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Numero do processo: 10580.002036/2006-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1201-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo.
(Documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(Documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo. (Documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 20 36 /2 00 6- 00 Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores. O acórdão embargado, nº 1802001.620, de 10/04/2013, foi cientificado à empresa em 20/05/2013 conforme Aviso de Recebimento (AR), e, os embargos foram apresentados em 24/05/2013. O mencionado acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001 REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal supre a necessidade de ordem escrita, no caso de reexame de período já fiscalizado, eis que a autoridade competente é a mesma, sendo ambos os documentos de mesma natureza e qualidade, surtindo ainda os mesmos efeitos legais. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. NÃO CABIMENTO. As provas constantes nos autos foram analisadas, porém as contumazes divergências entre os fatos alegados e os documentos colacionados, resultam em efeitos negativos naquilo que possui carência e não está devidamente especificado e comprovado. ATIVIDADE EXERCIDA. FATURAMENTO DA PESSOA JURÍDICA SOBRE COMISSÕES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE VEÍCULOS.EXTRATO BANCÁRIO. In casu, os valores que substanciaram o lançamento de ofício são aqueles arrolados nos extratos bancários. Não há comprovação convicta de que tais valores não representaram ganho passível de tributação ao contribuinte, visto que os repasses que o contribuinte alega ter realizado aos vendedores dos veículos, não possui documentação suporte. DO ARBITRAMENTO. Está evidenciado pelos autos que apesar do contribuinte possuir os livros contábeis, não houve regular arrolamento das movimentações financeiras, tornando tal escrituração imprestável para fins de aferição de lucro e hipóteses de tributação. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 4 3 A base de cálculo do lançamento de ofício deve corresponder aos valores constantes do extrato bancário, que foram depositados em conta corrente e que não foram devidamente comprovados como objeto de repasse ao vendedor. A simples informação em planilha de vários valores que não se igualam ao recebimento afugentam a convicção de que se tratam de repasse e lançam dúvidas, merecendo neste caso serem tributadas e consideradas como faturamento da pessoa jurídica. ALÍQUOTA APLICÁVEL NA REVENDA DE VEÍCULOS PELO LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL DE 38,40%. Como os veículos objetos de revenda não foram transferidos em nome do contribuinte, incabível tratar a exação como simples hipótese de venda. Ademais, não há notas fiscais de compra (entrada) e venda (saída) dos veículos, logo, a atividade deve ser considerada como intermediação de negócio e tributada no lucro arbitrado à alíquota de 38,40%. REFLEXOS EM CSLL, PIS E COFINS. Do decidido em relação ao IRPJ, cabem reflexos em CSLL, PIS e COFINS. A Embargante alega que no acórdão embargado há omissão e contradições que a seguir transcrevo: DA OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA No que concerne à omissão, a mesma se refere ao argumento de nulidade acerca da não apreciação dos documentos apresentados no curso da fiscalização, antes da lavratura do auto de infração, o qual não foi apreciado. Demonstrese que, ao analisar o referido tópico, o Relator trouxe à baila a decisão judicial acerca da legalidade da quebra de sigilo bancário, pelo qual supostamente restou comprovado como válido o levantamento procedido pela fiscalização. Entretanto, tal fato em nada tem a ver com a análise dos demais documentos juntados pelo Contribuinte no momento da fiscalização. Tais documentos, que foram apresentados em momento anterior a qualquer lavratura de Auto de Infração, deveriam ter sido analisados pelo Autuante, independentemente da quebra do sigilo fiscal, uma vez que se prestavam a ilidir a presunção prevista no art. 42 da Lei 9.430/76, utilizada como fundamento da autuação. Ademais, ao adentrar na análise da alegada ausência de apreciação das provas, afirmouse no acórdão que os documentos "serviram de análise revisora pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA", e que as autoridades julgadoras o analisaram de forma a supostamente não encontrar elementos que ilidissem a exigência. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 5 4 Entretanto, o exame, ou não, pelas autoridades julgadoras DRJ em nada importa à preliminar de nulidade aventada pelo ora Embargante. O que se evidenciou no Recurso, foi o fato de o Auditor Fiscal ter lavrado o Auto de infração sem apreciação destes documentos apresentados ao mesmo no curso da fiscalização. Ora, ao analisar a idoneidade de um auto de infração, partese do pressuposto de que o Autuante, ao aplicar a presunção de omissão de rendimentos, analisou toda a documentação contábil e fiscal da empresa de forma a encontrar irregularidades que dessem azo à autuação. Destarte, em virtude desta prévia análise, caberia a aplicação da presunção, ocasião em que competiria ao Contribuinte, quando da impugnação, apresentar provas que refutassem o Auto de infração. Neste esteio, não tendo sido realizada a indispensável análise dos documentos quando da fiscalização, inviável resta a manutenção da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, conforme entendimento já exarado pela 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes. Vejamos: ... Destarte, a omissão na decisão ora embargada reside exatamente na falta de apreciação acerca das consequências da não análise dos documentos apresentados pelo Contribuinte pelo Agente fiscalizador, a qual, como demonstrado acima, impediria a aplicação da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 e traz como consequência a nulidade da exigência. Ora, diante da constatação de que a presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 não se aplica na presente hipótese, cai por terra o pressuposto utilizado por esta Colenda Câmara de que o levantamento fiscal teria sido realizado de maneira válida. Não é relevante, para o presente tópico, qualquer arguição sobre a suposta análise dos documentos realizados pelas autoridades julgadoras, uma vez que se trata da obrigação de analisar os documentos em momento diferente do Procedimento Administrativo Fiscal, realizado por agentes distintos e que possuem, portanto, consequências díspares para o desfecho do processo. Neste esteio, pugna pela correção da decisão, no sentido de que seja preenchida a lacuna apresentada, mediante a análise escorreita dos argumentos contidos no tópico 4.1.2 do Recurso Voluntário para, ao final, reconhecer a inviabilidade da manutenção da autuação em decorrência da sua nulidade. DAS CONTRADIÇÕES NA DECISÃO EMBARGADA A primeira delas diz respeito ao reconhecimento da origem de parte dos valores creditados na conta corrente do Contribuinte. Verifiquese que em diversos momentos do acórdão foram apontados por esta Câmara a identificação de valores recebidos Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 6 5 na conta bancária cuja origem era proveniente de Instituições Financeiras, como pode ser observado, à fl.21 do acórdão embargado: "Tais análises são essenciais para determinar que a suposta origem dos recursos, em parte justificada pelo recebimento de valores da financeira (financiamento), realmente não serviu de faturamento à recorrente". Ora, da análise do trecho acima transcrito, resta evidente que, consoante entendimento externado por esta Câmara de Julgamento, ao menos parte dos valores que circularam na conta bancária da Embargante, comprovadamente, não serviu de faturamento de venda de bens ou de prestação de serviços. Entretanto, estes montantes permaneceram como parte da base de cálculo da autuação. Tal entendimento é contraditório na medida em que, uma vez identificada e comprovada a origem do montante como crédito oriundo de financiamento, este jamais poderá ser considerado como receita. Por meio deste raciocínio, o valor creditado na conta bancária é, em verdade, dívida, carecendo de qualquer logicidade caracterizar o mesmo como faturamento da ora Embargante. Ora, o crédito proveniente de financiamento, em nada tem a ver com o conceito de faturamento, uma vez que nenhuma relação estabelece com a receita oriunda do exercício das atividades da empresa recorrente. Tratase de dívida contraída, a qual não constitui receita ou lucro e, consequentemente, sobre a qual não devem incidir IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS. Logo, pugna que seja saneado o acórdão recorrido, de forma a compatibilizar a constatação realizada (relativa a origem de parte dos créditos na conta bancaria derivados de Instituições Financeiras) com a decisão de não corrigir as distorções apontadas na base de cálculo. Outrossim, uma segunda contradição que urge por reparo se trata do efetiva comprovação da origem de determinados depósitos bancários, também reconhecida por esta Câmara, mas que continuaram como objeto da autuação. Demonstrese que no acórdão vergastado consta o reconhecimento expresso da comprovação de determinados valores, os quais deveriam de pronto, ser excluídos da base de cálculo do imposto autuado, como pode ser retratado, a título de exemplo, no trecho a seguir: "Primeiro; observamse casos em que o valor financiado do automóvel revendido era recebido na conta corrente da recorrente, mais tais valores não correspondiam ao total da venda exceto em alguns casos, quando todo o valor era supostamente financiado." (fl. 17 do acórdão) Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 7 6 Neste ponto, cabe, novamente, relembrar o quanto evidenciado na fl. 21 do acórdão embargado, que afirma que "a suposta origem dos recursos, em parte justificada pelo recebimento de valores da financeira (financiamento), realmente não serviu de faturamento à recorrente". Ora, se, de fato, restou comprovado como afirmou o acórdão, deveriam estes valores serem excluídos da base de cálculo da autuação, o que não ocorreu. A comprovação da origem de depósitos, ainda que não contemple todo o montante autuado, tem como corolário lógico a exclusão dos valores comprovados da base de cálculo da autuação, reduzindoa. Entretanto, em que pese confirmar a correspondência dos depósitos em questão e os documentos apresentados, o acórdão ora embargado julgou pela procedência total do auto de infração, figurandose deveras contraditório neste ponto. Por fim, a última das contradições diz respeito à consideração da atividade da empresa como intermediação de compra e venda de veículos, de forma a fazer jus a uma comissão pelos serviços prestados e ser tributada com a alíquota de 38,40% e a base de cálculo utilizada para promover a exigência, circunstâncias que foram fixadas com o lastro em pressupostos fáticos diversos. Ao definir que todo o valor depositado na conta corrente deveria ter sido considerado como faturamento, utilizouse como fundamento que o contribuinte realizava atividade de revenda de veículos. Vejamos: "As provas acostadas nos autos só comprovam ter a recorrente exercido sua atividade de revenda de veículos sem lastrear adequadamente a origem dos seus recursos" (fl. 19 do acórdão) Ao definir qual seria o percentual do faturamento a ser considerado como base de cálculo para fins de exigência dos tributos, os eméritos julgadores indicaram que deveria ser aplicado o percentual de 38,40%, (relativo ao lucro arbitrado de quem presta serviços) ao invés de 9,6% (base de cálculo arbitrada para venda de mercadorias) Para tanto, afirmou de maneira peremptória que a atividade realizada seria "intermediação da venda de veículos, e não da compra e venda". Para chegar a essa conclusão, aduziu que foram analisados os diversos documentos apresentados pelo ora Embargante. A questão que ora se coloca sob a apreciação dos senhores julgadores é de que os documentos foram, apenas, parcialmente considerados na medida em que os valores apontados como remuneração pelo serviço de intermediação foram desconsiderados. Ou seja, ao realizar a apreciação da controvérsia esta Câmara de Julgamento apenas considerou os elementos probatórios naquilo que prejudicou o contribuinte (considerou que a Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 8 7 atividade era prestação de serviço e utilizou a base de cálculo como se fosse de operação mercantil). Assim, a mencionada contradição deve ser saneada e, com tal medida, data vênia, apenas duas conclusões poderiam ser obtidas: a) Os documentos apresentados não se prestam a comprovar as intermediações de compra e venda de veículos, de forma que sobre o faturamento que venha a ser corretamente apurado deverseia aplicar o percentual de 9,6%; b) Os documentos apresentados servem para comprovar que o Contribuinte é mero prestador de serviço e que, por tal razão, deveria vir a ser tributado com o percentual de 38,40% apenas sobre as comissões percebidas, e não sobre toda a movimentação financeira. Por tais razões, a utilização desmotivada de apenas parte das informações constantes nos documentos, dentre os quais se encontram a "Autorização de Intermediação de^Venda de Veículos" ser, por si só, uma contradição, a qual merece reparo. Entretanto, esta é ainda mais agravada na medida em que eventualmente seja reconhecido que o contribuinte prestou serviços, mas tome como faturamento toda a movimentação bancária envolvendo depósitos referentes a financiamento junto a instituições financeiras (que é dívida) e de recebimentos de venda de veículos em nome de terceiros. Ora, se apenas as comissões decorrentes da intermediação da compra e venda de veículos, constitui faturamento da empresa, não é razoável entender que todos os depósitos realizados na conta bancária são receita da Empresa à título de prestação de serviços. Sendo a atividade fim da empresa a intermediação de venda de veículos, como explicitado pelos julgadores, afirmar que depósitos de R$ 5.800,00, como o suscitado na fl. 17 do acórdão, ou ainda de R$ 24.000,00 (fl. 19 do acórdão), se tratam de valores recebido a título de comissão é contradição que beira as raias do absurdo. Ao entender que a atividade da empresa é intermediação de compra e venda para fins de aplicação da base de cálculo de 38,40%, deveriam os julgadores realizar, em conjunto, a análise dos documentos e montantes de depósitos, realizando um juízo de valor, a respeito de cada um dos depósitos realizados na conta da Embargante, a fim de prolatar justa decisão e não incidir em tamanha incoerência. Isto posto, há que sanar as contradições apontadas no acórdão embargado, uma vez que não se pode admitir que a decisão contenha sofismas e incoerências, bem ainda incertezas e inseguranças. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 9 8 DAS DEMAIS INCOERÊNCIAS PERPETRADAS NO LANÇAMENTO Além dos vícios acima apontados, há ainda outros dois temas que merecem ser conhecidos e julgados por esta Colenda Câmara de Julgamento. O primeiro deles se refere ao pleito de afastamento da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que a legislação federal relativa ao tema não autoriza essa exigência. Logo, em respeito ao princípio da legalidade diante da inexistência de previsão legal e ao entendimento consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais essa conduta costumeira do Fisco não deve ser tolerada. Neste sentido são alguns precedentes, como os Acórdãos n° 10196008 e 402 02263, ambos oriundos da 1a Câmara do 1o Conselho. De mais a mais, além dos juros incidentes sobre a penalidade, a própria exigência formulada a título de multa deve ser rechaçada. Isso porque a multa no importe de 75% ofende os princípios da razoabilidade e da vedação ao confisco, posição que é defendida pelos Tribunais Regionais Federais, bem como pelo próprio Supremo Tribunal Federal. Ante tais considerações, pugna que a multa de ofício seja reduzida, bem como seja rechaçada qualquer tentativa de fazer incidir juros sobre essa exigência. DO PEDIDO Em face de tudo quanto escandido, pugna pelo acolhimento destes Embargos de Declaração com efeitos modificativos para que V. Exa venha a sanar a omissão e as contradições na decisão prolatada, de forma a: i) Se manifestar acerca da preliminar de nulidade da autuação e desconsideração da presunção em que se pauta a exigência, em razão da ausência de análise dos documentos apresentados durante o curso da fiscalização, em momento anterior à lavratura do auto de infração tópico 2.1; ii) Dirimir o conflito acerca do reconhecimento da origem dos depósitos, especialmente oriundos de financiamento, que não constituem receita, e a ausência de exclusão da base de cálculo da autuação tópico 2.2; iii) Sanar a contradição concernente à exclusão da base de cálculo dos valores que foram devidamente comprovados, consoante o acórdão, mas que permaneceram servindo como base imponível para o imposto autuado tópico 2.2; iv) Solucionar a contradição acerca da apuração da base de cálculo diante da utilização do percentual de 38,40%, como se a empresa fosse prestadora de serviços de intermediação e adoção de todo o valor depositado na sua contacorrente, como se a empresa realizasse, exclusivamente, a revenda de veículos. Ou Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 10 9 seja, contradição em utilizar de forma conjunta dois pressupostos distintos (prestação de serviços e venda de mercadorias) para determinar a base de cálculo da exigência tópico 2.2; v) Manifestação expressa para afastar a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, bem como para reconhecer que a mesma, no percentual de 75%, é fixada em caráter confiscatório, reduzindoa vide tópico 3. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora Os Embargos de declaração foram apresentados em 27/10/2014, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço. A Embargante alega que não foi apreciado o argumento de nulidade acerca da não apreciação dos documentos apresentados no curso da fiscalização, antes da lavratura do auto de infração. A Embargante, em síntese, conclui que a omissão na decisão ora embargada reside exatamente na falta de apreciação acerca das consequências da não análise dos documentos apresentados pelo Contribuinte pelo Agente fiscalizador, a qual impediria a aplicação da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 e traz como consequência a nulidade da exigência. Sobre o assunto acima, não se pode afirmar que houve omissão ao argumento da Recorrente. O relator ao discorrer sobre o assunto e contra argumentando a alegação da Recorrente sobre o sigilo bancário unificou a motivação e concluiu que sendo os valores constantes dos respectivos extratos bancários a base dos lançamentos, para fins de análise de provas é tido como válido o levantamento procedido pela fiscalização, sendo que as provas a serem analisadas são aquelas que explicitamente guardam relação a tal levantamento. Especificamente com relação à análise de provas pela autoridade fiscal, por óbvio, dos documentos apresentados no curso da fiscalização, afirmou o relator do acórdão embargado que vários foram os documentos juntados aos autos que substanciam o lançamento efetuado. E acrescentou: É verdade que após o lançamento, a recorrente juntou uma série de documentos, que seguindo o procedimento padrão do processo administrativo fiscal, serviram de análise revisora pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, conforme determinado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: ... Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 11 10 Com base nesses documentos, as autoridades julgadoras fizeram a análise dos documentos e pelo resultado, não encontraram elementos que ilidissem a exigência. É dizer, ainda que posterior aos lançamentos, os documentos trazidos aos autos não ilidiram a exigência no julgamento de primeira instância. Ademais a suposta não apreciação de documentação apresentada no curso do processo de fiscalização poderia ser apenas alvo da impugnação e do recurso como forma de afastar a exigência pelos elementos comprovadamente trazidos aos autos jamais como causa de nulidade do lançamento. No voto condutor do acórdão embargado consta que foram analisados os documentos seguintes juntados pelo contribuinte como prova do que alega: (I) propostas de financiamento, (II) Documento dos veículos supostamente intermediados, (III) Autorização de Intermediação com disposição expressa do valor da comissão, e (IV) Documento de Crédito das Financiadoras (conforme documentos de efls 166/183, 298/498 e 684/1.008 – Anexos I e II dos autos). E que da análise sistemática, foi possível concluir pelo menos três situações: Primeiro; observamse casos em que o valor financiado do automóvel revendido era recebido na conta corrente da recorrente, mas tais valores não correspondiam ao total da venda – exceto em alguns casos, quando todo o valor era supostamente financiado. Colaciono alguns casos: ... Segundo; há casos em que não é possível validar o narrado pelo contribuinte,não havendo informações completas sobre as operações realizadas: ... Terceiro; há casos em que foram realizados de forma inexplicável inúmeros repasses ao vendedor, não comprovadas por documento idôneo (suposição ventilada pelo contribuinte): ... Certamente que a autoridade julgadora, observando esse quadro de incompatibilidades nas provas acostadas aos autos, manteve o lançamento, pelo que também é de se negar a segunda preliminar de nulidade, não havendo o que reclamar de ausência da análise probatória. As provas acostadas aos autos só comprovam ter a recorrente exercido sua atividade de revenda de veículos sem lastrear adequadamente a origem dos recursos. O trânsito dos valores em conta corrente não está devidamente conciliado com as operações que noticia. A planilha juntada não comprova a realidade dos fatos, servindo apenas como indício. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 12 11 Assim, pela juntada das provas sem a determinação e demonstração convicta do ganho exato da pessoa jurídica nas operações que é passível de tributação, não há como surtir os efeitos almejados pela recorrente. Ressaltase que os Autos de Infração expedidos pela autoridade fiscal estão de acordo com o que determina o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: ... Diante desses fatos, é de se afastar as preliminares suscitadas. Passo à análise das questões de mérito. Assim, não procede a alegada omissão, inclusive consta da ementa: NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. NÃO CABIMENTO. As provas constantes nos autos foram analisadas, porém as contumazes divergências entre os fatos alegados e os documentos colacionados, resultam em efeitos negativos naquilo que possui carência e não está devidamente especificado e comprovado. Com efeito, restando afastada a preliminar de nulidade aventada pela Recorrente, a partir de então, o relator condutor do acórdão embargado passou a tratar, no mérito, exatamente dos documentos juntados aos autos que substanciam o lançamento efetuado no sentido de verificar a escorreita aplicação da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. No tocante às contradições apontadas pela Embargante, passase a analisar. Diz a Embargante que, a primeira delas diz respeito ao reconhecimento da origem de parte dos valores creditados na conta corrente do Contribuinte, quando em diversos momentos do acórdão foram apontados por esta "Câmara" a identificação de valores recebidos na conta bancária cuja origem era proveniente de Instituições Financeiras, como pode ser observado, à fl.21 do acórdão embargado: "Tais análises são essenciais para determinar que a suposta origem dos recursos, em parte justificada pelo recebimento de valores da financeira (financiamento), realmente não serviu de faturamento à recorrente". A Embargante alega que do trecho acima transcrito, resta evidente que, consoante entendimento externado por esta "Câmara de Julgamento", ao menos parte dos valores que circularam na conta bancária da Embargante, comprovadamente, não serviu de faturamento de venda de bens ou de prestação de serviços. Entretanto, estes montantes permaneceram como parte da base de cálculo da autuação. Afirma que tal entendimento é contraditório na medida em que, uma vez identificada e comprovada a origem do montante como crédito oriundo de financiamento, este jamais poderá ser considerado como receita. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 13 12 Nessa parte vejamos em que contexto consta o trecho mencionado pela Embargante: Como já discorrido na segunda preliminar, os extratos bancários com a movimentação financeira serviram de base para os lançamentos de ofício em tela. Isso importa em dizer, que independentemente da atividade supostamente exercida pela pessoa jurídica, é necessária a comprovação dos valores movimentados e sua respectiva tributação. Assim, a tese esposada pela recorrente será considerada tão somente por apreço ao princípio da ampla defesa, não possuindo, contudo, resultado prático em face do lançamento. A recorrente alega que atuava como intermediária da compra e venda de veículos. Prova disso sustenta serem os documentos juntados: – o formulário “Autorização para Intermediação de Venda de Veículo” que era assinado pelo promitente vendedor do veículo, documento que suportava o suposto valor de comissão da recorrente e; – o Documento de Transferência (DUT) que supostamente comprova que o veículo era repassado do vendedor ao comprador, apenas com a intermediação da recorrente. Conclui informando que por comodidade de seus clientes, disponibilizava sua conta corrente para suportar as movimentações de compra e venda de veículos, bem como recebimento da financeira, mas que tais valores eram repassados aos vendedores dos veículos, tendo como faturamento a pessoa jurídica a uma pequena comissão. Ora, ainda que fosse esse o caso, os argumentos e documentos não comprovam que os valores debitados em conta corrente foram efetivamente recebidos pelo vendedor. Os documentos juntados, no máximo são indícios de que isso aconteceu. A autoridade julgadora deve se pautar na Lei e nas provas para decidir seu convencimento. Neste caso, carece prova de que os saques em conta corrente realmente se destinaram aos vendedores dos veículos. Ademais, verificase incompatibilidades nas alegações da recorrente, conforme análise em sede preliminar deste voto. Assim questionase: Há prova de que o vendedor recebeu os valores na forma em que sacado de conta corrente? E com relação ao valor que não foi financiado, houve repasse ao vendedor? (tais valores nem compuseram base do lançamento) Tais análises são essenciais para determinar que a suposta origem dos recursos, em parte justificada pelo recebimento de valores da financeira (financiamento),realmente não serviu de faturamento à recorrente. Os inúmeros repasses sem a comprovação do destino lançam dúvidas de que realmente eram recursos de terceiros. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 14 13 Por estes e outros motivos, ainda que não se olvide da atividade exercida pela recorrente, ainda que não se olvide que esta fazia jus a uma pequena comissão, não há demonstração convicta e forçosamente comprobatória do verdadeiro valor recebido sobre cada operação, que é passível de tributação. Não há comprovação de que os valores transitados em conta corrente se destinaram efetivamente aos destinatários informados em planilha pela recorrente. Em agravo, a recorrente não consegue justificar propriamente estes fatos. Ao contrário do que alega, os documentos juntados não comprovam o efetivo ganho em cada operação, servindo no máximo como indícios. Assim, agiu corretamente a autoridade ao realizar o lançamento de ofício pelos valores creditados em conta corrente, pois não logra a recorrente em justificar a origem e o suposto não locupletamento desses recursos, à margem da tributação. Com relação ao procedimento narrado pela decisão recorrida, de emissão de nota fiscal de entrada e de saída, este é o procedimento legalmente instituído para as operações de compra e venda de veículos na hipótese de intermediação de veículos, podendo neste caso o contribuinte inclusive equiparar às operações de consignação, consoante trazido pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998: Art. 5° As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Enfim, se assim tivesse procedido a recorrente, estaria comprovado o ganho em cada operação pelo encontro de contas entre as duas notas fiscais (o valor da nota fiscal de saída diminuído pela nota fiscal de entrada resultaria no faturamento a ser tributado). Porém, este não foi o procedimento utilizado pela recorrente. O resultado é que, da documentação juntada aos autos, ainda que identifique a atividade exercida pela recorrente, não se pode atestar quais valores lhe serviram de faturamento. A recorrente, também não consegue comprovar sequer um deles de forma a ilidir a presunção fiscal. Assim, a relação “atividade exercida” por não guardar relação direta com o lançamento, não ilide a manutenção da exigência. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 15 14 (GRIFEI) Como se vê a Embargante no afã de mostrar a existência de contradição apenas transcrevera parte do trecho contido no acórdão embargado sem contudo fazer alusão ao teor da conclusão chegada no julgamento como acima exposto, que, em nenhum momento afirma que fora comprovada a origem do crédito. A Recorrente alega que a segunda contradição que urge por reparo se trata do efetiva comprovação da origem de determinados depósitos bancários, também reconhecida por esta "Câmara", mas que continuaram como objeto da autuação. Diz que no acórdão vergastado consta o reconhecimento expresso da comprovação de determinados valores, os quais deveriam de pronto, ser excluídos da base de cálculo do imposto autuado, como pode ser retratado, a título de exemplo, no trecho a seguir: "Primeiro; observamse casos em que o valor financiado do automóvel revendido era recebido na conta corrente da recorrente, mais tais valores não correspondiam ao total da venda exceto em alguns casos, quando todo o valor era supostamente financiado." (fl. 17 do acórdão) Argúi que neste ponto, cabe, novamente, relembrar o quanto evidenciado na fl. 21 do acórdão embargado, que afirma que "a suposta origem dos recursos, em parte justificada pelo recebimento de valores da financeira (financiamento), realmente não serviu de faturamento à recorrente". E diz: Ora, se, de fato, restou comprovado como afirmou o acórdão, deveriam estes valores serem excluídos da base de cálculo da autuação, o que não ocorreu. Do mesmo modo como afirmado na primeira contradição apontada, a Embargante apenas transcrevera a parte do trecho contido no acórdão embargado que lhe convém sem contudo fazer alusão ao teor da conclusão chegada no julgamento. Do exemplo trazido e transcrito pela Embargante, assim consta do voto condutor do acórdão embargado: Primeiro; observamse casos em que o valor financiado do automóvel revendido era recebido na conta corrente da recorrente, mas tais valores não correspondiam ao total da venda – exceto em alguns casos, quando todo o valor era supostamente financiado. Colaciono alguns casos: (I) Venda do veículo Corsa Wind – Placa JLM5440 (efls 166 e 310/312) Valor da Venda: R$ 11.800,00 Valor do Financiamento: R$ 5.800,00 Valor de Entrada: R$ 6.000,00 Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 16 15 Neste caso, transitou pela conta corrente o valor de R$ 5.800,00, com o recebimento da financiadora no dia 05/01/2001 e a saída (suposto repasse ao vendedor) no mesmo valor no dia 18/01/2001. Segundo noticia às efls.166, recebeu o valor de R$ 350,00 a título de comissão, valor que não transitou pela sua conta corrente. (II) Venda do veículo Gol – Placa JLW4500 (efls 166 e 338/340) Valor da Venda: R$ 7.500,00 Valor do Financiamento: R$ 2.500,00 Valor de Entrada: R$ 5.000,00 Neste caso, transitou pela conta corrente o valor de R$ 2.500,00, com o recebimento da financiadora no dia 26/01/2001 e a saída (suposto repasse ao vendedor) nos valores de R$ 1.044,00 e 1.456,00 na mesma data (26/01/2001). Segundo noticia às e fls.166, recebeu o valor de R$ 200,00 a título de comissão, valor que não transitou pela sua conta corrente. (III) Venda do veículo Escort – Placa JLK6119 (efls.174 e 758/761) Valor da Venda: R$ 7.000,00 Valor do Financiamento: R$ 3.500,00 Valor de Entrada: R$ 3.500,00 Neste caso, transitou pela conta corrente o valor de R$ 3.500,00, com o recebimento da financiadora no dia 06/06/2001 e a saída (suposto repasse ao vendedor) no valor de R$ 3.500,00 no dia 12/06/2001.Segundo noticia às efls.174, recebeu o valor de R$ 200,00 a título de comissão, valor que não transitou pela sua conta corrente. Da análise acima conclui o relator: ... As provas acostadas aos autos só comprovam ter a recorrente exercido sua atividade de revenda de veículos sem lastrear adequadamente a origem dos recursos. O trânsito dos valores em conta corrente não está devidamente conciliado com as operações que noticia. A planilha juntada não comprova a realidade dos fatos, servindo apenas como indício. Assim, pela juntada das provas sem a determinação e demonstração convicta do ganho exato da pessoa jurídica nas operações que é passível de tributação, não há como surtir os efeitos almejados pela recorrente. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 17 16 A conclusão consta inclusive da ementa: BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A base de cálculo do lançamento de ofício deve corresponder aos valores constantes do extrato bancário, que foram depositados em conta corrente e que não foram devidamente comprovados como objeto de repasse ao vendedor. A simples informação em planilha de vários valores que não se igualam ao recebimento afugentam a convicção de que se tratam de repasse e lançam dúvidas, merecendo neste caso serem tributadas e consideradas como faturamento da pessoa jurídica. Como se vê, em nenhum momento o relator afirma que fora comprovada a origem do crédito. Portanto, não há falar em valores a serem excluídos da base de cálculo da autuação, como pretende a Embargante. Contradição afastada. A Embargante afirma que a última das contradições diz respeito à consideração da atividade da empresa como intermediação de compra e venda de veículos, de forma a fazer jus a uma comissão pelos serviços prestados e ser tributada com a alíquota de 38,40% e a base de cálculo utilizada para promover a exigência, circunstâncias que foram fixadas com o lastro em pressupostos fáticos diversos. Diz que ao definir que todo o valor depositado na conta corrente deveria ter sido considerado como faturamento, utilizouse como fundamento que o contribuinte realizava atividade de revenda de veículos. Vejamos: "As provas acostadas nos autos só comprovam ter a recorrente exercido sua atividade de revenda de veículos sem lastrear adequadamente a origem dos seus recursos" (fl. 19 do acórdão) A Embargante alega que ao definir qual seria o percentual do faturamento a ser considerado como base de cálculo para fins de exigência dos tributos, os eméritos julgadores indicaram que deveria ser aplicado o percentual de 38,40%, (relativo ao lucro arbitrado de quem presta serviços) ao invés de 9,6% (base de cálculo arbitrada para venda de mercadorias). Afirma que esta Turma Julgadora apenas considerou os elementos probatórios naquilo que prejudicou o contribuinte (considerou que a atividade era prestação de serviço e utilizou a base de cálculo como se fosse de operação mercantil). Assim, a mencionada contradição deve ser saneada e, com tal medida, data vênia, apenas duas conclusões poderiam ser obtidas: a) Os documentos apresentados não se prestam a comprovar as intermediações de compra e venda de veículos, de forma que sobre o faturamento que venha a ser corretamente apurado deverseia aplicar o percentual de 9,6%; b) Os documentos apresentados servem para comprovar que o Contribuinte é mero prestador de serviço e que, por tal razão, Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 18 17 deveria vir a ser tributado com o percentual de 38,40% apenas sobre as comissões percebidas, e não sobre toda a movimentação financeira. Por tais razões, a utilização desmotivada de apenas parte das informações constantes nos documentos, dentre os quais se encontram a "Autorização de Intermediação de Venda de Veículos" ser, por si só, uma contradição, a qual merece reparo. Entretanto, esta é ainda mais agravada na medida em que eventualmente seja reconhecido que o contribuinte prestou serviços, mas tome como faturamento toda a movimentação bancária envolvendo depósitos referentes a financiamento junto a instituições financeiras (que é dívida) e de recebimentos de venda de veículos em nome de terceiros. Ora, se apenas as comissões decorrentes da intermediação da compra e venda de veículos, constitui faturamento da empresa, não é razoável entender que todos os depósitos realizados na conta bancária são receita da Empresa à título de prestação de serviços. Sendo a atividade fim da empresa a intermediação de venda de veículos, como explicitado pelos julgadores, afirmar que depósitos de R$ 5.800,00, como o suscitado na fl. 17 do acórdão, ou ainda de R$ 24.000,00 (fl. 19 do acórdão), se tratam de valores recebido a título de comissão é contradição que beira as raias do absurdo. Ao entender que a atividade da empresa é intermediação de compra e venda para fins de aplicação da base de cálculo de 38,40%, deveriam os julgadores realizar, em conjunto, a análise dos documentos e montantes de depósitos, realizando um juízo de valor, a respeito de cada um dos depósitos realizados na conta da Embargante, a fim de prolatar justa decisão e não incidir em tamanha incoerência. Sobre a ATIVIDADE EXERCIDA. FATURAMENTO DA PESSOA JURÍDICA SOBRE COMISSÕES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE VEÍCULOS. EXTRATO BANCÁRIO, assim consta do voto condutor do acórdão embargado: Como já discorrido na segunda preliminar, os extratos bancários com a movimentação financeira serviram de base para os lançamentos de ofício em tela. Isso importa em dizer, que independentemente da atividade supostamente exercida pela pessoa jurídica, é necessária a comprovação dos valores movimentados e sua respectiva tributação. Assim, a tese esposada pela recorrente será considerada tão somente por apreço ao princípio da ampla defesa, não possuindo, contudo, resultado prático em face do lançamento. A recorrente alega que atuava como intermediária da compra e venda de veículos. Prova disso sustenta serem os documentos juntados: – o formulário “Autorização para Intermediação de Venda de Veículo” que era assinado pelo promitente vendedor Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 19 18 do veículo, documento que suportava o suposto valor de comissão da recorrente e; – o Documento de Transferência (DUT) que supostamente comprova que o veículo era repassado do vendedor ao comprador, apenas com a intermediação da recorrente. Conclui informando que por comodidade de seus clientes, disponibilizava sua conta corrente para suportar as movimentações de compra e venda de veículos, bem como recebimento da financeira, mas que tais valores eram repassados aos vendedores dos veículos, tendo como faturamento a pessoa jurídica a uma pequena comissão. Ora, ainda que fosse esse o caso, os argumentos e documentos não comprovam que os valores debitados em conta corrente foram efetivamente recebidos pelo vendedor. Os documentos juntados, no máximo são indícios de que isso aconteceu. A autoridade julgadora deve se pautar na Lei e nas provas para decidir seu convencimento. Neste caso, carece prova de que os saques em conta corrente realmente se destinaram aos vendedores dos veículos. Ademais, verificase incompatibilidades nas alegações da recorrente, conforme análise em sede preliminar deste voto. Assim questionase: Há prova de que o vendedor recebeu os valores na forma em que sacado de conta corrente? E com relação ao valor que não foi financiado, houve repasse ao vendedor? (tais valores nem compuseram base do lançamento) Tais análises são essenciais para determinar que a suposta origem dos recursos, em parte justificada pelo recebimento de valores da financeira (financiamento),realmente não serviu de faturamento à recorrente. Os inúmeros repasses sem a comprovação do destino lançam dúvidas de que realmente eram recursos de terceiros. Por estes e outros motivos, ainda que não se olvide da atividade exercida pela recorrente, ainda que não se olvide que esta fazia jus a uma pequena comissão, não há demonstração convicta e forçosamente comprobatória do verdadeiro valor recebido sobre cada operação, que é passível de tributação. Não há comprovação de que os valores transitados em conta corrente se destinaram efetivamente aos destinatários informados em planilha pela recorrente. Em agravo, a recorrente não consegue justificar propriamente estes fatos. Ao contrário do que alega, os documentos juntados não comprovam o efetivo ganho em cada operação, servindo no máximo como indícios. Assim, agiu corretamente a autoridade ao realizar o lançamento de ofício pelos valores creditados em conta corrente, pois não logra a recorrente em justificar a origem e o Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 20 19 suposto não locupletamento desses recursos, à margem da tributação. Com relação ao procedimento narrado pela decisão recorrida, de emissão de nota fiscal de entrada e de saída, este é o procedimento legalmente instituído para as operações de compra e venda de veículos na hipótese de intermediação de veículos, podendo neste caso o contribuinte inclusive equiparar às operações de consignação, consoante trazido pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998: Art. 5° As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Enfim, se assim tivesse procedido a recorrente, estaria comprovado o ganho em cada operação pelo encontro de contas entre as duas notas fiscais (o valor da nota fiscal de saída diminuído pela nota fiscal de entrada resultaria no faturamento a ser tributado). Porém, este não foi o procedimento utilizado pela recorrente. O resultado é que, da documentação juntada aos autos, ainda que identifique a atividade exercida pela recorrente, não se pode atestar quais valores lhe serviram de faturamento. A recorrente, também não consegue comprovar sequer um deles de forma a ilidir a presunção fiscal. Assim, a relação “atividade exercida” por não guardar relação direta com o lançamento, não ilide a manutenção da exigência. A receita omitida apurada com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Como se verifica acima, inexiste a contradição apontada haja vista que foram considerados como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quanto a aplicação do percentual de 38,40% sobre a receita omitida para o cálculo do lucro arbitrado, não se encontra qualquer contradição, restou consignado no acórdão embargado que não fora comprovado o ganho em cada operação pelo encontro de contas entre as duas notas fiscais (o valor da nota fiscal de saída diminuído pela nota fiscal de entrada Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 21 20 resultaria no faturamento a ser tributado). É dizer, se comprovado o ganho sobre este seria aplicado 38,40%, portanto consentâneo, inclusive, com a Súmula CARF nº 85, verbis: Súmula CARF nº 85: Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos Consoante o acórdão embargado não restou comprovado o ganho em cada operação pelo encontro de contas entre as duas notas fiscais (o valor da nota fiscal de saída diminuído pela nota fiscal de entrada resultaria no faturamento a ser tributado), portanto, considerados os depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, por presunção legal, como receita bruta da pessoa jurídica decorrente da atividade da pessoa jurídica como intermediação de negócio e aplicado o coeficiente de 38,40% para a apuração do lucro arbitrado, conforme se depreende da ementa: ALÍQUOTA APLICÁVEL NA REVENDA DE VEÍCULOS PELO LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL DE 38,40%. Como os veículos objetos de revenda não foram transferidos em nome do contribuinte, incabível tratar a exação como simples hipótese de venda. Ademais, não há notas fiscais de compra (entrada) e venda (saída) dos veículos, logo, a atividade deve ser considerada como intermediação de negócio e tributada no lucro arbitrado à alíquota de 38,40%. Nesse passo, resta, pois, demonstrada a improcedência das contradições aventadas pela Embargante. A conclusão que se impõe, é que, tanto em relação à omissão quanto às contradições indicadas, a Embargante apresentou os embargos de declaração com nítido objetivo de rediscutir as matérias e tentar reverter a decisão do acórdão embargado. Como cediço, os embargos de declaração não se prestam para instigar à nova apreciação e julgamento. A Embargante traz ainda em sede de embargos, sob o título DAS DEMAIS INCOERÊNCIAS PERPETRADAS NO LANÇAMENTO, o pleito no sentido de reduzir a multa de ofício e afastar os juros moratórios sobre a multa de ofício, do seguinte modo: Além dos vícios acima apontados, há ainda outros dois temas que merecem ser conhecidos e julgados por esta Colenda Câmara de Julgamento. O primeiro deles se refere ao pleito de afastamento da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que a legislação federal relativa ao tema não autoriza essa exigência. Logo, em respeito ao princípio da legalidade diante da inexistência de previsão legal e ao entendimento consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais essa conduta Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10580.002036/200600 Acórdão n.º 1201001.433 S1C2T1 Fl. 22 21 costumeira do Fisco não deve ser tolerada. Neste sentido são alguns precedentes, como os Acórdãos n° 10196008 e 402 02263, ambos oriundos da 1a Câmara do 1o Conselho. De mais a mais, além dos juros incidentes sobre a penalidade, a própria exigência formulada a título de multa deve ser rechaçada. Isso porque a multa no importe de 75% ofende os princípios da razoabilidade e da vedação ao confisco, posição que é defendida pelos Tribunais Regionais Federais, bem como pelo próprio Supremo Tribunal Federal. Ante tais considerações, pugna que a multa de ofício seja reduzida, bem como seja rechaçada qualquer tentativa de fazer incidir juros sobre essa exigência. A Embargante suscita as mencionadas incoerências e pede que sejam conhecidas e julgadas em sede de embargos, o que de plano se rejeita pois, não servem os embargos de declaração para complementar o que não fora sequer objeto do recurso voluntário. Nos termos do artigo 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento ou analisar matéria que não fora suscitada no recurso voluntário. Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900836/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-001.973
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.io
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não-cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confira-se: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não- cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10805.900836/2008-60 Acórdão n.º 3201-001.973 S3-C2T1 Fl. 2 3 compensação, conforme art. 147 do CTN, fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confira-se: Observe-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindo-se ao determinado na Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Contudo, a Turma enviá-los mais uma vez à unidade de origem, a fim de que a Recorrente fosse cientificada do Relatório Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débito seu com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o alegado crédito estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente, que, no entanto, em sua manifestação de inconformidade, sustentou que o pagamento a maior resultou do fato de a cooperativa ter recolhido a contribuição sob regime de apuração não cumulativo, quando deveria tê-la recolhido na sistemática cumulativa. A DRJ não acolheu as razões de defesa, ao fundamento de que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Assentou, ainda, que o erro de aplicação do regime de apuração não comprovaria o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de prová-lo. No recurso voluntário, a Recorrente juntou comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração, nos quais informados dados coincidentes com os inseridos na DCTF retificadora. Em face dos argumentos encartados na primeira Resolução (a segunda destinou-se apenas a cientificar a Recorrente do teor do Relatório Fiscal), a Turma baixou os autos em diligência, para que a unidade de origem certificasse o valor do crédito, com base na documentação existente nos autos, intimando a Recorrente a apresentar dados adicionais, se necessário. No Relatório Fiscal de fls. 171/173, a autoridade diligenciadora conclui que o valor original do indébito tributário que a Recorrente teria direito a requerer a restituição e/ou compensação com débitos tributários próprios é de R$ 2.911,76 (dois mil, novecentos e onze reais, e setenta e seis centavos), o mesmo pleiteado no PER/DCOMP. Solucionado o litígio, portanto. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
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Numero do processo: 10980.721521/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida.
O Lançamento não pode ser mantido, posto que calculado à alíquota máxima do Imposto de Renda, incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, com fundamento no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Alice Grecchi - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Recorrente JOSÉ BRUNO DE ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida. O Lançamento não pode ser mantido, posto que calculado à alíquota máxima do Imposto de Renda, incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, com fundamento no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. João Bellini Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 15 21 /2 01 3- 94 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 2 Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Alice Grecchi Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10980.721521/201394 Acórdão n.º 2301004.563 S2C3T1 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0641,071, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, f. 5861, no qual foi julgada improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2011/687807709546115. A exigência decorre de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2011, em razão de terem sido omitidos rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Banco do Brasil SA, CNPJ 00.000.000/000191, no montante de R$ 54.715,60, conforme informado pela fonte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.641,46. O contribuinte impugnou o lançamento, argumentando que se trata de rendimento decorrente de ação judicial revisional de aposentadoria, a qual transitou em julgado em abril de 2010, tendo recebido, em decorrência, o valor de R$ 54.524,53, e que a forma de tributação desses rendimentos deve observar as alíquotas mensais relativas às parcelas recebidas, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A impugnação foi julgada improcedente, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, por expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/06/2013, fls. 66, terçafeira, de modo que o prazo para apresentação de recurso encerrouse em 11/07/2013. Em 27/06/2013 houve interposição de recurso, fls. 6878, no qual o contribuinte argumenta que os rendimentos recebidos acumuladamente não podem ser tributados pelo seu valor global, conforme Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 e decisões do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 4 Requer que o imposto seja calculado pelo regime de competência, alternativamente, requer seja aplicado o art. 12A, § 1º da Lei 7.713/88, com consequente cancelamento do crédito tributário, uma vez que, neste caso, o dever de reter o imposto de renda na fonte é da pessoa jurídica obrigada ao pagamento; por fim, requer lhe seja restituído o valor retido em fonte indevidamente pela fonte pagadora Banco do Brasil no valor de R$ 1.641,46, corrigido na forma da lei. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10980.721521/201394 Acórdão n.º 2301004.563 S2C3T1 Fl. 116 5 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Período após Anobase 2009 O lançamento em questão trata de omissão de rendimentos decorrente de ação judicial, em ação de revisão de benefícios previdenciários, impetrada pelo Recorrente em face do Instituto Nacional de Seguridade Social, na qual foi reconhecido o direito do contribuinte de receber diferenças de valores relativos ao período intermitente de 02/1999 a 05/2004, conforme decisões judiciais e planilhas de cálculo às fls. 85101, cujo pagamento ocorreu em abril de 2010, conforme cópia do precatório às fls. 102. A matéria relativa à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, no período do lançamento, está regulamentada pela Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que prestigia parâmetro de cálculo mensal, mediante a utilização de "tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos". Recentemente, a Lei n° 13.149, de 21 de julho de 2015, modificou o caput do art. 12A, preservando, no entanto, a mesma disciplina do cálculo mensal inaugurada com a MP n° 497, de 2010. Depreendese do § 7º do art. 12A da Lei 7.713, de 1988, incluído pela MP 497/2010, que este dispositivo passou a disciplinar a incidência do imposto de renda sobre os rendimentos acumulados percebidos a partir de 1º de janeiro de 2010, conforme abaixo: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 6 § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) I importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) II contribuições para a Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1º de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação desta Medida Provisória, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) (grifei) § 8o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) Na espécie, o recebimento dos rendimentos ocorreu em abril de 2010, incidindo, portanto, o art. 12A da Lei 7.713, de 1988, incluído pela MP 497/2010. Este entendimento tem sido adotado pelo STJ, conforme ementa abaixo transcrita, referente ao julgamento do RE nº 1.515.569PR, relator Min. Humberto Martins, DJe de 24/03/2015: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. INTERESSE RECURSAL EXISTENTE. IRPJ. VERBAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE APÓS 1º DE JANEIRO DE 2010. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10980.721521/201394 Acórdão n.º 2301004.563 S2C3T1 Fl. 117 7 SISTEMÁTICA DE CÁLCULO PREVISTO NO ART. 12A DA LEI N. 7.713/88. CABIMENTO. 1. Presente o interesse de agir, visto a possibilidade de o contribuinte contestar a sistemática de cálculo prevista no § 1º do art. 12A da Lei n. 7.713/88, por entender serlhe prejudicial em comparação com a sistemática de cálculo do imposto de renda pelo regime de competência quanto a valores recebidos acumuladamente. 2. O art. 12 da Lei n. 7.713/88 limitouse a estabelecer o momento de incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas acumuladamente, e as alíquotas devem observar os patamares vigentes à época em que os valores deveriam ter sido efetivamente pagos. Exegese do entendimento firmado no REsp 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 3. "(...) com o advento da MP nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu o art. 12A na Lei nº 7.713/88, não há mais que se falar em ausência de indicação das alíquotas aplicáveis, pois o § 1º do referido dispositivo expressamente determina que o imposto será 'calculado mediante a utilização da tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito'. (...) Sendo assim, não tendo sido declarada sua inconstitucionalidade, é de se reconhecer a aplicabilidade do art. 12A da Lei nº 7.713/88 aos rendimentos recebidos acumuladamente (fatos geradores do imposto de renda) a partir de 1º de janeiro de 2010, conforme preceitua o § 7º do art. 12A da Lei nº 7.713/88, e na forma dos arts. 105 e 144, caput, do CTN" (REsp 1.487.501/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/11/2014, DJe 18/11/2014). Em síntese, na espécie, a tributação do rendimento deve ser feita de acordo com as regras do art. 12A da Lei 7.713/88, ou seja, o imposto deve ser calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito (§ 1º), o qual deverá compor a Declaração de Ajuste Anual, nos termos do art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, na redação vigente à época do fato gerador: Art. 13. Os RRA a que se referem os arts. 2º a 6º quando recebidos no período compreendido de 1º de janeiro a 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma do previsto naqueles artigos, desde que efetuado ajuste na apuração do imposto relativo àqueles rendimentos na DAA referente ao ano calendário de 2010, do seguinte modo: I a apuração do imposto darseá: a) em ficha própria; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 8 b) separadamente por fonte pagadora e para cada mês calendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo mêscalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; II o imposto resultante da apuração de que trata o inciso I será adicionado ao imposto apurado na DAA, sujeitandose aos mesmos prazos de pagamento e condições deste. Portanto, o lançamento deve ser revisto para adequação do cálculo do tributo às regras de tributação previstas no art. 12A da Lei 7.713/88 c/c art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07 de fevereiro de 2011. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado de acordo com as regras de tributação previstas no art. 12A da Lei 7.713/88 c/c art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07 de fevereiro de 2011. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10980.721521/201394 Acórdão n.º 2301004.563 S2C3T1 Fl. 118 9 Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Redatora Designada. Com todas as vênias à conselheira Relatora, entendo que o presente lançamento deve ser cancelado, por isso apresento o voto divergente vencedor quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, cujo lançamento teve como fundamento o art. 12 da Lei 7.713/1988. Em 23 de outubro de 2014 o Supremo Tribunal Federal STF, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela ocasião veiculouse, no site eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 10 a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma v.Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão da Suprema Corte, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10980.721521/201394 Acórdão n.º 2301004.563 S2C3T1 Fl. 119 11 (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, temse o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, assim descrito: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no Auto de Infração, visto que o mesmo foi lavrado utilizando como base de cálculo o valor total dos rendimentos recebidos, aplicando a alíquota da data do Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 12 recebimento (regime caixa), com fundamento no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, que foi declarado inconstitucional. Concluise, portanto, que não pode ser mantido o presente lançamento, posto que calcado no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF. Acrescento, ainda, que discordo da possibilidade de aproveitamento do lançamento, dandose parcial provimento ao recurso, para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Tal conduta reajustamento do lançamento para atender ao disposto na decisão do STF implicaria em a autoridade lançadora fundamentar o lançamento em outro dispositivo legal, que não o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, com utilização de novos cálculos, desta feita, no regime de competência, para exigência do novo valor do imposto, acrescido dos devidos acréscimos legais. Aqui devese registrar que não há na legislação tributária dispositivo legal para amparar tal lançamento. Nesse sentido cabe transcrever os julgados abaixo: “Processo nº 11543.004646/200819 Recurso Voluntário Acórdão nº 2102003.268, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRPF RRA Recorrente CESAR ENRIQUE ROJAS CABALLERO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido “Processo nº 11610.005873/200136 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10980.721521/201394 Acórdão n.º 2301004.563 S2C3T1 Fl. 120 13 Recurso Voluntário Acórdão nº 2801003.967 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente GEORGINA FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício: 1999 A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Provido” Acrescentese, ainda, que o aproveitamento do lançamento acarretaria em agravamento da exigência, posto que para a adequação do lançamento seria necessária uma completa inovação da Notificação de Lançamento, com alteração do enquadramento legal, que entendo inexistente para referida exigência, e modificação das tabelas progressivas aplicáveis. Tais inovações somente poderiam ser concretizadas, mediante a lavratura de novo lançamento, que propiciaria o devido processo legal, com reabertura do prazo para impugnação, garantindo o direito de defesa do contribuinte. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para CANCELAR o lançamento. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Redatora Designada Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005834/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2009
FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de atividades próprias de fundação de direito privado, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS.
