópias registradas dos livros contábeis (no caso, o Livro Diário), nos quais estariam os lançamentos alegados, relativos aos empréstimos e sua quitação, o que poderia fazer prova a seu favor. Outro argumento importante defendido pela Fiscalização diz respeito à utilização pelo contribuinte de mais da metade dos recursos obtidos no empréstimo em proveito próprio. Nesse ponto, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do acórdão de impugnação, com o qual concordo integralmente. A alegação de que os contratos de mútuo foram firmados para dotar a Tetto Habitação de recursos necessários ao implemento de uma estrutura operacional capaz de analisar os contratos que lastreavam a carteira do Fundo ASM FIDC FCVS não é confirmada, pois os valores dos aportes efetuados pelo Contribuinte na Tetto Habitação não chegaram à metade do montante recebido de Eduardo Saad. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 864 21 Vejase que após o Contribuinte obter os alegados empréstimos que totalizaram R$ 7.328.527,70, foi repassado à Tetto Habitação, na forma de integralização de capital, o montante de R$ 2.989.000,00 entre os dias 04/02/2005 a 28/07/2005, conforme tabela de fl. 266. A parcela não repassada, segundo resposta dada pelo próprio Contribuinte ao Termo de Intimação 13, destinouse à aquisição de um imóvel, a pagamentos e doações e ao saldo bancário em moeda corrente, informações lançadas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF. Cabe aqui ressaltar que, ratificando a informação prestada pela Autora do Auto de Infração no TVF, até mesmo os valores dos aportes de R$ 2.989.000,00 constituíram um benefício próprio do Contribuinte, pois representam parcela, de titularidade do Contribuinte, da cota do capital social da empresa Tetto Habitação. O recorrente também não logrou comprovar o retorno do valor mutuado, ou seja, não comprovou a quitação do empréstimo, conforme bem descreve a decisão recorrida, abaixo. Não resta demonstrado na Impugnação, ou mesmo no Contrato de Cessão de Créditos e Quitação de Mútuo (fl. 258), qual o valor dos Créditos contra o FCVS utilizados pela Tetto Habitação para quitação da dívida que esta teria assumido. Ressaltese que no próprio Contrato de Cessão de Créditos e Quitação de Mútuo consta a informação de que a Tetto Habitação “adquiriu contratos de crédito hipotecário cuja cobertura pelo Fundo de Compensação de Variações Salariais — FCVS foi negada pela Caixa Econômica Federal – CEF”. O Contribuinte, em depoimento prestado à CVM em 06/11/2008, conforme se verifica no subitem “f”, do item 170, do relatório da CVM (fl. 490), afirmou que os contratos referentes aos créditos foram adquiridos por um valor simbólico, pois não possuíam valor comercial. Frisese que em todos os contratos de mútuo celebrados entre o Contribuinte e o Sr. Eduardo Saad, que totalizaram o empréstimo no valor total de R$ 7.328.527,70 (fls. 225/238), constou uma cláusula em que se facultava ao mutuário pagar sua divida, “mediante a entrega de títulos CVS.” [...] Considerando não haver na Defesa apresentada uma precisa demonstração de quais seriam os valores dos Créditos contra o FCVS transferidos da Tetto Habitação para Eduardo Saad, e com base nas informações constantes do Contrato de Quitação de Créditos e Quitação de Mútuo e dos dados do Relatório da CVM, deduzse ser correta a conclusão da AuditoriaFiscal de que o suposto empréstimo de R$ 7.328.527,70, inicialmente concedido ao Contribuinte e posteriormente assumido pela Tetto Habitação, teria sido por esta quitado através de títulos sem valor. Sendo, a princípio, sem valor os créditos transferidos, descaracterizadas se mostram, portanto, as operações formalizadas sob o título de Contrato de Mútuo. Além de não ser feita pelo Contribuinte a comprovação da quitação da obrigação supostamente assumida pela Empresa, através de títulos com o mesmo valor do alegado empréstimo, também não se faz na Impugnação uma comprovação inequívoca de que o Contribuinte, que teria passado da condição de devedor de Fl. 874DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Eduardo Saad para a de devedor da Tetto Habitação, teria quitado junto a este novo credor o alegado empréstimo. De acordo com o demonstrado através do Razão da conta contábil “1.2.1.01.001 – Eugênio Pacelli Marques de Holanda” (fls. 687/694), que representaria valores devidos pelo Sócio à Sociedade, seria o Contribuinte, em 02/01/2006, devedor da importância de R$ 6.079.243,53 à Tetto Habitação. Segundo alega o Impugnante e demonstra o Razão da conta contábil 1.2.1.01.001 (fl. 355), apresentado na resposta dada ao Termo de Intimação 09 (fl. 347), o montante de R$ 6.079.243,53 seria resultante da assunção da dívida do Contribuinte, de R$ 7.328.527,70, em 10/10/2005, pela Tetto Habitação, amortizada de um valor que supostamente teria sido emprestado pelo Sócio à Sociedade, de R$ 1.249.484,17. No Razão da conta contábil constou, em 31/12/2005, o lançamento da alegada amortização com o histórico “Vr. ref. amortização de empréstimo do sócio Eugênio Pacelli Marques de Almeida Holanda n/ data”. Observase que na demonstração do Razão de 2006, o saldo devedor da conta contábil 1.2.1.01.001, teve diversas variações ao longo do exercício social, com vários lançamentos de valores a crédito e a débito, chegando ao final do exercício com o saldo zero. Os créditos efetuados na conta contábil foram registrados com os históricos “Vr. ref. empréstimo do sócio Eugenio Holanda n/ data” e “Vr. ref. amortização de empréstimo por conta de distribuição de dividendos n/ data”. As demonstrações contábeis relativas aos registros de débitos e créditos correspondentes ao suposto empréstimo assumido pela Tetto Habitação, por si sós, não se mostram hábeis a comprovar as operações nelas registradas. Para que tais documentos fossem considerados hábeis a comprovar as citadas operações, deveriam estar acompanhados de cópia dos lançamentos efetuados no Livro Diário da Sociedade devidamente registrado e dos documentos que lhes dariam suporte, o que não se fez tanto na Defesa como no curso do procedimento fiscal. Não foram apresentados os documentos que comprovariam os pagamentos efetuados pelo Sócio ao longo do ano de 2006, o empréstimo efetuado pelo Sócio à Sociedade de R$ 1.249.484,17, bem como as demonstrações contábeis da apuração do milionário lucro que teria sido distribuído pela Tetto Habitação no ano de 2006. Especificamente em relação à comprovação de fatos através de Livros Contábeis, assim dispõe o art. 923 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99) Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).(Grifei) A única conclusão inequívoca a que se pode chegar através da análise dos documentos apresentados é de que efetivamente foram recebidos pelo Contribuinte R$ 7.328.527,70 de Eduardo Saad. Não se faz uma comprovação de que tal valor referirseia a um Contrato de Mútuo, visto não haver documentos juntados à Defesa ou apresentados no curso do Procedimento Fiscal capazes de demonstrar tanto o pagamento a Eduardo Saad do valor supostamente emprestado, como o pagamento pelo Contribuinte à Tetto Habitação da dívida supostamente assumida. A Fiscalização concluiu que os valores recebidos pelo contribuinte de Eduardo Saad, no total de R$ 7.328.527,70 de Eduardo Saad, ocorreu em decorrência da prestação de serviços de análise de contratos de titularidade de Eduardo Saad, tendo em vista Fl. 875DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 865 23 que o contribuinte não efetuou a comprovação de que se trataria de um empréstimo. O recorrente contesta essa conclusão alegando que a Fiscalização baseouse em um relatório da CVM, prova que não seria válida, por se tratar de prova obtida em processo não tributário e no qual existem expressas declarações em favor do recorrente no sentido de que a Tetto Habitação, e não o recorrente, é que foi contratado por Saad para análise da carteira de contratos imobiliários. Observase pelo Relatório conclusivo da Comissão responsável pelo Inquérito CM nº 06/07 (fls. 430 a 507), que o recorrente e sua empresa Tetto Habitação foram responsabilizados por diversas irregularidades apuradas no âmbito daquela autarquia (fls. 505 a 507). 180. Esta fraude gerou vantagem de natureza patrimonial, da ordem de R$ 426 milhões, que teve como beneficiários diretos: Eduardo Jorge Chame Saad, Fernando Salles, Olímpio Uchoa, Jose de Vasconcellos, Nominal DTVM e Tetto. [...] (i) agiram em concurso e em comunhão de esforços com os demais participes, viabilizando a operação fraudulenta; (ii) a Tetto foi destinatária de parte dos direitos creditórios amortizados do ASM FIDC CI e das cotas deste fundo, havidos, respectivamente, de forma graciosa e pelo valor simbólico de R$ 2.000,00, auferindo benefício patrimonial estimado em R$ 207 milhões, conforme descrito no item 130; (iii) Eugênio Pacelli Marques de Almeida Holanda, além de emprestar sua expertise para assessoramento de Eduardo Saad e Antonio Luis de Mello e Souza; atuou na identificação do real valor e segregação dos direitos creditórios antes do leilão de cotas do ASM FIDC CI, tendo recebido da conta de Eduardo Saad a quantia aproximada de R$ 7,3 milhões, oriunda do adiantamento feito pelo ASM FIDC FCVS, conforme a seguinte Tabela 20, extraída dos documentos recebidos pelo MPF e já mencionados no item 146: [...] VI. DAS IRREGULARIDADES E RESPONSABILIDADES 207. Diante dos fatos apresentados anteriormente, devem ser responsabilizadas as pessoas a seguir qualificadas: nos itens 176 a 189, restando configurada a conduta vedada pelo item 1 e descrita na letra "c" do item II da Instrução CVM no 08/79. 11) Gestora de Recebíveis Tetto Habitação, a) na qualidade de administradora dos direitos creditórios integrantes da carteira do ASM FIDC FCVS, por agir em concurso e em comunhão de esforços com os demais partícipes, viabilizando a operação fraudulenta, sendo a destinatária de parte dos direitos creditórios amortizados do ASM FIDC CI e das cotas deste fundo, havidos respectivamente, de forma graciosa e pelo valor simbólico de R$ 2.000,00, auferindo beneficio patrimonial estimado em R$ 207Milhões, oriundos da operação fraudulenta perpetrada e descrita no presente IA, condutas continuadas e necessárias ao êxito da fraude perpetrada contra o patrimônio público e em beneficio próprio e das demais partes envolvidas, caracterizando dolo no concurso para a realização de operação fraudulenta; conforme descrito nos itens 176 a 189, Fl. 876DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 restando configurada a conduta vedada pelo item I e descrita na letra "c" do item 11 da Instrução CVM n° 08/79. 12) Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda, a) Na qualidade de partícipe e beneficiário, a.i) Por agir em concurso e comunhão de esforços com os demais participes, emprestando sua expertise ao assessorar Eduardo Saad e Antonio Luis de Mello e Souza e atuando na identificação do real valor e segregação dos direitos creditórios antes do leilão de cotas do ASM FIDC CI, recebendo da conta de Eduardo Saad a quantia aproximada de R$ 7,3 milhões, oriundos do adiantamento feito pelo ASM FIDC FCVS e do produto da operação fraudulenta descrita no presente IA, conduta necessária ao êxito da fraude perpetrada contra o patrimônio público e em beneficio próprio e das demais partes envolvidas, caracterizando o concurso para a realização de operação fraudulenta, conforme descrito nos itens 176 a 189, restando configurada a conduta vedada pelo item I e descrita na letra "c" do item 11 da Instrução CVM n°08/79. Nessa matéria, peço vênia novamente para transcrever parte do voto condutor da decisão da DRJ. No TVF constaram transcrições de trechos do relatório da CVM acerca de uma provável remuneração paga por Eduardo Saad a Eugênio Pacelli, tais como o depoimento prestado por este de que “cobrou de Eduardo Saad uma remuneração para processar os contratos e carregálos até o final do prazo legal de 20 anos” e a conclusão da CVM de que “Quanto à afirmação de que não prestou serviço e nem foi remunerado por Eduardo Saad, impõese mais uma vez registrar o fato de que Eugênio Holanda recebeu cerca de R$7,3 milhões oriundos da conta de Eduardo Saad, conforme demonstram os extratos bancários citados no item 146.” Contudo, diferentemente do entendimento expresso pelo Contribuinte em sua Impugnação, não foi exclusivamente com base nessas informações que a Fiscalização reputou serem rendimentos tributáveis os valores recebidos pelo Sujeito Passivo. A conclusão de que os valores se tratavam de rendimentos tributáveis teve como base um conjunto de fatores, inclusive os narrados no Relatório da CVM, que culminaram na desconsideração dos argumentos do Fiscalizado de que os valores recebidos decorreram de um empréstimo. Tais fatores, devidamente descritos no TVF, corresponderam ao conjunto de operações efetuadas pelo Contribuinte na tentativa de dar aos valores recebidos de Eduardo Saad uma aparente forma de Contrato de Mútuo. Aliando esses fatores às informações constantes do relatório da CVM de que teria havido uma prestação de serviços do Sr. Eugênio ao Sr. Eduardo, concluiu a AuditoraFiscal que os valores creditados por Eduardo Saad na conta bancária do Contribuinte se tratavam de rendimentos tributáveis auferidos de pessoa física. Não se trata, portanto, de um simples acatamento de uma informação prestada pela CVM de que o Contribuinte teria recebido de Eduardo Saad rendimentos relacionados a uma prestação de serviços. Pelo exposto tanto no Relatório da CVM como na própria Impugnação, não resta dúvida quanto à execução de atividades pelo Contribuinte relacionadas à análise de contratos adquiridos por Eduardo Saad. Assim informa o Contribuinte em trechos de sua Defesa: “O impugnante foi contatado por SAAD em 2004 para conduzir, em face de sua expertise referente ao SFH, FCVS e CEF, análise de carteira de contratos SFH, Fl. 877DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 866 25 adquirida pelo mesmo, para fins de habilitação perante o FCVS e posterior novação junto à CEF.” (...) ...a contatação do impugnante por SAAD se deu apenas para fins de depurar a carteira de contratos do SFH.” Em que pese o Contribuinte alegar que a prestação de serviços a Eduardo Saad relacionados à análise dos contratos teria sido executada pela Tetto Habitação, o que se constata é o recebimento da importância de R$ 7.328.527,70 pela pessoa física do Contribuinte, não tendo sido apresentadas provas de quais seriam os serviços prestados pela pessoa jurídica Tetto Habitação a Eduardo Saad e qual seria a respectiva forma de remuneração. (grifos da transcrição). Acrescento, ainda, que o recorrente não carreou aos autos nenhum documento que comprove a alegada execução dos serviços prestados pela empresa Tetto Habitação ao sr. Eduardo Saad, tais como contrato de prestação de serviços ou notas fiscais, tendo se limitado, nesse aspecto, a apresentar protocolo de entrega da RAIS Relação Anual de Informações Sociais RAIS dos anos de 2005 e 2006, na qual constam quantidades de empregados daquela empresa naqueles anos. Dessa forma, por todo o conjunto probatório apresentado, não merece acolhida a argumentação do recorrente, devendo ser mantida a decisão de primeira instância nessa matéria. Dos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Após análise dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte e das suas respostas ao termos de intimação, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício referente à infração "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA", em virtude da falta de comprovação da origem dos créditos/depósitos efetuados na contas bancárias nº 8.7629, agência 3086 4, do Banco do Brasil, e nº 23.5840.13, agência Rio Branco, do Banco de Boston. Os valores mensais dos créditos não comprovados estão demonstrados na tabela abaixo: Mês Banco do Brasil Banco de Boston Total Janeiro 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 95.000,00 95.000,00 Março 8.791,80 0,00 8.791,80 Abril 16.793,60 26.653,20 43.446,80 Maio 1.684.327,00 5.266,00 1.689.593,00 Junho 0,00 0,00 0,00 Julho 308.000,00 0,00 308.000,00 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 Agosto 0,00 0,00 0,00 Setembro 0,00 0,00 0,00 Outubro 0,00 200.000,00 200.000,00 Novembro 0,00 140.000,00 140.000,00 Dezembro 616.000,00 0,00 616.000,00 Total 2.633.912,40 466.919,20 3.100.831,60 Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Em sua defesa, o Recorrente argumenta que os depósitos bancários efetuados através de cheque, TED ou DOC não podem ser considerados de origem não comprovada em razão de ser possível ao Fisco a identificação dos respectivos emitentes e, assim, caberia à Fiscalização verificar junto às instituições bancárias quem seriam os responsáveis pelos depósitos. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 867 27 No entanto, para que seja afastada a presunção legal de omissão de rendimentos, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, demonstrar quem é o responsável pelos créditos efetuados nas suas contas bancárias, além de justificar a origem, ou seja, qual a natureza da operação. Caso ele não mais possuísse os documentos que identifiquem os emitentes dos cheques, DOC ou TED, ou qualquer outro tipo de crédito, ele deveria solicitar às instituições financeiras tais informações e não transferir à Fazenda Pública tal ônus. Conforme destacado pela decisão de primeira instância, apesar das alegações relacionadas a cheques, DOC ou TED, percebese que a grande maioria dos depósitos bancários de origem não comprovada apurados no Lançamento não são provenientes desses tipos de operações. Dentre os depósitos lançados, constaram apenas uma TED de R$ 8.791,80, no dia 10/03/2005 (Banco do Brasil), e dois cheques no total de R$ 31.919,20, nos dias 15/04/2005 e 20/05/2005 (Banco de Boston). A relação dos créditos não comprovados encontrase no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 520 e 522 (efls. 518 e 520). Os demais depósitos não decorreram de cheque, DOC ou TED e totalizaram R$ 3.060.120,60, porém não foi apresentado pelo contribuinte nenhum documento hábil e idôneo que comprovasse a sua origem. O recorrente limitouse a alegar que tais depósitos teriam sido efetuados por ele próprio, com os mesmos recursos que seriam oriundos do suposto empréstimo de R$ 7.328.527,70 recebido de Eduardo Saad. No caso de depósitos bancários de origem não comprovada, o ônus da prova cabe ao contribuinte, consoante o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, e disso ele não se desincumbiu. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Multa qualificada de 150% A autoridade fiscal qualificou a multa de ofício em relação à infração de "OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS", com fundamento no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/97, combinado com os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, sob o argumento de que o contribuinte omitiu de sua Declaração de Ajuste Anual, de forma dolosa, rendimentos tributáveis, reduzindo artificialmente o imposto devido. Enfatiza a Fiscalização que o valor total omitido, R$7.328.727,70, é extremamente alto e todas as operações relativas aos mútuos/empréstimos/pagamentos efetuadas pelo fiscalizado, tiveram como objetivo ocultar o recebimento do valor tributável, constituindo ação dolosa de modo a evitar a apuração e o recolhimento do imposto devido. O artigo 44, § 1º, da da Lei nº 9.430/96, assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa Fl. 880DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A Lei nº 4.502/64 disciplina: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entendo que deve ser mantida a qualificação da multa de ofício, visto que o contribuinte, de forma intencional, procurou ocultar do Fisco o recebimento dos valores referentes à prestação de serviços, simulando a existência de um contrato de mútuo e atribuindo a prestação do serviço a uma empresa da qual era sócio. Na realidade, todos os elementos analisados convergem para a conclusão de que o mútuo neste caso é apenas um disfarce, sem substância, tendo sido constituído somente para tentar dar um suporte para os recursos recebidos efetivamente pelo contribuinte, pessoa física. Assim, o presente caso enquadrase na previsão legal de qualificação da multa. Multas isoladas falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão Em relação ao lançamento da multa de ofício exigida de forma isolada pela falta de recolhimento do CarnêLeão, tornase necessário destacar que o lançamento engloba valores recebidos mensalmente, que foram lançados de ofício, por meio da constituição de crédito tributário pelo Auto de Infração. A Lei nº 9.430/96 assim dispunha: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11052.001122/201012 Acórdão n.º 2202003.034 S2C2T2 Fl. 868 29 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Do texto legal é de se concluir que, para o ano calendário de 2005, não há possibilidade de cobrança concomitante da multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo e da multa de lançamento de ofício isolada (sem o tributo). Se o lançamento do tributo foi feito de ofício, deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo, não havendo neste caso dispositivo legal que justifique a inclusão da cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Esse é o entendimento consolidado neste Conselho. A título exemplificativo, cito as seguintes decisões: 2202002.721, 9202003.439, 0104.987, 2801002.067, 9202 003.163, 920202.196, 9202002.743 e 9202002.297. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do CarnêLeão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 882DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19311.000325/2008-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PROPRIA. CONSEQUENCIAS. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. RPS. PREVISÃO.
O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições destinadas a Outras Entidades (Terceiros), no período de 01/2004 a 12/2004 (inclusive 13º salário).
Constatou-se que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido.
As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.069
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PROPRIA. CONSEQUENCIAS. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. RPS. PREVISÃO. 1. O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições destinadas a Outras Entidades (Terceiros), no período de 01/2004 a 12/2004 (inclusive 13º salário). 2. Constatouse que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido. 3. As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 25 /2 00 8- 72 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições destinadas a Outras Entidades (Terceiros), no período de 01/2004 a 12/2004 (inclusive 13º salário). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 28 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MINISTRO DE CONFISSÃO RELIGIOSA. COMPROVAÇÃO. Ministro de confissão religiosa é a pessoa vocacionada, de forma voluntária, para a realização de serviços característicos da referida confissão, como o anúncio de suas respectivas doutrinas e crenças, a celebração de cultos, a organização das comunidades e a promoção de observância das normas estabelecidas pela instituição religiosa. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OCORRÊNCIA. Presentes os pressupostos caracterizadores de vínculo empregatício, correto o enquadramento do segurado como empregado e apuração da contribuição previdenciária correspondente. CONTRATO DE ESTÁGIO. TÉRMINO DA VIGÊNCIA. CONTINUIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VÍNCULO DE EMPREGO. A comprovação do estágio dáse pelo contrato firmado entre a instituição de ensino e a pessoa jurídica contratante e mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Vencido o prazo firmado no termo, a continuidade da prestação de serviços sem a prorrogação expressa caracteriza o vínculo empregatício para fins previdenciários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 5 4 Dos Fatos – A recorrente foi objeto da Ação Fiscal para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições sociais administradas pela SRFB e aquelas relativas a terceiros, nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2004, especifica e unicamente no que se refere à remuneração de contribuintes individuais, inclusive sua caracterização como empregados. A referida Ação Fiscal resultou no entendimento de que a recorrente não incluiu em folha de pagamento e em GFIPS as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004, não declarando, portanto, as contribuições incidentes sobre estes valores. Por consequência, diversos autos de infração foram lavrados, a saber AI nº 37.173.7460, AI nº 37.173.7478, AI nº 37.173.7486 e AI nº37.173.7494, que por sua vez geraram os seguintes processos administrativos, todos eles conexos: 19311.000323/200883, 19311.000324/324/200828, 19311.000325/200872, 19311.000326/200817. Referidos autos de infração foram impugnados no que tange ao enquadramento da ministra de Música Cléia Wandsberg da Rocha como empregada no exercício da profissão de músico e na descaracterização do estágio do segurado Ricardo Gonçalves Libaneo. As impugnações foram julgadas em conjunto, sendo que os membros da 70ª Sessão da 7ª Turma de Julgamento acordaram pela improcedência da impugnação, mantendo se o crédito tributário exigido. Do Direito – A função exercida pela Ministra, no