No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciou-se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos.
Recurso Especial da Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-003.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Shirley F. Marcon Chalita, OAB/SP nº 171.294, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de fundação de direito privado, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 34 /2 00 9- 86 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 567 2 pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos. Recurso Especial da Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Shirley F. Marcon Chalita, OAB/SP nº 171.294, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fundação Carlos Chagas com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo que busca a reforma do Acórdão nº 3301001.319 (fls. 431 a 443) proferido pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 15/02/2012, provendo parcialmente o recurso voluntário da Contribuinte, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Ementa: ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 568 3 Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma regularmente editada. COFINS. ISENÇÃO. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. RECEITA COM CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. INCIDÊNCIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, inciso X, c/c com o art. 13, ambos da MP nº 2.15835, de 2001 não é de caráter amplo e irrestrito, alcançando apenas as receitas relativas às atividades próprias, as quais não albergam as receitas de prestação de serviços que têm caráter contraprestacional. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, a decisão de mérito prolatada pelo Pleno do STF, na qual fora reconhecida a repercussão geral e declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, RE 585235, deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo da Cofins as demais receitas, vez que no presente caso foram consideradas como estranhas ao faturamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Em face da Contribuinte, foi lavrado Auto de Infração (fls. 277 a 285) para exigência de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em razão da falta de recolhimento apurada no período de 01/2005 a 09/2009. No decorrer da Ação Fiscal, foram tributadas as receitas de projetos de concursos e vestibulares efetivamente realizadas, em conjunto com outras receitas operacionais. Cientificado da autuação em 18/12/2009, o Sujeito Passivo apresentou a respectiva impugnação (fls. 296 a 307), julgada improcedente pela DRJ/SP1, que manteve o crédito tributário lançado (fls. 362 a 372). Contra referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 383 a 390), o qual foi parcialmente provido nos termos do Acórdão nº 3301001.319 (fls. 431 a 443), ora recorrido, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, para: (a) excluir da base de cálculo da contribuição os valores decorrentes de demais receitas provenientes de “Câmbio”, “Investimentos”, “Rendimentos (Dólar/Ouro/Euro)”, “Locação de Bens Imóveis” e “Eventuais”, nos termos da decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 585235, em sede de repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98; e (b) manter a incidência da COFINS sobre as receitas decorrentes da realização de concursos e vestibulares, por não estarem albergadas pela isenção prevista nos artigos 13 e 14, inciso X, ambos da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Nesta oportunidade, por meio de recurso especial de divergência (fls. 463 a 470), insurgese a Fundação Carlos Chagas contra parte do acórdão de julgamento do recurso voluntário, requerendo a sua reforma no que tange à isenção da COFINS sobre as atividades Fl. 580DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 569 4 próprias da Contribuinte, prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001. Aponta como paradigmas os acórdãos nºs 310201.326 e 20217.080. No mérito, sustenta que: (a) não deve prosperar o lançamento sobre suas receitas de concursos e vestibulares, por serem atividades próprias, previstas em seu estatuto social, estando abrangidas pela isenção da COFINS; (b) a característica essencial de receita própria e de estar sujeita à isenção da COFINS concedida pelo art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835/2001 não é afetada pelo fato de ser a mesma contraprestacional ou não. O recurso especial foi admitido por meio do Despacho nº 330000.267, de 28/10/2014 (fls. 542 a 545), em razão de ter sido demonstrada a divergência jurisprudencial quanto ao conceito de atividades próprias estabelecido no art. 14, inciso X da MP nº 2.158 35/2001, especificamente quanto às receitas de caráter contraprestacional. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 552 a 563) sustentando, em síntese, não estarem abrangidas pela isenção da COFINS as receitas contraprestacionais recebidas pela Fundação em razão de expressa disposição legal contida no art. 47 da IN SRF nº 247/2002, ainda que as respectivas atividades constem no estatuto social. Por fim, requer seja negado provimento ao recurso especial da Contribuinte. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora O recurso especial da Fundação Carlos Chagas preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, uma vez tempestivo e devidamente comprovada a divergência jurisprudencial suscitada quanto ao conceito de atividades próprias estabelecido no art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835/2001, especificamente com relação às receitas de caráter contraprestacional. No mérito, a matéria em discussão restringese à análise da isenção da COFINS sobre as atividades próprias da Contribuinte, prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, mais especificamente sobre as receitas decorrentes de concursos e vestibulares. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 570 5 A Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por seu artigo 1º, instituiu a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas e aquelas a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, estabelecendo como base de cálculo o faturamento mensal. A partir de fevereiro de 1999, com a superveniência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, nos termos do art. 8º da lei, a COFINS passou a incidir sobre a receita bruta à alíquota de 3% (três por cento). Referido diploma legal estabeleceu em seu art. 3º, §1º como sendo receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes a atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Pontuese que o art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal e, posteriormente, revogado pela Lei nº 11.941/2009. Em 24 de agosto de 2001, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835 (em vigor por força da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001), que tornou isentas da COFINS, a partir de fevereiro de 1999, as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, nos termos do seu art. 14, inciso X: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Dispõe o art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 582DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 571 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (grifouse) Nos termos da legislação, portanto, as fundações de direito privado e as fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público estão isentas da COFINS quanto às receitas decorrentes de atividades próprias. A isenção está vinculada a dois pontos: à qualidade da pessoa jurídica (fundação) e à natureza da atividade como sendo própria da entidade. Conforme se constata do Termo de Constatação Fiscal (fls. 253 a 257), a Fiscalização entende como sendo atividades próprias da Contribuinte tão somente aquelas elencadas no art. 47, §2º da Instrução Normativa nº 247/2002, e desde que não tenham caráter contraprestacional direto. Partindo dessa premissa, autuou a Recorrente pelo não recolhimento de COFINS sobre as receitas decorrentes de concursos e vestibulares, pois não seriam atividades próprias da Fundação: [...] Em relação às fundações, ficaram isentas da COFINS, nos termos do inciso X do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.158/2001 a seguir reproduzido, somente as receitas derivadas das atividades próprias, assim entendidas as provenientes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contra prestacional (parágrafo 2° do art. 47 da IN/SRF n° 247/2002). [...] A base de cálculo da COFINS no regime cumulativo, conforme vimos, é a receita bruta, a qual compreende todas as receitas auferidas pelo contribuinte, nos termos do artigo 2° e o parágrafo 1 do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, excetuadas aquelas relacionadas no seu parágrafo 2° e as decorrentes da atividade própria previstas no artigo 47 da IN SRF n° 247/2002. [...] As receitas de projetos, da realização de concursos e de vestibulares (fl. 107 a 114) receitas principais da sua atividade eram inicialmente registradas nas diversas contas que compõe o subgrupo 2.5.1 — Receitas de Projetos do grupo 2.5 — Resultado de Exercício Futuros — Proj. DSRH do passivo (sub grupo 2.2.1 — Receitas Diferidas a partir de janeiro/2009) no momento em que eram recebidas, para, posteriormente, serem transferidas para as contas de resultado 5 medida que iam sendo realizadas, de acordo com os critérios adotados e controles da Fundação. Considerando que, conforme seus registros contábeis, nem todas essas receitas foram realizadas nos períodos em que foram recebidas, permanecendo no passivo até a data da sua realização, para fins de apuração e incidência da COFINS foi tomado como base de incidência a data e o montante efetivamente realizado pela Fundação e transferido para as Fl. 583DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 572 7 correspondentes contas de resultado 4.1.1.1.019 — Projetos Encerrados D.S.R.H e 4.1.1.3.017 — Projetos Encerrados D.P.E, cujas copias do razão encontramse às fls. 122 à 135. [...] Conforme acima arrazoado, formalizase de oficio o crédito tributário da COFINS devida e não recolhida, com os acréscimos legais, relativamente aos meses de apuração compreendidos entre janeiro/2005 a setembro/2009. [...] (grifouse) As fundações são pessoas jurídicas de direito privado regidas pelo ordenamento jurídico civil e pelas disposições estatutárias no atinente à sua gestão, nos termos dos artigos 44 e 62, ambos do Código Civil. Assim, estando as fundações de direito privado sujeitas às disposições estatutárias, para enquadramento das atividades por elas exercidas como sendo próprias imprescindível a análise do seu estatuto social. Nessa linha relacional, a Fundação Carlos Chagas, ora Recorrente, é entidade sem fins lucrativos e tem como objeto social desenvolver atividades técnicas e científicas, dispostas em seu Estatuto Social (fls. 21/22), dentre elas a realização de concursos públicos e vestibulares, in verbis: Artigo 1º A Fundação Carlos Chagas, instituída por escritura pública, lavrada na Capital do Estado de São Paulo, em 25/11/1964, no 11º Cartório de Notas, livro 2050, fls. 86, e registrada no 2º Registro de Títulos e Documentos da mesma Capital de São Paulo, Livro A, nº 5, sob nº 4826, em 12/12/64, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com duração por prazo indeterminado, sede e foro também na Capital de São Paulo, e reger seá pelo presente Estatuto e demais legislação em vigor. Artigo 2º A Fundação Carlos Chagas tem por objetivo desenvolver atividades primordialmente técnicas e científicas, destacandose as seguintes: a) realizar pesquisas e estudos que possam promover o desenvolvimento educacional e social; b) contribuir para o aprimoramento da formação científica dos pesquisadores; c) promover ou participar de reuniões, simpósios, congressos e seminários que propiciem o intercâmbio de ideias, informações e experiências e contribuam para o desenvolvimento da Educação; d) promover a divulgação de resultados de pesquisas; e) desenvolver estudos e atividades na área de avaliação e de medidas educacionais; f) organizar e executar concursos públicos e outros processos seletivos para instituições públicas ou particulares; g) planejar e realizar concursos vestibulares; h) prestar assessoria e serviços técnicos a quaisquer entidades interessadas na problemática da seleção de candidatos; i) desenvolver atividades de origem vocacional; j) prestar assessoria e outros serviços a instituições direta ou indiretamente Fl. 584DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 573 8 relacionadas à Educação, à Pesquisa Científica e ao Planejamento; k) manter Biblioteca especializada e mecanismos de intercâmbio com instituições públicas e privadas no Brasil e no exterior; l) criar, incorporar, manter e desdobrar organismos de caráter técnico e científico, independentemente ou em associação com terceiros, para o desenvolvimento de atividades correlatas aos objetivos da Fundação. (grifouse) Partindose do critério segundo o qual se considera própria de uma entidade a atividade desenvolvida por ela que esteja relacionada em seus atos constitutivos, certamente incluída na motivação da sua criação, indubitavelmente as receitas de concursos públicos e de vestibulares, glosadas pela Fiscalização, devem ser consideradas como atividades próprias da Fundação Carlos Chagas, pois devidamente listadas nas alíneas "f" e "g" do Estatuto Social da Recorrente. Por conseguinte, estão devidamente albergadas pela isenção da COFINS estabelecida no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. No caso dos autos, o posicionamento adotado pela Fiscalização e referendado pelo acórdão do recurso voluntário no sentido de não se enquadrarem na norma da isenção da COFINS as atividades de concursos públicos e de vestibulares, embasouse exclusivamente no fato de as mesmas terem caráter contraprestacional, não as descaracterizando, todavia, como sendo atividades próprias da Contribuinte. Estando a atividade desenvolvida pela Fundação em harmonia com as disposições constantes do seu Estatuto Social e com a finalidade para a qual a mesma foi criada, o fato de a mesma ser contraprestacional não a descaracteriza como atividade própria da entidade, em consonância com o disposto no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, devendo ser mantida a isenção da COFINS sobre as receitas dela decorrentes. Além disso, o art. 997 do Código Civil estabelece como um dos requisitos do contrato social firmado para exploração de negócio que vise o lucro a formalização de cláusula especificando a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. A atividade fundacional está em sentido diametralmente oposto, pois mesmo havendo a cobrança pelos serviços assistenciais, próprios da entidade na finalidade a qual se destina, desde que represente receita destinada à manutenção das atividades próprias para as quais a Fundação foi instituída, não pode descaracterizar a receita como sendo de atividade própria e não empresarial. Nesse sentido é a disposição contida no artigo 3º do Estatuto Social da Contribuinte (fls. 22), segundo o qual: (a) os recursos de que dispuser serão aplicados no país e na execução de seus objetivos; (b) não haverá remuneração aos membros do Conselho Curador e da Diretoria pelo exercício de seus cargos e (c) a Fundação não distribuirá lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes ou mantenedores. Portanto, na análise em questão, ponto fundamental é verificar a natureza jurídica das receitas, se decorrentes ou não de atividades próprias da entidades. O fato de terem caráter contraprestacional não tem o condão de descaracterizálas como originárias de atividades próprias da entidade. Ainda, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, a legislação que disponha sobre a outorga de isenção deve ser interpretada restritivamente. No caso, a interpretação restritiva do art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835/2001 conduz à conclusão de que a isenção de COFINS abrange todas as receitas relativas às atividades Fl. 585DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 574 9 próprias das entidades, indistintamente, restando excluídas apenas aquelas não relacionadas com a finalidade para a qual a entidade foi constituída. Por esta razão, resta afastada a restrição perpetrada pelo art. 47, §2º da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pois não estabelecida pelo legislador originário. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, então vigente), e cuja observância é obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016. Transcrevese a ementa do julgado proferido pelo STJ no recurso especial nº 1353111/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 18/12/2015 no Diário de Justiça Eletrônico, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 35/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas Fl. 586DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 575 10 atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 20312738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401 002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2015, DJe 18/12/2015) (grifouse) Fl. 587DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.005834/200986 Acórdão n.º 9303003.813 CSRFT3 Fl. 576 11 Da argumentação expendida, conclusão inarredável é o acolhimento do pleito da Recorrente para reconhecer como decorrentes de atividades próprias da Fundação as receitas de concursos públicos e vestibulares, estando, por conseguinte, abrangidas pela isenção da COFINS nos termos do art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 588DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10280.000029/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RESTITUIÇÃO APURADA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL E NÃO RESGATADA NA REDE BANCÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIRPF RETIFICADORA. IMPOSSIBILIDADE.
Eventual pedido de restituição de valores não resgatados na rede bancária não pode ser feito por meio de DIRPF retificadora, mas sim através de Pedido de Pagamento de Restituição (PERES), ainda mais quando a retificadora não informa nenhum valor no campo Imposto a Restituir, pois ela tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindo-a integralmente.
Numero da decisão: 2202-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIRPF RETIFICADORA. IMPOSSIBILIDADE. Eventual pedido de restituição de valores não resgatados na rede bancária não pode ser feito por meio de DIRPF retificadora, mas sim através de Pedido de Pagamento de Restituição (PERES), ainda mais quando a retificadora não informa nenhum valor no campo Imposto a Restituir, pois ela tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 00 29 /2 01 3- 79 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.000029/201379 Acórdão n.º 2202003.469 S2C2T2 Fl. 77 2 Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que descreveu os fatos ocorridos até a decisão daquela instância. Tratase de Pedido de Restituição, fl. 02, assinado por Ednira Maria Fonseca de Souza, viúva do Sr. Pedro Ivanildo Correa de Souza, referente ao “Exercício de 2010” no valor de R$ 8.175,64. Referido Pedido de Restituição foi indeferido pelo Despacho Decisório de fl. 29, que aprovou o Parecer Seort/Del/Bel nº 0075/2013, com a seguinte motivação: “A tela extraída do sistema eletrônico deste órgão anexada à fl. 23 dos autos, demonstra que foi apurado na Declaração de Ajuste Anual 2010, anocalendário 2009, do Sr. PEDRO IVANILDO CORREA DE SOUZA, o valor de R$7.493,28 (sete mil quatrocentos e noventa e três reais e vinte e oito centavos), a título de imposto de renda a restituir, que, no entanto, já foi restituído ao contribuinte”. “Por outro lado, as telas extraídas do sistema eletrônico deste órgão, que foram acostadas às fls. 24 e 25 dos autos, comprovam que a Declaração do contribuinte, relativa ao exercício 2011, anocalendário 2010, de nº 02/21.547.101, entregue em 28.04.2011, que havia apurado o valor de R$8.175,64 (oito mil cento e setenta e cinco reais e sessenta e quatro centavos), a título de imposto de renda a restituir foi retificada em 27.10.2011, pela Declaração de nº 02/35.561.462, que foi finalizada sem restituição”. Na Manifestação de Inconformidade, fls. 32/33, a viúva do Sr. Pedro Ivanildo Correa de Souza afirma que não recebeu a restituição referente ao anocalendário de 2009. Esclarece que “o valor pleiteado pela recorrente diz respeito ao apurado na Declaração de Ajuste Anual 2011, anocalendário 2010, conforme demonstram os extratos do Sistema de Informação do BB – Imposto de Renda de Pessoa Física Restituição de 19 de fevereiro de 2013. Nesse extrato está descrito que “o valor apurado naquela Declaração foi recusado de acordo com a descrição contida no “Código recusa: 24”, ou seja, “Agência/Conta não existe no cadastro do BB”. “Tal fato se deu em virtude do número da conta fornecida na citada Declaração estar com um dos dígitos errados, ou seja, onde se lê Conta nº: 00000030.6374, leiase Conta nº 000000308374” Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.000029/201379 Acórdão n.º 2202003.469 S2C2T2 Fl. 78 3 “Percebese que houve um equívoco por parte da recorrente [...] no momento do preenchimento do requerimento quanto ao período do Exercício e, consequentemente, anocalendário do valor que a mesma pretende que seja restituído”. “Requer que lhe seja restituído o valor referente na Declaração de Ajuste Anual 2011, anocalendário 2010, no valor de R$ 8.175,64 (oito mil, cento e setenta e cinco reais e sessenta e quatro centavos). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão foi assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO. AJUSTE ANUAL DO IRPF. RESTITUIÇÃO NÃO RESGATADA. DIRPF RETIFICADORA. REALIDADE PREVALENTE. O meio, por excelência, apropriado para restituição do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física é a Declaração de Ajuste Anual deste Imposto. Se em decorrência de erro de informações a restituição não foi resgatada enquanto esteve disponível na rede bancária, eventual pedido de restituição, por outros meios, encontra obstáculo ao seu deferimento na Declaração retificadora que não informa nenhum valor no campo Imposto a Restituir, pois a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, consequentemente, esta nova realidade informada espontaneamente e tempestivamente na DIRPF retificadora é a que prevalece. Cientificado dessa decisão em 29/01/2014, por meio de sua representante legal, a víúva Ednira Maria Fonseca de Souza (fls. 54/55), o Espólio de PEDRO IVANILDO CORREA DE SOUZA apresentou Recurso Voluntário em 28/02/2014 (fls. 56 a 72), no qual alega, em síntese: o pedido de restituição referese à Declaração Final de Espólio de Ivanildo Correa de Souza; o valor a ser restituído é proveniente de um crédito trabalhista de uma ação movida em 1989, cujo valor foi recebido em 2010, após a sua morte; a senhora Ednira Maria Fonseca de Souza é a única herdeira, pois os filhos abriram mão do recebimento dos valores em benefício de sua genitora; ocorreu um erro de digitação ao informar a conta corrente da senhora Ednira, como já reconhecido no acórdão; na hora de fazer a retificadora ocorreu um infortúnio ainda maior, pois não foi informado o valor a ser restituído, mas é inegável a existência de tal valor. Ao final. pede que seja acolhido o recurso para reconhecer o direito creditório em favor de Ednira Maria Fonseca de Souza. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.000029/201379 Acórdão n.º 2202003.469 S2C2T2 Fl. 79 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Inicialmente cabe ressaltar que não constam dos autos nenhuma informação sobre a existência de uma Declaração Final de Espólio de Ivanildo Correa de Souza. Assim, diferentemente do que afirma o Recorrente, o pedido de restituição referese à Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011 (anocalendário 2010), conforme já esclareceu a decisão da DRJ, cujo trecho transcrevo a seguir. Preambularmente cabe estabelecer com clareza a que ano calendário se refere o pedido de restituição, uma vez que nesta seara não se admite, eventualmente, restituição extra petita. Após os esclarecimentos realizados na Manifestação de Inconformidade acerca do “ equívoco por parte da recorrente [...] no momento do preenchimento do requerimento quanto ao período do Exercício e, consequentemente, anocalendário do valor que a mesma pretende que seja restituído”, a questão se torna mais clara ainda por ocasião do pedido: “Requer que lhe seja restituído o valor referente na Declaração de Ajuste Anual 2011, anocalendário 2010, no valor de R$ 8.175,64 (oito mil, cento e setenta e cinco reais e sessenta e quatro centavos)”. Portanto, resta esclarecido que o presente litígio se refere à restituição no valor de R$ 8.175,64 relacionada ao Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física do exercício de 2011, anocalendário de 2010. O pedido de restituição de valores de IRPF não resgatados enquanto esteve disponível na rede bancária não pode ser feito por meio de declaração retificadora, mas sim por meio de Pedido de Pagamento de Restituição (PERES), conforme art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012. Art. 13. O saldo a restituir apurado na DIRPF, não resgatado no período em que esteve disponível na rede arrecadadora de receitas federais, poderá ser pago a requerimento do contribuinte ou da pessoa autorizada a requerer a quantia. § 1º O pagamento da restituição de que trata o caput deverá ser requerido mediante o formulário eletrônico Pedido de Pagamento de Restituição, disponível para preenchimento e envio no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 2º Na impossibilidade de utilização do formulário eletrônico, o pedido poderá ser apresentado por meio do formulário constante do Anexo I a esta Instrução Normativa. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.000029/201379 Acórdão n.º 2202003.469 S2C2T2 Fl. 80 5 Art. 14. Para efeito de pagamento da restituição, deverá ser verificada, mediante consulta aos sistemas de informação da RFB, a existência do saldo a restituir e de débito do contribuinte, de natureza tributária ou não, no âmbito da RFB e da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 1º O pedido de pagamento da restituição será indeferido quando os sistemas de informação da RFB indicarem que o contribuinte não entregou a DIRPF, que o valor a restituir já foi resgatado, quando transcorridos 5 (cinco) anos da data em que foi disponibilizado no banco, ou ainda que, do processamento da DIRPF, não resultou imposto a restituir. § 2º Verificada a existência de crédito a ser restituído, deverão ser adotados os procedimentos previstos nos arts. 61 a 66 previamente à efetivação da restituição. § 3º Caso o requerente, depois de cientificado de que seu pedido foi indeferido em virtude de a restituição já ter sido resgatada, informar à RFB não ter efetuado o resgate, deverá ser formalizado processo administrativo a fim de que o fato seja apurado na agência bancária que efetuou o pagamento, ficando a restituição condicionada ao resultado desse processo. (destaquei). Outrossim, o Contribuinte apresentou uma declaração retificadora em 27/10/2011, a qual foi finalizada sem valor a restituir. É de se destacar que a declaração retificadora substitui a declaração original e os valores nela informados prevalecem sobre os anteriormente declarados. Assim, o Contribuinte não tem direito à restituição, conforme sua declaração retificadora apresentada espontaneamente. Transcrevo abaixo trecho da decisão da DRJ sobre o assunto. Apesar de os Relatórios do Sistema de Informações Banco do Brasil, fls. 34/35 indicarem que a restituição pleiteada não foi paga em razão da inexistência da conta informada na DIRPF2 (erro de digitação, como restou esclarecido na Manifestação de Inconformidade), está correta a decisão exarada no Despacho Decisório de fl. 29, que aprovou o Parecer Seort/Del/Bel nº 0075/2013, pois a existência da DIRPF retificadora nº 02/35.561.462, transmitida em 27/10/2011 às 14h26m58s, impede que a restituição seja realizada, uma vez que a mesma não informa nenhum valor no campo “Imposto a Restituir”, consequentemente, também nenhuma informação sobre o Banco, Agência e Conta Bancária. A título de informação, consignase que o contribuinte é livre para retificar sua DIRPF no prazo de cinco anos, no entanto, a realidade informada na Declaração retificadora se sobrepõe às informações contidas na retificada. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente e, portanto, deve conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. Nesse contexto, a Declaração 02/35.561.462 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.000029/201379 Acórdão n.º 2202003.469 S2C2T2 Fl. 81 6 retificadora informa ao Fisco que o contribuinte não tem nenhum direito à restituição, uma vez que, com dito em linhas anteriores, encontrase zerado o campo “Imposto a Restituir”, esta realidade, declarada espontaneamente em nome do contribuinte, é a que prevalece até o momento atual, portanto, neste contexto, correto o indeferimento do pedido de restituição. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10120.006062/2005-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO E DE DEMONSTRAÇÃO FUNDAMENTADA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM APREÇO - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. Nos termos do artigo 7°, inciso II, § 5° e do artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que autorizava a interposição de recurso especial deveria estar demonstrada de forma fundamentada, com a matéria efetivamente debatida pelo acórdão recorrido, o que não acontece no caso, onde o contribuinte se insurgiu contra a glosa de área declarada como sendo de utilização limitada, motivada pela apresentação a destempo do ADA e pela ausência de averbação anterior à ocorrência do fato gerador, trazendo, inclusive, questões preliminares, mas deixou de comprovar as decisões divergentes para situações idênticas ou muito semelhantes.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.475