âmbito religioso, pressupõe um chamado espiritual para exercêlo, um vocação. Não se pode atribuir um vínculo de subordinação de uma Ministra religiosa pela existência de uma hierarquia meramente organizacional e funcional dentro das igrejas. Portanto, se existe alguma subordinação por parte da ministra de Culto, Louvor e Adoração, ela é somente em relação a Deus. Uma vez ausente o elemento subordinação entre a Sra. Cléia e a igreja, inexistente é o vínculo empregatício entre as partes. Afirma ainda a Turma Julgadora que a Ministra recebeu 13º Salário, uma gratificação natalina, direito constitucionalmente garantido aos trabalhadores, fato este incompatível para pessoas que prestam serviços voluntários como os ministros de confissão religiosa. O fato da Ministra Cléia ter recebido o 13º salário no final do ano, não enseja a presunção de vínculo empregatício, uma vez que é sabido que já se estabeleceu um costume pátrio de pagar a gratificação natalina aos trabalhadores autônomos como contadores, faxineiros, advogados dentre outros profissionais desta natureza. No tocante ao estagiário Ricardo Gonçalves Libaneo, reiterase que recorrente mantinha junto à Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista um convênio para a realização de estágio por prazo indeterminado, firmado em 01/09/03. Referido estagiário, quando iniciou seu período de estágio, em 01/09/03, encontravase cursando o 2º ano do Curso Superior de Educação Física. Após o período inicial de seis meses, o estagiário continuou exercendo o estágio nos mesmos termos pactuados inicialmente, a saber, desenvolvendo atividades na área de esportes, que lhe proporcionavam Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 6 5 experiências práticas de sua formação em Educação Física, em particular com aplicação no campo missionário, conforme atesta o responsável legal da recorrente em declaração à fls. 58. O art. 428, § 3º, da CLT estabelece que o Contrato de Aprendizagem não poderá ser instituído por prazo superior a dois anos. Isto não significa dizer que tal contrato terá sempre esse limite. Este é o interstício máximo. É notório que o contrato celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, deve ter a interveniência da instituição de ensino, como mecanismo para inibir a roupagem simulatória para mascarar relação de emprego. No caso em tela, verificase que após o período de março de 2004 o Convênio entre a Fundação e a recorrente ainda estava vigente e o estagiário estava cursando o 3º ano da Faculdade, assim sendo, nenhuma irregularidade pode ser apontada para a prorrogação tácita de tal Contrato de Estágio. O princípio da verdade real deve prevalecer, pois, ainda que, por um lapso da administração da recorrente, não houve a formalização da continuidade do estágio com a renovação do Termo de Compromisso, o Contrato de Estágio não ultrapassou o prazo máximo legal de 02 (dois) anos, o estagiário ainda estava cursando o ensino Superior no qual vigorava o Convênio, e, de fato, o estudante Ricardo desempenhava suas atividades de aprendiz na área de esportes. Não houve fraude e nem simulação. Ante ao todo exposto, requer seja recebido o presente recurso, julgandoo procedente, a fim de reconhecer a função desempenhada pela segurada Cléia Wandsberg da Rocha como ministra de confissão religiosa, estando, portanto suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuição previdenciária, conforme disposto no artigo 22, parágrafo 13 da Lei 8.212/91, bem como afastar o enquadramento do estagiário Ricardo G. Libaneo, como empregado, por estar no período apontado, ainda exercendo o estágio, de fato, excluindose por consequência, todos os créditos tributários e obrigações acessórias referentes aos lançamentos impugnados – Processos nº 9311.000325/200872, AI 37.173.7486 e demais conexos Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento discutido nestes autos diz respeito às contribuições destinadas a Outras Entidades (Terceiros), no período de 01/2004 a 12/2004 (inclusive 13º salário). Constatouse que o contribuinte não incluiu em folha de pagamento e também em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004. Não tendo realizado as devidas inclusões, o contribuinte também não pagou o devido. Dois foram os pontos centrais da discussão. O primeiro, a empresa afirma que a Ministra de Música Cleia Wandsberg, exerceu durante o período contestado pela fiscalização, função de Ministra, no âmbito religioso, o que pressupõe um chamado espiritual para exercêlo, uma vocação. De acordo com o contribuinte, não se pode atribuir um vínculo de subordinação de uma Ministra religiosa pela existência de uma hierarquia meramente organizacional e funcional dentro das igrejas. Se existe alguma subordinação por parte da Ministra de Culto, Louvor e Adoração, ela é somente em relação a Deus. No exercício das funções acima especificadas, constam dos autos que o contribuinte efetuou pagamentos mediante RPA`s apresentadas pela Sra. Cleia, inclusive parcela relativa ao 13º salário. No ponto, o contribuinte afirma que: O fato da Ministra Cléia ter recebido o 13º salário no final do ano, não enseja a presunção de vínculo empregatício, uma vez que é sabido que já se estabeleceu um costume pátrio de pagar a gratificação natalina aos trabalhadores autônomos como contadores, faxineiros, advogados dentre outros profissionais desta natureza. As afirmações do contribuinte são tão contundentes e não dão margem para a ocorrência de supostas presunções por parte da fiscalização. As evidências foram tantas no que diz respeito à caracterização do vínculo empregatício, situação que levou a fiscalização a adotar os pressupostos legais de que trata o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 8 7 (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. A parte do texto acima descrito que fala sobre o Auditor Fiscal da Previdência Social foi alterada pela Lei nº 11.457, de 2007. A atribuição de fiscalização agora cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vêse, então, que a caracterização do vínculo empregatício da Ministra Cléia com a instituição religiosa está correta. A fiscalização valeuse das regras postas á sua disposição para constituir o crédito tributário. O segundo ponto diz respeito à caracterização de vínculo empregatício com o exestagiário Ricardo Gonçalves Libâneo, estando mais uma vez correto o procedimento da fiscalização. Durante o período contemplado pelo Termo de Compromisso firmado entre o aluno e a instituição de ensino, que correspondeu ao período de 01/09/2003 até 28/02/2004, não ocorreu nenhuma irregularidade, pois o prazo de vigência do referido documento foi devidamente respeitado. Contudo, a partir de 01/03/2004, as partes não renovaram o Termo de Compromisso para igual ou superior período, situação que ficou desamparada legalmente. Portanto, a partir do primeiro dia de março de 2004, Ricardo Gonçalves Libâneo passou a ser segurado empregado, conforme estabelece o inciso I do art. 9º do Decreto nº 3.048, de 1999, como corretamente foi enquadrado pela fiscalização. O cálculo da dívida previdenciária abrangeu as competências 01/2004 a 12/2004, inclusive o 13º. Tendo em vista que a fiscalização constituiu o crédito tributário na forma estabelecida no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 2803004.069 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.724969/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. MANUTENÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. INAPLICÁVEL PARA FINS TRIBUTÁRIOS.
A pensão alimentícia judicial paga pelo contribuinte, na constância da sociedade conjugal, ao cônjuge e aos seus filhos, não obstante a existência de acordos judiciais homologados que oficializem, não é dedutível na apuração de imposto de renda.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS NÃO DECLARADAS. SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO NA FASE RECURSAL. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL.
São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas as despesas declaradas e devidamente comprovadas e, quando afetos a dependentes, que estes estejam relacionados na declaração de ajuste. Não há previsão legal para a inclusão, na fase recursal, de despesas não declaradas para dedução dos rendimentos tributáveis. No caso em questão, a esposa do contribuinte, além de não ter sido declarada como dependente, apresentou a declaração em separado nos exercícios 2010 e 2011, informando as duas filhas como dependentes.
Numero da decisão: 2201-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. MANUTENÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. INAPLICÁVEL PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A pensão alimentícia judicial paga pelo contribuinte, na constância da sociedade conjugal, ao cônjuge e aos seus filhos, não obstante a existência de acordos judiciais homologados que oficializem, não é dedutível na apuração de imposto de renda. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS NÃO DECLARADAS. SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO NA FASE RECURSAL. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas as despesas declaradas e devidamente comprovadas e, quando afetos a dependentes, que estes estejam relacionados na declaração de ajuste. Não há previsão legal para a inclusão, na fase recursal, de despesas não declaradas para dedução dos rendimentos tributáveis. No caso em questão, a esposa do contribuinte, além de não ter sido declarada como dependente, apresentou a declaração em separado nos exercícios 2010 e 2011, informando as duas filhas como dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 49 69 /2 01 2- 82 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.724969/201282 Acórdão n.º 2201002.619 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2008 a 2011, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 61.366,25. A ação fiscal foi decorrente de investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal, na qual foram identificadas pessoas que se beneficiaram de restituições indevidas. O esquema era executado por um grupo que cobrava pelos “serviços” de elaborar declarações com deduções fictícias exigindose um percentual sobre o imposto restituído indevidamente. A pedido do Ministério Público Federal, foi expedido Mandado de Busca e Apreensão pela juíza da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, sendo apreendidos computadores e documentos em residências e escritórios de pessoas que participaram da fraude tributária efetuada nas declarações de ajuste anual de vários contribuintes. Foram expedidos aproximadamente setecentos Mandados de Procedimento Fiscal, incluindo o que deu origem a esta ação fiscal. As infrações apuradas nestes autos foram: Infração Anocalendário Glosa Multa 2007 7.560,00 150% Dedução indevida de previdência privada/Fapi 2008 5.500,00 150% 2007 3.169,20 75% 2008 3.311,76 75% 2009 6.921,60 75% Dedução indevida com dependente, 2010 7.233,12 75% 2007 14.154,79 150% 2008 20.510,68 150% 2009 4.478,72 75% Dedução indevida de despesas médicas 2010 5.859,62 75% 2007 25.495,01 75% 2008 29.306,78 75% 2009 30.976,19 75% Dedução indevida com pensão judicial 2010 31.023,07 75% 2007 8.275,04 150% 2008 3.438,18 150% 2009 5.417,88 75% 2010 (parte) 5.661,68 75% Dedução indevida de despesa com instrução 2010 (parte) 5.661,68 150% O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: O impugnante informa que recorre apenas das deduções glosadas de pensão alimentícia e reconhece como devidos os demais lançamentos, cujo crédito tributário deseja parcelar. Afirma que a dedução de pensão alimentícia é legal e está amparada em decisão judicial homologatória, conforme processo nº 2004.07.1.0197703, com regular curso na 3ª Vara de Família, Órfãos e Sucessões da Circunscrição Judiciária de Taguatinga – DF, a qual foi implementada em folha de pagamento. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Entende que a norma legal não menciona qualquer tipo de restrição ou mesmo condição para se efetivar as deduções instituídas, sendo que qualquer incipiência neste sentido teria que advir de nova lei, de igual ou superior hierarquia. Observa que o auditor fiscal, com base na SCI Cosit nº 03/2012, glosa retroativamente as deduções determinadas por acordo homologado judicialmente e aplica multa de 75% do imposto devido. No entanto, argumenta que esta SCI tenta legislar, pois dá interpretação completamente equivocada de dispositivo legal. Diz que o inciso II da SCI Cosit nº 03/2012 inova e faz acréscimo legislativo a lei nº 9.250/1995. Discorre sobre os princípios da irretroatividade, da anterioridade e sobre as leis interpretativas, menciona dispositivos constitucionais e legais, artigos do CTN, o Código Civil, decisão judicial e doutrinadores para asseverar que a SCI em questão, se fosse legal, somente poderia surtir efeito contra o contribuinte na declaração de ajuste anual do exercício 2013, anocalendário 2012. Caso prospere a glosa de pensão alimentícia, solicita considerar de ofício sua esposa e suas duas filhas como dependentes diretas, bem como as deduções de despesas médicas e instrução, pois tais gastos são conseqüências da relação do casamento. Junta aos autos os documentos de fls. 247/254. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), por meio do Acórdão nº 0349.212, de 29 de agosto de 2012, consideraram a impugnação improcedente. Cientificado, por meio postal, em 5 de dezembro de 2012 (fl. 277), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 18 de dezembro de 2012, no qual repete os argumentos de defesa apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.724969/201282 Acórdão n.º 2201002.619 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe esclarecer que o contencioso fiscal está restrito à glosa com as despesas com pensão alimentícia judicial, como expressamente afirmado pelo contribuinte no recurso voluntário. A auditoria efetuou a glosa sob o argumento de que não teria havido a dissolução da sociedade conjugal, conforme afirmado à folha 222. O contribuinte discorre sobre os princípios da irretroatividade, da anterioridade e sobre as leis interpretativas, menciona dispositivos constitucionais e legais, artigos do CTN, o Código Civil, decisão judicial e doutrinadores para afirmar que a SCI Cosit nº 03/2012, base utilizada para glosar as despesas de pensão alimentícia, se fosse legal, somente poderia surtir efeito na declaração de ajuste anual do exercício 2013, anocalendário 2012, e questiona o fato de a auditoria utilizar julgamento subjetivo diante do acordo de pensão alimentícia homologado judicialmente. Alega que a consideração da separação judicial não pode ficar ao “bel prazer do auditorfiscal”. E alega que a Lei nº 9.250, de 1995, que institui as deduções legais, “não menciona qualquer tipo de restrição ou mesmo condição para se efetivar as deduções legais instituídas” e “qualquer incipiência neste sentido teria que advir de nova lei, de igual hierarquia ou superior. Entretanto, o contribuinte contesta as fundamentações legais do auto de infração e da interpretação da decisão da DRJ, sem, em momento algum, rebater o argumento da não dissolução da sociedade conjugal. Quanto aos princípios constitucionais, vale salientar que, nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também, que somente são de observância obrigatória por este Conselho, à luz do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais e as sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC). As demais, por ausência de caráter de norma geral, não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, como sumulada neste Colegiado Administrativo, é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Porém, é necessário que haja a efetiva dissolução conjugal. Inexiste, como afirmado pela auditoria, o acórdão judicial montado apenas para fins tributários. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Também não procede a contestação da fundamentação legal ou de que a interpretação da SCI Cosit nº 03/2012, se fosse aceita, somente poderia ser aplicada à glosa da despesa do exercício 2003. O lançamento está baseado nos artigos 73, 78, 83 e 841 do Regulamento do Imposto de Renda e art. 1º, inciso único da MP nº 340/06 e art. 1º da Lei nº 11.482, de 2007. A SCI Cosit nº 03/2012, por sua vez, não inova nem faz qualquer acréscimo legislativo. Ao contrário, apenas reafirma o que a norma legal prescreve: não é possível a dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda quando não há a ruptura da sociedade conjugal. Vale destacar a observação da decisão recorrida de que nem todas as pensões pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis para fins do imposto de renda, mas apenas as que se enquadrarem no artigo 78 do RIR/1999. Somente aquelas pagas aos filhos ou ao cônjuge, quando ocorre a ruptura do casamento, pois, não havendo esta ruptura, a legislação do imposto de renda prevê a dedução fixa por dependente e as respectivas deduções de despesas médicas e instrução até os limites legais, como prevê os arts. 4º e 35 da Lei nº 9.250/1995. O contribuinte pede ao fim que, se mantida a glosa, sejam consideradas a sua esposa e suas filhas como dependentes e, consequentemente, deduzidas as respectivas despesas médicas e com instrução. Entretanto, não é permitida a alteração da declaração na fase recursal, até porque o contribuinte já reconheceu as demais infrações relacionadas a deduções com dependentes, despesas médicas e com instrução na fase de impugnação. Ademais, no termo de Verificação Fiscal (fls. 219/224), a autoridade fiscal informou que a esposa do contribuinte, além de não ter sido declarada como dependente, apresentou a declaração em separado nos exercícios 2010 e 2011, informando como dependentes as duas filhas. Nos anos anteriores, as despesas comprovadas foram deduzidas da base de cálculo do imposto. Assim, foram glosadas as despesas dos exercícios 2008 e 2009, por falta de comprovação, e 2010 e 2011, por falta de comprovação e por as filhas terem sido informadas como dependentes na declaração da mãe, conjugue do declarante. Isto posto, voto em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10120.008562/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administradora competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, DA LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação, ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
MULTA MORATÓRIA. MULTA DE OFÍCIO FORMAL. ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96. DECLARAÇÃO INEXATA. CABIMENTO.