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Nos termos do artigo 7°, inciso II, § 5° e do artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que autorizava a interposição de recurso especial deveria estar demonstrada de forma fundamentada, com a matéria efetivamente debatida pelo acórdão recorrido, o que não acontece no caso, onde o contribuinte se insurgiu contra a glosa de área declarada como sendo de utilização limitada, motivada pela apresentação a destempo do ADA e pela ausência de averbação anterior à ocorrência do fato gerador, trazendo, inclusive, questões preliminares, mas deixou de comprovar as decisões divergentes para situações idênticas ou muito semelhantes. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE – Presidente em Exercício Gonçalo Bonet Allage Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006062/200535 Acórdão n.º 920201.475 CSRFT2 Fl. 202 2 EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, Ronaldo Lima de Macedo e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em face de Geraldo Bibiano foi lavrado o auto de infração de fls. 1722, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2002, em razão da glosa de área declarada como sendo de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda 20 de Maio, situado no município de Jussara (GO). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 18): Da análise dos documentos apresentados; pudemos extrair para efeito fiscal do fato gerador do ITR/2002, relativa ao imóvel supraqualificado, que da área de 430,00ha, informada pelo contribuinte no item 03, do quadro 08 da DITR/2002, área de utilização limitada do tipo reserva legal, que esta área encontra se devidamente averbada à margem da matrícula n° 09, no CRI da Comarca de Jussara.GO, conforme, Av.19, de 5.9.05. Também, além desta referida restrição, o contribuinte não apresentou na sua remessa de documentos o Ato Declaratório Ambiental ADA, do órgão competente, para satisfazer à condição de uso da prerrogativa de exclusão daquela área de reserva legal como de natureza não tributável. Acrescentese que a leitura, feita pelo sistema da SRF no banco de dados do Ibama sobre os Atos Declaratórios Ambientais (ADA's), objeto de comunicação daquele Instituto à Coordenação de Fiscalização desta Secretaria, em 18.9.2003, através do ofício n°109/2003 CCGREF, não registrou a certificação do ato ambiental da área de igual natureza, registrada pelo contribuinte na sua DITR/2002. Como, para fins de exclusão da área tributável, essa área sob análise, deve estar averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador, portanto, ao se subsumir esses fatos, sobretudo, ao disposto no §7°, art. 3° , da MP 216667, de 24 de agosto de 2001, c/c os §§ 3°e 4°, do art. 10, do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006062/200535 Acórdão n.º 920201.475 CSRFT2 Fl. 203 3 administração do ITR, atrelados a outros institutos da espécie listados no enquadramento legal, a seguir, resta configurada a infração fiscal ora apontada. Dessas constatações, procedemos, de oficio, à retificação da declaração supra no seu item 03, do quadro 08 (Distribuição da Área Total). Portanto, pela ausência de averbação tempestiva e pela falta de apresentação tempestiva do ADA a área de utilização limitada foi reduzida de 430,0 ha para 0,0 ha (fls. 20). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 5059). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30239.244, que se encontra às fls. 103114, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do 1TR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas pelo sujeito passivo e no mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro que deram provimento parcial para excluir a área de preservação permanente, sendo Redatora Designada a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim. Intimado deste acórdão em 03/06/2008 (fls. 119), o contribuinte, devidamente representado, interpôs recurso especial de divergência às fls. 125138, acompanhado dos documentos de fls. 139144, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Embora seja entendimento desta CSRF não reconhecer alegações de ilegalidade de norma jurídica, não se pode furtar de destacar a fragrante ofensa à Constituição Federal, em especial ao princípio do devido processo legal, constante do § 1° do art. 5° do Regimento Interno da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006062/200535 Acórdão n.º 920201.475 CSRFT2 Fl. 204 4 CSRF, na parte em que faculta apenas ao Procurador da Fazenda Nacional o recurso contra decisão não unânime; b) Tal dispositivo fere o princípio da igualdade das partes no processo, sub princípio que integra o devido processo legal, e deverá ser afastado pelo Judiciário oportunamente; c) O Egrégio Conselho, ao analisar a preliminar de cerceamento de ampla defesa, deixou de se manifestar sobre o pedido feito no Recurso Voluntário de conversão do julgamento em diligência para que fosse periciado o imóvel rural, in loco, a fim de verificar a existência material das áreas isentas alegadas pelo Recorrente; d) Como tal matéria se constitui em nulidade absoluta do lançamento, pode e deve ser conhecida de ofício por esta Colenda Corte Superior, determinando a nulidade do Acórdão recorrido e a conversão do julgamento em diligência para que seja realizada vistoria no imóvel, constatando a realidade material e fática do lançamento inicialmente declarado pelo sujeito passivo; e) Também cabe destacar a ilegalidade da incorreta tipificação do lançamento, matéria que, levantada na impugnação e no Recurso Voluntário, pode ser conhecida de ofício a qualquer momento, pois se trata de nulidade absoluta a inquinar o lançamento, determinando sua nulidade desde o início da fiscalização; f) Neste aspecto, divergem do posicionamento adotado pela decisão recorrida os acórdãos nos 1076907 e 10243.924; g) Quanto ao mérito, traz como paradigmas os acórdãos nos CSRF/0304.770, CSRF/0303.689 e 30333.404; h) No que tange à similaridade dos Acórdãos, Recorrido e Paradigmas, esta é evidente, pois: a) Todos tratam de Imposto Territorial Rural; b) Em todos houve a revisão da DITR para glosar as áreas de Reserva Legal e alterar o valor do VTN do imóvel, sob o argumento de que a averbação de tais áreas não foi feita em até 06 meses da ocorrência do fato gerador, não servido para isentar tais áreas do ITR; c) Em todos foi discutida e decidida a questão da verdade material do lançamento; d) Tanto no acórdão recorrido, como no constante do Recurso n° 129821, foi debatida a questão da aplicação do disposto na lei ambiental como norma tributária capaz de determinar a isenção ou não das áreas de reserva legal e preservação permanente protegidas por aquela. e) No acórdão recorrido foi utilizada como fundamento o disposto no § 7° da Lei n° 9.393/96, assim como em vários dos acórdãos paradigmas o mesmo dispositivo legal foi também citado, mas em sentido contrário; i) Entretanto, o Acórdão recorrido decidiu de forma divergente dos demais acórdãos apontados, ao entender que a averbação no CRI competente deve reportarse à data da ocorrência do fato gerador, não se prestando Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006062/200535 Acórdão n.º 920201.475 CSRFT2 Fl. 205 5 averbação posterior para justificar a isenção e a existência de tais áreas no anocalendário do lançamento fiscal; j) Requer seja o recurso conhecido e provido, reconhecendo, preliminarmente, que a falta ou erro de enquadramento do lançamento fiscal torna nulo de pleno direito o lançamento, nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 e, quanto ao mérito, a isenção das terras de Reserva Legal constantes dos Termos de Responsabilidade junto ao lbama, Certidões de Averbação no CRI e Memoriais Descritivos, bem como ADA apresentado, referentes ao exercício de 2002. Admitido o recurso através do Despacho n° 302369 (fls. 180182), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 185199, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte não pode ser conhecido. Reitero que o recorrente pleiteou o reconhecimento de área de utilização limitada, relativamente ao exercício 2002, na hipótese em que ocorreu a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA e houve a respectiva averbação após a ocorrência do fato gerador, trazendo, além da matéria de mérito, preliminares relativas: i) à alegada incompatibilidade com a Carta Magna do dispositivo regimental que estabelece a exclusividade do Procurador da Fazenda Nacional para opor recurso especial em caso de decisão não unânime; ii) a eventual cerceamento do direito de defesa; e iii) a suposta nulidade por erro no enquadramento legal. Pois bem, de acordo com o artigo 7° inciso II, § 5° e com o artigo 15, § 2°, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007: Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II – decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006062/200535 Acórdão n.º 920201.475 CSRFT2 Fl. 206 6 § 5º. O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. (...) § 2º. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. (Grifei) De acordo com tais regras, a Câmara Superior de Recursos Fiscais somente poderia apreciar as teses suscitadas pelo contribuinte se o acórdão recorrido as tivesse analisado, desde que tal decisão desse à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado e, ainda, se a divergência jurisprudencial estivesse demonstrada de forma fundamentada, o que não ocorreu no caso em apreço. No âmbito do recurso especial de divergência, a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais é uniformizar a jurisprudência. No que se refere às duas primeiras preliminares, sequer foram indicados acórdãos paradigmas. A primeira delas, aliás e por óbvio, não foi prequestionada. Embora no recurso especial estejam transcritas as ementas de acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes, relativamente à alegada nulidade do lançamento por erro no enquadramento legal, sob minha ótica, em nenhum momento restou demonstrada, de forma fundamentada, a divergência argüida. O recorrente deixou de fazer o cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigma. Não se sabe, assim, se ocorreram decisões divergentes para fatos idênticos ou muito semelhantes. Quanto ao mérito, o contribuinte atevese à questão da necessidade ou não de averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, citando acórdãos que teriam acolhido a tese defendida por ele. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006062/200535 Acórdão n.º 920201.475 CSRFT2 Fl. 207 7 No entanto, tanto o lançamento, como também a decisão recorrida, justificaram a exigência, além da necessidade de averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, na apresentação a destempo do ADA. Nada sobre o ADA foi dito pelo sujeito passivo em seu recurso e nenhum paradigma sobre o tema restou indicado, ou seja, não houve a confrontação entre acórdãos para mostrar a similaridade entre os casos. Dessa forma, não está comprovada a existência de decisões divergentes para fatos idênticos ou muito semelhantes. Segundo penso, não houve prequestionamento para a primeira preliminar e sequer foram indicadas decisões divergentes com relação às duas primeiras preliminares argüidas, além do que o contribuinte deixou de demonstrar, fundamentadamente, o dissídio jurisprudencial quanto à alegada nulidade do lançamento por erro no enquadramento legal e com relação à necessidade conjunta de apresentação tempestiva do ADA e de averbação da área de reserva legal em momento anterior à ocorrência do gerador para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, desatendendo, assim, a regra do artigo 7, inciso II, § 5° e do artigo 15, § 2°, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Sendo assim, entendo que não se pode conhecer do recurso especial em tela. É como voto. Gonçalo Bonet Allage Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722332/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. Não há necessidade de perícia quando o material probatório constantes dos autos são passíveis de compreensão pelas autoridades fiscal e julgadora.
MPF. INCORREÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) era um instrumento interno de controle administrativo do trabalho fiscal e que já se encontra revogado. Incorreções ou impropriedades no MPF não invalidam o procedimento fiscal.
IRRF. MULTA E JUROS ISOLADOS. PROCESSO REFLEXO. Tendo em vista o art. 6 da Portaria 343/2015, pelo princípio da economia processual, a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada no processo vinculado .
MULTA ISOLADA. IRRF. A multa pela não retenção de imposto de renda na fonte decorre do art. 9 da Lei 10426/2002, ainda vigente no sistema jurídico brasileiro. Refere-se a uma obrigação acessória transformada em principal, tendo em vista que o contribuinte não efetuou a retenção e nem o recolhimento da parcela do imposto de renda relativo aos valores pagos a terceiros.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, afastar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para exonerar deste lançamento tributário, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação (19515.003483/2010-11), isto é, em relação ao levantamento LEV 4. Vencidos na votação os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. O Conselheiro Cleberson Alex Friess aquiesceu com a decisão proferida no processo principal.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. Não há necessidade de perícia quando o material probatório constantes dos autos são passíveis de compreensão pelas autoridades fiscal e julgadora. MPF. INCORREÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) era um instrumento interno de controle administrativo do trabalho fiscal e que já se encontra revogado. Incorreções ou impropriedades no MPF não invalidam o procedimento fiscal. IRRF. MULTA E JUROS ISOLADOS. PROCESSO REFLEXO. Tendo em vista o art. 6 da Portaria 343/2015, pelo princípio da economia processual, a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada no processo vinculado . MULTA ISOLADA. IRRF. A multa pela não retenção de imposto de renda na fonte decorre do art. 9 da Lei 10426/2002, ainda vigente no sistema jurídico brasileiro. Refere-se a uma obrigação acessória transformada em principal, tendo em vista que o contribuinte não efetuou a retenção e nem o recolhimento da parcela do imposto de renda relativo aos valores pagos a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, afastar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para exonerar deste lançamento tributário, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação (19515.003483/2010-11), isto é, em relação ao levantamento LEV 4. Vencidos na votação os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. O Conselheiro Cleberson Alex Friess aquiesceu com a decisão proferida no processo principal. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.722332/201103 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.325 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente CBD COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. Não há necessidade de perícia quando o material probatório constantes dos autos são passíveis de compreensão pelas autoridades fiscal e julgadora. MPF. INCORREÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) era um instrumento interno de controle administrativo do trabalho fiscal e que já se encontra revogado. Incorreções ou impropriedades no MPF não invalidam o procedimento fiscal. IRRF. MULTA E JUROS ISOLADOS. PROCESSO REFLEXO. Tendo em vista o art. 6 da Portaria 343/2015, pelo princípio da economia processual, a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada no processo vinculado . MULTA ISOLADA. IRRF. A multa pela não retenção de imposto de renda na fonte decorre do art. 9 da Lei 10426/2002, ainda vigente no sistema jurídico brasileiro. Referese a uma obrigação acessória transformada em principal, tendo em vista que o contribuinte não efetuou a retenção e nem o recolhimento da parcela do imposto de renda relativo aos valores pagos a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 23 32 /2 01 1- 03 Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, afastar as preliminares e darlhe parcial provimento para exonerar deste lançamento tributário, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação (19515.003483/201011), isto é, em relação ao levantamento LEV 4. Vencidos na votação os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Luciana Matos Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. O Conselheiro Cleberson Alex Friess aquiesceu com a decisão proferida no processo principal. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10880.722332/201103 Acórdão n.º 2401004.325 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto para contrapor a decisão no Acórdão 04 26.079 da 2a. Turma da DRJ/CGE, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte relativamente ao lançamento fiscal objeto deste processo. A autuação fiscal ocorreu tendo em vista a falta de retenção e recolhimento de IRRF referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2006 a 2009, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 3410 a 3464). Transcrevo a seguir o resumo da autuação conforme o Acórdão de Impugnação. a) a presente ação fiscal foi instaurada como consequência de procedimento fiscal anterior (MPF nº 08.1.90.002008004012), que resultou na lavratura de autos de infração contidos no processo nº 19515.003483/201011, referente a fiscalização previdenciária; b) a fiscalizada mantinha além do plano de previdência privada extensiva a todos os seus empregados, contratado junto à seguradora BrasilPrev, um outro plano restrito aos funcionários ocupantes de cargos de confiança (direção), contratado junto à seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. Segundo a autoridade fiscal a “previdência complementar” do Itaú Unibanco Vida e Previdência era utilizada para pagamento de parcelas variáveis de salário, que, por seus valores, periodicidade e resgates, teriam natureza salarial. As contas de previdência privada dos dirigentes seriam utilizadas para esconder a natureza remuneratória desses aportes e, assim, afastar indevidamente a incidência das contribuições previdenciárias e do imposto de renda, configurando negócio jurídico simulado, conduta enquadrada no inciso II, § 1º do art. 167 do Código Civil; c) os depósitos em conta de Previdência Privada dos funcionários ocupantes de cargos de confiança (direção) da empresa configurariam remuneração de natureza salarial, e meio ardiloso de, assim, furtarse à tributação do IRRF e das Contribuições Previdenciárias, tendo sido aplicada a multa de ofício isolada e qualificada de 150% e os juros de mora isolados pela falta de retenção do IRRF. Conforme o art. 6 da Portaria 343/2015 (Regimento Interno deste Conselho), os processos vinculados observam disciplina específica. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (sublinhei) § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies.(grifei) O lançamento de IRRF ocorreu como repercussão do processo 19515.003483/201011, relativo a contribuições previdenciárias, na modalidade reflexa. O Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10880.722332/201103 Acórdão n.º 2401004.325 S2C4T1 Fl. 4 5 lançamento principal, das contribuições previdenciárias, foi confirmado em parte pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara 2a. Sessão de Julgamento deste Conselho, conforme Acórdão 2401003.021, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NATUREZA SALARIAL NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de “previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. BÔNUS DE PERMANÊNCIA GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS PAGAMENTO POR LIBERALIDADE NATUREZA SALARIAL O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho. MULTA QUALIFICADA COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de contribuições previdenciárias em relação ao valores pagos por Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 meio de aportes em previdência privada. Para os valores de PLR pagos por meio de Folha de Pagamento, embora correto o lançamento realizado, posto a feição salarial do benefício, deve ser afastada a qualificação da multa, posto não ter logrado êxito o auditor em enquadrar o pagamento, como verdadeira omissão, ou desvirtuamento do pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados. No Acórdão daquele processo (conexo) sobre o lançamento das contribuições previdenciárias, ficou decido por unanimidade de votos, a rejeição da preliminar de nulidade; e por maioria de votos, o provimento parcial ao recurso, desqualificando a multa de ofício referente ao levantamento LEV 04. (O levantamento LEV 4 referese aos valores que transitaram pelas folhas de pagamento). O Recurso Voluntário foi interposto em 14/02/2012, após a ciência do Acórdão de Impugnação, que ocorreu em 17/01/2012. A seguir relato as razões do contribuinte. PRELIMINARMENTE 1. Cerceamento de defesa e ausência do contraditório Prova unilateral e ausência de discriminação clara e precisa da suposta infração. 1.1. A autoridade fiscal selecionou unilateralmente exempregados para colher informações sobre os fatos investigados. As oitivas realizadas pela RFB não foram do conhecimento do recorrente, ficando impossibilitada de exercer o direito de contraditório relativamente aos fatos. Alega que um dos entrevistados (Octoniel Pelizário) teria comparecido para a oitiva acompanhado de advogada e que não lhe permitiram acompanhar a oitiva. Considera inconstitucional o procedimento do fisco pelas razões: não intimar a recorrente para participar da oitiva e não permitir a presença de advogado na ocasião. 1.2. Na impugnação solicitou a produção de prova pericial, visando sanar a prova testemunhal produzida unilateralmente pelo fisco. A recorrente não se eximiu de juntar as provas que possui, apenas solicitou a perícia e oitiva para esclarecimento dos fatos, exercendo, dessa forma, o contraditório. 2. Ausência de lançamento definitivo nos autos do procedimento fiscal anterior Processo 19515.003483/201011 que sustenta o presente auto de infração. 2.1. Descreve os valores lançados no processo relativo às contribuições previdenciárias. Informa que o lançamento foi efetuado pelo fato da empresa ter adotado um plano de previdência complementar (Itaú Unibanco Vida e Previdência) que denominou de "secreto", apenas para funcionários detentores de cargos de confiança, com o objetivo de Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10880.722332/201103 Acórdão n.º 2401004.325 S2C4T1 Fl. 5 7 efetuar pagamentos de parcelas variáveis de remuneração aos funcionários, incluindo verbas relativas à participação nos lucros e resultados (PLR). 2.2. De acordo com o Relatório Fiscal, os pagamentos efetuados pela recorrente ferem dispositivos da Lei 10.101/2000, pois não houve negociação "transparente" entre a empresa, seus funcionários e o Sindicato, com pacto realizado de forma clara e precisa, com estabelecimento de metas, resultados, prazos e índices de aferição comuns a todos os empregados. Os depósitos teriam sido feitos nas contas de previdência privada do Itaú Unibanco, com o objetivo de dificultar a identificação dos valores, com o fito de se eximir das contribuições previdenciárias devidas. 2.3. A recorrente espera que o recurso apresentado no processo 19515.003483/201011, pendente de julgamento, será provido e, portanto, o lançamento do presente auto não teria sustentação legal. Argumenta que a obrigação no presente auto IRRF só poderia ser cumprida se as verbas pagas a título de PLR de que trata o lançamento do processo de fiscalização previdenciária fosse confirmado pelas duas instâncias administrativas e o lançamento assumisse o caráter definitivo no âmbito administrativo. 2.4. Considera temerário e inseguro o lançamento deste processo, pois desvinculado e posterior às outras fiscalizações relativas ao mesmo fato investigado. 3. Da fundamentação legal prevista em dispositivos revogados Lei 11.488/2007 e do artigo 9. da Lei 10.426/2002 3.1 O auto de infração infringiu o inc. IV do art. 10 do Decreto 70.235/72, citando e transcrevendo dispositivos revogados há mais de 3 anos. A Lei 11.488/2007 revogou/alterou vários dispositivos legais, dentre eles, o art. 44 da Lei 9430/96 e art. 9 da Lei 10.426/2002. Entende que vige apenas a multa isolada de 50% nos casos de falta de tributação de rendimentos sujeitos ao cognominado carnêleão pela pessoa física ou pela falta de pagamento de estimativa mensal pela pessoa jurídica. Assim, só poderia ser aplicada a multa de ofício de 75% ou 150% nos casos do inciso I e par. 1o. do artigo 44 da Lei 9.430/96 e quando houver a cobrança em conjunto com o imposto de renda na fonte. Cita decisão desta casa. 4. Da não sujeição passiva da autuada 4.1 A recorrente não pode ser considerada sujeito passivo da obrigação acessória, em face do disposto no art. 122 c/c artigo 115 do CTN. Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 A natureza dos depósitos realizados no Itaú tem conotação financeira, pois decorrem de Acordos Coletivos, dando ao empregado a opção de atribuir a esses valores o caráter de previdência privada, razão pela qual essas quantias não são registradas contabilmente como pagamento a plano de previdência privada. Neste caso, a obrigação acessória nasceu tendo como sujeito passivo alguém que não corresponde à configuração que a intuição comum indica.(grifei) 4.2. A fiscalização não cuidou de demonstrar as datas de cada aporte feito pela recorrente, em relação a cada um dos beneficiários e as respectivas datas dos pagamentos a cada um dos empregados pelo Itaú Unibanco Vida e Previdência. Preocupouse a autoridade fiscal em atribuir à Companhia Brasileira de Distribuição o ônus da obrigação acessória de reter e recolher o imposto de renda na fonte, sem levar em consideração que esta, na ocasião dos pagamentos dos funcionários, não tinha nenhuma disponibilidade ou controle sobre os pagamentos efetuados pela seguradora que detinha esta titularidade e gestão sobre os valores, em virtude do plano de previdência pacutado de acordo com a Lei Complementar 109/2001 e outras normas legais. Desta forma foram violados dispositivos legais. Entende a recorrente que foi a seguradora quem efetuou o pagamento aos beneficiários. Desta forma, caberia à seguradora a responsabilidade pela obrigação acessória da retenção do imposto de renda na fonte, em face da aplicação do aspecto temporal da hipótese de incidência. Cita decisão do STJ sobre o assunto. 