De acordo com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, aplica-se a multa de ofício, ao patamar de 75%, nos casos de falta de declaração ou nos de declaração inexata, não sendo o elemento doloso requisito de sua aplicação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, quando esta for lançada de modo isolado.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Junior. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandoldo (Relator), Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Mainez.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em exercício), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administradora competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, DA LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA MORATÓRIA. MULTA DE OFÍCIO FORMAL. ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96. DECLARAÇÃO INEXATA. CABIMENTO. De acordo com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, aplicase a multa de ofício, ao patamar de 75%, nos casos de falta de declaração ou nos de declaração inexata, não sendo o elemento doloso requisito de sua aplicação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 85 62 /2 01 0- 79 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, quando esta for lançada de modo isolado. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Junior. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandoldo (Relator), Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Mainez. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em exercício), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 693 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em razão dos resultados da investigação realizada pela Polícia Federal, denominada Operação Vulcano, foi iniciado procedimento de fiscalização em nome do recorrente para apurar a existência de omissão de rendimentos. A utilização, pela Receita Federal, dos materiais coletados na investigação policial, foi autorizada judicialmente (fl. 346 do eprocesso). Em 23/03/09, o recorrente foi intimado, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 0203) a apresentar em relação aos anoscalendário de 2004 a 2007: a) documentação comprobatória de bens e direitos alienados e/ou adquiridos; b) relação dos nomes dos bancos, números de agências e números de contas correntes, poupança e investimento, de todas as instituições financeiras nas quais manteve conta; c) extratos bancários de contas correntes, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança de todas as contas mantidas pelo contribuinte e/ou pelos seus dependentes; d) comprovantes dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis discriminados mensalmente, auferidos pelo contribuinte e dependentes; e) contratos sociais e respectivas alterações, de todas as pessoas jurídicas em que figurava como sócio ou acionista; f) em relação à atividade rural, preencher planilhas anexadas ao Termo de Início de Procedimento Fiscal; g) documentação hábil e idônea que comprovasse os empréstimos contraídos e feitos em seu nome, além de veículos adquiridos e alienados. Ciente em 30/03/09 (fl. 04), o recorrente apresentou resposta em 22/04/09, juntando extratos bancários dos Bancos: Bradesco e Real (fls. 0611). Em 03/08/09, a Fiscalização emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 0001 (fls. 112117), solicitando que o contribuinte apresentasse, em relação aos anoscalendário de 2004 a 2007: a) extratos bancários das cadernetas de poupança, e extratos bancários de aplicações financeiras que possuía junto ao Banco ABN Amro Real S/A; b) a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme relação anexa ao Termo de Intimação Fiscal. O recorrente ofereceu resposta em 14/08/09, aduzindo que não manteve caderneta de poupança e que, conforme informação da instituição bancária, a conta corrente nº 37.129657 era uma conta remunerada na qual os saldos positivos eram aplicados em CDI/CDB com baixa automática. Arguiu, ainda, que a comprovação das origens dos valores creditados, ou depositados, nas contas correntes já havia sido encaminha. Quanto às receitas, referiu que foram devidamente informadas e tributadas nas Declarações de Imposto de Renda de 2005 a 2008. No dia 16/10/09, a Fiscalização intimou novamente o recorrente (fls. 122 126), solicitando mais esclarecimentos sobre a documentação até então apresentada. Em 16/11/09, o recorrente informou novamente que não manteve caderneta de poupança no Banco Real e que, quanto às demais solicitações, as informações foram negadas pela Instituição Bancária. O recorrente foi intimado ainda mais uma vez (fls. 129130), a apresentar Fl. 694DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 esclarecimentos quanto a sua movimentação bancária, e quanto a suas despesas com atividade rural. Em resposta, o recorrente procurou justificar o empréstimo de R$ 98.000,00 registrado em sua DIRPF como contraído junto à empresa Babilônia Drinks Ltda., bem como justificou a despesa da atividade rural com vacinas bovinas, adquiridas da empresa Pantanal Produtor Agropecuário Ltda. (fls. 132133). Em razão da alegação de inexistência de contas poupanças no Banco ABN Amro Real S/A, a fiscalização emitiu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 134136). O requerimento foi atendido em 15/10/09 (fls. 137166) e em 10/11/09 (fls. 167188). Posteriormente, em 17/11/09, o contribuinte foi novamente intimado a prestar esclarecimentos (fls. 189192). Na oportunidade: a) reiterou que as siglas utilizadas pela Instituição Financeira só serão informadas diretamente à Receita Federal; b) informou que o crédito lançado em conta corrente a título de sinistro, referese à indenização de seguro referente à lancha roubada, e que os créditos com título de financiamento foram empréstimos efetuados, cujos contratos estão em posse da Instituição Bancária, devendo a Fiscalização requerêlos diretamente; c) alegou que os valores creditados em conta corrente no ano 2004 estão devidamente declarados em sua DIRPF 2004/2005, pois a receita declarada para a atividade rural foi de R$ 435.234,00, e os depósitos totalizaram R$ 138.449,05 (fl. 194). Intimado novamente, por mais duas vezes, (fls. 195198 e 207211), para apresentar comprovantes de despesas de despesas de atividade rural, e para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, conforme relação anexada ao Termo de Intimação, o recorrente respondeu (fls. 214217) que os valores movimentados em sua conta corrente no ano base de 2005 constavam de sua declaração de IRPF. Aduziu, também, que o valor de R$ 107.162,15 foi fruto de indenização referente à sinistro de seu carro, e apresentou outras informações. Juntou Livro Caixa da atividade rural (fls. 217133 e 245250) e notas fiscais de produtor rural (fls. 235244 e 251278). 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 06/10/10 (fls. 301310), Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário 2005, 2006 e 2007, apurando crédito tributário no valor de R$ 681.324,79, incluindo imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. 3 Impugnação Inconformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 318331), esgrimindo, em síntese, os seguintes argumentos: a) apresentou os documentos hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos; b) em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006, conforme levantamento da própria fiscalização, o valor total da movimentação bancária é inferior ao declarado pelo recorrente; c) reconhece que o valor declarado, no anocalendário 2007, é inferior à movimentação bancária, não impugnando o ponto e declarandose devedor do imposto referente à diferença apurada; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 694 5 d) a Administração não pode simplesmente desconsiderar a documentação comprobatória apresentada, o que, evidentemente, caracteriza cerceamento de defesa e ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; e) é prerrogativa dos órgão administrativos manifestarse sobre constitucionalidade de lei, a fim de garantir a aplicação da Constituição. Em caso contrário, perdese a finalidade do contencioso administrativo. Ademais, a limitação do livre convencimento da autoridade julgadora, bem como não permitir o conhecimento da matéria constitucional implica cerceamento de defesa e consequente ofensa à Constituição Federal; f) a multa de 75% possui caráter evidentemente confiscatório e desproporcional, e aduz que o STF já julgou no sentido de que o judiciário detém competência para reduzir o valor de multas consideradas abusivas; g) não encontra fundamento a cumulação de atualização monetária, multa moratória e juros de mora, o que caracteriza evidente enriquecimento ilícito do Poder Público. No mesmo sentido, é incabível a utilizada da taxa Selic como indexador, pois representa correção monetária vedada pela fiscalização; 4 Acórdão de Impugnação Em 17/01/10, a impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 3ª Turma da DRJ/BSB (fls. 380388), mantendose o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente independentemente da constatação direta de dispêndios ou acréscimo patrimonial que era exigida pela legislação anterior. Quando não comprovada a origem dos recursos apontados na conta corrente do sujeito passivo, tem o fiscal o poder/dever de autuar como omissão de rendimento o valor dos depósitos bancários recebidos, em cumprimento ao princípio da legalidade; b) os depósitos bancários devem ser justificados individualizadamente, não sendo possível que se justifique depósitos bancários de forma geral, ou seja, comprovar que tinha renda compatível com a movimentação. Cada depósito deve ser justificado, com sua origem e movimentação identificadas, de modo a permitir sua eventual tributação com a aplicação de legislação específica a cada caso. O recorrente não faz prova individualizada dos depósitos; c) os mecanismos de controle de constitucionalidade regulados pela Constituição passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, falecendo, assim competência à autoridade administrativa fiscal para pronunciarse sobre a validade de lei regularmente editada. Esse é o entendimento pacificado na Súmula nº 2 do CARF; Fl. 696DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 d) quanto à multa de 75%, esta constitui mera sanção por ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, razão pela qual se revela inaplicável o princípio da vedação de confisco, previsto no art. 150, IV, CF; e) a utilização da taxa Selic está disposta na Lei nº 9.065/95, e a discussão sobre sua constitucionalidade não é competência da autoridade administrativa. 