5. Inexistência de autorização legal em normativa para a fiscalização do IRRF em face da falta de previsão no MPF 08.1.90.002008004012. 5.1. Como o MPF 08.1.90.002008004012 relativo à fiscalização previdenciária somente atribuiu aos agentes os poderes para fiscalizar e lançar os tributos CPMF, Contribuição Previdenciária e para outras Entidades ou Fundos e PIS e COFINS, ocorreu vício insanável pela ausência de previsão legal para o lançamento de IRRF que supostamente deveria incidir sobre os pagamentos de PLR, depositados em contas de previdência complementar privada na instituição Itaú Unibanco Vida e Previdência. (Obs.: o MPF 08.1.85.002010002080, suporte administrativo para o lançamento de IRRF, está anexado aos autos à efl. 3391). 5.2. A indicação do tributo objeto da fiscalização do MPF é requisito indispensável para o lançamento, razão pela qual, ausente essa indicação, o procedimento é nulo de pleno direito. O objetivo da norma é assegurar ao contribuinte a garantia constitucional da ampla defesa. Assim, o lançamento deve ser tornado nulo, em face da ausência de MPF com a indicação de autorização para a fiscalização do IRRF. MÉRITO 6. Participação nos lucros e resultados em conformidade com a Lei 10.101/2000 c/c Lei 8.212/1991 6.1. Os auditores utilizaramse de argumentos frágeis e provas testemunhais unilaterais e preparadas, sem assegurar a ampla defesa e o contraditório à empresa, para chegar à falsa conclusão de que os pagamentos feitos aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados por meio de contribuições extraordinárias para participação no plano de benefícios de previdência caracterizamse como parcelas de natureza salarial. 6.2. O art. 28 da Lei 8.212/1991 não disciplina a matéria, remetendoa para a Lei 10.101/2000, arts. 2o. e parágrafos. A referida lei prevê a definição dos critérios a serem utilizados/escolhidos para a participação nos lucros, que deve ser de comum acordo, e baseados Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10880.722332/201103 Acórdão n.º 2401004.325 S2C4T1 Fl. 6 9 em índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. O instrumento do acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 6.3. Informa que foi feita negociação coletiva por meio de Acordo Nacional de Participação nos Resultados, celebrado com o Sindicado dos Empregados do Comércio de São Paulo, nos termos do art. 2., inc. II da Lei 10.101/2000. 6.4. Conforme o citado Acordo, consta a exposição clara e objetiva da participação nos resultados cujo enunciado dispõe que " ... está condicionada à que o colaborador tenha mais de 1 (um) ano de empresa e ao atingimento de metas de vendas e lucratividade, estabelecidos pela empresa (...)." 6.5. Todos os pagamentos relativos ao PLR foram pagos pela empresa com base nos critérios previstos nos acordos celebrados, quais sejam, tempo de casa, vendas e lucratividade. 6.6. Os auditores teriam "criado" novos requisitos subjetivos, como por exemplo, que os pagamentos feitos por meio de aportes ao plano de previdência do Itaú nos anos de 2006 a 2008 não contemplaram todas as categorias de funcionários, além de afirmarem que nos acordos não constam regras claras e objetivas. 6.7. Afirma que a lei dá amparo para a tipificação da natureza jurídica dos pagamentos por PLR (Lei 8212/91, art. 28, par. 9, alínea j), remetendo a definição dos requisitos para a lei específica. 6.8. Todas as informações, detalhes e especificações dos programas de PLR foram amplamente divulgados aos empregados, assim como as metas a serem alcançadas e a quem eram aplicáveis, tudo de acordo com as diretrizes estabelecidas nos acordos e que foram disponibilizados à autoridade fiscal. 6.9. Não se pode admitir a interferência da fiscalização no conteúdo dos acordos que as partes livremente pactuaram. A Lei 10.101/2000 não proíbe o pagamento de PLR com assentimento dos empregados, por meio de depósitos em plano de previdência. 6.10. Os pagamentos ao plano de previdência não transitaram pelas folhas de pagamento por se tratarem de aportes que poderiam ou não se converter em benefícios de previdência. 6.11. Afirma que parte dos depósitos não se tratam de PLR, mas de esporádicas gratificações liberais ou bônus de contratação, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não podem ser consideradas no cômputo da semestralidade previsto no dispositivo citado. Tais casos também não foram apontados pela autoridade fiscal, o que impossibilita a contestação. 7. Legalidade dos pagamentos de PLR por meio do plano de previdência privada natureza jurídica e base de cálculo 7.1. Os pagamentos realizados a título de PLR por meio de contribuições extraordinárias ao plano de benefícios, de natureza previdenciária não encontra qualquer óbice por parte da Lei 10.101/2000. Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 7.2. Ainda que não se entendesse que os pagamentos fossem relativos ao PLR, as verbas, forçosamente, deveriam ser enquadradas na hipótese de exclusão previsto na alínea "p" do parágrafo 9, que dispõe que "não integra o salário de contribuição o valor das contribuições, efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os art. 9 e 468 da CLT." 8. Ausência de dolo, fraude ou simulação 8.1. O lançamento caracterizou a simulação fiscal pelo intuito de fraude nas contribuições previdenciárias e IRRF tendo como base : a) não inclusão dos valores pagos nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamentos e nos acordos, b) deixar de efetuar lançamentos contábeis em títulos não próprios e, principalmente, c) depoimentos de ex empregados. Argumenta que a fraude, o dolo e a simulação não podem ser definidos por mera presunção. Devem ser juntados aos autos provas concretas e obtidas de forma legal e com respeito à ampla defesa e ao contraditório. Afirma que a autoridade fiscal se baseou nos ilegais depoimentos de exempregados, colhidos de forma ilegal e sem assegurar o contraditório à empresa. 8.2. No caso dos autos não foi apresentado elemento que assegure a tipificação de simulação. A recorrente apresentou toda documentação ao fisco. Assim, não cabe nenhuma penalidade ou agravamento de penalidade pois a fiscalização não produziu prova capaz de determinar o tipo legal, tendo se valido de meras presunções e, principalmente, em depoimentos tendenciosos de exempregados, sem observância do contraditório. 9. Produção de prova pericial 9.1 Requer a produção de prova pericial destinada a repetir a prova testemunhal produzida unilateralmente pela fiscalização, bem como para examinar os lançamentos efetuados, que não foram detalhados e discriminados pela autoridade fiscal, notadamente em relação ao batimento dos valores depositados junto à seguradora, em cotejo com as datas dos saques efetuados e os critérios estabelecidos. 9.2. Indica como Assistente técnico o Contador Edson Cláudio Caetano, brasileiro, inscrito no CRC/SP n. 1SP216.842, CPF 091.030.02837, com escritório na rua Quirino de Andrade, n. 219, 8. andar, conjuntos 81 e 82, Centro, São Paulo, SP, CEP n. 01.049905, que deverá ser intimado para acompanhar a perícia e produzir laudo em separado, caso não concorde com o perito da RFB. 9.3. Requer também nova produção de prova testemunhal, com a intimação de atuais e exempregados da empresa, além de representantes da seguradora, para a produção de novos depoimentos. É o relatório. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10880.722332/201103 Acórdão n.º 2401004.325 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Preliminarmente o recorrente alega cerceamento de defesa tendo em vista a ausência do contraditório e ausência de discriminação clara e precisa da suposta infração. O contribuinte alega que a autoridade fiscal selecionou exempregados para prestar esclarecimentos sobre os planos de participação nos lucros e que não foi informado ou intimado para participar dos depoimentos das testemunhas, tendo em vista se defender do que estaria sendo tratado. Esclareço que o processo administrativo envolve duas fases, uma pré lançamento, de investigação, e outra póslançamento, quando se inaugura o contencioso fiscal com a impugnação tempestiva. Na fase investigativa, a autoridade fiscal busca informações sobre os fatos e sobre os fundamentos legais, tendo em vista verificar se haverá necessidade de lançamento tributário de ofício. Enquanto não terminada a fase investigativa, a autoridade fiscal ainda não sabe se haverá processo ou contencioso fiscal (conforme art. 14 do Decreto 70.235/72). Desta forma, nessa fase prélançamento, não há que se falar em cerceamento de defesa nem de ausência de contraditório. Contudo, na fase processual, após o lançamento tributário devem ser conferidas ao recorrente todas as garantias constitucionais relativas ao processo e a ampla defesa. O contribuinte anexou ao processo tantas provas quantas entendeu necessárias para se defender. Apresentou impugnação tempestiva e foi intimado de todas as decisões do processo. Assim, não lhe assiste razão quanto à alegação de cerceamento de defesa. Em relação à produção de prova pericial, entendo que seria necessária somente se a autoridade fiscal ou os julgadores desconhecessem algum elemento de prova trazido aos autos. Não pode ser utilizada como forma de inverter o ônus da prova do contribuinte para o fisco. Neste caso, o contribuinte poderia ter produzido quaisquer provas para contestar os fatos descritos pela autoridade fiscal, inclusive laudos de profissionais. Os documentos e as provas anexados aos autos não dependem de conhecimento estranho ao julgador ou às autoridades tributárias. Tratase de livros fiscais, documentos da escrita contábil, relatórios, termos de intimação, etc., bastante comuns em um processo administrativo fiscal. Assim, conforme o parágrafo único do art. 420 do Código de Processo Civil Brasileiro (Lei 5869/73), a perícia poderá ser indeferida nos seguintes casos: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável. Dado o exposto, considero dispensável a prova pericial no presente caso. Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 O recorrente se insurge contra o lançamento de IRRF tendo em vista que o processo por ele considerado principal (19515.003483/201011), ainda não está definitivamente julgado na esfera administrativa. Contudo, o referido processo já possui decisão neste Conselho, conforme incluído no Relatório acima. O contribuinte alega ainda a necessidade de se julgar o processo principal, relativo aos fatos geradores do crédito tributário para então se proceder a análise do crédito tributário reflexo, lançado neste processo. Pois bem, a questão principal, ou seja, o processo 19515.003483/201011, já possui decisão definitiva na esfera administrativa e assim, tanto para atender ao solicitado pelo contribuinte, quanto pelo princípio da economia processual subentendida no art. 6 da Portaria 343/2015, entendo que não há que se questionar o mérito dos fatos geradores que originaram o lançamento naquele processo e que são os mesmos desta lide. Reforço que o lançamento deste processo referese apenas à multa e juros isolados pelo não recolhimento do imposto de renda na fonte quando do pagamento dos valores consignados no processo principal. O lançamento tributário deste processo foi baseado no art. 9 da Lei 10.426/2002 (a seguir transcrito), ainda vigente no sistema jurídico brasileiro. A multa isolada é decorrente da não retenção na fonte do imposto de renda sobre os valores relativos ao PLR quando do pagamento disponibilização aos beneficiários/empregados. Lei 10.426/2002 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Observo que a retenção de Imposto de Renda na Fonte não tem outra finalidade senão a de fornecer subsídios à fiscalização tributária. Assim, a multa isolada e juros pelo não recolhimento de IRF definidos no art 9o. da lei 10.426/2002 visam punir as empresas que não prestaram ao fisco informações sobre pagamentos efetuados a terceiros (não identificados, ou sem causa). Observo que o recolhimento de IRF não se caracteriza efetivamente num tributo, pois a empresa deduz do valor a pagar, o montante a recolher ao fisco, e o beneficiário aproveita tal valor no momento da declaração de ajuste anual de Imposto de Renda. Assim, repetindo, a multa e juros isolados visam punir o não cumprimento da obrigação acessória pela empresa, que deixou de informar ao fisco os pagamentos feitos e que, por isso, se transforma em obrigação principal. A falta de informação sobre valores pagos a terceiros dificulta o trabalho do fisco para detectar sonegação fiscal em decorrência de tais pagamentos. Entendo que é esse objetivo da multa e juros cobrados de forma isolada sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem determinação da causa. Assim, mesmo que o beneficiário tenha sido identificado e tenha declarado os valores recebidos na declaração de ajuste anual, entendo que, ainda assim, deve subsistir a multa isolada e os juros pois a obrigação da empresa pagadora não foi cumprida. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10880.722332/201103 Acórdão n.º 2401004.325 S2C4T1 Fl. 8 13 Acrescento que a multa decorre de lei, portanto dentro do princípio da legalidade, e entendo que caso não existisse, tornaria o comando legal da obrigatoriedade de retenção de imposto de renda na fonte sem efetividade. Argumenta a recorrente que conforme o artigo 122 c/c artigo 115 do CTN, não pode ser considerada sujeito passivo da obrigação principal. O entendimento da recorrente está incorreto, pois antes dos valores serem sacados pelos empregados, foram depositados no plano de previdência em nome dos mesmos. Na ocorrência desse depósito sem a correspondente retenção na fonte do imposto de renda é que está sendo feito lançamento tributário. Em relação às inconsistências relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) alegadas pela recorrente, entendo que é um instrumento interno de controle administrativo do trabalho fiscal e que já foi extinto no âmbito da RFB. Incorreções no seu uso não tornam inválido o procedimento fiscal. A competência para o lançamento tributário do Auditor Fiscal decorre de lei e, portanto, independe de procedimentos internos para o exercício de tal competência, conforme art. 836 do RIR/99, a seguir transcrito, que corresponde ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Art. 836. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (Lei n º 5.172, de 1966, art. 142). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (Lei n º 5.172, de 1966, art. 142, parágrafo único). Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para exonerar deste lançamento tributário, os valores reflexos respectivos já exonerados no processo principal conexo que originou esta autuação (19515.003483/201011). Maria Cleci Coti Martins. Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.005155/94-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1991,1992
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-003.367
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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(incorporadora de PLAYCENTER COMÉRCIO E EMPREENDIMENTOS LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1991,1992 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 51 55 /9 4- 17 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão 3102001.226, de 06/10//2011, cuja ementa se transcreve a seguir: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESCRITA NO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO AFASTADA. SÚMULA Nº 17 DO CARF. JUROS MORATÓRIO – TAXA SELIC – SÚMULA Recurso conhecido e parcialmente provido. Foi suscitada divergência em relação ao entendimento adotado na decisão recorrida, que manteve a exigência dos juros de mora em lançamento para prevenir a decadência. O contribuinte alega ter feito o depósito do montante integral, não sendo assim, devido o lançamento dos juros moratórios. A PGFN pugna pela reforma do julgado sob o argumento que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, não cabendo, neste caso, o lançamento dos juros de mora. Como se alega que o depósito não foi integral, entende a douta procuradora que a cobrança dos juros deve ser feita sobre o valor total do débito. É o relatório Voto O recurso do contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Conforme exposto no relatório foi feito o lançamento para a prevenção da decadência de créditos tributários com exigibilidade suspensa. O contribuinte alega ter feito o depósito do montante integral, enquanto a procuradora diz que o depósito foi parcial e os juros devem fazer parte do lançamento, em sua integralidade. Estamos diante de uma questão probatória. Ocorre que a autoridade fiscal que lavrou o auto de infração, em seu termo de verificação, anexo do auto de infração (fls. 130) escreveu: Lançamento "ExOfficio": o presente lançamento está com a exigibilidade suspensa enquanto pendente de medida judicial suspensiva ou enquanto o depósito de montante integral de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.005155/9417 Acórdão n.º 9303003.367 CSRFT3 Fl. 996 3 credito tributário permanecer à disposição da autoridade fiscal ( CTN art. 151, incisos II e IV). Este lançamento objetiva evitar a ocorrência da decadência de credito tributário. Com efeito, não resta dúvida que, segundo o Auditorfiscal responsável pela lavratura do presente auto de infração, houve o depósito do montante integral e o lançamento foi efetuado para fins de se previnir a decadência. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Dessa forma, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 710DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000767/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NA DECISÃO. DESACOLHIMENTO DOS EMBARGOS.
Não demonstrada a existência de omissão na decisão embargada, deve-se rejeitar os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-005.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Declarou-se impedido o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (presidente da Turma).
Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NA DECISÃO. DESACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Não demonstrada a existência de omissão na decisão embargada, deve-se rejeitar os embargos de declaração. Embargos Rejeitados.
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DESACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Não demonstrada a existência de omissão na decisão embargada, devese rejeitar os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Declarouse impedido o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (presidente da Turma). Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 07 67 /2 00 7- 10 Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pelo sujeito passivo contra o acórdão n. 2401003.823 em 21/01/2015, de lavra da 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF. O acórdão embargado carregou a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 FALTA DE REPASSE DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. MENÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tem o fisco, ao efetuar o lançamento, a obrigação de relatar as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, assim, os seus agentes, ao se depararem com documentos que comprovam a prática de apropriação indébita, devem relatar o fato no termo de verificação fiscal, ainda que o Judiciário tenha determinado providências do sujeito passivo no sentido de repassar as quantias indevidamente retidas. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS. DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A OBRIGAÇÃO DE RETER DO ADQUIRENTE. LEGITIMIDADE PASSIVA DESTE. A legitimidade para figurar no polo passivo do lançamento para prevenir a decadência é da empresa adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, quando esta é a detentora, no momento do lançamento, de provimento judicial provisório para se livrar da obrigação de reter e recolher acontribuição dos seus fornecedores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS /CORRESPONSÁVEIS. INEXISTÊNCIA. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos ou “Relatório de Corresponsáveis” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS. A responsabilidade do adquirente para recolhimento das contribuições dos produtores rurais pessoas físicas que foram retidas e não recolhidas à Seguridade Social é integral e não subsidiária. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 2402005.126 S2C4T2 Fl. 1.314 3 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Recurso Voluntário Provido em Parte." Cientificado da decisão em 23/11/2015, fl. 1.139, o sujeito passivo interpôs tempestivamente embargos de declaração, em duas peças de fls. 1.141/1.253 e 1.256/1.302. Em ambas, suscitase a ocorrência de diversas omissões, as quais teriam decorrido da falta de enfrentamento das questões abaixo: a) ausência de análise das questões relativas às contribuições ao SENAR e ao SAT, as quais não foram objeto da ação judicial; b) incompetência do auditor fiscal e nulidade do lançamento decorrente de falta de MPF para fiscalização dos estabelecimentos filiais; c) cerceamento ao direito de defesa em razão da falta de juntada dos documentos que comprovariam a retenção das contribuições lançadas pela empresa autuada; d) apreciação do argumento de que os produtores rurais detinham liminares para afastar a retenção; e) faltou ao acórdão indicar a fundamentação legal para se chegar à conclusão de que a liminar concedida à embargante não teria influência acerca da definição da legitimidade passiva. É o relatório. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 2402005.126 S2C4T2 Fl. 1.315 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Por atender aos requisitos previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, devem os embargos ser conhecidos. Contribuições ao SENAR e ao SAT Não há o que se falar em omissões relativas às exigências das contribuições ao SAT e ao SENAR, uma vez que não foram apresentadas no recurso quaisquer alegações específicas quanto a estas exações. Incompetência do auditor Essa questão foi tratada em tópico específico do recurso voluntário, portanto, não há o que se falar em omissão. Vejamos: " Incompetência do Auditor Fiscal Improcedem os argumentos apresentados pelos recorrentes acerca da incompetência da autoridade que procedeu à lavratura do presente auto de infração. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6o, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: (...)" Neste tópico foram enfrentados todos os pontos trazidos pelo sujeito passivo acerca da suposta incompetência do agente do fisco, seja por questão da localização da repartição a que estava lotado, seja por falta de formação específica como contabilista. Necessidade de emissão de MPF por estabelecimento Esta omissão não há de ser acatada pelo simples fato de que não ter sido aventada no recurso voluntário. Falta de juntada dos documentos que comprovariam a retenção das contribuições A questão da comprovação das retenções também foi objeto de análise no aresto embargado, como se pode ver do seguinte excerto: Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 " As recorrentes afirmam que é incabível menção à apropriação indébita das contribuições pois a empresa, obedecendo a determinação judicial, está efetuando em juízo o depósito dos valores descontados dos produtores rurais. A solução dada pelo Judiciário em relação às quantias arrecadadas pelo sujeito passivo e não recolhidas aos cofres da Seguridade Social foi, em sede de decisão liminar, determinar o depósito judicial dos valores retidos. Porém, quando da sentença de mérito, determinouse que a impetrada fizesse o levantamento das quantias descontadas para posterior restituição aos produtores rurais. É o que se vê do excerto da decisão constante às fls.740/745: “Posto isto, CONCEDO A SEGURANÇA, para declarar que impetrante não está sujeita à retenção e ao recolhimento da contribuição denominada NOVO FUNRURAL, de que trata a Lei 8540/92, que alterou a redação artigo 25 da Lei 8212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea "a" do inciso V da Lei n.º 8.212/1991, devendo a autoridade impetrada absterse de exigir esta retenção e os respectivos recolhimentos, exceto em relação às aquisições efetuadas junto a produtores rurais pessoa física considerados como segurados especiais, especificados no inciso VII, também do artigo 12 da Lei 8211/91, não objeto de discussão nestes autos. Após o trânsito em julgado desta sentença, eventuais valores que tenham sido retidos de segurados especiais e depositados judicialmente deverão ser convertidos em renda do INSS. Os valores retidos das pessoas físicas empregadoras e depositados deverão ser levantados pela impetrante para fins de restituição aos produtores rurais. 0 valor de retenções que eventualmente não tenham sido recolhidas aos cofres do INSS nem depositadas nestes autos deverão ser devolvidas aos produtores rurais, sob pena de caracterização do crime de apropriação indébita. Verificase, assim, que o próprio Poder Judiciário reconheceu que a empresa estava efetuando a retenção das contribuições de seus fornecedores pessoas físicas sem efetuar o devido repasse para a Seguridade Social. Vêse claramente que o fisco não se equivocou ao mencionar essa questão no seu relatório de trabalho. É que o Auditor deparouse com documentos (notas fiscais e acerto de compra de gado) que comprovam de forma cabal que a empresa efetuava a retenção e não repassava as contribuições dos produtores rurais." Afasto, assim, mais essa omissão. Falta de apreciação dos argumentos de que os produtores teriam liminares para afastar a retenção Não há que se acatar essa omissão, posto que as contribuições lançadas foram aquelas retidas pelo sujeito passivo dos produtores rurais. Portanto, tendo a Turma concluído que houve a retenção do tributo, fugiria à lógica qualquer menção à impossibilidade do sujeito passivo de descontar as contribuições, posto que a motivação do lançamento foi exatamente a Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 2402005.126 S2C4T2 Fl. 1.316 7 exigência dos tributos que foram objeto de retenção. Assim esse argumento não teria qualquer serventia para solução da lide, motivo pelo qual deixou de ser apreciado. Falta de menção ao fundamento jurídico para que a liminar concedida ao adquirente tivesse menos força para afastar a exação que o provimento concedido aos produtores Embora sem menção específica a qualquer dispositivo normativo essa questão foi muito bem enfrentada pela Turma que contrariando posicionamento anterior afastou a aplicabilidade da Solução de Consulta Interna n. 01 da RFB, de 15/01/2013, ao caso sob comento. A decisão deixou elucidada com precisão que a responsabilidade pela retenção das contribuições é afastada em relação ao adquirente da produção nas situações em que ele é impedido de efetuar a retenção em razão de decisões obtidas pelos produtores, situação em que estes são chamados a responder pela dívida em caso de reversão do provimento judicial. Explicouse que, no caso sob comento, a situação fática é de outra natureza, haja vista que se trata de decisão judicial obtida pelo próprio adquirente, não podendo os produtores responderem pelo débito em caso de insucesso na ação judicial. Portanto, essa questão ficou muito bem delineada no voto condutor do acórdão, não havendo o que se falar em omissão. Conclusão Voto por conhecer dos embargos, para rejeitálos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10803.720079/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE.
Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade.
A responsabilidade solidária é imputada enquanto participar da direção da empresa.
DECADÊNCIA
A regra do artigo 150 do CTN não se aplica quando ocorre dolo, fraude ou simulação.
PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA.