5 Recurso Voluntário Ciente em 12/04/12, o recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, em 11/05/12 (fls. 808909), repisando os argumentos da impugnação e acrescentando os seguintes: a) comprovou, por meio de notas fiscais de venda de gado, a origem dos depósitos, atividade rural. Ademais, a própria fiscalização intimou todos os compradores e vendedores citados pelo recorrente, que confirmaram os negócios efetuados, fato desconsiderado pelo Fisco no lançamento; b) o recorrente apresentou, durante todo o procedimento de fiscalização, as suas DIRPF’s, bem como extratos bancários, livros caixas, notas fiscais de venda de gado e recebimento de sinistro. A documentação, apesar de apta a comprovar a origem dos depósitos, foi desconsiderada pelo Fisco; c) quanto ao anocalendário de 2005, os valores de sua movimentação bancária correspondem à renda de atividade rural. Os valores foram utilizados para quitação de despesas cotidianas e cartão de crédito; d) quanto ao anocalendário de 2006, o recorrente recebeu o valor de R$ 107.162,15, referente ao pagamento decorrente do sinistro de um veículo; e) as transferências entre contas bancárias ocorreram entre contas de titularidade do recorrente; f) quanto ao anocalendário de 2007, os valores depositados no mês de maio (R$ 352.757,00), correspondem à venda de gado realizada no mês de abril. Nos meses de setembro a dezembro, o recorrente efetuou empréstimos que geraram movimentação bancária decorrente das transações; g) citou parecer da PGFN que defenda a competência do Conselho de Contribuinte para decidir matéria constitucional. Juntou precedente do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. 6 Sobrestamento Em 19/06/13, através da Resolução nº 2202000.501 (fls. 648658 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase Fl. 697DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 695 7 em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos Fl. 699DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 696 9 bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 134136) para os anoscalendário 2006 e 2007, pois os extratos bancários referentes ao anocalendário 2005 foram apresentados voluntariamente pelo contribuinte, instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados Fl. 700DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 697 11 hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Assim, entendo que deve ser acolhida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja consideradas nulas as provas referentes aos anoscalendário 2006 e 2007 e que embasaram o Auto de Infração. 2. MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais argumentos suscitados pelo recorrente. 2.1 Da Omissão de Rendimentos Aduz o recorrente que desde o início do procedimento fiscal apresentou documentação idônea (extratos bancários, notas fiscais de venda de gado e de recebimento de sinistro) apta a comprovar a origem dos recursos havidos em suas contas bancárias. Apresenta justificativas para determinadas origens. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de Presunção, esta sendo o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável. Tendo respaldo legal e admitindo prova em contrário (presunção relativa), é considerada válida no direito tributário. No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial; tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 698 13 considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação, logo omitido – o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que a contribuinte seja intimado regularmente, e que este seja intimado do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Sendo assim, não é plausível o argumento esgrimido pela contribuinte de que os depósitos bancários não seriam base de cálculo para o Imposto de Renda, o que afastaria a tributação. Ademais, por não ter apresentado provas que infirmassem a presunção gerada pelos depósitos bancários, considerase acertada a autuação. Conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Da análise das alegações do contribuinte, quanto à origem dos depósitos bancários, colhese que: a) no anocalendário 2005, os valores depositados teriam origem no seu saldo de caixa; b) no anocalendário 2006, os depósitos decorreriam do pagamento de sinistro e de transferências entre contas bancárias; c) no anocalendário 2007, as quantias depositadas teriam como origem a venda de gado e empréstimos tomados junto a instituições financeiras. Ocorre que não há congruência e similitude entre os valores que o contribuinte justifica e os valores glosados pela fiscalização (fls. 292300), isto é, os valores e datas que o contribuinte busca justificar não se encontram entre os valores glosados pela fiscalização. Ademais, o recorrente não justifica, individualizadamente, os valores glosados, apenas imputa sua origem como sendo decorrente de supostas venda de gado, transferências entre contas bancárias e empréstimos. E, igualmente, não apresenta provas da origem de desses valores. De maneira que entendo que as declarações prestadas pelo contribuinte não são suficiente para comprovar a origem dos depósitos feitos na conta corrente da recorrente. 2.2 Da Multa Moratória Quanto à multa, o contribuinte alega que esta deve ser revista, pois ofende o princípio do não confisco (art. 150, IV, CF). Tal argumento, entretanto, não é suficiente para afastála. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 A multa aplicada no auto de infração foi de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, conhecida como multa de ofício formal. O dispositivo que a institui tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; A redação do dispositivo não deixa dúvidas de que a multa se relaciona à declaração inexata, e não coloca o elemento doloso como requisito de sua aplicação. Sendo assim, a única defesa em relação a esta multa seria no sentido de que a declaração foi correta e o pagamento efetuado, o que excluiria a multa; ou que, apesar da declaração correta, não foi efetuado pagamento, o que a converteria em multa de mora. De maneira que, não configura confisco a aplicação de multa ao patamar de 75% quando essa decorre da exação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, uma vez constatada omissão, independentemente do dolo, é cabível a multa de mora sobre o imposto apurado. 2.3 Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício O recorrente não se conforma, ainda, com a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria regida pelo art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O desate do ponto passa pela definição da expressão “débito” grandeza utilizada como referência pelo legislador sobre a qual incidirá a Taxa Selic. O débito tributário é a relação inversa do crédito tributário, direito subjetivo da Fazenda de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária. Essa, como bem aponta o Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato Fl. 705DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 699 15 subsumido à materialidade da regramatriz de incidência. A multa, por sua vez, decorre do descumprimento de ato ilícito e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito. Nesse contexto, o Código Tributário Nacional – norma geral tributária que condiciona a interpretação e a validade da legislação ordinária editada pelas pessoas jurídicas de direito público , prescreve, em seu art. 161 (caput), que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”. Entendo que a ordem dos fatores, no caso, altera o produto. Como se observa, o enunciado prescritivo acima referido estabelece que, sobre o valor devido a título de tributo (débito) incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de quaisquer outras parcelas sancionatórias, incidentes, conjuntamente, sobre o débito. Noutros termos, juros e multa incidem sobre o débito tributário, tal qual ora compreendido. Nesse sentido, peço licença para reproduzir acórdão desse Conselho que traduz minha convicção: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 LUCROS NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃOSOCIETÁRIA. A alienação de participação societária não caracteriza disponibilização de lucros por coligada ou controlada no exterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 A emissão de fixed rate notes com natureza de mútuo. a emissão de frn (fixed rate notes) adquiridas integralmente por uma única pessoa jurídica, ligada à emitente, tem natureza de mútuo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. (CARF. 1º Seção. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Acórdão nº 110300.193. Rel. Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Julg. 18/05/10) Fl. 706DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 É importante frisar que o art. 161, do CTN, versa sobre a atualização da obrigação tributária, sem se pronunciar acerca da atualização das penalidades pecuniárias, tanto para permitir quanto para proibir. Desse modo, ficou em aberto o espaço para que a legislação ordinária dispusesse sobre esta possibilidade. Com esta prerrogativa, o legislador decidiu pela aplicação da correção da multa quando esta é lançada isoladamente, o que restou consignado no art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Deste modo, entendo que somente incidirão juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for lançada de modo isolado, vez que o art. 61 da mesma Lei, que trata sobre o lançamento do crédito tributário institui regime diferente para quando estas duas parcelas são exigidas em conjunto. Nesse contexto, peço licença para transcrever o voto da Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que chega à mesma conclusão: A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996 [...] Concluise, assim, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202001.985. Rel. Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Julg. em 18/09/12) Portanto, deve ser mantida a cobrança de juros moratórios cumulado com a multa de ofício. 2.4 Da Aplicação da Taxa SELIC e da Multa de Ofício A recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 700 17 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, como já mencionado, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumular, Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, o caráter confiscatório da multa, e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 708DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário e no que toca a incidência do juro de mora sobre a multa de ofício, pontos na qual divirjo do Conselheiro Relator. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 701 19 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 710DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova. Da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício Acompanho o entendimento da legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Uma análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Cabe acrescentar que no que toca a incidência de juros sobre a multa de ofício, diversas decisões judiciais e administrativas reconhecem a legalidade da incidência do juros sobre a multa de ofício. No STJ, a duas turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. No âmbito do CARF também diversos julgados confirmam esse entendimento. Desse modo, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa ofício, acompanhando o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado e Presidente em Exercício. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.008562/201079 Acórdão n.º 2202002.638 S2C2T2 Fl. 702 21 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 18050.010812/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago por empresa que não esteja inscrita no PAT, por não representar uma remuneração pelo trabalho prestado.