Ocorre incidência de tributação quando a premiação se caracteriza como retribuição do trabalho efetuado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-003.021
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso, determinando a exclusão de Carlos Sotto Maior da condição de devedor solidário a partir de 16 de janeiro de 2008. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento integral ao recurso.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade. A responsabilidade solidária é imputada enquanto participar da direção da empresa. DECADÊNCIA A regra do artigo 150 do CTN não se aplica quando ocorre dolo, fraude ou simulação. PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA. Ocorre incidência de tributação quando a premiação se caracteriza como retribuição do trabalho efetuado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso, determinando a exclusão de Carlos Sotto Maior da condição de devedor solidário a partir de 16 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 79 /2 01 2- 49 Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 de janeiro de 2008. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento integral ao recurso. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1650.072 da 14ª Turma, que julgou o lançamento procedente em parte, excluindo o crédito referente às competências 01 a 11/2006, em razão de decadência. A decisão recorrida explicita a razão da ausência do recurso de ofício. Deixo de recorrer de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em conformidade com o artigo 27, VI, da Lei nº 10.522, de 19/06/2002, na redação dada pela Lei nº 12.788, de 14/01/2013, DOU de 15.1.2013, em vista que a exoneração do credito tributário está fundamentada em Súmula do Supremo Tribunal Federal. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DA AUTUAÇÃO 1. O presente processo administrativo (PT 10803.720079/2012 49) é constituído por quatro Autos de Infração, lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos às Contribuições Sociais, Contribuição Previdenciária – Empresa; Contribuição Previdenciária – Segurados; Contribuição Destinada a Outras Entidades e Fundos, os chamados Terceiros, e pelo Descumprimento de Obrigações Acessórias, para as competências: 01/2006 a 05/2008, a saber: • DEBCAD nº 37.359.5930 AIOP foram apurados valores referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, no que toca a parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre remunerações oriundas de créditos efetuados através de "cartões incentivo", pagas pela empresa a segurados obrigatórios da previdência social, conforme o art. 22, incisos I e II , da Lei 8.212/91. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 5.581.503,37, (cinco milhões, quinhentos e oitenta e um mil e quinhentos e três reais e trinta e sete centavos), consolidado na data da lavratura em: 07/11/2012. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 • DEBCAD nº 37.359.5948 AIOP foram apurados valores referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, no que toca a parte dos segurados empregados incidentes sobre remunerações oriundas de créditos efetuados através de "cartão incentivo", pagas pela empresa a segurado obrigatório da previdência social, empregado, (art. 12, inciso I e, art. 28, I inciso, da lei nº 8.212/91). O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 1.988.545,29, (um milhão, novecentos e oitenta e oito mil e quinhentos e quarenta e cinco reais e vinte e nove centavos), consolidado na data da lavratura em: 07/11/2012. • DEBCAD nº 37.359.5956 AIOP foram apurados os valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação; INCRA; SENAC; SESC; SEBRAE), incidentes sobre remunerações oriundas de créditos efetuados através de "cartões incentivo", pagas pela empresa a segurados obrigatórios da previdência sócia. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa de R$ 1.362.089.61, (um milhão, trezentos e sessenta e dois mil e oitenta e nove reais e sessenta e um centavos), consolidado na data da lavratura em: 07/11/2012. • DEBCAD nº 37.359.5921 AIOA (CFL 68) foi lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O crédito corresponde ao montante de R$ 1.051.128,00, (um milhão, cinqüenta e um mil e cento e vinte e oito reais), lavrado em 07/11/2012. 2. O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal Fls. 37/55, informa que: 2.1. A fiscalização na empresa foi em decorrência das investigações desenvolvidas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios MPDFT, face a obtenção da quebra do sigilo bancário, telefônico e telemático dos investigados e, da quebra do sigilo fiscal, assim, solicitou à Receita Federal do Brasil RFB a análise das informações levantadas até então, assim como sua participação no planejamento e execução dos mandados de busca e apreensão autorizados pela justiça; 2.2. A RFB passou a integrar os trabalhos que, em seu âmbito, recebeu o cognome de Operação Aquarela e, por conseqüência, deu cumprimento a mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal de Brasília, ocasião em que foram apreendidos inúmeros documentos relacionados às possíveis fraudes; 2.3. A fiscalização constatou, após a análise dos documentos apreendidos e das investigações, que em uma das vertentes do suposto esquema fraudulento figurava uma empresa do segmento de cartões de crédito, onde o seu modus operandi Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 4 5 tinha como objetivo, oferecer serviços voltados à implementação de campanhas de incentivo, resultando em mecanismo de pagamento de prêmios a pessoas indicadas por seus clientes, mediante a distribuição dos cartões com os respectivos créditos, possibilitando a esses beneficiários sacar em espécie o montante que lhe fora atribuído; 2.4. A RFB por sua área de planejamento das atividades fiscais demandou a abertura de procedimentos de diligência e fiscalização em empresas do segmento de cartões de crédito dentre elas a Expertise Comunicação Total S/C LTDA, CNPJ 03.069.255/000107, tendo sido apurado que a empresa Contractors Peopleware and Technology Serviços de Atendimento Ltda – CNPJ 02.585.604/000172, sucedida por Vidax Teleserviços S/A, foi uma das tomadoras de serviços da Expertise Comunicação Total S/C LTDA, que não foi alvo direto na Operação Aquarela, como ressaltou a fiscalização, mas, foi determinante para a abertura de procedimentos fiscais junto a contribuintes que prestaram ou tomaram serviços de mesma natureza; 2.5. Foi verificado pela fiscalização que havia pessoas físicas ligadas diretamente com a empresa alvo na Operação Aquarela e a Expertise (doc. 01) fls. 56/61, assim como eram idênticos o modus operandi e o leiaute do contrato de prestação de serviços de ambas as empresas, cujos fatos realçavam a convicção de que a fraude identificada naquela operação apresentava ramificações. 2.6. As informações levantadas na Operação Aquarela, em conjunto com outras ações potencialmente implementadas no âmbito cotidiano da RFB, como, o cotejamento de dados dos sistemas, as demandas advindas de outros setores da casa e de órgãos externos, entre outros, foi determinante para a abertura de procedimentos fiscais junto a contribuintes que prestaram ou tomaram serviços de tal natureza. 3. Do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, item 2, no tópico denominado: “2. DOS INDÍCIOS DE FRAUDE”. Consta que: 3.1. a ação fiscal foi iniciada junto ao contribuinte CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA, cujo objetivo era a verificação do registro contábil e a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias relacionadas aos tributos e contribuições administrados pela RFB, em virtude da emissão de notas fiscais de prestação de serviços por EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA; 3.2. entre os documentos apresentados por CONTRACTORS, encontrase os contratos n° 3314 e n° 4561 entre o Contribuinte e Expertise, que tinha como objeto a Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exchange Card; Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 3.3. o contribuinte contratou a prestação dos serviços da empresa Expertise Comunicação Total Ltda. com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias creditadas nos cartões, conforme aqueles contratos (doc.12), fls. 357/374; 3.4. nas notas fiscais a contratada “Expertise” identificou como "TRIBUTADOS" e "NÃO TRIBUTADOS ISS", importâncias, como descritos no campo “DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS E DESPESAS” correspondentes, respectivamente, a “Comissão agência ...” e "Expert Card Campanha de incentivo", do que se concluiu que tais importâncias destinavamse a remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela CONTRATADA e para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela CONTRATANTE; 3.5. a fiscalização procedeu à análise dos documentos apresentados pelo contribuinte e, que estes comprovaram o pagamento do valor total das notas fiscais à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, conforme relação (doc. 13 a 15), cujos montantes, foram levados a resultado do exercício com o registro contábil em contas de despesas, “MÃO DE OBRA” pessoa jurídica, sem identificar na contabilidade os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões denominados "Exchange Card". 3.6. o contribuinte CONTRACTORS não apresentou nenhum outro documento, além das cópias dos contratos mencionados e das notas fiscais (doc. 17 a 23), também, não apresentou as notas fiscais registradas na contabilidade, conforme consta no Anexo II (doc. 16) e nas folhas do Razão (doc. 25); 3.7. o contribuinte não comprovou a efetiva prestação dos serviços pela CONTRATADA e a necessidade dos dispêndios à manutenção da atividade e da fonte produtora da CONTRATANTE, conforme notas fiscais obtidas junto à Expertise (doc. 24); 3.8. O procedimento contábil adotado pelo contribuinte ocultou a causa e os beneficiários destes pagamentos, omitindo, também, tais fatos geradores nas respectivas GFIP's Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. “Da Aferição Indireta do Salário de Contribuição”, consta que: 4. Para apuração do salário de contribuição foi utilizado o critério da aferição indireta, com respaldo no art. 33, § 3º, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, pela falta de identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação, implementado através do cartão "Exchange Card", mediante os serviços prestados pela empresa Expertise Comunicação, bem como os respectivos valores atribuídos a cada um dos beneficiários, apesar de intimação fiscal neste sentido. “Das Obrigações Principais”, consta que: Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 5 7 5. face a ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores oriundos dos créditos efetuados nos cartões incentivo, foram lavrados os Autos de Infração de obrigações principais: • Debcad n° 37.359.5930, referente à contribuição da empresa para a seguridade social; • Debcad n° 37.359.5948, referente à contribuição previdenciária dos segurados, calculada pela alíquota mínima, não tendo sido constatada a retenção das mesmas pelo sujeito passivo; • Debcad n° 37.359.5956, referente à contribuição da empresa para outras entidades e fundos (terceiros). 5.1. Remete aos discriminativos que integram o presente processo administrativo: AI Auto de Infração, que consiste na capa do Auto de Infração, demonstrando entre outros dados, a sua totalização e local da lavratura; DCCTP Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário, que demonstra os valores totais lançados; IPC – Instruções para o Contribuinte, que traz informações acerca da regularização do débito; Relatório de Vínculos, que aponta os corresponsáveis pelos créditos lançados; DD Discriminativo do Débito, que aponta por competência os valores do salário de contribuição, das rubricas, dos juros, das multas e dos totais; FLD Fundamentos Legais do Débito, que apresenta os dispositivos legais que amparam os lançamentos; RL Relatório de Lançamentos, que demonstra mês a mês os fatos geradores sobre os quais incidiram as contribuições lançadas. 6. Sob o titulo “DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSORIA – CFL 68”, relata a fiscalização que: 6.1. A ausência da declaração de valores em GFIP caracterizou infração praticada pelo sujeito passivo, haja vista que o mesmo deixou de apresentar o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e § 3°, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias 6.2. A multa a ser aplicada em decorrência da infração praticada pela empresa estaria capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, § 5º, também acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inciso II e art. 373, que consiste em 100% (cento por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite estabelecido no § 4º do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 6.3. A infração foi praticada antes do advento da Medida Provisória MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, razão pela qual a penalidade deve resultar da comparação entre a aplicação da multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que corresponde a 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor da contribuição lançada e a soma da multa de mora de 24% (vinte e quatro por Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 cento), prevista no inciso I do art. 35, mais a multa estabelecida no § 5º do art. 32, ambos da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, aplicandose a que for mais benéfica ao sujeito passivo, conforme art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN. 6.4. A penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória foi calculada em cada competência e comparada pelo princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, conforme consta nos demonstrativos constantes , (doc. 29), fls. 954 a 962, onde restou demonstrado que nas competências: 01/2006; 12/2006; 01/2007 a 05/2008, a multa mais benéfica foi a anterior à MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, tendo sido, portanto, lavrado o Auto de Infração AI capitulado no Código de Fundamentação Legal CFL 68 (aplicação da multa estabelecida no art. 32, §5º, da Lei n 8.212, de 24/07/1991), Debcad n° 37.359.5921, pelo descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista a falta de declaração de fatos geradores em GFIP. DA SUCESSÃO DA CONTRACTORS PELA VIDAX 7. A Autoridade Fiscal informou as receitas declaradas em DIPJ do Contribuinte, do ano calendário 2006 a 2011, apresentaram valores decrescentes, com receita zero em 2011. Para ela, houve a dissolução irregular da sociedade, sem a devida comunicação à JUCESP e à RFB, 7.1. A Autoridade Fiscal teceu várias considerações sobre os sócios e as alterações contratuais da CONTRACTORS, itens 7.3. a 7.9. do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, e conclui que com a 9ª e última alteração conhecida, JUCESP 439.999/108, de 13/12/2010, verificase ter a CONTRACTORS, por capital social subscrito e integralizado o montante de R$ 4.210.000,00, pertencendo 50% a VALDIK GUERRA LIMA e 50% a PALMARIUM, representada por MARCELO KALFELZ MARTINS e MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, administradores não sócios, e VALDIK GUERRA LIMA, administrador sócio, "pela assinatura de quaisquer dos Administradores Não sócios", "sempre em conjunto com a assinatura do Administrador sócio". 7.2. Em 2008, por ata de assembléia geral de 21 de fevereiro de 2008, JUCESP 35300354133, 04 de março de 2008, foi constituída a sociedade VIDAX TELESERVIÇOS S/A, tendo por sede o mesmo endereço da filial da sociedade CONTRACTORS, Avenida João XXIII, 1160, sala 20, César de Souza, CEP 08.830000, Mogi das Cruzes SP, e por objeto social o “desenvolvimento, implantação e operacionalização de serviços de teleatendimento em geral...”. 7.3. Na constituição de Vidax, constaram como seus acionistas: Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 6 9 7.4. Em 01 de julho de 2008, ingressa na sociedade ABS DIGITAL LTDA, mediante a cessão de 9.615 ações pela PALMARIUM e 2.891 ações pela GUERRA & CARLA. É aberta uma filial na Rua Sete de Abril, 230, 10° andar, conjunto 103, São Paulo, no mesmo endereço da matriz da sociedade CONTRACTORS. 7.5. Posteriormente, o capital da sociedade foi aumentado, de 500.000 ações ordinárias nominativas para 45.000.000 de ações ordinárias nominativas, subscritas por: 7.6. Em assembléia geral extraordinária de 16 de maio de 2011, foi autorizada a emissão de 11.250.000 ações preferenciais nominativas, ao preço de emissão de R$ 4.08888889, totalizando R$ 46.000.000,00, subscritas pela sociedade PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S/A, representada por MARCELO KALFEZL MARTINS e MARCELO AMARO DA SILVA, ficando o capital da sociedade VIDAX elevado a R$ 91.000.000,00. 7.7. Na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de abril de 2012, foram reeleitos Marcelo Kalfelz Martins e Marcos Vinícius Do Carmo, respectivamente, diretor presidente e diretor geral da sociedade VIDAX TELESERVIÇOS S/A. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 7.8. Abaixo, informações extraídas das DIPJ da CONTRACTORS e de VIDAX, que corroboram a extinção irregular da primeira e o nascimento e evolução da sociedade VIDAX: 7.9. Informa a Autoridade Fiscal que a sociedade VIDAX passou, após sua constituição em 2008, a explorar, no mesmo endereço, com os mesmos empregados, sob administração das mesmas pessoas físicas, a mesma atividade explorada pela sociedade CONTRACTORS, até sua presumível extinção irregular, pela ausência de receitas auferidas no anocalendário 2011. 7.10. Em consulta ao Banco de Dados constantes do CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais e da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social, a Fiscalização indicou as seguintes relações de pessoas físicas entre as empresas VIDAX e CONTRACTORS. 7.11. Esclareceu que o código N3 , constante da relação do CNIS, corresponde a “Empregado proveniente de transferência de outro estabelecimento da mesma empresa ou de outra empresa, sem rescisão de contrato de trabalho”. 7.12. De acordo com relação SEFIP, (doc. 34 – fls. 1311/1550) identificado por GFIP 012009, todos os trabalhadores ali relacionados, como movimentados em 01 de janeiro de 2009, tem por código de movimentação N3. 7.13. Constatou a Fiscalização que além de exercer a mesma atividade no mesmo endereço e administrada pelas mesmas pessoas, a sociedade VIDAX assumiu o passivo trabalhista da CONTRACTORS. Desses fatos, conclui a Autoridade Fiscal, por presunção comum, que a sociedade VIDAX é sucessora da Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 7 11 sociedade CONTRACTORS, seja pela aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento, quer pela transformação desta, o que não altera a condição de responsável pelo crédito tributário apurado junto a CONTRACTORS, ao teor do que dispõe os Artigos 129, 132, “caput”, e 133, “caput” e inciso I, da Lei n° 5.172/66 (CTN). 7.14. Consta que a CONTRACTORS, em atendimento ao solicitado no Termo de Início do Procedimento Fiscal, apresentou cópia dos documentos das seguintes pessoas físicas como tendo sido seus administradores nos anos calendário de 2006 a 2008: VALDIK GUERRA LIMA; MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, EDUARDO MARQUES SAMPAIO. 7.15. Consta que, de acordo com informações da JUCESP, o Contribuinte deixou de informar os seguintes administradores: CARLOS SOTTO MAIOR e MARCELO KALFELZ MARTINS. 7.16 Afirma o Auditor Fiscal que esses administradores praticaram atos com infração de lei, tanto relativamente ao registro contábil dos pagamentos efetuados a Expertise Comunicação Total Ltda, com a apropriação de despesas não dedutíveis, quanto em relação a dissolução da sociedade, sem comunicação aos órgãos de registro e a RFB, tornandose responsáveis solidários pelos crédito tributário apurado junto à sociedade CONTRACTORS, e sucessora, correspondentes aos anos calendário de 2006 a 2008. 7.17. A Fiscalização formalizou a Representação Fiscal para Fins Penais, pois restou caracterizado, em tese, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, em conformidade com art. 337A, do Decreto Lei n° 2.848/40 Código Penal, na forma da Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010. 7.18. Em seguida, a Autoridade Fiscal demonstra o relacionamento direto e/ou indireto de CONTRACTORS com outras sociedades: 1 PALMARIUM PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA. CNPJ – 08.094.357/000198 ▪ Sociedade detentora de 50% do capital social da CONTRACTORS, constituída em 01 de junho de 2006, JUCESP 35220723434, 21 de junho de 2006, tendo por titulares do capital social ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE, CPF 052.18362808, EDUARDO MARQUES SAMPAIO, CPF 824.994.89715, e MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.368.33000 ▪ Em sua primeira alteração contratual, JUCESP 19.368/070, 13 de março de 2007, os titulares do capital social cedem e transferem suas quotas, a título oneroso, às pessoas jurídicas abaixo relacionadas, na forma a seguir demonstrada, e são nomeados administradores da sociedade: Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 MARCELO KALFEZ MARTINS: 11.667 quotas a AGPM ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE MARKETING LTDA. CNPJ: 02.808.992/000103; 11.667 quotas a A. ATHAYDE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA. CNPJ: 03.906.461/000116, e, 10.000 quotas a MTM CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S/C LTDA. CNPJ: 03.218.131/000138. EDUARDO MARQUES SAMPAIO: 33.333 quotas a AGPM ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE MARKETING LTDA . CNPJ: 02.808.992/000103. ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE; 33.333 quotas a A. ATHAYDE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA. CNPJ: 03.906.461/000116. Representada por seu Diretor Presidente, MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.388.33000, na segunda alteração contratual, JUCESP 71.465/078, 12 de abril de 2007, é admitida como sócia cotista da PALMARIUM a sociedade JIREH PARTICIPAÇÕES S.A., inscrita no CNPJ sob número 08.750.677/000159, com a cessão de transferência, a título oneroso, de 15.000 cotas por cada uma das sociedades AGPM e A. ATHAYDE. ▪ Arquivada na JUCESP sob nº 255.122/081, em 13 de agosto de 2008, retiramse da sociedade as cotistas AGPM e DARDA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA, nova razão social de A. ATHAYDE, com a cessão e transferência de suas cotas, a título oneroso, da seguinte forma: DARDA (ex A. ATHAYDE) = 10.000 cotas a MTM, e 20.000 cotas a JIREH. AGPM = 30.000 cotas a MTM. ▪ Neste ato, são destituídos os administradores não sócios ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE e EDUARDO MARQUES SAMPAIO, permanecendo como administradores os remanescentes MARCOS VINÍCIUS DO CARMO e MARCELO KALFELZ MARTINS. ▪ Com a 4ª e última alteração contratual arquivada na JUCESP sob n° 342.339/102, em 27 de setembro de 2010, as sócias cotistas, JIREH e MTM, representadas, respectivamente, por MARCELO KALFELZ MARTINS e MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, decidem que a sociedade MTM cede e transfere, a título oneroso, 30.000 cotas de capital a cotista JIREH, e alteram o endereço da sociedade PALMARIUM, coincidentemente, para o mesmo endereço da sociedade CONTRACTORS, Rua sete de abril, 230, conjunto 104, CEP 01.044000, República, São Paulo SP, mantidos como administradores as mesmas pessoas físicas, ora mencionadas. 2 JIREH PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ 08.750.677/000159 ▪ Sociedade anônima que tem por Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 8 13 acionistas seu Diretor Presidente MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.368.33000, e sua Diretora FLAVIA FIGUEIREDO MARTINS, CPF 987,651.32068, nos termos dos atos arquivados na JUCESP sob n° 35.528/102, 26/01/2010, 347.433/100, 23/09/2010, 55.481/112, 08/02/2011, 161.687/118, 29/04/2011, e 103.539/128, 28/03/2012. ▪ Destacase a Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 20 de abril de 2011, arquivada na JUCESP sob número 161.687/118, em 29 de abril de 2011, onde "verbis", "os acionistas deliberaram, à unanimidade e sem reservas, autorizar o Sr. Presidente, como representante da Companhia, a praticar, pessoalmente ou através de procuradores devidamente constituídos, todos os atos necessários ou convenientes que permitam à sociedade prestar garantias a obrigações em favor de terceiros, sem limite de valor e para as pessoas jurídicas que entender conveniente, desde que tenham vínculo societário com a Companhia, notadamente para as empresa VIDAX TELESERVIÇOS S.A. devidamente inscrita no CNPJ sob o n° 09.420.467/000165 e PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S.A. devidamente inscrita no CNPJ sob o n° 12.498.904/000178”. 3 MTM CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S/C LTDA. CNPJ: 03.218.131/000138 Em relação a esta sociedade, NIRE 35222320582, "não consta", nos arquivos da JUCESP, arquivamento posterior a sua constituição, que ocorreu em 09 de maio de 2008, início de atividades em 29 de abril de 2008, capital de R$ 2.000,00, sede na Alameda dos Cravos, 926, Moradas das Flores, CEP 06.519500, Santana de Parnaíba SP.,sócios cotistas LILIA YURIE KODAMA DO CARMO, CPF 045.319.13809, e MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, CPF 051.650.71847 4 AGPM ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE MARKETING LTDA. CNPJ: 02.808.992/000103; Sociedade com sede na Rua Portugal, 64, Jardim São Luiz, CEP 06.502370, Santana de Parnaíba SP., constituída em 12 de novembro de 2004, tendo por sócio cotistas ANA BEATRIZ FERREIRA DE MELLO, CPF 084.342.82879, e EDUARDO MARQUES SAMPAIO, CPF 824.994.89715, com capital social de R$ 30.000,00. 