SALÁRIO FAMÍLIA. DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. GLOSA DAS DEDUÇÕES.
Os requisitos para a concessão do salário família são estabelecidos pela legislação previdenciária, sendo devida a glosa das deduções efetuadas pela empresa quando o salário-família é pago sem a respectiva documentação exigida por lei para sua concessão e manutenção.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-004.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de auxílio-alimentação.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago por empresa que não esteja inscrita no PAT, por não representar uma remuneração pelo trabalho prestado. SALÁRIO FAMÍLIA. DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. GLOSA DAS DEDUÇÕES. Os requisitos para a concessão do salário família são estabelecidos pela legislação previdenciária, sendo devida a glosa das deduções efetuadas pela empresa quando o salário-família é pago sem a respectiva documentação exigida por lei para sua concessão e manutenção. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de auxílio-alimentação. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago por empresa que não esteja inscrita no PAT, por não representar uma remuneração pelo trabalho prestado. SALÁRIO FAMÍLIA. DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. GLOSA DAS DEDUÇÕES. Os requisitos para a concessão do salário família são estabelecidos pela legislação previdenciária, sendo devida a glosa das deduções efetuadas pela empresa quando o saláriofamília é pago sem a respectiva documentação exigida por lei para sua concessão e manutenção. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 01 08 12 /2 00 8- 07 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de auxílioalimentação. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.010812/200807 Acórdão n.º 2402004.556 S2C4T2 Fl. 690 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 22/12/2008 para exigência de contribuição previdenciária dos segurados, incidente sobre pagamentos efetuados a título de auxílio alimentação em desacordo com o PAT, bem como a glosa de salário família, no período de 01/2004 a 12/2004. O Recorrente apresentou impugnação (fls. 91/113) requerendo a total improcedência do auto de infração. Após, o Recorrente protocolou petição (fls. 117/121) pleiteando pela redução da multa, conforme alterações promovidas pela MP nº 449/08. A DRJ/RJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário (fls. 122/128), sob os argumentos de que: (i) o auxílio alimentação pago em desacordo com o PAT integra o salário de contribuição; e (ii) as cotas de salário família pagas e reembolsadas sem a observância da documentação e dos requisitos necessários à sua concessão devem ser glosadas. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 134/143) alegando que: (i) não poderia ter apresentado os documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados a título de salário família, haja vista que foram danificados com a chuva que aconteceu em maio/2008, não podendo ser aplicada multa; (ii) irá comprovar no decorrer do processo que os pagamentos a título de salário família foram efetuados em observância à legislação; e (iii) o auxílio alimentação não representa remuneração paga pela empresa. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Salário Família As glosas dos valores deduzidos a título de salário família foram efetuadas em virtude de a Recorrente não ter apresentado o termo de responsabilidade e anotações referentes às vacinações obrigatórias para os menores de 6 anos e comprovação de frequência escolar para os maiores de 7 anos, em inobservância ao disposto no art. 84 do RPS, que assim dispõe: “Art. 84. O pagamento do saláriofamília será devido a partir da data da apresentação da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado, estando condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e de comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) § 1º A empresa deverá conservar, durante dez anos, os comprovantes dos pagamentos e as cópias das certidões correspondentes, para exame pela fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social, conforme o disposto no § 7º do art. 225. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) § 2º Se o segurado não apresentar o atestado de vacinação obrigatória e a comprovação de freqüência escolar do filho ou equiparado, nas datas definidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, o benefício do saláriofamília será suspenso, até que a documentação seja apresentada. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999)” Em seu recurso, a Recorrente alega que não poderia apresentar tais documentos, pois seus livros diários e a documentação armazenada em um depósito da empresa haviam sido danificados com a chuva que aconteceu em maio/2008. Segundo a Recorrente, “tal fato ocorreu por conta de uma fatalidade, um desastre que destruiu os documentos da Autuada. O fato foi registrado formalmente, em Boletim de Ocorrência que será oportunamente colacionado aos autos.” Contudo, verificase que a Recorrente não juntou aos autos qualquer boletim de ocorrência, tampouco buscou comprovar a sua impossibilidade de apresentar os documentos solicitados. Assim, não pode a mera alegação de que não “tinha os documentos” servir como fundamento para se baixar a exigência, ficando claro que a Recorrente não comprovou a regularidade dos pagamentos efetuados a título de salário família. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.010812/200807 Acórdão n.º 2402004.556 S2C4T2 Fl. 691 5 Nesse sentido, assim já decidiu este Conselho: “SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. OUTRAS ENTIDADES. TERCEIROS. SALÁRIOFAMÍLIA. DOCUMENTOS PARCIAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Os requisitos para a concessão do saláriofamília são estabelecidos pela legislação previdenciária, incidindo a contribuição previdenciária sobre a verba se paga sem a respectiva documentação exigida por lei para sua concessão e manutenção. Não se invalida o lançamento realizado pelo auditor fiscal se o auto de infração foi lavrado em decorrência de documentação parcial apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado.” (CARF, PAF Nº 11845.000071/200852, Cons. Rel. Natanael Vieira dos Santos, Sessão de 09/09/2014) Desta forma, não há razão nos argumentos da Recorrente. Auxílio Alimentação A fiscalização exigiu as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de auxílio alimentação, por ter sido este fornecido em desacordo com o PAT, conforme item 3.2 do REFISC (fls. 48), abaixo transcrito: “3.2 O contribuinte atendendo à Convenção Coletiva de Trabalho forneceu auxilio alimentação, no entanto não efetuou sua adesão ao PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador junto ao Ministério do Trabalho e Emprego. Esses pagamentos foram identificados nas Folhas de Pagamentos, apresentadas pelo contribuinte, como ajuda alimentação cujos valores não integraram a base de cálculo previdenciário.” Vale mencionar que a fiscalização mencionou apenas que o auxílio alimentação foi pago sem a adesão ao PAT, mas não informou se era pago in natura ou em pecúnia. Sustenta a Recorrente que o salário alimentação não constitui uma remuneração, não havendo que se falar na exigência das contribuições previdenciárias. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que as contribuições previdenciárias não incidem sobre o auxílio alimentação quando pago em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Vejase: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n. 8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fáticoprobatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” (STJ, RESP Nº 1.196.748, Min. Rel. mauro Campbell Marques, DJe 28/09/2010) A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por sua vez, emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, autorizando a dispensa de contestação e apresentação de recursos “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Desta forma, é mister que as contribuições exigidas sobre o auxílio alimentação sejam extintas. Ante o exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para excluir os valores incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de auxílio alimentação. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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