5 DARDA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA. CNPJ: 03.906.461/000116; Constituída em 23 de junho de 2003, razão social atual de A. ATHAYDE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA., com capital social de R$ 10.000,00, tendo por sócios cotistas ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE, CPF 052.183.62808, e CRISTIANA FERREIRA OLIVEIRA GOMES DE ATHAYDE, Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 CPF 136.420.20852, com sede na Rua Barão de Campos Gerais, 173, conj. 21, Real Parques, CEP 05.684000, São Paulo SP. 6 PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ 12.498.904/000178; ▪ Sociedade anônima de capital fechado, constituída por ata de 09 de junho de 2010, tendo por acionistas: LUIZ RODOLFO PALMEIRA VASCONCELLOS, CPF 892.195.20710, e ANTONIO LUIZ DE OLIVEIRA PINTO PASCOAL, CPF 007.997.16871, e capital constituído de 2.500 ações ON e 2.500 ações PN, integralizadas 1 ação PN pelo segundo acionista e todas as demais, 2.499 PN e 2.500 ON, pelo primeiro acionista, JUCESP 3530038/823, 05 de julho de 2010, protocolo 1190965/100 e 0.601.252/100, com a denominação SDG5 PARTICIPAÇÕES S.A. ▪ Conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 05 de agosto de 2010, arquivada na JUCESP sob n° 313.009/107, em 31 de agosto de 2010, decidiram os acionistas pela rerratificação da assembléia anterior, substituindo o boletim de subscrição, mantida a mesma participação no capital, e juntar o Estatuto Social da Companhia. ▪ Em assembléia de 15 de setembro de 2010, JUCESP N° 351.050/103, 29 de setembro de 2010, é alterada a denominação da sociedade para CÁSPIO PARTICIPAÇÕES S.A., criado o Conselho de Administração, eleito seus membros, e o cargo de Diretor de Relação com Investidores, e aumentado o capital social mediante a emissão de 45.000 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, integralmente subscritas pelo acionista LUIZ RODOLFO PALMEIRAS VASCONCELLOS, ao preço de emissão de R$ 1,00 por ação. ▪ Eleitos Diretor Presidente e de Diretor de Relação com Investidores, respectivamente, ANTONIO LUIZ DE OLIVEIRA PINTO PASCOAL e LUIZ RODOLFO PALMEIRA VASCONCELLOS, em reunião do Conselho de Administração de 15 de setembro de 2010, JUCESP 351.051/107, 29 de setembro de 2010. ▪ As Atas das Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária de 14 de abril de 2011, JUCESP 144.739/112, 15 de abril de 2011, consignam a alteração da denominação da sociedade para PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S.A., e do endereço para Rua 7 de abril, 230, 10° andar, Bloco A, CEP 01.044000, a renúncia e eleição de novos membros do Conselho de Administração, o aumento do capital social mediante a emissão de 10.000 ações ON, sem valor nominal, subscritas e integralizadas, com a renúncia dos demais acionistas, por JIREH PARTICIPAÇÕES S.A., representada por MARCELO KALFEZL MARTINS, ao preço de emissão de R$ 1,00 por ação, mediante a capitalização da totalidade do saldo em 8 de abril de 2011 da conta adiantamento para futuro aumento de capital no montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais). ▪ Em Reunião do Conselho de Administração de 14 de abril de 2011, ata arquivada na JUCESP sob n° 144.740/114, em 15 de abril de 2011, foram eleitos, com mandato de dois (2) anos, Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 9 15 MARCELO AMARO DA SILVA, CPF 101.190.88835, Presidente do Conselho de Administração e Diretor de Relações com Investidores, e MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.368.33000, Diretor Presidente, e autorizado a subscrição de ações preferências nominativas, sem valor nominal, representativas de até 20% do capital social, a serem emitidas pela VIDAX TELESERVIÇOS S.A., CNPJ 09.420.467/000165. ▪ Em relatório de Auditores Independentes, anexo a Ata de Reunião do Conselho de Administração de 27 de julho de 2011, JUCESP 362.626/100, 08 de setembro de 2011, foi relatada que a PROVIDAX subscreveu 11.250.000 ações PN, representativas de 20% do capital social da VIDAX TELESERVIÇOS S.A. ▪ Por último, em reunião realizada em 22 de junho de 2012, ata arquivada na JUCESP sob n° 288.881/126, em 05 de julho de 2012, foi autorizada a subscrição de ações preferenciais nominativas, sem valor nominal, a serem emitidas pela VIDAX TELSERVIÇOS S.A.,representativas de até dez (10%) por cento do capital desta sociedade. 7.19. Abaixo, demonstrativo de participação no capital de cada uma das sociedades acima arroladas: Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 7.20. Concluiu a Autoridade Fiscal pelos fatos expostos, redirecionar a constituição do crédito tributário à sociedade VIDAX TELESERVIÇOS S/A, como sucessora da CONTRACTORS, ao amparado nos dispostos nos artigos 129, 132 e 133, “caput”, e inciso I, da Lei n° 5172/66 (CTN). 7.21. Às fls. 1925/1927, há o Termo de Início do Procedimento Fiscal, Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 08.1.20.002012003748, comunicando à Vidax Teleserviços S.A., sobre o inicio do procedimento fiscal naquela empresa e cientificandoa do procedimento fiscal junto a CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA – CNPJ 02.585.604/000172, autorizado com o MPFF nº 08.1.20.002012003748, foram constatadas irregularidades na apropriação de despesas relacionadas a pagamentos efetuados a EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., nos anos calendário de 2006 a 2008, que resultaram na apuração de credito tributário relativo a Contribuição à Previdência Social e, os relativos ao IRPJ, CSLL, e IRRF. 7.21.1. Informa, também, o MPF, que no referido procedimento fiscal foi constatado ser a VIDAX TELESERVIÇOS S/A sucessor da CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA, extinta irregularmente. Ciência em 08/10/2012, fls. 1927. 8. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidaria – Assuntos Previdenciários, dos contribuintes: ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 1 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: VALDIK GUERRA LIMA – CPF 030.140.30821, à Rua Monte Alegre, nº 838, Apto. 21, Perdizes São Paulo – SPCEP 05014000, fls 1931/1933 – ciência em 14/11/2012, fl. 1934; Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 10 17 ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 2 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: CARLOS SOTTO MAIOR – CPF 261.253.82753, à Rua Pensilvânia, nº 114, BL 01 – Apto. 202, Cidade Monções São Paulo – SPCEP 04564000, fls. 1935/1937 ciência em 14/11/2012, fl. 1938; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 3 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: EDUARDO MARQUES SAMPAIO – CPF 824.994.89715, à Rua Carlos Weber, nº 757 – Apto. 271 – T CIRUS, Vila Leopoldina São Paulo – SPCEP 05303000, fls. 1939/1941 ciência em 14/11/2012, fl. 1942; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 4 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: MARCELO KALFELZ MARTINS – CPF 433.368.38000, à Rua Gabriel dos Santos, nº 794 – Apto. 81, Santa Cecília São Paulo – SPCEP 01231010, fls. 1943/1945 ciência em 14/11/2012, fl. 1946; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 5 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: MARCOS VINÍCIUS DO CARMO – CPF 051.650.71847, à Alameda dos Cravos, nº 929, Aldeia da Serra – Santana de Parnaíba São Paulo – SPCEP 06519500, fls. 1947/1949 ciência em 26/11/2012, fl. 1950. ▪ SUJEITO PASSIVO: VIDAX TELESERVIÇOS S/A – CNPJ 09.420.467/000165– à Avenida João XXIII, nº 1160, sala 20, Cezae de Souza – Mogi das Cruzes – SP – CEP 08830000 ► 9. DA IMPUGNAÇÃO da VIDAX TELESERVIÇOS S/A; MARCELO KALFELZ MARTINS e, VALDIK GUERRA LIMA. , protocolada em 14/12/2012, na DRF – S. José dos Campos. 9.1. Os impugnantes: MARCELO KALFELZ MARTINS e, VALDIK GUERRA LIMA, foram cientificados dos Autos de Infração e da Sujeição passiva em 14/11/2012, fls. 1946 e fls. 1934, respectivamente. O sujeito passivo: VIDAX TELESERVIÇOS S/A, foi cientificada em 16/11/2012, apresentaram impugnação conjunta para as referidas autuações, às fls. 1968/2016, com juntada de procuração, documentos de identificação de seus procuradores, ata de eleição de diretoria e estatuto social. 9.2. Os impugnantes apresentam um breve relato sobre os autos de infrações lavrados, da exigência dos créditos a titulo de contribuições previdenciárias, período de apuração e sobre os fundamentos legais dos lançamentos, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 10. DA PROVA EMPRESTADA Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 18 10.1 Constam do Termo de Verificação Fiscal, que a ação fiscal foi impulsionada pelos Ofícios expedidos pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, que encaminhou documentos relativos à "Operação Aquarela", que teve acompanhamento pela Receita Federal do Brasil e que a RFB apurou uma vertente do suposto esquema fraudulento onde a empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA figurou como empresa do segmento de cartões, fornecendo serviços para implementação de campanhas de incentivo com pagamento de prêmios às pessoas indicadas por seus clientes, mediante a distribuição de cartões com os respectivos créditos, possibilitando a estes beneficiários sacarem em espécie o montante que lhes fora premiado. 10.2 A "Operação Aquarela" teria sido iniciada para a verificação de suposta organização criminosa. 10.3 Não há nos autos do processo administrativo qualquer evidência de que houve, pelo Poder Judiciário, permissão para o compartilhamento dos objetos apreendidos através dos mandados de busca e apreensão autorizados pela justiça. E, salvo melhor juízo, em nenhum momento deste procedimento houve qualquer intimação aos Impugnantes, ou mesmo ação criminal que lhes reduza a credibilidade. 10.4 Não houve autorização para o compartilhamento de informações, tal compartilhamento deveria, necessariamente, ser autorizado pelo DD. Juiz da 1ª Vara Criminal Federal de Brasília e estar presente nas intimações recebidas pelos contribuintes. 10.5 Que as "provas emprestadas", nada provam contra os Impugnantes, são ilícitas, não podendo servir de base para a autuação pretendida pela fiscalização e, se tratando de "prova emprestada ilícita", cumulado à inexistência de ação criminal contra os Impugnante, as suposições descritas no lançamento fiscal, não podem ser consideradas, devem ser julgadas nulas de pleno direito. 10.6. Tal procedimento viola frontalmente os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. 11. DA SÍNTESE DOS FATOS 11.1. A autoridade fiscal sustenta que os Impugnantes, através da empresa CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA, realizariam pagamentos de salários indiretos aos seus funcionários, em razão do universo de notas fiscais emitidas pela EXPERTISE nos anos de 2006 a 2008, conjugado com contrato de fornecimento de cartões Exchange Card firmado entre ambas as empresas. 11.2 Entendem as Impugnantes que CONTRACTORS comprovou o pagamento total das notas fiscais à EXPERTISE e, que os valores desembolsados a este título foram levados ao resultado do exercício com registro em contas de despesas "Mão de Obra" pessoa jurídica. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 11 19 11.3. A autoridade Fiscal apontou que a CONTRACTORS não comprovou a efetiva prestação de serviços pela empresa EXPERTISE, nem a necessidade dos desembolsos à manutenção da atividade e da fonte produtora e, mesmo assim, alega que o procedimento contábil adotado possibilitou a ocultação dos beneficiários dos cartões e, consequentemente, ocasionou a não inclusão dos mesmos na GFIP (guia de recolhimento do fundo de garantia do tempo de serviço e informação à previdência social) dos fatos geradores decorrentes desta operação. 11.4. Por entendimento unilateral a fiscalização entendeu serem devidas as obrigações lançadas nos processos 10803.720080/201273 e 10803.720079/201249. 12. DA PRESUNÇÃO DA SUCESSÃO 12.1. As Impugnantes alegam que com a retração do mercado passou a apresentar receita menos considerável e que a diminuição das receitas não poderia conduzir ser entendido como dissolução irregular da sociedade. 12.2. Que a Fiscalização deixou de observar e aplicar as diligências e atenção ao disposto nos artigos 112 e 142 do Código Tributário Nacional – CTN, ao presumir o redirecionamento, constituiu o crédito tributário, sem prova material de que a Impugnante, em conluio, destinou receita da CONTRACTORS para a VIDAX. 12.3. O ônus da prova em que se assentam as presunções é da autoridade lançadora. Assim, em face da ausência de qualquer prova, o presente auto de infração deve ser julgado nulo. 13. DEFINIÇÃO DOCUMENTAL 13.1. As Impugnantes discorrem sobre o tema “documento”, destacando o sentido amplo da palavra e o estritamente jurídico para concluir que a idéia que se tem de documento, intuitivamente, não difere muito da definição gramatical e mesmo jurídica. Em sentido amplo, documento é todo objeto material destinado a provar um fato. A prova documental ocupa lugar de destaque no processo administrativo tributário, pois consiste no conjunto que se presta para representar um fato. 13.2. Alegam que, no direito tributário, elegemse como fatos desencadeadores de vínculos obrigacionais, atividades que, por sua peculiaridade, originam uma documentação própria, como a existência de deveres instrumentais impostos ao sujeito passivo, implicando a realização de registros fiscais, ou seja, DIPJ, DACON, DCTF, entre outros e, disso decorre a importância da examinada modalidade probatória na esfera tributária prescrevendo o artigo 195 do Código Tributário Nacional. 13.3. Que a referencia à prova emprestada processual aplicada à esfera tributária é observada no Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário federal, que prescreve em seu artigo 30, § 3º, a atribuição de eficácia aos laudos financeiros e cópias em língua estrangeira. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 20 13.4. Que a despeito da prova emprestada, a esta se aplica as exigências inerentes às modalidades probatórias, fazendose necessário que: (i.) a prova tenha sido produzida em processo envolvendo as mesmas partes; (ii.) na produção da prova, cujo conteúdo pretende transladar, tenham sido observadas as formalidades estabelecidas em lei, e (iii.) haja identificação entre o fato probando do primeiro e do segundo processo. 13.5. As informações advindas do órgão fazendário (sem prova de quem elaborou; sem indícios de processos criminais; sem assinatura dos responsáveis) de outra pessoa do executivo, não são suficientes para, por si só, provar fato jurídico ou ilícito tributário, autorizando a lavratura do ato de lançamento ou de aplicação de penalidades. Especialmente no presente caso, em que os processos não envolvem efetivamente as mesmas partes e em que não foram respeitadas as determinações legais. 13.6. Argumentam os impugnantes que a título de uma medida de dois pesos, que a fiscalização foi muito exigente ao requerer que as respostas da Impugnante fossem devidamente escritas e assinadas. Por outro lado, aceitou uma a informação de terceiro (expertise) para fazer "presumir o fato gerador" dos tributos exigidos na autuação combatida, mesmo que em valores expressivos. Como se alegações pudessem fazer nascer o fato gerador de tributos. 13.7. Que a utilização das informações, sem que a Autoridade Fiscal buscasse a materialização de supostas provas, de que houve ocultação de beneficiários, transfere aos autos, a nulidade absoluta ao Lançamento Fiscal. 14. DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO 14.1. As Impugnantes discorrem sobre a natureza jurídica do lançamento, notadamente o artigo 142 do Código Tributário Nacional e argumentam que não foi respeitado o devido processo legal administrativo. Entendem, que houve desrespeito também aos princípios da Constituição Federal de 1988, dos principio do juízo natural, da investidura e do devido processo legal, que garante a ampla defesa e o contraditório, o que resultando pela sua inobservância na nulidade absoluta do processo. 14.2. Argumentam sobre a amplitude probatória, garantia Constitucional ligada ao princípio do contraditório e ao direito da ampla defesa e sobre a prova, a verificação através de fontes reais, que atestam à época os atos e fatos, e, que a missão da prova é a de verificar e esclarecer para chegar à verdade, que é essência fundamental constitucional do direito ao devido processo legal. 14.3. E o art. 112 do CTN é expresso ao afirmar que, em caso de dúvida ou de ausência de provas robustas, interpretasse a lei tributária de maneira favorável ao contribuinte, no caso, a autoridade fiscalizadora deveria deixar de efetuar lançamento tributário, pelo princípio da legalidade (da estrita legalidade tributária). Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 12 21 15. DO DEVER DE REVER O ATO ADMINISTRATIVO 15.1. O procedimento administrativo, que culminou com o lançamento de ofício geraram fortes efeitos aos Impugnantes, inclusive com reflexos na área penal. Com base no art. 145, I, do Código Tributário Nacional, os Impugnantes buscam fazer valer o seu direito de defesa da revisão do lançamento. 15.2. Pedem seja aplicado o princípio da verdade material, que obrigaria à fiscalização a buscar a realidade dos fatos. Se um terceiro levanta suspeita contra o contribuinte e este, intimado, apresenta as suas informações, a fiscalização deve averiguar as informações prestadas, e buscar a realidade dos fatos, não pode desconsiderar os documentos contábeis e acatar suposição de terceiros. 15.3. Alega que o Fisco já vinha acenando, a cada manifestação, a cada requerimento de informações, que o lançamento seria concretizado com ou sem respostas dos requerimentos: com ou sem provas! 15.4. Que o Fisco verificou todo o acervo contábil da Impugnante, e, não detectando qualquer evidência de dolo ou culpa, tomou por ato isolado a concretização do lançamento mediante "prova" emprestada. O lançamento teve como fundamento a "prova" realizada por terceiros, que deve ser revisto. 15.5. O lançamento tributário prescinde de prova robusta, qualquer que seja o indício, deve ser necessariamente provado. Dessa forma, apenas a existência de indícios ou presunções não pode caracterizar o crédito tributário. Qualquer que seja o indício, ele deve ser necessariamente provado. Dessa forma, houve cerceamento de defesa, em decorrência da ausência de comprovação de que os mesmos clientes da CONTRACTORS foram os mesmos clientes da VIDAX para que restasse configurada a sucessão pretendida. 16. DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 16.1. O artigo 114 do Código Tributário Nacional define o conceito do fato gerador, que tem uma consequência jurídica específica, pagar o tributo. O lançamento visa organizar os acontecimentos ocorridos enquadrado na legislação. A atividade fiscal é exclusiva e privativa da autoridade administrativa A responsabilidade da autoridade administrativa é preponderante na busca do crédito. Esta responsabilidade vai no exame de forma acurada e profunda, verificando as atividades econômicas mediante o elo desta atividade com o fato gerador. Em caso de dúvida não há a possibilidade de penalizar o contribuinte (art. 112 do CTN). 16.2. A Impugnante prestou as informações requeridas pela autoridade administrativa. 17. DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 22 17.1. Quanto às contribuições exigidas pelo Fisco, cabe ao próprio sujeito passivo apurar o montante do tributo devido, mediante a escrituração contábil, emitir a Guia de Informação e Apuração, e recolher o montante aos cofres públicos, sem qualquer participação da Administração Pública, sendo o caso de lançamento por homologação. 17.2. As normas dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas reciprocamente excludentes. A primeira aplicase exclusivamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação; a segunda aplicase aos tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. 17.3. O lançamento fiscal ocorreu em novembro de 2012. Na realidade, por tratar de contribuições (tributos sujeitos pela legislação ao lançamento por homologação), e vinculandose diretamente aos meses de janeiro/2006 à maio/2008, a autoridade administrativa, ao realizar o lançamento fiscal, não observou a homologação tácita. 17.4. O artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, o qual as normas Federais se conduzem, fixa o prazo de 05 (cinco) anos para ocorrer a homologação, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, assim, para as Impugnantes, todos os fatos geradores supostamente ocorridos até novembro de 2007 foram alcançados pela decadência e não podem ser exigidos. 17.5. E ainda que se aplicasse o art. 173, I, do CTN, ao invés do § 4º do art. 150, seria necessário o reconhecimento da decadência ao menos dos fatos geradores supostamente ocorridos em 2006. 18. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MARCELO KALFELZ MARTINS VALDIK GUERRA LIMA 18.1. Defende a Impugnante que o arrolamento de Marcelo Kalfelz Martins e de Valdik Guerra Lima como responsáveis pela obrigação tributária não preenche os requisitos mínimos necessários, sendo eles partes ilegítimas para figurar no pólo passivo da autuação. 18.2. E, sendo o processo administrativo fiscal uma fase de revisão do ato do lançamento, cujo objetivo é o de analisar a legalidade do lançamento, compreendendo a verificação da ocorrência do fato gerador, a inclusão de Marcelo Kalfelz Martins e Valdik Guerra Lima, como devedores solidários. O Decreto 70.235/72 determina que apenas o real sujeito passivo da obrigação tributária pode apresentar recurso. Assim, não lhes foi oferecido o direito à ampla defesa e do contraditório, o que fere também o princípio do devido processo legal. 18.3. Além disso, no texto da intimação do Auto de Infração, não constou expressamente a qualificação de Marcelo Kalfelz Martins e de Valdik Guerra Lima, bem como a determinação da Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 13 23 exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias. No Termo de Sujeição Passiva Solidária, não consta o número do processo e o prazo para impugnação. 18.4. Em nenhum momento a Fiscalização apontou a qualificação e as circunstâncias que destacassem a responsabilidade solidária dos impugnantes. O simples fato de serem sócios não possibilita a sujeição como solidários. Dentro dos limites jurídicos permitidos pelos instrumentos legais (Artigo 142 Código Tributário Nacional) é vedada a ampliação da norma legal, devendo a mesma ser interpretada da maneira menos danosa ao cidadão, em razão de que, em nosso sistema, vige o Princípio da Legalidade, que obriga que as eventuais responsabilidades sejam expressas em norma jurídica competente. 18.5. O art.10 do Decreto 70.235/72 disciplina que o auto de infração conterá a qualificação do autuado e a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias. Não há nas folhas de verificação e conclusão da fiscalização demonstração entre os fatos apontados e a responsabilidade dos Impugnantes. 18.6. Diante da ausência das qualificações dos sujeitos passivos solidários (MARCELO KALFELZ MARTINS e VALDIK GUERRA LIMA), motivado pela natureza da infração, pois, faltou à autuação o complemento indispensável à constituição do crédito tributário, impossibilitando ao sujeito passivo solidário a exercer seu direito de ampla defesa as margens do Princípio da Legalidade, requer o reconhecimento da NULIDADE do feito. 19. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR 19.1. Para configurar como responsável pelo pagamento de crédito tributário os Impugnantes: Marcelo Kalfelz Martins e, Valdik Guerra Lima a configuração da responsabilidade de terceiro, nos termos da Lei, depende da ocorrência de 02 (dois) pressupostos básicos previstos no artigo 135 do Código Tributário Nacional: (i) que o ato que irá dar origem à obrigação tributária deva ser praticado com excesso de poderes ou infração à Lei, contrato social ou estatutos, e (ii) este mesmo ato deve ser realizado por alguma das pessoas elencadas nos incisos do artigo 135, a qual passará a ser responsável pelo crédito tributário. 19.2. Quanto à responsabilidade tributária por solidariedade, ressalva que se configura solidariedade, quando houver mais de uma pessoa física que, agindo com excesso de poderes ou infração à Lei, contrato social ou estatuto, contribua para o surgimento da obrigação tributária, conforme artigo 124, I do Código Tributário Nacional. Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 24 19.3. Ainda que estivessem preenchidos os requisitos previstos no art. 135 do CTN, só se afiguraria possível a inclusão de Marcelo Kalfelz Martins e de Valdik Guerra Lima como responsáveis tributários quando devidamente comprovada a insuficiência do patrimônio da CONTRACTORS ou VIDAX. 19.4. No presente caso, não foi demonstrada de forma circunstanciada e pormenorizada os critérios utilizados e quais foram os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei contrato social, nos termos do art. 135 do CTN. DO MÉRITO 20. DA AUSÊNCIA DE SUCESSÃO 20.1. As Impugnantes mencionam o art. 133 do CTN, atentando que em nenhum momento se provou que a empresa CONTRACTORS encerrou as suas atividades e, ao contrário, encontrase ativa na JUCESP e na própria RFB. 20.2. Observa que o livro registro de empregados, contrato social, clientes e outros documentos, que se encontrava em poder da CONTRACTORS, e folhas de pagamento inclusive que sequer foram colacionadas nos autos, que sem estes elementos, não pode haver a caracterização de aquisição de uma empresa. A julgar pelo relatado que os empregados foram transferidos sem rescisão contrato do trabalho, estes ainda que na folha de terceiros, não permitem inferir que tenha havido contrato de compra e venda. 20.3. Argumenta que na manifestação fiscal, observase como qualificada, a suposta sucessora VIDAX da empresa CONTRACTORS nos períodos referentes a 2006, 2007 e 2008. Ocorre que na forma das alterações contratuais colacionadas pelos Auditores Fiscais, a VIDAX ainda não existia e que somente veio a ser registrada a partir de 21.02.2008. Deveria a fiscalização ter requerido à época da fiscalização uma diligência para esclarecimentos. O que não fez. 20.4. Observa que diante de toda a documentação sobre alterações contratuais colacionadas, não vincula efetivamente e tampouco faz menção alguma a eventual compra da CONSTRACTORS pela VIDAX ou por alguma das pessoas arroladas. 20.5. Considera que a empresa tomada como sucedida está em pleno exercício de suas atividades, para a Impugnante, o lançamento deveria ter sido realizado, por ainda não estar extinta, somente contra a CONTRACTORS e que houve erro de sujeito passivo na autuação fiscal combatida. 21. Do Princípio da Verdade Material 21.1. A Autoridade Administrativa deve buscar a verdade material, De acordo com o previsto no § 1º, II, do art. 59 do Decreto 70.235/72, a nulidade do ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou seja consequência. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 14 25 dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. 21.2. Se o vício estiver instalado na produção, é caso de nulidade (defeito de composição, explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, falta de materialidade ou determinação do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis) por vício material. 21.3. Para a Impugnante, houve a ocorrência de vício material na autuação, sendo, assim, requer a declaração da nulidade da autuação em PRELIMINAR. 22. Da Ausência da Demonstração da Base de Cálculo e da Ausência de Ocultação de Beneficiário 22.1. O valor do lançamento não apresenta detalhadamente a base de cálculo, período, juros mensal, limitandose somente a globalizar o valor da importância sem que haja qualquer evidência para verificação dos cálculos e fatos gerados. 22.2. A fiscalização menciona que a Impugnante fez comprovar o pagamento do valor total das notas fiscais emitidas pela EXPERTISE, fato suficiente para reconhecer a referida natureza dos dispêndios com apoio em documentado hábil e idôneo 22.3. A Fiscalização sequer procurou identificar os supostos beneficiários, bastando o silêncio da Impugnante sobre esse assunto para que fosse evidenciada a suposta ocultação. 22.4. Não há como entender como é possível ocorrer o lançamento de contribuições previdenciárias da parte "segurados", se, segundo a própria fiscalização, não foram identificados os beneficiários dos cartões. Sem esta informação, como o Fisco poderia abater o valor já recolhido pela empresa em relação aos supostos funcionários. Como poderia respeitar o limite máximo da contribuição. Como poderia calcular a alíquota progressiva da contribuição previdenciária? 22.5. Como se não bastasse, também seria necessária verificar a qual título os pagamentos eram realizados. Afinal, tais cartões eram utilizados apenas para pagar verbas não remuneratórias, em relação aos quais não incidem contribuições previdenciárias. Dentre elas, destaca as indenizações, despesas com almoço de negócios, prêmios (assiduidade, permanência, etc). 22.6. Também não há que se falar nas demais contribuições previdenciárias (parte empresa e terceiros), muito menos nas multas exorbitantes exigidas, razão pela qual os autos de infração merecem ser totalmente cancelados. 22.7. Ainda, em relação às multas, é certo que estas não respeitam os limites legais impostos. Primeiro porque a Lei n° 11.941/11 não prevê a possibilidade de cumulação das multas, conforme defendido no auto de infração. Ela prevê, sim, que seja Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 26 aplicada a menor multa, mas sem somar as penas (artigos 32 e 35 da referida) 23. DO PEDIDO 23.1. Requer o provimento do recurso, que seja reconhecida sua procedência e também a sua dedutibilidade das despesas comprovadas; 23.2. Referente aos procedimentos administrativos que deram origem ao lançamento, requer a procedência integral da impugnação, exonerando os Impugnantes do crédito tributário exigido, seja em razão das PRELIMINARES, seja em razão do MÉRITO; 23.3. Sejam observados os consagrados Direitos Constitucionais, 23.4. Requer Deferimento. ► IMPUGNAÇÃO CARLOS SOTTO MAIOR 24. O impugnante: CARLOS SOTTO MAIOR, foi cientificado do Auto de Infração e da Sujeição passiva em 14/11/2012, fs. 1938, apresentou impugnação para as referidas autuações, às fls. 2034/2058, com juntada de procuração, documentos de identificação de seus procuradores. 25. DA ATUAÇÃO EMPRESARIAL DO IMPUGNANTE 25.1. Inicialmente, o Impugnante discorreu sobre a sua atuação empresarial, observando que em 1998 fundou a empresa CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA em sociedade com Célia de Oliveira Secchim. 25.2. Em janeiro de 2002, Célia de Oliveira Secchim retirase da sociedade e entra em seu lugar Valdik Guerra Lima. O Impugnante, na empresa, respondia pelas atividades tecnológicas, Valdik respondia pela administração da sociedade. A partir de 2004, a empresa contou com a colaboração de Carlos Vicente Misciasci, que era o Diretor Administrativo Financeiro da empresa, sob orientação do Sr. Valdik. 25.3. Como sócio da CONTRACTORS, o Impugnante sempre primou pela forte atuação ética e exigia forte controle de qualidade nos atendimentos efetuados pelos funcionários da empresa. 25.4. Em 16 de janeiro de 2008, o Impugnante vendeu sua participação de CONTRACTORS para a empresa PALMARIUM PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA. Mesmo antes e sobretudo após essa data, o Impugnante não teve qualquer envolvimento com a gestão administrativa da empresa relacionada ao cumprimento das obrigações tributárias. Em relação aos fatos investigados na fiscalização, não possui qualquer acesso aos documentos da empresa, já que há mais de 4 anos e meio dela não participa. 25.5. Conforme disposto na clausula 26 do Instrumento de Cessão e Transferência de Quotas Sociais e Outras Avencas, no qual o Impugnante transferiu para a PALMARIUM suas quotas, esta assumiu a empresa no estado em que se encontrava, isentando o Impugnante de qualquer responsabilidade, por todas Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 15 27 e quaisquer perdas e danos, prejuízos, contingências e passivos, fossem eles declarados ou ocultos, independentemente de qual fosse o seu fato gerador (fiscal, trabalhista, cível ou previdenciário) e de quando tal fato gerador tivesse ocorrido. 26. DA ACUSAÇÃO FISCAL 26.1. O MPFF n° 08.1.20.002012003748, determinou a fiscalização dos registros contábeis de CONTRACTORS, com intuito de verificar a regularidade no cumprimento de obrigações relativas aos tributos administradas pela RFB, em virtude de emissão de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., CNPJ n°03.069.255/00107 doravante "EXPERTISE", nos anos calendário de 2006 a 2008. 26.2. Transcreve excertos do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, após argumenta que mesmo com a entrega dos contratos de prestação de serviços, além das notas fiscais, e, ainda, com a comprovação efetiva do pagamento do valor total das notas fiscais emitidas por EXPERTISE, entendeu a fiscalização que restou incomprovada a efetiva prestação de serviços pela EXPERTISE à CONTRACTORS e que o trabalho fiscal conclui pela autuação de três autos de infração, por considerar a "ausência do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores oriundos de créditos efetuados nos cartões de incentivo" e, outros pelo descumprimento de obrigação acessória, que arrola, no item 33 da Impugnação. 27. DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS INDICADAS NA ACUSAÇÃO FISCAL. Da Responsabilidade por Sucessão 27.1. O trabalho fiscal também reconheceu a responsabilidade tributaria por sucessão de VIDAX TELESERVIÇOS S. A. doravante "VIDAX", com a aplicação dos artigos 129, 132, caput, e 133, caput, e inciso I, todos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.712/66) 27.2. Em longo e detalhado arrazoado a fiscalização afirmou que após a sua constituição em 2008, a sociedade VIDAX passou "a explorar, no mesmo endereço, com os mesmos empregados, sob a administração das mesmas pessoas físicas, a mesma atividade explorada pela sociedade CONTRACTORS, até sua presumível extinção irregular, pela ausência de receitas auferidas no ano calendário 2011". 27.3. Lembra e destaca que o Sr. CARLOS SOTTO MAIOR retirouse da CONTRACTORS em janeiro de 2008, ou seja, ficando claro que a sucessão de CONTRACTORS por VIDAX ocorreu muito após a saída do a Impugnante de seu quadro societário. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 28 27.4. A fiscalização concluiu que a sociedade VIDAX é sucessora de CONTRACTORS, seja pela aquisição do fundo do comércio, seja pela transformação desta, para ao final lavrar auto de infração e imposição de multa dos créditos tributários acima indicados contra a sucessora. 28. Da "Sujeição Passiva Solidária" " Responsabilidade de Terceiros" nos termos do artigo 134, VII, e 135, I e VII ambos do Código Tributário Nacional 28.1. O “Termo de Sujeição Passiva Tributária n° 02”, diferente do termo que concebeu a responsabilidade por sucessão de VIDAX, não trouxe qualquer informação específica da atuação do ora Impugnante, bem como sua conduta como cotista de CONTRACTORS, que pudesse permitir lhe fosse imputada responsabilidade solidária com CONTRACTORS e VIDAX por supostas irregularidades fiscais. 28.2. Que o Termo de Sujeição Passiva n° 02 apenas trouxe um resumo da presunção fiscal, segundo a qual CONTRACTORS não comprovou a efetiva prestação dos serviços contratados de EXPERTISE, com o objetivo de reduzir e/ou não pagar tributos e contribuições administrados pela SRFB, além da sucessão de CONTRACTORS por VIDAX, considerando a extinção irregular da primeira dessas sociedades. 28.3. Assim, pelo simples fato de ter sido cotista de CONTRACTORS até janeiro de 2008, foi atribuída ao Impugnante a responsabilidade de terceiros, com fulcro no art. 134, VII, e 135, I, do CTN, sendo a sujeição passiva atribuída ao Impugnante inconsistente, seja pela ausência de ilegalidade na sua conduta, seja pelo equívoco de seu fundamento legal. Nos dois casos citados previstos no CTN, é necessária a presença do elemento volitivo para configurar a responsabilidade do Impugnante. 28.4. Há uma inconsistência, visto que CONTRACTORS não foi liquidada, continuando a existir, como apurou o "Termo de Verificação e Conclusão Fiscal" inclusive demonstrando a evolução do imposto de renda desta sociedade, sem contar que sua situação fiscal é ativa perante a Receita Federal do Brasil. 28.5. Tivesse sido liquidada de forma irregular, tal fato não enquadraria a Impugnante nas disposições da alínea VII do art. 134 do CTN, visto que quando tal ocorreu o signatário não mais era sócio de CONTRACTORS, nada tendo a ver com a sua liquidação irregular, se é que ela tenha ocorrido. 28.6. Ainda, o art. 134 prevê que os sócios respondem pelo crédito tributário, no caso de liquidação de sociedade de pessoas, quando da impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária. 28.7. Por outro lado, não foi provado qualquer fato decorrente de ação ou omissão capaz de sugerir a subsunção dele à norma esculpida no art. 134 do CTN, considerando que não ficou comprovada a impossibilidade de cumprimento da suposta obrigação principal pelos contribuintes CONTRACTORS e Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 16 29 VIDAX, como também não foram demonstrados os atos em que o Impugnante interveio ou mesmo se omitiu. 28.8. Quanto ao art. 135 do CTN, não foi provado o excesso de poderes praticado pelo Impugnante ou a violação por ele de lei, o que evidencia o caráter manifestamente ilegal do ato que tenta tornálo solidário com a empresa autuada. 28.9. Diante do que expõe, deve ser afastada a “Responsabilidade de Terceiros” prevista no “Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 02” atribuída ao Impugnante. DO MÉRITO 29. Quanto ao mérito, inicialmente, a Impugnante defendeu a ocorrência da decadência de parte dos créditos, de acordo com a regra prescrita no § 4º do art. 150 do CTN, considerando que os valores lançados referemse à diferença de tributos (contribuições previdenciárias sobre apenas os créditos nos cartões de incentivo) dos anos de 2006 a 2008, de auto de infração lavrado somente em 14/11/2012, temse que a SRFB só poderá constituir créditos tributários após 14/11/2007, já que antes desta data todo e qualquer lançamento encontrase completamente fulminado pela decadência.Como a ciência do auto de infração ocorreu em 25/10/2012, a Receita Federal só poderia constituir créditos tributários após 25/10/2007. 29.1. o Impugnante foi sócio da CONTRACTORS até 16 de janeiro de 2008, conforme inclusive demonstra a sétima alteração contratual desta empresa, antes mesmo de qualquer discussão sobre a exação em si, vale consignar que o Impugnante só poderia responder por supostos créditos tributários de 14 de novembro de 2007 a 15 de janeiro de 2008 (um dia antes da alteração contratual que procedeu a retirada do Impugnante). 30. DA AUTUAÇÃO ANTERIOR 30.1. As atribuições do Impugnante em CONTRACTORS, à época em que figurava como sócio e, também o seu desligamento em janeiro de 2008, tem por certo que não obteve qualquer incumbência quanto aos recolhimentos dos tributos devidos, bem como aos deveres instrumentais tributários (declarações etc), sem contar o fato de que desconhecia a instauração deste processo fiscalizatório previdenciário em CONTRACTORS que originou as autuações descritas. 30.2. A constituição dos créditos tributários ora discutidos colide frontalmente com a postura já adotada pela própria fiscalização da Receita Federal do Brasil, quando da lavratura do auto de infração oriundo do MPFF n° 0812000/00374/12 (Processo n° 10803.720067/201214), ocorrida praticamente um mês antes da atual (doc. 07). 30.3. O Impugnante tratou da questão da autuação referente à glosa das despesas lançadas relativas aos pagamentos dos Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 30 créditos efetuados nos cartões de incentivo, com vistas à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com espeque no Artigo 299 do RIR/99. 30.4. Entende o Impugnante que os créditos tributários que exigem contribuições previdenciárias incidentes sobre os créditos efetuados nos cartões de incentivo dos funcionários de CONTRACTORS, relativo aos pagamentos realizados à EXPERTISE por conta dos mesmos contratos 3314 e 4561, não há como prosperar, já que os valores pagos à EXPERTISE, decorrentes dos contratos n°s 3314 e 4561, foram anteriormente considerados como despesa indedutível. 30.5. Com base no mencionado entendimento, os mesmos pagamentos não poderão agora ser considerados capazes de gerar a tributação das contribuições previdenciárias sobre salários, pois se assim fossem naturalmente seria assegurada a dedutibilidade dos aludidos valores. 30.6. Registra que o fisco vem considerar que os valores pagos tem caráter salarial, assim, fica completamente assegurada a dedutibilidade dos valores pagos em virtude dos contratos firmados entre CONTRACTORS e EXPERTISE, não podendo prevalecer a autuação anterior. Diante deste cenário, é que merece ser afastada a presente autuação, sob pena de subsistir entendimento contraditório da Receita Federal do Brasil sobre o mesmo tema, e, com intuito de prejudicar o contribuinte, por duas vezes. 31. CONCLUSÃO 31.1. O "Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 02" que concebeu a "Responsabilidade de Terceiros", é inconsistente, seja pela ausência de ilegalidade na conduta do Sr. CARLOS SOTTO MAIOR, pelo equívoco de seu fundamento legal. 31.2. Não foram devidamente preenchidos os indispensáveis requisitos legais para responsabilização do Impugnante, particularmente a prova da sua atuação com excesso de poderes ou infração à lei. 31.3. No mérito, a autuação fiscal revelase totalmente improcedente porque: (i) exige créditos tributários fulminados pela decadência; (ii) (ii) além de colidir com o entendimento já exposto pela RFB, quando da lavratura do auto de infração oriundo do Processo n°10803.720067/201214 DO PEDIDO 32. Requer: 32.1. o afastamento de sua responsabilidade, nos termos acima tratados; ou, alternativamente; 32.2. a decretação da improcedência da autuação fiscal e o consequente arquivamento deste feito fiscal; OCORRÊNCIAS 33. Não foram apresentadas Impugnações pelos seguintes Sujeitos Passivos Solidários: Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 17 31 ▪ EDUARDO MARQUES SAMPAIO – CPF 824.994.89715, à Rua Carlos Weber, nº 757 – Apto. 271 – T CIRUS, Vila Leopoldina São Paulo – SPCEP 05303000, fls. 1939/1941 ciência em 14/11/2012, fl. 1942, referente ao termo de sujeição passiva solidária nº 3 – assuntos previdenciários. ▪ MARCOS VINÍCIUS DO CARMO – CPF 051.650.71847, à Alameda dos Cravos, nº 929, Aldeia da Serra – Santana de Parnaíba São Paulo – SPCEP 06519500, fls. 1947/1949 ciência em 26/11/2012, fl. 1950 referente ao termo de sujeição passiva solidária nº 5 – assuntos previdenciários. É o relatório. Inconformado com a decisão, exclusivamente Carlos Sotto Maior apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Pelo simples fato de ter sido cotista de CONTRACTORS até janeiro de 2008, foi atribuída ao ora Recorrente a responsabilidade de terceiros, com fulcro em dois artigos da Seção III, do Capítulo V, do Código Tributário Nacional, leiase, artigo 134, inciso VII, e 135, inciso I, relativos à totalidade dos créditos tributários consolidados neste feito administrativo. · Intimado, o exsócio, ora Recorrente, apresentou impugnação aos autos de infração comprovando que à época em que figurou como diretor de CONTRACTORS, foi responsável apenas pela área técnica da empresa, bem como que a sua responsabilização não cumpriu os requisitos legais. No mérito, demonstrou que houve decadência de parte dos créditos tributários constituídos, sem contar no fato que o programa de premiação não se assemelha a salário. · Em 1998, considerando sua experiência técnica acumulada durante anos, e sua conduta ilibada reconhecida no meio empresarial, fundou a empresa de Call Center e Telemarketing CONTRACTORS com a sua sócia à época, Sra. CELIA DE OLIVEIRA SECCHIM · Posteriormente, em janeiro de 2002, conforme inclusive consta do trabalho fiscal, por meio da segunda alteração do contrato social, a sócia Sra. CELIA DE OLIVEIRA SECCHIM retirouse da sociedade. No mesmo ato, ingressou como sócio detentor de metade das cotas de CONTRACTORS, o Sr. VALDIK GUERRA LIMA doravante "VALDIK", que conhecera na @CESS, onde este detinha o cargo de Gerente de Operações e Atendimento. · Neste cenário, o Recorrente e seu novo sócio (Sr. VALDIK) dividiam claramente as responsabilidades internas: o primeiro respondia pelas atividades tecnológicas dentro de sua formação técnica e sua vasta Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 32 experiência profissional e o segundo era responsável pela administração da sociedade · A partir de abril de 2004, a empresa contou com a colaboração do Sr. CARLOS VICENTE MISCIASCI Diretor Administrativo Financeiro, profissional de larga experiência com formação e carreira na área administrativa financeira. Vale dizer, a atividade cotidiana do departamento financeiro era coordenada por MISCIASCI, sob a orientação do Sr. VALDIK, repitase, sem qualquer participação do Recorrente. · Reforcese, na "forma" a CONTRACTORS era constituída como uma sociedade de responsabilidade limitada, detida por dois sócios. Na"essência" o funcionamento da empresa era por áreas de responsabilidade bem segmentadas e bem definidas, tendo cada área um responsável específico, tendo o Sr. VALDIK como presidente, o Sr. MISCIASCI como Diretor Administrativo Financeiro, enquanto o Recorrente respondia pela a área de tecnologia da empresa. · Seja quando de sua participação na CONTRACTORS, seja especialmente após a venda, o Recorrente não teve nenhum envolvimento com a gestão administrativa da empresa relacionada ao cumprimento de obrigações relativas aos tributos,considerando sua função que cabia na sociedade, sendo certo que também nunca foi avisado/intimado sobre a existência de procedimento fiscalizatório realizado na CONTRACTORS, mesmo após sua retirada. · O v. acórdão apenas repetiu o trabalho fiscal ao atribuir responsabilidade ao Recorrente pelo simples fato de ter sido cotista de CONTRACTORS até janeiro de 2008. · Verificase a impropriedade da lavratura de "Termo de Sujeição Passiva tributária n° 02" como também das razões do acórdão, pelo simples e importante fato que não foi suscitado, nem tampouco provado o excesso de poderes praticado pelo Recorrente, ou a violação por ele de lei, evidenciando o caráter manifestadamente ilegal do ato que tenta tornálo solidário com a empresa autuada. · É pacífico no direito que para a correta aplicação do artigo 135 e seu conteúdo jurídico semântico é necessária a presença do elemento volitivo para configurar a responsabilidade atribuída ao Recorrente. · Decadência conforme parágrafo 4o do artigo 150 do CTN. · Questiona a tributação dos prêmios de estímulo. É o relatório. Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 18 33 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA A DRJ reconheceu a decadência das competências 1 a 11/2006 com base na regra do artigo 173 do CTN. O recorrente requer a aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN. Não concordo com o recorrente. A regra do artigo 150 não se aplica quando ocorre dolo, fraude ou simulação. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. É o que entendo que ocorreu. A empresa remunerou seus trabalhadores de forma indireta, por meio de cartão de premiação emitido por terceiros, ocultando da tributação tais valores. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 34 A sistemática aplicada consistiu em contratar uma empresa para efetuar premiações com cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderiam ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. SOLIDARIEDADE CARLOS SOTTO MAIOR O recorrente, questionando seu enquadramento como responsável solidário, se apresenta como engenheiro, responsável exclusivamente pela área técnica da empresa e afirma que os responsáveis pela área administrativa eram outros sócios, sem qualquer participação do recorrente. Concordo parcialmente com o recorrente. A responsabilidade solidária foi imputada por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 2, folhas 1935 a 1937, que apresentou os fatos, apresentou a fundamentação legal e concluiu que "Os fatos apurados na CONTRACTORS caracterizam, não só a prática de atos com infração à lei, como, em tese, crimes de sonegação previdenciária e contra a ordem tributária." . A concordância parcial com o recorrente baseiase no fato de o recorrente participar da direção da empresa até 16/01/2008, conforme Termo de Verificação e Conclusão Fiscal. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 19 35 Entendo que a partir de janeiro de 2008, o recorrente não mais deveria figurar como devedor solidário. Quanto ao período até 12/2007, concordo com a imputação da responsabilidade solidária e com o entendimento apresentado no voto condutor da decisão de primeira instância, isto é, os sócios administradores da época se valeram de procedimentos ilícitos, visando encobrir fatos geradores de contribuições previdenciárias quando ocultaram a remuneração de segurados da previdência uma vez que deixaram de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os valores correspondentes aos prêmios pagos aos seus empregados, através da empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e deixaram de incluir tais fatos geradores em folhas de pagamento e na GFIP. 36.2. Sobre o assunto, oportuno relembrar que Autoridade entendeu que os sócios administradores da época se valeram de procedimentos ilícitos, visando encobrir fatos geradores de contribuições previdenciárias: (i) ao deixarem de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os valores correspondentes aos prêmios pagos aos seus empregados, através da empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda; (ii) ao deixarem de incluir tais fatos geradores em folhas de pagamento e na GFIP. 36.3. Ressaltese que é dever funcional do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a emissão de Representação Penal para Fins Penais, a ser enviada ao Ministério Público, em autos separados, protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de procedimento de fiscalização de que resulte lavratura de auto de infração relativo a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, notadamente contra crime contra a Previdência Social tipificado nos artigos. 168A ou 337A do DecretoLei nº 2.848, de 1940, que permaneceram no âmbito da unidade de controle até que o referido crédito se torne definitivo na esfera administrativa, respeitado o prazo para cobrança amigável (Lei nº 9.430, de 1996, art. 83). 36.4. Assim, o DecretoLei nº 2.848, de 1940, disciplina no art. 337A: Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 36 (...) Sonegação de contribuição previdenciária (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000). Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (...) 36.5. Também, constatada a infração à lei, em obediência ao disposto nos artigos 124 e 135, inciso III, do CTN, os sócios dirigentes foram considerados responsáveis pelos créditos previdenciários apurados, razão pela qual foram lavramos os competentes Termos de Responsabilidade Tributária Solidária. 36.6. Na seara tributária, apesar de a empresa praticar a materialidade da hipótese de incidência, terceira pessoa, in casu, o sócio da empresa, poderá ser chamada a compor o polo passivo da relação jurídica tributária se verificada a ocorrência de um fato que, embora não tributário mas com ele conexo, enseje a responsabilidade do sócio da pessoa jurídica. Não se trata de confusão patrimonial, mas de caracterização legal de responsável que deverá arcar com o ônus do tributo juntamente com o contribuinte. 36.7. O art. 124 do CTN determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 20 37 36.8. Oportuno mencionar o ensinamento de Leandro Paulsen em “Direito Tributário: Constituição e Código à luz da doutrina e da jurisprudência”, 7ª ed. rev. atualizada, em nota ao art. 124, I do CTN (fls. 968), quanto aos sócios gerentes: “A responsabilidade dos sócios gerentes tem natureza solidária, face ao disposto no art. 124, do CTN, podendo ser exigida de um, de alguns, ou de todos os devedores... (TRF1, AC 0109311/MG, rel. Silva, mar/1991)” 36.9. Acrescentase que o art. 135 do CTN encerra previsão de que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Grifamos. 36.10. Neste sentido, o dispositivo é apropriado quando se verifica a prática de ato para o qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Ou seja, há a prática de um ato irregular. Observase que a doutrina entende esta responsabilidade como solidária1. 36.11. Também aqui, pertinente a doutrina de Leandro Paulsen, em sua obra acima mencionada, vide o comentário ao art. 135, III do CTN (fls. 1011): “entendese que a responsabilização exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou tolerado a prática de ato abusivo e ilegal quando em posição de influir para a sua nãoocorrência. A mera condição de sócio é insuficiente, pois a condução da sociedade é que é relevante.” (destaques não constam do original) 36.12. Nos autos há comprovação da ocorrência, em tese, de crime de sonegação previdenciária, vez que a empresa, por atuação de seus sócios, deixou de declarar no documento Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 38 próprio (GFIP) fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tais fatos conduzem à conclusão de que os sócios/administradores: MARCELO KALFELZ MARTINS, VALDIK GUERRA LIMA e CARLOS SOTTO MAIOR tinham interesse e/ou participação em tais atos que redundaram no recolhimento de um valor menor do que o tributo efetivamente devido. 36.13. Assim, é de ser reconhecida a obrigação solidária dos sócios que agiram de forma irregular na administração da sociedade, à margem da legalidade, extrapolando os poderes normais de gerência da empresa, deixando de oferecer à tributação os valores devidos ao omitilos das declarações mensais, assim como não zelando pelo recolhimento das respectivas contribuições. 36.14. Oportuno relembrar o teor do art. 137, I do CTN: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; 36.15. Por tudo o quanto exposto, vêse que o ônus do pagamento do tributo é atribuído, por lei, a terceira pessoa vinculada ao fato gerador que podia e devia diligenciar no sentido de que o tributo fosse recolhido à conta da empresa que, dado o fato gerador, seria elegível como contribuinte. Ou seja, pode a lei atribuir a responsabilidade tributária aquele que, mantendo vinculação com as circunstâncias que acarretam a ocorrência do fato jurígeno tributário, tenha “poder” para determinar o adimplemento ou não da obrigação surgida. 36.16. Assim, como os sócios/acionistas efetivamente exerceram sua função de administradores da sociedade ao tempo do surgimento da obrigação tributária decorrente de infração à legislação, ainda que não definitivamente decidida a questão, mas suficientemente informada e comprovada, correta a sua responsabilização por débitos decorrentes da situação anteriormente exposta, surgidos no período de sua gestão. 36.17. Repisase que no presente caso, foi verificada infração gravíssima: os atos praticados pelos administradores da sociedade estão caracterizados como crimes de sonegação previdenciária, previsto no art. 337A, inciso III, do Código Penal. Em conseqüência, não há como afastar a responsabilidade dos gestores da empresa, os sócios/acionistas, na condição de sujeito passivo solidário: Marcelo Kalfelz Martins, Valdik Guerra Lima e Carlos Sotto Maior, que deverão ser mantidos no polo passivo da relação tributária. PREMIAÇÃO TRIBUTAÇÃO Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 21 39 A recorrente apresenta a tese que a premiação para a seus empregados não consistem verbas salariais, possuindo natureza diversa e por conseguinte não integrando a remuneração e não repercutindo para fins fiscais e previdenciários Abaixo ficará demonstrado que tal tese não procede. É evidente que a premiação é retribuição do trabalho efetuado. A sistemática aplicada consiste em contratar uma empresa para efetuar premiações em cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderá ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. A regra do artigo 28 da Lei 8.212/91 é a tributação dos empregados incidir sobre a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; O parágrafo 9º do mesmo artigo especifica as verbas não integrantes do salário de contribuição. O que se observa de sua leitura é que tais verbas não constituem remuneração do trabalho. 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 40 e) as importâncias:(Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata oart. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata oart. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Entendo correta a tributação. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da Carlos Sotto Maior da condição de devedor solidário a partir de 16 janeiro de 2008. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720079/201249 Acórdão n.º 2201003.021 S2C2T1 Fl. 22 41 Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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